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Numero do processo: 10510.003568/2006-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA.
A glosa é devida sempre que não restar comprovada a retenção do imposto de renda na fonte pleiteada como dedução do imposto devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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GLOSA. A glosa é devida sempre que não restar comprovada a retenção do imposto de renda na fonte pleiteada como dedução do imposto devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOÃO BELLINI JUNIOR – Presidente Substituto. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 35 68 /2 00 6- 80 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.003568/200680 Acórdão n.º 2102003.276 S2C1T2 Fl. 148 2 Relatório Contra JOSÉ PEREIRA DOS SANTOS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 3.303,96, incluindo multa de mora, calculada até 20/12/2006 e juros de mora, calculados até 30/11/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada na Notificação, foi compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 7.074,00. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 08, onde esclareceu que a retenção em questão se deu por conta de Reclamação Trabalhista contra a Prefeitura Municipal de Umbaúba e acostou aos autos cópia de Darf, fls. 10. A autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência, conforme despacho, fls. 21, para intimar o contribuinte a apresentar sentença da ação trabalhista, planilha de cálculo e alvará, no que foi atendida conforme documentos, fls. 24/43. Apreciados os documentos, a DRJ Salvador/BA julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fundamentando sua decisão em dois fatos: (i) o valor recolhido no Darf apresentado pelo contribuinte foi restituído à Prefeitura Municipal de Umbaúba e (ii) os documentos apresentados pelo contribuinte não mencionam a existência de retenção de imposto de renda, excetuandose o demonstrativo, fls. 30, elaborado em papel sem timbre e sem assinatura. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/10/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 57, o contribuinte apresentou, em 19/10/2007, recurso voluntário, fls. 58/60, onde repisa as alegações apresentadas na impugnação e junta novamente cópias dos documentos fornecidos quando da realização da diligência. Em sessão plenária realizada em 29/10/2009, esta Turma converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, conforme Resolução nº 21020012, fls. 95/95, determinando que a Prefeitura Municipal de Umbaúba fosse intimada para esclarecer se houve retenção de imposto de renda na fonte quando do pagamento dos rendimentos relativos à ação trabalhista, bem como para que apresentasse os documentos pertinentes de que dispusesse. Em atendimento à diligência requerida a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju assim se pronunciou no Relatório de Diligência Fiscal, fls. 130: Tendo em vista o contato efetuado no dia 06/04/2011 sobre a necessidade do processo de pagamento, quando chegamos na sede do sujeito passivo, encontramos uma declaração (fl 104) informando que não foi localizado o referido processo de pagamento. Porém, foram entregues cópias das folhas do balancete dos meses de abril, maio e junho meses do Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.003568/200680 Acórdão n.º 2102003.276 S2C1T2 Fl. 149 3 pagamento das parcelas efetuados pela Prefeitura de Umbaúba para o Sr. Jose Pereira dos Santos (fls 106 a 108); nota de empenho n° 001774 (fls 109 a 113); recibo de pagamento (fl 114) e extrato de receita referente à conta Imposto de Renda mês 04 a 06/2001 (fls 115 a 117). Analisando a documentação entregues, chegamos a seguinte conclusão: Na relação de pagamento dos meses 04 a 06/2001 verificamos que todos os pagamentos foram com cheques em valores de: Como podemos observar, a primeira e segunda parcela do acordo foram liquidadas pelo valor global (9.060,82 cada). Já na terceira empenho 001774 foram efetuadas duas deduções de R$ 1.839,73 e 146,10 respectivamente, porém, essas retenções se referem à contribuição previdenciária conforme podemos verificar nas informações prestadas pelo próprio reclamante na Justiça do Trabalho (fls 84/85). Além disso, verificamos que não consta nenhum valor que possa ser relacionado com a alegada retenção de IRPF na conta de receitas de Imposto de Renda do Município. (fls 115 a 117), fato que, a princípio, demonstra a não ocorrência da retenção. Portanto, diante dos elementos apresentados pelo contribuinte; o pesquisado no sistema de auditoria pública Sisap Auditor (fls 118 a 127) e o extrato do Sinal 05 (fls 128 a 129), concluímos, que o contribuinte recebeu a indenização trabalhista pelo valor total de R$ 27.182,46. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.003568/200680 Acórdão n.º 2102003.276 S2C1T2 Fl. 150 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento que imputou ao contribuinte a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 7.074,00. Em sessão plenária realizada em 29/10/2009, determinouse a realização de diligência, com a finalidade de verificar se quando do pagamento dos rendimentos houve ou não a retenção de imposto de renda na fonte, que foi objeto da autuação. Todavia, da diligência restou demonstrado de forma inconteste, conforme relatado acima, que a retenção informada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2002, não ocorreu, razão, porque, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003294/2010-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa, mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA.
Legítima a glosa de deduções pleiteadas de despesas inexistentes.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE
A dedução, na Declaração de Rendimentos a título de despesas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa, mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA. Legítima a glosa de deduções pleiteadas de despesas inexistentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A dedução, na Declaração de Rendimentos a título de despesas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa, mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA. Legítima a glosa de deduções pleiteadas de despesas inexistentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A dedução, na Declaração de Rendimentos a título de despesas, que o contribuinte sabe inexistentes, caracteriza evidente intuito de fraude e legitima a exasperação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 32 94 /2 01 0- 14 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.003294/201014 Acórdão n.º 2801004.005 S2TE01 Fl. 151 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/CTA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima mencionada, para exigência dos seguintes valores, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Física— IRPF dos Exercícios de 2007, 2008, 2009 e 2010 (AnosCalendário 2006, 2007, 2008 e 2009): (...) Segundo consta no Auto de Infração (fls. 50 a 61) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 44 a 49), o contribuinte foi intimado para apresentar diversos documentos relativos As Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário 2006 a 2009, sendo que da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte foram efetuadas as seguintes glosas: Dedução Indevida de Dependente no valor de R$ 1.516,32 e R$ 1.730,40, dos anoscalendário de 2006 e 2009. 0 contribuinte declarou como dependente a Sra Lindamir Alves de Deus que é sua irmã, porém não foi apresentado nenhum documento que comprove a relação de dependência; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.003294/201014 Acórdão n.º 2801004.005 S2TE01 Fl. 152 3 Dedução Indevida com Instrução no valor de R$ 4.747,68, R$ 4.961,32 e R$ 5.178,94 relativa, respectivamente, aos anos calendário de 2006 a 2008, por não apresentar nenhum documento de comprovação; Dedução Indevida de Despesas Medicas no valor de R$ 36.916,72 relativa aos anoscalendário de 2006 a 2009, foi declarado o valor de R$ 50.916,59, mas somente foi comprovado por meio de documentação o valor de R$ 13.999,87; Dedução Indevida de Pagamento de Pensão Judicial no valor de R$ 5.874,80, R$ 6.840,00 e R$ 7.020,00, relativos, respectivamente, aos anoscalendário de 2006 a 2008, uma vez que o contribuinte não trouxe qualquer documento que faça prova da regularidade desta despesa. 0 contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 12/07/2010 (fls. 64 a 84), requerendo o cancelamento do Auto Infração, com base nas alegações a seguir sintetizadas: Preliminarmente Da Nulidade do Auto de Infração por Ausência de Fundamentação. Alega que os dispositivos legais foram meramente informados no Auto de Infração, sem especificar a incidência dos mesmos à impugnante. Afirma que fundamentar a aplicação da lei não é apenas indicar aleatoriamente dispositivos legais, mas devese descrever pormenorizadamente os fatos e demonstrar por meio de um silogismo lógico a incidência de tais fatos nas hipóteses previstas genericamente em lei. Argumenta que todo ato administrativo deve ser motivado e fundamentado em lei, devendo necessariamente ter o mínimo de referência As situações fáticas que levaram A autuação fiscal. Cita diversos dispositivos constitucionais, nos quais a ausência de fundamentação legal torna qualquer ato administrativo plenamente nulo, ainda, cita a Lei da Ação Popular que dispõe que o Agente não pode adentrar as garantias de seus cidadãos sem a devida fundamentação. Aduz que todo ato administrativo necessita de motivação e que impõem suprema obediência ao devido processo legal, ao contraditório, A ampla defesa e ao principio da Legalidade e o desrespeito, ainda que parcial, da norma causa da nulidade do ato. Informa que a Teoria dos Motivos Determinantes explica que atos administrativos vinculados ou discricionários, deverão respeitar as razões que lhe deram origem. Ressalta que o caso em tela referese a ato vinculado, devendo o administrador público estar completamente adstrito a lei, e Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.003294/201014 Acórdão n.º 2801004.005 S2TE01 Fl. 153 4 permanecendo o ato supra, estarsela realizando um ato administrativo sem que haja a devida motivação legal. Da Nulidade da Presente Medida Fiscal Informa que o procedimento fiscal realizado está baseado no art. 11 do Decreto n° 70.235/72, e que este ato tem como requisito fundamental que a Notificação de Lançamento Fiscal traga a determinação da exigência tributária. Cita doutrina de Leandro Paulsen. Afirma que no presente Auto de Infração não há a apresentação analítica do crédito que viola o requisito da certeza da exigência fiscal, uma vez que a medida fiscal apenas apresenta o valor do débito e seus consectários legais, não apontando como ocorreu a aferição do valor do crédito. Alega que não foi demonstrada a forma como foram realizados os cálculos, e nem em que momento incidirão a multa e os juros exigidos. Entende assim que houve expressa violação ao art. 15 do Decreto n° 70.235/72, sendo nula a autuação nula de pleno direito. MÉRITO Da Legalidade das Deduções efetuadas em Face dos Princípios Legais e Constitucionais Vigentes. Alega que as glosas das despesas médicas e com instrução pagas pelo impugnante a seus dependentes, encerra uma afronta ao disposto no art. 226 da CF/88, que prevê a proteção especial do Estado para com a Família. Afirma também que há um dever mútuo de assistência entre os familiares, conforme dispõe o art. 1696 do Código Civil, e que esta determinação tem por base o principio da solidariedade. Informa que o principio da solidariedade é reconhecido pela legislação fiscal, que reconhece a possibilidade do contribuinte deduzir da base de cálculo determinadas despesas em função de seus dependentes, art. 8° da Lei no 9.250/95. Argumenta que o crédito exigido representa um interpretação contrária aos dispositivos Constitucionais, pois exige do Contribuinte um determinado valor em função da ajuda prestada à família. Ressalta que as despesas foram efetivamente realizadas e todas se deram em nome dos membros da família do Impugnante. Da Inaplicabilidade da Taxa Selic e sua utilização cumulativa com os Juros de Mora. Afirma que na presente notificação foi usada como forma de correção do débito a Taxa Selic, sendo tal metodologia de cálculo vedada em nosso ordenamento jurídico. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.003294/201014 Acórdão n.º 2801004.005 S2TE01 Fl. 154 5 Alega que a taxa Selic tem natureza remuneratória, tendo sido criada por sucessivas Circulares do BACEN, sendo que o CTN em seu art. 161 determina que somente por meio de lei ordinária podemse discutir questões inerentes aos juros de mora, critérios de sua aplicação e o percentual a ser observado. Argumenta que a Constituição que regulamenta o sistema financeiro se dará mediante lei complementar, sendo a lei n° 9.065/95, inadequada quanto à forma, em termos constitucionais, para a regular o tema ora tratado. Cita jurisprudência do STJ, no qual suscita inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa selic para fins tributários. Do Excesso da Multa Aplicada em face do Principio da Vedação do Confisco e da Capacidade Contributiva. Que a multa de 75% e 150% são inconstitucionais e revelam um descompasso com os princípios constitucionais do direito à propriedade, da vedação ao confisco, da razoabilidade e da capacidade contributiva. Neste sentido, traz doutrina e jurisprudência a respeito. Alega que o art. 1° da Lei n° 9.784/99 que regula o processo administrativo de toda a administração pública federal em todas as esferas, bem como do presente procedimento devendose observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Argumenta que a multa é irrazoável e desproporcional, uma vez que no patamar que foi aplicada é excessiva, em desacordo com o art. 150, IV da CF/88. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 111/120, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL. REGULARIDADE. É regular a notificação de lançamento que, cumprindo os requisitos de forma, contém descrição dos fatos e enquadramento legal suficientes para a perfeita compreensão da exigência tributária. DEDUÇÕES COM DEPENDENTES. IRMÃOS. Só é admissível a dedução de irmãos como dependentes se houver a comprovação da incapacidade física ou mental para o trabalho. PENSÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.003294/201014 Acórdão n.º 2801004.005 S2TE01 Fl. 155 6 Somente podem ser deduzidas do rendimento bruto as importâncias pagas a titulo de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas e com instrução informadas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação mediante documentação hábil e idônea. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários da Unido, quando não pagos nos prazos previstos na legislação, são acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 06/12/2011 (fl. 123), o Interessado, representado por seu advogado (fl. 94), interpôs recurso voluntário de fls. 124/147, em 04/01/2012. Em sua defesa, reitera os argumentos expendidos na impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, é de se rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. O Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos – anexos ao Auto de Infração expõem todos os fatos que culminaram na autuação, com indicação dos dispositivos legais infringidos, sendo certo que o Contribuinte teve pleno acesso ao processo, conheceu e entendeu as acusações que lhe foram imputadas, apresentou impugnação e recurso exercitou seu direito de defesa. Entretanto, não ofereceu qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. Portanto, devem ser mantidas as glosas de deduções a título de dependente, despesas médicas, pensão alimentícia e despesas com instrução. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.003294/201014 Acórdão n.º 2801004.005 S2TE01 Fl. 156 7 Ressaltese que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida para a infração de glosa de dependente. No que se refere à glosa das deduções de despesas médicas, pensão alimentícia e despesas com instrução, cuidase, na espécie, de inclusão de deduções inexistentes na declaração de ajuste anual tãosomente com o propósito de receber restituições indevidas, caracterizando o evidente intuito de fraude, tal como se encontra definido nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, motivo pelo qual deve ser mantida a multa qualificada, no percentual de 150% do valor da infração. Em relação às alegações de inconstitucionalidade e legalidades de normas que respaldam o procedimento fiscal, importante esclarecer que não pode ser objeto de verificação por parte deste Colegiado, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à aplicação dos juros Selic, cabe trazer à colação a Súmula CARF n° 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10410.721535/2010-20
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECLARAÇÃO EM GFIP. OBRIGATORIEDAE. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. AJUSTES E ADEQUAÇÃO. MULTA. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A MP 449/2008. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO SUPLEMENTAR. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme dispõe a decisão recorrida, as contribuições em discussão foram calculadas sobre os valores das remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados a seu serviço, entre 01/2006 a 12/2006. As remunerações do período, bem como as correlatas contribuições não foram declaradas pelo contribuinte em suas GFIP`s.
Ainda de acordo com a decisão recorrida, não se trata de não entrega de GFIP, mas da entrega de GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
No que pertine ao valor devido, há que se observar o minucioso detalhamento relativamente à base de cálculo utilizada para justificar o lançamento, consubstanciado na tabela contida às fls. 434 / 435 do acórdão recorrido.
O percentual da multa aplicada está em conformidade com as novas regras introduzidas pela MP 449/2008.
O pedido de apresentação de documentação complementar não se adequa às disposições do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. A documentação deve ser apresentada junto com a impugnação e não depois desse momento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.206
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECLARAÇÃO EM GFIP. OBRIGATORIEDAE. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. AJUSTES E ADEQUAÇÃO. MULTA. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A MP 449/2008. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO SUPLEMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. Conforme dispõe a decisão recorrida, as contribuições em discussão foram calculadas sobre os valores das remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados a seu serviço, entre 01/2006 a 12/2006. As remunerações do período, bem como as correlatas contribuições não foram declaradas pelo contribuinte em suas GFIP`s. Ainda de acordo com a decisão recorrida, não se trata de não entrega de GFIP, mas da entrega de GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No que pertine ao valor devido, há que se observar o minucioso detalhamento relativamente à base de cálculo utilizada para justificar o lançamento, consubstanciado na tabela contida às fls. 434 / 435 do acórdão recorrido. O percentual da multa aplicada está em conformidade com as novas regras introduzidas pela MP 449/2008. O pedido de apresentação de documentação complementar não se adequa às disposições do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. A documentação deve ser apresentada junto com a impugnação e não depois desse momento. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECLARAÇÃO EM GFIP. OBRIGATORIEDAE. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. AJUSTES E ADEQUAÇÃO. MULTA. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A MP 449/2008. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO SUPLEMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. 1. Conforme dispõe a decisão recorrida, as contribuições em discussão foram calculadas sobre os valores das remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados a seu serviço, entre 01/2006 a 12/2006. As remunerações do período, bem como as correlatas contribuições não foram declaradas pelo contribuinte em suas GFIP`s. 2. Ainda de acordo com a decisão recorrida, não se trata de não entrega de GFIP, mas da entrega de GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. No que pertine ao valor devido, há que se observar o minucioso detalhamento relativamente à base de cálculo utilizada para justificar o lançamento, consubstanciado na tabela contida às fls. 434 / 435 do acórdão recorrido. 4. O percentual da multa aplicada está em conformidade com as novas regras introduzidas pela MP 449/2008. 5. O pedido de apresentação de documentação complementar não se adequa às disposições do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. A documentação deve ser apresentada junto com a impugnação e não depois desse momento. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 15 35 /2 01 0- 20 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10410.721535/201020 Acórdão n.º 2803004.206 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10410.721535/201020 Acórdão n.º 2803004.206 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências janeiro de 2006 a dezembro de 2006, inclusive o 13º (competência 13/2006). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES. DECLARAÇÃO. GFIP. Descabe a lavratura de auto de infração para lançamento de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores tenham sido declarados em GFIP. GFIP. SUBSTITUIÇÃO. A nova GFIP enviada com a mesma “chave”, isto é, com os mesmos CNPJ/CEI do empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e código FPAS, substitui inteiramente a anterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA E JUROS. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa e juros equivalentes à Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminar – Insta esclarecer que ao buscar junto à RFB a consulta de valores a Recolher x Valores Recolhidos (CCORGFIP) referente ao exercício de 2006, observou que os valores estavam divergentes da planilha apresentada no Acórdão proferido pela RFB, cuja recorrente tomou ciência em 11/12/2013. Motivo pelo qual para a recorrente restou mais do que demonstrada a insubsistência do auto que deu origem ao presente processo, pois qual a confiabilidade que este Órgão pode dar ao contribuinte? Cada sistema utilizado indica uma base de cálculo divergente Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10410.721535/201020 Acórdão n.º 2803004.206 S2TE03 Fl. 5 4 com valores absurdamente contraditórios inexistindo qualquer segurança jurídica que resguarde o contribuinte. Basta observar o referido documento ora anexado, bem como as planilhas de cálculos constantes nos acórdãos proferidos pela RFB. Desta feita, havendo divergência entre os valores apontados no julgamento do qual ora se recorre, bem como do documento apresentado pela própria Receita Federal em 17/12/2013, cuja cópia segue em anexo, vem requere o arquivamento do presente processo, ante a sua insubsistência. Mérito – Apresentada a impugnação ao auto de infração, bem como toda a documentação atinente a GFIP do CEI 394900024578, restou demonstrada que de fato a empresa apresentou tempestivamente a GFIP assim como recolheu as contribuições previdenciárias devidas, com exceção dos casos já citados na impugnação quanto aos funcionários: Maria do Socorro Ângelo Fidélis, Mércia Mary Pereira de Souza, Carlos Alberto de Oliveira Silva e Giselda Soares da Silva, o que de certo reduziu bastante os valores decorrentes do referido auto de infração. Porém, como já dito a empresa recorrente já está buscando administrativamente a retificação da GFIP do ano de 2006 para incluílos, agindo assim dentro dos trâmites legais, demonstrando assim sua boafé. Em relação às competências de janeiro a julho de 2006 e novembro e dezembro de 2006 foram excluídos do lançamento todos os fatos geradores que haviam sido declarados em GFIP, entretanto, quanto às competências de agosto a outubro de 2006 não foi considerado nenhum pagamento, pois foi observado no sistema GFIPWEB que a recorrente havia apresentado para estas três competências em 07/12/2006 novas GFIPs que substituíram integralmente as anteriores. Os valores mencionados foram recolhidos utilizandose a base de cálculo de R$13.459,40 na competência 08/2006, R$13.766,16 para a competência 09/2006 e, por fim, R$14.003,59 referente a competência 10/2006. Tudo devidamente documentado às fls. 376, 383 e 390 do processo administrativo, respectivamente. Ora, ainda que a recorrente tenha deixado de cumprir com a obrigação acessória, a mesma cumpriu com a obrigação principal e não pode nem deve pagar duas vezes o mesmo valor, sob pena de enriquecimento sem causa da União, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. Ora nobre julgadores, não se pode permitir que por um erro procedimental da empresa, não seja considerado qualquer valor recolhido pela mesma, ainda porque tais valores constam no documento fornecido pela própria Receita, através do sistema de Arrecadação Dataprev. É inaplicável a cobrança de juros e da multa de ofício. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, ou, alternativamente seja reduzido o valor do débito principal, bem como das obrigações acessórias, especialmente quanto ao exercício 08/2006, 09/2006 e 10/2006, sob pena de enriquecimento sem causa da Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10410.721535/201020 Acórdão n.º 2803004.206 S2TE03 Fl. 6 5 administração, que seja observado ainda o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN), aplicandose a legislação que onere em menor valor o contribuinte, bem como sejam levadas em consideração as circunstâncias atenuantes da penalidade, conforme prvê o Decreto 3.048/99 que vigorava a época do fato gerador. Requer ainda a recorrente prazo para apresentação de documentação complementar. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10410.721535/201020 Acórdão n.º 2803004.206 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Conforme dispõe a decisão recorrida, as contribuições em discussão foram calculadas sobre os valores das remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados a seu serviço, entre 01/2006 a 12/2006. As remunerações do período, bem como as correlatas contribuições não foram declaradas pelo contribuinte em suas GFIP`s. Ainda de acordo com a decisão recorrida, não se trata de não entrega de GFIP, mas da entrega de GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Inconformado com o lançamento, o contribuinte afirma, desde a primeira defesa, que os empregados e respectivas remunerações, foram, com algumas exceções, declarados nas GFIP`s da matrícula CEI nº 39.490.002.4578, vinculada ao CNPJ nº 03.656.804/000131, e concernente à construção da loja. Apesar de a decisão recorrida ter mantido em parte o lançamento, o contribuinte afirma que restou mais do que demonstrada a insubsistência do auto que deu origem ao presente processo, pois qual a confiabilidade que este órgão pode dar ao contribuinte? Sendo que cada sistema utilizado indica uma base de cálculo divergente com valores absurdamente contraditórios inexistindo qualquer segurança jurídica que resguarde o contribuinte. Ora, não se pode dar crédito a esse tipo de argumentação, pois tudo que a autoridade administrativa executa, no cumprimento de seu mister, é feito em bases legais, não existindo, pois, vontade própria do servidor, notadamente no sentido de prejudicar quem quer que seja. No que pertine ao valor devido, há que se observar o minucioso detalhamento relativamente à base de cálculo utilizada para justificar o lançamento, consubstanciado na tabela contida às fls. 395 / 396 do acórdão recorrido. Feitos os ajustes em relação à correta base de cálculo, assim se expressou o julgador a quo, in verbis: Em anexo, vejase a planilha “SaláriodeContribuição Mantidos após a Apropriação dos Valores Declarados nas GFIPS entregues na Matrícula CEI nº 39.490.002.4578”, em que a tabela acima é detalhada, identificandose, por competência e por trabalhador, as bases de cálculo consideradas no lançamento, as bases de cálculo declaradas em GFIP e as bases de cálculos mantidas no lançamento. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10410.721535/201020 Acórdão n.º 2803004.206 S2TE03 Fl. 8 7 Notase, pois, que houve adequação em relação ao lançamento original, mantendose como devido somente o que realmente não havia sido pago pelo contribuinte, situação que afasta, portanto, qualquer alegação de insubsistência do lançamento. No que se refere à multa e juros, está mais do evidenciado que tais institutos foram corretamente aplicados, não restando nada a acrescentar. O percentual da multa aplicada está em conformidade com as novas regras introduzidas pela MP 449/2008. O pedido de apresentação de documentação complementar não se adequa às disposições do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. A documentação deve ser apresentada junto com a impugnação e não depois desse momento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15553.720386/2012-32
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - COMPROVAÇÃO
Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, e a comprovação de existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXXIII do art. 39 do RIR/99, como ficou comprovado nestes autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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XXXIII do art. 39 do RIR/99, como ficou comprovado nestes autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 3. 72 03 86 /2 01 2- 32 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720386/201232 Acórdão n.º 2801004.009 S2TE01 Fl. 128 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/RJ1 (Fls. 90), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 04 a 08), emitida em nome do contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009, tendo sido ajustado o saldo de IR a restituir de R$ 6.365,82, para R$ 2.562,69. Conforme descrição dos fatos, foi: • Apurada omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 78.158,36, relativos à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (CNPJ 42.498.634/000166); • Efetuada glosa do valor de R$ 488,83, indevidamente compensado a título de IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e aquele informado pela fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão em DIRF. Cientificado da notificação por edital (fls. 66/69), o contribuinte apresentou impugnação em 20/03/2012 (fl. 02), alegando que: • Já era aposentado quando foi diagnosticado com cardiopatia grave, que o isenta do recolhimento do IR; • Não obstante, a fonte pagadora continuou a reter o IR sobre a aposentadoria paga e com base nos informes de rendimento foram feitas as DAA nos respectivos prazos; • A doença foi diagnosticada em dezembro de 2006, conforme laudo oficial em anexo; • Desde a época do diagnóstico, o contribuinte vem tentando junto à fonte pagadora que não houvesse o desconto, o que somente aconteceu em novembro de 2011; • Porém, a fonte pagadora se recusa a retificar as DIRF dos anos anteriores, informando que o pedido deve ser feito diretamente à RFB, conforme carta em anexo, o que inviabiliza a retificação das DAA; • Por outro lado, não há como fazer o PER/DCOMP e, após solicitação por processo administrativo, o interessado foi orientado a retificar suas DAA, mesmo não sendo retificada a DIRF. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720386/201232 Acórdão n.º 2801004.009 S2TE01 Fl. 129 3 Às fls. 58/62 e 70/74 consta cópia da DIRPF/2010 retificadora, apresentada pelo contribuinte em 31/01/2012, da qual decorreu o lançamento que ora se analisa. Por fim, cumprenos relatar que foi dirigida ao contribuinte intimação, datada de 19/07/2012, requerendo prova de sua condição de aposentado na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão conforme fls 81 a 89. Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Somente a moléstia grave reconhecida por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, confere direito à isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Não deve prosperar a impugnação não instruída com elementos de prova hábeis a promover o convencimento do julgador. Cientificado em 18/10/2012 (Fls. 98), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/10/2012 (fls. 100 e 101), alegando: (...) 1. Quanto à natureza dos valores recebidos: proventos de aposentadoria ou reforma e pensão: 2. Quanto à comprovação da moléstia. Por não haver qualquer objeção quanto ao segundo item, pois o requerente, mediante a apresentação de documentos comprobatórios obteve em 09/11/2011 da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão SEPLAG, órgão responsável pelo pagamento de seus proventos, a isenção do pagamento de Imposto de Renda, buscarei me ater, neste recurso, somente na elucidação do primeiro requisito: 1.1 O requerente pertencia ao quadro de pessoal do extinto Banco do Estado do Rio de Janeiro BANERJ, tendo sido admitido em 05/11/1968 e, aposentado em 22/10/1993, conforme cópia do D.O.E.RJ datado de 10/11/1993 (Doc.01). Nesse período, até o mês de outubro os seus vencimentos eram pagos diretamente pelo citado Banco / CNPJ 33.147.315/000115 (doc. 02); 1.2 A partir da sua aposentadoria, ocorrida em 22/10/1993, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banerj /CNPJ n°. 34.054.320/000146 já a partir de novembro de 1993 passou a assumir pelos pagamentos de meus vencimentos (doc 03); Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720386/201232 Acórdão n.º 2801004.009 S2TE01 Fl. 130 4 1.3 Após a venda do Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A BANERJ para o Banco ITAU, fato ocorrido em 1995, os vencimentos mensais do requerente proventos de aposentadoria (e de todos os outros funcionários que se encontravam em situação equivalente) passaram a ser efetivados através da SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO SEPLAG /CNPJ N°. 42.498.634/000166 (doc.04) 1.4. Portanto, a partir do confronto dos seus informes de rendimentos, da carta da . Fonte Pagadora, da publicação da aposentadoria (D.O.E.RJ de 10/11/1993) e do Contrato de Assunção de Obrigações em Negócios Jurídicos com o Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A e Caixa de Previdência PREVI BANERJ, ambos em Liquidação Extrajudicial (conforme cópia do D.O.E.RJ de 09/11/1988 doe. 04), acredito não restar dúvidas sobre a natureza dos valores recebidos pelo requerente: proventos de aposentadoria; Diante do apresentado acima pode se concluir que o requerente não possuiu em nenhum momento duplicidade de empregos, e sim, fontes pagadoras diversas para uma só situação, qual seja o exercício de suas atividade apenas pelo BANCO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO BANERJ, onde trabalhou por mais de 25 (vinte e cinco) anos, estando aposentado, como dito acima, desde 22/10/1993. E é por esse motivo, amplamente justificado nos itens acima, que o requerente solicita uma nova apreciação do seu pedido, de modo a ser concedido o que requer, o ressarcimento das parcelas retidas a título de IMPOSTO DE RENDA correspondente ao exercício de 2010. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A matéria em litígio restringese aos rendimentos pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro ao longo do anocalendário de 2009, exercício 2010. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por serem seus proventos proveniente de aposentadoria e ser portador de cardiopatia grave, espécie de moléstia grave tipificada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que segue abaixo transcrita: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720386/201232 Acórdão n.º 2801004.009 S2TE01 Fl. 131 5 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como os §§ 4º e 5o do mesmo artigo, assim dispõem: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º).” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720386/201232 Acórdão n.º 2801004.009 S2TE01 Fl. 132 6 III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifei). De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Em relação a ser o contribuinte portador de moléstia grave à época em que tais rendimentos foram auferidos, não resta qualquer dúvida pois junta aos autos, desde sua impugnação, laudo médico oficial em que comprova ser portador de cardiopatia grave desde o ano de 2006 (fls. 10 dos autos). Inclusive a DRJ já se manifestou quanto a este quesito, reconhecendo que o contribuinte fez juntar aos autos o laudo oficial que em que comprova sofrer de moléstia grave, conforme colacionado de extrato do Acórdão de Impugnação (fls. 97): O contribuinte junta aos autos os seguintes documentos: Laudo oficial, emitido em 27/10/2011, assinado por profissional médico do Hospital Universitário Pedro Ernesto – UERJ, declarando ser o contribuinte portador de cardiopatia grave, desde dezembro de 2006 (fls. 10, 15 e 91). A mesma informação consta no atestado de fl. 35, emitido pelo Hospital Universitário Antônio Pedro UFF; Do exposto acima não restam dúvidas de que o contribuinte logrou êxito em comprovar o requisito de ser portador de moléstia grave à época da percepção dos rendimentos tidos como isentos. Como se verifica dos autos a DRJ entendeu que os documentos trazidos pelo contribuinte não comprovavam que os rendimentos auferidos pelo contribuinte seriam relativos à aposentadoria, por não ter logrado êxito demonstrar a relação existente entre a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão(SEPLAG) e o antigo BANERJ. Não estaria, portanto, presente o segundo requisito para concessão da isenção e por tal razão o lançamento foi julgado procedente. Entretanto, após ser alertado pela DRJ, o contribuinte fez juntar por ocasião de seu Recurso Voluntário fez juntar Comprovante de Rendimentos em que resta comprovado que o mesmo já era aposentado do BANERJ no ano de 1993(fls. 107). Juntou ainda Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (fls. 108 à 118 dos autos) em que comprova a assunção pelo Estado do Rio de Janeiro, através da SEPLAG das obrigações em negócios jurídicos tanto do BANERJ quanto de sua caixa de previdência – na época responsáveis pelo pagamento da aposentadoria do contribuinte. Vale ainda destacar que conforme se verifica da DIRPF (fls. 59) o supracitado rendimento é a única fonte declarada pelo contribuinte, e, por tal razão, não cabível a possibilidade de após a aposentadoria por tempo de serviço ter assumido nova atividade laboral Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 15553.720386/201232 Acórdão n.º 2801004.009 S2TE01 Fl. 133 7 Desta feita, entendo que restam devidamente comprovadas tanto que os rendimentos percebidos são provenientes de aposentadoria, quanto a relação existente entre a obrigação originária do BANERJ e posteriormente assumida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro através da SEPLAG. Neste sentido, tendo em vista os documentos trazidos aos autos quando da interposição do Recurso Voluntário, entendo que foram, então, atendidos ambos os requisitos da isenção pleiteada pelo contribuinte, se fazendo forçoso o reconhecimento desta. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 18088.000759/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 75 9/ 20 08 -0 9 Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por UNIÃO TAQUARITINGA SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA. (“União Taquaritinga”), nova denominação da União Taquaritinga Veículos e Peças Ltda., em relação à cobrança de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração DEBCAD de nº 37.212.8025, referente a contribuições sociais previdenciárias destinada a Terceiros, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de apuração entre 12/2002 a 01/2008, cuja ciência foi obtida em 30/12/2008 (fl. 02). Na introdução (fl. 417) do extenso relatório fiscal (fls. 417/519), a autoridade autuante informa que a Ação Fiscal abrangeu os seguintes estabelecimentos: 1.3.1 CNPJ: 66.125.857/000146 – Matriz Endereço: Av. Dr. Francisco Área Leão, 1551 – Chácara Grama – TaquaritingaSP 1.3.2 CNPJ: 66.125.857/000227 – MatãoSP Endereço: vinte e oito de agosto, 1080 – Centro – MatãoSP 1.3.3 CNPJ: 66.125.857/000308 – Monte AltoSP Endereço: Rua cica, 425 – centro – Monte AltoSP 1.3.4 CNPJ: 04.071.124/000119 – MARINA TOMOE OGATA KODAMA – ME (“Marina”) Endereço: Av. Dr. Francisco Área Leão, 1573 1.3.5 CNPJ: 03.659.088/000146 – MARCOS BALDASSA TAQUARITINGA ME (“Marcos Baldassa”) Endereço: Av. Dr. Francisco Área Leão, 1573 1.3.6 CNPJ: 03.658.542/000144 – JOSE ROBERTO DE SOUZA MONTE ALTO ME (“José Roberto”) Endereço: Rua cica, 425 – centro – Monte AltoSP Ainda em sua introdução, afirma o fiscal que o objeto social da matriz autuada, uma concessionária autorizada de veículos FIAT, é o “COMÉRCIO VAREJISTA DE VEÍCULOS NOVOS E USADOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA AUTOS, DERIVADOS DE PETRÓLEO E CORRELATAS, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E REPAROS E AFINS”, bem como que o seu quadro societário é composto pelos sócios Kioschi Ogata, Marina Tomoe Ogata Kodama e Marcos Takeo Ogata. Assevera o fiscal que foi constatado que vários funcionários da empresa União Taquaritinga foram relacionados como se pertencessem às empresas (ME’s) Marina, Marcos Baldassa e José Roberto. Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 4 3 No entanto, no curso da ação fiscal, o autuante chegou à conclusão de que os funcionários relacionados como sendo das empresas MARINA TOMOE OGATA KODAMA – ME, MARCOS BALDASSA TAQUARITINGA ME e JOSE ROBERTO DE SOUZA MONTE ALTO ME, são, na realidade, empregados da empresa União Taquaritinga, tendo sido alocados naquelas com a finalidade de valerse dos benefícios fiscais do regime de tributação simplificada, o SIMPLES. Os motivos para tal enquadramento estão elencados nos 20 (vinte) subtópicos do item 2.2 do relatório fiscal (fls. 357/373), dentre eles: · As ME’s localizamse no mesmo espaço da Matriz e/ou filial da empresa (2.2.1); · Foi informado que as ME’s prestavam serviços de funilaria, mecânica e pintura de veículos à União Taquaritinga (2.2.2); · O Gerente Administrativo da União Taquaritinga (Sr. João Carlos Pavarina), à época, estava relacionado como empregado da empresa Marina (2.2.4); · Não haviam vendedores de veículos relacionados na Folha da União Taquaritinga, em que pese seu objeto social tratar de comércio varejista de veículos novos e usados. Em contrapartida, as ME’s, que declararam à RFB faturamento exclusivo com prestação de serviços, possuíam em suas folhas de pagamento vários vendedores de veículos, inclusive com pagamento de comissões pelas vendas (2.2.6 e 2.2.7); · Foram encontrados na contabilidade da União Taquaritinga lançamentos referentes a pagamentos de verbas salariais feitas a empregados relacionados como sendo das empresas (ME’s) Marina, Marcos Baldassa e José Roberto (2.2.9); · Pagamentos pela União Taquaritinga de tributos, folha de salários, FGTS, etc., referente às ME’s (2.2.12 a 2.2.19); · Utilização de uniforme da União Taquaritinga pelos empregados relacionados como pertencentes às ME’s Marina, Marcos Baldassa e José Roberto (2.2.20). Foram considerados como fatos geradores da contribuição previdenciária as remunerações pagas ou creditadas a segurados, no período de 12/2002 a 01/2008, verificadas em folhas de pagamento e contabilidade da empresa (Livros Diário 30 a 78, de 12/2002 a 12/2007), tendo parte do lançamento sido efetuado por aferição indireta (motivos constantes no próprio relatório fiscal, para cada lançamento) em razão da não apresentação de documentos solicitados no curso da fiscalização. Os lançamentos (levantamentos) estão discriminados no item 4.3 do Relatório Fiscal (fls. 435/518). Fl. 4526DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 5 4 Às fls. 522/569 a autuada apresentou Impugnação ao lançamento, alegando em síntese: 1. A ocorrência de abuso de autoridade e arbitrariedade realizada contra si, ao exigir a apresentação de documentos e livros fiscais não obrigatórios, inclusive de outras pessoas jurídicas que não a Impugnante, tendo o lançamento sido efetuado com base em ilações e conjecturas, sendo nulo de pleno direito; 2. Ilegitimidade passiva, tendo em vista que grande parte da autuação se deve a supostas relações jurídico tributárias relacionadas a funcionários vinculados a outras pessoas jurídicas autônomas, que não a impugnante (tomadora de serviços destas); 3. Incompetência do fiscal para fiscalizar a filial da impugnante localizada em Monte AltoSP; 4. Que a não apresentação de documentos se deveu principalmente à ocorrência de sinistros no estabelecimento da autuada, o que não foi considerado pela fiscalização; 5. Erro formal na identificação numérica dos autos de infração no relatório fiscal, cerceando sua possibilidade de defesa, sendo portanto, nula a autuação; 6. A ocorrência de utilização de provas obtidas ilicitamente pelo agente fiscal, em desrespeito a diversas garantias constitucionalmente dispostas no art. 5º da CF, como a vedação de utilização de provas ilícitas, sigilo fiscal, bancário, e de documentos pessoais, entre outros; 7. Da impropriedade de todos os levantamentos (lançamentos) realizados pelo fiscal, apresentando justificativas para cada item lançado; 8. Que a presente autuação fere o princípio constitucional da vedação ao confisco; 9. Da utilização indevida da Taxa SELIC como índice de atualização monetária; 10. Pugnou pela total improcedência do presente lançamento, tendo em vista que as contribuições, quando devidas, foram recolhidas pelas empresas nas quais os funcionários estavam devidamente registrados, conforme demonstrado. À fl. 4128 o contribuinte requereu a juntada da documentação solicitada junto às instituições financeiras, complementando as já apresentadas junto à peça impugnatória. Às fls. 4326/4331 a 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, através do despacho de nº 0073, converteu o feito em diligência para que o fiscal autuante se manifestasse acerca da documentação trazida aos autos pela autuada. Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 6 5 Na Informação Fiscal (fls. 4346/4355), a partir das alegações e documentos apresentados pela autuada, o autuante concluiu, resumidamente, da seguinte forma: 1) em relação a diversos pagamentos registrados em sua contabilidade, que a autuada afirmou tratar se de empréstimos contratados diretamente pelos sócios, funcionários e também através das ME’s (Marina, Marcos Baldassa e José Roberto), a autuada não comprovou quais lançamentos contábeis representariam tais empréstimos, tampouco quais lançamentos seguintes liquidariam o valor emprestado; 2) Referente aos Funcionários Alan Patrick Lopes, Andrea Martins Silva, Gustavo R. Gomes e Vanessa Keila Tozatto, a autuada não apresentou documentos que comprovassem o alegado; 3) Referente a Patrícia Sudano, Leandro de Miranda, Eduardo Miguel Villela, Anderson Silva, Alessandra Bernardino, a empresa comprovou mediante documentação hábil a demissão dos referidos empregados, sendo refeito os lançamentos por Aferição Indireta de funcionários não registrados conforme item 8 da Informação Fiscal, excluindo determinados períodos do levantamento. Às fls. 4358/4370, acerca da conclusão da diligência, a autuada se manifestou alegando: 1) a impossibilidade de abrangência da fiscalização em relação a outras empresas que não a União Taquaritinga e suas filiais; 2) a decadência do crédito compreendido em 12/2002 a 10/2008, a teor do art. 150, § 4º do CTN e da Súmula Vinculante nº 8 do STF; 3) que a fiscalização não poderia atribuir à autuada eventuais irregularidades de outras pessoas jurídicas, havendo mecanismo próprio para excluílas do SIMPLES e responsabilizandoas por eventuais tributos devidos relacionado a empregados a elas vinculados; 4) que não foi oportunizado às ME’s (Marina, Marcos Baldassa e José Roberto) o contraditório e a ampla defesa; 5) em relação ao lançamento C02, junta documentos que afirma serem suficientes para descaracterização dos pagamentos considerados como prolabore da sócia Marina Tomoe Ogata Kodama; 6) lançamento C03, junta documentos em relação a pagamentos efetuados à empresa Prisma Tintas de Jaboticabal, pertencente ao sócio Marcos Takeo Ogata, havendo lançamentos na contabilidade tanto a crédito quanto a débito; 7) Lançamentos C31 a C35, tratamse de pagamentos de serviços prestados pelas ME’s (Marina, Marcos Baldassa e José Roberto), e a pedido das mesmas algumas obrigações destas eram adimplidas pela União Taquaritinga, como forma de pagamento dos serviços, o que não é vedado pela lei; 8) C36 e C37, alega que o fiscal não poderia ter efetuado aferição indireta para períodos fora do solicitado em Termo de Intimação Fiscal (TIF nº 02); por fim, junta nova documentação que afirma comprovar o quanto alegado; 9) afirma que, ainda que porventura devidos os lançamentos, não houve o devido respeito ao limite máximo de contribuição para os lançamentos da contribuição de segurados, a exemplo do que ocorreu ao funcionário Tsikassi Ogata, e em relação a vários outros segurados. Às fls. 4397/4398 foi proferido novo despacho (nº 10/2011 da 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP) convertendo em diligência para que a autoridade autuante analisasse a nova documentação e esclarecimentos trazidos pela autuada em sua manifestação. Em nova Informação Fiscal (fls. 4400/4401), o autuante chegou às seguintes conclusões: 1) em relação à aferição indireta, após o TIF 02, foi emitido o TIF 04 intimando a empresa a apresentar documentos e esclarecimentos acerca do período de 12/2002 a 01/2008, o qual não foi atendido pela autuada, prosseguindose o lançamento por aferição indireta conforme item 4.2 do relatório fiscal; 2) O impugnante fez referência à documentação apresentada nos autos do PAF 18088.000757/200810 – AI 37.212.8009); 3) A partir da documentação juntada no PAF retrocitado, concluiuse que em relação ao Levantamento C10 houve comprovação da origem dos valores lançados na conta 2102010001, devendo ser excluído lançamento C10 – LANÇAMENTOS CONTA 2102010001; 4) Levantamento C36 – Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 7 6 houve comprovação apenas de alguns valores cedidos pelos Srs. Daniel Geraldi, José Roberto de Souza e Claudia Donizeth Kimura, sendo excluídos determinados lançamentos desta Conta conforme fl.4401. Intimada da Informação Fiscal acima, a autuada se manifestou às fls. 4404/4416, alegando, em síntese que: 1) O autuante se prendeu tão somente ao exemplo citado pela impugnante quanto ao limite máximo de contribuição, deixando de analisar as demais situações; 2) os valores discriminados como devolução de adiantamento às ME’s não poderiam ser lançados como salários de empregados; 3) os valores presumidos como salário de segurados empregados eram títulos emitidos pelos sócios (C37) e/ou empregados (C36) para caucionar créditos obtidos junto às instituições financeiras; 4) que foram considerados como salário de contribuição (pro labore) valores com bastantes oscilações, concluindo não se tratar de salários; 5) não houve dedução dos valores já recolhidos pelas ME’s; 6) reiterou argumentações já aduzidas na peça impugnatória e na manifestação anterior, retificando ainda o pedido de reconhecimento da decadência no período de 12/2002 a 10/2003. Em julgamento de primeira instância, a 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP proferiu o acórdão 1437.919 (fls. 4419/4440), abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2008 Debcad: 37.212.8025 DECADÊNCIA. Ocorrendo o recolhimento parcial de contribuição, o início da contagem do prazo quinquenal da decadência será definido pela ocorrência da homologação do crédito, de acordo com o art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. ATO DECLARATÓRIO Nº 3/2011. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser excluído do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições incidentes sobre as parcelas de auxílio alimentação in natura fornecidas pela empresa aos seus empregados (Ato Declaratório PGFN nº 3/2011). TRANSFERÊNCIA IRREGULAR DE EMPREGADOS PARA REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Caracterizada a situação de transferência de segurados empregados para interpostas empresas com a finalidade de irregular redução de contribuição previdenciária, os empregados deverão ser considerados como se fossem empregados da principal, prevalecendo a realidade dos fatos. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO. Empréstimos realizados entre empresa e sócios deverão ser contabilmente comprovados com a entrada do valor posteriormente Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 8 7 devolvido, em caso contrário, presumese a ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A discussão de ilegalidade de lei não é apropriada nesta esfera administrativa, por falta de competência. PERÍCIA. A realização de perícia será deferida desde que haja fatos com complexidade técnica que a justifique. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada do resultado de julgamento em 06/09/2012 (fl. 4442), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 02/10/2012 (fls. 4444/4506), alegando em síntese: 1. Que não houve uma análise detida da extensa documentação juntada no curso do processo, as quais comprovam a total inexistência de relação jurídico tributária da recorrente com as contribuições ora exigidas, devendo prevalecer o Princípio da Verdade Material; 2. Nulidade absoluta da decisão de primeira instância, pelo não enfrentamento da Ilegitimidade da recorrente, tendo em vista que o lançamento se constituiu principalmente sobre pagamentos de terceiros a funcionários de outras pessoas jurídicas (e não de sua própria), utilização de presunções e indícios, além de ser fundado em provas ilícitas, implicando em ausência de motivação para a manutenção da exigência fiscal; 3. Ilegalidade e inconstitucionalidade do lançamento com base em presunções, tendo em vista que foram considerados como salário de contribuição valores que sequer podem ser considerados como remuneração pelo trabalho, não havendo de fato comprovação da ocorrência de fato gerador da contribuição; 4. Impossibilidade legal da recorrente responder pelas contribuições devidas sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais vinculados a outras pessoas jurídicas (micro empresas) que lhe prestam serviços, a exemplo da Marina Tomoe Ogata Kodama ME, Marcos Baldassa Taquaritinga ME e José Roberto de Souza Monte Alto ME, as quais recolhem seus tributos na sistemática do SIMPLES; 5. Os fatos geradores da obrigação tributária foram praticados pelas respectivas empresas que lhe prestavam serviços de funilaria, comércio de peças novas e usadas para autos, pintura, mecânica, etc.; Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 9 8 6. Que tais atividades elencadas acima não eram prestadas pela recorrente, por decisão estratégia sua, cabendo apenas a venda de veículos; 7. Que não houve transferência de quadro de empregado para as ME’s, mas sim uma decisão comercial de exercer ou não determinada atividade, ponderando os custos financeiros que lhe trariam; 8. Que os pagamentos registrados em sua contabilidade (arcados pela União Taquaritinga) de verbas salariais, folha, FGTS, impostos, comissões, entre outros, referentes às obrigações das ME’s Marina, Marcos Baldassa e José Roberto, poderiam ser facilmente comprovados através de uma perícia contábil para verificar o encontro de contas mensal entre as Notas Fiscais de Serviços Prestados e os pagamentos de obrigações das ME’s; 9. Exemplifica que valores a título de “ajuste comercial”, transferidos para as empresas prestadoras de serviço foram considerados como base de cálculo da contribuição, e sequer natureza salarial possuem; 10. Que o MPF não abrangia as ME’s, prestadoras de serviços, mas tão somente a Recorrente, e que o fiscal não poderia exigir da recorrente apresentação de documentação de outras pessoas jurídicas, tampouco justificar a utilização de arbitramento com base na não apresentação de tais documentos, sendo ilegal tal conduta, maculando o lançamento de nulidade; 11. Houve dupla tributação na medida em que a fiscalização não reconheceu os pagamentos a título de contribuição já recolhidos pelas prestadoras de serviços em relação a seus empregados, implicando em enriquecimento ilícito por parte do Fisco; 12. Que o procedimento adotado pelo fiscal foi equivocado, pois, constatada eventual irregularidade originada das microempresas optantes do SIMPLES, as mesmas deveriam ser excluídas do regime e responsabilizadas por eventual crédito tributário vinculado a seus funcionários, e não a União Taquaritinga, tomadora dos serviços, sendo tal atribuição de responsabilidade arbitrária e ilegal. Em relação aos lançamentos descritos no relatório fiscal (item 4.3), tece os seguintes argumentos, informando ainda que a documentação referente às suas alegações foram devidamente juntadas nos autos do AI nº 37.212.8009 (PAF nº 18088.000757/200810): 1. EDIVA DE MOURA não pertenceu ao quadro funcional da Marina ME, tampouco está relacionada nas GFIP 02/2003 a 03/2004; 2. ISABEL ENDRES está devidamente relacionada na GFIP de 02/2003, ao contrário do que afirma o autuante; 3. O funcionário ALAN LOPES e ALAN PATRICK são a mesma pessoa (Alan Patrick Lopes), e seu período trabalhado foi de Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 10 9 01/08/2005 a 20/02/2006, com salário de R$396,00, sendo incorreta a atribuição pelo fiscal do período entre 12/2005 a 01/2008; 4. ANDREA MARTINS DA SILVA trabalhou de 22/05/2006 a 30/06/2006, com salário de R$758,00, tendo ocorrido lançamento de ofício entre 01/2003 a 05/2006; 5. VANESSA KEILA TOZATTO trabalhou de 05/12/2005 a 31/01/2006, com salário de R$ 374,30, tendo ocorrido lançamento de ofício entre 02/2006 a 01/2008; 6. Em relação ao prólabore dos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, o fiscal atribuiu o valor de 10 salários mínimos através de aferição indireta para a competência de 01/2008, sob o frágil fundamento de que não teria sido disponibilizado pela empresa Livro Diário e Razão para esta competência, desconsiderando, assim, as justificativas do sinistro ocorrido no estabelecimento autuado; 7. C01 – Lançamentos Conta 33030010002 – incentivos pagos para promoção de vendas de produtos (“Gueltas”), defende que não integram o salário de contribuição por não possuir natureza salarial; 8. C02 – Lançamentos Conta 2102010004 – Devoluções e pagamentos de empréstimos para a Marina ME, não podendo ser consideradas como pro labore para a sócia Marina Tomoe Ogata Kodama; 9. C03 – Lançamentos Conta 2102010005 – operações de empréstimo entre a recorrente e a Prisma Tintas de Jaboticabal Ltda. – afirma que o cheque de fl. 2132 (processo físico) emitido pela Prisma em favor da União não foi considerado pelo auditor e pela DRJ, tampouco a devolução da União para a Prisma demonstrada em Livro Diário; 10. C05 e C06 – Contas 1102010374 e 1102010374 B – foi apresentada Nota Fiscal de aquisição de veículo (fl. 2155, processo físico) que a pessoa física Marina Tomoe Ogata Kodama fez à Recorrente em 03/02/2005, mas que foi tido como pró labore da sócia; e na conta C06 a fiscalização considerou o cliente João Mariano Junior como se empregado da empresa fosse; tais itens não foram analisados pela DRJ; 11. C08 – Lançamentos conta 1102011940 – tratase de venda de veículo e serviços efetuados ao proprietário Kioschi Ogata, devidamente adimplido pelo mesmo, razão pela qual não pode ser considerado como se pro labore fosse; 12. C09, C10 e C17 – Contas 1102012936, 21020110001 e 4103010004 – tratase de empréstimos efetuados pelo funcionário Tsikassi Ogata (contratos de mútuo às fls. 3688 a 3744, processo físico) no valor de R$ 149.500,00, não se referindo, portanto, à remuneração; Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 11 10 13. C14, C15, C16 e C17 – Comissão de Funcionários das prestadoras – a desconsideração das personalidades jurídicas das ME’s prestadoras de serviço, como já explanado, implicou nos presentes lançamentos indevidos; 14. C18, C19 e C20 – Contas 4103010005, 4103010006, 4102010015 – pagamentos de comissões, TAC’s, já explanados, que não integram o salário de contribuição; 15. C26 – Lançamentos conta 2102010003 – tratase de empréstimos efetuados pelo sócio Marcos Takeo Ogata à recorrente, com documentação comprobatória às fls. 4563/4603, não podendo ser considerados como pro labore; 16. C27 – Lançamentos conta 2102010006 – Tratase de pagamentos e devoluções de empréstimos efetuados pela empresa José Roberto ME à Recorrente. O fiscal considerou tais devoluções como se fossem pagamentos de salário ao funcionário José Roberto de Souza, confundido as pessoas física e jurídica. Doc’s às fls. 4606 a 4706; 17. C28, C29 e C30 – Contas 4101010055, 4101010054 e 4101010054 B – tratamse de despesas operacionais da recorrente, não se equiparando em nada com remuneração de qualquer espécie relacionada a funcionários; 18. C31, C32, C33, C34 e C35 – Contas 4101010047, 4101010047 B, 2101010288, 2101010366, 4101010049 – tratamse de pagamentos que a Recorrente fazia às suas prestadoras de serviço por oportunidade do acerto de contas, como já explanado no presente recurso; 19. C36 e C37 – Contas 2101140001 e 2101140001 B – tratamse de contas onde eram feitos os lançamentos contábeis referentes à captação de recursos junto a instituições financeiras, embora possuísse o nome “Adiantamento de clientes”. Alega que as operações foram compreendidas pelo órgão julgador, no entanto, não foi levado em consideração pelo fiscal a extensa documentação que comprovava os lançamentos a crédito, anteriores aos lançamentos a débito na mesma conta, conforme cheques e outros documentos emitidos pelos sócios, funcionários e outras empresas que prestam serviços, todos nominais à Recorrente. Por fim requereu: 1. A anulação do acórdão de primeira instância, por total falta de motivação, ao desconsiderar os principais elementos de defesa e documentação juntados, em flagrante ofensa à ampla defesa e contraditório; 2. Subsidiariamente, a anulação integral do presente lançamento tendo em vista a: Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 12 11 a. Ilegitimidade passiva da recorrente para responder por tributos devidos por terceiros, os quais, inclusive, já foram pagos na sistemática do SIMPLES pelas ME’s prestadoras de serviços; b. Total regularidade da operação, lastreada em prova robusta, e, ainda que se considerasse a sujeição passiva da recorrente, grande parte das verbas não possuiriam natureza salarial (remuneratória). À fl. 4511 foi encaminhado o presente recurso para apreciação por este CARF. É o relatório. Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 18088.000759/200809 Resolução nº 2401000.441 S2C4T1 Fl. 13 12 VOTO Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como se observa, o presente recurso envolve matéria e documentos diretamente relacionados aos autos do PAF nº 18088.000757/200810, referente ao DEBCAD nº 37.212.8009, o qual foi convertido em diligência nesta mesma sessão de julgamento para que a fiscalização se manifestasse conclusivamente, item por item sobre cada lançamento efetuado, acerca do elevado número de documentos trazidos pelo contribuinte em suas seguidas manifestações naqueles autos. Assim sendo, tendo em vista que o resultado da diligência a ser realizada nos autos do PAF nº 18088.000757/200810 certamente impactará o resultado do presente processo, diante de tal prejudicialidade, voto no sentido de converter o presente feito em diligência, para que: a) Sejam os presentes autos remetidos ao órgão competente por realizar a diligência fiscal nos Autos do PAF de nº 18088.000757/200810, aguardando o seu resultado; b) Após o resultado da referida diligência, e na eventualidade de existir exclusão de crédito tributário, que o referido órgão competente se manifeste conclusivamente acerca dos eventuais impactos nos lançamentos efetuados no presente processo, de acordo com cada item lançado, e, sendo o caso, efetuando o recálculo do crédito tributário remanescente. Após a realização da referida diligência nos presentes autos, deverá ser a Recorrente intimada para, querendo, manifestarse sobre o seu resultado. Com ou sem manifestação da Recorrente no prazo estipulado, voltem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900767/2013-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 351/1.703 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente temporariamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 351/1.703 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente temporariamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 7/ 20 13 -5 4 Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900767/201354 Resolução nº 3802000.396 S3TE02 Fl. 1.709 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 302/307, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 31021.46890.250510.1.3.043711, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416083). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/05/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 312.526,33 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 18/01/2008, sob o código 5856, no valor de R$ 2.483.792,60) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 387.751,42. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 31021.46890.250510.1.3.043711, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416083). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/05/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 312.526,33 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 18/01/2008, sob o código 5856, no valor de R$ 2.483.792,60) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 387.751,42. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900767/201354 Resolução nº 3802000.396 S3TE02 Fl. 1.710 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 267 a 301, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 312 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 314), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 315/329), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de dezembro/2007. E, consequentemente, a constatação de que o montante devido para referido período de COFINS era de R$ 3.172.411,11 '(para o código de receita 5856) e não de R$ 3.484.937,44 (pagos, integralmente, através de três DARFs, conforme informado em manifestação de inconformidade), conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 312.526,33 (R$ 3.484.937,44 R$ 3.172.411,11 = R$ 312.526,33). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900767/201354 Resolução nº 3802000.396 S3TE02 Fl. 1.711 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 30.313.315,77, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 351/1.703). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 743/765). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900767/201354 Resolução nº 3802000.396 S3TE02 Fl. 1.712 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 312 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 314 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 315/329). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 10 e 11), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de dezembro de 2007, a Recorrente transmitiu 04 declarações DCTF (em 11/02/2008, 29/05/2008, 30/07/2008 e 24/03/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.484.937,44 para R$ 3.172.411,11. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 08/02/2008 e 22/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.10 e 11) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 22/02/2010 e 24/03/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 267/301 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de dezembro de 2007. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900767/201354 Resolução nº 3802000.396 S3TE02 Fl. 1.713 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de dezembro/2007. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 743/765), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900767/201354 Resolução nº 3802000.396 S3TE02 Fl. 1.714 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 351/1.703), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 351/1.703 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 321 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000211/2010-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
O lançamento apresenta o tributo lançado de forma analítica e sintética, contém discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das razões e da metodologia de aferição, dos períodos a que se referem, da fundamentação legal, enfim, contém todos elementos previstos no artigo 142 do CTN.
SOLIDARIEDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Constatando-se que o sujeito passivo, pessoa física, ao qual se imputara responsabilidade solidária não fizera parte da administração da pessoa jurídica na integridade do período autuado, na forma do Relatório de Representantes Legais - RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007), a imputação de solidariedade para todo o período autuado resta indevida por erro de sujeito passivo.
Não ocorrendo as hipóteses previstas nos arts. 124 e 135 do código Tributário Nacional - CTN onde se registra previsão de imputar responsabilidade solidária às pessoas expressamente designadas por lei, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal atribuindo-lhes pessoal responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não se vislumbra atribuir solidariedade às pessoas não insertas nas sobreditas condições.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza(relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No Mérito: (i) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Ivacir Julio de Souza(relator) que deu provimento total e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas que deu provimento votando pelas conclusões. (ii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária, pelo reconhecimento de erro na identificação do sujeito passivo . Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Votaram palas conclusões Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente/Relator Designado
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. O lançamento apresenta o tributo lançado de forma analítica e sintética, contém discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das razões e da metodologia de aferição, dos períodos a que se referem, da fundamentação legal, enfim, contém todos elementos previstos no artigo 142 do CTN. SOLIDARIEDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Constatando-se que o sujeito passivo, pessoa física, ao qual se imputara responsabilidade solidária não fizera parte da administração da pessoa jurídica na integridade do período autuado, na forma do Relatório de Representantes Legais - RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007), a imputação de solidariedade para todo o período autuado resta indevida por erro de sujeito passivo. Não ocorrendo as hipóteses previstas nos arts. 124 e 135 do código Tributário Nacional - CTN onde se registra previsão de imputar responsabilidade solidária às pessoas expressamente designadas por lei, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal atribuindo-lhes pessoal responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não se vislumbra atribuir solidariedade às pessoas não insertas nas sobreditas condições. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza(relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No Mérito: (i) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Ivacir Julio de Souza(relator) que deu provimento total e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas que deu provimento votando pelas conclusões. (ii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária, pelo reconhecimento de erro na identificação do sujeito passivo . Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Votaram palas conclusões Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente/Relator Designado IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. O lançamento apresenta o tributo lançado de forma analítica e sintética, contém discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das razões e da metodologia de aferição, dos períodos a que se referem, da fundamentação legal, enfim, contém todos elementos previstos no artigo 142 do CTN. SOLIDARIEDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Constatandose que o sujeito passivo, pessoa física, ao qual se imputara responsabilidade solidária não fizera parte da administração da pessoa jurídica na integridade do período autuado, na forma do Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007), a imputação de solidariedade para todo o período autuado resta indevida por erro de sujeito passivo. Não ocorrendo as hipóteses previstas nos arts. 124 e 135 do código Tributário Nacional CTN onde se registra previsão de imputar responsabilidade solidária às pessoas expressamente designadas por lei, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 11 /2 01 0- 35 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 atribuindolhes pessoal responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não se vislumbra atribuir solidariedade às pessoas não insertas nas sobreditas condições. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza(relator), Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No Mérito: (i) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Ivacir Julio de Souza(relator) que deu provimento total e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas que deu provimento votando pelas conclusões. (ii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária, pelo reconhecimento de erro na identificação do sujeito passivo . Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Votaram palas conclusões Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Designado IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase do Auto de Infração nº Debcad 37.290.9434, no valor total de R$ 8.218.711,80, referente às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (segurados, empresa e riscos ambientais do trabalho), lavrado por aferição indireta considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. Foi atribuída responsabilidade solidária a MAFRINORTE MATADOURO E FRIGORIFICO DO NORTE LTDA, CNPJ 05.047.121/000102, e a PAULO AFONSO COSTA, 055.085.84668, ambos definidos no Relatório de Vínculos às fls. 24, como co responsáveis. Constituído de 47 páginas o Relatório Fiscal de fls.60/107 é demasiado longo para se transcrever na íntegra. Considerando que o lançamento ocorrera por aferição indireta, tem relevo saber sobre os fatos geradores, as origens das bases de cálculo e a motivação. Assim, as partes do Relatório que abrangem as sobreditas questões são abaixo transcritas com grifos de minha autoria : 56.1. A empresa deixou de apresentar as notas fiscais de entrada e do produtor referentes ao estabelecimento localizado no município de Bacabal (MA); 56.2. Houve a não apresentação de todos os documentos de despesas, mesmo a empresa regularmente intimada, como ocorre no termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06). A fiscalizada apenas solicitou prorrogação de prazo, porém nada apresentou até o encerramento da ação fiscal. 56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05). 56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários. 56.5. As notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Água Azul do Norte (PA) também foram apresentadas de forma incompleta, fato confirmado quando se comparam os totais mensais dos abates constantes nas notas analisadas pela fiscalização e as totalizações obtidas a partir dos mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura (anexos 12 e 13); Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 56.6 – Outro ponto que demonstra que a escrita contábil não registra a real movimentação da empresa é que para os anos de 2005 e 2006 ela mantém apenas um vínculo empregatício, porém registra as mais diversas despesas (combustível, material de expediente, despesas com veículos, viagens, conservação e limpeza, etc...), conforme se verifica nos razões (anexo 29). Essas despesas possuem valores consideráveis, como ocorre com combustíveis e manutenções de veículos. Perguntase: quem dirige os utilitários? Nada a se falar em prestação de serviço (a empresa foi intimada a apresentar contratos e notas fiscais, disponibilizando apenas um ajuste para abate e afirmando que não há mais contratos). Então, como justificar as despesas mencionadas que totalizam milhões? Ela, a fiscalizada, foi intimada a justificar o fato, termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06), porém se absteve completamente de esclarecer a inconsistência. É de se perguntar novamente: Como se justificam os dispêndios? De que forma a empresa pode estar plenamente ativa com faturamento de superior a cento e cinqüenta milhões de reais com apenas um segurado? Voltamos a insistir no fato que os contratos de prestações de serviços referemse ao abate de animais (industrialização) não englobando as demais etapas do processo produtivo da empresa, como faturamento, contabilidade, vigilância, distribuição, vendas, controles internos, etc... 56.7. Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior e) Há uma correspondência de TIÃO CONTABILIDADE, CRCGO 5043 TPA, CPF 168.656.50115, datada de novembro de 2006, anexo 24, DIRIGIDA a Ativo Alimentos de Água Azul do Norte (PA), AT. Sr. José Antônio Barboza, constando o seguinte: Meu prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraídos da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de setembro de 2004 a outubro de 2006. (...) Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CFOP 1101 e a quantidade de bovinos enviado para ser industrializado, através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual. Pois, é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado, se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 4 5 57. Outro ponto destacado referese ao plano geral de contas que foi apresentado de forma sintética. A empresa foi intimada a apresentar o plano analítico, porém se absteve. 58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. .” Da condução do voto a quo extraíse a SÍNTESE : " Informa o mencionado relatório que a fiscalização analisou documentos apreendida na Operação Arroba, tendo extraído elementos que comprovam a dissimulação da ocorrência do fato gerador do tributo em questão. Extraise, ainda, do aludido Relatório Fiscal, conforme relatos detalhados ali contidos, que a empresa, além de não ter apresentado todos os elementos solicitados nos termos fiscais, não contabilizou todos os fatos geradores das contribuições em questão. Como conseqüência, a fiscalização utilizouse do arbitramento autorizado pelo artigo 33 da Lei 8.212, §§ 3º e 6º, in verbis: § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a Fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos de minha autoria) " DA IMPUGNAÇÃO Inconformados, apresentaram impugnação o contribuinte e o responsável solidário, PAULO AFONSO COSTA. O Contribuinte, ATIV0 ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA alegou, que: 1 – A fiscalização procedeu à caracterização de vínculos de emprego pretensamente não formalizados pela ATIVO, amparandose numa valoração subjetiva da situação encontrada junto à Impugnante e a empresa Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 MAFRINORTE, também fiscalizada pelo mesmo Auditor Fiscal, que construiu seu raciocínio, visando sempre ao lançamento de contribuições, a partir de fatos que o teriam levado a desconsiderar despesas e pagamentos; 2 – o AuditorFiscal pautouse a fiscalização: considerou existentes vínculos trabalhistas e, conseqüentemente, pagamentos de verbas salariais, sobre as quais incidiriam contribuições previdenciárias devidas pelos segurados, empresa e SAT; 3 para apurar o que teria sido pago a título de verbas salariais, foi realizado o arbitramento de valores, que embora seja prerrogativa legal do fisco, deveria revestirse do mínimo de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu na presente situação; 4 todos os empregados da Impugnante sempre foram regularmente registrados, e as contribuições previdenciárias sempre foram pagas regularmente, estando tudo isso devidamente compreendido nas folhas de pagamento e demais documentos apresentados ao mesmo, que simplesmente negligenciou tais fontes, o que impediria a realização da apuração da base de cálculo por arbitramento, nos termos do art. 33 da Lei n°. 8.212/91; 5 com base em suposições equivocadas, o Auditor Fiscal tenta impor, irresponsavelmente, uma conta absurda à Impugnante, lançando exações fiscais que podem deflagrar até mesmo procedimentos criminais; 6 a ATIVO e a MAFRINORTE são empresas que trabalham no ramo frigorífico, e são do mesmo Grupo Empresarial, que têm como sócio majoritário o Sr. Paulo Afonso Costa, pessoa esta que tem poder de gestão sobre ambas. Tal situação não é novidade, pois foi caracterizada pelo próprio Sr. Auditor Fiscal e pode ser facilmente constatado pelos respectivos Contratos Sociais; 7 ambas as empresas tem sede na Rodovia Castanhal Inhangapi, s/n – KM 04, Zona Rural, CEP.: 68.742005, em Castanhal/PA, local onde situase um parque industrial frigorífico, no qual são exercidas as atividades sociais (abate e industrialização de carne). A MAFRINORTE é a proprietária do imóvel e do parque industrial nele situado. 8 ambas as empresa também mantinham filiais nos municípios de Bacabal/MA e Água Azul do Norte/PA, nos mesmos endereços, onde se situam outros parques industriais frigoríficos, que não são de suas titularidades; 9 o parque industrial frigorífico situado em Bacabal/MA foi de fato arrendado pelo Grupo Empresarial, até Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 5 7 09/2007, mês no qual deixou de exercer suas atividades no local. 10 – o Grupo Empresarial tinha funcionários, todos no nome da MAFRINORTE, e posteriormente transferidos, em quase sua totalidade, para a ATIVO, sendo que promovia o pagamento de seus salários mensalmente; 11 O Grupo Empresarial também chegou a exercer suas atividades no parque industrial frigorífico situado em de Água Azul do Norte/PA, de titularidade do FRIGOL. Neste caso, os funcionários eram todos do FRIGOL, sendo que este prestava serviços de abate, no seu parque frigorífico, sendo deste a responsabilidade e a titularidade de todas as relações trabalhistas; 12 de 2005 a 2006, as atividades empresariais do Grupo eram exercidas pela ATIVO e MAFRINORTE; 13 cabia à ATIVO, primordialmente, atuar na compra de gado, venda de carne e subprodutos da carne, atividades que obviamente eram realizadas nos respectivos parques industriais frigoríficos. Também cabia à ATIVO o pagamento de inúmeras despesas administrativas; 14 nos anos de 2005/2006, cabia à MAFRINORTE manter toda a folha de pagamento do GRUPO, das matrizes e filiais, sendo que todos os pagamentos eram realizados por Castanhal/PA, fato este que pode ser facilmente constatado pelas folhas de pagamento e GFIPs da referida empresa; 15 as atividades da ATIVO e MAFRINORTE, assim, confundiamse no período, porquanto eram realizadas no mesmo espaço físico, sob a gestão do mesmo sócio administrador (Sr. Paulo Afonso Costa), mediante o labor dos mesmos empregados; 16 não havia empregados da ATIVO, pois somente eram realizadas pelo seu CNPJ as atividades comerciais e pagamento de despesas, mediante atuação dos mesmos empregados da MAFRINORTE, empresa esta que suportava o pagamento dos salários de todos os empregados do Grupo Empresarial; 17 as atividades da MAFRINORTE foram paulatinamente reduzidas e, por fim, paralisadas e passadas à incumbência da ATIVO; 18 a ATIVO, que já participava das operações que compunham o objeto social das empresas do Grupo Empresarial, assumindo operações e compra e abate de Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 bovinos, sucedeu a MAFRINORTE em todas as relações trabalhistas que esta mantinha, sem prejuízo a nenhum direito trabalhista de seus empregados. 19 a operação de transferência dos empregados da MAFRINORTE para a ATIVO ocorreu no início de 2007, e foi anotada em todas as CTPS's dos funcionários, bem como devidamente lançadas em GFIPs e CAGED, o que foi aceito pelos órgãos de fiscalização do trabalho, Caixa Econômica Federal e pelo próprio INSS; 20 foi realizada a transferência do saldo de FGTS na Caixa Econômica Federal, através do 'Pedido de Transferência de Contas Vinculadas do FGTS PTC), o que demonstra cristalinamente a sucessão trabalhista da MAFRINORTE pela ATIVO; 21 no início de 2007, a MAFRINORTE, empresa do Grupo que suportava o pagamento dos salários dos empregados que trabalhavam nos parques frigoríficos de Castanhal/PA, Água Azul/PA e Bacabal/MA, passou a praticamente não possuir empregados em seu nome, pois foram, quase na sua totalidade, transferidos à ATIVO; 22 após a sucessão trabalhista dos funcionários da MAFRINORTE pela ATIVO, no início de 2007 esta iniciou o pagamento da folha de salários dos empregados do Grupo e as mesmas razões que fundamentaram a aferição indereta das contribuições, conforme título acima, são suficientes para o enquadramento do contribuinte no §único do artigo 116 do CTN acima transcrito. 23 explicitado a transferência de funcionários ocorrida no ano de 2007, já se vê que a conclusão do Auditor Fiscal, no sentido que presumirseia, com base nas movimentações por parte da ATIVO, que esta teria mais que um funcionário, é totalmente quivocada, razão pela qual descabe a caracterização de vínculos trabalhistas na presente situação, bem como o arbitramento e os conseqüentes lançamentos de contribuições, consoante o abaixo explicitado; 24 na folha de pagamento da MAFRINORTE, durante o período de 2005 ao final de 2006, figuravam todos os funcionários do Grupo Empresarial que compõe com a ATIVO, empresa esta que assumiu todos os funcionários do Grupo no início de 2007; 25 após 2007, numa simples visada na folha da MAFRINORTE, em comparação com a folha da ATIVO, podese constatar que os cerca de 380 (trezentos e oitenta) funcionários que eram de uma empresa passaram a ser da outra; Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 6 9 26 tal situação pode ser claramente provado pelo CAGED, Carta à CEF (solicitando transferência da titularidade do empregador, nas contas de FGTS), GFIPs de dez/06 (MAFRINORTE) e jan/07 (ATIVO) e CTPSs em anexo; 27 inclusive, os Srs. Adelvan e Waldemur, citados pelo Sr. Auditor Fiscal como administradores do Grupo Empresarial, eram empregados d'a MAFRINORTE e, da mesma forma dos demais, foram transferidos à ATIVO (CTPSs em anexo); 28 o que não se compreende é por qual motivo o Sr. Auditor Fiscal, que fiscalizou a MAFRINORTE na mesma época pelo Mandado de Procedimento Fiscal 02.1.01.00 2010002377, no qual foram apresentadas todas as GFIPs da referida empresa, ignora injustificadamente tal fato, deixando até mesmo de citálo no relatório fiscal; 29 É tão óbvia a situação que, no início de 2007, a ATIVO passou a ter uma folha de pagamento com valor próximo à que mantinha a outra empresa do Grupo, como relatado pelo próprio Sr. Auditor Fiscal; 30 Repitase: a folha de pagamento da MAFRINORTE, no início de 2007, de cerca 380 (trezentos e oitenta) empregados, foi ZERADA, enquanto a da ATIVO foi aumentada pelo mesmos aproximados 380 (trezentos e oitenta) empregados, pelo fato de todos os seus 'empregados terem sido assumidos formalmente, cem registro na CTPS e lançamentos na GFIP, pela ATIVO (cfr. cópia das CTPSs em anexo); 31 apesar de existir uma fluidez natural do número de empregados que laboravam no Grupo Empresarial, a quantidade se manteve estável durante o período de 2005 até meados 2007. com cerca de 380 (trezentos e oitenta) empregados, razão pela qual se subsume que eram somente tais funcionários laborando para ambas empresas; 32 as informações podem, inclusive, ser confirmadas pelos ofícios e mapas de abate apresentados pelo Ministério da Agricultura, constantes nos próprios autos; 33 tais relatórios atestam que não houve substancial aumento de abate nos períodos de 2005 a 2007. Por isso, como a ATIVO e MAFRINORTE operavam nos mesmos endereços em Castanhal/PA, Agua Azul do Norte/PA e Bacabal/MA, não há de se dizer que a ATIVO manteria empregados além dos que laboravam para a MAFRINORTE nos anos de 2005 a 2006; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 34 – as atividades da ATIVO eram concatenadas às realizadas pela MAFRINORTE, empresa do seu mesmo Grupo Empresarial, cabendo, em regra, à ATIVO realizar operações, e à MAFRINORTE manter o pagamento dos empregados; 35 a movimentação de recursos realizada por parte da ATIVO não se refere a uma omissão quanto ao número de empregados mantidos em seu nome. porquanto a folha de pagamento era mantida e regulamente paga pela MAFRINORTE nos anos de 2006/2007; 36 os empregados que operacionalizavam as atividades registradas pela ATIVO, portanto, eram os mesmos da MAFRINORTE, fato este que encontra lastro em todas as provas colhidas pelo mesmo Auditor Fiscal que realizou a autuação, no MPF 02.1.01.00 2010002377, no qual foi fiscalizada a MAFRINORTE; 37 não poderiam ter sido mantidas relações trabalhistas além das formalmente lançadas em GFIP pela MAFRINORTE, em 2005/2006, e pela ATIVO, em 2007, cujos valores de contribuições previdenciária foram devidamente recolhidos aos cofres públicos; 38 o relatório do Sr. Auditor Fiscal simplesmente corrobora, em termos, com o que de fato ocorreu. No entanto, o Sr. Auditor Fiscal, que recebeu todas as GFIPs e folhas de pagamento da MAFRINORTE no MPF 02.1.01.002010002377, simplesmente decidiu por ignorálos totalmente, com o escopo de construir uma versão fantasiosa dos fatos, que justificasse um lançamento de contribuições sobre salários, o que não pode ser chancelado por esta Delegacia Fiscal; 39 sobre os contratos de prestação de serviços de abate analisados pela fiscalização, cumpre dispor que o Sr. Auditor, apesar de tratar os instrumentos como "descabidos", ignora que os contratos celebrados entre a ATIVO e a MAFRINORTE, relativos aos pátios industriais de Castanhal/PA (de titularidade da MAFRINORTE) e de Bacabal/MA (arrendado pela MAFRINORTE), fixam o valor pelo serviço de abate em R$0,08 (oito centavos) e R$0,10 (dez centavos), exatamente pelo fato das empresas serem do mesmo Grupo Empresarial; 40 suportar o pagamento dos empregados que laboravam nos frigoríficos de Castanhal/PA e Bacabal/MA, vertiase em lucro para ambas; 41 o contrato celebrado com o FRJGOL, fixa um valor de R$25,00 (vinte e cinco reais) por abate, exatamente pelo fato desta outra empresa, de fato, prestar serviços de abate Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 7 11 ao Grupo Empresarial composto pela ATIVO e MAFRINORTE, o que já foi relatado no tópico I1I.01; 42 o valor de R$25,00 (vinte e cinco reais) por abate não pode ser desconsiderado, já que como se vê pelo "Movimento de Abate" apresentado pelo Ministério da Agricultura, o Frigol S/A, neste período, chegava a abates na média, 300 (trezentos) bois por dia; 43 o FRIGOL. por outro lado, tinha liberalidade, como ainda tem, para prestar serviços de abate a qualquer um interessado, sendo que neste período não abatia somente gado da ATIVO; 44 os mapas de abate apresentados no ''Anexo 12' não citam a ATIVO e MAFRINORTE como titulares do SIF n°. 2583, e sim o FRIGOL S/A, porquanto a posse e as atividades sempre foram exercidas pelo próprio FRIGOL, proprietário do parque industrial frigorífico situado em Água Azul do Norte/PA. Se a ATIVO ou MAFRINORTE tivessem sido titulares do SIF, o Ministério da Agricultura teria apresentado um ofício nos moldes do nomeado "Informação SIPAG n°. 12/2010", constante no 'Anexo 13', que demonstra claramente os titulares do SIF durante o período; 45 como o FRIGOL prestava serviços, cabia à ATIVO promover tais pagamentos, não havendo verbas salariais pagas nesta relação, o que corrobora com todo o exposto; 46 indústrias frigoríficas devem seguir à risca normas sanitárias, tanto que para operar no SIF (Inspeção Federal), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, é necessário que seja às mesmas designado um veterinário responsável, que tem a incumbência de passar informações acerca da quantidade de funcionários, velocidade de abate e horários de funcionamento dos setores; 47 é constante a fiscalização do número de empregados que atuam numa unidade frigorífica por parte dos órgãos de inspeção sanitária que, inclusive, mantém obrigatoriamente inspetores dentro do frigorífico, durante todo o período em que ocorre o abate e a industrialização de carne; 48 tendo em vista que as atividades exercidas no frigorífico são imanentemente insalubres, e que para exercelas é necessária a utilização de uma enorme quantidade de mão de obra, são inúmeras e constantes as fiscalizações in loco realizadas por parte do Ministério do Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Trabalho, com fins de verificar se eátão sendo atendidos os preceitos da legislação trabalhista; 49 os livros de registro de funcionários são constantemente conferidos, bem como a quantidade de empregados que trabalham, de fato, na empresa. Digase: se houvesse um único empregado trabalhando sem carteira assinada e respectivos recolhimentos previdenciários, a fiscalização exercida por parte do Ministério do Trabalho já teria, há muito, apurado; 50 com base em meras suposições, o Auditor Fiscal presumiu que existiriam empregados omitidos pela ATIVO, que nem mesmo fiscais sanitários (que ficam o tempo todo dentro do frigorífico) e do trabalho (que constantemente fiscalizam os registros dos empregados) constataram; 51 inicialmente a MAFRINORTE (2005/2006) e, posteriormente a Impugnante (2007), mantiveram neste período cerca de 380 (trezentos e oitenta) funcionários, em clara sucessão, o que foi anotado nas respectivas CTPSs, informado em CAGED e facilmente verificável nas GFIPs do período; 52 o Grupo Empresarial não tinha pela ATIVO qualquer outro empregado no período de 2005/2006, além dos devidamente empregados pela MAFRINORTE, o que foi constatado por constantes fiscalizações por parte dos órgãos sanitários e de fiscalização do trabalho; 53 o Auditor presumiu devidas contribuições previdenciárias por parte da ATIVO, sob a justificativa de que de 06/2005 a 12/2006 a mesma teria somente um funcionário, o que não corroboraria com a movimentação de recursos significativos ou pagamento realizados;. 54 – não. há provas indiciárias suficientes para que a fiscalização entenda que a contabilidade dá empresa registrou uma situação irregular da movimentação de pagamento de salários, que poderia justificar a subsunção de fatos geradores de contribuições previdenciárias; 55 no que toca aos questionamentos postos pelo Auditor Fiscal: as despesas eram, de fato, quitadas pela ATIVO, sendo que as pessoas que laboraram para a mesma no período de 2005/2006, eram empregadas formalmente pela MAFRINORTE; 56 tal situação, inclusive, é uma decorrência lógica da própria caracterização da MAFRINORTE como componente do mesmo Grupo Econômico da ATIVO, como foi feito na fiscalização; 57 é de se questionar, na verdade, por qual motivo a MAFRINORTE figuraria como solidária numa dívida da Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 8 13 ATIVO, se não participou ativamente das atividades exercidas pela mesma? Na própria fiscalização, a MAFRINORTE foi demonstrada de forma clara que tem os mesmos endereços da ATIVO, bem como teve sua folha de empregados esvaziada, com a transferência de seus empregados para a ATIVO; 58 é óbvio que não poderiam coexistir, no mesmo endereço, sob a mesma administração, empregados não registrados da ATIVO e empregados registrados da MAFRINORTE; 59 não podem ser considerados os indícios levantados pelo Sr. Auditor Fiscal como justificantes à subsunção da existência de fatos geradores de contribuições previdenciárias devidas pelo pagamento de verbas salariais; 60 seria necessário, no mínimo, que nesta fiscalização, em que foram presumidos salários pretensamente pagos "por fora", ou seja, que haviam relações trabalhistas sem assinatura de CTPS, que fosse indicado o nome de UM ÚNICO EMPREGADO DE FATO, que teria efetivamente recebido verbas salariais não informadas em GFIP. A fiscalização, que teve acesso a toda documentação contábil e trabalhista das empresas do Grupo, não encontrou uma prova ou documento que demonstra esta irregularidade; 61 pelo fato de não ter havido qualquer omissão de salários pagos a funcionários por parte da Impugnante ou MAFRINORTE, e muito menos de relações trabalhistas não formalizada, inexiste durante este período de uma única Reclamação Trabalhista proposta contra a MAFRINORTE. na qual um funcionário tenha pleiteado existência de vínculo trabalhista não formalizado; 62 ao arbitramento realizado também faltou razoabilidade, proporcionalidade e equidade; 63 –o Auditor Fiscal apurou uma pretensa base de cálculo de contribuições previdenciárias devidas, tanto da parte dos segurados quanto do empregador, utilizando os valores lançados na contabilidade que não teriam seus beneficiários identificados, bem como as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificadas documentalmente; 64 A base de cálculo encontrada, no entanto, nem mesmo em tese, poderia corresponder a valores pagos a título de salário, a empregados pretensamente mantidos pela ATIVO ou MAFRINORTE, sem formalização; Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 65 caso a ATIVO devesse, de fato, o valor absurdo, despropositado e indecente de R$5.017.663,44 (cinco milhões, dezessete mil, seiscentos e sessenta e três reais e quarenta e quatro centavos), a título de contribuições previdenciárias, teria que ter pago salários não declarados em GFIF na monta de cerca de R$16.000.000,00 (dezesseis milhões de reais), durante os 03 (três) anos de fiscalização; 66 nos relatos do Fiscal, o mesmo entendeu que, durante o período de 2005 a 2006, não se justificaria a movimentação da ATIVO, porquanto a mesma teria somente 01 (um) funcionário registrado; 67 em outras palavras: uma empresa surgida do nada, com baixo capital, sem qualquer patrimônio contrata a MAFRINORTE para abater milhões de reais de bovinos, ficando a cargo desta última apenas os encargos trabalhistas (folha de mais de R$233.000,00 de junho de 2005 a dezembro de 2006). A partir de 2007, o "modus operandi" é alterado, haja vista que a mão de obra é assumida pela própria ATIVO, pois a folha desta passa para mais de R$220.000,00, conforme se verifica no relatório de lançamentos do mês em janeiro de 2007. 68 a ATIVO discorda veementemente de todos lançamentos efetuados.No entanto, não pode deixar de afirmar que, se o Fisco entende que somente pelo fato da ATIVO ter um só funcionário, mas tenha movimentação financeira robusta nos anos de 2005/2006, tal situação somente justificaria lançamentos nos anos de 2005/2006, mas não no ano de 2007; 69 mesmo que a assertiva, mesmo que em hipótese seja acatada para justificar a presunção de existência de pagamento de salários, o que se considera tão somente em respeito ao princípio da eventualidade, esta nunca poderia justificar a presunção de pagamento de verbas trabalhistas no ano de 2007, pois como expõe o próprio Sr. Auditor Fiscal, a folha da ATIVO passou para mais de R$220.000,00 (duzentos e vinte mil reais); 70 não há qualquer indício, prova ou presunção que favoreça o fisco no lançamento de contribuições sobre salários no ano de 2007 e, por este motivo, não pode ser atribuído o ônus de ilidir uma situação que não foi constituída à ATIVO; 71 Basicamente, no ano de 2007, a ATIVO empregou formalmente cerca de 380 (trezentos e oitenta) funcionários, através da transferência destes funcionários pela MAFRINORTE, não tendo qualquer um deles recebido "por fora". Por isso, é totalmente descabido o lançamento das contribuições sobre parcelas salariais neste ano; Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 9 15 72 em respeito ao princípio da eventualidade, caso sejam mantidos os lançamentos relativamente aos anos de 2005/2006, devem ser cancelados os referentes ao ano de 2007, porquanto destituído de quaisquer indícios ou provas para tanto; 73 o Auditor Fiscal, no lançamento, injustificadamente, apurou as alíquotas sempre no maior valor, o que não pode subsistir; 74 caso seja mantida a presunção de existência de verbas salariais não pagas por parte da Impugnante, ensejando o lançamento por arbitramento, deve ser cominada a alíquota menor prevista em Lei; 75 é sedimentado o entendimento de que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização. Dos Pedidos Requer a impugnante: 1 seja declarada nula toda a fiscalização, nos termos dos tópicos III e IV; 2 seja declarado insubsistente o Auto de Infração, por total descabimento do lançamento das contribuições previdenciárias lançadas com base na caracterização de vínculos trabalhistas e no arbitramento da base de cálculo; 3 caso esta Douta Delegacia Fiscal não acate o pleito acima, seja julgado improcedente o lançamento relativo ao ano de 2007, bem como aplicada a alíquota de 08% sobre a base de cálculo arbitrada, a título de contribuições devidas da parte dos segurados, bem como 01% sobre a mesma base de cálculo, pelo SAT apurado, e afastada a incidência da TAXA SELIC. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO O responsável solidário, PAULO AFONSO COSTA, apresentou sua impugnação em 10/09/2010, conforme fls.824/830, alegando, em síntese, que: 1 A notificação do Impugnante sobre os termos do AI citado em epígrafe deuse no dia 09/08/2.010; 2 respeitado o trintídio legal para a interposição do presente recurso, nos termos do art. 15 do Decreto n°. 70.235/72, é ele, pois, tempestivo; Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 3 o Auditor também fez constar, equivocadamente, como responsável solidário, nos termos do art. 135 do CTN , o Sr. Paulo Afonso Costa, ora Impugnante; 4 o Impugnante não pode figurar como responsável tributário Art. 135, CTN ; 5 – não há provas nos autos da existência de solidariedade relativamente ao sócio da empresa; 6 – o Auditor apenas cita os arts. 16, 17 e 18 da Lei n°. 8.884/94, dispondo que a personalidade jurídica deve ser desconsiderada, nos casos em que é constatado o abuso de direito, excesso de poder, infração à lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato social. Não esclarece em momento algum qual teria sido o ato do Impugnante ou fato que justificaria sua a acusada solidariedade; 7 – a inteligência dos artigos supramencionados, é no sentido de responsabilizar sócios, quando a obrigação for resultado de atos praticados pelos próprios sócios. Assim, a obrigação pela qual respondem como solidários, há de ser resultante de atos irregularmente praticados; 8 o Impugnante atuou no estrito cumprimento do seu dever legal, sem violar lei ou contrato social. Ademais, não teve qualquer relação pessoal e/ou direta com a situação que constitui o fato gerador em contexto; 9 Ressaltese que o Impugnante não se furtou em atender a fiscalização, até porque não recebeu qualquer intimação durante os trabalhos fiscais, sendo que permaneceu, do período de março até o término da fiscalização, sempre a disposição; 10 o vício é flagrante, posto que o responsável tributário pelo pretenso crédito seria apenas a empresa fiscalizada e não o Impugnante, que sempre atuou no estrito cumprimento de suas obrigações; 11 tratase de ilegítima e ilegal qualificação (responsável), cuja motivação não consta em nenhum momento nos autos; 12 na fiscalização, houve clara preterição nas intimações promovidas pelo Auditor Fiscal do ora Impugnante, sócio da empresa autuada; 13 nenhum dos Termos de Intimação foi enviado ao ora Impugnante, conforme se extrai da análise nos autos; 14 o Mandado de Procedimento Fiscal é o instrumento pelo qual se assegura ao contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 10 17 e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para sua execução, dando ao contribuinte, certos direitos que antes não dispunha; 15 o lançamento fiscal pressupõe uma atividade plenamente vinculada que deve assegurar, inclusive, a observância aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, ambos decorrentes do princípio do devido processo legal; 16 não há como afirmar a existência de regular procedimento fiscal, visto que o Impugnante foi autuado sem sequer ser intimado previamente dos atos fiscais, a fim de assegurarlhe o direito de produzir sua defesa no âmbito interno; 17 tal fato fere, inclusive, o Princípio Constitucional da Impessoalidade (art. 37, CF/88); 18 de acordo com este princípio, a administração (fiscalização) deve pautarse de forma impessoal, com o fito de evitar qualquer forma de perseguição ou subjetivismo, sempre no interesse do bem comum; 19 o que se viu com a fiscalização que deu azo ao AI foi uma evidente afronta ao princípio constitucional da impessoalidade, com o destino das intimações e questionamentos da fiscalização apenas à ATIVO ALIMENTOS, sem a intimação de seu sócio, que foi simplesmente conduzido ao AI como responsável solidário sem citação de qualquer ato por ele praticado. A condução do MPF, inclusive, preteriu o direito de defesa do Impugnante, visto que todos os administradores citados pelo AuditorFiscal também poderiam auxiliar e intervir na busca dos documentos solicitados, sendo que nenhum deles foi intimado. 20 os arts. 134, III, e 135, I e II, do Código Tributário Nacional CTN dispensam interpretações, pois literalmente atribuem responsabilidade pessoal aos mandatários,prepostos, administradores de bens de terceiros pelos créditos correspondentes à obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei; 21 a solidariedade não se presume, resultando da Lei ou da vontade das partes. Na presente situação, não há como se extrair dos autos elementos suficientes de convicção que Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 possam comprovar a necessidade da medida excepcional de responsabilização. Isto por que: a) não há documentos nos autos que liguem os fatos geradores à atos praticados pelo Impugnante; b) não é descrito durante o trabalho fiscal um mísero ato praticado pelo Impugnante c) o conjunto probatório carreado aos autos não autoriza concluir que, ao menos, os atos de gestão praticados pelo Impugnante foram utilizados em infração à lei; d) não está demonstrado nos autos, como deveria, qual o pretenso excesso de poder conferido, infração à lei ou contrato social foi cometido pelo Impugnante. A apuração pela fiscalização de não retenção de contribuições previdenciárias não pode ser presumidamente imposto ao Impugnante, se ,não caracterizado a prática do ilícito (excesso ou infração); 22 não há fatos nem documentos que instruam os autos com carga probatória suficiente para caracterizar a pretendida responsabilidade solidária ao Impugnante, mesmo diante de todos os esforços do Auditor Fiscal em imputar os créditos apurados aleatoriamente a qualquer um indivíduo que representou a empresa; DOS PEDIDOS Requer o Impugnante: 1 – seja declarada a nulidade do Auto de Infração lavrado, face ao cerceamento de defesa e violação ao princípio da impessoalidade consumado com o irregular procedimento fiscal levado à cabo pelo AuditorFiscal responsável; 2 caso não seja acatado a preliminar de ilegitimidade passiva, face ao princípio da eventualidade, que seja dado provimento ao descabimento de responsabilidade solidária ao Impugnante em virtude da inexistência de provas; 3 caso não seja cancelado o AI e seja analisado o mérito, seja julgada improcedente a sujeição passiva solidária. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da então Impugnante, na forma do registro de fls.727, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) DRJ/CGE em 28/06/2012 exarou o Acórdão n° 0429.185 MANTENDO O CRÉDITO LANÇADO. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 11 19 DOS RECURSOS Recursos Voluntários de fls.761( autuada) e 786 ( solidário Paulo Afonso Costa), respectivamente, onde reiteraram as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. A empresa solidária Mafrinorte Matadouro e Frigorífico do Norte Ltda, não interpôs Recurso Voluntário. DA RESOLUÇÃO Após analisar o sobredito Acórdão bem como os Recursos interpostos, requeri converter o julgamento em DILIGÊNCIA ao que este Colegiado anui na forma da RESOLUÇÃO n ° 2403000.168, em 16 de julho de 2013. Na oportunidade foram solicitados esclarecimentos na forma abaixo transcrita: “CONCLUSÃO Diante de tudo que foi relatado, face a importância para a análise do presente, determino converter o processo em DILIGÊNCIA para que se proceda: A juntada do ausente Mandado de Procedimento Fiscal de n° 0210100.2010.002385; Do Mandado de Procedimento Fiscal de n° 02.1.01.002010002377, cujo contribuinte é a empresa Mafrinorte Matadouro e Frigorífico do Norte Ltda; Do número do processo e do resultado da ação fiscal concomitantemente desenvolvida na Mafrinorte Matadouro e Frigorífico do Norte , bem como do Relatório fiscal. Que se esclareça se procedem as alegações da recorrente às fls 769, quando afirma que : “ Os empregados que operacionalizavam as atividades registradas pela ATIVO, portanto, eram os mesmos da MAFRINORTE, fato este que encontra lastro em todas as provas colhidas pelo mesmo Auditor Fiscal que realizou a autuação, no MPF 02.1.01.002010002377, no qual foi fiscalizada a MAFRINORTE. Por isso, não poderiam ter sido mantidas relações trabalhistas além das formalmente lançadas em GFIP pela MAFRINORTE, em 2005/2006, e pela ATIVO, em 2007, cujos valores de contribuições previdenciária foram devidamente recolhidos aos cofres públicos. O relatório do Sr. Auditor Fiscal simplesmente corrobora, em termos, com o que de fato ocorreu. No entanto, o Sr. Auditor Fiscal, que recebeu todas as GFIPs e folhas de pagamento da MAFRINORTE no MPF 02.1.01.002010002377, simplesmente decidiu por ignorálos totalmente.... ”.; Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 Que se esclareça quais foram os empregados que receberam os pagamentos e as razões das bruscas variações das bases de cálculos arbitradas como remuneração dos segurados empregados; e Confirmar se, de fato, recebera todos os documentos solicitados na forma como se depreende do registro no item 9 do Relatório Fiscal : “ 9. As correspondências de lavra do contribuinte são as seguintes: Correspondência datada de 19/04/2010 (anexo 08) – são disponibilizados documentos e solicitado dilação de prazo; Correspondência datada de 18/05/2010 (anexo 09) – são disponibilizados documentos e informa sobre a impossibilidade de fornecer arquivos digitais da GFIP. Correspondência datada de 07/06/2010 (anexo 10) – são disponibilizados documentos, inclusive arquivos em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital da SRP MANAD, informa que não possui adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT . Correspondência datada de 11/06/2010 (anexo 30) É solicitada dilação de prazo; Correspondência datada de 18/06/2010 (anexo 11) – são disponibilizados documentos é complementado os arquivos digitais (MANAD), informa que não conseguiu localizar as demais notas fiscais dos anos de 2005 e 2006 em seus arquivos e solicitado dilação de prazo”. Providenciado o acima, intimar o contribuinte da diligência e do resultado, para querendo , interpor recurso no prazo regimental.” DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Às fls. 818, a Autoridade autuante providenciou o Relatório de Diligência com as providências requeridas. DAS CONTRARAZÕES Às fls. 1066, contrapondo os argumentos dispostos na Resposta da Diligência, a recorrente reitera que não assiste razão na motivação do lançamento. Aduz que a Resposta da Diligência bem como as contrarazões, concomitante a tudo mais que instruíra o auto em comento, serão analisados de modo sistêmico na condução do voto. É o Relatório. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 12 21 Voto Vencido Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Os recursos são tempestivos. Aduz que reúnem os pressuposto de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. DO RECURSO DO SOLIDÁRIO PAULO AFONSO COSTA Pessoa Física CPF: 055.085.84668 PRELIMINAR De plano, cumpre observar que os fatos geradores que constituíram o crédito em comento ocorreram no período 07/2005 a 09/2007. Conforme o disposto nos itens X e XI do art. 660 da Instrução Normativa IN MPS/SRP n° 3, 14/07/2005, nos autos listaramse todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação verbis: " IN MPS/SRP n° 3, 14/07/2005 “Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos:(...) X Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo " No Relatório de coresponsáveis colacionado pela Autoridade autuante às fls.24, consta que o senhor PAULO AFONSO COSTA passou a ser sócio administrador a partir de 14/03/2006, desse modo a imputação de solidariedade para todo o período autuado 07/2005 a 09/2007 resta indevida por erro de sujeito passivo: "CPF 0 5 5 . 0 8 5 . 8 4 6 6 8 Período d e A t u a ç ã o : 14/03/2006 a Q u a l i f i c a ç ã o : SÓCIOADMINISTRADOR Nome: PAULO AFONSO COSTA Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 Endereço: AV NAZARÉ 617 ED SAINT HONORE APTO 101 Bairro: NAZARÉ Município: BELÉM UF: PA CEP: 66035170" Até 14/03/2006, na forma do sobredito relatório, constou como sócio administradora a senhora WALDIRENE MORAIS GARCIA. Cumpre ressaltar que a esta nada fora imputado pelo período em que fora gestora : CPF 3 7 5 . 9 3 5 . 0 1 2 7 2 Período d e A t u a ç ã o : 05/03/2004 a 1 4 / 0 3 / 2 0 06 Q u a l i f i c a ç ã o : SOCIOADMINISTRADOR Nome: WALDIRENE MORAIS GARCIA Endereço: RUA TIRADENTES, 3420 Bairro: ESTRELA Município: CASTANHAL UF: PA CEP: 68743150 A incorreta eleição do sujeito passivo no lançamento implica em nulidade material, em razão da modificação do critério pessoal da regra de incidência. É cediço que vício formal é o defeito do ato administrativo relacionado não ao conteúdo do lançamento mas apenas aos aspectos aparentes que não trazem óbices à sua compreensão. Identificar corretamente o sujeito passivo é obrigação que se impõe na forma do comando do art. 142. Ali o legislador se reporta ao conteúdo lançamento, à constituição do crédito tributário, logo, isto maculado inquina de vício material o lançamento. Recentemente , em 11/12/2013, a 2ª Turma da CSRF enfrentado a matéria exarou Acórdão 9202002.987 onde se confere identidade de convicção com meu entendimento:, verbis: " Acórdão : 9202002.987 10580.004373/200712 11/12/2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/01/1996 NFLD ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE.NATUREZA DO VÍCIO. A decisão recorrida concluiu pela nulidade do lançamento em razão da incorreta eleição do sujeito passivo. Tal equívoco cometido pela fiscalização afronta claramente o artigo 142 do CTN, sendo, portanto, um vício de natureza material. Recurso especial negado." Na improvável hipótese da Turma não corroborar os argumentos expostos , não obstante o encimado, NO MÉRITO , também as razões abaixo não permitem anuir o lançamento MÉRITO Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 13 23 DA SOLIDARIEDADE PREVISTA NO ARTS. 124, II, 135 DO CTN. DO ART. 13 DA LEI Nº 8.620/93 E DOS DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL Por se justapor à questão em apreço, trago à colação extrato do REsp 717717/SP, julgado em 28/09/2005 onde nos autos de agravo de instrumento movimentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS este se insurgiu em face de decisão proferida pelo juízo monocrático que indeferiu pedido de redirecionamento de execução fiscal ajuizada contra empresa Assistência Universal Bom Pastor. O TRF/3ª Região, sob a égide do art. 135, III, do CTN, negou provimento ao agravo à luz do entendimento segundo o qual o inadimplemento do tributo não constitui infração à lei, capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios. Recurso especial interposto pela Autarquia apontando infringência dos arts. dos arts. 535, II, do CPC, 135 e 136, do CTN, 13, caput, Lei 8.620/93 e 4º, V, da Lei 6.830/80. Em ampla abordagem sobre a questão o REsp 717717/SP, de relatoria do Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2005, DJ 08/05/2006 p. 172, nega provimento ao recurso interposto, verbis: "DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. REDIRECIONAMENTO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LTDA). SOLIDARIEDADE. PREVISÃO PELA LEI 8.620/93, ART. 13. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR CF, ART. 146, III, B). INTERPRETAÇÕES SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. CTN, ARTS.124, II, E 135, III. CÓDIGO CIVIL, ARTS. 1.016 E 1.052. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INOCORRÊNCIA. 1. Tratam os autos de agravo de instrumento movimentado pelo INSS em face de decisão proferida pelo juízo monocrático que indeferiu pedido de redirecionamento de execução fiscal ajuizada contra empresa Assistência Universal Bom Pastor. O TRF/3ª Região, sob a égide do art. 135, III, do CTN, negou provimento ao agravo à luz do entendimento segundo o qual o inadimplemento do tributo não constitui infração à lei, capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios. Recurso especial interposto pela Autarquia apontando infringência dos arts. dos arts. 535, II, do CPC, 135 e 136, do CTN, 13, caput, Lei 8.620/93 e 4º, V, da Lei 6.830/80. (...) 3. A solidariedade prevista no art. 124, II, do CTN, é denominada de direito. Ela só tem validade e eficácia quando a lei que a estabelece for interpretada de acordo com os propósitos da Constituição Federal e do próprio Código Tributário Nacional. 4. Inteiramente desprovidas de validade são as disposições da Lei nº 8.620/93, ou de qualquer outra lei ordinária, que indevidamente pretenderam alargar a responsabilidade dos sócios e dirigentes das pessoas jurídicas. O art. 146, inciso III, b, da Constituição Federal, estabelece que as normas sobre Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 responsabilidade tributária deverão se revestir obrigatoriamente de lei complementar. 5. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. O art. 13 da Lei nº 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art. 135, III, do CTN, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do CTN. 6. O teor do art. 1.016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art. 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas funções, o que reforça o consignado no art. 135, III, do CTN. 7. A Lei 8.620/93, art. 13, também não se aplica às Sociedades Limitadas por encontrarse esse tipo societário regulado pelo novo Código Civil, lei posterior, de igual hierarquia, que estabelece direito oposto ao nela estabelecido. 8. Não há como se aplicar à questão de tamanha complexidade e repercussão patrimonial, empresarial, fiscal e econômica, interpretação literal e dissociada do contexto legal no qual se insere o direito em debate. Devese, ao revés, buscar amparo em interpretações sistemática e teleológica, adicionandose os comandos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e do Código Civil para, por fim, alcançarse uma resultante legal que, de forma coerente e juridicamente adequada, não desnature as Sociedades Limitadas e, mais ainda, que a bem do consumidor e da própria livre iniciativa privada (princípio constitucional) preserve os fundamentos e a natureza desse tipo societário. 9. Recurso especial improvido. (REsp 717717/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2005, DJ 08/05/2006 p. 172) DA FALTA DE AUTUAÇÃO POR COMETIMENTO DE ILICITUDE Autuada mediante procedimento de aferição indireta, não consta nos autos que tenha sido providenciado Representação Fiscais para Fins penais. Muito embora tudo o que a Autoridade autuante tenha relatado sobre indícios de ilicitudes , não autuou a empresa pelas razões narradas e tampouco exortou o art. 135 do CTN para imputar solidariedade do sóciogerente. O EREsp 260107/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/03/2004, DJ 19/04/2004 p. 149 e o Processo Administrativo Fiscal n° 10074.001220/9864 reiteram os pressupostos do art. 135 do CTN : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 10074.001220/9864 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 14 25 "Processo Administrativo Fiscal n° 10074.001220/9864 Nº Recurso 130500 8ª Câmara Contribuinte: VILLA ORNES COMERCIAL IMPORTADORA LTDA Recurso Voluntário Provimento Parcial Por Unanimidade Data da Sessão: 05/11/2003 Relator(a): Nelson Lósso Filho Nº Acórdão 10807601 Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso "EMENTA: “(...) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI – De acordo com o contido no artigo 135 do Código Tributário Nacional, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Provada nos autos a utilização de interposta pessoa para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributária por tal ilícito recair sobre a pessoa física do sócio ou diretor da beneficiada. (...)”. ERESP 260107/RS “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOGERENTE. LIMITES. ART. 135, III, DO CTN. PRECEDENTES. 1. Os bens do sócio de uma pessoa jurídica comercial não respondem, em caráter solidário, por dívidas fiscais assumidas pela sociedade. A responsabilidade tributária imposta por sóciogerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infração à lei praticada pelo dirigente. 2. Em qualquer espécie de sociedade comercial é o patrimônio social que responde sempre e integralmente pelas dívidas sociais. Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 26 pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou da lei (art. 158, I e II, da Lei nº 6.404/76). 3. De acordo com o nosso ordenamento jurídicotributário, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. 4. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de p oderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falar se em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal. Inexistência de responsabilidade tributária do exsócio. 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Embargos de divergência rejeitados.” (EREsp 260107/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/03/2004, DJ 19/04/2004 p. 149) " Não obstante o encimado, a Procuradoria Geral da Fazenda PGFN , expõe entendimento sobre a questão no PARECER PGFN/CRJ/CAT N° 55/2009 Aprovado, em 14/01/2009. Chamo atenção para o dizeres na letra "m", verbis: "m) a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3°, CTN); logo sua obrigação não precisa ser ‘constituída’ por lançamento, bastando que seja ‘declarada’, seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial; (…)”. " PARECER PGFN/CRJ/CAT N° 55/2009 _ Aprovado, em 14/01/2009 “(...) q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; tratase de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. (...)”. “(...) l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; m) a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3°, CTN); logo sua obrigação não precisa ser ‘constituída’ por lançamento, bastando que seja ‘declarada’, seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial; (…)”. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 15 27 Relatório Fiscal REFISC faz difusos comentários não restando efetivamente fundamentada a imputação de solidariedade da pessoa física. DA IMPUGNAÇÃO Na sua impugnação, EQUIVOCADAMENTE o contribuinte registra que teria sido autuada na forma do art. 135 do CTN que não consta no Relatório de Fundamentos Legais e sequer fora exortado no Relatório Fiscal. No item 39 do REFISC a Autoridade autuante chama atenção que "somente pode ser investido nesta condição (de devedor solidário), quando presentes todos os requisitos legais " : " 39. A possibilidade de atribuir a responsabilidade tributária por solidariedade, via legislação ordinária, exige, entretanto, o atendimento dos requisitos do CTN, sob pena de não ser juridicamente possível, pois, em ocorrendo a solidariedade tributária, a obrigação de pagar o tributo passa a ser compartilhada pelo sujeito passivo originário aquele diretamente relacionado com a ocorrência do fato gerador, para um terceiro com o chamado responsável tributário, que, entretanto, somente pode ser investido nesta condição (de devedor solidário), quando presentes todos os requisitos legais enumerados no próprio CTN, ao qual se deve submeter a legislação ordinária e os atos normativos. " DAS HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE O código Tributário Nacional CTN registra previsão de imputar responsabilidade solidária nos arts. 124 e 135, vebis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado ". Referindome ao art. 124, ressalto que o legislador determina que ocorra interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 28 Não vejo como a figura do sócioadminstrador, representante da pessoa jurídica, possa como pessoa física se responsabilizar, por exemplo por inadimplências bancárias da pessoa jurídica. Assim , o interesse comum pode afetar o sócio de fato mas não o sócio de direito. Embora Autoridade autuante no REFISC conduza o leitor a idéia de que houvera sido cometido CRIME TRIBUTÁRIO , procedeu a autuação por aferição indireta e no corpo do documento e tampouco nos autos não consta que se tenha aberto Representação Fiscal para Fins Penais. O comentário tem pertinência na medida em que houvesse sido a empresa autuada por prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos resultando, então poderseia exortar o disposto no art. 135 supra atribuindose responsabilidade pessoal os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na forma da resposta da Resolução 2403000.168, a autoridade relacionou no item 2.1.2 o resultado da ação no sujeito passivo solidário Mafrinorte Mat. Frig. do Norte Ltda também auditada pela mesma Autorida autuante em ação concomitante. O resultado aduz que , também, aquela empresa não sofreu Representação Fiscal para Fins Penais : "2.1.2. Da mesma forma, integra este relato, como anexo, o Mandado ne 02.1.01.00201000237.7, sujeito passivo Mafrinorte Mat. Frig. do Norte Ltda. O resultado da ação fiscal está demonstrado no quadro abaixo e os Relatórios Fiscais, conforme é solicitado na Resolução, são anexados. AIPO PROCESSO DEBCAD VALOR AIOP 14337.000236/2010 39 37.299.9069 392.637,42 AIOP 14337.000237/2010 83 37.299.9077 2.806.682,48 AIOP 14337.000238/2010 28 37.299.9085 794.059,51 AIOA 14337.000239/2010 72 37.299.9093 14.317,78 AIOA 14337.000240/2010 05 37.299.9107 64.022,48 Com argumentos sobre constituição de Grupo Econômico, de ocorrência crimes de dissimulação, simulação ou omissão, de constatação de abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato social de desconsideração da personalidade jurídica, nos itens 41 a 54 a Autoridade autuante expressa Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 16 29 sua motivação para imputar solidariedade a pessoa física, com base no disposto no art. 124 do CTN, verbis: "40. Com efeito, o CTN estabelece as condições para que seja estabelecida a solidariedade: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: 41. Duas são, portanto, as situações autorizadas pelo CTN, para que se possa fazer incidir a solidariedade: a) Inciso I do art. 124 do CTN (as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal): os "grupos econômicos", justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma interessa às demais, notadamente em se tratando de grupos econômicos de fato, nos quais são identificadas irregularidades administrativas e fiscais, e, justamente em face de tais irregularidades (dissimulação, simulação ou omissão), podese considerar até mesmo que esteja estabelecida a confusão patrimonial entre os integrantes desses grupos, além do fato de que, a prática de ilegalidades, como se verá adiante, determina, por si só, a solidariedade dos contribuintes envolvidos. b) Inciso II do art. 124 do CTN (as pessoas expressamente designada por lei): como já observado, a Lei 8.212, de 24/07/1991, seu Regulamento, o Decreto 3.048, de 06/05/1999 e a Instruções Normativas SRP3 e RFB971, vêm exatamente, de acordo com o permissivo legal do CTN, atribuir responsabilidade legal aos integrantes dos grupos econômicos, sejam quais forem: de direito ou de fato, estes últimos, regulares ou irregulares. 42. Portanto, em síntese, a responsabilidade tributária, por sujeição solidária é possível, por expressa autorização legal CTN, art. 124, incisos I e em consonância com a autorização do CTN, está expressamente prevista na legislação previdenciária." A Autoridade autuante no item 45 de seu relatório induz inferir que concluiria por desconsiderar a personalidade jurídica da autuada. Cumpre ressaltar que, contraditoriamente, no item 47 do REFISC , é a própria Autoridade autuante que lembra a impossibiidade de prosseguir no seu objetivo em razão do disposto § único do art. 116 do CTN: "45. Ou seja, primeiro, a Lei reitera a responsabilidade solidária dos integrantes de grupo econômico, de fato ou de direito. Depois, determina a desconsideração da personalidade jurídica. Desta forma, constatado abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato social será promovida a desconsideração da personalidade jurídica, não importando qual a aparência ou a forma com a qual se pretendeu revestir o sujeito passivo. " Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 30 "47. Não obstante o § único do art. 116 do CTN (introduzido pela Lei Complementar 104, de 10/01/2001) estabelecer que a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, estar condicionada aos procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária, nada impede a possibilidade de caracterização de "grupo econômico de fato" na auditoriafiscal, pois o próprio art. 149 do CTN estabelece a obrigação do Fisco realizar o lançamento ou sua retificação, em se constatando irregularidades ou ilegalidades. O § 3o . do art. 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991, assim como o § único e "caput" do art. 233 do Decreto 3.048, de 06/05/1999 também vinculam o fisco previdenciário a realizar o lançamento, neste caso. " Muito embora não tenha sido reiterado o art. 124 do CTN em que se escuda a Autoridade autuante para imputar a solidariedade da pessoa física , no item 54 do REFIS se consolida a síntese da motivação que o levara a tal entendimento: "54. Dessa forma, caracterizada a formação de grupo econômico, MAFRINORTE e a responsabilidade do sócio administrador dos sujeitos passivos Sr. Paulo Afonso Costa, detentor de mais de noventa e oito por cento das quotas dos capitais das empresas destacadas, e principal interessado na situação delineada nos pontos anteriores e em consonância com a legislação citada são chamados a responder pelos créditos tributários constituídos no curso da ação fiscal, sendo ambos intimados dos créditos lavrados no curso da auditoria, não aplicável a valores devidos a outras entidades ou fundos (terceiros), AIOP DEBCAD 37.290.9388, lavrandose Termo de Sujeita Passiva Solidária TSPS." DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ÁS FLS 478/ 481, registramse as emissões dos Termos de Sujeição Passiva Solidária para a pessoa Jurídica MAFRINORTE MATADOURO E FRIGORÍFICO DO NORTE LTDA e para a Pessoa Física PAULO AFONSO COSTA CPF 05508584668. Relevante ressaltar que nos sobreditos documentos não se verificam registros de dispositivos legais para imputação da solidariedade. Também no Relatório de Fundamentos Legais às fls 22, não se verificam tais dispositivos. No Termo de Sujeição Passiva Solidária para a pessoa física do senhor JOSE ALBERTO MARSOLA, a Autoridade autuante apenas procedeu ao destaque abaixo: " No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e no curso da ação, constatamos a responsabilidade solidária do sócio administrador, conforme consta nos relatórios fiscais dos autos de infração lavrados. Fica o sujeito passivo solidário CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado relativamente às contribuições previdenciárias na data de 25 de Junho de 2010, contra o sujeito passivo acima identificado, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são entregues neste ato. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 17 31 E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em três vias de igual teor e forma, assinado pelo(s) Auditor(es) da Receita Federal do Brasil e pelo sujeito passivo solidário ou seu representante legal, que neste ato recebe uma das vias." Eros Graus leciona que " não se interpreta o direito em tiras" . Assimilada a lição , por analogia , também não se interpreta os normativos em tiras mas de forma sistêmica. Isto posto, não vejo como corroborar o lançamento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Relator Ivacir Júlio de Souza. DO RECURSO DA AUTUADA DAS PRELIMINARES DA PRIORIDADE PARA JULGAMENTO Relevante ressaltar que, nas hipóteses de prioridade para julgamento destacadas nos sistemas eletrônicos, eprocesso, é praxe constar o registro do motivo , por exemplo " ocorrência de Representação Fiscal para Fins Penais" e outras de igual importância,. Muito embora marcado como prioridade, não resta informada a razão de sua inserção na referida relação. No Relatório Fiscal abriramse muitas frentes. Para ser efetivo há que se enfrentar o que ficou traduzido como razão do lançamento observado na forma dos fundamentos legais trazidos nas fls.22 referendado pelo registro no item 55 do Relatório Fiscal, verbis: " FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AIOP as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados. 56. As bases de cálculos apropriadas neste crédito previdenciário foram obtidas por arbitramento. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos subitens seguintes." Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 32 DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n°. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Do encimado, os núcleos a se verificar para comprovar ou não a pertinência do lançamento são valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como se as importâncias apropriadas como outros custos foram ou não justificadas documentalmente. Neste sentido, pontos de relevo precisam ser destacados, senão vejamos: Logo no início do Relatório Fiscal às fls.60, no item 2, a Autoridade autuante ,sem apontar qual a documentação a que se refere, chama atenção com o destaque que faz quando registra que : “parte da documentação analisada no curso da ação fiscal, foi apreendida na Operação Arroba do Departamento de Polícia Federal:” “2. Parte da documentação analisada no curso da ação fiscal, foi apreendida na Operação Arroba do Departamento de Polícia Federal, procedimento que contou com Mandado de Busca Apreensão, processo n° 2007.3718, expedido pelo Dr. Ronaldo Desterro, Juiz de Direito da Subseção Judiciária de Castanhal (PA), datado de 27/06/2007. Um dos auto de apreensão é acostado a este Autode lnfração (anexo 27).” Cumpre ressaltar que o sobredito anexo 27 a que se refere a Autoridade autuante , consta colacionado às fls. 353 tratandose o mesmo exatamente o citado Mandado de Busca Apreensão, processo n° 2007.3718, expedido pelo Dr. Ronaldo Desterro, Juiz de Direito da Subseção Judiciária de Castanhal (PA), datado de 27/06/2007. Cumpre ainda registrar que o anexo 27, supra, revela que o Auto de Apreensão de documentos fora emitido não em face da autuada mas da empresa MAFRINORTE MATADOURO E FRIG. DO NORTE , assente nos autos como sujeito passivo solidário que , mais tarde , viria integrar empresa do grupo. No documento em apreço, se registra a relação do que fora apreendido por ocasião do cumprimento do Mandado . O termo informa que se trata de documentos mas não identifica o conteúdo das caixas. Conforme registro de fls. 61, a ação fiscal teve início em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF : Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 18 33 “ 5. Os serviços de fiscalização, autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0210100201000238, foram iniciados em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (anexo 01..” Leitura atenta faz perceber que datado de 27/06/2007, o referido Mandado de Busca e Apreensão não é contemporâneo à ação fiscal que teve início em 29/03/2010 e , tampouco, aos fatos geradores que ensejaram a autuação em comento cujas ocorrências se observa iniciadas em 01/07/2005 e findas em 30/09/2007. DAS OPERAÇÕES DE ROTINA Cumpre ressaltar que não se alcança nos autos que a ação fiscal em tela tenha sido provocada por algum expediente do MP, da Polícia Federal ou tenha recebido enquadramento especial de procedimento. Emitido nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 o Mandado de Procedimento Fiscal não faz registro excepcional para a ação fiscal autorizada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 02.1.01.002010002385 CONTRIBUINTE/RESPONSÁVEL NOME EMPRESARIAL/NOME: ATIVO ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA EIRELI ENDEREÇO:ROD CASTANHAL INHANGAPI, S/N COMPLEMENTO: KM 4,5 BAIRRO: ZONA RURAL UF: PA CNPJ/CPF: 06.128.996/000100 MUNICÍPIO: CASTANHAL CEP:68.745000 PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES : Contrib Previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos PERÍODOS : 03/2005 a 12/2007 ENCAMINHAMENTO Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 16 de Julho de 2010. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Belém, 18 de Março de 2010. Às 24, no Relatório de Vínculos, consta que a MAFRINORTE MATADOURO E FRIG DO NORTE passou a integrar vínculo com o sujeito passivo a partir de abril/2009. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 34 Relevante ressaltar que os créditos tributários em comento foram constituídos para o período de 01/07/2005 a 30/09/2007 quando a empresa supra ainda não integrava o quadro societário da autuada. Nas fls.66 do Relatório Fiscal registrase que MAFRINORTE MATADOURO E FRIG DO NORTE integra o quadro societário da autuada ATIVO ALIMENTOS EXP. E IMP. LTDA . Às 24, no Relatório de Vínculos, consta que a MAFRINORTE MATADOURO E FRIG DO NORTE passou a integrar vínculo com o sujeito passivo a partir de abril/2009. O destaque faz notar que o vínculo é : anterior à ação fiscal (início em 29/03/2010) ; posterior ao Mandado de Busca e Apreensão (datado de 27.06.2007 ; e posterior aos fatos geradores ocorridos no período 07/2005 a 09/2007 conforme registro dos levantamentos às fls. 005. Conforme registro de fls. 61, a ação fiscal teve início em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF : “ 5. Os serviços de fiscalização, autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0210100201000238, foram iniciados em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (anexo 01) ..” O Termo de Início foi recebido pelo de contribuinte mediante o Aviso de RecebimentoAR, fls.111. DA PROVA EMPRESTADA Na forma colacionada nos autos o sobredito Mandado de Busca Apreensão, processo n° 2007.3718, em face da empresa solidária MAFRINORTE MATADOURO E FRIG. DO NORTE, materializouse PROVA EMPRESTADA. A prova emprestada é atípica e se configura no transporte de elementos probatórios de um processo para outro. O procedimento é válido desde que obedeça certas formalidades legais devendo as provas serem trazidas mediante certidão ou cópias autenticadas das folhas em que foram produzidas na demanda original. É cediço que, nas hipóteses , para admissibilidade da prova emprestada , majoritariamente, a doutrina exige observar; a existência de identidade entre os fatos do processo anterior com os fatos a serem provados; que seja impossível ou difícil a reprodução da prova emprestada no processo em que se pretenda demonstrar a veracidade de certa alegação; e que a parte contra quem a prova é produzida deverá ter participado do contraditório na construção da prova. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 19 35 Se a parte a qual se impõe a prova não tiver como proceder a contraprova por não ter participado do contraditório a prova emprestada acarreta cerceamento de defesa . A Turma Ordinária da 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes apreciando o Processo 107110076948750 exarou o Acórdão nº 30129121, decidindo neste sentido, verbis: Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 30129121 do Processo 107110076948750 20/10/1999 FALTA DE AMOSTRA. A falta de amostra suficiente para a realização da contraprova e a impossibilidade da utilização de prova emprestada acarretam o cerceamento de defesa. RECURSO PROVIDO. Na mesma linha as Turmas Ordinárias das 2ª e 3ª Câmaras do Terceiro e do Primeiro Conselho de Contribuintes, julgando os processos 11042000249200487 e 108300021359066 , respectivamente, mantiveram o entendimento conforme se segue : "Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 30239123 do Processo 11042000249200487 06/11/2007 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/12/2000 Ementa: PROVA EMPRESTADA. A garantia do contraditório, do devido processo legal e do direito à ampla defesa é obstáculo oponível à admissão e à valoração da prova emprestada de outro processo, no qual não tenha sido parte aquele contra quem se pretenda fazêla valer. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" "Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10319746 do Processo 108300021359066 11/11/1998 IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINARES DE NULIDADE PROVA EMPRESTADA A prova emprestada para ser inquestionavelmente válida, deve tipificar integralmente a infração e descrevêla de forma minudente exaustivamente, bastandose, destarte, a si mesma. Insubsiste a exação combatida quando resta demonstrado, ulteriormente, por decisão de outro juízo e de outra esfera de governo, a configuração completa do ilícito e não presente na inicial A colação de elementos aos autos e que visem complementar, aclarar e sustentar a exigência fiscal não prescinde da necessária ciência ao contribuinte, com reabertura Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 36 de prazo adicional, se for o caso, para que possa a autuada se manifestar, sob pena de cerceamento do direito a ampla defesa e ao contraditório. (Publicado no D.O.U de 23/12/98)." DA PREJUDICIAL DE NULIDADE A Recorrente vem de argüir nulidade desde em sede de impugnação. DA AFERIÇÃO INDIRETA No Relatório Fiscal REFISC, consta que o Auto de Infração nº Debcad 37.290.9434, em comento referese às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (segurados, empresa e riscos ambientais do trabalho), lavrado por aferição indireta considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. Relevante ressaltar que às fls. 69, no item 19 do sobredito REFISC, a Autoridade autuante revela que a empresa possuía, até o mês de dezembro de 2006, apenas UM FUNCIONÁRIO. " 19. "......... Ponto mais interessante: a empresa possuía, até o mês de dezembro de 2006, apenas UM FUNCIONÁRIO. " Merece destaque o fato de no REFISC não ter sido feito alusão da existência de empregados sem registros. Ponto de relevo é que embora a Autoridade autuante tivesse constatado que empresa tinha apenas um funcionário até janeiro de 2007, imputou por aferição indireta, pagamentos à este único empregado de valores que exorbitam a razoabilidade tanto pela expressão quanto pelas súbitas variações mensais : 07/2005 R$ 1.196.799,33 08/2005 Nihil 09/2005 R$ 128.413,46 10/2005 R$ 130.461,70 11/2005 R$ 143.280,10 12/2005 R$ 165.843,36 01/2006 R$ 519.628,49 02/2006 R$ 335.621,89 03/2006 R$ 694.748,64 04/2006 R$ 542.335,10 05/2006 R$ 759.963,64 06/2006 R$ 598.750,84 07/2006 R$ 540.689,83 08/2006 R$ 415.839,11 09/2006 R$ 384.592,20 10/2006 R$ 654.832,23 11/2006 R$ 494.778,07 12/2006 RS 473.885,41 DA AFERIÇÃO INDIRETA E DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 20 37 Fábio Zambitte Hibrahim, na página 390, da 16ª Edição de sua consagrada obra Curso de Direito Previdenciário, dissertando sobre Aferição Indireta exorta o Princípio da Proporcionalidade e nos traz que : " Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção ", verbis: " há regra elementar de direito no sentido de que a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude e, portanto, será obtido um meio de quantificar o valor devido à Previdência Social. Daí surge a idéia de aferição que é a obtenção do valor devido por outros meios previstos em lei. Naturalmente , tratase de regra excepcional , somente aplicável na impossibilidade de identificação da base de cálculo real. Ainda deverá atender ao Princípio da Proporcionalidade , porque não poderá a SFRB, aferir valor irreal , evidentemente acima do devido, As aferições deverão seguir critérios , que , dentro do possível, se aproximem ao máximo do real devido.Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção, já que esta somente poderá ser feita pela multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória a ser cobrada mediante auto de infração " DOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS No item 58 do Relatório Fiscal a fiscalização informa que as bases de cálculo utilizadas para proceder a aferição indireta foram os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados, bem como outros custos verbis: "58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente.” Embora a Autoridade autuante não aponte em que folhas estariam colacionados os documentos que registram os créditos referidos no item 58 acima, na forma da planilha de fls, 36/58, estes foram constituídos pelos valores obtidos nas competências 07/2005 a 09/2007, onde o Auditor deixa claro que tomou como base de cálculos BC os lançamentos da contabilidade referentes a custos, matéria prima e saldos de caixa. No Relatório da Diligência às fls. 808, este ponto foi questionado: "Nos relatórios Discriminativos do Débito – DD de fls. 06 a 010 constam as bases de cálculo arbitradas pela Autoridade autuante conforme abaixo se transcreve: (...) Como se observa, os valores atribuídos como mensalmente pagos aos empregados e até mesmo a falta de pagamentos na competência 07/2007 denotam variações bruscas , expressivas e aleatórias para mais e para menos de um mês para outro na forma determinada como remunerações aos segurados. A busca Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 38 da verdade material estabelecida na exegese do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, exige esclarecimentos." Ressaltese que no registro do item 56.3 do Relatório Fiscal quando a Autoridade autuante informa que no anexo 5 estariam os valores de outros custos para ano de 2007 não justificados, está se referindo às planilhas 01 e 02 : “56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05).” Aduz que colacionados às fls. 119/164 os valores a que se refere o anexo 5, em resumo, traduzem inúmeros lançamentos contábeis das contas de despesas( 119/121) e de custos (122/164) da empresa que foram utilizados como base de cálculo para o arbitramento. Na seqüência, sem apontar quais das dezenas de lançamentos do citado Anexo 29, a autoridade autuante, motivando a autuação de forma genérica, registrou que existiam diversos sem identificação dos beneficiários. Aduz que nas 102 páginas colacionadas chanceladas como anexo 29, a leitura aponta o contrário do que afirma o Relatório Fiscal. Os registros informam beneficiários: “56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários.” Ressaltando que o crédito fora constituído até as competências 001/07/2005 a 30/09/2007, aduz que o sobredito Anexo 29 consta colacionado nas renumeradas fls.359/462, verificandose tratar de cópias do livro Razão número 5, onde se registram as despesas e custos da autuada tãosomente até 31/12/2006. Aqui peca pela falta. Disponibilizaramse, também, todas as páginas do razão anteriores à constituição do crédito de 01/05 até 06/05 que por desnecessárias , peca pelo excesso : Às fls.802, conforme a Resolução 2403000.168, este Colegiado converteu o julgamento em diligência. Na oportunidade, entre outras solicitações foi requerido: " Que se esclareça quais foram os empregados que receberam os pagamentos e as razões das bruscas variações das bases de cálculos arbitradas como remuneração dos segurados empregados;" Em resposta a Autoridade autuante revela que não há vínculos das bases com pagamentos a segurados em razão do arbitramento e sem responder ao questionamento das bruscas e expressivas oscilações afirmou que não procedeu de forma aleatória posto que teria obtido as informações dos registros contábeis, verbis : "2.3.1 As justificativas prestadas nos itens anteriores já deixaram clarificadas que não há possibilidade em enumerar os segurados que receberam as remunerações consideradas pela fiscalização, pelo fato que as bases de cálculo foram arbitradas.(...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 21 39 daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alterações"70 DOS FUNDAMENTOS LEGAIS A narrativa no REFISC , trazendo à colação indícios de que fora praticado SIMULAÇÃO e FRAUDE forma convicção de que o lançamento iria proceder autuação por cometimento de crime tributário com concomitante Representação Fiscal para Fins Penais, entretanto , ao final, isso não se configura e a Autoridade autuante meramente procede ao lançamento por aferição indireta . No Relatório de Fundamentos Legais às fls. 22, não são exortados dispositivos insertos no rol dos crimes tributários . A multa aplicada nos termos do art. 35, I, II e III da Lei 8.212/91 faz claro que apesar de colacionar indícios de ação criminal a penalidade não foi agravada na previsão de procedimentos com intenções dolosas. DOS ARGUMENTOS EXTEMPORÂNEOS No item 56.7 do Relatório Fiscal , a Autoridade autuante, referindose `a uma correspondência datada de novembro de 2006, sobre ocorrências situadas entre 2004 /2006, período não alcançado pelo lançamento, cita o episódio como elemento cabal de prova da irregularidade e artimanha criminosa para imputar o procedimento de aferição indireta para constituição dos créditos 07/2005 a 09/2007: "56.7. Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior e) Há uma correspondência de TIÃO CONTABILIDADE, CRCGO 5043 TPA, CPF 168.656.50115, datada de novembro de 2006, anexo 24, DIRIGIDA a Ativo Alimentos de Água Azul do Norte (PA), AT. Sr. José Antônio Barboza, constando o seguinte: Meu prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraídos da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de setembro de 2004 a outubro de 2006. (...) Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 40 Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CFOP 1101 e a quantidade de bovinos enviado para ser industrializado, através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual. Pois, é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado, se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA." DA CONFISSÃO DE NÃO CONTABILIZAÇÃO Embora extemporâneo, não se pode olvidar o grave registro que a autoridade autuante faz às fls.102, quando no item 56.7 do seu Relatório o Fiscal revela que : “ Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior ” Colacionado pela Autoridade autuante, o referido anexo 24, datado de 16/11/2006, encontrase às fls.349/350 e com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra. Cumpre notar que o diálogo ali contido se processa em torno da documentação enviada para a contabilidade que conclui por eventuais retificações de DIEF’S posto que estariam vulneráveis à legislação ESTADUAL nos aspectos de ICM e ainda sobre FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Isto posto, de plano, caberia na oportunidade ter sido verificado junto à empresa, à luz de elementos probantes, mediante intimação, informar se teriam realizado as retificações aventadas.Da forma como ficou não se tem notícias se providências foram tomadas e quais. Da atenta leitura do suprareferido documento, faço juízo de que não se vislumbra conluio mas preocupação em retificar DIEF's referentes a diferença de ICMS À RECOLHER antes de serem intimadas pela Fazenda Estadual . Na parte final da correspondência fica claro que se trata de uma resposta a uma proposta de auditoria que a autuada fizera para proceder eventuais correções : “ Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período ” A ÍNTEGRA : “Meu Prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraído da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos Ltda, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de 3 setembro de 2004 a outubro de 2006 Neste levantamento em planilhas é possível visualizar com clareza a situação da empresa no que tange os seus encargos no aspecto tributário, tal como: ICMS à razão de 1,8%; bem como o ICMS 3%, sobre as entradas de gado em pé ao valor de pauta fiscal agregado com 30%, conforme estabelece a legislação Estadual para as empresas que não possui a extensão ou não gozam de beneficio fiscal, pelo uso do controle de abate, fílax. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 22 41 Pode ser visto também a real situação do FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Esses quatro últimos claro, em caso do regime de tributação presumida. Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CEOP 1101 e a quantidade de bovinos enviados para ser industrializado através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual . Pois é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período., lembrando que o período de abril/2006, em diante faz parte dos honorários devidamente pagos,conforme nosso contrato de trabalho verbal firmado com a Ativo Alimentos Ltda, filial Água Azul do Norte. Para o período em questão, ou seja, setembro/2004 a março/2006, correspondente 19(dezenove) meses à razão de l(um) salário mínimo/mês.” O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Analisando a legislação apontada no item 062 que motivou a fundamentação legal para o procedimento de aferição indireta, temse que o fizeram sob o comando da Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos §§3° e 6°, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Cumpre destacar que o Legislador não determina lançar de ofício qualquer importância, mas sim a importância devida havendo pois que as bases escolhidas sejam estabelecidas mediante patamares lógicos e consistentes, verbis: Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 42 “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (..) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” No que concerne ao art. 235 do Decreto 3.048/91, o legislador concebe que a aferição indireta será implementada após a constatação, leiase comprovação, da imprestabilidade da contabilidade "e" de qualquer outro documento da empresa da empresa. Ressaltese que o Legislador remetendose ao movimento real da remuneração do segurado , não faculta uma coisa " ou" outra mas determina uma " e " outra seguido de desconsideração , que presumese formal, da contabilidade, verbis: “Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Por ocasião da ação fiscal encerrada em, 25/06/2010, conforme o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls 485, notificada por Aviso de RecebimentoAR colacionado às fls, 487, em 29/07/2010, vigia a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009 cuja previsão de se aferir indiretamente as bases de cálculo, método extremo de apuração, se verifica incluída, não por acaso, no sugestivo título VI das atividades fiscais e dos procedimentos especiais. Com destaque para o comando do art. 447, aduz que a aferição indireta tem nos art. 446 / 449 o amparo que legitima sua utilização, verbis: “ Art. 446. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 23 43 I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para fins do disposto no inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme disposto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 47 desta Instrução Normativa. § 3º No caso de apuração, por aferição indireta, das contribuições efetivamente devidas, caberá à empresa, ao segurado, proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. § 4º Aplicamse às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ” Do sobredito, embora no curso da ação fiscal não tenha sido emitido documento formal de desconsideração da contabilidade, implicitamente restou Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 44 caracterizado que a escrituração contábil da empresa é imprestável e seu conteúdo não tem valor algum. Assim, não se alcança válido constituir o crédito sobre aqueles dados desconsiderados. DOS PARÂMETROS PARA AFERIÇÃO INDIRETA Nas empresas em geral, podese ter como bons parâmetros para a base de cálculo da contribuição previdenciária a ser aferida indiretamente os fatores abaixo descritos tomados em conjuntamente ou não : o porte da empresa, o número de segurados a serviço da empresa e o valor médio das últimas contribuições apuradas ou recolhidas, em período anterior ou posterior ao período da base de cálculo aferida indiretamente, devidamente atualizadas com os mesmos índices de reajustamento salarial da respectiva categoria ou do salário mínimo nacional; o piso salarial da categoria, fornecido pelo sindicato ou órgão de classe ou, na falta deles, os valores médios de salários publicados em jornais ou revistas de grande circulação; o resultado de subsídio à fiscalização (SF); os fatos constatados mediante verificação física; a existência de Auto de Infração emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); o livro de inspeção do trabalho; as reclamatórias trabalhistas; o número de empregados registrados, apurado em fiscalização anterior; o histórico dos recolhimentos previdenciários efetuados anteriormente pela empresa e as guias de contribuição sindical; a massa salarial obtida junto ao banco de dados do INSS; a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ), a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); I o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o extrato dos depósitos para o FGTS, com relação ao período anterior ao da implantação da GFIP; os livros de imposto sobre serviços, de medida de produção, de entrada e de saída de mercadorias; as notas fiscais, faturas, os recibos ou contratos; a grade curricular obtida junto à Superintendência ou Delegacia de Ensino; o montante de mãodeobra fornecido pelos sindicatos ou pelos órgãos gestores de mãode obra (OGMO); Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 24 45 outros elementos que, pela natureza da atividade da empresa, proporcionem base para a aferição indireta.. Como visto alhures, a Autoridade aututante entendeu que a contabilidade da autuada era imprestável . Entretanto no caso em comento, no item 2.2.6.10, subitem 2.3.2 da Resposta da Diligência, às fls. 830, a autoridade autuante reitera que utilizou os registros contábeis como base de cálculo , verbis: “2.2.6.10, Finalizando, a omissão documental: No item 03 do Termo de Intimação Final Complementar, a fiscalização INTIMA o sujeito passivo a justificar documentalmente todas as despesas. A não apresentação dos elementos é mencionada no relatório fiscal. Encerrando este item e repisando o já afirmado: não há de se falar em contabilidade regular se inexistem documentos que suportem à escrita. (...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alteração.” DA INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO E DA RESPOSTA DA EMPRESA Às fls. 118 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – FINAL recebido pelo contribuinte em 31/05/2010 (AR de fls, 165) , com prazo para apresentação em 7 dias , entre outros documentos, solicitava que o contribuinte apresentasse comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02 : “Prazo: 07 dias Período de apuração: 03/2005 a 12/2007 (...) Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo.” Às fls 187, datado de 07/06/2010, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final consta colacionada pela Autoridade autuante, correspondência da empresa dando conta de que teriam sido atendidas todas as intimações e apresentado toda documentação requerida, inclusive os comprovantes das despesas e custos : (..) Em anexo, a Fiscalizada apresenta os seguintes documentos: Acordos, convenções e dissídios coletivos; Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 46 Apólices de seguro de vida Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, inclusive para abate de bovinos; Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores; Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminado nas planilhas 01 e 02 que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal n°.Final. Ao ensejo, a Fiscalizada também apresenta as Notas Fiscais de Entrada, o Livro de Registro de ICMS, e os Livros de Registro de Entrada e Saída, relativos à filial de CNPJ/MF n°. 06.128.996/000282. A Fiscalizada esclarece que, na resposta protocolizada perante esta Delegacia Fiscal no dia 19/04/2010, já apresentou os seguintes documentos: Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais, e avulsos); Regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador; Relação Anual de Informações Sociais RAIS; Documentação dos salários família e maternidade; Rescisões de Contrato de Trabalho; Ao final , a fiscalizada informa que não possui contratos e faturas de cooperativas de trabalho e que não possui comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, pois a mesma nunca utilizou do benefício do abatimento no IRPJ. Entendendo terem sido prestadas todas as informações e apresentados todos os documentos solicitados, mantemonos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.” DA MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE Colacionado às fls.172, em resposta à correspondência da empresa , sem efetivamente negar que recebera os documentos, datado de 09/06/2010, dois dias depois, consta o Termo de Constatação Fiscal – SN, emitido pela Autoridade autuante com a manifestação abaixo transcrita: 1 Refirome à correspondência dessa empresa datada de 07/06/2010, para informar o seguinte: Toda documentação disponibilizada por esse Contribuinte está sendo analisada pela fiscalização, inclusive a última remessa, dia 07/06/2010. A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 25 47 encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise. Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura. Consta, na última correspondência, que foram entregues os regulamentos dos benefícios concedidos aos trabalhadores e rescisões. Essa documentação não foi recepcionada em momento algum pela fiscalização. 2.Desse modo, fica a empresa cientificada, conforme mencionado, que a documentação entregue encontrase sob análise, inclusive que a correspondência datada de 07 de junho foi recebida condicionalmente, não significando que todos os elementos ali mencionados foram realmente entregues e, como citado, apenas no encerramento do procedimento fiscal será possível afirmarse que não houve sonegação de elementos. A documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELÉM” Em 18/06/2010 próximo do encerramento da ação fiscal, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final, a empresa afirma que teria entregue o solicitado. Conforme documento de fls. 486, em 25/06/2010 emitiramse o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF , notificado na forma do AR de 29/07/2010, fls 487. Em razão de que o arbitramento fora efetuado com valores de despesas e custos extraídos da contabilidade da empresa cujos lançamentos foram colocados em dúvidas pela Autoridade autuante, do confronto das sobreditas correspondências duas questões, determinísticas, saltam à luz: A autoridade autuante requereu que fossem apresentados “ Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo”; e A autuada enviou correspondência confirmando que entregara, junto com as demais solicitações, os comprovantes requeridos. É compulsório destacar que na forma de sua correspondência a Autoridade autuante não nega ter recebido a documentação em comento fazendo apenas ressalva de que : “A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise”. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 48 No Relatório de Diligência Fiscal, fls 818, em resposta a indagação sobre se a empresa teria entregue toda a documentação conforme afirmara, a Autoridade autuante, não responde diretamente a questão e alegando que a documentação fora entregue, mas não em suas mãos , manifestouse na forma abaixo transcrita: “2.4. Quanto aos questionamentos sobre apresentação de documentos, a solicitação é transcrita abaixo: 2.4.1 Quando são feitas intimações a contribuintes sob ação fiscal – fato ocorrido no caso aqui analisado é observado no termo fiscal que a documentação deverá ser entregue ao requisitante. O afirmado pode ser observado no Termo de Início e demais intimações feitas à recorrente . 2.4.2 Quando o contribuinte comparece ao Serviço de Fiscalização para atendimento de chamamento fiscal, quesito entrega de documentos, e estando ausente o requisitante, ele é orientado a retornar em outra oportunidade, pois – como mencionado a pessoa hábil para recebimento dos elementos solicitados não se encontra. Em algumas oportunidades, a empresa apenas solicita a dilação do prazo estabelecido no termo fiscal e, nessa situação, o pedido é protocolado na Secretaria do Serviço de Fiscalização – Sefis (..) 2.4.7 Sendo objetivo: a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade no curso da ação fiscal e os documentos omitidos foram devidamente identificados no Relatório de Lançamentos do Auto de Infração Obrigação Principal (campo observações), pelo fato que eles foram considerados como bases de cálculo das contribuições que integram o processo. A fiscalizada, salvo prova em contrário, não exibe tais documentos na fase do contencioso (impugnação ou recurso.)” Embora no item 2.4.7 acima se registre que a documentação não fora recebida na totalidade, num dos itens da multicitada correspondência a afirmativa é contraditada na medida em que a afirmação de que os documentos não foram entregues tem assento em mera avaliação visual, verbis: “ Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura” Como se nota, não se comentou sobre o conteúdo das caixas e até mesmo o total recebido foi impreciso posto que avaliado em cerca de 10 pastas, sendo certo que foram entregues no serviço de fiscalização. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 26 49 Chegando neste ponto, não é precipitado afirmar que em razão das intimações para apresentação de documentos terem sido enviadas por Aviso de Recebimento – AR para entrega dos documentos na Receita Federal, é lícito concluir que a ação fiscal, muita embora complexa, não foi presencial. Atuando em duas operações concomitantes a Autoridade autuante iniciou a ação fiscal em 29/03/2010, com encerramento em 25/06/2010. Relevante notar que, sem descontar os dias que foram disponibilizados para apresentação de documentos via correios, em torno de 40 , a hercúlea tarefa foi concluída em 3 meses. Tenho entendimento que processar milhares de documentos em exíguo prazo como alhures afirmara a Autoridade autuante, e ainda prescindindo da presença do contribuinte para eventuais e tempestivos esclarecimentos , tal conjuntura contribuiu de certo modo para comprometer a eficácia da ação fiscal. DA DISCRIMINAÇÃO CLARA E PRECISA DA INFRAÇÃO Na forma do comando do art. 293 do Decreto 3048 de 06 de maio de 1.999, “ constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autode infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada verbis: “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. ( Redação dada pelo Decreto n 6.103, de 2007).” Também art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN impõe à autoridade administrativa cumprimento sob o mesmo diapasão, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” ( grifos de minha autoria) De tudo que foi exposto não vislumbro conceber o lançamento insculpido no preceituado nos sobreditos artigos cuja observação é imperiosa. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, onde o juiz deve julgar a causa tãosomente com base nas alegações trazidas pelas partes. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 50 O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. Neste sentido, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. A recorrente argüiu nulidade. Ainda que não o fizesse, a nulidade é matéria de ordem pública. É cediço que , a teor dos arts. 267 , § 3º , e 301 , § 4º , do CPC , as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 define que se diretamente dependente do ato anterior, prejudicado o posterior, a nulidade se aperfeiçoa: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.” Vício instalado na produção do auto, em sua dinâmica, é defeito de composição insanável que prejudica atos posteriores. Em acontecendo a nulidade tal como descrita, o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito em razão de sua motivação . De tudo que foi exposto, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações bem como recurso interposto pelo contribuinte solidário. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE DO LANÇAMENTO em razão de inquinado de VÍCIO MATERIAL. Na hipótese deste Colegiado não anuir os argumentos apresentados, adentro a o mérito tal como se segue: Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 27 51 DO MÉRITO Em razão do laborioso Relatório Fiscal constituído de 48 páginas ( fls 59/107), cumpre ressaltar que a questão de fundo, a efetiva razão da autuação só se alcança definida às fls. no item , 55 quando se registram os fatos geradores do lançamento. Daí é que se conclui que tratase do Auto de Infração referente às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (segurados, empresa e riscos ambientais do trabalho), lavrado por aferição indireta considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. No sobredito Relatório Fiscal abriramse muitas frentes. Para ser efetivo há que se enfrentar o que ficou traduzido como razão do lançamento na forma dos fundamentos legais trazidos nas fls.22 referendado pelo registro no item 55 do Relatório Fiscal, verbis: " FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárías lançadas neste AIOP as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados. 56. As bases de cálculos apropriadas neste crédito previdenciário foram obtidas por arbitramento. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos subitens seguintes." DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Do encimado os núcleos a se verificar para comprovar ou não a pertinência do lançamento são valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como se as importâncias apropriadas como outros custos foram ou nãojustificadas documentalmente. De passagem, posto que não se motivara Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 52 com fundamentos legais, verificar a questão dos abates.Neste diapasão , abaixo seguem as seguintes observações: DA DECISÃO A QUO A condução do voto de primeira instância, embora os 75 itens com alegações interpostas pela então impugnante, transcritos e relatados pela própria instância a quo, não se fundamentou a partir do enfrentamento daquelas arguições. Parte do que ora se afirma se observa na ementa parcialmente abaixo disposta . A ementa, apesar de sugerir que em sede de impugnação teria sido analisada a questão da dissimulação trazida no Relatório fiscal, traduz matéria não enfrentada. A falta de fundamentação legal da desconsideração dos atos na motivação do lançamento talvez tenha influenciado para tal desfecho: " DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO Diante da situação fática constatada em que a empresa tem como propósito criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias devidas, aplicase o disposto no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário NacionalCTN." Embora toda a complexidade do processo em análise, baseandose tão somente no que fora relatado pela Autoridade autuante sem indicar os elementos probantes que sustentassem a decisão, após sumária reflexão, o i. Julgador destaca que “ Os elementos descritos no Relatório Fiscal foram suficientes para a formação da convicção ”. Com grifos de minha autoria, transcrevo a íntegra dos argumentos que motivaram a decisão de primeira instância para concluir inexistirem máculas no lançamento: “Conforme Relatório Fiscal, fls. 59/107, as bases de cáculo foram obtidas por arbitramento em razão da empresa não ter apresentado todos os elementos solicitados pela fiscalização. Informa o mencionado relatório que a fiscalização analisou documentos apreendida na Operação Arroba, tendo extraído elementos que comprovam a dissimulação da ocorrência do fato gerador do tributo em questão. Extraise, ainda, do aludido Relatório Fiscal, conforme relatos detalhados ali contidos, que a empresa, além de não ter apresentado todos os elementos solicitados nos termos fiscais, não contabilizou todos os fatos geradores das contribuições em questão. Como conseqüência, a fiscalização utilizouse do arbitramento autorizado pelo artigo 33 da Lei 8212, §§ 3º e 6º, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 28 53 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009).(...) Os elementos descritos no Relatório Fiscal são suficientes para a formação da convicção de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. A título de exemplificação, mencionase aqui o fato, descrito no relatório, da empresa possuir apenas um empregado até o mês de dezembro/2006 (período fiscalizado 01/07/2005 a 31/12/2007), enquanto movimentava recursos na ordem de mais de R$ 500.000.000,00 apenas na aquisição de bovinos para industrialização, nos anos 2005 a 2007. Portanto, à vista do detalhamento das informações constantes do Relatório Fiscal de fls. 59/107, temse que resta sem máculas o lançamento em apreço oriundo de levantamento realizado pelo método da aferição indireta.” DAS AÇÕES FISCAIS Às fls 63, no item 10 do Relatório Fiscal, ainda que sob ações distintas, arrolaramse as duas empresas nos argumentos desenvolvidos no sobredito relatório : “10. A auditoria fiscal realizada abrange as três unidades frigoríficas operadas por ATIVO ALIMENTOS LTDA e MAFRINORTE MATADOURO FRIFORÍFICO DO NORTE LTDA.” Destaquese que a empresa autuada, motivo de análise do presente, é a ATIVO ALIMENTOSLTDA. A segunda empresa informada, MAFRINORTE MATADOURO FRIFORÍFICO DO NORTE LTDA, consta relacionada no Relatório de Vínculos de fls 24 que passou a integrar o Grupo Econômico a partir de 29/04/2009. Ressaltese, depois da ocorrência dos fatos geradores que motivar a autuação, 07/2005 a 09/2007: “CNPJ 0 5 . 0 4 7 . 1 2 1 / 0 0 0 1 0 2 Período d e A t u a ç ã o : 29/04/2009 a Q u a l i f i c a ç ã o : GRUPO ECONÔMICO Nome: MAFRINORTE MATADOURO E FRIG. DO NORTE LTDA Endereço: ROD INHANGAPI CASTANHAL S/N KM 4 Bairro: INTERIOR Município: CASTANHAL UF: PA CEP: 68742005” DAS INFORMAÇÕES SOBRE AS EMPRESAS Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 54 O item 11 do Relatório Fiscal trás que : “11. Como forma da correta identificação das unidades fabris geridas pelos sujeitos passivos destacados, foram solicitadas informações ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal Serviço de Inspeção Federal nos Estados do Pará e Maranhão, ofícios 433501/2010 (anexo 12) e 085 01/2010 (anexo 13). As respostas emitidas pelos Órgãos seguem a mesma numeração de anexos. 12. O número SIF, Serviço de Inspeção Federal, é a identificação dos estabelecimentos que promovem a industrialização de produtos de origem animal, fornecido pelo Ministério da Agricultura, sendo necessário para comercialização da produção, sendo que o Órgão ministerial faz intensivo acompanhamento dos abates realizados nas unidades frigoríficas certificadas com controle sanitário e estatístico dos animais abatidos.” DOS REQUERIMENTOS JUNTO AO SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL NO ESTADO DO PARÁ Também não enfrentado em sede de impugnação, sobre o pedido de informações no Relatório Fiscal se faz remissão aos anexos 12 , 13 e 29.Tais anexos constam colacionados pela Autoridade autuante às fls. 209/279. Tratase de requerimento/respostas que , em 22/03/2010, a Autoridade autuante promoveu junto ao Serviço de Inspeção Federal no Estado do Pará : “56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários. 56.5. As notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Água Azul do Norte (PA) também foram apresentadas de forma incompleta, fato confirmado quando se comparam os totais mensais dos abates constantes nas notas analisadas pela fiscalização e as totalizações obtidas a partir dos mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura (anexos 12 e 13);” DO PLANEJAMENTO DA AÇÃO FISCAL A correspondência abaixo transcrita datada de 22 de março de 2010, demonstra que o planejamento andou bem e fora proativo na obtenção de informações posto que a ação fiscal só iria ter início em 29/03/2010. Entretanto, adiante se verá que a resposta não registra elementos motivadores do lançamento: “Ofício DRF/BEL n 4.33501/2010 Belém, 22 de março de 2010 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 29 55 AO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, DEPARTAMENTO DE INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL Serviço de Inspeção Federal no Estado do Pará REFERENTE: MAPAS DE ABATES DOS ANOS 2005 A 2008 Cumprimentandoo, e com a finalidade de dar continuidade a procedimentos fiscais em andamento nas empresas Ativo Alimentos e Matadouro e Frigorífico do Norte Mafrinorte nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, solicitamos seus bons ofícios no sentido de disponibilizar os seguintes dados referente às unidades frigoríficas situadas no estado do Pará e Maranhão: a) Frigoríficos localizados nos município de Água Azul do Norte (PA), Castanhal (PA), Xinguara (PA), Ananindeua (PA), Tucumã (PA) e Bacabal (MA) com respectivos SIF. b) Dados das empresas proprietárias de cada um desses SIF. c) As empresas autorizadas a operarem nesses estabelecimentos de abate no período destacado. d) Os mapas mensais de abate, informandose separadamente bovinos e bubalinos machos e fêmeas. As informações de abate deverão indicar as empresas responsáveis.” Relevante ressaltar fora requerido no item “d” indicar as empresas responsáveis: “d) Os mapas mensais de abate, informandose separadamente bovinos e bubalinos machos e fêmeas. As informações de abate deverão indicar as empresas responsáveis.” O destaque acima se justifica em razão de que em 13/04/2010, em resposta ao solicitado disponibilizaramse os mapas de abate requeridos conforme documentos colacionados pela Autoridade autuante às fls.211/266 e, todos os Mapas se referem a uma terceira empresa não autuada e sequer investigada em diligência. Tratase da filial da sociedade anônima FRIGOL S.A CNPJ 68.067.446/001068. DAS RESPOSTAS AO SOLICITADO Referindose a um certo processo de número 21022.000579/201011, em 04/05/2010, às fls. 267(parte do anexo 13), requereramse novos Mapas de Abate em cuja resposta abaixo transcrita , a respeito da autuada se informa que “ A firma Ativo Alimentos nunca esteve sob registro deste Serviço no estado do Maranhão até a presente data : “ Em atenção à solicitação que dá origem ao processo em lide informamos o que segue : Conforme ficha do estabelecimento em anexo, a empresa Mafrinorte – Matadouro o e Frigorífico do Norte Ltda Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 56 funcionou sob o SiF 4600 de 18/04/2002 a 26/06/2008, quando foi alterada a razão social para Frigorífico Margen Ltda; O estabelecimento funciona desde 13/10/2008 até a presente data sob responsabilidade da firma Frigorífico Eldorado S/A; A firma Ativo Alimentos nunca esteve sob registro deste Serviço no estado do Maranhão até a presente data; Os mapas mensais de abate da empresa Mafrinorte Matadouro e Frigorífico do Norte Ltda no período solicitado estão no documento Movimento de Abate (Mapa 1), em anexo; Esclarecemos que, por falha do nosso sistema de informações e gerenciamento de dados, o cabeçalho dos mapas estatísticos sempre é gerado com a identificação da empresa que opera atualmente sob um determinado SlF. Porém, os dados fornecidos são referentes à empresa que operou sob aquele SlF no período solicitado; Até o ano de 2005 a data de inserção dos dados estatísticos não era informada de maneira uniforme. Só a partir de 2006 foi determinado que a data dos mapas, independente dos dias que dados foram digitados, deveria ser o último dia do mês de referência; Informamos também que todos os dados originalmente repassados pela empresa ao SlF 4600 do ano de 2003 até o presente data estão devidamente guardados no arquivo morto da IF local.” Em resumo, os mapas colacionados não se referem a empresa autuada mas sim aos FRIGORÍFICO ELDORADO S/A e FRIGOL S/A conforme Anexo 13 colacionado pela Autoridade autuante. Reiterando o alhures registrado, efetivamente a empresa foi autuada utilizandose o método de aferição indireta em razão de a Autoridade autuante entender que os valores lançados na contabilidade não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos não teriam sido justificadas documentalmente. DOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS No item 58 do Relatório Fiscal a fiscalização informa que as bases de cálculo utilizadas para proceder a aferição indireta foram os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados, bem como outros custos verbis: "58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente.” Embora a Autoridade autuante não aponte em que folhas estariam colacionados os documentos que registram os créditos referidos no item 58 acima, na forma da Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 30 57 planilha de fls, 36/58, estes foram constituídos pelos valores obtidos nas competências 07/2005 a 09/2007, onde o Auditor deixa claro que tomou como base de cálculos BC os lançamentos da contabilidade referentes a custos, matéria prima e saldos de caixa. No Relatório da Diligência às fls. 808, este ponto foi questionado: "Nos relatórios Discriminativos do Débito – DD de fls. 06 a 010 constam as bases de cálculo arbitradas pela Autoridade autuante conforme abaixo se transcreve: (...) Como se observa, os valores atribuídos como mensalmente pagos aos empregados e até mesmo a falta de pagamentos na competência 07/2007 denotam variações bruscas , expressivas e aleatórias para mais e para menos de um mês para outro na forma determinada como remunerações aos segurados. A busca da verdade material estabelecida na exegese do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, exige esclarecimentos." Ressaltese que no registro do item 56.3 do Relatório Fiscal quando a Autoridade autuante informa que no anexo 5 estariam os valores de outros custos para ano de 2007 não justificados, está se referindo às planilhas 01 e 02 : “56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05).” Aduz que colacionados às fls. 119/164 os valores a que se refere o anexo 5, em resumo, traduzem inúmeros lançamentos contábeis das contas de despesas( 119/121) e de custos (122/164) da empresa que foram utilizados como base de cálculo para o arbitramento. Na seqüência, sem apontar quais das dezenas de lançamentos do citado Anexo 29, a autoridade autuante motivando a autuação, de forma genérica, registrou que existiam diversos sem identificação dos beneficiários. Aduz que nas 102 páginas colacionadas chanceladas como anexo 29, a leitura aponta o contrário do que afirma o Relatório Fiscal. Os registros informam beneficiários: “56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários.” Ressaltando que o crédito fora constituído até as competências 001/07/2005 a 30/09/2007, aduz que o sobredito Anexo 29 consta colacionado nas renumeradas fls.359/462, verificandose tratar de cópias do livro Razão número 5, onde se registram as despesas e custos da autuada tãosomente até 31/12/2006. Aqui peca pela falta. Disponibilizaramse, também, todas as páginas do razão anteriores à constituição do crédito de 01/05 até 06/05 que por desnecessárias , peca pelo excesso : Às fls.802, conforme a Resolução 2403000.168, este Colegiado converteu o julgamento em diligência. Na oportunidade, entre outras solicitações foi requerido: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 58 " Que se esclareça quais foram os empregados que receberam os pagamentos e as razões das bruscas variações das bases de cálculos arbitradas como remuneração dos segurados empregados;" Em resposta a Autoridade autuante revela que não há vínculos das bases com pagamentos a segurados em razão do arbitramento e sem responder ao questionamento das bruscas e expressivas oscilações afirmou que não procedeu de forma aleatória posto que teria obtido as informações dos registros contábeis, verbis : "2.3.1 As justificativas prestadas nos itens anteriores já deixaram clarificadas que não há possibilidade em enumerar os segurados que receberam as remunerações consideradas pela fiscalização, pelo fato que as bases de cálculo foram arbitradas.(...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alterações"70 DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Analisando a legislação apontada no item 062 que motivou a fundamentação legal para o procedimento de aferição indireta, temse que o fizeram sob o comando da Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos §§3° e 6°, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Cumpre destacar que o Legislador não determina lançar de ofício qualquer importância, mas sim a importância devida havendo pois que as bases escolhidas sejam estabelecidas mediante patamares lógicos e consistentes, verbis: Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 31 59 “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (..) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” No que concerne ao art. 235 do Decreto 3.048/91, o legislador concebe que a aferição indireta será implementada após a constatação, leiase comprovação, da imprestabilidade da contabilidade "e" de qualquer outro documento da empresa da empresa. Ressaltese que o Legislador remetendose ao movimento real da remuneração do segurado , não faculta uma coisa " ou" outra mas determina uma " e " outra seguido de desconsideração , que presumese formal, da contabilidade, verbis: “Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Por ocasião da ação fiscal encerrada em, 25/06/2010, conforme o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls 485, notificada por Aviso de RecebimentoAR colacionado às fls, 487, em 29/07/2010, vigia a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009 cuja previsão de se aferir indiretamente as bases de cálculo, método extremo de apuração, se verifica incluída, não por acaso, no sugestivo título VI das atividades fiscais e dos procedimentos especiais. Com destaque para o comando do art. 447, aduz que a aferição indireta tem nos art. 446 / 449 o amparo que legitima sua utilização, verbis: “ Art. 446. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 60 Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para fins do disposto no inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme disposto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 47 desta Instrução Normativa. § 3º No caso de apuração, por aferição indireta, das contribuições efetivamente devidas, caberá à empresa, ao segurado, proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. § 4º Aplicamse às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ” Do sobredito, embora no curso da ação fiscal não tenha sido emitido documento formal de desconsideração da contabilidade, implicitamente restou caracterizado que a escrituração contábil da empresa é imprestável e seu conteúdo não Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 32 61 tem valor algum. Assim, não se alcança válido constituir o crédito sobre aqueles dados desconsiderados. DA AFERIÇÃO INDIRETA E DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Fábio Zambitte Hibrahim, na página 390, da 16ª Edição de sua consagrada obra Curso de Direito Previdenciário, dissertando sobre Aferição Indireta exorta o Princípio da Proporcionalidade e nos traz que : " Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção ", verbis: " há regra elementar de direito no sentido de que a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude e, portanto, será obtido um meio de quantificar o valor devido à Previdência Social. Daí surge a idéia de aferição que é a obtenção do valor devido por outros meios previstos em lei. Naturalmente , tratase de regra excepcional , somente aplicável na impossibilidade de identificação da base de cálculo real. Ainda deverá atender ao Princípio da Proporcionalidade , porque não poderá a SFRB, aferir valor irreal , evidentemente acima do devido, As aferições deverão seguir critérios , que , dentro do possível, se aproximem ao máximo do real devido.Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção, já que esta somente poderá ser feita pela multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória a ser cobrada mediante auto de infração " DOS PARÂMETROS PARA AFERIÇÃO INDIRETA Nas empresas em geral, podese ter como bons parâmetros para a base de cálculo da contribuição previdenciária a ser aferida indiretamente os fatores abaixo descritos tomados em conjuntamente ou não : o porte da empresa, o número de segurados a serviço da empresa e o valor médio das últimas contribuições apuradas ou recolhidas, em período anterior ou posterior ao período da base de cálculo aferida indiretamente, devidamente atualizadas com os mesmos índices de reajustamento salarial da respectiva categoria ou do salário mínimo nacional; o piso salarial da categoria, fornecido pelo sindicato ou órgão de classe ou, na falta deles, os valores médios de salários publicados em jornais ou revistas de grande circulação; o resultado de subsídio à fiscalização (SF); os fatos constatados mediante verificação física; a existência de Auto de Infração emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); o livro de inspeção do trabalho; as reclamatórias trabalhistas; Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 62 o número de empregados registrados, apurado em fiscalização anterior; o histórico dos recolhimentos previdenciários efetuados anteriormente pela empresa e as guias de contribuição sindical; a massa salarial obtida junto ao banco de dados do INSS; a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ), a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); I o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o extrato dos depósitos para o FGTS, com relação ao período anterior ao da implantação da GFIP; os livros de imposto sobre serviços, de medida de produção, de entrada e de saída de mercadorias; as notas fiscais, faturas, os recibos ou contratos; a grade curricular obtida junto à Superintendência ou Delegacia de Ensino; o montante de mãodeobra fornecido pelos sindicatos ou pelos órgãos gestores de mãode obra (OGMO); outros elementos que, pela natureza da atividade da empresa, proporcionem base para a aferição indireta.. Como visto alhures, a Autoridade aututante entendeu que a contabilidade da autuada era imprestável . Entretanto no caso em comento, no item 2.2.6.10, subitem 2.3.2 da Resposta da Diligência, às fls. 830, a autoridade autuante reitera que utilizou os registros contábeis como base de cálculo , verbis: “2.2.6.10, Finalizando, a omissão documental: No item 03 do Termo de Intimação Final Complementar, a fiscalização INTIMA o sujeito passivo a justificar documentalmente todas as despesas. A não apresentação dos elementos é mencionada no relatório fiscal. Encerrando este item e repisando o já afirmado: não há de se falar em contabilidade regular se inexistem documentos que suportem à escrita. (...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alteração.” DA INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO E DA RESPOSTA DA EMPRESA Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 33 63 Às fls. 118 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – FINAL recebido pelo contribuinte em 31/05/2010 (AR de fls, 165) , com prazo para apresentação em 7 dias , entre outros documentos, solicitava que o contribuinte apresentasse comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02 : “Prazo: 07 dias Período de apuração: 03/2005 a 12/2007 (...) Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo.” Às fls 187, datado de 07/06/2010, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final consta colacionada pela Autoridade autuante, correspondência da empresa dando conta de que teriam sido atendidas todas as intimações e apresentado toda documentação requerida, inclusive os comprovantes das despesas e custos : (..) Em anexo, a Fiscalizada apresenta os seguintes documentos: Acordos, convenções e dissídios coletivos; Apólices de seguro de vida Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, inclusive para abate de bovinos; Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores; Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminado nas planilhas 01 e 02 que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal n°.Final. Ao ensejo, a Fiscalizada também apresenta as Notas Fiscais de Entrada, o Livro de Registro de ICMS, e os Livros de Registro de Entrada e Saída, relativos à filial de CNPJ/MF n°. 06.128.996/000282. A Fiscalizada esclarece que, na resposta protocolizada perante esta Delegacia Fiscal no dia 19/04/2010, já apresentou os seguintes documentos: Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais, e avulsos); Regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador; Relação Anual de Informações Sociais RAIS; Documentação dos salários família e maternidade; Rescisões de Contrato de Trabalho; Ao final , a fiscalizada informa que não possui contratos e faturas de cooperativas de trabalho e que não possui Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 64 comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, pois a mesma nunca utilizou do benefício do abatimento no IRPJ. Entendendo terem sido prestadas todas as informações e apresentados todos os documentos solicitados, mantemonos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.” DA MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE Colacionado às fls.172, em resposta à correspondência da empresa , sem efetivamente negar que recebera os documentos, datado de 09/06/2010, dois dias depois, consta o Termo de Constatação Fiscal – SN, emitido pela Autoridade autuante com a manifestação abaixo transcrita: 1 Refirome à correspondência dessa empresa datada de 07/06/2010, para informar o seguinte: Toda documentação disponibilizada por esse Contribuinte está sendo analisada pela fiscalização, inclusive a última remessa, dia 07/06/2010. A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise. Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura. Consta, na última correspondência, que foram entregues os regulamentos dos benefícios concedidos aos trabalhadores e rescisões. Essa documentação não foi recepcionada em momento algum pela fiscalização. 2.Desse modo, fica a empresa cientificada, conforme mencionado, que a documentação entregue encontrase sob análise, inclusive que a correspondência datada de 07 de junho foi recebida condicionalmente, não significando que todos os elementos ali mencionados foram realmente entregues e, como citado, apenas no encerramento do procedimento fiscal será possível afirmarse que não houve sonegação de elementos. A documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELÉM” Em 18/06/2010 próximo do encerramento da ação fiscal, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final, a empresa afirma que teria entregue o solicitado. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 34 65 Conforme documento de fls. 486, em 25/06/2010 emitiramse o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF , notificado na forma do AR de 29/07/2010, fls 487. Em razão de que o arbitramento fora efetuado com valores de despesas e custos extraídos da contabilidade da empresa cujos lançamentos fora colocado em dúvidas pela Autoridade autuante, do confronto das sobreditas correspondências duas questões, determinísticas, saltam à luz: A autoridade autuante requereu que fossem apresentados “ Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo”; e A autuada enviou correspondência confirmando que entregara, junto com as demais solicitações, os comprovantes requeridos. É compulsório destacar que na forma de sua correspondência a Autoridade autuante não nega ter recebido a documentação em comento fazendo apenas ressalva de que : “A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise”. No Relatório de Diligência Fiscal, fls 818, em resposta a indagação sobre se a empresa teria entregue toda a documentação conforme afirmara, a Autoridade autuante, não responde diretamente a questão e alegando que a documentação fora entregue, mas não em suas mãos , manifestouse na forma abaixo trnscrita: “2.4. Quanto aos questionamentos sobre apresentação de documentos, a solicitação é transcrita abaixo: 2.4.1 Quando são feitas intimações a contribuintes sob ação fiscal – fato ocorrido no caso aqui analisado é observado no termo fiscal que a documentação deverá ser entregue ao requisitante. O afirmado pode ser observado no Termo de Início e demais intimações feitas à recorrente . 2.4.2 Quando o contribuinte comparece ao Serviço de Fiscalização para atendimento de chamamento fiscal, quesito entrega de documentos, e estando ausente o requisitante, ele é orientado a retornar em outra oportunidade, pois – como mencionado a pessoa hábil para recebimento dos elementos solicitados não se encontra. Em algumas oportunidades, a empresa apenas solicita a dilação do prazo estabelecido no termo fiscal e, nessa situação, o pedido é protocolado na Secretaria do Serviço de Fiscalização – Sefis (..) 2.4.7 Sendo objetivo: a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade no curso da ação fiscal e os documentos omitidos foram devidamente identificados no Relatório de Lançamentos do Auto de Infração Obrigação Principal (campo observações), pelo fato que eles foram considerados como bases de cálculo das contribuições que integram o processo. A fiscalizada, salvo prova em contrário, Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 66 não exibe tais documentos na fase do contencioso (impugnação ou recurso.)” Embora no item 2.4.7 acima se registre que a documentação não fora recebida na totalidade, num dos itens da multicitada correspondência a afirmativa é contraditada na medida em que a afirmação de que os documentos não foram entregues tem assento em mera avaliação visual, verbis: “ Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura” Como se nota, não se comentou sobre o conteúdo das caixas e até mesmo o total recebido foi impreciso posto que avaliado em cerca de 10 pastas, sendo certo que foram entregues no serviço de fiscalização. Chegando neste ponto, não é precipitado afirmar que em razão das intimações para apresentação de documentos terem sido enviadas por Aviso de Recebimento – AR para entrega dos documentos na Receita Federal, é lícito concluir que a ação fiscal, muita embora complexa, não foi presencial. Atuando em duas operações concomitantes a Autoridade autuante iniciou a ação fiscal em 29/03/2010, com encerramento em 25/06/2010. Relevante notar que, sem descontar os dias que foram disponibilizados para apresentação de documentos via correios, em torno de 40 , a hercúlea tarefa foi concluída em 3 meses. Tenho entendimento que processar milhares de documentos em exíguo prazo como alhures afirmara a Autoridade autuante, e ainda prescindindo da presença do contribuinte para eventuais e tempestivos esclarecimentos , tal conjuntura contribuiu de certo modo para comprometer a eficácia da ação fiscal. 07DA SIMULAÇÃO E DA PENALIDADE Nos itens 24/27 e 41 do Relatório Fiscal a Autoridade autuante afirma que os procedimentos da empresa caracterizam SIMULAÇÃO : “24. Verificase que as empresas possuem uma relação com objetivo bem delineado, conforme demonstrado nos itens anteriores: a sonegação de tributos, consubstanciado em contratos de prestação de serviço totalmente inexeqüível e lavrados apenas para ludibriar os órgãos arrecadadores, pois, na realidade as empresas se confundem, são de propriedade de uma mesma pessoa Sr. PAULO AFONSO COSTA que é sócio majoritário das empresas destacadas. 25. Verificase que Ativo e Mafrinorte são administrados por um mesmo grupo de pessoas, Sr. Paulo, Sr. Adelvan, Sr. Carlos Peixoto, Sr. Waldemur,. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 35 67 26. Em outras palavras: uma empresa é constituída com capital irrisório para a área que atua, firma contrato de prestação de serviço com empresa dirigida por seus próprios idealizadores e com objetivo claramente definido: a constituição de um passivo tributário considerável. Com a situação/relacionamento posto em prática pelas empresas, temos que os passivos acumulados pelo Ativo Alimentos afastariam do alcance da Fazenda Nacional o patrimônio da principal interessada na situação aqui constatada: MAFRINORTE. 27. Ocorre, que a legislação tributária tem mecanismo para pôr fim a essa engenharia idealizada pelo Sr. Paulo Costa e auxiliares, pois a organização societária aqui descrita caracteriza a formação de um grupo econômico, fato declarado, nos termos do anexo 22 .” O acima afirmado de que a autuada praticara crime tributário, é reiterado no item 41 do citado relatório: “41. Duas são, portanto, as situações autorizadas pelo CTN, para que se possa fazer incidir a solidariedade: a) Inciso I do art. 124 do CTN (as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal): os "grupos econômicos", justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma interessa às demais, notadamente em se tratando de grupos econômicos de fato, nos quais são identificadas irregularidades administrativas e fiscais, e, justamente em face de tais irregularidades (dissimulação, simulação ou omissão), podese considerar até mesmo que esteja estabelecida a confusão patrimonial entre os integrantes desses grupos, além do fato de que, a prática de ilegalidades, como se verá adiante, determina, por si só, a solidariedade dos contribuintes envolvidos.” De tudo o que acima fora descrito, é relevante notar que a Autoridade fiscal , embora tenha se convencido de ter havido SIMULAÇÃO, não autuou de ofício aplicando as penalidades previstas. Na forma do alhures destacado, a irregularidade descrita no Relatório Fiscal se insere na redação do § 1° do art. 44, dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007: “ Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 68 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007) DA LEI NO 4.502, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964 De acordo com o previsto nos artigos 71, 72 e 73, a ocorrência de crime estariam definidas conforme abaixo : “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. ” DO ART. 142 DO CTN Conforme determina o comando do Parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional ” DA FALTA DE IMPUTAÇÃO LEGAL Na forma da ementa do Acórdão aquo, exortaramse o art. 116 do CTN e decidiramse que houvera simulação: “DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO Diante da situação fática constatada em que a empresa tem como propósito criar uma situação jurídica com vistas à Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 36 69 dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias devidas, aplicase o disposto no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário NacionalCTN.” Na previsão do art. 116, supra, salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1.2001) O brocado “nullum crimen, nulla poena sine lege”, em livre tradução, significa “não pode haver crime, nem pena que não resultem de uma lei prévia, escrita, estrita e certa”. De modo transverso, não tendo sido caracterizado o crime pela não fundamentação legal e ausência de imputação de pena , embora preexista a lei que o defina e as conseqüentes penalidades no caso em comento, tributárias não há que se falar em dissimulação do fato gerador se isto não restar formal, material e legalmente fundamentado. Do que fora encimado, entendo que ementa a quo traduziu decisão em branco posto que não se aperfeiçoou com a penalidade vinculada até porque, não estiveram em questão créditos exigíveis constituídos em razão da natureza jurídica do fato gerador em comento. Cumpre destacar, ainda, que Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, o parágrafo único do sobredito art. 116 admite que autoridade administrativa desconsidere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, entretanto determina que sejam observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Desse modo, embora à meu juízo considere descabida a remissão, a inclusão do parágrafo único ao artigo 116 do CTN, indiferente se provada ou não a infração, restringe a autuação posto que impõe à Autoridade lançadora observar norma específica que permita desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com finalidade de elisão. No caso em comento, no trato das situações de fato e jurídica, a falta de argumentos que culminassem com a devida fundamentação legal bem como a ausência de penalidades vinculadas às hipóteses levantadas, implica perda de toda a eventual essência de imputação criminosa. Assim, sem fundamentação legal e penalidade a ser imputada não há que se falar em dar ou negar provimento ainda que a matéria tenha sido discutida e decidida em sede de impugnação. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 70 Pelas mesmas sobreditas razões, tal conclusão não se presta para sustentar que por este motivo também a contabilidade deva ser desconsiderada. DA CONFISSÃO DE NÃO CONTABILIZAÇÃO Não se pode olvidar o que a autoridade autuante registrou às fls.102, no item 56.7 do seu Relatório o Fiscal que : “ Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior ” Colacionado pela Autoridade autuante, o referido anexo 24, datado de 16/11/2006, encontrase às fls.349/350 e com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra. Cumpre notar que o diálogo ali contido se processa em torno da documentação enviada para a contabilidade que conclui por eventuais retificações de DIEF’S posto que estariam vulneráveis à legislação ESTADUAL nos aspectos de ICM e ainda sobre FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Isto posto, de plano, caberia ter sido verificado junto à empresa, à luz de elementos probantes, mediante intimação informar se teriam realizado as retificações aventadas.Da forma como ficou não se tem notícias se providências foram tomadas e quais. Da atenta leitura do suprareferido documento, faço juízo de que não se vislumbra conluio e tampouco confissão literal de falta de registro na contabilidade. Ressaltese que contribuições previdenciárias não foram motivo do que ali se tratou. Na parte final da correspondência fica claro que se trata de uma resposta a uma proposta de auditoria que a autuada fizera para proceder eventuais correções praticadas: “ Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período ” “Meu Prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraído da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos Ltda, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de 3 setembro de 2004 a outubro de 2006 Neste levantamento em planilhas é possível visualizar com clareza a situação da empresa no que tange os seus encargos no aspecto tributário, tal como: ICMS à razão de 1,8%; bem como o ICMS 3%, sobre as entradas de gado em pé ao valor de pauta fiscal agregado com 30%, conforme estabelece a legislação Estadual para as empresas que não possui a extensão ou não gozam de beneficio fiscal, pelo uso do controle de abate, fílax. Pode ser visto também a real situação do FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Esses quatro últimos claro, em caso do regime de tributação presumida. Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CEOP 1101 e a quantidade de bovinos enviados para ser industrializado através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual . Pois é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 37 71 fiscalização por parte do Estado se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período., lembrando que o período de abril/2006, em diante faz parte dos honorários devidamente pagos,conforme nosso contrato de trabalho verbal firmado com a Ativo Alimentos Ltda, filial Água Azul do Norte. Para o período em questão, ou seja, setembro/2004 a março/2006, correspondente 19(dezenove) meses à razão de l(um) salário mínimo/mês.” DA DISCRIMINAÇÃO CLARA E PRECISA DA INFRAÇÃO Na forma do comando do art. 293 do Decreto 3.048 de 06 de maio de 1.999, “ constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autode infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada verbis: “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. ( Redação dada pelo Decreto n 6.103, de 2007).” Também art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN impõe à autoridade administrativa cumprimento sob o mesmo diapasão, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” ( grifos de minha autoria) MULTA Na hipótese desta Turma não anuir minhas conclusões , cabe ressaltar que embora a Autoridade autuante tenha registrado que procedeu os cálculos observando o Princípio da Retroatividade Benígna , entendo que cometera equívoco posto que o fizera mediante o confronto da multa imputada na forma do art. 35, I, II e III ( multa de mora) versus o art. 35A inovação trazida pela Lei n° 11.941, de 2009, introduzido na Lei 8.212/91 para multa de ofício quando o correto seria apurar o resultado da verificação entre os pressupostos Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 72 do art. 35, I, II e III ( multa de mora), com os do art. 35 ( multa de mora) com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico. "601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mes seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando nao tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, m esmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO" É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. No presente lançamento conforme o registro de fls.22, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD , item 601 ACRESCIMOS LEGAIS – MULTA multa aplicada para a inadimplência dos fatos geradores à época de suas ocorrências teria por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35,I II e III da Lei 8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela redação da Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, verbis: Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 38 73 “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3 do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ( Vide Lei n°9.716, de 1998). MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.Assim, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. DA RETROATIVIDADE BENÍGNA “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 74 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De tudo que foi exposto , entendo que deva dar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO determinando afastar o contribuinte Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária em virtude de erro de identificação do sujeito passivo. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 39 75 Voto Vencedor A decisão da Turma foi por negar provimento ao recurso na questão da preliminar de nulidade. Abaixo apresento razões que motivaram a decisão. Entendo que o lançamento apresenta o tributo lançado de forma analítica e sintética, contém discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das razões e da metodologia de aferição, dos períodos a que se referem, da fundamentação legal, enfim, contém todos elementos previstos no artigo 142 do CTN, isto é, não constato os vícios que poderiam levar à nulidade. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A jurisprudência está consolidada no entendimento de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 76 SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃO CUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. Um dos motivos que o reator apresentou para a nulidade foi o exíguo prazo para a fiscalização analisar a totalidade da documentação, o que “contribuiu de certo modo para comprometer a eficácia da ação fiscal.” Voto do Relator Atuando em duas operações concomitantes a Autoridade autuante iniciou a ação fiscal em 29/03/2010, com encerramento em 25/06/2010. Relevante notar que, sem descontar os dias que foram disponibilizados para apresentação de documentos via correios, em torno de 40 , a hercúlea tarefa foi concluída em 3 meses. Tenho entendimento que processar milhares de documentos em exíguo prazo como alhures afirmara a Autoridade autuante, e ainda prescindindo da presença do contribuinte para eventuais e tempestivos esclarecimentos , tal conjuntura contribuiu de certo modo para comprometer a eficácia da ação fiscal. (grifos no original) Não concordo. Registra o relatório Fiscal que em 2007, a Polícia Federal efetuou uma operação de busca e apreensão na empresa com apreensão de documentos e que parte da documentação analisada no curso da ação fiscal, foi aquela apreendida pela Polícia Federal. Sabe se que o trabalho da fiscalização inicia muito antes da apresentação do Termo de Início de Ação Fiscal ou da apresentação do Mandado de Procedimento Fiscal para ao contribuinte. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 40 77 Considerando que este lançamento é datado de meados de 2010, entendo que houve tempo para a análise dos documentos sem “comprometer a eficácia da ação fiscal”. Relatório Fiscal 2. Parte da documentação analisada no curso da ação fiscal, foi apreendida na Operação Arroba do Departamento de Polícia Federal, procedimento que contou com Mandado de Busca Apreensão, processo ne 2007.3718, expedido pelo Dr. Ronaldo Desterro, Juiz de Direito da Subseção Judiciária de Castanhal (PA), datado de 27/06/2007. Um dos auto de apreensão é acostado a este Autode lnfração (anexo 27). O arbitramento das bases de cálculo está adequadamente motivada e fundamentada pelos vícios na contabilidade, pela falta de respostas às indagações da fiscalização e na demonstração da impossibilidade fática de apenas 1 único funcionário dispender milhões de reais em despesas administrativas (conforme registrado na contabilidade) tais como: combustível e lubrificantes para veículos (R$ 82.909,80 em 07/2005, R$ 119.937,21 em 08/2005), Vestuário (aquisição de 35 calças e 35 camisas em 08/2005), Conservação e limpeza (R$ 10.127,10 em 07/2005, R$ 8.446,77 em 08/2005 (só material)), produtos químicos R$ 9.219,75 em 07/2005, R$ 11.577,72 em 08/2005), equipamentos de proteção individual (R$ 5.712,76 em 07/2005 (inclui 132 pares de botas ), R$ 5.299,28 em 08/2005), material de expediente (R$ 11.138,16 em 07/2005, R$ 12.725,44 em 08/2005), etc. O próprio Termo de Intimação Fiscal n º Final – Complementar deixa claro que o não atendimento das intimações poderia resultar em lançamento por arbitramento. Relatório Fiscal 56. As bases de cálculos apropriadas neste crédito previdenciário foram obtidas por arbitramento. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos subitens seguintes. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). ... Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 78 § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 56.1. A empresa deixou de apresentar as notas fiscais de entrada e do produtor referentes ao estabelecimento localizado no município de Bacabal (MA); 56.2. Houve a não apresentação de todos os documentos de despesas, mesmo a empresa regularmente intimada, como ocorre no termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06). A fiscalizada apenas solicitou prorrogação de prazo, porém nada apresentou até o encerramento da ação fiscal. 56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05). 56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários. 56.5. As notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Água Azul do Norte (PA) também foram apresentadas de forma incompleta, fato confirmado quando se comparam os totais mensais dos abates constantes nas notas analisadas pela fiscalização e as totalizações obtidas a partir dos mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura (anexos 12 e 13); 56.6 Outro ponto que demonstra que a escrita contábil não registra a real movimentação da empresa é que para os anos de 2005 e 2006 ela mantém apenas um vínculo empregatício, porém registra as mais diversas despesas (combustível, material de expediente, despesas com veículos, viagens, conservação e limpeza, etc...), conforme se verifica nos razões (anexo 29). Essas despesas possuem valores consideráveis, como ocorre com combustíveis e manutenções de veículos. Perguntase: quem dirige os utilitários? Nada a se falar em prestação de serviço (a empresa foi intimada a apresentar contratos e notas fiscais, disponibilizando apenas um ajuste para abate e afirmando que não há mais contratos). Então, como justificar as despesas mencionadas que totalizam milhões? Ela, a fiscalizada, foi intimada a justificar o fato, termo de intimação fiscal final complementar (anexo 06), porém se absteve completamente de esclarecer a inconsistência. É de se perguntar novamente: Como Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 41 79 se justificam os dispêndios? De que forma a empresa pode estar plenamente ativa com faturamento de superior a cento e cinqüenta milhões de reais com apenas um segurado? Voltamos a insistir no fato que os contratos de prestações de serviços referemse ao abate de animais (industrialização) não englobando as demais etapas do processo produtivo da empresa, como faturamento, contabilidade, vigilância, distribuição, vendas, controles internos, etc... 56.7. Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior e) Há uma correspondência de TIÃO CONTABILIDADE, CRCGO 5043 TPA, CPF 168.656.50115, datada de novembro de 2006, anexo 24, DIRIGIDA a Ativo Alimentos de Água Azul do Norte (PA), AT. Sr. José Antônio Barboza, constando o seguinte: Meu prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraídos da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de setembro de 2004 a outubro de 2006. (...) (...). Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CFOP 1101 e a quantidade de bovinos enviado para ser industrializado, através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual. Pois, é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado, se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela 57. Outro ponto destacado referese ao plano geral de contas que foi apresentado de forma sintética. A empresa foi intimada a apresentar o plano analítico, porém se absteve. Termo de Intimação Fiscal n º Final Complementar 1 Para o período objeto da ação fiscal, esse contribuinte declara (anos 2005 a 2006) de apenas um vínculo empregatício. Porém, analisando a escrituração contábil desse período, observase que a empresa opera de forma normal, com destacado faturamento o apropriação das mais diversas despesas (manutenções de veículos e predial, combustível para veículos, depreciação, equipamentos de proteção individual, gasto com alimentação, despesas com viagens, e t c ). No entendimento da fiscalização, as despesas são incompatíveis com o quadro funcional e com a inexistência (na análise da contabilidade) de bens móveis e imóveis que integrem o Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 80 patrimônio da empresa, inclusive a própria sede da empresa até novembro de 2006 é uma sala comercial. 2 Analisando os contratos de prestação de serviços apreendidos pelo Departamento de Policia Federal, no curso da Operação Arroba, identificamos tão somente contratos celebrados com Mafrinorte Mat. Frig. do Norte que têm por objeto abates de bovinos e bubalinos, despesas todas por conta da prestadora (Mafrinorte), exceto embalagens. 3 Dessa forma, a empresa deverá justificar documentalmente todas as despesas lançadas na escrita contábil (anos 2005 a 2006), haja vista que até a presente data foram disponibilizadas apenas folhas de pagamento, notas fiscais de entrada da matriz, GPS e GFIP . 4 Eventuais contratos de prestação de serviços ou de cessão de mãodeobra (empresa já foi intimada diversas vezes, porém negase a apresentar a documentação) deverão ser apresentados acompanhados das notas fiscais. 5 A empresa deverá apresentar os planos gerais de contas analíticos 2005 a 2007 , haja vista que há dificuldade na identificação das despesas entre matriz e filiais, além do fato que o plano que consta no arquivo digital do ano do 2007 (único ano apresentado) não é suficiente para uma correta análise. 6 Os demais comprovantes contábeis custos industriais e despesas administrativas deverão ser disponibilizados, referentes ao ano 2007, pois a documentação apresentada até o momento está incompleta. 7 Mais uma vez, fica a empresa intimada a apresentar a relação dos bens móveis e imóveis integrantes do imobilizado. 8 A empresa deverá justificar as despesas constantes da planilha anexa, juntando os comprovantes contábeis. 9 O contribuinte fica cientificado que a não apresentação dos elementos poderá ensejar o lançamento por arbitramento, haja vista que foram identificadas diversas despesas sem a identificação dos beneficiários. A metodologia para a aferição das bases de cálculo está clara e entendo coerente. 58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. 59. No relatório de lançamentos anexo do AIOP são discriminados todos os lançamentos considerados na apuração Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 42 81 deste crédito, informandose os detalhes das importâncias consideradas como fatos geradores das contribuições. Para a questão da entrega da totalidade da documentação, consta informação que o AIOA DEBCAD 37.299.9093 foi constituído em razão da empresa não exibir documentos solicitados pela fiscalização; o Relatório de Diligência Fiscal reafirma que “ a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade no curso da ação fiscal”. Também o Termo de Constatação Fiscal registra que determinada documentação que o contribuinte diz ter apresentado “Essa documentação não foi recepcionada em momento algum pela fiscalização.”, que “Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura.” Termo de Constatação Fiscal No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e com base no inciso III do art. 32 e nos § 1° e 2º do art. 33, ambos da Lei n° 8.212/1991 e nos art. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, fica o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a apresentar, sob pena de autuação, nos prazos respectivos, os elementos discriminados abaixo: Prazo: conhecimento Período de apuração: 03/2005 a 12/2007 1. Refirome à correspondência dessa empresa datada de 07/06/2010, para informar o seguinte: Toda documentação disponibilizada por esse Contribuinte está sendo analisada pela fiscalização, inclusive a última remessa, dia 07/06/2010. A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise. Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 82 com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura. Consta, na última correspondência, que foram entregues os regulamentos dos benefícios concedidos aos trabalhadores e rescisões. Essa documentação não foi recepcionada em momento algum pela fiscalização. 2.Desse modo, fica a empresa cientificada, conforme mencionado, que a documentação entregue encontrase sob análise, inclusive que a correspondência datada de 07 de junho foi recebida condicionalmente, não significando que todos os elementos ali mencionados foram realmente entregues e, como citado, apenas no encerramento do procedimento fiscal será possível afirmarse que não houve sonegação de elementos. A documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELÉM Os esclarecimentos solicitados deverão ser feitos por escrito, devidamente assinados, acompanhados, quando for o caso, da respectiva documentação. O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal utilizando o aplicativo Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo. Relatório de Diligência Fiscal 2.4.7 Sendo objetivo: a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade no curso da ação fiscal e os documentos omitidos foram devidamente identificados no Relatório de Lançamentos do Auto de Infração Obrigação Principal (campo observações), pelo fato que eles foram considerados como bases de cálculo das contribuições que integram o processo. A fiscalizada, salvo prova em contrário, não exibe tais documentos na fase do contencioso (impugnação ou recurso). CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso na questão da preliminar de nulidade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14337.000211/201035 Acórdão n.º 2403002.743 S2C4T3 Fl. 43 83 Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13971.721204/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA.
Deve ser mantido o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), cujo levantamento foi realizado mediante a utilização dos VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, mormente, quando o contribuinte não comprova e nem demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. Deve ser mantido o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), cujo levantamento foi realizado mediante a utilização dos VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, mormente, quando o contribuinte não comprova e nem demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 12 04 /2 01 1- 11 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.721204/201111 Acórdão n.º 2202002.829 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, RUI ALTENBURG, foi lavrada a Notificação de Lançamento, mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2008, no valor total de R$ 1.238.357,59, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o nº 3.680.6455, localizado no município de Benedito Novo SC. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa parcial da área de preservação permanente e de reserva legal e da alteração do valor da terra nua. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. O interessado apresentou a impugnação de f. 25/37. Em síntese, alega que atendeu à intimação fiscal, disponibilizando à autoridade todos os documentos solicitados, à exceção do Laudo Técnico de Avaliação. Argumenta que os valores constantes da Notificação de Lançamento estão muito acima da realidade do imóvel. Afirma que não pode pagar imposto sobre área que está impedido de explorar. Solicita seja deferido o depoimento pessoal e a produção posterior de provas.. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei nº 4.771/1965 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei nº 7.803/1989. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para que fosse trazido o extrato do SIPT. O referido extrato foi acostado as fls.95. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.721204/201111 Acórdão n.º 2202002.829 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2004 e 2005, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/RPPN glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal. A autoridade recorrida ao comentar sobre o caso concreto, assim comenta: A partir do exercício de 2007, o ADA deve ser apresentado anualmente, conforme dispõe o art.9º da Instrução Normativa IBAMA nº 76, de 31 de outubrode 2005. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.721204/201111 Acórdão n.º 2202002.829 S2C2T2 Fl. 5 7 No que se refere à área de preservação permanente, ainda, é necessário que o contribuinte faça prova, quando intimado, da efetiva existência da referida área. Na atividade de revisão interna das declarações, pode a autoridade exigir a apresentação de elementos de prova necessários a firmar a convicção da veracidade das informações prestadas pelo contribuinte. Assim, não estando suficientemente especificadas as áreas de preservação permanente, pode ser exigido o laudo Técnico para que a fiscalização esteja convicta do teor de verdade das informações constantes da DITR. O ADA não é o único documento exigido para comprovar a área de preservação permanente, sendo necessário laudo técnico, que discrimine as áreas que possuem as características previstas na Lei nº 4.771/65 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei nº 7.803/1989, haja vista que a pretendida isenção sobre áreas de preservação permanente pressupõe que as áreas assim declaradas subsumamse ao conceito legal previsto nos artigos supramencionados do Código Florestal. No ADA do Exercício 2008 (f. 18), foi informado, apenas um quantitativo de 1.000,0 ha, a título de preservação permanente. Entretanto, conforme Laudo apresentado pelo contribuinte, a área de preservação permanente do imóvel corresponde a 461,8 há (anexado à f. 15), sendo esta a área aceita no lançamento. Não foi informada área de reserva legal ou outra área isenta no referido ADA, não sendo possível aceitar nenhuma isenção além do que já foi considerado no lançamento. Isto posto não há reparos a fazer na decisão autoridade recorrida, desse modo é de se negar provimento nesta parte. DO VTN Quanto à discussão em torno do VTN. sabese que os dados constantes do SIPT são genéricos para a região, e alimentados em grande parte por informação de outros órgãos e também pelas Prefeituras, mas sempre de forma agregada. Ocorre entretanto que o recorrente, smj, não apresentou laudo que atenda as especificações apontadas pela norma. Ao tratar do matéria assim se pronunciou a autoridade recorrida: Dispõe o § 2º do art. 8º da Lei 9.393/96 que “o VTN refletirá o preço de= mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado.” Frisese, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo anteriormente citado (Lei nº 9.393, art. 14). O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.3.5, alínea “b”, da NBR 14653 3, que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1º de janeiro de 2008). Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT. Não há, portanto, como alterar o valor da terra nua apurado no lançamento. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase de acordo com a legislação que rege a matéria. Deste modo, entendo que não demonstrada a existência de eventuais características particulares desvantajosas que desvalorizem o imóvel, prevalecem os valores constantes do SIPT Sistema de Preços da Terra. Acrescentese por pertinente que no documento de fls. 95 indicase os critérios para cálculo do VTN médio, incluindo ali a aptidão agrícola. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua para fins de apuração do ITR, o artigo 8º, da Lei nº 9.393, de 1996, determina que ele refletirá o preço de mercado de terras apurado no dia 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. Uma vez que não foi apresentado pelo recorrente Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT. Não há, portanto, como alterar o valor da terra nua apurado no lançamento. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.721204/201111 Acórdão n.º 2202002.829 S2C2T2 Fl. 6 9 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10980.725765/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. APURAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTÁVEL. RECOMPOSIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. FATOS PRETÉRITOS. ALTERAÇÕES.
Na recomposição de prejuízos fiscais, pode a autoridade fiscal lançadora levar em conta valores que, a despeito de terem produzido efeitos próprios em período já atingidos pela decadência, pela sua natureza, são computados no cálculo de valores cuja repercussão tributária se dá no futuro. Entretanto, não pode o fisco, utilizando-se dessa possibilidade, transferir para exercícios futuros, ainda que indiretamente, exações já atingidas pela decadência. Assim, dispondo o contribuinte, em cada ano, de estoque de prejuízos fiscais suficiente à compensação declarada em sua DIPJ, tornando desnecessária a utilização de prejuízos objetos de contencioso fiscal, e não existindo na DIPJ qualquer indicação de que a compensação envolveu os prejuízos controversos, há que se entender que a compensação foi implementada com os prejuízos consistentes.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO EXERCÍCIO OU EXERCÍCIO PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE.
A faculdade para pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio a acionista ou sócio deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, não incluindo juros incidentes sobre o Patrimônio Líquido de anos anteriores, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência.
ÁGIO I. REQUISITO PARA A ESCRITURAÇÃO DE ÁGIO COM FUNDAMENTO EM RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. O lançamento relativo à constituição de ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá estar lastreado deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Inexistindo tal comprovante, não se admite que eventual ágio escriturado esteja fundamentado na presumível rentabilidade futura da investida.
ÁGIO II. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E ÁGIO INTERNO. Na medida em que a contribuinte resumiu a um único lançamento contábil duas distintas operações societárias, cumpria-lhe minimamente provar que na operação de subscrição de aumento de capital houve apuração de ágio fundamentado em rentabilidade futura. Demais disso, para amortização fiscal do eventual ágio apurado, deveria ser demonstrado que a operação foi realizada entre partes independentes, dado ser inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem o pagamento de preço.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1101-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à dedução de juros sobre capital próprio, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às amortizações de ágio, votando pelas conclusões da divergência o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, e restando vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada concomitante com a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Nara Cristina Takeda Taga e Benedicto Celso Benício Junior, designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. APURAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTÁVEL. RECOMPOSIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. FATOS PRETÉRITOS. ALTERAÇÕES. Na recomposição de prejuízos fiscais, pode a autoridade fiscal lançadora levar em conta valores que, a despeito de terem produzido efeitos próprios em período já atingidos pela decadência, pela sua natureza, são computados no cálculo de valores cuja repercussão tributária se dá no futuro. Entretanto, não pode o fisco, utilizando-se dessa possibilidade, transferir para exercícios futuros, ainda que indiretamente, exações já atingidas pela decadência. Assim, dispondo o contribuinte, em cada ano, de estoque de prejuízos fiscais suficiente à compensação declarada em sua DIPJ, tornando desnecessária a utilização de prejuízos objetos de contencioso fiscal, e não existindo na DIPJ qualquer indicação de que a compensação envolveu os prejuízos controversos, há que se entender que a compensação foi implementada com os prejuízos consistentes. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO EXERCÍCIO OU EXERCÍCIO PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio a acionista ou sócio deve ser exercida no ano-calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, não incluindo juros incidentes sobre o Patrimônio Líquido de anos anteriores, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. ÁGIO I. REQUISITO PARA A ESCRITURAÇÃO DE ÁGIO COM FUNDAMENTO EM RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. O lançamento relativo à constituição de ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá estar lastreado deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Inexistindo tal comprovante, não se admite que eventual ágio escriturado esteja fundamentado na presumível rentabilidade futura da investida. ÁGIO II. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E ÁGIO INTERNO. Na medida em que a contribuinte resumiu a um único lançamento contábil duas distintas operações societárias, cumpria-lhe minimamente provar que na operação de subscrição de aumento de capital houve apuração de ágio fundamentado em rentabilidade futura. Demais disso, para amortização fiscal do eventual ágio apurado, deveria ser demonstrado que a operação foi realizada entre partes independentes, dado ser inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem o pagamento de preço. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. APURAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTÁVEL. RECOMPOSIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. FATOS PRETÉRITOS. ALTERAÇÕES. Na recomposição de prejuízos fiscais, pode a autoridade fiscal lançadora levar em conta valores que, a despeito de terem produzido efeitos próprios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 65 /2 01 0- 01 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 3 2 em período já atingidos pela decadência, pela sua natureza, são computados no cálculo de valores cuja repercussão tributária se dá no futuro. Entretanto, não pode o fisco, utilizandose dessa possibilidade, transferir para exercícios futuros, ainda que indiretamente, exações já atingidas pela decadência. Assim, dispondo o contribuinte, em cada ano, de estoque de prejuízos fiscais suficiente à compensação declarada em sua DIPJ, tornando desnecessária a utilização de prejuízos objetos de contencioso fiscal, e não existindo na DIPJ qualquer indicação de que a compensação envolveu os prejuízos controversos, há que se entender que a compensação foi implementada com os prejuízos consistentes. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO EXERCÍCIO OU EXERCÍCIO PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio a acionista ou sócio deve ser exercida no anocalendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, não incluindo juros incidentes sobre o Patrimônio Líquido de anos anteriores, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. ÁGIO I. REQUISITO PARA A ESCRITURAÇÃO DE ÁGIO COM FUNDAMENTO EM RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. O lançamento relativo à constituição de ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá estar lastreado deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Inexistindo tal comprovante, não se admite que eventual ágio escriturado esteja fundamentado na presumível rentabilidade futura da investida. ÁGIO II. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E ÁGIO INTERNO. Na medida em que a contribuinte resumiu a um único lançamento contábil duas distintas operações societárias, cumprialhe minimamente provar que na operação de subscrição de aumento de capital houve apuração de ágio fundamentado em rentabilidade futura. Demais disso, para amortização fiscal do eventual ágio apurado, deveria ser demonstrado que a operação foi realizada entre partes independentes, dado ser inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem o pagamento de preço. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 4 3 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à dedução de juros sobre capital próprio, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às amortizações de ágio, votando pelas conclusões da divergência o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, e restando vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada concomitante com a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Nara Cristina Takeda Taga e Benedicto Celso Benício Junior, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício e aos juros de mora, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 5 4 JOSÉ RICARDO DA SILVA – Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório KRAFT FOODS BRASIL S/A, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 33.033.028/000184, com domicílio fiscal na cidade de Curitiba PR, Estado Paraná, à Rua Av. Presidente Kennedy, nº 2511 Bairro Água Verde, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 970/1006, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1020/1068. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, em 20/12/2010, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 569/618), com ciência pessoal, em 22/12/2010 (fls. 570), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 289.995.375,45, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição, acrescidos da multa de ofício normal de 75%; da multa isolada de 75%; dos juros isolados e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao período relativo aos exercícios de 2006 a 2010, correspondente aos anoscalendário de 2005 a 2009, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INSUFICIÊNCIA NOS SALDOS DE PREJUÍZOS A COMPENSAR: Insuficiência no saldo de prejuízos fiscais a compensar nos anoscalendário de 2008 e 2009, decorrente de incorreções encontradas no controle dos mesmos e do lançamento das infrações constatadas nos anoscalendário de 2005 a 2009, por meio deste auto de infração. Infração capitulada nos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR, de 1999. 2 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO: Ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor correspondente à parcela do benefício fiscal (34%) contabilizada, a título de ágio, como despesa na apuração do resultado dos anoscalendário de 2005 a 2009. Infração capitulada no art. 249, inciso I, c/c os Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 6 5 arts. 299, 324, §§ 2º e 4º e 324, §§ 2º e 4º e 325, todos do RIR, de 1999; art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249, de 1995. 3 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCESSO DE JUROS PAGOS OU CREDITADOS A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO: Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do excesso dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, face à constatação de que o valor deduzido supera o limite dedutível estabelecido na legislação em vigor. Infração capitulada no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 249, inciso I, e 347, do RIR, de 1999. 4 EXCLUSÕES / COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS: Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores contabilizados a título de ágio, como despesa na apuração do resultado dos anos – calendário de 2005 a 2009. Infração capitulada no art. 250, inciso I, do RIR, de 1999. 5 MULTAS ISOLADAS. MULTA ISOLADA PELA INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Insuficiência no pagamento do IRPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, referente aos respectivos meses dos anoscalendário de 2005 a 2009. Infração capitulada nos arts. 222 e 843 do RIR, de 1999 c/c art. 44º, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14º da Medida Provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966. 6 JUROS ISOLADOS. JUROS ISOLADOS PELA INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Insuficiência no pagamento do IRPJ, incidente sobre a base de calculo estimada em função da receita bruta e acréscimo e/ou balanços de suspensão ou redução, referente aos respectivos meses dos anoscalendário de 2005 a 2009. Infração capitulada nos arts. 843 e 953 do RIR, de 1999; art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal e Esclarecimento (fls. 619/640), entre outros, os seguintes aspectos: que, no que diz respeito aos juros sobre capital próprio pagos nos anos calendário de 2008 e 2009, é de se dizer, que segundo os documentos e informações apresentados pela KFB (docs. XRazão JCP TJLP 2008despesaparte e XIXarq JCP ago2010/todas plan), constatamos que o valor de R$ 140.000.000,00 (cento e quarenta milhões de reais) pago a título de JSCP, em setembro de 2008, foi calculado com base na Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre os resultados dos anoscalendário de 2003, 2006, 2007 e 2008, tal como registrado na contabilidade da empresa, tendo a seguinte composição: ANO – CALENDÀRIO JSCP PAGOS EM SET/2008 (R$) 2003 (parte) 44.537.903,24 2006 50.255.708,44 2007 31.769.961,37 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 7 6 2008 (parte) 13436.426,95 TOTAL 140.000.000,00 que ressaltamos que o sujeito passivo nos informou em 20/07 que ainda possuía um saldo de JSCP, que foi pago após 2008, relativamente a outros anoscalendário, conforme demonstrado no quadro abaixo: ANOCALENDÁRIO JSCP A DISTRIBUIR (R$) 2003 26.531.194,44 2004 60.997.208,61 2005 22.471.596,94 TOTAL 110.000.000,00 que nos esclarecimentos e documentos apresentados e em auditoria dos livros contábeis da KFB, constatamos que não houve pagamentos nem créditos a título de JSCP durante os anos – calendário de 2005, 2006 e 2007; observamos tal pagamento somente em setembro de 2008; que desta maneira, o simples cálculo extracontábil dos JSCP relativos aos anos – calendário de 2003 (parte), 2006 e 2007 é inócuo para fins tributários, uma vez que não houve, por opção da fiscalizada, confirmada em sua contabilidade, quaisquer pagamentos ou créditos de JSCP no período de 2005 a 2007 por nós verificado. Portanto, quaisquer pagamentos ou créditos de JSCP relativos a tais períodos deveriam ter sido efetivados durante os respectivos períodos de apuração, no caso da KFB, anualmente; que vale a pena ressaltar que os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) retido na data do pagamento ou crédito. Assim, fica patente a caracterização da disponibilidade econômica ou jurídica de renda para o beneficiário dos JSCP, seja pessoa jurídica ou pessoa física, o que não ocorre com o mero cálculo extracontábil dos JSCP e de seus limites de dedutibilidade fiscal; que durante o envolvimento dos trabalhos de auditoria, recebemos a informação da KFB que a empresa havia também procedido ao pagamento/crédito de JSCP durante o ano de 2009, relativamente a saldos remanescentes de exercícios anteriores, de acordo com deliberações aprovadas em assembléia e registrada em ata e devidamente contabilizadas; que quando da análise dos documentos solicitados, observamos que foi empregada a mesma metodologia utilizada no pagamento efetuado em 2008, ou seja, restou igualmente evidente que o sujeito passivo tinha conhecimento da forma de cálculo dos limites para dedutibilidade dos JSCP ao aproveitar R$ 26.531.194,44 do limite de R$ 71.069.097,68 referente ao ano de 2003, um montante de R$ 60.997.208,6 do limite de R$ 85.623.529,21 referente ao ano de 2004 e de R$ 22.471.596,95 do limite de R$ 79.973.118,83 para o ano de 2005, totalizando o valor de R$ 110.000.000,00, pago em duas parcelas, sendo uma em maio/2009, no valor de R$ 80.000.000,00 e outra em setembro/2009, no valor de R$30.000.000,00; que, no que diz respeito ao ágio – despesa oriunda de reestruturação societária, é de se dizer, que em janeiro de 2004 a fiscalizada, através de uma reestruturação societária, aumentou por meio de lançamentos contábeis (demonstrados adiante), seu Ativo Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 8 7 Permanente e seu Patrimônio Líquido no valor de R$ 167.255.380,80, sem ocasionar aumento no resultado tributável (Lucro Líquido e Lucro Real). Tal fato se deu levando em conta o resultado dos Ágios provenientes de duas reorganizações societárias promovidas pela empresa, sendo uma realizada no anocalendário de 2000 é outra efetivada no anocalendário de 2002, doravante denominados de Ágio I e Ágio II; que observamos que nesta reestruturação societária houve aumento do capital social da Kraft Lacta Suchard do Brasil S.A. (a KLSB), CNPJ n° 57.003.881/000111, no valor de R$ 392.900.000,00 (trezentos e noventa e dois milhões de reais), mediante a emissão de 6.083.099.882 (seis bilhões, oitenta e três milhões, noventa e nove mil, oitocentas e oitenta e duas) ações ordinárias nominativas da KLSB, sendo que R$ 391.591.618,60 (trezentos e noventa e um milhões, quinhentos e noventa e um mil, seiscentos e dezoito reais e sessenta centavos) subscritas por Jacobs Suchard do Brasil Ltda. (a JSB), CNPJ n° 43.830.314/000124, e por ela integralizada mediante a conferência de direito de crédito de sua titularidade perante a própria KLSB; que a partir de fevereiro de 2004, a autuada passou a reduzir esse valor contabilizado no seu ativo permanente em 60 parcelas mensais, divididas em dois valores líquidos, sendo R$ 1.134.280,30, relativo à conta “Ágio Pago JSB Lacta” e R$ 1.653.309,38, relativo à conta “Ágio Pago JSB PAFER”. Adiciona que, em assim agindo, minorou seu lucro líquido, lucro real e base de cálculo da CSLL entre fevereiro de 2004 e janeiro de 2009, em R$ 167.255.380,70, reduzindo assim seu IRPJ e CSLL, via “Outras Exclusões” no LALUR, mais o valor de R$ 56.866.829,45, lançado como despesa (Outros Encargos – Amortização de Ágio). Segundo a fiscalização, em ambos os casos não houve pagamento pelas quotas de capital, tampouco pagamento (custo) pelo ágio gerado no negócio; e todas as empresas pertenciam ao mesmo grupo societário; que, no que diz respeito à glosa de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas indevidamente compensados, é de se dizer, que em decorrência dos lançamentos efetuados, tornouse necessário ajustar no Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário Sapli os saldos a serem compensados, tanto dos prejuízos fiscais, quanto das bases negativas da CSLL. Antes de iniciar os procedimentos respectivos, a fiscalização observou que os saldos nele consignados não eram compatíveis com as compensações apresentadas pela autuada em sua DIPJ, referente ao anocalendário de 2008. Diante da divergência, descobriu no Sapli a existência de autuação da empresa Pafer (posteriormente incorporada pela KFB), relativa ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 1997, lavrada em 17/09/2001 (PAF nº 15374.003791/200148). O efeito dessa autuação, após decisão da DRJ/RJ01, reduzia o valor do saldo de prejuízos fiscais, ao final do ano de 1997, para R$ 37.549.270,28. Contudo, os registros do Sapli não foram devidamente atualizados. Assim, após as retificações cabíveis, a fiscalização constatou que o saldo de prejuízos fiscais da autuada fora integralmente consumida na compensação realizada em 2008. Por essa razão, os valores compensados nos anoscalendário de 2008 e 2009 foram corrigidos e foram glosadas as compensações consideradas indevidas. Em sua peça impugnatória de fls. 717/770, instruída pelos documentos de fls. 771/796, apresentada, tempestivamente, em 20/01/2011, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 9 8 que a impugnante teve lavrados contra si 3 (três) Autos de Infração, cuja soma ascende à formidável importância de R$ 289.995.375,45 (duzentos e oitenta e nove milhões, novecentos e noventa e cinco mil e setenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos); que, no que diz respeito à preliminar de violação do devido processo legal, é de se dizer, que não estando o presente processo administrativo devidamente fundamentado, a partir de provas e motivação inteligível, a Impugnante não pode ser obrigada a realizar prova de impossível concretização, cabendolhe, tão somente, arguir que a ocorrência do fato gerador não está comprovada nos autos, consoante, também, precisa lição de Marco Aurélio Greco para o qual o ônus do contribuinte "não é o de produzir prova negativa ou prova impossível, mas sim o de demonstrar que a exigência feita padece de vícios, dentre os quais pode se encontrar o de não ter a Administração realizado prova suficiente da ocorrência do fato gerador do tributo (...) Não cabe ao contribuinte provar a inocorrência do fato gerador, incube ao fisco, isto sim, demonstrar sua ocorrência. Também por essa via, bem de se ver, é nítida a mágoa imposta ao "devido processo legal" e ao direito de ampla defesa da Impugnante; que se revela inviável "in casu” a cobrança pretendida nas autuações a título de suposta compensação indevida de prejuízos fiscais e bases e cálculo negativas da CSLL, haja vista que a parcela tida como “a maior” do aludidos prejuízos fiscais e bases negativas da CCL remonta ao longínquo ano de 1997, e foi utilizada para compensar a maior parte dos resultados da Impugnante de 2003 e 2004 como se evidencia não apenas do quadro elaborado pelos fiscais no Termo de Verificação e Encerramento da Fiscalização (item 148 tabelas I a III), mas, sobretudo, pelo demonstrativo elaborado pela Impugnante (doc. Anexo 04), suportado pelas cópias de seus livros contábeis e fiscais, tendose operado a decadência do direito de a Fazenda revisar o lançamento tributário, já definitivamente homologado; que, no que diz respeito à preliminar de nulidade das autuações relativas à dedução dos Ágios, considerando a violação, pelos lançamentos, dos art. 112 e 142, do CTN, e 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, em face da inexistência de demonstração das supostas infrações alegadas, é de se dizer, que no curso da fiscalização, apresentou documentos que confirmam não apenas o seu entendimento de serem dedutíveis as despesas das parcelas dos ágios, mas, sobretudo os fundamentos econômicos e os propósitos negociais da impugnante, surgidos espontaneamente em processo de reorganização societária. Tece avultadas considerações em sustentação à tese sintetizada no título acima, trazendo à colação excertos doutrinários e jurisprudenciais; que, no que diz respeito à preliminar de decadência do direito de lançar a suposta diferença tributária decorrente da alegada ‘indevida compensação a maior de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL’ originadas de saldos iniciais registrados em 1997, é de se dizer, que encontrase extinto pela decadência o direito de a Fazenda Nacional exigir o crédito tributário, já que decorridos mais de 5 (cinco) anos entre os lançamentos tributários do IRPJ e da CSLL dos anoscalendários de 2003 e 2004 e a data de intimação das autuações em foco (22/12/2010); que é inviável a cobrança a título de suposta compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, haja vista que a parcela tida como ‘a maior’ dos aludidos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL remonta ao longínquo ano de 1997, e foi utilizada para compensar a maior parte dos resultados da impugnante de 2003 e 2004, como se evidencia não apenas do quadro elaborado pelos autuantes (item 148, tabelas I a III), mas, sobretudo, pelo demonstrativo elaborado pela impugnante (doc. Anexo 04) suportado Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 10 9 pelas cópias de seus livros contábeis e fiscais, tendo se operado a decadência do direito de a Fazenda revisar o lançamento tributário, já definitivamente homologado; que o critério utilizado pelo autuante para recompor seus saldos de prejuízos e bases negativas contorna, por vias canhestras, a questão decadencial. Acrescenta que a enfermidade desse critério parte do princípio de que, diante da existência de prejuízos de diversos períodos, o contribuinte compensa os mais recentes, em desfavor dos mais antigos, numa insólita inversão da ordem das coisas, exatamente a ordem que, em diversas manifestações, as próprias autoridades administrativas mandam respeitar; que em 2001 foi autuada (auto para reduzir prejuízo), tendo sido questionada, nessa impugnação, parcela dos prejuízos fiscais existentes em 1997; que, nos exercícios seguintes, em função de o auto de infração se encontrar pendente de julgamento, continuou compensando os prejuízos, sem considerar a parcela reduzida na autuação. Por esse motivo, a maior parte dos prejuízos, incluindo a parcela contestada, teria sido compensada nos períodosbase de 2003 e 2004; que, em 2005, o lançamento mencionado foi julgado procedente e mantido em definitivo na esfera administrativa, mas nenhuma providência foi adotada pela União, devido ao fato de a autuação não ter implicado o pagamento de tributo; que, para fins do lançamento discutido nestes autos, o autuante, em vez de atribuir efeitos ‘ex tunc’ à decisão prolatada naquele processo – desconsiderando o prejuízo contestado na data em que foi apurado – promoveu insólita redução do montante dos prejuízos fiscais mais recentes, especialmente no próprio períodobase da decisão, ou seja, no ano de 2005, estabelecendo dessarte um novo ‘dies a quo’ para contagem do prazo decadencial, com reflexos nos períodos de 2006 e 2007, quando das compensações realizadas com esses prejuízos reduzidos; que, tendo sido constatada a decadência do direito de a Fazenda hostilizar as compensações realizadas antes de 2005 coma parcela desconsiderada de prejuízos, os autuantes atribuíram efeitos ‘ex nunc’ àquela decisão, para, dessa forma, contornar a perda do direito. Como consequência disso, sacrificou os prejuízos presentes em benefício dos anteriores, como se fosse essa a ordem natural de compensação deles que tal expediente não pode ser tolerado, seja por se encontrar desamparado por qualquer fundamento, seja por não ser admissível que prejuízos glosados sejam compensados com a redução de outros prejuízos. Considera extinto pela decadência o direito de o Fisco exigir o crédito tributário, já que decorridos mais de 5 (cinco) anos entre os lançamentos tributários do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004 e a data de intimação das autuações em foco (22/12/2010); que, no que diz respeito aos Juros sobre capital próprio. Observância integral dos limites do art. 9º, da Lei nº 9.249/95. Legítima dedução da TJLP para períodos pretéritos é de se dizer, que como informado pela Impugnante e reconhecido no Termo de Verificação e Encerramento da Fiscalização, os montantes de JSCP acima referidos foram calculados levandose em consideração a aplicação das variações da TJLP de exercícios anteriores às datas de efetivo pagamento, sobre o patrimônio líquido da Impugnante existente para cada um dos períodos de 2003 a 2008; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 11 10 que no entendimento deles, todavia, como não foram pagos nem creditados JSCP nos anos de 2005, 2006 e 2007, concluíram que a Impugnante deduziu valores àquele título (JSCP) que.teriam superado o limite de dedutibilidade estabelecido no artigo 9° da Lei 9.249/95, e, mais, que teria sido violado o regime de competência previsto no artigo 29 da Instrução Normativa SRF 11/1996. Em síntese, os i. auditores fiscais não reconhecem a possibilidade de dedução fiscal das variações da TJLP, aplicadas sobre o patrimônio líquido da sociedade para períodos pretéritos, ainda que o lucro no período de pagamento da aludida remuneração aos acionistas seja correspondente ou superior a duas vezes o próprio montante dos JSCP, cormo no caso presente; que os autuantes não reconhecem a possibilidade de dedução fiscal das variações da TJLP, aplicadas sobre o patrimônio líquido da sociedade para períodos pretéritos, ainda que o lucro no período de pagamento da aludida remuneração aos acionistas seja correspondente ou superior a duas vezes o próprio montante dos JSCP; que o art. 9º, caput, e parágrafo 1º, da Lei nº 9.249, de 1995, estabelece apenas dois limites para a dedutibilidade dos JSCP: a) que sejam calculados sobre o valor do patrimônio líquido da sociedade, limitada à variação da TJLP, sem qualquer especificação de período; e b) que, no período do crédito ou pagamento aos sócios, a empresa possua saldo de lucros computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados; que inexiste na legislação qualquer vedação a que os JSCP sejam calculados e pagos utilizando as variações da TJLP de períodos anteriores, sobre as contas de patrimônio da sociedade, mas que, pelo contrário, os sócios gozam de ampla liberdade para deliberar sobre a matéria, desde que observados os limites expressamente previstos; que se revelam manifestamente improcedentes as exigências formuladas de IRPJ, CSLL e respectivos encargos nas atuações, devendo ser reconhecida a legalidade do procedimento adotado pela Impugnante, na apuração e pagamento do JSCP nos anos calendários de 2008 e 2009, e a dedutibilidade integral dos montantes declarados e pagos por ela em tais períodos, em estrita conformidade com o artigo 9º da Lei 9.249/95; que, no que diz respeito à dedutibilidade dos ágios. Existência de propósitos negociais e de substância às reorganizações societárias implementadas, é de se dizer, que a dedução dos ágios é contestada porque, aparentemente, provem de origem duvidosa, i.e, não existem, algo que, embora subjacente em toda a narrativa, se mostra inconclusivo no Auto de Infração, até porque, como mencionado, os dispositivos tidos como violados referemse, exclusivamente, à desnecessidade das despesas co amortização dessas verbas; que o fundamento econômico do ágio, diferentemente do afirmado pelos i. Auditores Fiscais consta, sim, do laudo de avaliação (anexo ao doc. 19) elaborado em cumprimento do disposto no art. 224 da Lei nº 6.404, de 1976. Nele se acha, sob luzes, o fundamento que os provedores do lançamento negam existir. Não assiste razão ao i. Auditores, igualmente, de que não houve incorporação. O processo de reorganização foi muito mais amplo do que a parcela dele que aqui se acha exposta. Em rigor, o inicio dessa reorganização remonta ao ano de 1996, tendose estendido até os dias de hoje. Nesse interstício inúmeras empresas (médias e grandes) foram alienadas para terceiros, outras tantas foram adquiridas e algumas extintas por incorporação, isso tudo como parte integrante de um grupo que hoje mantém importante e profícua atividade no Brasil. Nada, e em nenhum momento, foi realizado Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 12 11 em tempo reduzido – elemento denotativo comum dos planejamentos viciados – ou descalço de razão econômica; que, também, a afirmação de que teria havido perdão de dívida, depreende se dos arts. 385 a 383 do Código Civil é a liberação graciosa do devedor pelo credor, que abre mão de seus direitos creditórios sem contraprestações nenhumas. Na espécie, como contra nota da capitalização (do empréstimo) havida, o credor, contrariamente à disciplina do perdão, recebeu, isto sim, formidável volume de ações de capital da então devedora, tendo, inclusive, aumentado sua participação como investidor; que o chamado “Ágio Pago JSB Pafer (Ágio II)”, no valor de R$ 99.198.562,99, por seu turno, originouse, igualmente, da expectativa de resultados futuros, registrados contabilmente, quando da aquisição das empresas integrantes do Grupo Nabisco pela Kraft Foods; que se revelam sim necessárias para atividades da Impugnante as despesas por ela deduzidas com amortização dos Ágios I e II, dedução esta ocorrida a partir da Incorporação da Jacobs Suchard Alimentos do Brasil Ltda. e Laudo de Avaliação (doc. anexo 19), estando cumpridos os pressupostos previstos nos artigos 249, 250, I, 299,323, §§ 2º e 4º, e 325, todos do RIR/99, sendo improcedentes as glosas pretendidas nas autuações; que, no que diz respeito à cobrança de penalidades em duplicidade. Multa de 75% e Multa isolada de 50%, é de se dizer, que da análise das bases de cálculo utilizadas, verificase que nos meses em que foi considerada a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, com a imputação da multa de 50%, estes mesmos valores foram computados para fins do cálculo da multa de 75%, o que elevou às alturas a magnitude das referidas penalidades, nas 3 (três) autuações, para a quantia de R$ 139.751.063,16, cifra que supera, por mais inacreditável que possa parecer, a própria soma dos montantes exigidos a título de principal do IRPJ e da CSLL; que o lançamento se funda no argumento de que são duas situações distintas, para cujo desfecho estariam sendo manejados dois preceitos legais também distintos. Contudo, alega que falta ao lançamento o atributo da razoabilidade, resultando em violação ao princípio do não confisco, e também que a exação está sendo extraída sobre a mesma base de cálculo, com o estabelecimento de bis in idem; que a imposição de multa isolada não pode ir além daquelas situações em que o pagamento do tributo já teria sido realizado quando da feitura do lançamento, porquanto seria o pagamento do principal que retira a possibilidade de multa ter caráter acessório. Afirma que, nas situações em que o valor principal do tributo não tiver sido pago, não há, juridicamente, espaço para aplicação da multa isolada, sendo cabível tão somente aquela de natureza ordinária; que, no que diz respeito à cobrança de juros isolados sobre as diferenças a menor do IRPJ e CSLL apurados mensalmente por estimativa, que é de se dizer, que como no caso presente são imputados os chamados “juros isolados”, a despeito de a Impugnante ter promovido regularmente o pagamento das antecipações do IRPJ e da CSLL nos períodos em foco, ou seja, sem que tenha sido constatada a mora do contribuinte, aludida cobrança assume nítido caráter punitivo, tornando inválido o ato administrativo do lançamento tributário, por violação dos princípios da razoabilidade e da motivação. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 13 12 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR concluíram pela impugnação parcialmente procedente e pela manutenção, em parte, do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que diz respeito à preliminar – ausência de demonstração das supostas infrações relativas à dedução fiscal dos ágios. nulidade das autuações por violação dos art. 112 e 142 do CTN, e do devido processo legal, é de se dizer, que concerne à dedução dos ágios, constatase que o lançamento tem por enquadramento legal: a) os art. 249, inciso I, c/c os art. 299, 324, §§ 2º e 4º e 325, todos do RIR/99 e art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95 (fls. 572), na parte relativa a adições não computadas na apuração do lucro real; e b) o art. 250, inciso I, do RIR/99, na parte relativa a exclusões não autorizadas na apuração do lucro real (fls. 573); que o Fisco está atribuindo à impugnante a prática de infração a esses dispositivos. Em outras palavras, está afirmando, com relação à primeira infração, que a impugnante não adicionou ao lucro líquido valor que dele foi deduzido mas, de acordo com o RIR/99, não era dedutível na apuração do lucro real. Já com relação à segunda infração, o Fisco está afirmando que a impugnante, ao apurar o lucro real, excluiu do lucro líquido valores cuja dedução não era autorizada pelo RIR/99; que, no que diz respeito a decadência da parcela do lançamento relativa a compensação indevida de prejuízos, é de se dizer, que o primeiro fato relevante é que a contribuinte possuía um estoque de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados até o anocalendário 1996 nos importes de R$ 17.180.705,78 (PF), e R$ 13.383.357,47 (BC). No anocalendário seguinte, 1997, apurou um prejuízo fiscal no montante de R$ 41.100.933,82, e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 41.299.519,25, e prosseguiu apurando prejuízos fiscais nos anos subsequentes, tendo começado a apresentar lucros somente no anocalendário 2002, quando passou a compensar os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas acumulados; que o segundo fato relevante é que, no ano de 2001, sofreu autuação fiscal cujo resultado final implicou redução do prejuízo fiscal do anocalendário 1997, do valor original de R$ 41.100.933,82 para R$ 20.368.564,50; e redução da base de cálculo negativa da CSLL, do valor de R$ 41.299.519,25, para R$ 20.567.149,93; que o terceiro fato relevante é que, a partir do anocalendário 2002, a contribuinte passou a compensar prejuízos fiscais de períodos anteriores, nos seguintes valores,por anocalendário: a) prejuízos fiscais: R$ 10.590.178,30, em 2002; R$ 28.878.188,81, em 2003; R$ 9.593.535,13, em 2004; e b) bases de cálculo negativa da CSLL R$ 10.284.844,41, em 2002; R$ 26.374.613,28, em 2003 e R$ 8.384.570,36, em 2004; que portanto, a alegação da impugnante de que a Administração estaria promovendo alguma alteração relacionada a fatos geradores verificados em 31/12/2002, 31/12/2003 ou 31/12/1004. Em absoluto. As compensações de prejuízos fiscais que a impugnante formalizou naquelas DIPJ estão perfeitas, uma vez que o estoque de prejuízos fiscais era suficiente, e em momento algum essas compensações estiveram vinculadas a algum prejuízo fiscal específico, como quer a impugnante; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 14 13 que o fato é que a impugnante declarou na DIPJ 2003 estar utilizando na compensação seus prejuízos acumulados do período de 1991 a 2002. Logo, como dispunha de saldos suficientes – conforme acima demonstrado – nenhuma providência poderia ter sido tomada pela Administração, posto que, em nenhum momento, a impugnante exteriorizou sua intenção ou convencimento de estar utilizando na compensação o valor que fora glosado e àquela altura ainda era objeto de discussão administrativa. O mesmo raciocínio se aplica com relação à DIPJ 2004 e 2005. Em todas elas, foi efetuada compensação em montante inferior ao saldo disponível. Logo, é óbvio que a Administração, carecendo do condão de perscrutar o pensamento íntimo da impugnante e constatar sua intenção de utilizar o prejuízo fiscal glosado, nada poderia ter feito; que improcede, portanto, a alegação da impugnante de que a Administração estaria promovendo alguma alteração relacionada a fatos geradores verificados em 31/12/2002, 31/12/2003 ou 31/12/1004. Em absoluto. As compensações de prejuízos fiscais que a impugnante formalizou naquelas DIPJ estão perfeitas, uma vez que o estoque de prejuízos fiscais era suficiente, e em momento algum essas compensações estiveram vinculadas a algum prejuízo fiscal específico, como quer a impugnante; que é equivocada a afirmação da impugnante de que a Fazenda estaria hostilizando compensações realizadas antes de 2005 com a parcela desconsiderada de prejuízos. Ora, qual a evidência de que a impugnante utilizou, nas compensações, essa parcela do seu estoque de prejuízos? Em que momento, e por qual ato, a impugnante informou que, em vez dos prejuízos de que efetivamente dispunha, estava utilizando na compensação essa parcela específica do seu estoque de prejuízos, relativa à diferença de 1997 que fora glosada no auto de infração? Até onde vislumbro, o prejuízo utilizado nas compensações não estava ‘carimbado’. Em meu sentir, há que prevalecer o entendimento de que a compensação se fez com prejuízo fiscal – independente do ano a que se refere que compunha o estoque existente – e não com prejuízo fiscal que fora glosado; que, no que diz respeito aos Juros Sobre o Capital Próprio, é de se dizer, que a impugnante esclarece que efetuou pagamentos a seus acionistas, a título de juros sobre capital próprio (JSCP), nos anos de 2008 e 2009, nos valores respectivos de R$ 140.000.000,00 e R$ 110.000.000,00, que foram calculados levando em consideração a aplicação das variações da TJLP de exercícios anteriores às datas de efetivo pagamento, sobre seu patrimônio líquido existente para cada um dos períodos de 2003 a 2008; que a fiscalização considerou irregular a dedução no lucro real, na parte excedente àquela calculada em relação aos próprios períodos de pagamento, ou seja, as parcelas calculadas “levando em consideração a aplicação das variações da TJLP de exercícios anteriores”. Esse, portanto, o cerne da questão; que é importante destacar que os juros sobre o capital constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade pagadora dos juros. Teria, portanto, a natureza de juros compensatórios em razão da indisponibilidade de recurso dos acionistas em favor da companhia. Contudo, para os fins aqui perseguidos, necessário se faz segregar as implicações dos juros sobre o capital próprio no âmbito da legislação societária e no âmbito das normas que regulam a dedutibilidade fiscal; que não regularmente materializada a opção do interessado, nos anos calendário de 2003 a 2007, por esse regime especial de tributação, mediante a contabilização do pagamento ou do crédito aos sócios dos juros em questão, não é possível validar a opção Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 15 14 extemporânea pelo pagamento de juros sobre o capital próprio, sob pena de deturpação da sistemática de tributação em vigor; que a fiscalização não levantou qualquer ressalva com relação ao crédito que a investidora Jacobs Suchard do Brasil Ltda. tinha contra a devedora Kraft Lacta Suchard Brasil S.A. Assim, seja porque o crédito não sofreu qualquer questionamento, seja porque a análise perfunctória dos documentos de fls. 270334; 369405 e lançamentos contábeis reproduzidos às fls. 336340; 367368 – e demais elementos dos autos me persuadem nesse sentido, assumo que o crédito possuía sim substância econômica; que se a empresa Jacobs Suchard do Brasil Ltda. era titular de um crédito com substância econômica contra a empresa Kraft Lacta Suchard Brasil S.A. e abriu mão desse crédito, no importe de R$ 391.591.618,60, recebendo em troca participação societária cujo valor patrimonial é de apenas R$ 323.534.801,35, é imperioso reconhecer que entregou um ativo mais valioso e recebeu um ativo menos valioso. Em outras palavras, pagou por esse ativo (ações) um sobre preço de R$ 68.056.817,25; que não se questiona que a impugnante, conhecedora da realidade do patrimônio da investida, possuía razões subjetivas suficientes para pagar um preço superior ao valor resultante da aplicação da equivalência patrimonial. O problema é que tais motivos não quedaram registrados objetivamente, na forma técnica adequada. Permaneceram – e ainda permanecem – sendo um mistério; que apesar de despiciendo, acrescento que o Laudo de Avaliação de fls. 417 relativo ao direito de crédito da investidora, no importe de R$ 391.591.618,60, é definitivamente imprestável para estimar o valor de mercado da investida, decorrente da presumível rentabilidade futura desta; que se conclui, portanto, é que, à míngua do imprescindível laudo, em absoluto, esse ágio não pode ser classificado como “ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b” do § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977” (valor de rentabilidade da coligada ou controlada – em 29/02/2000, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros – 2001, 2002, 2003...); que, no que diz respeito ao ÁGIO II, é de se dizer, que, segundo a impugnante reconhece (fls. 756), esse ágio somente veio a ter relevância fiscal a partir de janeiro de 2004, quando a empresa KRAFT FOODS BRASIL S/A (sucessora da PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FLEISCHMANN E ROYAL S.A) incorporou a empresa Jacobs Suchard Alimentos do Brasil Ltda., em cuja contabilidade o ágio fora registrado; que enfatizo, portanto, que esse ágio foi constituído na escrituração contábil da empresa Jacobs Suchard Alimentos do Brasil Ltda. (JSB), apesar de derivado de reorganização societária das empresas KRAFT FOODS BRASIL S/A (KFB) e PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FLEISCHMANN E ROYAL S.A (PAFER); que a alegação da impugnante é que a empresa JSB (Jacobs Suchard Alimentos do Brasil Ltda.) possuía participação em duas empresas controladas: KFB (KRAFT FOODS BRASIL S/A) e PAFER (PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FLEISCHMANN E ROYAL S.A). Assim, o ágio teria sido escriturado na JSB, pela equivalência patrimonial entre esses dois investimentos, antes e depois da incorporação; Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 16 15 que essa alegação é de uma inconsistência atroz. Em realidade, a JSB (Jacobs Suchard Alimentos do Brasil Ltda.) possuía participação acionária apenas na PAFER (PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FLEISCHMANN E ROYAL S.A), e esta sim, era detentora de ações correspondentes a quase 99,56% das ações da KFB (KRAFT FOODS BRASIL S/A). Logo, a participação da JSB (JACOBS SUCHARD ALIMENTOS DO BRASIL LTDA.) no capital da KFB (KRAFT FOODS BRASIL S/A) era apenas indireta e, com absoluta certeza, não correspondia a 99,56% das ações; que a empresa JSB (Jacobs Suchard Alimentos do Brasil Ltda.) não poderia, em decorrência da incorporação da KFB (KRAFT FOODS BRASIL S/A) pela PAFER (PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FLEISCHMANN E ROYAL S.A) ter contabilizado qualquer ágio, ainda que este tivesse alguma substância econômica, uma vez que tal reorganização societária não lhe disse respeito diretamente; que assim, possuindo a JSB participação apenas na PAFER, mantinha em seu ativo apenas essa participação. Logo, calculava a equivalência patrimonial apenas sobre esse investimento. A equivalência com o patrimônio líquido da KFB era indireta e já estava contida no patrimônio líquido da PAFER. Essa assertiva, por óbvio, abstrai outras participações eventualmente detidas pela JSB, que não foram mencionadas e também não interessam a estes autos; que conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 643), o cálculo do ágio parte da falsa premissa de que a JSB detinha 99,56% das ações da KFB, cujo patrimônio líquido importava R$ 246.789.521,94. Segundo essa premissa, a JSB manteria em seu ativo o correspondente investimento avaliado pela equivalência patrimonial, no importe de R$ 245.703.648,04 (R$ 246.789.521,94 X 99,56%). Entretanto, ao final da reorganização societária, teria sido desfalcada dessa participação societária sem obter qualquer benefício, uma vez que permaneceu sendo proprietária das mesmas ações que já possuía anteriormente, no capital da empresa incorporadora; que considerando que a PAFER era detentora de 6.709.173.702 ações da KFB, a participação indireta da JSB na KFB seria de 1.921.734.135 ações (6.709.173.702 X 28,643380245%), ou seja, 28,516939% do total das ações da KFB. Logo, caso existisse a hipótese de a JSB constituir algum ágio com relação a essa participação societária, ela deveria partir da premissa de que sua participação indireta na KFB correspondia a 28,516939% das ações totais, e não de 99,56% das ações totais; que, no que diz respeito a cobrança de penalidades em duplicidade. Multa de 75% e Multa isolada de 50%, é de se dizer, que com relação ao lançamento da multa exigida isoladamente, relativa às insuficiências nos recolhimentos mensais de estimativas, prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996, impende reconhecer sua legalidade e a improcedência da alegação da impugnante de que a multa isolada pela diferença de recolhimento de estimativa mensal já estaria englobada na aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual; que por manter absoluta consonância com o preceptivo legal, está correta e deve ser mantida a multa isolada sobre as diferenças de estimativas não recolhidas, sem prejuízo do lançamento da multa de ofício vinculada ao tributo lançado; que no que diz respeito a cobrança de juros isolados sobre as diferenças a menor do IRPJ e CSLL apurados mensalmente, por estimativa, é de se dizer, que não Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 17 16 quedou prevista, portanto, a possibilidade de lançamento relativo a juros isolados. Assim, sou compelido a concordar com a impugnante de que nenhum desses fundamentos legais prevê a cobrança de juros ‘intraano’ nos casos de recolhimento a menor, e que, pelo contrário, o art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, em seus parágrafos 1º e 2º é expresso no sentido de que os juros são devidos a partir da apuração do saldo do imposto a pagar, em 31 de dezembro de cada ano, e não sobre os valores objetos das antecipações mensais, a título de estimativa; que entendo que o legislador poderia ter previsto a incidência de juros entre a data que o contribuinte deixou de recolher a estimativa e a data do ajuste anual (31 de dezembro), assim como poderia também ter previsto a hipótese de atualização do valor recolhido, com base na taxa Selic, ou mesmo previsto que os recolhimentos a maior de estimativas fossem acrescidos de juros entre a data do pagamento e a data do ajuste anual. O fato, contudo, é que não houve tal previsão. Logo, não me parece que a exigência encontre o imprescindível fundamento para ser formulada. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DAS SUPOSTAS INFRAÇÕES RELATIVAS À DEDUÇÃO FISCAL DOS ÁGIOS. O inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, em caráter excepcional, autoriza a amortização, na apuração do lucro real, de ágio escriturado com o fundamento nele especificado, desde que provido de consistência econômica e devidamente comprovado pelo laudo respectivo. Por isso, incumbe aos contribuintes que se utilizam de tal permissivo a cabal comprovação de que os ágios amortizados preenchem os requisitos legais para sua dedutibilidade. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Dispondo o contribuinte, em cada ano, de estoque de prejuízos fiscais suficiente à compensação declarada em sua DIPJ, tornando desnecessária a utilização de prejuízos objetos de contencioso fiscal, e não existindo na DIPJ qualquer indicação de que a compensação envolveu os prejuízos controversos, há que se entender que a compensação foi implementada com os prejuízos consistentes. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO EXERCÍCIO OU EXERCÍCIO PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio JsCP a acionista ou sócio deve ser exercida no ano Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 18 17 calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, não incluindo juros incidentes sobre o Patrimônio Líquido de anos anteriores, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. ÁGIO I. REQUISITO PARA A ESCRITURAÇÃO DE ÁGIO COM FUNDAMENTO EM RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. O lançamento relativo à constituição de ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá estar lastreado em laudo técnico, elaborado contemporaneamente à aquisição da participação societária, veiculando estimativas consistentes da rentabilidade da investida nos próximos exercícios. Inexistindo tal comprovante, não se admite que eventual ágio escriturado esteja fundamentado na presumível rentabilidade futura da investida. ÁGIO II. PRESSUPOSTO LÓGICO DA ESCRITURAÇÃO DO ÁGIO. A escrituração do ágio assentase no pressuposto lógico de que a pessoa jurídica que o escritura sacrificou um ativo, recebendo em troca participação societária cujo valor, apurado pela equivalência patrimonial, seja inferior ao ativo sacrificado. Possuindo a empresa “A” participação societária na empresa “B”, e esta, por sua vez, sendo detentora da quase totalidade do capital da empresa “C”, carece de lógica e afronta as normas contábeis a contabilização, pela empresa “A”, de ágio em conseqüência da mera reorganização societária pela qual a sua investida “B”, incorpore sua (dela) investida “C”. Isso porque nenhuma repercussão houve, positiva ou negativa, no patrimônio da empresa “A”, posto que sua participação na empresa “C” era apenas indireta, e já estava contida na equivalência patrimonial estabelecida com a empresa “B”. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício. Portanto, ambas podem ser aplicadas à contribuinte. EXIGÊNCIA DE JUROS ISOLADOS SOBRE DIFERENÇAS RECOLHIDAS A MENOR, A TÍTULO DE ESTIMATIVAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 19 18 Exonerase o lançamento que exige do contribuinte juros calculados isoladamente em relação ao período entre o vencimento da estimativa e a data do ajuste anual, se o Fisco não demonstra a existência de dispositivos legais aptos a embasar a exigência. DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restou decidido com respeito ao lançamento matriz. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/04/2011, conforme Termo constante à fl.1019, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (06/05/2011), o recurso voluntário de fls. 1020/1068, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito a nulidade da decisão recorrida, é de se dizer, que a decisão de primeira instância teria violado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Isso porque, segundo a recorrente, a DRJ teria ampliado o fundamento legal da autuação, trazendo novos dispositivos legais para embasar o lançamento; que extraise disso que o i. julgador pretendeu ‘remendar’ os lançamentos na decisão, em especial no que tange aos ágios – sem mencionar a improcedência de tais imputações em seu mérito, como será demonstrado a seguir –, fazendo referência a ‘novos fundamentos legais’, como, por ex., os artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, e 20, par. 3º, do Decretolei 1.598/77 (matrizes do art. 385, par. 3º, do RIR/99); que registrese, para evidenciar tal enfermidade, a citação na ementa da decisão do artigo 7º da Lei 9.532/97, porém tal dispositivo legal não consta de nenhum dos fundamentos das autuações; que, no que diz respeito a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, é de se dizer, que a recorrente se utilizou integralmente dos valores originais de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 1997 para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apurados nos anoscalendário de 2002 a 2004; que, assim, o resultado da autuação que reduziu os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 1997 não poderia servir de fundamento para Fiscalização glosar as compensações realizadas a partir do anocalendário 2005. Isso porque o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública revisar o lançamento teria se iniciado com o aproveitamento indevido de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, ou seja, nos anoscalendário de 2002 a 2004; que, no que diz respeito as glosas na dedução dos juros sobre o capital próprio, é de se dizer, que atendeu aos requisitos estipulados pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, que disciplina a dedutibilidade dos JSCP na apuração do lucro real. Além disso, assevera que não há vedação, na legislação tributária, à utilização das variações da TJLP referentes a Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 20 19 períodos anteriores ao pagamento, sendo, portanto, legítima sua pretensão de deduzir valores acumulados em exercícios anteriores; que observou o regime de competência na escrituração do JSCP, uma vez que o lançamento contábil da obrigação de pagamento da TJLP somente ocorrerá a partir da deliberação dos sócios. Assim a legislação tributária deve ser interpretada no sentido de que “a sociedade faça o registro da obrigação, amparada e no momento em que houver essa manifestação.”; que, no que diz respeito a indedudibilidade da amortização dos ágios – ÁGIO I, é de se dizer, que e a decisão recorrida se apegou ao “cumprimento de mera formalidade, qual seja: a demonstração para a amortização do ágio fundamentado com base na expectativa de rentabilidade futura de que trata o § 3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977”; que, além, da demonstração do fundamento econômico configurar “mera formalidade”, exigir um laudo para justificar o fundamento econômico do ágio por rentabilidade futura transbordaria os limites estabelecidos pelo art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977; que, no que diz respeito a indedudibilidade da amortização dos ágios – ÁGIO II, é de se dizer, que o ágio foi ocasionado justamente pelo fato de que o custo de aquisição das novas ações da Pafer, recebidas pela Jacobs Suchard, era superior ao valor patrimonial proporcional da aludida empresa, por decorrência do aumento do seu capital social, tendo sido registrado nos exatos termos previstos no art. 7° da Lei 9.532/97 e 20 do Decretolei nº 1.598, 1977; que o ágio II corresponde à operação na qual a JSB integralizou o aumento do capital social da PRODUTOS ALIMENTÍCIOS FLEISCHMANN E ROYAL S.A. – PAFER mediante a conferência das ações que detinha na KRAFT FOODS BRASIL S.A. (KFB) – nova denominação da KRAFT LACTA SUCHARD BRASIL S.A. Portanto, o ágio II teria surgido em decorrência do valor atribuído às novas ações que a PAFER emitiu ao aumentar o seu capital social. Isso porque, o custo de aquisição das novas ações da Pafer, recebidas pela Jacobs Suchard, era superior ao valor patrimonial proporcional da aludida empresa; que, no que diz respeito a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício, é de se dizer, que não podem ser aplicadas, concomitantemente, a multa de ofício – prevista nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 – com a multa isolada, de que trata a alínea “b” do inciso II do art. 44 da mesma Lei; que as referidas multas possuem a mesma base de cálculo e incidem sobre a mesma materialidade, razão por que a sua aplicação simultânea caracteriza um bis in idem. Em 16 de setembro de 2011, a Fazenda Nacional, por intermédio do seu representante legal apresenta, tempestivamente, com fundamento no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as suas Contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto. É o relatório. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 21 20 Voto Vencido Conselheiro José Ricardo da Silva O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A matéria de mérito em discussão, nesta fase recursal, se estende as seguintes irregularidades constatadas pela autoridade fiscal lançadora, matérias descritas nos Autos de Infrações lavrados (fls. 569/618) e Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 619/640): 1 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INSUFICIÊNCIA NOS SALDOS DE PREJUÍZOS A COMPENSAR: Insuficiência no saldo de prejuízos fiscais a compensar nos anoscalendário de 2008 e 2009, decorrente de incorreções encontradas no controle dos mesmos e do lançamento das infrações constatadas nos anoscalendário de 2005 a 2009, por meio deste auto de infração. Infração capitulada nos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR, de 1999. 2 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DESPESA INDEDUTÍVEL COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO: Ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor correspondente à parcela do benefício fiscal (34%) contabilizada, a título de ágio, como despesa na apuração do resultado dos anoscalendário de 2005 a 2009. Infração capitulada no art. 249, inciso I, c/c os arts. 299, 324, §§ 2º e 4º e 324, §§ 2º e 4º e 325, todos do RIR, de 1999; art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249, de 1995. 3 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCESSO DE JUROS PAGOS OU CREDITADOS A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO: Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do excesso dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, face à constatação de que o valor deduzido supera o limite dedutível estabelecido na legislação em vigor. Infração capitulada no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 249, inciso I, e 347, do RIR, de 1999. 4 EXCLUSÕES / COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS: Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do imposto de renda, de valores contabilizados a título de ágio, como despesa na apuração do resultado dos anos – calendário de 2005 a 2009. Infração capitulada no art. 250, inciso I, do RIR, de 1999. 5 MULTAS ISOLADAS. MULTA ISOLADA PELA INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Insuficiência no pagamento do IRPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, referente aos respectivos meses dos anoscalendário de 2005 a 2009. Infração capitulada nos arts. 222 e 843 do RIR, de 1999 c/c art. 44º, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14º da Medida Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 22 21 Provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, por entender que houve cerceamento no direito de defesa e inovação na matéria tributável, suscitada, ainda, preliminar de decadência no que diz respeito a compensação de prejuízos fiscais e, no mérito, se insurge contra os seguintes aspectos da decisão recorrida: a) manutenção das glosas nos valores pagos a título de juros sobre capital próprio; b) manutenção das glosas nos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, que foram utilizados para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2008 e 2009; c) manutenção das glosas nos valores correspondentes a despesas com ágio, que foram amortizados e deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2005 a 2009; d) manutenção da multa isolada – aplicada em virtude do não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL – em concomitância com a multa de ofício – aplicada pelo lançamento de oficio de crédito tributário não recolhido pela contribuinte. 1 QUANTO AS PRELIMINARES DE NULIDADE Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade fiscal lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 23 22 imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, de que não observou de forma correta os documentos apresentados pelo contribuinte. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações lavrados, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, cuja ciência foi pessoal e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das seguintes irregularidades: 1 – glosa de prejuízos compensados indevidamente. insuficiência nos saldos de prejuízos a compensar; 2 adições não computadas na apuração do lucro real. despesa indedutível com amortização de ágio; 3 adições não computadas na apuração do lucro real. excesso de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio; 4 exclusões / compensações não autorizadas na apuração do lucro real. exclusões indevidas; 5 multas isoladas. multa isolada pela insuficiência no recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada; e 6 juros isolados. juros isolados pela insuficiência no recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 24 23 Dos Autos de Infrações (fls. 569/618) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 619/640), é possível verificar, que o enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 25 24 descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita preliminares de nulidade do lançamento por entender que houve cerceamento no direito de defesa, bem como apresenta razões de mérito sobre o lançamento efetuado, bem como questiona a possibilidade da compensação das cautelas de obrigações da Eletrobrás com os débitos de natureza tributária. Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, já que a autoridade julgadora teria deixado de se manifestar sobre pontos importantes levantados em sua peça impugnatória, bem como teria inovado o lançamento, sou pela rejeição pelos motivos abaixo expostos. A recorrente sustenta que a decisão de primeira instância teria violado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Isso porque, segundo a recorrente, a DRJ teria ampliado o fundamento legal da autuação, trazendo novos dispositivos legais para embasar o lançamento. Contudo, não é isso que se verifica nos autos. Para averiguar se houve excessos na decisão recorrida, basta conferir se os dispositivos legais citados pela recorrente – que teriam sido acrescentados indevidamente pelo julgador de primeira instância – subsidiaram ou não o trabalho da autoridade administrativa responsável pelo lançamento. Nesse ponto, convém transcrever trecho do recurso interposto pela contribuinte, no qual ela explicita os dispositivos utilizados como fundamento pela decisão recorrida e que estariam em confronto com o auto de infração: 18. Extraise disso que o i. julgador pretendeu ‘remendar’ os lançamentos na decisão, em especial no que tange aos ágios – sem mencionar a improcedência de tais imputações em seu mérito, como será demonstrado a seguir –, fazendo referência a ‘novos fundamentos legais’, como, por ex., os artigos 7º e 8º da Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 26 25 Lei 9.532/97, e 20, par. 3º, do Decretolei 1.598/77 (matrizes do art. 385, par. 3º, do RIR/99). 19. Registrese, para evidenciar tal enfermidade, a citação na ementa da decisão do artigo 7º da Lei 9.532/97, porém tal dispositivo legal não consta de nenhum dos fundamentos das autuações. Percebese que a recorrente considerou violado o seu direito à ampla defesa e ao contraditório por entender que a DRJ não poderia ter lastreado a sua decisão nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977. No entanto, não há que se falar em qualquer afronta a tais direitos, uma vez que o Termo de Verificação Fiscal também foi embasado nos dispositivos acima citados. Com efeito, a Fiscalização associou os fatos que ensejaram a constituição dos créditos tributários e as infrações cometidas pela contribuinte aos respectivos dispositivos legais – fazendo menção expressa aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e ao art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977. Isso é o que se constata no item 80 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 619/640): 80. Não bastasse isto, o referido Ágio I, pela inexistência da indicação do seu fundamento econômico quando do respectivo lançamento contábil na JSB, também não seria passível de dedução do lucro da empresa, uma vez que, para tanto, teria que se enquadrar nos exatos termos dos §§ 2º e 3º do art. 385 do RIR/99, a seguir integralmente transcritos, e cuja base é o mencionado art. 20 do DecretoLei nº 1.598/97: Por sua vez, importante transcrever o item 102 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 84), que também indica o DecretoLei nº 1.598, de 1997, como fundamento: 102. na legislação tributária, o ágio em investimentos está disposto no art. 385 do RIR/1999, cuja base é o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em síntese, o comando legal determina que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição, desdobrar o custo de aquisição em valor do patrimônio líquido e ágio ou deságio na aquisição do investimento. O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar o fundamento econômico. Convém, ainda, conferir o item 124 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/88), tendo em vista que a autoridade administrativa responsável pelo lançamento aborda especificamente os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997: 124. Importante frisar que a amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL, conforme previsto no artigo 391 do RIR/99. A possibilidade de deduzila contida nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 restringese à hipótese em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 27 26 Diante disso, resta evidente que o lançamento foi realizado também com base nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977. Portanto, a alegação da contribuinte, no sentido de que os referidos dispositivos legais não subsidiaram o lançamento, é totalmente desgarrada da realidade. Nesse ponto, é preciso ressaltar que a contribuinte qualifica como nula a decisão recorrida, por suposto prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório – o que violaria o devido processo legal. Para isso, sustenta que a autoridade administrativa explicitou, no Auto de Infração, alguns dispositivos do Decreto nº 3.000, de 1999, enquanto o julgador de primeira instância teria utilizado outros – que não constavam no Auto de Infração. No que diz respeito a essa afirmação, os trechos transcritos acima já seriam suficientes para afastar os argumentos trazidos pela contribuinte. Entretanto, para eliminar qualquer dúvida acerca da inexistência de vícios na decisão recorrida, vale a pena discorrer sobre alguns aspectos do lançamento. Inicialmente, importante destacar que a contribuinte foi intimada diversas vezes para apresentar explicações ou documentos que justificassem a existência das despesas com os ágios escriturados em seus livros contábeis e fiscais. Implica dizer que a recorrente sempre teve conhecimento da matéria que vinha sendo investigada pela Fiscalização. Tanto é assim que respondeu às solicitações feitas pela autoridade administrativa, discorreu sobre os eventos societários, enfim, teve oportunidade de oferecer provas que subsidiassem as suas pretensões. Portanto, fica difícil imaginar em que exatamente consiste o alegado desrespeito ao devido processo legal. Por sua vez, a autoridade administrativa analisou as operações realizadas pela recorrente e conclui que não poderiam ser aplicadas as normas previstas nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977. Nesse ponto, cumpre ressaltar que tudo foi relatado, detalhadamente, no Termo de Verificação Fiscal – conforme demonstrado nos trechos transcritos acima. Isso é um aspecto relevante, pois basta lembrar que a contribuinte foi notificada sobre a existência do lançamento, tendo recebido cópia tanto do Auto de Infração quanto do respectivo Termo de Verificação Fiscal. Assim, temse que a recorrente foi devidamente cientificada de todos os elementos e circunstâncias que motivaram a atuação da autoridade administrativa – inclusive das respectivas normas que fundamentaram a constituição do crédito tributário. Prova disso, como muito bem ressaltado pelo julgador de primeira instância, é o fato de a contribuinte ter demonstrado que compreendeu o conteúdo do lançamento, apresentando impugnação específica aos temas objeto do Auto de Infração. Desse modo, não há como aceitar as alegações de prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Ademais, com todas as vênias, da análise dos autos, verificase que os pontos centrais do litígio estavam restritos as seguintes matérias: (a) – glosa de prejuízos compensados indevidamente. insuficiência nos saldos de prejuízos a compensar; (b) adições não computadas na apuração do lucro real. despesa indedutível com amortização de ágio; (c) adições não computadas na apuração do lucro real. excesso de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio; (d) exclusões / compensações não autorizadas na apuração do lucro real. exclusões indevidas; (e) multas isoladas. multa isolada pela insuficiência no recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada; e (f) juros isolados. juros isolados pela insuficiência no recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Na análise da comparação entre os fundamentos constantes da peça acusatória e os fundamentos constantes da peça decisória, não vislumbro nenhuma Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 28 27 desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela qual a autoridade lançadora procedeu ao lançamento. A preliminar levantada pela suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora ou à vontade da autuada. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à lei. Ora, a autoridade julgadora, através do voto do relator da matéria, se manifestou sobre as questões mais importantes do litígio, oferecendo o entendimento da Turma Julgadora, bem como a sua fundamentação. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão a suplicante, já que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, apreciou todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pela recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pela suplicante, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão de Primeira Instância. Ora, os autos demonstram claramente, a infração imputada acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância é cristalina e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pela suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de Primeira Instância, talvez, não a contento da suplicante, ou seja, o resultado não foi como o suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida, qual seja, a tributação com base em omissão de receitas, caracterizados por depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada. É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de ser compreendida no significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou argumento de defesa, bem como quando existe inovação no fundamento do lançamento, seja por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 29 28 Os artigos 29 e 30 do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito, respectivamente, à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas. É claro que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pela impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Como da mesma forma, o acréscimo de algum esclarecimento sem prejudicar a discussão, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes relatados pela suplicante, sem introdução de inovação em nenhuma das matérias que abrange o lançamento em discussão. 2 – INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA – PREJUÍZOS FISCAIS Da analise da peça recursal observase, que a recorrente pleiteia a declaração da decadência do direito da Fazenda Pública de revisar o lançamento por homologação, ou seja, de alterar os elementos considerados para a constituição do crédito tributário. Mais especificamente, a contribuinte se insurge contra o fato de a Fiscalização ter glosado os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL utilizados para fins de dedução da base de cálculo dos mencionados tributos. Para melhor compreender a controvérsia, é imprescindível explicitar o histórico dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, contabilizados pela recorrente, e as respectivas deduções realizadas ao longo dos anos: • Até o anocalendário 1996 havia estoque de prejuízo fiscal no montante de R$ 17.180.705,78 e base de cálculo negativa da CSLL no total de R$ 13.383.357,47; • No anocalendário 1997, a recorrente apurou prejuízo fiscal no montante de R$ 41.100.933,82, e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 41.299.519,25; • No ano de 2001, houve procedimento de fiscalização para verificar a veracidade dos valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL referentes ao ano calendário 1997. O resultado da autuação implicou redução do prejuízo fiscal do ano calendário 1997, do valor original de R$ 41.100.933,82 para R$ 20.368.564,50; e redução da base de cálculo negativa da CSLL, do valor de R$ 41.299.519,25, para R$ 20.567.149,93; • A recorrente realizou deduções na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir do anocalendário 2002, com os estoques de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL acumulados até então. O problema levantado pela recorrente é que ela teria utilizado integralmente os valores originais de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 30 29 1997 para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apurados nos anoscalendário de 2002 a 2004. Assim, segundo a contribuinte, o resultado da autuação que reduziu os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 1997 não poderia servir de fundamento para Fiscalização glosar as compensações realizadas a partir do anocalendário 2005. Isso porque o prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública revisar o lançamento teria se iniciado com o aproveitamento indevido de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, ou seja, nos anoscalendário de 2002 a 2004. No entanto, como muito bem salientado na decisão recorrida, o que se verifica nos documentos trazidos aos autos é que não restou comprovado que a recorrente utilizou exclusivamente os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas do anocalendário 1997 na apuração do IRPJ e da CSLL referentes aos anoscalendário de 2002 a 2004. Nesse ponto, vale a pena transcrever trecho da decisão proferida pela DRJ/CTA: Todas essas compensações ocorreram na Ficha 09A da DIPJ respectiva, mediante o preenchimento da linha que, no primeiro ano, tinha a seguinte redação: “41 – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 1991 A 2002”. No ano seguinte, a linha referiase ao período de 1991 a 2003. Já no derradeiro ano, a linha reportavase a prejuízos do período de 1991 a 2004. Enfatizese, portanto, que em todas as DIPJ houve a informação de que os prejuízos utilizados se referiam aos períodos de apuração de “1991 a 2002”, “1991 a 2003” e “1991 a 2004”. Em nenhuma delas a impugnante informou à Administração que estava utilizando exclusivamente o saldo de prejuízos fiscais existente até o ano calendário 1997. (...) Improcede, portanto, a alegação da impugnante de que a Administração estaria promovendo alguma alteração relacionada a fatos geradores verificados em 31/12/2002, 31/12/2003 ou 31/12/1004. Em absoluto. As compensações de prejuízos fiscais que a impugnante formalizou naquelas DIPJ estão perfeitas, uma vez que o estoque de prejuízos fiscais era suficiente, e em momento algum essas compensações estiveram vinculadas a algum prejuízo fiscal específico, como quer a impugnante. É equivocada a afirmação da impugnante de que a Fazenda estaria hostilizando compensações realizadas antes de 2005 com a parcela desconsiderada de prejuízos. Ora, qual a evidência de que a impugnante utilizou, nas compensações, essa parcela do seu estoque de prejuízos? Em que momento, e por qual ato, a impugnante informou que, em vez dos prejuízos de que efetivamente dispunha, estava utilizando na compensação essa parcela específica do seu estoque de prejuízos, relativa à diferença de 1997 que fora glosada no auto de infração? Até onde vislumbro, o prejuízo utilizado nas compensações não estava ‘carimbado’. Em meu sentir, há que prevalecer o entendimento de que a compensação se fez com prejuízo fiscal – independente do ano a que se refere que compunha o estoque existente – e não com prejuízo fiscal que fora glosado. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 31 30 Ora, resta claro que a DRJ/CTA não alterou o termo inicial para a contagem do prazo decadencial – como havia afirmado a recorrente. O que se evidencia na decisão recorrida é o questionamento sobre quais foram os valores utilizados pela contribuinte para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2002 a 2004. Isso decorre, aliás, dos documentos e informações prestados pela recorrente nos autos, tendo em vista que esses dados não serviram para esclarecer, com precisão, se o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL formado no anocalendário 1997 foi integralmente utilizado na apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2002 a 2004. Nesse ponto, relevante destacar que o recurso interposto pela contribuinte não tratou de esclarecer os questionamentos levantados pela DRJ/CTA. Ao contrário, a recorrente apenas reiterou as mesmas alegações que havia trazido em sua Impugnação ao lançamento. Ora, se a contribuinte realmente compensou somente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL acumulada no anocalendário 1997, na apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2002 a 2004, deveria demonstrar tal fato. E nem se argumente que exigir essa providência da recorrente seria algo exorbitante. Isso porque é dever da contribuinte registrar, em seus livros contábeis e fiscais, o saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL acumulados em cada ano. Por seu turno, é imprescindível que haja a indicação detalhada de quais valores serão considerados na eventual dedução dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL. Por outro lado, importante frisar que a decisão recorrida não extrapolou os limites impostos pela legislação – vale dizer, não alterou lançamentos consumados depois de transcorrido o prazo qüinqüenal que a Fazenda Pública possui para realizar a revisão de ofício do lançamento. Com efeito, a tarefa da Fiscalização foi apenas de verificar fatos pretéritos que trazem repercussões tributárias somente no futuro. Sobre a temática, bem explica o Conselheiro Luiz Martins Valero, no Acórdão nº 10706.061, proferido pela Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que a discussão se vincula a uma questão temporal, originária de fatos que nascem ou se formam em um exercício e que repercutem em exercícios posteriores. Desta forma, a solução da controvérsia requer a análise do fato sob duas perspectivas: no passado, no que tange à sua formação e, no futuro, no tocante às repercussões fiscais a produzir. Nesse sentido, o Ilustre então Conselheiro expõe: Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento de sua apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade o exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 32 31 Diante disso, não merece prosperar a alegação de decadência suscitada pela contribuinte. 3 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO A decisão recorrida manteve a glosa na dedução dos juros sobre capital próprio – JSCP, que haviam sido pagos pela contribuinte aos sues acionistas, nos anos de 2008 e 2009. Os valores referentes aos JSCP foram calculados mediante a aplicação das variações da TJLP de exercícios anteriores às datas de efetivo pagamento, considerando patrimônio líquido da contribuinte para cada um dos períodos de 2003 a 2008. Ocorre que a legislação tributária determina que seja observado o regime de competência para a previsão do pagamento dos JSCP, o que não fora respeitado pela contribuinte. Diante disso, a Fiscalização glosou a parte correspondente às variações da TJLP de exercícios anteriores aos períodos em que foram realizados os pagamentos – no caso, os valores relativos aos exercícios anteriores a 2008 e 2009 – tendo sido mantida a glosa pela DRJ/CTA. Inconformada com a decisão proferida pela DRJ/CTA, a contribuinte argumenta que atendeu aos requisitos estipulados pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995 – que disciplina a dedutibilidade dos JSCP na apuração do lucro real. Além disso, assevera que não há vedação, na legislação tributária, à utilização das variações da TJLP referentes a períodos anteriores ao pagamento, sendo, portanto, legítima sua pretensão de deduzir valores acumulados em exercícios anteriores. Por outro lado, afirma que observou o regime de competência na escrituração do JSCP, uma vez que o lançamento contábil da obrigação de pagamento da TJLP somente ocorrerá a partir da deliberação dos sócios. Assim, segundo a recorrente, a legislação tributária deve ser interpretada no sentido de que “a sociedade faça o registro da obrigação, amparada e no momento em que houver essa manifestação.”. Com o devido respeito, não procedem às alegações da recorrente. Primeiramente, é preciso esclarecer que a decisão recorrida não negou a possibilidade de serem aproveitados os JSCP acumulados em períodos anteriores, para fins de dedução do lucro real apurado em exercícios futuros. Nesse ponto, vale a pena conferir trecho do voto do relator do acórdão exarado pela DRJ/CTA: Desse modo, o registro na contabilidade do valor dos juros sobre o capital que deixaram de ser pagos quando de sua apuração, constituirá uma mera provisão indedutível para efeito de apuração do lucro real no período de sua apuração, sendo dedutível quando do efetivo pagamento ou crédito individualizado. Pode o contribuinte, por conta disso, reconhecer contabilmente o valor da “despesa”, na verdade uma provisão, dos juros sobre o capital próprio para pagamento de parte no próprio ano de sua apuração e parte em períodos subseqüentes. O que for e quando for efetivamente pago ou creditado individualizadamente constituirá uma despesa dedutível, eis que não existe qualquer impedimento em relação a este procedimento. Do ponto de vista fiscal, a provisão se tornará uma despesa dedutível se e quando os juros forem efetivamente pagos ou creditados individualizadamente. Percebese, portanto, que o julgador de primeira instância reconhece como válido o procedimento de acumular JSCP em determinados exercícios e sua utilização – na apuração do lucro real – em exercícios posteriores àqueles em que foram previstos contabilmente. Dessa maneira, fica evidente que a motivação para manter a glosa realizada pela Fiscalização não se resumiu, pura e simplesmente, a negar um direito da contribuinte. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 33 32 Com efeito, o fundamento apresentado pela DRJ/CTA foi a ausência de registro nos livros contábeis da contribuinte do pagamento de JSCP nos anos de 2003 a 2008. Confirase: No caso dos autos, o procedimento do interessado põe em questão, em princípio, a possibilidade de apropriação em exercícios futuros de despesas anteriormente não apropriadas. Todavia, não é este o verdadeiro ponto de discussão, porque se, de fato, não ocorreu o fato gerador da despesa, nos anos de 2003 a 2008, mediante o pagamento ou creditamento aos sócios dos juros sobre o capital próprio, não haveria que se falar em contabilização postergada de valores anteriormente dedutíveis. Conforme se verá, não houve despesa desta natureza naqueles anos. A partir dessa constatação feita pela DRJ/CTA – no sentido da inexistência de previsão da despesa referente a pagamento de JSCP nos anos de 2003 a 2008 – restou claro que a pretensão da contribuinte não encontrava respaldo no ordenamento jurídico. Isso porque a recorrente não respeitou as normas que regulamentam a forma de escrituração contábil dos JSCP – que determinam a observância do regime de competência para a previsão do pagamento ou creditamento em favor dos sócios. É de se observar de que não se trata apenas de uma mera formalidade, mas de uma exigência que decorre da própria sistemática envolvendo o JSCP e a sua dedutibilidade na apuração do lucro real. A esse respeito, o julgador de primeira instância foi bastante elucidativo: A Instrução Normativa SRF nº 41, de 22 de abril de 1998, elucidativa da aplicabilidade do art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, esclareceu considerarse creditado, individualizadamente o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio. In casu, portanto, como somente nos anoscalendário de 2008 e 2009 teriam se materializado os pagamentos ou o creditamentos em favor dos sócios dos juros sobre o capital próprio, não se pode reconhecer como dedutíveis valores que não foram pagos ou creditados em períodos anteriores, mas apenas a despesa paga ou incorrida nos próprios anoscalendário de 2008 e 2009, e nos limites legalmente estabelecidos para esses períodos. É nesse contexto que se insere a explicitação contida no art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, acerca da necessária observância do regime de competência no pagamento ou creditamento dos juros sobre o capital próprio, para fins de garantia de sua dedutibilidade. Não se trata de inovação legislativa sem amparo legal, mas de ato normativo, de cunho interpretativo, a evidenciar que somente podem ser reconhecidos como dedutíveis os valores efetivamente contabilizados como pagos ou creditados no período. Instrução Normativa nº 11/96 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 34 33 Art. 29 – Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação (...). A indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância do regime de competência, decorre das próprias disposições do art. 9º e seu § 1º da Lei nº 9.249, de 1995. Citamos o entendimento manifestado por Hiromi Higuchi e Celso Hiroyiuki Higuchi in Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (31ª ed. São Paulo, IR Publicações Ltda., 2006, p.99), verbis: ‘Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiros porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (...) Algumas empresas chegam ao exagero de efetuar os lançamentos contábeis de juros sobre o capital próprio, a título de ajustes de exercícios anteriores, após dois ou três anos da data de apuração dos resultados, seguida de retificação das declarações de rendimentos. Neste caso está provada a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio.’ Portanto, não regularmente materializada a opção do interessado, nos anoscalendário de 2003 a 2007, por esse regime especial de tributação, mediante a contabilização do pagamento ou do crédito aos sócios dos juros em questão, não é possível validar a opção extemporânea pelo pagamento de juros sobre o capital próprio, sob pena de deturpação da sistemática de tributação em vigor. Conforme se verifica nos trechos acima transcritos, é essencial que o pagamento ou creditamento dos JSCP estejam devidamente escriturados em cada período – o que não foi cumprido pela contribuinte. Ora, a pretensão da recorrente consiste em deduzir do lucro real, apurado nos anos de 2008 e 2009, valores que corresponderiam a JSCP acumulados nos anos de 2003 a 2007. Contudo, não existe nenhum registro contábil do creditamento desses valores, em favor dos sócios, nos anos de 2003 a 2007. Implica dizer que a contribuinte pretende, depois de quatro anos, escriturar uma suposta despesa que desde o início já deveria ter sido lançada em seus livros contábeis e fiscais. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 35 34 Nessa perspectiva, relevante destacar a doutrina citada na decisão recorrida. Isso porque o doutrinador alerta para o fato de que, em situações como a retratada nesses autos, configurase a “distribuição de lucros acumulados, e não de juros sobre o capital próprio”. Significa dizer que algumas empresas adotam a mesma sistemática utilizada pela contribuinte – ou seja, dedução do lucro real de valores referentes a JSCP supostamente acumulados em exercícios anteriores, mas não escriturados respeitando o regime de competência – para obter um benefício fiscal que não teriam direito. Por fim, cumpre salientar que o recurso interposto pela contribuinte não afasta os vícios apontados na decisão recorrida. Com efeito, a recorrente apenas reafirma que teve violado o seu direito de deduzir os JSCP acumulados em períodos anteriores. Além disso, alega que somente teria que registrar o pagamento ou creditamento do JSCP quando houver a deliberação dos sócios nesse sentido. Com o devido respeito, tal alegação não faz o menor sentido. Ora, a prevalecer a tese da contribuinte, temse que existirão valores não distribuídos aos sócios, compondo o patrimônio da empresa, mas sem qualquer menção referente ao pagamento ou creditamento de JSCP. Assim, considerando que a pessoa jurídica se submete ao regime de competência, ao final do período esses valores não distribuídos precisarão ser escriturados. É por essa razão que o art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 41, de 1998, determina a observância do regime de competência, ou seja, para que haja o mínimo de lógica nos registros contábeis. Ademais, evitase que os contribuintes se utilizem da sistemática do JSCP para distribuir lucros acumulados e, ao mesmo tempo, se beneficiarem de uma indevida redução do lucro real. Diante disso, correto o entendimento da Fiscalização no sentido de glosar os valores de JSCP referentes a períodos anteriores a 2008 e 2009, uma vez que não havia qualquer previsão nos registros contábeis da contribuinte acerca do creditamento desses valores em benefício dos sócios. 4 INDEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DOS ÁGIOS A Fiscalização asseverou que a recorrente não adicionou ao lucro líquido valores que deveriam compôlo, assim como deduziu indevidamente da base de cálculo do IRPJ e da CSLL despesas que não seriam dedutíveis. Nessa perspectiva, a autoridade administrativa indicou os dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 que disciplinam a forma de apuração do lucro real e que considerou infringidos pela contribuinte. Assim, verificase no Auto de Infração os seguintes dispositivos: a) os art. 249, inciso I, c/c os art. 299, 324, §§ 2º e 4º e 325, todos do RIR/99 e art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249, de 1995, na parte relativa a adições não computadas na apuração do lucro real; e b) o art. 250, inciso I, do RIR/99, na parte relativa a exclusões não autorizadas na apuração do lucro real. Por seu turno, levando em conta a natureza do trabalho realizado pela Fiscalização, era inevitável que fossem apontados outros dispositivos do RIR/99 como fundamento para a constituição do crédito tributário. Isso porque o ponto principal da autuação foi a indedutibilidade do ágio gerado nas operações praticadas pela contribuinte. É por isso que se encontram no Termo de Verificação Fiscal os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, uma vez que estes dispositivos prevêem as situações em que o ágio poderá ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e, conseqüentemente, da CSLL. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 36 35 Diante disso, adotando como premissa o fato da Fiscalização ter utilizado os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, como fundamento para realizar o lançamento, é preciso verificar se a contribuinte atendia aos requisitos estabelecidos nos referidos dispositivos legais. Significa dizer que era necessário identificar se as despesas escrituradas pela contribuinte poderiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade lançadora pode ser contestada, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização. Ou seja, qualquer fato e/ou qualquer presunção utilizada pela fiscalização pode ser contestada, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato que se pretende provar. Da análise das peças processuais, não há dúvidas que o caso em discussão aborda a questão de evasão fiscal e simulação. Diante desse fato, se faz necessário em primeiro lugar uma abordagem nos tópicos ligados ao assunto (evasão fiscal e simulação), já que se trata de um assunto polêmico e, por vezes, controvertido. A palavra evasão, na sua origem, quer dizer fuga de um lugar fechado, podendo se entender como fuga às modalidades de restrição de liberdade que o ordenamento adote. Assim, evasão fiscal é um fenômeno de massa que atinge todos os campos, tanto sociológico, psicológico, financeiro, administrativo como penal; está em toda parte, cabendo ao Estado utilizar todos os meios possíveis para combatêla. Definise, desse modo, evasão fiscal lato sensu como toda e qualquer ação ou omissão tendente a elidir, reduzir ou retardar o cumprimento de obrigação tributária. Contudo, atualmente, o termo evasão, de acordo com Antônio Roberto Sampaio Dória sugere de imediato a fuga ardilosa, dissimulada, sinuosa, furtiva, ilícita em suma, a um dever ou obrigação. Já em sentido estrito, evasão é a ação consciente do contribuinte que tem como objetivo, através de meios ilícitos, eliminar, reduzir ou retardar o pagamento de tributo efetivamente devido. A evasão, ainda, pode ser denominada de duas formas, evasão legal ou lícita, que seria sinônimo da elisão fiscal ou economia tributária, e evasão ilegal ou ilícita, que corresponderia a fraude em sentido amplo. Desse modo, definese evasão ilícita aquela proveniente de uma ação consciente e voluntária do agente que, por meios ilícitos, fraudulentos ou simulatórios, procura eliminar ou reduzir o pagamento do tributo. Já a evasão lícita é conceituada como conduta preventiva do contribuinte, utilizandose de meios lícitos, ao menos em sua aparência formal, para afastar ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, na prática da evasão ilícita o contribuinte age dolosamente, com o intuito de fugir ao imposto devido; enquanto, na evasão lícita ele busca um determinado resultado econômico, contudo, para obter uma redução do valor da obrigação fiscal ou mesmo para eliminála, utiliza instrumentos legais, ou não proibidos, para chegar a um resultado idêntico, dentro de diversas possibilidades jurídicas. Entretanto, tais denominações não são precisas, gerando uma grande confusão taxonômica. Antônio Roberto Sampaio Dória, diz existir contradição, em relação ao sentido e a terminologia, quando se adicionam qualitativos contraditórios, legal e ilegal, simultaneamente à mesma unidade conceitual, a evasão, Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 37 36 Uma categoria jurídica pode ser e não ser legal. Um ato lícito não se nivela a uma infração, causando a confusão taxonômica que insinua tal nivelamento, ou seja, uma fraude não pode ser fraudulenta e não fraudulenta ao mesmo tempo. Acrescentar ao termo evasão os adjetivos ilegal e legal seria num caso, pleonástico, e, no outro, incompatível. Numa acepção estrita, Heleno Tôrres entende ser evasão fiscal um fenômeno decorrente da conduta voluntária e dolosa, omissiva ou comissiva, dos sujeitos passivos de eximiremse ao cumprimento, total ou parcial, das obrigações tributárias de cunho patrimonial. O autor prefere entender a evasão fiscal como modo de evitar a entrega da prestação do tributo, não concordando com acepções que limitam a configuração da evasão fiscal à fraude e ao contrabando, ou que a ampliam acolhendo em seu conceitos até mesmo os descumprimentos por ignorância da lei e os atos involuntários. Um exemplo que pode ser citado de conduta evasiva é a realização de operações com preços subfaturados, abaixo do preço comum de mercado, e superfaturados, acima do preço de mercado, que resultam em evasão de divisas, e conseqüentemente em redução ilícita de tributos. O Primeiro Conselho de Contribuintes possui julgado a respeito desse tipo de evasão: “IRPJ. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS. EVASÃO FISCAL. Há evasão ilegal de tributos quando se criam oito sociedades de uma só vez, com os mesmos sócios que, sob a aparência de servirem à revenda dos produtos da recorrente, têm, na realidade, o objetivo admitido de evadir tributo, ao abrigo de regime de tributação mitigada (lucro presumido). Primeiro Conselho de Contribuintes. Terceira Câmara. Acórdão n.° 103 07.260. Recurso n.° 89.806. Recorrente: Grendene S.A. Recorrida: DRF em Caxias do Sul (RS). Relator: Urgel Pereira Lopes. Brasília, 25 de fevereiro de 1986. Não tenho dúvidas, que uma vez comprovada a ocorrência de dolo, conluio ou simulação, o legislador tributário entende presente o intuito de fraude, ou seja, presente um artifício malicioso que a pessoa emprega com a intenção de enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou de se evitar seu pagamento para que se caracterize a sonegação, a fraude fiscal. No caso de realização da hipótese de sonegação, o legislador tributário entende presente o intuito de fraude. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 38 37 que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Conjuntamente à distinção pelos meios, há de se considerar uma outra característica diferenciadora entre as condutas: a cronologia do ato. Constatase uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Sendo assim, fazse necessário uma avaliação cronológica do ato ou negócio jurídico; há de se averiguar quando foi praticado no intuito de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do imposto, ou seja, devese verificar se foram realizados antes ou depois da ocorrência do respectivo fato imponível. Se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes, podese estar diante de uma elisão fiscal, porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. A diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN), surge, somente, com a ocorrência daquele. Portanto, concluise que a elisão consiste em não entrar na relação fiscal e evasão é da relação sair após já ter estado. O contribuinte, então, para fugir ao alcance da norma e do tributo decorrente, pode escolher entre dois caminhos: ou desviase do campo da tributação, ou, já sujeito a sua incidência, utilizase de meios ilícitos para impedir, reduzir ou retardar o recolhimento do imposto devido, pela descaracterização do fato gerador ou pela redução da base de cálculo. No entanto, os limites da legalidade, desses instrumentos utilizados nos planejamentos tributários, são fundamentadamente contestados sob o argumento que o ato imponível que deixa de ocorrer por manobras do contribuinte, deve ser tributado, pois a inteligência e a criatividade do planejamento tributário não podem ser ilimitadas, devem sofrer restrições. Etimologicamente, a palavra simulação significa fingir, negar a verdade, designar algo como um conceito contrário à representação mental de um determinado objeto, uma dissociação entre o real e o aparente. A simulação é considerada um instituto de Direito Civil e compreende, dessa forma, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Para Clóvis Beviláqua, numa visão tradicional, ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 39 38 Definise, portanto, negócio simulado como aquele que não traduz a realidade, porque não existe realmente e é diverso daquele que aparenta ser, verificandose, sempre, a intenção de que o ato produza efeito diverso do indicado na sua feitura. Heleno Tôrres discorre a cerca da simulação considerando três visões doutrinárias baseadas na doutrina italiana: a declarativista, que conceitua a simulação como uma divergência entre a vontade do conteúdo e a vontade da declaração, tomando a declaração como elemento de identificação formal do negócio e o elemento subjetivo constituído pela vontade do conteúdo; a causalista, na qual a simulação é a divergência entre a intenção prática e a causa típica do negócio jurídico, estando, nesta acepção, o elemento de identificação formal do negócio fundado na causa do respectivo negócio e o elemento subjetivo determinado pela intenção prática; e a voluntarista, para qual a simulação decorre de uma vontade declarada pelas partes, deliberadamente desconforme com a intenção dos sujeitos. Destarte, o autor conclui que a grande dificuldade se concentra mais na definição de negócio jurídico, ou seja, uma tomada de posição prévia sobre o tipo de orientação a respeito da teoria dos negócios jurídicos em geral, do que propriamente na demarcação correta do conceito de simulação. A simulação lato sensu, pode ser dividida em simulação absoluta e relativa, residindo a diferença entre elas no querer, ou não, a realização do ato que aparece, ou de outro ato qualquer. Na simulação absoluta o ato é inexistente, não entra no mundo jurídico, pois nenhum ato jurídico se teve a intenção de praticar, nem o aparente, nem qualquer outro. Já na simulação relativa existe um ato que aparece, porém não condiz com a real intenção do agente quanto ao seu conteúdo, no todo ou em parte, que se realiza com o intuito de dissimular outro ato cujas conseqüências jurídicas são as efetivamente desejadas. Desse modo, podese observar que existem dois tipos de ato na simulação relativa, o ato simulado, aquele que aparece; e o ato dissimulado aquele que realmente se pretende, mas que não está aparente. Assim, quando lícita a conduta e oponível ao Fisco estáse diante do que se denomina elisão ou elisão fiscal. Quando ilícita a conduta fica caracterizada a evasão fiscal, resultante de fenômenos de diferentes tonalidades (erro de interpretação ou qualificação, simulação, fraude à lei, sonegação, fraude penal, etc.), embora aquele que costuma gerar maiores divergências na experiência prática seja o da simulação. A distinção entre a elisão protegida pelo ordenamento e a evasão por ele repelida é tema extremante tormentoso, que tem ocupado lugar de destaque nos debates doutrinários e no julgamento de inúmeros casos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Muitas vezes a partir das mesmas premissas teóricas e de circunstâncias fáticas muito assemelhadas temse alcançado resultados completamente díspares — ou se considera legítima a atuação do contribuinte por caracterizar elisão fiscal, mantendose o tratamento fiscal menos oneroso, ou se considera sua conduta como ilícita, desconsiderandose seus efeitos e lançandose a diferença de imposto com a multa qualificada por evidente intuito de fraude, para alguns de inexorável aplicação sempre que caracterizada a simulação, gerando insegurança na atuação dos contribuintes e da administração fiscal. Tal discrepância se explica, em parte, pelo fato de que a qualificação dos atos como simulados (e portanto ilícitos) se faz a partir das circunstâncias de cada caso em concreto, não sendo possível, nessa matéria, considerações apriorísticas sobre um outro tipo de Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 40 39 negócio jurídico ou estrutura sem que sejam levadas em conta, na situação concreta, a efetiva realização do ato, suas causas e motivações. O que é preocupante, entretanto, é que por conta de um debate por demais centrado em dicotomias de base constitucional (por exemplo se nosso ordenamento admite uma norma "antielisão" ou se uma tal norma seria ofensiva ao princípio da estrita legalidade), não tem havido progresso significativo no sentido da sistematização dos requisitos substanciais (e não meramente formais) necessários à caracterização da elisão e da evasão (notadamente da simulação) no caso concreto. Nesse sentido, é mister que este Conselho, como órgão de julgamento dotado de quadros técnicos e de alguma forma orientador da conduta da administração e dos contribuintes, se esforce no sentido de procurar estabelecer parâmetros ou Standards para a apreciação das questões relativas à elisão fiscal de modo a reduzir a níveis toleráveis o grau de subjetivismo que por certo sempre existirá no enfrentamento do tema. A experiência estrangeira no trato da elisão fiscal revela que o estabelecimento de referidos parâmetros, ao mesmo tempo em que não "engessa" a qualificação dos fatos na medida em que não define a priori se determinado tipo de negócio é legítimo ou não para fins fiscais, confere certa racionalização no exame dos casos futuros pelo órgão julgador, mesmo que seja para rever ou aprofundar determinado parâmetro anteriormente fixado pelo mesmo órgão. Foi assim que, por exemplo, a experiência das cortes inglesas cunhou a doutrina do "step transaction", ou literalmente transações estruturadas em seqüência. Tal doutrina, construída inicialmente no final da década de setenta, já foi revista pelas cortes da Inglaterra em outras ocasiões, quando se tratou de flexibilizar ou enrijecer os parâmetros anteriormente fixados conforme o viés axiológico prevalente em determinado momento histórico, sem que sua estrutura conceitual básica fosse alterada. Feitas essas considerações, entendo que a atividade exercida pelo contribuinte no sentido de buscar o menor ônus tributário possível em sua vida e seus negócios é legítima e conduz à elisão fiscal quando preenchidos os seguintes requisitos: a) Anterioridade ao fato gerador. Os atos sejam praticados antes da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei; b) Licitude dos atos praticados. Os atos praticados sejam lícitos e possíveis e não vedados pelo ordenamento; e, c) Não caracterização de simulação. Os atos praticados sejam reais e não sejam simulados. Como assevera com o tradicional brilhantismo Ricardo Mariz de Oliveira (in "Reflexos do Novo Código Civil no Direito Tributário", Quartier Latin, p. 200), o terceiro requisito (não caracterização de simulação) é propositalmente redundante, já que está contido no segundo (licitude dos atos). De fato, a caracterização de simulação implica a ilicitude dos atos praticados, o que resulta no não preenchimento do segundo requisito. A ênfase à simulação, segregandoa em requisito apartado, decorre da circunstância de que experiência indica, que na grande maioria dos casos (eu diria que em mais de 90% dos casos) é a sua verificação que conduz à Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 41 40 evasão fiscal e à descaracterização dos efeitos fiscais mais vantajosos visados pelo contribuinte. Voltando à simulação, que é um dos objetos de discussão nos presentes autos, é em sua caracterização que surgem as maiores divergências, embora muitas vezes elas não restem bem explicadas conceitualmente. Nunca foi tradição de nosso ordenamento a instituição de uma regulação tributária de simulação, permanecendo esta no âmbito do direito privado, embora com possibilidade de utilização na esfera fiscal. O art. 102 do Código Civil de 1916 (reproduzido sem alterações no art. 167, parágrafo 1° do Código Civil de 2002), vigente à época dos fatos examinados nos presentes autos, assim estabelecia: Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: I — quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem se confere, ou transmitem; II — quando contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira; III — quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Todas as hipóteses no dispositivo conduzem a uma divergência entre a vontade real, efetiva, e a vontade declarada por quem pratica o ato. Nesse sentido, as hipóteses dos incisos I (declaração não verdadeira quanto à pessoa a quem se transmite o direito) e III (declaração não verdadeira quanto ao tempo da prática do ato) não deixam de estar contidas naquela mais genérica contida no inciso II, que sintetiza a formulação da simulação como o vicio que inquina os atos que não sejam reais por conter declaração ou confissão, condição, ou cláusula não verdadeira. Tal declaração falsa pode ter por objetivo fingir uma realidade inexistente (simulação absoluta) ou fingir que não existe uma realidade efetivamente existente (simulação relativa ou dissimulação). E é precisamente neste ponto que residem as grandes divergências práticas de qualificação dos atos na esfera fiscal, muitas vezes envoltas em falsas dicotomias como aquela que trata da prevalência da forma sobre a substância ou viceversa. Em matéria fiscal parece haver três aspectos envolvidos na adequada caracterização dos atos simulados pela fiscalização e desconstituição de seus efeitos. O aspecto relativo à substância dos atos praticados é o que envolve maior carga de subjetivismo, já que tem relação direta com a aferição da existência de uma declaração não verdadeira ou de uma divergência entre a vontade real e a declarada. Como não há forma de adentrar à psique de quem praticou os atos para aferir com exatidão a existência de tal divergência, mister se faz examinar a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 42 41 efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as conseqüências e ônus, de toda sorte (jurídico, fiscais, operacionais, negociais, etc.) da forma jurídica adotada. Não se cuida, com isso, de tributar o ato segundo o resultado econômico por ele perpetrado, no moldes da teoria da interpretação econômica incompatível com o princípio da legalidade, eis que o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alternativas juridicamente viáveis para atingir determinado objetivo econômico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal. Entretanto, ao escolher uma alternativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da carga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ônus dela decorrentes e deve haver coerência jurídica, no âmbito do direito privado, entre a forma adotada e sua implementação prática, mesmo que referida forma não esteja sendo adotada para o seu fim típico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indireto, plenamente viável em nosso ordenamento. Marco Aurélio Greco aponta com bastante propriedade as preocupações que surgem quando o contribuinte tenta neutralizar os efeitos indesejáveis da forma fiscalmente menos onerosa por ele escolhida ("Planejamento Tributário". Dialética, 2004. p. 358): Outro conjunto de hipóteses que merece atenção é aquele da inclusão – em negócios jurídicos típicos — de cláusulas neutralizadoras de seus efeitos indesejáveis. Vale dizer, as partes, por via indireta, não assume plenamente as conseqüências que decorrem de seus negócios típicos; formatam o negócio para atender exclusiva ou preponderantemente ao seu interesse de sofrer menos tributação. A situação dos autos se resume da seguinte forma: 1º) a empresa "A", controladora de "B", subscreve e integraliza capital na empresa "C", utilizando ações de "B"; 2°) na integralização, as ações de "B" são recebidas por "C" por valor maior do que o valor patrimonial, sendo a diferença justificada por laudo de avaliação, em razão de expectativa de resultado futuro; 3°) com a integralização, a empresa "A" apura ganho de capital pela alienação do controle de "B" e a empresa "C" registra ágio pela aquisição a valor maior do que o valor patrimonial das ações que adquiriu; 4°) a empresa "B" (controlada) incorpora a empresa "C" (controladora) e passa a contabilizar a amortização do ágio. No caso em questão, o exame dos atos praticados pela contribuinte não aponta para a incoerência dos atos ou para tentativa de desconstituição de seus efeitos indesejáveis. Ora, resta claro nos autos, que a razão esta com a recorrente, já que a estrutura societária resultante, em que havia quatro níveis de participação societária era excessivamente complexa e indesejável, razão porque se optou pelo instituto da incorporação como meio de simplificar a estrutura societária. A opção pela incorporação reversa se deu pelo simples fato de que seria muito menos burocrático e custoso incorporar as sociedades de participações na recorrente (sociedade operacional) que proceder ao inverso. Observase, que em razão da reorganização societária deliberada pelos acionistas controladores da ora recorrente, cabia à ela reconhecer o ágio conforme as regras tributárias ditadas pelo art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, face à inexistência de qualquer dispositivo legal ou contábil que determinasse a adoção de procedimento diverso. E na Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 43 42 hipótese, o procedimento adotado, em obediência às normas tributárias, não conflitava com os procedimentos contábeis então adotados. No decorrer das discussões, pareceme que um dos motivos para a lavratura dos Autos de Infrações foi a Instrução da CVM, principalmente a de nº 247/1996, cujos arts. 13 e 14 encontramse abaixo transcritos: DO ÁGIO OU DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Art. 13 Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: I equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do artigo 10; e II ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. Art. 14 O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. § 1º O ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contábil, deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada, por depreciação, amortização, exaustão ou baixa em decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento. § 2º O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro, deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento. Por oportuno, destaco abaixo alguns aspectos que considero relevantes extraídos da Nota Explicativa à Instrução CVM 247/96: NOTA EXPLICATIVA À INSTRUÇÃO CVM Nº 247, DE 27.03.96. Ref.: Instrução CVM nº 247, de 27.03.96, que dispõe sobre a avaliação de investimentos em controladas e coligadas e sobre a elaboração de demonstrações contábeis consolidadas. INTRODUÇÃO A evolução da prática contábil internacional, desde a emissão das Instruções CVM nº 01/78 e nº 15/80, tornou imprescindível a Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 44 43 realização de uma revisão das referidas normas, com o objetivo de atualizálas. Com o processo de globalização dos mercados e com o incremento dos fluxos de capitais, tanto aqueles diretamente aportados no Brasil, quanto aqueles obtidos por entidades brasileiras no mercado internacional, cresceu também a necessidade de harmonização dos procedimentos contábeis e do nível de divulgação feito pelas companhias abertas. Neste sentido, a atual Instrução buscou não apenas corrigir e consolidar as referidas Instruções nº 01/78 e nº 15/80, como também incorporar alguns avanços que já fazem parte das práticas internacionais. Depreendese do acima exposto que a citada instrução CVM foi editada tão somente para a normatização dos procedimentos contábeis das sociedades de capital aberto, sem qualquer efeito para as empresas de capital fechado e muito menos, sem competência para alterar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que somente é factível com a edição de lei. Aliás, para reforçar os argumentos referidos, transcrevo abaixo as funções estabelecidas em lei, de competência da CVM, extraídas de seu site da Internet: www.cvm.gov.br: De acordo com a lei que a criou, a Comissão de Valores Mobiliários exercerá suas funções, a fim de: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de administradores e acionistas controladores de companhias ou de administradores de carteira de valores mobiliários; evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários negociados no mercado; assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido; assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado de valores mobiliários; estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários; promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. Por outro lado, a norma legal que rege a matéria tributária sob exame, encontrase inserida na Lei nº 9.532, de 1997, em seu artigo 7º (e reproduzido no artigo 386 do RIR/99, inciso III), abaixo transcrito: Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 45 44 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. É importante destacar que as instruções emanadas pela CVM são atos administrativos, portanto, infralegais, que não geram quaisquer efeitos fiscais, visto que têm por objeto a regulação das normas contábeis e são endereçadas as companhias de capital aberto. Da simples comparação entre a lei tributária e a Instrução CVM, constatase a distinção entre a forma de apuração do ágio. A Instrução CVM 247/96, prevê duas formas de apuração do ágio, quais sejam: a) que o ágio pode ser apurado mediante a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens do ativo da controlada; e b) o ágio pode ser apurado mediante a diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da controlada. Por seu turno, a norma legal em vigor, artigo 20 do Decretolei nº 1598, de 1977, dispõe que o ágio será apurado pela diferença entre o valor do custo de aquisição da participação societária e o valor do patrimônio líquido proporcional da empresa investida. Não resta qualquer dúvida que o ágio correspondente a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens da controlada não encontra respaldo legal e, portanto, não pode ser utilizado para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 46 45 Esta distinção também ocorre em relação ao prazo de amortização do ágio, no qual a norma legal prevê um determinado prazo, enquanto que a instrução CVM, para fins de apuração do lucro contábil, determina que as companhias de capital aberto realizem a amortização de acordo com o prazo de concessão. Não vejo nenhum empecilho para as empresas sujeitas as determinações da CVM em atenderem aos dois dispositivos (a instrução CVM e a norma legal), visto que no caso da instrução, para fins de apuração do lucro contábil, não existe um prazo préestabelecido para a amortização do ágio, visto que o mesmo fica vinculado ao prazo da concessão, enquanto que a lei fiscal prevê a amortização em 60 meses, independentemente do prazo de concessão. Com isso, fica bem claro que as determinações emanadas pela CVM não possuem qualquer cunho tributário, visto que objetivam regular o mercado de ações e, em especial a relação dos investidores com as empresas. Nesse sentido cabe transcrever as ementas de decisões proferidas por este Tribunal Administrativo: Acórdão nº 10706373, de 22 de agosto de 2001 IRPJ REDUÇÃO DO LUCRO REAL O lucro contábil não se confunde com o lucro real, base de cálculo do IRPJ, portanto, a necessidade de atendimento às normas impostas pela Comissão de Valores Mobiliários CVM, não autoriza a inobservância da legislação tributária. Acórdão nº 10193.692, de 05 de dezembro de 2002 IRPJ. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. AJUSTE AO VALOR PRESENTE DE VALORES DE VENDAS E COMPRAS. Não previsão na legislação tributária para se fazer o ajuste das contas Clientes e Fornecedores ao valor presente, segregando as receitas e despesas financeiras para apropriação no momento de suas realizações. O ajuste admitido pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários não pode gerar efeitos tributários e constitui inobservância do regime de competência e configura hipótese de postergação de pagamento de imposto, devendo o lançamento da diferença, porventura encontrada, ser efetuado na forma prevista no artigo 219 do RIR/94 e Parecer Normativo COSIT nº 02/96. Acórdão nº 10320.475, de 07 de dezembro de 2000: CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADO. AJUSTE AO VALOR PRESENTE. Não há previsão na legislação tributária para se fazer o ajuste das contas Fornecedores e Clientes ao Valor Presente. Tal procedimento, mesmo que admitido pela CVM, tendo em vista que as normas daquele órgão não força para gerar efeitos tributários, constitui inobservância do regime de competência e configura hipótese de postergação do pagamento da CSLL, devendo o lançamento da diferença porventura encontrada, ser efetuado na forma prevista no art. 219 do RIR/94 c/c o PN COSIT nº 02/96. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 47 46 Admitir que a CVM, através de um ato administrativo, possui competência para alterar o prazo estabelecido em lei para fins de reconhecer como despesa o valor investido em ágio fere o princípio da legalidade em matéria tributária, o qual tem como prevê que só pode ser atribuída uma carga tributária a uma pessoa física ou jurídica mediante o comando de uma lei, e, por outro lado, que o Estado não tem nenhum direito além daquele que a lei expressamente lhe concede, visto que a redução do prazo para amortização do ágio tratase efetivamente do aumento da carga tributária. Portanto, o ponto de partida para a determinação do lucro tributável é o lucro líquido do período, conforme definido no artigo 248 do RIR/99, que nada mais é do que o lucro contábil apurado pelas pessoas jurídicas. Portanto, o lucro real, que serve de base para a apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, deriva do lucro líquido contábil, apurado de acordo com as determinações previstas pela lei comercial, o qual, posteriormente, deve ser ajustado por adições e exclusões determinadas pela norma tributária. O lucro contábil, que é apurado antes do lucro tributável, ou seja, aquele serve de ponto de partida para este, tem como norte a Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) e que deve obedecer, conforme determinação do artigo 177, os princípios fundamentais de contabilidade, in verbis: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. § 2º A companhia observará em registros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações financeiras. Assim como a CVM que tem a competência de regular o sistema contábil e as demonstrações financeiras das companhias de capital aberto, também o Banco Central, na área financeira, tem a função de guardião do mercado financeiro e, conseqüentemente, da higidez do mesmo, há décadas padronizou as regras contábeis para as instituições financeiras, visto que tem competência para tanto, porém, referidas normas, não afetam o lucro tributável das instituições por ele reguladas permanecendo sempre em vigor as regras emanadas pelas leis que ditam as regras em relação a forma de apuração e cálculo dos tributos. Em razão de ser ágio interno, a fiscalização entende que a irregularidade é a utilização de um artifício contábil sem suporte econômico (registro de ágio interno), na tentativa de aplicar o tratamento previsto na legislação para o verdadeiro ágio. Este entendimento é sustentado pela autoridade fiscal lançadora com base nos seguintes argumentos: 1°) segundo Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins, "à luz da Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 48 47 teoria da contabilidade é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico", por não haver independência no processo negocial e não acarretar ingresso de novos recursos para o grupo; 2°) o Manual de Contabilidade por Ações da FIPECAFI, o Novo manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, normas da CVM de 2007, e pronunciamentos recentes do CPC repudiam o reconhecimento do ágio interno; 3°) a operação não implica em ingresso de recursos, por não haver pagamento, de sorte que é artificial e não há substrato econômico para admitir o ágio; 4°) que a instrução CVM n° 319 de 1999 admite a amortização do ágio, mas ela trata do "autêntico ágio", que ocorre quando há pagamento efetivo deste ágio. Tal artigo foi apresentado no 4° congresso USP controladoria e contabilidade 2004 e está disponível na intemet (o link http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004) .O titulo do artigo é "A INCORPORAÇÃO REVERSA COM ÁGIO GERADO INTERNAMENTE: CONSEQÜÊNCIAS DA ELISÃO FISCAL SOBRE A CONTABILIDADE". Como se vê, já no próprio titulo os autores deixam claro que sua preocupação é de cunho contábil e que admitem os efeitos tributários da operação (pois a classificam como caso de elisão). No decorrer do trabalho, os autores demonstram o problema da contabilização do ágio surgido em operação dentro do grupo. Conforme eles, o problema é que não há um ingresso de recursos no grupo. Ora, a norma legal prevê a possibilidade de transferência de ágio entre empresas na ocorrência de fusão, cisão e incorporação. Assim, o patrimônio da empresa sucedida passa para o patrimônio da sucessora, representado pelos bens, direitos e obrigações. No caso da existência de ágio no patrimônio da empresa sucedida, será o mesmo transferido para o patrimônio da sucessora. Assim, é possível que uma empresa “Investidora” possua ações de uma companhia (“Investida”) e, desejando subscrever capital em uma outra empresa “Nova Investida”, resolva realizar o aumento de capital na “Nova Investida”, mediante conferência das ações da antiga “Investida”. Nessa situação, a “Investidora” deixa de ser investidora direta da antiga “Investida” e passa a ser investidora direta da “Nova Investida”. A “Nova Investida”, por sua vez, passa a ser investidora direta da antiga “Investida”. Nos termos dos arts. 7º e 8º, da Lei das S/A, o ativo recebido pela nova investida (participação societária) deve ser coerente com o valor do capital social realizado, conforme avaliação. Notase que a empresa “Nova Investida”: (1) recebe ações da antiga “Investida” e (2) entrega, à “Investidora”, ações (ou quotas de capital) de sua própria emissão. Caso o valor “pago” pela “Nova Investida” (representado pelo valor de seu capital, entregue à “Investidora” na forma de ações ou quotas de capital de sua emissão) seja maior do que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga “Investida”, entregue pela “Investidora” à empresa “Nova Investida”), nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações. Por outro lado, há que ser baixado o investimento anteriormente mantido pela “Investidora” na antiga “Investida” podendo, inclusive ser gerado um ganho de capital para a “Investidora”. A Lei nº 10.637, de 2002, conversão da Medida Provisória n° 66 de 2002, deixou essa situação bem clara em seu art. 36 (revogado pela Lei 11.196, de 2005) quando Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 49 48 determinou, à época, o diferimento da tributação do ganho de capital acima referido, conforme a seguir reproduzido: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Ora, a determinação legal (atualmente já revogada) de diferimento da tributação de ganho de capital em evento de subscrição e integralização de capital (correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica), implica a existência de ganho de capital por parte da investidora. Ganho de capital decorre de baixa de ativo e, assim, não há falar em transferência. Por outro lado, a empresa que recebe o investimento fica obrigada a avaliálo, podendo surgir – ou não – um ágio. Repare que, conforme exemplo acima apresentado, verificase a possibilidade de surgimento de ágio na empresa nova investida, sem que haja anteriormente qualquer ágio no patrimônio da empresa Investidora. Isso comprova que não há nesse tipo de operação transferência de ágio anterior, mas – tão somente – surgimento de ágio novo, que demanda fundamentação própria. Esse é o tratamento previsto nos arts. 385 e 386 do RIR/99, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 20, § 19. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 50 49 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 51 50 §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Conforme se observa, os arts. 385 e 386 do RIR/1999, acima transcritos, definem o que é ágio, regra o seu registro e é dele que se infere os pressupostos do ágio. Como se lê, o ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Além disso, conforme a legislação tributária, para fins fiscais, o ágio surge na aquisição de quotas/ações por valor maior que o patrimonial. Tanto faz que a aquisição decorra de uma compra, ou decorra da aceitação que a subscrição seja feita por entrega de quotas/ações, recebidas por valor acima do valor patrimonial. A aquisição é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. Por isso, se a integralização na empresa "C" é feita, pela entrega de quotas da empresa "B", por valor superior ao valor patrimonial das ações/quotas da empresa "B", a empresa "C" adquire essas ações/quotas do mesmo modo que as adquiriria se as estivesse comprando. Pretender dizer que só ocorre aquisição se houver a compra da participação é um grave equivoco, baseado em uma alteração arbitrária e sem fundamento do conceito de Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 52 51 aquisição. Mais grave é o erro se pretender dizer que tal operação só seja considerada aquisição se "A" e "C" não forem do mesmo grupo econômico. Ora, todos os dispositivos legais e doutrinários invocados pela fiscalização para pretender que a ora recorrente não poderia ter registrado o ágio decorrente das operações de aumento de capital com participação societária são explícitos em corroborar a correção do procedimento contábil adotado pela recorrente no sentido de reconhecer o ágio, nos termos do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977 e art. 36 da Lei n° 10.637, de 2002. Assim, de acordo com os arts. 385 e 386 do Decreto 3.000, de 1999, é cabível o registro de ágio na aquisição de ações. No que tange ao fundamento econômico, conforme a legislação fiscal, ele decorre das situações previstas no art. 20, § 2º, DecretoLei n º 1.598, de 1977. É também um grave erro confundir fundamento econômico com pagamento. Também está equivocado limitar a existência de fundamento econômico às operações com terceiros estranhos ao grupo econômico. Pagamento é a contrapartida da compra e venda, uma das formas de aquisição da participação. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. O fato da operação ser entre empresas do grupo não altera a mais valia das ações negociadas. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. No caso presente o fundamento econômico foi rentabilidade futura avaliada por laudo e esta hipótese está prevista na regra de tributação. Portanto, no caso concreto existe o fundamento econômico do ágio. Concordo que historicamente sempre houve no Brasil uma dissonância entre os métodos e procedimentos contábeis prescritos pela profissão contábil e aqueles derivados da legislação tributária. Não obstante o legislador houvesse propugnado por uma estrita separação entre a contabilidade como um sistema de registro de atos e fatos econômicofinanceiros de um empreendimento empresarial, conforme o disposto no art. 177, § 2°, da Lei de Sociedades por Ações, e a contabilidade para fins tributários, sempre houve uma forte influência da legislação tributária sobre as práticas contábeis adotadas pelas pessoas jurídicas brasileiras. Uma vez demonstrado de forma cabal e inequívoca a correção do procedimento contábil e fiscal adotado, quando da aquisição das ações, cabe a aplicação do art. 7º da Lei n° 9.532, de 1997 (art. 386 do RIR/99). Consequentemente, tendo em vista que o ágio registrado foi justificado economicamente como sendo a expectativa de rentabilidade futura, e a ora recorrente contabilizou o mesmo como um ativo diferido. Sua amortização, portanto, passou a ser feita em um prazo não inferior a cinco anos, bem como a despesa operacional decorrente passou a ser tratada como uma despesa dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 5 APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE ISOLADA EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 53 52 A recorrente alega, ainda, não poderiam ser aplicadas, concomitantemente, a multa de ofício – prevista nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 – com a multa isolada, de que trata a alínea “b” do inciso II do art. 44 da mesma Lei. Afirma, em suma, que as referidas multas possuem a mesma base de cálculo e incidem sobre a mesma materialidade, razão por que a sua aplicação simultânea caracteriza um bis in idem. Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Enfim, recorrente alega, que a multa isolada é improcedente tendo em vista que no final do exercício a empresa pode apurar prejuízo, porém temos a salientar que a obrigação de antecipar o pagamento do IRPJ e CSLL deve, conforme a legislação já citada, ser cumprida mês a mês, podendo a contribuinte suspender ou reduzir o pagamento através da comprovação, pelo levantamento de balancetes, de que já recolheu a totalidade ou parte desta, ou mesmo não teria nada a recolher. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, sujeitase à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Observase, que a autoridade lançadora calculou a multa isolada lançada de ofício, com fundamento no artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430, DE 1996, tendo em vista que o contribuinte optou pela tributação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base no lucro estimado. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, estabelece: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] IV – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do artigo 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 54 53 para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. V – isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado que não houver sido pago ou recolhido. Os dispositivos acima transcritos têm como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento dos tributos e contribuições sociais declarados (inciso V) ou que deixou de efetuar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma estipulada no artigo 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, recolhimento por estimativa por empresas que estavam sujeitas ao pagamento pelo lucro real. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo. Ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. No presente caso a fiscalização aplicou a multa de lançamento de oficio, isoladamente, por entender que houve a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre os quais já incide multa de lançamento de ofício. A autoridade fiscal lançadora reconstituiu o lucro líquido contábil em cada períodobase, com os ajustes correspondentes aos valores incluídos no auto de infração, e apurou o valor do IRPJ e da CSLL que deveriam ter sido pago em cada mês, com a aplicação da multa de lançamento de ofício isolada. Como se vê, foi aplicada a multa isolada sobre os valores que deixaram de ser antecipados durante o anocalendário a título de estimativa e também da multa normal de lançamento de ofício, sobre os valores considerados ainda devidos. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, no seu inciso IV, do § 1°, autoriza a cobrança de tal multa, isoladamente, quando em procedimento fiscal verificarse a falta do recolhimento da estimativa e quando não houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições do artigo 112 do Código Tributário Nacional, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do Código Penal, concluise que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 55 54 A legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser cancelada a multa por falta de recolhimento do imposto por estimativa ou por balanço de suspensão/redução. Esta matéria já tem jurisprudência formada no Primeiro Conselho de Contribuintes e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de adições/exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre o mesmo fato apurado em procedimento de ofício. (Acórdão nº 10193.939, de 17/09/2002) PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de imposto por estimativa em de ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro líquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. (Acórdão nº 10193.692, de 05/12/2001) PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOB BASE ESTIMADA. Incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa calculada sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (Acórdão nº 10320.475, de 07/12/2000) IRPJ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso provido. (Acórdão nº 10320.572, de 19/04/2001). MULTA ISOLADA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CABIMENTO A multa isolada de lançamento de ofício só tem cabimento na existência do seu pressuposto fundamental como seja a falta de recolhimento de imposto. Não enseja assim sua aplicação a prática de qualquer ilícito, com ênfase para formal, que não denote inadimplência do sujeito passivo a qualquer obrigação principal. Recurso provido. (Acórdão nº 10320.931, de 22/05/2002) Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 56 55 CSSL. LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO ANTES E APÓS A ENTREGA DA DIRPJ. MULTAS DE OFÍCIO ISOLADA E EM CONJUNTO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de ofício isolada sobre os valores mensais estimados nãorecolhidos e a exigência de multa associada à parcela defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta, esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der no curso do anocalendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em toda a sua extensão e profundidade, do período investigado. (Acórdão nº 10320.662, de 20/07/2001) MULTA – Art. 44 da Lei nº 9.430/96. A multa de ofício, lançada pela autoridade tributária, não pode ser calculada sobre valor superior ao montante da falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. Recurso provido. (Acórdão nº 10512.986, de 09/11/1999) PENALIDADE. MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido devido por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário. (Acórdão nº 10707.047, de 19/03/2003) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE No pagamento espontâneo de tributos, sob o manto, pois, do instituto da denúncia espontânea, não é cabível a imposição de qualquer penalidade, sendo certo que a aplicação da multa de que trata a Lei 9.430/96 somente tem guarida no recolhimento de tributos feitos no período da graça de que trata o artigo 47 da Lei 9.430/96, sem a multa de procedimento espontâneo. (Acórdão nº 10706.591, de 17/04/2002) PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício por falta de recolhimento de imposto por estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização após o encerramento do ano calendário, com glosa de prejuízos compensados além do percentual permitido pela Lei nº 8.891/95, arts. 42 e 58 na determinação do lucro real. (Acórdão nº 107 06.894, de 04/12/2002) No caso, tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Assim sendo, é de se excluir da exigência a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 57 56 6 – QUANTO O CARÁTER CONFISCATÓRIO – MULTA DE OFÍCIO – TAXA SELIC Deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 58 57 administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 59 58 dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É entendimento, neste Conselho de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 60 59 A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” 7 – QUANTO A TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DO IRPJ Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão da irregularidade apurada pela autoridade fiscal lançadora e mantida nesta decisão. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado conseguiu elidir a totalidade da irregularidade apurada, é de se excluir a totalidade do exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer a dele originada (lançamento decorrente) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os itens 02 (adições não computadas na apuração do lucro real – despesa indedutível com amortização de ágio) e 04 (inclusões não autorizadas na apuração do lucro real – exclusão a título de ágio), bem como excluir da exigência a multa isolada lançada de forma concomitante com a multa de ofício. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 61 60 JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 62 61 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Com referência às glosas vinculadas ao denominado “Ágio I”, contabilizado por Jacobs Suchard do Brasil Ltda (JSB) em razão do aumento do capital social da Kraft Lacta Suchard do Brasil S/A (KLSB) em 29/02/2000, mediante entrega de direito de crédito da JSB em face da KLSB, observo que a autoridade fiscal apontou as seguintes irregularidades nesta operação: · Não houve aporte de valores naquele momento e, sim, um ajuste nas contas, visto que esse montante já estava de posse da empresa há bastante tempo; · Inexiste indicação do seu fundamento econômico quando do respectivo lançamento contábil na JSB. A recorrente destaca o reconhecimento, na decisão recorrida, de que o ágio foi apurado ao amparo de propósito negocial inquestionável e foi registrado em conformidade com a legislação de regência, jurisprudência sólida e doutrina de escol, mas observa que a Turma Julgadora rejeitou sua amortização com amparo na (suposta) falta do cumprimento de mera formalidade, qual seja, a demonstração de seu fundamento em rentabilidade futura. Defende a desnecessidade de qualquer demonstração, quanto mais de laudo formal, na medida em que o art. 7o da Lei nº 9.532/97 assim não exigiria, exceto se a amortização se verificasse em prazo superior ao previsto naquele dispositivo. De toda sorte, diz que a documentação apresentada ao Fisco comprova o fundamento eleito, destacando não só os resultados magníficos que passaram a ser auferidos pela Recorrente, como também seus registros contábeis acerca da apuração do ágio, a demonstração de todos os lucros auferidos posteriormente, além de: (c) análise econômicofinanceira demonstrando a capitalização do empréstimo tomado para compra da subsidiária – que resultou na apuração do ágio – e a conseqüente reversão da situação (deficitária) da Recorrente; (d) apresentação de laudo de avaliação elaborado em 2004, etc. Acrescenta que a decisão interpretou equivocadamente que o laudo emitido em 2004 prestarase a fundamentar o ágio em 2000, e reitera sua desnecessidade, reportandose a argumentos da impugnação acerca dos efeitos da capitalização do empréstimo que até então ensejava significativas despesas na investida, observando que na forma da ata de AGE, de 29/02/2000, o preço das ações da companhia, decorrentes do aludido aumento de capital, foi “fixado com base no último aumento do capital, por encontrarse com passivo a descoberto”, aspecto que evidenciaria o fundamento do ágio pago. A amortização questionada pela Fiscalização verificouse a partir da incorporação da JSB pela autuada, e assim sua admissibilidade depende do atendimento aos requisitos da Lei nº 9.532/97, já citada pelo I. Relator: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 63 62 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Como se vê, a amortização pretendida pela recorrente está diretamente vinculada às disposições do Decretolei nº 1.598/77: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Por sua vez, referido dispositivo legal é expresso acerca da necessidade de prova do fundamento do ágio, na hipótese de ele ser associado à rentabilidade futura da investida: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O fato de a investida apresentar melhores resultados depois do aumento de capital em tela não é suficiente para atribuir ao ágio o fundamento de rentabilidade futura, motivo pelo qual é inócua a apresentação de laudo de avaliação da investida em 2004. A Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 64 63 previsão dos resultados nos exercícios futuros deve ser demonstrada como paradigma para aferição do preço atribuído à participação societária. Vejase: nas demonstrações financeiras da investidora, a equivalência patrimonial denotava que o aumento de capital pretendido pelas partes representava apenas R$ 323.534.801,35, e não o aporte de R$ 392.000.000,00. Deste modo, ao concordar em permutar o título de crédito de maior valor pela participação societária de menor valor, a JSB teria razões econômicas que não foram demonstradas naquele momento, e que não podem ser justificadas por eventos futuros, cuja previsão, à época, dependeria precisamente do demonstrativo de rentabilidade futura exigido pela Fiscalização. A recorrente reportase a análise econômicofinanceira demonstrando a capitalização do empréstimo tomado para compra da subsidiária – que resultou na apuração do ágio – e a conseqüente reversão da situação (deficitária) da Recorrente, e embora não se identifique, nos autos, qualquer documento com esta referência expressa, é possível inferir que esta análise estaria vinculada à argumentação de que a investida teria auferido melhores resultados após o aumento de capital, acima rechaçada. E, quanto à alegação de que, nos termos da ata de AGE, de 29/02/2000, o preço das ações da companhia, decorrentes do aludido aumento de capital, foi “fixado com base no último aumento do capital, por encontrar se com passivo a descoberto”, isto só confirma que houve subscrição de ações por valor superior ao patrimonial , mas de modo algum evidencia o fundamento do ágio pago. É compreensível o interesse do grupo societário em converter uma obrigação sujeita a variação cambial e juros em um direito patrimonial dos sócios, reduzindo os impactos financeiros daquela operação no resultado da investida. Mas este fato isolado não é determinante de rentabilidade futura, perspectiva influenciada por diversos outros fatores de mercado. Como bem disse a autoridade julgadora de 1a instância: Não se questiona que a impugnante, conhecedora da realidade do patrimônio da investida, possuía razões subjetivas suficientes para pagar um preço superior ao valor resultante da aplicação da equivalência patrimonial. O problema é que tais motivos não quedaram registrados objetivamente, na forma técnica adequada. Permaneceram – e ainda permanecem – sendo um mistério. A recorrente também menciona, mais à frente, as demais operações realizadas pelo grupo empresarial, reportandose à aquisição da Nabisco em 2000, à venda dos ativos correspondentes às marcas Pilar, Glória, Fleischmann, Iracema, Maguary e de operações com gelatinas, verificadas de 2001 a 2009. Assevera que estes fatos evidenciam a regularidade dos registros contábeis da Recorrente, bem como o fundamento econômico do ágio em rentabilidade futura. Contudo, são apenas fatos dissociados de qualquer análise econômica correlacionada ao valor reconhecido como ágio em 2000. Demonstram o desenvolvimento de uma representativa reorganização operacional a partir de 2000, mas que poderia ter diversos motivos, o que torna indispensável sua vinculação explícita, com base em parâmetros econômicos e financeiros, à rentabilidade futura do empreendimento, de modo a dimensionála em valores compatíveis com o ágio reconhecido contabilmente. Assim, resta sem demonstração o fundamento que resulta na decisão administrativa de subscrever aumento de capital social cujo valor patrimonial é inferior ao da dívida avaliada naquele momento, causa do ágio amortizado nos períodos fiscalizados. Por estas razões, deve ser mantida a exigência relativamente a este item e NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 65 64 Quanto às glosas vinculadas ao denominado “Ágio II”, a contribuinte informara à Fiscalização que a JSB detinha 99,56% das ações de Kraft Foods Brasil S/A (KFB), contabilizadas no valor de R$ 245.703.648,04, e após incorporação desta por Produtos Alimentícios Fleischmann e Royal S/A (PAFER), passaria a deter 28,61% do patrimônio daí resultante, equivalente a R$ 146.823.476,45. Como o investimento em KFB foi baixado e contabilizado o novo investimento em PAFER, a diferença equivalente foi contabilizada como ágio, inicialmente informado à Fiscalização pelo valor de R$ 98.880.171,59, e posteriormente retificado para R$ 99.198.562,99 (resultante da diferença entre as parcelas de R$ 245.700.119,37 e R$ 146.501.556,38). A autoridade fiscal apontou as seguintes irregularidades nesta operação: · Não houve aporte de dinheiro de investidores independentes ou pagamento de ágio; · A contabilização do ágio foi justificada pela nova avaliação econômicofinanceira da KLSB em 2002 e da PAFER e da KFB em 2004 (memórias de cálculo – documentos 2 e 7 do doc. VI), o qual não prevalece na incorporação, pois tratase de pessoas jurídicas sob o mesmo controle acionário. Além disso, a Fiscalização discorre extensamente sobre a inadmissibilidade o ágio em operações internas, estendendo estes argumentos também ao “Ágio I”, ante abordado. A autoridade julgadora de 1a instância constatou que a JSB somente detinha participação societária na PAFER, porque participava indiretamente do capital da KFB, sendo inadmissível a contabilização de qualquer ágio em decorrência da incorporação da KFB pela PAFER. Afirmou que a equivalência com o patrimônio líquido da KFB era indireta e já estava contida no patrimônio líquido da PAFER, e questionou o cálculo do ágio apresentado à Fiscalização, porque partia da falsa premissa de que a JSB detinha 99,56% das ações da KFB. Esclareceu que a PAFER detinha 99,56% da KFB, e que a JSB detinha, apenas indiretamente, 28,59% das ações da KFB. Defende a prevalência do Protocolo de Incorporação e Justificação, mas ainda assim analisa a argumentação apresentada pela contribuinte, observando que: Nessa hipótese, antes da incorporação, seria ela (JSB) a única proprietária do ativo representado por 6.709.173.702 ações da KFB, conforme se vê às fls. 177. Em outras palavras, seria proprietária direta de 100% (cem por cento) de 6.709.173.702 ações, equivalentes a 99,56% do patrimônio líquido incorporado. Segundo o cálculo desse ágio, estampado às fls. 643, antes da incorporação, o valor dessa participação da JSB corresponderia a R$ 245.703.648,04. Entretanto, após a incorporação, esse patrimônio líquido passou a pertencer à empresa incorporadora. A participação da JSB – agora indireta – teria sido reduzida para apenas 28,643380% do seu ativo anterior. Assim, ao consentir na incorporação da totalidade de suas ações e na manutenção do percentual de sua participação no capital da empresa incorporadora (aliás, até sofrendo uma pequena redução), na prática a magnânima JSB estaria doando seu ativo (participação societária na KFB) para os demais sócios originais da incorporadora (PAFER), que experimentariam imediato enriquecimento no exato valor resultante da multiplicação de seu percentual de participação no capital da Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 66 65 PAFER, sobre o total de ações que a JSB teria transferido para esta na incorporação. O quadro abaixo retrata a participação de cada acionista da PAFER sobre o patrimônio líquido que teria sido transferido pela JSB, caso esta fosse mesmo a proprietária dos 99,56% das ações da KFB. Cabe reparar que a participação original da JSB, no valor de R$ 245.703.648,04, teria sido reduzida para R$ 70.688.861,18, e a diferença teria sido distribuída para os demais sócios da PAFER. Esse demonstrativo não leva em consideração os sócios minoritários da KFB, uma vez que não teriam sido mimoseados pela JSB: ANTES DA INCORPORAÇÃO APÓS A INCORPORAÇÃO INVESTIDOR PERC % VALOR R$ PER % VALOR R$ JACOBS SUCHARD ALIM. BR LTDA 99,56% 245.703.648,04 28,643380% 70.688.861,18 NABISCO ROYAL, INC. 0,00% 0,000116% 286,62 KFI USLLC II 0,00% 47,905833% 118.226.576,29 NABISCO GROUP LTD 0,00% 8,794002% 21.702.675,12 AIRCO IHC, INC. 0,00% 14,656669% 36.171.122,73 Assevera a autoridade julgadora que a empresa JSB não adquiriu qualquer investimento novo, seja na empresa KFB, seja na empresa PAFER. Pelo contrário, permaneceu sendo possuidora das mesmas 3.000.770.182 ações que já possuía nesta última. Assim, se não houve aquisição, nem pagamento, inexiste custo de aquisição, ou valor decorrente de avaliação pelo patrimônio líquido, motivos pelo qual não se forma qualquer ágio. No recurso voluntário, a interessada aduz que o ágio em debate originouse quando da realização de aumento do capital social da PAFER pela JSB, mediante conferência de ações da Kraft Brasil, em 23/07/2002. Reportase à operação na qual o capital social da PAFER foi aumentado em R$ 245.700.119,37 e subscrito pela JSB mediante conferência das ações que ela detinha na KFB, em razão da qual a JSB passou a deter 28,64% do capital da PAFER. Diz que a ata da AGE correspondente foi apresentada à Fiscalização, mas ignorada na decisão recorrida. Assevera que o custo de aquisição das ações da PAFER superou seu valor patrimonial, e que a ata da AGE menciona que o preço de subscrição das ações daí resultantes foi fixado com base no valor de mercado da companhia investida (a Pafer), em função da expectativa de sua rentabilidade futura, a qual foi também confirmada em dois laudos de avaliação elaborados pela KPMG, e apresentados à Fiscalização. Tais laudos prestaramse a avaliar o patrimônio líquido da KFB e da PAFER a valor de mercado, com base no fluxo de caixa descontado, e subsidiaram a operação de incorporação da KFB pela PAFER em 31/07/2002. Nos autos verificase que desde sua primeira manifestação, a contribuinte associa o “Ágio II” à operação de incorporação da KFB pela PAFER (fls. 133/134). A operação ocorrida antes, em 23/07/2002, não é mencionada em resposta à intimação fiscal que exige esclarecimentos acerca do ágio amortizado nos períodos fiscalizados, e a mencionada ata da AGE de 23/07/2002 não integra os documentos apresentados, relacionados à fl. 151. Insistindo nesta argumentação, a contribuinte informou um único lançamento contábil representativo da operação questionada, consistente na baixa do investimento mantido em KFB, pelo valor de R$ 245.700.119,37, em contrapartida ao registro do novo investimento em PAFER, no valor de R$ 146.501.556,38, ensejando a diferença denominada ágio gerado na conferência, no valor de R$ 99.198.562,99 (fl. 478). À fl. 477 demonstrou que o valor atribuído ao investimento da KFB resultou da equivalência patrimonial contabilizada Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 67 66 mensalmente até junho/2002, considerando a participação da JSB equivalente a 99,56% do capital daquela empresa. Em suma, a contribuinte não apresentou, e possivelmente não realizou, qualquer lançamento contábil por conta do aporte feito pela JSB no capital da PAFER, mediante entrega das ações detidas na KFB. As duas operações, realizadas em 23/07/2002 e 31/07/2002 foram resumidas ao lançamento de permuta acima descrito, promovido entre investimentos na KFB e na PAFER, do qual resulta o ágio amortizado nos períodos fiscalizados. Daí a coerente conclusão fiscal de que não houve terceiros envolvidos na operação; que o ágio surgiu de operação interna, dissociado de qualquer pagamento; e que os laudos de avaliação econômica do investimento não têm qualquer validade neste contexto. Impugnando a exigência, a interessada mais uma vez não mencionou a operação realizada em 23/07/2002, apenas afirmando que o ágio teve origem nas operações societárias que resultaram na incorporação da KFB pela PAFER, aprovada na forma da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da incorporadora de 31 de julho de 2002 (doc. Anexo 20). Referido documento evidencia que a PAFER era titular da quase totalidade de ações da KFB, a justificar a conclusão da autoridade julgadora de 1a instância acerca da impossibilidade de a autuada ter apurado ágio a partir da falsa premissa de que a JSB detinha 99,56% das ações da KFB. Os novos fatos alegados em recurso voluntário estão demonstrados nos seus Anexos 1A, 1B, 2 e 3 (fls. 1074/1103). A Ata de Reunião de Quotistas da JSB, realizada em 23/07/2002, enuncia a aprovação da subscrição de aumento de capital da PAFER no valor de R$ 245.700.119,37, integralizado com ações detidas na KFB, avaliadas naquele montante. A Ata de Assembléia Geral da PAFER, realizada na mesma data, enuncia a aprovação do aumento de seu capital no valor de R$ 245.700.119,37, a renúncia ao direito de preferência dos sócios Nabisco Royal Inc., KFIUSLLC II, AIRCO IHC Inc e Nabisco Group Ltda; a subscrição e integralização daquele valor por JSB; e a aprovação do laudo de avaliação que atribuiu o valor de R$ 245.700.119,37 às ações. Ocorre que, nesta operação, o aporte feito na PAFER é exatamente igual ao valor da equivalência patrimonial do investimento até então mantido pela JSB na KFB. As 3.000.770.182 ações da PAFER são emitidas ao valor de R$ 81,88 por lote de mil ações fixado com base no valor de mercado da companhia apurado em função da perspectiva de rentabilidade futura. Mas não há qualquer evidência de que o valor patrimonial das ações da PAFER seriam inferiores ao montante assim estabelecido. E esta condição é essencial para afirmarse a existência de algum ágio eventualmente passível de amortização. Os laudos juntados às fls. 1074/1087 e 1088/1097 apenas expressam a metodologia adotada para afirmar que, com base no fluxo de caixa descontado até o final de 2006, o valor de mercado da PAFER seria R$ 732.511 mil e o da KFB R$ 295.349 mil, ambos em 30/06/2002. Não trazem qualquer informação acerca do valor patrimonial das ações da PAFER na data da subscrição de parte delas pela JSB. O valor patrimonial das ações da PAFER tomados como referência para determinação do ágio contabilizado pela contribuinte têm em conta a situação após a incorporação da KFB pela PAFER em 30/07/2002. Ao menos esta tem sido a afirmação da recorrente ao longo de todo o procedimento e processo administrativo. E esta realidade é imprestável para aferição da equivalência patrimonial no momento da subscrição do capital da PAFER pela JSB em 23/07/2002. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 68 67 Assim, correta a autoridade julgadora de 1a instância ao concluir que, uma vez que a JSB não possuía nenhuma participação acionária direta no capital da KFB, não lhe competia efetuar qualquer cálculo de equivalência patrimonial sobre esse investimento inexistente. Isto porque, possuindo a JSB participação apenas na PAFER, mantinha em seu ativo apenas essa participação. Logo, calculava a equivalência patrimonial apenas sobre esse investimento. A equivalência com o patrimônio líquido da KFB era indireta e já estava contida no patrimônio líquido da PAFER. Caberia à recorrente minimamente provar que houve ágio fundamentado em rentabilidade futura no momento da subscrição do aumento de capital da PAFER, integralizado mediante entrega da participação até então mantida pela JSB na KFB. De toda sorte, observase que um dos sócios da PAFER, a KFIUSLLC II, também era sócia da JSB, e que tanto a reunião de quotistas da JSB, como a Assembléia Geral da PAFER, foram presididas e secretariadas pelas mesmas pessoas (Gustavo Hector Abelenda e José Roberto Prado Almeida), também indicadas como sóciosgerentes da JSB e representantes da Nabisco Royal Inc., KFIUSLLC II, AIRCO IHC Inc e Nabisco Group Ltda. Assim, à míngua de qualquer esclarecimento acerca da composição societária das demais pessoas que integravam o capital social da PAFER, não é possível afirmar que a operação foi realizada entre partes independentes. Ao contrário, a Ata de Assembléia Geral da PAFER realizada em 23/07/2002 deixa evidente, em sua parte final, que o aporte de ações da KFB no patrimônio da PAFER foi operação realizada por Gustavo Hector Abelenda e José Roberto Prado de Almeida, com eles mesmos. Desta forma, ainda que restasse provada a existência de alguma diferença entre o valor patrimonial das ações da PAFER e o valor de mercado da participação que passou a ser detida pela JSB na PAFER, mediante entrega do investimento até então detido na KFB, ela não se caracterizaria como ágio passível de amortização fiscal, porque resultante de operação interna ao grupo empresarial, como justificado pela autoridade lançadora. De fato, o art. 7o da Lei nº 9.532/97 é expresso quanto à possibilidade de redução do lucro tributável por amortização de ágio, apenas, quando uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Por sua vez, referidos dispositivos somente se referem ao ágio formado na aquisição de investimentos e, ainda, o art. 7o da Lei nº 9.532/97 frisa que deve ser ele apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, o qual, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. E somente há aquisição quando há intervenção de terceiro e efetiva transmissão de propriedade do direito. Neste sentido, inclusive, é a interpretação veiculada no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, citado pela autoridade lançadora. Referido ato limitase a reforçar o que consta da lei desde sua edição: é necessário que haja preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, superior ao valor patrimonial desse investimento. E somente há preço e, por conseqüência, aquisição, quando a operação se realiza entre partes independentes. Nesta mesma linha o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela referida FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 69 68 Financeiras) já afirmava o mesmo entendimento no âmbito doutrinário, expondo com clareza o conceito contábil de ágio nos termos a seguir transcritos: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta(..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma data base da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, às vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A data base da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.(..) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 70 69 No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO I Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio.O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor papo a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não, pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa. a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor, patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 71 70 fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B." (negrejouse) Observese que não se diz, aqui, que a alienação de uma participação societária somente se dá mediante pagamento, em sentido estrito. O que se exige é uma alteração substancial no patrimônio do alienante, a qual somente se verifica se ele passar a dispor de algo que antes não possuía, condição ausente neste caso, em que a participação societária detida pela JSB na KFB apenas é convertida de direta para indireta, mediante interposição de outra empresa do mesmo grupo, a PAFER. Registrese, ainda, que em artigo publicado por Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins (“A incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade, in “http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004”) vislumbrase que a lei fiscal admite que o ágio surja em outras circunstâncias, em razão do que dispunha o art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Referido trabalho acadêmico, no que importa à área de especialização de seus autores, conclui que definitivamente, à luz da teoria da contabilidade é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. E, para assim arrematarem, argumentam que: Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tão só a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assest), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. [...] Não faz sentido algum reconhecer, numa boa e sadia contabilidade, o resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade. Isso é, na realidade, geração artificial de resultado. Contudo, adentrando à seara tributária, referidos autores limitamse a concluir que o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societária nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferido do Estado para o grupo via renúncia fiscal. Analisando exclusivamente um dos efeitos da operação interna, concernente ao diferimento da tributação do ganho de capital reconhecido pela parte que aliena a participação societária, tratado no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, os autores expõem que: Elucidando o caput do artigo 36, temse que caso uma dada companhia “A” possua participação societária em outra companhia “B”, e resolva constituir uma terceira companhia “C”, integralizando ações subscritas de “C” com a participação Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 72 71 societária em “B” avaliada economicamente, o lucro apurado por “A” na integralização das ações subscritas de “C” não será tributado de imediato, para fins de IRPJ e CSLL. Mais à frente, ao mencionar que o ágio carreado de “C” para “B” será dedutível tanto na apuração do lucro real quanto na base de cálculo da CSLL a ser apurado em “B”, os autores não explicitam qual dispositivo legal autorizaria a classificação daquela parcela como ágio. Diz a Lei nº 10.637/2002, nesta parte já revogada, desde a edição da Lei nº 11.196/2005: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o. Ocorre que a lei apenas difere a tributação do ganho de capital verificado no momento em que o direito da pessoa jurídica convertese em outro de maior valor, por ação única e exclusiva do titular deste direito, e sem que tal direito deixe, efetivamente, seu patrimônio. Na prática, a lei apenas equivale a situação fiscal do sujeito passivo que assim age àquela na qual permanece o sujeito passivo que não promove qualquer transferência de seu investimento para outra pessoa jurídica sob seu controle. E, somente por esta razão, já seria possível afastar o outro efeito aventado para esta operação, qual seja, a formação do ágio. Isto porque inexiste ganho real por parte da pessoa jurídica que transfere seus investimentos para outra pessoa jurídica, mas continua a deter sua titularidade de forma indireta. O diferimento da tributação, assim, não representa qualquer benefício, mas apenas a anulação de uma incidência que se materializaria por ato exclusivo do titular do direito. De outro lado, em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 admite que na nova investida este direito reavaliado tenha a sua maisvalia reconhecida contabilmente como ágio, nem cogita que esta maisvalia seja amortizável. Os autores também não se reportam a qualquer ato normativo, solução de consulta ou julgamento administrativo que assim tenha concluído. Interpretação naquele sentido somente é possível olvidandose dos elementos conceituais de uma aquisição, quais sejam, partes independentes e preço. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 73 72 Vejase que estes elementos integram um conceito uniforme tanto na esfera contábil (na redação da Lei nº 6.404/76, ao menos até sua alteração pela Lei nº 11.638/2007) como na esfera tributária (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), determinante do que representa o custo de aquisição de um investimento. De outro lado, o ágio nada mais é do que a diferença entre o custo de aquisição e a equivalência patrimonial da participação societária, e no presente caso o primeiro restou majorado por conta do valor que lhe foi atribuído pelo seu titular ao subscrever capital na sociedade intermediária que passou temporariamente a deter o controle direto da investida. Assim, somente olvidando que custo de aquisição é o valor efetivamente despendido em transações com o mundo exterior (art. 7o da Resolução CFC nº 750/93), é possível construir o ágio amortizado pela recorrente. Do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um mecanismo para evitar a tributação do ganho escriuturado em razão da transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse real. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29a edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP nº 66, de 2908 2002, convertido no art. 36 da Lei nº 10.637, de 30122002, dispondo: [...] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio líquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio líquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio líquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei específica não foi revogado. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 74 73 Mas, também relevante neste caso, é atentar para o fato de que a controladora não apenas integraliza capital em uma empresa do mesmo grupo societário, nela aportando ações de empresa controlada por valor maior que o patrimonial, fazendo surgir o que se denominou ágio, o qual passou a ser amortizado depois de a controlada incorporar a antiga controladora. Mais que isso, o resultado final desta operação é que, em razão da mencionada incorporação, os sócios permanecem com o controle da investida, embora com uma “novidade”: o surgimento, no patrimônio da investida, de um item classificado como ágio, que se presta a reduzir seu lucro tributável nos cinco anos subsequentes, tendo como fundamento, justamente, a expectativa dos sócios de que este lucro fosse auferido. A operação, nestes termos, busca atribuir à participação societária um valor futuro, que não reúne qualquer materialidade como justificativa para o incremento patrimonial. Distinguese, assim, essencialmente do que se verifica nos verdadeiros casos de aquisição, quando um terceiro paga pela expectativa de rentabilidade futura e antecipa no patrimônio da investidora esta realidade. É possível concluir, assim, que a integralização de capital com participação societária por valor maior que o patrimonial somente é possível quando existam razões passadas que justifiquem esta diferença. Neste sentido, inclusive, é o texto de autoria de Edison Carlos Fernandes (Imposto sobre a renda, planejamento tributário, o revogado artigo 36 da Lei nº 10.637/02 e a extinta correção monetária de balanço. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 129 (jun/2006), p. 27): À luz do exposto, entendemos que o artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, veio corrigir a legislação tributária no sentido de adequar as oportunidades de atualização dos bens, direitos e do patrimônio líquido, incluindo, nesse rol, os investimentos permanentes relevantes. Dessa forma, resgatavase, após o artigo 4o da Lei nº 9.249, de 1995, "uma certa correção monetária de balanço", porque estaria garantindo o diferimento da tributação incidente sobre o ganho gerado pela avaliação de investimento relevante, sujeito ao método de equivalência patrimonial (assim como já ocorre no caso dos bens do ativo imobilizado e do investimento não relevante, avaliado pelo método do custo de aquisição). Sendo assim, estaria plenamente justificada a conduta de contribuintes pessoas jurídicas que criaram, previamente, as condições necessárias para aproveitamento dos benefícios concedidos pelo referido artigo revogado. Não se configura, dessa forma, o abuso de direito, porque o procedimento do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, foi o único meio previsto pelo legislador, seja por qual motivo for, para a reavaliação de investimento relevante, com a tributação sobre o ganho gerado diferida." Por meio desta reavaliação a pessoa jurídica atribui valor atualizado a itens de seu patrimônio que não mais se sujeitam a correção monetária de balanço, e o resultado positivo daí decorrente não tem tributação imediata, sendo diferido para o momento em que esta riqueza se materializar com a efetiva alienação daquele direito a terceiros. De outro lado, esta operação não gera o tão almejado “ágio fundamentado em rentabilidade futura”. Correta, portanto, a conclusão fiscal no sentido de que é inadmissível a amortização de ágio cuja formação está dissociada da necessária independência dos envolvidos exigida pela legislação. Ainda que a recorrente provasse que o valor patrimonial das ações da PAFER era inferior ao valor patrimonial das ações por ela detidas na KFB no momento em que elas foram utilizadas para subscrição do aumento de capital na PAFER (em 23/07/2002), Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 75 74 restaria a evidência de que estas definições foram acordadas por empresas igualmente representadas por Gustavo Hector Abelenda e José Roberto Prado de Almeida. Por estas razões, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item da autuação. Arrematando seu recurso voluntário, a interessada questiona a aplicação concomitante da multa proporcional de 75% e da multa isolada de 50%, argüindo que lhe falta razoabilidade, que há ofensa ao princípio do nãoconfisco, e que a multa isolada somente é pertinente quando o tributo já foi pago, invocando a jurisprudência administrativa contrária a esta forma de imposição. Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 76 75 Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 77 76 anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, o que inclusive motivou a aplicação de retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o fato típico que enseja a multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e o fato típico que enseja a multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Assim, também com referência a este aspecto da defesa, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora Designada Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Acompanho o I. Relator em seu voto quanto à rejeição das argüições de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. Também não acolho a argüição de decadência apresentada no âmbito da infração de compensação indevida de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, mas acrescento que desde limitação instituída pela Lei nº 8.981/95, e mantida pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.069/95, deixou de existir controle individualizado de prejuízos fiscais ou bases negativas a compensar, na medida em que esta utilização deixou de ter prazo para ser promovida. Assim, o sujeito passivo dispõe de um saldo de prejuízos e bases negativas a compensar, que ao ser esgotado resulta em infrações como as aqui imputadas, sendo impróprio vincular prejuízo fiscal ou base negativa apurados em determinado período a compensação promovida em período subseqüente. Quanto ao excesso de juros sobre capital próprio deduzidos nos períodos autuados, tive a oportunidade de exteriorizar meu entendimento na sessão de 12 de junho de 2013, quando rejeitei argumentos semelhantes aos da recorrente no voto condutor do Acórdão nº 1101000.904, assim ementado: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. Por estas razões, também NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10980.725765/201001 Acórdão n.º 1101000.912 S1C1T1 Fl. 78 77 Quanto aos demais aspectos concernentes à invalidade da norma, cabe apenas observar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10865.901760/2008-85
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro material do preenchimento da DIPJ com base nos valores recolhidos a título de débito de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados em DARF. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de erro material do preenchimento da DIPJ com base nos valores recolhidos a título de débito de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados em DARF. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 17 60 /2 00 8- 85 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 103 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 06369.65147.291205.1.7.035283 em 29.12.2005, 38185.07032.291205.1.3.030050 em 29.12.2005, 33967.43724.291205.1.7.035530 em 29.12.2005 e 27561.17866.240609.1.7.031908 em 24.06.2009, fls. 0219, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2003 no valor total de R$3.417,66 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. De acordo com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 2023, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$3.417,66 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$0,00 Diante do exposto, NÃO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 06369.65147.291205.1.7.035283, 38185.07032.291205.1.3.030050, 33967.43724.291205.1.7.035530, 27561.17866.240609.1.7.031908 [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1° do art, 60 e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4° da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 2831, com os argumentos a seguir discriminados. DOS FATOS Em data de 29/12/2005, pela Requerente, foi apresenta a referida DCOMP sob n. 06369.65147.291205.1.7.035283 a qual da conta de uma compensação de CSLL 2484 cujo vencimento de deu em 30/06/2005, no valor de R$1.363,54, valor esse original; Frisase por oportuno que, conforme a mesma DCOMP notase, com relação ao crédito oriundo de saldo negativo de período anterior, o mesmo dá conta do total de R$. 3.417,66, o qual foi utilizado da seguinte forma, se não vejamos: a) Em 29/12/2005 DCOMP retificadora sob n 06369.65147.291205.1.7.03 5283, utilizado R$1.363,54 crédito original utilizado nesta DCOMP; e b) Em 24/06/2009 DCOMP retificadora sob n 27561.17866.240609.1.7.03 1908, utilizado R$. 2.046,83 crédito original utilizado nesta DCOMP. N. Julgadores, conforme demonstrativo acima, referente as DCOMP's, os valores utilizados para compensação do tributo IRPJ 5993 de abril de 2008 no valor de R$1.120,68 e CSLL 2484 de maio/2005 e abril/2008, respectivamente, o saldo do Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 104 3 crédito utilizado foi suficiente para a referida compensação, não podendo, neste diapasão, atribuir o crédito tributário Requerente, sendo certo que a mesma é totalmente, por direito, merecedora de tal compensação. Entendimento diverso do que aqui se discute, levaria ao entendimento por bis in idem; ou seja a dupla tributação, vedado em nosso ordenamento. Assim, nessa esfera, decorre sobretudo dos princípios da dignidade da pessoa humana, da capacidade contributiva, da vedação do confisco e da igualdade, os quais proíbem pretensões tributarias injustas, quer por afetarem o mínimo vital dos cidadãos, quer por violarem o direito de propriedade ou por produzirem efeitos anti isonômicos. Na esfera punitiva, deriva dos princípios constitucionais da legalidade, tipicidade e proporcionalidade. Fato esse, condizente com o significado do postulado do non bis in idem, utilizado pelo Superior Tribunal de Justiça como fundamento para afirmar a impossibilidade de se tributar duplamente a renda (vide, por todos, o EAG 663.058). Surpreendente é o que Fisco, incorrendo em manifesto excesso de exação, esta a negar a compensação de um tributo a qual a Requerente, legalmente, faz jus, sustentando, apenas e tão somente, que o crédito já teria sido utilizado, o que, conforme todo o demonstrado alhures, a utilização foi aquém do crédito existente por levantamento de balanço suspensão/redução. Ora, é manifesto "bis in idem" interpretando, o fisco, de forma extremamente restritiva, olvidando que ela somente veio a expressar uma exigência iniludível do princípio do non bis in idem. Insiste em tributar novamente a renda já gravada no momento da utilização de crédito da Requerente DCOMP. Ademais, opõe objeções secundarias à satisfação do direito, não homologando os pedidos de Compensações DCOMP's apresentadas. Quiçá essa resistência da Fazenda derive de uma incompreensão quanto ao fundamento dos valores mencionados, pois somente a luz do principio do non bis in idem é que se torna viável delimitar corretamente o direito da Requerente. Portanto quando se toma consciência de tal fundamento, resulta evidente que dito principio obsta a tributação do que se presente compensar. Serve, a presente, para evidenciar ser o principio do bis in idem rico em implicações, inclusive na esfera impositiva. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, reconhecendo a compensação do débito fiscal apresentados nas DCOMP's inicialmente descritas. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 07 33.760, de 20.12.2013, fls. 8387: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 105 4 Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada eletronicamente em 23.01.2014 por decurso de prazo, fl. 95, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.01.2014, fls. 9699, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: O Direito A compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, II, do CTN). Ela ocorre quando duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor de obrigações, uma com a outra, operandose a extinção até onde se compensarem. O Código Tributário acolheu o instituto, com algumas particularidades, dispondo no seguinte sentido: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Assim, são requisitos essenciais da compensação tributária: a) autorização legal; b) obrigações recíprocas e específicas entre o Fisco e o contribuinte; c) dívidas líquidas e certas. Decorre logicamente do princípio da estrita reserva legal que preside as relações administrativa e tributária em nosso sistema (arts. 97 do CTN), 5º, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição de 1988). Dessa forma, mesmo quando a lei deixa a cargo da autoridade administrativa o estabelecimento de condições e a exigência de garantias para que o contribuinte possa utilizar a compensação, esta atividade é estritamente vinculada, não sobrando ao agente público qualquer campo de discricionariedade. Assim, as condições para a compensação de créditos tributários, com caráter geral, ficam a cargo da lei. De outro lado, "em cada caso", quando se tratar de situação específica, que foge à regra geral traçada pela lei, poderá a autoridade responsável estipular as condições e garantias peculiares, dentro dos estritos limites legais. Porém, mesmo nas hipóteses de compensação excepcional, o direito de um há de ser o direito de todos quantos naquelas circunstâncias se encontrarem, de acordo com a regra imperativa de isonomia tributária contida no art. 150, II, da Constituição da República. Não pode, pois, em hipótese alguma, o agente público decidir discricionariamente. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 106 5 No presente caso, cristalinamente, constatase a liquidez e certeza do crédito, como preceitua o art. 170 do CTN cuida da compensação de créditos tributários com créditos de qualquer natureza do sujeito passivo com a Fazenda Pública. Não há, portanto, necessidade de o crédito do contribuinte ser desta ou daquela espécie, bastando apenas a liquidez e a certeza para conferir o direito à compensação. Nesse contexto, a compensação do art. 170 do CTN permanece, vigente e aplicável a todas as situações que com ela se identificam, sendo imprescindível, apenas, como comprovado nestes autos, a liquidez e certeza de seu crédito, para contraporse ao crédito tributário que lhe está sendo exigido. A CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, utilizandose, para este mister, a pleiteada compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos e as compensações homologadas tendo em vista o erro material do preenchimento da DIPJ com base nos valores recolhidos a título de débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados nos DARF recolhidos antes do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 107 6 os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício234. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 3 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 4 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 6 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 108 7 A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No Per/DComp nº 06369.65147.291205.1.7.035283, fls. 0206, estão consignados as seguintes informações: Tipo de Documento: Declaração de Compensação [...] Valor do Saldo Negativo 3.417,66 [...] Crédito Original na Data da Transmissão 1.336,26 [...] Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 1.336,26 [...] Pagamentos efetuados no código nº 2484: Valor do DARF R$ Período de Apuração Data da Arrecadação Valor Utilizado para Compor o Saldo Negativo do Período R$ 1.545,35 31.01.2003 30.11.2003 1.139,22 1.526,66 31.01.2003 31.10.2003 1.139,22 1.507,53 31.01.2003 30.09.2003 1.139,22 No Per/DComp nº 38185.07032.291205.1.3.030050, fls. 0710, estão consignados as seguintes informações: Tipo de Documento: Declaração de Compensação [...] Valor do Saldo Negativo 3.417,66 [...] Crédito Original na Data da Transmissão 251,16 [...] Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 251,16 [...] No Per/DComp nº 33967.43724.291205.1.7.035530, fls. 1115, estão consignados as seguintes informações: Tipo de Documento: Declaração de Compensação [...] Valor do Saldo Negativo 3.417,66 [...] Crédito Original na Data da Transmissão 251,16 [...] 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 109 8 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 251,16 [...] No Per/DComp nº 27561.17866.240609.1.7.031908, fls. 1619, estão consignados as seguintes informações: Tipo de Documento: Declaração de Compensação [...] Valor do Saldo Negativo 3.417,66 [...] Crédito Original na Data da Transmissão 2.081,40 [...] Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 2.046,83 [...] Saldo do Crédito Original 34,57 Pagamentos efetuados no código nº 2484: Valor do DARF R$ Período de Apuração Data da Arrecadação Valor Utilizado para Compor o Saldo Negativo do Período R$ 1.545,35 31.01.2003 30.11.2003 1.139,22 1.526,66 31.01.2003 31.10.2003 1.139,22 1.507,53 31.01.2003 30.09.2003 1.139,22 Consta no Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0733.760, de 20.12.2013 excertos da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2003, nº 1301015: Ficha 17 Cálculo da [CSLL] Apuração Anual Valor [...] 35 Base de Cálculo da CSLL 120.146,72 [...] 41 CSLL Mensal Paga por Estimativa 0,00 [...] Embora não tenha constado na DIPJ do anocalendário de 2003 os pagamentos supostamente efetuados de débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada, código 2484, referente ao período de apuração de janeiro de 2003, não se pode inferir, de plano, que não há recolhimentos a serem considerados coincidentes em datas e valores com aqueles indicados nos Per/DComp na formação do saldo negativo pleiteado. A Recorrente anexa aos autos cópias dos DARF, fls. 5658: Período de Apuração Código de Arrecadação Data da Arrecadação Valor do DARF R$ 31.01.2003 2484 30.09.2003 1.507,53 31.01.2003 2484 31.10.2003 1.526,66 31.01.2003 2484 28.11.2003 1.545,35 Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo negativo de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 110 9 CSLL do anocalendário de 2003 deve ser examinado, porque ficou comprovado o erro no preenchimento da DIPJ correspondente, haja vista as coincidências de datas e de valores informados nos Per/DComp e aqueles supostamente recolhidos a título de débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados nos DARF supostamente recolhidos antes do procedimento fiscal. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão em relação ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novas peças de defesa, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19729. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp pelo afastamento do erro material do preenchimento da DIPJ com base nos valores supostamente recolhidos a título de débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados nos DARF, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, a fim de evitar a supressão de instância. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso10. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à autoridade competente para apreciar o mérito do litígio em relação aos valores supostamente recolhidos a maior a título de débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada consignados nos DARF caso constem nos sistemas internos da RFB e ainda para reconhecer a possibilidade de averiguar a existência do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 no valor total de R$3.417,66 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, mas sem homologar a compensação por ausência de análise pela DRF que jurisdiciona a Recorrente. Consequentemente os autos devem retornar à unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido nos Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas 9 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10865.901760/200885 Acórdão n.º 1803002.575 S1TE03 Fl. 111 10 declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso11. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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