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Numero do processo: 10940.902155/2012-68
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/10/2004 a 31/12/2004
DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO.
A mera comprovação de erro no preenchimento da DCTF não garante o direito creditório. Necessária prova inequívoca da existência do crédito que se pretende homologar.
DA PROVA PARA HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO.
Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônios Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/10/2004 a 31/12/2004 DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A mera comprovação de erro no preenchimento da DCTF não garante o direito creditório. Necessária prova inequívoca da existência do crédito que se pretende homologar. DA PROVA PARA HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. A mera comprovação de erro no preenchimento da DCTF não garante o direito creditório. Necessária prova inequívoca da existência do crédito que se pretende homologar. DA PROVA PARA HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 21 55 /2 01 2- 68 Fl. 63DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônios Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório A Recorrente transmitiu a Dcomp nº 35734.55130.220609.1.3.046320, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 8109, efetuado em 10/12/2004; A SAORT/DRFPONTA GROSSA/PR emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que informou com erro o valor do débito na DCTF sem retificála. A 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora/MG DRJ/JFA entendeu que não houve comprovação do erro em DCTF bem como reconheceu o ônus probatório incumbir à Recorrente para fazer prova de crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho reiterando as superficiais razões apostas na Manifestação de Inconformidade com o pleito final para homologação do crédito alegado. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE DCTF Para se pleitear compensação de créditos pela via administrativa (DCOMP), é indispensável a retificação da declaração que constitui o crédito tributário, no caso em questão, a DCTF. Antes da retificação da declaração materialização do lançamento , o crédito tributário conhecido é aquele apresentado na DCTF original. No caso em análise a Recorrente alega ser detentora de crédito das contribuições PIS e COFINS referências ao quarto trimestre de 2004, fazendo a juntada dos respectivos DARFs. Transmite declaração de compensação, mas não retifica a DCTF dos tributos que alega ter efetuado pagamento a maior, de modo a não ser possível aferir existência de crédito a compensar. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10940.902155/201268 Acórdão n.º 3003000.185 S3C0T3 Fl. 3 3 Além da mera alegação de pagamento a maior, a Recorrente não fez prova, em nenhuma fase processual, do alegado pagamento a maior, seja por meio de apresentação de livros contábeis ou notas de faturamento hábeis a análise precisa do alegado. Por bem adequarse ao caso, valhome de citação feita no Acórdão de Manifestação de Inconformidade de decisão prolatada por este Tribunal Administrativo nos autos do processo de n. 13707.001451/0087: Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. Por mais que se esteja diante de mero erro no preenchimento de DCTF é indispensável a comprovação, por via documental, sobre a existência do crédito que deseja ser homologado. DA COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DO CRÉDITO A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. A compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose tal procedimento a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. A Recorrente sustentou erro no preenchimento da DCTF originais, mas não apresentou DCTF retificadora, bem como outros meios de prova hábeis a demonstrar o crédito pleiteado, sendo imperioso o entendimento que a DCTF serve como instrumento de confissão de dívida e documento hábil a constituir crédito tributário. Fl. 65DF CARF MF 4 Ao avaliar os autos do processo administrativo e os documentos ofertados pela Recorrente, não foi possível identificar elementos probatórios que fossem suficientes para comprovar que o alegado crédito deva ser homologado. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Pela avaliação probatória que faço dos autos somente o recibo de entrega de DCTF à fl. 16 e os DARFs de fls. 12/15 não aclaram a existência de crédito a ser compensado. A Recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Em Fase recursal limitouse a reiterar, de forma perfunctória, as alegações primevas na espera de ter ser crédito reconhecido. Pretensão que não deve prosperar. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a Recorrente apresente declarações retificadoras, folhas de livros fiscais, mas apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, apontando na escrituração contábilfiscal as evidências da existência do crédito para formar o convencimento da Autoridade Julgadora. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10940.902155/201268 Acórdão n.º 3003000.185 S3C0T3 Fl. 4 5 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903933/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 33 /2 01 2- 20 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903933/201220 Acórdão n.º 3201004.776 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.766. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903933/201220 Acórdão n.º 3201004.776 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.903933/201220 Acórdão n.º 3201004.776 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.903933/201220 Acórdão n.º 3201004.776 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13819.903933/201220 Acórdão n.º 3201004.776 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000273/2004-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2004
ADMISSIBILIDADE. DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Decisão recorrida proferida em contexto fático distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DECISÕES PROFERIDAS EM CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Decisão recorrida proferida em contexto fático distinto das decisões paradigmas impede atendimento de requisito específico de admissibilidade de recurso especial, de divergência na interpretação de legislação tributária, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 73 /2 00 4- 14 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 14041.000273/200414 Acórdão n.º 9101004.081 CSRFT1 Fl. 633 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 540/544) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN"), em face do Acórdão nº 110300.078 (efls. 525/531), da sessão de 04 de novembro de 2009, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da ENCOM ENGENHARIA LTDA ME ("Contribuinte"), para reduzir a multa isolada ao percentual de 75%. Assim foi ementada a decisão recorrida: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA EM FACE DA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA MULTA ISOLADA QUALIFICADA Na redação originária do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a não homologação da compensação declarada, em face de utilização de credito de natureza não tributária ou cuja oposição ao debito fiscal seja impedida por expressa disposição legal, atrai a imposição de penalidade na ordem de 75% (setenta e cinco por cento) ao invés da pena qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), eis que não caracterizada a fraude, assim compreendida a conduta de impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador do tributo que se pretendeu extinguir pela compensação, nem tampouco o conhecimento dele por parte da autoridade fazendária. Os presentes autos versam sobre auto de infração de multa isolada lavrado com base na redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, em razão de compensação não homologada (declarações encaminhadas antes das alterações da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que instituiu a compensação não declarada), tendo sido aplicado o percentual de 150% (qualificação), por entender a autoridade autuante pela ocorrência de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, e ADI SRF nº 17, de 03/10/2002, nos termos do Despacho Decisório de efls. 409/413, que indeferiu pedido de reconhecimento de direito creditório por serem créditos não tributários e de terceiros. Foi apresentada manifestação de inconformidade pela Contribuinte (efls. 441/461). O lançamento fiscal foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 465/477). Foi interposto recurso voluntário (efls. 483/487), que foi provido parcialmente no Acórdão nº 110300.078, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, para afastar a qualificação da multa isolada, passando a penalidade para o percentual de 75%. Foi interposto recurso especial (efls. 540/544) pela PGFN, indicando o paradigma nº 30239.549, pretendendo restabelecer a qualificação da multa isolada, tendo em vista que a Contribuinte teria indicado à compensação créditos da natureza não tributária, Fl. 633DF CARF MF Processo nº 14041.000273/200414 Acórdão n.º 9101004.081 CSRFT1 Fl. 634 3 proveniente de ação judicial de terceiros, cujo aproveitamento é expressamente vedado pela legislação regente, tendo inserido informações falsas na DCOMP, tendo restado evidente intuito de fraude, agindo com dolo. Requer pelo conhecimento e provimento do recurso para restabelecer a multa isolada no percentual de 150%. Despacho de exame de admissibilidade de efls. 551/553 deu seguimento ao recurso. Cientificada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões (efls. 575 e 577). É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Tratase de recurso especial da PGFN, no qual se pretende devolver para discussão a qualificação da multa isolada (150%) em razão de compensação não homologada (decisão proferida antes das alterações da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que instituiu a compensação não declarada), de créditos não tributários e de terceiros, com base na redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Despacho Decisório que considerou as compensação não homologadas determinou, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 2002, pela aplicação da multa de 150% prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996. O auto de infração entendeu ter restado caracterizada ocorrência de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, pela conduta da Contribuinte em não pagar tributos, caracterizada pelo pedido de compensação com créditos notoriamente não tributários. A matéria devolvida recai exclusivamente a respeito da qualificação da multa isolada (150%). A imputação da multa isolada com fulcro na redação original do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, já está decidida e transitada em julgado no âmbito do PAF. O que se discute é o percentual da multa, se 75% (como entendeu a decisão recorrida) ou 150% (recurso especial da PGFN). Passo ao exame. Contudo, devem ser feitas considerações sobre a admissibilidade do recurso. Isso porque foi apresentado como paradigma o Acórdão nº 30239.549, cuja ementa é a que segue: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS COM CRÉDITOS DE NATUREZA NÃOTRIBUTÁRIA. Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Súmula 3º CC n°6) IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14041.000273/200414 Acórdão n.º 9101004.081 CSRFT1 Fl. 635 4 Procede a imposição de multa de ofício qualificada nos casos em que o crédito oferecido pelo contribuinte à compensação não se reveste de natureza tributária quando comprovado ser do seu conhecimento a impossibilidade do encontro de contas efetuado. Há diferenças entre o contexto fático apreciado entre a decisão recorrida e a paradigma. A decisão recorrida debruçouse sobre situação no qual se discutiam créditos de terceiros e de natureza não tributária. A multa foi qualificada pela autoridade autuante, por entender ter agido a Contribuinte com evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, nos seguintes termos: Fica evidente o intuito do contribuinte de não pagar tributos, caracterizado pelo pedido de compensação com créditos notoriamente não tributários. Anteriormente, havia sido proferido Despacho Decisório pela unidade preparadora, assim manifestandose: 14. Ressaltase que, em virtude do crédito oferecido a compensação ser de natureza nãotributária, os débitos confessados pela interessada nas DCOMP citadas, cadastrados no sistema PROFISC (fls. 160), estão sujeitos a multa de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de acordo com o artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 02 de outubro de 2002. Predicava o ADI SRF nº 17, de 2002: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, declara: Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: I de natureza nãotributária; II inexistente de fato; III não passível de compensação por expressa disposição de lei; IV baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 14041.000273/200414 Acórdão n.º 9101004.081 CSRFT1 Fl. 636 5 Por sua vez, ao apreciar a situação, valeuse a decisão recorrida da seguinte argumentação, para alterar o percentual da multa de 150% para 75%: Contudo, embora pertinente a exigência da multa por força do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2002, na redação vigente à época em que apresentadas as declarações de compensação (março a julho de 2004), em face do crédito ser de natureza não tributária, creio não ser cabível a gradação qualificada. Primeiramente porque o ADI/SRF n° 17, de 2002, foi parcialmente invalidado pelo superveniente § 2o do artigo 18 da Medida Provisória n° 135, de 2002 (Lei n° 10.833, de 2002), que distinguiu as condutas fraudulentas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, das hipóteses de utilização de crédito de natureza não tributária ou que não seja passível de compensação por expressa disposição de lei. Em segundo, e notadamente, porque compulsando as cópias das declarações de compensação de fls. 07/157, em especial a informação constante às fls. 50, 65, 90, apercebo que a contribuinte declarou que seu aventado crédito era de terceiro, em favor de Absoluto Advogados, advindo de decisão judicial transitada em julgado no Superior Tribunal de Justiça em 09/06/1999 e, a ver pelo número do processo judicial (Resp 37.056/PR), que sua origem não repousa em tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal, já que as partes nele envolvidas são o Estado do Paraná e Sociedade Pastoril e Agrícola Ferreira e Toledo Pizza Ltda. Neste sentido, inclusive, a conclusão da autoridade fiscal por ocasião da não homologação da compensação, fl. 205: Entretanto, ao realizar consulta ao processo judicial na página do Superior Tribunal de Justiça na INTERNET (fls. ..), verificase que o processo tomado como base do crédito alegado trata, além de terceiros, de discussão de créditos de natureza não tributária. Portanto, as Declarações de Compensação do contribuinte não devem ser homologadas, tendo em vista que o crédito não é de natureza tributária e não é de titularidade do sujeito passivo. Significa, pois, que além dos motivadores de ineficácia das compensações repousarem no fato de utilização de créditos de natureza não tributária e de pertencerem a terceiro, não há imputação de falsidade das declarações de compensação apresentaras, nem tampouco que estas foram baseadas em documentação falsa. Na ausência destas premissas tenho que a tentativa de compensação, embora tenha surtido o efeito de diferir o pagamento dos tributos indevidamente compensados, não impediu ou retardou o fato gerador da obrigação tributária ou o conhecimento dele por parte da autoridade fazendária, nem tampouco reduziu o montante daqueles. Como se pode observar, a decisão recorrida, diante de situação no qual a Contribuinte veio pleitear aproveitamento de créditos de terceiro (em favor da Absoluto Advogados, em decisão do STJ, Resp 37.056/PR) e não administrado pela Receita Federal Fl. 636DF CARF MF Processo nº 14041.000273/200414 Acórdão n.º 9101004.081 CSRFT1 Fl. 637 6 (Estado do Paraná), entendeu que não haveria que se falar em evidente intuito de fraude, porque teria a Contribuinte declarado todas as informações, devidamente presentes nos autos, tanto que foram utilizadas pela autoridade preparadora na emissão do despacho decisório, e, assim, não teria ocorrido falsidade das declarações de compensação apresentadas, e tampouco teria ocorrido disponibilização de documentação falsa. Por outro lado, a decisão paradigma amparouse em fatos distintos para firmar sua convicção, como se pode observar pelo excerto do voto: Por todo o exposto, a recorrente procedeu à compensação de débitos tributários com créditos nãotributários (obrigações da Eletrobrás), que sabia não autorizada pela legislação tributária federal a proceder estas compensações, pois tinha pleno conhecimento da sua impossibilidade, por meio de vários indeferimentos anteriores de pedidos de compensação, ainda assim, insistiu com prática de promover compensações indevidas. O citado art. 18 estabelece que independe a forma utilizada pelo contribuinte no requerimento apresentado à Secretaria da Receita Federal para que o sujeito passivo fique sujeito à aplicação da multa isolada. A infração que enseja a sua aplicação é a apuração de compensação indevida na hipótese de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, em face do crédito de natureza nãotributária ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso em exame, ficou suficientemente comprovado que a recorrente tinha pleno conhecimento da impossibilidade das compensações requeridas, pois já haviam sido indeferidos pela autoridade administrativa, em processos anteriores, pedidos de compensação de crédito com apólices da Eletrobrás, já tendo, inclusive, conforme consta dos autos, sido a contribuinte alvo de lançamento da multa da mesma natureza e motivação que ora questiona. O que se configura aqui é uma prática reiterada no intuito de se eximir do pagamento de tributos com a compensação de créditos não admitidos pela legislação que rege a espécie. A conduta da contribuinte, consistente em compensar indevidamente os créditos não tributários, sabidamente não compensáveis, demonstra está perfeitamente caracterizada a prática das infrações previstas no art. 72 da Lei n° 4.502/64, na medida em que, assim agindo, a recorrente pretendeu evitar o pagamento dos tributos devidos, afetando os créditos tributários correspondentes. (Grifei) Os elementos fáticos que conduziram a decisão paradigma a manter a qualificação da multa isolada não se encontram presentes nos presentes autos. Na decisão paradigma aduziuse que a parte já havia anteriormente pleiteado os créditos de natureza não tributária, que já haviam sido indeferidos em processos anteriores devidamente cientificados, e, mesmo assim, continuou insistindo na conduta de pleitear os mesmos créditos, tendo restada caracterizada prática reiterada. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 14041.000273/200414 Acórdão n.º 9101004.081 CSRFT1 Fl. 638 7 Ora, resta impossível buscar um cotejo entre o decidido no acórdão recorrido e paradigma, diante da dessemelhança fática, que norteou a qualificação dos fatos e a aplicação do direito. Impossível prever se a decisão recorrida teria afastado a qualificação da multa isolada, caso estivesse diante dos fatos narrados pelo paradigma. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003409/2005-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o primeiro paradigma tratou de situação fática diversa e o segundo paradigma convergiu com o entendimento jurídico do recorrido.
Numero da decisão: 9303-008.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido recurso especial em que não esteja comprovado que, frente a situações fáticas similares, os paradigmas tenham aplicado a legislação de regência, de forma diversa daquela aplicada pelo recorrido. Hipótese em que o primeiro paradigma tratou de situação fática diversa e o segundo paradigma convergiu com o entendimento jurídico do recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 34 09 /2 00 5- 55 Fl. 946DF CARF MF 2 Trata o presente processo de ressarcimento de créditos presumidos de IPI para ressarcimento de do PIS/COF1NS de que trata a Lei n° 9.363/1996 e alterações das Leis n°s 10.276/2001 e 10.637/2002, no montante originário de R$ 5.450.636,88, referente ao quarto trimestre do ano de 2003, de acordo com o pedido de efls. 002 a 011, efetuado em 09/03/2004. Esse pedido foi acompanhado de declarações de compensação de débitos diversos, às efls. 013 a 133. O PARECER SEORT/DRF/BEL Nº 0172 de 03/06/2008, às efls. 639 a 653, não reconheceu a integralidade do crédito, apenas deferindo o direito creditório de R$ 5.283.391,21, em 04/06/2008. Tal redução decorreu da glosa dos créditos relativos aos valores registrados como insumos produtivos: frete, refratários, bolas de aço forjado, concreto refratário, barra de aço, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. Com base nesse parecer, na mesma data, a Delegada da DRF/BEL emitiu Despacho Decisório de efls. 654 a 657, em 18/09/2007, deferindo parcialmente o pedido, no valor reconhecido de R$ 5.283.391,21, homologando as compensações pleiteadas até esse limite. Intimada do despacho (efls. 661 e 662), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 665 a 693, para que fosse afastadas as glosas e reconhecido o direito creditório integral, objeto do pedido de ressarcimento do presente processo, solicitando inclusive, realização de perícia. Já a 3ª Turma da DRJ/BEL, em 04/11/2008, apreciou os pleitos da contribuinte, e elaborou o acórdão nº 0112.430, às efls. 744 a 754, que indeferiu as solicitações da manifestação de inconformidade. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 25/03/2009, às efls. 757 a 795. Em apertada síntese, a contribuinte alegava, no mesmo teor da manifestação de inconformidade: Que a expressão "consumidos " utilizada no Parecer Normativo CST 65/79 e no Parecer Normativo CST n° 65/79 deveria ser entendida em sentido amplo; Que "ação indireta" seria aquela decorrente da participação de produtos não essenciais, porque acessórios, ou melhor, despiciendos para efeito da ultimação do resultado colimado a consumação do processo de industrialização da alumina; Que todos os insumos glosados (ácido sulfúrico, inibidor de corrosão, frete, refratários, bolas de aço forjado, concreto refratário e barra de aço) seriam essenciais à produção da alumina, e, por isso, deveriam fazer parte da base de cálculo do crédito presumido, não gozando de nenhuma relevância o fato de que exista ou não contato físico com o produto; Que a definição legal de industrialização trazida pelo CTN e pelo RIPI não faria menção à ação material e ao contato físico com o produto final na qualidade de condição indispensável a sua definição; Que o ditame hermenêutico segundo o qual apenas os insumos que mantenham contato com o alumínio primário serão capazes de fazer nascer o direito a crédito diria respeito à restrição conceptual violadora do seu patrimônio jurídico, mercê de ato expedido pela Administração Fazendária desamparado em previsão legal. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10280.003409/200555 Acórdão n.º 9303008.038 CSRFT3 Fl. 947 3 Que a expressão "contato direto" não poderia ser tomada como sinônimo de "contato físico com o produto final". Por fim, requereu: Que o direito creditório fosse reconhecido em sua totalidade, desconstituindose as glosas efetuadas pela Fiscalização; Que fosse produzida prova pericial, via auditagem suplementar. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, converteu o julgamento em diligência, em 27/10/2010, por meio da Resolução nº 320100.180, às efls. 830 a 834. A diligência visava que a unidade preparadora confirmasse se os materiais glosados pela fiscalização ácido sulfúrico, inibidor de corrosão, frete, refratários, bolas de aço forjado, concreto refratário e barra de aço são consumidos em contato direito, assim entendido o contato físico, com o produto final alumina. A diligência foi realizada pela apresentação à contribuinte de Termo de Início (efls. 836 e 837) no qual constam as definições do que seriam os insumos glosados, para que a contribuinte se manifestasse a respeito delas. A contribuinte, por sua vez, contrapôs seu entendimento sobre cada um dos itens, no documento de efls. 839 a 841. Concluída a diligência, dela teve ciência a Procuradoria da Fazenda Nacional, manifestandose a Procuradora nos autos às efls. 852 a 863, concluindo que o sujeito passivo não se contrapõe substancialmente às informações postas no Termo de Início da diligência pela fiscalização, limitandose a refutar as teses jurídicas adotadas por ela na definição de insumos e reforçando os argumentos que sustentavam aquelas teses. A mesma 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, no acórdão nº 3201001.423 apreciou o recurso em 24/09/2013, às efls. 866 a 874, e, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário. Tal acórdão teve a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se enquadrem no conceito de matériaprima ou produto intermediário, os quais se desgastem ou sejam consumidos mediante contato direto com o produto na fabricação. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Recurso especial de divergência da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 3201001.423, em 23/10/2013 (efl. 927), e interpôs recurso especial de divergência às efls. 885 a 899, em 11/11/2013. Após efetuar considerações normativas sobre o conceito de industrialização e de insumo, reafirma que esses conceitos são mais largos do que o foram admitidos pela fiscalização e pelo acórdão recorrido, reafirmando a inclusão daqueles insumos em discussão nesse conceito. Esgrime para divergência, os seguintes acórdãos paradigmas, nesta ordem: nº 9303002.055, nº 3102002.012 e nº CSRF/0201.442. Fl. 948DF CARF MF 4 O então Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho de efls. 929 a 932, em 22/05/2015, analisou o recurso especial, com base n os dois primeiros acórdãos referidos, concluindo por darlhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de efls. 929 a 932, em 06/07/2015 (efl. 934) a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da contribuinte em 20/07/2015, às efls. 935 a 944. Inicialmente pugna pelo não conhecimento do recurso especial do sujeito passivo, destacando, após transcrição de trechos dos votos dos referidos arestos, que: a) a discussão travada no acórdão nº 9303002.055 é sobre aquisição de insumos de pessoas físicas e correção monetária do crédito presumido do IPI pela taxa Selic, distanciandose, em matéria fática, daquela tratada no acórdão recorrido; b) no acórdão nº 3102002.012, foi expresso que para serem considerados insumos aptos a gerar créditos presumidos de IPI, deve haver provas de que os bens se integrariam ao produto final, ou consumirseiam no contato físico direto com ele, sofrendo alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não contabilizados em ativo permanente, não discrepando esse entendimento daquele apontado no acórdão a quo. Na sequência, tratando do mérito, faz análise normativa que discrepa frontalmente do entendimento expresso pelo sujeito passivo, invocando inclusive a interpretação restritiva dessas normas tendo em vista a natureza de benefício fiscal dos créditos presumidos do IPI, ao implicarem renúncia de receita tributária. Ao final, a Procuradora pleiteia que não seja dado seguimento ao recurso especial do sujeito passivo, e, caso admitido, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Me alinho ao entendimento da Procuradora quanto ao conhecimento. De início, há que se verificar a questão dos acórdãos paradigmas cuja analise foi efetuada: nº 9303002.055 e nº 3102002.012; restando afastado o de nº CSRF/0201.442, pois a contribuinte não indicou qualquer prioridade de análise. Tal restrição decorre do disposto no § 5º do art. 67 do RICARF vigente à época da interposição do recurso: (...) Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10280.003409/200555 Acórdão n.º 9303008.038 CSRFT3 Fl. 948 5 § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. (...) Num segundo passo, entendo que a contribuinte descumpriu também o disposto no § 6º do RICARF: (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...) Ora, a contribuinte não apresenta qualquer análise do que foi disposto nos paradigmas admitidos, restringindose a repisar seu entendimento sobre a legislação sem apontar onde, nos arestos trazidos como paradigmas se estabelece situação fática similar à do recorrido para que se possa apreciar divergência na interpretação da legislação. Como salientado pela Procuradora em contrarrazões, no acórdão nº 9303 002.055, tratase de discussão exclusivamente sobre a admissão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, inexistindo naquele acórdão qualquer referência sobre esses insumos serem ou não consumidos no processo produtivo, haver frete sobre eles sem destaques nas notas ou mesmo se estariam incorporados ao ativo permanente. Assim, a situação fática em nada guarda similaridade com a do aresto em testilha, até por isso não haveria como realizar o comparativo analítico entre ambos. A única referência a insumos no voto condutor do acórdão é a seguinte: “Com relação à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual me filio: (...) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure",não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito Fl. 950DF CARF MF 6 presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. (...) (Negritos do original) Claramente, inexiste qualquer análise de matéria correlata àquela aqui em divergência. Igualmente, para o acórdão nº 3102002.012 inexiste demonstrativo analítico da divergência. Além disso, se ficarmos adstritos à sua ementa, no quer toca aos insumos aqui em discussão, poderia ela ser utilizada no acórdão recorrido sem qualquer problema, ou seja não permite ver divergência: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CONCEITO DE INSUMO NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DA LEI 9.363/1996. 1. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, segundo os critérios estabelecidos na Lei nº 9.363, de 1996, são considerados insumos as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem adquiridos no mercado interno e utilizados no processo fabricação de produto exportado. 2. Também se incluem no conceito de insumos, para o mesmo efeito, os produtos não registrados no ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. (Grifei.) Ou seja, de início já reforça o entendimento de que produtos registrados no ativo permanente não se incluem nos insumos, exatamente o que diz o acórdão a quo, sem que no voto do paradigma se estabeleça qualquer discussão sobre qualquer insumo que fosse assim registrado. Depois, exige que para ser insumo haja consumo, desgaste ou alteração de produtos com ação direta sobre o produto em fabricação, igualmente o conceito adotado pela fiscalização e pelo recorrido. De fato, o acórdão recorrido centrouse na questão probatória, acerca da inclusão do valor do frete no preço do produto (ausência do valor destacado do frete), materiais tratados como insumos mas sujeitos ao registro no ativo permanente, e mercadorias não consumidos diretamente na fabricação do produto. A contribuinte por sua vez quer alargar o conceito, mas não trouxe acórdãos nos quais assim se procedesse. O único alargamento de alcance apresentado foi com relação à origem do fornecimento dos insumos, pessoas físicas e cooperativas, sem qualquer referência à natureza das mercadorias tidas por insumo. Logo, por falta de demonstração analítica da divergência e de similaridade entre o aresto recorrido e aqueles acórdão paradigmas admitidos com base no § 5º do art. 67 do RICARF, voto pelo não conhecimento do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10280.003409/200555 Acórdão n.º 9303008.038 CSRFT3 Fl. 949 7 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 952DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000075/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996
CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
O contratante de serviços de limpeza executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias decorrentes do contrato.
Numero da decisão: 2401-006.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O contratante de serviços de limpeza executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias decorrentes do contrato.
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Recorrente COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O contratante de serviços de limpeza executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias decorrentes do contrato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 75 /2 00 8- 12 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 428 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1251.822, de 15/01/2013, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 295/304): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Em cumprimento à decisão judicial que determinou a verificação de recolhimento pela prestadora de serviços e constatado que houve recolhimento compatível com a RAIS em parte das competências, excluise do crédito lançado tal período, mantendose as demais competências. Impugnação Procedente em Parte O lançamento fiscal deuse originalmente em nome de Esso Brasileira de Petróleo Ltda, CNPJ nº 33.000.092/000169, posteriormente alterada a razão social para Cosan Lubrificantes e Especialidades S/A. Extraise do Relatório Fiscal que, na origem, o processo administrativo é composto da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD) nº 32.707.6437, abrangendo as competências de 11/1995 a 12/1996, relativa à exigência das contribuições devidas à seguridade social decorrentes da responsabilidade solidária do contratante de serviços de mão de obra temporária (fls. 03/06 e 12/15). Segundo o agente fiscal, o lançamento substitui a NFLD nº 32.593.5874, tornada nula, na qual foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais de serviços, quando o correto é o percentual de 50% para a aferição indireta, estabelecido na legislação tributária. A prestadora de serviços é a empresa Personal System Assessoria Empresarial de Serviços, CNPJ 00.489.572/000186. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 429 3 Cientificado da notificação fiscal, em 26/01/1998, o tomador dos serviços impugnou o lançamento tributário, tendo decidido a instância administrativa julgadora inicial pela manutenção do crédito lançado, por meio da emissão da DecisãoNotificação nº 163/98 (fls. 22/45 e 78/82). Apresentado recurso voluntário contra a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu acórdão para negar provimento ao apelo recursal (fls. 87/108 e 123/130). Após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa, foi comunicada a prolatação de acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, posteriormente com trânsito em julgado, no qual anulouse o processo administrativo, a partir da lavratura da notificação fiscal, determinando ao Fisco a prévia verificação da existência de pagamentos efetuados pelo prestador dos serviços no que tange às obrigações tributárias exigidas (fls. 136/156). Com o retorno à fase administrativa, os autos foram baixados em diligência, com o objetivo de atender à decisão do Poder Judiciário. Quanto ao resultado da verificação fiscal, a prestadora e a tomadora de serviços foram cientificadas, porém apenas a segunda empresa apresentou manifestação escrita sobre o lançamento (fls. 161/162, 164/171 e 181/186). Ao reabrir o prazo de defesa através de intimação específica, comunicada para ambas as empresas, novamente apenas a tomadora dos serviços se pronunciou sobre o lançamento fiscal (fls. 190/191, 198/231 e 255/260). Realizado outra vez o julgamento em primeira instância, dessa feita a impugnação foi considerada parcialmente procedente, excluindose da notificação fiscal a competência 12/1995, remanescendo parte do lançamento (fls. 295/304). Intimada dessa decisão de primeira instância em 25/03/2013, por via postal, a empresa contratante dos serviços apresentou recurso voluntário no dia 22/04/2013, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 317/318 e 319/324): (i) não foi cumprida a decisão judicial no mandado de segurança, visto que houve exclusivamente verificação dos pagamentos com base nos dados constantes do sistema de informática da administração tributária, quando o correto é a fiscalização direta do prestador do serviço, através do exame de contabilidade, folhas de pagamento e guias de recolhimento; (ii) o prestador de serviços é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, obrigação que apenas transferese ao tomador, pela responsabilidade solidária, quando apurada e certificada a efetiva existência de inadimplemento; (iii) fazse também necessário verificar a eventual cobrança do crédito tributário junto à própria prestadora de Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 430 4 serviços, dado que poderia caracterizar a exigência em duplicidade; e (iv) além disso, quando não resta configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviços, considerando a atividade desenvolvida pela contratada, o lançamento resulta improcedente; e (v) as guias de recolhimento juntadas ao processo comprovam a correta quitação dos valores no que se refere à prestação dos serviços, incluso com respeito às competências que permanecem em cobrança. A pessoa jurídica executora dos serviços, Personal System Assessoria Empresarial de Serviços, foi intimada via edital, em 01/04/2013, porém não foi localizada impugnação/recurso no processo administrativo (fls. 336/337). Em face da emissão de diversas notificações fiscais em nome da empresa autuada, lavradas no curso do mesmo procedimento e envolvendo a mesma matéria de atribuição da responsabilidade tributária solidária ao contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, foi deferido o pedido de conexão para julgamento em conjunto dos recursos voluntários (fls. 342/343). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Com respeito ao lançamento original, permanece em litígio tão somente as competências 11/1995 e 01/1996 a 12/1996, relativamente às contribuições previdenciárias. Antes da implantação do mecanismo de retenção do percentual de 11% na contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecia a responsabilidade tributária solidária, inclusive sob o regime de trabalho temporário. Tal dispositivo de lei sofreu evolução ao longo do tempo. A seguir, levando em consideração o texto original e as modificações promovidas pela Lei nº 9.032, de 28 de abril de Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 431 5 1995, e Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, reproduzo o conteúdo do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: De 25/07/1991 até 28/04/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação. De 29/04/1995 a 20/11/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 432 6 § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. De 21/11/1995 a 29/04/1997 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento Independentemente do período do fato gerador, a responsabilidade solidária do contratante está vinculada, necessariamente, à prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a qual pressupõe a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante. De acordo com o agente lançador, no período do lançamento ficou constatado que a empresa ora recorrente contratou a prestação de serviços de mão de obra temporária (fls. 15). Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 433 7 Na contestação ao lançamento de ofício a pessoa jurídica autuada deixou consignado que houve a contratação de serviços esporádicos de limpeza externa e limpeza de canaletas no seu terminal de carga e descarga. Embora reconhecendo a vinculação com a atividademeio da empresa tomadora, asseverou que os serviços não configuravam cessão de mão de obra, eis que ausente a cessão de determinado trabalhador, tampouco continuidade dos serviços prestados pelos empregados da prestadora no período objeto da autuação fiscal. Não se fazia presente a continuidade dos serviços, porque não realizados diariamente, durante toda a jornada de trabalho, alguns uma ou duas vezes por semana, outros duas vezes por mês (fls. 43/45 e 88/89). Todavia o discurso da recorrente não foi lastreado em qualquer documentação comprobatória das suas alegações, ou mesmo indiciária, estando os autos desprovidos de elementos para demonstrar os fatos que pretende fazer prevalecer no processo administrativo no que diz respeito à natureza e às características dos serviços prestados pela Personal System Assessoria Empresarial de Serviços. De fato, ao compulsar as fls. dos autos não localizei cópias do contrato pactuado entre as partes, de ordens de serviço e/ou notas fiscais, entre outros, que delimitem as atividades executadas à época dos fatos geradores. Dessa maneira, não é possível assegurar, para fins de afastar a cessão de mão de obra, que a contratada não estava obrigada a manter equipe à disposição da contratante. Por sua vez, os serviços contínuos estão relacionados a uma necessidade permanente do contratante, que se repete ao longo do tempo, ainda que realizados de forma intermitente, em alguns dias da semana e/ou horas por dia, antes, durante ou depois do expediente normal da empresa, não havendo exigência do cumprimento pelo trabalhador de uma jornada laboral de 8 horas. A exclusividade não é inerente à cessão de mão de obra, na medida em que é possível a prestação de serviços pelo mesmo segurado simultaneamente a mais de uma empresa, quando permitirem as características dos contratos. Tampouco a pessoalidade é um dos elementos caracterizadores da cessão de mão de obra, podendo o trabalhador se fazer substituir por outro indicado livremente pela empresa cedente, mantidas as condições pactuadas para a realização dos serviços. À vista de tais considerações, entendo que a recorrente não conseguiu desincumbirse do ônus probatório, de maneira tal que continua prevalecendo os fatos trazidos pela autoridade fiscal quanto à contratação de serviços executados mediante cessão de mão obra, com responsabilidade solidária do contratante pelas obrigações previdenciárias decorrentes da pactuação. Em outra de suas alegações a recorrente assevera que a solidariedade tributária prevista em lei ocorre quando a cessão de mão de obra resulta em subordinação jurídica com o tomador de serviços. Equivocase, entretanto, porque caso configurada a subordinação jurídica do trabalhador o vínculo empregatício se institui diretamente com o tomador, na condição de contribuinte. O vínculo de solidariedade na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, é atribuído pela lei ao contratante na condição de responsável tributário pelo pagamento dos tributos, cuja terceira Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 434 8 pessoa, ainda que não realizando o fato gerador da obrigação, encontrase vinculada em decorrência do elo negocial. A garantia a que alude o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, é denominada "solidariedade de direito", pois decorre de previsão expressa em lei específica tributária. Eis o que dispõe, nesse sentido, o art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (GRIFOUSE) O parágrafo único do art. 124 do CTN revela que na solidariedade passiva tributária não existe devedor principal e secundário, podendo, já no lançamento fiscal, ser chamado a saldar a totalidade da dívida um, alguns ou todos os obrigados pela lei. Em outros dizeres, a solidariedade tributária independe de prévia constituição do crédito em face do devedor originário e não comporta benefício de ordem. Tal linha de raciocínio, inclusive, já era adotada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), o qual por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31 de janeiro de 2007, decidiu que: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” É verdade que o TRF/2ª Região, no julgamento do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, sentenciou que a autoridade fiscal deveria verificar, para fins de manutenção do lançamento do crédito tributário em nome da contratante, se a prestadora de serviços já não havia recolhido as contribuições previdenciárias, de modo a evitar o recebimento em duplicidade pela administração tributária. Em momento algum, porém, sobreveio ordem judicial com determinação para a averiguação direta na prestadora, através de procedimento de auditoria "in loco" na escrita fiscal e/ou contábil. Nada obstante, efetivada a busca no sistema fazendário eletrônico, constatouse a inexistência de procedimento de fiscalização junto à empresa prestadora dos serviços no período do lançamento fiscal, nem qualquer pagamento de contribuição previdenciária nas competências de 11/1995 e 01/1996 a 12/1996. Tendo havido a prestação de serviços, tais dados reforçam a inadimplência do executor (fls. 164 e 210). Com base nos documentos que instruem os autos, também não se cogita da existência de duplicidade do débito fiscal no período do crédito tributário, em relação às contribuições previdenciárias vinculadas às notas fiscais de prestação de serviços mediante Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12267.000075/200812 Acórdão n.º 2401006.027 S2C4T1 Fl. 435 9 cessão de mão de obra, não havendo indicação de cobrança pelo Fisco da prestadora de serviços, inclusive na modalidade de parcelamento. Eventual pagamento não registrado no sistema de informática, por razões de erro de preenchimento, extravio de guia e/ou inconsistências, como pondera a recorrente, revestese de excepcionalidade e, como tal, assim deve ser considerado no exame das alegações de cobrança em duplicidade. Segundo as fls. dos autos, não há qualquer indício documental que tenha ocorrido algum recolhimento espontâneo pela prestadora de serviços no que tange ao período de 11/1995 e 01/1996 a 12/1996, apenas conjecturas lançadas pela pessoa jurídica autuada. Para fins de efetivação da responsabilidade tributária da tomadora dos serviços executados mediante cessão de mão de obra, a recorrente afirma que é fundamental a garantia de apresentação de defesa por parte da prestadora, evitandose o recebimento de valores em duplicidade pelo Fisco. Acontece que a prestadora de serviços, há muito tempo, foi declarada inapta pela falta de regularização da situação fiscal, equivalendo tal conduta à dissolução irregular da sociedade empresarial. As tentativas de intimação via postal e/ou edital mostraramse infrutíferas para fins de comparecimento da pessoa jurídica e/ou sócios no processo administrativo (fls. 165, 197, 231 e 336/337). Em resumo, os elementos apontam para a responsabilidade tributária da recorrente, considerando a falta de elisão, na forma dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, e a ausência de comprovação de pagamento das contribuições previdenciárias por parte do cedente da mão de obra. Logo, a decisão de piso não merece reforma, cabendo a manutenção da exigência do crédito tributário relativo às competências remanescentes. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 435DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903936/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.903936/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.779 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente WICKBOLD & NOSSO PAO INDUSTRIAS ALIMENTICIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 36 /2 01 2- 63 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13819.903936/201263 Acórdão n.º 3201004.779 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.769. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.903936/201263 Acórdão n.º 3201004.779 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903936/201263 Acórdão n.º 3201004.779 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903936/201263 Acórdão n.º 3201004.779 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903936/201263 Acórdão n.º 3201004.779 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905431/2016-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.741
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 43 1/ 20 16 -2 5 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.905431/201625 Resolução nº 3401001.741 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.905431/201625 Resolução nº 3401001.741 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.905431/201625 Resolução nº 3401001.741 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.905431/201625 Resolução nº 3401001.741 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.905431/201625 Resolução nº 3401001.741 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.003379/2006-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS NAS AQUISIÇÕES DE GÁS AGA, NITROGÊNIO, GÁS HÉLIO, GLP E PALLETS DE MADEIRA UTILIZADOS NA EMBALAGEM DE PRODUTOS FINAIS. POSSIBILIDADE.
O conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente a despesas incorridas nas aquisições de Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio, GLP e pallets de madeira utilizados na embalagem dos produtos finais.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte.
Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS.
A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.
Numero da decisão: 9303-008.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS NAS AQUISIÇÕES DE GÁS AGA, NITROGÊNIO, GÁS HÉLIO, GLP E PALLETS DE MADEIRA UTILIZADOS NA EMBALAGEM DE PRODUTOS FINAIS. POSSIBILIDADE. O conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente a despesas incorridas nas aquisições de Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio, GLP e pallets de madeira utilizados na embalagem dos produtos finais. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 33 79 /2 00 6- 95 Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.003 2 (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401002.859, de 28/01/2015, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, cuja ementa se transcreve a seguir: Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.004 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. As divergências suscitadas pela Recorrente dizem respeito ao direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto aos custos de aquisições de insumos: (1) Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio e GLP; e (2) estrados de madeira (pallets de madeira) utilizados na embalagem dos produtos finais. O Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, conforme depreendese do despacho de admissibilidade, ás efls.2631/2633. A Contribuinte apresentou contrarrazões, ás efls. 2801/2822, pugna pela inadmissibilidade do Recurso interposto pela Fazenda, caso conhecido, seja negado provimento, mantendo que restou decidido no Acórdão nº 3401002.860 que acolheu o direito de crédito da COFINS referente aos itens: Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio e GLP e estrados de madeira utilizados na embalagem dos produtos, pois tratamse de insumos com referibilidade – direta ou indireta – à atividade da empresa. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte também interpôs Recurso Especial, contudo não logrou êxito em juntar paradigmas aptos a configurar a divergência entre os contextos fático/jurídicos que permitisse acolher recurso, conforme despacho do Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, ás efls.2949 /2955. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.005 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, trata o presente processo de Declarações de Compensação vinculadas a Pedido de Ressarcimento em que se pleiteia a utilização de créditos da COFINS referentes ao 2º trimestre de 2005 para a extinção de débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e de juros de CPMF. O despacho decisório não reconheceu o direito creditório pleiteado pela Contribuinte. A matéria devolvida para esta E. Câmara Superior, cingese a divergência com relação ao conceito de insumo para fins de ressarcimento das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS, especialmente sobre custos incorridos com Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio e GLP; e estrados de madeira (pallets de madeira) utilizados na embalagem dos produtos finais. Com efeito, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.006 5 total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.007 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.008 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerando se a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Destarte, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.009 8 determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Centrandose a divergência dos autos, verifico que a Contribuinte tem como objeto social atividades relacionadas atividades "industriais, comerciais e de promoção de vendas (marketing) relativas a (i) instalação e operação de um centro de serviços de produtos siderúrgicos; (ii) instalação e operação de uma linha de galvanização por imersão a quente; (iii) instalação e operação de linhas de solda a laser para produção de blanques soldados voltados para produção automobilística; e (V) promoção (marketing) e vendas dos produtos da Companhia e de terceiros (...)". Analisando a quaestio, como dito em linhas acima, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, de modo que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Compulsando aos autos, verifico que a Contribuinte utiliza "Gás Hélio, Nitrogênio, Argônio e Hidrogênio, em seu processo de produção referente a zincagem que consiste na aplicação de zinco às chapas de aço para proteção e resistência à corrosão do metal e acabamento. Quanto ao Hidrogênio e Nitrogênio, são utilizados no processo de zincagem no Forno de Cozimento e na Navalha de Controle de Revestimento. Para a utilização no Forno de Cozimento, o Hidrogênio é misturado ao Nitrogênio na Estação de Mistura criando uma combinação denominada HNx. Esta mistura de gases visa garantir a atmosfera adequada no interior do forno para o processo de recozimento. Sem essa mistura de gases não é possível obter a qualidade que se espera do processo de zincagem, tornando o produto inapto para venda à indústria automotiva e utilização para produtos da linha branca. Após o processo de recozimento, a chapa de aço passa na Navalha de Controle de Revestimento para retirada do excesso de zinco a partir de um sistema de sopro de Ar/Nitrogênio em alta vazão. Este processo é necessário para obter as características superficiais de revestimento necessárias para o atendimento das especificações dos materiais que requerem certas condições de aspecto. O processo de solda a laser consiste em processo de corte das chapas de aço de forma mais rápida, com maior qualidade e com redução de defeitos pela deformação do produto. O processo visa atender determinados setores do mercado como de construção civil, automotivo e linha branca. No processo de solda a laser são utilizados os gases Hélio, Dióxido de Carbono, Nitrogênio, Argônio e Hidrogênio. O Dióxido de Carbono e Hidrogênio são empregados na emissão do laser; o Nitrogênio ou Argônio auxiliam na excitação das moléculas (gás de assistência) e o gás Hélio na dissipação do calor gerado pelo campo elétrico. O gás GLP é utilizado pela Recorrente no abastecimento das empilhadeiras que funcionam à combustão. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.010 9 O Gás empresa AGA apesar de alguns gases utilizados pela Recorrida estarem identificados de forma genérica como gás AGA, a sigla AGA referese, atualmente, à empresa Linde Gases Ltda., que comercializa gás Argônio, Dióxido de Carbono, Hélio, Hidrogênio, Nitrogênio e Oxigênio. Ou seja, os gases adquiridos da empresa AGA são gases que são utilizados na produção pela Recorrida e, portanto, seus custos geram direito a crédito. Como se vê, os custos de aquisições dos insumos: Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio e GLP, são essenciais ao processo de produção, portanto, passíveis de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS. No que tange os pallets de madeira utilizados na embalagem dos produtos finais, verifico que são essenciais a atividade empresária, tendo como principal função de acomodar os produtos no estoque da empresa, estes pallets integram o produto final no preço. Portanto, tratamse de pallets conhecidos como “oneway”, ou seja, sem retorno, o que afasta o seu enquadramento como bem do ativo imobilizado. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância , considerando se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Vejamos fragmentos do Voto: "São "insumos", para efeitos do art. 3º., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Observase, como bem delineado no voto proferido pelo eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, que a conceituação de insumo prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 está atrelada ao critério da essencialidade para a atividade econômica da empresa, de modo que devem ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo , de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto; é fora de dúvida que não ocorre a ninguém afirmar que os produtos de limpeza são insumos diretos dos pães, das bolachas e dos biscoitos, mas não se poderá negar que as despesas com aqueles produtos de higienização do ambiente de trabalho oneram a produção das padarias. A essencialidade das coisas, como se sabe, opõese à sua acidentalidade e a sua compreensão (da essencialidade) é algo filosófica e metafísica; a maquiagem das mulheres, por exemplo, não é essencial à maioria dos homens, mas algumas mulheres realmente não a podem dispensar – e não a dispensam – ou seja, Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.011 10 lhes é realmente essencial e isso não poderia ser negado; em outros contextos, dizse até que certa pessoa é essencial à existência de outra – não há você sem mim e eu não existo sem você, como disse o poeta VINÍCIUS DE MORAES (19131980) – mas isso, como todos sabemos, é claramente um exagero carioca e não serve para elucidar uma questão jurídica de PIS/COFINS e muito menos o problema que envolve a essencialidade das cosias e dos insumos: é apenas uma metáfora do amor demais. A adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final". Nos termos do art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. In verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014". Deste modo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio impositivo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.012 11 “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Destarte, o conteúdo contido no artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS, referente a despesas incorridas nas aquisições de Gás AGA, Nitrogênio, Gás Hélio, GLP e pallets de madeira utilizados na embalagem dos produtos finais. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 10768.003379/200695 Acórdão n.º 9303008.047 CSRFT3 Fl. 3.013 12 Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3013DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.730388/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2012, 2013
IOF. CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. NÃO INCIDÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Cabe ao Fisco comprovar que as operações escrituradas na contabilidade do Contribuinte devem ter sua natureza jurídica reavaliada, porque teriam características de operação de crédito correspondentes a mútuo, sendo que deve prevalecer a presunção de veracidade e legitimidade dos livros, não havendo a incidência do IOF sobre operações comerciais lançadas na conta-corrente entre empresas ligadas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. NÃO INCIDÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Cabe ao Fisco comprovar que as operações escrituradas na contabilidade do Contribuinte devem ter sua natureza jurídica reavaliada, porque teriam características de “operação de crédito correspondentes a mútuo”, sendo que deve prevalecer a presunção de veracidade e legitimidade dos livros, não havendo a incidência do IOF sobre operações comerciais lançadas na conta corrente entre empresas ligadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 03 88 /2 01 6- 41 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 756 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 702 a 765) interposto pelo Contribuinte, em 3 de agosto de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0839.223 (fls. 656 a 689), de 14 de junho de 2017, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 454 a 508). Com o intuito de bem compreender o caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de auto de infração lavrado em face da pessoa jurídica VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A, doravante denominada VOTORANTIM, para a exigência de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/01/2012 a 31/12/2013, no montante de R$ 62.172.991,76. I. Do procedimento fiscal De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 431/445, o procedimento fiscal foi deflagrado mediante o Termo de Início de Fiscalização (TIF) de fls. 34/36, emitido em 28/03/2016, do qual a interessada tomou ciência em 31/03/2016 (vide Termo de Ciência à fl. 38). Nesta data a empresa foi intimada a apresentar diversos documentos necessários à análise da sua regularidade fiscal. A realização do procedimento fiscal baseouse na escrituração contábil digital ECD da empresa dos anos de 2012 e 2013, disponibilizadas no ambiente nacional do SPED Sistema Público de Escrituração Digital , instituído pelo Decreto n° 6.022/2007. O acesso a estes arquivos digitais, via ambiente SPED, foi comunicado ao contribuinte por meio do TIF. Em 20/04/2016, compareceu à DRF/REC o Sr. Phelippe Falbo Di Cavalcanti Mello OAB/PE n° 24.635, apresentandose como procurador da empresa fiscalizada, para entregar parte da documentação solicitada (itens 1, 2, 20 e 27 do TIF), bem como requerimento de prorrogação de prazo por mais 30 (trinta) dias, com relação aos demais itens solicitados pela Fiscalização, no que foi atendida (fls. 44/73). Em 27/04/2016, a Fiscalizada apresentou arquivos digitais referentes ao Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), relativos aos anoscalendário 2012 e 2013 (fl. 74), conforme solicitado no TIF (item 4). Em 11/05/2016, a Fiscalizada compareceu à unidade da RFB para apresentar os itens 5, 7, 12, 15 e 16 do TIF, bem como requerer a prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias para a apresentação dos demais documentos solicitados naquele Termo, no que foi atendida (fl. 75). Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 757 3 Em 17/05/2016, a Fiscalizada tomou ciência do Termo de Intimação n° 01 (fls. 136/140), para que prestasse diversos esclarecimentos concernentes à natureza jurídica de contas contábeis e comprovações de valores objeto de lançamento na ECD, referentes à apuração do IOF, objeto do Relatório de Auditoria, e do IRPJ/CSLL devidos. Em 31/05/2016, a Fiscalizada compareceu à DRF Recife para cumprir as exigências contidas nos itens 6, 11 e 19 do TIF, e solicitou prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias para apresentar os documentos ainda pendentes, no que foi atendida (fl. 76). Em 06/06/2016, foi apresentada parte da documentação exigida no item 5 do Termo de Intimação n° 01, e solicitada nova prorrogação de prazo para a apresentação dos documentos ainda pendentes, por mais 20 (vinte) dias (fl. 98). Em 20/06/2016, foram apresentados os documentos relativos aos itens 6, 10 e 17 do TIF, e solicitou prorrogação de prazo, por mais 20 (vinte) dias para as demais pendências (fl. 77). Em 27/06/2016, o sujeito passivo apresentou resposta aos itens 1, 2 e 6 do Termo de Intimação n° 01, requerendo o prazo de 20 (vinte) dias para providenciar os demais elementos/esclarecimentos ainda não apresentados (fls. 99/100). Em 11/07/2016, a Fiscalizada apresentou documentos relacionados aos itens 10, 19 e 22 do TIF, bem como esclarecimentos sobre seus itens 18 e 20, requerendo ainda a prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias para os demais elementos ainda não fornecidos (fls. 78/79). Em 18/07/2016, deuse a resposta aos itens 03 e 04 do Termo de Intimação Fiscal n° 01, acompanhada da solicitação de prorrogação do prazo para apresentação dos demais documentos/esclarecimentos, por mais 20 (vinte) dias (fls. 101/104). Em 01/08/2016, a Fiscalizada apresentou resposta complementar ao item 10, bem como a documentação requerida no item 24 do TIF, solicitando prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias para apresentação dos documentos pendentes (fl. 81). Em 08/08/2016, o sujeito passivo apresentou, mais uma vez, pedido de prorrogação de prazo para atendimento das pendências relacionadas ao Termo de Intimação n° 01, item 4 (fl. 109). Em 22/08/2016, a Fiscalizada requereu prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias para apresentação dos elementos ainda pendentes relacionados ao TIF (fl. 80). Em 29/08/2016 e em 12/09/2016, a empresa apresentou esclarecimentos relacionados ao Termo de Intimação n° 01 (fls. 82/97 e 110). Em 31/10/2016 a empresa foi cientificada, via ciência eletrônica, dos Termos de Intimação n° 02 e 03 (fls. 142/167), ambos relacionados a pedidos de esclarecimentos sobre rubricas das folhas de pagamentos apresentadas à Fiscalização e suas contabilizações, além de pedidos de apresentação de documentos referentes aos lançamentos contábeis realizados, tendo sido apresentadas as respectivas respostas em 08/11/2016 (fls. 112/120), 18/11/2016 (fls. 121/122), 28/11/2016 (fl. 123) e 15/12/2016 (fl. 124), para o Termo de Intimação Fiscal n° 02, e em 21/11/2016 (fls. 125/126), 01/12/2016 (fl. 127) e 15/12/2016 (fls. 128/130), para o Termo de Intimação Fiscal n° 03. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 758 4 Em 04/11/2016, a interessada foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal n° 04 (fls. 169/172), para apresentação de demonstrativos de incentivos fiscais, tendo apresentado respostas em 17/11/2016 (fls. 131/132), 28/11/2016 (fls. 133/134) e 15/12/2016 (fl. 135). Foram recebidos pela Fiscalizada, em 17/11/2016 e 02/12/2016, Termos de Prorrogação de Prazo da Intimação, tendo sido concedidos os pedidos de prorrogação apresentados pela empresa (fls. 174/181). Anexo ao Relatório de Auditoria consta extrato das DCTFs dos anoscalendário 2012 e 2013 (fls. 183/232), consolidando os valores devidos de tributos confessados pelo sujeito passivo, sendo que apenas aquelas transmitidas pela empresa antes do início do procedimento fiscal foram consideradas válidas pela Fiscalização. Constam, ainda, extratos referentes aos DARFs encontrados referentes ao período fiscalizado (fls. 233/242). Mediante o Termo de Intimação Fiscal n° 01, de 17/05/2016 (fls. 136/140), relativamente aos anoscalendário 2012 e 2013, a Fiscalizada foi intimada a explicar a natureza jurídica dos saldos e lançamentos contábeis nas contas analíticas abaixo listadas, mediante a apresentação dos contratos de mútuo entre as "partes relacionadas" porventura existentes (vide Livro Razão das referidas contas às fls. 313/351): Período: 01/01/2012 a 31/12/2012 Período: 01/01/2013 a 31/12/2013 A autoridade fiscal observou, ainda, a existência no passivo das contas "22201020 Conta Corrente Comp. Ligadas" e "22201110 Caixa Único Comp. Ligadas", as quais foram consideradas na apuração dos saldos devedores diários de lançamentos consolidados, que se referem, igualmente, a mútuos entre as empresas coligadas (vide Livro Razão das referidas contas às fls. 352, 382/396). Em resposta à aludida intimação, a empresa apresentou os seguintes esclarecimentos, in verbis: Em relação aos Itens 1 e 2 do TIF 1: Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 759 5 (i) Conta Contábil n° 12201030 (Conta Corrente Comp. Ligadas): A INTIMADA esclarece que se trata de conta utilizada para fins de controle dos lançamentos de débito e crédito na conta corrente mantida entre empresas do Grupo Votorantim ("GRUPO"). Nesse cenário, o detalhamento e comprovação dos lançamentos constantes da conta corrente podem ser verificados da análise do anexo Razão Contábil (Doc. 01). (ii) Conta Contábil n° 12201060 (Títulos a Receber Comp. Ligadas): A INTIMADA informa que se trata de conta utilizada para controle de recebíveis decorrentes de operações realizadas entre a INTIMADA e empresas do GRUPO. A INTIMADA esclarece ainda que o valor do saldo da conta tem origem em anos anteriores e que não houve movimentações no decorrer dos anos calendários de 2012 e 2013, conforme atesta o anexo Razão Contábil (Doc. 02). (iii) Conta Contábil n° 12201110 (Caixa Único Comp. Ligadas): A INTIMADA esclarece que a gestão de recursos do GRUPO à época era realizada de forma centralizada pela Tesouraria da empresa holding do GRUPO ("HOLDING"). Nesse cenário, a INTIMADA informa que a presente conta é utilizada para fins de controle das transferências realizadas entre a INTIMADA e a HOLDING. O detalhamento e comprovação dos lançamentos constantes da conta podem ser verificados da análise do anexo Razão Contábil (Doc. 03), o qual demonstra que os saldos da respectiva conta são sempre zerados ao final dos anoscalendários. (iv) Conta Contábil n° 12201040 (Mútuo a Receber Comp. Ligadas): A INTIMADA esclarece que se trata de conta utilizada para registrar contratos de mútuo celebrados com outras empresas do GRUPO. No que se refere ao período objeto da fiscalização, a INTIMADA esclarece que em 11.12.2013 celebrou contrato de mútuo, por meio do qual disponibilizou à empresa Votorantim Cimentos S/A um crédito de R$ 648.822.211,65 (Doc. 04). O IOF incidente sobre a referida operação foi devidamente recolhido, conforme demonstra o comprovante anexo (Doc. 05). Por fim, a INTIMADA informa que o detalhamento e comprovação dos lançamentos constantes da referida conta podem ser verificados da análise do anexo Razão Contábil (Doc. 06). (v) Conta Contábil n° 12201020 (Conta Corrente Acionistas): Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 760 6 A INTIMADA esclarece que os lançamentos registrados na conta são decorrentes de meros ajustes contábeis e não correspondem a operações efetivas, conforme se pode observar da análise do Razão Contábil relativo à conta (Doc. 07). Como se verifica dos esclarecimentos prestados, apenas foi efetuado o recolhimento do IOF devido relativamente à operação de mútuo da conta "0012201040 Mútuo a Receber Comp. Ligadas", tendo sido apresentado o comprovante de recolhimento do IOF apurado sobre o contrato de mútuo lançado a débito nesta conta. Com relação às demais contas, a intimada inferiu não se tratarem de base de cálculo do IOF. No entanto, em análise às contas nº 0012201030 – “Conta Corrente Comp. Ligadas" e nº 0012201110 – “Caixa Único Comp. Ligadas", a autoridade fiscal concluiu que ambas consistem em conta corrente/caixa único entre a Fiscalizada e seu grupo e que, a despeito do seu entendimento pela não incidência do IOF sobre tais repasses, não se pode deixar de observar sua natureza jurídica. Dessa forma, as operações registradas nas contas acima identificadas foram tidas como mútuos financeiros, já que tiveram por objeto recursos em dinheiro disponibilizados sob qualquer forma por mutuante pessoa jurídica, estando sujeitas à incidência do IOF, nos termos do art. 13 da Lei n° 9.779/99, do art. 2º, inciso I, alínea "c", e do art. 7º, inciso I, alínea "a" e § 13, do Decreto n° 6.306/2007 (Regulamento do IOF), bem como do art. 7º da IN RFB nº 907/2009. Da ação fiscal acima descrita resultou a lavratura do Auto de Infração de fls. 423/430, em que se apurou FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, infração esta devidamente detalhada em seus anexos. A exigência do IOF devido teve por fundamento o disposto no art. 5º, § 3º, art. 44, inciso I e §§ 1º e 2º, e art. 61 da Lei nº 9.430/96, c/c os arts. 2º, inciso I, 3º ao 7º, 47, 49 e 50 do Decreto nº 6.306/2007, que regulamenta o IOF. A apuração da base de cálculo do imposto encontrase detalhada no documento “Apuração do IOF – Consolidação Diária de Lançamentos nas Contas” às fls. 397/420, e levou em consideração que a VOTORANTIM realizou, na condição de mutuante, operações de mútuo por meio de conta corrente com valores do principal e prazos indefinidos, tendo deixado de recolher o IOF de sua responsabilidade. Aplicouse, assim, o disposto no art. 7º, inciso I, alínea “a”, nº 1, §§ 12, 13, 15 e 16, do Decreto n° 6.306/2007. Os cálculos do IOF normal (alíquota de 0,0041% incidente sobre o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês) e do respectivo adicional (alíquota de 0,38% incidente sobre os acréscimos de mútuos no mês), referentes aos AC 2012 e 2013, constam das planilhas de fls. 421/422, abaixo reproduzidas: Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 761 7 A ação fiscal se encerrou parcialmente em 26/12/2016, conforme o Termo de Encerramento de fls. 446/448, por meio do qual se cientificou a contribuinte, em 27/12/2016, do total do crédito tributário constituído (R$ 62.172.991,76). II. Da Impugnação Cientificada do auto de infração em 27/12/2016 (fl. 450), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 454/508 em 25/01/2017, na qual sustenta, em síntese, o que se segue: II.1. Preliminar de nulidade pela ausência de demonstração da matéria tributável a) a autoridade fiscal desconsiderou os esclarecimentos prestados pela Impugnante quanto à natureza jurídica dos lançamentos contábeis realizados nas contas analíticas questionadas, entendendo que as operações realizadas caracterizariam mútuo de recursos financeiros; Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 762 8 b) a fiscalização sustenta que o Decreto n° 6.306/2007 determina que o imposto incida sobre operações de crédito entre pessoas jurídicas, "seja qual for a sua forma jurídica". Nesses termos, afirma que operações de conta corrente entre empresas relacionadas também estariam sujeitas à incidência do IOF, pois seriam "verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros"; c) a fiscalização parte da premissa de que toda e qualquer transação no âmbito de uma operação de conta corrente (contábil ou decorrente de contrato de caixa único) corresponde a uma operação de mútuo de recursos financeiros e, portanto, estaria sujeita à incidência do IOF, posição esta equivocada, visto que há diferenças substanciais entre operações de mútuo e de conta corrente; d) a fiscalização deve demonstrar que as transações realizadas entre empresas relacionadas efetivamente apresentam os requisitos para que sejam caracterizadas como mútuo de recursos financeiros, nos termos da legislação aplicável; e) cada lançamento contábil pelo qual se verifique a entrega de recursos deve ser analisado individualmente, devendo ficar evidente sua caracterização como uma operação de mútuo de recursos financeiros em oposição a operações de natureza diversa, como, por exemplo, um adiantamento, um reembolso de despesa, um pagamento, uma despesa compartilhada ou uma liquidação por encontro de contas; f) nem toda transação no âmbito de um contrato de conta corrente caracteriza mútuo de recursos financeiros, sendo indevida a generalização das operações fiscalizadas sem a efetiva demonstração da ocorrência dos fatos geradores do IOF; g) em razão da inadequada descrição dos fatos tributáveis, que acarreta cerceamento do direito de defesa, assim como da ausência de demonstração do enquadramento na hipótese legal adotada como fundamento para a autuação, resta caracterizada violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972, restando configurada a nulidade do auto de infração, nos termos do art. 59 deste decreto e do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. II.2. Da inexigibilidade de IOF – Crédito sobre Operações de Conta Corrente a) enquanto a hipótese de incidência do IOF prevista pela Constituição Federal e delimitada pelo CTN utiliza a expressão operações de crédito, a Lei n° 9.779/99 instituiu o imposto especificamente sobre operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, expressão significativamente mais restrita; b) isso evidencia o exercício parcial da competência tributária outorgada à União Federal para a instituição do IOFCrédito sobre operações entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; c) da premissa de que apenas as operações caracterizadas como mútuo de recursos financeiros é que serão passíveis de tributação com base no art. 13 da Lei n° 9.779/99 decorre a conclusão de que não será toda e qualquer operação de crédito realizada entre pessoas jurídicas que estará sujeita à tributação pelo IOFCrédito; d) esta interpretação é ratificada pelo dever de observância à legalidade (art. 150, I, CF, e art. 91, I, CTN) e pelo disposto no art. 108, § 1°, do CTN, que dispõe que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei; Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 763 9 e) disso decorre que a definição de mútuo de recursos financeiros estabelecida pelo Direito Civil e Empresarial não pode vir a ser ampliada pela legislação tributária; f) o Ato Declaratório SRF n° 07/99, utilizado pela autoridade fiscal para corroborar a lavratura do auto de infração, não altera esta conclusão porque, ao estabelecer a incidência de IOFCrédito sobre operações de conta corrente, este ato normativo extrapola os limites estabelecidos pela legislação; g) apenas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros estão sujeitas à tributação pelo IOFCrédito instituída pelo art. 13, da Lei n° 9.779/99; h) a Impugnante realiza dois tipos de operações de conta corrente: a primeira, registrada na conta n° 12201030 "Conta Corrente Comp. Ligadas", sem a formalização de contrato e realizada contabilmente entre empresas do Grupo; a segunda, registrada na conta n° 12201110 "Caixa Único Comp. Ligadas", objeto de contrato específico (fls. 561/579) e realizada apenas com a holding do Grupo; i) a fiscalização entendeu que, seja qual for a modalidade de conta corrente, tais operações seriam uma forma de mútuo financeiro, pois também envolveriam a disponibilização de recursos financeiros e a obrigação de restituição de bens da mesma natureza; j) de acordo com a fiscalização, os lançamentos nas contas correntes contábeis da Impugnante envolvem múltiplas operações de mútuo que difeririam no valor, nos destinatários e no tempo de duração, mas que não descaracterizariam o contrato de mútuo para fins de tributação pelo IOF; k) tal entendimento, entretanto, não pode juridicamente prevalecer, pois os lançamentos contábeis registrados sob as rubricas "Conta Corrente Comp. Ligadas" e "Caixa Único Comp. Ligadas" não apresentam os elementos necessários para que as operações realizadas possam ser juridicamente qualificadas como mútuo financeiro entre empresas relacionadas; l) o contrato de mútuo financeiro e o contrato de conta corrente diferenciamse em, pelo menos, dez aspectos: (i) natureza jurídica do contrato; (ii) natureza das obrigações das partes; (iii) objeto da obrigação; (iv) pretensão das partes contratantes; (v) operações subjacentes aos contratos; (vi) divisibilidade das obrigações; (vii) quantidade de operações; (viii) forma de adimplemento; (ix) incidência de juros e, por fim, (x) forma de extinção do contrato; m) a absoluta distinção entre o contrato de mútuo financeiro e o de conta corrente impede que se qualifiquem juridicamente as operações existentes no âmbito de um contrato de conta corrente como mútuo financeiro, assim como que sejam equiparadas para que se lhes atribua o mesmo tratamento tributário. II.3. Da inexistência de lançamentos contábeis correspondentes a mútuo de recursos financeiros nas contas fiscalizadas a) a fiscalização não cumpriu com seu dever legal de apontar irregularidades na escrituração efetuada, de modo a comprovar a alegada natureza de mútuo dos lançamentos contábeis efetuados nas contas "Conta Corrente Comp. Ligadas" ou "Caixa Único Comp. Ligadas"; Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 764 10 b) não há qualquer comprovação de que estes lançamentos apresentam os requisitos necessários à configuração de operações de mútuo, ou mesmo demonstração da imprestabilidade da escrituração contábil apresentada, devendose reconhecer sua força probatória para afastar a pretendida tributação pelo IOF; c) é decisivo que se reconheça a força probatória da escrituração fiscal da Impugnante para que se atribua adequadamente a qualificação jurídica para as operações registradas nas contas objeto de fiscalização; d) os lançamentos contábeis examinados não representam remessa autônoma de valores, mas são amparados por um negócio jurídico que lhes é subjacente; as movimentações financeiras examinadas não são únicas, mas sucessivas e reiteradas; ao contrário do mútuo financeiro, as remessas de valores registradas são recíprocas; diante da multiplicidade de lançamentos, não é possível identificar credores ou devedores antes do encerramento da respectiva conta; e a comparação entre o valor das movimentações financeiras registradas na aludida conta contábil e o valor de operações de mútuo efetivamente realizadas pela Impugnante corrobora a distinção entre a natureza jurídica de cada operação; e) a formalização conjunta de contrato de gestão de caixa único e contrato de conta corrente não desfigura a natureza dos acordos celebrados, pelo contrário: justamente por tratarse de instrumentos complementares a serem cumpridos de maneira interligada, a celebração do contrato de gestão de caixa único evidencia a existência de uma relação jurídica subjacente à celebração do contrato de conta corrente; f) os registros na respectiva conta contábil não representavam obrigações autônomas, mas movimentações financeiras realizadas com base no contrato de conta corrente e caixa único celebrado entre a Impugnante e a gestora do caixa único (holding), sendo que cada remessa ou recebimento de valor era derivada do contrato de caixa único e, portanto, não consubstanciava operação autônoma de entrega ou disponibilização de valores correspondente a mútuo de recursos financeiros; g) por fim, as operações de mútuo efetivamente realizadas foram registradas em conta contábil própria (n° 12201040 "Mútuo a Receber Comp. Ligadas") e formalizadas por meio de instrumento particular de contrato de mútuo financeiro, sobre o qual se deu o recolhimento de IOF, nos termos do art. 13 da Lei n° 9.779/99. II.4. Da Decadência Parcial do crédito tributário relacionado à conta n° 12201030 "CONTA CORRENTE COMP. LIGADAS" a) ainda que se entenda pela tributação pelo IOF das operações realizadas pela Impugnante registradas na conta contábil n° 12201030 "Conta Corrente Comp. Ligadas", há que se reconhecer a decadência parcial do crédito tributário com relação a esta rubrica. b) especificamente no que diz respeito à conta contábil n° 12201030 "Conta Corrente Comp. Ligadas", parte do saldo devedor diário tomado como base de cálculo pelo auto de infração foi originado por operações financeiras realizadas em período anterior ao objeto da presente autuação (iniciadas em 2007); c) a base de cálculo adotada pelo auto de infração contempla fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da sua lavratura, acarretando a decadência parcial do crédito tributário; Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 765 11 d) de acordo com o art. 63, inciso I, do CTN e com o art. 1°, inciso I, da Lei n° 5.143/66, o surgimento da obrigação tributária de IOF Crédito ocorre no momento da efetiva entrega ou disponibilização do valor objeto da operação de crédito contratada; e) assim, o saldo devedor diário acumulado em razão de operações financeiras realizadas fora do prazo decadencial do tributo não pode compor a base de cálculo adotada. II.5. Dos pedidos Ao final, o requerente vem apresentar os seguintes pedidos: 3.1. Do exposto, REQUER seja recebida a presente Impugnação, e julgada integralmente procedente, para o efeito de declarar a nulidade ou, não sendo isso feito, a total insubsistência do auto de infração decorrente do processo administrativo n° 10480730.388/201641 (TDPF n°. 04.0.01.00201600010 8), nos termos da fundamentação exposta. 3.2. Por fim, a Impugnante protesta pela utilização de todos os meios de prova admitidos pelo Direito, nos termos da legislação processual aplicável. A Fazenda Nacional, em 7 de fevereiro de 2018, apresentou as Contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 823 a 842). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0839.223 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Assim ficou a ementa da decisão ora recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2012, 2013 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA DE IOF. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação correspondente a mútuo sobre a qual incide IOF, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 766 12 É irrelevante para fins tributários que os recursos financeiros sejam disponibilizados pela mutuante na forma de pagamentos de obrigações da mutuária. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento) deverá incidir sobre o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, não havendo que se perquirir o momento em que os saldos devedores foram gerados para fins de expurgar da tributação os que foram contabilizados há mais de 5 (cinco) anos, mostrandose bastante, para demonstrar a regularidade da autuação, que o fato gerador mais antigo constante do lançamento ainda não tenha sido fulminado pelo direito de lançar, consoante o regramento contido no art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de ausência de pagamento ou ainda de dolo, sonegação ou conluio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste preterição do direito de defesa quando toda a matéria fática e legal foi extensivamente descrita na autuação e tão bem compreendida que a empresa autuada logrou produzir em sua peça impugnatória uma extensiva gama de argumentos que julgou oportunos para embasar a sua defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS COLACIONADAS. EFEITOS. Decisões administrativas emanadas de outros órgãos do contencioso, ainda que proferidas pela segunda instância administrativa, exceção feita àquelas pautadas em Súmula chancelada pelo Ministro da Fazenda, não ostentam efeito vinculante perante as DRJs. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Recurso Voluntário, repisando os argumentos já expostos quando da impugnação, trata em sede de preliminar da nulidade do auto de infração pela ausência de demonstração da matéria tributável. No mérito, da inexigibilidade da incidência de IOF sobre operações que considera de conta corrente, expondo o entendimento adotado pela decisão recorrida; da Lei nº 9.779/1999 e o fato gerador do IOFCrédito; da proibição de ampliação do significado normativo dos termos empregados pela legislação (art. 13 da Lei nº 9.779/1999); da inexigibilidade de incidência de IOFCrédito sobre as operações de conta corrente, em que faz distinção entre contrato de mútuo financeiro e o de conta corrente; a inexistência de lançamentos contábeis correspondentes a mútuo de recursos financeiros nas contas fiscalizadas, salientando a força probatória da contabilidade da recorrente com os lançamentos contábeis realizados na conta contábil nº 12201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas – na Conta nº 12201110 – Caixa Único – Comp. Ligadas ; e, por fim, da decadência parcial do crédito tributário relacionados à conta nº 12201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas. A Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, cuida, entre outras matérias, Das operações de mútuo e a incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF. Assim estabelece no Art. 13: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 767 13 incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. No entender da fiscalização, bem como da Turma de Julgamento, as operações de conta corrente realizadas pelo Contribuinte correspondem a operações de crédito, que configura operação corsrespondente a mútuo, visto que envolvem a disponibilização de recursos financeiros que deverão ser restituídos com prazo determinado ou indeterminado. Portanto, sobre essas operações deve incidir o IOF com as mesmas normas aplicadas às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras, no caso, o art. 13 da Lei nº 9.779/1999, que autoriza a cobrança de IOFCrédito. Preliminar: nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa O Contribuinte requer, por primeiro, o reconhecimento da nulidade do auto de infração em decorrência de alegada preterição do seu direito de defesa. No recurso o Contribuinte salienta que o fato da fiscalização considerar as operações de conta corrente como contrato de mútuo não basta, visto que a fiscalização deveria ter demonstrado as transações realizadas entre as empresas, com análise individual de cada lançamento contábil, para não tratar de forma genérica todas as operações. Enfatiza a violação do art. 142 do Código Tributário Nacional do disposto no Decreto nº 70.235/1972. Assim dispõem o Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Já o Decreto nº 70.235/1972 que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal assim estabelece: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I A qualificação do autuado; II O local, a data e a hora da lavratura; III A descrição do fato; IV A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 768 14 VI A assinatura do atuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifouse). Na leitura do Relatório do presente acórdão percebese a narrativa da participação da autoridade fiscal e do Contribuinte na prestação e coleta de informações necessárias ao presente processo, com as devidas datas e atendimento de itens solicitados pela fiscalização, bem como, dos pedidos de prorrogação atendidos pela autoridade administrativa, o que auxilia na caracterização do exercício do direito de defesa do Contribuinte. Já na leitura do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 431 e seguintes) percebese de forma clara que a autoridade fiscal apontou os fatos e os descreveu, demonstrando a matéria tributável, como se pode perceber nestes trechos: 4.1 Como se verifica, através do Termo de Intimação Fiscal no 01, de 17/05/2016, relativamente aos anos calendários de 2012 e 2013, a Fiscalizada foi intimada a explicar a natureza jurídica dos saldos de lançamentos contábeis nas contas analíticas abaixo, apresentando os contratos de mútuos entre as “partes relacionadas” porventura existentes: (...) 4.2 Observese que ainda há, no passivo, as contas “22201020 – Conta Corrente Comp. Ligadas” e “22201110 – Caixa Único Comp. Ligadas”, que foram consideradas na apuraçaõ dos saldos devedores diários de lanca̧mentos consolidados, que se referem, igualmente, a mútuos entre as empresas coligadas. 4.3 Em resposta a esta intimação, a Fiscalizada apresentou os seguintes esclarecimentos: (...) 4.4 Como se verifica dos esclarecimentos prestados pela Fiscalizada, a mesma apenas efetuou o recolhimento do IOF devido relativamente à operacã̧o de mútuo da conta “0012201040 – Mútuo a Receber Comp. Ligadas”, apresentando o comprovante de recolhimento do IOF apurado sobre o contrato de mútuo lançado a débito nesta conta. 4.5 Com relaçaõ às demais contas, entende que não são base de cálculo do IOF. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 769 15 4.6 No entanto, em análise às contas “0012201030 – Conta Corrente Comp. Ligadas” e “0012201110 – Caixa Único Comp. Ligadas”, é de se notar que ambas consistem em conta corrente/caixa único entre a Fiscalizada e seu grupo. E, muito embora tenha entendido pela não incidência do IOF sobre tais repasses, naõ se pode deixar de observar sua natureza jurídica. 4.7 As operações registradas nas contas acima identificadas tratam de mútuos financeiros e todas as operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, quando o mutuante for pessoa jurídica estão sujeitas à incidência do IOF nos termos do art. 13 da Lei no 9.779/99. 4.8 O Decreto no 6.306, de 2007, Regulamento do IOF, em seu artigo 2o, I, “c”, dispõe que o IOF incide sobre operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, enquanto o seu artigo 7o, inciso I, alínea “a” e § 13 determinam que nas operações de crédito entre pessoas jurídicas, inclusive as decorrentes de registros ou lanca̧mentos contab́eis, mas que pela sua natureza importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, a base de cálculo do imposto é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês: (...) 4.10 Ao tratar dessa forma, por óbvio que o legislador quis abarcar todos os negócios jurídicos que representem uma operação de crédito, seja qual for a forma jurídica que se adotar, de modo a ser devido o imposto sempre que alguém coloca à disposição de outrem ou lhe entrega uma soma em dinheiro. Essa, aliás, é a inteligência do art. 3o, § 3o e do art. 7o, § 13 do Regulamento do IOF. 4.11 Assim, afirmase que o contrato de mútuo não é a única espécie contratual que leva à incidência do IOF, tanto que o legislador, quanto ser refere ao mútuo, trata de “operações de crédito” que sejam “correspondentes” àquele negócio jurídico, sem limitar, portanto, a cobrança do imposto exclusivamente sobre este tipo de contrato. 4.12 A sistemática da conta corrente tem como finalidade a realização de remessas recíprocas de valores entre duas pessoas, no caso, pessoas ligadas. Pelo mecanismo da conta corrente registramse movimentações de recursos financeiros que transitam entre os dois patrimônios. Os recursos disponibilizados por uma das partes devem ser restituídos pela outra. 4.13 Nesse sentido, não resta dúvida que as operacõ̧es realizadas sob a forma de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras “operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros”, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente. 4.14 O mútuo subsiste quer haja destino específico para os recursos disponibilizados, quer se destinem a uma despesa já definida, paga ou não pela mutuante. Também não desnatura o mútuo financeiro o fato de que os dois pólos do contrato de conta corrente se alternem nas funções de devedor ou credor. Na realidade, ao contrato de conta corrente, subjazem diversas operações de mútuo que diferem no valor, na mutuante, no tempo de duraçaõ do empréstimo. Assim, diante das alegações do Contribuinte, da legislação de regência e da análise do presente processo, verifico que não ocorreu em nenhum momento ofensa ao direito de ampla defesa e o exercício do contraditório, e com isso, não há que reconhecer a nulidade do auto de infração. Portanto, afasto a preliminar de nulidade do auto de infração por ofensa ao direito de defesa. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 770 16 Mérito: improcedência do auto de infração: conta corrente e caixa único Por segundo, no mérito, o Contribuinte requer a improcedência do auto de infração por entender que as operações de conta corrente e caixa único não se caracterizam como contrato de mútuo, especificamente nas contas “Conta Corrente – Comp. Ligadas” e “Caixa Único – Comp. Ligadas”, portanto, fora do campo de incidência do IOFCrédito. Argumenta o Contribuinte que a disponibilização de recursos financeiros é uma condição necessária, mas insuficiente para a caracterização do mútuo financeiro e de que nem todas as operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas estão sob a égide do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, não sendo possível a ampliação do seu campo de alcance por intermédio da analogia, citando o art. 108 do Código Tributário Nacional. Saliento que a aplicação do art. 108, salvo melhor juízo, se dá no caso específico de lacuna normativa, para colmatar lacuna, o que não é o caso aqui, visto a existência de legislação pertinente, o que afasta a aplicação deste dispositivo. Continua o Contribuinte em seu recurso salientando a inexigibilidade de incidência de IOFCrédito sobre as operações de conta corrente, em que faz distinção entre contrato de mútuo financeiro e o de conta corrente quanto a natureza jurídica; quanto às obrigações das partes contratantes; quanto ao objeto dos contratos de mútuo e de conta corrente; quanto à pretensão das partes envolvidas; da distinção em relação às operações subjacentes ao contrato; da divisão das obrigações; da quantidade de operações no âmbito contratual; da diferença quanto a forma de adimplemento das obrigações advindas dos contratos; da diferença em relação à incidência de juros; e, ainda, quanto a forma de extinção dos contratos de mútuo financeiro e o de conta corrente. Cita decisões do Carf quanto as diferenças acima elencadas. Alega que não existem lançamentos contábeis correspondentes a mútuo de recursos financeiros nas contas que foram fiscalizadas e que a contabilidade da recorrente tem força probatória com os devidos lançamentos contábeis realizados na conta contábil nº 12201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas – na Conta nº 12201110 – Caixa Único – Comp. Ligadas ; e, por fim, da decadência parcial do crédito tributário relacionados à conta nº 12201030 – Conta Corrente – Comp. Ligadas. Cabe para uma correta análise do recurso, a leitura de trechos da decisão ora recorrida para se verificar os fundamentos da decisão (fls. 677 e seguintes): V. Da natureza das operações de crédito realizadas. Da inciden̂cia de IOF. A Impugnante argumenta que os lançamentos identificados em sua contabilidade, mais especificamente nas contas “Conta Corrente Comp. Ligadas” e “Caixa Único – Comp. Ligadas”, objeto da autuação fiscal, não correspondem a operações de mútuo de recursos financeiros, mas a contrato de conta corrente e caixa único, o que afastaria a inciden̂cia do imposto. Antes de adentrar à análise das operacõ̧es em si, releva esclarecer que o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 431/445) não deixou de reconhecer a existência e a validade dos Contratos de Conta Corrente e Caixa Único firmados entre a Impugnante e Companhias Ligadas para os AC 2012 (fls. 561/569) e 2013 (fls. 570/579), tendo relatado a existência da contabilização de um fluxo de crédito rotativo, com valores do principal e prazos indeterminados, caracterizandoo como operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros. É o que se extrai da leitura dos excertos acima transcritos (itens 4.10 a 4.14). (...) Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 771 17 No entanto, a questão não se resume a comprovar que as operações de crédito sobre as quais incidiu o IOF in casu estão albergadas por contrato de conta corrente, para assim afastar a incidência do imposto, se dessas operações resultou a efetiva concessão de empréstimo entre as contratantes. O art. 13 da Lei no 9.779/99, nos limites da autorizaçaõ constitucional e do fixado no CTN, estabelece que o fato gerador do IOF é a operaca̧õ de crédito correspondente a mútuo de recursos financeiros, o que independe da formalização de um contrato, quer seja de mútuo, quer seja de conta corrente: (...) Assim sendo, nas operações objeto da autuação, em que houve a disponibilização de recursos financeiros para pessoas jurídicas ligadas, está caracterizado o mútuo pela transferência do domínio de coisa fungível (dinheiro), sendo a Impugnante sujeito passivo responsável pelo IOF incidente. O Decreto no 6.306/07 reafirma sua sujeica̧õ passiva no art. 5o, inciso III, verbis: (...) Vale afirmar que, no curso de um típico contrato de conta corrente, poderá haver a inciden̂cia do IOF sobre os recursos financeiros disponibilizados, que importem em operação de crédito em favor de uma das contratantes. Isto porque o alvo da lei não é o instrumento pelo qual se formaliza a operacã̧o, mas o negócio jurídico que corresponda a mútuo de recursos financeiros, que pode ou não estar acobertado pelo contrato de conta corrente. (...) Resta claro que a celebraca̧õ de contrato de conta corrente, por si só, não afasta a inciden̂cia do IOF, quando constatada a ocorrência de operaçaõ de crédito em sua acepçaõ ampla, bastando que se evidencie a colocação à disposição do interessado de recursos financeiros, nos termos do art. 63, inciso I, parte final, do CTN, como se observa no presente caso. (...) VI. Dos lançamentos contábeis correspondentes a mútuo de recursos financeiros nas contas fiscalizadas Preliminarmente, destaquese que, na forma do art. 9º, caput, do Decreto Lei nº 1.598/1977, a autoridade tributária pode verificar, com base no exame de livros e documentos da escrituracã̧o do contribuinte ou de terceiros, o cumprimento das obrigações tributárias. Por outro lado, estabelece seu § 1o que a escrituração faz prova dos fatos nela registrados, os quais, por isso, têm presunçaõ de veracidade. Vejamos: (...) No presente caso, os lançamentos contab́eis no Livro Razão de fls. 316/330, 343/345 e 382/395 ("0012201030 Conta Corrente Comp. Ligadas") e fls. 331/341, 347/352 e 396 ("0012201110 Caixa Único Comp. Ligadas") realmente se harmonizam com operações de mútuo, pois a Impugnante manteve uma linha de crédito (rotativo) para cada uma das pessoas ligadas, a fim de disponibilizar recursos financeiros, inclusive com a cobrança de juros, consoante os termos dos Contratos de Conta Corrente e Caixa Único (fls. 561/579). Os documentos apresentados pela Impugnante, inclusive os lançamentos contábeis do período, reforçam a convicção de que traduzem operações de mútuo, dada a forca̧ probatória da escrituraçaõ contábil, nos termos dos arts. 417 a 419 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (CPC) e do art. 923 do RIR/99, in verbis: Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 772 18 (...) Não se trata, na situaca̧õ posta, de provar a inveracidade dos fatos contábeis registrados ou a imprestabilidade da escrituração contábil da Impugnante, a qual, por sinal, foi tida como válida pela fiscalização para fins de verificação da incidência do IOF. De fato, tais lanca̧mentos denotam a existência de aportes financeiros sucessivos, verdadeiras operações de crédito, com valores, caren̂cias, vencimentos e prazos indefinidos, revelando a existência de cred́ito rotativo, com a inciden̂cia de juros sobre o mútuo. Vêse, portanto, que o argumento da Impugnante não merece prosperar. Os documentos juntados ao processo, mormente os Contratos de Conta Corrente e Caixa Único e o Livro Razão, corroboram a informaçaõ da fiscalizacã̧o acerca da manutenção de conta corrente contábil com pessoas jurídicas a ela ligadas, em favor de quem foram registrados tais aportes financeiros. VII Das decisões administrativas colacionadas (...) Conclusão Tendo em vista tudo o que foi exposto, Voto no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento efetuado, inclusive com a inciden̂cia de juros moratórios e multa de ofício. Verificase na decisão recorrida, por um lado, que os documentos contábeis foram considerados válidos pela autoridade administrativa fiscal, e por outro lado, que em nenhum momento da decisão se demonstra e ou se comprova que as operações realizadas pelo Contribuinte tem outra natureza do que “Conta Corrente – Comp. Ligadas” e “Caixa Único” entre este e as demais empresa integrantes do grupo. Neste sentido é importante verificar no Relatório de Auditoria Fiscal se a fiscalização comprovou a alegada existência de operações de crédito sobre as quais incidiria o IOF: 4.10 Ao tratar dessa forma, por óbvio que o legislador quis abarcar todos os negócios jurídicos que representem uma operação de crédito, seja qual for a forma jurídica que se adotar, de modo a ser devido o imposto sempre que alguém coloca à disposição de outrem ou lhe entrega uma soma em dinheiro. Essa, aliás, é a inteligência do art. 3o, § 3o e do art. 7o, § 13 do Regulamento do IOF. 4.11 Assim, afirmase que o contrato de mútuo não é a única espécie contratual que leva à incidência do IOF, tanto que o legislador, quanto ser refere ao mútuo, trata de “operações de crédito” que sejam “correspondentes” àquele negócio jurídico, sem limitar, portanto, a cobrança do imposto exclusivamente sobre este tipo de contrato. 4.12 A sistemática da conta corrente tem como finalidade a realização de remessas recíprocas de valores entre duas pessoas, no caso, pessoas ligadas. Pelo mecanismo da conta corrente registramse movimentações de recursos financeiros que transitam entre os dois patrimônios. Os recursos disponibilizados por uma das partes devem ser restituídos pela outra. 4.13 Nesse sentido, não resta dúvida que as operacõ̧es realizadas sob a forma de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras “operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros”, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10480.730388/201641 Acórdão n.º 3301005.647 S3C3T1 Fl. 773 19 4.14 O mútuo subsiste quer haja destino específico para os recursos disponibilizados, quer se destinem a uma despesa definida, paga ou não pela mutuante. Também não desnatura o mútuo financeiro o fato de que os dois pólos do contrato de conta corrente se alternem nas funções de devedor ou credor. Na realidade, ao contrato de conta corrente, subjazem diversas operações de mútuo que diferem no valor, na mutuante, no tempo de duração do empréstimo. (grifouse). Percebese que a autoridade administrativa fiscal não faz prova das suas alegações, não demonstra quais são as operações escrituradas na contabilidade do Contribuinte que poderiam ser consideradas operações de crédito correspondentes a mútuo e, portanto, sujeitas a incidência do IOF. Não há que se considerar que com alegações genéricas possa se infirmar a presunção de veracidade e legitimidade dos livros. Salientase, também, que no ano calendário de 2012 e 2013, o Contribuinte declarou em sua contabilidade, com valores significativos, a existência de “Mútuo a Receber – Comp. Ligadas”. Portanto, o Contribuinte prestou informações acerca dos contratos de mútuos existentes e separouos do Caixa Único e Conta Corrente. Constatase que não assiste razão a administração fazendária em simplesmente desconsiderar todas as operações de conta corrente e caixa único, com a coexistência de rubrica relacionada a mútuos, como se fossem operações de crédito, sem a devida comprovação do alegado. Com isto posto, diante dos autos do processo e da legislação aplicável, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário pelo entendimento da improcedência do auto de infração. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 863DF CARF MF
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Numero do processo: 13056.000025/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS ADMINISTRATIVAS E COMERCIAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa.
Numero da decisão: 9303-008.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS ADMINISTRATIVAS E COMERCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da nãocumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 00 25 /2 00 6- 11 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13056.000025/200611 Acórdão n.º 9303008.398 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em face do acórdão nº 330200885, de 01/03/2011, o qual possui a seguinte ementa: Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS/PASEP. EXPORTAÇÕES. DESPESAS NÃO CLASSIFICÁVEIS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE Não são passíveis de ressarcimento créditos decorrentes de despesas com serviços adquiridos de pessoas físicas, de despesas administrativas e comerciais no caso concreto. O conceito de insumo depende da inserção da despesa ou custo no processo produtivo da empresa de acordo com a sua atividade econômica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O recurso especial do contribuinte pretende rediscutir o direito ao crédito da não cumulatividade do PIS, sobre 1) as aqusições de pessoas físicas e; 2) despesas administrativas e comerciais. Porém o recurso especial foi parcialmente admitido somente em relação à segunda matéria "possibilidade de créditos sobre as despesas administrativas e comerciais". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais pede o improvimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13056.000025/200611 Acórdão n.º 9303008.398 CSRFT3 Fl. 4 3 Conceito de Insumos A matéria posta em discussão pelo contribuinte, decorre da aplicação do que se entende do conceito de insumos para fins de apuração da não cumulatividade da Cofins, nos termos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Antes de adentrar ao mérito das matérias, importante antes estabelecer o conceito de insumos a ser aplicado no presente voto. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13056.000025/200611 Acórdão n.º 9303008.398 CSRFT3 Fl. 5 4 Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13056.000025/200611 Acórdão n.º 9303008.398 CSRFT3 Fl. 6 5 importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13056.000025/200611 Acórdão n.º 9303008.398 CSRFT3 Fl. 7 6 Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13056.000025/200611 Acórdão n.º 9303008.398 CSRFT3 Fl. 8 7 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. Créditos de PIS com despesas administrativas e comerciais Como acima demonstrado, o próprio STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, reconheceu que as despesas meramente de cunho administrativo ou comercial não satisfazem o conceito de insumos para fins de apropriação de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins. Ressaltese que no presente caso, em seu recurso especial, o contribuinte nem discrimina quais itens de despesas queria ver admitido e nem estabelece qualquer vínculo das referidas despesas com sua atividade produtiva. Apenas defende que a legislação do PIS e da Cofins teria previsto créditos sobre a totalidade de suas despesas, nos termos da legislação do IRPJ. Como vimos esta tese não foi acatada pelo STJ. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 376DF CARF MF
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