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Numero do processo: 10120.721510/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição.
VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS.
Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador.
Numero da decisão: 2202-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaraçao para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.393, de 13/08/2013, manter a decisão original, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que rejeitaram os embargos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição. VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS. Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 287 1 286 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.721510/200958 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202003.722 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2017 Matéria ITR Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ARNALDO DA CUNHA MACCHERONI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição. VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS. Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaraçao para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.393, de 13/08/2013, manter a decisão original, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que rejeitaram os embargos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 10 /2 00 9- 58 Fl. 287DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado). Relatório Tratase, em breve síntese, de notificação de lançamento emitida em desfavor da Embargada para constituir ITR em função de subavaliação do VTN e da não comprovação da área de benfeitorias. Tendo o Contribuinte apresentado impugnação, a DRJ deu provimento parcial ao pleito. Houve recurso de ofício. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, ao qual este e.CARF deu provimento. A Fazenda Nacional, por sua vez, entendeu por bem opor Embargos de Declaração, que foi acolhido. Tendo feito o resumo dos autos, passo ao relato pormenorizado da lide. O acórdão CARF nº 2202002.393 desta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, julgado na sessão de 13 de agosto de 2013, por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário na forma da ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. COMPROVAÇÃO DE BENFEITORIAS. Prevalece a Declaração do Contribuinte quanto à existência de benfeitorias, exceto se a Fiscalização provar o contrário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Acontece que, intimada, a Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios para sanar a omissão assim descrita: "Contudo, ao afastar o VTN determinado no auto de infração, [o colegiado] entendeu pertinente acolher o VTN declarado pelo contribuinte na DITR sem observar que o laudo apresentado Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202003.722 S2C2T2 Fl. 288 3 no decorrer do presente processo administrativo fiscal apontou valor superior àquele declarado. (...) O acórdão em análise acolheu o laudo para comprovação da existência de benfeitorias, por considerálo instrumento apto à indicação precisa destas. Porém, no momento em que afastou o VTN informado pela fiscalização, deixou de utilizar o valor definido no mesmo documento." fl. 278 (grifos no original). Os embargos foram acolhidos por presidente de Turma com base em informação prestada pelo relator designado anterior. Vez que este não mais se encontra no CARF, os autos foram novamente sorteados, caindo em minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. A lide se resume, portanto, no fato de que a decisão recorrida não se pronunciou sobre a possibilidade ou não de aceitar o VTN apurado no laudo apresentado pelo contribuinte, ao invés do valor por ele declarado em sua DITR. Efetivamente, repisando a decisão embargada, percebese que no tópico destinado à análise do VTN não há uma única linha versando sobre o valor apurado no laudo de avaliação; pelo contrário, o acórdão discorre exclusivamente sobre a impossibilidade de arbitrar o VTN com base no SIPT, vez que este não observa a aptidão agrícola do imóvel. Ainda que não tenha se pronunciado sobre a questão, a verdade é que não se pode dar a esses Embargos o efeito infringente pleiteado pela Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, o laudo aceito pela decisão embargada para comprovar a existência de Benfeitorias é aquele de fl. 33. Esse laudo, composto de uma única folha, versa exclusivamente sobre o levantamento topográfico para fins de identificação das áreas de Benfeitorias. Não trata do VTN do imóvel. Em segundo lugar, a verdade é que esse laudo não foi considerado prova cabal para o afastamento da glosa. Pelo contrário, serviu como mero indício, o que foi suficiente para o convencimento do colegiado apenas porque a fiscalização não trouxe nenhum elemento que pusesse em dúvida a existência das referidas benfeitorias em 2005: "Ao analisar o Laudo Técnico, acostado à fl. 33 e apresentando ainda durante a fase fiscalizatória, verifico que há o devido detalhamento da área de Benfeitoria (inclusive informando Fl. 289DF CARF MF 4 metragem um pouco superior à declara; 104,8 ha declarado pelo contribuinte X 107,1018 ha apurada pelo laudo) (...) Sendo assim, considerandose que, para fins de ITR, a declaração do contribuinte é presumidamente verdadeira, cabendo à Fiscalização, em caso de dúvida, demonstrar a sua inexatidão (...)" fl. 269; Em terceiro lugar, o laudo a que se refere a Fazenda Nacional, em seus Embargos Declaratórios, é de folhas 130/138 do eprocesso, este sim dedicado à avaliação do imóvel rural. Acontece que esse Laudo, além de ter sido elaborado em 2009 quatro anos após o exercício tributado não traz elementos suficientes para convencer o julgador em relação ao VTN do imóvel em 2005. Efetivamente, a própria autoridade lançadora identificou uma série de elementos que impedem a utilização desse laudo como referência para o VTN, tanto assim que o afastou e arbitrou o VTN com base no SIPT: "(...) Portanto, verificamos que as transações imobiliárias apresentadas não são contemporâneas a data da ocorrência do fato gerador, no presente caso 01/2005. (...)" fl. 4; "Ademais, a avaliadora em seu laudo não demonstra ter realizado vistoria nas amostras apresentadas, nem que estas possuem características semelhantes ao imóvel avaliado, muito menos elaborou demonstrativo que permita entender como chegou aos valores utilizados para cálculo da média. Assim, o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte para comprovação do valor da terra nua declarada não atende ao solicitado no Termo de Intimação nº 01201/00033/2009. O lado deveria ser apresentado conforme estabelecido na NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT" fl. 5; Igualmente, a decisão de 1º grau (acórdão DRJ/BSB nº 0336.071, de 24/03/2010 fls. 235/242): "DO VALOR DA TERRA NUA VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridade desfavoráveis, que justificassem o valor pretendido." fl. 235; "No presente caso, em atendimento à intimação inicial (fls. 09), o impugnante apresentou laudo técnico de avaliação de fls. 79/87 [eprocesso fls. 130/138] para o exercício de 2005, elaborado por engenheira agrônoma e com ART/CREA (fls. 88), atribuindo ao imóvel rural avaliado um VTN de R$ 5.711.233,00 ou R$ 498,38/ha (R$5.711.2230,00 : 11.459,5 ha). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202003.722 S2C2T2 Fl. 289 5 No entando, esse laudo já foi desconsiderado pela autoridade fiscal (...) De fato, o item 7.4.3.3 dispõe sobre a necessidade de investigação do mercado, coleta de dados e informações confiáveis sobre negócios realizados e ofertas que sejam contemporâneos à data de referência e que as fontes devem ser diversificadas. (...) Assim, deveria o requerente apresentar um laudo de avaliação complementar ou mesmo um novo laudo de avaliação, que demonstrasse, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de 1º de janeiro de 2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT." fl. 240. Enfim, tendo em vista tudo isso, o laudo não pode ser aceito como referência para estabelecer o VTN do imóvel, ante a incerteza do valor apurado. Razão pela qual, concordo com a posição do acórdão embargado de que deve prevalecer o valor declarado pelo Contribuinte em sua DITR. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios do acórdão 2202002.393, de 13 de agosto de 2013, manter decisão original. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720750/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001
A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente.
No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998.
INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 07 50 /2 01 3- 83 Fl. 254DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo nº 10140.720750201383, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1448.657 (fls. 201/204): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2011 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. A empresa tomadora de serviços é responsável pela contribuição no valor de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra os serviços de secretaria, expediente e desempenho de rotinas administrativas, entre outros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo teve sua origem em dois autos de infração distintos, em face de ZANIN AGROPECUÁRIA LTDA., referente ao lançamento de crédito tributário de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural auferida por produtor pessoa jurídica, tendo como período de apuração 01/2009 a 12/2011 e período do débito 01/2009 a 10/2011. São eles: 1. AI – Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.9488 (fls. 6/20), no valor de R$ 1.587.268,91, referente às contribuições sociais previdenciária a cargo da empresa (INSS e SAT/RAT), não declarados em GFIP; 2. AI – Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.9496 (fls. 21/29), no valor de R$ 150.744,67, referente às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, não declarados em GFIP. Fl. 256DF CARF MF 4 De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 30/36): 1. Foram examinados os seguintes documentos: a. Escritura Contábil Digital; b. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); c. Notas Fiscais Eletrônicas (NFe); d. Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência (GFIP); e. Guia da Previdência Social (GPS); f. Contrato Social e Alterações; 2. Foi verificado que o contribuinte não estava protegido por mandado judicial que lhe eximisse da obrigação tributária incidente sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção Rural; 3. A receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, base de cálculo das contribuições objeto dos Autos de Infração, encontrase detalhada na Planilha Receita da Comercialização da Produção (fls. 104/135) juntada ao processo. Em 13/06/2013 o Recorrente tomou ciência do lançamento (fl. 143) e, em 12/07/2013, tempestivamente, apresentou impugnações individuais para cada Auto de Infração. Para o DEBCAD nº 51.0309496 impugnação folhas 150 a 170 e para o DEBCAD nº 51.030.9488 impugnação folhas 172 a 192, onde argumenta que: 1. Os lançamentos são nulos pelo fato de já ter sido auditada no período de 01/2009 a 10/2009 e, portanto, não poderia ter sido autuada no período de 01/2009 a 10/2011; 2. As notificações de lançamento são nulas por ausência dos requisitos do artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235/1972, que diz ser obrigatório que na notificação contenha a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo, ou função e o número de matrícula; 3. Inexiste relação jurídica que justifique os lançamentos por falta de previsão legal do fato gerador. Afirma que as autuações se fundamentaram no art. 22A, inciso I, com redação dada pela Lei 10.256/2001, que não define o fato gerador, mas tão somente a base de cálculo e a alíquota. Completa seu argumento dizendo que o fato gerador está previsto nos artigos 166 a 169 da Instrução Normativa RBF nº 971/2009, que por ser ato administrativo do Poder Executivo não é competente para tal, segundo se aduz dos artigos 97 e 114, ambos do CTN; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 4 5 4. O dispositivo que fundamenta a exação só poderia ser criado por Lei Complementar e, portanto, é inconstitucional (RE 363.852/MG e RE 596.188/RS); 5. Sabe não caber arguição de inconstitucionalidade em defesa administrativa, mas, por força do inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, entende que pode ser afastada a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo pleno do STF; 6. O dispositivo que fundamenta a exação tem a mesma base de cálculo da COFINS, violando o disposto no §4, do art. 195, combinado com o inciso I, do art. 154, ambos da Constituição Federal de 1988; 7. Na hipótese de ser mantido o auto de infração deve ser deduzido do seu valor os recolhimentos que não foram levados em conta quando da lavratura. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 9ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sendo este notificado do Acórdão de nº 1448.657 em 08/04/2014 (fl. 222). Em 07/05/2014 apresentou Recurso Voluntário (fls. 229/243), onde repete os mesmos argumentos da impugnação e, por fim, requer a revisão e cancelamento dos Autos de Infração lavrados. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar · Da nulidade em virtude do período da fiscalização A Recorrente pleiteia a nulidade dos lançamentos pelo fato de já ter sido auditada no período de 01/2009 a 10/2009, razão porque não poderia ter sido autuada no período de 01/2009 a 10/2011. Entendo que não merece prosperar o argumento aduzido pela recorrente, na medida em que não restou comprovado que os valores exigidos no Processo Administrativo em apreço foram objeto de lançamento anterior. · Da nulidade por ausência de assinatura do chefe do setor Argumenta ainda que as notificações de lançamento são nulas por ausência dos requisitos do artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235/1972, no que tange à obrigatoriedade da assinatura do chefe do órgão expedidor. Sem razão o pleito recursal. O lançamento encontrase devidamente assinado por servidor autorizado, com a indicação da função e o número de matrícula (fls. 12 e 21), portanto, cumprida a exigência do art. 10, VI, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, concernente à lavratura de auto de infração. Assim, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte. Mérito Cuidase de recurso voluntário contra exigência de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural auferida por produtor pessoa jurídica. Aduz a Recorrente que não há fundamento jurídico para respaldar os lançamentos por falta de previsão legal do fato gerador, e que permanece o vício de inconstitucionalidade no art. 22A, inciso I, com redação dada pela Lei 10.256/2001. Afirma que o dispositivo que fundamenta a exação é inconstitucional e justifica sua alegação nos julgados do STF (RE 363.852/MG e RE 596.188/RS). De fato, é cediço que, por ocasião do julgamento do RE nº 363.852/MG, ratificado pelo acórdão exarado em sede de repercussão geral no RE nº 596.177/RS, o Supremo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 5 7 Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/1992, a qual respaldava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, no que tange à contribuição social exigida do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. No entanto, a inconstitucionalidade reconhecida não atinge o diploma no qual se amparou o lançamento, motivo porque não há que se falar em aplicação do inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF. De outro lado, é sabido que há existência de repercussão geral reconhecida no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento, no que diz respeito à redação conferida ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, conforme ementa a seguir transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. De acordo com a decisão exarada pelo Relator, Ministro Ricardo Lewandowski: Neste RE, fundado no art. 102, III, b, da Constituição Federal, pleiteiase o reconhecimento da constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre o resultado de sua produção a partir do advento da Lei 10.256/2001. [...] A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. A circunstância de terse a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10.256/2001, na parte que modifica o caput do Fl. 260DF CARF MF 8 artigo 25 da Lei 8.212/1991, pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na forma prevista no art. 97 da Lei Maior, já é suficiente para demonstrar a existência de questão que extrapola o mero interesse subjetivo das partes envolvidas neste processo. Além disso, a repercussão geral do tema referente à constitucionalidade da exigência de contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre o resultado da comercialização de sua produção, foi reconhecida no RE 596.177/RS, de minha relatoria. Contudo, não houve nessa oportunidade tampouco no julgamento do RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, o exame da matéria sob o enfoque presente neste recurso, a saber: a exigência do tributo com fundamento em lei editada após a Emenda Constitucional 20/1998. Isso posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do art. 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º, do RISTF. Todavia, tendo em vista que o recurso ainda encontrase pendente de julgamento, não produz quaisquer efeitos perante os órgãos da administração pública federal, permanecendo inalterada a vigência da Lei nº 10.256/2001. Para a autuada, de um modo ou de outro, permanecem vícios de inconstitucionalidade na matriz legal sob a qual se fundamenta o lançamento, o que não pode ser analisado por este egrégio Conselho, em razão da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória, in verbis: Súmula CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, requer a autuada, no caso de manutenção dos autos de infração, a dedução do valor relativo aos recolhimentos que não foram levados em conta quando da lavratura dos Autos de Infração, e para tanto anexa depósito judicial de fl. 264, sem indicação de número de processo, além da publicação relativa ao processo nº 00016245.2010.4.03.6007, que não faz referência à empresa ora Recorrente, conforme adiante se vê: APELAÇÃO CÍVEL Nº 000016245.2010.4.03.6007/MS 2010.60.07.0001629/MS RELATORA : Desembargadora Federal CECILIA MELLO REL. ACÓRDÃO : Desembargador Federal Peixoto Junior APELANTE : ALCEU ZANCHIN ADVOGADO : CASSIUS MARCELUS DA CRUZ BANDEIRA e outro Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 6 9 APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO No. ORIG. : 00001624520104036007 1 Vr COXIM/MS EMENTA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE COMERCIALIZAÇÃO RURAL. LEIS Nº 8.540/92 E Nº 9.528/97. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO A PARTIR DA LEI 10.256/2001. INTELIGÊNCIA DA EC Nº 20/98. I Superveniência da Lei nº 10.256, de 09.07.2001, que alterando a Lei nº 8.212/91, deu nova redação ao art. 25, restando devida a contribuição ao FUNRURAL a partir da nova lei, arrimada na EC nº 20/98. II Recurso desprovido. Não procede, assim, o pleito de dedução de valor depositado sem qualquer relação com o lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001288/2010-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Fez sustentaçção oral a patrona do contribuinte, Dra. Tatiana Barros, OAB-DF 46519, escritório Schneider, Pugliese Advogados.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. Fez sustentaçção oral a patrona do contribuinte, Dra. Tatiana Barros, OAB-DF 46519, escritório Schneider, Pugliese Advogados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. Fez sustentaçção oral a patrona do contribuinte, Dra. Tatiana Barros, OAB DF 46519, escritório Schneider, Pugliese Advogados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 88 /2 01 0- 77 Fl. 665DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase, na origem de indeferimento de pleito para revisão de Ordem de Emissão Incentivo Fiscal referente PERC, exercício 2008, FINAM,diante do fato de o contribuinte ter apresentado DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores que pretendia aplicar em incentivos fiscais, contrariando o disposto no Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e a Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Contra essa decisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, ao argumento de que a pessoa jurídica que apresentar DIPJ retificadora após o encerramento do exercício não faria jus à opção para aplicação em incentivos fiscais se alterar o valor ou fundo de investimento da opção exercida na declaração entregue dentro do exercício de competência. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento deu provimento ao Recurso, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a matéria. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta o Acórdão 108 09.111, como paradigma, argumentando que na decisão ali exarada, o entendimento foi totalmente oposto àquele contido no recorrido, no sentido de que a pessoa jurídica que apresenta DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não faz jus a essa opção. Nesse contexto, a Fazenda Nacional requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega, em suma: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 9101002.775 CSRFT1 Fl. 667 3 ü Que nos termos do ADN CST 26/85 e ainda do Parecer COSIT nº 31/2002, não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais especificados nos artigos 503 a 510 do RIR/80, a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente; ü Tal conclusão é tanto mais incidente quando se considera que, entre a declaração original e a retificadora, há alteração dos valores a serem aplicados nos mencionados incentivos, por expresso descumprimento também às disposições constantes da Nota SRF/COSAR nº 131/2001; ü Nesta esteira, observese que no caso ora posto à apreciação, os valores dos incentivos transcritos na retificadora, apresentada fora do exercício competente, foram alterados, em evidente afronta às determinações existentes no que tange às regras para fruição dos incentivos fiscais disponibilizados aos contribuintes; ü Com efeito, considerando o efetivo descumprimento das regras para opção pela aplicação nos incentivos fiscais, constante de diversos normativos expedidos pela Administração Tributária, necessária se mostra a reforma do acórdão em tela no sentido de vedar a opção irregular do contribuinte. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “A recorrente alega que, em sentido diverso àquele propugnado pelo v. acórdão atacado, acórdão paradigma nº 10809.111, proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu que a pessoa jurídica que apresenta DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não faz jus a essa opção. (...) As similitudes fática e jurídica entre os julgados são incontestáveis e podem ser verificadas do simples cotejo das ementas acima transcritas. Ademais, vale ressaltar que ambos os julgados discutem a aplicação da Nota SRF/Cosar nº 131/2001, se não vejamos os seguintes trechos dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigma, in verbis; (...) Uma vez demonstrada a divergência jurisprudencial que desafia recurso especial, opino pela sua ADMISSIBILIDADE.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: Fl. 667DF CARF MF 4 ü A inadmissibilidade do Recurso, diante da ausência de simulitude fática, tendo em vista que no recorrido discutese tão somente a possibilidade de manutenção do benefício fiscal frente à entrega de DIPJ retificadora, enquanto no paradigma debatese a regularidade fiscal do contribuinte quando da solicitação do benefício fiscal; ü O AD COSIT 26/85 não se presta a justificar o indeferimento, visto que a opção fora apresentada no exercício de competência e em conformidade com a legislação de regência do incentivo; ü A Nota SRF/COSAR 131/2001 também não se presta ao indeferimento, porque pressupõe opção de aplicação em declaração retificadora, o que não é o caso, eis que a opção foi exercida em declaração original; ü O Contribuinte manifestou tempestivamente sua opção pelo beneficio, mediante registro em DIPJ original, posteriormente transmitindo DIPJ retificadora com manutenção de sua opção ao fundo e o mesmo percentual inicial, não havendo qualquer norma que vede o direito em virtude da aludida retificação, independente do exercício que ocorra, conforme já decidiu essa Câmara Superior em outras ocasiões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo ser importante o debate. Conforme alegado pelo Contribuinte, a razão de decidir no caso do Acórdão paradigma considerou a situação de irregularidade fiscal do sujeito passivo. De fato, analisandose referida decisão é de se concluir que a irregularidade fiscal daquele contribuinte foi elemento da razão de decidir, conforme o seguinte trecho do voto: Pelo exposto, considerando o disposto pelo artigo 60 da Lei n°. 9.069/1995, voto para que seja negado provimento ao Recurso, restando prejudicados os demais argumentos expendidos nas razões oferecidas. Ocorre que analisando mais a fundo o voto é possível perceber que a questão da retificação da DIPJ também foi tratada, havendo, inclusive menção ao ADN CST 26/85 e demostrando a conclusão de que a retificação da DIPJ em exercício posterior à opção impede a utilização do benefício. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. No mérito, entretanto, filiome à corrente já decidida por essa 1ª Turma da CSRF, no sentido de que o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese o Ato Declaratório (Normativo) nº 26, de 18 de novembro de 1985, interpretado pelo Parecer Cosit n.º 31, de 19 de novembro de 2002 e a Nota Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 9101002.775 CSRFT1 Fl. 668 5 SRF/COSAR nº 131, de 15 de agosto de 2001, o entendimento constante nesses atos administrativos é incompatível com a Instrução Normativa SRF nº 166, de 1999, que determina que a DIPJ retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Sobre o tema, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto do Relator do Acórdão 9101002.457: "Analisando o conflito de normas no tempo, verificase que o Secretário da Receita Federal em 1999 deu nova formatação normativa ao entendimento esposado no Ato Declaratório Normativo do CST nº 26, de 1985, no que se refere ao efeito jurídico da apresentação espontânea de documento retificador fixando que esta tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e a substitui integralmente. Demonstrada está a incompatibilidade entre o Ato Declaratório Normativo do CST nº 26, de 1985 e a Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Embora o princípio da conciliação verse sobre a possibilidade de convivência das normas gerais com as especiais que tratem do mesmo assunto, notese que a Nota SRF/COSAR nº 131, de 15 de agosto de 2001 e o Parecer Cosit nº 31, de 19 de novembro de 2002, também são inconciliáveis com a Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, que além de ser norma hierarquicamente superior contraria os de forma absoluta. Ademais, os atos normativos invocados pela PGFN pressupõem que a opção de aplicação em incentivo fiscal fora efetuada em declaração retificadora, o que não é o caso, eis que a opção foi exercida na declaração original. A alteração da retificadora não representa nova opção, posto que não houve acréscimo à opção já exercida e sim decréscimo do valor. Além disso, os dispositivos legais que regem o assunto não estabelecem que a retificação da declaração têm o condão de afastar o direito à opção da pessoa jurídica, ou seja, não há norma que vede a manutenção da opção em declaração retificadora, que, afinal, substitui a retificada para todos os efeitos legais." Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 669DF CARF MF 6 Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002212/2005-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2000
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caso não atenda o requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência momentânea da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caso não atenda o requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência momentânea da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 12 /2 00 5- 00 Fl. 27493DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.494 2 conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 17977/18016) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101 00.622 (efls. 17825/17972), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 23/11/2011, no qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e ao recurso de ofício. Resumo Processual Foram lavrados autos de infração (efls. 1041/1092) de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2000. A primeira instância (DRJ), ao apreciar a impugnação, julgou o lançamento procedente em parte (efls. 16848/16884). Em razão do crédito exonerado, foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício). Foi interposto recurso voluntário (efls. 16918/17023) pela Contribuinte. A turma ordinária do CARF julgou no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e ao recurso de ofício (efls. 17825/17972). Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 17977/18016), em relação às matérias (1) pagamentos sem causa IRRF; (2) passivo fictício IRPJ; (3) devoluções e cancelamento de vendas IRPJ e (4) descontos incondicionais. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 27447/27453) deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 27474/24488). A seguir, maiores detalhes sobre as fases inquisitória e contenciosa. Da Autuação Fiscal Transcrevo a descrição do relatório da decisão da turma a quo, objetivo e preciso, que inclusive apresenta, para cada infração tributária, o resultado do julgamento da primeira instância: 1. Infrações vinculadas a operações no exterior não confirmadas: a. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADAS: valor tributável de R$ 35.350.992,00, submetido a incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 150%), cuja multa qualificada foi reduzida a 75% no julgamento de 1ª instancia, no qual também foram canceladas as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS em razão da decadência; Fl. 27494DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.495 3 b. CUSTOS NÃO COMPROVADOS: valor tributável de R$ 31.758.156,00, submetido a incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 150%) cuja multa qualificada foi reduzida a 75% no julgamento de 1ª instancia; c. PAGAMENTOS SEM CAUSA: valor tributável de R$ 31.758.156,00, submetido à incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 150%), integralmente desconstituído no julgamento de 1ª instância; d. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/SEM CAUSA: valor tributável de R$ 48.858.701,54, submetido à incidência de IRRF (Multa de Oficio de 150%) cuja multa qualificada foi reduzida a 75% no julgamento de 1ª instância. 2. PAGAMENTOS SEM CAUSA: valor tributável pelo IRPJ e CSLL de R$ 217.533.915,62 (Multa de Oficio de 75%) e valor tributável pelo IRRF de R$ 334.667.562,49 (Multa de Oficio de 75%), mantidos integralmente no julgamento de 1ª instância; 3. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO: valor tributável de R$ 8.877.000,00, submetido à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 75%), cujos reflexos de Contribuição ao PIS e COFINS foram cancelados no julgamento de 1ª instância em razão da decadência; 4. DESPESAS NÃO COMPROVADAS: valor tributável de R$20.056.567,54, submetido à incidência de 1RPJ e CSLL (Multa de Oficio de 75%), mantido integralmente no julgamento de 1ª instância; 5. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS VENDIDAS: valor tributável de R$ 93.101.916,10, submetido à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1ª instância, em razão da exclusão da base de cálculo de R$ 205.477,26, proposta em diligência pela autoridade lançadora; 6. OMISSÃO DE RECEITAS. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS: valor tributável de R$ 242.275.987,08, submetido à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1ª instância, em razão da comprovação da base de cálculo de R$ 2.939.359,55; 7. ERRO NOS DADOS FORNECIDOS EM MEIO MAGNÉTICO aplicação de multa regulamentar no valor de R$ 13.665.697,91, exonerada integralmente no julgamento de 1ª instância; 8. CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS: valor tributável de R$ 13.633.460,36, submetido à incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1a Fl. 27495DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.496 4 instancia, em razão da comprovação da parcela de R$ 2.234.479,79; e 9. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE JUROS RECEBIDOS. MÚTUO COM PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR: valor tributável de R$ 3.601.049,24, submetido à. incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1a instância, em razão da exclusão da parcela de R$ 71.810,85. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins, para o anocalendário de 2000. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 1105 e segs.). Inicialmente a 7ª Turma da DRJ/São Paulo I votou no sentido de converter o julgamento em diligência (efls. 1340/1361) para esclarecer questões sobre os lançamentos fiscais. Uma vez retornados os autos com o resultado da diligência (efls. 1804/1815), foi realizado julgamento, conforme Acórdão nº 1618.790 (efls. 16848/16884), que julgou os lançamentos procedentes em parte, conforme ementa a seguir. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS/COFINS/IRRF. O PIS, COFINS e o IRRF inseremse no rol dos tributos/contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Se constatado que houve pagamentos, ainda que parciais, determinase o prazo de decadência conforme o disposto no § 4° do art. 150 do CTN; na inexistência de pagamentos, aplicase disposto no art. 173, I, do citado diploma legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO/CANCELAMENTO DE VENDAS. Fl. 27496DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.497 5 A divergência de valores na escrita fiscal/contábil ou mesmo a ausência de escrituraçãO das operações de devolução/cancelamento de vendas, legitima a exigência fiscal da comprovação efetiva do trânsito dessas mercadorias, sujeitandose ao lançamento de oficio por redução indevida da receita bruta; se não comprovado o trânsito da mercadoria devolvida(saída/retomo). OMISSÃO DE RECEITAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Não comprovada a Concessão de descontos incondicionais, é de manterse a glosa do valor redutor da receita bruta. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea a existência das operações registradas em seu passivo e a data do seu efetivo pagamento, sob pena de, não o fazendo; dar margem à presunção de omissão de receitas. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Devem ser glosados os valores lançados à conta de custos, se o contribuinte não comprova a origem das operações que motivaram os lançamentos contábeis, bem como a necessidade e efetividade desses custos, mediante documentação hábil, principal e subsidiaria pertinente ao caso concreto. DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de despesas financeiras efetuada pela fiscalização se o contribuinte não traz à luz o tipo de despesa contabilizada, a origem da operação e não há coincidência de valores e datas das operações e seus efeitos com a contabilização dessas despesas financeiras. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Não são dedutíveis as importâncias declaradas ;como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, filiando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando, o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Exonerase o crédito tributário se comprovado que a autuação considerou a redução indevida do lucro real em duplicidade a partir do mesmo fato gerador. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. TAXA SELIC. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE e INCONSTITUCIONALIDADE. E inócuo suscitar alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, Fl. 27497DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.498 6 desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. GLOSA DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Mantémse o lançamento se comprovado que a empresa majorou indevidamente os custos por absorver obrigações da matriz estrangeira. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA REGULAMENTAR. Cancelase a multa aplicada quando há erro de subsunção do fato concreto à hipótese prevista na lei. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS Se a fiscalização utilizouse de critérios diferentes no balizamento da multa de oficio para o mesmo tipo de infração (pagamentos sem causa), sem demonstrar a distinção entre elas que caracterizasse o dolo, é de se aplicar para toda a autuação a gradação menos onerosa. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS Aplicase aos lançamentos reflexo de PIS, COFINS, CSLL e IRRF o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Em razão do montante de crédito tributário exonerado, o Presidente da Turma da DRJ efetuou a remessa necessária, para apreciação do CARF. Foi interposto recurso voluntário (efls. 16918/17023) pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 23/11/2011. Decidiu o Acórdão nº 110100.622 (efls. 17825/17972) dar parcial provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. OPERAÇÕES CONTABILIZADAS MAS NÃO DEMONSTRADAS DOCUMENTALMENTE. TENTATIVA DE DESCONSTITUIÇÃO DOS FATOS EM RECURSO. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO FISCAL. Admitese como existente a receita de venda de mercadorias cujo lançamento contábil detalha a operação, ainda que não demonstrada a baixa de estoque correspondente, ante a possibilidade de os insumos não terem sido previamente contabilizados e a operação ter ocorrido no exterior. GLOSA DE CUSTOS VINCULADOS A RECEITAS AUFERIDAS NO EXTERIOR. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. Se os custos contabilizados estão vinculados As operações de exportação que a Fiscalização, mesmo na ausência de qualquer suporte documental, reconhece existir, a glosa dos custos não pode estar Fl. 27498DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.499 7 motivada, apenas, na falta de comprovação dos valores escriturados. PAGAMENTO SEM CAUSA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS. Não há reparos A decisão que rejeita a adição, A base de calculo do IRPJ e da CSLL, de pagamentos cuja causa não é comprovada, se a causa contábil consiste, justamente, nos custos glosados por falta de comprovação no mesmo procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se inexiste prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A incidência das contribuições sobre o faturamento somente é afastada nas vendas de mercadorias ou serviços para o exterior. Regular a exigência destas contribuições se os elementos nos autos somente permitem concluir que houve venda de mercadorias ou serviços no exterior. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. OCORRÊNCIA. Afastada a qualificação da penalidade, e na presença de pagamentos relativos aos períodos autuados, correta é a decisão que exonera o crédito tributário constituído quando já transcorridos mais de cinco anos do encerramento dos correspondentes fatos geradores. PAGAMENTOS SEM CAUSA. CARACTERIZAÇÃO. ÔNUS DO FISCO. Para se caracterizar o pagamento sem causa o Fisco deve demonstrar que houve pagamentos ou créditos efetuados, necessariamente, a titulo de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, sem indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento, ou sem individualização do beneficiário do rendimento no comprovante de pagamento. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Não subsiste a presunção legal se a contribuinte logra provar a contratação da obrigação questionada, embora contabilizada tardiamente. DESPESAS FINANCEIRAS. VARIAÇÃO CAMBIAL VINCULADA A OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO QUESTIONADAS NO PROCEDIMENTO FISCAL. Cancelase a exigência se a motivação é insuficiente para justificar a glosa dos valores contabilizados. JUROS PASSIVOS E VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA VINCULADOS A PASSIVO FICTÍCIO. Comprovada a existência da obrigação, admitese a dedução das despesas financeiras correspondentes até o limite convencionado. DESPESAS COMPROVADAS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. É nulo, por vicio material, o lançamento que classifica de insuficiente a prova apresentada no curso do procedimento fiscal, sem expressar a razão deste entendimento. DESPESAS NÃO COMPROVADAS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE PARCIAL. É nula a decisão na parte em que ignora justificativa para apresentação parcial dos documentos comprobatórios das despesas questionadas, deixa de apreciar os elementos apresentados e de cogitar da busca das provas eventualmente Fl. 27499DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.500 8 existentes, fundamentandose, apenas, na precariedade do conteúdo dos lançamentos contábeis. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÕES DE VENDAS NÃO COMPROVADAS. PRESUNÇÃO SIMPLES. É possível a prova de infrações por meio de presunções simples, desde 9ue elas estejam suportadas por indícios consistentes e convergentes. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DAS DEVOLUÇÕES. INVERSÃO INDEVIDA DO ÔNUS DA PROVA. O sujeito passivo somente sofre as conseqüências da inobservância do ônus da prova que a lei lhe impõe se ele for regularmente intimado a tanto e deixar de atender a esta solicitação. FALTA DE APRESENTAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. DEVOLUÇÕES DE COMPRAS REGISTRADAS COMO DEVOLUÇÕES DE VENDAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS NÃO CARACTERIZADA. A descaracterização das devoluções contabilizadas porque não apresentada a nota fiscal de saída correspondente, bem como o registro de devoluções de compras como devoluções de vendas, permitem a glosa da dedução, mas não a presunção de omissão de receitas. FALTA DE AVERBAÇÃO DA DEVOLUÇÃO PELO ADQUIRENTE. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. A legislação admite a emissão de notas fiscais de entrada por devolução no caso de retorno de mercadorias não entregues ao destinatário, situação na qual nem sempre há a entrada no estabelecimento destinatário, para se cogitar de eventual averbação da devolução por este. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA POR DEVOLUÇÃO EMITIDAS PARA CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. Ê razoável admitir que dificuldades operacionais impeçam o cancelamento de notas fiscais de saída nos arquivos magnéticos, e que a emissão de nota fiscal de entrada por devolução seja utilizada para anular os efeitos da saída registrada indevidamente. OMISSÃO DE RECEITAS. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. PARCELAS COMPROVADAS NA IMPUGNAÇÃO E DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. Correta a exclusão da exigência correspondente as deduções comprovadas pela contribuinte. PRESUNÇÃO SIMPLES. Ê possível a prova de infrações por meio de presunções simples, desde que elas estejam suportadas por indícios consistentes e convergentes. INTIMAÇÃO IRREGULAR PARA COMPROVAÇÃO DE DESCONTOS CONCEDIDOS. INVERSÃO INDEVIDA DO ÔNUS DA PROVA. Somente se tem por não comprovados os descontos incondicionais cuja demonstração foi objetivamente exigida, seguindose o não atendimento pela contribuinte, e a rejeição, pela autoridade fiscal, das justificativas apresentadas para aquele não atendimento. CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS. ABSORÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS PELA CONTROLADORA. INDEDUTIBILIDADE. Deve ser excluído do resultado tributável o efeito dos custos e despesas que, contabilizados, foram absorvidos pela controladora da contribuinte para melhorar seu resultado Fl. 27500DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.501 9 operacional. PROVA DA CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS. Demonstrativo elaborado pela contribuinte que detalha as operações realizadas é prova suficiente para se exigir a anulação dos custos e despesas ali demonstrados. PROVA DA ANULAÇÃO DOS CUSTOS. Mantémse a exigência se a contribuinte não logra provar a exclusão, do resultado tributável, dos efeitos das operações absorvidas pela controladora, inclusive restabelecendose a exigência exonerada na decisão de primeira instancia, sujeita a reexame, se a prova apresentada em impugnação mostrase insuficiente para justificála. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. RECEITA FINANCEIRA. MÚTUO COM PESSOAS LIGADAS. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. Regular a normatização que apenas reproduz os dispositivos legais determinantes do ajuste fiscal questionado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ERRO DE CÁLCULO. Não ha reparos decisão que exclui parcela do ajuste decorrente de incorreta aplicação da taxa Libor e de erro na conversão, em reais, dos juros apurados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. OPERAÇÕES VINCULADAS A CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Afastada a glosa de custos por motivação insuficiente, deve ser também exigência3 e IRRF sobre os pagamentos que, em decorrência daquela glosa, restaram sem identificação de beneficiário e causa. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se não há qualquer prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. PAGAMENTOS COMPROVADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. É nulo, por vicio material, o lançamento que classifica de insuficiente a prova apresentada no curso do procedimento fiscal, sem expressar a razão deste entendimento. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §4° do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de oficio, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de Fl. 27501DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.502 10 oficio, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica. OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE PARCIAL. É nula a decisão na parte em que ignora justificativa para apresentação parcial dos documentos comprobatórios da causa e do beneficiário dos pagamentos questionados, deixa de apreciar os elementos apresentados e de cogitar da busca das provas eventualmente existentes, fundamentandose na precariedade do conteúdo dos lançamentos contábeis, sem que dos autos conste, sequer, a conta contábil utilizada como contrapartida das saídas de numerário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA POR ATRASO, FALTA DE APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Correta a decisão que cancela a multa aplicada quando há erro de subsunção do fato concreto à hipótese prevista na lei. TRIBUTOS LANÇADOS. DEDUTIBIL1DADE DA BASE DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. Não são dedutíveis, segundo o regime de competência, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de recurso administrativo. APLICAÇÃO TAXA SELIC PARA CALCULO DOS JUROS DE MORA. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ EM RITO DE RECURSO REPETITIVO. MATÉRIA EM APRECIAÇÃO PELO STF COM RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. As decisões dos Tribunais Superiores, tendo em conta a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros de mora com base em legislação estadual, não se sobrepõem à Súmula CARF n° 4, a qual aborda a aplicação da mesma taxa, mas com fundamento em legislação federal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO, NO LANÇAMENTO, DA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Desnecessária a referência, no lançamento, do cabimento de juros sobre a multa de oficio, se a sua aplicação somente se verifica após vencido o prazo para pagamento da multa de oficio. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ADMISSIBILIDADE. A jurisprudência administrativa já está pacificada no sentido de que devem ser apreciados os questionamentos dirigidos contra a aplicação de juros sobre a multa de oficio. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos a taxa SELIC. Fl. 27502DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.503 11 Vale transcrever, também, o resultado do julgamento: Acordam os membros do colegiado, relativamente ao item 1 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) CANCELAR as exigências de IRPJ e CSLL sobre a glosa de custos, e b) CANCELAR as exigências de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados/sem causa; e em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; relativamente ao item 2 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) ANULAR, por vicio material, o lançamento de IRPJ e CSLL sobre pagamentos sem causa; b) REJEITAR a argüição de decadência, mas ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida no que tange à exigência de IRRF sobre os pagamentos de R$ 5.190:078,33, R$ 8.234.548,05, R$ 5.117.936,66, R$5.136.351,37, R$ 5.434.675,30 e R$ 6.385.407,38, cujo beneficiário/causa não foram identificados; e c) ANULAR PARCIALMENTE, por vicio material, o lançamento de IRRF no que tange aos demais pagamentos cujo beneficiário/causa não foram identificados; relativamente ao item 3 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; relativamente ao item 4 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: a) ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida no que tange à exigência de IRPJ e CSLL sobre as glosas de despesas financeiras no montante de R$ 3.394.955,52; b) ANULAR PARCIALMENTE, por vicio material, o lançamento de 1RPJ e CSLL no que tange às glosas de despesas financeiras no montante de R$ 14.284.883,30; c) CANCELAR PARCIALMENTE as exigências de IRPJ e CSLL no que tange às glosas de despesas financeiras no montante de R$ 967.334,40; e d) MANTER PARCIALMENTE as exigências de IRPJ e CSLL no que tange às glosas de despesas financeiras de R$ 412.180,62 e R$ 316.197,96; relativamente ao item 5 do relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência remanescente; relativamente ao item 6 do relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência remanescente; relativamente ao item 7 do relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; relativamente ao item 8 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; relativamente ao item 9 do relatório, por unanimidade de votos, em REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, e NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntário e de oficio; relativamente ao item 10.a do relatório, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; relativamente ao item 10.b do Fl. 27503DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.504 12 relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e, relativamente ao item 10.c do relatório, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 17977/18016). Faz um relato dos fatos da autuação e da fase contenciosa. Questiona, em síntese, sobre a orientação da decisão recorrida no sentido de atribuir o ônus da prova ao Fisco, e aponta como divergência as matérias pagamentos sem causa (paradigma Acórdão nº 120100.601), passivo fictício (paradigma Acórdão nº 10513593), devoluções/cancelamento de vendas (paradigma Acórdão nº 10320397) e abatimentos e descontos incondicionais não comprovados (paradigma Acórdão nº 10320397). O despacho de exame de admissibilidade de efls. 27447/27453 deu seguimento ao recurso especial da PGFN. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 27474/27488), aduzindo que os acórdãos indicados como paradigma pela PGFN não se prestam para demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária, razão pela qual o recurso não deve ser admitido. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Não obstante o despacho de admissibilidade ter dado seguimento ao recurso especial da PGFN, entendo que não lhe assiste razão. Passo ao exame para cada uma das matérias. Pagamentos Sem Causa. A recorrente, no título da divergência jurisprudencial, transcreve como objeto de protesto do valor tributável de IRPJ e CSLL de R$217.533.915,62 e de IRRF no valor de R$334.667.562,49. Contudo, a partir da análise do teor do recurso, observase que a irresignação centrase nos lançamentos de IRRF de R$31.758.156,00 e R$217.533.915,62: 14. Parte da autuação, no valor de R$ 31.758.156,00, referese a três lançamentos a crédito na conta de Duplicatas a Receber, efetuados em 30/04 (fls.1007), 31/05(fls.1008) e 30/06/2000 (fls.1009), que a fiscalização entendeu terem sido efetuados com o aparente intuito de liquidar obrigação de valores a pagar no exterior. A esses três pagamentos foram imputados a multa qualificada de 150%, por atribuirse ao procedimento da empresa da pecha de dolo. Fl. 27504DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.505 13 15. À outra parcela da autuação, no valor de R$ 217.533.915,62, discriminada pelos pagamentos listados no Anexo ao Termo de Verificação e Constatação, imputouse a multa de oficio de 75%. 16. A autuação respaldouse no art. 304, do RIR/99, conforme transcrição: Pagamentos Sem Causa ou a Beneficiário Não Identificado "Art. 304. Não Rio dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento mulo individualizar o beneficiário do rendimento (Lei n°3.470, de 1958, art. 2º)." Discorre a PGFN que a decisão recorrida teria entendido que o ônus da prova dos pagamentos sem causa/beneficiário não identificado seria do Fisco. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 120100.601 teria assentado que o ônus da prova seria do Contribuinte: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A inidoneidade das operações e a ausência de contraprova a ser apresentada pelo Recorrente permite a aplicação do disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que o acórdão recorrido valeuse de outros fundamentos. A situação tratada nos item 1 e 2 do voto. A respeito do item 1, discorre a relatora sobre os pagamentos (efls. 17897/17898) No que se refere à parcela que incidiu sobre os pagamentos nos valores originais de R$ 10.371.628,80, R$ 10.770.537,60 e R$ 10.615.989,60, a interessada questionou a autuação baseada apenas em suspeita e também alegou duplicidade em relação à exigência de IRPJ, alegação esta afastada pela autoridade julgadora em face desta nova infração sustentarse nos lançamentos a crédito da conta Duplicatas a Receber e não no lançamento a conta de custos, sendo independentes e reais os dois efeitos. Todavia, os lançamentos a crédito da conta Duplicatas a Receber são, justamente, os lançamentos de custos de produção. Ou seja, glosados estes custos, a autoridade lançadora considerou que restaram contrapartidas redutoras de direitos de crédito da autuada sem a identificação dos beneficiários destes valores, tomando como ponto de partida para a exigência precisamente os valores dos custos glosados (R$ 10.371.628,80, R$ 10.770.537,60 e R$ 10.615.989,60, que totalizam R$ 31.758.156,00), mas reajustandoos por considerálos, nos termos do art. 61, §3° da Lei n° 8.981/95, pagamentos efetuados já líquidos do imposto de renda retido na fonte no percentual de Fl. 27505DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.506 14 35% (R$ 15.956.352,00, R$ 16.570.057,85 e R$ 16.332.291,69, que totalizam R$ 48.858.701,54). Tratase, portanto, de conclusão decorrente do fato de não terem sido admitidos os custos contabilizados em contrapartida à conta de duplicatas a receber. Assim, na medida em que tal glosa foi aqui desconstituída, admitindose que, embora anormais, tais lançamentos poderiam ter se prestado a carrear custos vinculados a operações de venda no exterior indevidamente caracterizadas como receitas de exportação, impõese concluir que também não há, nestes autos, suporte fático suficiente para presumirse pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, e por conseqüência admitir a exigência de IRRF sobre os valores reajustados de R$ 15.956.352,00 (30/04/2000), R$ 16.570.057,85 (30/05/2000) e R$ 16.332.291,69 (30/06/2000). Na medida em que não houve um maior aprofundamento do trabalho fiscal, de forma a desvincular as operações de vendas e de registro de custos, e esta insuficiência de provas ensejou a reversão da glosa de custos, os pagamentos considerados pela Fiscalização como feitos a beneficiários não identificados ou sem causa subsistem vinculados ao registro de custos de produção, devendo ser canceladas as exigências de IRRF correspondentes, bem como mantida a exoneração da multa qualificada promovida no julgamento de 1ª instancia. (grifei) Como se pode observar, o que se coloca é que caberia à Fiscalização ter se aprofundado na investigação, vez que os elementos dos autos não seriam suficientes para fundamentar a glosa de custos de IRPJ e CSLL no valor de R$31.758.156,00. E, por consequência, não haveria suporte fático para o lançamento de IRRF. Não se fala em inversão do ônus da prova, até porque a glosa de custos não é uma presunção legal, pelo contrário, o fato imputável é aquele sobre o qual se aplica diretamente a infração tributária. Por sua vez, o item 2 trata dos pagamentos em duas etapas. Primeiro, sobre pagamentos relacionados às efls. 17902/17905 que perfazem o montante de R$182.034.918,53, e segundo sobre pagamentos cujo somatório é de R$35.498.997,09 (efl. 17906). Registrese que a soma de R$182.034.918,53 e R$35.498.997,09 é de R$217.533.915,62. Em relação aos pagamentos cujo somatório é de R$182.034.918,53, discorreu a relatora (efls. 17902 e 17905/17906): Com referência à exigência de 1RRF, como relatado, para formalizar a presente exigência, a autoridade lançadora examinou os documentos apresentados no curso do procedimento fiscal, concluindo que eles seriam insuficientes e que, em alguns casos, não havia sido apresentada qualquer documentação. Todavia, inexiste nos autos apreciação especifica dos elementos apresentados pela fiscalizada. Estão eles juntados às fls. 882/940, sem qualquer anotação acrescida pela autoridade Fl. 27506DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.507 15 lançadora, ou a lavratura de Termo que expresse o motivo de sua insuficiência. (...) Ou seja, não se duvida que os elementos tenham sido apreciados durante o procedimento fiscal até porque alguns pagamentos questionados não ensejaram exigência, possivelmente porque a documentação apresentada foi suficiente , e que haja um motivo para as conclusões da autoridade lançadora. O que se constata é que tal motivo não foi expresso como motivação do lançamento. Logo, quanto a estes pagamentos, tem razão a recorrente quanto aponta a nulidade do lançamento: não é possível classificar de insuficientes os documentos apresentados sem expressar a razão deste entendimento. Assim, como as constatações fiscais não foram expressas ao se elaborar a descrição dos fatos que deve instruir o lançamento, impõese concluir que, também aqui, não foi observado o que dispõe o art. 10, inciso II do Decreto n°70.235/72. Em conseqüência, o presente voto é no sentido de ANULAR, por vicio material, o lançamento de IRRF, na parte que incidiu sobre os pagamentos antes citados. (grifei) Já em relação aos pagamentos cujo somatório é de R$35.498.997,09, discorreu a relatora (efls. 17912/17913): Contudo, como acima relatado, os elementos apresentados pela contribuinte permitem estabelecer uma correlação mínima entre a prova apresentada e o fato a ser provado. Se havia inconsistências internas na demonstração destes valores, a decisão deveria têlas reportado, analisando individualmente cada conjunto de elementos apresentados. Em outras palavras, não se apreende qual a razão de os elementos reunidos no anexo XXIII não se prestarem como prova do pagamento de R$ 5.190.078,33 a ser analisada pela autoridade julgadora. Embora sua contabilização tenha se dado sob histórico codificado (05072480636PP0800381700000006 PP08003817 BAN), a análise de sua contrapartida contábil e eventual coincidência destas referencias numéricas com dados contidos naqueles documentos já se mostraria suficiente para correlacionálos, e assim permitir que se prosseguisse na apreciação das demais provas apresentadas. Já os demais pagamentos estão todos contabilizados sob histórico semelhante (DIVISÃO CHOCOLATE E XX/00 N SEQ.: 00012), sendo razoável também admitir que eles se refiram a operações da filial Neugebauer, a qual é conhecida no mercado por operar com aqueles produtos. E, embora a contribuinte aparentemente tenha apresentado apenas relatórios acerca destes pagamentos, não se pode olvidar que a justificativa para a não apresentação dos documentos específicos, expressa na Fl. 27507DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.508 16 defesa, não foi desqualificada pela autoridade julgadora de lª instância. Assim, sem que restasse caracterizada a negativa injustificada da contribuinte apresentação dos documentos comprobat6rios da causa e do beneficiário dos pagamentos questionados, a autoridade julgadora não poderia ter se omitido na busca das provas eventualmente existentes, argüindo a precariedade dos lançamentos contábeis sem que dos autos conste, sequer, a conta contábil utilizada como contrapartida das saídas das contas bancárias. (...) Conseqüência disto é o cerceamento ao direito de defesa da interessada, que não pode trazer a debate, nesta instância administrativa, os motivos da rejeição de seus argumentos deduzidos em impugnação. E, em tais condições, o art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72 impõe a declaração de nulidade da decisão. (grifei) Como se pode observar, a autuação foi afastada não porque ocorreu a inversão de ônus da prova, mas porque não foi apreciada documentação probatória apresentada pela Contribuinte, razão pela qual consumouse a nulidade. É precisamente a transcrição da decisão: (...) relativamente ao item 2 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) ANULAR, por vicio material, o lançamento de IRPJ e CSLL sobre pagamentos sem causa; b) REJEITAR a argüição de decadência, mas ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida no que tange à exigência de IRRF sobre os pagamentos de R$ 5.190:078,33, R$ 8.234.548,05, R$ 5.117.936,66, R$ 5.136.351,37, R$ 5.434.675,30 e R$ 6.385.407,38, cujo beneficiário/causa não foram identificados; e c) ANULAR PARCIALMENTE, por vicio material, o lançamento de IRRF no que tange aos demais pagamentos cujo beneficiário/causa não foram identificados; Portanto, não há que se falar em divergência, vez que não se comunicam suportes fáticos e interpretações sobre a legislação tributária conferidas pela decisão recorrida e paradigma. Passivo Fictício. Manutenção no Passivo de Obrigações Já Pagas ou Cuja Exigibilidade Não Foi Comprovada. A matéria é sobre a presunção de omissão de receitas relativa a passivo fictício, em razão de manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não foi comprovada, com valor tributável de R$8.877.000,00, de lançamento credor na conta de passivo descrita como "Banca Commerciale Italiana", no qual foi desconsiderado pela Fiscalização por entender que não teria sido comprovado o empréstimo. Fl. 27508DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.509 17 Aduz a Recorrente que a decisão recorrida fundamentouse nos seguintes termos (efl. 18008): 29. Assim, a DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL se evidencia no momento em que o v. acórdão ora recorrido admite, mesmo diante do mencionado, a comprovação do passivo fictício, verbis: "Mas, como em sua defesa a contribuinte logrou reunir provas suficientes para fragilizar o indicio de omissão de receitas, as exigências correspondentes não podem subsistir, devendo o mérito ser julgado em favor da recorrente." 30. Como se vê claramente pelo trecho acima, o contribuinte não trouxe PROVA CABAL dos seus argumentos para afastar a infração apontada, mas, meros elementos que supostamente fragilizariam o indicio de omissão de receitas. E aponta como paradigma o acórdão nº 10513593, com a ementa: PASSIVO FICTÍCIO OMISSÃO DE RECEITAS Autoriza a presunção legal de omissão de receita, equivalente ao valor do passivo não comprovado, a falta de comprovação das obrigações constantes no balanço de encerramento do exercício social da pessoa jurídica. Comprovada a efetividade do pagamento, em data posterior ao balanço considerado, devese desconsiderar o lançamento efetuado. Ora, de mera leitura do excerto transcrito do voto recorrido, percebese que não há que se falar em divergência. A relatora da decisão recorrida afirma, claramente, que a contribuinte logrou reunir provas suficientes para fragilizar o indicio de omissão de receitas. Não poderia ser mais clara a assertiva. E, diante de tal situação, no qual a presunção legal é desconstituída mediante apresentação de documentação apta e idônea, aplicase precisamente o entendimento do paradigma. A matéria é tratada no item 3 do voto. Contestou a Fiscalização lançamento de empréstimo (credor em conta de obrigação), pela operação não ter sido devidamente comprovada pela Contribuinte, razão pela qual teria se consumado a presunção de omissão de receitas por manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada. Contudo, a decisão recorrida aprecia com profundidade e detalhamento as provas dos autos (efls. 17914/17915 e 17921): Questionase a existência de passivo, no valor principal de R$ 8.877.000,00, apontado em lançamento contábil datado de 30/06/2000. A tradução juramentada do contrato relativo a esta divida acompanhou a impugnação, mas a autoridade julgadora entendeu que as provas apresentadas se prestavam a demonstrar a existência de uma obrigação, mas não especificamente daquela questionada, pois para tanto seriam necessários elementos que Fl. 27509DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.510 18 mostrem coincidência de valores, datas e histórico esclarecedor dos lançamentos. Entendeu que, se o valor não se encontrava isolado nas operações de empréstimo, a empresa deveria demonstrar em que valor se compunha, e os lançamentos globais de todos os valores, com pormenores, detalhes de sua origem, considerando protelatória a juntada de documentos de importação, planilhas e extratos genéricos onde não se visualiza o valor do lançamento questionado. (...) Cumpre, assim, avaliar se os documentos apresentados com a impugnação não permitem, de fato, aferir se a operação contabilizada efetivamente existiu. Nos autos, constatase: (...) Assim, diversamente do que entenderam as autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância, acerca da incompatibilidade entre o contrato e planilha com valores e datas contabilizados, concluise, aqui, que as evidências trazidas pela contribuinte são coerentes e consistentes no sentido da existência da obrigação em debate. Não se fala em inversão do ônus da prova, mas sim, em apreciação das provas trazidas aos autos, que, conforme cognição da relatora, mostraramse suficientes para desconstituir a presunção legal, nos termos do acórdão paradigma. Portanto, tendo a decisão recorrida e paradigma externado posicionamentos convergentes, não há que se falar em divergência na interpretação da legislação tributária. Devoluções/Cancelamentos de Vendas. Discorre a recorrente que é do Contribuinte o ônus da prova de demonstrar, com documentos hábeis, a escrituração realizada. Entende, contudo, que o acórdão recorrido não reconheceu tal entendimento, externado no acórdão paradigma nº 10320397: ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. Discorre a PGFN: 41. A inversão do ônus da prova com base neste dispositivo, destarte, operase, como vimos, por simples interpretação legal. Evidentemente, por tratarse de presunção juris tantum , pode o contribuinte reunir elementos suficientes que ilidam a presunção contra ele instaurada. Reunindoos, afasta a presunção de omissão de receitas que lhe fora imputada pelo Fisco, cabendo a este demonstrar a infração por outros meios de prova. Fl. 27510DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.511 19 Mais uma vez se confunde a Recorrente, ao tratar a infração como presunção legal. Basta verificar com a decisão recorrida trata a matéria, no item 5 do voto (efl. 17941): Claro está que dois procedimentos estão previstos na legislação para anulação dos efeitos de uma nota fiscal de saída: a emissão de nota fiscal de entrada por devolução, quando as mercadorias retornam ao estabelecimento emitente por não terem sido entregues ao destinatário, e o cancelamento da nota fiscal de saída, aplicável As demais hipóteses, ou seja, quando não se verifica a saída das mercadorias expressas na nota fiscal. Assim, para exigir a referida averbação, seria necessária alguma evidência de que a mercadoria chegou a entrar no estabelecimento destinatário da nota fiscal cujos efeitos se pretendeu cancelar. De outro lado, se a mercadoria não chegou a concluir este trajeto, caracterizada está a hipóteses que autoriza a emissão de nota fiscal de entrada de devolução retorno de mercadorias não entregues ao destinatário — e inviável se mostra a exigência de qualquer averbação desta devolução pelo estabelecimento destinatário. Demais disso, quando se está tratando de notas fiscais emitidas por sistemas informatizados, não se pode negar a possibilidade de que o seu cancelamento nos arquivos magnéticos encontre dificuldades operacionais. Assim, embora o cancelamento, e não a emissão de nota fiscal de entrada por devolução, seja a providência prevista para os casos nos quais a mercadoria não chega a sair do estabelecimento, é razoável admitir que um estabelecimento industrial emita notas fiscais de venda em um dia, para que a saída dos produtos ocorra no dia seguinte, constatando a inviabilidade desta saída em momento no qual já s verifiquem obstáculos operacionais ao cancelamento da nota fiscal emitida no dia anterior. Diante destas possibilidades, não se pode impor à contribuinte que prove estas ocorrências durante o processo administrativo fiscal. O contexto aventado pela recorrente acaba, em verdade, por evidenciar a superficialidade das análises durante o procedimento fiscal, que partiu da premissa de que a ausência de averbação da devolução pelo destinatário permitiria a conclusão de que as mercadorias a ele foram entregues, sem cogitar da hipótese de que estas mercadorias nem tenham chegado ao destino, ou que nem mesmo tenham saído do estabelecimento emitente. Frente à apresentação dos documentos que reputou insuficientes, a autoridade lançadora poderia ter solicitado outros esclarecimentos, e diante destes intimar a contribuinte a comprovar que, embora utilizando notas fiscais de devolução, promoveu o cancelamento das notas fiscais de saída, apresentando todas as vias do talonário destinadas à sua emissão, nas quais seria possível constatar, por exemplo, se o canhoto de recebimento das mercadorias estava presente, ou se havia qualquer anotação no documento fiscal que indicasse a sua entrada no estabelecimento destinatário. A ausência de Fl. 27511DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.512 20 averbação, nas condições aventadas pela Fiscalização, é insuficiente para descaracterizar a dedução contabilizada e afirmar que a venda efetivamente existiu. Tais argumentos também repercutem nas conclusões da autoridade lançadora relativamente as operações da autuada com o cliente Wal Mart. (...) (grifei) Não se fala em inversão de ônus da prova, mas sim que cabe à Fiscalização, para motivar devidamente a infração tributária, ato administrativo, a comprovação do alegado. Evidentemente que os registros contábeis devem estar lastreados por documentação apta e idônea e é obrigação da Contribuinte a sua disponibilização. Contudo, a análise da escrituração e documentação de suporte deve ser devidamente motivada, e não amparada em meras presunções hominis. A depender a infração tipificada, como no caso em tela, entendeu o acórdão recorrido que caberia uma maior aprofundamento na investigação, o que não ocorreu. Portanto, não há que se falar em divergência, vez que não se comunicam os suportes fáticos e interpretações sobre a legislação tributária conferidas pela decisão recorrida e paradigma. Abatimentos/Descontos Incondicionais Não Comprovados. Tratase de glosa de descontos incondicionais que não teriam sido comprovados pela Contribuinte. Pautase a Recorrente nas mesmas argumentações do tópico anterior, indicando o mesmo paradigma, aduzindo que o acórdão recorrido teria desrespeitado a inversão do ônus da prova aplicável ao ser verificar a escrituração da Contribuinte, que deveria comprovar os registros contábeis com documentação hábil e idônea. Da leitura da decisão recorrida, no item 6 do voto, verificase que em nenhum momento se entendeu que a Contribuinte estaria desobrigada a comprovar os registros de sua escrituração. O que motivou a decisão foi o fato de que a investigação fiscal amparouse em amostragem, relativamente a três filiais da Contribuinte, e estendeu a base tributável para as receitas auferidas por todas as outras filiais e matriz. Transcrevo excerto do voto (efl. 17949/17950): Neste contexto, o procedimento fiscal não poderia ser encerrado com a conclusão de que a amostragem efetuada não constitui demonstração hábil para comprovar a veracidade dos valores lançados a débito da receita bruta do período. Demais disto, se a investigação foi direcionada A avaliação, apenas, das três filiais referidas, selecionadas por amostragem pela autoridade lançadora, implicitamente foi dispensada a comprovação relativa aos demais estabelecimentos da fiscalizada. Assim, para promover a glosa total dos descontos incondicionais que não foram demonstrados durante o procedimento fiscal, a autoridade lançadora deveria ter novamente intimado a contribuinte a fazêlo, e obtido uma resposta negativa. Fl. 27512DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.513 21 Ao contrário, observase que o volume das informações poderia ser tão significativo que a própria autoridade lançadora optou por direcionar o procedimento fiscal às três filiais antes citadas, estendendo os efeitos dos alegados vícios verificados no atendimento a esta investigação parcial a todas as outras deduções que não se encontravam refletidas nos arquivos magnéticos de notas fiscais. (...) E, de fato, como antes mencionado, a própria autoridade lançadora procurou restringir tal conferência às três filiais antes citadas, instituindo um critério próprio de amostragem, como lhe faculta a discricionariedade sempre presente no procedimento investigatório. Ocorre que ao assim proceder, a autoridade lançadora somente se desincumbiria de seu ônus probatório relativamente às deduções que especificamente questionou no curso do procedimento fiscal. Em outras palavras, somente se tem por não comprovados os descontos incondicionais cuja demonstração foi objetivamente exigida, seguindose o não atendimento pela contribuinte, e a rejeição, pela autoridade fiscal, das justificativas apresentadas para aquele não atendimento. Insuficiente, portanto, o procedimento fiscal desenvolvido, para justificar a desconsideração do montante remanescente de R$ 239.336.627,53, relativo aos descontos incondicionais que reduziram a receita tributável no anocalendário 2000. (grifei) Portanto, não há que se falar em divergência, vez que não se comunicam os suportes fáticos e interpretações sobre a legislação tributária conferidas pela decisão recorrida e paradigma. Conclusão. Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 27513DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.514 22 Fl. 27514DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.726858/2011-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 68 58 /2 01 1- 32 Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803006.124, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 4 3 membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 5 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2127DF CARF MF
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Numero do processo: 12709.000770/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/09/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada a descrição explícita no auto de infração quanto à motivação do lançamento e a base legal que dá suporte à autuação, torna-se incabível a nulidade arguida.
Restando constatada a motivação da decisão de piso quanto às teses suscitadas, não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade..
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA.
A opção pela via judicial quanto à incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice.
MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-003.651
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, não conhecer o recurso voluntário, em razão da renúncia à esfera administrativa, tornando-se definitivo o crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado.
Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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INEXISTÊNCIA Demonstrada a descrição explícita no auto de infração quanto à motivação do lançamento e a base legal que dá suporte à autuação, tornase incabível a nulidade arguida. Restando constatada a motivação da decisão de piso quanto às teses suscitadas, não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade.. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. A opção pela via judicial quanto à incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 07 70 /2 00 8- 20 Fl. 208DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, não conhecer o recurso voluntário, em razão da renúncia à esfera administrativa, tornandose definitivo o crédito tributário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de dois autos de infração de folhas 01 15, em que se procede à cobrança das contribuições sociais Cofins e Pis/Pasep incidentes na importação. Alega a fiscalização que o importador efetuou o recolhimento das contribuições sociais sem a inclusão na base de cálculo do valor do ICMS e das próprias contribuições, tendo por amparo liminar em mandado de segurança.(grifei). Informa a fiscalização que o crédito tributário se encontra suspenso por força de medida liminar concedida nos autos do processo n° 2008.70.00.0163170.(grifei). Intimada a empresa autuada (fl. 46), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 4979. Seguem as alegações da empresa. Alega a nulidade do auto de infração em decorrência da proibição de instauração de procedimento fiscal em casos de suspensão da exigibilidade de tributos por força de decisão judicial, conforme artigo 62 do Decreto n° 70.235/1972. Solicita nulidade da autuação Solicita nulidade por imprecisa descrição dos fatos, conforme artigo 10, III, do Decreto n° 70.235/1972. Solicita nulidade do auto de infração por litispendência com processo judicial. Solicita sobrestamento do feito até decisão judicial final. É necessária a apreciação da defesa sob pena de cerceamento de defesa. Afirma não recusar à via administrativa. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 209 3 O artigo 8°, § 14, da Lei n° 10.865/2004 reduziu a zero a alíquota referente a aluguéis ou contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos. Operações de arrendamento mercantil no mercado interno não são tributadas. Alega a inconstitucionalidade da cobrança uma vez que instituição dos tributos deveria ser por lei complementar. Novamente, argüi inconstitucionalidade pelo fato de ser a mesma alíquota dos tributos para os contribuintes sujeitos ao regime da cumulatividade e o da nãocumulatividade.Eventual inconstitucionalidade do artigo 7° não permite que se corrija a base de cálculo. Alega a inconstitucionalidade dos acréscimos à base de cálculo ICMS e valor das próprias contribuições. Solicita a nulidade da autuação. Subsidiariamente solicita o sobrestamento do processo. No mérito, solicita a improcedência da autuação fiscal e a inexigibilidade das contribuições sobre operações de arrendamento mercantil. À folha 142, encaminhouse o processo para julgamento e informouse tempestividade da impugnação.(grifei). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/09/2008 PROCESSO JUDICIAL. IGUALDADE DE OBJETO Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo contribuinte, a qualquer tempo, de qualquer modalidade de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto do processo administrativo. Lançamento Procedente Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 30/06/2009, conforme AR de fl. 164, apresenta em 28/07/2009, fl. 164/204, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já apresentados em sede impugnatória, acrescentado ainda: Que é nula a decisão, já que o acórdão recorrido, desconsiderando todas as provas e argumentos da Recorrente, que comprovam que o desembaraço aduaneiro se deu sob o amparo de autorização judicial, deixou de analisar a impugnação apresentada em todos os seus termos, ocasionando grave prejuízo; Fl. 210DF CARF MF 4 Que não há renúncia à esfera administrativa, já que o Fisco lavrou o auto de infração e intimou a ora RECORRENTE para apresentação de defesa, sendo assim, é indispensável a apreciação da peça impugnatória em todos os seus termos, sob pena de "negativa de vigência ao art. 151, inciso III do CTN e ao artigo 5°, inciso LV da CF/88 (...) enquanto não julgada a defesa não é exigível o crédito (TFP —AC 31.084/SP)", e conseqüente nulidade da decisão, conforme entendimento deste Colendo Conselho. (...); Destaca ainda que a alegação constante na d. decisão de que foi afastada a instância administrativa, não merece prosperar, pois as nulidades do auto de infração apontadas na Impugnação bem como neste recurso não constam do processo judicial; Tampouco há que se falar em decisão definitiva na via administrativa já que inaplicável o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 03/1996 por não se tratar de renúncia à via administrativa, uma vez que o Fisco lavrou o Auto de Infração, pelo contrário, há necessidade de apreciação das razões de Recurso, ora apresentadas, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório, causando prejuízos ainda maiores, como por exemplo, a imediata execução do crédito tributário constituído, cuja exigibilidade já foi declarada inexigível pela Sentença, e aguarda o trânsito em julgado da decisão; Em que pese a existência de medida judicial em trâmite, a análise dessas razões recursais em todos os seus termos é medida que se impõe. Ao final requer: a. que as preliminares argüidas pela RECORRENTE sejam acatadas e julgadas TOTALMENTE PROCEDENTES, reformando assim a decisão recorrida, e anulando, por consequência, o AUTO DE INFRAÇÃO; b. em sendo mantido o auto de infração, o que não se espera considerando as evidentes nulidades, requer seja sobrestado o processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão judicial; c. no entanto, caso este Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entenda pela impossibilidade de sobrestar o processo administrativo em tela, que sejam apreciadas as razões recursais, sob pena d direito de cerceamento de defesa, devendo, ser totalmente reformado o v Acórdão recorrido, para ao final ser reconhecida a inexigibilidade do PIS/COFINS Importação sobre a operação de arrendamento mercantil em tela, por todas as irregularidades, inconstitucionalidades e ilegalidades demonstradas ao longo deste processo administrativo; É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 210 5 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme relatado, a matéria nuclear do processo que ora se examina está sendo discutida judicialmente, visto que a Recorrente através de ação em Mandado de Segurança obteve a concessão da segurança determinando a inexigibilidade do PIS/COFINS Importação, no arrendamento mercantil internacional dos equipamentos médicos descritos na respectiva declaração de importação. Argui o Recorrente algumas preliminares, tais como: 1) nulidade do auto de infração: i) por inexistência de infração que justifique a expedição do auto, logo há carência de objeto; ii) por desrespeito a expressa determinação legal, já que é explícita a proibição de instauração de procedimento fiscal em casos de suspensão da exigibilidade de tributos por força de decisão judicial, conforme consta no Decreto 70.235/72, em seu artigo 62; iii) por imprecisa descrição dos fatos, art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72, ensejando cerceamento de defesa; iv) por ausência de indicação especifica do dispositivo infringido, art. 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, ensejando também cerceamento de defesa; v) por litispendência/concomitância do processo administrativo com o processo judicial. 2) nulidade da decisão de piso por omissão nas razões decisórias quanto aos fatos alegados na impugnação; 3) Inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865, de 2004; 4) Sobrestamento do processo até decisão judicial final. Analisarseá a seguir as preliminares acima destacadas em função da matéria e não propriamente pela sequência arguida. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Do atendimento à norma legal Esclarecem os Autos de Infração de fls.04/16 que tratam da exigência das Contribuições Sociais da Cofins e Pis/Pasep incidentes na importação: Nos despachos de importação correspondentes às DI's no: 08/13942165 Houve insuficiência no recolhimento das contribuições, descumprindose a priori a base de cálculo da Lei no 10.865/2004, art. 7o: A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação. Com efeito, a base de cálculo considerada e declarada pelo importador não incluiu o ICMS da operação ; o valor das próprias contribuições, tendo por amparo provimento liminar em demanda judicial que consideraria os acréscimos inconstitucionais. Fl. 212DF CARF MF 6 Assim, Para prevenir a decadência de crédito suspenso, por força de liminar, nos autos do MS no 2008.70.00.016310 / PR, e nos termos do que dispõe o art. 151 do CTN, fica constituído o lançamento a seguir:(grifei). Verificase da Sentença de fls.151/152: A importação de bens por meio de contrato de arrendamento mercantil não se subsume à hipótese do art. 3°, inciso I, da norma acima transcrita, uma vez que não pode ser caracterizada como entrada definitiva de bens. Com efeito, a própria natureza do contrato em comento implica a possibilidade contratual de devolução do bem ao seu proprietário no exterior, de forma que a internalização de bens nessas circunstâncias revestese do caráter de precariedade. Dessa forma, a incidência das exações questionadas nesses autos encontraria assento no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.865/2004. No entanto, o § 14 do art. 8° da mesma norma prevê a incidência de alíquota zero sobre "o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa". Os documentos acostados às fls. 62/87 dão conta de que, de fato, o equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil (fls. 60/77) e o contrato social da impetrante (fl. 53) demonstra que dito equipamento será utilizado nas atividades desenvolvidas pela empresa. Dessa forma, entendo que a hipótese dos autos subsumese à regra isentiva estatuída na lei, de forma que a cobrança das exações em questão somente serão devidas no caso de internalização definitiva, ou seja, ao final do contrato de arrendamento. Por outro lado, o periculum in mora mostrase presente em função da fragilidade do equipamento objeto de importação, que necessitaria de armazenamento especial que não é oferecido nos depósitos aduaneiros. 3. Ante o exposto, defiro a liminar pleiteada para o fim de determinar ao impetrado que abstenha de exigir da impetrante as contribuições para o PIS e COFINS relativas à importação menciona na inicial, devendo concluir o desembaraço aduaneiro sem o respectivo recolhimento, mediante lavratura p Secretaria desta Vara de termo de fiel depositário do bem, a ser assinado pelo representante legal/ impetrante."(grifei). Mantenho o entendimento supra como fundamento para a concessão da segurança. 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, ratifico o teor da liminar e concedo a segurança, para o fim de determinar ao impetrado que se abstenha de exigir da impetrante as contribuições para o PIS e COFINS relativas à importação mencionada na inicial, mantendo os efeitos do termo de caução firmado pela parte impetrai4e até o trânsito em julgado desta sentença. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 211 7 Pelo teor da sentença nos autos do Mandado de Segurança n.º 2008.70.00.016310/PR, podese inferir que toda a matéria fática, juridicamente interpretada pela fiscalização, que culminou com a formalização do lançamento para a cobrança da Cofins importação e Pis/Pasepimportação, foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, cujo objeto da referida ação (incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, bem como a inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865, de 2004 nos aspectos aduzidos na petição inicial é o mesmo do qual se insurge o contribuinte, na via administrativa, desde a peça inaugural do litígio que é a impugnação, bem como na peça recursal. Com efeito, dispõe o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos: Débitos com Exigibilidade Suspensa Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifei) (...). Vêse portanto que os Autos de Infração de fls.04/16 foram formalizados em consonância com as disposições legais acima transcritas, logo estando demonstrado pela fiscalização a tipicidade no caso em análise, por força da vinculação de seus atos, em observância ao princípio da estrita legalidade, efetuou o lançamento das referidas contribuições, para prevenir a decadência, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN, não merecendo assim, reparos o feito fiscal. Da descrição dos fatos Não prospera a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente quanto a ausência de norma legal que tipifique a conduta infracional bem como a ausência de motivação, haja vista a indicação expressa, na peça exordial, conforme Autos de Infração de fls.04/16 e Descrição dos Fatos, fls. 06 e 12 referentes ao Pis/PasepImportação e Cofins Importação, do enquadramento legal específico da exação, nele incluída a disposição legal que tipifica a infração, acompanhada de explícita descrição dos fatos que ensejaram a exigência do crédito tributário ora em lide, ex vi dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e artigos 2º e 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999. Ressaltese que a ciência do contribuinte, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, constitui pressuposto de validade do auto de infração, sem a qual não se estabelece a relação processual. No presente caso o impugnante foi regularmente cientificado, via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 48, o que lhe oportunizou o exercício do Fl. 214DF CARF MF 8 contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que possibilitam ao interessado arguir suas razões de defesa bem como lhe facultam a contraprova, por todos os meios de prova admitidos em direito, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, comparecendo aos autos com alentada peça de defesa, que demonstra que a autuada apreendeu perfeitamente a situação fática emoldurada no auto de infração, tanto que além de impugnar de forma precisa vários aspectos que entendeu cabíveis, demonstrou perfeito conhecimento da legislação aplicável aos fatos, trazendo inclusive argumentos subsidiários aos argumentos principais esposados na peça de defesa. Rejeitase portanto a preliminar de cerceamento do direito de defesa quanto a matéria acima analisada. Da litispendência/concomitância do processo administrativo com o processo judicial O instituto da litispendência, quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso, segundo o artigo 337, § 1º do Código de Processo Civil CPC não se aplica ao caso, haja vista que se tratam de processos submetitos a distintas vias, administrativa e judicial, logo submetidos a órgãos julgadores igualmente distintos. Inferese de todo o exposto que a peça vestibular do presente feito revestese de todas as garantias processuais para a constituição do crédito tributário, uma vez que foram atendidas todas as solenidades exigidas na norma instrumental, Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos dos arts. 9º c/c art. 10, em face do descumprimento de dispositivos expressos na legislação substancial, como já ressaltado, estando portanto o lançamento constituído de acordo com o 1art. 142 do CTN, não havendo quaisquer dos vícios que poderiam retirarlhe a validade. Da inexistência de omissão na decisão de piso À época da decisão da instância a quo vigia o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 03/1996, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n° 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 212 9 normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.);(grifei). c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida,se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CIN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). Vejase então como fundamentou a decisão de piso as questões suscitadas: O objeto do presente é o auto de infração de exigência de Pis/Pasep Cofins incidentes na importação de produto estrangeiro. Como informado pelas partes e constatado à folha 39, a ação judicial de mandado de segurança tem o mesmo objeto do presente auto de infração, uma vez que exigência das contribuições sociais já está sendo discutida no Judiciário. (...) Logo, foi afastada da instância administrativa a questão da constitucionalidade e legalidade das citadas contribuições sociais uma vez que já é a mesma discutida na última instância: a judicial. Não há sentido em se analisar uma questão que já foi posta à apreciação do Poder Judiciário, que é quem cabe a última palavra em análise de conflitos. Os argumentos acerca da procedência ou não da exigência são objeto de discussão judicial e, portanto, não podem ser discutidos na instância administrativa. (grifos do original); Não há nenhuma previsão legal para "lançamento judicial", nem legislação no sentido de que a discussão judicial substitui o lançamento ou interrompa a decadência. Pelo contrário, ocorreram muitos casos em que, quando a decisão judicial transitou em julgado a favor da Fazenda Nacional, o crédito tributário já estava decaído por falta de lançamento (ato administrativo privativo do Auditor Fiscal), daí a orientação interna da SRF no sentido de que a autoridade fiscal sempre efetue o lançamento preventivo da decadência quando o Fl. 216DF CARF MF 10 contribuinte toma a iniciativa de discutir o crédito tributário na Justiça. Nenhuma violação à lei, ou ao Poder Judiciário ocorreu no caso porque, como já vimos, a constituição do crédito tributário pelo lançamento, isoladamente, não é definitiva. Além disso, vários dos argumentos da impugnante pressupõem declaração de inconstitucionalidade de Lei. Em sede de julgamento administrativo fiscal não se pode afastar a aplicação da lei e mesmo da legislação em geral por motivos de ilegalidade e inconstitucionalidade. Esse entendimento está há muito tempo consagrado no âmbito de tribunais administrativos, conforme ementas transcritas a seguir: (...) Apesar do termo litispendência ser impróprio por não haver dois processos judiciais, e sim um processo judicial e outro administrativo, aplicase justamente o ADN Cosit n° 03/1996 a fim de se evitar decisões conflitante entre a Administração e Judiciário. Alega a empresa que a invalidade do auto de infração uma vez que o crédito tributário se encontra suspenso e ainda porque o tributo está devidamente recolhido. Alega também que, uma vez que as quantias estão sub judice, não é viável a sua cobrança administrativa. (grifei). Acerca de tal argumento, devese lembrar que o presente processo é mera constituição do crédito tributário com a finalidade de se prevenir a decadência e não uma exigência do valor em questão.(grifos do original). Quanto à possibilidade e a necessidade de formalização da exigência pelo lançamento nos casos em que o crédito tributário está sendo discutido em juízo ou até mesmo suspenso, existe pacificada jurisprudência no STJ. Transcrevemse trechos de um dos numerosos acórdãos a respeito, in verbis: (grifei) (...) A fiscalização na unidade de origem apenas procedeu ao lançamento para prevenção da decadência. Não houve exigência dos tributos, sendo que a unidade de origem observa à folha 02 que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança. Logo, improcede o argumento de invalidade do ato administrativo do lançamento para prevenção de decadência. Os fatos estão bem descritos. A fiscalização informa que os créditos tributários lançados para prevenção da decadência se referem à DI n° 08/13942165, sendo que a questão do processo é a exclusão de parcelas da base de cálculo das contribuições sociais procedida pela impugnante. Informa a fiscalização que a matéria é objeto de processo judicial.(grifei). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 213 11 Não há ofensa ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/1972. Não há previsão de sobrestamento do processo administrativo em razão de propositura de ação judicial. Pelo contrário, o que há é a ordem de encerramento do feito em caso de concordância de objetos entre o processo administrativo e o judicial. A empresa alega que não há renúncia do processo administrativo. A própria premissa da alegação ilógica. Se há uma decisão judicial acerca da mesma matéria, não há sentido em haver julgamento administrativo da mesma questão, uma vez que já haveria pronunciamento do direito aplicável por quem detém o poder de dirimir conflito entre as partes: o Poder Judiciário. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER a impugnação no tocante à exigência dos tributos e declarar definitiva, na esfera administrativa, a exigência fiscal das contribuições sociais Pis/Pasep e Cofins incidentes na importação, em virtude de ser objeto de processo judicial, nos termos do ADN Cosit n° 03, de 14 de fevereiro de 1996. (grifo do original). No tocante às preliminares relativas à nulidade do lançamento e à impossibilidade de constituição do crédito tributário, considero PROCEDENTES os lançamentos. (grifo do original). Pelos motivos expostos neste voto, não se deve conhecer a impugnação quanto à matéria discutida no âmbito do Poder Judiciário cuja decisão acerca da exigibilidade do crédito tributário será integralmente cumprida e não acatar as preliminares argüidas. Constatase dos excertos acima transcritos, que não há reparos na decisão de piso, que em observância ao Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 03, de 1996, notadamente a alíena "b", ao identificar a matéria objeto da ação judicial, destacou fundamentadamente a concomitância e a consequente renúncia às instâncias administrativas quanto à parte meritória, bem como analisou expressamente todas as preliminares suscitadas na impugnação. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, as normas emanadas dos princípios constitucionais invocados foram plenamente asseguradas, de modo que rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela ora Recorrente em seu Recurso Voluntário. Ademais, cabe ressaltar que as hipóteses de nulidade estão prescritas no 2art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se vislumbrando qualquer vício, seja nos autos de 2 Art. 59. São nulos: I–os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II–os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 218DF CARF MF 12 infração vergastados ou decisão recorrida que possam ensejar a declaração de nulidade em razão da linha defendida pela Recorrente. DA ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às arguições de inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865, de 2004: i) a instituição dos tributos deveria ser por lei complementar; ii) pelo fato de ser a mesma alíquota dos tributos para os contribuintes sujeitos ao regime da cumulatividade e o da não cumulatividade. Eventual inconstitucionalidade do artigo 7° não permite que se corrija a base de cálculo; iii) inconstitucionalidade dos acréscimos à base de cálculo ICMS e valor das próprias contribuições, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu artigo 362 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº Fl. 219DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 214 13 CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Notese que as matérias de arguição de inconstitucionalidade que também estão sob a tutela judicial, ainda que não estivessem, não poderiam ser objeto de apreciação na via administrativa, conforme acima demonstrado. DO SOBRESTAMENTO De relevo assinalar que a tramitação do processo administrativo fiscal nas instâncias que formam o contencioso administrativo federal está disciplinada nas normas de regência, seja na principal norma que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, que no âmbito federal é o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com alterações posteriores e normas complementares, seja na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que estabelece normas gerais sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, conforme estabelece seu artigo 694, de aplicação subsidiária ao Decreto nº 70.235, de 1972 e no caso que ora se examina, em segunda instância administrativa, também às normas do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e respectivas alterações posteriores, no entanto nas citadas normas não há previsão para o sobrestamento arguido, de forma que se indefere o sobrestamento tal como formulado, visto que não há previsão na legislação, outrossim, há expressa previsão na alínea "e" da conclusão do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 07, de 22 de agosto de 2014, quanto ao prosseguimento normal do processo. DOS EFEITOS DA CONCOMITÂNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL Estando demonstrado acima que no caso em exame há concomitância de pedidos nas duas instâncias administrativa e judicial, discorrese a seguir sobre os efeitos e consequências no presente processo administrativo da cobrança do crédito tributário formalizado. Ressaltese que, pela sistemática constitucional temse que o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) 4 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 220DF CARF MF 14 exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, em consequência da regra contida no art. 5o, XXXV, referenciado, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, por ser este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. Superior porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; autônoma, porque a parte não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada nos seguintes dispositivos normativos: art. 62, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972; art. 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737/79; art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 20 de setembro de 1980 e art. 87 do Decreto nº 7574, de 29 de setembro de 2011. Cabe destacar que atualmente a matéria está normatizada pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 07, de 22 de agosto de 2014, in litteris: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; (grifei) b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; (grifei) c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; Fl. 221DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 215 15 d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; (grifei) f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; (grifei) Assim, verificase dos atos acima citados que os efeitos da concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, quando a pretensão na ação judicial tenha objeto idêntico ao do recurso administrativo, são a definitividade do crédito tributário, através de decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, pela autoridade competente para decidir a matéria na fase processual em que se Fl. 222DF CARF MF 16 encontra o processo e a impossibilidade de se conhecer de eventual recurso apresentado, prosseguindo o processo administrativo, (exceto na hipótese de mandado de segurança ou medida liminar, específico), até a inscrição da Dívida Ativa da União, pois mesmo quando haja medida judicial que suspenda ou impeça essa cobrança, a suspensão é quanto aos atos executórios e não da emissão do título executório. Conforme fundamentos acima discorridos, constatada a identidade de pedidos, a opção pela via judicial, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso formulado. No caso dos autos, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, (incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária) tornouse definitivo e insuscetível de discussão na esfera administrativa. Porém a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestá lo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO: I) NA PARTE CONHECIDA rejeitar as preliminares suscitadas na peça recursal; II) NA PARTE NÃO CONHECIDA, DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o crédito tributário formalizado referente às Contribuições Sociais da Cofins e Pis/Pasep incidentes na importação, cuja análise meritória está submetida ao crivo do Poder Judiciário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900013/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.554
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1568; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.900013/201290 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.554 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 13 /2 01 2- 90 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.780. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720181/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013
SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste suporte legal para determinação de sobrestamento do processo sob cuidado em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida.
UTILIZAÇÃO DE DADOS DO SPED. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não representa nulidade a utilização de dados obtidos por intermédio do SPED para fundamentar lançamento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA.
A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal.
DECISÕES JUDICIAIS BENEFICIANDO PRODUTORES. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE.
Havendo decisão judicial beneficiando os produtores rurais pessoas físicas com o reconhecimento da inexistência da relação jurídico-tributária referente às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização rural, deve-se afastar a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento dos tributos.
Todavia, somente para os casos em que a recorrente comprovou a existência do provimento judicial é que cabe a retificação da base de cálculo.
SUB-ROGAÇÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 10.256/2001.
Inexiste decisão do STF afastando a cobrança por sub-rogação com base nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 para fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n.º 10.256/2001.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste suporte legal para determinação de sobrestamento do processo sob cuidado em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida. UTILIZAÇÃO DE DADOS DO SPED. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não representa nulidade a utilização de dados obtidos por intermédio do SPED para fundamentar lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal. DECISÕES JUDICIAIS BENEFICIANDO PRODUTORES. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE. Havendo decisão judicial beneficiando os produtores rurais pessoas físicas com o reconhecimento da inexistência da relação jurídico-tributária referente às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização rural, deve-se afastar a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento dos tributos. Todavia, somente para os casos em que a recorrente comprovou a existência do provimento judicial é que cabe a retificação da base de cálculo. SUB-ROGAÇÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 10.256/2001. Inexiste decisão do STF afastando a cobrança por sub-rogação com base nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 para fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n.º 10.256/2001. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. Recorrente FRIGOESTRELA S/A EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste suporte legal para determinação de sobrestamento do processo sob cuidado em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida. UTILIZAÇÃO DE DADOS DO SPED. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não representa nulidade a utilização de dados obtidos por intermédio do SPED para fundamentar lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 81 /2 01 4- 06 Fl. 11506DF CARF MF 2 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal. DECISÕES JUDICIAIS BENEFICIANDO PRODUTORES. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE. Havendo decisão judicial beneficiando os produtores rurais pessoas físicas com o reconhecimento da inexistência da relação jurídicotributária referente às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização rural, devese afastar a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento dos tributos. Todavia, somente para os casos em que a recorrente comprovou a existência do provimento judicial é que cabe a retificação da base de cálculo. SUBROGAÇÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 10.256/2001. Inexiste decisão do STF afastando a cobrança por subrogação com base nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 para fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n.º 10.256/2001. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 11507DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 11508DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou parcialmente improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir os Auto de Infração AI que integram o presente processo, quais sejam: a) AI n.º 51.061.1524: exigência de contribuições previdenciárias por sub rogação incidentes sobre a aquisição de produto rural de pessoas físicas; b) AI n.º 51.061.1532: exigência da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR incidentes sobre as mesmas bases. As bases de cálculo foram apuradas com base nas notas fiscais de entradas, notas fiscais emitidas pelos produtores rurais, que foram confirmadas pelos registros contábeis constantes na escrituração da empresa, transmitida pelo Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22/1/2007. Apresentada a defesa, a decisão de primeira instância deulhe parcial provimento para afastar da tributação as aquisições que comprovadamente foram efetuadas de pessoas jurídicas, bem como para afastar a incidência do Fator Acidentário Previdenciário FAP no cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo interpôs o recurso de fls. 11.313/368, no qual apresentou os argumentos que, em apertada síntese, serão mencionados. Suspensão do PAF O recorrente suscita a existência normas que conduziriam à suspensão do feito. Para demonstrar sua tese cita decisões do Supremo Tribunal Federal STF reconhecendo a repercussão geral das seguintes questões: a) contribuição prevista nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, desde a sua redação original, em relação às aquisições de produtos rurais de segurados especiais (pessoas físicas sem empregados). O reconhecimento da repercussão geral deuse no bojo do Recurso Extraordinário RE n.º 761.263SC; b) contribuição prevista nos mesmos dispositivos acima mencionados, após a redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, em relação às compras efetuadas de produtores rurais pessoas físicas com empregados. A repercussão geral foi acolhida no julgamento do RE n.º 718.874/RS; e c) contribuição ao SENAR, onde o STF, ao apreciar a inconstitucionalidade do art. 2.º da Lei n.º 8.540/1992, expressamente a inseriu no contexto da repercussão geral apreciada no âmbito RE n.º 816.830SC. Diante deste cenário, argumenta que o novo Código de Processo Civil no inciso II do seu art. 1.037 determina que, havendo o reconhecimento da repercussão geral pelo Fl. 11509DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 4 5 STF, ficarão suspensos os processamentos de todos os processos pendentes, individuais e coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário Afirma que impetrou mandado de segurança contra a exigência da contribuição ao Funrural nos termos da nova legislação, cuja decisão lhe foi desfavorável em julgamento realizado no TRF da 3.ª Região. Contra essa decisão impetrou recurso extraordinário, o qual se encontra sobrestado em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria pela Corte Máxima. Afirma que apresentou uma ação cautelar no tribunal regional, requerendo que fosse conferido efeito suspensivo ao recurso extraordinário. Aduz que seu pedido foi acolhido, tendo a Desembargadora Vice Presidente determinado a suspensão da exigibilidade do crédito. Assim, é de se reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito. Decisões do STF O recorrente advoga que sobre as contribuições objeto do processo sob cuidado os tribunais pátrios já se manifestaram, não havendo base jurídica para manutenção da exigência. Cita o RE n.º 363.852/MG de relatoria do Ministro Marco Aurélio, que declarou a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25 e do inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e 9.528/1997. Defende que a subrogação encontrase sepultada pela inconstitucionalidade pronunciada no citado RE, bem como em outros onde a questão foi discutida, a exemplo do RE n.º 596.177/RS, cujo relator foi o Ministro Ricardo Lewandowiski. Afirma que o STF encontrase na iminência de proclamar a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991 em sua integralidade, abrangendo desde a sua redação original até aquela promovida pela Lei n.º 10.256/2001. Decisões judiciais A recorrente alega que inúmeros produtores rurais pessoas físicas estariam se insurgindo contra a cobrança da contribuição lançada, por intermédio de ações judiciais. Nesse sentido diversos de seus fornecedores estariam protegidos por decisões judiciais impeditivas da retenção das contribuições do produtor rural. Assim, a decisão recorrida, ao não atentar para tal situação, estaria promovendo o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, posto que estará ocorrendo a dúplice tributação, pela folha de salários e pela receita da produção. Exemplifica com alguns casos. Mandado de Segurança relativo a Evaldo Claudino da Silva Fl. 11510DF CARF MF 6 Alega o recorrente que apesar da ação proposta por esse produtor ter sido ajuizada após o período do lançamento, a decisão judicial que lhe beneficiou referese ao período lançado, além de que o provimento judicial foi entregue antes da ciência do lançamento. Assevera que, ao manter o lançamento, a DRJ incorreu em descumprimento de decisão judicial. Da qualificação da multa Para a recorrente o fisco não demonstrou a ocorrência de sonegação. A mera divergência de interpretação da legislação tributária não autoriza a imposição da multa exacerbada, ainda mais quando a matéria encontrase em discussão no STF, que, inclusive, reconheceu a sua repercussão geral. Requer que, caso se entenda devido o tributo, apliquese a multa sem considerar a qualificação. Uso indevido do SPED Embora a decisão recorrida cite diversas normas regulamentares para justificar a utilização do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, a fundamentação citada não dá guarida a utilização unilateral pelo fisco dos dados extraídos daquele sistema. É que o exame e utilização dos dados contábeis não podem prescindir de autorização judicial ou na formalidade prevista no art. 196 do CTN, independentemente de que a escrituração seja feita por programas eletrônicos. Nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN os livros contábeis e fiscais ficarão à disposição do contribuinte, não sendo permitido que a contabilidade fique hospedada em ambiente onde o fisco tenha livre acesso e possa dela se utilizar unilateralmente. Nos termos do CTN, somente após a emissão de termos específicos contendo a solicitação dos elementos contábeis é que pode o fisco levar a efeito a sua verificação. A utilização do SPED sem essas providências anteriores representa obtenção de provas ilícitas, o que representa desrespeito ao inciso LVI do art. 5.º da Carta Magna. Por outro lado, normas editadas no âmbito do Poder Executivo não têm força para criar obrigações; só a lei tem essa prerrogativa, desde que não contrarie o texto constitucional. Ilegitimidade da parte A recorrente defende que não é válida a fundamentação para a subrogação nas obrigações do produtor rural pessoas física com base nos arts. 2.º e 3.º da Lei n.º 11.457/2007, haja vista que estes dispositivos não criam ou regulam nenhum tributo. Assim, não haveria base legal para que lhe seja exigida a contribuição ao SENAR por subrogação. Em outra linha, assevera que os dispositivos que dão guarida à subrogação, incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pelas leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.528/1997, foram declarados inconstitucionais pelo STF. Fl. 11511DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 5 7 Além do mais, como a própria contribuição foi declarada inconstitucional, não se poderia exigir a subrogação de contribuição inexistente. Defende que as decisões do STF afastam dos adquirentes não só a sub rogação, mas também a retenção e o recolhimento da contribuição social, atingindo, portanto, a pretensa obrigação prevista no inciso III do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Contribuição ao SENAR O sujeito passivo defende que a contribuição ao SENAR, prevista no art. 2.º da Lei n.º 8.540/1992, com redação alterada pelo art. 6.º da Lei n.º 9.528/1997 e pelo art. 3.º da Lei n.º 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, carece de validade constitucional. Contribuição ao Funrural A recorrente defende que não há permissivo legal para exigência da contribuição para o "Funrural", posto que a Lei n.º 10.256/2001 apenas tratou da cabeça do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nada dispondo sobre os seus incisos. Cita decisões que estariam alinhadas com sua tese. Assevera que a tributação sobre a receita da comercialização rural do produtor pessoa física representa bis in idem, uma vez que os seus fornecedores são obrigados a recolher sobre a mesma base a COFINS e o ICMS. Assim a exação sob discussão entra em frontal choque com a Constituição. Ao final, requer o provimento do recurso pedindo a anulação da decisão recorrida ou a sua reforma. Sem contrarrazões os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 11512DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O despacho de fl. 11.482 dá conta que o recurso foi apresentado no prazo legal e, por preencher os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Segundo o relatório fiscal, o sujeito passivo, em atendimento à intimação fiscal, apresentou documentos relativos a processo de Mandado de Segurança nº 003237 86.2010.4.03.6106/SP. Conforme a documentação apresentada, verificouse que a liminar concedida, com o fim de suspender a exigibilidade das contribuições previstas nos artigos 25, inciso I e II da Lei nº 8.212/1991, teve seus efeitos revogados por decisão prolatada em 20/5/2010. O sujeito passivo também moveu Apelação em relação à qual foi negada o seguimento, tendo apresentado embargos de declaração. Observando a peça inaugural do MS referido, constatase que ali se discute a inconstitucionalidade dos arts. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na sua redação atual (ver resposta a intimação, fl. 6). Nesse sentido, as alegações deste recurso que se refiram à inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de pessoas físicas, bem como a subrogação do adquirente na obrigação de recolher os tributos não será conhecida em razão da concomitância da discussão da matéria nas instâncias judicial e administrativa. Tal efeito jurídico decorre do que dispõe a Súmula CARF n.º 01, assim redigida: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Nessa toada, o conhecimento do recurso será apenas parcial, haja vista que não se apreciará questões relativas à inconstitucionalidade da exação, bem como à suspensão da exigibilidade do crédito, que foram matérias levadas ao Judiciário. Suspensão do processo A meu ver o pedido do sujeito passivo não deve ser atendido. Fl. 11513DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 6 9 No Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009 foi introduzida uma alteração, pela Portaria MF n.º 586, de 21/12/2010, visando ao sobrestamento de processos com repercussão geral reconhecida pelo Pretório Excelso. Eis o texto: "Art. 62A. (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Todavia no RICARF em vigência, aprovado pela Portaria 343, de 09/06/2015 e alterações, inexiste a previsão de sobrestamento dos processos administrativos fiscais, contendo matéria que esteja sujeita cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo STF. Não tenho dúvida de que as disposições do CPC mencionadas pelo sujeito passivo não alcançam os tribunais administrativos, a menos que houvesse uma determinação expressa do relator do processo no STF. É essa a exegese que se pode extrair do inciso II do art. 1.037 do CPC: "Art. 1.037 – Selecionados os recursos, o relator no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: (...) II – determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem a questão e tramitem no território nacional;" O desconhecimento da existência de determinação de sobrestamento de processos administrativos, levame ao entendimento de que não há suporte legal para que se suste o julgamento do presente recurso. Nesse sentido, inexiste amparo legal para atender ao pedido de sobrestamento do feito. Utilização do SPED A utilização do SPED, ao contrário do que defende a recorrente, não representa produção de prova ilícita, nesse sentido sua tese de nulidade do lançamento não merece acolhida. A Medida Provisória 2.2002, de 24/08/2001, que tem força de lei e ainda continua vigente, dentre outras providências, instituiu a InfraEstrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil prevê a possibilidade de utilização dos documentos eletrônicos para fins tributários. Eis o dispositivo tratando da questão: Fl. 11514DF CARF MF 10 "Art. 11. A utilização de documento eletrônico para fins tributários atenderá, ainda, ao disposto no art. 100 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Ao prescrever que a utilização pelo fisco dos documentos eletrônicos deveria atender ao art. 100 do CTN, a MP em questão possibilitou a regulamentação da matéria por ato administrativo. Diante dessa autorização o Poder Executivo editou o Decreto n.º 6.022, de 22/01/2007, instituindo o Sistema Público de Escrituração Digital SPED. Ali se estabelece que os livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas serão emitidos de forma eletrônica, com observância ao disposto na MP 22002/2001. Art. 1º Fica instituído o Sistema Público de Escrituração Digital Sped. Art. 2º O Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, mediante fluxo único, computadorizado, de informações. §1º Os livros e documentos de que trata o caput serão emitidos em forma eletrônica, observado o disposto na Medida Provisória no 2.2002, de 24 de agosto de 2001. O art. 3.º do Decreto em questão define quais os órgãos são usuários do SPED e autoriza estes órgãos a estabelecerem a obrigatoriedade, a periodicidade e os prazos para apresentação de livros e documentos por intermédio deste sistema. "Art.3º São usuários do Sped: I a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda; II as administrações tributárias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante convênio celebrado com a Secretaria da Receita Federal; e III os órgãos e as entidades da administração pública federal direta e indireta que tenham atribuição legal de regulação, normatização, controle e fiscalização dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas. § 1º Os usuários de que trata o caput, no âmbito de suas respectivas competências, deverão estabelecer a obrigatoriedade, periodicidade e prazos de apresentação dos livros e documentos, por eles exigidos, por intermédio do Sped. § 2º Os atos administrativos expedidos em observância ao disposto no § 1º deverão ser implementados no Sped concomitantemente com a entrada em vigor desses atos. Fl. 11515DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 7 11 § 3º O disposto no § 1º não exclui a competência dos usuários ali mencionados de exigir, a qualquer tempo, informações adicionais necessárias ao desempenho de suas atribuições." O art. 4.º do Decreto do SPED estabelece o acesso às informações por parte dos usuários e das empresas: "Art. 4º O acesso às informações armazenadas no Sped deverá ser compartilhado com seus usuários, no limite de suas respectivas competências e sem prejuízo da observância à legislação referente aos sigilos comercial, fiscal e bancário. Parágrafo único. O acesso previsto no caput também será possível aos empresários e às pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, em relação às informações por eles transmitidas ao Sped." Assim, a utilização das informações do SPED para efetuar a apuração que deu ensejo ao presente lançamento não padece de qualquer vício, não havendo razão para que se enxergue aí uma causa de nulidade, ainda mais que as informações obtidas referemse a contribuinte que estava sob ação fiscal, conforme revela o Termo de Início de Fiscalização de fls. 3/5. Suspensão da exigibilidade do crédito Inicialmente cabe frisar que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário abrange apenas as contribuições para Seguridade Social, uma vez que a ação ajuizada pelo sujeito passivo não abrange a contribuição destinada ao SENAR. Com relação à inconstitucionalidade da contribuição destina à Seguridade Social esta não será objeto de conhecimento por esse colegiado, posto que como já afirmamos acima ocorreu a concomitância entre a discussão administrativa e a judicial. Ressaltese que quando do lançamento não havia qualquer decisão que impedisse o fisco de constituir o crédito, tampouco, suspendendo a sua exigibilidade. Verifica se que a decisão na cautelar proposta perante o TRF 3.ª Região com esse objeto somente foi prolatada em 17/11/2015, conforme cópia do provimento judicial (fls. 11.371/76). Neste sentido, a alegada suspensão da exigibilidade do crédito acolhida pelo Judiciário não terá interferência nesse julgamento, uma vez que é matéria que está sendo discutida na esfera judicial. Assim, não há que se reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nessa instância de julgamento, decorrente da ação judicial invocada pelo sujeito passivo. Ressaltando que a própria interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito nos termos do regramento do Processo Administrativo Fiscal Federal. Fl. 11516DF CARF MF 12 Decisões do STF As decisões do STF mencionadas no recurso, RE n.º 363.852/MG e RE n.º n.º 596.177/RS, não projetam efeitos para o processo sob apreciação. Para defender meu entendimento, peço licença para reproduzir integralmente o excelente voto do I. Conselheiro Fábio Piovesan Bozza proferido no julgamento que deu ensejo ao Acórdão n.º 2301004.797, de 16/08/2016: "A presente exigência fiscal encontrase lastreada no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I – 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II – 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Embora o produtor rural pessoa física seja o contribuinte, a responsabilidade pelo adimplemento dessa obrigação tributária foi legalmente transferida para a pessoa jurídica que adquiriu a produção, nos termos do art. 30, inc. III e IV da Lei nº 8.212/91 (os grifos são nossos): Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) III – a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). IV – a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto Fl. 11517DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 8 13 no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Como fato impeditivo ao lançamento promovido pela fiscalização, a Recorrente afirma que o dispositivo que embasa a exigência fiscal (art. 25 da Lei nº 8.212/91) já teria sido declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, ao menos em duas oportunidades, por ocasião dos julgamentos do Recurso Extraordinário nº 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, ocorrido em 03/02/2010, e do Recurso Extraordinário nº 596.177 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, ocorrido em 17/10/2013. Realmente, tais precedentes contemplam a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos pela Suprema Corte, entre eles o art. 25 da Lei nº 8.212/91, principalmente porque a competência para instituição de contribuições sobre receita bruta só veio com a edição da Ementa Constitucional nº 20/98. Todavia, um detalhe é importante e faz toda a diferença no caso ora analisado: a declaração de inconstitucionalidade alcança somente aqueles dispositivos com “as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97”, não afetando a validade do dispositivo na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, que serviu de fundamento para o lançamento de ofício em comento. Para corroborar o alegado, citese, primeiramente, a ementa do Recurso Extraordinário nº 363.852 (os grifos são nossos): CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO– LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA– EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL –PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Depois, a ementa do Recurso Extraordinário nº 596.177, decidido na sistemática da repercussão geral (os grifos são nossos): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a Fl. 11518DF CARF MF 14 inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. E, finalmente, a ementa da decisão dos embargos de declaração opostos no Recurso Extraordinário nº 596.177, que exclui peremptoriamente os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em relação à Lei nº 10.256/2001 (os grifos são nossos): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Outro fato que comprova o alcance limitado das declarações de inconstitucionalidade obtidas nos Recursos Extraordinários nºs 363.852 e 596.177 é a circunstância de o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, ter sua constitucionalidade impugnada no Recurso Extraordinário nº 718.874, o qual teve repercussão geral reconhecida e aguarda julgamento pela Suprema Corte. Costumase ainda suscitar contra a incidência das contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção rural por pessoa física que, mesmo após a edição da Lei nº 10.256/2001, a regra matriz de incidência teria ficado incompleta, porque a declaração de inconstitucionalidade ocorrida no Recurso Extraordinário nº 363.852 também teria atingido os incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De início, o argumento impressiona. Contudo, as seguintes circunstâncias acabam relativizandoo e prejudicam seu acolhimento: (i) os efeitos do julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852 estão adstritos somente às partes do respectivo processo; (ii) os efeitos do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177, este sim de repercussão geral, somente reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, nada afirmando sobre a Lei nº 9.528/97; (iii) a constitucionalidade da incidência das contribuições em comento, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, agora na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, conforme já dito, foi transferida para o Recurso Extraordinário nº 718.874, de repercussão geral reconhecida, o qual pende de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 2ª Seção igualmente reflete o entendimento acima esposado, em diversas decisões, merecendo destacar as seguintes (os grifos são nossos): Fl. 11519DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 9 15 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do art. artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. Acórdão nº 9202004.017, de 12/05/2016 PREVIDENCIÁRIO – AUTO DE INFRAÇÃO – AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SUBROGAÇÃO O Acórdão do RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição”. Com o advento da Lei 10.256/2011, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art.30, IV, da Lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Acórdão nº 9202003.836, de 09/03/2016 Por esses motivos – e considerando que os membros deste CARF, de um lado, somente estão vinculados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ quando julgadas na sistemática de repercussão geral (art. 543B, CPC/73) ou de recurso repetitivo (art. 543C, CPC/73), e, de outro lado, estão proibidos de pronunciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) – afigurase válida a fundamentação legal utilizada pela fiscalização para apoiar o lançamento de ofício promovido, devendo os recursos voluntários da Recorrente e da responsável solidária serem rejeitados." Por adotar o entendimento acima, deixo de acolher a alegação de que a decisão recorrida estaria em dissonância com a jurisprudência do STF. Decisões judiciais protegendo os produtores rurais Para afastar a alegação do sujeito passivo de que estaria sendo exigida a retenção de fornecedores que seriam detentores de decisões judiciais que afastava a retenção sobre a receita da comercialização, o órgão de primeira instância aduziu que a defesa não trouxe aos autos os documentos hábeis a comprovar que a adquirente estaria impedida por decisão judicial de efetuar a retenção. Além disso, mencionouse o caso do produtor Evaldo Claudino da Silva, que somente teria ajuizado a ação em data posterior ao período do lançamento, portanto, não serviria para justificar a impossibilidade da empresa de reter a contribuição do fornecedor. No recurso, a empresa afirma que seria ônus do fisco identificar os produtores acobertados por decisões, de modo a excluílos do lançamento. Passa a citar os casos específicos dos produtores Dorvalino Granado (Apelação Cível 5001237 14.2010.404.7104/RS); Adair Wagner (proc. 500145894.2010.404.7104RS); Edson João Fl. 11520DF CARF MF 16 Zancanaro, Guilherme Luiz Zancanaro e Itacir José Zancanaro (Apelação Cível 5003692 39.2012.404.7117/RS); Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi (Apelação Cível 500049374.2010.404.7118/RS). Menciona que todos esses casos referemse a apreciação de inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991 desde sua redação original até aquela dada pela Lei n.º 10.256/2001. Cita ainda o caso do produtor Akio Wakamoto, por meio da ação 0003488 04.2010.4.03.6107, que não tendo obtido êxito nas instâncias inferiores, manejou recurso extraordinário, o qual se encontra sobrestado em razão da repercussão geral da matéria reconhecida pelo STF. Inicialmente cabe tecer uns rápidos comentários acerca da distribuição do ônus probatório no processo administrativo fiscal. É dever do fisco comprovar suas alegações no sentido de identificar o sujeito passivo, demonstrar a ocorrência do fato gerador, quantificar a matéria tributável e calcular o valor do tributo devido. Esse poderdever decorre do disposto no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ao sujeito passivo cabe se contrapor à acusação, apresentando na impugnação todos os elementos de prova que possam infirmar as afirmações do fisco. Essa previsão consta do Decreto n.º 70.235/1972, nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) Portanto cabe ao sujeito passivo apresentar na sua peça defensória os fatos e o direito que possam modificar ou extinguir a pretensão do fisco, isso conforme o art. 373 do Código de Processo Civil CPC, utilizado de forma subsidiária no processo administrativo: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 11521DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 10 17 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Voltando ao caso concreto, verificase que a autoridade lançadora de posse dos arquivos eletrônicos obtidos do SPED, elaborou relação das aquisições de gado de pessoas físicas feitas pela recorrente, a partir da qual fez sua apuração. O sujeito passivo, imaginase, deveria ter a relação de todos os seus fornecedores amparados por decisão judicial impedindo a retenção, posto que sua responsabilidade somente estaria afastada com a comprovação cabal de que o produtor rural era detentor de provimento judicial afastando a exação. Todavia, na defesa foi apontado apenas um caso de existência de decisão favorável a determinado fornecedor, com o pleito de que aquele caso fosse entendido aos demais. No meu entender decidiu com acerto a DRJ ao apreciar apenas aquela situação onde foi apresentada a prova, posto que cabia ao sujeito passivo comprovar os fatos que modificariam a pretensão fiscal. Vejo que agora no recurso, além do caso específico mencionado na defesa, outras situações de supostas decisões impedindo a retenção foram trazidas. Diante dessas provas não me furtarei de enfrentar a questão de forma individualiza, todavia, não há como estender o fato ocorrido com alguns produtores para todas as situações contempladas no lançamento. Vejamos então. a) Edson João Zancanaro, Guilherme Luiz Zancanaro e Itacir José Zancanaro (Apelação Cível 500369239.2012.404.7117/RS). Verifico às fls. 11.377/87, decisão do TRF da 4.ª Região em que é mantido o direito dos produtores rurais à restituição/compensação de contribuições retidas incidentes sobre a comercialização da produção. Assim é de se concluir que não havia decisão impeditiva da retenção ou mesmo suspensiva da exigibilidade do crédito, ou seja inexistiu provimento declaratório de inexistência de relação jurídica, na verdade, o pleito levado ao judiciário era de outra natureza, consistindo em ação de natureza constitutiva do direito a restituição/compensação das quantias retidas. Essa decisão, s.m.j, não seria suficiente para exonerar a recorrente de efetuar a retenção das contribuições lançadas. b) Dorvalino Granado (Apelação Cível 500123714.2010.404.7104/RS). Para este caso assiste razão à empresa, posto que este produtor obteve em 02/10/2012 decisão declarando a inexistência da relação jurídica, bem como repetição dos valores recolhidos. É o que pode ser visto às fls. 1.392/99. A retificação da base de cálculo para excluir as aquisições feitas a esse produtor encontra amparo na Solução de Consulta COSIT n. 01/2013, segundo a qual não é cabível o lançamento contra a empresa adquirente nos casos em que há medida liminar a Fl. 11522DF CARF MF 18 impedindo de efetuar a retenção. Nestes casos, havendo reversão da liminar o lançamento há de ser efetuado contra o próprio produtor rural. c) Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi (Apelação Cível 500049374.2010.404.7118/RS). Essa situação é idêntica aquela mencionada no item "b", conforme decisão de 29/02/2012, constante às fls. 11.407/418. d) Akio Wakamoto (ação 000348804.2010.4.03.6107) Neste caso não há sequer necessidade de análise documental, posto que a própria recorrente em seu arrazoado afirma que esse produtor interpôs recurso extraordinário, por não ter obtido sucesso nas instâncias inferiores, o que me deixa tranquilo para concluir que não havia qualquer provimento impedindo a retenção. e) Adair Wagner (proc. 500145894.2010.404.7104RS) Não acatar essa questão pela falta de juntada dos documentos. Essa alegação deixou de ser acatada, uma vez que o sujeito passivo não trouxe aos autos as provas necessárias a demonstrar a existência do alegado provimento judicial. Mandado de Segurança relativo a Evaldo Claudino da Silva Este caso foi tratado em separado no recurso. Ali o sujeito passivo alega que, em data anterior ao lançamento, o produtor em questão foi contemplado com decisão judicial que afastava a retenção das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural. De fato, consultando às fls. 11.419/39 vislumbrei tal decisão, todavia, o provimento restringese a declarar a inconstitucionalidade do art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991 nas redações anteriores à Lei n.º 10.256/2001. Considerando que as competências lançadas são posteriores a esse marco legal, não há de se acolher a pretensão de afastar do lançamento as aquisições feitas a esse produtor. Vejamos a parte dispositiva da mencionada decisão do TRF 1.ª Região: Contribuição ao SENAR Para enfrentar a alegada inconstitucionalidade da contribuição em questão, é necessária uma análise da conformidade de dispositivos legais aplicados pelo Fisco frente ao texto constitucional, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por ofensa à Constituição. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das Fl. 11523DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 11 19 normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional , lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 Fl. 11524DF CARF MF 20 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente, como é o caso da contribuição ao SENAR. Subrogação Neste tópico iniciemos apreciando a alegada falta de fundamento jurídico para que se exija a contribuição ao SENAR por subrogação. O inciso IV do art. 30 da Lei n.° 8.212/1991 prevê a subrogação do adquirente nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial de recolher as contribuições para a Seguridade Social, nos seguintes termos: "Art. 30 (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Por outro lado, a própria Lei n.° 8.212/1991 estendia às contribuições destinadas aos terceiros as mesmas condições estabelecidas para as contribuições previdenciárias, nos termos do § 1.° do art. 94. Essa regra permaneceu válida até 02/05/2007, quando entrou em vigor a Lei 11.457/2007 (Lei da Super Receita), que trata do tema nos mesmos termos que a norma revogada: Art. 3.º As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. § 1.º A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2.º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 11525DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 12 21 § 3.º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2.º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial." (grifos nossos) Portanto, dúvida não há que a técnica de arrecadação instituída para as contribuições previstas no art. 25 da Lei n.° 8.212/1991, qual seja a subrogação nas obrigações de recolher as contribuições incidentes sobre a receita da comercialização da produção rural da pessoa física com empregados e do segurado especial é aplicável à contribuição destinada ao SENAR, conforme dispositivos legais supramencionados. Essa regra consta inclusive no Regulamento do SENAR, aprovado pelo Decreto n.º 566/1992, na redação dada pelo Decreto n.º 790/1993, conforme se vê no texto abaixo: Art. 14. A arrecadação das contribuições devidas ao SENAR, na forma do disposto nos incisos I e II do art. 11 deste regulamento, será feita pelo Instituto Nacional do Seguro Social e, no inciso VIII, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, ou pelo órgão ou entidade designado pelo Poder Executivo, em conjunto com o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural e nas mesmas condições, prazos e sanções, foro e privilégio que lhes são aplicáveis, inclusive no que se refere à cobrança judicial mediante processo de execução fiscal, na forma do disposto na Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980. Nesse sentido, a exigência da contribuição ao SENAR está em perfeita consonância com a legislação de regência, havendo respaldo legal para que a ela seja aplicada a técnica arrecadatória da subrogação. Passemos então a apreciar a validade dos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Apresentemos inicialmente os dispositivos: Conforme visto acima, não há dúvida que o RE n.º 363.852/MG afastou por inconstitucionalidade o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.528/1997, todavia, o inciso III do mesmo artigo mantevese incólume, como se pode ver da ementa do julgado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO– LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA– EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL –PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.(grifei) Fl. 11526DF CARF MF 22 Ressaltese que neste RE não houve reconhecimento da repercussão geral, tendo esta sido reconhecida no bojo do RE nº 596.177, que exclui peremptoriamente os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em relação à Lei nº 10.256/2001 e, ressaltese, não declara a inconstitucionalidade dos dispositivos alterados pela Lei n.º 9.528/1997: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III –Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. É fato que as declarações de inconstitucionalidade obtidas nos Recursos Extraordinários nºs 363.852 e 596.177 não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, a qual teve a constitucionalidade impugnada no Recurso Extraordinário nº 718.874, o qual teve repercussão geral reconhecida e aguarda julgamento pela Suprema Corte. Assim, não pode este tribunal administrativo declarar a inconstitucionalidade de dispositivos legais sobre os quais ainda remanesce o debate na Corte Máxima. Nesta toada, enquanto não houver decisão definitiva do STF, a subrogação prevista nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 permanece legítima para os fatos geradores ocorridos após a edição da Lei n.º 10.256/2001. Contribuição ao "Funrural" Os argumentos apresentados no recurso para demonstrar a inconstitucionalidade da contribuição para a Seguridade Social não serão apreciados em obediência à Súmula CARF n.º 01 já mencionada. Com relação à discussão sobre aspectos infraconstitucionais não devo conhecer dos seus argumentos, haja vista que é matéria que foi submetida ao Judiciário por intermédio do MS nº 00323786.2010.4.03.6106/SP, o que representa renúncia à discussão administrativa nos termos da seguinte súmula do CARF: Fl. 11527DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 13 23 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Multa qualificada A justificativa do fisco para aplicação da multa qualificada no patamar de 150% das contribuições não recolhidas foi a prática de sonegação, pelo fato do sujeito passivo de forma reiterada não haver declarado na GFIP as aquisições de produtos rurais de pessoas físicas. Eis o que afirmou a autoridade lançadora: O contribuinte adverte que não houve a cabal demonstração pelo fisco da ocorrência de conduta dolosa tendente a suprimir ou retardar o pagamento de tributo, o que afastaria a imposição da multa exacerbada. A DRJ manteve a multa qualificada ao argumento de que o fisco teria conseguido demonstrar a ocorrência de sonegação fiscal, decorrente da reiterada prática da omissão de fatos geradores na GFIP. Afirmase no acórdão recorrido que a imposição da penalidade qualificada está em perfeita consonância com o § 1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. A meu ver a acusação fiscal não conseguiu demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Fl. 11528DF CARF MF 24 Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera falta de declaração dos fatos geradores não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Considerese ainda que a recorrente escriturava as compras de gado, tendo a sua contabilidade sido a fonte utilizada para extrair os fatos geradores de contribuição, além de que não se demonstrou qualquer falsidade no lançamento dos registros contábeis. Diante da acusação da ocorrência de sonegação, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Observese que o tipo acima exige que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que, na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/posterguem a ocorrência do fato gerador. Não consigo enxergar na espécie a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na declaração baseada em documentos falsos ou situação que se comprove inexistente. Concordo com o sujeito passivo quando afirma que a matéria de direito em debate é extremamente controvertida e se encontra em intenso debate nos tribunais pelo país afora, de modo que a mera divergência de interpretação da legislação não é suficiente para demonstrar a ocorrência de falsidade que pudesse justificar a acusação do dolo. É esse entendimento que tem prevalecido nas decisões do CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Trago à colação recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente esse linha interpretativa: "MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada." (Acórdão nº 9202003.827 08/03/2016) Mesmo se verificando que não houve a declaração dos fatos geradores, o meu entendimento é que somente procederia a acusação de sonegação, caso se houvesse demonstrado a ocorrência do ardil de esconder do fisco a ocorrência dos fatos geradores, o que Fl. 11529DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 14 25 não se configurou, posto que os dados obtidos do SPED, do que consta dos autos, refletiram a realidade econômicofinanceira da autuada. Diante do exposto, entendo que a multa deve ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo devido. Conclusão Voto por conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 11530DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721610/2011-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente.
Numero da decisão: 9202-005.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 10 /2 01 1- 30 Fl. 852DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 852 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. . Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de crédito tributário decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas de empresa não negociadas em bolsa. Os fatos geradores ocorreram nos anos de 2006 e 2009 e decorreram da alienação, à UBS Brasil Participações Ltda., de 17.011.162 ações de propriedade do contribuinte, de emissão de Banco Pactual S.A. Pelo lançamento cobrase suposta diferença do imposto apurado no ganho de capital decorrente da utilização equivocada do Método de Equivalência Patrimonial, multa pelo lançamento de ofício e juros de mora sobre a totalidade do crédito apurado. Usando o relatório elaborado pela DRJ esclareço que: Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 230/247, em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 17.011.162 (dezessete milhões, onze mil, cento e sessenta e duas) ações ordinárias. Tal alienação resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 51,43 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$ 7,60 milhões, sendo R$ 3,00 milhões no ano de 2006 e R$ 4,60 milhões em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios Fl. 853DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 853 3 societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. De acordo ainda com o Termo de Verificação Fiscal, através dessa manobra, o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do custo de aquisição de sua participação no Banco Pactual de incríveis 315,64%, enquanto que, no mesmo período, o patrimônio líquido do Banco experimentou um aumento de 84,45%. Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Pactual Participações, no valor de R$ 14.883.266,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 24.390.072,67 (R$ 39.273.338,67 R$ 14.883.266,00). Cientificado da autuação em 17/11/2011 (fls. 383), o interessado apresentou, em 30/11/2011, por meio de seu representante legal, a impugnação de fls. 386/425, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: Fl. 854DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 854 4 1. antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 1,9188% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A., sociedade holding na qual o impugnante não tinha qualquer participação; 3. os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital da Nova Pactual Participações, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante em R$14.883.266,00; ii) aumento de capital da Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, o qual é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o impugnante não era titular de investimentos na Pactual Holdings; iii) incorporação da Nova Pactual Participações (e Pactual Holdings, o que não é relevante no caso) pela Pactual S/A, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, na Pactual S/A; iv) aumento de capital da Pactual S/A, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante na Pactual S/A em R$14.491.316,00; v) incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. depois da incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual, as ações deste último, das quais o impugnante se tornou proprietário, foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda, pelo preço total de R$ 78.654.288,42, sendo que uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 30.569.095,57), e outra parcela, em 2009 (R$ 45.257.004,00); 5. do montante de R$ 45.257.004,00, parte foi paga em dinheiro (R$ 34.395.322,69) e o restante (R$10.861.680,85), em ações representativas de aumento de capital de BTG Pactual Participações II S/A; 6. após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 39.273.338,67; Fl. 855DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 855 5 7. a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual, refletida em suas investidoras em razão da aplicação do MEP, seguida da incorporação inversa dessas mesmas investidoras por suas investidas, acarretou majoração do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco e a conseqüente redução do montante do ganho de capital e do IRPF sobre ele incidente; 8. no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 9. em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual Participações e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 10. o auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 11. o Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo (controladores) sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; 12. os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 13. em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no pólo vendedor da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; 14. pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 15. é comum em vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual, que os acionistas assumam obrigações de caráter personalíssimo, como a de não Fl. 856DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 856 6 competirem com a sociedade vendida e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 16. o descumprimento de tais obrigações gerava reflexos no pagamento do preço de venda das ações do Banco e, por isso, caso os acionistas não fossem os vendedores, mas uma das holdings do Grupo, a inadimplência por parte de apenas um dos acionistas acabaria afetando o recebimento do preço pela holding vendedora, com consequência para todos os acionistas; 17. assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes. 18. o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 19. entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como endedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 20. desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 21. não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; 22. nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 23. não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada têm o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; Fl. 857DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 857 7 24. a incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporada na investida/incorporadora, cabendo à investida/incorporadora aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporada; 25. contudo, a investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 26. ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não possa ou não queira mantêlas em tesouraria; 27. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 28. a parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 29. a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 30. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S/A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 31. em vista disto, os lucros de Nova Pactual Participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; 32. tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual Participações, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do Fl. 858DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 858 8 direito ao recebimento de lucros e, como nela se observa a capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa 33. esta foi, portanto, a razão de a capitalização de lucros de Nova Pactual Participações ter sido expressa e não mera decorrência de sua incorporação por Pactual; 34. não se diga, pois, que a capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, era essencial à adequada distribuição dos lucros da Nova Pactual Participações; 35. a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130,§1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 36. nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado,ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; 37. no caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação,mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; 38. o ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria,quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 39. a legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas,sem cogitar da natureza do lucro; 40. quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionista seram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e,assim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 41. a opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi Fl. 859DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 859 9 mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 42. ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 43. não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 44. as distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 45. o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 46. as distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 47. ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; 48. além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 49. o art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 50. no caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta com o objetivo de ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; 51. a alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Fl. 860DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 860 10 Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada; 52. os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; 53. ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 54. de acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; 55. o art. 116, § único, do CTN é inaplicável, seja porque ele não se destina ao combate de atos simulados, seja porque ele é ainda ineficaz, por não ter sido regulamentado; 56. o referido dispositivo não é autoaplicável e o próprio texto faz referência aos “procedimentos a serem estabelecido sem lei ordinária”, sem os quais o referido dispositivo não produz efeitos; 57. a fiscalização não lançou a multa agravada com base nao corrência de simulação, a qual foi suscitada no TVF unicamente para justificar a aplicação do art. 116, § único do CTN; 58. todavia, se este tivesse sido o caso, a inaplicabilidade da multa já teria restado plenamente comprovada, pois,conforme visto, não houve qualquer ato simulado na reestruturação; 59. o fato de o TVF indicar a existência cumulativa de simulação, sonegação, fraude e conluio é um fortíssimo indício de que a fiscalização não se preocupou em comprovar suas alegações, optando por mencionar todas as patologias que lhe ocorreram; 60. tal procedimento contraria a jurisprudência pacífica do CARF e da CSRF, que em numerosos julgados têm decidido que a aplicação da multa agravada está condicionada à comprovação, por parte do fisco, da existência de “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 61. diante do exposto, fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente; 62. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; Fl. 861DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 861 11 63. à vista do exposto, requer que seja julgado improcedente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente. Acordaram os membros da 16ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Em Recurso Voluntário o Contribuinte reitera suas argumentações e, posteriormente, para reforçar sua tese, junta aos autos decisão favorável proferida pela 1ª Câmara em caso similar (Acórdão nº 210101.938). A 2a. Câmara / 1ª Turma Ordinária, por meio do acórdão 2201002.636, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para afastar a qualificação da multa. Referido julgado recebeu a seguinte emenda: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2010 Ementa: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras,seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte,demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. O contribuinte apresentou Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial em relação a duas matéria: quanto a apuração do ganho de capital e quanto à possibilidade de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício. Subsidiariamente requer a Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 862 12 aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN com o cancelamento da penalidade e dos juros. Intimada a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões requerendo a manutenção do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Vejamos cada uma das matérias. Da apuração do ganho de capital: Tratase de matéria já debatida neste Conselho, onde após a realização de sustentações orais pelas partes indicando os principais pontos controversos da lide e tecendo suas explicações, esse colegiado, por maioria, vem adotando o entendimento do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator no Acórdão nº 9202003.700. A lide foi delimitada da seguinte forma: O deslinde da questão se resume à correta interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica. Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o Fl. 863DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 863 13 aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 864 14 por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor Fl. 865DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 865 15 do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 866 16 pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 867 17 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o Fl. 868DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 868 18 reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e Fl. 869DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 869 19 por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding () Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); somente houve glosa da atualização do custo de participação societária, para uma das capitalizações de lucro, mais Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 870 20 especificamente, para a capitalização ocorrida em NOVA PACTUAL em 13.10.2006, no valor de R$ 30.233.762,00. Portanto, a autoridade autuante entendeu indevida apenas a atualização de custo da participação em decorrência de uma das capitalizações de lucro, em razão da aplicação a ela, pelo autuado, do disposto no art. 135 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999. Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que ambas deveriam ter sido glosadas. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Conforme exposto no relatório, no presente caso foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda., o montante de 17.011.162 ações de propriedade do contribuinte, de emissão de Banco Pactual S.A. Pelo lançamento somente foi glosado o valor de atualização do custo das ações de uma das duas operações de capitalização de lucros, a de valor R$ 14.883.266,00 (efls. 246). Aplicando aos fatos geradores em questão o critério do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, os quais adoto como razão de decidir, chegaríamos a crédito apurado bem superior aquele calculado pelo Fiscal, afinal como exposto devem ser desconsiderados para fins de apuração do ganho de capital e do valor aceitável para o aumento do custo das respectivas participações societárias as duas capitalizações de lucro. Considerando o entendimento acima, mas observando a limitação imposta pelo princípio processual da "proibição da reformatio in pejus', que impede o agravamento da situação do Recorrente, mantenho do o acórdão recorrido. Da incidência de juros sobre multa de ofício: No que tange a discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício também não há motivos para a reforma do acórdão. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 871 21 O art. 113 do CTN nos traz a descrição de quais parcelas compõem o crédito relacionado à obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Percebese que para o legislador o crédito tributário pode ser composto por três parcelas: I) o crédito decorrente da obrigação principal, II) o crédito gerado em razão de penalidade pecuniária decorrentes dessa obrigação principal e III) o crédito eventualmente decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Citado por Leandro Paulsen, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, assim esclarece: A obrigação principal, criação de expediente técnicojurídico, congrega em um só objeto, em uma só relação jurídica, mediante a operação de soma ou união de relações, os objetos das relações patrimoniais: relação jurídica tributária, relação jurídica da multa pelo nãopagamento, relação jurídica de mora e relação jurídica sancionadora instrumental, prática esta que, se, de um lado, facilita a integração e cobrança do débito fiscal, de outro, dificulta o discernimento das várias categorias e regimes jurídicos díspares que compõem a denominada obrigação tributária principal. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. No âmbito da regulamentação dada à matéria pelas legislação ordinária, devemos citar os dispositivos das leis nº 9.430/1996 e 10.522/2002, que disciplinaram o assunto: Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 872 22 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Lei nº 10.522/2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...). Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Diante do exposto, considerando a abrangência do conceito de crédito tributário, forçoso concluir que há previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada em razão do não pagamento do tributo devido. Do pedido subsidiário do contribuinte: Em um primeiro momento me manifestei favorável a tese do contribuinte de aplicação ao caso concreto do art. 100, parágrafo único do CTN haja vista a Instrução Normativa SRF nº 84/01. Entretanto, após debates sobre o tema e realizando uma leitura mais detalhada da citada instrução normativa, me curvo ao entendimento proferido no referenciado acórdão nº 9202003.700, haja vista inexistir comando normativo que autorizasse o contribuinte a contabilizar seus ganhos da forma como realizado: Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 873 23 normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de ofício,neste último caso em linha com o explicitado a seguir quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. Diante do exposto nego provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 874 24 Fl. 875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000136/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
Numero da decisão: 1201-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 01 36 /2 01 0- 94 Fl. 916DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever a matéria, adoto o relatório do despacho de admissibilidade, complementandoo a seguir: Tratase de Embargos de Declaração (fls. 903/906) interpostos em 29/06/2015 (fl. 907 e Comprot) pela FAZENDA NACIONAL, em face da alegada existência de omissões no acórdão nº 1201001.187 (fls. 893/896), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do e. CARF, em 02/04/2015, cuja relatoria coube ao então Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Analisando os Embargos de Declaração, verificase que os pressupostos e requisitos de admissibilidade fazemse presentes, nos termos do art. 65 Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10872.000136/201094 Acórdão n.º 1201001.561 S1C2T1 Fl. 917 3 Ou seja, para que os ED sejam conhecidos, a Embargante deve: i) interpôlo no prazo de 5 (cinco) dias; ii) estar legitimada para a prática do ato; e iii) alegar, objetivamente, a existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. No que tange à tempestividade, este requisito se faz presente. O acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste e. CARF em 02/04/2015 (fl. 893) foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional em 18/06/2015 (fl. 902 e Comprot), uma quintafeira. De acordo com o artigo 23, § 9º, do Decreto nº 70.235/72, os Procuradores da Fazenda Nacional somente são considerados intimados pessoalmente da decisão do CARF “(...) com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria”. Em outras palavras, o prazo de cinco dias previsto no artigo 65, § 1º, do RICARF apenas começaria a correr trinta dias após o dia 18/06/2015 (data de encaminhamento dos autos fl. 902), ou seja, em 20/07/2015, uma segundafeira, e venceria, como consequência, em 27/07/2015, uma segundafeira. Tendo em vista que os Embargos de Declaração foram interpostos pela Fazenda Nacional em 29/06/2015 (fl. 903 e Comprot), isto é, antes do seu vencimento, não há dúvidas quanto à sua tempestividade. No que se refere à legitimidade, este requisito se faz presente, vez que os Embargos de Declaração foram firmados digitalmente por Procuradora da Fazenda Nacional(fl. 906). Por fim, quanto à matéria, este requisito também se faz presente, pois a Embargante alegou, objetivamente, omissões, quando, na fl. 903 e na fl. 905, disse: 1ª omissão “A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF cancelou os autos de infração, em virtude de suposta duplicidade de cobrança da multa e dos juros. Contudo, a e. Turma não se pronunciou sobre a supressão de instância. Assim, para afastar esse vício, a e. Turma, data venia, deveria ter determinado a remessa dos autos à DRJ para que essa se manifestasse sobre a suposta duplicidade de lançamento.” – fl. 903. 2ª omissão “Ademais, convém registrar que a suposta duplicidade da cobrança da multa e dos juros não foi levantada pela contribuinte em momento algum da impugnação e do recurso voluntário, fato que impediria a sua apreciação pelo CARF.” – fl. 905. Não é demais lembrar que o juízo de admissibilidade de ED não se confunde com a análise do mérito, cabendo ao Relator, apenas, analisar se a Embargante alegou objetivamente a existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. Fl. 918DF CARF MF 4 Quando do julgamento do mérito é que, efetivamente, analisarseá a existência dos vícios. Ademais, restou preenchido o requisito da competência. Nos termos do artigo 49, § 5º, do Anexo II do RICARF1, os processos com embargos de declaração serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, salvo aqueles em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. Como o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, que foi o relator do acórdão nº 1201001.187 (fls. 893/896), renunciou ao mandato, conforme noticiado à fl. 909, em09/12/2015, foi feito novo sorteio dentro da mesma turma, em observância ao dispositivo acima, cabendo a este Conselheiro a Relatoria deste PAF (fl. 910). Desse modo, demonstrada está sua competência para apreciação dos presentes Embargos de Declaração. Nesse caminho, em cumprimento ao artigo 65, § 2º, do RICARF, entendo presentes os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, razão pela qual submeto o presente despacho a apreciação do I. Presidente da Turma, conforme determina o artigo 65, § 3º, do RICARF. O exame de admissibilidade ocorreu por meio do despacho de fls. 911 a 914. O processo foi redistribuído em face de o conselheiro a quem havia sido sorteado o recurso não mais fazer parte deste colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissões. A embargante alega ter havido duas omissões no acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 2 de abril de 2015: a primeira em face de não ter se pronunciado sobre a supressão de instância e, a segunda, uma vez "a suposta duplicidade da cobrança da multa e dos juros" não ter sido arguida em nenhum momento na impugnação ou no recurso voluntário, fato que impediria a sua apreciação pelo CARF. O artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) dispõe expressamente que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10872.000136/201094 Acórdão n.º 1201001.561 S1C2T1 Fl. 918 5 Em ambos os casos, verificase que omissão não houve, pelo mesmo motivo. Assim está redigido o acórdão, em consonância com o voto do relator: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER, de ofício, preliminar de cancelamento dos autos de infração por tratarem dos mesmos fatos já tributados em outros lançamentos e ainda pendentes de julgamento administrativo, com base no art. 145 do CTN, não se conhecendo do mérito, nos termos do caput do art. 59 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (Grifo acrescido) Como pode ser visto, a preliminar de cancelamento dos autos de infração foi acolhida, por unanimidade de votos, de ofício, ou seja, por obrigação e dever do cargo, por autoridade própria, sem provocação das partes. Nesses casos, não há a necessidade de iniciativa ou participação de outros intervenientes que não aqueles que tomaram a decisão. Dessa forma, não há que se falar em supressão de instância. Esta poderia ocorrer no caso de alguma alegação não apreciada na instância a quo o ser na instância ad quem. Contudo, se houve o acolhimento de ofício de uma preliminar nesta segunda instância, não poderia a primeira ter se pronunciado sobre algo que não havia sido sequer alegado na impugnação. Relativamente à alegação de que a matéria não teria sido arguida nem em sede de impugnação, nem de recurso voluntário, o que impediria a apreciação pelo CARF, tem se também não ter havido omissão. Ao contrário, a Turma julgadora pronunciouse sobre matéria que, no seu entendimento, era relevante e conhecível mesmo sem ter sido alegada anteriormente no processo, ou seja, de ofício. Não há, pois, omissão na decisão embargada. Em face de todo o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Fl. 920DF CARF MF
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