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Numero do processo: 11020.915182/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.915182/200940 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.194 – 1ª Turma Especial Data 06 de março de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente MEINCOL DISTRIBUIDORA DE AÇOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1236.276/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 342 a 347, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação). Assim restou ementado, o acórdão: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 15 18 2/ 20 09 -4 0 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.194 S1TE01 Fl. 3 2 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS NÃO COMPENSADAS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DIREITO INEXISTENTE. Demonstrado que a não homologação de compensação de estimativas mensais, confirmada em decisão desta Turma, converteu em CSLL a pagar o saldo negativo declarado, mantémse o Despacho Decisório recorrido.” Por oportuno, cabe transcrever a ressalva feita pela turma julgadora na parte dispositiva do acórdão: “À DRF/Caxias do Sul/SeortRS, para ciência ao interessado e demais providências necessárias ao cumprimento deste ato decisório, oportunidade em que se observa para a vinculação entre este processo e os de números 11020.901484/200850 e 11020.901485/200802, também julgados nesta Turma (fls.328/341).” (grifos pertencem ao original) No votocondutor explicase: “[...] De acordo com o Despacho Decisório e com a "Análise de Crédito" correspondente (fls.308/309), as parcelas de pagamento foram totalmente confirmadas: R$ 2.025.633,32, enquanto que, das parcelas compensadas, apenas a de RS 101.561,27 o foi. Em decorrência, o saldo negativo de CSLL apurado em 31.12.2004 resultou em CSLL a Pagar (quadro abaixo), e, assim, a compensação declarada não pôde ser homologada: [tabela] Sendo assim, como explicitado no quadro acima, esta lide versa unicamente sobre as parcelas mensais de estimativas nos valores de R$ 100.773,05 e R$ 55.164,93, uma vez que foi o fato de suas compensações não terem sido homologadas o que implicou a inexistência de crédito, já que o alegado saldo negativo foi convertido em saldo de CSLL a pagar. [...] Conforme se lê na citada "Análise de Crédito" (ver quadro 3, em nosso item 3), as sobreditas parcelas cujas compensações não foram homologadas compreendem a estimativa mensal de janeiro de 2004, e foram objeto das Dcomps 33982.79871.130204.1.3.043286 (débito de R$ 100.773,05) e 41619.56572.130204.1.3.049559 (débito de R$ 55.164,93), que não foram homologadas pela autoridade lançadora, conforme Despachos Decisórios n° 775534192 e n° 775534201, de 18.07.2008, respectivamente. Em julgamento de primeira instância, os sobreditos Despachos Decisórios foram mantidos, conforme Acórdãos desta Turma, também desta data, juntados, por cópia, às fls.328/334e 335/341. Pois bem. Em sede da Manifestação de Inconformidade em comento, o interessado se limita a fazer referências ao saldo negativo, não aduzindo razão de defesa àquelas já enfrentadas nos sobreditos Acórdãos, que mantiveram a não homologação das compensações dos débitos de R$ 100.773,05 e R$ 55.164,93, cuja soma corresponde à Fl. 390DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.194 S1TE01 Fl. 4 3 estimativa mensal de janeiro de 2004 (DIPJ às fls.296), conforme quadro 3, em nosso item 3. Assim sendo, mantidas as sobreditas decisões, resulta que não houve apuração de saldo negativo de CSLL em 31.12.2004 (nosso quadro 4), direito creditório aqui alegado, razão pela qual o Despacho Decisório recorrido (fls.7) deve ser mantido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 07/04/11, fls 352; Recurso – 09/05/11, fls. 353) o Recurso de fls. 353 a 365, reiterando os termos da defesa exordial. Em preliminar, que ressalta, requer a juntada de outros processos que refletem diretamente no deslinde deste litígio administrativo, em razão da compensação da estimativa de janeiro de 2004 (nos valores de R$ 100.773,05 e R$ 55.164,93) com o saldo negativo de CSLL apurado em 2003 (objeto de outro processo), ora não admitida e que reverteu o saldo negativo de CSLL pleiteado para CSLL a pagar, consoante acórdão recorrido. Os processos que requer sejam analisados conjuntamente a este são: · 11020.901483/200813 · 11020.901484/200850 · 11020.901485/200802 No mérito, discorre amplamente sobre os outros pedidos de compensação – Per/Dcomp e explicita que a autoridade julgadora a quo não admitiu a conversão do pedido de restituição de estimativas, indevidamente realizado pela empresa, para saldo negativo ao final do anocalendário, no que foi acompanhada pela turma julgadora de primeira instância, gerando o indeferimento da Per/Dcomp objeto destes autos. Segue explicitando os valores registrados contabilmente, segundo balanços de redução e suspensão, e demonstrando os resultados apurados em 2003 e 2004. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial instada pela recorrente, de natureza processual. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art. 102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.194 S1TE01 Fl. 5 4 Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...] .Art. 108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. (grifos não pertencem ao original) A turma julgadora de primeira instância ressalta a flagrante continência entre os processos e registra no votocondutor que o deslinde deste litígio decorreu basicamente das decisões proferidas em outros litígios administrativos, procedendo à juntada dos despachos decisórios e decisões (que proferiu) daqueles a este processo. Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada, nos termos do artigo 104 do CPC. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Apesar das Per/Dcomp não veicularem expressamente o mesmo crédito – saldo negativo de CSLL, relativo a 2004, ou 2003 – observo que a recorrente nos outros processos solicitou a conversão dos pedidos de “restituição de estimativas relativas a 2004” para “saldo negativo de 2004”, requerendo, na verdade, o mesmo crédito objeto deste processo, matéria ainda suscetível de apreciação em segunda instância de julgamento. Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data, verifico que os processos administrativos acima discriminados estão na tarefa “para distribuição/sorteio” neste órgão colegiado. Dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] Fl. 392DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.194 S1TE01 Fl. 6 5 § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) Destarte, pelo exposto, acolho a prejudicial suscitada pela recorrente e decido o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a realização das seguintes diligências : a) pela juntada dos processos consoante requerido, para o fim de serem analisados e apreciados por este órgão colegiado concomitantemente; b) antes do retorno dos processos, deverão ser encaminhados à autoridade fiscal para intimar a recorrente a apresentar a contabilidade completa e verificar SE: b.1) os registros contábeis escriturados à época dos fatos consignou as estimativas CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, nos valores acusados pela recorrente; b.2) se procedem as argüições da recorrente sobre a apuração dos valores dos saldos negativos de CSLL, relativos aos referidos anoscalendários; b.3) há outros processos cujos objetos são Per/Dcomp que veiculem créditos de estimativas/saldo negativo CSLL, nos anos em questão, além dos já identificados. A autoridade fiscal deverá elaborar um Relatório Fiscal indicando os saldos negativos dos anoscalendário de 2003 e 2004, bem como os valores das estimativas recolhidas/compensadas admissíveis, consoante auditoria,, e dar ciência à recorrente dos resultados das diligências, facultandolhe prazo regulamentar para manifestarse a respeito destes, se assim o desejar. Após, retornem os autos a esta Conselheira para a decisão dos litígios. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 393DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000850/2009-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 14/09/2004 a 18/08/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
Numero da decisão: 3403-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso apresentado, por intempestividade.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 14/09/2004 a 18/08/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 920 1 919 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000850/200956 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.920 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria IPICRÉDITO PRÊMIO Recorrente COMPANHIA MINUANO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 14/09/2004 a 18/08/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso apresentado, por intempestividade. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 08 50 /2 00 9- 56 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente processo sobre apuração, em sede de liquidação administrativa, do valor do créditoprêmio de IPI oriundo da ação ordinária no 87.00013544, no período de outubro de 1982 a junho de 1983, e sobre análise das DCOMP transmitidas pela empresa no período de agosto de 2004 a agosto de 2009, vinculadas a tal crédito, habilitado no processo administrativo no 13005.001087/200557. Analisandose o Parecer DRF/SCS/RS/SACAT no 17/2006 (fls. 16 a 201), emitido no processo de habilitação, percebese que o mesmo créditoprêmio (decorrente da ação ordinária no 87.00013544) foi declarado em pedido de ressarcimento datado de 18/8/2000, no processo administrativo no 13052.000281/0038. Tal processo transitou em julgado administrativamente, reconhecendo o direito ao créditoprêmio até a data de 30/6/1983, sem adentrar o mérito da liquidez, a ser verificada pela unidade local da RFB. O Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT no 245, de 26/8/2009 (fl. 88), alicerçado no Parecer DRF/SCS/SAORT no 120, de 26/8/2009 (fls. 79 a 87), quantifica em zero o crédito prêmio de IPI, por falta de alíquota a aplicar sobre a base de cálculo (ainda não detalhada) em produtos não tributados, não homologando as compensações. A sentença judicial datada de 15/2/1990, em seu dispositivo, condena a União a aceitar o registro do créditoprêmio, sendo que em 16/12/2005 decidese monocraticamente nos autos da ação judicial que a decisão teve cunho declaratório, não havendo nada a executar judicialmente, devendo o procedimento para liquidação do crédito ser administrativo. Interposto agravo, este foi aceito tãosomente para prosseguimento da execução em relação à verba honorária, não tendo prosperado os recursos apresentados pela empresa em instâncias judicias superiores em relação à matéria. Cientificada da decisão da unidade local da RFB em 1/9/2009 (fl. 89), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 29/9/2009 (fls. 736 a 749), alegando que: a) houve decadência em relação a competências anteriores a agosto de 2004 (ultrapassado o prazo do art. 173 do CTN); b) houve violação aos princípios constitucionais da segurança jurídica, do devido processo legal e ao trânsito em julgado; e c) a alíquota aplicável é de 15%, tendo havido interpretação equivocada por parte do Fisco de que o Decreto no 64.833/1969 poderia ser alterado por outros decretos, como o de no 68.044/1971. Em 19/11/2009, a DRJ acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade (Acórdão 1022.473 fls. 765 a 767), afirmando que: a) se os produtos exportados eram, na data de sua exportação, classificados na TIPI como não tributados (NT), não há alíquota a ser aplicada sobre o valor FOB da exportação, pelo que não há crédito com base no benefício fiscal; b) não houve decadência, face ao disposto no art. 74, § 5o da Lei no 9.430/1996; e c) a decisão recorrida busca exatamente o cumprimento da coisa julgada, não violando princípios constitucionais, visto que a ação ordinária, como informa o próprio juízo, não é executável judicialmente, cabendo à Administração a liquidação do crédito. A DRJ julga na mesma data o processo administrativo no 13005.001398/200869 (Acórdão 1022.472 fls. 768 e 770), esclarecendo que “a motivação do não reconhecimento do crédito neste processo é a mesma daquele, qual seja, o valor do créditoprêmio reconhecido em sentença declaratória teve quantificação igual a zero, uma vez classificados os produtos exportados na posição NT”. À fl. 771 consta AR atestando a ciência do Acórdão 1022.473, referente ao presente processo, em 2/12/2009. Não interposto recurso voluntário no prazo de 30 dias, o processo foi encaminhado para cobrança (fl. 773) em 20/1/2010. Emitiuse então a Carta Cobrança no 494/2010, da qual a empresa foi cientificada em 12/3/2010, conforme AR de fl. 789. 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 921DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13005.000850/200956 Acórdão n.º 3403001.920 S3C4T3 Fl. 921 3 Em 31/3/2010 (fls. 790 e 791), a empresa informa que “aderiu à Medida Provisória n. 470/09”, com inclusão parcial do presente processo. Para tanto, protocolizou em 30/11/2009 “Requerimento de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo” cf. Anexo III da Portaria Conjunta PGFN/RFB no 9, de 30/10/2009 (o documento se encontra à fl. 807). Alega ainda que a Carta Cobrança desconsiderou que o montante de R$ 5.380.956,57 foi liquidado nos termos da citada Medida Provisória. A empresa complementa informando que reconheceu a inexistência do créditoprêmio do IPI no posterior a 5/10/1990, na forma decidida pelo STF nos RE no 561.485 e 577.348, e que isso traz reflexos em relação ao montante exigido na Carta Cobrança. Em 5/4/2010 é enviado a este CARF o Recurso Voluntário de fls. 864 a 878, datado de 30/3/2010, em cumprimento ao disposto no art. 35 do Decreto no 70.235/1972. No Recurso Voluntário, a empresa sustenta a tempestividade do recurso afirmando que não houve intimação pessoal, sendo que nenhum dos diretores (ou pessoa com poderes de gestão sobre a companhia) foi intimado da decisão da DRJ, e que o STJ já sumulou a obrigatoriedade do Aviso de Recebimento no caso de citação pela via postal. Reitera ainda a informação de adesão ao disposto na Medida Provisória no 470/2009, com desistência parcial do recurso em relação ao presente processo (reconhecendo a inexistência do créditoprêmio do IPI no posterior a 5/10/1990). Complementa afirmando que a adesão ocorreu em 30/11/2009, tendo a decisão da DRJ sido entregue em 2/12/2009, conforme AR nos autos. Acrescenta a recorrente que como consequência da adesão, e considerandose o crédito indevido, a tributação pelo IRPJ e CSLL gerada pelo seu reconhecimento também é indevida, tornandose nula a compensação realizada (com a consequente “perda de objeto do presente processo em relação ao IRPJ e CSLL declarados como devidos no anobase de 2006 e compensados com o incentivo setorial [...] originado no período posterior a 1990, que foi revertido em razão da adesão à Medida Provisória no 470, de 13/10/2009”). Quanto ao saldo remanescente (que alega ser de R$ 10.133.814,16 a título de principal), informa persistir o contencioso administrativo, mantendo a empresa o entendimento de que houve violação aos princípios constitucionais da segurança jurídica, do devido processo legal e ao trânsito em julgado, e de que a alíquota aplicável é de 15%, tendo havido interpretação equivocada por parte do Fisco de que o Decreto no 64.833/1969 poderia ser alterado por outros decretos, como o de no 68.044/1971. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Diante da apontada intempestividade do Recurso Voluntário, é de se empreender preliminarmente a análise da justificativa apresentada pela empresa. Dispõe o art. 23 do Decreto no 70.235/1972: “Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2o Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)” A decisão de primeira instância foi encaminhada para o endereço correspondente ao domicílio do sujeito passivo que consta no cadastro da RFB (Av. Senador Alberto Pasqualini, no 1535 São Cristóvão, Lajeado/RS), endereço esse confirmado por toda a documentação carreada ao processo (inclusive a anexada pela recorrente), tendo sido recebida a correspondência (contendo o Acórdão DRJ no 1022.473, referente ao presente processo) em 2/12/2009, conforme Aviso de Recebimento de fl. 771. O fato de a pessoa que assina o recebimento não ser diretora ou representante legal da empresa não macula a ciência, sendo o tema já sumulado no âmbito deste CARF: “Súmula CARF no 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” O Decreto no 70.235/1972 estabelece ainda em seus arts. 33 e 35 que: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” No caso em apreço, a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 2/12/2009 (AR à fl. 771), sendo o Recurso Voluntário (fls. 864 a 878) datado de 30/3/2010, com envio a este CARF em 5/4/2010. É de se destacar que a apresentação do recurso voluntário é posterior, inclusive, à ciência da Carta Cobrança no 494/2010 (enviada ao mesmo endereço da correspondência anterior), relativa ao processo, conforme AR de fl. 789 (com data de recebimento de 12/3/2010). Fl. 923DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13005.000850/200956 Acórdão n.º 3403001.920 S3C4T3 Fl. 922 5 Indiscutível, assim, a configuração da perempção, pelo que se vota por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 924DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10768.720427/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.155
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Redatora designada. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo da Costa Possas. Designada para redigir a Resolução a conselheira Andréa Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado Danillo José Souto Vita, OAB/PB 14.548.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Redatora designada. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo da Costa Possas. Designada para redigir a Resolução a conselheira Andréa Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente, o advogado Danillo José Souto Vita, OAB/PB 14.548. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente [assinado digitalmente] José Adão Vitorino de Morais – Relator [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Redatora designada. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède, Antônio Lisboa Cardoso e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de Cofins, vencido em 15/09/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 05/09, com crédito Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 354 2 financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição referente à competência de maio de 2003, recolhida em 13/06/2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito tributário declarado sob o argumento de inexistência do alegado pagamento a maior que gerou o indébito declarado, como crédito financeiro, na Dcomp em discussão, conforme Relatório de Diligência Fiscal às fls. 63/70 e Parecer/Despacho Decisório às fls. 72/79. Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 90/105), insistindo na homologação da compensação do débito tributário declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) No que tange à gasolina, não foram consideradas as deduções do produto 623 (gasolina de aviação), tributada à alíquota de 3% (art. 4º, incisos I c/c IV da Lei 9.718/98); b) No que tange ao Diesel, não foi deduzido o valor relativo à revenda REPAR de monofásico da REFAP (o tributo foi pago pela REFAP e só incide uma vez) – doc 3; c) No que tange ao GLP, não foi deduzido o valor relativo ao propano/butano; d) No que tange ao Querosene de Aviação, não foi deduzido o valor relativo a exportações; e) Não há desconformidade com relação aos demais produtos – alíquota de incidência de 3%; f) A variação cambial positiva é, na realidade, ajuste de valor contabilizado anteriormente, não representando aumento do patrimônio ou ingresso de novas receitas, razão pela qual não poderia ser tributada pela Cofins; g) O procedimento adotado na apuração da Cofins encontra respaldo na própria Lei nº 9. 8718/98, no inciso II do § 2º do artigo 3º e no § 1º do art. 3º; h) A doutrina é uníssona no que tange à impossibilidade de se tributar a variação cambial. Também a jurisprudência administrativa se manifesta nesse sentido; i) O STJ apresenta diversos julgados que reforçam o entendimento do contribuinte, o que não foge do entendimento dos Tribunais Regionais Federais; j) O acréscimo dos valores relativos a variações cambiais terceiros – venda e variações cambiais controladora decorrem de exportação, em relação a qual há imunidade. Há entendimento consolidado pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ; k) O STF já se manifestou sobre esse tema ao considerar no RE 357950/RS a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 que ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. O referido precedente, nos termos do que dispõe o art. 26A, § Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 355 3 6º, I do Decreto 70.2335/72, deve ser observado de modo a que se afaste da base de cálculo da Cofins a receita oriunda de variação cambial; l) Apresenta planilha demonstrando o crédito apurado; m) O Fisco retificou o valor da CIDE com base na DIPJ, o que não procede, pois esta não permite retificação e não apresenta o valor mais atualizado, o que é veiculado pela última DCTF retificadora, enviada em 19/05/2005, bem como demonstrado na planilha em anexo; n) Do valor da Cofins devida deve ser abatido o valor referente a CIDEcombustíveis, além do pagamento feito via Per/Dcomp (doc. 5) e os valores recolhidos em DARF o que nos leva a concluir que o crédito de Cofins equivale a RR 5.913.406,22.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente em parte, fazendo apenas um ajuste em “Outras Receitas”, excluindo destas os valores incluídos de ofício pela Fiscalização, mantendose apenas nesta rubrica os valores declarados pela recorrente. Contudo, manteve a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 1333.446, datado de 17/02/2011, às fls. 161/172, sob as seguintes ementas: “IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. GLP. O regime especial de tributação concentrada incidente na comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) alcança também a receita de venda de propano e butano desde a edição da Lei 9.990/2000, que de nova redação ao art. 4º, III, da Lei nº 9.718/1998. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se refira fato ou a direito superveniente ou destine a contrapor fato ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 356 4 Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (177/191), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, erro no preenchimento da DCTF e que os documentos, ora anexados, notas fiscais de venda de gasolina de aviação (623), no valor de R$10.372.820,00; notas fiscais de venda do produto 614 (propeno), erroneamente chamado propano e butano, no valor de R$71.014.266,67; e, notas fiscais de venda, em regime monofásico, de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, comprovam tais operações e sua tributação pela Cofins sob o regime normal, ou seja, à alíquota de 3,0%, e, portanto, devem ser excluídas da base de calculo tributada a alíquotas diferenciadas. Alegou, ainda, erro no valor da CIDE deduzida; foi deduzido o valor de R$644.523.611,17, quando o correto é valor de R$658.383.478,17, conforme consta da DCTF retificadora 30.41.80.25.51, transmitida em 19/05/2005, e planilha juntada a este recurso. Levandose em conta essas operações, resulta indébito (pagamento a maior), para o mês de maio de 2003, no valor de R$5.913.406,22, suficiente para homologar a compensação do débito declarado na Dcomp em discussão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A questão de mérito se restringe à comprovação de erro no valor da contribuição da Cofins apurada e declarada para o mês de maio de 2003 e no valor da CIDE deduzida esta contribuição. Em seu recurso voluntário, a recorrente alega que as receitas decorrentes de vendas de: a) gasolina de aviação, no valor R$10.372.820,00; b) de propeno (código 614), no valor de R$71.014.266,67; e, c) de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, foram incluídas, de forma indevida, na base de cálculo da Cofins sujeita à tributação diferenciada, quando, segundo a legislação desta contribuição, a gasolina de aviação e o propeno estão sujeitas à alíquota normal de 3,0 % e o óleo diesel, no presente caso, à tributação monofásica; e, ainda, a erro no valor da CIDE dedução, naquele mês, cujo valor inicialmente declarado foi de R$644.523.611,17, quando o correto seria o valor de R$658.383.478,17. A autoridade julgadora de primeira instância não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão única e exclusivamente sob o argumento de que a recorrente não provou as vendas daqueles produtos. Para comprovar os alegados erros, a recorrente carreou aos autos, nesta fase recursal, a documentação às fls. 258/386. Do seu exame, verificase que as cópias das notas fiscais às fls. 258/268 comprovam as operações de vendas de gasolina de aviação, no valor de R$9.961.143,40; as cópias das notas fiscais às fls. 269/379 comprovam a venda de propeno, no valor R$71.014.266,67; e as cópias das notas fiscais às fls. 380/385 a venda de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 357 5 Segundo o disposto na Lei nº 9.718, de 27/11/1998, arts. 2º e 3º, a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal correspondente à receita operacional bruta. Já em seu art. 8º, elevou a sua alíquota de cálculo para o percentual de três por cento. Esta mesma lei estabeleceu tributação diferenciada para receitas decorrentes de algumas operações econômicas, dentre elas as de gasolina automotiva e gás liquefeito de petróleo, assim dispondo: “Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo – GLP. Art. 6º O disposto no art. 4º desta Lei aplicase, também, aos demais produtores e importadores dos produtos ali referidos.” Já IN SRF nº 247, de 22/11/2002, assim dispôs: “Art. 53. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins fixadas para refinarias de petróleo, demais produtores e importadores de combustíveis são, respectivamente, de: I – 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) e 12,45% (doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – 2,23% (dois inteiros e vinte e três centésimos por cento) e 10,29% (dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – 2,56% (dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento) e 11,84% (onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo; (...); V – 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente das demais atividades. (...). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 358 6 Parágrafo único. O gás liquefeito de petróleo de que trata o inciso III abrange os códigos 2711.12.10, 2711.12.90, 2711.13.00, 2711.14.00, 2711.19.10 e 2711.19.90 da Tipi.” Segundo estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas de gasolina de aviação estão sujeitas à tributação pelo regime geral, à alíquota de 3,0 %. Já os gases liquefeitos de petróleo estão sujeitos à tributação diferenciada. Contudo, o parágrafo único do art. 53 da IN 247/2002, citado e transcrito acima limitou a abrangência dos gases liquefeitos de petróleo aos códigos nele elencados e, dentre eles, não foi elencado o gás propeno, código 2901.22.00, principal matéria prima de produção de plásticos, e não para combustível como os demais. Já óleo diesel foi submetido ao regime monofásico, à alíquota de 10,29%. Assim, assiste razão à recorrente, devendo ser excluídas as receitas de gasolina de aviação, de propeno e de óleo diesel, regime monofásico, nos valores de R$9.961.143,40; R$71.014.266,67; e R$3.872.814,67, respectivamente, das receitas totais da gasolina automotiva, do GLP, e do óleo diesel, tributando os dois primeiros valores pela alíquota de 3,0 %, regime geral, e não tributando o último valor. Quanto ao alegado erro no valor da CIDE deduzida da Cofins, a recorrente alega que o valor correto é R$658.383.478,17 e não os R$644.523.611,77, considerados pela DRF e que fora informado e apurado pela própria recorrente por meio da planilha às fls. 39, denominada “Apuração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustíveis”. A autoridade julgadora de primeira instância não aceitou a retificação do valor da CIDE sob o fundamento de que o valor deduzido foi apurado pela própria recorrente por meio da planilha às fls. 39 e, na manifestação de inconformidade, embora tenha apresentado nova planilha, não justificou nem apresentou documentos comprovando o erro alegado, se limitando a informar que retificou a DCTF e, ainda, que o erro teria decorrido do fato de a CIDE ter sido calculada a cada emissão de nota fiscal (a cada faturamento) e o recálculo feito pelo montante do faturamento do mês. No recurso voluntário, apresentou quadro contendo valores da DCTF (fls. 186) e quadro do cálculo da CIDE (fls. 188), sem, contudo, apresentar memória de cálculo e cópia dos documentos fiscais e contábeis que provariam tais valores. Como foi a própria recorrente que elaborou e apresentou a planilha às fls. 39, demonstrando o valor da CIDE deduzida da Cofins, com o objetivo de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, o ônus de provar erro nos valores constantes daquela planilha e, conseqüentemente, na apuração do seu valor é dela e não Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/01/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...); Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 359 7 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Ao contrário do entendimento da recorrente, a Secretaria da Receita Federal não dispõe de documentos hábeis (notas fiscais, livro registro de saídas de mercadorias, contas de resultado do Razão) que lhe permitiriam comprovar o alegado erro na apuração da CIDE. Dessa forma, não tendo a recorrente apresentado documentos comprovando o alegado erro no valor da CIDE inicialmente declarado, rejeitase sua retificação. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção, nos termos da Lei nº 9.730, de 27/12/1996, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a liquidez e certeza de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Dessa forma, reconhecido a liquidez e certeza de parte do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, a compensação do débito declarado deve homologada até o limite do crédito financeiro a que a recorrente faz jus. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automotiva, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0 %; b) da do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; e, c) da do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29 %, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar novo valor para a Cofins, para a competência de maio de 2003, e, conseqüentemente, o indébito tributário decorrente da tributação, ora determinada para aquelas receitas, ou seja, de gasolina de aviação e de propeno, e, ainda, homologar a compensação do débito fiscal declarado na Dcomp em discussão até o limite do crédito financeiro apurado, acrescido de juros compensatórios, à taxa Selic, exigindo se o saldo devedor não extinto pela homologação. [assinado digitalmente] José Adão Vitorino de Morais – Relator Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega, dentre outras matérias de defesa, que teria ocorrido um erro na apuração do valor da CIDE a ser deduzida da COFINS, pois, no seu entender, o valor correto seria de R$ 658.383.478,17, nos termos da Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10768.720427/200794 Resolução n.º 3301000.155 S3TE03 Fl. 360 8 DCTF retificadora transmitida antes da DCOMP, e não de R$ 644.523.611,77, considerados pela DRF. A autoridade julgadora de primeira instância, todavia, não aceitou a retificação do valor da CIDE sob o fundamento de que o valor deduzido foi apurado pela própria recorrente por meio da planilha às fls. 39. E que, embora tenha apresentado nova planilha com o valor indicado na DCTF retificadora, não justificou o erro alegado. Ocorre que, diferentemente do defendido pela autoridade julgadora, ambos os valores relativos à CIDE R$ 644.523.611,77 e R$ 658.383.478,17 resultaram de planilhas apresentadas pelo próprio contribuinte, as quais, ressaltese, refletem os valores constituídos em DCTF e DCTF retificadora, respectivamente. A circunstância de a contribuinte ter se equivocado e apresentado primeiramente à fiscalização planilha que reflete o valor da DCTF original e, percebendo seu equívoco, apresentado posteriormente nova planilha, agora sim, refletindo o valor da DCTF retificadora não é suficiente para não analisar a DCTF retificadora e, como conseqüência, a apuração da CIDE que o contribuinte entende correta. Tecidos estes comentários, resta evidente que a documentação trazida pela Recorrente deveria ter sido analisada. Neste contexto, verificando a existência nos autos de indícios de que efetivamente ocorreu um erro na apuração do valor da CIDE a ser deduzida da COFINS, o que possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se está correto o valor indicado pela Recorrente como valor da CIDE a ser deduzida da COFINS na DCTf retificadora (R$ 658.383.478,17). [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 13642.000484/2008-49
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE RECIBOS E DECLARAÇÕES.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações comprobatórios da efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Numero da decisão: 2802-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE RECIBOS E DECLARAÇÕES. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações comprobatórios da efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
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COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE RECIBOS E DECLARAÇÕES. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações comprobatórios da efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 28/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 00 04 84 /2 00 8- 49 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Versam os presentes autos sobre Notificação de Lançamento — IRPF de fls. 20 a 26, decorrente da glosa de dedução indevida de despesas médicas não comprovadas, no valor de R$ 18.100,00, por falta de comprovação efetiva dos pagamentos realizados. Apreciada Impugnação de fls. 1/10, instruída com declarações fornecidas pelos profissionais de fls. 13 a 15, a decisão da 1ª instância (fls. 97 a 101), manteve em parte o lançamento, para manter a glosa da dedução a titulo despesas médicas cujo pagamento não teria sido suficientemente comprovado, no montante de R$ 16.400,00, nos seguintes termos a seguir relacionados: Grace Mara G. Pires, no valor de R$ 9.150,00 (R$ 10.100,00 R$ 950,00 acatado pela DRJ); Breno Maldonado de Oliveira, no valor de R$ 1.750,00 (R$ 4.500,00 R$ 750,00 acatado pela DRJ), e; Miroslava Jardim Paixão, no valor de R$ 3.500,00. Nas razões de Voluntário (fls. 36/38), o Recorrente reitera a suficiência dos recibos, cuja legitimidade foi posteriormente confirmada mediante declaração dos profissionais prestadores, suficientes para comprovação dos gastos e da correspondente dedutibilidade dos dispêndios com tratamento próprio de saúde e dos seus dependentes. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e interposto por parte legítima, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe com a Impugnação recibos comprobatórios de despesas médicas (fls. 50 a 57) que acompanhados pelas declarações de fls. 13 a 15, em meu entendimento, são suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Isso porque, nos recibos e nas declarações apresentadas, lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e descrição do tratamento e do beneficiário (o próprio Recorrente e sua cônjuge); ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante. Nesse sentido já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Ademais, é de se ressaltar que a DRJ nada falou sobre a acusação inicial de insuficiência de recursos para o pagamento das respectivas despesas, portanto, o litígio recursal Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13642.000484/200849 Acórdão n.º 2802001.986 S2TE02 Fl. 121 3 nada poderia tratar sobre essa acusação, não sendo necessário, portanto, tratar desse ponto no presente voto. Ante o exposto, conheço e no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19647.004265/2005-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.261
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 3 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 62 a 65): Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, constante do PER/DCOMP nº 11035.67379.140704.1.3.042073 (fls. 01 a 05), apresentado pela contribuinte, para fins de compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, a título de estimativa mensal (código 2362), mês de novembro de 2002, no valor original de R$ 417.911,43, com débito da COFINS, período de apuração junho de 2004, no valor de R$ 544.413,22 (fl. 04). Por meio do Despacho Decisório à fl. 12, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife, aprovando proposta contida no Relatório de Informação Fiscal às fls. 08 a 09, NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada mediante PER/DCOMP acima mencionado, DETERMINANDO, ainda, a cobrança do débito cuja compensação declarada foi considerada indevida pela inexistência de crédito. Consta do citado Relatório (fls. 08/09) que, de acordo com o que preceitua o artigo 10 da IN/SRF/nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo do IRPJ. Sendo assim, concluiu a autoridade fiscal que o valor alegado como sendo de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação – DCOMP de natureza de “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR”, para compensação de débitos. A ciência, pela contribuinte, do Despacho Decisório de fl. 12 ocorreu em 27/04/2007, através do Termo de Ciência de fls. 16/17. Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 19 a 31 (juntamente com documentação de fls. 32 a 58), onde, inicialmente, afirma que, em outubro de 2006, recebeu autos de infração de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações (sic), que deram origem ao processo administrativo nº 19647.009690/200699 e que, entre tais infrações, constavam dos itens 6 e 7, respectivamente, “deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas” e “imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e CSLL por estimativa mensal”. Adita que as mencionadas exigências não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa da empresa autuada. Em seguida, a contribuinte alega que, em março de 2007, foi intimada pela DRF/Recife, mediante Relatório de Informação Fiscal, onde os auditores responsáveis informam que tomaram conhecimento da Solução de Consulta Interna nº 18, de 2006, que prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por ocasião da fiscalização e, por essa razão, alguns valores foram excluídos do processo nº 19647.009690/200699, passando a ser tratados em processos específicos e objeto de cobrança espontânea, entre os quais o presente processo de compensação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 4 4 Feitas as considerações acima, a contribuinte se insurge contra a decisão da autoridade administrativa, nos seguintes termos: I – Previsão do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 não tem amparo em lei Segundo a contribuinte, o artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 estabelece restrição à restituição e/ou compensação que a Lei nº 9.430/1996 não prevê. Transcreve, nesse sentido, redação do artigo 74 da citada Lei, dada pela Lei nº 10.637/2002, dispositivo que faculta ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive judicial transitado em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, sua utilização na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo Órgão. Assim, entende que, se foi apurado crédito fiscal, o que ocorre quando há recolhimento indevido ou a maior de tributo, o mesmo pode ser utilizado para compensar seus próprios débitos fiscais. Em seguida, afirma que o mesmo artigo 74, em seu § 3º, prevê os casos em que a compensação não poderia ser realizada e no § 12 estão relacionadas as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada. Entretanto, argumenta, o citado dispositivo não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos, não podendo a Receita Federal criar restrições e proibições não previstas em lei. Alega que o fato de o citado artigo 74 estabelecer, em seu § 14, que cabe à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto no mesmo artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação, não significa permitir restrição ou vedação de direitos, mas apenas estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Com relação ao IRPJ e à CSLL, manifesta seu entendimento de que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido, com base em tais regras, configurase a situação de recolhimento indevido ou a maior. Reportase ao IRRF, argumentando que, como a retenção ocorre independentemente do total do lucro apurado no período (estimado, real ou presumido), poderá ocorrer que o imposto retido supere o valor efetivamente devido com base no lucro apurado. A contribuinte afirma que o artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 não poderia ter estabelecido restrição ao direito de compensação que já não estivesse prevista em lei e que, apenas por tal razão, o Despacho Decisório de fl. 12 deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação declarada. II – Quando das compensações realizadas pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 ainda não existia. A contribuinte afirma que, ainda que o questionamento anterior venha a ser superado, o Despacho Decisório de fl. 12 deve ser reformado, pois, quando da formalização da declaração de compensação, não existia a regra estabelecida no já mencionado artigo 10. Alega que a regra contida no citado artigo é a mesma estabelecida no artigo 10 da IN/SRF nº 460, de 18/10/2004 (mas não contida nas revogadas IN/SRF nº 210/2002 e IN/SRF nº 21/1997, publicadas anteriormente). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 5 5 Prossegue a interessada afirmando que, ao decidir pela não homologação da compensação declarada em 14/07/2004 (fl. 01), portanto, anteriormente à restrição contida nas IN/SRF nº 460/2004 e IN/SRF nº 600/2005 (artigo 10, em ambos os casos), a autoridade administrativa aplicou retroativamente dispositivo restritivo ao direito da empresa, afrontando as disposições contidas no artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal e nos artigos 103, 106 e 146 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), cujas redações se encontram reproduzidas às fls. 24/25. Com as considerações acima, a contribuinte conclui que a aplicação retroativa do artigo 10 da IN/SRF nº 600, pela autoridade administrativa, contraria a legislação tributária, entendendo que tal razão, por si só, já seria suficiente para que fosse reformado o Despacho de fl. 12, homologandose, em decorrência, a compensação declarada mediante PER/DCOMP de fls. 01/05. III – Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de novembro de 2002, recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. A contribuinte afirma que, mesmo que se pudesse discordar de todas as razões expostas acima, haveria mais um motivo para que se desse provimento a sua manifestação de inconformidade, homologandose a compensação realizada. Segundo a interessada, chegase à conclusão, a partir dos termos do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005, de que o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do anocalendário somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, de onde conclui que, no máximo, haveria um problema de inobservância de exercício em que o IRPJ de novembro de 2002, recolhido a maior, transformarseia em saldo negativo de IRPJ, passível de compensação com qualquer tributo, a partir do final do ano de 2002. Em seguida, a contribuinte, sob o argumento de que o Despacho Decisório não contém qualquer fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico (sic), alega que, possivelmente, a DRF/Recife julgasse que, ao final do ano calendário, a contribuinte teria saldo negativo de IRPJ inferior ao declarado e que, portanto, o referido órgão teria concluído, em razão do auto de infração lavrado, constante do processo nº 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte, sucedida pela TIM Nordeste S/A, foi considerada indedutível. Feitas essas considerações, a contribuinte manifesta seu entendimento no sentido de que, se a decisão a ser prolatada nos autos do mencionado processo for pelo cancelamento do auto de infração, o provimento da manifestação de inconformidade no presente processo (19647.004265/200522) será imperativo. IV – Indevida revisão de lançamento. Sob outro enfoque, a contribuinte questiona os termos em que foi efetuada a revisão do lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELPE Celular S/A), constante do processo nº 19647.009690/200699. Segundo a contribuinte, o novo valor total exigido por intermédio dos vinte e cinco despachos decisórios por ela recebidos é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício havida nos autos do processo administrativo nº 19647.009690/200699. Conclui, dessa forma, ter havido uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado, que não se coaduna com o que estabelecem os artigos 145 a 149 do CTN (redação do artigo 145 e seus incisos, à fl. 28). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 6 6 A contribuinte afirma que, assim agindo, a autoridade administrativa, ao rever seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que uma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Adita que, ao adotar entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil contido na Solução de Consulta Interna nº 18, de 13/10/2006, posterior aos autos de infração lavrados em 09/10/2006, a autoridade administrativa introduz modificação nos critérios jurídicos por ocasião do lançamento, atentando contra o disposto no artigo 146 do CTN, segundo o qual é vedada a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento da exigência fiscal. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja reformado o Despacho Decisório ora contestado, para que a compensação seja integralmente homologada, com base nos argumentos já expostos e sintetizados como a seguir: a) a previsão do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 não tem amparo em lei; b) quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF nº 600/2005 ainda não existia; c) se a compensação do IRPJ de novembro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais; d) o Despacho Decisório de fl. 12 é fruto de uma revisão de ofício de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela autoridade administrativa), o que configura violação ao artigo 149 do CTN. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÃO DOS JULGADORES. O julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. IRPJ/CSLL LUCRO REAL ANUAL PAGAMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto ou contribuição social com base em estimativa mensal deve apurar seus resultados ao final do ano calendário, ocasião em que, caso venha a constatar a existência de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, nasce o direito de requerer a restituição do referido saldo ou proceder a sua compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação de regência. INSTRUÇÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO. A orientação contida em instrução normativa se aplica a fatos ocorridos anteriormente a sua vigência quando dispõe sobre procedimento compatível com diploma legal em vigor à época de ocorrência desses fatos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFICÁCIA A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 7 7 Solicitação Indeferida 3. Cientificada da referida decisão, a tempo, reitera a Recorrente os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. O Despacho Decisório de fls. 12 não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 5. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 6. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19647.004265/200522 Acórdão n.º 180301.261 S1TE03 Fl. 9 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10936.000002/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003
MULTA. RETIFICAÇÃO DE DI APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO.
A exigência de comunicação ao órgão responsável pela expedição de Licença de Importação, antes de proceder a retificação da Declaração de Importação, mostra-se imprescindível quando há alterações substanciais na operação de importação, não sendo o caso de mera retificação unidade de medida de tonelada para quilograma.
Incabível a aplicação da multa prevista no artigo 626, inciso II, do RA/2002.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003 MULTA. RETIFICAÇÃO DE DI APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A exigência de comunicação ao órgão responsável pela expedição de Licença de Importação, antes de proceder a retificação da Declaração de Importação, mostra-se imprescindível quando há alterações substanciais na operação de importação, não sendo o caso de mera retificação unidade de medida de tonelada para quilograma. Incabível a aplicação da multa prevista no artigo 626, inciso II, do RA/2002. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/04/2003 a 25/11/2003 MULTA. RETIFICAÇÃO DE DI APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A exigência de comunicação ao órgão responsável pela expedição de Licença de Importação, antes de proceder a retificação da Declaração de Importação, mostrase imprescindível quando há alterações substanciais na operação de importação, não sendo o caso de mera retificação unidade de medida de tonelada para quilograma. Incabível a aplicação da multa prevista no artigo 626, inciso II, do RA/2002. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 00 00 02 /2 00 7- 86 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 3101001.247 S3C1T1 Fl. 424 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para constituição da multa aduaneira aplicada contra a Recorrente pela retificação de DIs para alteração da unidade de medida estatística, sem prévia anuência do órgão que concedeu o Licenciamento de Importação das mercadorias importadas. A retificação implementada visou alterar a unidade de medida estatística de tonelada para quilograma. Intimada da autuação, foi apresentada Impugnação pela Recorrente requerendo o cancelamento da multa aplicada, sob o fundamento, preliminarmente, de que a multa ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade e, no mérito, de que o erro não ocasionou nenhuma lesão ao Erário, tratandose de mera interpretação da unidade utilizada, bem como que a retificação foi realizada espontaneamente. Levados os autos a julgamento, foi proferido Acórdão pela DRJ julgando improcedente a impugnação com base nos seguintes fundamentos: i) houve a tipificação do fato infracional que ensejou a aplicação da multa, qual seja, a quantificação de mercadoria incorretamente na unidade de medida fiscal; ii) não houve denúncia espontânea aduaneira, uma vez que a retificação não foi autorizada pelo órgão competente; iii) o limite da multa estabelecido pela MP 135/2003 não se aplica às DIs anteriores à sua vigência; e, iv) que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não sendo possível afastar a multa com base no princípio da proporcionalidade e razoabilidade. Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, requerendo a aplicação retroativa do limite de 10% da multa previsto no artigo 53, da MP 135/2003, por tratarse de norma mais benéfica, e a reforma do Acórdão tendo em vista que a alteração de tonelada para quilograma é mera interpretação que significa a mesma quantidade, bem como a aplicação da multa de R$ 500,00 por infração, e não por cada adição da DI. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme se depreende do relatório acima, a questão se restringe à aplicação da multa de R$ 500,00 prevista no artigo 636, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, que estabelecia a multa de 1% quando houvesse a quantificação incorreta na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. No presente caso, a multa foi aplicada por ter a Recorrente declarado em suas DI e DSIs a quantidade importada em tonelada, quando deveria ter sido utilizada a medida quilograma, cuja constatação do erro pelo Fisco se deu apenas quando a Recorrente tentou Fl. 424DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 3101001.247 S3C1T1 Fl. 425 3 sanálo com a retificação de suas DI e DSIs, a qual foi indeferida em razão da necessidade de comunicação do órgão responsável pela Licença de Importação – LI. A necessidade de comunicação do órgão competente que emitiu a Licença de Importação se dá pelo fato de que o sistema que registra as importações não possibilita duas unidades de medida para o mesmo produto NCM, ou seja, já está predeterminado cada unidade a ser utilizada para cada produto. A retificação da Licença de Importação, no quesito da unidade de medida estatística (de Toneladas para Quilogramas), não é requisito essencial para alteração da declaração de importação, uma vez que a quantidade importada não superou a quantidade licenciada. O Siscomex, aliás, identifica a quantidade informada pela unidade estatística previamente registrada, de modo que a informação em toneladas sequer é captada pelo Sistema pois a unidade de medida vinculada a posição NCM é quilogramas (o valor é convertido automaticamente para a unidade de medida estatística predeterminada). Assim, verificandose que o montante importado está dentro do limite autorizado pela LI, segundo a unidade de medida estatística padrão, ou seja, se não houve importação a maior do que autorizado, não haveria necessidade de alterara a informação já prestada ao órgão emissor da LI. Não se trata de uma alteração que envolva a essencialidade da mercadoria importada e que tornasse imprescindível a manifestação do órgão emitente. No presente caso, a fiscalização aduaneira somente constatou o erro quando a Recorrente solicitou a retificação da DI e das DSIs, até aquele momento a importação estava dentro do limite autorizado pela LI, não sendo necessária a comunicação do órgão responsável pela emissão. A comunicação somente seria imprescindível caso a retificação fosse para elevação da quantidade do valor autorizado ou alterar substancialmente a autorização de importação, até porque a retificação foi para a mesma quantidade em unidades diferentes. Ademais, embora ainda não vigente à época dos fatos, mas que afirma o posicionamento adotado de que não havia necessidade de anuência do órgão responsável pela LI, a Portaria SECEX nº 23/2011 estabelece o seguinte: Art. 28. Para fins de retificação de DI após o desembaraço aduaneiro, o DECEX somente se manifestará nos casos em que houver vinculação com a LI originalmente deferida pelo Departamento e desde que o produto ou a situação envolvida esteja sujeito, no momento da retificação, a licenciamento. § 1º A manifestação referida no caput somente será necessária quando envolver alteração de país de origem, de redução do preço, de elevação da quantidade, de classificação na NCM, de regime de tributação e de enquadramento de material usado, ficando dispensada a manifestação do DECEX nos demais casos. Notese que, no presente caso, não houve alteração da quantidade, apenas a alteração da unidade de medida estatística, o que demonstra a possibilidade de retificação da DI e das DSIs. Isso implica dizer que sendo prescindível a anuência do órgão emissor da LI, deve ser afastada a aplicação da multa. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10936.000002/200786 Acórdão n.º 3101001.247 S3C1T1 Fl. 426 4 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a incidência da multa sobre erro no preenchimento da unidade de medida estatística cuja retificação foi requerida após o desembaraço aduaneiro e antes de qualquer procedimento da administração aduaneira. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000324/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 MERCADORIA. EXPORTAÇÃO. REMESSA. COMERCIAL EXPORTADORA. A notação expressa na respectiva nota fiscal “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, INSCRIÇÃO DO DESTINATÁRIO- EXPORTAÇÃO NO DECEX MR DG 3/193, OPERAÇÃO SUJEITA A NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS, CONFORME ARTIGO 4, CAPÍTULO II, § 1 DO DEC. 1090 - R/02, comprova que a mercadoria foi remetida com o fim específico de exportação. EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação provado mediante a apresentação de nota fiscal contendo a notação expressa de remessa com este fim são isentas da Cofins. CRÉDITOS. DESCONTOS. INSUMOS. SERVIÇOS Os custos incorridos com serviços e pagos a pessoas jurídicas contribuintes da Cofins, imprescindíveis a operação e manutenção da usina de produção do produto fabricado e comercializado, constituem insumos e geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada no mês e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. DESPESAS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO PRODUTIVO. As despesas incorridas com aquisições de serviços prescindíveis ao processo produtivo do produto fabricado e comercializado não constituem insumos e Fl. 647 DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada no mês nem ressarcimento trimestral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) implica homologação da compensação de parte do débito declarado até o limite reconhecido. RECURSO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3301-001.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 MERCADORIA. EXPORTAÇÃO. REMESSA. COMERCIAL EXPORTADORA. A notação expressa na respectiva nota fiscal “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, INSCRIÇÃO DO DESTINATÁRIO- EXPORTAÇÃO NO DECEX MR DG 3/193, OPERAÇÃO SUJEITA A NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS, CONFORME ARTIGO 4, CAPÍTULO II, § 1 DO DEC. 1090 - R/02, comprova que a mercadoria foi remetida com o fim específico de exportação. EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação provado mediante a apresentação de nota fiscal contendo a notação expressa de remessa com este fim são isentas da Cofins. CRÉDITOS. DESCONTOS. INSUMOS. SERVIÇOS Os custos incorridos com serviços e pagos a pessoas jurídicas contribuintes da Cofins, imprescindíveis a operação e manutenção da usina de produção do produto fabricado e comercializado, constituem insumos e geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada no mês e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. DESPESAS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO PRODUTIVO. As despesas incorridas com aquisições de serviços prescindíveis ao processo produtivo do produto fabricado e comercializado não constituem insumos e Fl. 647 DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada no mês nem ressarcimento trimestral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) implica homologação da compensação de parte do débito declarado até o limite reconhecido. RECURSO PROVIDO EM PARTE
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EXPORTAÇÃO. REMESSA. COMERCIAL EXPORTADORA. A notação expressa na respectiva nota fiscal “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, INSCRIÇÃO DO DESTINATÁRIO EXPORTAÇÃO NO DECEX MR DG 3/193, OPERAÇÃO SUJEITA A NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS, CONFORME ARTIGO 4, CAPÍTULO II, § 1 DO DEC. 1090 R/02, comprova que a mercadoria foi remetida com o fim específico de exportação. EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação provado mediante a apresentação de nota fiscal contendo a notação expressa de remessa com este fim são isentas da Cofins. CRÉDITOS. DESCONTOS. INSUMOS. SERVIÇOS Os custos incorridos com serviços e pagos a pessoas jurídicas contribuintes da Cofins, imprescindíveis a operação e manutenção da usina de produção do produto fabricado e comercializado, constituem insumos e geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada no mês e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. DESPESAS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO PRODUTIVO. As despesas incorridas com aquisições de serviços prescindíveis ao processo produtivo do produto fabricado e comercializado não constituem insumos e Fl. 647DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada no mês nem ressarcimento trimestral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) implica homologação da compensação de parte do débito declarado até o limite reconhecido. RECURSO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani que negava provimento. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente a compensação dos débitos fiscais vencidos em 31/01/2006 e 28/08/20078, declarados nas Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 08/11 e 12/15, transmitidas em 03/02/2006 e 18/08/2008, com saldo credor de Cofins não cumulativa, apurado no quarto trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória reconheceu e compensou parcialmente o valor do ressarcimento pleiteado. O reconhecimento/deferimento parcial decorreu da tributação de vendas à Companhia Vale do Rio Doce (Vale), consideradas vendas com fim específico de exportação pela recorrente e vendas no mercado interno, pela autoridade administrativa, em face do código fiscal da operação indicado na nota fiscal e, ainda, de glosas de créditos apurados sobre aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme Parecer Seort nº 3.381/2008 às fls. 144/157 e Despacho Decisório às fls. 158/159. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15578.000324/200846 Acórdão n.º 330101.445 S3C3T1 Fl. 648 3 Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 168/186), insistindo no deferimento integral do ressarcimento pleiteado e na compensação dos débitos declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “1) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2º, inciso I da CF); 3) A disposição constitucional referese à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportações e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizada pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação; 6) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art; 3º, inciso II, da Lei 10.637/2002; 7) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposada pela autoridade fiscal; 8) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos à operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado à luz do regime nãocumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 9) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da nãocumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; 10) Para que seja atingida a nãocumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3º da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado der modo apto a desfazer os malefícios causados pela cumulatividade, ou seja, incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 11) Os serviços de frete decorrentes da operação da indústria da requerente oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então evidente cumulatividade na incidência das contribuições. Portanto, a exclusão de tais valores viola as prescrições do art. 195, § 12 da CF; 12) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente à contribuição para o PIS relativa à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente.” Fl. 649DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1330.261, datado de 15/07/2010, às fls. 242/253, sob as seguintes ementas: “VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por cona e ordem da empresa comercial exportadora. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto.” Cientificada dessa decisão, inconformada a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 261/352), alegando, em síntese, que as vendas de pelotas de ferro, efetuadas por ela, tinham o fim específico de exportação o que é comprovado pela documentação, ora anexada. Sustentou, ainda, que o equívoco no preenchimento do código fiscal nas respectivas notas fiscais de vendas já foi sanado, devendo prevalecer o princípio da verdade material, quanto às vendas com fim de exportação. Em relação às glosas de créditos de bens e serviços, defendeu a tese de que todos os utilizados no processo produtivo, ainda que de forma indireta, dão direito a créditos. Assim, os materiais e serviços utilizados para a operação da usina devem ser considerados insumos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Do exame dos autos, mais especificamente do Parecer Seort nº 3.381/2008, às fls. 144/158, que serviu de base para o Despacho Decisório às fls. 158/159, verificase que as glosas efetuadas, no pedido de ressarcimento (PER) (fls. 04/07), decorreram da tributação de receitas de vendas para a Cia Vale do Rio Doce, sob o fundamento de que não foram efetuadas com o fim específico de exportação, bem como dos créditos apurados sobre despesas incorridas com serviços contratados com aquela companhia (serviços de operação e manutenção da usina) e com outros prestadores, discriminados na planilha às fls. 135 sob o título de “SERVIÇOS EXCLUÍDOS (SAC)”, abrangendo, dentre outros, serviços de topografia, consultoria, gerenciamento, etc. Para comprovar o alegado erro nas notas fiscais de vendas de pelotas de ferro para a Vale, a recorrente anexou, ao recurso voluntário, as cópias das correspondências às fls. 622/624 remetidas àquela Companhia, comunicandolhe o equívoco no código fiscal informado e o código correto, ou seja, CFOP 5.501, que corresponde a vendas de mercadorias para exportação, e, ainda da correspondência às fls. 625/626 recebida daquela Companhia, Fl. 650DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15578.000324/200846 Acórdão n.º 330101.445 S3C3T1 Fl. 649 5 informado que, nos termos contratuais firmados, adquiriu pelotas de ferro produzidas pela recorrente, com o fim específico de exportação, declarando, inclusive, que não se creditou da Cofins sobre as tais aquisições. Embora as correspondências informando o equívoco no código fiscal da natureza da operação e o código correto tenham sido remetidas intempestivamente, ou seja, depois de decorridos mais de cinco das emissões das notas fiscais, do exame de cada uma das notas fiscais, cópias às fls. 40/42, verificase que em todas elas consta a informação: “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, INSCRIÇÃO DO DESTINATÁRIOEXPORTAÇÃO NO DECEX MR DG 3/193, OPERAÇÃO SUJEITA A NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS, CONFORME ARTIGO 4, CAPÍTULO II, § 1 DO DEC. 1090 – R/02”. Ora, a informação constante em cada nota fiscal de que a mercadoria foi remetida com fim específico de exportação tem mais valor de que o código fiscal da operação e constitui prova hábil para comprovar que foram remetidas com este fim e, portanto, isentas da Cofins, nos termos do art. 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Também a correspondência remetida pela Cia Vale somada à notação nas notas fiscais fortalece a alegação da recorrente de que as vendas foram efetuadas com o fim específico de exportação. Assim, as glosas dos créditos deduzidos da contribuição apurada mensalmente, decorrentes da tributação das receitas de vendas efetuadas a Cia Vale do Rio Doce, mediante as notas fiscais nº 000113 (fls. 40); nº 000156 (41); e nº 000177 (42), devem ser restabelecidas. Quanto aos créditos da Cofins sobre aquisições de bens e serviços utilizados, como insumos, no processo produtivo a Lei nº 10.833, DE 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência não cumulativa assim dispõe: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...). § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Segundo estes dispositivos legais, os bens e serviços sujeitos à Cofins, utilizados, como insumo, na produção de produtos destinados à venda, dão direito ao crédito da Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15578.000324/200846 Acórdão n.º 330101.445 S3C3T1 Fl. 650 7 contribuição para desconto do valor apurado no mês e/ ou para ressarcimento do saldo credor trimestral. Dessa forma, as glosas das custos/despesas incorridas com serviços contratados com a Cia Vale e pagos, mediante as notas fiscais nº 000228 (fls. 43); nº 000242 (fls. 45); nº 000232 (fl. 49); 000257 (fls. 51), referentes a serviço de operação da usina, por tratar de serviços imprescindíveis à operação e manutenção das máquinas e, consequentemente, à produção das pelotas de ferro, constituem insumos e dão direito a crédito. Assim, as glosas referentes aos créditos apurados sobre os custos incorridos com aqueles serviços também devem ser restabelecidas. Já as glosas dos créditos apurados sobre as demais despesas incorridas com os serviços discriminados na planilha às fls. 135, sob o título de “SERVIÇOS EXCLUÍDOS (SAC)”, abrangendo, dentre outros, serviços de topografia, consultoria, gerenciamento, etc., devem ser mantidas por serem prescindíveis ao processo produtivo da recorrente, não se constituindo insumos nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, devendo, portanto, serem mantidas. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal vencido com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a transmissão de Per/Dcomp, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega de Dcomp e/ ou transmissão de Per/Dcomp, assim como a sua homologação depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros nela declarados. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado nos Per/Dcomps. Assim, devem ser homologadas as compensações dos débitos declarados até o limite do crédito suplementar reconhecido. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Em face de todo o exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a não incidência da Cofins sobre receitas de vendas efetuadas à Cia Vale do Rio Doce, com fim específico de exportação, por meio da notas fiscais nº 000228 (fls. 43); nº 000242 (fls. 45); nº 000232 (fl. 49); 000257 (fls. 51), bem como o direito de a recorrente aos créditos da Cofins apurados sobre os custos pagos a essa mesma Companhia, mediante as notas fiscais nº 000228 (fls. 43); nº 000242 (fls. 45); nº 000232 (fl. 49); 000257 (fls. 51), mantendo as demais glosas, cabendo à autoridade administrativa competente reverter as glosas decorrentes deste reconhecimento, apurar o ressarcimento suplementar e homologar a compensação dos débitos declarados até o limite apurado, exigindose possível saldo nãoextinto pela homologação ora determinada. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 654DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.726851/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da Administração Tributária. Assim sendo, não enseja nulidade o fato de que a ciência de sua prorrogação foi dada pela internet, através de aplicativo pertencente ao sítio da Receita Federal.
SIMPLES NACIONAL. RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO.
Tendo a recorrente ingressado no regime do Simples Nacional em 01/07/2007 os efeitos de sua exclusão não poderão ser anteriores a esta data.
OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO. SIMPLES NACIONAL
Verificando a autoridade omissão de receita, com base nos livros e documentos apresentados pelo fiscalizado, é correto o lançamento da receita omitida de acordo com os percentuais aplicáveis do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1302-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da Administração Tributária. Assim sendo, não enseja nulidade o fato de que a ciência de sua prorrogação foi dada pela internet, através de aplicativo pertencente ao sítio da Receita Federal. SIMPLES NACIONAL. RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO. Tendo a recorrente ingressado no regime do Simples Nacional em 01/07/2007 os efeitos de sua exclusão não poderão ser anteriores a esta data. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO. SIMPLES NACIONAL Verificando a autoridade omissão de receita, com base nos livros e documentos apresentados pelo fiscalizado, é correto o lançamento da receita omitida de acordo com os percentuais aplicáveis do Simples Nacional.
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O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da Administração Tributária. Assim sendo, não enseja nulidade o fato de que a ciência de sua prorrogação foi dada pela internet, através de aplicativo pertencente ao sítio da Receita Federal. SIMPLES NACIONAL. RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO. Tendo a recorrente ingressado no regime do Simples Nacional em 01/07/2007 os efeitos de sua exclusão não poderão ser anteriores a esta data. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO. SIMPLES NACIONAL Verificando a autoridade omissão de receita, com base nos livros e documentos apresentados pelo fiscalizado, é correto o lançamento da receita omitida de acordo com os percentuais aplicáveis do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 68 51 /2 01 2- 00 Fl. 5027DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.028 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 5028DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.029 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 6ª Turma da DRJ/POA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. AUTO DE INFRAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA AUTUADA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. NOTIFICAÇÕES AOS PROCURADORES. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará os valores dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Muito embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha revogado a Lei nº 9.317/96, a eficácia do regime simplificado instituído pelo ato revogador somente teve início em 1º de julho de 2007, observandose a vigência do ato revogado até 30 de junho de 2007. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui como o instrumento jurídico de outorga administrativa de legitimação à atividade fiscalizatória, permitindo a fiscalização a prática dos atos inerentes a esta atividade. O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme legislação em vigor, podendo ter o seu prazo de validade prorrogado tantas vezes quantas necessárias. O conhecimento da extensão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF incumbe ao contribuinte, mediante acesso ao mesmo, sob a forma digital, na rede mundial de computadores. Fl. 5029DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.030 4 Indeferese o pedido de que as notificações sejam encaminhadas aos procuradores, uma vez que elas devem ser endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, de acordo com o Decreto nº 70.235/1997, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/1997, art. 67. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessado acima identificado, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples, por meio dos autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/Simples, de fls. 4.812/4.818, no valor de R$ 108.518,98; da Contribuição para o PIS/Pasep – PIS/Simples, de fls. 4.833/4.839, no valor de R$ 79.586,68; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL/Simples, de fls. 4.819/4.825, no valor de R$ 108.518,98; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins/Simples, de fls. 4.826/4.832, no valor de R$ 319.444,76 e da Contribuição para a Seguridade Social – INSS/Simples, de fls. 4.840/4.846, no valor de R$ 924.104,17. Sobre esses valores foram ainda acrescidos a multa qualificada ( 150% ) e os juros de mora calculados até 30/04/2012, totalizando o crédito tributário do processo em R$ 1.540.173,57 (um milhão, quinhentos e quarenta mil, cento e setenta e três reais e cinqüenta e sete centavos). Segundo o Relatório da Ação Fiscal, fls. 4.757/4.778, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 10.1.01.002011006923, foi verificado o cumprimento das obrigações tributárias referentes aos tributos do Simples, período de janeiro a junho de 2007, e Simples Nacional, período de julho de 2007 a dezembro de 2009. A ação fiscal iniciouse em 16/05/2011, com a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, assinado pela secretária da empresa, Sra. Patrícia de Conto ( fls. 50/51). A Fiscal constatou, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o contribuinte apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples PJ (janeiro a junho/2007) e a Declaração Anual do Simples Nacional – DASN (julho/2007 a dezembro/2009), mas não encontrou pagamentos relativos ao Simples para o período fiscalizado. Nas Declarações apresentadas não constavam valores de receita bruta, ou seja, encontravamse zeradas. Intimado, o contribuinte apresentou o Livro Caixa onde encontramse escrituradas as compras e as vendas efetuadas no mês, os pagamentos de salário e pró labore, e os pagamentos de INSS, todos valores consolidados em um único lançamento mensal. As movimentações financeiras das contas correntes bancárias não estavam escrituradas, assim como a movimentação do caixa. Foram feitas diligências junto aos principais clientes da empresa sob fiscalização: “Celulose Irani” e “Astória Papéis”. Com base nos documentos apresentados pela empresa (Notas Fiscais) e nas diligências efetuadas, constatou a Fiscal que o contribuinte omitiu receitas decorrentes das vendas de mercadorias nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009: não ofereceu a receita bruta auferida à tributação, não declarouas nas respectivas declarações, e nem recolheu os tributos devidos. Fl. 5030DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.031 5 Com relação ao período de 01/2007 a 06/2007, optante do Simples, objeto do presente processo, o quadro abaixo demonstra a receita omitida pela empresa: MÊS RECEITA OMITIDA Janeiro/2007 R$ 733.532,64 Fevereiro/2007 R$ 571.159,52 Março/2007 R$ 709.757,11 Abril/2007 R$ 705.470,80 Maio/2007 R$ 723.150,47 Junho/2007 R$ 788.629,46 Da constatação da omissão acima apurada, do período de janeiro a junho/2007, foi efetuado o lançamento de ofício pela sistemática do Simples, com a utilização dos percentuais majorados em decorrência do excesso de receita. A fundamentação legal de cada lançamento pode ser observada no campo próprio dos autos de infração. Foi aplicada a multa qualificada pelas seguintes razões: 1 não manutenção dos livros contábeis da forma exigida pela legislação em vigor; 2 confecção de Livro Caixa, único livro apresentado após início dos procedimentos de fiscalização, contendo vícios e deficiências, de forma a não permitir a identificação da movimentação financeira efetuada; 3 omissão da totalidade de suas receitas auferidas decorrentes da venda de mercadorias durante 03 ( três ) anos consecutivos, evidenciando a reiteração de conduta. Em função dos fatos apurados pela fiscalização, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 001/2012, excluindo a pessoa jurídica do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007 e que resultou nos autos de infração que compõem o processo administrativo nº 11080.724888/201295. Durante os procedimentos de fiscalização, a Fiscal constatou que os contribuintes “Andréa da Cunha Guarise – ME” e “Alexandre da Cunha Guarise – ME” são firmas individuais que atuam no mesmo ramo de atividade, sendo que Alexandre da Cunha Guarise é quem efetivamente operou a empresa “Andréa da Cunha Guarise – ME”, e os empresários responsáveis pelas referidas firmas são irmãos. Após diligências nos principais clientes da empresa sob fiscalização, concluiu a fiscalização que a participação direta do Sr. Alexandre na administração dos negócios de várias empresas ( Alexandre GuariseME, Andréa GuariseME e Luis ParaguassúME ) indicam que essas compõem um Grupo Econômico. De acordo com fatos elencados pela fiscalização, consta do relatório que Alexandre Guarise é sócio de fato da empresa “Andréa da Cunha Guarise – ME”, tendo participado da mesma, situação que acarreta sua responsabilidade solidária. Em 01/06/2012, através de sua Procuradora ( Procuração às fls. 1.737 ), o Sr. Alexandre da Cunha Guarise é cientificado do “Termo de Responsabilização por Crédito Tributário” constituído nos autos dos processos administrativos fiscais nºs 11080.724.888/201295 e 11080.726.851/201200, assim como recebe cópia de documentos ali discriminados para fins do exercício de seu direito de defesa (fls. 4.801/4.802). A empresa “Andréa da Cunha Guarise – ME” foi cientificada do Auto de Infração e do Relatório Fiscal em 31/05/2012, conforme Termo de Encerramento de Fl. 5031DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.032 6 fls. 48/49 e em 02/07/2012 apresentou a impugnação de fls. 4.935/4.953, na qual alega, em síntese: 1 no transcurso da ação fiscal, a empresa foi excluída do Simples Nacional com base na regra do artigo 29, VIII da Lei Complementar nº 123/2006 – omissão de escrituração válida. Contudo, na representação fiscal de exclusão, é relatada a ocorrência de omissão de receita; 2 a fundamentação correta deveria ser o artigo 29 inciso XII da LC 123/2006, decorrendo daí a imediata exclusão, ou seja, desde janeiro/2007; 3 não foi atendida a regra das Portarias RFB nº 4.066/2007 e 11.371/2007 e artigo 196, parágrafo único do Código Tributário Nacional, relacionada a renovação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O MPF originário é datado de 16/05/2011, tendo sua validade expirada em setembro/2011, sendo, desta forma, inválidos os atos praticados após 17/09/2011; 4 trata do excesso de lançamento por inclusão das contribuições ao PIS e COFINS em desatenção à suspensão prevista no artigo 48 da Lei nº 11.196/2005, pois a base de cálculo para apuração do tributo devido deuse exclusivamente sobre venda de aparas de papel; 5 argumenta sobre a impositiva necessidade de exclusão do Regime Especial do Simples a partir de janeiro de 2007, com a aplicação da regra do artigo 29, inciso XII da Lei Complementar nº 123/2006. Um contribuinte que adota absolutamente o mesmo procedimento nos primeiros seis meses de 2007 e igualmente no segundo semestre desse mesmo ano e nos anos seguintes ( 2008 e 2009 ), não pode ter tratamento diverso para procedimento idêntico; e 6 desnecessidade de arbitramento, aplicação in casu do artigo 516 do Regulamento do Imposto de Renda. A auditora serviuse exclusivamente de informações e documentos ofertados pelo Contribuinte. Ao final, requer: (a) o cancelamento dos Autos de Infração, para novo lançamento, excluindo se de todo o período as contribuições para o PIS e COFINS; (b) o recálculo para todo o período de janeiro de 2007 a junho de 2009, o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro líquido, observado o regime de apuração do Lucro Presumido, de acordo com o artigo 516 do RIR; (c) que todas as intimações sejam feitas através do procurador. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. Em síntese, alega que: deuse continuidade ao procedimento fiscal sem se renovar o MPF após 120 dias; a exclusão do Simples deve retroagir a janeiro/2007, com base na LC 123/2006 (retroatividade da lei mais benéfica – art.106, CTN); o lançamento de PIS e Cofins está em desacordo com o art. 48 da Lei nº 11.196/2005, se a exclusão retroagir a janeiro/2007; Fl. 5032DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.033 7 o arbitramento foi desnecessário, posto que a recorrente entregou à fiscalização os documentos solicitados. É o relatório. Fl. 5033DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.034 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Prorrogação eletrônica de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Sustenta a recorrente nulidade por ter o MPF sido prorrogado sem que se tenha dado ciência pessoal disso. O acórdão recorrido atestou que as prorrogações foram registradas na internet, no sítio da Receita Federal. Vejamolo: As prorrogações, consoante artigos 9º e 11 da Portaria RFB nº 11.371/2007, são feitas por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, tantas vezes quanto necessárias, ficando as informações disponíveis na Internet. Ressaltese que o código de acesso ao MPF na internet, que dá ciência ao contribuinte dos dados relativos ao MPF e suas prorrogações, permanece o mesmo até o final de todo o procedimento de ofício. Em consulta ao endereço eletrônico indicado (www.receita.fazenda.gov.br), utilizando o código de acesso para visualização informado, verificase que o MPFF foi emitido em 04/05/2011, com validade até 01/09/2011. Na mesma consulta, fica constatado que o MPF sofreu três prorrogações: a primeira, até 29/12/2011; a segunda, até 27/04/2012; e a terceira, até 24/08/2012 ( fls. 02/03 ). Dessa forma, não é possível vislumbrar a nulidade alegada pelo Impugnante, tendo a empresa acesso ao referido MPF Fiscalização e suas prorrogações, na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, podendo, assim, comprovar, perfeitamente, que o procedimento da Auditora Fiscal ocorreu dentro do prazo de validade do MPF e correspondeu à outorga de competência e função fiscalizatória que lhe foi atribuída. Dessa maneira, descabe falar de nulidade do procedimento por desatendimento ao quanto regram as Portarias nº 4.066/2007 e nº 3.014/2011 e artigo 196 parágrafo único do Código Tributário Nacional. Fl. 5034DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.035 9 Assim, sendo certo que as prorrogações foram publicadas na internet, não vislumbro ação clandestina que pudesse ensejar nulidade. Demais disso, não seria mesmo possível à recorrente escapar à cobrança dos tributos e contribuições inadimplidos escorando se neste detalhe formal, pois não há garantia legal conferida pelo Ordenamento neste sentido, sendo mesmo possível caso a Administração Tributária já possua os elementos que necessita para constituir o crédito que o procedimento fiscal se inicie e se encerre com o auto de infração. O contraditório administrativo tem início com a impugnação (Decreto nº 70.235/72, art.14) . Fundamental é que do lançamento do tributo, contribuição e penalidade seja o sujeito passivo devidamente comunicado. Mas o cumprimento desta formalidade segue incontroverso nos autos. Sobre o tema vale lembrar que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, administrativo, de controle gerencial da Administração Tributária, criado para prescrever ao seu corpo de agentes o modo de execução de procedimentos fiscais, embora tenha o efeito de conferir transparência à ação do fisco. Tanto assim, que o veículo normativo utilizado para disciplinálo é a Portaria, ato normalmente usado para prescrever condutas ao corpo funcional, enquanto que as normas complementares das leis, tratados, convenções e decretos editadas nos termos do art. 100, I, do CTN, endereçadas aos contribuintes, são veiculadas, regra geral, mediante Instrução Normativa. Assim, embora o MPF seja empregado pela Administração Tributária no exercício de sua competência constitucional de fiscalizar e arrecadar os tributos federais, ele se destina a prescrever limites de atuação a seus agentes. Sua natureza é, portanto, mais administrativa que tributária, não tendo o condão de mitigar poderes de fiscalização ou estender as garantias dos contribuintes. De outro giro, eventual descumprimento das regras estabelecida para o cumprimento do MPF pode eventualmente resultar em ação disciplinar, porém jamais obstar o poder do Fisco de fiscalizar e arrecadar. A jurisprudência do CARF é remansosa neste sentido, senão se veja: Acórdão 10807078 –2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara – Relator: Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira NULIDADE INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão 10706797 –1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara – Relator: Conselheira Neycir de Almeida MPF.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.POSTULADOS.INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, Fl. 5035DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.036 10 decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão 10706952 –1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara – Relator: Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. Acórdão 10514096 – 5ª Câmara – Relator: Conselheiro Álvaro Barros Barbosa Lima AÇÃO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CONTROLE ADMINISTRATIVO A manifestação do Poder Tributante por meio dos seus agentes fiscalizadores, em lançamento de ofício, aos quais conferiu a lei competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades específicas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome. Acórdão CSRF/0105.330 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Relator: Marcus Vinicius Neder de Lima recurso "ex officio" – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao Fl. 5036DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.037 11 disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Acórdão CSRF/0202.509 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Relator: Henrique Pinheiro Torres MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Nestes termos, sou pela rejeição da preliminar de nulidade. b) Exclusão do Simples Nacional (falta de escrituração do livro caixa ou sua apresentação sem identificação da movimentação financeira) A recorrente foi excluída do Simples Nacional mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/POÁ nº 001, de 10/05/2012 (PA 11080.724888/201295), com base na falta de escrituração do livro caixa ou escrituração sem identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos do art. 29, VIII, da LC nº 123/2006. Os efeitos da exclusão se deram a partir de 01/07/2007, mas requer a recorrente que sejam eles retroativos a 01/01/2007. Em primeiro lugar, lembro que este não é o foro adequado para tal discussão, vez que o contraditório administrativo relativo à matéria tem lugar no PA11080.724888/2012 95, no seio do qual foi expedido o referido ADE de exclusão. Demais disso, o regime do Simples Nacional teve vigência a partir de 01/07/2007, não sendo possível, sob a égide deste regime, haver exclusão com efeitos anteriores a esta data. Descabe, também, qualquer alusão à aplicação da retroatividade benéfica do art. 106 do CTN, posto que no regime do Simples Federal a hipótese em que se fundou a exclusão (falta de escrituração do livro caixa ou escrituração sem identificação da movimentação financeira, inclusive bancária ) não ensejava exclusão do regime simplificado e não é possível instalar uma discussão sobre matéria que não foi objeto de fundamentação no ato administrativo de exclusão (omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço). Como decorrência, não há como se acatar o pedido de aplicação do art. 48 da Lei nº 11.196/2005 para excluir do montante lançado os créditos relativos a PIS e Cofins, posto Fl. 5037DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.038 12 que não se aplica a optantes do Simples, sendo expressamente destinado a contribuinte que apura o lucro real, conforme o parágrafo único do artigo, verbis: Art. 48. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de que trata o art. 47 desta Lei, para pessoa jurídica que apure o imposto de renda com base no lucro real. Parágrafo único. A suspensão de que trata o caput deste artigo não se aplica às vendas efetuadas por pessoa jurídica optante pelo Simples. c) Inocorrência de arbitramento no regime do Simples A recorrente entende que o arbitramento foi desnecessário, posto que a recorrente entregou à fiscalização os documentos solicitados. Sobre o tema, tece o acórdão recorrido as seguintes conclusões: O Fisco embasou sua autuação coletando informações junto a instituições bancárias, diligências junto a clientes do impugnante e a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica apresentada zerada, concluindo que a empresa “Andréa da Cunha Guarise – ME” omitiu receitas no montante de R$ 4.231.700,00, no período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Esta omissão não é contestada pelo contribuinte. O dispositivo citado no auto de infração e que fundamenta o lançamento é o constante no artigo 42 da Lei 9.430/96, fls. 249, o qual positivou no ordenamento jurídico que caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, exigência aplicável também na sistemática Simples, na medida em que o contribuinte é obrigado a manter minimamente Livro Caixa, e a ele incorporar toda a movimentação bancária, observando também a guarda dos documentos e demais papéis que serviram de base para sua escrituração. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Em sendo empresa inscrita no Simples Federal, e não havendo sua exclusão do referido sistema no período fiscalizado (1º sem/2007), seja por solicitação da empresa, seja de ofício, os valores devidos mensalmente pela empresa autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na Lei, que foi exatamente o procedimento seguido pela fiscalização, na presente autuação. Sobre a matéria trazse ainda à colação o art. 18 da Lei nº 9.317, de 1996: “Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.” (grifei) Fl. 5038DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.039 13 A empresa, no período de 01/2007 a 06/2007, se encontrava submetida ao regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 1996 – SIMPLES, conforme se verifica pela Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ/2007 anexada ao presente processo, sendo que a auditoria nada mais fez do que apurar os impostos devidos em perfeita consonância com a legislação. Deste modo, verificase que a recorrente entregou a declaração relativa ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007 zerada e há elementos coligidos junto a instituições bancárias e clientes que atestam a venda de mercadorias e o recebimento do preço. Por sua vez, o livro caixa do ano de 2007 possui 4 fls. sendo 2 delas destinadas ao termo de abertura e de encerramento, o que torna necessário o emprego de outros elementos de convicção para apurar a base de cálculo do Simples. Também não foram encontrados pagamentos relativos ao Simples, conforme atesta o Relatório da Ação Fiscal. Afirma, ainda, a autoridade fiscal que E mais à frente: Os valores lançados no período (janeiro a junho/2007) são bastante próximos daqueles escriturados sucintamente no livro caixa, e escoramse (conforme Relatório de Ação Fiscal e auto de infração) nas notas fiscais emitidas pela recorrente no período fiscalizado, descabendose falar em arbitramento, modalidade de apuração do lucro, aliás, não aplicável aos contribuintes do Simples Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o lançamento tal qual lavrado. Sala das Sessões, 7 de março de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 5039DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.726851/201200 Acórdão n.º 1302001.052 S1C3T2 Fl. 5.040 14 Fl. 5040DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10680.910368/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-001.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 68 /2 00 9- 76 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe transmitiu Per/Dcomp para restituição/compensação de IRPJ paga a título de estimativa mensal, a maior ou indevida, referente ao mês de abril de 2005. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, fls. 08, a Per/Dcomp foi sumariamente considerada improcedente e não homologada a compensação, por tratarse de inexistência de pagamento indevido ou a maior. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório argumentando que cometeu o equívoco de solicitar restituição de estimativas mensais de tributos, quando deveria ter solicitado saldo negativo de IRPJ apurado ao final do ano calendário. Critica o Despacho Eletrônico por extremamente sucinto e por não ter tido oportunidade de, antes de emitido, consertar o erro material de preenchimento, em apertada síntese. Não consta do processo que, antes da emissão do Despacho Decisório, a declarante foi intimada a apresentar a contabilidade completa para analisarse a procedência do pedido. A empresa argumenta veemente que os balancetes de suspensão/redução mensais escriturados à época comprovam haver recolhido as estimativas indevidamente/a maior. No Termo de Ciência e Notificação do acórdão proferido no processo nº 10680.910364/200998, há informação que várias Per/Dcomp estão sob litígio, supostamente com pedidos de restituição/compensação da mesma natureza (estimativas mensais de tributos). A saber: PROCESSO (S): 10680.910369/200911 10680.910366/200987 10680.940875/200934 10680.933955/200933 10680.910371/200990 10680.910372/200934 10680.910370/200945 10680.910368/200976 10680.910367/200921 10680.910365/200932 10680.910364/200998 10680.940876/200989 O mesmo termo informa, ainda, que está sendo dada a ciência dos seguintes acórdãos respectivos aos processos supra citados: 0235.478, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.475, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.485, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.483, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.480, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.481, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910368/200976 Acórdão n.º 1801001.328 S1TE01 Fl. 3 3 0235.479, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE; 0235.477, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.476, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE 0235.474, de 11 de outubro de 2011, 2ª Turma da DRJ/BHE Às fls. 24 e ss, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG exarou o Acórdão nº 0235.477/11 mantendo o indeferimento da Per/Dcomp por tratarse de pedidos de restituição de estimativa mensal e por inadmitir a alteração do pedido de estimativa para saldo negativo de IRPJ, após a expedição do despacho decisório. Transcrevo a ementa do julgado: Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de de cisão administrativa na data da sua apresentação. Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mens ais somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do respectivo p eríodo de apuração ou para compor o saldo negativo. Tempestivamente (AR – 19/11/11; Recurso – 21/12/11), a empresa interpôs o Recurso de fls. reprisando os termos da defesa inicial, requerendo a nulidade do despacho decisório, a reforma do acórdão, o deferimento para adaptar a Per/Dcomp a saldo negativo de IRPJ e conseqüente restituição e homologação das compensações, em apertada síntese. Outros dois processos de interesse da empresa, versando igualmente da restituição de estimativas de 2005, foram julgados por este colegiado na sessão de dezembro de 2012 – processos administrativos nºs 10680.910365/200932 e 10680.910364/200998. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente. Pela conexão evidente entre este litígio e aqueles instaurados nos processos nºs 10680.910365/200932 e 10680.910364/200998, julgados em dezembro de 2012 por este Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 colegiado – acórdãos nºs 1801001.268 e 1.267, respectivamente –, aproveito o votocondutor prolatado naqueles. “Esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: ‘A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910368/200976 Acórdão n.º 1801001.328 S1TE01 Fl. 4 5 Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910368/200976 Acórdão n.º 1801001.328 S1TE01 Fl. 5 7 ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacouse) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910368/200976 Acórdão n.º 1801001.328 S1TE01 Fl. 6 9 lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo anocalendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do anocalendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910368/200976 Acórdão n.º 1801001.328 S1TE01 Fl. 7 11 Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34.’ Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: ‘Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.’ Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp cujo crédito são as estimativas mensais pagas durante o anocalendário, ressaltese que o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp que o sistema rejeita tem causado vários transtornos. Não há que se falar em nulidade do Despacho Eletrônico, pois, na forma que foi emitido, em nada cerceia o direito de defesa dos contribuintes. Há no texto expresso a motivação da Per/Dcomp não ter sido admitida. E o litígio instaurouse regularmente. Mas, de um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar (ou até mesmo cancelar) a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela eventual ocorrência da prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, o contribuinte é intimado para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Tomou medidas também para reunir todas as Per/Dcomp que veiculam o mesmo crédito em um só processo pela edição da Portaria RFB nº 666/08, sem, no entanto, atentar para as Per/Dcomp que tem como objeto as estimativas dentro de um mesmo anocalendário [ainda mais porque à época a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou, equivocadamente, normas infralegais vedando a restituição/compensação de estimativas, erro reconhecido e corrigido com a edição da Portaria RFB nº 900/08]. Concluindo, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que esta seja devidamente intimada a exibir a sua contabilidade, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc.” Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, pelo que Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.910368/200976 Acórdão n.º 1801001.328 S1TE01 Fl. 8 13 sugiro à autoridade a quo , sendo possível, reunilos e adaptar as Per/Dcomp para restituição de saldo negativo de IRPJ/CSLL e reunilas em um só processo, a fim de evitarse decisões conflitantes – (v. Portaria RFB nº 666/08). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.100203/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. GLOSA.
A ausência de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora autoriza a glosa do valor indevidamente compensado na declaração de ajuste anual do contribuinte.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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GLOSA. A ausência de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora autoriza a glosa do valor indevidamente compensado na declaração de ajuste anual do contribuinte. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 02 03 /2 00 8- 34 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.100203/200834 Acórdão n.º 2801002.857 S2TE01 Fl. 77 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 13.566,21, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, exercício 2005, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 8.472,00. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1/29 deste eprocesso, acompanhada dos documentos de fls. 30/35, por meio da qual alegou, em síntese, que: PRELIMINARMENTE O art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN dispõe que, “sendo o caso”, a Autoridade administrativa deverá “propor” a aplicação da penalidade cabível. Assim, não se mostra razoável a constituição de penalidades sem o devido contraditório e ampla defesa do contribuinte. Por não ter sido oportunizado ao contribuinte o exercício da ampla defesa em relação às penalidades tributárias, não há como negar a absoluta nulidade da notificação de lançamento. NO MÉRITO Quando o locatário é pessoa jurídica e o locador é pessoa física, aquela faz a retenção do imposto de renda, tudo na conformidade do que efetivamente se deu, conforme comprovam os documentos ora juntados. A responsabilidade da fonte pagadora pelo imposto de renda subsiste ainda que esta não tenha efetuado a respectiva retenção. Os artigos 722 e 725 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999, autorizam a concluir que a responsabilidade da fonte pagadora é exclusiva, ainda que não tenha efetuado a retenção. A multa aplicada é absolutamente confiscatória, eis que superior ao percentual de 20% do valor do débito originário. O art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco, é também aplicável à penalidade pecuniária, eis que seria ilógico ser vedado o confisco aos tributos e não ser à obrigação acessória. A taxa SELIC não poderia ser utilizada como meio para mensurar os juros a serem aplicados sobre débitos tributários. Não há lei que autorize a utilização da SELIC para apurar os juros de mora, que devem ser limitados à taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º do CTN. A impugnação foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não foram apresentados documentos comprobatórios da suposta retenção. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/10/2011 (fl. 61), a Interessada interpôs, em 25/10/2011, o recurso de fl. 63/65, acompanhado dos documentos de fls. 66/70. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.100203/200834 Acórdão n.º 2801002.857 S2TE01 Fl. 78 3 O lançamento deve ser anulado, pois afronta o art. 142 do CTN, uma vez que a Autoridade lançadora deveria ter proposto a aplicação da penalidade cabível, e não aplicála diretamente sem o contraditório. A responsabilidade pela retenção na fonte e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, ou seja, da locatária do imóvel de sua propriedade. Fazse necessário reconsiderar o acórdão recorrido, haja vista tratarse de decisão conflitante com o julgamento do processo administrativo nº 11080.100204/200889, da mesma Turma julgadora, na qual a situação é exatamente a mesma, inclusive a contribuinte, apenas diferenciando o exercício, conforme faz prova o acórdão ora anexado. Ao final, pugna a Recorrente pela anulação do lançamento, com a consequente extinção e arquivamento do processo administrativo. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. PRELIMINAR A Recorrente suscita a nulidade do lançamento alegando que a Autoridade administrativa deveria ter proposto a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142, in fine), e não aplicála diretamente sem o contraditório. Essa questão há muito se encontra superada. Nas palavras de Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, Malheiros, 30 edição, p. 173): “A expressão literal do art. 142 do CTN expressa uma contradição em seus próprios termos. Se o Lançamento constitui o crédito tributário, tornando líquida e certa a obrigação correspondente, não se compreende que apenas proponha a aplicação da penalidade cabível, conforme o caso. O que na verdade a autoridade administrativa faz, com o lançamento, é aplicar a penalidade. Somente assim é possível determinar o montante do crédito tributário. Sem que esteja aplicada a penalidade não é possível calcular o montante do crédito tributário de que se cogita, porque a penalidade pecuniária integra esse montante”. Assim, descabe falar em nulidade do lançamento por ausência de contraditório e de ampla defesa na fase de constituição do crédito tributário, porquanto a penalidade aplicada integra o próprio montante do crédito. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, abrese ao contribuinte a possibilidade do contraditório e da ampla defesa, que poderão ser exercidos em toda a sua amplitude. MÉRITO Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.100203/200834 Acórdão n.º 2801002.857 S2TE01 Fl. 79 4 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA NA HIPÓTESE DE NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA No caso de pessoa física, o dever de o contribuinte submeter os rendimentos à tributação surge tão somente na declaração de ajuste anual. Assim, se o Fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, porquanto não terá surgido para o contribuinte, ainda, o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do RIR/1999, verbis: Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei nº. 5.844, de 1943, art. 103). Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir da entrega da declaração devese exigir o imposto não retido do destinatário dos rendimentos, e não da fonte pagadora o imposto. Na espécie, o lançamento originouse de procedimento de revisão da declaração de ajuste anual da Recorrente. Logo a responsabilidade pelo imposto não retido deve ser imputada ao contribuinte, haja vista não constar dos autos qualquer elemento que comprove que houve a retenção do imposto pela fonte pagadora. INEXISTÊNCIA DE CONFLITO COM A DECISÃO PROFERIDA NO JULGAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 11080.100204/200889 As circunstâncias fáticas evidenciam a inexistência de conflito entre a decisão de 1ª instância exarada no presente processo e a decisão proferida nos autos do processo administrativo fiscal nº 11.080.100204/200889. Na primeira (fl. 57), a Autoridade julgadora assim se expressou: “O contribuinte pleiteia compensação de imposto retido no recebimento de aluguéis. Não há, entretanto, documentação com a identificação da retenção feita, inclusive no contrato apresentado consta como locador outra pessoa. Sem elementos que permitam comprovar a retenção na fonte, não pode, conforme art. 87 do RIR, de 1999, ocorrer a compensação requerida”. Na segunda (fl. 68), a Autoridade julgadora averbou: “Relativamente ao imposto na fonte, é de se restabelecer o montante de R$ 8.501,22 incidentes sobre os rendimentos incluídos na base de cálculo (comprovante de fl. 83) e compensálo com o imposto devido na declaração de ajuste anual/2006 (fl. 86), nos termos do art. 87 do RIR/99”. Em outras palavras: no processo administrativo fiscal nº 11.080.100204/200889 houve a comprovação da retenção do imposto na fonte, o que não ocorreu no presente processo. CONCLUSÃO Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11080.100203/200834 Acórdão n.º 2801002.857 S2TE01 Fl. 80 5 Face ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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