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Numero do processo: 13830.901117/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 17 /2 01 3- 12 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901117/201312 Acórdão n.º 1302002.271 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901117/201312 Acórdão n.º 1302002.271 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901117/201312 Acórdão n.º 1302002.271 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902172/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 72 /2 01 2- 61 Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10820.902172/201261 Acórdão n.º 3401003.594 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10820.902172/201261 Acórdão n.º 3401003.594 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10820.902172/201261 Acórdão n.º 3401003.594 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10820.902172/201261 Acórdão n.º 3401003.594 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1072DF CARF MF
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Numero do processo: 13660.000033/2003-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-005.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 00 33 /2 00 3- 89 Fl. 456DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contra decisão que deferiu o acréscimo de juros calculados com base na taxa selic a título de "atualização monetária a valor postulado como ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto de glosas integralmente mantidas pela DRJ e pelo CARF. A ementa da decisão combatida afirma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. As aquisições de energia elétrica e combustíveis apenas geram direito ao crédito presumido de IPI no regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/01. Aplicação ao caso da Súmula CARF no. 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no. 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário”. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PRÓPRIA PESSOA JURÍDICA. INSUMOS. EXTRAÇÃO MINERAL. As transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica não geram direito ao crédito presumido de IPI, uma vez que ausentes operações de “aquisição” de mercadorias, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.363/96. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES PARA SIMPLES REVENDA. A aquisição de mercadorias para simples revenda, em relação às quais não houver processo de industrialização pela pessoa jurídica destinatária, não confere direito ao crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13660.000033/200389 Acórdão n.º 9303005.108 CSRFT3 Fl. 3 3 De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. A decisão, no que respeita à Selic está assim redigida, na íntegra (destaques constam do original): O pleito final do voluntário, enfim, respeita à atualização monetária (ou à remuneração) do crédito presumido reivindicado nos autos por meio da Taxa SELIC. Recordo, nesse particular, que originalmente a pretensão fora formulada sob a forma de pedido de ressarcimento de saldos credores (em 28.01.2003), seguida, depois, de declarações de compensação por meio das quais a recorrente aplicou a totalidade do direito de que se diz titular na extinção de obrigações tributárias a seu cargo (em 19.03.2003, 22.05.2003 e 28.10.2003). Em outras palavras, depois de requerer o ressarcimento em pecúnia, a recorrente consumiu por inteiro seu suposto crédito em compensação realizada com valores devidos à Fazenda Nacional. Sobre o tema, este Colegiado da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF decidiu recentemente, sob inspiração do acórdão prolatado pelo E. STJ no recurso especial no. 1.035.847, julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, que o postulante ao ressarcimento de créditos tributários têm direito à remuneração do principal a partir da data em que formaliza sua pretensão perante a administração tributária. Reportome ao voto vencedor do Conselheiro Robson José Bayerl no acórdão no. 340301.569: “(...), em minha opinião, o fundamento para o reconhecimento do direito à atualização monetária não reside especificamente no óbice ao aproveitamento do crédito, caracterizado pela oposição de ato estatal ou vedação à sua utilização, mas sim no indesejado enriquecimento sem causa por parte do Estado, quando ocorrente tais hipóteses, como restou demarcado no voto condutor do REsp 1.035.847/RS, citado no REsp 993.164/MG, cujo excerto transcrevo: ‘Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.’ Em meu sentir, a oposição de ato estatal ou vedação à percepção do direito creditório pode se concretizar tanto de forma comissiva, pela expedição de ato Fl. 458DF CARF MF 4 administrativo que restrinja o direito, como de forma omissiva, pela inércia em examinar o pleito formulado em prazo razoável. (...) Não se está aqui a defender o direito à correção monetária de créditos escriturais registrados extemporaneamente, mas, na esteira do raciocínio engendrado pelo STJ, a necessária atualização monetária do crédito requerido e garantido por lei a partir do protocolo do pedido junto à RFB, quando então passaria a Administração Tributária a incorrer em mora perante o contribuinte. Mais uma vez, o obstáculo à fruição de um direito assegurado pela lei pode se verificar tanto por um “fazer o que não é devido” (comissão), como um “não fazer o que é devido” (omissão), de modo que qualquer destes comportamentos, adotados a partir do protocolo do pedido, enseja o direito à atualização monetária. Importante acentuar que o caso concreto examinado no REsp 1.035.847/RS, paradigma do recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), envolvia ressarcimento de saldo credor de IPI, requerido com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Demais disso, aquela corte judicial deferiu a correção monetária desde a data de apuração do saldo até a sua utilização, do que se depreende que, com maior razão, deverá ser admitido para aquelas hipóteses em que o reajuste do valor tenha como dies a quo a formulação do pedido. Em conclusão, deve ser admitida a atualização do valor a ser ressarcido pela taxa selic, não porém a partir da apuração, pois até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, por assim dizer, mas sim, como marco inicial, o protocolo do pedido administrativo, podendo, daí, configurar o obstáculo no reconhecimento do direito, seja pela oposição de ato estatal, seja pela inação em prontamente examinar o pleito, até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação.” Partilhando das conclusões acima, aplicoas à hipótese em análise para assegurar à recorrente o direito ao acréscimo da Taxa SELIC sobre o crédito que lhe foi (28.01.2003) até a data em que extinto o direito em virtude de compensações (em 19.03.2003, 22.05.2003 e 28.10.2003). O recurso especial da Fazenda Nacional se escora em paradigmas prolatados em 2008 e fevereiro de 2010 (acórdãos números 0203.718 e 30300720, respectivamente). Por serem ambos anteriores à Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, neles se aplicou jurisprudência anterior, que negava a selic em qualquer ressarcimento, mesmo que houvesse "resistência injustificada" por parte da Administração. Vale o registro de que, em um deles, se Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13660.000033/200389 Acórdão n.º 9303005.108 CSRFT3 Fl. 4 5 tratava mesmo de aquisições a pessoas físicas e cooperativas, que é o objeto da decisão em repetitivo no Resp 993.164, que temos aplicado por força do art. 62A (atual 62) do RICARF. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi apresentado tempestivamente, porém, não pode ser admitido porquanto não adequadamente comprovada a divergência interpretativa. Com efeito, também aqui, busca o recorrente, agora a Fazenda Nacional, a aplicação de tese que prevalecia anteriormente à edição do art. 62A em nosso Regimento Interno. Deveras, embora a decisão recorrida tenha feito expressa menção àquele entendimento, e nele supostamente se embasado, traz a Fazenda acórdãos que distinguem ressarcimento de restituição, simplesmente negando a incidência da Selic no primeiro caso. É certo que a conclusão do julgado de que a situação aqui discutida se enquadra naquela jurisprudência do STJ é bastante discutível na medida em que não se demonstrou em que teria consistido a necessária "oposição estatal de ato" impedindo o ressarcimento postulado. Não houve, entretanto, oposição de embargos quanto a essa suposta omissão, do que só se pode depreender que a Fazenda Nacional não a enxergou. Nesses termos, entendo, apenas cabível o especial para rediscutir tal conclusão, isto é, se em casos em que haja mera demora no deferimento do crédito postulado em ressarcimento, caracterizase a circunstância tida por necessária pelo STJ. Não é isso que pretende o especial fazendário, mas a mera inaplicação daquela jutrisprudência que, em seu entender, apenas deveria alcançar os casos exatamente iguais ao julgado no STJ. Voto por não conhecer do recurso apresentado. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 460DF CARF MF 6 Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000210/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2.
No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI.
As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
Numero da decisão: 3401-003.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(Assinado com certificado digital)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
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CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 10 /2 01 1- 14 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 3 2 pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito referente a contribuição nãocumulativa, versando sobre receitas tributadas à alíquota zero, de incidência monofásica (revenda de veículos e autopeças), com fundamento no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. O pedido foi indeferido em Despacho Decisório, por haver expressa vedação legal à tomada de créditos, no caso (artigo 3o, I, ”b”, c/c artigo 2o, § 1o, III e IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e Lei no 10.485/2002, que trata da incidência monofásica, para veículos e autopeças, com alíquota zero para as receitas apuradas), e por tratar o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Ciente do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) está sujeita à tributação das contribuições nos termos da Lei no 9.718/1998; (b) com a edição da Lei no 10.485/2002, houve a pretensão de se criar uma tributação chamada supostamente de “monofásica”, que objetivou atribuir, para a cadeia produtiva automobilista, uma alíquota elevada para um elo (indústria/importador), e alíquota zero para os demais elos, gerando equívocos de interpretação; (c) na veiculação das leis de regência das contribuições não cumulativas (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003), foi mantida a sistemática anterior (Lei no 10.485/2002), e restou vedada a possibilidade de tomada de créditos; (d) a situação desigual foi corrigida na Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), que foi alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38); (e) não há qualquer norma de PIS/COFINS que tenha previsão de tributação monofásica (com incidência em uma fase e nãoincidência em todas as demais) para os produtos da empresa, sendo juridicamente vazia qualquer tentativa de retirála do campo da não cumulatividade (com alíquota zero, que pode, em tese, ser majorada), baseado em suposição que existe uma “monofasia” na sua cadeia produtiva; (f) o creditamento das contribuições, por utilizar o método subtrativo indireto, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou mesmo se o elo Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 4 3 anterior estava no regime da não cumulatividade; (g) negar o direito ao crédito, no caso, ofende não apenas a legalidade estrita, mas a não cumulatividade, a moralidade e a segurança jurídica, pois não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação de tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (confirmado pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005); (h) o art. 17 da Lei no 11.033/2004 é especial e não geral, e se destina exatamente aos casos que tinham vedação expressa nas leis de regência das contribuições, porque os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados, então o creditamento era tranquilo, aceito pelo próprio fisco; (i) outro reforço à tese que permite o direito de crédito foi a revogação, pela Lei no 11.727/2008, do inciso IV do § 3o do art. 1o, entre outros, das leis de regência das contribuições; e (j) quando o legislador desejou excluir a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033/2004 ele o fez expressamente, como nas Medidas Provisórias no 413/2008 e no 451/2008, nenhuma delas convertida em lei no que se refere a tais dispositivos. A empresa apresenta, posteriormente, nova manifestação, no sentido de que sequer seria necessária a análise de mérito de seus argumentos de defesa, em face do reconhecimento tácito do direito. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição e/ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados; (b) a Lei no 10.485/2002 concentrou a tributação nas pessoas dos fabricantes e importadores de máquinas, veículos e autopeças, sendo denominada de tributação monofásica ou concentrada, sendo as receitas de venda obtidas pelas concessionárias desoneradas com a aplicação da alíquota zero; (c) as leis de regência das contribuições, ao criarem o sistema da não cumulatividade, excluíram da novel sistemática determinadas receitas, cuja apuração deveria ser realizada nos termos da legislação anterior, entre estas a que concentrava a tributação monofásica (Lei no 10.485/2002), sendo expressamente vedado o direito ao crédito em tais aquisições (art. 3o, I das leis de regência); (d) o art. 17 da Lei no 11.033/2004, não ampara o creditamento das contribuições, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência da vedação legal expressa, que persiste, para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição; e (e) a tributação monofásica não se confunde com a apuração cumulativa, tendo a tributação monofásica também natureza não cumulativa, quando a pessoa jurídica está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, como é o caso dos autos, o que lhe permite o aproveitamento de créditos, inerente ao regime da não cumulatividade, mas somente em relação aos créditos que são passíveis de utilização, como energia elétrica, aluguéis, depreciação, e não em relação aos créditos expressamente vedados, os referentes a veículos e autopeças adquiridos para revenda. Tendo ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta recurso voluntário, alegando que: (a) o prazo para decidir os processos de restituição não é eterno, como defendeu a DRJ, e está sujeito aos ditames do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, além de dever respeito ao prazo de 360 dias (cf. artigo 24 da Lei no 11.457/2007), consolidado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 1.138.206/RS; (b) a empresa está sujeita ao regime da não cumulatividade, e adquire produtos com alíquota zero (e não com monofasia), tendo sido a vedação existente nas leis de regência das contribuições revista no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 (norma multitemática), endossado pelo artigo 16 da Lei no 11.116/2005; (c) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 5 4 quando a lei nova altera a situação legal, ela deve ressalvar os casos que permanecem na dicção antiga (como se tentou fazer, por duas vezes, em relação ao o artigo 17 da Lei no 11.033/2004, que é norma específica aos casos para os quais havia vedação ao creditamento); e (d) o direito de crédito é coerente com a técnica de não cumulatividade para as contribuições (método indireto subtrativo), e independe de haver tributação na etapa anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.517, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 12585.000182/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.517): "O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Dos prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento e da consequência pelo descumprimento Na peça apresentada em complemento a sua manifestação de inconformidade, a recorrente sustentou que seria de cinco anos o prazo máximo para análise de seu pedido, sob pena de atendimento tácito, com fundamento no § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996. O PER em análise, recordese, foi transmitido em 30/04/2008. E a DRJ, ainda que sequer tenha verificado a efetiva data de ciência do despacho decisório (15/02/2013, cf. fl. 92), que foi equivocadamente informada pela recorrente como sendo 02/07/2013, resultando na contagem incorreta do prazo, respondeu acertadamente que o prazo a que se refere o § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996 se refere a homologação tácita de compensações, e não a restituição/ressarcimento delas desacompanhado. Aliás, tal conclusão deriva da simples leitura da norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 193DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 6 5 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifo nosso) Inaplicável, assim, o comando legal invocado ao caso em análise neste processo. Adicionese que a mesma questão, referente à mesma empresa, e abrangendo as contribuições no ano de 2004, entre outros, foi submetida à Segunda Turma desta Quarta Câmara, tendo o colegiado chegado a conclusão unânime sobre a matéria: “GLOSA DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. A homologação tácita, prevista no art. 73, § 5o, da Lei no 9.430/1996, limitase às compensações formalizadas em Dcomp, não atingindo o direito de a Fiscalização, em procedimento autônomo, examinar a existência dos créditos e glosar, mediante auto de infração, aqueles para os quais não haja suficiente comprovação. (Acórdão no 3402 003.660, Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, unânime, sessão de 13 dez. 2016)” No recurso voluntário, a empresa adiciona o argumento de que lhe favorece, no presente caso, a decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS), no sentido de que se aplica ao processo administrativo tributário o disposto no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, que estabelece o prazo de 360 dias para as decisões administrativas: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como demanda a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 7 6 I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Fl. 195DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 8 7 Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Das considerações preliminares sobre o cerne do contencioso 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 9 8 Antes de se ingressar, propriamente, nas matérias contenciosas, há que se registrar o que é inconteste, no presente processo. Tanto a recorrente quanto a fiscalização acordam que as operações para as quais se demanda crédito são aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda. E ambas também reconhecem que o direito de crédito foi expressamente vedado pelas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 – COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento): (...) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” (grifo nosso) Não há nenhuma controvérsia, nos autos, como exposto, sobre estarem as aquisições inseridas no contexto da Lei no 10.485/2002, e sobre haver a vedação nas leis de regência. Tampouco há divergência sobre o fato de que as contribuições em apreço são não cumulativas. Antes do advento da Medida Provisória no 206, de 09/08/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004, então, o único inconformismo manifestado pela recorrente se refere a eventual incompatibilidade das restrições com o mecanismo inerente à não cumulatividade das contribuições, ou com princípios constitucionais. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 10 9 No que se refere a tal inconformismo, é de se destacar, preliminarmente, que a Constituição não assegura nãocumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de não cumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Portanto, o simples fato de apurarse a contribuição pela sistemática nãocumulativa não garante à empresa créditos em relação a quaisquer operações, mas somente àquelas para as quais exista previsão legal de amparo, e não estejam contempladas em vedações nas leis de regência. Sobre a afronta a princípios constitucionais por norma legal vigente, não cabe manifestação desta corte administrativa, em função da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Basta, assim, que sejam examinadas administrativamente as normas legais vigentes, assumidas como constitucionais (salvo em caso de expressa declaração de inconstitucionalidade pelo juízo competente). É essa tarefa que se empreende a seguir, com especial destaque para o cerne da controvérsia, que se refere à natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 11 10 Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs:2 “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) 2 Com a conversão da Medida Provisória no 206/2004 na Lei no 11.033/2004, o comando passou a figurar no art. 17 da lei, com idêntico teor. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 12 11 Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, Fl. 200DF CARF MF Processo nº 12585.000210/201114 Acórdão n.º 3401003.533 S3C4T1 Fl. 13 12 parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Destarte, são totalmente improcedentes as alegações de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903354/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.995
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 54 /2 01 1- 68 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903354/201168 Acórdão n.º 3302003.995 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.522. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903354/201168 Acórdão n.º 3302003.995 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903354/201168 Acórdão n.º 3302003.995 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903354/201168 Acórdão n.º 3302003.995 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903354/201168 Acórdão n.º 3302003.995 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.009503/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. REINICIO DE CONTAGEM DO PRAZO.
Na hipótese de apresentação de pedidos de compensação retificadores, os pedidos de compensação originais não conferem homologação tácita, vez que a data de início do prazo decadencial previsto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passa a ser a data da apresentação dos pedidos retificadores.
IRRF. COMPENSAÇÃO COM ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO NÃO FORMALIZADA. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese em que o contribuinte se limita a informar mera intenção de incluir as retenções sofridas para pagamento das estimativas na apuração do saldo de IRPJ a pagar, sem apresentar documentação hábil a comprovar que tal utilização foi de fato efetivada ou que tal crédito não havia sido utilizado em outro processo, resta impossibilitado o reconhecimento do direito ao correspondente crédito de saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. REINICIO DE CONTAGEM DO PRAZO. Na hipótese de apresentação de pedidos de compensação retificadores, os pedidos de compensação originais não conferem homologação tácita, vez que a data de início do prazo decadencial previsto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passa a ser a data da apresentação dos pedidos retificadores. IRRF. COMPENSAÇÃO COM ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO NÃO FORMALIZADA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese em que o contribuinte se limita a informar mera intenção de incluir as retenções sofridas para pagamento das estimativas na apuração do saldo de IRPJ a pagar, sem apresentar documentação hábil a comprovar que tal utilização foi de fato efetivada ou que tal crédito não havia sido utilizado em outro processo, resta impossibilitado o reconhecimento do direito ao correspondente crédito de saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 95 03 /2 00 1- 11 Fl. 512DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fls. 117/121, pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO deferiu parcialmente o pedido da contribuinte, com o reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 1.810,42, para ser utilizado nos pedidos de compensação a fls. 01/05, corrigidos conforme informação de fls. 43 pelos pedidos de compensação de fls 44/48, apresentados em 21/11/2005. Extraemse do despacho recorrido as seguintes constatações e conclusões: A requerente solicitou crédito de R$ 68.645,98, relativa a saldos negativos de IR apurados nas DIPJS de 1998, 1999, 2000 e 2001, para compensação de débitos próprios informados nos pedidos de compensação de fls. 01/05, corrigidos conforme informação de f. 43 pelos pedidos de fls. 44/48; Não foi analisado eventual crédito relativo ao anocalendário de 1997 em razão de o mesmo já ter sido objeto de análise no processo 10768.016031/9950; Em relação ao anocalendário de 1998, a DIPJ 1999 permite reconhecer em favor da requerente crédito de R$ 1.810,43; Quanto aos anocalendário de 1999 e 2000, a análise das DIPJ correspondentes evidencia a inexistência de crédito a titulo de saldo negativo de IRPJ a compensar com débitos discriminados nos autos; No total, a contribuinte dispõe de crédito de R$ 1.810,43 para compensações com débitos próprios. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual requer as providências a seguir, para permitir o reconhecimento do direito ao crédito necessário à compensação dos débitos em questão. Requer a retificação de oficio da Ficha 12 das DIPJ dos anocalendário de 1998 e 2000 para inclusão de valores que comporiam saldos negativos de IRPJ suficientes à compensações pretendidas; Quanto à DIPJ do anocalendário de 1999, não se opõe constatação fiscal de inexistência de crédito de IRPJ. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10768.009503/200111 Acórdão n.º 1201001.639 S1C2T1 Fl. 3 3 Tendo preenchido incorretamente os componentes da apuração do IRPJ a pagar do anocalendário de 2001, pede para que sejam corrigidas de oficio os valores preenchidos nas linhas 13 (Imposto de Renda Retido na Fonte), 16 (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) e 18 (Imposto de Renda a Pagar) da Ficha 12 da DIPJ 2002, para, respectivamente, R$ 7.513,60, R$ 34.716,52 e R$ 7.513,60. Da Decisão da DRJ Em decisão de 10/03/2010, a 5°Turma da DRJ/SPI, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOB RE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000 COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. À falta de comprovação documental dos erros de preenchimento alegados, prevalecem os valores informados nas declarações de rendimentos analisadas pela autoridade recorrida, das quais se concluiu na existência parcial de crédito em favor da contribuinte. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratificou suas alegações de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano ALves Penteado Relator Admissibilidade Fl. 514DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Preliminar Da Homologação Tácita dos Pedidos de Compensação Alega a Recorrente em matéria preliminar que conforme disposto na Lei 10.637/02, o Pedido de Compensação da Recorrente fora convertido em Declaração de Compensação desde a data do seu protocolo (06/08/2001), sendo que as autoridades e, a partir daí, a RFB tinha um prazo de 05 anos para análise e manifestação. Contudo, segundo a Recorrente, o processo em análise demorou 10 anos para ser analisado, o que somente ocorreu através do Despacho Decisório de 01/06/2009, tendo sido ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no artigo 74, § 5°, da Lei 9.430/96, que no caso em tela seria 06/08/2006. Do ponto de vista conceitual, me alinho com a tese da Recorrente. Contudo, a aplicação ao caso concreto não leva à conclusão defendida pela Recorrente. Isso porque, tendo em vista a apresentação de pedidos de compensação retificadores, os pedidos de compensação originais não conferem homologação tácita no presente caso, vez que a data de início do prazo decadencial previsto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passa a ser a data da apresentação dos pedidos retificadores, que é 21/11/2005. Assim, rejeito a preliminar de homologação tácita. Do Mérito Anocalendário de 1998 No que tange ao anobase de 1998, já fora reconhecido crédito Da Recorrente em valor equivalente ao informado na Ficha 13 da DIPJ/99 que soma saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.810,43. Contudo, a Recorrente requer a inclusão de oficio, na apuração do saldo de negativo, valor de IRRF não utilizado para pagamento de estimativas no montante de R$ 5.330,72 decorrente do cálculo de R$ 7.141,16 R$ 1.810,43. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10768.009503/200111 Acórdão n.º 1201001.639 S1C2T1 Fl. 4 5 Cabe aqui ressaltar que o fato da Recorrente ter se sujeitado a tais retenções, por si só, não é o suficiente para ratificar a inclusão de oficio deste IRRF no saldo do IR., isso porque, tal IRRF pode ser compensado de diversas outras formas. No presente caso, a Recorrente se limitou a informar mera intenção de incluir tais retenções não utilizadas para pagamento das estimativas na apuração do saldo de IR a pagar, mas não apresentou documentação hábil a comprovar que tal utilização foi de fato efetivada, o que impossibilita o reconhecimento do direito ao correspondente crédito de saldo negativo de IRPJ. Anocalendário de 2000 No tangente ao anobase de 2000, temos que não fora reconhecido o correspondente crédito, tendo em vista que na Ficha 12A da DIPJ, fora apurado saldo de IR a pagar no valor de R$ 4.841,42, contudo fora apurado pela Recorrente IR devido no valor de R$ 1.473,08 que após devidas deduções de PAT e estimativas pagas somou R$ 5.212,74, assim restou concluído que o IR a pagar seria de R$ 4.841,42. A Recorrente alega aqui também que incorreu em erro no preenchimento da DIPJ, vez que se esqueceu de deduzir do IR devido, na linha 13 da Ficha 12 A, as retenções de IR no valor de R$ 7.920,61, e informou a dedução a titulo de estimativas em R$ 5.212,74, quando o correto seria R$ 10.054,16. Desta forma, com as correções pretendidas, não haveria IR a pagar, mas sim um crédito de IR (saldo negativo) no valor de R$ 7.920,61. Aqui novamente, cabe mencionar que a Recorrente se limitou a informar mera intenção de incluir tais retenções não utilizadas para pagamento das estimativas na apuração do saldo de IR a pagar, mas não apresentou documentação hábil a comprovar que tal utilização foi de fato efetivada ou que tal crédito não havia sido utilizado em outro processo, o que impossibilita o reconhecimento do direito ao correspondente crédito de saldo negativo de IRPJ. Cabe aqui reiterar que em ambos os casos a Recorrente não apresentou provas que demonstrassem qual o tratamento dado às retenções de IR, tornando menos importante analisar se tais retenções descritas nos informes de rendimentos apresentados efetivamente ocorreram ou se a Recorrente, de fato, as considerou na apuração do lucro liquido dos anoscalendário de 1998 e 2000. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 516DF CARF MF 6 É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.009578/98-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
PER/DCOMP. TERMO A QUO DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO RELATIVA A TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E PAGOS ANTECIPADAMENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005.
O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, transitado em julgado em 17.11.2011, fixou o entendimento de que quando do advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 2005, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62 do Anexo II do RICARF).
SÚMULA CARF Nº 91
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF).
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de prescrição do pedido do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pela DRF que jurisdiciona o Sujeito Passivo.
Numero da decisão: 9101-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PER/DCOMP. TERMO A QUO DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO RELATIVA A TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E PAGOS ANTECIPADAMENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, transitado em julgado em 17.11.2011, fixou o entendimento de que quando do advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 2005, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62 do Anexo II do RICARF). SÚMULA CARF Nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 95 78 /9 8- 59 Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 3 2 As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de prescrição do pedido do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pela DRF que jurisdiciona o Sujeito Passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório O Sujeito Passivo formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 31.08.1998, fl. 01, utilizandose dos pagamentos indevidos de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), código 8045, no valor original de R$641.481,53 (atualizado em janeiro de 1996) e atualizado agosto de em agosto de 1998 de R$1.035.736,08, recolhidos no período de dezembro de 1992 a agosto de 1993, fls. 02159, para compensação dos débitos confessados e aqueles constantes nos sistemas internos da RFB, fls. 396397, 487489. Em conformidade com o Despacho Decisório de 11.08.2004, fls. 409413, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram examinadas: A Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 21, de 10/03/97, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15/09/97, revogada pela I.N. SRF nº 210, de 30/09/02 que disciplina a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos. Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 4 3 Estabelece a Instrução que, para ocorrer a restituição, deverá ser verificada a regularidade fiscal de todos os estabelecimentos da empresa, relativa aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem como a existência ou não de débitos inscritos em Dívida Ativa da União. Em 26/11/99, o Senhor Secretário da Receita Federal, pelo Ato Declaratório n° 096/99, publicado no D.O.U. de 30/11/99, tendo em vista o parecer PGFN/CAT/n° 1.538/99, declarou: “I O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que 0 devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória de ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de S (cinco) anos, contado da extinção do crédito tributário artigos l65, I e 168, I da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionaI)”. Resumindo, em decorrência do exposto, concluímos que, conforme demonstrado neste despacho, o contribuinte requereu a restituição de Imposto de Renda recolhido a maior referente ao anocalendário de 1993, em 31 de agosto de 1998, quando já havia decaído parcialmente seu direito a solicitar a restituição, restandolhe o crédito no montante de R$ 44.267,43 (atualizado para 01/01/1996). Assim diante do exposto, proponho a V.SA. o deferimento parcial do pedido de restituição de fls. 01, com reconhecimento do direito creditório de R$ 44.267,43 para ser utilizado na compensação solicitada às fls. 394, pedidos de compensação de crédito com débitos próprios. [...] Encaminhar à ECRER/DIORT/SP, para as seguintes providências: ' pesquisar a situação fiscal do contribuinte, observando, no que couber, o disposto no art. 5° da INSRF n.° 210/2002, se constatada a existência de débito; proceder às Compensação solicitada acima , até o limite do crédito supra; Cientificado em 21.10.2004, fl. 414, o Sujeito Passivo apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 436448. Está registrado no Acórdão da 3ª Turma da DRJ/SPO I nº 6.856, de 13.04.2005, fls. 493499: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993 Ementa; RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Homologase tacitamente O Pedido de Compensação, convertido em DCOMP, após O prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 5 4 Solicitação Deferida em Parte Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os membros da 3° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, por unanimidade de votos, DEFERIR EM PARTE a solicitação da Interessada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. [...] Voto [...] 17. Com referência ao pedido de compensação de fl. 396, o artigo 74, § 4°, da Lei n° 9.430/1996, com as alterações posteriores, determina que ele seja considerado Declaração de Compensação (DCOMP) para todos os efeitos. 18. Como esse pedido foi protocolado em 06/04/1999 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/10/2004, pelo disposto no artigo 74, § 5°, da referida Lei, temse que o pedido de compensação deve ser considerado homologado, por terem se passado mais de cinco anos de seu protocolo. 19. Logo, por todo o exposto, voto pelo indeferimento do pedido de restituição, uma vez decaído o direito em relação ao valor excedente a R$ 44.267,43, já concedidos pela DIORT. Declaro homologado tacitamente o Pedido de Compensação convertido em DCOMP (f1. 396), cujo valor atualizado, segundo as normas aplicáveis, deverá ser subtraído do montante já reconhecido pela DIORT. Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, fls. 893907. Está registrado no Acórdão nº 10516.959, de 17.04.2008, fls. 957964: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). [...] ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. [...] Voto [...] Ora desde no momento do recolhimento nasceu o direito do contribuinte de compensar o valor pago a maior com os valores devidos nos períodos seguintes. A empresa poderia, no mais tardar, desde o momento do levantamento do balanço que constatou ser indevido o tributo, solicitar a sua restituição, nos termos do artigo 145 do CTN. Ressalto que não se trata de aplicação retroativa do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005, mas sim da melhor interpretação feita por este Colegiado mesmo em data pretérita à edição da referida lei. Quanto às decisões trazidas à colação nos termos do artigo 468 do CPC obrigam as partes a elas vinculadas. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 6 5 A decisão aqui tomada referese à matéria de direito e não prejudica o reconhecimento da homologação tácita feito pela decisão recorrida, em relação aos pedidos de compensação de folhas 804, 810, 816, 821, 829, 835 e 841. Pelo exposto. meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso. O processo foi encaminhado ao Sujeito Passivo. Em 08.09.2008, tempestivamente, foi interposto o recurso especial efls. 967984. Suscita que: O artigo 7°, § 5°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em conjunto com o artigo 32, § 4°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, impõem, ainda, como requisito de admissibilidade do Recurso Especial ora interposto, o prequestionamento da matéria tida por divergente. Assim, é de se ressaltar que o v. Acórdão recorrido aduz que o marco inicial do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a data do fato jurídico tributário, como se infere de trecho do Acórdão recorrido: [...] Com efeito, a divergência jurisprudencial ora apontada diz respeito a correta aplicação do marco inicial do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Como adiante se demonstrará com mais vagar, os Acórdãos trazidos à colação revelam que não ocorrendo a homologação expressa, contamse 05 (cinco anos), a partir da ocorrência do fato jurídico tributário, para que se considere existente a homologação tácita e extinto o crédito tributário; e só então se principia a contagem do prazo, de mais 05 (cinco) anos, para a extinção do direito de pleitear a restituição. [...] O entendimento empregado nos acórdãos paradigmas é cabalmente divergente ao empregado no presente caso, Luna vez que o Acórdão recorrido entendeu que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento antecipado do contribuinte e a partir daí começaria a fluir o prazo decadencial para a restituição da exação, enquanto que os acórdãos divergentes demonstram que a extinção do crédito tributário só ocorrerá cinco anos após a ocorrência do fato gerador, nos casos em que há homologação tácita, e a partir de então começará a fluir o prazo decadencial. Estas as razões que asseguram a admissibilidade e a necessidade de provimento do presente recurso. III. DO PRAZO DECADENCIAL DE 10 (DEZ) ANOS DO DIREITO A RESTITUIÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS INDEVIDAMENTE OU EM VALOR MAIOR QUE O DEVIDO ANTERIORMENTE A LEI COMPLEMENTAR N” 118/2005. Primeiramente, insta salientar que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do IRRF, devem respeitar 0 prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, c.c. com 0 art. 156, VII, § 4°, ambos do Código Tributário Nacional, que determinam: [...] Dos artigos acima transcritos, concluíse que qualquer crédito do imposto em questão só e' extinto pela homologação da autoridade administrativa, sendo que, caso esta homologação não se dê de forma expressa, o crédito será definitivamente extinto passados 5 (cinco) anos do fato gerador. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 7 6 Segundo o Acórdão recorrido, a extinção do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se daria com o pagamento antecipado do débito. Data maxima venia, não merece guarida tal posicionamento, haja vista que, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, para que ocorra a definitiva extinção do crédito é necessário, além do pagamento, a homologação do lançamento pelo Fisco, a qual, senão feita de forma expressa, se dá passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador. [...] Desta feita, resta patente que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se extingue no prazo de 5 anos contados da data da homologação do crédito tributário. O CTN, nos seus artigos 165 e 168, regula as hipóteses de restituição de tributos, nos seguintes termos: [...] Afigurase então que, afora os casos de reforma, anulação ou revogação de decisão condenatória, o direito à restituição de créditos tributários decai passados 5 (cinco) anos da extinção do crédito tributário que se pretende seja restituído. Com efeito,já que, conforme visto acima, os créditos de IRRF de empresas de Propaganda e Publicidade se extinguem, por homologação tácita, passados 5 (cinco) anos do fato gerador, e' correto afirmar que o prazo decadencial para a restituição deste imposto começa a fluir somente 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador. Ou seja, na prática o prazo de decadência para a restituição de valores pagos a titulo de IR/Fonte por empresas de Propaganda e Publicidade é de 10 (dez) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, uma vez que este imposto e' tributo sujeito ao lançamento por homologação. [...] Insta salientar, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça já pacificou entendimento no sentido que o prazo decadencial de dez anos (cinco + cinco) para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que os primeiros cinco anos equivalem ao prazo que dispõe a autoridade administrativa para homologar o pagamento (expressa ou tacitamente) e os últimos cinco anos onde se inicia o prazo decadencial. [...] Cabe destacar, ainda, que o STJ já pacificou a matéria, decidindo no sentido de que o prazo decadencial para a restituição de créditos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de dez anos contados da data do fato gerador: [...] Resta claro que a legislação tributária não possui efeitos retroativos, sendo aplicada apenas aos fatos futuros e não aos passados, com exceção das hipóteses previstas no art. 106 do CTN. [...] Merece destaque, outrossim, o fato que a Lei Complementar n° 118/2005, a qual passou a produzir efeitos a partir de 10/06/2005, alterou substancialmente o entendimento acerca da extinção do crédito tributário, relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, passandose então a correr o prazo decadencial a partir do pagamento antecipado do tributo e não mais após 0 prazo para a homologação (cinco anos). Outra peculiaridade da referida norma, que deve ser observada é a roupagem de “lei interpretativa” (possuindo efeitos retroativos) que foilhe dada pelo legislador Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 8 7 infraconstitucional, uma vez que tal diploma veio em sentido contrário à interpretação dada pelos Tribunais Superiores acerca do tema. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, quando da análise do Recurso Especial n° 644.736, rechaçou de plano a aplicação retroativa do disposto na LC 118/05, uma vez que a referida lei inovou no mundo jurídico, [...] Inegável, portanto, que o pedido de restituição em comento foi realizado tempestivamente, já que o prazo decadencial só se expiraria no exercício de 2004 e o pedido de restituição foi feito em 31.08.1998. Com efeito, também, por esta razão, merece ser provido o presente Recurso, de modo que, em se reformando a decisão aqui recorrida, sejam deferidos os pedidos de restituição e compensação aqui versados, também quanto aos valores recolhidos antes de 01.09.1993. IV. DO PEDIDO Ante o todo exposto, requer a Recorrente o conhecimento, bem como o provimento do presente Recurso Especial, alterando os termos do v. acórdão n° 105 16.959, preferido pela 5° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, para que se chegue na tão almejada JUSTIÇA FISCAL. Houve seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 04.04.2014, efls. 12661268), uma vez que as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente (inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar n º 118, de 2005), isto é, sobre o prazo prescricional do pedido de restituição do indébito tributário, conforme paradigmas: Acórdão nº 20174.281, de 20.03.2001 e Acórdão nº 10244.362, de 16/08/2000. Conforme Termo de Apensação de efl. 1269 foi juntado a este, o processo nº 13807.005893/200305, que contém DCTF, Declarações de Compensação e outros documentos. Notificada, efl. 1271, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator Adoto as razões do despacho de admissibilidade do recurso e voto por CONHECER o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Passo à análise do mérito. Prazo Prescricional do Pedido de Repetição de Indébito à Luz da Lei Complementar nº 118, de 2005 Valor Objeto de Litígio R$597.214,10 (atualizado em janeiro de 1996) O Sujeito Passivo procura demonstrar que o prazo para pleitear a restituição do tributo sujeito ao lançamento por homologação é de dez anos contados do pagamento a maior antes de 09.06.2006, início da vigência do artigo 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. A partir de 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também restou fixado o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, e alterações). Sobre o prazo prescricional da repetição de indébito à luz da Lei Complementar nº 118, de 2005, está registrada na ementa do julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, transitado em julgado em 17.11.2011, proferida pelo Supremo Tribunal Federal: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 10 9 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Verificase que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62 do Anexo II do RICARF). Esse entendimento consta do enunciado da Súmula CARF nº 91, de 09.12.2013: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 11 10 Cabe ressaltar que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF). O Sujeito Passivo formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 31.08.1998, fl. 01, utilizandose dos pagamentos indevidos de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), código 8045, no valor original de R$641.481,53 (atualizado em janeiro de 1996) e atualizado agosto de em agosto de 1998 de R$1.035.736,08, recolhidos no período de dezembro de 1992 a agosto de 1993, fls. 02159, para compensação dos débitos confessados e aqueles constantes nos sistemas internos da RFB, fls. 396397, 487489. Em conformidade com o Despacho Decisório de 11.08.2004, fls. 409413, houve deferimento parcial do pedido de restituição de fl. 01, com reconhecimento do direito creditório de R$ 44.267,43 (atualizado em janeiro de 1996). No Acórdão da 3ª Turma da DRJ/SPO I nº 6.856, de 13.04.2005, fls. 493499, houve deferimento em parte a solicitação e reconhecida a homologação tácita dos débitos confessados às fls. 396397. Logo, o valor objeto de litígio é R$597.214,10 (atualizado em janeiro de 1996). O Per/DComp foi formalizado antes de 09.06.2005 e por essa razão o Sujeito Passivo tinha o prazo de dez anos, a contar do pagamento a maior, para apresentar o Per/DComp do tributo pago indevidamente. Assim não se operou a prescrição, que deve ser afastada como preliminar de mérito. Cabe ressaltar que inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de prescrição do pedido do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pela DRF que jurisdiciona o Sujeito Passivo. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp afastamento a preliminar da prescrição do pedido do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona ao Sujeito Passivo para que seja analisado o mérito do pedido a fim de evitar a supressão de instância. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso (Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 e alterações). Do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso especial do Sujeito Passivo, para afastar o indeferimento dos Per/DComp fundamentado na prescrição do indébito, devendo os autos retornarem à DRF de origem retornar à unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido nos Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. Observese que a matéria devolvida deve ser apreciada em conformidade com os trâmites legais previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13805.009578/9859 Acórdão n.º 9101002.854 CSRFT1 Fl. 12 11 Desse modo, a minha decisão é no sentido de: a) conhecer o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo; b) dar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo para afastar a preliminar de prescrição do Per/DComp e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para análise da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pretendido, cuja matéria devolvida deve ser apreciada em conformidade com os trâmites legais previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Em resumo, voto por CONHECER do Recurso Especial e, no mérito, em DARLHE provimento, com retorno dos autos. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.732656/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Na ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se aos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação" a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art 173 do CTN, em seu inciso I, em vez do art. 150, § 4º, do mesmo Código.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. TRIBUTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS E/OU CONDIÇÕES. ÔNUS PROBATÓRIO.
Não é lícito ao julgador administrativo substituir o agente fiscal na tarefa de justificar e/ou demonstrar a ocorrência dos motivos que ensejaram o lançamento de ofício do crédito tributário. É dever do Fisco fundamentar o ato de lançamento no que tange às razões pelas quais a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados ao segurado empregado encontra-se em desacordo com os preceitos da lei específica que trata da matéria.
AUXÍLIO FILHO EXCEPCIONAL. PARCELA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA.
Integra a remuneração, assim como o salário-de-contribuição do segurado empregado que possui filho excepcional, a parcela paga a título de "auxílio filho excepcional".
ÔNUS PROBATÓRIO. DISTRIBUIÇÃO.
Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, a qual declarou a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2401-004.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar a decadência e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para: (i) excluir da base de cálculo os valores pagos a título de PLR e a cooperativas de trabalho; e (ii) recalcular, quando da execução do julgado, a multa aplicada, tendo em vista a retroatividade benigna e as exclusões efetuadas, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Na ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplicase aos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação" a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art 173 do CTN, em seu inciso I, em vez do art. 150, § 4º, do mesmo Código. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. TRIBUTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS E/OU CONDIÇÕES. ÔNUS PROBATÓRIO. Não é lícito ao julgador administrativo substituir o agente fiscal na tarefa de justificar e/ou demonstrar a ocorrência dos motivos que ensejaram o lançamento de ofício do crédito tributário. É dever do Fisco fundamentar o ato de lançamento no que tange às razões pelas quais a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados ao segurado empregado encontrase em desacordo com os preceitos da lei específica que trata da matéria. AUXÍLIO FILHO EXCEPCIONAL. PARCELA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. Integra a remuneração, assim como o saláriodecontribuição do segurado empregado que possui filho excepcional, a parcela paga a título de "auxílio filho excepcional". ÔNUS PROBATÓRIO. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 26 56 /2 01 3- 14 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 412 2 alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, a qual declarou a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 413 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar a decadência e, no mérito, darlhe provimento parcial para: (i) excluir da base de cálculo os valores pagos a título de PLR e a cooperativas de trabalho; e (ii) recalcular, quando da execução do julgado, a multa aplicada, tendo em vista a retroatividade benigna e as exclusões efetuadas, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 413DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 414 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0647.282 (fls. 342/353): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. ART.173 DO CTN. OMISSÃO. CONDUTA DOLOSA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando presente dolo, fraude ou simulação. IMPUGNAÇÃO. PONTOS DE DISCORDÂNCIA. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação nos lucros ou resultados só pode ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias quando paga pela empresa em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria. 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 66/74, que o processo administrativo é composto por 4 (quatro) auto de infração (AI), abrangendo as competências 01 a 12/2008, inclusive décimo terceiro, nesses termos: (i) AI nº 37.391.2692, relativo às contribuições previdenciárias patronais previstas nos incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, além da contribuição incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (fls. 3/21); (ii) AI nº 37.412.0358, referente às contribuições previdenciárias, não descontadas, a cargo dos segurados Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 415 5 contribuintes individuais e transportadores autônomos, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição (fls. 22/31); (iii) AI nº 37.412.0366, referente às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre remunerações dos segurados empregados (FPAS 612) e transportadores autônomos (FPAS 620) fls. 32/44; e (iv) AI nº 37.412.0374, relativo aos valores de retenção sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, no percentual de 11% (onze por cento), efetuada pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra (fls. 45/63). 2.1 Descreve a fiscalização que a apuração dos fatos geradores e das bases de cálculo ocorreu mediante o exame dos arquivos digitais das folhas de pagamento, da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), em confronto com os dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e da Guia da Previdência Social (GPS). 2.2 As relações nominais de segurados, remunerações, notas fiscais, empresas contratadas, pagamentos a cooperativas e bases de cálculo utilizadas no lançamento fiscal, estão discriminadas, por competência e estabelecimento, nos anexos ao relatório fiscal a seguir indicados: (i) remunerações dos segurados empregados não declaradas em GFIP (Anexo I, fls. 75/102); (ii) remunerações dos segurados contribuintes individuais não declaradas em GFIP (Anexo II, fls. 103/113); (iii) remunerações dos segurados transportadores autônomos não declaradas em GFIP (Anexo III, fls. 114/134); (iv) pagamentos efetuados a empresas cedentes de mão de obra, com retenção da contribuição previdenciária calculada sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura (Anexo IV, fls. 135/138); e (v) pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho não declarados em GFIP (Anexo V, fls. 139). 3. Relativamente às competências até 11/2008, para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (fls. 140/143). Fl. 415DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 416 6 4. Cientificado pessoalmente das autuações, em 19/12/2013, às fls. 3, 22, 32 e 45, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 227/244). 5. Intimada por via postal, em 15/7/2014, da decisão de primeira instância, conforme fls. 356/358, a recorrente apresentou recurso voluntário em 4/8/2014 (fls. 360/382). 5.1 Em síntese, a empresa autuada aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) os autos de infração dizem respeito a lançamento suplementar das contribuições previdenciárias e aquelas destinadas a terceiros, que são tributos submetidos ao denominado "lançamento por homologação". Logo, em sintonia com o § 4º do art. 150 do CTN, deve ser declarada a decadência do crédito tributário exigido; (ii) não existem as divergências apontadas pela fiscalização com relação à rubrica "VRFOPGTOVRGFIP", que trata de diferenças entre valores pagos pela recorrente a seus empregados e os montantes declarados em GFIP; (iii) da mesma maneira, são improcedentes as divergências apontadas pelas fiscalização em relação às rubricas "001/012/035/040/041", dada a correção das informações prestadas em GFIP; (iv) quanto aos pagamentos efetuados a título de "auxílio filho excepcional", registrados na rubrica "056", tratase de um benefício integrante da Convenção Coletiva de Trabalho. Em conformidade com o previsto no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, alíneas "q" e "t", o valor pago pela empresa a seus empregados não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária; (v) não há incorreções nas informações lançadas em GFIP no que tange aos pagamentos realizados a Luiz Venâncio do Vale, Odete Rosa Xavier Caldeira, Raquel Carneiro Oliveira Leite e Rubens Silvano Dias; (vi) em alguns casos, a fiscalização considerou a realização de pagamentos a pessoas físicas, na condição de transportadores autônomos, quando se referem, na verdade, a serviços prestados por pessoas jurídicas, as quais estão inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ): Cairo Roberto Magalhães, Carlos Roberto Ozanick, Kleumar Rodrigues Silva e Ulisses Alves de Souza; (vii) a documentação constante dos autos, os arquivos entregues à fiscalização, os resumos das folhas de pagamento, as GFIP´s apresentadas e os dados disponíveis nos registros da Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 417 7 Receita Federal do Brasil demonstram, em conjunto, a correção das alegações da recorrente; e (viii) os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados, conforme rubrica "053", escapam à incidência da tributação previdenciária, pois foram creditados aos trabalhadores com base na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 6. Na sequência, a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio da Resolução nº 2401000.463, converteu o julgamento em diligência, a fim de identificar uma eventual extinção do crédito tributário devido a decadência (fls. 390/394). 6.1 A finalidade da diligência determinada pelo colegiado consistia em que: "(...) o Fisco, com base nas GFIPs entregues e nas GPS pagas antes do início do procedimento fiscal, em 3/1/2013 (fls. 145/146), manifestese quanto à existência de pagamento parcial relativamente às seguintes exigências fiscais, por competência: i) da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados (art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991); (...) vii) da empresa, incidente sobre a remuneração dos transportadores autônomos, destinadas a terceiros (FPAS 620). (...)" 7. A diligência foi cumprida pela autoridade designada pela RFB, com a emissão de relatório complementar (fls. 398/401). 7.1 Segundo o documento complementar, mediante consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, concernente ao período de 01 a 12/2008, constatouse tão somente a existência de GPS no "código 2909" pagas pelo contribuinte, ou seja, foram localizados apenas recolhimentos vinculados a reclamatórias trabalhistas. 7.2 Logo, concluiu a autoridade fiscal, não houve recolhimentos parciais e/ou integrais relacionados às contribuições objeto dos autos de infração. 8. A respeito do resultado da diligência, intimouse a recorrente via edital, eis que frustrada a tentativa por via postal, no endereço do seu domicílio fiscal (devolvido pelos Correios, sob a justificativa "Mudouse"). Todavia, concedido prazo para a recorrente manifestarse, permaneceu inerte (fls. 402/408). É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 418 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Decadência 10. A regra geral do prazo decadencial está contida no inciso I do art. 173 do CTN, em que o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter efetuado o lançamento de ofício: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 11. Porém, no caso do denominado "lançamento por homologação", e ausentes o dolo, a fraude ou a simulação, o pagamento antecipado parcial atrai a regra decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN, isto é, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 12. No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora se examina, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo a realização de um conjunto separado de procedimentos em relação a cada uma das contribuições previdenciárias devidas, a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regramatriz de incidência tributária. 13. Pois bem. Na hipótese dos autos, a fiscalização identificou, com relação às competências do débito, apenas recolhimentos correspondentes a reclamatórias trabalhistas, no código de pagamento em GPS 2909. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 419 9 13.1 Em outros dizeres, não foram constatados pagamentos antecipados que mantenham conexão com os fatos geradores associados ao crédito tributário lançado pela fiscalização. 14. De maneira que a ausência de pagamento parcial, em relação às contribuições previdenciárias e contribuições destinadas a terceiros exigidas nos respectivos autos de infração, afasta a regra do § 4º do art. 150 do CTN, e justifica a utilização do critério do inciso I do art. 173 do CTN. 1 15. Cabe ressaltar que, no caso sob exame, a aplicação do preceito decadencial do art. 173 do CTN independe da constatação de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. 16. Destarte, tendo em conta a ciência do lançamento fiscal pelo sujeito passivo em 19/12/2013, as competências de 01 a 12/2008, inclusive décimo terceiro, não foram alcançadas pela decadência, o que afasta a declaração de extinção do crédito tributário sob esse fundamento. Mérito a) "Auxílio Filho Excepcional" Rubrica "056" 17. Entende a autuada que a verba paga a título de "auxílio filho excepcional", conforme rubrica "056" da sua folha de pagamento, ostenta natureza indenizatória e, portanto, não compõe o saláriodecontribuição do segurado empregado. Na planilha do Anexo I, consta a inclusão pela fiscalização, relativamente a alguns segurados empregados, dessa parcela no lançamento. 18. Tal parcela é concedida em virtude de Convenção Coletiva de Trabalho, conforme fls. 265/278, 279/297 e 300/310, no valor mensal de R$ 100,00 (cem reais). Segundo a respectiva cláusula, o benefício de auxílio ao filho excepcional está assim disciplinado (fls. 273, 290 e 304): "AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL" As empresas pagarão aos seus empregados que comprovarem ter filhos excepcionais um auxílio mensal correspondente a R$ 100,00 (cem reais) por filho nessa condição, valor que não se agrega ao salário. A obrigatoriedade no pagamento do referido auxílio cessa com falecimento do filho excepcional. 19. Como se observa do texto reproduzido, em decorrência da convenção coletiva firmada entre os sindicatos, a empresa oferece aos empregados que têm filhos portadores de necessidades especiais um auxílio em pecúnia, com a finalidade implícita de custear despesas extras que possa exigir a condição do descendente. 1 Sob a decadência no âmbito tributário, ver o Recurso Especial nº 973.733/SC, Relator Mnistro Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, julgado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sessão de 12/8/2009. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 420 10 20. Nada obstante, em minha opinião tais pagamentos em dinheiro compõe a remuneração e o saláriodecontribuição do trabalhador, nos termos dos incisos I do art. 22 e do art. 28 da Lei nº 8.212. de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) (GRIFOUSE) 21. Em que pese o aparente rigor da interpretação, não se trata de verba de caráter indenizatório, mas sim uma parcela habitual concedida ao trabalhador, destinada a remunerálo pela existência do vínculo laboral, configurando, sob o prisma previdenciário, uma vantagem econômica de natureza salarial. 22. Diferentemente da nomenclatura da legislação trabalhista, a legislação previdenciária utiliza a expressão "destinados a retribuir o trabalho", em detrimento de "contraprestação do serviço", o que evidencia nitidamente, no âmbito tributário, o caráter da remuneração avaliado em função do conjunto da relação laboral, e não simplesmente prestação "versus" contraprestação. 23. Cuidandose de parcela de natureza remuneratória, o afastamento da tributação demanda a previsão em lei. E, no caso, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, o qual contém hipóteses de não incidência e isenção, não exclui a verba da composição da base de cálculo da contribuição previdenciária. 24. Mantenho, portanto, a tributação. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 421 11 b) "Participação nos Lucros ou Resultados" Rubrica "053" (PLR) 25. Segundo a recorrente a participação dos seus empregados nos lucros ou resultados foi acordada por intermédio de Convenção Coletiva de Trabalho, dada a inexistência de um programa próprio implementado pela empresa. Ressalta que tal possibilidade de negociação para regulamentar os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados encontrase expressamente autorizada pela Lei nº 10.101, de 2000 25.1 Acrescenta que o inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988 assegura o não recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a seus empregados a título de participação nos lucros ou resultados, o que não pode ser distorcido por normas de caráter infraconstitucional. 26. Pois bem. De fato, as Convenções Coletivas de Trabalho, acostadas aos autos pela parte recorrente, contêm dispositivos que têm por finalidade regular a participação nos lucros ou resultados. Reproduzo as cláusulas dos documentos que estão vinculadas ao benefício: Convenção Coletiva de Trabalho 2007/2008 (fls. 267) Transporte Rodoviário de Cargas SETCESP Operacional São Paulo (...) CLÁUSULA SEGUNDA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR As empresas pagarão a todos os seus empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, o valor correspondente a R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) em duas parcelas iguais de R$ 125,00 (cento e vinte e cinco reais), sendo a primeira parcela 1º/08/2007 e a segunda em 1º/02/2008. § 1º As empresas que mantiverem programas de participação em lucros ou resultados, elaborados na forma da lei, com a participação do sindicato profissional, poderão utilizarse deles para suprir as obrigações contidas nesta cláusula, não se cuidando de benefício cumulativo. § 2º As entidades profissionais se comprometem a apoiar todas as iniciativas das empresas que implantarem programas de participação em lucros ou resultados e mecanismos que objetivem o aumento de produtividade e qualidade dos serviços das empresa. O apoio será na forma de recepção, legitimação, treinamento dos participantes, homologação dos programas entregues aos sindicatos profissionais, tudo com observância da legislação a isso aplicável. § 3º Para apuração do direito dos empregados ao recebimento do PLR, serão observadas as regras de proporcionalidade, tornandose como termo inicial a data de 01/05/2007. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 422 12 § 4º Nas datas estabelecidas para os pagamentos do PLR, será devido o desconto da importância de R$ 15,00 (quinze) reais, a ser descontada de cada parcela do mesmo, a título de contribuição ao sindicato profissional. Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009 (fls. 282) Transporte Rodoviário de Cargas SETCESP Operacional São Paulo (...) CLÁUSULA SEGUNDA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR As empresas pagarão a todos os seus empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, o valor correspondente a R$ 300,00 (trezentos reais) em duas parcelas iguais de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais), sendo a primeira parcela 1º/08/2008 e a segunda em 1º/02/2009. § 1º As empresas que mantiverem programas de participação em lucros ou resultados, elaborados na forma da lei, com a participação do sindicato profissional, poderão utilizarse deles para suprir as obrigações contidas nesta cláusula, não se cuidando de benefício cumulativo. § 2º As entidades profissionais se comprometem a apoiar todas as iniciativas das empresas que implantarem programas de participação em lucros ou resultados e mecanismos que objetivem o aumento de produtividade e qualidade dos serviços das empresa. O apoio será na forma de recepção, legitimação, treinamento dos participantes, homologação dos programas entregues aos sindicatos profissionais, tudo com observância da legislação a isso aplicável. § 3º Para apuração do direito dos empregados ao recebimento do PLR, serão observadas as regras de proporcionalidade, tornandose como termo inicial a data de 01/05/2008. § 4º Nas datas estabelecidas para os pagamentos do PLR, será devido o desconto da importância de R$ 15,00 (quinze) reais, a ser descontada de cada parcela do mesmo, a título de contribuição ao sindicato profissional. Convenção Coletiva de Trabalho 2007/2008 (fls. 300) TRC ESCRITÓRIO SÃO PAULO (...) CLÁUSULA SEGUNDA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR Fl. 422DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 423 13 As empresas pagarão a todos os seus empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, o valor correspondente a R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) em duas parcelas iguais de R$ 125,00 (cento e vinte e cinco reais), sendo a primeira parcela 1º/09/2007 e a segunda em 1º/03/2008, limitandose sua aplicação a um salárioteto de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), dele excluídos os valores pagos a título de horas extras, prêmios, comissões e demais parcelas variáveis. § 1º As empresas que mantiverem programas de participação em lucros ou resultados, elaborados na forma da lei, com a participação do sindicato profissional, poderão utilizarse deles para suprir as obrigações contidas nesta cláusula, não se cuidando de benefício cumulativo. § 2º As entidades profissionais se comprometem a apoiar todas as iniciativas das empresas que implantarem programas de participação em lucros ou resultados e mecanismos que objetivem o aumento de produtividade e qualidade dos serviços das empresa. O apoio será na forma de recepção, legitimação, treinamento dos participantes, homologação dos programas entregues aos sindicatos profissionais, tudo com observância da legislação a isso aplicável. § 3º Para apuração do direito dos empregados ao recebimento do PLR, serão observadas as regras de proporcionalidade, tornandose como termo inicial a data de 01/05/2007. § 4º Nas datas estabelecidas para os pagamentos do PLR, será devido o desconto da importância de R$ 15,00 (quinze) reais, a ser descontada de cada parcela do mesmo, a título de contribuição ao sindicato profissional. (DESTAQUES DO ORIGINAL) 27. Ao confrontar as parcelas estabelecidas nas Convenções Coletivas de Trabalho, no montante de R$ 125,00 e R$ 150,00, com as remunerações omitidas em GFIP (coluna "VR N/DECL EM GFIP") indicadas para a rubrica "053" (PLR), é possível notar uma forte compatibilidade entre os valores, nos meses de fev/2008, mar/2008 e ago/2008, observadas, quando aplicável, as regras de proporcionalidade previstas nas convenções coletivas (Anexo I, às fls. 75/102). 27.1 De outra banda, não localizei nos autos informações e/ou documentos conectados à negociação coletiva dos pagamentos realizados em jul/2008, no valor de R$ 100,00, e set/2008, em montantes variáveis, os quais também fazem parte da planilha elaborada pela autoridade fiscal, relativamente a alguns estabelecimentos da empresa (Anexo I, às fls. 75/102). 28. É verdade que a parcela devida a título de participação nos lucros ou resultados integraria, via de regra, a remuneração do segurado empregado, por representar retribuição pelo trabalho prestado. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 424 14 28.1 Todavia, com fundamento no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988, a natureza salarial da verba paga ou creditada ao trabalhador é afastada quando a participação nos lucros ou resultados é comprovadamente decorrente de um plano concebido e estruturado nos termos da Lei nº 10.101, de 2000. 28.2 É o que estabelece o § 2º do art. 22 e a alínea "j" do § 9º do art. 28, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, abaixo reproduzidos: Art. 22 A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) 29. A partir dos elementos de convicção de fato e de direito apurados durante o procedimento investigatório, entendo que é dever da autoridade lançadora deixar consignado na acusação fiscal os motivos pelos quais os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a título de participação nos lucros ou resultados estão em desacordo com a lei específica, conferindo lhes a natureza remuneratória para fins previdenciários. 30. No caso em apreço o relatório fiscal acostado às fls. 66/74 é omisso quanto às razões consideradas para concluir pela tributação dos pagamentos alocados na rubrica "053", a título de participação nos lucros ou resultados. Não faz alusão a autoridade fiscal, direta ou indiretamente, a qualquer critério ou condição desrespeitado com relação ao previsto na Lei nº 10.101, de 2000, nem mesmo a constatação da ausência, ou falta de comprovação, de negociação entre a empresa e seus empregados mediante um dos procedimentos ali enumerados. 30.1 Tampouco detectei nos autos pronunciamento da autoridade lançadora no sentido de que a empresa fiscalizada, após devidamente intimada, deixou de fornecerlhe os documentos pertinentes às negociações coletivas da participação nos lucros ou resultados ou que, alternativamente, não prestou as informações e/ou explicações solicitadas a respeito dos pagamentos na rubrica "053" (fls. 145/152). 31. Por outro lado, seria possível argumentar, como fez a autoridade julgadora "a quo", que é indiscutível que a participação nos lucros ou resultados, ora examinada, não atende aos preceitos da Lei nº 10.101, de 2000, em especial os requisitos contidos no § 1º do seu art. 2º. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 425 15 31.1 De fato, notase a inexistência de uma disciplina clara e objetiva nos instrumentos coletivos acerca dos critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros ou resultados, levando a inferir que os pagamentos efetuados em valores fixos estão, aparentemente, desvinculados de qualquer aferição de metas, resultados ou lucros previamente pactuados entre as partes: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) 32. Nada obstante, a aplicação dos princípios da verdade material e da oficialidade encontra limites no âmbito do processo administrativo federal, não devendo o julgador enveredar pelo caminho de suprir deficiências de motivação do ato administrativo de responsabilidade da acusação fiscal, sob pena de tal conduta enfraquecer a imparcialidade no julgamento das questões a ele submetidas. 32.1 Além do mais, a exigência que os autos de infração devem ser instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, conforme art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tem por essência delimitar a acusação fiscal e permitir o exercício do direito de defesa pelo autuado, na medida da extensão do fato jurídico que lhe é imputado pelo Fisco. 33. Com essa linha de raciocínio, pareceme que a decisão de piso, nesse ponto controvertido, acabou extrapolando seu campo de atuação e invadindo a competência reservada à autoridade lançadora no que diz respeito à motivação do ato administrativo do lançamento do crédito tributário. 33.1 A fim de justificar a desconformidade dos pagamentos em face da Lei nº 10.101, de 2000, e manter perfeita a exigência do crédito tributário, o julgador "a quo" afirmou que o Anexo I do relatório fiscal demonstra o pagamento da rubrica "053" aos segurados empregados nos meses de fevereiro, março, julho, agosto e [sic] 13º salário, portanto, em mais de 2 (duas) vezes no ano civil de 2008 (fls. 352/353). 33.2 No entanto, além de avançar em terreno alheio que diz respeito à fiscalização, o raciocínio exposto pela decisão de piso ganha contornos simplistas e não se coaduna com os preceitos normativos de regência. Lembro, mais uma vez, que a autoridade lançadora permaneceu calada a respeito dos motivos pelos quais considerou irregulares os pagamentos realizados pela empresa. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 426 16 33.3 É correto que tanto a existência de pagamentos em número que exceda ao limite legal anual quanto a realização de pagamentos pela empresa em periodicidade inferior ao mínimo contrariam o prescrito no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, porém desde que associados a um mesmo trabalhador beneficiário. 33.4 Nada obstante, os pagamentos relacionados ao estabelecimento "filial 0007", nas competências 02 e 03/2008, por exemplo, foram destinados a segurados distintos, não caracterizando infração à periodicidade (Anexo I, fls. 83/88). Tal situação exemplificativa do caso concreto revela que a análise do julgador "a quo", no mínimo, está contaminada pelo equívoco na apreciação dos fatos e/ou da legislação. 34. Em suma, não é lícito ao julgador substituir o agente fiscal na tarefa de justificar e/ou demonstrar a ocorrência dos motivos que deram ensejo ao lançamento do crédito tributário. 35. Também não vejo como viável a conversão do julgamento em diligência, com o propósito de permitir a complementação do relatório fiscal, pois tal medida processual posta à disposição do julgador administrativo não se destina a suprir falhas nos atos de competência exclusiva das partes. 36. Desse modo, cabe afastar a tributação sobre a rubrica "053" PLR, paga a título de participação nos lucros ou resultados, cujos valores estão indicados pela fiscalização na coluna "VR N/DECL EM GFIP", no Anexo I, às fls. 75/102. 36.1 Tal qual a autoridade fiscal afirmou, os valores estão incluídos nos Levantamentos "RE1" e "RE2", compondo os AIs nº 37.391.2692 e nº 37.414.0366. c) Cooperativas de Trabalho 37. Consta do processo administrativo que foi lançado pela fiscalização crédito tributário correspondente às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho, na contratação de serviços de carga e descarga, com fundamento no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 38. Embora a recorrente não conteste especificamente o mérito dessa autuação, alegou a decadência do crédito tributário correlato, conforme tópico antes examinado na fase de questões prejudiciais ao mérito. Nesse contexto do recurso voluntário, entendo satisfeitos os requisitos de cunho processual para viabilizar a aplicação pelo colegiado do decidido no Recurso Extraordinário (RE) nº 595.838/SP. 39. Em sessão do STF realizada no dia 23/4/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. 39.1 Reproduzo a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por Fl. 426DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 427 17 meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (GRIFEI) 39.2 Em 18/12/2014, ao apreciar os embargos de declaração interpostos pela União no RE nº 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 39.3 Por fim, o RE nº 595.838/SP transitou em julgado em 9/3/2015. 40. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 428 18 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 41. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento da contribuição previdenciária foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 42. Dessa feita, afasto a tributação sobre os pagamentos efetuados pela empresa a cooperativas de trabalho, cujos valores estão indicados pela fiscalização no Anexo V, às fls. 139. 42.1 Segundo a autoridade fiscal os valores estão incluídos nos Levantamentos "PC1" e "PC2", compondo o AI nº 37.391.2692. d) Demais fatos geradores e bases de cálculo contestados 43. A recorrente contesta a procedência de outros fatos geradores e bases de cálculo relacionados pela fiscalização nos autos de infração, sob a justificativa de que a documentação constante dos autos, bem como os arquivos entregues à autoridade lançadora no curso do procedimento investigatório, são suficientes para a demonstração das suas alegações. 43.1 Refirome, especificamente, aos seguintes pontos controvertidos do lançamento fiscal: (i) rubrica "VRFOPGTOVRGFIP", que trata de diferenças entre valores pagos pela recorrente a seus empregados, identificados em folha de pagamento, e os montantes declarados em GFIP; (ii) rubricas "001/012/035/040/041", que se referem a salário, adicional noturno, repouso semanal remunerado e horas extras, inclusive extraordinária; (iii) pagamentos realizados aos trabalhadores Luiz Venâncio do Vale, Odete Rosa Xavier Caldeira, Raquel Carneiro Oliveira Leite e Rubens Silvano Dias; e (iv) pagamentos a transportadores autônomos, os quais dizem respeito, segunda a recorrente, a serviços prestados por pessoas jurídicas: Cairo Roberto Magalhães, Carlos Roberto Ozanick, Kleumar Rodrigues Silva e Ulisses Alves de Souza. 44. Em todos os casos acima mencionados, a recorrente optou pelo mero discurso retórico, cujas alegações em sede recursal estão desprovidas de quaisquer indícios sérios e convergentes de sua procedência. Como há muito sabido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". 45. Diferentemente dos pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados, alhures examinada, aqui se está na presença de situações, identificadas a partir do Fl. 428DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 429 19 exame da documentação fornecida pelo sujeito passivo, que devem ser submetidas, via de regra, à incidência da contribuição previdenciária. 45.1 São parcelas pagas a segurados empregados com nítido caráter salarial, sem haver previsão de exclusão em lei, ou são pagamentos efetuados a pessoas físicas, inclusive transportadores autônomos, pela prestação de serviços à empresa fiscalizada (Anexos I, III e III, às fls. 75/134). 46. Dessa feita, compete ao autuado demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela fiscalização, pela existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado pela acusação fiscal, eis que a prova incumbe a quem tem interesse em prevalecer os fatos que sustenta como fundamento à sua pretensão. 47. No tocante aos supostos pagamentos realizados a pessoas jurídicas, em vez de pessoas físicas, a recorrente pretende a indevida transferência do ônus probatório, mesmo diante da exigência da simples juntada aos autos das cópias das notas fiscais emitidas pelos contratados, com correlação de valores e datas, evidenciando a prestação dos serviços por empresas. 48. Quanto às contribuições apuradas pela fiscalização e devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, decorrente do lançamento reflexo em relação às contribuições previdenciárias, cabe manter também a tributação, pois a base é a mesma sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias, calculada sobre o total da remuneração paga ou creditada. 49. À vista do exposto, não há reparo a fazer na decisão de piso que manteve, nessas questões, o lançamento fiscal. e) Recálculo da multa para aplicação da retroatividade benigna 50. No tocante ao calculo da multa, até a competência 11/2008, a fiscalização utilizou critério para dar cumprimento à retroatividade benigna prevista na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN (fls. 140/143). 50.1 Para todas as competências, concluiu que a penalidade menos severa, no caso das contribuições previdenciárias, era aquela aplicada de acordo com a legislação vigente à época da lavratura dos autos de infração, ocorrida no ano de 2013. 51. Nada obstante, devido ao afastamento da tributação da contribuição previdenciária sobre determinados valores lançados pela fiscalização, conforme detalhado neste voto, deverá ser refeito o cálculo da multa para efeitos da retroatividade benigna, quando da execução do julgado. 52. Implica que, no que toca às penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, deverá ser reavaliada a situação final mais benéfica à recorrente, por competência, relacionada à multa pelo não recolhimento do tributo, utilizandose, contudo, do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15504.732656/201314 Acórdão n.º 2401004.764 S2C4T1 Fl. 430 20 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, AFASTAR a decadência do crédito tributário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (a) excluir a tributação sobre a rubrica "053", paga a título de participação nos lucros ou resultados (PLR), cujos valores estão indicados pela fiscalização na coluna "VR N/DECL EM GFIP", no Anexo I, às fls. 75/102; (b) afastar a tributação sobre os pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, cujos valores estão indicados pela fiscalização no Anexo V, às fls. 139; e (c) recalcular quando da execução do julgado, tendo em vista as exclusões acima mencionadas, as penalidades impostas na ação fiscal para fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até 11/2008, de forma a reavaliar a situação mais benéfica à recorrente, por competência, relacionada à multa pelo não recolhimento do tributo, utilizandose do mesmo critério de cálculo adotado pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905579/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.800
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 79 /2 01 2- 54 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.327, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13888.905579/201254 Acórdão n.º 3201002.800 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.904087/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 87 /2 01 4- 64 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10875.904087/201464 Acórdão n.º 1301002.459 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10875.904087/201464 Acórdão n.º 1301002.459 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10875.904087/201464 Acórdão n.º 1301002.459 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10875.904087/201464 Acórdão n.º 1301002.459 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10875.904087/201464 Acórdão n.º 1301002.459 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 149DF CARF MF
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