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Numero do processo: 10283.002705/2004-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Preliminar acolhida.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.395
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência, suscitada pela Relatora, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Maria Lúcia Motiz de Aragão Calomino Astorga
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida. Recurso provido.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA r4.. ,,, - e . %.;,..4i.5.', .; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. - ,,... SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Ni.„ 4 ,* Processo n° 10283.002705/2004-28 Recurso n° 166.516 Voluntário Acórdão n° 2202-00.395 — 2' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria IRPF- Ex(s).: 1999 Recorrente ADILAMAR ZANY DA SILVA NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato . gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência, suscitada pela Relatora, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. N s. o n. ) . : . : - 14'14 /Z it leN , Maria £.-eA jr--- v(-(-Maria L 'eia Moniz de Ar gão 'omino Astorga - Relatora EDITADO EM: i • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). rk•N-' 2 Processo n° 10283.002705/2004-28 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.395 Fl. 2 - Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 422 a 425 - volume 3, integrado pelos demonstrativos de fls. 426 e 427 - volume 3, pelo qual se exige a importância de R$144.567,81, a título de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, ano-calendário 1998. DO JULGAMENTO DE r INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte às fls. 441 e 442 - volume 3, a 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém (PA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão ri' 01-9.034 (fls. 451 a 456 - volume 3), de 21/08/2007, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 Ementa: PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ónus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 28/12/2007 (vide AR de fl. 457 verso - volume 3), o contribuinte interpôs, em 28/01/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 459 a 465 - volume 3, expondo suas ratões de defesa para se contrapor à exigência fiscal, as quais não serão aqui minudentemente relatoriadas em virtude daquilo que se prolatará no voto deste Acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote n' 06, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administra ivo de Recursos Fiscais de 29/10/2009, veio numerado até à fl. 470 - volume 3 (última). 3 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A análise do mérito do lançamento em pauta encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, argüida de oficio por esta Conselheira por se tratar de uma questão de ordem pública. Explica-se. De se dizer de início, que o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei detennina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 49 deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Cumpre lembrar que o parágrafo 49 do art. 150 exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicando-se, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I. Uma vez que a autoridade lançadora não qualificou a multa de oficio e, portanto, não caracterizou a ocorrência de dolo fraude ou simulação, aplica-se a regra geral para o prazo decadencial prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (cinco anos da data da ocorrência do fato gerador). Como se sabe, tendo em vista o aspecto temporal, o fato gerador do imposto apurado no ajuste anual é complexivo, ou seja, se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal (um ano no caso), em um fato imponível. Assim, os rendimentos auferidos ao longo do ano-calendário (declarados ou omitidos) devem ser somados paras só então, se calcular o tributo a ser exigido. Não é o fato isolado (cada rendimento recebido ou cada omissão detectada), mas sim o conjunto de todos os fatos ao longo do período de apuração que irá constituir o fato gerador do imposto devido no ajuste anual. Desta forma, o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos rendimentos sujeitos à tributação anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o teimo final do período, para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto, nos termos da lei. A presente autuação abrange o ano-calendário 1998, cujo prazo decadencial começou a fluir em 31.12.1998, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2003 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte pessoalmente em 28/04/2004 (fl. 422 — volume 3), já havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. f" 4 .. Processo n° 10283.002705/2004-28 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.395 Fl. 3 Diante do exposto, voto por ACOLHER a preliminar de decadência, argüida de oficio por esta relatora, para extinguir o crédito tributário. Lect Maria L cia Moniz de Araw o Callmino Astorga 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARA/2 SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10283.002705/2004-28 Recurso n°: 166.516 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.395. Brasilia/DF, '7 1 JUN 23 EVELINE COÊLHO DE MEU) HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000848/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF, DECADÊNCIA,
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário,
DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações,
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO
CONTRIBUINTE,
Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9,430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal
medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte.
Recurso provido em parte,
Numero da decisão: 2102-000.490
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, a fim de que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 20,724,86; os termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF, DECADÊNCIA, O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE, Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9,430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte,
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OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE, Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9,430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Recurso provido em parte, Vistos, relatados e discutido ACORDAM os rpembros do cole provimento PARCIAL ao recur , a fim de que seja o montante de R$ 20,724,86y os termos dp voto r:V resentes autos. diado, por unanimidade de votos, em DAR lexcluído da base de cálculo do lançamento Relatora. , , GIOVP.NNI CHRIST ii) ti .. 4 , S ' ' POS - Presidentei/ //id ,0/./4Á„'..1Á ' OBERTA DE A Ali ''' w O FERREIRA AGETTI - Relatorai FORMALIZADO r , : :- (-} .._ e u 14 2 2010 Participaram do si esente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Ewan Teles Aguiar e Carlos André Rodrigues Pereira de Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 409/412 para exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, em razão da presunção de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada por ele. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos no ano de 2002. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 415/428, por meio da qual alegou que: - era empresário individual, exercendo o comércio de equipamentos de informática; - como exerce esta atividade em seu próprio nome, seus recursos são as vendas que efetua, razão pela qual apura o Imposto de Renda devido por sua empresa individual de acordo com as regras atinentes à tributação de pessoa jurídica; - os depósitos efetuados em suas contas bancárias estão todos relacionados ao exercício de sua atividade comercial. O valor movimentado em suas contas no período objeto do lançamento corresponde exatamente ao capital de giro de sua empresa; e - para a comprovação da origem destes depósitos, bastaria verificar os documentos de saída da empresa. Suscitou ainda a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento no que diz respeito aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 e abril de 2001, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado em 24 de abril de 2006. Quanto aos depósitos bancários, reitera que a origem dos mesmos está nas vendas da firma mercantil individual, Traz jurisprudência administrativa em seu favor e alega que a fiscalização não logrou comprovar que os depósitos provêm da omissão de rendimentos. Requer, ainda que os valores já declarados por ele — oferecidos à tributação - sejam deduzidos da base de cálculo do lançamento, bem como os valores relativos a cheques devolvidos. Os 2 OBERTA DE Processo n° 11516 000848/2006-49 Acórdão rt," 2102-00.490 S2-C1T2 11 2 valores declarados pela firma individual deveriam ser considerados na apuração do rendimento por ele omitido. Por fim, alega que não foi demonstrado qualquer indício ou sinal de riqueza no levantamento de sua situação patrimonial. Se fosse verdadeira a acusação de que teria auferido renda não declarada, no ano de 2000, no valor de R$ 368.151,52, afirma que seria normal ter havido algum saque importante ou aquisição de bem de valor significativo. Como isto não ocorreu, não houve demonstração de renda consumida, razão pela qual, nos termos da jurisprudência administrativa colacionada, o lançamento não poderia prosperar. No julgamento da Impugnação, os membros da DRJ em Florianópolis decidiram pela manutenção integral do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: Assunto Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou aplicação mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos alegados para elidir presunção legal relativa, aplicada pela autoridade Fiscal, demanda sua consubstanciação por via de elementos probatórios hábeis e idôneos pois, sem substrato, mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis, Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas ('iuris tantum) obrigam a autoridade .fiscal a comprovw; tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções; ao contribuinte cabe o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Inconformado, o contribuinte apresenta nova manifestação que chama de "Impugnação" (fis. 480/496), a qual foi recebida como Recurso Voluntário. Por meio dela, o mesmo repisa os termos da Impugnação originalmente apresentada, 3 Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 27.12.2006, corno atesta o AR de fls. 477, O Recurso Voluntário foi interposto em 26.01.2007 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Trata-se de lançamento para exigência de IRPF fundado na presunção de omissão de rendimentos tributáveis, nos termos do art. 42 da Lei n° 9,430/96. O Recorrente suscita uma questão preliminar sobre uma alegada decadência do lançamento no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2000 e abril de 2001 já que o lançamento somente se efetivou em abril de 2006. Tal pedido, contudo, não merece acolhida, pois o lançamento ora em exame somente contempla o IRPF cujos fatos geradores ocorreram no ano de 2002. Desta forma, considerando-se que o fato gerador deste imposto é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano, teria o Fisco o prazo para efetuar este lançamento até 31 de dezembro de 2007 (quanto a fatos geradores ocorridos em 2002). Assim sendo, não há que se falar em decadência no presente caso. Afastada a alegação de decadência do direito do Fisco, as demais razões de mérito trazidas pelo Recorrente se resumem ao pedido de que seja considerado o exercício de atividade comercial - a qual se dava através de firma individual da qual o mesmo era o sócio - corno origem para os depósitos bancários. Alega que toda a movimentação bancária de suas contas estava relacionada a esta atividade, e por isso a tributação de seus rendimentos se dava nos termos da legislação atinente às pessoas jurídicas. Para comprovar suas alegações — de que os depósitos se referiam a valores movimentados pela referida empresa individual, o Recorrente trouxe aos autos os seguintes documentos (em sede de impugnação): - Declaração de Firma Mercantil Individual (fls 458); DIRPF 2003, apresentada em 24.04.2003 (fis. 462/465), na qual está declarada entre os bens do Recorrente a firma individual citada, bem como, entre os rendimentos recebidos, valores pagos pela referida empresa; e - Comprovante de rendimentos emitido pela referida pessoa jurídica (fls. 466/467). Na análise de suas alegações e documentos, o pedido do Recorrente foi refutado pela decisão recorrida, ao entendimento de que o mesmo deixara de demonstrar o vínculo entre o exercício daquela atividade comercial e os depósitos bancários efetuados em suas contas. É o que demonstram os seguintes trechos: "O argumento aqui apresentado é meramente retórico, eis que não foram produzidos durante o procedimento fiscal nem em 4 Processo n 11516 000848/2006-49 S2-C1T2 Acórdão n,° 2102-00.490 H 3 sede de impugnação os elementos comprobatórios do alegado. Alegação genérica de que a .firma mercantil individual seria a origem dos recursos depositados nas contas bancárias não pode ser aceita, visto que a cada depósito deve corresponder a prova de origem, constituída por documentação hábil e idônea, que não foi apresentada pelo ünpugnante, motivo por que o lançamento deve ser mantido. Retorna-se, aqui, como Já esclarecido acima, à falta de comprovação do que afirma o impugnante. Nenhum demonstrativo ou documento foi apresentado que permitisse a conclusão pleiteada, de que qualquer parte do lançamento aqui analisado tenha sido tributada na firma mercantil individual. À míngua de comprovação, o argumento não pode ser acolhido" Ciente da decisão recorrida e de seus fundamentos, em sede de Recurso Voluntário o Recorrente não trouxe aos autos nenhum novo documento, limitando-se a reiterar aqueles argumentos anteriormente expostos. Com efeito, não há como acolher a sua pretensão. Por mais plausíveis que sejam os argumentos do Recorrente, ele não trouxe nenhum documento contábil da empresa que confirmasse qual a movimentação financeira da mesma durante aquele ano de 2002, de forma a comprovar — ainda que sem coincidência exata de datas e valores — que os depósitos efetuados em suas contas correspondessem realmente aos valores movimentados pela empresa. Esta prova seria essencial ao deferimento do seu pleito, e sua produção seria de seu interesse e somente a ele caberia, pois sendo o sócio da referida empresa teria ele acesso a todos os documentos necessários para tanto_ Sem estas provas, que vinculassem os depósitos à movimentação da pessoa jurídica, não há como deferir o seu pedido. Impende ressaltar ainda que a Lei n° 9.430/96 estabeleceu esta presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária„ Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicá-la, como foi feito na hipótese em exame Ainda em sua defesa, o Recorrente pugna pelo aproveitamento dos rendimentos que já foram por ele declarados para que sejam deduzidos da base de cálculo da exigência aqui em discussão. Tal pedido foi negado através da decisão recorrida, pelos seguintes motivos: "Em relação aos rendimentos já declarados, deve-se ressaltar que sua exclusão do lançamento apenas poderia viabilizar-se na hipótese de ser demonstrado, pelo impugnante, que tivessem sido parte dos depósitos sem origem comprovada, sobre os quais .foi aplicada a presunção de omissão de rendimentos.. Como tal prova não foi apresentada, forçoso é considerar-se que se trata de outros rendimentos, independentes dos tributados de oficio, o que afasta a possibilidade de ocorrência de bis in idem." No entanto, neste aspecto merece ser acolhida a pretensão recursal e reformada a decisão recorrida. Este Conselho vem decidindo de forma reiterada que os rendimentos declarados pela pessoa fisica podem e devem ser considerados corno origem para fins de apuração do TRU' devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei ri° 9.430/96. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. No caso em exame, o Recorrente declarou ter percebido no ano de 2002 o valor de R$ 4,740,00 a título de rendimentos tributáveis e R$ 15.984,86 a título de lucros (rendimentos isentos). Assim sendo, deve ser excluído da base de cálculo deste lançamento o montante total de R$ 20.724,86 Por fim, o Recorrente alega que a tributação em exame não poderia prosperar porque não houve qualquer alteração significativa em seu patrimônio, de forma que estaria claro que ele não consumiu os valores cuja omissão lhe é imputada. Quanto a este particular, é importante reiterar aqui que a tributação ora em exame é aquela prevista no art. 42 da Lei n° 9A30/96, que assim está redigido: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida .junto a instituição „financeira, em relação aos quais o titular, pessoa .fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ) Desde a edição da referida norma, existe a presunção de que os valores depositados em conta são rendimentos tributáveis — quando não comprovada a sua origem. Esta hipótese é diversa de todas as outras hipóteses de tributação por presunção até então existentes. Agora, o simples depósito (sem comprovação) já configura a omissão, pouco importando se o valor depositado será consumido em seguida ou não. Por isso, os argumentos do Recorrente neste sentido não merecem acolhida. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso, a fim de que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 20.724,86. Sala das Sessões, em 09 de março de 2010 oberta de Azer Ferreira Pagetti 6
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000800/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 e 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Presunção de rendimentos recebidos caracterizada por movimentação financeira em valor superior ao declarado. Inversão do ônus da prova.
Numero da decisão: 2101-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10907.000868/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do
Decreto nº. 70.235, de 1972.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – PRESUNÇÃO LEGAL – Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não
comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos
utilizados em tais operações. Exclui-se da exigência os depósitos cujas origens foram comprovadas.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.227
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para subtrair da base de cálculo da exigência o valor de R$ 7.940.569,87 no ano-calendário 2005. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que excluiriam também os valores informados na declaração de ajuste referente a rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 52.919,64.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – PRESUNÇÃO LEGAL – Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Exclui-se da exigência os depósitos cujas origens foram comprovadas. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido.
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MARANHÃO Recorrida DRJCURITIBA/PR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – PRESUNÇÃO LEGAL – Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Excluise da exigência os depósitos cujas origens foram comprovadas. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para subtrair da base de cálculo da exigência o valor de R$ 7.940.569,87 no anocalendário 2005. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad que excluiriam também os valores informados na declaração de ajuste referente a rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 52.919,64. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25/08/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório MAURO JOÃO SALES DE A. MARANHÃO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCURITIBA/PR (fls. 160) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 91/101, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2006, no valor de R$ 2.249.276,84, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, e, ainda, de multa isolada, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 4.746.859,61. As infrações que ensejaram a autuação foram: 1) Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; 2) Omissão de rendimentos de alugueis e royalties recebidos de pessoas jurídicas; 3) Omissãod e rendimentos caracerizada por depósitos bancários com origens não comrpovadas; 4) Falta de recolhimento de imposto devido a título de carnês leão, ensejando a exigência da multa isolada. O Contribuinte impugnou o lançamento apenas quanto à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários e a alegada divergência entre alugueis declarados em DIRF. Quanto aos depósitos bancários, contesta as conclusões da autuação sobre os precatórios como origens dos depósitos; rebate a afirmação de que os precatórios não coincidem em datas e valores com os depósitos. Afirma, assim, que parte dos depósitos teve suas origens comprovadas, com a apresentação dos precatórios de fls. 20/21, corroboradas com os créditos líquidos de imposto e de honorários efetuados nas suas contas. Diz que a importância de R$ 3.033.603,04 não se refere a depósito em dinheiro do próprio impugnante, como infere indevidamente o auto de infração, mas de conversão em dinheiro na mesma data de liquidação dos referidos precatórios judiciais, conforme recibo de depósito judicial antes referido emitido em nome de seus beneficiários. Argumenta que, sendo o impugnante cliente do Banco Itaú, instituição que, como dito, passou a ser depositária dos recursos financeiros do Estado do Paraná com a incorporação do extinto Banestado, o referido depósito judicial foi na Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10907.000868/200904 Acórdão n.º 220101.227 S2C2T1 Fl. 2 3 mesma data considerado como tendo sido feito em dinheiro, conforme comprovante de depósito em anexo, cujos favorecidos, porém, são seus clientes. O Impugnante pleiteou a exclusão do depósito identificado com o histórico "TRF DEP JUD 093410692068", no dia 16/05/2005, do Banco baú S/A, no importe de R$ 9.698,80, dizendo que o mesmo é complementação dos precatórios anteriormente mencionados. Alega que constaram indevidamente do demonstrativo de fls. 106/7 os créditos mensais a título de 'créditos cfe. instruções', pois se referem a aluguéis recebidos da empresa Parisini, por meio da administradora de imóveis HABITEC, conforme comprovantes anexo, bem como os créditos de janeiro a junho de 2005, sob a rubrica 'desbloqueio de depósito', no valor de R$ 1.350,00, cada, visto referirse a prestações de aluguéis recebidos, via Banco do Brasil, por meio da sua administradora de imóveis Compre Alugue Imóveis, comprovados pelo demonstrativo anexo. Reivindica a exclusão de R$ 69.860,58, pois correspondem "aos rendimentos líquidos da venda de soja à IMCOPA, devidamente declarados pelo valor bruto no demonstrativo da atividade rural, anexo à DIRPF/2006, no importe de R$ 71.505,20, tudo demonstrado pelas cópias da nota fiscal e de transferências bancárias em anexo". Aduz "que não foi considerado no Demonstrativo de fls. 106/7, os rendimentos mensais recebidos de pessoas físicas por seus dependentes, declarados na DIRPF/2006, na cifra de R$ 52.919,64". Alega que, considerados os valores que justificou com a impugnação, restaram como depósitos de origens não comprovadas créditos que totalizam R$ 71.835,96, que está abaixo do limite de R$ 80.000,00 estipulado no artigo 849, § 2°, II, do RIR/1999, invocando decisão administrativa que exoneraria a tributação nesse caso. Sustenta que do cotejo dos fatos descritos no auto de infração com a norma jurídica dada como infringida, verificase que não há subsunção dos fatos à norma, ou seja, as premissas em que está fundada a infração não se subsumem à figura tipificada no texto do artigo 849 do RIR/99, caput". Afirma que esmerouse em fornecer todos os documentos solicitados e "todo este imbróglio teria sido evitado caso a autoridade lançadora tivesse a cautela de analisar os vultosos cheques compensados a débito dos referidos extratos (fls. 56/61), todos nominais, a favor dos beneficiários dos precatórios. Diz que mesmo dispensado, por dever de sigilo profissional, a exibir a relação dos beneficiários do precatório, tampouco atribuir ao contribuinte o caput artigo 849 do RIR/99, o ônus de provar a destinação dos referidos recursos, o requerente entregou a relação dos autores cuja ação gerou os referidos precatórios (fls. 19), Na literal disposição do sobredito texto legal exsurge apenas o dever de o intimado demonstrar a origem dos créditos, cuja justificação, na hipótese dos autos, o impugnante se desincumbira com pleno êxito, com a documentação que estabelece o nexo causal dos mesmos com seus beneficiários. Ilidiu, assim, o intimado, ora impugnante, a presunção iuris tantum de que os créditos bancários relacionados no demonstrativo de fls. 106/7, advêm da omissão de rendimentos. Tais créditos foram efetuados na conta bancária do impugnante na qualidade de procurador judicial de terceiros, não de seu beneficiário". Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 O Impugnante ainda contesta o lançamento de R$ 2.414,34 a titulo de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, pois tal valor corresponderia à comissão paga à administradora do imóvel gerador do respectivo rendimento, conforme se vê do demonstrativo em anexo. Por fim, requer a extinção do crédito relativo à parte não impugnada, o cancelamento da exigência relativa à omissão de rendimentos oriundas dos depósitos bancários e a improcedência do crédito referente omissão de rendimentos de aluguéis, por se tratar de pagamento de comissão à administradora do imóvel. A DRJCURITIBA/PR julgou procedente em parte o lançamento para excluir da autuação R$ 2.414, 34 referente a rendimentos de alugueis e reduzir a base de cálculo do lançamento referente aos depósitos bancários com origens não comprovadas em R$ 97.448,84, com base nas considerações a seguir resumidas. Após destacar as matérias não impugnadas, a DRJ passou à análise das alegações da defesa quanto aos depósitos bancários com origens não comprovadas, cuidando, inicialmente, de ressaltar a regularidade deste tipo de lançamento, expondo os seus fundamentos legais. Quanto à comprovação das origens, acatou parcialmente as alegações da defesa, excluindo da base de cálculo alguns depósitos. Quanto à alegação de que grande parte dos depósitos apenas transitou por sua conta, mas se referem a recursos de terceiros, a DRJ concluiu que o fato alegado não restou comprovado, e destaca que o ônus de tal prova era do Contribuinte. Para maior clareza, reproduzo a seguir as considerações feitas pela DRJ a respeito dos diversos depósitos: Assim, mantêmse as exigências referentes aos depósitos de R$ 4.897.268,03, em 03/02/2005, e R$ 3.033.603,04, em 18/02/2005, seja porque em relação a parte deles ficou comprovado se tratar de rendimentos tributáveis e, quanto ao remanescente, o contribuinte não provou se tratar de valores pertencentes a terceiros, dos quais era mero detentor, como alegado. No mesmo sentido do até agora exposto, também não se acata como justificado o depósito identificado com o histórico "TRF DEP JUD 093410692068", no dia 16/05/2005, do Banco há S/A, no importe de R$ 9.698,80, em relação ao qual se alega que é complementação dos precatórios anteriormente mencionados. Nenhum documento foi trazido que o associe aos citados precatórios e, mesmo que isso tivesse sido feito, não houve a comprovação de sua devolução aos supostos proprietários. No que tange aos depósitos mensais a título de 'créditos cfe. instruções', que se afirma se referirem a aluguéis recebidos da empresa Parisini, por meio da administradora de imóveis HABITEC, conforme comprovantes de fls. 132/144, é de se acatálos. Tais aluguéis foram devidamente declarados pelo impugnante e nos comprovantes de fls. 132/144 consta expressamente a informação de crédito na conta corrente 106679X, da agência 009 do Banco do Brasil, coincidindo as datas de pagamento e os valores creditados. Quanto aos créditos de janeiro, fevereiro e maio a julho de 2005, sob a rubrica 'desbloqueio de depósito', no valor de R$ 1.350,00, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10907.000868/200904 Acórdão n.º 220101.227 S2C2T1 Fl. 3 5 cada, que alega referirse a prestações de aluguéis recebidos, via Banco do Brasil, por meio da sua administradora de imóveis Compre Alugue Imóveis, o documento apresentado (fl. 145) é insuficiente para estabelecer qualquer vínculo com citados depósitos, observandose que não há qualquer indicação da forma de pagamento, além de não haver razão plausível para que o procedimento tivesse sido adotado em determinados meses e noutros não. Quanto ao crédito de R$ 69.860,58, no dia 22/12/2005, é de se reconhecer o pleito do impugnante. Os documentos apresentados, fls. 146/149, comprovam que é oriundo do valor líquido da venda de soja à IMCOPA e foram devidamente declarados pelo valor bruto no demonstrativo da atividade rural, anexo à DIRPF/2006, no importe de R$ 71.505,20, de acordo com a nota fiscal de fl. 146. Quanto à alegação de que não foram considerados, no Demonstrativo de fls. 106/7, os rendimentos mensais recebidos de pessoas físicas por seus dependentes, declarados na DIRPF/2006, na cifra de R$ 52.919,64, não lhe cabe razão. O impugnante não trouxe qualquer documento que associe tais recebimentos aos depósitos apontados pelo lançamento. Tratase de mera alegação, sem qualquer elemento de prova. Observese que a justificação de depósitos não pode ser feita de forma genérica, mediante apontamento de rendimentos declarados. A justificação deve ser feita em relação a cada crédito, de forma individualizada, com documentação hábil e idônea. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/08/2009 (fls. 175) e, em 03/09/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 176/197, que ora se examina e no qual argúi a nulidade da decisão de primeira instância sobre a alegação de que a mesma é contraditória e extrapola a matéria posta no auto de infração e, reitera, em síntese, as demais alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, persiste o litígio na fase recursal apenas quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origens não comprovadas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 O Contribuinte se conformou com parte da autuação e a DRJ acolheu parcialmente as alegações da defesa, afastando a parte remanescente da exigência referente aos outros itens da autuação. Também com relação aos depósitos bancários com origens não comprovadas, a DRJ considerou comprovadas as origens de depósitos no valor de R$ 97.448,84, de um total de depósitos de R$ 8.160.560,77. Resta em discussão, portanto, depósitos no valor de R$ 8.063.111,93. Destes, R$ 7.930.871,00 referemse a dois créditos feitos nos dias 03/02/2005 e 18/02/2005, nos valores, respectivamente, de R$ 4.897.268,03 e 3.033.603,04. Antes de examinar as razões de mérito aduzidas pelo Contribuinte, cumpre analisar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância. O recorrente acusa a decisão recorrida de ser contraditória e de ter extrapolado as matérias em discussão do processo. De plano, verificase que a posição do Recorrente com relação à decisão atacada revela sua inconformidade e insatisfação com as conclusões desta, contudo isto não implica na nulidade da decisão, refletindo muito mais um juízo subjetivo negativo sobre o teor da peça atacada. A alegada contradição, independentemente de qualquer consideração sobre o mérito desta questão, pode ser resolvida em sede recursal, com os argumentos aduzidos na peça recursal. Já a alegação de que a decisão recorrida extrapolou as matérias em discussão, examinando detidamente o teor da peça ataca, não pude identificar tal pehca. Assim, não identifico no caso, vícios que pudessem ensejar a nulidade da decisão de primeira instância, razão pela qual rejeito a preliminar argüida. Quanto ao mérito, cumpre examinar, inicialmente, os dois depósitos de valores elevados acima referidos. Verificase que desde a Fiscalização o Contribuinte afirmou trataremse de descontos de precatórios, fato demonstrado nos autos, como reconhece a própria decisão de primeira instância no trecho a seguir reproduzido do acórdão recorrido: Nesse sentido, especificamente em relação aos depósitos de R$ 4.897.268,03, em 03/02/2005, e R$ 3.033.603,04, em 18/02/2005, o contribuinte alegou se tratar de recebimentos de valores de terceiros (ação judicial) e honorários advocatícios, oriundos de causa por ele defendida, trazendo como únicos documentos probatórios os de fls. 20/21. Esses documentos, como concluiu a autoridade fiscal, não são suficientes para sustentar as justificativas que deu para as origens dos mencionados depósitos. Não há neles nenhum elemento ou anotação que seja suficiente para associálos aos mencionados depósitos. Seja pelos seus valores, um de R$ 5.005.134,62 e outro de R$ 4.995.546,55, seja pelas datas de emissão, 13/01/2005 e 15/02/2005, respectivamente, enquanto as datas de crédito em conta corrente são 03/02/2005 e 18/02/2005. Não havia como aceitálos, na fase preparatória do lançamento, como relacionados ou suficientes à comprovação dos citados depósitos. Com a impugnação, o contribuinte trouxe à colação os documentos de fls. 129/130, os quais, a nosso ver, só então permitiram estabelecer claramente a ligação dos depósitos em questão como frutos de guias de retirada relativas a uma ação judicial, a mesma a que se referem os documentos de fls. 20/21, por fazerem menção ao mesmo autor, Zanarto Levoratto Lins, e a um mesmo processo de requisição, 478/1997, inobstante, permanecendo a divergência nos valores entre as ordens de pagamento internas (fls. 20/21) e as guias de retirada (fls. 129/130) e os créditos bancários. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10907.000868/200904 Acórdão n.º 220101.227 S2C2T1 Fl. 4 7 A partir disso, superada a questão da fundamentação legal e da origem dos recursos, cabe perquirir da natureza tributária de tais rendimentos. Observase nos documentos de fls. 129/130 que o contribuinte, apesar de não ser autor da ação, foi o beneficiário de tais retiradas judiciais. Isto é perfeitamente possível, pois, como alegado pelo contribuinte, era o advogado da causa e teria recebido os valores na condição de procurador do autor. Também admitiu que nesses créditos bancários estariam embutidos seus honorários advocatícios, perfazendo R$ 1.272.215,21 (f1.13, último parágrafo). Assim, não há qualquer dúvida de que pelo menos este montante é tributável, haja vista que se tratam de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Observase que o contribuinte declarouos como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva (fl. 06 — quadro 6), de forma equivocada. [...] Estabelecido, então, que pelo menos R$ 1.272.215,21 do total dos créditos relativos aos depósitos de R$ 4.897.268,03, em 03/02/2005, e R$ 3.033.603,04, em 18/02/2005, são rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, cumpre analisar a diferença remanescente deles, R$ 6.658.655,86 (R$ 7.930.871,07 — R$ 1.272.215,21), e verificar se logrou o contribuinte comprovar que eram valores pertencentes aos seus clientes, ou seja, se há provas inequívocas de que os devolveu aos supostos titulares. E a resposta é não. Os documentos de fls. 20/21 e 129/130 são, efetivamente, comprovações de pagamentos feitos aos autores da ação, por intermédio do impugnante, na condição de procurador deles. Segundo o impugnante, os autores usaram parte desses valores para quitar os seus honorários. Mas, por outro lado, não há nos autos nenhuma prova inequívoca que contraponha a afirmativa do lançamento de que a integralidade desses depósitos constituíram rendimentos do impugnante. Os mencionados documentos não demonstram que os valores retirados correspondiam ao total das verbas recebidas em decorrência da ação judicial, remanescendo como possível, e provável, que tais valores correspondam integralmente aos honorários advocatícios. Afinal, pelos documentos apresentados pelo impugnante, não há como precisar se os valores pagos correspondem à integralidade das verbas obtidas na referida ação judicial. Ora, resta claro, portanto, que os dois depósitos tiveram origens em descontos de precatórios; e mais, há evidências nos autos de que parte desses créditos pertencia a terceiros. Nestas condições, não há como prosperar a exigência de imposto com base na presunção legal de omissão de rendimentos do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, pela simples razão de que estão cabalmente demonstradas as origens dos depósitos e há dúvidas, inclusive, quando à titularidade dos tais valores. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 O mesmo vale para o depósito no valor de R$ 9.698,80. O próprio histórico do crédito – TRF DEP JUD 093410692068 – já denuncia a origem do depósito, como nos outros dois casos. É de se subtrair da base de cálculo, portanto, estes valores. Quanto aos depósitos restantes, não há comprovação de suas origens. A alegação de que parte deles se refere a rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas não deve ser acatada, pois não resta elementos de prova que vinculem os depósitos a tais rendimentos; também não é de se acatar a alegação quanto aos créditos feitos sobre a rubrica “desbloqueio de depósito”. É que esta rubrica diz respeito ao crédito efetivo de depósito feito anteriormente em cheque, porém, não há um crédito anterior e, portanto, não há falar em dupla contagem do mesmo valor. Isto é, o crédito efetivamente ocorre no momento do desbloqueio. Como não outros elementos que importe não afastamento de depósito além daqueles acima acatados, deve ser mantida a exigência em relação a todos os demais depósitos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para subtrair da base de cálculo da exigência, o valor de R$ 7.940.569,87. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/ 09/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 30/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002584/2003-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF - FALTA DE INTIMAÇÃO - CONTA CONJUNTA -
INOBSERVÂNCIA AO CAPUT DO ART. 42 DA LEI 9.430/96
- LANÇAMENTO FISCAL AFASTADO
Deve ser afastado o lançamento fiscal referentes as contas
con-entes cujos co-titulares não foram devidamente intimados
para comprovarem, com documentação hábil e idônea, a origem
dos depósitos bancários conforme dispbe o Art. 42 da Lei
9.430/96.
IRPF - DECADÊNCIA - FATO GERADOR COMPLEXIVO -
APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4° DO CTN
O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por
homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa
em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Para esse tipo de
lançamento, em autuação de omissão de rendimento por depósito
bancário de origem não comprovada, o qüinqüênio do prazo
decadencial tem seu inicio em 31 de dezembro, aplicando-se o
Art. 150, § 4" do CTN.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001
A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por
parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver
processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em
curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela
autoridade administrativa competente.
RETROATIVIDADE DA LEI 10.174 - SÚMULA N°35
A retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001 é inatéria pacificada
no âmbito deste Conselho corn a edição da súmula n° 35 de
aplicação obrigatória dispondo que: "o art. 11, § 3 0, da Lei IV
9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que
autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do
crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
IRPF - PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96 -
FALTA DE PROVAS - CARACTERIZAÇÃO DE
RENDIMENTOS OMITIDOS
Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de
documentos fiscais hábeis e idôneos, torna-se perfeita a
presunção legal prevista no Art.42 da Lei 9.430/96, urna vez que
os valores depositados em instituições financeiras passaram a ser
considerados receita ou rendimentos omitidos.
SÚMULA 182 DO TFR - INCABÍVEL PARA LANÇAMENTO
BASEADO NA LEI 9.430/96
A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR,
corn edição anterior ao ano de 1988, não serve como parâmetro
para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados na Lei
n° 9.430/96, a qual autoriza a presunção de omissão de
rendimentos corn base nos valores depositados em conta bancária
para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove,
mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos
utilizados nessas operações.
SÚMULA CARF N" 2 - INCONSTITUCIONALIDADES
LEGAIS - INCOMPETÊNCIA DO CARF
A arguição de inconstitucionalidade legal por parte do CARF
matéria que já foi objeto de várias discussões neste Colegiado e
hoje encontra-se sumulada. Súmula CARF n" 2: "0 CARF não
competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária."
MULTA CONF1SCATORIA - PREVISÃO NO
ORDENAMENTO JURÍDICO - APLICAÇÃO LEGAL
A aplicação de 75% de multa está de acordo com a infração
cometida, urna vez que a penalidade aplicada a cada infração
fiscal esta descrita no ordenamento jurídico tributário.
TAXA SELIC - APLICAÇÃO LEGAL - MATÉRIA SUMULADA
A aplicação da Taxa Selic é legal e trata-se de matéria sumulada
neste colegiado, conforme dispõe Súmula CARF N 2 4: A partir de
1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do
Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -
SELIC para títulos federais.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as contas cujos co-titulares não foram intimados ( contas nºs 113640-3, 300050-0 e 105452- Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que apresentará declaração de voto por negar provimento em relação as contas 113640 e 300050-0
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JANAÍNA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - FALTA DE INTIMAÇÃO - CONTA CONJUNTA - INOBSERVÂNCIA AO CAPUT DO ART. 42 DA LEI 9.430/96 - LANÇAMENTO FISCAL AFASTADO Deve ser afastado o lançamento fiscal referentes as contas con-entes cujos co-titulares não foram devidamente intimados para comprovarem, com documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários conforme dispbe o Art. 42 da Lei 9.430/96. IRPF - DECADÊNCIA - FATO GERADOR COMPLEXIVO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4° DO CTN O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, em autuação de omissão de rendimento por depósito bancário de origem não comprovada, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio em 31 de dezembro, aplicando-se o Art. 150, § 4" do CTN. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174 - SÚMULA N°35 A retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001 é inatéria pacificada no âmbito deste Conselho corn a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória dispondo que: "o art. 11, § 3 0, da Lei IV 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. IRPF - PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96 - FALTA DE PROVAS - CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de documentos fiscais hábeis e idôneos, torna-se perfeita a presunção legal prevista no Art.42 da Lei 9.430/96, urna vez que os valores depositados em instituições financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. SÚMULA 182 DO TFR - INCABÍVEL PARA LANÇAMENTO BASEADO NA LEI 9.430/96 A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR, corn edição anterior ao ano de 1988, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados na Lei n° 9.430/96, a qual autoriza a presunção de omissão de rendimentos corn base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA CARF N" 2 - INCONSTITUCIONALIDADES LEGAIS - INCOMPETÊNCIA DO CARF A arguição de inconstitucionalidade legal por parte do CARF matéria que já foi objeto de várias discussões neste Colegiado e hoje encontra-se sumulada. Súmula CARF n" 2: "0 CARF não competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." MULTA CONF1SCATORIA - PREVISÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO - APLICAÇÃO LEGAL A aplicação de 75% de multa está de acordo com a infração cometida, urna vez que a penalidade aplicada a cada infração fiscal esta descrita no ordenamento jurídico tributário. TAXA SELIC - APLICAÇÃO LEGAL - MATÉRIA SUMULADA A aplicação da Taxa Selic é legal e trata-se de matéria sumulada neste colegiado, conforme dispõe Súmula CARF N 2 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso provido.
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I 02/ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.002584/2003-28 Recurso n° 165.417 Voluntário Acórdão no 2201-00.913 — 2 Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria IRPF- Ex(s).: 1999 Recorrente ANTÔNIO DA FONSECA LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - FALTA DE INTIMAÇÃO - CONTA CONJUNTA - INOBSERVÂNCIA AO CAPUT DO ART. 42 DA LEI 9.430/96 - LANÇAMENTO FISCAL AFASTADO Deve ser afastado o lançamento fiscal referentes as contas con-entes cujos co-titulares não foram devidamente intimados para comprovarem, corn documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários conforme dispbe o Art. 42 da Lei 9.430/96. IRPF - DECADÊNCIA - FATO GERADOR COMPLEXIVO - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4° DO CTN O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, em autuação de omissão de rendimento por depósito bancário de origem não comprovada, o qüinqüênio do prazo decadencial tern seu inicio ern 31 de dezembro, aplicando-se o Art. 150, § 4" do CTN. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174 - SÚMULA N°35 \T , \ A retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001 é inatéria pacificada no âmbito deste Conselho corn a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória dispondo que: "o art. 11, § 3 0, da Lei IV 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. IRPF - PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96 - FALTA DE PROVAS - CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de documentos fiscais hábeis e idôneos, torna-se perfeita a presunção legal prevista no Art.42 da Lei 9.430/96, urna vez que os valores depositados em instituições financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. SÚMULA 182 DO TFR - INCABÍVEL PARA LANÇAMENTO BASEADO NA LEI 9.430/96 A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR, corn edição anterior ao ano de 1988, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados na Lei n° 9.430/96, a qual autoriza a presunção de omissão de rendimentos corn base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA CARF N" 2 - INCONSTITUCIONALIDADES LEGAIS - INCOMPETÊNCIA DO CARF A arguição de inconstitucionalidade legal por parte do CARF matéria que já foi objeto de várias discussões neste Colegiado e hoje encontra-se sumulada. Súmula CARF n" 2: "0 CARF não competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." MULTA CONF1SCATORIA - PREVISÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO - APLICAÇÃO LEGAL A aplicação de 75% de multa está de acordo coin a infração cometida, urna vez que a penalidade aplicada a cada infração fiscal esta descrita no ordenamento jurídico tributário. TAXA SELIC - APLICAÇÃO LEGAL - MATÉRIA SUMULADA A aplicação da Taxa Selic é legal e trata-se de matéria sumulada neste colegiado, conforme dispõe Súmula CARF N 2 4: A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso provido. \, 2 FR OLIVEIRA JUNIOR - Presidente. AINA MESQUITA LOURENQO DENSIZIZA - Relatora. EDITADO EM: 6 MAI 2011 P rocesso IV 18471.002584/2003-28 S2-C2T1 Acárdao n.° 2201-00.913 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as contas cujos co-titulares não foram intimados ( contas n's 113640-3, 300050-0 e 105452- Venc o o conselh Eduardo Tadeu Farah que apresentará declaração de voto por negar prvirn to m rela ont 3640 e 300050-0. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Assis de Oliveira Júnior, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gustavo Lian Haddad. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França. 3 Relatório 0 contribuinte em epígrafe foi autuado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano-calendário de 1998, conforme Auto de Infração de fls. 362/366. De acordo corn o Termo de Verificação Fiscal de fls. 364 o objetivo da ação fiscal foi a movimentação financeira incompatível com os rendimento declarados na DIRPF do exercício de 1999. Ainda conforme consta no referido Termo (fls. 365) intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados nas respectivas contas, o contribuinte informou "a origem dos lançamentos de crédito em suas contas é proveniente da função profissional do mesmo, corn estabelecimento á. Av. Braz de Pina, 2189 — 201 — Vista Alegre, onde recebe para seus clientes alugueres, impostos, taxas, seguros, regularização de imóveis, lavratura e registro de escrituras.. , para depois serem repassados a seus clientes...", tls. 158. A conta bancária n° 105.452-3 é conjunta com sua esposa Maria Virginia Bernardo Lopes e o contribuinte respondeu, fls. 354, que os recursos são do casal. Logo, a fiscalização tributou corn base apenas na metade dos recursos depositados. Os depósitos efetuados nas contas bancárias 113.640-3 e 300.054-0, embora abertas em conjunto corn a sua filha Ana Cristina Bernardo Lopes, o contribuinte, assumiu a titularidade dos recursos creditados nas mesmas, fls. 354. Por esse motivo o auditor fiscal de renda somou os valores totais dessas contas para efeito de tributação. Segundo planilha juntada as fls. 367 a 377, estão relacionados todos os créditos relativos as contas 1136403 (conjunta), 3000540 (conjunta), 6234591 e 6245258, cuja origem não foi devidamente comprovada. Além disso referente a Conta 105.452-3 (conjunta) os depósitos somaram R$ 2.479,42. Somando tal valor as demais contas (RS 509.894,11) o total geral foi de R$ 512.373,53. Ainda a fiscalização esclarece que, tendo em vista a natureza profissional do contribuinte (profissional liberal-advogado) e considerando-se a habitualidade em utilizar as próprias contas bancárias abertas em seu próprio nome, para movimentação de valores de clientes, os valores repassados aos locadores dos imóveis administrados pelo contribuinte (planilha "Documentos apresentados pelo contribuinte 7 Repasses dos Aluguéis", fis. 379) foram subtraidos do total de depósitos não comprovados: Total de créditos/depósitos: R$ 512.373,53, total repassado aos locadores: R$ 255.323,28, foi tributada a diferença de R$ 257.050,25. 0 contribuinte foi cientificado da autuação fiscal no dia 10/12/2003 e, inconformado, apresentou impugnação às fls. 386/403. Em analise a defesa do contribuinte a DRJ do Rio de Janeiro — RJ II jugou o lançamento procedente (fls. 911/934), de acordo corn a Ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF 4 Processo n" 18471.002584/2003-28 S2-C2T1 Fl. 3 Aeórao n.° 2201-00.913 Ano-calendário: 1998 NULIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não háque se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). NOVA REDAÇÃO DO § 3" DO ART. 11 DA LEI N° 9.311, DE 1996, DADA PELA LEI N° 10.174, DE 2001. A Lei n" 10.174, de 2001, que deu nova redação ao §3 0 do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Receita Federal, é norma disciplinadora do procedimento de fiscalização em si, e não dos fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES DOUTRINARIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete a autoridade administrativa apreciar alegações mediante juizos subjetivos, urna vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. CITAÇÕES DOUTRINARÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. .,k 5 Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juizos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência quando a sua realização revele- se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JUROS DE MORA. A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes h taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. MULTA DE OFICIO DE 75%. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo corn efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei." Devidamente notificado da decisão de primeira instância administrativa, conforme AR de fls. 935 (verso), o contribuinte ingressou coin o Recurso Voluntário de fls. 939/983, alegando: 1. Que a autoridade autuante valeu-se de informações relativas movimentação bancária quebrando o seu sigilo bancário perante ao Unibanco, a despeito de qualquer autorização judicial; 2. Que o lançamento tributário é nulo pois se baseou em informações acobertadas pelo sigilo fiscal e bancário, pois os extratos bancários foram apresentados pelo recorrente, quando intimado para tanto, mas ainda assim a fiscalização solicitou junto ao banco a microfilmagem de todos os cheques emitidos em 1998; 3. Que a quebra do sigilo bancário, autorizado pela LC 105/01 s6 poderá atingir as movimentações financeiras efetuadas após o inicio da sua vigência, ou a partir de fevereiro de 2001, sob pena de violação ao principio geral de direito da irretroatividade da lei; 4. Que ao tempo da autuação estava em vigor a redação original do § 3 0 do art. 11 da Lei 9.311/96 que impedia a utilização das informações bancárias e que a Lei 10.174/2001 alterou a redação do aludido dispositivo autorizando a Receita Federal a valer-se de informações 6 Processo n° 18471.002584/2003-2S S2-C2T1 Acórclao n.° 2201-00.913 Fl. 4 bancárias e financeiras, formal e administrativamente solicitadas aos bancos para lançamento do Imposto de Renda, cujos efeitos também não poderiam retroagir; 5. Que diferente do que alegou o v. acórdão não se tratam de normas procedimentais, mas de critérios do lançamento tributário, de conteúdo material e por isso não poderiam retroagir para atingir fatos geradores verificados antes de sua vigência; 6. Que, apesar de não ter sido alegado em P instância, há a decadência do direito de lançar o suposto valor devido a titulo de IRPF dos meses de janeiro a novembro de 1998 e que não se aplica a regra geral do fato gerador complexivo, mas sim no mês do depósito, como determina o § 4" do art. 42 da Lei 9.430/96; 7. Que reside antinomia entre o artigo 42 da Lei 9.430/96 e o § 40 do artigo 5" da Lei Complementar 105/2001 o que é possível se constatar a revogação tácita do citado antigo 42 da Lei 9.430/96 pelo §4 0 do artigo 5 0 da Lei Complementar 105/2001; 8. Que o uso das presunções em matéria fiscal sofre as limitações dos princípios constitucionais enunciados alem de não poderem modificar a matriz constitucional de incidência tributária e que não poderia o artigo 42 da Lei 9.430/96 eleger "receita ou rendimento" à condição de "renda" que já tern definição em lei complementar material (Art. 43 do CTN); 9. Que não se pode perder de vista que os extratos e depósitos bancários não podem servir de fundamento para o lançamento tributário, nos termos da Súmula 182 do TFR; 10. Que os depósitos bancários, por si só, não representam disponibilidade económica ou jurídica de renda e não constituem fato gerador do imposto de renda nos termos do art. 43 do CTN e que servem apenas como indícios que se devem acrescer outros elementos suscetíveis de configurarem renda ou proventos, nos termos dos arts. 43 a 45 do CTN, citando jurisprudências e doutrinas; 11. Que a presunção prevista no Art. 42 da Lei 9.430/96, dispositivo com base no qual foi efetuado o lançamento viola o disposto (i) no art. 143, III, da CF, que prevê a necessidade da lei complementar para a definição dos fatos geradores dos impostos discriminados na Carta Magna; (ii) no art. 43 do CTN que define o fato gerador do IR e (iii) no art. 150, I da CF e no art. 97, IV do CTN, que consagram o principio da legalidade estrita já que é inadmissível a tributação baseada em simples presunção e não na prova cabal da disponibilidade jurídica e econômica da renda, o que não se verifica destes autos; 12. Que a Súmula n" 2 do 1° CC refere-se, tão somente, inconstitucionalidade da lei tributária, sendo de competência do órgão o exame da legalidade da norma e que cabe ao Poder Executivo tanto quanto ao possui o Judiciário, de zelar pelo fiel cumprimento da Constituição e, nesta função, inclui-se o dever de deixar de. aplicar normas evidentemente ilegais; 13. Que os julgadores administrativos não são meros aplicadores automáticos de normas legais, incapazes de avaliar o seu conteúdo. Muito pelo contrário, justamente da valoração do conteúdo das normas em vista dos fatos é que se torna possível o julgamento das questões e isso implica, necessariamente, o exame da legalidade; 14. Que o recorrente é profissional liberal, que exerce na cidade do Rio de Janeiro há mais de 30 anos as atividades de advocacia, administração de bens, corretagem de imóveis e corretagem de seguros, conforme faz prova nos autos; 15. Que na qualidade de administrador no ano-calendário de 1998, recebeu dos inquilinos dos imóveis que administra quantias relativas a aluguéis, IPTU e taxas diversas para posterior repasse aos locadores de imóveis. Além disso, no exercício de sua atividade de advogado, recebeu de seus clientes valores para posterior pagamento de DARF 's e GRERJ's, emolumentos de Ofício de notas, Registro de Imóveis, ITD e ITBI relativos a processos judiciais que patrocinara. Por fim, o recorrente, como corretor de seguros, com freqüência recebia quantia de seus clientes para posterior quitação de prêmios, o que também fazia através de cheques do Unibanco; 16. Que desde que sofreu a ação fiscal, tentou de todas as forums efetuar o levantamento dos contratos de prestação de serviços em vigor no ano de 1998, corn vistas a comprovar os valores recebidos em nome de terceiros e posteriormente repassados a seus titulares ou então utilizados para pagamentos em nome destes, eis que indubitavelmente tais depósitos não constituem renda do recorrente, logo, não poderiam ser tributados pelo IRPF; 17. Que devido a sua falta de experiência na área fiscal, e como não possuía, à época, o Livro Caixa que ajudaria em muito na busca efetuada, o recorrente apenas conseguiu comprovar o valor de R$ 255.323,28 repassado aos locadores, que foi devidamente abatido da autuação pela autoridade autuante; 18. Que após a lavratura do auto de infração, o recorrente conseguiu entrar em contato com outros antigos locadores e clientes, obtendo as declarações que comprovam o recebimento do dinheiro en-i nome de • terceiros e o efetivo repasse, no total de R$ 136.456,61, conforme planilha e documentos anexados à impugnação fiscal e que deve ser afastado da autuação; 19. Que os valores depositados, cuja origem e destino foram devidamente comprovadas pelo recorrente, ou seja, importâncias depositadas por terceiros (geralmente inquilinos) e repassadas aos seus clientes, corno atestam as declarações anexadas ao processo, foram excluídos da autuação fiscal o que é inadmissível; 8 Processo 1847L002584/2003-28 S2-C2T1 FL 5 AcOrddo n.° 2201-00.913 20. Que foi afastada sem a menor fundamentação a alegação de bis in idem corn relação ao depósito de R$ 18.350,00, que se encontra relacionado as fls. 04 do auto de infração e que foi também tributado corno depósito na Conta 624525-8; 21. Que na impugnação fiscal existem muitos pagamentos efetuados pelo recorrente, através de cheques do Unibanco, com quantias que lhe foram entregue por terceiros e em beneficias de seus clientes, que o recorrente não conseguiu comprovar num primeiro momento. E em nome da verdade material o feito seja baixado em diligência para que sejam colhidas informações junto as pessoas jurídicas referidas na peça de impugnação, UAP SEGUROS, BANERJ SEGURADORAS, SUL AMÉRICA SEGUROS, UNIBANCO, SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA e ao CARTÓRIO DO 8° REGISTRO DE IMÓVEIS, que poderão confinnar que os cheques emitidos, listados na impugnação, foram destinados a pagamentos em nome e em beneficio de terceiros, tendo em vista a atividade exercida pelo contribuinte; 22. Que pelos amplos fundamentos acostados é ilegal a aplicação da SELIC sobre débitos tributários; 23. Que a multa fixada no patamar de 75% tem caráter confiscatório; 24. Por fim, requer seja reconhecida a improcedência da autuação fiscal. É a síntese do necessário. 9 Voto Conselheira JANAINA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ do Rio de Janeiro que confirmou o Auto de Infração de fls. 362/366, lavrado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano-calendário de 1998. 0 Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Vale esclarecer que a ciência da decisão "a quo" se deu em 14/12/2007, conforme AR de tis. 935 (verso), e o contribuinte ingressou com o Recurso Voluntário de fls. 939/983 no dia 15/01/2008. Dia 14 de dezembro de 2007 caiu na sexta-feira, portanto, começou a fluir o prazo de 30 dias a partir de segunda-feira, dia 17 de dezembro de 2007. Portanto, o Recurso foi apresentado no prazo legal que se encerrou no dia 15 de janeiro de 2008, data do protocolo do mesmo. Profissional Liberal O recorrente alega ser profissional liberal, que exerce na cidade do Rio de Janeiro há mais de 30 anos as atividades de advocacia, administração de bens, corretagem de imóveis e corretagem de seguros. Afirma, ainda, que na qualidade de administrador no ano-calendário de 1998, recebeu dos inquilinos dos imóveis que administra quantias relativas a aluguéis, IPTU e taxas diversas para posterior repasse aos locadores de imóveis. Além disso, no exercício de sua atividade de advogado, recebeu de seus clientes valores para posterior pagamento de DARF's e GRERJ's, emolumentos de Oficio de notas, Registro de Imóveis, ITD e ITBI relativos a processos judiciais que patrocinara. Por fim, o recorrente, corno corretor de seguros, com freqüência recebia quantia de seus clientes para posterior quitação de prêmios, o que também fazia através de cheques do Unibanco. Esclarece que desde que sofreu a ação fiscal, tentou de todas as formas efetuar o levantamento dos contratos de prestação de serviços em vigor no ano de 1998, corn vistas a comprovar os valores recebidos em nome de terceiros e posteriormente repassados a seus titulares ou então utilizados para pagamentos em nome destes, eis que indubitavelmente tais depósitos não constituem sua renda, logo, não poderiam ser tributados pelo IRPF. Abaixo segue analise das razões de recurso do recorrente. Decadência O recorrente a fi rma que, apesar de não ter sido alegado em la instância, há a decadência do direito de lançar o suposto valor devido a titulo de IRPF dos meses de janeiro a novembro de 1998 e que não se aplica a regra geral do fato gerador complexivo, mas sim no mês do deposito, corno determina o § 4 0 do art. 42 da Lei 9.430/96. De fato lid divergências com relação a matéria. Todavia nesta Turma de julgamento entende-se tratar de fato gerador complexivo conforme segue. 1 0 Processo n 0 I 8471.002584/2003-28 S2-C2T1 AcOrao n.° 2201-00.913 Fl. 6 A decadência prevista para os tributos tidos por homologação encontra respaldo no Art. 150, § 4' do Código Tributário Nacional, que dispõe que a Fazenda Pública possui 5 anos para constituir o crédito tributário, sendo contado da ocorrência do fato gerador, conforme pode se depreender do texto legal abaixo transcrito: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 12 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ('grifo nosso) § Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores cst homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 32 Os atos a que se refere o parcigralb anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 42 Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) CMOS', a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grub nosso) 0 entendimento predominante desse Colegiado administrativo é de que os rendimentos mensais são meras antecipações do imposto de renda e não pagamentos definitivos, de modo que a lei ao determinar que o imposto é devido mensalmente, cabendo ao contribuinte apurar e recolher, estão sujeitos ao ajuste anual, constituindo-se antecipações da Declaração de Ajuste. Portanto, o pagamento antecipado definido no § 10 do Art. 150 corresponde a uma parte cujo montante somente é apurado no final do ano calendário. Assim o judiciário decidiu no REsp 584.195/PE: "o conceito de renda envolve necessariamente um período, que, conforme determinado na Constituição Federal, é anual. Mais a mais, é complexa a hipótese de incidência do ahtdido imposto, cuja ocorrência dá-se apenas ao final do ano-base, quando poderá se verificar os últimos dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo". Contudo, ao imposto de renda das pessoas fisicas aplica-se a contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador que é anual, apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário. Não ha que se cogitar operações decaidas no presente processo uma vez que o fato gerador para os depósitos bancários é anual e não mensal como alegado pelo recorrente, de modo que afasto a arguição de decadência. Sigilo Fiscal O recorrente alega que a quebra do sigilo bancário, autorizado pela LC 105/01 só pode atingir as movimentações financeiras efetuadas após o inicio da sua vigência, ou a 1 1 partir de fevereiro de 2001, sob pena de violação ao principio geral de direito da inetroatividade da lei. Todavia, os extratos bancários foram apresentados pelo recorrente, quando intimado para tanto. A fiscalização somente solicitou junto ao banco a microfilmagem de todos os cheques emitidos em 1998. Na verdade a informação foi fornecida pelo contribuinte, o fisco somente complementou o que já estava informado nos extratos bancários. Ademais, cabe aduzir, ainda que a partir da Lei Complementar 105, de 10/01/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, tal procedimento por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários dos Entes Federados possui amparo legal, de acordo com o Art. 6", in verbis: "Art. 6" As autoridades e os agentes .fiscais tributários da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações .financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Portanto não acato tal arguição do recorrente. Retroatividade da Lei 10.174/2001 Quanto a. utilização dos dados da CPMF corn base na Lei n" 10.174, de 2001, a matéria já está pacificada no âmbito deste Conselho com a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória que estabelece: 0 art. 11, ;;' 3", da Lei N" 9.311/96, com a redação dada pela Lei N" 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição cio crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Nulidade do Auto de infração A acusação fiscal de omissão de rendimento baseada em depósitos bancários de origem não comprovada está tipificada no Artigo 42 da Lei 9.430/96 e trata-se de uma presunção legal que deve ser rigorosamente aplicada para que seja caracterizada a infração fiscal de omissão de rendimento. Senão vejamos o caput do Artigo 42 do cita diploma legal: "Art.42.CaracterLam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados el11 conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jilt-Mica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Portanto, conforme preconiza o dispositivo legal, deve ser afastado o lançamento fiscal referentes as contas correntes cujos co-titulares não foram devidamente intimados para comprovarem, com documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários. '12 Processo n° 38471.00258412003-28 Acórdão n.° 2201-00.913 S2-C2T1 Fl. 7 Esta questão já foi bastante discutida neste Colegiado administrativo com intensidade tamanha a ser ratificada através de uma Súmula CARF, nos termos que segue: Sániiila CARE .1V-=! 29 Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede lavratura do auto de infração coin base na prestou cão legal de 0177iSSa0 de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Retornando à analise deste caso concreto, observa-se que a conta bancária n° 105.452-3 é conjunta do recorrente corn sua esposa Maria Virginia Bernardo Lopes e o sobre esta questão contribuinte respondeu, as fls. 354, que os recursos são do casal. Logo, a fiscalizado tributou com base apenas na metade dos recursos depositados. Contudo, tal entendimento não é o melhor de acordo corn que a legislação estabelece. Ou seja, a esposa, co-titular da conta IV 105.452-3 deveria ter sido intimada para justificar a origem dos depósitos bancários ou se manifestar sobre os mesmos. Ainda, quanto as contas bancárias 113.640-3 e 300.050-0, também havia a co- titularidade da filha Ana Cristina Bernardo Lopes, todavia o contribuinte, assumiu a titularidade dos recursos creditados nas mesmas, as fls. 354. Por esse motivo o auditor fiscal de renda somou os valores totais dessas contas para efeito de tributação. Do mesmo modo entendemos que a filha, co-titular de duas contas bancárias, deveria ter sido intimada de acordo com a legislação, ratificada pela Súmula CARF n° 29. Segue trecho do Termo de Verificação Fiscal, fls. 365: "A conta bancária n" 105.452-3 é conjunta com sua esposa Maria Virginia Bernardo Lopes e o contribuinte respondeu, fls. 354, que os recursos são do casal. Logo, apenas a metade dos recurso foi atribuida ao contribuinte ora fiscaliaulo. Os depósitos efetuados nas contas bancárias 113.640-3 e 300.050-0, embora abertas eta conjunto com a sua filha Ana Cristina Bernardo Lopes, o contribuinte assumiu a titularidade dos recursos creditados nas niesmas, 354. Por esse motivo, foram somados os valores totais dessas contas." Para os dois casos acima, tanto na conta em conjunto corn a esposa, quanto nas contas conjuntas corn a filha, verifica-se nos autos que não há intimação dos co-titulares. Portanto, devem as contas correntes serem afastadas da autuação fiscal, pois o lançamento com relação as mesmas é nulo. Segundo planilha juntada as fls. 367 a 377, estão relacionados todos os créditos relativos às contas 1136403 (conjunta), 3000500 (conjunta), 6234591 e 6245258, cuja origem não foi devidamente comprovada. Além disso, referente a Conta 105.452-3 (conjunta) os depósitos somaram R$ 2.479,42. Somando tal valor as demais contas (R$ 509.894,11) o total k geral foi de R$ 512.373,53. \<._ 13 De acordo corn os demonstrativos de fls. 367 e seguintes: C/C 113640-3 Total de depósitos R$ 6.860,81 C/C 300050-0 Total de depósitos R$ 471.770,05 C/C 105452-3 Total dos depósitos R$ 2.479,42 (50%) R$ 1.239,71 TOTAL R$ 479.870,57 Base de Cálculo R$ 479.870,57 (-) R$ 255.323,28 = R$ 224.547,29 Portanto, deve ser excluído da base de cálculo do presente lançamento fiscal o valor de R$ 224.547,29 Mérito - Omissão de Rendimento - Depósito Bancário Presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 Quanto ao que remanesceu do presente Auto de Infração, cabe destacar que o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra urna presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Esse dispositivo legal atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos. A legislação complementar autoriza a incidência do imposto de renda sobre base presumida, conforme artigo 44 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.'' Assim, em sede de julgamento administrativo conclui-se que o lançamento baseado na presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não ofende a legislação do imposto de renda, pois ela própria alberga a previsão utilizada pela autoridade lançadora de tributar os depósitos bancários sem origem comprovada como rendimentos presumidamente omitidos. "Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição ,financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, .regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §I° 0 valor cicis receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2Q- Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos \A • 14 Processo tl° 8471.002584/2003-28 S2-C2T1 Acórdao n." 2201-00.913 Fl. 8 §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferéncias de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de RS 80.000,00 (oitenta mil reais). 4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no més que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente á época em que tenha sido efetuado o crédito pela instiudção financeira." Portanto, o ônus da prova é cabível ao contribuinte que não logrou provar a origem dos depósitos bancários apontados na autuação fiscal e por se tratar de urna autuação meramente baseada em matéria de prova todos os demais argumentos do contribuinte cai por terra por não passarem de meras alegações sem força probante para ilidir o trabalho fiscal. Súmula 182 do TFR Foi suscitada pelo recorrente a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso - TFR, corn edição anterior ao ano de 1988, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados na Lei n° 9.430/96, a qual autoriza a presunção de omissão 'de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula 2 do CARF O recorrente alega que a Sumula n° 2 do 1° CC refere-se, tão somente, inconstitucionalidade da lei tributária, sendo de competência do órgão o exame da legalidade da norma. Também, aduz que os julgadores administrativos não são meros aplicadores automáticos de normas legais, incapazes de avaliar o seu conteúdo. Muito pelo contrário, justamente da valoração do conteúdo das normas em vista dos fatos é que se torna possível o julgamento das questões e isso implica, necessariamente, o exame da legalidade. O fato é que a matéria já foi objeto de várias discussões neste Colegiado e hoje encontra-se sumulada, portanto afasto qualquer arguição sobre a mesma, avocando o Súmula CARF IV 2 abaixo transcrita: O CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ilegalidade da Selic A matéria encontra-se sumulada neste CARF, portanto afasto qualquer questionamento sobre a mesma. Sitmn ula CARF I\IL' 4 15 A partir de 12 de abril de 1995, os juros momtérios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil silo devidos, no período c/c inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIG para títulos federais. Multa confiscatOria A aplicação de 75% de multa está de acordo com a infração cometida, uma vez que a penalidade aplicada a cada infração fiscal esta descrita no ordenamento jurídico tributário. Pelo exposto, o voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir as contas cujos co-titular do ram intimados (contas n°s 113640-3, 300050-0 e 105452-3). JANA A MES U1T-A' LOURENQO DE SOUZA 16 Processo n° 18471.002584/2003-28 S2-C2T1 Acórcifio n.° 2201-00.913 Fl. 9 Declaração de Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH Não obstante brilhante voto proferido pela insigne relatora, Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza, peço vênia para discordar de um ponto, mais precisamente sobre a intimação aos co-titulares para a comprovação da origem dos depósitos bancários. 0 art. 42 da Lei n° 9.430/1996, prescreve: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores reeditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hail e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê, havendo co-titularidade em contas de depósitos, a fiscalização deve intimar cada co-titular para comprovar a origem dos depósitos bancários na fase que precede a lavratura do auto, sob pena de nulidade da exigência. A intimação aos co-titulares tem por objetivo, fundamentalmente, a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos numerários havidos na conta conjunta, sobretudo na parte que cada qual possuía o controle. Todavia, nas hipóteses em que o real responsável pelos depósitos bancários assume, perante o Fisco, a integralidade da movimentação bancária, penso que a intimação ao segundo titular mostra-se completamente sem propósito, posto que apenas o titular de fato capaz de identificar e comprovar a origem dos créditos. Isto ocorre, normalmente, no caso em que o marido constitui urna conta conjunta corn a esposa, para que esta realize saques em sua ausência, contudo, todos os créditos bancários são efetuados por ele. Assim sendo, o mínimo de observância ao principio da verdade material impõe à autoridade fiscal o dever de investigar se a declaração é procedente e, caso positivo, intimar apenas ó titular de fato a comprovar a origem dos créditos havidos na conta corrente. Portanto, o crédito tributário deve ser efetuado apenas em relação ao contribuinte que de fato movimentou a conta, conforme se constata da jurisprudência deste Conselho Administrativo: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA INDIVIDUAL DE FATO - No caso de omissão de receitas identificada com base em depósitos em conta bancária comprovadamente individual de .fato, embora registrada como conjunta, a integralidade do valor das receitas será imputado ao 17 EDUARD OlADEU FARA titular de fato, ou seja, aquele que efetivamente possuía o controle da movimentação bancária. (Acórdão 2201-00,849) No presente caso as contas bancárias n° 113640-3 e n° 300050-0 são individuais de fato, embora registradas corno conjuntas, por conseguinte, a integralidade do valor das receitas destas contas deverá ser imputada ao titular de fato, ou seja, aquele que efetivamente possuía o controle da movimentação bancária sendo, consequentemente, despiciendo a intimação do segundo titular que comprovadamente nada sabe sobre a aludida movimentação. Não se pode perder de vista que, no caso em apreço, a ausência de intimação ao segundo titular não ocasionou qualquer prejuízo a defesa, posto que foi o próprio recorrente que assumiu, perante a fiscalização, a titularidade dos depósitos bancários. 18 Processo n' 18471.002584/2003-28 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.913 Fl. 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo 18471.002584/2003-28 Recurso n° : 165.417 1.1.1 TERMO DE INTIMA (;i0 Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto A. Segunda Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.913 Brasilia/DF, (assinatura digital) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seca) Ciente, com a observação abaixo: ) Apenas corn ciência ) Com Recurso Especial ( ) Coin Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 913 19
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002037/2004-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa: IRPF. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS DE PEQUENO VALOR. Na apuração de omissão de rendimentos com base na presunção legal, a partir de depósitos bancários com origens não comprovadas, excluem-se os depósitos de valores individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,0, desde que estes não totalizem, no ano, R$ 80.000,00.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.494
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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PEREIRA Recorrida DRJRIO DE JANEIRO/RJ II Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: IRPF. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEPÓSITOS DE PEQUENO VALOR. Na apuração de omissão de rendimentos com base na presunção legal, a partir de depósitos bancários com origens não comprovadas, excluemse os depósitos de valores individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,0, desde que estes não totalizem, no ano, R$ 80.000,00. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 09/02/2012 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório CARLOS ALBERTO DE J. RAYMUNDO A. PEREIRA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 90) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 21/25, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2000, no valor de R$ 23.090,00, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 58.380,75. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origens não comprovadas, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, em 29/04/2004, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OBS: O contribuinte em resposta ao nosso Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 29/04/2004, comprovou a origem de depósitos bancários, realizados em julho/1999, no valor total de R$ 46.000,00, através de uma Escritura Pública registrada no Livro 4575, fls. 133, do 14o Oficio de Notas, de Rescisão de uma Promessa de Compra e Venda de Imóvel, cuja existência não foi indicada em sua Declaração de Imposto de Renda. Portanto, caracterizase, também, nos termos do art. 849, parágrafo 1º, II, do RIR/1999, como omissão de rendimentos. O contribuinte, em resposta a referida intimação, relacionou alguns valores de depósitos bancários que por estarem compatíveis, NO LIMITE, com o valor total dos Rendimentos Declarados, não consideramos como omissão de rendimentos. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os depósitos realizados nos dias 14/07/1999 e 30/07/1999, ambos no valor de R$ 23.000,00 referemse a doação recebida de seu pai Eduardo Alberto Araripe Pereira, e que foi declarado na Declaração de Ajuste Anual Simplificada; que os depósitos considerados como omissão de rendimentos pela Fiscalização, nos meses de agosto, setembro, novembro de dezembro, foram efetuados por empresa da qual é sócio, Distribuidora Kadu de Alimentos Ltda., para a aquisição de produtos em mercados como o Ceasa e de pescados diretamente do produtor e, portanto, pertenceriam à referida empresa. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a alegada origem dos depósitos nos valores de R$ 23.00,00 cada um, a DRJ observa que embora a doação tenha sido declarada o fato não é suficiente para comprovar a origem dos depósitos, destacando que não há coincidência entre os valores da doação e dos depósitos; ademais, observa que não foram apresentados comprovantes dos depósitos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 18471.002037/200423 Acórdão n.º 220101.494 S2C2T1 Fl. 2 3 Sobre os depósitos que teriam origem na transferência de recursos da empresa da qual é sócio, a DRJ registra que nada foi apresentado para comprovar o fato alegado, sendo mera alegação sem provas. Por fim, a turma julgadora de primeira instância ressalta a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários com origens não comprovadas e conclui que, como, regularmente intimado, o Contribuinte não comprovou as origens dos depósitos, restou caracterizada a omissão de rendimentos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 30/11/2007 (fls. 96) e, em 27/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 107/109, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como de colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários com origens não comprovadas. A base de cálculo do lançamento é R$ 88.200,00 e segundo o relatório fiscal este valor é constituído por dois depósitos no valor de R$ 23.000,00 cada um, e mais cinco depósitos no seguintes valores: R$ 11.000,00, R$ 6.000,00, R$ 10.000,00, R$ 7.200,00 e R$ 8.000,00. Ocorre que no termo de verificação fiscal a própria autoridade lançadora reconhece que os dois depósitos de R$ 23.000,00, no total de R$ 46.000,00, tiveram suas origens numa operação de imobiliária, inclusive registrada em cartório, porém como a operação não fora informada na declaração, a autoridade lançadora concluiu que estaria caracterizada a omissão de rendimentos e considerou os dois depósitos na base de cálculo do lançamento. Mas o que determina o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é que o Fisco pode presumir ter origem em omissão de rendimentos depósitos cujas origens não sejam comprovadas, a saber: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou d investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, se as origens dos depósitos estão devidamente comprovadas, não há falar em omissão de rendimentos. Se o Contribuinte não declarou a operação imobiliária em questão, como contatou a Fiscalização, poderia, se fosse esse o caso, ser exigido eventual diferença de imposto com base na legislação específica aplicável, jamais, porém, pode ser exigido o imposto com base em presunção quando a origem do depósitos estiver comprovada. Devem ser afastados, portanto, os dois depósitos no valor cada um de R$ 23.000,0. Retirandose estes depósitos, todos os demais são de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 e totalizam menos de R$ 80.000,00. Aplicável, portanto, ao caso, o disposto no § 3º, II do art. 42, acima reproduzido, com a redação que lhe deu o art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 18471.002037/200423 Acórdão n.º 220101.494 S2C2T1 Fl. 3 5 Afastase, portanto, a presunção de omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 18471.002037/200423 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.494. Brasília/DF, 09 de fevereiro de 2012 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 19515.002985/2004-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO CONFIGURADA.
O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma."
O aresto embargado considerou que somente houve retenção na fonte decorrente de aplicações financeiras.
Entretanto, verifica-se que, em verdade, a embargante antecipou parte do pagamento relativo ao imposto devido por meio de Carnê Leão, conforme consta na declaração de ajuste anual simplificada (fls. 3/4).
Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dá-se no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 26/01/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999.
Portanto, a omissão deve ser suprida no sentido de reconhecer como antecipação de pagamento os pagamentos realizados em Carnê Leão.
Embargos acolhidos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reratificar o acórdão embargado para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO CONFIGURADA. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." O aresto embargado considerou que somente houve retenção na fonte decorrente de aplicações financeiras. Entretanto, verificase que, em verdade, a embargante antecipou parte do pagamento relativo ao imposto devido por meio de Carnê Leão, conforme consta na declaração de ajuste anual simplificada (fls. 3/4). Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004 Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 26/01/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Portanto, a omissão deve ser suprida no sentido de reconhecer como antecipação de pagamento os pagamentos realizados em Carnê Leão. Embargos acolhidos. Recurso especial negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 85 /2 00 4- 78 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para reratificar o acórdão embargado para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório O contribuinte apresentou Embargos Declaratórios face ao Acórdão n.º 9202 01.964, proferido pela 2ª turma da CSRF em 15 de fevereiro de 2012. Segue abaixo a ementa da decisão embargada: “TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, referentes ao ano calendário de 1999. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002985/200478 Acórdão n.º 9202002.774 CSRFT2 Fl. 6 3 A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário Na declaração de ajuste anual (fls. 3/4) constam rendimentos com tributação exclusiva, que de acordo com a Recorrida, referemse a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras que mantinha, que já seriam suficientes para caracterizar a antecipação do tributo. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Portanto, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual (fls. 3/14). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 26/01/2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido.” Afirma o embargante que em sua declaração de rendimentos do ano calendário de 1999, acostada aos autos as fls. 3/4, consta a antecipação de parte do pagamento relativo ao imposto devido. Ressalta que tal pagamento não é referente a imposto retido na fonte de operações/aplicações financeiras, como afirmado no aresto embargado, visto que tais valores sequer figuram ou figuravam na declaração de ajuste por serem definitivos e não comportarem quaisquer deduções. Nesse ponto, entende caracterizado erro material, omissão, contradição e obscuridade na fundamentação do acórdão embargado. Alega que, fosse a prova dos autos devidamente analisada, verseia que havendo a antecipação do tributo a homologar, estaria caracterizada a decadência prevista no art. 150 do CTN. Ao final, requer o provimento dos seus embargos. Nos termos do Despacho s/n de 27/08/12, admitiuse os embargos interpostos. Eis o breve relatório. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 65, prevê a possibilidade de interposição de embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Mediante análise dos autos, vislumbro a omissão apontada. De fato, o aresto embargado considerou que somente houve retenção na fonte decorrente de aplicações financeiras: "Na declaração de ajuste anual (fls. 3/4) constam rendimentos com tributação exclusiva, que de acordo com a Recorrida, referemse a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras que mantinha, 'd seriam suficientes para caracterizar a antecipação do tributo." Entretanto, verificase que, em verdade, a embargante antecipou parte do pagamento relativo ao imposto devido por meio de Carnê Leão, conforme consta na declaração de ajuste anual simplificada (fls. 3/4). Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1999 dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004 Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 26/01/2005, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999. Portanto, a omissão deve ser suprida no sentido de reconhecer como antecipação de pagamento os pagamentos realizados em Carnê Leão. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada e reratificar o acórdão n° 920201.964, passando a NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 755DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002985/200478 Acórdão n.º 9202002.774 CSRFT2 Fl. 7 5 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.011470/2004-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
IRPF. DECADÊNCIA.
O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Como houve pagamento antecipado do IRPF, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DA CONTA DA PESSOA FÍSICA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL.
Incabível o lançamento tributário, com base no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando restar comprovado que a conta da pessoa física foi utilizada para movimentar recursos da atividade empresarial.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Numero da decisão: 2201-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, relativamente ao ano-calendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE 5.213.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Como houve pagamento antecipado do IRPF, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DA CONTA DA PESSOA FÍSICA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. Incabível o lançamento tributário, com base no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando restar comprovado que a conta da pessoa física foi utilizada para movimentar recursos da atividade empresarial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Como houve pagamento antecipado do IRPF, o crédito tributário é atingido pela decadência, após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DA CONTA DA PESSOA FÍSICA NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. Incabível o lançamento tributário, com base no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando restar comprovado que a conta da pessoa física foi utilizada para movimentar recursos da atividade empresarial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 14 70 /2 00 4- 67 Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência, relativamente ao anocalendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Schubert de Farias Machado, OAB/CE 5.213. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 09/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 1999, 2000, 2001, 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/15, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.299 835,77, calculados até 30/11/2004. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese: (a) decadência em relação ao ano de 1999; (b) invalidade da quebra do sigilo fiscal; (c) invalidade do Auto de Infração, tendo como fundamento os depósitos bancários; (d) inexistência do fato gerador do IRPF; (e) duplicidade de tributação na movimentação de recursos em conta bancária; (f) isenção de IRPF nas retiradas de sócios; (g) necessidade de perícia técnica para definir o que são recursos próprios e recursos de terceiros. Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 3 3 A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Omissão de rendimentos. Lançamento com base em depósitos bancários. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Ônus da prova. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Lançamento com base em depósitos bancários. Exclusão. A presunção de omissão de rendimento do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada pelo contribuinte, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Depósitos bancários. Titularidade. Somente se aplica o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a terceiros. Quebra de sigilo bancário. Lei complementar nº 105/2001. Regularidade. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar nº 105 e Decreto nº 3.724, ambos de 2001. Decisões administrativas. Efeitos. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Decadência. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pedido de perícia. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Lançamento Procedente em Parte Citase, outrossim, a conclusão do julgamento: Ante o exposto e tendo em vista que a contribuinte logrou comprovar parte dos depósitos objeto da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, devese recalcular o valor do imposto de renda pessoa física devido, conforme a seguir demonstrado: (...) Assim, VOTO no sentido de rejeitar o pedido de perícia e a preliminar suscitada e, no mérito, declarar procedente em parte o lançamento para considerar devido o imposto de renda pessoa física, referente aos anoscalendário de 1999 a 2002, nos valores de R$ 3.873,33, R$ 104.384,56, R$ 208.968,83 e R$ 177.178,79, respectivamente, sobre os quais incidirá multa de ofício de 75% e juros de acordo com a legislação pertinente. Cientificada da decisão de primeira instância, Lara Maria Mores de Vasconcelos apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi incluído na pauta de 04 de março de 2009 e os membros da antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiram converter o julgamento em diligência, conforme se observa dos fundamentos expostos: Prossegue seu desiderato afirmando que há muitos documentos que coincidem com os saques feitos nas contas em datas e valores. Reiterando que não juntou toda documentação porque, sendo esta muito volumosa, pretendeu fazer apenas uma amostragem, que demonstrasse serem os valores pertencentes às pessoas jurídicas. Para roborar sua tese anexa, ao recurso, duas planilhas, sendo que a primeira contém a relação de notas fiscais emitidas por Acrílico Comércio e Representações e Amitaf Comércio de Confecções e Presentes Ltda e a segunda, contendo relação de pagamentos feitos em benefício das citadas pessoas jurídicas, a partir das contas correntes objeto da autuação. Compulsandose os autos no cotejo com a documentação carreada por ocasião do Recurso Voluntário, não há como firmar convicção em relação à origem dos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes do Banco Real e Banco Itaú. Em contrapartida, a contribuinte argumenta que é possível comprovar que toda origem dos recursos é proveniente das pessoas jurídicas e que os referidos valores já foram anteriormente tributados. Nestes termos, fazse necessário que se converta o julgamento em diligência para a confirmação de alguns pontos, especialmente trazidos em sua peça recursal: Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 4 5 i) comprovar a autenticidade dos documentos apresentados, bem como das planilhas apresentadas em sede de recurso, já que não passaram pelo exame da fiscalização; ii) intimar a contribuinte para apresentação do restante da documentação que comprovaria, ser das pessoas jurídicas todos os depósitos/créditos efetuados nas contas correntes; iii) verificar se existe relação entre os valores creditados nas contas correntes e as respectivas vendas efetuadas pelas empresas Acrílico Comércio e Representações Ltda e Amitaf Comércio de Confecções e presentes Ltda. Em caso positivo estabelecer a vinculação mediante planilhamento; iv) outros elementos capazes de conferir certeza à exigência. A diligência foi realizada e vieram aos autos os documentos de fls. 647/4518. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário de 1999 a 2002. Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares aventadas pela recorrente. A primeira questiona a quebra do sigilo bancário e a segunda alega decadência do crédito tributário relativo ao ano de 1999. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, verificase que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). No que tange à utilização das informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, este Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) As Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Sobre a alegação de decadência, relativamente à data de início para a contagem do prazo, nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada é dispensável tecer comentários. O tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como a contribuinte antecipou o recolhimento do IRPF, confirmado pelo imposto de renda retido na fonte à fl. 269, aplicase para o anocalendário 1999 o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, o fato gerador do IRPF referente ao ano calendário de 1999 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2000. Considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2004. Dessarte, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 07/01/2005, fl. 416, o crédito tributário constituído pelo lançamento, relativo ao anocalendário de 1999, já havia sido atingido pela decadência. No mérito, a questão nuclear dos autos diz respeito à ilegitimidade passiva da recorrente, ou seja, se os depósitos bancários havidos em seu movimento financeiro pertencem à pessoa jurídica. Muitas são as evidências de que a recorrente utilizara das contas bancárias pessoais para movimentar recursos da atividade comercial. Nesse sentido, os autos foram devolvidos para a autoridade lançadora cumprir a diligência proposta pelos membros da antiga Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Após análise dos inúmeros documentos juntados aos autos, bem como dos esclarecimentos prestados pela contribuinte, a autoridade lançadora manifestouse no seguinte sentido (Relatório de Diligência – fls. 647/649): Banco Real Conta 8705857 “Examinadas as tais planilhas, de pronto descartamos a comprovação da origem dos depósitos feitos na conta 8705857 do Banco Real relacionados às fls. 650 e 651, dado Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza3a. RF. Serviço de FiscalizaçãoSEFIS que as notas fiscais indicadas na respectiva planilha são as mesmas já utilizadas para justificar os depósitos da outra conta de n° 332230 mantida no Banco ás fls. 652 a 672”. De fato, compulsandose os autos, verificase que a recorrente indicou como prova da origem os mesmos documentos utilizados para justificar os depósitos da conta mantida no Banco Itaú conta n° 332230 (fls. 652/672). Ademais, os parcos créditos comprovados já foram excluídos pela autoridade recorrida e os demais considerados como de origem não comprovada, aplicando a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996. Banco Itaú Conta n° 332230 “Já em relação aos depósitos na contacorrente mantida no Banco Itaú sob o n° 332230, embora não possamos atestar que todos os valores originaramse apenas das revendas de mercadorias realizadas pelas empresas citadas, a documentação aduzida na resposta aos quesitos da diligência, confirmam de forma satisfatória a alegação da recorrente, eis que as empresas que teriam se utilizado dessa conta pertenciam à família da correntista, que era sócia da ACRÍLICO juntamente com sua Mãe Maria de Fátima Moraes de Vasconcelos e era esposa de um dos sócios da AMITAF Sr.Francisco José Nobre Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 5 7 Sisnando, e Irmã do outro sócio Sr. Tiago Moraes de Vasconcelos, sendo que as receitas auferidas por essas empresas nos períodos examinados, se apresentam compatíveis com os valores depositados na conta bancária em questão, o que pode ainda ser explicado pelo fato dessas empresas não retratarem na sua contabilidade, durante esses anos, nenhum lançamento em "conta Bancos", centrando suas disponibilidades financeiras na "conta Caixa”. Do exposto, verificase que a autoridade lançadora entendeu que os documentos comprobatórios juntados aos autos, no cotejo com a movimentação financeira das pessoas jurídicas Acrílico Comércio e Representações Ltda e Amitaf Comércio de Confecções e Presentes Ltda, confirmam de forma satisfatória a alegação da recorrente de que a pessoa física utilizava sua conta pessoal para movimentar recursos das pessoas jurídicas pertencentes à família da recorrente. A título de exemplo, citamse os seguintes casos: 1 O depósito realizado no dia 03/12/1999, no valor de R$ 600,00, referese à venda ocorrida, na mesma data, conforme NF 14235. 2 O depósito realizado no dia 18/02/2000, no valor de R$ 256,80, referese às vendas realizadas, nesta data, conforme NF 3858 R$ 93,00; NF 8584 R$ 80,00 e NF 8586 R$ 83,80. 3 O depósito realizado no valor de R$ 3.196,95, no dia 10/04/2000, refere se às seguintes vendas: NF 8874 R$ 68,00; NF 8875 R$ 49,95; NF 8878 30,00; NF 8882 R$ 163,00; NF 4144 R$ 151,00; NF 4146 R$ 183,00; NF 4147 R$ 440,00; NF 4148 R$ 231,00; NF 4149 R$ 480,00; NF 4153 R$ 183,00; NF 4156 R$ 215,00; NF 4158 R$ 100,00; NF 4159 R$ 137,00 NF 4161 R$ 267,00; NF 4162 R$ 97,00; NF 4163 R$ 327,00; NF 4164 R$ 75,00. Ademais, compulsandose a conta 33223.0 do Banco Itaú, verificase que ela foi utilizada para diversos pagamentos da pessoa jurídica, tais como: ICMS, em 21/08/2000, com cheque nº 380403, no valor de R$ 5.474,52; Cristais São Marcos, em 19/04/2000, com cheque n° 891302, no valor de R$ 1.743,61; Fórum Confecções em 08/05/2000, com cheque nº 891309, no valor de 3.308,99; PIS/COFINS, em 29/11/2001, com cheque n°316182, no valor de R$ 3.241,57. Com efeito, salta aos olhos que uma conta pessoa física contenha créditos denominados Credicard, Pgto Credicard, Rede shop e Pgto. Amex, razão pela qual a autoridade recorrida de pronto excluíra da exigência todos os créditos relacionados a esses históricos. Corrobora com a tese da recorrente a Nota de Esclarecimento elaborada pelo contador das empresas informando que movimentava recursos da pessoa jurídica na conta pessoal da contribuinte, bem como a informação de que os valores recebidos em cheques e em dinheiro foram lançados na conta “caixa” como receita de venda à vista (fls. 756/757 e fl. 762). Concluo, no mesmo sentido da autoridade fiscal, que os documentos constantes dos autos confirmam de forma satisfatória a alegação da defesa, ou seja, de que a conta 33223.0 do Banco Itaú, pertencente à recorrente, foi utilizada para movimentar recursos das pessoas jurídicas: Acrílico Comércio e Representações Ltda e Amitaf Comércio de Confecções e Presentes Ltda. Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Feitas as exclusões da conta 33223.0 do Banco Itaú remanesceram os depósitos não comprovados da conta corrente e poupança do Banco Real de nº 8705857, relativo aos anoscalendário 2001 e 2002, fl. 17, contudo, verificase que os valores ficaram abaixo dos limites individuais e globais previstos no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Logo, devese reconhecer a improcedência da exigência também em relação à conta corrente e poupança do Banco Real de nº 8705857, nos exatos termos da Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a decadência em relação ao ano calendário de 1999 e, no mérito, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10380.011470/200467 Acórdão n.º 2201002.233 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10380011470/200467 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.233. Brasília/DF, 17 de setembro de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13982.000095/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Valdecir Regoso foi lavrado o auto de infração de fls. 03/06, objetivando a exigência de IRPF dos anoscalendário de 2000 a 2002, tendo sido apurada omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10423.725, que se encontra às fls. 250/260 e cuja ementa é a seguinte: “DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 40, do CIN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação do dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 2 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula n° 04, 1° CC).” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 2000 e, no mérito, por unanimidade, deu parcial provimento para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Intimada pessoalmente do acórdão em 01/07/2009 (fls. 261) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 266/278, em que sustenta divergência jurisprudencial em relação (i) à contagem do prazo decadencial, o qual deveria observar o disposto no artigo 173, I, do CTN (acórdão nº 10195.282), e (ii) à desqualificação da multa de ofício (acórdão n. CSRF/0203.103). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2201 004/2009, de 28/08/2009 (fls. 307). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 312/320. Em 18/12/2009 o contribuinte apresentou a petição de fls. 324 por meio da qual pleiteou a desistência parcial do recurso em relação aos anoscalendário de 2001 e 2002, tendo em vista a quitação do crédito tributário ao amparo da Lei nº 11.941/2009. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A discussão no presente recurso está limitada (i) ao dispositivo legal aplicável para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN) e (ii) ao restabelecimento ou não da multa qualificada aplicada ao contribuinte. No presente caso, entendeu a autoridade fiscal autuante caracterizado o evidente intuito de fraude, ante a conduta reiterada da contribuinte em omitir rendimentos e no valor dos rendimentos omitidos em comparação com os rendimentos declarados, conforme se verifica às fls. 17, razão pela qual aplicou a multa qualificada de 150%. O v. acórdão recorrido afastou a multa qualificada imposta pela autoridade fiscal autuante, e, no tocante à decadência, determinou a aplicação da regra do § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150 – (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (destacamos). Em seu recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional requer a aplicação da sistemática de contagem do prazo decadencial do artigo 173, I do CTN, bem como o restabelecimento da multa qualificada. Considerando que a qualificação da multa implica o afastamento da aplicação da sistemática do artigo 150, §4º do CTN optei por primeiramente examinar referido aspecto. Qualificação da multa A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 3 5 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades no sentido de que, a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é amplamente reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, o recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia o restabelecimento da multa qualificada de 150% tendo em vista a conduta reiterada e sistemática do contribuinte que omitiu rendimentos nos exercícios de 2001 a 2003 (fls. 17). Entendo, no entanto, que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários exercícios e em valor superior ao rendimento efetivamente declarado pelo contribuinte, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Em se tratando de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, cuja caracterizada é objeto de presunção legal relativa, não bastam as alegações de relevância econômica dos valores envolvidos e reiteração de conduta para a demonstração do evidente intuito de fruade. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito. Decadência Por outro lado, no tocante à decadência, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 4 7 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso a decisão recorrida reconheceu a decadência em relação ao anocalendário de 2000. Nada obstante, como se verifica da declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte constante às fls. 67/68, em relação ao anocalendário de 2000 não ocorreu a antecipação e/ou pagamento de imposto de renda. Logo, aplicase no presente caso a teor da exigência regimental acima referida o disposto no artigo 173, inciso I do CTN, sendo que o início do prazo de decadência deve se dar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que os depósitos bancários ocorreram durante o anocalendário de 2000, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º/01/2002. Assim, quando o contribuinte foi notificado do lançamento em 06/04/2006 (fls. 149) não havia transcorrido o prazo de decadência. Afastada a decadência, cabe verificar se haveria outras alegações no recurso voluntário que ainda não teriam sido enfrentadas, hipótese em que os autos deveriam ser devolvidos para a turma de origem. No presente caso o Contribuinte sustentou em seu recurso voluntário que os depósitos bancários, incluindo os valores recebidos durante o anocalendário de 2000, decorrem de operações da empresa Regoso Com. Ind. e Transp. de Madeiras, sendo que tal alegação já foi objeto de exame por parte da decisão recorrida quando restou consignada a falta de provas relativas às alegações do contribuinte para afastar a incidência tributária. Dessa forma, como todos os argumentos de defesa foram analisados pelo E. Colegiado a quo, entendo desnecessária a devolução dos autos à segunda instância para novo julgamento. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a decadência em relação ao anocalendário de 2000. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.000095/200609 Acórdão n.º 920202.142 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10935.002914/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - INTIMAÇÃO POR EDITAL - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE OS MEIOS PARA INTIMAÇÃO PESSOAL E PELO CORREIO RESULTARAM IMPROFÍCUOS.
Verificado nos autos que a fiscalização esgotou os meios normais para ciência pessoal da parte, com base no artigo 23, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, considera-se válida a citação feita por edital.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos,em dar provimento ao recurso para considerar válida a intimação editalícia, devolvendo os autos à câmara recorrida para reexame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Julio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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Verificado nos autos que a fiscalização esgotou os meios normais para ciência pessoal da parte, com base no artigo 23, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, considera-se válida a citação feita por edital. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por maioria de votos,em dar provimento ao recurso para considerar válida a intimação editalicia, devolvendo os autos à câmara recorrida para reexame das demais questões suscitadas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado o Conselheiro Julio César Vieira Gomes para redigir o voto vencedor. I / ' 0 17t- CARLOS ALBER i AFITAS BA • f • ETO - Presidenteen ' ea -1110 MO1SES 4 . 1317 ó ••n - .." •atm S ii SILVA - Relator1 i lir% JULIO ( A • VIEIRA GOMES — Redator-Designado i EDITADO EM: "d 1 MA I 2010 • Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Lourenço Ferreira do Prado (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. 2 Processo ri° 10935.002914/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-90.611 Fl. 2 Relatório Conforme auto de infração de fls. 203 e seguintes, a parte recorrida foi autuada em face da omissão caracterizada com base em depósito bancário de origem não comprovada, no ano-calendário de 1998. A declaração de imposto de renda da parte recorrida, correspondente ao ano fiscalizado, consta das fls. 19 e seguintes, entregue de forma tempestiva, com imposto a pagar. Segundo relatado no acórdão recorrido, a contribuinte vinha atendendo, com regularidade, as intimações feitas por telefone, ou melhor, os contatos feitos por telefone, para que comparecesse na Delegacia da Receita com a finalidade de ser intimada acerca de algum procedimento fiscal. No dia 25/11/2003, conforme consta do termo de fl. 139, a fiscalização compareceu pessoalmente no endereço da parte recorrida, para intimação pessoal, tendo sido atendida pela Sra. Tarine Cavalli que a contribuinte não se encontrava presente. Diante da informação de que a contribuinte não se encontrava presente, a autoridade fiscal, no dia seguinte (26-11-2003), remeteu a notificação pelos correios que foi devolvida com a informação de que a parte interessada encontrava-se ausente (fl. 140). Diante de tal informação, foi afixado o edital de fl. 142. Em 06 de janeiro de 2004, a parte recorrida, por procurador, comparece no processo e se dá por ciente, alegando ser nula a citação feita por edital visto que não foram esgotados os meios para intimação pessoal, em especial diante da circunstância de que a fiscalização era conhecedora do endereço de uma . das empresas da parte recorrente que poderia ser localizada até mesmo por telefone. Após a apresentação da impugnação, em face do despacho de ff 188, foi entregue à parte recorrida cópia dos instrumentos pelos quais a fiscalização teve acesso às informações bancárias, com ciência para se pronunciar no prazo de 20 dias. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, julgou procedente o recurso, cujo acórdão recorrido possui a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - CIÊNCIA POR EDITAL - Até a vigência da Lei 11.196/2005, somente era cabível a intimação do lançamento por edital quando restasse improficuas tanto a ciência pessoal quanto a postal. Verificado nos autos que a .fiscalizacão não esgotou os meios ordinários de ciência, é nulo o editaL DECADÊNCIA - TERMO FINAL DE CONTAGEM DO PRAZO - APERFEIÇOAMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL -- REABERTURA DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO - A reabertura do prazo de impugnação para o contribuinte manifestar-se sobre documentos que deveriam fazer parte dos autos, haja vista que deram suporte ao lançamento, mas somente foram juntados após o encerramento da auditoria, evidencia a necessidade , de/ I • i 3.4/ ' aperfeiçoamento do procedimento fiscal. Uma vez que a ciência desse saneamento/ aperfeiçoamento ocorreu após o prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do 1RPF, o lançamento foi fidminado pela decadência, à luz do art. 150, yç 40 do Código Tributário Nacional. Do acórdão recorrido, ainda transcrevo os seguintes fundamentos: 23. Segundo relatado no Termo de Verificação fiscal, o procedimento dos Auditores Fiscais limitou-se apenas a uma visita, na data de 25/11/2003, no endereço consignado como domicílio fiscal da Recorrente; oportunidade em que, tomou conhecimento da ausência da Recorrente, por motivo de viagem a serviço, e que provavelmente retornaria no dia 30 daquele mês, conforme declaração anexa. 24. Aqui cabe uma indagação: teriam sido esgotadas todas as alternativas para a consecução da ciência pessoal? Com certeza, não. 25. Se a fiscalização tivesse agido com coerência e bom senso, teria efetuado o contato posterior a visita de 25/11/2003, mesmo por telefone, uma vez que este procedimento já havia sido adotado em 11/09/2003, cujo fato foi relatado pelo próprio Auditor Fiscal, no Termo de Verificação e Ação Fiscal (fls. 123 do PAF): Em 11/09/2003, após contato telefónico com o contribuinte, este compareceu no Setor de Fiscalização e Controle Aduaneiro (FIANA) da Delegacia da Receita Federal em Cascavel, onde tomou ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 08/09/2003... 26. Porém, mesmo sabedores da ausência temporária da Recorrente - viagem no período de 24 à 30 de novembro de 2003 - optaram pelo envio da documentação via correio, de imediato. 25. Se a fiscalização tivesse agido com coerência e bom senso, teria efetuado o contato posterior à visita de 25/11/2003, mesmo por telefone, uma vez que este procedimento já havia sido adotado em 11/09/2003, cujo fato foi relatado pelo próprio Auditor Fiscal, no Termo de Verificação e Ação Fiscal (fls. 123 do PAF): t.. Em 11/09/2003, após contato telefónico com o contribuinte, este compareceu no Setor de Fiscalização e Controle Aduaneiro (FLANA) da Delegacia da Receita Federal em Cascavel, onde tomou ciência pessoal do Termo cie Intimação Fiscal lavrado no dia 08/09/2003... 26, Porém, mesmo sabedores da ausência temporária da Recorrente - viagem no período de 24 à 30 de novembro de 2003 - optaram pelo envio da documentação via correio, de imediato. A.2) DA IMPOSSIBILIDADE DA CIÊNCIA VIA POSTAL 27. Ressalte-se que, no Aviso de Recebimento e no envelope endereçado à Recorrente, documentos de fls. 140 e 141 dos autos, consta que o fracionário da Agência de Correios de Cascavel tentou por três vezes, nos dias 27 a 29/11/2003, efetuar a entrega pessoal do A utodeInfraçãoeanexos.Ouseta,exatamentenoperiodoem Recorrente encontrava-se de viagem a serviço. ‘‘)Ns 4 Processo n° 10935.002914/2003-79 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00611 Fl. 3 28. Frise-se, novamente, que a ausência da Recorrente não se constituía em impeditivo para a entrega da correspondência no destino, já que é o endereço do domicilio tributário informado pelo sujeito passivo à Receita Federal, A intimação por via postal, contudo, não ocorreu, e, diga-se: não por culpa da Recorrente. 29. Releva destacar que em momento algum a Recorrente recusou ou deixou de receber qualquer correspondência a ela destinada. O que significa que a Recorrente só não tomou ciência da medida fiscal, por via postal, pelo fato do fitncionário do ECT, estranhamente, insistir na entrega pessoal da correspondência, sabendo que a destinatária encontrava-se ausente. A.3)D31 PRECIPITAÇÃO EM CIENTIFICAR VIA EDITAL 30. Na realidade, tudo leva a crer que a precipitação da Administração Tributária, em imediatamente afixar o Edital sem tomar as devidas precauções, deveu-se à figura tenebrosa do instituto da 'DECADÊNCIA' que rondava de forma ameaçadora o crédito tributário a se constituir. Em 17/03/2008 (fl. 298), a Fazenda Nacional foi intimada do acórdão antes referido e em 26/03/2008 protocolizou o recurso especial de tls. 300 a 311, alegando que o acórdão recorrido contrariou o inciso III do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, cuja redação da época assim dispunha: "Art. 23. Far-se-á a intimação: - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada ao inciso pela Lei n°9532, de 10.12.1997, DOU (1.121997) - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada ao inciso pela Lei n°9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997) III — por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (grifos no original da recorrente) Sustenta a recorrente que a juntada de documentos que autoridade fiscal entendeu como necessários (fl. 192) para integrar o procedimento fiscal, com a conseqüente ciência à autuada em 17/0212004 (fl. 192), não alterou o critério material da autuação, razão pela qual a ciência da autuação deve ser considerada quando da publicação do edital. Admitido o recurso com base nas regras vigentes no regimento interno da época, a parte recorrida apresentou as contrarrazões de fls. 318 a 325, alegando, em síntese, que apesar da fiscalização ter sido informada de que a recorrida retornaria em três dias, por razões desconhecidas, no mesmo dia, os fiscais retomaram à repartição e postaram 4 T I correspondência que, por razões óbvias, não foi entregue à recorrente porque nos dias 27 a 29, data em que os correios diligenciaram, a recorrente estava ausente. A recorrida ainda destaca que seu domicilio fiscal é o mesmo endereço de seu estabelecimento empresarial, que fica a três quadras da Delegacia da Receita Federal. Diz que bastaria um simples telefonema, como ocorrido anteriormente, para que a recorrida comparecesse à repartição fiscal. Por fim, argumenta a recorrida que tais documentos tanto eram essenciais ao lançamento que foram juntados aos autos para que a recorrida apresentasse a manifestação de fls. 205/2008, na qual argüiu nulidade de citação por edital e que o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MOIS ES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria no 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Alegando a recorrente que a decisão contrariou, em tese, o inciso III do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, merece o recurso ser conhecido para que se possa verificar se, efetivamente, houve contrariedade à lei. A notificação válida, no processo administrativo, se constitui em elemento essencial ao desenvolvimento do devido processo legal. É a partir dela que se instaura o litígio e, no caso do processo administrativo, a interrupção do prazo decadencial. Em determinada época, tanto no processo administrativo como judicial, a citação editalicia ficou reservada a casos extremos, abrandados no decorrer do tempo. O que interessa ao julgamento do presente recurso é o significado das expressões "resultarem improficuos os meios para intimação pessoal ou pelo correio", de que tratava o inciso II! do Decreto n° 70.235, de 1972, antes da alteração pela Lei n° 11.196, de 2006. O fato da autoridade fiscal ir até o domicilio da contribuinte às 16h do dia 25/11/2003 e certificar que a mesma não se encontrava presente (fl. 139), informação esta que lhe foi prestada por Tatiana Cavalli que, à fl. 260, esclarece ter informado a autoridade fiscal de que a Sra. Fátima Regina retomaria o dia 30/11/2003, não significa esgotamento das tentativas de intimação pessoal, em especial quando se leva em consideração de que a sede da delegacia fiscal da receita federal da cidade de Cascavel, como reiteradamente apontado nos autos, situa- se há poucas quadras do domicilio fiscal da parte recorrida. A confirmação da ausência da parte recorrida na última semana do mês de novembro de 2003 também é atestada nas diligências dos correios que no dia 29/11/03 já havia devolvido a correspondência que a fiscalização encaminhou no dia 26/11/2003 com a informação de que não a entregou porque a destinatária estava ausente. Na sociedade moderna, a ausência temporária das pessoas de negócios é algo normal. No entanto, nem por isto, se uma diligência para intimação pessoal resultar inexitosa, se pode afirmar, sem realizar outras diligências, que a intimação pessoal resultou inexitosa, especialmente quando se tem notícias nos autos de que a parte recorrida vinha atendendo inclusive a intimações feitas por telefone. \ Processo n° 10935.0029141200349 CSRF-T2 Acórdão ri.° 9202-00.611 Fl. 4 Ao meu sentir, o acórdão recorrido, ao contrário de negar vigência ao artigo 23, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação vigente à época, conferiu aplicação efetiva da norma deixando claro que, no caso concreto, não era cabível a intimação por edital, por não ter sido esgotados os meios para intimação pessoal ou pelo correio. Por fim, registro que o acórdão recorrido deixa claro que não houve recusa no recebimento da correspondência enviada pelos correios, mas sim a não entrega da mesma porque a destinatária estava ausente no período compreendido entre 26 (data da postagem nos correios) e 29 de novembro de 2003, data da devolução dos correios. Ainda que se verifique que a parte recorrida possa ter se utilizado de expediente para que o crédito fosse extinto pela decadência, é certo que a intimação válida somente ocorreu com o "termo de vista em processo de fi. 148", efetivado em 06101/2004, quando o crédito já havia sido extinto pela decadência, matéria esta reconhecida no acórdão e que não foi objeto de recurso especial. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade da citação por edital. É o voto. Moisestracomelli Nunes da Silvà.̀ Relator 7 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CÉSAR VIEIRA GOMES, Redator-Designado Peço vênia para divergir do ilustre relator. Nessa mesma sessão, fui relator do processo n° 10805.002997/2002-09, em que enfrentei situação também quanto o que se pode considerar por intimação válida. Segue transcrição: Para o deslinde do mérito do recurso especial, temos que buscar a interpretação dos dispositivos do Decreto 70.235/72 que tratam dos prazos no processo administrativo fiscal. Reproduzimos o art 5' do referido Decreto: -Art. 5" Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Como podemos observar, o copai do artigo 5" prescreve que os prazos são "contínuos", o que equivale dizer que não há espaço para qualquer hipótese de interrupção ou suspensão dos prazos na âmbito do PAY Quanto ao dies a quo - dia de inicio da contagem - e ao dies ad quem - dia de vencimento dos prazos -, o parágrafo único do art. 5° estabelece que ambos exigem que haja expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Para a interpretação de tal dispositivo partimos do significado de expediente, segundo o dicionário Michaelis, como o "período cotidiano de trabalho em repartição pública ou escritório". Se o expediente ou o período cotidiano de trabalho não foi alterado no local onde seria praticado o ato - apesar de ser inconteste a existência naqueles dias de movimento paredista parcial de servidores do órgão que pode ter acarretado menor número de servidores disponíveis - temos configurado o requisito legal para o início e o fim da contagem dos prazos. O texto legal não fala em funcionamento normal da repartição e sim em expediente normal, em horário de trabalho normal, ou seja, em possibilidade de acesso à repartição no horário normalmente praticado por esta. É exatamente o caso dos autos, pois em fls. 115 há prova de que o horário de atendimento da seção encarregada do processo foi normal. Não estamos afirmando que - toda a Secretaria da Receita Federal estava naqueles dias funcionando normalmente, pois isso seria impossível diante da existência de movimento grevista. Mas as provas dos autos comprovam que o órgão no qual o recurso poderia ser apresentado funcionava em horário normal, em outras palavras, mantinha expediente normal - a repartição estava aberta para protocalização da peça recursal. 8 Processo ri° 10935.002914/2003-79 CSRF-T2 Acórdão rh° 9202-00.611 Fl. 5 Ao concluirmos que é o expediente normal e não o funcionamento normal que é requisito legal para haja o dies a que ou o dies ad quem dos prazos processuais no PAF, afastamo-nos da respeitável manifestação anterior da turma recorrida que equiparou o expediente normal com o funcionamento normal da repartição, conforme podemos constatar a seguir: "Acórdão CSRF/03-04.195 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRAZOS — INICIO E VENCIMENTO — EXPEDIENTE NA REPARTIÇÃO. - A paralisação, total ou parcial, por motivo de greve ou qualquer outro, do órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, ainda quefimcione regulamente o seu protocolo, ou outro setor com recebimento normal de petições, configura ANORMALIDADE no expediente desse órgão. Assim acontecendo, não se dá o vencimento de prazo enquanto o expediente não tomar á sua normalidade por completo. Inteligência do art. 5 0, § único, do Decreto n°. 70.235/72." Nesse Acórdão, o Ilustre Conselheiro Relator manifestou-se pela equiparação de expediente normal com funcionamento normal do órgão, conforme pode ser constatado no trecho a seguir: "Ora, se ocorreu a greve na referida repartição, parece não restar qualquer dúvida quanto à inexistência de EXPEDIENTE NORMAL na referida repartição. Ainda que o órgão de recebimento de petições, recursos, etc., estivesse funcionando ininterruptamente, durante o período de paralisação; ou que a maioria dos setores da repartição estivessem funcionado, evidentemente que, havendo alguma paralisação, por menor que fosse, estaria configurada a ANORM4LID4DE no funcionamento do expediente da repartição." Divergimos do ilustre Conselheiro ao entendermos que expediente normal diz respeito ao horário de funcionamento do órgão e não à quantidade de servidores disponíveis para o trabalho. Portanto é perfeitamente possível, como ocorreu no caso em análise, que o expediente normal seja mantido mesmo em período que haja greve de servidores. Ressaltamos que adotar tal interpretação não resulta em qualquer óbice para o amplo direito à defesa do contribuinte, pois, além de permanecer com acesso à repartição em horário normal, o contribuinte, em situações similares, ainda desfruta da possibilidade de enviar os recursos e documentos por via postal. . Assim, votamos por dar provimento ao recurso especial, resultando na reforma do acórdão recorrido e na declaração de que a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente. Neste acórdão para o qual fui designado redator do voto vencedor, entendo que a fiscalização olvidou todos os esforços para a intimação pessoal do contribuinte, nos termos do artigo 23 do Decreto n°70.235, de 1972, cuja redação da época assim dispunha: 9 "Art. 23. Far-se-á a intimação: ...I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada ao inciso pela Lei n°9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997) - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada ao inciso pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997, DOU 11 .12.1997) III — por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II (grifos no original da recorrente) Pelos fatos relatados, o contribuinte influenciou diretamente na impossibilidade de intimação pessoal. Outra pessoa poderia em uma das três tentativas dos correios assinar o aviso de recebimento, mas ninguém se apresentou, isso associado ao fato de o contribuinte alegar ter viajado exatamente durante o período em que seria intimado e, ainda, coincidentemente, ao final do ano, quando restaria o crédito alcançado pela decadência. Por tudo, por todas as tentativas de intimação realizadas, só consigo concluir que todos os meios se mostraram improfícuos, conforme inciso III acima. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial, com devolução do processo à turma recorrida, a fim de que sejam apreciadas as demais matérias e questões do recurso voluntário. Julio Césa iei1 Gomes — Redator-Designado to
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