Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.914250/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914250/2012-38
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879888
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.870
nome_arquivo_s : Decisao_10980914250201238.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914250201238_5879888.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363017
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589553754112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914250/201238 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.870 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 50 /2 01 2- 38 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914250/201238 Acórdão n.º 3201003.870 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.374, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914250/201238 Acórdão n.º 3201003.870 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914250/201238 Acórdão n.º 3201003.870 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914250/201238 Acórdão n.º 3201003.870 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660468/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660468/2012-95
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878854
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.869
nome_arquivo_s : Decisao_10880660468201295.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660468201295_5878854.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360265
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589575774208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660468/201295 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.869 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 68 /2 01 2- 95 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660468/201295 Acórdão n.º 3401004.869 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660468/201295 Acórdão n.º 3401004.869 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660468/201295 Acórdão n.º 3401004.869 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660468/201295 Acórdão n.º 3401004.869 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660468/201295 Acórdão n.º 3401004.869 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660468/201295 Acórdão n.º 3401004.869 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16624.002905/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral.
Numero da decisão: 3401-005.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16624.002905/2007-00
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874977
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.068
nome_arquivo_s : Decisao_16624002905200700.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16624002905200700_5874977.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7352732
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589579968512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 220 1 219 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16624.002905/200700 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.068 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente RECIPLASTIC INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDAEPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 29 05 /2 00 7- 00 Fl. 219DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de fl. 21, apresentado em 13/02/2007, referente a crédito de IPI de dezembro de 2002 a dezembro de 2003, no valor de R$ 86.945,36, conforme detalhado às fls. 4 a 12 (crédito de IPI referente a aquisição de insumos isentos, não tributados, e com alíquota zero), e na planilha de fl. 18. No Despacho Decisório de fls. 75 a 91, o crédito é negado, verificando a fiscalização que se refere a aquisição de energia elétrica (imune), sendo os próprios cálculos da empresa incorretos, por utilizarem alíquota de 15%. Ademais, a energia elétrica não está entre os insumos que permitem crédito de IPI (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem). Ciente do despacho decisório em 12/02/2009 (AR à fl. 95), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 11/03/2009 (fls. 101 a 131), argumentando, em síntese, que: (a) a Constituição Federal garante crédito de IPI no caso de insumos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, citando precedentes; (b) a energia elétrica é produto intermediário, segundo a legislação do IPI, e gera, conforme precedentes administrativos, crédito presumido; e (c) os valores a ressarcir devem ser atualizados pela Taxa SELIC, conforme entende o STJ. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância é proferida em 09/06/2010 (fls. 171 a 179), acordandose unanimemente que: (a) é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior; e (b) inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à Taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Ciente da decisão em 19/08/2010 (AR à fl. 181), a empresa apresenta recurso voluntário em 20/09/2010 (fls. 185 a 211), basicamente reiterando o exposto na peça recursal anterior. O processo foi encaminhado ao CARF pelo despacho de fl. 217, e a mim distribuído, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16624.002905/200700 Acórdão n.º 3401005.068 S3C4T1 Fl. 221 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. O contencioso resumese à possibilidade (ou não) de tomada de créditos em relação a energia elétrica (cópias das contas às fls. 19 a 38, sem indicação de destaque de IPI). Como se destaca no despacho decisório, a Constituição Federal (art. 155, § 3o) obstou a incidência de IPI, entre outros, sobre operações relativas a energia elétrica. Assim, não havendo cobrança do IPI, não há o que ressarcir, conforme aclara o art. 153, § 3o, II da mesma Constituição: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3o O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) § 3o À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.” Ademais, informa o despacho decisório que o conceito restrito de insumo, na legislação do IPI, consagrado no Parecer Normativo CST no 65/1979, exige a integração ao produto final, ou a ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Assim, é dupla a razão do indeferimento. Sobre a demanda, há que se esclarecer, já de início, que confunde a recorrente crédito básico de IPI, vinculado a recolhimentos, com crédito presumido, concedido com base em legislação própria, distinta, na qual pode, sim, haver crédito sem recolhimento (vêse a confusão de forma mais nítida quando a defesa invoca precedentes referentes a crédito presumido de energia elétrica, fundamentados em legislação distinta da referente ao seu Fl. 221DF CARF MF 4 pedido). Adicionese que a recorrente alicerça seus argumentos em jurisprudência que predominou outrora, e já resta superada, atualmente. Cabe aqui destacar o entendimento externado pelo STF na sistemática da repercussão geral (e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo) no RE no 398.365/RS: “Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência.” (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 2109 2015 PUBLIC 22092015) (grifo nosso) Aliás, este colegiado, recentemente, analisou o tema nas sessões de julho de 2017 e de janeiro de 2018, concluindo, unanimemente, que: “IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. (Acórdãos no 3401003.848 e 849, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 24 jul. 2017) (Acórdão no 3401004.302, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 29.jan. 2018) Assim, inexistente o direito de crédito, independente da abrangência que se dê ao conceito de insumos na legislação do IPI. Mas, em relação a tal conceito, também vem decidindo unanimemente este colegiado que são cabíveis as restrições estabelecidas no Parecer Normativo CST no 65/1979 (v.g., no Acórdão no 3401003.147, de 26/04/2016). Por fim, diante da negativa de direito de crédito, dispensável a análise da aplicação, ao caso, da Taxa SELIC aos valores que seriam eventualmente ressarcidos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16624.002905/200700 Acórdão n.º 3401005.068 S3C4T1 Fl. 222 5 Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926343/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.926343/2011-17
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874633
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.443
nome_arquivo_s : Decisao_10680926343201117.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10680926343201117_5874633.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7352613
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589584162816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 11 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 10680.926343/201117 RReeccuurrssoo nnºº 1 Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.443 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 13 de abril de 2018 MMaattéérriiaa CSLL RReeccoorrrreennttee GARAN PARTICIPACOES LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 63 43 /2 01 1- 17 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10680.926343/201117 Acórdão n.º 1401002.443 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de maio de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10680.926343/201117 Acórdão n.º 1401002.443 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de maio de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10680.926343/201117 Acórdão n.º 1401002.443 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10680.926343/201117 Acórdão n.º 1401002.443 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000063/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/07/2002
VALORAÇÃO ADUANEIRA. MÉTODOS. APLICAÇÃO SUCESSIVA. PROVA. A valoração aduaneira de mercadorias é regida pelo Acordo de Valoração Aduaneira. Para a descaracterização do primeiro método consistente no valor de transação e aplicação de método subsequente de valoração não bastam apenas indícios, deve haver razões e critérios objetivos e perfeitamente comprovados. A fiscalização deve obediência à sequência dos métodos de valoração aduaneira, não lhe sendo facultado a liberdade de escolha dos métodos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 09/07/2002 VALORAÇÃO ADUANEIRA. MÉTODOS. APLICAÇÃO SUCESSIVA. PROVA. A valoração aduaneira de mercadorias é regida pelo Acordo de Valoração Aduaneira. Para a descaracterização do primeiro método consistente no valor de transação e aplicação de método subsequente de valoração não bastam apenas indícios, deve haver razões e critérios objetivos e perfeitamente comprovados. A fiscalização deve obediência à sequência dos métodos de valoração aduaneira, não lhe sendo facultado a liberdade de escolha dos métodos. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.000063/2007-25
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891811
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.683
nome_arquivo_s : Decisao_16561000063200725.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 16561000063200725_5891811.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7390962
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589595697152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 322 1 321 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000063/200725 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.683 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria MÉTODOS DE VALORAÇÃO ADUANEIRA Recorrente MACIMPORT IN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/07/2002 VALORAÇÃO ADUANEIRA. MÉTODOS. APLICAÇÃO SUCESSIVA. PROVA. A valoração aduaneira de mercadorias é regida pelo Acordo de Valoração Aduaneira. Para a descaracterização do primeiro método consistente no valor de transação e aplicação de método subsequente de valoração não bastam apenas indícios, deve haver razões e critérios objetivos e perfeitamente comprovados. A fiscalização deve obediência à sequência dos métodos de valoração aduaneira, não lhe sendo facultado a liberdade de escolha dos métodos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 63 /2 00 7- 25 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 323 2 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 12/06/2007, que constituiu a exigência do Imposto de Importação e IPIimportação, acrescidos de juros e multa de ofício, bem como a multa proporcional ao valor aduaneiro no valor, em decorrência dos fatos a seguir descritos. O início do procedimento fiscal se deu em razão de denúncia formulada pela Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), que apontou que CD's foram importados por valores irreais, já que estão sendo praticados valores abaixo dos preços de Royalties cobrados das empresas licenciadas: A APDIF forneceu o Programa de Licença de Patente de Disco CDR, onde verificase que apenas a título de royalty é cobrado, pela detentora da patente, um valor de US$ 0,06 (efls. 2028). Em averiguação preliminar, a autoridade fiscal aduziu: No procedimento fiscal levado a efeito conforme MPF acima, o citado contribuinte foi intimado a apresentar as documentações que comprovassem que o 1° método de valoração aduaneira de que trata do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (AVAGATT), aprovado pelo Decreto n° 1.355/94 foi corretamente aplicado nas importações das mercadorias denominadas Discos ópticos Compactos (CD), não gravados. O importador, em resposta à intimação, apresentou, entre outros, documentos relativos ao despacho aduaneiro. Os elementos apresentados revelaramse insuficientes para concluir pela aceitação da aplicação do 1° método de valoração do AVAGATT, pelo que se intimou novamente o contribuinte a fim de que apresentasse, adicionalmente, os documentos relativos à negociação comercial além de falar sobre a denúncia formulada pala Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF) na Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 324 3 qual constam valores de fabricação e royalty dos CD's. Na resposta apresentada foi informado que de a muito não mantém contato com as empresas das quais importou e que os únicos documentos existentes das negociações são os que já foram encaminhados anteriormente, bem como foi dito que não reconhece como verdadeiros o dados articulados na denúncia em particular os valores dos royalties e por, derradeiro, apresenta tabelas com valores de policarbonato, matériaprima do CD, e, ainda mostra cálculo do rateio do valor de 1 KG de policarbonato por CD, com a razão de 1 para 65. A área de programação fiscal verificou que os valores declarados nas importações em tela estavam abaixo dos valores de produção informados pela denunciante, os contratos e correspondências comerciais não foram apresentados, os dados disponíveis não foram suficientes para firmar convicção a respeito da correta utilização do 1° método de valoração do AVAGATT. Relatou a autoridade, diante de declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto), que aplicou o 6° método de valoração para determinar o correto valor aduaneiro, justificando: • A fiscalização entendeu inábil a aplicação do 1° método de valoração Aduaneira. Isso porque o próprio contribuinte afirmou: Primeiramente, gostaríamos humildemente de fazer uma autorreflexão e reconhecer nossas falhas. De fato, cometemos um erro grosseiro de Unidade Estatística e também, reconhecemos que houve negligência ao não guardarmos pelo prazo prescricional de 5 anos documentos e correspondências importantes que poderiam esclarecer definitivamente as dúvidas suscitadas pela administração aduaneira, legitimando desta forma a desqualificação do 1° método de valoração aduaneira, ou seja, a utilização do valor real da transação como base de cálculo para fins de cálculo dos tributos a serem recolhidos nas operações de importação em questionamento. • Motivos que embasaram a não utilização do 2°, 3°, 4° e 5° métodos de valoração aduaneira: 1. O 2° e 3° métodos de valoração aduaneira necessitam de Declarações de Importação paradigmas do mesmo país de origem e em tempo aproximado e que tenham sido aceitas com base no artigo 1° do Acordo de Valoração Aduaneira, o que não aconteceu; 2. O 4° método de valoração aduaneira exige que a mercadoria já tenha sido submetida a venda e a partir do valor de revenda, deduzse o valor aduaneiro, o que não aconteceu; Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 325 4 3. O 5° método de valoração aduaneira, a valoração é a documentação fornecida pelo importador, o que também não aconteceu; • Na impossibilidade da aplicação do 5 o método de valoração aduaneira, o artigo 7° do GATT determina que o valor aduaneiro será apurado com base nos dados disponíveis no país de importação, usandose critérios razoáveis condizentes com os princípios e disposições gerais do acordo de valoração aduaneira AVA; • Nesse sentido, como valor médio, foi eleito o critério US$/Kg, conforme a relação de 1 kg de policarbonato se produzem 50 CDs, com peso médio de 18 gramas. Subtraindo a parte referente a fabricação das camadas, a fiscalização apurou um custo de US$ 0,09 por unidade fabricada. Pela sua óptica, valor que está de acordo com a denúncia da Associação Protetora de Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF). Quanto à quantificação incorreta na unidade de medida estatística anterior 30/10/2003, a fiscalização informou: O importador submeteu a despacho aduaneiro, através de diversas D.I.s, as mercadorias a seguir relacionadas. Nos casos das D.I.s (Declaração de Importação) objeto do presente procedimento, as quantidades de mercadorias importadas foram incorretamente declaradas no campo quantidade estatística, campo esse fundamental para que o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX) faças suas confrontações a fim de parametrização. Tendo o importador quantificado incorretamente as mercadorias na unidade de medida estatística: o mesmo incorreu no que dispõem o inciso I do artigo 84 da MP n° 2185 de 24 de agosto de 2001. Em anexo constam as cópias das fichas do SISCOMEX com as unidades estatísticas declaradas e cópias das adições com as quantidades declaradas na descrição das mercadorias. Abaixo se encontram os números das D.I.s, as quantidades importadas e as quantidades declaradas no campo das quantidades estatística. Em impugnação, a empresa alegou o seguinte: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 326 5 a) Preliminarmente, admite seu erro grosseiro quanto a unidade de estatística e por não guardar o prazo prescricional de 5 anos na guarda de documentos e correspondências importantes que legitimassem a adoção do 1° método de valoração aduaneira; b) Em que pese este detalhe, nada justifica a adoção de outro método de valoração aduaneira; c) Demonstra com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB e do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior MDIC, que os valores declarados nas importações são absolutamente compatíveis; d) Solicita acesso a mesma base de dados que se pautou a fiscalização, com DEVIDA cautela referente ao SIGILO FISCAL, com o propósito "de ajudar na localização de uma Declaração de Importação que sirva de paradigma para a utilização do 3° método de valoração aduaneira, que reputa ser o melhor para ambas as partes; e) Em um universo de 270 milhões de CDs importados de TAIWAN, improvável não achar nenhuma Declaração de Importação paradigma para a aplicação do 3° método de valoração aduaneira; f) Faz uma análise pontual sobre a discrepância dos valores apurados em relação a cada Declaração de Importação, mostrando que todos atendem a média de US$/Kg de 0,04, ou quando oscilam um ou dois centavos a menos, possuem elementos perfeitamente justificáveis; g) Com base nos valores de tabela apresentada na impugnação, propõe ACORDO, com base no 3° método de valoração aduaneira para PAGAR um crédito tributário de R$ 80.231,41. Em virtude da utilização pela fiscalização do 6° método, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que a autoridade de origem esclarecesse: 1) Uma vez que a norma não faz a exigência de importações paradigmas oriundas do mesmo fabricante, sendo necessário apenas que sejam do mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração ou em tempo aproximado, segundo esses critérios, para os anos de 2002, 2003 e 2004 para os códigos NCM 8523.90.00, 8523.90.10 e 8523.90.90 é possível a obtenção de uma DI paradigma? 2) A relação existente de valoração entre um bem de natureza intangível (direitos autorais) e o coeficiente US$/Kg? Uma vez que esta unidade medida (Kg) não se presta a mensurar direitos autorais. Em informação, a autoridade informou: O importador ao informar a quantidade estatística incorreta no SISCOMEX, acabou por não se submeter aos parâmetros de valor existentes no referido sistema. A empresa não apresentou correspondência ou demais documentos que comprovasse as negociações com fornecedor. A empresa foi informada que a valoração aduaneira seria efetuada por método substitutivo Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 327 6 (pg.51), mas não trouxe outros elementos que pudessem ser considerados para a valoração feita pela autoridade fiscal. Não há que se falar em CD artístico, pois os mesmo não eram gravados, eram virgens. Os royalties se referiam à tecnologia da fabricação, porém esse valor não foi considerado para efeito de valoração, pois somente se considerou a matériaprima policarbonato. Seria impossível utilizar unidade de medida kg para mensurar bem intangível empregado na fabricação do produto. O auto de infração foi protocolizado em 15/06/2007, com ciência do contribuinte na mesma data. A última declaração de importação constante do auto de infração foi registrada em 12/01/2004, ou seja, atualmente, dado o tempo decorrido, já não é possível localizar uma D.I. paradigma. O acordo de valoração impõe que sejam utilizados critérios objetivos na valoração das mercadorias. Foi seguindo essa diretriz que na época entendeuse que seria o mais aplicável no caso considerar o valor fob da matériaprima preponderante, cujos valores foram extraídos do LINCEFISCO, e os demais conforme consta nos documentos apresentados pela entidade APDIF. O laudo de pg. 125, data de 08/12/2005, porém nunca foi apresentado à fiscalização para auxiliar na valoração por método substitutivo. Ao julgar a impugnação, a 1ª Turma da DRJ/SP2 proferiu o Acórdão nº 17 55.564, com a seguinte ementa: CD's importados por valores irreais, já que estão sendo praticados valores abaixo dos preços de Royaltys cobrados das empresas licenciadas. A fiscalização apurou como valor final US$ 0,09 por unidade fabricada. Tomando por base U$S 0,03 como parâmetro inicial e adicionando a parcela de 0,06 referente ao royaltys, apurase como correto este valor. O método empregado pela fiscalização, a luz do artigo 8º, item 1, alínea “c” do Acordo de Valorização Aduaneira, foi o adequado. Impugnação Improcedente. A Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual repisa as razões de sua impugnação e combate ponto a ponto a decisão de piso, nos tópicos: Ausência de motivação para o início do procedimento de valoração; Inexistência de pagamento de royalties pela fabricante exportadora; A correta aplicação do 3° método de valoração aduaneira; Inaplicabilidade do art. 8° do Acordo de Valoração Aduaneira, por cerceamento do direito de Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 328 7 defesa.; critério arbitrário e injustificada usado pela fiscalização para se chegar ao valor de US$ 0,09 e caráter confiscatório da multa de oficio e inaplicabilidade da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. São seis métodos de aplicação para determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, de aplicação sucessiva (AVAGATT): · 1º método: valor de transação; · 2º método: valor de transação de mercadorias idênticas; · 3º método: valor de transação de mercadorias similares; · 4º método: valor de revenda; · 5º método: valor computado; · 6º método: valor obtido por critérios razoáveis. Como relatado, a autoridade fiscal aplicou o 6° método de valoração para determinar o correto valor aduaneiro. De plano, observase que falta motivação à presente autuação fiscal, por duas principais razões: a) o afastamento do 1° método não foi devidamente justificado e a fiscalização utilizou de critérios estranhos para chegar ao valor de R$ 0.09 (US$/Kg) e, b) não houve justificativa coerente para o afastamento dos outros métodos, em especial 2° e 3°. A fiscalização considerou somente a matériaprima policarbonato para quantificação do valor aduaneiro. O cálculo da fiscalização foi o seguinte: partiu de 1 kg bruto de policarbonato para 50 CDs, peso médio de 18 gr. com custo de U$ 0,04 para a composição da camada plástica. Outras 4 camadas fazem parte do CD: a de proteção, a de laqueadura, a de reflexão (em alumínio nos CDs industrializados, com informação. Em tinta orgânica com metal nos CD virgens) e por fim a de gravação (polímeros termo sensível). No caso do CRW há 2 camadas dielétricas. Num CD de baixa qualidade podese não encontrar as camadas de proteção e a de laqueadura. Sendo claro que o Policarbonato não é a matériaprima mais cara na confecção de um CD, porém é a mais presente. Então, considerando a mão de obra, energia, instalações e as demais matériasprimas utilizadas, um CD, de baixa qualidade, fabricado na Ásia, tendo um baixíssimo custo de fabricação, sairia por U$ 0,09 cada unidade fabricada, o que está de acordo com a denúncia apresentada pela detentora da patente. Todavia a Recorrente logrou êxito em apontar erros nesses cálculos, pois apresentou na efl. 125, Laudo Técnico nº CT 1.216/2005, do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo – IPEM/SP. Neste Laudo, que teve por objeto a determinação do peso Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 329 8 médio de 10 unidades de CD's para Mídia, foi apurado o peso médio de 15,68 gramas, destoando do peso médio de 18 gramas apresentado pela fiscalização. Logo, o preço por unidade seria R$ 0,03276 e não US$ 0,04. Diante disso, não ficou demonstrado como a fiscalização chegou ao valor de US$ 0,09 por unidade de CD. Dessa forma, o laudo desqualificou o cálculo da fiscalização, o que por si só demonstra a improcedência do auto de infração. Não bastasse isso, não houve comprovado motivo para afastamento do 2° e 3° Métodos. Sobre a nãoaplicação do 3° método requerido alternativamente pelo contribuinte, mas afastado pela fiscalização, o voto condutor da DRJ teceu lúcidas considerações: A fiscalização não explicitou que nível de comercialização não foi satisfatório, posto que com os mesmos fabricantes os fornecedores são diferentes. Tal afirmação se mostra incoerente e desarrazoada, pois sob o prisma da própria fiscalização, só seria plausível a aplicação do 2º e do 3º métodos de valoração aduaneira, caso fossem detectadas importações oriundas do mesmo fabricante, ao passo que a norma faz a exigência de importações paradigmas do mesmo país de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração ou em tempo aproximado. Portanto a exigência da fiscalização em ter o mesmo fornecedor para só assim aceitar o 2º e o 3º métodos de valoração aduaneira, não pode prosperar, ainda mais quando se depara com um universo de 270 milhões de CDs importados advindos de TAIWAN. Em suma, a fiscalização não logrou êxito em sua pesquisa em relação aos outros métodos do acordo de valoração aduaneira, sobretudo o 3º, porque o preço praticado pelo autuado é compatível com as demais importações. A justificativa da fiscalização para o afastamento do 2° e 3° métodos de valoração aduaneira foi no sentido de que “necessitam de Declarações de Importação paradigmas do mesmo país de origem e em tempo aproximado e que tenham sido aceitas com base no artigo 1° do Acordo de Valoração Aduaneira, o que não aconteceu”. Ocorre que havia transações possíveis de serem consideradas para fins de DI paradigma. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 330 9 Assim, acertadamente a decisão de piso desqualificou o trabalho da fiscalização na adoção do 6° método, bem como afastou as razões para não aplicação do 2° e 3° métodos. Entretanto, em seguida, a decisão recorrida apontou a aplicação do artigo 8º do Acordo de Valorização Aduaneira, em afronta ao art. 146 do CTN. Isso porque, ao aplicar o art. 8° do Acordo de Valorização Aduaneira, utilizouse de dispositivo não citado na autuação, em clara modificação do critério jurídico. Deve, por conseguinte, o julgado ser reformado. Enfim, a autuação deve ser declarada improcedente, porquanto houve desobediência à sequência dos métodos de valoração aduaneira e a carência de provas que sustentassem a utilização do 6° método. Cabe à fiscalização, quando através do primeiro método não for possível a correta determinação do valor aduaneiro, utilizarse do 2° método e assim sucessivamente, não lhe sendo facultado a liberdade de escolha dos métodos. A fiscalização não cumpriu com o seu ônus probatório de constituir o fato tributário por meio de provas, violando, por conseguinte, o comando do art. 142 do CTN e as disposições do Decreto n° 70.235/72. O ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Não há nos autos elementos capazes de demonstrar a adequada utilização dos métodos pela fiscalização. Com isso, a ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em improcedência do auto de infração em sua integralidade. Os demais argumentos ofertados pela empresa perdem seus objetos em face da questão principal controvertida de mérito lhe ser favorável. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16561.000063/200725 Acórdão n.º 3301004.683 S3C3T1 Fl. 331 10 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12096.720063/2014-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. DESCABIMENTO.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Havendo nos autos prova de que o contribuinte foi devidamente cientificado do ato de exclusão do Simples Nacional e lhe foram entregues todos os relatórios, contendo os fundamentos para a exclusão e para a correta apuração do crédito tributário, bem como os dispositivos legais violados, não ocorre cerceamento de defesa.
EXCLUSÃO EX OFFICIO. PROCEDIMENTO.
O ato de exclusão ex officio do Simples Nacional constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas na legislação de regência.
EXCLUSÃO. EFEITOS.
A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato de exclusão.
Numero da decisão: 1001-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Havendo nos autos prova de que o contribuinte foi devidamente cientificado do ato de exclusão do Simples Nacional e lhe foram entregues todos os relatórios, contendo os fundamentos para a exclusão e para a correta apuração do crédito tributário, bem como os dispositivos legais violados, não ocorre cerceamento de defesa. EXCLUSÃO EX OFFICIO. PROCEDIMENTO. O ato de exclusão ex officio do Simples Nacional constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas na legislação de regência. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato de exclusão.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12096.720063/2014-57
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888257
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.677
nome_arquivo_s : Decisao_12096720063201457.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 12096720063201457_5888257.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7382628
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589620862976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 1.015 1 1.014 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12096.720063/201457 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.677 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria Simples Nacional Recorrente WZ OLIVEIRA MANUTENÇÃO E MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Havendo nos autos prova de que o contribuinte foi devidamente cientificado do ato de exclusão do Simples Nacional e lhe foram entregues todos os relatórios, contendo os fundamentos para a exclusão e para a correta apuração do crédito tributário, bem como os dispositivos legais violados, não ocorre cerceamento de defesa. EXCLUSÃO EX OFFICIO. PROCEDIMENTO. O ato de exclusão ex officio do Simples Nacional constitui procedimento destinado a alterar o regime tributário a que se submete o contribuinte, medida esta que deverá ser implementada pela autoridade fiscal, no momento em que verificar quaisquer das condições impeditivas previstas na legislação de regência. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 09 6. 72 00 63 /2 01 4- 57 Fl. 1015DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n. 79, de 21 de outubro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01/01/2010 (efl. 393), período de impedimento de nova opção de 01/01/2011 a 31/12/2020. As razões da exclusão estão assim resumidas no item 12 do DESPACHO DECISÓRIO EQSIM/DRF/CTA nº 265/2015 (efls. 367/390): 12. Resumindo, a WZ OLIVEIRA incorreu nas seguintes hipóteses de exclusão estabelecidas de modo categórico nos dispositivos supra mencionados: a) Realizar Cessão ou locação de mãodeobra dos serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral na planta fabril indicada pela IMCOPA e PROPEX, atividade vedada ao ingresso e permanência no Simples Nacional (artigo 2º, parágrafo 6º, artigo 17, inciso XII, artigo 28, parágrafo único, artigo 29, parágrafo 3º e artigo 33, parágrafo 4º da Lei Complementar nº 123/2006; combinados com o artigo 12, inciso XXIII da Resolução CGSN nº 4/2007, artigo 15, inciso XXII da Resolução CGSN nº 94/2011); b) Constatação de que quando do ingresso no Simples Nacional, a WZ OLIVEIRA praticava atividade vedada de cessão ou locação de mãodeobra (artigo 28, parágrafo único, artigo 29, parágrafo 3º e artigo 33, parágrafo 4º da Lei Complementar nº 123/2006, combinados com o artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN nº 15/2007, e artigo 76, inciso III, alínea “a” da Resolução CGSN nº 94/2011); c) Declaração inverídica no momento da opção da WZ OLIVEIRA pelo Simples Nacional quanto à não pratica de atividade vedada (artigo 28, parágrafo único, artigo 29, parágrafo 3º e artigo 33, parágrafo 4º da Lei Complementar nº 123/2006, combinados com o artigo 7º, parágrafo 2º da Resolução CGSN nº 4/2007, artigo 5º, inciso XII da Resolução CGSN nº 15/2007, e artigo 6º, parágrafo 4º, artigo 76, inciso III, alínea “b” da Resolução CGSN nº 94/2011); Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.016 3 d) Prática reiterada ano após ano, antes do ingresso e durante a permanência da WZ OLIVEIRA no Simples Nacional , de atividade vedada de prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra à IMCOPA e à PROPEX (artigo 29, inciso V e parágrafo 9º, inciso II, da Lei Complementar nº 123/2006, combinados com o artigo 5º, inciso V da Resolução CGSN nº 15/2007 e artigo 76, inciso IV, alínea “d”, parágrafo 6º, inciso II e artigo 84 da Resolução CGSN nº 94/2011); e) Falta de comunicação de exclusão obrigatória do Simples Nacional, por permanecer no regime mesmo praticando atividade vedada de cessão ou locação de mãodeobra (artigo 29 inciso I e artigo 30, inciso II da Lei Complementar nº 123/2006, combinados com o 3º inciso II, alínea “c”, artigo 5º, inciso I da Resolução CGSN nº 15/2007, e artigo 73, inciso II, alínea “c”, artigo 76, inciso I da Resolução CGSN nº 94/2011); f) Embaraço à fiscalização, caracterizado pelo não cumprimento integral dos parágrafos 3 e 4, “b” da intimação da Intimação Fiscal nº 171/2013 (artigo 29, inciso II da Lei Complementar nº 123/2006, combinados com o artigo 5º, inciso II da Resolução CGSN nº 15/2007, e artigo 76, inciso IV, alínea “a” da Resolução CGSN nº 94/2011); g) prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade de natureza técnica que constitua profissão regulamentada ou não (artigo 17, inciso XI da Lei Complementar nº 123/2006, combinados com os artigo 12, inciso XXII da Resolução CGSN nº 4/2007, e artigo 15, inciso XXI da Resolução CGSN nº 94/2011) Do teor do Despacho Decisório referido constatase que a cessão de mãode obra tornouse evidente ao analisarse o contrato de prestação de serviços firmados com a tomadora IMCOPA IMP. EXP. E IND. DE ÓLEOS S/A, onde descrevese o serviço contratado como "Fornecimento de mãodeobra, em regime de homem/horas normais administradas, com profissionais qualificados". Ou seja, a IMCOPA terceiriza as atividades de manutenção, avaliação, análise ou instalação de equipamentos de suas plantas fabris, contratando a WZ OLIVEIRA para realização dessa atividade mediante cessão ou locação de mão de obra. Assim testemunha o referido Despacho: 5. Da leitura atenta ao conteúdo das cópias dos dois contratos da IMCOPA IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E INDÚSTRIAS DE ÓLEOS S/A, CNPJ Nº 78.571.411/000124 (para simplificação doravante designada apenas como IMCOPA), datados de 14/10/2010 e 05/06/2012, apresentados pela WZ OLIVEIRA à Auditora representante, depreendese que a IMCOPA terceiriza as atividades de manutenção, avaliação, análise ou instalação de equipamentos de suas planta s fabris , contratando a WZ OLIVEIRA para realização dessa atividade mediante cessão ou locação de mão de obra . 5.1. Nos contratos são estipulados como local d e prestação dos serviços a planta fabril indicada pela IMCOPA , prazo de vigência dos contratos de 1 ano, forma de pagamento pelo fornecimento de mãodeobra realizada por homem/horas Fl. 1017DF CARF MF 4 normais administradas, com profissionais qualificados, tabela de valores variando de acordo com a especialização do profissional, disciplinando ainda o valor das horas extras conforme os dias da semana em que forem realizados os serviços. Pela relevância, reproduzse a seguir excertos desses contratos com essas informações: (...) 5.2. Por disposição contratual, há a submissão da WZ OLIVEIRA, sob exclusivo critério da IMCOPA, às fiscalizações quanto à qualidade e às adequações da prestação do serviço, restando à WZ OLIVEIRA o dever ao imediato enquadramento às exigências impostas pela IMCOPA. Prevê ainda o contrato que em caso da prestação de serviço ter sido realizada de forma inadequada permite à IMCOPA interromper a execução do contrato e reter o pagamento até a WZ OLIVEIRA preste serviços adequados (cláusulas 5.5 e 5.6, fl. 121; e cláusulas 4.5 e 4.6. fl. 133). 5.2.1. Referidos contratos com a IMCOPA pactuam ainda em suas cláusulas a obrigatoriedade da WZ OLIVEIRA ser detentora de perícia ou capacidade técnica comprovada e a utilização de mãodeobra regularmente contratada, comprovadamente qualificada e habilitada Afirma também o Despacho Decisório (item 5.3) que as Notas FiscaisNFs de Prestação de Serviços (para a IMCOPA) apresentadas pela WZ OLIVEIRA descrevem cobrança mensal pelos “Serviços de mão de obra de manutenção mecânica referente ao mês/período...”, o que configuraria a natureza contínua dos serviços contratados e a necessidade permanente da contratante pelos serviços que se repetiriam periódica ou sistematicamente. Verificarseia ainda que, quando ocorria a realização de algum serviço adicional por empreitada fora dos contratos de manutenção, eram emitidas notas fiscais à parte com esse fim específico. Da análise das cópias das Notas Fiscais emitidas por serviços prestados a outra empresa (PROPEX), observaseia (item 5.3 do Despacho Decisório) que a WZ OLIVEIRA já atuava em 2007 com cessão ou locação de mão de obra , nos mesmos moldes contratados com a IMCOPA, por conta da descrição do serviço no corpo das próprias notas (Serviços de mão de obra de manutenção mecânica referente ao mês...). Verificarseia ainda que as Notas Fiscais de prestação de serviço são emitidas no final do mês de acordo com os serviços prestados no período, o que configura a natureza contínua dos serviços contratados e a necessidade permanente da contratante pelos serviços que se repetem periódica ou sistematicamente. Demonstrase no item 5.3 as notas fiscais (número e valor do serviço) de 03/2007 a 05/2013. Com base em elementos adicionais a Fiscalização reforçou sua conclusão de que a Recorrente prestava serviço de locação de mãodeobra desde sua adesão (e até antes) de forma continuada. Acostou também as circunstância adicionais e independentes que lavariam à exclusão do sistema simplificado e delimitariam os efeitos da exclusão, como a constatação de que quando do ingresso no Simples Nacional a WZ OLIVEIRA já praticava atividade vedada de cessão ou locação de mãodeobra; o embaraço à fiscalização; a prática reiterada ano após ano, antes do ingresso e durante a permanência da WZ OLIVEIRA no Simples Nacional, de atividade vedada de prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra à IMCOPA e à PROPEX; a necessidade posta em contrato de "Apresentação obrigatória de Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.017 5 Anotação de Respons Téc (ART) Trabalho técnico científico, profissão regulamentada.",. Reproduzo a seguir parte do relatório aposto no acórdão recorrido (AC. n 1677.644 4ª Turma da DRJ/SPO, efls. 920/962) para melhor descrever o litígio iniciado com a manifestação de inconformidade à DRJ, descrevendo o teor daquele recurso: ATO DE EXCLUSÃO 3. A DRFB Curitiba/PR emitiu o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 79 (fl. 393), em 22/10/2015, para excluir a contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/01/2010 e impedimento de nova opção pelo regime simplificado até 31/12/2020, com fulcro na Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 e em sua regulamentação, encontrando amparo especialmente no disposto no artigo 2°, inciso I, parágrafo 6°, artigo 17, incisos XI e XII, artigo 28, parágrafo único, artigo 29, incisos I, II, V, parágrafos 1°, 2°, 3°, 9°, inciso II, artigo 30, inciso II, artigo 32, artigo 33, parágrafo 4° da Lei Complementar n° 123/2006; combinados com o artigo 7°, parágrafo 2°, artigo 12, incisos XXII e XXIII da Resolução CGSN n° 4/2007; artigo 3°, inciso II, alínea "c", artigo 5°, incisos I, II, V, XI e XII, artigo 6°, inciso VI, VII, parágrafos 6° e 8° da Resolução CGSN n° 15/2007; artigo 6°, parágrafo 4°, artigo 15, incisos XXI e XXII, artigo 73, inciso II, alínea "c", artigo 76, incisos I, III, alíneas "a" e "b", inciso IV, alíneas "a" e "d", parágrafos 2°, 3° e 6°, inciso II e artigo 84 da Resolução CGSN n° 94/2011. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 4. Cientificada do ADE e do retrotranscrito Despacho Decisório em 27/10/2015 (fl. 396), a defendente apresentou manifestação de inconformidade em 25/11/2015 (razões às fls. 404 a 432 e anexos às fls. 433 a 873). Alega, em síntese, que (títulos e sequência de acordo com o apresentado pela recorrente): Síntese procedimental e dos fatos 4.1. As conclusões tomadas pela autoridade fiscal se lastrearam apenas em cláusulas contratuais e em descrições expressas em Notas Fiscais, sem que nenhuma diligência efetivamente probatória tenha sido realizada. 4.2. As empresas Imcopa, Propex e Caterpillar são de grande porte e, por sua posição de domínio econômico no mercado, impõem contratos padronizados aos prestadores de serviços e fornecedores, com pouca margem para negociação. 4.3. Os contratos analisados pela autoridade fiscal são contratos padrão, que refletem a realidade do modus operandi adotado pelas partes. 4.4. Assim, simples leitura de cláusulas contratuais isoladas não pode ser tomada como único elemento cabal e conclusivo para o exercício de atividades vedadas à opção pelo Simples Nacional. Fl. 1019DF CARF MF 6 4.5. Por outro lado, é de se observar que em relação à cessão/locação de mãodeobra, a fiscalização centralizou suas atenções nas empresas Imcopa e Propex, por vislumbrar continuidade na prestação de serviços, pela frequência que entendeu existir na emissão de notas fiscais para as referidas empresas. 4.6. Ao passo que, por uma cláusula do contrato com a empresa Caterpillar, verificou que há responsável técnico da Requerente junto ao CREA/PR, o que seria comprobatório de exercício de atividade de natureza técnica. 4.7. No entanto, a frequência de emissão de notas fiscais não é requisito cogitado pela legislação para definir atividade vedada à opção ao regime simplificado, muito menos autoriza a presunção de atividade vedada de locação/cessão de mãode obra, o que, definitivamente, não é o caso da Requerente. 4.8. Também a presença de responsável técnico não é fator para evidenciar a prestação de serviços de natureza técnica. 4.9. No curso da apreciação do Pedido de Restituição, a autoridade fiscal ignorou diversos outros contratos e notas fiscais que provam que a Requerente não exerce atividades vedadas ao Simples Nacional (cita empresas e relaciona notas fiscais), que consistem em manutenção e reparação de máquinas. Do Direito Da verdade material. Princípio da primazia da realidade 4.10. Inicialmente é de se frisar a vilania do procedimento adotado em face da Requerente, porquanto em um pedido de restituição, para o fim declarado de examinar o direito creditório postulado, foram requisitados contratos e notas fiscais que, de forma surpreendente, foram invocados nesse processo como aptos à suposta caracterização da atividade vedada na decisão ora recorrida. 4.11. Há cerceamento de defesa da Requerente, pois referidos documentos foram parcial e seletivamente trasladados do Pedido de Restituição para o presente processo, sem que em nenhum momento tenha sido a Requerente intimada para se manifestar neste processo com finalidade de apurar atividade vedada , para então explicar o teor, conteúdo e alcance dos mesmos. 4.12. Observese que o Pedido de Restituição não é, jamais, o foro para discutir atividade vedada ao Simples, e por esse motivo a Requerente limitouse a apenas afirmar naquele processo e agora o repete não exercer atividade vedada. 4.13. Mais do que isso, a Requerente foi acusada de embaraçar a fiscalização (por não ter apresentado outros contratos que, salientese, foram solicitados no interesse da prova do direito creditório e não para a prova de atividade vedada), sem que nenhuma diligência tenha sido efetuada para verificar se há ou não contratos escritos com as demais empresas clientes da Requerente. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.018 7 4.14. Toda a decisão recorrida lastreiase na interpretação de contratos firmados com a Propex e Imcopa em relação à Caterpillar, por conta de uma cláusula contratual que foi associada à presença de um responsável técnico no CREA/PR , o que não é sequer evidência, quiçá prova de exercício de atividades vedadas ao Simples. 4.15. Observese que nenhuma outra prova foi produzida para evidenciar o exercício de cessão ou locação de mãodeobra, bem como prestação de serviço de natureza técnica, não sendo esse o objeto social (consoante contrato social encartado nos autos), tampouco atividade materialmente executada pela Requerente. 4.16. Como regra, a Requerente participa de "leilões eletrônicos privados" junto aos seus contratantes e, portanto, não tem nenhuma margem de negociação nos contratos padronizados que assina. 4.17. Daí porque inadmissível afirmar que há locação/cessão de mãodeobra pela simples leitura de um contrato, ou com base na existência de responsável técnico no CREA/PR. Do objeto social da Requerente. Das efetivas e reais condições contratuais. 4.18. De acordo com o contrato social e alteração ora anexados, a Requerente possui o seguinte objeto social: "serviços de reparação, manutenção e montagem de máquinas, aparelhos e equipamentos industriais, mecânicos e elétricos e serviços de tornearia". 4.19. Para a consecução de tais atividades, é óbvio que mãode obra é necessária. No entanto, tal mãodeobra jamais foi objeto de cessão ou locação, tendo em vista que não é essa a atividade econômica explorada pela Requerente. 4.20. A atividadefim da Requerente se desenvolve, basicamente, através da reparação, montagem e manutenção de instalações industriais. Esse tipo de serviço jamais pode ensejar qualquer interpretação de cessão ou locação de mãodeobra, dado que reparação, montagem ou manutenção são serviços necessários para qualquer estabelecimento industrial ou comercial que tenham equipamentos, aparelhos ou necessitem de serviços de tornearia. 4.21. Outrossim, pela mera leitura do contrato social (esse sim prova documental idônea em relação às reais atividades exercidas pela Requerente), verificase que o caso em discussão se subsume ao que dispõe a Súmula 57 do CARF, que consigna que “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o Fl. 1021DF CARF MF 8 ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Da não subsunção das atividades efetivamente exercidas pela Requerente aos requisitos legais para a configuração de cessão/locação de mãodeobra 4.22. A Requerente apenas instala e promove a manutenção de equipamentos, com plena autoridade e domínio sobre sua mão deobra, a qual não é fiscalizada, gerida ou subordinada às empresas contratantes. 4.23. Apesar de existirem várias notas fiscais para os mesmos tomadores (Imcopa e Propex), isto não autoriza a conclusão de cessão ou locação de mãodeobra por continuidade, já que as características dos serviços prestados pela Requerente e o porte dos contratantes as justificam, sendo que consertos, montagens ou reparações são serviços eventuais e não constituem necessidades permanentes das empresas contratantes. 4.24. Observese que em nenhum momento houve qualquer prova de habitualidade, continuidade, pessoalidade e subordinação no emprego de mãodeobra da Requerente para os seus contratantes. 4.25. A montagem e manutenção contratadas são previamente especificadas, não havendo previsão contratual para a permanência de um único e específico funcionário da Requerente nas dependências dos seus contratantes; muito menos há qualquer previsão de empregados à disposição dos contratantes, ou que os mesmos estejam pessoalmente a eles associados por vínculos de subordinação/hierarquia, habitualidade e continuidade. 4.26. Deve ser enfatizado, ainda, que na atividadefim, isto é, a reparação, montagem e manutenção de diversas e diferentes instalações industriais, a mãodeobra é somente um meio para a execução do contrato, sendo que as empresas contratantes não fiscalizam os trabalhos, mas apenas recebem o resultado final. 4.27. As lições do referido paradigma são preciosas. Primeiro, é necessário afastar o conceito adotado pela Lei nº 8.212/1991, pois o mesmo é concebido para específicos fins previdenciários (art. 31, § 3º da Lei nº 8212/1991) e não para a opção ao Simples. Segundo, é necessário discernir os conceitos de Direito Civil e do Direito do Trabalho, excluindo esses últimos. 4.28. Por derradeiro, no campo dos conceitos estabelecidos pelo Direito Civil (art. 110 do CTN), é necessário demarcar os conceitos de contrato de prestação de serviços e do contrato de empreitada (sempre observando que nenhum dos critérios distintivos é absoluto, como salienta o acórdão paradigma) para o fim de situar no que consiste, de fato, a (i) locação de mãode obra e (ii) cessão de mãodeobra (que, em si, são institutos equivocadamente tomados como idênticos na decisão recorrida). 4.29. Uma vez sistematizada a análise, identificase que na locação de serviços há: (i) habitualidade, continuidade e pessoalidade; (ii) subordinação hierárquica; (iii) obrigação de Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.019 9 meio; (iv) a mãodeobra supra necessidade contínua e não eventual do tomador (o que não é o caso dos autos, visto que se tratam de serviços eventuais); ao passo que na empreitada, a contratação recai sobre a entrega de obra certa (obrigação de resultado), não havendo subordinação hierárquica nem habitualidade, continuidade ou pessoalidade por parte da mão deobra empregada, sendo irrelevante que o serviço seja executado nas dependências da contratante. 4.30. Percebese, portanto, que não há nenhuma evidência de elementos que caracterizem a cessão/locação de mãodeobra, sendo totalmente improcedentes os argumentos contidos na decisão recorrida, não restando caracterizado exercício de atividade vedada, consoante já decidiu o CARF (transcreve jurisprudência). Do não exercício de atividade de natureza técnica 4.31. Outro ponto a merecer impugnação é a injusta acusação de prestação de serviços de natureza técnica em favor da Caterpillar. 4.32. Primeiramente, é de se observar que não há qualquer evidência de emissão de ART em favor dessa contratante. 4.33. Portanto, a simples existência de uma cláusula constante no contrato da Caterpillar, que exige ART, não é prova de atividade de natureza técnica. 4.34. Por outro lado, a existência de responsável técnico no CREA/PR não é indicativo do exercício de atividade de natureza técnica, porque o que deve ser provado e não o é nesse processo é se efetivamente essa atividade foi efetivamente exercida. 4.35. Ademais, ainda que outro fosse o entendimento, é de se observar que a atividade de natureza técnica passou a ser admitida para a opção ao Simples a partir da edição da Lei Complementar nº 147/2014. Desse modo, é de se aplicar com eficácia retroativa a legislação que beneficia o contribuinte em matéria infracional, com fulcro no art. 106, II do CTN. Observe se que a superveniência da LC nº 147/2014 afeta a capitulação legal do fato, e isso também vem em favor da Requerente, por força do art. 112, inciso I, do CTN (transcreve jurisprudência). Da ausência de provas das acusações. In dúbio pro contribuinte. 4.36. A decisão recorrida consigna que "(...) O que pode existir é o acompanhamento pela contratante da execução dos serviços, que está previsto no contrato, e não interferência direta do tomador nas atividades dos trabalhadores, como se empregador fosse"; entretanto, indagase acerca da existência de prova de que os tomadores de serviço exercem interferência direta nas atividades e serviços desenvolvidos pela Requerente. Fl. 1023DF CARF MF 10 4.37. Há, ainda, menção de que "(...) Analisandose as Notas Fiscais de prestação de Serviços (...) configura a natureza contínua dos serviços contratados e a necessidade permanente da contratante pelos serviços que se repetem periódica ou sistematicamente (...)"; entretanto, questionase acerca da existência de prova de que os tomadores de serviço apresentam necessidade permanente dos serviços prestados pela Requerente e, ainda, de que há exclusividade da Requerente na execução dos serviços demandados pelos tomadores de serviços. 4.38. Na ausência de provas o conflito se resolve em favor do contribuinte, em prestígio ao princípio “in dúbio pro contribuinte”. Da acusação de embaraço à fiscalização 4.39. É absurda a acusação de embaraço à fiscalização em função da não apresentação do contrato da Propex 2011. 4.40. Sobre essa acusação, frisese: a acusação é ilógica. A apresentação do contrato foi requerida para apreciação do direito creditório no pedido de restituição 12.096.72014/2013 32. 4.41. Prova essa do interesse de Requerente, que apresentou todos os documentos que dispunha em seus arquivos, não tendo apresentado o referido contrato pura e simplesmente porque não dispunha (e não dispõe) desse documento. 4.42. Então, ilógico punir a Requerente por não produzir prova que era do seu interesse e não da fiscalização (que, em verdade, queria o contrato não para examinar o direito creditório, mas sim para punir injustamente a Requerente). 4.43. Também é de se observar que ainda que essa conduta fosse qualificada como um efetivo embaraço à fiscalização, tal qualificação deveria ter ocorrido no Pedido de Restituição, e não nesse processo, no qual nunca foi a Requerente regularmente intimada para esclarecer o sentido, conteúdo e alcance dos referidos contratos. Da ilicitude das provas produzidas 4.44. Inicialmente, é preciso deixar claro que a Requerente, em nenhum momento, concorda que os contratos e notas fiscais obtidas no Pedido de Restituição sejam provas, muito menos provas de exercício de atividade vedada. Mas se vê a Requerente na contingência de deduzir a presente argumentação, em razão do princípio da eventualidade, na remota hipótese de que tais elementos venham a ser considerados como provas idôneas e suficientes das injustas acusações deduzidas contra a Requerente. 4.45. O objeto de investigação no Pedido de Restituição é a existência do direito creditório. Se a autoridade fiscal desejava apurar exercício de atividade vedada à opção ao Simples deveria têlo feito com clareza nesse processo, e não na Restituição. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.020 11 4.46. Observese, no entanto, que o real objetivo para a apresentação desses documentos não era a apreciação do pedido de restituição. Na verdade, o propósito oculto da referida solicitação foi o de induzir a Requerente a produzir uma prova contra si mesma, com isso atropelando o devido processo legal e o direito a não produzir prova contra si (aqui admitindose, ad argumentandum, a validade de que os documentos apresentados pela Requerente possam, per si, ser utilizados como prova de exercício de atividade vedada). 4.47. Assim sendo, como a legalidade das provas tem assento no art. 5º, LVI, da CF/88, a prova ilícita ou ilegítima não poderá ser utilizada em qualquer processo judicial ou administrativo, nem em procedimento fiscal. Da ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e ampla defesa 4.48. Também é de se observar que a punição de exclusão ao Simples ofendeu o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. 4.49. Ofensa ao devido processo legal porque impropriamente pretende punir a Requerente, no presente processo, com provas emprestadas de outro processo administrativo, sendo que à recorrente não foi facultado se manifestar previamente nesse processo, sobre tais provas, sobrevindo diretamente a punição, sem a possibilidade de prévia manifestação. 4.50. Também há violação ao devido processo legal porque, no presente processo, se pretende atribuir punição por suposto embaraço à fiscalização (que não ocorreu) no processo de restituição. 4.51. Há ofensa ao devido processo legal porque a Requerente foi induzida a produzir prova contra si mesma. 4.52. Há, ainda, violação ao contraditório e ampla defesa porque em um processo de restituição foram concedidos apenas 15 dias para a manifestação sobre a grave acusação de exercício de atividade vedada, prazo esse que ofende o Decreto 70.235/72, que estabelece o prazo geral de 30 dias para impugnação. A acusação de atividade vedada implicou verdadeira e material autuação fiscal, a qual, sabese, possui o prazo de 30 dias para impugnação, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72. 4.53. Diante de todo o exposto, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, requerse a anulação do presente processo. Evidência do exercício de atividade vedada antes da opção ao Simples, e durante o Simples por código de recolhimento 4.54. A decisão recorrida registra (fl. 373) que "Consultandose a GFIPs (Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social) dos anos calendários de 2009 a 2013, nos sistemas informatizados da RFB, anexados aos autos do Fl. 1025DF CARF MF 12 processo às fls. 350 a 363, constatase que a WZ OLIVEIRA informou o Código de Recolhimento 150, apropriado para informar os empregados em cessão ou locação de mãodeobra para tomadora de seus serviços". 4.55. Ora, esse tipo de argumento é risível para configurar a cessão/locação de mãodeobra, pois o que, de fato, está em discussão, é a prova material e efetiva de cessão e locação de mãodeobra, e não códigos de recolhimento, sendo certo que equívocos em códigos podem ser objeto de retificação. Dos efeitos da exclusão. Do agravamento da punição. 4.56. É de se rejeitar a argumentação de que a Requerente utilizouse de artifícios para induzir e manter em erro a fiscalização, para o fim de impedir a Requerente de optar novamente pelo Simples pelo prazo de 10 anos, a partir da opção havida em outubro de 2010. 4.57. Como amplamente demonstrado em item próprio e antecedente, não houve nenhum embaraço à fiscalização, pois a Requerente apresentou todos os documentos que dispunha para a fiscalização no Processo de Restituição, de forma organizada e sem ocultar nenhuma informação. Pedido de diligência 4.58. Nos termos do Decreto 70.235/72 e demais legislações aplicáveis, de forma justificada, a Requerente requer a produção de provas para a elucidação dos fatos deduzidos. 4.59. Justificase o presente pedido porque, de fato, nenhuma diligência foi realizada para demonstrar que os contratos tomados pela decisão recorrida expressam a contratação de meio ou resultado, se deles resultam vínculos de subordinação, habitualidade e pessoalidade da mãodeobra da Requerente ou dos seus empregados em favor dos contratantes, notadamente nos contratos celebrados a partir de sua opção ao Simples 01/2010. 4.60. Observese que a decisão recorrida, no item 12, analisa contratos e notas fiscais relativos às competências de 03/2007 a 12/2009, período no qual a Requerente não era optante do simples e, portanto, absolutamente irrelevantes para o deslinde dessa questão. 4.61. Em relação ao período subsequente, isto é, a partir de 01/2010, a autoridade fiscal registra que há constância de serviços para os mesmos tomadores ignorando a existência de outras notas fiscais isoladas, por exemplo, Einsemanh do Brasil, Isogama do Brasil, Congregação Cristã do Brasil, Tegape Importação e Comércio, Anaconda Industrial, entre outras empresas citadas no item II dessa peça, para considerar apenas os tomadores Propex e Imcopa, pelo simples fato de haver emissão de notas fiscais durante um determinado lapso de tempo, para então concluir que houve cessão/locação de mão deobra. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.021 13 4.62. Em reforço a sua tese absurda, aduz a autoridade fiscal que no contrato com a Imcopa há estipulação de fornecimento de mãodeobra pelo regime de horas trabalhadas, sem apreender para a realidade de que algumas cláusulas são pactuadas para meramente atender a necessidade de cautela manifestada por determinados e específicos contratantes, que exigem na empreitada uma aplicação constante e com determinado ritmo. 4.63. A presença de uma cláusula, isoladamente interpretada, não autoriza a açodada transmutação da natureza do contrato e das obrigações de resultado nele firmadas. 4.64. “As acusações, portanto, são absurdas e infundadas. Não há lastro para aceitarse que a mera emissão de notas fiscais em alguns períodos autoriza a conclusão de que foram pactuadas obrigações de meio e a mãodeobra da Requerente manteve, com as contratantes respectivas, vínculos de habitualidade, continuidade, pessoalidade e subordinação, elementos essenciais para caracterizar a locação ou cessão de mãodeobra” (transcreve jurisprudência). 4.65. Diante disto, caso não entenda essa DRJ em anular a decisão recorrida, por ausência de provas do fato constitutivo por parte da autoridade fiscal, requerse a realização de diligência, para o fim de que sejam fiscalizados, nas dependências da Requerente e de seus tomadores de serviços, o real modus operandi, que evidenciará o não exercício de atividade vedada. 4.66. Complementarmente, levandose em consideração que a prova deve ser realizada com o menor ônus possível ao contribuinte (art. 2°, VI, IX e, notadamente, art. 29, § 2º, todos da Lei 9.784/99, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal), requerse que seja realizada diligência in loco no estabelecimento da Requerente, para o fim de que sejam examinados os seguintes documentos: (i) registros e anotações de empregados; (ii) cartões ponto dos mesmos; (iii) relatórios de atividades dos mesmos em diversas outras empresas (além das citadas pela decisão recorrida, para evidenciar que não há pessoalidade dos obreiros na execução dos contratos); (iv) atas notariais de declarações dos empregados da Requerente, assim como dos contratantes da Requerente; (v) documentos comprobatórios da propriedade dos maquinários empregados na execução dos contratos; (vi) planilha de custos dos trabalhos, para evidenciar que não há, na formação de preços, apenas custo com mãodeobra; (vii) filmagens, fotografias e outros elementos relativos às instalações da Requerente, entre outros, para evidenciar que não há subordinação, habitualidade dos mesmos em relação aos contratos encartados nos autos, senão que somente em relação à Requerente. Além disto requerse a apresentação de outros elementos contábeis e fiscais para evidenciar que jamais a Requerente auferiu rendimentos oriundos de cessão ou locação de mão de obra. Fl. 1027DF CARF MF 14 5. Ao final, além de quesitos já relatados, a defendente postula que todas as comunicações postais endereçadas à Requerente sejam enviadas ao domicílio tributário da empresa e, também, para o escritório dos subscritores da presente peça, cujo endereço encontrase devidamente informado no preâmbulo da defesa. A decisão de primeira instância (Acórdão n 1677.644 4ª Turma da DRJ/SPO, efls. 920/962) julgou a Manifestações de Inconformidade improcedente, entendendo, em resumo, rejeitar a preliminar de nulidade e declarar caracterizadas as hipóteses de vedação consignadas nos arts. 17, incisos XI e XII, da Lei Complementar nº 123/2006; com os efeitos a partir de 01/01/2010 e com o impedimento de nova opção de 01/01/2011 a 31/12/2020, por estar comprovado que quando do ingresso no Simples Nacional, a WZ OLIVEIRA praticava atividade vedada de cessão ou locação de mãodeobra; comprovada a constatação de declaração inverídica no momento da opção da WZ OLIVEIRA pelo Simples Nacional quanto à não pratica de atividade vedada; comprovada a prática reiterada ano após ano, antes do ingresso e durante a permanência da WZ OLIVEIRA no Simples Nacional, de atividade vedada de prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra à IMCOPA e à PROPEX, e comprovados a falta de comunicação de exclusão obrigatória, o embaraço à fiscalização e a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade de natureza técnica que constitua profissão regulamentada ou não. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/05/2017 (efl. 965) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/06/2017 (efl. 968), em que repete os argumentos levados à primeira instância e requer, em resumo, a anulação da decisão recorrida, por ausência de provas do fato constitutivo por parte da autoridade fiscal, ou a conversão do julgamento em diligência para o fim de que seja fiscalizado nas dependências da Recorrente e de seus tomadores de serviços o real modus operandi, que evidenciaria ou não o exercício de atividade vedada. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A princípio cabe rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela requerente, tendose em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Não houve cerceamento do direito de defesa, tendo se em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. E o servidor que realizou a fiscalização detinha o cargo legalmente competente para tal. Adiantese que é dever da autoridade fiscal representar, à autoridade competente (art. 124 do CTN), situações que motivem análise pormenorizada para apuração de eventual descumprimento das normas fiscais, razão pela qual não vemos mácula na Intimação Fiscal nº 171/2013 (cópia às fls. 346 a 348) em que se destacou como foco eventual constatação da hipótese de vedação da opção pelo SIMPLES Nacional. Constatamos que restou comprovada a hipótese de vedação consignada no art. 17, inciso XII, da Lei Complementar nº 123/2006, por todo o período de exclusão, no Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre a recorrente e a Imcopa Importação, Exportação e Indústria de Óleos S/A, de 14/10/2010 (efls. 119 a 130) e nas Notas Fiscais (e fls. 143 a 335, e planilhas às efls. 370 e 371). Reforça tal entendimento o fato de a recorrente Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.022 15 ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP), pertinente aos anoscalendário 2009 a 2013 (efls. 350 a 363), o Código de Recolhimento 150, apropriado para informar os empregados em cessão ou locação de mãode obra para a tomadora dos serviços. Entendo também comprovada a hipótese de vedação consignada no art. 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123/2006, ou seja, os serviços previstos foram prestados mediante cessão ou locação de mãodeobra, sujeitando o seu prestador à exclusão da sistemática simplificada, conforme determina o artigo 191, parágrafo 2°, da Instrução Normativa RFB n° 971, de 1311/2009. Isto através da análise dos Contrato de Prestação de serviços celebrado pela interessada com a Caterpillar Brasil Ltda, em que consta a obrigatoriedade de apresentação de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e em dois outros, firmados com o Edifício Cabines e o Hospital Marcelino Chamgnat/Cajuru, em que há cláusulas que determinam a manutenção, permanentemente, de engenheirochefe, conforme resumido na representação (quadro elaborado efl. 343). Concordamos que ficou comprovada a hipótese prevista no Art. 5 °, V e XI, da Resolução CGSN nº 15, de 23/07/2007, cabendo a exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional pois, quando do ingresso no Regime do Simples nacional, a Recorrente incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007. 34. Isto porque no curso da análise das Notas Fiscais de Prestação de Serviços apresentadas (fls. 143 a 335), a autora da representação para exclusão bem consignou que no anocalendário 2007, antes mesmo de seu ingresso no Simples Nacional, em 01/01/2010, a requerente já praticava (de forma reiterada) a atividade de cessão ou locação de mãodeobra na empresa Propex do Brasil S/A (anoscalendário 2007 a 2013). E das mesmas provas concluise que a contribuinte, desde o anocalendário 2007, antes mesmo de seu ingresso no Simples Nacional, em 01/01/2010, já praticava a atividade de cessão ou locação de mãodeobra na empresa Propex do Brasil S/A; entretanto, no momento da opção ao Simples Nacional não informou que estava enquadrada em atividade impeditiva ao regime simplificado, com efeitos resumidos na Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, art. 76, I Para a determinação dos efeitos acima importante destacar que, conforme descrito no Despacho Decisório, foi solicitada a apresentação dos contratos de prestação de serviços (mesmo que relacionados com a restituição então pleiteada), firmados com todos os tomadores de serviços; no entanto a requerente não cumpriu integralmente a intimação ao não disponibilizar os contratos das empresas Propex e Imcopa (anocalendário 2011), justamente as principais provas que caracterizaria a vedação à adesão ao Simples, o que corroborou a conclusão da fiscalização de que a recorrente tinha pleno conhecimento da prática de atividade vedada, e não apresentou os contratos na tentativa de induzir ou manter a fiscalização em erro. Desta forma procedente a imputação dos efeitos previstos na Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, art. 76, IV, "a" e § 2º. Por aderir por completo às razões do voto condutor do acórdão recorrido peço vênia para sua reprodução a seguir, no que se refere aos reclamos do recurso voluntário sobre a provas emprestadas, dever de ofício (apuração das mencionadas atividades vedadas à sistemática simplificada), violação ao contraditório e ampla defesa, efeitos da exclusão, jurisprudência, pedido de diligência e domicílio tributário para intimações: (...) Fl. 1029DF CARF MF 16 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 53. A recorrente afirma que não concorda que os contratos e notas fiscais obtidos no Pedido de Restituição sejam provas, muito menos de exercício de atividade vedada, mas que se vê na contingência de deduzir a presente argumentação, em razão do princípio da eventualidade, na remota hipótese de que tais elementos venham a ser considerados como provas idôneas e suficientes das injustas acusações a ela imputadas. Acrescenta que o objeto de investigação no Pedido de Restituição é a existência do direito creditório, e a autoridade fiscal deveria apurar a questão da atividade vedada no presente processo, e não no Pedido de Restituição. Complementa que a exigência de documentos não encontra relação com o Pedido de Restituição, e foi efetuada em razão do propósito de induzir a requerente a produzir uma prova contra ela própria, em desacordo como o devido processo legal. Finaliza que como a legalidade das provas tem assento no art. 5º, LVI, da CF/88, a prova ilícita ou ilegítima não poderá ser utilizada em qualquer processo judicial ou administrativo, nem em procedimento fiscal. 54. Neste tópico, não há qualquer mácula no procedimento, porquanto é dever da autoridade fiscal representar, à autoridade competente, situações que motivem análise pormenorizada para apuração de eventual descumprimento das normas fiscais. 55. Neste sentido, a Equipe de Análise de Restituição e Reembolso Previdenciário (Eqrespre/Seort/DRFB/Curitiba), em razão de análise de Pedidos de Restituição Previdenciária (processo 12096.720141/201332), constatou que a empresa é optante do Simples Nacional, mas que suas atividades poderiam ser impeditivas ao regime simplificado. 56. Em prosseguimento, a referida Equipe emitiu a Intimação Fiscal nº 171/2013, nos seguintes e exatos termos (cópia às fls. 346 a 348): (...) 1. Em análise preliminar, verificamos nos Sistemas de Informações da RFB/Dataprev que a empresa requerente declarase optante pelo SIMPLES Nacional, desde a competência 01/2010; 2. Tendo em vista que, o exercício da atividade da empresa requerente (manutenção e montagem industrial) compõese por serviços técnicocientíficos que constituem profissão regulamentada e, ainda, por serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, tendo em vista a existência da retenção dos 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços, o artigo 17, incisos XI e XII da Lei Complementar n° 123/06, veda expressamente a opção pelo SIMPLES Nacional; 3. Desta forma, considerandose a hipótese de vedação da opção pelo SIMPLES Nacional, fica a requerente acima identificada INTIMADA a apresentar, nesta Delegacia, no prazo de 15 (quinze) dias, justificativa legal que embase sua opção pelo SIMPLES Nacional ou, caso não haja Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.023 17 embasamento legal, comprovação da retificação das GFIPs, em acordo com seu Regime Tributário, relacionando todos os trabalhadores alocados em cada tomador dos serviços; 4. Em continuidade, cumprido o determinado no item "3", desta Intimação Fiscal, o qual também será comprovado nos sistemas de informações da RFB/Dataprev, e a fim de apreciarmos os Pedidos Eletrônicos de Restituição PER/DCOMP, fica a empresa requerente acima identificada INTIMADA a apresentar, nesta Delegacia, no prazo de 15 (quinze) dias, os elementos a seguir discriminados: a) Cópia do Contrato Social e alterações; b) Cópia dos Contratos de Prestação de Serviços, firmados com os Tomadores; c) Cópia legível das notas fiscais de prestação de serviços, conforme relacionadas nos PER/DCOMPs abaixo: (...) 7. Ressaltamos que a não apresentação dos documentos comprobatórios, necessários à apreciação de pedido formulado, no prazo fixado pela administração, implica no INDEFERIMENTO do processo; 8. Por oportuno, salientamos que a não comprovação da elaboração das GFIPs nos termos legais e em conformidade com o regime tributário da empresa requerente, o Serviço de Fiscalização da Receita Federal do Brasil será comunicado para posterior inclusão da empresa requerida em ação fiscal; 9. Base Legal: Art. 76 da Instrução Normativa RFB n° 1.300/12 e art. 25, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. (...)(grifos e negritos do original) 57. A partir da apresentação dos documentos solicitados, a Equipe de Análise de Restituição e Reembolso Previdenciário constatou, quanto à justificativa legal que embasasse sua opção pelo Simples Nacional, que a empresa limitouse a afirmar que "não exerce atividade vedada pelo Simples Nacional, conforme inclusos documentos." Na sequência, em razão da análise dos Contratos de Prestação de Serviços apresentados e das notas fiscais, constatou o exercício de atividades que constituem óbice ao regime simplificado, em função da prestação de serviços de natureza técnica, bem como de cessão ou locação de mãode obra. Em conclusão ao processo, a mencionada Equipe formulou a Representação para Exclusão de Ofício do Simples Nacional (fls. 342 a 345), dirigida à Equipe de Análise do Simples Fl. 1031DF CARF MF 18 Nacional (EqSIM), que a acatou, consoante Despacho Decisório EQSIM/DRF/CTA nº 265/2015 (fls. 367 a 390). 58. Vejase, portanto, que a apuração das mencionadas atividades vedadas à sistemática simplificada teve início no Pedido de Restituição, mas se desenvolveu plenamente, com ampla pesquisa e fundamento legal, no presente processo, no sentido de amparar a emissão do Ato de Exclusão que se discute. 59. Em consonância com o exposto, não encontra respaldo a alegação de que a exigência de documentos foi efetuada com o propósito de induzir a requerente a produzir uma prova contra ela própria, em desacordo como o devido processo legal, bem como de que as provas colhidas seriam ilícitas ou ilegítimas. 60. A defendente também afirma que a punição de exclusão ofendeu o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Esclarece que houve ofensa ao devido processo legal porque a RFB pretende punila, no presente processo, com provas emprestadas de outro processo administrativo, e que a ela não foi facultado o direito de se manifestar previamente no presente processo sobre as provas colhidas, sobrevindo diretamente a punição. 61. De plano, quanto a alegação de houve utilização de provas emprestadas, os esclarecimentos anteriormente expostos exaurem a questão. 62. No que se relaciona ao direito de manifestação, o contraditório que se examina atende plenamente o direito de ampla defesa. 63. Atentese para o fato de que a retrotranscrita Intimação Fiscal garantiu à requerente amplo direito para esclarecimentos dos fatos relacionados ao exercício de suas atividades, tendo ela se expressado com simples observação de que "não exerce atividade vedada pelo Simples Nacional, conforme inclusos documentos." 64. Ainda no questionamento à violação ao contraditório e ampla defesa, a defendente questiona que no processo de restituição foram concedidos apenas 15 dias para a manifestação sobre a grave acusação de exercício de atividade vedada, prazo que, no seu entendimento, ofende o Decreto 70.235/72, que estabelece o prazo geral de 30 dias para “impugnação”. Complementa que a acusação de atividade vedada implicou verdadeira e material autuação, que possui prazo de 30 dias para impugnação, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70/235/1972. 65. Neste tópico, cabe apenas assinalar, como a própria requerente registra, que o prazo de 30 dias é concedido para apresentação de contraditório a autuação, não sendo extensivo a exigências expressas em intimação. 66. Assevera a recorrente que as conclusões tomadas pela autoridade fiscal se lastrearam apenas em cláusulas contratuais e em descrições expressas em Notas Fiscais, sem que nenhuma diligência efetivamente probatória tenha sido realizada. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.024 19 Acrescenta que as empresas Imcopa, Propex e Caterpillar são de grande porte e, por sua posição de domínio econômico no mercado, impõem contratos padronizados aos prestadores de serviços e fornecedores, com pouca margem para negociação. Esclarece que, como regra, participa de "leilões eletrônicos privados" junto aos seus contratantes e, portanto, não tem nenhuma margem de negociação nos contratos padronizados que assina. 67. Neste quesito, cabe enfatizar que os contratos e as Notas Fiscais analisados pela fiscalização, como já restou exaustivamente esclarecido, comprovam plenamente o exercício da atividade de manutenção industrial por meio de locação de mãodeobra, que constitui óbice para opção e permanência no regime simplificado. Não há, ainda, necessidade de diligência nas referidas empresas, porquanto o conjunto probatório reunido pela fiscalização permiti caracterizar, com precisão, o exercício da mencionada atividade. 68. No que se relaciona à padronização dos contratos, não há substância na alegação da defendente, tendo em vista que ela figura como contratada nos citados documentos, assumindo, portanto, integral responsabilidade pelo que assinou. 69. Pugna a defendente que apenas instala e promove a manutenção de equipamentos, com plena autoridade e domínio sobre sua mãodeobra, a qual não é fiscalizada, gerida ou subordinada às empresas contratantes. 70. Esclareçase, como corretamente apurou o órgão de origem, por disposição contratual há a submissão da requerente, sob exclusivo critério da Imcopa, às fiscalizações quanto à qualidade e às adequações da prestação do serviço, restando à recorrente o dever de enquadramento às exigências impostas pela referida tomadora dos serviços. O contrato ainda contém previsão de que em caso de a prestação de serviço ter sido realizada de forma inadequada, a Imcopa pode interromper a execução do contrato e reter o pagamento até que a defendente preste serviços adequados (cláusulas 5.5 e 5.6, fl. 121; e cláusulas 4.5 e 4.6. fl. 133). 71. Afirma a contribuinte que apesar de existirem várias notas fiscais para os mesmos tomadores (Imcopa e Propex), isto não autoriza a conclusão de cessão ou locação de mãodeobra por continuidade, já que as características dos serviços prestados por ela e o porte dos contratantes as justificam, sendo que consertos, montagens ou reparações são serviços eventuais e não constituem necessidade permanente das empresas contratantes. 72. As observações da requerente não encontram sustentação nas provas levantadas pela fiscalização. Como já restou delineado anteriormente, as Notas Fiscais consignam que se trata de cobrança mensal pelos "Serviços de mão de obra de manutenção mecânica referente ao mês/período...", o que configura a natureza contínua dos serviços contratados e a Fl. 1033DF CARF MF 20 necessidade permanente da contratante pelos serviços, que se repetem periódica ou sistematicamente. 73. A requerente afirma que a decisão recorrida registra (fl. 373) que "Consultandose a GFIPs (Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social) dos anos calendários de 2009 a 2013, nos sistemas informatizados da RFB, anexados aos autos do processo às fls. 350 a 363, constatase que a WZ OLIVEIRA informou o Código de Recolhimento 150, apropriado para informar os empregados em cessão ou locação de mãode obra para tomadora de seus serviços". Acrescenta que esse tipo de argumento é risível para configurar a cessão/locação de mão deobra, pois o que está em discussão é a prova material e efetiva de cessão e locação de mãodeobra, e não códigos de recolhimento, sendo certo que equívocos em códigos podem ser objeto de retificação. 74. Neste tópico, cabe confirmar que o Código de Recolhimento 150 constitui prova robusta para associar a empresa ao exercício da atividade de cessão e locação de mãodeobra. Ademais, na retrotranscrita Intimação, a contribuinte foi informada de que poderia retificar as GFIP, não tendo ocorrido qualquer alteração. 75. Pugna a recorrente que a decisão recorrida, no item 12, analisa contratos e notas fiscais relativos às competências de 03/2007 a 12/2009, período no qual ela não era optante do Simples e, portanto, absolutamente irrelevantes para o deslinde dessa questão. 76. Neste tópico, cabe esclarecer que a análise dos mencionados documentos teve como objetivo provar que antes mesmo de seu ingresso no Simples Nacional, em 01/01/2010, a requerente já praticava a atividade de cessão ou locação de mãodeobra na empresa Propex do Brasil S/A, o que gerou impacto nos efeitos retroativos da exclusão que se discute. 77. Assim, há relevância na análise de documentos produzidos anteriormente à data de exclusão da contribuinte da sistemática simplificada (01/01/2010), porquanto acarretaram a exclusão com efeitos a partir de 01/01/2010. 78. A recorrente questiona a constatação de prestação de serviços de natureza técnica para a empresa Caterpillar. Registra que a simples existência de uma cláusula constante no contrato com a referida empresa, que exige ART, não é prova, no seu entendimento, de atividade de natureza técnica. Acrescenta que não há qualquer evidência de emissão de ART em favor dessa contratante. Complementa que a existência de responsável técnico no CREA/PR não é indicativo do exercício de atividade de natureza técnica, porque o que deve ser provado é se efetivamente a atividade foi exercida. 79. O Contrato JUR144/2012F, celebrado com a Caterpillar Brasil Ltda (fls. 48 a 76) deixa claro que a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) deverá ser recolhida e entregue à contratante, obrigatoriamente, antes do início das obras (fl. 65). Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.025 21 80. Assinalese, ainda, o que já restou esclarecido no tópico específico deste Voto, dedicado à análise da pertinência da constatação, pela fiscalização, do exercício de atividade de natureza técnica, consubstanciada em serviço de engenharia. 81. Ainda neste tópico, a defendente argumenta que ainda que o entendimento seja diverso do que ela pugna, devese observar que a atividade de natureza técnica passou a ser admitida para a opção ao Simples a partir da edição da Lei Complementar nº 147/2014. 82. Neste quesito, cabe assinalar que a prestação de serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral foi excepcionada e considerada atividade não vedada pelo artigo 17, parágrafo 1°, e artigo 18, parágrafo 5°B, inciso IX, da Lei Complementar n° 123/2006. Entretanto, se esses serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, tributados pelo Anexo III, forem prestados mediante cessão ou locação de mãodeobra, constituem atividade vedada, sujeitando o seu prestador à exclusão da sistemática simplificada, conforme determina o artigo 191, parágrafo 2°, da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, já acima transcrito. 83. No caso dos autos, em razão da caracterização da prestação de serviços de natureza técnica (instalação, de reparos e de manutenção em geral), prestados em regime de locação ou cessão de mãodeobra, cabível a exclusão da defendente do regime simplificado de tributação. 84. A requerente pugna que é absurda a acusação de embaraço à fiscalização em função da não apresentação do contrato da Propex (anocalendário 2011). Frisa que o entendimento da fiscalização fere a lógica em razão de que a apresentação do contrato foi requerida para apreciação do direito creditório no Pedido de Restituição. Acrescenta que disponibilizou todos os documentos que dispunha em seus arquivos, não tendo apresentado o referido contrato porque não dispunha, e não dispõe, desse documento. Finaliza que se a RFB queria o contrato não para examinar o direito creditório, mas sim para punir injustamente a empresa, e que se a conduta fosse qualificada como um efetivo embaraço à fiscalização, tal qualificação deveria ter ocorrido no Pedido de Restituição. 85. Neste quesito, como já restou esclarecido anteriormente, é pertinente o exame do exercício de atividade vedada no presente processo, bem como a caracterização do embaraço à fiscalização. 86. A defendente também questiona o fato de estar impedida de optar pelo Simples Nacional pelo prazo de 10 anos, em razão da caracterização do embaraço à fiscalização. Acrescenta que não houve nenhum embaraço à fiscalização, pois apresentou todos os documentos que dispunha para a fiscalização no Processo de Restituição, de forma organizada e sem ocultar nenhuma informação Fl. 1035DF CARF MF 22 87. Neste tópico, não há o que acrescentar em relação ao que já foi exaustivamente elucidado, sendo pertinente a manutenção dos efeitos do ADE. JURISPRUDÊNCIA 88. Quanto a jurisprudência administrativa citada pela defesa, cumpre observar que tais decisões não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (Parecer Normativo CST nº 390, publicado no DOU de 04 de agosto de 1971). E no tocante às decisões judiciais mencionadas, essas só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO 89. A recorrente postula que todas as comunicações postais endereçadas à empresa sejam também enviadas para o escritório dos subscritores da presente peça, cujo endereço encontrase devidamente informado no preâmbulo da defesa. Contudo, tal pedido deve ser indeferido pelos motivos a seguir: 90. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972, abaixo transcrito, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 12096.720063/201457 Acórdão n.º 1001000.677 S1C0T1 Fl. 1.026 23 § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 91. O inciso II, do citado artigo 23, determina que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal, no qual não se enquadra o endereço requerido. Portanto, não sendo a intimação feita pessoalmente ou por meio eletrônico em endereço atribuído pela Administração e autorizado pelo sujeito passivo, não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, negar o pedido de diligência e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 1037DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727874/2012-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE MATÉRIAS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. EXEGESE DO INC. IV DO § 1o DO ART. 489 DO CPC.
Não ocorre o cerceamento do direito de defesa do Recorrente quando comprovado que no acórdão de impugnação foram enfrentados todos os fundamentos fáticos e jurídicos capazes de, em tese, infirmar o lançamento tributário.
INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2011 sujeita-se à multa, com aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001, incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada para efeito de redução da multa por inexistência de previsão legal nesse sentido.
FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2011, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
Numero da decisão: 1002-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE MATÉRIAS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. EXEGESE DO INC. IV DO § 1o DO ART. 489 DO CPC. Não ocorre o cerceamento do direito de defesa do Recorrente quando comprovado que no acórdão de impugnação foram enfrentados todos os fundamentos fáticos e jurídicos capazes de, em tese, infirmar o lançamento tributário. INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2011 sujeita-se à multa, com aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.158-35/2001, incidentes sobre cada mês-calendário de atraso. Descabe falar-se em infração de natureza continuada para efeito de redução da multa por inexistência de previsão legal nesse sentido. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2011, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.727874/2012-11
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891103
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.258
nome_arquivo_s : Decisao_10166727874201211.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10166727874201211_5891103.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7389817
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589636591616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727874/201211 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.258 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL Recorrente CONVER COMBUSTIVEIS AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE MATÉRIAS CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. EXEGESE DO INC. IV DO § 1o DO ART. 489 DO CPC. Não ocorre o cerceamento do direito de defesa do Recorrente quando comprovado que no acórdão de impugnação foram enfrentados todos os fundamentos fáticos e jurídicos capazes de, em tese, infirmar o lançamento tributário. INFRAÇÃO DE NATUREZA CONTINUADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O descumprimento de obrigação tributária acessória relativa à entrega do FCONT do exercício de 2011 sujeitase à multa, com aplicação dos valores previstos no artigo art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001, incidentes sobre cada mês calendário de atraso. Descabe falarse em infração de natureza continuada para efeito de redução da multa por inexistência de previsão legal nesse sentido. FCONT. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. É devida a multa pelo atraso na entrega do FCONT do exercício de 2011, mesmo no caso de não existir na escrituração da pessoa jurídica qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 74 /2 01 2- 11 Fl. 84DF CARF MF 2 pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, por força do disposto no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da peça impugnatória, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB (grifos do original): "Versa o presente processo sobre multa por atraso na entrega de Controle Fiscal Contábil de Transição FCont, período de apuração 01/01/2011 a 31/12/2011, mediante o qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor total de R$ 10.000,00, com base no enquadramento legal: Arts. 16 da Lei nº 9.779/99; 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01; art. 2º da Instrução Normativa RFB 967/09. A referida FCont foi apresentada em 09/08/2012, sendo o prazo final para entrega na data de 30/06/2012. Inconformada com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação ao lançamento arguindo a nulidade da Notificação de Lançamento por não atender aos requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72, além do fato da exigência fiscal, criada a partir de março de 2011, aplicarse retroativamente a todo o ano de 2011. Nesse sentido, discorre: 'Por outro lado, ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.727874/201211 Acórdão n.º 1002000.258 S1C0T2 Fl. 3 3 vício formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso. Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do ar. 59, II, do Decreto 70.235/72.' Observa que a apresentação do FCONT era obrigatória, conforme IN RFB 967/2009 e 970/2009, apenas quando houvesse a situação da empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31/127/2007, conforme exigência do RTT Regime Tributário de Transição. A exigência da apresentação do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.139, de 28/03/2011. Considerando o princípio da anualidade, as obrigações principal e acessória somente podem ser exigidas a partir do exercício seguinte ao de sua instituição ou alteração. No caso, com o FCONT apresenta informações para período anual, a norma editada em março de 2011 somente poderia vigorar para fatos geradores a partir de 20102. Ressalta que a multa em questão não foi criada por lei, sendo que a art. 16 da Lei nº 9.779/99 diz apenas que a Receita Federal poderá criar obrigações acessórias, entendendo ser necessária uma norma legal específica, conforme preceitua a própria Constituição federal em seu art. 5º, inciso II. Assim o ato é nulo de pleno direito, porque não atende ao que a legislação fiscal determina para sua natureza, infringindo preceitos de ordem pública (art. 37 da Constituição Federal) e princípios claros de Direto Tributário. No mérito alega, em síntese; que apresentou a Controle Fiscal Contábil de Transição FCont em atraso, porém espontaneamente, conforme disciplinado no art. 138 do CTN. Nesse sentido, cita doutrinadores e vasta jurisprudência. Discorre sobre as infrações de natureza continuada, e registra que: 'No caso presente, o fato gerador tributário constituise apenas um fato gerador conforme indicado na Notificação, qual seja, 'a falta de apresentação no prazo do FCONT.' [...] A aplicação de várias multas como realizado neste Auto de Infração, uma para cada mês de atraso, contraria o Direito Pátrio, merecendo sua nulidade.' Destaca as dificuldades para preenchimento do FCONT, erros nas versões dos programas geradores de declaração e de validaçãos eletrônicos disponibilizados. Fl. 86DF CARF MF 4 Por fim, ressalta a onerosidade excessiva do valor da multa, ante a vedação da utilização de tributo como forma de confisco, de acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado." A 4a Turma da DRJ/BSB julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada e manteve parte do crédito tributário discutido nos autos, por meio do acórdão nº 0351.050, de 28 de fevereiro de 2013 (efls 47), cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.727874/201211 Acórdão n.º 1002000.258 S1C0T2 Fl. 4 5 Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efls. 58), do qual foram extraídos os principais pontos e argumentos abaixo descritos que, entendese, são pertinentes à solução da lide. A DECISÃO DA DRJ Neste tópico de seu Recurso Voluntário, o Recorrente alega que a decisão da DRJ "deixou de apreciar algumas alegações da recorrente constantes de sua peça de impugnação" e que "Uma dessas omissões é sobre a ilegalidade na forma de penalização, uma hipótese de infração continuada, como é o presente caso". Afirma que "a sequência repetida mensalmente de uma mesma penalidade para uma mesma conduta, pelo princípio da infração continuada, aplicável também ao Direito Tributário, determina que a multa deva ser unificada, para afinal traduzir em apenas uma, e não em várias como foi o caso presente". Aduz que outra questão não apreciada pela DRJ "é a irretroatividade da norma, pois o FCont foi previsto em norma para vigorar para frente. No entanto, a multa aplicada no presente caso alcança períodos pretéritos à norma legal". Argumenta que a decisão da DRJ segundo a qual não há cerceamento do direito de defesa na fase anterior ao contencioso fiscal "contraria frontalmente os princípios de Direito da Administração, com supedâneo no art. 37 da Constituição Federal, e que foi regulamentado na Lei n° 9.784/99, disciplinando o Processo Administrativo Federal" e que "eventuais princípios que não estejam claros na legislação do processo fiscal devem ser complementados ou supridos pela legislação do processo administrativo federal da Lei n° 9.784/99". Finaliza suas considerações sobre este tópico argüindo a nulidade da autuação, sob o argumento de que "A impugnação apresentou algumas deficiências na Notificação do Lançamento Fiscal, especialmente na capitulação legal da legislação que foi aplicada na autuação, no entanto, a r. decisão a quo não levou em consideração essa situação, que sem sombras de dúvidas implica num cerceio de defesa". PRELIMINAR Com respeito a este tópico, o Recorrente defende que a notificação objeto do presente lançamento fiscal é nula de pleno direito, por desatender o comando do art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Aduz que "ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vicio formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso" e que "Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 88DF CARF MF 6 AS ALTERAÇÕES NA LEGISLAÇÃO DO FCONT Sobre este tópico o Recorrente registra que "O FCONT, de acordo com as exigências iniciais das IN(s) n°s 967/2009 e 970/2009, tinha como previsão a sua apresentação apenas quando houvesse a situação de a empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31.12.2007, conforme era a exigência do RTT Regime Tributário de Transição criado pela Lei n° 11.941/2009, em seus arts.15 e 16, para adaptar a legislação fiscal à legislação comercial criada pela Lei n° 11.638/2007" . Diz que "A exigência do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB n° 1139, de 28.03.2011" e que "Nesse sentido dispunha a IN n° 949/2009: Art. 8°(...) § 4o No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o, fica dispensada a elaboração do FCONT.' (grifamos)" Afirma que "A IN n° 1.139, de 28.03.2011, alterou o preceito acima, impondo a obrigação para quaisquer situações, ao dispor: 'Art.8°(...) § 4° A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.139, de 28 de março de 2011).' (grifamos) " Conclui afirmando que "a recorrente não tinha a obrigação de apresentar o FCONT. Essa obrigação somente foi criada pela IN n° 1.139, no ano de 2011." Ao final requer o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10166.727874/201211 Acórdão n.º 1002000.258 S1C0T2 Fl. 5 7 Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso, obedecendo a ordem temática comumente aceita pela técnica processual. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA I.a Ausência de indicação da base legal no lançamento Preliminarmente, o Recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado, argumentando que a notificação fiscal deixou de indicar o preceito legal que serviu de base ao lançamento, afirmando que consta, ao revés, referência à Instrução Normativa RFB nº 967/09, que, no seu entendimento, não seria aplicável ao caso. Não assiste razão ao Recorrente. Um simples exame da notificação de lançamento de efls. 25 permite constatar que a base legal da autuação foi naquela devidamente consignada, conforme comprova o excerto abaixo (destaque nosso): No que toca à alegação do Recorrente da inaplicabilidade da Instrução Normativa RFB nº 967/09 ao lançamento da multa em questão, cabe registrar que a notificação de lançamento é lastreada no artigo 2º da referida IN, que estabelece os prazos e condições gerais para entrega do FCONT pelos contribuintes. Confirase: Fl. 90DF CARF MF 8 Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1272, de 04 de junho de 2012) (...) Como se observa, resta claro que não fica configurado o alegado cerceamento do direito de defesa do Recorrente, eis que a base legal indicada na notificação de lançamento da multa guerreada demonstra, de forma clara e congruente, os fundamentos jurídicos da autuação, de modo que se pode concluir que o Recorrente tinha perfeito conhecimento da infração tributária que lhe foi imputada, tanto assim que apresentou sua defesa tempestivamente. De outro modo, registro que essa temática foi adequada e fundamentalmente enfrentada no acórdão de impugnação da DRJ/BSB, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: "Preliminarmente não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/19972, foram observados na ocasião da lavratura do auto de infração, verbis: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, in verbis: 'Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.' Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.727874/201211 Acórdão n.º 1002000.258 S1C0T2 Fl. 6 9 Registrase que a preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura da notificação de lançamento, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada, como no caso. E mais, o impugnante articulou perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. No presente caso, não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defenderse e mais, foilhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeitamse a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. A percuciente análise da DRJ/BSB sobre a temática ora em debate atesta claramente a higidez do lançamento da multa guerreada e não merece qualquer reparo. Ante o exposto rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa suscitada. I.b Ausência de enfrentamento de matérias constantes da impugnação: Princípio da Infração Continuada Como segunda preliminar o Recorrente afirma que o acórdão exarado pela DRJ/BSB omitiuse na análise da questão argüida sobre a ilegalidade na forma de aplicação da penalidade por ausência de consideração do Princípio da Infração Continuada. Para enfrentar a controvérsia, trago a baila os dispositivos legais e normativos que consubstanciaram a presente autuação: Lei n. 9.779/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória n. 2.15835/2001 Fl. 92DF CARF MF 10 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF n. 967/2009 Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1272, de 04 de junho de 2012) Observase que o art. 57, I, da MP n. 2.15835/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário e que o § 4º da Instrução Normativa/SRF n. 967/2009, com redação dada pela IN RFB n° 1.272/2012, fixou como data de vencimento da obrigação de entrega do FCONT o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se referir a escrituração. Tendo em conta o fato de que o prazo para recepção do FCONT expirou em 30/06/2012 e que este controle fiscal de transição só foi entregue em 09/08/2012 (efls. 24) não resta dúvida de que o atraso no cumprimento da obrigação tributária acessória perfez um total de 2 meses. Sendo assim, correta a autuação da multa no valor de R$ 10.000,00 constante da notificação de lançamento original de efl. 24, o qual foi devidamente reduzido para R$ 1.500,00 no acórdão de impugnação, por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido no artigo 106 do CTN. Não prospera, portanto, o argumento levantado pelo Recorrente respeitante à redução da multa por ocorrência de infração continuada, mesmo porque este conceito, originário do direito penal, só tem aplicação no direito tributário quando existente previsão legal nesse sentido, o que não é o caso da presente autuação. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.727874/201211 Acórdão n.º 1002000.258 S1C0T2 Fl. 7 11 A este respeito, constato que esse tema foi apreciado no acórdão exarado pela DRJ/BSB, porém, de modo indireto, justamente pelo fato de o alegado Princípio não ter aplicação no direito tributário e, por isso, ser desinfluente à solução da lide por não ter força jurídica para desconstituir obrigação tributária ex lege ou obstar o exercício da atividade de lançamento do agente fiscal também vinculada à lei, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN1. Corrobora com essa assertiva, os seguintes trechos extraídos do acórdão de impugnação: Com relação à lide instaurada com a petição apresentada pela interessada, inicialmente devese ponderar que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, por dever de ofício, o Fisco e os colegiados dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância são obrigados a seguir fielmente a legislação, regulamentos e entendimentos emanado pelos órgãos competentes e pela administração tributária, não lhes sendo dada a discricionariedade para modificar o lançamento, abrandando ou cancelando a penalidade, se tal procedimento não estiver claramente previsto na legislação ou for determinado pelo agente público com poderes e competência para tal, o que não é o caso. Cabe esclarecer que a entrega da Declaração fora do prazo fixado pela norma tributária é considerada como sendo o descumprimento de uma obrigação acessória por parte da empresa. Como regra, é conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos do fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Administração Pública pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Ademais, de acordo com o artigo 489 da lei nº 13.105/2015 (CPC), o julgador não precisa pronunciarse de forma exauriente sobre todos os pontos elencados na peça de defesa, bastando enfrentar apenas os fundamentos de fato e de direito que, no seu entendimento, sejam necessários e influentes à solução da lide: 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 94DF CARF MF 12 Art. 489. (...) I (...) (...) § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I (...) (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (grifos nossos) (...) De arremate, no que toca à violação do Princípio da legalidade argüida pelo Recorrente, reforço que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade de leis tributárias, havendo, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluo, portanto, que a alegação do Recorrente de falta de apreciação no acórdão recorrido do princípio da infração continuada no lançamento tributário não procede, eis que, como se observou, essa matéria foi analisada de forma escorreita e coerente com o ordenamento jurídico vigente, razão pela qual rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa do Recorrente relacionada a este tema. II MÉRITO Com relação ao mérito, o Recorrente postula a nulidade do lançamento por aplicação retroativa da norma tributária, fundandose no fato de que a notificação fiscal considerou o anocalendário de 2011 como períodobase da autuação, porque, no seu entendimento, a obrigatoriedade de entrega do FCONT aplicarseia somente a fatos geradores a partir de 2012, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.139/2011, que alterou o artigo 8º da IN RFB n° 949/2009. Vejamos a redação deste dispositivo, antes e depois da alteração: Parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009 Redação original Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.727874/201211 Acórdão n.º 1002000.258 S1C0T2 Fl. 8 13 § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. (grifos nossos) Parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009 Redação dada pela IN RFB nº 1.139/2011 Art. 8º (...) § 1º (...) (...) § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos acima e a teor do que dispõe o inciso I do artigo 103 do CTN2, combinado com o inciso I do artigo 100 do mesmo código3, depreendese que, a partir de 29/03/2011 data da publicação da IN RFB nº 1.139/2011 de 2011 no DOU a elaboração do FCONT tornouse obrigatória, mesmo aos contribuintes que não tinham lançamento com base em métodos e critérios diferentes dos prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. 2 Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; II as decisões a que se refere o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias após a data da sua publicação; III os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista. 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 96DF CARF MF 14 Tendo em conta que a IN RFB nº 1.139/2011 entrou em vigor em 29/03/2011 e que o prazo para entrega da FCONT que gerou o lançamento da multa questionada expirou em 30/06/2012 (efls. 24), por óbvio, podese afirmar que o Recorrente estava obrigado ao cumprimento dessa obrigação tributária acessória, ainda que não fossem necessários os ajustes de que trata o parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009. Esse entendimento decorre da inteligência do princípio tempus regit actum, pelo que compreendese que a validade da norma modificadora da legislação alcança também o períodobase objeto da autuação com vencimento em 30/06/2012, por ter sido publicada antes desta data. Ainda que assim não fosse, isto é, admitindose a possibilidade de o Recorrente infirmar o lançamento por entender que estava desobrigado da entrega do FCONT no exercício de 2011 por força da redação original do parágrafo 4º do artigo 8º da IN RFB n° 949/2009 o que não é o caso, repitase caberia a ele provar que não existiu na sua escrituração contábil/fiscal qualquer lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, juntando aos autos os documentos comprobatórios pertinentes, tais como: Balanço patrimonial acompanhado da Demonstração do Resultado do Exercício DRE, cópia da DIPJ ou declaração de escrituração contábil digital SPED/ECD do períodobase da autuação, donde se pudesse inferir, de forma inequívoca, a desnecessidade de elaboração do FCONT de acordo com a legislação retromencionada. Contudo, não foram acostados aos autos nenhuma prova nesse sentido. Incabível, portanto, falarse em vigência da norma tributária apenas para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2012, argüida pelo Recorrente. CONCLUSÃO Ante todo o exposto e ausentes motivos de fato e de direito que justifiquem a dispensa de elaboração do FCONT do períodobase da autuação, considero hígido o lançamento da multa guerreada, razão pela qual rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720963/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.995
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720963/2011-41
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880631
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.995
nome_arquivo_s : Decisao_16327720963201141.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16327720963201141_5880631.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7364475
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589642883072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720963/201141 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.995 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Recorrente MASSA FALIDA DO BANCO SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 63 /2 01 1- 41 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.647, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 48DF CARF MF Processo nº 16327.720963/201141 Acórdão n.º 3201003.995 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.720616/2017-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE.
A requisição de informações às instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial, e não caracteriza violação de sigilo bancário, conforme decidido pelo STF.
APURAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Nos casos de lançamento do imposto/contribuição por homologação, em tendo sido apurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo rege-se pelo inciso I do art.173 do CTN, e não pelo §4º do art.150 do CTN.
ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO. DESCABIMENTO DE ANÁLISE.
A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova, necessários à confirmação das alegações da impugnante contidas em seu arrazoado.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pela contribuinte regularmente intimada para tal.
MULTA QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO E INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO.
Cabe a aplicação da multa de ofício, majorada para o percentual de 150%, quando configurada fraude e sonegação previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964.
Numero da decisão: 1401-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçaves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. A requisição de informações às instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial, e não caracteriza violação de sigilo bancário, conforme decidido pelo STF. APURAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento do imposto/contribuição por homologação, em tendo sido apurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo rege-se pelo inciso I do art.173 do CTN, e não pelo §4º do art.150 do CTN. ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO. DESCABIMENTO DE ANÁLISE. A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova, necessários à confirmação das alegações da impugnante contidas em seu arrazoado. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pela contribuinte regularmente intimada para tal. MULTA QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO E INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. Cabe a aplicação da multa de ofício, majorada para o percentual de 150%, quando configurada fraude e sonegação previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10746.720616/2017-97
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894443
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.747
nome_arquivo_s : Decisao_10746720616201797.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10746720616201797_5894443.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçaves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7403587
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589668048896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.488 1 2.487 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.720616/201797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.747 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente A NAVES COSTA EIRELI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. A requisição de informações às instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial, e não caracteriza violação de sigilo bancário, conforme decidido pelo STF. APURAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento do imposto/contribuição por homologação, em tendo sido apurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo regese pelo inciso I do art.173 do CTN, e não pelo §4º do art.150 do CTN. ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO. DESCABIMENTO DE ANÁLISE. A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova, necessários à confirmação das alegações da impugnante contidas em seu arrazoado. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pela contribuinte regularmente intimada para tal. MULTA QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO E INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. Cabe a aplicação da multa de ofício, majorada para o percentual de 150%, quando configurada fraude e sonegação previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 06 16 /2 01 7- 97 Fl. 2488DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçaves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Peço licença aos meus colegas para transcrever o breve relatório da Decisão de Piso sobre o processo. Do lançamento: O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRF/PalmasTO e cientificados à interessada acima qualificada em 14/06/2017, conforme Aviso de RecebimentoAR de fl. 2444: de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 4.020.086,61 (fls. 02/30); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 1.463.214,36 (fls. 31/52); de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, no valor de R$ 1.524.181,52 (fls. 62/70), e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 330.239,23 (fls. 53/61); todos acrescidos da multa de ofício agravada para o percentual de 150%, e demais acréscimos moratórios conforme legislação vigente. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Relatório Fiscal de fls. 71/81, decorre de omissão de receitas nos anos calendário de 2012 e 2013 apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada, à luz do art. 42 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Enquadramento Legal para o IRPJ: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c com os arts. 518 e 528 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. A multa de ofício foi aplicada com o percentual majorado de 150%, tendo em vista a interessada ter omitido da Fiscalização a sua conta no Banco Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201797 Acórdão n.º 1401002.747 S1C4T1 Fl. 2.489 3 Bradesco, sob alegação da mesma estar cancelada e não poder obter os extratos, quando destes dispunha desde dez dias após o início da ação fiscal. Tal atitude demonstra a intenção dolosa da interessada em ocultar a conta do Banco Bradesco, o que se configuraria em flagrante sonegação, ensejando a majoração da multa, à luz do parágrafo 1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como representação fiscal para fins penais objeto do processo nº 10746.720912/201798, apensado ao presente. Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 07/07/2017, a impugnação de fls. 2424/2443, onde descreve a autuação e alega, em síntese, que: O auto de infração seria nulo e inconstitucional, uma vez que se valeu da quebra de seu sigilo bancário. Argui a decadência do direito da Fazenda Pública exigir os tributos e contribuições de janeiro a maio de 2012, com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário NacionalCTN. Com base na súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, afirma ser ilegítimo o lançamento de IRPJ com base exclusivamente em extratos bancários, sendo necessária a demonstração de sinais exteriores de riqueza e que a presunção requer a adição de outros elementos fáticos necessários a conferir certeza e credibilidade ao lançamento, tais como a demonstração de que os créditos bancários traduziramse em renda não oferecida à tributação. Protesta não poder ser considerado lucro toda a omissão de receitas presumida, nem sobre ela incidir diretamente o IRPJ, o que seria inconstitucional. Afirma que pagou impostos referentes às receitas não declaradas. Quanto à multa de ofício, seria a mesma confiscatória, à luz do art. 150, IV, da Constituição Federal, bem como não teria considerado sua capacidade contributiva. Protesta que o percentual da mesma deveria ter sido de 75%, sem o agravamento, uma vez que não teria sido comprovado dolo nem fraude, não tendo apresentado a movimentação bancária do Banco Bradesco por ter sido a conta encerrada. Protesta ainda que apresentou toda a documentação e solicitações da autoridade fazendária, sempre nos prazos estabelecidos. Encerra pedindo a anulação do auto de infração e do crédito tributário. É o relatório. Fl. 2490DF CARF MF 4 Analisando as alegações de defesa em confronto com as acusações da fiscalização a Delegacia de Julgamento proferiu acórdão julgando improcedente a impugnação e mantendo a autuação em todos os seus termos. Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário por meio do qual aduziu as seguintes alegações. Decadência Alega que o lançamento estaria decaído posto ter sido realizado a mais de cinco anos dos fatos geradores das obrigações tributárias. Entende que a simples omissão de receitas não caracterizaria fraude de modo a determinar a qualificação da multa e modificar a contagem do prazo decadencial. Qualificação da Multa Não estaria presente a demonstração da vontade do agente. Assim, ausente o elemento subjetivo da multa inexistiria a possibilidade de sua aplicação qualificada. Lançamento com base em extratos bancários Ilegitimidade Entende que o lançamento baseiase apenas nos lançamentos em contacorrente da empresa, não demonstrando a existência de sinais exteriores de riqueza a demonstrar o aumento patrimonial. Alega que no período fiscalizado a saída de recurso foi superior à entrada, demonstrando a inexistência de omissão de receitas. Da existência, nos valores depositados, de Cheque devolvidos e de Transferência de contas da mesma titularidade Apresenta apenas em sede de recurso voluntário estas alegações. As mesmas não foram aduzidas antes, nem durante a fiscalização, nem quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Apresentaremos, de início, os termos do relatório fiscal que embasou o lançamento, no qual a fiscalização apresenta os motivos que levaram a lavratura do auto por omissão de comprovação da origem dos depósitos, os motivos da qualificação da multa e da aplicação do prazo decadencial do art. 173, I do CTN. Vejamos. 3 FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201797 Acórdão n.º 1401002.747 S1C4T1 Fl. 2.490 5 3.1 – A empresa A NAVES COSTA foi intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (Doc Fisc 01) a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, aplicações financeiras e cadernetas de poupanças mantidas pela empresa nos bancos brasileiros ou no exterior. A empresa apresentou em 26/12/2014 (Doc Cont 01) somente os extratos bancários da conta do BASA (Banco da Amazônia). 3.2 – O contribuinte foi novamente intimado através do Termo de Intimação Fiscal nº 01 (Doc Fisc 02) a apresentar os extratos bancários do Banco Bradesco S/A. Em sua resposta apresentada em 13/02/2015 (Doc Cont 02), a empresa alega que não possui conta corrente junto ao Banco Bradesco. 3.3 – Diante de não apresentação por parte do contribuinte dos extratos do Banco Bradesco e dos indícios de significativa movimentação financeira junto à referida instituição, a fiscalização solicitou, mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF), ao próprio Banco que apresentasse a documentação solicitada. A solicitação de requisição de movimentação financeira (Doc Fisc 21) e a Requisição de Solicitação de Movimentação Financeira (Doc Fisc 22) fazem parte do presente processo. ........... 3.6 – A fiscalização intimou o contribuinte através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01 (Doc Fisc 15) a apresentar a origem do recurso financeiro referente a cada lançamento de crédito na conta do Banco Bradesco com a devida documentação comprobatória e justificar o motivo de não ter oferecido tal montante à fiscalização. 3.7 – O contribuinte apresentou em 01/02/2017 (Doc Cont 04) Ofício à fiscalização. No presente documento, afirma que os recursos movimentados na conta do Bradesco são decorrentes de intermediação de compra e venda de bens móveis e imóveis e que não realizou a contabilização e, por conseguinte, não existe Livro Caixa. Não apresentou nenhum documento que comprove tal alegação. 3.8 – Diante da falta de comprovação, a fiscalização efetuou o lançamento dos depósitos bancários de origem não comprovadas (depósitos do Banco Bradesco). Do total de depósitos identificados na conta do Bradesco, foram feitas as seguintes exclusões: ∙ Cheques devolvidos 1ª apresentação; (Anexo I) ∙ Cheques devolvidos 2ª apresentação; (Anexo II) ∙ Depósitos provenientes de contas do mesmo titular; (Anexo III) ∙ Cheques devolvidos com códigos que não possibilitam reapresentação. (Anexo IV) 3.9 A fiscalização elaborou o Anexo V para demonstrar os valores considerados Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Do Fl. 2492DF CARF MF 6 montante total de depósitos encontrados na conta do Banco Bradesco foram excluídos os itens relacionados nos Anexos I a IV. 3.10 – O Anexo I corresponde aos cheques devolvidos em 1ª apresentação. A totalização foi apresentada pelo contribuinte (Doc Cont 06), conferida pela fiscalização e devidamente abatida do valor dos depósitos não comprovados. 3.11 – O Anexo II corresponde aos cheques devolvidos em 2ª apresentação. A totalização foi apresentada pelo contribuinte (Doc Cont 04), conferida pela fiscalização e devidamente abatida do valor dos depósitos não comprovados. 3.12 – O Anexo III corresponde aos depósitos e transferências recebidas de contas do próprio contribuinte (mesmo CNPJ). A totalização foi apresentada pelo contribuinte (Doc Cont 03), conferida pela fiscalização e devidamente abatida do valor dos depósitos não comprovados. 4 – MULTA APLICADA 4.1 – O sujeito passivo foi intimado (Doc Fisc 01) a apresentar os extratos bancários de TODOS os bancos que a A Naves manteve conta em 2012 e em 2013. O contribuinte apresentou apenas os extratos do Banco da Amazônia. 4.2 O sujeito passivo foi novamente intimado (Doc Fisc 02) a apresentar os dados da movimentação financeira ESPECIFICAMENTE do Banco Bradesco de 2012 e 2013. O contribuinte NÃO apresentou os extratos e alegou que a empresa não possuía conta em tal instituição. 4.3 – Após o recebimento dos dados do Banco Bradesco via RMF, ficou comprovado que a empresa tinha conta no referido banco em 2012 e 2013 e o contribuinte, de maneira intencional, optou por omitir da contabilidade e da presente Auditoria estes dados. 4.4 – Após o recebimento do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 01 (Doc Fisc 15), onde ficou novamente constatado que o contribuinte não havia fornecido os dados do Bradesco e foi intimado a esclarecer os depósitos do referido banco, o contribuinte alegou que não enviou os extratos por estar com a conta encerrada e não conseguiu reunir os extratos junto ao banco: 4.5 – Porém, no Doc Cont 04 apresentado à fiscalização, o contribuinte resolveu apresentar os Extratos do Bradesco. Frisese que os extratos apresentados foram impressos em 10/12/2014. O que comprova que desde o início do procedimento fiscal o contribuinte dispunha dos dados e teria meios de atender à fiscalização. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201797 Acórdão n.º 1401002.747 S1C4T1 Fl. 2.491 7 A fiscalização iniciouse em 01/12/2014 e o contribuinte tinha 20 dias corridos para apresentar os extratos. 4.6 – Desta forma, por não ter apresentado os extratos para a fiscalização mesmo tendo a posse dos mesmos e por ter omitido a movimentação do Bradesco da contabilidade e, assim, reduzido drasticamente o valor dos tributos devidos, fica evidenciado que o contribuinte infringiu os dispositivos da lei 4502/1964 transcritos abaixo: Apresentamos os termos do relatório fiscal para bem demonstrar o acerto da decisão da Delegacia de Julgamento em relação ao caso e, ao meu ver, a não procedência das alegações da defesa em seu recurso. Passemos à análise dos pontos. Decadência. Qualificação da Multa Em relação a estes dois pontos, que em verdade se resolvem numa mesma análise, a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN para fins de decadência e a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% decorrem dos atos do contribuinte, devidamente identificados no relatório fiscal acima transcrito, que demonstram, não apenas a simples omissão de receitas, mas os atos intencionais de tentar esconder esta movimentação do fisco, mesmo após devidamente intimado para tanto. Em relação à aplicação da multa qualificada, usualmente tenho entendido que não deve ser aplicada caso não verificados fatos que demonstrem a real intenção da empresa em evitar a imposição tributária. No presente caso, apesar de ser devidamente intimado, o contribuinte deixou de apresentar os extratos do Bradesco, sob a alegação de que a conta estava encerrada e não os possuía, quando, posteriormente, após a emissão da RMF, apresentou extratos datados de data posterior ao inicio da fiscalização, o que demonstrou claramente a intenção de tentar omitir a sua existência. Ora, conjugandose o fato da movimentação financeira junto ao Bradesco ter sido mantida à margem da contabilidade e que os extratos bancários somente foram apresentados após a emissão de RMF e recebimento desta do Bradesco, demonstrase a real tentativa de esconder esta movimentação, tipificando a ocorrência das hipóteses dos arts. 71 e 72, da Lei nº 4.502/64. Apresentamos alguns precedentes deste CARF a embasar este entendimento. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do Fl. 2494DF CARF MF 8 CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Acórdão nº 1301002.693, de 19/10/2017 MULTA QUALIFICADA. Nos casos de Lançamento de Ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude. Acórdão nº 1201001.629, de 10/04/2017. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito da sonegação. Acórdão nº 1302002.340, de 15/08/2017. CONDUTA DOLOSA. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. Acórdão nº 1402002.609, de 20/06/2017. Por tudo isso e considerando que a omissão de escrituração de toda a movimentação bancária de uma contacorrente não pode ser encarada como uma simples omissão, mas, sim, revela a intenção de deixar de tributar valores que deveriam ser oferecidos, entendo que, no presente caso, deve ser mantida a qualificação da multa aplicada pela fiscalização, mais ainda quando o valor deixado à parte da escrituração montou em cerca de R$ 2 milhões mensais. Verificandose a procedência da qualificação da multa, decorrência lógica é que a norma de decadência a ser aplicada é a do art. 173, I, do CTN. Assim, demonstrase a inexistência de decadência em relação aos lançamentos lançados no processo. Assim, neste ponto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto à decadência e à qualificação da multa. Lançamento com base em extratos bancários Ilegitimidade. Com relação às alegações do contribuinte de que não subsistiria o lançamento baseado apenas na sua movimentação financeira e de que a existência de movimentação a débito superior a dos débitos implicaria na inexistência de omissão, devemos discordar das razões do recorrente. Primeiro, em razão do fato de existir movimentação nas contas a débito em montante superior aos créditos não implica na inexistência de omissão. Na verdade a omissão é presumida pela ausência de justificação da origem dos depósitos e em razão de sua não contabilização. Segundo porque a movimentação de valores em montante várias vezes superior à receita declarada, juntamente com a falta de comprovação da origem, demonstram, sim, a existência da omissão de receitas tributáveis. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201797 Acórdão n.º 1401002.747 S1C4T1 Fl. 2.492 9 Conforme descrito no relatório fiscal o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de sua movimentação e só apresentou o do Banco da Amazônia. Não tento apresentado a movimentação de outros bancos, foi emitida a requisição de movimentação financeira RMF para solicitação direta às instituições financeiras. Ora, como se percebe a empresa foi regularmente intimada por meio de seu representante legal. No entanto optou por não apresentar a movimentação do Bradesco e, mais ainda, intimada a comprovar a origem dos depósitos junto ao Bradesco informou não dispor de comprovantes nem de escrituração dos mesmos. Tal procedimento em nada tem de ilegal, posto que baseado nas normas permissivas que já foram, inclusive referendadas pelo Egrégio STF e consolidadas neste CARF, conforme demonstram os seguintes precedentes deste Colegiado. DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. (Acórdão nº 1302002.342, de 16/08/2017) OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES. QUEBRA DE SIGILO. Atendidas as condições previstas na LC nº 105, de 2001, a obtenção de provas pelo Fisco junto às instituições financeiras não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente, sobretudo quando o STF decreta a constitucionalidade da referida Lei, por entender que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. (Acórdão nº 1401001.755, de 24/01/2017) QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2496DF CARF MF 10 A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). (Acórdão nº 2301005.099, de 10/08/2017) Como se percebe dos precedentes acima apresentados, corroborados por decisão do Egrégio STF, não há ilegalidade na requisição pelo fisco das informações da movimentação bancária da empresa para fins de fiscalização quanto à regularidade dos recolhimentos tributários e, mais ainda, o lançamento baseado nesses extratos goza de legitimidade por se basear em presunção legal decorrente da ausência de comprovação, por parte do contribuinte devidamente intimado, da origem dos depósitos realizados em sua conta mantida junto ao Bradesco. Neste sentido, denego o recurso neste ponto. Da existência, nos valores depositados, de Cheque devolvidos e de Transferência de contas da mesma titularidade. Com relação a estas alegações, devemos informar, de início, que as mesmas não foram apresentadas, nem durante o procedimento de fiscalização, nem quando da apresentação da impugnação por parte do contribuinte, assim, tecnicamente, sequer necessitaríamos apresentar análise do ponto, haja vista a preclusão do direito de apresentar contestação. Ocorre, no entanto, que se verifica do relatório fiscal que os argumentos trazidos pelo recorrente são rechaçados de pronto pela fiscalização no momento em que esta descreve ter realizado, quando do lançamento, a exclusão dos valores relativos a cheques devolvidos e a transferências de recursos da mesma titularidade. Sendo assim, analisando o mérito deste ponto deixo de acatar as alegações do recorrente em razão de ter sido demonstrado pela fiscalização a exclusão dos valores agora alegados pelo recorrente. Por todo o exposto, em conclusão, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201797 Acórdão n.º 1401002.747 S1C4T1 Fl. 2.493 11 Fl. 2498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000425/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
GLOSA SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE.
Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, substituído pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, L[ivia De Carli Germano , Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 GLOSA SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE. Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.000425/2005-10
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882534
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.495
nome_arquivo_s : Decisao_11020000425200510.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 11020000425200510_5882534.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, substituído pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, L[ivia De Carli Germano , Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7368525
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589674340352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 465 1 464 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.000425/200510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.495 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO Recorrente VINÍCOLA SALTON S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 GLOSA SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE. Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, substituído pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Angelo Abrantes Nunes, L[ivia De Carli Germano , Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 04 25 /2 00 5- 10 Fl. 465DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou parcialmente procedente declaração de compensação apresentada em 25/04/2003 na qual o contribuinte pretende compensar débitos com vencimentos de fevereiro a abril de 2003, no valor total de R$ 3.786.507,86, com supostos créditos de saldo negativo de IRPJ (R$ 2.655.033,79) e de CSLL (R$ 913.766,13), apurados no anocalendário de 2002, que totalizam o valor de R$ 3.568.800,22 (fls. 01). As fls. 186/189 encontrase nova DCOMP apresentada em 26/08/2003, na qual o contribuinte pretende usar o seu suposto saldo remanescente para compensar débito no valor de R$ 184.934,42. A DRF em Jundiai/SP reconheceu os valores de R$ 2.406.678,78 de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002 e R$ 820.320,26 de saldo negativo de CSLL do mesmo período" (fls. 523). Contra a homologação parcial, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese: Que o despacho decisório não levou em consideração na composição do saldo negativo do IRPJ o valor de R$ 344.191,07, oriundo da empresa CONEPAR PETROQUÍMICA SA, a qual a recorrente incorporou em dezembro/02. Que a decisão recorrida não levou em consideração valores de IRRF do ano calendário de 1999, que tiveram reflexos na composição dos saldos negativos do IRPJ dos anos subseqüentes, até o ano calendário de 2002, no qual residiria o crédito glosado. Que a decisão recorrida não levou em consideração base de calculo negativa da CSLL referente ao ano de 1995, que impactou no ano calendário de 2002. A decisão objeto do presente Recurso manteve o não reconhecimento do saldo negativo oriundo da empresa incorporada pela Recorrente, "em face da inovação na fundamentação fática e jurídica do indébito, apresentada somente quando da manifestação de inconformidade" (fls. 524). Quanto aos reflexos do IRRF do ano de 1999, a decisão recorrida analisou pontualmente a apuração do IRPJ dos anos calendários 1999 a 2002 e entendeu por ratificar "a apuração efetuada pela DR em Jundiai/SP na revisão de oficio, no valor de R$ 2.406.678,78 referente ao saldo negativo de IRPJ do AC 2002, não havendo mais nada a ser reconhecido como saldo negativo de IRPJ referente ao período" (fls. 527verso). Já quanto ao credito relativo a CSLL, a decisão recorrida também verificou a apuração da CSLL do contribuinte referente ao ano calendário de 1995 e 2000 e até o ano calendário de 2002, para concluir que "referente ao saldo negativo de CSLL do AC 2002, cabe, ainda, reconhecer o valor de R$ 45.935,94 (R$ 866.262,20 — R$ 820.326,26)" (fls. 530 verso). No mérito do seu Recurso Voluntário o contribuinte, inicialmente, defende a legitimidade do aproveitamento do saldo negativo do IRPJ da empresa controlada que foi extinta, o que o faz nos seguintes termos: "23. Embora a recorrente tenha cumprido as diversas solicitações da SRF de modo a comprovar a legitimidade dos créditos pleiteados, em momento algum, lhe foi solicitado Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11020.000425/200510 Acórdão n.º 1401002.495 S1C4T1 Fl. 466 3 documentos relacionados aos créditos da empresa CONEPAR, razão pela qual requer, nesta oportunidade, a juntada de todos os comprovantes de IRRF de aplicações financeiras" (fls. 546). Já quanto ao saldo negativo do IRPJ, o Recorrente alega que no recálculo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 a decisão recorrida não levou em consideração a procedência de pedido de restituição formulado em processo administrativo no ano de 2000. Vejamos as razões do recorrente: 28. A DRJ recalculou o saldo negativo daquele exercício [1999] para reduzilo de R$ 2.459.860,03 para R$ 1.961.130,69, entretanto, a apuração do saldo negativo deste período foi objeto do pedido de restituição, processo n° 13839.000543/0071 (doc), no qual a DRF reconheceu o direito de credito em R$ 2.459.860,03, cujo fato foi ignorado pela DRF e pela DRJ na decisão recorrida" (fls. 547). Ainda em relação ao saldo negativo de IRPJ, o Recorrente também sustenta que não foram levados em consideração o recolhimento de dois DARFs no ano calendário de 2000, nos seguintes termos: 30. Em relação ao ano calendário de 2000, a recorrente recolheu dos DARF 's de R$ 58.187,09 e R$ 49.017,05, referente ao IRPJ nos meses de Julho e Setembro respectivamente, os quais sequer foram considerados na apuração por parte da DRJ" (fls. 547). Por fim, quanto ao saldo negativo da CSLL o Recorrente alega que: "36. Nos AC's de 1995 e 1996 a recorrente apresentou saldo negativo da contribuição nos valores de R$ 282.913,62 e R$ 136.554,51 respectivamente. Iniciandose a compensação de tais valores com o tributo devido no AC de 2000 (...) 37. Da compensação realizada, restou saldo a pagar de R$42.812,31, referente a julho de 2000. Deste valor a recorrente recolheu a quantia de R$31.793,56 conforme Darf juntado à manifestação de inconformidade, sendo que o valor restante de R$11.018,75 foi compensado com saldo negativo da contribuição de 1996". (fls. 548/549). Com tais considerações, pede a procedência do Recurso Voluntário para a homologação integral das compensações realizadas. Vieram esses autos a julgamento em 26/01/2011, tendo sido convertidos em diligência para os seguintes fins: a) Informar e juntar aos autos o desfecho do processo administrativo n°13839.000543/0071; b) Na hipótese de êxito do contribuinte no processo administrativo n° 13839.000543/0071, informar se ainda há crédito disponível em favor do contribuinte oriundo do processo administrativo n° 13839.000543/0071; Fl. 467DF CARF MF 4 c) Na hipótese de haver crédito disponível em favor do contribuinte oriundo do processo administrativo n° 13839.000543/0071, recalcular o saldo negativo do IRPJ discutido no presente processo administrativo, levandose em consideração àquele crédito; d) Confirmar a existência dos DARFs de R$ 58.187,09 e R$ 49.017,05; Na hipótese da existência dos DARFs mencionados no item anterior, recalcular o saldo do IRPJ também levando em consideração tais valores. A diligência fiscal retornou com os seguintes dados: Quesito "a" Informações sobre o desfecho do processo administrativo n° 13839.000543/0071. Extrato juntado As fls. 568/574 confirmam o encerramento do referido processo, bem assim a liquidação dos débitos nele indicados. Quesito "b" Informar sobre eventual saldo de crédito no processo administrativo n° 13839.000543/0071. Demonstrativo da compensação, considerando o valor do crédito de IRPJ/2000, de R$ 2.459.860,03, reconhecido pela DRF/Jundiai no processo administrativo n° 13839.000543/00 71, pelo Despacho Decisório às fls. 559/561, indica a insuficiência do crédito para a compensação de todos os débitos declarados. Além dos débitos compensados nesse processo, que era de conhecimento imediato da DRF/Jundiai, eis que de códigos diferentes de IRPJ,a empresa, em 2000, utilizou o mesmo crédito para a compensação de débitos de IRPJ, porquanto de mesma natureza, o fez sem processo, conforme indicado nos extratos das DCTF juntados As fls. 575/581. Quesito "c" Na eventual existência de crédito no processo 13839.000543/00 71, recalcular o saldo negativo do IRPJ discutido no presente processo. A resposta para o presente quesito fica prejudica em razão da informação prestada no item "b". Quesito "d" Confirmar a existência dos DARFs de R$ 58.187,09 e R$ 49.017,05. Esses dois pagamentos estão devidamente confirmados e alocados aos respectivos débitos, conforme indicado no extrato SIEF de fl. 325,porquanto foram considerados para a formação Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11020.000425/200510 Acórdão n.º 1401002.495 S1C4T1 Fl. 467 5 do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, conforme demonstrativo elaborado pela DRJ/Campinas às fls. 524/525. Vale ressaltar que tais pagamentos já haviam sido considerados pela DRF/Jundiai no Despacho Decisório, fls. 363 — item 6. Cientificado o contribuinte, não apresentou qualquer nova informação. Este é o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Independentemente da diligência realizada e da não confirmação de saldo suficiente para a homologação da presente compensação, temse que mesmo que a compensação ao final não seja integralmente homologada, a empresa será cobrada e executada do saldo de débitos não compensados. Este entendimento decorre do fato de a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte constituir em confissão de débitos, na forma das normas do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim, mesmo não homologada a compensação do débito da estimativa que compôs o crédito do processo, aquele débito será objeto de cobrança administrativa e/ou judicial. Por esta razão, impedir a utilização da estimativa em processo subsequente enquanto é mantida a cobrança do débito não compensado no processo anterior implicaria em prejuízo duplo ao contribuinte. Primeiro porque seria obrigado a pagar a estimativa não compensada integralmente. Segundo porque veria este valor não compensado ser excluído da composição do crédito. Assim, para evitar prejuízos ao contribuinte, haja vista que a ação de cobrança da Fazenda Nacional quanto à estimativa não compensada é perfeitamente legal, há de se admitir a utilização dos débitos de estimativa compensados em Declaração de Compensação, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, posto que o pressuposto é que os débitos deverão ser cobrados posteriormente, de modo a evitar prejuízos ao particular e encerrar a análise dos processos de compensação posteriores que, de outra forma, permaneceriam pendentes até a conclusão de todos os procedimentos de cobrança. Desta forma, sendo obrigatoriamente pagos os débitos naquele processo, as estimativas nele controladas devem ser consideradas para fins de composição dos créditos neste processo. Portanto, sendo a presente discussão relativa à não homologação ou homologação parcial das compensações que pretendiam quitar as estimativas, e sendo o saldo negativo não reconhecido composto destas estimativas, devese dar provimento ao recurso voluntário da Recorrente, para que, na composição do saldo negativo, sejam consideradas as estimativas, que foram confessadas através do pedido de compensação. Fl. 469DF CARF MF 6 Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando o acórdão recorrido, para que reste reconhecido, no saldo negativo, os valores das estimativas devidamente declaradas em compensações administrativas, independentemente de estas compensações terem sido homologadas ou não. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
