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Numero do processo: 10469.724403/2014-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
SUDENE. ISENÇÃO. LEI 4.239/1963, art. 13.. CTN, ART. 111.
O artigo 13, da Lei nº 4.239/1963 define que ficarão isentos os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE.
A obtenção de isenção para atividade de Confecções em Geral não autoriza a ampliação da isenção para outras atividades.
Numero da decisão: 9101-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ISENÇÃO. LEI 4.239/1963, art. 13.. CTN, ART. 111. O artigo 13, da Lei nº 4.239/1963 define que ficarão isentos os “empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE”. A obtenção de isenção para atividade de “Confecções em Geral” não autoriza a ampliação da isenção para outras atividades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 44 03 /2 01 4- 16 Fl. 1314DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, quanto aos anoscalendário de 2010 e 2011, sendo aplicada multa de 75%, além de multa isolada quanto às estimativas mensais de todos os meses destes anos. Consta como infração a “Inclusão indevida no Lucro da Exploração de receitas decorrentes de atividades não incentivadas (Aluguéis e Subvenção para Investimentos), gerando, em conseqüência, a superestimação do benefício fiscal” (fls. 5) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto pela manutenção parcial dos lançamentos, cancelandose o lançamento da exclusão do cálculo do lucro da exploração das subvenções concedidas pelo Estado do Ceará e do Rio Grande do Norte e parte da multa isolada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 REDUÇÃO E ISENÇÃO DO IRPJ. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITAS ABRANGIDAS. A dedução do imposto de renda devido dos incentivos fiscais de redução e isenção, calculados com base no lucro da exploração, abrange apenas as receitas: (i) da atividade incentivada, constantes dos ADE e Laudos expedidos pelo Ministério da Integração Nacional Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE, considerada prioritária para o desenvolvimento regional; e (ii) dos estabelecimentos, situados nas áreas de atuação da extinta SUDENE (em Fortaleza/CE e Natal/RN), e com projetos de modernização, aprovados pela atual ADENE. A atividade de locação de imóveis, além de não integrar a atividade objeto de redução de imposto, expressamente consignada nos atos concessórios (confecções de peças de vestuário em geral), decorre de atividade empresarial da matriz, sediada em Natal/RN, estabelecimento que não dispõe de qualquer ato concessivo de benefício em seu favor. As receitas de aluguel, ainda que se enquadrem como operacionais, não integram o cálculo do lucro da exploração da atividade incentivada (confecções). LUCRO DA EXPLORAÇÃO. SUBVENÇÕES. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.315 3 A subvenção recebida do Poder Público em função de benefício fiscal de ICMS, quando os recursos puderem ser livremente movimentados pelo beneficiário ou não houver obrigatoriedade de aplicação dos recursos na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico não sendo suficiente a realização dos propósitos almejados com a subvenção, e inexistindo sincronia e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos, não caracteriza subvenção para investimento, mas para custeio ou operação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVAS. É devida a multa isolada sobre a falta de pagamento das antecipações mensais de IRPJ mensal, apuradas por estimativa. As hipóteses de incidência e as bases de cálculo das multas de ofício incidentes sobre o IRPJ devido no ajuste anual e sobre a estimativa mensal são distintas, pelo que não se pode falar em duplicidade de incidências. A completa autonomia entre as infrações não permite a aplicação do princípio da continência lógica ou da consunção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ manteve o lançamento da exclusão do cálculo do lucro da exploração das receitas de aluguéis e cancelou o lançamento da exclusão do cálculo do lucro da exploração das subvenções concedidas pelos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte. O processo foi remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tanto pela existência de recurso de ofício, quanto pela apresentação de recurso voluntário. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deu provimento ao recurso voluntário – por maioria de votos e negou provimento ao recurso de ofício – por unanimidade , em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITAS DE ALUGUEL. RECEITAS DE SUBVENÇÕES. O conceito de lucro da exploração foi introduzido no nosso ordenamento jurídico pelo art. 19 do Decretolei nº 1.598/77, do qual fica claro que o legislador ordinário não teve a intenção de dar a tal conceito uma dimensão maior do que o extraído literalmente do art. 19, ou seja, lucro da exploração é o resultado de uma simples operação aritmética, na qual se faz o ajuste do lucro líquido do exercício pela exclusão dos valores indicados nos referidos incisos. Não se exige contabilidade descentralizada por estabelecimento para fins de IRPJ, sendo que o lucro líquido de que trata o art. 19 do DL 1.598/77 é o da pessoa jurídica, no qual se consolidam todas as suas receitas, Fl. 1316DF CARF MF 4 inclusive outras receitas operacionais, nas quais, em se tratando de empresa industrial, incluemse receita de aluguél ou insubsistência do passivo decorrente de recuperação de despesa com tributos (subvenções). No que tange à subvenção para investimento, ela só deve ser excluída do lucro da exploração a partir de 01/01/2015, quando entrou em vigor o art. 2º da Lei 12.973/14. Em 17/06/2016, os autos foram remetidos à Procuradoria (fls. 1.233), que interpôs recurso especial em 13/07/2016, no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito do artigo 549, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999), para reconhecimento de que receitas de aluguéis não integram o cálculo do lucro da exploração da atividade incentivada. Indicou, para tanto, o acórdão paradigma nº 1301 00.080 (processo administrativo nº 13855.001866/200461), no qual se decidiu que "Verificada a pluralidade de estabelecimentos, o direito à isenção do IRPJ, atinge somente o lucro operacional apurado pelo estabelecimento em relação à produção agrícola ou industrial realizada no estabelecimento situado na área beneficiada (Lei 4.239/63 arts. 13 e 16 e alterações posteriores)”. O recurso especial da Procuradoria foi admitido por decisão da Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento (Conselheira Adriana Gomes Rêgo): Vêse claramente que o paradigma individualiza os estabelecimentos para fins de gozo de incentivo fiscal da SUDENE, dando uma interpretação divergente do art.549 do RIR/99. Neste sentido, considero que a Recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência em relação à interpretação e aplicação do art. 549 do RIR/99 (Decreto n. 3.000/99), caput e §§ 1º e 2º, bem como do art. 16, § 1º, da Lei n. 4.239/63. (...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.343/2015, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1.289/1.307), nas quais sustenta: (i) Falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, na medida em que o acórdão paradigma trata de receita auferida por estabelecimento fora da SUDENE, enquanto no caso dos autos as receitas foram auferidas pela matriz, localizada em Natal/RN; (ii) Ausência de interpretações distintas nos acórdãos recorrido e paradigma, tratando os julgamentos de normas distintas – o acórdão paradigma teria interpretado os artigos 13, 15 e 16, do DecretoLei nº 1.598/77, enquanto o acórdão recorrido teria interpretado o artigo 19, do DecretoLei nº 1.598/77; (iii) No mérito, alega a legalidade da inclusão das receitas de aluguéis no lucro da exploração, considerando que o artigo 549, §2º, não define o lucro da exploração, razão pela qual pede seja mantido o acórdão recorrido, cujo voto vencedor fundamentase no artigo 19 do DecretoLei nº 1.598/77; Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.316 5 (iv) Por fim, sustenta que o incentivo fiscal para a área da SUDENE não se restringe às receitas provenientes de atividades industriais ou agrícolas, mas também as receitas operacionais acessórias, destacando súmula nº 164, do TFR. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O contribuinte pleitea o não conhecimento do recurso especial, tanto por (i) Falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, na medida em que o acórdão paradigma trata de receita auferida por estabelecimento fora da SUDENE, enquanto no caso dos autos as receitas foram auferidas pela matriz, localizada em Natal/RN; quanto pela (ii) ausência de interpretações distintas nos acórdãos recorrido e paradigma, tratando os julgamentos de normas distintas – o acórdão paradigma teria interpretado os artigos 13, 15 e 16, do DecretoLei nº 1.598/77, enquanto o acórdão recorrido teria interpretado o artigo 19, do DecretoLei nº 1.598/77. Primeiramente trato da existência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma (130100.080). No acórdão paradigma é descrita a situação fática por julgada pela Turma: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurado isenção ou redução indevida do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) aplicada ao lucro da exploração na área da Sudene, no anocalendário de 2001, infringindo o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – arts. 544 e 549 e §§1º e 3º. (...) Segundo relatório de fiscalização de fls. 9/19, a maior parte da industrialização dos calçados se inicia em Franca e posteriormente são transferidos na condição de semiacabados para acabamentos na Paraíba e por lá faturados. Consta, ainda, do referido relatório o detalhamento de toda a operação, conforme abaixo resumido:(...) 4. De acordo com a legislação vigente, o contribuinte deveria promover a segregação dos resultados por estabelecimento e os valores dos calçados semiacabados transferidos de Franca à Paraíba não poderiam ser computados nos faturamentos dos estabelecimentos incentivados para fins de determinação do lucro de exploração da atividade isenta. Os Fl. 1318DF CARF MF 6 custos das compras de insumos deveriam compor os resultados das atividades não incentivadas. (...) Segundo o autuante, o RIR/1999, art. 549, prevê o direito à isenção do IRPJ em relaão aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da Sudene, quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, estabelendo seu §1º a necessidade de demonstração na contabilidade, com clareza e exatidão, dos elementos que compõe as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da Sudene (...) Diante deste panorama fático, decidiu a Turma no acórdão paradigma (1301 00.080): Alega a recorrente inicialmente que industrialização é feita em vários estabelecimentos da empresa e que isso não está vedado por lei. De fato assistilhe razão nesse ponto, porém como veremos abaixo, a isenção somente atinge os resultados operacionais do estabelecimento situado na área da SUDENE. Transcrevemos a legislação. LEI 4.239/63 Ar. 13. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE (...) §4º Os empreendimentos que tenham parte de seus resultados beneficiada pelo disposto neste artigo considerarão como lucros isentos o mesmo percentual dos lucros totais que corresponda à reação entre as receitas operacionais da produção beneficiada e a receita total do empreendimento (...) Art 16 A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário. § 1º Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção ou à redução do impôsto e adicionais, conforme o caso, em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.317 7 § 2º Para os efeitos do disposto no parágrafo anterior as emprêsas interessadas deverão demonstrar, na sua contabilidade, com clareza e exatidão os elementos de que se compõem as operações e os resultados do exercício de cada um dos estabelecimentos que operam na área de atuação da SUDENE. Interpretando a legislação supra podemos dizer que ao contrário do que alega o recorrente o benefício fiscal não visa isentar a empresa de uma forma geral, e nem isentar também de imposto de renda as vendas em relação a essa ou aquela unidade da empresa, visa antes de tudo beneficiar a riqueza produzida na área geográfica eleita pelo legislador. A isenção não se faz em relação à venda mas sim em relação aos resultados operacionais obtidos por estabelecimentos industriais e agrícolas não tendo o legislador dado qualquer benefício para a atividade comercial. Disso deflui que somente a riqueza agregada pelo estabelecimento, industrial ou agrícola situado na área geográfica com projeto aprovado é que está isento do IRPJ. O estabelecimento situado na área beneficiada poderá também faturar, ou vender, produtos produzidos por outros estabelecimentos da mesma empresa, porém a parcela alcançada pelo benefício fiscal, repetimos é o resultado operacional da operação industrial ocorrida no estabelecimento que esteja na área beneficiada e com projeto aprovado. Assim não procede o entendimento da recorrente de que o benefício fiscal estaria ligado à venda realizada independentemente do grau de participação na industrialização do produto ocorrido na área da SUDENE. Já o acórdão recorrido parte da seguinte situação fática, como se verifica do Termo de Verificação e de Encerramento da ação fiscal (fls. 16): 13. O contribuinte, além do estabelecimento matriz, possui filiais (unidades industriais) nos Estados do Ceará (/001477) e Rio Grande do Norte (/001809). É detentor de incentivo fiscal de redução do imposto de renda (75%) sobre o Lucro da Exploração na área de atuação da ADENE – Agência de Desenvolvimento do Nordeste, bem como é beneficiário, também, de incentivos concedidos pelos governos estaduais do Rio Grande do Norte (PROADI) e do Ceará (PROVIN). (...) 20. Por sua vez, Lucro da Exploração corresponde ao lucro que serve de base para os benefícios fiscais do imposto de renda, reconhecidos em Ato Declaratório pela Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte. Como veremos adiante, a norma ao estabelecer o cálculo desse lucro busca privilegiar unicamente o lucro decorrente da atividade a qual se pretende beneficiar. Veja que o incentivo tem caráter objetivo. Sendo assim, uma mesma empresa, com atividade diversificada, com diversos estabelecimentos filiais, pode ser beneficiária de incentivo em um e o outro não. Basta que o estabelecimento Fl. 1320DF CARF MF 8 esteja fora da área de interesse do governo. Portanto, a empresa em si não é a beneficiária do incentivo, mas a atividade por ela desenvolvida. Daí o resultado proveniente unicamente da atividade beneficiada, isto é, da venda ou prestação de serviços, ser o objeto do incentivo. Qualquer outra receita, independentemente da classificação contábil que lhe seja atribuída, não pode ser amparada pelo benefício. Sendo assim, o incentivo é calculado com base no Lucro da Exploração do empreendimento e não no Lucro da Exploração da empresa, mormente quando as demais receitas e custos a ela correspondentes são facilmente identificados. (...) 23. Analisando a apuração do imposto de renda no período ora fiscalizado, bem assim o cálculo do Lucro da Exploração e os benefícios fiscais aplicados, constatamos o seguinte: 24. Existem três estabelecimentos da empresa Guararapes Confecções S/A: unidade fabril em FortalezaCE (filial /0014 77); unidade fabril em NatalRN (filial /001809) e a matriz, onde abriga o corpo administrativo (contabilidade, auditoria, diretoria, etc.). 25. A receita obtida com os aluguéis, apesar de não fazer jus ao incentivo fiscal, por não ser proveniente da produção incentivada, foi incluída no lucro da exploração, base de cálculo do benefício de redução do imposto de renda, conforme veremos a seguir. 26. Os benefícios foram concedidos (ver item 110 abaixo), individualmente, para os estabelecimentos filiais (unidades industriais), e são específicos para a fabricação de confecções em geral, que é uma atividade industrial objeto de interesse governamental dentro do contexto de política econômica e social que visa ao desenvolvimento regional ou setorial; verdadeiro alcance das isenções e reduções decorrentes de incentivos fiscais. Têm por base exclusivamente os lucros da atividade incentivada; visam atingir apenas os resultados da empresa que são conseqüência de suas operações nesse ramo de atividade. 27. Os artigos 549 e 552 do RIR/99 tratam da demonstração do lucro do empreendimento em relação à isenção e redução, respectivamente. Para melhor compreensão, reproduzimos abaixo, in verbis(...) 31. Nesse sentido, é de bom alvitre salientar, o lucro da exploração ao qual a norma se refere não é da empresa, é do empreendimento. Tanto é assim que as normas citadas acima mencionam “Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas...”. A regra é clara: a atividade incentivada deve ser segregada. 32. A receita dos aluguéis, como já mencionado, tem origem nos contratos de locação efetuados entre a Guararapes Confecções S/A e sua controlada Lojas Riachuelo S/A (100%), tendo por base um percentual sobre o faturamento das lojas. Dessa forma, se admitirmos que os rendimentos provenientes dos aluguéis compõem o Lucro da Exploração, e portanto estão sujeitos ao benefício fiscal, estaríamos assegurando, por via transversa, que Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.318 9 o resultado das Lojas Riachuelo S/A, também, venha a obter o incentivo, o que a legislação não previu. (...) 37. A despeito do cálculo do lucro da exploração ser efetuado por estabelecimento, haja vista o benefício ser concedido como tal, não podemos confundir com o resultado consolidado para efeito de apurar o lucro real, conforme determina a legislação do imposto de renda. O fato da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentar apenas uma ficha para o cálculo do lucro da exploração não dá direito ao contribuinte de proceder à apuração partindo do lucro líquido consolidado, aí incluindo rendimentos cuja origem é diversa daqueles produzidos pelo projeto que se pretende beneficiar. 38. Por se tratar de um lucro extracontábil (fiscal), devese efetuar sua apuração em demonstrativos à parte, de forma individualizada, por estabelecimento beneficiário, como determina a legislação, e, só aí, transportar o valor consolidado para a ficha correspondente ao lucro da exploração. Devemos atentar, sobremaneira, para a finalidade e o espírito da legislação que trata dos benefícios fiscais, a qual não comporta interpretação extensiva, sob pena de ser lesiva e ferir as leis de mercado, produzindo desequilíbrios de natureza concorrencial, desvirtuando, assim, a finalidade das políticas econômica e social atreladas aos incentivos voltados ao desenvolvimento regional ou setorial. (grifos originais) Sob tal panorama fático, decidiu o acórdão recorrido da forma seguinte, como se extrai do voto condutor: Ora, o fato de os atos concessórios outorgados pela ADENE explicitar que o benefício fiscal era para a atividade industrial de fabricação de confecções em geral em nada atinge a fórmula legal estipulada para o cálculo do benefício, mormente, naquilo que a Lei definiu como lucro da exploração. Como fundamento legal, para seu entendimento o autuante cita principalmente o art. 549 do RIR/99, o qual assim versa: (...) Art. 549. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção de que trata esta Subseção em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (art. 16, § 1º, da Lei nº 4.239/63). (grifo nosso) § 1º Para os efeitos do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas interessadas deverão demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos de que se compõem as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da SUDENE (art. 16, § 2º, da Lei nº 4.239/63). (grifo nosso) § 2º Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas, deverá efetuar, Fl. 1322DF CARF MF 10 em relação às atividades beneficiadas, registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os elementos de que se compõem os respectivos custos, receitas e resultados. (destaque nosso) Especificamente com relação ao § 2º acima transcrito e até mesmo pelo fato de o RIR/99 não informar qual a sua base legal, temos que dar a ele uma interpretação conforme. Inicialmente, notese que o § 2º não trata do cálculo do lucro da exploração, aliás sequer o menciona, mas apenas impõe uma obrigação acessória ao beneficiado, ou seja, de manter registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os custos, receitas e resultados da atividade incentivada. Qual a razão disso? Certamente, para o controle do real desenvolvimento da atividade pela ADENE (ou SUDENE), mas de forma nenhuma podemos entender que, por ele, a fórmula estipulada no art. 19 do DL 1.598/77, para o cálculo do lucro da exploração, tenha sido alterada, mesmo porque um Decreto não poderia alterar uma Lei. O autuante ainda cita o Decreto nº 64.214/69, o qual não merece qualquer consideração, seja porque, conforme já dito, a concessão do benefício com base no lucro da operação só surgiu em 1977 com o DL 1598/77, seja porque basicamente a redação do seu parágrafo único do art. 6º é quase idêntica ao do § 2º do art. 549 do RIR/99 acima analisada. Quanto à alegação da DRJ que a atividade de locação de imóveis decorre de atividade empresarial da matriz, sediada em Natal/RN, estabelecimento que não dispõe de qualquer ato concessivo de benefício em seu favor, com a devida vênia, também é descabida, pois, em sede de IRPJ, não há contabilidade descentralizada por estabelecimento, sendo que o lucro líquido de que trata o art. 19 do DL 1.598/77 é o da pessoa jurídica, no qual se consolidam todas as suas receitas, inclusives aquelas de seus estabelecimentos. Entendo pelo conhecimento do recurso especial, tanto por vislumbrar similitude fática entre os casos analisados pelo acórdao recorrido e paradigma e porque ambos tratam da interpretação do §1º, do artigo 16, da Lei nº 4.239/1963, reproduzido no artigo 549, do RIR/1999. É bem verdade que o acórdão recorrido (voto vencedor) dá interpretação conforme ao artigo 549, §2º do RIR/1999, para amoldálo ao conceito de lucro na exploração do artigo 19, do DecretoLei nº 1.598. De toda sorte, não deixa de interpretar o artigo 16, §1º da Lei nº 4.239/1963, reproduzido no artigo 549. O voto vencido (exConselheira Edeli Pereira Bessa), que compõe o acórdão para todos os fins em conformidade com o artigo 941, §3º, do CPC/2015 deixa ainda mais evidente a similitude fática e interpretação de normas coincidentes, ao mencionar categoricamente o artigo 13, da Lei nº 4.239/1963 e aplicar o artigo 549, §2º, do RIR/99. Em contrapartida, o acórdão paradigma trata expressamente do artigo 13 (matriz legal do caput do artigo 549). Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.319 11 Finalmente, sequer há convergência de entendimento quando o acórdão recorrido fala "ad argumentandum...". Afinal, este não é o cerne do julgamento. O cerne é a interpretação dos artigos 13, 16 e 549, do RIR. Assim, voto por conhecer o recurso especial. O mérito do recurso especial repousa, essencialmente, na interpretação do artigo 549, do RIR, que prevê em seu caput e parágrafos: Art. 549. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção de que trata esta Subseção em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16, § 1º). § 1º Para os efeitos do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas interessadas deverão demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos de que se compõem as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da SUDENE (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16, § 2º). § 2º Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas, deverá efetuar, em relação às atividades beneficiadas, registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os elementos de que se compõem os respectivos custos, receitas e resultados. § 3º Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela pessoa jurídica não oferecer condições para apuração do lucro por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total, observado o disposto no art. 544. O artigo 549, caput, tem fundamento no artigo 16, da Lei nº 4.239: Art 16 A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário. (Regulamento) § 1º Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção ou à redução do impôsto e adicionais, conforme o caso, em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE. § 2º Para os efeitos do disposto no parágrafo anterior as emprêsas interessadas deverão demonstrar, na sua contabilidade, com clareza e exatidão os elementos de que se compõem as operações e os resultados do exercício de cada um dos estabelecimentos que operam na área de atuação da SUDENE. Fl. 1324DF CARF MF 12 Também é relevante colacionar a previsão do artigo 552, do RIR/99, que regulamenta o art. 16, §1º: Art. 552. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à redução de que trata esta Subseção, em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16, § 1º). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, a pessoa jurídica deverá observar o disposto no art. 549. Como mencionam votos vencedor e vencido do acórdão recorrido, o §2º, do artigo 549 não é mera reprodução de texto legal. Destacase trecho do voto do exConselheiro Relator: Especificamente com relação ao § 2º acima transcrito e até mesmo pelo fato de o RIR/99 não informar qual a sua base legal, temos que dar a ele uma interpretação conforme. Inicialmente, notese que o § 2º não trata do cálculo do lucro da exploração, aliás sequer o menciona, mas apenas impõe uma obrigação acessória ao beneficiado, ou seja, de manter registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os custos, receitas e resultados da atividade incentivada. Qual a razão disso? Certamente, para o controle do real desenvolvimento da atividade pela ADENE (ou SUDENE), mas de forma nenhuma podemos entender que, por ele, a fórmula estipulada no art. 19 do DL 1.598/77, para o cálculo do lucro da exploração, tenha sido alterada, mesmo porque um Decreto não poderia alterar uma Lei. Embora também vislumbrando a falta de lei expressamente tratando do quanto disposto no §2º, do artigo 549, a exConselheira Edeli conclui pela inaplicabilidade da isenção (SUDENE) ao caso dos aluguéis tratados nos autos): Esclareçase, que, ao contrário do entendimento firmado pelo I. Relator, a disposição do §2º do art. 549 do RIR/99 não se presta ao controle do real desenvolvimento da atividade pela ADENE. A orientação foi inserida, ainda que sem base legal, no âmbito do poder regulamentar do Ministro da Fazenda, e pode ser perfeitamente interpretada como destinada à aferição da redução no âmbito da apuração do IRPJ, mantendo coerência com as disposições dos §§1º e 2º do art. 16 da Lei nº 4.239/63, que impõem à pessoa jurídica beneficiária de incentivo dirigido aos seus estabelecimentos, e não à empresa, a demonstração em separado do resultado de cada um deles. Pareceme coerente a interpretação adotada pela exConselheira Edeli Pereira Bessa, ao interpretar o artigo 13 e 16, da Lei nº 4239/1963 e o artigo 111, do CTN. Destaco o teor do artigo 13 da Lei nº 4.239/63, que tratam da isenção dos empreendimentos industriais e agrícolas que se instalassem nas áreas de atuação da SUDAM e SUDENE: Art 13. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.320 13 de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) (Vide Decretolei nº 1.898, de 1981) (Vide Lei nº 7.450, de 1985) (Vide Decreto nº 94.075, de 1987) (Vide Decretolei nº 2.454, de 1988) (Vide Lei nº 8.874, de 1994) (Vide Lei nº 9.532, de 1997) § 1º Os projetos de modernização, ampliação ou diversificação somente poderão ser contemplados com a isenção prevista neste artigo quando acarretarem, pelo nonos, 50% (cinquenta por cento) de aumento da capacidade instalada do respectivo empreendimento. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) § 2º Nas hipóteses previstas no parágrafo anterior, as Secretarias Executivas da SUDAM ou da SUDENE expedirão laudo técnico atestando a equivalência percentual do acréscimo da capacidade instalada. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) § 3º A isenção concedida para projetos de modernização, ampliação ou diversificação não atribui ou amplia benefícios a resultados correspondentes à produção anterior. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) § 4º Os empreendimentos que tenham parte de seus resultados beneficiada pelo disposto neste artigo considerarão como lucros isentos o mesmo percentual dos lucros totais que corresponda à relação entre as receitas operacionais da produção beneficiada e a receita total do empreendimento. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) Lembro que a Recorrida obteve Ato Declaratórios Executivos para gozo desta isenção, explicitando o "Laudo Constitutivo nº 0055/2008" que tal isenção estaria relacionada com "Confecções em Geral". O que se discute no recurso especial ora julgado é se são isentas receitas de aluguéis, com a aplicação das normas acima referidas. O voto vencedor do acórdão recorrido interpreta o conceito de lucro na exploração (art. 19, do DecretoLei nº 1.598), para concluir pela interpretação do artigo 549, §2º, do RIR/99 nos termos do conceito (amplo) de lucro na exploração. Entendo, tal como o voto vencido, pela impossibilidade do alargamento da hipótese de isenção tratada pelo artigo 13 e 16, da Lei nº 4.239/1963. Afinal, lucro da exploração para fins de aplicação destas normas é aquele obtido pelo empreendimento industrial ou agrícola, situado na área da SUDAM ou SUDENE, no desenvolvimento de atividade reconhecida por ato declaratório executivo naquele local. Os aluguéis, portanto, não se subsumem à hipótese isentiva. Fl. 1326DF CARF MF 14 Apenas divirjo do entendimento da exConselheira Edeli Pereira Bessa sobre o alcance do §2º, do artigo 549. Aparentemente a exConselheira entendeu que tal parágrafo (sem previsão expressa em lei) poderia justificar a manutenção do auto de infração. Ocorre que Decreto não poderia impor obrigação tributária, ou alterar qualquer isenção. A exigência de registros contábeis específicos não pode alterar a norma isentiva, apenas se prestando a definir dever instrumental a cargo do contribuinte. Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria, reformando parcialmente o acórdão recorrido quanto aos aluguéis. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Não tendo sido apresentada no prazo regimental (Portaria MF 343/2015, artigo 63, §6º e §7º), considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011861/2007-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/04/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Numero da decisão: 9202-006.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 18 61 /2 00 7- 40 Fl. 376DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de AI Auto de Infração Debcad nº 37.025.7618 tendo em vista que a empresa apresentou GFIP's com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o Relatório Fiscal da Infração de fls. 28 a 30, a contribuinte deixou de informar em GFIP's os seguintes fatos geradores: valores pagos aos empregados a título de participação nos resultados em desacordo com a legislação de regência; valores concedidos aos diretores e conselheiros a título de participação nos resultados; e erro no enquadramento da alíquota destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados. Conforme o TEAF Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal, o presente Auto de Infração de obrigação acessória está associado à NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.025.7600 (fls. 26). Em sessão plenária de 27/04/2010, por meio da Resolução nº 240100.101, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência à Repartição de Origem, para que a fiscalização informasse quais seriam as NFLD Notificações Fiscais de Lançamento de Débito correspondentes aos fatos geradores que deixaram de ser informados nas GFIP's, bem como os correspondentes andamentos dos respectivos processos (fls. 285 a 289). Em atendimento à resolução acima, a Autoridade Preparadora assim informou: "Atendendo à solicitação, informo que o processo DEBCAD n°. 37.025.7600 da CEMIG, foi retificado no sistema para exclusão das competências decadentes de acordo com a Súmula Vinculante n°08/08, e foram excluídas as competências 07/1998 a 04/2000, permanecendo no crédito as competências 12/2000 a 04/2004. O processo encontrase na fase 'Ag Reg após acórdão/Dec Minist', pois o contribuinte já foi cientificado do acórdão que negou provimento ao recurso. Informamos também que a CEMIG impetrou o Mandado de Segurança Processo n° 2007.38.00.0075898 8a Vara SJMG, cujo objeto é a suspensão da exigibilidade do crédito em questão, bem como a anulação do lançamento, tendo havido Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 377 3 sentença determinando a sua suspensão parcial e houve depósito judicial referente a parte não alcançada pela sentença. Como a ação ainda não encerrou, o processo será encaminhado para a Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais Eqaj." Em sessão plenária de 1º/12/2010, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 240101.525 (fls. 295 a 300), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI N° 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, como forma de punição, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de oficio, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, trata se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 173, inciso I, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida coresponsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no artigo 2°, § 5º, inciso I, da Lei n° 6.830/1980, c/c artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa n° 03/2005. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento Fl. 378DF CARF MF 4 legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 04/2000; e II) dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata.” O processo foi recebido na PGFN em 04/01/2011 (fls. 302) e não houve a interposição de Recurso Especial. Cientificada do acórdão em 15/12/2011 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 297/298), a Contribuinte interpôs, em 30/12/2011 (Protocolo de Documentos de efls. 299), o Recurso Especial de efls. 299 a 360, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a decadência e a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à matéria da aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme Despacho de Admissibilidade de 07/01/2013 (efls. 365 a 369), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 370. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: na decisão recorrida, de maneira acertada, foi reconhecida a aplicação da retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN) com relação à multa de ofício aplicada à Recorrente; contudo, no momento de indicar a metodologia de cálculo a ser utilizada, incorreuse em equívoco, qual seja entendeuse: i) pela aplicação da multa antiga, estabelecida no revogado § 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91; ou ii) pela aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 (cuja aplicação é determinada pelo art. 35A, da Lei 8.212/91), "deduzindo se os valores levantados a título de multa nos autos da NFLD correlata suso mencionada"; ou seja, entendeuse pela aplicação da soma das multas decorrentes da obrigação principal (art. 35A, da Lei 8.212/91 constante da NFLD 37.025.7600) e da obrigação acessória (art. 32A, da Lei 8.212/91); no entanto, tal entendimento não merece prevalecer, tendo em vista a afronta à lei, bem como por se apresentar em contrariedade ao entendimento pacificado na CSRF; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 378 5 o § 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, que trazia a previsão da multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 foi revogado por meio da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e, a partir de então, a mesma penalidade passou a ser prevista no art. 32A da Lei n° 8.212/91; notase que a infringência anteriormente punida § 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91 é exatamente aquela que, na redação atual da Lei n° 8.212/91, é punida pelo art 32A, qual seja, apresentar a declaração que de trata o inciso IV do art. 32 (GFIP) com incorreções ou omissões; a toda evidência, as penalidades previstas no §5° do art. 32, substituída pelo art. 32A da Lei n° 8.212/91 (multa por descumprimento de obrigação acessória), tem natureza absolutamente distinta daquela prevista no art. 35A da Lei n° 8.212/91 (multa de ofício); enquanto a primeira tem por objeto penalizar o contribuinte pela não apresentação da GFIP ou sua apresentação com incorreções ou omissões, a multa estabelecida pelo art. 35A pune o contribuinte pelo não recolhimento de tributos; com efeito, podese afirmar que, consoante redação original da Lei n° 8.212/91, o descumprimento das obrigações principais e acessórias relativamente às contribuições previdenciárias eram punidas com duas espécies distintas de multa: i) a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória (apresentação de GFIP com os fatos geradores da obrigação principal), estabelecida no art. 32; e ii) a multa de mora por descumprimento da obrigação principal (recolhimento do tributo no prazo especificado em lei), disposta no art. 35 da Lei n° 8.212/91; com a alteração da Lei n° 8.212/91 pela MP 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, foram alterados os parâmetros de fixação da multa isolada (art. 32A) e da multa de mora (art. 35), e acrescentada uma terceira hipótese, até então inexistente, que é a multa de ofício (art. 35A); diante do exposto, afigurase manifestamente absurdo, data máxima venia, o entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, pela aplicação da comparação da soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) com a penalidade prevista pela novel redação do art. 35A, da Lei n° 8.212/91, uma vez que a multa de mora estabelecida pelo art. 35 da Lei 8.212/91 permanece existindo, ainda que o cálculo seja feito com base em novos parâmetros; não há falar que a multa de ofício acrescida pelo art. 35A, da Lei 8.212/91 teria a mesma natureza do somatório das multas previstas originariamente no art. 32, § 5° (multa isolada) e no art. 35, II (multa de mora); ademais, defender a aplicação da penalidade prevista no art. 35A em substituição às penalidades estabelecidas originariamente nos arts. 32, § 5° e 35, II, todos da Lei 8.212/91, seria o mesmo que permitir a "retroatividade maligna" do dispositivo, uma vez que a possibilidade de aplicação da multa de ofício prevista no citado art. 35A constitui inovação legislativa em face da normatização vigente à época da ocorrência dos fatos geradores; Fl. 380DF CARF MF 6 notese que tal interpretação se coaduna com a recentíssima jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se observa do acórdão exarado em decorrência do julgamento do Recurso Especial do Procurador 248.110 (cita jurisprudência); mais uma vez, observase dissenso entre o posicionamento da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento para com o entendimento do Conselho Superior de Recursos Fiscais no precedente paradigma, que pode ser resumido da seguinte forma: a) no acórdão recorrido, cujo objeto é irresignação em face da aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, foi determinada a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte: i) a do revogado § 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91; ou ii) a multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (aplicável por determinação do art. 35A, da Lei 8.212/91) deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD 37.025.7600; b) no acórdão paradigma, a orientação da CSRF, também julgando case de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, foi pela aplicação da multa que for mais benéfica ao contribuinte: i) a do revogado § 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91; ou ii) a multa prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91. Ao final, a Contribuinte requer o provimento do recurso, para que seja determinado o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória objeto dos presentes autos, aplicandose a sistemática mais benéfica à Recorrente: i) a multa do revogado art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991; ou ii) a multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009. O processo foi encaminhado à PGFN em 13/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 371) e, em 14/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 374), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 372/373. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP's com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 28 a 30. O presente Auto de Infração (Debcad nº 37.025.7618) está associado a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (Debcad nº 37.025.7600), conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 26. Conforme diligência solicitada pela Resolução nº 240100.101, de 27/04/2010, a Autoridade Preparadora assim informou: "(...) O processo encontrase na fase 'Ag Reg após acórdão/Dec Minist', pois o contribuinte já foi cientificado do acórdão que negou provimento ao recurso. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 379 7 Informamos também que a CEMIG impetrou o Mandado de Segurança Processo n° 2007.38.00.0075898 8a Vara SJMG, cujo objeto é a suspensão da exigibilidade do crédito em questão, bem como a anulação do lançamento, tendo havido sentença determinando a sua suspensão parcial e houve depósito judicial referente a parte não alcançada pela sentença. Como a ação ainda não encerrou, o processo será encaminhado para a Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais Eqaj." Assim, a NFLD que tratava da obrigação principal foi objeto de Recurso Voluntário cujo provimento foi negado, bem como foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, de sorte que a sua exigência deve ser considerada definitiva, sem que haja óbice ao julgamento relativo à aplicação da retroatividade benigna às respectivas penalidades. Nesse passo, na decisão recorrida foi determinada a aplicação da multa do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, caso esta seja mais benéfica, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. A Contribuinte, por sua vez, pede a aplicação da opção mais benéfica, dentre as seguintes: multa revogada do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991; ou multa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei n] 11.941, de 2009. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Fl. 382DF CARF MF 8 b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 380 9 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos doart. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de declaração inexata do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita a Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a despeito das alegações da Contribuinte, não há como entenderse que, no presente caso, a retroatividade benigna estaria representada pela simples aplicação do art. 32A ao descumprimento da obrigação acessória, como se esta estivesse absolutamente dissociada da multa pelo descumprimento da obrigação principal. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 384DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.901622/2008-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovado nos autos que o saldo de IRPJ ao final do exercício não foi negativo, mas positivo, mantém-se os indeferimentos das Per/Dcomp. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. É incabível a retificação da Per/Dcomp quando o pedido é apresentado posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou reconhecimento do direito creditório/homologação à compensação originalmente declarada.
Numero da decisão: 1801-000.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 72 1 71 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.901622/200809 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.954 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria Pedido de Restituição/Compensação Saldo Negativo de IRPJ Recorrente DIPEVEM DISTRIBUIDORA DE PEÇAS E VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovado nos autos que o saldo de IRPJ ao final do exercício não foi negativo, mas positivo, mantémse os indeferimentos das Per/Dcomp. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. É incabível a retificação da Per/Dcomp quando o pedido é apresentado posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou reconhecimento do direito creditório/homologação à compensação originalmente declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa apresentou pedido de restituição e compensação – PER/DCOMP – pleiteando a devolução do saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício de 2005, e conseqüentes compensações, no valor de R$ 26.106,64. O crédito foi informado na Per/Dcomp nº 21585.66939.150305.1.3.022547 e decomposto da seguinte forma: Somatório das parcelas de composição do crédito informado na DIPJ/05 – R$ 149.839,93 – subtraindo o valor do IRPJ devida para o anocalendário no valor de R$ 123.755,29, resultando em R$26.106,64. A autoridade revisora não confirmou o saldo negativo de IRPJ pelo que indeferiu a restituição e conseqüentes compensações, informadas em cinco Per/Dcomp entregues pela empresa, discriminadas no despacho eletrônico de fls. 10. Tudo consoante informado no despacho eletrônico juntado às fls. 10. No entanto, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 e ss argumentando que recolheu estimativas relativas ao IRPJ de janeiro a setembro de 2004, totalizando o valor de R$ 142.860,82. Ao apurar o saldo de IRPJ ao final do ano calendário, verificou que o IRPJ devido era da ordem de R$ 123.755,29, restandolhe o direito a restituir de R$ 26.084,64, por recolhimento a maior. Este saldo atualizado pelos juros Selic perfaz R$ 27.453,08. Junta a cópia da DIPJ/05 para comprovar o alegado. Esclarece que o crédito é do anocalendário de 2004, exercício 2005, bem como o crédito informado nas compensações retratadas em diversas Per/Dcomp entregues com o fim de compensar o referido crédito com débitos tributários. Insurgese contra o despacho denegatório por serem todas as Per/dcomp devidas e procedentes. Junta à manifestação: cópia da DIPJ/05 e as Per/Dcomp. Às fls. 48 e ss, a Oitava Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I exarou o Acórdão nº 1233.841/10, mantendo do despacho denegatório. Assim restou ementado o aresto: “COMPENSAÇÃO. Deve ser confirmado Despacho Decisório que não homologou compensações efetuadas pelo contribuinte, se este não comprovou a existência do direito creditório correspondente.” Diz no relatório: “As compensações declaradas não foram homologadas, pois o saldo "negativo" do IRPJ encontrado pela DRF/Campos foi igual a zero. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/3, onde alega que o total recolhido no ano de 2004, de estimativa, foi de R$ 142.860,82; e que o valor devido de IRPJ foi de R$ 123.755,29, gerando um crédito a seu favor de R$ 26.084,64, tudo conforme DIPJ de fl. 16.” Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10725.901622/200809 Acórdão n.º 180100.954 S1TE01 Fl. 73 3 Tem como fundamentação o acórdão combatido: “A interessada diz que recolheu IRPJ ao longo de 2004, a título de estimativa, o valor de R$ 142.860,82, contudo não apresentou comprovantes desses alegados pagamentos. Verificando o sistema da RFB que registra pagamentos efetuados pelos contribuintes, constatase, à fl. 47, que a interessada efetuou diversos recolhimentos, através do código 5993 IRPJ Estimativa , num total de R$ 92.115,15, valor este inferior ao que ela diz ter recolhido. Assim, somandose o valor pago de estimativa (R$ 92.115,15) com o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte (R$ 6.979,11), constante de sua DIPJ (fl. 16), e subtraindose o valor do IRPJ devido no anocalendário (R$ 88.653,17 + 35.102,12), constatase que não há saldo negativo de IRPJ a ser utilizado para compensar os débitos declarados nas Per/dcomp de fls. 11/43.” Tempestivamente, a empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 67 e ss inovando a argumentação da exordial, alegando que houve erro de preenchimento da Per/Dcomp e que estes devem ser retificados em face ao princípio da verdade material. Coleciona julgados administrativos sobre revisão de erros em julgados, admitidos ainda que após a notificação dos contribuintes. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente insurgese contra o despacho eletrônico e o acórdão de primeira instância laconicamente, argumentando que lhe deve ser concedido o direito de retificar a Per/Dcomp que veiculou o crédito requerido, porque à época da sua entrega não entendia perfeitamente como preencher as Per/Dcomp ou sua utilização. Todavia, não se insurge pontualmente sobre os fatos narrados no acórdão recorrido, que explicitamente demonstrou não haver qualquer crédito proveniente do ano calendário de 2004, a título de IRPJ (saldo negativo), razão pela qual aceitase este fato como verdade incontroversa. Sequer menciona quais erros teria cometido nas Per/Dcomp entregues originalmente. Assim, de plano, deve ser mantido o decidido em primeira instância. Apenas por amor ao embate jurídico, deve ser esclarecido à recorrente a inviabilidade de inovar a matéria em fase recursal, devido preclusão processual estabelecida pelo artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em segundo lugar, mas não menos importante, a inviabilidade do pedido recursal em face à ttal ausência de provas, haja vista ser a DIPJ mero instrumento informativo, que requer apresentação de documentação para corroborar o que foi informado. Em terceiro lugar, deve lhe ser esclarecido, ainda, que a retificação das Per/Dcomp após a decisão proferida não é possível. Há vedação inserida nas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil no sentido de não serem admitidas retificações das Per/Dcomp após o contribuinte tomar ciência da decisão que denegou total ou parcialmente a restituição/compensação. A retificação após a decisão reabre discussão sobre outros períodos e inclusive fiscalização, sendo inviável processualmente. E, neste caso, não há que se invocar o princípio da verdade material, sem que a recorrente imbuísse a sua argumentação com provas contundentes de erros, no presente caso, sequer alegados. Para comprovar que faz jus à retificação requerida teria que comprovar nos autos os pagamentos efetuados a título de estimativas, informes de rendimentos que comprovassem retenções na fonte, A Instrução Normativa RFB nº 600/05, em seu artigo 57, cuja vedação de retificação das Per/Dcomp após ciência de decisão administrativa foi repetida nos demais diplomas normativos, deixa explícita a impossibilidade da retificação das declarações em apreço. Transcrevo o supedâneo legal: IN RFB nº 600/05 Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Acrescento que a compensação tributária é matéria que o Código Tributário Nacional remeteu à lei a normatização, consoante disciplina o artigo 170, bem como a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 74, remeteu à administração tributária, por meio de seus atos normativos. Ambos preceitos, in verbis: Lei nº 5.172/66 CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10725.901622/200809 Acórdão n.º 180100.954 S1TE01 Fl. 74 5 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Finalizo este voto salientando que as disposições normativas editadas pela RFB no concernente às restituições e compensações tributárias não objetivam os aspectos meramente formais dos pedidos, mas disciplinam o exercício deste direito do contribuinte de forma material, pelo que devem ser observadas estritamente, por sua força legal. Lei nº 5.172/66 CTN Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720328/2014-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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score : 1.0
Numero do processo: 10821.000735/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/02/2006
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/02/2006 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 07 35 /2 01 0- 11 Fl. 270DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.240, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi julgado procedente, afastando se o argumento utilizado na decisão para dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, com consequente determinação de retorno dos autos à câmara baixa para apreciação dos argumentos restantes. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Cabe aqui enfrentar os demais argumentos da Recorrente, para além da tese da denúncia espontânea, afastada pela 3ª CSRF. São os argumentos: a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 3402004.601 S3C4T2 Fl. 3 3 b) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. c) a multa deve ser aplicada por embarcação e não por manifesto eletrônico não vinculado em momento apropriado às escalas. Enfrentamos os argumentos adiante. I) Da Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. O Conselheiro Paulo Caliendo se manifestou sobre este tópico no Acórdão nº 3801005.240, razão pela qual adiro a suas conclusões transcritas abaixo: Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou CE MERCANTE 15100511954061, em 23/07/2010, promovendo a alteração de NCM prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo Fl. 272DF CARF MF 4 fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada da conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Desse modo, não procede a alegação da Recorrente. II) Da Responsabilidade da Recorrente Alega a Recorrente que não poderia ser aplicada a penalidade a ela pois a mesma não se reveste na condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga, sendo apenas uma agência de navegação. A condição de agência marítima não implicaria em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, por ausência de previsão legal. A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Como se vê, há uma restrição subjetiva expressa na determinação da autoria da infração, como forma de delimitar o seu âmbito de incidência. Há que se frisar, inclusive, que a agência marítima é prestadora de serviço contratada por terceiros, não se confundindo com a empresa de transporte, razão pela qual é evidente que a Recorrente não está abrangida pelo tipo infracional. Esse ponto foi bem explanado pela Conselheiro Maysa Pittondo no PAF nº 11128.003078/200911, nos seguintes termos: Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 3º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decreto 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 3402004.601 S3C4T2 Fl. 4 5 lei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jusriprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 274DF CARF MF 6 sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802 001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Desse modo, não há que prosperar o argumento levantado. III) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 3402004.601 S3C4T2 Fl. 5 7 continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 13899.900221/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice-Presidente) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Relatório
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice Presidente) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 99 .9 00 22 1/ 20 06 -6 8 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 521 2 Relatório Trata o presente processo das PER/DCOMP n°s 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971 (fls. 01/09 e 10/13), transmitidas em 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor total de R$ 412.986,00. Foi ressaltado nas declarações que o crédito teria origem na empresa sucedida, Henkel Surface Technologies Brasil Ltda., CNPJ 43.425.057/000145, incorporada em 31/12/2001. Nos presentes autos, em fevereiro de 2008 a interessada atendeu a intimações para comprovar determinadas despesas informadas na DIPJ 2001 incorporada Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. Em 26/05/2008 a empresa foi intimada do Despacho Decisório que aprovou o Parecer SEORT/DRF/OSA n° 422/2008 de fls. 133/143, o qual indeferiu o direito creditório, em razão de alterações na DIPJ/Ex.2002 analisada, as quais resultaram em CSLL a pagar. Em resumo: Na manifestação de inconformidade apresentada em 25/06/2008 (fls. 145/157) a empresa aduz, conforme relatou a decisão recorrida: Quanto à glosa das despesas com brindes, diz que informou o valor de R$ 708.474,19 na conta contábil 460180, sob a imprecisa denominação de "brindes com relações comerciais", compondo as despesas operacionais apontadas na linha 30, Ficha 05 A da DIPJ/2002. Acusa que, ao contrário da alegação sustentada pela fiscalização, apenas a parcela de R$ 1.521,35 se refere a despesas com brindes, sendo que os R$ 706.952,84 restantes referemse a despesas com comissões pagas à empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda, por serviços de intermediação de negócios e divulgação de produtos químicos fabricados pela Manifestante para o mercado automobilístico, conforme pode ser visto pela planilha anexa (doc. 09). E para comprovar o alegado, anexa ao processo, por amostragem, cópia de alguns dos recibos emitidos pela empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda (doc. 11). Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 522 3 Esclarece que a conta contábil 460180 é facilmente identificável no balancete anexo (doc. 10A pág. 62), na petição que entregou para a fiscalização (doc. 08) e nos recibos de comissões ora anexados (does. 9 e 11), protestando pela dedutibilidade das despesas de R$ 706.952,84 da base de cálculo da CSLL. Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, aduz, em suas palavras: "14. (...), a fiscalização adotou um procedimento extremamente simplista e equivocado, qual seja, baseouse supostamente em todas as DIRFs de terceiros em que a Manifestante aparece como beneficiária no anocalendário de 2001, especificamente em relação ao código de receita 1708 (...). 15. (...), verificando que a Manifestante informou em sua DIPJ haver auferido apenas R$ 3.205,66 a título de receita de prestação de serviços (doc. 12), a d. fiscalização considerou a diferença de R$ 430.371,30 como receitas supostamente omitidas, (...). 16. Ora, esse total por si só não se sustenta, uma vez que com uma rápida análise do balancete de 2001 da Manifestante, particularmente quanto à conta contábil na qual consta a "alegada diferença de receita omitida" (conta contábil 409650 doc. 10A pág. 64), demonstra que o total de receitas efetivamente auferido pela Manifestante em 2001 (RS 783.852,91) foi muito superior ao levantado pela d. fiscalização em sua análise nas DIRFs de terceiros (RS 433.576,96). Em outras palavras, análise da d. fiscalização não pode ser tida como exaustiva para a conclusão desse assunto contida no Parecer ora questionado. 16.1. Tais receitas supostamente omitidas foram devidamente contabilizadas pela Manifestante em conta redutora de despesas com serviços prestados para Liofol e Schanko, no valor de R$ 783.852,91 ("409650 Desp. Serv. Prestados p/ Liofol/Scharzko"), como se pode verificar da página anexa, extraída de seu balanço contábil relativo ao anocalendário de 2001 (doc. 10A pág. 64). 16.2. Além disso, informa ainda que o valor dessa conta contábil foi devidamente informado na linha 04 da Ficha 05A da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001. 16.3. Apesar de todo o exposto, a Manifestante ressalta que o seu "Lucro Líquido do Período de Apuração"devidamente informado na DIPJ — Ficha 06A Demonstração do Resultado (contábil) " é de () R$ 1.627.792,34 (doc. 12), o qual nos termos da lei coincide com aquele resultado escriturado em seu balancete (doc.l0A pág.65). Ora, diante disso, somente resta reforçar a conclusão de que a receita contida na conta redutora de despesa de serviços (conta 409650) compõe o resultado que foi devidamente oferecido à tributação da CSLL, apesar de não ter sido na linha 08 da Ficha 06A da DIPJ analisada de forma simplista pela d. fiscalização,"(negrejouse) Quanto aos rendimentos auferidos em operações de SWAP, diz ter incorrido em erro de preenchimento da linha da DIPJ em que os referidos valores foram alocados. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 523 4 Que ao invés de incluir na linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, incluiu na linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta R$ 3.018.135,73 (doe. 14). Esclarece que na própria escrituração contábil tratou suas operações de SWAP conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doc. 10A págs. 64 e 65), conforme demonstrado às fls. 141. Aponta que é de fácil verificação que o total das receitas de variações cambiais compõe o lucro líquido devidamente contabilizado de R$ 1.627.792,34 (doc. 10A pág. 65), o qual coincide com aquele resultado informado na Ficha 06A da DIPJ (doc. 14), pelo que protesta pela glosa do acréscimo feito pela fiscalização. No que versa sobre os rendimentos relativos a juros sobre o capital próprio, alega: "25. (...) a d. fiscalização verificou que ela teria recebido "dela mesma" (???), no anocalendário de 2001, um total de R$ 2.140.602,06 relativo à juros sobre capital próprio (código de receita 5706). 26. (...). Realmente, (...), a Manifestante aparece como declarante e beneficiária dos juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o que torna claro o equívoco cometido por ela no preenchimento de sua DIRF. (...) _ „.. 27. Neste ponto, perguntase: qual seria a lógica de a Manifestante pagar juros sobre capital próprio para ela mesma? Ora, é impossível a Manifestante ser quotista dela mesmo, o que torna claro o equívoco cometido no preenchimento de sua DIRF, na qual ela informou o seu próprio CNPJ como se fosse a beneficiária dos juros sobre capital próprio, que de fato, foram pagos a sua quotista Henkel KommanditgesellschaftAufAktien. 28.Sendo assim, é evidente que a Recorrente não recebeu qualquer valor relativo a juros sobre capital próprio, o que foi corretamente informado na Linha 23, da Ficha 06 A, de sua DIPJ. Na verdade, os juros sobre capital próprio efetivamente existiram, mas não como receita da Manifestante, e sim como despesa sua. Tais juros foram creditados pela Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. (incorporada pela ora Manifestante) em favor de sua quotista Henkel Kommanditgesellschaft Auf Aktien. tendo sido efetivamente utilizados por esta empresa para realização de aumento de capital social na Henkel Surface (incorporada pela ora Manifestante). 29. Observese que o referido valor sofreu a retenção de IRRF à alíquota de 15% como determina a legislação tributária, sendo que apenas o valor líquido foi utilizado para fins de aumento de capital. 29.1. Assim, no anocalendário de 2001, a Henkel Surface deliberou pelo pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o qual, após exclusão do IRRF à alíquota de 15% (i.e. R$ 321.093,31), foi utilizado para aumento de capital social da Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 524 5 Manifestante no valor remanescente de R$ 1.819.511,75, conforme se pode verificar do "Instrumento Particular de 9a Alteração do Contrato Social da Henkel Surface Technologies Brasil Ltda", para aumento de capital de R$ 34.684.703,00para R$ 36.504.214,00 (doc. 17). 30. Em vista disso, resta claro que não merece prosperar o acréscimo de R$ 2.140.602,06 ao lucro da Manifestante, (...)."Por fim, quanto às estimativas glosadas, afirma o seguinte: "resta claro que se trata de inevitável conseqüência das glosas realizadas pela d. fiscalização nos itens anteriores (as quais, como visto, são completamente improcedentes), de forma que esta parte do Parecer SEORT n° 422/2008 deve acompanhar a sorte do que for decidido em relação aos itens anteriores". Encerra protestando pela reforma do Parecer recorrido, homologandose as compensações pleiteadas. Em 9/10/2008 a DRJ em Campinas SP deferiu em parte o direito creditório pleiteado, "para reconhecer o saldo negativo de CSLL, em 31/12/2001, de R$124.920,11, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido". Referida decisão excluiu da receita considerada como omitida o valor correspondente aos juros sobre o capital próprio, de R$2.140.602,06, pois reunidos nos autos elementos a denotar que referido montante constituiu despesa de sua incorporada. A ementa do julgado foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. A restituição de saldo negativo da CSLL, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da base de cálculo da contribuição, bem como à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Eventuais erros de classificação contábil e de preenchimento da declaração, bem como a regular escrituração e o cômputo no resultado de rendimentos tributáveis, devem ser comprovados por meio dos livros de escrituração obrigatórios, alicerçados por documentação hábil e idônea. Demonstrado nos autos o erro no preenchimento da DIRF quanto à beneficiária de rendimentos de juros sobre capital próprio, afastase a omissão da receita correspondente. Intimada em 4/11/2008 (fl. 291), a empresa apresentou recurso voluntário em 4/12/2008 (fl. 299323) reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Em 26/05/2011, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência para apurar aspectos relativos às operações de swap e à omissão de rendimentos com prestação de serviços, nos seguintes termos: Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 525 6 Reproduzo in totum o relatório de diligência constante de fl. 391: A contribuinte atendeu às duas intimações para se manifestar quanto a tal relatório, tendo o Termo de Intimação SEORT 89/2016 exatamente o mesmo teor do Termo de Intimação SEORT 202/2011. Em ambos os casos afirmou o quanto segue, acostando documentos: (i) sustenta a nulidade do Parecer SEORT 422/2008, tendo em vista este não ter apresentado elementos fáticos suficientes para permitir sua defesa, fato este que foi evidenciado em virtude da necessidade de conversão do julgamento em diligência; (i) afirma que a diligência determinada por este CARF não foi adequadamente cumprida, eis que o agente fiscal se limitou a indicar as fontes pagadoras responsáveis pelos Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 526 7 pagamentos que geraram as receitas supostamente omitidas, sem examinar os documentos trazidos pela empresa aos autos nem intimála para apresentar novas informações e esclarecimentos. (iii) sustenta que erro formal não pode resultar em tributação, sendo descabido o comentário do agente fiscal de que as alegações da empresa relativas a eventuais erros contábeis seriam insubsistentes apenas porque a fiscalização deve estrita obediência quanto ao disposto no MAJUR 2001. Aduz que independentemente da forma como tenham sido contabilizadas as receitas de prestação de serviços e os rendimentos de swap o importante é que referidas receitas foram incluídas tanto na apuração do lucro contábil como do lucro real e base de cálculo da CSLL, tendo sido oferecidas à tributação. (iv) alega que antes da prolação de qualquer decisão com base em DIRFs de terceiros, as autoridades fiscais, ao verificarem inconsistências nas informações prestadas por fontes pagadoras, deveriam intimálas a verificar o motivo da divergência. (v) reitera a necessidade de exame dos documentos juntados aos presentes autos, os quais comprovariam: v.1 quanto às receitas com prestação de serviços: Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 527 8 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 528 9 v.2 quanto aos rendimentos em operações de swap: Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 529 10 Importante ressaltar, ademais, que há dois processos apensos ao presente: o processo n. 13899901.031/200668 é referente à cobrança dos valores constantes da DCOMP 16601.45320.080903.1.3.031302, discutida nos presentes autos (crédito total de R$347.299,00 compensado com débitos de estimativa de CSLL de novembro e dezembro de 2002, nos valores de R$106.809,00 e R$240.490,00). o processo n. 10882720.013/200830 é referente à cobrança do valor constante da DCOMP 10336.63343.130906.1.7.030971, discutida nos presentes autos (crédito de R$65.687,00 compensado com débito de Cofins de outubro de 2003 no valor de R$ 78.463,12). A soma dos valores acima mencionados corresponde ao total originalmente discutido nos presentes autos de R$412.986,00. Nos autos do primeiro processo acima mencionado (n. 13899901.031/200668) consta petição apresentada em 5/09/2014 informando desistência e anexando um comprovante eletrônico de pagamento efetivado em 25/08/2014 do valor de principal de R$ 240.490,00 "nos termos do art. 8º, §5º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014". Não consta daqueles autos procuração para o patrono que assina tal peça, o qual é pessoa diversa e integra escritório diferente do que patrocina o processo objeto dos presentes autos. Recebi o processo em distribuição realizada em 26 de julho de 2017. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 530 11 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em resumo, resta em discussão nos presentes autos a não homologação das compensações objeto das DCOMPs 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971, em virtude de: a) retificação da base de cálculo da CSLL tendo em vista a apuração, pela autoridade fiscal, de: (i) não tributação de rendimentos com prestação de serviços no valor de R$430.371,30; (ii) não tributação de rendimentos com operações de swap no valor de R$487.429,91; (iii) glosa de despesas com brindes no valor de R$708.474,19 b) não comprovação do pagamento das estimativas de janeiro e junho de 2001 no valor total de R$141.701,47, quitadas com saldo negativo de 1999 e 2000. Convertido o julgamento em diligência para a apuração de aspectos relacionados aos rendimentos de swaps e de prestação de serviços, esta foi atendida apenas na parte relativa aos rendimentos de swaps, para os quais foram indicadas as fontes pagadoras conforme requerido. Quanto aos rendimentos de prestação de serviços, este CARF solicitou que a unidade de origem verificasse, "à luz da documentação acostada pela defesa e de outra mais a ser exigida durante a diligência, se já foram oferecidos à tributação, na forma como alega o contribuinte". Não obstante tal determinação, a unidade de origem se limitou a informar as fontes pagadoras responsáveis por tais pagamentos. Neste sentido, entendo que o presente julgamento deve novamente ser convertido em diligência para que a unidade de origem complete o trabalho realizado apenas em parte quando do atendimento à primeira conversão em diligência. Ademais, considerando as alegações e documentos trazidos aos autos pelo sujeito passivo e em homenagem ao princípio da verdade material, entendo que algumas verificações adicionais devem ser efetuadas. Em síntese, orientase que a diligência verifique os documentos acostados aos presentes autos e, se for o caso, intime o sujeito passivo para apresentar esclarecimentos e documentos, para então: (i) quanto aos rendimentos de prestação de serviços: conclua (isto é, responda SIM ou NÃO e PORQUE) se estes foram oferecidos à tributação, manifestandose sobre a alegação do contribuinte de que embora tais rendimentos tenham sido contabilizados a crédito em conta de despesa (conta 409650), em vez de proceder a um débito em conta de receita, isso não alterou seu lucro tributável. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 531 12 (ii) quanto aos rendimentos de operações de swap: conclua (isto é, responda SIM ou NÃO e PORQUE) se estes foram oferecidos à tributação, manifestandose sobre a alegação do contribuinte de que tais rendimentos foram incluídos na linha 20 da Ficha 6A ("variações cambiais ativas") em vez de serem incluídos na Linha 21 da Ficha 6A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"). (iii) quanto ao pagamento do valor de R$240.490,00 noticiado nos autos do processo 13899901.031/200668, apenso a este, informe se tal pagamento efetivamente ocorreu e intime o contribuinte para: (a) prestar esclarecimentos sobre o fato e, se for o caso, (b) formalizar a desistência (total ou parcial) nos autos do presente processo, já que o processo 13899901.031/200668 trata apenas de cobrança e não discute o crédito tributário, sendo inócuo o pedido de desistência ali apresentado. Após a elaboração de parecer conclusivo nos termos acima, deverá o sujeito passivo ser intimado a se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno dos autos a este CARF para que prossiga o julgamento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 531DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900096/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.050
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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(SUCESSORA DE BELEM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 186 2 Trata-se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito da Cofins relativo ao mês de dezembro de 2012, no valor de R$ 17.165,03, o qual foi indeferido pela DRF de São José do Rio Preto (SP), em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235 com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: - A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. - No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 187 3 - Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para compará-la com o recolhimento efetuado e concluir-se pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazê-lo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Cientificada pela via postal em 11/06/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/07/2013, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratando-se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontra-se totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Atendidos os requisitos de admissibilidade, toma-se conhecimento do recurso voluntário. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 188 4 Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido 1 . Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias - comerciais e industriais - e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal 2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302-004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/2011-26, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401-000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303-002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Deve-se, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 189 5 No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000504/2007-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 04 /2 00 7- 32 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.902739/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente DICAVE GARTNER DISTRIBUIDORA CATARINENSE DE VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803002.665, de 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 27 39 /2 00 9- 24 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10909.902739/200924 Acórdão n.º 9303005.757 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE PROVA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O início do procedimento fiscal retira a espontaneidade do contribuinte em relação aos atos jurídicos anteriores. Desta feita, a retificação da DCTF em momento posterior ao despacho decisório não possui o condão, por si só, de produzir efeitos retroativos em relação à compensação anteriormente declarada. Sendo a DCTF confissão de dívida, correto está a decisão que não homologou a compensação por insuficiência de crédito em razão do contribuinte não ter produzido provas suficientes à desconstituição do crédito tributário pretendido. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento com relação aos efeitos da DCTF retificadora entregue após despacho decisório de não homologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após proferido o despacho é hábil ou não para que se promova a revisão do direito creditório. Alega divergência em relação ao decidido no Acórdão nº 10517.303. O recurso foi admitido mediante despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.741, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10909.902621/200904, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto ao conhecimento do recurso. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme resultado constante da ata da sessão deste julgamento. Desta forma, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.741): Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10909.902739/200924 Acórdão n.º 9303005.757 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. No caso tratado nos acórdãos recorrido e paradigma, as DCTF retificadoras foram apresentadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que, a despeito da similitude dos fatos, os Colegiados respectivos adotaram soluções diversas: enquanto nos presentes autos, a falta de apresentação de documentação comprobatória do indébito levou ao desprovimento do recurso voluntário, no paradigma entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local apurasse se o débito declarado na DCTF retificadora correspondia ao efetivamente devido, "intimandose a contribuinte para se manifestar acerca do relatório da diligência." Todavia, intimada do relatório da diligência que concluiu que o débito declarado na DCTF retificadora não correspondia ao valor devido, a contribuinte não se manifestara. O Colegiado prolator do acórdão paradigma, sem fazer qualquer referência expressa à diligência, propôs o provimento parcial do recurso voluntário, com base nos seguintes e exclusivos fundamentos: Na DCTF originariamente apresentada, a recorrente declarou débito de IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1999 no valor de R$ 1.007,14, enquanto que na DCTF retificadora o débito declarado é de R$ 463,09, o que resultaria em um recolhimento a maior de IRPJ da ordem de R$ 544,05, a quanto equivale o direito creditório em questão. A receita bruta da recorrente no mês de março de 1999, a partir do qual foi excluída do SIMPLES, foi de R$ 16.543,74 relativos à prestação de serviços e de R$ 5.503,54 relativos à venda de mercadorias. Na apuração da base de cálculo do IRPJ declarado na DCTF retificadora, a recorrente aplicou sobre a receita proveniente da prestação de serviços o percentual de 16%, do qual não poderia fazer uso, dado que somente aplicável às pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 e a recorrente, no anocalendário de 1999, auferiu receitas desta atividade que ascenderam a R$ 184.595,78. Aplicados os percentuais de 32% sobre a receita de serviços e de 8% sobre a receita de vendas, a base de cálculo do IRPJ é de RS 5.734,28 e o IRPJ devido corresponde a R$ 860,14, o que reduz o direito creditório a R$ 147,00. Diante disso, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de RS 147,00, com os devidos acréscimos legais, correspondente ao pagamento efetuado a maior a titulo de IRPJ e homologada a compensação desse crédito com débitos de sua responsabilidade, passíveis de compensação, relacionados no "Demonstrativo dos Débitos Indicados para Compensação", até o montante em que se compensem. Portanto, foi possível verificar, na diligência (é o que supomos!), que, ao menos em parte, cabia restituir à contribuinte uma parcela do que houvera pago, em face de um erro de aplicação dos percentuais do lucro presumido. Observese que o entendimento a ser cotejado com o recorrido, e com este supostamente divergente, é aquele que se extrai do voto condutor do acórdão paradigma, parte integrante do acórdão em que se encontram os fundamentos da decisão colegiada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10909.902739/200924 Acórdão n.º 9303005.757 CSRFT3 Fl. 5 4 A nosso juízo, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Em nenhum momento, firmouse o entendimento, como comprova a transcrição literal do voto do relator, de que, ainda que nada se traga de provas documentais nos recursos interpostos, os autos sempre devem ser enviados à unidade de origem para diligenciar junto ao contribuinte. Se o Colegiado prolator do acórdão paradigma resolveu, em assentada anterior, determinar a diligência, fêlo em vistas das razões recursais e das informações que se encontravam colacionadas aos autos, a partir das quais concluiu a necessidade de sua realização. Isso, contudo, não firma uma tese jurídica, uma interpretação divergente da legislação tributária, a ponto de permitir o seu cotejo com outras que, aparentemente, lhe sejam confrontantes. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.930107/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
IRRF - COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido.
Numero da decisão: 1401-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. IRRF - COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. IRRF COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 01 07 /2 01 2- 11 Fl. 1189DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10880.930107/201211 Acórdão n.º 1401002.090 S1C4T1 Fl. 1.190 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 16.55275 2ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de IRPJ não reconhecido. A contribuinte transmitiu DCOMP, objetivando a utilização de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 56.682.522,72, para a compensação de débitos. Em 04/04/2013, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 10) homologando em parte as compensações informadas em DCOMP no montante de R$ 4.611.946,21. A homologação parcial das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • O IRRF, dedutível na DIPJ, confirmado nos Sistemas da RFB totalizou R$ 4.249.911,98 (informado R$ 4.436.836,43 na DIPJ); • Das compensações efetuadas pela contribuinte apenas foram confirmadas R$ 14.134.081,73 de um total informado de R$ 66.204.658,19. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 11/05/2012 (fl. 15) e dela recorreu a esta DRJ em 12/06/2012 (fls. 20/41). Apreciada a Manifestação de Inconformidade, mantevese a não homologação das compensações. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado com base nos seguintes argumentos: i) reconhecer a nulidade da cobrança tendo em vista que a fiscaliação não poderia exigir débitos de estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao ano calendário 2008, sem considerar que se nesse ano calendário, no contexto global houve ou não saldo devedor ao final dos respectivos exercícios conforme entendimento da Súm. CARF 80 e 82; ii) reconhecer a nulidade da cobrança, por importar em excesso, tendo em vista que a Recorrente já esta sendo cobrada quanto as estimativas de IRPJ que ocasionaram a glosa parcial do saldo negativo do IPRJ/2006, nos autos dos processos administrativos ainda pendente de discussão administrativa, ou subsidiariamente iii) o julgamento conjunto dos processos ou sobrestamento deste em razão da prejudicialidade deste em relação aos outros. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 1191DF CARF MF 4 O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o anocalendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas, inclusive sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, independentemente do anocalendário encerrado e da apuração de prejuízo fiscal. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Contudo, tal entendimento não prospera, posto que, a partir da edição da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja não homologada. O despacho decisório pretende exigir a estimativa quitada por compensação que compôs o referido saldo negativo se encontra em discussão em outros processos administrativos, ainda que já encerrado o respectivo anocalendário, o que não se pode admitir, conforme pacífica jurisprudência do próprio CARF. Neste sentido, fora proferido em 23 de novembro de 2016, Acórdão recebeu o nº 9101002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que esclarece: Acórdãonº 9101002.493: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,em negarlhe provimento. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10880.930107/201211 Acórdão n.º 1401002.090 S1C4T1 Fl. 1.191 5 Deste segundo Acórdão, extraio a parte do voto que trata da aplicação da Solução de Consulta Interna nº18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº88/2014: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de Compensação na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN),como segue: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECERPGFN/CAT/Nº88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido –CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido na Solução de Consulta Interna (SCI) Cositnº18,de2006. Damesmaforma,éesteoentendimentodestaCSRF,conformeseobservaaseguir: Acórdão CSRF nº 9101002.093, de 21 de janeiro de 2015: IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTOCOMPENSAÇÃOCABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Do referido aresto, transcrevo o trecho a seguir (destaque do original): A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna nº18/2006: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres Fl. 1193DF CARF MF 6 PGFN/CATnº1658/2011e193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Portanto, é induvidoso que, em se tratando de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores devem ser computados no saldo negativo do anocalendário, porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Ademais, consolidando este entendimento, temos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Neste seguir, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. IRRF O IRRF, dedutível na DIPJ, confirmado nos Sistemas da RFB totalizou R$ 4.249.911,98 (informado R$ 4.436.836,43 na DIPJ), de forma que o objeto da discussão neste recurso cingese ao valor de R$ 185.507,84. A fim de demonstrar a dedução também dessa diferença, a Recorrente aponta os seguintes elementos de prova: Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10880.930107/201211 Acórdão n.º 1401002.090 S1C4T1 Fl. 1.192 7 Assim, diante dos elementos probatórios apresentados pela Recorrente em sede de Voluntário, resta suprida a carência identificada pela decisão recorrida, quando negou a homologação desta diferença, a pretexto de que deveria a requerente ter apresentado um demonstrativo da composição das receitas oferecidas à tributação respaldada na escrituração fiscal, com os quais comprovassem a veracidade de suas alegações. Sem a prova, por meio de Fl. 1195DF CARF MF 8 documentação hábil e idônea, da tributação dos rendimentos na declaração de rendimentos, incabível o reconhecimento da parcela de IRRF para a dedução do IR a pagar. Anota que autoridade fiscal reconheceu à pleiteante a dedução do IRRF correspondente ao exato montante oferecido à tributação, cabendo à reclamante comprovar a diferença a acredita fazer jus, êxito que logro tão somente agora neste momento processual. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1196DF CARF MF
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