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Numero do processo: 10183.004839/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 48 39 /2 00 6- 73 Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10183.004839/200673 Acórdão n.º 1402003.486 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10183.004839/200673 Acórdão n.º 1402003.486 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 925DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011835/2007-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2000
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, INC. I DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF.
Numero da decisão: 9900-001.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Lívia de Carli Germano, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Luciana Matos Pereira Barbosa, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2000 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, INC. I DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Lívia de Carli Germano, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Luciana Matos Pereira Barbosa, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, INC. I DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Lívia de Carli Germano, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Luciana Matos Pereira Barbosa, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 18 35 /2 00 7- 11 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo. Relatório O presente processo originouse de uma NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, efls. 2 e seg., na qual exigiuse créditos de Contribuição Previdenciária relativas aos fatos geradores de 05/96 até 05/2005. A ciência pessoal foi dada ao contribuinte em 06/10/2005, efl. 2. A infração apurada na referida NFLD decorreram da falta de declaração/recolhimento da Contribuição Previdênciária nos pagamentos efetuados pela cooperativa aos cooperados eleitos para o cargo de direção, cooperados que prestaram serviços aos diversos conselhos da cooperativa e cooperados que prestaram serviços de Auditoria Médica e Coordenação de PCMSO. Os lançamentos foram separados em duas rubricas assim denominadas: 1) FP1 FOLHA DIRETORIA/AUDITORIA: referemse aos fatos geradores de 05/1996 a 12/1998 (período anterior à adoção da GFIP); e 2) FP2 FOLHA DIRETORIA/AUDITORIA/NÃO GFIP: referemse aos fatos geradores de 01/1999 a 05/2005, já no período obrigatório à apresentação da GFIP. Pela descrição dos fatos constata que a Contribuição Previdenciária exigida não foi declarada na GFIP. Mantido o lançamento em todas as instâncias de julgamento, houve a apresentação à CSRF de um "Pedido de Uniformização de Jurisprudência", correspondente ao atual recurso especial. Este recurso do contribuinte foi levado a julgamento em sessão de Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 4 3 12/02/2009, quando a 2ª Turma da CSRF proferiu o Acórdão nº 0203.813, efls. 322 e seg., que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/05/2005 COOPERATIVA DE TRABALHO. MEMBROS DE CONSELHOS ADMINISTRATIVO, TÉCNICO E FISCAL. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA. OS cooperados são caracterizados como contribuintes individuais quando prestam serviços à cooperativa e não por intermédio desta a terceiros. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos membros dos conselhos de administração, técnico e fiscal, dentre outros. Preliminar de decadência acolhida. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadéncial para constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados a partir. da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, sobretudo após a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativa aos fatos geradores ocorridos até 30 de setembro de 2000. Vencido o Conselheiro Julio CesarVieira Gomes (Relator) que acolhia tal preliminar apenas em parte para reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1999 e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. O Conselheiro Elias Sampaio Freire apresentará declaração de voto. Não concordando com esta decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário, efls. 339 e seg., no qual suscita divergência em relação ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Reclama a aplicação do disposto no art. 173, inc. I do CTN, ante a falta de antecipação de pagamento. Apresentou, como paradigma da divergência, o Acórdão CSRF nº 0103.215, proferido pela 1ª Turma da CSRF, o qual possui a seguinte ementa: Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 5 4 FINSOCIAL/FATURAMENTO TRIBUTAÇÃO REFLEXA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Com relação ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido. O recurso extraordinário foi admitido por meio do Despacho nº 910000473, efls. 353/354, proferido pelo então Presidente Substituto do CARF. Devidamente cientificado do acórdão recorrido e da admissibilidade do recurso extraordinário, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, efls. 357 e seg. Em síntese, pede o não conhecimento do recurso extraordinário ao argumento de que a tese defendida pela Fazenda Nacional já foi superada pelo Pleno da CSRF, a qual teria, em sessão realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21x13), deliberado pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido. No mérito pede o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Extraordinário O recurso extraordinário é tempestivo e passemos então a verificar as demais condições para sua admissibilidade. O contribuinte, em contrarrazões, defende o seu não conhecimento com a alegação de que a tese defendida pela Fazenda Nacional já teria sido superada pelo Pleno da CSRF. Vejamos o que dispunha o Regimento Interno do CARF na data da apresentação do recurso extraordinário, em 10/05/2010. Vigia o regimento aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que passou a ter vigência a partir de 1º de julho de 2009 e dispunha Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 6 5 da seguinte maneira em relação aos recursos apresentados contra acórdãos proferidos em data anterior à sua vigência: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. (...) Art. 7° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação ao inciso II do art. 1°, a partir de 1° de julho de 2009. (...) O acórdão recorrido foi proferido na sessão do dia 12/02/2009, portanto aplicável o disposto no art. 4º da Portaria MF nº 256/2009, acima transcrito. Então vejamos como era disciplinada esta matéria no regimento aprovado pela Portaria MF nº 147/2007: Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (...) Subseção II Do Recurso Extraordinário ao Pleno Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9º deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2º A cópia de publicação de ementa referida no § 2º, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 7 6 § 3º O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. § 4º Interposto o recurso extraordinário, compete ao Presidente, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 5º Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso extraordinário poderá ser parcial. § 6º É definitivo o despacho do Presidente que negar seguimento ao recurso extraordinário. O recurso extraordinário cumpriu todos estes requisitos e comprovou que sobre a questão do termo inicial do prazo decadencial, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, outra turma da CSRF deu entendimento oposto ao do acórdão recorrido. Em sua argumentação o contribuinte cita o § 10 do art. 67 do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256/2009, que assim dispunha: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Ele afirma que esse dispositivo então aplicável aos recursos especiais deveria ser aplicado, por analogia, ao recurso extraordinário, pois o Pleno da CSRF teria, em reunião realizada em 15/12/2008 superado a tese de que a contagem do prazo decadencial, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, independeria de existir ou não antecipação de pagamento. Não localizei o acórdão do Pleno da CSRF que teria por 21 votos a 13, ter superado esta tese (ele é citado no acórdão recorrido, mas não é informado o número do acórdão ou do processo). Mas não necessitamos de muito esforço para saber que esta tese da contagem do prazo decadencial, se dependente ou não da antecipação de pagamento, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, até hoje não foi definida e consolidada sua aplicação no âmbito do CARF. Basta ver neste sentido, por exemplo, um entre tantos outros Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 8 7 acórdãos proferidos pelo Pleno da CSRF, em sessão realizada no dia 15/12/2016. Transcrevo abaixo a ementa do Acórdão nº 9900000.997, cuja relatoria foi da ilustre conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). Assim, considerando que a tese não foi definitivamente superada no âmbito deste CARF e, que não é aplicável ao caso, o disposto no § 10 do art. 67 do Regimento aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, pois não previsto sua aplicação para os recursos extraordinários, sendo no caso aplicável as disposições contidas nos art. 9º e 43 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Mérito Antes de adentrar o mérito, importante lembrar que no caso das Contribuições Previdenciárias lançadas neste processo, não houve qualquer antecipação de pagamento e nem foram declaradas em GFIP, no período em que tal declaração era possível. E nem poderiam ter sido declaradas, ou objetos de antecipação de pagamentos, pois o contribuinte defendia sua não incidência nestes tipos de operação. O acórdão recorrido, entendeu que a contagem do prazo decadencial seria de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, pela aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, e que a aplicação deste entendimento independeria da existência ou não de antecipações de pagamento. Por sua vez a Fazenda Nacional defende a contagem do prazo na forma prevista no inc. I do art. 173 do CTN. Transcrevo abaixo esses dispositivos do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 9 8 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A interpretação que faço destas duas regras, sobretudo após a decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, é que a regra geral para contagem do prazo decadencial é a prevista no inc. I do art. 173 do CTN. A aplicação do § 4º do art. 150 do CTN está condicionada a que o contribuinte tenha efetuado antecipações de pagamento e que tenha procedido sem incorrer em qualquer espécie de dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, por aplicação do § 2º do art. 62 do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o Colegiado deve aderir à tese adotada pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, cujo acórdão foi submetido ao regime do art. 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 10 9 prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso, como não houve antecipações de pagamentos e nem declarações de débito, o caso encaixase à perfeição à Sumula nº 555 do STJ, abaixo transcrita: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10680.011835/200711 Acórdão n.º 9900001.030 CSRFPL Fl. 11 10 Quando não houver declaração de débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015). Desta forma, pela aplicação do inc. I do art. 173 do CTN, não estão decaídos os créditos lançados referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/1999. O crédito tributário relativo à Contribuição Previdenciária do mês 12/1999 só tem seu vencimento em janeiro/2000 e só a partir do ano calendário de 2000 é que poderia ter sido efetuado o lançamento, sendo o primeiro dia do exercício seguinte, data do início da contagem do prazo decadencial, o dia 1º/01/2001 e seu encerramento em 31/12/2005. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 06/10/2005, confirmase que não estão decaídos os fatos geradores realizados a partir de 01/12/1999. Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido no sentido de que não estão decaídos os fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/1999. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.001179/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
Assinado digitalmente
Débora Fófano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. Assinado digitalmente Débora Fófano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 11 79 /2 00 7- 95 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 14479.001179/200795 Acórdão n.º 2201004.814 S2C2T1 Fl. 290 2 O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD nº 37.030.7070, de 21/12/2007 (fls. 02/137), referente as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho e Terceiros. O valor originário lançado de R$ 2.825.102,85 é relativo ao período de apuração de janeiro de 1997 a dezembro de 1998, sobre o qual incidiram multa e juros, que totalizaram o crédito tributário constituído de R$ 8.188.782,59 (fl. 02), sem AR para comprovar a data de ciência do contribuinte, contudo informação em despacho de fls. 268 atesta pela tempestividade da impugnação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 144/146): "(...) 2. A Ação Social Claretiana foi considerada isenta das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/1995, em Ato Declaratório datado de 20/10/1997. A partir de ação fiscal na entidade ficou constatado que a mesma não cumpria os incisos III, IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/91, motivo pelo qual a isenção foi cassada a partir de 01/01/1997, pelo Ato Cancelatório no. 04, de 07/11/2007; 3. As Guias de Previdência Social — GPS recolhidas pela empresa, referentes ao desconto de segurados e às respectivas deduções foram consideradas e, por estarem corretas, as citadas rubricas não foram objeto de levantamento; 4. Os valores levantados foram obtidos na análise da escrituração contábil, Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento e Guias de Previdência Social GPS; 5. Período fiscalizado: 01/1997 a 12/1998; 6. Códigos de levantamento para o período de 01/1997 a 06/1997: FP1 — tendo as alíquotas de 20% para empresa, 1% SAT/RAT e 5,8% Terceiros ou Outras Entidades e Fundos, para os estabelecimentos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS 5150; FP2 tendo as alíquotas de 20% para empresa, 2% SAT/RAT e 5,8% Terceiros ou Outras Entidades e Fundos, para os estabelecimentos de FPAS 5070; FP3 tendo as aliquotas de 20% para empresa, 1% SAT/RAT e 4,5% Terceiros ou Outras Entidades e Fundos, para os estabelecimentos de FPAS 5660; A partir de 07/1997 todos os estabelecimentos tiveram o código de levantamento FP2, por ser o FPAS 5070 a atividade preponderante, ou seja, a que reúne maior número de empregados na empresa; 7. As alíquotas, além dos juros e multas aplicados, encontramse descritos no Discriminativo Analítico de Débito — DAD e Discriminativo Sintético de Débito — DSD. Os Fundamentos Legais que embasaram este lançamento estão discriminados no relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD, parte integrante desta Notificação. 8. O Termo de Arrolamento de Bens — TAB, não foi lavrado na presente ação fiscal por não haver tempo hábil para que a Fl. 290DF CARF MF Processo nº 14479.001179/200795 Acórdão n.º 2201004.814 S2C2T1 Fl. 291 3 empresa apresentasse os certificados de propriedade dos bens componentes de seu patrimônio. (...)" A empresa apresentou Impugnação em 28/01/2008 (fls. 154/170), com juntada de documentos (fls. 172/252, 256/260 e 263/266). Adotase, para compor parte do presente relatório o resumo da Impugnação elaborada pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPOI) de fls. 269/275: "(...) Dos aspectos preliminares A NFLD tem fundamento na noticia de quem (sic) em 07/11/2007 houve o Ato Cancelatório n° 4. A decisão administrativa que cassou os direitos da recorrente foi objeto de recurso administrativo para instância administrativa superior, sobre o qual atribuiu a legislação positiva efeito suspensivo, devolvendose à instância administrativa superior o conhecimento da matéria ventilada em defesa de mérito. Enquanto pender de julgamento o recurso, a NFLD em apreço é nula de pleno direito por conta da ausência de eficácia plena da decisão administrativa do cancelamento de isenção. Da defesa de mérito O ato cancelatório de isenção dos recolhimentos da quota patronal tem como suporte fático a alegação de que a recorrente não cumpre os dispositivos dos incisos III, IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91. É de bom alvitre juntar à presente impugnação cópia do mandado de segurança n° 8.888, distribuído no Egrégio Superior Tribunal de Justiça, onde foi concedida à recorrente segurança com o fito de ser beneficiada com o Certificado de Entidade Beneficente por conta de seu reconhecido direito adquirido. A decisão judicial após ter sido objeto de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria Geral da União, cm cuja decisão o Ministro Ricardo Lewandowski negou acolhida ao recurso oficial. A decisão transitou em julgado em 26/09/2007. Denotase da decisão do mandado de segurança (trecho transcrito), em ratificação à disposição do artigo 55 da Lei 8.212/91, que a ora recorrente não está adstrita ao atendimento do artigo 55 do respectivo diploma legal, mas tão somente ao artigo 9°, IV "c" e artigo 14 do CTN e incisos. No período compreendido na inspeção fiscal a recorrente não remunera seus diretores. Havendo reconhecimento judicial do direito adquirido pela entidade, o que é conferido por lei e ratificado no § 10 do art. 55 da Lei 8.212/91, não há que se exigir da recorrente o cumprimento das disposições dos incisos III, IV e V do indigitado artigo de lei. Do trânsito em julgado da decisão Fl. 291DF CARF MF Processo nº 14479.001179/200795 Acórdão n.º 2201004.814 S2C2T1 Fl. 292 4 Diante da decisão do Egrégio STJ, com força de coisa julgada material, onde restou efetiva e exaustivamente demonstrada a ausência de remuneração dos diretores da recorrente, impossível, judicial ou também administrativamente, a repetição de atos administrativos com escopo a modificar a decisão que já foi (sem êxito) alvo de impugnação dos Ilustríssimos Srs. Procuradores da República. Ainda que se tenha entendido que a recorrente não tenha cumprido os incisos III, IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91 a inspeção fiscal sucumbe ao decidido em processo judicialiforme com sentença transitada em julgado. Requer seja julgada procedente a presente impugnação para anular a NFLD e que sejam expedidas notificações aos órgãos federais, CNAS, Ministério da Justiça e demais autoridades de assistência social, informando sobre o não acolhimento dos termos da presente informação. Requer que das decisões que vierem a ser exaradas no presente feito, seja intimado (conjuntamente com o representante legal da entidade), este signatário , no endereço da Rua da Quitanda, 96 conj. 41 — CEP 01012010 — SP/SP. (...)" Quando da apreciação do caso, a 13ª Turma da DRJ/SPOI julgou improcedente o lançamento, sob o argumento de que restou configurada no processo a decadência das contribuições lançadas, nos termos da Súmula Vinculante do STF n° 8, publicada em 20/06/2008. Afirmou não haver possibilidade de acolhimento do requerimento da impugnante para que sejam intimados conjuntamente o signatário e o representante legal da entidade em face do disposto no art. 23, inciso II do Decreto n° 70.235/72. Encontrandose o lançamento integralmente fulminado pela decadência, deixou de apreciar as demais alegações da impugnante. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano Relatora. Não houve apresentação de recurso voluntário por parte do contribuinte. Do Recurso de Ofício Em virtude da exoneração total do crédito tributário, foi interposto recurso de ofício, que por preencher condições de admissibilidade, posto que atinge o valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, hoje em R$ 2.500.000,00, deve ser conhecido. Quanto ao tema, assim restou ementada a decisão recorrida (fl. 269): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 14479.001179/200795 Acórdão n.º 2201004.814 S2C2T1 Fl. 293 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, por meio da Súmula vinculante n° 8, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. DAS INTIMAÇÕES. As intimações devem ser encaminhadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. Lançamento Improcedente" Sobre o amparo legal da decisão recorrida no que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do artigo 45 da Lei 8.212, de 1991 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172, de 1966 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (Grifouse) Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 14479.001179/200795 Acórdão n.º 2201004.814 S2C2T1 Fl. 294 6 Assim, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em relação à verificação da ocorrência do pagamento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor segue transcrito a seguir: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, não tendo sido observada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para as competência lançadas, o prazo decadencial inicia sua contagem a partir da ocorrência do fato gerador. Considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 12/2007, evidenciase a decadência suscitada, a qual alcança todo o lançamento, já que o período de apuração mais recente levantado na ação fiscal foi dezembro de 1998, cujo prazo decadencial expirou em 31 de dezembro de 2003. Assim sendo, uma vez reconhecida a decadência, extinto o crédito tributário formalizado no lançamento com fundamento no artigo 156, inciso V, do CTN. Conclusão Em razão do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002335/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 35 /2 00 9- 11 Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 896 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem Fl. 896DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 897 3 contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora. O recurso preenche os requisitos formais. Para reforçar o conhecimento é importante mencionar que os acórdãos indicados como paradigmas também analisaram contratos celebrados entre a FATEC e a UFSM que continham termos semelhantes aqueles que motivaram o presente lançamento. A identidade quase umbilical dos fatos é comprovada pelo próprio ato do fiscal de fundamentar parte do seu relatório em acórdãos proferidos por delegacias de julgamento. Assim, reiterando o despacho de admissibilidade, conheço do recurso. O objeto do recurso é a discussão acerca do cumprimento dos requisitos previstos no art. 26 da Lei nº 9.250/95 para afastar a incidência do imposto de renda sobre os valores recebidos pela contribuinte a título de bolsa pesquisa em projeto de extensão financiado por fundação privada contratada por universidade federal. Quanto ao tema é importante destacar que tanto o acórdão recorrido quanto aqueles indicados como paradigmas são convergentes sobre o entendimento de que os requisitos do citado art. 26 são cumulativos. Conforme consta do próprio dispositivo 'ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços'. Temos, portanto, três requisitos para que os valores percebidos pela pessoa física nestes casos sejam isentos do IRPF: 1) valores tenham sido doados para custear projetos de estudos e pesquisas, 2) o resultado das pesquisas não representem vantagem econômica ao doador, e 3) não haja caracterização de prestação de serviços. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 898 4 Importante mencionar que os contratos ora analisados foram firmados com base na Lei nº 8.958/1994 que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, entendidas essas últimas como instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de interesse das citadas instituições de ensino. Quando da ocorrência dos fatos geradores estava em vigor o Decreto nº 5.205/2004, que regulamentando a Lei nº 8.958/1994 assim dispunha sobre as bolsas: Art 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º, §1º, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. §1º A bolsa de ensino constituise em instrumento de apoio e incentivo a projetos de formação e capacitação de recursos humanos. §2º A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. §3º A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. §4º Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Como bem destacado no relatório fiscal e não poderia ser diferente, o regulamento repetia que para serem considerados como doações isentas do IRPF os valores pagos deveriam observar os três requisitos acima mencionados. Portanto, resta a este Colegiado, a partir da análise do caso concreto inferir acerca do cumprimento ou não dos requisitos para aplicação da norma isentiva. Lembramos que no caso concreto a contribuinte recebeu valores da FATEC, fundação de apoio à pesquisa contratada pela UFSM para desenvolver projetos de pesquisa de extensão em diversas áreas. Os valores pagos pela FATEC foram obtidos a partir da doação de pessoas físicas e jurídicas conforme apurado pela fiscalização quando da análise dos registros Fl. 898DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 899 5 contábeis da fundação. Destaco que, embora não haja qualquer impedimento legal, a contribuinte era servidora da Universidade. Neste cenário o acórdão recorrido manteve o lançamento concluindo, nos termos do voto vencedor, pela violação ao art. 26 da Lei nº 9.250/1995 haja vista a caracterização do interesse econômico das partes envolvidas sobre os projetos desenvolvidos e a caracterização da remuneração pela prestação de serviços de mão de obra especializada. O interesse econômico foi caracterizado a partir das cláusulas que: 1) previam pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura haveria retorno econômico tanto para a UFSM quanto para a FATEC, uma vez que ambas as entidades seriam remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos; e 2) estabeleciam que, na data da conclusão ou término do contrato, seriam incorporadas ao patrimônio da UFSM (contratante) os bens materiais remanescentes que, em razão do projeto, tivessem sido adquiridos. Já a prestação de serviços foi caracterizada em razão dos valores relativos às bolsas terem sido cotados nos custos dos projetos não onerando o patrimônio da UFSM e FATEC, o que demonstraria a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário essencial para a natureza da doação civil. Em que pesem os argumentos da ilustre Conselheira Redatora do acórdão recorrido, não faço essa interpretação das cláusulas citadas. Diante dos objetivos envolvidos, das metas perseguidas e do esforço intelectual presente nesses e em outros projetos de pesquisas em áreas acadêmicas, científica e tecnológicas, seria demasiadamente simplista entender que o interesse econômico das partes contratantes se caracterizariam pelo simples fato 'herdarem' os bens adquiridos ao longo do projeto ou de haver previsão da destinação de parte do valor do projeto para remuneração da universidade pelo uso de suas instalações e para pagamento de 'taxa de administração' à fundação de apoio. Apenas como exemplo, no presente caso, em um dos contratos temos a previsão do repasse de 1% para a UFSM, 5% à FATEC e os demais 94% seriam destinados ao custeio do projeto, ou seja, são percentuais insignificantes. Aqui, vale mencionar que as fundações envolvidas em pesquisa, nos termos da Lei nº 8.958/1994 c/c art. 14 do CTN, deverão estar constituídas na forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos, ou seja, todo o valor obtido a partir do cumprimento das atividades previstas em seu estatuto deve ser integralmente reinvestido na própria instituição sendo defeso a distribuição de qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas. Ora, o fato de serem entidades sem fins lucrativos não implica na vedação ao recebimento de valores decorrentes dos projetos fomentados, até porque como toda e qualquer pessoa jurídica, as fundações possuem custos fixos como, por exemplo, a manutenção da respectiva sede, o pagamento de funcionários, entre outros. Assim, nos parece razoável e não denota interesse econômico o fato haver previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC em percentual compatível a manutenção de seu propósito o qual envolve inclusive a gestão administrativa e financeira necessária à execução dos projetos; pensar de forma diversa seria o mesmo que inviabilizar a existência dessas entidades de apoio. Com este mesmo raciocínio afasto a caracterização de prestação de serviços sob o argumento de que o custo das bolsas pagas aos profissionais especializados envolvidos, como no caso da recorrente, não representariam doações, pois foram cotados nos custos dos Fl. 899DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 900 6 projetos, não onerando o patrimônio da UFSM e da FATEC. Nada mais curioso: como fixar um custo para o projeto se entre as despesas não for considerado o valor relativo ao capital humano? Sem a atuação dos profissionais não existe projeto, este não só é um custo inerente como é o mais e relevante aos projetos. E mais, exatamente pelo fato das bolsas de pesquisa serem custeadas por recursos doados por terceiros sem vínculo com os profissionais é que não há como configurar a prestação de serviços, dúvida teria se esses fossem remunerados diretamente pela FATEC ou pela Universidade Contratante. Quanto a este ponto, importante atentar ainda para o fato de inexistir entre as condições para fruição da isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/1995 a exigência de que os valores das bolsas representem uma 'perda' de patrimônio para a fundação ou para universidade, quero dizer que o instituto da doação previsto no Código Civil abrange a operação de repasse aos pesquisadores contratados de valores arrecadados pela UFSM junto a seus financiadores. O fato dos recursos utilizados no projetos serem provenientes de doações feitas por pessoas físicas e jurídicas cujas atividades levaram o fiscal a dedução de que haveria um interesse econômico indireto no resultado da pesquisa também não se sustenta. Primeiro porque se trata de mera dedução, não tendo havido qualquer comprovação efetiva do alegado interesse dos financiadores, e segundo por ser comum que projetos de pesquisa sejam custeados por pessoas que possuem afinidade com o tema/matéria que será estudado, claro que não se trata de uma verdade absoluta, mas sem dúvida é uma conclusão lógica se analisarmos o contexto e os reflexos dos processos. Por fim, vale destacar que a atual redação da Lei nº 8.958/1994 é expressa em prever que os materiais e equipamentos adquiridos para execução dos projetos serão incorporados ao patrimônio das instituições de ensino federais Contratantes, havendo também previsão de que no cumprimento das finalidades referidas na lei, poderão as fundações de apoio, por meio de instrumento legal próprio, utilizarse de bens e serviços das instituições federais de ensino superior apoiadas, pelo prazo necessário à elaboração e execução do projeto de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e de estímulo à inovação, mediante ressarcimento previamente definido para cada projeto. Assim, diferente do entendimento do fiscal, a interpretação que faço do art. 26 da Lei nº 9.250/1995 é que o interesse econômico no projeto suficiente para descaracterizar a isenção deve ser um interesse direito, o que não restou caracterizado nos autos. Diante do exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 900DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 901 7 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Peço licença a ilustre conselheira relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801 003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizandose como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 901DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 902 8 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 902DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 903 9 TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11060.002335/200911 Acórdão n.º 9202007.078 CSRFT2 Fl. 904 10 No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720504/2017-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2013
ISENÇÃO. ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão do campo de incidência do tributo rural de áreas de interesse ecológico, é indispensável que estas sejam assim declaras por ato do órgão competente federal ou estadual.
ISENÇÃO. FLORESTAS NATIVAS. REQUISITOS.
Para fins de exclusão do campo de incidência do tributo rural de áreas cobertas por florestas nativas, é indispensável que estas sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental, restando incabível a revisão de ofício da declaração no curso do julgamento em 2ª Instância, por configurar matéria não alcançada pelo litígio administrativo, situada, portanto, fora da competência legal do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2201-004.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para acatar a exclusão adicional da área de reserva legal até que alcance o valor total de 5.067,44ha, vencido o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione JesabelWasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel MeloMendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo(Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2013 ISENÇÃO. ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. REQUISITOS. Para fins de exclusão do campo de incidência do tributo rural de áreas de interesse ecológico, é indispensável que estas sejam assim declaras por ato do órgão competente federal ou estadual. ISENÇÃO. FLORESTAS NATIVAS. REQUISITOS. Para fins de exclusão do campo de incidência do tributo rural de áreas cobertas por florestas nativas, é indispensável que estas sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental, restando incabível a revisão de ofício da declaração no curso do julgamento em 2ª Instância, por configurar matéria não alcançada pelo litígio administrativo, situada, portanto, fora da competência legal do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. REQUISITOS. Para fins de exclusão do campo de incidência do tributo rural de áreas de interesse ecológico, é indispensável que estas sejam assim declaras por ato do órgão competente federal ou estadual. ISENÇÃO. FLORESTAS NATIVAS. REQUISITOS. Para fins de exclusão do campo de incidência do tributo rural de áreas cobertas por florestas nativas, é indispensável que estas sejam informadas em Ato Declaratório Ambiental, restando incabível a revisão de ofício da declaração no curso do julgamento em 2ª Instância, por configurar matéria não alcançada pelo litígio administrativo, situada, portanto, fora da competência legal do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, darlhe provimento parcial para acatar a exclusão adicional da área de reserva legal até que alcance o valor total de 5.067,44ha, vencido o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 04 /2 01 7- 07 Fl. 328DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário de fls. 143/178, interpostos contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 117/132, a qual julgou procedente em parte a impugnação decorrente do lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2013, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Santa Cecília", cadastrado na RFB sob o nº 0.642.2918, com área declarada de 26.451,6ha, localizado no Município de João Pinheiro /MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 28.789.156,40 (vinte e oito milhões, setecentos e oitenta e nove mil, cento e cinquenta e seis reais e quarenta centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2013 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06113/00017/2016 de fls. 88/91, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado dentro de prazo legal junto ao IBAMA, nos termos do art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382/2002; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, detalhando a localização e a dimensão do imóvel e das áreas de preservação permanente declaradas, previstas nos termos dos artigos 4º e 5º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, por coordenadas geográficas, com ao menos um ponto de amarração georreferenciado do perímetro do imóvel; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 6º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012; 4º Certidão do registro de imóveis, com a averbação da área de reserva legal; 5º Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhado de certidão emitida pelo Cartório de Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 329 3 Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. 6º Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as áreas de preservação permanente e reserva legal; 7º Ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; 8º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de florestas nativas declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos do inciso II, “e”, do § 1º, art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 92, acompanhada dos documentos de fls. 93/109. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes na DITR/2013, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 3.145,5 ha, de reserva legal de 5.360,7 ha, de interesse ecológico de 3.710,9 ha e coberta por florestas nativas de 10.189,0 ha, com consequente redução do Grau de Utilização (GU) de 99,0% para 13,9% e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada de 0,45% para 20,00%, e disto resultando imposto suplementar de R$13.238.219,71, conforme demonstrado às fls. 05. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03/04 e 06. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 02.06.2017 (fls. 110), apresentou, em 12.06.2017 (fl. 7), impugnação de fls. 10/41, alegando em síntese: menciona que, independentemente da área de atuação, o Grupo Votorantim sempre pautou suas atividades e desenvolvimento com atenção e cuidado com o meio ambiente e o uso sustentável, sendo pioneiro no estabelecimento de rígidos princípios e Fl. 330DF CARF MF 4 valores corporativos e em inúmeros projetos de preservação ambiental; destaca que o Grupo Votorantim detém a maior reserva de mata atlântica do país, com 31 mil hectares protegidos, tendo criado importante e pioneiro projeto denominado Legado das Águas, que proporciona o uso sustentável da floresta e dos recursos ecossistêmicos, proporcionando conhecimento por meio de pesquisas científicas e promovendo o desenvolvimento das comunidades locais; informa que o imóvel é composto pelas matrículas 3.700 e 3.701, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de João Pinheiro/MG (doc. 03); afirma que faz jus à isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas declaradas, motivo pelo qual é necessário o acolhimento da impugnação para julgar improcedente o lançamento; ressalta que, desde já, que não instruiu a defesa com todos os documentos técnicos que comprovam as áreas declaradas na DITR/2013, o que será feito oportunamente e antes da Decisão ser proferida pela DRJ, visto que o prazo de 30 dias se mostrou exíguo para a conclusão das análises e estudos técnicos necessários à comprovação das referidas áreas; cita a legislação referente ao ITR (Lei nº 9.393/1996, Decreto nº 4.382/2002 e IN/SRF nº 256/2002) e transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para resumir que o ITR é apurado por meio da aplicação da alíquota sobre a área tributável do imóvel rural, que é resultado da subtração da área total do imóvel rural por determinadas áreas não tributáveis, como, por exemplo, a área de preservação permanente, cuja definição está estabelecida no artigo 4º da Lei nº 12.651/2012; observa que a legislação tributária permite a exclusão de determinadas áreas no cômputo da área tributável do imóvel para fins de apuração do ITR com o objetivo de incentivar e permitir a criação e manutenção de áreas ambientais, em respeito à política do meio ambiente e de uso sustentável dos recursos naturais, temas extremamente importantes e atuais e, desse modo, a cobrança do ITR sobre essas áreas que são preservadas é contrária à política em favor do meio ambiente; considera que mesmo que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos, de modo a equivocadamente se prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; registra que, mesmo que não tenha atendido ao pedido da fiscalização da melhor forma possível, notase que outros documentos apresentados e que ainda serão trazidos aos Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 330 5 autos, comprovam a existência das áreas ambientais declaradas, motivo pelo qual não deve prosperar o lançamento lavrado com base em sua completa desconsideração; informa que apresenta o Auto de Fiscalização nº 31777/2013 expedido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável/MG (doc. 06), no qual a Autoridade Estadual atestou a existência de áreas ambientais no imóvel, portanto, mostrase equivocada a sua completa desconsideração, que tem o intuito meramente arrecadatório, posto que a fiscalização não buscou os mais elementares meios materiais de comprovação da área de reserva legal; ressalta ser importante fixar a premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova já apresentados e que ainda o serão antes da Decisão da DRJ, haja vista o primado do princípio da verdade material; o princípio da verdade material, que dentre suas vertentes, leva ao entendimento de que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, inclusive admitindo que os processos administrativos de exigência e apuração do crédito tributário sejam convertidos em diligência, para real investigação dos fatos, tem como finalidade última resguardar a legalidade da Administração Tributária; considera que o entendimento da Doutrina, das DRJ e do CARF privilegiam o conteúdo em detrimento a forma, em linha com o princípio da verdade material, transcrevendo excertos doutrinários e de Decisões Administrativas, para embasar sua tese e, assim, requer que a análise do feito seja baseada na busca da verdade material, sobrepondo o conteúdo em detrimento de formalidades previstas na legislação; contesta a desconsideração das áreas declaradas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas, não obstante a apresentação do ADA/2013 (doc. 04), o qual foi tempestivamente registrado no IBAMA; destaca que o trabalho da fiscalização limitouse a uma mera intimação para fornecer inúmeros documentos em prazo exíguo, não realizando nenhuma diligência, vistoria ou outra forma de análise, para apuração da veracidade das informações declaradas; Fl. 332DF CARF MF 6 diz que, por lapsos, infelizmente, não conseguiu atender a contento as solicitações da fiscalização, o que, por si só, não pode representar elemento suficiente para embasar o lançamento, ainda mais na astronômica quantia cobrada; enfatiza que o ADA, que indica exatamente as áreas ambientais declaradas, configura elemento de presunção da veracidade da informação, pois, em caso de questionamento da fiscalização, cabe a ela reunir os elementos ou, ao menos, os indícios que levaram à desconsideração dos dados declarados, sob pena de tornar inútil o próprio ADA; considera que não compete à RFB desconsiderar as informações do ADA, sob pena de usurpar a competência do IBAMA, em conformidade com o disposto no art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, transcrevendoo, pois, compete apenas a ele averiguar a regularidade das informações do ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações do ADA no que concerne as áreas ambientais declaradas; apresenta o mapa geográfico do imóvel (doc. 05), que mostra as áreas de preservação permanente contidas na propriedade e tal mapa, no mínimo, demonstra o descuido e a falta de zelo que culminou na lavratura da Notificação de Lançamento, uma vez que o lançamento não reconheceu nenhuma área de preservação permanente, o que evidencia a ausência de adoção de medidas para a real apuração dos fatos no caso concreto e, por conseguinte, a sua completa improcedência; protesta pela posterior juntada de outros documentos, em especial o Laudo Técnico, que comprovará as áreas ambientais, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre a exatidão das informações declaradas, não obstante já tenha apresentado o ADA e o mapa geográfico do imóvel, que já apontam para a improcedência da autuação; considera que, em relação à reserva legal, apresentou as Certidões das matrículas nº 3.700 e 3.701, que compõem o imóvel (doc. 03), onde se verifica a sua averbação, conforme exigências do RITR/02 e da IN/SRF 256/02 e, além disso, o mapa geográfico do imóvel (doc. 05), também, demonstra a existência da área de reserva legal; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área, observando que a averbação foi realizada em 29.11.1991, data muito anterior ao fato gerador do ITR/2013; menciona que, com o objetivo de afastar qualquer dúvida ou questionamento sobre a exatidão das informações da DITR, protesta pela posterior juntada aos autos do Laudo Técnico que comprovará a área declarada como de reserva legal; registra que, no caso da área de interesse ecológico, o art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96 estabelece que ela deverá ser declarada por ato do órgão público competente e, desse Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 331 7 modo, protesta pela posterior juntada desse documento, pois não foi possível apresentálo no exíguo prazo legal para a impugnação e, assim, com a apresentação do ato do Poder Público competente e do ADA, resta inquestionavelmente comprovada a área declarada como de interesse ecológico, não havendo razões para manutenção do lançamento; observa que a fiscalização deveria ter adotado outras medidas para apurar a exatidão das informações da DITR e no ADA/2013, como a vistoria in loco, novas intimações e etc. e, assim não procedendo, o lançamento carece dos fundamentos mínimos para ter sua validade confirmada, sendo imprescindível reconhecer sua improcedência; destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode servir de fundamento para manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; pelo exposto, requer o provimento da impugnação, para julgar integralmente improcedente o lançamento; alternativamente, requer seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de apurar as áreas do imóvel isentas do ITR, com o consequente recálculo do imposto, considerando a área tributária e o correto GU e alíquota; protesta pela posterior juntada aos autos dos documentos comprobatórios das áreas ambientais, nomeadamente o Laudo Técnico, que comprovará a existência das áreas declaradas como não tributáveis, sem prejuízo de outros elementos materiais para o deslinde da questão, de modo a demonstrar irrefutavelmente a improcedência do lançamento, tendo em vista a impossibilidade de apresentá lo no curto prazo para a apresentação da impugnação. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente em parte a impugnação, cancelandose parcialmente o crédito tributário, conforme ementa abaixo (fls. 296): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2013 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas Fl. 334DF CARF MF 8 por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A impugnação tempestiva da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente a partir disso é que se pode, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer, integralmente, parcialmente, as áreas de preservação permanente e coberta por florestas nativas, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Cabe acatar a área de reserva legal averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel e que tenha sido objeto de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado, em tempo hábil, no IBAMA, para efeito de exclusão da área tributável do imóvel. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO As áreas de interesse ecológico, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas por Ato específico de órgão competente federal ou estadual, mesmo que elas estejam informadas no ADA protocolado, em tempo hábil, no IBAMA. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 332 9 Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme fl. 139, em 14/09/2017 e apresentou o recurso voluntário de fls. 143/178 e novo laudo. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O objeto principal dos presentes autos gira em torno do erro no preenchimento da declaração do contribuinte e que ensejou as diferenças encontradas pelo fisco e parte delas já foram objeto de correção na decisão de primeira instância. Por outro lado a Recorrente, juntamente com o recurso voluntário, trouxe novo laudo a fim de espancar as dúvidas quanto aos valores corretos referentes ao ITR. Neste momento processual, em alguns casos é possível o acolhimento de novas provas, não trazidas juntamente com a impugnação, conforme se verifica da jurisprudência deste Egrégio CARF: “ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR EMENTA: PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DO ITR. ERRO DE FATO. Em obediência ao Princípio da Verdade Material, é de ser admitido o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformarse à realidade fática. Exercício : 01/01/1997 a 31/12/1997.” (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – Acórdão n° 113724, de 21 de fevereiro de 2003.) “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA Fl. 336DF CARF MF 10 À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Concluise que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR. Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois tratase de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão n° 2802003.322 – Processo Administrativo n° 10530.720348/200848 – Relator Iolando Silva de Araújo – Relator Jorge Claudio Duarte – Sessão em 10/03/2015.) Sendo assim superada a questão quanto à possibilidade de análise de novos documentos apresentados em sede de recurso voluntário, passamos à análise do documento. Em sede decisão de primeira instância os resultados foram os seguintes: Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 333 11 Conforme indicado no laudo apresentado, foram apuradas as corretas áreas de preservação permanente, florestas nativas, reserva legal e área de Interesse Ecológico (fl. 190), que deveriam ter sido declaradas pelo Recorrente: Item Área (ha) (%) Área Total 26.420.7248 100,00 Área de Preservação Permanente 2.240,9508 8,48 Área de Reserva Legal 5.067,4400 19,18 Área de Interesse Ecológico 3.000,0000 11,35 Floresta Nativa 12.017,0879 45,48 SubTotal Ambiental 22.325,4787 Área Tributável 4.095,2461 Área Ocupada c/ Benfeitorias Utilizadas 378,6484 1,43 Área Aproveitável 3.716,5977 Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural Reflorestamento 3.597,4828 13,62 Grau de Utilização (GU %) 97% Áreas c/ Demais Benfeitorias 42,4806 0,16 Área imprestável p/ Atividade Rural 76,6343 0,29 Após a conclusão do laudo, chegouse aos seguintes resultados: Áreas de preservação permanente de 2.240,9508, e coberta por florestas nativas de 12.017,0879, acatar a área de reserva legal averbada de 5.067,4400 e área de interesse ecológico de 3.000,0000 Faço isso, diante do princípio da verdade material, uma vez que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo. Neste sentido, entendo que, em prol da legalidade do poder de Fl. 338DF CARF MF 12 tributar, em obediência ao princípio acima mencionado e com apoio da doutrina de Alberto Xavier (Do Lançamento Tributário): (...) O procedimento tributário de lançamento tem como finalidade central a investigação dos fatos tributários, com vista à sua prova e caracterização; respeita à ‘premissa menor’ do silogismo de aplicação da lei. Como, porém, proceder à investigação e valoração dos fatos? A este quesito a resposta do Direito Tributário é bem clara. Dominado todo ele por um princípio de legalidade, tendente à proteção da esfera privada contra os arbítrios do poder, a solução não poderia deixar de consistir em submeter a investigação a um ‘princípio inquisitório’ e a valoração dos fatos a um ‘princípio da verdade material. Sendo assim, dou provimento ao recurso voluntário e pela mesma razão, nego provimento ao recurso de ofício para reconhecer a exclusão das áreas constantes no laudo apresentado . Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso de ofício e negolhe provimento. Conheço do recurso voluntário e dou provimento para reconhecer Áreas de preservação permanente de 2.240,9508, e coberta por florestas nativas de 12.017,0879, acatar a área de reserva legal averbada de 5.067,4400 e área de interesse ecológico de 3.000,0000 (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Relator, com a devida vênia, ouso divergir de suas conclusões exclusivamente naquilo que se relaciona com as áreas de Interesse Ecológico e de Florestas Nativas. A análise dos autos evidencia que as informações prestadas em DITR e aquelas inseridas no Ato Declaratório Ambiental apresentamse em descompasso com as conclusões do Laudo apresentado Descrição Laudo (fl. 190) DITR (fl. 05) ADA (fl. 172) Área de Interesse Ecológico 3.000,00 3.710,90 3.710,90 Floresta Nativa 12.017,08 10.189,00 10.189,09 Quanto à Área de Interesse Ecológico, a decisão recorrida manteve a glosa levada a termo pela Fiscalização, por entender que, mesmo que informada em ADA regularmente protocolado, não foi apresentado ato específico de órgão ambiental competente atestando que a referida área é considerada de interesse ambiental para proteção de ecossistemas. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 334 13 Notase, portanto, que a Autoridade julgadora de 1ª Instância pautou sua decisão nos exatos termos dos preceitos contidos no art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96, que assim dispõe: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II – área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: [...] b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso prevista na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Por sua vez, a defesa apresenta Laudo que aponta, em fl. 204, a existência de Área de Interesse Ecológico um pouco menor que aquela declarada em DITR, o qual afirma que a referida área estaria bem preservada, conforme desatacado pela Autoridade Florestal em Termo de Responsabilidade que junta às fl. 232. Em fl. 212, o citado Laudo ainda indica a existência de documento oficial reconhecendo a importância de tal área de preservação. Analisando o Termo de Responsabilidade citado no parágrafo precedente, fl. 232, notase que este se constitui em declaração do próprio contribuinte, perante a autoridade florestal, em que grava como de utilização limitada área que especifica. Portanto, o documento em tela não se confunde com ato do órgão competente federal ou estadual previsto na legislação para exclusão de tributação de áreas dessa natureza. Assim, não há retoques a serem feitos na decisão recorrida quanto a manutenção integral da glosa promovida pela Fiscalização das Áreas de Interesse Ecológico. Já em relação à área declarada como coberta por florestas nativas, entendeu a decisão recorrida que, a despeito do laudo apresentado e do Levantamento Planimétrico Cadastral do Imóvel indicar a existência de área maior, caberia o seu reconhecimento nos limites dos valores informados em ADA, que, ressaltese, é o mesmo declarado em DITR. Vejamos o que dispõe a legislação sobre o tema: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 340DF CARF MF 14 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) Grifouse. IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: (...) VII cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; (...) Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5º Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Observados os destaques normativos acima expostos, constatase que a apuração e o pagamento do ITR é obrigação do próprio contribuinte, o que deve ser feito nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, estando sujeita a homologação posterior, situação típica dos lançamentos por homologação. Além disso, o texto legal é claro ao excluir do campo de incidência do tributo rural as áreas cobertas por florestas nativas, mas desde que sejam observadas as condições estabelecidas, dentre elas as definidas na citada IN 256, das quais merece destaque a que exige a informação das áreas excluídas de tributação em Ato Declaratório Ambiental, este tornado obrigatório, para efeito de redução de valor a pagar de ITR, pela também citada lei 6.938/81. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13609.720504/201707 Acórdão n.º 2201004.743 S2C2T1 Fl. 335 15 Nos termos do art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 (CTN), a interpretação da legislação tributária que outorga isenção deve se dar de forma literal. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Embora aos olhos menos atentos possam parecer despropositadas as exigências, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além se configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA que poderia resultar na troca de informações com a Receita Federal do Brasil, evidenciando uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária, inclusive criando fontes de custeio da atividade administrativa ao prever a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo. Naturalmente, se estamos diante de uma situação em que a vistoria feita pelo IBAMA ocorrerá por amostragem, decerto que o tamanho das áreas declaradas pode ser considerado como um fator a evidenciar a relevância ou não da atuação administrativa em determinada propriedade. Assim, não faria sentido acatar que o contribuinte que declare ao IBAMA uma área menor, pudesse se beneficiar pela exclusão de área tributável maior. Por fim, há de se ressaltar que a autoridade recorrida, ao acolher a área coberta por florestas nativas informada em ADA, acabou por acolher, integralmente, a área informada em DITR a este título. Fl. 342DF CARF MF 16 Neste sentido, avaliar a possibilidade de se considerar, para fins de cálculo do tributo rural, área maior identificada apenas em laudo, constitui situação que sequer poderia estar sendo discutida nos autos, já que não faz parte do contencioso administrativo instaurado pela impugnação ao lançamento. Reconhecêla neste momento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência, a menos que restasse absolutamente evidente que se tratou de mero equívoco no preenchimento da Declaração, o que exigiria a necessidade de demonstração de que tudo mais o que a legislação prevê como requisitos para gozo do favor fiscal tivesse sido observado pelo contribuinte. Assim, não identifico mácula na decisão recorrida. Portanto, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66(CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância e nego provimento ao recurso voluntário no que se relaciona às áreas de interesse ecológico e cobertas por florestas nativa, mantendose as demais conclusões expressas no voto do Ilustre Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 343DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901612/2006-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/11/2001
PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO.
Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido
PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO.
No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
Numero da decisão: 3301-005.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocouse e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 12 /2 00 6- 72 Fl. 699DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 14639.05090.220503.1.3.049106 (fls. 2429) transmitido em 22/05/2003 informando um crédito de R$ 625,02 (seiscentos e vinte e cinco reais e dois centavos) por um suposto recolhimento à maior de IOF impostos sobre operações de crédito, câmbio e seguros, realizado em 29/08/2001 (período de apuração 22/08/2001). Para compensar com este montante, foi declarado um débito de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) supostamente devido para o período de apuração referente à segunda semana de fevereiro de 2003, com vencimento em 12/02/2003 Em 14/02/2008, a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado (fls. 21), sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 625,02 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Com a não homologação do pedido de compensação, o valor de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) declarado como débito restou constituído, mas sem pagamento. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1014) para instaurar o contencioso administrativo, pleiteando a nulidade do "auto de infração" por cerceamento de defesa e, no mérito, juntou demonstrativos e argumentos para desconstituir a declaração do débito, pois houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP. Em 17/05/2010 a d. 3ª Turma da DRJ de Campinas proferiu o r. acórdão nº 0528.802 para negar o direito creditório pleiteado e manter a cobrança do débito declarado em PER/DCOMP, restando assim ementado (fls. 3743): Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2003 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.901612/200672 Acórdão n.º 3301005.175 S3C3T1 Fl. 700 3 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face desta decisão, a DRJ enviou carta de cobrança com a Guia DARF para pagamento do débito informado (fls. 4546). Inconformada, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, que ora se julga, (fls. 4853), argumentando, em síntese: a não homologação da compensação pleiteada ocorreu por conta de equívocos cometidos pela Recorrente; a Recorrente possui um sistema de dados que captura os débitos de tributos de terceiros a serem recolhidos pelo Recorrente na qualidade de responsável tributário para recolhimento do IOF; Para o período de apuração da 2ª semana de fevereiro/2003, com vencimento de 12/02/2003, o sistema apurou um total de débito de R$ 257.109,48. Ainda, no final do mesmo dia, o sistema acusou um valor de complementar de R$ 601,17, totalizando o valor de R$ 257.710,65 devido de IOF para o período. Estes valores foram declarados em DCTF e recolhidos por guia DARF (fls. 3334 e 69 respectivamente); Fl. 701DF CARF MF 4 Após alguns meses, o sistema indicou que o montante devido de IOF para o período da 2ª semana de fevereiro/2003 seria de R$ 271.040,71, o que resultou em um saldo a pagar de R$ 13.330,06; Para pagar esta diferença, a Recorrente realizou 35 PER/DCOMPs, informando créditos de IOF decorrentes de pagamentos a maior de 35 períodos diferentes, porém, ao invés de informar o débito equivalente ao crédito para compor a soma de R$ 13.330,06, realizou a declaração total do débito no montante de R$ 271.040,71, para o mesmo período de fevereiro/2003 em cada uma das 35 PER/DCOMPs; Em relação à PER/DCOMP específica destes autos, à Recorrente informou um valor original de crédito de R$ 625,02 por um pagamento a maior realizado em dezembro/2001, informando ainda o débito de R$ 271.040,71. Este valor do débito, como dito , foi erroneamente informado em cada uma das 35 PER/DCOMP, constituindo um crédito tributário, referente ao principal, de R$ 7.047.058,46 (sete milhões e quarenta e sete mil e cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) para a 2ª semana de fevereiro/2003; Quanto aos créditos, argumentou sobre sua existência e a necessidade de reconhecimento independentemente de retificação na DCTF, em nome da verdade material, porém, não indicou a origem do pagamento a maior, muito menos demonstrou documentalmente; Diante destes argumentos e das provas juntadas aos autos, em 14 de fevereiro de 2012 esta colenda 1ª turma ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, proferiu a resolução nº 3301000.131 (fls. 7684) para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa analisasse os documentos e argumentos da Recorrente e respondesse os seguintes pontos: (...) sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. O processo então foi baixado para DEINF/SPO para análise e elaboração de relatório de diligência. Para tanto, intimou a Recorrente (intimação 273/2013 fls. 643644) Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.901612/200672 Acórdão n.º 3301005.175 S3C3T1 Fl. 701 5 para apresentar registros contábeis para demonstrar o lançamento da despesa (desembolso) de IOF período de apuração 02/2003, a fim de que seja comprovado a existência do efetivo erro de declaração do débio na DCTF; Em relação aos créditos, pediu demonstrativo, acompanhado de notas explicativas, para demonstrar a existência do pagamento indevido ou maior que o devido quando dos pagamentos realizados por meio de DARF e apresentar os documentos fiscais e contábeis (lançamentos contábeis, retificação da dívida na DCTF, relatórios internos, etc) que comprovem a ocorrência do indébito; Relatório contendo o número das DCOMP e/ou processos administrativos utilizadas para extinguir a dívida R$ 13.931,23. relacionando a situação atual do débito (homologação/não homologação). Salientese que este processo administrativo foi apensado ao considerado processo principal de número 16327.901630/200654, conforme termo de apensação de fls. 68, sendo, portanto, julgados em conjunto neste ato. Em atendimento à intimação 273/2013, a Recorrente apresentou petição de fls. 8691 explicando seu equívoco na declaração do débito complementar, bem como buscou demonstrar a liquidez de seus créditos. Juntou documentos como DCTF e planilhas e lançamentos contábeis de contas do passivo (fls. 104188), no entanto, sem inovações em relação ao já apresentado no Recurso Voluntário, acrescentando um relatório de auditoria independente para comprovar o erro na declaração dos débitos (fls. 190214) Nas conclusões da diligência fiscal, a autoridade de origem emitiu relatório (fls. 674678) confirmando as alegações e documentos da Recorrente no sentido de que houve um equívoco na informação do montante do débito, devendo ser retificado para o valor correto apurado pela diligência conforme demonstrativos da Recorrente e informações fiscais da RFB. A autoridade confirmou que este erro se repetiu em todas as 35 PER/DCOMPs envolvidas, merecendo a retificação de ofício para constar o valor correto do débito, no total de R$ 13.931,23 para as 35 DCOMPs, embora reconhecendo que em 09 delas já teria operado a homologação tácita. Quanto aos créditos, afirmou a inaptidão dos lançamentos contábeis juntados para demonstrar a liquidez de seus créditos, pelo fato de que os lançamentos representam contas do passivo (conta credora), sem a indicação da efetiva despesa e nem a ligação com DCTF e DARF. c) Verificouse que das 35 Declarações de Compensação transmitidas pelo contribuinte, 13 foram objeto de diligência fiscal cumprida por esta Delegacia Especial da Receita Federal (DEINF), cujo resultado foi pelo reconhecimento do erro no preenchimento das DCOMP transmitidas pelo contribuinte, porém sem a homologação da extinção do crédito. Nove delas, foram homologadas pelo sistema. E o restante, faz parte desta diligência fiscal. d) Restou comprovado pela documentação trazida aos autos, em resposta a intimação, de que, realmente, o contribuinte incorreu em erro ao informar nas DCOMP o valor de R$ 271.109,48 (sic) como valor principal do débito a extinguir. Assim, com base no princípio da verdade material, que norteia o direito administrativo fiscal , devese retificar de ofício a informação constante das 35 Declarações de Compensação apresentadas, conforme documento em anexo. Fl. 703DF CARF MF 6 e) Com relação ao suposto crédito de IOF, decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido, utilizados nas DCOMP visando a extinção da dívida no valor total de R$ 13.931,23, informase que foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte (Doc. 4 – relação demonstrando a baixa do passivo, conta 4801.354 – TR/IOF S/OPER. TVM, pelos recolhimentos dos DARF com retenção indevida), cuja conclusão foi a de que os mesmos em nada comprovam que houve a retenção indevida de IOF, pois os registros contábeis referemse a lançamento de conta de natureza credora que se presta a registrar a assunção ou extinção de dívidas. O que, de fato, comprovaria que houve o pagamento feito indevidamente, seria: o lançamento contábil do registro da dívida, do estorno do valor pago indevidamente, do crédito fiscal (razão contábil da conta IOF a recuperar), o registro na DCTF do valor real da dívida, bem como, a apresentação de termo circunstanciado das razões que levaram ao pagamento da obrigação a maior que o devido. A exigência da comprovação por meio de todos esses documentos é necessária pois se trata de obrigação tributária em que o contribuinte é tãosomente o responsável pelo recolhimento do tributo, e segundo o que preconiza o art. 166 do Código Tributário Nacional para ter direito à repetição do pagamento que alega indevido, precisa comprovar que assumiu o ônus da dívida. (...) 10. Desta forma, respondese aos questionamentos elaborados pelo Sr. Conselheiro da seguinte forma: a) O contribuinte incorreu em erro ao indicar o valor de R$ 271.040,71 em 35 Declarações de Compensação, a título de dívida de IOF, código 6854, período de apuração 2° semana de fevereiro de 2003, pois esse valor referese ao valor total da dívida apurada. O valor correto a ser compensado seria o de R$ 13.931,23. b) Não restou comprovado por meio de documentos contábeis e fiscais a existência de crédito líquido e certo, oriundo de pagamento indevido de IOF que possa ser utilizado na extinção da dívida da mesma natureza, declarada em DCOMP. (grifo não consta do original) Percebese que nesta diligência a autoridade fiscal apontou o valor total do débito decorrente das 35 DCOMPs, porém, ao contrário do que realizado nas outras diligências, não apontou o valor do débito específico para esta DCOMP nº 14639.05090.220503.1.3.049106. Apesar disso, consta de fls. 89 e seguintes, na resposta à intimação para atender a diligência fiscal, demonstrativos e documentos que informam o montante de R$ 789,12 para esta DCOMP específica. Estes documentos foram analisados em diligência e a autoridade fiscal emitiu parecer confirmando a veracidade dos valores. Intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência (Termo de Ciência nº 42 em 12/01/2015, fls. 679 Ciência em 13/01/2015, fls. 682), a Recorrente nada fez, apresentando apenas procuração de advogado. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.901612/200672 Acórdão n.º 3301005.175 S3C3T1 Fl. 702 7 É a síntese do necessário Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Da síntese acima, constatase que o problema envolvido neste processo deixou de ser o direito ao crédito alegado pela Recorrente informado na PER/DCOMP em questão, passando a ser mais relevante a discussão do equívoco na declaração do débito a compensar. Em fevereiro de 2003, o sistema informatizado de apuração tributária da Recorrente apurou como valor devido a titulo de IOF na segunda semana de fevereiro do ano calendário de 2003, como responsável tributário, o montante de R$ 257.109,48 (duzentos e cinqüenta e sete mil e cento e nove reais e quarenta e oito centavos), mais um complemento de R$ 601,17 (seiscentos e um reais e dezessete centavos), resultando no montante de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos). Este montante somado de débito foi informado em DCTF e foram pagos via Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) no código "6854", uma guia para cada valor, na data de vencimento da obrigação (dia 12 de fevereiro de 2003) e o valor total (R$ 257.710,65), conforme demonstrado em fls. 69. No entanto, em decorrência de um reprocessamento da base de cálculo do imposto, apurouse um valor adicional para a mesma competênciada segunda semana de fevereiro de 2003. O montante total do período em referência era de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos). Considerando o valor de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos) já declarado e pago, restou em aberto uma diferença no montante de R$ 13.330,06 (treze mil trezentos e trinta reais e seis centavos). Para declarar e recolher esta diferença, a Recorrente verificou que possuía créditos de IOF por recolhimentos a maior em outros períodos de apuração, então optou por realizar a quitação do correspondente valor da diferença via compensação, realizando de 35 (trinta e cinco) PER/DCOMP, cada uma com um montante de crédito próprio decorrente de um específico período de apuração, porém, ao informar o débito, informou em cada uma destas PER/DCOMPs o montante total do período de apuração da segunda semana de fevereiro/2003, qual seja, R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos), o que engloba inclusive os montantes que já haviam sido recolhidos. Fl. 705DF CARF MF 8 Estes supostos créditos teriam origem, como dito, em diferentes períodos de apuração. No caso desta PER/DCOMP específica, este suposto recolhimento a maior teria sido realizado em 29/08/2001 para a competência 22/08/2001, no montante de R$ 625,02 (seiscentos e vinte e cinco reais e dois centavos), porém, não foi realizada a retificação da DCTF relativa à competência deste crédito, assim, o crédito foi negado. Consta dos autos que esse mesmo equívoco foi repetido em todas a 35 (trinta e cinco) declarações de compensação. Deste universo de declarações, 26 (vinte e seis) resultaram não homologadas, gerando igual número de processos de cobrança com o objetivo de exigir o pagamento dos débitos tributários informados em cada PER/DCOMP pela Recorrente. As outras 09 (nove) declarações de compensação foram homologadas tacitamente pelo decurso do tempo. Percebendo o equívoco após a não homologação da compensação, a Recorrente buscou evidenciar o equívoco na declaração do débito informado na DCOMP, pleiteando a retificação de ofício, porém, esquecendose de comprovar seu crédito. Quanto ao débito: por todos os documentos que constam dos autos, inclusive confirmado na resposta da diligência pela autoridade administrativa, o montante do débito está equivocado, pois foi informado o montante total do período de apuração, merecendo a retificação do quantum devido de ofício. O valor correto, conforme relatório da diligência, para esta PER/DCOMP específica, confirmando os documentos juntados aos autos, é o de R$ 789,12 (sem juros e multa), devendo ser, por isso, corrigido. Quanto ao crédito: consta dos autos lançamentos contábeis de contas do passivo com referências ao IOF(fls. 104188). No entanto, como bem salientado no relatório da diligência, tais documentos não se prestam a apurar e demonstrar a liquidez e certeza do crédito alegado, a uma porque são contas do passivo, a duas porque muitos lançamentos estão ilegíveis, a três porque não foi indicada a correspondência dos valores contábeis com declarações DCTF e recolhimentos em guias DARF, muito menos uma ligação entre estes dados, tampouco a demonstração da razão do pagamento indevido. A razão da não homologação do crédito foi a não retificação da DCTF do período de origem, de modo a informar à Receita Federal do Brasil a existência de um saldo credor a compensar. No entanto, a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), ao afirmar que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.901612/200672 Acórdão n.º 3301005.175 S3C3T1 Fl. 703 9 A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Entretanto, cabe à Recorrente a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a existência e liquidez de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Fl. 707DF CARF MF 10 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para lhe dar parcial provimento, negando o direito de crédito pleiteado, mas reduzindo o montante de débito devido à Fazenda Nacional à título de IOF nos termos da diligência de fls. 674678. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721544/2015-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTOS A GENITORA DO CONTRIBUINTE. RENDIMENTOS CONCERNENTES A USUFRUTO DE BEM IMÓVEL.
Para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda a importância paga a título de pensão alimentícia pressupõe o dever de sustento em face das normas do Direito de Família que onera os rendimentos percebidos pelo declarante. No caso dos autos, os pagamentos efetuados, embora respaldados em acordo entre as partes levado à homologação judicial em favor da genitora do contribuinte, apontam para o recebimento de valores mensais com a finalidade de compensar o alimentando pela parte que lhe cabe pelo usufruto de imóveis explorados pelo filho, e não ao dever obrigacional de prestar alimentos.
Numero da decisão: 2401-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTOS A GENITORA DO CONTRIBUINTE. RENDIMENTOS CONCERNENTES A USUFRUTO DE BEM IMÓVEL. Para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda a importância paga a título de pensão alimentícia pressupõe o dever de sustento em face das normas do Direito de Família que onera os rendimentos percebidos pelo declarante. No caso dos autos, os pagamentos efetuados, embora respaldados em acordo entre as partes levado à homologação judicial em favor da genitora do contribuinte, apontam para o recebimento de valores mensais com a finalidade de compensar o alimentando pela parte que lhe cabe pelo usufruto de imóveis explorados pelo filho, e não ao dever obrigacional de prestar alimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 15 44 /2 01 5- 65 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.721544/201565 Acórdão n.º 2401005.795 S2C4T1 Fl. 187 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1677.175, de 12/04/2017, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do acórdão (fls. 127/133): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. TRANSAÇÃO EXTRAJUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO POSTERIOR. BENEFÍCIO FISCAL DE DESCONTO NO IMPOSTO DE RENDA. O acordo de pagamento de pensão alimentícia levado à homologação judicial, em favor de genitora, detentora de patrimônio, possuidora de rendimentos concernentes ao usufruto de imóvel rural, não se ajusta à hipótese de isenção prevista na Lei 9.250/95, artigo 8º, II, f. Tais pagamentos são decorrentes da parte que cabe à genitora pelo usufruto de imóvel que está sendo explorado pelo interessado e não do dever obrigacional de prestar alimentos. Impugnação Improcedente Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/383244038334163, relativa ao anocalendário de 2012, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a autoridade lançadora apurou as seguintes infrações, relativamente a pagamentos efetuados em nome da mãe do contribuinte, Maria Helena Lima Pereira, na condição de alimentando (fls. 110/115): (i) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no importe de R$ 67.220,50; e Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.721544/201565 Acórdão n.º 2401005.795 S2C4T1 Fl. 188 3 (ii) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.225,70. Cientificado da exigência fiscal em 29/04/2015, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 02/14 e 117). Intimada a pessoa física em 24/04/2017, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 19/05/2017, em que alega os seguintes argumentos de fato e direito (fls. 134/136 e 139/149): (i) há um equívoco na cláusula terceira do acordo extrajudicial de pensão alimentícia, na medida em que o usufruto, em favor dos pais do recorrente, foi instituído em 29/12/1986 e cancelado em 30/03/1988, não possuindo o alimentando o usufruto do imóvel rural quando o acordo foi homologado em Juízo; (ii) resta mais evidente o erro no documento quando se refere à instituição do usufruto através de documento particular, poucos dias após o cancelamento do usufruto mediante averbação na matrícula do imóvel; (iii) o acordo de pagamento de pensão em favor da mãe do recorrente, o qual foi judicialmente homologado, decorreu da dilapidação do patrimônio dos seus pais ao longo do tempo e para evitar litígio e desgaste entre os familiares quanto à obrigação de manutenção da genitora, tendo a cláusula controvertida servido apenas para dar quitação de antigas pendências entre o recorrente e a sua família; (iv) o acordo é válido e foi homologado após a avaliação pelo Poder Judiciário dos requisitos pertinentes à necessidade da pensão alimentícia; (v) uma vez homologado judicialmente, o acordo deixa de ter qualquer traço de liberalidade entre as partes, assumindo caráter obrigacional; e (vi) na hipótese de pairar dúvida sobre a legitimidade do procedimento adotado, cabe a aplicação do princípio em "dubio pro contribuinte". É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10840.721544/201565 Acórdão n.º 2401005.795 S2C4T1 Fl. 189 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Cingese a questão controvertida à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia e despesas médicas em nome da genitora do recorrente, Maria Helena Lima Pereira, considerando o Termo Particular de Acordo de Fixação de Pensão Alimentícia, devidamente homologado pelo Poder Judiciário, nos autos do Processo nº 2.524/2008 (fls. 30/32 e 45). Em síntese, ao avaliar a matéria em litígio a decisão de piso entendeu que a natureza dos pagamentos efetuados pelo declarante não tipifica uma pensão alimentícia devida em face das normas de Direito de Família, para fins de dedução a que alude o art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, mas sim configura um negócio jurídico destinado a compensar em dinheiro à mãe do contribuinte pelo usufruto de imóveis explorados pelo filho (fls. 127/133). Transcrevo abaixo a cláusula do acordo entre as partes que deu ensejo às conclusões a que chegou a instância julgadora inaugural (fls. 31): (...) CLAÚSULA TERCEIRA. Diante do acordo ora pactuado, a Alimentada dona MARIA HELENA LIMA PEREIRA dá ao Alimentante TOMAZ DE AQUINO LIMA PEREIRA, plena, geral, rasa e completa quitação de quaisquer parcelas vencidas atinentes a alimentos e a rendimentos concernentes ao usufruto instituído em documento particular datado de 5 de abril de 1988 em favor de Maria Helena Lima Pereira e de seu falecido marido Tomaz de Aquino Brito Pereira, sendo outorgantes Ricardo Lima Pereira, Maria Bernadete Terreri Lima Pereira, Suzana Pereira Jacinto Guimarães, Sérgio Jacinto Guimarães, Tomaz de Aquino Lima Pereira e Renata Chiarello Pereira e referente ao apartamento n. 91 do Edifício Tortuga sito na rua Bernardino de Campos n. 389 em Ribeirão Preto e ao imóvel rural correspondente à área de setecentos sessenta e cinco Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10840.721544/201565 Acórdão n.º 2401005.795 S2C4T1 Fl. 190 5 hectares, setenta e um ares, cinquenta e seis centeares, denominado Fazenda Santa Catarina e objeto das matrículas ns. 3.984, 3.985 e 3.986 do Livro 2 de Registro Geral do Ofício do Registro de Imóveis da comarca de Jardinópolis, Estado de São Paulo. Parágrafo único. A quitação, ora ofertada, abrange quaisquer ações judiciais ou providências extrajudiciais, inclusive prestação de contas, contra a pessoa do Alimentante TOMAZ DE AQUINO LIMA PEREIRA, seja por iniciativa da Alimentada, seja por iniciativa da Alimentante SUZANA PEREIRA JACINTO GUIMARÃES. (...) Alega o recorrente que a redação do documento está equivocada, porquanto a alimentada não possuía o usufruto de nenhum imóvel quando do acordo de pagamento de pensão alimentícia, comprovado pela apresentação das certidões das matrículas imobiliárias (fls. 152/181). Pois bem. Em minha avaliação, a explicação e/ou documentação trazidas no recurso voluntário não são convincentes dos fatos que pretende fazer prevalecer o contribuinte autuado. É verdade que as matrículas dos imóveis revelam o registro de usufruto em 29/12/1986 e a averbação da renúncia pelos pais do contribuinte datada de 30/03/1988, tal como afirmado pelo recorrente. Todavia, não é crível que a cláusula de quitação de parcelas vencidas, inserida em acordo de vontades assinado ao final do ano de 2007, diga respeito a pendências de dívidas entre as partes de quase 20 (vinte) anos atrás. A procuração outorgada pela Srª Maria Helena Lima Pereira a seus advogados, em março de 2007, referese de maneira explícita a adoção de medidas judiciais e extrajudiciais para o recebimento de usufruto de imóveis e pensão alimentícia, o que revela a atualidade da obrigação pecuniária que envolve os membros da família (fls. 27). É certo que o usufruto de imóveis, que não resulte de usucapião, constituise mediante registro na matrícula do imóvel. Nada obstante, a instituição de usufruto por instrumento particular não registrado no cartório de imóveis não impede a produção de efeitos perante as partes envolvidas, com força de dever obrigacional. Por esse motivo, ao contrário do que defende o recurso voluntário, é plausível a veracidade da figura do usufruto instituído por meio de documento particular, em 05/04/1988, descrito na cláusula antes copiada, tanto que houve acerto para prevenir a discussão judicial da obrigação. Os autos deixam transparecer que no passado ocorreu a doação de bens pelos pais do recorrente aos filhos, com reserva de usufruto para prover a subsistência do casal até o falecimento. Aparentemente, no entanto, a obrigação vinha sendo descumprida pelo recorrente ao longo de tempo, pleiteando a genitora a reparação judicial e/ou extrajudicial, além do seu cumprimento no futuro. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10840.721544/201565 Acórdão n.º 2401005.795 S2C4T1 Fl. 191 6 Conforme assentado pela decisão de piso, os elementos dos autos sinalizam no sentido de que a mãe do recorrente não seria uma pessoa desprovida de condições de prover a própria mantença, com recursos próprios, a ponto de necessitar de prestação de alimentos, desde que recebesse a parte dos rendimentos decorrentes da exploração dos bens a que tem direito. Os familiares firmaram acordo para pagamento de pensão alimentícia que configura uma distorção da realidade. De fato, as obrigações alimentares são decorrentes do poder familiar ou derivadas da existência de relação de parentesco ou conjugal entre as pessoas, que justifica a prestação de alimentos de uns aos outros para a subsistência daquele que necessita. No caso concreto, as importâncias que são desembolsadas mensalmente pelo recorrente tem por finalidade compensar a alimentada pela parte que lhe cabe pelo usufruto de imóveis explorados pelo filho, não constituindo um dever de sustento típico da prestação de alimentos em face das normas do Direito de Família. Os pagamentos mês a mês representam a contrapartida pelas parcelas vencidas de usufruto, que foi dada quitação no termo de compromisso, assim como na sua essência retribuem as obrigações vincendas de mesma natureza jurídica. Por outro lado, não creio que o Poder Judiciário, ao homologar o acordo de pensão alimentícia entre filhos e a mãe, no contexto de procedimento de jurisdição voluntária, realizou algum juízo mais aprofundado sobre os termos pactuados entre as partes, tendo verificado tão somente a capacidade das partes, licitude do objeto e forma do ato. Ao menos, os despachos e as decisões acostados ao processo administrativo fiscal não sugerem apreciação que ultrapasse os aspectos formais (fls. 35/56). A homologação de autocomposição extrajudicial pelo Poder Judiciário não retira a competência de avaliação pela autoridade tributária do pleno cumprimento dos requisitos estipulados na legislação tributária para a dedução das importâncias pagas a título de pensão alimentícia na base de cálculo do imposto de renda. Com efeito, longe de uma interpretação isolada da lei, há necessidade de avaliação do contexto normativo de maneira sistemática para aferir o alcance da norma jurídica, considerando a natureza assistencial da verba dedutível, que pressupõe o dever de sustento em face das normas do Direito de Família, onerando os rendimentos percebidos pelo declarante pessoa física. Ao não se enquadrar como pagamentos a título de pensão alimentícia dedutíveis da base de cálculo, tampouco podem ser deduzidas as despesas médicas em nome da genitora do recorrente, na condição de alimentando. Também não há possibilidade de dedução como despesa de dependente do recorrente, porque a mãe não foi incluída como dependente na declaração de rendimentos. Em ambas as infrações enumeradas pelo agente lançador, não há que se falar na existência de dúvidas para interpretação dos fatos de maneira mais favorável ao contribuinte. No caso, os pagamentos não se subsumem às hipóteses da alínea "f" do inciso II e do § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10840.721544/201565 Acórdão n.º 2401005.795 S2C4T1 Fl. 192 7 (...) II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (...) § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (...) Logo, não merece reparo a decisão de piso, a qual manteve intacto o lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000496/2005-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 96 /2 00 5- 14 Fl. 36DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 08/15) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002, onde se apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte ingressou com impugnação contestando apenas a glosa das despesas médicas com Djalma Mário Vieira e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes (efls. 02). O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/FNS (efls. 19/23). Cientificado da decisão de piso em 19/07/2008 (efls. 26), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/08/2008 (efls. 27/30) com os argumentos a seguir sintetizados: Expõe que toda a questão está enfocada tão somente no fato de que os comprovantes de pagamento das despesas não indicam o endereço do profissional. Defende que todos os outros dados contidos nos recibos, tais como nome, CPF, CRO e telefone, levam, mediante simples consulta, ao endereço do profissional. Indica a juntada de cópia de página de lista telefônica com o endereço de Djalma Vieira. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a dedução de despesas médicas de R$ 7.000,00 referente ao profissional Djalma Mário Vieira. O assunto encontrase disciplinado pelo art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Equivocase o recorrente ao entender que toda a questão está enfocada tão somente na ausência de endereço nos recibos apresentados na impugnação. Extraise do Auto de Infração (efls. 11) que a autoridade lançadora glosou o valor declarado para Djalma Mário Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10920.000496/200514 Acórdão n.º 2002000.501 S2C0T2 Fl. 37 3 Vieira por falta de comprovação de seu efetivo pagamento, conforme solicitado em Intimação Fiscal, não sendo suficiente a apresentação dos recibos de efls. 03/06 para tal finalidade. Cumpre ressaltar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Assim, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. O pagamento em dinheiro serve muito bem para quitar um débito, mas para comproválo, ainda mais junto a terceiros, pode se tornar tarefa árdua. Importa salientar, por fim, que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.905090/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 50 90 /2 01 3- 80 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12448.905090/201380 Acórdão n.º 3401005.402 S3C4T1 Fl. 191 2 (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Dcomp) nº 11462.89304.080313.1.3.045653 visando compensar o valor de débito ali declarado, informando como crédito o valor de R$ 195.558,69, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins de entidades financeiras e equiparadas (cód. 7987) do período de apuração fevereiro de 2012, arrecadado em 20/03/2012. O Darf em questão foi recolhido no valor total de R$ 1.077.900,88. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF/RJO), através do Despacho Decisório da fl. 20, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, por ausência de crédito. É informado que o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior teve seu valor integralmente aproveitado na amortização do crédito tributário a que se refere, confessado pela empresa na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A empresa foi cientificada em 17/06/2013 (fl. 40). Em 17/07/2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 23 a 38). Alega que o crédito em questão foi descrito na DCTF de fevereiro de 2012, retificada em 05/07/2013. Anexa o recibo de entrega da DCTF e mapa demonstrativo do crédito. Requer a revisão para homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação de DRJ. É o relatório. 2. Em 28/05/2015, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1055.200, situado às fls. 45 a 48, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo Enk de Aguiar, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12448.905090/201380 Acórdão n.º 3401005.402 S3C4T1 Fl. 192 3 Direito Creditório Não Reconhecido 3. Em 08/07/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 54, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 56 a 65, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevo abaixo, por irreprochável, o pedagógico voto da decisão recorrida: Nos sistemas internos da RFB, é possível verificar que o valor do débito confessado em DCTF, afora eventuais outras extinções, correspondia ao valor pago. Em 05/07/2013, foi entregue retificadora para alterar o valor devido de Cofins de fevereiro de 2012 para R$ 882.342,19. Também, constatase que o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) igualmente foi alterado, com apresentação de retificadora em 08/08/2013. Desse modo, não havia nenhuma informação anterior ao despacho decisório que justificasse ao indébito. Tampouco foi apresentado qualquer registro anterior, contábil ou fiscal, na manifestação. A Dcomp foi criada a partir da Lei 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei 9.430/96. A empresa poderia ter se beneficiado da Dcomp entregue caso tivesse ficado inerte a administração tributária, do mesmo modo que poderia ter se beneficiado da declaração dos débitos em questão via DCTF, evitando qualquer procedimento fiscalizatório sobre os mesmos. A Dcomp não é um pedido, nem produz efeitos similares ao de um pedido administrativo de restituição ou de ressarcimento. Pelo contrário, a apresentação desta declaração é um ato jurídico unilateral que o sujeito passivo pratica por sua conta e risco e que, desde logo, extingue o débito tributário que está sendo compensado. A manifestação da empresa se resume a alegação de erro. Nenhum documento contábil ou fiscal foi apresentado. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 12448.905090/201380 Acórdão n.º 3401005.402 S3C4T1 Fl. 193 4 Ademais, a apuração detalhada da contribuição era registrada, na época, pelos contribuintes para a Receita Federal no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). Embora não tenha sido alegado, tampouco este demonstrativo foi alterado espontaneamente, no que respeita ao despacho decisório. A manifestação de inconformidade era a oportunidade para a empresa fornecer a devida comprovação do direito creditório e/ou do erro em que se fundou a DCTF transmitida. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (aplicável tanto a impugnações quanto a manifestações de inconformidade, por força dos §§ 9° a 11 do art. 74 da Lei 9.430/96 – redação atual), cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa. (...) Para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, necessário que o interessado demonstrasse que suas alegações encontramse fundamentadas em sua escrituração. No presente processo, nenhuma comprovação da apuração da base de cálculo foi ofertada, seja por meio do Livro Diário ou do Razão. Não se pode acolher a argumentação de que a confirmação da existência do pagamento do tributo, em dissonância com a DCTF, seja suficiente para comprovação do indébito, nem tampouco que a retificadora posterior, reduzindo o valor de modo a justificar o indébito, seja comprovação suficiente. Para a situação em comento, esta DRJ tem admitido a demonstração do erro em que se fundou a declaração original, acompanhada de sua comprovação taxativa, o que poderia justificar uma reforma do despacho ou uma diligência com realização de auditoria fiscal na interessada. Não é possível reconhecer o direito se o contribuinte não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil (...). Isso posto, VOTO para que seja julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. 6. Como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, Fl. 193DF CARF MF Processo nº 12448.905090/201380 Acórdão n.º 3401005.402 S3C4T1 Fl. 194 5 pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, sempre por unanimidade de votos, como no Acórdão CARF nº 3401004.923, proferido em sessão de 21/05/2018, acórdão paradigma de lote de recursos repetitivos de minha relatoria: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 7. E, neste sentido, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução, tem reiteradamente este colegiado decidido que "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito", trecho que se extrai do Acórdão CARF nº 3401003.204, proferido em sessão de 23/08/2016, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Transcrevo, ainda, as razões do Acórdão CARF nº 3401004.146, de idêntica relatoria: "Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 12448.905090/201380 Acórdão n.º 3401005.402 S3C4T1 Fl. 195 6 maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação (...). Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, não se trata de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte da contribuinte recorrente, o que, em pedidos de compensação ou de restituição, milita em seu desfavor. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 195DF CARF MF Processo nº 12448.905090/201380 Acórdão n.º 3401005.402 S3C4T1 Fl. 196 7 Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720623/2016-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias – Relator (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do ora Recorrente, Banco Bradesco S/A, no qual a fiscalização alega que, nos anos calendários de 2011, 2012 e 2013, o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 62 3/ 20 16 -2 5 Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.489 2 contribuinte, ao apurar o lucro real, deixou de adicionar na apuração do lucro tributável os valores dos lucros auferidos por sua controlada Banco Bradesco Europa, com domicílio no GrãoDucato de Luxemburgo. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 1483 a 1513), a fiscalização afirma que, nas respostas aos termos de intimação emitidos, "o Banco Bradesco deixa claro que não adicionou os lucros disponibilizados no exterior relativos ao Banco Bradesco Europa em função do artigo 7º da Convenção entre a República Federativa do Brasil e o GrãoDucado de Luxemburgo para evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital" Assim, após contextualizar o histórico legislativo brasileiro da tributação de controladas e coligadas no exterior, citar os dispositivos do Tratado firmado entre Brasil e Luxemburgo para evitar a dupla tributação (Decreto nº 85.051/1980) e discorrer sobre o MEP e as disposições legais de tributação da renda no direito brasileiro, o agente fiscal conclui: No entanto, o § 6º do art. 25 da Lei nº 9.249/1995, ao dispor que os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter tratamento previsto na legislação vigente, ressalvou que isto seria sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º do mesmo artigo. É cediço que a sistemática prevista na legislação vigente (DL 1.598/77) é a exclusão do resultado positivo da equivalência patrimonial quando da apuração do lucro real. Dessa forma, se a investida é empresa domiciliada no Brasil, os lucros não são tributados na investidora por ocasião de sua distribuição porque já foram na empresa investida. Entretanto, se a investida não é empresa domiciliada no Brasil, essa tributação deverá se dar por ocasião da disponibilização dos lucros. Portanto, o que o § 6º explicitou foi que, quando decorrentes de investimentos no exterior, os resultados positivos da equivalência patrimonial que afetam o lucro contábil, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ou seja, continuarão a ser excluídos para fins de apuração do lucro real, "sem prejuízo do disposto no §§ § 1º, 2º e 3º, isto é, sem prejuízo da tributação quando da disponibilização. E, como vimos, o artigo 74 estabeleceu, por presunção (ou ficção), uma identidade temporal a apuração (data do balanço) e a disponibilização dos lucros auferidos por empresa investida domiciliada no exterior. Em Impugnação apresentada, o Recorrente rebateu os termos da autuação com os argumentos que foram assim sintetizados pelo acórdão recorrido: QUE o lançamento não observou as disposições do tratado celebrado entre o Brasil e o GrãoDucado de Luxemburgo para prevenir a dupla tributação em matéria de imposto de renda; QUE o art. 7º do tratado em questão determina que os lucros de uma empresa domiciliada em um dos países contratantes só pode ser tributado nesse país, ficando excluída, conseqüentemente, a competência do outro país para tributar os mesmos lucros; QUE a interpretação proposta pela autoridade fazendária contraria a razão histórica e a própria finalidade do art. 7º do tratado (combate à tributação automática de controladas), esvaziando o seu conteúdo; QUE, em se tratando da tributação dos Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.490 3 lucros de controladas domiciliadas em Luxemburgo, a regra do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, é afastada pelo art. 7º do tratado; QUE, mesmo que se pudesse admitir a tributação sobre os lucros da controlada estrangeira, ainda assim não haveria nenhum valor exigível a título de imposto de renda da pessoa jurídica; QUE no anocalendário de 2011, a Impugnante apurou um Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 1.632.862.454,65, saldo este que não foi totalmente compensado nem restituído, restando ainda um crédito de R$ 277.618.210,87, suficiente para absorver o imposto lançado de ofício naquele período (docs. fls. 1667/1980); QUE no anocalendário de 2012, a Impugnante apurou um Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 528.133.449,88, saldo este que também não foi totalmente compensado nem restituído, restando ainda um crédito de R$ 199.430.749,88, suficiente para absorver o imposto lançado de ofício naquele período (docs. fls. 1981/2120); QUE no anocalendário de 2013, a Impugnante apurou um prejuízo fiscal de R$ 6.302.564.512,45, que foi parcialmente utilizado no REFIS, restando ainda um saldo disponível de R$ 89.564.794,95 (docs. fls. 2121/2128); QUE a adição dos lucros da controlada estrangeira, no valor de R$ 53.910.879,61, teria meramente o condão de reduzir o prejuízo fiscal do período, não podendo resultar daí nenhuma exigência de imposto; QUE, na hipótese de ser mantido o lançamento do IRPJ, no todo ou em parte, descabida será a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que tal incidência não encontra previsão no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. A douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), ao analisar os argumentos lançados na Impugnação e os documentos acostados aos autos, entendeu por bem julgar parcialmente procedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. A aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, no sentido de fazer tributar, no País, os lucros auferidos por meio de controladas no exterior, não viola os tratados internacionais celebrados com base na ConvençãoModelo da OCDE, destinados a evitar dupla tributação em matéria de imposto de renda. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O Saldo Negativo do IRPJ que não houver sido objeto de Pedido de Restituição ou Declaração de Compensação poderá ser deduzido do imposto de renda devido, em eventual lançamento de ofício. Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.491 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. DECORRÊNCIA. As regras do imposto de renda relativas à tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro líquido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Os débitos relativos às multas de ofício, quando não recolhidos no prazo legal, sujeitamse à incidência de juros de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado do acórdão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual, no mérito, em síntese, repisa os argumentos apresentados na Impugnação, insistindo, ainda, em argumento subsidiário, na necessidade de consideração (compensação) dos prejuízos fiscais apurados nos anoscalendário autuados, bem como na impossibilidade de incidência de juros sobre as penalidades aplicadas. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em petição acostadas aos autos (2.438 e 2.485) e após ser intimada do teor do Recurso Voluntário, apresentou contrarrazões, rebatendo, na totalidade, as teses de defesa apresentadas pelo Recorrente. Desta feita, ao final, requer a total improcedência do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o Recorrente, Banco Bradesco S/A, teve acesso ao acórdão recorrido, via intimação eletrônica, no dia 12/06/2017 (fl. 2243), apresentando o Recurso Voluntário em 12/07/2017 (comprovante fl. 2246). Ou seja, o Recurso foi apresentado dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário e, por cumprir os pressupostos para o manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS E DAS PREMISSAS PARA ANÁLISE DA DEMANDA. Primeiramente, antes de se analisar os argumentos do Recorrente, para se verificar se há ou não razão no lançamento combatido, cumpre verificar os pressupostos da legislação e fixar algumas premissas. Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.492 5 Neste ponto, inclusive, de partida, são de grande valia as colocações do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Napoleão Nunes Maia Filho, no voto proferido nos autos do Resp nº 1.325.709/RJ, que assim argumenta: Em síntese, o que é possível concluir é que o propósito de evitar evasão fiscal não legitima a infração aos ditames das garantias subjetivas do contribuinte, bem como aos conceitos básicos do sistema tributário, inclusive a preservação dos Tratados Internacionais, que trazem, como se sabe, as normas que devem reger a sua própria interpretação; assim, certos conceitos, essenciais à compreensão de sua inteireza positiva (essa expressão é do Professor PINTO FERREIRA) são ministrados no seu próprio texto, neste caso, o conceito de renda tributável. Pois bem. Com base neste entendimento, é que se analisará os pressupostos do ordenamento jurídico, em especial da legislação nacional e dos Tratados firmados pela República Federativa do Brasil, que dispõem sobre a possibilidade (ou impossibilidade) de tributação dos lucros auferidos pelas controladas e coligadas de empresas brasileiras que são domiciliadas no exterior, bem como o entendimento dos Tribunais. Historicamente, o Estado brasileiro, desde o início da cobrança do Imposto sobre a renda, que se deu em 1924, através do Decreto nº 16.581/24, sempre tributou a renda auferida no território nacional (critério da territorialidade), ou seja, o Imposto sobre a renda não alcançava os rendimento e ganhos obtidos no exterior, independente do grau de vínculo (sucursal, filial, empresas coligas ou controladas) da entidade localizada em outro país com a entidade brasileira. Após algumas tentativas de se alterar a forma de tributação, em especial pelas modificações legislativas ocorridas nos anos de 1987 e 1988 (vide decretos 2.397/87, 2.413/88, 2.413/88 e 2.429/88), só com a redação dada ao artigo 25, da Lei 9.259/95, é que o sistema tributário brasileiro abandona de vez o critério da territorialidade, adotando o princípio da "renda mundial" ou da "tributação em bases universais". Neste sentido, como ensina Marciano Seabra de Godoi, "pelo critério da renda mundial, os Estados soberanos tributam tanto as rendas produzidas por seus residentes nos limites de seu território, quanto a renda produzida por seus residentes fora dos limites do seu território" (GODOI, Marciano de Godoi. A Nova Legislação sobre Tributação de Lucros Auferidos no Exterior (Lei 12.973/2014) como resultado do Diálogo Institucional Estabelecido entre o STF e os Poderes Executivos e Legislativo da União. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 278.) A mudança na forma de tributação e o alcance que a norma pretendia dar foram motivos de críticas de grande parte da doutrina, o que forçou, s.m.j, o ente competente para instituir e cobrar o Imposto sobre a renda União Federal a alterar a legislação anteriormente posta, dispondo, a Lei nº 9.532/97, que o imposto só teria incidência, em síntese, quando da disponibilização às sociedades residentes no Brasil dos lucros auferidos. Entretanto, sobreveio, em 2001, a edição da Lei Complementar 104, acrescentando dois parágrafos no artigo 43 do Código Tributário Nacional, que passou a ter a seguinte redação: Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.493 6 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (destacouse) Com essa modificação legislativa, em especial com a redação dada ao parágrafo 2º transcrito acima, houve o entendimento, por parte da União Federal, de que a adoção do critério da universalidade da renda, para fins de incidência do IR, estaria definitivamente autorizada pelo ordenamento jurídico pátrio, podendo, de fato, o legislador ordinário trazer as hipóteses em que se dariam a tributação das empresas localizadas no exterior, em especial, as controladas e coligadas. Assim, foi editada a MP 2.158/2001, que em seu artigo 74 determinava que "os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma de regulamento". Neste ponto, se vale, mais uma vez, dos ensinamentos de Marciano Seabra de Godoi, que, após discorrer sobre a edição daquela MP, assim se posiciona sobre a mudança legislativa então ocorrida: "Portanto, a primeira database definida para a imputação dos lucros foi 31 de dezembro de 2002. Menos de três meses antes dessa data, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 213. No art. 7º dessa Instrução Normativa, determinouse que a tributação dos lucros auferidos no exterior se realizasse por intermédio dos ajustes dos valores dos investimentos conforme o método da equivalência patrimonial. Nos termos do parágrafo 1º do art. 7º, 'os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL'. Segundo o art. 8º da mesma Instrução Normativa, os lucros decorrentes dos investimentos que a legislação comercial (lei das Sociedades por ações) não mandar avaliar pelo método de equivalência patrimonial continuariam a ser tributados pelo imposto brasileiro somente na proporção em que ocorresse sua disponibilização (crédito ou pagamento do lucro) para a empresa investidora". (GODOI, Marciano de Godoi. A Nova Legislação sobre Tributação de Lucros Auferidos no Exterior (Lei 12.973/2014) como resultado do Diálogo Institucional Estabelecido entre o STF e os Poderes Executivos e Legislativo da Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.494 7 União. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 282 e 283). Feita essa breve contextualização histórica quanto à tributação com bases universais pela sistema tributário brasileiro, sem, contudo, ter a pretensão de se esgotar o tema, em especial, acerca das mudanças imposta pela Lei 12.973/2014 no ordenamento jurídico pátrio, cumpre registrar que a redação do artigo 74 da MP 2.158/2001 foi objeto de diversas críticas da doutrina e de questionamentos dos contribuinte junto ao Poder Judiciário. A discussão judicial desaguou, como não poderia deixar de ser, no Supremo Tribunal Federal, que, através da ADIN 2.588, julgou a (in)constitucionalidade do malfadado artigo 74. No julgamento, que durou mais de 10 anos, com intenso debate entre os Ministros e a confecção de longos acórdãos, não se chegou a uma maioria de votos em diversos pontos da discussão. A ementa do julgado recebeu a seguinte redação: Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.495 8 desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001.(ADI 2588, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013, DJe027 DIVULG 07022014 PUBLIC 10022014 EMENT VOL0271901 PP00001) Pelo o que se observa da ementa e, em especial, dos votos proferidos pelos Ministros, podese sintetizar as conclusões a que chegou o Supremo Tribunal Federal da seguinte forma: Investida Localização Validade do artigo 74 da MP 2.158/01 Eficácia "erga omnes" e efeito vinculante Jurisdição normal Inconstitucional Sim Coligadas Paraíso Fiscal Constitucional (não alcançou a maioria) Não Jurisdição normal Constitucional (não alcançou a maioria) Não Controladas Paraíso Fiscal Constitucional Sim Ainda, da análise das decisões e do quadro acima, cumpre registrar que o Supremo Tribunal Federal chegou a três importantes conclusões no julgamento da ADIN 2.588, quais sejam: 1) Há que se diferenciar a tributação das investidoras com investidas com sede em paraísos fiscais, daquelas com sede em países com tributação normal. 2) Controladas e coligadas devem ter tratamento distinto; e 3) O princípio da irretroatividade, no caso da renda obtida no exterior, deve ser respeitado. No que importa para o caso em análise, como se verifica do quadro acima, o Supremo Tribunal Federal não chegou a uma maioria vinculativa no que tange aos lucros de controladas não domiciliadas em “paraíso fiscal”, nem para com lucros de coligadas domiciliadas em “paraíso fiscal”. Estáse diante de lucros de controladas não domiciliadas em “paraíso fiscal”. Como se sabe, contudo, mesmo não havendo um efeito vinculante, neste ponto, na decisão do STF, a este órgão é defeso se manifestar sobre constitucionalidade de norma legal, conforme Súmula CARF nº 2. Assim, a princípio, estava vigente e válido, à época dos fatos imponíveis, o disposto no artigo 74, da MP 2.158/01, que diz que o momento da tributação das controladas domiciliadas em países sem tributação favorecida seria aquele em que os lucros fossem disponibilizados nos balanços das entidades. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.496 9 Contudo, não foi objeto de análise, por parte daquela Corte, a implicação ou aplicação do disposto na MP no caso de a entidade controlada ser domiciliada em países que firmaram Tratados para evitar a dupla tributação da renda com a República Federativa do Brasil. Esta ausência de análise por parte do STF é clara quando se verifica o excerto da decisão proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 541.090, em que também se discutia a (in)constitucionalidade do artigo 74 da MP 2.158/01. Vejase: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para considerar ilegítima a tributação retroativa, nos termos do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, vencidos os Ministros Joaquim Barbosa (Relator), Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que se pronuncie sobre a questão atinente à vedação da bitributação baseada em tratados internacionais, vencido o Ministro Dias Toffoli, não havendo se manifestado, no ponto, o Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Redigirá o acórdão o Ministro Teori Zavascki, que reajustou seu voto. Impedido o Ministro Luiz Fux. Plenário, 10.04.2013. (destacouse) No que se refere aos tratados, as suas implicações e a sua hierarquia dentro do ordenamento jurídico brasileiro, o Superior Tribunal de Justiça tem inúmeros julgados que exploram o tema, como também Supremo Tribunal Federal. Não se entrará aqui, até mesmo para não se perder o foco da autuação, na discussão que se dá entre os aderentes do sistema monistas ou dualistas dos ordenamentos jurídicos e, principalmente, na discussão doutrinária acerca do status dos Tratados firmados pelo Brasil, ou seja, se os Tratados se equiparariam às leis ordinárias ou às leis complementares. No presente voto, aceitase como premissa que os tratados integram a ordenamento jurídico e eventual conflito com normas internas deverão ser solucionadas de acordo com os critérios cronológicos e da especialidade, como se observa do julgado abaixo proferido pelo Supremo Tribunal Federal: E M E N T A: EXTRADIÇÃO CRIMES DE CORRUPÇÃO PASSIVA E DE CONCUSSÃO DISCUSSÃO SOBRE MATÉRIA PROBATÓRIA INADMISSIBILIDADE DERROGAÇÃO, NESTE PONTO, DO CÓDIGO BUSTAMANTE (ART.365, 1, IN FINE), PELO ESTATUTO DO ESTRANGEIRO PARIDADE NORMATIVA ENTRE LEIS ORDINÁRIAS BRASILEIRAS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS PROCESSO EXTRADICIONAL REGULARMENTE INSTRUÍDO JURISDIÇÃO PENAL DO ESTADO REQUERENTE SOBRE OS ILÍCITOS ATRIBUÍDOS AOS EXTRADITANDOS JULGAMENTO DA CAUSA PENAL, NO ESTADO REQUERENTE, POR TRIBUNAL REGULAR E INDEPENDENTE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO PENAL EXTRAORDINÁRIA CONCERNENTE AO DELITO DE CORRUPÇÃO PASSIVA ACOLHIMENTO PARCIAL DA POSTULAÇÃO EXTRADICIONAL UNICAMENTE QUANTO AO CRIME DE CONCUSSÃO PEDIDO DEFERIDO EM PARTE. CÓDIGO BUSTAMANTE ESTATUTO DO ESTRANGEIRO (...) Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.497 10 A normatividade emergente dos tratados internacionais, dentro do sistema jurídico brasileiro, permite situar esses atos de direito internacional público, no que concerne à hierarquia das fontes, no mesmo plano e no mesmo grau de eficácia em que se posicionam as leis internas do Brasil. A eventual precedência dos atos internacionais sobre as normas infraconstitucionais de direito interno brasileiro somente ocorrerá presente o contexto de eventual situação de antinomia com o ordenamento doméstico , não em virtude de uma inexistente primazia hierárquica, mas, sempre, em face da aplicação do critério cronológico (lex posterior derogat priori) ou, quando cabível, do critério da especialidade. Precedentes. (...) .(Ext 662, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 28/11/1996, DJ 30051997 PP23176 EMENT VOL 0187101 PP00015) E o Superior Tribunal de Justiça, mesmo que partindo de outra premissa da que partiu o julgado acima (uma vez que coloca os Tratados no mesmo patamar das Leis Complementares), no julgado consubstanciado no REsp nº 1.161.467, coloca uma pá de cal sobre a discussão, quando afirma que os Tratados que tem como matéria de regulação a bi tributação da renda terão prevalência sobre o direito brasileiro, quando nitidamente se confrontarem (antinomia) com leis internas. O critério da especialidade é invocado pelo STJ. Confirase trecho da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. CONVENÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO. BRASILALEMANHA E BRASILCANADÁ. ARTS. VII E XXI. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À EMPRESA BRASILEIRA. PRETENSÃO DA FAZENDA NACIONAL DE TRIBUTAR, NA FONTE, A REMESSA DE RENDIMENTOS. CONCEITO DE "LUCRO DA EMPRESA ESTRANGEIRA" NO ART. VII DAS DUAS CONVENÇÕES. EQUIVALÊNCIA A "LUCRO OPERACIONAL". PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE O ART. 7º DA LEI 9.779/99. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. ART. 98 DO CTN. CORRETA INTERPRETAÇÃO. (...) 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. 8. O art. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis derrogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. 9. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso especifico, mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno. Ocorre uma "revogação funcional", na expressão cunhada por HELENO TORRES, o que torna as normas internas Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.498 11 relativamente inaplicáveis àquelas situações previstas no tratado internacional, envolvendo determinadas pessoas, situações e relações jurídicas específicas, mas não acarreta a revogação, stricto sensu, da norma para as demais situações jurídicas a envolver elementos não relacionadas aos Estados contratantes. (...) 11. Recurso especial não provido. (REsp 1161467/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 01/06/2012) (destacouse) Ao comentarem o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que entende o critério da especialidade como uma das formas de se solucionar o conflito entre os Tratados e eventual norma de direito interno, Marcus Lívio Gomes e Renata S. Cunha Pinheiro assim se posicionam: "O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento acerca desse ponto no sentido de que o disposto no art. 98 do CTN confere aos tratados caráter especial em face da legislação interna e, em razão dessa especialidade, afasta a incidência da norma nas situações sobre as quais se refira. Ressaltou a Corte que a antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o direito tributário interno resolvese pela regra da especialidade, ainda que a normatização interna seja posterior à internacional. Assentou que o art. 98 deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis der rogat generalis, não havendo, propriamente, revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional, mas apenas suspensão de eficácia que atinge, tão só, as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. (GOMES, Marcus Lívio e Pinheiro Renata S. Cunha. A Lei nº 12.973/2014 e os tratados para evitar a dupla tributação da renda. In Estudos Tributários do II Seminário CARF / Confederação Nacional da Indústria; Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; Francisco Marconi de Oliveira, Marcus Lívio Gomes, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Coordenadores. Brasília: CNI, 2017. Págs. 101 e 102). Não se pode olvidar, neste ponto, como mencionado na ementa do julgado do STJ acima transcrita, que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 98, preceitua que os "tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha". Exatamente por isso devese aplicar o critério da especialidade para a solução de eventual conflito entre normas de direito interno e os Tratados Internacionais. No que se refere ao critério da especialidade, o jurista italiano Norberto Bobbio, que teve grande influência na formação do pensamento jurídico brasileiro, já pontificava em seu clássico “Teoria do Ordenamento Jurídico”, que esse critério deve ser utilizado para solução de antinomias dentro de um ordenamento jurídico. Em suas palavras: O terceiro critério, dito justamente da lex specialis, é aquele pelo qual, de duas normas incompatíveis, uma geral e uma especial (ou excepcional), prevalece a segunda: lex specialis derogat generali. Também aqui a razão do critério não é obscura: lei especial é aquela que anula uma mais geral, ou que subtrai de uma norma uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diferente (contrária ou contraditória). A passagem de uma regra mais extensa Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.499 12 (que abrange um certo genus) para uma regra derrogatória menos extensa (que abrange uma species do genus) corresponde a uma exigência fundamental de justiça, compreendida como tratamento igual das pessoas que pertencem à mesma categoria. A passagem da regra geral à regra especial corresponde a um processo natural de diferenciação das categorias, e a uma descoberta gradual, por parte do legislador, dessa diferenciação. (...) Entendese, portanto, por que a lei especial deva prevalecer sobre a geral: ele representa um momento ineliminável do desenvolvimento de um ordenamento. Bloquear a lei especial frente à geral significa paralisar esse desenvolvimento. (BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 10ª edição, 1999. pág. 95 e 96) (destacouse) Por fim, no que tange aos tratados e a necessidade de sua aplicação pelos Estados contratantes, imperioso transcrever passagem de trabalho de autoria de Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano, no qual, de forma cirúrgica, apontam a importância e a motivação dos Tratados para evitar a dupla tributação, em especial aqueles que seguem o modelo da OCDE, como no caso do Tratado Brasil/Luxemburgo: (...) Nesse cenário, os tratados em matéria tributária são meios pelos quais Estados soberanos se esforçam, usualmente em bases bilaterais, para harmonizar as regras de suas leis tributárias internas, estabelecendo limites a partir dos quais leis nacionais não se aplicam. Por meio dos tratados internacionais que visam evitar a dupla tributação da renda, o Brasil obrigouse espontaneamente perante outros Estados de Direito a não exigir, no todo ou em parte, tributos a eles reservados. É esse o caso dos lucros. Conforme art. 7º, parágrafo 1º da Convenção Modelo da OCDE, 'os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado (...)". Exceção são os lucros apurados por estabelecimentos permanentes situados em outro Estado Contratante, os quais serão tributados, na parte em que oriundos do estabelecimento. Como relata Philip Baker, esse dispositivo possui um longo histórico e reflete o consenso internacional de que, em regra, até que uma empresa de um dos Estados contratantes possua um estabelecimento permanente em outro Estado (art. 5º da Convenção Modelo da OCDE), ele não deverá ser considerado como um participante na vida econômica desse Estado, não sendo, portanto, a ele conferido o direito de tributar os seus lucros. (BARRETO, Paulo Ayres e TAKANO, Caio Augusto. Tributação do Resultado de Coligadas e Controladas no Exterior, em face da Lei nº 12.973/2014. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 368 e 369) Assim, por tudo até aqui exposto, podese afirmar que (i) o Supremo Tribunal Federal declarou como constitucional a tributação de controladas no exterior, nos termos preconizados pelo artigo 74 da MP 2.158/2001; (ii) os tratados integram o ordenamento jurídico pátrio; e, (iii) no caso de conflito entre o disposto em norma interna e um Tratado Internacional, tendo em vista o critério da especialidade, deverá prevalecer o disposto no Tratado. Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.500 13 Fixadas essas premissas, se analisará a seguir a motivação da autuação e se assiste razão ao Recorrente quando alega que, no presente caso, deve prevalecer o Tratado firmado entre a República Federativa do Brasil e o GrãoDucado de Luxemburgo, em detrimento do que preceitua a legislação interna que regula a tributação dos lucros de controladas e coligadas domiciliadas no exterior. DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS DAS CONTROLADAS NO EXTERIOR QUANDO DA EXISTÊNCIA DE TRATADOS QUE VISAM EVITAR A TRIBUTAÇÃO DOS DOMICILIADOS NOS ESTADOS CONSIGNATÁRIOS. De pronto, devese ressaltar, que não há nos autos controvérsias acerca do fato de que o Banco Bradesco Europa, com domicílio em Luxemburgo, é uma controlada direta do Recorrente, nos exatos termos definidos pelo artigo 243, § 2º da Lei 6.404/76, que tem a seguinte redação: Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. (...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. O termo de verificação fiscal, com base na documentação carreada nos autos, é claro neste sentido, quando afirma: O Banco Bradesco é controlador do Banco Bradesco Europa, que tem domicílio no GrãoDucado de Luxemburgo. Nos anoscalendário 2011, 2012 e 2013, o percentual de participação do Banco Bradesco no capital do Banco Bradesco Europa mantevese em de 99,97%. E esta informação é confirmada pelo próprio Recorrente, desde a peça de ingresso (Impugnação), quando afirma: Tratase de Auto de Infração lavrado em face da IMPUGNANTE, formalizando exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre os lucros apurados nos anos de 2011, 2012 e 2013 pela controlada da IMPUGNANTE, Banco Bradesco Europa, domiciliada em Luxemburgo. Assim, no presente Auto de Infração, não se tem dúvida de que a obrigação tributária em discussão tem nascimento nos lucros auferidos por uma controlada domiciliada em Luxemburgo (investida) de empresa domiciliada em território nacional (investidora). Por outro lado, nos termos da IN RFB nº 1.037/2010 (inclusive suas alterações posteriores), o GrãoDucado de Luxemburgo não é considerado como paraíso fiscal pela Receita Federal do Brasil. Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.501 14 E a pergunta que precisa ser respondida para a solução do presente caso é: tendo em vista o tratado para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e Luxemburgo (Decreto nº 85.051/1980), teria o Estado brasileiro competência para tributar riqueza (lucro) produzida no outro Estado signatário daquele Tratado? Para responder ao questionamento feito, não se pode olvidar que, como se depreende do TVF, a fiscalização motivou a lavratura do Auto de Infração, após afastar a aplicação do referido Tratado ao presente caso, pelo fato de que o disposto no artigo 74 da Medida Provisória 2.15835/2001 autoriza a tributação "pela variação patrimonial positiva do patrimônio na controlada domiciliada no Brasil, que corresponde aos lucros da controlada no exterior." A fiscalização argumentou, ainda, no mesmo TVF, que "o artigo 74 estabeleceu, por presunção (ou ficção), uma identidade temporal entre a apuração (data do balanço) e a disponibilização dos lucros auferidos por empresa investida domiciliada no exterior". Assim, a princípio, aos olhos da fiscalização, o art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos, tendo em vista o método de equivalência patrimonial e, por isso, não estariam sujeitos ao Tratado firmado pela República Federativa do Brasil. Contudo, pela leitura do artigo 7º do Tratado firmado entre a República Federativa do Brasil e o GrãoDucado de Luxemburgo, não há dúvidas de que o Brasil está impedido (norma de bloqueio), pelo princípio da residência, de tributar lucros auferidos em sociedades independentes (mesmo que seja controlada direta), domiciliadas em Luxemburgo. Vejase a redação do Decreto 85.051/1980: Artigo 7 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva das disposições do parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar mercadorias para a empresa. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.502 15 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições do presente artigo. Mais uma vez, se vale dos ensinamento de Paulo Ayres Barreto e Caio Augusto Takano, que assim interpretam o citado artigo 7º do modelo OCDE: Parecenos correto asserverar, com apoio em Klaus Vogel, que há no art. 7º, parágrafo 1º duas normas jurídicas: (i) se uma empresa residente em um dos Estados contratantes exerça uma atividade e dela auferir lucros, então apenas o Estado de residência daquela empresa poderá tributálos (regra geral); e (ii) se uma empresa exercer suas atividades no outro Estado por meio de um estabelecimento permanente aí situado, então esse Estado (e não o Estado de residência) poderá tributar lucros, mas unicamente na medida em que forem imputáveis ao estabelecimento permanente (regra de exceção). (...) Destarte, não se tratando de estabelecimentos permanentes, mas de empresas dotadas de personalidade jurídica própria, sejam elas coligadas ou controladas, devese aplicar a regra geral, que contém, na feliz expressão de Alberto Xavier, uma 'norma de reconhecimento de competência exclusiva' do país em que se encontra domiciliada a sociedade controlada. (BARRETO, Paulo Ayres e TAKANO, Caio Augusto. Tributação do Resultado de Coligadas e Controladas no Exterior, em face da Lei nº 12.973/2014. In Grandes questões atuais do direito tributário. 18º Volume. São Paulo: Dialética, 2014. Pág. 368 e 369) O citado artigo 7º do Tratado firmado pelo Brasil é muito claro no que visa proteger: os lucros auferidos pela empresa no exterior, devendo estes serem tributados somente no país onde a empresa independente tenha domicílio. Não há dúvidas, data venia, quanto a interpretação do dispositivo. Não há que se argumentar que, neste caso, a tributação estaria autorizada por ser uma exceção ao cumprimento do Tratado, como tentou direcionar o agente fiscal na sua fundamentação, quando, após analisar o artigo 10, item 06 do Tratado, afirma que o que foi vetado tributar, como dividendos pagos, foram os lucros não distribuídos. E que, por isso, "na medida em que a exigência se deu por presunção (ou ficção) de disponibilização de lucros apurados, não há porque se cogitar de imposto que, exigível ou pago no GrãoDucado do Luxemburgo, fosse possível de dedução dos tributos aqui tratados". Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o então relator, Conselheiro Marcos Shigueo Takata, após discorrer sobre o CFC e as peculiaridades da tributação em bases universais pretendida pelo fisco brasileiro, traz argumentos intocáveis para afastar a alegação de não aplicação de um tratado internacional que tem as mesmas bases do tratado ora analisado (modelo OCDE). Vejase as lúcidas ponderações lançadas no voto proferido nos autos do processo administrativo de nº 12897.000193/201011 (acórdão nº 1103001.122): A redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Mas, podem ser tributados dividendos fictos? Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.503 16 Antes de falar sobre dividendos fictamente distribuídos, trato do argumento de que o suporte fático eleito pela norma legal não são os dividendos, pois o que se tributa são os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem. E, por óbvio, só se cogita de dividendos após todas as despesas incorridas, nas quais se inclui o tributo pago sobre os lucros no país de origem. O que a sociedade delibera distribuir aos sócios ou acionistas, como dividendos, só pode ser o resultado líquido do tributo pago sobre o lucro. Essa dimensão do pressuposto fático de incidência tributária é prevista textualmente no art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02: § 7º. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. O argumento não me impressiona, se interpretado o art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02 em seus devidos termos. Dividendos são distribuição de lucros apurados pela sociedade a seus sócios ou acionistas. E só há lucros distribuíveis após a despesa com pagamento de tributo sobre o lucro. Entretanto, o mesmo argumento caberia para tributação de lucros da sociedade controlada ou coligada no exterior. Lucros da sociedade são o resultado líquido de um período, após a despesa incorrida com tributo: só se pode falar de lucros, ainda mais lucros distribuíveis, após a despesa incorrida com tributo pago sobre o lucro; afinal o objeto da tributação, se não forem dividendos, é o lucro líquido auferido pela controlada ou coligada no exterior. A meu ver, o que o art. 1º, § 7º, da IN 213/02 fez, ao interpretar o comando legal, foi o seguinte. A norma legal confere o tax credit correspondente ao tributo pago no exterior, com a instituição da tributação em bases universais para a pessoa jurídica. Ao se ver sistematicamente o objeto da tributação, em bases universais, o valor do tributo pago no exterior não é despesa, mas ativo da controladora ou da coligada participante no Brasil – afinal, referido valor é compensável no País – ou melhor, desde que e no limite do que seja compensável no País. Logo, como a lei confere o tax credit relativo ao tributo pago no país de origem, o legislador infralegal, ao falar que os lucros do exterior da controlada ou coligada serão considerados antes de descontado o tributo pago no país de origem, simplesmente utilizou a expressão como técnica tributária de se reconhecer que tal valor não deve reduzir a base tributável, por ser um ativo. E a leitura que faço do art. 1º, § 7º, da IN SRF 213/02 é a de considerar os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem, no limite do compensável no País. Nesse passo, e nos termos acima expostos, cuidase de técnica tributária que não desborda o limite legal. Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.504 17 I.e., versase técnica de aplicação e, assim, de interpretação das normas legais, desde que (o antes de descontado) nos limites do imposto que seja compensável no País. Não se está, com isso, a tributar algo por ficção ou mesmo por presunção, ou precisamente: não se está definindo materialidade ou seu aspecto temporal por ficção, ou mesmo por presunção. É como entendo. Daí ter dito que o argumento não impressiona, interpretado o preceito em comentário em seus devidos termos. Como disse, a redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Retomo, pois, a questão que considero fundamental: podem ser tributados dividendos fictos? A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 recai sobre dividendos fictos? É sabido que não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Nesse sentido, o art. 110 do CTN seria inclusive despiciendo, assumindo feição didática. Também, por óbvio que o CTN não pode dar “carta branca” ao legislador ordinário, para, dessa forma, voltear a materialidade, inclusive em seu aspecto temporal, empregada pela Constituição Federal para outorga de competência tributária. Não é a isso que se presta o § 2º do art. 43 do CTN. E também não é diferente o que se passa em relação ao § 1º do art. 43 do CTN. Não é a lei ordinária que, a bel prazer, e a seu exclusivo talante, irá determinar como e quando se dá a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, da receita ou do rendimento. Além disso, é regra hermenêutica elementar que o parágrafo de um artigo se subordina à cabeça (caput) dele. Sublinhese, ainda que seja evidente: o pressuposto adotado é a constitucionalidade do § 2º do art. 43 do CTN. Mais. Vejase o que dispõe o art. 10 do Tratado BrasilHolanda, incorporado ao direito doméstico pelo Decreto 331/92, que, na essência, é igual ao art. 10 do Tratado BrasilArgentina (há uma variação no § 5º do art. 10, a qual não afeta a questão em dissídio): ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente em um Estado Contratante a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.505 18 2. Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e nos termos da lei desse Estado; mas, se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim incidente não poderá exceder 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos. O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos. 3. O termo "dividendos", empregado no presente artigo, designa os rendimentos provenientes de ações ou direitos de fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição. 4. Não se aplica o disposto nos parágrafos 1 e 2 se o beneficiário dos dividendos, residente em um Estado Contratante, realiza negócios no outro Estado Contratante em que reside a sociedade que paga os dividendos, por intermédio de estabelecimento permanente ali situado, e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente. Nesse caso aplicase o disposto no Artigo 7. 5. Quando um residente em um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, este estabelecimento permanente pode estar, ali, sujeito a imposto retido na fonte, nos termos da legislação daquele Estado. Todavia, tal imposto não excederá 15% (quinze por cento) do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, apurado após o pagamento do imposto de renda de sociedades, incidente sobre aqueles lucros. 6. Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto se tais dividendos forem pagos a residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionarse efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a imposto sobre lucros não distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. 7. As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5 não se aplicam aos dividendos ou lucros pagos antes do final do primeiro ano calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção. É muito claro que o dispositivo convencional trata dos dividendos pagos, ao versar sobre a competência tributária cumulativa dos Estados contratantes sobre a materialidade em questão. Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.506 19 O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda (e do art. 10 do Tratado Brasil Argentina), em seu § 3º. Ainda, o referido § 3º do art. 10 do tratado não permite que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. E também remete ao Estadofonte, i.e., ao Estado contratante em que reside a sociedade distribuidora dos dividendos, a qualificação residual de dividendos, mas coloca como um dos limites: a distribuição efetiva. É expressa nesse sentido a parte final do § 3º do art. 10 do tratado em questão. Interditase, pois, inserir na moldura de dividendos os fictos ou os distribuídos fictamente. Ainda, registrese que o § 6º do art. 10 do tratado prevê – tal como no Modelo OCDE – cláusula de salvaguarda. Impedese que um Estado contratante pretenda tributar indiretamente como dividendos ou até mesmo como lucros não distribuídos (o que é diferente de dividendos) certos valores correspondentes a lucros ou rendimentos. Os lucros e rendimentos de uma sociedade residente no Estado contratante “X” são realizados no Estado contratante “Y”. Se aquela sociedade residente no Estado “X” pagar dividendos a quem não seja residente no Estado “Y”, mesmo que os dividendos pagos sejam originários de lucros ou rendimentos realizados no Estado “Y”, tais dividendos não poderão ser tributados nesse Estado “Y”. O mesmo vale para lucros não distribuídos. Vedase uma tributação extraterritorial em tais moldes. Ao fazer esse registro, quero dizer que o tratado não dá margem a permitir que o art. 10 seja aplicado a dividendos fictos ou distribuídos fictamente. Todo o art. 10 do tratado em comentário cuida de dividendos pagos, ao delinear a competência tributária cumulativa do Estado contratante em que reside o sócio ou o acionista, com a do Estado contratante em que reside a sociedade que distribui (paga) os dividendos. Como o pressuposto é a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01, só posso concluir que o regime de transparência fiscal adotado não tem como materialidade os dividendos, pois, como se viu, não há como se tributarem dividendos fictos ou dividendos distribuídos fictamente. Adiante esclareço a materialidade do art. 74 da MP 2.158/014. A técnica de tributação não pode ser manejada ou manipulada para alcançar materialidade ou seu aspecto temporal por ficção legal, nos termos deduzidos alhures. Por outro lado, seja como corolário do que se deduziu, seja pela interpretação e aplicação direta do art. 10 dos tratados em jogo, fica evidenciado claramente o seguinte: o art. 10 do Tratado Brasil Holanda e o art. 10 do Tratado BrasilArgentina são inaplicáveis sobre o suporte fático em dissídio. Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.507 20 Não vejo como se possa dar interpretação diversa. Essas são as duas primeiras exegeses extraíveis. Tais exegeses funcionam como fundamentos para a conclusão da inaplicabilidade do art. 10 dos tratados em debate sobre a materialidade em dissídio. Reiteroas. Pelo art. 74 da MP 2.158/01 não se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. O art. 10 dos tratados em discussão, ao estabelecer a competência cumulativa dos Estados contratantes, não alcança os lucros auferidos e não distribuídos por controlada e coligada domiciliadas num dos Estados contratantes: ele delimita a competência cumulativa dos Estados contratantes, para a tributação dos dividendos efetivamente distribuídos Criticando a posição adotada na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2013, Marcus Lívio Gomes e Renata S. Cunha Pinheiro são taxativos quando afirmam pela impossibilidade de tributação dos lucros das empresas controladas, que estejam sediadas em países que firmaram Tratado para evitar a duplatributação com o Brasil, como no presente caso. Vejase o entendimento exarado por aqueles autores: Sustentouse na Solução de Consulta que o art. 74 da MP 2.158/2001 previa a tributação da renda dos sócios brasileiros decorrente de sua participação em empresas domiciliadas no exterior, de forma que a norma interna estaria incidindo em contribuinte brasileiro, não gerando qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. SCHOUERI (2013, p. 74) criticou o posicionamento, explicitando que o raciocínio desenvolvido peca ao não perceber que não é verdade que o art. 7º se limita a proteger do imposto brasileiro as empresas sediadas no exterior, aduzindo que o escopo do art. 7º não é subjetivo (as empresas), mas objetivo (os lucros das empresas). Com efeito, é falso o dilema que examina quem assume o ônus do imposto, posto que a limitação do art. 7º alcança os lucros de uma empresa de um Estado Contratante, pouco interessando, in casu, indagar quem suporta o encargo, seja a empresa estrangeira, seja a nacional, importando que nem uma nem outra estão sujeitas ao imposto brasileiro calculado sobre o lucro da empresa localizada no exterior. Destarte, a opção feita pela tributação da pessoa jurídica brasileira como sujeito passivo da relação jurídica tributária é equivocada, pois o Brasil não teria como exercer sua pretensão arrecadatória diretamente em face do lucro da pessoa jurídica estrangeira. (...) Ao prever a inclusão do lucro real da 'parcela do ajuste do valor do investimento' [previsto na Lei nº 12.973/14], tributase, na verdade, o lucro tranvestido de outro nome para justificar o argumento de que os lucros tributados seriam, de fato, pertencentes à controladora no Brasil e não da controlada no exterior, de modo a afastarse a Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.508 21 incompatibilidade com o art. 7º dos tratados para evitar a dupla tributação. Valeuse o legislador, em deliberada intenção de evitar o conflito entre a tributação prevista para as controladas diretas e indiretas no exterior, e para as coligadas equiparadas às controladas, de nova denominação parcela do ajuste do valor do investimento , mas que em nada altera a sistemática anterior que se resume à tributação do lucro. (GOMES, Marcus Lívio e Pinheiro Renata S. Cunha. A Lei nº 12.973/2014 e os tratados para evitar a dupla tributação da renda. In Estudos Tributários do II Seminário CARF / Confederação Nacional da Indústria; Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; Francisco Marconi de Oliveira, Marcus Lívio Gomes, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Coordenadores. Brasília: CNI, 2017. Págs. 109 e 110). Este argumento também foi enfrentando pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Resp nº 1.325.709, quando o Ministro Relator, Napoleão Nunes Maia, assim se manifestou em seu voto, para afastar a tese da Fazenda Nacional de que se estaria, em verdade, tributando os dividendos fictamente distribuídos: 63 Repitase que a sistemática adotada pela Fazenda Pública, de adicionar o lucro obtido pela empresa controlada no Exterior para cômputo do lucro real da empresa controladora importa na tributação daquele mesmo lucro, em contraste com o disposto nas referidas Convenções Internacionais. Inclusive, não se pode deixar de mencionar que, no citado Resp, julgado pelo STJ, discutiase caso idêntico ao presente e a Corte de Justiça, que tem como uma das funções a de pacificar o entendimento dos demais tribunais brasileiros, proferiu decisão privilegiando o disposto nos Tratados firmados pela República Federativa do Brasil, em detrimento da legislação que determina a tributação do lucros, mesmo que eles não tenham sido disponibilizados (ou o tenham sido "por ficção", nas palavras do agente fiscal). Vejase a ementa do acórdão proferido: RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE. NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL. NÃO PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. IRPJ E CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO 72.542/73), A DINAMARCA (DECRETO 75.106/74) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO 85.051/80). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS. ART. 74, CAPUT DA MP 2.15735/2001. DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. RECURSO Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.509 22 ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGURANÇA, EM PARTE. 1. Afastase a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora recorridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte. 2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusividade, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Apelação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg no AREsp. 113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012. 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.510 23 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicionálos ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.158 35/01) a qual objetivou regular; com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. 10. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput da MP 2.15835/2001, deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. (REsp 1325709/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 20/05/2014) (destacouse) Em que pese o citado precedente do STJ não ter sido proferido na sistemática dos Recursos Repetitivos e, por isso, não ser de aplicação vinculada deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e dos demais órgãos da administração pública, não se pode, data venia, desprezar a interpretação dada pelo Poder Judiciário em caso idêntico ao travado nos autos e, digase, em sentido diametralmente oposto ao que restou decidido no acórdão recorrido, sob pena de tornar completamente inseguras as relações entre fisco e os contribuintes. Neste ponto, vale o alerta feito por Marcus Lívio Gomes e Renata S. Cunha Pinheiro, que, após demonstrarem que a Lei nº 12.973/14 em nada alterou a materialidade tributável estabelecida pela MP 2.15835/2001, que é o lucro auferido pela controlada no exterior, afirmam o seguinte: Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.511 24 A nosso ver, esse ponto é de suma importância dado o cenário que se apresenta, em que o Brasil tem buscado ampliar sua participação nas políticas de combate ao planejamento tributário agressivo capitaneadas pela OCDE já que, se mantido o entendimento de que é possível tributar de forma automática os lucros auferidos pela pessoa jurídica no exterior antes da sua disponibilização à pessoa jurídica brasileira, quando auferido em país com o qual exista tratado para evitar a dupla tributação da renda, será tornar letra morta o disposto no art. 7º de todas as convenções firmadas pelo Brasil, o que torna sua posição no contexto mundial bastante contraditória e controvertida. (GOMES, Marcus Lívio e Pinheiro Renata S. Cunha. A Lei nº 12.973/2014 e os tratados para evitar a dupla tributação da renda. In Estudos Tributários do II Seminário CARF / Confederação Nacional da Indústria; Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; Francisco Marconi de Oliveira, Marcus Lívio Gomes, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Coordenadores. Brasília: CNI, 2017. Pág. 108). (destacouse) E o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, já é acompanhado pelos Tribunais pátrios, como se observa da ementa dos julgados abaixo citadas: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. CONFLITO DE NORMAS. ART. 74, CAPUT, DA MP Nº 2.158 35/2001. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. PREVALÊNCIA DA NORMA VEICULADA NOS TRATADOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA DOS LUCROS NO PAÍS DE DOMICÍLIO. REAVALIAÇÃO POSITIVA DOS INVESTIMENTOS EM CONTROLADAS SITUADAS NO EXTERIOR. NEUTRALIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA FINS FISCAIS. ART. 23, PARÁGRAFO ÚNICO, DO DL Nº 1.598/1977. 1. Em matéria tributária, dispõe o art. 98 do CTN que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. A doutrina adverte quanto à imprecisão técnica do dispositivo, porquanto não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da eficácia da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado (Ricardo Lobo Torres). 2. A despeito da controvérsia no STF sobre a hierarquia normativa entre tratados em matéria tributária e lei interna, a questão se resolve no plano infraconstitucional. As disposições veiculadas nos tratados e convenções internacionais em matéria tributária, após se submeterem ao procedimento previsto no art. 49, inciso I, da CF, passam a integrar o ordenamento jurídico nacional. Eventual antinomia, assim, resolve se pelo princípio da especialidade, prevalecendo o regramento internacional naquilo que conflitar com a norma interna de tributação. A norma interna deixa de ser aplicada na hipótese específica regulada pelo tratado, mas continua válida e aplicável a todas as situações que não envolvem os sujeitos e os elementos de estraneidade definidos no tratado. Ocorre, dessa forma, a suspensão da eficácia da norma interna e não propriamente revogação ou modificação. 3. Entender que a superveniência de norma interna conflitante com o tratado internacional modificaria o regramento a ser aplicado implica Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.512 25 denúncia implícita do acordo, sem a adoção dos procedimentos constitucionais e legais para tanto, desprezando, ademais, os princípios da boafé, da segurança e da cooperação que norteiam as relações internacionais. Em favor da prevalência dos tratados, cabe invocar não somente o art. 98 do CTN, mas também o art. 5º, § 2º, da Constituição Federal e o art. 27 do Decreto nº 7.030/2009, que promulga a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. 4. O Brasil firmou acordos visando a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão fiscal, em matéria de imposto de renda, com a China (Decreto nº 762/1993) e a Itália (Decreto nº 85.985/1981). Ambos oferecem tratamento uniforme à matéria, seguindo o Modelo de Acordo Tributário sobre Renda e Capital da OCDE. O art. 7º dos Tratados adota o princípio da residência no tocante à tributação dos lucros das empresas, estabelecendo a competência exclusiva do país de domicílio da empresa para a tributação de seus lucros. 5. O ponto nodal da controvérsia decorre do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que considera disponibilizados os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, independente de sua efetiva distribuição. 6. Equivocase a Fazenda Nacional ao sustentar que a tributação incide sobre os lucros obtidos por empresa sediada no Brasil, provenientes de fonte situada no exterior, na medida em que refletem positivamente no patrimônio da controladora, valorizando suas ações e demais ativos, pois a reavaliação positiva dos investimentos realizados em empresas controladas situadas no exterior não constitui renda tributável, conforme o disposto no parágrafo único do art. 23 do DL nº 1.598/1977 (na redação vigente até a Lei nº 12.973/2014). A norma do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 em nada alterou o regime fiscal vigorante desde o art. 23 do DL nº 1.598/1977, que estabelece a neutralidade do método da equivalência patrimonial para efeitos fiscais, porque seu resultado positivo, relevante para a contabilidade, não é tributado. 7. Diante do evidente conflito do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, que determina a adição dos lucros obtidos pela empresa controlada no exterior, para o cômputo do lucro real da empresa controladora, na data do balanço no qual tiverem sido apurados, deve prevalecer a norma do art. 7º dos Decretos nº 762/1993 e nº 85.985/1981, a fim de evitar a tributação dos lucros das empresas controladas pela impetrante na China e na Itália. (TRF4, APELREEX 2003.72.01.0000144, PRIMEIRA TURMA, Relator JOEL ILAN PACIORNIK, D.E. 23/09/2015) (destacouse) IRPJ. CSLL. LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NO EXTERIOR. Considerando que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno (conforme disposto no art. 98 do CTN e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca do tema REspº 1.325.709/RJ e REsp 1161467/RS), é descabida a cobrança de IRPJ e de CSLL sobre os lucros auferidos por empresa controlada situada no exterior. (TRF4, AC 2008.71.08.0066980, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, D.E. 21/03/2016) (destacouse) Ademais, em diversas oportunidades, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais enfrentou o tema sobre a tributação de lucro de controladas e coligadas de empresas Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.513 26 brasileira que tenham domicílio no exterior. Vejase, neste sentido, ementa do julgado que se transcreveu parte do voto alhures (Processo administrativo de nº 12897.000193/201011 Acórdão nº 1103001.122): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006 IRPJ LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA DIVIDENDOS FICTOS LUCROS TRATADO ART. 10 OU ART. 7º 1 A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Ademais, o art. 10 do Tratado BrasilHolanda trata dos dividendos pagos, não permitindo que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado. 2 O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as controladas no exterior (entidade transparente ou passthrough entity): considera como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os lucros em dissídio. Isso é considerar auferidos os lucros no exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior. Não é o mesmo que ficção legal: é parecença com a consideração do lucro de grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado BrasilHolanda é norma de bloqueio: define competência exclusiva para tributação dos lucros da sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria simplesmente desconsiderar, no âmbito de tratado, a personalidade jurídica da sociedade residente na Holanda. No mesmo sentido, bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado que as partes honraram respeitar. Intributabilidade com o IRPJ dos lucros em discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado BrasilHolanda. IRPJ, CSLL LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA ADI 2.588 DF No julgamento da ADI 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, reconheceuse a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas não situadas em “paraíso fiscal”. Efeitos do julgamento da ADI 2.588DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no País, desses lucros. CSLL LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA TRATADO Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas na Holanda. MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA PROPORCIONAL Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.514 27 estimativa dos mesmos anoscalendário. (Acórdão nº 1103001.122, sessão de 21/10/2014) Por fim, devese mencionar que deve ser aplicado à CSLL o aqui desenvolvido com relação ao IRPJ. É que o tratado firmado pelo Brasil (modelo OCDE) fala no item 3, do artigo 2 que a "convenção aplicase também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem estabelecidos após a data de sua assinatura, adicionalmente ou em substituição aos impostos mencionados no parágrafo 2.", sendo os impostos que incidem sobre a renda, como é o caso também da CSLL. Sabese que, tecnicamente, a CSLL, por ter o fruto de sua arrecadação uma destinação específica, não pode ser caracterizada como um imposto e sim como uma contribuição. Contudo, ele é substancialmente igual ao Imposto sobre a renda, em todos os seus aspectos de apuração. Ademais, não se pode olvidar que, à época da celebração do Tratado não havia entrado em vigor a Constituição Federal de 1988, que, na interpretação dada pelo STF (vide ADI 447), previu a existência de cinco espécies tributárias passíveis de serem instituídas. A cobrança da CSLL nos moldes hoje exigidos pela União Federal não era possível quando da celebração do tratado. Colocando uma pá de cal acerca dessa discussão, com o objetivo de interpretar a legislação, o artigo 11, da Lei nº 13.202/2015, estipulou, expressamente, que os tratados para evitar dupla tributação englobam também a CSLL. Vejase: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. (destacouse) Neste sentido, por se tratar de uma lei interpretativa, os seus efeitos podem retroagir a fatos pretéritos, mesmo que ocorridos antes da entrada em vigor da legislação, nos exatos termos do comando do artigo 106 do Código Tributário Nacional, que diz que a lei será aplicada a atos e fatos pretéritos, "em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados". Assim, por todo aqui exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado e, por consequência, cancelar integralmente o crédito tributário constituído no Auto de Infração combatido. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Voto Vencedor Embora a habitual consistência da argumentação do ilustre Relator, ousei discordar de seu posicionamento, conforme motivos que já externei em declaração de voto no processo 16643.720059/201315, que abaixo transcrevo. No trato da matéria principal, objeto deste processo, qual seja, o cômputo no cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ de sociedade brasileira dos lucros de controlada no exterior, havendo tratado para evitar bitributação entre os Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.515 28 países, já tive oportunidade de me manifestar quando do julgamento do processo 16682.722750/201610. Naquela oportunidade, primeira em que apreciava o tema, concordei com a tese do ilustre relator, que entendeu que o artigo 7º do tratado entre o Brasil e a Holanda (Convenção modelo OCDE) impedia a incidência do artigo 74 da MP nº 2.15835, de 2001. Dedicandome com maior tempo ao estudo do tema, no entanto, cheguei a conclusão distinta daquela primeira, pelos fundamentos que passo a expor. O Brasil integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organização internacional que visa ao crescimento econômico duradouro, crescimento do comércio mundial, a estabilidade financeira, dentre outros, e que tem uma convenção modelo para impedir a dupla tributação entre estados. Pronunciandose sobre o assunto, o Comitê Fiscal da OCDE assim definiu dupla tributação: O fenômeno da dupla tributação jurídica internacional pode definirse de forma geral como o resultado da percepção de impostos similares em dois – ou mais – Estados, sobre um mesmo contribuinte, pela mesma matéria imponível e por idêntico período de tempo. Assim, dois Estados tributam, grosso modo, o mesmo fato gerador sobre a mesma pessoa jurídica. Nesse sentido há que se diferenciar a dupla tributação jurídica da dupla tributação econômica. Enquanto a primeira impõe dupla tributação a um único contribuinte, a segunda tributa o mesmo rendimento, mas de contribuintes diversos 1 Pois bem, este mesmo Comitê, ao comentar o artigo 1º da convenção padrão assim esclareceu no item 23: “23. A utilização de sociedadesbase também pode ser tratada por meio de disposições que tratem de sociedades controladas no exterior. Um número significativo de países membros e nãomembros atualmente adota essa legislação. Embora o objetivo desse tipo de legislação varie consideravelmente entre os países, uma característica comum dessas normas, agora internacionalmente reconhecidas como instrumento legítimo de proteção da base tributária interna, é que resultam na tributação, pelo Estado Contratante, do rendimento atribuído à participação de seus residentes em certas entidades estrangeiras. Argumentase, por vezes, com base em certa interpretação de disposições da Convenção, como o parágrafo 1 do Artigo 7 e o parágrafo 5 do Artigo 10, que essa característica comum da legislação de controladas estrangeiras entraria em conflito com essas disposições. Pelas razões expostas no parágrafo 14 do Comentário ao Artigo 7 e 37 do Comentário ao Artigo 10, essa interpretação não está de acordo com a redação das disposições. Também não se sustenta quando as disposições são interpretadas em seu contexto. Assim, embora alguns países entendam ser útil esclarecer expressamente, em suas convenções, que a legislação das controladas estrangeiras não entra em conflito com a Convenção, esse esclarecimento não se faz necessário. Admitese que a legislação de controladas estrangeiras estruturada dessa maneira não é contrária às disposições da Convenção. 1 GONTIJO, Danielly Cristina Araújo. Bitributação internacional: as medidas internas e internacionais para evitála ou diminuíla. Conteudo Juridico, BrasiliaDF: 20 dez. 2014. Disponivel em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.51576&seo=1>. Acesso em: 01 nov. 2018. Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.516 29 Portanto, a tributação imposta não é contrária ao acordo, por definição da própria Organização Internacional. Além disso, o Brasil adotou medida interna e unilateral de permitir a compensação do tributo pago no exterior na proporção do valor oferecido à tributação no Brasil, conforme previsto no artigo 26 da Lei nº 9.249, de 1995, o que afastaria qualquer dúvida quanto à inexistência de dupla incidência. Este é o entendimento que tem prevalecido na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê das seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 LUCROS OBTIDOS POR MEIO DE CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre os Tratados Firmados pelo Brasil para evitar a dupla tributação da renda e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. Os Tratados firmados pelo Brasil nessas matérias não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por intermédio de suas controladas no exterior. (Acórdão nº 9101003.617, de 6 de junho de 2018, da 1ª Turma da CSRF) Da mesma forma decidiram os acórdãos 9101003.617 e 9101003.616. Assim, a regra do artigo 74 da citada medida provisória não contradiz ou ofende, em tese, aos tratados para evitar a dupla tributação, motivo pelo qual estou acompanhando a linha adotada pelo douto Relator, alterando meu entendimento sobre o tema. Assim, vencido o posicionamento adotado pelo ilustre Relator, que pugnou pela prevalência do tratado e inaplicabilidade do artigo 72 da MP 2.15835/2001, resta enfrentar os demais argumentos do recurso voluntário, com destaque para o pedido de compensação de saldo negativo do próprio período, assim apresentado: Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.517 30 Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.518 31 Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.519 32 Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 16327.720623/201625 Resolução nº 1302000.649 S1C3T2 Fl. 2.520 33 A Recorrente alega que possui saldo negativo e prejuízo fiscal nos anos calendário de 2011 e 2012 suficientes para absorverem os lançamentos. Da leitura do processo 16327.903462/201441 concluise que há razão suficiente para se determinar a realização de diligência, pois realmente este CARF reconheceu direito creditório da Contribuinte em valor bastante superior ao reconhecido na DRJ, o que empresta verossimilhança às alegações trazidas no recurso. Dito isto, entendo como necessária ao julgamento da lide a manifestação da Unidade de Origem a respeito da existência de saldo de prejuízo fiscal, bem como de saldo negativo de IRPJ e CSLL, todos relativos aos anoscalendário de 2011 e 2012, não utilizados ou restituídos pelo Recorrente, haja vista que apresentou pedido de restituição (e não há notícia se o valor foi ou não efetivamente restituído), nos seguintes termos: a) a Unidade de origem deve proceder à apuração do montante de prejuízo fiscal não utilizado ao final dos anoscalendário de 2011 e 2012, realizando, caso superiores aos considerados no lançamento, a respectiva apuração em relação ao lançamento perpetrado; b) a Unidade de origem deve informar qual o saldo negativo, considerando as decisões deste Conselho, de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2011 e 2012, não utilizados ou restituídos pelo Recorrente; c) as conclusões devem ser apresentadas em relatório conclusivo, do qual se dará ciência ao Recorrente, abrindose prazo de 30 dias para manifestação a respeito. Após o prazo acima referido, com ou sem manifestação da Empresa, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado Fl. 2520DF CARF MF
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