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Numero do processo: 10920.005818/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2010 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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SENKIU & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 58 18 /2 00 9- 37 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 47 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 09, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 27.10.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do primeiro semestre do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 07.10.2009. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0207, com as alegações a seguir transcritas: 1) OS FATOS Tratase de Notificação de Lançamento narrando os seguintes fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação ensejada a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitando o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Portanto, a multa aplicada referese ao atraso na entrega da Declaração de Débitos e Tributários Créditos Federais DCTF Semestral à Receita Federal, com suposto Arrimo no art. 7o da Lei n. 10.426, de 24042.002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 48 3 Importante mencionar que a multa apurada de acordo com a base no valor mínimo Apurado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, ou seja de R$250,00 (duzentos e cinqüenta reais), já com redução de 50%, para pagamento até a data de seu vencimento 11/12/2009, com o código da Receita Principal de n º 1345 (anexo 02). Ocorre que a multa pelo atraso na entrega da DCTF, se deu por falha no Sistema da própria Receita Federal do Brasil, disponibilizado no site da RFB, o qual estava fora do ar, no dia 07/10/2009 (anexo 03). Inconformada, no mesmo dia 07/10/2009. a impugnante entrou em contato com a Receita Federal de Joinville e informaram para levar a DCTFF que seria passada, chegando ao local informaram que também estavam sem o sistema e que deveríamos esperar uma posição. Preocupada, também entrou em contato com a OUVIDORIA relatando os fatos e também ficamos aguardando uma posição, (anexo n. 04). Portanto, em conseqüência dos fatos, e nada de positivo quanto aos mesmos a empresa resolveu transmitir a DCTF, gerando a multa. Pedimos pois, que a penalidade seja revista, com o conseqüente Cancelamento da Notificação de Lançamento n. [...], como se das razões a seguir. 2) CONSIDERAÇÕES INICIAIS Conforme seus inclusos atos constitutivos, a impugnante é uma empresa dedicada a Gestão Empresarial, com movimento mínimo, tendo como obrigação a entrega da DCTFSemestral. Ocorre que a multa pelo atraso da DCTF se deu por falha no sistema da própria Receita Federal do Brasil, disponibilizado no site da RFB, o qual estava fora do ar, no dia 07/10/2009 (anexo 03). Preocupada, também entrou em contato no mesmo dia 07/10/2009, com a Ouvidoria e RFB (anexo 04), também não obtivemos resposta. A FENACOM também encaminhou Ofício em 07/10/2009. Solicitando prorrogação do prazo para transmissão e dispensa de eventual multa. Igualmente, não foi obtido resposta (anexo 04). Devido a grande carga de trabalho e acumulo também de tarefas cada vez maior, a impugnante somente conseguiu apurar os dados para a entrega da DCTF no dia 07/10/2009, último dia do prazo. Ficamos aguardando uma posição da Receita Federal de como proceder, pois é evidente que a falha no sistema de processamento da RFB restou por prejudicar o contribuinte ora impugnante, e possivelmente muitos outros contribuintes. Portanto, em conseqüência dos fatos e de nenhuma manifestação por parte da RFB sobre o assunto, a impugnante resolveu transmitira DCTF em 27/10/2009,pois É obrigação da mesma, más, obviamente gerando a MULTA. Para nossa surpresa e possivelmente de muitos outros contribuintes, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, manifestouse somente no dia 11/11/2009, Publicando o Ato Declaratório Executivo nº 90, considerando tempestiva Fl. 48DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 49 4 apresentação da DCTF do dia 08/10/2009 e ficando sem efeito as MULTAS somente aquela data (anexo 05). [...] 3) DAS RAZÕES DE INCONFORMIDADE COM A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO [...] 3.1 Da revisão de ofício Da falha do sistema on line da RFB. Com a devida venia, merece revisão a referida notificação gerada pelo atraso na entrega da DCTF. Como visto acima e como se vê dos documentos em anexo, notase claramente que o contribuinte não pode ser penalizado pela falha no sistema da Receita Federal do Brasil. No caso concreto, a impugnada comprova que ocorreu defeito no sistema da RFB no que diz respeito à transmissão de dados da DCTF, conforme cópia na página do site da RFB, onde se constata, "serviço indisponível temporariamente", (anexo 04) Diante disso, é que a transmissão da DCTF foi realizada somente em 27/10/2009. pois a impugnante estava aguardando uma posição da RFB, certamente, uma prorrogação do prazo para a entrega da DCTF. Portanto, o atraso na entrega da DCTF, não se deu por culpa do contribuinte. É de se salientar que, em casos como esse, é cabível a revisão de ofício de lançamento pela autoridade fiscal quando constatada a ocorrência de fato estranho ao procedimento normal de tributação, com no caso específico, a falha no sistema on line da própria Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 149, VIII, do CTN c/c artigo 65, da Lei n. 9.784/99. Deve o presente caso apreciado conforme os dispositivos legais e vigentes [...]. Portanto, é lícito à Administração Tributária, em casos como o presente, exercer seu juízo sobre a ocorrência de falha no sistema on line, da própria RFB que ensejará no cancelamento da penalidade aplicada, visto que há amparo legal para a revisão de ofício de seus atos administrativos, sobre tudo diante das argumentações e prova documental apresentadas pelo contribuinte. Por estas razões merece revisão a notificação de lançamento em questão. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui : Em razão do exposto, recebida a presente impugnação à notificação no efeito suspensivo, requerse seja julgado procedente o presente pedido, para que seja revisto de ofício o lançamento em questão, com o conseqüente cancelamento da notificação [...]. Protestase por todas as provas em Direito admitidas, em especial Juntada posterior de documentos. Termos em que Pedese deferimento. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 50 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0723.925, de 15.04.2011, fls. 2527: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor: Diante dos problemas técnicos ocorridos no último dia do prazo para entrega da declaração, o acima reproduzido Ato Declaratório Executivo (ADE) estendeu o prazo de entrega em apenas um dia, tendo fixado o novo limite no dia 08 de outubro de 2009, tornando "sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009". O sistema de recepção/transmissão da RFB estava normal no dia seguinte ao vencimento, ou seja, em 08/10/2009, de forma que a empresa, ora impugnante, não precisava ficar esperando uma comunicação da RFB para saber como proceder à entrega da DCTF em questão. Se estivesse transmitido sua DCTF em 08/10/2009, o que era possível, apesar de ser fora de prazo, não sofreria qualquer tipo de sanção, em face da edição do referido ato declaratório. Temse, portanto, como incontestável o fato de a entrega ter ocorrido apenas em 27 de outubro de 2009, fora, inclusive, do prazo estendido pelo ADE (08 de outubro de 2009), de forma que não há que se cogitar de revisão de ofício do lançamento, pois inaplicável ao caso. Notificada em 12.05.2011, fl. 30, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2011, fls. 3135, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter Fl. 50DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 51 6 privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 52 7 A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 53 8 (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos4. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores5. Por seu turno, o Ato Declaratório Executivo RFB nº 90, de 11 de novembro de 2009, determina que considerando os problemas técnicos ocorridos, em 7 de outubro de 2009, nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a recepção e transmissão de declarações, considerase tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 27.10.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do primeiro 4 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 5 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.005818/200937 Acórdão n.º 1801001.773 S1TE01 Fl. 54 9 semestre do anocalendário de 2009, cujo prazo final era 08.10.2009. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.910099/2008-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO.
Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados em DCOMP validamente apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada.
Numero da decisão: 1802-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. Inexiste fundamento a justificar a inconformidade do contribuinte em face de homologação de compensação quando o direito creditório invocado na peça irresignatória foi o reconhecido pela autoridade e aplicado, até o seu limite, em débitos consignados em DCOMP validamente apresentada. Não cabe ademais, nas instâncias julgadoras o cancelamento da homologação já realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 00 99 /2 00 8- 72 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.910099/200872 Acórdão n.º 1802001.888 S1TE02 Fl. 173 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em pagamento a maior da CSLL Estimativa Mensal, do período de apuração 30/04/2003, recolhida através de DARF no código 2469 em 30/05/2003. O débito que se tentou compensar, referese à CSLL – Estimativa Mensal do mês de 05/2003, cujo valor corresponde ao montante de R$ 21.412,69. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o Relatório proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, consoante Acórdão n° 16 32.774, às efls. 71/72: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01 a 03) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 804850662 (fl. 07), de 07/11/2008, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP 08873.78916.301104.1.3.041660 (fls. 20 a 25) protocolizada em 30/11/2004. 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 30/05/2003, de R$ 3.407.913,58, código de receita 2469 (CSLL ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), relativo ao período de apuração de 30/04/2003, do qual seria parte o montante de R$ 21.412,69 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 22), fora utilizado integralmente na quitação de débitos do interessado, inexistindo, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação (fl. 24). 3. Em conseqüência, apurou saldo devedor consolidado para pagamento até 28/11/2008, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 18.701,93, de principal, R$ 14.707,19, de juros, e de R$ 3.740,38, de multa. 4. Cientificado da decisão em 17/11/2008 (fl. 28), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 03/12/2008 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório, de 21.412,69, seria líquido e certo porque integraria o valor pago a maior, de R$ 31.220,53, decorrente de pagamento em DARF (fl. 11), de R$ 3.407.913,58, relativo à CSLLEstimativa de 04/2003, efetuado, em 30/05/2003, em lugar do valor correto, de R$ 3.376.693,05 (R$ 31.220,53= R$ 3.407.913,58 3.376.693,05), constante da DIPJ do referido ano (fl. 10); ii) o mencionado valor de débito recolhido teria, ainda, sido declarado na DCTF do 2º trimestre de 2003 (fl. 13), a qual, porém, teria sido retificada, em 25/08/2008 (fl. 26), para conter o valor devido correto (fl. 27); Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 iii) em 25.02.2004 teria emitido indevidamente a DCOMP nº 27472.03797.250204.1.3.041504 (fls. 14 a 19), para compensar débito no valor de R$ 46.234,28, com o mesmo crédito, o qual, porém, não teria sido utilizado; em 19/09/2008, teria solicitado o cancelamento da referida DCOMP através da manifestação de inconformidade relativa ao Despacho Decisório nº 781213798; iv) pelo exposto, pleiteia seja revisto o Despacho Decisório e homologada a compensação. 5. Cabe observar, por oportuno, que a mencionada manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório nº 781213798, relativo a DCOMP nº 27472.03797.250204.1.3.04 1504 (fls. 14 a 19), objeto do PAF nº 16327.902119/200831, foi apreciada por esta Turma, nesta sessão. Através do Acórdão nº 32.774, ora juntado (Documentos Diversos – Outros – Acórdão 32774), a Turma i) não conheceu do pedido de cancelamento, e, sob o fundamento de que na peça irresignatória o interessado demonstrou possuir direito creditório no exato valor reconhecido pela autoridade preparadora, ii) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, iii) não reconheceu o direito creditório no montante pretendido na DCOMP e iv) homologou parcialmente a compensação. 6. É o Relatório. Na análise do caso, entendeu a nobre turma julgadora pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pela ora recorrente às efls. 1/3, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls 75): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. UTILIZAÇÃO EM OUTRA DCOMP. Falecem razões fáticas e de direito para revisão de Despacho Decisório e homologação de compensação declarada, quando o direito creditório invocado já foi utilizado pelo próprio contribuinte, e reconhecido pela autoridade, em compensação de outro débito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da manutenção do lançamento através do Acórdão supracitado em 25/08/2011, a recorrente denotando sua irresignação apresentou Recurso Voluntário em 26/09/2011, às efls. 85/109, requerendo em apertada síntese pelo cancelamento da DCOMP Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.910099/200872 Acórdão n.º 1802001.888 S1TE02 Fl. 174 5 27472.03797.250204.1.3.041504, com a determinação da validade das DCOMP 08873.78916.301104.1.3.041660 (destes autos) e 42518.13474.280205.1.3.049395 (Processo 16327.900394/200900). É o relato do essencial. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dele, tomo conhecimento. A interposição de recurso na esfera administrativa de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), e especificamente in casu, que trata de não homologação de compensação, ao §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Feitas essas considerações, passase à análise central do pleito, que envolve o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP, na forma do recolhimento a maior da CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração 30/04/2003. Como se extrai do relatório, o contribuinte efetuou o recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal, em DARF com as seguintes características (efls. 9): 02 Período de Apuração 30/04/03 03 Número do CPF ou CGC 43.073.394/000110 04 Código da Receita 2469 05 Número de Referência 06 Data de Vencimento 30/05/03 07 Valor do Principal 3.407.913,58 08 Valor da Multa 0,00 09 Valor dos Juros e/ou Encargos 0,00 10 Total 3.407.913,58 11 Autenticação Bancária (Pagto) 30/05/2003 Em análise do pleito, identificase que o saldo pleiteado por estes autos já foi integralmente utilizado com débitos declarados pelo contribuinte através do processo Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.910099/200872 Acórdão n.º 1802001.888 S1TE02 Fl. 175 7 16327.902119/200832, não restando crédito passível de compensação ou restituição em seu favor. Neste caso, a recorrente deveria ter entregue seu pedido de cancelamento antes da homologação ter sido realizada. Não cabe nessa instância julgadora a determinação de cancelamento da declaração de compensação entregue, cujo crédito restou devidamente reconhecido e utilizar referido direito creditório com outros débitos constituídos por outras DCOMP. Assim sendo, é de se manter a não homologação do pedido de compensação, na forma do Despacho Decisório, não havendo como cancelar a homologação já realizada devidamente controlado por outro Processo Administrativo Fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11516.003110/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal - PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional - CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
Súmula CARF n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, quando há pagamento antecipado, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Não comprovadas as despesas alegadas, é dever manter as glosas a elas relativas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. Súmula CARF n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, quando há pagamento antecipado, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Não comprovadas as despesas alegadas, é dever manter as glosas a elas relativas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 31 10 /2 00 9- 86 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 126 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5a Turma da DRJ/FNS (Fls. 81), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de auto de infração (fls. 19 a 28), no qual é exigido do sujeito passivo o IRPF de R$ 16.000,93, acrescido de multa proporcional (R$ 12.000,68) e juros de mora calculados até 29/05/2009 (R$ 6.270,17), referente aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Na Descrição dos fatos e enquadramento legal, além dos dispositivos legais infringidos, consta que a autuação decorre da dedução indevida de despesas médicas dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anos calendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente, pleiteadas indevidamente. De acordo com a autoridade lançadora, o contribuinte foi intimado por meio dos Termos de Intimação nº 584/2008 (fl. 1516), de 03/12/2008 e nº 011/2009 (fl. 1718), para apresentar os comprovantes dos valores indicados como dedução em suas declarações de rendimentos dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, relativas aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, a titulo de despesas médicas, e, como não atendeu às intimações, os totais das despesas médicas declaradas nas DIRPF 2005 (R$ 22.326,45), DIRPF 2006 (18.008,39) e DIRPF 2007 (R$ 17.850,40), foram glosados. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 31 a 36, na qual requer que o lançamento seja julgado procedente em parte, alegando, em síntese, que: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 127 3 Relata, inicialmente, que pertence à Associação dos Servidores da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina, a qual mantêm plano coletivo de saúde com a Cooperativa de Trabalho Médico da Grande Florianópolis, e que as mensalidades devidas pelo autuado são repassados por força de contrato de adesão à prestadora dos serviços, que anualmente emite um recibo informando o valor total pago pelo associado. Ressalta que nem todas as despesas médicas enfrentadas são cobertas pelo plano de saúde e que arca com diversos pagamentos, devido aos problemas de saúde que lhe acometem. Como preliminar, aduz que não recebeu intimação para comparecer ao órgão para apresentar os documentos comprobatórios das deduções médicas relacionadas às declarações de IRPF dos exercícios 2005, 2006 e 2007, pelo que, entende que a notificação deve ser desconsiderada e retornar ao procedimento administrativo. No mérito, aduz, em relação ao exercício 2005 (anocalendário 2004), que os pagamentos declarados devem ser retificados, conforme documentos comprobatórios, alterando as deduções declaradas de R$ 22.326,45 para R$ 23.344,45, pois houve um equívoco em alguns lançamentos, que relaciona: (a) Na Declaração original foi lançado em duplicidade o valor de R$ 9.600,00 para os beneficiários Marcos Fernando Senger e Kenia Roberta Zacchi, porém, o valor correto pago aos profissionais é de R$ 1.000,00 para Marcos Fernando Senger e de R$ 8.600,00 para Kenia Roberta Zacchi. Isto ocorreu porque o contador unificou o pagamento com despesas de fisioterapia, quando deveria ter lançado o valor individualmente; (b) A inclusão da UNIMED — Cooperativa Trab. Médico Hospitalar como beneficiária de R$ 10.618,00 devese ao fato do contador haver confundido despesas com fisioterapia quando deveriam constar despesas com plano de saúde (UNIMED), razão porque deve ser incluída neste momento a titulo de correção e retificação; (c) Quanto a despesas pagas ao beneficiário Argemio Souto (Dentista), a diferença deve ser desconsiderada, pois o mesmo deixou de emitir os demais documentos que comprovam os reais valores pagos, correspondentes à confecção de uma prótese dentária, não cobertos pela UNIODONTO. Exercício 2006 (Anocalendário 2005) Do mesmo modo, entende que a declaração deve ser retificada, alterando o total lançado na declaração a título de despesas médicas de R$ 18.008,39 para R$ 16.448,60, conforme documentos apresentados, que demonstram que: (a) O valor declarado para a beneficiaria UNIODONTO — Cooperativa Adm. de Contratos apresenta uma divergência de R$ 479,79 a desfavor do impugnante pelo que se deduz a Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 128 4 cooperativa beneficiária tenha laborado em erro de lançamento, no que resultou prejuízo para o declarante; 2) O valor declarado para o beneficiário SOS Cárdio Clinica Médica SC Ltda deve ser corrigido para R$ 120,00 conforme recibo em anexo, tendo havido, novamente, um erro de digitação por parte do contador responsável pelo preenchimento da Declaração; 3) Quanto ao pagamento referente à despesa de fisioterapia, deve ser considerado como beneficiária Kenia Roberta Zacchi (Fisioterapeuta), conforme documento anexo, visto que no ato do preenchimento, constou como beneficiário Marcos Fernando Senger. Exercício 2007 (anocalendário 2006) Diz que para o anocalendário 2005, as despesas médicas e odontológicas suportadas pelo impugnante foram de R$ 15.921,60, conforme documentos que anexa. O contribuinte também apurou o valor da base de cálculo não impugnada, conforme quadro que segue: Período Valor Glosado Valores comprovados Diferença Exercício 2005 (calendário 2004) R$22.326,45 R$23.344,45 (R$1.018,00) Exercício 2006 (calendário 2005) R$18.008,39 R$16.448,60 R$1.559,79 Exercício 2007 (calendário 2006) R$17.850,40 R$15.921,60 R$1.928,80 Soma R$58.185,24 R$55.714,65 R$2.470,59 Requer seja recebida a impugnação e oportunizado o direito de recolher o que for devido a Receita Federal, correspondente apenas ao ajuste de R$ 2.470,59, uma vez que não houve máfé no preenchimento da declaração, mas sim a constatação de erro material. Arrola, ainda, os documentos anexados que comprovam as deduções pleiteadas. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou sem ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificado em 05/12/2011 (Fls. 107), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/01/2012 (fls. 108 a 122), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 129 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O contribuinte combate o lançamento com a alegação de nulidade do lançamento, ante a suposta inexistência de intimação para apresentação dos documentos comprobatórios, com a existência de decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, e com o argumento de que os documentos apresentados são suficientes para comprovar os pagamentos. Preliminarmente, da análise dos autos, depreendese que não assiste razão ao recorrente na pretendida nulidade do auto de infração, em razão de suposta inexistência de intimação para a apresentação dos documentos comprobatórios das despesas médicas. O auto de infração em questão se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em ofensa ao princípio da verdade material face à motivação posta na autuação, nem tampouco em desrespeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ademais constam nos autos as provas de que o contribuinte foi devidamente intimado para a apresentação dos documentos relativos as despesas médicas. (páginas 16 a 20 dos autos) Segundo tais documentos foram entregues, e recebidas, duas intimações, via “AR”, no endereço do contribuinte; o que, nos termos da Súmula CARF n 9, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, torna válida tais intimações. Súmula CARF n° 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Também não assiste razão ao recorrente na alegação de decadência do lançamento. Como se verifica nos autos, trata o caso de lançamento de IRPF relativo aos anos calendário 2004, 2005 e 2006; portanto, com fatos geradores em 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006, respectivamente. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 130 6 Por seu turno, o IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 131 7 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 132 8 § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, como houve pagamento antecipado, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, poderiam ser realizado até 31/12/2009, 31/12/2010 e 31/12/2001, respectivamente. Tendo sido notificado o contribuinte em 10/07/2009 (folha 33 dos autos), o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não estava decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Em razão do acima elencado, rejeito as preliminares argüidas. No mérito, o contribuinte contesta o lançamento com a afirmação de que os documentos apresentados são suficientes para a comprovação das despesas médicas; não havendo a necessidade de exigência de prova dos pagamentos. Compulsando os autos, percebo que a autoridade julgadora não rejeitou os documentos apresentados pelo contribuinte em razão da falta de comprovação dos pagamentos. Na verdade, a DRJ manteve parcialmente o lançamento; não aceitando os comprovantes em razão de falta de indicação dos pacientes, em razão da falta de indicação dos beneficiários dos planos de saúde e dos planos odontológicos, e em razão de algumas despesas terem sido realizadas para tratamento de não dependentes do contribuinte. Neste ponto, filiome totalmente ao entendimento manifestado pela DRJ, conforme abaixo demonstrado: Ano calendário 2004 (exercício 2005) Com relação aos pagamentos acima especificados e que não podem ser aceitos para fins de dedução a título de despesas médicas, cumpre observar que: (a) o pagamento ao dentista Argemiro Souto especificado no recibo de fl. 42, no valor de R$ 450,00, não pode ser aceito para fins de dedução de despesas médicas, porque se refere a Alexandre dos Santos Martins, o qual não está relacionado como dependente do contribuinte na DIRPF 2005 ano calendário 2004. De observar que o contribuinte declarou como dependentes no exercício citado (fl. 6) somente Beatriz Santos Martins (esposa) e Simone Beatriz dos Santos Martins (filha, então com 18 anos), e, conforme a legislação acima referenciada, o contribuinte pode deduzir apenas despesas com seu próprio tratamento e de seus dependentes. Além disso, embora o interessado pleiteou a dedução no valor total de R$ 1.959,00 pagos ao profissional Argemiro Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 133 9 Souto, apresentou somente dois recibos, um de R$ 450,00, não aceito pelos motivos antes expostos, e outro de R$ 150,00, referente ao tratamento da dependente Simone Beatriz dos Santos Martins, este aceito, uma vez que se refere ao tratamento da dependente legal. (b) As despesas pagas a título de fisioterapia a Marcos Fernando Senger (fl. 44), no valor de R$ 1.000,00 e Kenia Roberta Zacchi (fl. 50), no valor de R$ 8.600,00 também não podem ser aceitas para fins de dedução. Nas declarações prestadas pelos citados fisioterapeutas, apresentadas pelo contribuinte para comprovar os pagamentos, há menção ao valor total supostamente pago pelo contribuinte no ano calendário 2004, referente a atendimento clínico e domiciliar de fisioterapia. Não consta na citada declaração qual foi o paciente atendido, o número de sessões realizadas e o período do tratamento. (...) Ressaltese que pela documentação médica apresentada pelo contribuinte com a impugnação, também não foi possível inferir o provável paciente das sessões de fisioterapia, uma vez que os exames apresentados, referentes à Beatriz dos Santos Martins, não foram realizados no ano calendário 2004. (c) O contribuinte também não comprovou o pagamento de despesa dedutível a Domingos Savio Bonelli, porquanto o documento à fl. 45 referese à solicitação de Rx de tórax da dependente Simone Beatriz dos Santos Martins, não se tratando de documento hábil para a comprovar o pagamento declarado de R$ 140,00 ao profissional. (d) A despesa paga ao Centro Odontológico São Jorge, representada pelo recibo de fl. 49, no valor de R$ 90,00, também não pode ser aceita, pois é referente ao tratamento de Rodrigo Martins, o qual não está relacionado como dependente do contribuinte na DIRPF 2005 (fl. 6). (e) O valor pago a Unimed – Cooperativa de Trabalho Médico Hospitalar pelo contribuinte Antonio João Martins, representado pela declaração de fl. 51, também não pode ser aceito. Cabe esclarecer que o documento referido, de fato, comprova o pagamento da dedução pleiteada de R$ 10.618,00. Todavia, para que seja deferida a dedução, o contribuinte deveria ter comprovado não somente o pagamento, mas também quais os beneficiários do plano de saúde, considerando que este faz jus à dedução de valores Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 134 10 pagos a esse título referentes a ele as duas dependentes declaradas na DIRPF 2005. Assim, os documentos apresentados são insuficientes para o reconhecimento do direito pleiteado, sendo necessário, conforme já salientado, a comprovação dos beneficiários do plano de saúde, bem como a discriminação dos valores despendidos para cada um deles. (f) Pelos mesmos motivos, deve ser indeferida, por ora, a dedução dos valores pagos a Uniodonto de SC, uma vez que os pagamentos especificados no recibo de fl. 41, refere se ao contribuinte e aos seus dependentes, os quais não estão especificados. De esclarecer, ainda que o documento de fl. 40 emitido pela Uniodonto, relacionado dentre aqueles referentes à comprovação de despesas do ano calendário 2004, referese a pagamento realizado em 11/03/2005, motivo pelo qual deve ser incluído no exercício seguinte ao ora em análise (2006). Ano calendário2005 (exercício 2006) Com relação aos pagamentos acima especificados e que não podem ser aceitos para fins de dedução a título de despesas médicas, cumpre observar que: (a) Despesas pagas a título de fisioterapia a Kenia Roberta Zacchi (fl. 57), no valor de R$ 3.000,00: Na declaração prestada pela fisioterapeuta, apresentada para comprovar o pagamento, consta somente o valor total supostamente pago pelo contribuinte no ano calendário 2005, referente a atendimento clínico de fisioterapia. Não consta na citada declaração qual foi o paciente atendido, o número de sessões realizadas e o período do tratamento. Assim, indefiro, pelos mesmos motivos do indeferimento da dedução dos pagamentos de despesas com fisioterapia à beneficiária Kenia Roberta Zacchi no ano calendário 2004, a dedução pleiteada para o ano calendário 2005. (b) O valor pago a Unimed – Cooperativa de Trabalho Médico Hospitalar pelo contribuinte Antonio João Martins, representado pela declaração de fl. 53, também não pode ser aceito. Cabe esclarecer que o documento referido, de fato, comprova o pagamento da dedução pleiteada de R$ 11.579,00. Todavia, para que seja deferida a dedução, o contribuinte deveria ter comprovado não somente o pagamento, mas também quais os beneficiários do plano de saúde, considerando que este faz jus a dedução de valores pagos a esse título referentes a ele as duas dependentes declaradas na DIRPF 2006. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 135 11 De observar que o contribuinte declarou como dependentes no exercício citado (fl. 10) somente Beatriz Santos Martins (esposa) e Simone Beatriz dos Santos Martins e, conforme a legislação acima referenciada, o contribuinte pode deduzir apenas despesas com seu próprio tratamento e de seus dependentes. Assim, os documentos apresentados são insuficientes para o reconhecimento do direito pleiteado, sendo necessário, conforme já salientado, a comprovação dos beneficiários do plano de saúde, bem como a discriminação dos valores despendidos para cada um deles. (c) Pelos mesmos motivos, deve ser indeferida, por ora, a dedução dos valores pagos à Uniodonto de SC, uma vez que os pagamentos especificados nos recibos de fls. 40 e 54, referemse ao tratamento do contribuinte e aos seus dependentes, os quais não estão especificados. Ano calendário 2006 (exercício 2007) (a) Despesas pagas à título de fisioterapia à Kenia Roberta Zacchi (fl. 62), no valor de R$ 1.100,00: Pelos mesmos motivos do indeferimento das deduções referentes aos pagamentos à fisioterapeuta Kenia nos anos calendário 2004 e 2005 (exercícios 2005 e 2006), deve ser indeferido o pleito de restabelecimento da dedução no ano calendário 2006, no valor de R$ 1.100,00, uma vez que a prova apresentada (declaração da profissional) é semelhante àquelas apresentadas para os anos calendário anteriores. (b) O valor pago a Unimed – Cooperativa de Trabalho Médico Hospitalar pelo contribuinte Antonio João Martins, representado pela declaração de fl. 60, também não pode ser aceito. O documento referido foi emitido pela ASSEFESC – Associação dos Servidores da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina, e não pela Unimed, não sendo hábil para comprovar o pagamento da dedução pleiteada, de R$4 12.124,00. Além disso, repisase que, para o deferimento da dedução, o contribuinte deve comprovar a prestação de serviço, o pagamento, e também os beneficiários do plano de saúde, considerando que este faz jus a dedução de valores pagos a esse título referentes a ele as duas dependentes declaradas na DIRPF 2006. De observar que o contribuinte declarou como dependente no exercício citado (fl. 104) unicamente Beatriz Santos Martins e, conforme a legislação acima referenciada, o contribuinte pode deduzir apenas despesas com seu próprio tratamento e de seus dependentes. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 136 12 Assim, os documentos apresentados são insuficientes para o reconhecimento do direito pleiteado, sendo necessário, conforme já salientado, a comprovação dos beneficiários do plano de saúde, bem como a discriminação dos valores despendidos para cada um deles. (c) Pelos mesmos motivos, deve ser indeferida, por ora, a dedução dos valores pagos à Uniodonto de SC, uma vez que os pagamentos especificados no recibo de fl. 61, referemse ao tratamento do contribuinte e aos seus dependentes, os quais não estão especificados. Portanto, tocante ao ano calendário 2005 (exercício 2006), o contribuinte comprovou, através de documentação hábil, pagamentos no montante de R$ 995,00, os quais devem ser restabelecidos na DIRPF 2006. (c) Pagamentos à Argemio Souto: Embora o contribuinte tenha comprovado por meio dos documentos de fls. 63 e 64 o pagamento de R$ 1.950,00 no ano calendário 2006, referente ao seu tratamento e da dependente Beatriz dos Santos Martins, o mesmo somente faz jus ao restabelecimento do valor de R$ 850,00. Explico. Ocorre que na DIRPF 2007, o contribuinte já havia declarado um pagamento a Argemio Souto, no valor de R$ 1.100,00, todavia no código 1 – Despesas com instrução própria do contribuinte no Brasil, conforme se vê à fl. 13. Pelo que se vê dos autos, esse pagamento foi informado no código errado. Entretanto, esse valor foi considerado como despesa de instrução no ajuste anual, uma vez que consta do somatório das deduções legais a esse título à fl. 12, cujo valor total foi de R$ 3.473,84, que corresponde ao somatório de R$1.100,00 + R$ 2.373,84 (valor último este do limite anual, referente às despesas de instrução informadas relativas à dependente). Sendo assim, no presente acórdão, deve ser deferido ao interessado, somente R$ 850,00 a título de deduções com Argemio Souto, evitandose, dessa forma, que aquele se beneficie duplamente da dedução dos valores pagos a Argemio Souto. Ressalto que o contribuinte, apesar dos alertas da DRJ, não anexou qualquer outro documento que pudesse suprir as falhas apontadas. Razão pela qual é dever manter as glosas relacionadas. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003110/200986 Acórdão n.º 2801003.312 S2TE01 Fl. 137 13 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11080.919714/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem informe o resultado do processo nº 11080.000169/2007-18 e a repercussão do resultado dele na compensação do débito neste processo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem informe o resultado do processo nº 11080.000169/2007-18 e a repercussão do resultado dele na compensação do débito neste processo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 231 1 230 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.919714/200911 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.408 – 3ª Turma Especial Data 27 de novembro de 2013 Assunto COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem informe o resultado do processo nº 11080.000169/200718 e a repercussão do resultado dele na compensação do débito neste processo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 37833.73227.300407.1.7.046166 (fls. 4 a 6) e 14939.24320.300407.1.3.042004 (fls. 2 e 3), utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de março de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 19 71 4/ 20 09 -1 1 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.919714/200911 Resolução nº 3803000.408 S3TE03 Fl. 232 2 Em procedimento de revisão de análise e homologação da DComp supra, que fora objeto de homologação integral, a DRF/Porto Alegre (DRF/POA), por meio do Despacho Decisório de nº 647/2011, à fl. 17, anulou os procedimentos internos anteriormente levados a cabo, mediante os quais homologara a presente compensação e, passo seguinte, não homologou o débito nela compensado pela Contribuinte, motivada pelo fato de que o crédito indicado já tinha sido integralmente utilizado em outras compensações que foram objeto de apreciação no Despacho Decisório de nº 669, de 25 de maio de 2009, fls. 7 a 11, no processo 11080.000169/200718. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, fls. 25/31, a Contribuinte: (i) alegou que a origem do pagamento indevido advinha do fato de ter considerado na base de cálculo da contribuição os efeitos do então vigente art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; (ii) relatou que refizera os cálculos excluindo da receita bruta as de natureza financeira, obtendo valor inferior ao efetivamente recolhido; (iii) observou que considerara ainda no recálculo a prerrogativa contida no art. 7º da Lei nº 9.718/98[1]; que permitia o diferimento de receitas (iv) discutiu a constitucionalidade das alterações implementadas pela Lei nº 9.718/1998 na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep; (v) requereu a improcedência da cobrança dos débitos declarados com a homologação da compensação e a conseqüente nulidade do Despacho Decisório. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre contrapôsse ao argumento da Manifestante de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 como origem do seu crédito: a) afirmando que a Autoridade administrativa e o Contencioso administrativo não têm competência legal para decidir sobre a inconstitucionalidade de leis vigentes no País; b) referindo que os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, que deferiu essa prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário; c) observando que o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no âmbito administrativo, condicionase a provimento concreto do Poder Judiciário, ou, ainda, a edição de Resolução do Senado suspendendo a eficácia de referido dispositivo legal, uma vez que a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal se deu por meio de controle difuso. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 INCONSTITUCIONALIDADE – 1 Art. 7° No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento das contribuições de que trata o art. 2° desta Lei poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço. Parágrafo único. A utilização do tratamento tributário previsto no caput deste artigo é facultada ao subempreiteiro ou subcontratado, na hipótese de subcontratação parcial ou total da empreitada ou do fornecimento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.919714/200911 Resolução nº 3803000.408 S3TE03 Fl. 233 3 A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. Cientificada da decisão em 8 de abril de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 29 de abril de 2013, em que bem manejou como único argumento a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, para sustentar o seu direito ao crédito utilizado na DComp sob análise, deixando novamente de se pronunciar sobre o seu crédito analisado no processo 11080.000169/200718. É o relatório. VOTO Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, este processo trata de compensação com crédito apreciado em outro processo. Assim, o deslinde da presente controvérsia deve transitar inicialmente pelo que consta do Despacho Decisório nº 669, de 25 de maio de 2009, no processo de compensação nº 11080.000169/200718, da DRF/Porto Alegre. Relatou o Chefe do Seort/DRF/POA: Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas (fls. 131 a 317 e 319 a 323), transmitidas em 15/12/2005, a fim de compensar débitos de COFINS não cumulativa, dos períodos de apuração de outubro e novembro/2005, totalizando R$ 8.303.781,56 (planilha de fl. 336), com créditos originados em pagamentos a maior ou indevidos de PIS/PASEP e de COFINS, nos períodos de apuração de dezembro/2000 a janeiro/2004 (requerimento de fls. 1 a 3).[grifei]... As referidas declarações de compensação tinham sido objeto de intimações pelo módulo Pagamento Indevido ou a Maior do SCC (fls. 5 a 41), pois não haviam sido localizados os DARFs dos pagamentos a maior. O contribuinte informou que os créditos utilizados não se. originaram somente de recolhimentos realizados por meio de DARFs, mas, também, por meio de compensações e de pagamentos realizados em PAES e por meio de depósitos judiciais, posteriormente convertidos em renda .da União (requerimento de fls. 1 a 3), Assim, após o cadastramento dos débitos no PROFISC, as declarações de compensação foram baixadas para tratamento manual no presente processo, para a análise dos créditos (fl. 318). Pela informação acima, naquelas DComps esta Contribuinte servirase de créditos de diversas origens, e deste fato decorreu a não localização de DARFs de pagamento a maior, pela DRF/POA. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.919714/200911 Resolução nº 3803000.408 S3TE03 Fl. 234 4 Naquele processo, do total pleiteado R$ 8.303.781,56 foi deferida a importância de R$ 1.451.965,00 e procedida a homologação parcial dos débitos compensados. Já na presente decisão recorrida o Colegiado assentou que a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório acima referido fora julgado por aquela mesma turma, por meio do Acórdão nº 1021.706, de 30 de outubro de 2009, e que este processo, nº 11080.000169/200718, encontravase aguardando julgamento no Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF. Registrou ainda que ”nesse caso, já foi verificado o direito creditório apontado pela empresa inexistindo previsão legal para uma nova análise do mesmo. A interessada não se pronunciou a respeito do assunto na manifestação ora analisada”. Assinalou que a interessada não se pronunciara na presente manifestação de inconformidade a respeito da concomitância na utilização do mesmo crédito. No recurso, a Interessada, de novo, nada menciona acerca da decisão administrativa que analisara os seus créditos cobrindo o período de dezembro de 2000 a janeiro de 2004. Por outro lado, também não ataca a decisão recorrida indicando em que ponto teria cometido erro em seu julgamento, cuidando apenas de defender o seu direito ao crédito, sob o pálio da inconstitucionalidade do art 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. De se ver que temos aqui um processo cujo objeto é uma compensação que utiliza crédito controvertido no processo nº 11080.000169/200718, antecedente a este, assim apontado pela DRF/Porto Alegre e confirmado pelo Colegiado de primeira instância, uma litispendência, a induzir a dependência deste ao que for decidido naquele. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem informe o desfecho que alcançou o processo nº 11080.000169/200718 e a repercussão do crédito, porventura, ali obtido na compensação do débito neste processo. Após proferir o resultado da diligência, seja dada ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 27 de novembro 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.907827/2009-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 07 82 7/ 20 09 -5 0 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907827/200950 Resolução nº 3801000.615 S3TE01 Fl. 88 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, pelo qual a DRF Curitiba não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 51.294,26, relativo a pagamento a maior de Cofins, 7987, no valor de R$ 1.968.638,72, efetuado em 14/09/2001, pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189) da Dcomp em epígrafe. Em razão de não ter sido confirmado o evento de sucessão entre a declarante e a detentora do crédito discriminado na DCOMP de n° 04148.56307.150805.1.3.047776 não se homologou a compensação pleiteada. Cientificada em 02/04/2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, alegando, em síntese, o seguinte. Diz que o Despacho Decisório está equivocado. Reconhece que a “a empresa, de fato, no momento da utilização dos créditos ainda não tinha regularizado a situação da incorporação junto à Receita Federal”. Aduz que “o referido registro de incorporação não ocorreu no momento adequado em virtude da quantidade de débitos que a empresa Banco HSBC S/A possuía os quais não estavam com a sua exigibilidade suspensa, o que, por sua vez, impedia a emissão de CND”. Afirma que somente em março de 2009 conseguiu obter a CND da empresa, regularizando, então, a situação da incorporação da empresa Banco HSBC S/A pelo HSBC Bank Brasil S/A. Sustenta que essa mera formalidade não deve ser considerada como “impedimento para que não seja considerado a existência de crédito, e consequentemente sua utilização pela empresa incorporadora”. Diz que em nome do princípio da verdade material a Administração não pode agir baseada apenas em presunções. Diz que no caso em tela, há comprovação da ocorrência da incorporação, conforme os documentos que anexou. Requer que a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), às fls. 22/25, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/09/2001 DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito está totalmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF a compensação não pode ser homologada. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907827/200950 Resolução nº 3801000.615 S3TE01 Fl. 89 3 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 30 a 40, alegando, em síntese, que · A não homologação da compensação se deu por não ter sido vislumbrado a ocorrência de sucessão entre o detentor do crédito e a Recorrente, o que restou modificado pelo v. acórdão recorrido; · Tendo em vista que a não homologação do crédito sob a alegação da sua inexistência consiste em fato novo, trazido aos autos apenas pelo v. acórdão recorrido, fazse necessário a juntada de novos documentos para comprovar a existência do crédito, procedimento este autorizado pelo art. 16, III, § 4o, 'c' do Decreto n° 70.235/1972; · No anocalendário de 2001, o Banco HSBC S.A., incorporado pela ora Recorrente, apurou e recolheu regularmente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS sobre o seu faturamento, sendo que para a competência de agosto de 2001, apurou o valor de R$ 1.917.344,46 a recolher, conforme se verifica em sua DIPJ 2002 (ano calendário 2001), o que pode ser verificado também na Memória de Cálculo da Apuração da COFINS do ano de 2001; · Eventual equívoco no cumprimento de obrigação acessória não tem o condão de invalidar o legítimo crédito de COFINS ora evidenciado e comprovado, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes; · Requer a reforma da r. decisão recorrida para o fim de homologar a compensação declarada, bem como determinar a RFB que proceda a retificação de ofício da DCTF do 3o trimestre de 2001. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907827/200950 Resolução nº 3801000.615 S3TE01 Fl. 90 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS pelo Banco HSBC S.A., incorporado pela ora Recorrente, referente ao mês de agosto/2001, que teria sido paga a maior. Alega ainda que a empresa incorporada detentora do crédito efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na DCTF do 3o trimestre de 2001, conforme cópia às fls. 75 e que a apuração correta estaria refletida na DIPJ 2002 (ano calendário 2001), conforme cópia às fls. 61/69. Conforme Despacho Decisório de fls. 60, a compensação declarada foi não homologada sob a fundamentação de não confirmação do evento de sucessão que legitimaria eventual utilização de crédito da empresa Banco HSBC S/A pela requerente HSBC Bank Brasil S/ª A Turma de Julgamento de 1ª Instância reconheceu o evento sucessório, no entanto não homologou a compensação pois o direito creditório não existiria porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos em DCTF. Apesar das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, prevista no § 4º do art. 16 do PAF, entendo que estes devem ser aceitos, com respaldo na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, quando destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, in verbis: § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Ressalvese que a alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, sob a alegação de que a recorrente estaria impossibilitada de fazêlo por já ter transcorrido mais de 5 anos desde a data da sua transmissão eletrônica. Entendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907827/200950 Resolução nº 3801000.615 S3TE01 Fl. 91 5 Segundo consta na DCTF, às fls. 75, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de agosto/2001, no montante de R$ 1.968.638,72, recolhido em 14/09/2001, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 73. No entanto, o valor apurado na DIPJ 2002 (anocalendário 2001) referente à COFINS nesse mesmo período foi no montante de R$ 1.917.344,46, conforme cópia às fls. 61/69. Essa apuração também está refletida no demonstrativo contábil apresentado à fl. 71. Em confronto com o valor recolhido daria ensejo a um pagamento a maior no montante de R$ 51.294,26. Este foi o valor do crédito informado no PERDCOMP e utilizado para compensação com débito de COFINS, às fls 76/82. Desse modo, devem ser considerados como elemento de prova os documentos comprobatórios apresentados, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189), período de apuração de agosto/2001, origem do crédito informado no PERDCOMP e utilizado para compensação, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720392/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Marcelo Rodrigues, OAB/MG nº. 106.133.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Marcelo Rodrigues, OAB/MG nº. 106.133. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Marcelo Rodrigues, OAB/MG nº. 106.133. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 539.781,99, referente ao período de maio de 2002. Por meio do Despacho Decisório de fl. 123, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação vinculada. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) de débito da Contribuição para o PIS, código 6912 do período de apuração 04/2004 mediante o aproveitamento de crédito proveniente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 39 2/ 20 07 -9 3 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720392/200793 Resolução nº 3202000.174 S3C2T2 Fl. 323 2 de pagamento a maior a título de PIS, código 8109, relativo ao período de apuração de 05/2002. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 141/2009 (fls. 87 a 89), exarou o despacho decisório de fl. 90, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologar a compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: O contribuinte retificou a DCTF alterando o valor do PIS devido para o período em questão. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ. Constam recolhimentos que totalizam o valor de R$ 15.832.297,65; O processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência visando a apuração do valor efetivo devido ao PIS. O resultado da diligência consta do relatório de fls. 77/85 onde consta que foram apuradas divergências em relação ao valor das demais receitas e na composição da base de cálculo, relativamente aos valores tributados à alíquota diferenciada. Além disso, foi constatada uma exclusão em duplicidade de valores referentes a vendas canceladas, devoluções, descontos incondicionais e exportações. A contribuição a pagar apurada, após dedução da CIDE foi no valor de R$ 18.611.124,38; Constatouse que o recolhimento registrado no Sinal 07 sequer é suficiente para quitar o débito apurado pela auditoria, não restando qualquer crédito que lastreie a compensação pleiteada. Cientificada do Parecer Seort em 05/05/2009 (fls. 107), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 01/06/2009 (fls. 109 a 111), alegando, em síntese, que os seus cálculos divergem do apurado pela fiscalização conforme demonstrativo apresentado, onde são contemplados os produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas com os devidos ajustes não considerados no relatório de diligência fiscal e o demonstrativo do PIS a pagar onde é apurado o valor de R$ 15.126.201,31. Esclarece, ainda, que, para cálculo dos valores demonstrados, utilizouse dos dados nas planilhas em anexo (fls. 112/115). A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJ2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJ2 n.º 1333.050, de 13/01/2011 (fls. 189/195), assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 28/05/2002 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720392/200793 Resolução nº 3202000.174 S3C2T2 Fl. 324 3 REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ALÍQUOTA. O regime especial de tributação concentrada incidente na comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) alcança também a receita de venda de propano e butano desde a edição da Lei 9.990/2000, que deu nova redação ao artigo 4º, III, da Lei nº 9.718/1998. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 204/217, por meio do qual sustenta, depois de afirmar ser incontroverso que, no período de apuração do crédito pleiteado, optava por manter um sistema de controle de contas contábeis que não permitia segregar as receitas decorrentes das vendas de produtos sujeitos à incidência do PIS mediante a aplicação de alíquotas diferenciadas, tampouco permitia fossem feitas exclusões decorrentes de liminares obtidas por adquirentes de gasolina e óleo diesel: No que concerne à questão da exclusão referente à gasolina de aviação (produto código 623), a decisão recorrida considerou que não foram apresentadas provas para comprovar as receitas advindas da venda deste produto, a fim de que se justificassem as exclusões. Os procedimentos contábeis da Recorrente, que não segregava as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, foram considerados adequados na decisão recorrida, assim como foi reconhecido o direito de utilização de alíquotas diferenciadas na venda de gasolina de aviação. Não poderiam ser acatadas as exclusões referentes às vendas de gasolina de aviação que geraram parte dos pagamentos indevidos perpetrados, pelo fato de a Recorrente não ter trazido provas suficientes para demonstrar o direito alegado. Em maio de 2002, não eram aplicadas alíquotas diferenciadas às vendas de gasolina de aviação, mas, sim, a alíquota geral (para comprovar, afirma trazer à colocação cópias das notas fiscais de vendas do aludido produto que foram realizadas no mês em questão, as quais somariam R$ 4.658.679,96). Em virtude de procedimentos contábeis da Recorrente, que não segregava as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, as vendas de Propeno Grau Polímero também foram contabilizadas na mesma conta daquelas atinentes ao GLP. Este produto não está abrangido pela Solução de Consulta n.º 245, de 31 de outubro de 2002, tampouco pelas Instruções Normativas RFB n.º 219, de 2002, e 247, de 2002. As vendas deste produto deveriam ter sido tributadas à alíquota geral, e não diferenciada como o GLP (para comprovar, afirma trazer à colocação cópias de documentos referentes às vendas do aludido produto que foram realizadas no mês de maio de 2002, as quais somariam R$ 8.139.946,63). Quanto à exclusão na base de cálculo do PIS das receitas advindas das vendas de nafta à indústria petroquímica, o balancete trazido à colação demonstra que obteve receita de R$ 307.212.036,62, razão pela qual é aplicável o disposto no art. 14 da Lei n.º 10.333, de 2001. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720392/200793 Resolução nº 3202000.174 S3C2T2 Fl. 325 4 A decisão recorrida desconsiderou o disposto no art. 1ª da Lei n.º 10.312, de 2001, que reduziu a zero as alíquotas de PIS e de Cofins sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, quando destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, pois considerou que a sua eficácia estaria condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado das Minas e Energia e da Fazenda, o que vai de encontro com o próprio entendimento da RFB (reproduz pergunta de n.º 394, obtida no sítio eletrônico da RFB). Diante disso, plenamente justificável a exclusão de R$ 26.139.850,75 da base de cálculo do PIS no mês de maio de 2002. Além de diversos princípios constitucionais, o processo administrativo também se submete ao da verdade material, da oficialidade e o da ampla instrução probatória. É por esse motivo que se mostra impositiva a apreciação dos documentos colacionados ao Recurso Voluntário. A oposição do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, ao seu direito caracteriza agressão ao direito de defesa. No que tange à exclusão de R$ 83.749,60 da base de cálculo do PIS, em virtude de liminares obtidas das empresas substituídas, em ações por elas intentadas contra a União, nada mais fez do que cumprir ordens para deixar de adotar o regime de substituição tributária. Os demais ajustes extracontábeis realizados, que culminaram na exclusão de diversos valores da base de cálculo do PIS (R$ 68.497,22, R$ 47.828.935,97, R$ 6.996.391,36 e R$ 1.417.314,22) decorrerem do fato de que o PIS era recolhido até o último dia útil da primeira quinzena do mês seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. Diante disso, o PIS era recolhido com base de cálculo estimada, sendo que, após o fechamento contábil, eram realizados diversos ajustes para determinação da base de cálculo definitiva, motivo pelo qual feitas as exclusões. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A interessada apresentou PER/DCOMP visando restituir e posteriormente compensar crédito oriundo de pagamento a maior do PIS apurado em maio de 2002. A unidade de origem, quando da apreciação do pedido, estimou que o PIS devido no período de apuração indicado apresentavase em valor superior ao defendido pela Recorrente. Cabe destacar que a Recorrente vende produtos sujeitos à alíquota geral e a alíquotas diferenciadas. Contudo, afirma que, no período de apuração do crédito vindicado, o sistema de controle de contas contábeis de que se utilizava não permitia segregar as receitas decorrentes das vendas de produtos sujeitos à incidência do PIS mediante a aplicação de alíquotas diferenciadas, tampouco permitia fossem feitas exclusões decorrentes de liminares obtidas por adquirentes de gasolina e óleo diesel. No caso, a fiscalização concluiu, no Relatório de fls. 110/118, que o valor a pagar apurado pela empresa foi de R$ 15.292.515,66, enquanto que o devido alcançava R$ 18.611.124,38, daí o indeferimento do pleito. Afirma que, na composição de sua base de cálculo, seria possível identificar os seguintes problemas, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720392/200793 Resolução nº 3202000.174 S3C2T2 Fl. 326 5 a) O valor das demais receitas apurado pela empresa foi menor do que o apurado nesta diligência (R$ 1.116.550.589,66 contra R$ 1.259.599.234,85); b) Na composição de sua base de cálculo, a empresa excluiu R$ 4.441.097.896,60 relativos a valores tributados à alíquota diferenciada. Porém, ao tributar os valores sujeitos a alíquotas diferenciadas só incluiu R$ 4.131.013.922,49 (valor bruto de gasolina, óleo diesel e GLP planilha às folhas 27 e 28); c) Também, quando da composição da base de cálculo, a empresa excluiu os valores de Vendas Canceladas, Devoluções, Descontos Incondicionais e Exportações pelo seu valor total. Acontece que, parte desses valores foram excluídos das bases tributáveis das receitas de produtos sujeitos à alíquotas diferenciadas. Ou seja, a empresa deduziu duas vezes esses valores. Esta auditoria efetuou os ajustes necessários, deduzindo das receitas sujeitas à alíquota geral apenas o valor líquido. A discussão, como se vê, cingese à composição da base de cálculo, notadamente quanto ao valor das “demais receitas” e das exclusões de valores tributados à alíquota diferenciada (gasolina, óleo diesel e GLP), mas, também, como se verá, quanto ao valor de outras exclusões. No Recurso Voluntário, a Recorrente traz aos autos cópias de documentos que, segundo afirma, respaldariam, ao menos em parte, algumas dessas exclusões da base de cálculo do PIS (quanto à gasolina de aviação e ao propeno). Analisados os autos, desde logo ressalto certa dificuldade em verificar a origem das diferenças apontadas pela fiscalização, já que esta finalizou o seu Relatório com valores totalizados, sem mencionar especificamente de onde decorreriam as diferenças (p. ex., vendas sem a cobrança do tributo por força de medidas liminares, não referidas no Relatório da fiscalização). Notese que a Recorrente se refere à exclusão de diversos valores também não citados explicitamente no Relatório, como os que se originariam do fato de que essa contribuição era recolhida até o último dia útil da primeira quinzena do mês seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, de modo que recolhia o PIS sobre base de cálculo estimada, sendo que, somente após o fechamento contábil, realizava diversos ajustes para determinação da base de cálculo definitiva (R$ 68.497,22, R$ 47.828.935,97, R$ 6.996.391,36 e R$ 1.417.314,22). Esse fato, se ocorreu, parece justificar as exclusões na base de cálculo do tributo. Enfim, dúvidas remanescem e, a meu sentir – tirante as questões exclusivamente de direito –, impossibilitam, neste momento, o julgamento. Pelo exposto, voto no sentido de que seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora, com base nos documentos acostados aos autos e, caso necessário, noutros obtidos mediante intimação da Recorrente: a) identifique a origem da receita correspondente à diferença entre o valor das “demais receitas” apurado pela Recorrente e o apurado pela fiscalização (R$ 1.116.550.589,66 contra R$ 1.259.599.234,85); Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10768.720392/200793 Resolução nº 3202000.174 S3C2T2 Fl. 327 6 b) identifique, por origem, cada uma das exclusões da base de cálculo do tributo, incluindo, aceitas ou não, as expressamente referidas no Recurso Voluntário; c) elabore tabela refletindo a base de cálculo apurada (mantida ou alterada na diligência), discriminando, também por origem, cada um dos valores controvertidos. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10830.012696/2010-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, , Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, , Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 69 6/ 20 10 -8 8 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012696/201088 Resolução nº 2403000.189 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 04/18, interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, de n. 0533.485, prolatada na sessão de 19 de abril de 2011. A Recorrente afirma que em 18/02/2010, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08104002010000640, o qual o cientificou acerca dos procedimentos de fiscalização para o período de 2006 e 2007, que decorreu na lavratura do Auto de Infração – AI DEBCAD 37.286.5550, objetivando a cobrança do crédito tributário no importe de R$ 262.168,35 (duzentos e sessenta e dois mil, cento e sessenta e oito reais e trinta e cinco centavos). O Recorrente alega ausência de descrição com clareza e precisão das infrações, supostamente violando o princípio da ampla defesa, bem como a impossibilidade da tributação do reembolso de despesas, denominados de premiação. Também argui o caráter confiscatório da multa aplicada, ao arrepio do art. 150 da Constituição Federal, art. 150, VI, requerendo ao final, a reforma do acórdão recorrido, determinandose por conseguinte a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012696/201088 Resolução nº 2403000.189 S2C4T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.53, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A partir da análise da fl. 53, percebese que o presente processo era, originalmente, de papel e foi convertido em digital pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, que atestam a tempestividade do recurso e informam que o processo 10830.012696/201088 (DEBCAD 37.286.5550) é o principal e os processos 10830.012695/201033 (DEBCAD 37.286.5542) e 10830.012697/201022 (AI 37.286.5569) foram a eles apensados. No entanto, nos arquivos disponíveis no eprocesso, consta apenas a capa do Volume I dos autos, fl. 01, além dos termos de apensamento e recursos voluntários. Tal situação inviabiliza o julgamento por parte deste colegiado, sendo necessário a realização de diligência para fins de busca dos documentos físicos para digitalização e posterior indicação para julgamento. CONCLUSÃO Do exposto, converto o julgamento em diligência a fim de determinar a digitalização completa do processo. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000280/2010-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2007
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO.
A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações.
Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda - evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos.
A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Natanael Martins. OAB/SP nº 60.723.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A “desmutualização”, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 80 /2 01 0- 93 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Natanael Martins. OAB/SP nº 60.723. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão de piso que manteve o lançamento de constituição do crédito tributário de PIS e COFINS relativo ao período de apuração de 01.11.2007 a 31.12.2007. A discussão se refere à incidência das Contribuições para o Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social sobre receitas oriundas de venda de ações da Bovespa Holding e da BM&F recebidas pela Recorrente oriunda do processo denominado “desmutualização” das associações Bovespa e BM&F em substituição aos antigos títulos patrimoniais que possuía das entidades. O entendimento expressado no Acórdão recorrido é de que as ações recebidas deveria ter sido contabilizadas em conta de Ativo Circulante, em razão de configurar uma operação típica de “mercado de Balcão” Contrapondo, argumenta a empresa recorrente, que a natureza jurídica do negócio implicou na extinção das entidades, de modo que a ação das sociedades anônimas recebidas pelos associados se apresentaria como novo bem a integrar o patrimônio da pessoa jurídica adquirente dessas ações. Em síntese afirma ter ocorrido cisão seguida de incorporação, tudo isso autorizado nos artigos 2033 e 1116 do Código Civil Brasileiro e o art. 225 da Lei Societária. “A Bovespa associação (Bovespa), por meio de cisão parcial, verteu parte de seu patrimônio para duas Sociedades já existentes, no caso, para a Bovespa Serviços e Participações S.A (Bovespa Serviços), e Bovespa Holding S.A (Bovespa Holding”. É o relatório. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 16 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O cerne da questão colocada reside em saber se as ações recebidas e negociadas deveriam ter sido contabilizadas em Circulante ou no Permanente, o esse fato não ser relevante à incidência tributária que exige a Fazenda Federal. Em sendo assim, a controvérsia trazida neste caderno processual administrativo centra na exigência de contribuição para o PIS e COFINS incidentes sobre operação denominadas “desmutualização” com alienação de ações resultante. Temse em conta como contribuintes da COFINS e do PIS/Pasep na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, basicamente, estão sujeitas a COFINS e à contribuição para o PIS/PASEP na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, como as instituições financeiras e as receitas decorrentes de prestação de serviços com transporte coletivo com observância do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 23/2008, de acordo com o disposto no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, hospitalares e educação, independentemente da forma de tributação adotada. As pessoas jurídicas de que trata a Lei nº 9.718/98 correspondem: bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamentos e investimento, sociedade de créditos imobiliários, sociedade corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativa de crédito, empresas de seguros privados, entidades de previdência privada, abertas e fechadas, empresas de capitalização, pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários e financeiros e as operadoras de planos de assistência à saúde. Estende também as empresas de que trata a Lei nº 7.102/1983 ao dispor sobre segurança para estabelecimento financeiro e estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores. Em sendo assim, as corretoras para os fins tributários encontram encartadas no rol das pessoas jurídicas sujeitas à modalidade cumulativa, permanecendo às normas da legislação vigente anteriormente às Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, alteradas pelas Leis nºs 10.865/2004 e 10.925/2004. Feitas essas considerações, passo ao exame do caso concreto. As ações negociadas decorrem das modificações advindas do tipo de sociedade civil para sociedade anônima, cujos títulos patrimoniais ao tempo estavam contabilizados no Ativo Permanente, grupo Investimento. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Celeuma se exacerba em razão do objetivo social da Recorrente incluir transações de títulos em bolsa e mercado de balcão. Por isso entende o Fisco tratarse de receita pertinente ao objetivo social, e, sendo assim, deveria submeterse à incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, além do que, as ações deveriam ter sido contabilizadas em Ativo Circulante. A operação realizada consistiu em recebimento de ações em decorrência da cisão parcial, vertendo parte de seu patrimônio para duas sociedades já existentes, e, a título de pagamento do patrimônio vertido recebeu ações, posteriormente permutadas por ações da Holding. Mantendo desse modo a participação da Interessada no novel empreendimento, Bovespa Holding. Conforme se depreende dos autos os títulos patrimoniais foram substituídos por ações da Bovespa Holding. Em síntese ocorreu uma troca dos ativos, quanto a isso não resta dúvida. A meu ver essa operação jamais pode ser considerada devolução de patrimônio aos associados da extinta associação. Também, tenho como certo a contabilização das ações no grupo de Investimento em razão do caráter permanente, o fato de alienação de parte desses títulos no futuro não descaracteriza a intenção de manter a participação na sociedade constituída com parte do patrimônio da empresa cindida. A participação permanente em outras sociedades é tradicionais investimentos em outras empresas, tanto na forma de ações quanto de quotas, configura aplicação de capital não de forma temporária ou especulativa, demonstra o interesse e intenção de usufruir os frutos (rendimentos) na proporção do montante investido. Vislumbro nesse caso a natureza voluntária, como sendo uma espécie da extensão da atividade econômica como sendo a pessoa encarregada de efetivar os negócios e os interesses da investidora. De modo que, o investidor espera são valores significativos desse empreendimento, entre esses, rentabilidade que seja direta ou indireta, isso é o que importa. A classificação contábil é atribuição da empresa investidora, só ela sabe da sua própria intenção, daí cabe tãosó a ela essa tarefa. Esse fato leva ao passado recente quando existia inflação absurdamente insuportável e destruidora da economia nacional, nesse tempo a correção monetária dos ativos permanente era obrigatória, isso é, até 1995. Naquele tempo era inaceitável a reclassificação de ativos contabilizados no grupo investimento permanente para o circulante. Prevalecia o entendimento das autoridades fiscais de que a legislação relativa ao Imposto de Renda vedava reclassificação de elementos registrados no Ativo Permanente para o Ativo Circulante, que deveria continuar integrando o Permanente até a efetivação da alienação. Como é de conhecimento geral que a contrapartida do acréscimo do Ativo Permanente decorrente da correção monetária era contabilizada a crédito em conta de Resultado, cujo resultado era tributado pela legislação do Imposto de Renda, facultado ao diferimento. Essa matéria em voto recente da lavra do Conselheiro e relator Ivan Alegre, bem como, em declaração de voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, foi esmiuçada e restou bem fundamentada, na qual busco socorro como fundamento de decidir: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 17 5 “Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A exigência de PIS/COFINS está lastreada no entendimento da Fiscalização de que o resultado da vendas, da contribuinte para terceiros, de ações da Bovespa Holding SA e da BM&F SA deveria receber o tratamento de receita operacional, e não de venda de ativo imobilizado. A Fiscalização entende que, por força do art. 61, § 1º, do Código Civil vigente, as associações sem fins lucrativos – que era a modalidade na qual se encontravam formatadas as bolsas de valores antes da desmutualização – apenas poderiam destinar o seu patrimônio para entidades congêneres ou, quando muito, restituir aos seus associados o valor atualizado das contribuições que prestaram ao patrimônio da associação. Baseada neste dispositivo, a Fiscalização entende que a venda das ações pela contribuinte teria sido o desfecho de uma seqüência de operações, as quais teriam começado com o ato de devolução de patrimônio da associação para os seus quotistas, seguido da aquisição das ações e a sua subseqüente venda, de modo que tal venda revelaria a prática de atividade operacional típica da atuação econômica da contribuinte, de negociação de títulos no mercado financeiro. É isto o que transparece do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 224): Como se vê, o dispositivo é claro ao exigir que o estatuto de associação só possa destinar seu patrimônio em caso de dissolução, mesmo parcial, para outra entidade de fins não lucrativos. Porém, permite que os associados recebam em restituição, as contribuições prestadas no passado. Resta irrefutável a necessidade de que sejam observadas as limitações impostas pelo Código Civil. Assim, as contribuições prestadas no passado pelas corretoras, convertidas em títulos patrimoniais, não podiam ser destinadas a uma sociedade empresarial com fins lucrativos. Entretanto, a norma jurídica permite a DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO aos associados, referente às contribuições prestadas no passado, no caso, o valor dos títulos patrimoniais. Diante do acima exposto, concluise que houve uma Devolução de Patrimônio, seguida da aquisição das ações subscritas, apesar de a Bolsa denominar a operação de "cisão parcial", seguida de "incorporação". Não se trata, pois, de mera SUBSTITUIÇÃO de títulos por ações. A Fiscalização, como visto, não concorda com os fatos: discorda da possibilidade de incorporação, com fundamento na qual procedeuse a substituição dos títulos patrimoniais por ações, tal como concretamente foi realizado. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Entende que apenas seria possível a devolução do patrimônio pela associação aos seus associados, na forma do art. 61, § 1º do Código Civil vigente. Ocorre que, concretamente, não houve um ato de restituição do patrimônio pela associação aos seus associados. O que houve, de fato, foi a troca dos títulos por ações, em concretização das operações de cisão e incorporação do patrimônio da associação, resultando em sua extinção. Não parece possível dizer que as ações teriam sido dadas em pagamento pelas sociedades anônimas, pois concretamente não houve a compra dos títulos patrimoniais pelas sociedades anônimas. Não houve mudança de titularidade dos títulos patrimoniais para si. Também não parece possível dizer que teriam sido dados em pagamento pela associação, como forma de pagamento em restituição do patrimônio, pois a associação nunca foi titular das ações. Não foi a associação quem teria utilizado as ações, pois as ações não lhe pertenciam. Nem houve concretamente, repise se, uma restituição do patrimônio pela associação, em resgate de seus próprios títulos. A restituição prevista no art. 61, § 1º, do CC possivelmente teria acontecido se, diante da finalidade de extinguir a associação, não fossem aplicáveis a cisão e a incorporação. O que se percebe, pois, é que a aplicação destes institutos societários no caso concreto suprimiu o ato de restituição do patrimônio aos associados. Neste ponto, aliás, o recorrente argúi a aplicação do art. 2.033 do CC para sustentar a possibilidade jurídica de aplicaremse os fenômenos societários da mutação, incorporação, cisão e fusão às associações. Este dispositivo prevê que, “Salvo o disposto em lei especial, as modificaçõES dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”, sendo que, dentre as pessoas jurídicas listadas no art. 44, logo no inciso I, figuram as associações. Não parece que a ressalva inicial seja capaz de eliminar todo o conteúdo que se segue, no sentido de que as entidades sem fins lucrativos estariam excluídas do envolvimento nestes fenômenos societários. De fato, não parece possível extrair outra interpretação do dispositivo, senão de que permite tais operações em relação às associações, nada obstante se possa lamentar a falta de detalhamentos normativos mais precisos para a sua aplicação em relação às entidades sem fins lucrativos. Este caso, aliás, é sintomático das dificuldades geradas pela falta de um balizamento mais detalhado e devidamente contextualizado com as características próprias das entidades Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 18 7 sem fins lucrativos, em especial quando estão envolvidas entidades com fins lucrativos. De outro lado, chama atenção o fato de que não houve qualquer notícia de questionamentos na época, colocando em dúvida a legalidade ou acusando de algum tipo de falta de ortodoxia os atos concretos praticados para levar a efeito a desmutualização das bolsas. Dentre os atos praticados não houve, pois, uma restituição de patrimônio da associação para os seus associados. Também não houve uma aquisição propriamente dita das ações. Houve, em concretização das operações societárias, a substituição dos títulos patrimoniais por ações. Interpretar como quer a Fiscalização exigiria desconstituir a operação concreta, por ilegalidade, ante a convicção de que não poderia ter acontecido pelo itinerário jurídico adotado, pois apenas outro caminho seria possível: o qual passaria necessariamente pelo ato específico de restituição, pela associação aos seus associados, das suas contribuições ao patrimônio da entidade. Ocorre que, respeitada a competência deste Tribunal Administrativo, tornase necessário presumir a legalidade das operações que concretizaram a “desmutualização”, mesmo porque ocorridas sob a tutela e autorização do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Valores Mobiliários. Baseado, pois, na convicção de que de fato não houve uma devolução pela associação aos associados, do patrimônio da associação, seguida da aquisição e venda das ações, mas que concretamente houve a troca dos títulos patrimoniais pelas ações, entendo que a posterior venda destas ações não configuram receita operacional da contribuinte, mas venda de seu ativo imobilizado. Na DRJSão Paulo/SP, prevaleceu por maioria de votos o entendimento de que se estaria tratando de receita operacional, pelo argumento central de que os ativos em questão teriam natureza distinta. Ou seja, porque os títulos patrimoniais não teriam a mesma natureza das ações, estaria justificada a desclassificação destes últimos da conta de ativo permanente, devendo ser reclassificados na conta de ativo circulante, diante da natureza operacional da negociação que teria envolvido seu ingresso e sua saída. O raciocínio é linear, mas apenas formalmente. Esbarra no mesmo problema anterior, na mesma complexidade dos atos que envolveram a cisão e a incorporação, dando causa ao deslocamento do patrimônio da associação para patrimônio de sociedade anônima, à mutação da condição de associado em acionista, e da substituição de títulos por ações. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Embora juridicamente sejam distintas as qualidades de um título e de uma ação, no conjunto de direitos e deveres que encerram, os dados da operação concreta demonstram que significam substancialmente o mesmo conteúdo patrimonial. Podese dizer, com efeito, que se trata da mesma participação e do mesmo conteúdo econômicopatrimonial, relativas a uma pessoa jurídica que manteve a mesma atividade e finalidade, mas agora atuando com um estatuto diferente, sob um regime jurídico diferente. Frisese que a situação aqui tratada é bastante peculiar, pois não se está tratando de uma troca genérica de ativos diferentes, mas da troca de um título de uma participação societária que deixou de existir, por extinção da própria associação, por um título de participação societária de uma sociedade anônima que passou a existir, sucedendo o patrimônio da pessoa jurídica extinta. Na perspectiva da contribuinte, portanto, legitimase dizer que onde antes havia os títulos patrimoniais – que deixaram de existir – passou a haver as ações – que tomaram o lugar dos títulos extintos –, uma substituindo o lugar da outra na mesma conta de ativo permanente. Se tal operação societária não seria possível de acordo com a legislação civil, este Tribunal não tem como questionar, mas tendo assim ocorrido, é de acordo com estes atos concretos que levaram a cabo tais operações que deve ser aplicada a legislação. A substituição das quotas pelas ações, portanto, caracterizam a sucessão de um título – que deixou de existir – por outro – que passou a existir em seu lugar –, representativos da sucessão ocorrida entre as pessoas jurídicas envolvidas – a que deixou de existir e a que passou a existir em seu lugar –, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Voto pelo provimento do recurso. Ivan Allegretti.” No mesmo sentido é a declaração de voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: “O recurso voluntário ora em debate controverte autos de infração de COFINS e da contribuição ao PIS lavrados na pressuposição de que a recorrente haveria de ter espontaneamente exposto à tributação receitas por ela auferidas da alienação de ações ocorrida em 2007. Em suma, discutese se tratava da alienação de itens legitimamente classificados no “ativo permanente” – e portanto, da obtenção de receitas insujeitas às exações, nos termos do artigo 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98 – ou se, ao contrário, referidos direitos deveriam compor o “ativo circulante” da pessoa jurídica e, nesta condição, ao serem Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 19 9 cedidos a terceiros, proporcionar receitas passíveis de incidência. Pois bem. Corretora de títulos e valores mobiliários, a recorrente deteve títulos representativos do patrimônio da Bolsa de Valores de São Paulo, enquanto a investida revestiu a forma de associação civil (a “Associação Bovespa”). Neste período, aliás, todo e qualquer operador do mercado de ações mantinha vínculo associativo com a Bovespa, uma vez que somente assim, ostentando título de associado, era admitido a atuar junto à entidade. Em agosto de 2007, entretanto, a Associação Bovespa se submeteu a uma operação societária que resultou em versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a “Desmutualização”). O Fisco não questiona, entendase bem, a classificação adotada pela recorrente na ativação dos títulos emitidos pela Associação Bovespa. Reconhecelhes a condição de “ativos permanentes”, inclusive porque, como mencionado, o próprio exercício das atividades de corretagem pressuponha à época a aquisição e a manutenção da propriedade destes direitos. Quem quer que pretendesse intermediar valores mobiliários negociados na Bovespa haveria de previamente se associar à entidade. O Fisco constrói os lançamentos em debate sustentando que, embora os títulos patrimoniais estivessem acertadamente contabilizados no ativo permanente, as ações que os substituíram não poderiam ter sido validamente escrituradas ali. Acusa a recorrente, em síntese, de não ter realizado uma supostamente obrigatória reclassificação dos novos ativos, por ocasião da operação societária a que se submeteu a investida. Numa palavra: dada a natureza dos atos societários levados a efeito pela Associação Bovespa em agosto de 2007, era exigível que a recorrente alterasse a classificação contábil que validamente adotara com relação aos títulos patrimoniais substituídos? É disso que se trata. Para dar consistência à sua tese, a autoridade lançadora argumenta que a operação societária em questão percorreu as Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 seguintes etapas: (i) extinção da associação até então existente; (II) devolução de seu acervo patrimonial aos associados; e, finalmente (iii) reaplicação deste acervo, pelos associados, na integralização do preço devido pela subscrição, por cada qual, das ações emitidas pela Bovespa Holding S.A. E digo que a narrativa se presta a dar consistência aos autos de infração porque é a partir desta sequência de supostas fases em que se desdobraria a operação societária que o Fisco constrói seu argumento quanto à obrigatoriedade da reclassificação dos ativos. É que de acordo com o Parecer Normativo CST nº 108, de 1978, editado a propósito do advento da Lei nº 6.404/76, a classificação das participações societárias no ativo permanente ou no circulante é presidida pela intenção manifestada pelo investidor no momento da aquisição. Vejase: “Investimentos: (...) 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle acionário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos – caso haja interesse de permanência – ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido.” (grifamos) De acordo com a orientação fixada no normativo acima, a intenção presente por ocasião da aquisição do ativo é a que, em princípio, deve orientar a classificação contábil, a significar que direitos escriturados no permanente quando da respectiva aquisição devem permanecer como tais mesmo depois de sobrevinda a decisão de alienálos. Nesse sentido, aliás, dispõe o Parecer Normativo CST nº 3/1980, segundo o qual: “8. (...) a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” Só por isso, aliás, é que se cogita da alienação de bens integrantes do ativo permanente da pessoa jurídica. Se a só cessação da intenção de permanência bastasse para compelir a sociedade a reclassificar direitos anteriormente escriturados em “investimentos” ou em “imobilizado”, somente itens do ativo circulante seriam passíveis de alienação. Sim, porque se a intenção subsequente de venda importasse a obrigatoriedade da Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 20 11 prévia realocação, os negócios de alienação teriam por objeto, sempre e por princípio, elementos tão só do próprio circulante. Desta forma, se a classificação pautase pela vontade exteriorizada no momento da aquisição, a subsistência dos autos de infração aqui recorridos pressupõe que se possa divisar, na operação societária por que passou a investida, um negócio jurídico de aquisição de ações praticado por seus associados. É o que sustenta a autoridade lançadora, para quem a recorrente obteve as ações em suposto ato de integralização do capital social da Bovespa Holding S.A., depois de ter recebido em devolução parcela do patrimônio pertencente à Associação Bovespa. No raciocínio trilhado pelo Fisco, como visto acima, a Desmutualização da entidade se consumou, primeiro, através da partilha do patrimônio então existente entre seus associados e, na sequência, por meio de atos individuais de reaplicação deste mesmo patrimônio na sociedade anônima sucessora, mediante subscrição de capital. E é nesta última etapa que a fiscalização se permite enxergar o ato volitivo de aquisição a que alude o PN CST nº 108/78 para demandar da recorrente a reclassificação do ativo. Sucede que a reestruturação por que passou a associação se deu por meio de cisão. Nas cisões, a pessoa jurídica cindida delibera segregar direitos e obrigações que integram seu patrimônio e vertêlos para uma entidade já existente – caso da operação realizada pela Associação Bovespa – ou então para uma cuja constituição é deliberada na própria ocasião. De acordo com a Lei nº 6.404/76, no que dela não difere a disciplina do atual Código Civil, a transferência do patrimônio cindido para a pessoa jurídica que o absorver dáse a título de integralização de capital social. Pelo ato de cisão, portanto, a cindida subscreve a benefício de seus próprios acionistas a formação ou o aumento do capital social da sucessora e o integraliza com o patrimônio líquido segregado. Como consequência, o capital da cindida se divide e parte dos títulos que o representam é automaticamente extinta e substituída por papéis emitidos pela receptora, em decorrência da própria subscrição. A cisão não envolve devolução de patrimônio aos detentores de títulos emitidos pela cindida pela singela razão de que o ato implica transferência direta de patrimônio de uma pessoa jurídica à outra, sem intermediação. Direitos e obrigações objeto da operação passam da cindida imediatamente à incorporadora, sem transitarem pelo patrimônio dos investidores. É o que se lê do contido nos artigos 223, §2º, 227, §2º e 229, §§3º e 5º, todos da Lei nº 6.404/76 e, de resto, dito e repetido em doutrina. Nesse sentido, confirase em Modesto Carvalhosa as seguintes relevantes passagens: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 “Subscreve o aumento a incorporada e não seus acionistas, embora o produto dessa subscrição, ou seja, as ações ou quotas dela decorrentes, sejalhes entregue. Temos assim que o pagamento da subscrição é feito pela incorporada, em benefício de seus sócios ou acionistas, e não em benefício próprio.” 1 “Ocorre que a incorporação, que se efetiva com a subscrição do capital da incorporadora com o patrimônio líquido da incorporada, não constitui nem compra e venda, nem alienação sui generis. Isto porque a transferência do patrimônio de uma para outra sociedade dáse a título de pagamento das ações subscritas pela incorporada a favor de seus sócios ou acionistas. E, com efeito, a vontade da sociedade que será incorporada não é de alienar, permutar ou vender seu patrimônio, mas de subscrever com ele o capital de outra sociedade. Assim, a subscrição, que é obrigação da incorporada, cumprese com a integralização em bens e direitos que constituem o seu patrimônio, fazendoo pelo valor líquido deste. A entrega desse patrimônio como forma de pagamento tem como efeito a transferência de propriedade sobre o mesmo, no valor correspondente ao da subscrição. Temos, assim, que a transferência do patrimônio da incorporada para a incorporadora se dá a título de pagamento da dívida contraída com a subscrição.” 2 “Dessa forma, diretamente, o patrimônio da sociedade cindida transferese às novas ou já existentes sociedades, que se tornam suas sucessoras universais, na exata medida da parcela do patrimônio que lhes é transferida.” 3 Ainda nesse sentido, advogar a tese do Fisco, no sentido de que a operação em análise envolveu devolução de patrimônio aos associados da Bovespa, exigiria reconhecer que, por um átimo de tempo ao menos, referidos associados detiveram a disponibilidade destes direitos. Por coerência, exigiria admitir que, tendo obtido a propriedade do patrimônio partilhado, os associados pudessem individualmente decidir por não reaplicá lo na Bovespa Holding S.A. ou, então, por investilo apenas em parte nesta sociedade. Ocorre que, numa operação de cisão, os sócios da pessoa jurídica cindida não põem as mãos no patrimônio segregado. E os títulos (quotas ou ações) que lhes são entregues em substituição aos extintos jamais integrarão o patrimônio da sociedade submetida à cisão. Tais participações são emitidas pela incorporadora ou pela entidade constituída pelo ato de cisão e, sem transitar pela propriedade da cindida, são diretamente destinadas a seus sócios. Na hipótese dos autos, portanto, as ações emitidas pela Bovespa Holding S.A. por ocasião da cisão parcial não chegaram a pertencer à Associação Bovespa antes de serem entregues aos associados. Também por isso é incabível falar, aqui, em devolução de capital ou de patrimônio. 1 Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. São Paulo: Saraiva, v. 4, 4ª. ed., p. 266. 2 Ob. cit., p. 275. 3 Ob. cit., p. 308. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 21 13 Vou além. De uma operação de cisão participam somente a própria cindida e a sociedade que houver de absorver a parte destacada de seu patrimônio (em se tratando de incorporação por sociedade préexistente). Nem mesmo os sócios da cindida são parte do negócio jurídico de cisão, muito embora o ato repercuta diretamente em suas esferas de direito. Quem decide pela cisão e define todos os seus termos são unicamente as pessoas jurídicas envolvidas, através de seus respectivos órgãos deliberativos. Nesse sentido, vide os §§ 1º e 2º do artigo 227, da Lei das S.A. Isso é relevante na medida em que, não participando diretamente da operação, os detentores de títulos emitidos pela cindida nada podem opor individualmente ao ato ou à própria substituição de suas participações por papéis emitidos pela incorporadora. Podem, sim, comparecer à assembléia convocada para deliberar a operação e manifestar sua eventual contrariedade mas, vencidos na votação, os efeitos da deliberação lhe são impostos. Daí porque, como a substituição de títulos, quotas ou ações prescinde, numa cisão, da aquiescência dos respectivos proprietários, não é possível equiparar a operação a um ato volitivo de aquisição, para fins de reclassificação contábil dos ativos. Dado que a cisão parcial em debate produziu a extinção de parte dos títulos representativos do patrimônio da associação e, em lugar deles, entregou aos respectivos detentores ações emitidas pela sociedade incorporadora, não observo impropriedade na conduta praticada pela ora recorrente, no que alocou os direitos substitutos na mesma posição onde mantivera, até então, os direitos substituídos. Sequer o argumento de que a operação em tela resultou na prática de ilícitos civis ou tributários justificaria a preservação dos autos de infração de PIS e de COFINS aqui recorridos. Nos debates que precederam a colheita dos votos no julgamento deste recurso voluntário, discutiuse a própria higidez jurídica da cisão a que se submeteu a Associação Bovespa, particularmente em razão da destinação de seu patrimônio – patrimônio esse amealhado sob regime jurídicotributário de isenção – a entidade de propósitos lucrativos. Cogitouse de violação ao artigo 61, do Código Civil, no que obriga a destinação do patrimônio remanescente das associações a entidades de fins igualmente não lucrativos, na hipótese de dissolução. Aventouse também eventual infração aos artigos 15 e 12, §§2º, ‘b’ e 3º da Lei nº 9.532/97, segundo os quais a isenção relativa ao IRPJ e à CSL depende da permanente reaplicação do patrimônio social na consecução dos fins a que se dedica a entidade. De minha parte, penso que o destino dos autos de infração em julgamento dispense o prévio enfrentamento destas questões. Se a operação não poderia ter sido ultimada nestes termos, não quer dizer que não tenha sido. É dizer: não se pode concluir que Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 a Bovespa não verteu patrimônio diretamente para entidade vocacionada a fins lucrativos apenas porque fazêlo seria supostamente ilícito. Não é aceitável, do ponto de vista exegético, tratar a operação societária em causa como se fora de devolução de patrimônio com posterior reaplicação somente porque, da forma como efetivamente praticada, perpetraria um ilícito. Fato é que, se a obtenção das ações em substituição aos extintos títulos patrimoniais não teve, para a recorrente, o sentido de uma aquisição (com a significação do PN CST nº 108/78), nada exigia uma reclassificação. Com estes fundamentos, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário, cancelandose, por conseguinte, os autos de infração constantes dos autos. Marcos Tranchesi Ortiz”. De modo que, penso no caso deste caderno administrativo que o fato das recebidas em substituição aos extintos títulos não configura aquisição, independentemente da intenção inicial ou por possível acordo prévio. A meu sentir alienação das ações configura receita não operacional essencialmente em razão da origem. Tenho como certo que o fato do objeto social permitir aquisições e vendas de ações próprias e de terceiros não interfere neste caso a transmudar para receita operacional, não vislumbro essa possibilidade. Forte nesses argumentos, e, o fato da Recorrente encontrar encartada no rol das pessoas jurídicas de que trata a Lei nº 9.718/98, sociedade corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários e empresas de arrendamento mercantil, concluo pelo desacerto do lançamento. Ante o exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento para cancelar o lançamento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000280/201093 Acórdão n.º 3403002.518 S3C4T3 Fl. 22 15 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10930.003307/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. JUROS MORATÓRIOS. DECISÃO JUDICIAL.
Os juros moratórios referentes aos rendimentos tributáveis recebidos em decorrência de reclamatória trabalhista, por expressa previsão legal, são tributáveis no ajuste anual, ainda que o cálculo do perito os tenha excluído para fins do desconto mensal do IRRF.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.003307/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.555 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente TEREZA CRISTINA AGOSTINHO PALERMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. JUROS MORATÓRIOS. DECISÃO JUDICIAL. Os juros moratórios referentes aos rendimentos tributáveis recebidos em decorrência de reclamatória trabalhista, por expressa previsão legal, são tributáveis no ajuste anual, ainda que o cálculo do perito os tenha excluído para fins do desconto mensal do IRRF. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 33 07 /2 00 8- 81 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, TEREZA CRISTINA AGOSTINHO PALERMO, foi lavrada Notificação de Lançamento de fls. 19 a 24, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, que exige R$ 4.374,22 de Imposto de Renda suplementar, R$ 3.280,66 de multa de ofício e R$ 1.869,97 de juros de mora, em decorrência de alteração do valor do Imposto Devido, e R$ 80,93 de Imposto de Renda, R$ 16,18 de multa de mora e R$ 34,59 de juros de mora, em decorrência das alterações do valor do Imposto de Renda retido na Fonte IRRF. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 20 e 21, da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos em processo judicial trabalhista, movido contra o Banco Bradesco S/A, no valor de R$ 20.180,19. O relatório também informa a compensação indevida de IRRF, pois o valor correto da retenção que pode ser compensada deve ser obtido deduzindose do total pago o valor do imposto referente à parcela dos rendimentos com tributação exclusiva na fonte. Assim, o valor que pode ser levado ao ajuste corresponde a R$ 3.989,22, porém, a contribuinte informou, em sua DAA, o montante de R$ 4.083,13, gerando a glosa do valor de R$93,91. Cientificada do lançamento em 25/06/08, segundo consulta de postagem de fl. 18, a contribuinte ingressou com a impugnação tempestiva de fls. 01 e 02, em 11/07/08, alegando, em síntese, que: a) não omitiu rendimentos tributáveis, mas sim informou os juros recebidos na ação trabalhista na coluna dos rendimentos não tributáveis, pois, em seu entendimento, os juros são um forma de corrigir o valor da indenização que foi corroída pela inflação do período; b) não concorda com a palavra "omissão", empregada pela fiscalização, e pede que seja feita retratação por escrito, sendo passível ingressar na esfera jurídica por "Danos Morais."; c) deve ser excluído da base de cálculo do Imposto de Renda, ora apurado, a despesa com advogado no montante de R$ 13.266,21. Diante dessas considerações, requer a Impugnante "o recálculo da declaração." A DRJ ao apreciar os argumentos da contribuinte, entendeu que o lançamento está correto, julgando a impugnação improcedente. Insatisfeita, a interessada interpõe recurso tempestivo, reiterando os mesmo argumentos da impugnação. Indicou que os juros moratórios recebidos na sua ação trabalhista não integram a base de cálculo do imposto de renda, elencando jurisprudência trabalhista nesse sentido. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930.003307/200881 Acórdão n.º 2202002.555 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente questiona exclusivamente que os juros moratórios devem ser isentos de tributação. Ao enfrentar os argumentos da recorrente assim se posicionou a autoridade recorrida: Segundo se infere da defesa apresentada, alega a Impugnante que os juros moratórios, recebidos na ação trabalhista, não integram a base de cálculo do Imposto de Renda, pois teriam a função apenas de corrigir o valor das verbas recebidas na ação. Pois bem, tendo em vista o alegado, vejamos o que dispõe o Decreto n° 3.000, de 1999, a respeito a incidência de Imposto de Renda sobre os juros: Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n 7.713, de 1988, art. 3 , §4, e Lei 9.430, de 1996, arts. 24, §2?, inciso IV, e 70, §3?, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, em que pese a defesa pretendida, os juros moratórios integram a base de cálculo do Imposto de Renda, salvo se forem correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. Em sua defesa, a Impugnante não fez qualquer demonstração de que os juros teriam incidido sobre verbas isentas ou não tributáveis, mas apenas alega que tiveram a função de corrigir o valor das verbas recebidas na ação trabalhista. Inobstante respeitáveis entendimentos divergentes, inclusive posições jurisprudenciais no sentido pleiteado pela recorrente, tal como cuidadosamente elenca em seu recurso. Entendo que o juros compensatórios recebidos pela recorrente devem ser tributados. Esse compreensão se baseio no que dispõe a legislação. Uma vez que há previsão legal no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, art. 43, §3º, e arts. 55 e 56, para a tributação de juros moratórios, inclusive os recebidos em decorrência de ações judiciais, rejeitam se os argumentos do contribuinte no tocante à omissão de rendimentos. Sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, é de se aplicar ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do STJ no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS (submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos). Fl. 52DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 De acordo com recentes decisões do STJ, cujas ementas seguem citadas abaixo, restou esclarecido que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os juros moratórios quando a verba principal (trabalhista) tiver natureza indenizatória. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos EREsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Dessa forma, por terem referidas verbas natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Recordando que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2): Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930.003307/200881 Acórdão n.º 2202002.555 S2C2T2 Fl. 4 5 Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723100/2011-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 00 /2 01 1- 42 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.208, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.723100/201142, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde 4 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, 6 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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