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Numero do processo: 14041.000250/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRABALHO ASSALARIADO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Correto o lançamento fiscal que considera rendimentos do trabalho assalariado, sem vínculo empregatício, quando o conjunto probatório exterioriza o recebimento dos valores pelo contribuinte a título de retribuição pela prestação de serviços, não tendo a pessoa física, que é sócia da pessoa jurídica, comprovado a origem na distribuição de lucros.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e natureza dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2401-006.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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TRABALHO ASSALARIADO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Correto o lançamento fiscal que considera rendimentos do trabalho assalariado, sem vínculo empregatício, quando o conjunto probatório exterioriza o recebimento dos valores pelo contribuinte a título de retribuição pela prestação de serviços, não tendo a pessoa física, que é sócia da pessoa jurídica, comprovado a origem na distribuição de lucros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e natureza dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 50 /2 00 8- 33 Fl. 464DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.750 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000250/2008-33 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSA), por meio do Acórdão nº 03-27.954, de 19/11/2008, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário lançado (fls. 443/451): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Se os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS . COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MEDICAS. Considera-se não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Lançamento Procedente Extrai-se do Termo de Verificação Fiscal que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa de ofício, relativamente aos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005, decorrente da constatação pela fiscalização das seguintes infrações (fls. 413/421 e 422/427): (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício provenientes das empresas KLY Comunicação Ltda e Poliedro Informática e Consultoria e Serviços Ltda; (ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem na comprovada; e (iii) dedução indevida de despesas médicas. A contribuinte foi cientificada da autuação em 11/03/2008 e impugnou a exigência fiscal (fls. 431 e 434/440). Fl. 465DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.750 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000250/2008-33 Intimada por via postal em 07/01/2009 da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 03/02/2009, no qual repisa os argumentos de fato e de direito da sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 452/454 e 455/462): (i) quanto aos rendimentos recebidos da KLY Comunicação Ltda, pessoa jurídica da qual é sócia, os valores creditados em conta corrente referem-se à distribuição de lucros. A autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro da empresa no período, logo a parcela correspondente ao lucro arbitrado poderá ser distribuída ao sócio da pessoa jurídica livre da incidência do imposto de renda; (ii) o montante de R$ 89.959,37 tem origem na entrega de valores de sua propriedade ao gerente da agência do Banco de Brasília S/A para realizar aplicações financeiras em nome da contribuinte; e (iii) o depósito de R$ 43.000,00 provém de resgate de aplicação financeira. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito A peça recursal foi redigida em tom de indignação com o resultado da auditoria fiscal e, especialmente, com o julgamento em primeira instância, o qual, segundo a avaliação da recorrente, não foi conduzido de forma isenta pela autoridade julgadora, mas sim com o puro interesse de tributar, privilegiando o vínculo funcional. Não obstante, já adianto que os fatos que a recorrente pretende fazer prevalecer no processo administrativo estão desprovidos de comprovação mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas. Fl. 466DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.750 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000250/2008-33 Os autos estão instruídos com documentação variada, parte dela relacionada a investigações criminais chefiadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Território, cujo compartilhamento de dados para fins fiscais recebeu autorização do juízo da 1ª Vara Criminal de Brasília. No conjunto de fls. que compõem este processo administrativo há fortes indícios da existência de sócio oculto na empresa KLY Comunicação Ltda, que efetivamente detinha o poder de comando (fls. 327, 357/361, 384/399). Em verdade, torna-se evidente, pelas próprias palavras da recorrente, a existência de um vínculo artificial como sócia da pessoa jurídica KLY Comunicação Ltda, tão somente no plano formal, a partir de maio/2004, na medida em que sua função, desde o mês de novembro/2000, sempre foi o trabalho assalariado, sem vínculo empregatício, recebendo remuneração pela execução de serviços profissionais. Nesse sentido, confira-se as declarações escritas prestadas pela recorrente em resposta à intimação da fiscalização: (fls. 327) (...) Com o intuito de colaborar com a auditoria que a Receita Federal está fazendo sobre a empresa KLY comunicação LTDA, esclarecemos que: No período de novembro de 2000 a outubro de 2007 figuraram como donos da empresa Ítala Patrícia dos Santos Sivieri Bueno e Maria da Soledade dos Santos Teixeira (maio de 2004). Nada obstante, as subscritoras dessa petição jamais foram donas da empresa, apenas nela trabalhavam, cada qual exercendo suas funções e recebendo remuneração pelo ofício, juntamente com os demais contratados, pois havia prestadores de serviço no local, dentre eles Domingos Lopes de Luccas, Dionizio Lopes de Luccas, Francisco Araújo, Jô Rodrigues, Rogério Ippoliti e Zico Cardoso. Assim, durante o funcionamento da empresa, eram publicados o Jornal Folha de Brazlândia, o Jornal das Organizações Sociais e a Revista Nossa Brasília, bem como foi prestada Assessoria de Imprensa para o Instituto Candango de Solidariedade, além de serem confeccionados folders, vídeos, cartazes etc, sendo que o material era rodado na Gráfica Brasil, Jornal Comunidade e Tribuna do Brasil. O verdadeiro dono da empresa, contudo, sempre foi Ronan Batista de Souza, que detinha o poder de mando sobre todas as pessoas que ali trabalhavam, principalmente no tocante à parte financeira, cujas ordens eram simplesmente obedecidas por Ítala Patrícia dos Santos Sivieri Bueno, pessoa incumbida de parte das tarefas inerentes a essa área. (...) (fls. 360) (...) Por certo, todos os problemas que venho enfrentando em virtude tanto de ter sido formalmente sócia da empresa KLY, embora, como já ressaltado em carta, apenas ali trabalhasse e recebesse salário, quanto de ter confiado no senhor Ivan Aquiles, são, decorrentes de muita ingenuidade da minha parte, por mais inacreditável que isso possa parecer. (...) Fl. 467DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.750 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000250/2008-33 Além do mais os autos contêm cópias de recibos e transferências eletrônicas de fundos que confirmam a realização de pagamentos a título de serviços prestados no período fiscalizado (fls. 377/382). Por sua vez, a recorrente não conseguiu, em momento algum, mostrar indícios sérios e convergentes que os valores apurados pela autoridade fazendária tiveram origem em distribuição de lucros, não tendo providenciada a exibição da escrituração contábil da pessoa jurídica. A partir do cotejo entre impugnação e recurso voluntário, percebe-se que a recorrente deixou de apresentar novas razões de defesa perante a segunda instância, de maneira que as suas alegações já foram devidamente esmiuçadas pela decisão de piso, com destaque para os seguintes excertos do acórdão de primeira instância, os quais, desde já, acolho como fundamentos para decidir (fls. 449): (...) Outro ponto importante que deve ser destacado é que foi intimada a apresentar a escrituração da empresa, vez que figurava como detentora de 90% das cotas, que contivesse o registro da distribuição de lucros. Isso porque havia apresentado justificativa, onde identificara vários depósitos como efetuados a esse título (2003 a 2004, fls. 178/183). O que se verificou é que somente em maio de 2004, passou a figurar como sócia da empresa. Assim, diante da ausência de qualquer comprovação de que eram valores depositados a título de lucros distribuídos, inclusive na fase impugnatória; e não haver qualquer escrituração nesse sentido; e não existir amparo legal para distribuição de lucros a não sócios; a existência de recibos e transferências bancárias efetuadas pela KLY para a impugnante, constando como finalidade “pagamentos por serviços prestados”; os recibos, assinados atestando o recebimento de pagamentos pela prestação de serviços (fls. 259/364 e Termo de Verificação Fiscal, fl. 406); bem como pela peremptória declaração da impugnante de que somente havia relação de trabalho (fls. 343/344), a Auditora-Fiscal, corretamente, lavrou a infração de omissão rendimentos tributáveis recebidos de PJ. Esclarece-se ainda que indícios de que o Sr. Ronan Batista de Souza era verdadeiro dono são somente circunstâncias que possuem relação com o fato e que possibilita a construção de hipóteses com ele relacionadas sobre a autoria e seus demais aspectos. (...) Impende deixar em destaque que não houve negativa do recebimento dos vultosos valores em sua conta corrente, tão-somente tenta caracterizá-los, de forma genérica e sem sustentação documental hábil e idônea, como ou pertencentes ao Sr. Ronan Batista de Souza, ou, agora na impugnação, como decorrentes de distribuição de lucros. Convenhamos, as duas alegações não podem conviver juntas integralmente. (...) Logo, tendo em conta a produção de prova dos autos, é inviável reputar que os valores recebidos pela recorrente são provenientes de distribuição de lucros. Cabe deixar claro que para fins de distribuição do lucro arbitrado ao sócio da pessoa jurídica, sem a incidência do imposto de renda na pessoa física, conforme previsto na legislação tributária, é condição indispensável o vínculo como sócio quotista na KLY Fl. 468DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.750 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000250/2008-33 Comunicação Ltda sob o aspecto formal e material. Apesar de óbvio, acrescento que a disciplina normativa para distribuição de lucros, com base no lucro arbitrado, não contempla valores pagos a título de "pro labore" e/ou serviços prestados. No que tange ao repasse oriundo de conta bancária em nome da KLY Comunicação Ltda no dia 15/06/2004, no montante exato de R$ 89.959,37, utilizado para quitação de saldo devedor na aquisição de um apartamento, a autuada não carreou aos autos documentação hábil e idônea para demonstrar a correlação, em datas e valores, com a importância de R$ 76.000,00 mantida no Banco de Brasília, cujos recursos, conforme sustenta, foram entregues ao gerente do banco, em julho/2003, para aplicação financeira e, no futuro, resgate do investimento para compra do imóvel. Reconheço que há aparência de verdade quando a autuada afirma que entregou um cheque assinado ao gerente da agência do Banco de Brasília, Sr. Ivan Aquiles, para realização de investimentos em seu nome (fls. 367/370). Sobre esse fato, a recorrente declara que o gerente do banco era pessoa da sua extrema confiança e, uma vez leiga sobre mercado de investimentos, delegou a ele as aplicações financeiras do seu dinheiro, assumindo que desconhecia por completo as operações onde o dinheiro era destinado (fls. 359/361). No entanto, tão somente palavras e justificativas, desacompanhadas de apresentação de documentos que estabeleçam um liame indubitável entre os valores mencionados, são insuficientes para atestar a natureza dos valores recebidos da KLY Comunicação Ltda. A explicação da recorrente desperta dúvidas naturais, visto que é sabidamente incomum alguém permitir à pessoa não pertencente ao seu círculo familiar próximo a movimentação financeira de seus recursos sem nenhum aparente acompanhamento e controle do que é feito com o dinheiro. Além disso, levando-se em consideração o material probatório, não parece crível que a devolução dos recursos investidos sob a administração de terceiro tenha sido efetivada justamente por intermédio de conta bancária da pessoa jurídica na qual a autuada exercia as suas atividades laborais habituais e recebia a remuneração pelo trabalho realizado. Ressalte-se, todas as etapas com a beneficiária alheia às operações realizadas. Em tais circunstâncias, onde a recorrente cogita a prática de engenhosa articulação pelo gerente do banco, que envolveu empresas em relação às quais ele possuía acesso às contas bancárias para a realização de atividades criminosas, o que tornou possível a devolução do dinheiro investido, por intermédio da KLY Comunicação Ltda, é imprescindível que os acontecimentos invocados pela recorrente estejam amparados em prova cabal, com apoio em um ou mais documentos idôneos que levem ao convencimento do julgador administrativo, o que não se verifica dos autos (fls. 360/361). Por fim, quanto à importância de R$ 43.000,00, considerada como depósito bancário de origem não comprovada, a autoridade fiscal descreve que advém do resgate de um cheque nominal nº 2493, destinado à recorrente e emitido pela pessoa jurídica OBEID Fl. 469DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.750 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14041.000250/2008-33 Alimentos, cujo pagamento ocorreu na mesma data em que depositado o título de crédito (fls. 424). De modo análogo, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório de comprovar a natureza de tal recurso recebido da pessoa jurídica, insistindo, mais uma vez, que a origem é concernente a resgate de investimentos sob responsabilidade do gerente do Banco de Brasília. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, considera-se omissão de rendimentos tributáveis com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e natureza dos recursos utilizados nessas operações. Ressalto que, em qualquer caso, o ato de provar não é sinônimo de colocar à disposição do julgador administrativo uma massa de documentos, ou mesmo declarar que a documentação comprobatória é aquela já disponibilizada à fiscalização, sem a preocupação de fazer a conexão, em datas e valores, entre os documentos que estão anexados ao processo e os rendimentos e/ou depósitos listados pela autoridade tributária no auto de infração, tudo isso com "animus" probatório. Dessa feita, não merece reforma a decisão de piso, que manteve intacto o lançamento tributário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900422/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrente TRANSJC LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 00 42 2/ 20 10 -5 4 Fl. 128DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1301-000.706 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.900422/2010-54 Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 01222.46862.250609.1.3.04-0501, transmitida eletronicamente em 25/06/2009, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 19/04/2010, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 6), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 509,84. Cientificado dessa decisão em 26/04/2010, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 25/05/2010, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 5. Em suma, alega que cometeu erro de fato ao informar na DCTF original o débito do período e que transmitiu declarações retificadoras para demonstrar o crédito pleiteado. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual Câmara Superior de Recursos Fiscais - Carf. Ao final, requer que seja reformado o Despacho Decisório, a fim de que seja integralmente homologada a compensação declarada. A decisão da autoridade de primeira instância julgou procedente a impugnação da contribuinte, cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, Fl. 129DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1301-000.706 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.900422/2010-54 não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1301-000.706 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.900422/2010-54 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild - Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos A requerente pleiteou, por meio de PER/DCOMP, a compensação créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior do IRPJ referente ao 4° trimestre de 2008 com débitos de COFINS apurados no mês de dezembro de 2008, por ter cometido erro de fato ao informar na DCTF original o débito do período a maior que o devido transmitindo as declarações retificadoras posteriormente para demonstrar o crédito pleiteado. Somente em sede recursal, trouxe a requerente documentos que buscam justificar os erros cometidos, são eles: 1. Balancete Contábil 2. Demonstrativo de apuração 3. Livro Diário 4. Razão Analítico 5. DIRF 6. Comprovante de Arrecadação Ademais explicitou toda a argumentação da seguinte forma (fl. 83): A requerente é empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, nos termos dos artigos 516 a 528 do RIR/1999 e demais normas vigentes. Observando o regime de tributação com base no lucro presumido, a requerente realizou a apuração dos valores devidos do Importo de Renda Pessoa Jurídica correspondente ao 4o trimestre do ano calendário 2008, tendo por base as receitas auferidas no período e devidamente registradas em sua escrituração fiscal contábil, as quais podem ser confirmadas no Balancete Contábil que segue anexo (DOC.01). Os valores líquidos a pagar apurados pela requerente, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido correspondentes ao 4o trimestre do ano-calendário 2008, foram respectivamente de R$126.115,15 e R$182.055,88, conforme se apresenta no demonstrativo de apuração dos referidos tributos em anexo DOC.2 O valor líquido correspondente ao Imposto de Renda Pessoa/ Jurídica especificado e acima mencionado, é resultante do valor do imposto apurado com base no lucro presumido, deduzido do respectivo imposto de renda retido na fonte nos termos do disposto no artigo 526 do RIR/1999; O valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado com base no lucro presumido resultou R$381.365,55, sendo deduzido do respectivo imposto de renda retido na fonte no montante de R$255.250,40 nos termos do disposto no artigo 526 do RIR/1999; Fl. 131DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1301-000.706 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.900422/2010-54 O valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado com base no lucro presumido e especificado acima, foi devidamente registrado na escrituração contábil da requerente, conforme se apresenta na página 188, do Livro Diário nr 16, cuja fotocópia anexa (DOC.4). O valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte especificado no acima, foi objeto de registros realizados na escrituração contábil da requerente durante o ano 2008, na conta contábil específica conforme anexo (DOC.5) e, devidamente comprovado mediante o documento "Fontes pagadoras - Informações apresentadas em DIRF do ano- calendário 2008 - relação de rendimentos e imposto de renda retido por fonte pagadora", tendo por beneficiário a requerente, fotocópia anexa (DOC.6); Ocorre que, ao efetuar o pagamento do referido tributo, a requerente por desatendo realizou-o em valor superior ao efetivamente devido, sendo pago o valor de R$376.818,79, correspondente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, conforme se observa na anexa fotocópia do Comprovante de Arrecadação (DOC.7). O pagamento realizado pela requente conforme mencionado acima, foi devidamente registrado em seu Livro Diário nr 17 à página 17, cuja fotocópia anexa (DOC.8). Tendo realizado o pagamento do referido tributo em valor superior ao efetivamente devido, resultou para a requerente o indébito tributário no valor correspondente a R$250.703,64. A requerente procedeu à compensação do indébito tributário especificado acima, efetuou-a na liquidação de multas e outros tributos lançados ou apurados a partir do mês de junho/2009; De fato, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato ", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Alegou o contribuinte que retificou sua DCTF, adequando aos valores que pretende compensar. Dessa forma, não há como ser acolhida como prova de existência do direito, muito menos de sua liquidez e certeza, vez que a norma contida no §1º, do art. 147, do CTN, prevê que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A desconstituição do crédito confessado depende da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve extinção indevida ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendo-se necessário, notadamente, que demonstre a extinção do crédito tributário ou de parcela dele foi efetivamente indevida O contribuinte, por sua vez, limitou-se a apresentar documentos que alegadamente atestam o erro cometido em sede de recurso voluntário, o que merecem análise conforme permitivo do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015. Diligencia Fl. 132DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1301-000.706 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.900422/2010-54 Por essas razões, entendo que os autos não se encontram em condições de julgamento, devendo ser baixados em diligência a fim de que a autoridade fiscal designada para sua realização: (i) analise os documentos acostados aos autos em sede de recurso voluntário de forma a averiguar a legitimidade do crédito tributário pleiteado; (v) ao final, elabore Relatório de Diligência 1 com as informações ora solicitadas. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, o Recorrente deve ser cientificados do resultado da diligência, abrindo- se prazo de 30 dias para que, querendo, manifestem-se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3 o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001180/2008-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao recurso especial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
A demonstração da divergência e o atendimento os demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA.
À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias e de terceiros em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa.
Numero da decisão: 9202-008.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao recurso especial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. A demonstração da divergência e o atendimento os demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias e de terceiros em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.001180/200831 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202008.051 – 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2019 Matéria SALÁRIO INDIRETO AUXÍLIO EDUCAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTRARRAZÕES. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões quanto a matérias estranhas ao recurso especial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. A demonstração da divergência e o atendimento os demais pressupostos necessários ao seguimento de recurso especial importam seu conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DEPENDENTES. INCIDÊNCIA. À época dos fatos geradores objeto do lançamento, não havia previsão legal para a isenção de contribuições previdenciárias e de terceiros em relação valores pagos a título de auxílio educação a dependentes de empregados e dirigentes vinculados a empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente das contrarrazões do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 80 /2 00 8- 31 Fl. 743DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva , Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela conselheira Miram Denise Xavier. Relatório Tratase de Auto de Infração, Debcad nº 37.156.7432, relativo a contribuições sociais destinadas a outras Entidades e Fundos Terceiros (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), apuradas com base nas folhas de pagamento, apresentadas pela empresa em meio magnético, no período de apuração de 01/2003 a 12/2007. Em sessão plenária de 16/02/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.855 (fls. 575/601), com o seguinte resultado: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) Acolher a preliminar de decadência até a competência 10/2003 (inclusive), vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) e EDUARDO TADEU FARAH. b) No mérito, por unanimidade de votos, afastar a tributação sobre o auxílio alimentação. Quanto à bolsa de estudos, por maioria de votos, afastar a tributação sobre essas verbas, vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e EDUARDO TADEU FARAH, que davam provimento em menor extensão e o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) que negava provimento. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 3 3 Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. SESC E SEBRAE As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE. INCRA. EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 745DF CARF MF 4 O processo foi encaminhado à PGFN em 03/05/2016 que, em 06/06/2016, opôs, tempestivamente, embargos de declaração (fls. 602/606), alegando, em síntese, omissão, pois não teria sido “possível confirmar a informação no sentido de que há recolhimento parcial da contribuição previdenciária objeto dos autos exatamente nas competências em análise”. Tendo sido acolhidos os embargos de declaração, em sessão de 04/07/2017, foi prolatado novo Acórdão nº 2201003.739 (fls. 624/629), com o resultado a seguir descrito: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontrase no arquivo nãopaginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico". O processo foi encaminhado à PGFN para ciência do Acórdão de Embargos em 03/08/2017 que, em 14/09/2017, apresentou Recurso Especial (fls. 630/644), no intuito de rediscutir a seguinte matéria: incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas a dependentes de segurados a serviço da empresa. À guisa de paradigmas foram apresentados os Acórdãos nº 2403001.705 e 240102.389, cujas ementas, na parte que interessa à presente análise, transcrevese a seguir: Acórdão nº 2403001.705 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 [...] PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO A DEPENDENTES DE EMPREGADOS LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DO FATO GERADOR SALÁRIO INDIRETO O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Não integram o saláriodecontribuição apenas o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. À época do fato gerador, no período 01/2005 a 12/2006, incide contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas a dependentes de empregados. [...] Acórdão nº 240102.389 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 Fl. 746DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 4 5 [...] DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. [...] Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de fls. 645/655, o qual reconheceu como apto a instaurar a divergência somente o Acórdão nº 2403 001.705. A representante da Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: não caberia a aplicação da Lei nº 12.513/2011, que promoveu alterações na Lei nº 8.212/91, em especial no art. 28, § 9º, alínea “t” para verificar os requisitos da não incidência tributária, uma vez que assim fazendo, estarseia aplicando retroativamente uma lei tributária a caso por ela não albergado, em contrariedade expressa ao art. 106, do Código Tributário Nacional, conforme alhures exposto, e que, no presente caso, os fatos geradores objetos do lançamento ocorreram em momento anterior ao advento da Lei nº 12.513/2011; a decisão recorrida teria achado por bem se valer de norma posterior – Lei nº 12.513/2011, ainda não vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores – aplicandoa retroativamente e, por conseqüência, afastando a norma então em vigor (art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 9.711/1998); que teria acontecido foi um “aparente” conflito temporal de normas. como regra, os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Princípio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional; tal postulado jurídico, significaria que a lei (tributária ou não) somente se aplicará fatos ocorridos após o início da sua vigência de acordo com a noção tradicional de segurança jurídica e que, esse princípio, seria regra geral do ordenamento pátrio e não se confundiria com o princípio da irretroatividade tributária, que se destinaria especificamente a “impedir”, como garantia negativa (direito fundamental de 1ª geração), a cobrança de tributo anterior à edição de lei. essa regra comportaria exceções nas mais variadas searas do direito. No âmbito tributário, haveria ressalvas ao referido princípio, pois se permitiria Fl. 747DF CARF MF 6 que a lei voltasse ao passado, se o dissesse expressamente (e não houvesse vedação constitucional ou do próprio CTN), ou nas exceções previstas no CTN. Entretanto, se nada disso ocorrer, ela vigoraria para futuro, seguindo a LICC; no presente caso, verificase que a Lei nº 12.513/2011 não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei. Pelo contrário, que o art. 21 seria claro em afirmar que a “Lei entra em vigor na data de sua publicação”. Tampouco se poderia dizer que esse diploma legal seria expressamente interpretativo para se poder falar na sua retroatividade. que, no tocante à retroação prevista no CTN, se deveria analisar seu art. 106 que excepcionaria a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permitiria a lei voltarse ao passado, o que dispensaria disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades; não haveria qualquer infração que atraísse a retroatividade de norma. O que se discute são requisitos para usufruto de um favor fiscal: isenção de contribuições previdenciárias. Pelo fato de não se preencher determinado requisito, não se poderia considerar como cometida uma infração, mas sim como devido o tributo correspondente. E tributo, na dicção do art. 3º do CTN, não seria penalidade; aqueles que cumprem os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, vêem afastada a incidência de contribuições previdenciárias; os demais recaem na previsão geral que é a exigência dos tributos devidos, nos termos do art. 28 e incisos da mesma lei. Não há previsão de sanções (decorrência lógica de eventual “infração”) para a empresa que eventualmente não cumpre as condições previstas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91; a Lei nº 12.513/2011 jamais poderia estar “deixando de definir uma infração”, pois infrações não haveria. O que teria ocorrido é que a legislação tributária, em razão de política tributáriofinanceira, alterou os requisitos para que os contribuintes pudessem usufruir da não incidência de contribuições previdenciárias; a nova redação conferida à alínea “t”, do § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91 sequer pode ser considerada como “mais favorável” ao contribuinte, pois, se de um lado excluiria exigências e incluiria outros possíveis beneficiários dos planos educacionais eventualmente concedidos pelas empresas aos seus funcionários, de outro traria novas condições e restrições até então não existentes para que o contribuinte pudesse ver afastada a exigência das contribuições devidas; a decisão recorrida teria se pautado numa avaliação equivocada das normas. Isso porque, a análise da antiga e nova redação do art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”, Lei nº 8.212, foi realizada de forma parcial. O acórdão recorrido passou ao largo da análise dos itens 1 e 2 que compõem a alínea “t”, com a redação conferida pela Lei nº 12.513/2011; quando se observa, na análise de um conflito temporal de normas, se caberá ou não retroatividade de uma determinada norma por se entender que é mais benéfica, é vedado ao órgão julgador proceder a uma combinação da legislação nova com a antiga; nessa linha, poderseia argumentar que ou uma norma é mais benéfica ou não é. E, para tanto, deverseia levar em consideração a sua integralidade; Fl. 748DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 5 7 a doutrina e jurisprudência é vedaria a conjugação de legislações, antiga e nova, apenas com o fim de favorecer o contribuinte, ainda que a título de aplicar retroativamente a legislação mais benéfica. Seja porque uma norma assim híbrida configuraria criação de novo direito, com violação do tão caro princípio da legalidade, seja porque a montagem de uma norma com fragmentos de outras revela uma interpretação do direito positivo que afronta a lógica e a ordenação inerentes ao sistema jurídico como algo racional. Ou até mesmo seja porque não é dado ao julgador imiscuirse no papel de legislador positivo. quanto ao art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), o legislado colocaria uma condição para a configuração daquela hipótese: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”; não se poderia cogitar que o art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 pudesse tratar da exigência de determinada conduta ou inação. O que viria ali prevista é uma benesse fiscal, ainda que cercada de condições, requisitos e restrições; por outro lado, ainda que se cogitasse essa tese, o fato é que não haveria lugar para a incidência dessa norma no caso, em razão da ressalva feita no fim do texto: “desde que (...) não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”. E o fato é que a Lei nº 12.513/2011, segundo a interpretação adotada pela decisão recorrida (controvertida neste recurso, conforme demonstrado acima), implica na falta de pagamento de tributo; estaríamos diante de dois sistemas (com relevantes diferenças) de isenção de contribuições previdenciárias que se sucederam no tempo ambos atendendo a razões de política tributáriofinanceira reinantes em suas respectivas épocas; “retroativadade benigna” no direito tributário faria referência às sanções e o CTN deixaria isso muito claro. Não seria qualquer tratamento benéfico da legislação que retroagiria, não seria essa a inteligência do sistema tributário. Por fim, requer a PGFN que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, restabelecendose a exigência no respeita à verba objeto do apelo. Os autos foram, então, à unidade da Receita Federal do Brasil de origem para ciência dos acórdãos de recurso voluntário e de embargos, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o que se deu em 10/11/2017 (fl. 659), tendo sido opostos embargos de declaração, em 17/11/2017, os quais foram rejeitados, conforme despacho de fls. 724/730. Também em 17/11/2017, tempestivamente portanto, foram apresentadas Contrarrazões ao recurso especial da PGFN (fls. 702/722), em que se alega em resumo o que segue: a PGFN não teria comprovado a similaridade entre as situações fáticas apontadas no v. Acórdão recorrido e no paradigma utilizado (Acórdão 2401 02.389) e tampouco em que medida e por qual razão eles teriam adotado solução dissonante com a do acórdão recorrido; o acórdão recorrido teria tratado da concessão de bolsas de estudos a todos os empregados e o paradigma citado, cuidaria de situação diversa, na qual as Fl. 749DF CARF MF 8 bolsas eram concedidas não a todos os funcionários, mas apenas a uma parcela deles com determinado tempo de permanência na empresa; seriam, portanto, questões manifestamente distintas da discutida neste feito, razão pela qual incidiria a contribuição previdenciária, o que não é o caso em tela; que os descontos concedidos pela Recorrida à título de bolsas de estudos a seus funcionários e a dependentes destes com finalidade eminentemente social, não integram o salário de contribuição e por essa razão não precisam ser informados em GFIP; que o que estabeleceria o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, os valores que a Recorrida despende com a formação de seus empregados estariam, conforme reconhece a legislação de regência, fora do âmbito de incidência da contribuição à cota patronal (art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91), assim como quaisquer ajudas, desde que não representem substituição do salário em espécie, fornecidas pelo empregador em prol da educação tanto de seus empregados quanto de seus dependentes, não representariam “salário”, logo, não seriam informações a serem prestadas em GFIP ou em guias de recolhimento do FGTS; o texto legal não faria qualquer diferença entre valores gastos pelo empregador com a educação e aprimoramento de seus funcionários e valores gastos pelo empregador com a educação de seus dependentes. Tanto assim o seria que a Lei nº 8.212/91 preveria a exclusão do auxílio creche da base de cálculo da contribuição em questão; tanto a Lei nº 8.212/91 quanto o RPS reconhecem que não estariam abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica e que a educação básica é na maioria das hipóteses, cursada por crianças e não, por trabalhadores; no mesmo sentido, se verificaria a redação do art. 12 da Lei nº 11.096/05, que ao possibilitar que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes sejam apropriadas como assistência social, acabaria por colocar fim a qualquer questionamento acerca da inclusão de tais benefícios como fato gerador de cota patronal; considerando as peculiaridades do caso concreto, em que a Recorrida é, segundo o Superior Tribunal de Justiça, entidade beneficente de assistência social, dedicada à área de educação, seria, no mínimo, um contrassenso, que lhe fosse defeso patrocinar a educação de seus próprios funcionários e respectivos dependentes, ou que fosse obrigada a oferecer tais valores à tributação; a Recorrida paga in natura o auxílio alimentação, a seus empregados, o que a teor da lei e da Jurisprudência, afastarias a incidência de contribuição previdenciária, por não se revestir esse auxílio de natureza salarial, independente de a entidade ser ou não inscrita no PAT, até por que o ato administrativo é meramente declaratório, e não, constitutivo; no caso presente, arcando com a maior parte das despesas de alimentação de seus empregados, a Recorrida prestaria in natura auxílio alimentação, que, a teor da lei e da Jurisprudência, não sofreria a incidência de contribuição previdenciária, por não se revestir de caráter remuneratório, mas de mero estímulo a que a prestação dos serviços contratados se desenvolva em condições de maior e melhor produtividade; Fl. 750DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 6 9 não integrariam a base de cálculo da contribuição em questão, independentemente de haver ou não inscrição no PAT, o fornecimento in natura da alimentação pelo empregador ao empregado, o que a PGFN teria reconhecido em parecer de 2011; considerando que a matéria objeto do presente feito já foi exaustivamente apreciada pelo STJ e pelo CARF, esperase que as mesmas conclusões sejam aplicadas ao caso, confirmando o acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. A Contribuinte encerra suas contrarrazões requerendo que o recurso especial da PGFN seja negado, mantendose o decidido no acórdão recorrido, na parte em que deu parcial provimento ao seu recurso, para exonerar o crédito tributário. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade em virtude das alegações trazidas em sede de Contrarrazões, também tempestivas. Antes de iniciar a análise quanto ao conhecimento do Recurso Especial, importa esclarecer que a matéria devolvida à apreciação deste Colegiado restringese à incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas a dependentes de segurados a serviço da empresa. Portanto, as contrarrazões não serão conhecidas na parte que trata da decadência, do auxílio educação destinado aos próprios empregados e das contribuições incidentes sobre valores pagos a título de auxílio alimentação in natura, posto que tais matérias não são objeto da presente lide. Segundo argumenta o Sujeito Passivo, o § 8º do art. 69 do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, exige não somente a mera transcrição das ementas, mas, “impõe, na verdade, a transcrição do voto paradigma e seu confronto com o voto condutor do Acórdão recorrido”, o que somente poderia ser realizado a partir da elaboração de texto em que se demonstrasse a similaridade das situações postas em juízo e a disparidade das soluções encontradas para a interpretação da lei tributária. Esse cuidado não teria sido tomado, visto que não restou comprovada a similaridade entre as situações fáticas apontadas no acórdão recorrido e no paradigma utilizado, Acórdão nº 240102.389. A respeito desse assunto, dispõe o RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 751DF CARF MF 10 § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. [...] § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. Da leitura dos dispositivos encimados, notase que inexiste exigência regimental para que o voto dos acórdãos indicados como paradigma sejam transcritos no corpo do recurso especial, tampouco a necessidade de seu confronto com o voto condutor do acórdão recorrido, como defende a Contribuinte. O que o Regimento Interno preconiza é a demonstração da legislação interpretada de forma divergente e que essa demonstração seja feita de forma analítica, com a indicação de até duas decisões proferidas por turmas de julgamento distintas daquela responsável pela prolação do decisum afrontado. Vejase que, alternativamente à apresentação do inteiro teor das decisões cotejadas, os §§ 9º e 10 acima possibilitam a apresentação tãosomente das ementas de tais julgados, ao revés do infere a Recorrida. Além do que, do exame da peça recursal, constatase que a Fazenda Nacional desincumbiuse do ônus imposto pela RICARF, tendo comprovado adequadamente a existência do dissídio interpretativo, sobretudo em face ao Acórdão nº 2403001.705. Senão vejamos trechos do apelo: Divergindo do entendimento sufragado na decisão atacada, os paradigmas abaixo indicados, tratando de questões fáticas similares concernentes ao cumprimento dos requisitos estampados no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para fins de não incidência das contribuições previdenciárias, adotaram tese jurídica diversa. Vejase: [...] Para demonstrar a existência do dissídio alegado, fazse necessário transcrever alguns excertos dos acórdãos indicados como paradigmas: Acórdão nº 2403001.705 “Por outro lado, a questão central da argumentação da Recorrente é a incidência ou não de contribuição social previdenciária nas bolsas de estudos concedidas aos dependentes de empregados. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 7 11 Vejamos. A redação à época dos fatos geradores do art. 28, §9°, alínea t, Lei 8.212/1991, ou seja sem a redação dada pela Lei 12.513/2011, dispõe que não integra o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21, da Lei 9.394/1996, bem como a cursos de capacitação e qualificação profissionais desde que não utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). No Relatório Fiscal, às fls. 01 a 35, há a comprovação de que a Recorrente concedeu bolsas de estudos a dependentes de empregados: (...) Desta forma, considero correto o lançamento efetuado pela AuditoriaFiscal posto que a concessão de bolsas de estudos para dependentes de empregados integra o salário de contribuição, posto não se enquadrar na hipótese de não incidência de contribuição social previdenciária conforme disposição expressa da redação do art. 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.” [...] Os excertos acima colhidos evidenciam que a decisão guerreada encampou o entendimento de que deverá ser aplicada a regra estampada no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 12.513/2011. Adotando posicionamento diametralmente oposto diante de situação fática similar, os órgãos de julgamento prolatores dos paradigmas entenderam que a lei a ser aplicada ao caso deve ser aquela vigente à época dos fatos geradores e como os Fl. 753DF CARF MF 12 casos discutidos referiamse a fatos ocorridos antes da vigência da Lei nº 12.513/2011, os requisitos para a isenção de contribuições previdenciárias a serem observados pelos contribuintes autuados deveriam ser aqueles estampados no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991, com sua redação anterior à Lei nº 12.513/2011. Anotese que ambos os arestos indicados como paradigmas foram proferidos após a publicação da Lei nº 12.513/2011. Observase que a divergência se dá em relação ao disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que no caso deveria a nova redação concedida ao dispositivo em questão pela Lei nº 12.513/2011 ser aplicada retroativamente para averiguar o cumprimento dos requisitos da isenção de contribuições previdenciárias, os paradigmas sufragaram tese diversa. Os paradigmas aplicaram a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, isto é, o art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 com a redação dada pela Lei nº 9.711/1998. Concluíram, então, que tal norma não abriga interpretação que possibilite incluir o auxílioeducação pago aos dependentes dos empregados na isenção objeto de análise. Portanto, a divergência se dá em relação à interpretação do disposto no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 e à inadequada aplicação da redação advinda da Lei 12.513/2011. (Grifos do Recurso Especial) Da simples leitura desses excertos do Recurso Especial constatase que, em relação ao Acórdão nº 2403001.705, diante de contextos fáticos semelhantes, os colegiados recorrido e paradigmático chegaram a conclusões absolutamente dissonantes. E mais, a legislação interpretada de forma divergente, restou claramente evidenciada. A respeito do argumento segundo o qual não teria restado comprovada a similaridade entre as situações fáticas retratadas no Acórdão 240102.389 e na decisão recorrida, convém esclarecer que essa constatação foi feita ainda quando da análise de admissibilidade do Recurso Especial, onde se reconheceu que referido julgado não se prestava a demonstrar divergência de interpretação da legislação tributária. Contudo, para que o apelo tenha seguimento é suficiente que dissídio se instaure em relação a somente uma das decisões apresentadas à guisa de paradigma. Em virtude dessas considerações, conheço do Recurso Especial. Mérito Depreendese do Relatório Fiscal que o lançamento diz respeito a contribuições destinadas a outra entidades ou fundos, os denominados terceiros, que têm como fato gerador a concessão de salários indiretos, correspondentes a bolsas de estudos concedidas a empregados a serviço da pessoa jurídica, bem assim a seus dependentes. Importa ressaltar mais uma vez que a matéria em litígio restringese à incidência de contribuições sociais sobre as bolsas de estudos destinadas aos dependentes dos empregados e, em razão disso, não serão feitas quaisquer considerações sobre o auxílio educação atribuído aos próprios empregados. Entendeu o Colegiado a quo que a norma que trata da isenção não faz restrição à educação fornecida a dependentes e, uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não incide tributação sobre bolsas de estudos a eles concedidas. A Fazenda Nacional, por seu turno, entende que embora o legislador ordinário tenha excluído expressamente os valores relativos a planos educacionais da base de cálculo da contribuição, elencou critérios para o gozo desse benefício e, uma vez não Fl. 754DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 8 13 comprovado o cumprimento desses critérios, os valores relativos a tais planos constituemse em parcela integrante da base de cálculo das contribuições incidentes sobre a folha de salários. Acrescenta que a isenção prevista na Lei de Custeio não alcança as bolsas de estudo fornecidas a dependentes dos segurados da Previdência Social. Para a Contribuinte, os valores das bolsas de estudo não integram o salário contribuição por não constituírem remuneração pelo trabalho em virtude de sua finalidade social. Destaca que, a teor do que estabelece o art. 28, § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, as ajudas fornecidas pelo empregador em prol da educação tanto de seus empregados quanto de seus dependentes, não representam salário e que a tributação está sujeita aos princípios da legalidade e da tipicidade estrita (arts. 150, I da CF e 97 do CTN) , a atividade do lançamento, afirma, está vinculada a essa legislação. Infere que não cabe à fiscalização exigir tributo sem amparo legal, com suposto lastro em procedimentos arbitrários, despidos de razoabilidade e que levam a exigência de tributo inexistente. De acordo com as contrarrazões, é nítido que o texto legal não faz qualquer diferença entre valores gastos pelo empregador com a educação e aprimoramento de seus funcionários e valores gastos pelo empregador com a educação de seus dependentes. Tanto é assim que a Lei nº 8.212/91 prevê a exclusão do auxílio creche da base de cálculo da contribuição em questão. No entender da Recorrida, tanto a Lei nº 8.212/91 quanto o Regulamento da Previdência Social reconhecem que não estão abrangidos pelo campo de incidência da norma os valores gastos pelo empregador com educação básica e que, a educação básica é na maioria das hipóteses, cursada por crianças e não, por trabalhadores. A contribuinte faz referência ao art. 12 da Lei nº 11.096/2005, o qual no seu entender, ao possibilitar que as bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes sejam apropriadas como assistência social, acaba por colocar fim a qualquer questionamento acerca da inclusão de tais benefícios como fato gerador de cota patronal. Primeiramente, cumpre ressaltar que a tributação pelas contribuições previdenciárias tem regramento próprio, estabelecido pela Lei nº 8.212/1991. Assim, o art. 12 da Lei n° 11.096/05 que, digase de passagem, não faz nenhuma referência a isenção de contribuições previdenciária, não serve de amparo ao Sujeito Passivo. Além disso, o Direito Previdenciário encontra baliza na própria Constituição Federal e, com relação ao custeio do sistema de previdência, o art. 195 da CF/1988 é que estabelece as bases sobre as quais podem incidir as contribuições: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 755DF CARF MF 14 [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] (Grifouse) Outro dispositivo constitucional de fundamental importância à matéria em debate é o § 11 do art. 201 da Constituição que estabelece: Art. 201. [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [...] Na esteira do texto constitucional os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991 estabeleceram as bases sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias a cargo de empregados e empregadores, o que se aplica também às contribuições de terceiros. Confirase: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; Fl. 756DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 9 15 c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...] Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] Reparese que a base de cálculo das contribuições abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação os ganhos habituais percebidos sob a forma de utilidades, o que inclui, por óbvio, o auxílio educação. Donde se depreende que, em se tratando de utilidades disponibilizadas pela empresa aos obreiros que lhe prestam serviços, sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária e de terceiros dependerá da verificação dos seguintes requisitos: a) onerosidade; b) retributividade; e c) habitualidade. Inexistem dúvidas quanto ao caráter oneroso do benefício concedido pelo Sujeito Passivo, sendo desnecessário tecer maiores comentários a esse respeito. Do mesmo modo, tendo a vantagem sido atribuída regularmente aos empregados da empresa em benefícios de seus dependentes, resta nítido seu caráter habitual. Com relação à retribuitividade, temse benesse oferecida no contexto da relação laboral, restando caracterizada sua índole contraprestativa, pois o que motivou sua concessão foi justamente o fato de os beneficiários prestarem serviço ao Sujeito Passivo. De outra parte, como as bolsas de estudos aqui referidas ostentam natureza nitidamente remuneratória, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros vai depender de previsão expressa em norma de caráter tributário, mormente no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que, no que se refere a isenção, relaciona exaustivamente as parcelas ao abrigo desse favor legal no âmbito da Lei de Custeio Previdenciário. Especificamente com relação a educação, à época da ocorrência dos fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, a alínea “t” do referido § 9º, na assim dispunha: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais Fl. 757DF CARF MF 16 vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Notese que a isenção referida nos dispositivo acima abrangia: planos educacionais que visassem à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Referido plano: não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e deveria ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Desse modo, para que a contribuinte pudesse se valer da isenção, faziase necessária a estrita observância dos critérios estabelecidos em lei. Contudo, conforme destacado no Relatório Fiscal, as bolsas de estudo objeto da autuação foram ofertadas a dependentes dos empregados do Sujeito Passivo e a norma isentiva, na redação vigente à época dos fatos geradores, não contemplava a isenção para esse tipo de benefício. Não se pode olvidar que, sendo a isenção uma modalidade de exclusão do crédito tributário, a legislação relativa a esse favor legal deve ser interpretada literalmente, a teor do que estatui o art. 111 do Código Tributário Nacional. Portanto, não há como considerar satisfeitos os critérios estabelecidos para a isenção quando se está diante, como visto acima, de flagrante desrespeito à norma de regência. Diante da obrigatoriedade de interpretação literal da norma isentiva, não vejo como razoável suscitar a isenção concedida às parcelas pagas a título de auxílio creche a pretexto de estender o benefício fiscal ao auxílio educação destinado a dependentes de empregados, pois tratamse de rubricas absolutamente diversas. Do mesmo modo, não há como acolher o argumento de que o fato de a educação básica ser cursada, na maioria das hipóteses por crianças, tenha o condão de estender a isenção aqui referida às bolsas de estudo destinada a dependentes, posto que a norma legal, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento, não conduz a esse entendimento. Quisesse o legislador estender a isenção a planos educacionais destinados a dependentes de segurados empregados, teria feito referência expressa nesse sentido no texto legal. Aliás, a Lei nº 12.513/2011 até estendeu a isenção de contribuições previdenciárias e terceiros tanto a plano educacional quanto bolsa que vise à educação básica de dependentes de empregados. Porém, essa norma não acode o Sujeito Passivo, em virtude ser posterior aos fatos geradores que suscitaram o lançamento ora examinado. É que o art. 144 do CTN preconiza que “lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Apercebase que o lançamento foi efetuado em observância ao que dispõe o Código Tributário Nacional e a Lei nº 8.212/1991, não havendo que se falar em desobediência a princípios como o da legalidade, da tipicidade estrita ou de qualquer outro. Quanto às decisões administrativas e judiciais suscitadas pelo Sujeito Passivo, essas encerram contextos fáticos específicos, com arcabouço probatório próprio, e aplicamse as partes envolvidas nos litígios respectivos, não vinculando o julgador administrativo. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 9202008.051 CSRFT2 Fl. 10 17 Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento; e conheço das parcialmente das Contrarrazões da Contribuinte. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 759DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003429/2007-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 34 29 /2 00 7- 14 Fl. 63DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.345 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.003429/2007-14 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fl. 02, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2003, ano-calendário 2002, por meio do qual foi apurado saldo de imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$ 7.352,01, multa de ofício no valor de R$ 5.514,00 e juros de mora calculados até fevereiro/2007 no valor de R$ 4.603,82, perfazendo um total de R$ 17.469,83. O lançamento em foco incluiu o montante relativo a duas fontes pagadoras que não haviam sido informadas na declaração de ajuste anual da contribuinte. Em sua impugnação de fl. 01 e declarações de fls. 21 e 34, a requerente informa concordar com a inclusão dos rendimentos, mas questiona a aplicação da multa de oficio e da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios. Alega que deixou a cargo de outra pessoa a confecção e apresentação de sua declaração de ajuste. Requer ainda que o pagamento possa ser feito no maior número de parcelas possível A DRJ Dão Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => inicialmente, no que diz respeito à inclusão dos rendimentos do Instituto Educacional Piracicabano e da Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP, não só nada foi alegado pelo contribuinte, como ela concorda com a inclusão e portanto deve ser mantida. À luz do Decreto n° 70.2 3 5/72, a falta de contestação da requerente deve ser interpretado como reconhecimento da procedência do lançamento respectivo. Pois ao contribuinte cabe o ônus da impugnação específica dos fatos, sob pena de ser considerada não impugnada a matéria não expressamente contestada. => quanto a multa aplicada, impugnante questiona sua aplicação em função de ter havido um erro na elaboração da declaração de ajuste. Quanto a essa, matéria, é de se esclarecer que a multa 75% foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. Apesar da alegação de que não teria havido intenção da requerente na omissão dos rendimentos, o caso enquadra-se na hipótese legal, pois tratou-se de declaração inexata que levou à falta de pagamento de tributo, sujeitando-se, portanto, à aplicação da multa de ofício. => quanto a utilização da taxa Selic, a contribuinte também se insurge contra a utilização da mesma alegando que não mais possui o mesmo patamar de renda. A cobrança de juros de mora em percentual equivalente à SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, foi fixada pela Lei n° 9.065/1995 em seu art. 13. Exigência esta que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1 ° de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 3% da Lei n° 9.430/1996. Seu objetivo é reparar, com pecúnia,-o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago, repita-se, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. Eles não são Fl. 64DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.345 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.003429/2007-14 sinônimo nem de tributo, nem de penalidade. Assim, à autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, conforme ocorreu no caso presente, tanto quanto à multa qualificada quanto à aplicação da taxa referencial SELIC. Acrescente-se, ainda, que conforme constou à fl. 39, a requerente entrou com pedido de parcelamento referente ao principal e multa de 20% por meio do Processo n°10830.006972/2007-73. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte no pleito de não aplicação da multa e taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito - SELIC - Juros e multa aplicada No que se refere a aplicação da multa e Selic, vale frisar logo de início que aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Vale dizer, para os tributos federais deve ser aplicada a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. O termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. A Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Vejamos: Súmula nº 4 - CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Fl. 65DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.345 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.003429/2007-14 No que tange à multa, em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Apenas a título de ratificação, o STJ já se manifestou diversas vezes no sentido de que é legal o arbitramento realizado pelo Fisco, quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis a afastar a infração. A multa de oficio de 75% não se confunde com a multa de mora. Esta decorre do não pagamento no prazo do tributo. A multa de oficio é aplicada quando, em decorrência de fiscalização, é lavrado auto de infração, apurado o quantum devido e efetuado o lançamento de oficio. Inteligência do art. 44 , da Lei nº 9.430 /96. Ademais, conforme determinado no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de 27/12/96, nos lançamentos de oficio serão aplicadas as multas de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, quando das ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, no que tange à multa de 75%, em face do lançamento de oficio, a respectiva penalidade não pode ser reduzida nem dispensada, pois foi expressamente determinada pela legislação de regência. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901861/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS.
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, na atividade de mineração, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, satisfaçam a condição de essencialidade e relevância.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Os questionamentos apresentados pela embargante revelam apenas inconformismo ante a solução conferida ao caso concreto. Demonstrado que os ponto supostamente contraditório no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados, no ponto.
Numero da decisão: 3201-005.577
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange à reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item "Usa no processo" for "Não".
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS. Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, na atividade de mineração, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº’s 10.637/2002 e 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, satisfaçam a condição de essencialidade e relevância. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os questionamentos apresentados pela embargante revelam apenas inconformismo ante a solução conferida ao caso concreto. Demonstrado que os ponto supostamente contraditório no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados, no ponto. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 61 /2 01 2- 09 Fl. 2529DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange à reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item "Usa no processo" for "Não". (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) . Relatório Tratam-se de tempestivos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3201-003.316, de 31 de janeiro de 2018, fls. 1.845 a 1.895, integrado pelo Acórdão nº 3201-004.590, de 11 de dezembro de 2018, fls. 2.487 a 2.496, cujas ementas respectivas a seguir se transcrevem: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços Fl. 2530DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concede-se, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1 do art. 3 das Leis n s 10.637/2002 e 10.833/2003.” “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e á COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido á luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP n 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1 do art. 3 das Leis n s 10.637/2002 e 10.833/2003.” Alega a Embargante a ocorrência de omissão de fundamentação para a reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis, com base numa alegada jurisprudência pacífica do CARF, sem contudo analisar em que medidas tais itens seriam pertinentes e essenciais ao processo produtivo. Pontua, aparente contradição entre a constatação de que havia "plena aderência" dos insumos arrolados no anexo - doc. 4 – à "complexa atividade desenvolvida pela Embargante", feita pelo voto condutor da decisão embargada, e o fato de tais planilhas conterem "...uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada...". Questiona como pode ser reconhecida a "plena aderência" de tais insumos na atividade produtiva desenvolvida pela empresa, se, como reconhecido pelo próprio Relator, não foi possível a análise individualizada das glosas perpetradas pela Fiscalização. Alega, também, omissão de fundamentação para a reversão das glosas atinentes aos itens constantes do referido "doc . 4", tendo em vista que, inobstante o voto condutor da decisão embargada tenha afirmado a impossibilidade da análise individualizada daqueles itens, ao afastar o conceito restritivo de insumo, reverteu todas as glosas, sem contudo se manifestar acerca dos bens apontados pela Fiscalização como não tendo utilização no processo produtivo. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: “1 Omissões Fl. 2531DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Analisando-se as omissões pretextadas para a interposição do recurso, percebe-se que o embargante não se satisfez com a abordagem que fez o voto condutor do aresto embargado da prova e das alegações recursais. E com razão. Com relação à reversão das glosas atinentes a lubrificantes, graxas e óleos combustíveis (óleo diesel tipo B), utilizados nos “fora de estrada”, efetivamente, nos equivocamos, ao referir jurisprudência do CARF que reconheceu o direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com tais itens, em casos concretos cujos respectivos processos produtivos (produção de alimentos de origem animal, prospecção de óleo e gás derivados de petróleo e produção de combustíveis de origem vegetal) não guardavam a necessária similitude com o da Samarco (mineração). Como não nos ofereceram outro fundamento para a reversão das glosas de que se trata, necessário devolver o processo ao Colegiado, para nova integração. Com relação à reversão das glosas dos créditos tomados sobre os gastos com os itens constantes do Anexo (doc. 4 – Embargos de Declaração), efetivamente, reconhecemos que o rol juntado pelo embargante, realmente, continha uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Também é fato que adotamos equivocadamente a premissa de que o único critério adotado pela Fiscalização para a glosa desses créditos foi a inexistência do contato direto do item com o produto em fabricação, ainda que fosse essencial ao processo produtivo. Basta que se compulse a planilha nº 24, para constatar que a inexistência da ação direta foi apenas um dos critérios. Assim sendo, a referência ao REsp nº 1.221.170/PR não é fundamento suficiente para a reversão de todas as glosas, motivo adicional para devolver o processo ao Colegiado, para integração da decisão embargada. 2 Contradição O embargante ainda acusa a decisão recorrida de ser contraditória ao afirmar que havia "plena aderência" dos insumos arrolados no Anexo - doc. 4 – à "complexa atividade desenvolvida pela Embargante", feita pelo voto condutor da decisão embargada, e ao tempo em que reconhece expressamente que tais planihas continham "...uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada...". Cumpre gizar que a contradição que “autoriza os embargos de declaração é aquela interna ao acórdão, verificada entre a fundamentação do julgado e a sua conclusão, e não aquela que possa existir, por exemplo, com a prova dos autos” (STJ, REsp 322056), nem “a que porventura exista entre a decisão e o ordenamento jurídico; menos ainda a que se manifeste entre o acórdão e a opinião da parte vencida” (STF, Emb Decl RHC 79785). Assim, no caso, parece haver a contradição alegada pelo embargante, na medida em que as proposições – “Denota-se, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante.” – e – “O anexo juntado pela embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada.” – são inconciliáveis entre si.” É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator. - Da alegada omissão de fundamentação para a reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis, com base numa alegada jurisprudência pacífica do CARF Improcedem os argumentos da Embargante. Fl. 2532DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Necessário consignar que a decisão proferida em sede de Manifestação de Inconformidade em nenhum momento consignou que em relação aos combustíveis, estes seriam utilizados em áreas diversas da produtiva da contribuinte. A decisão possui a seguinte ementa: “NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins não-cumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina.” Como visto, a decisão recorrida em primeira instância negou o crédito em relação aos gastos com combustíveis em veículos utilizados na mina. Por sua vez, a Embargante se apega ao contido no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 2018, o qual consigna não haver o direito sobre os gastos com combustíveis incorridos em áreas que não sejam a do processo produtivo. Anota referido Parecer Normativo: “Já em relação a “gastos com veículos” que não permitem a apuração de tais créditos, citam-se, exemplificativamente, gastos com veículos utilizados: a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes; etc.” A argumentação produzida pela Embargante, data vênia, chega a ser até contraditória, pois em tópico de seus embargos afirma: “Ora, como é de conhecimento amplo não é qualquer combustível/lubrificante/graxa que deve ser considerado como insumo, mas tão somente aqueles exclusivamente utilizados no processo produtivo.” E prossegue: “Assim, necessário que o acórdão seja integrado para que sejam analisados os gastos com lubrificantes e graxas e com óleos combustíveis à luz da jurisprudência fixada no repetitivo do STJ, assim como do Parecer Cosit acima transcrito, ou seja, para que o afastamento da glosa se dê tão somente sobre os gastos com combustíveis/graxas/óleos efetivamente empregados no processo produtivo da empresa.” Repita-se, a decisão recorrida proferida ao julgar a Manifestação de Inconformidade consignou não poder ser descontados os créditos relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina, não mencionando gastos incorridos em áreas administrativas e outras, conforme consta no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 2018, invocado pela Embargante. É coerente admitir que os gastos com (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” integram o processo produtivo da empresa. A título ilustrativo colaciona-se excertos da planilha da própria fiscalização de que esta parte da alegação de que tais itens são utilizados no processo produtivo da contribuinte, ora embargada: Fl. 2533DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Apenas para que não pairem dúvida alguma sobre a correção da decisão proferida por este Colegiado em relação ao tema, acrescenta-se decisões desta Turma, em processos de relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, em processos que, como o presente, envolvem a atividade de mineração, em que foi reconhecido o direito ao crédito. Transcreve-se: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Assim, não há omissão alguma a ser sanada, eis que a decisão embargada adotou entendimento consagrado pelo CARF em relação ao tema, somente integrando-se ao julgado outras decisões que apreciaram a matéria envolvendo a atividade de mineração. (...)” (Processo nº 13646.000430/2010-68; Acórdão nº 3201-003.574; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 20/03/2018) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Fl. 2534DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)” (Processo nº 10650.901215/2010-29; Acórdão nº 3201-003.572; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreia; sessão de 20/03/2018) O fato de a decisão embargada ter utilizado como fundamento acórdãos que se referem a outras atividades produtivas diversas da exercida pela Samarco Mineração S/A não desnatura como razões de decidir, pelo contrário, ratificam o entendimento consolidado do CARF de que as despesas incorridas com combustíveis, lubrificantes, óleos, e graxas geram o direito ao crédito para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte e diversas atividades produtivas. Diante do exposto, apenas para fins de integração ao julgado anterior, acrescenta- se a fundamentação ora exposta. - Da aparente contradição entre a constatação de que havia "plena aderência" dos insumos arrolados no anexo - doc. 4 – à "complexa atividade desenvolvida pela Embargante" Novamente, não procede o argumento da Embargante. Não há reparo a ser feito na decisão embargada em relação a tal argumento, pois não há a “aparente contradição” apontada. Trata-se de mero inconformismo da Embargante com o decidido, não sendo a via de Embargos de Declaração adequada para a sua pretensão recursal. Importante transcrever o excerto da decisão embargada: “A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, Fl. 2535DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201-004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-de-açúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem-se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). (...) A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2536DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2537DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Fl. 2538DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 Denota-se, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante.” Assim, entendo que a pretensão da embargante, na verdade, é a rediscussão da matéria, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Ademais, em relação aos insumos constantes do referido documento “4”, os pertinentes esclarecimentos serão feitos no tópico seguinte. Diante do exposto, é de se inacolher os embargos de declaração neste ponto, ante a inexistência de “aparente contradição”. - Da alegada omissão de fundamentação para a reversão das glosas atinentes aos itens constantes do referido "doc . 4", tendo em vista que, inobstante o voto condutor da decisão embargada tenha afirmado a impossibilidade da análise individualizada daqueles itens, ao afastar o conceito restritivo de insumo, reverteu todas as glosas, sem contudo se manifestar acerca dos bens apontados pela Fiscalização como não tendo utilização no processo produtivo. No ponto, parcial razão assiste ao pleito da Embargante. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por este Colegiado. Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos da contribuinte tem-se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). Ocorre que, realmente, parcela de tais itens não se vinculam ao processo produtivo da empresa. A título ilustrativo transcrevo alguns dos itens: Neste contexto, em relação aos itens do documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, que não se vinculam com o seu processo produtivo, itens catalogados na “coluna Usa no processo”, cuja resposta for “Não”, não devem ser concedidos os créditos pleiteados. O CARF tem entendido que geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, satisfaçam a condição de essencialidade e relevância. Os itens que não integram o processo produtivo da empresa não podem gerar direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. Neste sentido, é de se colacionar o seguinte precedente: Fl. 2539DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-005.577 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901861/2012-09 “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008PIS/COFINS. (...) PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. (...)” (Processo nº 16692.720731/2014-78; Acórdão nº 3201-005.405; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 22/05/2019) Assim, é de se acolher os Embargos de Declaração em tal matéria, para manter a glosa em relação aos produtos (itens) elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte. Diante do exposto, é de se conhecer dos Embargos de Declaração interpostos e serem acolhidos de modo parcial, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange a reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item “Usa no processo” for “Não”. (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 2540DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.726497/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 30/12/2013
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência, sem que haja qualquer preterição do direito de defesa.
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste a nulidade suscitada da decisão de primeira instância, haja vista que o pressuposto fático apontado pela autuada encontra-se equivocado.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA.
A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma.
PEJOTIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, forma-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados, por meio de ilegal pejotização.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco.
DA ALÍQUOTA GILRAT. LEGALIDADE.
A contribuinte deve se sujeitar a alíquota GILRAT estabelecida pelo Decreto nº 6.957/09.
Numero da decisão: 2202-005.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 30/12/2013 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência, sem que haja qualquer preterição do direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste a nulidade suscitada da decisão de primeira instância, haja vista que o pressuposto fático apontado pela autuada encontra-se equivocado. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. PEJOTIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, forma-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados, por meio de ilegal pejotização. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco. DA ALÍQUOTA GILRAT. LEGALIDADE. A contribuinte deve se sujeitar a alíquota GILRAT estabelecida pelo Decreto nº 6.957/09.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência, sem que haja qualquer preterição do direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste a nulidade suscitada da decisão de primeira instância, haja vista que o pressuposto fático apontado pela autuada encontrase equivocado. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. PEJOTIZAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, formase o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados, por meio de ilegal “pejotização”. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 64 97 /2 01 5- 81 Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.016 2 Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É cabível a multa qualificada quando restar demonstrada a intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco. DA ALÍQUOTA GILRAT. LEGALIDADE. A contribuinte deve se sujeitar a alíquota GILRAT estabelecida pelo Decreto nº 6.957/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15504.726497/201581, em face do acórdão nº 09.60.917, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 26 de outubro de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “No presente processo constam os autos de infração abaixo identificados, cuja ciência do sujeito passivo deuse em 23/03/2016, mediante o recebimento pessoal do representante da empresa, conforme recibo registrado na folha de rosto dos autos de infração acostadas às fls. 3; 11 e 19. 1) AIOP DEBCAD nº 51.076.1690, (fls.03/10) lavrado em 18/03/2016, no valor original, sem juros e multa de R$688.197,88, relativo ao período de 01/2012 a 12/2013, Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.017 3 contendo a cobrança de contribuições previdenciárias patronais, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, acrescido da contribuição calculada em razão do FAP Fator Acidentário de Prevenção, incidentes sobre a remuneração dos segurados considerados empregados com a imputação da multa de ofício qualificada de 150%. 2) AIOP DEBCAD nº 51.076.1704 (fls.11/18) lavrado em 18/03/2016, no valor original, sem juros e multa, de R$173.100,03, contendo a cobrança de contribuições sociais de custeio das entidades e fundos SALÁRIOEDUCAÇÃO; INCRA; SENAC; SESC; SEBRAE, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, com a imputação da multa de ofício qualificada de 150%. 3) AIOP DEBCAD nº 51.076.1712 (fls.19/25) lavrado em 18/03/2016, no valor original, sem juros e multa, de R$271.839,96, contendo a cobrança de diferença de contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT com a imputação da multa de ofício de 75%. Os fatos geradores foram identificados nos levantamentos SE EMPREGADOS PESSOA JURÍDICA e DR DIFERENÇA DE RAT No Relatório Fiscal de fls. 61/83 a autoridade lançadora apresenta a seguinte situação: que a PLANEX S.A. Consultoria de Planejamento e Execução (PLANEX) é uma pessoa jurídica de direito privado que, conforme o artigo 3º de seu Estatuto Social tem como Objeto a prestação de serviços de Consultoria, Auditoria e Assistência Técnica nas áreas de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo e contratou diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), profissionais de áreas ligadas à atividade fim da mesma, por meio de Contratos de Prestação de Serviços onde os profissionais figuram como empresários (sócios das pessoas jurídicas). que a relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, não eventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº. 8.212/91 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”. que as evidências da relação de emprego podem ser comprovadas pelos Contratos de Prestação de Serviço os quais observam um modelo padrão, onde chama a atenção a enumeração de expressivas obrigações para as contratadas comparadas com as da Contratante (PLANEX) e destinamse aos seguintes objetivos: Serviços e projetos de engenharia em geral; Assessoria, consultoria, vistoria e elaboração de projetos de Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.018 4 engenharia em geral; Acompanhamento e fiscalização de obras; Estudos de tráfego viário; Consultoria administrativa e comercial. que a não eventualidade comprovase pelo exercício das atividades das contratadas em funções inerentes ao objetivo da PLANEX, pela continua renovação dos contratos conforme exemplo descrito no item 5.16, 5.17 e 5.19 do Relatório Fiscal. que a subordinação é comprovada pela determinação de exercer a função dentro dos padrões da PLANEX a quem compete fornecer instruções e especificações indispensáveis à execução dos trabalhos a exemplo do contrato formalizado com a SBG Engenharia de Projetos (José Alfredo Araújo e Nirdo Nonato Alves dos Reis) de onde se destaca o seguinte: a) Os serviços pactuados diziam respeito à coordenação, gestão e gerenciamento de projetos com a previsão de contratação de terceiros pela SBG Engenharia (José Alfredo Araújo e Nirdo Nonato Alves Dos Reis), com a prévia anuência da PLANEX: CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO 1.1 Constitui objeto deste Contrato a execução, pela CONTRATADA, de serviços de Coordenação, Gestão da Elaboração de Projetos e Gerencia de Implantação de unidades industriais para captação, tratamento e/ ou disposição de resíduos sólidos com geração de energia elétrica. Parágrafo Único Estão incluídas no presente escopo todas as atividades técnicas, financeiras e administrativas necessárias ao bom desempenho do objeto, bem como a contratação de terceiros com prévia anuência da CONTRATANTE. b) A autuada indicava o local onde deveriam ser prestados os serviços: CLÁUSULA QUINTA DO LOCAL DE EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS 5.1 A CONTRATANTE cederá à CONTRATADA local apropriado, dentro de sua estrutura administrativa, para a execução dos serviços ora pactuados. 5.2 Fica desde já pactuado que a CONTRATADA poderá prestar seus serviços nos locais indicados pela CONTRATANTE, correlacionados à implantação do objeto pactuado, inclusive em outros municípios. c) Como obrigação, a contratada deveria respeitar os critérios administrativos, técnicos e financeiros da PLANEX para a realização de compromissos; CLÁUSULA SEXTA DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA 6.1 São direitos e obrigações da CONTRATADA: ( ...) Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.019 5 D) Respeitar os critérios administrativos, técnicos e financeiros da CONTRATADA, analisando as previsões financeiras e administrativas para a realização de despesas e contratação de terceiros. d) Os prestadores de serviços teriam direito a férias: CLÁUSULA SEXTA DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA 6.1 São direitos e obrigações da CONTRATADA: ( ...) F) Ausentar de suas atividades em até 30 (trinta) dias corridos ao ano, sem prejuízo de sua remuneração, desde que por período não inferior a 10 (dez) dias e com anuência expressa da CONTRATANTE. que a pessoalidade na relação “PLANEX e os "Prestador de Serviços” se reforça na medida em que, os contratados declararam em GFIP que não possuem empregados registrados, fato que comprova serem os serviços executados pessoalmente por seus responsáveis e ainda na cláusula contratual de que os contratados não podem ceder ou transferir a terceiros os direitos e obrigações pactuados, sem o prévio consentimento da contratante. que as prestadoras de serviços contratadas "são originárias de trabalhadores que foram ou ainda são empregados da empresa". Após detalhar a existência dos pressupostos do vínculo empregatício o Auditor conclui que: ..... 5.36 Os elementos probatórios indicam a existência de dependência jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a autuada, uma vez que as pessoas físicas dos sócios achavamse à disposição desta para a realização de serviços contínuos e necessários à sua atividade. Logo, não há dúvida de que os serviços foram prestados com subordinação jurídica. 5.37 Pelo exposto, podese concluir com segurança pela existência da relação empregatícia entre a PLANEX e os profissionais supostamente contratados como pessoas jurídicas. Ressaltese que, nos termos do artigo 6º da CLT, a prestação de serviços pelo empregado podese dar em qualquer local, seja no estabelecimento do empregador ou em sua residência. Também não é requisito essencial na definição de empregado a exclusividade da prestação dos serviços ,ou seja, não é necessário que empregado preste serviços a somente um empregador, a despeito de, na presente auditoria a emissão de notas fiscais sequenciais, em muitos casos, indicarem que tal situação ocorreu. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.020 6 5.38 Desse modo, considerandose todo o conjunto probatório apresentado, os fatos constatados pela fiscalização e as características e peculiaridades das atividades laborais dos contratados, firmouse inequívoca convicção de que atendem integralmente aos pressupostos básicos – determinados pelo artigo 3º da CLT e inciso I do artigo 12 Lei 8.212.91 – necessários à caracterização destes segurados como empregados, quais sejam, não eventualidade subordinação e pessoalidade na prestação do trabalho mediante remuneração. 5.39 A realidade encontrada pela fiscalização relativa ao contrato de trabalho deve prevalecer em relação à forma da contratação apresentada pela empresa de acordo com o Regulamento da Previdência Social. Registra o Auditor que além de juntar aos autos cópia dos contratos firmados com as ditas "pessoas jurídicas", os valores das remunerações foram apurados por meio da análise de lançamentos contábeis na conta de passivo “Fornecedores” (código 2.1.01.01) e contrapartida nas contas de despesas “Serviços de 3º PJ” (código 3.1.01.01.0039) e “Serviços de 3º PJ/Insumos” (código 3.1.01.01.0064). Os valores foram confrontados e validados mediante exame da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte –DIRF e apresentados nas Planilhas indicadas como Anexos 04 a 35 acostados às fls. 91/128. No Anexo de nº 36, fls. 129, o auditor mostra o valor da alíquota ajustada do FAP; no Anexo 37 às fls. 130 foram indicadas as bases de cálculo da parte patronal e no Anexo 38, fls. 131 a fiscalização apresenta a base de cálculo do SAT/RAT, o valor da contribuição recolhido e apura a diferença exigida. Em 19/04/2016, conforme Termo de Solicitação de Juntada (fls. 880), a autuada pede a juntada da impugnação de fls. 881/904, onde após resumir o conteúdo dos autos, reclama que os contratos não foram listados no Relatório Fiscal, "tampouco foram devidamente identificadas as pessoas físicas com as quais haveria os alegados vínculos de emprego". Reclama, também, que não foi realizada "uma análise identificada e detalhada de cada caso e/ ou contrato em particular" . Afirma que "os contratos citados se tratam efetivamente de contratos de prestação de serviços, firmados entre duas pessoas jurídicas, com objetos diversos e com remuneração estritamente como contraprestação ao trabalho ou serviço realizado, trabalhos ou serviços estes de caráter específico e transitório, em valores livremente pactuados entre as partes". Em preliminar, pede a nulidade dos autos de infração por vício de fundamentação. Aduz que: .......... os Autos de Infração contêm fundamentação e motivação deficientes e omissas, diante da falta de análise individual e Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.021 7 discriminada de todos os elementos, que, em tese, configurariam a relação de emprego em CADA UM dos pretensos contratos de trabalho apurados. Ora, ao invés de analisar genericamente uma série de contratos de serviços, para depois considerálos TODOS como contratos de trabalho, sem uma análise individual de cada caso, teria a fiscalização que analisar os elementos de CADA suposto contrato de trabalho isoladamente, individualizado e detalhado caso a caso, com a presença de todos os requisitos de uma típica relação de emprego. Assim sendo, não fora realizada a devida análise caso a caso dos elementos do contrato de trabalho, quais sejam aqueles previstos no art. 9º, I, a do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, a saber: (i) pessoa física, que preste serviço a empresa; (ii) em caráter nãoeventual; (iii) sob sua subordinação; e (iv) mediante remuneração. Portanto, tais requisitos (pessoalidade, não eventualidade, subordinação e salário), para configuração do contrato de trabalho, devem estar TODOS presentes em CADA relação jurídica, que se pretenda caracterizar como de vínculo empregatício / laboral. Não foi o que fez a fiscalização. Em longo arrazoado, discorre sobre os pressupostos da relação empregatícia colacionando à peça de impugnação decisões administrativa e judicial e posições doutrinárias. Alega que os prestadores contratados não faturam seus serviços única e exclusivamente à empresa autuada, o que denota que são contratados por outras empresas, perante as quais faturam seus serviços e são remunerados. Deste modo, não há dependência econômica da autuada, fato demonstrável pela própria numeração não seqüencial das Notas Fiscais faturadas contra a empresa fiscalizada. Afirma que os contratos particulares, firmados por partes capazes e com objeto lícito e juridicamente possível, em princípio se tratam de atos jurídicos perfeitos, com presunção de validade, veracidade e legalidade. Transcreve decisões administrativas sobre o tema. Sobre a Multa qualificada, além de transcrever decisões administrativas sobre o assunto, diz que: Para haver sonegação, deve existir prova inequívoca de uma ação ou omissão DOLOSA, com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da fiscalização sobre ocorrência de fato gerador ou sobre as condições pessoais do contribuinte. Haverá fraude, com prova de ação ou omissão DOLOSA, com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador ou excluir ou modificar suas características, de modo a reduzir, evitar ou diferir seu pagamento. Já o conluio é o ajuste DOLOSO entre duas ou mais pessoas, visando a fraude ou sonegação fiscal. Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.022 8 No caso em apreço, não há nenhuma prova ou indício sequer de qualquer tipo de ação ou omissão DOLOSA, com o objetivo de impedir ou retardar a ação fiscal, muito antes ao contrário. Com efeito, toda a documentação e as informações solicitadas pela fiscalização sempre foram apresentadas prontamente da melhor maneira possível, sem nenhum tipo de atraso, embaraço ou artifício. No curso da ação fiscal, não houve um incidente sequer de vedar ou negar acesso à fiscalização, sobre qualquer ato, fato ou documento, tanto que não há registro ou reclamação da auditora fiscal a este respeito. Também não há qualquer indício, ou prova de nenhum tipo de ação ou omissão ou ajuste DOLOSO, para impedir, mascarar ou retardar fato gerador de tributo, que pudesse configurar fraude ou conluio. Sustenta que : O evidente intuito de fraude ou sonegação não se presume e deve ser demonstrado cabalmente pela fiscalização, sendo insuficiente, para caracterizar qualquer uma destas situações, que o Fisco meramente enuncie cenário de fundo fraudulento, pretensamente ligado ao contribuinte, sem comprovar que a sonegação intentada teve origem direta em mecanismo criminoso. No tocante à alíquota para financiamento dos graus de risco (SAT/RAT) que segundo a fiscalização é de 3% acrescida do FAP, e não de 1% conforme declarado pela autuada em GFIP diz que o aumento de alíquota deuse de forma absolutamente ilegal e inconstitucional (ofensa direta ao art. 5º, II da Constituição de 198818), eis que não fora promovido por meio de LEI, mas sim através de mero Decreto, emanado do Poder Executivo, que tem função meramente regulamentadora, mas jamais inovadora no ordenamento jurídico. Ressalta que: Com efeito, os serviços de engenharia prestados pela PLANEX são eminentemente de elaboração de planos diretores, estudos de viabilidade, estudos organizacionais e outros, relacionados com obras e serviços de engenharia, bem como elaboração de anteprojetos, projetos básicos e projetos executivos para trabalhos de engenharia, além do acompanhamento e fiscalização da execução de obras de engenharia (Códigos 7.03 e 7.19 da Lista de Serviços). Neste sentido, boa parte ou a quase totalidade dos serviços prestados são desenvolvidos no ambiente de escritórios, longe dos canteiros de obras, por se tratarem basicamente de estudos e projetos, o que indica que realmente a atividade, embora se trate de serviço de engenharia, realmente seja classificada como de RISCO LEVE. .............. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.023 9 .....a peticionária pugna, desde já, pela realização da competente PERÍCIA TÉCNICA em engenharia de segurança do trabalho, mesmo no âmbito do Processo Administrativo, para fins de se avaliar efetivamente qual o perfil das atividades desenvolvidas pela empresa e principalmente qual o seu real GRAU DE RISCO, mormente para fins de apuração e recolhimento das contribuições para o RAT. Requer, para todos os fins de direito, que as mesmas razões de recurso sejam aplicadas igualmente para Impugnação dos Autos de Infração AI/DEB CAD 51.076.1690 e AI/DEB CAD nº 51.076.1704. Por fim, seus pedidos se resumem nos seguintes pontos: anular totalmente todos os Autos de Infração impugnados, com conseqüente cancelamento dos créditos tributários; realização de PERÍCIA TÉCNICA em engenharia de segurança do trabalho para fins de se avaliar efetivamente qual o perfil das atividades desenvolvidas pela empresa e principalmente qual o seu real GRAU DE RISCO; e, SUBSIDIARIAMENTE, no caso de desprovimento das principais alegações de defesa e manutenção dos Autos de Infração requer que seja reduzida a multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento realizado, mantendo na integralidade o débito tributário. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 988/1012, reiterando as alegações expostas em impugnação. Ainda em seus pedidos requer a perícia técnica e, subsidiariamente, que fosse reduzida a multa de ofício de 150% para 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Nulidade da decisão de primeira instância. Defende a recorrente que “a decisão recorrida pecou gravemente pela FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO, sobretudo diante da omissão e negligência na análise da argumentação INDIVIDUALIZADA sobre a legalidade de cada contrato de serviços em questão.” Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.024 10 A decisão recorrida apreciou a referida questão, consoante abaixo se reproduz: “Em relação ao pedido de anulação do processo de constituição, sob a alegação de que a fiscalização deixou de analisar os elementos dos contratos isoladamente, individualizado e detalhado caso a caso, com a presença de todos os requisitos de uma típica relação de emprego (pessoalidade, não eventualidade, subordinação e salário), com vistas à configuração do contrato de trabalho, entendo que a alegação carece de pertinência, haja vista que no Relatório Fiscal, bem como nos anexos elaborados pela Fiscalização, vêse que foi, abundantemente, comprovado a existência dos pressupostos da relação empregatícia. Ademais, ao contrário do que diz a autuada, a autoridade lançadora, de forma minuciosa, nas planilhas acostada às fls. 84/128, identificou primeiro todas as "pessoas jurídicas" questionadas, depois todos os sócios destas pessoas jurídicas. Como exemplo do trabalho de identificação e apuração cabe destacar a planilha de fls. 90, onde se vê a identificação do prestador de serviço, a data de admissão e de rescisão na PLANEX, cargo que exercia e ainda a data da contratação na PLANEX como pessoa jurídica. Ressaltese, ainda, que a identificação e os termos da contratação podem ser conferidos, um a um, nos contratos anexados aos autos (fls.132/725). Daí ser inócua a alegação de que a fundamentação e motivação foram deficientes e omissas.” Assim, tendo a matéria sido apreciada pela decisão de piso, rejeitase a preliminar de nulidade de decisão de primeira instância. Nulidade do lançamento por vício de fundamentação. Quando a nulidade do lançamento por vício de fundamentação, verificouse, no item anterior, que a DRJ enfrentou tal matéria, sendo rejeitada tal preliminar. Comungo com o entendimento exarado pela DRJ de origem, entendo por também rejeitar tal preliminar de nulidade. Ocorre que, pelos anexos elaborados pela Fiscalização, verificase que foi comprovado a existência dos pressupostos da relação empregatícia. A autoridade lançadora, de forma minuciosa, conforme planilhas acostadas às fls. 84/128, identificou todas as "terceirizadas”, depois todos os sócios destas pessoas jurídicas. Como exemplo do trabalho de identificação e apuração cabe destacar a planilha de fl. 90, onde se vê a identificação do prestador de serviço, a data de admissão e de rescisão na PLANEX, cargo que exercia e ainda a data da contratação na PLANEX como pessoa jurídica. Ressaltese o exposto pela decisão de primeira instância, onde se refere que a identificação e os termos da contratação podem ser conferidos, um a um, nos contratos anexados aos autos (fls.132/725). Por tais fundamentos, rejeitase a preliminar de nulidade. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.025 11 Terceirização. Descaracterização. No mérito, no tocante à descaracterização das relações empresariais com as empresas relacionadas, onde a fiscalização concluiu que são componentes do sistema de produção da autuada, é importante destacar que os procedimentos fiscais, realizados junto à impugnante, seguiram rigorosamente a legislação em vigor, encontramse minuciosamente descritos no Relatório Fiscal e nas Planilhas anexas e foram respaldadas na legislação indicada no Anexo Fundamentos Legais de Débito, de modo que o sujeito passivo teve pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que motivaram o lançamento. Registrese que os acontecimentos descritos pela Fiscalização evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Por meio dos mesmos, em consonância com a autoridade lançadora, é possível firmar a convicção de que as empresas prestadoras de serviço, na verdade, constituem empresas utilizadas pela autuada como meio de contratar empregados com redução de encargos previdenciários. No Relatório Fiscal de fls. 61/83 a autoridade lançadora faz as seguintes constatações: 1) que a PLANEX S.A. Consultoria de Planejamento e Execução (PLANEX) é uma pessoa jurídica de direito privado que, conforme o artigo 3º de seu Estatuto Social tem como Objeto a prestação de serviços de Consultoria, Auditoria e Assistência Técnica nas áreas de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo e contratou diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), profissionais de áreas ligadas à atividade fim da mesma, por meio de Contratos de Prestação de Serviços onde os profissionais figuram como empresários (sócios das pessoas jurídicas). 2) que a relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, não eventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº. 8.212/91 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”. 3) que as evidências da relação de emprego podem ser comprovadas pelos Contratos de Prestação de Serviço os quais observam um modelo padrão, onde chama a atenção a enumeração de expressivas obrigações para as contratadas comparadas com as da Contratante (PLANEX) e destinamse aos seguintes objetivos: Serviços e projetos de engenharia em geral; Assessoria, consultoria, vistoria e elaboração de projetos de engenharia em geral; Acompanhamento e fiscalização de obras; Estudos de tráfego viário; Consultoria administrativa e comercial. 4) que a não eventualidade comprovase pelo exercício das atividades das contratadas em funções inerentes ao objetivo da PLANEX, pela continua renovação dos contratos conforme exemplo descrito no item 5.16, 5.17 e 5.19 do Relatório Fiscal. 5) que a subordinação é comprovada pela determinação de exercer a função dentro dos padrões da PLANEX a quem compete fornecer instruções e especificações indispensáveis à execução dos trabalhos a exemplo do contrato formalizado com a SBG Engenharia de Projetos (José Alfredo Araújo e Nirdo Nonato Alves dos Reis) de onde se destaca o seguinte: Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.026 12 a) Os serviços pactuados diziam respeito à coordenação, gestão e gerenciamento de projetos com a previsão de contratação de terceiros pela SBG Engenharia (José Alfredo Araújo e Nirdo Nonato Alves Dos Reis), com a prévia anuência da PLANEX: CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO 1.1 Constitui objeto deste Contrato a execução, pela CONTRATADA, de serviços de Coordenação, Gestão da Elaboração de Projetos e Gerencia de Implantação de unidades industriais para captação, tratamento e/ ou disposição de resíduos sólidos com geração de energia elétrica. Parágrafo Único Estão incluídas no presente escopo todas as atividades técnicas, financeiras e administrativas necessárias ao bom desempenho do objeto, bem como a contratação de terceiros com prévia anuência da CONTRATANTE. b) A autuada indicava o local onde deveriam ser prestados os serviços: CLÁUSULA QUINTA DO LOCAL DE EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS 5.1 A CONTRATANTE cederá à CONTRATADA local apropriado, dentro de sua estrutura administrativa, para a execução dos serviços ora pactuados. 5.2 Fica desde já pactuado que a CONTRATADA poderá prestar seus serviços nos locais indicados pela CONTRATANTE, correlacionados à implantação do objeto pactuado, inclusive em outros municípios. c) Como obrigação, a contratada deveria respeitar os critérios administrativos, técnicos e financeiros da PLANEX para a realização de compromissos; CLÁUSULA SEXTA DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA 6.1 São direitos e obrigações da CONTRATADA: ( ...) D) Respeitar os critérios administrativos, técnicos e financeiros da CONTRATADA, analisando as previsões financeiras e administrativas para a realização de despesas e contratação de terceiros. d) Os prestadores de serviços teriam direito a férias: CLÁUSULA SEXTA DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA 6.1 São direitos e obrigações da CONTRATADA: ( ...) F) Ausentar de suas atividades em até 30 (trinta) dias corridos ao ano, sem prejuízo de sua remuneração, desde que por período não inferior a 10 (dez) dias e com anuência expressa da contratante. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.027 13 6) que a pessoalidade na relação “PLANEX e os "Prestador de Serviços” se reforça na medida em que, os contratados declararam em GFIP que não possuem empregados registrados, fato que comprova serem os serviços executados pessoalmente por seus responsáveis e ainda na cláusula contratual de que os contratados não podem ceder ou transferir a terceiros os direitos e obrigações pactuados, sem o prévio consentimento da contratante. 7) que as prestadoras de serviços contratadas "são originárias de trabalhadores que foram ou ainda são empregados da empresa". Ademais, após detalhar a existência dos pressupostos do vínculo empregatício a autoridade fiscal assim concluiu: “5.36 Os elementos probatórios indicam a existência de dependência jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a autuada, uma vez que as pessoas físicas dos sócios achavamse à disposição desta para a realização de serviços contínuos e necessários à sua atividade. Logo, não há dúvida de que os serviços foram prestados com subordinação jurídica. 5.37 Pelo exposto, podese concluir com segurança pela existência da relação empregatícia entre a PLANEX e os profissionais supostamente contratados como pessoas jurídicas. Ressaltese que, nos termos do artigo 6º da CLT, a prestação de serviços pelo empregado podese dar em qualquer local, seja no estabelecimento do empregador ou em sua residência. Também não é requisito essencial na definição de empregado a exclusividade da prestação dos serviços, ou seja, não é necessário que empregado preste serviços a somente um empregador, a despeito de, na presente auditoria a emissão de notas fiscais sequenciais, em muitos casos, indicarem que tal situação ocorreu.” Desse modo, considerandose todo o conjunto probatório apresentado, os fatos constatados pela fiscalização e as características e peculiaridades das atividades laborais dos contratados, firmouse inequívoca convicção de que atendem integralmente aos pressupostos básicos – determinados pelo artigo 3º da CLT e inciso I do artigo 12 Lei 8.212.91 – necessários à caracterização destes segurados como empregados, quais sejam, não eventualidade subordinação e pessoalidade na prestação do trabalho mediante remuneração. Não se trata aqui de configuração de vínculo empregatício, pois o mesmo existe de forma evidente, vêse que os formalismos dos contratos de trabalho foram observados junto às empresas “terceirizadas”, todavia nas relações trabalhistas deve prevalecer a situação fática, sendo aplicável, ao caso, o princípio da primazia da realidade sobre a forma. A essência do ato jurídico é o fato e não a forma, no caso, convence a fiscalização que o efetivo empregador diverge da formalidade aparente. Ressaltese que dentro de suas prerrogativas legais, decorrentes dos artigos 142 e 149 do CTN e do art. 33 e § 1.º da Lei n.º 8.212/91, a AuditoriaFiscal tem o poderdever de fiscalizar e identificar, conforme a situação fática apresentada, a realidade dos fatos geradores ocorridos, isto é, a verdade material, em detrimento dos aspectos meramente formais dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte. Não se pode conceber que a situação de Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.028 14 regularidade cadastral, contábil e contratual entre os envolvidos implique a “homologação tácita” de tal contexto, por parte do Fisco, impossibilitando posteriores verificações quanto à real natureza das operações e fatos pertinentes. Admitirse isso significaria inviabilizar por completo as atividades fiscalizatórias da RFB. O que interessa no presente lançamento serão as circunstâncias trazidas pela fiscalização, no tocante ao interrelacionamento das partes envolvidas, às respectivas constituições societárias, o modus operandi e a maneira como se apresentavam perante o fisco. Em si mesmo, não há impedimento legal para duas ou mais empresas desenvolverem atividades econômicas correlatas, tendo por motivo uma suposta racionalizações de custos operacionais. Porém, a série de evidências encontradas pela fiscalização denota uma situação empresarial atípica, que vai de encontro, isto é, em franca oposição, à alegação de que as empresas envolvidas possuiriam independência organizacional, jurídica e econômica. Temse como realidade que o ônus da prova recai sobre o fisco, na medida em que deve demonstrar, com base em fatos e indícios concretos, prováveis de per si, a construção lógica e coerente de uma situação que permita a nova qualificação jurídica dos negócios ou operações realizadas. Os fatos apontados, os quais, seja sob a ótica da fiscalização, seja com os contrapontos por parte da defesa, irão delinear a possibilidade ou não de sua requalificação jurídica. Com base nos autos, não se pode propugnar que a autuada e suas “terceirizadas” são independentes entre si, com atividades econômicas próprias e autônomas. Verificase uma acentuada dependência com a autuada, na medida em que esta devia entregar toda a produção àquela e trabalhava mediante o uso de material e maquinário fornecido pela autuada. Pelos elementos probatórios coletados pela fiscalização vêse que não se pode falar em independência organizacional em razão da unidade de direção existente. É perfeitamente razoável concluir que a direção dos rumos empresariais é traçada de forma centralizada, tanto no aspecto gerencial como no aspecto técnico da produção. A questão que se coloca é sobre a legitimidade ou não do “planejamento tributário” realizado, assim denominado pela doutrina majoritária como uma disposição dos negócios da autuada com o intuito de economizar tributos, dentro dos limites legais. A depender das circunstâncias e do contexto subjacente, o planejamento realizado pode amoldarse a uma elisão fiscal (lícita, portanto); ou, ao contrário, pode apresentarse de forma abusiva, muitas vezes com o escopo de atingir negócio jurídico indireto, tornandose, então, ilegal e passível de descaracterização por parte do Fisco. Observase, no presente caso, que os serviços prestados pelas “terceirizadas” coincidem com a atividadefim da empresa autuada ou são necessários para que esta atinja seu objeto social. A possibilidade de terceirizar a atividadefim foi já apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (ADPF 324 e RE 958252, julgado em 30.08.2018), onde aprovouse a seguinte tese de repercussão geral no Recurso Extraordinário: “É licita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante”. Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.029 15 No entanto, diante a realidade dos fatos sobre os quais se discorreu, demonstra que o vínculo empregatício dos empregados das “terceirizadas” (“filhas”), efetivamente, realizouse com a empresa autuada, dada a existência de elementos caracterizadores da relação laboral (pessoalidade, habitualidade, subordinação hierárquica e remuneração). Desse modo, ainda que lícito terceirizar a atividadefim, verificase que, no caso concreto, a autuada fez a terceirização de forma simulada, tão somente para fins de economia fiscal. Os fatos arrolados pela fiscalização, caso considerados de maneira isolada, poderiam não configurar necessariamente nenhuma ilegalidade e até ser justificados por questões circunstanciais. Entretanto, considerados em conjunto, dentro de um contexto abrangente, dão a convicção de uma disposição empresarial atípica permitindo à empresa Autuada beneficiarse das prerrogativas de tributação que, de outra forma, não lhe seria possível usufruir. A questão gravita, antes da análise de qualquer permissivo legal, em torno dos princípios do Direito, dentre os quais se destaca o da primazia da substância sobre a forma, em atenção ao qual deve a autoridade fiscalizadora, em cada situação analisada, avaliar a correspondência entre o fato concreto e a forma com a qual este se apresenta, prevalecendo, em caso de discordância entre ambos, o primeiro (fato concreto), entendimento que está em consonância com o princípio da verdade material, que também integra o processo administrativo fiscal. Tal prerrogativa encontra respaldo na legislação vigente. Vejamos alguns dispositivos contemplados no Código Tributário Nacional: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. (grifouse) *** Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) *** Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.030 16 *** Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Na seara previdenciária, o artigo 33, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, atribui ao órgão fiscalizador competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições ali previstas. Assim, incumbe à RFB, portanto, a execução da atividade de fiscalização das contribuições sociais, atividade essa que envolve o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a efetiva matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Assim, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados, restando evidente a possibilidade de o AuditorFiscal desconsiderar atos e fatos aparentes e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Dessa forma, pode o Fisco, com respaldo na legislação vigente, desconsiderar o vínculo formalmente existente entre trabalhadores de determinada categoria ou empresa e efetuar o enquadramento como segurados previdenciários da empresa para os quais efetivamente prestam os serviços, nos termos do art. 229 e § 2º c/c art. 9º, caput e inciso I, do Decreto n.º 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS): Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.031 17 Portanto, conforme mencionado anteriormente, a realidade dos fatos, no presente caso, demonstra que o vínculo empregatício se fez, efetivamente, com a empresa autuada, dada a existência de elementos caracterizadores da relação laboral (pessoalidade, habitualidade, subordinação hierárquica e remuneração). No presente caso, todo o conjunto probatório, relatado pela fiscalização ancorado em elementos e evidências robustas, repitase, não de forma isolada, mas dentro de um contexto abrangente e coeso, atinente à disposição empresarial atípica, à unicidade dos meios produtivos, com centralização de gestão e direção dos negócios, leva à convicção de que a realidade fática essencial das atividades realizadas pela empresa autuada foi modificada artificialmente. E tal artifício teve como propósito oferecer validade jurídica e formal a uma disposição negocial exclusivamente concebida e destinada a obter vantagens fiscais. O objeto da tributação, no caso foi o negócio jurídico causal, e não necessariamente o negócio jurídico formal, principalmente quando a forma adotada não reflete a causa de sua utilização, conforme está consignado expressamente no art. 118 do Código Tributário Nacional. No tocante à comprovação dos pressupostos do vinculo empregatício, entendo que a existência dos pressupostos já se encontra formalizada, pois os empregados são detentores de contrato de trabalho. O cerne da questão é o empregador, que, no caso, a fiscalização entendeu, mediante contundentes elementos de prova acostados aos autos, ser a autuada e não as empresas “terceirizadas”. A título de ilustração, ressaltase que a prestação de serviços de natureza não eventual está associada ao caráter permanente do serviço e não da pessoa que o executa. Logo se a utilização da força de trabalho é necessária para o atendimento dos serviços que a empresa deve manter em efetivo funcionamento, não se pode falar em trabalho eventual. A habitualidade também é marcada pela sucessão dos serviços prestados, já que, como afirma a autuada, há especialidades no campo de atuação cuja duração de suas necessidades são indetermináveis. A pessoalidade está presente, pois o contrato de trabalho é "intuitu personae", é feito por pessoa certa e determinada, por fim a subordinação estabelecida em lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação dos serviços executados como melhor lhe aprouver, estabelecendose em função da natureza e da condição em que o trabalho é realizado. Pelos fatos narrados vêse que o controle dos serviços prestados é da autuada pois detêm o verdadeiro poder diretivo e orientador. Ficou claro nos autos que são os administradores da autuada quem definem os padrões, normas, critérios e procedimentos dos serviços. A onerosidade na execução dos trabalhos pelos segurados é evidenciada pelas remunerações dos serviços prestados, devidamente reconhecidos contabilmente, além da emissão de diversas notas fiscais de serviço, devidamente aprovadas. Ocorre que vigora o princípio da primazia da realidade sobre a forma, de modo que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Ademais, tal entendimento se coaduna com o princípio da verdade material. Diante dos fatos, entendo por correto o entendimento da autoridade lançadora, que bem entendeu por descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento tributário, a relação real entre as empresas. Destarte, a fiscalização Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.032 18 adequadamente se baseou nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP das empresas pseudoterceirizadas para apurar o valor das remunerações. Ou seja, utilizouse de documentos das empresas que considerou integrantes da estrutura do sujeito passivo para identificar a base de cálculo das contribuições devidas. Desse modo, comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, em uma situação de ilegal “pejotização”, formase o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados. Dessa forma, é de se julgar correta a desconsideração do vínculo formal dos trabalhadores em relação às empresas “terceirizadas e a consequente caracterização daqueles como segurados empregados da Autuada, para fins previdenciários. Multa qualificada. Alega a recorrente que a multa qualificada, em percentual de 150%, além de ser inconstitucional, é inaplicável ao caso em questão, e, portanto, deve ter a sua aplicação afastada. Sobre a qualificação da multa, vejamos o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.033 19 criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (grifouse) Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30/11/1964, assim estabelecem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Observase, dentre as hipóteses capituladas nos dispositivos transcritos acima emerge, em comum, a figura jurídica do dolo. E, na forma antes demonstrada, a conduta específica e concreta da empresa autuada, em relação às suas obrigações fiscais, teve a intenção de reduzir o montante de tributos devidos, mediante expedientes destinados a subtrair dos cofres públicos parte substancial da obrigação principal de sua responsabilidade. Segundo demonstrado pela fiscalização, a autuada utilizouse de interpostas pessoas jurídicas, para contratação de segurados empregados, utilizados na execução de suas atividades administrativas e operacionais, com vistas a ocultar a ocorrência de contribuições previdenciárias. Portanto, temse por correta a qualificação da multa de ofício, na forma do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao pedido de aplicação do art. 112 do CTN “caso paire algum dúvida sobre o tema”, devendose ser aplicada a legislação mais benéfica, entendo que não há dúvida alguma, sendo firme o posicionamento acima exposto, de que correta a qualificação da multa de ofício, razão pela qual, incabível a aplicação do art. 112 do CTN, na forma requerida pela autuada. Da alíquota GILRAT. Sustenta a recorrente que de acordo com o Auto de Infração, a contribuinte teria declarado incorretamente em GFIP a alíquotabase GILRAT (do SAT/RAT) em 2012 e Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 15504.726497/201581 Acórdão n.º 2202005.264 S2C2T2 Fl. 1.034 20 2013 como sendo 1% ao invés de 3%, o que teria gerado uma diferença a menor de alíquota da ordem de aproximadamente 2% em 2012 e 2013, pois as alíquotas corretas seriam de 3,0642% em 2012 (3% x 1,0214 FAP) e 3,0339% em 2013 (3% x 1,0113 FAP). Diante disso, aduz que “o Decreto Federal nº 6.957, de 9 de setembro de 2009, alterou o anexo V do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 (Regulamento Geral da Previdência Nacional), com vigência a partir do dia 1º de janeiro de 2010, majorando assim de forma abrupta, arbitrária e sem qualquer tipo de critério, boa parte das alíquotas GILRAT em vigor no país”. Postula a redução da alíquota base para 1%, por entender que possui grau de risco leve. Embora a contribuinte se considere como grau de risco leve, o Decreto nº 6.957/09 estabeleceu que o GILRAT teria alíquota de 3% para as empresas que possuem a mesma atividade empresarial da contribuinte. Desse modo, ainda que a contribuinte discorde do enquadramento realizado, todas as empresas do país que possuem a atividade preponderante de CNAE igual ao dela devem recolher o GILRAT com a referida alíquota. Ainda, quando ao pedido de perícia para se verificar o grau de risco da empresa, entendo por indeferilo, por impertinente, haja vista que o enquadramento se dá pelo CNAE da empresa de sua atividade preponderante. Portanto, improcedem as alegações da recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1034DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720008/2010-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
ITR - IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA EXAÇÃO - ESBULHO - PERDA DA PROPRIEDADE - PRELIMINAR - ILEGITIMIDADE PASSIVA - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE
Comprovado que o recorrente perdeu a propriedade do imóvel pelo decurso do tempo, mediante usucapião de terceiros, há que se reconhecer a ilegitimidade passiva por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2002-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Virgílio Cansino Gil que a rejeitaram.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Virgílio Cansino Gil que a rejeitaram. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 01 a 05), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu autuação sob os seguintes fundamentos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 00 08 /2 01 0- 67 Fl. 667DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.236 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.720008/2010-67 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$4.453,32, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, apresentada pelo contribuinte, que conforme decisão da DRJ: Em 26/08/2010 o interessado apresentou impugnação, f. 20-24, e, após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Afirma que é proprietário do imóvel rural em questão por direito hereditário, o que busca ser reconhecido no Processo de Inventário n° 29/2005, da Ia Vara de Família e Sucessões da Comarca de Franca-SP, no qual figura como inventariante, conforme cópias às f. 26-28. Alega que desde 1999 a área vem sendo ocupada, indevidamente, por loteamentos residenciais. Que há evidências de fraude nos títulos aquisitivos desses imóveis. Em seguida, afirma que resta uma área muito pequena da propriedade rural, conforme ilustram os mapas anexos (f. 46-48). Alega que impetrou ações reivindicatórias visando à recuperar a propriedade das áreas ocupadas, identificando, na impugnação, os correspondentes processos judiciais. Alega também que foi instaurado inquérito civil pela 2a Promotoria Pública de Habitação e Urbanismo de Franca, para apurar esses fatos, conforme termo de audiência às f. 41-45. Em razão disso, o impugnante está privado da propriedade e da posse do imóvel, a ponto de poder se considerar momentaneamente inexistente o bem declarado. Também em razão disso, o impugnante está impedido de providenciar a avaliação do imóvel. Por fim, cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da Ia Região, no sentido de se exonerar do pagamento do ITR o proprietário de imóvel esbulhado. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, em 06/01/2012, no acórdão 04-27.021, às e-fls. 56 a 59, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 08/03/2012, às e-fls. 64 a 665, no qual alega, em síntese que: Fl. 668DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.236 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.720008/2010-67 É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 07/02/2012, e-fls. 62, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/03/2012, e-fls. 64, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 01 a 05), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu arbitramento do VTN, vez que não comprovados pela contribuinte. Em sua peça irresignatória, o contribuinte alega ilegitimidade passiva em relação a exação vez que, em que pese seja o real proprietário do imóvel, desde 1999 a área vem sendo ilegalmente ocupada por loteamentos. Assim, inconcebível o imóvel passar por esbulho e o recorrente ainda ser compelido a pagar ITR incidente sobre a área. A DRJ manteve a autuação e afastou a preliminar de ilegitimidade passiva alegada pelo contribuinte, nos seguintes termos: O termo de audiência em inquérito civil da 2a Promotoria Pública de Habitação e Urbanismo de Franca-SP, f. 41-45, refere-se a depoimento do próprio impugnante; Não existe prova de eventual alteração da natureza da área de localização do imóvel, de rural para urbana, nos termos do plano diretor do município, o que supostamente autorizaria o loteamento do terreno, com conseqüente instalação de condomínios residenciais, bem como extinguiria a hipótese de incidência do Imposto Territorial Rural em virtude de o imóvel não mais se localizar fora da zona urbana do município. Em relação às ações reivindicatórias propostas pelo impugnante, identificadas na impugnação por número, vara e comarca judicial, não constam, nos autos, cópia da petição inicial, eventuais provas produzidas e decisões judiciais nelas proferidas, cuja omissão não permite saber se elas se referem ao mesmo bem imóvel, qual é o seu objeto e a sua extensão. Fl. 669DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.236 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.720008/2010-67 Por fim, não existe, nos autos, a medição, através de memorial ou documento equivalente, da área remanescente. Como se vê, na ausência de prova eficaz em contrário, conclui-se que o impugnante, na condição de proprietário do imóvel, está legitimado a integrar o pólo passivo do presente lançamento. Da sujeição passiva - legitimidade para compor a lide Em sua defesa, o contribuinte, a todo tempo, alega que, em que pese ser formalmente proprietário do imóvel objeto da incidência de ITR, desde 1999 diversos loteamentos começaram a ocupar indevidamente o local. Desta feita, ajuizou inúmeras ações reivindicatórias no Judiciário. O ITR está previsto no artigo 153, VI da Constituição Federal de 1988 e no artigo 29 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Abaixo o teor dos artigos supra mencionados: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) VI - propriedade territorial rural; Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Redação similar possui o caput do artigo 1ª da Lei nº 9.393/96, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR,de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. (...) Conforme o artigo 31 do CTN o contribuinte da exação é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título: Fl. 670DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.236 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.720008/2010-67 Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. O caput do artigo 4º também trata da sujeição passiva da exação: Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. (...) Feitas estas considerações, a discussão em tela cinge-se sobre o questionamento se o fisco pode ou não cobrar ITR do proprietário quando, inequívoca e comprovadamente, não exerce a posse direta do imóvel, atribuída a terceiros. Compulsando-se os autos, às e-fls. 589 a 599 há sentenças judiciais que comprovam que o recorrente perdeu a propriedade do referido imóvel pelo decurso do tempo, mediante usucapião de terceiros. Logo, como o recorrente não possui a propriedade do terreno, acolho a preliminar suscitada pelo contribuinte considerando o lançamento improcedente por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Nesta linha, segue decisão do STJ no REsp 1144982 PR 2009/01147493: TRIBUTÁRIO. ITR. INCIDÊNCIA SOBRE IMÓVEL. INVASÃO DO MOVIMENTO "SEM TERRA". PERDA DO DOMÍNIO E DOS DIREITOS INERENTES À PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE DA SUBSISTÊNCIA DA EXAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Conforme salientado no acórdão recorrido, o Tribunal a quo, no exame da matéria fática e probatória constante nos autos, explicitou que a recorrida não se encontraria na posse dos bens de sua propriedade desde 1987. 2. Verifica-se que houve a efetiva violação ao dever constitucional do Estado em garantir a propriedade da impetrante, configurando-se uma grave omissão do seu dever de garantir a observância dos direitos fundamentais da Constituição. 3. Ofende os princípios básicos da razoabilidade e da justiça o fato do Estado violar o direito de garantia de propriedade e, concomitantemente, exercer a sua prerrogativa de constituir ônus tributário sobre imóvel expropriado por particulares (proibição do venire contra factum proprium). 4. A propriedade plena pressupõe o domínio, que se subdivide nos poderes de usar, gozar, dispor e reinvidicar a coisa. Em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, essa propriedade não é plena quando o imóvel encontra-se invadido, pois o proprietário é tolhido das faculdades inerentes ao domínio sobre o imóvel. 5. Com a invasão do movimento "sem terra", o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; conseqüentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para a proprietária. 6. Ocorre que a função social da propriedade se caracteriza pelo fato do proprietário Fl. 671DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.236 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13855.720008/2010-67 condicionar o uso e a exploração do imóvel não só de acordo com os seus interesses particulares e egoísticos, mas pressupõe o condicionamento do direito de propriedade à satisfação de objetivos para com a sociedade, tais como a obtenção de um grau de produtividade, o respeito ao meio ambiente, o pagamento de impostos etc. 7. Sobreleva nesse ponto, desde o advento da Emenda Constitucional n. 42/2003, o pagamento do ITR como questão inerente à função social da propriedade. O proprietário, por possuir o domínio sobre o imóvel, deve atender aos objetivos da função social da propriedade; por conseguinte, se não há um efetivo exercício de domínio, não seria razoável exigir desse proprietário o cumprimento da sua função social, o que se inclui aí a exigência de pagamento dos impostos reais. 8. Na peculiar situação dos autos, ao considerar-se a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade. 9. Recurso especial não provido. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva. (caso o colegiado entenda por não acolher a preliminar, mantenho a autuação pois o VTN não está comprovado) (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 672DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727879/2013-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM FORMULÁRIO (PAPEL). VEDAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL. LEGITIMIDADE.
As normas da Receita Federal podem condicionar a tramitação dos Pedidos de Restituição/Ressarcimento ou Declarações de Compensação à sua transmissão por meio eletrônico (via Programa PER/DCOMP). Somente é cabível a utilização de formulário para pedido de ressarcimento com a devida comprovação da impossibilidade do uso do Programa.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. INAPLICABILIDADE DO CONCEITO UTILIZADO PELA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
De acordo com inciso II do art. 3o da Lei no 10.833/03, de mesmo teor do inciso II do art. 3o da Lei no 10.637/02, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro dos critérios da essencialidade e relevância, desde que o bem ou serviço seja essencial/relevante à atividade produtiva. Não se aplica à apuração do PIS não cumulativo o critério estabelecido para insumos utilizado pela legislação do Imposto de Renda.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62, §2o DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2o , do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei no 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido. Não comprovada a aquisição dos bens ou fornecimento dos serviços, é cabível o indeferimento de pedidos de restituição/ressarcimento de créditos, a título de bens e serviços utilizados como insumos.
Numero da decisão: 3001-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação ao indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM FORMULÁRIO (PAPEL). VEDAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL. LEGITIMIDADE. As normas da Receita Federal podem condicionar a tramitação dos Pedidos de Restituição/Ressarcimento ou Declarações de Compensação à sua transmissão por meio eletrônico (via Programa PER/DCOMP). Somente é cabível a utilização de formulário para pedido de ressarcimento com a devida comprovação da impossibilidade do uso do Programa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. INAPLICABILIDADE DO CONCEITO UTILIZADO PELA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. De acordo com inciso II do art. 3o da Lei no 10.833/03, de mesmo teor do inciso II do art. 3o da Lei no 10.637/02, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro dos critérios da essencialidade e relevância, desde que o bem ou serviço seja essencial/relevante à atividade produtiva. Não se aplica à apuração do PIS não cumulativo o critério estabelecido para insumos utilizado pela legislação do Imposto de Renda. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62, §2o DO RICARF. Segundo o art. 62, §2o , do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei no 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 78 79 /2 01 3- 51 Fl. 173DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido. Não comprovada a aquisição dos bens ou fornecimento dos serviços, é cabível o indeferimento de pedidos de restituição/ressarcimento de créditos, a título de bens e serviços utilizados como insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação ao indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Refere-se o presente processo a litígio instaurado em decorrência de indeferimento de solicitação de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, referentes a períodos de apuração compreendidos entre os anos de 2008 a 2012, no valor de R$ 35.741,33, calculados sobre os custos incorridos pela recorrente com despesas com propaganda e publicidade. Por economia processual e por bem sintetizar e retratar a realidade dos fatos, reproduzo o Relatório da decisão de primeira instância. “Trata o presente processo de formalização, em formulário, de Pedido de Restituição ou Ressarcimento, em 3 de setembro de 2013, referente a suposto crédito oriundo de Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep, referente ao período compreendido entre 2008 a 2012, no valor de R$ 35.741,33. O motivo do pedido seria o “crédito” calculado sobre os custos incorridos com despesas com propaganda (art. 366 do Regulamento do Imposto de Renda -RIR), de acordo com o conceito de insumo proveniente da legislação do Imposto de Renda. Analisadas as informações relacionadas ao citado pleito, foi emitido Despacho Decisório Nº 1128/2014 – DRF/GOI (fls. 46/53, em 25/11/2014, INDEFERINDO TOTALMENTE o crédito pleiteado, no montante de R$ 35.741,33, por falta de previsão legal ou tutela judicial para o ressarcimento, conforme fundamentos do referido Despacho. Fl. 174DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 59/93) em 12 de dezembro de 2014, com as seguintes razões de fato e de direito. Primeiramente, quando a necessidade da devida comprovação da impossibilidade do uso do Programa PERDCOMP para a utilização do formulário para Pedido de Ressarcimento, alega que a IN SRF 460/2004 criou uma modalidade mais célere para o contribuinte requerer, via eletrônica, restituição/ressarcimento/compensação, mas nunca impediu o envio via formulário, seja qual for a impossibilidade do uso da via eletrônica. Complementa que mesmo que a interpretação do Art. 3º, § 1º da IN SRF 460/2004 leve a hipótese absurda de que o pedido de restituição só seria aceito se efetuado através da utilização de programa eletrônico de pedido de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP, tal interpretação da Instrução normativa seria ilegal por contrariar norma hierarquicamente superior que nunca condicionou o direito de restituição à condição de utilização da via eletrônica (via internet). Somente a Lei poderia impor condições restritivas ao acesso dos contribuintes a Receita Federal. Neste mesmo sentido argui que não encontra respaldo no ordenamento jurídico nacional, a exigência de que o credito pleiteado deva ser feito individualizadamente, por trimestre-calendário. Discordando da decisão proferida, defende que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e demais alterações posteriores, que instituíram a sistemática da não-cumulatividade das contribuições do Pis e Cofins, permitem o creditamento de todos os custos e insumos vinculados ao negócio da empresa contribuinte, ou seja, vinculados as suas atividades operacionais, para fins de compensação dos débitos de Pis e Cofins incidentes sobre as referidas vendas dos produtos, mercadorias e serviços negociados. Em seu entendimento, o legislador elencou uma relação de hipóteses exemplificativas, e não taxativas, sobre o que seria custo/insumo que geraria o credito de Pis e Cofins para ser compensado no regime de não-cumulatividade. A não-cumulatividade do PIS e da COFINS encontra-se vinculada ao faturamento da empresa, ou seja, a todas as forças realizadas pela empresa com o intuito de desenvolvimento de suas atividades, devendo, assim, o conceito de insumo estar intimamente ligado a tal característica. O termo insumo utilizado para a apuração não- cumulativa do PIS e da COFINS deve se pautar pelos dispositivos constantes do Regulamento de IRPJ relativos aos custos e despesas operacionais das empresas e não pelos limites trazidos pelas leis retromencionadas. Conclui, portanto, que o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) é a única legislação, no ordenamento jurídico-tributário, que contém a base legal mais apropriada para a interpretação do conceito de insumo operacional, devendo ser aplicada em analogia, nos termos do art. 108, inciso I, do CTN, a admissão de crédito do Pis e Cofins sob o regime de não-cumulatividade, não podendo o fisco negá-la, sem qualquer amparo legal de sua negativa. Desta forma, ingressou com pedido de autorização para crédito de PIS seguindo-se do conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, calculado sobre os custos incorridos com propaganda e publicidade, para fins de compensação, restituição e ressarcimento. Cita, nesse sentido, artigos jornalísticos, bem com destaca o mérito de precedentes favoráveis do presente caso por decisões judiciais. Por fim, argumenta não haver respaldo no ordenamento nacional quanto a não incidência de correção monetária sobre o direito creditório relativos a tributos pagos indevidamente ou a maior. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito aos créditos de PIS sobre os gastos incorridos com propaganda e publicidade, a fim de que seja reconhecido o direto creditório no valor de R$ 35.741,33, com a devida correção desde o protocolo do presente processo administrativo”. Fl. 175DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/Brasília) manteve o indeferimento do pedido formulado e considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008,2009,2010,2011,2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FORMULÁRIO. SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A utilização de formulário para pedido de ressarcimento só é cabível com a devida comprovação da impossibilidade do uso do programa PER/DCOMP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIVERSOS PERÍODOS. IMPOSSIBILIDADE O pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre-calendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entende-se por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade REGIME NÃO-CUMULATIVO. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. FOLHA DE SALÁRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, não há direito à apuração de créditos em relação a despesas com pessoas físicas, tais como pagamentos por serviços prestados, ordenados, salários, encargos sociais e trabalhistas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O crédito objeto de pedido de ressarcimento/compensação no regime da não- cumulatividade não é passível de atualização monetária, em vista da existência de vedação legal expressa nesse sentido. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou judicial, bem como a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo e somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.”. Fl. 176DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 Irresignada com o deslinde do contencioso que lhe foi, até o momento, totalmente desfavorável, a recorrente formalizou Recurso Voluntário (doc. fls. 145 a 169) 1 , por meio do qual contesta a decisão a quo, repisando basicamente os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese, que: (i) deve ser cancelado o crédito tributário lançado nestes autos a título de multa isolada tendo em vista a revogação do § 15 do art. 74 da Lei n o 9.430, de 1996, que tratava da aplicação de multa de 50% sobre pedidos de ressarcimento de créditos tributários indeferidos pela Receita Federal, e a edição do Ato Declaratório Interpretativo RFB n o 8, de 2016, tendo o órgão então orientado pelo cancelamento das multas em razão da aplicação do princípio da retroatividade benigna; (ii) a interpretação de que pedido de restituição/ressarcimento somente pode ser aceito se efetuado através da utilização de programa eletrônico de pedido de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP Eletrônico é ilegal por contrariar normas hierarquicamente superiores, que nunca condicionaram o direito de restituição/ressarcimento à condição de utilização da via eletrônica (via internet), e que se houvesse tal condicionamento, este teria que ser imposto por Lei e nunca por uma mera Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal; (iii) a sistemática da não-cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, instituída pelas Leis n o 10.637/2002 e 10.833/2003, consiste em permitir o creditamento de todos os custos e insumos vinculados ao negócio da empresa contribuinte, ou seja, vinculados às suas atividades operacionais, para fins de compensação/desconto dos débitos dos tributos incidentes sobre as referidas vendas dos produtos, mercadorias e/ou serviços comercializados e vendidos pelas empresas, tendo o legislador elencado uma relação de hipóteses exemplificativas, claras e objetivas sobre o que seria o custo/insumo que gerador de crédito a ser descontado/compensado no regime da não-cumulatividade ; (iv) ingressou com pedido de autorização para crédito de Cofins seguindo-se o conceito de insumo de acordo com a legislação do Imposto de Renda, calculado sobre os custos incorridos nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, para fins de compensação, restituição, ressarcimento e/ou creditamento, visto que a literalidade da conceituação da legislação do Imposto é a única base legal em todo nosso ordenamento jurídico que prevê expressamente quais os gastos que estão admitidos como insumos operacionais e não como meras despesas administrativas, eis que apenas as despesas meramente administrativas (não- operacionais) que não são admitidas como insumos, ou seja, que não seriam vinculadas à obtenção de receitas tributáveis da própria atividade operacional da empresa; As demais matérias e fundamentos utilizados pelos julgadores de piso não foram contestados pela recorrente em sua peça recursal. À vista do exposto, a empresa requer o provimento do presente recurso com o reconhecimento do direito aos créditos do PIS/Pasep sobre os gastos incorridos com a 1 Todas as referências a folhas dos autos pautar-se-ão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. Fl. 177DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 publicidade e propaganda, conforme valores constantes no presente processo, requerendo ainda (fls. 168 e 169 – grifos no original): “a) Reconhecimento do crédito então pleiteado no valor de R$ 35.741,33 (trinta e cinco mil setecentos e quarenta e um reais e trinta e três centavos), com a devida correção deste valor desde o protocolo do presente processo administrativo. b) Seja afastada a aplicação da multa de 50% (cinquenta por cento) sobre o direito creditório pleiteado, tendo em vista a revogação do § 15, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela MP 656/2014 e ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO RFB Nº8/2016. c) Seja considerada válida a utilização dos formulários da IN RFB nº 1.300/2012, afastando-se a utilização exclusiva do Pedido de Ressarcimento via eletrônica”. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23-B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343, de 9 de junho de 2015 2 . Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele se toma conhecimento. Ressalte-se, contudo, que a recorrente inicia a sua contestação questionando a aplicação de multa isolada, sustentando a revogação do § 15 do art. 74 da Lei n o 9.430, de 1996, que tratava da aplicação de multa de 50% sobre pedidos de ressarcimento de créditos tributários indeferidos pela Receita Federal, e a edição do Ato Declaratório Interpretativo RFB n o 8, de 2016. 2 Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 178DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 O que se observa, contudo, é que neste processo tratou-se do indeferimento total do Pedido de Restituição/Ressarcimento, de 03/09/2013 (doc. fls. 002 a 039), onde a recorrente defende a existência de crédito de R$ 35.741,33 relativos a incidência de PIS decorrentes de custos/insumos relativos a propaganda e publicidade. Entendeu a unidade jurisdicionante que falta previsão legal ou tutela judicial para o ressarcimento, conforme fundamentos Despacho Decisório de 25/11/2014 (doc. fls. 046 a 053), tendo a autoridade competente decidido, por meio do mencionado documento, ”INDEFERIR TOTALMENTE o crédito pleiteado neste processo, no montante de R$ 35.741,33” (fls. 053 – grifos no original). Dessa forma, a contestação de eventual lançamento da multa isolada é matéria estranha aos autos, devendo ser tratada no processo administrativo próprio, de sorte que dela não se toma conhecimento. Análise do mérito Cuida-se no presente processo de lide instaurada em decorrência do questionamento feito pelo sujeito passivo acerca indeferimento de solicitação de restituição/ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e se limita, como visto: 1) à possibilidade de utilização de formulários em papel para a apresentação do pedido, sem à comprovação da impossibilidade de uso do formulário eletrônico constante do Programa PER/DCOMP; e 2) e à possibilidade de dedução das despesas com publicidade e propaganda efetuadas pela recorrente nos débitos de PIS e COFINS e a consequente restituição/ressarcimento ou compensação com os créditos dela advindos. Sustenta a recorrente que a interpretação exposta pela unidade local da RFB, e mantida pela autoridade julgadora de primeiro grau, de que pedidos de restituição/ressarcimento somente podem ser aceitos se efetuados através da utilização de programa eletrônico de pedido de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP Eletrônico seria ilegal por contrariar normas hierarquicamente superiores. Tais normas, segundo a recorrente, nunca teriam condicionado o direito de restituição/ressarcimento à condição de utilização da via eletrônica. Argumenta nesse sentido que, se houvesse tal condicionamento, este teria que ser imposto por Lei, nunca por uma mera Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. Também defende que legislação que regula as Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS permite o creditamento de todos os custos e insumos vinculados ao negócio da contribuinte vinculados às suas atividades operacionais, para fins de compensação/desconto dos débitos dos tributos incidentes sobre as referidas vendas dos produtos, mercadorias e/ou serviços comercializados e vendidos. Defende ainda que a legislação do Imposto de Renda traz a única base legal em todo nosso ordenamento jurídico que expressamente estabelece quais os gastos que estão admitidos como insumos operacionais para fins de compensação, restituição, ressarcimento e/ou creditamento. Razão não lhe assiste, como será visto a seguir. Utilização de formulário (papel) para Pedido de Restituição/Ressarcimento Quanto à possibilidade de uso de formulário de papel para a apresentação de pedidos de restituição/ressarcimento, entendeu a unidade jurisdicionante que o meio correto Fl. 179DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 utilizado para o pleito de ressarcimento de créditos do PIS/COFINS é o programa gerador do Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Restituição (PER/DCOMP), em observância ao art. 32 da IN RFB n o 1.300/2012, e que somente na impossibilidade comprovada de seu uso que lança-se mão do pedido em formulário. Como o contribuinte se utilizou do formulário sem fornecer argumento aceitável a respeito de uma cogitada impossibilidade no uso do programa adequado, este não poderia ser aceito. Também este foi o entendimento mantido pelo colegiado de primeira instância, que acolheu por unanimidade de votos o argumento trazido no voto condutor de que o meio para o pleito de ressarcimento de créditos do PIS ou da Cofins é o programa gerador do Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Restituição (PER/DCOMP) e que somente na impossibilidade do uso do programa gerador do pedido eletrônico, lança-se mão do pedido em formulário constante do ANEXO. São diversos os julgados deste E. Conselho que mantêm o entendimento de que as instruções normativas da Receita Federal podem condicionar a tramitação dos Pedidos de Restituição/Ressarcimento e de Declarações de Compensação à sua transmissão por meio eletrônico (via Programa PER/DCOMP). Tais entendimentos tem como base o fundamento de que o art. 170 do Código Tributário Nacional estabelece que lei ordinária pode atribuir à autoridade administrativa a função de estabelecer condições e garantias para que as compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública possam a vir a ser realizadas e que esta atribuição está claríssima no art. 74 da Lei n o 9.430/96, em seu § 14. Tomo como exemplo julgado recente da c. CSRF, Acórdão n o 9303-006.244 – 3ª Turma, de 25 de janeiro de 2018: “APRESENTAÇÃO DE PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO EM FORMULÁRIO (PAPEL). VEDAÇÃO, EM REGRA, POR NORMA INFRALEGAL. LEGITIMIDADE. As Instruções Normativas da Receita Federal, como o fez a de nº 600/2005, podem condicionar a tramitação dos Pedidos de Restituição/Ressarcimento e Declarações de Compensação à sua transmissão por meio eletrônico (via Programa PER/DCOMP), não acatando, salvo em situações muito específicas, a apresentação em formulário (papel), sob pena de considerar o pedido não formulado ou a compensação não declarada (após a vigência da Lei nº 11.051/2004)”. Peço licença para trazer alguns dos argumentos do voto condutor do julgado, de lavra do i. Conselheiro Relator Rodrigo da Costa Pôssas, do qual extraio alguns excertos (grifos no original). “A exigência de que seja utilizado o meio eletrônico (Programa PER/DCOMP), como também bem trazido pela PGFN em suas Contrarrazões, não é mero “capricho” da Administração, como, à primeira vista, possa parecer. A Lei nº 9.430/96, em sua redação original, passou a permitir a compensação com tributos espécies diferentes (ampliando, e muito, o permitido pela Lei 8.313/91 e, de início, até com terceiros), mas mediante requerimento do sujeito passivo, que não tinha prazo para ser apreciado. Isto gerou um acúmulo inadministrável de pedidos de Restituição, Ressarcimento e, principalmente, de Compensação (à época, todos em papel), gerando uma problemática que não só atingia a Administração, mas também os contribuintes. Fl. 180DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 Sobreveio então a MP nº 66/2002 (posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002), que mudou radicalmente esta sistemática, com a Declaração de Compensação, que extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, correndo contra a Administração o prazo “fatal” de cinco anos, sob pena de homologação tácita. Para que a Administração tivesse condições de fazer esta apreciação em prazo razoável, alguns meses depois da alteração legislativa citada, as Declarações de Compensação e os Pedidos de Restituição/Ressarcimento passaram a ser eletrônicos, com o desenvolvimento do Programa PER/DCOMP (e, paralelamente, uma espécie de “malha”, o Sistema de Créditos e Compensações – SCC, que, baseado em determinados parâmetros, “baixava” o Processo para verificação fiscal manual ou, de forma exclusivamente eletrônica, já procedia à sua análise e decisão a respeito). Se cada contribuinte fizesse os Pedidos e Declarações da forma que bem entendesse, toda esta sistemática “cairia” por terra, daí o rigor na aceitação, somente em casos excepcionais, da apresentação em formulário (papel)”. Não merecem acolhimento, portanto, os argumentos utilizados pela recorrente nessa matéria. Utilização do conceito de insumo do IR para dedução de despesas No que toca à definição de insumos, a não-cumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos arts 3 o das Leis n o 10.637/2002 e n o 10.833/2003. A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo art. 66 da IN SRF n o 247/2002 e pelo art. 8 o da IN SRF n o 404/2004, os quais adotaram um entendimento restritivo calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos. Formaram-se então três corrente de entendimento: (i) a defendida pela Receita Federal, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST n o 181/1974 e n o 65/1979; (ii) a que defendia que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99; e (iii) a que defendia um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringia à definição dada pela legislação do IPI e nem deveria ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Em que pese a E. Câmara Superior ter tratado do conceito de insumos em diversos julgados, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 54-3C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), foi estabelecido o conceito de insumo, tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Vejamos: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 181DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170-PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho)”. Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo COSIT n o 5/2018. Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do referido Parecer Normativo, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando- se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Extrai-se do julgado que conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracteriza-se insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Fl. 182DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 Deve ser analisado então, caso a caso, o insumo utilizado pela empresa na produção de seus bens ou nos serviços que presta e sua subsunção aos conceitos acima estabelecidos. Há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade, de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo ou de prestação do serviço, viabilizando sua execução. O emprego do insumo, ainda que indireto, deve ser feito de forma que a sua subtração obste a execução da atividade da empresa ou, ao menos, implique substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. Restou ainda decidido serem ilegais as IN´s n o 247/2002 e n o 404/2004, que aplicavam conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Cabe sempre lembrar que, nos termos do art. 62, §2 o do Anexo II do Regimento Interno do CARF § 2 o , as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n o 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tomando como base esses fundamentos, afasta-se então a tese defendida pela recorrente quanto à possibilidade de utilização do conceito de insumo de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Quanto à subsunção das despesas com publicidade e propaganda efetuadas pela recorrente aos conceitos abordados linhas acima e à possibilidade de seu desconto nos débitos de PIS e COFINS em função de sua atividade econômica desenvolvida pela empresa, cabe ressaltar que, ainda que se entendesse superada a vedação de formalização de pedido de restituição/ressarcimento sem a comprovação da impossibilidade de uso do Programa PER/DCOMP Eletrônico, o que não é o caso como visto anteriormente, não merece acolhimento a pretensão da recorrente, visto que esta não trouxe aos autos documentos passíveis de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, como as notas fiscais de aquisição dos serviços, a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes. A empresa carreou aos autos somente declarações e planilhas de sua própria lavra sem qualquer documentação que comprove os dados nelas contidos ou sua observância às normas que regulam os pedidos de restituição/ressarcimento. Este também foi o entendimento do colegiado a quo no Acórdão recorrido (fls. 133 e 134 - grifei): “De acordo com o §2º do artigo 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre-calendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. Entretanto, o pleito deste processo refere-se ao período de 2008 a 2012 e não exibe demonstrativo algum acerca de possíveis utilizações por desconto ou compensação do crédito, de modo a provar o saldo credor remanescente em cada trimestre-calendário. (...) Da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. No caso em tela, trata-se de processo administrativo em que se discute a existência de direito de crédito utilizado por contribuinte, mediante os meios legalmente previstos. Fl. 183DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-000.893 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.727879/2013-51 No que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo-tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar”. Existe farta jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em pedidos de restituição/compensação/ressarcimento, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido. Ou seja, não comprovada a aquisição dos bens ou fornecimento dos serviços, é cabível o indeferimento de pedidos de restituição/ressarcimento de créditos, a título de bens e serviços utilizados como insumos. Nesse sentido, deve ser mantida a decisão proferida pela autoridade cometente no sentido de indeferir totalmente o crédito pleiteado por meio do Pedido de Restituição ou Ressarcimento objeto deste processo. Conclusões Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento parcial do Recuso Voluntário do contribuinte para, no mérito, negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000234/2006-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DE SÚMULA. DEVOLUÇÃO DE MATÉRIA NÃO ESTRITAMENTE DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ADMISSIBILIDADE. EXAME DO MÉRITO.
Situação no qual, para se verificar a aplicabilidade de súmula, cabe adentrar no exame de mérito da matéria, vez que o ponto devolvido não é estritamente de direito, implica em superar o exame de admissibilidade, desde que atendidos os demais requisitos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF para, em seguida, se for o caso, valer-se da súmula para resolver o litígio.
SIMPLES FEDERAL. VEDAÇÃO À OPÇÃO. SERVIÇOS DE MONTAGENS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. ATIVIDADE QUE, A PRINCÍPIO, NÃO EXIGE PROFISSIONAL HABILITADO. COMPLEXIDADE DOS SERVIÇOS E EFETIVO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE POR ENGENHEIRO NÃO COMPROVADOS.
Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
No caso de atividade, a princípio, não exige profissional legalmente habilitado, o ônus da prova da atuação de tal profissional, ou da complexidade dos serviços de forma a exigir profissional habilitado, é da autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9101-004.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Livia De Carli Germano (relatora), Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(documento assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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APLICAÇÃO DE SÚMULA. DEVOLUÇÃO DE MATÉRIA NÃO ESTRITAMENTE DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ADMISSIBILIDADE. EXAME DO MÉRITO. Situação no qual, para se verificar a aplicabilidade de súmula, cabe adentrar no exame de mérito da matéria, vez que o ponto devolvido não é estritamente de direito, implica em superar o exame de admissibilidade, desde que atendidos os demais requisitos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF para, em seguida, se for o caso, valer-se da súmula para resolver o litígio. SIMPLES FEDERAL. VEDAÇÃO À OPÇÃO. SERVIÇOS DE MONTAGENS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. ATIVIDADE QUE, A PRINCÍPIO, NÃO EXIGE PROFISSIONAL HABILITADO. COMPLEXIDADE DOS SERVIÇOS E EFETIVO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE POR ENGENHEIRO NÃO COMPROVADOS. Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. No caso de atividade, a princípio, não exige profissional legalmente habilitado, o ônus da prova da atuação de tal profissional, ou da complexidade dos serviços de forma a exigir profissional habilitado, é da autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Livia De Carli Germano (relatora), Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa e Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada), que não conheceram do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 02 34 /2 00 6- 49 Fl. 160DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia De Carli Germano, Amelia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda nacional (fls. 93-106) em face do acórdão nº 1202-00.263 (fls. 83-89), da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção proferido na sessão de 6 de abril de 2010, que deu provimento ao recurso voluntário, tendo recebido as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 1202-00.263, de 6 de abril de 2010 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MONTAGENS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de montagens e instalações elétricas, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos te os do relatório e voto que integram o presente julgado. Os autos foram movimentados para a PGFN em 24 de setembro de 2010 e efetivamente entregues em 28 de setembro de 2010, conforme Relação de Movimentação - RM recepcionada nesta data (fl. 92). O recurso especial data de 1o de outubro de 2010 (fl. 93), com RM de 5 de outubro de 2010 (fl. 92). Fl. 161DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 A Recorrente alega divergência jurisprudencial em relação ao conteúdo dos acórdãos abaixo citados, com relação a três matérias, indicando, para cada uma, um paradigma, conforme segue: 1 – Montagem e instalação elétrica. Assemelhada à de Engenheiro. Vedação à opção pelo SIMPLES Acórdão paradigma: 302-38.388 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 1999 Ementa: EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços elétricos de instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96) RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. 2 – A previsão no contrato social de atividade vedada à opção pelo simples é suficiente para exclusão do contribuinte do SIMPLES Acórdão paradigma: 202-12.781: SIMPLES EXCLUSÃO ENGENHARIA Não foi feita qualquer prova acerca da real atividade do contribuinte, o que faz prevalecer o constante no Contrato Social e no cadastro junto à Receita Federal (CNAE). Recurso negado. 3 – Impossibilidade de aplicação da LC 123/2006 retroativamente Acórdão paradigma: 303-35.326: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não Poderia optar pelo Simples a pessoa jurídica que, até 31/05/2003, prestava serviços assemelhados aos de representação comercial (art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, e art. 1º, inciso IV, da Lei n° 10.034/2000, com a redação dada pelo art. 24 da Lei nº 10.684/2003, publicada em 31/05/2003). O despacho de admissibilidade n. 1200-00.043 (e-fls. 1-3 e e-fls. 126-128), de 18 de janeiro de 2011, proferido pelo Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção, deu seguimento ao recurso especial, observando, in verbis: O voto do relator do acórdão recorrido conclui que a atividade de montagens e instalações elétricas não é equiparada a engenharia, sendo permitida a permanência no Fl. 162DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 Simples. Aduz que é ônus da Fazenda a demonstração das atividades do contribuinte, bem como que referida atividade não é mais vedada pela LC 123/2006. Em sentido inverso é o entendimento dos acórdãos paradigmas. O acórdão nº 302- 38.388 prescreve que não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de instalação e manutenção elétrica em edificações. O acórdão nº 202-12.781 conclui que não fazendo prova o contribuinte de sua real atividade, prevalece a constante no Contrato Social. O acórdão nº 303-35.326 aduz pela impossibilidade de aplicação da LC 123/2006 retroativamente. O contribuinte apresentou contrarrazões em 14 de abril de 2011 (fls. 132-137), aduzindo exclusivamente questões de mérito. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal O recurso especial é tempestivo, todavia compreendo que não pode ser conhecido. Isso porque, nos termos do artigo 67, § 3º, do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No mesmo sentido, o § 12, III, desse mesmo artigo, estabelece que não servirá como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF. No caso, conforme observou o despacho de admissibilidade, o voto condutor do acórdão recorrido concluiu que a atividade de montagens e instalações elétricas não seria equiparada a engenharia, sendo permitida a permanência no Simples. Aduz, de forma subsidiária, que mesmo que assim não fosse, seria ônus da Fazenda a demonstração das atividades do contribuinte, bem como que referida atividade não seria mais vedada pela LC 123/2006. Quanto à matéria principal decidida pelo acórdão recorrido, este CARF aprovou, posteriormente a tal despacho de admissibilidade, o enunciado da Súmula CARF n. 57 (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), que é contrário ao posicionamento do precedente indicado como paradigma para esse tema (acórdão 302-38.388). Veja-se: Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Fl. 163DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 Diante disso, compreendo que o presente recurso especial não pode ser conhecido quanto à matéria 1 – Montagem e instalação elétrica. Assemelhada à de Engenheiro. Vedação à opção pelo SIMPLES, eis que o precedente indicado como paradigma contraria o enunciado da Súmula CARF n. 57. As demais matérias aventadas no recurso especial são argumentos subsidiários trazidos pelo acórdão recorrido, e eventual provimento do recurso quanto a tais temas não seria suficiente para alterar a conclusão a que chegou o colegiado a quo. Não há, portanto, interesse recursal (binômio necessidade/utilidade) da Fazenda Nacional quanto a tais temas. Neste sentido, considerando o não seguimento do recurso quanto à matéria principal decidida pelo acórdão recorrido, considero que há insuficiência recursal quanto às matérias "2 – A previsão no contrato social de atividade vedada à opção pelo simples é suficiente para exclusão do contribuinte do SIMPLES" e "3 – Impossibilidade de aplicação da LC 123/2006 retroativamente", razão porque também não conheço do recurso especial quanto a estes temas. Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito Como restei vencida quanto ao conhecimento do presente recurso, passo a analisar o mérito. As questões a serem definidas quanto ao mérito do presente recurso consistem em definir (i) se a contribuinte em questão desempenhava atividade cuja opção pelo SIMPLES federal estava vedada, (ii) se previsão no contrato social de atividade vedada à opção pelo SIMPLES é suficiente para exclusão do contribuinte deste regime de tributação, e (iii) se deve ou não ser afastada a aplicação retroativa da nova legislação do Simples que deixou de listar a atividade econômica exercida pelo contribuinte dentre as hipóteses de vedação de opção por este regime. Quanto à aplicação retroativa, a jurisprudência deste CARF se consolidou, tendo havido a publicação da Súmula CARF no. 81 (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. A análise dos precedentes em que se baseou a edição da Súmula CARF 81 revela que eles tratam, todos, dos efeitos de legislação editada posteriormente à Lei 9.317/1996 que simplesmente deixa de vedar determinadas atividades à opção pelo SIMPLES, sem a específica previsão legal de qualquer efeito retroativo. Em síntese: Acórdãos 9101-000.809, 9101-000.980, 9101-001.001, 1402-000.168, 3801- 000.165, 3801-00.111, 3801-000.039, 3803-00.045 e 303-35326 - analisaram a Lei Complementar 123/2006, esclarecendo que essa legislação, no que se refere à exclusão de vedação à opção pelo SIMPLES anteriormente instituída, não se aplica a situações anteriores à sua vigência, pela inexistência de subsunção a qualquer das hipóteses previstas no art. 106, do CTN. Fl. 164DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 Acórdãos 9101-000.843 e 3801-000.039 - analisaram a Lei 10.034/2000, que excluiu a atividade de creche, ensino infantil e ensino fundamental da vedação ao SIMPLES, esclarecendo que não poderia haver aplicação retroativa da nova legislação. Acórdão 9101-001.010 - analisou a Lei 10.684/2003, que excluiu a atividade de agências lotéricas da vedação ao SIMPLES, esclarecendo que não poderia haver aplicação retroativa da nova legislação. Portanto, a jurisprudência deste tribunal se consolidou no sentido de que a contribuinte não pode ser autorizada a optar pelo SIMPLES federal pela única razão de a atividade por ela exercida ter deixado de ser vedada por legislação posterior. De qualquer forma, a aplicação da Súmula CARF 81 não é suficiente para levar à conclusão de que a contribuinte em questão se enquadra na vedação ao SIMPLES constante do inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/1996. Isso porque o artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/1996 apenas impedia o exercício de atividade pela pessoa jurídica envolvendo prestação de serviço exercido por profissional legalmente habilitado, que não é o caso da contribuinte dos autos. De fato, no caso dos autos, a exclusão ocorreu porque a contribuinte se dedicaria à atividade descrita no CNAE 4541-1/00: "Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas." O acórdão recorrido, analisando a Resolução CONFEA 218/1973, concluiu que "não há exigência ou pré-requisito legal algum para que sejam executados os serviços que vêm sendo exercidos pela recorrente" (fl. 88), e que "As atividades de 'montagens e instalações elétricas', estão dentre aquelas descritas nos itens 15 a 17 do art. 1° da Resolução referida e podem ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, sem a necessidade de profissional de Engenharia como defendeu o acórdão recorrido." A situação se amolda ao conteúdo de outra Súmula deste CARF, a de n. 57 (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Neste sentido, o acórdão recorrido pontuou que o quadro societário da recorrente, à época da edição do ato declaratório de exclusão do SIMPLES, era composto por uma comerciante e uma aposentada, o que, no entender daquele voto condutor, reforçaria a tese de que se trata de empresa que presta serviços de baixo grau de complexidade, prescindindo de profissional legalmente habilitado. Ponderou, ademais, que a expedição do Ato Declaratório de exclusão se baseou unicamente no código da atividade econômica descrita no comprovante de inscrição do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, sem maiores aprofundamentos quanto à verdadeira situação fática do contribuinte, sendo que seria "de se esperar, por prudência, que a repartição de origem, para Fl. 165DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 descaracterizar uma situação jurídica existente, aprofundasse o seu trabalho de análise antes de proceder a exclusão da empresa do SIMPLES, e que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza das atividades realizadas para, se for o caso, poder comprovar a prática de serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizá-la como empresa que pratique serviço de engenharia, arquitetura ou assemelhado, e não como neste caso no qual parece apenas agir com base em suposições." (fl. 88). Compreendo que assiste razão ao acórdão recorrido quando conclui que, no caso de atividade que, a princípio, não exige profissional legalmente habilitado, o ônus da prova da atuação de tal profissional, ou da complexidade dos serviços de forma a exigir profissional habilitado, é do Fisco. Em situação análoga, este CARF vem decidindo que a simples existência, no contrato social, de atividade vedada ao SIMPLES não resulta na exclusão do contribuinte, sendo necessário que a fiscalização comprove a sua efetiva execução. Neste sentido, os seguintes precedentes: Acórdão 1802-001.099 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO, REPARO, SUBSTITUIÇÃO DE PEÇAS E MATERIAIS ELÉTRICOS. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. EXCLUSÃO DO SIMPLES AFASTADA. Não se admite a exclusão do Simples baseada em mera interpretação de cláusula de contrato social ou em dados cadastrais – CNAE-fiscal. Imperativa a prova de que o contribuinte exerce atividade impeditiva para justificar a exclusão. Não há, no caso, margem à inversão do ônus da prova, porque equivale a exigir-se prova negativa. Não demonstrado nos autos que a empresa exerce atividade que requer habilitação de profissão regulamentada, inaplicável a vedação legal para opção ao regime Simplificado. Acórdão 9101-003.387, de 5 de fevereiro de 2018 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social. Fl. 166DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 Acórdão 9101-003.487, de 30 de abril de 2018 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO — REPRESENTAÇÃO COMERCIAL — ATIVIDADE REGULADA PELA LEI Nr. 4.886/1965 — SITUAÇÃO EXCLUDENTE NÃO CONFIGURADA — INAPLICABILIDADE DO ART. 9°., INCISO XIII, DA LEI Nr. 9.317/1996. Para o exercício da representação comercial autônoma é obrigatório o registro nos Conselhos Regionais, nos termos da Lei nr. 4.886, de 09/12/1965, que prevê também, as repartições federais, estaduais e municipais, ao receberem tributos relativos à atividade do representante comercial, pessoa física ou jurídica, deverão exigir prova do respectivo registro. Por absoluta falta de comprovação da situação excludente, inaplicável o art. 9°., inciso XIII, da Lei nr. 9.317, de 1996. Citem-se ainda os seguintes precedentes desta turma da CSRF: 9101-002.576, de 12.04.2017; 9101-002.041, de 23.01.2015; 9101-003.383, de 05.02.2018; 9101-003.267, de 25.01.2018; 9101-003.266, de 17.01.2018. Portanto, em síntese, a vedação prevista no artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/1996 não é aplicável ao contribuinte em questão, seja porque a atividade por ele exercida não é, a princípio, desenvolvida por profissional legalmente habilitado (engenheiro), seja porque não há provas nos autos que infirmem tal circunstância. Portanto, é de se manter a contribuinte no SIMPLES, nos termos da conclusão a que chegou o acórdão recorrido. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, caso vencida, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura – Redator Designado Não obstante o substancioso voto da i. Relatora, apresentei divergência em relação ao exame de admissibilidade. Isso porque se estabeleceu discussão no Colegiado diante do momento em que se deveria aplicar o entendimento sumular: se no exame de admissibilidade (o que implicaria no não conhecimento do recurso especial) ou no exame de mérito (o que resultaria no não provimento do recurso especial). Fl. 167DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.283 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13820.000234/2006-49 Entendo que a avaliação do momento de se aplicar a súmula depende do caso concreto. Quando a devolução da matéria envolver discussão estritamente de direito, sem necessidade de adentrar em outros aspectos (como de ordem fática), não há óbices para se aplicar a súmula imediatamente no exame de admissibilidade e, por consequência, não conhecer do recurso especial. Contudo, quando o exame da matéria devolvida não envolver questão pura de direito, como no caso concreto, que demandou o exame das atividades desenvolvidas pela Contribuinte e do contrato social para verificar se caberia enquadramento na hipótese prevista pela súmula (o que poderia ensejar diferentes interpretações por parte dos membros do Colegiado), o exame deve ser efetuado em sede de mérito. Assim sendo, considerando que, no caso em tela, foram preenchidos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF, cabe o conhecimento do recurso especial. E, no mérito, acompanhei a i. Relatora, que demonstrou, com precisão, mediante apreciação que envolveu questões além da de direito, a adequação dos entendimentos sumulares. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.906906/2006-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-009.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relator (a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relator (a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 69 06 /2 00 6- 15 Fl. 297DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10768.906906/2006-15 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte TELEMAR NORTE LESTE S/A (e-fls. 220 a 285) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, atualmente Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3803-01.710 (e-fls. 215 a 218) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 31 de maio de 2009, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. Não conformado com o julgado, o Contribuinte interpôs recurso especial (e-fls. 220 a 285) suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de apreciação em grau de recurso voluntário, de matéria não suscitada na instância a quo. No caso dos autos, a matéria considerada preclusa se referiu a receitas de interconexão que teriam sido consideradas indevidamente na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 9101-00.525 e 9202-00.818. O recurso especial foi admitido, nos termos do despacho s/nº (e-fls. 287 a 289), de 27 de julho de 2015, proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial do Contribuinte (291 a 295), requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório. Fl. 298DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10768.906906/2006-15 Voto Conselheiro (a) Vanessa Marini Cecconello, Relator (a). 1 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte TELEMAR NORTE LESTE S/A (e-fls. 220 a 285) atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. 2 Mérito No mérito, centra-se a controvérsia na possibilidade de apreciação, em grau de recurso, de matéria não aventada na instância a quo. No acórdão recorrido, foi considerada preclusa a alegação quanto à inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep das receitas de “interconexão”. Consoante observado na decisão ora combatida, as alegações aduzidas pelo Contribuinte em sede de manifestação de inconformidade referiram-se ao fato de que o mesmo houve por bem “refazer as bases de cálculo de anos anteriores de empresas adquiridas com o fito de identificar valores passíveis de restituição/compensação, tendo identificado erro na apuração do PIS de dezembro de 1998 da antiga Telecomunicações Maranhão S/A, que realizou pagamentos em montante superior ao débito efetivamente apurado, e que a questão discutida neste processo estaria retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB em 25.11.2003 referente ao 4° trimestre de 1998, entregue pela Telecomunicações do Maranhão S/A”. Além disso, asseverou tratar-se o crédito de período em que o Fisco homologou tacitamente os recolhimentos, reconhecendo a extinção da obrigação tributária, e, por conseguinte, teria havido o reconhecimento também do quantum debeatur, sendo inócua qualquer tentativa de fazer nova apuração do valor do tributo. Portanto, não houve, na primeira manifestação do Contribuinte, alegação relativa à inclusão de valores indevidos na base de cálculo do PIS/Pasep, calcando-se a sua argumentação na suficiência da retificação da DCTF para comprovar a existência do indébito tributário. Tão somente em sede de recurso voluntário, sobreveio a alegação de que os recolhimentos a maior deram-se em razão da inclusão indevida dos valores de interconexão (valores pagos pela concessionária de serviços de telecomunicações a outras operadoras de telefonia) na base de cálculo do PIS pela empresa incorporada. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº Fl. 299DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10768.906906/2006-15 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º do art. 771 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, que reproduzem os termos dos §§ 4º e 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008. No âmbito do processo administrativo fiscal, portanto, da mesma forma que a impugnação, a manifestação de inconformidade, instaura a sua fase litigiosa (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constitui-se em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omite-se em combater algum item da exigência fiscal na impugnação ou deixa de juntar os documentos que comprovem o seu direito, caracterizar-se-á a sua concordância com aquela parte, considerando-se como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois opera-se o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V – se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe- á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; Fl. 300DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10768.906906/2006-15 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em aduzir na manifestação de inconformidade os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretentido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão liga-se ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anula-se uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá-la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Fl. 301DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10768.906906/2006-15 Diferentemente seria a situação de apresentação de razões e documentos complementares à impugnação/manifestação de inconformidade, em momento anterior ao julgamento de primeira instância, na qual se admitiria a possibilidade de o julgador proceder à análise dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo naquele momento processual em atenção aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admite-se a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõe-se o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Não é o que ocorre no caso dos autos. Esclareça-se não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinem-se a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Fl. 302DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10768.906906/2006-15 Admitir-se-ia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poder-se-ia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo, com a possibilidade de realização de diligência. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. 3 Dispositivo Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 303DF CARF MF
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