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Numero do processo: 16707.005069/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/11/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 50 69 /2 00 7- 97 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 16707.005069/200797 Acórdão n.º 2202004.266 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903020/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 20 /2 00 9- 00 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.715, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.902422/2009-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.242
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 24 22 /2 00 9- 48 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.079, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 13560.000190/96-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito.
ANULADO O PROCESSO "AB INITIO".
Numero da decisão: CSRF/03-03.158
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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CONTRIBUINTES SESSÃO DE 07 DE MAIO DE 2001 ACÓRDÃO N.O CSRF/03-03.158 ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, 'descabida a apreciação do mérito. ANULADO O PROCESSO "AB INITIO". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto. FORMALIZADO EM: 1 9 NOV 200r Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Moacyr de Medeiros, Márcia Regina Machado Melaré, Paulo Roberto Cuco Antunes e João Holanda Costa. 2 .. Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 Recurso nr. RP/202-0.259-A Recorrente: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão da douta 28 Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que lavrou Acórdão com a seguinte ementa: "ITR - LAUDOS PERICIAIS - Admitidos como prova consistente em reiteradas decisões desse Colegiado Administrativo. Atendidas as formalidades exigidas, merece a documentação o melhor acolhimento. Recurso provido:' A colenda Terceira Câmara entendeu que os Laudos de Avaliação ofertados pelo contribuinte apresentavam os requisitos necessários para legitimar a sua pretensão, qual seja, a reavaliação dos cálculos do VTN. Há voto divergente vencido, do Conselheiro José de Almeida Coelho, sustentando que, embora o Laudo de Avaliação seja bem detalhado, não indica a metodologia de mensuração do valor, não indicando em que se baseou o técnico para chegar aos valores indicados. Insurgiu-se a Procuradoria da Fazenda Nacional entendendo que: a) em que pese a idoneidade da Declaração da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e do Banco do Nordeste, tais documentos não estão datados; b) o documento expedido pela Prefeitura Municipal de Jequié-BA fixa valores superiores aos constantes do Laudo de Avaliação; c) o documento emitido pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA estima diferente valor para a terra de segundo tipo; d) mesmo considerando a. média dos valores constantes das declarações da Prefeitura Municipal de Jequié e da EBDA, o montante encontrado é superior ao constante dos Laudos de Avaliação; e) a avaliação da cobertura vegetal 4 ... -.------_.._-~_.._.¥--~~--~.--_.~_._.__..,._-.-_ __ ,---_.___ ""--_,, ,.~.---_.__.--.-..:.....". ... - ,-"-.. Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 constante dos laudos de avaliação estão embasados no "Orçamento Agropecuário do Estado da Bahia" e no "Banco do Nordeste", porém tais documentos não estão datados; e) a avaliação dos imóveis não registra outras informações além da área e da quantidade de cômodos, afim de que se pudesse conferir e conclui pelo valor venal a que se atribuiu aos mesmos. Em contra-razões o contribuinte praticamente se limitou a repetir os termos de suas manifestações anteriores. É o Relatório. 5 . J Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLl, Relator Conhecemos do Recurso Voluntário, por ser tempestivo, por atender aos demais requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. E, após a análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que é de se declarar a nulidade da Notificação de Lançamento constante dos autos. Explica-se ... o processo é constituído de uma relação estabelecida através do vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessário o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros): Os pressupostos processuais - são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processua São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o 6 Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) - é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vício de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição' do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. Nessa linha seguem ~s normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: "ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N.o02 DE 03/02/1999: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.o 227, de 03/09/98, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso 11, da Lei n.O 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n.O 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, à 7 __ H"''''_.' _. •..• ~, ••. _~- -,., .. -.-.- .. _ .....• --'-" . ••• ., ••• , ••• ••• ••••••• __ ••• _ •••••••••••••••• H" _ •••• __ ••• ••••••• _ •••••• ," Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: - os lançamentos que contiverem vício de forma - incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN/SRF n.o 94, de 1997 - devem ~ declarados nulos de ofício pela autoridade competente;(sublinhei) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n.o 5.172/66 - CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Têm-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85. E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matrícula do autuante. Demonstrada está a eiva que conduz a nulidade da notificação de lançamento, não mais havendo o que comentar sobre essa matéria. Diante do exposto, SOU PELA ANULAÇÃO DO 8 '-I I I i i Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 PROCESSO, DESDE SEU INíCIO, declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Sala das Sessões, (DF), em 07 de maio de 2001 NIIÂ-~ z ;-JOLl ~LAT 7.' 9 ..~. Processo nO Recurso nO Recorrente SujoPassivo Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : RP/202-0.259-A : FAZENDA NACIONAL : NILSON ALBERTO ANJOS : CSRF103-03.158 DECLARAÇÃO DE VOTO ......... ~:..:- CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA Data .vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF nO94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, .verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou.contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... 11 - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Processo nO Acórdão nO : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nO5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: .............................................................................................................. VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; ........................................................................................................... A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se. trata de Notificação. de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF nO 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. Processo nO Acórdão nO : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 o art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; \I - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; 111 - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso 11, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei nO 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso 111, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes ~stas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto nO 70.235n2, com as alterações da Lei nO8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 11- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na SOluçãodo litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui~se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declaré:lda de ofício pela Douta COrlselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face . do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto nO70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso li, da Lei nO 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 11 - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir O ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto nO70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, .com a repetição de lodo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 10 da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência. do fato gerador: Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 1 1, do Decreto 70.235n2, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que admini~tra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de.defesa. o dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior nãó importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contivera assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e.não deixam de implicar em nulidade. Processo nO Acórdão nO : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto I. 70.235172, ela não se refere a um s6 imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que. é o ServiçO Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinàmento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Sala das Sessões-DF, em 07 de maio de 2001. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. : 11078.000021/96-54 : CSRF/03-03.1b'8 Processo nO Acórdão nO Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas .Iegais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910580/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 29/05/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.483
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 80 /2 01 1- 63 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.727, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901635/2010-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
IPI - RESSARCIMENTO - ARGUMENTOS DE DEFESA DIVERSOS DOS TRAZIDO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Na argumentação pela tomada de créditos é defeso a alternância de argumentos, quando utilizado apenas em grau de recurso.
Numero da decisão: 3001-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório DESPACHO DECISÓRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 16 35 /2 01 0- 03 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de pedido de ressarcimento relativo ao 4.º trimestre de 2005. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente relata que, segundo a fiscalização, os produtos adquiridos por meio das NOTAS FISCAIS, não poderiam ser classificados como insumos, e, através de reclassificação fiscal de ofício, houve a glosa do crédito. Alega a recorrente, que tal entendimento não deve prosperar. Segue o trecho da Manifestação: " ocorre que, conforme se verifica nas Notas Fiscais anexas, a empresa adquiriu produtos e equipamentos que foram utilizados no seu meio de produção de materiais objeto de comercialização. Ou seja, verifique que é exatamente o caso do contribuinte, pois adquiriu bens que foram utilizados para a industrialização de seus produtos, por isso geraram créditos. DRJ/ A Manifestação de Inconformidade foi julgada pela DRJ com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. INCUMBÊNCIA DA INTERESSADA. Por bem retratar os fatos, reproduzo o relatório do Acórdão: Cabe à interessada a prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a fruição de benefício fiscal. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela BOSAL DO BRASIL LTDA., CNPJ nº 56.993.868/000194, em contrariedade ao Despacho Decisório de fls. 03/08 que deferiu em parte o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 24519.33407.120106.1.3.012760, relativo a crédito de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI do 4º trimestre de 2005, conforme valores discriminados a seguir: Valor Solicitado (R$) 173.279,65 Valor Reconhecido (R$) 169.386,75 Valor da Glosa (R$) 3.892,90 De acordo com o Despacho Decisório, o sujeito passivo incluiu créditos de IPI em PER referente a operações não enquadradas na categoria de insumos (R$ 3.892,90). Assim, houve a reclassificação de alguns Códigos Fiscais de Operação – CFOP que não se referiam à aquisição de insumos (matéria prima, produto intermediário e material de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.901635/201003 Acórdão n.º 3001000.060 S3C0T1 Fl. 101 3 embalagem). A reclassificação resultou em glosa de valores lançados originalmente como créditos. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Em 16/12/2010 (fl. 10), a interessada foi cientificada do Despacho e, em 17/01/2011, manifestou a sua inconformidade, conforme petição de fls. 15/20. Em síntese, alega, o quanto segue: que os produtos e equipamentos adquiridos pela manifestante são insumos, pois foram utilizados na produção de materiais objeto de comercialização da empresa; que todas as entradas foram devidamente registradas nos Livros de Entrada e Saída de Mercadorias e no Livro Registro de Apuração de IPI; que o direito ao ressarcimento e à compensação de tributos está previsto em legislação pátria, cumprida na íntegra pela manifestante; que, diversamente do que constou no Despacho Decisório, o ressarcimento de IPI está vinculado a pedido de compensação de IRPJ (R$ 63.748,70), PIS/PASEP (R$ 2.305,30) e COFINS (R$ 107.225,65); que não concorda com a compensação de ofício; que, diante do exposto, requer a reforma da decisão para manter a classificação original e reconhecer o crédito no valor de R$ 3.892,90. Recurso Voluntário A Recorrente asseverou, em sua defesa, a existência e liquidez dos créditos de IPI relativos aos CFOP n.º 1910, 1949, 2201, 2208 e 2949, em montante suficiente para a homologação da compensação, tendo, para tanto, apresentado a notas fiscais. Segue tabela demonstrativa: Segundo a Recorrente, verificase trataremse de produtos produzidos pela empresa recorrente que deram saída tributada do estabelecimento industrial e retornaram em devolução de seus clientes com IPI destacado na nota, ou doação de produto por fornecedor com Fl. 102DF CARF MF 4 saída tributada (conforme destacado em nota), utilizado no processo produtivo da Recorrente E prossegue: "Portanto, conforme será visto, ainda que estas entradas digam respeito a produtos que em sua maioria não se enquadrem na categoria de insumos, são passíveis de créditos (...) Alega ainda em seu recurso Voluntário, que a legislação prevê o crédito por devolução ou retorno de produto, além, também, de pugnar pela aplicação do princípio da Não cumulatividade do artigo 153 Constituição Federal. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A Data da ciência por decurso de prazo deuse em 13/06/2014, sendo que o Recurso Voluntário foi protocolizado dia em 27/06/2014, sendo, tempestivo, portanto. Mérito Conforme relatado acima, a recorrente, em sede de sua manifestação de inconformidade, alega terem sido os crédito gerados pela utilização de produtos e equipamentos que foram utilizados no seu meio de produção, para fins de industrialização dos bens que disponibiliza à venda. Ou seja, seriam insumos. Indo adiante, viuse que o motivo expostos pela DRJ, apontam para outro tipo de bens, quais sejam: O presente processo trata de glosa de valores de operações não enquadradas na categoria de insumos para fins de pedido de ressarcimento de tributos. A contribuinte discorda do Despacho Decisório, sob o argumento que se trata de produtos e equipamentos adquiridos para utilização no seu processo produtivo. No trabalho de fiscalização, levado a efeito nos livros e documentos fiscais apresentados pela empresa, verificouse a existência de aquisições de produtos que não geram direito a crédito de IPI, vez que as operações não se enquadram na categoria de insumos. A fiscalização reclassificou, então, os CFOP das operações para os códigos 1910, 1949, 2201, 2208 e 2949 Para se contrapor à elaborada fiscalização, resumida na Informação Fiscal de fls. 03/07 dos autos, a contribuinte faz, somente, alegações genéricas que as aquisições se referiam a Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.901635/201003 Acórdão n.º 3001000.060 S3C0T1 Fl. 102 5 insumos utilizados nos materiais objeto de comercialização da empresa e junta as notas fiscais concernentes às operações reclassificadas. a interessada deve provar o que alegou na manifestação de inconformidade: que os produtos adquiridos foram efetivamente utilizados no processo produtivo da empresa. Tal circunstância não restou comprovada, posto que a interessada juntou tão somente as notas fiscais de aquisição dos produtos. Não há qualquer prova nos autos de que os produtos tenham sido utilizados no processo produtivo da empresa. Cumpre ressaltar que diversas notas fiscais foram emitidas por filiais da própria empresa e se referem a produtos devolvidos ou entradas sem especificação de finalidade. Já em sede de Recurso Voluntário, a recorrente alega que é possível constatar que se tratam de retorno de mercadorias final da Recorrente, remetidas por seus clientes em devolução ou de doação de matéria prima experimental. Observese: Bem evidente, que há inovação do argumento, vez que, na Manifestação de Inconformidade, tratou de defender seu creditamento a título de insumo. Vejase: No entender deste Conselheiro, não pode a Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, alegar que sua tomada de crédito deuse por aquisição de insumos, e, ao Fl. 104DF CARF MF 6 constatar a verdadeira natureza de suas Notas Fiscais, com a ciência dada ao Acórdão, rever sua defesa, e alegar que os créditos seriam de outra natureza, no caso devolução de produto final, entrada de brinde ou entrada de produto com bonificação. Desta forma, evidente a ocorrência da preclusão. Neste sentido, a jurisprudência da CSRF: Acórdão: 9303005.413–3ªTurma ASSUNTO:IMPOSTOSOBREPRODUTOSINDUSTRIALIZADOS IPI Períododeapuração:01/01/1997a31/03/1997 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EMSEDEDERECURSO.PRECLUSÃO. Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeirainstância,dadaaconfiguraçãodapreclusãoprocessual. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para Negar provimento. (assinado digitalmente) Relator Renato Vieira de Avila Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.921286/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
SUSPENSÃO. ARTIGOS. 9º E 17 DA LEI FEDERAL 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Pela previsão expressa do artigo 17, da Lei Federal 10.925/2004, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da mesma Lei Federal é 1º de agosto de 2004, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Precedentes dessa Seção no mesmo sentido.
INVALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 660/2006. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 105 E 106 DO CTN. HIERARQUIA DE NORMAS NO DIREITO BRASILEIRO. A pretensão de retroagir os efeitos da alteração promovida pela Instrução Normativa SRF 660/2006 sobre a Instrução SRF 636/2006 afeta fatos geradores pretéritos a sua edição.
Numero da decisão: 3401-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, no que se refere à aplicação, ao caso, da suspensão prevista no artigo 9o da Lei no 10.925/2004. O Conselheiro relator acrescentará a seu voto e à ementa do julgamento a posição externada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, no sentido de que o artigo 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela RFB.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 SUSPENSÃO. ARTIGOS. 9º E 17 DA LEI FEDERAL 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Pela previsão expressa do artigo 17, da Lei Federal 10.925/2004, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da mesma Lei Federal é 1º de agosto de 2004, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Precedentes dessa Seção no mesmo sentido. INVALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 660/2006. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 105 E 106 DO CTN. HIERARQUIA DE NORMAS NO DIREITO BRASILEIRO. A pretensão de retroagir os efeitos da alteração promovida pela Instrução Normativa SRF 660/2006 sobre a Instrução SRF 636/2006 afeta fatos geradores pretéritos a sua edição.
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ARTIGOS. 9º E 17 DA LEI FEDERAL 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Pela previsão expressa do artigo 17, da Lei Federal 10.925/2004, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da mesma Lei Federal é 1º de agosto de 2004, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Precedentes dessa Seção no mesmo sentido. INVALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 660/2006. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 105 E 106 DO CTN. HIERARQUIA DE NORMAS NO DIREITO BRASILEIRO. A pretensão de retroagir os efeitos da alteração promovida pela Instrução Normativa SRF 660/2006 sobre a Instrução SRF 636/2006 afeta fatos geradores pretéritos a sua edição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, no que se refere à aplicação, ao caso, da suspensão prevista no artigo 9o da Lei no 10.925/2004. O Conselheiro relator acrescentará a seu voto e à ementa do julgamento a posição externada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, no sentido de que o artigo 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela RFB. ROSALDO TREVISAN Presidente. RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 12 86 /2 01 1- 71 Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.233 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls 2201 e seguintes) contra o acórdão 08 33.804, da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ), que julgou procedente em parte sua Manifestação de Inconformidade, por ocasião do não reconhecimento de créditos de PIS não cumulativos referentes ao 1º trimestre de 2006. Da Declaração de Compensação e do Despacho Decisório À época, o contribuinte efetuou Pedido de Ressarcimento de PIS Não Cumulativa Mercado Interno objetivando ressarcimento de crédito do período de apuração 1º trimestre/2006, no montante de R$ 48.821,36 . O crédito pleiteado foi objeto de auditoria pela DRF Belo Horizonte, que o deferiu parcialmente, pela importância de R$ 25.341,58. Em consequência do deferimento parcial do crédito, a DRF/BHE homologou parcialmente as compensações, até o limite do crédito reconhecido, não considerando válidos, portanto, créditos de PIS não cumulativos, referentes ao ano calendário de 2006 e 2007, no montante de R$ 23.479,78. À época, o despacho decisório foi calcado em diligência para apuração da retidão dos créditos pleiteados, que veio a constatar em seu termo circunstanciado, o seguinte: 1. Produtos com suspensão indevida da exigibilidade de PIS . Vendas de café e soja com suspensão indevida de PIS e COFINS no período de janeiro a abril/2006, uma vez que a suspensão em causa somente veio a ter efeito a partir de 04/04/2006 (art. 11, inciso I, da Instrução Normativa SRF 660/2006). 2. Créditos indevidos: a. Créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. i. Insumos com alíquota zero de PIS . A fiscalizada utiliza em seu processo produtivo vários insumos para os quais foram reduzidas a zero as alíquotas das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos do Art. 1º da Lei Federal 10.925/04. Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.234 3 ii. Insumos sujeitos ao Crédito Presumido incluídos na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno. O contribuinte creditouse na compra de insumos adquiridos de pessoas físicas pelas alíquotas integrais de PIS e Cofins, respectivamente 1,65% e 7,6%, quando deveria têlo feito pelas alíquotas do crédito presumido de que trata o art. 8º, inciso I, da Lei nº 10.925/04, respectivamente 0,57% e 2,66%. iii. Inversão de valores na apuração das bases de cálculo dos Créditos Vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno e Créditos Presumidos (abril/2006 e maio/2006). O contribuinte cometeu erro de fato na apuração de PIS e COFINS em determinadas operações, atribuindo alíquotas de créditos presumidos (0,57% PIS e 2,66% COFINS) para operações em que deveria aplicar as alíquotas convencionais (1,65 PIS e 7,6% COFINS) e viceversa. iv. Créditos calculados sobre bens usados incorporados ao Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição. O contribuinte apurou créditos a título de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, à razão de 1/48 do valor de aquisição ao mês, mesmo tendo esses bens sido adquiridos na condição de usados, quando a legislação aplicável (§ 3º inciso II do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 457/2004) veda a depreciação de bens adquiridos na condição de usados. v. Duplicidade no cômputo de créditos advindos dos insumos adquiridos para fabricação de ração. De acordo com a forma de apuração dos créditos de PIS e Cofins da empresa, as aquisições de insumos para fabricação de ração destinada aos plantéis em produção de ovos in natura ou em formação (ativo imobilizado) geraram créditos em duplicidade, na medida em que foram contabilizados na entrada do insumo e posteriormente quando da depreciação dos plantéis; vi. Outras ocorrências relacionadas com valores declarados a maior no DACON relativas aos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno não abordadas em tópicos anteriores: 1. Abril/2006: Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno de bens destinados à formação de ativo imobilizado, no caso, plantéis de postura; 2. Maio/2006: Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno do valor Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.235 4 de insumos (sacaria para utilização na lavoura de café cf. anotação do contribuinte na nota fiscal) relacionados a produtos com saída suspensa nos termos do Art. 9º da Lei Federal 10.925/04 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006 3. Julho/2006: Inclusão em duplicidade na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno de julho/2006, de insumo adquirido e incluído na base de cálculo dos créditos em junho/2006; 4. Dezembro/2006: Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno de aquisições de milho em grãos da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB, CNPJ 26.461.699/021773, empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura e Abastecimento, sobre cujas vendas não incide PIS e Cofins, não gerando direito a crédito em favor do adquirente; 5. Maio/2007: No registro de entradas da Fábrica de Ração – 1134 consta como compras no código CFOP 1401, a título de “Compras p/ ind. Subst. Tributária”, um total de R$ 79.734,20. Entretanto, o valor total das notas fiscais apresentadas em meio digital para este CFOP no mesmo período foi de R$ 70.366,20, restando uma diferença não comprovada de R$ 9.368,00; 6. Julho/2007: O contribuinte contabilizou no DACON, a título de “Compras para Industrialização” (CFOP 1101), o valor total de R$ 59.527,52. Entretanto, o total das notas fiscais apresentadas para a respectiva comprovação foi de R$ 58.414,42, restando uma diferença não comprovada no valor de R$ 1.113,20, objeto de glosa; 7. Setembro/2007: O contribuinte cometeu erro de digitação no preenchimento da planilha que serviu de base para apuração dos créditos no DACON. O valor correto dos créditos vinculados às Receitas não Tributadas no Mercado Interno foi de R$ 495.373,73. Entretanto, na planilha utilizada para apuração do DACON, o contribuinte digitou o valor de R$ 495.573,73, contabilizando a maior a importância de R$ 200,00, diferença essa glosada; Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.236 5 8. Dezembro/2007: O contribuinte contabilizou no DACON de dezembro/2007, a título de “Compras p/ Ind. Subst. Tributária” (CFOP 1401), o valor total de R$ 59.334,70. Entretanto, o total das notas fiscais apresentadas para a respectiva comprovação foi de R$ 42.809,00, restando uma diferença, não comprovada, no valor de R$ 16.525,70, objeto de glosa; vii. Ajustes de valores declarados a menor no DACON decorrente de erros de soma/transcrição de valores na apuração do crédito: 1. Setembro/2006: Foi constatado que na planilha "Relação de insumos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno" a soma referente às notas fiscais n°s 11367 e 11368, de 28/08/2006, está lançada pelo valor de R$ 31.328,00. Contudo, na realidade, segundo os valores expressos na nota, essa soma corresponde a 31.828,00, resultando uma diferença a menor de R$ 500,00 na base de cálculo adotada pelo contribuinte; 2. Novembro/2006: Foi constatado que na planilha de cálculo do contribuinte, na conta “Registro de Entradas da Fábrica de Ração 1134”, código CFOP 2101 – Compras para Industrialização, foi lançada a importância de R$ 46.035,95. Contudo, na realidade, segundo apurou a Fiscalização através do Livro Registro de Apuração do ICMS, o valor correto seria R$ 467.035,95, restando evidenciado erro de digitação. Tal erro resultou numa diferença a menor de R$ 421.000,00 na base de cálculo. b. Cálculo do crédito presumido de atividades agroindustriais vinculados à receita não tributada no mercado interno Com relação ao processo produtivo de ovos (capítulo 4 da NCM), são utilizados como insumos, entre outros, o milho em grãos e o sorgo em grãos, classificados no capítulo 10 da NCM. Considerando a classificação fiscal desses produtos e atendidas as condições definidas na Lei n° 10.925/04, o crédito presumido advindo da aquisição de tais insumos será determinado mediante a aplicação do percentual previsto no "inciso II" do § 3º da citada lei ("inciso II", § 1o da Instrução Normativa SRF n° 660/2006), ou seja, alíquotas de 0,5775% para a Contribuição para o PIS e 2,66% para a COFINS. No entanto, entre janeiro a junho de 2006, o contribuinte teria apurado o valor do crédito presumido para tais insumos, em alguns meses do período analisado, mediante a aplicação dos percentuais de 0,99%, para a Contribuição para o PIS, e 4,56%, para a COFINS. c. Créditos vinculados à receita tributada no mercado interno. Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.237 6 i. Insumos sujeitos ao Crédito Presumido incluídos na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno. Aquisições sujeitas à alíquota zero. A fiscalização verificou que o contribuinte incluiu na base de cálculo valores correspondentes a compras de ovos para industrialização, adquiridos de pessoas jurídicas, calculados às alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (Cofins). “Esses insumos estão sujeitos à alíquota zero (art. 28, III, da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual, não poderiam gerar direito de crédito (§ 2º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003).” No entanto, como as aquisições se enquadram na hipótese de crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei Federal 10.925/04, calculáveis às alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56% (Cofins), tais créditos foram considerados pela fiscalização. ii. Insumos sujeitos ao Crédito Presumido adquiridos de pessoas físicas, incluídos na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno. Aquisições de pessoas físicas. A fiscalização verificou que o contribuinte incluiu na base de cálculo valores correspondentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, calculados às alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS), quando as alíquotas aplicáveis deveriam ser as do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei Federal 10.925/04, correspondentes a 0,99% (PIS) e 4,56% (Cofins). iii. Outras inclusões indevidas na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno. Na análise dos valores declarados no DACON, em confronto com as notas fiscais apresentadas em meio digital, foram identificadas diferenças a maior na base de cálculo das contribuições utilizadas no DACON. As diferenças de bases de cálculo glosadas foram as seguintes: janeiro/2007 – R$ 9.405,44; julho/2007 – R$ 10.696,23, outubro/2007 – R$ 233,19 e novembro/2007 – R$ 145.173,29. iv. Ajustes de valores no DACON decorrente de erros na apuração do crédito DEZEMBRO/2007: Foram identificados erros de apuração das contribuições, que ensejaram a realização de ajustes nos cálculos pela fiscalização. Os ajustes consistiram da inclusão de uma diferença no valor de R$ 13.501,65 na base de cálculo sujeita às alíquotas convencionais: 1,65% (PIS) e 6,7% (Cofins) e de outra parte, da glosa de uma diferença de R$ 111.572,03 (conforme item 2.3.1) na base de cálculo do crédito presumido, sujeita às alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56% (Cofins) Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.238 7 d. Créditos presumidos de atividades agroindustriais vinculados à receita tributada no mercado interno, declarados a maior no DACON. Na apuração do crédito presumido nas compras realizadas de pessoas físicas, no valor total de R$ 227.271,56, o contribuinte creditouse em duplicidade da compra correspondente à nota fiscal nº 1875 de 11/12/2007, no valor de R$ 9.660,00. Referido valor foi glosado, mediante aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56% (COFINS). Por tais motivos aduzidos pela Fiscalização, foi exarado o Despacho Decisório n° 1534 DRF/BHE, em 23 de novembro de 2011, que, em síntese, reconheceu parcialmente o crédito de PIS pleiteado pela Recorrente: “Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1588/1674, fica reconhecido parcialmente o direito creditório de PIS Não Cumulativo – Mercado Interno do período requerido, 1º Trimestre/2006 no montante de R$ 25.341,58 (vinte e cinco mil, trezentos e quarenta e um reais e cinquenta e oito centavos). A partir dos valores reconhecidos, procedemos às compensações nos sistemas da SRF, conforme os Per/Dcomp transmitidos, e de acordo com a IN 900/2008. (...) Decisão Face ao Termo de Verificação Fiscal, e tendo em vista o reconhecimento parcial do crédito no montante de R$ 25.341,58, proponho a homologação da Declaração de Compensação constante deste processo no limite do crédito reconhecido, na forma determinada pela IN SRF 900/2008 e alterações, conforme extrato do processo em anexo . Procedase à cobrança do(s) débito(s) remanescente(s).” Da Manifestação de Inconformidade Diante do reconhecimento somente parcial do direto creditório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade à época. Sumarizo: 1. Necessidade de conexão Preliminarmente, a Recorrente solicitou a reunião dos autos para que fossem julgados em conjunto, nos termos da do art. 1º da Portaria RFB nº 666/2008, em vista de o presente processo trata de matéria conexa aos processos que tratam da apuração dos créditos de PIS e Cofins dos demais trimestres de 2006 e 2007, objeto do mesmo procedimento fiscal (MPF nº 0601100.2010.023321). 2. Da validade temporal da suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas de café Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.239 8 · Ao regulamentar o art. 9º da Lei nº 10.925/04, que concedeu o beneficio de suspensão de PIS e COFINS nas operações em causa, a Instrução Normativa SRF nº 636/2006 dispôs expressamente no seu art. 5º que os efeitos do beneficio da suspensão retroagiriam a 1º de agosto de 2004. · A revogação posterior da Instrução Normativa SRF nº 636/2006, pela Instrução Normativa nº 660/2006, estabelecendo a data de 04 de abril de 2006, como novo termo de início de vigência da suspensão viola os princípios constitucionais do direito adquirido e da irretroatividade da lei tributária. · O não recolhimento das contribuições se deu com base em ato normativo válido e eficaz (Instrução Normativa SRF n° 636/2006), tendo esse direito se incorporado definitivamente ao seu patrimônio, razão pela qual, não poderia ser revisto. · Traz à colação decisão do STJ expressando entendimento alinhado com a sua tese (Resp 1160835/RS, Min. Herman Benjamin, DSJ 23/04/2010); 3. Da ilegitimidade das glosas efetuadas pela fiscalização. Os créditos não teriam sido apropriados em duplicidade, principalmente porque a natureza de créditos decorrentes de aquisição de insumos para sua atividade seria totalmente dissociada dos créditos oriundos da depreciação do ativo imobilizado. · Os limites para o creditamento previsto no art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.866/2003 estão taxativamente enumerados nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, neles não se inserido a proibição de vislumbrada pela fiscalização; a única exigência para o direito ao crédito é que o insumo seja utilizado no processo produtivo do contribuinte. · A própria fiscalização não questiona o fato de que os produtos adquiridos são insumo, mas justifica a glosa pelo fato de serem destinados a compor o valor de bens ativo imobilizado (plantéis de postura), já beneficiados com créditos de PIS e Cofins, a título de depreciação. · As galinhas contabilizadas como ativo imobilizado (plantéis de postura) possuem valor intrínseco próprio, independentemente da ração, das vacinas ou da mãodeobra utilizada para seu crescimento, sendo sobre esse valor que se calculam os créditos a título de depreciação. · Tanto assim que o valor das galinhas contabilizado no ativo imobilizado não aumenta ou diminui em razão do preço ou de quantidade de ração que consomem durante sua vida útil. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.240 9 · Nenhum dos itens glosados foi contabilizado como ativo imobilizado, tampouco agregou valor às galinhas ou aumentou sua vida útil. · Ainda que, por hipótese, se admitisse a tese de crédito em duplicidade, tal não se aplicaria à totalidade das aquisições, já que nem todos os filhotes sobrevivem até que estejam aptos a integrar o ativo imobilizado, não havendo porque se falar neste caso em depreciação. · Tendo em vista que tal fato deixou de ser considerado pela fiscalização ao efetuar a glosa, requer que os autos sejam baixados em diligência para se verificar o montante do crédito decorrente de aquisição de insumos para a fabricação de ração destinada à formação de plantéis que deixou de ser apropriado em duplicidade porque as aves não puderam ser contabilizadas como ativo imobilizado e, portanto, depreciadas. · Na apuração do DACON, os créditos lançados a título de depreciação não contemplam exclusivamente os plantéis de postura, mas incluem também diversos galpões construídos pela requerente, os quais geram direito de crédito de PIS e Cofins a título de depreciação à taxa anual de 10%. · Ocorre que, mesmo tendo direito ao crédito sobre o valor total da depreciação verificada no período, a requerente declarou no DACON somente parte desses valores e se apropriou também parcialmente da depreciação relativa aos plantéis de postura. · Assim, o Auditor Fiscal deveria ter verificado qual a parcela da depreciação dos plantéis em formação foi efetivamente utilizada no DACON, fazendo incidir a glosa sobre o valor das aquisições, na proporção dessa parcela, e não sobre a integralidade das aquisições dos insumos, como fez; nesse sentido, a realização de diligência para a recomposição dos valores glosados é medida que se impõe ante o principio da verdade material. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão da DRJ/FOR (fls. 2171 e seguintes), que reconheceu procedente em parte a Manifestação de Inconformidade: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Por força de disposição expressa da IN SRF 660/2006, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 é 4 de abril de 2006, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.241 10 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideramse não impugnadas as glosas não contraditadas com provas nem com razões de fato e de direito em espécie, devendo ser mantidas independentemente de apreciação meritória. INSUMO NÃO INCORPORADO AO IMOBILIZADO. DIREITO DE CRÉDITO. Os produtos destinados à fabricação de ração para consumo das aves poedeiras, não contabilizados no ativo imobilizado, caracterizam se como insumos no processo produtivo de ovos, gerando sua aquisição direito ao desconto de crédito de PIS e Cofins, nos termos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: (a) Com relação ao pedido de conexão “Pela sistemática de apuração definida nos dispositivos acima, o crédito eventualmente gerado em um determinado trimestre não se comunica com os gerados em outros, uma vez que decorrentes de entradas e saídas próprias de cada trimestre. Ademais, a compensação de cada crédito trimestral operase contra débitos específicos, de tal sorte que cada Despacho Decisório deve ser apreciado autonomamente. Contudo, mesmo que autônomos os créditos trimestrais e as respectivas compensações, tratandose de glosas realizadas em relação a mesmo contribuinte e dentro de um mesmo procedimento fiscal, nada mais racional que as manifestações de inconformidade sejam analisadas pela mesma Turma, o que acaba atendendo o objetivo da manifestante no sentido de racionalizar o julgamento. Assim, ainda que não seja possível a anexação dos processos como solicitado, seu julgamento está sendo realizado em conjunto nesta mesma 5ª Turma, sendo adotados os mesmos fundamentos para todos os processos, com as devidas adaptações.” (b) Quanto ao termo inicial para fruição da suspensão das contribuições sociais prevista na Lei Federal 10.925/2004 e a suposta violação à irretroatividade tributária pela aplicação da Instrução Normativa SRF 660/2006 “Em que pese a relevância dos argumentos da manifestante a respeito do tema, arrimado inclusive em decisão do STJ, esta instância administrativa de julgamento não pode deixar de aplicar a vigente IN SRF nº 660/2006 sob o fundamento de que violaria os princípios constitucionais do direito adquirido e da irretroatividade da lei tributária. Primeiro, porque está vinculada às normas administrativas da Receita Federal do Brasil (art. 7º da Portaria MF n.º 58/2006);2 segundo, porque é vedado a este órgão administrativo de julgamento deixar de aplicar lei ou ato normativo em razão de juízo de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26 – A do Decreto nº 70.235/72, prerrogativa essa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.242 11 Somente nas situações excepcionais enumeradas no § 6º do art. 26 – A do Decreto nº 70.235/72 e no art. 19 da Lei nº 10.522/2002 é que esta instâncias administrativas de julgamento pode deixar de aplicar lei ou ato normativo por razões de inconstitucionalidade, em nenhuma das quais se insere o presente caso. (...) Como se verifica nos dispositivos acima, de acordo com o § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, somente vinculam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento as decisões do STF com efeito de repercussão geral e as decisões do STJ em sede de recurso repetitivo (incisos IV e V do caput), reconhecidas como vinculantes por ato do Procurador Geral da Fazenda Nacional. No presente caso, a decisão do STJ aduzida pela manifestante não atende esses pressupostos, razão pela qual não vincula esta instância administrativa de julgamento. Assim sendo, não há como deixar de aplicar a IN SRF nº 660/2006, cabendo concluir que a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase somente às saídas ocorridas a partir de 4 de abril de 2006.” (c) Quanto aos créditos supostamente tomados em duplicidade decorrentes da aquisição de insumos para formação de plantéis “Da leitura dos dispositivos acima, verificase que tanto a aquisição de insumo destinado à fabricação dos produtos para venda, quanto a depreciação de bens do ativo imobilizado geram autonomamente direito de crédito de PIS e Cofins. O creditamento só não se admite nas situações previstas nos §§ 2º e 3º ou se o bem adquirido for contabilizado no ativo imobilizado, o que o descaracteriza como insumo, levando o crédito, em contrapartida, a ser usufruído sob forma de depreciação. No presente caso, os produtos adquiridos para a fabricação da ração destinada aos plantéis não foram contabilizados no ativo imobilizado, muito menos se enquadram nas situações proibitivas previstas no § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 ou desatendem as restrições previstas no § 3º do mesmo dispositivo. Portanto, não vejo razão para considerar que houve creditamento indevido ou em duplicidade. (...) Em face das razões acima expostas e acompanhando a Solução de Consulta invocada, entendo ser procedente a alegação de que não houve creditamento em duplicidade, razão pela qual, voto no sentido de desconstituir a glosa de que trata este item de julgamento.” Do Recurso Voluntário Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2201 e seguintes), que veio a reprisar os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade que restaram não acolhidos pela decisão de primeiro grau; em especial, os seguintes: Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.243 12 (a) Quanto à validade da suspensão das Contribuições ao PIS e a COFINS nas vendas de café, prevista no art. 9º, da Lei Federal 10.925/2004, desde 1º de agosto de 2004. A Turma Julgadora decidiu pela concessão do benefício, tratado no art 9º, da 10.925/04, somente quanto às operações de saída ocorridas após 04.04.2006, sob o fundamento de que estaria vinculada as normas administrativas da RFB, bem como lhe é vedado deixar de aplicar a lei em razão do juízo de inconstitucionalidade. Porém, a Recorrente afirma que não pretende que se reconheça a inconstitucionalidade do referido ato normativo, mas que se considerando o direito adquirido pelo decurso do tempo, seja afastado o disposto na Instrução Normativa SRF 660/2006 para garantir a Recorrente o crédito decorrente da suspensão incidência do PIS e COFINS sobre a venda de café no 1º trimestre/2006. Neste sentido, a Contribuinte defende que promoveu vendas de café com o benefício da suspensão de PIS e COFINS, conforme art. 9º da Lei Federal 10.925/2004. Mas, de acordo com a Fiscalização, o benefício da suspensão somente teria entrado em vigor a partir de 04.04.2006, nos termos do art. 11, I, da Instrução Normativa SRF 660/2006. Diante disso, a Fiscalização utilizou parte do crédito de PIS não cumulativo referente ao 1º trimestre de 2006, pleiteado pela Recorrente, para quitação da contribuição supostamente devida quando da venda de café. Entendimento este mantido pela DRJ: não há como deixar de aplicar a IN SRF nº 660/2006, cabendo concluir que a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase somente às saídas ocorridas a partir de 4 de abril de 2006. Ocorre que a Lei Federal 10.925/04, art. 9º inciso I e parágrafo segundo, não só autorizou a suspensão da incidência do PIS e COFINS sobre a receita bruta de determinados produtos agrícolas, mas também determinou a edição de ato normativo regulamentando a aplicação do benefício da suspensão, que foi feito mediante a publicação da Instrução Normativa 636/2006. Assim, a Instrução Normativa 636/2006 dispõe em seu art. 5º que os efeitos do benefício da venda devem retroagir a 01.08.2004. Ou seja, convalidando todos os atos praticados pelas pessoas jurídicas que se beneficiaram da suspensão das contribuições no período compreendido entre 01.08.2004 e 04.04.2006. Em 25.07.2006, foi publicada a Instrução Normativa SRF 660/2006, que ao revogar a Instrução Normativa SRF 636/2006, estabeleceu que o termo inicial de eficácia da suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS se daria a partir de 04.04.2006, estabelecendo retroação dos seus efeitos, retirando a eficácia da suspensão entre 01.08.04 a 04.04.06 concedida pela Instrução Normativa 636/2006. Quanto a esse ponto, a Recorrente ainda inseriu diversas decisões dessa Corte administrativa e do Superior Tribunal de Justiça com o objetivo de convalidar seus argumentos. Vejamos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.244 13 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROVA. EXPORTAÇÃO. MEMORANDO. IMPOSSIBILIDADE. O documento intitulado “memorando de exportação”, de emissão a cargo de empresas, não constitui instrumento hábil à prova de que efetivamente as mercadorias foram exportadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada. (CARF – 3ª SEÇÃO Acórdão nº 3403003.507 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária – Relator Rosaldo Trevisan – Unânime, Julgado em 28 de janeiro de 2015) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE PIS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.245 14 terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. (CARF – 3ª SEÇÃO 3301002.654 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Relatora Mônica Elisa de Lima– Unânime, Julgado em 20 de março de 2015) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282/STF. CREDITAMENTO SIMULTÂNEO DO CRÉDITO ORDINÁRIO PREVISTO NO ART. 3º, CAPUT, DAS LEIS NN. 10.637/2002 E 10.833/2003 E DO CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004 POR UMA MESMA AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discutese nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática nãocumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. (...) 5. Os arts. 3º, § 3º, I, "a", da IN SRF 636/2006 e 7º, I, da IN SRF 660/2006 condicionaram a existência de crédito presumido à aquisição de produtos com a tributação a título de PIS/PASEP e COFINS suspensa, na forma do art. 9º, da Lei n. 10.925/2004. A necessidade de suspensão da incidência da contribuição na etapa anterior para possibilitar a fruição do crédito presumido não decorre das referidas instruções normativas, mas sim de interpretação sistemática da legislação que rege o creditamento ordinário e presumido. 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n. 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.246 15 COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. (STJ – 2ª Turma REsp 1437568/SC Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 9 de dezembro de 2015). E conclui: Ao aplicar a IN SRF 660/06, o r. acordão recorrido teria, como de fato tem, o dever de perquirir se tal instrumento normativo poderia invalidar atos jurídicos perfeitos e acabados, praticados sob a égide da IN SRF 636/06. Deveria, ainda, interpretar se a aplicação pura e simples da IN SRF 660/06 não conduz a inobservância de outras normas que obrigatoriamente devem ser observadas, dentre elas os arts. 105 e 106 do CTN e os art. 5º, XXXVI, e 150, III, a, da Constituição Federal. Afinal, quando do advento da IN 660/06, o direito de gozar do benefício da suspensão já havia entrado definitivamente no patrimônio da recorrente, uma vez que cumprira os requisitos necessários para a sua fruição. Nesse sentido, com extrema atenção e zelo, tanto para com o dever de aplicar a norma, quanto para o de interpretála corretamente e, principalmente, de interpretála em conformidade com a Constituição Federal, em vários precedentes esse R. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu que, mesmo após a edição de lei posterior em sentido diverso de lei anterior, devem ser respeitados o ato jurídico perfeito e o direito adquirido... Diante da demonstração de que a recorrente faz jus ao benefício da suspensão da incidência do PIS e da COFINS sobre a venda de café, no 1º trimestre do ano calendário de 2006, requer reforma do acordão recorrido para afastar a dedução das referidas contribuições do valor do crédito pleiteado, por meio do PER 12510.60911.290107.1.1.109206, ou, caso mantida a glosa deve ser afastada a multa, juros de mora e atualização monetária aplicadas sobre os débitos não compensados, tendo em vista que o não recolhimento das contribuições decorreu de compensação realizada com respaldo em ato normativo válido e eficaz, conforme incisos I e III e parágrafo único do artigo 100 do CTN; (b) Quanto às demais glosas e à decisão de primeiro grau que entendeu ausentes os elementos previstos no artigo 16, inciso III, do Decreto Federal 70.235/1972 A Recorrente limitouse a protestar com relação à decisão que considerara inepta sua Manifestação de Inconformidade quanto às demais infrações apontadas pela Fiscalização, não apresentando nenhum novo elemento de fato ou direito que viesse a rebater os já trazidos nas etapas anteriores: “Todavia não que se falar em defesa genérica na medida que a recorrente demostra que o creditamento de COFINS para o 1º Trimestre de 2006 esta Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.247 16 plenamente de acordo com o art 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, art 8º, da Lei Federal 10.925/2004 e com o Princípio da não cumulatividade. Diante disso requer a reforma do julgado para que seja integralmente reconhecido o crédito de COFINS referente ao 1º trimestre de 2006.” É o relatório. Voto Conselheiro Relator Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito Diante da parcial reforma do lançamento efetuada pela DRJ, a questão remanescente no presente Recurso limitase a que seja analisada por essa Turma se a Instrução Normativa SRF 660/2006, publicada em 25.07.2006, poderia ter eficácia retroativa ao revogar os dispositivos da Instrução Normativa 636/2006, dandolhe efeitos iniciais desde 1º de agosto de 2004. Essa eficácia retroativa, com efetivo, veio a reduzir a possibilidade de gozo do crédito presumido previsto na Lei 10.925/2004. Decerto, os argumentos de ordem constitucional levantados pelo contribuinte não podem ser analisados por esse tribunal em obediência à Súmula CARF nº 2, de modo que não nos cabe negar a vigência de norma legal sob a alcunha ser inconstitucional. Tampouco é o caso de interpretação conforme, como pretende aduzir a Recorrente, haja vista não subsistir matéria a ser interpretada, mas sim a verificação do efeito da norma no tempo. Por outro lado, vejamos que a matéria da irretroatividade da norma tributária possui um conteúdo alheio às previsões constitucionais, permitindonos avaliar se as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF 660/2006 estão aderentes com o que preconiza o Código Tributário Nacional (CTN). Não é surpresa, ao verificarmos que o artigo 105, do CTN, positivou, em sede infraconstitucional, o principio da irretroatividade da lei tributária, ao dizer que: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.248 17 Da mesma forma, o artigo 106, do CTN, reforça, em redação a contrario sensu, que a lei tributária não pode ter aplicação retroativa para constringir o contribuinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dito isso, analisandose os termos previstos na Instrução Normativa 660/2006, vêse que não há qualquer componente interpretativo, mas sim constitutivo, razão pela qual não há como esse instrumento infra legal venha a ter eficácia desde 1º de Agosto de 2004, sob o risco de subverter o conteúdo dos artigos 105 e 106, do CTN. Negar essa verdade será negar a própria existência da hierarquia de normas do Direito. A comungar desse entendimento, há jurisprudência dessa Corte, assim como do Superior Tribunal de Justiça. Vejamos. CARF – 3ª SEÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE PIS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. (Acórdão 3301002.654 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Relatora Mônica Elisa de Lima – Julgado em 20.03.2015 – Unânime)) Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.249 18 STJ – PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282/STF. CREDITAMENTO SIMULTÂNEO DO CRÉDITO ORDINÁRIO PREVISTO NO ART. 3º, CAPUT, DAS LEIS NN. 10.637/2002 E 10.833/2003 E DO CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004 POR UMA MESMA AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discutese nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática nãocumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. 2. Impossibilidade de conhecimento do recurso especial em relação aos arts. 97, VI, 99 e 111, I, do CTN, uma vez que os referidos dispositivos não foram enfrentados pelo acórdão recorrido. Ausência de prequestionamento. Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 3. O crédito presumido, que corresponde a um percentual do crédito ordinário, trata de benefício fiscal que traduz verdadeira ficção jurídica, daí a denominação "presumido", pois concedido justamente nas hipóteses previstas no art. 3º, §2º, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, onde não é possível dedução de crédito ordinário pela sistemática não cumulativa, v.g., nas aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoa física (caput do art. 8º, da Lei n. 10.925/2004) e aquisições de insumos de pessoas jurídicas em relação às quais a lei suspendeu o pagamento das referidas contribuições (§ 1º do art. 8º, da Lei n. 10.925/2004). 4. O crédito presumido é benefício fiscal cujo objetivo é aliviar a cumulatividade nas situações onde não foi possível eliminala pela concessão do crédito ordinário. Desse modo, salvo disposição legal expressa, uma mesma aquisição não pode gerar dois creditamentos simultâneos para o mesmo tributo a título de crédito presumido e crédito ordinário, sob pena de ser concedida desoneração para além da nãocumulatividade própria dos tributos em exame. 5. Os arts. 3º, § 3º, I, "a", da IN SRF 636/2006 e 7º, I, da IN SRF 660/2006 condicionaram a existência de crédito presumido à aquisição de produtos com a tributação a título de PIS/PASEP e COFINS suspensa, na forma do art. 9º, da Lei n. 10.925/2004. A necessidade de suspensão da incidência da contribuição na etapa anterior para possibilitar a fruição do crédito presumido não decorre das referidas instruções normativas, mas sim de interpretação sistemática da legislação que rege o creditamento ordinário e presumido. Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.250 19 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n. 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. 9. Tendo em vista que o acórdão recorrido reconheceu equivocadamente ao contribuinte o direito ao crédito ordinário pela sistemática não cumulativa no período de 1º/8/2004 a 4/4/2006, não é possível a esta Corte, à mingua de recurso da FAZENDA NACIONAL, afastar o acórdão no ponto, sob pena de incorrer em reformatio in pejus. 10. Por outro lado, uma interpretação sistemática da legislação, bem como os princípios da razoabilidade e moralidade não permitem a esta Corte conceder cumulativamente o crédito parcial (crédito presumido) onde já foi equivocadamente reconhecido o crédito total (crédito ordinário) ao contribuinte. 11. Portanto, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito ao aproveitamento de créditos presumidos na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 no período de 1º/8/2004 a 4/4/2006 somente em relação às aquisições não abrangidas pelo creditamento ordinário de PIS e COFINS pela sistemática nãocumulativa. 12. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (Segunda Turma – Resp 1.437.568 SC – Relator Ministro Mauro Campbell Marques – julgado em 1º.12.2015 Unânime) Não somente isso, mas admitindose que cabe a Lei – stricto sensu – estabelecer o fato gerador da obrigação tributária, incluindo os seus elementos constitutivos, como a base de cálculo, bem como as suas isenções e demais benefícios fiscais, observo que a Lei Federal 10.925, estabeleceu o termo inicial para a fruição da suspensão prevista no artigo 9º, desde 1º de agosto de 2004: Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.251 20 Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. §1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. §2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Não há como negar que a Lei introdutória do direito ao crédito presumido concedeuo desde o período gozado pelo Recorrente, não havendo nem possibilidade de se entender que o parágrafo 2º teria condicionado a eficácia à prévia regulamentação pela Receita Federal; isto porque: (i) não há qualquer menção condicional expressa no aludido parágrafo segundo, ainda que possa criar um óbice prático, mas temporal, ao contribuinte; para que a fruição se dê somente a partir da regulamentação da RFB (ii) não cabe à parte normativa da lei dispor sobre sua vigência, eis que tal incumbência deve ser cumprida pela parte final da legislação, tal como preconiza o artigo 3º1, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, conforme determina o parágrafo único, do art. 59, da Constituição Federal. 1CAPÍTULO II DAS TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO, REDAÇÃO E ALTERAÇÃO DAS LEIS Seção I Da Estruturação das Leis Art. 3º A lei será estruturada em três partes básicas: I parte preliminar, compreendendo a epígrafe, a ementa, o preâmbulo, o enunciado do objeto e a indicação do âmbito de aplicação das disposições normativas; II parte normativa, compreendendo o texto das normas de conteúdo substantivo relacionadas com a matéria regulada; III parte final, compreendendo as disposições pertinentes às medidas necessárias à implementação das normas de conteúdo substantivo, às disposições transitórias, se for o caso, a cláusula de vigência e a cláusula de revogação, quando couber. Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.252 21 Esse último argumento, levantado de ofício em meu voto, não foi acompanhado pela turma, que entendeu que o artigo 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela RFB. Por fim, quanto às demais glosas efetuadas pela fiscalização, em qualquer momento, a Recorrente se esmerou comprovar as razões para a apropriação de créditos da contribuição social, de modo que não há como reconhecêlos como decorrência de absoluta carência probatória. Das Conclusões Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento. Relator Tiago Guerra Machado Relator Fl. 2252DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000180/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
Anocalendário:
2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO
DE NOTAS FISCAIS.
Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase,
por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e
efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo para o contribuinte, que pode refutála
mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA.
Tratando-se de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte
àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário: 2003, 2004
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO.
Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-000.355
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 461DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 2 2 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (Assinado digitalmente) MAURICIO PEREIRA FARO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias (VicePresidente) Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Fl. 462DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 3 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão que julgou procedente o lançamento tributário. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 113/134, que se prestaram a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e respectivos consectários legais, relativos aos período compreendidos nos anos de 2003 e 2004, apurados em decorrência da constatação de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origens não comprovadas. Essas constatações implicaram no lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, objeto do processo n° 10932.000167/200879 crédito tributário lançado totalizou R$ 23.890.876,95 (vinte e três milhões e oitocentos e noventa mil e oitocentos e setenta e seis reais e noventa e cinco centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrados o seguinte auto de infração: I — Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) — fls. 113/134. Imposto: R$ 10.135.788,68 Juros de mora: R$ 6.153.246,83 Multa proporcional: R$ 7.601.841,44 Total: R$ 23.890.876,95 Enquadramento legal: artigos 24, inciso II; 34, inciso II; 122; 123, inciso I, alínea "6" e inciso II, alínea "c"; 127; 130; 131, inciso II; 199; 200, inciso IV; 202, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado com o decreto n° 4.544/02, de 26 de dezembro de 2002 (RIP1/02); art. 108 da Lei n°4.502/64. A ação fiscal foi realizada sob a determinação dos Mandados de Procedimentos Fiscal (MPF) ns° 08.1.19.002006007779 e 08.1.19.002008008667, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São Bernardo do campo, em 04/10/2006 e 23/07/2008 (fl. 2 e 3), com vistas a fiscalização de IRPJ e IPI nos anos de 2002 a 2004. A ciência do MPF, juntamente com o Termo de Início da Fiscalização, deuse em 05/10/06 por meio de ciência pessoal, sendo a fiscalizada intimada a apresentar "todos os livros contábeis e fiscais com escrituração relativa aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004; balanços analíticos e demais demonstrações financeiras referentes aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004; Contrato Social e últimas alterações contratuais" (fl. 4). Fl. 463DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 4 4 Em continuidade da ação fiscal, foram apresentadas: Intimação fiscal datada em 31/10/2006 (fl. 32) intimando a apresentação de livros fiscais e arquivos magnético com lançamentos contábeis/fiscais na estrutura prevista na Portaria Cofis n°13, de 28/12/1995 e Ato Declaratório Cofis n°15, de 23/10/2001. Intimação fiscal 02 datada em 07/03/2007 (fl. 35), intimando novamente a apresentação dos arquivos de lançamentos contábeis/fiscais, tendo em vista impossibilidade de leitura dos anteriores entregues. Termo de Prosseguimento da ação fiscal 01 datado em 07/05/2007(fl. 38), para retirada de 4 (quatro) CDs que diz conter arquivos digitais relativos aos anos calendários de 2002 a 2005. Termo de Prosseguimento da ação fiscal 02 datado em 06/07/2007 (fl. 39), para retirada de cópias de balanços patrimoniais dos anos calendários de 2001 a 2006 e 1 (um) CDs que diz conter arquivos digitais relativos ao relativos ao ano calendário de 2006. Termo de Retenção datado em 11/09/2007 (fl. 40), para retenção de 1 (um) livro razão analítico referente a janeiro/2002. Intimação fiscal 03 datada em 12/09/2007 (fl. 41), intimando a apresentar extratos bancários de todas as contas correntes movimentadas, comprobatórios dos lançamentos contábeis efetuados nos anos de 2002 a 2004. Intimação fiscal 04 datada em 25/02/2008 (fl. 45/57), intimando a contribuinte, bem como o sócio Sr. Nelson Boainaim a apresentar "documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos supridos pelo sócio mencionado, os quais estão relacionados no demonstrativo anexo". Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado em 29/02/2008 (fl. 58), constatando: "a) O contribuinte apresentou, em reposta à Intimação Fiscal 04, extratos bancários das contas movimentada no período de 2002 a 2004, cujos valores conferem com seus registros contábeis; b) Entretanto, os montantes mensais declarados pelas instituições financeiras, calculados com base nas parcelas de CPMF, divergem dos correspondentes valores lançados. Desta forma, INTIMO o contribuinte acima identificado, a apresentar no prazo de 5 (cinco) dias úteis contados da ciência deste, os extratos bancários de contas faltantes." Termo de Prorrogação de Prazo datado em 06/03/2008(fl. 61), prorrogando o prazo para atendimento da Intimação Fiscal 04 Fl. 464DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 5 5 para o dia 08/04/2008 e para o dia 13/03/2008 a apresentação de extratos bancários de contas faltantes intimada no Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado em 29/02/2008. Em 08/04/08 é apresentada reposta pela fiscalizada ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado em 29/02/2008: "Temos a informálo de que após levantamento em nossos arquivos, constatouse que não possuímos qualquer outro documento a não ser aqueles já entregues em cumprimento daquela intimação (04)." Na mesma data solicita nova prorrogação de prazo para atendimento da Intimação fiscal 04 datada em 25/02/2008. Diante do não fornecimento pelo contribuinte dos extratos bancários solicitados em intimação, a autoridade fiscal decidiu pela necessidade de obtêlos diretamente junto às instituições financeiras que administravam as contas bancárias da fiscalizada, por meio da emissão de Requisições de Movimentação Financeira (RMFs) para os seguintes Bancos: Banco Industrial e Comercial S/A (fl. 67), Banco do Estado de São Paulo S/A – Banespa (11.68), Banco Bradesco S/A (fl. 69). Em atenção às RMFs, as respectivas instituições apresentaram os extratos solicitados, conforme respostas de folhas 71 a 76. Diante dos documentos apresentados pelas instituições financeiras, a autoridade fiscal consolidou os montantes mensais dos depósitos bancários, lavrando Termo de Intimação Fiscal 05 em 10/06/2008 (fls. 77/91) em que intima a fiscalizada a apresentar: "Documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos utilizados relativos a valores creditados por estabelecimentos bancários conforme demonstrativo anexo, no montante de R$ 101.357.887,64. Obs: Estes valores relacionados foram transcritos de extratos bancários não contabilizados pelo contribuinte, obtidos junto às instituições financeiras." Após todos procedimentos fiscais acima relatados, a autoridade fiscal lavrou autos de infração de fls. 113/134, juntamente com Termo de Verificação e Constatação Fiscal com ciência à fiscalizada em 31/07/2008 (fl. 94/112), em que verifica e constata os fatos adiante mencionados: "Através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) junto às instituições financeiras, foram obtidos extratos bancários de contas movimentadas pela fiscalizada, cujas operações não foram escrituradas, consistindo assim, forte indício da prática de omissão de receitas. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 6 6 O contribuinte não apresentou qualquer documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados, relativos às parcelas creditadas nas referidas contas bancárias, não afastando, portanto, a presunção de omissão do registro de receitas. Desta forma, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica — 1RPJ e as contribuições, foram lançados de oficio com base naqueles valores de origem incomprovada, ocorridos nos anos de 2003 e 2004. citada exigência originou o Processo n° 13819.0001671200879, cujas cópias de suas principais peças estão aqui juntadas Fls. 02/91. O Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI decorrente, será lançado de oficio, com base nas receitas consideradas vendas não registradas, conforme demonstrativos Valores Creditados e Base de Cálculo do IPI anexados, os quais fazem parte integrante deste instrumento. Na forma do artigo 108 da Lei n° 4.502/64, o imposto será calculado sobre o valor da receita omitida, à alíquota de 10% (dez por cento), que corresponde ao produto sob a classificação fiscal 3814.00.00, com maior alíquota entre os produtos saídos do estabelecimento nos períodos compreendidos nos anos de 2003 e 2004." Cientificada do lançamento em 31/07/2008, através de ciência pessoal do seu Diretor Presidente, Nelson Boainain, conforme auto de infração, a interessada, por suas advogadas e procuradoras, ingressou, em 29/08/2008, com peça impugnatória de fls. 138/196 e documentação anexa de fls. 197/249, sendo esta referente a procuração e documentação pessoal das advogadas e representante legal do contribuinte (fls. 197/200), 27° alteração do contrato social da contribuinte (fls. 203/221), auto de infração, termo de verificação e constatação fiscal, termo de encerramento (fls. 222/249 — mesmos constates do lançamento), alegando, em suma: Primeiramente a advogada e procuradora da impugnante solicita receber "todas as intimações e notificações referentes ao presente processo em seu escritório". DOS FATOS Relata o procedimento fiscal, informando que a fiscalização requisitou informações sobre a movimentação financeira do contribuinte (RMF) junto As instituições financeiras e em face dos extratos bancários obtidos de "contas que teriam sido movimentadas pela impugnante, com o que teria sido contatada a existência de contas que não teriam as respectivas operações contabilizadas" lavra por "suposições, indícios e presunções Autos de Infração de IRPJ/Lucro Real, PIS, COFINS e CSLL. Partindo da mesmas premissas faz o lançamento do IPI com base nas receitas que teriam sido consideras vendas não registradas. DAS RAZÕES DE DEFESA Fl. 466DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 7 7 DA DECADÊNCIA Alega e requer a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento do imposto sobre produtos industrializados, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 4°, com relação aos fatos geradores anteriores ao decêndio de 20/07/2003 à 31/07/2003, "uma vez que foi notificada do lançamento apenas em 31/07/2008". Discorre e apresenta doutrina e jurisprudência buscando fundamentar a sujeição do IPI ao lançamento por homologação, bem como aplicação da regra de decadência prevista no art. 150, § 4° do CTN. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Requer declarar a nulidade do procedimento fiscal e conseqüente lançamento por cerceamento do direito de defesa, alegando ter a fiscalização considerado extratos bancários obtidos unilateralmente, "sem conhecimento prévio da impugnante e sem que tenha feito qualquer investigação fiscalizatória nos documentos contábeis da mesma, relativas à saída de produtos industrializados'. Questiona que a fundamentação legal trazida no auto de infração não tipifica a presunção legal utilizada como prática de omissão de receitas, entendendo que inexiste esta na apuração do IPI, situação que teria ensejado o cerceando o direito de defesa da impugnante. Entende que a autoridade lançadora deveria ter buscado outros elementos para apuração da saída dos produtos industrializados, discorrendo que o art. 108 da Lei n° 4.502/64 exige levantamento mais amplo e completo, inclusive com auditoria de produção. Citado procedimento haveria ferido os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa, do devido processo legal e da busca da verdade material. DO MÉRITO Alega que a fiscalização lançou com base exclusivamente em depósitos bancários, "considerados como de origem não comprovada e, que por presunção tais receitas teriam sido decorrentes de vendas não registradas". Discorre que a previsão de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei 9.430/96 somente seria fundamento para "constituição de crédito tributário de IRPJ e autuações reflexas, que tenham relação direta com a base de cálculo e o fato gerador do mesmo". Discorre que o fato gerador do IPI restringese exclusivamente às hipóteses enumeradas no artigo 46 do CTN e nos artigos 34 e 35 do AIPI, nela não se enquadrando o caso concreto objeto destes autos, não podendo a autoridade lançadora ampliar a base de incidência do tributo. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 8 8 Questiona a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da lei 9.430196, por não haver nexo de causalidade entre o depósito bancário e o rendimento omitido, trazendo doutrina e jurisprudência que busca fundamentar sua argumentação jurídica. Argumenta que "o Regulamento do IPI prevê apenas a hipótese de arbitramento do valor tributável (artigos 138 e seguintes do Decreto n°4544/2002) que contém certos requisitos, que sequer foram observados pelo auditor fiscal autuante." Conclui pela necessidade de anulação do lançamento pela ausência de investigação pelo Autoridade Fiscal quanto ao fato gerador do IPI. DA PRESUNÇÃO Discorre novamente quanto ao lançamento baseado em extratos bancários e presunção legal, alegando o dever da administração de demonstrar o nexo de causalidade e da impropriedade da utilização de presunções sem a devida fundamentação em provas contundentes da ocorrência do fato gerador do IPI, que prevê a apuração de elementos subsidiários para apuração do imposto. Dispõe que compete ao autor o ônus da prova, não cabendo ao contribuinte este ônus mas sim a autoridade lançadora, que deverá revestir o lançamento dos meios de prova que fundamentam a ocorrência do fato gerador. Questiona a validade constitucional e em face da norma complementar — CTN da utilização da presunção no direito tributário, em especial pela afronta aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada, da interpretação mais favorável ao contribuinte. Resume que "o auto foi lavrado unicamente em presunções vazias e desprovidas de qualquer fundamento em fatos concretos." DA AUSÊNCIA DE PROVAS Repisa que a fiscalização não provou a ocorrência do fato gerador do imposto lançado, discorrendo quanto ao fato gerador do IPI previstos no artigo 46 do CTN, devendo o procedimento fiscal aterse ao disposto nos artigos 114 e 142 do CTN, procedendo investigação para provar a ocorrência do fato gerador e não apenas se baseando em presunção. DO PEDIDO Conclui a impugnação requerendo "sejam acolhidas as preliminares argüidas, notadamente que seja reconhecida e declarada a decadência dos fatos geradores anteriores ao Fl. 468DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 9 9 decêndio de 20107/2003 à 31/07/2003, nos termos do artigo 150,§ 4° do CTN. Sucessivamente, requer o cancelamento do lançamento do presente processo e arquivamento deste, por entender ilegal e por todas considerações efetuadas. Analisando a controvérsia entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 10 10 A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. Lançamento Procedente Em face do precitado acórdão interpôs o Recorrente o recurso voluntário ora analisado reiterando os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório Voto Antes de adentrar o mérito da controvérsia fazse necessário analisar as preliminares argüidas acerca da decadência de parte do crédito tributário constituído e do cerceamento de defesa ao qual teria se submetido à Recorrente. DA DECADÊNCIA Sustenta a recorrente que, como a notificação do auto de infração ora discutido ocorreu em 31.07.2008, os fatos geradores anteriores a julho de 2003 teriam sofrido os efeitos da decadência em razão do que dispõe o artigo 150, § 4º do CTN. O precitado argumento foi afastado pelo órgão julgador a quo sob o fundamento de que no presente caso, em razão da inexistência de pagamento por parte da Recorrente, não haveria ocorrido antecipação do tributo, sendo portanto aplicado o dispositivo previsto no artigo 173, I, do CTN. No presente caso a Recorrente se absteve, tanto na impugnação como no recurso voluntário, de demonstrar a existência de pagamento parcial do tributo discutido, o que justificaria o reconhecimento parcial da decadência em razão da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Conforme indicado no r. acórdão recorrido, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§ 4º do CTN somente se aplica nos casos onde tenha havido pagamento a menor, em textual: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos Fl. 470DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 11 11 tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, 1, do Código Tributário Nacional (...) [grifas acrescidos] Desta forma, a análise do lançamento em apreço demonstra não haver razão à Recorrente, pois se trata de lançamentos relativos aos anos anocalendário de 2003 e 2004, em que o contribuinte não efetuou qualquer pagamento de tributos lançados relativos aos fatos geradores daquele período. Neste caso, o prazo decadencial a ser considerado é aquele estatuído no art. 173, inc. I, do CTN, não sendo sequer necessário considerar, no caso concreto, a eventual ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Destarte, como o termo inicial foi o dia 01/01/2004 (para os fatos geradores mais remotos, de 2003) e o termo final da decadência em 31/12/2008, não há que se reconhecer o pleito de decadência de um lançamento consolidado no lustro legal, haja vista que a ciência ocorreu em 31/07/2008. OFENSA AO CONCEITO DE RENDA INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Sobre o argumento de que a tributação efetuada desvirtuou o conceito de renda, com ofensa constitucional e legal (CTN), cabe esclarecer que a autoridade administrativa não tem competência para analisar questões de inconstitucionalidade e ilegalidade, sendo esta competência atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102. Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta a Recorrente que seu direito de defesa teria sido violado em razão da obtenção unilateral dos extratos bancários e pela falta de investigação fiscalizatória em seus documentos contábeis. Todavia, abstevese a Recorrente, tanto na impugnação como no recurso ora analisado, de comprovar que as referidas contas não eram de sua titularidade, tampouco produziu prova para refutar a origem dos recursos depositados nas mesmas. Quanto a obtenção unilateral dos extratos bancários, tal ocorreu nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, devido a incompatibilidade entre os montantes mensais declarados pelas instituições financeiras e os escriturados pelo contribuinte, após reposta pelo contribuinte de não possuir qualquer outro documento para comprovar referida divergência (fl. 70). Desta forma, o procedimento fiscal não feriu os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa, do devido processo legal e da busca da verdade material, pois seguiu o trâmite legal, bem como oportunizou a apresentação de documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos utilizados. DO MÉRITO Fl. 471DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 12 12 Não obstante os termos do acórdão proferido pelo órgão julgador a quo o Recorrente se limitou a apresentar no recurso ora analisado os mesmos argumentos genéricos que haviam sido ventilados na impugnação. Todavia, a exemplo do que ocorreu no curso do Procedimento Fiscal e no auto de infração, se absteve o contribuinte, mais uma vez, de trazer argumentos e provas que possibilitassem infirmar a omissão de receita, ou ao menos comprovar a existência de empréstimos e transferências de numerário entre contas de mesma titularidade Verificase que a Recorrente foi intimada, durante a ação fiscal, a comprovar a efetividade das operações correspondentes aos registros em contascorrentes omitidas da escrituração pelo contribuinte, não tendo apresentado naquela ocasião qualquer comprovação da origem dos créditos. Tampouco na fase impugnatória, na qual apenas trouxe as alegações genéricas acima relacionadas, sem anexar ao processo qualquer prova do alegado. Nessa ordem de idéias, o lançamento referente ao IPI, relativo aos períodos compreendidos nos anos de 2003 e 2004 é decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. O art. 108 da Lei n°4.502 de 1.964 que trata da omissão de receitas, principalmente no que pertine ao § 2°, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1°) como insumos (auditoria de produção ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. Art . 108. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção o correspondente pagamento do imposto de consumo dos estabelecimentos industriais, o valor ou quantidade da matériaprima ou secundária adquirida e empregada na industrialização dos produtos, o das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo da produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas ou secundárias. § I° Apurada qualquer diferença, será exigido o respectivo imposto de consumo, que, no caso, de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas diversas, será calculado com base na mais elevada quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do contribuinte. § 2° Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, será sobre elas, exigido o imposto de consumo, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Registrese que na ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2°). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1° da norma regulamentar em comentário. No processo relativo ao IRPJ, conforme acórdão de fls. 301/313, considerou se procedente o lançamento, no que se refere à acusação de omissão de receitas. Fl. 472DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 13 13 Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, restou mantida a totalidade da exação com reflexo no campo do IPI. Dessa forma, resta caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Nesse sentido, já se manifestou o Antigo Conselho de Contribuintes, em textual: Processo n° 10909.002559/200606 Recurso n° 164.716 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS Ex(s): 2002, 2004 e 2005 Acórdão n° 10323.529 Sessão de 13 de agosto de 2008 Recorrente UNO INDUSTRIAL LTDA. Recorrida 5" DRJRIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2001, 2003 e 2004. Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentálos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS COFINS CSLL — IPI. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima elação de causa e efeito que os vincula. Ante o exposto, afasto as preliminares de cerceamento de defesa e a decadência suscitada e no mérito nego provimento ao recurso, mantendo integralmente o crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Fl. 473DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 14 14 Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 474DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10880.919919/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
Numero da decisão: 1301-002.709
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
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W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 106DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 15504.730774/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 30 77 4/ 20 13 -9 8 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Nesta oportunidade, por bem descrever a matéria tratada nos presentes autos, adoto o relatório produzido pela respeitável decisão recorrida, apresentado nos termos seguintes: Os lançamentos fiscais constantes deste processo foram lavrados em ação fiscal, da qual resultaram os seguintes lançamentos (identificados pelo “DEBCAD”), incluídos nos respectivos processos (identificados pelo “COMPROT”): COMPROT DEBCAD OBJETO PERÍODO 15504.730774/201398 37.382.5684 37.382.5692 Contribuições previdenciárias a cargo do empregador. Contribuições previdenciárias do segurado empregado, arrecadadas pelo empregador Jan. a dez. 2008 Jan. a dez. 2008 15504.730775/201332 37.382.5706 Contribuições para terceiros/outras entidades. Jan. a dez. 2008 51.044.0673 Descumprimento de obrigação tributária acessória: deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas legais aplicáveis. 51.044.0681 Descumprimento de obrigação tributária acessória: deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais. 15504.730776/201387 51.044.0690 Descumprimento de obrigação tributária acessória: apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. Out. 2013 Para facilitar a consulta, foi elaborado o seguinte quadro, no qual são informados os documentos e as respectivas folhas dos autos onde se encontram: Fl. 697DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 4 3 DOCUMENTOS FOLHAS DOS AUTOS Relatório Fiscal 19/35 Planilhas demonstrativas 36/116 Cópias de GFIP 117/132 Impugnação 468/512 513/517 518/522 37.382.5684 3/9 544/547 552/568 37.382.5692 10/16 548/551 552/568 Reclamatórias trabalhistas 133/146 Relatório de Vínculos 188 Contratos, notas fiscais e documentos de controle de prestação de serviços* 202/442 (*) – Os documentos de controle, cujas cópias se encontram nos autos denominamse “controle mensal de OEST” e “apropriação de horas”. Os lançamentos fiscais foram efetivados para constituir créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias sobre valores pagos pelo Contribuinte a prestadores de serviços, formalmente constituídos como pessoas jurídicas (doravante designadas apenas “PJ”), mas cujos serviços a Fiscalização caracterizou como realizados por pessoas físicas (doravante designadas como “PF”), com as quais considerou que, na realidade, o Contribuinte mantinha relação empregatícia, conforme relata (não tendo sido os respectivos valores declarados em GFIP): 5.1.1 A SEI Consultoria de Projetos Ltda, doravante denominada SEI Consultoria, contrata diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), quando deveria registrálas como seus empregados de acordo com a legislação pertinente. 5.1.2 Constatouse que, a SEI Consultoria incorreu em uma sistemática irregular de contratação de diversos empregados – profissionais de áreas diversas. Esta pactuação se deu por meio de Contratos de Prestação de Serviços celebrados com aqueles profissionais figurando como empresários (sócios das pessoas jurídicas). 5.1.3 A relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de diversos elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, não eventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº 8.212/91 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”: (...) 5.1.12.2 Na ação fiscal e através dos elementos deste relatório, restou comprovado que a SEI Consultoria, contratou trabalhadores mediante remuneração, para realização dos serviços permanentes da empresa, com atribuições estabelecidas em contratos de prestação de serviços que importam em pessoalidade e subordinação no exercício das atividades, além de exigir o comprometimento profissional da pessoa física e não da pessoa jurídica. As fontes, com base nas quais a Fiscalização firmou entendimento da caracterização dos vínculos empregatícios, são as seguintes, conforme também relata: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 5 4 5.1.6 Para a constatação dos fatos geradores foram examinados os seguintes documentos e elementos, cujas cópias, quando o caso, estão anexadas a este processo fiscal: ∙ Contratos de Prestação de Serviços; ∙ Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP extraídos dos Sistemas Internos de Informatização da Receita Federal do Brasil – RFB; ∙ Contrato Social da SEI Consultoria; ∙ Lançamentos contábeis extraídos do Manual de Arquivos Digitais – MANAD, disponibilizado pela empresa mediante Termo de Intimação Fiscal; ∙ Notas Fiscais dos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços e respectivas Ordens de Execução de Serviços de Terceiros – OEST (Ordens de Serviço) e Relatório de Apropriação de Horas; ∙ Atas de audiência de Julgamentos de Ações Trabalhistas. Quanto aos contratos de prestação de serviços firmados com as PJ, cujos sóciosgerentes foram considerados empregados do Contribuinte, a Fiscalização ressalva: 5.1.7.1 O conteúdo dos contratos mostrase idêntico e padronizado, obedecendo a um padrão prédefinido, sendo alterados apenas os dados da empresa contratada e o objeto do Contrato, onde são descritos os serviços prestados, o período de vigência e valores da remuneração pactuada. As demais cláusulas: Condições de Pagamento, Obrigações das Partes, Disposições Gerais, Rescisão e Foro são comuns a todos os contratos. 5.1.7.1.2 No que se refere à “Cláusula Primeira – Objeto”, os contratos possuem como objeto a prestação de serviços nas áreas de Projetos de Engenharia diversos, Projetos de Instrumentação, Gerências e Planejamento em geral, Coordenação de Projetos, e Elaboração de Desenhos Técnicos e Projetos de Engenharia, dentre outros. Para demonstrar a afinidade entre as atividades contratadas e o próprio objeto social do Contribuinte, acrescenta: 5.1.7.2 A SEI Consultoria é uma pessoa jurídica de direito privado que, conforme destacado na Cláusula Quarta de seu Contrato Social, tem como Objeto a “prestação de serviços na área de óleo e gás, serviços técnicos de consultoria e de engenharia de projetos, abrangendo a execução de projetos conceituais, básicos e de detalhamento nas disciplinas civil, elétrica, instrumentação, estrutura metálica, mecânica e tubulação, serviços técnicos de engenharia de gerenciamento de planejamento e fiscalização de obras civis e montagens industriais.” 5.1.7.3 Como se vê, os trabalhos executados pelos contratados se inserem na atividade proposta como um o objeto da SEI Consultoria. A não eventualidade diz respeito à contratação de serviços relacionados Fl. 699DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 6 5 com a atividade fim da empresa contratante. Diz respeito à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional, inerente àquela a que se propõe executar seu contratante, bem como da necessidade permanente desta relação. 5.1.7.4 As funções exercidas pelos contratados estão ligadas à atividade da SEI Consultoria: a consultoria e engenharia de projetos. 5.1.7.5 Como já dito anteriormente, a não eventualidade diz respeito também à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional, idêntica àquela a que se propõe executar seu contratante, bem como da necessidade permanente desta relação. A Fiscalização aduz que, além da contratação de serviços diretamente relacionados com suas atividadesfim, o Contribuinte foi além: contratou PJ para realizar até mesmo serviços “de áreas típicas de uma organização empresarial: Gerência Financeira, Gerência de Suprimentos, Coordenação de Contratos, Coordenação Geral do Escritório do Rio de Janeiro, Supervisão de Informática e Área Comercial, dentre outros”. Quanto à “não eventualidade” a Fiscalização ressalva que a vigência dos contratos eram na prática por prazo indeterminado, característica típica da relação de emprego e das situações em que os serviços eram permanentemente necessários. Em relação ao requisito da “subordinação”, como caracterizador da relação de emprego, a Fiscalização ressalva (transcrevendo parte dos contratos padrões): 5.1.7.8 Seguindo a análise do objeto dos contratos de prestação de serviço, a subordinação imposta aos contratados fica transparente na medida em que, os contratos, apesar de individualizados (existe um para cada trabalhador), tratam com pluralidade todos os prestadores de serviços simultaneamente, subordinandoos pelo geral por um único comando. 5.1.7.9 Ficou demonstrado o caráter de subordinação imposto pela SEI Consultoria aos seus prestadores de serviços em diversos itens registrados naqueles contratos. 5.1.7.10 É determinação da SEI Consultoria nos referidos documentos a obrigação, por parte dos prestadores de serviços, de seguir os requisitos de controle de processo de execução ditados pelas normas vinculadas ao Sistema da Qualidade da SEI. Tais requisitos requerem medidas quanto à pessoal, metodologia de trabalho, hardware/software, verificação da qualidade e outras que assegurem o bom desempenho dos serviços, não deixando ao contratado qualquer possibilidade de autonomia na gestão dos serviços prestados: (...) 5.1.7.11 Na leitura dos contratos deparase ainda com outra situação típica da relação empregadorempregado: o prestador de serviços deverá, por exigência da SEI Consultoria, renunciar a todos os direitos relativos aos serviços executados. Ainda, quanto à “subordinação”, destaca a Fiscalização: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 7 6 5.1.8 Outra característica da subordinação é o controle das horas trabalhadas visualizadas nos relatórios “Ordem de Execução de Serviços de Terceiros – OEST” e “Apropriação de Horas”, que permitem a identificação de um regime de horas trabalhadas para medir o serviço do trabalhador, o que impõe o caráter diretivo da autuada, excluindo do prestador de serviço o controle, domínio e autonomia sobre seu ofício. 5.1.8.1 Estes relatórios, que por amostragem fazem parte do Processo Fiscal juntamente com as respectivas Notas Fiscais, identificam as atividades desenvolvidas pelo trabalhador durante o mês trabalhado e incluem, dentre outras, “Faltas Compensáveis” (código G14) e “Atrasos e Saídas Abonadas” (código G12). 5.1.8.2 Estas atividades estão discriminadas na planilha “Anexo I Lista das Atividades”, que também integra este Processo Fiscal. Nela foram encontradas outras situações específicas de segurados empregados, tais como (...). Na sequência, informa códigos e descrição das rubricas: 1. G 16 – Licença Maternidade – PJ. 2. G 07 – Férias. 3. G 05 – Faltas Legais. Quanto ao requisito da “pessoalidade”, a Fiscalização destaca: 5.1.9 A pessoalidade na relação “SEI Consultoria – Prestador de Serviços” se comprova na medida em que se exige que o contratado não possa ceder ou transferir a terceiros os direitos e obrigações pactuados, sem o prévio consentimento da contratante. (...). 5.1.9.1 A pessoalidade também está evidente quando se examina relatórios “Ordem de Execução de Serviços de Terceiros – OEST” e “Apropriação de Horas” acima transcritos. ∙ O relatório “Ordem de Execução de Serviços de Terceiros – OEST” individualiza o prestador de serviço e identifica o total das horas trabalhadas e o valor de sua remuneração. ∙ O relatório “Apropriação de Horas” identifica o trabalhador vinculandoo à empresa, ao mesmo tempo em que detalha as horas trabalhadas nas diversas atividades elencadas na citada planilha “Lista de Atividades”. Acrescenta que as constatações são reforçadas pelas reclamatórias trabalhistas, das quais junta cópia das atas das audiências de julgamento, e destaca: 5.1.10.1 Naqueles documentos, cujas cópias integram este Processo Fiscal, os reclamantes pleiteavam o vínculo empregatício com a SEI Consultoria alegando que, foram contratados na forma de pessoa jurídica e, no entanto, Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 8 7 trabalharam para a mesma com os requisitos da relação de emprego, sendo firmados fraudulentos contratos de prestação de serviços, visando simular uma relação econômica de natureza civil, como se reproduz: (...). 5.1.10.2 Como se comprova, no conteúdo destas atas deparase com elementos que demonstram, de forma plena, a prática irregular adotada pela autuada. Evidenciase a sistemática irregular de contratação de empregados. 5.1.11 Outra prática da SEI CONSULTORIA comprovando a irregularidade aqui tratada e mencionada nas reclamatórias trabalhistas referese ao fato de que várias destas prestadoras de serviços (pessoas jurídicas) são originárias de trabalhadores que foram empregados da empresa. 5.1.11.1 Ou seja, pessoas físicas regularmente contratadas pela SEI CONSULTORIA como seus empregados foram transformadas em pessoas jurídicas e prosseguiram em sua relação de emprego com aquela entidade. 5.1.11.2 Este costume foi detectado mediante exame, nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP declaradas pelo contribuinte no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007. 5.1.11.3 Alguns dos empregados identificados nesta condição estão relacionados no “Anexo II – Empregados PJ em GFIP”. Informa que as remunerações lançadas foram extraídas dos registros contábeis: 5.1.13 Os valores das remunerações foram apurados indiretamente por meio da análise de lançamentos contábeis havidos nas contas “Serviços Prestados – PJ” – código 31030001 (Custos de Serviços Prestados) e “Serviços Prestados – PJ” código 32030001 (Despesas Administrativas). 5.1.13.1 Estes valores foram confirmados, por amostragem, mediante conciliação com Notas Fiscais emitidas pelos prestadores de serviços. 5.1.14 Integram este Relatório Fiscal as planilhas: ∙ “Anexo III – Relação de Prestadoras e Responsáveis”, que contém os nomes das prestadoras de serviços e os respectivos responsáveis, considerados empregados da SEI Consultoria; ∙ “Anexo IV – Empregados Contratados como PJ”, onde estão informados os empregados com as respectivas remunerações, contribuições de segurados e competências. 5.1.15 Os vínculos entre as prestadoras de serviços e seus respectivos responsáveis foram obtidos de relação encaminhada Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 9 8 pela autuada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal – TIF 03. 6 Todos os fatos e valores aqui mencionados foram apurados mediante exame de lançamentos contábeis extraídos de arquivo em meio digital no formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, cujo recibo de entrega é integrante deste processo, além de outros documentos expressamente citados. Finalmente, noticia a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), para os devidos fins e efeitos legais: 16 Formalizouse processo de “Representação Fiscal Para Fins Penais”, tendo em vista que foram constatados fatos que, “em tese”, configuram crimes contra a Seguridade Social, quais sejam: 16.1 Sonegação de Contribuição Previdenciária – definido no artigo 1º da Lei Nº 9.983 de 14/07/2000, que acrescentou o artigo “337A”, incisos I e III, ao DecretoLei nº 2.848 de 07/12/1940 Código Penal; 16.2 Crime contra a Ordem Tributária, de acordo com o artigo 1º, inciso I da Lei nº 8.137, de 27/12/1990. Fundamentos da Impugnação. O Contribuinte apresenta Impugnação, com a qual, em síntese, oferece as seguintes razões de fato e de direito: 1. Os lançamentos fiscais não observaram às disposições dos artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1.972, pois não foram anexadas aos autos as devidas provas, além de não conter a suficiente descrição dos fatos. 2. É ilegal a desconsideração das personalidades jurídicas das empresas que figuram como prestadoras de serviços, “bem como a alegação de suposta formação de grupo econômico”. 3. Invocando as disposições do parágrafo único do artigo 116 do CTN, defende que: Razão pela qual, os Autos de Infração devem ser considerados nulos, eis que não há qualquer norma legal que regulamente a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica. (...). Ainda que considerássemos autoaplicável o parágrafo único do artigo 116 do CTN permitindo que a Administração Pública desconsidere a forma jurídica de atos ou negócios praticados com fraude à lei e com clara intenção de sonegação fiscal. Assim, temse que a autoridade administrativa poderia desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação. E para isso não é preciso apenas indício, e sim provas contundentes. O que não ocorreu no caso ora Impugnado, eis que o ilustre Auditor Fiscal, apenas considerou parcos documentos para presumir que todos Fl. 703DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 10 9 os contratos de prestação de serviços importariam em relação de emprego. O que, sem sombra de dúvidas viola o Princípio da Legalidade e o Princípio da Tipicidade Fechada [sic, destaques no original]. 4. Mencionando manifestações doutrinárias e jurisprudência, defende que teria havido cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, não sendo possível a decretação da desconsideração da personalidade jurídica da forma como foi realizada, pois: Neste sentido, é ponderável questionar um direito importante. Se a Contribuinte não foi citada, notificado ou intimada, a apresentar nova documentação, diante as documentações que embasam o relatório do i. auditor fiscal, a autoridade não assegurou o direito ao contraditório, porque não informou o fato, impedindo a participação e a correção, por parte do contribuinte [sic, destaques no original]. 5. Nesta mesma linha de argumentação, acrescenta: Como se pode notar, atualmente já está pacificada na doutrina e na jurisprudência que, para haver a desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa e o redirecionamento da cobrança aos sócios/administradores na esfera administrativa bem como o redirecionamento da execução fiscal na esfera judicial é imprescindível que os mesmos tenham agido com infração aos requisitos do artigo 135 do CTN, quais sejam: excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos [sic, destaques no original]. (...). No presente processo administrativo não há qualquer prova contundente, senão meros indícios de que há formação de grupo econômico ou o fenômeno popularmente conhecido por “pejotização”. 6. A seguir, defende que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (doravante referido simplesmente como “RFB”) não tem competência para “reconhecer vínculos trabalhistas”, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho, desde que provocada pelo “jurisdicionado ou do MPT OU MTE” [destaques no original, sic]. Neste contexto, o lançamento fiscal somente deve se dar “após o reconhecimento da relação de emprego por juiz competente”. 7. Passa a tratar, então, dos “elementos caracterizadores do vínculo empregatício”: “a) Trabalho realizado por pessoa física; b) prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador; c) não eventualidade; d) subordinação; e) onerosidade”. 8. Quanto à “eventualidade”, assegura que os contratos têm “apenas prazo determinado e fim específico”; que a contratação dáse “para cumprir demandas pontuais de clientes específicos, por tempo determinado e por obra, não sendo plausível que o prestador de serviços mantenha qualquer tipo de relação de trabalho, importante ressaltar, após a conclusão das atividades” [sic, destaques no original]; busca diferenciar “continuidade” de “habitualidade” e que ora ocorre “no máximo a continuidade”. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 11 10 9. Passa a tratar da “subordinação”: “O estabelecimento de padrões de qualidade e o controle de produtividade demonstra apenas a vontade da Impugnante de que a contratação cumpra sua finalidade e o serviço seja executado, tudo de acordo com as normas internas, normas estas que são garantia de qualidade para os clientes da Impugnante” [sic, destaques no original]; estas circunstâncias estão, pois, de acordo com as práticas de mercado e constituem um direito do contratante dos serviços, sem caracterizar relação de emprego. 10. Nega que esteja presente o requisito da “pessoalidade”, já que caberia exclusivamente à prestadora de serviços indicar qual de seus empregados executaria os serviços (nega que haja previsão deste direito do Contribuinte nos contratos de prestação de serviços firmados), tampouco a vedação à subcontratação poderia fazer supor a ocorrência da pessoalidade. 11. Quanto à “onerosidade”, ressalta que se trata característica das prestações de serviços, em geral, qualquer que seja a forma como são contratados e que a forma de apuração dos valores devidos demonstraria que se trata de serviços prestados na forma contratada (ou seja, por PJ). 12. Ressalva que não há nenhuma manifestação dos prestadores de serviços – “os maiores interessados em ver reconhecido seu vínculo empregatício” – quanto à caracterização dos vínculos empregatícios. 13. Trata da “regramatriz de incidência” e questiona: Nesse viés, qual a base de cálculo utilizada pelo i. auditor fiscal? Com qual fundamento legal foi aplicado a base de cálculo? 14. Impugna os valores lançados “a título de juros e multa, que carecem de legalidade, além de implicar em violação a diversos princípios e dispositivos constitucionais, devendose, portanto, serem drasticamente reduzidos”. 15. Quanto à incidência da taxa SELIC: Resta clara a impossibilidade da utilização da taxa SELIC cumulada com outros índices de correção monetária e juros moratórios, exatamente o que aconteceu no caso em tela. Dessa forma, é evidente a total impossibilidade da manutenção da sanção cominada no bojo do auto de infração ora vergastado. 16. Defende que a multa aplicada é ilegal, por ser “excessivamente onerosa”. 17. Formula, finalmente, seus pedidos: •Acolhimento das preliminares, “para reconhecer a existência dos vícios apontados”. •Acatada a Impugnação, seja reconhecida a improcedência dos autos de infrações. •Cancelamento e arquivamento “incontinente das Notificações e lançamento” (sic). Fl. 705DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 12 11 •Reconhecimento da “demasiada excessividade dos encargos de juros e multa incidentes sobre o débito” (sic). •Sejam reconhecidos como originais as fotocópias apresentadas. •Finalmente: Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a testemunhal, documental, devendo a contribuinte ser intimada para tanto [sic]. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1452.156 da 17ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 578/628, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da constitucionalidade das leis, em face das disposições do artigo 26A do Decreto n° 70.235/1972. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OCORRÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO FISCAL. A mera alegação genérica da ocorrência de nulidade do lançamento fiscal não é suficiente para demonstrar o vício processual, mormente quando se encontram cumpridas e presentes as formalidades legais que asseguram a regularidade do processo. VÍNCULO EMPREGATÍCIO CARACTERIZAÇÃO COMPETÊNCIA DO AFRFB. O AFRFB é competente para desclassificar relações contratuais formalizadas como contratos civis de prestação de serviços, quando constata que houve, na realidade, a prestação de serviços por segurados empregados, em face da presença das razões de fato e de direito que caracterizem a relação empregatícia. VINCULAÇÃO DOS SÓCIOSADMINISTRADORES. A inclusão dos sóciosadministradores no anexo “Relação de Vínculos” de lançamento fiscal lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No âmbito do processo administrativo fiscal as provas têm regras próprias, quanto ao momento em que devam ser apresentadas, bem Fl. 706DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 13 12 como condições específicas para posterior apresentação, as quais, quando não demonstradas, impossibilitam o posterior conhecimento, em face da preclusão do direito de fazêlo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 12/08/2014, conforme Termo de Abertura de Documento às fls. 634. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 638/673, em suma, com as seguintes considerações: 1) Da impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica no direito tributário. Sustenta que o artigo 116 do CTN, norma que autoriza a autoridade administrativa a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ainda carece de regulamentação, motivo pelo qual entende que não pode ser praticado. Os artigos 142 e 149 não autorizam a desconsideração da personalidade jurídica, mas tão somente o lançamento do tributo após verificado o fato gerador, o que não acontece no caso em tela, vez que as contribuições previdenciárias não são devidas nos contratos de prestação de serviços, principalmente quando feitos entre pessoas jurídicas. O que o i. auditor fiscal fez foi desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviço, vale salientar, empresas reais e idôneas, para que somente assim fosse constatado o fato gerador das contribuições previdenciárias, o que não é autorizado por nenhum dos artigos do Código Tributário Nacional. Ademais, não foram carreadas provas contundentes a autorizar a desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços, vez que somente analisados parcos documentos que não retratam fielmente a realidade da situação. Por tais razões, os autos de infrações devem ser considerados nulos, eis que, não há norma legal que regulamente a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no direito tributário, bem como pela falta dos requisitos exigidos legalmente para que seja autorizada tal desconsideração, quais sejam a apresentação de provas suficientes que demonstrem o intuito de dissimulação do contribuinte. 2) Da incompetência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para reconhecer vínculo trabalhista. Alega que o Auditor da Receita Federal do Brasil não possui competência para reconhecer vínculo trabalhista, posto que é função dos órgãos ligados ao Ministério do Trabalho. Transcreve o conceito de emprego nos termos do artigo 3º da CLT e afirma que órgão competente para aferir se os elementos fáticos se amoldam ao conceito jurídico de Fl. 707DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 14 13 emprego é garantido constitucionalmente à Justiça do Trabalho, único órgão competente para se julgar questões relativas às relações de emprego, nos termos do artigo 114 da Constituição Federal, o que não se verificou no presente caso. Ademais, destaca que não existe autorização legal para que a Receita Federal do Brasil, de ofício, presuma vínculo empregatício e constitua em desfavor do contribuinte o atacado crédito tributário, e que referida autorização deve ser feita por meio de Lei, e não por Decreto, o qual evidentemente também extrapola a sua finalidade, que é somente o de regulamentar leis e não delegar competências. Assim, ante a incompetência da Receita Federal do Brasil para constituir vínculos empregatícios, e que os Autos de Infração fundamentamse tão somente nesse reconhecimento, deve o Auto de Infração ser declarado nulo. 3) Da falta de elementos comprobatórios para desconsideração da personalidade jurídica. Do cerceamento de defesa. Destaca que para que seja caracterizada uma relação de trabalho, devem estar presentes os prérequisitos elencados no artigo 3º da CLT: i) pessoalidade; ii) não eventualidade; iii) subordinação; e iv) onerosidade. Para que tais elementos sejam auferidos, e assim seja caracterizada a relação empregatícia, é necessária a análise de diversos documentos em sua totalidade e em conjunto, pois, caso analisados individualmente, podem levar a erro. Sustenta que no presente caso, o Auditor Fiscal juntou ao Auto de Infração poucos contratos de prestação de serviços entre a Recorrente e as prestadoras de serviços, algumas notas fiscais de pouquíssimas pessoas jurídicas, e somente relativas ao ano de 2008, assim como declarações em GFIP. Ocorre que, segundo argumenta, tais elementos não podem, de forma alguma serem considerados suficientes para que todos os contratos de prestação de serviços existentes na empresa Recorrente sejam completamente descaracterizados. Salienta que algumas das empresas prestadoras de serviços possuem matriz em cidades diversas do município onde está locada a Recorrente, e algumas estão em outra unidade da federação, inclusive com filiais, o que pode ser confirmado por consulta ao CNPJ das referidas empresas junto à Receita Federal. Nesse contexto, afirma não ser razoável pensar que tais pessoas físicas, assim como alegado pela RFB, saiam de suas casas todos os dias, situadas no Rio de Janeiro, por exemplo, para que prestem serviço na cidade de Belo Horizonte, e retornem ao Rio de Janeiro após finalizado o expediente. Demais disso, informa que a Fiscalização deixou de analisar eventuais contratos de prestação de serviços entre as pessoas jurídicas prestadoras de serviços e eventuais outros tomadores, ou seja, não é possível alegar que o contrato firmado prestadores existe única e exclusivamente com a Recorrente. Por fim, sustenta que foram juntados ao Auto de Infração somente notas fiscais referentes ao ano calendário de 2008, de forma a demonstrar a regularidade na prestação de Fl. 708DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 15 14 serviços. Entretanto, conforme se observa pelos cartões de CNPJ, verificase que existem empresas que estão constituídas desde 2003, ou seja, a análise de m ano somente, sem verificação do histórico da empresa, não pode ser considerado suficiente para a caracterização da continuidade dos serviços prestados. Logo, a análise isolada de poucos documentos pelo i. Auditor Fiscal acabou por induzilo a erro, acarretando em lançamento indevido das contribuições ora debatidas. Noticia que todos esses elementos poderia ser verificados pela fiscalização caso a Recorrente fosse citada, notificada ou intimada a apresentar novas documentações, o que não foi feito. Nessas circunstâncias, afirma que a fiscalização não respeitou o contraditório ao não informar o seu entendimento, impedindo a correção dos fatos sem a necessidade de procedimento administrativo posterior, o que acarreta inclusive ônus desnecessário aos cofres públicos. Considera, assim, que a falta de intimação (notificação) atenta não só contra os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, como também contra o artigo 116, § único do CTN, vez que as poucas provas carreada aos autos devem ser consideradas nulas, ou seja, não houve prova cabal que autorizasse a desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços. Em continuidade, alega que o lançamento por amostragem, embora autorizado pela legislação fiscal, só pode ser feito diante da ausência de documentos aptos a se aferir com precisão os valores corretos a serem lançados, o que não é o caso. Desta forma, o lançamento por amostragem só é aceito em último caso, como medida excepcional, o que não ocorre na espécie, visto que todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal foram apresentados, ou seja, existiam meios de se aferir, com certeza, o valor correto das contribuições supostamente devidas, motivo pelo qual, a arbitragem não pode ser aplicada. Defende que a decisão que determinou o lançamento de créditos constituídos por amostragem afronta o artigo 2º da Lei nº 9.784/99 (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), vez que baseada em documentos que não ofereciam “grau de certeza e segurança” para a adoção da medida, bem como por ter deixado em segundo plano a apresentação de informações pelo contribuinte, que deveria ter sido intimado previamente para apresentar os demais documentos que comprovassem o seu direito, antes de sofrer os constrangimentos de tal lançamento. Em seguida, destaca que o Princípio da Eficiência deve ser levado no mais alto grau de importância, por tratarse de valioso instrumento para fazer exigir a qualidade dos serviços advindos do Estado. Assim, o servidor responsável pela análise de um processo que envolve milhares de reais, deve, ao menos, se assegurar de todas as informações necessárias para somente após decidir, com correção e certeza, quanto ao desfecho do procedimento fiscal. Ante todo o exposto, seja pelo cerceamento do direito de defesa da Recorrente, seja pela falta de documentação juntada, seja pela impossibilidade de arbitramento dos valores, fato é que deve o Auto de Infração ser declarado nulo, procedendose ao posterior arquivamento do mesmo. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 16 15 4) Da não ocorrência dos elementos caracterizadores da relação de emprego. Passa a tratar, então, dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício: “i) pessoalidade; ii) não eventualidade; iii) subordinação; iv) onerosidade”. Nega que estejam presentes os requisitos aptos a configurar a relação de emprego, bem como a fiscalização não foi capaz de provar a existência do vínculo, ônus que lhe competia. Considerando, portanto, que não restaram comprovados nenhum dos requisitos para o reconhecimento de vínculos empregatícios, e que a falta de qualquer um deles já é suficiente para que seja impossível tal reconhecimento, e que os Autos de Infrações fundamentamse tão somente nessa premissa, devem os referidos Autos serem declarados nulos. 5) Da exacerbação na aplicação da multa. Violação ao princípio do não confisco. Em que pese o julgador de primeira instância ter entendido pela incompetência administrativa de julgamento para proferir decisões acerca da constitucionalidade de lei, com base no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, o que se pretende, no caso em análise, não é a declaração de inconstitucionalidade da lei que determinou a multa em percentual exacerbado, e sim, em caso de manutenção do Auto de Infração, seja determinada a redução do percentual aplicado aos limites constitucionalmente aceitos, em homenagem ao princípio constitucional de vedação ao confisco. 6) Do pedido. Ante todo o exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente recurso, reformandose a respeitável decisão a quo para ser declarado o cancelamento do presente lançamento. Em caráter estritamente subsidiário, caso este ilustre órgão julgador entenda pela subsistência do auto de infração, requer: a) seja determinada a baixa dos autos em diligência, instando o i. auditor fiscal a apresentar os elementos utilizados para a desconsideração de todos os contratos de prestação de serviços, pelos motivos expostos no último parágrafo do item 2.4; b) seja relevada ou reduzida a multa aplicada em patamar condizente com a realidade dos fatos e com a condição econômica da Recorrente, tudo, em razão da ausência de qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da Impugnante, e em observância aos princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. É o relatório. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 17 16 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 12/08/2014, conforme Termo de Abertura de Documento às fls. 634, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 02/09/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições lançadas no presente Auto de Infração são: 4.1 Salários pagos a pessoas físicas, segurados empregados, contratados pela autuada na forma de Pessoas Jurídicas; 4.2 Destaquese que, os valores dos fatos geradores aqui tratados não foram incluídos em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP e tampouco foram recolhidos em Guia da Previdência Social – GPS até a data do início do procedimento fiscal, que se deu em 18 de junho de 2013, por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal. Segundo narra a fiscalização, a SEI Consultoria (recorrente), contrata diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), quando deveria registrálas como seus empregados de acordo com a legislação pertinente. A relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de diversos elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, nãoeventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº. 8.212/91 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”. Para a constatação dos fatos geradores foram examinados os seguintes documentos e elementos (fls. 22), cujas cópias estão anexadas a este processo fiscal: 1) Contratos de Prestação de Serviços; 2) Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP extraídos dos Sistemas Internos de Informatização da Receita Federal do Brasil – RFB; 3) Contrato Social da SEI Consultoria; 4) Lançamentos contábeis extraídos do Manual de Arquivos Digitais – MANAD, disponibilizado pela empresa mediante Termo de Intimação Fiscal; Fl. 711DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 18 17 5) Notas Fiscais dos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços e respectivas Ordens de Execução de Serviços de Terceiros – OEST (Ordens de Serviço) e Relatório de Apropriação de Horas; 6) Atas de audiência de Julgamentos de Ações Trabalhistas. Ao analisar os contratos de prestação de serviço, a auditoria identificou que o conteúdo dos referidos contratos mostramse idênticos e padronizados, obedecendo a um padrão prédefinido, sendo alterados apenas os dados da empresa contratada e o objeto do contrato, onde são descritos os serviços prestados, o período de vigência e valores da remuneração pactuada. As demais cláusulas: condições de pagamento, obrigações das partes, disposições gerais, rescisão e foro são comuns a todos os contratos. Adiante, verificou que a subordinação imposta aos contratados fica transparente na medida em que, os contratos, apesar de individualizados, tratam com pluralidade todos os prestadores de serviços simultaneamente, subordinandoos pelo geral por um único comando. Outra característica da subordinação é o controle das horas trabalhadas visualizadas nos relatórios “Ordem de Execução de Serviços de Terceiros – OEST” e “Apropriação de Horas”, que permitem a identificação de um regime de horas trabalhadas para medir o serviço do trabalhador, o que impõe o caráter diretivo da autuada, excluindo do prestador de serviço o controle, domínio e autonomia sobre seu ofício. Em seguida a fiscalização afirma: “Estabelecer a previsibilidade da ocorrência destes eventos é admitir categoricamente a existência de uma relação de emprego” (fl. 26). Ademais, a auditoria informa que as constatações tornaramse mais evidentes após a leitura das atas de audiências de julgamento das ações trabalhistas que consideraram o vínculo empregatício entre a recorrente e supostos prestadores de serviço. Dessa forma, a Fiscalização constatou que a Recorrente teria incorrido em uma sistemática irregular de contratação de diversos empregados – profissionais de áreas diversas. Esta pactuação se deu por meio de Contratos de Prestação de Serviços celebrados com aqueles profissionais figurando como empresários (sócios das pessoas jurídicas), em seguida desconsiderou a personalidade jurídica da autuada, para reconhecêla como tal no que diz respeito às contribuições previdenciárias, para que sejam tidos como salários de contribuição os pagamentos efetuados aos segurados empregados aqui alcançados. O contribuinte se defende ao argumento de que o artigo 116 do CTN, norma que autoriza a autoridade administrativa a desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, ainda carece de regulamentação, motivo pelo qual entende que não pode ser praticado. Afirma que não foram carreadas provas contundentes a autorizar a desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços, vez que somente analisados parcos documentos que não retratam fielmente a realidade da situação. Alega que o Auditor da Receita Federal do Brasil não possui competência para reconhecer vínculo trabalhista, posto que é função dos órgãos ligados ao Ministério do Trabalho. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 19 18 Destaca que para que seja caracterizada uma relação de trabalho, devem estar presentes os prérequisitos elencados no artigo 3º da CLT: i) pessoalidade; ii) não eventualidade; iii) subordinação; e iv) onerosidade, o que não se verifica na espécie, e, para que tais elementos sejam auferidos, e assim seja caracterizada a relação empregatícia, é necessária a análise de diversos documentos em sua totalidade e em conjunto, pois, caso analisados individualmente, podem levar a erro. Sustenta que no presente caso, o Auditor Fiscal juntou ao Auto de Infração poucos contratos de prestação de serviços entre a Recorrente e as prestadoras de serviços, algumas notas fiscais de pouquíssimas pessoas jurídicas, e somente relativas ao ano de 2008, assim como declarações em GFIP. Ocorre que, tais elementos não podem, de forma alguma serem considerados suficientes para que todos os contratos de prestação de serviços existentes na empresa Recorrente sejam completamente descaracterizados. Salienta que algumas das empresas prestadoras de serviços possuem matriz em cidades diversas do município onde está locada a Recorrente, e algumas estão em outra unidade da federação, inclusive com filiais, o que pode ser confirmado por consulta ao CNPJ das referidas empresas junto à Receita Federal. Nesse contexto, afirma não ser razoável pensar que tais pessoas físicas, assim como alegado pela RFB, saiam de suas casas todos os dias, situadas no Rio de Janeiro, por exemplo, para que prestem serviço na cidade de Belo Horizonte, e retornem ao Rio de Janeiro após finalizado o expediente. Demais disso, informa que a Fiscalização deixou de analisar eventuais contratos de prestação de serviços entre as pessoas jurídicas prestadoras de serviços e eventuais outros tomadores, ou seja, não é possível alegar que o contrato firmado prestadores existe única e exclusivamente com a Recorrente. Por fim, sustenta que foram juntados ao Auto de Infração somente notas fiscais referentes ao ano calendário de 2008, de forma a demonstrar a regularidade na prestação de serviços. Entretanto, conforme se observa pelos cartões de CNPJ, verificase que existem empresas que estão constituídas desde 2003, ou seja, a análise de m ano somente, sem verificação do histórico da empresa, não pode ser considerado suficiente para a caracterização da continuidade dos serviços prestados. Sobre o tema em relevo, entendo que, para que haja a desconsideração da personalidade jurídica, devese avocar uma análise casuística, com o fim de verificar se houve abuso no uso da personalidade jurídica e seus responsáveis. Em caso como tais, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividade, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 15504.730774/201398 Resolução nº 2401000.609 S2C4T1 Fl. 20 19 Ademais, temse o entendimento de que, apesar da possibilidade de aplicação do art. 50 do Código Civil de 2002, a autoridade fiscal possui o poder de apurar o crédito tributário de maneira a afastar a personalidade jurídica face à autorização proveniente do próprio Código Tributário Nacional. Assim, prepondera que essa atitude revela as nuanças de utilização do afastamento da personalidade jurídica. Logo, também, entendese que para a o ordenamento jurídico Brasileiro, assim como para o direito tributário, fazse presente a possibilidade de aplicação da desconsideração ou da personalidade jurídica. Ressalto, contudo, que entendo que a desconsideração só pode ser utilizada em casos extremos, que fique devidamente comprovada a má utilização de estruturas societárias com o escopo de lesar o Fisco ou obter vantagem indevida. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não paire qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não reúne condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome algumas providências: Assim, voto para converter o feito em diligência, para, em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, requisitar à Delegacia de Origem que: 1) esclareça, por meio de planilha ordenada pelos nomes dos trabalhadores, quais mantém vínculo de emprego com a Recorrente e simultaneamente, preste serviços por meio das pessoas jurídicas constantes do lançamento; 2) esclareça, por meio de planilha, quais os prestadores de serviço da Recorrente possuem mais de um sócio que, na visão do Fisco, trabalhem com vínculo de emprego para a Recorrente; 3) esclareça, por meio de planilha, a localidade geográfica (informado no cadastro da Receita Federal do Brasil) das prestadoras de serviços da Recorrente, bem como a data de suas atividades perante à Receita Federal; 4) elabore planilha, por ordem de nome do segurado e relacionado à empresa prestadora de serviços, com as competências em que houve a emissão de notas fiscais contra a Recorrente, com os respectivos valores; 5) Especifique quais sócios das prestadoras de serviços que, na visão da Autoridade Lançadora, trabalhavam na estrutura operacional ou administração da Recorrente, consoante se afirma no penúltimo parágrafo de fl. 29 (item 5.1.11 do relatório fiscal), indicando as provas dos autos que constam dos autos sobre tal afirmação; 6) intime o sujeito passivo para que apresente as reclamatórias trabalhistas em que não houve reconhecimento do vínculo empregatício, caso existam. Após, de vista ao recorrente, pelo prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 714DF CARF MF
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