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Numero do processo: 11128.001912/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/05/2008
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA.
A ocultação do sujeito passivo da importação mediante fraude ou simulação, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, configura dano ao Erário, infração punível com pena de perdimento, que deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida ou não localizada.
IMPORTADOR OSTENSIVO. POSSIBILIDADE APLICAÇÃO COCOMITANTE DO ART. 33 DA LEI N° 11.488, DE 2007 E O INCISO V DO ART.23 DO DECRETO-LEI N" 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA.
As infrações previstas no art. 23, V, do Decreto-Lei n° 1.455/76 e pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não são excludentes e, nessa condição, podem ser aplicadas ao importador ostensivo concomitantemente a multa de 10% do valor aduaneiro e a penalidade de perdimento das mercadorias ou à multa igual ao valor aduaneiro, no caso de não localização, consumo ou revenda das mesmas.
Numero da decisão: 3402-005.138
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz-Relator, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento ao Recurso. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/05/2008 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A ocultação do sujeito passivo da importação mediante fraude ou simulação, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, configura dano ao Erário, infração punível com pena de perdimento, que deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida ou não localizada. IMPORTADOR OSTENSIVO. POSSIBILIDADE APLICAÇÃO COCOMITANTE DO ART. 33 DA LEI N° 11.488, DE 2007 E O INCISO V DO ART.23 DO DECRETOLEI N" 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. As infrações previstas no art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76 e pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não são excludentes e, nessa condição, podem ser aplicadas ao importador ostensivo concomitantemente a multa de 10% do valor aduaneiro e a penalidade de perdimento das mercadorias ou à multa igual ao valor aduaneiro, no caso de não localização, consumo ou revenda das mesmas. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego DinizRelator, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento ao Recurso. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Ausente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 19 12 /2 01 1- 40 Fl. 1501DF CARF MF 2 justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRedator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de auto de infração lavrado em face da empresa Pereiras São Rafael Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Ltda. ("PEREIRAS") e, solidariamente, também em face de Afil Importação, Exportação e Comércio Ltda. ("AFIL"). Segundo a acusação fiscal, em 21/05/2008 a empresa AFIL teria, mediante interposição fraudulenta, importado bens em favor da empresa PEREIRAS, o que motivou a fiscalização decretar a pena de perdimento das mercadorias importadas (94.302 kg de alpiste canadense DI n. 08/07465288), convertida em multa, o que fez com fundamento no art. 73, §§ 1o e 2o da lei n. 10.833/03, bem como nos artigos 673, 675 e 689, inciso XXII, § 1o do Decreto n. 6.759/09. 2. Segundo a acusação fiscal, os fatos e provas que atestariam a infração alhures detalhada seriam os seguintes: (...). 1) O volume de importações realizadas pela empresa (naquela época) US$ 73.216.252,95 era incompatível com a capacidade econômica de seus sócios: Rafael Fábio de Carvalho e Natali Maria de Carvalho; 2) A empresa foi habilitada para operar no comércio exterior em 31/01/2003, apresentando, naquela data, um capital social integralizado de R$ 600.000,00. Entretanto, segundo dados extraídos das Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRF, os sócios não possuíam, naquela época, condições financeiras para a integralização do referido montante; 3) A AFIL, historicamente, realiza importações por conta própria e remete as mercadorias de forma direta a terceiros; 4) Diligências realizadas pela delegacia da Receita Federal em Campo Grande MS, onde a AFIL possui filial, demonstram que o barracão de alvenaria de aproximadamente 600 m2 não Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.492 3 apresenta condições de armazenagem de mercadorias no montante importado (53.000 toneladas no período de junho a dezembro de 2007), o que demonstra que a mercadoria, depois de liberada, vai diretamente para a empresa real adquirente; 5) Em consulta ao sítio da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais constatouse que duas empresas mineiras haviam sido autuadas "por falta de recolhimento do ICMS por ficar caracterizado que a mercadoria foi importada por contribuinte localizado em outra unidade da Federação (no caso, a filial de empresa AFIL, situada em MS) com o objetivo prévio de ser destinada a contribuinte do Estado de Minas Gerais". (...) (trecho do Termo de Verificação Fiscal fl. 12) 3. Uma vez notificado da autuação, o contribuinte apresentou Impugnação alegando, em suma: (i) para que houvesse a configuração da interposição fraudulenta seria imprescindível a presença de efetivo dano ao erário público e dolo específico nesse sentido; (ii) que de fato houve importação em nome próprio da recorrente, o que seria corroborado pelos seguintes fatos: (ii.a) que da leitura do BL MSCUMT934280 se depreende que o embarque da mercadoria em discussão ocorreu em 03/04/2008, mesma data da emissão da fatura comercial, a qual foi paga pela empresa AFIL em 23/04/08; (ii.b) que de fato a empresa AFIL recebeu, em 21/05/2008, o valor de R$ 11.527,00 da empresa PEREIRAS, o que teria natureza de um "sinal" pela venda de parte da mercadoria importada depois dela já ter sido embarcada e paga para o exportador pela empresa AFIL, ou seja, que não houve encomenda prévia da mercadoria pela empresa PEREIRAS, mas venda realizada após a aquisição e embarque do bem pela empresa AFIL e antes da sua chegada em terras brasileiras; (ii.c) o fato da mercadoria ter sido internalizada e imediatamente encaminhada para a empresa PEREIRAS não desnatura a operação perpetrada, haja vista a explicação acima referida, bem como pelo fato de a mercadoria importada (alpiste) tratarse de bem perecível, o que reforça a rapidez na logística perpetrada; (ii.d) a fiscalização não fez prova de que a Recorrente AFIL não teria capacidade financeira para suportar a operação de importação em análise; (ii.e) a operação de importação fiscalizada gerou "lucro" de 57% para a empresa AFIL, uma vez que os bens trazidos do exterior foram adquiridos por R$ 1,02 (valor unitário) e vendidos por R$ 1,60 (valor unitário); (ii.f) a mercadoria importada não foi integralmente destinada à empresa PEREIRAS, o que é reconhecido pela fiscalização e só atesta que a importação perpetrada não foi financiada pela empresa PEREIRAS; Fl. 1503DF CARF MF 4 (iii) subsidiariamente, protesta pelo reconhecimento da consunção, uma vez que a AFIL já teria sido autuada (MPF n. 0817800/00168/08) com fundamento no 33 da lei n. 11.488/07 (multa de 10% por cessão de nome). 4. Devidamente processada, a impugnação foi julgada improcedente (acórdão n. 1756.304), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/05/2008 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Ocultado o real adquirente, mediante prestação de informação falsa nas DI, segundo a qual o importador seria o “adquirente” das mercadorias importadas, acolhese a infração imputada (DL 1.455/1976, artigo 23, V). O artigo 33 da Lei 11.488/2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação (acórdão Carf nº 310200.662, de 24/5/2010). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 5. Diante deste quadro e invocando subsidiariamente o CPC, a recorrente interpôs embargos de declaração de fls. 213/216, oportunidade em que repisou algumas das questões anteriormente tratadas em sede de impugnação e que, sob a ótica da recorrente, não teriam sido analisadas pelo sobredito acórdão. 6. Referidos embargos foram conhecidos, porém rejeitados por despacho (fls. 225/246), uma vez que, segundo a decisão então proferida, o acórdão embargado não teria sido omisso. 7. Intimado do citado despacho, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 252/258, por meio do qual repisou as alegações já descritas em sede de impugnação. 8. Em 22 de julho de 2016 este colegiado, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência (resolução n. 3402000.806 fls. 274/279) para que fosse realizada a juntada aos autos de cópia do processo administrativo 11075.720099/201335, com a ulterior intimação dos responsabilizados para eventual manifestação. 9. As cópias solicitadas foram juntadas aos autos mas, em um primeiro momento, apenas a empresa PEREIRAS foi intimada para manifestarse a respeito, o que suscitou o advento de nova conversão do julgamento em diligência (resolução n. 3402 001.016 fls. 1.474/1.477) para sanar tal vício. Assim, a empresa AFIL também foi intimada a respeito do resultado da diligência e, tal como já ocorrido com a empresa PEREIRAS, também ficou inerte. 10. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.493 5 Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 11. Apenas a empresa AFIL apresentou recurso voluntário, o qual é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. As circunstâncias fáticas que gravitam em torno do caso decidendo 12. Em primeiro lugar, para o devido julgamento do caso é indispensável um maior detalhamento dos fatos aqui tratados. 13. Conforme se observa dos autos, o lançamentos aqui debatidos referese à DI n. 08/07465288 registrada pela empresa AFIL e que implicou a importação de aproximadamente 95.000,00 kg de alpiste canadense. 14. Segundo a acusação, a empresa AFIL registrou esta específica importação na modalidade direta ocultando o seu real encomendante, a empresa PEREIRAS. Ainda segundo a imputação fiscal, tal interposição teria sido provada, enquadrandose no art. 23, inciso V, §§1o e 3o do Decretolei n. 1.455/761. 15. Ante a impossibilidade de apreensão da mercadoria importada, a fiscalização converteu esta sanção em pena de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, exigência essa imposta em prejuízo da suposta importadora de fato (PEREIRAS) e solidariamente em prejuízo da formal importadora (AFIL). 16. De forma sucinta, este é o cenário fáticojurídico que gravita em torno do caso em julgamento. II. Da inexistência de provas acerca da interposição fraudulenta 17. Como já salientado no presente voto, a acusação fiscal quanto a suposta prova da interposição fraudulenta se arrima em dois fatos em especial, quais sejam: (i) que a empresa AFIL recebeu da empresa PEREIRAS o valor de R$ 11.527,00 a título de adiantamento, ainda que parcial, pela venda de parte da mercadoria importada; e 1 "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...). § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...)." Fl. 1505DF CARF MF 6 (ii) o fato da mercadoria ter sido internalizada e em um curto espaço de tempo ter sido encaminhada para a empresa PEREIRAS, o que reforçaria a sua condição de real encomendante do bem importado. 18. Antes, todavia, de tomar qualquer conclusão precipitada com base apenas nestes dados pinçados pela fiscalização, mister se faz aprofundar na análise da específica importação sobredita, ventilando todos os fatos que cercaram tal operação. 19. Nesse sentido, destaquese que o bem retratado na DI n. 08/07465288 chegou no país em 01/05/2008, conforme atesta informação contida no extrato da citada DI (fl. 30). Por sua vez, o valor de R$ 11.527,00 pago pela empresa PEREIRAS em favor da empresa AFIL foi disponibilizado em 21/05/2008, conforme atestam os documentos entregues pela empresa AFIL ainda durante a fase fiscalizatória, bem como a própria manifestação do fiscal autante (fls. 20/21). Ademais, a recorrente AFIL realizou o pagamento em favor do exportador em 23/04/2008, conforme atesta fatura comercial de fl. 36. Tais fatos, por si só, já afasta qualquer hipótese de adiantamento de valores para a aquisição do bem importado. 20. Não obstante, a nota fiscal de saída da mercadoria já internada no país (fl. 125) atesta que o bem aqui analisado foi encaminhado do porto para a empresa PEREIRAS em 20/06/2008, ou seja, quase 60 dias depois da chegada da mercadoria no país e 30 dias após a realização do pagamento de um montante equivalente a aproximadamente 12% do valor da fatura comercial. 21. Outro ponto ventilado pela fiscalização é no sentido de que a empresa AFIL não possuía armazém próprio para estocar os bens por ela importados e que tais bens são diretamente remetidos do porto ao adquirente no mercado interno, o que também serviria como elemento de prova para atestar a suposta fraude. 22. Tal conclusão parte do equivocado entendimento quanto a existência de um encomendante prévio, entendimento este repitase aparentemente conformado apenas por conta do "curto" prazo existente entre o desembaraço da mercadoria e sua revenda no mercado interno. Como desenvolvido alhures, essa alegação temporal já está rechaçada por este voto, uma vez que não condiz com a realidade fática do caso. Todavia, ainda que se admita como verdadeira a assertiva fiscal, convém indagar: o importador no Brasil é obrigado a ter um espaço para estocagem dos bens por ele importados ou, quando muito, é obrigado a estocar tais bens, ainda que mediante a contratação de um prestador de serviço? Ademais, o importador está impedido de remeter a mercadoria importada diretamente do entreposto aduaneiro para o adquirente no mercado interno? Todas as respostas para tais questionamentos são negativas, até porque, admitir tese em contrário, é contraporse ao disposto no art. 39, inciso I da lei n. 5.025/66, in verbis: Art. 39. As mercadorias importadas e depositadas em armazéns gerais alfandegados poderão ser mantidas em depósitos durante o prazo a ser estabelecido em Regulamento. Parágrafo único. Dentro do prazo referido neste artigo, as mercadorias importadas poderão: (...). I Ser devolvidas ao país de origem ou ali reexportadas para o exterior, total ou parcialmente, de uma só vez ou em lotes ou parcelas, independentemente de tributos, provada, entretanto, no ato, a sua correspondência com os documentos de embarque, conforme dispuser o Regulamento. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.494 7 23. No mesmo diapasão era o que dispunha o RIPI/2002, vigente à época dos fatos: Art. 421. No caso de produtos que, sem entrar no estabelecimento do importador ou licitante, sejam por estes remetidos a um ou mais estabelecimentos de terceiros, o estabelecimento importador ou licitante emitirá: I nota fiscal relativa a entrada, para o total das mercadorias importadas ou licitadas; e II nota fiscal, relativamente à parte das mercadorias enviadas a cada estabelecimento de terceiros, fazendo constar da aludida Nota, além da declaração prevista no inciso VII do art. 341, o número, série, se houver, e data da nota fiscal referida no inciso I. 24. Não obstante, a própria fiscalização reconhece que parte do bem retratado na DI fiscalizada não foi destinado à empresa PEREIRAS, mas sim para outros clientes da empresa AFIL no país. 25. Por fim, a operação de importação fiscalizada foi comprovadamente lucrativa, uma vez gerou "lucro" de 57% para a empresa AFIL, já que os bens trazidos do exterior foram adquiridos por R$ 1,02 (valor unitário) e vendidos por R$ 1,60 (valor unitário). 26. Por fim, não há nos autos qualquer prova de uma negociação direta entre a empresa PEREIRAS e as empresas exportadoras, o que também é um comportamento típico em operações que de fato se enquadram na condição de interposição fraudulenta, o que só reforça que as importações aqui tratadas decorrem de um negócio jurídico lídimo. Nesse sentido, inclusive, foi o teor do voto vencido veiculado, em sede de DRJ, pela Auditora Fiscal Francisca Aparecida de Almeida Serra Negra, in verbis: (...). No caso sob análise, o valor total da DI era de R$ 96.349,30 (US$ 58.535,42). Com base no documento de fl. 116, verificamos que houve uma antecipação de pagamento em 21/05/2008, no valor de R$ 11.527,00, sendo a DI registrada no mesmo dia. Constatamos, igualmente, que no dia 20/06/2008 foi emitida a nota fiscal de saída nº 17172, no valor de R$ 80.118,14. Ressaltese que a mercadoria chegou ao Brasil vinte dias antes da antecipação de pagamento, dia 01/05/2008, conforme fl. 30. Ou seja, a antecipação foi feita com a mercadoria já chegada ao país. Com base unicamente nessas informações, poderíamos supor como a fiscalização, que a empresa PEREIRAS antecipou recursos para parte da importação amparada pela DI nº 08/07465288, e que nos termos do art. 5º da IN SRF 225/2002 estaria caracterizada uma importação por conta e ordem de terceiros: Fl. 1507DF CARF MF 8 “Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” Ocorre que tal disposição é uma presunção, e como toda presunção pode ser afastada pelo restante do conjunto probatório do processo. Em primeiro lugar, devemos admitir que o disposto no art. 5º seja aplicável ao caso concreto em que o terceiro adquire apenas parte da mercadoria importada. Em outras palavras, devemos supor que existe mais de um real adquirente, ou seja, a fatura de fl. 36 é falsa, e dois ou mais adquirentes negociaram a compra conjunta das mercadorias importadas e combinaram a importação via AFIL. Alternativamente poderíamos supor que existe um adquirente oculto (PEREIRAS) e que a outra parte da carga é de fato uma importação própria da AFIL. Haveria ainda a hipótese de se imaginar que a PEREIRAS comprou a totalidade da mercadoria e está pagando a mercadoria de forma parcelada, sendo a AFIL financiadora da operação. Também possível a versão da impugnante PEREIRAS de que apenas antecipou o pagamento de uma compra no mercado interno. Todas são situações que podem ter ocorrido de fato. Como saber qual a situação real no caso concreto? Como saber se houve interposição fraudulenta? A resposta é simples: encontrando o segundo elemento que caracterizaria a interposição, a prova de que PEREIRAS comprou, negociou, determinou de fato as condições da importação, a prova de que PEREIRAS é o importador de fato. Salvo melhor juízo, a alegação feita pela impugnante de antecipação de pagamento de uma mercadoria perecível, que já estava no Brasil em vias de liberação é de fato uma possibilidade real para afastar a presunção da fiscalização com base no citado art. 5º acima transcrito. O documento de fl. 116 é para a impugnante uma prova da venda no mercado interno com pagamento antecipado. Afastada a presunção, resta a prova da interposição. Voltando aos elementos caracterizadores da interposição antes expostos, o caso demanda a prova da negociação. Entendo que faltou ao conjunto probatório exatamente a prova de que AFIL não comprou os bens, mas sim PEREIRAS. Prova de que a fatura de fl. 36 é falsa. Essa prova poderia surgir pelos mais variados meios. Encontrandose uma fatura indicando PEREIRAS como comprador. Encontrandose mensagens da negociação, cartas, emails, contratos, ligando PEREIRAS ao exportador no Canadá. Encontrandose mensagens de PEREIRAS para AFIL com as condições prédeterminadas da importação (mercadoria, preço, INCOTERM, exportador, etc...). Encontrando o acerto financeiro entre PEREIRAS e AFIL explicitando que PEREIRAS proverá os recursos para o fechamento de câmbio, pagamentos de impostos e demais Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.495 9 despesas aduaneiras. Através de depoimentos de funcionários e administradores das pessoas envolvidas. Através de depoimentos dos despachantes aduaneiros. Através de provas obtidas junto ao exportador, etc. Enfim, tal prova poderia surgir de variadas formas e permitiria a este juízo efetuar a correta subsunção da realidade à norma tributária. O PAF (Decreto nº 70.235/72), que regula o processo administrativo fiscal, dispõe que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal (art. 10, incisos III e IV), bem como ser instruído com todos os “termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” (art. 9º, caput). É ônus da autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda — no caso presente, provas de que o importador era pessoa interposta. (...). Entendo que os elementos trazidos pela fiscalização não são suficientes para a caracterização da infração de interposição fraudulenta, sendo, portanto, improcedente a multa lançada. (...). 27. Assim, diante de tudo o que fora exposto, resta claro que a acusação aqui direcionada contra as recorrentes não se sustenta no âmbito fáticoprobatório. Dispositivo 28. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto e determino o integral cancelamento da exigência aqui debatida. 29. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1509DF CARF MF 10 Voto Vencedor Com a devida vênia, fui designado a redigir o presente voto vencedor, uma vez que o Colegiado, por voto de qualidade, não acompanhou o entendimento do eminente Relator quanto a improcedência da acusação fiscal por inexistente características de interposição fraudulenta na operação de importação referente a DI nº08/07465288. No presente processo, conforme já consignado pelo eminente Relator, a acusação fiscal é de importação de mercadoria com ocultação do real adquirente, mediante interposição fraudulenta comprovada, restando caracterizada a infração de Dano ao Erário, na forma prevista no art. 23, inciso V, §§1o e 3o do Decretolei n. 1.455/76. A legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto n. 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2oPresumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Depreendese, quanto à comprovação, que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: comprovada e presumida. A interposição fraudulenta presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decretolei nº Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.496 11 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplicase o perdimento (ou a multa que a substitui). É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes, etc. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A presunção legal em questão se caracteriza como uma presunção relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. Na interposição comprovada cabe à fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplicase a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decretolei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decretolei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambos os fatos, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Ainda nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficiente para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. No presente caso, a fiscalização apurou que, embora a recorrente tivesse se identificado, nos respectivos despachos aduaneiros de importação, como importadora por conta própria, na realidade, ela atuara como interposta pessoa, acobertando os reais adquirentes da mercadoria importada. O lançamento fiscal decorreu do procedimento especial de fiscalização nos moldes da IN SRF nº228/2002 no qual restou caracterizada a ocorrência de interposição fraudulenta comprovada na importação referente a DI nº08/07465288. A utilização de recursos antecipados por terceiro (Pereiras São Rafael Comércio Atacadista de Produtos Alimentícios Ltda) pela Afil Importação Exportação e Comércio Ltda foi a principal motivação do lançamento. A fiscalização ainda apontou outros indícios de ocorrência de interposição Fl. 1511DF CARF MF 12 fraudulenta, tais como o fato da empresa possuir estrutura física insuficiente para armazenagem das mercadorias importadas, entregar mercadorias diretamente ao adquirente, sem passar pelo estabelecimento importador e incapacidade financeira dos sócios para integralização de capital, conforme dados extraídos das Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRF. A Fiscalização, em análise dos registros contábeis das operações de importações da empresa AFIL, identificou que houve adiantamentos de valores por diversas empresas, dentre elas a PEREIRAS, antes mesmo do despacho de importação. Conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal lavrado, identificou que em 21/05/2008 a empresa AFIL registrou em sua contabilidade valores creditados pela PEREIRAS como adiantamentos da importação acobertada pela DI nº08/07465288 no montante de R$ 11.527,00, na mesma data de Registro da DI em 21/05/2008. Posteriormente, foi emitida a nota fiscal de saída das mercadorias da AFIL para a PEREIRA no montante de R$ 80.118,14, em 20/06/2008. A Recorrente, por sua vez, alega que o pagamento antecipado não constitui irregularidade e que o valor adiantado na verdade se trata de arras ou sinal, prática comum no ramo de negócio no qual atua. Porém, não foi apresentado qualquer contrato ou documento formalizado à época que retratasse as condições da transação comercial e os deveres e garantias das partes. O adiantamento de clientes por meio de arras ou sinal não é irregular, sendo previsto no Código Civil. No entanto, cabe a Autoridade Tributária, frente a documentação apresentada, buscar na legislação aduaneira os seus efeitos quanto as importações operadas. As operações registradas na escrituração contábil fazem prova a favor da empresa quanto aos fatos nela registrados desde que suportados por documentos hábeis e idôneos. Nesse sentido, todas as operações registradas com os clientes devem estar lastreadas em documentos hábeis capazes de comprovar os fatos ali informados. Se houve a entrada de recursos no ativo da AFIL em contrapartida a uma conta de passivo (decorrente do compromisso futuro de entrega de mercadorias), o registro contábil da operação requereria a existência da base documental, no mínimo, da obrigação assumida. Essa documentação, além de ser suporte para a contabilidade, também se constitui em uma garantia para aquele que antecipa o pagamento, que em uma eventualidade de descumprimento do acordo pela outra parte, poderá utilizarse dos meios legais para forçar o cumprimento do convencionado ou buscar a reparação dos danos sofridos. O instrumento que seria adequado para a formalização desse negócio jurídico é lavratura de um contrato. Dessa forma, a justificativa de que as antecipações eram relativas a sinais de negócio deveria estar suportada por contratos que especificassem os negócios efetivamente ocorridos, de forma que afastassem qualquer dúvida quanto a natureza jurídica das transações realizadas entre a AFIL e a PEREIRAS. No entanto, a argumentação teórica trazida pela Recorrente não veio acompanhada de qualquer contrato ou instrumento similar de prova, tal qual a troca de mensagens de correio eletrônico, tão comumente utilizados para agilizar negócios e, também, documentar os compromissos assumidos. Restando comprovado nos autos a ocorrência de adiantamento antes de concluído o despacho aduaneiro, entendese que a mercadoria já estaria vendida tendo como destinatário o real comprador PEREIRAS, incidindo, portanto, a presunção legal prevista no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, reproduzida no artigo 5º da Instrução Normativa SRF nº 225/2002, in verbis: Art. 5o A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.497 13 deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n"2.15835, de 24 de agosto de 2001 A alegada margem de lucro na ordem de 57% que teria ocorrido nas vendas das mercarias da AFIL para a PEREIRAS, a fim de afastar a acusação fiscal de importação por conta e ordem, também não se sustenta tendo em vista que não foram considerados nos cálculos importantes custos incorridos na compra da mercadoria. A Recorrente somente considerou no cálculo os valores constantes na nota fiscal de entrada e de saída, não se incluindo os custos com frete em território nacional e os outros custos incorridos nas atividades operacionais da empresa, notadamente quanto a pessoal e administrativos. Nesse sentido, concluise que a margem de lucro alegada não merece credibilidade. Ademais, conforme informação constante no "RELATÓRIO DE CONCLUSÃO DE PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO IN SRF 228/2002", a análise dos extratos bancários revela que o saldo final das contas da AFIL é sempre baixo ou negativo, o que reforça a acusação fiscal de que a empresa se utilizava dos adiantamentos recebidos dos clientes para pagar os fornecedores das mercadorias importadas para eles. Noticiase ainda que, no processo nº 11128.009027/200811, que teve o "RELATÓRIO DE CONCLUSÃO DE PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO IN SRF 228/2002" anexado ao presente processo, a fiscalização apurou registros de antecipação de clientes da ordem de R$ 45.000.000,00 durante o período fiscalizado, de um total faturado da ordem de aproximadamente R$ 100.000.000,00. Esse fato indica que é prática reiterada da empresa receber antecipações de seus clientes, constituindose em mais um indício de que a empresa pratica com regularidade importações na modalidade "Por Conta e Ordem de Terceiros". Além da questão relativa à origem dos recursos empregados nas importações, a fiscalização apontou também incapacidade física das instalações do importador e procedimentos de entrega direta mercadorias aos beneficiários, sem transitar pelo estoque da AFIL. Segundo informa a Fiscalização,"...as mercadorias desembaraçadas eram remetidas diretamente ao destinatário e não transitavam pelos estabelecimentos do importador. E nem poderiam, visto que os estabelecimentos matriz e filial do sujeito'passivo, com pouco mais de 500 metros quadrados cada seriam absolutamente insuficientes para a armazenagem das mercadorias importadas mesmo que houvesse uma grande rotatividade nos estoques". Depreendese, assim, que o conjunto de provas juntadas pela Fiscalização são suficientes para demonstrar a ocorrência de interposição fraudulenta nas operação de importação referente a DI nº08/07465288, pois todas as mercadorias foram nacionalizadas em nome da empresa AFIL como se ocorresse de forma direta, mas, conforme demonstrado nos autos, ela se deu com o ocultamento do real adquirente (PEREIRAS), constituindose, na realidade, por conta e ordem de terceiros, nos termos do art. 23, V, §§1º e 3º do Decreto Lei nº 1.455/76. Por fim, argumenta a Recorrente, de forma subsidiária, que o Fisco jamais deveria ter aplicado à importadora a sanção de perdimento das mercadorias e muito menos a conversão de perdimento em pecúnia, pois a Lei nº11.488/07 é clara ao determinar que as pessoas jurídicas que praticam interposição fraudulenta devem ser sancionadas com multa de 10% do valor da operação acobertada. Informa ainda que foi autuada também em outro processo por cessão de nome. Fl. 1513DF CARF MF 14 Discutese aqui a possibilidade de cocomitância entre as duas multas citadas aquele que cede o nome em acusação interposição fraudulenta. Quanto a esse tema, peço vênia a fim de adotar os fundamentos do voto vencedor proferido pelo Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto no acórdão nº310200.566 de 03 de dezembro de 2009 no qual conclui pela possibilidade de aplicação cocomitante das duas multas ao importador ostensivo, in verbis: A discordância em relação à ilustre relatora referese à aplicação retroativa do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007. Entendeu a i. Relatora que, nos casos semelhantes ao do presente processo, a penalidade prevista no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007 deve ser aplicada ao importador ostensivo (CRISTAL, no presente caso), em substituição àquela prevista nos §§ 1° e 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, em atendimento ao art. 106, II, "c", do CTN que prevê aplicação da lei a atos pretéritos, não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A conduta prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, é a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, no caso de importação de mercadorias estrangeiras ou exportação de mercadorias nacionais, sendo equiparada à interposição fraudulenta, pelo §2° do mesmo artigo, a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Esta conduta é apenada (art. 23, §§ 1° e 3°) com o perdimento das mercadorias ou multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que não sejas localizadas ou que tenhas sido consumidas: "Decretolei n°1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002) § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002) § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei n° 10. 637, de 30.12.2002) § 3° A pena prevista no § 1° convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12 .2002) Por outro lado, a conduta prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 é "ceder, a pessoa jurídica, seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.498 15 de seus reais intervenientes ou beneficiários" e será punida com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O parágrafo único do citado artigo 33 prevê, ainda, que, nestes casos, não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou seja, não é declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ. Há quem defenda que, a infração tipificada no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, que tem como agente o importador ou exportador ostensivo, corresponderia materialmente àquela capitulada no art. 23, V e § 2° do Decretolei n° 1.455, de 1976, de forma que não mais seria possível aplicar a pena de perdimento, ou a sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, àquele importador ou exportador que cedesse seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Entendo, no entanto, que a pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão, que era prevista para as hipóteses em que se verificasse a conduta de "ceder o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários". O parágrafo único do art. 33 da Lei n° 11.488 prevê que, a quem realiza a conduta prevista no caput deste artigo, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei n° 9.430, de 1996. Este último artigo trata exatamente declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ: "Lei n° 9.430/96 Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato." (grifei) Fazendo uso da delegação contida no capta deste último artigo transcrito, a Receita, no art. 37, III da Instrução Normativa SRF n° 200, de 13 de setembro de 2002 equiparou à inexistência de fato a cessão do nome da pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários: "IN SRF n°200/2002 Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: (...) III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;" Interpretandose este dispositivo literalmente, seria suficiente que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que fosse declarada inapta. Fl. 1515DF CARF MF 16 Tratavase de uma punição desproporcional à falta cometida e, além disso era uma pena decorrente de uma "ampliação" de alcance da lei, dada por uma Instrução Normativa, quando estabeleceu a presunção de inexistência de fato da pessoa jurídica a partir da constatação de que ela havia cedido seu nome para operações de comércio exterior. Tal presunção somente poderia ser estabelecida em uma lei, em sentido estrito e não em uma norma infralegal, pois pelo artigo 97, V, do CTN, somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas e a Instrução Normativa, através da presunção estabelecida, estaria cominando penalidade a uma conduta não apenada por lei. O art. 33 da Lei n° 11.488/2007 veio, justamente, corrigir tal distorção. Não é por outra razão que a hipótese ali descrita é a mesma do inciso III do art. 37 da IN SRF n° 200, de 2002. E o parágrafo único vem reforçar que não se pode mais, nestes casos, declarar a inaptidão da pessoa jurídica e sim aplicarlhe uma penalidade pecuniária. Estou convicto, portanto, que a pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Tal convicção foi reforçada pelo art. 727 do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 — Regulamento Aduaneiro, quando, ao regulamentar o art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, trouxe norma expressamente interpretativa no seu parágrafo 3° quando afirma que a aplicação da multa de 10% não prejudica a aplicação da pena de perdimento: "Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." De se concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e nessa condição podem ser aplicadas, concomitantemente as penas a ela correspondentes. De fato, uma conduta é ceder o nome para uma operação de comércio exterior, outra conduta é participar de um esquema que vise, sistematicamente, a ocultar o verdadeiro adquirente de mercadorias estrangeiras, caracterizando a interposição fraudulenta. Portanto, pelos fundamentos do voto transcrito, depreendese que as infrações previstas pelo art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76 e pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não são excludentes e, nessa condição, podem ser aplicadas ao importador ostensivo concomitantemente a multa de 10% do valor aduaneiro e a penalidade de perdimento das mercadorias ou à multa igual ao valor aduaneiro, no caso de não localização, consumo ou revenda das mesmas. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRedator Designado Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 11128.001912/201140 Acórdão n.º 3402005.138 S3C4T2 Fl. 1.499 17 Fl. 1517DF CARF MF
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Numero do processo: 16624.000996/2009-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/03/2006
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.658
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2006 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 09 96 /2 00 9- 01 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 16624.000996/200901 Acórdão n.º 9303006.658 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201001160, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16624.000996/200901 Acórdão n.º 9303006.658 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 261DF CARF MF Processo nº 16624.000996/200901 Acórdão n.º 9303006.658 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 16624.000996/200901 Acórdão n.º 9303006.658 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 16624.000996/200901 Acórdão n.º 9303006.658 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 264DF CARF MF Processo nº 16624.000996/200901 Acórdão n.º 9303006.658 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.722374/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INADMISSIBILIDADE.
A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Súmula 59 do CARF.
PAGAMENTOS DE PIS E COFINS. UTILIZAÇÃO PARA REDUÇÃO DA AUTUAÇÃO ALÉM DO VALOR CONFESSADO EM DCTF.
Os valores pagos a título de PIS e COFINS que excederam o valor confessado em DCTF nos períodos de lançamento devem ser utilizados para reduzir o valor da autuação.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 1401-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para abater os pagamentos de PIS e Cofins superiores aos informados em DCTF já considerados no lançamento. Vencidos Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, que davam provimento integral para afastar a autuação e a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga que dava provimento parcial para afastar os juros sobre a multa de ofício. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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APRESENTAÇÃO POSTERIOR DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INADMISSIBILIDADE. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Súmula 59 do CARF. PAGAMENTOS DE PIS E COFINS. UTILIZAÇÃO PARA REDUÇÃO DA AUTUAÇÃO ALÉM DO VALOR CONFESSADO EM DCTF. Os valores pagos a título de PIS e COFINS que excederam o valor confessado em DCTF nos períodos de lançamento devem ser utilizados para reduzir o valor da autuação. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para abater os pagamentos de PIS e Cofins superiores aos informados em DCTF já considerados no lançamento. Vencidos Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, que davam provimento integral para afastar a autuação e a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga que dava provimento parcial para afastar os juros sobre a multa de ofício. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva. Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 23 74 /2 01 5- 02 Fl. 13836DF CARF MF 2 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercicio), Ailton Neves da Silva, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso, com os nossos acréscimos. Contra a contribuinte ACOM COMUNICAÇÕES LTDA, em epígrafe, foram lavrados autos de infração, com exigência de IRPJ, CSLL, Cofins e contribuição para o PIS, no valor (incluídos juros de mora e multa de ofício) de R$ 19.265.944,10, R$ 6.136.362,44, R$ 2.143.923,58 e R$ 464.262,48, respectivamente, relativos aos períodos de janeiro a dezembro de 2011, além de multa regulamentar no valor de R$ 674.028,93. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Reportome ao Termo de Constatação Fiscal de fls. 111/131, no qual o agente fiscal detalha todo o procedimento adotado durante os trabalhos de auditoria, que, ao final, resultou nos presentes lançamentos. Informa a autoridade fiscal que, de acordo com as operações programadas, a auditoria fiscal contemplava a verificação da efetiva ocorrência de diversos custos e despesas operacionais relacionados ao anocalendário de 2011. Tais verificações consistiam, inicialmente, na confrontação entre registros contábeis e correspondentes documentos comprobatórios relacionados àquelas rubricas. No entanto, esclarece o agente fiscal, esta tarefa preliminar não pôde ser levada a cabo de forma adequada aos padrões estabelecidos pela auditoria fiscal programada, pois parcela significativa da documentação comprobatória relacionada aos custos e despesas operacionais declarados na DIPJ 2012 não foi colocada à disposição da Fiscalização, em que pese as reiteradas intimações e reintimações expedidas e levadas a ciência do contribuinte, o qual, no mais das vezes, apresentou inúmeros pedidos de dilação de prazo, sem que, até a conclusão dos trabalhos, viesse a lograr oferecer resposta a parcela significativa dos elementos de comprovação exigidos. Aduz que, para agravar as dificuldades enfrentadas, o contribuinte, embora intimado e reintimado a fazêlo, não logrou apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) do anocalendário em exame, não permitindo, assim, a verificação da correta e hábil apuração do lucro real deduzido na DIPJ 2012. Fl. 13837DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.837 3 São as seguintes as rubricas, cuja documentação comprobatória não foi apresentada: (1) encargos de depreciação e amortização; (2) folha de pagamento de pessoal; (3) juros pagos decorrentes de empréstimos com pessoas vinculadas ou situadas em país com tributação favorecida; e (4) outros custos e outras despesas operacionais, conforme fichas 04D e 05D da DIPJ 2012. Elabora, então, o autor do procedimento quadro em que demonstra que o contribuinte deixou de comprovar, aproximadamente, 77% do total de custos e despesas operacionais deduzidos na apuração do lucro operacional e do lucro real informados na DIPJ 2012. Nesse cenário, conclui o agente fiscal que a escrituração contábil não é capaz de sustentar a determinação do lucro real do ano de 2011, uma vez que lhe falta quantidade significativa dos documentos comprobatórios dos lançamentos contábeis registrados e não houve apresentação do LALUR, impondose o arbitramento do lucro, com fundamento na alínea “b” do inciso III do artigo 530 do RIR/99. Efetuou, então, o arbitramento de lucro trimestral, com as conseqüentes exigências de IRPJ e de CSLL, a partir da receita bruta escriturada pelo contribuinte, destacando que os valores registrados nas contas contábeis de receita bruta (escrituração contábil) estão compatíveis com aqueles declarados na DIPJ e nos DACON. No que tange às exigência de Cofins e de contribuição para o PIS, destaca que a utilização da sistemática do lucro arbitrado implica em mudança no regime de apuração dessas contribuições sociais, passando do regime nãocumulativo para o cumulativo. Informa que foram aproveitados os valores declarados pelo contribuinte em DCTF. Por fim, promoveu a autoridade fiscal o lançamento de multa regulamentar, tendo em vista que o contribuinte não logrou, até a conclusão dos trabalhos, apresentar os arquivos digitais referentes à folha de pagamento do anobase 2011, no formato e conteúdo disposto na Instrução Normativa (IN) SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001. Referida penalidade foi imposta com fulcro no artigo 12 da Lei n° 8.218, de 1991. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração em 14/09/2015, e irresignada, a contribuinte ACOM COMUNICAÇÕES LTDA apresentou a impugnação de fls. 826/845, em 13/10/2015, por meio da qual oferece, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa. 1. Da possibilidade, neste caso em particular, de revisão do arbitramento do lucro Reconhece a impugnante que prevalece, atualmente, o entendimento de que, quando o contribuinte dá causa ao arbitramento, por não ter atendido satisfatoriamente aos pedidos da fiscalização, não lhe é facultado contestar o lançamento a partir da posterior apresentação de documentos. Fl. 13838DF CARF MF 4 Não obstante, pretende demonstrar que os fatos objeto deste processo administrativo não são atingidos pela Súmula CARF n° 59, pois não guardariam correspondência com o sentido que se lhe deve atribuir em vista dos precedentes que serviram de fundamento para a edição do respectivo verbete. Sustenta que a referida súmula veda a invalidação do arbitramento diante da apresentação, em fase de julgamento, da escrituração comercial, ou, então, da simples colocação, de elementos não submetidos à fiscalização, à disposição dos julgadores. A fórmula minimalista do verbete sumular, portanto, deveria ter o seu conteúdo e abrangência revelados e iluminados pelos precedentes que o embasam nestes termos. Alega que a situação discutida nestes autos é bastante diversa, uma vez que o arbitramento em comento decorre da falta de apresentação, pela impugnante, do LALUR (escrituração fiscal) e da documentação de suporte dos custos e despesas deduzidos (não da própria escrituração comercial). Ressalta que, no que tange ao LALUR, a falta de apresentação deste livro, pura e simplesmente, nem mesmo deveria dar azo ao arbitramento, consoante jurisprudência do CARF, que cita. Sustenta, por outro lado, que a falta de apresentação da documentação de suporte de custos e despesas deduzidos, embora possa justificar o arbitramento quando atinge parcela substancial do universo das exclusões do lucro real, não exclui a revisibilidade do lançamento, pois a glosa das quantias correspondentes sempre pode ser revertida pela produção de provas no âmbito do contencioso tributário. Assim, se o arbitramento decorre de uma exasperação da glosa de custos ou despesas, por esta atingir parcela significativa do total deduzido, então não parece lícito tolher do contribuinte o direito de defesa de que disporia acaso o lançamento lhe fosse muito mais gravoso, com a simples glosa dos custos e despesas em lugar do arbitramento. Destacando que o presente caso trata de glosa de 77% do total de custos e despesas operacionais deduzidos na apuração do lucro operacional e do lucro real, desenvolve o seguinte raciocínio: “(...) o contribuinte que poderia exercer amplamente o seu direito de defesa para comprovar a efetividade de 50% dos custos e despesas glosados, não teria o mesmo direito processual na hipótese de serem glosados 51% daqueles, ou seja, não poderia provar qualquer dos custos e despesas glosados porque esta via de defesa lhe seria negada.” Seguindo essa linha de argumentação, passa, então, a suplicante a comprovar a efetividade dos aludidos custos e despesas questionados pela autoridade fiscal. Nesse mister, junta cópias de livros e documentos (fls. 867/2.272), tais como: LALUR, balancetes mensais, folhas de pagamento, comprovantes de arrecadação (IRRF), contratos bancários, Razão, notas fiscais, entre outros. 2. Da impossibilidade de imposição da multa isolada capitulada no artigo 11 da Lei n° 8.218/91 Ressalta a suplicante que, por não ter apresentado os arquivos digitais relativos às folhas de pagamento após intimada para tanto, a autoridade fiscal impôslhe a multa isolada prevista no artigo 12, inciso III, da Lei n° 8.212, de 1991. Alega que o artigo 11 da Lei n° 8.212, de 1991, prevê a obrigação de "manter à disposição" arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial, e que esta obrigação não teria sido descumprida pela impugnante. Fl. 13839DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.838 5 Assevera que a conduta da impugnante foi a de "deixar de apresentar" arquivos digitais; conduta esta que se sujeitaria à penalidade descrita no artigo 57, inciso II, da MP n° 215835/01, com a redação dada pela Lei n° 12.776/12. Destaca que essa confusão entre a penalidade referente aos artigos 11 e 12 da Lei n° 8.212/91 (que recebeu nova redação dada pelo artigo 72 da MP n° 215835/2001), e a penalidade do artigo 57, inciso II, da MP n° 215835/01 (com a redação dada pela Lei n° 12.776/12), é reconhecida pelo Parecer Normativo RFB n° 03/2013. No mesmo sentido, aponta precedente do CARF, que teria tratado de situação semelhante. Protesta, então, pela redução da penalidade. 3. Do descabimento do cômputo de juros de mora sobre a multa de ofício Ressalta a impugnante que, nos casos de lançamento de ofício formalizado por auto de infração, a RFB exige os juros de mora, calculados pela taxa SELIC, também sobre o valor da multa lançada de ofício, sob a justificativa de que essa penalidade se enquadra no conceito de "crédito tributário" de que trata o artigo 161 do CTN. Sustenta, contudo, que o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, por já ser penalidade, não está sujeito a ulterior sanção. Logo, é mister concluir que esta categoria de crédito tributário não está abrangida no artigo 161. Conclui que o único sentido normativo que se pode atribuir ao vocábulo "crédito" referido no artigo 161 é o sentido restrito de "crédito sujeito a penalidade", ou seja, crédito decorrente do descumprimento da obrigação tributária. Nesse mesmo sentido, aponta precedente do CARF. Analisando as razões do impugnante em confronto com os argumentos apontados pela fiscalização, a Delegacia de Julgamento proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INADMISSIBILIDADE. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. MULTA ISOLADA. DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. NORMA APLICÁVEL. Não havendo prova, por parte da Fiscalização, de que a pessoa jurídica não teria elaborado os arquivos digitais, e configurada a dúvida sobre esse fato, é de se invocar o art. 112, inciso II, do CTN, para aplicar, no caso, a norma que sanciona o descumprimento de intimação para apresentação de arquivos Fl. 13840DF CARF MF 6 digitais, a saber: o art. 57 da MP nº 1.15835/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, posteriormente alterada pela Lei n° 12.873, de 2013. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu os seguintes argumentos: Possibilidade de Revisão do arbitramento do Lucro Alega, neste ponto, que a súmula CARF nº 59 não se aplica ao caso em questão, podendo ser revisto o arbitramento do lucro em razão de entender que é possível a apresentação de provas que levarão ao cancelamento do arbitramento. Alega que a dificuldade na apresentação decorreu do fato de se referirem a ano anterior ao da aquisição da empresa pelo atual proprietário. Que apresentou toda a sua escrituração e que apenas não apresentou o Lalur e a documentação de suporte ligada a certos custos e despesas. Com relação à falta do Lalur entende que a simples falta de apresentação do mesmo não é causa para arbitramento conforme farta jurisprudência deste CARF. A falta de apresentação da documentação de suporte não exclui a revisibilidade do lançamento em razão de a Súmula 59 de aplicar aos casos de não apresentação da escrituração e não da documentação de suporte e, em analogia à aplicação da norma do art. 299, que trata da glosa de despesas, a não apresentação da documentação de suporte poderia ser suprida na fase recursal, revertendose o arbitramento. Alega que a DRJ não analisou os argumentos da impugnação, mas simplesmente informou que a apreciação não era necessária em face da aplicação da súmula. Alega, então, que há de serem analisados os argumentos apresentados a fim de permitir à defesa a comprovação da efetividade de suas despesas e a consequente revisão do arbitramento. Comprovação do Custos de Despesas Glosados => Neste item, apresenta um extenso arrazoado no qual pretende demonstrar a efetiva realização das despesas e a necessidade revisão do arbitramento. Neste ponto, não se faz necessário apresentar a argumentação do recorrente vez que esta deverá ser analisada em sede de diligência, acaso, a apresentação da documentação seja aceita pela turma julgadora do recurso. Necessidade de Abatimento Integral dos valores recolhidos a título de PIS e COFINS => Alega que a fiscalização ao lavrar a autuação deduziu dos montantes apurados apenas os valores devidos informados nas DCTF enquanto que a empresa realizou recolhimentos em valores maiores, razão pela qual deve ser revista a autuação. Alega também que a DRJ incorreu em omissão ao deixar de analisar este ponto específico da impugnação. Fl. 13841DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.839 7 Descabimento da aplicação dos juros sobre a multa de ofício => Neste item apresenta diversos argumentos e precedentes no sentido de que seja cancelada a incidência da aplicação de juros SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Iniciemos a análise deste recurso a partir dos pontos de discordância levantados pelo recorrente em sua peça. Possibilidade de Revisão do arbitramento do Lucro e Comprovação de Despesas Glosadas Alega, neste ponto, que a súmula CARF nº 59 não se aplica ao caso em questão, podendo ser revisto o arbitramento do lucro em razão de entender que é possível a apresentação de provas que levarão ao cancelamento do arbitramento. Alega que a dificuldade na apresentação decorreu do fato de se referirem a ano anterior ao da aquisição da empresa pelo atual proprietário. Que apresentou toda a sua escrituração e que apenas não apresentou o Lalur e a documentação de suporte ligada a certos custos e despesas. Com relação à falta do Lalur entende que a simples falta de apresentação do mesmo não é causa para arbitramento conforme farta jurisprudência deste CARF. A falta de apresentação da documentação de suporte não exclui a revisibilidade do lançamento em razão de a Súmula 59 de aplicar aos casos de não apresentação da escrituração e não da documentação de suporte e, em analogia à aplicação da norma do art. 299, que trata da glosa de despesas, a não apresentação da documentação de suporte poderia ser suprida na fase recursal, revertendose o arbitramento. Alega que a DRJ não analisou os argumentos da impugnação, mas simplesmente informou que a apreciação não era necessária em face da aplicação da súmula. Alega, então, que há de serem analisados os argumentos apresentados a fim de permitir à defesa a comprovação da efetividade de suas despesas e a consequente revisão do arbitramento. Comprovação do Custos de Despesas Glosados => Neste item, apresenta um extenso arrazoado no qual pretende demonstrar a efetiva realização das despesas e a necessidade revisão do arbitramento. Neste ponto, não se faz necessário apresentar a argumentação do recorrente vez que esta deverá ser analisada em sede de diligência, acaso, a apresentação da documentação seja aceita pela turma julgadora do recurso. Fl. 13842DF CARF MF 8 Com relação a esta argumentação, que será analisada em conjunto, a apresentação dos comprovantes de despesas em momento posterior é possível quando demonstrada a impossibilidade da apresentação em momento anterior. O arbitramento do lucro foi realizado, neste caso, pela ausência da maior parte da documentação requerida pelo fiscal responsável pelo procedimento. Segundo as informações apresentadas pelo fiscal a empresa, apesar de intimada diversas vezes, deixou de apresentar a maior parte da documentação comprobatória de seus custos e despesas. Transcrevemos, abaixo, o quadro onde a fiscalização demonstra o montante da ausência de comprovação dos custos. Demonstrase da leitura das tabelas acima que o contribuinte deixou de apresentar a maior parte dos documentos de comprovação dos custos e despesas da empresa durante o período fiscalizado. Além disso informa a fiscalização que a empresa, obrigada ao lucro real, igualmente deixou de apresentar o LALUR, livro obrigatório para as empresas sujeitas a este regime. Ocorre, no entanto, que a simples não apresentação do LALUR ou de parte da documentação não seria suficiente para justificar o arbitramento se não ficar demonstrado Fl. 13843DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.840 9 primeiro, a reiteração da solicitação por parte do fiscal responsável pelo procedimento, segundo, o conhecimento da empresa das intimações e sua inação. Assim, no nosso entender não bastaria apenas uma única intimação não atendida para provocar o arbitramento, mas sim que se demonstre a efetiva tentativa de obter a documentação e se buscar a verdade material. Por isso, apesar de ter sido indicado pelo fiscal responsável pelo procedimento as datas em que foram realizadas intimações, cuidamos de rever detidamente estas intimações e as respostas apresentadas pelo recorrente. Vejamos: Data da Intimação Solicitações Resposta 27/11/2013 Termo de Início solicitando toda a escrituração livros e comprovantes de despesas Entrega parcial e pedido de prorrogação de prazo 18/12/2013 Apresentar bens depreciados e justificar não recolhimento da CIDE Apresenta alegações da CIDE e pede prorrogação de prazo da depreciação. Em seguida informa não ter como apresentar a lista de bens depreciados. 08/01/2014 Reintimou apresentação da folha de pagamento e dos comprovantes de prestação de serviços Solicita prorrogação de prazo 24/02/2014 Intimou a apresentar os comprovantes de aquisição dos bens 29/04/2014 Reintimado a apresentar os comprovantes de pagamento de despesas com juros pagos a pessoa vinculada com tratamento favorecido Solicita prorrogação de prazo 16/07/2014 Reintimação do item acima Solicita mais prorrogação de prazo. Depois apresenta lista dos registros contábeis desacompanhados de documentos. 28/08/2014 Reintimação arquivos da folha de pagamento e dos documentos dos pagamentos de royalties Apresenta arquivos da folha que não foram validados. Apresenta justificativa de que os documentos são os que já tinham sido apresentados. 29/09/2014 Devolução do arquivo da folha por não ter sido validado. Reintimação da solicitação dos arquivos da folha. Reintimação da apresentação de documentos comprobatórios do pagamento dos royalties. Intimação apresentação do LALUR Apresenta as mesmas justificativas sem qualquer documento a embasar. 27/10/2014 Reintimação apresentação do LALUR 31/10/2014 Reintimação para apresentar os comprovantes das demais despesas informadas na apuração Pedido de prorrogação por 20 dias Fl. 13844DF CARF MF 10 Além destas intimações e reintimações para apresentação de documentos, foram realizadas outras intimações para regularização de arquivos do SPED, retificação de DCTF e prosseguimento de fiscalização que deixamos de relacionar por não se relacionarem à apresentação dos documentos comprobatórios. A título de ênfase, destacamos que dos documentos anexados ao processo não consta um único comprovante de despesa, REPITO, nenhum comprovante de despesa de qualquer espécie, mesmo decorridos um ano e nove meses entre o início do procedimento de fiscalização e a conclusão do auto de infração. Inobstante o reiterado descumprimento quanto ao atendimento das intimações recebidas no curso da fiscalização, o recorrente, quando da apresentação da impugnação apresentou os seguintes documentos: Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, Planilha de despesas mensais, espelhos das folhas de pagamento, DARFs de pagamento, contratos bancários, documentos de despesas de contas de energia, comunicações, frete e tudo o mais que a empresa pode apresentar relativo aos custos e despesas de sua atividade. Na análise da impugnação a Delegacia de Julgamento deixou de apreciar os documentos com base nos seguintes argumentos: “1. Da alegada possibilidade, neste caso em particular, de revisão do arbitramento do lucro No que tange ao arbitramento dos lucros, reconhece a impugnante que, regularmente intimada e reintimada, efetivamente, deixou de apresentar à Fiscalização diversos documentos comprobatórios de lançamentos contábeis registrados em sua escrituração contábil. Com efeito, deixou a contribuinte de comprovar, aproximadamente, 77% do total de custos e despesas operacionais deduzidos na apuração do lucro operacional e do lucro real informados na DIPJ 2012. Não obstante, alega a suplicante que os fatos objeto deste processo administrativo não são atingidos pela Súmula CARF n° 59, pois não guardariam correspondência com o sentido que se lhe deve atribuir em vista dos precedentes que serviram de fundamento para a edição do respectivo verbete. Não merece acolhida a pretensão da impugnante. Preliminarmente, cabe ressaltar que o feito fiscal encontra amparo no art. 530, III, do RIR/99, que dispõe verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...); Fl. 13845DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.841 11 Por outro lado, a apresentação posterior de documentos da escrituração não tem o condão de afastar o arbitramento do lucro, consoante mansa e pacífica jurisprudência administrativa. A matéria, inclusive, se encontra há muito sumulada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Vejase o enunciado da Súmula CARF nº 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Da simples leitura do enunciado supra, depreendese claramente que a apresentação a posteriori de documentos da escrituração não tem o condão de invalidar o arbitramento do lucro promovido pela autoridade fiscal, revelandose desarrazoada a tese suscitada pela impugnante de que a citada súmula só vedaria a apresentação posterior de livros. Com efeito, extraise do entendimento sumulado verdadeira proteção ao trabalho fiscal, na medida em que inibe embaraço à fiscalização, consistente na negativa de atendimento às sucessivas intimações fiscais, durante os trabalhos de auditoria. Ora, a ausência dos documentos que lastreiam a escrituração, caso dos autos, equivale à total ausência de escrita, impossibilitando a apuração do lucro real e, por conseqüência, a verificação se o contribuinte pagou o tributo devido. Daí a autorização legal para o arbitramento do lucro. Ora, é sabido, o ato administrativo de lançamento é um ato vinculado, exigindose para sua validade o atendimento a certos pressupostos objetivos (no caso, a ocorrência das hipóteses previstas em lei para o arbitramento do lucro) e também subjetivos, (competência do agente, etc). Todavia, uma vez atendidos esses pressupostos objetivos e subjetivos, isto é, regularmente constituído, o crédito somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos em lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional. Sob a impossibilidade de revisão do lançamento na hipótese sob exame, vale trazer à lume ensinamentos produzidos ainda nos idos de 1982, pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme excertos do voto condutor do Acórdão CSRF nº 010.241, de 1982: “(...) não se pode admitir que a posterior apresentação do documentário, isto é, o arrependimento, torne nulo o trabalho fiscal. Admitirse o contrário, equivaleria a um arbitramento condicional, não previsto em lei ou, ainda, implicaria em dizerse que o ato administrativo de lançamento ficaria sem efeito, quando o contribuinte, após autuado, comprovasse possuir escrita e se dispusesse a apresentála, o que, convenhamos, por afrontar a lógica e o Fl. 13846DF CARF MF 12 bom senso, somente seria admissível se a lei expressamente o dissesse. À luz das normas vigentes, não há lugar para qualquer regularização, uma vez lavrado o Auto de Infração, e qualquer tentativa interpretativa em sentido contrário, além de ficar desprovida de consistência jurídica, também não seria salutar do ponto de vista da política e administração tributárias.” Rejeito, pois, as razões de impugnação da contribuinte sobre o tema do arbitramento dos lucros e, consequentemente, ficam prejudicados (1) o exame da alegação de que a falta de apresentação do LALUR não justificaria por si só o arbitramento do lucro; e (2) o exame dos livros e documentos apresentados pela contribuinte junto com sua peça de defesa.” Vejase que a DRJ não deixou de analisar a documentação apresentada pela empresa sem qualquer motivo. A sua decisão baseouse na aplicação da Súmula nº 59 do CARF e pelo entendimento que a apresentação posterior de documentos não pode reverter a aplicação do arbitramento resultante da falta de apresentação dos mesmos durante o procedimento de fiscalização. No meu entender corretíssimo o entendimento da DRJ. Mais ainda, no presente caso a empresa teve um ano e nove meses para coletar os documentos e apresentálos à fiscalização. Documentos estes que deveriam estar sob sua guarda, desde a realização dos registros contábeis. Alega o recorrente, em seu benefício, que o período fiscalização era anterior ao de aquisição da empresa, no entanto esta alegação não lhe pode servir de justificativa para a reversão da aplicação da Súmula nº 59. Sendo o atual proprietário da empresa adquirente da participação dos antigos sócios, normalmente nestes casos são realizadas diligências e auditorias não somente para verificar o valor da empresa, como também para verificar a situação de sua escrituração e registros contábeis. Ora, se os atuais proprietários adquiriram a empresa, com certeza se apropriaram de todo o seu acervo contábil e fiscal. Não faz sentido a alegação de que sendo o período anterior ao da aquisição, este fato dificultou a obtenção da documentação. A obrigação de guarda dos documentos comprobatórios de sua escrituração não decorre dos dispositivos legais que a determinam, mas surgem de uma necessidade lógica dos adquirentes em se apoderar de todos os documentos que pudessem sem meios de prova em favor da empresa, como os são os documentos comprobatórios da escrituração fiscal. Levandose em consideração estes elementos e que, da leitura das intimações e respostas apresentadas pela empresa não se encontra nenhuma justificativa plausível da impossibilidade de obtenção da documentação, nos parece que a não disponibilização da mesma durante o curso do procedimento fiscal pode ter outro motivo que não se encontra demonstrado no processo. À título de suposição poderia a documentação não ter sido apresentada por alguma rusga ocorrida durante o procedimento entre a empresa e o fiscal responsável; poderia também ser uma ação intencional para buscar uma nulidade futura na análise recursal. Enfim, poderíamos suscitar inúmeras possibilidades, nenhuma delas aferível por meios dos documentos juntados ao processo. Por tudo isso entendemos que, inobstante toda a argumentação apresentada pela empresa no intuito de demonstrar que este processo era diferente do que se baseou a jurisprudência para firmar a Súmula nº 59, entendo de modo diverso. Fl. 13847DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.842 13 Não consegui vislumbrar nos autos do processo documentos, motivos ou justificativas que fizessem crer que não foi possível à empresa coletar e apresentar os documentos necessários à realização da fiscalização. Não basta apenas ao recorrente alegar que o caso é diferente, para que isto se comprove tem de demonstrar os motivos que levam ao caso ser diferente, não apenas apresentar interpretações da súmula e de que o seu caso é diferente, merecendo a análise de toda a documentação apresentada posteriormente ao encerramento da fiscalização. Aceitar a análise posterior da documentação não só seria um desprestígio ao serviço da fiscalização como, na verdade, permitiria a que as empresas simplesmente se omitissem ao dever de apresentar documentos durante a fiscalização para obter essa análise a posteriori solicitando diligências buscando a anulação do procedimento. Vejase, havendo a aceitação posterior da documentação qual seria o destino do auto de infração anterior lavrado. Com certeza seria o da anulação. Se a realização do arbitramento decorre, como neste caso, na não apresentação da escrituração e documentação completa, se esta é aceita posteriormente o auto de infração teria de ser anulado, posto que estaria ausente o fundamento do arbitramento. Não podemos concordar com esta hipótese. O arbitramento resultante da falta de apresentação da documentação e da escrituração não pode ser revertido pela simples apresentação da documentação junto com a impugnação. Aceitar este fato seria admitir que o próprio contribuinte detenha o poder de ditar o ritmo da fiscalização e proceder no sentido de buscar a decadência ou provocar a anulação de autos regularmente lavrados. Vejase que o único destino possível de auto de arbitramento após a aceitação da documentação apresentada posteriormente é a anulação e, consequentemente, a alteração do prazo de decadência, posto que, a partir da anulação, este permaneceu correndo sem interrupção. Assim, a decadência estaria a serviço do alvitre do contribuinte e não agindo contra a inação do fisco. Por todos os fatos, consequências e pela necessária aplicação da Súmula nº 59 neste caso que, conforme demonstrado, não apresenta informações à desvinculálo da aplicação sumulada, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Necessidade de Abatimento Integral dos valores recolhidos a título de PIS e COFINS => Alega que a fiscalização ao lavrar a autuação deduziu dos montantes apurados apenas os valores devidos informados nas DCTF enquanto que a empresa realizou recolhimentos em valores maiores, razão pela qual deve ser revista a autuação. Alega também que a DRJ incorreu em omissão ao deixar de analisar este ponto específico da impugnação. Neste ponto, em verdade o que a empresa deseja é que os pagamentos realizados em um determinado mês que forem superiores aos valores lançados sejam utilizados no abatimento das contribuições apuradas em períodos subsequentes no mesmo lançamento. Realmente verificamos que esta mesma argumentação foi trazida em sede de impugnação por parte da empresa e, no entanto, não foi analisada pela decisão de Piso, Fl. 13848DF CARF MF 14 entretanto, entendendo este relator que pode decidir quanto ao mérito em favor do recorrente, sou de opinião que podemos superar a nulidade vertida para no mérito reconhecer assistir razão ao recorrente, neste ponto, conforme segue. O pedido do contribuinte, neste caso, tratase, em verdade de compensação de pagamentos a maior de um período com débitos lançados em auto de infração relativos a períodos subsequentes. O procedimento de compensação está normatizado na lei nº 9.430/96 e alterações posteriores, por estas normas o contribuinte é que deveria realizar tal procedimento por meio da apresentação de declarações de compensação. A outra possiblidade existente seria a de realizarse a compensação de ofício dos pagamentos a maior de um período com os débitos de outros períodos. Tal procedimento não se aplicaria no entanto ao caso, vez que a compensação de ofício aplicase apenas quanto o sujeito passivo, detentor de créditos contra a fazenda, antes de recebelos em espécie e verificada a existência de outros débitos, é intimado de que será realizada a compensação de ofício. No caso em tela em verdade, não há regra normativa a alcançar a pretensão, justamente porque o legislador não poderia prever o caso de, em um mesmo procedimento fiscal, ser verificada a existência de pagamentos a maior de um tributo em alguns períodos e lançamento em outros períodos. Por isso, neste ponto, mais do que se utilizar as normas, até porque inexistentes ao caso, há de se ponderar sobre os princípios do direito que se podem aplicar ao caso. Neste sentido, exigirse que o contribuinte apresente declarações de compensação para buscar a compensação pretendida é absolutamente desproporcional e não razoável. Primeiro porque já atingidos os créditos pela decadência, segundo porque seria exigir do mesmo a admissão da existência dos débitos no curso da análise dos recursos administrativos. Havemos também de levar em conta o princípio da economia processual. Não se justifica o início de novo processo para apurar fatos que já se tem conhecimento neste processo e que podem ser resolvidos no curso deste. Por tudo isso e considerando razoável a pretensão do contribuinte que, mais das contas poderia ter sido realizada no curso do procedimento fiscalizatório, voto no sentido de se acatar a pretensão para que, quando da elaboração da liquidação do julgado, sejam abatidos dos débitos de PIS e COFINS objeto de lançamento, os valores dos pagamentos de PIS e COFINS relativos aos períodos de apuração envolvidos na autuação e que se demonstrem em valor superior aos débitos lançados em DCTF e já considerados na mesma autuação, em cada período de apuração. Descabimento da aplicação dos juros sobre a multa de ofício Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 13849DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.843 15 Fl. 13850DF CARF MF 16 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo Fl. 13851DF CARF MF Processo nº 12448.722374/201502 Acórdão n.º 1401002.301 S1C4T1 Fl. 13.844 17 da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para que, quando da elaboração da liquidação do julgado, sejam abatidos dos débitos de PIS e COFINS, objeto de lançamento, os valores dos pagamentos de PIS e COFINS relativos aos períodos de apuração envolvidos na autuação e que se demonstrem em valor superior aos débitos lançados em DCTF e já considerados na mesma autuação, em cada período de apuração. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 13852DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.903904/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr.Gustavo Minatel, OAB/SP 210.198, escritório Minatel Advogados.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o patrono Dr.Gustavo Minatel, OAB/SP 210.198, escritório Minatel Advogados. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP de nº 24546.74866.191009.1.3.040729 com base em suposto crédito informado em Pedido de Restituição – PER anterior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentado no fato de que o pagamento indicado no Pedido de Restituição como origem dos créditos fora localizado, mas que havia sido integralmente utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 90 4/ 20 12 -1 1 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10830.903904/201211 Resolução nº 3201001.236 S3C2T1 Fl. 3 2 para quitação de débito anteriormente declarado pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada desse despacho, em 17/04/2012, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 16/05/2012 alegando que a decisão expressa no despacho combatido seria simplória. Que o fundamento de ausência de crédito disponível para restituição não se sustentaria, “uma vez que a impugnante sequer é contribuinte da Cofins.” Alega a manifestante ser uma sociedade cooperativa e não praticar atos “não cooperados”: "(...) No caso em apreço, sendo a atividade da Impugnante a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados (ato entre cooperativa e cooperado), todos os atos desenvolvidos para que a COOPUS atinja esse fim devem ser considerados como atos cooperativos. (...)"Alega, quanto à declaração de débito da Cofins em DCTF, ao qual o pagamento indicado como origem do crédito encontrase alocado, que, como esperava resposta do Pedido de Restituição, não retificou a DCTF e que, ultrapassados os cinco anos da data de entrega da mesma, ficou impossibilitada de retificála." A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. COOPERATIVAS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999. A partir de novembro de 1999, tal isenção foi revogada expressamente pela MP nº 1.8586 de 1999. A base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas, com as exclusões específicas contidas na MP n° 1.8586, de 1999. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10830.903904/201211 Resolução nº 3201001.236 S3C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a recorrente é uma cooperativa e que no acórdão proferido pela DRJ não foi consignada nenhuma objeção em relação a tal fato; (ii) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas; (iii) menciona o art. 3° da Lei n° 5764/71 que traz a definição de sociedade cooperativa; (iv) o art. 5° da Lei n° 5764/71 permite que as sociedades cooperativas tenham por objeto qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; (v) o art. 4° da Lei n° 5764/71 elenca as características das sociedades cooperativas; (vi) não há incidência da COFINS sobre os atos cooperativos; (vii) a discussão travada nos autos não diz respeito a isenção da COFINS, mas a não incidência da aludida contribuição sobre os atos cooperativos; (viii) o 79 da Lei n° 5764/71 preceitua o que são atos cooperativos; (ix) no caso em apreço a recorrente exerce a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados; (x) todos os valores ingressados na cooperativa decorrem das contribuições dos cooperados; (xi) os valores ingressados na recorrente para a contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, estão diretamente ligados à sua atividade; (xii) os referidos ingressos servem para custear os atos praticados entre os cooperados e a cooperativa; (xiii) que o direito ao crédito decorre de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS; (xiv) os atos praticados pela recorrente, o são no propósito de assegurar a contratação de serviços médicos, odontológicos, laboratoriais e hospitalares, em preço inferior e com melhores condições, possuindo nítido caráter cooperativo; (xv) anexa com a peça recursal os Balancetes do primeiro semestre de 2003, e parecer da empresa de auditoria SGC Auditores Independentes que comprovam que os valores dos ingressos se referem às contribuições dos cooperados (ato cooperativo); (xvi) pleiteia que tal documentação seja analisada pelo órgão de julgamento recursal; e (xvii) que os documentos trazidos com o recurso constituem prova cabal para demonstrar o erro no preenchimento da DCTF, uma vez que a COFINS lá lançada não deveria Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10830.903904/201211 Resolução nº 3201001.236 S3C2T1 Fl. 5 4 ter sido recolhida pela recorrente na medida em que seus atos cooperativos não são tributados pela COFINS. Pede, ao final, o provimento do Recurso Voluntário ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência em respeito ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto O presente processo tramita na condição de paradigma, sendo aplicável o contido no art. 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015: "Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento." Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10830.903904/201211 Resolução nº 3201001.236 S3C2T1 Fl. 6 5 Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721579/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/12/2010
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Negado.
Numero da decisão: 3201-003.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, na matéria relativa à alegação de alteração de critério jurídico, e da parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, na matéria relativa à alegação de alteração de critério jurídico, e da parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, na matéria relativa à alegação de alteração de critério jurídico, e da parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 15 79 /2 01 1- 35 Fl. 484DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de autuação fiscal, no montante de R$ 43.462,00, relativa à multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme art. 23, §1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, e art. 105, inciso X, do Decretolei nº 37/1966, regulamentado pelo art. 689, inciso X, do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009). Na descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 0515, consta: “001 – CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA – IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA Aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, face o descumprimento do Termo de Fiel Depositário anexo, assinado pela gerente administrativa da empresa DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA LTDA., CNPJ N°: 73.641.409/000160, Sra. Neiva Carneiro de Souza. Em 08 de novembro de 2010, a Receita Federal do Brasil através da Divisão de Fiscalização da Superintendência da Receita Federal do Brasil DIFIS e com participação da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho – DIREP realizou Regime Especial de Fiscalização (REF) no estabelecimento do contribuinte supracitado, a fim de verificar a regularidade fiscal da referida empresa, bem como a regularidade das mercadorias estrangeiras ali depositadas. Na ocasião, foram apreendidas mercadorias de origem estrangeira de propriedade do contribuinte em referência, conforme descrito no Termo de Retenção e Intimação n°10.2.200, em anexo, para apuração quanto à sua regular entrada no território nacional. A nomenclatura utilizada para preenchimento do anexo ao Termo de Retenção e Intimação n° 10.2.200 foi baseada na lista de inventário apresentada pela contribuinte, constante do presente processo. Na execução do Regime Especial de Fiscalização, foi lavrado o Termo de Fiel Depositário, em anexo, referente às mercadorias estrangeiras listadas no Termo de Retenção 10.2.200. A questão básica a auditar é justamente a origem das mercadorias e se tais mercadorias estavam resguardadas por documentação idônea, comprobatória da regular importação. Devidamente intimado, o contribuinte em epígrafe apresentou as seguintes notas fiscais: 1) LEXUS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., inscrita no CNPJ sob n° 07.688.329/000136, estabelecida na cidade de Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10380.721579/201135 Acórdão n.º 3201003.644 S3C2T1 Fl. 485 3 Vitória ES, NF n° 3410, 3411, 3415, 3417, 3419, 3421, 3423,3429, 3430 e 3436; 2) GLOBAL TIRE DO BRASIL COM. DE PNEUS E AFINS LTDA., inscrita no CNPJ 07.174.845/000223, estabelecida na cidade de Vitória ES, NF n° 1291; Analisando as notas fiscais apresentadas pelo interessado e emitidas pela empresa LEXUS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., constatase que as mesmas não possuem os elementos necessários para a validação desses documentos fiscais, conforme preceitua a legislação (Decreto 7.212 de 15/06/2010, em seus artigos 394 e 413): As notas fiscais desta empresa não estão escrituradas com a indicação da data ou de saída (sic) do estabelecimento do emitente, portanto, tratase de notas fiscais que poderiam acobertar indevidamente inúmeras operações, com mercadorias semelhantes, possibilitando ao autuado a sonegação de tributos devidos, além do que impossibilita a fiscalização tributária estabelecer uma relação entre as mercadorias retidas com as descritas nas notas fiscais; A interessada não apresentou os livros fiscais comprobatórios do registro de entrada e saída das mercadorias, com a escrituração das respectivas notas fiscais, dessa forma ficamos impossibilitados de relacionar as mercadorias retidas com as que efetivamente saíram e entraram do seu estabelecimento, além de não apresentar expressa menção nas notas de se tratar de mercadoria estrangeira de importação direta ou produto estrangeiro adquirido no mercado interno. Sendo assim, estas notas não comprovam a regular situação das mercadorias no pais em razão de não apresentarem os requisitos legais obrigatórios estabelecidos no art. 413 do RIPI, pois omitem indicações exigidas ou contem indicações inexatas, sendo consideradas inidôneas e sem valor legal, conforme art. 427, do RIPI, Decreto n° 7.212, de 15/06/10, e ainda, pela impossibilidade de a fiscalização aduaneira relacionar as mercadorias retidas com as descritas pelas notas fiscais apresentadas. As notas fiscais de n°s 3410, 3411 e 3436 não descrevem com exatidão os produtos por elas acobertadas, uma vez que não está consignada nesses documentos fiscais a MARCA dos pneus, o que, mais uma vez, impossibilita a fiscalização estabelecer uma relação entre as mercadorias retidas com as descritas nas notas fiscais, além de desobedecer ao que preceitua a alínea b, inciso IV, do art. 413 do Decreto n° 7.212/10. As notas fiscais de n°s 3415, 3417, 3419, 3421, 3423, 3429 e 3430 foram apresentadas para comprovação fiscal dos PNEUS, modelo 900x20 LISO, marca DOUBLE HAPPY, no entanto as descrições constantes nos referidos documentos fiscais são de PNEUS, modelo 90020 DIREC. e marca DOUBLE HAPPY. Portanto não há correlação entre os produtos descritos nas notas fiscais, com aqueles retidos; Fl. 486DF CARF MF 4 (...) Analisando a nota fiscal n° 1291 apresentada pelo interessado e emitida no ano calendário 2009, constatase que a mesma não possui os elementos necessários para relacionar as mercadorias por elas descritas com as que efetivamente foram retidas, pois NÃO CONTÉM a MARCA das mercadorias por ela acobertada, o que impossibilita a fiscalização estabelecer uma relação entre os produtos retidos com os descritos nesse documento fiscal, além de desobedecer ao que preceitua a alínea b, inciso IV, do art. 413 do Decreto n ° 7.212/10. (...) Vícios da Inidoneidade: O legislador ao criar a Lei n ° 4502, de 1964, ou seja, uma lei federal que regula a obrigatoriedade de emissão de notas fiscais de saída e de entrada, a todos obriga a observação de seus preceitos. Tanto é assim que no artigo 62 da citada lei, temos literalmente: (...) A totalidade da documentação acima listada foi analisada pela Auditoria e as mesmas não contêm os elementos obrigatórios da identificação da mercadoria estrangeira e da origem das mesmas, ou seja, não observa a lei de regência dos fatos em itens básicos para a perfeita identificação da mercadoria estrangeira. Dos efeitos da Inidoneidade documental: A inidoneidade documental é definida na Lei Tributária já citada e transcrita e tem como efeito não mais se referir a mercadoria estrangeira apreendida, fazendo prova tão somente a favor do fisco. Logo estamos diante de documentação sem valor de prova em face dos vícios que contêm. É mercadoria estrangeira, comprovadamente desprovida de documentação fiscal idônea, portanto, subsumese a legislação aduaneira de regência e passa a ser tratada como Dano ao Erário, na forma prevista no Decreto lei n° 1.455/1976, art. 23 parágrafo primeiro e 37/1966, artigo 105, regulamentados pelo artigo 689 do Decreto n° 6.759, de 05.02.2009, literalmente a seguir: (...) Desta forma, a documentação analisada na sua totalidade e bem listada acima, não informa como deveria por força da determinação legal, a descrição completa das mercadorias retidas. Tal procedimento é proposital e visa a reutilização sucessiva do documentário, pois, se constasse a descrição completa, contendo MARCA e MODELO, não poderia ser reutilizada para acobertar aquisições de mercadorias semelhante adentradas clandestinamente no País. Reforça as suspeitas em relação à idoneidade das notas fiscais apresentadas e da própria empresa fiscalizada, o fato de a DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA LTDA ter entregado Declaração simplificada da Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10380.721579/201135 Acórdão n.º 3201003.644 S3C2T1 Fl. 486 5 Pessoa Jurídica (DSPJ) como inativa em todos os anos calendário, de 1993 a 2008, e, apesar de informações do sistema da SEFAZ/CE indicarem que a empresa efetuou compras no montante de R$ 578.103,47, em 2009, e de R$ 5.902.559,29, em 2010, não há recolhimento de tributos federais nesses últimos dois anos, tampouco as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentadas apontam qualquer declaração de débito. Vale destacar que, para as mercadorias abaixo relacionadas, sequer foram apresentadas notas fiscais que pudessem acobertar sua possível regularidade: (...) Destacase que no dia 03/12/2010, a DIREP03 compareceu ao estabelecimento do interessado para proceder ao recolhimento para o Depósito da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE das mercadorias estrangeiras que não obteve comprovação de sua regular importação, entretanto as mercadorias abaixo relacionadas não foram apresentadas, em descumprimento ao Termo de FIEL DEPOSITÁRIO anexo, lavrado no dia 08/11/2010. Por isso, no dia 07/12/2010, aempresa autuada foi intimada a apresentar as mercadorias descritas abaixo, através do Termo de Intimação 10.2.050. (...) Ressaltase que as mercadorias estrangeiras retidas inicialmente e descritas abaixo não foram apresentadas até o presente momento, o que ensejará a lavratura de auto de infração para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, com fundamento no artigo 23, parágrafo 3º do DecretoLei n°1.455/76, com a nova redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. (...) As valorações das mercadorias retidas e não recolhidas no procedimento de fiscalização foram fundamentadas com base no valor da transação de produtos idênticos e/ou similares constantes nas notas fiscais apresentadas pela empresa autuada, e especificadas na tabela abaixo. (...) Da Proposta de Aplicação da Penalidade de Perdimento: Cumpridas as formalidades legais, e não se podendo esclarecer a origem das referidas mercadorias, lavrase o presente auto de infração para conversão da pena de perdimento em multa das mercadorias que não foram possíveis apreendêlas, com fundamento no artigo 23, parágrafo 3° do DecretoLei n°1.455/76, com a nova redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002.” Fl. 488DF CARF MF 6 Cientificada pessoalmente, em 24/02/2011 (fl. 04), a DISTRIBUIDORA DE PNEUS NOSSA SENHORA DA GLÓRIA (DIST. N.S. GLÓRIA) apresentou sua impugnação em 28/03/2011 (fls. 123131), na qual, após discorrer sobre os fatos, alega: a autuação decorreu de suposta "inidoneidade" das Notas Fiscais das mercadorias, sob dois argumentos, quais sejam: a) ausência das datas de saída da mercadoria das empresas vendedoras e chegada nesta autuada; b) descrição das mercadorias constantes nas NFe dissonante do que foi apreendido; o proceder fiscal foi arbitrário uma vez que o próprio fisco o reconheceu; tanto que devolveu parte da mercadoria apreendida, o que configura um constrangimento que sofreu a impugnante; devese partir da premissa de que não se cuida o caso sub examine de importação de pneus ou câmaras de ar, mas de compra de mercadoria estrangeira adquirida de empresa nacional (acima identificadas), precisamente de outro Estado; de acordo com a legislação do ICMS do Estado do Ceará, vários dados têm que ser observados para a emissão de nota fiscal; dentre eles, a data de emissão da nota fiscal e da saída dos produtos; a falta de tais elementos, efetivamente, poderia ensejar a utilização de uma mesma nota fiscal por várias vezes, no caso de uma operação dentro do próprio município. Entretanto, em operações intermunicipais e interestaduais, como é o caso aqui abordado, a ocorrência de tal fato tornase totalmente impossível, tendo em vista que uma mercadoria ao sair de um estado para outro, obrigatoriamente passará por um posto fiscal onde as notas fiscais são inspecionadas detalhadamente e, havendo dúvidas quanto à legitimidade da operação, as mercadorias também são submetidas a uma vistoria rigorosa, inclusive com apreensão; ao entrar em nosso estado todas as notas fiscais eletrônicas apresentadas estavam dentro do prazo para serem transportadas; a data de emissão, a data da saída das mercadorias, o prazo de cinco dias para que a mercadoria saia do estabelecimento após a emissão da nota fiscal, são requisitos válidos nacionalmente. Entretanto, a não observação de tais exigências em uma operação interestadual, jamais poderá servir de supedâneo para invalidar uma nota fiscal sob o argumento manejado pelos autuantes, segundo o qual, poderia ensejar a saída de várias mercadorias do estabelecimento com uma mesma nota fiscal, tendo em vista o já citado controle de fronteiras que cada Estado estabelece; a tese da fiscalização está se atendo à letra fria da lei, sem qualquer intenção de buscar a verdade real, haja vista que, pela lógica e pelo bom senso, seria totalmente impossível ocorrer a Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10380.721579/201135 Acórdão n.º 3201003.644 S3C2T1 Fl. 487 7 reutilização da nota fiscal eletrônica de entrada. A não ser que houvesse conivência com todos os postos de fronteiras do Espírito Santo até o Ceará; não pode a fiscalização considerar inválidas as notas fiscais de compra somente pela falta de preenchimento de um requisito qual seja, a data de saída da mercadoria, apesar de se constatar de forma inconteste que estas foram utilizadas dentre do prazo de 05 (cinco) dias de sua emissão; diferente do que afirma a fiscalização, as NFe estavam devidamente escrituradas como se infere dos documentos ora anexados. Além disso, apesar de a escrituração fiscal ser uma obrigação do contribuinte, a sua falta não invalida a operação, pois, se a nota fiscal é idônea, apresentando todas as características legais e aquelas em falta foram supridas pela aposição dos carimbos e selos dos postos fiscais, não seria a escrituração fora do livro de registro de entradas que impediria os autuantes de relacionar todas as mercadorias que entraram na empresa; os fiscais teriam todas condições de levantar corretamente as entradas e saídas de mercadorias do estabelecimento fiscalizado, após proceder a um levantamento de estoque, o que não foi feito. É mais "fácil" para o fisco apreender a mercadoria do que provar a sua suposta inidoneidade, aliás, não demonstrada em nenhum momento; a alegativa de que as notas não foram escrituradas nada mais é de que uma presunção, já que os próprios autuantes alegam que a empresa não apresentou a eles os livros fiscais; ora, “se a empresa deixou de apresentar os referidos livros como é que eles viram que as NFse não estavam ESCRITURADAS com as datas de saídas do emitente?”; em relação à questão da nomenclatura PNEU "LISO" OU "DIRECTION", estes são os mesmos pneus, uma vez que pneu LISO é usado na direção (frente do veículo) e o termo "DIRECTION" se refere DIRECIONAL. Ora o pneu direcional se refere também ao da frente do veículo, ou seja, direção, não havendo, pois, divergência, como deixa transparecer o proceder dos auditores; já se fosse referido aos pneus traseiros, estes são denominadas de "TRACTION", ou seja, "TRAÇÃO" que se denomina popularmente de "PNEU BORRACHUDO" ao contrário do "LISO" USADO NA DIANTEIRA, OU "DIRECTION". Destarte, não existe divergência entre as mercadorias apreendidas e as descritas na NFe. pelo próprio relato da fiscalização, vêse que os pneus descritos nas notas fiscais e nos produtos encontrados são iguais, ou seja, PNEUS, modelo 900x20, marca DOUBLE HAPPY. Assim, não há nada a ser questionado, uma vez que a fiscalização afirma Fl. 490DF CARF MF 8 textualmente, ao descrever os produtos retidos, que são eles iguais; de outro turno, resta imperiosa a necessidade da procedência da impugnação com a liberação imediata das mercadorias objeto das notas fiscais que fulcram esta impugnação; para uma maior comodidade, anexa planilha na qual descreve item por item de cada nota e sua respectiva quantidade e a que foi retida, asseverando ainda o fornecedor (nacional) com CNPJ, sendo que estes dados já constam no corpo das Notas Fiscais Eletrônicas; ademais, ressaltase que é indispensável uma perícia nas mercadorias e Notas Fiscais Eletrônicas para averiguação de que são as mesmas descritas, tudo na forma do art. 18, § 10, do Decreto 70.235/1972, tudo com o escopo de se apurar a verdade real e em consonância com o direito constitucional à ampla defesa e contraditório previstos na Carta Política de 1988; assevera ainda, em conformidade com o art. 16, § 4º, letra "a" do citado decreto, a total impossibilidade de apresentação da documentação concernente à prova inconteste dos fatos aqui articulados uma vez que livros fiscais, de inventário, notas fiscais, etc., encontramse sob a guarda da SEFAZ e da própria Receita Federal do Brasil, conforme documentação em anexo, motivo pelo qual requer que seja deferido o direito de apresentação da documentação quando da devolução pelos órgãos referidos; face ao que foi exposto, demonstrada a total ilegalidade da conduta estatal consubstanciada na apreensão das mercadorias devidamente alicerçadas em Notas Fiscais Eletrônicas idôneas, pugna pela procedência da impugnação, com a imediata liberação das mercadorias apreendidas. Conforme o Memorando nº 016/ALF/FOR/Gabinete (fl. 240), datado de 23/08/2013, dirigido à Procuradoria da Fazenda Nacional, foram solicitadas informações acerca dos desdobramentos da ação nº 0014809.17.2010.4.05.8100, proposta, na Justiça Federal no Ceará, pela Distribuidora de Pneus Nossa Senhora da Glória, relacionada com fatos mencionados no auto de infração, assim como sobre sujeição passiva de terceiro. Através do Parecer PFN/CE n° 152/2013 (fl. 241), de 02/09/2013, foi informado que, na referida ação, tendo em vista que a decisão proferida, em sede de Apelação e posterior Questão de Ordem, pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região, possuía força executória imediata, deveria a União dar lhe cumprimento. Mediante o Memorando nº 020/ALF/FOR/Gabinete, datado de 13/09/2013, dirigido à Procuradoria da Fazenda Nacional, novamente foram solicitadas informações acerca de implicações da ação nº 0014809.17.2010.4.05.8100, proposta, na Justiça Federal no Ceará, pela Distribuidora de Pneus Nossa Senhora da Glória, relacionadas com fatos mencionados no auto de infração, especificamente sobre o cabimento de sujeição passiva de terceiro, ligado aos fatos. Pelo Parecer PFN/CE n° 174/2013 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10380.721579/201135 Acórdão n.º 3201003.644 S3C2T1 Fl. 488 9 (fl. 267), de 08/10/2013, foi informado que, diante dos fatos, seria o caso de se dar prosseguimento à sujeição passiva do terceiro. Diante disso, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 02/2011 (fls. 279280), relativo a ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE, cuja motivação menciona relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, e enviado à DIREP/03,0 citando fatos e provas que serviram de fundamento para a lavratura de outro Termo de Sujeição Passiva Solidária, correspondente ao processo administrativo nº 10380.732608/201194, relativo a tributos internos. Conforme consta no Termo de Sujeição Passiva Solidária, à fl. 280, na lavratura deste, os citados fatos e provas, assim como o Parecer PFN/CE nº 174/2013, são utilizados pela fiscalização como fundamento, vinculando ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE ao auto de infração e ao processo administrativo aqui em debate. Cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 279), pelos Correios, em 17/12/2014, com aviso de recebimento (fl. 281), ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE, conforme Sedex de fls. 285, apresentou, em 16/01/2015, sua impugnação de fls. 286288, na qual alega: no Termo de Sujeição Passiva Solidária os autuantes informam o direito do inconformado de se defender do auto de infração nº 0317600/201411. Ocorre que não existe Comprot para esse número. Se acaso se referir ao processo administrativo nº 10380.721579/201135, este já foi impugnado, ainda sem resposta; é fundamental o despacho da PFN, de 02/09/2013, segundo o qual há decisão do TRF 5ª Região no sentido de que seja afastada a pena de perdimento, assim como a aplicação de penalidade pecuniária; percebese descaminho de dados e linguagens no auto de infração. Há momentos em que o auto de infração é de perdimento; outros, em que é de aplicação de multa. Contra isso existe a figura jurídica do impedimento de mudança de critérios, conforme artigo 146 do CTN; por fim, o Termo de Sujeição Passiva Solidária “amarra” suas razões num outro Termo, do processo de Imposto de Renda, da pessoa jurídica, em que o impugnante se defende perante o CARF. Pedese que aquelas razões sejam analisadas aqui, a demonstrar cabalmente que, na qualidade de parente, o impugnante tem interesse nos bons resultados da empresa autuada, mas não há qualquer ato que o vincule à sua administração, conforme processo administrativo nº 10380.732608/201194, em fase de embargos de declaração; Fl. 492DF CARF MF 10 pedese que a impugnação seja recebida em seu efeito suspensivo, tanto em relação ao impugnante, quanto em relação à empresa, eis que a impugnação desta ainda não teve julgamento; requerse, no final, o reconhecimento da ilegitimidade da cobrança, conforme as citadas razões da PFN, bem como pela impossibilidade de mudança de critério jurídico da pena de perdimento para a pena de multa. Através da Resolução nº 2.955 de 28/08/2015, da Sétima Turma deste órgão julgador, decidiuse converter o julgamento em diligência, enviando o processo à unidade de preparo, para esta: “1) Anexar ao presente processo administrativo o relatório, citado à fl. 279, elaborado pela DRFFortaleza, relacionado com a aplicação de Regime Especial de Fiscalização sobre a empresa Distribuidora de Pneus Nossa Senhora da Glória Ltda, assim como os documentos mencionados (fiança em contrato de locação, fiança bancária, endosso de cheques e outros), e que serviram de fundamento para a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária do presente processo (fl. 279) e do processo nº 10380.732608/201194. 2) Prestar quaisquer outros esclarecimentos e, se for o caso, anexar documentos que sejam relevantes para o deslinde das questões, em especial no tocante a responsabilidade solidária de ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE. Por fim, com vista a garantir o exercício do contraditório e da ampla defesa, cabe cientificar o sujeito passivo acerca da diligência efetuada, assegurandolhe o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as informações e os documentos trazidos aos autos, decorrentes das providências acima solicitadas, conforme art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.475/2011.” Em decorrência, a fiscalização anexou ao processo, às fls. 304 385, cópia do Relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, referente ao Regime Especial de Fiscalização em desfavor da DIST. PNEUS N. S. GLÓRIA, citado à fl. 279, assim como diversos documentos a ele relacionados. Através da Resolução nº 3.000 de 07/04/2016, da Sétima Turma deste órgão julgador, decidiuse novamente converter o julgamento em diligência, enviando o processo à unidade de preparo: “(...) a fim de que o órgão de origem cientifique os sujeitos passivos (Distribuidora de Pneus Nossa Senhora da Glória Ltda e ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE) acerca da diligência e das providências tomadas em atendimento à Resolução nº 2.955 de 28/08/2015, bem como da presente Resolução, assegurandolhes o prazo de trinta dias para se pronunciarem sobre as informações e os documentos trazidos aos autos, decorrentes da realização da referida ação fiscal (...)” Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10380.721579/201135 Acórdão n.º 3201003.644 S3C2T1 Fl. 489 11 Conforme o Termo de Ciência de fl. 393, a DIST. N.S. GLÓRIA, cientificada das Resoluções e do Relatório de Fiscalização de fls. 304385, por abertura de mensagem, em 19/04/2016, apresentou, em 18/05/2016, sua manifestação, na qual alega: “(...) 1.1 É fundamental o despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional em Fortaleza, em símile: ‘08. Ante o exposto, a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região, em sede de julgamento de recurso de Apelação e posterior Questão de Ordem possui força executória imediata, devendo a União dar cumprimento à mesma, afastando a pena de perdimento, bem como aplicação de multa, e restituindo imediatamente a mercadoria objeto dos autos. (...)’ 1.2 Literalmente, para que não reste dúvida: —«afastando a pena de perdimento, bem como a aplicação de penalidade» — Clareza maior? Impossível. 1.3. Tanto mais grave quando se percebe o verdadeiro descaminho de dados e linguagens nos autos: 1) horas há em que o lançamento é de perdimento (03.21.2010); horas outras, de aplicação de multa, do auto de infração, muito depois, 24.02.2011, como se o lançamento tributário fosse espingarda de repetição em que o atirador vai atirando à vontade, pontaria e despontaria... até esgotar a munição. Contra isto, naturalmente, a figura jurídica do impedimento de mudança de critérios. Devido fosse o perdimento, houvesse o perdimento; indevido o perdimento? Não cabe trocálo — um novo tiro! — para penalidade de multa: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (Código Tributário Nacional). 1.4 Pedese seja esta impugnação recebida em seu efeito suspensivo, declarando a improcedência da autuação em vista das razões da PFN transcritas em símile, bem como a impossibilidade da mudança do critério jurídico da pena de perdimento para pena de multa. (...)” Já o responsável solidário ORLANDO BENEVIDES CAVALCANTE, cientificado das Resoluções e do Relatório de Fiscalização de fls. 304385, em 02/05/2016, pelos Correios, com aviso de recebimento (fl. 395), apresentou, também em 18/05/2016, sua manifestação, fls. 397399, em que repete sua impugnação de fls. 286288, e requer: Fl. 494DF CARF MF 12 “Pedese seja esta impugnação recebida em seu efeito suspensivo tanto em relação ao inconformando como também em relação à empresa, eis que a impugnação respectiva até aqui não teve qualquer julgamento; pedese, no final, o reconhecimento da ilegitimidade de cobrança, vide razões da PFN transcritas em símile, bem como a impossibilidade da mudança do critério jurídico da pena de perdimento para pena de multa.” Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador. A DRJ/Fortaleza/CE – 7ª Turma, por meio do Acórdão 0836.991, de 26/08/2016, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do Princípio da Unidade de Jurisdição, a propositura de ação judicial contra a Fazenda Pública importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Em relação à referida matéria, o lançamento torna se definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/12/2010 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERESSE COMUM NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. BENEFÍCIOS. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Sendo demonstrada a existência de terceiro, pessoa física, sócio administrador de fato, com interesses comuns nas atividades de empresa e delas se beneficiando, responderá este como responsável solidário. A fiscalizada e o responsável solidário Sr. Orlando apresentam Recurso Voluntário conjunto, no qual sustentam a aplicação da decisão judicial, e suscitam que a decisão recorrida não enfrentara o argumento da alteração de critério jurídico, relativo à mudança da pena de perdimento para multa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. Juízo de conhecimento Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10380.721579/201135 Acórdão n.º 3201003.644 S3C2T1 Fl. 490 13 Como relatado, a questão de fundo foi submetida ao Poder Judiciário, impondose a aplicação da súmula Carf nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Observo que a decisão judicial valerá para ambas as partes, por princípio, nos termos do artigo125 do CTN1. Portanto, não se toma conhecimento do recurso, quanto ao lançamento da multa substitutiva do perdimento. Preliminar de omissão da decisão recorrida. Em preliminar, sustentam os recorrentes que a decisão recorrida não teria enfrentado o argumento da alteração de critério jurídico, ao se converter o perdimento em multa. Não lhe assiste razão. É que tanto o perdimento quanto a multa são procedimentos decorrentes das infrações acusadas, que foram submetidas ao Poder Judiciário. Assim, a decisão recorrida aprecia a questão, na medida em que não adentra o mérito da questão, por concomitância com a ação judicial: Confirase trecho da decisão recorrida, fl. 424: Ademais, na referida ação judicial o Poder Judiciário pronunciase, inclusive, acerca do cabimento ou não da multa, conforme se pode concluir do seguinte trecho de despacho contido no extrato relativo à Apelação Cível, anexado ao processo administrativo, à fl. 246: “(...) Em seguida, a Segunda Turma deste Tribunal, no julgamento dos embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional (fl. 589/596), corrigiu contradição no julgado anterior para afastar a pena de perdimento, bem como a aplicação de multa, e determinar a imediata entrega da mercadoria objeto dos autos. A empresa impetrante também apresentou petição (fl. 614/615), requerendo o imediato cumprimento da restituição dos bens apreendidos, diante da decisão favorável em sede de embargos declaratórios.(...)” (grifei) Desse modo, não há a alegada omissão, devendo ser afastada a preliminar suscitada. Mérito 1 Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Fl. 496DF CARF MF 14 No mérito, tão somente se pede, sem qualquer acréscimo argumentativo, a aplicação do art. 146 do CTN, que veda a alteração de critério jurídico, que a recorrente entende caracterizada, ao se aplicar a multa substitutiva do perdimento. Considerando que não há qualquer argumentação adicional à Impugnação, nesta matéria, e que a decisão recorrida é clara e contundente, conforme preliminar analisada, demonstrando a concomitância da matéria com a ação judicial referida, invoco o art. 57, §3º, do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 20152, para subscrever a fundamentação da decisão recorrida, aplicando, também, a súmula Carf nº1. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, quanto às matérias submetidas ao Poder Judiciário, e negar provimento, quanto à preliminar suscitada. Marcelo Giovani Vieira Relator 2 Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.725541/2012-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 55 41 /2 01 2- 99 Fl. 139DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2011, ano calendário de 2010, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 47,000,00 e exigido um crédito tributário de R$ 25.749,77 . Na impugnação apresentada, fls.01/08, o Impugnante alega, em síntese, que foi cumprida a exigência do disposto''no . art. 80 do RIR/99, com a apresentação dos recibos originais de pagamentos emitidos pelos prestadores de serviços, bem como requer seja realizada perícia contábil a fim de verificar se as pessoas mencionadas no lançamento receberam os valores declarados pelo requerente; que os prestadores dos serviços sejam ouvidos neste procedimento administrativo. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/03/2014 (fl. 119), o interessado interpôs, em 08/04/2014, o recurso de fls. 121/135. Nas razões recursais aduz preliminarmente a nulidade do processo por suposta violação aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e , no mérito, roga que seja desconsiderado o lançamento fiscal objeto da notificação aqui ventilada impedindo, assim, a glosa dos valores declarados pelo contribuinte, tendo em vista que apresentou em oportunidade anterior os recibos originais de pagamentos efetuados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, bem como as respectivas declarações que atestam a prestação de serviços médicos, de modo que sejam mantidos os dados e os lançamentos de sua declaração de renda do ano de 2011, anocalendário 2010. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Violação dos princípios da ampla defesa , contraditório e devido processo legal O Recorrente teve garantida as suas oportunidades de manifestação, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Não há comprovação nos autos de cerceamento de defesa. Ao reverso, o contribuinte teve as chances para a produção de provas ao seu favor em Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10855.725541/201299 Acórdão n.º 2001000.019 S2C0T1 Fl. 3 3 diversos momentos, e a usufruiu. A autoridade lançadora não violou qualquer princípio constitucional ou cláusula pétrea, mas tão somente entendeu não ser fundamental a produção de determinadas provas para a formação do seu convencimento. Menciono aqui trecho da decisão da DRJ/SP2, qual me amparo para fundamentar a análise desta preliminar: "Assim, o rito estabelecido na legislação vigente para o processo administrativofiscal é: a) não concordando com a exigência fiscal, o autuado tem direito de apresentar sua inconformidade através da impugnação, dentro do prazo de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar (art. 15 do PAF); b) a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou, refirase a fato ou direito superveniente, ou, destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16 e § 4° do PAF); c) dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte, não concordando com a mesma, poderá interpor recurso voluntário. Tendo em vista que o pedido genérico para produção de novas provas, depois de apresentada a impugnação, ou seja, extemporaneamente, não se enquadra nas exceções previstas no § 40 do art. 16 do Decreto 70.23511972, é de se indeferir o referido pedido. Destaquese, ainda, que o processo administrativo fiscal, calcado no Decreto 70.235/1972, com alterações posteriores, não admite a produção de prova testemunhal. Por isso, acrescentese às razões do indeferimento acima, a ausência de previsão legal para que sejam ouvidas as pessoas prestadoras dos serviços médicos. No tocante ao pedido de'prova pericial, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao Sujeito Passivo o direito de pleitear a sua realização, em conformidade com o art.16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal PAF , com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, compete à Autoridade Julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18,"caput ", do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). A realização de diligências e/ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais, que, por algum motivo justificável, não é possível ao impugnante fazêlo quando de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação, tendo em vista que o contribuinte não anexou aos autos nenhum Fl. 141DF CARF MF 4 elemento inovador que necessitasse de sua efetivação, deixando, portanto, de atender o disposto no inciso IV, do art. 16, do PAF." Desta feita, não acolho a preliminar de nulidade, passando, assim, à análise do mérito. Mérito Glosa de despesas médicas . Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos efetuados, relativos ao próprio tratamento, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração dos próprios prestadores de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Na fase impugnatória, o interessado carreou aos autos documentos argumentando que os recibos e declarações juntados são provas suficientes da prestação dos serviços e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10855.725541/201299 Acórdão n.º 2001000.019 S2C0T1 Fl. 4 5 pagamentos, não cabendo ao Fisco qualquer outra exigência. 19 O contribuinte traz em sua impugnação uma mera declaração simples dos profissionais sem especificar qual teria sido o tratamento e paciente. Alega que os tratamentos foram para si, no entanto não há nos autos nenhuma prova de que assim tenha sido. Não há indicação de que tenha sido ele defendente o paciente das despesas médicas informadas na DIRPF, sendo certo que para fazer jus à dedução pleiteada teria que ter como tal o próprio ou os seus dependentes, na forma da legislação indicada. 20. Conforme já relatado, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, o fato de as deduções apresentarem valores elevados é, por si só, motivo para a autoridade fiscal ser mais cautelosa e exigir outros elementos de prova da efetividade da prestação do serviço e do pagamento das referidas despesas, sem que isso se caracterize em arbitrariedade, como alegado na defesa. O defendente não logrou êxito em fazer a comprovação da regularidade das deduções informadas, embora tenha sido regularmente intimado para tanto. 21. Não se trata aqui de concluir que há limites para estas deduções, que não os há. Nem que são situações que não possam ocorrer. As deduções são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. 22. Assim é que, nessas circunstâncias, a mera apresentação de recibos, desacompanhada de documentação que ateste o pagamento dos valores neles constantes e a realização dos serviços, é insuficiente para caracterizar a efetividade da despesa passível de dedução.. “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, de fato me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, o valor envolvido em relação às despesas médicas. Nesta senda, entendo, ademais que a fundamentação fiscal a qual deu amparo ao lançamento aqui analisado está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico. Senão vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 143DF CARF MF 6 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. É conveniente lembrar, que o contribuinte é a responsável perante o fisco pela guarda dos documentos que serviram de base para o preenchimento de sua declaração, enquanto não decorrido o prazo decadencial. Assim, ao fazer pagamentos de despesas que serão utilizadas a posteriori, para dedução da base de cálculo do imposto de renda, tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. No que se refere às despesas com SPA “Casas de Repouso”, muito bem feita a análise da DRJ/REC. Como bem mencionado no acórdão, estes estabelecimentos podem ser equiparados à estabelecimentos geriátricos, merecendo o mesmo tratamento. Consta o seguinte no perguntas e respostas do sítio da RFB: "Despesas de internação em estabelecimento geriátrico são dedutíveis a título de hospitalização apenas se o referido estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde estiver a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes(municipais, estaduais ou federais). O Ato Declaratório Interpretativo nº 19/2007, por sua vez, dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços pré hospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Foi devidamente pesquisado o CNAE do estabelecimento em questão e verificouse que não se caracteriza como estabelecimento hospitalar. A dedução das despesas pagas a este título, no entanto, está condicionada à comprovação da qualificação do estabelecimento como hospital no cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, o que não foi feito. O Ministério da Saúde MS, através da Portaria MS/SAS nº 376, de 03 de outubro de 2000, determinou o recadastramento de todos os Estabelecimentos de Saúde no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde – CNES, visando à criação do Banco de Dados Nacional de Estabelecimentos de Saúde, abrangendo a totalidade de hospitais existentes no país, assim como, a totalidade dos serviços ambulatoriais vinculados aos SUS e, ainda, os Estabelecimentos de Saúde ambulatoriais não vinculados ao SUS. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10855.725541/201299 Acórdão n.º 2001000.019 S2C0T1 Fl. 5 7 Sendo assim, mais uma vez, devidamente suportada e fundamentada a decisão a quo, que indeferiu a dedução das despesas desta natureza. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela manutenção do crédito lançado, o qual restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando, pois, a manutenção do crédito fiscal pretendido pela autoridade lançadora. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000166/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMPRÉSTIMO DE COLIGADA. APORTE DE CAPITAL. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. IMPROCEDÊNCIA.
Inexistindo prova de simulação (que os empréstimos contraídos pela contribuinte seriam, na realidade, aporte de capital) e padecendo o lançamento de vício insanável no aspecto temporal do fato gerador, exonera-se a exigência.
INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALTERAÇÃO EM PREJUÍZO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. NECESSIDADE DE RESPEITO AOS PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROATIVIDADE.
Editada uma instrução normativa que, por força de lei, institui determinado tratamento tributário, qualquer alteração posterior, que possa implicar aumento de ônus tributário ao contribuinte deverá observar os princípios da anterioridade e da irretroatividade previstos no art. 150, inciso III, da Constituição Federal, vedada aplicação retroativa de nova interpretação em prejuízo ao contribuinte.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. SAFE HARBOUR.
Constatado que o contribuinte cumpriu os requisitos legais previstos no art. 35 da IN SRF nº 243/2002, com a redação vigente em 31 de dezembro de 2003, exonera-se o crédito tributário constituído com base no disposto no art. 19 da Lei nº 9.430/96.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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APORTE DE CAPITAL. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova de simulação (que os empréstimos contraídos pela contribuinte seriam, na realidade, aporte de capital) e padecendo o lançamento de vício insanável no aspecto temporal do fato gerador, exonera se a exigência. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALTERAÇÃO EM PREJUÍZO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. NECESSIDADE DE RESPEITO AOS PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROATIVIDADE. Editada uma instrução normativa que, por força de lei, institui determinado tratamento tributário, qualquer alteração posterior, que possa implicar aumento de ônus tributário ao contribuinte deverá observar os princípios da anterioridade e da irretroatividade previstos no art. 150, inciso III, da Constituição Federal, vedada aplicação retroativa de nova interpretação em prejuízo ao contribuinte. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. “SAFE HARBOUR”. Constatado que o contribuinte cumpriu os requisitos legais previstos no art. 35 da IN SRF nº 243/2002, com a redação vigente em 31 de dezembro de 2003, exonerase o crédito tributário constituído com base no disposto no art. 19 da Lei nº 9.430/96. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 66 /2 00 8- 76 Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.283 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.284 3 Relatório Adoto o relatório que compõe a Resolução nº 1402000.368, complementandoo ao final: O Presidente da turma julgadora de primeira instância recorreu de ofício a este Conselho com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão da exoneração de tributos e multas superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 2º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 812 a 819, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatouse o seguinte: DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL A contribuinte impetrou Ação de Mandado de Segurança (nº 2005.61.00.0285947), sobre matéria de preços de transferência, visando obter liminar para afastar a obrigatoriedade da elaboração do cálculo na importação de componentes utilizados no processo de produção de produto destinado a venda, pelo método PRL60% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%), a partir do anocalendário de 2003, utilizando a IN SRF nº 243/2002, por considerála contrária às determinações previstas na Lei nº 9.430/96. Em 15/12/2005, a Juíza Federal Rosana Ferri Vidor concedeu a liminar pleiteada, determinando que fosse “suspensa a exigibilidade dos créditos decorrentes da aplicação da Lei 9.430/96 sem a Instrução Normativa 243/02, mas sua antecessora, a IN 32/01, até o final da demanda” (fl. 15). A contribuinte apresentou Certidão de Objeto e Pé, datada de 02/10/2008, que certifica que os autos encontramse conclusos para sentença desde 17/02/2006 (fl. 12). DO PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO Face à liminar concedida, e visando à garantia da constituição do crédito tributário, sob pena da ocorrência do instituto da decadência por ocasião do julgamento final da demanda, foi aberto Mandado de Procedimento Fiscal para a apuração de matéria pertinente ao preço de transferência pela IN SRF nº 243/2002. No presente termo de fiscalização estão sendo apurados os fatos relativos aos anos calendário de 2003 e 2004, mas o encerramento será parcial, relativo apenas ao ano calendário de 2003. A fiscalização adotou o seguinte procedimento: · Na apuração do preço de transferência relativo à importação de componentes consumidos no processo de produção, em que a contribuinte adotou o método PRL60%, a diferença entre o ajuste apurado pela fiscalização (aplicando o artigo 12, inciso IV, alínea “b”, da IN SRF nº 243/2002) e o apurado pela contribuinte (aplicando a IN SRF nº 32/2001, Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.285 4 declarado na DIPJ/2004 anocalendário 2003), está constituída de forma “sub judice” (com exigibilidade suspensa), sem a aplicação da multa de ofício de 75%, e ficará aguardando nessa situação até o julgamento de mérito definitivo do Mandado de Segurança; · Na apuração do preço de transferência na importação pelo método PRL20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) e na exportação pelo método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro), as diferenças apuradas pela fiscalização estão constituídas com a cobrança de multa de ofício de 75% e de juros de mora. DOS COMPONENTES IMPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte atua no segmento de autopeças e acessórios para veículos automotores de alta tecnologia e com poucos concorrentes no mercado nacional. No período fiscalizado fabricou, basicamente, produtos da linha de Bomba de Combustível e Sistemas de Freios e de Refrigeração (ar condicionado), e diversos componentes da sua linha de produção, como tubos do sistema de freios, tubos do sistema de combustível, tubos do sistema de refrigeração, etc. A contribuinte, durante os 2 anos fiscalizados, importou, também, insumos diversos, para a fabricação de tubos de freios, de combustível e de refrigeração. DOS PRODUTOS EXPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte exportou, basicamente, produtos por ela fabricados, destacandose, entre outros: módulo de combustível, tubo de aço eletrosoldado (diversos) e tubo de freio (diversos). DA ESTATÍSTICA DO COMÉRCIO EXTERIOR DA CONTRIBUINTE Nos anoscalendário de 2003 e 2004, a contribuinte realizou importação e exportação de/para pessoas vinculadas (sujeitas a ajuste de preço de transferência) e não vinculadas, conforme resumo à fl. 815. DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – ANOCALENDÁRIO 2003 Da importação – método PRL20% Para o anocalendário de 2003, a contribuinte não fez ajuste de preço de transferência pelo método PRL20%. A fiscalização apurou ajustes para 6 itens importados de vinculadas e que foram revendidos sem sofrer qualquer alteração – adotando o método PRL20% (artigo 12, inciso IV, alínea “a”, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 07. Os preços praticados foram calculados de acordo com os documentos de importação. Foram considerados os valores de fretes e seguros internacionais e o imposto de importação (conforme artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002) e os estoques iniciais existentes no início do período de apuração (conforme artigo 12, §§ 1º, 2º e 3º, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 08. Os preçosparâmetro foram calculados segundo o disposto no artigo 12, inciso IV, alínea “a”, e §§ 7º, 8º e 9º, da IN SRF nº 243/2002. Vide Anexo nº 09. O ajuste total apurado com relação às importações no anocalendário de 2003, segundo o método PRL20%, foi de R$ 507.276,57, conforme Anexos nºs 07 (Resumo Geral – Valor Passível de Ajuste no LALUR), 08 (Demonstrativo do Preço Praticado – Importação) e 09 (Demonstrativo do Preçoparâmetro – PRL20%). Da exportação – método CAP Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.286 5 A contribuinte não declarou o método e nem o valor de ajuste de preço de transferência de suas exportações realizadas no anocalendário de 2003. A fiscalização aplicou, então, o disposto no artigo 40, § único, da IN SRF nº 243/2002, adotando o método CAP (artigo 26 da IN SRF nº 243/2002). O ajuste total apurado com relação às exportações no anocalendário de 2003, segundo o método CAP, foi de R$ 7.153.940,81, conforme Anexos nºs 03 (Preço Praticado Exportação) e 04 (Preçoparâmetro – método CAP; e Cálculo do Valor Passível de Ajuste no LALUR). DOS CONTRATOS DE MÚTUO – DESPESAS DE JUROS INDEDUTÍVEIS A contribuinte realizou diversos contratos de mútuos com a holding “TI Automotive Holdings Limited” (localizada no Reino Unido) e sua outra sócia “TI Automotive, Inc.” (localizada nos Estados Unidos), conforme demonstrativo de fl. 817, apropriando os juros correspondentes, conforme a seguir sintetizado. Data Juros (R$) 10/11/1992 548.118,33 28/12/1992 823.080,00 12/03/1993 1.233.266,25 05/07/1995 4.543.653,08 14/10/1998 1.777.196,82 11/02/1999 1.006.401,49 08/10/1999 1.265.875,01 27/10/1999 1.866.750,00 05/07/2000 1.740.281,25 05/10/2000 1.269.437,51 Total 16.074.059,74 Entre os anos de 1992 e 2000, a contribuinte apropriou juros passivos, relativos aos supracitados mútuos. Em 09/09/2003, esses juros passivos totalizaram o valor de R$ 16.074.059,74. Nessa mesma data (09/09/2003), a contribuinte alterou o seu contrato social para transformar o principal da dívida (R$ 84.026.856,00, correspondente a US$ 28.755.700,00) em aumento de capital. Não estornou, porém, o saldo credor dos juros passivos sobre o que era, até então, a dívida. Ao assim proceder, a contribuinte deixou de reconhecer na apuração do lucro real o valor de despesa que passou a ser desnecessária, uma vez extinta a obrigação principal. Em outras palavras, a operação acertada com as sócias estrangeiras, contabilizada como se fosse empréstimo, acabou por revelarse como aporte de capital. Assim sendo, as despesas de juros consideradas como necessárias entre 1992 e 2003 (cujo saldo somava R$ 16.074.059,74, em 09/09/2003) revelaramse, a partir dessa data, desnecessárias para a fiscalizada. Destaca a fiscalização que: · a contabilidade da fiscalizada registra, até a data da autuação, o referido valor de R$ 16.074.059,74, como juros passivos, sem que se tenha notícia de qualquer pagamento realizado a esse título; e Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.287 6 · a desnecessidade da despesa ficou caracterizada a partir de 09/09/2003, quando a suposta dívida foi convertida em capital. Fosse a operação caracterizada desde o início como aporte de capital, não haveria que se falar em juros passivos. Os fatos supra descritos caracterizam a situação descrita no artigo 299, e §§ 1º e 2º, c/c artigo 249, ambos do RIR/99. DA FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Devido à existência de liminar em mandado de segurança, os lançamentos do crédito tributário para o anocalendário de 2003 estão constituídos em 2 processos apartados: · No processo nº 16561.000150/200863, a matéria relativa aos preços de transferência – método PRL60%, com exigibilidade suspensa; e · No processo nº 16561.000166/200876, as demais matérias, com constituição normal (com multa de ofício de 75% e juros de mora). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados, no presente processo (nº 16561.000166/200876), os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2003: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 796 a 801 Fundamento legal artigos 240, 241, 249, inciso I, e 299, e §§ 1º e 2º, do RIR/99 Crédito Tributário 4.153.673,49 Imposto (em reais) 3.115.255,11 Multa proporcional (75%) 2.804.144,97 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 10.073.073,57 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fls. 802 a 807 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 1.463.364,03 Contribuição (em reais) 1.097.523,02 Multa proporcional (75%) 987.917,05 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 3.548.804,10 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 10.073.073,57 IRPJ 28/11/2008 3.548.804,10 CSLL 13.621.877,67 TOTAL § Obs. Na apuração do IRPJ e da CSLL houve compensação do resultado negativo de períodos anteriores (FAPLI/FACS às fls. 878/879, os quais, no entanto, não alimentaram o SAPLI, conforme pesquisa de fls. 1027/1028). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.288 7 Cientificada dos lançamentos em 22/12/2008 (fls. 797 e 803), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 902/903), apresentou, em 21/01/2008, a impugnação de fls. 881 a 900, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A fiscalização alega: 1. indedutibilidade de despesas de juros associados a contratos de mútuo firmados entre a impugnante (como mutuária) e outra empresa do grupo (como mutuante); 2. falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias (método PRL20%); e 3. falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias (método CAP). A impugnante verificou que, de fato, deixou de realizar os necessários ajustes de preço de transferência relacionados à importação (método PRL20%). Dessa forma, está providenciando o recolhimento das exigências fiscais relacionadas ao ajuste de R$ 507.276,57, sendo que a respectiva guia será juntada aos autos tão logo seu pagamento seja efetuado. Não obstante, a impugnante não pode concordar com as demais exigências, como se passa a demonstrar. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Dentre os requisitos materiais de validade do lançamento fiscal destacase a necessidade de motivação fática e legal do ato, ou seja, a Auto de Infração deve conter a descrição detalhada dos fatos que ensejaram sua lavratura, a indicação da infração e a menção expressa e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos. Pelo ponto de vista da motivação fática, a fiscalização falhou em seu dever de indicar precisamente os fatos que teriam ensejado as acusações fiscais. Tomese por exemplo a acusação de descumprimento da legislação de preços de transferência na exportação de mercadorias. A fiscalização indica como fundamento fático da autuação a ausência de indicação de método de preço de transferência na DIPJ; no entanto, a impugnante indicou, sim, em sua DIPJ estar enquadrada na salvaguarda do artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Com relação à motivação legal, a falha da fiscalização é ainda mais grave, o que pode ser percebido pela análise da acusação relativa à indedutibilidade de despesas de juros. A fiscalização indica somente os artigos 249, inciso I, e 299 do RIR/99, que prevêem condições genéricas para a dedutibilidade de despesas, deixando de indicar a fundamentação legal específica sobre a dedutibilidade de juros, qual seja, o artigo 374 do RIR/99. Além disso, a fiscalização não apresenta qualquer fundamentação legal – até porque inexistente – que versasse sobre a alegada relação entre (1) a extinção do valor principal do empréstimo e a dedutibilidade dos juros respectivos; ou (2) a extinção do valor principal do empréstimo mediante a conversão em capital e a desconsideração da natureza dos contratos de empréstimo. Dessa forma, em virtude da falta de motivação fática e legal, devese reconhecer a nulidade do lançamento fiscal ora combatido, cancelandose as exigências fiscais de IRPJ e CSLL nele consubstanciadas. DA DEDUÇÃO DE DESPESAS DE JUROS SOBRE MÚTUOS CAPITALIZADOS Uma cuidadosa leitura do Termo de Constatação Fiscal permite a conclusão de que a fiscalização considerou indedutíveis as despesas de juros apropriadas no período de 1992 a 2003, sob 2 argumentos: Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.289 8 1. Com a conversão do valor principal dos empréstimos em capital, a impugnante deveria ter estornado o valor dos juros correspondentes e adicionado tal valor no cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, na medida em que a despesa de juros passou “a ser desnecessária, uma vez que ficou extinta a obrigação principal”; 2. A conversão do empréstimo em capital teria demonstrado que, desde o início, tratavase de aporte de capital, de forma que não haveria razão para a apropriação de juros passivos. Além dos 2 argumentos serem complementares entre si – na medida em que um pressupõe que os juros passaram a ser indedutíveis em virtude da extinção da obrigação principal do empréstimo e o outro pressupõe a descaracterização dos contratos de empréstimo – a impugnante demonstra que nenhum deles tem amparo fático ou legal. Do primeiro argumento fiscal – A conversão do valor principal do empréstimo em capital implicaria a necessidade de estorno e a indedutibilidade dos juros correspondentes A fiscalização não questiona a natureza dos empréstimos tomados pela impugnante, mas, ao contrário, reconhece que, durante o período em que o valor principal dos empréstimos representava uma obrigação da impugnante (passivo), as despesas com os respectivos juros seriam dedutíveis. Para o Fisco, contudo, quando o valor principal dos empréstimos foi convertido em capital, em setembro de 2003, os juros apropriados de 1992 até aquela data passaram a ser indedutíveis. Assim, para a fiscalização, o ato de capitalização – absolutamente normal e corriqueiro – ocorrido mais de 10 anos após a apropriação das despesas de juros, seria capaz de alterar a dedutibilidade dessas despesas, conclusão essa que a impugnante não pode concordar. Não há qualquer previsão legal que obrigue o estorno das despesas quando ocorrer a conversão da obrigação principal em capital social; que vincule a conversão de um empréstimo em capital social e a indedutibilidade das respectivas despesas com os juros decorrentes dessa obrigação. A dedutibilidade de uma despesa está vinculada à sua normalidade e necessidade, sendo que a referida conversão em nada altera os requisitos legais para a determinação da dedutibilidade de uma despesa. Nesse sentido, vale ressaltar que (1) os recursos obtidos através dessas operações foram efetivamente recebidos pela impugnante, por meio de contratos de empréstimo registrados no BACEN (doc. 02) e (2) os valores foram utilizados para a regular condução das atividades da impugnante, o que jamais foi questionado pela fiscalização. Assim, uma vez comprovada a efetiva execução dos contratos de empréstimo, demonstrada está a sua utilidade e necessidade para a impugnante. Destaquese que a apropriação das despesas de juros pela impugnante se deu em absoluto cumprimento ao regime de competência (artigo 177 da Lei nº 6.404/76 e artigos 251 e 374 do RIR/99). Portanto, resta claro que não há – e nem poderia haver – fundamento legal para o entendimento de que a conversão de um empréstimo em capital importaria em estorno ou em indedutibilidade das respectivas despesas com juros, restando clara a absoluta improcedência do primeiro argumento utilizado pela fiscalização para fundamentar o lançamento. Do segundo argumento fiscal A capitalização do valor principal do empréstimo demonstraria que, desde o início, a operação visava ao aporte de capital Não há como aceitar a conclusão de que a conversão dos valores principais dos empréstimos em capital social, ocorrida 11 anos após a tomada do primeiro empréstimo, tenha Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.290 9 o condão de alterar a natureza da relação firmada entre a impugnante e sua vinculada estrangeira. Não é possível concluir como correta a acusação de que a impugnante já saberia, desde 1992, que os recursos enviados pela vinculada estrangeira seriam convertidos em capital social após vários anos. Essa conclusão não faz qualquer sentido e, principalmente, não passa de alegação não comprovada pela fiscalização. Não há qualquer norma no Direito Brasileiro que autorize a descaracterização de um empréstimo em razão de a extinção da obrigação principal ter sido viabilizada através da conversão em capital social. Em tese, a descaracterização dos referidos contratos só seria possível caso a fiscalização comprovasse e fundamentasse a ocorrência de simulação, o que não ocorreu no presente caso. Oportuno trazer à colação importante decisão prolatada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema (fl. 892). Para derrubar de vez o argumento utilizado pela fiscalização, a impugnante apresenta tradução juramentada de carta enviada pela mutuaria à impugnante (doc. 03), na qual é expressamente confirmado que o valor dos juros em exame não foi perdoado e que a data de vencimento desses juros foi prorrogada para 31/12/2009. Assim, o pagamento dos juros foi convertido em obrigação principal pendente de cumprimento pela impugnante e, conseqüentemente, as despesas a ele relativas jamais poderiam ter sido desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de que o correspondente valor teria sido convertido em capital principal. Assim, resta comprovada a impossibilidade de descaracterização dos contratos de empréstimos e glosa da dedutibilidade dos respectivos juros. Do momento da glosa pretendida pelas autoridades fiscais Há, ainda, um aspecto adicional que deve ser considerado na solução da presente controvérsia. A fiscalização apurou o valor dos juros acumulados desde a data da contratação dos empréstimos (1992 e outros) até a data da conversão do valor principal em capital (2003) e consideraram esse valor total de juros como indedutíveis no anocalendário de 2003. Não obstante, como esses juros foram considerados pela impugnante como despesas dedutíveis ao longo de 11 anos (entre 1992 e 2003), a fiscalização não poderia, simplesmente, glosar o valor total correspondente a tais despesas somente no anocalendário de 2003, sob a justificativa de sua indedutibilidade, mas, sim, efetuar a glosa das despesas ano a ano e a respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O equivocado procedimento da fiscalização, além de claramente não observar o regime de competência, acabou por resultar na lavratura de Auto de Infração em 2008 para exigir créditos de IRPJ e CSLL já atingidos pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Esse equívoco também denota a necessidade de pronto cancelamento da autuação ora atacada. Da conclusão Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da regularidade de seu procedimento fiscal relativo à dedutibilidade dos juros associados a empréstimos cujos valores principais foram convertidos em capital, uma vez que (1) não há fundamento legal possível para suportar as acusações fiscais e (2) foram demonstradas a necessidade, a usualidade e a normalidade dos contratos de empréstimo e, por tal motivo, das despesas com os respectivos juros. O reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal também se faz necessário em virtude do demonstrado equívoco na realização das glosas pretendidas pela fiscalização em um único anocalendário, o que resultou, inclusive, na cobrança de créditos tributários extintos pela decadência. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.291 10 DOS AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS A PESSOAS VINCULADAS De acordo com a fiscalização, a impugnante não teria declarado em sua DIPJ informações relativas à apuração de ajustes de preços de transferência, o que supostamente autorizaria o Fisco a determinar eventuais ajustes de acordo com um dos métodos previstos na legislação. A acusação fiscal pode ser assim resumida: · Premissa 1: a impugnante não declarou método de preço de transferência relativo à exportação de mercadorias; · Premissa 2: a legislação autoriza que as autoridades fiscais calculem ajustes de preços de transferência de acordo com um dos métodos previstos na legislação, caso o contribuinte não tenha declarado o método aplicado: · Conclusão: as autoridades fiscais teriam direito de apurar os ajustes de preços de transferência de acordo com o método CAP. A despeito da aparente lógica desse raciocínio, o fato é que todo a acusação está baseada em uma premissa falsa, o que implica necessariamente uma conclusão equivocada e inválida. Isso porque, ao contrário do quanto alegado, a impugnante declarou em sua DIPJ a apuração de preços de transferência aplicável à exportação de mercadorias a partes relacionadas. A impugnante declarou na Ficha 38A da sua DIPJ/2004 ano calendário 2003 (doc. 04) que estava enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002. Ou seja, a impugnante não indicou ajustes de preços de transferência para as exportações devido única e exclusivamente a dispensa (“safe harbour”, salvaguarda) expressamente prevista na legislação (artigo 35 da IN SRF nº 243/2002). Importante notar que a fiscalização não questionou as bases do cálculo do “safe harbour” declarado pela impugnante, mas, simplesmente, desconsiderou sua utilização para as exportações realizadas em 2003. Assim, a mera comprovação de que a impugnante fez constar em sua DIPJ a referida salvaguarda faz com que a autuação caia, por evidente falta de motivação fática, sendo certo que qualquer tentativa da fiscalização de, somente agora, tentar revisar os correspondentes cálculos do “safe harbour” representaria alteração do critério jurídico do lançamento, não permitido pelo artigo 149 do CTN. Não obstante, cumpre ressaltar que, mesmo que a referida revisão dos cálculos do “safe harbour” fosse possível e a fiscalização concluísse por sua desqualificação, seria mandatória a aplicação de todos os métodos de preços de transferência previstos na legislação para, então, aplicarse o mais favorável ao contribuinte. Não pode a fiscalização simplesmente adotar o método que entender mais “apropriado”, de acordo com suas convicções pessoais, tal como ocorreu com a aplicação do método CAP no presente caso. Há a necessidade de o Fisco comprovar que, dentre os métodos existentes, está sendo aplicado aquele que resultou em menor ajuste. Em vista do exposto, a impugnante requer o reconhecimento da improcedência do lançamento, seja pela acusação inverídica de falta de informação de método de preço de transferência na DIPJ, seja porque a fiscalização não comprovou a utilização do método mais favorável para a apuração dos ajustes propostos. DO PEDIDO Por todo o exposto, a impugnante requer que seja o Auto de Infração julgado improcedente em relação aos itens combatidos. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.292 11 Com relação aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de mercadorias, a impugnante reconhece seu equívoco e está providenciando o recolhimento das respectivas exigências fiscais, sendo que a respectiva guia de pagamento será oportunamente juntada aos autos. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua procedente, cancelando integralmente o crédito tributário constituído de ofício. Eis a ementa de tal julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. MÉTODO PRL20%. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não faz parte da lide a exigência relativa aos ajustes de preço de transferência relacionados à importação de mercadorias método PRL20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), não contestada pela contribuinte. EMPRÉSTIMO DE COLIGADA. APORTE DE CAPITAL. GLOSA DE DESPESAS DE JUROS. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo prova de simulação (que os empréstimos contraídos pela contribuinte seriam, na realidade, aporte de capital) e padecendo o lançamento de vício insanável no aspecto temporal do fato gerador, exonerase a exigência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. “SAFE HARBOUR”. Considerandose verídica a informação da contribuinte de que estava dispensada de apurar os preços de transferência relativos a suas exportações a coligadas, exonerase a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Lançamento Improcedente. Em razão do valor dos tributos e multa exonerada ter superado R$ 1.000.000,00, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício a este Conselho. Na assentada de 05 de julho de 2016, acompanhando minha proposta de voto, os Conselheiros da 2ª Turma Ordinária desta Primeira Seção de Julgamento converteram o julgamento do recurso em diligência. Transcrevo, a seguir, os pontos necessários à continuidade do julgamento: 1 ADMISSIBILIDADE O Presidente da 5ª Turma da DRJ em São Paulo I – DRJ/SP1 recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, haja vista que no julgamento dos autos do qual resultou o acórdão nº 1645.266 julgou procedente a impugnação apresentada, exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Preenchidos os requisitos legais, conheço, portanto, do recurso de ofício. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.293 12 2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A exigência diz respeito às seguintes infrações: glosa de despesas de juros relativos a contratos de mútuo, consideradas indedutíveis; falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias (método PRL20%); e falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias (método CAP). O crédito tributário referente ao método PRL20% não foi alvo de impugnação, tendo o contribuinte recolhido o débito correspondente. A matéria atinente à relatada demanda judicial diz respeito aos ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias pelo método PRL60%, cujo crédito tributário foi constituído em processo distinto. [...] 4 FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO REAL DE AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA RELACIONADOS À EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS (MÉTODO CAP) Segundo a Impugnante, o auto de infração teria ignorado o fato de ter sido informado na DIPJ de que estaria dispensada da comprovação, podendo confirmar comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações para empresas vinculadas, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação, nos termos dos artigos 35 e 36 da IN RFB 243/20021. 1 Art. 35 A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003) (Vide Instrução Normativa SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003) § 1º Para efeito deste artigo, o lucro líquido correspondente às exportações para empresas vinculadas será apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e na legislação do imposto de renda. § 2º Na apuração do lucro líquido correspondente a essas exportações, os custos e despesas comuns às vendas serão rateados em função das respectivas receitas líquidas. § 3º Não devem ser computadas, para fins de determinação do percentual estabelecido no caput, as operações de venda de bens, serviços ou direitos cujas margens de lucro, previstas nos arts. 24, 25 e 26, tenham sido alteradas nos termos dos arts. 32, 33 e 34. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 321, de 14 de abril de 2003) Art. 36. A pessoa jurídica, cuja receita líquida das exportações, no anocalendário, não exceder a cinco por cento do total da receita líquida no mesmo período, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Parágrafo único. No cálculo da receita líquida de exportação a que se refere o caput devem ser também incluídas as receitas de vendas efetuadas para pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas em país com tributação favorecida. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.294 13 Nos termos do artigo 40 da IN SRF nº 243/20022, o contribuinte deveria fornecer à fiscalização a documentação que comprovasse a dispensa de comprovação dos preços de transferência na exportação (artigos 35 e 36 da IN SRF nº 243/2002). Para a decisão de primeira instância, a falta de intimação para apresentação de tal comprovação implica o cancelamento da exigência, conforme excerto da decisão reproduzido a seguir: Ocorre que em nenhum momento a contribuinte foi intimada nesse sentido. A fiscalização não observou a informação constante da DIPJ (de que a contribuinte estaria “enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002”) e não atentou para a peculiaridade de que, ao contrário do que ocorre nas operações de importação (nas quais os contribuintes devem sempre apurar os preços de transferência), na exportação há situações nas quais os contribuintes estão dispensados dessa tarefa. Destaquese que também consta da DIPJ informação de que a contribuinte não estaria sujeita a arbitramento (cálculo de ajustes), não se enquadrando na situação prevista no artigo 14 da IN SRF nº 243/2002, que dispõe que “as receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes”. Assim, a fiscalização, equivocadamente, ao constatar que a contribuinte “não declarou o método e nem o valor de ajuste de preço de transferência de suas exportações realizadas no anocalendário de 2003”, simplesmente calculou o referido ajuste, sem intimar a contribuinte a fornecer a documentação que comprovasse a dispensa de comprovação dos preços de transferência na exportação. Ademais, mesmo se a fiscalização viesse a descaracterizar essas informações (cujo ônus lhe compete), comprovando ser inverídica, deveria intimar a contribuinte, dandolhe a oportunidade de indicar um dos métodos de preços de transferência na exportação (definidos nos artigos 23 a 26 da IN SRF nº 243/2002) e efetuar os cálculos correspondentes. E apenas se houvesse a descaracterização do método escolhido pela contribuinte por parte da fiscalização, esta poderia escolher um outro método (como o CAP, utilizado no caso em tela). Nada disso aconteceu. Dessa forma, há que se aceitar a informação da contribuinte de que estava dispensada de apurar os preços de transferência relativos a suas exportações a coligadas. 2 Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.295 14 Em vista do acima exposto, há que se considerar improcedente a autuação relativa aos ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias. Deixase de analisar, por desnecessário, as demais alegações da impugnante. Discordo da decisão recorrida. À fl. 68 (Termo de Início de Fiscalização), a autoridade fiscal requereu nos itens 6 e 7 a relação de pessoas consideradas vinculadas (art. 23 da Lei nº 9.430/96) e memórias de cálculos, papéis de trabalho e documentos, que comprovassem os preços praticados, preços parâmetros e valores de ajustes. Ainda no Termo de Início de Fiscalização (fl. 13) o contribuinte foi intimado a apresentar arquivo contendo discriminação dos valores relativos a exportações (item 13 da intimação). Embora tal intimação seja genérica nos pontos ora destacados e em outros itens requerem outras informações relacionadas a operações de importações, no mínimo, haveria uma dúvida se também a Fiscalização estaria requerendo informações relacionadas aos ajustes de preços de transferências relativos a exportações. Tal dúvida, contudo, é dirimida ao examinarse o Termo de Constatação e Intimação lavrado em 15/09/2008 fl. 655 – em que a autoridade fiscal é taxativa ao tratar dos ajustes relativos às exportações. Vejase excerto de tal intimação, com o destaque por mim inserido: Por fim, o Termo de Constatação Fiscal que compõe auto de infração (fls. 82483), reproduzido parcialmente a seguir, corrobora tal raciocínio ao fundamentar a exigência com base no art. 40 da IN RFB nº 243/2002 que em seu inciso II determina que a documentação utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, inclusive para as dispensas de comprovação (salvaguardas): Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.296 15 Assim sendo, entendo que houve sim intimações para que o contribuinte se manifestasse a respeito da ausência de ajuste relativa ao preço de transferência nas operações de exportação. Por essas razões, e, com exceção justamente ao suposto erro cometido pela Fiscalização, alinhome aos entendimentos contidos na declaração de voto que compõe a decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir É certo que o auditor fiscal cometeu algumas irregularidades na apuração desse crédito, não oferecendo oportunidade à contribuinte de comprovar o que estava declarado na DIPJ, mas, por outro lado, em sua impugnação, a empresa tampouco demonstrou que estava desobrigada aos ajustes, limitandose a dizer que havia declarado a não obrigação de proceder aos ajustes, sem, no entanto, apresentar qualquer prova ou demonstrativo do que alega. De fato, a empresa aferrase aos aspectos processuais do lançamento sem comprovar o ponto fundamental da não existência da obrigação de efetuar os ajustes de preços de transferência. Em lançamentos fiscais efetuados sem qualquer irregularidade o fato de a empresa apenas alegar e não comprovar o que alega já motivaria a manutenção do lançamento, todavia no presente caso, em virtude de falhas no próprio procedimento fiscal, a contribuinte faz jus a que se baixe em diligência o processo para que então ela possa apresentar as devidas comprovações de que é desobrigada a proceder aos ajustes lançados. Somente assim, após as devidas verificações, poderseia exonerar o lançamento sem ofensa ao dever de proteger o crédito tributário. Sendo assim, fazse necessária a baixa do processo em diligência para que a impugnante fundamente com provas o que alega. Por oportuno, em relação ao argumento contido na decisão recorrida de que “mesmo se a fiscalização viesse a descaracterizar essas informações (cujo ônus lhe compete), comprovando ser inverídica, deveria intimar a contribuinte, dandolhe a oportunidade de indicar um dos métodos de preços de transferência na exportação (definidos nos artigos 23 a 26 da IN SRF nº 243/2002) e efetuar os cálculos correspondentes. E apenas se houvesse a descaracterização do método escolhido pela contribuinte por parte da fiscalização, esta poderia escolher um outro método (como o CAP, utilizado no caso em tela)” , esclareço que até o anocalendário de 2012 não havia previsão legal que previsse tal intimação, uma vez que somente com o advento da Lei nº 12.715/2012 é que instituiuse tal obrigação. Destaco a redação do art. 20A da Lei nº 9.430/96 acrescida pela Lei nº 12.715/2012: Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.297 16 Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) [grifo nosso] § 1º A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 2º A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 3º A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Além disso, em recente decisão (Acórdão 9101002.313, sessão de 03/05/2016), a Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o tema, inclusive nas hipóteses em que a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência. Vejase excerto do voto condutor do aresto: O acórdão paradigma manifesta expressamente o entendimento quanto ao dever da Fiscalização em averiguar e utilizar o método mais favorável ao contribuinte, ou em demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização (isso em qualquer situação, ou seja, mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência). Tal entendimento, entretanto, não é o mais adequado, conforme passo a expor. O assunto em debate tem pertinência com a aplicação de ofício, do Método dos Preços Independentes Comparados PIC para a apuração do preço parâmetro dos princípios ativos importados pela Recorrente, haja vista o afastamento, pela autoridade fiscal, de um "quarto método" Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM utilizado pelo contribuinte, o qual, segundo o voto condutor do acórdão recorrido, seria inaplicável em virtude de não estar contido na Lei nº 9.430/96, em virtude de o nosso ordenamento jurídico não prever a possibilidade de utilização do Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM. De acordo com o artigo 18 da Lei nº. 9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o princípio da reserva legal. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.298 17 Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...) Depreendese do dispositivo legal acima que não há comando legal determinando ao Fisco a averiguação do método que seja mais favorável ao contribuinte. Indubitavelmente a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Porém, não é possível concluir que, nos casos de procedimento de ofício, em que afastado o método adotado pelo contribuinte porque não autorizado na lei, essa norma também atribua ao Fisco o dever de buscar o resultado mais conveniente ao contribuinte e adotar o método que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente bem como no acórdão trazido como paradigma de divergência do acórdão recorrido, de que não poderia o Auditor Fiscal ter aplicado de ofício o método PIC, sem antes demonstrar que este é mais benéfico para a pessoa jurídica do que os demais métodos de cálculo de preço de transferência, decorre de interpretação equivocada da norma em comento. Com efeito, da faculdade atribuída ao sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei (PIC, PRL e CPL), aquele que resulte em maior dedução dos custos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não resulta o dever de o Fisco realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, em procedimento de ofício, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. A Câmara Superior de Recursos Fiscais ¬ CSRF já decidiu nestes termos, indicando ainda várias outras decisões nesse mesmo sentido: [...] Desse modo, entendo que não merece reparo o acórdão recorrido que, em consonância com o artigo 18 e seus parágrafos da Lei nº 9.430/96, assim concluiu, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: ... Dessa forma, não vejo no procedimento fiscal o vício apontado pelo relator vencido, de que a fiscalização deveria demonstrar ser o método por ela utilizado o mais favorável ao contribuinte, porquanto a lei ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método que lhe for mais favorável, não exigiu ou priorizou que a fiscalização efetuasse os cálculos pelos três métodos e então aplicar o mais favorável ao sujeito passivo. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.299 18 Sobre essa matéria, já tive oportunidade de acompanhar o voto do Conselheiro Marcelo Cuba Neto, no Acórdão nº 1201001.161, contribuinte ROBERT BOSCH LIMITADA, que tratou assim da matéria: Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: [reproduz o dispositivo] Não há dúvida de que a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Todavia, não é possível concluir que essa norma também atribua ao Fisco, nos casos de procedimento de ofício, o dever de adotar o método que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente é fruto de uma errônea interpretação a contrario sensu da norma em comento. De fato, da faculdade atribuída ao sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei, aquele que resulte em maior dedução, não resulta, a contrario sensu, o dever de o Fisco, quando possível, realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. Desse modo, também não prevalece tal argumento da decisão recorrida. Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência devendo os autos retornar à unidade de origem para que seja intimado o contribuinte a apresentar as devidas comprovações de que era desobrigado a proceder aos ajustes lançados. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais que entender cabíveis. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a unidade de origem deve elaborar relatório circunstanciado sobre o resultado da diligência, cientificando o contribuinte de seu teor e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Em seguida, os autos retornaram à unidade de origem que, após intimações remetidas ao contribuinte, por meio da autoridade fiscal responsável pela diligência, assim concluiu: [...] 3 Em 28/10/2016, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar os demonstrativos e documentos que comprovem que a dispensa do cálculo do preço de transferência de exportação, conforme disposto nos artigos 35 e 36 da IN SRF N° 243/2002. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.300 19 4 Em 09/11/2016, o contribuinte prestou as devidas informações e esclareceu que no anocalendário de 2003 o contribuinte apresentou a lucratividade de 9,13% em relação às suas vendas de exportações para pessoas vinculadas, conforme doc. 3 anexado a resposta. O lucro Operacional, antes da dedução do Imposto de Renda, relativa às vendas de exportações para pessoas vinculadas foi de R$ 2.237.481,97, correspondendo à lucratividade de 9,13% sobre as vendas (R$ 24.506.890,23). Reproduzimos a seguir o demonstrativo de apuração do resultado sobre as exportações (Doc.3) com pessoas vinculadas. O contribuinte comprovou a lucratividade mínima de 5% apenas para o próprio ano fiscalizado, deixando de comprovar a lucratividade média mínima para os dois anoscalendários antecedentes 2002 e 2001 em função dos prejuízos contábeis verificados no período, conforme cópias em anexo do Demonstrativo do Resultado do Exercício DRE (Ficha 06A, DIPJ). De acordo com a instrução normativa n° 382/2003, a dispensa da comprovação do preço de transferência exportação darseá mediante a comprovação média mínima de 5% para os últimos três anos. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.301 20 [..] Na resposta firmada em 09/11/2016, o contribuinte alegou que as alterações contidas na instrução normativa n° 382/2003, somente poderiam ser aplicadas às exportações ocorridas a partir do anocalendário de 2004, em cumprimento ao princípio da anterioridade. E, também, que há um entendimento no Supremo Tribunal Federal STF, que uma lei federal não pode retroagir no tempo visando reduzir benefício fiscal sobre as exportações. É o relatório. Conclusão Considerando que o contribuinte não comprovou a lucratividade média mínima de 5% para os três anos precedentes, isto é, para os anoscalendários de 2003, 2002 e 2001, concluímos pela manutenção do crédito tributário do preço de transferência, operação de exportação, método CAP, na íntegra. Por meio da petição de fls. 12011205, em resumo, argumentou o contribuinte que a IN SRF 243/2002, em sua redação original, determinava que a lucratividade mínima de 5% deveria ser atingida no próprio período de apuração para que o contribuinte fosse autorizado a comprovar a adequação dos preços praticados em suas exportações, exclusivamente, com os documentos relacionados com as próprias operações e que a alteração trazida pela IN SRF 383, de 30 de dezembro de 2003 (mas publicada no Diário Oficial da União somente em 05 de janeiro de 2004) não poderia surtir efeitos retroativos, ferindo os princípios da anterioridade e irretroatividade insculpidos nos inciso I e III do art. 150 da Constituição Federal. Aduz ainda o contribuinte que sequer realizou exportações nos dias 30 e 31 de dezembro de 2003, devendo ser aplicável a legislação vigente em 31 de dezembro de 2003, sem as alterações trazidas por legislação publicada somente no ano seguinte, arrematando que tendo apurado lucro líquido, antes da provisão do IRPJ e da CSLL, muito superior a 5% do total de suas receitas de exportação no anocalendário 2003, restaria configurada a dispensa de comprovação da adequação dos preços por ela praticados nas exportações para vinculadas no ano de 2003, conforme redação original, e até então vigente, do artigo 35 da Instrução Normativa SRF 243/2002. Por fim, argumentou que, caso não acatado seu argumento de aplicação do safe harbour, que a base de cálculo do lançamento estaria equivocada, pois a autoridade fiscal, para apurar o preço parâmetro segundo o método do CAP, teria utilizado o último custo do ano dos produtos exportados, isto é, o custo de dezembro de 2003, contrariando a literalidade do disposto no artigo 19, § 3º, IV e § 4º da Lei Federal 9.430/96 que determinaria a utilizada da média aritmética dos custos calculada em relação ao período de apuração da respectiva base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Cumprida a diligência determinada, no retorno dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento, os autos foram distribuídos a este conselheiro para relato por força do disposto no § 5º do art. 49 do Anexo II do RICARF. É o relatório. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.302 21 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE No início de meu voto proferido na Resolução nº 1402000.368 fiz constar que conhecia do recurso de ofício em razão de a turma julgadora de primeira instância ter exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Considerandose que para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos da Súmula CARF nº 103, é importante ressaltar que com a edição Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, o valor de tributo e encargos de multa exonerado a partir do qual se impõe a interposição de recurso de ofício foi elevado para R$ 2.500.000,00. Salientase que, no caso concreto, o valor de tributos e multa exonerado é superior ao novo limite de alçada, implicando a ratificação do conhecimento do recurso de ofício. 2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Conforme já esclarecido na Resolução nº 1402000.368, a exigência diz respeito às seguintes infrações: glosa de despesas de juros relativos a contratos de mútuo, consideradas indedutíveis; falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias (método PRL20%); e falta de adição ao lucro real de ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias (método CAP). O crédito tributário referente ao método PRL20% não foi alvo de impugnação, tendo o contribuinte recolhido o débito correspondente. A matéria atinente à relatada demanda judicial diz respeito aos ajustes de preços de transferência relacionados à importação de mercadorias pelo método PRL60%, cujo crédito tributário foi constituído em processo distinto. Em face do disposto no § 5º do art. 63 do Anexo II do RICARF, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas deverão ser reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.303 22 Convém ainda ressaltar que, tratandose de exigências de IRPJ e CSLL com base nos mesmos dispositivos legais, o decidido quanto ao IRPJ aplicase integralmente à exigência de CSLL. 3 NULIDADE Alega a Recorrente que não houve motivação nas infrações referentes aos ajustes de preço de transferência na exportação e em relação à glosa de despesas de juros. Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.304 23 serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Podese até questionar mérito da exigência diante dos argumentos elencados pela Impugnante, mas nenhum deles possui o alcance suficiente para declaração de nulidade do lançamento. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Isso porque, não se constata qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte da Recorrente, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade. 4 GLOSA DE DESPESAS DE JUROS RELATIVOS A CONTRATOS DE MÚTUO Em relação ao tema, considero que a decisão recorrida o analisou com muita propriedade, devendo ser confirmada por seus próprios fundamentos, os quais reproduzo com autorização do disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF: A contribuinte realizou diversos contratos de mútuos com coligadas no exterior, apropriando os juros correspondentes (total de R$ 16.074.059,74, entre os anos calendário de 1992 e 2000). Em 09/09/2003, a contribuinte alterou o seu contrato social para transformar o principal da dívida (R$ 84.026.856,00, correspondente a US$ 28.755.700,00) em aumento de capital. Por esse motivo, a fiscalização entende que: · as operações contabilizadas como empréstimos, acabaram por se revelar como aporte de capital; Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.305 24 · as despesas de juros, consideradas como necessárias entre 1992 e 2003, revelaramse, a partir 09/09/2003, desnecessárias para a contribuinte; · fosse a operação caracterizada desde o início como aporte de capital, não haveria que se falar em juros passivos. Destaca a fiscalização que: · não houve estorno dos juros; · a contabilidade da contribuinte ainda registra o total de R$ 16.074.059,74 como juros passivos, não tendo ocorrido qualquer pagamento a esse título. Em sua defesa, a impugnante argumenta que: · não há qualquer previsão legal para o entendimento de que a conversão de um empréstimo em capital importaria em estorno ou em indedutibilidade das respectivas despesas com juros; · a fiscalização não comprova a acusação de que a impugnante já saberia, desde 1992, que os recursos enviados pelas coligadas no exterior seriam convertidos em capital social após vários anos; a fiscalização deveria comprovar a ocorrência de simulação, o que não ocorreu no presente caso; e · a apropriação das despesas de juros pela impugnante se deu em absoluto cumprimento ao regime de competência, de modo que a fiscalização não poderia, simplesmente, glosar o valor total correspondente a tais despesas somente no anocalendário de 2003, sob a justificativa de sua indedutibilidade, mas, sim, efetuar a glosa das despesas ano a ano e a respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assiste total razão à impugnante, pois, além de não estar caracterizada a infração, a fiscalização equivocouse no lançamento, conforme a seguir exposto: Da não caracterização da infração Não há, de fato, qualquer previsão legal para o entendimento de que a simples conversão de um empréstimo em capital sem que esteja caracterizada e comprovada a simulação importaria em estorno ou em indedutibilidade das respectivas despesas com juros. Assim, a fiscalização deveria ter comprovado – mas não o fez a ocorrência de simulação com relação às operações de empréstimo (que geram despesas de juros), as quais estariam mascaram um aporte de capital (que não gerariam as citadas despesas). Observese que a fiscalização sequer menciona a figura da simulação, essencial para descaracterizar os atos jurídicos praticados pela contribuinte e suas coligadas. Como bem argumenta a impugnante, não é razoável presumir que ela já saberia, desde 1992, que os recursos enviados pelas coligadas no exterior seriam convertidos em capital social após vários anos (em 2003). E mesmo que fosse (apenas a título de argumentação), estaríamos diante de uma presunção simples, hominis, inaplicável no âmbito do Direito Tributário (regido, entre Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.306 25 outros, pelo princípio da reserva legal) quando desacompanhada de indícios com densidade suficiente para permitir a formação da convicção sobre a vontade interna das partes. A presunção simples é um meio de prova no âmbito do Direito Civil, mas, como instrumento de autuação, sofre restrições, conforme observase, entre outros, pelos seguintes Acórdãos do Conselho de Contribuintes: “I.R.P.J. – OMISSÃO NO REGISTRO DE RECEITA Após o advento do Código Tributário Nacional, que consagrou o princípio da reserva legal na atividade administrativa de lançamento, as exigências tributárias somente poderão ser formalizadas com prova segura, a cargo de quem alega, dos fatos que revelem o auferimento da receita passível de tributação, ou mediante a demonstração de que ocorreram aqueles fatos, expressamente arrolados pela lei, como presunções de omissões de receitas. Se é certo que as presunções hominis ou facti, não se prestam para alicerçar a incidência do Imposto sobre a Renda, como é cediço na doutrina e jurisprudência, impossível a manutenção da exigência quando se baseia em simples ilação. Recurso voluntário conhecido e provido” (Acórdão 10192549, de 23/02/99). No mesmo sentido, Acórdão nºs 10192729/99, 10192319/98 e 10192289/98. “IRPJ e OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÕES COMUNS A constatação no mundo factual de infrações capituladas como presunções comuns "de hominis", não têm o condão de transferir o ônus probante da autoridade fiscal para o sujeito passivo da relação jurídicotributária, a qual, para manter a respectiva imputação, deverá o fisco produzir provas hábeis e irrefutáveis da ocorrência da infração” (Acórdão 10707334, de 10/09/2003). Caberia à fiscalização efetuar as diligências necessárias para confirmar, ou não, a existência do ilícito tributário, em obediência ao artigo 142 do CTN, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tratandose de uma simulação, tal fato deveria ter sido comprovado, não simplesmente presumido. Esse também é o entendimento do Conselho de Contribuintes: “DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO Não basta a simples suspeita de fraude, conluio ou simulação para que o negócio jurídico realizado seja desconsiderado pela autoridade administrativa, mister se faz provar que o ato negocial praticado deuse em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (art. 149 do CTN). SIMULAÇÃO – Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador, efetivamente, realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO – Configurase negócio jurídico indireto, quando um contribuinte se utiliza de um determinado negócio, típico ou atípico, para obtenção de uma finalidade diversa daquela que constitui a sua própria causa, em que as partes Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.307 26 querem efetivamente o negócio e os efeitos típicos dele realizado e submetese a sua disciplina jurídica” (Acórdão 10194340, de 09/09/2003). Assim, (1) não havendo previsão legal no sentido de que a simples conversão de um empréstimo em capital sem que esteja caracterizada e comprovada a simulação importaria em estorno ou em indedutibilidade das respectivas despesas com juros; e (2) não restando comprovada a simulação dos atos praticados pela contribuinte, improcede a autuação relativa à glosa de despesas de juros. Do equívoco da fiscalização ao efetuar o lançamento Os juros glosados pela fiscalização no anocalendário de 2003 foram contabilizados pela contribuinte, entre os anoscalendário de 1992 e 2000, segundo o regime de competência, conforme a seguir sintetizado. Data Juros (R$) 10/11/1992 548.118,33 28/12/1992 823.080,00 12/03/1993 1.233.266,25 05/07/1995 4.543.653,08 14/10/1998 1.777.196,82 11/02/1999 1.006.401,49 08/10/1999 1.265.875,01 27/10/1999 1.866.750,00 05/07/2000 1.740.281,25 05/10/2000 1.269.437,51 Total 16.074.059,74 Considerando, conforme já mencionado, que não há qualquer previsão legal para o entendimento de que a conversão de um empréstimo em capital (ou mesmo a descaracterização desse empréstimo como tal) importaria em estorno das respectivas despesas com juros (no caso, no anocalendário de 2003), a fiscalização não poderia, como bem argumenta a impugnante, simplesmente glosar o valor total correspondente a tais despesas somente no anocalendário de 2003, mas efetuar a glosa das despesas ano a ano (de 1992 a 2000) e a respectiva apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Assim, mesmo se comprovada a infração – o que não ocorreu – o lançamento (relativo ao anocalendário de 2003) padece de vício insanável no aspecto temporal do fato gerador (que teria ocorrido entre os anoscalendário de 1992 e 2000, já atingidos pela decadência). Assim, também por esse motivo, improcede a autuação relativa à glosa de despesas de juros. 5 FALTA DE ADIÇÃO AO LUCRO REAL DE AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA RELACIONADOS À EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS (MÉTODO CAP) Tratandose de matéria preliminar cuja decisão foi a de converter o julgamento em diligência, matéria tratada na Resolução nº 1402000.638, submeto novamente a matéria a meus pares, principalmente em razão de se tratar de um novo colegiado que passei a compor após já ter proferido a decisão em questão. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.308 27 Segundo a Impugnante, o auto de infração teria ignorado o fato de ter sido informado na DIPJ de que estaria dispensada da adoção das regras contidas no art. 19 da Lei nº 9.430/96 no que atine às normas de preços de transferência, podendo comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações para empresas vinculadas, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação, nos termos dos artigos 35 e 36 da IN RFB 243/20023. Ocorre que, de acordo com o disposto no artigo 40 da IN SRF nº 243/20024, o contribuinte deveria fornecer à fiscalização a documentação que comprovasse a dispensa de comprovação dos preços de transferência na exportação (artigos 35 e 36 da IN SRF nº 243/2002). Para a decisão de primeira instância, a falta de intimação para apresentação de tal comprovação implica o cancelamento da exigência, conforme excerto da decisão reproduzido a seguir: Ocorre que em nenhum momento a contribuinte foi intimada nesse sentido. A fiscalização não observou a informação constante da DIPJ (de que a contribuinte estaria “enquadrada nos artigos 35 ou 36 da IN SRF nº 243/2002”) e não atentou para a peculiaridade de que, ao contrário do que ocorre nas operações de importação (nas quais os contribuintes devem sempre apurar os preços de 3 Art. 35 A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003) (Vide Instrução Normativa SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003) § 1º Para efeito deste artigo, o lucro líquido correspondente às exportações para empresas vinculadas será apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e na legislação do imposto de renda. § 2º Na apuração do lucro líquido correspondente a essas exportações, os custos e despesas comuns às vendas serão rateados em função das respectivas receitas líquidas. § 3º Não devem ser computadas, para fins de determinação do percentual estabelecido no caput, as operações de venda de bens, serviços ou direitos cujas margens de lucro, previstas nos arts. 24, 25 e 26, tenham sido alteradas nos termos dos arts. 32, 33 e 34. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 321, de 14 de abril de 2003) Art. 36. A pessoa jurídica, cuja receita líquida das exportações, no anocalendário, não exceder a cinco por cento do total da receita líquida no mesmo período, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Parágrafo único. No cálculo da receita líquida de exportação a que se refere o caput devem ser também incluídas as receitas de vendas efetuadas para pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas em país com tributação favorecida. 4 Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.309 28 transferência), na exportação há situações nas quais os contribuintes estão dispensados dessa tarefa. Destaquese que também consta da DIPJ informação de que a contribuinte não estaria sujeita a arbitramento (cálculo de ajustes), não se enquadrando na situação prevista no artigo 14 da IN SRF nº 243/2002, que dispõe que “as receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes”. Assim, a fiscalização, equivocadamente, ao constatar que a contribuinte “não declarou o método e nem o valor de ajuste de preço de transferência de suas exportações realizadas no ano calendário de 2003”, simplesmente calculou o referido ajuste, sem intimar a contribuinte a fornecer a documentação que comprovasse a dispensa de comprovação dos preços de transferência na exportação. Ademais, mesmo se a fiscalização viesse a descaracterizar essas informações (cujo ônus lhe compete), comprovando ser inverídica, deveria intimar a contribuinte, dandolhe a oportunidade de indicar um dos métodos de preços de transferência na exportação (definidos nos artigos 23 a 26 da IN SRF nº 243/2002) e efetuar os cálculos correspondentes. E apenas se houvesse a descaracterização do método escolhido pela contribuinte por parte da fiscalização, esta poderia escolher um outro método (como o CAP, utilizado no caso em tela). Nada disso aconteceu. Dessa forma, há que se aceitar a informação da contribuinte de que estava dispensada de apurar os preços de transferência relativos a suas exportações a coligadas. Em vista do acima exposto, há que se considerar improcedente a autuação relativa aos ajustes de preços de transferência relacionados à exportação de mercadorias. Deixase de analisar, por desnecessário, as demais alegações da impugnante. Conforme já discorrido na resolução anterior, discordo da decisão recorrida. Às fl. 68 (Termo de Início de Fiscalização), a autoridade fiscal requereu nos itens 6 e 7 a relação de pessoas consideradas consideradas vinculadas (art. 23 da Lei nº 9.430/96) e memórias de cálculos, papéis de trabalho e documentos, que comprovassem os preços praticados, preços parâmetros e valores de ajustes. Ainda no Termo de Início de Fiscalização (fl. 13) o contribuinte foi intimado a apresentar arquivo contendo discriminação dos valores relativos a exportações (item 13 da intimação). Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.310 29 Embora tal intimação seja genérica nos pontos ora destacados e em outros itens requerem outras informações relacionadas a operações de importações, no mínimo, haveria uma dúvida se também a Fiscalização estaria requerendo informações relacionadas aos ajustes de preços de transferências relativos a exportações. Tal dúvida, contudo, é dirimida ao examinarse o Termo de Constatação e Intimação lavrado em 15/09/2008 fl. 655 – em que a autoridade fiscal é taxativa ao tratar dos ajustes relativos às exportações. Vejase excerto de tal intimação, com o destaque por mim inserido: Por fim, o Termo de Constatação Fiscal que compõe auto de infração (fls. 82483), reproduzido parcialmente a seguir, corrobora tal raciocínio ao fundamentar a exigência com base no art. 40 da IN RFB nº 243/2002 que em seu inciso II determina que a documentação utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, inclusive para as dispensas de comprovação (salvaguardas): Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.311 30 Assim sendo, entendo que houve sim intimações para que o contribuinte se manifestasse a respeito da ausência de ajuste relativa ao preço de transferência nas operações de exportação. Por essas razões, e, a respeito desse tema, alinheime aos entendimentos contidos na declaração de voto que compõe a decisão recorrida, propondo a conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, peço vênia para transcrever excerto da declaração de voto em questão: É certo que o auditor fiscal cometeu algumas irregularidades na apuração desse crédito, não oferecendo oportunidade à contribuinte de comprovar o que estava declarado na DIPJ, mas, por outro lado, em sua impugnação, a empresa tampouco demonstrou que estava desobrigada aos ajustes, limitandose a dizer que havia declarado a não obrigação de proceder aos ajustes, sem, no entanto, apresentar qualquer prova ou demonstrativo do que alega. De fato, a empresa aferrase aos aspectos processuais do lançamento sem comprovar o ponto fundamental da não existência da obrigação de efetuar os ajustes de preços de transferência. Em lançamentos fiscais efetuados sem qualquer irregularidade o fato de a empresa apenas alegar e não comprovar o que alega já motivaria a manutenção do lançamento, todavia no presente caso, em virtude de falhas no próprio procedimento fiscal, a contribuinte faz jus a que se baixe em diligência o processo para que então ela possa apresentar as devidas comprovações de que é desobrigada a proceder aos ajustes lançados. Somente assim, após as devidas verificações, poderseia exonerar o lançamento sem ofensa ao dever de proteger o crédito tributário. Sendo assim, fazse necessária a baixa do processo em diligência para que a impugnante fundamente com provas o que alega. Por oportuno, em relação ao argumento contido na decisão recorrida de que “mesmo se a fiscalização viesse a descaracterizar essas informações (cujo ônus lhe compete), comprovando ser inverídica, deveria intimar a contribuinte, dandolhe a oportunidade de indicar um dos métodos de preços de transferência na exportação (definidos nos artigos 23 a 26 da IN SRF nº 243/2002) e efetuar os cálculos correspondentes. E apenas se houvesse a descaracterização do método escolhido pela contribuinte por parte da fiscalização, esta poderia escolher um outro método (como o CAP, utilizado no caso em tela)” , esclareço que até o anocalendário de 2012 não havia previsão legal que previsse tal intimação, uma vez que somente com o advento da Lei nº 12.715/2012 é que se instituiu tal obrigação. Destaco a redação do art. 20A da Lei nº 9.430/96 acrescida pela Lei nº 12.715/2012: Art. 20A. A partir do anocalendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o anocalendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) [grifo nosso] § 1º A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 2º A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.312 31 previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) I não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) III deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 3º A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Nesse mesmo sentido, em recente decisão (Acórdão 9101002.313, sessão de 03/05/2016), a Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o tema, inclusive nas hipóteses em que a fiscalizada não apontou o método de apuração dos preços de transferência. Vejase excerto do voto condutor do aresto: O acórdão paradigma manifesta expressamente o entendimento quanto ao dever da Fiscalização em averiguar e utilizar o método mais favorável ao contribuinte, ou em demonstrar a impossibilidade de aplicação de outros métodos passíveis de utilização (isso em qualquer situação, ou seja, mesmo quando a fiscalizada não aponta o método de apuração dos preços de transferência). Tal entendimento, entretanto, não é o mais adequado, conforme passo a expor. O assunto em debate tem pertinência com a aplicação de ofício, do Método dos Preços Independentes Comparados PIC para a apuração do preçoparâmetro dos princípios ativos importados pela Recorrente, haja vista o afastamento, pela autoridade fiscal, de um "quarto método" Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM utilizado pelo contribuinte, o qual, segundo o voto condutor do acórdão recorrido, seria inaplicável em virtude de não estar contido na Lei nº 9.430/96, em virtude de o nosso ordenamento jurídico não prever a possibilidade de utilização do Método das Margens de Lucros Operacionais TNMM. De acordo com o artigo 18 da Lei nº. 9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados PIC, Preço de Revenda menos Lucro PRL e Custo de Produção mais Lucro CPL, sendo vedado ao contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o princípio da reserva legal. Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.313 32 §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...) Depreendese do dispositivo legal acima que não há comando legal determinando ao Fisco a averiguação do método que seja mais favorável ao contribuinte. Indubitavelmente a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Porém, não é possível concluir que, nos casos de procedimento de ofício, em que afastado o método adotado pelo contribuinte porque não autorizado na lei, essa norma também atribua ao Fisco o dever de buscar o resultado mais conveniente ao contribuinte e adotar o método que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente bem como no acórdão trazido como paradigma de divergência do acórdão recorrido, de que não poderia o Auditor Fiscal ter aplicado de ofício o método PIC, sem antes demonstrar que este é mais benéfico para a pessoa jurídica do que os demais métodos de cálculo de preço de transferência, decorre de interpretação equivocada da norma em comento. Com efeito, da faculdade atribuída ao sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei (PIC, PRL e CPL), aquele que resulte em maior dedução dos custos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não resulta o dever de o Fisco realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, em procedimento de ofício, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. A Câmara Superior de Recursos Fiscais ¬ CSRF já decidiu nestes termos, indicando ainda várias outras decisões nesse mesmo sentido: [...] Desse modo, entendo que não merece reparo o acórdão recorrido que, em consonância com o artigo 18 e seus parágrafos da Lei nº 9.430/96, assim concluiu, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: ... Dessa forma, não vejo no procedimento fiscal o vício apontado pelo relator vencido, de que a fiscalização deveria demonstrar ser o método por ela utilizado o mais favorável ao contribuinte, porquanto a lei ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método que lhe for mais favorável, não exigiu ou priorizou que a fiscalização efetuasse os cálculos pelos três métodos e então aplicar o mais favorável ao sujeito passivo. Sobre essa matéria, já tive oportunidade de acompanhar o voto do Conselheiro Marcelo Cuba Neto, no Acórdão nº 1201001.161, contribuinte ROBERT BOSCH LIMITADA, que tratou assim da matéria: Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: [reproduz o dispositivo] Não há dúvida de que a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Todavia, não é possível concluir que essa norma também atribua ao Fisco, nos casos de procedimento de ofício, o dever de adotar o método Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.314 33 que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente é fruto de uma errônea interpretação a contrario sensu da norma em comento. De fato, da faculdade atribuída ao sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei, aquele que resulte em maior dedução, não resulta, a contrario sensu, o dever de o Fisco, quando possível, realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. Desse modo, também não prevalece tal argumento da decisão recorrida. Nesse contexto, votei por converter o julgamento em diligência determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o contribuinte fosse intimado a apresentar as devidas comprovações de que seria desobrigado a proceder aos ajustes de preços de transferência objetos da presente exigência. Pois bem, realizada a diligência, a autoridade fiscal responsável por sua realização aquiesceu que “O lucro Operacional, antes da dedução do Imposto de Renda, relativa às vendas de exportações para pessoas vinculadas foi de R$ 2.237.481,97, correspondendo à lucratividade de 9,13% sobre as vendas (R$ 24.506.890,23)”. Contudo, salientou que “O contribuinte comprovou a lucratividade mínima de 5% apenas para o próprio ano fiscalizado, deixando de comprovar a lucratividade média mínima para os dois anoscalendários antecedentes 2002 e 2001 em função dos prejuízos contábeis verificados no período [...]”, concluindo que “Considerando que o contribuinte não comprovou a lucratividade média mínima de 5% para os três anos precedentes, isto é, para os anoscalendários de 2003, 2002 e 2001, concluímos pela manutenção do crédito tributário do preço de transferência, operação de exportação, método CAP, na íntegra.” A justificativa da autoridade fiscal para, no cálculo da lucratividade mínima de 5%, levar em consideração também os dois anoscalendário antecedentes ao da ocorrência do fato gerador, foi a nova redação do art. 35 da IN SRF nº 243, de 2002, dada pelo art. 1º da IN SRF nº 382, de 30 de dezembro de 2003. Intimada a manifestarse sobre as conclusões do relatório de diligência, arguiu o contribuinte que a redação do art. 35 da IN SRF nº 243, de 2002, vigente à época da ocorrência do fato gerador (31 de dezembro de 2002) determinava levar em consideração a lucratividade de 5% somente em relação ao próprio período de apuração da ocorrência do fato gerador, pois a IN SRF nº 382, embora datada de 30 de dezembro de 2003, somente foi publicada no Diário Oficial da União em 05 de janeiro de 2004, não podendo surtir efeitos para o anocalendário já encerrado, sob pena de afronta aos princípios da anterioridade e da irretroatividade insculpidos no art. 150 da Constituição Federal. Pois bem, em primeiro lugar, cumpre ressaltar que a salva guarda de que trata o art. 35 da IN SRF 243, de 2002, à época de sua edição, sequer havia base legal que a previsse. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.315 34 Somente a partir da edição da Lei nº 10.833, de 2003, mais especificamente em seu art. 45, foi prevista tal prerrogativa que permitiu à Receita Federal estabelecer tais salvaguardas. Vejase a redação de tal dispositivo: Art. 45. A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer normas, tendo em vista condições especiais de rentabilidade e representatividade de operações da pessoa jurídica, disciplinando a forma de simplificação da apuração dos métodos de preço de transferência de que trata o art. 19 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 1º O disposto no caput não se aplica em relação às vendas efetuadas para empresa, vinculada ou não, domiciliada em país ou dependência com tributação favorecida, ou cuja legislação interna oponha sigilo, conforme definido no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 4o da Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002. § 2º A autorização de que trata o caput se aplica também na fixação de percentual de margem de divergência máxima entre o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, de acordo com os métodos previstos nos arts. 18 e 19 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o daquele constante na documentação de importação e exportação. Sobre o tema, assim discorre Schoueri: 12.3 Na legislação brasileira de preços de transferência podem ser encontradas algumas regras de safe harbours, aplicáveis somente às empresas exportadoras estabelecidas no Brasil. 12.3.1 Os safe harbours previstos pela legislação brasileira, seguindo, como visto, a prática estrangeira, são voltados à simplificação das exigências feitas aos contribuintes para determinação dos preços de transferência. 12.3.2 Essa simplificação proporciona ao contribuinte uma mitigação dos ônus de comprovação dos preços de transferência e conferelhe maior segurança no que diz respeito à aceitação destes preços pela Administração. 12.3.3 De outra parte, tal simplificação facilita a própria atividade de fiscalização da Administração, permitindo que esta concentre seus recursos e esforços em outras operações mais relevantes. [...] 12.3.8 Assim, as normas de safe harbour devem ser interpretadas de forma estrita, mas não restritiva, possibilitando que o sentido das disposições que trazem seja seguido como se apresenta, sem sofrer restrição ou extensão. 12.3.9 Podem ser identificadas no direito pátrio normas de safe harbour na Lei nº 9.430/96, na IN nº 243/02 (cuja base legal Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.316 35 veio a ser conferida posteriormente, pela Lei nº 10.833/03) e, hodiernamente, na IN nº 1.312/12, [...]5[grifos nossos] Conforme se observa, por expressa previsão legal, a RFB passou a deter verdadeiro poder legislativo ordinário em relação ao tema. Como a instituição de salva guardas pode ser considerada uma benesse fiscal, após sua instituição, qualquer alteração posterior que venha a limitar seus efeitos, ou impossibilitar sua utilização, possui características de imposição de um ônus tributário, por vezes implicando aumento de tributos. Por essas razões, a meu ver todas as vezes em que a RFB quiser restringir o uso de salva guardas instituídas por força do previsto no art. 45 da Lei nº 10.833, de 2003, há de se observar os princípios constitucionais que regem o tema, em especial os princípios da anterioridade (de exercício em relação ao IRPJ, e nonagesimal no que atine à CSLL) e da irretroatividade. No caso concreto, o contribuinte era tributado com base no lucro real anual no período a que se refere a exigência, e vigia em 31 de dezembro de 2003 a redação original do art. 35 da IN SRF 243, de 2002, com a seguinte redação: Art. 35. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. [grifos nossos] Ocorre que a RFB, em 30 de dezembro de 2003, editou a IN SRF nº 382, alterando a redação do art. 35 da IN SRF nº 243, de 2002. Vejase o inteiro teor dessa nova norma: INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 382, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2003 (Publicado(a) no DOU de 05/01/2004, seção , página 291) Altera a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, que dispõe sobre preços de transferência. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto nos arts. 18 a 24 e 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no art. 2º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, nos arts. 3º e 4º da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, no art. 45 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, no art. 45 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e na Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 1997, resolve: 5 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2013, p. 383384. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.317 36 Art. 1º O caput do art. 35 da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte alteração: " Art. 35 A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. (NR) ................................................................................................" Art. 2º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do anocalendário de 2003.[grifos nossos] Pois bem, se essa instrução normativa tivesse como escopo o seu caráter habitual de norma complementar, ou seja, explicitando matéria objeto de lei, em sentido estrito e já em vigor, particularmente entendo ser plausível que pudesse ser utilizada, de maneira interpretativa, desde a edição da lei a que se referisse. Do mesmo modo, se a aplicação de tal dispositivo implicasse benefício ao contribuinte, também não haveria qualquer óbice de sua utilização de forma retroativa. No caso concreto, conforme já abordado, o art. 35 da IN SRF 243, de 2002, emanava verdadeira eficácia legal positiva, pois nele originalmente se instituiu uma salva guarda, e, com a alteração de sua redação dada pela IN SRF 382, de 2003, operouse uma hipótese de oneração tributária, ao menos em tese, para os contribuintes que, com base na redação original do art. 35 da IN SRF 243, de 2002, pudessem fazer jus à salva guarda em questão, mas posteriormente, com sua nova redação, não mais estiveram sujeitos a tal benesse, podendo implicar aumento de carga tributária. Nesse caso, já seria questionável que uma norma editada em 30 de dezembro de 2003 pudesse surtir efeitos desde 1º de janeiro deste mesmo ano. Mas, no caso concreto, a situação é ainda mais drástica, pois, embora a IN SRF nº 382 tenha sido editada em 30 de dezembro de 2003, somente foi publicada no Diário Oficial da União no ano seguinte, mais precisamente em 05 de janeiro de 2004. Ora, já encerrado o período de apuração, e, no caso concreto, o próprio ano de 2003, como poderia uma norma editada no ano de 2004, restringindo direitos e impondo, em tese, até mesmo aumento de carga tributária, poderia surtir efeitos retroativamente ao início do anocalendário já encerrado? A meu ver, quando, no caso concreto, houver oneração tributária, o disposto no art. 2º da IN SRF 382, de 30 de dezembro de 20036, publicada somente em 05 de janeiro de 6 Talvez o objetivo da RFB fosse que a IN SRF 382, editada em 30 de dezembro de 2003, tivesse sido publicada ainda em 2003, mas, por questões que refogem ao alcance deste conselheiro, somente a foi no ano subsequente, mais precisamente no dia 05 de janeiro de 2004. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.318 37 2004, não pode ser aplicada retroagindo seus efeitos ao anocalendário de 2003, uma vez que tal interpretação estaria em desarmonia com os princípios da anterioridade e da irretroatividade previstos no art. 150, inciso III, da Carta da República. É importante ressaltar que compete ao CARF o controle de legalidade do lançamento, mas não somente um controle em sentido estático, mas sim um verdadeiro controle de legalidade em sentido dinâmico, construindose uma interpretação harmônica da legislação. Retornando ao cerne do litígio, no que diz respeito aos efeitos pretéritos ao disposto no art. 2º da IN SRF 382/2003 levado a efeito pela autoridade fiscal lançadora, além de afrontar os princípios da anterioridade e da irretroatividade, em realidade, colide também com dispositivo expresso da própria IN SRF 243, de 2002, que em seu art. 417 prevê que as verificações dos preços de transferência deverão ser efetuadas por períodos anuais no último dia do respectivo ano. Ora, como se fazer essa aferição em 31 de dezembro de 2003 com base em norma editada somente no ano seguinte? Válido ainda ressaltar o argumento do contribuinte de que possui o direito de, antecipadamente, conhecer a carga tributária a que estará submetido, em especial a fim de que possa fixar seus patamares de preço, não podendo ser pego de surpresa, após a realização de suas operações e fechamento de resultado do exercício, de alterações normativas que lhe imponham, de forma retroativa, um aumento de carga tributária. Nesse mesmo sentido, a própria Lei nº 9.784, de 19998, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da segurança jurídica, vedando a aplicação retroativa de nova interpretação. A esse respeito, em situação semelhante à ora analisada, a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já se pronunciou no sentido de fazer prevalecer a orientação contida em normas complementares expedidas pela Administração Tributária, aplicandose novel interpretação somente com efeitos ex nunc. A esse respeito, em razão da importância do entendimento da PGFN sobre o tema, peço vênia para transcrever excerto substancial do Parecer PGFN/CAT nº 1285/2008: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 7 de dezembro de 2007. Instrução Normativa RFB nº 791, de 10 de dezembro de 2007. Fixação de Alcance no Tempo. Regra do Tempus Regit Actus. Estabelecimentos Hospitalares. Percentuais Diferenciados de Presunção para Fins de Fixação de Imposto de Renda. Princípio da BoaFé. Princípio da Segurança Jurídica. 7 Art. 41. As verificações dos preços de transferência, a que se referem esta Instrução Normativa, serão efetuadas por períodos anuais, em 31 de dezembro, exceto nas hipóteses de início e encerramento de atividades e de suspeita de fraude. 8 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.319 38 Eficácia Preclusiva da Decisão Administrativa Favorável ao Contribuinte. 29. A linha de entendimento é definitivamente fechada com os atos normativos cujo alcance temporal aqui se define, viz., os já citados Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 2007 e Instrução Normativa RFB nº 791, de 2007. Cabe, porém, analisar quais os efeitos dos referidos documentos no que se refere à aplicação dessas regras no tempo. 30. São duas as linhas interpretativas que o momento sugere. Cuidase dos efeitos temporais dos atos jurídicos. Preocupase com referenciais de boafé da Administração, bem como de segurança jurídica. Pretendese a consensualidade, buscase incansavelmente a segurança jurídica, tomandose esta última como aquele valor proporcionado por “(...) instituições que garantem previsibilidade no emprego do poder” (Diogo de Figueiredo Moreira Neto, Curso de Direito Administrativo, Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 78). Vinculase Administração e administrados, em regime de confiança; a este último não se pode penalizar, quando seguira orientação daquele primeiro. Fazêlo é medida que potencializará a litigância. 31. Prioritariamente, a regra geral remete o intérprete à parêmia do tempus regit actum, isto é, em cada instante tributariamente alcançado aplicase a disposição legal pertinente, bem como, para os efeitos do caso presente, o entendimento da Receita Federal, no momento especifico, respeitandose, bem entendido, decisões judiciais aplicáveis a fatos concretos. E do ponto de vista de interpretação de regra fiscal remetese, com mais exatidão, para a mudança de critério exegético. 32. Concretamente, cuidase de hipótese de aplicação do art. 146, do Código Tributário Nacional, que dispõe que “a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Há mudança de critério jurídico, por parte da Administração, circunstância justificativa de projeções concretas de feição exnunc. 33. Devese proteger e se estimular a boafé nas relações entre Administração e administrados. Colocandose nos termos mais simples possíveis, não poderia a Administração projetar preteritamente novo entendimento, com prejuízo para quem, no passado, pautou negócios nos termos precisos das orientações administrativas, que então havia. 34. Junto à legalidade absoluta, buscase um fair play, um jogo limpo, entre Fiscalização e fiscalizados, cuidandose dos interesses do Fisco e dos contribuintes, que não são necessariamente antagônicos, na medida em que focalizados à luz do bem comum. Fide, sed cui, vide, confia, mas vê em quem, é advertência apropriada para o momento, no sentido de se fixar adequadamente a pauta de orientações apresentada pela Administração. 35. A boafé remetenos à segurança jurídica. Nos termos de conhecido excerto doutrinário: “ Esta ‘segurança jurídica’ coincide com uma das mais profundas aspirações do Homem: a da segurança em si mesma, a da certeza possível em relação ao Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.320 39 que o cerca, sendo esta uma busca permanente do ser humano. É a insopitável necessidade de poder assentarse sobre algo reconhecido como estável, ou relativamente estável, o que permite vislumbrar com alguma previsibilidade o futura; e ela, pois, que enseja projetar e iniciar, conseqüentemente – e não aleatoriamente, ao mero sabor do acaso, comportamento cujos frutos são esperáveis a médio e a longo prazo. Dita previsibilidade é, portanto,o que condiciona a ação humana. Esta é a normalidade das coisas. Bem por isso, o Direito, conquanto seja, como tudo o mais, uma constante mutação, para ajustarse a novas realidades e para melhor satisfazer interesses públicos, manifesta e sempre manifestou, em épocas de normalidade, um compreensível empenho em efetuar suas inovações causando o menor trauma possível, a menor comoção, às relações jurídicas passadas que se perlongaram no tempo ou que dependem da superveniência de eventos futuros previstos” (Celso Antonio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, São Paulo: Malheiros, 2008, pp. 124125). 36. Para outro autor clássico, “a ela [a segurança jurídica] está visceralmente ligada a exigência de maior estabilidade das situações jurídicas, mesmo daquelas que na origem apresentem vícios de ilegalidade. A segurança jurídica é geralmente caracterizada como uma das vigas mestras do Estado de Direito” (Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 2008, p. 99). 37. Há outra passagem, de autoria de Professora Titular de Direito Administrativo da Universidade de São Paulo, que em passo que converge tematicamente para com o tema aqui avaliado, observou, como segue: “A segurança jurídica tem muita relação com a idéia de respeito à boafé. Se a Administração adotou determinada interpretação como correta e a aplicou a casos concretos, não pode depois vir a anular atos anteriores, sob o pretexto de que os mesmos foram praticados com base em errônea interpretação. Se o administrado teve reconhecido determinado direito com base em interpretação adotada em caráter uniforme para toda a Administração, é evidente que a sua boafé deve ser respeitada. Se a lei deve respeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, por respeito ao princípio da segurança jurídica, não é admissível que o administrado tenha seus direitos flutuando ao sabor das interpretações jurídicas variáveis no tempo” (Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 2008, p. 80). 38. A matéria é presentemente objeto de lei. É que o art. 2º, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, dispõe: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. (grifei) [grifos do original] 39. Segurança jurídica e boafé qualificam as instâncias interpretativas que a presente questão exige. Nesse sentido, boafé é locução de amplo uso no Direito Público. Especialmente, “a boafé não é elemento ou circunstância a ser considerada apenas no que diz respeito às relações de direito privado entre particulares, ou de direito penal; a consideração da boa ou máfé, tanto do particular que se relaciona com a Administração Pública quanto do agente público que se relaciona com o administrado, é também essencial, configurando, sim, um princípio também de direito administrativo” (Sérgio Ferraz e Adilson Abreu Dallari, Processo Administrativo, São Paulo: Malheiros, 2007, p. 103). Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.321 40 40. O Supremo Tribunal Federal tem sido muito rigoroso com os exatos contornos da segurança jurídica. Por exemplo, em outra circunstância, e em contexto de outra discussão, por ocasião do Mandado de Segurança nº 22.3570DF, relatado pelo Ministro Gilmar Mendes, ementouse que: “ (...) 5.Obrigatoriedade da observância do princípio da segurança jurídica enquanto subprincípio do Estado de Direito. Necessidade de estabilidade das situações do Estado de Direito. Necessidade de estabilidade das situações criadas administrativamente. 6. Princípio da confiança como elemento do princípio da segurança jurídica. Presença de um componente de ética jurídica e sua aplicação nas relações jurídicas de direito público”. 41. Também em outra circunstância, e em outro contexto, o Supremo Tribunal Federal manifestouse a propósito da aplicação do princípio da segurança jurídica, enquanto subprincípio do Estado de Direito; é o que se lê na ementa no mandado de segurança nº 24.268 0MG, relatado originariamente pela Ministra Ellen Gracie, com acórdão relatado pelo Ministro Gilmar Mendes. De igual modo, a segurança jurídica é vetor hermenêutico da questão de ordem em petição nº 2.9003RS. 42. E porque aplicável o art. 146 do CTN, deveria a Administração simplesmente verificar se o contribuinte recolheu no pretérito do modo exato como a própria Administração entendia que deveria ser feito. Tãosomente seguese a compromisso anterior. Que deve ser cumprido. 43. E porque o quantum debeatur originário já fora fixado pela própria Administração, o interessado que recolheu nos moldes preconizados não vislumbraria legitimidade em lançamentos suplementares, que decorrem de mudança de entendimento. Nesse sentido, que qualifica a boafé, é que a segunda hipótese emerge como solução que atenta para princípios e regras que regem a matéria. Indico, expressamente, o referido princípio, subsumido em regra, e refirome à parte final do inciso IV, do parágrafo único, do art. 2º, da Lei nº 9.784, de 1999. 44. A segurança jurídica, circunstância que enseja identificação principiológica e normativa, derivada e sublimada na concepção de boafé, justifica, no caso presente, que se atente para o comando do art. 146 do Código Tributário Nacional, de modo que o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 2007, bem como a Instrução Normativa RFB nº 791, de 2007, sejam aplicados em seus respectivos aspectos prospectivos de tempo, alcançando situações ocorridas com e após a necessária publicação e conseqüente divulgação dos referidos atos normativos. 45. Respeitamse situações pretéritas consolidadas, nos termos de legislação e orientação anteriormente vigentes. Devese verificar, caso a caso, qual o instrumento legal aplicável, com o propósito de se definir a natureza do serviço hospitalar investigado. 46. Tempus regit actum, o tempo rege o ato, é regra seminal que informa o direito ocidental, centrado na racionalidade, na busca de eficiência. A matéria não era de entendimento pacífico, não há regra geral absoluta que se aplique, especialmente porque os Tribunais oscilaram, transitando de interpretação ampliativa em favor do contribuinte para exegese restritiva em prol do Fisco. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.322 41 47. Ipso facto, o Ato Interpretativo RFB nº 19, de 2007 e a Instrução Normativa RFB nº 791, de 2007, operamse exnunc, de modo prospectivo, não podendo suscitar surpresa no contribuinte, que no pretérito se comportara de acordo com a fórmula abraçada pela Administração. 48. O novo entendimento que a Administração Fiscal abraça qualifica modificação introduzida de ofício, identifica critério jurídico distinto, há lançamento (ainda que suplementar), circunstâncias que são alcançadas pelo primeiro fragmento da dicção do art. 146 do Código Tributário Nacional. 49. O superior cânone da boafé, ancorado na vedação de uso retroativo de norma tributária de maior imposição, síntese de uma segurança jurídica desejada por sociedade democrática, justificam que se respeite ao contribuinte que recolheu do modo como preconizado pela Administração. Por outro lado, o Ato Declaratório RFB nº 19, de 2007, e a Instrução Normativa RFB nº 791, de 2007, não autorizam que se defiram pretensões de restituição ou de repetição de indébito. Não é desse assunto que tratam, e nem se tem hipótese de eventual devolução. 50. Conclusivamente, os atos legais aqui estudados não alcançam situações jurídicas consolidadas. São dotados, sic et simpliciter, de efeitos prospectivos. Dada a necessidade de ação uniforme, adequado que a questão seja encaminhada ao Senhor Ministro de Estado da Fazenda, para análise, ponderação e eventual outorga de efeitos vinculantes, pesadas as razões aqui lançadas. À consideração superior. COORDENAÇÃOGERAL DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS, em 23 de junho de 2008. ARNALDO SAMPAIO DE MORAES GODOY CoordenadorGeral de Assuntos Tributários De acordo. Concordo. Encaminhese ao Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 26 de junho de 2008. FABRÍCIO DA SOLLER ProcuradorGeral Adjunto da Fazenda Nacional Aprovo. Encaminhese ao Senhor Ministro de Estado da Fazenda. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 26 de junho de 2008. LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS ProcuradorGeral da Fazenda Nacional Conforme se observa, a própria Administração Tributária entende que, havendo alteração de entendimento sobre determinado tema, em prejuízo ao contribuinte, a nova interpretação deve ser aplicada prospectivamente, ou seja, com efeitos ex nunc, não havendo que se falar em retroatividade de nova interpretação que venha a prejudicar o contribuinte que se comportou conforme entendimento da Administração vigente à época dos fatos geradores. Nesse mesmo sentido, convém destacar o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013, que dispõe sobre o processo de consulta: Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.323 42 Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. DOS EFEITOS DA CONSULTA Art. 10. A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o 30º (trigésimo) dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. [...] Art. 17. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta sobre interpretação da legislação tributária e aduaneira, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem depois da sua publicação na Imprensa Oficial ou depois da ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. [grifos nossos] Ora, se uma decisão em processo de consulta, ainda que não formulada pelo contribuinte, lhe traz segurança suficiente para aplicar o entendimento da Administração Tributária sem que possa lhe ser exigido o tributo futuramente, não há como se imaginar não adotar o mesmo raciocínio para um ato (instrução normativa) dirigido absolutamente a todos os contribuintes. Nesse contexto, com base nos princípios constitucionais tributários da anterioridade e da irretroatividade, e o princípio da segurança jurídica, e consequente proteção à boafé, entendo ser aplicável ao caso concreto a redação original do art. 35 da IN SRF 243, de 2002, ou seja, caso a pessoa jurídica tenha apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. No caso concreto, conforme aferido pela própria autoridade fiscal, o lucro líquido do contribuinte, calculado nos termos da norma em questão, equivale a mais de 9% das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, o que inviabiliza a aplicação de qualquer método previsto no art. 19 da Lei 9.430, de 1996, para fins de cálculo do preço de transferência, devendo prevalecer os valores apurados conforme os documentos relacionados com a própria operação, o que implica a exoneração também do crédito tributário relativo à aplicação do método CAP para ajustes dos preços praticados pela interessada. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16561.000166/200876 Acórdão n.º 1301003.007 S1C3T1 Fl. 1.324 43 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000836/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
Ementa
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO
Ocorrendo denúncia espontânea, o contribuinte efetuará o pagamento apenas do tributo e dos juros de mora, pois o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão sobre multas de qualquer natureza.
Numero da decisão: 1302-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.000836/200718 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.665 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria EMBARGOS INOMINADOS. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DIVERGÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ENTRE O VOTO E O ACÓRDÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 Ementa DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO Ocorrendo denúncia espontânea, o contribuinte efetuará o pagamento apenas do tributo e dos juros de mora, pois o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão sobre multas de qualquer natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 08 36 /2 00 7- 18 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão nº 1302002.085, de 23/03/2017, desta 2ª Turma que, por unanimidade de votos, acolheu os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão nº 101 96.789, de 25/06/2008 (Turma extinta), cuja ementa transcrevo a seguir: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. [...] ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A embargante opõese ao referido acórdão em embargos de declaração (1302002.085), indicando inexatidão material consistente no fato de que o acórdão cuidou integralmente de matéria estranha aos autos. Afirma que, o acórdão decorreu de admissibilidade de Embargos de Declaração que haviam se manifestado pela existência de contradição já contida no acórdão n.° 10196.789, de 25/06/2008 (Turma Carf extinta), revelada pela confusão entre multa de mora e multa de ofício (isolada), regidas pelos dispositivos: a) multa de mora art. 160 da Lei n.° 5.172/66, arts. 43 e 61, §§ 1.° e 2.°, da Lei n.° 9.430/96, e art. 9.°, § único, da Lei n.° 10.426/2002; e b) multa de ofício (isolada) art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96. Os excertos abaixo, transcritos do texto dos Embargos Inominados, argumentam sobre a causa, a adequação e a necessidade da oposição em questão: [...] O e. colegiado a quo proferiu acórdão julgando MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. O lançamento analisado NÃO trata de "multa isolada". Com efeito, a exigência em tela é relativa à diferença de multa paga a menor, com base legal no art. 160 da Lei n° 5.172/1996; arts. 43 e 61, § 1°e2°, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9°, § único, da Lei n° 10.426/2002. Tais dispositivos, não foram revogados ou alterados por qualquer legislação superveniente, razão pela qual não faz sentido falar em retroatividade benigna no presente caso. Ressaltese, mais uma vez, que a multa fixada no art. 44, § 1°, inciso I e a fixada no art. 43, ambos da Lei 9.430/96 são diferentes entre si: a primeira, é multa de ofício, lançada isoladamente e calculada sob um percentual de 75%; a segunda, por seu turno, é multa de mora, calculada isoladamente, sob um percentual de 20%. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 4 3 [... ] Assim, o aresto embargado merece ser sanado, para que o acórdão proferido nos autos esteja condizente com a matéria objeto do lançamento. (destaques da embargante). Nos termos do Despacho de Admissibilidade, após a revisão da ementa, relatório e voto do acórdão n.° 10196.789 de recurso voluntário, observouse que, de fato, o relatório do Acórdão embargado apresentou matéria regida pelas normas que tratam de multa moratória, e a ementa e o voto referemse a multa de ofício (isolada), regida por outros dispositivos legais e correspondentes a outras hipóteses de incidência não tratadas nos autos do processo. Indevidamente menciona multa isolada e invoca preceitos correspondentes a esta, quando o caso concreto envolve exclusivamente multa de mora (por recolhimento em atraso de CSLL). Nesse sentido, observemse os trechos, abaixo transcritos: Ementa: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n.° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n.° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. Relatório: [...] O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1.° e 2.°, da Lei n.° 9.430/96; e art. 9.°, parágrafo único, da Lei n.° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo: [...] Voto: [...] Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu de falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. [...] Por sua vez, o acórdão de embargos (recorrido), que integrou o acórdão 101 96.789, manteve o entendimento e as conclusões, reproduzindo a mesma contradição, acolhendo os embargos de declaração sem efeitos modificativos. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, reconheceuse que houve lapso manifesto, haja vista que o acórdão de embargos de declaração da Fazenda Nacional, incorreu no mesmo erro do acórdão de recurso voluntário, ao analisar a matéria como se tratasse de lançamento de multa de ofício exigida isoladamente e não de multa de mora não recolhida sobre CSLL paga com atraso, resultando, ao acolher os embargos, na consolidação da contradição contida no acórdão de recurso voluntário, que fora apontada nos embargos de declaração. Assim verificado, admitiuse os Embargos Inominados da PFN. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator À vista do despacho que admitiu os embargos de declaração da PGFN, passo à análise. Por ocasião do Acórdão relativo aos Embargos de Declaração, registrouse que, de fato, havia a referida incongruência entre os termos do relatório do Acórdão da Turma Extinta do CARF e seu respectivo voto. Vale relembrar, como a seguir transcrito: Relatório O lançamento é decorrente de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, anocalendário de 2004, no valor de R$ 13.295.634,19. Tratase de multa isolada prevista nos artigos 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002, em decorrência do pagamento da CSLL em atraso, sem o recolhimento da multa moratória, conforme o demonstrativo abaixo: Voto Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Mesmo diante das razões dos Embargos de Declaração, verificase que o acórdão que as apreciou, em realidade, não corrigiu a contradição apontada, eis que, não observou que, os autos de infração em questão trata de cobrança de multa de mora relativa ao pagamento em atraso de CSLL (e não de multa isolada pelo pagamento em atraso de CSLL, sem inclusão de multa de mora). Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 6 5 Notese que, originariamente, a interessada foi autuada por não ter pago multa de mora de 20%, no pagamento em atraso de CSLL. A interessada sustentou que, não haveria multa de mora, por estar caracterizada denúncia espontânea. Alegou que, pelo fato de ter efetuado o pagamento previamente a qualquer procedimento de fiscalização, estariam atendidas as disposições do art. 138 do CTN e, assim, não caberia multa de mora. A Turma Extinta do CARF apreciou tais razões de recurso voluntário e concluiu por dar provimento ao Recurso Voluntário. Afastouse, portanto, a incidência de multa de mora no caso de denúncia espontânea. Todavia, a Turma Extinta do CARF não apreciou os fundamentos consignados nos Autos de Infração (arts. 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002). Observase que, a Turma Extinta do CARF concluiu por outros fundamentos, nos termos a seguir transcritos: Considerando a revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que previa a exigência da multa isolada de 75%, no caso do recolhimento em atraso de tributo sem a inclusão da multa de mora, face ao princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, é cabível a exoneração da multa isolada sempre que se constatar que o lançamento decorreu da falta de inclusão da multa moratória por ocasião do recolhimento de tributo em atraso. Seguindo esses fundamentos, a Turma Extinta do CARF registrou na ementa do respectivo acórdão, os seguintes termos: MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP n.° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n.° 11.488/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. (grifei). Não obstante o fato de a Turma Extinta do CARF haver concluído por dar provimento ao recurso voluntário, observase em seus fundamentos, que não há manifestação específica no que diz respeito à questão, se deve haver ou não multa de mora, no caso de denúncia espontânea. A fiscalização fundamentou a incidência de multa de mora, no caso de denúncia espontânea, com base nas seguintes disposições legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Seção IV Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 7 6 Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) À vista dos fundamentos legais consignados pela fiscalização, com base nos quais concluiu que é devida a cobrança de multa de mora, mesmo no caso de demonstrada denúncia espontânea, passase à análise das referidas disposições do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito: Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25/10/1966) Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 8 7 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sobre a questão relativa à incidência ou não de multa de mora, no caso de denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento, sob duas premissas a seguir abordadas. A primeira delas é fundada na própria literalidade do artigo 138 do Código Tributário Nacional, como acima transcrito. Como se vê, o dispositivo legal aduz que, em ocorrendo a denúncia espontânea, o contribuinte efetuará o pagamento apenas do tributo e dos juros de mora. Não há qualquer alusão genérica ou específica a multas de qualquer natureza. O silêncio da lei seria então eloquente e intencional, no sentido da exclusão tanto das multas punitivas quanto das moratórias. Outra premissa, parte do fato de que, tanto a natureza dos fatos, quanto às circunstâncias que ensejam as multas moratórias e as multas de ofício, envolvem repercussões advindas da prática de ilícitos tributários e evidenciam o aspecto sancionador da Administração Tributária, no exercício da supremacia e indisponibilidade do interesse público. Nesse ponto, portanto, as multas de mora e as multas de ofício não se diferem. Em tais bases, portanto, as multas de mora não teriam caráter indenizatório (para isso, servem os juros de mora), mas sim feição punitiva. Nesse sentido, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. TRIBUTO NÃO PAGO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. (...)12. Inegável, assim, que engendrada a denúncia espontânea nesses termos, revelase incompatível a aplicação de qualquer punição. Memorável a lição de Ataliba no sentido de que: “O art. 138 do C.T.N. é incompatível com qualquer punição. Se são indiscerníveis as sanções punitivas, tornamse peremptas todas as pretensões à sua aplicação. Por tudo isso, sentimonos autorizados a afirmar que a autodenúncia de que cuida o art. 138 do C.T.N. extingue a punibilidade de infrações (chamadas penais, administrativas ou tributárias).” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, p. 979, 6ª Ed. cit. Geraldo Ataliba in Denúncia espontânea e exclusão de responsabilidade penal, em revista de Direito Tributário nº 66, Ed. Malheiros, p. 29) (...) 14. Precedentes: REsp n.º 511.337/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 05/09/2005; REsp n.º 615.083/MG, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 15/05/2005; e REsp n.º 738.397/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 08/08/2005). 15. Agravo Regimental desprovido.” (STJ, Primeira Turma, AGEDAG AGRAVO REGIMENTAL NOS Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15374.000836/200718 Acórdão n.º 1302002.665 S1C3T2 Fl. 9 8 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 755008, Data da Publicação: 18/09/2006) Assim, à vista desse entendimento do STJ, concluo que assiste razão à Recorrente ao sustentar que, não cabe a cobrança de multa de mora, pois, utilizandose do referido instituto da denúncia espontânea, pagou os valores devidos de CSLL, acrescidos de juros de mora, previamente a qualquer procedimento de fiscalização. Em consonância com tais fundamentos, voto por acolher os Embargos Inominados da Fazenda Nacional para que, diante do fato de que o acórdão recorrido, relativo aos Embargos de Declaração também da Fazenda Nacional, não sanou a contradição que houve entre os fundamentos da Turma Extinta do CARF (multa isolada pelo pagamento em atraso de CSLL, sem a inclusão da multa de mora retroatividade benigna revogação do inciso I, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96) e os fundamentos do auto de infração (multa de mora, em denúncia espontânea arts. 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002) seja afastada a referida contradição, de modo que o afastamento da multa de mora em denúncia espontânea (art. 138, CTN) seja fundamentado no fato de que não se aplica ao caso de denúncia espontânea as disposições dos arts. 43 e 61, § 1º e 2º, da Lei n° 9.430/1996; e art. 9º, § único, da Lei n° 10.426/2002. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 35366.000326/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2402-006.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e conhecer e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. DISPOSITIVO DE LEI DECLARADO INCONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. SÚMULA VINCULANTE. REPRODUÇÃO DA DECISÃO PELOS COLEGIADOS DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida nos termos da legislação de regência, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 03 26 /2 00 7- 57 Fl. 1450DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interposto em face do Acórdão nº 1656.091 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), que julgou procedente em parte impugnação relacionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada sob o Debcad nº 37.010.1979 para a apuração de contribuições sociais previdenciárias correspondentes a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, do período de 01/12/2002 a 30/06/2006. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 1338/1390): DA NOTIFICAÇÃO Tratase de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad nº 37.010.1979, lavrada em 22/12/2006, de contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, abrangendo o período de 12/2002 a 06/2006, no montante de R$2.387.074,69 (dois milhões, trezentos e oitenta e sete mil e setenta e quatro reais e sessenta e nove centavos), consolidado em 22/12/2006. A NFLD é composta pelos seguintes levantamentos: · CO1 – Cooperdata Ind. Com. – período 12/2002 a 05/2003; · CO2 – Coopedata Coopersaalt período de 12/2002 a 05/2003; · CO3 – Nova Coopedata Coopersaalt período de 12/2002 a 08/2003; 06/2004 a 06/2006; Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 3 3 · CO4 – Cooperdata Vendas e Promoções período de 12/2002 a 05/2003; · CO5 – Cooper. Policiais Militares período de 05/2003 a 09/2004. O Relatório Fiscal, fls. 72/73, informa, em síntese, que: · a NFLD referese às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme a seguir exposto; · o crédito previdenciário aqui abrigado teve como fato gerador, os serviços prestados pelas cooperativas relacionadas, cujos dados dos documentos que serviram de base encontramse discriminados no Relatório de Lançamentos, que faz parte desta Notificação; · o presente crédito foi constituído tendose em vista a falta de apresentação do recolhimento devido; · a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no artigo 8º da Lei nº 10.666 de 08 de maio de 2003. O último Livro Diário de número 308 escriturado pela empresa relativo ao mês de dezembro de 2005 foi registrado na Jucesp sob nº 73891. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado da NFLD por via postal em 27/01/2007, e apresentou impugnação tempestiva em 12/02/2007, fls. 89/129, acompanhada de cópia dos seguintes documentos: Procuração e Adaptação e Consolidação do Contrato Social (Lei nº 10.406, de 11 de janeiro de 2002), Proposta/Contrato de Abertura de Conta Corrente e de Poupança – Pessoa Jurídica, Guias da Previdência Social – GPS, Notas Fiscais de Serviços, Acompanhamento de Produção – Mês, Relatórios de Viagens Diárias, Relação de Horas Trabalhadas para Faturamento, Relação dos Lançamentos de Outros Créditos, Controle Individual de Produção (Anexos I, II e III). Apresenta, em síntese, as seguintes alegações: I – Preliminarmente A ação fiscal foi iniciada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal 09293319F00, emitido em 13/03/2006, com validade até 13/05/2006 e recepcionado pela empresa em 14/03/2006. Seguiuse o Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C01 emitido em 12/05/2006, com validade até 13/06/2006 e recepcionado somente em 15/05/2006, deixando um vácuo no período de 13/05/2006 a 15/05/2006, quando a Notificada supunha que a ação fiscal já havia sido concluída, sem qualquer lançamento fiscal. Prosseguiu a ação fiscal com o Mandado de Procedimento Fiscal 09293319CO2 emitido em 09/06/2006, com validade até 30/06/2006 e recepcionado em 13/06/2006. Fl. 1452DF CARF MF 4 O Mandado de Procedimento Fiscal 09293319CO3 foi emitido em 30/06/2006, com validade até 29/08/2006 e recepcionado somente em 03/07/2006, mais uma vez deixando novo vácuo no período de 30/06/2006 a 03/07/2006, quando mais uma vez a Notificada entendeu que a ação fiscal havia sido concluída pelo decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C04 foi emitido em 25/08/2006, com validade até 24/10/2006 e recepcionado somente em 30/08/2006, mais uma vez deixando novo vácuo no período de 25/08/2006 a 30/08/2006, quando mais uma vez a Notificada entendeu que a ação fiscal havia sido concluída pelo decurso de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C05 foi emitido em 24/10/2006, com validade até 30/11/2006 e recepcionado somente em 25/10/2006, mais uma vez deixando novo vácuo no período de 24/10/2006 a 25/10/2006, quando mais uma vez a Notificada entendeu que a ação fiscal havia sido concluída pelo decurso de prazo do mandado de procedimento fiscal. Por fim, novo Mandado de Procedimento Fiscal 09293319C06 emitido em 28/11/2006, com validade até 22/12/2006 e recepcionado em 29/11/2006. Claro está, portanto, que a ação fiscal está eivada de nulidades, pela falta de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal a tempo e modo, isto em 15/05/2006, em 03/07/2006, em 30/08/2006 e em 25/10/2006, posto que a emissão e a remessa da notificação fiscal ocorreram em período não coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal e suas prorrogações. Não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte, que entende que a partir do dia 13/05/2006 a ação fiscal que estava em andamento fora devidamente encerrada, posto que não prorrogada a tempo e modo. A sua reativação com documento entregue em 15/05/2006 constitui se em um ato de flagrante nulidade, e assim deve o mesmo ser reconhecido, com a anulação de todos os atos constituídos a partir da prorrogação do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal de forma irregular. Ademais, seguiramse outras 3 nulidades, com o Mandado de Procedimento Fiscal sendo prorrogado quando já estava vencido. Por derradeiro, mesmo tendo o Mandado de Procedimento Fiscal o seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 16/01/2007 foram postadas parte das Notificações fiscais, 5 (cinco) para um total de 18 (dezoito) com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 18/01/2007. As demais Notificações, como a ora impugnada, somente foram postadas na ECT no dia 26/01/2007 e recebidas em 27/01/2007. A verdade é que as notificações fiscais não foram devidamente formalizadas até a data final do MPF, passaramse mais de 30 dias do vencimento do MPF e o contribuinte não as recebeu. Assim sendo, a ação fiscal está viciada, é nula, posto que preterido o disposto na Portaria MPS/SRP Nº 3.031, de 16/12/2005, D.O.U. de 22/12/2005, emitida pelo Secretário da Receita Previdenciária. O artigo 15 da referida Portaria dispõe que o MPF se extingue pelo decurso dos prazos a que se referem os artigos 12 e 13 que tratam do prazo quanto à emissão inicial e prorrogações. II – Dos fatos Descreve suas atividades, e informa que no período de 12/2002 a 06/2006 contratou cooperativas de trabalho para algumas de suas atividadesmeio. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 4 5 III – Da exação para os tomadores de serviços de cooperativas As contribuições para os tomadores de serviço de Cooperativas de Serviço, no período de 12/2002 a 06/2006 foram estabelecidas pelo art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, redação da Lei nº 9.876 de 26/11/1999, com vigência a partir de 03/2000, que revogou a Lei Complementar nº 84/96. Referido dispositivo legal determina a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, alíquota de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Cooperativas de Trabalho. O dispositivo acima foi regulamentado pelo Decreto nº 3.048/99 em seu artigo 201, III. Transcreve o art. 86, inciso I, da IN SRP nº 03/2005, que dispõe sobre a referida contribuição. Neste particular, o Impugnante foi traído pela redação da Lei nº 8.212/91. Ocorre que um pouco antes da Lei nº 9.876/99, que criou a contribuição da empresa para as cooperativas de trabalho, com alíquota de 15%, foi editada a Lei nº 9.711, isto em 22/10/1998. Referida lei deu nova redação ao artigo 31 da Lei nº 8.212/91, introduzindo a figura da retenção de 11% incidente também sobre as notas fiscais faturas dos prestadores de serviço. Assim, conjugando as inovações que tributam o faturamento dos prestadores de serviço com obrigação de recolhimento pelo tomador de serviços, entendeu o Impugnante que a contribuição de 15% sobre o faturamento da cooperativa deveria ser recolhida até o dia 2 em nome da cooperativa cedente de mãodeobra. Ocorreu, portanto, que todas as contribuições lançadas nesta NFLD decorrentes de faturas emitidas pelas cinco cooperativas de trabalho foram devidamente recolhidas pela Impugnante, conforme Notas Fiscais e GPS – Guias da Previdência Social que ora são anexadas. Todas as GPS foram quitadas pelo Impugnante através do Banco do Brasil, Agência 33332, Conta 0000033278 de sua titularidade, conforme documento de abertura de conta corrente pessoa jurídica anexada à NFLD. O relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. Entretanto, a afirmação não é verdadeira. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, podem ser demonstradas pelos extratos bancários e razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviços em geral. A Lei nº 8.212, em seu artigo 22, IV, o artigo 201, III do Decreto nº 3.048/99 e o artigo 86 da Instrução Normativa nº 03 não são explícitos quanto a esta forma de recolhimento, razão pela qual o Impugnante recolheu a contribuição inserindo o identificador do prestador de serviços. Fl. 1454DF CARF MF 6 Todavia, sendo este um erro de recolhimento perfeitamente sanável com a alteração do identificador no documento de arrecadação bancário, que a Auditoria Fiscal poderia ter procedido a correção de oficio, requerse, portanto, a decretação de nulidade da autuação. IV – Da inconstitucionalidade da exação fiscal Mesmo tendo o Impugnante recolhido a contribuição lançada, pelo que o lançamento deve ser declarado nulo, aduz ainda o mesmo que a exação é inconstitucional, pelo que deverá em momento oportuno requerer a sua restituição. Transcreve o art. 195 da Constituição Federal de 1988, e a petição inicial da Ação Direta de Inconstitucionalidade 2594, cujo autor é a Confederação Nacional da Indústria – CNI, citando parecer enviado pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, a favor da referida ADI. V – Da preliminar de nulidade do lançamento Os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê a cobrança de contribuições previdenciárias no presente lançamento. Conforme se vê do relatório fiscal, primeiro item, foi dito que a exação se refere às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O relatório fiscal não aduz o dispositivo legal que norteia a cobrança. Os auditores fiscais não procederam à alocação nos lançamentos relacionados no DAD das GPS recolhidas, o que geraria saldo nenhum para a Previdência Social no confronto entre a incidência de 15% incidente sobre faturas e GPS recolhidas para as Cooperativas prestadoras de serviço. VI – Da não ocorrência da materialização do fato jurídico tributável no caso concreto Sabese hoje que após a Constituição Federal de 1988 não se podem restar quaisquer dúvidas quanto ao caráter tributário das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, e sua consequente disciplina pelo Código Tributário Nacional. Deste ponto de raciocínio, a fenomenologia da incidência no espectro do Direito Tributário somente pode ser descrita com base na conhecida RMI Regra Matriz de Incidência. Assim, referida incidência ocorre quando, na hipótese descrita pela norma jurídica existe a previsão de um fato, enquanto a consequência desta prescreverá os efeitos jurídicos que o acontecimento irá propagar. Os diversos ramos do Direito, em geral, procuram estabelecer o momento do nascimento da relação jurídica, ou dos fatos geradores das mesmas. São os fatos jurídicos. E a descrição que a norma faz de um ato ou fato que, ocorrido, irá gerar uma obrigação. Exatamente desta análise, percebese que os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional à contribuição do art. 22, IV da Lei nº 8.212/91 não estão presentes nesta NFLD. Ocorre que referido dispositivo que define contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, diz respeito às remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, às cooperativas de trabalho que lhe prestem serviços. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 5 7 Tudo isto, certamente, não está em consonância com o disposto no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, que estabelece a forma do financiamento da Seguridade Social. VII – Do arbitramento da contribuição e a base de cálculo utilizada Embora tenha apresentado toda a documentação solicitada pela fiscalização e que pudesse ratificar as informações declaradas quanto ao pagamento das faturas às Cooperativas prestadoras de serviço, o arbitramento das contribuições devidas não é correto. Referidas Cooperativas prestaram serviços de transporte de carga e monitoramento de segurança, com uso de veículos, equipamentos e material. Assim, caso fosse devida qualquer contribuição, a base de cálculo não deve incidir sobre o total da fatura, mas apenas sobre 20% da mesma, conforme dispõe o artigo 219, §§ 7º e 8º, do Decreto nº 3.048/1999. A Instrução Normativa nº 3/2005, em seu artigo 69, IV parágrafo 2º, é clara neste sentido. O Impugnante procedeu ao recolhimento aplicando a alíquota de 15% sobre o total da fatura, preservando assim, nesta impugnação, o seu direito de reaver, através de procedimento a ser efetivado, os valores recolhidos a maior. VIII – Do descabimento na aplicação da multa de mora Nada é devido, a NFLD deverá ser julgada nula. Entretanto, se por absurdo qualquer valor ficasse remanescente neste lançamento, a aplicação da multa não é correta. O lançamento de crédito foi consolidado em 22/12/2006 com a aplicação de multa no importe de 30% (trinta por cento) sobre os valores originários para as competências de janeiro de 2002 a junho de 2006, conforme a primeira folha da Notificação e Relatório de Fundamentos Legais do Débito. “Ad cautelam”, na improvável hipótese de vir a ser mantido o lançamento, impugna a defendente, os encargos moratórios que estão sendo exigidos, no tocante à multa e aos juros, posto que na forma que lhe estão sendo impostos não podem prevalecer, caracterizando verdadeiro confisco. A multa, se imposta, dever ser reduzida dos atuais 30% para razoáveis e aceitáveis níveis de 2%, sob pena de violação do principio constitucional da vedação do confisco. A leitura sistemática dos artigos e fatos acima descritos impõe as seguintes constatações: 1) caso a contribuição que está sendo lançada seja declarada em GFIP a multa de mora ser á reduzida em 50%; 2) não pode o contribuinte, com a alteração da legislação em momento posterior ao da ocorrência de alegada infração, sofrer maior gravame na aplicação da multa. Tendo em vista o alegado, requer a Impugnante a retificação dos valores aplicados com relação à multa de mora, no que tange redução de 50% em todo o período. Fl. 1456DF CARF MF 8 IX – Da inconstitucionalidade da taxa Selic Considerandose a natureza remuneratória da Taxa SELIC e a inconstitucionalidade e ilegalidade de sua aplicação, em matéria tributária, não há que se admitir sua utilização, no presente caso. Para o cômputo dos juros de mora que seriam eventualmente devidos se devida fosse a obrigação principal (o que se alega apenas por amor à argumentação) só poderia ser utilizado o percentual legal de 1% (um por cento) ao mês, se julgados devidos, o que já se viu acima, não ocorre. X – Da incorreta identificação dos responsáveis pelo pagamento do eventual crédito tributário. Inexistência de responsabilidade tributária. Outro vicio verificado na NFLD em epígrafe é quanto à imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário aos sócios e procuradores da empresa, conforme estabelecido na Relação de CoResponsáveis que compõe a NFLD, haja vista não serem eles sujeitos passivos da obrigação tributária, seja pela categoria de contribuintes, seja pela categoria de responsáveis. Por força de lei, somente a Impugnante estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária, e por consequência somente contra ela poderia ser lavrada uma NFLD e também dela serem cobradas as contribuições não recolhidas. As outras hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados subsidiariamente pelo pagamento das contribuições em comento estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, e não ocorreram na hipótese presente. Assim, requer desde já a exclusão da responsabilidade solidária imputada aos sócios e procuradores pelo pagamento da presente NFLD. XI – Conclusão Ante o exposto, requer a ora Impugnante: a) não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte, que entende que a partir do dia 13/05/2006 a ação fiscal que estava em andamento fora devidamente encerrada, posto que não prorrogada a tempo e modo. A sua reativação com documento entregue em 15/05/2006 constitui se em um ato de flagrante nulidade, e assim deve o mesmo ser reconhecido, com a anulação de todos os atos constituídos a partir da prorrogação do MPF forma irregular. Por derradeiro, mesmo tendo o Mandado de Procedimento Fiscal o seu término em 22/12/2006, somente em 26/01/2007 foi postada a Notificação Fiscal com recebimento pelo contribuinte em 27/01/2007; b) dignese a declarar nulo o lançamento representado pela NFLD 37.010.1928, posto que ficou clara a ausência de fundamentação legal do lançamento do débito pelo relatório fiscal; c) o relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. Entretanto, a afirmação não é verdadeira. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, podem ser demonstradas pelos extratos bancários e razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 6 9 identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. d) mesmo que, por absurdo, se constatasse que os pagamentos a cooperativas gerem contribuições previdenciárias, na forma do artigo 22, IV da Lei nº 8.212/91, redação da Lei nº 9.876/99, deveria ser observado o disposto no artigo 219 do Decreto 3.048/99 e artigo 69 da Instrução Normativa nº 03, que estabelecem o percentual da nota fiscal a ser utilizado para a contribuição sobre os pagamentos a cooperativas. No caso de transportadoras este percentual incide sobre 20% da Nota Fiscal. Todas as Cooperativas que prestaram serviços utilizam material, equipamentos e veículos para a prestação de serviços. Assim, tendo o Impugnante quitado a fatura dos prestadores com incidência da alíquota no total da nota fiscal, entende que possa ter direito a restituição, o que será requerido em momento oportuno. e) requerse, portanto, o conhecimento e provimento da presente impugnação, reconhecendo que os valores lançados estão quitados pelos documentos juntados. f) o notificado impugna ainda os valores lançados, que não estão corretos. Não foram considerados os valores que foram estornados em lançamentos contábeis posteriores, havendo em muitos dos lançamentos duplicidade, com a apropriação dos valores pagos nas contas de despesas e dos valores lançados na conta de passivo. g) ocorreu ainda nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que conforme relatório fiscal, a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no artigo 8º da Lei nº 10.666/2003. Entretanto, é obrigação da fiscalização também apresentar ao contribuinte os arquivos digitais dos relatórios fiscais, conforme art. 663 da IN SRP nº 03/2005; Informa a defendente que toda e qualquer intimação oriunda do processo administrativo deverá ser encaminhada à sede social da empresa. Protesta a ora defendente pela oportuna juntada de outros documentos fiscais que forem considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. DA DILIGÊNCIA FISCAL Considerando as alegações trazidas na impugnação quanto ao recolhimento dos valores lançados na NFLD, equivocadamente no CNPJ das cooperativas de trabalho contratadas, o processo foi encaminhado em diligência fiscal para manifestação do Auditor Fiscal Notificante, através do despacho de fls. 139. Como resultado da diligência fiscal, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 211/212, na qual, em seu item 5, o Auditor Fiscal Notificante conclui, em suma, que pelas provas apresentadas houve equívoco no preenchimento das guias de recolhimento, tendo sido adotada pela contratante dos serviços a mesma sistemática de recolhimento empregada na retenção de contribuição previdenciária por ocasião da quitação de notas fiscais (Lei nº 9.711/98), sugerindo, no entanto que, antes do procedimento de retificação das guias e liquidação do valor da NFLD seja verificado se os prestadores dos serviços já não se beneficiaram dos recolhimentos feitos pelo tomador. Fl. 1458DF CARF MF 10 Em 21/08/2008, a DIPAC encaminhou os autos à DIORT/DERAT/EQARP, para a verificação mencionada pelo Auditor Fiscal no item 5 da Informação Fiscal, e se fosse o caso, para a retificação das guias de recolhimento. Em 12/09/2008, a DERAT emitiu o despacho de fls. 223, informando que: 1. NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, consolidada em 22/12/2006, período 12/2002 a 06/2006, encaminhada pela DEFIS Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, após diligência fiscal, para alteração das guias apresentadas referentes às prestadoras para o CNPJ da tomadora. 2. Conforme despacho da 9ª Turma da DRJ/SPOII às fls. 139, a verificação do alegado pela empresa na defesa, exigiria diligência não só na notificada como também nas respectivas cooperativas prestadoras. 3. Conforme item 05 do despacho do auditor às fls. 211, o mesmo sugere que antes da alteração das guias recolhidas nos CNPJ's das empresas prestadoras, seja verificado se os prestadores dos serviços já não se beneficiaram dos recolhimentos feitos pelo tomador. Em pesquisa ao sistema Aguia, módulo GFIP constatamos divergências para as prestadoras no período levantado. 4. Considerando a necessidade de análise em relação às fiscalizações das prestadoras, para verificação do aproveitamento das guias apresentadas, sugerimos o retorno do processo para a DIPACDivisão de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal para esclarecimentos. (...) Através do despacho de fls. 224, a DIPAC novamente encaminhou o processo à fiscalização, a fim de que fosse realizada diligência nas empresas prestadoras e para os esclarecimentos solicitados pela DRJ/SPOII. Em atendimento às solicitações, foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal, fls. 1178/1184, e os Anexos A, B, C, D, E, F, G e H, fls. 1188/1238, cientificados ao contribuinte em 08/06/2011, com reabertura do prazo para manifestação, caso desejado. O Auditor Fiscal responsável pela realização da diligência fiscal conclui pela retificação do lançamento, em virtude do aproveitamento dos recolhimentos efetuados pela empresa, conforme demonstrado nos Anexos A, B, C, D, E, F, G e H, e propõe o encaminhamento dos autos à DRJ/SPO II, para continuidade do julgamento do feito. Os Anexos A, B, C, D, E, F, G, e H, que acompanham o Relatório de Diligência Fiscal, apresentam as seguintes informações: Anexo A: situação verificada em relação à prestadora de serviços Cooperdata Indústria e Comércio CNPJ 04.758.275/000140, e conclusão referente ao levantamento CO1; Anexo B: situação verificada em relação à prestadora de serviços Coopersaalt Cooperativa de Trabalho em Serviços Autônomos de Apoio à Logística e Transporte – CNPJ 02.965.758/000190, e conclusão referente ao levantamento CO2; Anexo C: situação verificada em relação à prestadora de serviços Novacoop Sociedade Cooperativa de Trabalho e Prestação de Serviços CNPJ 02.993.259/000106, e conclusão referente ao levantamento CO3; Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 7 11 Anexo D: situação verificada em relação à prestadora de serviços Cooperdata Vendas e Promoções – Cooperativa de Trabalho dos Profissionais em Vendas CNPJ 04.752.251/000183, e conclusão referente ao levantamento CO4; Anexo E: situação verificada em relação à prestadora de serviços Coopm Cooperativa de Policiais Militares CNPJ 01.754.594/000199, e conclusão referente ao levantamento CO5; Anexo F: Relação das Guias Código 2100 recolhidas em nome das cooperativas, indicando o levantamento, CNPJ da cooperativa, competência, total líquido, total da guia, código de pagamento, data de pagamento, valor do INSS, Terceiros, Juros/Multa, retificação de GPS (sim ou não) e observações; Anexo G: Remuneração de Trabalhadores sem vínculo empregatício informada em DIRF pela Cooperativa de CNPJ 04.752.251/000183; Anexo H: Remuneração de Trabalhadores sem vínculo empregatício informada em DIRF pela Cooperativa de CNPJ 01.754.594/000199. DA MANIFESTAÇÃO O contribuinte foi cientificado do Relatório de Diligência Fiscal e dos Anexos A, B, C, D, E, F, G e H em 08/06/2011, e apresentou manifestação tempestiva em 17/06/2011, fls. 1240/1247, alegando, em síntese, que: I Da diligência e seu resultado Antes de adentrar ao mérito da diligência, cumpre ressaltar mais uma vez uma flagrante nulidade do lançamento, posto que o contribuinte tomou ciência do lançamento quando o mandado de procedimento fiscal já estava encerrado. Repete as alegações trazidas na impugnação e transcreve jurisprudência. A diligência empreendida denota que o Auditor Fiscal procurou no seu longo trabalho trazer ao processo o principio da verdade material. Foi laborioso, consultando dados das Cooperativas de Trabalho, seus cooperados, os informes em DIRF, o cotejo de informações em GFIPxDIRFxGPS, confrontando inclusive as modalidades da GPS constantes no sistema de pagamento constantes do conta corrente das Cooperativas de Trabalho. A diligência fiscal é conclusiva no sentido de que inúmeras guias de recolhimento efetuadas pelo tomador de serviços não foram aproveitadas pelas Cooperativas em relação aos débitos informados em GFIP. O trabalho foi inconclusivo em algumas competências, posto que o auditor fiscal não dispunha de informações que pudessem melhor avaliar o seu trabalho. II – Dos fatos Reitera que todas as contribuições lançadas na NFLD decorrentes de faturas emitidas pelas cinco cooperativas de trabalho foram devidamente recolhidas pela Impugnante, conforme Notas Fiscais e GPS – Guias da Previdência Social que foram anexadas à impugnação. O despacho da diligencia é claro no inciso I, Introdução, quando no item 3, “a” declara que foi constatado que as cópias das guias apresentadas na impugnação, volumes anexos I a III, recolhidas no CNPJ das cooperativas prestadoras de serviço, correspondem aos valores apurados pela fiscalização e lançados na presente NFLD. Fl. 1460DF CARF MF 12 No item 3 “b” a diligencia é clara no sentido de que as guias de recolhimento mencionadas foram quitadas pelo tomador de serviços e os montantes nelas informados foram lançados na escrituração contábil da Notificada. Ora, a alocação das guias de recolhimento como créditos da Impugnante que anulam a NFLD é procedimento que deve ser procedido de imediato, a decretação da nulidade do lançamento deveria ser requerida pelo próprio fiscal notificante quando constatou o fato. Não existe qualquer dúvida de que a contribuinte procedeu ao recolhimento da exação a que estava obrigado, fazendoo corretamente, aplicando o percentual de 15% incidente sobre os valores das notas fiscais quitadas às cooperativas. O que ocorreu foi apenas um erro na forma da quitação, procedendo a contribuinte à mesma forma adotada pela Lei nº 9.711/98 que estabeleceu a retenção de 11% incidente sobre os prestadores de serviço com cessão de mão de obra. Neste caso o recolhimento é feito pelo tomador de serviços com GPS no nome do prestador. Nas demais retenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a retenção é recolhida no CNPJ do tomador de serviços. Fica claro, portanto, que a própria Receita Federal é que induz o contribuinte ao erro, adotando critérios diferentes na forma de recolhimento na cessão de mãodeobra. Devem prevalecer os princípios insculpidos no Processo Administrativo Fiscal, adotados pelo Decreto nº 70.235/72, recepcionado como lei e na própria Lei nº 9.784/99, que lhe é complementar. Referidos dispositivos legais consagram os princípios da verdade material, da legalidade, formalismo moderado. Tendo sido constatado que o contribuinte procedeu ao recolhimento de GPS para quitação de sua obrigação em relação à exação prevista no pagamento do trabalho realizado por Cooperativas, dispondo do original das GPS, corroboradas pela escrituração contábil, com prova dos pagamentos pela movimentação bancária, não pode a Receita Federal desconhecer a titularidade dos recolhimentos em nome da Impugnante, em razão de algum obstáculo na retificação das mesmas no sistema de recolhimento. Não se pode privilegiar a forma em detrimento do conteúdo. A obrigação principal foi quitada, se alguma penalidade fosse aplicada, deveria ser meramente em razão do procedimento, com penalidade apenas acessória. Reitera o Contribuinte que todas as GPS foram quitadas pela Impugnante através do Banco do Brasil, Agência 33332. Conta 0000033278 de sua titularidade, conforme documento de abertura de conta corrente pessoa jurídica anexada à NFLD. O relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. Entretanto, a afirmação não é verdadeira. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, podem ser demonstradas pelos extratos bancários e razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 8 13 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. A Lei nº 8.212 em seu artigo 22, IV, o artigo 201, III do Decreto nº 3.048/99 e o artigo 86 da Instrução Normativa nº 03/05 não são explícitos quanto a esta forma de recolhimento, razão pela qual a Impugnante recolheu a contribuição inserindo o identificador do prestador de serviços. III – Do pedido Ante o exposto, reitera a ora Impugnante: a) tendo o Mandado de Procedimento Fiscal o seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 26/01/2007 foi postada a Notificação Fiscal com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 27/01/2007, o que acarreta a nulidade do lançamento feito após expirado o prazo do MPF. b) o relatório fiscal aduz que o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista a falta de apresentação do recolhimento devido. As GPS foram apresentadas, estão devidamente contabilizadas pela Impugnante como Obrigações Previdenciárias a Recolher, foram demonstradas pelos extratos bancários em razão da conta bancária no Banco do Brasil, examinado pela Auditoria Fiscal. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. A Lei nº 8.212 em seu artigo 22, IV; o artigo 201, III do Decreto nº 3.048/99 e o artigo 86 da Instrução Normativa nº 03/05 não são explícitos quanto a esta forma de recolhimento da contribuição devida, razão pela qual a Impugnante recolheu a contribuição inserindo o identificador do prestador de serviços. Na diligência fiscal, item 3 do relatório, o Auditor Fiscal responsável pela diligência foi claro no sentido de reconhecer a titularidade dos recolhimentos pelo contribuinte, GPS recolhidas em nome dos prestadores de serviço Cooperativas de Trabalho. Diante do todo exposto, ratifica a Impugnante todos os termos da impugnação protocolizada no dia 09/02/2007, requerendo por final, conhecimento das impugnações, para que seja declarado nulo o lançamento fiscal, caso assim não se entenda, que no mérito seja declarado insubsistente o lançamento de débito, pelos motivos supra mencionados. Protesta a ora defendente pela oportuna juntada de outros documentos fiscais que forem considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. DA REABERTURA DO PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO Constatando nos autos que o contribuinte não foi cientificado da Informação Fiscal emitida pelo Auditor Fiscal Notificante por ocasião da primeira diligência fiscal, fls. 211/212, mas somente do Relatório de Diligência Fiscal e dos Anexos A, B, C, D, E, F, G e H, emitidos quando da segunda diligência fiscal, foi emitido o despacho de fls. 1253/1254, encaminhandose o processo à EQREC/DICAT/DERAT/SP, para que o contribuinte fosse cientificado dos documentos relacionados a seguir, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para nova manifestação, caso desejado: Fl. 1462DF CARF MF 14 despacho emitido em 14/09/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II, fls. 139; Informação Fiscal emitida pelo Auditor Fiscal Notificante em 28/12/2007, fls. 211/212. DA NOVA MANIFESTAÇÃO A empresa apresentou nova manifestação, fls. 1258/1281, acompanhada de Procuração, Adaptação e Consolidação do Contrato Social e documentos de identificação da sócia e procuradora, alegando, em síntese, que: I – Da preliminar Preliminarmente requer que seja recebida a manifestação por tempestiva, eis que a intimação foi recebida no dia 06/03/2013, vencendo o prazo no dia 05/04/2013 (30 dias), conforme demonstram os docs. 01 e 02. II – Dos fatos Informa que no período de 12/2002 a 06/2006 contratou cooperativas de trabalho para algumas de suas atividadesmeio, relacionando as referidas cooperativas. III – Da exação para os tomadores de serviços de cooperativas Repete as mesmas alegações trazidas na impugnação inicial. IV – Do fato gerador e fundamentação legal do débito Os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê a cobrança de contribuições previdenciárias no presente lançamento. Conforme se vê do relatório fiscal, primeiro item, foi dito que a exação se refere às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O relatório fiscal não aduz o dispositivo legal que norteia a cobrança. V – Da diligência a) despacho emitido em 14/09/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II, fls. 139 do PAF, renumerada para fls. 141 do e processo: Referido documento traz notícia de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II, determinando abertura de diligência fiscal em relação ao processo ora identificado que fora encaminhado àquela Delegacia para Julgamento, não somente em relação ao contribuinte bem como em relação às Cooperativas, atendendo requisição constante dos termos da impugnação. b) Informação Fiscal emitida pelo Auditor Fiscal Notificante em 28/12/2007, fls. 211/212, renumeradas para fls. 214/215 do eprocesso: O resultado da diligência corrobora os termos da impugnação apresentada. O item 5 do referido documento fiscal é claro: “pelas provas aqui apresentadas é possível concluir que houve equívoco no preenchimento das guias, tendo sido adotada pela contratante dos serviços a mesma sistemática de Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 9 15 recolhimento empregada na retenção de contribuição previdenciária por ocasião da quitação de notas fiscais (Lei nº 9.711/98). Sugiro, no entanto, que antes do procedimento de retificação das guias e liquidação do valor da NFLD seja verificado se os prestadores dos serviços já não se beneficiaram dos recolhimentos feitos pelo tomador”. O item 2.2 aduz ainda a existência de declarações prestadas pelas cooperativas, autorizando eventual retificação das guias. O resultado da diligência, portanto, é no sentido de liquidação do valor da NFLD, qual seja, retificadas as guias de recolhimento apresentadas pelo tomador de serviços, ora Impugnante, e alocadas como pagamentos efetuados tempestivamente, procedimento já com a concordância das cooperativas de trabalho, não restará qualquer valor remanescente nesta NFLD. Portanto, o lançamento deve ser considerado nulo, posto que nada é devido neste particular, com a alocação dos pagamentos comprovados relativos ao fato gerador prestação de serviços por cooperativas de trabalho. O que ocorreu foi tão somente o recolhimento das GPS com o identificador do prestador de serviços, nos moldes do determinado pela Lei nº 9.711/98 que cuida da sistemática de recolhimento dos prestadores de serviço em geral. Todavia, sendo este um erro de recolhimento perfeitamente sanável com a alteração do identificador no documento de arrecadação bancário, que a Auditoria Fiscal julga procedente na diligência fiscal, cuidando apenas para que os prestadores não se locupletem do referido valor, procedimento que não tem o condão de impedir que, imediatamente se proceda à retificação das Guias de Recolhimento em favor do Impugnante. Assim, reitera os termos da impugnação inicial. DA RETIFICAÇÃO DAS GUIAS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL –GPS NOS TERMOS DO “ANEXO F” DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Considerando o disposto no Anexo F, fls. 1208/1218, emitido no decorrer da diligência fiscal, que discrimina as guias código 2100 recolhidas no CNPJ das cooperativas de trabalho, e indica aquelas que podem ser objeto de retificação, de modo que o campo identificador seja alterado para o CNPJ da tomadora de serviços (LUA NOVA IND. E COM. DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. – CNPJ nº 62.461.140/000114); Considerando a necessidade de retificação das GPS – Guias da Previdência Social, conforme discriminado no Anexo F, alterandose o campo identificador para o CNPJ da empresa Lua Nova Ind. e Com. de Produtos Alimentícios Ltda., CNPJ 62.461.140/000114 antes do julgamento do presente processo; Em 01/08/2013, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/ SP, para as providências cabíveis e posterior retorno à DRJ/SPO para julgamento. Em atendimento, de acordo com o despacho emitido pela DERAT/DICAT/EQREC, fls. 1328, foram alteradas as Guias da Previdência Social – GPS nos termos do Anexo F, conforme telas constantes às fls. 1307/1325. Fl. 1464DF CARF MF 16 Por ocasião do Recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e na manifestação acerca de diligência demandada pelo DRJ/SP1 e no tópico referente à inconstitucionalidade da exação informa sobre a declaração de inconstitucionalidade da exação. A DRJ/SP1 interpôs recurso de ofício por entender que o crédito tributário exonerado tinha valor superior ao de alçada, definido em portaria do Ministro da Fazenda. É o relatório. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 10 17 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Recurso de Ofício De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Por ocasião da decisão de primeira instância administrativa, o ato que regulamentava o dispositivo legal acima referido era a Portaria MF nº 3/2008, a qual estabelecia: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Ocorre que, atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63/2017, cujo art. 1º dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Analisandose o Auto de Infração (fl. 3), constatase que o valor do tributo somado ao encargo de multa originariamente lançados equivale a R$ 1.688.086,64. Confirase: Fl. 1466DF CARF MF 18 Já o Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR (fl. 1337) demonstra que após decisão de primeira instância administrativa, que deu parcial provimento à impugnação do contribuinte, restaram na NFLD tributo e multa que somados totalizam R$ 781.087,59: Vejase que o valor exonerado pela decisão da DRJ/RJ1, de R$ 886.999,59, inferior àquele até mesmo àquele estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, que dirá aquele da Portaria MF nº 63/2017, que deve ser observado por ocasião do julgamento por este Conselho. Por essa razão, não conheço do recurso de ofício, Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Dispositivo de Lei Declarado Inconstitucional Extraise do documento denominado Fundamentação Legal do Débito – FLD (fl. 69), que o lançamento, que tem como fato gerador a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, está fundamentado no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Confirase: CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS EM GERAL RELATIVAMENTE A SERVIÇOS QUE LHE SAO PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Competências : 12/2002, 01/2003 a 12/2003, 01/2004 a 12/2004, 01/2005 a 12/2005, 01/2006 a 06/2006 Lei n. 8.212 de 24.07.91, art. 22, IV (com a redação dada pela Lei n. 9.876 de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art.201, III (na redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). Corrobora o FLD o trecho de Relatório Fiscal a seguir reproduzido: 1. Referese a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, às contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social relativas a quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por coooperados Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 35366.000326/200757 Acórdão n.º 2402006.120 S2C4T2 Fl. 11 19 por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme a seguir exposto. 2. O crédito previdenciário aqui abrigado, teve como fato gerador, os serviços prestados e pelas cooperativas a seguir relacionadas, cujos dados dos documentos que serviram de base encontramse discriminados no Relatório de Lançamentos que faz parte desta Notificação. Cooperdata Indústria e Comércio 04.758.275/000140: dezembro de 2002 a maio de 2003 Cooperdata Coopersaalt 02.965.758/000190: dezembro de 2002 a maio de 2003 NovaCoop Nova Coopserv 02.993.259/000106: dezembro de 2002 a agosto de 2003 Junho de 2004 a junho de 2006 Cooperdata Vendas e Promoções 04.752.251/000183: dezembro de 2002 a maio de 2003 Cooperativa Policiais Militares 01.754.514/000199: maio de 2003 a setembro de 2004 Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF, em decisão unânime, tomada no RE nº 595838/SP, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo em recurso com repercussão geral. Abaixo a transcrição da ementa do julgado: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a Fl. 1468DF CARF MF 20 inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO Dje196 DIVULG 07102014 PUBLIC 0810 2014) (Grifei) Além disso, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, suspendendo a execução do dispositivo legal tido por inconstitucional pela Suprema Corte. Logo, por força das disposições contidas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF, tal decisão deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, o que impõe cancelar os lançamentos abrangidos pela presente NFLD. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício e CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1469DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.901096/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 96 /2 01 4- 89 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11040.901096/201489 Acórdão n.º 1402003.082 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 152DF CARF MF
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