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Numero do processo: 10855.906178/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 61 78 /2 01 2- 19 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906178/201219 Acórdão n.º 1301003.247 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906178/201219 Acórdão n.º 1301003.247 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906178/201219 Acórdão n.º 1301003.247 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10855.906178/201219 Acórdão n.º 1301003.247 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10855.906178/201219 Acórdão n.º 1301003.247 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003447/2006-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decreto-lei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie.
MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO.
No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplica-se a legislação vigente à época da apreensão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/02/2006 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decreto-lei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplica-se a legislação vigente à época da apreensão. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 69 1 68 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.003447/200655 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.204 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente ADILSON DE SOUSA RAMALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decretolei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. MÁQUINA CAÇANÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplicase a legislação vigente à época da apreensão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 34 47 /2 00 6- 55 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 70 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Cuida o presente processo de multa no importe de R$ 1.000,00 aplicada pela fiscalização aduaneira, face à importação de mercadoria atentatória à moral, aos bons costumes, saúde ou ordem pública, com fulcro no artigo 107, inciso VII, alínea “b” do Decreto Lei 37/1966, com a redação data pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. Na Descrição dos Fatos do Auto de Infração consta, à fl. 3: Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2ª VF/UBERLÂNDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado "BAR DO ADILSON", localizado na Av Araguari, 1791 Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr. ADILSON DE SOUSA RAMALHO, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO I61, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, o qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 47/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento da referida placa, processo 10675.000903/200613. O autuado foi cientificado da autuação em 15/12/2006, conforme “AR” de fl. 16. Não conformado, através de advogado devidamente habilitado (procuração de fl. 30), em 29/12/2006, apresentou impugnação (fls. 19/20), com os seguintes termos: 1. O requerente foi autuado por suposta “importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde/publica” em face da apreensão pela Polícia Federal de placas para Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 71 3 máquina “caçaníquel”, conforme descrito no Auto de Infração, lhe sendo aplicada multa pecuniária de R$ 1.000,00(..), com base no art. 107, inc. VII, “b”, do Dec. Lei n. 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 29/12/2003. 2. O requerente não é “importador” e também “não importou” as mercadorias (placa de máquina caçaníquel), bem como não é, e nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de “placa(s) estrangeira(s)” dentro das máquinas caçaníquel, porque não era proprietário da(s) máquina(s), porque nunca as abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir por não ter o mínimo conhecimento técnico pertinente à questão. Assim, mesmo que olhasse, não saberia se seria placa estrangeira ou não, e muito menos se era de importação proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica, em anexo, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e destinatário Game Line Ltda. 6. A multa pecuniária de R$ 1.000,00(..) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior, conf. Nota Fiscal, portanto ao fato não pode ser aplicada a multa pecuniária. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa pecuniária porque a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei n. 10.833 de 29/12/2003 que deu nova redação ao art. 107; inc. VII, “b”, do Dec. Lei n. 37/66, ou seja, se a importação da(s) placa(s) ocorreu em data anterior é inaplicável a multa. 7. O requerente/autuado pede a improcedência da autuação, determinando o arquivamento do processo administrativo na forma da lei. 8. Requer produção de provas: documental e testemunhal, com rol oportuno. 9. Requer sejam as intimações dirigidas, doravante, ao endereço do advogado do requerente, cf. consta no cabeçalho desta petição." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 72 4 Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), analisando as argumentações do contribuinte, julgou improcedente a Impugnação, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fato gerador: 22/02/2006 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não gera efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. As intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ESTRANGEIRA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. MÁQUINA “CAÇANÍQUEIS”. Aplicase a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Irresignado com a referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário basicamente repisando os argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 73 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese a autuação fiscal para exigência de multa pecuniária pela apreensão de uma placa eletrônica para máquina caçaníquel, encontrada em poder do recorrente no transcurso de uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal em 22/02/2006. Desta forma, ficando o recorrente sujeito a penalidade prevista na alínea "b" do inciso VII do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Ilegitimidade passiva O sujeito passivo alega que não é parte legítima para figurar no pólo passivo, não tendo responsabilidade tributária, tendo em vista não ser proprietário da máquina caça níquel e por não ter realizado a importação das mesmas. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 74 6 Quanto à legitimidade, entendo que o art. 602, parágrafo único e o art. 603, I, do Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro, resolvem a questão, respectivamente: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94, § 2o). Art. 603 Respondem pela infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; ......................................................................................................... (grifo nosso) Desse modo, na condição de proprietário do estabelecimento comercial, no qual foi encontrada em operação a máquina caçaníquel, que continha a placa eletrônica, cuja a importação é proibida e, por conseqüência, sendo o beneficiário do seu uso indevido, responde o recorrente pessoalmente pela infração contida no art. 107, VII, b, do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; ......................................................................................................... Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 75 7 Por outro lado, para reforçar a afirmação de que não era proprietário da máquina, o recorrente alega que, em realidade, alugou um espaço em seu estabelecimento comercial para a colocação da máquina caçaníquel e que, por isso, recebia apenas um aluguel préfixado. Em suas palavras: "O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para a colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos."(grifo nosso) Primeiramente, esclareçase que o sujeito passivo não fez prova da existência desse mencionado contrato de locação. Porém, mesmo que o tivesse feito, isso não o eximiria da responsabilidade, pois estaria, de qualquer forma, concorrendo e se beneficiando com a prática da infração. Além disso, tendo em vista sua própria afirmação de que era "uma praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos", temse que, por conseqüência, o recorrente necessariamente também sabia da importação irregular das máquinas, da proibição do seu uso e das freqüentes operações de repressão realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal, uma vez que estas eram amplamente divulgadas nos meios de comunicação. Ainda com o intuito de comprovar que não era o proprietário da mercadoria apreendida, o recorrente apresentou notas fiscais e laudo técnico, que supostamente atestariam que a empresa Grand Columbus Importação & Exportação Ltda teria importado a máquina caçaníquel em questão e que esta pertenceria a empresa Games Line Ltda. Contudo, melhor sorte não assiste ao contribuinte nessa alegação, pois não há como vincular a máquina caçaníquel apreendida às notas fiscais apresentadas. Ressaltese que apenas um número de série (9917152) é citado no laudo técnico (fl. 24/27) apresentado e que este difere do número de série (9933773) da mercadoria apreendida, conforme o Auto Circunstanciado (fl. 9). Como decorrência desse fato, não merece retoque a análise realizada pelo voto condutor do Acórdão recorrido: "Devese também lembrar que, acaso fossem consideradas as notas fiscais apresentadas, assim como o laudo, sem prova inconteste de que a máquina caça níquel apreendida, a que se refere o presente processo, estivesse contida nas importações a que elas se relacionam, qualquer máquina caça níquel porventura encontrada poderia ter a multa ilidida com a apresentação desses documentos". Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 76 8 Com efeito, a legislação aduaneira adotou a responsabilidade objetiva, assim, não importando o elemento volitivo para ser caracterizada a infração. Ademais, estendeu a responsabilidade pela prática da infração a todos que concorressem para a sua prática ou dela se beneficiassem. No caso concreto em análise, restou demonstrado que o recorrente se beneficia economicamente da mercadoria proibida, portanto, vinculandoo à infração imputada, da qual não pode eximirse de responsabilidade, portanto, restando certo estar apto a figurar no pólo passivo do auto de infração. Assim sendo, rejeito a preliminar argüida. Mérito O recorrente alega que desconhecia a existência de placas eletrônicas estrangeiras no interior da máquina caçaníquel, que nunca as abriu e, mesmo que tivesse olhado o seu interior, por falta de conhecimento técnico, não saberia se a placa era importada ou não, muito menos que se tratava de objeto de uma importação proibida. Entendo que essas alegações não merecem prosperar por inúmeros motivos. Inicialmente, ressaltese que o próprio recorrente carreou aos autos notas fiscais, que atestariam uma suposta importação regular da máquina caçaníquel. Assim, não há como se manter crível a sua afirmação de que não conheceria a origem estrangeira da máquina. Logo, pouco importa se o recorrente abriu a máquina ou mesmo se detinha conhecimento técnico, a sua ciência da origem estrangeira da mercadoria restou comprovada pela documentação por ele apresentada. Ademais, como já mencionado acima, o recorrente demonstrou, por suas próprias palavras, "uma praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos", conhecer que tal "praxe" era ilegal, que máquinas desse tipo foram importadas irregularmente e que os "agentes públicos" envidavam esforços para coibir sua utilização. Em realidade, não poderia ser diferente, uma vez que o esquema criminoso em que se insere o evento em questão, irradia imensa repercussão social por envolver criminalidade organizada e, por isso mesmo, ocupou as páginas dos principais jornais do país, assim como o noticiário no rádio e na televisão. Dessa forma, tornouse fato notório a existência de componentes eletrônicos de origem estrangeira nas máquinas caçaníquel, como a apreendida na posse do ora recorrente. Assim, não é razoável considerar que aqueles que exploravam esses equipamentos desconhecessem tais circunstâncias. Por fim, o sujeito passivo alega, ainda, que a multa pecuniária disposta no inciso VII, do art. 107 do Decreto Lei nº 37/66 somente foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003 com o advento da Lei nº 10.833. Assim, afirma que não se aplicaria tal multa ao presente caso, considerandose que a importação teria sido realizada em data anterior à vigência da referida lei, conforme as notas fiscais apresentadas. Além disso, mesmo que as notas fiscais fossem desconsideradas, o recorrente assevera que a multa não poderia ser aplicada, pois "a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior". (Impugnação fl.20) Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 77 9 De acordo com a alinea b, do inciso VII, do art. 107, do Decreto Lei nº 37/66, a multa em tela é aplicada pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. Então, devemos analisar o significado dos termos da determinação legal citada. Em linhas gerais, o substantivo importação significa a entrada, temporária ou definitiva, em território nacional de bens ou serviços originários ou procedentes de outros países, a título oneroso ou gratuito. Esta é uma definição lato sensu e, por conseguinte, abarca várias situações fáticas. Por exemplo, os bens importados podem ser não só aqueles de origem estrangeira, isto é, produzidos em outros países, como também os procedentes do exterior, aqueles produzidos no país, os quais foram, anteriormente, submetidos a um processo de exportação. Da mesma maneira, a definição engloba não só a entrada lícita de bens estrangeiros no território nacional, ou seja, aquela realizada segundo o procedimento comercial e fiscal vigente, assim como a entrada ilícita, contrabando ou descaminho. Por outro lado, devese ter claro que, quando o dispositivo legal menciona mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, por conseqüência, ele está se referindo a mercadorias de importação proibida. Desta forma, a prescrição contida no inciso VII citado se refere a mercadorias objeto de contrabando. A prática do contrabando visa, justamente, fazer entrar no território nacional bens cuja importação é proibida pelas normas aduaneiras. Assim, para alcançarem seu objetivo, os agentes envolvidos no contrabando realizam uma série de ações, visando ocultar das autoridades o ingresso das mercadorias. Dessa forma, podese dizer que a ocultação e a fraude são ingredientes indispensáveis para que ocorra o delito. À vista disso, permanentemente, nas operações de contrabando, se intenta esconder o "o que", o "quem", o "onde" e o "quando". Sabese que as autoridades realizam freqüentes operações de combate ao contrabando, visando impedir a entrada dessas mercadorias Contudo, sabese também que, devido à vasta fronteira brasileira, terrestre e marítima, essas operações logram um êxito parcial. Desse modo, grande quantidade de mercadorias proibidas adentra clandestinamente no país e estas só podem ser apreendidas pelas autoridades fiscais e policiais, quando já estão em zona secundária. Conjugando os dois tópicos, percebese que as autoridades somente possuem condição de precisar o fator temporal do contrabando, em geral, quando a descoberta do delito ocorre em zona primária. Após esse momento, o elemento "quando" se torna uma incógnita. Porém, repisese, incógnita esta gerada pela própria prática do delito, pois a ocultação desse elemento é essencial para a realização do contrabando. Em realidade, o poder público apenas toma conhecimento da existência de determinada mercadoria proibida no país no exato momento de sua apreensão. Dessarte, a alegação de que "a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior " se constitui uma afronta ao Princípio Nemo auditur propriam turpitudinem allegans (Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza), pois esconder o momento da entrada no país do bem proibido é elemento essencial para a prática do delito e, logo, perpetrado pelos próprios envolvidos na operação. Assim, aqueles que fazem ou se beneficiam de algo incorreto ou em desacordo com as normas legais não podem alegar tal conduta ou seus efeitos em proveito próprio. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 78 10 Com efeito, em casos de apreensão de bens proibidos em zona secundária, devese ter em conta que o ônus da prova necessita ser invertido pela impossibilidade do Poder Público precisar o momento da entrada dessas mercadorias no país. Cabe ao infrator, que deu causa a essa impossibilidade, então, provar quando a importação irregular ocorreu. No presente caso concreto, o material proibido apreendido se encontrava em operação em zona secundária, logo, caberia ao sujeito passivo provar em que momento a importação sucedeuse. Para tanto, o recorrente juntou notas fiscais e laudo técnico a fim de comprovar não ser o proprietário das mercadorias e, além disso, que a importação teria acontecido em data anterior à vigência da Lei 10.833/2003. Como já consignado anteriormente, tais documentos não estão aptos a provar que os bens apreendidos se encontram inseridos naquela DI. Desse modo, por absoluta conseqüência lógica, também são incapazes de demonstrar quando, de fato, a importação dos produtos apreendidos ocorreu. Assim, resta claro que o recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório. Considerando que a apreensão aconteceu cerca de 3 anos após a alteração do art. 107 do DecretoLei nº 37/66, que os bens apreendidos, por serem de importação proibida, a princípio, foram introduzidos no país por contrabando e que o recorrente não conseguiu comprovar que a importação irregular ocorreu em data anterior à vigência da lei que instituiu a multa em questão, entendo ser aplicável a penalidade pecuniária ao presente caso. Porém, tendo em vista a complexidade do tema, creio ser oportuno desenvolver outros aspectos. Quanto à data de referência para a lavratura do auto de infração, que constitui a exigência da multa, como já mencionado, creio ser o dia da apreensão dos bens proibidos, pois este foi o exato momento que o Poder Público pode tomar ciência da ocorrência da importação ilegal. Entretanto, existe outra tese jurídica que também não socorre o recorrente. Por essa tese, a Administração Fazendária deve considerar a data de aplicação da pena de perdimento dos bens proibidos apreendidos como a precisa data da ocorrência da infração. Transcrevese ementa do Acórdão 544623/CE de 29/11/2012 da 1ª Turma do TRF5, que teve como Relator o Desembargador Federal Francisco Cavalcanti: ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. MÁQUINAS "CAÇANÍQUEIS". PERDIMENTO. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. 1. Hipótese em que o MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido inicial, qual seja, "declarar nula a multa aplicada ao autor, pela inexistência de qualquer prova que o indicie como agente responsável pela importação das máquinas caçaníquel encontradas em seu poder" ou, alternativamente, "declarar a nulidade do auto de infração, em face da fundamentação legal deste embasarse em lei posterior ao fato gerador". 2. "Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)/de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)/pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 79 11 bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105" (art. 107, VII, "b", do DecretoLei nº. 37/66). 3. "As máquinas caçaníquel objetos de importação no caso ora em comento são, indubitavelmente, mercadorias estrangeiras atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tendo sido o autor responsabilizado pela prática de contravenção penal, haja vista que explorava em sua atividade comercial tais produtos de procedência estrangeira" (trecho extraído da sentença). 4. Como bem ressaltou o MM. Juiz sentenciante, "nos termos dos arts. 94 e 95, I, c/c o art. 107, VII, "b", todos do DecretoLei 37/66, a responsabilidade administrativa e a conseqüente aplicação da multa não se erige apenas em relação ao importador da mercadoria, mas também àquele que, direta ou indiretamente, aufere benefícios decorrentes da entrada ou da permanência do produto irregular, independentemente da intenção (elemento subjetivo). É indiscutível, pois, a existência do nexo causal entre a importação do bem ilegal e o fato gerador do auto de infração, culminando na responsabilidade administrativotributária". 5. Não houve aplicação retroativa de lei ao presente. Isso porque, de acordo com o art. 714, parágrafo único, do Decreto nº. 6759/09, a multa prevista no art. 107, VII, do Decreto Lei 37/66 (com a redação dada pela Lei 10.833/2003) somente incide no final do processo relativo à aplicação da pena de perdimento, que, in casu, deuse em 28/01/2009. É precisamente nesta data que a Administração Fazendária considera ocorrida a infração. 6. Em relação à condenação do apelante ao pagamento de custas e de honorários advocatícios, a interpretação do art. 12 da Lei n.º 1.060/50, mais consentânea com os fins sociais, impostos pelo art. 5º da LICC, não permite que os processos perdurem suspensos por longo tempo, aguardando que a parte adquira capacidade financeira para saldar as custas e honorários advocatícios de processos julgados. 7. Ademais, a previsão constitucional do direito à assistência judiciária gratuita (art. 5º, LXXIV, da CF/88) não impõe a condição prevista na Lei n.º 1.060/50. 8. Por ser o apelante beneficiário da justiça gratuita, não deve ser condenado ao pagamento de honorários advocatícios, nem tampouco ao de custas. 9. Apelação parcialmente provida. (grifo nosso) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 80 12 Outro tópico importante a ser ponderado referese ao momento consumativo nos casos de contrabando ou descaminho. Doutrina e jurisprudência desenvolveram, ao longo do tempo, uma classificação dos crimes quanto ao momento consumativo. Baseado nos ensinamentos do Professor Damásio Evangelista de Jesus, podese ter uma visão esquemática dessa classificação. Os crimes se dividiriam, então, em 4 tipos, segundo o momento consumativo: a) Instantâneos; b) Instantâneos de efeitos permanentes; c) necessariamente permanentes; d) eventualmente permanentes. Os crimes instantâneos são os que se completam em um só momento. A consumação se dá em um determinado instante, sem continuidade temporal. Já nos crimes instantâneos de efeitos permanentes temos que eles se caracterizam pela índole duradoura de suas conseqüências. A permanência dos efeitos não depende do agente. Os crimes permanentes são os que causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo. Podese dizer que o momento consumativo se protrai no tempo. Contudo, devese distinguir os necessariamente permanentes dos eventualmente permanentes. No crime necessariamente permanente, o prolongamento da conduta está contido na norma como elemento do crime. No eventualmente permanente, o crime é tipicamente instantâneo, mas prolongase sua consumação, isto é, o momento consumativo ocorre, apriori, em dado instante, mas pode prolongarse devido a situação criada pelo agente continuar. Quanto aos crimes de contrabando e descaminho, a jurisprudência encampou diversas teses, como se percebe nos Acórdãos seguintes: Instantâneo de efeito permanente: CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 13.767PR (95.002445001) Relator: Ministro Vicente Cernicchiaro EMENTA CC. Constitucional. Penal. Processual Penal. Competência. Descaminho. O descaminho (CP art. 334, caput) é crime instantâneo de efeito permanente. Não se confunde com o crime permanente. A consumação ocorre no local em que o tributo deveria ser pago. Pouco importa o local da apreensão da mercadoria. (grifo nosso) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 81 13 Permanente: HABEASCORPUS Nº 2005.01.00.0703677/MG Processo na Origem: 200538030048563 RELATOR:O EXMO. SR. JUÍZ TOURINHO NETO PROCESSO PENAL. HÁBEAS CORPUS. CRIME DE DESCAMINHO. CONSUMAÇÃO. LOCAL DE APREENSÃO DA MERCADORIA. COMPETÊNCIA. 1. O crime de descaminho é permanente, protraindose sua consumação até o momento de apreensão, se não foi apreendida quando da entrada da mercadoria em território nacional. 2. A competência para o processo e julgamento do crime de descaminho é determinada pelo lugar em que se deu a apreensão da mercadoria, ainda que o auto de apreensão e a lavratura do auto de prisão em flagrante tenhase dado em outro lugar, sede de Seção Judiciária diversa da que foi apreendida a mercadoria. (grifo nosso) Eventualmente permanente: CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 11.067PR (94.0321821) Relator: Ministro Adhemar Maciel EMENTA Processual Penal. Conflito de competências. Descaminho. Crime eventualmente permanente. Volta aos precedentes antigos do TFR (CC n. 5.016, DJU de 14.04.1983, p. 4.534 e CC n. 5.241, DJU de 03.06.1983, p. 7.906) e recentíssimos do STJ (CC n. 9.8920, CC n 4.184 e CC n. 7.9497). Competência do juízo da prisão. I Mercadoria estrangeira, provavelmente adquirida no Paraguai, foi apreendida em S. Paulo. O juiz federal de S. Paulo, por entender que o crime se consumou no momento em que a mercadoria entrou no território nacional (Paraná), remeteu os autos ao juiz federal de Foz do Iguaçu, que suscitou o conflito. II Aplicável é o art. 71 do CPP. In casu, o crime (descaminho) pode ser classificado de “eventualmente permanente”. Assim, a competência se firma pela prevenção. Volta aos precedentes antigos do TFR (CC n. 5.016, DJU de 14.04.1983, p. 4.534 e CC n. 5.241, DJU de 03.06.1983, p. 7.906) e recentíssimos do STJ (CC n. 9.8920, CC n. 4.184 e CC n. 7.9497). Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 82 14 III Conflito conhecido. Competência do juízo da prisão (3ª Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado de S. Paulo, o suscitado). (grifo nosso) Além do interesse teórico, a diferenciação entre crimes instantâneos e permanentes tem especial importância na determinação de inúmeras questões processuais, tais como a prescrição, o flagrante, a legítima defesa, o concurso de agentes, a competência territorial e, de grande relevância ao caso ora analisado, a sucessão de leis. Dessa maneira, tomese, por exemplo, a determinação da competência, regulada no Código de Processo Penal do art. 69 ao art. 91. Transcrevese os arts. 70 e 71 que esclarecem essa questão quanto ao momento consumativo: Art.70.A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. §1oSe, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. §2oQuando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. §3o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmarseá pela prevenção. Art.71.Tratandose de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmarseá pela prevenção. (grifo nosso) Pela análise do disposto no diploma legal retrocitado, constatase que, nos crimes instantâneos, a competência será do Juízo do local onde foi praticada a infração, porém, em se tratando de crimes permanentes, a competência será firmada pela prevenção. Ora, no caso dos crimes de contrabando e descaminho, devido às várias teses jurídicas existentes, estabeleceuse uma enorme divergência sobre o assunto da competência, o que levou o Judiciário a encarar, por diversas vezes, a suscitação do conflito de competência. Por esse motivo, o Superior Tribunal de Justiça STJ fez editar a Súmula nº 151 com o intuito de pacificar a orientação sobre a matéria: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 83 15 Súmula STJ nº 151: A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho definese pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens. Assim sendo, embora a celeuma versasse sobre a determinação da competência, a partir da publicação da Súmula nº 151, devese conceber que o STJ firmou entendimento que os crimes de contrabando ou descaminho são crimes permanentes, pois, se fossem crimes instantâneos, a competência necessariamente seria do Juízo do local onde ocorreu a entrada irregular da mercadoria. Como já mencionado, os crimes eventualmente permanentes são tipicamente instantâneos, o momento consumativo ocorre, apriori, em dado instante, mas pode prolongarse devido a situação criada pelo agente continuar. Dessa forma, entendo que uma diferenciação plausível, que considere tanto a doutrina, como o posicionamento do STJ, é que os crimes de contrabando e descaminho são instantâneos, quando as mercadorias se destinam para uso próprio, isto é, sem nenhum intuito comercial, porém, quando tal intuito está presente, devese considerálos crimes permanentes. Tendo em vista o entendimento do STJ, a questão processual relacionada à sucessão de leis se clarifica: Nos crimes de contrabando ou descaminho, considerados crimes permanentes, se aplica a legislação vigente à época da apreensão das mercadorias contrabandeadas ou descaminhadas. Então, no caso concreto, no qual a destinação para utilização econômica do bem contrabandeado é evidente, aplicase a legislação vigente na data da apreensão, 22/02/2006, por se tratar de crime permanente. Desse modo, por qualquer dos vieses analisados sobre a questão, entendo não existir erro material e, por conseguinte, estar correta a decisão da instância a quo, isto é, ao caso, aplicase a multa administrativa introduzida pela Lei 10.833/2003. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 84 16 Declaração de Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Esta declaração de voto se faz necessária pois, em virtude da rica argumentação do conselheiro relator, aprofundei o estudo da matéria e acabei por mudar a posição que vinha adotando: passo a acompanhálo e a negar provimento ao recurso voluntário nos litígios desta natureza. Contudo, o principal fundamento da minha decisão reside em ponto diverso, do que resulta imprescindível a explanação que se segue. Em julgamentos anteriores, diante de mesma situação fática e de recursos voluntários nos quais foram apresentados exatamente os mesmos argumentos, posicioneime a favor do contribuinte, tendo como justificativa o fato de nunca haver sido determinado se a entrada da mercadoria no país se deu antes ou depois da publicação da Lei nº 10.833/2003. Para esclarecer esse posicionamento, transcrevo a ementa do Acórdão nº 3002000.111, de julgamento recente nesta Turma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor. Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material. Recurso Voluntário Provido.(grifado) Transcrevo, ainda, o final do voto desse mesmo Acórdão, de relatoria da conselheira Maria Eduarda Simões. Pelo texto fica claro qual aspecto prevaleceu, dentre aqueles favoráveis ao contribuinte, para fins de definição do posicionamento majoritário da Turma: Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 85 17 dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. (grifado) É certo que se está diante de tema polêmico, mas nas decisões a que tive acesso, tanto no Carf como na DRJ, nunca se questionou um dos principais fundamentos da defesa: que a fiscalização não fez prova da entrada da mercadoria posteriormente à publicação da Lei nº 10.833/2003, que teria instituído a penalidade de que trata o auto de infração. Tal situação geraria dúvida insanável sobre a possibilidade de aplicação da multa, prevista no art. 107, inciso VII, alínea “b” do DecretoLei nº 37/1966 da seguinte forma: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Entretanto, o estudo do histórico da legislação nos mostra que esta multa sempre existiu, desde a publicação do DecretoLei em 1966, cabendo à Lei apenas a reorganização do texto e a atualização do seu valor em 2003. Se não, vejamos o DecretoLei em sua redação original: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) XIX Estrangeira, atentatória, à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. Art. 107. Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I De Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco em embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; II De Cr$ 50.000 a Cr$ 100.000 (cinqüenta mil cruzeiros a cem mil cruzeiros), pela saída da embarcação ou outro veículo, sem estar autorizado; III De Cr$ 10.000 a Cr$ 50.000 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros) por volume, na hipótese do artigo 102, pela falta de manifesto ou documento de efeito equivalente ou ausência de sua autenticação, ou, ainda, falta de declaração quanto à carga; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 86 18 IV De Cr$ 10.000 a Cr$ 50.000 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros) por infração dêste Decretolei e ao seu regulamento, para a qual não seja prevista pena específica. Art. 109. No caso do inciso XIX do artigo 105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (grifado) Pela transcrição acima, vêse que originariamente a multa não constava do art. 107, mas estava em artigo próprio, o art. 109. Percebese também que há um pequeno problema na redação do art. 109. Ele determina a aplicação de multa ao responsável pela infração do art. 105, mas, quando se retorna ao art. 105, vêse que não há um ato, expresso, a ser penalizado – o art. 105 diz apenas que será aplicada a pena de perdimento à mercadoria estrangeira atentatória à moral. Da forma como se encontra, pode ser entendido que a multa se aplica ao ato de importar ou portar ou, mesmo, consumir a mercadoria proibida. Ao longo do tempo o art. 109 não foi alterado, sofrendo apenas atualização em decorrência da mudança da moeda de cruzeiro para real. Aplicouse a conversão definida em lei para todos os valores expressos em cruzeiro, o que resultou em uma multa de valor irrisório, conforme se constata na redação do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 4.543/2002: Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 59): (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; Art. 638. No caso de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, a que se refere o inciso XIX do art. 618, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de R$ 18,34 (dezoito reais e trinta e quatro centavos) (Decretolei nº 37, de 1966, art. 109). (grifado) Compreendida a situação anterior, concluise que coube à Lei nº 10.833/2003 tão somente o agrupamento das multas de valor fixo no art. 107 (combinado com a revogação do art. 109), a alteração do valor da multa para adequála à realidade e a tentativa de correção do pequeno defeito na redação original do art. 109. Assim, tínhamos originariamente, em 1966, a seguinte redação: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: XIX Estrangeira, atentatória, à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. (...) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 87 19 Art. 109. No caso do inciso XIX do artigo 105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (grifado) E passamos para a redação abaixo, após as alterações promovidas em 2003, donde se conclui que a multa já vigia há 40 anos quando a fiscalização lavrou o auto de infração: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: VII de R$ 1.000,00 (mil reais): b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; (...) Art.109. No caso do inciso XIX do art.105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (grifado) Superada a questão temporal ou, dito de outra forma, diante da certeza de que o DecretoLei previa a aplicação de multa ao responsável pela infração desde a sua publicação em 1966, entendo que cai por terra a discussão sobre retroatividade da lei ou sobre a definição da data a ser considerada para fins de aplicação da multa, se da apreensão ou da lavratura, não restando qualquer óbice para a sua aplicação, uma vez atendidas as demais condições. Quanto ao segundo pilar da defesa, ilegitimidade passiva e não participação do recorrente no ato de importação, entendo ter sido suficientemente desenvolvido pelo conselheiro relator, com o qual concordo integralmente. Em resumo, a multa se aplica ao contribuinte porque ele se beneficiou da importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral. Tratase de responsabilidade objetiva, independente da intenção, da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato – arts. 94 e 95 do DecretoLei nº 37/1966. Pelos motivos expostos nesta Declaração de Voto, entendo por correta a autuação, destituída do vício alegado, motivo pelo qual deve ser mantido o crédito tributário. É como voto. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 88 20 Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos trazidos pelo Relator em seu voto, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir delineados. Como é de conhecimento desta turma julgadora, eu já tive a oportunidade de me manifestar sobre esta matéria anteriormente. É o que se pode verificar, exemplificativamente, do conteúdo do Acórdão nº 3002000.104. Naquela oportunidade, manifesteime no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, por entender que o auto de infração combatido apresentavase nulo. As razões ali apresentadas encontramse transcritas a seguir: Consoante acima indicado, verificase que a multa aplicada in casu foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003, e decorre da "importação" de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. No caso em comento, a fiscalização não embasou a autuação no fato de a autuada ter "importado" as mercadorias em questão, mas entendeu que deveria responsabilizála em razão do disposto no inciso I do art. 603 do Regulamento Aduaneiro, que determina que todos aqueles que, de qualquer forma, concorra para a prática ou dela se beneficie, responde pela infração. De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. Em sua defesa, o contribuinte defendeu que a importação teria se dado anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03, tendo anexado aos autos nota fiscal e parecer técnico que suportariam o seu argumento. A DRJ, por seu turno, entendeu que não havia relação regular possível entre a máquina regularmente importada, descrita no laudo anexado, com as máquinas nas quais foram encontradas as placas eletrônicas contrabandeadas, tendo afastado tal documentação como apta a comprovar que as importações se deram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03. De outro norte, entendeu que, tratandose de apreensão de mercadorias contrabandeadas, seria na data da apreensão, ocorrida em 22/02/2006, que ocorre o fato infracional punível, com constatação da infração pela autoridade fiscal competente. Da análise da documentação acostada pelo contribuinte aos autos, concordo com a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que não há como se fazer uma correlação entre as mercadorias ali importadas e as mercadorias apreendidas pela Polícia Federal, objeto do presente auto de infração. Contudo, discordo da conclusão ali apresentada no sentido de que a ocorrência do ato infracional punível se dá na data da apreensão das mercadorias. Consoante se extrai da leitura da alínea b do inciso VII do art. 107 do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, o ato infracional encontra se expressamente descrito como sendo a "importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública". Entendo, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 89 21 portanto, que a interpretação realizada pela fiscalização vai de encontro à previsão expressa disposta na própria norma que instituiu a penalidade em referência. Nesse contexto, considerando que a penalidade aqui analisada foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 2003, tendo indicado como ato punível a "importação", entendo que tal penalidade apenas poderia ser aplicada no que concerne às importações realizadas posteriormente à sua entrada em vigor, pois não há que se falar em retroatividade de norma que impõe penalidade outrora inexistente. Acontece que, da análise do auto de infração combatido, não há como se identificar a data em que as importações foram realizadas, não se sabendo se ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que instituiu a penalidade aqui analisada. Logo, entendo que não se desincumbiu a fiscalização do seu ônus probatório quanto à constituição do crédito tributário exigido, tornando o auto de infração combatido nulo de pleno direito. Nesse mesmo sentido já manifestou o Julgador da DRJ Joaquim Jerônimo da Silva Filho (vide decisão proferida nos autos do Proc. nº 10675.003264/200630), cujo entendimento restou vencido naquela oportunidade pelo voto de qualidade. Por concordar com as razões de decidir ali apresentadas, transcrevo a seguir o seu teor: Da nulidade O art. 59, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 90 22 Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a idéia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. Vêse, por outro giro, que todos os dispositivos legais acima referidos se correlacionam, não podendo ser considerados isoladamente. No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 91 23 De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Cumpre registrar que não se observa natureza formal, mas sim material na falha apontada, pois o vício detectado repercute na essência do lançamento que, em sendo refeito, poderá trazer modificações em mais de um requisito essencial previsto no art. 142, do CTN, inclusive, naquele que se refere à identificação do sujeito passivo. Indeferese o pedido de intimação para o endereço do advogado da autuada. A intimação deve ser enviada para o domicilio fiscal do sujeito passivo, constante dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em obediência ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelas Leis nos 9.532/1997, 11.196/2005, 11.457/2007 e 11.941/2009. CONCLUSÃO Diante do exposto e tudo mais que consta nos autos, voto no sentido de: I preliminarmente, a) REJEITAR o pedido de protesto genérico de provas; b) DECLARAR a NULIDADE do lançamento, por vício material, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.000,00. Nesta mesma decisão, o Julgador Ricardo Serra Rocha apresentou declaração de voto, através da qual trouxe outros fundamentos que reforçam o entendimento acerca da nulidade do auto de infração combatido. É o que se infere da passagem a seguir transcrita: É cediço que ao autor cabe a prova do fato constitutivo de seu direito, e ao réu, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, não sendo suficiente a simples alegação, tudo em consonância com o art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, in verbis: Civil – CPC, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Acerca desse dispositivo, assim leciona Humberto Theodoro Júnior 1: “Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito (...)”.(grifei) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 92 24 Atualmente, não mais se admite que o lançamento possua caráter de prova pré constituída e nem que a sua presunção de legitimidade tenha o condão de inverter o ônus da prova, eximindo a Administração Tributária do dever de provar os fatos que alega. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente à época) Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López se manifestam: “No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência.(...)” (grifei) Ademais, no PAF (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972) a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, prevalece o princípio da livre convicção racional, pelo qual a autoridade é livre para decidir conforme a convicção que a prova lhe produzir, devendo, no entanto, fundamentar sua decisão. O próprio Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente ao PAF, também admite que, na análise das provas, a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, não estando adstrita sequer a laudos periciais, podendo formar sua convicção por outros elementos contidos nos autos, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (CPC) Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. No caso em concreto, tenho que as provas trazidas aos autos se sustentam de forma primordial em Auto Circunstanciado, o qual relata que: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 93 25 Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLANDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO CESAR”, localizado na Rua Bueno Brandão, 1241 – Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr CÉSAR ODILON DE FARIA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO K/88, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 96/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000926/200610. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 94 26 comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Sobre o tema, também já se manifestaram Conselheiros do CARF, a exemplo do trecho voto a seguir colacionado, proferido pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto no Acórdão nº 3302002.362, oportunidade em que foi acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede: Conforme exposto, a multa ora questionada foi inserida no ordenamento jurídico através da Lei nº 10.833/03, sendo que os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal em fiscalização realizada em 22.02.2006, ou seja, posteriormente à entrada em vigor da referida norma. Ocorre, no entanto, que, se por um lado o contribuinte apresenta documentos de outras máquinas cuja importação ocorrera em data anterior (1999) à vigência do dispositivo punitivo, por outro a fiscalização aplicou lhe a multa sem também provar que aquela máquina teria sido importada posteriormente. Ademais, conforme brilhantemente exposto no voto do i. julgador Ricardo Serra Rocha, em nenhum momento a i. fiscalização comprovou se as referidas importações ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da norma em questão. E uma vez que o tipo penal da norma recai sobre o ato de “importar”, importante essa análise. Por esse motivo, perfilome da declaração de voto proferida pelo i. julgador Ricardo Serra Rocha, que assim prescreve: “...o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decretolei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 95 27 vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. CF/1988 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de2004) Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (...) Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta. Dessarte, uma vez ocorrida violação a quaisquer dos requisitos essenciais do lançamento, consubstanciase o chamado vício material; vício este que não se coaduna com a contagem de prazo decadencial prescrita pelo inciso II do artigo 173 do CTN, aplicável apenas na ocorrência de Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 96 28 nulidade por vício de natureza formal, ou seja, não vinculado à parte substancial do ato. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ex positis, voto pela nulidade desta autuação pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento, não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Por derradeiro, anotese que ao considerar insubsistente o lançamento, não estou a asseverar que a defendente não cometeu a infração em litígio, mas sim que, conforme os elementos probatórios trazidos aos autos, a autoridade lançadora não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do fato gerador desta penalidade, qual seja, importação de mercadorias estrangeiras de cunho atentatório à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, vez que não se preocupou em demonstrar minimamente a data de sua ocorrência e quem a praticou, haja concorrido, ou dela se beneficiado, estando assim, maculado o lançamento em apreço, por vício de nulidade material”. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. Por concordar com as razões acima apresentadas, as quais se adequam com perfeição à presente contenda, adotoas como razão de decidir. Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 97 29 Como se vê, no voto acima transcrito, concluí pela nulidade do auto de infração combatido, embasada, primordialmente, no fato de que não seria possível, através da análise do auto de infração, confirmar a aplicabilidade no tempo da penalidade ali indicada. E, naquela oportunidade, fui acompanhada pelos Conselheiros Diego Weiss e Larissa Girard, tendo apenas o Conselheiro Carlos Alberto Esteves divergido do voto de minha relatoria, ali apresentado. No presente caso, é o Conselheiro Carlos Alberto Esteves quem, na qualidade de relator, apresenta as suas razões de decidir. Porém, guardada a devida vênia aos fundamentos ali apresentados, entendo que estes não abalam a conclusão a que cheguei quando do julgamento do Acórdão nº 3002000.104. A uma porque entendo equivocada a conclusão no sentido de que a data de referência para a lavratura do auto de infração, que constitui a exigência da multa, seja o dia da apreensão dos bens proibidos. Quanto a este ponto, a norma é clara ao dispor como infração punível com multa a "importação da mercadoria estrangeira (...)". A duas porque entendo descabida a análise do momento consumativo nos casos de contrabando ou descaminho, para fins de considerálos como crime permanente. Isso porque, a norma não descreve como infração punível o contrabando ou descaminho, mas, repisese, dispõe que a multa será imposta pela "importação de mercadoria estrangeira (...)", sendo esta aferível em um momento certo, preciso e específico. De outro norte, é válido mencionar que em sessão de julgamento realizada em junho de 2018, a Conselheira Larissa Girard esclareceu que, ao estudar melhor o assunto, chegou à conclusão diversa da outrora apresentada. Fundamentou o seu entendimento no fato de que, antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, a legislação pátria já possuía outras normas que impunham multa pela infração em questão, quais sejam, Decreto nº 91.030/1985 e Decreto nº 5.453/2002, in verbis: Decreto nº 91.030/1985 Art. 514 Aplicase a pena de perdimento da mercadoria (Decretolei nº 37/66, art. 105, e Decretolei nº 1.455/76. art. 23, IV, e parágrafo único): XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem pública. Art. 525 No caso do inciso XIX do artigo 514, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de quarenta e quatro mil cruzeiros (Cr$ 44.000) (Decretolei nº 37/66. art. 109). Decreto nº 5453/2002 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 59): XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; Art. 638. No caso de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, a que se Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 98 30 refere o inciso XIX do art. 618, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de R$ 18,34 (dezoito reais e trinta e quatro centavos) (Decretolei nº 37, de 1966, art. 109). Entendo, contudo, que os novos fundamentos, trazidos a julgamento pela ilustre Conselheira, tampouco abalam a conclusão a que cheguei anteriormente quando do Acórdão nº 3002000.104. A uma, porque é certo que o auto de infração combatido exigiu a multa objeto da Lei nº 10.833/2003, e não as multas exigidas pelos Decretos nº 91.030/1985 e 5.453/2002, que são distintas (Cr$ 44.000 e R$ 18,24, respectivamente). A duas porque as penalidades dispostas nos referidos decretos não possuíam o mesmo núcleo da infração ora analisada, visto que deveriam ser aplicadas "ao responsável pela infração", ao passo que a penalidade disposta na Lei nº 10.833/2003 dispõe que a penalidade deverá ser aplicada pela "importação de mercadoria estrangeira (...)". Até porque, penso que as penalidades descritas nos mencionados decretos não possuíam aplicabilidade, visto que impunham multas destinadas ao "responsável pela infração", sem precisar qual a infração a que estaria relacionada. A definição do núcleo infracional como sendo a "importação de mercadoria estrangeira" somente foi instituída pela Lei nº 10.833/2003, não podendo o seu conteúdo, portanto, ser aplicado retroativamente, atingindo importações ocorridas anteriormente à sua vigência. Nesse contexto, para que o auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização logre comprovar a ocorrência do fato gerador e o seu devido enquadramento na norma que impõe a penalidade descrita, inclusive no que tange ao seu aspecto temporal. Entendo, contudo, não ter a fiscalização de desincumbido do seu ônus no presente caso, o que torna nulo o auto de infração combatido. Ademais, é importante que se observe que a impossibilidade de confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada não foi o único fundamento que levou à nulidade do auto de infração. Da leitura da integralidade do voto ali proferido, verifica se que também fora apresentada como razão de decidir o fato de a fiscalização tampouco ter logrado comprovar o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada, não sendo possível, através do auto de infração, identificar, de forma precisa e fundamentada, a relação entre o fato jurídico e a hipótese de incidência. É o que se extrai das passagens a seguir colacionadas, extraídas do voto constante do Acórdão nº 3002000.104: De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. (...). No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10675.003447/200655 Acórdão n.º 3002000.204 S3C0T2 Fl. 99 31 concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. (...). Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade.(Grifos apostos). Sendo assim, com fulcro nas razões acima elencadas, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955528/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 55 28 /2 00 8- 79 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.955528/200879 Acórdão n.º 1301003.153 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.955528/200879 Acórdão n.º 1301003.153 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.955528/200879 Acórdão n.º 1301003.153 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.955528/200879 Acórdão n.º 1301003.153 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.955528/200879 Acórdão n.º 1301003.153 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.955528/200879 Acórdão n.º 1301003.153 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000834/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADOS.
A falta de escrituração de pagamentos a fornecedores efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
Numero da decisão: 1402-003.235
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos a fornecedores efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos a fornecedores efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 34 /2 00 8- 08 Fl. 653DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200808 Acórdão n.º 1402003.235 S1C4T2 Fl. 654 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 7a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração dos tributos e contribuições sob o regime de recolhimento do SIMPLESFEDERAL, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 118.586,04, entre principal, multa e juros corrigidos até maio/2008. Em essência, decorreram de valores apurados de compras realizadas pela recorrente, acima do registrado no seu livro caixa, que não foram justificados quando intimado. Tal circunstância ensejou o lançamento fiscal, mantida a recorrente na condição de optante do SimplesFederal. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: A DRF/Rio de Janeiro/RJO lavrou Autos de Infração em 11/01/2002 para exigir da interessada o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 491/510, no valor de R$ 3.428,47, de Programa de Integração SocialPIS, de fls. 511/518, no valor de R$ 3.428,47; de Contribuição para Seguridade Social – Cofins, de fls. 527/534, no valor de R$ 16.546,84, de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, de fls. 519/526, no valor de R$ 8.273,42, e Contribuição para a Seguridade Social – InssSimples, de fls.535//542, no valor de R$ 20.745,87, todos acrescidos da multa proporcional de 75% e demais encargos moratórios, conforme Termo de verificação de fls. 48/490, com as seguintes irregularidades: . em atendimento à intimação, a interessada apresentou o fluxo financeiro de fls. 22/24, com as receitas recebidas e os pagamentos efetuados no anocalendário de 2004; . foi intimada a apresentar as cópias das notas fiscais de compras, fls. 31/472; . foi elaborada relação de fls. 475/486, com os totais mensais de compras, que substituíram o valor informado a título de pagamento de fornecedores no “Levantamento do fluxo financeiro”, fl. 474; . acrescentandose no Levantamento os valores dos saldos da conta CAIXA – início e fim do período, apurouse que a interessada teve mensalmente um dispêndio maior que os valores recebidos, isto é, houve insuficiência de recursos nos valores mensais de fl. 489; Fl. 655DF CARF MF 4 . intimada a justificar a insuficiência de recursos, fl. 487, a interessada respondeu que não foi possível localizar tais informações, pois os sócios neste período eram outros e o contador também; . conforme o art. 199 do RIR/99, aplicamse ao Simples as presunções de omissão de receitas da legislação de regência dos impostos e contribuições, e com base nos arts. 186 e 188 do RIR/99 foi lavrado o auto de infração: . item 01 – Omissão de Receitas – art. 24 da Lei 9.249/95, art. 2º, §2º, 3º,§1º, alínea “a”, 5º, 7º, §1º, 18 da Lei 9.317/96, art. 3º da Lei 9.732/98 e art. 186, 188 e 199 do RIR/99. . item 2 – Insuficiência de recolhimento – art. 5º da Lei 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98 e arts. 186 e 188 do RIR/99. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: A ciência dos Autos de Infração ocorreu em 26/05/2008, fl. 507, e a interessada apresentou a impugnação de fls. 588/590, em 24/06/2008, onde alega, em síntese: . a matéria encontrase prescrita com base no CTN artigo 142 e 173; . foram glosadas a falta de registro de notas fiscais de mercadorias consideradas como receitas não escrituradas; . não demonstra de forma consistente para o Fisco o registro de notas fiscais de compra de mercadorias para revenda, devido as mesmas “tratarse de Notas Fiscais de mercadorias em consignação no período de janeiro a dezembro de 2004, em seus livros fiscais.”(sic ); . a atual administração desconhece tais fatos ocorridos em 2004 pois o seu ingresso na sociedade se deu em 22/03/2007, conforme alteração contratual registrada na Junta Comercial do RJ; . solicita que sejam arrolados os antigos sócios, Sr. Oscar Sena Pereira e Sra. Nádia Souza Maia Pereira, conforme Contrato Social juntado, e . seja suspensa a exigibilidade do crédito até decisão definitiva. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por voto de qualidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 656DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200808 Acórdão n.º 1402003.235 S1C4T2 Fl. 655 5 Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. PAGAMENTOS DE COMPRAS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos a fornecedores efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. As diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior, devem ser objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. A decisão proferida em relação ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências fiscais dele decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto a prescrição do lançamento alegada, entendeu a autoridade julgadora a quo haver um protesto pela decadência. Como os fatos se referem ao anocalendário de 2004, e o lançamento efetuado em 26/05/2008, não houve o alcance do prazo decadencial; a questão de troca de sócios em nada interfere, pois a autuação é sobre a pessoa jurídica; quanto o mérito, a fiscalização demonstrou que o total de notas de compras foram na realidade de R$ R$ 513.494,73, e não como registrado no seu livro caixa de R$ 236.454,97. Não se encontrou nenhuma na cópia das notas fiscais consideradas pelas fiscalização nenhuma envolvendo consignação, conforme alega a recorrente, e também nenhum de data da emissão da nota fiscal e o respectivo pagamento pela fatura, pois são sempre coincidentes. A recorrente não trouxe nenhuma prova elidindo a conclusão da fiscalização, limitandose a alegações genéricas; há declaração de voto. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 16/11/2010, a recorrente apresentou recurso voluntário em 14/12/2010. Cabe destacar que a recorrente deu o nome desta peça recursal como impugnação, mas pelo princípio da fungibilidade, será atendido como recurso voluntário. Fl. 657DF CARF MF 6 Na sua peça recursal, muito sucinta, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: em preliminar, alega que não houve a demonstração da omissão de receitas; no mérito, o caso autuado é de improcedente, pois as notas fiscais mencionadas se referem a um acordo comercial de mercadorias consignadas, acordo este entre franqueado e franqueador; no seu pedido: Á vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão do Acórdão 1233.963 espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200808 Acórdão n.º 1402003.235 S1C4T2 Fl. 656 7 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da síntese dos fatos: A autuação fiscal envolve valores apurados de compras realizadas pela recorrente, acima do registrado no seu livro caixa. Por consequência, apurouse omissão de receitas por conta de compras não registradas na contabilidade, e quando intimada a esclarecer, a recorrente se limitou a dizer que no anocalendário em foco, 2004, os sócios e contador eram outros e não localizou as informações. Houve lançamento mantendo a recorrente no Simples Federal, e aplicouse a multa de ofício simples. Na sua impugnação, alega que a matéria estaria prescrita. As notas fiscais consideradas pela autoridade fiscal não são de compra e sim de consignação. A administração atual da recorrente desconhece fatos ocorridos em 2004, pois só ingressaram como sócios em 2007. Que sejam chamados os sócios antigos como responsáveis. Na decisão a quo entendeuse que a alegação não é de prescrição e sim de decadência, e demonstrou que não havia que se falar em decadência ocorrida aos fatos geradores. Contesta alegações da mudança de sócios, pois a autuação fiscal foi sobre a pessoa jurídica. E quanto ao mérito, entendeu que ficou comprovado que as compras realizadas foram realmente superiores às registradas no livro caixa, o que demonstraria a omissão, e nada trouxe elidindo tal posição da autuação fiscal. Na sua peça recursal, de maneira bem sucinta, suscita em preliminar que não houve a demonstração da omissão de receitas. No mérito, as notas fiscais consideradas são de mercadorias consignadas. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminar de que não houve a demonstração da omissão de receitas Na sua peça recursal. alega em sede de liminar que não houve a demonstração da omissão de receitas por parte da autoridade fiscal autuadora. Conforme sua peça recursal, ipsis litteris: Fl. 659DF CARF MF 8 1 Preliminar Com total respeito a autoridade fiscalizadora responsável por este lançamento, não foi demonstrado cabalmente a existência da omissão de Receitas. Verificouse uma autuação baseada em possíveis indícios detectados, pela avaliação do Agente Fiscal. Contudo, tal alegação, nos termos que foi feita no recurso voluntário, entendo que envolve questão de mérito, e neste ponto será tratado. Portanto, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade suscitada. Mérito: da alegação que não houve a demonstração da omissão de receita e que as notas fiscais seriam decorrentes de mercadorias consignadas Alega a recorrente na sua peça recursal, de forma bem sucinta, ipsis litteris: 2 Mérito Omissão de Receita: Caracteriza omissão de Receita ou de Rendimentos, inclusive ganhos de Capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Presunção: Presumese omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: • A indicação na escrituração de saldo credor de caixa; • A falta de escrituração de pagamentos efetuados; • A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. No caso deste processo a hipótese de presunção é totalmente improcedente, uma vez que as Notas Fiscais mencionadas refere se a um acordo comercial com o fornecedor de mercadorias consignadas, acordo este entre Franqueado e Franqueador. Ou seja, baseou toda sua defesa nestas linhas. Não trouxe nenhuma comprovação do fato de que as mercadorias compradas eram consignadas. Fez a mesma alegação na peça impugnatória, e lá houve o seguinte rechaço da autoridade julgadora a quo, no voto condutor da decisão: Constatase nas cópias das Notas FiscaisFatura acostadas que a Data do vencimento da Fatura é sempre igual à data da emissão da Nota Fiscal, e não há nenhuma referência a Fl. 660DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200808 Acórdão n.º 1402003.235 S1C4T2 Fl. 657 9 “mercadorias em consignação” nas Notas fiscais de compra, conforme alega a interessada. Portanto, não há discrepância entre os meses de faturamento e de pagamento que pudessem afetar a alocação dos valores nos períodos de apuração considerados. Cotejandose as Notas Fiscais de Compras com o Livro Caixa, verificase que a escrituração menciona “Pagamento a Fornecedores”, que é feito na data e no valor coincidente com a cópia de Nota Fiscal de compra, embora não mencione o número da Nota FiscalFatura, e observase também a não escrituração de grande parte das Notas FiscaisFatura de compras, a título de exemplo: (...) Compulsando os autos, além de confirmar o imediatamente acima transcrito, reforço as circunstâncias que ocorreram as autuações fiscais, nos seguintes pontos: a) a recorrente foi intimada a apresentar um demonstrativo do seu livro caixa, que envolve as receitas mensais e as despesas que teria normalmente fluxo financeiro de 2004, a qual respondeu (efls. 24 a 26); b) posteriormente foi intimada a apresentar as suas notas fiscais de compras, entre outros itens, a qual respondeu apresentando várias notas fiscais fatura (efls. 31 a 32 anexos efls. 33 a 479); c) em 31/03/2008, a recorrente foi intimada a esclarecer as divergências no saldo, ao recompor seu fluxo financeiro com base nos valores de compras, a qual chamou de insuficiência de recursos no montante anual de R$ 277.190,47e pediu para justificar (efls. 477 a 490). Em resposta, informa, se limitando a dizer que não foi possível localizar tais informações, pois os sócios neste período eram outros e o contador também; d) por conseguinte, foram lavrados autos de infração, conforme termo de verificação de infração (efls. 492 a 494), em que alega que no caso houve uma presunção legal omissão de receita, pois ocorreu pagamentos efetuados superiores aos valores recebidos, citando o enquadramento legal dos arts. 186 e 188 do RIR/1999. Nos autos de infração, houve o enquadramento de vários dispositivos, entre os quais os art. 24 da Lei nº 9.249/95, artigo 18 da Lei 9.317/96 e artigo 199 do RIR, dispositivos que fundamentam presunção de omissão de Receita, no caso de empresas optantes pelo Simples. Vislumbrando os elementos postos no processo, entendo ficou caracterizada a omissão de receitas, com base na falta da escrituração de pagamentos. A expressão "insuficiência de recursos" utilizada no termo de verificação de infração talvez não tenha sido a melhor, mas não descaracteriza a situação fática encontrada e enquadrada. Tal assunto foi muito debatido e está transcrito na decisão a quo¸em que houve uma declaração de voto contra a decisão, e outro votando, que acompanhou o decidido, também fez declaração de voto. Fl. 661DF CARF MF 10 Ali está bem explicada a dúvida de enquadramento legal suscitada pelas autoridades julgadoras que me antecedem, mas acompanho o raciocínio que está bem caracterizada a situação de omissão de receitas, e a autuação fiscal está corretamente aplicada. A recorrente fez defesas muito pobres e nenhum momento demonstrou nada distinto do que lhe foi imputado. Alegou, e apenas alegou, que foram notas fiscais com mercadorias em consignação, mas nenhuma nota fiscalfatura menciona isso. Todas são de compra e venda, conforme se analisa nos autos. Os pagamentos não foram contabilizados no livro caixa da recorrente, e são sim indícios fortes de omissão de receita, salvo se elidir tal situação com uma origem externa comprovada de recursos. Não houve nenhuma comprovação, apenas alegações, como já manifestado anteriormente neste voto. Tudo o exposto acima, entendo como correta a apuração de omissão de receitas por parte da autoridade fiscal. Conclusão: Voto por conhecer o recurso voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007381/2009-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 73 81 /2 00 9- 27 Fl. 171DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponiveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Em janeiro foi votado outro processo desse mesmo contribuinte, nos mesmos termos do acordão de agora. Destacamos do Acórdão de Impugnação algumas passagens: À vista disso, resta claro que a não indicação de endereço vinculado ao profissional da área de saúde, emissor do recibo, é motivo suficiente para a desconsideração de tal documento como prova da dedução pleiteada. Dessa forma, concluise que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, apontam a falta de endereço no recibo e falta de comprovação do pagamento: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19647.007381/200927 Acórdão n.º 2001000.576 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 173DF CARF MF 4 No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19647.007381/200927 Acórdão n.º 2001000.576 S2C0T1 Fl. 4 5 E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 175DF CARF MF 6 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905700/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 00 /2 01 2- 04 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905700/201204 Acórdão n.º 1302002.876 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905700/201204 Acórdão n.º 1302002.876 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905700/201204 Acórdão n.º 1302002.876 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905700/201204 Acórdão n.º 1302002.876 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.905700/201204 Acórdão n.º 1302002.876 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003038/2010-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/03/2010
SISCOMEX- CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Encontra-se precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário.
IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna.
RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07.
A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações.
Numero da decisão: 3001-000.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negou-lhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/03/2010 SISCOMEX- CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Encontra-se precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário. IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna. RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07. A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negou-lhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 95 1 94 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.003038/201026 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.402 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ASIA SHIPPING TRANSPORTES INTERNACIONAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/03/2010 SISCOMEX CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Encontrase precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário. IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna. RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07. A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 30 38 /2 01 0- 26 Fl. 96DF CARF MF 2 ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negoulhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Consta no relatório fiscal, tratarse os presentes autos de verificação procedida sobre pedido de retificação dos Conhecimentos Eletrônicos de Embarque. O teor dos pedidos de retificação referemse a inclusão de NCM e alteração de razão social de embarcador. Segundo consta no auto de infração, em consulta ao SISCOMEX, tais retificações ocorreram após a vinculação do referido CE à Declaração de Importação. IN 800/07 Aponta, como regra sobre o prazo ao qual encontrase submetido, o artigo 22, II, d, determinando a obrigatoriedade de prestar informações até 48 horas antes da chegada da embarcação. Consta do auto que, até 31/03/2009, a prestação de informações sobre alterações, poderá ser feita até antes da atracação, não isentando da penalidade quando houver descumprimento de prazo. Para tanto, cita o artigo 50, parágrafo único, destacando o conteúdo disposto no caput, qual seja, não eximir o transportador da responsabilidade prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação Em seqüência, cita o artigo 23, 24 e 25 da mesma IN, a respeito da solicitação de retificação após o registro da atracaçao Cita, também, o artigo 27, o qual prevê a possibilidade de solicitar a alteração à RFB por escrito, sendo que, destaca o seu parágrafo terceiro, por conter a previsão de que tal conduta não a exime de multas. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 96 3 Menciona, também, o artigo 45, da IN 800/07, o qual prevê a aplicação do artigo 107, IV, e, do DL 37/66, com redação alterada pela Lei 10.833/03. A fim de embasar o procedimento realizado, cita o Ato Declaratório Corep n.ºº 03/2008, que preve, em seu artigo 64, a aplicação de penalidades. E o artigo 2.º da IN 800, a fim de legitimar a eleição do sujeito passivo. Finaliza por lavrar o auto de infração para aplicar multa pela prestação de informações fora do prazo estipulado. Empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada, CEs 160805207833246 e 161005000781013, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, no art. 22 e 50 da IN 800/2007. Impugnação Em sua peça de defesa a recorrente faz breve relato fático, no qual aponta a lavratura do auto de infração por ter deixado de prestar informações sobre carga, utilizando como fundamento legal o artigo 107,IV, e do DL 37/66. Iresignase perante o ato oficial expondo seus argumentos. Início da validade da multa 01 de abril de 2009 Inicialmente, aponta os efeitos da aplicação da multa, que somente teria ocorrido a partir de 01.º de abril de 2009. Inexistência de infração Inocorrência de ausência de informação prestada Afirma que a recorrente não deixou de prestar informações referentes aos CE. Ao contrário, prestou informações suficientes como tipo, quantidade, importador, et.c CE 160.805.207.833.246 Os dados teriam sido incluídos no sistema em 05/11/2008 (efls 34), sendo que a atracação ocorreu em 10/11/2008 CE 161.005.000.781.013 Os dados teriam sido incluídos no sistema em 05/01/2010, sendo a atracação em 09/01/2010. Ausência de Prejuízos Teor das retificações As retificações foram relativas à alteração de razão social e inclusão de NCM, restando assim, evidenciada a inexistência de prejuizo Denúncia Espontânea Alega a ocorrência de denuncia espontânea, uma vez que as informações foram inseridas no sistema antes de qualquer ato fiscalizatório. Fl. 98DF CARF MF 4 DRJ/FLN O Acórdão 0730.243 1 ª Turma, foi dispensado de ementa, sendo que, por bem retratar a realidade fática, transcrevese a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados, no Siscomex CARGA, no prazo estabelecido pela Instrução Normativa RFB n° 800/07, da desconsolidação da carga. Conforme relatado pela fiscalização, a interessada procedeu a desconsolidação da carga descrita no Conhecimento Eletrônico Genérico n° 121.005.030.361.994 no dia 03/03/2010 às 16:21hs; ocorre que a embarcação MAERSK JENA atracou no porto dia 03/03/2010 às 17:59hs. Tal fato caracteriza a omissão do dever de prestar informação sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (48 horas antes da atracação do veículo no porto) conforme estabelecido na norma de regência. Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, prestou a informação antes da atracação do navio; Que, o CE Máster só foi criado em 01/03/2011 (49 horas antes da atracação da embarcação); Que, não deixou de prestar as informações do conhecimento de embarque, e prestou antes de qualquer início de fiscalização; Que, não houve prejuízo ou intenção de lesar o fisco com a vinculação após a atracação do navio; Que, a denúncia espontânea exclui a aplicação da penalidade; Requer seja julgada insubsistente a autuação, sejam juntados aos autos informações completas sobre as operações em apreço e o termo de início da fiscalização. É o relatório. No voto, merece destaque os seguintes trechos, a seguir transcritos, que elucidam o raciocínio e fundamentação da negativa de provimento da Impugnação. Importa destacar, que a linha mestra do voto condutor menciona o parágrafo terceiro do artigo 27 da IN 800/07, no sentido de legitimar o auto de infração, já que, no referenciado dispositivo, há previsão de manutenção da penalidade pecuniária em face da retificação de informação pelo contribuinte. O § 3º, do artigo 27, acima transcrito é claro ao definir que nem mesmo na hipótese de a alteração e a retificação serem autorizadas a penalidade será excluída, logo correta a autuação. No mérito, é de destacar o entendimento do voto condutor no sentido de a infração descrita no fundamento legal do auto de infração ter sido cometida em sua plenitude, haja vista o teor correto das informações ter sido incluído após o encerramento do prazo. A infração está plenamente caracterizada na conduta realizada pela interessada, havia prazo certo para apor no sistema as informações. A interessada deixou de prestar informação sobre a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 97 5 carga transportada no veículo na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente, preliminarmente, não alcançar os fatos pretéritos a abril de 2009. Termo inicial da multa Alegou ser a multa nao aplicavel em razão da data de ocorrência do fato gerador, qual seja, 22 dezembro de 2008, buscando dar cumprimento ao disposto no artigo 50 da IN 800, a qual menciona o início de validade da norma impositiva da multa, a partir de 1.º de abril de 2009. Pugna pela aplicação do artigo 112 do CTN. Não caracterização da Infração Envio de informações, com posterior retificação No mérito, argumentou que não houve falta de prestação de informação, mas sim, autuaçção em decorrência de retificação de informação, anteriormente prestada. Neste sentido, sustenta a recorrente haver informado as cargas no sistema da RFB. e que, a contrario senso da multa efetivamente aplicada neste caso concreto, a previsão legal atinge apenas aquele que deixar de prestar informações. Desta forma, não implicaria em sanção para o contribuinte que informou, e, após retificou. Aponta, também, o raciocínio no qual o conteúdo constante nas retificações, não se enquadram no conceito legal de descrição de carga. E que, ainda, as cargas estariam, todas, descritas na informações enviadas tempestivamente, tais como, pneus, câmaras e partes de impressoras, contendo peso, destino, exportador, importador, navio, etc. Erro na fundamentação Ainda, indica ocorrência de erro na fundamentação, vez que indica artigo prevendo a omissão de informações. Retificação Isto porque, a retificação seria permitida pelo artigo 46 do RA, e, também, argumentou no sentido de não haver na previsão legal a implicacao de multa para retificação. Desta forma, não estaria enquadrado no artigo 107, IV, e, do DL 37/66, com a redação alterada pela Lei 10.833/03. Poe em destaque, os verbetes: deixar de prestar informações sobre (...) carga nele transportado ou sobre as operações de execute (...) A requerente prestou informações do CE Mercante 160.805.207.833.246 em 05 de novembro de 2008, sendo que o navio atracou em 10 / 11 / 2008. Em 22 de dezembro, houve retificação buscando incluir NCM. Fl. 100DF CARF MF 6 Sobre o CE 161.005.000.781.013, prestou informações em 05 / 01 /2010 com o navio tendo atracado em 09/01/2010.Em 18 de janeiro de 2010 houve a retificação para alterar a razão social Denúncia Espontânea A recorrente traz, a seu favor, também o argumento da denuncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN. Demonstra que ao tempo da inserção dos dados no sistema não havia sido iniciada nenhuma fiscalização, tampouco qualquer ato administrativo relativo à prestação de informação Inexistência de prejuízo pugna pela comprovação, por parte da RFB, a prova do prejuízo ou dificuldade causada à fiscalização. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de multa nos conhecimentos eletrônicos mercante de n.ºº 161005000781013 e 160805207833246 em razão das solicitações pedidos de retificação apresentados em 22 12 2008 e 18 01 2010. A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo, Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Preliminar. tempestividade, início de validade do termo inicial da multa Destaco, a presença de item argumentativo de cunho inovador, qual seja, a alegação de Erro na Fundamentação. Mérito, alega a inexistência de infração, ausência de prejuízo e a ocorrência da denúncia espontânea. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 98 7 Admissibilidade do Recurso Tempestividade O recurso é tempestivo e, portanto, dele, quanto a este aspecto, tomo conhecimento. Início da validade da multa CONHEÇO TOTALMENTE da parte do recurso voluntário que rebate trechos da decisão referente a ilegalidade da multa, relativa ao CE 160805207833246, anterior a 01 de abril de 2009,considerandoa regular. Da Preclusão Erro na fundamentação NEGO CONHECIMENTO ao argumento de erro de fundamentação, pois foi trazido apenas em sede de recurso voluntário, não podendo ser conhecido, por ter se efetivado a preclusão. DOS FATOS Destacase a seguir, pontos fáticos fundamentais para compreensão do caso posto em julgamento, devendose mencionar as essenciais datas de atraque do navio e as datas de inclusão das informações nos sistema da RFB. CE 161005000781013 A Data de inclusão no sistema do CE 161005000781013 é 05/01/2010 as 14hrs 57min 41s, sendo que a Atracação ocorreu dia 09/01/2010 às 12hrs e 02min. Dentro, portanto, do prazo previsto, vez que, o momento do envio das informações respeitou o prazo limite de até 48 horas da chegada da embarcação. CE 160805207833246 A Data inclusão no sistema foi 05 11 2008. E a data de atracação 10 11 2008, Dentro, portanto, do prazo previsto, vez que, o momento do envio das informações respeitou o prazo limite de até 48 horas da chegada da embarcação. das Retificações Em data de 18 / 01 / 2010, houve retificação do CE cujo motivo da retificação foi a alteração de Shipper/embarcador De Glory Chemicals para Beijing Meikeyi Co., ltd. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. CE 161005000781013. E em 22/12/2008 houve retificação para inclusão de NCM. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. Estas datas ocorreram após o esgotamento do prazo previsto no artigo 22, II, 'd', da IN 800/07. No entanto, as informações já haviam sido enviadas ao sistema da RFB, conforme item anterior. Não pode o lançamento, atribuir a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, pelo fato de ter ocorrido a retificação de uma das informações em cada CE (Razão social e NCM). Fl. 102DF CARF MF 8 A Seção IX da IN 800/07, em seus artigos 27 A, B e C, tratam das retificações das informações, que no entender deste conselheiro, não tem o condão de atribuir, à conduta da requerente, qualquer responsabilidade por ato infracional. Ao contrário, a retificação busca aperfeiçoar a prestação de informações anteriormente fornecida. Fundamento Legal da Multa A fim de tratar do delineamento do tema, se faz necessário, no presente caso, delimitar os fundamentos legais que lastreiam a imposição da multa discutida nestes autos. Bem se verá, que o artigo 107, IV, letra e, tipifica como conduta infracional a omissão caracterizada por deixar de prestar informação. A cobrança de multa prevista no artigo 107, IV, e, do DL 37/66. Seção V Multas Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;: A multa, em específico, foi ensejada em decorrência de descumprir o dever de prestar informações ao sistema da RFB SISCOMEX Cargas, dentro do prazo mínimo de 48h (quarenta e oito horas) antes da chegada da embarcação, em consonância ao artigo 22 da IN 800/07.. O dever, portanto, que foi considerado desrespeitado, foi o previsto: Seção VIII Dos Prazos para a Prestação das Informações Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Portanto, a prestação de informações deveria respeitar o prazo de 48 horas antes da chegada da embarção. As datas são verificadas nas Escalas e Extratos de CE. PRELIMINAR Foi mencionado, em favor da recorrente, preliminar objetivando o reconhecimento de ausência de norma dando fundamento para a cobrança de multa, uma vez que o artigo 50 da IN 800/07 postergou para 01 de abril de 2009. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 99 9 Aspecto temporal CE 160805207833246 Termo inicial da multa dos arts 107, IV, 'e' do DL 37/66 c/c 22, II, 'd' e 50 da IN 800/07' A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. A importância do artigo transcrito acima se faz pelo fato de, em seu texto, estar postergada, a incidência da multa prevista nos artigos 107, IV, e do DL 37/66 c/c artigo 22, II , d. Conforme se percebe, os prazos de antecedência previstos no artigo 22 da IN 800/07, ao se tornarem obrigatórios, a partir de 01 de abril de 2009, significa dizer, que apenas terão seus efeitos sancionatórios válidos a partir desta data. Ou seja, o contribuinte não se encontrava eximido da prestação de informações. Mas até do transcurso do prazo acima mencionado, o ordenamento jurídico estaria impedido, pelo teor da inovação trazida na IN 899/08, de desencadear os efeitos da norma punitiva. Merece atenção o argumento de estar contido no parágrafo único, do artigo 22, o fundamento legal para a imposição da multa em momento anterior ao 01 de abril de 2009. Isto porque, seu texto menciona que o disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações. A leitura desta regra, não deve ultrapassar seu real sentido, qual seja, impelir a prestação de informação, mas sem o caráter sancionatório, em virtude de expressa redação regulamentar que posterga os efeitos para data posterior. Neste aspecto, no CE 160805207833246, cuja data da inclusão no sistema foi 05 11 2008; anterior, portanto, ao prazo estipulado no artigo 50 da IN 800/07, qual seja, 01 de abril de 2009, considero inválida a cobrança da multa prevista no artigo 22, II da IN 800/07 c/c artigo 107, IV, e do DL 37/66, em razão, justamente, da redação dada pela IN 899/08, a qual difere para 01 de abril de 2009 a obrigatoriedade dos prazos ali previstos. Já o CE 161005000781013, cuja data de inclusão no sistema do é 05/01/2010, considero não aplicável o argumento relativo ao termo inicial da validade da norma impositiva da multa, em razão de sua ocorrência terse dado posteriormente ao prazo fixado no já mencionado artigo 50 da IN 800/07. Fl. 104DF CARF MF 10 Retroatividade Benigna O comando do artigo 50 da IN 800/07, foi alterado pela IN 899, publicada em 29 de dezembro de 2008. Portanto, o comando que postergou a validade da cobrança da multa prevista no artigo 107, IV, 'e', do DL 37/66, pelo envio tardio de informações, previsto no artigo 22 da IN 800/07, emite seus atos a partir de 29 de dezembro. No entanto, por tratar de norma que beneficia o contribuinte, impendindo que a recorrente seja atingida por norma impositiva de multa, deve ser aplicado o artigo 106 do CTN. Isto porque, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo 50 neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme a decisão abaixo mencionada. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 100 11 para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SECÃO DE JULGAMENTO / 2ª CAMARA / 2ª TURMA ORDINARIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. Decido Desta forma, ACATO A PRELIMINAR, apenas em relação ao CE 160805207833246, o argumento do início da vigência da multa prevista no artigo 107, IV, e do Fl. 106DF CARF MF 12 DL 327/66 c;c artigos 22, II, d e 50 da IN 800/07, excluindo a multa aplicada, pois o início da cobrança é possível apenas após 01 abril de 2009. MÉRITO Desta feita, a partir de então, analiso apenas o CE 161005000781013 cuja data de inclusão no sistema do foi 05/01/2010, portanto, após o prazo previsto no artigo 50 da IN 800/07. Envio tempestivo das informações Inexistência de Infração A recorrente preencheu os requisitos para envio das informações previstas no artigo 22 da IN 800/07, em relação ao CE 161005000781013. Isto porque, na data de inclusão das informações no sistema da RFB, ocorrido, como visto, em 05/01/2010, às 14hrs 57min 41s, quatro dias portanto, antes da atracação, que, conforme verificação da Escala e Extrato de CE acostadas a estes autos, ocorreu quatro dias após o envio das informações, mais especificamente dia 09/01/2010 às 12hrs e 02. Dentro do prazo limite, portanto, que é de até 48 horas da chegada da embarcação. Em data de 18 / 01 / 2010, esta posterior à data de atracação do navio, houve apenas a retificação do CE cujo motivo da retificação foi a alteração de Shipper/embarcador De Glory Chemicals para Beijing Meikeyi Co., ltd. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. Tal procedimento de retificação respeitou o artigo 27 A da IN 800/07, e não pode ser confundido com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Art. 27A. Entendese por retificação II de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após Decido Desta forma, considerando que, para aplicação da multa, é necessário deixar de prestar informações. E que, se prestadas, as informações sejam enviadas no prazo de 48 horas anteriores à chegada do navio, DEFIRO, DANDO TOTAL PROVIMENTO neste tópico, para reconhecer o envio das informações em tempo hábil, não podendo a retificação de um item tornar a conduta de caráter infracional, a ponto de lhe imputar a multa prevista no artigo 107, IV, e. Assim, excluo a multa incidente sobre a retificação CE 161005000781013, haja vista o prazo previsto no artigo 22 da IN 800/07, para enviar as informações exigidas, foram respeitadas, uma vez que o envio se deu em 05/01/2010, às 14hrs 57min 41s, enquanto que o navio atracou 09/01/2010 às 12hrs e 02. Prejudiciais de mérito Considero as Matérias trazidas no recurso voluntário, Denúncia Espontânea e a Inexistência de prejuízo, prejudicadas em razão do enfrentamento do mérito com o deferimento em favor da recorrente. CONCLUSÃO Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 101 13 Diante do exposto, seguiuse da seguinte forma o julgamento. O recurso voluntário, considerado tempestivo foi CONHECIDO PARCIALMENTE, excluindose da análise, o tópico relativo ao Erro de Fundamento. Quanto ao Mérito, foi DADO PROVIMENTO ao tópico do termo inicial da multa em discussão, destacando que se aplica apenas ao CE 160805207833246, e, ao argumento de inexistência de infração, no que tange ao CE 161005000781013. Considero, por fim, prejudicadas, pelo enfrentamento do mérito, as matérias de inexistência de prejuízo e denúncia espontânea. Desta forma, excluo a multa do CE 160805207833246, acatando o argumento de haver tido postergação do início do termo inicial da multa, e, do CE 161005000781013, excluo a multa, reconhecendo como tempestivo os envios das informações, independentemente da data da retificação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. No caso em análise, meu entendimento diverge do D. Relator quanto ao acatamento da argumentação do Recorrente acerca do termo inicial de vigência prazo de estipulado no artigo 50 da IN 800 de 2007, qual seja, 01.04.2009, para fins de considerar inválida a cobrança da multa prevista em seu artigo 22, inciso II c/c artigo 107, inciso IV Decretolei 37 de 1966, em face da redação dada pela IN 899 de 2008, na medida em que considerada que referido prazo foi diferido para referida data 01.04.2009. Inicio afirmando que a autoridade lançadora agiu com lucidez e correção ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que o autuado, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, tem o dever de prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela Administração Aduaneira, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a Fl. 108DF CARF MF 14 chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Neste contexto, pareceme irrazoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Então, demonstrado um eventual descumprimento da obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese a aplicação da correspondente multa, posto que decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Melhor explicando, em atenção ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 (IN RFB 800/2007), que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações referido órgão RFB, por meio da IN RFB 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 12466.003038/201026 Acórdão n.º 3001000.402 S3C0T1 Fl. 102 15 a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o seu artigo 50 IN RFB 800/2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Fl. 110DF CARF MF 16 Como a norma regulamentar, retro transcrita, esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, eventual intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade, inclusive, antes de 1º de abril de 2009. Pelas razões que expus, no que respeita o prazo de vigência da multa sobre apreço, entendo que a decisão recorrida agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, não devendo, neste aspecto ser reformada. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000172/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 72 /2 00 9- 62 Fl. 1190DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10932.000172/200962 Acórdão n.º 2202004.379 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1192DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10932.000172/200962 Acórdão n.º 2202004.379 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1194DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10932.000172/200962 Acórdão n.º 2202004.379 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1196DF CARF MF
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Numero do processo: 13887.720200/2016-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
Numero da decisão: 2001-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 72 02 00 /2 01 6- 71 Fl. 63DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que a interpretação da legislação é literal, nos seguintes termos: O laudo de fl. 6 afirma que o interessado é portador de espondiloartrose lombar, doença não incluída no rol das moléstias que asseguram a isenção dos proventos de aposentadoria. Ressaltese que o único método de hermenêutica jurídica permitido para a definição do verdadeiro sentido e alcance da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o literal (inciso II do art. 111 do CTN). Assim, o benefício invocado não pode ser estendido a quem não preencha rigorosamente as condições e requisitos exigidos para sua concessão, especificados em consonância com o art. 176 do CTN. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que a interpretação da legislação é literal. O laudo fala em espondiloartrose lombar, e a legislação em espondiloartrose anquilosante. Tratase de doença de denominação um pouco imprecisa, havendo vários termos para expressar a mesma doença como se observa nesse texto do Manual da Perícias e Auditorias Médicas do Distrito Federal: Espondilite Anquilosante, inadequadamente denominada de espondiloartrose anquilosante nos textos legais, é uma doença inflamatória de etiologia desconhecida que afeta principalmente as articulações sacroilíacas, interapofisárias e costovertebrais, os discos intervertebrais e o tecido conjuntivo frouxo que circunda os corpos vertebrais, entre estes e os ligamentos da coluna. (...) Dentre as denominações comumente dadas à espondilite anquilosante podemos destacar as seguintes: espondilite (ou espondilose) rizomélica, doença de PierreMarieStrumpell, espondilite ossificante ligamentar, síndrome (ou doença) de Veu Bechterew, espondilite reumatóide, espondilite juvenil ou do Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13887.720200/201671 Acórdão n.º 2001000.541 S2C0T1 Fl. 3 3 adolescente, espondilartrite anquilopoiética, espondilite deformante, espondilite atrófica ligamentar, pelviespondilite anquilosante, apesar de a Escola Francesa utilizar a designação de pelviespondilite reumática. No nosso entender, a literalidade exigida para isenção se aplica a doença, no caso espondiloartrose. A adjetivação anquilosante pode acompanhar a qualificação, como lombar também pode, e, de maneira nenhuma, existe a indicação de que a espondiloartrose que o contribuinte apresenta, e estava em tratamento há 8 anos, não seja anquilosante. Cirurgia total de quadril em janeiro 2015, e o tratamento contínuo e longo indicam que o seja. Não vemos restrição que outros elementos complementem o laudo. Considerando caracterizada a doença prevista, entendemos que faz jus o contribuinte, pois o fundamento para a recusa fica superado. O contribuinte apresentou, com o recurso voluntário, outras argumentações e documentos relativamente a doenças graves. A neoplasia apontada pelo contribuinte ocorreu em 1983, podendo ser doença sujeita a controle periódico, não há documentos nos autos indicando a continuidade. As doenças cardíacas relatadas, também poderiam apontar ao direito de isenção. No entanto, tais doenças estão relatadas parcialmente, sem laudo oficial, e não são examinadas aqui, pois o fundamento desse voto está em que a recusa apresentada no acórdão de impugnação foi vencida. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002701/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Numero da decisão: 1302-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 01 /2 00 5- 24 Fl. 256DF CARF MF 2 Relatório Tratase o presente processo administrativo de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte, Unimarco Editora e Publicações Ltda., ora Recorrente, através do qual foram constituídos créditos tributários de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. No Auto de Infração foram apontada a manutenção, no passivo, de obrigações não comprovadas, a ensejar omissão de receitas, nos termos da legislação. No que tange ao processo de fiscalização, o relatório do acórdão assim consignou: No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 132 a 135, integrante dos autos de infração, consignouse que o contribuinte foi intimado e reintimado a comprovar 0 valor informado na conta Fomecedores ein 2001 (R$1.620.779,16), tendo alegado que nesse montante estaria incluído o valor de R$1.608.773,43, que teria sido reclassificado para Adiantamento de Clientes, cujo saldo resultaria de lançamentos ocorridos antes de 01/01/2000. Todavia, a empresa fiscalizada não apresentou prova documental de suas afirmações. Acrescenta o autuante que, no demonstrativo apresentado pela empresa, referente ao Passivo existente em 31/12/2002 (fl. 59), o mesmo valor foi informado como Resultado de Exercícios Futuros Em Impugnação apresentada, o Recorrente alegou (i) a nulidade do lançamento, (ii) que autuação seria confiscatória (iii) a decadência do direito do fisco de lançar os créditos tributários e, no mérito, (iv) que a reclassificação da sua conta contábil estaria de acordo com as normas contábeis vigentes. Em análise à impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), entendeu por bem rejeitar as preliminares e, no mérito, julgar o lançamento como sendo procedente. O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendario: 2001 PRELINIINAR. NULIDADE. LOCAL LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A legislação tributária não exige que a formalização do lançamento seja efetuada no domicílio do contribuinte. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado autoridade competente, com a observância requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A análise quanto à observância do prazo para efetuar o lançamento deve tomar por base o período de apuração indicado na autuação, porquanto não evidenciado erro na determinação da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 19515.002701/200524 Acórdão n.º 1302002.911 S1C3T2 Fl. 257 3 A manutenção, no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não for comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente Devidamente intimado do acórdão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando, em síntese, os argumentos lançados em sua impugnação administrativa. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado, via AR, nos termos do comprovante de fls. 243, no dia 24/11/2008, segundafeira, sendo o dia 24/12/2008 o último dia para o manejo do Recurso Voluntário, uma vez que não houve nenhum feriado que pudesse postergar a data limite para apresentação do apelo. Entretanto, nos termos do comprovante de fl. 249, o Recurso Voluntário só foi protocolizado no dia 06/01/2009, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. A intempestividade, inclusive, foi certificada pelo auditor da Receita Federal do Brasil, nos termos da informação fiscal acostadas aos autos (fl. 255). Como é sabido, o art. 33 do Decreto 70.235/72 determina que o contribuinte deverá apresentar Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, contados do recebimento da intimação do acórdão proferido pela DRJ. Confirase a redação do dispositivo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 258DF CARF MF 4 No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Acórdão proferido pela DRJ. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que intempestivo, à luz do que determina os preceitos do citado artigo 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 259DF CARF MF
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