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Numero do processo: 10410.720183/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.997
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720183/201176 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.997 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente INDUSTRIA DE LATICINIOS PALMEIRA DOS INDIOS S/A ILPISA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 83 /2 01 1- 76 Fl. 59244DF CARF MF Processo nº 10410.720183/201176 Acórdão n.º 3401004.997 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59245DF CARF MF Processo nº 10410.720183/201176 Acórdão n.º 3401004.997 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59246DF CARF MF Processo nº 10410.720183/201176 Acórdão n.º 3401004.997 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59247DF CARF MF Processo nº 10410.720183/201176 Acórdão n.º 3401004.997 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59248DF CARF MF Processo nº 10410.720183/201176 Acórdão n.º 3401004.997 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59249DF CARF MF Processo nº 10410.720183/201176 Acórdão n.º 3401004.997 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59250DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.721384/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Para fins de exclusão do campo de incidência do ITR, a Área de Reserva Legal deve estar averbada à margem da escritura no registro do imóvel.
VALOR DA TERRA NUA. SIPT
Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim.
Numero da decisão: 2201-004.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Para fins de exclusão do campo de incidência do ITR, a Área de Reserva Legal deve estar averbada à margem da escritura no registro do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. SIPT Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 449 1 448 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.721384/200697 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.618 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria ITR Recorrente TRIUNFO AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Para fins de exclusão do campo de incidência do ITR, a Área de Reserva Legal deve estar averbada à margem da escritura no registro do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. SIPT Não tendo sido apresentado pelo contribuinte laudo técnico que ampare, inequivocamente, nos termos da legislação, os valores declarados, é correto o procedimento fiscal que arbitre o Valor da Terra Nua com base no Sistema de Preços de Terras desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 01301/00466/2006 (fl. 2 a 6), pela qual a autoridade administrativa lançou crédito tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 13 84 /2 00 6- 97 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 450 2 relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 218.128,51, com Multa de Ofício de R$ 163.596,38 e juros de mora de R$ 104.745,31 (calculados até 29/09/2006), perfazendo o total apurado de R$ 486.470,20. O lançamento é relativo ao exercício de 2003 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 4.696.0678. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte não comprovou, em sua totalidade, a isenção sobre a Área de Reserva Legal ARF. Conforme descrição dos fatos contida em fl. 3 e 4, o valor informado a este título em DITR e em ADA (13.738,7 ha) se mostra inferior ao efetivamente averbado à margem de sua matrícula no Cartório de Registro de Imóveis (8.830,75 ha). Razão pela qual foi glosada a diferença. Ainda no curso do procedimento fiscal, a Autoridade Administrativa não considerou o valor do VTN apontado pelo Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte, por concluir que este se mostrou imprestável para tal comprovação, já que foram identificadas inconsistências nos cálculos efetuados, em particular no que se refere à determinação do Fator de Homogeneização aplicado. Ciente do lançamento em 20/10/2006, conforme AR de fl. 37, inconformado, o contribuinte apresentou impugnação de fl. 10 a 29, na qual apresentou considerações e fundamentos legais que, no seu entendimento, amparariam o pedido de cancelamento do lançamento. Debruçada sobre o tema, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS exarou o Acórdão de fl. 53 a 65, em que concluiu, por unanimidade de votos, pela procedência total do lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONSTITUCIONALIDADE / LEGALIDADE. Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar argiiições de aspectos da constitucionalidade da lei. VALOR DA TERRA NUA. SIPT. Deve ser mantido o valor da terra nua adotado para fins de lançamento, com base no Sistema de Pregos de Terras, Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 451 3 quando não apresentado laudo técnico de avaliação, que atenda satisfatoriamente aos requisitos estabelecidos pela ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor da terra nua do imóvel. APLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. São cabíveis as cobranças da multa de oficio, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Ciente do Acórdão da DRJ em 10 de novembro de 2008, conforme AR de fl. 71, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 10 de dezembro de 2008 o Recurso Voluntário de fl. 75 a 88, no qual apresenta, em síntese, os mesmos pedidos já expressos em sede de impugnação, os quais serão melhor detalhados no curso do voto a seguir. Em 02 de dezembro de 2014, submetido ao crivo do Colegiado de 2ª Instância, o processo foi convertido em diligência para juntada de elementos que ampararam a atividade fiscal e que estavam contidos em outro processo administrativo, tudo nos termos da Resolução de fl. 95 e 96. Concluída a diligência, os autos retornam a este Conselho para prosseguimento. Novamente submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi, mais uma vez, convertido em diligência para que o contribuinte tivesse a oportunidade de esclarecer as aparentes inconsistências do Laudo de avaliação apontadas pela Autoridade Lançadora e detalhadas pelo voto condutor da Resolução de fl. 407 a 410. Intimado, em 30 de maio de 2007, para cumprimento da exigência no prazo de 30 dias, fl. 415 e 418, o contribuinte juntou, em 30 de junho de 2017, a petição de fl. 427, em que pleiteou a prorrogação do prazo para atendimento em mais 30 dias. Em 26 de fevereiro de 2018, foi exarado o despacho de fl. 443, em que a unidade responsável pela administração do tributo indefere o pedido de prorrogação, por entender que não seria necessária a elaboração de novo laudo e em razão de que o transcurso de prazo desde o pedido de prorrogação em muito ultrapassara os 30 dias requeridos. A ciência de tal despacho se deu em 19 de abril de 2018, conforme Termo de fl. 446. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 452 4 Do Valor da Terra Nua VTN Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte inicia seu Recurso apontando sua concordância em relação ao Valor da Terra Nua VTN arbitrado pela fiscalização, mas o faz apenas em relação aos exercícios de 2004 e 2005, mantendo no presente a discussão sobre esse tema. Ainda sobre o VTN, ressalta: Por confirmar entendimento de que o laudo de avaliação apresentado não atende os precisos termos da NBR 14.653 da ABNT, e o valor da terra nua não é o declarado pelo contribuinte, mas sim o encontrado com base no Sistema de Preços de Terra — SIPT da S.R.F., a decisão de primeiro grau merece reforma, afinal, por partir da premissa de que o laudo apresenta inconsistências, o mínimo esperado da autoridade fiscal é a buscar a verdade real, oportunizado ao contribuinte novo prazo para correção dos elementos apontados como inconsistentes. Ao analisar os motivos que levaram a fiscalização a desconsiderar o VTN apurado no Laudo de Avaliação apresentado, fl. 181 e seguintes, constatase que foram identificadas inconsistências nos cálculos efetuados pelo perito, em particular nos relacionados ao fator de homogeneização, que é o resultado da divisão entre a Nota Agronômica do imóvel avaliado pela Nota Agronômica da propriedade pesquisada. Refazendo tais cálculos apenas com as informações já disponíveis, notase que, de fato, o VTN unitário homogeneizado calculado pelo autor do Laudo de Avaliação, fl. 195 (Fig 1), mostrase bastante inferior ao apurado na planilha abaixo (Fig 2). (Fig 1) Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 453 5 (Fig 2). Nota Agronômica Fazenda Triunfo Nota Agronômica do elemento VTN unitário do elemento VTN unitário homogeneizado Elemento 1 (fl. 217) 0,5874 0,6376 409,18 376,96 Elemento 2 (fl. 226) 0,5874 0,5096 249,58 287,68 Elemento 3 (fl. 231) 0,5874 0,4929 323,58 385,62 Elemento 4 (fl. 239) 0,5874 0,57405 391,53 400,64 Elemento 5 (fl. 246) 0,5874 0,57405 360,00 368,37 Elemento 6 (fl. 250) 0,5874 0,9766 131,45 79,06 Elemento 7 (fl. 256) 0,5874 0,5987 131,20 128,72 Elemento 8 (fl. 263) 0,5874 0,5987 131,40 128,92 Elemento 9 (fl. 271) 0,5874 0,5987 131,72 129,23 Média Geral da Amostra 253,91 Limite Inferior 253,91 30% = 177,74 Limite Superior 253,91 + 30% = 330,09 Assim, considerando que o Laudo de Avaliação apresentado foi elaborado por profissional habilitado, com a devida anotação de responsabilidade técnica e com nível de detalhamento bastante satisfatório, é possível que as inconsistências apontadas decorram de alguma especificidade não identificada pela Fiscalização, pela DRJ ou por este Conselheiro. Por outro lado, pode ter ocorrido mero erro de cálculo que, se corrigido, não desclassifica a integralidade do trabalho efetuado. Vejamos a fundamentação legal para desconsideração do valor da terra nua declarado pelo contribuinte: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. A partir de tal previsão legal, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras SIPT, o qual é alimentado com os valores de terras recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas. Naturalmente, tratandose de valores médios, pode ocorrer alguma divergência, para mais ou para menos, de acordo com as peculiaridades de cada propriedade. Contudo, a comprovação dos valores declarados ou a adequação dos valores lançados pelo Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 454 6 fisco ao valor considerado adequado pelo proprietário do imóvel dependerá de apresentação de laudo devidamente formalizado para este fim. Naturalmente, o fato do VTN apontado pelo laudo mostrarse maior que o valor constante do SIPT não evidencia qualquer razão lógica para que consideremos este em detrimento daquele. Sendo certo de que, como preço médio, haverá propriedade com valores maiores e outras com valores menores, cabendo apenas à Receita Federal do Brasil, na esteira do que vem sendo decidido reiteradamente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, acatar o valores indicados em laudos formais apresentados pelo contribuinte relativo à data da ocorrência do fato gerador. Ocorre que o contribuinte foi devidamente instado a esclarecer as aparentes inconsistências do laudo apresentado ou, em sendo as mesmas confirmadas, corrigilas. Contudo, passado um ano da ciência de tais exigências, até este momento, nada foi juntado aos autos que pudessem afastar a conclusão da autoridade lançadora e julgadora de 1ª Instância sobre a imprestabilidade das conclusões de tal documento, que, como visto, apresentou falhas quanto aos elementos amostrais. Ademais, há de se considerar atendido o pedido de perícia formulado na peça recursal para apuração do Valor da Terra Nua, já que, a partir do laudo de avaliação apresentado, a segunda conversão do julgamento em diligência pretendeu exatamente oportunizar o contribuinte a apresentar suas considerações sobre as inconsistências que levaram a sua rejeição. Assim, neste tema, não há reparos a serem feitos no lançamento ou na decisão recorrida, já que deixou o contribuinte de apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional. Da Área de Reserva Legal Atesta o recorrente que a fundamentação da exigência contraria a disposição expressa contida no § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela Medida Provisória 2.16667/01, e que os Tribunais pátrios são unânimes em afastar a exigência de em declaração e/ou de averbação previa de reserva legal. Afirma que à Administração compete fazer aquilo que a lei determina e que, portanto, a DRJ deveria ter aproveitado percentuais definidos em lei de área de reserva legal ou de preservação permanente, em razão da definição legal de que 80% da propriedade rural situada na Amazônia Legal constituem ARL (art. 1, § 2, inciso VI e art. 16, incisos I e II, ambos da Lei n. 4.771/65). Alega que tal direito deriva de lei, sendo dispensada a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, a menos que a autoridade fiscal apurasse elementos fáticos, através de perícia, que demonstrassem a inexistência efetiva de área preservada declarada. Sustenta que a lei define e quantifica o que é reserva legal no caso em tela, o que seria suficiente gerar a consequência da exclusão da cobrança do Imposto Territorial Rural sobre parte de sua propriedade. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 455 7 Como se vê, o cerne dessa parte da lide administrativa é a glosa da área declarada a título de reserva legal, em particular por conta da falta de averbação contemporânea à ocorrência do fato gerador em tela. Já que houve alteração do valor averbado em outubro de 2003, que somente se aplicaria a partir do exercício de 2004. Assim, quanto ao tema, oportuno destacar a legislação correlata: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Grifouse. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifouse. A análise dos trechos normativos acima não deixa dúvidas de que a averbação da ARL à margem da matricula no registro de imóvel é obrigatória. Diferentemente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cujo tratamento pela legislação se mostra menos rigoroso, não havendo previsão para tal averbação. Ainda que haja previsão legal de que um percentual da propriedade rural seja mantido a título de Reserva Legal, se os demais requisitos (averbação junto à matrícula do imóvel) não foram demonstrados, não há que se falar em isenção fiscal sobre tais áreas. Do mesmo modo acontece com as áreas declaradas de interesse ecológico, para as quais não bastam meras alegações de que compõem área assim considerada, sendo indispensável que o contribuinte apresente declaração neste sentido de órgão competente federal ou estadual. Embora aos olhos menos atentos possam parecer despropositadas as exigências, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 456 8 ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA, sem o qual a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. Ainda que respeitáveis as conclusões jurisprudenciais expostas no Recurso Voluntário, as quais não vinculam a presente análise, entendo não assistir razão ao contribuinte ao afirmar que o simples fato do imóvel rural pertencer à Amazônia legal implicaria sua exclusão da base de cálculo do ITR. É de conhecimento amplo o ritmo frenético do desmatamento da Floresta Amazônica, sendo inimaginável admitir que todos os que lá estão, mesmo os que estão a destruir tal patrimônio natural, tivessem direito ao favor fiscal que, dentre outros, tem o nítido propósito de estimular a preservação do meio ambiente. Em seu Recurso, o recorrente alega que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigado a comprovar as informações declaradas, comprovação esta que caberia ao Agente Fiscal. Ora, tratase de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a Declaração, fato que já foi uma realidade em passado não muito recente. Portanto, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância que não acatou o pedido de exclusão da ARL pelo total declarado, já que apenas a parte que restou registrada junto à matrícula do imóvel na data da ocorrência do fato gerador, 01/01/2003, pode usufruir do favor fiscal. Inexistência de lançamentos distintos. Por fim o contribuinte registra que a Notificação de Lançamento não veio acompanhada de elementos exigidos pelo art. 9º do Decreto 70.235/72, que prevê que a exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade. Afirma que não ocorreram lançamentos distintos para cada penalidade, não tendo o Agente identificado qual é a parcela devida em razão da apuração da diferença da ARL e da parcela relativa ao VTN. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10880.721384/200697 Acórdão n.º 2201004.618 S2C2T1 Fl. 457 9 Tais argumentos não têm qualquer amparo legal, já que a legislação citada é clara ao prever que a exigência de crédito tributário deve ser apurada em autos distintos para cada imposto. E foi exatamente isto que fez a autoridade fiscal, apurando, em um mesmo lançamento, o valor do crédito tributário relativo ao ITR. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição dos fatos e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004082/2006-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS E/OU DECLARAÇÃO DO DÉBITO.
Após decisão do STJ, a existência de pagamento é requisito essencial para que a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN seja aplicada aos tributos cujo lançamento ocorra na modalidade homologação.
Demonstrado nos autos a existência de pagamento, o prazo decadencial é aquele contido no artigo 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS E/OU DECLARAÇÃO DO DÉBITO. Após decisão do STJ, a existência de pagamento é requisito essencial para que a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN seja aplicada aos tributos cujo lançamento ocorra na modalidade homologação. Demonstrado nos autos a existência de pagamento, o prazo decadencial é aquele contido no artigo 150, §4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 40 82 /2 00 6- 78 Fl. 1053DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase o presente de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão a quo, por meio do qual os membros do Colegiado acordaram em acolher a preliminar de decadência, com fulcro no art. 150 §4º, do CTN. Logo, a Fazenda objetiva discutir apenas a regra aplicável ao caso quanto ao prazo decadencial para o Fisco lançar tributos. Na origem, tratase de cobrança dos tributos federais devidos pela sistemática do SIMPLES, no anocalendário 2001. O lançamento fundamentase omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados nas contas correntes mantidas junto a instituições financeiras e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), do período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2001. A ciência do Contribuinte ocorreu em 03/10/2006. Após recebimento do Auto de Infração o Contribuinte regularmente apresentou impugnação. A DRJ, por seu turno, manteve integralmente o crédito tributário lançado. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, arguindo, dentre outros fundamentos, a decadência. No julgamento do Recurso Turma a quo acolheu a preliminar de decadência, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa; LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover O lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10935.004082/200678 Acórdão n.º 9101003.627 CSRFT1 Fl. 1.054 3 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPOSITO BANCÁRIO. Os valores creditados em conta bancária cuja origem nao foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e de ilegitimidade passiva e a colhe r a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2001 e, no mérito, negar provimento ao recurso. ausente, momentaneamente, o conselheiro Antonio Praga. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a decadência. O Recurso da Fazenda foi admitido, conforme despacho de admissibilidade. Em suas razões, alega, em suma: ü Na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; ü Esse posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões e Recurso Especial da parte do crédito mantida pela decisão a quo. Em suas contrarrazões o Contribuinte pede o não conhecimento pela não demonstração de similitude fática e, no mérito, o não provimento do Recurso e a manutenção da decisão recorrida. O Recurso especial do Contribuinte, por sua vez, não foi conhecido pelo despacho de admissibilidade e despacho de reexame. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. Não vislumbro a ausência de similitude fática. O que se trata em ambos os casos são de normas gerais de direito tributário. Logo, há identidade apenas por serem os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 1055DF CARF MF 4 No presente caso entendeuse que, independente da existência de pagamento, a contagem do prazo decadencial para tributos lançados por homologação deve ser feita com base no artigo 150, §4º, do CTN. Já o paradigma entendeu que na ausência de pagamento, o prazo decadencial para os tributos cujo lançamento seja por homologação é contado com base no artigo 173, I, do CTN. Portanto, conheço do Recurso da Fazenda. Passo à análise de mérito. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10935.004082/200678 Acórdão n.º 9101003.627 CSRFT1 Fl. 1.055 5 julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui informação suficiente para a averiguação da apuração do crédito tributário. Apenas discordo no sentido de que apenas declaração constitutiva equivale ao pagamento. Entendo que qualquer tipo de declaração, seja ela constitutiva ou apenas informativa, tem o condão de levar o prazo decadencial para a regra do § 4º, do artigo 150, do CTN. Isso porque, de posse da declaração informativa o fisco já possui a informação suficiente para efetuar a cobrança do crédito tributário. O que substancialmente difere a declaração constitutiva da declaração informativa é o órgão competente para cobrança no âmbito da administração pública deferal. Vale frisar que essa distinção não foi feita pelo STJ, que, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, com a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. A meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento, independente de ser a declaração informativa ou constitutiva. Fl. 1057DF CARF MF 6 Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. Sobre a preliminar de decadência, a Turma a quo assim decidiu: "Sobre decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, este Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que tal direito do Fisco é regulado pelo comando do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do Código, fato não cogitado na exigência sob exame. (...) Na linha de entendimento da jurisprudência referida, deve ser acolhida a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de setembro de 2001, tendo em vista a ciência do lançamento em outubro de 2006." Como se vê, a questão do pagamento, para fins de análise da regra decadencial a ser aplicada não foi levada em consideração para a tomada de decisão pela Turma a quo. Mas ainda que o fosse a decisão não seria diferente. Explico. Conforme efls. 674 dos presentes autos, em documento componente do auto de infração, denominado "Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta" é possível identificar a presença de duas colunas tratando das receitas. Na primeira coluna tem a receita bruta declarada e, na segunda coluna, a receita bruta omitida. Mais adiante, com início às efls. 676, encontrase o documento do Auto de Infração denominado "Demonstrativo De Apuração Dos Valores Não Recolhidos" é possível verificar, mês a mês, a cobrança da diferença de tributos. Nesse quadro é possível verificar todos os pagamentos efetuados. Desse último documento do Auto de Infração foi possível verificar que em todos os meses do anocalendário 2001 houve pagamento dos tributos. Nesse contexto, voto NEGAR provimento ao recurso da União. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10935.004082/200678 Acórdão n.º 9101003.627 CSRFT1 Fl. 1.056 7 É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1059DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002151/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICAS. DEIXAR DE DESCONTAR.
Caracteriza infração à legislação previdenciária deixar o adquirente de produtos rurais de arrecadar, mediante desconto, a contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial incidente sobre a comercialização da produção, independentemente dessas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física.
Numero da decisão: 2402-006.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialment do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÕES DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICAS. DEIXAR DE DESCONTAR. Caracteriza infração à legislação previdenciária deixar o adquirente de produtos rurais de arrecadar, mediante desconto, a contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial incidente sobre a comercialização da produção, independentemente dessas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 51 /2 00 9- 18 Fl. 121DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialment do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10670.002151/200918 Acórdão n.º 2402006.278 S2C4T2 Fl. 122 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 111/117, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 96/100, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4841. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal, tratase de débito no valor de R$ 1.329,18(um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), relativo a penalidade pecuniária por infração ao art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91, pelo fato do sujeito passivo não ter arrecadado, mediante desconto, a contribuição do produtor rural Anízio Antunes de Castilho incidente sobre os valores do leite que dele adquirido, nos valores discriminados às fls. 26. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado; bem como inexistência da infração apontada pela autoridade fiscal tendo em vista que o Município impugnante procedeu ao respectivo desconto das contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da mencionada produção rural, nos termos determinados na legislação." No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 113: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, aponta que, ao contrário do que contido no Relato Fiscal, a municipalidade teria efetuado os descontos ora em testilha, conforme dispõe a legislação em vigor. Desse modo, afirma que teria arrecadado a contribuição do produtor rural Sr. Anízio Fl. 123DF CARF MF 4 Antunes de Castilho, que seria incidente sobre os valores referentes à compras de leite efetuadas pelo município. Com isso, afia que a penalidade pecuniária guerreada, cravada no art. 30, inc. IV da Lei 8.212/91 não deveria existir. Aponta, uma vez mais, que a falta de fundamentação, conforme lançada, limitou o trabalho a ser realizado, não podendo ser mantido. Requer, portanto, que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10670.002151/200918 Acórdão n.º 2402006.278 S2C4T2 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 37.228.4841 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic).(fls. 84) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." e que "resta indubitável que o exprefeito, por não ter observado o disposto no art. 30, inc. IV da Lei n°. 8.212/91 admitiu para si, ora, a responsabilidade pessoal da infração imputada ao Município, agindo de maneira ímproba." (Fls. 113/115) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 125DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAT, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ex positis, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso. 2. MÉRITO. No mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico. Isto posto adotaremos parte da decisão recorrida, eis que não há inovações, alegações ou provas, em âmbito recursal que imponham análise e resultado diverso do julgamento já proferido na instancia de piso. A penalidade pecuniária lançada nestes autos decorreu do fato de o sujeito passivo ter descumprido a obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV da Lei 8.212/91, uma vez que deixou de arrecadar, mediante desconto, a contribuição do 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10670.002151/200918 Acórdão n.º 2402006.278 S2C4T2 Fl. 124 7 produtor rural pessoa fisica Anízio Antunes de Castilho incidente sobre a comercialização do leite dele adquirido pelo Município autuado. A defesa apresenta alegação genérica de que procedeu aos descontos das contribuições devidas de acordo com a legislação, sem, entretanto, apresentar provas de que o Município efetuou os referidos descontos. Isto posto e considerando que, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, o argumento da defendente não pode ser acolhido. Assim, os fatos que ensejaram a autuação caracterizaram à já apontada infração, dando lugar à aplicação da penalidade pecuniária lançada e apurada corretamente segundo os artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 combinados com art. 283, "caput" e parágrafo 3° e art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de o 06/05/1999. Logo, não há como acolher os inconformismos da Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720611/2017-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PEDIDO DE ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Necessária a devida fundamentação fática e legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEPENDENTE SEM COMPROVAÇÃO LEGAL. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS.
Considera-se reconhecido o crédito tributário para matérias com aceitação do recorrente ou que não tenham sido objeto de contestação expressa na peça recursal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Falta de declaração ou declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2001-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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Necessária a devida fundamentação fática e legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEPENDENTE SEM COMPROVAÇÃO LEGAL. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Considerase reconhecido o crédito tributário para matérias com aceitação do recorrente ou que não tenham sido objeto de contestação expressa na peça recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Falta de declaração ou declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 06 11 /2 01 7- 33 Fl. 110DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas, Dependentes, Dedução de Incentivo e Omissão de Rendimentos. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 17.098,03, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente promoveu dedução do imposto por despesas médicas incorridas por pessoas não dependentes legalmente, dedução de incentivo para previdência privada e omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à despesas sem comprovação ou sem amparo legal para utilização como despesas dedutíveis e omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual em desatendimento à legislação tributária, como segue: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), foi lavrada, em 06/02/2017, a Notificação de Lançamento às fls. 14, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário de 2013, na qual foi apurado IRPF/2014 Suplementar de R$ 17.098,03, multa de oficio e juros mora, valor do crédito tributário apurado em 24/02/2017 de R$ 35.905,86. (...) A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Desta forma, cabe ao impugnante trazer aos autos documentos e elementos que façam prova cabal da despesa deduzida na declaração de ajuste anual nos moldes previstos na legislação do imposto de renda. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10730.720611/201733 Acórdão n.º 2001000.429 S2C0T1 Fl. 111 3 A presente lide trata da omissão de rendimentos com base nas informações prestadas nas DIRF, despesas médicas, contribuição à previdência privada e dependente. Observase do demonstrativo elaborado pela interessada, às fls. 11 da impugnação e transcrita no relatório, que aceitou parcialmente omissão de rendimentos no valor de R$ 20.529,90. Portanto, a lide em relação à omissão de rendimentos, é de R$ 18.818,58, referente a fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166. No que diz respeito as glosas das deduções no valor de R$ 20.280,71, constante do demonstrativo de apuração de imposto devido fls. 21, foi acatado pela contribuinte em demonstrativo de apuração elaborado às fls. 11. Ademais, não foi juntados aos autos, documentos que comprovassem as deduções pleiteadas, para análise do julgamento da lide. Portanto, foram acatadas pela interessada, não havendo litígio em relação às glosas das deduções, objeto da Notificação de Lançamento 2014/95170862813648. Quanto à glosa da Dedução de Incentivo no valor de R$ 700,00, de conformidade com o demonstrativo de fls. 11, não constam documentos que comprove a dedução nos termos prescrito pela legislação. Ademais, foi aceito pela interessada quando da apuração do imposto devido pela contribuinte às fls. 11. Portanto, matéria não contestada. Concluindo a análise da contestação, a interessada, não aceitou apenas a omissão de rendimentos, no valor de R$ 18.818,58, referente a fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166, as demais alterações procedidas pela autoridade fiscal, foram acatadas conforme consta do demonstrativo de fls. 11 elaborado pela mesma. Inclusive o crédito tributário referente as matérias não impugnadas, tornase definitiva na esfera administrativa, de acordo com o Decreto n 70.235/72; Quanto à parcela da omissão de rendimentos no valor R$ 18.818,58, referente a fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166, parte da lide impugnada será analisada no presente voto. De conformidade com as informações prestadas em sua DIRPF/2014, consta que foi oferecido à tributação fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166, apenas o valor de R$ 31.231,02, conforme transcrição da referida declaração. Entretanto, a referida fonte pagadora informou os seguintes valor R$ 29.520,24, como rendimentos tributáveis e R$ 20.529,36, referente a parcelas mensais de isentas do imposto de renda por ser a contribuinte aposentada e maior de 65 anos. Fl. 112DF CARF MF 4 E a isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de declarante com 65 anos ou mais, teve seu limite estabelecido em lei, conforme o art. 4, VI, da Lei 9.250/95, com redação dada pela Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) VI a quantia de R$ 1.058,00 (um mil e cinquenta e oito reais), correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade. Importante ressaltar o que determina a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, relativamente à parcela isenta de aposentadoria ou pensão, em seu art. 52: “Art.52. No caso de recebimento de uma ou mais aposentadorias ou pensões pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a contribuinte com 65 anos de idade ou mais, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais. Parágrafo único. O limite anual representa a soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar 65 anos de idade até o término do anocalendário”. Assim, depreendese dos comandos normativos os seguintes requisitos e condições para usufruir a isenção em análise: a) os rendimentos devem ser originados de aposentadoria ou pensão; b) o contribuinte deve completar 65 anos; c) a parcela de isenção pode ser computada somente uma vez, mesmo no caso de recebimento de mais de um rendimento. (...) No presente caso, a contribuinte recebe aposentadoria e ou pensão de 03 (três) fontes pagadoras: 00.394.460/001113#111.674,00#9.079,00#18.726,00#10.584,00 28.538.734/000148# 42.838,89# 4.587,29# 1.103,72# 2.886,00 42.498.634/000166# 31.231,02# 0,00# 0,00 # 0,00 Como são fontes pagadoras distintas cada uma considera a parcela isenta, por ser a contribuinte, aposentada ou pensionista maior de 65 anos. Entretanto, a legislação permite apenas isenção de uma fonte pagadora. (...) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10730.720611/201733 Acórdão n.º 2001000.429 S2C0T1 Fl. 112 5 Portanto, o total pago a contribuinte pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, foi de R$ 20.529,36 mais R$ 29.520,24, total de R$ 50.049,60. Entretanto, a contribuinte informou em sua declaração de ajuste tão somente o valor de R$ 31.231,02. Assim sendo, foi declarado a menor o valor de R$ 18.818,58. apurado pela autoridade fiscal. Assim sendo, é de manter a omissão de rendimentos apurado na Notificação de Lançamento. (...) Por fim, cabe afirmar que não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, foram observados na ocasião da lavratura da notificação, verbis: (...) O lançamento revestiuse de todas as formalidades para sua validade, quais sejam: determinação do montante devido; a identificação do sujeito passivo; a proposição da penalidade aplicável cabível; a lavratura por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal), com atribuições legais para tal fim, tudo exposto às fls. 16/21 da presente notificação. Nesse contexto, no caso concreto, não há que se falar em nulidade da presente notificação, uma vez que a Autoridade Fiscal seguiu o que determina a legislação. Por fim, em se tratando do pedido de parcelamento feito pelo sujeito passivo, em sua peça impugnatória, devemos ressaltar ao contribuinte que não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar pedido de parcelamento, posto que tal competência não se encontra dentre aquelas determinadas pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, a qual trata do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Ante ao exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, MANTER o na integra a Notificação de Lançamento. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 17.098,03, referente à omissão de rendimentos como parte do que foi contestado do lançamento, mais as matérias não contestadas referente ao crédito tributário lançado, todos a serem acrescidos de multas e juros nos termos da legislação tributária. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: INICIALMENTE – Da nulidade do Ofício de Lançamento Fiscal Fl. 114DF CARF MF 6 Aqui, primeiro, antes de ingressar na matéria de direito, requer a recorrente alegar questão ponderosa que, data vênia, deve ser decidida antes de se apreciar o mérito propriamente dito deste instrumento recursal. Dito isto, temse que o artigo 11, do Decreto nº 70.235/72, inciso II, estabelece que o valor do crédito tributário deve constar do documento de lançamento) notificação. O legislador ao editar tal obrigação, assim como o fez com relação à CDA narrada nos artigos 202, II e III do CTN, desejou dar transparência à exação suplementar decorrente da atividade revisional de ofício exercida pelo fisco, de modo que não pairem dúvidas a respeito da tributação pendente (ocasionalmente) ainda devida pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Dessa maneira, não é aceitável que haja qualquer falha no aludido orçamento, de modo que seja vista como infeliz em desvalorização da credibilidade e solidez desta conta qualquer equívoco em sua formatação, circunstâncias que gera insegurança e exercício tributário de cobrança sem parâmetro ou baliza legal e atuarial. MÉRITO Em que pese a inteligência julgadora emitida pela prodigiosa relatora responsável por este julgamento, conclusão jurisdicional administrativa esta que foi acompanhada na integra pelos integrantes da d. 1ª Turma da DRJ/REC, mas a decisão proferida no julgamento da presente contestação da notificação de lançamento fiscal não está correta, considerandose a integralidade do substrato fático que envolve à relação jurídica tributária estabelecida entre as partes, e, maiormente, em virtude da existência de decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 2002.5102.005.9225, julgada pela 3ª Vara Federal de Niterói/RJ, em que a autora objetivou, com êxito, que a Fazenda se abstivesse da cobrança de imposto de renda sobre os valores do benefício de aposentadoria complementar recebido pela ora recorrente segundo se passa a expor. (...) Dáse, contudo, que a impugnante, ora recorrente, utilizouse deste mecanismos de impugnação para contrariar o lançamento fiscal inerente ao tópico em que este órgão Fiscal afirma que houve omissão de rendimentos, este, por sua vez, inerente à fonte pagadora Rio Previdência – Secretaria de Estado do Planejamento e Gestão (CNPJ 42.498.634/000166), cujos valores não informados equivaleriam ao crédito asseverado como omitido de R$ 18.818,58 (dezoito mil e oitocentos e dezoito reais e cinquenta e oito), parcela referente a crédito/rendimento tributário dito como percebido, já que o abatimento inerente aos proventos de inatividade/aposentadoria de declarante com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais na data do fato gerador/informação, condizente ao DIRPF/DAA, já havia sito utilizado pela contribuinte em relação a outra renda, fato que impediria tal utilização também em face desse rendimento. Entretanto, ao contrário disso, verificase que o rendimento afirmado como excluído da DIRPF, em verdade, está com sua exigência fiscal suspensa por força da decisão judicial proferida nos autos da ação Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10730.720611/201733 Acórdão n.º 2001000.429 S2C0T1 Fl. 113 7 ordinária nº 000592279.2002.4.02.5102 (documento em anexo), em trâmite perante a 3ª Vara Federal de Niterói/RJ. (...) Da Não Observância Da Prova Apresentada No Termo de Recepção de Requerimento Inerente a Intimação Fiscal nº2014/715807427932750 – Atendimento À Intimação nº 2014/010300180428 No bojo do julgamento do v. Acórdão nº 1157502, informam os judicantes que a contribuinte não fez juntar aos autos qualquer documento que comprove suas alegações, nem mesmo a respeito dos fatos que eventualmente não tenham sido isoladamente impugnados. Ocorre que tal afirmativa não é crível, eis que a contribuinte, à luz da Intimação Fiscal nº2014/715807427932750 – Atendimento À Intimação nº 2014/010300180428 – apresentou um rol extenso de documentos que, com efeito, comprovam suas alegações e, por certo, deveriam influir no julgamento desta impugnação. (...) A autora é uma das partes que compõem o litisconsórcio (polo) ativo da presente demanda, tendo se beneficiado da decisão judicial que ordena a suspensão da exigibilidade da obrigação tributária em face d presente renda, conforme pode ser atestado, também, pelas informações complementares presentes no comprovante de rendimento pago e de retenção de imposto de renda na fonte alusivo ao provento e aposentadoria ora questionado (Rio Previdência – Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.534/000166, DEPRO 04071270). Segundo redigido no documento oficial retro citado (anexo), a renda alegada pela SRFB como omitida dos rendimentos oficiais da autora está com sua exigibilidade fiscal integralmente suspensa, e, quanto a parte do rendimento que teria sido destinada à isenção determinada no artigo 6º, XV, da Lei 7.713/88 (artigo 4º, VI da Lei 9.250/95 e artigo 52 da IN da RFB nº 15 de FEV/2001), esta, por corolário lógico, também está com sua exigibilidade suspensa quando não utilizada neste sentido – não consideração como rendimento tributável – tendo em vista a cláusula ou regra do acessório segue o destino do principal. Os valores da renda Rio Previdência Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.534/000166, DEPRO 040712 70, percebida pela ora recorrente, consiste, além do principal (rendimento com exigibilidade suspensa apurada no valor de R$ 52.930,92), em bem acessório, correspondente ao valor de R$ 22.240,14 (que, subtraída a parcela inerente ao décimo terceiro não tributável), que é igual ao montante dito como omitido pela sujeita passiva da obrigação tributária os operação de subtração (R$ 18.818,58). Sobrevém que como bem acessório (e a parcela suso é acessória justamente porque se supõe para sua essência a existência do Fl. 116DF CARF MF 8 rendimento total, cuja parcela migrou para efeito de comprimento da lei que concede isenção fiscal aos aposentados com idade de 65 anos), o valor alegado pelo fisco como omitido da DIRPF/DAA deve seguir a mesma sorte do seu principal, o que, em se tratando de exação fiscal, deve ser considerado para todo o rendimento da recorrente, como uma parcela de rendimento integra, independente do valor ou da característica que lhe der á lei, já que no presente caso “ambas” (o rendimento total atinente da aposentadoria Rio Previdência Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.534/000166, DEPRO 04071270) os rendimentos estão com sua exigibilidade suspensa em virtude de decisão judicial vigente que assim ordenou. (...) Frente às razões alocadas acima, já que resta cristalino pelos fundamentos lavrados acima que a exigibilidade do crédito tributário atinente à renda Rio Previdência – Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.634/000166, DEPRO 040712 70, encontrase com a exigibilidade fiscal suspensa por força de decisão proferida em autos de ação ordinária declaratória de inexistência de obrigação tributária cumulada com repetição de indébito tributário (decisões carreada a esse recurso), requer seja o presente recurso provido para, de tal modo, ser considerado inoportuna à afirmação de omissão de rendimento apurada no valor de R$ 18.818,58 em desfavor da sujeita passiva, e, assim, ser declarada a falha da notificação de lançamento fiscal atribuída a ora recorrente (2014/951708628136348), tudo na forma das razões jurídicas e fáticas posta no bojo deste remédio recursal. Ex positis, requerse o recebimento deste instrumento de reclame , e, após a sua análise revisional, pugna a recorrente seja este expediente recursal, forte no disposto no Decreto nº 70.235/72 e, sobremaneira, com estribo na disciplina e interpretação dos valores e das normas fundamentais estabelecidas na Constituição da República Federativa do Brasil provido, para que ao ato de cobrança exercitado pela SRFB seja anulado, ut argumentos deflagrados no tópico “3” deste recurso voluntário e, não sendo essa a definição dada, ... seja avaliada como imprópria para o fim a que se destina esta r. decisão, tendo em vista que segue demonstrada a insubsistência, impertinência e, assim, a improcedência parcial/relativa da notificação de lançamento fiscal deflagrada pela SRFB, ora novamente atacada, o que impõe o cancelamento do débito fiscal ali constante, por força do provimento deste recurso que ora se espera, tudo conforme fundamentação supra. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso deve ser conhecido. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10730.720611/201733 Acórdão n.º 2001000.429 S2C0T1 Fl. 114 9 A Recorrente alega em sua defesa que deve ser considerada a nulidade do lançamento dizendo ser inaceitável qualquer falha na constituição do crédito tributário que lhe retire a solidez. Contudo, a alegação é genérica e não aponta objetivamente nenhum vício ou erro que por ventura tivesse ocorrido na feitura do lançamento. Acrescentese que o Lançamento é claro na sua fundamentação, contendo os elementos exigidos no CTN para sua constituição, razão inclusive da exposição dos fatos que permitiu a discordância da Recorrente na peça de defesa. Assim sendo, razão não há para nulidade do lançamento contestado. DO MÉRITO O que se evidencia no processo é que a Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda por despesas médicas incorridas com pessoas não dependentes legalmente para efeito tributário, dedução de incentivo fiscal sem a devida comprovação e omissão de recita por informação incorreta na apuração do ajuste anual do imposto sobre a renda. Porém, a lide, neste grau de recurso, trata exclusivamente da omissão de rendimentos detectada na ocasião da lavratura do lançamento, o que está apontado na decisão de piso, nos seguintes termos; Concluindo a análise da contestação, a interessada, não aceitou apenas a omissão de rendimentos, no valor de R$ 18.818,58, referente a fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166, as demais alterações procedidas pela autoridade fiscal, foram acatadas conforme consta do demonstrativo de fls. 11 elaborado pela mesma. Inclusive o crédito tributário referente as matérias não impugnadas, tornase definitiva na esfera administrativa, de acordo com o Decreto n 70.235/72; O mesmo direcionamento da lide é dado pela parte Recorrente em sua defesa quando aborda como tema de contestação somente o item 1, daqueles elementos levantados pelo Fisco como irregulares na redução do imposto a pagar, como segue: Omissão de Rendimentos Excedentes ao Limite de Isenção pra Declarantes com 65 anos ou Mais – Fonte Pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão – CNPJ 42.498.634/000156 – Rendimento Recebido R$ 50.049,60 Rendimento Declarado R$ 31.231,02 – Rendimento Omitido 18.818,58 (É AQUI O PONTO DE CONFRONTO DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO); Enquadramento Legal artigo 1º a 3º e §§6º, inciso VI, 8º, §§1º, 28 da Lei 9.250/95, artigo 1º, 2º e 15 da Lei 10.451/2002, artigo 43, inciso XII, do Decreto 3.000/1999RIR; O comprovante anexado ao processo fl. 24, ao final do documento da fonte pagadora Governo do Estado do Rio de Janeiro, CNPJ 42.498.634/000166, em favor de Zilah Nogueira, CPF 512.178.21791, no valor total de R$ 52.930,92, consta a seguinte observação: “OBS: Na declaração, considerar a diferença entre os rendimentos tributáveis e o valor sub judice bem como a diferença entre o imposto de renda retido e o imposto de renda sub judice. Rio de Janeiro, 13/03/2014.”. Fl. 118DF CARF MF 10 Ocorre que não há separação de valores que identifique o que está ou não sub judice no documento apresentado, assim como não há comprovação que aclare tal separação de valor em situação de exigibilidade suspensa na tributação de rendimentos em tramitação no judiciário. Além disso, há discrepância de valores entre o que é informado na declaração de ajuste e a informação constante na DIRF emitida pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro. O órgão estadual informa na DIRF um valor de R$ 29.529,36 mais R$ 29.520,24, num total de R$ 50.049,60, no entanto a Contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual somente o valor de R$ 31.231,02. Assim sendo, ficou constatada uma diferença de R$ 18.818,58, o que foi classificado pelo Fisco como omissão de rendimento praticada no anocalendário de 2014, exercício de 2015. Por fim, em que pese a existência de demanda judicial sobre a inexigibilidade tributária de determinada parte dos rendimentos da fonte pagadora identificada com o CNPJ 42.498.634/000166, referida ação não transitou em julgado, fato que não impede o lançamento, até mesmo por não ficou comprovado pela Recorrente tratarse do mesmo rendimento. A Recorrente apresentou texto da decisão judicial para não tributação de parte dos rendimentos definidos como “benefício complementar pago pela entidade de previdência privada, correspondente às contribuições recolhidas pelos autores no período de 01.01.1989 a 31.12.1995”. Contudo, inexiste colisão da feitura do Lançamento com a exigibilidade suspensa por força da decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 0005922 79.2002.4.02.5102, vez que não há trânsito em julgado da matéria que exclua definitivamente a tributação da matéria em lide. Assim que, no exame do processo constatase a omissão de rendimentos no valor de R$ 18.818,58, mais as glosas de despesas não contestadas pela Recorrente, o que resulta no montante do crédito tributário final de R$ 17.098,03, pelas razões expostas na decisão de piso, conforme conclusão do voto constante do Acórdão ora vergastado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do Acórdão contestado pela mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar apontado no Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002611/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 Ementa: AUTUAÇÃO FISCAL. NOTAS FISCAIS OBTIDAS DE CLIENTES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Sendo o fundamento do lançamento a suposta omissão de receitas verificada com base em notas fiscais emitidas pela própria contribuinte (devidamente discriminadas no AI), a sua não apresentação ao contribuinte antes da lavratura do auto de infração não importa em cerceamento ao direito de defesa, uma vez que, estando elas devidamente acostadas aos autos do PAF, perfeitamente possível seria o seu acesso quando da pretensão de confecção das peças de impugnação ou de recurso respectivo. OMISSÃO DE RECEITAS. ALTERAÇÃO DO CFOP’S NOS RESPECTIVOS REGISTROS CONTÁBEIS. DOLO COMPROVADO. Estando perfeitamente configurada a hipótese dolosa na prática adotada pela contribuinte, regular se verifica a qualificação da penalidade aplicada, nos termos destacados no lançamento efetivado.
Numero da decisão: 1301-000.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 Ementa: AUTUAÇÃO FISCAL. NOTAS FISCAIS OBTIDAS DE CLIENTES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Sendo o fundamento do lançamento a suposta omissão de receitas verificada com base em notas fiscais emitidas pela própria contribuinte (devidamente discriminadas no AI), a sua não apresentação ao contribuinte antes da lavratura do auto de infração não importa em cerceamento ao direito de defesa, uma vez que, estando elas devidamente acostadas aos autos do PAF, perfeitamente possível seria o seu acesso quando da pretensão de confecção das peças de impugnação ou de recurso respectivo. OMISSÃO DE RECEITAS. ALTERAÇÃO DO CFOP’S NOS RESPECTIVOS REGISTROS CONTÁBEIS. DOLO COMPROVADO. Estando perfeitamente configurada a hipótese dolosa na prática adotada pela contribuinte, regular se verifica a qualificação da penalidade aplicada, nos termos destacados no lançamento efetivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. (Assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Por bem descrever a situação contida nos autos, adoto o relatório apresentado na r. decisão recorrida, que assim bem destaca: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 10/10/2007 (fls. 267, 272, 277, 282 e 287), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o PIS, à COFINS, à CSLL, à Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em outubro, novembro e dezembro de 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, nos demonstrativos anexos e no Termo de Verificação Fiscal n° 001 (fls. 253 a 260), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas pela falta de declaração e conseqüente oferecimento à tributação de receitas com vendas de mercadorias constatada em circularização nas duas principais empresas clientes da fiscalizada, relacionadas no primeiro quadro de fl. 254, pela qual se observou que a autuada escriturou no Livro Registro de Saídas de Mercadorias (original às fls. 204 a 238) as oito notas fiscais descritas no segundo quadro de fl. 254 com o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) incorreto; 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 261 a 263. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 267 a 269) com base nos artigos 186, 188 e 199 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR11999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 111 1996, e Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002611/200703 Acórdão n.º 1301000.928 S1C3T1 Fl. 2 3 3 0 da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário calculado até 28/09/2007 no montante de R$3.324,17; 3.2. PIS (fls. 272 a 274) com base no artigo 3°, alínea "h" da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$3.324,17; 3.3. CSLL (fls. 277 a 279) com base nos artigos 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "c", 5 0, 70, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$5.114,12; 3.4. COFINS (fls. 282 a 284) com base nos artigos 1° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2°, § 2°, 3°, § 1 0, alínea "d", 5°, 7 0, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$10.228,31; e 3.5. Contribuição para a Seguridade Social INSS (fls. 287 a 289) com base nos artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "f", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$17.791,30. 4. Sobre a parcela dos tributos lançados decorrente das receitas omitidas foi aplicada multa de oficio qualificada (150%), com fulcro no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 e, sobre a parcela dos tributos lançados decorrente da insuficiência de recolhimento foi aplicada a multa de ofício regular (75%) com base no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 combinado com o artigo 19 da Lei n°9.317/1996 (fls. 265, 270, 275, 280 e 285). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996 (fls. 265, 270, 275, 280 e 285). 5. Irresignada com os lançamentos, em 06 de novembro de 2007, a contribuinte apresentou, representada por procurador (fls. 314 a 321), a impugnação de fls. 296 a 314, acompanhada dos documentos que comprovam a representação (fls. 315 a 321), na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. as premissas fáticas da autuação, cujo ônus de prova é da fiscalização, não foram por esta comprovadas, já que os valores "declarados pela impugnante em DARF único — SIMPLES foram resultantes das efetivas vendas ocorridas no seu estabelecimento, não prevalecendo os valores apontados na acusação fiscal", sendo, desta forma, nulo o auto de infração; 5.2. não é possível identificar no auto de infração como a fiscalização chegou às diferenças não declaradas nos importes de R$22.216,32, R$11.537,22 e R$26.320,90, respectivamente nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, pois "todas as operações se • encontram devidamente registradas nos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Livros da empresa e constam respectivamente os valores apurados e declarados"; 5.3. há cerceamento de defesa, já que não foram entregues à contribuinte uma via das notas fiscais que a fiscalização recebeu dos clientes intimados nas quais foram constatadas escriturações com o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) incorretas; 5.4. apesar de o auditor fiscal ter apurado CFOP lançados em seu entendimento de forma errada pela contribuinte, apurou novo total de vendas sem demonstrar como chegou à diferença apurada; 5.5 como a fiscalização não solicitou aos clientes informações sobre a forma de pagamento e a data do efetivo pagamento das compras efetuadas, a mesma fiscalização não poderia computar o valor das vendas na base de cálculo dos tributos referentes ao período de outubro a dezembro de 2004, já que a vendagem da empresa na maioria das vezes se opera com pagamento a prazo; 5.6. "a planilha apresentada pela fiscalização demonstra que os valores das notas foram devidamente escriturados no livro registro de saídas da defendente, não havendo que se falar em diferença no recolhimento" e diferença apurada com base no CFOP não pode servir para realização do lançamento; 5.7. é inaplicável a multa de 150%, pois o inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, enquadramento legal utilizado nos autos de infração, prevê multa de 50%; 5.8. também é incabível a aplicação da multa de 75%, pois, além de a fiscalização não ter comprovado efetivamente que ocorreram as vendas, é excessiva, desproporcional, desnecessária em período de inflação baixa e ofende a vedação constitucional ao confisco e aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, conforme jurisprudência judicial transcrita; 5.9. ainda que os tributos não houvessem sido recolhidos, diante das disposições dos artigos 106 e 112 do CTN que determinam a aplicação de lei mais benéfica, deveria ser aplicado no presente caso o artigo 59 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991,que prescreve que os tributos e contribuições que não forem pagos até a data do vencimento ficam sujeitos à multa de mora de vinte por cento; 5.10. a cobrança de juros de mora tributários com base na Taxa Selic é ilegal, devendo esta ser substituída pela taxa de 1% ao mês prevista no artigo 161 do CTN, já que têm natureza remuneratória de capital investido na compra e venda de títulos públicos e não moratória de tributos pagos em atraso, e é inconstitucional por ofensa ao artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, pois não foi criada por lei, mas apenas por Circulares e Resolução do Banco Central, o que representa aumento de tributo sem lei que o estabeleça (princípio da legalidade); 5.11. a cobrança de juros de mora tributários com base na Taxa Selic também é inconstitucional por ofensa ao § 3° do artigo 192 da Constituição Federal que define 12% como limite máximo dos juros; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002611/200703 Acórdão n.º 1301000.928 S1C3T1 Fl. 3 5 5.12. a capitalização de juros configura enriquecimento indevido por parte do Fisco por desrespeitar o artigo 4° do Decreto n° 22.626/1933 e a Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal; 5.13. requer a produção de todas as provas admitidas em direito, como a juntada de novos documentos e especialmente a realização de perícia contábil para se verificar a correção dos valores apurados pela autoridade fiscal. Analisando os termos da impugnação apresentada, bem como, os elementos que instruem a autuação apresentada, conclui a douta autoridade julgadora de origem pela rejeição dos argumentos apresentados pela autuada, apontando, assim, a procedência do lançamento, em acórdão que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004,31/12/2004 DOCUMENTOS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. JUSTIFICATIVAS. QUESITOS. APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário e as justificativas e quesitos que embasam pedido de diligência ou perícia devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. INFRAÇÃO ATRIBUÍDA. CIÊNCIA E DESCRIÇÃO CLARA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A ciência à contribuinte de auto de infração acompanhado de Termo de Verificação Fiscal que descreve claramente a infração que lhe é atribuída e a inexistência de fato que impeça a autuada de se defender plenamente afastam a caracterização de preterição do direito de defesa e ofensa aos princípios constitucionais do devido processo, contraditório e ampla defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DE OFICIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de oficio é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Lançamento Procedente Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão proferida, conforme AR recebido no dia 30/10/2009 (fls. 346), apresenta então a contribuinte o seu respectivo RECURSO VOLUNTÁRIO, no dia 18/11/2009, repisando todos os argumentos trazidos em sua impugnação, o que, em rápida síntese, assim pode ser sumarizado: i) A nulidade da autuação em decorrência do cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o inválido “arbritramento” de receitas apontadas (CFOP); Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 ii) A invalidade da autuação, tendo em vista a não apresentação ao contribuinte, no ato da lavratura do auto, das cópias das notas fiscais utilizadas como base para o lançamento da suposta omissão de receitas; iii) Ausência de apontamento, pela fiscalização, dos respectivos pagamentos supostamente efetivados pelos clientes, o que, segundo entende, seria relevante para a apuração do montante devido, tendo em vista que suas vendas, por maioria, são realizadas a prazo; iv) Invalidade da imputação da multa no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), entendendo como somente possível a aplicação da multa de 20% (vinte por cento), com base nas disposições do Art. 59 da Lei 8.383/91; v) Invalidade da aplicação da Taxa SELIC, pugnando pela aplicação máxima no percentual de 1% (um por cento) ao mês, seja por força das disposições do Art. 161 do CTN, ou, ainda, pelas disposições do parágrafo 3o do Art. 192 da CF/88, não sendo admitida, também por isso, a sua aplicação capitalizada; Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Sendo tempestivo o recurso voluntário apresentado, e, cumprindo ele todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, dele conheço. Da análise sumária da realidade fática da autuação Antes de pretender qualquer manifestação quanto ao debate empreendido nos presentes autos, cumpre analisar, especificamente, quais seriam, de fato, os fundamentos fáticos que lastreiam a autuação, buscandose então, a partir daí, a efetiva configuração jurídica aplicável à espécie. Analisando as informações contidas no Termo de Verificação Fiscal, apensado ao Auto de Infração referenciado, verificase que, após devidamente intimada a contribuinte da abertura do procedimento fiscal respectivo, foi então requerida a apresentação de seus respectivos livros contábeis, buscandose, assim, a verificação da regularidade de seus procedimentos. De posse da documentação ofertada, identificando os principais clientes da empresa fiscalizada (Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda e Irmãos Parazzi Ltda), a fiscalização promoveu a sua notificação que apresentassem “declaração contendo informações (n° da nota fiscal, data da emissão, código CFOP, valor da NF) de todos as compras efetuadas à fiscalizada no AC de 2004, bem como informar a forma de pagamento e a data do efetivo pagamento dessas compras. Solicitamos também cópias autenticadas pela própria empresa de todas as notas fiscais emitidas pelo contribuinte em questão referentes às compras por ela realizada”. A partir desses procedimentos, e, promovendo o cotejo entre os registros mantidos pela contribuinte e as informações prestadas pelas empresas clientes apontadas, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002611/200703 Acórdão n.º 1301000.928 S1C3T1 Fl. 4 7 concluiu então a fiscalização pela existência de incorreção das informações contidas no Livro de Registros de Saída de Mercadorias, especificamente em relação à escrituração dos respectivos Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP das notas fiscais relacionadas, havendo registro do CFOP no 5.949 (Outra saida merc. ou prest. serv. nao especificado), quando o correto deveria ser o CFOP no 5124 (Ind. efetuada p/ outra empresa). Com base nessa específica constatação, então, destaca a fiscalização a incorreção dos procedimentos adotados pela contribuinte, e, por conseguinte, a existência de diferença na apuração do tributo devido em relação aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004. A diferença apontada, cumpre ressaltar, importa, segundo a fiscalização, em montante não tributado – por força do exclusivo erro apontado , havendo, assim, a necessidade de correção do apontamento da receita anual tributável da contribuinte informada em sua PJSI 2005 como sendo R$ 837.945,38, quando, na verdade, deveria indicar o montante de R$ 998.019,82 (diferença de R$ 160.074,44), sendo esse, especificamente, o objeto e o fundamento da autuação então relaizada. Com base nessas configurações, passamos, agora, à análise da pretensão recursal trazida aos autos: Dos apontamentos a respeito do suposto cerceamento ao direito de defesa Em primeiro lugar, destaca a recorrente a existência de vícios da fiscalização, sobretudo porque, conforme antes apontado em sua impugnação, a ela não teria sido entregue, quando da notificação do lançamento efetivado, a respectiva cópia das notas fiscais que, como se verifica, teriam fundamentado a autuação, o que segundo ela, teria então impedido (ou mesmo reduzido) a amplitude de sua defesa nos autos. Ocorre que, conforme aqui antes apontado, não se trata, nos autos, de eventuais notas fiscais não escrituradas, ou mesmo de informações fáticas não contempladas pela contabilidade da contribuinte, mas sim, apenas e tão somente, a verificação da existência de desconformidade entre as notas fiscais emitidas e os respectivos registros (CFOP’s) contidos em sua própria contabilidade, cujo conhecimento e respectiva cópia, inclusive – deveria a contribuinte manter em seus sistemas de registro, inexistindo, assim, qualquer exigência normativa possível aos agentes da fiscalização em relação à apresentação de cópias dos referidos documentos. Ademais, mesmo se assim não fosse, verificase, em simples análise dos autos, que todos os elementos utilizados pela fiscalização para a efetivação do lançamento apontado encontramse devidamente acostados, não se verificando em quaisquer dos argumentos apresentados pela contribuinte, o insucesso, ou mesmo impedimento, de qualquer eventual tentativa de acesso aos autos. Diante dessas sumárias razões, não se pode, de forma alguma, admitir a argüição apontada pela contribuinte em relação ao suposto cerceamento de direito de defesa, seja pelo fato de que as referidas notas fiscais teriam sido efetivamente emitidas pela empresa, ou ainda, pelo simples fato de que o acesso aos referidos documentos seria perfeitamente possível quando da pretensão de impugnação ao lançamento efetivado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 Nesses termos, rejeitamse, desde logo, os argumentos a respeito de eventuais nulidades da autuação promovida. Da configuração jurídica dos fatos e a omissão de receitas apontada Em que pese não se verificar, de fato, qualquer possibilidade de admissão da argüição do suposto cerceamento do direito de defesa, insta analisar, com base nos apontamentos fáticos apresentados no referido auto de lançamento efetivado, a real e específica configuração jurídica dos vícios verificados pela fiscalização e, assim, as respectivas conseqüências jurídicas decorrentes. Analisando os termos da decisão de primeira instância, verificase ali o apontamento da existência de efetiva omissão de receitas pela contribuinte – conclusão essa, ressaltese, alcançada pela verificação da incorreção do registro no Livro de Registro de Saída de Mercadorias dos respectivos CFOP’s constantes nas corespectivas Notas Fiscais emitidas , importando tal apontamento no lançamento em relação aos tributos devidos e, consequentemente, a imputação da respectiva penalidade aplicável, entendida, na hipótese, como sendo a multa no importe de 150% (cento e cinqüenta por cento), com fulcro no art. 44, I, parágrafo primeiro da Lei 9.430/96. Na essência, tratase, na presente demanda, na possibilidade (ou não) de configuração das condutas adotadas pela contribuinte como se de efetiva omissão de receitas partindo, para tanto, da “opção” de mudança dos respectivos CFOP’s registrados em sua contabilidade. Em que pese todo o esforço pretendido pela contribuinte, no sentido de tentar configurar, na hipótese, a existência de mero “erro” em seus registros contábeis, tal argumentação, com a mais respeitosa vênia, não merece acolhida. Ora, analisando os termos e elementos contidos nos autos, verificase, claramente, a perfeita configuração da conduta dolosa praticada pela contribuinte, especificamente nos meses de outubro, novembro e dezembro/2004 (último trimestre do ano calendário), substituindose os registros pelo CFOP 5124 (Industrialização efetuada para outra empresa) pelo CFOP 5949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado). A alteração apontada, ao contrário do que pretende fazer crer a contribuinte, altera, diretamente, a apuração do montante da receita bruta anual auferida pela empresa, tendo sido voluntariamente alterado nos mencionados três últimos meses do anocalendário de 2004, como forma de garantir a manutenção do montante recebido pela empresa nos limites admitidos pela sistemática própria do SIMPLES NACIONAL. Diante disso, estando, assim, perfeitamente configurada a conduta dolosa praticada pela contribuinte, perfeitamente regular se verifica a qualificação da multa aplicada, nos termos especificamente apontados no Auto de Infração lavrado. Em relação aos demais argumentos trazidos pela recorrente, sobretudo em relação à suposta invalidade da aplicação da taxa SELIC, insta destacar que, ao contrário do que possa acreditar, a aplicabilidade do referido índice como critério de atualização dos créditos tributários inadimplidos é tema já amplamente aceito pela doutrina e jurisprudência pátria, com pacífico posicionamento conferido pelo Colendo STJ. Ademais, ao contrário do que aponta a recorrente, a aplicação desse percentual (sobretudo ao longo dos últimos dez anos) mostrase, de fato, menos onerosa aos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002611/200703 Acórdão n.º 1301000.928 S1C3T1 Fl. 5 9 contribuintes, uma vez que, como se sabe, os montantes mensais apurados são, de fato, inferiores ao percentual de 1% (um por cento) apontado pelo art. 161 do CTN. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendo integralmente o lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.724554/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.935 1 2.934 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724554/201471 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.578 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente LPS BRASILIA CONSULTORIA DE IMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 54 /2 01 4- 71 Fl. 2935DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9555 e nº 51.065.2778, referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às contribuições descontadas dos segurados contribuintes Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.936 3 individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e ao levantamento LC. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. e a Cyrela DF 01 Emprendimentos Imobiliários Ltda., e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 2. O Relatório Fiscal (fls. 28/91) anexo ao processo administrativo apresenta as informações pertinentes à ação fiscal realizada no contribuinte, à apuração das contribuições previdenciárias do período fiscalizado, bem como os fatos e justificativas para a caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (empresa e pessoas físicas) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: 2.1. A Autoridade Fiscal relata as tentativas de obter a documentação comprobatória dos serviços prestados por contribuintes individuais, incluindose os comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas, bem como um discriminativo dos valores pagos (identificandose Nome, CPF, NIT, CRECI e Competência) aos corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas, tendo em vista que a atividade principal da empresa é a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas. 2.1.1. Ressaltou que a não apresentação dessa documentação acarretaria no arbitramento do valor da remuneração que reputar devida, mediante procedimento de aferição indireta, e sem a observância do limite máximo do salário de contribuição no cálculo da contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais. 2.2. Em resposta às intimações, a fiscalizada apresentou esclarecimentos, dentre os quais se destacam os seguintes: (i) as autorizações de corretagem eram informalmente outorgadas pelas incorporadoras à LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda, não tendo sido localizados quaisquer contratos escritos nos seus arquivos; (ii) reforça que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes. Tais corretores seriam contratados e remunerados diretamente por seus clientes (compradores dos imóveis); (iii) ao explicar suas atividades, afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado. Por sua vez, o corretor independente é que faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília. Por fim, o comprador assume 3 obrigações distintas: de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. 2.3. Considerando que a fiscalizada apresentou documentos e esclarecimentos insuficientes para comprovar a veracidade de suas afirmações de que não contratou/remunerou contribuintes individuais para auxiliála na intermediação de negócios imobiliários (destacase que a fiscalizada apresentou Gfip sem quaisquer informações sobre pagamentos de corretores de imóveis), a Autoridade Fiscal entendeu imprescindível a realização de diligências fiscais em: (a) pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras) para as quais a fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária; (b) prestadores de serviços pessoas físicas (03 diretores, Fl. 2937DF CARF MF 4 03 coordenadores/supervisores e 05 corretores) integrantes das equipes de venda da LPS Brasília; (c) compradores de imóveis da sua carteira de negócios imobiliários. Para o cumprimento dessas diligências, foram emitidos termos de intimação (TIPF Diligência) para fins específicos de prestarem informações e esclarecimentos de interesse do Fisco, como forma de subsídio à ação fiscal desenvolvida na empresa LPS Brasília (MPF vinculados). 2.3.1. Os esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis foram consistentes nas seguintes afirmativas: (i) os imóveis foram adquiridos com a intermediação da LPS Brasília (CNPJ 09.264.879/000153); (ii) os corretores pessoas físicas que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília, e que em geral usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação dessa empresa; (iii) foram emitidos vários cheques para fins de pagamentos diversos, inclusive do sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS), conforme consta do documento memória de cálculo da área financeira; (iv) a concretização do negócio ocorreu nos estandes de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra, podendo também ser concluído na sede da empresa LPS Brasília; (v) o valor do imóvel constante no contrato de compra e venda geralmente era inferior ao valor constante na proposta de compra e venda/tabela de preço, devido a não inclusão dos valores pagos a título de comissão/premiação aos intermediários. 2.3.2. A partir da análise dos documentos e dos esclarecimentos prestados pelos coordenadores e diretores diligenciados, a fiscalização entendeu que a abertura de pessoas jurídicas por estes prestadores de serviços é resultado de uma orientação, se não exigência, da LPS Brasília (isoladamente ou em conjunto com as contratantes incorporadoras/construtoras) para fins de atingir um propósito específico no caso concreto: o não recolhimento das contribuições previdenciárias oriundas das remunerações que esta deveria ter pago diretamente aos corretores e demais pessoas físicas que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária, utilizandose do procedimento de criação de sociedades simples e/ou individuais para prestarem serviços, geralmente exclusivos, à empresa para quem já trabalhavam como pessoas físicas (Pjotização). 2.3.3. Por sua vez, destacamse os seguintes esclarecimentos apresentados pelos corretores de imóveis diligenciados: (i) embora assinassem praticamente todos os documentos relacionados à venda do imóvel, uma das vias dos documentos básicos ficavam de posse da imobiliária Lopes Royal (LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda) e/ou da incorporadora/construtora, enquanto outra via era entregue ao comprador do imóvel; (ii) toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador) a área financeira da Lopes Royal entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos; (iii) as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Brasília; (iv) prestavam serviços com exclusividade, geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária, sob pena de desligamento do quadro das equipes de vendas. 2.3.4. Por fim, as diligências fiscais realizadas em 27 pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras), em especial das empresas Essa Empreendimentos e Serviços S/A (CNPJ: 00.609.995/000192) e Real Celebration Engenharia Ltda Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.937 5 (CNPJ: 10580.974/000106), propiciaram os seguintes esclarecimentos, em resumo: (i) esclareceram ser praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal a concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boafé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias; (ii) após a imobiliária prestar consultoria mercadológica à incorporadora, esta define o preço do imóvel e o valor da corretagem que, conforme costume adotado no mercado, varia entre 3,5% a 5,0%; (iii) afirmam que a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por corretores independentes; (iv) esclarecem que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. 2.3.4.1. Citando alguns contratos celebrados entre incorporadoras e a fiscalizada (LPS Brasília), a Autoridade Fiscal evidencia a existência de cláusulas: (a) de exclusividade na intermediação das unidades das incorporadoras pela contratada; (b) que possibilitam a criação de campanhas de prêmios para estimular a comercialização das unidades, a serem pagos pelas incorporadoras à imobiliária (LPS Brasília) e aos profissionais que esta indicar (corretores autônomos), cabendo à contratada a organização e distribuição dos prêmios; (c) que permite, em exceção à regra, que os contratos de compra e venda determinem o pagamento das comissões diretamente à incorporadora, que se compromete a repassar as comissões à imobiliária e aos profissionais participantes da intermediação da venda, conforme indicado pela contratada. 2.4. Diante dos fatos apurados, considerando ainda os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, os quais não encontram abrigo na legislação vigente aplicável, conclui que a empresa sob ação fiscal não só tem o conhecimento como participa ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, que vai desde o preenchimento da ficha cadastral, da emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal, da emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a coleta final da assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (comprador e vendedor, em geral a incorporadora). 2.4.1. Reforça que tanto os arts. 28 a 32 da Lei n° 4.591/64 (Lei da incorporação), quanto os arts. 1º a 6º da Lei n° 6.530/78 (regulamenta a profissão do corretor de imóvel) e os arts. 722 a 729 da Lei n° 10.406/02 (Da Corretagem – Código Civil) exigem formalidades e documentos próprios para a prestação de serviços, que vão desde a incorporação imobiliária até a alienação/comercialização de imóveis ou de fração ideal de terrenos vinculadas a unidades imobiliárias autônomas. 2.4.2. Entendeu a Auditoria Fiscal que a imobiliária fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, atua no intuito de fragmentar as etapas da comercialização de imóveis (intituladas “etapas da intermediação de operações imobiliárias”) por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de vincular os corretores autônomos diretamente aos compradores de unidades imobiliárias. Todo o complexo processo de intermediação, apesar das afirmativas contrárias da fiscalizada, é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, responsabilizandose pelo fornecimento dos materiais e de toda a estrutura de apoio aos profissionais pessoas físicas para que estes prestem um bom serviço de atendimento aos clientes compradores. Fl. 2939DF CARF MF 6 2.4.3. As atitudes da fiscalizada caracterizam ato ilícito que tem por finalidade imediata a sonegação de tributos, especialmente das contribuições previdenciárias incidentes sobres as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados. 2.4.4. Relembra que, em que pese a empresa ter sido submetida a outras fiscalizações anteriormente e com decisões administrativas favoráveis ao Fisco (Processos n° 10166.720564/201011, 10166.727550/201100, 10166.727551/2011 46 e 10166.723699/201292), a imobiliária Lopes Royal (autuada) continua infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre a matéria no tocante a: existência de “acordos verbais” para a contratação da intermediação imobiliária, transferência do ônus do pagamento das comissões/premiações devidas ao corretor para os compradores, recusa na apresentação ao Fisco de toda a documentação comprobatória das etapas de intermediação imobiliária. 2.4.5. Ressalta que o adquirente não toma conhecimento antecipado, adequado e transparente de boa parte de seus direitos e obrigações para a formação do livre convencimento, a não ser de forma superficial no momento da assinatura da proposta de compra e venda. Esses procedimentos, adotados pelos entes imobiliários (incorporadora e/ou imobiliária), além de ferirem a legislação tributária também contrariam o disposto nos seguintes artigos do Código de Defesa do Consumidor (CDC), Lei n° 8.078/90: art. 6°, inciso IV e V; art. 7°, § único; art. 39, inciso I; art. 42, § único e art. 51, inciso IV. 2.4.6. Acrescenta que os documentos apresentados e os esclarecimentos prestados pelos diligenciados foram decisivos para a identificação e comprovação da ocorrência de atos ilícitos e lesivos contra o Fisco praticados pela empresa: os adquirentes de imóveis afirmaram que não contrataram qualquer corretor e que este profissional já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, se identificando como representante da LPS. Também os corretores de imóveis diligenciados afirmaram que quando os contratos de prestação de serviço foram firmados com a LPS, esta não lhes entregara nenhuma via; ainda foram uníssonos em afirmar que cumpriam plantões de venda nos pontos ou estandes da LPS (ou da incorporadora/construtora contratante), que a imobiliária fornecia toda a estrutura e documentação necessárias para a conclusão da venda de imóvel e que recebiam o pagamento da comissão (em geral cheque emitido pelo comprador) da Tesouraria/setor financeiro da LPS após a assinatura final do contrato entre o comprador e o vendedor (incorporadora/construtora). 2.4.7. De acordo com a Lei n° 6.530/78 e respectivo regulamento (Decreto n° 81.871/78), o atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição; e, ainda, somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Nesse contexto, a referida empresa vem atuando na comercialização de imóveis à revelia da legislação vigente, pois conforme se observa nas declarações prestadas por ela à auditoria fiscal, não há envolvimento do corretor autônomo com a fiscalizada e esta se relaciona com construtora/incorporadora geralmente de forma verbal, o que não corresponde com a verdade diante da documentação apresentada e dos esclarecimentos prestados tanto pelos compradores/corretores de imóveis quanto por algumas construtoras/incorporadoras diligenciadas. 2.4.8. Conclui estar demonstrado o procedimento ilícito e lesivo do sujeito passivo em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.938 7 esses adquirentes, com o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que tange às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada. Tal procedimento também caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. 2.4.9. Esse entendimento encontra sustentação em diversas decisões judiciais que afirmam de forma categórica que, em regra, é obrigação do vendedor pagar a comissão ao corretor e que é ilegal e abusivo o pagamento da comissão de venda ao corretor pelo comprador, inclusive com condenação dos comitentes (imobiliária e/ou incorporadora) a devolução em dobro do valor de comissão pago indevidamente pelo comprador e consumidor final. 2.5. Diante dos fatos apurados, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. 2.5.1. Em razão do sujeito passivo deixar de entregar os principais documentos solicitados e de prestar esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não mereçam fé, quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes a carteira de negócios da própria autuada, a autoridade administrativa, com fulcro no art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN), arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. 2.5.2. Para tanto, utilizouse do procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), foi considerado como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil mencionada. 2.5.3. Considerando que os valores pagos a título de comissão/premiação para os integrantes das equipes de venda (PF) são normalmente superiores aos valores pagos à imobiliária LPS (PJ), o critério de aferição indireta adotado pela fiscalização para apurar o valor da remuneração paga aos corretores e demais profissionais pessoas físicas se demonstra justo, razoável, prudente e fundamentado nos documentos entregues e nos esclarecimentos prestados pelos diligenciados. 2.5.4. Nas autuações incluídas no presente processo administrativo (Levantamento LC), foram considerados apenas as comissões pagas em razão da intermediação imobiliária promovida para a empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 10.970.513/000189), para a qual foi emitido o respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS). Fl. 2941DF CARF MF 8 2.5.5. Relata a Autoridade Fiscal que, uma vez que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não foram informados pela fiscalizada, não foram declarados em folhas de pagamento nem em Gfip, e nem lançados em títulos próprios da contabilidade, não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais. 2.5.6. Cita como fundamentação para as autuações os seguintes dispositivos legais: (a) o enquadramento do contribuinte individuai está previsto no art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei nº 8.212/91, enquanto que a hipótese de incidência se encontra disciplinada no inciso III do art. 28 da mesma lei; (b) cita como obrigações da empresa aquelas previstas no art. 30, inciso I e § 4°, art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; (c) justifica o arbitramento por meio de aferição indireta em consonância com o disposto no art. 33, §§ 3°e 6°, da mesma lei; (d) com relação ao desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas, aplicase o disposto no § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 4º da Lei nº 10.666/03. 2.6. Com a introdução do art 35A na Lei nº 8.212/91 pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, a partir da competência 12/2008 a multa de ofício do Auto de Infração é de 75% sobre o valor das contribuições previdenciárias apuradas, a qual poderá ser qualificada (150%) nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Também, o crime de sonegação de contribuição previdenciária está previsto no art. 337A do Código Penal (DecretoLei n° 2848/40), com a redação dada pela Lei n° 9.983/00. 2.6.1. Pelo fato do sujeito passivo ter agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores constantes nos levantamentos supracitados e também de atuar com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, e com isso ter afetado a obrigação tributária principal (deixar de pagar as contribuições previdenciárias), a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada em 150%) sobre as contribuições previdenciárias apuradas nas competências 12/2010 a 11/2011, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 2.7. No que diz respeito à responsabilidade solidária dos sócios da autuada, destaca a Autoridade Fiscal que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A (CNPJ 08.078.847/000109), sócia majoritária da autuada (51% do seu capital social), tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas presentes em vários Estados e no Distrito Federal, sendo a fiscalizada LPS Brasília uma das integrantes desse grupo econômico, que tem como principal objeto a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. 2.7.1. Aponta que existem diversos interesses comuns entre essas duas empresas, tais como controle acionário, administradores, atividade econômica. Também, tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, tão determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. 2.7.2. Cita o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 222 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que determinam que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da citada lei e regulamento. 2.7.3. Por sua vez, Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.939 9 Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação na comissão de venda destinada a Lopes Royal conforme informações prestadas pelos corretores e coordenadores/diretores diligenciados. 2.7.4. Diante do exposto, em razão de integrarem o quadro societário, participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS Brasília, assim como por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte fiscalizado. 2.8. Quanto à responsabilidade solidária do contratante dos serviços de intermediação imobiliária, informa a Autoridade Fiscal que a empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 10.970.513/000189) foi intimada e prestou os seguintes esclarecimentos, em síntese: (i) não celebrou contrato firmado com a imobiliária LPS Brasília; (ii) em razão da relação direta entre a empresa LPS Brasília e os compradores, afirma não ter ingerência no percentual da comissão a ser paga pelos compradores à referida empresa; (iii) os preços dos imóveis são definidos pela incorporadora, no qual não estão incluídas quaisquer comissões; (iv) afirma que no ato da compra, o comprador assumia duas obrigações: de pagar o preço do imóvel à incorporadora e de pagar a verba de comissão diretamente à imobiliária e/ou corretores independentes. 2.8.1. Entende a Autoridade Fiscal que a intimada Cyrela apresentou esclarecimentos superficiais e inconsistentes acompanhados de documentos insuficientes e restritos sobre o processo de intermediação imobiliária. Destacamse as seguintes conclusões da referida Autoridade: embora alegue não ter relação jurídica com a LPS Brasília, a incorporadora Cyrela apresenta relação de unidades vendidas pela própria imobiliária LPS; os Instrumentos Particulares de Promessa de Compra e Venda apresentados pela incorporadora são insuficientes para demonstrar que a comissão paga aos intermediadores imobiliários não integrou a negociação entre os vendedores e compradores, vez que a praxe do mercado consiste em somente lançar neste documento o valor venal do imóvel já deduzido das comissões de venda pagas aos corretores. Somente a apresentação das tabelas de venda e das propostas de compra e venda com recibo de sinal poderiam dar maior confiabilidade à afirmação da incorporadora. 2.8.2. Sendo assim, foi caracterizada a sujeição passiva solidária da empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 10.970.513/000189) com relação aos créditos previdenciários de obrigação principal (AIOP debcad 51.040.9555 e 51.065.2778, Lev LC) em razão de ter participado de forma isolada e/ou conjuntamente com a empresa autuada na ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos. 2.8.3. Reforça a Auditoria Fiscal que, com base nos documentos apresentados e nos esclarecimentos prestados ao Fisco tanto pelo contribuinte quanto pelos compradores/corretores de imóveis e pelas incorporadoras/construtoras diligenciados, assim como nas informações constantes nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, apurou a ocorrência dos seguintes fatos, entre outros: 2.8.3.1. A prática ilícita e abusiva adotada tanto pela incorporadora Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda quanto pela imobiliária LPS Brasília ao Fl. 2943DF CARF MF 10 transferirem ao comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda ao corretor pessoa física. 2.8.3.2. Ficou comprovada ilegalidade ao verificar que a empresa intermediadora, em regra, registra o valor total da comissão/premiação na proposta de compra com recibo de sinal, mas sempre deduz do contrato de compra e venda assinado entre as partes (comprador e vendedor) o valor pago aos corretores (PF e/ou PJ) pelo comprador, com a finalidade precípua em demonstrar que este custo não é de responsabilidade da intermediadora/vendedora e sim do comprador do imóvel, apesar deste valor já estar incluso no preço final do imóvel constante nas tabelas de venda apresentadas pelos corretores aos adquirentes. 2.8.3.3. Com a adoção desses procedimentos, a contratada LPS deixou de recolher os tributos devidos nas intermediações imobiliárias. 2.8.3.4. Igualmente caracteriza infração à lei (em tese crime de sonegação de contribuições previdenciárias), o procedimento adotado pelos administradores da LPS Brasília em não incluir (ou não fazer incluir) nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativos às remunerações pagas às diversas pessoas físicas que certamente lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária no período de 01/2010 a 12/2011. 2.8.3.5. Discorda a Autoridade Fiscal dos argumentos da incorporadora e da LPS Brasília de que o comprador de imóvel é o responsável pelo pagamento da comissão/premiação de venda aos corretores, vez que restou demonstrado que os profissionais corretores pessoas físicas estão ali representando uma imobiliária e/ou incorporadora (normalmente renomada e com credibilidade no mercado). 2.9. Nesses termos, respaldado nos fatos anteriormente narrados e na legislação própria em vigor, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos integrantes do grupo econômico LPS Brasil (LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A e as pessoas físicas Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Demartini) e da incorporadora Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda com relação aos créditos previdenciários de obrigação principal (AIOP Debcad nº 51.040.9555 e 51.065.2778) lançados de ofício contra a empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda no período de 12/2010 a 11/2011, tendo sido emitidos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária que integram o presente processo administrativo. 2.10. Por fim, informa o AuditorFiscal que emitiu Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), a ser encaminhada à autoridade competente, em razão da não inclusão dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária e as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas nas folhas de pagamento e nas Gfip, bem como ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade as contribuições previdenciárias devidas e as remunerações pagas, o que caracterizaria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 9.983/00. (...) IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA 5. A autuada impugnou tempestivamente a autuação por meio do instrumento de fls. 1833/1891, com a juntada de documentos de fls. 1892/1913 (documento de identificação dos patronos, procuração, 6ª Alteração de Contrato Social, recibos de corretagem), no qual apresenta as seguintes alegações, resumidamente: Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.940 11 5.1. Após breve relato dos fatos, sintetiza as conclusões da Autoridade Fiscal nos seguintes termos: (a) os compradores de imóveis não teriam livre convencimento de que teriam contratado Corretores Independentes; (b) seria ilegal a celebração de contratos de corretagem não formais (orais); (c) a fiscalizada teria praticado atos simulados/dissimulados numa tentativa de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias; (d) com a transferência, aos compradores, da “responsabilidade” pelo pagamento das comissões, eximindo a fiscalizada do pagamento dos encargos tributários devidos na operação; (e) a transferência da sujeição passiva tributária aos compradores; (f) foi aplicada a multa qualificada (150%) em razão da “ocorrência do crime de sonegação fiscal em todo o período de apuração das contribuições previdenciárias, haja vista a empresa LPS já ter incorrido no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora constituídos”. 5.2. Afirma que o AuditorFiscal não identificou a roupagem jurídica de que se reveste a relação estabelecida entre a impugnante e Corretores Independentes, ignorando dispositivos existentes na legislação vigente que afastam esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços: art. 6º da Lei n° 6.530/78 e art. 728 do Código Civil. 5.3. Sustenta, com base no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado, ao incumbente, “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. Assim, é o corretor “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obtêlo. 5.4. Afirma não se confundir o corretor com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário. Nesse sentido, inócua a afirmação da autoridade lançadora de que a atividade dos Corretores Independentes se desenvolveria sob a orientação, coordenação, controle, supervisão e direção da impugnante, vez que os corretores correm todos os riscos associados à suas próprias atividades. 5.5. Cita diversos dispositivos legais e normativos (Decreto nº 2.475/1897, Decretolei nº 1344/39, Resolução CNSP nº 295/13, Lei nº 6.530/78, Decreto nº 81.871/78) que fragilizariam a suposição da Autoridade Fiscal de que, no âmbito da corretagem imobiliária, pode existir a figura do preposto. 5.6. Ainda que se tomasse como possível a constituição de preposto por corretor de imóveis, ele não agiria “enquanto corretor de imóveis”, mas como mero “instrumento” deste. Por isto, a exigência quanto ao atendimento do público, nas transações patrocinadas por pessoa jurídica, a cargo de um corretor de imóveis, elimina toda chance de que o “patrocínio” seja de qualquer maneira associada ou identificada à preposição, a qual, em regra, implica o exercício de uma atividade que não é a mesma desempenhada pelo corretor. Preposto não é corretor, é instrumento deste; no patrocínio, o Corretor Individual não deixa de agir como corretor de imóveis e, por isto, não pode ser tido como mero preposto. 5.7. Defende que a horizontalidade entre corretores de imóveis (pessoa físicas e pessoa jurídica) se dá como uma relação entre iguais, que somente pode consistir numa espécie de associação ou parceria. Tal interpretação ultimouse consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 5.8. Nesta relação de associação ou parceria, a impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma Fl. 2945DF CARF MF 12 universalidade de potenciais compradores. Os Corretores Independentes dedicamse à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado, e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a impugnante. Assim, não existe, na associação, qualquer delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividade meio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, as atividades da imobiliária e do Corretor Independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos. 5.9. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. 5.10. Alega ser plenamente possível que a impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos Corretores Independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, advirtase, é muito comum numa sociedade (que também possui causa associativa): um sócio pode oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se tome prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos que lhes são comuns. 5.11. No caso concreto, ainda que apenas no sentido econômico, afirma que o comprador de imóveis remunera o Corretor Independente em razão do atendimento prestado. Por sua vez, o Corretor Independente, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc), “remunera” a imobiliária. 5.12. Afirma inexistir o pagamento de remunerações entre impugnante e os Corretores Independentes, pois há mero rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. Sobre a questão, percebese que a Autoridade Fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela impugnante. 5.13. Entende descabida a afirmação da suposta falta de livre convencimento, por parte dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os Corretores Independentes como corretores de seus interesses. Todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos Corretores Independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e Corretor Independente. 5.13.1. Ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio Auditor admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. 5.14. Tampouco se sustenta a acusação de simulação. Há contradição no raciocínio da autoridade fiscal: embora afirme que o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com vistas a encobrir o negócio dissimulado pelo qual seria a impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações, a própria Autoridade defende ter ocorrido uma ilegal transferência do ônus de pagar a corretagem, transferência esta real e efetiva. Porém, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.941 13 dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou, então, ela é real e efetiva e não haveria como se negar que, concretamente, os pagamentos aos Corretores Independentes foram realizados pelos compradores. 5.14.1. Ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a Autoridade Fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os Corretores de Independentes. 5.15.1. Portanto, não seria verdadeira a afirmação do Relatório Fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis. Ainda, a ilegalidade da prática comercial em comento, mesmo se confirmada, não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados, em última instância, os suportes fáticos referidos na legislação tributária. 5.15.2. Acrescenta que a Autoridade Fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos Corretores Independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc, como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil, nada importando ao direito tributário. 5.15.3. Insiste em ser falsa a ilação segundo a qual, da eventual ilegalidade da assunção da obrigação de corretagem pelo comprador, deriva a caracterização do fato do pagamento da corretagem pela imobiliária. 5.16. Argumenta que, ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a Autoridade Fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal. O art. 123 do CTN exclui, como regra geral, a possibilidade de transferirse a sujeição passiva. A afirmação de que houve transferência de sujeição passiva, portanto, contrasta com a ineficácia que o CTN normalmente atribui às convenções que tenham este escopo. 5.17. Em que pese não ter a Autoridade Fiscal logrado êxito em comprovar a efetiva realização de pagamentos pela impugnante, em benefício dos Corretores Independentes, aquela pretende comprovar a inexistência do fato tributável discutido por meio da apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos que foram emitidos por compradores em favor de Corretores Independentes, documentos estes obtidos com muito custo pela impugnante, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. 5.18. Aduz que a controvérsia já foi objeto de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que negou ter havido qualquer pagamento de corretagem pela impugnante em benefício dos Corretores Independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque ao não realizar os pagamentos aos Corretores Independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções, para fins de apuração do imposto de renda. 5.19. Pelas mesmas razões já abordadas, entende necessário ser canceladas as exigências de penalidades decorrentes do suposto descumprimento de obrigações acessórias. Fl. 2947DF CARF MF 14 5.20. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela autoridade fiscal mediante circularização, sustenta trataremse de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 5.20.1. Ainda que assim não fosse, e o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidos pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam, ao contrário do que se pretendia, a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da impugnante. Embora tenha recebido dos Corretores Independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a autoridade fiscal os ignorou. 5.20.2. Afirma que o consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. Entende que a Autoridade Fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, ou “serviço”, ou “vinculação” aos compradores. Tratase de emissão de opinião sobre a roupagem jurídica de que se revestem os fatos puros. 5.20.3. Entende que a Autoridade Fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos Corretores Independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. 5.21. Refuta o procedimento adotado pelo AuditorFiscal definir a base de cálculo do Auto de Infração com base no procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes procedimentais estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, a Autoridade Fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valer de procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto da salário de contribuição. 5.21.1. Apresenta método alternativo para a aferição do número de segurados (Corretores Independentes) e da base de cálculo individual, baseado no número de operações intermediadas pela impugnante. No entanto, sustentando que a adoção do método sugerido seria impossível, vez que a revisão de lançamento não pode alterar o critério jurídico do lançamento, por força do artigo 146 do CTN, e não pode versar sobre fatos que já poderiam ser conhecidos pela autoridade fiscal, ex vi do artigo 149 do CTN, não resta outra alternativa que não o cancelamento integral do lançamento afeito à cota do segurado. 5.22. Remetendo a aplicação da aferição do Salário de Contribuição de contribuinte individual ao disposto no art. 201, § 3º, do Decreto nº 3.048/991, sustenta ser ônus do AuditorFiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a Autoridade Fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem qualquer base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. 5.23. Entende relevante o fato do AuditorFiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para o rateio da comissão entre imobiliária e Corretores Independentes, o valor que teria sido pago a estes. Considerando que o CRECI, seguindo o entendimento decorrente da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, a Autoridade Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.942 15 Fiscal teria realizado uma aferição indireta a partir de um documento que nega toda a sua tese. 5.24. A par da ilegalidade do arbitramento, é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é a de 11%, não a de 20%,como propôs a autoridade fiscal. Discorda da interpretação do AuditorFiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que acarretou na inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriode contribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. 5.25. Subsidiariamente, pleiteia seja reconhecido o descabimento do agravamento da multa de ofício com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. 5.25.1. A adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação com o fisco, entretanto, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. 5.25.2. O modelo de negócio adotado pela impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 5.25.3. É absurda, portanto, a suposição de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a majoração da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 – além de contrariar toda a jurisprudência do CARF sobre o tema. 5.26. Defende entendimento de que a expressão “crédito” contida no art. 161 do CTN abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrente do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. 5.27. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DOS SÓCIOS DA AUTUADA PESSOAS FÍSICAS – RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 6. Os sócios pessoas físicas da autuada, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, responsabilizados solidariamente pelas autuações em exame, protocolizaram tempestivamente Impugnações (fls. 1914/1938 e 1939/1964, respectivamente) nas quais apresentaram as seguintes alegações, resumidamente: 6.1. Após breve relato dos fatos, apontam que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, inciso I, bem como o artigo 135, Fl. 2949DF CARF MF 16 III, ambos do CTN, imputando aos impugnantes o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e a multa de ofício qualificada. 6.2. Aduzem que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. 6.2.1. A existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório Fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. 6.2.2. Entendem que a Autoridade Fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque, no fundo, o Relatório Fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, inciso I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participassem. 6.3. Relembram que solidariedade não se presume e citam decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial entre os impugnantes e a LPS Brasília, o que afasta cabalmente a aplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN. 6.4. Refutam a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. 6.5. Apontam suposta inconsistência no Relatório Fiscal ao chamar os impugnantes a responder pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, inciso III, do CTN, é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (autuada). 6.6. Alegam que o Relatório Fiscal não comprovou que os impugnantes teriam agido de forma ilegal, ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao contrato social da LPS Brasília. Requerse, dizendo mais claramente, prova de dolo específico do sócio, manifestado por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida. 6.6.1. Afirmam que a Autoridade Fiscal pretende arrolar os impugnantes entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer qualquer prova de que teriam incorrido nas hipóteses ensejadoras da responsabilidade pessoal, previstas no art. 135 do CTN. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.943 17 6.6.2. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, inciso I, bem como do art. 135, inciso III, ambos do CTN, fazem imperioso o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. 6.7. Ainda que não se entenda pelo cancelamento dos referidos Termos pelas razões anteriores, sustentam cediço que os impugnantes não podem figurar como devedores solidários da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. 6.7.1. Também não se sustenta a responsabilidade dos impugnantes pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, inciso III, do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verifica no presente caso. 6.8. Por fim, requerem (i) sejam os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas aos endereços dos impugnantes, constantes do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA SÓCIA DA AUTUADA PESSOA JURÍDICA – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA 7. A sócia pessoa jurídica da autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, responsabilizada solidariamente pelas autuações em exame, protocolizou tempestivamente Impugnação (fls. 1965/2035) na qual apresentou as seguintes alegações, resumidamente: 7.1. Após breve relato dos fatos, aponta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, inciso I, do CTN, bem como o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, imputando à impugnante o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e a multa de ofício qualificada. 7.2. Aduz que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. 7.2.1. A existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório Fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. 7.2.2. Entende que a Autoridade Fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque, no fundo, o Relatório Fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, inciso I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participassem. Fl. 2951DF CARF MF 18 7.3. Relembra que solidariedade não se presume e cita decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, o que afasta cabalmente a aplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN. 7.4. Refuta a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. 7.5. Defende não estarem presentes as condições que autorizem a aplicação do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as sociedade de um dito grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou nãorealização dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Dentro dessa moldura deve ser feita a análise dos elementos que darão azo à solidariedade, não sendo lícita a interpretação meramente literal de que em havendo grupo econômico, de direito ou de fato, automaticamente responderão solidariamente todas as pessoas integrantes desse grupo 7.5.1. O artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, atribui obrigação solidária aqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. 7.5.2. Argumenta que a fiscalização não logrou êxito em comprovar que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Não restou demonstrada, portanto, a caracterização de situação que autorize a obrigação solidária com fundamento no artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991. 7.6. Ainda que não se entenda pelo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária pelas razões anteriores, sustenta cediço que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. 7.6.1. Também não se sustenta a responsabilidade da impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, inciso III, do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verifica no presente caso. 7.7. Por fim, requer (i) seja o Termo de Sujeição Passiva julgado integralmente improcedente; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA INCORPORADORA/VENDEDORA Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.944 19 (...) A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeira instância (fls. 2038/2096), havendo sido excluída do pólo passivo a responsável solidária Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda. A autuada interpôs recurso voluntário em 18/5/2016 (fls. 2098/2196), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários respectivamente às fls. 2362/2382, 2290/2316, e 2385/2452. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 2603/2607) juntando documentos novos ao processo, e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação do documento intitulado "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Fl. 2953DF CARF MF 20 Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.945 21 Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 2955DF CARF MF 22 contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.946 23 Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas Fl. 2957DF CARF MF 24 por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.947 25 de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Fl. 2959DF CARF MF 26 Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.948 27 com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para a empresa Cyrela DF 01 Empreendimentos Imobiliários Ltda. (LEV LC). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Fl. 2961DF CARF MF 28 Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Acrescentese que a fiscalização logrou demonstrar, via quadro Demonstrativo (fls. 74/75), que o critério de aferição foi inclusive benéfico à recorrente, posto que nos casos particulares nos quais se pôde chegar a números mais concretos, o percentual da corretagem destinado aos corretores pessoa física superava o pagamento da corretagem à pessoa jurídica. E anotese também que, a despeito de alguns corretores haverem formalizado pessoas jurídicas para realizar suas atividades, restou evidenciado, conforme argumentação desenvolvida supra, e em concordância com o entendimento da fiscalização, que a natureza dos serviços constituíase materialmente em prestação de serviços por pessoa física, verificados inclusive os vínculos de subordinação, ainda que mitigados relativamente ao vínculo empregatício, a justificar a utilização das tabelas da CRECI na espécie. Constatase ser bastante proporcional e adequado o critério de aferição utilizado, portanto, e em consonância com as normas de regência. Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso na declaração de voto constante da decisão. Explico. A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.949 29 Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Fl. 2963DF CARF MF 30 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.950 31 Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Fl. 2965DF CARF MF 32 Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.951 33 Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo Fl. 2967DF CARF MF 34 nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.952 35 (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. Fl. 2969DF CARF MF 36 No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.953 37 Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. Fl. 2971DF CARF MF 38 Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.954 39 Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Fl. 2973DF CARF MF 40 Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 10166.724554/201471 Acórdão n.º 2202004.578 S2C2T2 Fl. 2.955 41 corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 2975DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720068/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF.
DESPESAS GLOSADAS - NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS - DECLARAÇÃO POSTERIOR - NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDOS/CONTRATADOS
Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada.
PRESCRIÇÃO (ORIGINÁRIA/INTERCORRENTE)
Não se opera prescrição enquanto não definitivamente constituído o crédito tributário e, portanto, enquanto não encerrado o contencioso administrativo, também não se aplicando, ao processo administrativo, a hipótese de prescrição intercorrente, consoante entendimento sedimentado a partir da Sumula 11 deste CARF.
DECADÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA - PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO
Argumentos cujo acolhimento encerraria a aplicação de lei válida, sobre a qual não houve declaração de inconstitucionalidade, não podem ser objeto de análise por este Conselho, por força de disposição expressa contida no art. 62, caput, do RICARF.
Numero da decisão: 1302-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao contribuinte, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinatura digital)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF. DESPESAS GLOSADAS NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS DECLARAÇÃO POSTERIOR NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDOS/CONTRATADOS Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada. PRESCRIÇÃO (ORIGINÁRIA/INTERCORRENTE) Não se opera prescrição enquanto não definitivamente constituído o crédito tributário e, portanto, enquanto não encerrado o contencioso administrativo, também não se aplicando, ao processo administrativo, a hipótese de prescrição intercorrente, consoante entendimento sedimentado a partir da Sumula 11 deste CARF. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 68 /2 01 6- 17 Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.458 2 Argumentos cujo acolhimento encerraria a aplicação de lei válida, sobre a qual não houve declaração de inconstitucionalidade, não podem ser objeto de análise por este Conselho, por força de disposição expressa contida no art. 62, caput, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao contribuinte, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinatura digital) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de autos de infração lavrados em desfavor do recorrente a fim de lhe exigir o recolhimento de créditos tributários concernentes ao IRPJ e, reflexamente, à CSLL, PIS/Não cumulativo e COFINS/Não cumulativa. Além disso, ao caso foi aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150%, além de se ter procedido à inclusão do sócio administrador da empresa no pólo passivo da obrigação, mediante lavratura de termo de responsabilidade solidária. Pelo que se dessume do TVF, a autuação tem como origem a glosa de despesas contabilizadas pelo contribuinte, calcadas em operações acobertadas por documentos fiscais considerados inidôneos, mormente porque emitidos por empresas cuja inexistência fática/operacional fora detectada pela Fiscalização. No caso, todas as despesas decorrentes de operações praticadas com as seguintes empresas foram objeto da glosa fiscal: a) Goodmetal Industria e Comércio de Metais Ltda – ME; b) Metais Desck Atacadista Comercial Ltda.; e c) Leval Comércio de Metais. Fato comum às três empresas acima, de acordo com a fiscalização, nenhuma delas jamais entregou uma única GFIP ou recolheu tributos federais, sendo certo que duas das Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.459 3 três empresas jamais apresentaram, sequer, DIPJ. Mais que isso, a fiscalização identificou que todas se encontravam inabilitadas, inclusive quanto ao cadastro de contribuintes estadual, além de apontar diversas incongruências ou indícios de fraude1. A D. Auditoria Fiscal esclarece, mais, que, a partir da análise de extratos bancários (obtidos mediante emissão de RMF), foram identificados que os pagamentos de títulos e duplicatas pretensamente vinculados às notas fiscais emitidas pelas empresas acima teriam sido direcionados à terceiros estranhos à relação jurídiconegocial, encartada nas mencionadas faturas (a partir da análise do citados extratos, de acordo com o D. Auditor, não se constatou qualquer operação que pudesse comprovar a realização de transferências ou pagamentos às três empresas acima quadros demonstrativos de efls. 1.208 a 1.211). A vista de tais indícios e incongruências, a Autoridade lançadora promoveu diversas intimações ao contribuinte, solicitando, num breve resumo, esclarecimentos sobre os fatos apontados anteriormente (pagamentos realizados à pessoas estranhas às que constavam dos documentos fiscais e livros contábeis), bem como para comprovar a aquisição efetiva das mercadorias listadas nas notas fiscais oriundas de empresas cuja inaptidão já havia sido identificada. Com respostas parciais às intimações supra, o contribuinte se limitou a apresentar a relação de notas fiscais sem, contudo, ao ver da D. Fiscalização, comprovar o pagamento efetivo ou, quando menos, a concreta aquisição das mercadorias, tida e havida como despesa operacional e como base para apuração de créditos concernentes à contribuição para o PIS à COFINS Ante a inação do contribuinte e a existência, no entender da D. Auditoria, de provas suficientes sobre os ilícitos apontados, procedeuse à lavratura dos autos de infração ora polemizados, dando ao recorrente a necessária ciência destes que, conjuntamente com o sujeito passivo solidário, apresentou sua impugnação administrativa. Instada a se manifestar sobre a defesa mencionada alhures, a DRJ de Belo Horizonte houve por bem julgála improcedente, conforme ementa abaixo reproduzida: DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Inaplicável o conceito de prescrição intercorrente quando a Fazenda Pública se encontra impedida de exigir o seu crédito por força do inciso III do art. 151 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. 1 A primeira possui sócios com capacidade econômica incompatível com o volume de operações registrados pelas notas objeto deste auto de infração; a segunda foi considerada inapta por se encontrar em local incerto; a terceira tem o registro de uma reclamação do sócio que consta dos atos constitutivos em que, sustenta, teriam falsificado a sua assinatura para abrir a citada empresa. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.460 4 Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 10 e 59 do PAF. CUSTO DOS BENS VENDIDOS FALTA DE COMPROVAÇÃO Compete ao contribuinte o ônus de comprovar a efetiva e real aquisição de mercadorias cujos valores foram deduzidos como custos na determinação do lucro real, não bastando a prova de sua ocorrência apenas no plano formal, mormente se o fisco demonstra que os emitentes dos documentos fiscais respectivos não possuíam existência de fato e eram absolutamente destituídos de capacidade operacional para realizar tal atividade. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador; cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a multa qualificada de 150% quando configurado o intuito de fraude utilizada para ocultar os reais beneficiários e responsáveis pelos créditos tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. A ciência do resultado de julgamento acima se deu, em 31/05/2017, por decurso de prazo registrado na caixa postal eletrônica do contribuinte (doc. de efls. 1.387); o sujeito passivo solidário, por sua vez, foi intimado por carta em 22/05/2017 (AR de efls. 1.386). Mais uma vez, em petição única, o devedor principal e seu sócio interpuseram seu recurso voluntário em 30/06/20172, por meio do qual sustentaram: a) em preliminar, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa sob a alegação de que a fiscalização não teria lhe conferido a dilação de prazo para apresentação de documentos adicionais; b) no mérito: 2 O contribuinte, em verdade, apresentou, primeiramente, em 26/06/2017, um recurso apócrifo; posteriormente, em 30/06/2017, reapresentouo devidamente assinado. Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.461 5 b.1) que teria procedido à aquisição das mercadorias de boafé e que a declaração de inidoneidade posterior não poderia retroagir para invalidar as notas fiscais emitidas; b.2) que teria ocorrido prescrição do direito da União de cobrar o crédito tributário objeto deste feito; b.3) que, de mais a mais, teria se observado a decadência do direito de lançar o crédito, com espeque nos preceitos do art. 150, § 4º, do CTN; b.4) finalmente, que descaberia a aplicação da multa de ofício qualificada seja por, a seu ver, inocorrer qualquer hipótese de fraude ou simulação, seja por, argumenta, violar o princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Os autos, então, foram encaminhados para este Colegiado para análise e julgamento. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães das Fonseca Relator É importante registrar, mais uma vez, que, como já dito no relatório, a empresa recorrente e seu sócio apresentaram uma mesma petição de impugnação e uma só petição de recurso; o problema é que o devedor solidário teria sido intimado do resultado do julgamento da DRJ antes do contribuinte (22/05/2017) e, nesta esteira, quanto aquele, o recurso seria intempestivo, impondose o seu não conhecimento (em relação ao Sr. Sérgio). Como, entretanto, não foram trazidos argumentos específicos relativos a responsabilização do devedor solidário, o não conhecimento do recurso quanto a este não traz quaisquer efeitos práticos, já que a análise do apelo quanto ao contribuinte o aproveitará. De toda sorte, pelo que expus acima, conheço do recurso apenas em relação ao devedor principal, deixando de conhecer do recurso em relação ao devedor solidário. I Preliminar de nulidade pretenso cerceamento de defesa. O recorrente deduz, como principal argumento a sustentar a ocorrência de cerceamento de defesa, a alegação de que a D. Auditoria Fiscal não lhe teria franqueado a dilação de prazo para atendimento de uma das diversas intimações fiscais a ele endereçadas. Primeiramente, pelo que se extrai dos documentos acostados ao feito, bem como da descrição constante do TVF, o contribuinte teria sido intimado cerca de 12 vezes para prestar esclarecimentos sobre os fatos, indícios e incongruências preliminarmente identificados pela D. Fiscalização, tendo sido concedidas duas prorrogações de prazo; o indeferimento, diga se, noticiado pelo recorrente, teria se dado após ter sido intimado, por duas vezes, a apresentar documentos, sendo que, na primeira oportunidade, a empresa simplesmente recusouse a exibi los sob a alegação de "prescrição" (?)... Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.462 6 Ou seja, oportunidades para se explicar e apresentar documentos que pudessem demonstrar a regularidade das operações tratadas neste feito foram dadas a contento (inclusive para além do necessário). Demais a mais, vale destacar, quaisquer documentos ou provas que ainda pudessem de qualquer forma auxiliar a tese do recorrente poderiam ter sido trazidas por ocasião da impugnação ou, quiçá, caso atendidos os pressupostos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, junto deste apelo; e, nada obstante, nem a impugnação, nem tampouco o recurso voluntário, foram instruídos com quaisquer documentos adicionais; apesar de todas as intimações e todas as oportunidades dadas ao contribuinte, este permaneceu inerte... Não houve, e não há, no caso em análise, ato ou fato que possa, sob qualquer prisma, tipificar as hipóteses de nulidade tratadas pelo art. 59 do já mencionado Decreto 70.235, pelo que, entendo, é descabida a preliminar aventada. II Mérito II.1 Da declaração posterior de inidoneidade das empresas e documentos fiscais por ela emitidas em favor do contribuinte e da alegada boafé. Sempre me filiei ao entendimento adotado pelo C. STJ de que a declaração de inidoneidade de documentos fiscais somente afeta os fatos posteriores a sua cientificação, pela imprensa oficial, aos cidadãos em geral. De fato, seria pouco razoável, para não dizer, absurdo, pretender atribuir aos contribuintes mister que é próprio da fiscalização, impondo lhes, neste passo, a difícil tarefa de auditar os seus fornecedores sem dispor, como dispõe a Auditoria Fiscal, de poder de polícia. Como diria um amigo e tutor, os contribuintes não podem ser considerados avalistas da atividade fiscal. Tal premissa, todavia, sempre foi tomada por mim em relação à apuração de tributos estaduais e, mais, calcada na legislação destes entes federados; além disso, esta mesma premissa só serve para ilidir possíveis presunções de irregularidade, mantendo no fisco o ônus de se provar a irregularidade das operações investigadas, na forma do art. 142 do CTN. O caso em análise, vejam bem, distanciase, e muito, dos casos com os quais me deparei no passado, mormente porque, como muito bem apontado pelo voto do D. Auditor Álvaro Luiz Pires dos Santos, relator do acórdão recorrido, a legislação federal é percuciente e exaustiva quando trata do problema da inaptidão de empresas e de suas consequências. Peço venia, neste passo, para reproduzir os preceitos do art. 47, caput, e §§ 1º e 5º, da Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 6 de maio de 2016: Art. 47. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1ºOs valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.463 7 I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o Pis/pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. (...) § 5 º O disposto no § 1ºnão se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Notem que os dispositivos acima seguem, a risca, o entendimento sedimentado na jurisprudência do C. STJ, invocado pelo próprio contribuinte e que reproduzo a seguir: 0 comerciante que adquire mercadoria de pessoa jurídica regularmente inscrita, mediante nota fiscal, e comprova o respectivo pagamento do preço e do ICMS não pode ser responsabilizado pela omissão da vendedora, em recolher o tributo. Imputar responsabilidade ao comprador, em tal situação, seria atribuir a terceiro, sem previsão legal, responsabilidade tributária, em flagrante ofensa ao art. 128 do CTN (STJ, REsp. n. 96.601/SP) Destaquese que o STJ somente não autoriza a presunção da prática do ilícito, exigindo, outrossim, que o contribuinte, adquirente, contrate com empresas existentes (formal e fisicamente) e que, mais, comprove a ocorrência concreta, efetiva, do pagamento descrito nos documentos considerados inidôneos... ou seja, não se presume a fraude ou a "compra de notas fiscais"; demonstrado ou, quando menos, investigada a empresa adquirente e evidenciado (e, aqui, não uso o termo "evidência" levianamente) que a operação retratada pelo documento fiscal não se realizou, mesmo que a declaração de inidoneidade seja posterior ao fato, considerarseá imprestável o aludido documento. In casu, a D. Auditoria Fiscal foi extremamente diligente como, aliás, já dito pelo próprio acórdão recorrido. A Fiscalização, frisese. não se contentou, apenas, com a constatação de inaptidão dos fornecedores do contribuinte, nem tampouco com a declaração consequente da inidoneidade dos documentos fiscais por eles emitidos; como asseverado no relatório, supra, ao se deparar com os indícios de fraude tratados neste feito, o Sr Auditor cuidou logo de apurar a ocorrência, real e concreta, da aquisição ou, quiçá, de pagamentos efetivos às preditas empresas... a conclusão deste trabalho investigativo, reproduzo a seguir (e fls. 1.208): Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.464 8 Na análise da Contabilidade no formado da ECD, especificamente da conta contábil de número 2004 Mercadorias a débito, em contrapartida com a conta contábil 1014 Banco HSBC a crédito (RAZÃO MERCADORIAS 2011), verificamos que em alguns casos a Contabilidade não espelhou a realidade. De acordo com a Contabilidade, os pagamentos detalhados a seguir foram utilizados para o pagamento de títulos/duplicatas dos fornecedores GOODMETAL, LEVAL ou METAIS DESCK. Na análise das planilhas contendo os envios de TED´s apresentadas pelo Banco HSBC (TEDS HSBC), entretanto, constatamos que estes pagamentos foram direcionados a contribuintes diferentes. De fato, foram encontrados vários pagamentos nesta mesma situaçõa, entretanto selecionamos apenas uma amostragem para ilustrar essa situação, mostrada abaixo. Analisando essa planilha de envio de TED´s, não constatamos nenhuma pagamento a GOODMETAL, LEVAL ou METAIS DESCK. O fato constatado acima, a meu sentir, já seria mais que suficiente para desacreditar os documentos fiscais vinculados às três fornecedoras abordadas no TVF; nada obstante, a Fiscalização, ainda assim, lavrou sucessivos termos de intimação ao recorrente, premendo por esclarecimentos sobre as conclusões acima reproduzidas; e, como já dito anteriormente, o contribuinte permaneceu silente, nada esclarecendo sobre as incongruências observadas em sua contabilidade, tomadas em comparação com as informações econômico financeiras extraídas de seus extratos bancários. Não bastasse os cuidados tomados, acima abordados, a D. Auditoria ainda se ocupou de investigar, com profundidade exemplar (no mais estrito respeito às regras do art. 142 do CTN), as empresas pretensamente fornecedoras do recorrente e, tal qual já alertado no relatório deste acórdão, atestou, para alem de dúvidas razoáveis, a inexistência de fato das aludidas empresas, mesmo à época do fatos apurados no feito. Enfim, os autos de infração ora questionados foram lavrados e, mais importante, instruídos com a absoluta observância das regras encartadas na legislação tributária (em especial a IN 1.005 citada anteriormente), além de estar em total consonância com o entendimento atualmente adotado pelo C. STJ (conforme ementa de julgado trazida pelo próprio contribuinte). Lado outro, a situação apontada nos dois últimos parágrafos retro (não refutada pelo insurgente), demonstra que o contribuinte tinha ciência exata e precisa da inidoneidade dos documentos fiscais registrados como despesas operacionais (o que será melhor abordado no tópico da qualificação da multa de ofício), afastandose, neste ponto, a alegação de que tais operações teriam sido pactuadas de boafé. Me permitam, aqui, reproduzir as seguintes conclusões do acórdão recorrido que bem resumem a inegável improcedência da pretensão recursal: Apesar de intimado e reintimado várias vezes, o contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamentos e nem outros elementos que pudessem dar validade para comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições de mercadorias dos fornecedores mencionados, concluindose assim, pela inidoneidade das notas fiscais que lastreariam tais aquisições. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.465 9 A Fiscalizada ora Impugnante, simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência das três empresas fornecedoras, conforme demonstrado acima, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas. Por tudo o que expus, entendo, não merecem reparos a decisão recorrida. II.2 Da alegada prescrição (originária ou intercorrente). Quanto a este argumento, permissa venia, não me estenderei; com bem dito pela decisão a quo, só há que falar em prescrição do direito do fisco de cobrar o crédito tributário a partir de sua constituição definitiva, que se opera, e somente pode se operar, nos termos do art. 145, I, c/c art. 174, caput, do CTN, quando da "constituição3" em definitivo da obrigação (que não se opera enquanto não julgadas as defesas e recursos opostos pelo contribuinte). Como consentâneo lógico da assertiva acima, também não se aplica, ao processo administrativo, a figura da "prescrição intercorrente", como aliás, já restou pacificado por este Conselho através da Súmula 11, cujo verbete transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Sem qualquer lastro técnico ou legal a alegação em testilha, pelo que absolutamente correto também quanto este ponto o acórdão ora combatido. II.3 Da multa qualificada e da alegada decadência. A despeito de tratados separadamente pelo recurso voluntário e, também, pelo acórdão recorrido, analisarei, aqui, conjuntamente, as duas alegações concernentes à multa qualificada e a decadência. No que toca à tipificação da hipótese tratada pelo art. 44,§ 2º, da Lei 9.430/96, ainda que o contribuinte, em suas razões de apelo, se limite a dizer não ter ocorrido fraude ou simulação no caso em testilha (sim, isto é tudo o que diz o contribuinte sobre este tema), a conclusão fiscal é inafastável, principalmente a luz dos fatos identificados no TVF. Peço licença, aqui, para invocar o seguinte trecho do relatório fiscal que representa o fato/tipo da simulação tratada pelo art. 72 da Lei 4.502/77 e que autoriza a qualificação da multa ofício aplicada ao caso: A simulação consistia na emissão de um determinado pagamento para o pagamento de um título comercial de uma fornecedora inexistente, que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização de transação comercial que representava. 3 Com as críticas que tal expressão merece. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.466 10 Realmente, a partir das demonstrações já invocadas no tópico II.1, deste voto, é possível extrair a constatação de que as movimentações bancárias referenciadas pela contabilidade indicavam transferências realizadas para pessoas outras em momento algum noticiadas no razão de efls. 609/695; numa análise rasa e descuidada deste documento e dos próprios extratos bancários, semelhante conduta poderia passar despercebida pelos órgãos fiscais, já que o contribuinte indicava, de fato, a quitação dos títulos/duplicatas. Na opinião deste relator, contudo, a situação me parece até um pouco mais grave que a identificada neste feito porque, a teor dos citados extratos, o recorrente pagou, efetivamente, valores à terceiros (pessoas físicas e pessoas jurídicas), pagamentos estes não referendados por sua escrita contábil, fato que comprova hipótese de pagamento sem causa e, lado outro, somado aos fatos apurados neste processo, indicia a possível ocorrência de compra de mercadorias sem nota fiscal ou, quiçá, o crime tipificado no art. 1º da Lei 9.613/98. Seja como for, os documentos que instruíram a autuação e a própria fundamentação constante do TVF dão conta de que as operações concretizadas pelo recorrente objetivaram "a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais", estando suficientemente demonstrada a tipificação da hipótese descrita no art. 44, § 2º, da Lei 9.430/96. Quanto a alegação de desproporcionalidade/inconstitucionalidade do percentual da penalidade aplicado, tal questionamento não tem cabimento na seara administrativa, restando aos Agentes da Administração Pública, e também à este Conselho, aplicar a lei independentemente de qualquer juízo de validade desta a luz da Carta Magna (como, aliás, pontua, o próprio art. 62, caput, do RICARF). Pois bem, uma vez assentado no caso concreto a ocorrência de fraude (mediante simulação), fica definitivamente prejudicado o argumento do contribuinte concernente à decadência. Aqui, lançando mão da faculdade descrita no art. 57, § 3º, do RICARF, me permitam reproduzir as razões de decidir da DRJ, com a quais concordo e, por isso, adoto: No presente caso, não houve pagamento algum, já que não houve qualquer pagamento dos tributos lançados no período. Além disso, não há dúvida de que a infração foi praticada intencionalmente, caracterizandose o dolo, fraude ou simulação. Logo, a contagem do prazo decadencial devese fazer nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN. No caso do IRPJ e da CSLL, em virtude da apuração pelo regime de Lucro Real Anual, o fato gerador ocorreu em 31/12/2011, com vencimento em 30/03/2012. Por conseguinte, o lançamento já poderia ter sido efetuado no ano de 2012, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte, em 01/01/2013. Logo, o fisco teria até cinco anos contados de 01/01/2013 para efetuar o lançamento. Esse prazo expiraria, portanto, em 01/01/2018. Visto que as ciências dos sujeitos passivos se deu em 09/11/2016, não há dúvida de que o fisco efetuou o presente lançamento antes da expiração do prazo estipulado pelo artigo 173 do CTN. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10932.720068/201617 Acórdão n.º 1302002.913 S1C3T2 Fl. 1.467 11 Já no caso da contribuição para o PIS e da Cofins, de apuração mensal, os fatos geradores mais antigos ocorreram no mês de março de 2011. Por conseguinte, o lançamento já poderia ter sido efetuado no próprio ano de 2011, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte, em 01/01/2012. Logo, o fisco teria até cinco anos contados de 01/01/2012 para efetuar o lançamento. Esse prazo expiraria, portanto, em 01/01/2017. Visto que as ciências dos sujeitos passivos se deu em 09/11/2016, não há dúvida de que o fisco efetuou o presente lançamento antes da expiração do prazo estipulado pelo artigo 173 do CTN. Não há, digase, reparos a fazer na decisão de primeiro grau, seja quanto a qualificação da multa, seja quanto a decadência alardeada pelo recorrente. III Conclusão. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso em relação ao devedor solidário e, quanto ao devedor principal, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001357/2003-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda
Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a
decadência e cancelar a autuação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no inciso I, do art. 173, do CTN,
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a decadência e cancelar a autuação, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no inciso I, do art. 173, do CTN, 11,1,,,-L LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEIGÀ EDITADO EM: OCHA - Relator 20 DEZ 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SUSA S/A, CNN 61.602,439/0001-89, sucessora por incorporação de VENDEX DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 43.669A 18/0001-10, sucessora por incorporação de NOVASUSA COMERCIAL LTDA., CNPJ 57934A 76/0001- 38, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-12.150, de 11/01/2007, da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - 1 / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, cujos excertos reproduzo a seguir. Trata o processo administrativo fiscal (PM') de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe em 15/04/2003. Foi efetuado ajuste da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 96 e 97), referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997, no valor de R$ 1.558.457,68, 2. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizou-a no Termo de Verificação e Intimação para Ajustar o LALUR (fls. 92 a 94), no qual relata o resultado da auditoria fiscal. 3. Em resumo, assegura que a contribuinte não adicionou, na apuração do lucro real do ano-calendário de 1997, o percentual mínimo de lucro inflacionário a realizar determinado pela legislação tributária vigente à época. t- 5. A contribuinte, que tomou ciência do auto de infração em 15/04/2003, apresentou impugnação em 14/05/2003, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 103 a 118), alegando, em síntese, o que segue: 5.1. De plano, pugna pelo reconhecimento da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário, com base no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional (CTN). 5,2. Pede também pelo reconhecimento da decadência relativa aos percentuais mínimos de realização obrigatória referente aos anos-calendários de 1993 a 1997. 5,3. Em seguida, alega que realizou integralmente o saldo de lucro inflacionário nos anos-calendários de 1992 e 1993, por intermédio de compensação com prejuízos fiscais acumulados. 5.4. Requer a declaração de nulidade do auto de infração. A 7a Turma da DRI em São Paulo - 1 / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-12.150, de 11/01/2007 (fis. 174/180), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador.' 31/12/1997 2 Processo n° 19515.001357/2003-94 Acórdão 1301-00.369 S1-C3T1 Fl. 2 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, PRAZO QUINQUENAL, DECADÊNCIA. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica apurado com base no lucro real anual se insere no rol dos lançamentos por homologação. Entretanto, quando não há o pagamento do imposto, a contagem de prazo decadencial se dá à luz do art. 173, I, do CTN. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA, Procede o lançamento de oficio alusivo à realização mínima obrigatória do lucro inflacionário diferido, se o contribuinte não adotou espontaneamente o procedimento. Por oportuno, esclareço que foram excluídas da exigência as parcelas do lucro inflacionário correspondentes às realizações mínimas que deveriam ter sido oferecidas à tributação nos anos-calendário 1993, 1994, 1995 e 1996. Ciente da decisão de primeira instância em 06/02/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 185, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/03/2008 conforme carimbo de recepção à folha 188. No recurso interposto (fls. 190/209), a interessada reitera, preliminarmente, os argumentos anteriormente trazidos acerca da decadência, escudada no art. 150, § 40, do CTN. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa que entende favorável a sua tese, No mérito, a recorrente insiste em que o lucro inflacionário já teria sido integralmente realizado nos exercícios 1992 e 1993. Parte desse lucro inflacionário teria sido compensado com prejuízos fiscais acumulados em 31/12/1992. A parcela remanescente teria sido realizada proporcionalmente ao percentual de realização dos ativos nos meses de janeiro a julho de 1993. A interessada busca demonstrar suas afirmações mediante análise das partes A e B de seu Lalur e sustenta, ainda, que tal realização antecipada lhe seria facultada pela legislação vigente à época. A seguir, questiona o não reconhecimento, na autuação, da decadência relativamente aos percentuais mínimos de realização obrigatória nos anos de 1993 a 1997. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida e o integral cancelamento do auto de infração ou, alternativamente, a realização de diligência "para apuração dos pontos levantados neste recurso". A unidade preparadora identificou "irregularidades/desatualizações" no que toca à representação processual e à documentação societária apresentadas, e intimou (fl. 242) a interessada a corrigi-las mediante a apresentação de contrato social consolidado e atualizado, além de instrumento de mandato com firma reconhecida e rigorosamente consoante com o disposto no Código Civil e no contrato social, Tal intimação, enviada à interessada por via postal, não foi atendida. Ainda assim, o processo foi enviado ao CARP. É o Re1atóri 3 4 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha O recurso é tempestivo. Inicialmente, devem ser verificados os aspectos de representação processual e documentação societária apresentadas. Compulsando os autos, constato que os fatos geradores em questão foram praticados pela pessoa jurídica Novasusa Comercial Ltda., CNPJ57.934.176/0001-38. Posteriormente, essa pessoa jurídica foi incorporada por Vendex do Brasil Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 43.669A 18/0001-10, a qual veio a ser autuada, na qualidade de sucessora. Finalmente, a Vendex foi incorporada por Susa S/A, CNPJ 61.602.439/0001-89, a qual é, atualmente, o sujeito passivo da obrigação tributária aqui discutida. Resta verificar, então: (1) se existe nos autos instrumento de mandato hábil a outorgar poderes aos signatários do recurso voluntário para a prática desse ato; e (2) se tais poderes foram outorgados por quem efetivamente podia fazê-lo, no exercício da representação da pessoa jurídica. Quanto ao primeiro aspecto acima, o recurso voluntário foi subscrito pelos advogados Dr. Plínio J. Marafon, Dra. Juliana Moura Borges Maksoud e Dra. Mariana Zechin Rosauro (fl. 209). O instrumento particular de mandato de fl. 210 outorga amplos poderes, inclusive para a prática de atos perante a administração pública, a essas três pessoas, e é subscrito pelos Srs. Arnaldo Bisoni — Diretor Presidente, e Edio Bérgamo — Diretor Financeiro. Tal instrumento, entretanto, não está datado, nem as firmas dos seus subscritores foram reconhecidas. Ainda, às fls. 166/167, encontro cópia autenticada de outro instrumento particular de mandato, este datado de 20/08/2004, subscrito pelo Sr. Edio Bérgamo em nome da Susa S/A, com firma reconhecida, outorgando poderes, entre outros, ao advogado Dr. Plínio J. Marafon. Considero, assim, que o primeiro aspecto a ser verificado foi atendido, posto que ao menos um dos signatários do recurso voluntário (Dr. Plínio J. Marafon) possuía poderes para tanto, outorgados pelo sujeito passivo Susa S/A, No que toca ao segundo aspecto supra, não encontro nos autos cópia do estatuto societário da pessoa jurídica Susa S/A, nem de ata de reunião de diretoria que nomeie seus diretores. Entretanto, encontro às fls. 212/224 o Protocolo e Justificação de Incorporação da Vendex do Brasil Indústria e Comércio Ltda., datado de 17/11/2003, no qual tanto a incorporada Vendex quanto a incorporadora Susa S/A se fazem representar por seus diretores Arnaldo Bisoni e Edio Bérgamo. Também às fls, 225/228 , encontro o Instrumento Particular de Extinção em virtude de incorporação da Vendex do Brasil, datado de 15/12/2003, do qual participam os mesmos Srs. Arnaldo Bisoni e Edio Bérgamo. Finalmente, encontro às fls. 161 e seguintes cópia autenticada da ata da Assembléia Geral Extraordinária da Susa S/A, realizada em 15/12/2003, ocasião que foi aprovada a incorporação da Vendex do Brasil e respectivo protocolo e justificação de incorporação. Dessa AGE participaram os Srs. Arnaldo Bisoni e Edio Bérgamo, respectivamente na qualidade de presidente e secretário da mesa. Processo nü 19515.001357/2003-94 Sl-C3T1 Acórdão n 1301-00.369 Fl. 3 Diante do exposto, é de se admitir que há indícios fortes, variados e convergentes de que o Sr, Edio Bérgamo, ao subscrever o instrumento de mandato de fis. 166/167, tenha agido no exercício da representação da pessoa jurídica Susa S/A, Considerando, ainda, o princípio da formalidade moderada, aplicável ao processo administrativo fiscal, tenho por atendidos os pressupostos de representação processual, e conheço do recurso. Preliminarmente, argúi a recorrente a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento, Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art.. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ -1 Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. àç 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação. Quanto ao IRPJ, discutido no presente processo, entendo submeter-se ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. A regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento. Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. WALDIR A ROCHA - Relator O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Em primeira instância, a Turma Julgadora entendeu que, na ausência de pagamento, o dispositivo aplicável seria o inciso 1 do art. 173. Pelo anteriormente exposto, não sigo essa linha de pensamento e devo divergir. Observo que, no caso concreto, o contribuinte optou, no ano-calendário 1997, pela tributação com base no lucro real anual (fl. 33), apurou prejuízo fiscal no montante de R$ 10333.441,05 (fl. 38) e, por consequência, não fez qualquer pagamento de IRPJ. O contribuinte adotou, portanto, os procedimentos de apuração do imposto da forma que lhe pareceu correta, e deles deu conhecimento ao Fisco, mediante a tempestiva entrega da declaração apropriada. Considero, pois, perfeitamente caracterizado o exercício da atividade pelo contribuinte de tal forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4 0, do CTN. Assim, ao tributo aqui discutido devem ser aplicadas as disposições do art. 150, § 40, do erN, o que implica a necessidade de rever a decisão a qzio. No ano-calendário 1997, o lançamento foi feito por período de apuração anual, para o IRPJ. Consumando-se os fatos geradores tributários em 31/12/1997, e tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 15/04/2003 (fl. 97), constato que a decadência alcançou a totalidade do auto de infração ora discutido. Deixo de apreciar os demais argumentos de defesa, que se tornaram irrelevantes diante do acolhimento da preliminar de decadência. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto e pelo cancelamento integral do auto de infração, em face da decadência. 6
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Numero do processo: 10880.928999/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.915297/2008-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 99 /2 00 8- 12 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.928999/200812 Acórdão n.º 3302005.531 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo/SP pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que os valores referentes ao período foram recolhidos a maior gerando direito a compensar, sendo que os dados da DCTF foram corrigidos posteriormente por meio de DCTF retificadora, sendo os débitos devidamente compensados, requerendo o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação declarada. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16031.393. Após ciência ao acórdão de primeira instância apresentou o recurso voluntário , sem argüições preliminares, no que concerne à tempestividade. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.928999/200812 Acórdão n.º 3302005.531 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.517, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.915297/200861, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.517): "Examinando os elementos componentes dos autos, constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal em 17/06/2011, sexta feira, com o Aviso de Recebimento AR de fl. 108. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 21/07/2011 (fl. 53), quintafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 19/07/2011, na terçafeira anterior, ao do protocolo recursal, em 21/07/2011. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a intempestividade da peça interposta. Em face de todo o exposto, considerando que a peça não atende a requisito essencial de admissibilidade, a tempestividade, voto por não conhecê la." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade do Recurso Voluntário não atendendo a requisito essencial de admissibilidade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 119DF CARF MF
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