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Numero do processo: 10283.720614/2007-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:1999, 2000, 2001
Ementa:.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO RECURSO DE OFÍCIO Caracterizada a omissão no acórdão que não examinou o recurso de
ofício, devem ser acolhidos os embargos interpostos.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. O
agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável,
descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações.
Numero da decisão: 1401-000.416
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão nº 120100.001,
complementando-lhe o fundamento jurídico para negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, conhecer os embargos de declaração para reratificar o acórdão nº 120100.001, complementandolhe o fundamento jurídico para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls.614/615) em que se alega OMISSÃO no Acórdão nº 120100.001, proferido pela 1ª Turma ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 597/609), relativamente ao provimento parcial apenas para desagravar a multa em 50%. A embargante assim expõe a omissão: (...)Em razão disso, a Colenda Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém PA, apresentou Recurso de Ofício, nos seguintes termos: "Remetese de ofício ao Egrégio Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70235, de 1972, com a redação dada pelo art, 64 da Lei n° 9532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria do MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008, em razão do valor exonerado ter ultrapassado o limite de alçada." Ocorre que, de uma leitura atenta do voto condutor do v. acórdão embargado, percebese que não houve qualquer manifestação acerca do referido Recurso de Ofício, tendo a discussão centradose apenas nas razões do Recurso Voluntário do contribuinte. Considerando, pois, que o acórdão foi omisso quanto à matéria objeto do Recurso de Ofício, requer o conhecimento e provimento dos presentes embargos para que seja suprida tal omissão, com a apreciação do Recurso de Ofício.” Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Da análise perfunctória dos autos, por entender estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi proferido despacho de informação propondo à Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que submetesse referidos embargos à deliberação da Turma, que foi aceito como proposto. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Do lançamento O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRFVitóriaES, em 28/10/2004: de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, de fls. 701/713, no valor de R$ 58.543,51; de Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de fls. 714/721, no valor de R$ 3.746,12; de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, de fls. 730/737, no valor de R$ 35.004,24; e de Contribuição para Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 140100.416 S1C4T1 Fl. 620 3 Financiamento da Seguridade Social – COFINS de fl. 722/729, no valor de R$ 17.289,95; todos acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, além de multa isolada, no montante de R$ 149.897,53, por falta de recolhimento de IRPJ calculado por estimativa. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o “Termo de encerramento de ação fiscal tendente a relatar a constituição do crédito tributário” de fls. 669/700, decorre da constatação (em 08/08/2003 – Termo de fls. 109/118) de recursos fornecidos por sócios para suprimento de caixa (fls.674/675) e para quitação de obrigações da interessada (fls. 676/678), cuja a mesma, juntamente com seus sócios, devidamente intimada e com seus pedidos de prorrogação de prazo deferidos, não comprovou a origem e a efetividade da entrega, senão para o pagamento destacado às fls. 681, cuja somente a efetividade da entrega foi comprovada. Assim, a fiscalização autuou os valores glosados como omissão de receitas, valendose de suposta presunção legal insculpida no parágrafo 3º, do artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977. Foi apurado também que, nos meses dos anos calendário de 2000 a 2002, a interessada deixou de recolher o IRPJ e a CSLL mensais por estimativa, em virtude de ter levantado balanços ou balancetes de suspensão/redução, conforme consta de suas DIPJ apresentadas (fls. 514/627). Assim, em função da apuração de receitas omitidas, foi elaborado o demonstrativo de multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPJME e CSLLME (fls. 689/692), que considerou as bases de cálculo mensais declaradas pela interessada, conforme suas DIPJs, acrescida das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, considerando também a dedução de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de períodosbase anteriores, observado o limite legal de 30% do resultado apurado, resultando na cobrança de multa isolada nos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2000; janeiro, março, junho, julho, outubro e dezembro de 2001; e janeiro, feerero, março, abril, maio e junho de 2002. A omissão de receitas teve o enquadramento legal para o IRPJ nos artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282 e 288 do Regulamento para o Imposto de RendaRIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º; DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II; e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. As Multas Isoladas tiveram o enquadramento legal nos arts. 222, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV do RIR/1999. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 29/11/2004, a impugnação de fls. 743/780, juntando os Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 documentos de fls. 781/1000, onde descreve a autuação, e alega, em síntese, que: Os valores não circularam no caixa da empresa, tendo sido os pagamentos efetuados diretamente “por conta e ordem da empresa através de seus sócios”, havendo conversão de créditos em capital, na medida que a transferência se deu essencialmente por mútuo entre as partes. Que assim teria ocorrido lançamentos incorretos na contabilidade, que terão de ser demonstrados através de perícia contábil Reconhece que lhe cabe o ônus da prova, reiterando o pedido de diligência, com base nos princípios da ampla defesa e contraditório, e da necessidade de comprovação dos fatos. Que o lançamento é atividade administrativa vinculada, conforme o artigo 142 do CTN, alegando que, segundo o resultado da perícia solicitada, “saltará aos olhos de qualquer um” que a autuante desatendeu alguns de seus itens, sem especificar que itens. Transcreve o art. 221 do DecretoLei nº 05/1975, protestando que no corpo do auto de infração deve constar a descrição do fato punível e que não há ligação entre a realidade dos fatos e a cominação da autuação. Afirma que os atos societários, especificamente as alterações contratuais registradas no Registro de Comércio, fizeram previsão de integralização do aumento de capital através de conversão de créditos dos sócios, o que julga prever a possibilidade dos mesmos efetuarem pagamentos de obrigaçõe da sociedade, sem a efetiva necessidade do ingresso do numerário respectivo em seu caixa, sendo tal modalidade de operação um contrato de mútuo, regulamentado peo Código Civil, . Reitera que o que ocorreu foi a realização de obrigações da sociedade pelos seus sócios, gerando para esta uma dívida para com eles, que , por sua vez, detentores de um crédito, optaram pela sua conversão em aumento de participação societária através de realização de aumento de capital. Transcreve ementas do Egrégio 1º Conselho de Contribuintes que julga concluir pela não presunção de omissão de receitas no caso de existência de mútuo com conversão de credito em aumento de capital. Argüi se a autuação que julga “parcial” não seria motivada por notícias veículadas nos meios de comunicação acerca de possível envolvimento de um dos sócios da empresa em atividades delituosas, refutando que o Sr. Rui Carlos Baromeu Lopes foi absolvido no Poder Judiciário de todas as acusações feitas em seu desfavor, tendo acionado civil e criminalmente os responsáveis pelos transtornos a ele causados em ataques infundados de cunho político. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 140100.416 S1C4T1 Fl. 621 5 Protesta pela inconstitucionalidade da multa de ofício, no percentual de 150%, por ser a mesma confiscatória (ferindo o art. 150 da Constituição Federal), transcrevendo pensamentos e jurisprudências que corroboram seu protesto. Requer Perícia contábil, cumprindo as exigências contidas no inciso IV do artigo 16 do Processo Adminsitrativo FiscalPAF, onde formula os seguintes quesitos: a) Queira o Senhor Perito informar quais as rubricas que foram ingressadas na empresa, originadas de pagamentos do sócio por conta e ordem da empresa. Favor detalhar com data, valor, destinação e documento que comprova a aplicação. b) A contabilidade da empresa escriturou corretamente os pagamentos efetuados pelo sócio, por conta e ordem da empresa? Fazer comentários e descrever as situações. c) Nos pagamentos por conta e ordem, ficou caracterizada a essência de OPERAÇÕES DE CONTRATO DE MÚTUO? Fazer comentários e exemplificar. d) A conversão de créditos contábeis em capital social, foi escriturada corretamente na contabilidade da empresa? e) Considerando o resultado dos ítens anteriores, emita sua opinião, se houve alguma integralização de capital caracterizada por moeda corrente. Encerra pedindo o cancelamento dos autos de infração, ou o recálculo das multas exigidas, sem se insurir especificamente contra a aplicação da multa isolada. É o relatório. O presente processo somente agora está sendo analisado, em face do volume e das condições dos serviços.” É o relatório, no que interessa a este julgamento. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Com razão a embargante. Há omissão no julgado a ser sanada. Este colegiado negou provimento em relação ao recurso voluntário e omitiu se em relação ao recurso de ofício. Passo então a enfrentar essa matéria que foi omitido no Acórdão embargado. RECURSO DE OFÍCIO Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 Apesar de a matéria não ter sido ementada, a DRJ de fato cancelou o agravamento da multa em 50% e recorreu de ofício a este Conselho, nos seguintes termos: O contribuinte foi intimado para prestar esclarecimentos, apresentar extratos bancários e livros contábeis, conforme intimações de fls. 04 e 21, e não o fez. O agravamento da multa determinado no §2º do art. 44 no caso de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos deve ser aplicado quando configurada a intenção do sujeito passivo em não atender a intimação da fiscalização, o que no caso em questão não ficou caracterizado pela existência de apenas duas intimações feitas ao contribuinte. A autuada também questiona a multa de ofício aplicada em relação ao percentual majorado (112,5%). A multa cabível nos lançamentos de ofício é regulada pelo artigo 44 da Lei 9.430/1996: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; (...)” (negritei) A jurisprudência deste Colegiado vem seguindo na linha de que o agravamento da multa só se justifica quando plenamente caracterizada a recusa no atendimento às solicitações ou ainda quando o atraso ou o não atendimento causa prejuízos à ação fiscal. De fato a intenção do legislador foi mesmo estabelecer um mecanismo de punição nas situações em que o atraso no fornecimento das informações solicitadas possa acarretar prejuízos ao procedimento fiscal. Registrese que a norma fala em “prestar esclarecimentos” e não em “apresentar documentos”. Isso porque a não apresentação de documentos implicaria para o sujeito passivo a possibilidade de ter seu resultado apurado por arbitramento, o que lhe Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10283.720614/200711 Acórdão n.º 140100.416 S1C4T1 Fl. 622 7 imputaria um ônus tributário maior como de fato ocorreu no presente caso. Assim, seria desnecessário o agravamento da multa. Ainda que se pudesse interpretar extensivamente o preceito legal para incluir situações em que o atraso referese a documentos solicitados, como já se colocou retro a jurisprudência deste Colegiado restringe a aplicação da multa às situações nas quais o atraso ou o não atendimento tenha comprovadamente causado prejuízos ao Fisco. Não foi o que aconteceu. Ao contrário, como já se colocou, o lucro foi arbitrado e a exigência foi formalizada com base nas informações prestadas pelo sujeito passivo, ou seja, o não atendimento ou o atendimento insuficiente não afetou a apuração da irregularidade. Outrossim, conforme colocado pela DRJ foram parcas as intimações (duas) e o próprio fiscal apenas adverte na segunda intimação que “o não atendimento, ensejará lançamento com as informações de que se dispuser (artigo 845 do RIR/99).” Portanto, nego provimento ao recurso de ofício. Diante de todo o exposto, conheço e acolher os embargos de para reratificar o Acórdão nº.120100.001, complementandolhe o fundamento jurídico para também NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005757/2009-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 57 57 /2 00 9- 49 Fl. 5395DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 5397DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 5399DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 5400DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 5401DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 5402DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 5403DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5404DF CARF MF Processo nº 10935.005757/200949 Acórdão n.º 9202005.839 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 5405DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722916/2010-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. ISENÇÃO. COFINS.
Considerando que os serviços sociais autônomos - SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR - entidades paraestatais instituídas por lei específica, exercem atividades e prestam serviços em caráter complementar às atividades do Estado, deve-se considerar como rendas relacionadas às suas finalidades essenciais, não sujeitas a cobrança da Cofins, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.158-35/01, aquelas destinadas ao atendimento e à manutenção de seus objetivos institucionais, independentemente de sua natureza e origem.
Numero da decisão: 9303-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ISENÇÃO. COFINS. Considerando que os serviços sociais autônomos SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR entidades paraestatais instituídas por lei específica, exercem atividades e prestam serviços em caráter complementar às atividades do Estado, devese considerar como rendas relacionadas às suas finalidades essenciais, não sujeitas a cobrança da Cofins, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, aquelas destinadas ao atendimento e à manutenção de seus objetivos institucionais, independentemente de sua natureza e origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 16 /2 01 0- 46 Fl. 452DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 330101.488, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. ISENÇÃO. COFINS. Os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR), são instituições criadas e reguladas por lei, as quais exercem atividades complementares e auxiliares ao Poder Público, com dotações orçamentárias específicas e previstas em lei, e constituem suas receitas próprias todas aquelas destinadas ao alcance de seus objetivos institucionais, estando por isso albergada pelo benefício da isenção da Cofins, nos termos dos arts. 13, VI e 14, X, da MP nº 2.15835 2001. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, entre outros, que: · A análise dos arts. 13, III, c/c 14, inciso X, da MP 2.1583/01 não leva a outra interpretação senão a explicitada no §2º do art. 47 da Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 453 3 IN SRF 247/2002, qual seja, a de que as receitas derivadas das atividades próprias das entidades isentas referemse apenas às “contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores com caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. ”; · Dessa maneira, não se pode conceber como “receitas próprias” aquelas decorrentes de contraprestação de serviços oferecidos; · A decisão recorrida, portanto, além de negar aplicação ao § 2º do art. 47 da IN SRF 247/2002, busca dar interpretação extensiva aos arts. 13, III, c/c 14, X, da MP nº 2.15835/2001 (editada inicialmente sob o nº 1.858/99), para abarcar na isenção da COFINS receitas da entidade autuada que nada têm de “próprias”, contrariando, dessa forma, a diretriz do art. 111, II, do CTN Em Despacho às fls. 432 a 434, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que pugnou pelo não provimento do recurso especial da fazenda, trazendo, entre outros, que: · As receitas decorrentes de atividades imobiliárias, de aplicações financeiras e de prestações de serviços não podem ser tributadas pela Cofins, pois são fontes de financiamento de suas atividades; · Tais receitas são reaplicadas na própria entidade, não havendo que se falar em exploração comercial de qualquer atividade no âmbito do SESI. É o relatório. Voto Fl. 454DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos requisitos de admissibilidade, eis que a divergência apontada foi descrita adequadamente no Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Eis que o acórdão recorrido traz o entendimento de que os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR), são instituições criadas e reguladas por lei, as quais exercem atividades complementares e auxiliares ao Poder Público, com dotações orçamentárias específicas e previstas em lei, e constituem suas receitas próprias todas aquelas destinadas ao alcance de seus objetivos institucionais, estando por isso albergada pelo benefício da isenção da Cofins, nos termos dos arts. 13, VI e 14, X, da MP 2.15835/2001. Enquanto nos acórdãos indicados como paradigma a receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Em vista de todo o exposto, a meu sentir, resta comprovada a divergência de que trata o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, a priori, temse que o Serviço Social da Indústria SESI é uma entidade paraestatal, sem fins lucrativos, que desenvolve atividades educacionais e culturais, concede bolsas de estudo e cursos de aperfeiçoamento, realiza estudos e pesquisas de interesse da indústria e das atividades assemelhadas. Sendo uma entidade com finalidades específicas, importante recordar para melhor discorrer sobre o cerne da lide que a MP 2.15835/01, prevê a Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 454 5 mencionada isenção para a Cofins em seu art. 13, inciso III e IV c/c art. 14, inciso X (Grifos meus): "Art. 13. A contribuição para o PIS/Pasep será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [..] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; [..]” “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art 13. [...]” É de se considerar que, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, ficam isentas da Cofins as receitas “relativas” às atividades próprias das entidades de educação, assistência social e instituições de caráter filantrópico, recreativo e cultural. É de se trazer ainda o art. 195 da CF/88: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Fl. 456DF CARF MF 6 Ressurgindo ao art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01, cabe discorrer sobre o significado e alcance do termo “relativas” contemplado no referido dispositivo, pois, não obstante eu entender de forma extensiva para fins de aplicação da isenção da Cofins às receitas auferidas pelas entidades, a Fazenda Nacional entende que se deve observar – para fins de isenção da referida contribuição, o disposto no art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02, in verbis (Grifos Meus): “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: [...] II São isentas da COFINS em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. [...] §2º. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” Notase que, de acordo com a norma infralegal, somente se caracterizam como receitas de atividades próprias para fins de fruição da isenção da Cofins as receitas auferidas pela entidade em caráter gratuito, isto é, receitas cujo recebimento não se dá por contraprestação diretamente oferecida pela entidade. Vêse, assim, que se trata de interpretação bastante restritiva. Não obstante à interpretação restritiva dada pela autoridade fazendária desse termo “relativas” constante do mencionado dispositivo, entendo que o referido termo deva ser interpretado de forma harmônica com a finalidade da entidade, com o intuito de não obstaculizar ou interferir na finalidade dessa entidade junto à sociedade. Eis que tais entidades possuem um propósito social importante, capaz de empreender e motivar a sociedade para um bem comum, suportando o Estado no cumprimento de sua responsabilidade social. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 455 7 O que se torna importante não restringir a interpretação do termo “relativas” que, por sua vez, poderá direcionar a um entendimento mais condizente à sociedade – qual seja, de que haverá isenção da Cofins sobre todas as receitas auferidas pelas entidades, desde que os recursos registrados como receitas venham a ser aplicadas em suas atividades próprias para as quais foram constituídas. Sendo assim, é de se notar que há duas vertentes interpretativas: · A interpretação excessivamente restritiva trazida pelo art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02; e · A interpretação extensiva que traz que toda e qualquer receita da entidade, desde que os recursos tenham sidos aplicados na consecução de seus objetivos estatutários, são isentas da Cofins. A meu sentir, considerando o fim social da entidade ora em debate, direcionome à interpretação mais extensiva, pois independentemente de a entidade exercer as atividades já descritas, não vejo aí nenhuma óbice de se aplicar a isenção da Cofins sobre as receitas auferidas por ela, independentemente de serem provenientes de doações ou de contraprestações de serviços, desde que os recursos provenientes dessas atividades não sejam aplicadas em finalidade destoante da que foi instituída para essa entidade e desde que ainda a entidade observe, entre outros, os requisitos descritos no art. 14 do CTN e os citados em legislação específica– quais sejam, entre outros: · Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; · Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; · Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Sendo assim, importante constar que o sujeito passivo não é sociedade empresária, pois não explora, tampouco presta serviço de caráter empresarial, isto é, com objetivo de auferir lucros para serem distribuídos a seus Fl. 458DF CARF MF 8 associados ou administradores – não interferindo de per si na concorrência de mercado. O que entendo que seria nesse sentido que deveríamos ainda interpretar o art. 14, inciso I, do CTN. Eis que tal enunciado deixa claro que tais entidades não devem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a seus associados – devendo aplicar inteiramente no cumprimento de suas atividades sociais – diferentemente de uma sociedade empresária que, por sua vez, tem intuito lucrativo e concorrencial de mercado. A atual legislação concorrencial dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações de ordem econômica, sendo orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa aos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico, com o objetivo de preservar os mecanismos do mercado. De acordo com o Dicionário Michaelis, concorrência é a “pretensão de mais de uma pessoa à mesma coisa”, é a “competição”, é a “rivalidade entre os produtores ou entre negociantes, fabricantes ou empresários”. Portanto, a expressão contém a ideia de disputa entre agentes econômicos num espaço ou lugar – esse seria o mercado. Ensina Isabel Vaz (Apud: PEREIRA, Marco Antônio Marcondes. Concorrência desleal por meio da publicidade. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2001.p. 5): “A concorrência é um fenômeno complexo e um dos seus pressupostos essenciais é a liberdade, para que os agentes econômicos façam o melhor uso de sua capacidade intelectual e organizem da melhor maneira possível os fatores de produção de bens ou de prestação de serviços, de modo a obter produtos de boa qualidade e a oferecêlos no mercado a preços atraentes”. Sendo assim, para que haja concorrência é preciso que empreendedores disputem uma mesma clientela de um mercado. Por isso, há trâmites regulamentares que devem ser observados quando há pretensão de alterações Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 456 9 societárias entre empresas que atuam na mesma atipicidade e já possuem clientelas preferenciais e segmentadas no mercado. Proveitoso, assim, trazer que há várias regras a serem observadas na constituição de sociedades, para fins de se reprimir a concorrência desleal, por exemplo: · Proteção ao fundo de comércio; · Aviamento; · Proteção da atividade empresarial; · Tutela da clientela; · Defesa do patrimônio alheio; · Tutela do direito de da personalidade, respeito à moral profissional, usos e costumes do comércio. O legislador, por conseguinte, delimitou que o fundamento da repressão à concorrência desleal é o respeito ao uso honesto na atividade empresária, ou seja, a observância das regras aceitas no mercado como próprias da concorrência, sujeitas ao conceito aberto de correção profissional, isto é, de boafé que deve nortear os competidores entre si, e frente aos consumidores. Concorrência desleal, portanto, é aquele em que são usados meios ou métodos desleais, que mesmo não sendo delituosos, possibilitam aos prejudicados por seu emprego a reparação civil. Ressurgindome às instituições de assistência social e entidades de educação, constatase que tais entidades não podem desviar suas rendas para distribuir aos seus associados e ser um participante do mercado – com o intuito de concorrer com outras sociedades, pois não interfere na concorrência do mercado ao prestar serviços e aplicar as rendas dessa contraprestação em sua atividade própria. É de se considerar ainda que a instituição de assistência social e entidade de educação não está proibida de obter rendimentos que, por sua vez, podem ser aplicados, e são, normalmente, para a realização dos seus fins sociais o que elas Fl. 460DF CARF MF 10 não podem é distribuir os seus lucros e rendimentos aos associados e ser concorrente com sociedades do mercado que efetivamente prestam serviços equivalente com o intuito de se auferir lucro e distribuílos a seus sócios. A entidade não deve ter como intuito a busca de lucro, mas o cumprimento de sua finalidade a qual foi instituída; para tanto, devese gerir de forma responsável, buscando resultados positivos superávit. Assegurando a aplicação desse superávit em suas finalidades, dado sua ausência de capacidade contributiva, em função do múnus público assumido. Frisese que a realização de atividade remunerada voltada para a manutenção das finalidades estatutárias da entidade beneficente de assistência social não se confunde com a hipótese de incidência definida para o fato imponível da Cofins. Para melhor elucidar meu entendimento, transcrevo o voto vista do Ministro Dr. Moreira Alves emitido no âmbito do julgamento do RE 636.941/RS: “Do exame dos autos verifico que, entre os objetivos institucionais do recorrente, se encontram o da execução de medidas que contribuam para o aperfeiçoamento moral e cívico da coletividade através de uma ação educativa, bem como o de realizações educativas e culturais que visem à valorização do homem. Nesses objetivos, enquadrase, a meu ver, a atividade em causa, que não se limita aos comerciários e às suas famílias. Por outro, lado, observo que essa atividade não tem intuito lucrativo, uma vez que se destina à manutenção da entidade, e não à sua distribuição para os diretores dela. Ademais, no regulamento dessa entidade figura, entre as rendas que constituem seus recursos, as oriundas de prestação de serviços. Tenho, assim, que estão preenchidos os requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN para que a imunidade de que goza o recorrente abarque a atividade em causa. ” Nesse sentido, também, importante lembrar o Acórdão do STF referente ao julgamento do RE 237718/SP, assim ementado: Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 457 11 “Imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, c): sua aplicabilidade de modo a preexcluir a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais.” O Ministrorelator, Dr. Sepúlveda Pertence, em seu voto, assim delimita o conflito: “Tudo está em saber se a circunstância de o terreno estar locado a terceiro, que o explora como estacionamento de automóveis, elide a imunidade tributária do patrimônio da entidade de benemerência social (no caso, Província dos Capuchinhos de São Paulo). “ Depreendeu o nobre Ministro que renda relacionada às finalidades essenciais da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, qualquer que fosse a sua origem, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatutárias. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. Continuando, é de citar também o art. 12, §3º, da própria Lei nº 9.532/97 (Grifos Meus): “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Fl. 462DF CARF MF 12 Refletese a interpretação teleológica das normas, de modo a maximizarlhes o potencial de efetividade, como garantia ou estimulo à concretização dos valores sociais que inspiram limitações ao poder de tributar. O que me resta entender que o termo “relativas” do enunciado em questão atémse à destinação das rendas da entidade, e não à natureza destas independentemente da natureza da renda, sendo esta destinada ao atendimento da finalidade essencial da entidade. Nessa senda, cabe trazer ainda que o STJ, recentemente, na apreciação do REsp 1.353.111 – RS, em sede de repetitivo, apreciou e definiu o conceito de receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos para fins de gozo da isenção prevista no art. 14, inciso X, da MP 2.15835/01 – sendo publicada a a seguinte ementa (Grifos Meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 458 13 cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. [...] 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Fl. 464DF CARF MF 14 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." As Sras. Ministras Assusete Magalhães (votovista) e Regina Helena Costa e os Srs. Ministros Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Herman Benjamin, Napoleão Nunes Maia Filho e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Brasília (DF), 23 de setembro de 2015. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES , Relator” Portanto, nos termos da referida decisão, temse que as receitas das atividades próprias são todas as receitas que têm como titular (recebedor) a entidade e que se destinem à manutenção de suas atividades. Tal decisão está em consonância com a Súmula CARF 107: “Súmula CARF nº 107 : A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.” Assim, desinteressa discutir a denominação ou a classificação contábil das receitas, mas sim considerar que todos os recursos recebidos propiciariam ao custeio das suas atividades essenciais. Ante todo o exposto, conheço os motivos do sujeito passivo, uma vez entender que tais atividades encontram respaldo em suas finalidades essenciais – ora, não vejo necessidade que o sujeito passivo exaurisse, de forma clausulada, todas Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10680.722916/201046 Acórdão n.º 9303005.780 CSRFT3 Fl. 459 15 as formas pelas quais devesse o ente desenvolver suas atividades de forma a atender seus fins gerais, desde que não atuem diretamente no mercado com conotação específica no direito econômico, desta forma, finalisticamente, buscando o lucro. Pode até resultar em lucro determinada operação, mas este não é seu fim, e, caso haja lucro, este não pode ser distribuído. Frisese tal entendimento a inteligência da Súmula CARF nº 107: “A receita da atividade própria objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.” Em vista de todo o exposto, reforço o meu voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 466DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005233/2007-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 52 33 /2 00 7- 64 Fl. 275DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, sem os respectivos recolhimentos e declarados em GFIP – Guia do FGTS e Informações para a Previdência Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.005233/200764 Acórdão n.º 9202006.298 CSRFT2 Fl. 276 3 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 277DF CARF MF 4 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.005233/200764 Acórdão n.º 9202006.298 CSRFT2 Fl. 277 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 279DF CARF MF 6 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10830.005233/200764 Acórdão n.º 9202006.298 CSRFT2 Fl. 278 7 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 281DF CARF MF 8 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10830.005233/200764 Acórdão n.º 9202006.298 CSRFT2 Fl. 279 9 Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001774/2006-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2003
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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V. HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2003 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 74 /2 00 6- 02 Fl. 285DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.835 fls. 129/135) nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2003 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. 5. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10850.001774/200602 Acórdão n.º 3402004.791 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. O mérito da compensação realizada 7. A juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a sua origem decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Fl. 287DF CARF MF 4 8. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 9. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tãosomente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 11. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.720013/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa.
CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 72 00 13 /2 01 4- 51 Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.455 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 2/15), lavrado contra a empresa ADAR INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., proveniente de auditoria fiscal, que formalizou crédito tributário da Contribuição para o PIS no valor de R$ 1.447.448,77 e da COFINS no valor de R$ 6.667.036,76, perfazendo o total de R$ 8.114.485,53, e foi realizado com fulcro no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, a fim de prevenir a decadência das Contribuições do anocalendário de 2010, tendo em vista o Mandado de Segurança nº n° 2007.60.03.0003859, da 4ª Vara Federal de Campo Grande (MS), impetrado pela Recorrente acima identificada, buscando obter provimento jurisdicional que lhe assegurasse, para fins de apuração e recolhimento, retirar da base de cálculo de ambas as contribuições o valor do ICMS (cópias docs. fls. 53/240). Inconformada, a Recorrente impugnou o lançamento, alegando, preliminarmente, nulidade em razão de vícios do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), especificamente, no que tange à sua prorrogação, que teria ocorrido sem que dela o fiscalizado tivesse sido regularmente intimado. Disse ainda que o procedimento administrativo deve ser sobrestado, de modo a impedir a inscrição do débito em dívida. No mérito, sustentou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo de ambas as Contribuições, ao argumento de que o valor do imposto estadual não se subsume ao conceito de receita ou faturamento. No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a Impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0439.394, de 28/04/2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fls. 1.407/1.410): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.456 3 Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. MATÉRIA OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. EXAME NA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Matéria objeto de discussão em processo judicial não pode, concomitantemente, ser apreciada e decidia na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi intimado da decisão DRJ em 11/05/2015 (fl. 1.414). Descontente com a decisão de primeira instância, em 22/05/2015 (fl. 1.417), protocolou o recurso voluntário de fls. 1.418/1.438, repisando os argumentos apresentados na Impugnação, que, em síntese, reproduzo: (i) requer a nulidade do Auto de Infração, por conter vícios insanáveis no decorrer do procedimento fiscal (item II.1); (ii) solicita a necessidade do sobrestamento do PAF a bem da segurança jurídica, da eficiência dos Atos Administrativos e da legalidade (item II.2); (iii) no Mérito, requer a Improcedência do Lançamento, uma vez que a Recorrente está convicta de que o Auto de Infração contra ela lavrado será integralmente cancelado, em virtude do vício que maculou a ação fiscal que lhe deu origem ou, ao menos, sobrestado o andamento do processo administrativo fiscal dele decorrente para evitarse violação aos artigos 14 do Decreto Federal n° 70.235/72, art. 2ºo da Lei Federal n° 9.784/99 e 265, IV, "b", do CPC, normas flagrantemente violadas pela r. decisão recorrida (II.3). E prossegue aduzindo que, todavia, em observância ao princípio da eventualidade, passa a discorrer sobre a total improcedência do Auto de Infração, comprovandose, assim, que, no mérito, não lhe resta melhor sorte, devendo, no caso presente, ser afastada a Súmula n° 1 do CARF. (iii.a) discorre que o ICMS não é faturamento da Pessoa Jurídica; e (iii.b) que o ICMS não é receita auferida pela Pessoa Jurídica; Por fim, requer que seja reformada a r. decisão recorrida para que: (i) seja cancelado o Auto de Infração que deu origem aos presentes autos; ou, ao menos, (ii) seja determinado o sobrestamento do processo administrativo fiscal até o término dos autos do Mandado de Segurança n° 2007.60.03.0003859; ou, ainda, (iii) seja julgado totalmente Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.457 4 improcedente o Auto de Infração, haja vista a devida comprovação do direito da Recorrente em efetuar a exclusão do ICMS na apuração da base de cálculo das Contribuições PIS e COFINS, cancelandose, assim, o lançamento efetuado. Protesta ainda pela sustentação oral das razões do presente Recurso, requerendo seja previamente intimada do resultado nas pessoas dos seus representantes legais. Em 08/08/2017, protocolou petição (fls. 1.452/1.453), que requerer o cadastramento do crédito tributário objeto deste processo no sistema da RFB como "suspenso em razão de liminar ou tutela antecipada na forma do artigo 151, inciso V, do Código Tributário Nacional", apenas e tão somente até o julgamento final do Mandado de Segurança nº 000038515.2007.4.03.6003, no qual a Requerente discute o crédito tributário discutido nestes autos. Informa que tal providência se justifica porque o crédito tributário discutido nestes autos encontrase com a exigibilidade suspensa, não podendo ser cobrado neste momento, em virtude de ordem liminar concedida nos autos da Medida Cautelar nº 0004476.03.2016.4.03.0000, proferida pelo Exmo. Sr. Desembargador Mairan Maia, Vice Presidente do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região (cópia anexa às fls. 1.445/1.451). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide Como relatado, o processo trata de Autos de Infração, proveniente de lançamento de crédito tributário da Contribuição para o PIS e da COFINS realizado com fulcro no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, a fim de prevenir a decadência das Contribuições do ano calendário de 2010, tendo em vista o Mandado de Segurança nº n° 2007.60.03.0003859, da 4ª Vara Federal de Campo Grande (MS), impetrado pela Recorrente acima identificada, buscando obter provimento jurisdicional que lhe assegurasse, para fins de apuração e recolhimento, retirar da base de cálculo de ambas as contribuições o valor do ICMS. O lançamento foi efetuado sem a cobrança da multa de Ofício. 3. Preliminar de Nulidade Argumenta a Recorrente em seu recurso que "(...) Uma vez que o mencionado MPF n° 0140100.2013.00557, no qual se pautou a autuação foi prorrogado no prazo de 120 dias de sua emissão (20/03/2014), sem a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar e sem a intimação prévia da Recorrente (Docs. 17.a), o mesmo extinguiuse em (20/03/2013) (artigos 12 e 15, II, da Portaria n° 1.265/99). Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.458 5 E, como o Auto de Infração foi lavrado em 15/10/2014, ou seja, após o vencimento e consequente extinção do MPF que o embasou, verificase sua patente nulidade". Como se vê, a Recorrente protesta pela nulidade do Auto de Infração, alegando conter vícios insanáveis no decorrer do procedimento fiscal. Como bem asseverada pela decisão recorrida, a preliminar de nulidade deve ser rejeitada. Ressaltase que consta do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que a Recorrente poderia verificar a autenticidade do ato, utilizando o programa Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço www.receita.fazenda.gov. Tal informação, também foi consignado no corpo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, quando a Recorrente tomou ciência (fl. 18). Vejase trecho abaixo reproduzido: E mais. A ciência das diversas prorrogações que o mandado de procedimento viesse a sofrer também se dava mediante divulgação pela Internet, no mesmo endereço, estando disponível ao contribuinte a qualquer momento. Portanto, não se pode afirmar ter havido irregularidade. Não obstante, ainda que irregularidade houvesse nesse ponto, isso não comprometeria a validade do lançamento. É entendimento pacífico, no âmbito deste CARF, que eventuais inobservâncias quanto às normas de prorrogação do mandado de procedimento fiscal caracterizariam mera irregularidade, insuscetível de projetar efeitos na relação jurídica tributária, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. Desta forma, rejeitase a preliminar de nulidade. 4. Do sobrestamento do PAF Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) a r. decisão recorrida afasta a necessidade de sobrestamento do feito até o deslinde do processo judicial conexo após concluir que 'estando, pois, suspensa a exigibilidade do crédito, nenhum ato tendente à sua cobrança ou execução poderá ser praticado, inclusive a inscrição em dívida ativa'. Todavia, o entendimento da r. decisão é equivocado porque verifica a situação atual (na qual estava pendente julgamento da Impugnação da Recorrente), deixando de apurar que a causa da suspensão da exigibilidade no corrente caso, além do mandado de segurança conexo, é a existência do processo administrativo decorrente da autuação fiscal lavrada para evitar a decadência". Observase que a Recorrente solicita a necessidade do sobrestamento do PAF a bem da segurança jurídica, da eficiência dos Atos Administrativos e da legalidade. Informa ainda em sua petição de 08/08/2017, que (fl. 1.452) "(...) Tal providência se justifica porque o crédito tributário discutido nestes autos encontrase com a exigibilidade suspensa, não podendo ser cobrado neste momento, em virtude de ordem liminar Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.459 6 concedida nos autos da Medida Cautelar nº 0004476.03.2016.4.03.0000, proferida pelo Exmo. Sr. Desembargador Mairan Maia, Vice Presidente do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região (cópia anexa)". No que tange ao sobrestamento do processo administrativo, a medida se mostra desnecessária. É que o lançamento realizado com o fim específico de impedir a decadência já constitui o crédito tributário, desde o início, com a exigibilidade suspensa, como revela o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (grifei) §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Estando, pois, suspensa a exigibilidade do crédito, nenhum ato tendente à sua cobrança ou execução poderá ser praticado, inclusive a inscrição em dívida. 5. Do Mérito CONCOMITÂNCIA Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Com efeito, conforme adiante restará comprovado, não poderá prevalecer a cobrança do crédito tributário indevidamente constituído no Auto de Infração, uma vez que o ICMS não integra qualquer elemento descrito na regramatriz de incidência das mencionadas Contribuições PIS e COFINS, pois não se insere nos conceitos de "faturamento da pessoa jurídica"5 ou "totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica"6. (Grifei) Consta no teor de seu Recurso Voluntário às fls. 1420/1421, que: "(...) Por entender que a inclusão do ICMS na base de cálculo das mencionadas Contribuições (PIS e COFINS) é ilegítima, em 15.05.2007, juntamente com outras empresas, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 2007.60.03.0003859 (Doc. 03 acostado à Impugnação), em trâmite atualmente perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Conforme atesta a Certidão de Objeto e Pé Doc. 04 acostado à Impugnação), objetivando: 1) liminarmente, a suspensão imediata e doravante da inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições PIS e COFINS; e 2) no mérito, o reconhecimento de seu direito líquido e certo de: 2.a) não incluir o ICMS na base de cálculo das Contribuições PIS e COFINS, quer sob a égide do regime cumulativo (Leis Complementares n° 7/70 e 70/91 e alterações posteriores), quer sob a égide do regime nãocumulativo (Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 e alterações posteriores); e 2.b) recuperar (somente ao final da ação) os valores pagos indevidamente a este título (parcelas de PIS e COFINS calculadas sobre o valor correspondente ao ICMS), Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.460 7 corrigidos monetariamente com base na Taxa Selic, mediante compensação com débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil". Como pode ser constatado, verificase, no caso, a concomitância de instâncias (Administrativa e Judicial|) no que se refere às alegações tratadas na alegação do direito a não incluir o ICMS na base de cálculo das Contribuições PIS e COFINS, quer sob a égide do regime cumulativo (Leis Complementares n° 7/70 e 70/91 e alterações posteriores), quer sob a égide do regime nãocumulativo (Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 e alterações posteriores. Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979 que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto" e também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de mandado de segurança, repetição do indébito ou anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa mesma linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no seguinte sentido; "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. E, ainda por meio do Parecer Normativo COSIT nº 7, de 08/2014, as unidades da RFB foram orientadas a não conhecerem dos recursos interpostos pelos contribuintes, naqueles casos em que o objeto e as causas de pedir forem idênticas àquelas postas à apreciação da Justiça, antes ou posterior à autuação. Operase, neste caso, uma renúncia tácita do contribuinte ao recurso administrativo. Desta forma, não se conhece aqui das razões tratadas pela Recorrente, uma vez que a renúncia à via administrativa da alegação da a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS resta configurada, considerando que a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, segundo o qual as decisões judiciais são soberanas. Na esfera Judicial deve ser decidida. 6. Da Sustentação oral e da intimação do resultado do Julgamento Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 14120.720013/201451 Acórdão n.º 3402004.756 S3C4T2 Fl. 1.461 8 Requer a Recorrente em seu recurso o direito pela sustentação oral das razões do presente Recurso, requerendo seja previamente intimada nas pessoas dos seus representantes legais. Quanto a solicitação do direito de promover sustentação oral, quando do julgamento do Recurso Voluntário pelo colegiado, é cediço que em julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ou na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), é assegurada ao contribuinte oportunidade para propositura de sustentação oral, como previsto no RICARF art. 58, II, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Quanto a intimação, deve ser indeferido o pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da causa administrativa, pois, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. 7. Dispositivo Forte em todo o acima exposto, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e com base na Súmula CARF nº 1, não conhecer do recurso voluntário interposto, face a concomitância de instâncias (Administrativa e Judicial|). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.684722/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OFÍCIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. SUBSCRIÇÃO DE AUDITOR DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INEXISTÊNCIA DE MENÇÃO A CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO DO ACÓRDÃO. RECEBIMENTO COMO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIMENTO.
Simples ofício da Receita Federal do Brasil assinado por Auditor da Receita Federal (ATRFB), que não aponta de forma objetiva qualquer contradição, omissão ou obscuridade do acórdão mas tão somente aponta um problema na execução da decisão, não pode ser acolhido Embargos de Declaração por ausência de tal hipótese no Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1201-001.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OFÍCIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. SUBSCRIÇÃO DE AUDITOR DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INEXISTÊNCIA DE MENÇÃO A CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO DO ACÓRDÃO. RECEBIMENTO COMO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIMENTO. Simples ofício da Receita Federal do Brasil assinado por Auditor da Receita Federal (ATRFB), que não aponta de forma objetiva qualquer contradição, omissão ou obscuridade do acórdão mas tão somente aponta um problema na execução da decisão, não pode ser acolhido Embargos de Declaração por ausência de tal hipótese no Regimento Interno do CARF.
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OFÍCIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. SUBSCRIÇÃO DE AUDITOR DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INEXISTÊNCIA DE MENÇÃO A CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO DO ACÓRDÃO. RECEBIMENTO COMO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIMENTO. Simples ofício da Receita Federal do Brasil assinado por Auditor da Receita Federal (ATRFB), que não aponta de forma objetiva qualquer contradição, omissão ou obscuridade do acórdão mas tão somente aponta um problema na execução da decisão, não pode ser acolhido Embargos de Declaração por ausência de tal hipótese no Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 47 22 /2 00 9- 45 Fl. 268DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de declaração de compensação de pagamento a maior, referente à antecipação do IRPJ relacionado à competência de Fevereiro de 2006, formalizado através de PER/DCOMP, para compensação da antecipação do IRPJ referente à competência de janeiro de 2006. Em sessão de 11/02/2014 esta 1°Turma da 2°Câmara decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte para fins de homologação da compensação efetuada e conseqüente liquidação do débito. Posteriormente, a DERATSPO/DIORT/EOPER apresentou petição assinada pela ATRFB Alessandra Pandolfo dos Santos Vilaça com o seguinte teor: Ao tentar efetuar a compensação homologada, não consegui utilizar o crédito deferido pelo Acórdão 1201000.949 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, pois este estava bloqueado. Em consulta à DIORT/DERAT/SP fui informada que o valor do pagamento de R$42.667.263,01 foi totalmente utilizado como pagamento para compor o SN da DCOMP nº 28991.38272.111208.1.7.022235 conforme pode ser visto no documento de fls. (262); por isso o pagamento foi bloqueado na ocasião da analise do SN de 2006. E como o PGIM desse excesso de R$ 2.180.372,99 havia sido indeferido na época em 23/10/2009, pois não se podia compensar estimativa paga a maior que deveria compor o SN, do ano. Essa DCOMP do SN de 2006, cujo processo é de nº 10880.995275/201171 está em manifestação de inconformidade na DRJ, pois o contribuinte alega ter um SN maior do que foi decidido pois ele retificou a DIPJ, apesar de na DCOMP estar com o SN informado na DIPJ retificada. Se for desbloqueado e concedido esse pagamento neste PGIM, será concedido um credito em duplicidade. Conforme tela da DCOMP 28991.38272, (fls. 263) o contribuinte declara a utilização de todo o pagamento no valor de R$ 42.667.263,01 para compor o saldo negativo do ano de 2006. Ele não pode solicitar duas vezes o valor de R$ 2.180.372,99 "pago a mais em estimativa" . Dessa forma, encaminhese ao CARF para as devidas providências. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.684722/200945 Acórdão n.º 1201001.846 S1C2T1 Fl. 252 3 Em razão do Princípio da Informalidade e da Fungibilidade do Processo Administrativo Fiscal, a petição apresentada pela Delegacia de Origem foi recebida como Embargos de Declaração. Contudo, entendo que os efeitos de tal petição não deve passar deste ponto. Explico. Primeiramente, cabe observar que a petição apresentada pela delegacia de origem encaminha o processo para o CARF para "as devidas providências", sem dizer quais são as providências que entende cabíveis. Além disso, o Regimento Interno do CARF é claro e expresso ao prever as hipóteses de cabimento dos Embargos de Declaração e quais pessoas poderá interpor tal recurso, vejamos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Ora, seja porque a petição apresentada pela delegacia de origem não aponta com exatidão o eventual vício do acórdão ou seja em razão da petição não ter sido assinada por qualquer das pessoas indicadas no art. 65 do Regimento Interno do CARF, tenho que não foram preenchidos os requisitos necessários para o acolhimento dos Embargos de Declaração. Conclusão Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. É como voto! Fl. 270DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.731950/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000
ADICIONAL. EXIGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Correta a decisão de 1ª instância que exonera crédito tributário correspondente a adicional de CSLL que não encontra correspondência com os demonstrativos de cálculo destas parcelas.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF ESPECÍFICO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo, e a falta de sua ampliação para alcance, também, da CSLL, não acarreta a nulidade do lançamento.
DESPESAS DESNECESSÁRIAS.
A base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício e este, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. O art. 13 da Lei nº 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da CSLL.
Numero da decisão: 1402-002.780
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da autuação e negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da autuação e negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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EXIGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Correta a decisão de 1ª instância que exonera crédito tributário correspondente a adicional de CSLL que não encontra correspondência com os demonstrativos de cálculo destas parcelas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MPF ESPECÍFICO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo, e a falta de sua ampliação para alcance, também, da CSLL, não acarreta a nulidade do lançamento. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. A base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício e este, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. O art. 13 da Lei nº 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da autuação e negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 19 50 /2 01 1- 36 Fl. 1983DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.984 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 614 a 627). O Recurso Voluntário foi interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) (fls. 577 a 607) que deu provimento parcial à Impugnação apresentada (fls. 478 a 517). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão nº 1101001.180, proferido em 28 de agosto de 2014, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) (fl. 1713/1730), além de tecer as atualizações processuais pertinentes. "O crédito tributário aqui em litígio foi apartado dos autos do processo administrativo n° 16327.0014484/200401, formalizado para exigência de IRPJ e CSLL em decorrência da glosa de despesas com juros e variações cambiais apropriadas nos anos calendário 1999 a 2000 e consideradas desnecessárias. Por meio do Acórdão n° 910100.288 a Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional, restabelecendo as exigências exoneradas pela 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes nos termos do Acórdão n° 10196.053. Apontou, porém, a subsistência de razões de defesa opostas em face do lançamento de CSLL, as quais deixaram de ser apreciadas pela Câmara Baixa. Abaixo a reprodução da decisão da CSRF: Ementa: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS, Caracterizamse como desnecessárias e, portanto, indedutíveis do Lucro Real, as despesas de juros e variações cambiais relativas a empréstimo efetuado por meio de um contrato de mútuo, em que a mutuante é sóciaquotista que detém 99,99% do capital social da mutuária e dispunha de recursos para integralizar o capital. RECURSO ESPECIAL. RESTABELECIMENTO DA EXIGÊNCIA PRINCIPAL, RETORNO DOS AUTOS AO COLEGIADO A QUO PARA EXAME DE OUTRAS QUESTÕES. Em vista do restabelecimento da exigência principal (IRPJ), impõese o retomo dos autos ao Colegiado de origem para apreciação de questões tidas à época como prejudicadas pelo acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de não conhecimento do recurso, sendo que os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Valmir Sandri, acompanham pelas conclusões. 2) pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da PFN para restabelecer a exigência do IRPJ. O conselheiro Leonardo de Andrade Couto (substituto convocado) acompanha a relatora pelas conclusões. O conselheiro Valmir Sandri irá apresentar declaração de voto, nessa parte, 3) Fl. 1985DF CARF MF 4 por maioria devotos, determinar o retomo dos autos a Câmara de origem para apreciar a exigibilidade da CSLL, em face das demais alegações recursais que deixaram de ser apreciadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo (Relatora), Antonio Praga e Leonardo de Andrade Couto (substituto convocado),que enfrentavam o mérito. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. O voto vencedor do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho está assim redigido: Cingese este voto vencedor à discussão relativa à necessidade (ou não) de remessa dos autos à Câmara a quo para exame das razões invocadas pela Contribuinte sobre a ilegitimidade da exigência da CSLL (reflexo) no caso, as quais foram tidas como prejudicadas pelo acórdão recorrido em virtude do reconhecimento da improcedência do lançamento (principal) de IRPJ. No ponto, entendeu a i. Relatora que a matéria poderia ser objeto de imediata cognição por esse Colegiado, porquanto (tal matéria foi) objeto da insurgência recursal da Fazenda Nacional e presente o préquestionamento. Segundo a i, Relatora, as razões específicas para cancelamento da exigência de CSLL seriam de conhecimento dos julgadores da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do voto vencido da lavra da i. Conselheira Sandra Maria Faroni em processo "correlato" de interesse da mesma Contribuinte. Por relevante, vale transcrever o trecho do Relatório e do Voto sobre a questão, verbis "Em relação à CSLL, como o voto vencido da Conselheira Sandra Faroni no processo correlato foi no sentido de cancelar a exigência por ausência de base legal para se cobrar a contribuição sobre despesas não necessárias, "ad cautelum", a Procuradoria pede seja aplicado o decidido pela Sétima Câmara no acórdão n° 10706.796, cujo inteiro teor anexa, para demonstrar que a glosa das despesas reputadas desnecessárias foi mantida, inclusive, para exigência da CSLL. Argumenta que o art. 13 da Lei n° 9.249/95 traz previsão para tal exigência. " Pois bem, Não desconheço a existência da teoria da "causa madura" acolhida pelo Código de Processo Civil (CPC, art. 515, § 3º, pela qual se admite que a instância superior examine questões jurídicas ainda não apreciadas pela instância inferior (matérias estritamente "de direito" ou "de fato" quando desnecessária instrução probatória). Ao contrário, entendo que tal teoria deveria ser aplicada com mais constância pela instância administrativa, respeitandose naturalmente o princípio do Juiz Natural. Contudo, o próprio Poder Judiciário é reticente quanto à aplicação desta teoria em instâncias extraordinárias (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, especialmente), tal como, mutatis mutantis, a Câmara Superior de Recursos Fiscais para a seara administrativa. Não bastasse, vale ressaltar que a instância administrativa não tem acolhido esta teoria em boa parte de seus julgamentos. Afastada a aplicação desta teoria para o caso concreto, a insurgência da Fazenda Nacional em relação à CSLL não pode ser conhecida neste Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.985 5 momento processual por manifesta ausência de préquestionamento. Tal ausência decorre notadamente do cancelamento da exigência principal (IRPJ) sem qualquer menção (pelo acórdão recorrido) aos fatos e fundamentos jurídicos específicos da exigência da CSLL, Daí porque necessária nova manifestação do Colegiado a quo, a fim de que sejam expressamente resolvidas as questões relativas à CSLL, viabilizandose, a partir de então, se o caso, insurgência fundamentada à CSRF, observados formalidades e pressupostos de estilo. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional nessa parte e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das questões de mérito relativas à CSLL. O Acórdão n° 10196.053 revela que não só os argumentos específicos deduzidos pela contribuinte contra a exigência de CSLL deixaram de ser apreciados, como também o recurso de ofício, referente a exoneração parcial daquela exigência, foi considerado prejudicado pela declaração de regularidade das despesas questionadas pela Fiscalização: REO — CSL De acordo com a MP 1.85810, artigo 6º, no ano de 1999 há exigência do adicional apenas para os fatos geradores a partir do mês de maio. Correta também a exclusão do adicional de CSLL para o ano de 2000, em face de compensações de bases negativas. Recurso de Oficio negado. EMPRÉSTIMOS CONTRÁRIOS NO EXTERIOR COM CONTROLADORA DEDUTIBILIDADE DOS ENCARGOS — IRPJ CSLL Tendo em vista (1) a inexistência de regras referente a indedutibilidade por subcapitalização, (2) a efetividade do empréstimo contraído, (3) a natureza de mera condução do repasse do valor para operações instantâneas no Uruguai (em beneficio do vendedor de participação societária e não do comprador, ora recorrente), (4) a possibilidade jurídica do empréstimo, bem como (5) a tributação dos valores dos encargos creditados ou pagos ao exterior, há de se admitir a dedutibilidade dos encargos com variações passivas e juros. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos de oficio e voluntário interpostos pela 7a TURMA/DRJSÃO PAULO SP. I e COLGATE PALMOLIVE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário e considerar prejudicado o recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido que negaram provimento ao recurso voluntário. Embora a ementa do referido acórdão expresse razões autônomas para negar provimento ao recurso de ofício, a decisão do Colegiado acerca do tema foi orientada pelas Fl. 1987DF CARF MF 6 razões desconstituídas pela CSRF, que declarou as despesas desnecessárias nos termos do voto, nesta parte vencedor, da Conselheira Adriana Gomes Rêgo: De início, cumpre registrar que as operações em si são fatos incontroversos. Aliás, a Fiscalização, no seu Termo de Verificações Finais, fls. 405/421, faz referência a um relatório produzido por uma empresa de consultoria fiscal, trazido pela autuada, em sua defesa no processo n° 16327.001870/200142, que diz respeito à mesma operação, porém os fatos geradores lançados ocorreram nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. Também não foi vislumbrada qualquer fraude na forma adotada, pois a Fiscalização sequer qualificou a multa de ofício cobrada sobre os tributos objeto de lançamento. Esclareço ainda que, muito embora tenha a Fiscalização tecido comentários no sentido de descaracterizar o contrato de empréstimo como uma operação de mútuo, a principal motivação para o lançamento foi por considerar que as despesas seriam desnecessárias à atividade da empresa, por entender que a matriz no exterior, desejando adquirir o negócio Kolynos no Brasil e, dispondo de tais recursos, ainda que constituísse empresa brasileira para fazêlo, poderia ter repassado o capital para tanto. Assim, considero irrelevante para deslinde da controvérsia, a verificação se se trata ou não de um contrato de mútuo. Analisando, então, as operações sob o aspecto formal, é possível constatar que, em ato contínuo à contratação do empréstimo, a autuada repassou os recursos obtidos por meio de outro contrato à empresa Albala SA.. No entanto, se emprestou, como dizer que precisava dos recursos? Esse foi, então, o entendimento da Conselheira Relatora Sandra Faroni, no voto vencido que relatou no processo 16327.0001870/200142, cujo trecho relativo à desnecessidade da despesa ora transcrevo: Quanto à desnecessidade das despesas decorrentes da obrigação contabilizada, a decisão recorrida está de acordo com a pacífica jurisprudência deste Conselho Realmente, tendo o valor do empréstimo sido, de imediato à contratação, transferido a empresa situada no Uruguai, caracterizouse a desnecessidade das despesas dele decorrentes contabilizadas a título de juros e variações monetárias passivas . Não obstante tal entendimento, a mencionada relatora vislumbrou haver um planejamento tributário, quando afirmou: A forma como se deram os fatos que originaram a presente autuação permite identificar pelo menos três tipos dentre os que Greco enumera como "operações preocupantes", quais sejam, as "operações estruturadas em seqüência" (step transaction), o "uso de sociedade " (com Yonkers e Albala como empresas de passagem, pela qual transitaram as ações da Kolynos que, afinal, destinavamse à Colgate Palmolive) e o "Empréstimo ao invés de Investimento", com a desproporção entre o capital investido (R$ 99,00) e o empréstimo (US$ 760 milhões). Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.986 7 Com efeito, nas suas contrarazões, a autuada não nega tratarse de uma step transaction e que, de fato, a operação envolveu conduit companies, como a Younkers S.A, que só existiu no mundo jurídico por 6 dias, e a Albala S A, ambas constituídas para que os recursos transitassem pelo Uruguai. No entanto, neste aspecto já divirjo da tese da defesa pois, ainda que as operações estruturadas em seqüência (step transaction) tenham sido concebidas por parte do grupo vendedor, não vislumbro justificativa para a não integralização do capital. Isto é, poderia ter sido constituída uma K & S Aquisições Ltda no Brasil, para atender às exigências do CADE, segregando os negócios Kolynos daqueles da ColgatePalmolive Ltda, já existentes no Brasil; poderia o Laboratório WyethWhitehall Ltda ter constituído a Yonkers S. A. no Uruguai, para não receber o montante da venda no Brasil, mas, ao invés do empréstimo, a KAC Corporation, que mais tarde se tomou a Kolynos Corp, com sede nos Estados Unidos, e que era a sócia majoritária da autuada, ter, sim, integralizado capital. E não se diga que não integralizou porque não dispunha de recursos, como tentou demonstrar com os documentos juntados aos autos na sessão de julho, pois, o que se verifica nestes documentos, sobretudo no balanço patrimonial da KAC Corporation acostado aos autos às fls. 1.204 e seguintes, é que a empresa possuía, em dezembro de 1994, 408,4 milhões de dólares em ações preferenciais, 183,2 milhões de dólares em ações ordinárias, 1,02 bilhões de dólares em capital adicional integralizado e 2,496 bilhões de dólares em lucros retidos. Consta, ainda, à fl, 1.205, que o lucro líquido apurado em dezembro de 1994 foi de U$ 580,2 milhões de dólares, e àfl. 1.210, que "A Sociedade considera todos os seus investimentos altamente realizáveis com vencimentos de três meses ou menos quando adquiridos como disponibilidades ". É verdade que a conta" Dívida de longo prazo" subiu em 1995 de 1,75 bilhões de dólares para 2,9 bilhões de dólares, porém como dispunha de quase 2,5 bilhões de dólares de lucros, não se pode dizer que tal fato demonstra a necessidade de emprestar à filial brasileira, ao invés de integralizar capital nesta. É também verdade que houve um contrato de crédito obtido pela Colgate Palmolive Company, no valor total de 770 milhões de dólares, datado de 8 de janeiro de 1995, junto a vários bancos, tendo como agente o Citibank, cuja tradução foi acostada às fls. 1.382/1.486. Contudo, essa linha de crédito foi aquela que repassou direto à Albala S.A, no Uruguai, pois, pelos documentos já constantes do processo, especificamente às fls. 247/248, relativos ao documento subscrito pela Arthur Andersen Consultoria Fiscal e Financeira S/C Ltda, que foi apresentado pela recorrente para justificar toda a operação, já estava caracterizado que a KAC CORPORATION enviou em 10 de janeiro de 1995 uma linha de crédito aberta no exterior em favor de K&S Aquisições Ltda, no montante de 760 milhões de dólares. Fl. 1989DF CARF MF 8 Tal documento também faz referência a um extrato bancário de KAC CORPORATION emitido por CITIBANK, referente ao período de 10 a 11 de janeiro de 1995, atestando a remessa desses 760 milhões de dólares para a contacorrente bancária da Albala S.A., além de fazer referencia a: Carta enviada por COLGATEPALMOLIVE COMPANY ao CITIBANK, em 9 de janeiro de 1995, constando duas transferências de fundos, ambas efetuadas em 10 de janeiro de 1995; (a) transferência de fundos, no valor de US$ 760,000 000,00 (setecentos e sessenta milhões de dólares norteamericanos), da contacorrente bancária de K/C CORPORATION, e imediata transferência desse valor para a conta corrente bancária de ALBALA SA,, e (b) transferência de fundos, no valor de USS 760 000.000,00 (setecentos e sessenta milhões de dólares norteamericanos), da contacorrente bancária de COLGATE PALMOLIVE COMPANY para a contacorrente bancária de para ALBALA S.A e a subseqüente remessa de tal montante para LABORATÓRIOS WYETHWHITEHALL LTDA (Doe, 14) Ou seja, o contrato de crédito contraído pela COLGATEPALMOLIVE COMPANY, trazidos aos autos a posteriori, somente justifica que a controladora no exterior optou por contrair um contrato de crédito junto a bancos no exterior, para repassar esses valores ao Uruguai; mas, em razão das disponibilidades da própria COLGATEPALMOLIVE COMPANY, não tem o condão de justificar a necessidade de emprestar ao invés de integralizar. Aliás, se assim o tivesse, como a acusação inicial da Fiscalização sempre foi o fato de que o empréstimo gerou despesa não necessária, esta seria a primeira prova que a autuada traria aos autos, já na impugnação. Por conseguinte, se a operação poderia ser "integralização de capital" ao invés de empréstimos, por mais um raciocínio muito simples já se pode concluir que o empréstimo não era necessário à atividade da empresa. Aliás, um empréstimo firmado em janeiro de 1995, fixando que o montante principal seria amortizado em janeiro de 2003 e, até lá, ou seja, durante 8 anos, correriam despesas financeiras (juros inicialmente fixados em 8% a.a., além das variações cambiais). E verdade que um terço desse empréstimo foi depois integralizado e que, ao longo dos anos subseqüentes, a dívida foi amortizada, mas esses argumentos só fazem sentido se estivesse discutindo aqui o quantum da despesa glosada, o que não é o caso. Por oportuno, saliento ainda que, muito embora em 1996, portanto após a tomada de decisão pelos empréstimos, a legislação tenha autorizado a dedução de juros sobre capital próprio, observados os requisitos legais, tal fato não tem o condão de equalizar os efeitos tributários advindos de uma eventual capitalização, pois os empréstimos em comento proporcionaram, durante um longo período, não só a dedução dos juros, sem qualquer limitação legal, como também a variação cambial. Mas o acórdão recorrido entendeu pela dedutibilidade das despesas, por enquadrar a situação em uma sub capitalização ou thin capitalization. Aliás, mister se faz registrar que o acórdão recorrido não se fundou em Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.987 9 reconhecer as despesas como necessárias à atividade da empresa, mas sim em dizer que não existe óbice na legislação brasileira à tomada de empréstimos por empresa controlada a controladora, o que não foi, em si, o cerne da acusação fiscal. Quanto à tese da subcapitalização trazida pelo acórdão recorrido, é de se reconhecer que, nos países cuja legislação há um tratamento específico para este estado, isto é, quando há normas fiscais de controle dessa sistemática, estas podem ir desde descaracterizar essas despesas com juros, tratando o empréstimo como capital e, por conseguinte, os juros como dividendos, até a desconsideração da personalidade jurídica da mutuária, tendo em vista política de interesses não só fiscais, como também de proteção ao direito dos credores. No entanto, analisando inicialmente se se pode caracterizar a presente situação como subcapitalização, sobretudo considerando que, cinco meses após o empréstimo, a mutuante cedeu os direitos sobre o referido contrato a uma outra empresa sediada em Bruxelas, trago a doutrina de MARCO AURÉLIO GRECO [GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, Dialética ed. São Paulo: 2004, p. 360], que define que a subcapitalização ocorre quando, ao ser criada uma pessoa jurídica como controlada ou subsidiária de outra, a controladora, ao invés de aumentar o capital da controlada, prefere celebrar empréstimos com base nos quais pode receber juros. Porém, conforme observa HELENO TORRES [TORRES, Heleno. Direito Tributário Internacional: Planejamento Tributário e Operações Transnacionais, Revista dos Tribunais ed., São Paulo: 2001, pp. 520/521 quando analisou a subcapitalização sob o prisma da relação entre as partes contratantes, tal hipótese pode ocorrer desde que haja uma estreita relação entre mutuante e mutuaria, verbis: Como a caracterização do estado de subcapitalização da empresa exige que a fonte de financiamento seja externa e que esta responda pela viabilização de capital próprio, as pessoas responsáveis pelos empréstimos devem ser, necessariamente sócios, quotistas, acionistas, enfim, pessoas de qualquer modo vinculadas. Todavia, como a legislação que regular o controle da subcapitalização deverá dispor sobre isso, não há uma regra universal sobre a adequada tipificação dos financiadores do capitalempréstimo, mas, de um modo geral, exigese que os mutuantes mantenham uma relação bastante estreita com a empresa mutuaria, para que se qualifique o objeto do mútuo como "capital próprio" prevalecendo a substância sobre a forma (nos países que adotam essa hipótese).. Assim, se a cessão dos direitos relativos ao contrato de empréstimo foi feita pela sóciaquotista da autuada, no caso a Kolynos Corporation, à empresa belga ColgatePalmolive Europe S. A (fL 374/389), cuja razão social indica tratarse de pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico, não Fl. 1991DF CARF MF 10 seria por este motivo que afastaria a constituição da empresa autuada da hipótese de subcapitalização. Também não afastaria tal situação pelo fato de, em ato continuo à constituição da empresa e, portanto, à celebração do empréstimo, ter havido integralização de US$ 263 milhões, o que, aliás, foi a tese apresentada pela Fiscalizada, quando aduziu em Contrarazões: Ainda que houvesse norma legal limitando a dedução de despesas decorrente de subcapitalização e definitivamente não há — convém mencionar que a redução do valor do empréstimo, mediante o aumento de capital no valor de 270 milhões de dólares, colocou a estrutura de capital da subsidiária brasileira em equivalência com o quociente dívida/capital próprio (aproximadamente um terço de capital próprio e dois terços de divida) indicado no relatório da OCDE (anexo R (4) Comentários ao Modelo de Convenção) Certamente esse quociente não configura a denominada thin capitalization. Isso porque, como não há na legislação brasileira um quociente previamente estabelecido, a relação de 2 para 1 entre dívida e capital sugerida pela OCDE não é fator determinante para descaracterização, como também não é limite a partir do qual haveria dita situação. Neste sentido, convém trazer à colação as seguintes observações de HELENO TORRES [Op.cit., p. 527]: Mas, a partir de que patamar se pode falar da existência de uma "subcapitalização " na empresa? Por se tratar de um conceito de direito positivo, somente a lei poderá estabelecer, porquanto o "estado de subcapitalização" apresentase como um conceito objetivo, a partir da aplicação de uma regra geral antiabuso ou de regras específicas, com a adoção de um coeficiente apto a mensurar a relação proporcional entre o capital da empresa e o endividamento líquido remunerado. Assim, ao contrário do que aduz a autuada, não se pode dizer que há ou não a "subcapitalização" a que se refere a doutrina e a legislação de outros países, tomando como referência a relação entre sua dívida, que girava em torno de US$ 496 milhões, e seu capital, algo em torno de US$ 270 milhões. Mas concordo com os doutrinadores já citados que o legislador pátrio não cuidou de modo específico da subcapitalização, pois inexiste no ordenamento jurídico nacional regras sobre o coeficiente de endividamento admissível ou safe haven. Portanto, estáse diante de uma situação cuja definição precisa carece de base legal No entanto, outras regras específicas à legislação do Imposto de Renda existem e precisam ser trazidas ao presente contexto. Assim, ouso divergir do relator do voto condutor do acórdão recorrido quanto ao entendimento de que, como no Brasil não há regras de subcapitalização, tais juros e variações cambiais deveriam ser tratados como despesas dedutíveis. Isto porque, a existência de regra específica na legislação dispondo sobre a subcapitalização implicaria, necessariamente, na sua aplicabilidade, se a situação fosse, de fato, enquadrada nos termos em que regrados. No entanto, Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.988 11 o contrário, isto é, a inexistência de regra específica tratando sobre tal estado, não tem o condão de afastar, de retirar do mundo jurídico, regras gerais inerentes à dedutibilidade das despesas para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Logo, fazse necessário, sim, verificar se as despesas em comento atendem aos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, o que, como já dito, não se observa no presente caso, no tocante à necessidade, vez que, por liberalidade das partes envolvidas, adotouse a forma de empréstimos, em detrimento da capitalização. E verdade que uma empresa detém poder decisório sobre as operações que pretende praticar; no entanto, no que diz respeito à forma de levar os resultados das suas operações à tributação, sem dúvidas, deve observar os preceitos legais. Por conseguinte, entendo que a decisão entre contrair empréstimos ou capitalizar é uma conveniência da empresa. Contudo, afirmar que as despesas advindas do empréstimo são necessárias para que a empresa funcione e se mantenha, extrapola os limites da lógica porque se "A" empresta para "A", "A" não precisa deste empréstimo, porque detém os recursos emprestados. Afirmo que "A empresta para A" pois observo no caso as chamadas "operações preocupantes" a que se refere MARCO AURÉLIO GRECO, com a utilização de empresas efêmeras, e entendo que estas precisam ser analisados na sua essência, ou seja, quais são os negócios subjacentes e a essência destes, como observa o citado autor [Op. cit., p. 360] quando aborda a subcapitalização: Embora o tema possa ser enfrentado por legislação específica, a simples existência de desproporção pode ser indicativa de abusividade na utilização do direito de negociar empréstimos, o que recomenda especial atenção. Complemento com ROBERTO FRANÇA DE VASCONCELOS [VASCONCELLOS, Roberto França de Tributos e Preço de Transferência, coord. por Luís Eduardo Shoueri, Dialética ed. São Paulo: 2009, p. 209.] que, ao discorrer sobre a thin capitalization e enquadrar o empréstimo concedido por sócio domiciliado no exterior como um financiamento externo, ponderou Embora não haja, em termos gerais, impedimento ao financiamento da sociedade pelos seus próprios sócios, em situação equiparável ao financiamento externo, algumas questões deverão ser ponderadas, tais como comparação com terceiros, valorização do conteúdo econômico sobre a forma, abuso da forma jurídica e restrições para a dedução de juros. Ora, é inquestionável que toda a transação ocorreu para a aquisição do negócio Kolynos; também resta evidenciado nos autos que a Kolynos Fl. 1993DF CARF MF 12 Corporation era sócia praticamente exclusiva da K& S Aquisições Ltda, detendo 99,99% do seu capital social. Logo, se Kolynos Corporation era praticamente a única sóciaquotista da autuada, esta era devedora de dívida para consigo, ou seja, temse que, na essência do negócio, ela figurou, simultaneamente, como credora e devedora da mesma operação, ou seja, "A" empresta para "A". E, repisando, se credor e devedor se confundem na mesma pessoa, é porque o empréstimo não se faz necessário. Neste sentido, convém transcrever o que entendeu a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 107 06.796, trazido pela Procuradoria como paradigma no processo n° 16327.001870/200142, que serve como fundamento no sentido de corroborar a impossibilidade de se admitir como despesas necessária, nas hipóteses em que a controladora é a mutuante do empréstimo, e ao seu arbítrio, cria a despesa: Aflora de uma simples e superficial análise que os interesses da empresa controlada se confundem com os da empresa controladora e, ainda com os sócios pessoas físicas (direta ou indiretamente) desta. Detendo a sociedade controladora quase 100% (99,98%) do capital social e das ações com direito a voto da sociedade controlada, é iniludível que o acionista majoritário desta passa a ter legitimidade ativa para, independentemente de prévia deliberação da assembléia geral, determinar as operações e as políticas, à sua matroca, Aliás, nem caberia tal assembléia, in casu, pois além de impregnada por absoluto contra senso, teria resultado certo e induvidoso, pelo que sem sentido a sua realização (... ) Inferese que, se houvesse distribuição dos lucros acumulados, à empresa controladora não se imporia quaisquer cargas a teor de despesas, permanecendo o seu lucro liberto de qualquer fator reduto) a este título Contrário senso, o mútuo contratado substitutivo perpetraria um despesa, como aliás se cristalizou, reduzindo, dramaticamente, o resultado do exercício e, de forma reflexa, o seu patrimônio, como alias resta demonstrado e perfeitamente perceptível através de um singela análise da declaração de fls. 342 e seguintes. E patente a punição do resultado dos períodos em foco, a despeito da existência não utilizada dos lucros acumulados na controlada por estrita determinação do diretor comum Senão vejamos (... ) Montado esse cenário, importa concluir que o empréstimo tomado pela controladora por determinação de seu diretor comum trouxe para a recorrente um carga reduto) a não só do patrimônio dessa unidade, como também do seu lucro tributável, motivados por mera liberalidade, sem qualquer necessidade, e sem nenhuma correspondência ou correlação, notadamente em face da existência de lucros acumulados e de disponibilidades financeiras na empresa controlada que, por certo, cumpririam, sem quaisquer lesões aos cofres públicos e à sociedade Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.989 13 controladora, os desígnios conformados ao art 242 do RIR/94 Não há, pois, quaisquer equívocos na tipificação da matéria impositiva e na precisas dissertações da Autoridade recorrida. A propósito, trago ainda à colação, jurisprudência do extinto Tribunal Federal de Recursos, da lavra do Ministro Ilmar Galvão, que deu tratamento tributário de dividendos a juros pagos por filial brasileira de empresa norteamericana à sociedade controladora desta, nos Estados Unidos: Assim sendo, a operação rotulada de empréstimo não passa de suprimento de fundos, de um estabelecimento para outro, do mesmo proprietário, não havendo como deixar de considerarse lucro, conseqüentemente, para fins de tributação, toda reserva realizada a pretexto de variação de câmbio, bem como toda dedução que for feita do lucro operacional a título de pagamentos de juros. [AMS n° 92.966 RJ, DJ 12.06.1986, retirado da obra de André Martins de Andrade. A Tributação Universal da Renda Empresarial: Uma proposta de sistematização e uma alternativa inovadora. Belo Horizonte: Fórum, 2008, p. 143.] Nem mesmo os empréstimos contraídos no exterior justificam a necessidade da despesa financeira, ou melhor, de emprestar ao invés de integralizar, porque, como já tido, a controladora era uma empresa que dispunha de condições para integralizar. Se não o fez, certamente é porque visualizou outras oportunidades, como, além de reduzir os lucros no Brasil, poder dispor do capital de que detinha no exterior. No entanto, é preciso deixar claro que isso é uma liberalidade e não uma necessidade. Reconheço que a compra da Kolynos representou para a Colgate um incremento de receitas, um aumento na sua produção, enfim, uma maior representatividade no mercado. Contudo, argumentos dessa natureza justificam a compra de uma empresa pela outra, mas não a forma adotada de empréstimos, ao invés de capitalização. Por conseguinte, quer seja analisando a operação sob o aspecto formal, quer seja verificando o conteúdo subjacente a esta forma, a glosa de despesas consideradas desnecessárias deve ser mantida em relação ao IRPJ. A Recorrida pediu, quando da sustentação oral, para que fosse compensado com o IRPJ devido, se mantida a autuação, o IRF incidente sobre as remessas ao exterior relativas aos juros pagos. No entanto, nenhum membro do Colegiado propôs fosse tal matéria conhecida e apreciada, porque se entendeu pela preclusão da matéria. Neste aspecto, cumpre deixar registrado que, em momento algum, se entendeu que o empréstimo não ocorreu. No âmbito da CSLL, observase que o recurso de ofício decorre de exoneração de crédito tributário assim motivada na decisão de 1ª instância: Fl. 1995DF CARF MF 14 73. Entende o contribuinte que no Demonstrativo de Apuração da CSLL do ano de 1999, o cálculo da CSLL devida seria de R$ 5.814.112,94 à alíquota de 8% e adicional de R$ 2.907.056,47, à alíquota de 4%, o que totalizaria a CSLL devida à alíquota de 12% de R$ 8.721.169,41. Ocorre que no cálculo do tributo devido teria sido considerado o adicional de CSLL à alíquota de 4% equivalente a R$8.501.568,29. 74. O contribuinte está com a razão. 75. O artigo 6o da MP n° 1.85810 de 26/10/99 determinava que o adicional da CSLL seria exigido à alíquota de 4% sobre os fatos apurados entre maio de 1999 e janeiro de 2000. 76. A seguir transcrevese o texto legal: "Art. 6° A contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional: I — de quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1º de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000;" 77. No Demonstrativo de Apuração da CSLL, a fiscalização apurou um adicional de R$ 8.501.568,29 (fl. 428), este valor teria sido encontrado conforme planilha de fl. 435. 78. Ao analisar esta planilha, observase que o adicional apurado seria de R$ 2.907.056,47. De fato, o valor tributável apurado entre 1o de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000foi de R$ 148.796.038,03 (glosa de despesas) este valor foi reduzido em decorrência da existência de bases de cálculo negativas do próprio período e de períodos anteriores. Assim, a base de cálculo seria de R$ 72.676.411,74 (148.796.038,03 55.912.984,60 20.206.641,69). 79. Portanto, o adicional seria o resultado da incidência da alíquota de 4% sobre R$ 72.676. 80. Esta correção será efetuada de ofício. 81. O interessado alega que no Demonstrativo de Apuração da CSLL do ano de 2000 não estaria identificado o valor tributável de CSLL mesmo assim teria sido lançado um adicional de R$ 237.486,17. 82. Novamente a razão está com o impugnante. A autuante apurou um valor tributável no anocalendário de 2000, no valor de R$ 26.909.052,66. Ocorre que este montante foi integralmente compensado com bases de cálculo negativas do próprio período. Assim, inexistindo CSLL a pagar no ano calendário de 2000, não há porque se exigir o adicional da CSLL no mesmo período. Cientificada da decisão de 1ª instância em 10/06/2005 (fl. 601), a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 604/628 no qual, para além da legitimidade das despesas glosadas, deduz os seguintes questionamentos acerca da CSLL exigida: Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.990 15 • Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF para lançamento da CSLL, ensejando a sua nulidade, na medida em que não seria obrigatório o lançamento desta contribuição nos casos em que ela depende dos mesmos elementos de prova, especialmente porque a exigência tributária somente é formalizada quando atos ou negócios se enquadram rigorosamente nos fatos geradores definidos em lei, sendo incorreto tomar a base de cálculo de um imposto para exigir contribuição cuja base de cálculo é diversa; • A determinação da base de cálculo da CSLL é regida pelo art. 2o da Lei n° 7.689/88, no qual a característica ou natureza da despesa paga ou incorrida não tem influência determinante;" Complementase o relatório acima colacionado, com o relatório e voto do Acórdão 1302001.728 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária proferido em Embargos. Relatório Acórdão 1302001.728 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária " Nos autos do processo administrativo n° 16327.0014484/200401 foram formalizadas exigências de IRPJ e CSLL exoneradas por meio do Acórdão n° 10196.053. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, em razão do qual a CSRF restabeleceu a exigência de IRPJ e determinou o retorno dos autos à Câmara Baixa para apreciação dos argumentos subsidiários apresentados contra a exigência de CSLL, mas não apreciados no Acórdão n° 10196.053. Apreciando a exigência de CSLL na sessão de julgamento de 28 de agosto de 2014, a 1ª Turma da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar a argüição de nulidade do lançamento e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão n° 1101001.180, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999, 2000 ADICIONAL. EXIGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Correta a decisão de 1a instância que exonera crédito tributário correspondente a adicional de CSLL que não encontra correspondência com os demonstrativos de cálculo destas parcelas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXIGÊNCIA FUNDADA NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA DO IRPJ. DESNECESSIDADE DE MPF ESPECIFICO. Além de a lei permitir que a autoridade fiscal formalize a exigência concomitante de outros tributos que tenham por base os elementos de prova do lançamento principal, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo, e a falta de sua ampliação para alcance, também, da CSLL, não acarreta a nulidade do lançamento. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. A base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício e este, em razão do princípio da entidade, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. Ademais, o art. 13 da Lei n° 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei n° 4.506/64 à apuração da CSLL. Fl. 1997DF CARF MF 16 Cientificada do Acórdão n° 1101001.180 em 09/01/2015, a contribuinte opôs embargos, tempestivamente, em 12/01/2015, no qual noticiou que também embargara o Acórdão n° 910100.288, observando que os embargos iniciais suspenderam os efeitos daquela decisão, tornando também sem efeito o ato administrativo de desmembramento da discussão quanto à CSLL." Voto Acórdão 1302001.728 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária "Como relatado, a contribuinte opôs embargos ao Acórdão n° 910100.288, proferido nos autos do processo administrativo n° 16327.001484/200401. Consulta recente aos autos deste processo administrativo evidencia que referidos embargos somente foram analisados em 11 de novembro de 2014, restando rejeitados por inexistência de obscuridade, omissão ou contradição, em despacho cientificado à contribuinte em 09/01/2015. Naqueles autos há notícias, também, de novos embargos opostos contra o referido despacho, os quais não foram admitidos por falta de previsão regimental, sendo a contribuinte disto cientificada em 15/09/2015. Ocorre que a decisão proferida em 28 de agosto de 2014 nestes autos, objeto do Acórdão n° 1101001.180, tem em conta a determinação contida no voto condutor do Acórdão n° 910100.288. Em outros termos, a competência da Câmara Baixa voltar a se manifestar sobre os recursos voluntário e de ofício interpostos nos autos do processo administrativo n° 16327.001484/200401 resultou da decisão exarada no Acórdão n° 910100.288, à época atacado pelos embargos ainda pendentes de apreciação. O art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 349/2015 somente trata do efeito suspensivo dos embargos tempestivamente opostos contra decisão passível de questionamento por meio de recurso especial. Todavia, os embargos de declaração objetivam a continuidade do julgamento atacado, suprindose obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão acerca de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Tal recurso, portanto, restabelece o processo à situação anterior à do julgamento, impedindo que ele produza qualquer efeito enquanto não apreciado, ainda que em sede de admissibilidade, o questionamento deduzido pelo interessado. Confirmado, assim, que os embargos foram opostos e que sequer sua admissibilidade fora promovida à época em que proferido o Acórdão n° 1101001.180, resta clara a incompetência da 1ª Turma da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento para se manifestar sobre os recursos de ofício e voluntário aqui interpostos, impondose a declaração de nulidade daquela decisão nos termos do art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72. Com referência ao ato administrativo de desmembramento da discussão quanto à CSLL, porém, não se vislumbra qualquer irregularidade. O crédito tributário relativo à CSLL pode permanecer controlado nestes autos sem qualquer prejuízo ao sujeito passivo, porém, na medida em que sua exigibilidade está condicionada ao litígio formado nos autos do processo administrativo n° 16327.001484/200401, deve ser providenciada a transposição, para estes autos, de cópia das peças daquele processo que evidenciem a definitividade do Acórdão n° 910100.288, para que se possa dar conseqüência ao que ali determinado. Por todo o exposto, os embargos devem ser CONHECIDOS e ACOLHIDOS, com efeitos infringentes, para ANULAR o Acórdão n° 1101001.180, com posterior juntada a estes autos dos elementos presentes no processo administrativo n° 16327.001484/200401 que confirmem a definitividade, no âmbito administrativo, do Acórdão n° 910100.288, com seu Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.991 17 retorno a esta 1ª Seção de Julgamento para as providências determinadas no referido decisium." Em cumprimento ao Acórdão de Embargos do Carf nº 1302001.728 de 09 de dezembro de 2015 foram anexados no presente processo as cópias de peças do processo nº 16327.001484/200401 que confirmam a definitividade, no âmbito administrativo, do Acórdão nº 910100.288. Fl. 1999DF CARF MF 18 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Recurso de Ofício Como relatado e mencionado, o Acórdão recorrido corrigiu de ofício o lançamento quanto ao valor do adicional da CSLL para o anocalendário 1999, e cancelou o valor do adicional do CSLL no anocalendário 2000. O artigo 6º da MP n° 1.85810 de 26/10/99, transcrito a seguir, determinava que o adicional da CSLL seria exigido à alíquota de 4% sobre os fatos apurados entre maio de 1999 e janeiro de 2000. "Art. 6° A contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional: I — de quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1ºo de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000;" No Demonstrativo de Apuração da CSLL, a fiscalização apurou um adicional de R$ 8.501.568,29 para o anocalendário de 1999 e de R$ 237.486,17 para o anocalendário de 2000. Esses valores estavam incorretos e foram devidamente corrigidos pela autoridade julgador de 1ª Instância. A autoridade fiscal apurou um valor tributável de R$ 148.796.038,03 (glosa de despesas), que foi reduzido para R$ 72.676.411,74, em decorrência da existência de bases de cálculo negativas do próprio período e de períodos anteriores (R$ 55.912.984,60, R$ 20.206.641,69). Portanto o adicional seria o resultado da incidência da alíquota de 4% sobre R$ 72.676.411,74, o que resultaria no valor de R$ 2.907.056,47. Para o anocalendário de 2000, a autoridade fiscal apurou um valor tributável de R$ 26.909.052,66, que foi integralmente compensado com bases de cálculos negativas do próprio período. Portanto inexistido CSLL a pagar no anocalendário de 2000, não há por que se exigir o adicional da CSLL para o mesmo período. Logo, não há reparos à exoneração das parcelas de R$ 5.594.511,82 (ano calendário 1999) e de R$ 237.486,17 (anocalendário 2000), promovida pela autoridade julgadora de 1ª instância. Recurso Voluntário Nulidade do Lançamento por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF A recorrente argüiu que o auto de infração não pode subsistir com relação à exigência da CSLL e encargos, posto que o Mandado de procedimento Fiscal, referiase exclusivamente ao IRPJ, não à CSLL; Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.992 19 A alegação de nulidade do lançamento por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal específico para lançamento da CSLL foi corretamente afastada na decisão de 1ª instância, pois o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo, e a falta de sua ampliação para alcance, também, da CSLL, não acarreta a nulidade do lançamento. A Lei n° 2.354/1954, artigo 7º, e o Decreto 2.225/1985, expressamente estabelecem a competência exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal para execução do lançamento tributário. Por outro lado, do parágrafo único do artigo 142 do CTN extraise que o lançamento deve ser presidido pelo princípio da legalidade, além de constituirse num dever indeclinável, uma vez constatada a ocorrência de fato gerador da obrigação principal ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória. " Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcionar." No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (artigo 59, inciso I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (artigo 59, inciso II). A lavratura de Auto de Infração sem a emissão do MPF não configura a hipótese de nulidade do lançamento prevista no inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, uma vez que a competência para a execução dessa atividade, deferida de forma exclusiva ao Auditor Fiscal da Receita Federal só pode ser retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária. O Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF n° 1.265/99, posteriormente revogada pela Portaria SRF n° 3.007, de 26/11/01 (DOU 07.01.2002), com o objetivo de regular a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), sendo mero instrumento de controle administrativo. As normas que regem a constituição do crédito tributário advêm do superior interesse público de que se reveste a arrecadação do tributo, fato que o torna indisponível. Já as normas que se referem aos procedimentos de fiscalização visam o disciplinamento de sua execução e, ao tempo em que constituem instrumento para a Administração Tributária, preservam direitos do cidadão perante o Estado. Assim, a falta de emissão do MPF para execução dos procedimentos por ele instaurados não tem o condão de restringir a competência do AFRF designado, para fins de constituição do crédito tributário. A natureza indisponível deste sobrepõese, indubitavelmente, àquela norma de caráter meramente administrativo. Fl. 2001DF CARF MF 20 Glosa de despesas desnecessárias na apuração da base de cálculo da CSLL Visto que o Acórdão 910100.288 da Câmara Superior de Recursos Fiscal, caracterizou como desnecessárias e, portanto, indedutíveis do Lucro Real, as despesas de juros e variações cambiais relativas a empréstimo efetuado por meio de um contrato de mútuo, em que a mutuante é sóciaquotista que detém 99,99% do capital social da mutuária e dispunha de recursos para integralizar o capital. Fazse necessário analisar se também seriam devidas as exigências relativas à CSLL, lançadas como reflexo. Desta feita, urge transcrever o art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida peta legislação especial a elas aplicável, (Vide Lei 9.430. de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, VI das doações, exceto as referidas no § 2", VII das despesas com brindes Assim, se a lei fala em "independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964" é porque mencionado artigo passa a ser considerado, Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 10880.731950/201136 Acórdão n.º 1402002.780 S1C4T2 Fl. 1.993 21 também, para efeito de base de cálculo da CSLL, e o mesmo é a base legal do art. 299 do RIR/99, dispondo: Art 47, São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas paia a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, § 3º Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4ª No caso de empresa individual, a administração do imposto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se esse não puder provar a relação da despesa com a atividade da empresa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da empresa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do imposto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado,autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de força maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5o, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. Fl. 2003DF CARF MF 22 Portanto, a partir do anocalendário de 1996, com a entrada em vigor da Lei n° 9.249/95, as despesas não necessárias devem ser glosadas, também, da base de cálculo da CSLL, o que significa dizer que devem ser mantidas, também, as exigências relativas à CSLL. Conclusão Diante do exposto, o presente voto é no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar a argüição de nulidade da autuação por ausência de MPF específico para lançamento da CSLL e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 2004DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720245/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PRELIMINARES. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Inexistindo prova de prejuízo ao direito de defesa e comprovados os motivos que levaram à autuação fiscal, rejeitam-se as preliminares suscitadas.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. PROCEDÊNCIA.
Comprovado que as despesas reconhecidas pela empresa não se referiam integralmente ao exercício de 2009, mantém-se a glosa das mesmas.
LANÇAMENTOS DE REVERSÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO NÃO RECONHECIDA POR IMPOSSIBILIDADE DE VALORES.
A argumentação de que os lançamentos referiam-se a reversão de créditos e não ao reconhecimento de despesas desfaz-se pela inexistência de equivalência entre os valores de atualização dos créditos e débito envolvidos em processo de compensação.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. PROCEDÊNCIA.
A glosa das despesas reporta-se à apuração do lucro líquido. Mantida a glosa os reflexos da mesma na apuração da CSLL devida devem ser mantidos.
RECURSO DE OFÍCIO. APROPRIAÇÃO DE MULTA E JUROS DEVIDOS EM 2009. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO QUE SE COMPROVOU DE REVERSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Nega-se provimento ao recurso de ofício quando comprovado que os fatos e argumentos apresentados pela Delegacia de Julgamento se coadunam com a realidade dos fatos comprovados no processo.
Numero da decisão: 1401-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexistindo prova de prejuízo ao direito de defesa e comprovados os motivos que levaram à autuação fiscal, rejeitamse as preliminares suscitadas. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. PROCEDÊNCIA. Comprovado que as despesas reconhecidas pela empresa não se referiam integralmente ao exercício de 2009, mantémse a glosa das mesmas. LANÇAMENTOS DE REVERSÃO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO NÃO RECONHECIDA POR IMPOSSIBILIDADE DE VALORES. A argumentação de que os lançamentos referiamse a reversão de créditos e não ao reconhecimento de despesas desfazse pela inexistência de equivalência entre os valores de atualização dos créditos e débito envolvidos em processo de compensação. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. PROCEDÊNCIA. A glosa das despesas reportase à apuração do lucro líquido. Mantida a glosa os reflexos da mesma na apuração da CSLL devida devem ser mantidos. RECURSO DE OFÍCIO. APROPRIAÇÃO DE MULTA E JUROS DEVIDOS EM 2009. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO QUE SE COMPROVOU DE REVERSÃO. IMPROCEDÊNCIA. Negase provimento ao recurso de ofício quando comprovado que os fatos e argumentos apresentados pela Delegacia de Julgamento se coadunam com a realidade dos fatos comprovados no processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 45 /2 01 4- 58 Fl. 1569DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados contra o contribuinte relativo à postergação de despesas que foram reconhecidas no exercício de 2009 e que deveriam ter sido reconhecidas em exercícios anteriores. Conforme indicado pela fiscalização as despesas reconhecidas pela empresa decorreriam de processos de compensação que estariam em discussão administrativa e/ou judicial e que, quando da adesão da empresa ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009 foram integralmente reconhecidos. A fiscalização entendeu por indevido este reconhecimento de despesas em exercício posterior ao dos débitos e sua confissão em DCTF por alegar que mesmos sendo objeto de processos de compensação, como os débitos estavam compensados em DCTF deveriam ter sido reconhecidos como despesas imediatamente. Vejamos os excertos do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.570 3 Fl. 1571DF CARF MF 4 Como se percebe do TVF a fiscalização entendeu que em sendo objeto de processos de compensação os débitos não poderiam deixar de ser reconhecidos à época de apresentação das DCTF, vez que esta seria a data correta de reconhecimento. Mais ainda, alega que como existe norma legal do art. 168, do CTN estabelecendo prazo de cinco anos para o exercício do direito de restituição, o contribuinte somente poderia fazer o reconhecimento de débitos dentro deste prazo. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 489 em diante. Foi determinada a realização de diligência com vistas a apresentar os seguintes esclarecimentos: 1. Aponte a natureza (se correspondente ao valor principal do tributo e/ou dos acréscimos relativos aos encargos, à multa de mora e aos juros de mora), o valor individual e os períodos de apuração das despesas sobre as quais pesou a acusação de inobservância do regime de competência com implicação de redução indevida do Lucro Real, cujos totais correspondam àqueles apurados na exigência formalizada, em cada período de apuração, vinculados aos processos nºs 10120.006599/200171, 10120.007153/200679, 10120.005445/9969, 10120.006290/200696, 10120.003957/200275, 10120.006570/200271 e 10120.006571/200215; Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.571 5 2. Indique, em cada processo citado no item anterior, quais as Declarações de Compensação a eles vinculadas diretamente e quais as Declarações de Compensação vinculadas a outros processos administrativos que sejam deles dependentes, mencionando o número do processo administrativo dependente, a data do protocolo/transmissão das Declarações de Compensação, a origem e o valor do crédito utilizado, os períodos e os valores individuais dos débitos compensados com a discriminação da parcela dos débitos extinta pela compensação e da parcela remanescente em aberto que foi levada ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009 e sobre a qual pesou a acusação de inobservância do regime de competência com implicação de redução indevida do Lucro Real; bem como indique quais os débitos compensados nos processos citados que foram declarados nas respectivas DCTF discriminando os créditos a eles vinculados pela contribuinte nas referidas DCTF (compensação e/ou suspensão); 3. Elabore relatório circunstanciado e fundamentado acerca do quanto solicitado nos itens acima, com ciência à interessada, facultandolhe o direito de, em querendo, aditar a impugnação, no prazo legal de 30 (trinta) dias, com posterior retorno para julgamento. Analisando a impugnação apresentada, juntamente com as informações da diligência requerida a DRJ/RPO emitiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que os autos de infração e seus anexos foram formalizados com observância dos requisitos do art. 142 do CTN, bem como do disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal, permitindo ao contribuinte a perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, tanto que delas se defendeu de forma detalhada e consistente. REGIME DE COMPETÊNCIA. LUCRO REAL. Na apuração do IRPJ pelo Regime do Lucro Real, as despesas dedutíveis devem compor o lucro fiscal segundo o regime de competência, ou seja, no período de apuração em que foram incorridas. No caso concreto, despesas incorridas antes do ano calendário 2009 não poderiam ser computadas no lucro real apurado ao final de 2009. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1573DF CARF MF 6 Para bem situar a decisão da DRJ no que foi favorável ao contribuinte, o referido colegiado entendeu que deveriam ser excluídos do lançamento os valores reativos às multas de mora por alegar que, em relação aos débitos que foram compensados antes de seu vencimento não havia a incidência de multa de mora que fosse devida antes de 2009, e que tal multa só seria devida e reconhecível em 2009; Foi também realizado o recálculo do valor devido com a utilização dos resultados apurados na DIPJ o que provocou uma sensível redução dos valores do IRPJ e CSLL devidos, dos quais a própria DRJ já recorreu de ofício. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1529 em diante, no qual apresentou as seguintes alegações: Volta a alegar que os lançamentos realizados prenderamse à reversão de créditos utilizados pela empresa e não de reconhecimento de despesas; Nulidade por ausência de motivação da autuação e cerceamento do direito de defesa. Por fim, considerando o recorrente as premissas da fiscalização, entende que a dedutibilidade das despesas somente ocorreria no momento que o contribuinte confesse de forma irrevogável e irretratável a existência dos débitos. Tal fato possibilitaria a dedutibilidade das despesas em 2009; Que os juros de mora e multas são dedutíveis em 2009 com a inclusão dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009; Inexistência de determinação legal para a adição das despesas atinentes à suposta inobservância do regime de competência à base de cálculo da CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.572 7 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, por isso deles tomamos conhecimento. PRELIMINAR Nulidade por ausência de motivação da autuação e cerceamento do direito de defesa. Em suas alegações o recorrente alega que no termo de verificação fiscal a fiscalização apresenta por diversas vezes a alegação de que as glosas são realizadas por inobservância do regime de competência, no entanto não apresentou as justificativas para informar de quando se referiam estas despesas. Alega que foi necessário uma diligência para que fossem melhor esclarecidos a que períodos de apuração se referiam os débitos e que tal fato dificultou o direito de defesa da empresa, causando a pretendida nulidade. A nulidade aventada nos parece apenas superficial. A alegação da fiscalização é a de que os débitos foram escriturados com inobservância do regime de competência, assim, a alegação é de que estas despesas não se referiam a despesas do ano de 2009 e, assim, não poderiam ter sido escrituradas. Num recente debate numa das últimas sessões desta câmara, houve discussão semelhante na qual o ilustre Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes apresentou uma analogia bastante simples: Para manter uma afirmação de que um determinado bicho não seria, por exemplo, um coelho, não seria necessário que eu informe qual é o bicho especificamente. É o mesmo que ora se apresenta. Os débitos objeto de glosa foram escriturados pela empresa em 2009 e esta, claramente sabe quais são estes débitos. Contra a acusação da fiscalização de que estes débitos não são despesas relativas ao ano de 2009, basta à empresa provar o contrário, ou seja, que os lançamentos se referem a despesas que tinham de ser escrituradas em 2009. Não nos parece haver nulidade em relação ao fato de o fiscal não ter indicado especificamente a que períodos deveriam se referir estes débitos, posto que a única prova que o recorrente tem a construir se baseia na demonstração do fundamento jurídico de seus próprios registros contáveis. Assim, rejeito preliminar suscitada. Volta a alegar que os lançamentos realizados prenderamse à reversão de créditos utilizados pela empresa e não de reconhecimento de despesas; Por fim, considerando o recorrente as premissas da fiscalização, entende que a dedutibilidade das despesas somente ocorreria no momento que o contribuinte confesse de forma irrevogável e irretratável a existência dos débitos. Tal fato possibilitaria a dedutibilidade das despesas em 2009; Fl. 1575DF CARF MF 8 Que os juros de mora e multas são dedutíveis em 2009 com a inclusão dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009; Com relação a estas alegações, verificandose que todas, em verdade, fazem parte da análise do mérito da demanda, iremos analisálas em conjunto para que seja melhor apresentado nosso posicionamento. Origem dos lançamentos realizados => Na realização da fiscalização o responsável acostou os documentos relativos às DCTFs e processos de compensação nos quais os débitos objeto de escrituração foram confessado à Receita Federal. Intimando a empresa a informar os motivos do lançamento das referidas despesas, foram apresentadas as seguintes informações: Quando da elaboração do auto de infração assim se manifestou a fiscalização a respeito do caso: Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.573 9 Em sua impugnação o contribuinte apresenta alegação de que a escrituração realizada tratou não do reconhecimento de despesas mas sim da reversão dos créditos que haviam antes sido escriturados e tributados como receitas. Informa que realizou tal reversão em razão da adesão da empresa ao REFIS instituído pela Lei nº 11.941/2009. Da diligência determinada pela DRJ, é salutar apresentar os seguintes excertos: Neste ponto é importante salientar que o contribuinte em momento nenhum informou, na fase de fiscalização, que os valores registrados em sua contabilidade seria fruto de ajuste em sua contabilidade, pelo contrário, intimado e reintimado a esclarecer a formações dos valores escriturados, o Fl. 1577DF CARF MF 10 mesmo apenas informou que seria débitos que seriam incluídos no parcelamento e que a correção efetuada seria pela taxa Selic. O contribuinte poderia ter apresentado os livros diários devidamente registrados da época em que escriturou tal receita para sanar o questionamento, que não o fez. Outro ponto importante a frisar é que todos os documentos apresentados pelo contribuinte foram analisados por esta Fiscalização. Em várias passagens de sua impugnação, o contribuinte, para justificar os valores lançados em sua contabilidade, informa que os créditos foram atualizados e sofreram acréscimo de multa de mora, o que é estranho, pois a princípio multa de mora se aplica sobre débito não pago e não sobre valores de ajuste de sua contabilidade. Por exemplo, ao justificar o processo 10120.006.599/200171, o contribuinte apresentou a planilha de folha 561, em seu título, o contribuinte se refere a “Composição débito em contingências em 31/03/2009”, o que é no mínimo estranho, pois o contribuinte afirma que “relaciona os valores de crédito utilizados para compensação) Portanto, partindo do afirmado pelo contribuinte e o escriturado em sua contabilidade, esta fiscalização consultou os processos listados na contabilidade do contribuinte, onde foi constatado que os débitos lá alocados seriam de período variando de 1996 a 2008. Da análise das alegações apresentadas, concluise que o contribuinte não comprovou efetivamente a tributação do deságio pela compra de crédito de terceiro, bem como se os débitos dos tributos listados na planilha de folhas 561 e 866, não foram utilizados como despesas na época para dedução da base de cálculo para apuração do Imposto de Renda/CSLL Devido, pois caso o foram, o contribuinte estaria se utilizando das despesas citadas por duas vezes, a primeira, na competência correta do tributo, a segunda em 2009, quando o mesmo lançou a despesas, ao entrar no parcelamento especial. É forçoso salientar que tais débitos se encontravam declarados para a Receita Federal, seja através de DCTF, seja através de pedido de compensação (fls. 1204 a 1216). Outro ponto a observar, que o crédito por ventura adquirido e não aceito para compensação de crédito, não se trata de despesa usual de uma indústria, inclusive suas correções. Verificamos que a DRJ realizou todo um minuncioso trabalho onde identificou o total descompasso entre o que o contribuinte informou nas intimações realizadas durante a ação fiscal e os argumentos aduzidos na sua impugnação. Vejamse os excertos da decisão da DRJ. Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.574 11 Todavia, ao justificar os procedimentos realizados em virtude do parcelamento previsto pela Lei nº 11.941, de 2009, as justificativas fornecidas pela interessada perdem sua clareza e tornamse inclusive contraditórias, uma vez que explicações fornecidas durante a ação fiscal são totalmente rechaçadas na impugnação. Ao expor os fundamentos que ensejaram as despesas glosadas pela Fiscalização, percebese que a interessada concentrou seus esforços em justificar o direito creditório pleiteado nas compensações. No entanto, no caso concreto, a demonstração de que acreditava na existência dos créditos utilizados nas compensações não homologadas não é suficiente, por duas razões principais: (i) em primeiro lugar, a despesa glosada pela Fiscalização teve como evidente contrapartida uma conta de passivo, a qual não tem qualquer relação com reversão de crédito tributário; (iii) em segundo lugar, ao justificar os valores que compõem as aludidas despesas, a interessada sempre indicou nos demonstrativos apresentados pela interessada a multa de mora de 20%. ............. Confirmase, mais uma vez, que a interessada informou, na compensação,a quitação do tributo sem acréscimo da multa de mora, a qual passou a incidir quando a compensação não foi homologada pelo Fisco. Ponderando que, no valor da despesa, levouse em consideração a multa de mora, temse a comprovação de que ele está relacionada ao débito parcelado, não à reversão do crédito. Temse, assim, mais uma prova de que o valor da despesa decorre da soma dos débitos parcelados, não da reversão do crédito. Devese salientar que os casos citados acima não são isolados, pois inúmeras são as compensações de tributos que não estavam em atraso. Todavia, quanto à formação das despesas, quando a contribuinte a detalhou ao Fisco, a multa de mora sempre foi computada. As provas trazidas aos autos, portanto, não comprovam a tese exposta pelacontribuinte em sua impugnação. Pelo contrário, confirmam o entendimento do AuditorFiscal autuante. Pelo entendimento do recorrente tanto a fiscalização como a DRJ, inobstante todo um esforço empreendido na análise dos lançamentos da empresa, não conseguiram entender o que esta tinha realizado. O recorrente insiste em dizer que os lançamento realizados a débito de despesas de contingências e a crédito de contingências a pagar seria, não um reconhecimento das despesas de tributos de exercícios anteriores, mas sim uma reversão dos créditos utilizados naquelas compensações que não foram reconhecidas pela receita federal. Ora, vejamos a lógica do contribuinte: Quando o contribuinte realizou a compensação dos créditos com os débitos, em diversos anos anteriores a 2009, este alega que Fl. 1579DF CARF MF 12 realizou a tributação dos valores dos créditos e que, assim, como realizou a desistência, estaria fazendo a reversão. Ocorre, no entanto, que como o próprio ADI 25/2003 apresenta, tal tributação não ocorreu imotivadamente. Vejamos o dispositivo: Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Vejase que o fato de o contribuinte ter levado à tributação os valores que compunham os créditos utilizados na compensação não foi de graça. Ele somente tributou aquilo que, computado como despesas do exercício em que foram gerados. Assim, quando realizada a compensação a tributação dos valores compensados ANULOU os efeitos da dedução das despesas anteriormente realizadas. Em relação aos créditos adquiridos de terceiros, nem esse efeito de anulação ocorreu. Em relação aos créditos de terceiros, não tendo havido utilização como despesas, não houve necessidade de tributação, apenas uma troca de ativos do caixa para impostos a recuperar e a diferença do acréscimo patrimonial é levada a resultado. Do exposto demonstrase que, contabilmente, não faz sentido fazer a “reversão” dos créditos não utilizados para despesas, senão o contribuinte estaria deduzindo como despesas, créditos inservíveis que o mesmo possuía e dos quais renunciou integralmente ao direito destes. Ora essa perda do ativo do contribuinte não pode ser utilizada como dedução do lucro líquido por absoluta falta de previsão legal. Vejase os dispositivos abaixo. LEI DAS S/A Demonstração do Resultado do Exercício Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.575 13 ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Verificandose toda a legislação do Imposto de Renda observamos que não existe nenhuma previsão de dedução de perdas do ativo circulante relativa a créditos. As perdas dedutíveis, à exemplo de créditos inadimplidos, somente são admitidas em relação ao que estiver autorizado na norma. A título de exemplo localizamos um exemplo de prejuízos não operacionais com perdas, conforme abaixo indicado. Entretanto, mesmo quanto a isto, não são admitidas deduções em relação a bens tornados imprestáveis. Prejuízos Não Operacionais Art. 511. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros da mesma natureza, observado o limite previsto no caput do art. 510 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 31). § 1º Consideramse não operacionais os resultados decorrentes da alienação de bens ou direitos do ativo permanente. § 2º O disposto no caput não se aplica em relação às perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente em virtude de terem se tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata. Fl. 1581DF CARF MF 14 Assim, cai por terra o argumento do recorrente quando entende realizar a reversão da compensação levando a perda de seus crédito à conta de despesas, mais ainda quando se observam os lançamentos questionados pela fiscalização e abaixo exemplificados. Mais ainda, o contribuinte em suas alegações sustenta que a Delegacia de Julgamento e a fiscalização não compreenderam seus lançamentos porque os valores dos débitos e créditos seriam idênticos, pois a atualização seria a mesma para ambos. Só que não é isto que ocorre. Sobre os créditos compensados incide apenas a atualização pela SELIC e não multa de mora, esta só incide sobre os débitos. Se acontecesse a reversão postulada pelo contribuinte, aos créditos utilizados somente seria possível a incidência da atualização pela SELIC. Vejase, por exemplo, teoricamente um crédito compensado no seu vencimento, como ocorreu em diversos PER/DCOMP. O crédito utilizado foi atualizado apenas pela SELIC. Quando da desistência do recurso, os débitos serão atualizados pela SELIC e, ainda, acrescidos de multa moratória para fins de inclusão no parcelamento. Quando aos créditos utilizados, estes somente poderiam ser atualizados pela SELIC e nunca acrescidos de multa moratória, como quer fazer crer o contribuinte, pois não há previsão legal na legislação para isto. Quanto à inobservância do regime de competência, desnecessário fazer maiores análises. O próprio contribuinte admite que os débitos foram objeto de compensação, ou seja, foram extintos mediante processos de compensação na forma do art. 156, II, do CTN. Sendo extintos por compensação as respectivas despesas foram levadas à resultado nos respectivos exercícios em que foram apresentados os processos de compensação. CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: .............. I o pagamento Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.576 15 II a compensação; Mais ainda, a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa não tem o condão de desconstituir os débitos que foram compensados. Na manifestação e recursos seguintes do processo o que se discute, apenas e tão somente, é o montante do CRÉDITO. Assim, confirmase que o valor dos débitos, confessados que foram quando dos pedidos de compensação, teria obrigatoriamente de ter sido reconhecido em períodos anteriores. A título de atenção ao princípio da eventualidade, devemos deixar claro que aqui não cabe ao contribuinte dizer que estaremos analisando o caso com base em fundamento diferente do que foi utilizado pela autuação. A autuação foi correta e baseada na inobservância do regime de competência, visto se tratarem de despesas relativas a períodos anteriores. Isto foi o que contribuinte informou durante todo o curso da ação fiscal e é o que demonstram os lançamentos por ele apresentados. Em nenhum momento das respostas à fiscalização o contribuinte sequer mencionou que tais lançamentos referiamse à reversão da utilização dos créditos, como apresentou, em nova argumentação, na impugnação e no recurso. Desta forma, analisando em sede recursal todos os argumentos da acusação e da defesa chegamos à conclusão que, efetivamente, houve inobservância do regime de competência pela escrituração de despesas relativas a exercícios anteriores que não seriam cabíveis e, em relação ao argumento de que estes lançamentos tratariam de reversão dos créditos anteriormente utilizados o que estamos argumentando é que isto, mesmo que tivesse ocorrido, não poderia ser deduzido na apuração do lucro tributável da empresa por não ser possível a dedução desta perda e, ainda, porque na época da compensação as parcelas que acaso foram levadas à tributação trataram apenas daquelas cujos valores tenham sido computados como despesas. Do exposto, verificandose não assistir razão ao contribuinte quer quanto a um dos argumentos, quer quanto ao outro, voto no sentido de negar provimento neste ponto. Inexistência de determinação legal para a adição das despesas atinentes à suposta inobservância do regime de competência à base de cálculo da CSLL. Quanto a este item, levandose em consideração que a despesas objeto de glosa foi realizada na DRE do contribuinte, ou seja, influía diretamente na apuração do lucro líquido, quando a ocorrência da autuação o reflexo também ocorre no mesmo lucro líquido, razão pela qual obrigatoriamente há de se refletir na base de cálculo da CSLL, haja vista a norma do art. 1º, da lei nº 7.689/88, que informa que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Assim, quanto a este ponto, o que foi lançado a título de IRPJ se reflete na CSLL. Fl. 1583DF CARF MF 16 DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto ao recurso de ofício a decisão da Delegacia de Julgamento considerou que seriam passíveis de dedução em 2009 os valores relativos a multa de mora e juros sobre os montantes dos débitos tributários, relativos às apropriações do ano de 2009, ou seja, quando os resultados das não homologações da compensações tenham se tornado definitivos em 2009, sobre estes poderiam ser apropriados os valores de multa e juros do ano de 2009 quando os débitos tenham sido compensados no vencimento, posto que, neste caso a multa e juros só se tornaram devidos com a desistência ou julgamento definitivo das ações. Vejamos. Com base neste entendimento, a Delegacia de Julgamento realizou a verificação de todos os débitos que foram objeto das compensações as datas em que foram compensados, as datas de julgamento definitivo e de desistência dos processos e calculou os montantes de multa e juros que poderiam ser apropriados pela empresa no ano de 2009 e que, assim, deveriam ser excluídos da autuação. O outro valor que a Delegacia de Julgamento analisou em favor da empresa referese ao processo nº 10120.005445/9969 no qual o lançamento, este sim, foi relativo à reversão de créditos em face do indeferimento do pedido de compensação em ano anterior. A consideração da Delegacia de julgamento em relação a este processo deveuse ao fato de ser o único lançamento que foi realizado à conta de ativo, fato que analisado em conjunto com a decisão do processo, levou à interpretação de que neste processo era o único caso em que houve, efetivamente, lançamento de reversão de créditos. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 10120.720245/201458 Acórdão n.º 1401002.042 S1C4T1 Fl. 1.577 17 Assim, concordo com o entendimento da Delegacia de Julgamento quanto à impossibilidade de dedução destes valores. E, assim, nego provimento ao recurso de ofício. Quanto a todo o exposto e apresentado nesta peça voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721152/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 25/08/2009 a 07/01/2010
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS EM OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES. APLICAÇÃO DE MULTA.
Demonstrado nos autos que o importador ostensivo não é o real proprietário das mercadorias objeto das importações, sendo seu nome utilizado com o intento de ocultar o verdadeiros adquirente daquelas, resta caracterizada a interposição fraudulenta, havendo de ser aplicada multa equivalente ao respectivo valor
aduaneiro, nos casos em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas.
MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO.
Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a
intimação em procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3302-004.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 25/08/2009 a 07/01/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS EM OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES. APLICAÇÃO DE MULTA. Demonstrado nos autos que o importador ostensivo não é o real proprietário das mercadorias objeto das importações, sendo seu nome utilizado com o intento de ocultar o verdadeiros adquirente daquelas, resta caracterizada a interposição fraudulenta, havendo de ser aplicada multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 25/08/2009 a 07/01/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS EM OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES. APLICAÇÃO DE MULTA. Demonstrado nos autos que o importador ostensivo não é o real proprietário das mercadorias objeto das importações, sendo seu nome utilizado com o intento de ocultar o verdadeiros adquirente daquelas, resta caracterizada a interposição fraudulenta, havendo de ser aplicada multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ubro de 2017 ubro de 2017 Imposto sobre a Importação - II Imposto sobre a Importação - II B A C VEÍCULOS LTDA. B A C VEÍCULOS LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 561DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dèrouléde (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Nunes e Lenisa Prado. Relatório Por muito bem retratar os acontecimentos narrados nos autos, adoto o relatório apresentado no julgamento da impugnação da contribuinte: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 30/09/2014, em face da interessada em epígrafe, com o escopo de se exigir a multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias então importadas, no montante de R$ 515.299,65, com fundamento no art. 23, inciso V, §§ 1° e 3°, do Decreto-Lei n° 1.455/76, além da multa por embaraço ou impedimento à fiscalização, no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto-Lei n° 37/66. Em ação fiscal descrita às fls. 138/194, apurou a Autoridade Fiscal que a Interessada, a empresa BAC Veículos Ltda. - nome de fantasia Valborg -, entre os meses de agosto/2009 a maio/2010, comercializou 07 (sete) veículos cujas importações ocorreram por intermédio da importadora Ecoex; dentre estes, foram submetidos à presente fiscalização os veículos importados por intermédio das DI(s) 09/1128976-8 (chassi 2G1FT1EW7A9108264), 09/1643590-8(chassi JN1AZ44EX9M409087),09/1643847-8(chassi ZAMKL45A590048093), DI 09/1713642-4 (chassis 2G1FT1EW6A9136203 e 2G1FT1EW1A9121589), DI 10/0035106-0 (chassi 1ZVPB8AN4A5138140). Consoante tabela à fl. 142, a fiscalização apurou, além de uma intensa e estranha troca de notas fiscais de remessas e retornos dos veículos entre a Ecoex e a BAC Veículos, que as importações realizadas pelo importador Ecoex tiveram sempre a empresa Berg Trading como exportador. Na movimentação das notas fiscais, verificou-se que a empresa BAC Veículos emitia nota fiscal de retorno de demonstração para a importadora Ecoex, e, em seguida, a empresa Ecoex emitia nota fiscal de venda para o consumidor final. No entanto, não havia o efetivo retorno do veículo para a importadora Ecoex, permanecendo o veículo na BAC Veículos, fato que configuraria uma simulação de retorno. Mais especificamente, restou apurado na ação fiscal que em duas operações a empresa BAC Veículos informou que o veículo foi devolvido, porém, os compradores informaram que retiraram os veículos na empresa BAC, assim como o pagamento foi realizado na conta desta e mediante troca por outro carro; em outras quatro operações, a empresa BAC Veículos informou que o veículo foi devolvido e vendido diretamente pela importadora Ecoex, com a sua intermediação; todavia, em pelo menos duas dessas quatro situações restou demonstrado, consoante Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 562 3 documentos anexados aos autos, que foi a empresa BAC Veículos quem recebeu o pagamento integral. Em suma, evidenciou-se nestas operações que a empresa BAC veículos foi o vendedor de fato dos veículos em comento; entretanto, com o intento de não expor a sua condição de real adquirente (ilícito tributário apontado pela fiscalização - dano ao Erário), essa empresa simulou o retorno dos veículos e a venda destes pela importadora Ecoex, ficando esta responsável pelos tributos decorrentes das operações, sem, no entanto, recolhê-los. Diante, pois, da constatação de ocorrência da infração de interposição fraudulenta em operações de importação, a autoridade fiscal houve por bem lavrar o auto de infração aqui impugnado. IMPUGNAÇÃO - PRELIMINARES Devidamente cientificados a respeito, os Interessados - a empresa BAC Veículos e o responsável solidário Ricardo Emílio Costin (responsável solidário) -apresentaram, tempestivamente, uma única petição na qual expuseram suas defesas; contra o sujeito passivo Ecoex Importação e Exportação Ltda. foi lavrado, pelo fato de não apresentar a impugnação no prazo regulamentar, o termo de revelia à fl. 465. As impugnantes, alegam, em suma, que: O procedimento de fiscalização aduaneiro, tendente a fazer a revisão aduaneira de determinados processos de importação, foi instaurado e conduzido pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte/MG, local onde se encontra a empresa BAC Veículos Ltda., tida como suposta real adquirente das mercadorias importadas; ocorre que a Instrução Normativa/IN RFB n° 680/2006 prescreve que a revisão há de ser realizada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição de fiscalização sobre o domicílio do importador, a empresa Ecoex Comércio Importação e Exportação Ltda. - ME, com sede no Município de Vila Velha/ES; dessa forma, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte/MG é incompetente em razão do território para os procedimentos de revisões aduaneiras em questão. Ocorreu a decadência do direito de lançar qualquer tributo ou penalidade relacionado à DI(s) 09/1128976-8, a qual amparou a importação do veículo chassi 2G1FT1EW7A9108264, nos termos do art. 139 do Decreto-Lei n° 37/66, segundo o qual o direito de impor penalidade extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da infração. Às fls. 364/367, a Interessada expõe argumentos e jurisprudência no sentido de conseguir ver reconhecida e declarada a decadência, posto que o registro da DI em questão deu-se no dia 25/08/2009, havendo já decorrido o prazo legal previsto para o lançamento, haja vista que a Impugnante veio a tomar a ciência do auto de infração somente no dia 10/10/2014. A ação fiscal teve por motivação inicial a Representação Fiscal da Aduana formalizada por intermédio do processo n° Fl. 563DF CARF MF 4 19482.000114/2010-92, bem como pelo fato da existência do processo de n° 10783.721043/2011-87, por intermédio do qual pretendia-se aplicar a penalidade de perdimento de veículos importados pela importadora Ecoex. Cabe ressaltar que a Impugnante não foi parte do processo 19482.000114/2010-92, desconhecendo, portanto, seu limite e teor, não devendo, pois, este processo motivar a ação fiscal em questão. De outro lado, o processo n° 10783.721043/2011-87, no qual a Impugnante encontrava-se no pólo passivo na condição de responsável solidário, transitou em julgado na esfera administrativo com Parecer declarando a ação fiscal improcedente (auto de infração julgado insubsistente), fato que corrobora o entendimento de que o presente procedimento de fiscalização se alicerça em motivos e indícios que foram desconsiderados pela própria Receita Federal do Brasil, passando, pois, a ação fiscal a transbordar os seus limites, haja vista que o objetivo tornou-se outro, qual seja a revisão aduaneira de determinadas importações, valendo, a respeito, transcrever trecho do relatório fiscal segundo o qual durante a condução dos procedimentos, buscou-se averiguar a ocultação do real adquirente nas importações dos veículos. Não há informação, seja no Mandado de Procedimento Fiscal/MPF n° 06.1.51.00-2014-00083-2, ou, no Termo de Início de Procedimento de Fiscalização/TIPF, a respeito de fundada suspeita ou indícios de irregularidade, nem mesmo quais as operações de importação a serem fiscalizadas, consoante prescrição dos arts. 1° e 4° da IN RFB n° 1.169/2011, em que pese a Impugnante haver várias vezes solicitado o motivo da fiscalização, mostrando-se, entretanto, silente o Fisco, fato que prejudica sua defesa e acesso ao contraditório. Ademais, o MPF há de ser anulado, pois, além de não explicitar qual é o cargo e função desempenhada pelo signatário, impossibilitando a análise da legalidade pelo contribuinte, não podendo este, assim, aferir a competência para autorizar a fiscalização, também fora prorrogado sem que fosse apresentado a motivação para tal. Anexados aos autos não se encontram quaisquer indícios de que a Impugnante teria participado das mencionadas operações de importação. Esta, em todo o momento, deixou claro que, além de não participar dessas operações, não as encomendara, não praticando, pois, o ilícito tributário a ela imputado - interposição fraudulenta nas importações. Não demonstrando o Fisco, pois, a ocorrência de sua ocultação nas importações, o lançamento da penalidade não há de prosperar. Na ação fiscal também não foram observadas as formalidades essenciais à validade do auto de infração, motivo pelo qual deve o processo ser anulado, haja vista que em um único auto de infração é imputada, além da multa substitutiva à pena de perdimento, também a multa por embaraço à fiscalização, em desacordo, portanto, com a prescrição do art. 9° do Decreto n° 70.235/72, o qual expressa que a exigência de créditos e a aplicação de penalidade devem ser formalizados em autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade. Ademais, consoante se pode observar à fl. 03 do processo, este teve motivação inicial os processos 19482.000114/2010-92 e 10783.721043/2011-87, dos quais foram utilizadas provas Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 563 5 emprestadas sem que a Autoridade Fiscal especificasse sua origens respectivas, não havendo, pois, qualquer forma de a Impugnante aferir a legalidade dessas, vez que nunca fora intimada - não era parte (ausência do contraditório) - a participar do processo 19482.000114/2010-92, fato que as tornariam inválidas. IMPUGNAÇÃO - MÉRITO No caso considerado, a importadora - a empresa Ecoex - em momento algum foi intimada a comprovar a origem dos recursos, e, mesmo que se pudesse concluir pela ausência de sua capacidade financeira, não se poderia imputar a condição de real adquirente dos veículos à então Impugnante - a empresa BAC Importação - uma vez que, em momento algum se comprovou que ela tenha custeado as importações, não se desincumbido, pois, a Autoridade Fiscal de demonstrar qualquer adiantamento de recursos. Ao contrário do pretendido pela fiscalização, em relação às notas fiscais emitidas nada existe de estranho, uma vez que elas confirmam o que a todo momento foi informado pela Impugnante: (i) os veículos eram enviados para exposição pela importadora Ecoex à Impugnante, com nota fiscal de simples remessa; (ii) os veículos eram colocados à disposição da importadora Ecoex para retirada, com emissão de nota fiscal de retorno emitida pela Impugnante; (iii) às vezes a Impugnante lograva êxito em intermediar vendas. Assim, não prospera a alegação de que os veículos objeto da ação fiscal eram vendidos para a Impugnante, consoante notas fiscais indicadas no processo, haja vista que tais consistem apenas em notas fiscais de remessa. A dedução, pois, no sentido de que o veículo não retornava de fato para a importadora não guarda qualquer relação com o ilícito de interposição fraudulenta imputado, até porque não caracteriza qualquer ingerência da Impugnante nos procedimentos de importações. Inexiste nos autos qualquer referência à fraude ou simulação realizada pela Impugnante, entendendo a fiscalização apenas por 'ocultação dos reais adquirentes' ou 'responsáveis pelas operações' meramente com base no relacionamento comercial entre a Impugnante e a importadora Ecoex, sem a devida demonstração de má-fé ou dolo dos agentes envolvidos. Evidencia-se nos autos que a fiscalização não demonstrou qualquer conduta fraudulenta ou simulada com o objetivo o ocultar o real comprador; ademais, percebido que todos os impostos devidos na importação foram regularmente recolhidos, fica patente a não ocorrência de dolo ou má-fé com vistas a ocultar o real adquirente/comprador, restando, pois, clara a não ocorrência de dano ao Erário, na forma de interposição fraudulenta de pessoas em operações de comércio exterior. De outro lado, a pretensão do Fisco em arrolar como responsável solidário pela obrigação tributária a pessoa do Sr. Ricardo Emílio Costin não há de prosperar, uma vez que a Fl. 565DF CARF MF 6 personalidade jurídica da empresa é diversa da personalidade de seus acionistas e administradores, não podendo, pois, estes serem atacados individualmente, como se a empresa e a pessoa física se confundissem, sem qualquer motivação. Em face, pois, das distintas personalidades, os bens dos sócios ou administradores só poderão ser atingidos acaso restar comprovado que estes agiram com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto, nos termos da legislação pertinente, qual seja o art. 135 do CTN. Já a multa por embaraço à fiscalização não há de proceder, eis que a Autoridade Fiscal no item 6.2 do Relatório de Fiscalização deixou de explicitar quais atos teriam ocasionado o embaraço. Ademais, todas as intimação foram devidamente respondidas no prazo então determinado. Por derradeiro, pede seja declarada a nulidade dos autos de infração, nos termos das preliminares argüidas, ou, caso ultrapassadas, seja reconhecida a insubsistência dos mesmos, em virtude das razões esposadas, cancelando-se os lançamentos ora impugnados". A 20ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal em São Paulo acolheu, em parte, as alegações contidas na impugnação, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 25/08/2009 a 07/01/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS EM OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES. APLICAÇÃO DE MULTA. Demonstrado nos autos que o importador ostensivo não é o real proprietário das mercadorias objeto das importações, sendo seu nome utilizado com o intento de ocultar o verdadeiros adquirente daquelas, resta caracterizada a interposição fraudulenta, havendo de ser aplicada multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 564 7 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado A B A C Veículos Ltda e o Sr. Ricardo Emilio Costin foram intimados sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da impugnação na mesma data - 15/07/2016 (Avisos de Recebimento Postal às folhas 499 e 497 dos autos eletrônicos). O recurso dos dois intimados foi formalizado em uma mesma petição1, esta recebida eletronicamente em 12/08/2016 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 559). Presentes os pressupostos extrínsecos para o conhecimento do recurso, é de rigor a sua submissão à este Colegiado. São os principais argumentos defendidos pelos contribuintes em seu apelo: 1. SOBRE A NÃO APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO JURÍDICOS SUSTENTADOS Os recorrentes alegam que a instância de origem deixou de apreciar argumentos relevantes compilados na impugnação, que são: * Apesar de reconhecer a decadência do direito de lançar, ou seja, de imputar qualquer penalidade em relação a DI 09/1128976-8, não foi analisada a preliminar relativa ao decurso de prazo para proceder com a revisão aduaneira concernente a referida Declaração de Importação; * A decisão também não se manifestou sobre o fato que a autoridade fiscal não explicitou os motivos - de fato e de direito - e nem o real objeto da fiscalização - revisão aduaneira por suspeita de ocultação do real adquirente -, sendo evidente que nem o MPF e nem o TIPF, respectivos ao processo, têm esse objeto; * Não foi enfrentada a argumentação que não há qualquer vestígio e nenhum indício que a empresa B A C Veículos Ltda teria participado das mencionadas operações de importação em que figura como importadora a empresa ECOEX; *A decisão recorrida não enfrentou a alegação de que foi decretada a pena de perdimento sem que o importador fizesse parte no processo de fiscalização, sequer intimado para se manifestar quanto a origem dos recursos que custearam as importações das operações; 1 Do mesmo modo, os autuados - B A C Veículos e Sr. Ricardo Costin - apresentaram suas razões de defesa em uma única impugnação, fls. 357. Fl. 567DF CARF MF 8 * Não foi objeto de análise a alegação que a relação comercial existente entre a empresa recorrente e o importador não caracteriza interposição fraudulenta, não se comprovou que a B A C Veículos custeou as importações ou que tivesse qualquer intervenção e participação nos procedimentos nas operações de importação, bem como qualquer controle negocial ou gestão comercial, adiantamento de recursos, não restando demonstrado a ocorrência de interposição fraudulenta. Em que pese as alegadas omissões perpetradas pela decisão recorrida, não as vislumbro. A decisão recorrida aborda todos os temas relevantes para a devida apreciação da impugnação e, como é cediço, "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis para à sua resolução" (Recurso Especial n. 1.323.065/ PR, Ministro Mauro Campbell, 1ª Seção, julgado em 28/11/2012). Ademais, como se constatará, a própria argumentação trazida pelas ora recorrentes atesta que a instância de origem não quedou-se silente; ao contrário, manifestou-se sobre cada item, porém de forma contrária à pretensão das apelantes. 2. SOBRE AS PRELIMINARES SUSCITADAS. Apesar deste tópico estar elencado apenas no capítulo 4 da petição do recurso voluntário (fls. 518 e seguintes) entendo que trata-se do compêndio sobre as questões preliminares e, por esse motivo, deve ser apreciado antes do mérito da contenda. 2.1. DA INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL. Os recorrentes citam o conteúdo do art. 45 da Instrução Normativa n. 680/2006 para garantir que as revisões aduaneiras devem ser realizadas na unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio do importador. Entretanto, de acordo com o que consta no recurso, o procedimento de fiscalização aduaneiro foi instaurado e promovido pela Inspetoria da Receita Federal em Belo Horizonte, domicílio da empresa B A C Veículos. O correto seria que o procedimento de revisão aduaneira fosse realizado pela repartição da Receita Federal em Vila Velha, Espírito Santo, já que lá se encontra o estabelecimento do importador - ECOEX Comércio Importação e Exportação Ltda. A fundamentação normativa apresentada pelos recorrentes não é pertinente, uma vez que a Instrução Normativa SRF n. 680/2006 disciplina o despacho aduaneiro de importação e a autuação fiscal sob exame ocorreu pela suspeita de ocultação do real adquirente das mercadorias importadas (infração tipificada no inciso V do art. 23 do Decreto-lei n. 1.455/1976). Ademais, o citado artigo 452 apresenta as formas de retificação de declaração após o desembaraço aduaneiro, o que também não ocorreu no presente caso. Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I - de ofício, na unidade da SRF onde for apurada, em ato de procedimento fiscal, a incorreção; ou II - mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 565 9 2.2. SOBRE A AUSÊNCIA/DEFICIÊNCIA DA MOTIVAÇÃO. Os recorrentes defendem que a fiscalização transbordou os limites do MPF n. 06.1.51.00-2014-00083-2, ao ter como objeto a revisão aduaneira de determinadas operações de importação. Isso porque consta nos autos que a motivação inicial da fiscalização foi a análise da Representação Fiscal Aduana, regida pelo Processo n. 19482.000114/2010-92. Ao verificar as operações da primeira recorrente, constatou-se a existência do Processo n. 10783.721043/2011-87, em que foi aplicada a pena de perdimento dos veículos importados pela ECOEX. Esclarecem que a decisão proferida no Processo n. 19482.000114/2010-92 confirma que a contribuinte recorrente não participou daquela autuação, desconhecendo o seu teor, o que confirma que não poderia ser utilizada como fundamentação para a autuação sob debate a Representação Fiscal Aduana vinculada àqueles autos. Informam que apesar da contribuinte ora recorrente ter sido integrada ao pólo passivo do Processo n. 10783.721043/2011-87, foi emitido o Parecer Conclusivo do SEORT n. 28/2011 que arremata a questão opinando pela improcedência da ação fiscal e pela insubsistência da cobrança. Por esse motivo, a pena de perdimento decretada na lavratura que ensejou na formação do processo de final 2011-87 foi cancelada. A alegação sobre deficiência na motivação da autuação fiscal foi desqualificada no julgamento da impugnação diante do seguinte raciocínio: "Ora, vejamos: (i) o processo de Representação Fiscal tem por objeto relatar a ocorrência de fatos praticados por pessoas § 1º Na hipótese a que se refere o inciso II, quando a retificação pleiteada implicar em recolhimento complementar do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), o processo deverá ser instruído também com o comprovante do recolhimento ou de exoneração do pagamento da diferença desse imposto. § 2º Na análise de pedidos de retificação que se refiram à quantidade ou à natureza da mercadoria importada deverão ser observados, no mínimo, os seguintes aspectos: I - a compatibilidade com o peso e a quantidade de volumes informados nos documentos de transporte; e II - o pleito deve ser instruído com a nota fiscal de entrada no estabelecimento importador da mercadoria a que se refere, emitida ou corrigida, nos termos da legislação de regência, com a quantidade e a natureza corretas. § 3º Na situação prevista no § 2º, poderá ser aceito como elemento de convicção, pela autoridade fiscal, documento emitido por terceiro que tenha manuseado ou conferido a mercadoria, no exercício de atribuição ou responsabilidade que lhe foi conferida pela legislação, no País ou no exterior. § 4º Do indeferimento do pleito de retificação caberá recurso, interposto no prazo de trinta dias, dirigido ao chefe da unidade da SRF onde foi proferida a decisão, nos termos dos artigos 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 5º Ressalvadas as diferenças decorrentes de erro de expedição, as faltas ou acréscimos de mercadoria e as divergências que não tenham sido objeto de solicitação de retificação da declaração pelo importador, que venham a ser apurados em procedimento fiscal serão objeto, conforme o caso, de lançamento de ofício dos tributos incidentes e penalidades cabíveis ou de aplicação da pena de perdimento. § 6º As divergências constatadas pelo importador, entre as mercadorias efetivamente recebidas e as desembaraçadas, deverão ser registradas por esse no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, modelo 6, nos termos do artigo 392 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. § 7º A retificação a que se refere o caput independe do procedimento de revisão aduaneira de toda a declaração de importação que, caso necessário, poderá ser proposta à unidade da SRF com jurisdição para fins de fiscalização dos tributos incidentes no comércio exterior, sobre o domicílio do importador. § 8º A Coana ou a Coordenação-Geral de Tributação (Cosit) poderão editar instruções complementares ao disposto neste artigo. Fl. 569DF CARF MF 10 (físicas ou jurídicas) em uma determinada unidade da RFB a uma unidade da RFB diversa, haja vista esta unidade jurisdicionar as pessoas representadas; em outros termos, o objetivo da representação fiscal é apenas noticiar o ocorrido à unidade competente; ciente da notificação, a unidade de jurisdição das pessoas representadas abrirá as devidas ações fiscais; ressaltamos que, inclusive, poderão ser abertas ações outras contra pessoas que, num primeiro momento, não constavam na representação (efeito reflexo); assim, a simples representação fiscal em nada ofende qualquer direito do contribuinte, eis que o sua defesa e o seu direito ao contraditório estarão garantidos em um eventual Processo Administrativo Fiscal/PAF decorrente; (ii) quanto ao auto de infração lavrado para aplicação da penalidade de perdimento do veículo importado por intermédio da DI 10/0301842-6, nos termos do processo n° 10783.721043/2011-87, o argumento da Impugnante no sentido de que, em sendo responsável tributário neste processo, e, uma vez que a ação fiscal respectiva fora declarada improcedente, o processo não teria lastro para motivar a presente ação fiscal, também não há de vingar pelo fato de o veículo objeto do processo em questão encontrar-se amparado pela DI 10/0301842-6, a qual não é objeto do auto de infração em julgamento". (grifos adicionados). O pronunciamento da Turma julgadora da impugnação é condizente com o conjunto de normas relativas a imposição da pena de perdimento, especialmente se realizado o cotejo dos fatos narrados nos autos com o conteúdo dos dispositivos que integram a IN RFB n. 1.169/2011, que dispõe sobre os procedimentos especiais de controle, na importação ou na exportação de bens e mercadorias, diante da suspeita de irregularidade punível com a pena de perdimento. É de se destacar que a IN RFB n. 1.169/2011 impõe ao auditor fiscal a obrigatoriedade em promover investigações quando se deparar sobre suspeitas de irregularidade punível com pena de perdimento, independentemente de ter sido iniciado o despacho aduaneiro ou de que o mesmo tenha sido concluído (art. 1º). Ademais, a listagem prevista na mencionada IN das hipóteses que configuram a suspeita não é taxativa, o que permite garantir que a os fatos compilados na Representação Fiscal retratam os motivos que configuram a suspeita relevante e que não pode ser desconsiderada pela autoridade fiscal, sob pena de sofrer responsabilização funcional. 2.3. SOBRE A AUSÊNCIA DE FUNDADA E SUSPEITA E EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS NO MPF. Transcrevem o conteúdo do art. 53 do Decreto-lei n. 37/1966 que decreta que somente a fundada suspeita de ilegalidade justifica a adoção do procedimento especial de fiscalização tendente a aplicação da pena de perdimento. Porém, tal suspeita não foi indicada no MPF n. 08.1.51.00-2014-00083-2 e tampouco no Termo de Início de Procedimento Fiscal n. 2014.00083-001. Esclarecem que foram solicitadas inúmeras vezes informações sobre os motivos que ensejaram a fiscalização, e não obtiveram respostas. Os recorrentes são categóricos ao afirmar que: Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 566 11 "o MPF 0615100/00083/14 e o Termo de Início de Procedimento Fiscal n. 2014.00083-001 não têm como objeto a suspeita de ocultação do real adquirente" (fl. 524) De acordo com os signatários do recurso em tela, a fiscalização promovida está em evidente desalinho com o § 1º do art. 7º da Portaria SRF n. 3.0143, bem como ao art. 4º da IN RFB n. 1.169/2011, que determina: "Art. 4º. O procedimento especial de controle aduaneiro previsto nesta Instrução Normativa será instaurado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) responsável mediante termo de início, com ciência da pessoa fiscalizada, contendo, dentre outras informações: I - as possíveis irregularidades que motivaram a sua instauração; e II - as mercadorias ou declarações objeto do procedimento". Como já esclarecido no item anterior, a fiscalização foi promovida diante do conteúdo da Representação Fiscal Aduana, registrada nos autos do Processo n. 19482.000114/2010-92. E a fiscalização é o procedimento anterior à lavratura do auto de infração; é, como foi muito bem colocado no julgamento da impugnação, procedimento administrativo e não processo administrativo. Esse primeiro momento é investigativo e não está condicionado às mesmas regras do processo administrativo, que deve estrita obediência aos primados da garantia a ampla defesa e ao contraditório. Na petição de impugnação - extensa e detalhadamente fundamentada - não há alegações sobre eventuais cerceamentos ao direito de defesa ou que lhes tenha sido denegado acesso a qualquer tipo de informação ou documento relevante para a demonstração de seus direitos. Por esses motivos alinho-me à turma julgadora da impugnação, por concordar que "os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, evidenciando que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, não ocorrendo as hipóteses de nulidade suscitadas pela impugnante". 2.4. SOBRE AS PRORROGAÇÕES IMOTIVADAS DO MPF. Os apelantes se insurgem contra as prorrogações do MPF de forma imotivada e defendem que a prorrogação que não cumpre os requisitos normativos, maculam a fiscalização de forma insanável. Reconhecem que as decisões deste Conselho não acolhem a nulidade suscitada, porém indicam precedente do Superior Tribunal de Justiça que impõe ao Fisco "o prazo de 60 (sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo fiscal, podendo ser 3 § 1º. O MPF-F e o MPF-E indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes dos respectivos Anexos I e II a esta Portaria". Fl. 571DF CARF MF 12 prorrogado desde que justificada a necessidade de prorrogação do ato administrativo vinculado e motivado" (Recurso Especial n. 666.277/ CE, Ministra Eliana Calmon, 2ª Turma, julgado em 02/11/2005). Ainda que se reconhecesse a pertinência do indigitado precedente à hipótese dos autos - o que se coloca somente para fins de garantir a dialética processual - entendo que a prorrogação da fiscalização se deu, em parte, pelos inúmeros pedidos de extensão de prazo requeridos pelas ora recorrentes. Por esse motivo entendo que as contribuintes não podem se valer de atraso, sendo que são parcialmente responsáveis pela prolongação dos trabalhos fiscais. 2.5. SOBRE A NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DAS FORMALIDADES ESSENCIAIS À VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os recorrentes alegam que o auto de infração é nulo porque formaliza penalidades por infrações distintas em um único procedimento, o que viola o art. 9º do Decreto n. 70.235/1972, o qual reproduzo: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" Sobre tal ilação assim se pronunciou a instância de origem: "Ora, novamente não concordamos com a alegação da impugnante; parece-nos ter havido uma certa confusão de conceitos no argumento esposado, pois, ao contrário do alegado, as multas aplicadas assim o foram por intermédio da lavratura de 02 (dois) autos de infrações, com as formalidades a eles inerentes, consoante podemos perceber às fls. 131/132: enquanto o item 001 cuida da multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadoria sujeita à penalidade de perdimento, o item 002, da multa por embaraço ou impedimento à ação da Fiscalização. São, portanto, dois autos diversos, lavrados para cobrança de multas diversas, e -aqui o motivo da confusão - formalizados em um mesmo processo. Tal fato não implica em declaração de nulidade, não sendo razoável, como pretende a Impugnante, qualquer alegação relacionada ao cerceamento de sua defesa, haja vista que a Impugnante (juntamente com o responsável solidário) tiveram total conhecimento das acusações, com todas as provas a elas inerentes - então anexadas aos autos -, conforme constatamos às fls. 138/194 do Relatório de Fiscalização, o qual é parte integrante e indissociável dos autos lavrados". (grifos adicionados) Contra os fatos descritos acima as recorrentes não apresentaram argumentos valendo-se, apenas, da transcrição do art. 9º do Decreto n. 70.235/1972. Por inexistirem argumentos aptos a desqualificar a decisão recorrida, entendo que neste ponto, esta deve ser mantida em sua integralidade. 2.6. SOBRE A INVALIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 567 13 Noticiam que a instauração fiscal foi motivada pelas constatações presentes nos autos do Processo 19482.000114/2010-92, em que figurou como parte a empresa ECOEX. No entanto, os recorrentes do processo sob julgamento não integraram a lide naqueles autos e o simples fato da B A C Veículos nunca ter sido intimada para fazer parte daquela contenda impede a utilização da prova, já que não foi produzida sob o primado do contraditório. Registram que: "Ora, ao contrário do afiançado pela decisão recorrida, o respeitável auditor fiscal não produziu qualquer prova no caso em tela, mas se limitou a pegar provas emprestadas dos processos 19482.000114/2010-92 e 10783.721043/2011-87, sem, contudo, especificar a origem das provas, de forma individualizada, não havendo como a empresa aferir a legalidade das provas colacionadas" (fl. 530). Como restará demonstrado no tópico sobre o mérito da querela, entendo que as "provas emprestadas" sobre as quais se insurgem as recorrentes não foram o fundamento exclusivo que justificou a autuação fiscal. Compulsando os autos do processo é de fácil percepção que o auditor fiscal lastreou a sua conclusão em um vasto conjunto de provas e indícios, dentre os quais estão as respostas oferecidas pela B A C Veículos às intimações, as informações prestada pelos adquirentes dos veículos internalizados, as movimentações financeiras. Dessa forma, ainda que tivessem sido utilizadas provas emprestadas durante a fiscalização, entendo que essas evidências não macularam o Relatório Fiscal, uma vez que se não tivesses sido carreadas aos autos, provavelmente o resultado seria o mesmo - a lavratura da exigência fiscal. 2.6. DA DECLARAÇÃO DE PERDIMENTO SEM INTIMAÇÃO DA IMPORTADORA. Os recorrentes sustentam que a decisão recorrida não enfrentou a alegação de que foi decretada a pena de perdimento sem que o importador fizesse parte no processo de fiscalização, sequer intimado para se manifestar quanto a origem dos recursos que custearam as importações das operações. Deste modo, "a ação fiscal está maculada pelo vício da nulidade, também pelo motivo da não inclusão/participação do importador dos veículos objeto da aplicação da pena de perdimento, empresa ECOEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, na ação fiscal, por ser sujeito passivo obrigatório em um processo de revisão aduaneira" (fl. 533). Defendem, ainda, que a mera intimação via AR não descaracteriza a imprescindibilidade da fiscalização sobre o importador, "até mesmo porque não existe a confirmação de recebimento do AR de fls. 350, uma vez que está assinalado x que o endereço seria insuficiente" (fl. 533). Concluem que a autuação sob exame é nula, já que: "a ação fiscal de revisão aduaneira não se presta sem que o importador seja o principal fiscalizado, até mesmo porque Fl. 573DF CARF MF 14 somente ele pode prestar as informações necessárias e indispensáveis ao alcance da verdade material, até mesmo porque, estaria se transferindo, indevidamente, o dever da prova ao contribuinte, no caso a empresa recorrente, de procedimentos de importações realizados por terceira pessoa jurídica que não ser confundida com a empresa signatária" (fl. 517). Não merece acolhida a alegação de inexistência de intimação, posto que a intimação foi cumprida e efetivamente respondida pela importador, como se verifica na decisão recorrida: "Então vejamos: o Termo de Intimação Fiscal n° 03, da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos (juntamente com a respectiva resposta da intimada) às fls. 310/313, efetua, dentre outros, questionamentos acerca da capacidade operacional do importador Ecoex; em resposta, esta empresa afirmou que não possui loja, nem armazém ou funcionários, e, instada a detalhar sua estrutura para revenda, distribuição e assistência técnica de seus produtos, respondeu que, "quanto à revenda, disponibiliza seus produtos para demonstração em lojas espalhadas pelo país"; quanto à distribuição, "não existe", bem como não fornece a assistência técnica. Diante de tais fatos, houve por bem concluir a fiscalização que a empresa importadora Ecoex não dispõe de condições operacionais mínimas para o desenvolvimento de seu negócio, configurando, pois, tal situação um indício de que os veículos então por ela importados não se destinavam à comercialização no mercado interno por ela, mas por empresa diversa. Levando em conta a capacidade econômica e financeira do importador Ecoex, constatou a Autoridade Fiscal, conforme fls. 144/146, que, nos termos da alteração contratual da Ecoex, de 03/12/2007, o seu capital social subscrito é de R$ 100.000,00, do qual fora, inicialmente, integralizado R$ 62.000,00. O sócio administrador da Ecoex, o Sr. Érico Felix de Souza, declarou rendimentos de R$ 92.820,00, R$ 68.200,00 e R$ 16.000,00, nos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, respectivamente; de seu lado, a sócia Narjara de Oliveira Freitas declarou ter auferido rendimentos, naqueles mesmos anos calendários, nos valores de R$ 19.404,85, R$ 19.928,60, e, R$ 15.788,12, sendo sua principal fonte pagadora a empresa Liquem Ltda. Esses rendimentos declarados pelos sócios, concluiu a Autoridade Fiscal, demonstram que os sócios não possuíam recursos suficientes para iniciar o negócio de importação de automóveis e motocicletas de luxo, haja vista o alto valor dos veículos. Não iremos aqui discordar, de forma alguma - até pela robustez dos argumentos devidamente embasados - , com o apurado pela fiscalização, e, não nos esqueçamos, trata-se de MAIS um indício. (...) Dessa forma, ao encerrarmos estas questões, temos a convicção plena de que o importador Ecoex não possuía capacidade operacional, econômica e financeira, para administrar as importações objeto da ação fiscal em julgamento. Analisemos, então, a relação comercial entre a Impugnante e o importador Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 568 15 Ecoex, bem como foram efetuadas as vendas dos veículos importados no mercado interno". A questão sobre a intimação da importadora, bem como a qualidade das provas carreadas aos autos, também será abordada nos próximos tópicos. 2.7. DECURSO DE PRAZO PARA A REVISÃO ADUANEIRA QUANTO A DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO 09/1128976-8. Os recorrentes reiteram que a decisão recorrida foi omissa quanto ao argumento que "apesar de não se objeto do MPF, nada mais se pretende que a reanálise de processos de importação representados pelas Declarações de Importação de números 09/1128976-8, 09/1643590-8, 09/1643847-8, 09/1713642-4, 10/0035106-0 e 10/07252229" (fl. 509). Transcrevem os artigos 638 do Regulamento Aduaneiro e o artigo 54 do Decreto-lei 37/1966 para afirmar que a administração tem 5 anos para concluir a revisão aduaneira, tendo como termo inicial a data do registro da declaração de importação e o termo final a data de ciência do contribuinte interessado. Concluem, portanto, que a fiscalização não poderia ter promovido a revisão aduaneira sobre a Declaração de Importação n. 09/1128976-8, porque registrada em 25/08/2009 e a ciência do contribuinte sobre o resultado da revisão ocorreu em 10/10/2014, quando já transcorrido o prazo normativo. Como já esclarecido, não se trata de revisão aduaneira, mas sim de apuração sobre a prática das condutas ilícitas tipificadas no inciso V do art. 23 do Decreto-lei n. 1.455/1976 (com a redação conferida pela Lei n. 10.637/2002). Além do mais, a decisão recorrida reconheceu a decadência do direito/dever do fisco em impor as devidas sanções sobre a Declaração de Importação n. 09/1128976-8, como se verifica no excerto abaixo: " Em um segundo momento, pede seja reconhecida a decadência do direito de lançar qualquer penalidade relacionado à DI(s) 09/1128976-8, a qual amparou a importação do veículo chassi 2G1FT1EW7A9108264, nos termos do art. 139 do Decreto Lei n° 37/66. (...) Comungamos com o entendimento da Impugnante de que, acaso venha a ser comprovado qualquer ocorrência de ilícito tributário, o prazo de 05 (cinco) anos estabelecido para a aplicação da penalidade tem por termo inicial, considerando o caso concreto, o dia do registro da DI. Este, consoante cópia de seu extrato à fl. 319, deu-se em 25/08/2009; de outro lado, a ciência da lavratura do auto de infração houve no dia 10/10/2014, fato que nos força a reconhecer como correto o argumento da Impugnante a respeito da ocorrência do prazo decadencial. Nesta parte, portanto, o credito tributário respectivo há de ser exonerado".(grifos adicionados). Fl. 575DF CARF MF 16 Por esse motivo, entendo que nada resta a ser apreciado sobre esse argumento. 3. MÉRITO Os recorrentes alegam que "a fiscalização faz inúmeras presunções consubstanciadas em fatos e alegações não comprovados, ignora justificativas apresentadas pela recorrente e, ao final, não logra êxito na sua tarefa legal de provar aquilo que afirma" (fl. 511). Sustentam que ainda que os indicativos aventados pela fiscalização, em relação aos veículos importados pela ECOEX, servem para confirmar a empresa recorrente como real adquirente, o que resultaria na decretação de interposição fraudulenta apta a justificar a pena de perdimento. Registram que: "Neste ponto, já nos é pertinente salientar que não fora colacionado aos autos nenhum indício que a empresa B A C Veículos Ltda teria participado das mencionadas operações de importações dos veículos em que figura como importadora a ECOEX, muito menos de qualquer motocicleta. A empresa recorrente em todo momento deixou bem claro que não participou dos processos de importação e que não era encomendante ou a real adquirente dos produtos, afirmando e comprovando que, por vezes, intermediou a venda de alguns carros, o que não se traduz, em hipótese alguma, em ilicitude punível com o perdimento" (fl. 513) Defendem o cancelamento da autuação fiscal porque o seu principal fundamento é que a empresa ECOEX não detinha capacidade financeira para promover as importações, porém não há nenhuma intimação nos autos para que a importadoras apresentasse seus argumentos e provas para combater tal ilação. E que tal alegação já foi desacredita pela própria Receita Federal nas decisões proferidas nos autos do Processo n. 10783.721043/2011- 87, através do Parecer Conclusivo n. 28/2011. Ainda sobre a ausência de manifestação do importador, assim registram os recorrentes: "Ora, não foi concedido ao importador oportunidade para justificar qualquer esclarecimento, se fez ou não empréstimos, não solicitou relatório de movimentação financeira, resumindo, não despendeu qualquer esforço para comprovar que a ECOEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não arcou com a importação, se limitando a dizer que a importadora não tinha condição financeira de arcar com a importação. E com a devida vênia, a simples análise da renda declarada nos anos de 2006 a 2008 não se presta para determinar a capacidade financeira da empresa importadora, posto que esta contabilmente é apurada pela análise do ativo circulante da empresa, outros documentos hábeis para tal assertiva seriam os balancetes e o livro diário, o livro caixa, combinados com a requisição de movimentação bancária" (fl. 538). Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 569 17 E já que não foi possibilitado que a contribuinte ECOEX comprovasse a sua capacidade financeira em promover as operações de importação objeto da fiscalização, não poderia - por uma questão de justiça - apenar a contribuinte B A C Veículos pela suposta ausência de lastro de outra empresa, o que foi feito no caso em tela, já que a autuação lastreia- se no inciso V do art. 23 e parágrafos 1º e 3º do Decreto-lei n. 1. 455/1976. Reiteram que a contribuinte B A C Veículos se limitava a colocar à exposição alguns veículos importados pela ECOEX e o fato dela intermediar algumas vendas configura um mero acerto comercial, mas não caracteriza a interposição fraudulenta. As recorrentes insistem no argumento que não há nos autos provas que a contribuinte B A C Veículos tenha, efetivamente, participado das operações de importações dos veículos importados pela ECOEX, muito menos de qualquer motocicleta, sendo essa alegação "erro crasso cometido pela fiscalização" (fl. 540). Aduzem que a tipificação da ação de ocultação do real adquirente corresponde a manter recôndito relação obrigacional tributária, dolosamente, mediante o emprego de fraude ou simulação. Para a configuração da interposição fraudulenta de terceiros, de acordo com os recorrente, é necessário preencher os requisitos: conluio entre as partes (acordo prévio entre o real beneficiário e o um terceiro sem capacidade financeira); propósito de enganar terceiro ou fraudar a lei; discordância consciente entre a vontade e a declaração (uma terceira pessoa conscientemente tenta encobrir a verdade, mediante a apresentação de declaração falsa). Porém, defendem os apelantes, "no presente caso, nenhum destes requisitos restou demonstrado, ou até mesmo abordado, não havendo como os fatos narrados no auto de infração, parcialmente acatados pela decisão de piso, se subsumirem em ocultação, interposição, simulação ou fraude" (fl. 546 - grifos originais). Sobre a forma como as vendas dos automóveis foram efetivadas no mercado interno, as recorrentes reafirmam que: "com base no Relatório Fiscal, [a decisão recorrida] assinalou a troca de notas fiscais - de remessa e retorno - entre o importador e a primeira recorrente, e que por ser emitida uma nota de retorno de demonstração para o importador ECOEX e este, em momento posterior, emitir uma nota fiscal de venda para o consumidor final, sem que houvesse o retorno do respectivo veículo para a sede do importador isto configuraria uma simulação, ou seja, mais um indício. Realmente não sabemos como essa assertiva pode ser traduzida em indício que a empresa B A C é interposta pessoa, até mesmo porque, no que concerne às notas fiscais emitidas, não existe nada de estranho. Pelo contrário, elas confirmam o que a todo momento foi informado pela recorrente: que era enviada a mercadoria para exposição, com nota fiscal de simples remessa, e que a mercadoria era colocada à disposição da importadora para retirada, com emissão de nota fiscal de retorno, sendo que por vezes a empresa lograva êxito em intermediar as vendas. E as assertivas do item 3.5 do Relatório Fiscal, no sentido de que os automóveis importados pela ECOEX IMPORTAÇÃO E Fl. 577DF CARF MF 18 EXPORTAÇÃO LTDA já teriam sido vendidos, só servem para determinar a substituição da pena de perdimento por multa e corroborar com as informações prestadas pela impugnante, no sentido de que alguns carros ficam no seu 'showroom' para exposição, e que, caso fossem vendidos, com a sua intermediação, poderia fazer jus a uma comissão, dependendo de como seria feita a negociação " (fl. 546). Os recorrentes apontam que não há na autuação fiscal qualquer alegação de dolo ou má-fé, sequer prejuízo ao erário, e sendo o caso de extrema dúvida a respeito das circunstâncias materiais do fato, da extensão dos seus efeitos, deve ser afastada a penalidade de perdimento das mercadorias. Passo as minhas considerações sobre o mérito do recurso. Ao meu ver a alegada ausência de intimação do importador para comprovar a sua capacidade financeira foi suprimida diante das outras provas carreadas aos autos. O auditor fiscal considerou as informações prestadas pela ECOEX ao responder o Termo de Intimação n. 3, em que afirma que não possui loja, armazém ou funcionários; nas informações registradas na alteração contratual da empresa; nas declarações de rendimentos para fins de recolhimento de Imposto de Renda dos sócios da ECOEX (Sr. Erico Felix de Souza e Sra. Narjara de Oliveira Freitas); nas declarações de IRPJ da própria importadora; e no depoimento prestado pelo Sr. Erico, em que declara: "o contrato de câmbio referente à importação não fora ainda fechado, porque "(...) não tendo ainda recebido o pagamento dos compradores, uma vez que a mercadoria não foi entregue, não efetuou o fechamento de câmbio (...). " Tal declaração evidencia a falta de recursos da Ecoex para a efetivação de suas operações de comercio exterior, já que os valores para o fechamento do câmbio só lhe seriam franqueado após a venda da mercadoria". Diante dessas várias fontes, a conclusão a que chegou a fiscalização foi que: "A inatividade da empresa no período imediatamente anterior a sua transformação de restaurante em importadora de veículos de alto valor, a ausência de renda dos sócios, somadas à não comprovação de recursos em importações anteriores, evidenciam que a empresa não possui recursos para as operações no comércio exterior a que se propõe". A autuação contra a B A C Veículos está arrimada, em grande parte, pelos esclarecimentos prestados pelos adquirentes dos veículos que afirmam que a recorrente foi a real vendedora4. Seguem trechos do Relatório Fiscal sobre esses depoimentos: "3.5.1 SR. LUIZ CARLOS CUNHA NACIF - CHASSIN° 2G1FT1EW7A9108264 O veículo Chevrolet Camaro, chassi 2G1FT1EW7A9108264, foi importado pela ECOEX por meio da DI n° 0911289768, registrada em 25/08/2009. Em 04/09/2009 o veículo foi enviado, como remessa para demonstração, da Ecoex para a BAC veículos. Em 18/09/2009 a 4 Foram depoimentos prestados nos autos do Processo n. 10783.721043/2011-87. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 570 19 Veículos emitiu nota fiscal de retorno de demonstração encaminhando o veículo para a ECOEX. No dia 21/09/2009 a ECOEX emite nota fiscal de venda do veículo em nome do Sr. Luiz Carlos Cunha Nacif, Cpf n° 439.166.866-15. Em 04/06/2010, o Sr. Luiz Carlos Cunha Nacif foi intimado a prestar algumas informações sobre a aquisição do veículo. Em síntese, o Sr. Luiz Carlos respondeu: a) Que em 17/09/2009 compareceu a Concessionária Valborg, estabelecida em Belo Horizonte, e, após test drive do veículo Chevrolet Camaro, mencionado no referido termo, decidiu pela compra. b) A transação foi concluída como Sr. Pedro Salvador, consultor comercial, no valor de R$ 180.000,00. c) O veículo foi entregue na data 23/09/2009, na própria Concessionária Valborg, e, como pagamento, transferiu à concessionária um veículo de sua propriedade, tendo quitado o restante, por meio de TED no valor de R$ 80.000,00, na data de 20/10/2009, em nome da BAC Veículos. d) Após entrega do veículo, foi informado que a garantia seria prestada pela empresa Ecoex, que, segundo informações da própria Valborg, seria a importadora e proprietária do veículo. 3.5.2 SRA. GLACYFERREIRA MENDUCI - CHASSIN° JN1AZ44EX9M409087 O veículo Nissan 370Z, chassi JN1AZ44EX9M409087, foi importado pela ECOEX por meio da DI n° 0916435908, registrada em 23/11/2009. Em 07/12/2009 o veículo foi enviado, como remessa para demonstração, da Ecoex para a BAC veículos. Após essa data, estranhamente, é possível visualizar outras diversas notas de remessa enviadas. Em 27/04/2010 a BAC Veículos emitiu nota fiscal de retorno de demonstração 'encaminhando' o veículo para a ECOEX. Em 03/05/2010 a ECOEX emite nota fiscal de venda do veículo em nome do Banco Finasa BMC S/A. Em 04/06/20I0, o Sra. Glacy Ferreira Menducci foi intimada a prestar algumas informações sobre a aquisição do veículo. Em síntese, a Sr. Glacy respondeu: Que o veículo em questão foi comprado em 27/04/2010 na Concessionária da Volvo em Belo Horizonte (Valborg), situada na Av. Barão Homem de Melo, 4.360. Que o veículo estava exposto na vitrine e a Sra Ligia Chamon concretizou o negócio, nos termos do contrato/pedido n° 1.102 de 27/04/2010. O veículo foi entregue no endereço da Valborg em 07/05/2010. Fl. 579DF CARF MF 20 d) Nunca havia ouvido falar, nem sabia da existência da empresa ECOEX. Na verdade, como uma simples consumidora, só fui ver que o carro foi faturado pela mesma, quando do questionamento deste órgão da Receita Federal. e) Os pagamentos foram feitos da seguinte maneira: (i) Um cheque à vista no valor de R$ 5.000,00 conforme recibo e cópia do mesmo em nome da B A C Veículos. (ii) Uma TED de R$ 75.000,00 feita na conta do Banco Itaú (341) - AG 1403 - Conta 30.940-2, em nome de B A C Veículos Ltda. (iii) Entrega de um carro Nissan 350Z 2008/2009, placa HJN 3500 que foi dado como parte de pagamento no valor de R$ 149.000,00. Este veículo esta citado no pedido 1.102 e no termo de declaração de responsabilidade anexos. f) A garantia do veículo em questão me foi garantida pela concessionária VALBORG5. 3.5.3 SR. CARLOS BERQUO DIAS - CHASSIN° JN1AZ44EX9M409087 O veículo Nissan 370Z, chassi ZAMKL45A590048093, foi importado pela ECOEX por meio da DI n° 0916438478, registrada em 23/11/2009. Em 30/11/2009 o veículo foi enviado, como remessa para demonstração, da Ecoex para a BAC veículos. Em 03/12/2009 a BAC Veículos emitiu nota fiscal de retorno de demonstração 'encaminhando' o veículo para a ECOEX. No dia 04/12/2009 a ECOEX emite nota fiscal de venda do veículo em nome do Sr. Carlos Berquo Dias, cpf n° 100.248.161- 91. Em 04/06/2010, o Sr. Luiz Carlos Cunha Nacif foi intimado a prestar algumas informações sobre a aquisição do veículo. Em síntese, o Sr. Luiz Carlos respondeu: Que em 02/04/2009 foi à Valborg onde pode ver a Maserati que trata a intimação. Recebeu a informação que se tratava de um veículo de propriedade da Ecoex que era a empresa importadora do mesmo e quem daria todas as garantias necessárias à operação. Que decidiu pela compra no dia seguinte com o vendedor Pedro Salvador. O valor acertado para a operação foi de R$ 488.133,17, conforme nota fiscal eletrônica de n° 43. c) Que o pagamento foi realizado parte em boleto bancário e parte em espécie. d) O veiculo foi recebido no dia 12/12/2009 na Valborg. 5 Nome fantasia da Empresa B A C Veículos Ltda. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 571 21 Não tendo apresentado os comprovantes de pagamento, em 30/06/2010, o Sr. Carlos Berquo Dias foi reintimado a apresentá-los. Em 12/07/2010, o intimado informou que os pagamentos foram efetivados em duas modalidades, R$ 200.000,00 em TEDs e R$ 288.133,17 em espécie mediante quitação de boleto bancário. Da análise dos documentos comprobatórios temos que foram pagos: (i) Um TED do Banco Bradesco de R$ 65.000,00 para a B A C Veículos em 10/12/2009. (ii) Um TED do Banco Santander de R$ 135.000,00 para a B A C Veículos em 10/12/2009. (iii) Pagamento em espécie de R$ 105.133,17 à ECOEX, conforme recibo. (iv) Pagamento de boleto bancário de R$ 183.000,00 cujo cedente é a ECOEX e o sacado o Sr. Carlos Berquo Dias". E, apesar de intimada várias vezes, a B A C Veículos não apresentou esclarecimentos que pudessem conferir a legitimidade às suas atividades comerciais. Quedou- se silente, até mesmo, sobre as intimações da fiscalização para que apresentasse documentos que pudessem confirmar o modelo de relação negocial que tinha com a ECOEX, especialmente no que concerne a movimentação das notas fiscais. A fiscalização, ao cotejar as informações prestadas pelos adquirentes dos carros com as notas fiscais de devolução emitidas pela recorrente, apresentou o seguinte desfecho: "Na movimentação das notas fiscais, verificamos que a BAC Veículos emite nota fiscal de retorno de demonstração para a Ecoex e em seguida a Ecoex emite nota fiscal de venda para o consumidor final. No entanto, não há o efetivo retorno da mercadoria para a Ecoex, a mercadoria permanece na BAC Veículos, ou seja, há apenas a simulação de retorno. Em duas operações, como as demonstradas no item 9 do tópico 3.7 Dos Fatos, a BAC informou que o veículo foi devolvido, porém os compradores dos veículos informaram que retiraram os veículos na BAC, assim como, o pagamento também foi realizado na conta da empresa e mediante troca por outro carro. Em outras quatro operações, como as demonstradas no item 10 do tópico 3.7 Dos Fatos, a BAC informou que o veículo foi devolvido e vendido diretamente pela ECOEX, com a sua intermediação. Em duas dessas quatro situações ficou demonstrado que a BAC recebeu o pagamento integral pelo veículo. O que fica latente nestas operações é que a BAC é o vendedor de fato desses veículos, todavia, com o objetivo de não expor a sua condição de real adquirente e conseqüentemente não pagar mais tributo nas operações, a BAC Veículos simula o retorno dos Fl. 581DF CARF MF 22 veículos e a venda pela Ecoex, que fica com os encargos tributários da venda. No entanto, como já falado anteriormente, a Ecoex praticamente nunca recolheu os tributos, gerando assim uma operação bastante lucrativa para ambas as empresas". E tais constatações levaram a única conclusão possível: "Todo o artifício utilizado, com vista a não apresentar a documentação solicitada, tem o objetivo de não comprovar de fato o que todos os indícios apontam, ou seja, a BAC optou por não demonstrar/comprovar o pagamento/repasse dos valores a Ecoex, o que inevitavelmente faz prova da empresa como real adquirente dos veículos". Diante dos vários elementos de prova existentes nos autos, acertadamente a fiscalização conclui pela lavratura do auto, já que "o não cumprimento das obrigações acessórias determinadas pelas Instruções Normativas SRF 225/2002 e 634/2006, ocultando dos registros da Receita Federal do Brasil o verdadeiro comprador da carga, BAC Veículos Ltda, efetuou- se operação irregular, incidindo, em delito descrito no art 23, inciso V, do Decreto-Lei 1.455 de 07/04/1976, com nova redação dada pela Lei 10.637 de 30/12/2002". Por tudo o quanto foi esclarecido, não merece reparos a decisão recorrida que manteve a autuação fiscal. 4. SOBRE A MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. As recorrentes demandam o cancelamento da multa por embaraço à fiscalização já que "todas as intimações foram devidamente respondidas e no prazo legal, sendo que o próprio auditor fiscal à fl. 24 afirma que a empresa apresentou documentos importantes, tais como arquivos contábeis e notas fiscais, os quais, conforme resposta ao TIF 2014.00083-004, demonstram a identificação das Notas Fiscais, os valores recebidos e os tributos recolhidos, respectivamente às intermediações efetivada" (fl. 554). O Relatório Fiscal é permeado de referências às intimações não cumpridas pela B A C Veículos, o que acarreta, evidentemente, em embaraço à fiscalização. E, ainda que alguns documentos efetivamente tenham sido entregues pela recorrente, esta deixou de prestar esclarecimentos indispensáveis, os quais foram objeto de 4 intimações por ela ignoradas. Segue trecho da decisão recorrida ao tratar do assunto: "Ora, com a devida licença, não concordamos com tais afirmações: primeiro, porque, apesar de sinteticamente, a Autoridade Fiscal expôs os motivos da multa no item 6.2 do mencionado relatório; segundo, porque, acaso não satisfeita com a descrição neste item, a Impugnante poderia localizá-lo ao longo do processo, consoante fls. 156/157, ocasião em que a fiscalização já explicitara os motivos na 3a intimação efetuada - foram 4 (quatro!); e, terceiro, pelo fato de, em nenhum momento, a Impugnante, ao contrário do afirmado, haver atendido aos Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10611.721152/2014-19 Acórdão n.º 3302-004.901 S3-C3T2 Fl. 572 23 questionamentos - aliás, atendeu-os, mas, com outros. Procedente, pois, a multa exigida por embaraço ou não atendimento à fiscalização, então caracterizada pela não apresentação das respostas aos questionamentos efetuados no prazo estipulado". Assim, entendo que a multa deve ser mantida. 5. SOBRE A INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os apelantes se insurgem contra a imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Ricardo Emílio Constin porque não estão comprovados nos autos que o sócio tenha praticado atos com excesso de poderes, tenha infringido a lei, tenha agido de forma contrária ao estatuto, ou tenha promovida a dissolução irregular da empresa. Citam precedente do Superior Tribunal de Justiça que está em consonância com a tese defendida. Entendo que a decisão, também no que concerne a manutenção do sócio administrador da B A C Veículos no pólo passivo da exigência, não merece reparos. Isso porque o precedente indicado na petição de recurso voluntário não é o mais adequado para guiar a solução da lide, por que trata de questões diversas da que se submete a exame. O julgado mais apropriado, ao meu ver, é o que trata exatamente sobre a responsabilidade pessoal de sócios no que concerne a comprovação de ocultação do real adquirente de mercadorias importadas. No precedente a que me refiro, há expressa interpretação sobre o parágrafo 2º do artigo 94 do Decreto-lei n. 37/66, que expressamente prevê a responsabilização do sócio, ainda que não haja a configuração do dolo. Segue ementa do julgamento a que me refiro: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ADUANEIRO. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA NA IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO. OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA N. 7/STJ. APLICAÇÃO DO ART. 23, V, DO DECRETO-LEI N. 1.455/76, ART. 94, §2º, DO DECRETO-LEI N. 37/66 E ART. 136, DO CTN. 1. O acórdão proferido pela Corte de Origem já analisou suficientemente a questão da proporcionalidade e afastou o pleito do particular de substituir a pena de perdimento pela pena de multa prevista no art. 33, da Lei n. 11.488/2007. Não houve, portanto, violação ao art. 535, do CPC. 2. Consoante se depreende dos autos, foi constatada a ocorrência de simulação, sendo que a empresa S. Panizzon Pneus, CNPJ 09.152.779/0001-35 em verdade atua para ocultar a real importadora a empresa Copal Comércio de Pneus e Acessórios Ltda., CNPJ 88.197.330/0001-60, sendo que o único sócio da empresa S. Panizzon Pneus, CNPJ 09.152.779/0001-35, o Sr. Sthepano Panizzon, CPF 004.811.41-30, em verdade atual como "laranja" da real importadora Copal Comércio de Pneus e Fl. 583DF CARF MF 24 Acessórios Ltda., CNPJ 88.197.330/0001- 60, empresa pertencente a seu pai e seu tio conforme o conteúdo probatório dos autos. Tais fatos não são alteráveis em sede de recurso especial (Súmula n. 7/STJ) e caracterizam a situação de simulação suficiente para a aplicação do art. art. 23, V, e §1º, do Decreto-Lei n. 1.455/76, a possibilitar a aplicação da pena de perdimento. 3. O Decreto-Lei n. 37/66, lei que serve de base ao Regulamento Aduaneiro, tem no seu art. 94, §2º dispositivo de idêntica redação ao art. 136, do CTN ("§ 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato"). Desse modo, a infração que visa a ocultar o real sujeito passivo da obrigação tributária referente ao comércio exterior também é pertinente ao Direito Tributário. 4. O dolo na conduta foi reconhecido pelas instâncias de origem consoante o seguinte trecho: "[...] a atuação da empresa autora é de total permissividade em relação aos comandos diretivos da outra empresa, anuindo expressamente com os objetivos de ocultar o real agente. Logo, há, sim, dolo de praticar a irregularidade aduaneira e, correlatamente, de lesar os interesses alfandegários". Impossível o reexame em razão da Súmula n. 7/STJ. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1276692/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2013, DJe 07/10/2013 grifos adicionados) Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário mas nego provimento. Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Fl. 584DF CARF MF
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