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Numero do processo: 10945.000946/2008-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000946/200825 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.549 – 1ª Turma Especial Data 23 de outubro de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente LAJES PATAGÔNIA INDÚSTRIA. E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 00 94 6/ 20 08 -2 5 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000946/200825 Resolução nº 3801000.549 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000946/200825 Resolução nº 3801000.549 S3TE01 Fl. 12 3 Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadrada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impressos em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000946/200825 Resolução nº 3801000.549 S3TE01 Fl. 13 4 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Ocorre, todavia, que a recorrente não juntou a petição judicial da referida ação e eventuais decisões judiciais. Esta circunstância impossibilita aferir se o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Como é sabido, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa nos termos da Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim sendo, a identificação precisa do objeto da ação judicial é essencial para que o processo tenha condições de ser julgado por essa turma. De outro giro, a recorrente alega que efetuou o depósito judicial do montante integral do crédito tributário. Os elementos comprobatórios são insuficientes para comprovar essa assertiva, de sorte que a Delegacia de origem deverá informar se há depósitos judiciais que suspendam a exigibilidade do crédito tributário em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) informe o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais; b) informe eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais; c) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720507/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. EMPREGADOS. LEI Nº 10.101/2000. ARBITRAMENTO. PERIODICIDADE.
Na ausência de apresentação de documentos comprobatórios do cumprimento do programa de metas estabelecido, compete à autoridade competente efetuar o lançamento por arbitramento. Não o fazendo, deve ser afastada a autuação motivada pela falta de apresentação de memória de cálculo da participação nos lucros ou resultados paga.
Apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, quanto ao levantamento PL- PARTICIPAÇÃO LUCROS EMPREGADOS, dar provimento parcial para excluir do lançamento as competências 01 e 08/2007 e com relação a competência 02/2007 excluir do lançamento as contribuições decorrentes de pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. ii) pelo voto de qualidade: a) manter o lançamento referente ao levantamento PA- PARTICIPAÇÃO LUCROS ADMINISTRA; e b) manter a incidência de juros sobre multa. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimentos nestes dois aspectos. iii) Por unanimidade de votos, em relação à obrigação acessória, excluir o cálculo da multa os valores referentes às competências 01 e 08/2007 e com relação a competência 02/2007, os valores decorrentes de contribuições incidentes sobre pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007, no que diz respeito ao levantamento PL- PARTICIPAÇÃO LUCROS EMPREGADOS. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira de Araujo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. EMPREGADOS. LEI Nº 10.101/2000. ARBITRAMENTO. PERIODICIDADE. Na ausência de apresentação de documentos comprobatórios do cumprimento do programa de metas estabelecido, compete à autoridade competente efetuar o lançamento por arbitramento. Não o fazendo, deve ser afastada a autuação motivada pela falta de apresentação de memória de cálculo da participação nos lucros ou resultados paga. Apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, quanto ao levantamento PL- PARTICIPAÇÃO LUCROS EMPREGADOS, dar provimento parcial para excluir do lançamento as competências 01 e 08/2007 e com relação a competência 02/2007 excluir do lançamento as contribuições decorrentes de pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. ii) pelo voto de qualidade: a) manter o lançamento referente ao levantamento PA- PARTICIPAÇÃO LUCROS ADMINISTRA; e b) manter a incidência de juros sobre multa. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimentos nestes dois aspectos. iii) Por unanimidade de votos, em relação à obrigação acessória, excluir o cálculo da multa os valores referentes às competências 01 e 08/2007 e com relação a competência 02/2007, os valores decorrentes de contribuições incidentes sobre pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007, no que diz respeito ao levantamento PL- PARTICIPAÇÃO LUCROS EMPREGADOS. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire - Presidente. Carolina Wanderley Landim - Relatora Kleber Ferreira de Araujo Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. EMPREGADOS. LEI Nº 10.101/2000. ARBITRAMENTO. PERIODICIDADE. Na ausência de apresentação de documentos comprobatórios do cumprimento do programa de metas estabelecido, compete à autoridade competente efetuar o lançamento por arbitramento. Não o fazendo, deve ser afastada a autuação motivada pela falta de apresentação de memória de cálculo da participação nos lucros ou resultados paga. Apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 07 /2 01 1- 00 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos, quanto ao levantamento PL PARTICIPAÇÃO LUCROS EMPREGADOS, dar provimento parcial para excluir do lançamento as competências 01 e 08/2007 e com relação a competência 02/2007 excluir do lançamento as contribuições decorrentes de pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. ii) pelo voto de qualidade: a) manter o lançamento referente ao levantamento PA PARTICIPAÇÃO LUCROS ADMINISTRA; e b) manter a incidência de juros sobre multa. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimentos nestes dois aspectos. iii) Por unanimidade de votos, em relação à obrigação acessória, excluir o cálculo da multa os valores referentes às competências 01 e 08/2007 e com relação a competência 02/2007, os valores decorrentes de contribuições incidentes sobre pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007, no que diz respeito ao levantamento PL PARTICIPAÇÃO LUCROS EMPREGADOS. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente. Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira de Araujo – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 451 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 373408 contra decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), às fls. 339367, que julgou totalmente procedentes os lançamentos fiscais constantes dos Autos de Infração, cuja ciência ocorreu em 10/05/2011, cadastrados sob os seguintes números: 1. DEBCAD nº 37.318.1043– Auto de Infração da obrigação principal, referente às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social (incluindo o adicional de 2,5% previsto no §1º do art. 22 da Lei 8.212/91) e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e a diretores e administradores não empregados, a título de participação de lucros e/ou resultados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. 2. DEBCAD nº 37.318.1051– Auto de Infração da obrigação principal, referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, a título de participação nos lucros e/ou resultados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007. 3. DEBCAD nº 37.318.1035 – Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado por infração ao artigo 32, IV e §5º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, por falta de declaração das participações nos lucros e/ou resultados pagos a empregados e administradores / diretores não empregados. Competências: 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. DA AUTUAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 0822), comum aos três Autos de Infração, a cobrança ora discutida tem origem nos seguintes fatos: 1. Participação nos lucros para Empregados. A fiscalização constatou que a Recorrente efetuou nos anos de 2007 e 2008 pagamentos a título de PLR aos seus empregados com base em Convenção Coletiva de Trabalho específica e com base em Plano Próprio de participação nos lucros e resultados. No ano de 2007, foram efetuados três pagamentos, nos meses de janeiro, fevereiro e agosto, relativos aos seguintes planos: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Janeiro 2007 – Antecipação da parcela relativa à Convenção Coletiva de Trabalho devida quanto ao ano de 2006; Fevereiro 2007 – Pagamento da PLR relativa à Convenção Coletiva de Trabalho do ano de 2006 e da segunda parcela dos Planos Próprios de participação nos lucros e resultados, relativa ao ano de 2006 Agosto 2007 – Pagamento da PLR relativa ao Plano Próprio do ano de 2007 É o que se verifica dos trechos abaixo extraídos do relatório fiscal de fls. : 4. A empresa distribuiu lucros aos seus empregados nos anos de 2007 e 2008 conforme planilha e folha de pagamento entregues a fiscalização. (...) 7. A empresa distribuiu lucros através do Plano de Participação dos Resultados Programa Próprio – PR – e Convenções coletivas de trabalho específicas sobre Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados das empresas de seguros privados e de capitalização – CCT aos anos de 2007 e 2008. 8. Os Planos próprios da Itaú Seguros de Participação nos Resultados para os anos de 2007 e 2008 foram pactuados e assinados entre a Itaú Seguros, a Comissão Interna dos trabalhadores e o Representante do Sindicato. (...) 12. A PLR foi distribuída, nos anos de 2007 e 2008, através das convenções coletivas de trabalho específica sobre Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados das empresas de seguros privados e de capitalização em 2006 e em 2007, assinadas entre a Federação Nacional dos Securitários – FENESPIC e a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização. Quanto aos pagamentos efetuados no mês de fevereiro de 2007, relativos à PLR devida com base no Plano Próprio do ano de 2006, entendeu a autoridade fiscal pela incidência da contribuição previdenciária, uma vez que não foi possível verificar se a Recorrente cumpriu o Regulamento do Plano Próprio por ela instituído quando do pagamento da referida parcela, vez que não foi atendida intimação específica para apresentação de memória de cálculo e documentos que comprovavam o atendimento de metas e condições estabelecidas no Plano. Vejamos, a esse respeito, o relatório fiscal: 9. O contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Nº 6, cientificado em 10/02/2011, e reintimado através de Termo de Intimação nº 10, cientificado em 04/03/2011, a apresentar a memória de cálculo dos valores pagos a título de PLR referente ao Plano Próprio pago a empregados selecionados por amostragem para o ano de 2007 e 2008. 10. Não foram apresentadas as memórias de cálculo para o ano de 2007, conforme resposta protocolada em 02/05/2011, não sendo possível verificar o Fl. 474DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 452 5 cumprimento do regulamento e da forma de cálculo dos valores estabelecidos no plano próprio. Tampouco se pode verificar o atendimento das metas. Portanto não há como se validar os valores segundo o Plano Próprio assinado para a PLR distribuída em 2007. 11. Concluise que a distribuição de lucros do plano próprio referente ao ano de 2006, paga em 2007, está em desacordo com a legislação. Quanto aos demais pagamentos efetuados no ano de 2007, entendeu a autoridade fiscal que a Recorrente havia descumprido a periodicidade dos pagamentos estatuída na Lei n. 10.101, diante do que todos os pagamentos efetuados no referido ano deveriam sofrer a incidência das contribuições sociais previdenciárias: 13. A Itaú Seguros distribui lucros aos seus empregados em três meses no ano de 2007. Segundo informações do próprio, foram efetuados pagamentos nos meses de janeiro de 2007, referente a antecipação da PLR da Convenção Coletiva do ano de 2006, em fevereiro de 2007 referente a PLR da Convenção Coletiva e a segunda parcela de PLR do plano próprio para os níveis técnicos e gerenciais, e em agosto de 2007referente ao plano próprio. 14. Verificase explicitamente na Lei 10.101/00 a vedação da distribuição de lucros em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano civil: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ANO DE 2007 Competência Distribuição Janeiro Antecipação CCT PLR 2006 (5958) Fevereiro · PLR da CCT 2006 (5031) · 2ª Parcela PR 2006 – Níveis Técnicos (5440) · 2ª Parcela PR 2006 – Níveis Técnicos (5993) Agosto PLR do Plano Próprio 2007 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 15. A Itaú Seguros distribuiu lucros aos seus empregados em três competências no mesmo ano civil. A repetição de recebimentos por parte dos empregados pode ser verificada nas planilhas entregues pelo sujeito passivo. 16. Portanto todas as formas de distribuição de lucros ou resultados em 2007 estão em desacordo com a legislação pertinente e não se desvinculam da remuneração, integrando assim o salário contribuição, base das contribuições previdenciárias. No tocante ao ano de 2008, em que foram efetuados pagamentos com base em Convenção Coletiva e no Plano Próprio de participação nos lucros e resultados, nos meses de fevereiro e agosto de 2008, a fiscalização atestou a sua adequação aos ditames da Lei n. 10.101, não sendo portanto efetuado lançamento quanto ao referido ano. É o que se conclui da leitura do trecho abaixo do relatório fiscal: No ano de 2008 a Itaú Seguros distribuiu lucros ou resultados aos seus empregados em duas parcelas, fevereiro e agosto, segundo plano próprio e convenção coletiva. Ambos os planos estão em acordo com a legislação específica e não constituem base de cálculo de contribuições previdenciárias. 2. Participação nos lucros para Administradores e Diretores. Em relação à distribuição dos lucros para Administradores e Diretores, não empregados, afirmou a Recorrente, no curso da fiscalização, que tais pagamentos não foram tributados, vez que efetuados em observância ao artigo 152 da Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas LSA). A Fiscalização, em seu relatório fiscal, considerou que tais valores deveriam ser tributadas, sob o argumento de que o art. 28º, §9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, ao prever que será excluída do saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, estaria se referindo à Lei n. 10.101, não servindo a LSA para esse fim. Vejamos: 22. Com base no dispositivo acima, seria um pressuposto falso afirmar que existe uma lei específica regulamentando a participação nos lucros ou resultados para cada categoria de segurado, excluindo ambas as categorias da contribuição previdenciária, ou seja, quando a participação nos lucros ou resultados é paga a diretores estatutários, aplicase a Lei nº 6.404/76. Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a empregados, aplicase a Lei 10.101/00. 23. A lei específica que trata da participação nos lucros ou resultados da empresa, que prevê a isenção previdenciária é a Lei 10.101/00. (...) 44. Dessa forma, o pagamento de participação nos lucros somente estará desvinculado da remuneração e, consequentemente, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, quando pago de acordo com os termos e requisitos da Lei nº 10.101/2000. 45. Logo, a participação nos lucros paga a diretores não empregados integra o salário contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 453 7 3. Das multas aplicadas Os Auditores Fiscais concluíram que a ausência de declaração dos fatos geradores apurados pela Fiscalização caracterizaria a infração prevista no inciso IV e §5º, do art. 32, da Lei 8.212/91 e art. 225, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPAS (aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999). Diante das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 nas penalidades previstas na Lei nº 8.212/91, a autoridade fiscal efetuou a comparação das penalidades previstas na legislação anterior com as previstas na legislação atual, com o objetivo de identificar a sistemática mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao artigo 106, II, ‘c’, do Código Tributário Nacional. Nessa comparação, foram consideradas conjuntamente as multas devidas pelo descumprimento de obrigação principal e acessória, de acordo com a legislação antiga, e a multa de ofício prevista na legislação atual, tendo a Fiscalização concluído que a sistemática prevista na legislação antiga é mais benéfica em relação a todos os períodos objeto de autuação 01/2007, 02/2007, 08/2007, 02/2008 e 08/2008. Desse modo, para os Autos de Infração referentes às obrigações principais (37.318.1043 e 37.318.1051), foi aplicada a multa de mora prevista na legislação anterior, correspondente a 24% da contribuição apurada. Com relação ao auto de infração referente à obrigação acessória (37.318.103 5), a comparação resultou na aplicação da multa prevista no § 5º1, do art. 32, da Lei n. 8212/1991 (já revogado), considerando a faixa referente a 1001 a 5000 segurados, o que resultou em multa de 35 vezes do valor mínimo, nas competências devidas. O valor mínimo considerado foi aquele previsto na Portaria Interministerial MPS/MF nº 568/2010, corresponde a R$ 1.523,57. DA IMPUGNAÇÃO O Autuado foi notificado em 10/05/2011 e apresentou impugnação às fls. 271293, através da qual alegou o seguinte: 1. Participação nos lucros para Empregados. · De acordo com o art. 28, inciso I da Lei 8.212/91, o salário contribuição apenas incide sobre a remuneração, que corresponde à contraprestação do serviço realizado pelo empregado. · O art. 22 da Lei 8.212/91 determina que a empresa recolha a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos empregados e trabalhadores avulsos (inciso I), mas exclui do salário contribuição as situações previstas no §9º do art. 28, entre elas, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos de acordo com a legislação (§2º). 1 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 · O lucro não cumpre a habitualidade necessária à caracterização da remuneração, conforme exposto no art. 3º da Lei 10.101/00. · A Fiscalização desconsiderou que as regras dos programas próprios foram estabelecidas de forma clara e objetiva como determina a legislação vigente. · Em seguida, explicou que o Plano Próprio, que estabelece a participação dos funcionários nos resultados, é constituído de duas partes: (i) Participação nos Resultados Institucional; e (ii) Participação nos Resultados Operacionais. O primeiro, Participação nos Resultados Institucional, é apurado pelo ROE – Return On Equity em “target” limitado a duas vezes, ou seja, 100%. O segundo, Participação nos Resultados Operacionais, é distribuído com base no atingimento do Programa de Metas da área, composto de indicadores compensados com seus respectivos pesos/pontos que retratam o desempenho da área. O cálculo, então, é formulado a partir da soma dos coeficientes dos planos e multiplicase pelo salário do participante pago anualmente. · O fato de ter ocorrido a distribuição de lucros três vezes por ano não desrespeita o §2º do art. 3º da Lei 10.101/00, que tem por finalidade evitar que haja distribuição habitual como meio de efetuar o pagamento do salário de forma indireta, o que não ocorreu no caso concreto. · Ademais, no ano de 2007, a distribuição apenas ocorreu por três vezes, por conta de um ajuste da apuração do lucro do ano anterior, ou seja, no balanço encerrado de 2006. Demonstrou, em seguida, como ocorreu a distribuição: a) Janeiro de 2007: PLR/CCT referente ao balanço encerrado em 31/12/2006, que, de acordo com a cláusula segunda da CCT, estabelece que o valor deve ser pago até a data de pagamento da remuneração de janeiro de 2007; b) Fevereiro de 2007: PLR/CCT referente ao pagamento da segunda parcela, que deve ser feito até o dia 31/07/2007, conforme cláusula terceira da CCT (ajuste dos lucros do ano de 2006). E PR referente ao Plano Próprio do ano de 2006; c) Agosto de 2007: corresponde ao pagamento de antecipação relacionada à PR do ano de 2007. · Informou, ainda, que alguns empregados participam dos dois programas (PR e PLR). Isso porque, a Empresa Autuada, além dos programas próprios (PR), é obrigada, por força da Convenção Coletiva, a distribuir a participação nos Lucros, disposta para toda categoria bancária (PLR). · A PLR está relacionada com o alcance de um patamar de lucro. Isto é: se o patamar for atingido ou superado, todos os colaboradores ganham determinado teto de valor de PLR; se o patamar não for atingido, os colaboradores ganham determinado percentual de PLR aplicado sobre seus salários, em observância a limites previamente fixados. A CCT foi celebrada pelo sindicato patronal e era comum a todo o setor financeiro, de obediência obrigatória a todas as empresas. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 454 9 · Colacionou julgado proferido pelo TRF da 2ª Região, por meio do qual se constatou que a intenção do legislador constituinte foi incentivar as empresas a distribuírem lucros a seus empregados, devendo, portanto, evitar formalismos que comprometem a efetividade da norma. · Por fim, ressaltou que apenas 2% dos funcionários receberam três parcelas de lucros em 2007. 2. Participação nos lucros para Diretores e Administradores. · Alega a Recorrente que a Lei n. 8.212/1991, em seu art. 12, inciso V, alínea ‘f’, qualifica os diretores não empregados e membros do conselho de administração de sociedade anônima como segurados obrigatórios, na condição de contribuintes individuais, ao passo em que o art. 22, inciso I, determina o pagamento de contribuição correspondente a 20% das remunerações paga a contribuintes individuais que lhe prestem serviços. · Contudo, o §9º do art. 28 da mesma Lei exclui do conceito legal de remuneração diversas verbas, dentre elas a participação nos lucros e resultados, quando pagos de acordo com a legislação. Tal disposição cumpre o quanto previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal, que desvincula o pagamento de lucros ao conceito de remuneração. · Tais dispositivos não se restringem a empregados, já que a Lei Complementar nº 84/96, que trata da remuneração ou retribuição paga a empresários, determina, em seu art. 5º, a aplicação subsidiária da Lei 8.212/91. 3. Multa pelo descumprimento da obrigação acessória e ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. · Alegou que inexistindo obrigação legal de lançar tais valores, resta prejudica a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. · Afirmou, ainda, a inexistência de amparo legal para a incidência de juros sobre a multa lançada de ofício. Por fim, requereu a juntada de documentos e produção de todas as provas admitidas em direito. DO ACÓRDÃO DA DRJ Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), em relação ao Plano Próprio referente ao ano de 2006, pago no ano de 2007, entendeu por bem manter a autuação, nos seguintes termos: Durante a ação fiscal, a empresa foi intimada por duas vezes (Termo de Intimação Fiscal no 6, e Termo de Intimação no 10), a apresentar a memória de cálculo dos valores pagos a título de PLR, referente ao Plano Próprio pago a empregados selecionados por amostragem, para os anos de 2007 e 2008. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Entretanto, até o término da ação fiscal, não foram apresentadas as memórias de cálculo para 2007 (resposta da empresa à fl. 171). No entanto, ao deixar de comprovar o cumprimento do regulamento e da forma de cálculo dos valores estabelecidos, bem como se houve ou não o atendimento das metas negociadas, não foi cumprido o que dispõe o“caput” e parágrafo 1o, do artigo 2o, da Lei no 10.101/00: a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, e do instrumento decorrente da negociação deveriam constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Deste modo, os valores pagos a título de PLR, em função do Plano Próprio referente a 2006, pagos em 2007, estão em desacordo com a legislação específica (Lei no 10101/2000). Em relação ao requisito da periodicidade, cuja observância também foi questionada pela Fiscalização, a DRJ, considerando ter havido a distribuição de lucros e/ou resultados em três competências distintas, concluiu: Pelo exposto, todos os pagamentos de participação nos lucros e/ou resultados aos segurados empregados em 2007 foram realizados sem o cumprimento da totalidade dos requisitos impostos pela Lei no 10.101/2000, seja pela não comprovação do cumprimento do regulamento, da forma de cálculo dos valores estabelecidos, e do atendimento das metas negociadas, e/ou seja pelo pagamento em três competências do mesmo ano civil. Assim, não deve prosperar o argumento da Impugnante, de que a Fiscalização não poderia exigir a contribuição previdenciária sobre 100% da base autuada. Tendo sido os referidos pagamentos realizados em desacordo com a alínea “j”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei no 8212/91, temse que tais verbas integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições lançadas nos Autos de Infração no 37.318.1043 e 37.318.1051, Levantamento PL. Nada impede que a empresa outorgue a seus empregados verbas a título de PLR sem observar os pressupostos estabelecidos na legislação específica (Lei n. 10.101/00). Contudo, neste caso, estes pagamentos caracterizamse como verba integrante do salário de contribuição destes empregados. Em relação à PLR distribuída aos diretores e administradores sem vínculo empregatício, a DRJ analisou, de início, o exposto no art. 7 da Constituição e, seguindo o entendimento dos Auditores, manifestouse: Pela leitura dos direitos dos trabalhadores que estão listados no artigo 7o, notamos que eles pertencem somente aos segurados empregados, pois o segurado contribuinte individual, por exemplo, não possui os direitos dos incisos citados acima. Logo, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 455 11 o constituinte, ao utilizar o termo “trabalhadores” no caput do artigo 7º, referiuse à espécie “empregado”. Cabe observar também que, ao contrário que afirma a Impugnante, embora a CF/88, em seu artigo 7º, tenha retirado a natureza salarial da participação, tratase de uma norma de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende de edição de uma lei ordinária a qual caberá regulamentar esse dispositivo constitucional. […] Neste sentido, como já exposto, a Lei no 8.212/1991 dispõe em seu artigo 28, parágrafo 9º, alínea “j”, citado pela Defendente, que “ Não integra o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica”. Assim, considerando que a única lei que regulamentou de forma específica o pagamento de lucros e/ou resultados seria a Lei 10.101/00, a qual somente poderia ser aplicada aos empregados, não haveria regulamentação específica que possibilitasse o pagamento de lucros e/ou resultados desvinculados da remuneração, para os administradores e diretores sem vinculo empregatício. Diante dos argumentos acima analisados, a DRJ concluiu pela manutenção do lançamento, cuja ementa segue abaixo transcrita: AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. Os Autos de Infração (AI) encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gratificações. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA PAGA A SEGURADO EMPREGADO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃOEMPREGADO. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A participação dos diretores não empregados nos lucros e resultados da Companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, bem como as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no parágrafo 1º do artigo 161. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada com a decisão acima, da qual foi cientificada em 18/04/2012, o Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 373408, reiterando os termos da impugnação e aduzindo, em síntese, que o art. 7º, inciso XI, da CF, ao prever que o trabalhador tem direito à participação nos lucros e/ou resultados desvinculada da remuneração, estabelece verdadeira regra de imunidade tributária em prol da melhoria da condição social dos trabalhadores. Alega que o referido dispositivo tratase, na verdade, de norma de eficácia plena – e não limitada, como entendeu a Fiscalização – o que é ratificado pelos entendimentos doutrinário e jurisprudencial colacionados. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 456 13 Sendo assim, a Lei 8.212/91 seria inconstitucional por determinar que a contribuição incida sobre a participação paga ou creditada ao empregado, salvo a decorrente de lei específica. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, ressalto a impossibilidade de este Conselho afastar a aplicação da Lei nº 8.212/91 com base na sua inconstitucionalidade, conforme prevê o enunciado da Súmula 2. Passamos, então, à análise das demais questões envolvidas neste processo. É sabido que o art. 7º da Constituição Federal estabelece, entre os direitos sociais fundamentais dos trabalhadores, a possibilidade de participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, senão vejamos: Art. 7º da CF: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...]. XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; [...]. O inciso XI estabelece que a participação nos lucros, ou resultados, deva ser desvinculada da remuneração com o objetivo de estimular a distribuição de lucros e resultados pelas empresas, retirando os encargos incidentes sobre esta parcela. Do mesmo modo, a Lei nº 8.212/91, em seu art. 28, §9º, ‘j’, prevê que não integra o salário de contribuição a parcela referente à participação nos lucros ou resultados, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Vejamos o que determina o referido dispositivo legal: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Em relação ao trabalhador com vínculo empregatício, a Lei nº 10.101/2000 regulou a sua participação nos lucros ou resultados da empresa com o objetivo de estimular a “integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição” 2. Da análise da Lei nº 10.101/2000, verificase a necessidade de observância de determinadas condições e requisitos para que os lucros ou resultados distribuídos aos empregados sejam desvinculados da remuneração. É necessário, para tanto, que: 2 Art. 1º da Lei 10.101/2000: Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 457 15 · A participação resulte de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria e/ou por convenção ou acordo coletivo; · Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; · O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; · Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil e até duas vezes no mesmo ano civil. As condições previstas na Lei n. 10.101 tiveram por objetivo, em síntese, garantir aos empregados participação na criação do Plano de distribuição de resultados, bem como evitar que esse instituto fosse utilizado de forma abusiva, disfarçando o pagamento de efetiva remuneração com o objetivo de evitar a incidência da contribuição previdenciária. Embora tenha estabelecido condições objetivas para a implantação de programa de distribuição de lucros ou resultados desvinculada da remuneração, não se pode perder de vista que essa desvinculação, com a consequente não sujeição às contribuições previdenciárias, tem matriz constitucional, motivo pelo qual a sua interpretação deve buscar a efetivação do comando constitucional, e não a limitação da sua aplicação. No caso sob análise, a fiscalização concluiu pela tributação dos pagamentos efetuados no curso do ano de 2007 pelos seguintes argumentos: (i) impossibilidade de verificação quanto ao cumprimento das regras e a forma de cálculo dos valores estabelecidos no plano próprio referente ao ano de 2006, distribuído no ano de 2007; (ii) a inobservância da periodicidade de distribuição de lucros ou resultados prevista no §2º do art. 3º do mesmo diploma legal3. Em relação ao pagamento em 2007 vinculado ao Plano Próprio do ano de 2006, é importante notar que a Fiscalização requereu, no item 2, do Termo de Intimação Fiscal n. 006, o seguinte: 2. Memória de cálculos dos valores pagos a título de Participação nos lucros nos anos de 2007 a 2008, conforme convenção coletiva de trabalho e plano próprio, dos empregados listados abaixo. Deve constar da memória, além dos cálculos, a documentação de suporte para os cálculos, tais como avaliações 3§ 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 de desempenho, metas estabelecidas e cumprimentos das metas, saláriobase utilizado para o cálculo, etc. Em resposta ao citado termo, a Recorrente apresentou contratos de avaliação de performance e avaliação comportamental, com as descrições das metas e avaliações individuais, de grande parte dos colaboradores listados (fls. 166/167), ao tempo em que solicitou prazo adicional de dez dias para juntada da documentação restante e da memória de cálculo dos pagamentos efetuados à totalidade dos colaboradores listados por amostragem no termo de intimação. Às fls. 169, a Recorrente foi novamente intimada a apresentar a memória de cálculo dos valores pagos a título de PLR. Em resposta a este termo, o Recorrente apresentou a documentação solicitada quanto ao ano de 2008 – critérios utilizados para distribuição dos lucros e resultados, indicação de formula para cálculo dos valores e demonstrativo dos lucros distribuídos no ano de 2008, para contribuintes selecionados. Em relação ao ano de 2007, a Recorrente ressaltou que ainda não tinha esgotado as buscas internas para localização dos documentos referentes a este período, mas até aquele momento não havia tido êxito nas buscas. Em seu recurso, a Recorrente se insurge quanto a esse ponto da autuação com base nos seguintes argumentos: (...) o agente fiscal justifica a autuação de forma absolutamente parcial, pois desconsidera que as regras dos programas próprios foram estabelecidas de forma clara e objetiva, fixando os direitos substantivos da participação e as regras adjetivas, inclusive os mecanismos de aferição de cumprimento do acordado, tal como determina a legislação pertinente. Com efeito, os programas próprios, apresentados na fase de fiscalização, determinam que empresa e empregados estabeleceram um plano de participações nos resultados, constituído em duas partes, assim denominadas: Participações nos Resultados Institucional (1) e Participação nos Resultados Operacionais (2). Para cada tipo de participação nos resultados, foram fixados critérios e indicadores específicos de aferição dos resultados. No primeiro caso (1), a participação será baseada no resultado institucional, apurado pelo ROE – Return on Equity em “target” limitado a duas vezes, ou seja, 100%. Para a segunda hipótese (2), será baseado nos resultados operacionais, distribuído com base no atingimento do Programa de Metas da área, composto de indicadores condensados com seus respectivos pesos/pontos que, totalizados, retratarão a performance da área. Por sua vez, o valor individual do Plano de Participação nos Resultados (Institucional + Operacional) será obtido somando se o coeficiente de resultado ROE com o coeficiente de resultado da área, multiplicado pelo salário do participante, e pago anualmente. Dessa forma, resta demonstrado que os programas próprios estabeleceram regras claras e objetivas que possibilitam a aferição do cumprimento do quanto acordado, não podendo Fl. 486DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 458 17 prevalecer o entendimento da autoridade fiscal em sentido contrário. Inicialmente, é preciso esclarecer que a autoridade fiscal, s.m.j., em momento algum afirmou que o Plano Próprio de PLR do ano de 2006 da Recorrente não continha regras claras e objetivas. O que levou a autoridade fiscal a tributar o referido plano foi a impossibilidade de verificar o efetivo cumprimento das regras estabelecidas e a forma de cálculo dos valores estabelecidos no plano. A esse respeito, esta Turma já se manifestou pela improcedência da cobrança, quando o auditor fiscal não efetua o lançamento por arbitramento em razão da recusa do sujeito passivo em apresentar a documentação solicitada. Segue abaixo trecho do voto vencedor proferido pelo Dr. Kléber Ferreira de Araújo, no processo de n. 16682.720575/201111. “Diante dessa recusa, surgiu para a auditoria a possibilidade desconsiderar os pagamentos como participação nos lucros e exigir as contribuições previdenciárias sobre a totalidade dos valores apresentados sob a referida rubrica. Essa possibilidade tem por fundamento jurídico o § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Ocorre que não foi esse o caminho trilhado pela Autoridade Lançadora para edificar os lançamentos. É que sequer foi lavrado auto de infração pela não exibição dos documentos solicitados (ver TEPF de fls. 295/296), tampouco, mencionouse na motivação do lançamento que as contribuições estariam sendo lançadas por arbitramento em razão da recusa do sujeito passivo em atender a intimações da auditoria.” Fl. 487DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 É importante notar que, em resposta ao termo de intimação fiscal de n. 6, a Recorrente apresentou contratos de avaliação de performance e avaliação comportamental, com as descrições das metas e avaliações individuais, de grande parte dos colaboradores listados (fls. 166/167), ao tempo em que solicitou prazo adicional de dez dias para juntada da documentação restante e da memória de cálculo dos pagamentos efetuados à totalidade dos colaboradores listados por amostragem no termo de intimação. Os documentos que acompanharam a resposta ao citado termo de intimação fiscal não foram juntados pela autoridade lançadora, assim como o Regulamento do Programa próprio do ano de 2006. De posse desses documentos, autoridade fiscal, s.m.j., poderia verificar o cumprimento das metas e arbitrar o valor eventualmente devido. O descumprimento da intimação por parte da Recorrente, no tocante à memória de cálculo dos pagamentos efetuados, não impede a autoridade fiscal de fazêlo, por seus próprios meios, com base nos dados de que dispõe. Vale ressaltar que, quanto ao ano de 2007, a fiscalização concordou com a adequação dos pagamentos efetuados com base no Plano Próprio e Convenção Coletiva aos ditames da Lei n. 10.101, diante do que não há qualquer cobrança quanto a esses Programas. Diante do exposto, afasto a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados em fevereiro de 2007, relativos ao Plano Próprio de PLR do ano de 2006, pela motivação relativa à falta de entrega de comprovação do cumprimento do plano. Em relação à periodicidade da distribuição dos lucros ou resultados, a Fiscalização considerou que o “Itaú Seguros distribuiu lucros aos seus empregados em três competências no mesmo ano civil. A repetição de recebimentos por parte dos empregados pode ser verificada nas planilhas entregues pelo sujeito passivo” (fl. 13). Assim, os Auditores concluíram que as contribuições previdenciárias deveriam incidir sobre todas as parcelas pagas pela empresa a título de distribuição de lucros e resultados. Tal entendimento foi mantido pela DRJ. De fato, a Recorrente efetuou três distribuições de lucros ou resultados a seus empregados no ano de 2007, nos meses de janeiro, fevereiro e agosto, com base na Convenção Coletiva específica para o ano de 2006 e no Plano Próprio instituído para o ano de 2006 e para o ano de 2007. O art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, contudo, limita o pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR a duas vezes ao ano, em periodicidade não inferior a um semestre civil: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Da leitura da legislação (Lei 10.101/00) acima mencionada, verificase que não há nenhuma exceção em relação aos pagamentos referentes às competências anteriores ou posteriores, ou seja, ainda que se trate de antecipação ou complementação, tal parcela será considerada na aplicação da regra da periodicidade. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 459 19 Contudo, havendo apenas três pagamentos no ano civil, entendo que não se pode tributar a totalidade dos pagamentos efetuados, mas apenas aquele pagamento que acabou por violar a regra de periocidade prevista na lei. Esse posicionamento vem sendo manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto pela judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições. (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Desse modo, apenas sobre as parcelas dos lucros ou resultados pagas ou creditadas em inobservância à regra legal devem incidir as contribuições previdenciárias. Já as parcelas pagas em observância ao art. 3º, §2º – uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano – devem ser excluídas. Como já se disse, as parcelas foram distribuídas, respectivamente, em janeiro, fevereiro e agosto do ano de 2007. É preciso, inicialmente, identificar quais os empregados que receberam as três parcelas de participação nos lucros ou resultados, já que, conforme informado nas defesas apresentadas, nem todos os empregados fazem jus à participação com base na Convenção Fl. 489DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Coletiva e Plano Próprio, ou receberam três parcelas de participação no ano de 2007. Segundo informado pela Recorrente, apenas 2% dos empregados receberam três pagamentos no ano de 2007. Para os empregados que receberam pagamentos em janeiro, fevereiro e agosto de 2007, entendo que há descumprimento das regras de periodicidade previstas na lei apenas quanto aos pagamentos efetuados em fevereiro de 2007, devendo apenas este ser mantido na autuação. Os pagamentos efetuados em janeiro e em agosto, portanto, por se ajustarem aos requisitos legais quanto à periodicidade, devem ser excluídos da autuação. Para os empregados que receberam até dois pagamentos no ano de 2007, só deverá ser mantido na autuação o pagamento que eventualmente descumprir a limitação semestral imposta na Lei. Sendo assim, caso tenha havido pagamento em janeiro e agosto, ou em fevereiro e agosto, tais parcelas devem ser excluídas da autuação, por estarem em conformidade com a lei. Caso, contudo, os dois pagamentos tenham sido feitos nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, apenas este último deverá ser mantido na autuação, por desrespeitar a periodicidade legal. Em relação à participação dos Administradores e Diretores estatutários nos lucros e resultados da empresa, a autuação igualmente não merece prosperar. A esse respeito, defende a Recorrente que efetuou os pagamentos de participação nos lucros aos seus administradores estatutários nos estritos termos da Lei das Sociedades Anônimas, diante do que esses pagamentos não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária, a teor do §9º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, bem como no art. 7º, XI, da Constituição Federal, transcrito em linhas acima, que estabelece que é um direito dos “trabalhadores” a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei. De fato, além de a Constituição Federal garantir aos trabalhadores a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração – o que, no entender desta relatora, não está limitado aos empregados, mas abrange também diretores estatutários, não subordinados à relação de emprego – a Lei n. 8.212/1991 também excluiu do conceito de remuneração, através da alínea ‘j’ do §9º do seu artigo 28, a participação nos lucros ou resultados. Tanto a Constituição Federal quanto a Lei n. 8.212/1991, contudo, atribuíram à lei a definição dos lucros ou resultados a serem distribuídos, os quais se desvinculam da remuneração e, como conseqüência, não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária. No que diz respeito à distribuição de lucros ou resultados aos empregados, a MP 794/94, posteriormente convertida na Lei 10.101, tratou de disciplinar as condições e critérios a serem estabelecidos para validamente promover a repartição dos resultados com os empregados. Com relação à referida regulamentação, há decisões do Egrégio STF no sentido de que apenas após a MP 794/94, disciplinando a distribuição dos lucros aos empregados, verificaramse as condições indispensáveis ao afastamento da incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de participação dos empregados no lucro das empresas. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 460 21 Ocorre, no entanto, que tal entendimento ainda não foi sedimentado pelo Supremo, tendo em vista o reconhecimento de repercussão geral sobre o tema, cuja ementa da decisão segue abaixo transcrita, não tendo o respectivo Recurso Extraordinário sido julgado pelo Pleno do STF até o momento: EMENTA. Tributário. Contribuição previdenciária. Participação nos lucros da empresa. Art. 7º, inciso XI, CF. Medida Provisória 794/94. Repercussão geral. 1. A controvérsia envolvendo debate acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre a parcela denominada participação nos lucros concernente a período posterior à Constituição Federal de 1988 e anterior à Medida Provisória nº 794/94, à luz do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, possui densidade constitucional suficiente para ensejar o exame da matéria pelo Pleno da Corte. 2. Repercussão geral reconhecida. (RE 569441 RG, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/12/2010, DJe057 DIVULG 25032011 PUBLIC 28032011 EMENT VOL0249002 PP00275 RDECTRAB v. 18, n. 202, 2011, p. 104109); Além de a controvérsia acima apontada ainda não ter sido definida pelo Pleno do STF, entendo que os precedentes já existentes, no sentido de que apenas após a Medida Provisória n. 794/94 a distribuição de lucros a empregados passou a ser isenta das contribuições previdenciárias, não implica dizer que a Lei n. 6.404/1976 não se presta a regular a distribuição de lucros aos administradores, nos termos do art. 7o da CF. Isto porque a discussão travada pelo Supremo gira em torno da aplicabilidade do art. 7º da Constituição em relação aos empregados e não em relação aos administradores, sem vínculo empregatício. Por essa razão, a análise feita pelo Egrégio STF até o momento não analisa a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/1976) como veículo normativo hábil a disciplinar o assunto e, como consequência, afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre essas distribuições. Verificase, portanto, que o entendimento do STF não pode ser aplicado ao caso ora analisado. No tocante aos administradores, que não se enquadram na categoria de empregados, concordo com a Recorrente quando afirma que a regulamentação em relação à distribuição dos lucros está prevista no art. 152 da Lei n. 6.404/1976, abaixo transcrito: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. É de se observar que a distribuição de lucros da sociedade anônima a seus administradores decorre de uma deliberação dos acionistas, que deixam de receber parte dos lucros a que fazem jus para destinálos aos diretores não empregados, através de previsão estatutária específica para esse fim. Por esse motivo, a distribuição desses lucros aos diretores não se configura em despesa da pessoa jurídica, já que é parcela do lucro auferido, não afetando, assim, o seu resultado. Essa peculiaridade da distribuição de lucros a administradores de sociedade anônima já foi analisada pela 2ª Turma desta 4ª Câmara, que, em reiterados julgados, afastou, por unanimidade de votos, a aplicação da Lei n. 8.212/1991 a esses pagamentos. Para melhor análise, transcrevemos abaixo os trechos pertinentes do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro relator Nereu Miguel Ribeiro Domingues: A Recorrente sustenta também que a participação estatutária dos diretores não possui feição remuneratória, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Como pode se verificar no item 2.3 do relatório fiscal (fl. 38), houve a distribuição de lucros aos diretores estatutário, haja vista que é uma sociedade anônima, nos termos da Lei nº 6.404/76. Cabe pontuar, primeiramente, que a Lei nº 6.404/76 trata os diretores da mesma forma que os administradores, tal como se verifica em seu art. 145, in verbis: "Art. 145. As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores." As regras relativas à participação desta classe de trabalhadores estão claramente previstas no art. 152 da Lei n. 6.404/76, que assim dispõe: "Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) §1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for Fl. 492DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 461 23 atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202." Analisando as regras expostas acima, temse que, por ser a assembleia geral que delibera sobre a concessão de participação aos diretores estatutários, estáse diante de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”. Nesse sentido, destacase que a participação dos diretores estatutários é contabilizada em conta do patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não paga pela empresa em si (por meio de escrituração em conta de resultado). Neste contexto, não há que se falar na aplicação do art. 28 da Lei nº 8.212/91, pois os valores recebidos pelos diretores estatutários não se inserem na relação jurídica “Empregador x Empregado”, não havendo que se falar na incidência das contribuições previdenciárias. Em vista disso, é mister que seja excluído do presente lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos realizados a título de “PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DA DIRETORIA EXECUTIVA – PLE”. (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma, Acórdão nº 2402002.883, Sessão de 10 de julho de 2012). Este entendimento foi reiterado no julgamento do Acórdão 2402002.884, proferido pela mesma 4ª Câmara, 2ª Turma deste Conselho. Sendo assim, não há que se falar em pagamento de remuneração pela pessoa jurídica, já que os resultados distribuídos são deduzidos dos lucros dos acionistas, afetando, assim, a relação acionista e diretor e ocasionando, portanto, a não incidência das contribuições previdenciárias. Diante da mesma premissa, tampouco há que se falar na incidência de contribuições para terceiros sobre estas parcelas. Entendo, assim, pelo afastamento da cobrança quanto à participação nos lucros dos administradores da Recorrente. Por fim, o Recorrente alega a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, considerando que “as autoridades fiscais certamente computarão juros de mora sobre a multa, não obstante os juros já incidam sobre o principal da dívida, aumentando sobremaneira o valor da obrigação tributária de forma totalmente ilegal”. Para tanto, fundamenta a sua alegação no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre débitos decorrentes de “tributos e contribuições” e estabelece, em seu §3º, a aplicação de juros sobre o referido débito e não sobre sanções de atos ilícitos. Assiste razão à Recorrente, na medida em que o dispositivo legal tem que ser interpretado de forma hermenêutica. Não é possível, portanto, interpretar o parágrafo em total inobservância ao caput, pois a previsão legal deve refletir a vontade do legislador. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Tanto é assim que o próprio art. 61 da Lei nº 9.430/96 prevê que sobre os “débitos decorrentes de tributos ou contribuições” deve incidir a multa de mora. Não há, portanto, como sustentar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, uma vez que a penalidade pecuniária não decorre do tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Concluise, portanto, pela inexistência de previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício. Conclusão Diante do acima exposto, dou provimento parcial ao presente recurso voluntário para determinar: (i) a exclusão do lançamento das contribuições previdenciárias e de terceiros incidentes sobre os pagamentos efetuados nas competências janeiro e agosto de 2007 e, com relação à competência fevereiro de 2007, excluir do lançamento as contribuições decorrentes de pagamentos realizados a empregados que não tenham recebido pagamento cumulativo com a competência 01/2007, nos termos da fundamentação supra,; (ii) a exclusão do lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados dos Diretores e Administradores; (iii) em relação à obrigação acessória, o recálculo da multa devida por força da redução da contribuição devida, conforme dispositivo acima, (iv) não haja incidência de juros sobre a multa. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 462 25 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado A despeito do brilhante voto da Ilustre Relatora, ouso divergir de seu entendimento quanto à incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais a título de PLR, bem como, quanto à aplicação de juros sobre a multa de ofício. Pagamento de PLR a administradores – incidência de contribuições Verifiquemos, então, se a tributação para a Seguridade Social alcança os pagamentos de PLR aos administradores (diretores não empregados), enquadrados no Regime Geral de Previdência Social RGPS na condição de contribuintes individuais. Essa discussão em nosso Tribunal Administrativo encontra decisões nos dois sentidos. Uns entendem que a exclusão dessa parcela do saláriodecontribuição tem guarida no que dispõe a Lei das S/A (Lei n.º 6.404/76). Há os que, de modo diverso, afirmam que a única lei a regular essa matéria seria a Lei n.º 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais. Filiamonos a segunda corrente. De fato, a própria Corte Constitucional reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado (RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO): EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator): ”Há três precedentes monocráticos na Corte.Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim,e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP n.º 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 também se refere a Lei n.º 6.404/1976. De se concluir que a Lei n.º 8.212/1991 ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. A Lei da PLR em nenhum momento trata do pagamento da verba a trabalhadores não empregados, por outro lado, em seu art. 2.º é expressa em se reportar às pessoas físicas que mantém com o empregador o vínculo de emprego. Eis o texto: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Vêse, assim, que a lei do PLR não contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento visam ao segurado empregado. Outra evidência que vem reforçar essa tese é que o art. 7. da Constituição Federal é, fora de dúvida, dirigido aos trabalhadores que se vinculam ao empregador por vínculo de emprego. Ao lado do da participação nos lucros estão os direitos tais como: seguro desemprego, FGTS, férias, horas extraordinárias, aviso prévio, etc. Por esse motivo uma interpretação sistemática do texto constitucional leva à conclusão de que o inciso XI daquele Fl. 496DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.720507/201100 Acórdão n.º 2401003.138 S2C4T1 Fl. 463 27 dispositivo não alcança os administradores não empregados, mas apenas os trabalhadores que laboram sob a proteção da CLT. Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, curvamonos à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso na parte se refere i) à exclusão do saláriodecontribuição da verba paga aos diretores nãoempregados a título de participação nos lucros e ii) à aplicação de juros sobre a multa de ofício. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LAND IM, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.911980/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.121
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. RELATÓRIO O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito da Contribuição para o PIS/PASEP, no valor original de R$ 46.556,08, a ser compensado com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 11722 17192.180908.1.3.049427, transmitida eletronicamente em 19/09/2008, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911980/200910 Resolução n.º 3202000.121 S3C3T2 Fl. 2 2 A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/6/2008 6912 46.556,08 17/7/2008 A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 4843456531 46.556,08 DB: cód 6912 – PA 30/6/2008 46.556,08 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$34.940,00. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 28), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão n° 0345.482 de 20/10/2011, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911980/200910 Resolução n.º 3202000.121 S3C3T2 Fl. 3 3 imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que: houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911980/200910 Resolução n.º 3202000.121 S3C3T2 Fl. 4 4 a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação da Recorrente foi indeferido, por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. No seu entender, com a apresentação da declaração retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no Despacho Decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas na DCTF retificadora. A interessada, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ – Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Muito bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911980/200910 Resolução n.º 3202000.121 S3C3T2 Fl. 5 5 desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF – Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem – Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10875.001769/2001-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
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Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Sessão. Os autos deverão ser entregues ao Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis na forma do art. 49, § 7º do RICARF. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, com fulcro no art. 5º do Decretolei nº 491/69, relativo ao 4º Trimestre de 2000, que foi indeferido por meio do despacho decisório nº 29/2004, em face do contribuinte: 1) não ter esgotado o saldo credor existente em 31/12/1998 (art. 5º da IN SRF nº 33/99); e 2) não ter comprovado se entre os créditos existentes em 31/12/98 haviam créditos relativos à saídas isentas com direito à manutenção e utilização decorrentes de incentivos fiscais, passíveis de ressarcimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 01 76 9/ 20 01 -0 7 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10875.001769/200107 Resolução nº 3403000.462 S3C4T3 Fl. 3 2 Por meio do Acórdão 9.765, de 04/11/2005 a 2ª Turma da DRJRibeirão Preto indeferiu a manifestação de inconformidade em julgado que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, está condicionado ao esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, nos termos estabelecidos pela Instrução Normativa SRF n° 33/99. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. O momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal para fins cadastrais. Solicitação Indeferida Regularmente notificado da decisão de primeiro grau em 10/01/2006, o contribuinte manejou o recurso voluntário de fls 782 a 1030 em 09/02/2006. Por meio da resolução 20300.775 o julgamento foi convertido em diligência, a fim de que fosse verificado: 1) se todos os créditos incorporados pela empresa até 31/12/1998 decorriam da aplicação do art. 5º do DL nº 491/69; e 2) caso contrário, identificar os créditos que não decorreriam da aplicação do referido dispositivo legal, utilizandose, para tal fim os ditames da IN 114/88 (fls. 1078 a 1081). Os autos retornaram com a informação fiscal de fls. 1120 a 1121 e foram sorteados ao Conselheiro Emanuel Dantas de Assis, em virtude do relator originário ter deixado a Terceira Câmara do Segundo Conselho (fl. 1122). Por meio do Acórdão 20312.847 o recurso do contribuinte foi provido, pois a diligência confirmara que o saldo credor existente em 31/12/1998 era relativo a créditos incentivados, podendo ser mantidos na escrita fiscal sem necessidade do esgotamento previsto no art. 5º da IN 33/99. Regularmente notificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional embargou o julgado às fls. 1132 a 1135, a fim de que o colegiado ressalvasse o direito da fiscalização aferir a legitimidade dos créditos, o que não havia sido feito até o momento da prolação do acórdão. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10875.001769/200107 Resolução nº 3403000.462 S3C4T3 Fl. 4 3 Por meio do Acórdão 340100.194, os embargos de declaração foram acolhidos para sanar a omissão existente no julgado e o processo foi baixado em diligência para que fosse aferida a legitimidade do crédito. Dos embargos de declaração da PFN decorreram: 1) o despacho decisório sobre a legitimidade do crédito (fl. 1152 a 1154); 2) o acórdão da DRJ de fls. 1200 a 1204; e 3) o recurso voluntário de fls. 1210 a 1220). É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica nos autos, o despacho decisório de fls 1152 a 1154, acerca do tópico “legitimidade do crédito”, foi decorrência lógica dos embargos de declaração da PFN ao Acórdão 20312.847. Na verdade, o julgamento proferido pelo Acórdão 20312.847 foi incompleto, pois a legitimidade dos créditos não havia sido aferida até o momento da prolação daquele acórdão. A diligência determinada em razão dos embargos objetivou oferecer subsídios à Primeira Turma Ordinária para que esta complementasse o julgamento anteriormente proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho. Não se trata aqui de um processo novo recém chegado ao CARF. Tratase de um retorno de diligência determinada pela Primeira Turma Ordinária desta Câmara por provocação da PFN. O art. 49, § 7º do RICARF estabelece que os retornos de diligência devem ser entregues ao relator e não serem incluídos em lote para novo sorteio, como se deu no caso concreto. Desse modo, considerando que o relator originário, Conselheiro Emanuel Dantas de Assis, ainda é membro da Primeira Turma Ordinária desta Câmara, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso, a fim de que seja cumprido o art. 49, § 7º do RICARF, possibilitando que o relator originário complemente o julgamento em relação à diligência por ele solicitada. Antonio Carlos Atulim Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10875.901716/2008-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-004.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito declarou DCOMP 40879.69477.100804.1.3.04 8998, proveniente de crédito de PIS originado do pagamento a maior deste tributo, referente ao PA de 30.04.2003, recolhido em 13.06.2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 17 16 /2 00 8- 56 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.901716/200856 Acórdão n.º 3803004.343 S3TE03 Fl. 86 2 À fl. 30 está anexo Despacho Decisório, que negou a compensação declarada sob o argumento de que não foi localizado crédito vinculado ao DARF indicado no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou sintética Manifestação de Inconformidade à fl. 01, alegando que enviou PER/DCOMP retificadora com a finalidade de corrigir o código correto do DARF, já que após a retificação passou a constar o código 8109, tendo inclusive anexado cópia do DARF recolhido em 15.05.2003 no valor de R$ 6.966,56. Já às fls. 39/40 foi proferido o Acórdão n.° 05.31.229 1ª Turma da DRJ de Campinas, cuja ementa segue abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. DARF. SALDO DISPONÍVEL. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a existência do DARF informado como origem do direito creditório em DCOMP, e constatada a existência de saldo disponível de pagamento, homologase a compensação até o seu limite. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Com efeito, percebese que a decisão de piso confirma que o DARF não foi localizado em virtude de erro cometido pelo contribuinte quando preencheu a DCOMP, uma vez que este informou errado o código da receita e a data de arrecadação. Os julgadores ainda concluem que não há DCOMP retificadora da DCOMP destes autos (n° 40879.69477.100804.1.3.048998), e que a DCOMP n° 20715.76803.171106.1.7.040997 é retificadora de uma outra declaração, a de n° 08733.50142.061006.1.3.044071. Assim, apesar dos equívocos em relação as DCOMPs, a DRJ deferiu parcialmente o crédito no valor de R$ 1.681,97, após pesquisa no banco de dados da RBF à fl. 36, em relação a DCOMP n.° 20715.76803.171106.1.7.040997, uma vez que o DARF indicado apresentava tal crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 54/56 (numeração digital), argumentando que apresentou PER/DCOMP com crédito no valor de R$ 6.966,56, proveniente do recolhimento a maior de PIS Destacou ainda ter a DRJ concluído que o DARF indicado para comprovar o crédito em foco, estaria sendo utilizado em outra PER/DCOMP, a de n° 20715.76803.17106.1.7.040997, na qual é retificadora da PER/COMP n° 08733.50142.061006.3.04, e a ele reservado para utilização do crédito. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.901716/200856 Acórdão n.º 3803004.343 S3TE03 Fl. 87 3 Entretanto, segundo o contribuinte, os débitos de PIS no código 6912 dos períodos de apuração de Jan/2004 e Abr/2004 nos valores principais de R$ 921,80 e R$ 1.985,19 respectivamente declarados através da DCTF Retificadora do 1º Trimestre de 2004 e a DCTF Original 2º Trimestre de 2004 recibo n° 39.65.54.83.6460, outrora compensados na PER/DCOMP n° 40879.69477.100804.1.3.048998 são os mesmos compensados na PER/DCOMP n° 20715.76803.171106.1.7.040997, duplicando a compensação dos referidos débitos, pois de fato não se atentou em efetuar o cancelamento a primeira compensação. Assim, requer o contribuinte a reconsideração da cobrança dos débitos mencionados no item 3 através do cancelamento de ofício da PER/DCOMP n° 40879.69477.100804.1.3.048998, visto que já foram compensados através da PER/DCOMP n° 20715.76803.171106.1.7.040997, e homologação da PER/DCOMP em questão. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani Verifico, liminarmente, que o recurso voluntário às fls. 54/56 (numeração digital) foi protocolado fora do trintídio regulamentar, contado da data da intimação da decisão de primeira instância. Analisando o Aviso de Recebimento à fl. 53 (numeração digital), noto que a ciência da Decisão proferida pela DRJ ocorreu em 06.07.2011, mas o contribuinte aprestou o recuso somente em 16.08.2011, conforme se observa à fl. 53 dos autos na numeração digital. Diante do exposto, em face de sua intempestividade, não há como conhecer como recurso voluntário. É o voto. Sala das Sessões, 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720545/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
SUJEIÇÃO PASSIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Transfere a propriedade do bem imóvel o registro da Escritura de Venda e Compra no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, a transferência da propriedade do imóvel não ficou comprovada, permanecendo o interessado como sujeito passivo do imposto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.103
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Redator designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Transfere a propriedade do bem imóvel o registro da Escritura de Venda e Compra no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, a transferência da propriedade do imóvel não ficou comprovada, permanecendo o interessado como sujeito passivo do imposto. Recurso negado.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Transfere a propriedade do bem imóvel o registro da Escritura de Venda e Compra no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, a transferência da propriedade do imóvel não ficou comprovada, permanecendo o interessado como sujeito passivo do imposto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso. Redatora designada a conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 05 45 /2 00 9- 91 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 62 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Redator designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/57) interposto em 23 de novembro de 2011 contra o acórdão de fls. 42/47, do qual o Recorrente teve ciência em 01 de novembro de 2011 (fl. 50), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 01/04, lavrada em 06 de julho de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. Exercício: 2005 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, proprietário do imóvel à época do fato gerador do imposto, em razão da falta de comprovação da alienação do imóvel nos moldes da legislação pertinente, não havendo que se falar, portanto, em subrogação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – VTN ARBITRADO. Considerase não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 42). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 51/57, pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 63 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que o Recorrente não contestou o mérito da autuação, qual seja, o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN, limitandose a alegar a ilegitimidade passiva em razão da venda do imóvel. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Pois bem, alega o Recorrente que não deve figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária pelo fato de que teria, supostamente, procedido à prévia venda do imóvel objeto do lançamento, sendo a responsabilidade, portanto, da empresa adquirente. Em relação ao citado aspecto, muito embora a DRJ tenha reconhecido a validade da escritura pública de compra e venda acostada pelo Recorrente aos autos (fls. 35/36), os julgadores da instância a quo entenderam que referido documento não seria hábil a comprovar a transferência da titularidade do imóvel, sendo necessária a apresentação de cópia do registro geral de imóveis, o qual atestaria a efetiva alienação do bem imóvel. Em que pese ao entendimento formado pela instância a quo, tenho para mim que assiste razão ao Recorrente. De fato, muito embora disponha o Código Civil que a efetiva troca de titularidade, para efeitos legais, ocorra por meio do registro no RGI, a escrituração, junto ao tabelião, da compra e venda de bem imóvel é dotada de fé pública, sendo o instrumento hábil a comprovar a efetivação da venda, ainda que posteriormente sujeita à averbação na matrícula do imóvel (RGI). Vale destacar, aliás, que é vedado à União e, bem assim, aos órgãos que a compõem, na forma do quanto descrito no art. 19 da Constituição Federal, “recusar fé aos documentos públicos”, razão pela qual, também por este motivo, não seria cabível a exigência de outros documentos do Recorrente. Sob esse prisma, portanto, sendo certo que o Recorrente logrou acostar aos autos a escritura de compra e venda, documento hábil a demonstrar a alienação de bem imóvel, Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 64 4 entendo que, em relação ao referido aspecto, restaria superada a questão probatória, na medida em que nada mais lhe poderia ser exigido, de acordo com a jurisprudência sedimentada por este CARF: “AQUISIÇÃO DE IMÓVEL ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DOCUMENTO PÚBLICO Somente deixa de prevalecer a data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda, para os efeitos fiscais, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma diversa. Assim, a Escritura Pública de Compra e Venda faz prova bastante de que a aquisição do imóvel deuse na forma prevista na escritura. A alegação, desacompanhada de prova material, de que a forma de aquisição foi por valor diferente não tem o condão de sobrepujar o que foi contratado diante de tabelião juramentado.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Acórdão 10418.853, relator Conselheiro Nelson Mallmann, j. em 09/07/2002) Nesse sentido, portanto, havendo a comprovação da efetiva alienação do imóvel, verificase que o tributo deveria ter sido cobrado do adquirente, na medida em que, como se sabe, as obrigações tributárias relativas ao pagamento de ITR são de natureza propter rem, sendo exigíveis, apenas e tão somente, dos efetivos proprietários à época de sua cobrança. A este respeito, cumpre trazer à colação o disposto pelo art. 130 do CTN, ora colacionado: “Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.” Assim sendo, havendo a comprovação, como visto, da transferência do imóvel para outro contribuinte, cumpre aferir se houve, na data da alienação, a apresentação pelo Recorrente de qualquer prova de quitação do ITR em relação ao período fiscalizado, de maneira a fazer recair sobre ele a responsabilidade pelos tributos devidos até a data da venda. No que atine a esse ponto, verificase, de um breve compulsar do instrumento público, que o ora Recorrente deixou de apresentar, na data da elaboração da escritura pública, qualquer prova de quitação do ITR, limitandose a acostar as seguintes certidões: (a) certidão de ônus reais, (b) certidão negativa de ação civil, (c) certidão negativa de feitos criminais, bem como (d) certidão negativa de interdição dos vendedores. Em relação a eventuais débitos fiscais, pois, não há qualquer menção à apresentação de prova de sua quitação, normalmente feita a partir de certidão exarada pela SRF para este fim, havendo, para tanto, mera declaração de que não haveria quaisquer débitos fiscais pendentes sobre o imóvel, assertiva esta que, por si só, não constitui prova da quitação dos tributos, tal como exigido pelo art. 130 do CTN. Eis o teor da escritura pública: “Pelas partes me foram apresentados ainda os seguintes documentos preconizados pela Lei Federal nº 7.433 de 18/12/1985 e Decreto 93.240 de 09/09/1986. Certidão negativa de ônus reais, certidão negativa de ação civil, certidão Fl. 65DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 65 5 negativa de feitos criminais, certidão negativa de interdição dos vendedores, cujas cópias ficam arquivadas nesta Serventia, em pasta própria. Declarando os outorgantes vendedores, através de seu representante legal, não existir nenhum débito fiscal sobre o bem transacionado.” (fl. 36) Na esteira do exposto, portanto, entendo que, não havendo a exigência por parte do comprador da certidão específica relativa à quitação de débitos fiscais propter rem, tal como sói ocorrer em transações deste jaez, assumiu este o risco de sua inclusão no polo passivo de tais obrigações tributárias, ainda que em período anterior à sua aquisição, não sendo aplicável, portanto, a ressalva contida no art. 130, in fine, do CTN. Assim, verificandose a efetiva alienação do bem imóvel, bem como aferindose que não se aplicaria, in casu, a ressalva feita no art. 130, in fine, do CTN, entendo que cumpriria à fiscalização lavrar o auto de infração em face do adquirente, na medida em que, conforme explicitado, os débitos de ITR concernem ao objeto de obrigação propter rem. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 66 6 Voto Vencedor Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Em que pese aos fundamentos declinados pelo i. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, peço vênia para divergir do seu entendimento, pelas razões a seguir deduzidas. O litígio instaurado no presente processo centrase na discussão quanto à sujeição passiva do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. As medidas preparatórias para o lançamento, bem assim a Notificação de Lançamento (fls. 1 a 4) foram lavrados em nome de Francisco Oreste Libardoni, pessoa física que se identificou como contribuinte na Declaração do ITR correspondente ao exercício 2005 constante dos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 11). No caso em apreço, o lançamento, referente ao exercício 2005, efetivouse em 17.7.2009, com a ciência do interessado (fls. 16). Em 6 de agosto de 2009, o lançamento foi impugnado (fls. 21). Em sua defesa, o interessado ponderou que, em 2008, a propriedade foi vendida e que, em 2009 quando tomou ciência do lançamento, já não era mais o proprietário, razão pela qual houve erro na identificação do sujeito passivo. Especificou que, em 12 de março de 2008, o imóvel objeto do lançamento foi “outorgado para IMOBILIÁRIA CEITA CORE LIMITADA, inscrita no CNPJ n.º 07.786.555/000150, pelo valor de R$ 134.000,00 (cento e trinta e quatro mil reais)”, conforme Escritura de Venda e Compra lavrada no Livro 07 IHO – Folhas 138 e Verso, no Cartório Extrajudicial de Notas no Município de Pau D’Arco, Comarca de Redenção (PA). Às fls. 25 e 26 foi anexada a citada Escritura. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília não acolheu seus argumentos, e concluiu que, na época do “fato gerador”, o interessado era proprietário do imóvel, e, muito embora tenha apresentado a Escritura de Venda e Compra com data de 12.3.2008, salvo prova em contrário, tal título não foi levado a registro público no Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos do art. 1.245, § 1º, do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002). No recurso voluntário, o interessado reiterou seus argumentos de defesa. A Lei n.º 6.015, de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, define, em seu artigo 172, a competência Cartório de Registro de Imóveis: Art. 172 No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta Lei, o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, " inter vivos" ou " mortis causa" quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade em relação a terceiros, quer para a sua disponibilidade. (Renumerado do art. 168 § 1º para artigo autônomo com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 67 7 O registro no Cartório de Registro de Imóveis é ato constitutivo da transferência da propriedade do imóvel do vendedor para o comprador, tal como esclarece Maria Helena Diniz (Dicionário Jurídico. São Paulo: Saraiva, 1998. Volume 4, p. 101), ao afirmar que “Somente a intervenção estatal, realizada pelo oficial do Cartório Imobiliário, conferirá direitos reais, a partir da data em que se fizer o assentamento do imóvel. Antes do registro, o alienante continuará a ser o proprietário e responderá pelos encargos do prédio.” Com efeito, o Código Civil brasileiro, no Livro III da Parte Especial, ao tratar da propriedade, especifica o momento da transmissão da propriedade dos bens imóveis nos casos de aquisição pelo registro do título: Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. [...]. Sendo assim, antes do registro da Escritura de Venda e Compra de um imóvel no Cartório de Registro Imobiliário competente, não se transfere a propriedade do bem imóvel do vendedor para o comprador. Sobre Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, previsto no artigo 153, VI, da Constituição Federal de 1988, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. A Lei n.º 9.393, de 1996, que traça a regramatriz de incidência do imposto, prevê, em seu artigo 1.º: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...]. Na hipótese vertente, o interessado alega não ser sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel denominado “Fazenda Libardoni”, por têlo vendido para “Imobiliária Ceita Core Limitada” e, diante disso, os atuais proprietários seriam responsáveis pelo ITR lançado. Entende o recorrente que o fato de não ter havido a transferência da propriedade mediante o registro da transação no Cartório de Registro de Imóveis não pode ser determinante para a definição da responsabilidade tributária. Acostou aos autos a Escritura de Venda e Compra às fls. 25 e 26. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 68 8 Sem razão o recorrente. Ocorre que, como visto, somente o registro da Escritura de Venda e Compra de um imóvel no Cartório de Registro de Imóveis constitui a transferência da propriedade do bem. Isto significa dizer que a Escritura de Venda e Compra, por si só, não comprova que, a partir da data de sua emissão e registro, no Tabelionato de Notas, a propriedade do imóvel passou a ser do terceiro nela indicado, no caso, “Imobiliária Ceita Core Limitada”. É que, apesar de constituir documento público, a Escritura de Venda e Compra registrada no Tabelionato de Notas, conforme anteriormente explicitado, não é instrumento hábil para constituir a transferência da propriedade do imóvel, tal como pretendido. Por outro lado, não consta que a Escritura de Venda e Compra às fls. 25 e 26 tenha sido levada a registro no Cartório de Registro de Imóveis competente, constituindo a transferência a propriedade do imóvel para o terceiro indicado no referido documento. Desse modo, na data do “fato gerador”, bem assim, na data do lançamento, o recorrente permanecia na condição proprietário do imóvel. Por essas razões, não ficou comprovada a alegação de que, na data do lançamento, o interessado já não era proprietário do imóvel rural fiscalizado. Conforme adrede salientado, até que a Escritura de Venda e Compra seja levada a registro no Cartório de Registro de Imóveis, o recorrente permanece, para todos os efeitos legais, na condição de proprietário. É, portanto, o sujeito passivo do ITR. Por fim, também não há que se alegar que, com a Escritura de Venda e Compra, transferiuse a posse do imóvel para o terceiro identificado e, por esse motivo, o sujeito passivo do imposto seria o possuidor do imóvel, na pessoa do adquirente. É que, havendo a concomitância entre a posse direta do possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderia ser exigido de qualquer um deles, mas não caberia a ilegitimidade passiva do alienante. Nesse sentido, trazemos à colação excerto do voto condutor do Acórdão n.º 9202002.097, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na Sessão de 9 de maio de 2012, da lavra do i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: “O recorrente também afirma que, desde a assinatura do contrato de compra e venda, em 01/01/2001, ocorreu a imissão da posse pelo adquirente, que teria passado a ser responsável pelos tributos. Salientese, entretanto, que não há divergência comprovada quanto a esse ponto e, portanto, não cabe sequer conhecêlo. Todavia, caso fosse essa a divergência a ser enfrentada, esclareço meu entendimento de que, havendo a concomitância entre a posse direta do titular do domínio útil ou possuidor e a posse indireta do proprietário, o imposto sobre o patrimônio poderia ser exigido de qualquer um dos sujeitos passivos "coexistentes" mas não caberia a ilegitimidade passiva do alienante. Aliás, essa é a exegese definitivamente consolidada pelo STJ sob a sistemática do art. 543 C do CPC por meio do REsp nº 1.073.846 SP, julgado em 25/11/2009, cuja decisão deve ser seguida pelo CARF, em atenção ao art. 62 A do RICARF.” Referido Acórdão contou com a seguinte ementa: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 69 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE APÓS O FATO GERADOR. RESSALVA DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. O crédito tributário relativo ao ITR, cujo fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel rural, subroga se na pessoa do respectivo adquirente, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que a transferência da propriedade do imóvel ocorreu após a ocorrência do fato gerador, com a ressalva no título da quitação do ITR, permanecendo o alienante responsável pelos tributos anteriores. Recurso especial negado. Neste mesmo sentido, o Acórdão n.º 2801000.954, de 22.9.2010, proferido pela 1.ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, cujo Relator foi o i. Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 DA LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, de acordo com o artigo 130 do CTN, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes. Para definitiva transferência de propriedade em casos de alienação de imóveis sobre os quais incide o ITR é indispensável à realização de registro do titulo translativo junto ao respectivo Cartório de Registro de Imóveis. Recurso Voluntário Negado. Pelas razões expostas, em consonância com recentes decisões deste Conselho sobre o tema, entendo ter sido correto o lançamento perpetrado contra Francisco Oreste Libardoni, mantido pelo órgão julgador a quo, eis que não ficou comprovado nos autos que, na época dos fatos, o recorrente já não era proprietário do imóvel rural denominado “Fazenda Libardoni”. (assinado digitalmente) ________________________ Celia Maria de Souza Murphy Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10218.720545/200991 Acórdão n.º 2101002.103 S2C1T1 Fl. 70 10 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/09/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURP HY, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000156/2009-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA.
Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 56 /2 00 9- 94 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório PREVIBOSCH SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF Mensal — 1.5 referente a Abril de 2007, no valor de R$16.365,83 (fls. 36). Em 26/01/2009, o interessado supra qualificado apresentou a Impugnação, de fls. 01/14, na qual alega: 1) que até o anocalendário de 2006 entregara a DCTF com periodicidade semestral; porém, ao tentar transmitir por via eletrônica a DCTF referente ao 1° semestre de 2007, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB) não permitiu a entrega da DCTF semestral, orientandoa pela utilização do "PGD DCTF Mensal" (fls. 39); 2) inconformado com tal situação, em 04/10/2007, formalizou consulta perante a SRRF 82 Região Fiscal, requerendo que se esclarecesse/atestasse que a consulente estava autorizada a entregar a DCTF semestral, que a impossibilidade do envio do arquivo decorria de erro/falha no sistema informatizado do órgão e que a multa por atraso na entrega da DCTF restaria afastada por força da consulta formulada; 3) em 23/11/2008, o contribuinte foi cientificado da resposta à sua consulta (Despacho Decisório SRRF/8° RF/Disit n° 45, de 10/03/2008), que teve a seguinte conclusão: 13. Posto isto declaro a ineficácia da consulta com base no art. 52, I, c/c art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, dado não versar sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária, mas sobre a solução de problema concreto encontrado pela consulente para transmissão da DCTF semestral referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, uma vez que o programa não aceitou o documento, emitindo mensagem de obrigatoriedade de DCTF mensal, aparentemente não aplicável a seu caso, problemática essa que deveria ser solucionada por intermédio dos Centros de Atendimento ao Contribuinte CAC, de sua unidade jurisdição, o qual, se não conseguisse encontrar solução imediata para a situação apresentada, deveria solicitar a intervenção dos órgãos superiores apropriados aos quais se subordina. 14. Quanto às condições a serem observadas para a apresentação da DCTF no ano de 2007, encontravamse claramente estatuídas nos arts. 3° a 5° da IN SRF n° 695, de 2006, não ensejando, em princípio, maiores dúvidas. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000156/200994 Acórdão n.º 1803001.924 S1TE03 Fl. 416 3 4) em face da resposta da Disit/SRRF08, em 23/12/2008, o interessado optou por entregar por via eletrônica as DCTF mensais relativas aos meses de janeiro de 2007 a setembro de 2008, o que ensejou a expedição automática da Notificação de Lançamento da Multa pelo Atraso na Entrega da DCTF ora combatida; 5) entende ser descabida a exigência da multa, uma vez que o contribuinte está devidamente enquadrado na hipótese de entrega semestral da DCTF e do DACON, e foi obrigado a apresentar as DCTF mensais por força de um erro do sistema informatizado da RFB; 6) os seus DACON semestrais foram aceitos pelo sistema, a demonstrar que as DCTF semestrais também deveriam ser aceitas; 7) por ser entidade de previdência privada complementar, para fins de cálculo de receita bruta operacional, as contribuições ve rtidas para a entidade não são incluídas, estando a reclamante dentro do limite de receita bruta estabelecida no inciso I, do art. 3°, da IN SRF n° 695/2006; 8) e por também não estar enquadrada nas hipóteses dos incisos II e III da IN SRF 695/2006, não estava obrigada a entregar a DCTF mensal; 9) sendo assim, conclui que a presente cobrança deve ser cancelada, devendo a notificação de lançamento ser declarada nula. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1637.042, de 30 de março de 2012 (fls. 64/68), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OPÇÃO PELA DCTF MENSAL. Ainda que estivesse desobrigado a apresentar a DCTF mensal, seria cabível a multa pelo atraso na entrega. In casu, não restou comprovado que o contribuinte tomou as devidas providências para exercer o seu pretenso direito de entregar a DCTF semestral. Ciente da decisão em 03/05/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 72), apresentou o recurso voluntário em 04/06/2012 fls. 103/120, onde reitera as alegações da inicial. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa pelo atraso na entrega da DCTF Mensal de abril de 2007 (fl. 36). Alega a recorrente em síntese: a) Que “é entidade de previdência complementar fechada, sem fins lucrativos, com personalidade distinta de seus patrocinadores, não tributada pelo lucro real e, ainda, que não aufere receita bruta, já que é mera administradora dos fundos de seus beneficiários.”; b) Que “sempre procedeu a entrega de suas DCTFs na forma semestral, mas que em relação ao 1º semestre de 2007, não logrou êxito na entrega pois o sistema da RFB informou estar sujeita à DCTF mensal”; c) Que “entende estar sujeita apenas a DCTF semestral de acordo com as Instruções Normativas SRF 695/2006 e 786/2007”; d) Que “formulou consulta à Secretaria da Receita Federal e de acordo com a resposta dada em 23.11.2008 foi considerado instrumento inadequado já que não se trata de divergência de interpretação de dispositivos da legislação tributária”; e) Que a decisão de primeira instância merece reforma pois “entendeu equivocadamente que a recorrente não buscou solução adequada para seu problema de entrega das DCTFs e que não comprovou que estava desobrigada à entrega da DCTF mensal.” f) Que “é pessoa jurídica que atua como entidade fechada de previdência complementar não auferindo qualquer tipo de receita. Não possui fins lucrativos, não presta qualquer tipo de serviço e não realiza a venda de mercadorias, limitandose, apenas, à administração dos fundos dos seus beneficiários...”; g) Que “não aufere receitas pois apenas administra os planos de benefícios de natureza previdenciária, devendo ser excluídas da receita bruta das entidades de previdência complementar as contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, bem como rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates.”; h) Que “conforme atestam as DCTFs de 2005 e 2006, não declarou débitos superiores a R$ 3.000.000,00,...”; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000156/200994 Acórdão n.º 1803001.924 S1TE03 Fl. 417 5 i) Que “somente apresentou as DCTFs mensais por imposição do sistema da RFB não sendo sua opção tendo entrega normalmente a DACON de forma semestral”; j) Que “a Administração Tributária não encontrou solução para o seu problema considerando indevidamente a consulta ineficaz”; k) Que “no prazo de 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, apresentou regularmente as DCTFs mensais, sem no entanto estar obrigada, apenas por imposição dos sistemas da RFB, fato que elide a multa de mora aplicada.” Assiste razão à interessada. Com efeito, deve ser afastada inicialmente a dúvida lançada pela decisão de primeira instância sobre a data da mensagem de erro (fl. 39) impossibilitando a entrega da DCTF semestral. O protocolo da consulta formulada à Administração Tributária (fl. 41) comprova que a mesma está datada de 04/10/2007, dentro portanto do prazo regulamentar para a entrega da DCTF semestral preconizado no art. 8º da Instrução Normativa SRF 695/2006. A solução de consulta foi formulada em 04/10/2007 e teve sua resposta cientificada em 23/11/2008 (fl. 50). Não tem sentido afirmar, portanto, que a contribuinte não comprovou estar impedida de efetuar a entrega da DCTF semestral ou que não buscou de forma legal e transparente a solução para o conflito delineado em qual modalidade (mensal ou semestral) de entrega da DCTF a que estava obrigada nos anos 2007 e 2008. Resta verificar se conforme alega a recorrente, não estava realmente sujeita à entrega da DCTF mensal, fato que afastaria o mérito de suas alegações. Neste sentido cabe verificar as hipóteses de enquadramento delineadas nas Instruções Normativas 695/2006 e 786/2007, que abrangem o período em que deixou de entregar as DCTFs mensais até a ciência da solução de consulta. A Instrução Normativa SRF 695/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3 º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III – sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou Fl. 419DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Da mesma forma a Instrução SRF 786/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Conforme a recorrente reiteradamente tem afirmado e comprovado através de seu estatuto (fls. 81/100) e DIPJ (fls. 54/59), tratase de entidade de previdência privada fechada que administra planos de previdência complementar, tendo como patrocinadoras as empresas/associações “Robert Bosch Limitada, Ishida Do Brasil Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Do Brasil, Bosch Rexroth Limitada, Robert Bosch Tecnologia De Embalagem Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Limitada, ZF Sistemas De Direção Limitada”. Portanto a rigor, exceto pequenas taxas de administração, não tem a entidade receitas pois a quase integralidade de seus ingressos decorrem das contribuições dos planos de previdência e as receitas de aplicações financeiras de suas reservas atuariais, que não lhe pertencem mas sim são geridas em seu nome. As cópias da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais dos anos 2005 e 2006 (parâmetro para o enquadramento nas modalidades mensal ou semestral) juntadas ao processo 16327.000140/200981 (julgado concomitantemente nesta sessão) e os balancetes de 2005 e 2006 (fls. 126/165), demonstram claramente esta constatação, afastando qualquer dúvida de que as receitas da recorrente estão abaixo do limite anual de R$ 30.000.000,00 de receita bruta. Por outro lado, tampouco atinge a recorrente o limite superior a R$ 3.000.000,00 de débitos declarados nos anos de 2005 e 2006 que a sujeitariam à apresentação da DCTF mensal em 2007 e 2008. Com efeito, conforme atestam as DCTFs fls. 168, 233, 297 e 354, não atinge a contribuinte o limite anual superior a R$ 3.000.000,00 para enquadramento na exigência de DCTF mensal nos anos calendários 2007 e 2008. Estando impedida de apresentar a DCTF semestral por evidente equívoco nos sistemas da RFB e tendo formulado regularmente consulta para solução do seu problema, mesmo sem obter solução satisfatória, não vejo como penalizar a contribuinte com a multa pelo atraso na entrega das DCTFs mensais. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000156/200994 Acórdão n.º 1803001.924 S1TE03 Fl. 418 7 A multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal somente seria aplicável se estivesse enquadrada na obrigatoriedade de entrega mensal da DCTF ou tivesse optado voluntariamente (o que não é o caso) pela entrega mensal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 421DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10880.984329/2009-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/03/2005
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período.
Numero da decisão: 3802-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 43 29 /2 00 9- 59 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838. Relatório Por bem explicitar os fatos e atos processuais ocorridos até o presente momento, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo que assim dispõe: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984329/200959 Acórdão n.º 3802001.768 S3TE02 Fl. 112 3 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984329/200959 Acórdão n.º 3802001.768 S3TE02 Fl. 113 5 A contribuinte STUTTGART SPORTCAR SP VEÍCULOS LTDA, se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1631.282, proferido em primeira instância pela 11ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO – DRJ/SP, que julgou improcedente a Manifestação de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que possui direito ao crédito e acostando farta documentação que indica a retificação da apuração de seu faturamento. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O presente Recurso Voluntário é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984329/200959 Acórdão n.º 3802001.768 S3TE02 Fl. 114 7 Tratase de processo destinado a revisão de compensação requerida pelo Recorrente, com base na revisão interna de seus procedimentos, que detectou um problema sistêmico na apuração de seu faturamento. Tal erro sistêmico se deveria ao fato de que, a princípio, o sistema ABC (Activity Based Costing), incluiu o IPI e o ICMSST no valor total da nota fiscal emitida pelo Recorrente. Após realizar a recomposição de seu faturamento no patamar adequado, o Recorrente viuse detentor de créditos decorrentes da tributação a maior de PIS e COFINS. Oferecida a DCOMP, a DRJ, como visto acima, entendeu não haver demonstração da prova da materialidade dos créditos oferecidos pelo Recorrente à compensação, bem como ausência de retificação da DCTF do período considerado. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já iteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. O contribuinte, em suma, busca comprovar a materialidade de seu crédito, não se estendendo muito em argumentos, porém sendo deveras consistente na juntada de prova. Para demonstrar a materialidade de seu crédito, o Recorrente apresenta DCTF retificadora, o livro razão analítico, a decomposição de seus créditos dos diversos períodos nas diversas DCOMP’s que apresentou, bem como a recomposição de sua contabilidade e as notas fiscais de venda do período objeto do presente processo. Ao analisar a documentação, todavia, não pude verificar com precisão o quantum relativo ao crédito oferecido pelo Recorrente. Isso porque os valores totais das notas fiscais correspondem ao seus valores contábeis, e não há um descritivo que indique, com segurança para o julgador, que a variação no faturamento decorre exatamente do percentual de IPI e de ICMS/ST aplicável para os produtos objeto das notas fiscais consideradas. De fato, há uma demonstração de que houve uma variação na apuração da base do PIS e da COFINS. No entanto, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de (i) verificar a legislação do IPI e do ICMS da UF aplicável a cada Nota Fiscal, e enfim (ii) conferir se a variação do faturamento realmente corresponde à diferença da inclusão/exclusão desses montantes da composição do faturamento do Recorrente. Friso que, diferentemente do que dispõem as leis 9715/98 e a LC 70/91, o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não possui disposição legal expressa (seja nas leis 10.637/2002 ou na lei 10.833/2003) afastando o IPI e o ICMS/ST das suas respectivas bases de cálculo. Nesse sentido, vale frisar que o esforço do sujeito passivo em demonstrar a materialidade de seus créditos inclui, além de apenas apresentar toda a documentação probante, explicar sua relevância no contexto do processo de revisão da compensação. Assim sendo, diante da impossibilidade de se verificar cabalmente a procedência dos argumentos do sujeito passivo, não há fundamentos para que excepcionalmente se promova agora a retificação da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984329/200959 Acórdão n.º 3802001.768 S3TE02 Fl. 115 9 Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10283.720623/2008-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
APURAÇÃO DE AJUSTE. SALDO DE EXERCÍCIO.
Caso reste saldo a pagar de CSLL ao final do exercício (ajuste anual), deve a pessoa jurídica efetuar o recolhimento do montante devido até março do ano seguinte.
ESTIMATIVA MENSAL. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. EXIGÊNCIA LEGAL.
A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação se não for apresentada a correspondente declaração prevista no § 1º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (PER/DCOMP).
ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista na redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96 (reduzida a 50% pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ tenha apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do período.
2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente.
Numero da decisão: 1802-001.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (Relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que afastavam as multas isoladas e deduziam a CSLL por estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 6.692,50, da CSLL/ajuste anual; e vencido o Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, que, embora não reconhecendo a mencionada dedução no ajuste, afastava as multas isoladas. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 APURAÇÃO DE AJUSTE. SALDO DE EXERCÍCIO. Caso reste saldo a pagar de CSLL ao final do exercício (ajuste anual), deve a pessoa jurídica efetuar o recolhimento do montante devido até março do ano seguinte. ESTIMATIVA MENSAL. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. EXIGÊNCIA LEGAL. A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação se não for apresentada a correspondente declaração prevista no § 1º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (PER/DCOMP). ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. 1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista na redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96 (reduzida a 50% pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ tenha apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do período. 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente.
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SALDO DE EXERCÍCIO. Caso reste saldo a pagar de CSLL ao final do exercício (ajuste anual), deve a pessoa jurídica efetuar o recolhimento do montante devido até março do ano seguinte. ESTIMATIVA MENSAL. QUITAÇÃO POR COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. EXIGÊNCIA LEGAL. A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação se não for apresentada a correspondente declaração prevista no § 1º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (PER/DCOMP). ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. 1. A não observância no recolhimento de estimativa mensal enseja a aplicação da penalidade prevista na redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96 (reduzida a 50% pela Lei 11.488/2007), dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha apurado” prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do período. 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 23 /2 00 8- 92 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 3 2 apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa (Relator) e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que afastavam as multas isoladas e deduziam a CSLL por estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 6.692,50, da CSLL/ajuste anual; e vencido o Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, que, embora não reconhecendo a mencionada dedução no ajuste, afastava as multas isoladas. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração com exigência de CSLL do ano calendário de 2003, por falta de recolhimento/recolhimento a menor de estimativas mensais. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do recurso voluntário interposto, adoto o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/BEL através do Acórdão n° 01 22.059, constante às fls. 141/142: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente ao anocalendário de 2003, com os lançamentos Contribuição Social Sobre o Lucro e multa aplicada isoladamente no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 30.06.2008). TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA – R$ MULTA – R$ MULTA ISOLADA – R$ TOTAL R$ CSLL 59 930,08 36 653,23 44 947,56 4 414,39 145 945,26 TOTAL A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 24/07/2008 (fls. 33). II – DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Na linha 48 da ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) da DIPJ/2004, o contribuinte declarou que havia um saldo de CSLL a pagar no valor de R$ 167.606,54. O débito correspondente ao saldo apurado no ajuste anual deveria ter sido declarado em separado na DCTF do 1o trimestre de 2004, o que, conforme constatamos por meio de consultas aos sistemas da RFB, não ocorreu. Também deveria ter sido pago em quota única até o último dia útil do mês de março de 2004, mas consultamos os pagamentos efetuados a partir de 2003 e não localizamos nenhum pagamento com o código de receita 6773, destinado ao recolhimento da CSLL apurada no ajuste anual. Tampouco encontramos pagamentos com outros códigos referentes ao ajuste anual da CSLL, como 6758. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 5 4 Entretanto, localizamos pagamentos de estimativas de CSLL, relativas ao anocalendário 2003, no montante de R$ 107.676,46, não consideradas pelo contribuinte na apuração do ajuste anual. Assim sendo, revisamos os valores declarados na ficha 17, deduzimos as estimativas efetivamente pagas e apuramos um saldo restante de CSLL a pagar no valor de R$ 59.930,08, conforme ‘Demonstrativo de Valores Revisados/Ficha 17’ anexo a este auto de infração. Diante do exposto, com o intuito de regularizar o valor da CSLL, não declarado em DCTF nem recolhido, efetuamos o lançamento ao saldo a pagar, relativo ao anocalendário 2003. 2.2 – MULTA ISOLADAS (sic) – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA – aplicada sobre a diferença de imposto não recolhido; Durante o procedimento de revisão, verificamos que os valores relativos às estimativas da CSLL dos meses de janeiro, abril e junho/2003, apurados e declarados na linha 10 da Ficha 16 (Cálculo da Contribuição Social sobre o lucro Líquido Mensal por Estimativa), haviam sido recolhido (sic) a menor. No que diz respeito à estimativa de junho/2003, declarada como R$ 44.377,79 a pagar e não recolhida, concluímos que havia sido apurada a maior, pois o contribuinte havia deixado de abater o montante de R$ 53.824,46, a título de ‘CSLL Devida em Meses Anteriores’ (linha 04 da ficha 16), conforme sistemática adotada na DIPJ/2004. Assim, revisamos a coluna referente ao mês de junho/2003 e apuramos inexistência de estimativa de CSLL a pagar. Em virtude desta alteração, revisamos também as colunas referentes aos meses seguintes e apuramos estimativas de CSLL a pagar nos meses de agosto e setembro/2003 integralmente recolhidas, e outubro/2003, mês em que verificamos recolhimento a menor. O resultado da revisão realizada na ficha 16, pode ser observado no relatório ‘Demonstrativo de Valores Revisados/Ficha 16’, anexo a este auto de infração. A insuficiência dos recolhimentos dos meses de janeiro, abril e outubro/2003 torna aplicável a multa de 50% determinada pelo art. 44, §I, inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, calculada sobre a parcela do pagamento mensal que deixou de ser efetuado. MÊS ESTIMATIVA DEVIDA ESTIMATIVA RECOLHIDA DIFERENÇA MULTA 50% 01/2003 11.090,87 4.398,37 6.692,50 3.346,25 04/2003 8.546,52 7.956,61 589,91 294,96 10/2003 13.850,95 12.304,56 1.546,39 773,19 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 6 5 III – DA IMPUGNAÇÃO 3 – Em 18/08/2008, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 36), e alega em síntese: 3.1 –DOS ELEMENTOS DE PROVA – MÉRITO 1) Não efetuamos recolhimento da diferença no valor de R$ 6.692,50 apurados em 01/2003 em virtude de havermos compensado com saldo negativo apurado na Linha 07 da Ficha 16 da DIPJ/2003 anocalendário de 2002 através do registro contábil número 0278 de 31/01/2003 conforme cópia da Declaração e do Livro Diário anexas. 2) O recolhimento da diferença no valor de R$ 589,91 foi efetuado em 31/03/2003 conforme cópia do DARF anexa. 3) Não efetuamos recolhimento da diferença no valor de R$ 1.546,39 apurados em 10/2003 em virtude de o montante recolhido até o mês de outubro de 2003 ser superior ao devido exatamente em R$ 1.546,39 conforme demonstrado abaixo e DIPJ/2004 retificadora anexa. Naquela oportunidade, entendeu a nobre turma julgadora em consignar improcedente a impugnação apresentada, conforme a seguir ementado (fls. 140): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL AnoCalendário: 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO.EXTINÇÃO.PAGAMENTONÃO COMPROVAÇÃO O pagamento é forma de extinção do crédito tributário; uma vez verificado o pagamento, extinguese o crédito tributário referente à parcela correspondente. Para tanto, deve ser comprovado o pagamento. COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO – SEM PROCESSO – FALTA DE PREVISÃO LEGAL A modalidade de compensação sem processo se extinguiu com a vigência da INSRF210/2002, DOU 01/10/2002, logo, a partir desta data, por falta de previsão legal, não existe a possibilidade de compensação nestes moldes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 7 6 Intimado do Acórdão em 11/10/2011, interpôs Recurso Voluntário em 10/11/2011, aduzindo em apertada síntese que inexistem tais débitos, narrando e juntando provas de recolhimento/compensação e cálculo de valores. É o relato do essencial. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo, e preenche aos requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Inicialmente, verificase que a contribuinte concentra seus argumentos na infração relativa à falta de recolhimentos de estimativa, o que também tem reflexo na exigência referente ao ajuste anual de CSLL, porque as estimativas que vierem a ser confirmadas devem ser deduzidas na apuração de ajuste. Em seu recurso, a recorrente alega que os tributos que serviram de base para a multa isolada estão devidamente pagos/compensados, pelo que se faz necessária a revisão do julgado que manteve as exigências. Do Débito de R$ 6.692,50 Argui a recorrente que tal saldo que constou em aberto pela fiscalização, ensejando a multa isolada, foi devidamente compensado com saldo negativo que havia apurado no anocalendário de 2002, o que comprova pelo registro no livro Diário (constante às fls. 60/62). Prossegue aduzindo que o procedimento eletrônico de compensação foi instituído somente em maio de 2003 e sendo a compensação efetuada em janeiro de 2003, não teria cabimento a compensação via PER/DCOMP. A Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 regulou a forma em que deveriam os contribuintes proceder à compensação: Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 9 8 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) Referida alteração passou a ter reflexos desde 01/10/2002, conforme trazido pela própria Lei n° 10.637/02: Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49; [...] Assim sendo, deveria o contribuinte respeitar as regras inovadas pela Lei n° 10.637/02 ao proceder à restituição de saldo negativo de CSLL, ou seja, entregar à Receita Federal a respectiva Declaração dos créditos com os débitos que se tentou compensar. Porém, não se constata ter feito tal procedimento. Contudo, não há o que se olvidar acerca do direito ao crédito do contribuinte, sendo inclusive incontroverso esse fato. O contribuinte como já discorrido, comprova através da Declaração entregue (fls. 60) e o registro em seu livro Diário (fls. 62) existir tal saldo a ser compensado. Assim, em apreço ao princípio da verdade material, é de se considerar a existência desse crédito em favor do contribuinte, podendo este nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional pleitear: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 10 9 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] Portanto, deve a autoridade verificar a disponibilidade de tal crédito em seu favor e homologar a compensação até o limite disponível, aplicandose assim o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, não podendose negar o direito ao crédito por mero erro de procedimento. E o valor reconhecido como estimativa paga também deve ser deduzido do ajuste anual de CSLL que está sendo exigido nestes mesmos autos. Do Débito de R$ 589,91 Argui a recorrente que o valor em aberto foi devidamente recolhido conforme consta às fls. 66. Neste sentido, verificase improcedente a alegação da recorrente, conforme já havia definido a DRJ em seu voto, tendo em vista que o DARF em comento não tem qualquer relação com a exigência (fls. 144): O DARF apresentado (fls. 66) é de R$ 536,73 e corresponde, conforme indicação do período de apuração, ao mês de janeiro de 2003 e não do período de apuração 04/2003 como apurado pela Fiscalização. Logo, não assiste razão a Impugnante. Ressaltase que o DARF de fls. 66 foi considerado no cálculo anual, conforme planilha de fls. 28, de forma que tal estimativa ainda assim constou em aberto para o período de abril, sendo improcedente a alegação da recorrente. Do Débito de R$ 1.546,39 Argui a recorrente que referido débito inexiste, suscitando que se tivesse recolhido esse valor aumentaria seu saldo a restituir. Contudo, atestase que após o Auto de Infração somente, é que a recorrente procedeu à retificação da respectiva declaração, ou seja, desrespeitou a imutabilidade de sua escrituração após o início do procedimento fiscal, pelo que, não merece tal fato surtir seus efeitos. Novamente é de se frisar o que já havia percebido a DRJ (fls. 144): Ora, esta DIPJ/2004 retificadora, objeto de sua alegação, foi apresentada em 12/08/2008, e a autuação ocorreu, com a ciência do Auto de Infração, em 24/07/2008, totalmente extemporânea. Para o Contribuinte se eximir da Tributação deveria comprovar, no decorrer da Fiscalização ou até mesmo na Impugnação, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 11 10 demonstrando com as escritas contábeis, e com os documentos que a consubstanciaram o porquê da não existência da diferença encontrada. Logo, concluímos que está correta a tributação. Assim, não prospera a intenção do contribuinte nesta parte. Da Multa Isolada por falta de recolhimento de Estimativa CSLL Já está consolidado o entendimento de que é incabível a exigência concomitante da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas e de ofício pela falta de pagamento. Isto ocorre do fato de que o lucro da Pessoa Jurídica é apurado em 31 de dezembro de cada ano, tendo o recolhimento das estimativas, cunho antecipatório, conforme destacado no julgado que colaciono a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O TRIBUTO DEVIDO PELO CONTRIBUINTE SURGE QUANDO É O LUCRO APURADO EM 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF/0105.875, PA 10384.000638/200479, Marcos Vinícius Neder de Lima, da Sessão: 23/06/2008) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 12 11 Assim sendo, incabível a aplicação da multa isolada in casu, eis que as estimativas tem cunho de antecipação e não de tributo devido, devendo ser provido o recurso nesta parte. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para homologar a compensação da estimativa de janeiro/2003 com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, até o limite disponível, afastando a multa isolada sobre ela; para deduzir da exigência relativa ao ajuste anual em 2003 a referida estimativa que restou reconhecida como quitada; e para afastar a multa isolada sobre as demais estimativas de 2003. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à compensação referente à estimativa de CSLL de janeiro/2003, e também quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA DE CSLLJANEIRO/2003 Primeiramente, é preciso registrar que a Lei 10.637/2002 introduziu profundas modificações para os procedimentos de compensação realizados a partir de 1º de outubro de 2002. As novas regras foram inseridas no art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Não há dúvidas de que até setembro de 2002, os contribuintes podiam realizar compensações entre tributos de mesma espécie na sua própria contabilidade, a chamada autocompensação, independentemente de apresentação de pedido de compensação, de instauração de processo administrativo, etc., enfim, independentemente de maiores formalidades, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 14 13 Contudo, este tipo de procedimento não foi mais admitido a partir de 1º de outubro de 2002. Desde então, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996 (acima transcritas), especialmente aquela prevista em seu § 1º, segundo a qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A Declaração mencionada no referido dispositivo legal é justamente o PER/DCOMP que não foi apresentado para a quitação da estimativa de CSLL de janeiro/2003. Com as referidas modificações na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação – PER/DCOMP configurou um instrumento totalmente novo no Direito Tributário, porque a ela foi conferido o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). A compensação deixou de ser um mero procedimento de encontro de contas a ser homologado pelo Fisco, e se tornou equivalente à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Com efeito, o atual contexto legal não mais admite a compensação registrada apenas na contabilidade da empresa, ainda que existente o direito creditório. Portanto, não há como validar o procedimento realizado pela Contribuinte para a quitação da estimativa de CSLL de janeiro/2003. MULTA ISOLADA POR FALTA DE ESTIMATIVAS. Quanto à multa isolada por falta de estimativas, cabe inicialmente registrar que a previsão dessa penalidade estava contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, conforme o inciso IV do §1º deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 15 14 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Atualmente, esta penalidade está prevista no art. 44, II, “b”, da mesma lei, conforme as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, e fixada em 50%, percentual que já foi aplicado no presente caso, em razão da retroatividade benigna. Ao determinar que a multa isolada será aplicada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido no anocalendário correspondente, a norma legal evidencia aspectos importantes. Primeiramente, a clareza do texto não admite outra leitura, senão a de que a referida multa será aplicada “ainda que (a pessoa jurídica) tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa (...)”. Não há espaço para outra interpretação, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, um entendimento contrário (de que essa multa não incidira em caso de prejuízo ...) implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido na alínea “b” acima transcrita (ainda que tenha apurado prejuízo ...). Vêse também que o texto diz “ainda que tenha apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha apurar prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tais aspectos não deixam nenhuma dúvida de que as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual, em 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu recolhimento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação subsiste mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido no ajuste. Com mais razão, portanto, ela deve existir quando há tributo devido ao final do ano, e é esse o nosso caso. Realmente não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 16 15 tributo devido no ajuste), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. É preciso ressaltar que não há um regime de tributação de IRPJ/CSLL em que o contribuinte apure o tributo anualmente e o recolha somente no ajuste, com vencimento no último dia útil do mês de março do ano subseqüente. O que há é um regime de apuração anual (opcional) no qual o contribuinte fica obrigado a realizar recolhimentos mensais no decorrer do ano, por meio de estimativas, ressalvada a possibilidade de suspender ou reduzir estes recolhimentos mensais mediante a elaboração de balancetes cumulativos de suspensão ou redução desta obrigação. Fosse o caso de um tributo com fato gerador instantâneo, ocorrido em 31 de dezembro, e com vencimento no mês de março subseqüente, todo o problema relativo ao descumprimento da obrigação estaria resolvido (compensado) pela multa normal de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, com as suas devidas majorações, quando cabíveis. Mas tratandose de tributo com fato gerador complexivo, como é o caso do IRPJ e da CSLL, em que a opção pela apuração anual impõe também a obrigação de recolhimentos mensais (as chamadas “antecipações”), a multa de 75% no ajuste, embora puna o descumprimento da obrigação vencida em março do ano seguinte (ajuste anual), não resolve todos os problemas, porque ela não compensa o atraso no ingresso dos recursos, que deveriam ter sido recolhidos ao longo do próprio ano. O prejuízo sofrido pelos cofres públicos em relação ao atraso nas “antecipações” ficaria a descoberto, não fosse a multa isolada em questão, que está prevista justamente para preencher esta lacuna, dando eficácia ao regime de apuração anual com estimativas mensais. Se não houvesse essa multa isolada, nenhum contribuinte faria recolhimento de estimativas mensais, deixando para recolher todo o tributo de uma só vez, e somente no ajuste, em março do ano seguinte. Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.720623/200892 Acórdão n.º 1802001.571 S1TE02 Fl. 17 16 Nestes termos, havendo falta ou insuficiência no recolhimento de estimativas, é perfeitamente cabível a aplicação da multa isolada em pauta. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11041.000633/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido.
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. EFEITOS.
O não conhecimento do recurso implica em não ser apreciado o mérito, mesmo que o recorrente alegue razão de ordem pública.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. EFEITOS. O não conhecimento do recurso implica em não ser apreciado o mérito, mesmo que o recorrente alegue razão de ordem pública. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. EFEITOS. O não conhecimento do recurso implica em não ser apreciado o mérito, mesmo que o recorrente alegue razão de ordem pública. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 06 33 /2 00 8- 13 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Cuidase de Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2004 e 2003, anocalendário 2003 e 2002, respectivamente, decorrente de glosa de dedução de despesas médicas por falta de comprovação, uma vez que os recibos foram considerados inidôneos, posto que a emitente (Margarete Vieira Costa), em ação penal, declarou que nos anos de 2001 a 2003 forneceu recibos de serviço de psicologia sem que tivesse havido a efetiva prestação do serviço. A autoridade fiscal imputou estar presente o evidente intuito de dolo e exigiu multa qualificada. A Contribuinte impugnou alegando ter havido decadência, nulidade do lançamento, não ter sido comprovada a inidoneidade dos recibos, inconstitucionalidade da multa de ofício por ser confiscatória. A impugnação foi indeferida, em síntese, por não ter ocorrido a decadência, cujo prazo foi regido pelo inciso I do art. 173 do CTN, inexistência de qualquer hipótese de nulidade prevista no art. 59 do Decreto n°70.235/1972, incompetência da DRJ para apreciar alegação de inconstitucionalidade, a dúvida suscitada em torno da despesa médica autoriza a exigência de comprovação feita pela fiscalização, que por não ter sido atendida como documentação que comprove inequivocamente a prestação do serviço e os pagamentos, legitima a glosa da dedução, bem como os documentos e fatos verificados pela autoridade fiscal comprovam o evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa. Consoante Aviso de Recebimento (fls. 68 – numeração digital), em 10/06/2011 (uma sextafeira), o contribuinte foi intimado do acórdão de primeira instância. Em 13/07/2011 foi protocolado o recurso voluntário cujas alegações são assim resumidas: 1. decadência em relação ao anocalendário 2002, na ausência de prova de dolo, fraude ou simulação, a contagem deve se dar pelo §4º do art. 150 do CTN; 2. ilegalidade do lançamento por não conter prova de inidoneidade da documentação apresentada pelo contribuinte e não haver obrigação tributária por presunção; 3. o depoimento da profissional é genérico, pois declarou que forneceu recibos sem ter ocorrido a prestação do serviço, mas não declarou que somente havia fornecidos recibos nessa condição e não há depoimento em relação aos recibos da recorrente; 4. consoante art. 142 do CTN e 333 do CPC, o ônus de provar a não realização dos serviços é do Fisco, de Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11041.000633/200813 Acórdão n.º 2802002.583 S2TE02 Fl. 91 3 forma que o auto de infração presumiu a culpa do contribuinte e o obrigou a provar a inocência; 5. o único indício apontado pela autoridade fiscal foi o depoimento da psicóloga, o que é frágil; 6. a multa exigida é desproporcional, confiscatória e contém desvio de finalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Conforme determinações do Decreto 70.235/1972, a partir da data da notificação da decisão de primeira instância, teria o Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do Recurso Voluntário. Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Outrossim, o parágrafo único do art. 5º do mesmo Decreto complementa as disposições sobre a forma de contagem desse prazo.: Art. 5 – Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único – Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Notificado da decisão em 10/06/2011 (sextafeira; fls. 68 – numeração digital), o prazo começou a ser contado no dia 13/06/2011 (segundafeira). Verificase que o prazo fatal para a apresentação do Recurso Voluntário fora dia 12/07/2011, tendo a Recorrente se manifestado somente em 13/07/2011, conforme protocolo de fl. 69 (numeração digital), que importa na constatação da intempestividade do protocolo da peça recursal. Não houve préquestionamento sobre a tempestividade. A perempção, caracterizada pela apresentação a destempo da peça recursal pelo contribuinte em decorrência do transcurso de mais de trinta dias entre a data do protocolo do Recurso Voluntário e a cientificação da decisão de primeira instância, impede sua apreciação pelo Colegiado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O não conhecimento do recurso implica em não ser apreciado o mérito, mesmo que o recorrente alegue razão de ordem pública. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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