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Numero do processo: 13819.900831/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI E SUA UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS
Para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matéria-prima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerar-se líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento
Numero da decisão: 3301-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI E SUA UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS Para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matéria-prima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerar-se líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento
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Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerarse líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 08 31 /2 01 0- 91 Fl. 1756DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, e Declarações de Compensação vinculadas. Assim a DRJ/RIBEIRÃO PRETO, em seu Acórdão nº 1463.953 – 8ª Turma, combatido no Recurso Voluntário apresentado, descreveu o litígio. Por bem descrito, adoto seu texto: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente ante Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu totalmente o ressarcimento, no montante de R$ 262.222,06 e nãohomologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP apresentados, fato que constou da cobrança do valor de R$ 259.015,71 mais acréscimos legais. Consta dos autos que o crédito que se pretendeu compensar diz respeito ao saldo credor do IPI apurado no 3º trimestre de 2008. A nãohomologação das compensações se deu em conseqüência de glosas de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Conforme informação fiscal, inclusa no despacho decisório anexo na internet, do procedimento de verificação dos Pedidos de Ressarcimento de Créditos Incentivados do IPI relativos aos Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP apresentados em decorrência de intimação fiscal, constatouse diversas inconsistências nos arquivos digitais entregues pela empresa. As principais sendo: a falta da entrega dos arquivos de todos os estabelecimentos; os arquivos entregues contemplam apenas os dados contábeis; não apresentam os saldos iniciais e não foram incluídos os dados fiscais ou uma alternativa (SINTEGRA). A análise dos arquivos digitais mostrou uma contabilidade desconexa e inconsistente. A lógica de algumas contas e sua contrapartida não coaduna com os princípios contábeis vigentes e alguns lançamentos não são concretamente esclarecidos. Da verificação das notas fiscais NF, após a analise do fornecedor, do material adquirido e dos valores, procurouse verificar a aquisição propriamente dita e a entrada da mercadoria (insumos) no estabelecimento. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 13819.900831/201091 Acórdão n.º 3301004.893 S3C3T1 Fl. 1.757 3 Neste exame se verificou os meios de pagamento e o seu fluxo, representados pelo registro nas contas Fornecedores, Caixa, Bancos e outras eventuais utilizadas pelo contribuinte. Desta verificação foram constatadas as seguintes irregularidades: Manutenção de Saldo Devedor na conta fornecedores; manutenção de Saldo Credor na conta Caixa; utilização de contas com título de Adiantamentos Diversos/Cheques a Receber com o propósito de efetuar ajustes contábeis; Saldos Iniciais e Finais das contas apresentadas nos arquivos digitais divergentes daqueles registrados na DIPJ. Também foi solicitado à contribuinte a entrega do livro Registro de Produção e Estoque (Mod. 3), para que se pudesse analisar a sua produção e assim comprovar suas compras de insumos, sua produção e vendas. A contribuinte alegou não escriturar este livro e quando instada a apresentar uma alternativa do controle de sua produção disse não efetuar qualquer registro geral, controlando a sua produção apenas por Ordens de Serviço OS individuais. Face a complexidade dos produtos e especialmente sua grande diversidade, a análise destas OS mostrou ser inviável para a montagem de um quadro geral da produção da contribuinte sem contarmos, adicionalmente com as NF de entradas e saídas correlacionadas, com o livro Registro de Inventário e com um registro geral da mesma. Desta forma, concluiuse pela impossibilidade de julgar legítimos os créditos cujo ressarcimento foi pedido através dos PER/DCOMP indicados e em decorrência, em acordo com a IN SRF n° 600/2005 e a OS DRF/SBC n°01/99, o Fisco opinou pelo eu indeferimento total, no montante de R$ 1.454.969,22 (Um milhão quatrocentos e ciquenta e quatro reais e vinte e dois centavos). Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em suma, o que segue: Da nulidade Inicialmente, o Auditor da Receita Federal confirma em suas informações se tratar de créditos de IPI passíveis de ressarcimento, inclusive, de entrada de insumos relativos aos produtos da empresa, com atendimento as obrigações acessórias. Portanto, com base nas informações prestadas pelo Auditor, estamos autorizados em afirmar se tratar de crédito passível de ressarcimento e compensação. No entanto, em virtude da contribuinte não escriturar no livro Registro de Produção e Estoque (Modelo 3) nem apresentar SUPOSTAMENTE alternativa ao controle, além das Ordens de Produção, e diante da complexidade dos produtos e especialmente a sua grande diversidade, o Auditor deixou de analisar e montar quadro geral da produção com base nas Ordens de Serviços. O Auditor não agiu com legalidade, ou seja, mesmo sujeito aos mandamentos da lei se afastou e se desviou dos mesmos, praticando um ato ilegal, devendo ser responsabilizado disciplinarmente, pois na Administração Pública não se admite liberdade com a lei ou vontade pessoal. Diferentemente da contribuinte a qual é lícito fazer o que a lei não proíbe, na Administração só é permitido fazer o que a lei autoriza e no presente caso, não há lei que autorize o Auditor a glosar créditos quando se deparar com situações complexas. Por conseguinte, o Auditor Fiscal desrespeitou a Carta Magna e os princípios que regem a Administração Pública. Por estas razões, é inaceitável a atitude do Auditor Fiscal que, por conseguinte, violou os princípios fundamentais e os norteadores da Administração Pública. E vou mais além, agiu dolosamente e Fl. 1758DF CARF MF 4 sem amparo legal, pois inexiste previsão que autorize a glosa de crédito de ressarcimento de IPI diante de situações complexas. Com esta atitude impensada o Auditor Fiscal se sobrepôs a própria Constituição. Ao ponto de desrespeitar os princípios já mencionados. Ou seja, colocou a própria vontade acima da lei. Fato inadmissível em virtude das violações mencionadas, que por si só, garante a contribuinte o cancelamento da decisão que NÃO HOMOLOGOU os créditos de ressarcimento de IPI, cuja base teve as informações prestadas pelo Auditor da Receita Federal. A "dito documentação complexa" que levou o Auditor da Receita Federal a deixar de montar quadro da produção, é fruto dos próprios documentos fiscais que foram apresentados no longo da fiscalização, ou seja, notas fiscais de aquisição; Livro de Entrada, Livro de Saída; Inventário; Livro de Apuração; Livro Razão, Livro Diário e Arquivo Magnético Sintegra,cujas informações são correlatas as do Livro Modelo 3.Por outro lado, é certo que o Auditor tem o direitodever de prestar informações corretas ao órgão julgador, sem qualquer vício ou erros. Assim, é inadmissível que por falta de vontade em analisar os ditos documentos complexos seja a contribuinte penalizada com a glosa dos créditos. É incontestável que a atitude impensada do Auditor resultou na violação direta a Constituição Federal com o desrespeito aos princípios que regem a Administração Pública (art. 37), em especial o Princípio da Eficiência, onde ficou caracterizado que o Auditor deixou de analisar e montar o quadro da produção em virtude da complexidade da documentação apresentada em substituição ao Livro de Registro de Produção (Modelo 3). Da legitimação dos créditos. Insta salientar, que o Auditor da Receita Federal, em suas Informações Fiscais, reconhece que os créditos apurados pela Contribuinte são efetivamente de insumos relativos aos produtos da empresa, cuja entrada foi devidamente registrada nos livros. Conforme se denota, não há controvérsia a respeito da origem dos créditos. O Auditor é bem claro ao afirmar que as NF's de entrada demonstram que o crédito apurado pela Contribuinte é passível de ressarcimento/compensação. Essa afirmativa, por si só, torna desnecessária qualquer discussão a respeito. Assim sendo, nos reservamos o direito apenas de demonstrar os valores apurados a título de crédito e os débitos que foram objeto de compensação. Conforme se denota, em atendimento ao artigo 11 da Lei 9.779/99, os créditos foram apurados em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, e compensados com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto, restou comprovado se tratar de crédito decorrente da entrada de insumos, com registro no Livro de Entrada, e passível de ressarcimento/compensação. Do Registro de Controle de Produção e do Estoque Uma vez que a Contribuinte não mantém sistema de contabilidade de custo integrado, seu estoque de material em processamento e dos produtos acabados é arbitrado com base no artigo 296 do Regulamento do Imposto de Renda. O arbitramento é ferramenta válida para as empresas que não possuem contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escritura. Assim, quando a empresa não puder determinar os valores originais da escrituração contábil que permita, ao final de cada mês, determinar o valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração, Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 13819.900831/201091 Acórdão n.º 3301004.893 S3C3T1 Fl. 1.758 5 bem como de se apoiar em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas ou mapas de apropriação ou rateio, que permita avaliar o estoque existente na data do encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivos, deverá arbitrar seu estoque nos moldes do artigo 296 do RIR. Ao contrário do exposto, quando a empresa mantém contabilidade de custo integrado e coordenada com o restante da escritura, pressupõe que tenha o controle das entradas de insumos no estoque e a sua utilização no processo de industrialização. Por isso, estão obrigadas a manterem o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque. No presente caso, a contribuinte não mantém sistema de contabilidade de custo integrada. Assim sendo, seu estoque é arbitrado nos termos do artigo 296 do RIR. Por conta dessa sistemática de apuração e valorização dos estoques, tornasse desrazoável que a Contribuinte mantenha o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque (Modelo 3). Por outro lado, não é demais ressaltar, que as mesmas informações lançadas no dito Livro Modelo 3 são facilmente encontradas nas Notas Fiscais de aquisição; Livro de Entrada; Livro de Saída; Inventário; Livro de Apuração do IPI; Livro Razão, Livro Diário e Arquivo Magnético Sintegra. Todos esses documentos foram tempestivamente apresentados ao Auditor Fiscal, inclusive Ordens de Produção, mas, sob alegação de complexidade, não houve montagem de um quadro geral da produção: Veja Julgador, o Auditor estava de posse de toda documentação necessária e suficiente para apurar as mesmas informações contidas no Livro Modelo 3, mas, "por falta de vontade" preferiu julgar ilegítimos os créditos de ressarcimento de IPI. Reapresentar tais documentos nesta Manifestação de Inconformidade é tarefa árdua, por se tratar de documentos volumosos e, ao invés de ajudar no julgamento, poderá atrapalhar em virtude da quantidade de folhas a serem analisadas. Por isso, a contribuinte se reserva o direito de apresentar o mínimo possível, mas suficiente, para o respeitável Julgador reconhecer o crédito pleiteado. Não obstante as dificuldades de se juntar inúmeros documentos, com objetivo de demonstrar que os insumos foram efetivamente consumidos/utilizados no processo de industrialização, a contribuinte junta amostras das Fichas de Emergência e das Estruturas dos Produtos, cujo teor demonstra que os insumos foram utilizados na composição daquele produto. Sendo certo que, se conciliado com as Notas Fiscais de entrada, facilmente se comprova que os insumos de aquisição foram efetivamente consumidos/utilizados no processo de industrialização. Desse modo, não restará qualquer dúvida a respeito do direito da Contribuinte de ver seu crédito compensado com os débitos indicados nas compensações. Por fim, requereu o recebimento, processamento e apreciação da presente manifestação de inconformidade, e ao final, julguea totalmente procedente, com a legitimação dos créditos cujo ressarcimento foi pedido através dos PER/DCOMP's. Requereu, também: a) a declaração de nulidade do despacho decisório que não homologou os Fl. 1760DF CARF MF 6 créditos, haja vista que os vícios apresentados nas Informações Fiscais, invalidam todo o processo por desrespeito aos princípios constitucionais, os quais a Administração está subordinada art. 37 da CF. b) deferimento de diligências no sentido de se apurar e se validar as compensações informadas nas DCOMP's. c) deferimento de perícia contábil, a ser realizada em prazo razoável, e juntada a posteriore; d) reconhecer a contribuinte o direito à compensação dos créditos de ressarcimento de IPI e conseqüente homologação das DCOMP's, com a conseqüente extinção dos débitos compensados, em atenção aos art. 156, VII, do CTN e) por derradeiro, que as intimações deste processo sejam encaminhadas no endereço comercial da Contribuinte, qual seja, Av. Luigi Papaiz, 783/843 – Campanário CEP: 09.931610 Diadema/SP. 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RPO : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela manifestante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. PEDIDO DE PERÍCIA. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. A perícia solicitada não foi acompanhada com os quesitos referentes aos exames necessários, nem indicado o perito, pelo que o pedido deve ser considerado não formulado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. NULIDADE. No caso concreto, não se verifica a imposição de restrições à apresentação da manifestação, nem a existência de obscuridades no despacho decisório. ÔNUS DA PROVA. A parte que invoca direito deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. No caso em concreto, o administrado deve fazer as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 10/02/2017 conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, ás fls. 989 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 14/03/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 990 dos autos digitais, alegando : Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 13819.900831/201091 Acórdão n.º 3301004.893 S3C3T1 Fl. 1.759 7 para que tivesse direito ao ressarcimento de créditos do IPI deveria atender a dois requisitos, quais sejam /; devem os créditos ser decorrentes de entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e devem ser escriturados no trimestre calendário; houve o reconhecimento da existência de tais créditos pela Fiscalização, inclusive que se tratavam de créditos oriundos das aquisições de insumos realizadas pela recorrente, tendo estas sido registradas no seu Livro de Entradas, portanto, reconh3cida a aquisição de insumos utilizados no processo industrial de bens para revenda, não pode a Fiscalização glosar a integralidade de seus créditos foram disponibilizados ao Fisco diversos livros fiscais que comprovam a aquisição de todos os insumos, anexa planilha entrada x consumo para que seja verificado o consumo dos insumos no processo produtivo, adotando a linha de que a verdade material estabelece, para a Administração, o dever de buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada, é forçoso concluir que a recorrente tem direito á homologação das compensações efetuadas, demonstrada a legitimidade dos créditos, se não se entender a comprovação suscitada, por meio dos documentos acostados aos autos, a recorrente se vê obrigada a requerer a realização de diligência e/ou perícia, apresentando os seguintes quesitos : houve aquisição por parte da recorrente de materiais utilizados na produção de bens para a revenda ?, esses materiais são considerados insumos para fins de creditamento do imposto ? ainda, caso positivo, a Recorrente poderia ter lançado como crédito os valores decorrentes da aquisição de tais materiais adquiridos ? o montante glosado a titulo de crédito do imposto representa a totalidade dos créditos lançados no período (a título do referido imposto) pela Recorrente ? é possível identificar ? requer, por fim, seja, após realizada diligência requerida, seja conhecido e provido o Recurso, para homologar as compensações realizadas e cancelar integralmente a exigência a título de principal, multa, juros e demais encargos. 4. O processo veio a mim distribuído para relatar. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 6. O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 7. Passemos a analisar as razões recursais. 8. Tratase de matéria fática, qual seja a comprovação do direito pleiteado pela recorrente em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, consubstanciado em créditos de IPI, refrentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo. Fl. 1762DF CARF MF 8 9. De basilar lógica admitirse que, ao formular o seu pedido, a recorrente já tivesse, de forma clara e identificável, os documentos que dariam suporte ao seu direito. 10. No caso em exame, por tratarse de créditos de IPI, que a recorrente utilizou para compensação de tributos administrados pela RFB, o direito se materializa na comprovação de que os créditos são líquidos e certos, para tal, a pleiteante, ao efetivar seu pedido, e discriminar seus créditos no próprio Pedido de Ressarcimento , por certo já teria, á disposição, a comprovação de sue direito. 11. Socorremonos do Regulamento do IPI ( Decreto nª 7.212/2010 ) que determina, em dispositivo próprio, como se realiza a escrituração dos créditos do tributo, a esse respeito vejase o disposto no artigo 251 do RIPI : Requisitos para a Escrituração Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 3o; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. § 2o O disposto no § 1o não se aplica aos produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. § 3o No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na sua efetiva entrada no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 13819.900831/201091 Acórdão n.º 3301004.893 S3C3T1 Fl. 1.760 9 12. Como determina o dispositivo, os créditos devem ser escriturados a vista de documentos que lhes confiram legitimidade, o que já pressupõe a vinculação estrita entre os créditos escriturados e os documentos que os lastream. 13. O mesmo Regulamento determina como serão utilizados os créditos : Da Utilização dos Créditos Normas Gerais Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 257. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 256 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração neste Regulamento. 14. Como se vê, o artigo 257 do RIPI determina que o direito á utilização dos créditos está subordinado ao cumprimento das exigências previstas para a sua escrituração. 15. Para o ressarcimento e compensação de tais créditos, o RIPI estabelece : DA COMPENSAÇÃO, DA RESTITUIÇÃO E DO RESSARCIMENTO DO IMPOSTO Normas Gerais Art. 268. O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais (Lei nº 5.172, de 1966, art. 170, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Fl. 1764DF CARF MF 10 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). Art. 269. A restituição ou o ressarcimento do imposto ficam condicionados à verificação da quitação de impostos e contribuições federais do interessado (DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 7º, e Lei no 11.196, de 2005, art. 114). Parágrafo único. Verificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a existência de débitos em nome do contribuinte, será realizada a compensação, total ou parcial, do valor da restituição ou do ressarcimento com o valor do débito (DecretoLei nº 2.287, de 1986, art. 7º, § 1º, e Lei nº 11.196, de 2005, art. 114). 16. Assim, os créditos, por terem utilização regulada, e por se prestarem a serem devolvidos em espécie e, ainda, para serem compensados com débitos titularizados pelo deterntor de tais créditos, estes, os créditos, se transformam como que em moedas de troca, de valor inestimável, e, por tal característica, devem ter seu reconhecimento cercado de cuidados e verificações rigorosas, para que não tenham sua utilização desvirtuada. 17. Desta forma, sua escrituração deve ser a mais clara possível, sendo registrada em livros de controle que merecem todo o cuidado e preservação. 18. Para esse mister, a escrituração dos livros de controle, o Regulamento tratou de estabelecer regras claras para sua guarda e conservação : DO DOCUMENTÁRIO FISCAL Seção I Das Disposições Gerais Modelos Art. 382. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem como àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda, em atos administrativos ou em convênio com as unidades federadas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 17). Normas de Escrituração Art. 383. Os livros, os documentos que servirem de base à sua escrituração e demais elementos compreendidos no documentário fiscal serão escriturados ou emitidos em ordem cronológica, sem rasuras ou emendas, e conservados no próprio estabelecimento para exibição aos agentes do Fisco, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, e Lei nº 4.502, de 1964, arts. 57, § 1º, e 58). Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 13819.900831/201091 Acórdão n.º 3301004.893 S3C3T1 Fl. 1.761 11 19. Diante deste norte, verificase que a escrituração dos créditos e os doscumentos que os lastream, em conjunto com os livros de controle de al escrituração, somados aos demais registros contábeis que formam um sistema coordenado de informações, é de fundamental importância para a sua apuração e verificação. 20. Por serem de tamanha importância para o controle dos créditos e de toda a sistemática que forma a lógica do IPI, inclusive para aferição da não cumulatividade a que o tributo está submetido, os livros de registro receberam tratamento regulatório nos artigos 444 a 478, sendo de destaque o disposto no artigo 461, que trata do Registro de Produção e Controle do Estoque, modelo 3 : Do Registro de Controle da Produção e do Estoque Art. 461. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1o Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2o Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3o Os registros serão feitos operação a operação, devendo ser utilizada uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos. § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. 21. Portanto, de suma importância a escrituração dos créditos e a manutenção dos livros de registro e controle dos mesmos, em conjunto com os documentos Notas Fiscais que lhes dão lastro e legitimidade. 22. Ainda, por princípio basilar, também, há que se presumir que tais registros serão mantidos em boa ordem, como determinam as regras de registro contábil, que devem nortear todo o sistema de registro do fatos contábeis que fundamentam a vida empresarial. 23. Diante desta preocupação, o legislador cuidou de editar um diploma legal que regulasse tal procedimento, o Decretolei nº 486/1969, que dispõe sobre a escrituração dos livros mercantis e sua organização. Fl. 1766DF CARF MF 12 24. Por todo o exposto, o Termo de Verificação Fiscal, que veio quase que em sua totalidade delimitado no relatório do Acórdão de piso, é claro ao demonstrar que a recorrente, apesar de ser intimada várias vezes, não logrou demonstrar, de forma clara e organizada, a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, inclusive afirmando que não possui o Livro Registro de Produção e Estoque, modelo 3, utilizando para o controle de sua produção, apenas Ordens de Serviço e adotando o arbitramento de estoques, previsto no artigo 296 do Regulamento do Imposto de Renda. 25. Tal arbitramento, alegado como adotado pelo recorrente, torna a apuração dos créditos mais complexa ainda, pois com a recorrente poderia comprovar a utilização dos créditos ou seu cálculo, diante de fatos arbitrados. 26. Outro importante a ser destacado é que, se a recorrente se utiliza de tal arbitramento, deveria, por força do estabelecido no § 2ª do artigo 296 do RIR, ter reconhecido tal prática na sua escrituração comercial, que, como atesta a Fiscalização, é totalmente desconexa e com registros confusos. 27. Por todo este arcabouço regulatório demonstrado, confrontado aos registros apresentados e o ateste da Fiscalização, de que não teve condições, diante da dificuldade em analisar tais registros, é que não se pode aferir a liquidez e certeza dos créditos pleiteados. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA / PERÍCIA 28. Solicita a recorrente a realização de diligências ou perícia, para aferir a existência e liquidez dos seus créditos, pleiteados em resasrcimento e utilizados em compensação. 29. Há eu se esclarecer que o pedido de diligência ou perícia deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento Conclusão 30. Concluise, portanto, que, para que se opere o ressarcimento de créditos de IPI e sua utilização em Declarações de Compensação, para compensação com débitos de outros tributos é necessário que o requerente demonstre, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 13819.900831/201091 Acórdão n.º 3301004.893 S3C3T1 Fl. 1.762 13 tais créditos, apresentando, quando solicitado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entidade competente para homologar tais compensações e reconhecer o direito creditório, todos os documentos, Livros Fiscais de registro, lançamentos contábeis, arquivos digitais, livros de controle, controle de estoques de matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados, na forma exigida pela legislação e, que de acordo com as regras contábeis e fiscais, devem estar em boa ordem e organizados de tal forma que seja possível a identificação dos créditos e sua correspondência com os respectivos insumos (matériaprima, materiais intermediários e material de embalagem). Na falta desta demonstração, que é de inteira responsabilidade do requerente, impossível considerarse líquido e certo o crédito, por consequencia não sendo possível a sua utilização no instituto da compensação no âmbito tributário. 31. Quanto ao pedido de diligência ou perícia, o indefiro, por considerar que o pedido de diligência deve ser deferido em ocasiões onde o julgador percebe a necessidade de esclarecimentos em pontos específicos da ação fiscal ou das razões recursais, onde haja necessidade de verificações mais acuradas, diante de dúvidas ou imprecisões que possam influenciar no julgamento da lide. No caso presente, diante do acurado trabalho da autoridade fiscal, oferecendo diversas oportunidades para regularização das desencontradas informações, não se verifica necessidade de diligência, pois se estaria, desta forma, realizando o trabalho que deveria ter sido feito pelo requerente, ao elaborar o seu pedido de ressarcimento 32. Diante destas de convencimento, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO para manter a decisão da DRJ/RPO em sua integralidade e indeferir o pedido de diligência ou perícia, por considerálos desnecessários no caso presente.. 33. É o meu voto. . assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000244/2006-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9303-000.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas (presidente) suscitado pelo patrono. Resolvem ainda, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em sobrestamento à Unidade de Origem, para julgamento em conjunto com o processo nº 13005.000130/2005-67, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que deu-lhe provimento. Votaram pelas conclusões Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Relatório
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas (presidente) suscitado pelo patrono. Resolvem ainda, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em sobrestamento à Unidade de Origem, para julgamento em conjunto com o processo nº 13005.000130/2005-67, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que deu-lhe provimento. Votaram pelas conclusões Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas (presidente) suscitado pelo patrono. Resolvem ainda, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em sobrestamento à Unidade de Origem, para julgamento em conjunto com o processo nº 13005.000130/200567, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que deulhe provimento. Votaram pelas conclusões Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .0 00 24 4/ 20 06 -9 8 Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório O presente processo cuida de autos de infração decorrentes de aplicação de multas isoladas por compensações indevidas, além da exigência de CSLL, PIS e COFINS retidos na fonte, com fatos geradores marcados em 31/12/2004. A lavratura dos autos de infração se deu em 18/04/2006 com ciência ao interessado em 20/04/2006. Conforme TVF, efl. 27, os lançamentos decorreram da não homologação de PER/DCOMP apresentadas pelo contribuinte. Foram 3 tipos de acusações que levaram a Unidade de Origem à não homologação das compensações: a) que o crédito prêmio de IPI não é crédito tributário, conforme Parecer AGU/GQ 172, de 13/10/98, o qual teria sido aprovado pelo Presidente da República com vinculação a toda administração pública. Portanto não aplicável ao caso o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, a qual lida com créditos tributários; b) que a ação judicial, utilizada pelo contribuinte para justificar os créditos, transitou em julgado em 21/05/2001. Após esta data a União impetrou ação rescisória. Na data do lançamento e da não homologação, tanta a ação rescisória quanto a ação de execução estavam ainda em plena discussão judicial, não sendo possível a compensação administrativa concomitante com processo de execução judicial. O pedido de execução judicial foi apresentado após as entregas dos PER/DCOMP; e c) disposição expressa das orientações normativas da SRF da não possibilidade de ressarcimento de crédito prêmio de IPI a qual deveria ser considerada como não declarada. Lei nº 11.051/2004, art. 4º. Posteriormente os débitos deste processo foram apartados para outros processos em razão das competências de julgamento das turmas da DRJ, restando neste processo somente a discussão das multas isoladas em razão da não homologação das DCOMP. A 3ª Turma da DRJ/Porto Alegre, por meio do Acórdão nº 1011756, de 26/04/2007, efls. 593, declarou o lançamento procedente com ementa vazada nos seguintes termos: Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 4 3 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 30/06/2004 a 11/01/2005 O créditoprêmio de IPI assumiu a forma de beneficio financeiro, incompatível com a compensação com débitos do sujeito passivo de natureza tributária, como estabelecido pela legislação que as compensações. Ementa: A compensação de débitos do sujeito passivo com crédito prêmio de IPI, reconhecido em ação judicial, cuja validade pende de julgamento de recurso especial, ao STJ, com efeito suspensivo, sujeita se à multa do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2004. Lançamento Procedente O contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra esta decisão, cujo julgamento resultou no Acórdão nº 210200080, de 06/05/2009, que possui a seguinte ementa: SUSPENSÃO DE PROCESSO — DEPENDÊNCIA DO MÉRITO IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO ISOLADO. Em prol da segurança jurídica, do principio da razoabilidade, do artigo 265 do Código de Processo Civil — CPC não é possível julgar compensação cujo mérito está vinculada a processo judicial ainda pendente de julgamento. In casu, é preciso, ainda, obedecerse a decisão proferida nos autos da Ação Cautelar n° 8915/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Walber José da Silva e Josefa Maria Coelho Marques que negavam. Os Conselheiros José Antonio Francisco e Mauricio Taveira e Silva acompanharam a relatora por outros fundamentos. Apresentará Declaração de Voto o Conselheiro José Antonio Francisco. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Paulo Rogério Sehn, OAB/SP n° 109.361. Não concordando com esta decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, por contrariedade à Lei. O contribuinte apresentou contrarrazões em que pede o não conhecimento do recurso e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do recurso especial Como visto o recurso especial da Fazenda Nacional foi apresentado com base no art. 7º, inc. I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, que assim previa: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e (...) § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. (...) Este dispositivo foi revogado e não constou mais entre os motivos permissivos para admissão de recurso especial. O Regimento Interno do CARF foi alterado em 2009, pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com vigência a partir de 1º de julho de 2009. Vejamos o que dele consta: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. (...) Art. 7° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação ao inciso II do art. 1°, a partir de 1° de julho de 2009. (...) Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 6 5 Pois bem, o contribuinte defende o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional porque ele foi interposto em março/2012, já na vigência do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que não previa este tipo de recurso, por contrariedade à Lei. Sustenta ainda que o dispositivo do art. 4º, acima transcrito, seria aplicável somente aos recursos já interpostos, antes da Edição do novo regimento, e afirma "como é sabido, as regras processuais devem observar o princípio "tempus regit actum", segundo o qual, à luz do direito intertemporal, aplicase a lei processual nova imediatamente, inclusive aos processos em curso". Considero até corretas as afirmações relativas às regras de aplicação do direito processual no tempo. Porém, não estamos mais falando da aplicação do Regimento Interno revogado, mas do Regimento Interno vigente na época da apresentação do recurso especial, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que expressamente determinou como seria o novo procedimento a partir de sua vigência. O art. 4º, do novo regimento, acima transcrito, determinou que os recursos interpostos contra acórdãos proferidos antes de 1º de julho de 2009, ainda seria aplicável o disposto no inc. I do art. 7º do antigo Regimento. Portanto, neste sentido, o recurso deve ser admitido nos exatos termos em que determinado pelo próprio Regimento Interno em vigor na data da interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, sob pena, de descumprimento da Portaria MF nº 256/2009. O contribuinte defende ainda que, mesmo ultrapassada a discussão anterior, que o recurso não poderia ser admitido pois não teria havido no acórdão recorrido a discussão sobre os dispositivos de lei supostamente violados. Afirma que o recurso especial aponta como dispositivos legais infringidos os artigos 170 e 170A do CTN, bem como do art. 74 da Lei nº 9.430/96, os quais não teriam sido mencionados no acórdão recorrido. Cita jurisprudência do CARF neste sentido. De fato o acórdão recorrido não abordou diretamente estes dispositivos legais, mas discordo do contribuinte de que esse seja um motivo para não conhecimento do recurso especial. O fato de que o acórdão recorrido não tenha abordado diretamente esses dispositivos legais não quer dizer que ele não tenha decidido em contrariedade a estas leis. E para verificar se ele decidiu contra estas Leis é necessária a análise do mérito do recurso. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto conheço do recurso especial, por contrariedade à Lei, interposto pela Fazenda Nacional. Mérito Da análise dos fatos processuais tenho para mim que de fato o acórdão recorrido não obedeceu os ditames dos art. 170 e 170A do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Sendo certo que para aplicar a compensação prevista no art. 74, referido, há que se obedecer o disposto no CTN. Não cumprido os requisitos dos dois artigos não há que se falar em compensação tributária. Veja o que dispõe os dois artigos do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) De fato, o contribuinte possuía uma ação judicial transitada em julgado, porém, como esta ação dependia de liquidação, não foi cumprido o requisito independente do art. 170 caput, falta de liquidez do direito creditório. Para um melhor entendimento da questão, importante relembrar que o presente processo é decorrente do processo nº 13005.000130/200567, nos quais se analisou os pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte. Naquele processo as compensações não foram homologadas por três motivos abaixo sintetizados: a) que o crédito prêmio de IPI não é crédito tributário, portanto não aplicável ao caso o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, a qual lida com créditos tributários; b) que a ação judicial, utilizada pelo contribuinte para justificar os créditos, transitou em julgado em 21/05/2001. Após esta data a União impetrou ação rescisória. Na data do lançamento e da não homologação, tanta a ação rescisória quanto a ação de execução Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 8 7 estavam ainda em plena discussão judicial, não sendo possível a compensação administrativa concomitante com processo de execução judicial. O pedido de execução judicial foi apresentado após as entregas dos PER/DCOMP; e c) disposição expressa das orientações normativas da SRF da não possibilidade de ressarcimento de crédito prêmio de IPI a qual deveria ser considerada como não declarada. Lei nº 11.051/2004, art. 4º. A falta de liquidez, exigida pelo art. 170 do CTN, está clarividente pela simples leitura do item "b" acima. Tanto é verdade, que o contribuinte não obteve êxito, até o momento, na discussão administrativa do referido processo. O processo de compensação nº 13005.000130/200567, do qual o presente é dependente ainda não foi definitivamente julgado. Veja como ele foi decidido pelas turmas ordinárias do CARF: Acórdão nº 20181.170 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1983 a 31/12/1990 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação requer a existência de crédito liquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar a compensação. Recurso voluntário negado. Acórdão nº 330200.059 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1983 a 31/12/1990 ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO E OBSCURIDADE. RETIFICAÇÃO. Uma vez constatado a existência de contradição, omissão e obscuridade em Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão ReRatificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 9 8 unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e contradição, reratificando o Acórdão nº20181.170, mantido o resultado do julgamento. Portanto, até então, referido processo está com resultado negativo às pretensões do contribuinte de ver homologado as suas declarações de compensação. A consequência lógica da inexistência do direito, no meu entender, seria a manutenção dos autos de infração e das correspondentes multas aplicadas. Sendo certo que as multas aplicadas decorrem da aplicação da Lei ao caso concreto, senão vejamos: Art. 90 da MP 2.15835/2001: Art.90.Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Art. 18 da Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata oart. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses doinciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses doinciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto noinciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 10 9 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3odeste artigo;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído peloart. 1odo DecretoLei no491, de 5 de março de 1969;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Penso que, além de se tratar de crédito prêmio de IPI, a liquidez e certeza do direito ainda pendiam e pendem do trânsito em julgado da liquidação de sentença proposta pelo contribuinte. Portanto ele ainda não estava habilitado a promover as declarações de compensação extinguindo débitos com créditos ilíquidos. No meu entender, o destino deste processo é totalmente dependente do processo de compensação nº 13005.000130/200567, ou seja, obtendo êxito nas compensações erigidas naquele processo, obtendo nele o reconhecimento da existência de créditos suficientes às compensações, não há porque a manutenção das multas do presente processo. Assim é necessário que observemos o andamento daquele processo. Ele foi levado a julgamento por esta 3ª turma da CSRF em 09/08/2016, relatoria da ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello e resultou na Resolução nº 9303000.098 a qual deliberou no seguinte sentido: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Marcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), que não o conheceram e, por unanimidade de votos, sobrestar o processo até final decisão da liquidação de sentença, em razão da superveniência de fato novo, nos termos do voto da relatora. Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 11 10 Agora, transcrevo abaixo parte do voto em que a relatora proferiu o seu entendimento e que foi aprovado pelo colegiado: (...) Essa a situação posta para decisão por meio do julgamento do recurso especial da contribuinte. Ocorre que, após a interposição do apelo especial, a contribuinte noticiou nos autos os seguintes fatos (fls. 2.243 a 2.246) : (a) a ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional teve julgamento de parcial procedência, tão somente para limitar a existência do benefício ao créditoprêmio de IPI à data de 05 de outubro de 1990 (fls. 2.248 a 2.265), com trânsito em julgado em 07 de março de 2013 (fls. 2.267 a 2.270); e (b) em 30 de setembro de 2014, foi proposta pelo Sujeito Passivo, nos autos da ação ordinária nº 88.00.020259, a liquidação por artigos da sentença que reconheceu os créditosprêmio de IPI (fls. 2.271 a 2.274), anexando parecer técnico contábil e indicando o valor atualizado do seu crédito na ordem de R$ 206.620.470,15 (duzentos e seis milhões, seiscentos e vinte mil, quatrocentos e setenta reais e quinze centavos). Nos termos do art. 493 do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), "se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão". Tratandose o trânsito em julgado da ação rescisória e a propositura de liquidação da sentença transitada em julgado de fatos modificativos do direito da contribuinte, que influenciam na resolução do presente litígio, os mesmos devem ser levados em conta no julgamento do caso. Com a propositura da liquidação de sentença em sede judicial, em tese, resta suprida exigência para análise dos pedidos de compensação transmitidos pela contribuinte e que são objeto deste processo. Além disso, com o trânsito em julgado da ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional, não há mais discussão quanto à validade dos pedidos de compensação, restando averiguarse o montante do crédito a ser restituído ao Sujeito Passivo, o que será feito em sede judicial. Portanto, da análise das circunstâncias constantes dos presentes autos, em especial a superveniência do fato novo consistente na liquidação de sentença por arbitramento proposta nos autos da ação ordinária nº 88.00.020259, há de ser acolhido o pedido de sobrestamento do presente processo administrativo até final decisão indicativa do montante exato do créditoprêmio do IPI a que faz jus a contribuinte, posteriormente, sendo feita a análise das compensações objeto destes autos. A determinação de sobrestamento do processo administrativo, face à relação de dependência do resultado a ser proferido em demanda judicial, encontra respaldo, ainda, no art. 313, inciso V, alínea "a", do Novo Código de Processo Civil, diploma aplicado de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. Diante do exposto, e considerandose o princípio da segurança jurídica e o art. 313, inciso V, alínea "a" do Novo Código de Processo Civil, acolhese o pedido de sobrestamento do processo administrativo até final decisão da liquidação por artigos da sentença que reconheceu o créditoprêmio de IPI, nos autos da ação ordinária nº 88.00.020259. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 12 11 (...) Antes de ir à conclusão do presente voto, deixo aqui mais uma vez o registro da falta de liquidez dos créditos em discussão. Os trechos acima transcritos demonstram de forma definitiva que as compensações não poderiam ser mesmo homologadas à época por força do disposto no caput do art. 170 do CTN. Como o presente processo depende da conclusão daquele, proponho também o sobrestamento do presente processo e que ele seja julgado em conexão com aquele, quando findas as razões do sobrestamento nele efetuado. Assim, conheço do recurso especial e proponho o seu sobrestamento para julgamento em conjunto com o processo nº 13005.000130/200567. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Declaração de voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Com a devida vênia, divirjo da conclusão do voto no i. Conselheiro Andrada Canuto Natal, embora concorde em grande medida com seus fundamentos. A compensação de créditos, tributários ou não, dependem, fundamentalmente da certeza de sua existência e a liquidez de seus valores. Essa assertiva está explicitada no art. 170, do CTN, quanto aos créditos tributários. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante de inúmeros problemas causados à Administração Tributária em decorrência de compensações autorizadas por decisões judiciais não transitadas em julgado, o legislador resolveu editar norma de caráter interpretativo com o fito de melhor expressar a impossibilidade do contribuinte efetivar compensação antes da definitividade de decisão judicial que a subsidia. Todavia, o art. 170 A, só fez reforçar a determinação legislativa do art. 170 quando se trata de compensação de créditos decorrentes de reconhecimento judicial sendo, inclusive, pleonástico, neste ponto. Pois, por óbvio, enquanto a ação judicial que declarou a existência dos créditos não transitar em julgado, não há crédito líquido e certo, mormente quando estamos a falar em cifras astronômicas, como no caso vertente. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 13 12 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Pelo que nos noticia os autos, as compensações foram transmitidas em 30/06/3004 e 11/01/2005, ambas, portanto, levadas a cabo quando da vigência do art. 170A. Em consequência, na data das compensações os alegados créditos, que de créditos ainda não se tratavam pois incertos e ilíquidos, não havia transitado em julgado a ação, pois a União já havia impetrado ação rescisória. Em 18/05/2004 a União interpôs recurso especial contra a decisão do TRF4 que havia julgado improcedente aquela. E tal recurso foi admitido em 13/07/2004. Assim, inconteste que nas referidas datas de transmissão das PER/DCOMP não havia liquidez e certeza dos créditos. Em consequência, falsa a afirmação inserta nas declarações de compensação de que o crédito teria origem em ação transitada em julgado. A compensação foi de encontro ao termos do art. 170A, que VEDA as compensações cujos créditos ainda estão sob discussão judicial, mesmo que em rescisória, pois ainda incerto e ilíquidos. Ora, qualquer encontro de contas entre créditos e débitos tributários que tenha por fundamento decisão judicial não definitiva poderá futuramente sofrer profundas alterações ou até mesmo ser desfeito, uma vez que a demanda judicial esta sujeita a várias instâncias, estas que, nos termos do sistema jurídico pátrio, têm competência suficiente para alterar ou reformar qualquer provimento judicial favorável ao contribuinte nesse aspecto. Não bastasse tal argumento, que já o tenho por suficiente para entender como não declarada as compensações e, por conseguinte, como correta a aplicação da multa daí decorrente, em 07 de julho de 2004, a empresa manifestouse no sentido de receber o crédito judicial na modalidade de execução por precatório em via judicial, tendo em vista que protocolou petição para requerer a liquidação da sentença por arbitramento. A IN SRF 210/2002 já vedava compensação fundada em título judicial em fase de execução no Judiciário se o contribuinte não comprovasse a desistência da execução judicial. Vejase o teor daquela no ponto: "Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. (...) § 2º. Na hipótese de titulo judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do titulo judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios". Logo, as compensações foram indevidamente declaradas pelo contribuinte, razão pela qual deve ser mantido o lançamento das multas nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Resolução nº 9303000.111 CSRFT3 Fl. 14 13 CONCLUSÃO Forte no exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda para restabelecer as multas isoladas por compensações indevidas, encartadas nestes autos. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 856DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720049/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.580
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso até que o processo 16561.720123/201297 seja redistribuído ao relator, por conexão, para julgamento conjunto dos feitos.
Nome do relator: Marcos Paulo leme Brisola Caseiro
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 666 1 665 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720049/201551 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.580 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2018 Assunto IRPJ PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrente ULTRAFERTIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso até que o processo 16561.720123/201297 seja redistribuído ao relator, por conexão, para julgamento conjunto dos feitos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felícia Rothschild. RELATÓRIO Cuidase de autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL (fls. 406/424), com os respectivos acréscimos legais, totalizando o valor de R$ 2.770.779,69, referentes aos anoscalendário de 2010 e 2011, sendo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 04 9/ 20 15 -5 1 Fl. 666DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0918.11044.LVU8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.720049/201551 Resolução nº 1301000.580 S1C3T1 Fl. 667 2 Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 1153.998 prolatado pela 4ª Turma da DRJ/REC (fls. 562/565): 2. Consoante os autos de infração, foram apuradas as seguintes infrações: 2.1. falta de adição ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL, do valor de R$ 926.794,63 relativo a ajuste decorrente de controle de preço de transferência; 2.2. compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário 2011 em montantes superiores aos saldos existentes. Glosas de R$ 17.607.537,30. 3. Um maior detalhamento das constatações e considerações da autoridade fiscal consta no Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos de infração, às fls. 393 a 405, cujo teor é resumido a seguir: 3.1. preço de transferência 3.1.1 a legislação relativa a preço de transferência se aplica a transações efetuadas por domiciliado no Brasil com qualquer pessoa, mesmo não vinculada, domiciliada ou residente em países com tributação favorecida sobre a renda, consoante art. 24 da Lei nº 9.430, de 1996. A Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 1.037, de 2010, em seu art. 1º, inciso LVIII, incluiu a Suíça como país com tributação favorecida a partir de 07/06/2010. Em 25/06/2010 o Ato Declaratório Executivo (ADE) RFB nº 11, de 2010, suspende o inciso LVIII antes referido. Assim, no período entre 07/06/2010 e 24/06/2010, as operações efetuadas com pessoa residente ou domiciliada na Suíça estão sujeitas às normas de preço de transferência; 3.1.2. assim, os bens importados da Suíça nesse período foram considerados no cálculo relativo a países com tributação favorecida, o que alterou o valor do preço parâmetro anteriormente obtido pelo contribuinte. O valor de ajuste calculado pelo método Preços Independentes Comparados (PIC), adotado pelo contribuinte, resulta em ajuste de R$ 926.794,01 (adição) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 3.2. compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL 3.2.1. a fiscalizada foi autuada no processo nº 16561.720123/201297 para redução do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL apurados no ano 2009, de R$ 95.841.568,91 para R$ 78.512.069,70, e de R$ 85.791.049,69 para R$ 68.461.550,48, respectivamente. Tal autuação resultou, portanto, na redução do saldo acumulado de prejuízo e de base negativa existentes em 2011; 3.2.2. a autuação objeto do presente processo relativa a preço de transferência no ano 2010 acarretou diminuição do saldo acumulado de prejuízo e de base negativa existente no ano 2011, vez que implicou no aumento das compensações realizadas em 2010; 3.2.3. assim, a redução dos saldos acumulados em 2011 resultou em compensações indevidas de R$ 17.607.537,60, conforme demonstrado abaixo: Fl. 667DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0918.11044.LVU8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.720049/201551 Resolução nº 1301000.580 S1C3T1 Fl. 668 3 4. Cientificado dos lançamentos pessoalmente em 27/05/2015, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fls. 436 a 453 em 26/06/2015, instruída com os documentos às fls. 454 a 549, onde argumentou, em síntese, o que segue: 4.1. controle de preço de transferência para operações de importação de terceiros localizados na Suíça 4.1.1. em tese, a partir da publicação da IN RFB nº 1.037, de 2010, a Suíça foi caracterizada como "paraíso fiscal" para efeitos de aplicação das regras de preço de transferência. Ocorre que tal inclusão indevida nem mesmo chegou a produzir efeitos jurídicos, vez que em 25/06/2010 foi publicado o ADE nº 11, de 2010, concedendo efeito suspensivo à inclusão da Suíça. Tal ato foi publicado em razão de pedido de revisão apresentado pelo governo suíço, nos termos do art. 2º da IN RFB nº 1.045, de 2010. Tal dispositivo esclarecia que o pedido de revisão poderia ser recebido com efeito suspensivo, a critério da RFB, o qual seria formalizado por meio de ADE. Tal ADE foi corroborado pela publicação da IN RFB nº 1.474, de 2014, que alterou a IN RFB nº 1.037, de 2010, para, entre outras modificações, excluir expressamente a Suíça da lista de paraísos fiscais (revogou o inciso LVIII do art. 1º desta IN); 4.1.2. o objetivo do efeito suspensivo por meio de ADE previsto na IN RFB nº 1.045, de 2010, é única e exclusivamente de dar efeito ex tunc à inclusão indevida na lista de paraísos fiscais até o resultado final da análise do pedido de revisão. Caso não houvesse o efeito ex tunc, os contribuintes conviveriam com a possibilidade de existência de tratamentos fiscais distintos para idênticas operações ao longo dos dias do mês de junho de 2010, o que violaria o próprio espírito das regras de preço de transferência; Fl. 668DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0918.11044.LVU8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.720049/201551 Resolução nº 1301000.580 S1C3T1 Fl. 669 4 4.1.3. ademais, se o pedido de revisão exige a apresentação de prova do teor e vigência de legislação tributária apta à revisão do possível equívoco no enquadramento e, no caso concreto, a RFB acatou o pedido realizado pela Suíça, a conclusão lógica é a de que aquele país não estava concretamente enquadrado no conceito legal de paraíso fiscal quando da publicação da IN RFB nº 1.037, de 2010; 4.1.4. os ADEs, enquanto normas complementares à lei, não possuem caráter constitutivo próprio destas, ou seja, não podem criar, modificar ou extinguir obrigação tributária. Sua função é declarar algo que já está juridicamente constituído, não podendo jamais criar novas hipóteses de incidência ou alterar as já existentes, extrapolando as normas hierarquicamente superiores do ordenamento jurídico. No caso concreto, o ADE apenas reconheceu uma condição preexistente, qual seja, que a Suíça não figurava no rol de paraísos fiscais. 4.1.5. o Parecer Normativo (PN) Cosit nº 5, de 25/05/1994, expressamente estabeleceu que os ADEs têm efeito retroativo. A jurisprudência do judiciário já se consolidou no sentido de que os atos declaratórios operam efeitos ex tunc; 4.1.6. caso não entenda que as razões acima são suficientes para caracterizar erro de direito dos lançamentos, há que se considerar que a imposição de regras de controle de preços de transferência nas operações de importação em questão corresponde a um desvirtuamento do fato gerador anual do IRPJ e da CSLL, consumado apenas em 31 de dezembro de cada ano. Ainda que se entenda que o ADE não teve efeitos retroativos, o impugnante não tinha que submeter as importações realizadas da Konsa Sarl ao controle de preços de transferência, vez que o fato gerador ocorreu apenas em 31 de dezembro, e, nesta data, a vigência do inciso LVIII do art. 1º da IN RFB nº 1037, de 2010, estava suspensa pelo ADE nº 11. Logo, não há base legal para a imposição de regras de controle de preços de transferência; 4.2. compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL 4.2.1. no processo nº 16561.720123/201297 houve autuação para redução dos prejuízos fiscais relacionados ao anocalendário 2009, originando alteração dos saldos respectivos e, em consequência, glosas das compensações em 2011 no presente processo. Até que se decida definitivamente pela procedência da autuação no mencionado processo, estão perfeitas e intactas as informações prestadas pelo impugnante em seu Lalur, sendo válido o prejuízo fiscal e a base negativa apurados e utilizados nos procedimentos de compensação. Uma vez confirmada a improcedência daquela autuação, o que deve ocorrer, qualquer pretensão relacionada ao AI ora impugnado perderá objeto; 4.2.2. em caso análogo, teve algumas compensações declaradas não homologadas por ter sido considerada a base negativa utilizada na compensação não existente. Da mesa forma que aqui, naquele lançamento a fiscalização entendeu que produziria efeitos imediatos o ajuste feito na DIPJ de anos anteriores decorrente de auto de infração, ainda que o tema estivesse pendente de discussão administrativa. A solução dada pela DRJ/RJ1 foi julgar a impugnação procedente, reconhecendo bis in idem e clara violação à causa de suspensão da exigibilidade, materializada pela impugnação apresentada em outro processo (art. 151, III do CTN). Da simples leitura da ementa do acórdão, verificase que foi reconhecida a base negativa da CSLL informada na DIPJ e utilizada em compensação, ainda que houvesse em outro processo discussão das estimativas refletidas na DIPJ. Mesmo entendimento vem sendo adotado em outros caso idênticos; 4.3. ilegalidade da incidência de juros Selic sobre a multa na remota hipótese de ser mantido o lançamento, não há que se admitir a eventual futura incidência de juros Fl. 669DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0918.11044.LVU8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.720049/201551 Resolução nº 1301000.580 S1C3T1 Fl. 670 5 sobre a parcela da multa de ofício aplicada, haja vista que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, admite acréscimos moratórios tãosomente sobre os tributos, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Nesse sentido está a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); 4.4. protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários, bem como pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 565/573, julgou improcedente a impugnação, mantendo na integra a exigência fiscal, acrescida de juros e multa. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (588/614), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Cuida o presente processo de auto de infração que exige valores de IRPJ e CSLL, com os devidos acréscimos legais. As infrações constantes do auto referemse a: (i) não adição, à bases dos tributos, de ajustes de preço de transferência em decorrência de importações realizadas em 2010, com empresa não vinculada localizada na Suiça; e (ii) compensação indevida de prejuízo fiscal e base de CSLL com resultado da atividade geral, no anocalendário de 2011. Em razão do alegado cometimento das infrações acima listadas, foi lavrado a presente exação fiscal, no valor total de R$12.770.779,69. DA EXIGÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL A fiscalização pontuou que a Recorrente teria compensado prejuízos fiscais em excesso em 2011, pois o seu saldo teria sofrido ajuste em decorrência de autuações objeto do PTA nº 16561.720123/201297, instaurado em novembro de 2012, o qual encontrase atualmente sob discussão na esfera administrativa (Doc. 05 do Recurso). Informou ainda que nesse processo administrativo houve a redução dos saldos de prejuízos fiscais relacionados ao anocalendário 2009. A decisão da DRJ, por sua vez, entende não haver impedimento ao julgamento desta matéria, vez que já houve decisão de mesma instância do contencioso administrativo quanto aos lançamentos formalizados no processo acima referido, em relação ao qual o presente processo mantém relação de dependência. Fl. 670DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0918.11044.LVU8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16561.720049/201551 Resolução nº 1301000.580 S1C3T1 Fl. 671 6 Por sua vez, o contribuinte se insurge sobre a glosa não confirmadas, uma vez estas estão sendo questionadas nos autos do processo nº 16561.720123/201297, não havendo o encerramento da discussão ali travada. Acrescenta que embora as compensações não tenham sido homologadas pela DRF, não há que se falar na glosa desses valores na composição do saldo negativo do período e, nem em perda da liquidez e certeza dos créditos daí oriundos. Isso porque a estimativa objeto das compensações não foram confirmadas e o interessado será instado a recolher naquele processos o montante devido. Assim, não haveria prejuízo ao erário em relação a apuração do saldo negativo do período, pois caso advenha decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, o respectivo crédito tributário seria regularmente exigido por meio de execução fiscal, que quando pago irá recompor o saldo negativo. Ressaltando que caso tais compensações venham ser desconsideras para fins de composição de saldo negativo e o contribuinte venha a ter uma decisão desfavorável em tais processos autônomos, haveria uma cobrança em duplicidade de tais valores. Conclui que, a não homologação não impacta na apuração do saldo negativo de IRPJ no período, como faz crer a DRJ. Outrossim, alega que as compensações não homologadas ainda estão sendo objeto de discussão em âmbito administrativo, sendo que os respectivos processos ainda não foram findados. Assim, como o crédito discutido no PTA nº 16561.720123/201297 pode influenciar na higidez do saldo negativo do presente processo, seja ratificando ou reduzindo, devese aguardar o desfecho do processo em referência para verificar o direito ao crédito tributário em comento Portanto, a fim de se evitar qualquer prejuízo à Recorrente os presentes autos deverão ser suspensos até que possa ser reconhecido o crédito tributário nos referidos proessos, para que sejam compensadas as estimativas que compõem o direito creditorio aqui pleiteado. Diante do exposto, proponho o sobrestamento dos autos até que o processo 16561.720123/201297 seja redistribuído, por conexão, para julgamento conjunto dos feitos É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 671DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0918.11044.LVU8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO em 07/05/2018 04:37:00. Documento autenticado digitalmente por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO em 07/05/2018. Documento assinado digitalmente por: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO em 08/05/2018 e MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO em 07/05/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 24/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0918.11044.LVU8 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: D1E71F467D43452FF9A654D4ABB77F82D63F0D297756B3E0B8C7DA3EF8222931 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16561.720049/2015-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15892.000129/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende a contribuinte.
RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende a contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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CRÉDITO UTILIZADO EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende a contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 01 29 /2 00 9- 34 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15892.000129/200934 Acórdão n.º 3401005.330 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/CPS, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou a restituição de PIS via formalização de 25 (vinte e cinco) PER/DCOMP enviadas em 14/12/2005, referente pagamentos efetuados nos períodos de apuração 11/2000 a 11/2002, no valor de R$ 35.055,30 assim representadas: Do Despacho Decisório A DRF de Bauru/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 17/06/2009 (efls.78), pela não homologação dos pedidos de restituição, assim fundamentado: (a) tratase de crédito em discussão judicial no processo 1999.61.0807827, sem trânsito em julgado; (b) que a interessada burlou as regras de transmissão eletrônica de PER ao deixar de informar que se tratava de crédito com origem em ação judicial e informar a origem do crédito em pagamentos via DARF, que ao final demonstrouse inexistentes; (c) que intimada a contribuinte comprovar a existência dos DARF, foi respondido que na verdade os créditos seriam de compensações a maior de tributos dos períodos de apuração informados; (d) que inexiste previsão legal para restituição de valor por compensação de débito maior que o devido. Da Manifestação de Inconformidade Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15892.000129/200934 Acórdão n.º 3401005.330 S3C4T1 Fl. 4 3 Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.87), requerendo a procedência do pleito e o deferimento da restituição declarada, cujas alegações foram assim resumidas pela autoridade julgadora de primeiro grau: 1) que o processo nº 1999.61.0807827 não se trata de Ação de Repetição de Indébito mas de Mandado de Segurança, e como tal, não contempla pedido de restituição, “tendo sido impetrado para afastar as demais receitas (além daquelas atinentes ao faturamento da venda de mercadorias e da prestação de serviços) da base de cálculo do PIS”; 2) que pagamento e compensação têm o mesmo efeito; “Irrelevante, assim, o fato de, ao invés de recolhidos por DARF, tenham sido os respectivos montantes (...) objeto de compensação. Verificase, de qualquer modo, a extinção da obrigação tributária, gerando o direito de posterior restituição (eis que o tributo adimplido mostrouse maior do que o devido)”; 3) que seu crédito referese ao recolhimento do PIS de nov/2000 a nov/2002, sobre base de cálculo do PIS alargada pelo art. 3º, I, da Lei n° 9.718/98, posteriormente declarado inconstitucional pelo STF (RE's nos 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DIREITO CREDITÓRIO AÇÃO JUDICIAL TRÂNSITO EM JULGADO É vedada a restituição/compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO O direito à devolução do indébito tributário nasce com a ocorrência do pagamento indevido. Pagamento e compensação são institutos distintos, embora tenham como efeito em comum a extinção do crédito tributário. Inexiste previsão legal de restituição de compensação indevida como pretende o contribuinte. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INDEFERIMENTO. O ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15892.000129/200934 Acórdão n.º 3401005.330 S3C4T1 Fl. 5 4 Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.207) solicitando o seu provimento a fim de ser reformada a decisão recorrida e integralmente deferida a restituição pleiteada, valendose de todas as razões ora repisadas da manifestação de inconformidade. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente foi apontada concomitância entre o processo judicial em Mandato de Segurança, pendente ainda do trânsito em julgado, que questionava a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, instituído pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, enquanto o administrativo trata do pedido de restituição de tributo, embora tendo também por base a inconstitucionalidade do mesmo diploma legal. O objeto de um difere do outro, caso contrário seria o de aplicação da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destacase precedente nesse sentido, no acórdão nº 3101001.130 da 1ªTO/1ªC/3ªS, cuja ementa reflete o entendimento daquela Turma: RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. REQUISITOS. A renuncia à via administrativa somente é possível quando há coincidência de pedido e de causa de pedir, com o fim de assegurar que o direito pleiteado não seja obtido nas duas esferas ou para que não haja a sobreposição divergente de decisões. A simultaneidade de ação rescisória de acórdão judicial sem pedido de restituição e pedido administrativo de restituição não implica em renúncia à via administrativa, na forma prelecionada na Súmula do CARF nº 1. Superada a questão de concomitância, passamos para os demais pontos da lide. O segundo ponto diz respeito a questão de fato, que embasam os pedidos de restituição formulados pela recorrente, quanto a origem dos créditos. Nos PER/DCOMP foram informados como sendo pagamentos a maior que o devido via DARF, que não foram localizados pelo fisco nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Intimada a interessada a apresentar os respectivos DARFs, foi informado que se tratavam efetivamente de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15892.000129/200934 Acórdão n.º 3401005.330 S3C4T1 Fl. 6 5 débitos anteriormente compensados e que esses débitos correspondiam a valores declarados a maior que o devido, em função do alargamento inconstitucional da base de cálculo do PIS. Esse fato consta do despacho decisório onde se lê (fls.79): “...o interessado protocolizou diversos documentos, onde constava a informação de que os pagamentos informados não foram recolhidos mediante DARF, mas que haviam sido adimplidos mediante compensação de valores”. Com relação ao indébito tributário requerido pela interessada nos períodos de 11/2000 a 11/2002, não reflete pagamento a maior que o devido através de DARF, o contribuinte não transferiu esses valores aos cofres do erário. No período mencionado a contribuinte incluiu na base de cálculo do PIS receitas que posteriormente foram declaradas inconstitucionais para fins de recolhimento do tributo. Essa parcela do débito foi quitada via compensação com crédito habilitado via processo administrativo nº 13828.000131/9991 (e fls.107), correspondente a saldo negativo de IRPJ no exercício de 1999. Não existe no ordenamento legal tributário previsão de repetição de indébito de valor de débito declarado a maior que o devido. O princípio contido no Código Tributário Nacional (arts. 165 a 169), que trata da repetição do indébito tributário, tem como máxima o direito à restituição a quem pagou indevidamente, como fundamento de justiça. A partir do pagamento indevido ao Fisco, não se estará mais falando de tributo, se exclui a relação com o fato gerador da obrigação tributária, passando simplesmente existir um crédito com direito à restituição a quem pagou indevidamente. Ainda, com relação ao débito de PIS declarado para o período de 11/2000 a 11/2002, extinto por compensação com crédito correspondente à base negativa de IRPJ do exercício de 1999, se parte desse débito fôssemos reconhecer como indevido, o crédito daí resultante se reportaria ao ano de 1999, habilitado em processo específico cuja autorização se deu na data de 21/02/2005 (efls.110). O deferimento do direito creditório da base negativa do IRPJ, formulado pelo interessado em Pedido de Restituição, foi integralmente relacionado à compensação de débitos indicados no próprio processo. Partindose, então, para o terceiro ponto, do mérito do crédito pleiteado, necessário se faz que o interessado deve atestar que o direito ao crédito pedido em restituição tem apoio não só legal, mas também, documental. A realidade do suposto direito creditório requerido pela recorrente referese ao fato anteriormente abordado, relacionado ao alargamento da base de cálculo do PIS promovida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Nesse ponto adoto as colocações do autor do acórdão recorrido, que permanece fiel aos autos, já que nada sobre prova foi acrescentado ao recurso voluntário: Não obstante existir razão na questão de direito levantada, o contribuinte não apresenta qualquer documento que comprove a realidade fática do recolhimento indevido ou a maior. Nenhuma apuração, documentação ou outro indício que dê suporte às suas alegações de existência de crédito a restituir. Cabe lembrar que nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, no que se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência deste. O Código de Processo Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15892.000129/200934 Acórdão n.º 3401005.330 S3C4T1 Fl. 7 6 Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Não consta dos autos qualquer documentação que comprove os valores pleiteados como restituição. Nada se sabe sobre a composição da base de cálculo utilizada. Nenhum registro contábil ou documento que lhe dê suporte foi juntado aos autos para comprovar o efetivo faturamento do contribuinte. Nessas condições, acatar as razões do manifestante seria admitir que sua simples vontade e entendimento poderiam ser utilizados para gerar créditos oponíveis à Fazenda Pública. A toda evidência, tal pretensão não tem sustentação, pelo que se lhe nega os efeitos pretendidos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001590/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. COMPROVAÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EFETIVA TRANSFERÊNCIA DO NUMERÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO.
O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é iludido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida.
Para que sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sócio-gerente deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário.
Numero da decisão: 2402-006.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencido do Acórdão nº 2402-005.098, com vistas a incluir no referido voto a análise constante do presente acórdão de embargos.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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OMISSÃO. COMPROVAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EFETIVA TRANSFERÊNCIA DO NUMERÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é iludido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Para que sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sóciogerente deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencido do Acórdão nº 2402005.098, com vistas a incluir no referido voto a análise constante do presente acórdão de embargos. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 90 /2 00 7- 09 Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 19515.001590/200709 Acórdão n.º 2402006.502 S2C4T2 Fl. 1.887 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de embargos declaratórios (fls. 3324/3325) opostos pelo autuado, a fim de que sejam supridas as omissões por ele a seguir sustentadas: O recurso voluntário do Embargante contestou a decisão administrativa de primeiro grau, que rejeitou como aptos a demonstrar o recebimento de distribuição de lucros e rendimentos os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e suas Declarações Anuais do Imposto de Renda da Pessoa Física, relativos anoscalendário de 2001 e 2002. O auferimento e tributação regular destas receitas, pagas pela empresa Dakhia Indústria e Comércio de Termoplásticos Ltda., foi comprovada pelo Embargante, que na época era quotista desta pessoa jurídica. O Acórdão ora embargado, no entanto, não se manifestou sobre esta questão, deixando de analisar a validade destes documentos que amparam a defesa do Embargante. Com efeito, na sessão de julgamento de 8 de março de 2016 houve análise apenas das provas "oriundas de investigação da Polícia Federal" e sobre os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário. Por tais motivos, se faz necessário o julgamento da validade probatória das receitas e tributação comprovadas através dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e suas Declarações Anuais do Imposto de Renda da Pessoa Física, relativos aos anoscalendário de 2001 e 2002 Por meio da decisão de fls. 3337/3340, os embargos foram admitidos nos seguintes termos: Como se pode ver, em que pese o último parágrafo da transcrição acima falar em documentos apresentados fora do prazo, nada é dito quanto a Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte e Declarações Anuais do Imposto de Renda da Pessoa Física. Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 19515.001590/200709 Acórdão n.º 2402006.502 S2C4T2 Fl. 1.888 3 É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, O Embargos de Declaração foram apresentados com fulcro no inciso I do artigo 64 c/c artigo 65, ambos do RICARF, vez que apontada e admitida a omissão no acórdão embargado. No acórdão embargado, quanto ao mérito, negouse provimento ao recurso voluntário por unanimidade. Confirase: Acordam os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Natanael Vieira dos Santos. Redator designado para apresentar o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. II) No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Quanto à matéria aqui em voga, assim foi ementado o acórdão: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é iludido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Para que, sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sócio deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário. Em resumo, eis as considerações do recorrente sobre o tema em seu recurso voluntário: Que o acórdão recorrido desconsiderou valores informados a título de lucros distribuídos por falta de comprovação da efetiva transferência de numerários da pessoa jurídica para o sócio, que estariam demonstrados pelo comprovante de rendimentos pagos e de retenção de IR na fonte. Que o contribuinte teria apresentado informes de rendimentos emitidos pelos bancos Santander, Unibanco e Bankboston, mas que para esses rendimentos não lhe foi pedido comprovar a "efetiva transferência de numerários". Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 19515.001590/200709 Acórdão n.º 2402006.502 S2C4T2 Fl. 1.889 4 Que a cópia dos registros analíticos então juntada demonstraria distribuição de lucros de R$ 30.000,00 e R$ 100.000,00, em 2001 e 2002, respectivamente. Assiste razão ao contribuinte neste ponto. É dizer, a alegação não foi enfrentada no acórdão embargado, em que pese sua ementa sugerir tenha sido feito. Passo, assim, a fazêlo. O contribuinte foi autuado, naquilo que se refere aos embargos aqui tratados, por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme de denota dos demonstrativos de fls. 3079 e seguintes. Como de percebe do excerto a seguir colacionado, retirado do relatório fiscal, o autuado foi intimado a apresentar a documentação que demonstrasse o recebimento das importâncias sustentadas como sendo lucros e dividendos, o que não foi atendido. Por fim, o contribuinte declarou a percepção de rendimentos isentos e não tributáveis, no valor de R$ 30.000,00, relativos ao anocalendário de 2001, e no valor de R$ 100.000,00, relativos ao anocalendário de 2002, decorrente da distribuição de lucros, conforme consta nos documentos de fls. 968 e 969. Devidamente intimado o contribuinte não apresentou documentação idônea, coincidente em datas e valores, demonstrando e comprovando o recebimento das referidas importâncias. Assim, os valores em questão foram desconsiderados para efeito de análise da evolução patrimonial e financeira do contribuinte. A apuração da infração em questão passa, necessariamente, pela verificação das entradas e saídas de numerário efetivamente ocorridas no período sob análise. Nesse sentido, a mera informação de que teria havido à distribuição de lucros e dividendos, seja ela por meio de "comprovante de rendimentos pagos e de retenção de IR na fonte", seja por meio de folha avulsa da contabilidade da empresa, não é o suficiente a caracterizar o efetivo ingresso do numerário a ser aproveitado como origem na apuração, sobretudo no caso em exame em que o autuado era sóciogerente da empresa, consoante se extrai de fls. 109/112, diferentemente dos casos dos informes de rendimentos apresentados por instituições financeiras, por meio dos quais, ressalvadas eventuais falsificações, evidenciam o efetivo crédito em conta bancária do beneficiário. Por questões contábeis, e aqui se trata do princípio da entidade1, ou mesmo fiscais, os negócios entabulados entre os sócios (por maior razão, os administradores/gerentes) 1 O princípio da entidade reconhece o patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Segundo esse princípio, o patrimônio da empresa (entidade) não se confunde com o dos seus sócios ou proprietários. Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 19515.001590/200709 Acórdão n.º 2402006.502 S2C4T2 Fl. 1.890 5 e a respectiva empresa devem sempre demonstrar sua efetividade ocorrência, a fim de que se evitem indesejadas manipulações das informações. Nessa linha, vejamos o que dispõe o artigo 282 do RIR/99, ao tratar do arbitramento da receita omitida. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. Ante o exposto, voto por ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencido do Acórdão nº 2402005.098, com vistas a incluir no referido voto a análise constante do presente acórdão de embargos. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Portanto, a Contabilidade da empresa registra somente os atos e os fatos ocorridos que se refiram ao patrimônio da empresa, e não os relacionados com o patrimônio particular de seus sócios. Na prática, comprovase a eficácia do princípio da entidade pelo fato de que a empresa apresenta sua declaração de Imposto de Renda e seus sócios apresentam, cada um, sua própria declaração. Fonte: http://www.iob.com.br/noticiadb.asp?area=contabil¬icia=41106 Fl. 3350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10331.720130/2017-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente JOSÉ NARCISO D ALMEIDA CASTRO JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2015 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 72 01 30 /2 01 7- 21 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10331.720130/201721 Acórdão n.º 2002000.355 S2C0T2 Fl. 112 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2016. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$15.500,34 para R$2.902,68. A notificação consigna a omissão de rendimentos no valor de R$45.809,67, da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (fl.8). Impugnação Cientificada em 9/5/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 17/5/2017, à fl. 2/33 dos autos, na qual a representante do espólio do contribuinte afirmou que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, julgoua improcedente, consignando a falta de comprovação da moléstia grave (fls. 71/76). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 22/2/2018 (fl. 79), a representante legal do espólio, em 8/3/2018 (fl. 82), apresentou recurso voluntário, às fls. 82/107, no qual alega que, por equívoco, teria juntado erroneamente laudo emitido por hospital particular, mas que, agora, em seu recurso, estaria juntando laudo oficial, o qual demonstraria a existência da moléstia grave a partir de 19/8/2015. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos auferidos pelo contribuinte da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. A autuação consigna que o contribuinte teria auferido o montante de R$141.441,99, mas ofertado à tributação o valor de R$95.632,32, justificandose a autuação da omissão de R$45.809,67. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10331.720130/201721 Acórdão n.º 2002000.355 S2C0T2 Fl. 113 3 Na impugnação, a representante do espólio junta comprovante de rendimentos de fl.15, consignando o total dos rendimentos tributáveis de R$141.441,99, como apontado na autuação, mas alega a isenção por moléstia grave de parte desses rendimentos. Na apreciação da impugnação, o colegiado de primeira instância apontou a comprovação da natureza dos rendimentos, de aposentadoria, mas considerou que a moléstia grave não restou comprovada na forma exigida pela legislação de regência, nos seguintes termos: No presente caso, confirmase que os rendimentos omitidos são decorrentes de aposentadoria. No entanto, na tentativa de fazer prova da moléstia grave, o interessado anexa o laudo pericial de fls. 16, emitido por médico de hospital da rede particular (Hospital ITA’COR), inábil para comprovar o alegado. Conforme transcrito acima, o laudo pericial que reconhecer a moléstia deve ser emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esclareçase, por oportuno, que o laudo pericial emitido por serviço médico oficial deverá conter a informação de que a moléstia é ou não passível de controle e, no caso de moléstia passível de controle, deverá ser informado o prazo de validade do laudo pericial, visto que, como estabelece o §1º do art. 30 da Lei nº 9.250/95, o contribuinte só terá direito à referida isenção enquanto for portador da doença. O laudo pericial oficial consiste num instrumento que, devido ao seu grau de detalhamento e especificidade, visa fornecer elementos suficientes para formar a convicção do seu destinatário. A Solução de Consulta Interna nº 11 – Cosit de 2012, menciona: ... Assim, por falta da devida comprovação da moléstia grave, não será reconhecida, neste julgamento, a isenção pleiteada. Na impugnação, fora juntado o laudo de fl.16, que, de fato, não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Agora, em sede de recurso, juntase o laudo de fl.88, que aponta a existência de moléstia relacionada no inciso XIV do artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 1988, a partir de 19/8/2015. Em consulta efetuada ao sítio http://cnes.datasus.gov.br/, relativo ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, confirmase que se trata de instituição da administração pública de gestão municipal, bem como a existência de vínculo empregatício do profissional médico que assina o laudo pericial com a instituição. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10331.720130/201721 Acórdão n.º 2002000.355 S2C0T2 Fl. 114 4 Dessa feita, a teor da Súmula CARF nº 63, é de se reformar a decisão de piso, reconhecendo que o recorrente faz jus à isenção pleiteada. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento reconhecendo a isenção dos rendimentos auferidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil a partir de agosto de 2015. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724503/2011-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento.
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrentes FAZENDA NACIONAL E CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 03 /2 01 1- 98 Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 3 2 de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.798, de 29/01/2016, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 4 3 mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 5 4 Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 6 5 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado". O acórdão foi cientificado pelo eprocesso à Fazenda, que interpôs embargos declaratórios alegando omissões no julgado. Todavia, os embargos foram rejeitados. Não conformada com tal decisão a Fazenda Nacional apresentou o presente Recurso, aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos para fins do direito à tomada de créditos do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade. Para comprovar a divergência apontou o acórdão nº 20312.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto ao conceito geral de insumos para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Cientificada do referido despacho, a Fazenda Nacional não apresentou agravo. Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda e também interpôs Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 7 6 sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pelo improvimento do Recurso. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade dos recursos e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.068): Da admissibilidade "Restrinjome à redação do presente voto vencedor apenas com relação ao conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, por, também nesse ponto, respeitosamente, discordar do relator. No recurso especial da Procuradora foram suscitadas duas divergências: a) quanto ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade; e b) quanto ao direito de crédito de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, calculado sobre insumos que antecedem o processo produtivo. O despacho do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos admitiu apenas a divergência descrita em a), que trata do conceito genérico de insumo para fins dos gastos geradores de créditos para as contribuições do PIS e Cofins não cumulativas. Inadmitida essa divergência, caberia a segunda, que trata de um gasto específico com serviços de logística considerados, ou não, antecedentes ao processo produtivo. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 8 7 Inicio por salientar que a própria contribuinte não indica qualquer argumento que leva ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda, afirmando apenas sua improcedência. O trecho do voto condutor do acórdão paradigma de nº 20312.448, trazido a baila pela Procuradora claramente demonstra um conceito mais restritivo de insumo do que aquele utilizado no acórdão recorrido, ao tomar por base a legislação do IPI para tal, senão vejamos: Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumo” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” (Negritei.) Partindo desse entendimento, como bem argumentou a Procuradora, para considerar bens ou serviços, como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente sobre os produtos utilizados na fabricação, e, nesse sentido, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Claramente a vinculação com o critério de insumo do IPI está posta no paradigma. Já o acórdão a quo se posiciona claramente noutro sentido, o que já se observa no seguinte extrato de sua ementa: O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. (...) (Negritei.) Assim, há desde logo que se admitir a existência da divergência arguida no recurso especial e analisarse a posteriori a situação fática dos serviços de logística para utilização da sistemática just in time. Nesse ponto, há discussão específica no paradigma que foi em seguida apresentado, o acórdão nº 9303002.659, especificidade esta que fica bem aparente no excerto do voto vencedor abaixo transcrito: Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. (Negritei.) Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 9 8 Nessa quadra, a especificidade, de acordo com a Procuradora da Fazenda seria a prestação de serviços anteriores à produção, mas pela leitura adotada pelo Presidente da 3ª Câmara em seu despacho ás efls. 3683 a 3687, o acórdão recorrido entendia que os serviços em questão estavam sendo aplicados na produção; inexistiria divergência por serem situações fáticas distintas. O afastamento desta última divergência em nada afetaria a primeira, que, no meu entender, foi corretamente conhecida. Assim, a divergência quanto ao critério de insumo, utilizando, ou não, aquele da legislação do IPI, estava adequadamente posta, apesar de a divergência específica quanto aos serviços da GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda serem anteriores à produção, não o estava por falta de similitude fática. Concluindo, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da nãocumulatividade." (..)1 Do mérito "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo 1 A admissibilidade do recurso especial do contribuinte não foi contestada pelo relator do processo paradigma (Acórdão 9303007.068). A divergência entre os Conselheiros, quanto ao conhecimento, foi apenas em relação ao recurso da Fazenda Nacional, que restou conhecido por maioria de votos. Assim, ao final, os dois recursos foram conhecidos pelo Colegiado. Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 10 9 próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito3”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: 2 3 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 11 10 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. Recurso da Procuradoria Por sua vez, o exame de admissibilidade do Recurso, o examinador entendeu que a divergência instaurada diz respeito quanto aos insumos serem diretamente vinculados à produção, ou não, os serviços de controle de estoque “just in time” prestados pela GFL, que segundo o acórdão recorrido são relativos a “controle de fluxo de componentes nas instalações fabris”. E tal divergência existe entre o acórdão recorrido e a Fazenda, mas não perante o paradigma, que não trata desse tipo de serviço especificamente. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário referente "à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570". A matéria aceita como divergente, diz respeito a interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de Pis e Cofins no regime da nãocumulatividade. Sem embargo, o conceito de insumos foi levado ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu o conceito tem como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. A jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 13 12 Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 14 13 "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 15 14 que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 16 15 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 17 16 incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 18 17 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não Fl. 3991DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 19 18 cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 20 19 prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Fl. 3993DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 21 20 Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 9303007.231 CSRFT3 Fl. 22 21 Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negou provimento ao recurso da Fazenda e deu provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3995DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720147/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Numero da decisão: 1301-003.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: (i) no mérito, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento; (ii) em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por obstar essa incidência.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 47 /2 01 2- 46 Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.683 2 Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: (i) no mérito, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento; (ii) em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por obstar essa incidência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.684 3 Relatório BASF POLIURETANOS LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1644.565 proferido pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo/SP1 que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 1353/1363, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência na importação de bens (verificações relativas ao anocalendário de 2008), constatouse o seguinte: DOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Por meio do Termo de Início de fiscalização, a contribuinte foi intimada a fornecer, em meio óptico, todas as informações necessárias ao procedimento fiscal, devendo, inclusive, retificar ou ratificar os dados relativos às compras externas (importações) ocorridas no período (anocalendário 2008), conforme rol de planilhas de dados entregue no ato da ciência e constante do referido Termo, a seguir explicitadas: · Planilha "Identificação" (das mercadorias comercializadas no ano); · Planilha "Vinculadas"; · Planilha "Filiais"; · Planilha "Inventário"; · Planilha “Devolução de Importação”; · Planilha "Movimentação" (de estoques anuais de matériasprimas, materiais secundários, produtos em elaboração e produtos finais); · Planilha "Códigos de Movimentação de Estoques" (operações de movimentação interna); · Planilha "Custo da Produção Acabada" (dos produtos fabricados no período); · Planilha de "Vendas" (vendas efetivas, devoluções e outras hipóteses de saída); · Planilha "InsumoProduto" (relações, proporção e quantidade de insumos consumidos na produção); · Planilha de "Compras" (produtos adquiridos no mercado interno); · Planilha de "Importações do ano fiscalizado" (contém os valores calculados pela empresa a título de preços de transferência e oferecidos à tributação); · Planilha de "Importações anteriores" (contém os valores calculados pela empresa a título de preços de transferência e oferecidos à tributação no ano imediatamente anterior ao fiscalizado). No mesmo Termo foi solicitada, ainda, a apresentação das memórias de cálculo para a apuração dos preçosparâmetro e dos preços praticados, relativos às importações do anocalendário de 2008 e os valores espontâneos de ajuste, bem como a indicação dos métodos escolhidos por item, entre os previstos na legislação de regência. Por fim, intimouse a contribuinte a apresentar cópias simples do LALUR, Parte "B", para os anos calendário compreendidos entre 2005 e 2010, para a verificação de eventuais prejuízos acumulados ou bases de cálculo negativas da CSLL. Após análise das informações entregues, foi solicitada à contribuinte a correção de inconsistências na base de dados sob auditoria. A contribuinte foi, ainda, intimada a apresentar os documentos de suporte aos métodos PIC (Preços Independentes Comparados) e CPL (Custo de Produção mais Lucro). Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.685 4 A contribuinte então protocolizou documento com a informação de que havia corrigido as inconsistências e apresentou diversos arquivos e planilhas de suporte aos métodos PIC e CPL, além de relatório elaborado por empresa de auditoria independente (Ernst & Young Terco) e elementos complementares de prova, conforme critérios estabelecidos no artigo 29 da IN SRF nº 243/2002, que foram anexados ao presente processo. DO CÁLCULO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA CONSIDERAÇÕES GERAIS Do preço praticado O preço praticado foi apurado pela média aritmética ponderada dos preços pelos quais a empresa efetivamente adquiriu de vinculada do exterior determinado produto, durante o anocalendário, incluídos o frete, o seguro e o Imposto de Importação, conforme determina o § 6°do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Tal entendimento é corroborado pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, aplicável ao período sob fiscalização, que dispõe que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o artigo 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis devidos na importação“. Do preçoparâmetro Para o cálculo do preçoparâmetro na importação, prevê a Lei nº 9.430/96 (artigo 18) os seguintes métodos: PIC (Preços Independentes Comparados); PRL (Preços de Revenda menos Lucro, com margens de lucro de 20% PRL20 – ou 60% PRL60) e CPL (Custo de Produção mais Lucro). Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise pela fiscalização, por amostragem, com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte e apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente. Da apuração dos preços e respectivos ajustes Método PRL A fiscalização, conforme impõe o § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, trabalhou com o custo de importação CIF, ou seja, os valores do frete e do seguro, suportados pelo importador, foram incluídos no cálculo. O preço praticado por item, conforme disposto nas planilhas de cálculo, deve ser apurado por meio da divisão do total (CIF + Imposto de Importação + Estoque Inicial, em reais) do item pela quantidade (Estoque Inicial + Importações) deste, de acordo com o disposto nos §§ 2 º e 3º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Dos cálculos e ajustes realizados pela contribuinte e pela fiscalização Após a análise dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização selecionou, de acordo com o método PRL (PRL20 e PRL60), os produtos passíveis de ajuste para fins de preços de transferência. Destaquese que a contribuinte apresentou documentação para subsidiar a utilização dos métodos PIC e CPL para diversos produtos (que se encontra no presente processo). A fiscalização aceitou integralmente os preçosparâmetro apresentados pela contribuinte, por considerálos adequados, à luz da documentação de suporte, nos termos da legislação. Para todos os cálculos, foi levada em consideração a margem de divergência prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, de modo que só foram ajustados itens cujos preçosparâmetro, acrescidos da margem de 5%, foram inferiores aos respectivos preços praticados. Com base nas premissas expostas, foram detectados para fins de ajuste, conforme preços apurados pelos métodos PRL, PIC e CPL, os itens relacionados na tabela de fls. 1358/1360, totalizando ajuste de R$ 16.575.47,50. A referida tabela indica as quantidades ajustadas, nos termos da legislação (itens presentes no estoque inicial e itens importados de vinculadas, conforme consumo do anocalendário sob fiscalização), os preços Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.686 5 apurados e os valores sujeitos a ajuste, com base nas informações e dados apresentados pela contribuinte, assim como nos preçosparâmetro aceitos para os métodos PIC e CPL. Para a determinação das quantidades e respectivos preços, foi utilizado o critério previsto no artigo 6o da IN SRF nº 243/2002. As quantidades consumidas durante o anocalendário sob fiscalização, para todos os itens passíveis de ajuste, constam da tabela de fls. 1360/1361. Do ajuste do estoque inicial Tendo em vista a presença de itens no estoque inicial, importados de vinculadas e que foram levados a custo durante o anocalendário sob fiscalização, a fiscalização procedeu aos ajustes correspondentes, de acordo com as quantidades consumidas, conforme tabela de fl. 1362, totalizando um ajuste de R$ 1.050.369,44. Da conclusão Com base nas tabelas de ajuste supracitadas (Importações de Vinculadas Consumidas e Estoques Iniciais de Vinculadas Consumidos), o total passível de ajuste para o anocalendário sob fiscalização é de R$ 17.625.716,94 (R$ 16.575.347,50 + R$ 1.050.369,44). Considerando que a contribuinte efetuou ajustes espontâneos na DIPJ no valor total de R$ 3.870.526,48 (soma dos métodos PRL, PIC e outros não especificados), o montante a ser ajustado, já descontados os ajustes espontâneos, é de R$ 13.755.190,46 (R$ 17.625.716,94 R$ 3.870.526,48). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2008: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Fundamento legal artigo 3º da Lei nº 9.249/95; artigos 241, 242, 244, 247 e 249, inciso I, do RIR/99; e artigo 18 da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 9.959/2000 Crédito Tributário 2.407.158,33 Imposto (em reais) 1.805.368,75 Multa proporcional (75%) 888.963,57 Juros de mora (cálculo até 11/2012) 5.101.490,65 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Fundamento legal artigos 2º e 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034/90 e pelo artigo 17 da Lei nº 11.727/2008; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 866.577,00 Contribuição (em reais) 649.962,75 Multa proporcional (75%) 320.026,89 Juros de mora (cálculo até 11/2012) 1.836.566,64 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 5.101.490,65 IRPJ 11/2012 1.836.566,64 CSLL 6.938.057,29 TOTAL DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 13/11/2012, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 12/12/2012, a impugnação de fls. 1472/1512, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.687 6 DOS FATOS A impugnante calculou os seus preçosparâmetro para os seus produtos importados de acordo com os três métodos passíveis de aplicação a operações de importação no anocalendário de 2008, conforme o caso, quais sejam: (1) PRL com margem de 60% (PRL60), nos casos de bens importados aplicados à produção, e com margem de 20% (PRL20), nas demais hipóteses, (2) PIC e (3) CPL. Todos segundo a sistemática da Lei nº 9.430/96. Tais cálculos resultaram em ajustes às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL que totalizaram R$ 3.870.526,48. Não obstante tenha seguido à risca os preceitos da Lei nº 9.430/96, a impugnante foi autuada. Em relação especificamente ao método PRL60, percebese no Termo de Verificação Fiscal e nos cálculos apresentados pela fiscalização que as divergências apuradas decorrem da utilização da sistemática da Lei nº 9.430/96 pela impugnante, ao passo que a fiscalização adota a sistemática da IN SRF nº 243/2002. DA APURAÇÃO DO PRL60 – LEI Nº 9.430/96 (ADOTADA PELA IMPUGNANTE) VERSUS IN SRF Nº 243/2002 (BASE DO AUTO DE INFRAÇÃO) Comparação entre as sistemáticas para o PRL60 – Ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 Conforme já mencionado, a maior diferença entre os cálculos preparados pela impugnante e os cálculos preparados pela fiscalização diz respeito à forma de cálculo do PRL60. De um lado, a impugnante utilizou a mecânica determinada pela Lei nº 9.430/96 e, de outro lado, a fiscalização utilizou a sistemática imposta pela IN SRF nº 243/2002, a qual carece de base legal. Qualquer simulação de cálculos comprova que são diferentes os valores apurados por cada uma das sistemáticas, sendo que a efetuada com base na Lei nº 9.430/96 apresenta ajustes muito menores que a regulada pela IN SRF nº 243/2002. Instruções normativas são meras normas internas da Administração, que não possuem força de lei, não tendo, assim, o condão de criar direitos ou restrições aos contribuintes. A Constituição Federal (CF/88) dispôs, em seu artigo 5º, inciso II, acerca do princípio da legalidade. Em matéria tributária este princípio tornase ainda mais rígido, pelo que dispõe o artigo 150, inciso I, da CF/88, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça. Tal principio é albergado, ainda, no artigo 97 do CTN. Assim, ao estabelecer nova forma de cálculo do PRL60, a IN SRF nº 243/2002 violou frontalmente o principio da estrita legalidade em matéria tributária. Diante disso, não podemos chegar à outra conclusão que não o cancelamento do presente Auto de Infração, tendo em vista o fato de a impugnante ter se utilizado da mecânica de cálculo do PRL60, conforme regulado pela Lei nº 9.430/96. Fonte do método PRL60, eficácia plena da Lei nº 9.430/96 e o papel das instruções normativas Chamase "eficácia técnica" a aptidão de uma determina norma para produzir efeitos imediatos, regulando a conduta dos seus destinatários em termos definitivos. Essa eficácia técnica admite alguns graus, conforme a regra necessite ou não de outros enlaces normativos, de maior concretude, para produzir efeitos. Temse se assim, de acordo com esses graus, normas de eficácia plena, de eficácia limitada e de eficácia contida. No caso do artigo 18, inciso II, item 1, da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000), é inequívoco que estamos diante de norma de eficácia plena. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.688 7 No caso da regra de PRL60, observase que, em nenhum momento, o legislador remete a uma integração posterior para que a norma possa ser plenamente aplicada; também não estabelece nenhuma autorização para que uma regulamentação venha a restringir os seus contornos préestabelecidos. Portanto, tratandose de norma plenamente eficaz, temse que sempre foi juridicamente possível a aplicação direta da lei, independentemente de qualquer integração que viesse a ser feita por instrução normativa. Aliás, encontrase exatamente aqui a justificativa para a ausência de motivação, pelo Auto de Infração, da suposta ilegalidade praticada pela impugnante na sua apuração do preçoparâmetro. Não o fez a fiscalização, porque não há como negar a plena consistência da conduta da impugnante perante a Lei. Do reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo Judiciário Destaquese que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) reconheceu a incompatibilidade entre a sistemática da IN SRF nº 243/2002 e da Lei nº 9.430/96. Isso porque, de acordo com a RFB, a nova fórmula de cálculo prevista pela IN SRF nº 243/2002 só seria válida a partir do anocalendário de 2002 (artigo 45 da IN SRF nº 243/2002). Se a RFB entendesse que a fórmula prevista pela IN SRF nº 243/2002 apenas reproduziria os termos da Lei nº 9.430, certamente teria declarado seu caráter interpretativo e aplicado a IN SRF nº 243/2002 para fatos pretéritos, o que não ocorreu. Mas não é só. Em 03/04/2012, foi editada a MP nº 563/2012, por meio da qual pretendeuse introduzir uma grande evolução em matéria de preços de transferência. Posteriormente, referida medida provisória foi convertida na Lei nº 12.715/2012. O artigo 48 dessa lei introduz mudanças no artigo 18 da Lei nº 9.430/96, de modo que a margem de lucro aplicável à produção local, que antes impunha a absurda margem de 60%, foi substituída por uma margem de 20% (regra geral), com exceções para alguns setores, que possuem margens de 30% e 40%. Ademais, a Lei nº 12.715/2012 introduz no nosso ordenamento jurídico a sistemática contida na IN SRF nº 243/2002 via instrumento competente, ou seja, lei em sentido estrito. Cumpre ressaltar que essa não foi a primeira oportunidade em que se tentou criar fundamento de validade para a IN SRF nº 243/2002. Em dezembro de 2009, o Governo Federal editou a MP nº 478/2009, por meio da qual tentou sanar a carência de base legal da IN SRF nº 243/2002, introduzindo o seu texto na Lei nº 9.430/2012. Entretanto, referida a MP 478/2009 acabou por não ter sido convertida em lei. Ao contrário da MP 478/2009, a MP 563/2012 foi convertida na Lei nº 12.715/2012, porém, os dispositivos dessa lei que tratam das regras de preços de transferência entrarão em vigor somente a partir de 1º de janeiro de 2013. Ora, o estabelecimento dessa vacatio legis pelo legislador ordinário deixa claro que as alterações promovidas na Lei nº 9.430/96 são inovações em nosso sistema jurídico, não se podendo alegar que a IN SRF nº 243/2002 traz apenas uma forma de interpretação da Lei nº 9.430/96, passível de ser invocada antes mesmo das alterações promovidas pela Lei nº 12.715/2012. Em suma, tomandose por base os casos das MPs nºs 478/2009 e 563/2012 (posteriormente convertida na Lei nº 12.715/2012), é forçoso concluir que até a edição da MP nº 563/2012 a IN SRF nº 243/2002 não possuía base legal e que suas disposições eram completamente distintas da redação do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. A incompatibilidade entre a IN SRF nº 243/2002 e a Lei nº 9.430/96 já vem sendo discutida também na esfera judicial. Vejase decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos do processo nº 2007.61.00.0340487/SP. Ademais, não obstante existam decisões na esfera administrativa que sustentem que a IN SRF nº 243/2002 seria uma das interpretações possíveis da Lei nº 9.430/96, há que se destacar as recentes decisões da 2ª Turma da 3ª Câmara (Acórdão 130200.915) e da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (Acórdão 1202 000.835). Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.689 8 Problemas no cálculo do PRL60 segundo a IN SRF nº 243/2002 O cálculo do método PRL60 segundo a sistemática prevista pela IN SRF nº 243/2002 gera uma série de problemas e erros lógicos, a seguir sintetizados: (1) Para a sistemática da IN SRF nº 243/2002, é mais interessante importar produto acabado do que produzir no Brasil. O cálculo do PRL60 proposto pela IN SRF nº 243/2002 prejudica a indústria nacional e incentiva a produção em outros países; (2) O cálculo do PRL60 proposto pela IN SRF nº 243/2002 possui erro lógico, que resulta em cálculo circular que incentiva a manipulação de preços; e (3) A IN SRF nº 243/2002 exige margem de lucro 150% sobre os custos não sujeitos ao controle de preços de transferência (itens nacionais e importados de terceiros). Da legalidade da conduta da contribuinte Ainda que se parta da premissa de que a IN SRF nº 243/2002 não contraria o texto da Lei nº 9.430/96, não há como se extrair dessa premissa a conclusão de que seria ilegal a conduta da contribuinte, ao adotar método de apuração cuja fonte direta é a lei. Nessa linha, também não há como se sustentar a validade da autuação, pois deixou de demonstrar em que ponto a conduta da contribuinte afrontou a lei. Isto porque, não há dúvidas de que o entendimento empregado pela impugnante também configura uma das interpretações possíveis da lei. Tanto é verdadeiro que as instruções normativas anteriores (IN SRF nº 113/2000 e IN SRF nº 32/2001) a reproduziam com total fidelidade. E mesmo dentre a sistemática da Lei nº 9.430/96, existe a possibilidade de se calcular o método PRL60 de diferentes maneiras, dado que a expressão "valor agregado" não foi definida pelo legislador e comportaria, no mínimo, três possibilidades de interpretação, conforme alertou SCHOUERI, ao afirmar que: "7.5 Aparentemente, o posicionamento mais adequado para determinação do quantum a ser considerado como valor agregado ao bem produzido no país poderia considerar três hipóteses: 1) VA = preço líquido de venda custo do bem importado; 2) VA = custo total custo do bem importado; 3) VA = custo de fatores locais (mãodeobra, materiais secundários etc)”. Outro fator que pode influir no cálculo do PRL60 segunda a Lei nº 9.430/96 é a utilização ou não de mais de um produto importado sujeito ao controle de preços de transferência, o que é muito comum no caso da impugnante. Para esses casos, haveria a possibilidade de se proporcionalizar o preço parâmetro para os casos em que há mais de um produto importado. Nesse ponto, cumpre ressaltar que a impugnante contratou a renomada empresa de consultoria Deloitte para efetuar simulação da sistemática de proporcionalização do preçoparâmetro, também conhecida como "importadão" ou como "MatériaPrima Total". Cumpre salientar que a metodologia empregada pela impugnante reflete interpretação originária, diretamente imbricada com a literalidade da lei. Caso se defenda que a IN SRF nº 243/2002 não afronta a Lei, não se pode sustentar, por conseqüência lógica, que ela impede a aplicação da metodologia utilizada pela impugnante, estabelecida direta e literalmente por esta. Assim, ainda que atue no espectro semântico de uma das interpretações possíveis da lei, não pode a IN SRF nº 243/2002 afastar a faculdade dos contribuintes em continuar empregando a outra interpretação possível, decorrente de norma legal de eficácia plena. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.690 9 Diante disso, não resta dúvidas que o procedimento adotado pela impugnante está totalmente de acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 e nunca poderia ser afastado sob o argumento de que uma instrução normativa melhor atende ao espírito do Lei. Destaquese que inexiste na legislação brasileira um método preferencial para aferição do preço de transferência. Com efeito, o nosso legislador facultou ao contribuinte a adoção do método que bem lhe aprouver, inclusive podendo adotar, para fins de dedução no lucro tributável, o método que lhe trouxer o maior valor, sempre limitado, todavia, ao preço da aquisição da operação transacionada. É o que se extrai da leitura do artigo 18, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96, na forma em que vigia em 2008. Em outras palavras, é de livre escolha do contribuinte o método para aferição do preço de transferência, devendo, pois, a Administração restringir sua análise exclusivamente à averiguação do método escolhido pelo contribuinte e à comprovação do cálculo por ele realizado. Tal entendimento foi, inclusive, confirmado pelo CARF em recente decisão (Primeira Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Processo nº 16561.000008/200654, sessão de 24/05/2011). DOS TRATADOS FIRMADOS ENTRE O BRASIL E OS PAÍSES DE ONDE A IMPUGNANTE IMPORTA OS PRODUTOS QUE FORAM OBJETO DE AJUSTE Conforme se verifica na DIPJ, a impugnante realiza grande volume de importações com pessoas residentes em países com os quais o Brasil firmou Tratado para Evitar a Dupla Tributação, em especial (os mais relevantes), México, Argentina, Coréia e Espanha, conforme se verifica nas Fichas 32 e 33 da DIPJ. Como é sabido, os acordos de bitributação prevalecem sobre as normas internas de direito tributário, consoante o artigo 98 do CTN. Por essa razão, os Estados Contratantes somente podem tributar uma determinada situação, se tal tributação não estiver vedada pelo acordo de bitributação. Pois bem. O artigo 9 "b", do acordo para evitar a bitributação firmado entre o Brasil e a Áustria, dispõe que: "Artigo 9 Empresas Associadas Quando: (...) b) as mesmas pessoas participarem direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de uma empresa de um Estado Contratante e de uma empresa do outro Estado Contratante, e em ambos os casos, as duas empresas estiverem ligadas, nas suas relações comerciais e financeiras, por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, sem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados como tal". O texto acima transcrito uma reprodução do artigo 9º da Convenção Modelo da OCDE e também presente nos tratados firmado entre o Brasil e todos os países supracitados quer significar, no dizer da própria OCDE, que "não é autorizado qualquer ajuste nas contas de empresas associadas se as transações entre tais empresas se efetuaram em condições de um mercado aberto normal (em bases arm's length)’”. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.691 10 Nesse caso, poderia o Direito Brasileiro ajustar apenas e tão somente as transações que não respeitem o princípio "arm's length". Somente as transações que não obedeçam a esse princípio, segundo a interpretação oficial da OCDE, é que podem ser tributadas. Ou seja, ainda que se entendesse a título ilustrativo que a IN SRF nº 243/2002 pudesse majorar um tributo sem base legal, terseia de admitir que a sua aplicação estaria vedada em razão dos tratados, já que os mesmos determinam a observância do princípio do "arm's lenght". Não é demais ressaltar que os tratados assinados pelo Brasil não se interpretam conforme a legislação de qualquer dos Estados Contratantes, mas segundo as regras do Direito Internacional Público, consolidadas pela Convenção de Viena. Por conseguinte, o princípio "arm's length" não fica atado às normas brasileiras de preço de transferência, mas ao conceito que deflui do próprio acordo de bitributação. É por isso que, não tendo comprovado a fiscalização de que os preços e métodos adotados pela impugnante estariam em desacordo com o principio "arm's lenght", não se pode fazer aplicar a IN SRF nº 243/2002 em nenhuma hipótese. Em outras palavras, a fiscalização deveria ter comprovado que as transações efetuadas pela impugnante não obedeceram aos princípios do "arm's lenght" e, uma vez efetuada a devida prova, exigir tributos devidos com base nesse método. Tendo em vista a mais completa ausência de qualquer comprovação nesse sentido, resta claro que a exigência da fiscalização está em desacordo com os tratados firmados pelo Brasil e, portanto, o Auto de Infração deve ser cancelado. DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A PARCELA DA MULTA Ao analisar, de modo geral, a prática reiteradamente realizada pelas autoridades fiscais na lavratura de Autos de Infração, verificase que não é incomum a aplicação de juros SELIC sobre a parcela da multa cobrada, em descumprimento às determinações do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Em conformidade com o referido artigo, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. É o que corrobora a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, na remota hipótese de ser mantido o lançamento aqui combatido, não há que se admitir a eventual futura incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício. DO PEDIDO Em vista de todo o exposto, requer a impugnante o cancelamento integral do Auto de Infração. Por derradeiro, protesta, ainda, pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo o quanto foi alegado na presente impugnação. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgoua improcedente. O contribuinte foi intimado da decisão em 18 de março de 2013 (fls. 1587 e 1654), apresentando recurso voluntário de fls. 15891631 em 12 de abril de 2013 (conforme despacho de fl. 1677). Em resumo, reafirma os termos de sua impugnação, argumento que a IN SRF 243/2002 seria ilegal e requerendo ainda, de forma subsidiária e caso mantida a exação, a não incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.692 11 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 MÉRITO Inicialmente, convém ressaltar que, tratandose de exigências de IRPJ e CSLL com base nos mesmos dispositivos legais, o decidido quanto ao IRPJ aplicase integralmente à exigência de CSLL. 2.1 TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA No que diz respeito na suposta colisão entre o disposto nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, e o conteúdo de tratados internacionais subscritos pelo Brasil, não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, recentemente a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento se proununciou sobre a matéria. Peço vênia para transcrever os fundamentos do voto do Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira no acórdão 1402002.814: Em relação aos tratados internacionais apontados, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não prevêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferência se encontram delineados nos artigos Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.693 12 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os suscitados acordos internacionais. ( Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz oportuna: COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções , e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length. Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. No mesmo sentido se decidiu no acórdão 110300.608 (sessão de 17/01/2012), de relatoria do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: [...] TRATADOS INTERNACIONAIS – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, § 2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas somente o § 1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm’s length price. Inexistência de ofensa ao art. 9º dos Tratados celebrados pelo Brasil. Desse modo, rejeito a alegação da recorrente sobre a suposta contradição/colisão entre as normas brasileiras de preço de transferência e os tratados firmados pelo Brasil para evitar a bitributação da renda. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.694 13 2.2 DA ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 A respeito do tema, a fim de se evitar tautologia, adoto o voto do I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto no acórdão 1402001.418 aquiescendo a legalidade da norma complementar em questão. A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.695 14 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.696 15 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.697 16 expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.698 17 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.699 18 objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.700 19 contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.701 20 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.702 21 serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência. Convém ressaltar que tal entendimento vem sendo acolhido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como, por exemplo, no acórdão 9101003.415, julgado na sessão de 06 de fevereiro de 2018, cujo excerto de interesse da ementa reproduzo a seguir: IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.703 22 Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Por essas razões, mantenho integralmente a decisão recorrida sobre o tema. 3 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.704 23 Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.705 24 de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.706 25 incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.707 26 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 16561.720147/201246 Acórdão n.º 1301003.290 S1C3T1 Fl. 1.708 27 para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603– CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter tal exigência. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000788/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COBRANÇA EM DUPLICIDADE. DÉBITOS INDICADOS EM MAIS DE UM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Nos limites do processo administrativo fiscal, não pode o CARF analisar eventual cobrança em duplicidade de débito tributário, quando o contribuinte alega, em Manifestação de Inconformidade, que o débito foi indicado em mais de um pedido de compensação.
No caso em que não há homologação da compensação, por ausência de direito creditório, cabe ao julgador administrativo analisar, se provocado, a existência ou não do crédito tributário passível de ser compensado, não tendo competência para verificar a forma de cobrança dos débitos confessados pelo contribuinte. A análise de eventual cobrança em duplicidade cabe à Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1302-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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DÉBITOS INDICADOS EM MAIS DE UM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Nos limites do processo administrativo fiscal, não pode o CARF analisar eventual cobrança em duplicidade de débito tributário, quando o contribuinte alega, em Manifestação de Inconformidade, que o débito foi indicado em mais de um pedido de compensação. No caso em que não há homologação da compensação, por ausência de direito creditório, cabe ao julgador administrativo analisar, se provocado, a existência ou não do crédito tributário passível de ser compensado, não tendo competência para verificar a forma de cobrança dos débitos confessados pelo contribuinte. A análise de eventual cobrança em duplicidade cabe à Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 07 88 /2 00 9- 28 Fl. 139DF CARF MF 2 Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase, a presente discussão administrativa, de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte CTIS Informática Ltda., ora Recorrente, que não foi homologado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília (DF). De acordo com o despacho decisório de fls. 61 e seguintes, proferido por aquela DRF, "o crédito reconhecido no processo n° 14033.000292/200521 foi totalmente utilizado, conforme Demonstrativo de Compensação (fls. 28 a 49) e informações no próprio despacho (fl. 20 a 26) não restando crédito a ser utilizado". Não concordando com a não homologação do seu pedido de compensação, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, como consta do acórdão recorrido, o seguinte: os débitos informados no PER/DCOMP nº 09832.64909.120107.1.3.023089, existentes neste processo, correspondem exatamente aos débitos constantes do processo nº 14033.000292/200521, onde o fisco reconheceu seu direito creditório no importe de R$ 3.855.212,72, e realizou compensação de débitos até o limite do referido crédito, conforme comprova os demonstrativos de compensações, extraídos dos autos do processo administrativo de no 14033.000292/200521, que ora se apresenta (doc.2); desta forma, nada deve ao fisco, eis que os valores exigidos no presente processo foram integralmente pagos por meio de compensação realizada pelo fisco no processo 14033.000292/200521. Confrontando a Carta Cobrança dos débitos constante do presente processo, com o Demonstrativo de Compensação extraído do processo 14033.000292/200521, concluise se tratar dos mesmos valores exigidos, já liquidados. Por isso, requer o cancelamento dos débitos cobrado em duplicidade. Em análise aos argumentos do Recorrente, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) entendeu que, como o contribuinte não se insurgiu contra o seu direito creditório (não reconhecido no despacho decisório), não foi instaurado o litígio administrativo. Eis a ementa do acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2003 Per/Dcomp – Inexistência do saldo negativo IRPJ. A contribuinte não questiona o não reconhecimento do direito creditório utilizado na declaração de compensação não homologada; logo, não instaurou a fase litigiosa do procedimento, razão pela qual não se conhece da manifestação de inconformidade. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 14033.000788/200928 Acórdão n.º 1302003.147 S1C3T2 Fl. 140 3 Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Ao ser intimado da decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, além de alegar a nulidade da decisão a quo, por esta ter, supostamente, deixado de analisar os fundamentos da Manifestação de Inconformidade, repisa os argumentos anteriormente apresentados, em especial o fato de que os débitos indicados no pedido de compensação já terem sido liquidados em outro procedimento administrativo. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o Recorrente teve ciência do acórdão recorrido no dia 25/06/2012 (fl. 120 e 121), apresentando o seu Recurso Voluntário no dia 25/07/2012 (fl. 122), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DO ACERTO DA DECISÃO PROFERIDA PELA DRJ DE BRASÍLIA (DF). De pronto, devese consignar que não assiste razão ao Recorrente em seu apelo. Explicase. Ao analisar o pedido de compensação apresentado pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal entendeu que, como o direito creditório já havia sido analisado em outro processo administrativo (processo n° 14033.000292/200521) e sendo este crédito utilizado na totalidade para abater (amortizar) débitos indicados pelo próprio contribuinte, o presente pedido de compensação não deveria ser homologado. Ou seja, entendeu a fiscalização que, como o direito creditório indicado no pedido de compensação já havia sido inteiramente consumido, não haveria mais créditos capazes de liquidarem os débitos indicados no pedido de compensação em análise. De fato, como se depreende dos autos, no PerDcomp de número 09832.64909.120107.1.3.02.3089 (fl. 03 e seguintes), ora em análise, o crédito indicado era decorrente de parte dos valores (R$766.348,27) relativos ao pedido de restituição consubstanciado no Per de nº 37575.88749.130204.1.3 022880 (fl. 04). Ocorre que os créditos requeridos pelo contribuinte foram utilizados em outro pedido de compensação, que foi controlado através do processo n° 14033.000292/200521, em que, como mencionado, foi reconhecida apenas uma parte do direito creditório invocado pelo Fl. 141DF CARF MF 4 contribuinte. E o que restou reconhecido foi utilizado para abater débitos do próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário ora analisado, o Recorrente em nenhum momento se insurge quanto ao não reconhecimento do seu direito creditório. Alega, tão somente, que os débitos indicado na PerDcomp nº 09832.64909.120107.1.3.02.3089 foram quitados através do processo 14033.000292/200521 e que a cobrança desses mesmos débitos, pela não homologação da compensação, seria em duplicidade. Por tais motivos, alega a nulidade do acórdão recorrido. No entendimento do Recorrente, deveria, aquela DRJ de Brasília, ter se manifestado acerca da suposta cobrança em duplicidade dos débitos. Contudo, como muito apontado naquela decisão, o contribuinte em nenhum momento questionou, em seu apelo, o "motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a declaração de compensação, ou seja, a inexistência do crédito utilizado para liquidar os débitos ali confessados na declaração não homologada." Em suas razões recursais, reiterese, o contribuinte alega uma suposta cobrança em duplicidade de débitos, que, a princípio, foi originada por erro interno do próprio contribuinte, uma vez que os débitos foram indicados para pagamento em mais de um pedido de compensação. Contudo, com toda venia, se houve algum erro do contribuinte, que indicou duas ou mais vezes os débitos em pedidos de compensação distintos, não é através do presente processo administrativo que tal erro deverá ser sanado, por ausência de competência desse colegiado (e também do colegiado a quo) de identificar e corrigir eventuais erros, tais como uma cobrança em duplicidade. Tal providência, se cabível, deverá ser realizada pela Delegacia da Receita Federal onde tem domicílio o contribuinte. Assim, não há reparos para se fazer na decisão a quo, em especial quando afirma que não se instaurou "a fase litigiosa do procedimento, conforme prevê o artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972", exatamente porque o contribuinte não se insurge contra o não reconhecimento do seu direito creditório. Por todo exposto, votase por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001279/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000
LANÇAMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO.
Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório.
A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixando-os serem destruídos pela Justiça Federal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário.
LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO.
Configuram-se hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como de fachada em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último.
ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE EMPRESA DE FACHADA.
A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como empresa de fachada, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia.
AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS E FINANCEIRAS À ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA ENTÃO COMPETENTE (INSS). CABIMENTO.
Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, o comportamento do contribuinte que, utilizando-se pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada), desaparece com livros e documentos, sem prestar as informações cadastrais e financeiras ao então ente da Administração Fazendária competente para tanto (INSS).
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA AO AUTO DE INFRAÇÃO. MOMENTO DA AUTUAÇÃO. PENALIDADE PREVISTA EM REGULAMENTO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória, a multa a ser aplicada é a vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração, ainda que a infração se refira a período anterior.
Não há ilegalidade da previsão de multas e detalhamentos de obrigações acessórias por Regulamento, uma vez que o mesmo integra a legislação tributária e não visa prever comportamentos não constantes da lei em vigor ao tempo dos fatos - Lei nº 8.212/91.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
É passível de indeferimento o requerimento de perícia que não atende ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-005.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000 LANÇAMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório. A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixando-os serem destruídos pela Justiça Federal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO. Configuram-se hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como de fachada em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último. ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE EMPRESA DE FACHADA. A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como empresa de fachada, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS E FINANCEIRAS À ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA ENTÃO COMPETENTE (INSS). CABIMENTO. Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, o comportamento do contribuinte que, utilizando-se pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada), desaparece com livros e documentos, sem prestar as informações cadastrais e financeiras ao então ente da Administração Fazendária competente para tanto (INSS). CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO APLICADA AO AUTO DE INFRAÇÃO. MOMENTO DA AUTUAÇÃO. PENALIDADE PREVISTA EM REGULAMENTO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória, a multa a ser aplicada é a vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração, ainda que a infração se refira a período anterior. Não há ilegalidade da previsão de multas e detalhamentos de obrigações acessórias por Regulamento, uma vez que o mesmo integra a legislação tributária e não visa prever comportamentos não constantes da lei em vigor ao tempo dos fatos - Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. É passível de indeferimento o requerimento de perícia que não atende ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
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INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório. A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixandoos serem destruídos pela Justiça Federal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 79 /2 00 7- 38 Fl. 1227DF CARF MF 2 É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO. Configuramse hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como “de fachada” em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último. ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE “EMPRESA DE FACHADA”. A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como “empresa de fachada”, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS E FINANCEIRAS À ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA ENTÃO COMPETENTE (INSS). CABIMENTO. Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, o comportamento do contribuinte que, utilizandose pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada), desaparece com livros e documentos, sem prestar as informações cadastrais e financeiras ao então ente da Administração Fazendária competente para tanto (INSS). CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO APLICADA AO AUTO DE INFRAÇÃO. MOMENTO DA AUTUAÇÃO. PENALIDADE PREVISTA EM REGULAMENTO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória, a multa a ser aplicada é a vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração, ainda que a infração se refira a período anterior. Não há ilegalidade da previsão de multas e detalhamentos de obrigações acessórias por Regulamento, uma vez que o mesmo integra a “legislação Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 3 3 tributária” e não visa prever comportamentos não constantes da lei em vigor ao tempo dos fatos Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. É passível de indeferimento o requerimento de perícia que não atende ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário abrangendo imposição de penalidade pecuniária consubstanciada no Auto de Infração DEBCAD nº 35.166.2634. A empresa Flamingo Alimentos Ltda, CNPJ nº 02.291.563/000101 (filiais /000292 e /000454), que faz parte do Grupo Econômico de Fato (Grupo Quatro Marcos), foi autuada por infração ao artigo 32, inciso III da Lei nº 8.212/91, visto que a empresa desapareceu misteriosamente com os Livros e demais documentos contábeis: Livros Diários 1997, 1998 e 1999; folhas de pagamento; termos de rescisões de contrato de trabalho, Notas fiscais de entrada na compra de produtos rurais e demais documentos que compõem o movimento diário das operações comerciais efetuadas pela empresa. Inclusive seus supostos Fl. 1229DF CARF MF 4 sócios (sócios laranjas) também desapareceram. Ou seja, a empresa Flamingo Alimentos Ltda deixou de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como quaisquer esclarecimentos necessários à arrecadação e a fiscalização do INSS. A partir de 06/99, a Flamingo Alimentos Ltda paralisou de fato suas atividades comerciais, porém, não foi realizada a baixa da empresa perante aos órgãos de fiscalização (INSS). Esclarece que a empresa Flamingo Alimentos Ltda não funcionou no endereço estabelecido no seu contrato social. O Auto de Infração foi lavrado no Frigorífico Quatro Marcos Ltda, empresa realmente existente, uma vez que esta, através de seus sócios e diretores, administrava financeiramente e gerencialmente a Flamingo Alimentos Ltda. Diante disso, o Auto de Infração foi lavrado tomando como base o instituto da solidariedade. Todos os fatos que comprovam a existência do Grupo Quatro Marcos foram relatados no Relatório Geral. A fiscalização traz um longo e farto trabalho sobre os fatos e circunstâncias verificados no procedimento fiscal, seja em relação ao sujeito passivo autuado, seja em relação às empresas a ele ligadas, denominandoo de Relatório Geral. Este Relatório (fls. 25/57), contém o contexto de fato em relação ao qual se apurou os institutos do lançamento por solidariedade e afastamento do fenômeno da personificação jurídica. Assim se manifesta a fiscalização: TÓPICO “INTRODUÇÃO” Ficou constatado através de provas documentais que as empresas envolvidas constituem entre si grupo econômico de fato. Há, porém, duas particularidades: a primeira diz respeito à constituição de empresas de "fachada" (ou fantasmas); e a segunda diz respeito aos sócios "laranja" das empresas de fachada. Os trabalhos foram desenvolvidos nos estabelecimentos das empresas que estavam em atividades comercias, que são: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda (encerrou suas atividades de fato em 05/2000), Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e O.C.A. Comercial Ltda. No município de Vila Rica, apesar da empresa Frigorífico Vila Rica Ltda ter paralisado suas atividades, a sua documentação em parte foi apresentada aos Auditor Fiscal da Previdência Social AFPS. As demais empresas situadas nos Municípios de São José dos Quatro Marcos, Alta Floresta, Colider, Cuiabá e Vila Rica desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da sua documentação, juntamente com os seus respectivos sócios. Houve a apreensão, pelos Auditores da Secretaria da Fazenda do Mato Grosso, de vários documentos das empresas Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda. Foram constatados, também, durante as ações fiscais, os fatos abaixo elencados: a) empresas de fachada e seus respectivos sócios "laranja"; b) diretor empregado sem registro; e, Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 4 5 c) segurados empregados e sócio de empresa ao mesmo tempo. TÓPICO “CONSTATAÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” Da análise de vários documentos encontrados em poder dos Fiscais de Tributos EstadualFTE/MT e de outros documentos posteriormente apreendidos e verificados pela fiscalização previdenciária, esta última afirma os seguintes aspectos relativos ao funcionamento de um "esquema" montado pelo Grupo Quatro Marcos: O Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, conhecido como Sr. Douglas, é sócio gerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos (conhecido como "Sr. Luís Olavo"), pessoa de sua inteira confiança, é empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda na função de Diretor, conforme constatação documental e in loco através de várias diligências fiscais realizadas pelos AuditoresFiscais da Previdência Social AFPS. O Sr. Sebastião Bueno Xavier, conhecido na região como "SR. CHICO", é pai de Sebastião Douglas Sorge Xavier e fundador do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; a família "BIRTCHE" exerce suas atividades comerciais exclusivamente nos Municípios de Colider/MT e de Alta Floresta/MT, por intermédio do Sr. Creudevaldo Birtche, conhecido na região como “TUCURA". O "esquema" do Grupo Quatro Marcos assim funcionava, segundo a fiscalização: a) Preliminarmente, os sócios e diretores do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA escolheram quatro Municípios do Estado de Mato Grosso, provavelmente onde existia uma grande concentração de rebanho de bovinos, sendo eles os Municípios de Alta Floresta, Colider, Vila Rica e São José dos Quatros Marcos; posteriormente, em cada local desses, constituíam uma unidade frigorífica (empresa), normalmente tendo como sóciogerente efetivo o Sr. Douglas e/ou Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos. Estas empresas são denominadas pela fiscalização de empresas "quentes", ou seja, empresas que realmente existiram ou existem tanto de fato como de direito. b) Ao mesmo tempo, o Grupo Quatro Marcos constituía paralelamente as essas unidades frigoríficas outras empresas que atuavam no ramo de frigorífico, sem, no entanto, possuir qualquer instalação frigorífica nem capital de giro e financeiro para a prática comercial de suas atividades. A fiscalização chama estas empresas como empresas de "fachada" ou "fantasmas". Estas empresas "de fachada" simulam um contrato de arrendamento com as empresas que realmente construíram as unidades frigoríficas, as quais estão em nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e/ou do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos. c) Entretanto, os sócios das empresas "de fachada" (ou fantasmas) são pessoas que apenas emprestam o nome para fazerem parte do contrato social, denominados pela fiscalização de sócios "laranjas", sem jamais exercerem qualquer atividade de gestão, comercial ou administrativa nestas empresas. Constatouse que geralmente os sócios "laranjas" são empregados de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. Além disso, os supostos sócios (laranjas) residem em localidade diversa da sede (ou estabelecimento) das empresas de fachada (ou fantasmas), na maioria dos casos verificados. d) A administração e a direção das empresas de "fachada" (ou fantasmas), na realidade, eram exercidas pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a ajuda de uma empresa no Estado de São Paulo, a Phoenix Administração e Participações Ltda, Fl. 1231DF CARF MF 6 onde o Sr. Luiz Carlos Caldereli Nanni enviava instruções de operação para todas as empresas do Grupo Quatro Marcos, tanto "as de fachadas" (ou fantasmas) como as verdadeiras (quentes), indistintamente. Com essa forma de funcionamento, as operações que geravam fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias eram realizadas pelas empresas de fachada que, após qualquer procedimento de fiscalização, encerravam de fato suas atividades e seus sócios desapareciam misteriosamente, bem como sua documentação fiscal. Observa a fiscalização o curioso fato de que, tão logo encerrada a atividade da empresa, imediatamente era constituída outra empresa de fachada, com o mesmo objeto mercantil de atividade, mesmo quadro pessoal, mesma administração e gerência da empresa de fachada anterior, inclusive instalada no mesmo local. Este procedimento tornava inviável e infrutífera qualquer tentativa de satisfação do débito tributário. Cita o exemplo da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, que firmou um parcelamento junto ao INSS em 1996, decorrente da NFLD n° 32.344.9883, e, após a fiscalização iniciar seus procedimentos de auditoria fiscal, a empresa desapareceu misteriosamente, consequentemente a partir da competência 09/1999 até o momento de conclusão dos trabalhos não pagou mais nenhuma parcela daquele parcelamento. O Cartório de Registro de Imóveis em Colider/MT, este informou que não existia Registro de imóveis em nome de Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. O Grupo Quatro Marcos utilizouse das empresas de fachadas (ou fantasmas) com o intuito de efetivar a supressão ou redução dos tributos, então arrecadados pelo INSS, principalmente a contribuição social decorrente da comercialização dos produtos rurais referente à subrogação, usandose de ações ou omissões desonestas e contrárias às leis de regência, ou seja, tinha a vontade ou a consciente aceitação de lesar, total ou parcialmente, o Erário, ludibriando a Administração Tributária (INSS) e a fé pública, através da falta da verdade em declarações, documentos e atos, como, por exemplo, as figuras dos sócios "laranjas". Tal fato tinha o intuito de sonegar informações de conteúdo econômico, e, portanto, esconder da fiscalização o verdadeiro responsável pelos atos e fatos sujeito à incidência de normas de tributação, até mesmo mediante falsificação e alteração de documentos, como ocorreu na adulteração das formalidades extrínsecas de Livros Contábeis na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Livro Diário) verificado pelas fiscalizações anteriores do INSS (NFLD n° 32.345.3368/1996). TÓPICO “COMPOSIÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” A fiscalização traz a seguinte composição geral do Grupo Quatro Marcos: · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA – FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA CNPJ 01.311.661/000109; · AMAZONAS COM. IND. IMP. E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 00.923.654/000197; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 1 CNPJ 02.291.563/000292; · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FILIAL – CNPJ 01.311.661/000605; · PHOENIX ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 62.400.247/000152; Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 5 7 · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 2 CNPJ 02.291.563/000454; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA – MATRIZ CNPJ 00.291.563/000101; · ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA – CNPJ 01.994.076/000142; · FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 02.630.132/000122; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA FILIAL 1 – CNPJ 02.974.627/000250; · FRIGORÍFICO COLIDER LTDA CNPJ 00.135.198/000110; · FRIGOLIDER IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 00.897.034/000120; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA – CNPJ 02.974.627/000179; · VILA RICA ALIMENTOS LTDA CNPJ 02.399.553/000194; · FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA CNPJ 02.977.200/000124. TÓPICO “DAS AÇÕES FISCAIS” FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA (FRIGORÍFICO QUENTE) Após análise da documentação da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA foi constatado pela fiscalização que esta empresa vinha praticando atos de sonegação de tributos, ao criar no Município de São José Dos Quatro Marcos/MT duas empresas fantasmas: Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, que funcionavam na realidade com suas atividades comerciais paralelas à empresa FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, constituído, tecnicamente na gíria contábil, um caixa "2" do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Para confirmar tal fato, a fiscalização procedeu a várias diligências fiscais nesse Município (São José dos Quatro Marcos), onde se situavam as empresas fantasmas, conforme Contrato Social, e, em nenhum momento, conseguiu detectar os sócios das supostas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazona Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, sendo que no endereço do Contrato Social os vizinhos informaram que jamais funcionaram tais empresas, inclusive, uma boa parte da população desse Município nos informou que as empresas procuradas pela fiscalização funcionaram dentro da unidade frigorífica da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Além do mais, os vários depoimentos (Termo de Declaração) prestados aos Ministérios Públicos de Mato Grosso, Federal e Estadual, por exempregados e outras pessoas ligadas ao Grupo Quatro Marcos, confirmam o entendimento da fiscalização. Verificouse também que os sócios dessas empresas fantasmas eram geralmente empregados de uma das empresas do Grupo Quatro Marcos. Outro fato marcante é Fl. 1233DF CARF MF 8 que as empresas fantasmas exerciam suas atividades comerciais apenas por um lapso de tempo muito curto, em torno de 2 (dois) anos, sem nenhuma instalação frigorífica para realização de abate dos animais, firmando apenas um contrato de prestação de serviço entre as empresas fantasmas e a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, os sócios laranjas jamais promoveram a dissolução de direito das empresas fantasmas perante a Junta Comercial nem comunicaram ao INSS a paralisação das empresas. Existiam outras empresas "fantasmas" (de fachada) estabelecidas no Município de São José dos Quatro Marcos/MT, que foram verificadas pela ação fiscal desenvolvida pelo INSS, ano 1996, ensejando inclusive um crédito tributário, o qual foi objeto da lavratura NFLD n° 32.345.3368, lançada no próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda, CNPJ 01.311.661/000109. As empresas Flamingo Alimentos e Amazonas, assim como as empresas fantasmas antecedentes, foram constituídas para funcionarem apenas por um período de tempo, onde uma substituía a outra, e com a finalidade exclusiva de burlar a arrecadação e a fiscalização do INSS. Portanto, a empresa fantasma que aparentemente estava em atividade comercial, de acordo com cada período de tempo, forjava a operação de compra de bovinos e venda de sua respectiva carne, e, posteriormente, depois de praticar a sonegação dos tributos, desaparecia misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação contábil ou de seus sócios. Diante disso, a carga tributária incidente sobre a produção rural, decorrente da sub rogação das contribuições sociais devidas à Seguridade Social e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre a comercialização do produto rural proveniente do produtor rural pessoa física e, na época, do produtor rural pessoa jurídica, era parcialmente sonegada, já que a empresa fantasma realizava um recolhimento pequeno para o INSS, apenas para constar nos arquivos do conta corrente desta instituição e, com esse expediente, não deixava qualquer suspeita de procedimento que ensejasse uma fiscalização. Coincidentemente as empresas fantasmas constituídas no Município de São José dos Quatro Marcos possuíam o mesmo objeto mercantil da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda e não possuíam capital de giro (conforme Contrato Social), no mínimo, condizente que respaldasse a grande movimentação de abate que empreenderam na sua curta existência, verificada nas Notas Fiscais de Simples Remessas e nos registros do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso INDEA/MT (Guia de Trânsito de Animais GTA). TÓPICO “PROVAS E FATOS QUE COMPROVAM OS RELATOS EXPOSTOS NESTE RELATÓRIO GERAL NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO Q. MARCOS” a) o abate dos animais das empresas fantasmas era feito com exclusividade nas instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; b) as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos, além do mais eram assinados pelas mesmas pessoas, sendo pelo "DIRETOR" Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos e pelo "FINANCEIRO" Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, ficando evidenciado que as empresas eram administradas financeira e gerencialmente pelos mesmos diretores do SX Frigorífico Quatro Marcos LTDA. c) as despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda são autorizadas também pelo Sr. Varderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, que são diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, inclusive os pagamentos das despesas relativas à remuneração dos empregados, do pro labore dos sócios, dos fornecedores etc. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 6 9 d) em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, respectivamente, gerente financeiro e diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas, referente aos serviços do Sr. Franklin, no valor de R$ 900,00. e) as testemunhas que aparecem nos contratos (contrato social e alterações; contrato de locação de imóveis) firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. f) o Sr. Nilton de Carvalho Júnior era procurador da empresa Amazonas e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. g) o Sr. Vagner Alberto Gouveia era procurador da empresa Flamingo Alimentos Ltda e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. h) as empresas fantasmas não possuem quaisquer bens imobilizados para realização de suas atividades. i) tanto a Flamingo Alimentos quanto a Amazonas, sempre estiveram com endereços ignorados, conforme diligências realizadas in loco e nos órgãos públicos municipais e estaduais. j) as duas empresas fantasmas sempre utilizavam as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos. k) o Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, assinou notas promissórias rurais da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, e era, ao mesmo tempo, a pessoa que tomava as decisões comerciais em nome Frigorífico Quatro Marcos Ltda. l) em 09/04/99, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, apôs sua assinatura em documento com o logotipo (emblema; marca) da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizando inclusive um desconto no preço da carne. m) o Sr. Nilton Carvalho Júnior era quem também fazia as vendas das mercadorias (carnes) relacionadas com a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação, inclusive utilizandose do telefone do Frigorífico Quatro Marcos Ltda 2511201. n) o capital social integralizado de constituição das empresas fantasmas é imensamente desproporcional para o volume de compras de animais realizados mensalmente, caracterizando um fato contábil muito vultoso em relação ao seu próprio capital de giro, ficando evidenciado que tanto a Flamingo Alimentos Ltda como a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda não possuíam patrimônio mínimo que lhes permitissem desenvolver as suas atividades. Fl. 1235DF CARF MF 10 o) as empresas fantasmas não possuíam bens imobilizados para realização de suas atividades, nem ao menos um veículo, um telefone etc, tendo utilizado todos os bens imobilizados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. p) as duas empresas fantasmas utilizavam sempre as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos e venda de carnes; q) os supostos empregados da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, Sr. José Zagui e Sr. Jadir José de Oliveira, recebiam salário indireto Cesta Básica – do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda. r) o sócio "laranja" da empresa fantasma Amazonas Comércio Ind. Imp. E Exportação Ltda, Sr. Pedro Olinto Ribeiro, era na realidade empregado de outras empresas do Grupo Quatro Marcos, na cidade de Colider/MT. s) em depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (Termo de Declarações), datado de 05/04/00, a Sra. Rosa Pianezzer Ribeiro, que é esposa do Sr. Pedro Olinto Ribeiro, declarou desconhecer completamente que seu marido era sócio da empresa Amazonas, sendo que a empresa esteve formalmente ativa por mais de dois anos. t) em 06/12/96, a empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ao apresentar contestação da NFLD n° 32.344.9816, lançada pelos auditores fiscais do INSS, explica o fato do "sumiço" de documentos da empresa, afirmando a função de motorista do Sr. Pedro Olinto Ribeiro. u) em Termo de Declarações, a Sra. Rosimar Hoesker, expatroa do outro proprietário da firma Amazonas (Sr. Nelson Francisco Barbieri), declarou que ele foi seu funcionário por aproximadamente um ano e recebia um salário em torno de R$ 500,00; e no início de 1998 deixou a empresa. Afirmou, ainda, que conhece o Sr. Nelson Francisco Barbieri desde criança e que sua atual esposa trabalhava para ela como empregada doméstica; disse ainda que nunca tomou conhecimento que o Sr. Nelson tivesse sido proprietário de um Frigorífico, mas sim que ele tinha sido empregado de um Frigorífico; sabe, no entanto, que ele leva uma vida modesta e não tem bens em seu nome. v) foi constatado pela fiscalização que no período de 1997, quando o Sr. Nelson Francisco Barbieri trabalhava para Sra. Rosimar Hoesker, a empresa que estava em seu nome, Amazonas, fez a maior movimentação de compra de bovinos. Constatação verificada nas Notas Fiscais de simples remessa para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda: v.1) em 31/01/2000, a empresa Atlântica Brasil Industrial Ltda, CNPJ 60.398.914/000184, compradora de carne do Grupo Quatro Marcos, informou ao Ministério Público Federal e Estadual de Mato Grosso que o responsável pelos contatos para compra de carnes das empresas Amazonas era o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, e o telefone de contato era 251 1201, também de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; v.2) em 20/08/97, o Sr. Luiz Nanni, controlador das empresas do Grupo Quatro Marcos, enviou um Relatório Preliminar ao Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e ao Sr. Luís Olavo S. dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), mencionando claramente o movimento de caixa da empresa Amazonas AM, com seus respectivos relatos da conciliação bancária, explicitando inclusive as contas movimentadas pela Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 7 11 Amazonas. Neste mesmo documento, também, contém instruções de procedimentos para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda; v.3) em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni, administrador e controlador do Grupo Quatro Marcos, enviou ao Sr. Vanderlei, diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, uma solicitação de um boletim financeiro completo, incluindo claramente as empresas: Amazonas e Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Este mesmo documento foi enviado por cópia para o Sr. Douglas Direção SP, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Os fatos narrados demonstram que as relações comerciais entre as empresas Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda possuem a essência, de fato, de um Grupo Econômico, onde as duas primeiras possuem dependência econômica fática em relação ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, dependência esta observada em diversos campos: dependência física/operacional, financeira e de recursos humanos, compreendidas as pessoas responsáveis pela administração, principalmente na pessoa do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, mantendo ligação administrativa umas com as outras, vinculandose aos negócios e aos interesses em comum das empresas envolvidas. TÓPICO “ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO SÓCIO O SR, DOUGLAS); E FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída, no Município de Alta Floresta/MT, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, em 24/07/97, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/06/98, foi constituída uma empresa de fachada, a Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. Esta firmou um contrato de arrendamento de toda a unidade frigorífica daquela. A empresa Alta Floresta jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no Contrato Social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente uma outra empresa (Frialto), com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sob administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que, na realidade, a Frialto foi constituída para servir de anteparo para a empresa Alta Floresta, ou seja, aquela era apenas uma empresa de fachada, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, ao chamar a carga tributária sobre si e desaparecendo posteriormente. Nesse contexto, apresenta os seguintes elementos de provas: 1) na empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda consta no seu contrato social, como um dos sócios fundadores, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). 2) apesar de existir um contrato de arrendamento somente das unidades frigoríficas, a firma Frialto é quem paga as várias despesas da Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. 3) em Romaneio de Abate, 30/11/98, da empresa Frialto, houve simulação de venda de 357 cabeças de bovinos para o Sr. Newton Vieira Barbosa; porém, o pagamento foi feito ao Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como adiantamento de R$ 47.946,40 e ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, Sr. Chico (pai do Sr. Douglas, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no valor de R$ 57.558,58. Esse é outro fato Fl. 1237DF CARF MF 12 que evidencia a dependência da Frialto com o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, intitulada nas pessoas do seu diretor e do seu sócio. 4) na administração da empresa fantasma Frialto o Grupo Quatro Marcos tinha a ajuda do Sr. Clodiomar Birtche (conhecido na região como "KOI"), que aparece ao mesmo tempo como sócio no contrato social da Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Diante disso, constatouse que a empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda faz parte de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão aos cofres públicos, utilizandose da criação de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas", com o fim exclusivo de servir de anteparo para a incidência de tributos e que após algum tempo se esvaem misteriosamente sem arcar com as contribuições sociais devidas à União. TÓPICO “O.C.A. COMERCIAL LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DO FRIGORÍFICO COLIDER LTDA), EMPRESA EM NOME DO DIRETOR E SÓCIO DO FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA; FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA); IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” A empresa Frigorífico Colider Ltda foi constituída no Município de Colider/MT, em 04/08/94, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/12/95, foi constituída uma outra empresa de fachada a Frigolider Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. A primeira empresa firmou um contrato de arrendamento de toda a sua unidade frigorífica com a segunda. A empresa Frigorífico Colider Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no seu contrato social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigolider) com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Na realidade, a Frigolider foi constituída para servir de anteparo ao Frigorífico Colider Ltda e ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização. No Município de Colider, assim que começaram a desenvolver as ações fiscais da Secretaria de Fazenda, acompanhadas pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso, no Grupo Quatro Marcos, em 04/99, a empresa de fachada Frigolider desapareceu imediatamente, juntamente com os seus sócios laranjas, sem deixar qualquer paradeiro, surgindo imediatamente outra empresa de fachada, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol, com mesmo objeto mercantil, mesmo endereço, mesmo quadro pessoal de empregados e com os mesmos diretores e administradores das anteriores, ou seja, o Grupo Quatro Marcos, com a ajuda da família "Birtche" (Sr. Creudevaldo Birtche), era quem administrava financeira e gerencialmente a Frigolider e a Fricol. Apresenta as seguintes provas sobre os fatos: 1) no período de 12/95 a 03/99 atuava uma empresa de fachada, Frigolider Indústria e Com. de Alimentos Ltda, que desapareceu misteriosamente, juntamente com os sócios, após o início dos trabalhos do fisco estadual SEFAZ/MT. O seu sócio laranja, Sr. Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Fricol. 2) de 04/99 em diante, após o desaparecimento da Frigolider Ind. e Com de Alimentos Ltda, surgiu imediatamente uma outra empresa de fachada, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol sendo que os seus sócios fazem parte da família Birtche que pelos elementos levantados, podese considerálos como "testa de ferro" do Grupo Quatro Marcos. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 8 13 3) o Sr. Pedro Olinto Ribeiro, sócio laranja da empresa fantasma Amazonas, que funcionou como um "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, sempre recebeu, no Município de Colider, remuneração das duas empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, quais sejam: Frigolider e Fricol. 4) as despesas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, referente à Fazenda Santa Laura eram pagas pela empresa de fachada Fricol. 5) o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, que desapareceu misteriosamente com a documentação da Frigolider, na qual era sócio laranja, recebeu dinheiro da Fricol referente à venda de bovinos. Os bovinos são de propriedades de outras pessoas, alternando entre pessoa física e jurídica, mas quem recebe o dinheiro é o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira. 6) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda. 7) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 3.648,97 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros. 8) Em 06/01/00, novamente o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 5.000,00 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Oscar Nunes da Silva. Após verificação dos documentos da Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, encontrouse um "cartão" da empresa “Círculo Quatro Compra e Transporte de Bovinos” onde se percebe que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O mesmo foi um comprador de bovinos na região de Colider, provavelmente do Grupo Quatro Marcos, e jamais dono de qualquer Frigorífico. A firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, caracterizando simulação do Grupo Quatro Marcos, pois uma pessoa empresta o nome para aparecer na nota fiscal e outra recebe o dinheiro. Estes documentos constatados pela fiscalização totalizaram um valor de R$ 183.964,36 depositados diretamente na conta do Sr. Luís Olavo. Novamente, a firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Sebastião Bueno Xavier, pai do Sr. Douglas sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 04/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de carne do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial de Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Em 09/11/99, a firma Fricol, realizou novo pagamento de despesas diversas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta corrente do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Estes dois documentos (doc. 6.2.g e doc. 6.2.h) evidenciam claramente que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, além de exercerem um controle na parte gerencial, também exerciam um controle na parte financeira das empresas de fachada. Ademais, esses documentos também comprovam que a contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda jamais espelhou a realidade, pois o fato do dinheiro ser depositado diretamente na conta corrente do diretor e não na conta corrente da empresa, evidencia um fato completamente contrário à legislação fiscal e comercial, constituindo motivo Fl. 1239DF CARF MF 14 de desconsideração da contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, como deflui do § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do art. 235 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A firma Fricol, em 15/07/99, efetuou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando despesas de todas elas indistintamente. Em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com os Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, encontrouse nas dependências da empresa Fricol vários documentos referentes aos Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios dos Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinou ao Sr. Tucura (Creudevaldo Birtche), um dos sócios da Fricol, que este efetuasse o depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível. Para explicar o fato de que uma empresa precede a outra, no caso em tela, a firma Fricol sucede à Frigolider; as despesas desta, referente ao mês de abril, foram pagas pela primeira. O fato comprovado nestes documentos é que as empresas de fachada foram constituídas para funcionarem apenas por um lapso de tempo e desaparecem misteriosamente, surgindo imediatamente outra empresa de fachada. Exemplificando, no início do mês abril/99 de fato a Frigolider deixou de exercer suas atividades comerciais e surge a Fricol, no mesmo endereço, mesmo objeto mercantil, mesmo quadro pessoal e administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 07/04/99, a firma Fricol depositou diretamente na conta corrente do Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, o valor de R$ 1.080,00 referente à despesa de manutenção do P.A.B.X. realizada pela empresa Telefonia Engenharia de Telecomunicações Ltda, comprovando que o Sr. Nilton do Amaral pagava as despesas das empresas de fachada na cidade de Cuiabá/MT e, posteriormente, prestava conta ao controlador do Grupo Quatro Marcos (Sr. Luiz Nanni) que autorizava o ressarcimento. No período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviços em Colider/MT, na firma Fricol. Este fato demonstra de maneira clara que se trata de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Alerta a fiscalização que a firma Fricol iniciou suas atividades comerciais a partir do mês 04/99 e o documento demonstra que os empregados foram admitidos no ano de 1998. O Sr. Ronaldo A. dos Santos da Rocha, empregado do Frigorífico Colider Ltda (posteriormente denominado de O.C.A. Comercial Ltda) enviou documentos da firma Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol para o Sr. Paulo Medeiros, o Sr. Gerson Medeiros e Audicontabil Auditores Independentes S/C, respectivamente, advogados e prestador de serviço da Fricol, caracterizando mais uma vez que tanto a Fricol como a O.C.A. Comercial Ltda pertencem aos mesmos sócios. A empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos foi constituída em nome de sócios laranjas, ou seja, pessoas físicas que emprestaram o nome para fazer parte do Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 9 15 contrato social da empresa, quando, na realidade, eram apenas empregados da própria Frigolider ou de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. O suposto sócio Sr. Edson Carlos Padilha sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos. No notebook (máquina de informática) apreendido pelos Fiscais de Tributos Estadual MT existem arquivos onde pode se ver claramente que as suas despesas de remuneração (salários) estão registradas junto com os demais empregados da empresa; neste mesmo arquivo também existem registros específicos de pro labore para o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier juntamente com o seu pai Sr. Sebastião Bueno Xavier (Sr. Chico), que, de fato, eram sócios do Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Em 01/04/1996, o suposto sócio, Sr. Edson Carlos Padilha, foi admitido na empresa Frigolider com uma remuneração mensal de R$ 395,87, e em 02/12/1996 aparece como sócio dessa mesma empresa, onde, observando o princípio da primazia da realidade, verificase como sócio "laranja". Ademais, no período de 05/1993 até 02/1996 esse sócio "laranja" trabalhou na empresa Indústria de Móveis 3 Irmãos, CNPJ 82.767.641/000130, como empregado na função de auxiliar de produção e de lustrador, sendo que o seu último salário foi de R$ 314,60 mensais. Outro fato marcante foi a constatação de que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou recebendo remuneração (salário em pecúnia e salário indireto) de outra empresa de fachada, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, como segurado não inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o artifício de "FRICOL U", sendo que na competência 12/1999 recebeu R$ 1.035,00 e apôs sua assinatura no recibo de pagamento; os salários indiretos foram constatados na listagem do sacolão (cesta básica) onde também apôs sua assinatura. Os sócios efetivos das empresas relatadas no Tópico VI do Relatório Geral são: o Sr. Sebastião Bueno Xavier, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e o Sr. Creudevaldo Birtche. Diante disso, conclui a fiscalização que as empresas Frigorífico Colider Ltda (hoje O.C.A. Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda (Fricol) fazem parte de um mesmo grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão os cofres públicos, utilizandose de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas". TÓPICO “VILA RICA ALIMENTOS LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO UM DOS SÓCIOS O SR. DOUGLAS) E FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída no Município de Vila Rica/MT a empresa Vila Rica Alimentos Ltda, em 01/01/98, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 10/02/99, foi constituída a empresa de fachada Frigorífico Vila Rica. Aquela empresa firmou um contrato de arrendamento de toda sua unidade frigorífica com esta. A empresa Vila Rica Alimentos Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no contrato social e, assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigorífico Vila Rica Ltda), com o Fl. 1241DF CARF MF 16 mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que na realidade a empresa Frigorífico Vila Rica Ltda foi constituída para servir de anteparo à Vila Rica Alimentos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, já que aquela não tem qualquer bem econômico registrado em seu nome para pagar os tributos sonegados. Constatouse, através de diligência fiscal realizada no Município de Vila Rica/MT, que a empresa Vila Rica Alimentos Ltda nunca funcionou no endereço do seu contrato social. O proprietário do imóvel (Sr. José Manoel Garcia, RG: 11.636.844 SSP/SP) onde deveria funcionar a empresa informou "que apenas manteve um contato com os proprietários desta empresa em 1998, mas jamais a mesma funcionou neste endereço: Avenida Brasil 38 A, Centro, Vila Rica/MT, nem em outro endereço dentro da cidade de Vila Rica". TÓPICO “PROVAS GERAIS DO GRUPO QUATRO MARCOS” Depois de várias diligências fiscais nos Municípios de atuação do Grupo Quatro Marcos, arrecadouse diversos documentos que comprovam, de maneira lúcida e transparente, o envolvimento dos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com as empresas de fachadas (ou fantasmas) Amazonas, Frigolider, Flamingo, Fricol, Frialto e Frigorifico Vila Rica. Além disso, existem diversos documentos apreendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual de Mato Grosso FTE/MT, aos quais teve acesso a fiscalização do INSS, que confirmam os fatos relatados no Relatório Geral. A fiscalização lista as seguintes provas: 1) As despesas de manutenção das empresas de fachada (ou fantasmas) eram administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Em documento aprendido pelos FTE/MT (doc. 8.1), o Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma relação de prestação de contas há a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, respectivamente, empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, envia aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Vanderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada (ou fantasmas). Assim, considerando que o Sr. Nilton do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não há como entender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas (doc. 8.2.a e doc. 8.2.b) da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr . Nilton do Amaral, contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 10 17 No rodapé do documento consta a observação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção SP, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (doc. 8.2.a.). Salta aos olhos da fiscalização que a empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo, porém não está constituída em nome do Sr. Douglas ou qualquer outra pessoa de sua família. Diante disso, só existiria uma explicação : a Frigolider é uma empresa de fachada, sendo efetivamente administrada pelo Sr. Douglas. Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei Chefia de Escritório FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda e Amazonas. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção –SP (doc. 8.2.b.). Em carta datada de 01/04/97, proveniente da empresa Phoenix de Jandira/SP, consta o seguinte: "DE: Luiz Nanni Administração SP" para "Srs. Vanderlei Ger. Adm. Financeira FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA/AM e Newton – Depto Contabilidade Frigolider", envia instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento (doc. 8.2.c), além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas. Em 09/07/97, o Sr. Vanderlei enviou ao Sr. Luiz Nanni um documento, através de facsímile, com uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreveu um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com Carrefour (doc. 8.2.d.). 3) A extelefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmou que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche), administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni (doc. 8.3). 4) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo (doc. 8.4). O Sr. Nilton do Amaral é funcionário contratado pelas empresas do Grupo Quatro Marcos. 5) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações também o envolvimento do Sr. Sebastião Xavier ("Chico"), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas de fachada. 6) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações, prestados ao Ministério Público Estadual, os Srs. Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Fl. 1243DF CARF MF 18 Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam a constatação e composição do Grupo Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada (doc. 8.6). 7) Os contatos para compra de carnes das empresas que fazem parte do Grupo Quatro Marcos, ou seja, os clientes do grupo, eram feitos através de sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em diligência fiscal realizada na firma Frigorífico Quatro Marcos Ltda, constatouse na documentação contábil da empresa que o telefone (011) 7929 3588 pertencia à firma Phoenix Adm. e Participações Ltda, que tem como sócias as irmãs do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Porém, as despesas desse telefone são pagas pela filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, em Jandira/SP. Em ofício datado de 17/12/99, a COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmou que o contato para compra de carnes do Grupo Quatro Marcos, do qual fariam parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim. Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. de Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda em Jandira/SP e, ao tempo da fiscalização, Diretor da matriz Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588 (doc. 8.7.a). Em ofício datado de 25/02/2000, a empresa Saito & Saito Supermercado Ltda afirma que as compras de carne tanto da Flamingo como da Frigolider eram realizadas com o vendedor Sr. Tupanangil Magalhães (fone: 011 79293588) (doc.8.7.b). Em ofício de 28/02/2000, a empresa Ralimar Distribuidora de Miúdos Ltda atesta que as compras de carne das firmas Fricol, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda eram realizadas no mesmo telefone (011 79293588), com as seguintes pessoas: Cláudia, Davilson e Tupã (doc. 8.7.c). A empresa Carrefour atestou que o próprio Sr, Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588. Já as compras do Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone (doc.8.7.d). Em 09/03/2000, a firma Espetinho Churra Bom Ltda atestou que o entreposto das empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP) (doc. 8.7.e). Este endereço é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. Em 29/02/2000, a firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atestou que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. e Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone (11) 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã (doc 8.7.f). 8) Em carta datada de 27/05/98, o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirmou para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 11 19 FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA que estava enviandolhe a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. (doc. 8.8). A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996 (NFLD DEBCAD nº 32.345.3368). É inexplicável o fato do Sr. Vanderlei e do Sr Douglas receberem alteração contratual original de empresa que está com suas atividades de fato encerradas, não tendo nenhum vinculo com Frigorífico Quatro Marcos Ltda. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 9) A confusão entre as empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos era tão grande que o Frigorífico Colider, CNPJ 00.135.198/000110, identificase com o CNPJ da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 00.897.034/000120), ao apresentar demonstrativos contábeis para a obtenção de Certidão Negativa de Débitos CND junto ao INSS. (doc. 8.9). Neste mesmo documento o Sr. Nilton do Amaral assina como contador do Frigorífico Colider Ltda. 10) Em ofício de 04/07/2000, o Sr. Franklin Nogueira Hoyer, Cmt. Do CINDACTA I, atestou que a aeronave PTWSX de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda realizou vários vôos para Alta Floresta/MT, no período de 01/01/97 a 31/12/99 (doc. 8.10). A aeronave era utilizada pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) para a realização das visitas e vistorias das empresas de fachada nos Municípios de Alta Floresta/MT e Colider/MT. Neste Município não há aeroporto para pouso de aeronaves, por isso que no relatório do CINDACTAI não o consta. Ficou evidenciado que no mínimo uma ou duas vezes o Sr. Douglas e/ou algum Diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda iam a Alta Floresta e Colider. Corroborando este entendimento a respeito do uso da aeronave, o Sr. Napoleão Mendes Neto afirmou em Termo de Declarações (doc. 8.5) que: o Sr. Douglas e o Sr. Chico vinha para esta cidade (Colider) de avião. 11) A Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e ex empregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirma em Termo de Declaração que "...a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava...” (doc. 7.11). Neste mesmo documento a Sra. Adna Pereira da Silva afirmou que a empresa Flamingo era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 12) A imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, representada pelo Sr. Marco Antônio Tolentino de Barros, afirmou que a funcionária da Flamingo era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider. Em depoimento à Delegacia Especializada de Polícia Fazendária, o gerente de locação da Imobiliária Ancora declara que os aluguéis da sala da Amazonas e outros problemas eram resolvidos com a funcionária da Flamingo Alimentos Ltda, Sra. Adriana, e que era ela também que mantinha contato sobre qualquer problema com a sala alugada para a empresa Frigolider (doc.8.12). Neste mesmo documento, o referido gerente declarou, ainda, que quem procurou a Âncora para alugar uma sala para funcionamento da firma Amazonas foi Sr. Paulo Pitaluga e que jamais conheceu os seus respectivos sócios, como também não conheceu os sócios da Frigolider. Fl. 1245DF CARF MF 20 13) Vários boletins financeiros, cartas e atas de reuniões, aprendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual/MT, comprovam o relacionamento do Sr. Luiz Nanni na controladoria do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, bem como o seu relacionamento direto com Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier no controle do Grupo Quatro Marcos (doc 8.13). 14) Outro fato que deixa transparente a formação do Grupo Quatro Marcos grupo econômico de fato foram dois fax urgentes enviados pela empresa Audicontábil, datados de 08/08/97 e 13/08/97, para a empresa Frigorífico Colider Ltda, à atenção do Sr. Nilton do Amaral Contabilidade, que era empregado da Ind. de Couros e Insumos Colider Ltda, onde o mesmo recebeu informações sigilosas referente aos projetos da SUDAM tanto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda como também do Frigorífico Colider Ltda (doc. 8.14). 15) Em fiscalização realizada pelo INSS na empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ano 1996, NFLD DEBCAD no 32.344.9883, o Sr. Nilton do Amaral já informava a dependência e o envolvimento desta empresa com Frigorífico Quatro Marcos Ltda, quando no Relatório Fiscal os Srs. Auditores Fiscais discorrem: "...entramos em contato com o Sr. Nilton do Amaral e este nos informou de que iria contactar com o Frigorífico Quatro Marcos para saber quem havia retirado tais documentos e onde estavam." (doc. 8.15). 16) Durante diligência fiscal desenvolvida pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, realizada em 27/05/99, o Sr. Nilton do Amaral foi flagrado tentando fugir com documentos das empresas Amazonas, Frigolider e Flamingo. A FTE Sra. Wilce flagrou o Sr. Nilton do Amaral, acompanhado de outra pessoa não identificada, tentando fugir com diversos documentos que já estavam no porta malas do carro que se encontrava no estacionamento ao lado do Edifício Master Center, onde a Amazonas alugava uma sala. Estranhamente, havia documentos de 03 firmas, aparentemente distintas, Amazonas, Frigolider e Flamingo (doc. 8.16). 17) Durante diligência fiscal realizada em 25/05/99 pela fiscalização estadual MT, na sala alugada pela firma Flamingo, também foi feita a apreensão de uma máquina de informática (notebook), que estava em poder do Sr. Nilton do Amaral, a qual tinha um programa específico para a contabilidade da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (doc. 8.17). 18) As empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos utilizam o mesmo modus operandi para dar sumiço misteriosamente em sua documentação fiscal. Em 30/07/1996, o Sr. Carlos Eduardo de Oliveira Sebim registrou um Boletim de Ocorrência afirmando que toda a documentação da Amazonas foi furtada de um veículo, sendo que este era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. É inexplicável o fato da documentação estar dentro de um veículo do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. (doc. 8.18). Em 11/05/99, o Sr. José Zagui compareceu ao Departamento de Polícia Militar DPM de São José dos Q. Marcos e relatou que todos os documentos da Flamingo foram furtados de um veículo. (doc. 8.18). No Relatório Fiscal da NFLD DEBCAD no 32.344.9883, os Srs. Auditores Fiscais relatam que a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda também não apresentou qualquer documentação fiscal (doc. 8.15). Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 12 21 Em 20/12/96, a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda tornou público, em Diário Oficial de Mato Grosso, que foram furtados do interior de um veículo vários documentos fiscais e contábeis (doc. 8.18). Em 21/01/91, o Sr. Moisés Ferreira Borges, empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, compareceu à Delegacia de Polícia de São J. Q. Marcos e registrou uma Ocorrência Policial n° 20/91. Na época, afirmou que os documentos da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda tinham sido destruídos em acidente de veículo, seguido de incêndio (doc. 8.18). 19) Corroborando ainda mais com entendimento de que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda também administravam as empresas de fachada (ou fantasmas), em 28/10/98, a Sra. Adriana "DRI", exsecretária da firma Flamingo, mandou um bilhete ao Sr. Vanderlei (diretor financeiro do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA), para que o mesmo providenciasse o pagamento da energia elétrica da firma Amazonas (doc. 8.19). 20) A participação do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no comando das empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, é tão evidente que, em 18/12/97, o Fundo de Aperfeiçoamento dos Serviços Jurídicos da Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso FUNJUS ao receber a importância de R$ 50,00 da firma Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, incluiu também claramente o nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e da sua irmã Sra. Rosana Jorge Xavier (doc. 8.20). 21) Os elementos que comprovam o grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) são tão evidentes, que a firma Fricol chega a pagar as despesas de estadas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e do Sr. Francisco Sérgio B. Figueiredo (suposto sócio do Frigorífico Vila Rica Ltda) na cidade de Colider, quando estes vão administrar as unidades frigoríficas da região. Inclusive, no movimento de caixa (Banco c/c 06384), aparece de maneira expressa o débito dessas despesas (Saídas) referente às Despesas Adm. Viagens e Estadas, lançamento 6147 (doc. 8.21.a). Em 02/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de estadas do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), referente aos dias: 26 a 27/08/99 e 23 a 24/09/99; neste mesmo dia também pagou as despesas de estadas do Sr. Francisco S. B. Figueiredo (Frigorífico Vila Rica Ltda) referente aos dias 21 a 22/09/99 (doc. 8.21.b). Este documento demonstra uma agravante, uma vez que referente as despesas de estadas do Sr. Douglas passaram corretivo (tipo liquid paper) em cima do campo hóspede Palace Hotel para ocultar e alterar o seu nome, mas se colocar o documento em visualização sobre a luz percebese que está escrito "SR. DOUGLAS". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais da contabilidade e a legislação fiscal. 22) As despesas do Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como da aeronave PTVKW, referente aos vôos para cidade de Colider, levando o Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), também são pagas pela firma Fricol. Em 20/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis (doc. 8.22.a) e de táxi aéreo (doc. 8.22.b) da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider Ltda, pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral, em viagens do Sr. Douglas. Em 27/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider (O.C.A. Comercial Ltda), pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral em viagem do Sr. Douglas (doc. 8.22.c). Fl. 1247DF CARF MF 22 Em 03/02/00, a firma Fricol pagou as despesas com alimentação do Piloto Sr. Aguiar Coelho do Amaral referente à Nota Fiscal 7615 Churrascaria Kaskata's (doc. 8.22.d). Em 27/09/99, a Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW no valor de R$ 539,97 (doc. 8.22.e). Em 17/12/99, novamente a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade da O.C.A. Comercial Ltda, a qual era pilotada pelo Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) (doc. 8.22.f). 23) As despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) à cidade de Colider, também foram pagas pela firma Fricol (doc. 8.23), caracterizando mais uma vez que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), que administra a empresa Fricol. 24) As despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi contador do Grupo Quatro Marcos, também são pagas pela firma Fricol. Em 12/11/99, a firma Fricol pagou as passagens aéreas do Sr. Nilton do Amaral, cujo itinerário foi: SINOP/Cuiabá e Cuiabá/Sinop (doc. 8.24). Neste documento a firma, na pessoa dos seus responsáveis, cometeu um ilícito ao passar corretivo (tipo liquid paper) sobre o "nome" do boleto da empresa Passaredo e, por sua vez, alterando e ocultando o nome do Sr. Nilton do Amaral. Colocando este documento sobre a visualização da luz, percebese claramente o seguinte nome "AMARAL/NILTON". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais de contabilidade e a legislação fiscal. 25) Em 19/10/99, a firma Fricol recebeu dos fornecedores a matériaprima bovinos, e, ao realizarlhes o pagamento, depositou o valor pecuniário diretamente na conta corrente da empresa de fachada Frialto (docs. 8.25), caracterizando uma permuta do credor e evidenciando a composição de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), pois tal ato depende no mínimo de uma autorização expressa. 26) A situação é tão confusa que uma empresa de fachada chegou a pagar a sua despesa referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda em outra firma de fachada. Em 04/10/99, a firma Fricol, ao pagar despesas de fornecedores, referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda (SP), depositou o dinheiro diretamente na conta da firma Frialto (doc. 8.26). Este ato é contrário aos Princípios Fundamentais de Contabilidade (princípio da entidade e princípio da competência Resolução n° 750/93CRC) e, também, contrário à própria legislação fiscal e à comercial. 27) Outro fato que deixa transparecer a composição do Grupo Quatro Marcos é um depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que aquela é quem fornece os couros (matéria prima) para esta. Diante disso, evidencia que a segunda também faz parte das empresas que compõe o Grupo Quatro Marcos (doc. 8.27). 28) O Sr. Milton Zana Corbalan, que se diz sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, as quais fazem parte do Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Grupo Quatro Marcos, a seguir detalhado: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25 (docs. 8.28.a); no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74 (docs. 8.28.b). Estas duas últimas empresas onde o Sr. Milton Zana Corbalan trabalhou tinha como sócio o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Diante disso, percebese claramente que o Sr. Milton Zana Corbalan é mais uma pessoa que apenas Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 13 23 emprestou o nome para fazer parte no contrato social das empresas de fachada explicitadas no item 8.28 do Relatório Geral. Durante a diligência fiscal realizada no município de Vila Rica, na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o próprio empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan. Além disso, nos documentos analisados, não se encontrou qualquer documento de ato do comércio assinado pelo mesmo (docs. 8.28.c), sendo que o contrato social dispõe na cláusula VIII que: "A sociedade será administrada pelo sócio Milton Zana Corbalan, na qualidade de gerente o qual assinará todos os atos relativos aos interesses da sociedade ..." (doc. 8.28.d). Dentre os fatos evidenciados e relatados, fica evidenciado que se trata de um grupo econômico de fato Grupo Quatro Marcos , o qual foi articulado e montado pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Assim, o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66) estabelece, nos incisos I e II do seu art. 124, que existe responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Além disso, a Lei de Custeio da Seguridade Social – Lei n° 8.212/91, em seu inciso IX do art. 30, também prevê expressamente a solidariedade entre si das empresas componentes de Grupo Econômico, sendo lícito ao Fisco cobrar de qualquer delas. Portanto, o Fisco, baseado no instituto da solidariedade, tem o direito de cobrar o crédito fiscal (crédito previdenciário) de qualquer pessoa que compõe o "Grupo Quatro Marcos", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta benefício de ordem. TÓPICO “CONCLUSÃO DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO QUATRO MARCOS" O Grupo Quatro Marcos, pelas evidências apresentadas, vem sonegando contribuições sociais à Fazenda Pública ao longo dos últimos anos, pois abre uma empresa "fantasma" ou de "fachada" (empresas que não existem de fato) em cada Município, onde já possui as suas unidades frigoríficas "quentes" (empresas em nome dos sócios ou dos diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e, após um determinado lapso de tempo de funcionamento comercial, a empresa de fachada (ou fantasma) desaparece, repentinamente, sem deixar qualquer paradeiro. Portanto, o esquema de sonegação fiscal funciona com a simulação da criação de uma empresa de fachada (ou fantasma), onde os empregados das empresas do Grupo Quatro Marcos, às vezes registrados em livro ou fichas de registro de empregados, ou não, são levados a emprestar seus nomes e passam a figurar como supostamente sóciosproprietários do frigorífico de fachada (ou fantasma), mas nunca praticam qualquer ato de gerência ou administração nesta empresa. Na realidade este ato é realizado pelos diretores e sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ocorre que a empresa de fachada (ou fantasma) geralmente recolhe apenas um valor simbólico dos tributos, passando então a praticar a sonegação e, a mesmo tempo, utilizandose de meios fraudulentos para a realização de tal intento, uma vez que essas empresas na realidade constituem um verdadeiro "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o qual possui uma movimentação financeira diferente da contabilidade apresentada ao fisco. De um modo geral, as empresas de fachada (ou fantasmas) funcionam ativamente em torno de 02 (dois) anos e, após este lapso de tempo, desaparecem, inclusive seus sócios, e imediatamente são substituídas por outras empresas de fachada (ou fantasmas), mudando a razão social e o CNPJ. Consequentemente aparecem novos sócios. Fl. 1249DF CARF MF 24 Outro fato marcante é que, quando a fiscalização inicia seus trabalhos, geralmente a empresa de "fachada" (ou fantasma) desaparece, seus sócios não são encontrados e todos os documentos e livros contábeis são misteriosamente furtados ou queimados. Portanto, fica caracterizado que duas ou mais pessoas, no intuito de enganar o fisco, recorrem a um ato simulado, quer para esconder um outro negócio que se pretende dissimular, com a criação de empresas de fachada (ou fantasmas), quer para fingir de uma relação jurídica com o fato gerador da obrigação tributária, com a criação de sócios laranja. Tratase, portanto, de burla intencionalmente construída em conluio pelas partes que almejam disfarçar a realidade, enganando a Fazenda Pública e fraudando a legislação fiscal. Portanto, o Grupo Quatro Marcos utilizase de condutas dolosas e fraudulentas com fito específico de driblar a arrecadação dos Tributos (contribuição social), lesando simultaneamente a fé pública e a Administração Tributária desenvolvida pelo INSS. TÓPICO “NOTAS GERAIS” A empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda sofreu anteriormente ações fiscais pelo INSS, abrangendo até a competência 07/1996, no qual foram levantados débitos correlacionados com as empresas: Guaray Com. Ind. de Exp. e Importação Ltda, CNPJ 74.075.268/000129; e Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, CNPJ 00.923.654/0001 97. Porém, este levantamento feito pela fiscalização encontrase consolidado no DEBCAD no 32.345.3368/1996. Também foi verificado pela fiscalização anterior do INSS os mesmos fatos explicitados nos itens 4.1, 4.2, 4.3, 4.4 e 4.7 do Relatório Geral. Corroborando com o entendimento desta fiscalização, que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) constituído com fim específico de burlar à Fazenda Pública, é que as empresas de fachada (ou fantasmas), que têm como sócios a figura dos laranjas, jamais apresentaram os Livros Contábeis (Livros Diário e Livros Razão) à fiscalização, sendo que as empresas são obrigadas a têlos, já que pagam o Imposto de Renda com base no lucro real. As empresas de fachada (ou fantasmas) Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e a Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, que desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação fiscal e comercial, sempre alegam a mesma desculpa de que os Livros Contábeis e sua respectiva documentação foram furtados ou roubados de um veículo. As empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, Frigorífico Vila Rica Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol , também não apresentaram os Livros Contábeis (Livro Razão e Livro Diário), sempre com as mesmas alegações de que tiveram algum problema na informática ou que estão apontandoos e brevemente vão entregálos. Tendo apenas uma única exceção, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda, que também compõe o Grupo Quatro Marcos, foi a única a apresentar a contabilidade (Livro Razão e Livro Diário), porém, esta não espelha a realidade financeira nem contábil da empresa, já que existem várias irregularidades em seus documentos fiscais, conforme alguns relatos no Relatório Geral e conforme constatação de diligência fiscal anterior, realizada pelo INSS em 11/09/98, que na época evidenciaram a adulteração nas formalidades extrínsecas dos Livros Contábeis (Livros Diários) n° 24, 25, 26 e 27 do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, os quais foram encobertos com tinta corretora (tipo liquid paper) (doc. 11.1.a). O Laudo de Exame Documentoscópio n° 437/98 Departamento de Polícia Federal/MJ Instituto Nacional de Criminalística Seção de Criminalística/MT, confirmou as adulterações explicitadas anteriormente nos Livros Contábeis (doc. l l . l .b). Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 14 25 A seguir, apresenta notas estatísticas referentes à unidade frigorífica de São Jose dos Quatro Marcos, quais sejam: 1) Aumento expressivo dos valores das contribuições sociais rural ocorridas após o início das ações fiscais desenvolvidas pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT , em 04/99. Constatouse através da análise do gráfico que as contribuições decorrentes da subrogação (comercialização de produtos rurais por pessoa física) efetuadas mensalmente no período de 01/99 a 04/99 não ultrapassam a casa dos R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) de contribuições, e, a partir da competência 05/99 a 12/99, os valores das contribuições chegaram a ultrapassar a casa dos R$ 119.000,00 (cento e dezenove mil reais) mensais, havendo, portanto, um acréscimo de 700 % no mês 12/99. Diante disso, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda utilizandose praticamente do mesmo número de empregados (na média), setor de matança, onde no período de 08/96 a 05/00 observase uma constante de 76 empregados e as mesmas instalações, aumentou sua capacidade de abate repentinamente na escala em que foi constatado. 2) Através de dados levantados na própria empresa, no mês 07/99, foi constatado que foram abatidos 19.669 (dezenove mil seiscentos e sessenta e nove) cabeças de bovinos, o que dá uma média diária de 819 (oitocentos de dezenove) animais abatidos, no caso em tela, considerando a semana de 06 (seis) dias, como foi constatado in loco durante as ações fiscais desenvolvidas na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em suma, a capacidade de abate de bovinos na unidade frigorífica do Frigorífico Quatro Marcos Ltda é em torno de 800 a 900 cabeças diariamente. 3) Fazendo um cotejamento no ano de 2000, até a competência 05/00, a menor contribuição ocorreu no mês 02/2000, onde o valor de R$ 71.726,77 (setenta um mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos) foi recolhido ao INSS decorrente da contribuição social referente à subrogação da comercialização dos bovinos por pessoa física, com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoas físicas feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 3.260.307,72 (três Milhões, duzentos e sessenta mil e trezentos e sete reais e setenta e dois centavos), foram abatidos 7.484 cabeças, sendo 6.224 cabeças decorrente da compra à pessoa física e 1.260 de pessoa jurídica; e, em tempo, no mês 05/2000 foram recolhidos R$ 119.242,03 (cento dezenove mil, duzentos e quarenta e dois reais e três centavos) com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 5.420.092,27 (cinco milhões, quatrocentos e vinte mil, noventa e dois reais e vinte e sete centavos), foram abatidos 14.541 cabeças, sendo 11.271 cabeças compra de pessoa física e 3.270 compra de pessoa jurídica. 4) Constatouse também que no período de 08/96 a 04/99, a maior contribuição social rural da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda ocorreu no mês 10/98, no valor de R$ 19.694,40 (dezenove mil, seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos), com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 865.199,79 (oitocentos e sessenta e cinco mil, cento e dezenove reais e setenta e nove centavos), neste mês foram abatidos 2.172 cabeças (compras exclusivamente de pessoa física), o que corresponde ao abate diário de 91 cabeças de bovinos. Neste período (08/96 a 04/99), o número de empregados do setor de matança é semelhante ao número de empregados dos meses 05/99 a 05/00, os quais foram constatados durante as ações fiscais. Além disso, na competência 07/99, maior mês de abate de bovinos verificado pela fiscalização (19.669 animais abatidos), o número de empregados do setor Fl. 1251DF CARF MF 26 matança é praticamente igual ao número de empregados do mês 05/97, menor mês de abate de bovinos constatado pela fiscalização (419 animais abatidos) (doc. 12.e.). 5) No período de 04/96 a 02/98, há participação de uma empresa considerada e constatada pela fiscalização como de fachada (ou fantasma) Amazonas Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda, constituída pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. A firma Amazonas alega que se utiliza os serviços do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda no abate de animais. Mas a realidade é outra, sabendo muito bem disfarçar o verdadeiro objetivo para o qual foi constituída, objetivo este que é o de ludibriar à Fazenda Pública, recolhendo apenas parte dos valores devidos para que o conta corrente do mesmo, ao ser analisado, não denunciasse qualquer procedimento de fiscalização, no entanto, o verdadeiro volume de comercialização era outro. Ao analisarse os números de animais abatidos pela firma Amazonas (doc. 12.f), no período de 04/96 a 02/98 (período de sua existência), constatouse que o maior volume de abate de animais ocorreu no mês 12/97, onde 6.201 (Seis mil duzentos e um) animais foram abatidos, o que dá uma média de 258 animais abatidos por dia; no mesmo mês, o número de abate do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foi de 1.331 (512 pessoa física e 819 pessoa jurídica), o que dá uma média diária de 55 animais. Portanto, no mês 12/97 no total foram abatidos 7.532 animais, dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o que corresponde a uma média diária de abate de 314 animais. 5.1) Ao se trabalhar com estes dados em relação aos abates de animais feitos dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, onde este já chegou a abater no mês 07/99 a quantia de 19.669 animais, percebese claramente que do potencial de abate existente, apenas parte dele foi utilizado, ficando grande parte dos equipamentos em ociosidade, o que acreditase não ter ocorrido, e, portanto, conferindo maior segurança quanto ao levantamento do crédito fiscal com base nas informações do órgão oficial que controla o trânsito de animais que são encaminhados ao abate para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no caso, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso INDEA/MT (doc. 12.h). 6) Outra empresa que foi criada após a paralisação ou sumiço da Amazonas foi a Flamingo Alimentos Ltda, cujo início de atividade é 03/98, coincidência ou não, foi constituída com os mesmos prérequisitos da Amazonas e teve sua paralisação em torno do mês 05/99. O modus operandi da Flamingo foi idêntico ao utilizado pela Amazonas, ou seja, compra de bovinos em seu nome e o abate feito sob a forma de prestação de serviço pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Forma esta que desde o início, quando detectados pela fiscalização do INSS em ações fiscais realizadas no ano de 1996, não foi aceita e veementemente repudiada naquela ocasião. No período em que a Flamingo esteve em atividade 03/98 a 06/99 (doc. 12.g), ela afirma que o maior número de abate de animais ocorreu no mês 02/99, onde foram abatidos 9.304 (nove mil trezentos e quatro), média diária de 388 animais; no mesmo mês, o Frigorífico Quatro Marcos Ltda afirma que só abateu, decorrente de sua compra, 2.361 (dois mil trezentos e sessenta e um) animais, média diária de 98. Portanto, no mês 02/99 foram abatidos 11.665 animais, com uma média diária de 486 bovinos abatidos. Diante disso, aparentemente o Frigorífico Quatro Marcos Ltda estava com boa parte dos seus equipamentos e mãodeobra (setor matança) em ociosidade e com isso causando prejuízo para o mesmo, consideração lógica se analisarmos a capacidade dos equipamentos na demonstração da movimentação ocorrida a partir do mês 05/99. O contribuinte apresentou impugnação inicial (fls. 746/748), ainda sob a égide da Secretaria da Receita Previdenciária, aduzindo, em síntese: 1) Foi indevida a descaracterização da personalidade jurídica das empresas, pois manteve com elas relações temporárias estritamente comerciais. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 15 27 2) Solicitou às empresas citadas providências necessárias junto a esse Órgão; 3) Todos os documentos contábeis e fiscais foram apreendidos e remetidos para o MPF e MPE em Cuiabá, em atendimento aos Mandados de Busca e Apreensão emitido pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal do Mato grosso, nos autos dos processos 1999.36.00.0043865 (15/06/1999 MT) e 1999.36.00.00051937 (13/06/1999SP); 4) Os documentos foram disponibilizados de forma totalmente desorganizada e misturados entre si, praticamente impossibilitando sua conferência e reorganização. Porém foi detectada a falta de vários documentos, que ficaram sob a guarda do MPF/MPE, os quais segundo informações preliminares estariam extraviados. 5) Postulou pela suspensão da exigibilidade da exação; reabertura do prazo de defesa, depois de decorridos 90 dias da efetiva devolução dos documentos apreendidos; e, produção de prova pericial. Processado o feito, sobreveio o julgamento pela procedência do lançamento, consubstanciado na DecisãoNotificação nº 10.104.4/0193/2001, de fls. 256/260. Contudo, sobreveio a sentença n° 801/2002, exarada pelo julgamento da ação de Mandado de Segurança nº 2002.36.00.0020087, cujo objeto era a nulidade dos processos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Referido ato judicial assim determinou: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais... 35.166.2650, 35.166.2677, 35.166.261 8, 35.166.2596, 35.166.2626, 35.011.3734, 35.166.2553, 35.166.2642, 35.011.3742, 35.166.2669, 35.011.3777, 35.011.3769, 35.011.3750, 35.166.2570, 35.166.2685, 35.166.2634, 35.166.2588, 35.166.2600 ... Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2a. Vara de Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. Interposto recurso de apelação pelo INSS, ao mesmo foi negado provimento. Os autos, que se encontravam inscritos em Dívida Ativa da União, então, retornaram à fase administrativa em 11/01/2007, para que o processo administrativo fosse reiniciado, tendo em vista a ausência de condições para o exercício do contraditório e da ampla defesa, atendendo a determinação judicial, a fim de que seja concedido o prazo legal de defesa/impugnação ao devedor. A Seção de Contencioso Administrativo em Cuiabá/MT, encaminhou os autos referenciados no Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087 à Seção de Contencioso Administrativo, em Osasco, tendo em vista a mudança do estabelecimento centralizador do sujeito passivo para o CNPJ 01.311.661/000605, localizado à Rua Pureza Marques de Oliveira, 83, Jandira/SP; A Delegacia da Receita Previdenciária DRP, em Osasco reabriu o prazo para apresentação de defesa. Fl. 1253DF CARF MF 28 O contribuinte apresentou impugnação em 15/05/2007, onde informa que “os documentos administrativos, contábeis e fiscais, apreendidos, ainda não foram devolvidos”. Requer, ainda, que a impugnação seja admitida com efeito suspensivo “e, na sequência, a anulação das intimações questionadas e a devolução do prazo integral previsto em lei para a futura defesa de mérito, uma vez decorridos os 90 dias da efetiva entrega pelo MPF/DPF de todos os documentos de sua propriedade, prazo este imprescindível para a conferência, tentativa de reorganização e de análise dos mesmos, objetivando o oferecimento da Impugnação cabível.” Conforme Despacho, emitido pela 10a Turma de Julgamento DRJSPOII, em 07/01/2008, os autos retomaram à DRF jurisdicionante “para providenciar o cumprimento da ordem judicial e demais providencias.” Em 28/07/2011, os autos retornaram a DRJ Campinas. A então competente 7a. Turma de Julgamento exarou a Resolução de fls. 358/363, devolvendo os autos à DRF de origem e determinando que: Visto que, por força de sentença judicial, o lançamento fiscal está em fase de ciência ao contribuinte e, este procedimento só poderá ocorrer quando todos os documentos apreendidos forem devolvidos à empresa autuada; a DRF, em Osasco, por dever de ofício, deverá promover a devolução desses documentos à empresa, quer seja solicitando diligência fiscal ao Juízo 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso, quer seja acionando a Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN. Após a ciência do lançamento ao contribuinte, na forma da sentença prolatada pelo Juízo da 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso nos autos do Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087, os autos deverão retornar à DRJ em Campinas somente quando estiver comprovado nos autos que os documentos foram totalmente devolvidos e findo o novo prazo concedido à empresa para a impugnação, reitero, após ela estar com a posse dos documentos apreendidos. Ainda, atendidas as solicitações do parágrafo anterior, deverão ser cientificadas as empresas componentes do referido grupo econômico, sendo lhes concedido prazo regular para impugnar este lançamento. Aos autos foram juntados os elementos de fls. 979/991, consubstanciados em cópias dos elementos constantes dos autos dos processos judiciais nº 99.51937, ação cautelar preparatória de busca e apreensão em trâmite pela 2a Vara Federal da Seção Judiciária da Justiça Federal do Mato Grosso, e, 1999.36.00.0051937, ação penal em curso perante a 5a. Vara Federal da mesma Seção Judiciária. Ao contribuinte e devedor solidário foi dada nova ciência quanto ao lançamento, agora sob a égide da Receita Federal do Brasil, concedendolhe prazo de 30 dias para apresentação de impugnação administrativa, na forma do Decreto nº 70.235/72. Somente o autuado compareceu aos autos pelo instrumento de fls. 473/480, aduzindo, em síntese: Da Prescrição Intercorrente no Âmbito Administrativo A prescrição pode ser conceituada como “a perda do direito da Fazenda Pública de ajuizar ação de cobrança, mais propriamente execução fiscal, relativamente a crédito não pago, pelo decurso do tempo". Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 16 29 No caso em tela, verificase que os créditos ora impugnados são originários do Auto de Infração n° 35.166.2677, datado de 02/10/2000, cujos fatos geradores referemse aos períodos de 06/99 a 12/99. Ocorre que estes créditos foram objetos de Ação Mandamental n° 2002.36.00.0020087, a qual pleiteava a nulidade de procedimentos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Menciona que em 15/10/2002 foi proferida sentença nos autos do Mandado de Segurança, sendo concedida a segurança, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais. A decisão foi questionada, por meio de recurso de apelação, o qual teve seu provimento negado. Salienta que em 13/09/2006 ocorreu o trânsito em julgado da decisão, oportunidade esta em que o INSS deveria aguardar a devolução integral dos documentos apreendidos e posteriormente, iniciar o processo administrativo, notificando o contribuinte do lançamento e oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Ocorre que somente no corrente ano, por meio do Edital 18/2015, foi reiniciado o procedimento, administrativo, conforme determinou sentença proferida nos autos da Ação Mandamental n° 2002:36.00.0020087, com trânsito em julgado em 13/09/2006. Desta forma vislumbrase a existência da prescrição do crédito ora impugnado, uma vez que o fisco autuante deixou transcorrer o lapso temporal superior a cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da Ação Mandamental, ou seja, 13/09/2006, até a expedição do Edital n° 108/2015, o qual determina a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para impugnação ou pagamento do Auto de Infração. Logo, caracterizado o desinteresse do autuante pela demanda. Conforme acima descrito, resta comprovado que o processo permaneceu pelo prazo superior a cinco anos aguardando diligência do fisco para ser reiniciar toda a fase administrativa, porquanto, consumada está a prescrição. Do Mérito Da Suposta Formação de Grupo Econômico e da Ilegitimidade Passiva Primeiramente, cumpre esclarecer que no caso em tela a fiscalização autuou a impugnante por fato supostamente cometido pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Alegando suposta solidariedade ante a formação de grupo econômico o fisco pretendeu ver a impugnante responsável pela quitação dos débitos. No entanto, nos autos não possuem provas robustas capazes de comprovar a formação deste suposto grupo, logo, os atos praticados pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, não podem ser imputados à empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, o instituto da solidariedade prescinde da concorrência de dois ou mais devedores ou dois ou mais credores na mesma obrigação. No caso em tela, a impugnante não detinha a mesma obrigação vinculada a empresa que supostamente cometeu o ilícito motivo pelo qual não pode ser considerada responsável solidária pelo débito. Fl. 1255DF CARF MF 30 Assim ante a ilegitimidade passiva da impugnante deve o Auto de Infração ser anulado. Nulidade do Auto ante a Ausência de Penalidade Prévia Em análise detida dos autos verificase ainda que o Fundamento Legal para a penalidade aplicada ao Auto de Infração, ou seja, o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto no 3.048/99, não estava em vigência nos períodos dos fatos geradores (anos de 1997, 1998 e 1999) quanto à infração supostamente cometida pela empresa Flamingo Aumentos Ltda. Cita o inciso XXXIX do artigo 5o da Constituição Federal de 1988. No fato em tela resta consignado no Auto de Infração que a penalidade aplicada está prescrita pelo Decreto instituído em maio 1999, no entanto os fatos geradores são de 1997, 1998 e 1999 assim resta patente que a pena aplicada é posterior a ocorrência dos fatos o que é inconstitucional e torna o lançamento nulo. Diante do exposto não resta argumentos para a manutenção do Auto de Infração ora impugnado ante sua patente nulidade. Quanto à Aplicação da Multa Exigida A multa aplicada mediante o indigitado Auto de Infração não pode prosperar. Nossos tribunais têm reconhecido a impossibilidade de cobrança de multas que se apresentem desproporcionais em relação ao valor do tributo. A título ilustrativo, transcreve julgado rechaçando a cobrança de multa acima de 60% (sessenta por cento), por ser confiscatória e desproporcional. Sendo assim, não pode subsistir a cobrança da multa em aplicada na autuação, por esta possuir caráter confiscatório. Mas ainda que se assim não se entenda, o percentual da multa deve ser reduzido para, no máximo, 2%. A jurisprudência de nossos tribunais não mais vem admitindo a imposição de multas em percentual exorbitante. Temse fixado que a multa a ser paga pelo contribuinte/responsável tributário não deverá ser superior a 2% (dois por cento). Nesse sentido, transcreve decisão proferida pelo MM. Juiz da 2a Vara Cível da Comarca de Ijuí, nos autos dos Embargos à Execução no 62.935/2000. Portanto, a seguir a corrente jurisprudencial, cujo entendimento se encontra consolidado na decisão anteriormente transcrita, não deve prevalecer o percentual de multa imposto à ora impugnante, sendo imperiosa a sua redução a, no máximo, 2%. Em suma, por todos os caminhos e a todos os títulos fica patenteada a improcedência da autuação, impondo se, por conseguinte, seu cancelamento. O Acórdão 1459.197 (fls. 1077) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000 LANÇAMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 17 31 instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório. A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixandoos serem destruídos pela Justiça Federal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO. Configuramse hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como “de fachada” em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último. ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE “EMPRESA DE FACHADA”. A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de Fl. 1257DF CARF MF 32 que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como “empresa de fachada”, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS E FINANCEIRAS À ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA ENTÃO COMPETENTE (INSS). CABIMENTO. Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, o comportamento do contribuinte que, utilizandose pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada), desaparece com livros e documentos, sem prestar as informações cadastrais e financeiras ao então ente da Administração Fazendária competente para tanto (INSS). CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO APLICADA AO AUTO DE INFRAÇÃO. MOMENTO DA AUTUAÇÃO. PENALIDADE PREVISTA EM REGULAMENTO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória, a multa a ser aplicada é a vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração, ainda que a infração se refira a período anterior. Não há ilegalidade da previsão de multas e detalhamentos de obrigações acessórias por Regulamento, uma vez que o mesmo integra a “legislação tributária” e não visa prever comportamentos não constantes da lei em vigor ao tempo dos fatos Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. É passível de indeferimento o requerimento de perícia que não atende ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 4 de dezembro de 2015, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1151 e seguintes), reiterando os argumentos trazidos na impugnação, isto é: (i) prescrição do crédito tributário; (ii) inexistência de prova de formação de grupo econômico e de interesse jurídico comum; e (iii) nulidade e inconstitucionalidade da multa aplicada. É o relatório. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 18 33 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, o Recorrente argui a inconstitucionalidade da multa aplicada. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade supramencionada. Da Questão da Prescrição Intercorrente A Recorrente argumenta que teria ocorrido a prescrição no âmbito do processo administrativo fiscal, uma vez que decorreu o prazo de cinco anos entre a data do trânsito em julgado da ação de mandado de segurança no. 2002.36.00.0020087 (13/09/2006) e a data da intimação para apresentar novo instrumento de impugnação, após anulação do processo administrativo anterior pela referida ação mandamental. A prescrição consiste no decurso do tempo em relação ao exercício do direito de ação em face da pretensão titularizada pelo sujeito passivo. No âmbito tributário, a pretensão sobre a qual recai a prescrição consiste na execução do crédito tributário, promovendose a sua inscrição em Dívida Ativa da União. Nesse sentido, o contribuinte, em face de peculiaridades ocorridas em ações fiscais múltiplas às quais esteve sujeito, impetrou mandado de segurança, gerando o processo judicial nº 2002.36.00.0020087. Nesta ação, o contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável, determinando a nulidade dos processos administrativos fiscais instaurados pelo então competente INSS, e, dentre tais, o processo administrativo anteriormente instaurado em face da exigência tributária contida nos presentes autos. Nesse sentido, eis as palavras da decisão: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais 35.166.2570, 35.166.2588, 35.166.2553, 35.166.2685, 35.166.2642, 35.166.2618, 35.166.2626, 35.166.2600, 35.166.2596, 35.166.2634, 35.166.2669, 35.166.2677, 35.166.2650, 35.011.3750, 35.011.3785, 35.011.3734, 35.011.3742, 35011.3793 35.011.3777 e 3576171 determinando ao Impetrado que reinicie esses processos, desta feita concedendo o prazo legal de defesa/impugnação APÓS a devolução integral dos documentos que foram apreendidos. Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da Fl. 1259DF CARF MF 34 devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2° Vara da Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. É importante observar que a decisão não anulou o lançamento do crédito tributário em si mesmo, mas, somente, o processo administrativo instaurado a partir da ciência do contribuinte quanto ao próprio lançamento, justamente pelo fato de que o contribuinte não dispunha, à época, dos elementos materiais necessários ao pleno exercício de sua ampla defesa e contraditório. Assim, a decisão não subordinou a instauração de novo processo administrativo em face do mesmo lançamento à observância de qualquer interregno temporal; ao contrário, condicionou a sua instauração à demonstração efetiva da devolução dos documentos ao contribuinte. De outro lado, a demora quanto à nova intimação para apresentação de novo instrumento de impugnação não deve ser oposta à Administração Tributária. Com efeito, ao longo dos anos, vários foram os expedientes enviados à Justiça Federal como forma de se saber se houve ou não a devolução integral ao contribuinte dos documentos apreendidos. A certeza quanto a esta devolução somente veio ao conhecimento da Administração Fazendária em 01/10/2014, conforme elementos fls 1.937, de forma que somente a partir de então o Fisco poderia dar andamento ao processo administrativo, como o fez. Por fim, de rigor reconhecerse que a prescrição intercorrente não tem cabimento no âmbito do processo administrativo por duas razões. A primeira de ordem legal, no sentido de que não há previsão normativa de qualquer espécie que permita a sua adoção. A segunda, de ordem lógica, pois, a prescrição pressupõe a definitividade do lançamento do crédito tributário e enquanto pendente a esfera administrativa, não há esta definitividade, de forma que não há que se falar sequer da possibilidade de ajuizamento da execução fiscal, daí advindo a impossibilidade de transcurso do prazo prescricional. Este entendimento tem seu fundamento no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional – CTN que prevê a suspensão da exigibilidade (na verdade, inexistência preliminar dela) quando pendente recurso administrativo: Diante da ausência de exigibilidade do crédito tributário, uma vez que ainda não constituído definitivamente, não há que se falar em pretensão do Fisco, e, dessa forma, não se pode cogitar da prescrição, sequer sob a forma intercorrente. Vale citar ainda a Súmula CARF n. 11 que estabelece que a prescrição intercorrente não é aplicável no processo administrativo fiscal, conforme pode ser observado abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ante o exposto, não carece razão à Recorrente no tocante à prescrição intercorrente. Da Questão do Grupo Econômico Ainda que a questão contida nestes autos de processo administrativo não se refira diretamente à existência do grupo econômico de fato, em relação ao qual o contribuinte notificado configura nítido administrador e gerenciador de todas as empresas de fachada, mas Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 19 35 sim à condição de segurado empregado do Sr. Pedro Olinto Ribeiro, o contexto no qual restou apurada a condição deste depende da colação das circunstâncias que levaram a fiscalização a entender que o Sr. Pedro Olinto Ribeiro é, na verdade, empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Assim, trago os argumentos já apresentados nos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, com as referências de páginas daqueles autos. Assim, a grande questão que se põe nos autos consiste em saber se os fatos narrados pela fiscalização encontram respaldo em elementos de prova nele constantes, de forma a caracterizar a situação de grupo econômico de fato entre o antigo Frigorífico Quatro Marcos, atual Quatro Marcos Ltda, e as empresas indicadas pela fiscalização, em torno do qual gravitam praticamente todas as lavraturas fiscais, enquanto um contexto de abuso da personalidade jurídica de empresas criadas com o fim específico de afastamento dos efeitos tributários em relação aos fatos geradores praticados por elas. A par das considerações feitas pela fiscalização em relação a cada documento de constituição de crédito fiscal (Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e Autos de Infração – AI) a fiscalização apresentou Relatório Geral onde traz, de uma forma geral, todos os fatos e fundamentos pertinentes à conclusão pelo reconhecimento de grupo econômico de fato entre o contribuinte Quatro Marcos Ltda e empresas por ele criadas, algumas com atividade comercial efetiva, mas sob administração exclusiva do próprio contribuinte; outras, com existência apenas no plano formal. Segundo a fiscalização, as empresas envolvidas nas operações do Grupo Quatro Marcos são estas: Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, é importante notar que a Recorrente não traz qualquer elemento de convicção em seu favor. Ao contrário, limitouse a aduzir cerceamento ao seu direito de defesa, diante da impossibilidade de acesso aos documentos apreendidos. Ocorre, contudo, que o contexto dos autos permite uma conclusão mais abrangente. Ainda que a Justiça Federal tenha possibilitado ao contribuinte, desde 24/10/2000, ou seja, pouco tempo após a lavratura fiscal, datada de 02/10/2000, inúmeras oportunidades de acesso e retirada dos documentos apreendidos, verificase que o contribuinte, que seria o maior interessado naqueles elementos apreendidos, simplesmente remanesceu inerte diante do seu direito de retirada e permite, pela omissão, que os mesmos sejam destruídos pelo Poder Judiciário. Fl. 1261DF CARF MF 36 No presente caso, cumpre ressaltar que a fiscalização traz longo e exaustivo arrazoado em relação a cada empresa verificada, vinculando as suas constatações a documentos nos autos. Assim, a fiscalização aponta a ausência de autonomia financeira e administrativa das empresas de fachada. Com relação às empresas AMAZONAS E FLAMINGO, verificase que os autos estão recheados de elementos que permitem concluir pela absoluta ausência de autonomia financeira e administrativa das empresas integrantes do Grupo Quatro Marcos. Com efeito, conforme elementos de fls. 1.195/1.211 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos. Em tais casos, as autorizações foram assinados pelas mesmas pessoas, o Sr. Luis Olavo Sabino Santos, na qualidade de diretor, e pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp, na qualidade de gerente administrativo, ambos do Frigorífico Quatro Marcos. Às fls. 1.158/1.159 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 constam documentos comprobatórios de pagamentos de despesas da empresa Amazonas firmados pelos mesmos sujeitos vinculados ao Frigorífico Quatro Marcos (Sr. Luis Olavo Sabino Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp). À fl. 1.161/1.162 consta autorização de pagamento emitida assinada pelos Srs. Luis Olavo Sabino Santos e Vanderlei Roberto Stropp quanto ao depósito relativo ao FGTS de dois segurados vinculados à empresa Flamingo Alimentos Ltda (R$ 104,00 – José Sagui e Jadir José de Oliveira – competência 04/1999). Às fls. 1.163/1.164 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta autorização de pagamento subscrita pelos mesmos Sr. Luis Olavo Sabino Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp relativamente ao pagamento de salário do Sr. Jadir José de Oliveira, na função de auxiliar administrativo da empresa Flamingo Alimentos Ltda, na competência 04/1999. Ainda em relação aos Srs. Jadir José de Oliveira e José Sagui, às fls. 1.129/1.130 constam documentos que demonstram inequivocamente que os referidos segurados, que eram vinculados à empresa Flamingo, receberam do Frigorífico Quatro Marcos, cestas básicas em várias competências entre 1996 a 2000. O mesmo fato transparece em relação às despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizadas também pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, inclusive os pagamentos das despesas de remuneração dos empregados, do prólabore dos sócios, dos fornecedores etc, conforme elementos juntados às fls. 1.166/1.193 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Neste mesmo plexo documental, consta que em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas. Assim, por estes fatos comprovados, resta induvidoso que as empresas tinham sua administração financeira nas mãos de pessoas físicas vinculadas ao Frigorífico Quatro Marcos. Ademais, conforme os elementos juntados às fls. 1.147/1.156 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, as testemunhas que aparecem nos contratos social e alterações e contrato de locação de imóveis firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos. Efetivamente, são elas: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 20 37 e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. À fl. 1.143 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, consta instrumento público de outorga de mandato (procuração) constituindo o Sr. Nilton de Carvalho Junior como procurador da empresa Amazonas, não obstante o mesmo ser empregado do Frigorífico Quatro Marcos. O mesmo Sr. Nilton consta como testemunha em contrato social da empresa Flamingo (fls. 1.142/1.152 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). O mesmo aconteceu em relação ao Sr. Vagner Alberto Gouveia, empregado não registrado no Frigorífico Quatro Marcos, recebendo outorga de poderes para agir em nome da empresa Flamingo (fls. 1.144/1.145 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). À fl. 1.138 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta solicitação de desconto emitida em papel timbrado da Flamingo, constando manualmente o nome do Sr. Vanderlei, como vinculado à referida empresa, destinada ao Sr. Julio Borges e ao Sr. Douglas. Às fls. 1.132/1.133 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta relação de empresas fornecedoras de carne para a empresa Proquimio Produtos Químicos Opoterápicos Ltda. No anexo a esta informação enviada ao Ministério Público do Estado do Mato Grosso, consta o nome das empresas fornecedoras e os contatos a elas respectivos. As empresas Amazonas e Flamingo aparecem na relação, vinculadas ao nome do Sr. Nilton Carvalho Junior com telefone de contato (065) 251.1201. À fl. 1.136 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta a fatura relativa ao número indicado, e à fls. 1.135 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta lançamentos contábeis de despesas relativas a telefonia do Frigorífico Quatro Marcos, e, embora com relativo prejuízo de leitura, o décimo primeiro lançamento corresponde ao valor da fatura constante à fl. 1.136, ou seja, R$ 2.952,45. No tocante às empresas FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA E ALTA FLORESTA, verificase que a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda tem em seu quadro social, como um dos sócios, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, que também é sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (fls. 1.251/1.253 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Às fls. 1.217/1.249 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 fica demonstrado que empresa firma Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda era a responsável pelo pagamento de várias despesas da empresa Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Às fls. 1.214/1.215 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta documento denominado de “romaneio de abate”, datado de 30/11/98, onde há a simulação de compra de cabeças de gado do Sr. Newton Vieira Barbosa, na qualidade de pecuarista. Ocorre que no mesmo documento há manuscritos relativos a pagamentos feito, na realidade, ao Sr. Luis Olavo em 14/12/98, a título de adiantamento, no valor de R$ 47.946,40, e outro saldo de R$ 57.558,58 ao Sr. Chico, alcunha atribuída ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, sendo que ao Sr. Newton, somente seria devido o valor de R$ 6.523,45, de um total de R$ 105.504,98. Ora, em primeiro lugar a data de “adiantamento” ao Sr. Luis Olavo encontrase dissociada da data do próprio documento, datado de 30/11/98. Além disso, não há explicação minimamente plausível que uma compra de cabeças de gado de uma pessoa, seja paga quase que 93,82 % a outras duas pessoas distintas (45,44 % ao Sr. Luis Olavo Fl. 1263DF CARF MF 38 – sócio do Frigorífico Colider Ltda entre 03/08/1994 a 09/02/1998 e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda entre 02/03/1993 a 23/08/1993 e 54,56 % ao Sr. Sebastião Bueno Xavier – sócio do Frigorífico Quatro Marcos desde 01/12/1985, sócio da empresa Quatro Marcos Adm. E Particip. Ltda desde 23/12/1992, sócio da empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda entre 15/01/1997 a 02/08/1999, e sócio do Frigorífico Colider Ltda entre 10/02/1998 a 03/08/1999), e, somente 6,18 % àquele que supostamente seria o vendedor das cabeças de gado (Sr. Newton Vieira Barbosa). Outrossim, em relação à mesma operação, a cópia de cheque constante da fl. 1.215 demonstra que o lançamento a ser feito na contabilidade seria em nome de Newton Vieira Barbosa, no valor de R$ 57.558,59, quando o favorecido pelo cheque nº 639093 contra o então existente Banco Bamerindus foi “Bras Factoring”, supostamente uma empresa de fomento mercantil. Com relação às empresas FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA E IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA, notase que as relações das empresas de fachada se relacionam com o Frigorífico Colider Ltda, cuja razão social foi posteriormente alterada para OCA Comercial Ltda. Inicialmente, os documentos de fls. 1.404/1.413 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 demonstram que o sócio laranja, Sr. Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL. A Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL – é composta por sócios que fazem parte da mesma família (família “Birtche”), estando vinculados ao Frigorífico Quatro Marcos. Conforme elementos de fls. 1.377/1.385 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, recebeu quantias da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL relativamente à compra de bovinos, muito embora os documentos demonstrem que as rezes, em realidade, eram adquiridas de outras pessoas físicas e jurídicas, citandose como exemplo: (i) em 27/09/99, o Sr. Carlos R.D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma FRICOL, referente à compra de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda.; (ii) em 27/09/99, ocorreu outro recebimento da mesma empresa, no valor de R$ 3.648,97, referente à compra de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros; e (iii) em 06/01/00, novo pagamento ao Sr. Carlos R. D. Bandeira, no valor de R$ 5.000,00, relativamente à compra de cabeças de gado do Sr. Oscar Nunes da Silva. À fl. 1.385 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta pagamento no valor de R$ 4.715,98 feito pela empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda a Cleonice Birtche Bandeira ME. Ao lado do pagamento consta um controle de fretes. À fl. 1.383, consta um "cartão" da empresa CÍRCULO QUATRO COMPRA E TRANSPORTE DE BOVINOS, encontrado dentre os documentos da empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda. A fiscalização apurou que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira foi um comprador de bovinos na região de Colider e jamais dono de qualquer Frigorífico. Ademais, há diversos documentos nos autos demonstrando que a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos, caracterizando mais uma simulação do Grupo Quatro Marcos, de forma que uma pessoa empresta o nome para aparecer na Nota Fiscal e a outra recebe o Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 21 39 dinheiro (fls. 1.330/1356, 1.358/1.376 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Nestes documentos tornase flagrante os desvios de recursos que, embora formalmente sejam devidos aos pecuaristas que alienam suas cabeças de gado (Sr. Hygino H. Pitelli Junior, Newton Vieira Barbosa, Lenicio Pacheco Ferrira, Carlos A. Rios da Cruz), na verdade, são destinados a pessoas físicas integrantes do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Sr. Sebastião Bueno Xavier). Os autos também demonstram a existência de vários pagamentos feitos pela empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL relativamente a despesas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, pagamentos estes feitos diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, então diretor da unidade de Jandira – SP (fls. 1.323/1.328 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745), evidenciando uma completa ingerência administrativa e uma forte vinculação financeira entre as unidades que faziam com que seus recursos circulassem entre si, sem atenção à independência contábil e financeira de cada uma, demonstrandose, evidentemente, que a FRICOL nada mais era do que uma extensão administrativa do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Cumpre notar ainda outro aspecto interessante, que consiste nos documentos juntados às fls. 1.320/1.321 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Efetivamente, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL, em 15/07/99, realizou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando todas as despesas indistintamente. A fiscalização informa que em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com a fiscalização estadual, foram encontrados nas dependências da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL vários Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Estes documentos foram juntados aos autos às fls. 1.309/1.318 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, comprovando a utilização das pessoas físicas de veículos cujas despesas eram custeadas pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Mais um elemento que afasta a existência de autonomia gerencial da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL é o fato de, em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinar ao Sr. Creudevaldo Birtche, cuja alcunha atribuída é de “Tucunha”, um dos sócios da FRICOL, que efetuasse um depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível (fls. 1.304/1.307 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Ora, se a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL fosse efetivamente independente quanto ao seu gerenciamento operacional, não haveria como um terceiro, absolutamente estranho ao quadro social, e, ao contrário, expressamente vinculado ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinar que a primeira pagasse diferença de frete. É dizer, quem teria sido o contratante efetivo do frete: a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL ou o Frigorífico Quatro Marcos Ltda? Pelo contexto dos autos, resta induvidoso que este último utilizouse da formal constituição da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL para as operações inerentes ao seu objeto social, administrando e gerindo financeiramente a pessoa jurídica somente existente no plano formal. Fl. 1265DF CARF MF 40 Ainda, há que se ter em mente que a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL é sucessora da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda., isto resta demonstrado às fls. 1.266/1.274 e 1.283/1.302 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 onde a firma FRICOL realizou os pagamentos de despesas da empresa Frigolider. Os documentos de fls. 1.279/1.281 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 demonstram que no período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviço em Colider/MT, na empresa Fricol, demonstrando de maneira clara a existência de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Contudo, a firma Fricol somente suas atividades comerciais a partir de 04/99 e os documentos demonstram que os empregados foram admitidos no ano de 1998, ou seja, perante o Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Outrossim, o documento de fl. 1.258 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, qual seja, página 169 do Razão Analítico da empresa Frigolider, demonstra que o Sr. Edson Carlos Padilha percebeu remuneração salarial na competência 12/1998. No mesmo documento ainda consta o pagamento de remuneração aos Srs. Cleonir Birtche (R$ 3.000,00), Creudevaldo Birtche (R$ 3.000,00) e Cláudio Birtche (R$ 1.200,00). Ocorre, contudo, que (a) o Sr. Cláudio Birtche foi sócio da empresa Frigolider somente até 02/12/1996; (b) o Sr. Cleonir Birtche, em 12/1998, era sócio das empresas Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda; e, (c) o Sr. Creudevaldo Birtche, na competência seguinte ao pagamento, ou seja, em 01/1999, passou a integrar os quadros sociais da empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, e, em 10/02/1999, os quadros sociais da empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense LTDA – FRICOL. E mais interessante ainda é o fato do documento de fl. 1.255 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 (página 005 do Razão Analítico da empresa Frigolider Ind. e Com. de Alimentos Ltda) registrar, nas competências 01 a 04/1999 vários pagamentos de retirada pro labore ao Sr. Sebastião Douglas S. Xavier. Ocorre que, como se vê do quadro abaixo, o Sr. Sebastião era sócio de várias outras “empresas” no período, mas não da empresa Frigolider: Diante do exposto, notase flagrante comunhão de participações das empresas, de forma a não se respeitar a distinção adequada entre vínculos de emprego e societário, havendo uma absoluta confusão quanto às responsabilidades pelos pagamentos. É dizer, qualquer empresa formalmente constituída realiza pagamentos a pessoas físicas, sem qualquer atenção se o favorecido é seu empregado, seu sócio, ou empregado ou sócio de outra empresa, de forma a provar que, na verdade, todas não passam de uma empresa só, formalmente separada por razões sociais e CNPJ tão somente no plano formal. Ademais, os elementos carreados aos autos (fls. 1.392/1.402 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) demonstram que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 22 41 recebendo remuneração, seja sob a forma de salário em pecúnia, seja sob a forma de salário indireto (cestas básicas) de outra empresa de fachada, qual seja, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, de forma a se reconhecer o mesmo na condição de segurado não inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o “código” de "FRICOL U", tendo recebido, na competência 12/1999, a quantia de R$ 1.035,00, e, ainda, salário indireto consubstanciado em cestas básicas, conforme assinatura aposta em controles de retiradas feita pela empresa. Diante disso, resta evidente que empresas Frigorífico Colider Ltda (posteriormente alterada sua razão social para OCA Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, constituem nítido grupo econômico de fato, denominado Grupo Quatro Marcos, tendo se utilizado de empresas formalmente constituídas, mas sem existência real no mundo dos fatos. Os autos contam com vários outros elementos de prova que demonstram claramente a relação indistinta entre as empresas integrantes do Grupo Quatro Marcos, de forma a validar as conclusões fiscais, ou seja: 1) Às fls. 1.666/1.671 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, constam várias despesas de manutenção das empresas de fachada, administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Pois: (i) o Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos, em 05/99, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do FQM: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma Relação de Prestação de Contas relaciona inclusive a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, que são respectivamente empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, enviou aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Varderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada conforme documentos juntados às fls. 1.662/1.664 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Assim, considerando que o Sr. Nilton do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não se pode compreender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr. Nilton do Amaral contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. No rodapé do documento consta a observação de que foi enviado cópia ao Sr. Douglas DIREÇÃO SP (sócio do Frigorífico Quatro Marcos). Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei CHEFIA DE ESCRITÓRIO FQM contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas FQM e AMAZONAS. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. DOUGLAS DIREÇÃO –SP. Fica claro que a Fl. 1267DF CARF MF 42 empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo. 3) Em carta datada de 01/04/97, a empresa Phoenix de Jandira/SP assim se manifesta: "DE: Luiz Nanni ADMINISTRAÇÃO SP" para "Srs. VANDERLEI GER.ADM.FINANCEIRA FQM/AM e NEWTON DEPTO CONTABILIDADE FRIGOLIDER", enviando instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento, além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas (fls. 1.659/1.660 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 4) Às fls. 1.654/1.657 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta fac símile datado de 09/07/97, onde o Sr. Vanderlei envia ao Sr. Luiz Nanni uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreve um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com CARREFOUR. 5) Às fls. 1.643/1.646 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta depoimento prestado à polícia do estado do Mato Grosso da ex telefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmando que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche) administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni. 6) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração prestada à polícia do estado do Mato Grosso (fls 1.650/1.651 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo. 7) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações (fls. 1.624/1.636 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) o envolvimento do Sr. Sebastião Xavier (" Chico "), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas do Grupo Quatro Marcos. 8) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações de fls. 1.626/1.632 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestados ao Ministério Público Estadual do Mato Grosso, os Srs.: Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam de maneira lúcida a constatação e composição do Grupo Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada e evidenciam a presença de sócios laranjas. 9) Às fls. 1.623/1.624 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta ofício datado de 17/12/99 pela COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmando que o contato para compra de carnes do Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 23 43 Grupo Quatro Marcos, do qual faria parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. De Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial Frigorífico Quatro Marcos em Jandira/SP e Diretor da matriz do mesmo frigorífico, no telefone (011) 79293588. 10) Às fls. 1.616/1617 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 a empresa Carrefour atesta que o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos, no telefone 011 79293588. Já as compras da Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos eram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone. 11) Às fls. 1.609/1.614 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta correspondência datada de 09/03/2000, pela firma Espetinho Churra Bom Ltda atesta que o entreposto das empresas: Frigorífico Quatro Marcos, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP). Este endereço acima explicitado é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. 12) À fl. 1.607 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45 consta correspondência firmada em 29/02/2000 pela firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atesta que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. E Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone 11 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã. 13) À fl. 1.605 consta carta datada de 27/05/98 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, onde o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirma para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do FQM que lhe está enviando a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. Inclusive, neste mesmo documento (rodapé) consta o seguinte: com anexo original. A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 14) O depoimento de fls. 1.590/1.591 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestado pela Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e exempregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirmou que "... a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava”. No mesmo depoimento a Sra. Adna Pereira da Silva afirma que a empresa Flamingo era de propriedade do FQM e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também Fl. 1269DF CARF MF 44 afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 15) Depoimento de fls. 15.86/1.588 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestado à Polícia Fazendária do Mato Grosso por Marco Antônio Tolentino de Barros, representando a imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, afirmando que a funcionária da Flamingo, Sra. Adriana, era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider e resolvia todas as questões. Ainda, quem procurou a imobiliária para alugar a sala da Amazonas foi o Sr. Paulo Putaluga, não tendo conhecido os sócios da Frigolider. 16) Informação dirigida para o Sr. Nilton do Amaral informando sobre o envolvimento de várias empresas em projetos de incentivos fiscais (Frigorífico Colider e Frigorífico Quatro Marcos) (fls. 1.553/1.557 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 17) Demonstrativo manuscrito de fls. 1.510/1.511 com carimbo da empresa Flamingo Alimentos Ltda, demonstrando valores devidos a título de energia da empresa Amazonas. Ainda, consta a apuração da então vigente, CPMF devida, no percentual de 0,20 % sobre o valor da conta. Ora, a CPMF era devida por quem realizada uma movimentação financeira, neste conceito incluído o pagamento de uma conta. Assim, na medida em que a Flamingo apura a CPMF devida sobre uma conta, e adicionalhe o resultado, reconhece ser o sujeito responsável pelo pagamento da conta de outra empresa. 18) Vários pagamentos de despesas com uso da aeronave PTVKW, e despesas de estada, decorrentes de viagens realizadas pelo Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), pagas pela empresa Fricol (fls. 1.475/1.506 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 19) Pagamento de despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do FQM) à cidade de Colider, pela firma Fricol (fls 1.468/1.473 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 20) Pagamento de despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, contador do Grupo Quatro Marcos, pagas pela firma Fricol (fls. 1.465/1466 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 21) Pagamento, realizado em 04/10/99, pela Fricol (carimbo aposto na cópia do cheque) relativamente a despesas de fornecedor (Frigorífico Quatro Marcos Ltda) da empresa Frialto (fl. 1.453). O mesmo acontece em pagamento realizado em 19/10/99, relativamente a despesas de aquisição de bovinos de pecuaristas pessoas físicas (fl. 1.455/1.461 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 22) Depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que esta fornece os couros (matéria prima) àquela, ambas constituindo empresas do mesmo grupo econômico (fl. 1.451 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 23) O Sr. Milton Zana Corbalan, suposto sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, integrantes do Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 24 45 Grupo Quatro Marcos: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25; no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74. Na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan, apesar de constar vários recibos de retiradas pro labore em nome do suposto sócio (fls. 1.439/1.449 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Em arremate, convém transcrever a manifestação da Fiscalização do Estado do Mato Grosso (fls. 1.531/1.546 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45) quanto ao contexto verificado: Em 25.05.99, em cumprimento ao estabelecido no Termo de Compromisso firmado com a Procuradoria da República e o Ministério Público Estadual, comparecemos à sala n° 403, do Edifício Conjunto Nacional, situada a Av. Isaac Póvoas, 1.177, no Centro de Cuiabá, endereço este que constava do SIC Sistema de Informações Cadastrais da Secretaria de Fazenda/SEFAZ, como sendo o da Matriz da firma FLAMINGO ALIMENTOS LTDA, Inscrição Estadual n° 13.178.9970. Nesse endereço fomos atendidas pelo Sr. NILTON DO AMARAL, que se apresentou como prestador autônomo de serviços de assessoria e auditoria. No local encontramos documentos que se referiam a diversas outras empresas, além da FLAMINGO ALIMENTOS, quais sejam: FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, FRIGORÍFICO COLÍDER LTDA, PHOENIX ADM E PARTICIPAÇÕES LTDA, FRIALTO IND COM ALIMENTOS LTDA, IND COUROS E INSUMOS COLÍDER LTDA, IND FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA, FRIGOLÍDER IND COM DE ALIMENTOS LTDA, VILA RICA ALIMENTOS LTDA, FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA, ALTA FLORESTA IND FRIGORÍFICA LTDA e AMAZONAS COM IND IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Em um primeiro momento, não compreendemos a razão de tais documentos se encontrarem no interior do escritório da FLAMINGO ALIMENTOS vez que, no Cadastro da SEFAZ, elas pertenciam a pessoas distintas e, aparentemente, não possuíam qualquer relação entre si, a não ser o fato de possuírem o mesmo ramo de atividade. No entanto, encontramos documentos que provavam que os donos do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA é que bancavam as despesas da FLAMINGO ALIMENTOS, da FRIGOLÍDER e da AMAZONAS, muito embora, seus nomes não constassem do Contrato Social de nenhuma delas. A partir da análise dessa documentação, pudemos constatar que a FLAMINGO ALIMENTOS era uma empresa fictícia ("fantasma"), de fachada, constituída em nome de terceiros para burlar a fiscalização. Descobrimos, também, que ela não era a primeira: outras firmas fantasmas a precederam e sumiram misteriosamente, bem como, a sua documentação. Todas do ramo de frigoríficos e, de alguma forma, relacionadas com o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Fl. 1271DF CARF MF 46 Apesar disso, o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS alegou manter apenas uma relação contratual de prestação de serviços de abate com essas empresas. Mas, estranhamente, todas as firmas com quem ele havia mantido Contrato de Prestação de Serviços de Abate sumiam, ninguém encontrava os donos, ninguém conseguia ver os documentos fiscais... ... omissis ... I – DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO: O esquema de sonegação do Grupo funciona da seguinte forma: O FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA constitui uma firma fantasma, que só existe no papel, em nome de terceiros. Regra geral, esses terceiros são funcionários de um dos Frigoríficos do Grupo que se prestam a isso , muito provavelmente, para não perder o emprego. Como, para a constituição de um frigorífico (ou de qualquer outra empresa), não é necessária a comprovação de propriedade de bens, da existência de Unidade Frigorífica, ou algo compatível com essa atividade, fica muito fácil criar empresas que só existem no papel e cujos sócios não têm condição econômicafinanceira para serem seus proprietários. De posse do Instrumento de Contrato da empresa fantasma e de uma providencial procuração com amplos poderes em favor de uma pessoa de confiança do Grupo, passada pelo suposto proprietário da firma, o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS firma um também fictício Contrato de Prestação de Serviços de Abate. A partir de então, a maior parte do abate realizado nas dependências do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS é tratado como mera prestação de serviço e a carne resultante desse abate passa a ser comercializada com os documentos fiscais da firma fantasma. Ocorre que a firma fantasma recolhe, aproximadamente, 10% do imposto que deve ao Estado, praticando altíssimos índices de sonegação e utilizando se de artifícios fraudulentos para a realização desse intento. Este é o caso da AMAZONAS COM IND IMP EXP LTDA. Quando a Fiscalização dá inicio aos seus trabalhos, a firma fantasma desaparece, seus sócios não são mais encontrados e todos os documentos fiscais são misteriosamente "roubados". Essas empresas fantasmas atuam por aproximadamente 02 anos. Após o seu desaparecimento, são imediatamente substituídas por outras e, assim, o esquema continua sem que o Estado nunca consiga se ressarcir dos tributos sonegados. ... omissis ... No entanto, os documentos apreendidos nos mostram que as despesas de manutenção da AMAZONAS COM IND IMP EXP LTDA (tais como despesas de aluguel, condomínio do 'prédio onde está situada a sala da firma, conta Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 25 47 de telefone, ...) são pagas pelo mesmo "caixa" que paga as despesas pessoais do Sr. DOUGLAS e suas irmãs, ROSANA e SUSETE. O Sr. SEBASTIÃO DOUGLAS SORGE XAVIER, mais conhecido como DOUGLAS é sócio proprietário do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA e suas irmãs (ROSANA e SUSETE), são sócias dele em outras empresas, também ligadas a esse FRIGORÍFICO. Esse esquema não funciona apenas com o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS, mas com todos os outros Frigoríficos do Grupo que existem em Mato Grosso (nos Município de São José dos Quatro Marcos, Colíder, Alta Floresta e Vila Rica): todos eles possuem uma firmafantasma paralela, para acobertar a saída da carne sem pagamento de imposto, como veremos mais adiante. Dessa forma, há manifesta ingerência administrativa e financeira do contribuinte, por intermédio das pessoas físicas que nele atuam, sobre as atividades das demais empresas. Assim, a questão que se demonstra impede que se reconheça a autonomia administrativa das pessoas jurídicas, porquanto suprimidas pela atuação de pessoa externa. Ora, como já afirmado, o fenômeno da personificação assume relevância no contexto moderno justamente por conferir personalidade e distinção de existência ao ente formado a partir da convergência de interesses entre pessoas que celebram contrato de sociedade. Assim, se estas pessoas decidem unirse para a exploração de uma atividade empresária, tornase implícito que somente elas, as pessoas que celebram contrato de sociedade, possam gerir, dentro de seus interesses, como se dará a atividade empresária. Dessa forma, a outorga ou mesmo a permissão tácita de que pessoa alheia aos quadros sociais, não revestida da condição de administrador, passe a interferir nos negócios e atividades da pessoa jurídica, demonstra que, à margem do aspecto formal do contrato social, há uma ingerência de fato que contraria em essência o princípio da personificação a partir da inexistência de autonomia administrativa da própria pessoa jurídica. É dizer, partindose da premissa de que as pessoas que a compõem se constituem em sujeitos que atuam em nome e por conta da pessoa jurídica, representandoa, admitirse que terceiro a ela estranho o faça, sem a devida formalização efetiva destes poderes, é afirmar que, em realidade, o quadro social da pessoa jurídica não demonstra a realidade dos interesses nela depositados por aqueles que o compõem, mas sim, de terceiros, que buscam na pessoa jurídica apenas um acobertamento formal da sua efetiva responsabilidade patrimonial. Admitir que uma pessoa jurídica seja dirigida ou atue de acordo com os comandos de pessoas vinculadas a outra pessoa jurídica é suprimir por completo a autonomia administrativa da primeira, de forma a impedir que, no plano dos fatos, haja efetividade da personificação, disto decorrendo, como corolário, que a imputação da responsabilidade pelos atos praticados pela pessoa existente meramente no plano formal seja feita na pessoa que efetivamente praticam os atos. O mesmo se diga quanto à assunção, por parte de outra pessoa jurídica, da responsabilidade por diversos pagamentos de despesas realizadas pela pessoa jurídica constituída como empresa sob o plano meramente formal. Ora, revelase sobremaneira relevante que a pessoa jurídica tenha idoneidade e capacidade financeira para honrar as despesas por ela assumidas, pois isto revela justamente a autonomia financeira quanto ao exercício da atividade empresária de forma independente. É ilógico e absurdo admitirse que Fl. 1273DF CARF MF 48 uma pessoa jurídica que se considere como tal no plano dos fatos, isto é, uma pessoa jurídica independente, tenha sua atuação financeira dependente de outra. Quanto ao aspecto das atividades das empresas constituídas os fatos narrados pela fiscalização chamam a atenção pela sua estranheza. Explico. O exercício de uma atividade empresária pressupõe em sua essência a organização dos fatores da produção, de forma habitual e com intuito especulativo. Assim, lhe é inato que o objeto social seja por ela exercido em seu estabelecimento. A fiscalização informa que as empresas constituídas não tinham qualquer patrimônio capaz de permitir o exercício das suas atividades, fato este comprovado pelos inúmeros aportes financeiros de outras empresas nas despesas das empresas de fachada. Dessa maneira, na medida em que o empresário pessoa jurídica não dispõe dos mínimos atributos materiais capazes de desempenhar seu objeto social, fazendoo, ainda que em seu próprio nome, nas dependências físicas de outrem, sem qualquer relação comercial que legitime este comportamento, resta induvidoso que à empresa falta a autonomia produtiva, enquanto esta se verifique impossibilitada faticamente de concretizar seu objeto social. A ausência de um patrimônio e uma estrutura mínima à consecução do objeto social retira da empresa validamente constituída sob o ponto de vista formal a sua real essência, transformandoa em nada mais do que uma mera repartição administrativa de outra, da qual depende. A isto se soma os aspectos já abordados e devidamente provados pela fiscalização quanto à ingerência administrativa e financeira de terceiros na condução da empresa constituída com idêntico objeto. Os depoimentos colhidos extraautos pelas autoridades do Ministério Público e da polícia deixam claro que as empresas nada mais eram do que meras fachadas para a realização do efetivo objeto social do contribuinte, que, adotando várias empresas normalmente constituídas com idêntico objeto social ao constante de seu contrato social, simplesmente atuavam como pessoas interpostas na qualidade de unidades administrativas de um conglomerado empresarial muito maior, este sim, o real sujeito passivo quanto aos fatos geradores praticados pelas empresas constituídas. Os relatos da fiscalização no sentido do inexplicável desaparecimento das empresas após curto período de constituição, a inexistência de bens rastreáveis em nome delas, e, ainda, os vários eventos de desaparecimento de documentação e contabilidade tornam a questão muito mais evidente. Ora, não é crível que (i) empresas nitidamente vinculadas a outra simplesmente desapareçam em circunstâncias tão parecidas, e (ii) que sempre haja a perda da documentação contábil e fiscal a ela pertinente. O encerramento de atividade de uma empresa pode acontecer, sem sombra de dúvida, pelos mais variados motivos, até porque o insucesso de uma atividade econômica constitui o próprio risco do negócio; mas aceitar como normal que em vários casos, ligados a um mesmo grupo de empresas, este fato se torne corriqueiro é absolutamente inadmissível. Por exemplo, no município de São José dos Quatro Martos – MT, a empresa efetiva era o Frigorífico Quatro Marcos Ltda – FQM – CNPJ 01.311.661/000109. Nesta localidade, foram constituídas duas empresas: Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda CNPJ 00.923.654/000197 (constituída formalmente em 01/11/95 mas sem atividade), tendo atuado efetivamente de 03/1996 a 02/1998. Curiosamente, cessadas as atividades da Amazonas, começou a realizar as atividades do objeto social do Grupo Quatro Marcos a empresa Flamingo Alimentos Ltda – CNPJ 02.291.563/000292 que, embora criada Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 26 49 formalmente em 01/11/1997, tem suas atividades materialmente realizadas de 03/1998 a 06/1999. No município de Jandira – SP o mesmo acontece. Nesta localidade existe a empresa efetiva Frigorífico Quatro Marcos Ltda Filial CNPJ 01.311.661/000605, constituída em 23/02/1999, com início de atividade em 05/1999, justamente a ocasião onde começou as atividades da empresa Flamingo Alimentos Ltda – Filial 2 – CNPJ 02.291.563/000454, apesar desta já estar constituída desde 23/12/1997. Interessante que no município de Alta Floresta – MT também ocorreu isto, ou seja, a empresa Frialto Ind. e Com. De Alimentos Ltda CNPJ 02.630.132/000122, embora constituída desde 06/1998, iniciou suas atividades em 10/1998 e as encerrou em 05/2000, justamente na oportunidade em que foi constituída a empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Filial 1, constituída formalmente em 10/05/2000 e com início de suas atividades em 01/06/2000. No município de Colíder – MT, o Frigorífico Colider Ltda – CNPJ 00.135.198/000110, constituído formalmente em 01/08/1994, teve sua razão social alterada para O.C.A. Comercial Ltda em 25/08/1999, justamente a empresa que incorporou, por sua filial, no município de Alta Floresta, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Ainda, a empresa Frigolider Ind.e Com. de Alimentos Ltda CNPJ 00.897.034/000120, constituída formalmente em 01/12/1995, encerrou suas atividades em 03/1999, justamente quando do início de atividade da empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda, em 04/1999, tendo sido esta constituída formalmente em 10/02/1999. Assim, o Grupo Quatro Marcos se utilizou de várias outras pessoas jurídicas para a prática do objeto social, seja constituindoas sucessivamente ao encerramento das atividades das anteriores, seja utilizandose de ente formalmente já criado em momento anterior. Com relação aos sucessivos sinistros em relação à escrita contábil e fiscal e outros documentos, a fiscalização junta aos autos (fls. 1.513/1.527 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) vários atos policiais que registram o relato dos sinistros. 1) 17/07/1996 –Boletim de Ocorrência 076/96 – Sinistro relatado: furto de documentos na Rua 15 de junho – São José dos Quatro Marcos – MT. Não consta descrição da res furtiva. 2) 10/05/1999 – Boletim de Ocorrência 095/99 – Sinistro relatado: furto em estabelecimento comercial Av. Mato Grosso, 999 – Centro. Empresa: Flamingo Alimentos Ltda. Objetos subtraídos: notas fiscais de 03/1998 a 08/05/99, livros fiscais. 3) 21/01/91 – Boletim de Ocorrência 020/91 –Sinistro relatado: capotamento de veículo e incêndio. Empresa: Frigorífico Quatro Marcos. Cumpre salientar, tal qual bem exposto no Acórdão da DRJ, o seguinte trecho: Em primeiro lugar, é sabido que a comunicação de um fato à autoridade policial não prova a efetiva ocorrência do mesmo, mas somente que alguém Fl. 1275DF CARF MF 50 fez a comunicação à autoridade policial. Assim, em que pese a validade dos atos oficiais emanados da autoridade policial, os mesmos não têm qualquer cunho probatório quanto aos fatos nele narrados, até porque, a vingar entendimento contrário, terseia a produção de uma prova pela própria parte sem qualquer lastro em outros elementos. Em segundo lugar, os fatos são curiosos. Efetivamente, indivíduos afeiçoados ao patrimônio alheio não se interessam, na esmagadora maioria dos casos, em subtrair livros contábeis e fiscais e talões de notas, pois, convenhamos, não há qualquer utilidade nestes documentos ao fim a que se destina a atividade criminosa. Há, sim, interesse por equipamentos que podem ser alienados ou trocados, em flagrante proveito da empreitada criminosa, mas não consta que estes tenham sido subtraídos. Em terceiro lugar, neste contexto “criminoso” em relação ao qual as empresas foram “vítimas”, é bastante interessante um relato feito pela fiscalização estadual do estado do Mato Grosso, o qual se reproduz (fls. 1.532/1.533 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45): Dentre a documentação apreendida no escritório da FLAMINGO em Cuiabá, havia um comprovante de pagamento de aluguel de uma sala no Edifício Master Center, em nome de uma firma chamada AMAZONAS COM IND IMP E EXP LTDA. Como suspeitávamos que a documentação da FLAMINGO ALIMENTOS iria desaparecer, resolvemos investigar esse endereço que seria da AMAZONAS, pois os documentos poderiam estar escondidos nesse local e então nos dirigimos para lá no dia 27/05/99, no período da manhã, tendo encontrado esse escritório fechado". Nesse mesmo dia, aproximadamente às 11:00 horas, atendemos uma ligação telefônica de uma pessoa que se identificou como Dr. HUMBERTO de tal, Advogado da FLAMINGO ALIMENTOS nos pediu um prazo para entregar os documentos fiscais da FLAMINGO , os quais já estavam vindo de São José dos Quatro Marcos. Concordamos em aguardar, mas, entre nós, resolvemos continuar com nossas diligências, pois não acreditamos no que havia dito o Advogado. Decidimos, então, voltar às 14:30 horas, na sala que era alugada para a firma AMAZONAS. Ao chegar ao local, minutos antes do combinado, a FTE WILCE flagrou o Sr. NILTON DO AMARAL saindo do prédio, acompanhado de uma pessoa que não foi identificada, carregando algumas caixas de documentos e colocandoas no portamalas de um veiculo que se encontrava no estacionamento ao lado. Imediatamente, a FTE WILCE abordou o Sr. NILTON sobre que documentos eram aqueles e o que ele pretendia levando os para o carro, ao que o Sr. NILTON e a pessoa que o acompanhava fugiram Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 27 51 correndo, a pé, do local, abandonando o carro com chave e tudo, bem como, as caixas que carregavam. Contactamos, então a Promotora, Dra. Ana Cristina que acionou a Delegacia Especializada da Fazenda. As caixas continham documentos das firmas FRIGOLÍDER, alguns da FLAMINGO ALIMENTOS e grande quantidade de Notas Fiscais ,e os Livros da AMAZONAS. Os fatos narrados pela fiscalização do Estado do Mato Grosso são dignos de risos. Ora, se a fiscalização não chegasse a tempo, talvez fosse relatado à autoridade policial outro “furto de documentos”. Assim, percebese que o comportamento do contribuinte em relação às empresas que compõe o grupo econômico Quatro Marcos é flagrantemente de se subtrair a todos os efeitos tributários decorrentes das atividades empresárias, seja constituindo pessoas jurídicas que somente existem formalmente, seja sumindo com livros e documentos e depois alegando meros sinistros, como se fosse crível que criminosos tivessem interesses nestes elementos. O que se percebe nitidamente é que o proveito econômico auferido com o “empreendimento” das empresas de fachada é manifestamente proveitoso a quem dele se utiliza. Vale ressaltar que há outros fatos que merecem ser considerados. Às fls. 1.674/1.677 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta Laudo de Exame Documentoscópico no 437/98, emitido pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. Neste laudo as autoridades policiais concluem ter ocorrido adulteração nos seguintes livros periciados: Livro Diário 23, Livro Diário 24, Livro Diário 25 e Livro Diário 26. Em cada um destes Livros a autoridade policial relata fatos que demonstram que os livros não conferem à realidade que a princípio se espera de um livro de tamanha importância como o Livro Diário de uma empresa. Assim, os autos demonstram: (i) os supostos sinistros em documentação fiscal e contábil de empresas do Grupo Quatro Marcos; (ii) o desaparecimento misterioso das empresas, sem que se tenha bens à garantia de seus deveres; (iii) o flagrante, pela fiscalização estadual, de tentativa de subtração velada de documentação; (iv) a adulteração de Livros Diários; e, (iv) o farto conjunto de provas que demonstram a inexistência de autonomia administrativa, operacional e financeira das empresas de fachada. Estes aspectos já constituem elementos suficientes a formar a convicção no sentido de que o contribuinte efetivamente adotou um grupo de empresas de fachada como forma de se subtrair aos efeitos da lei, objetivando lograr benefício próprio mediante a adoção de expedientes destinados a impedir que as Administrações Fazendárias (federal e estadual) pudessem efetivamente apurar sua regularidade tributária. Por fim, a partir da análise da composição societária das empresas que integram o grupo, é possível observar que há nítida confusão societária entre as pessoas físicas sócias das empresas, principalmente, no que tange às pessoas integrantes da família Birtche (Cláudio, Claudenir, Cleonir, Clodiomar, Creudevaldo e Manoel), de forma que cada qual deles aparece como sócio de mais de uma empresa no período considerado, no todo ou em parte. É interessante observar o plexo de vínculos societários mantidos pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (comumente chamado de Sr. Douglas), figurando como sócio do contribuinte autuado e de outras três empresas vinculadas ao grupo no mesmo período entre Fl. 1277DF CARF MF 52 1992 a 1999 (Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, Vila Rica Alimentos Ltda e Frigorífico Colider Ltda – OCA Comercial Ltda). Diante de todo o exposto, fica clara a existência de grupo econômico, sendo que nos termos do artigo 124, II, do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária pode decorrer de lei, tal qual acontece na regra de solidariedade das empresas que integram o mesmo grupo econômico prevista no artigo 30, IX, da Lei n. 8.212/91. Da Questão da Nulidade da Multa prevista no Regulamento da Previdência Social A Recorrente argumenta que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99 não seria aplicável à espécie, vez que os fatos geradores ocorreram anteriormente à sua entrada em vigência. O Decreto no. 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS, foi publicado no Diário Oficial da União em 07/05/1999, entrando em vigor nesta mesma data. Assim, a princípio, para os fatos geradores anteriores a esta data, pareceria correto alegar a sua inaplicabilidade. Ocorre, contudo, que a questão não pode ser vista com tamanha superficialidade. A obrigação de prestar informações relacionadas aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outros dados de interesse do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social – foi instituída pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997. O documento a ser utilizado para prestar estas informações – GFIP – foi definido pelo Decreto nº 2.803, de 20/10/1998, e corroborado pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e alterações posteriores. Decreto nº 2.803/98 – Regulamenta o artigo 32 da Lei nº 8.212/91. Art. 1º A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. ... omissis ... § 3º As informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. § 4º Os valores das contribuições incluídos na GFIP, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do INSS, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa. § 5º A entrega da GFIP deverá ser efetuada em meio magnético, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, ou mediante formulário, na rede bancária, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 28 53 § 6º A GFIP será exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 7º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da GFIP são de inteira responsabilidade da empresa. ... omissis .... Art. 2º A infração ao disposto no artigo anterior sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, em função do número de segurados, pela não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: ... omissis ... II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; III cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do auto de infração. Art. 3º Para efeito do disposto no art. 33 do ROCSS, a pessoa jurídica apresentará, ainda, os recibos de entrega da GFIP. Neste decreto há previsão da aplicação da multa idêntica ao Decreto nº 3.048/99. Com efeito, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, em seus artigos 225 (previsão de obrigações acessórias) e 283 a 289 (previsão das multas fixas para tipo de penalidade), apenas trouxeram a regulamentação das obrigações e penalidades já previstas na Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, possui seu fundamento de validade na Lei nº 8.212 (lei de custeio). Cita se: Lei nº 8.212 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 1279DF CARF MF 54 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (CFL 67, 68, 69 e 81) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores; e Assim, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, nada mais fez do que disciplinar em caráter regulamentar, função esta permitida ao regulamento no direito brasileiro, as obrigações acessórias já devidamente previstas em lei formal, no caso, a lei de custeio (Lei nº 8.212/91), consistindo no instrumento normativo vigente à data de lavratura do Auto de Infração, devendo ser o fundamento legal a embasar o Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 13896.001279/200738 Acórdão n.º 2301005.433 S2C3T1 Fl. 29 55 lançamento, vez que possui aplicabilidade imediata e estava em vigência ao tempo da lavratura fiscal. Ou seja, não foi o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99 que previu a infração, mas a própria lei de custeio ou a de benefício, conferindo ao Regulamento da Previdência Social – Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, a mera função de disciplina pormenorizada da sua ocorrência. Com relação à penalidade, o entendimento do contribuinte não merece melhor sorte. Com efeito, a Lei nº 8.212/91 é taxativa ao prever: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ora, vêse que a Lei nº 8.212/91 expressamente determinou a aplicação de penalidades às previsões contidas em Regulamento, cabendo a este graduar, conforme a infração, o valor aplicável. Outrossim, a atualização dos valores das penalidades foi devidamente autorizada pela Lei nº 8.213/91, que assim se posicionou: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Assim previa a própria Lei nº 8.212/91: Art. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. E o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, não se pode pretender a inaplicabilidade de uma penalidade expressamente prevista no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, quando validamente determinado pela Lei nº 8.212/91 que, ao prever as obrigações acessórias e suas respectivas infrações, sujeitou a previsão da penalidade a instrumento normativo hierarquicamente inferior, mas com força normativa suficiente para tal finalidade. Portanto, em que pese os fatos constados se referirem a momento anterior à vigência do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, de rigor verificarse que a violação da obrigação acessória já contava com previsão na Lei nº 8.212/91, de forma que não há violação ao princípio da legalidade tributária. Fl. 1281DF CARF MF 56 Outrossim, quanto ao valor da multa aplicada em relação ao momento de ocorrência dos fatos geradores, o pensamento do contribuinte não assume procedência. Com efeito, a penalidade aplicável no caso de descumprimento de obrigações acessórias é aquela prevista no momento da constatação do seu descumprimento pela autoridade fiscal, ou seja, no momento da lavratura do Auto de Infração, não havendo ligação quanto ao momento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações principais. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 1282DF CARF MF
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