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Numero do processo: 10380.007014/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Da análise do resultado do julgamento e do voto condutor do processo nº 10380.013419/2007-32, verifica-se que ocorreu o cancelamento da autuação daquele caso, bem como a consequente exoneração do crédito tributário ali cobrado com base em omissão de receita.
Como a autuação fiscal aqui discutida é acessória ao processo nº 10380.013419/2007-32, e como não procede a recomposição do lucro real do ano 2002, bem como a eventual absorção do prejuízo fiscal anteriormente apurada pela suposta omissão de receita exonerada, também deve ser cancelada a autuação aqui discutida.
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-001.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ippolito e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Da análise do resultado do julgamento e do voto condutor do processo nº 10380.013419/2007-32, verifica-se que ocorreu o cancelamento da autuação daquele caso, bem como a consequente exoneração do crédito tributário ali cobrado com base em omissão de receita. Como a autuação fiscal aqui discutida é acessória ao processo nº 10380.013419/2007-32, e como não procede a recomposição do lucro real do ano 2002, bem como a eventual absorção do prejuízo fiscal anteriormente apurada pela suposta omissão de receita exonerada, também deve ser cancelada a autuação aqui discutida. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal. Recurso Voluntário Provido
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Como a autuação fiscal aqui discutida é acessória ao processo nº 10380.013419/200732, e como não procede a recomposição do lucro real do ano 2002, bem como a eventual absorção do prejuízo fiscal anteriormente apurada pela suposta omissão de receita exonerada, também deve ser cancelada a autuação aqui discutida. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 70 14 /2 00 8- 46 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ippolito e Mauricio Pereira Faro. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: “Tratase de impugnação aos lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls 6/15) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls 16/22), com fatos geradores em 31.12.2003, 31.12.2004 e 31.12.2005. Foi ainda aplicada multa isolada incidente sobre as antecipações, não efetuadas, relativas ao pagamento do IRPJ e da CSLL a título de estimativa (art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996). O montante do crédito tributário exigido é de R$ 593.179,20, já computados os juros moratórios e a multa de ofício (75%). 2. Os lançamentos tributários e a multa aplicada decorreram da glosa de compensação do lucro tributável, relativo aos anos 2003, 2004 e 2005, com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa considerados inexistentes. Por sua vez, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa compensados, os quais têm origem no ano de 2002, foram absorvidos por infração de omissão de receita formalizada em autos de infração que tramitam no processo nº 10380.013419/200732. Em pormenor, eis a descrição dos fatos contida nos autos de infração: A fiscalizada compensou, com o lucro real dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, prejuízos fiscais inexistentes, nos valores, respectivamente, de R$ 68.205,76, R$ 281.105,06 e R$ 296.859,38, conforme se passa a relatar. Nos sistemas de controle desta Receita Federal, conforme demonstrativos em anexo, a empresa possuía, em 01/01/2003, um saldo de prejuízos fiscais a compensar no montante de R$ 747.884,95. Referido montante foi gerado por informações prestadas nas DIPJ dos anos calendário de 2001 e 2002, pelos valores, respectivamente, de R$ 81.633,26 e R$ 666.251,69. Acontece que o prejuízo fiscal apurado na DIPJ do ano calendário de 2002, ou seja, R$ 666.251,69, foi transformado em lucro real em decorrência de omissão de receitas tributadas nos autos de infração que constituíram o processo de n° 10380.013419/200732. Portanto, remanesceu a compensar apenas o valor de R$ 81.633,26 relativo ao prejuízo fiscal do ano de 2001, o qual foi totalmente aproveitado, por esta fiscalização, na recomposição da base de cálculo do anocalendário de 2003, ou seja: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 5 4 a) PREJUÍZO FISCAL COMPENSADO NA DIPJ: R$149.839,02 b) PREJUÍZO FISCAL COMPENSAVEL DE 2001: R$ 81.633,26 c) EXCESSO DE COMPENSAÇÃO EM 2003 (ab): R$ 68.205,76 Quanto aos anoscalendário de 2004 e 2005 fica evidente que toda a compensação foi feita indevidamente, uma vez que já não havia mais saldo de prejuízos fiscais. Idêntica situação, e com os mesmos valores, se apresenta quanto A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Assim, estão sendo recompostos os lucros reais dos anoscalendário de 2003 e 2005, pela glosa dos prejuízos fiscais indevidamente compensados, cujo crédito tributário está sendo constituído no presente auto de infração. Em relação à CSLL, as bases de cálculo dos mesmos anoscalendário estão sendo recompostas pela glosa das compensações indevidas, com o crédito tributário decorrente constituído em auto de infração que compõe, também, o presente processo. 3. Cientificado da pretensão fiscal em 29.05.2008 (fl 180), o contribuinte apresentou impugnatória em 26.06.2008 (fls 181/191), instruída com os documento de fls 206/395, requerendo a nulidade ou a improcedência das exações fiscais, à luz dos argumentos assim sintetizados: (i) Os “novos” atos administrativos não poderiam ter sido lavrados porque, de uma parte, a “autuação de omissão de receitas está com exigibilidade suspensa” (art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN), e, de outra, os “saldos de prejuízos foram estritamente comprovados e contabilizados de maneira correta”, de modo que “falta certeza quanto ao fato gerador e quanto à matéria tributável” que tramitam no processo 10380.013419/200732; (ii) Há evidente bis in idem na cobrança de tributos nestes autos e nos autos de 10380.013419/200732, já que a recomposição dos lucros tributáveis dos anos 2003, 2004 e 2005 se deu em função da suposta omissão de receita já adicionada ao lucro tributável do ano de 2002; (iii) Há indisfarçável bis in idem, rechaçado em diversos julgamentos proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na cobrança simultânea da multa isolada sobre estimativas mensais não recolhidas e da multa vinculada ao IRPJ e CSLL anual, uma vez que decorrentes de um “mesmo fato tributável”. 4. Em 26.08.2010, o contribuinte aditou a sua impugnação, para informar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais anulara a decisão de primeira instância nos autos do processo nº 10380.013419/200732 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 6 5 Em face destes argumentos, 4ª Turma da DRJ/FOR julgou improcedente a impugnação, e por via de consequência, manteve o crédito tributário exigido, conforme consta no acordão proferido, e assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003, 2004, 2005 PREJUÍZO FISCAL. DESCONSTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Desconstituído o prejuízo fiscal declarado em relação à determinado período, poderão ser efetuados lançamentos do imposto que deixou de ser pago em virtude da glosa da compensação desse prejuízo fiscal, independentemente da existência de decisão administrativa definitiva acerca do ato de desconstituição. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003, 2004, 2005 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. LEGALIDADE. PROPORCIONALIDADE. A falta de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, por expressa previsão legal que não contraria o postulado da proporcionalidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2003, 2004, 2005 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário. É o relatório.” Fl. 456DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço nos termos da lei. Conforme consta não relatório, tratase de auto de infração lavrado para a cobrança de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls 6/15) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls 16/22), com fatos geradores em 31.12.2003, 31.12.2004 e 31.12.2005. Foi ainda aplicada multa isolada incidente sobre as antecipações, não efetuadas, relativas ao pagamento do IRPJ e da CSLL a título de estimativa (art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996). O montante do crédito tributário exigido é de R$ 593.179,20, já computados os juros moratórios e a multa de ofício (75%). Como consta no Auto de Infração, os lançamentos tributários e a multa aplicada decorreram da glosa de compensação do lucro tributável, relativo aos anos 2003, 2004 e 2005, com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa considerados inexistentes. Por sua vez, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa compensados, os quais têm origem no ano de 2002, foram absorvidos por infração de omissão de receita formalizada em autos de infração que tramitam no processo nº 10380.013419/200732. Ou seja, conforme consta na descrição fiscal, é certo que o prejuízo fiscal apurado na DIPJ do ano calendário de 2002, ou seja, R$ 666.251,69, foi transformado em lucro real em decorrência de omissão de receitas tributadas nos autos de infração que constituíram o processo de n° 10380.013419/200732. Dessa análise, verificase que a autuação aqui ventilada esta intrinsicamente ligada a autuação do processo nº 10380.013419/200732, referente à suposta omissão de receita apurada pela Recorrente por deixar de comprovar a origem de algumas remessas para o exterior. A presunção de omissão de receita daquele processo, fez com que o Fisco desconsiderasse a apuração de prejuízo fiscal da Recorrente, e a revertesse em tributação. Assim, para deslinde do presente caso, resta saber noticias quanto ao julgamento do processo nº 10380.013419/200732, vez que se o lançamento ali julgado fosse cancelado, o lançamento aqui discutido, perderia o seu motivo de ser, razão pela qual também deveria ser cancelado. Dessa forma, vejamos os acontecimentos/andamentos do processo nº 10380.013419/200732. Em consulta ao sítio eletrônico do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, localizei as informações abaixo descritas: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 8 7 Informações Processuais Detalhe do Processo :. Processo Principal : 10380.013419/200732 Data Entrada : 06/11/2007 Contribuinte Principal : FORTBRASIL PARTICIPACOES LTDA Tributo : IRPJ, IRRF, COFINS, PIS, CSLL Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 19/06/2008 RECURSO VOLUNTARIO 02/08/2012 RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 02/09/2014 EXECUTAR JULGAMENTO/DESPACHO Expedido para: DRF/FOR/SECAT/EACCT/CCFISCEL SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF 27/08/2014 EXPEDIR PROCESSO SECAM/3ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF 16/07/2014 DECISÃO PUBLICADA Decisão: Acórdão Número Decisão: 1301001.378 Texto da Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Diante das referidas informações, verificamos que o processo nº 10380.013419/200732, do qual entendo que o processo aqui discutido é vinculado, foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, a qual deu provimento ao Recurso Voluntario do contribuinte para desconsiderar a presunção de omissão de receita e exonerar o crédito tributário daquele processo, conforme se vê pela leitura da ementa abaixo transcrita: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. PAGAMENTO REALIZADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO. No lançamento por omissão de receita apurada com base em presunção legal, o que se presume é o auferimento da receita, e não o fato indiciário, que deve estar devidamente comprovado. A aplicação da regra de presunção legal exige a efetiva comprovação da realização de pagamento à margem da escrituração. (Acordão nº 1301001.378, Processo nº 10380.013419/200732, 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, Relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Sessão de 11/02/2014) Naquele julgamento, que consignou que a suposta presunção de omissão de receita era oriunda do caso “Beacon Hill”, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, entendeu que não procedia a autuação fiscal daquele caso, por omissão de receita. Como o referido caso faz estreita correlação com o caso aqui analisado, faz se necessário a transcrição de parte daquele voto condutor proferido pelo Relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, o qual inclusive cita a posição da Conselheira Karem Jureidini Dias, que compõe a turma ora votante, vejamos: (...) Tal como descrito no relatório acima circunstanciado em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração relacionados ao IRPJ e demais reflexos (fls. 04 a 32), em vista da verificada omissão de receitas caracterizada por pagamentos não escriturados, correspondentes às consideradas remessas de divisas para o exterior, nas quais a recorrente teria figurado como ordenante. As ditas remessas, segundo alegouse, foram realizadas por intermédio da “Beacon Hill Service Corporation”, tendo como beneficiário o Banco Industrial e Comercial – Cayman Branch, conta n° 3544033509001, mantida no Standard Chartered Bank — New Jersey — e a contribuinte, regularmente intimada, não teria comprovado mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos utilizados nessas operações, fundandose a autuação, a partir daí, no disposto no art. 24 da Lei n° 9.249/95, e arts. 248, 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 277, 281, inciso II e 288 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (aprovado pelo Decreto 3000, de 26 de março de 1999). Tem sustentado a recorrente, em sucinto resumo, que não ordenou qualquer remessa ao exterior, procurando demonstrar a partir da sua negativa o frágil cabedal de “provas” que a Fiscalização teria reunido para imporlhe a exigência. Diante deste cenário fático, depreendese que a matéria versada nos autos se refere à presumida omissão de receitas, caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos/remessas efetuados, cuja causa e origem não teriam sido comprovadas. A exemplo dos muitos casos semelhantes julgados nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fiscalização chegou a essa Fl. 459DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 10 9 constatação de omissão de receitas a partir de documentos obtidos com a quebra de sigilo bancário da empresa “Beacon Hill Service Corporation” (conhecido caso do Banestado). Sobredita empresa, como bem se sabe, atuava como preposto bancário/financeiro de pessoas físicas e jurídicas em agências bancárias no exterior e a partir dos dados e arquivos magnéticos coligidos naquela investigação, concluiuse que a ora recorrente teria figurado como ordenante de remessas de dinheiro ao exterior. A partir dessa “constatação” o esforço investigativo da Fiscalização Tributária deuse de maneira bastante singela, qual seja: intimouse a recorrente para que demonstrasse, em sua contabilidade, a escrituração dos valores que teriam sido remetidos via “Beacon Hill” para o exterior. Ao não comprovar tais remessas, no entender da zelosa Fiscalização, estaria caracterizada a presunção legal de omissão de receitas decorrente de pagamentos não escriturados. Temse, portanto, um panorama bastante conhecido, a recorrente, a seu turno, nega que tenha figurado como ordenante de qualquer envio de dinheiro ao exterior via “Beacon Hill”, a despeito disso, parte de sua denominação anterior, “Scala Ltda”, aparece no laudo extraído da quebra do sigilo bancário, bem como em documentos internos da “Beacon Hill” (fls. 51 e 52). O deslinde da situação, destarte, passa pela valoração dos indícios obtidos no famigerado caso Banestado, mais precisamente os indícios lá colhidos que guardem pertinência com a ora recorrente e, nesse esforço investigativo, é oportuno o registro de que as autuações decorrentes do citado caso, a exemplo desta, tiveram ao longo do tempo resultados variados, principalmente em vista do cotejo das provas, que sabidamente oscilam e se alternam em cada caso concreto submetido a julgamento, daí porque, antes de valorar os documentos que suportam a presente autuação, é de bom alvitre revisitar breves notas conceituais, bem como destacar o quadro de precedentes acerca da matéria nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Aliás, tratandose de precedentes no âmbito administrativo, o entendimento firmado no julgamento do Recurso nº 150.465, proferido pela Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por ter enfrentado situação rigorosamente idêntica lançou as notas conceituais necessárias para o deslinde também deste caso, razão pela qual, colho oportunos trechos, litteris: (...) Processo n° 10680.015516/200432 Recurso n° 150.465 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS Ex.: 2000 Acórdão n° 10809.669 Sessão de 13 de agosto de 2008 (...) Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Exercício. 2000 LANÇAMENTO FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Fl. 460DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 11 10 A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então a caracterizaremse como verdadeiros elementos probantes. (...) Recurso Voluntário Provido. (...) Voto Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS, Relatora (...) Neste passo, no tocante à sujeição passiva, também entendo não haver indícios suficientes que a autorizem para o ora Recorrente, por falta de provas de que as remessas ao exterior tenham sido realizadas pelo Recorrente ou sejam em seu benefício. Isto porque, nos documentos trazidos aos autos em que aparece o nome (...) ora como ordenante, ora como beneficiário, não há dados suficientes a fim de comprovar que se trata do Recorrente, tal como CNPJ, endereço, etc. Tampouco existem, como em outros casos decorrentes da mesma operação fiscal relativa à empresa Beacon Hill Service Corporation, outras provas contundentes (por exemplo, ficha de abertura de conta assinada pelo contribuinte, entre outras). Ainda, conforme conclusão do laudo pericial às fls. 138, ficou evidenciado que o “cliente” que determinou a ordem de pagamento (“order customer”) não é necessariamente o remetente original. De mais a mais, poderia a empresa Beacon Hill Service Corp ter apresentado como remetente qualquer pessoa que constasse de seus cadastros ou cujo nome conhecesse. (...) No presente caso, entendo que os indícios não foram comprovados a fim de que se pudesse realizar um raciocínio presuntivo capaz de se determinar um fato presumido grave, preciso e concordante, ou seja, pelos documentos apresentados, não é possível se fazer a relação entre o indício e o fato presumido. Conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 32): “Registrese, também, que nas operações listadas na referida Representação Fiscal, o contribuinte incidiu, por vezes, em duas ou três situações consideradas, a saber, ordenante, remetente e beneficiário, sendo certo que é, pelo menos, ordenante em todas elas, fato caracterizado pelo oposição da abreviatura “B/0” (By Order) em algum campo do documento.” Ocorre que para comprovar o alegado, os documentos juntados correspondem apenas a: 1) Laudo de exame econômico financeiro que tem por objeto mídias computacionais relativas a contas e subcontas que a Beacon Hill administrava junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova York. Neste passo, conforme se verifica do item 23 do Laudo do Instituto Nacional de Criminalística (fls. 138), nos registros das ordens de pagamento, especificamente no campo “order customer”, o “cliente” que determinou a ordem de pagamento não constitui, necessariamente, o remetente original. 2) Transcrição pela equipe de fiscalização, das operações em que o contribuinte identificado aparece como beneficiário, ordenante ou remetente de divisas, sendo, inclusive, incerta a posição que este eventualmente adotava. 3) Cópias de supostas ordens de pagamento autenticada pelo consulado geral do Brasil, mas que não possui assinatura do contribuinte ou comprovação de que foi o dinheiro remetido de sua conta, tampouco evidencia a procedência do fax enviado. Enfim, não há provas da autoria efetiva na remessa, tampouco prova contundente de que o Recorrente foi o beneficiário dos recursos. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 12 11 Se não há provas de que o Recorrente procedeu às remessas, também impossível acusalo de efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Ademais, nos termos do artigo 112, inciso III do Código Tributário Nacional, tem se que, em caso de dúvida quanto à autoria, interpretase a lei tributária, que define infrações, de maneira mais favorável ao acusado, razão pela qual considero, também, que não restou comprovada a sujeição passiva do Recorrente (...) Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (...) Tal como se afirmou naquela sede de julgamento, tratandose especificamente da constituição de uma autuação, ocorrida sempre em vista de determinados fatos que repercutam nas obrigações tributárias, apresentasse imperiosa a correta aferição desses fatos, daí porque a autoridade administrativa deve se valer das provas para qualificar e revelar a materialidade tributável e, por consequência, demonstrar a ocorrência e/ou ausência do fato gerador tributário, ou mesmo da hipótese que desencadeia a presunção legal de omissão de receitas. A grande questão das autuações envolvendo o caso Banestado e os dados obtidos dos relatórios das mídias eletrônicas é que, tratandose de lançamento pela presunção legal contida no artigo 40 da Lei 9.430/1996, base legal do artigo 281, inciso II, do RIR/99 citado na autuação, não pode haver dúvidas sobre o fato indiciário, ou seja, sobre o fato base em que se ampara a presunção de omissão de receita, no caso, a efetiva ocorrência de pagamento efetuado pela autuada à margem da escrituração. Digo com isso, não que a presunção legal de omissão de receitas deva ser desconsiderada, afirmo ao contrário, é que para que seja aplicada é mister o que fato que a desencadeia seja comprovado, in casu o pagamento efetuado e não escriturado. Tratandose dos fatos envolvidos concretamente no presente processo, anoto que a Fiscalização fez as seguintes observações na descrição dos fatos dos autos de infração (fls. 04 – 05): (...) Vêse assim que a justificativa dada pela Fiscalização para reputar desencadeada a presunção legal de omissão de receitas foi a verificação, no Laudo de Exame Econômico Financeiro (fls. 53 – 62) realizado nas contas e subcontas da Beacon Hill, que indicariam duas operações de remessa de dólares aos exterior em que teria figurado como ordenante a ora recorrente, estando encartados às folhas 51 e 52 documento interno Beacon Hill que evidenciariam a titularidade da recorrente. Registro de pronto que a dita prova apresentada pela Fiscalização deve ser encarado com a parcimônia necessária à aferição da comprovação nos autos de que a recorrente realizou pagamento à margem da escrituração, relembrando sempre, ser esta a imputação realizada que desencadeou a omissão de receitas por presunção legal. Tem razão a recorrente ao afirmar que não há nos documentos de folhas 51 e 52, escorreita identificação entre o ordenante de remessas, eis que ausentes qualquer identificação nos documentos que fundamentam a autuação fiscal, consta apenas o termo “Scala Ltda., e um endereço incompleto, sem, Fl. 462DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 13 12 contudo, revelarse qualquer número inscrição estadual/municipal/federal, identificação de um preposto ou coisa que o valha. Além da abreviatura do homônimo da denominação anterior da recorrente, nada há que indique a participação dela recorrente nas tais remessas, ou seja, nada há que indique que de fato a recorrente efetivou os “pagamentos” à margem da escrituração. Nessa toada, observo não haver indícios suficientes que a autorizem a conclusão de que a recorrente realizou pagamentos à margem da escrituração, porquanto não há provas de que as remessas ao exterior tenham sido ordenadas por ela ou em seu beneficio. Novamente observo que os documentos trazidos aos autos em que aparece o nome “Scala Ltda”, não há dados suficientes a fim de comprovar que se trata de pagamento realizado por ordem da recorrente, afirmando que não vislumbrei qualquer indicação de CNPJ, endereço completo, tampouco existem, como em outros casos decorrentes da mesma operação fiscal relativa à empresa Beacon Hill Service Corporation, outras provas contundentes (por exemplo, ficha de abertura de conta assinada pelo contribuinte, entre outras). Nessa mesma ordem das ideias, importante destacar que as informações que amparam as exigências fiscais aqui examinadas não foram produzidas estritamente no âmbito da Secretaria da Receita Federal eis que se originaram de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística embasados nas mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, para a investigação de um grande número de operações financeiras realizadas no exterior, sem a minudência investigativa necessária a trazer segurança na identificação da recorrente. Tenho me manifestado em outras oportunidades, de maneira coincidente a aqui fundamentada, sempre que verificada insuficiência na identificação do ordenador dos envios via “Beacon Hill Service” e por assim entender ocorrido na espécie, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Da análise do resultado do julgamento e do voto condutor do processo nº 10380.013419/200732, percebese que este Egrégio CARF se posicionou quanto ao cancelamento da autuação daquele caso, bem como com a consequente exoneração do crédito tributário ali cobrado com base em omissão de receita. Assim, se no mundo fiscal e jurídico não existiu a omissão de receita, não há que se falar em recomposição do lucro real levada a efeito pela Receita Federal no ano calendário 2002, ou seja no presente caso, pois, conforme julgado, não houve qualquer omissão de receita no processo 10380.013419/200732. Dessa forma, como a autuação fiscal aqui discutida é acessória ao processo nº 10380.013419/200732, e como não procede a recomposição do lucro real do ano 2002, bem como a eventual absorção do prejuízo fiscal anteriormente apurada pela suposta omissão de receita exonerada, também deve ser cancelada a autuação aqui discutida. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10380.007014/200846 Acórdão n.º 1401001.340 S1C4T1 Fl. 14 13 Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, e por via de consequência, exonerar o crédito tributário in totum. É como voto. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000352/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Marcos Caetano da Silva, inscrito na OAB/GO sob o nº11.767.
Nome do relator: MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃ0 CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Marcos Caetano da Silva, inscrito na OAB/GO sob o nº 11.767. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10218.000352/2007-58 Resolução n.º 2202-00.199 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 e 9, pelo qual se exige a importância de R$965.188,18, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, ano-calendário 2003. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 112 a 124, instruída com os documentos de fls. 125 a 138, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 141-verso a 142-verso): Tendo tomado ciência do lançamento em 29/06/2007 (fl.17, verso), via postal, a contribuinte apresentou impugnação em 27/07/2007 (fls.112/124) e anexou os documentos de fls.128/138, por procurador (fl.125), alegando em síntese que: 1. A impugnação é tempestiva uma vez que o contribuinte tomou ciência da autuação em 29/06/2007 e apresentou impugnação em 27/07/2007; 2. Todos os valores creditados em conta de depósito e de investimento mantidas pelo impugnante junto a instituições financeiras, que segundo o fisco não foram comprovados por documentação hábil e idônea, são considerados como omissão de rendimentos; 3. Os depósitos ou créditos feitos nas contas bancárias do contribuinte não refletem, obrigatoriamente, rendimentos omitidos; 4. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 c/c art.849 do RIR, apenas não serve para sustentar a ação fiscal, pois é imprescindível que o fisco comprove a utilização dos valores depositados como renda consumida; 5. Depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; 6. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. Este entendimento já vinha imperando, por reiteradas vezes, em nossos tribunais fiscais e judiciais, quando ainda vigorava a Lei n° 8.021/90, que em seu artigo 6° regulava a matéria debatida neste processo; 7. O dispositivo em que o fisco fundamenta a autuação não passa de uma reprodução do §5° do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, o qual já foi inteiramente rechaçado por nossos tribunais pátrios; 8. Na prática, a legislação não mudou, pois a pretensão do fisco, alicerçada no art. 42 da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 849 do RIR, também não poderá subsistir, porque está calcada unicamente em depósitos bancários, os quais não podem ser caracterizados como disponibilidade econômica de renda; (transcreve doutrina). Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10218.000352/2007-58 Resolução n.º 2202-00.199 S2-C2T2 Fl. 3 3 9. Não se preocupou a autoridade fiscal lançadora em comprovar, que tais lançamentos resultaram em aumento patrimonial, com a aquisição de bens ou consumo com pagamento de terceiros, serviços, etc; 10. Sobre o tema, a jurisprudência administrativa tem repelido a pretensão fiscal; (transcreve dois julgados, um da CSRF e outro do 1°CC); 11. O impugnante exerce as atividades de fazendeiro e desta profissão advém a grande maioria de suas receitas; 12. Vários depósitos mencionados no demonstrativo do auto de infração (fls. 41/44 do processo), são de diversas naturezas, inclusive de contratos de abertura de crédito bancário, para desconto de cheques e outros títulos de crédito mediante borderôs; 13. Durante o período fiscalizado, o impugnante promoveu também em suas contas correntes, inúmeros saques em moeda corrente que totalizaram R$ 376.217,00, os quais, evidentemente, serviram de recursos para posteriores depósitos nas mesmas contas correntes; 14. No ano-calendário fiscalizado houve outras receitas da atividade rural que, por um lapso, não foram declaradas; 15. Ao longo do período fiscalizado, o impugnante efetivou várias vendas de gado, cujos recebimentos foram feitos antecipadamente de forma total ou parcialmente, hipóteses estas em que o rebanho ainda não estava pronto para o abate. Por se tratar de receita da atividade rural, estas devem ser consideradas ao longo de todo o ano- calendário; (transcreve julgado do 1°CC) 16. Também o saldo no valor de R$ 20.000,00 existente na sua DIRPF do ano- calendário 2002 deve servir como origem dos recursos para fazer face aos depósitos no ano seguinte; 17. No ano-calendário de 2003, o impugnante alienou veículos, além de outros bens da atividade rural, cujos valores também servirão como prova da origem dos recursos; 18. Transitaram pelas contas correntes do impugnante, ao longo do ano- calendário 2003, vários depósitos referentes a empréstimos emergenciais de pessoas físicas e/ou de pessoas jurídicas; inclusive empréstimos de cheques para descontos, cujos comprovantes estão sendo providenciados; 19. Todos estes recursos, obtidos no período fiscalizado hão de servir como comprovação de origem dos recursos que transitaram por suas contas correntes, independentemente de coincidência de datas e valores, pois basta a comprovação da existência dos recursos; (transcreve duas ementas de julgados do 1°CC) 20. Outro equívoco cometido pela fiscalização foi o fato de não terem sido excluídos dos valores depositados, os cheques devolvidos nas contas bancárias, no importe de R$ 396.708,93 conforme planilha anexa; 21. O fisco desconsiderou o fato das contas bancárias investigadas serem conjuntas, o que, por si só, comprova que os depósitos não pertenciam exclusivamente ao autuado, razão pela qual, sozinho, não poderia responder pela ação fiscal; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10218.000352/2007-58 Resolução n.º 2202-00.199 S2-C2T2 Fl. 4 4 22. Outro erro na autuação está no quadro demonstrativo constante da fl.8 do processo, onde o fisco lançou o contribuinte no valor de R$ 3.513.766,11 enquanto que no demonstrativo de f1.12, levantou o montante de R$ 3.593.766,11; 23. Ao que parece, o auditor fiscal esqueceu-se de diminuir a quantia de R$ 80.000,00 lançada no quadro demonstrativo de f1. 12 sob o título de "Receitas Recebidas em 2003 para entrega futura", para se chegar ao resultado de R$3.513.766,11; 24. Contudo, também o valor de R$ 3.513.766,11 não está correto, pois o fisco cometeu outro erro na soma dos depósitos lançados mês a mês que, na realidade, apresente montante de R$ 3.520.690,61, de cuja quantia deverá ser deduzidos os valores de R$ 163.000,00 considerados pela fiscalização na fl.12 do processo, chegando-se ao resultado de R$ 3.357.690,61, ou seja, tributou-se a mais a quantia de R$ 156.075,86; 25. Como não conseguiu, no prazo da impugnação, reunir todos os documentos que servirão de prova dos recursos que transitaram pelas suas contas correntes, mormente em razão de se tratar de ano-calendário já distante, protesta nela juntada posterior destes documentos tão logo os tenha em mãos; 26. Requer o cancelamento do lançamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém (PA) manteve parcialmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 01-10.463 (fls. 141 a 145), de 25/02/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/1996 estabeleceu em seu art. 42 presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem do valores depositados em sua conta de depósito. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. A decisão a quo excluí da base de cálculo o valor total de R$33.495,96, indevidamente tributado pela fiscalização, conforme indicado à fl. 144. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10218.000352/2007-58 Resolução n.º 2202-00.199 S2-C2T2 Fl. 5 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 19/03/2008 (vide AR de fl. 149), o contribuinte interpôs, em 16/04/2008 (vide Memo no 123/2008/SEPOL/DRF/GOI, tempestivamente, o recurso de fls. 153 a 169, acompanhados dos documentos de fls. 170 a 217, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 125), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 05, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2011, veio numerado até à fl. 218(última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10218.000352/2007-58 Resolução n.º 2202-00.199 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento relativo ao ano-calendário 2003 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Numa análise preliminar dos autos, observa-se que parte dos extratos bancários que compõe o presente processo foi fornecida pelo próprio contribuinte e outra parte entregue diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, sem prévia autorização judicial, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal às fls. 13 a 17. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10218.000352/2007-58 Resolução n.º 2202-00.199 S2-C2T2 Fl. 7 7 no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 03/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 16327.721607/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESCONSIDERAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A exigência de crédito tributário sem a dedução de antecipações verificadas no mesmo fato gerador não representa ausência de elemento essencial ao lançamento tributário e não enseja sua nulidade.
PERDAS INDEDUTÍVEIS OU ANTECIPADAS. ANTECIPAÇÕES SUPERIORES AO TRIBUTO DEVIDO. O auto de infração é o veículo para formalização de acusação fiscal, ainda que dela não resulte exigência de crédito tributário. Se o sujeito passivo informa em sua DIPJ antecipações em valor superior ao imposto espontaneamente apurado, somado ao apurado pela Fiscalização, a desconsideração daquelas deduções somente subsiste se devidamente justificada na acusação fiscal, ou se infirmadas por razões expostas ao sujeito passivo antes do decurso do prazo decadencial.
Numero da decisão: 1101-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso; e 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A exigência de crédito tributário sem a dedução de antecipações verificadas no mesmo fato gerador não representa ausência de elemento essencial ao lançamento tributário e não enseja sua nulidade. PERDAS INDEDUTÍVEIS OU ANTECIPADAS. ANTECIPAÇÕES SUPERIORES AO TRIBUTO DEVIDO. O auto de infração é o veículo para formalização de acusação fiscal, ainda que dela não resulte exigência de crédito tributário. Se o sujeito passivo informa em sua DIPJ antecipações em valor superior ao imposto espontaneamente apurado, somado ao apurado pela Fiscalização, a desconsideração daquelas deduções somente subsiste se devidamente justificada na acusação fiscal, ou se infirmadas por razões expostas ao sujeito passivo antes do decurso do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso; e 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 07 /2 01 1- 45 Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 16/11/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 19.452.405,55. As exigências decorrem de irregularidades constatadas no registro de perdas em operações de crédito por parte de Banco Finasa S/A, incorporado pela recorrente. A autoridade lançadora identificou operações no valor total de R$ 16.875.452,12, que não poderiam ter afetado o lucro do anocalendário 2007, bem como baixas antecipadas no montante total de R$ 2.462.381,19, que somente poderiam ter afetado o lucro tributável nos anoscalendário 2008 a 2011, evidenciando postergação de IRPJ e CSLL. Também foram constatadas perdas indedutíveis no anocalendário 2006 (R$ 8.032.026,10) e créditos deduzidos em duplicidade nos anoscalendário 2006 e 2007 (R$ 511.580,75). A autuada não impugnou as exigências pertinentes ao anocalendário 2006, bem como a CSLL e parte do IRPJ lançados no anocalendário 2007. Em sua defesa, apenas afirmou a nulidade do lançamento porque dele somente poderia resultar a redução do IRPJ pago a maior no anocalendário 2007, e jamais a falta de pagamento do imposto. Observou que o saldo negativo apurado naquele período não havia sido objeto de compensação, e argumentou que a autoridade lançadora não teria observado o disposto no art. 142 do CTN e no art. 9o do Decreto nº 70.235/72. Questionou, também, a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma Julgadora entendeu que o procedimento fiscal observou os requisitos legais, e afirmou a validade da penalidade aplicada sobre os créditos tributários resultantes de declaração inexata. O voto condutor do julgado observa que o saldo negativo de IRPJ, quando líquido e certo, se traduz num crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional e desta forma até admitirseia a possibilidade de utilização do mesmo para a compensação com o devido apurado no auto de infração, desde que fosse considerado também o valor da multa vinculada. Complementou que em 23/12/2011 a contribuinte ingressou com pedido de restituição do referido saldo negativo, e em 22/05/2012 apresentou Declaração de Compensação – DCOMP retificadora para utilizar parte do suposto crédito. No mais, embora observando que a questão acerca da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício está relacionada à cobrança do crédito tributário, afirmou a existência de previsão legal para tal procedimento e reportouse a manifestações favoráveis do Superior Tribunal de Justiça. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/11/2013 (fl. 2991), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 13/12/2013 (fls. 2993/3011), no qual reprisa os argumentos apresentados em impugnação. Inicialmente, porém, esclarece que ingressou com o pedido de restituição mencionado na decisão recorrida somente para assegurar seu direito ao saldo negativo, promovendo compensação de apenas parte do crédito, sem utilizar a parcela correspondente à presente exigência. De toda sorte, reafirma a nulidade do presente lançamento, porque mesmo Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 5 4 se procedente fosse a glosa das despesas em questão a conseqüência seria apenas a redução do IRPJ já pago a maior pelo Impugnante no ano de 2007 (e até hoje não compensado), e jamais a falta de pagamento de imposto. Argumenta que não poderia jamais o ilustre Fiscal simplesmente tomar o valor das despesas glosadas e sobre elas fazer incidir o IRPJ, sem antes recompor o lucro real e o lucro líquido do período, apurar o novo valor devido a título de IRPJ e confrontálo com o valor efetivamente recolhido pelo Recorrente, de modo a exigir somente o valor do tributo eventualmente recolhido a menor. Discorda do entendimento exposto na decisão recorrida acerca da regularidade do procedimento fiscal, pois a conseqüência esperada seria apenas a redução do IRPJ já pago a maior pelo Recorrente no ano de 2007 e jamais a falta de pagamento de imposto. Defende que a multa de ofício somente é aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, e equipara o caso presente àqueles nos quais há, apenas, redução de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Assim, a fiscalização não só pode como deve considerar para fim de exigência de tributo no exercício eventuais valores que tenham sido recolhidos por montante maior que o devido, e não o tendo feito é nulo o auto de infração lavrado. Reportase ao art. 142 do CTN e ao art. 9o do Decreto nº 70.235/72, aduz que somente cabe a lavratura de auto de infração para exigência do tributo e multa nos casos de recolhimento a menor ou falta de recolhimento do tributo devido, sendo que nos demais casos o auto de infração deve estar restrito à determinação de correção da falha, seja para eventual redução do valor do prejuízo apurado, seja para redução dos valores dos saldos negativos informados na DIPJ. Afirma ter juntado à impugnação planilhas evidenciando que nada seria devido, ainda que admitida a glosa promovida no anocalendário 2007, e classifica de material a nulidade decorrente do vício apontando na apuração da base de cálculo do lançamento, transcrevendo ementas de julgados administrativos neste sentido. Opõese, ainda, à exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, defendendo a possibilidade de discutir esta matéria no âmbito do contencioso administrativo especializado, e reportandose a julgado da 1a Turma da CSRF, além da manifestação de outros Colegiados, contrários àquele acréscimo. Discorda do amparo legal vislumbrado no art. 61 da Lei nº 9.430/96, mormente tendo em conta o disposto no art. 43 da mesma lei, e nos arts. 5o, II, e 150, I, da Constituição Federal, além do art. 97 do CTN. Finaliza observando que a taxa SELIC não se presta para cálculo daquele acréscimo, ressaltando que ela em muito extrapola o limite de 1% previsto no art. 161 do CTN. Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre rejeitar a argüição de nulidade do lançamento reproduzindo as razões já expostas por esta Relatora, em circunstâncias semelhantes, no voto condutor da Resolução nº 1101000.077: A recorrente argúi a nulidade do lançamento porque [...](b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no anocalendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e [...]. A nulidade dos atos administrativos de lançamento é regida pelo Decreto nº 70.235/72, que em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente, e em seu art. 10 traça os requisitos essenciais para a formalização do auto de infração. Tais dispositivos legais alinhamse ao art. 142 do CTN, que também estabelece a formalização do lançamento por autoridade administrativa competente, e exige, para sua validade, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo. [...] Também não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora deixa de considerar, na determinação do tributo a ser exigido, recolhimentos ou antecipações promovidos pelo sujeito passivo. Em que pese possa ser discutível a natureza da dedução das antecipações invocadas pela contribuinte, e o procedimento a ser adotado em face do sujeito passivo que já se valeu de eventual saldo negativo daí resultante para compensação de outros débitos, não é possível afirmar, como pretende a recorrente, que a desconsideração destes aspectos represente a ausência de elemento essencial ao lançamento tributário. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, estão presentes quando a autoridade lançadora identifica a infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e promovendo o lançamento da parcela superior àquela inicialmente calculada pelo sujeito passivo. As deduções de recolhimentos e antecipações, a partir deste ponto, representam a extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor exigido reveste a natureza de fato extintivo do direito do Fisco, que deve ser alegado pelo sujeito passivo em seus recursos administrativos. Ressaltese que, no presente caso, a autoridade lançadora observou a opção da contribuinte de apuração anual do lucro real, e por conseqüência da base de cálculo da CSLL, reconstituindo esta apuração para determinar o efeito da infração constatada, consoante determina o art. 24 da Lei nº 9.249/95. Logo, não há erro de direito na apuração do crédito tributário, podendo existir, apenas, erro de fato, se provada a existência de antecipações ou recolhimento que deveriam ter reduzido o imposto devido para fins de exigência. Quanto à alegada burla ao prazo decadencial para confirmação de elementos determinantes do crédito tributário, ou alteração do critério jurídico do lançamento Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 7 6 mediante admissibilidade daquelas deduções, tratamse, também, de aspectos materiais a serem considerados no momento da apreciação da prova destas antecipações e recolhimentos pelo sujeito passivo, e não em âmbito preliminar de validade do lançamento. De fato, estando as antecipações e recolhimentos declarados, caberá ao julgador decidir se esta prova é suficiente ou se outros questionamentos podem ser feitos acerca dos fatos extintivos do crédito tributário alegados pelo autuado. Acrescentese que, uma vez instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, cabe à autoridade julgadora analisar a procedência ou não do lançamento fiscal, mediante apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos interessados, inclusive quanto à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. A mudança do critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN, somente ocorreria quando a autoridade julgadora, ao analisar um lançamento completo e acabado, refaz sua materialidade e sua fundamentação. Eventual correção dos cálculos da exigência não acarreta qualquer alteração do critério jurídico, se mantida a motivação da glosa originalmente promovida e a forma de apuração (lucro real anual) adotada pela autoridade lançadora. Não fosse assim, e os julgamentos administrativos sempre resultariam em procedência ou improcedência do lançamento, e nunca em procedência parcial. Naquela ocasião a argüição de nulidade foi rejeitada por voto de qualidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva No presente caso, a autoridade lançadora relata que, no anocalendário 2007, a fiscalizada (incorporada pela autuada) originalmente apurou IRPJ devido em razão de ter auferido lucro real de R$ 230.383.060,742. E, em face desta apuração, identificou perdas indedutíveis de R$ 17.100.197,03, sobre as quais calculou IRPJ e adicional devidos no total de R$ 4.275.049,25, acrescidos da parcela de R$ 200.023,21 resultante dos efeitos da antecipação de perdas dedutíveis apenas nos anoscalendário 2008 a 2010. Em tais condições, se o sujeito passivo já ultrapassara o limite para isenção do adicional, o IRPJ devido é regularmente apurado mediante aplicação da alíquota total de 25% sobre a infração identificada, no caso, perdas indedutíveis de R$ 17.100.197,03. cumprindo apenas avaliar o efeito extintivo das antecipações alegadas pela recorrente. Acrescentese, ainda, que a autoridade lançadora também demonstra os cálculos para identificar o IRPJ devido em razão das perdas indevidamente antecipadas, apurando a parcela remanescente após dedução dos valores postergados. A recorrente também se reporta a julgados administrativos que teriam declarado a nulidade material de lançamentos, mas observase que os casos referidos apresentavam deficiências severas na apuração da base tributável. De fato, no Acórdão nº 910100.177, a determinação do IRPJ e da CSLL tiveram por referência superávit de entidade imune, sem a prévia apuração do lucro líquido contábil ajustado; e no Acórdão nº 10321.729 a Fiscalização deixou de identificar qual parcela da exclusão de correção monetária resultante da diferença IPC/BTNF poderia ser admissível no período autuado. Já no Acórdão nº 10709.141, embora a autoridade lançadora não tenha reconstituído o lucro real do período, tendo em conta o prejuízo fiscal originalmente apurado, a decisão administrativa foi no sentido de apenas reduzir a exigência, em razão desta recomposição. Assim, nenhum dos casos referenciados ampara a pretensão da recorrente de ver declarada a nulidade material da exigência. Por tais razões, REJEITASE a preliminar de nulidade. Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 8 7 No mérito, consta dos autos que a DIPJ entregue pela fiscalizada apresentava, para o anocalendário 2007, a seguinte apuração (fl. 2788): A autoridade julgadora de 1a instância afirmou correta a exigência fiscal porque ante a redução indevida do lucro real, houve declaração inexata, hipótese sujeita à penalidade assim prevista na redação atual da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Contudo, referido dispositivo legal somente autoriza a aplicação da multa de 75% nos casos em que necessário o lançamento de ofício por falta de pagamento/recolhimento e de declaração (ou de declaração inexata). Isto porque, se o débito está declarado, sujeitase apenas à cobrança com encargos moratórios, nos termos do art. 61 da mesma lei, sendo dispensável o lançamento de ofício. De outro lado, se há apenas falta de declaração, ou declaração inexata, dissociada de falta de pagamento/recolhimento, somente se pode cogitar de descumprimento de obrigação acessória, como atualmente disposto na Instrução Normativa RFB nº 1110/2010: Art. 7º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º ; Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 9 8 II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput , será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º , as multas serão reduzidas: I em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00 (quinhentos reais). (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.484, de 31 de julho de 2014) § 4º Na hipótese dos §§ 3º e 4º do art. 5º , será devida multa por atraso na entrega da DCTF, calculada na forma do caput , desde a data fixada para entrega de cada declaração. § 5º Na hipótese do § 5º do art. 5º , vencido o prazo, será devida multa por atraso na entrega da DCTF, calculada na forma do caput , desde a data originalmente fixada para entrega de cada declaração. § 6º As multas de que trata este artigo serão exigidas mediante lançamento de ofício. § 7º No caso dos órgãos públicos da administração direta dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, as multas a que se refere este artigo serão lançadas em nome do respectivo ente da Federação a que pertençam. § 8º No caso de autarquias e fundações públicas federais, estaduais, distritais ou municipais, que se constituam em unidades gestoras de orçamento, as multas a que se refere este artigo serão lançadas em nome da respectiva autarquia ou fundação. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012 ) (negrejouse) Acrescentese, ainda, que, como dito por esta Relatora em voto vencedor proferido no Acórdão nº 1101001.116, a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro não admitiria que de um mesmo fato gerador decorresse crédito tributário e direito creditório, pois a sua materialidade seria determinada em razão das circunstâncias presentes no momento de sua ocorrência, in casu, no termo final da apuração anual. Logo, a autoridade lançadora não poderia afirmar a existência de IRPJ não recolhido ao final do anocalendário 2007 sem antes se manifestar acerca dos efeitos das antecipações promovidas pelo sujeito passivo fiscalizado no período em análise, mormente se no momento do lançamento aquelas antecipações, superiores ao débito originalmente apurado, sequer haviam sido objeto de pedido de restituição ou de declaração de compensação. Neste sentido, aliás, cumpre reproduzir o que consignado na decisão recorrida: Cumpre ainda destacar que, de fato, até a data da apresentação da impugnação, o interessado não havia entregue nenhum pedido de restituição/declaração de compensação com a pretensa utilização do saldo negativo de IRPJ supostamente apurado em 2007, entretanto, em consulta realizada no sistema SIEFPERDCOMP (fls. 2.975) verificouse que o mesmo ingressou com um pedido de restituição em 23/12/2011 (PER/DCOMP nº 28659.57390.231211.1.2.028602), ou seja, 7 (sete) Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 10 9 dias após a apresentação da impugnação, e, posteriormente, em 22/05/2012, apresentou Declaração de Compensação retificadora (PER/DCOMP nº 17532.44103.220512.1.7.025349) pretendendo compensar parte do suposto crédito pleiteado. É bem verdade que o valor do crédito informado como disponível na Declaração de Compensação exclui o exato valor da autuação, de sorte que o impugnante está mesmo considerando a sua utilização no presente processo como abatimento do saldo negativo apurado, entretanto, além da questão referente à multa vinculada acima exposta, não seria possível proceder da maneira solicitada pois estarseia efetuando uma compensação de valores apurados na infração com crédito ainda não analisado pela autoridade competente, ou seja ainda ilíquido e incerto. Portanto, não há prejuízos para o contribuinte visto que, se na análise do pedido de restituição for reconhecido integralmente o seu direito creditório, parte do mesmo poderá ser utilizado na Declaração de Compensação apresentada e o restante restituído ou utilizado em outras compensações, inclusive para a quitação parcial do eventual débito decorrente do presente auto de infração. Importante esclarecer que não se vislumbra, aqui, hipótese de compensação, que essencialmente exige a confrontação de um indébito com débito oriundo de apuração distinta. A confrontação entre antecipações/pagamentos e débito correspondentes à apuração de um mesmo tributo em um mesmo período de apuração é mera imputação, e não depende de qualquer procedimento específico por parte do sujeito passivo, como por exemplo a mencionada Declaração de Compensação – DCOMP. Por sua vez, no âmbito do lançamento de ofício, a autoridade fiscal somente pode negar valor às antecipações informadas pelo sujeito passivo se apresentar razões para tanto. A DIPJ juntada aos autos indicava que no período de apuração em questão (ano calendário 2007), o sujeito passivo fiscalizado teria promovido antecipações (retenções e estimativas) no montante de R$ 68.659.769,37, e apurado imposto devido (depois das deduções) de R$ 55.498.317,63. Já o procedimento fiscal limitouse a afirmar que as parcelas de R$ 4.275.049,25 e R$ 200.023,21 não teriam sido recolhidas, a primeira porque correspondente a lucro real não informado na DIPJ e a segunda porque correspondente a lucro real submetido a tributação apenas em períodos posteriores. Embora a recorrente não negue o cômputo de perdas indedutíveis no ano calendário 2007, nem o registro antecipado das perdas identificadas pela Fiscalização, é certo que a autoridade lançadora não logrou desconstituir a existência de antecipações superiores ao imposto originalmente apurado pelo sujeito passivo e no procedimento fiscal. E, cogitar da investigação acerca da regularidade destas deduções permitiria suscitar neste momento, depois de transcorrido o prazo decadencial, outras irregularidades que não foram tempestivamente apuradas pela autoridade lançadora. Assim, tem razão a recorrente quando assevera que a conseqüência esperada, em face das infrações constatadas pela autoridade lançadora, seria apenas a redução do IRPJ já pago a maior pelo Recorrente no ano de 2007, sem exigência de crédito tributário e conseqüente aplicação de penalidade. Contudo, o veículo para esta providência é o auto de infração, consoante expresso no Decreto nº 70.235/72: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.721607/201145 Acórdão n.º 1101001.210 S1C1T1 Fl. 11 10 [...] § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] Por tais razões, o presente voto é no sentido de, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a exigência em litígio (IRPJ devido no ano calendário 2007) e reconhecer que, neste ponto, o procedimento fiscal autorizou apenas a redução do saldo negativo de IRPJ apurado naquele período, em valor correspondente ao principal devido de R$ 4.475.072,47. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10932.720032/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
GLOSAS DE COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO E DAS IRREGULARIDADES NO RELATÓRIO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo quando o fisco expões no seu relatório de trabalho as irregularidades encontradas no procedimento de compensação, indica quais valores compensados foram objeto de glosa. e justifica a aplicação da multa isolada.
O mero erro no período incluído no lançamento, não provoca nulidade do AI, quando por meio dos demais documentos que compõem o processo é possível identificar o período correto. Ademais, tendo o próprio recorrente identificado o erro não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Correta a aplicação da multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição na falsa declaração da GFIP, e o contribuinte argumentando apenas a existência de créditos não demonstra propriamente sua existência, mesmo intimado especificamente para tanto.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE CONTRIBUIÇÕES RAT, INCRA, SEBRAE SELIC, MULTA - IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I)rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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NÃO COMPROVAÇÃO DE SEREM INDEVIDAS AS CONTRIBUIÇÕES COMPENSADAS Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuarem a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. Correta a aplicação da multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição na falsa declaração da GFIP, e o contribuinte argumentando apenas a existência de créditos não demonstra propriamente sua existência, mesmo intimado especificamente para tanto. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 32 /2 01 2- 18 Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE CONTRIBUIÇÕES RAT, INCRA, SEBRAE SELIC, MULTA IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 GLOSAS DE COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO E DAS IRREGULARIDADES NO RELATÓRIO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo quando o fisco expões no seu relatório de trabalho as irregularidades encontradas no procedimento de compensação, indica quais valores compensados foram objeto de glosa. e justifica a aplicação da multa isolada. O mero erro no período incluído no lançamento, não provoca nulidade do AI, quando por meio dos demais documentos que compõem o processo é possível identificar o período correto. Ademais, tendo o próprio recorrente identificado o erro não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I)rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal AIOP, lavrado em desfavor do recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da glosa de compensação efetuadas pela empresa sem que a mesma tivesse direito a mesma, no período de 11/2009 a 06/2011. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 3124 no AI nº 51.018.3271, exigemse os valores decorrentes da glosa das compensações referentes ao período de 01/2009 e 12/2010, na medida em que a fiscalizada não demonstrou o direito creditório que daria suporte a elas (fls. 3110). As justificativas apresentadas pela empresa durante a ação fiscal levaram a Fiscalização a concluir pela falsidade das declarações, o que resultou na exigência da multa isolada de 150% do valor das compensações indevidas por meio do AI nº 51.018.3263 (fls. 3100). Relativamente ao ano de 2008, foi lavrado o AI nº 37.368.5769, objeto do Processo nº 1932.720033/201254, por meio do qual são glosadas as compensações referentes às competências de 03/2008 e de 09/2008 a 13/2008. Preliminarmente, esclarece o Auditor Fiscal que havia lavrado auto de infração, cientificado à fiscalizada em 23/03/2012, utilizando os valores declarados em GFIP transmitidas após o início do procedimento fiscal em 22/07/2011, o que é vedado pelo § 1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Procedeu, então, com a lavratura do Termo de Retificação de Lançamento, com ciência da empresa em 18/04/2012, por meio do qual se substituíram os lançamentos anteriores pelos juntados aos autos. Prossegue o Auditor, relatando que a empresa não comprovou, durante a ação fiscal, “a validade jurídica dos créditos utilizados na compensação”. A primeira intimação apresentada à empresa requisitando os documentos necessários à realização dos trabalhos fiscais não foi atendida, o que levou a Fiscalização a renovála. Em resposta à segunda intimação, a fiscalizada informou que a maior parte da primeira requisição já havia sido cumprida, posto que os documentos solicitados já se encontravam na empresa à disposição da Fiscalização, o que ensejou a lavratura de Termo de Constatação Fiscal para, além de renovar o prazo para apresentação de documentos, enfatizar que os documentos Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 deveriam ser apresentados na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Mais uma vez, a intimação não foi atendida, conduzindo o Auditor Fiscal a exigir a apresentação dos livros diários e documentos fiscais, o que foi cumprido pela empresa. Após analisar os documentos apresentados, a Fiscalização confirmou a ausência de recolhimentos de contribuições previdenciárias por terem sido declaradas diversas compensações. Com isso, mais uma intimação foi providenciada, desta vez para que a fiscalizada comprovasse o pagamento das contribuições em questão ou fizesse prova do direito creditório. Novamente, a empresa silenciouse. Após nova intimação, a contribuinte entregou à Fiscalização a planilha “Apuração de Créditos e Compensações do INSS”, a qual descreve os créditos a que teria direito, oriundos de recolhimentos de contribuições incidentes sobre fatos não tributáveis, “na visão do contribuinte”. A fim de apurar a regularidade das compensações, foi solicitado à empresa que apresentasse informações mais detalhadas de modo a esclarecer “a composição individualizada de todos os valores”, comprovando os mediante folhas de pagamento. Além disso, foi requerida prova dos recolhimentos, da autoria da planilha já oferecida e de eventual decisão judicial que autorizasse as compensações realizadas ou de processo administrativo que tratasse do direito creditório em análise. Por meio das planilhas de fls. 2695 e 2696, a fiscalizada detalha parte das informações inicialmente prestadas, confirmando que o direito creditório teria suporte em teses jurídicas decorrentes de jurisprudência, de doutrina e de interpretação das normas tributárias, o que levou a Fiscalização a concluir pela inexistência de decisão judicial que reconhecesse, concretamente, o crédito alegado. Foram também apresentados pela empresa GFIP, resumos de folhas de pagamento e “guia de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre trabalho com vínculo empregatício do mês de fevereiro de 2008”. Relata a Fiscalização que, do confronto entre as informações prestadas e dos documentos apresentados, não se verificou qualquer semelhança ou identidade entre os valores cotejados. Em 19/04/2012, a Fiscalização deu oportunidade à contribuinte para que fizesse prova da origem e da idoneidade dos valores comunicados (fls. 2838 e seguintes): 4° Ao se promover o confronto dos valores constantes na planilha "APURAÇÃO DE CRÉDITOS E COMPENSAÇÕES DO INSS" com os documentos entregues pelo fiscalizado e descritos nas letras do item anterior não se verifica qualquer semelhança ou identidade entre os valores e pior foi anexada uma guia de Recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre trabalho com vínculo empregatício do mês de fevereiro de 2008, como se Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 4 5 tal exação tivesse alguma relação com contribuição Previdenciária. Ante todo o exposto são impostas ao contribuinte as seguintes obrigações: I Fazer prova por meio de documentos hábeis e idôneos os recolhimentos de Contribuições Previdenciárias dos valores descritos na planilha "APURAÇÃO DE CRÉDITOS E COMPENSAÇÕES DO INSS"; II É importante alertar e advertir ao contribuinte que este deve apresentar as tabelas que deram origem aos valores descritos na planilha "APURAÇÃO DE CRÉDITO E COMPENSAÇÕES DO INSS", devendo estas estar acompanhadas de documentos de arrecadação que compõem os valores nelas descritos; III É previamente comunicado ao fiscalizado que a conduta de entregar resumos de folha de pagamento e de guias de recolhimento de previdência social para justificar a origem dos valores descritos na planilha "APURAÇÃO DE CRÉDITOS E COMPENSAÇÕES DO INSS" não é suficiente para validar aquele documento, muito pelo contrário, pois não cabe à Administração Tributária adivinhar a origem dos valores descritos naquela ou fazer prova para o fiscalizado ou mesmo promover a composição dos valores descritos na planilha "APURAÇÃO DE CRÉDITOS E COMPENSAÇÕES DO INSS", sendo este encargo do fiscalizado. Em resposta, a fls. 3023/3025, alegouse que “a contribuinte não entende qual seria a forma correta de comprovar a existência dos créditos utilizados na compensação, pois apresentou todos os elementos capazes de demonstrar tanto a sua origem com os critérios utilizados na apuração”. A Fiscalização relata ter havido uma contradição do contribuinte, pois, mesmo reconhecendo que seus créditos são oriundos de teses jurídicas, não estando previstos em lei ou provimento judicial, alega que não entende qual seria a forma correta de comproválos. Ante o exposto, assevera a Fiscalização que a conduta do contribuinte impossibilitou a constatação da existência, da origem e da idoneidade dos valores apresentados, ou seja, se eles são reais e se foram efetivamente recolhidos. Também restou inviabilizada a análise sobre se as verbas descritas na planilha “Apuração de Créditos e Compensações do INSS” estão ou não sujeitas à incidência tributária. Conclui a Fiscalização que a aludida planilha “foi elaborada única e exclusivamente para induzir” o AuditorFiscal, “em erro e considerar como válidas as compensações efetuadas, não devendo, portanto, a mesma ser considerada como documento existente e válido”. Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Entendeu a Fiscalização que as práticas observadas constituem, em tese, descumprimento de leis criminais, o que ensejou a correspondente representação ao Ministério Público Federal. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/05/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 3166 a 3222. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 3367 a 3407. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Deve ser glosada a compensação cujas liquidez e certeza não foram demonstradas pela autuada. Alegação de que existem teses contrárias à interpretação do Fisco não são suficientes para embasar direito creditório. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. POSSIBILIDADE E PRESSUPOSTO DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. ARGÜIÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não é de competência do julgador administrativo decidir sobre constitucionalidade de lei. JUNTADA DE PROVAS. Para que seja autorizada a juntada de provas após o decurso do prazo para oferecimento da impugnação, a notificada deve demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1.972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentou recurso, fls. 3418 e seguintes, onde argumenta em síntese: 1. Em sede preliminar, argui que os atos administrativos devem ser claros e precisos, a fim de que o administrado possa compreender os motivos que os fundamentam. Sob o aspecto da motivação das autuações lavradas, argumenta que diversos são os vícios constatados. 2. Em primeiro lugar, menciona a impossibilidade de se verificar qual o período a que se referem os autos de infração. Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 5 7 3. Prossegue argumentando que haveria outra mácula relacionada à motivação das autuações. Tratase da fundamentação legal da multa isolada de 150%, pois a Fiscalização informou que a penalidade seria exigida com base no disposto no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e no § 10 do artigo 89 da Lei nº 11.941, de 2009. Considerando que o mencionado inciso II versa sobre a multa isolada de 50% e que não existe o artigo 89 da Lei nº 11.941, de 2009, defende que não foi possível se concluir quais as normas aplicáveis que resultariam na exigência da multa de 150%. 4. Aproveita o questionamento para enfatizar que os documentos apresentados não permitem se concluir pela aplicação da multa atacada. Ademais, todas as intimações foram atendidas, não podendo prevalecer a afirmativa de que a impugnante teria tentado induzir o Auditor Fiscal a erro. 5. Caso não sejam acatadas as nulidades arguidas, valendose do princípio da eventualidade, passa a defender a regularidade das compensações efetivadas, por terem sido utilizados créditos legítimos e regulares, nos exatos termos do inciso II do artigo 156 do CTN. 6. Aduz que seu direito creditório decorreria do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as seguintes verbas: contribuição previdenciária sobre a remuneração de auxílio doença e seu complemento; contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 da remuneração de férias; contribuição previdenciária sobre décimo terceiro salário; contribuição previdenciária sobre aviso prévio; contribuição previdenciária sobre horas extras; contribuição previdenciária sobre gratificação; contribuição previdenciária sobre salário maternidade; contribuição previdenciária sobre adicional noturno; contribuição previdenciária sobre banco de horas; contribuição das Empresas ao SAT; contribuição das Empresas ao INCRA; contribuição das Empresas ao SEBRAE; 7. Alega que as compensações teriam sido realizadas com fundamento em laudos técnicos de profissionais habilitados e em recolhimentos concretizados, os quais podem ser verificados em consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 8. Explica que, ao responder à Fiscalização que não saberia qual a forma correta de comprovar o direito creditório, referiase ao teor da intimação de 19/04/2012, a qual advertia que “entregar resumos de folhas de pagamento e de guias de recolhimento de previdência social para justificar a origem dos valores descritos na planilha (...) não é suficiente para validar aquele documento...", não existindo a contradição sustentada pela Fiscalização. Neste ponto, esperava que o Auditor Fiscal lhe explicasse como poderia comprovar a regularidade das compensações realizadas. 9. Quanto as compensações, alega que a jurisprudência do STJ está se posicionando em sentido favorável à recorrente. 9.1. Argui que o auxílio doença percebido nos primeiros quinze dias de afastamento não tem natureza salarial, pois inexiste prestação de serviço neste período, o que Requer, por conseguinte, a anulação dos lançamentos fiscais. 9.2. Outra verba tratada na impugnação é o salário maternidade, o qual seria um benefício previdenciário pago no gozo da licença maternidade. Por não remunerar a segurada no Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 exercício de suas atividades laborais, não teria natureza salarial, o que afastaria a incidência das contribuições em discussão. 9.3. A próxima verba questionada é o adicional noturno, o qual teria sido criado para compensar o trabalhador pelo desgaste físico maior sofrido na realização do trabalho noturno, consoante o artigo 3º da Convenção nº 171 da Organização Internacional do Trabalho. Isso levou a impugnante a concluir pela natureza indenizatória do adicional noturno, o que excluiria a incidência tributária. 9.4. O banco de horas também é objeto da controvérsia suscitada pela impugnante. Segundo o alegado, tal procedimento foi criado com o objetivo de se flexibilizar a jornada de trabalho, pois as horas trabalhadas a mais em um dia podem ser compensadas em outro, respeitandose o limite constitucional de 44 horas semanais de trabalho. O pagamento decorrente do banco de horas existe quando o empregado que tem certo saldo a compensar é desligado da empresa ou se este saldo existir por mais de um ano sem que o trabalhador tenha sido beneficiado por uma jornada reduzida. Nestas situações, os valores devidos pelo empregador são computados como horas extras. 9.5. Analisando a natureza do décimo terceiro salário, verificase que a verba apontada não possui natureza salarial, posto que decorre de imposição legal, sendo considerado uma bonificação natalina. 9.6. Com relação a verba 1/3 de férias o STF vem externando o posicionamento pela afastamento da contribuição previdenciária. 9.7. As horas extras, face seu caráter eventual e serem recebidas em retribuição ao trabalho extraordinário visa indenizar, compensar o trabalhador, razão pela qual não deve constituir salário de contribuição. 9.8. No mesmo sentido, as gratificações, por constituírem valor pago além da remuneração, seja em razão do trabalho extraordinário, reconhecimento do trabalho prestado ou função desempenhada, somente será remuneração para efeitos de composição da base de cálculo, quando for ajustada, diferente da ora paga que tem caráter de liberalidade. 9.9. O aviso prévio indenizado não compõe a base, posto que não decorre da prestação de serviço. 10. Deixando de questionar a natureza de diversas verbas pagas aos segurados empregados, o contribuinte passa a questionar a constitucionalidade de diversas contribuições, descrevendo ser indevida a sua exigência. 11. CONTRIBUIÇÃO PARA O RAT – A primeira contribuição que entende não ser devida é a contribuição para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos (RAT), instituída pelo inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Acrescenta que os conceitos de atividade preponderante e de grau de risco acidentário leve, médio e grave foram disciplinados em ato do Poder Executivo, não em lei, o que, a seu ver, contraria a Constituição Federal. 12. A recorrente aduz que a contribuição para o INCRA também padece do vício da inconstitucionalidade, porquanto, por ser contribuição para fiscal demandada em Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 6 9 contraprestação a determinado serviço público, as empresas urbanas não podem ser compelidas a recolhêla. 13. No mesmo sentido, o recorrente não se vê como contribuinte do SEBRAE, pois se trata de contribuição nova instituída em proveito das micro e pequenas empresas. Por não estar prevista no artigo 240 da Magna Carta, defende que deveria ter sido instituída por lei complementar. Ademais, não há como se exigir a contribuição de empresas não beneficiadas pelas atividades do mencionado Serviço. 14. Acredita, portanto, ser possível “a apuração de créditos do que é pago a esse título e sua utilização em compensação”. Consubstanciado o art. 89 da lei 8212/91 e no art. 44, § 7º da IN 900/2008, sem a necessidade de prévia autorização da fazenda Pública. 15. Requer, destarte, que seja reconhecida a legitimidade do procedimento adotado. 16. No tópico seguinte, o recorrente argui que não estão presentes as hipóteses que ensejariam a aplicação da multa isolada. Primeiramente, volta a atacar os fundamentos legais da multa apresentados no relatório fiscal, os quais permitiriam se concluir que a multa deveria ser exigida em 50%, posto que não foi invocado o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual poderia dobrar a penalidade prevista no inciso II do citado artigo. 17. Em que pese o vício na motivação jurídica da autuação, decidiu debater a legislação que daria suporte à multa de 150%. Após lembrar que, nos lançamentos dos créditos tributários, o Fisco exige a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sustenta que tal penalidade não pode ser exigida no caso concreto, posto que todos os débitos compensados foram declaradas em GFIP. 18. Ademais, para que lhe seja exigida a multa de 150%, é necessária a constatação de prática de fraude pelo contribuinte, consoante o disposto no “parágrafo único” (sic) do citado artigo. 19. Expõe que duas são as acepções que a palavra fraude tem no direito tributário. A primeira referese à “conduta dolosa, praticada com ardil, para agredir uma previsão contida na norma jurídica”. Na segunda acepção, o termo é utilizado na violação indireta à lei, ou seja, buscase uma norma jurídica para afastar a incidência de uma norma imperativa. 20. Aduz que o termo “fraude” utilizado no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi definido pelo artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: 21. Por este conceito, defende que, para que ocorresse fraude, o contribuinte teria que impedir, retardar, modificar ou excluir o nascimento da obrigação tributária, o que não ocorreu, posto que todos os fatos geradores ocorreram e foram declarados ao Fisco. 22. Ademais, a conduta imputada deve ser dolosa, ou seja, o contribuinte deve agir com a intenção de recolher menos tributos mediante infração à lei. 23. Ainda discutindo a multa de 150%, a defendente passa a se opor à incidência do disposto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, a qual prevê a aludida penalidade quando Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 for prestada declaração falsa. Sob este aspecto, sustenta que a compensação declarada é válida, porquanto realizada em conformidade com a legislação que rege a matéria. 24. Sustenta que a discordância do Fisco em relação às compensações declaradas não é suficiente para embasar a exigência da multa, posto que mesmo não fez prova alguma da existência de falsidade de declaração. 25. A multa aplicada possui caráter confiscatório. 26. Indevida a taxa SELIC 27. Requer seja dado provimento ao recurso , reformando totalmente a decisão exarada pela DRF em Campinas, com a consequente anulação do lançamento, ou n mérito seja o lançamento extinto com a homologação das compensações efetuadas em face dos argumentos esposados, com a anulação da multa, ou em caráter subsidiário sua diminuição, bem como o afastamento da palicação da taxa SELIC, quando o índice ultrapassar 1%. Não está pleiteando a declaração de inconstitucionalidade da lei, mas tão somente demonstrou pontos controversos destas com a CF/88. 28. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 3482 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DAS NULIDADE Quanto as nulidades suscitadas pelo recorrente, de que não foi possível precisar primeiramente o período a que se referem os autos de infração, não lhe confiro razão. Vejamos, trecho da decisão de primeira instância que enfrentou na forma devida a questão: Da Arguição de Nulidade O Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, trata da nulidade da seguinte forma: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; I os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Não é qualquer vício na motivação fática ou jurídica que irá resultar em nulidade da autuação, mas apenas os erros que, efetivamente, resultem em cerceamento ao direito de defesa. Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Para julgar adequadamente a questão, a Autoridade julgadora não deve se limitar ao equívoco apontado na impugnação, mas apreciar a lide dentro do contexto que lhe é colocado, sopesando, inclusive, o conjunto de argumentações oferecidas pelo contribuinte. Por conseguinte, não basta o engano na apresentação da motivação jurídica da autuação, sendo necessário, também, que o mesmo resulte em real cerceamento ao direito de defesa. Postas as premissas do julgamento, passo a decidir sobre os questionamentos arguidos da impugnante. A primeira questão suscitada referese ao período tratado nas autuações. Enquanto que o Discriminativo do Débito (DD) informa o interregno de 01/2009 a 12/2010, no relatório fiscal, dizse que as compensações teriam ocorrido no período de dezembro de 2008 a dezembro de 2010. Não obstante as informações sejam contraditórias, uma análise atenta das autuações revela a que período se referem. Vejamos. Os valores das multas efetivamente cobrados, e sobre os quais não pairam dúvidas, são encontrados nas folhas de rosto dos autos de infração, a fls. 3100 e 3110. Identificase facilmente as fls. 3100 e 3111, que a menção a competências no presente lançamento de 2008, deuse em função, que durante o mesmo procedimento, houve lançamento em processo apartado de contribuições envolvendo o referido período. Todavia, por meio dos relatórios DD – Discriminativo de débito, e DAD – Discriminativo analítico de débito é possível identificar qual o período que abrange o débito em questão. Não apenas o relatório fiscal, demonstrou de forma geral todos os fatos geradores que compõem a presente aututação, como nos relatórios que acompanham o lançamento é possível mensalmente fazer o batimento dos valores apurados, com aqueles contabilizados pela empresa e constantes não só no documento GFIP que indicou as compensações, como também nos demais documentos apreciados durante o procedimento fiscal. Já quanto a aplicação da multa isolada, entendo que também deve ser afastada a alegação de nulidade. Assim, como demonstrado pela autoridade julgadora, os vícios que importem nulidade do lançamento são aqueles onde claramente identificase o cerceamento do direito de defesa, ou erro inequívoco do lançamento que contaminem a sua essência. No presente caso, identificamos, que embora existam erros materiais, seja em relação a informação de competência incluída além do período da autuação e indicação de dispositivo, quando as explicações descritas no relatório fiscais deixam claro que tratase da aplicação de multa isolada. Outra questão posta pela impugnante diz respeito à fundamentação jurídica da multa de 150%. Mais uma vez, reconhecese que houve equívoco no relatório fiscal, mas tal engano não resultou em prejuízo à autuada. Explico. A fundamentação da multa de 150% com base no “artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96; artigo 72, da Lei nº 4.502/64 e artigo 89, § 10, da Lei nº 11.941/2009” é evidentemente equivocada, como bem argumentou a impugnante. Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 8 13 Todavia, a fls. 3106, no relatório de “Fundamentos Legais do Débito”, a motivação jurídica da autuação é corretamente comunicada: Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 706 – COMPENSAÇÃO COM FALSIDADE. MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DA DECLARAÇÃO 706.01 – Competências: 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010, 150% compensação indevida – comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo – Lei 8212/91 – art. 89 parágrafo 10º: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Esta fundamentação é consistente com os fatos narrados pela Fiscalização e dá suporte à penalidade imposta: na hipótese de compensação indevida mediante declaração falsa, a multa será o dobro da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, 150%: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Mais uma vez, o auto de infração apresenta informações inadequadas que não resultam em prejuízo da impugnante, porquanto a informação correta é facilmente apurável. Não pode ser esquecido que a impugnante, ao atacar a multa exigida, trouxe a lume o § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008 em lei. A autuada apresentou argumentos de que as declarações prestadas não eram falsas e de que a penalidade não lhe podia ser imposta. Defendeu, ainda, que a mera divergência de entendimentos entre o Fisco e a fiscalizada não seria suficiente para motivar a penalidade. Ora, mesmo diante do equívoco na fundamentação jurídica apresentada no Termo de Verificação Fiscal, a autuada ofereceu alegações que demonstram o pleno conhecimento das motivações fáticas e jurídicas que embasaram as autuações. O equívoco constatado, por conseguinte, não resultou em prejuízo da parte, não podendo se aceitar a tese pela nulidade dos lançamentos. Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 DO MÉRITO Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo sem estar amparado pelo recolhimento indevido ou mesmo por ação judicial transitada em julgado. Notese que não colacionou o recorrente qualquer ação judicial definitiva que amparasse suas compensações, baseando seu direito na jurisprudência do STJ em relação a determinadas verbas e pareceres e doutrina esparsa em relação a verbas que compõem o conceito de remuneração. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu a norma, posto que realizou compensações sem ter direito a mesma. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar o direito líquido e certo a realizar as compensações, o que não restou demonstrado, tendo em vista que os valores compensados, referemse a verbas, que não se encontram dentro do rol de exclusão da base de cálculo do § 9º do art. 28da lei 8212/91. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 9 15 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes , não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Aliás, esse foi o encaminhamento dado pelo julgamento de primeira instância, frente as alegações do recorrente, como vermos a seguir. Não houve apresentação de qualquer sentença com transito em julgado que abarcasse o direito do recorrente. Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Contudo, interessante abordar o conceito de remuneração destacando, ainda as verbas que compõem o referido conceito, para que possamos melhor entender a irregularidade das compensações realizadas, já que os pagamentos feitos à título de^ · contribuição previdenciária sobre a remuneração de auxílio doença e seu complemento; · contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 da remuneração de férias; · contribuição previdenciária sobre décimo terceiro salário; · contribuição previdenciária sobre aviso prévio; · contribuição previdenciária sobre horas extras; · contribuição previdenciária sobre gratificação; · contribuição previdenciária sobre salário maternidade; · contribuição previdenciária sobre adicional noturno; · contribuição previdenciária sobre banco de horas; · contribuição das Empresas ao SAT; · contribuição das Empresas ao INCRA; · contribuição das Empresas ao SEBRAE; Vejamos trecho da decisão que enfrenta essa questão e face concordar com os argumentos ali exposto, também adoto como razões de decidir: (...) Assim, se o crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não possui a certeza indispensável para a legitimidade da compensação, muito menos certo é o crédito fundado em teses jurídicas, doutrina ou jurisprudência. Existem quatro maneiras de a jurisprudência conferir ao crédito defendido pelo contribuinte a certeza que autorizaria a compensação: a decisão proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do § 2º do artigo 102 da Constituição Federal: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 10 17 retirada da eficácia da norma por meio de Resolução do Senado Federal, após provocação do Supremo Tribunal Federal, nos termos do inciso X do artigo 52 da Constituição Federal: Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; a edição de súmula vinculante, prevista no artigo 103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. a emissão do ato previsto no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 2002: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (...) § 4º A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Salientese que nem sequer as decisões do STF e STJ proferidas sob a sistemática dos artigos 543B e 543C do Código de Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Processo Civil têm o condão de validar as pretensões da impugnante, pois, consoante o disposto no Parecer PGFN nº 2.025, de 2011, tais decisões são ensejam a remissão ou extinção do crédito tributário: 22. Com efeito, a teor do art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 2002 , a existência de ato declaratório tem o condão de excetuar a defesa da União em juízo no tocante à matéria que constitua o seu objeto. Mas não apenas isso. Por força dos §§ 4º e 5º do referido dispositivo legal, temse a extensão dos efeitos do ato declaratório à esfera da Administração Tributária, uma vez que o Parecer que fundamenta a emissão do ato em comento, devidamente aprovado pelo Ministro da Fazenda, vincula a atuação da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, impondolhe o dever de absterse de constituir os créditos tributários a que se refere o ato de dispensa e, por outro viés, impingindolhe a obrigação de agir, de ofício, para rever os lançamentos já efetivados, na hipótese de créditos tributários já constituídos. (...) 125. Já no plano do direito material, não se evidencia remissão/extinção do crédito. Isso porque, além de não ter havido anuência da Fazenda Nacional à tese contrária, a remissão depende da existência de lei que expressamente a institua e, no caso do Direito Tributário, de lei específica, ex vi do disposto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988 . Não há, igualmente, suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que limitada aos casos taxativamente previstos, a teor dos arts. 111 e 141 do CTN. Alega que as compensações teriam sido realizadas com fundamento em laudos técnicos de profissionais habilitados e em recolhimentos concretizados, os quais podem ser verificados em consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que não venho a concordar. Para melhor entender o posicionamento adotado por esta relatora recorrome a legislação que bem descreve as verbas aqui discutidas. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 3504DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 11 19 Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; Fl. 3505DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 3506DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 12 21 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, antes mesmo de apreciarmos pontualmente cada uma das verbas, convém destacar que nenhumas das verbas descritas pelo recorrente, como base para sua compensação, encontramse dentro do rol de exclusão, nem tampouco foram objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, razão pela qual não pode o recorrente seja por sua interpretação, ou mesmo acompanhando decisões esparsas do STJ valerse do direito de realizar as compensações ora objeto de glosa, por serem consideradas indevidas. DO ADICIONAIS (NOTURNO, HORA EXTRAS, BANCO DE HORAS) Pelo que se depreende do recurso interposto, o contribuinte alega que os adicionais pagos em função de condições adversas de trabalho, sejam eles: noturnohoras extras etc, caracterizamse como verbas indenizatórias, uma espécie de compensação por um maior desgaste e, dessa forma, não devem ser inseridos na remuneração do trabalhador como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que nem na esfera previdenciária, muito menos na trabalhista, os adicionais pagos ao empregado estão excluídos do conceito de remuneração. O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. O recorrente efetuou pagamento suplementar, de acordo com a legislação trabalhista vigente, a todos os empregados que exerceram atividades em condições mais gravosas. Dessa forma, de acordo com o tipo de exposição ou desgaste que passaram a sofrer na empresa, os empregados passaram a receber “tipos especiais de salários”, aqui denominados adicionais. A definição de “adicionais” dada pela doutrina trabalhista não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades mais graves ou mais desgastantes, ou seja, o de contraprestação por um serviço prestado. Tal fundamento pode ser explicitado, quando identificamos as condições que geram o pagamento de diversos adicionais previstos na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, quais sejam: adicional noturno, adicional insalubridade, adicional periculosidade, adicional de transferência, adicional de horas extraordinárias, etc. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, assim referese ao assunto: (...) Os adicionais consistem em parcelas contraprestativas suplementares devidas ao empregado em virtude do exercício do trabalho em circunstâncias tipificadas mais gravosas. (...) O fundamento e objetivo dos adicionais justificam a normatização e efeitos jurídicos peculiares que o direito do trabalho confere a tais parcelas de natureza salarial. Embora sendo salário, os adicionais não se mantêm organicamente vinculados ao contrato, podendo ser suprimidos, caso desaparecida a circunstância tipificada ensejadora de sua percepção durante certo período contratual. (...) A parcela adicional submetese ao mesmo requisito exigido às outras parcelas contraprestativas para fins de sua integração Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 13 23 salarial, com o subseqüente efeito expansionista circular: a habitualidade. Recebido com habitualidade, integra no período de sua percepção, o salário obreiro para todos os efeitos legais. Irá refletir, desse modo, no cálculo do 13º salário, férias com 1/3, FGTS (40%, se for o caso), aviso prévio, além da contribuição previdenciária. No mesmo sentido, posicionase o ilustre mestre Arnaldo Süssekind, na obra “Instituição de Direito do Trabalho”, 21º edição, Vol. 1, editora LTr: (...) Na aplicação da legislação brasileira do trabalho, cumpre distinguir o salário fixo, ajustado por unidade de tempo ou de obra (salário básico ou normal), das prestações que, por sua natureza jurídica, integram o complexo salarial, como complementos do salário básico. Se, em face do que preceitua o §1º do art. 457 da CLT, as gratificações ajustadas, os adicionais de caráter legal ou contratual integram o salário do empregado, isto significa apenas que tais prestações possuem natureza salarial, mas não compõem o salário básico fixado no contrato de trabalho. (...) É inquestionável que os adicionais e gratificações instituídas por lei, convenção coletiva, norma regulamentar da empresa ou, explicitamente, nos próprios contratos de trabalho, têm natureza salarial, sendo devidos nas condições prescritas nos respectivos atos. O que diferencia os adicionais de outras parcelas salariais, por exemplo, comissões, percentagens, gratificações (EMBORA AMBAS POSSUEM TAMBÉM NATUREZA SALARIAL), são tanto o fundamento de sua criação, como o objetivo de incidência da figura jurídica. Os adicionais são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades mais gravosas. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do desconforto, do desgaste etc. Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado, por estar este, submetido a um maior desgaste. O posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho – TST, acerca da natureza salarial dos adicionais está evidenciado na súmula 60: Nº 60 ADICIONAL NOTURNO. INTEGRAÇÃO NO SALÁRIO E PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. I O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para todos os efeitos. (exSúmula nº 60 RA 105/74, DJ 24.10.1974) grifo nosso. II Cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta, devido é também o adicional quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT. (exOJ nº 6 Inserida em 25.11.1996) Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Também a súmula 63 do TST descreve o caráter remuneratório dos adicionais, quando determina o seu computo na remuneração do empregado para incidência da contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. Nº 63 FUNDO DE GARANTIA A contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço incide sobre a remuneração mensal devida ao empregado, inclusive horas extras e adicionais eventuais.(grifo nosso) (RA 105/1974, DJ 24.10.1974) Portanto, a mera nomenclatura utilizada “indenização noturno, indenização horas extras, ou banco de horas não gozado etc” não lhe afasta do verdadeiro objetivo de seu pagamento, que é a contraprestação pelo serviço prestado, constituindose remuneração paga ao empregado, e por conseqüência, base de cálculo de contribuições previdenciárias. O mesmo se aplica ao pagamento do banco de horas, quando dentro do limite temporal para compensação (1 ano), ou mesmo quando ocorre rescisão do contrato, a direito a compensar resta extinto, recebendo o empregado pelas horas que trabalhou, a mais e não teve a oportunidade de compensar, o que demonstra novamente sua nítida característica salarial. Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os adicionais devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado etc, estando correto o procedimento que incluiu a totalidade dos rendimentos pagos ao empregado como base de cálculo de contribuições. Quanto às verbas passíveis de serem excluídas do conceito de salário de contribuição, o §9º do art. 28 da Lei 8.212/91 relaciona uma a uma, bem como as condições para referida exclusão. GRATIFICAÇÕES e GRATIFICAÇÃO NATALINA (13 salários) Quanto a verba gratificação, melhor sorte não há para o recorrente. O termo gratificação surge como um agrado dado ao empregado, seja pelas condições adversas de trabalho, seja pelo exercício de uma função de confiança, pago por liberalidade, ou mesmo acordado com o trabalhador. Porem dita verba, encaixase perfeitamente no conceito de remuneração, já que o numerário recebido, ingressa na patrimônio do empregado, que poderá realizar gastos da maneira que lhe aprouver. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 7º O décimo terceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. (Redação dada pela Lei n° 8.870, de 15.4.94) Isto posto, possui nítida natureza salarial, razão pela qual totalmente indevida a compensação realizada. 1/3 de FÉRIAS O mesmo raciocínio das gratificações há de se aplicado a adicional de féiras, tendo em vista que o pagamento das verbas embora seja compulsório, dáse simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral, o qual o pagamento não se coaduna com Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 14 25 verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada mais é do que um ganho, não uma despesas com destinação certa e provável. Esse ganho também não apenas será usufruído pelo empregado, como poderá fazer uso da maneira que achar convenientes. Conforme descrito anteriormente o alegado afastamento da incidência de contribuição sobre essa parcela com base no disposto na alínea “d” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não se sustenta. Vejamos o que dispõe a norma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (...) Assim, consistindo em um ganho para o trabalhador, nítida a sua feição salarial, razão pela qual compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias., sendo novamente descabida a compensação realizada. AVISO PRÉVIO INDENIZADO Com relação a essa verba, sempre houve um descompasso entre a incidência previdenciária e a contagem para o tempo de serviço. É que embora o aviso prévio indenizado, fosse computado para efeitos de encerramento do vínculo de emprego. Sendo computado para efeitos de contagem de vínculo de emprego, e considerando que o regime de previdência social é contributivo, acabávamos com a existência de um vínculo em determinado mês, contudoo sem a existência do correspondente recolhimento. Assim, não vislumbro a possibilidade da referida verba, ser excluída do conceito de salário de contribuição, já que novamente não se encontra dentro do rol de exclusão do art. 28 da lei 8212/91. 15 PRIMEIRO DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHADOR. Nesse ponto, embora venha a jurisprudência dos tribunais, mantendo posicionamento acerca da não incidência de contribuições, fato é que até hoje não foi declarada a inconstitucionalidade da incidência sobre a referida verba, nem tampouco fez o legislador constar a referida verba do art. 28, da mencionada lei 821291. Ademais, tendo o empregador obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado, consistindo na verdade em licença médica, cujos direitos trabalhistas continuam a ser integralmente computados, o que denota interrupção do contrato de trabalho, não há como afastar a tributação da referida norma, até o STF manifestese em definitivo sobre o tema. A caracterização de interrupção do contrato de trabalho, denota que mesmo não existindo prestação de serviços por parte do trabalhador, seu salário, bem como o computo Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 dos demais direitos trabalhistas, sejam eles: período aquisitivo de férias, 13 salário, depósitos do FGTS continuam em pleno vigor, levando ao entendimento de que ditas verbas caracterização como retribuição pela contraprestação do serviço, ou mesmo retribuição baseada na existência do vínculo de emprego durante esse período. Assim, inaplicável a argumentação para afastar da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos pelo empregador a título de remuneração dos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, posto que caracterizada a natureza salarial. SALÁRIO MATERNIDADE Assim como descrito anteriormente, não há respaldo para que os valores pagos a título de saláriomaternidade devam ser excluídos do saláriodecontribuição. O período o qual a trabalhadores encontrase em licença maternidade, constitui também interrupção do contrato de trabalho, sendo devido o computo de todos os direitos trabalhistas, inclusive férias, 13 salário, FGTS, o que denota que decorre da relação laboral, constituindo em verba salarial e integra, consequentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme previsão do art. 28, § 9º, “a”, parte final da Lei n. 8.212/91. Quanto a este tema, assim, manifestouse o STJ, corroborando o esse entendimento: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA –SALÁRIOMATERNIDADE – FOLHA DE SALÁRIO – INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. Esta Corte tem entendido que o saláriomaternidade integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias pagas pelas empresas. 2. Recurso especial provido. (REsp 803708 / CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ 02/10/2007 p. 232) Não merece, portanto, acolhida a tese de não incidência de contribuições sobre o saláriomaternidade. QUANTO AS INCONSTITUCIONALIDADES Quanto as alegações de ser indevida as contribuições destinadas ao SAT, INCRA, SEBRAE, , juros SELIC, é de destacar, assim, como já o fez o julgador de primeira instância, que em existindo expressa previsão legal para sua cobrança não compete a este colegiado a declaração de constitucionalidade, ou mesmo afastar a aplicação da lei. Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 15 27 (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 16 29 Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e as contribuições para as instituições descritas acima. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, segue trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997. Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Nesse mesmo sentido segue trecho do Parecer/CJ n ° 2.547, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 23/8/2001. Ante o exposto, esta Consultoria Jurídica posicionase no sentido de que a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n ° 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. Quanto à cobrança de juros, existe previsão em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Desse modo, foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 17 31 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido a contribuição previdenciária em época própria (ou mesmo compensado indevidamente, como no presente caso), tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos no AIOP, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Os juros de mora defluem de comando legal (art. 34 da Lei nº 8.212/91 e, a partir da MP 449/2008, art. 35 da referida lei). A multa de mora é a prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, observado o período de vigência. Neste ponto também entendo acertada a decisão de primeira instância. O lançamento referese a glosa, ou seja, a valores lançados indevidamente em GFIP à título de compensação, mas sem que a empresa tivesse direito a mesma, no momento em que realizadas. DA MULTA ISOLADA Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, assim, argumentou o recorrente: No tópico seguinte, o recorrente argui que não estão presentes as hipóteses que ensejariam a aplicação da multa isolada. Primeiramente, volta a atacar os fundamentos legais da multa apresentados no relatório fiscal, os quais permitiriam se concluir que a multa deveria ser exigida em 50%, posto que não foi invocado o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual poderia dobrar a penalidade prevista no inciso II do citado artigo. Em que pese o vício na motivação jurídica da autuação, decidiu debater a legislação que daria suporte à multa de 150%. Após lembrar que, nos lançamentos dos créditos tributários, o Fisco exige a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sustenta que tal penalidade não pode ser exigida no caso concreto, posto que todos os débitos compensados foram declaradas em GFIP. Ademais, para que lhe seja exigida a multa de 150%, é necessária a constatação de prática de fraude pelo contribuinte, consoante o disposto no “parágrafo único” (sic) do citado artigo. Expõe que duas são as acepções que a palavra fraude tem no direito tributário. A primeira referese à “conduta dolosa, praticada com ardil, para agredir uma previsão contida na norma jurídica”. Na segunda acepção, o termo é utilizado na violação indireta à lei, ou seja, buscase uma norma jurídica para afastar a incidência de uma norma imperativa. Aduz que o termo “fraude” utilizado no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi definido pelo artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Por este conceito, defende que, para que ocorresse fraude, o contribuinte teria que impedir, retardar, modificar ou excluir o nascimento da obrigação tributária, o que não ocorreu, posto que todos os fatos geradores ocorreram e foram declarados ao Fisco. Ademais, a conduta imputada deve ser dolosa, ou seja, o contribuinte deve agir com a intenção de recolher menos tributos mediante infração à lei. Ainda discutindo a multa de 150%, a defendente passa a se opor à incidência do disposto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, a qual prevê a aludida penalidade quando for prestada declaração falsa. Sob este aspecto, sustenta que a compensação declarada é válida, porquanto realizada em conformidade com a legislação que rege a matéria. Sustenta que a discordância do Fisco em relação às compensações declaradas não é suficiente para embasar a exigência da multa, posto que mesmo não fez prova alguma da existência de falsidade de declaração. A multa aplicada possui caráter confiscatório. Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 18 33 Não procede o argumento da empresa de que efetuou as compensações em consonância com a legislação, na medida em que baseada em laudos que descrevem o entendimento dos tribunais acerca da inicdência de contribuições. Aliás, esses argumentos já restaram afastados acima. Conforme vimos acima, os créditos utilizados para quitar as contribuições inexistiam, seja porque eram decorrentes de contribuições recolhidas sobre parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição, seja porque não conseguiu o recorrente demonostrar sua existência, pelo contrário mencionou o julgador que em alguns casos, as planilhas apresentadas não batem com os valores declarados. Como bem arguiu a impugnante, ocorre falsidade na declaração quando o contribuinte age de máfé, distorcendo a realidade fática. Não se trata de simples divergência de entendimento, pois, se o Fisco não concorda com a compensação, deve simplesmente não homologála. O entendimento está correto. A compensação indevida é um pressuposto da exigência da multa isolada de 150%, a qual deve ser constituída se a declaração prestada pelo contribuinte for falsa. É sobre a falsidade das declarações transmitidas que tratarei em seguida. A declaração falsa é aquela promovida com a inserção de informação diversa da realidade. Ao se declarar uma compensação em GFIP, o contribuinte não se limita a comunicar que extinguiu os créditos tributários confessados. Vai além, pois informa ao Fisco que possui crédito liquido e certo contra a Previdência Social, o qual serviu, por via da compensação, para extinguir o tributo devido. O contribuinte, assim, deve estar preparado para demonstrar o crédito que alega possuir. A demonstração deve ser precisa e correta, a fim de que o procedimento comunicado seja homologado pelo Fisco. Não são admissíveis explicações aleatórias e inconsistentes, que mais parecem rodeios. É o que ocorreu no caso concreto, uma vez que, em resposta à indagação fiscal acerca do direito creditório, a empresa apresentou a evasiva planilha “Apuração de Créditos e Compensações”. Intimada a detalhar a informação inicial, foram apresentadas as planilhas de fls. 2695 e 2696 bem como folhas de pagamento e guias de recolhimento. Nesta primeira etapa, a incoerência é patente, porquanto as planilhas apresentadas na segunda oportunidade não cofirmam os valores inicialmente expostos. Isto permite concluir que a fiscalizada não sabe explicar o que compensou, limitandose a lançar hipóteses ao vento. A comparação dos documentos fornecidos com as informações consolidadas nas mencionadas planilhas não permitiu à Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 34 Fiscalização conhecer a origem do crédito, pois os documentos apresentados não embasaram aos resultados indicados nas planilhas. A tabela juntada ao presente voto no tópico que tratou do aviso prévio demonstra a disparidade entre as explicações prestadas para legitimar as compensações e a realidade fática apurada. Não é só isso. Ao final da ação fiscal foram glosadas pela Fiscalização as compensações realizadas no período de março de 2008 a dezembro de 2010. Ora, se o contribuinte, neste período, realizava compensações por entender indevidas diversas parcelas pagas aos segurados, porque, ao detalhar a justificativa do direito creditório na segunda oportunidade, informou recolhimentos realizados no período de novembro de 2006 a outubro de 2010? Categoricamente, informa a contribuinte que, no período de março de 2008 a outubro de 2010, oferecia a tributação determinadas rubricas, recolhendo as contribuições correspondentes, ao mesmo tempo em que considerava tais verbas indenizatórias. Descartada a possibilidade de que o caos tenha tomado conta de toda a empresa, levandoa a considerar um mesmo fato simultaneamente remuneratório e indenizatório, só resta a este julgador entender que a planilha foi elaborada às pressas a fim de explicar o que não poderia ser justificado. A própria impugnação demonstra que a impugnante está mais preocupada em levantar hipóteses que poderiam embasar o direito creditório do que, propriamente, demonstrálo: Tendo como proposta esta ação identificar quais as verbas passíveis de compor o computo do tributo em questão, separando àquelas de natureza salarial (remuneração) das de cunho indenizatório e/ou eventual, necessário fazer algumas considerações. Voltando às planilhas. Vamos supor que, em março de 2008, o contribuinte tenha sido iluminado com a percepção de que existem dezenas de teses contrárias ao Fisco. Convicto da procedência destas teses, iniciou as compensações, por entender que, no passado, havia indevidamente recolhido aos cofres previdenciários. Se a grande “revelação” ocorreu em março de 2008, quando a primeira compensação foi efetivada, por que continuou recolhendo tais contribuições? Por que contribuições recolhidas após março de 2008 são informadas nas planilhas em que se explica o direito creditório? Não consigo acreditar que uma compensação séria possa se fundamentar em pagamentos indevidos realizados no mesmo mês em que se realiza a compensação. É forçosa a conclusão de que as compensações foram realizadas mediante declarações visivelmente desvinculadas da realidade. Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 19 35 Considero, destarte, que a Fiscalização demonstrou adequadamente as infrações cometidas, juntando aos autos as informações prestadas pela fiscalizada durante a ação fiscal e explicando, precisamente, por que motivos tais explicações discordavam dos documentos apresentados. Todos estes fatos permitiram formar a convicção, já exposta, de que o contribuinte realizou compensações indevidas, comunicadas ao Fisco por meio de declarações que não correspondem à realidade. As glosas de compensação são procedentes, na medida em que o conjunto probatório apresentado nos autos dá conta de que o fisco, ao se debruçar sobre o procedimento compensatório levado a efeito pela empresa, comprovou que os créditos declarados na GFIP pela autuada consistiam em artifício para reduzir o recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social. Na verdade, a empresa engendrou mecanismo compensatório em que definiu as rubricas que supostamente teriam originado recolhimentos indevidos e foi efetuando as compensações ao longo do período fiscalizado, mantendose o nível de recolhimentos sempre abaixo do devido. Assim, diante de compensações irregulares, o fisco atuou com acerto não homologando o procedimento e recompondo os haveres da Seguridade Social, mediante o lançamento das contribuições devidas e aplicando as sanções cabíveis. Em razão da conduta do sujeito passivo de declarar na GFIP a existência de créditos que não possuía, a Autoridade Fiscal aplicoulhe a multa de 150% sobre o valor indevidamente compensado, conforme previsão do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista que a falta de pagamento das contribuições decorrera de processo compensatório em que a empresa utilizouse de créditos decorrentes de recolhimentos devidos ou até de competências em que sequer efetuou o pagamento das contribuições que busca se compensar. Ao impugnar o crédito, o sujeito passivo afirmou que inexistiu irregularidade nas compensações efetuadas, descabendo a aplicação da multa isolada. O órgão de primeira instância manteve o entendimento da auditoria, por entender que efetivamente a empresa houvera inserido informações falsas na GFIP, considerando que os valores das contribuições eram exigíveis. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário para acrescentar que inexistiu fraude posto que efetuou o processo compensatório em consonância com o direito que supunha existir. Iniciemos pela análise do dispositivo legal utilizado pelo fisco para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 36 nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo acima descrito, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10932.720032/201218 Acórdão n.º 2401003.275 S2C4T1 Fl. 20 37 (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo. Na análise da questão, essa turma de julgamento tem entendido que não são todos os casos de glosas de compensação que ensejam a aplicação da multa isolada. Quando nos vemos diante de situações em que fica patente que a declaração de compensação decorreu de divergências de interpretação da legislação, onde muitas vezes o próprio Judiciário abona a tese do contribuinte em ações judiciais, não temos relutado em afastar a multa de 150%. Em absoluto estamos diante de divergência de interpretação da legislação, mas vislumbrase a montagem de estratégia em que a empresa vai se compensando créditos decorrentes de rubricas que a lei é clara em incluílas na base de cálculo das contribuições, como é o caso das horas extras, dos adicionais noturno, das gratificações, do salário maternidade, etc. Ao incluir na declaração de compensação créditos em afronta a dispositivo literal de lei, o sujeito passivo indiscutivelmente incorreu na falsidade exigida para aplicação da multa isolada. Observese que o objetivo da norma é desencorajar os contribuintes de se aproveitarem de créditos inexistentes, para reduzir o recolhimento dos tributos. Isso porque nas situações de glosas de compensação a multa é aplicada no limite máximo de 20% das contribuições não recolhidas, chegando a ser vantajoso para o sujeito passivo declarar compensações inexistentes se tiver a certeza de que a multa isolada será afastada durante o processo administrativo fiscal. Pois bem, no caso sob apreciação, mesmo levandose em consideração que a empresa declarou as compensações em GFIP, é clara a ocorrência de falsidade de declaração no campo compensação, posto que o sujeito passivo inseriu valores que sabidamente não possuía, inclusive não tendo conseguido demonstrar a existência dos créditos, conforme descrito no relatório fiscal. Justificase, assim, a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 38 Face o exposto não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida, tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000617/2002-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1991 a 31/05/1998
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO - NRD. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. SÚMULA CARF Nº 1. APLICABILIDADE.
Pelo que se pode observar da informação contida à fl. 78 dos autos, a questão controvertida além do debate na esfera administrativa também está sendo discutida na esfera judicial, situação que importa em renúncia ao contencioso administrativo, de acordo com a Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-003.733
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da renúncia de instância, conforme disposições da Súmula CARF nº 1.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da renúncia de instância, conforme disposições da Súmula CARF nº 1. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO PARA RECOLHIMENTO DE DÉBITO NRD. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. SÚMULA CARF Nº 1. APLICABILIDADE. Pelo que se pode observar da informação contida à fl. 78 dos autos, a questão controvertida além do debate na esfera administrativa também está sendo discutida na esfera judicial, situação que importa em renúncia ao contencioso administrativo, de acordo com a Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da renúncia de instância, conforme disposições da Súmula CARF nº 1. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 06 17 /2 00 2- 11 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.000617/200211 Acórdão n.º 2803003.733 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.000617/200211 Acórdão n.º 2803003.733 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Processo Administrativo Fiscal referente à Contribuição Social do SalárioEducação, constituído pelo FNDE com base nos Decretos 3.142/1999 e 4.943/2003, notificado às fls. 36, ciência ao contribuinte às fls. 40, defesa às fls. 41/66, indeferimento da defesa às fls. 83/84, ciência da decisão às fls. 100, interposição de recurso às fls. 102/113. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A defesa foi julgada em 18 de junho de 2004 (fl.86) e ementada nos seguintes termos: 1. De acordo. 2. Decido pelo indeferimento da defesa, considerando as razões expostas pela CGEARC. 3. Devolvase à CGARC para expedir ofício à Empresa em questão, dandolhe ciência desta decisão e informando quanto as alternativas de recolhimento do débito, da formalização de acordo de parcelamento da dívida, bem como do su direito de interpor recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, no prazo de 30 dias, contados da data de ciência desta decisão, com razões e, se for o caso, documentos que o fundamentem, esclarecendo que a interposição do recurso deverá obedecer às disposições do § 2º, do art. 15 do Decreto nº 3.142, de 16/08/1999. Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: No exercício das suas atividades, a Recorrente emprega várias pessoas, bem como celebra contratos com trabalhadores autônomos, avulsos, ou diaristas, tudo para atingir seus objetivos sociais, estando por esse motivo obrigada ao recolhimento da Contribuição Previdenciária e da Contribuição ao Salário educação. Assim é que, no exercício da sua atividade empresarial, a Recorrente contratou os autônomos Sr. José Alencar magro, engenheiro agrônomo e o Sr. João Francisco Martins, ambientalista. Referidas pessoas não prestavam serviços apenas para a Recorrente, mas também pra outras empresas, sendo que nunca houve qualquer vínculo empregatício entre a Recorrente e os respectivos trabalhadores autônomos em comento, dada a natureza das atividades e as formas com que essas foram realizadas. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.000617/200211 Acórdão n.º 2803003.733 S2TE03 Fl. 5 4 Entretanto, em procedimento fiscalizatório realizado pelo INSS, acabouse descaracterizando a qualidade de trabalhadores autônomos das referidas pessoas, enquadrando as como empregados da Recorrente, ocasionando a lavratura da correspondente NFLD, via reflexa, da presente NRD por parte do FNDE, abrangendo o período de 1995 a março de 1997. Tendo em vista o equívoco cometido pela d. autoridade fiscal, a Recorrente apresentou defesa, a qual, todavia, restou improvida sob o argumento do que o INSS deu continuidade à cobrança, bem como em razão da inexistência de decadência, pois o prazo para sua ocorrência seria de 10 9dez) anos e não de 5 (cinco) anos, como afirmado pela Recorrente. Trabalhador Autônomo. Inexiste fundamento capaz de caracterizar as pessoas elencadas pela autoridade fiscal (como empregados), de forma a ensejar o recolhimento do salárioeducação ao FNDE. Os créditos tributários anteriores ao mês de abril de 1997 estão abrangidos pela decadência, conforme a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Diante do exposto, é a presente para requerer seja o presente Recurso julgado inteiramente procedente, reformandose a r. decisão recorrida, cancelandose a exigência fiscal na Notificação combatida, uma vez evidente a impossibilidade de desqualificar os trabalhadores autônomos como tais, haja vista a ausência da subordinação e exclusividade para com a empresa, requisitos legais necessários e indispensáveis para a caracterização do vínculo empregatício, conforme disposição expressa do artigo 3ª da CLT. Caso não seja acolhido o pedido principal, requer, de forma sucessiva e subsidiária, seja determinada a exclusão dos valores exigidos através da Notificação, por já estarem fulminados pela decadência, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN e da pacífica jurisprudência do STJ. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.000617/200211 Acórdão n.º 2803003.733 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com a Informação de 23 de abril de 2008, contida às fls. 126, o processo administrativofiscal foi transferido para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (art. 4º da Lei nº 11.457, de 2007) com recurso ainda pendente de julgamento. Consta na Informação Fiscal de Débito (fl. 4) que o lançamento diz respeito a débito suplementar (descaracterização – autônomo rural – FPAS 795) para o salárioeducação, tendo em vista o recolhimento insuficiente, nas competências de junho a dezembro/95, janeiro a dezembro/96 e janeiro a março/97, na ação fiscal desenvolvida na empresa em referência (fl. 35). Em 03 de maio de 2004 (fl. 78), a Procuradoria Federal Especializada – INSS informou o seguinte: Senhor Coordenador, Reportome ao expediente epigrafado para informar a V.Sa., que o débito constante da NFLD nº 32.467.9912, que trata de descaracterização de autônomos para empregados, encontrase em cobrança judicial, processo nº 184/2000, da E. 1ª Vara da Comarca de Itapira. Anoto, por fundamental, que foram opostos embargos pela Executada, que foram julgados improcedentes em primeira instância, certo que houve apelação, sendo que os autos serão remetidos ao E. TRF da 3ª Região. Pelo que se pode observar da informação contida à fl. 78 dos autos, a questão controvertida além do debate na esfera administrativa também está sendo discutida na esfera judicial, situação que importa em renúncia ao contencioso administrativo, de acordo com a Súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial. Tendo em vista o evidente enquadramento da situação à regra disposta na Sumula CARF nº 1, o recurso aviado pelo contribuinte não será conhecido. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 23034.000617/200211 Acórdão n.º 2803003.733 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, em razão da renúncia de instância, conforme disposições da Súmula CARF nº 1. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10850.905396/2011-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 53 96 /2 01 1- 97 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905396/201197 Acórdão n.º 3801004.159 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10920.909559/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 59 /2 01 2- 11 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909559/201211 Acórdão n.º 3801002.712 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002721/2005-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Ementa:
DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA.
É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB.
Numero da decisão: 9101-001.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria dos votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 Ementa: DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA. É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria dos votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
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IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA. É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria dos votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 27 21 /2 00 5- 91 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 34/45) interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 56, inciso II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes c/c art. 72, inciso II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 30335.205 proferido pelos membros da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário. O voto condutor do acórdão recorrido foi no sentido de que é indevida a incidência da multa de oficio por atraso na entrega da DCTF, em razão da existência de problemas técnicos na sua transmissão. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA ADMINISTRATIVA. EMPREGO DA EQÜIDADE AO CASO. INCABÍVEL A IMPOSIÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Cumpre, ainda, a transcrição de trecho do voto condutor do acórdão: “(...) A recorrente, por sua vez, não refuta a entrega das DCTF fora do prazo legalmente previsto, entretanto, imputa à Delegacia Regional da Receita Federal a responsabilidade pelo atraso, em decorrência dos problemas técnicos constantes dos sistemas de recepção e transmissão das aludidas declarações, os quais impossibilitaram a apresentação das declarações faltantes no lapso temporal estabelecido. A mais, sustenta que procedeu na forma como orientado por funcionária da Delegacia local. (...) In casu, inferese, pois, uma atuação negligente por parte da administração fiscal, no que toa à prévia e adequada definição do critério de distribuição de transmissão e recepção da demanda de declarações, bem como o prazo geral prospectivo que deveria ser concedido, em igualdade de condições, a todos os contribuintes que foram impedidos de entregar suas DCTF, pela via eletrônica, no prazo legal. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10950.002721/200591 Acórdão n.º 9101001.922 CSRFT1 Fl. 88 3 Com base nos fundamentos suscitados, bem como em observância às circunstâncias do caso e a devida equidade, conforme previsto no CTN, devese afastar a penalidade indevidamente aplicada pela entrega a destempo das DCT's/2004.” A Fazenda Nacional sustentou que o entendimento adotado no acórdão recorrido diverge do adotado por outra Câmara deste Conselho. Em suas razões recursais afirmou que, apesar da ocorrência de falha no sistema eletrônico da RFB, a forma de cumprimento da obrigação acessória foi estabelecida no Ato Declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005, o qual dispôs que as declarações entregues entre 16 a 18 de fevereiro de 2005, seriam consideradas como entregues em 15 de fevereiro de 2005, sem prejuízo ao contribuinte, entretanto, no caso, o contribuinte apresentou a DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004 em 24/02/2005. Trouxe como paradigma o acórdão 30238.631, assim ementado: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. 0 atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido. Submetido ao exame de admissibilidade (fls. 90/92) foi dado seguimento ao recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 55 a 65. Preliminarmente, pugnou pelo não conhecimento do recurso por inexistência de divergência, já que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas diversas, isto porque a motivação apresentada no acórdão paradigma referese à ausência de prova da alegação do contribuinte de que tentou fazer a entrega no prazo, o que não é o caso do acórdão recorrido. No mérito, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido, pois tentou fazer a entrega da DCTF dentro do prazo, seguiu todas as orientações da DRF local e, por isso, não teve responsabilidade pela não transmissão da declaração no prazo determinado. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimeto. O cerne da questão referese à verificação da legitimidade ou não da imposição da multa por atraso na entrega da DCTF (4º trimestre de 2004) diante da existência de situação peculiar, qual seja, falha no sistema eletrônico da RFB. No caso dos autos, a DCTF foi entregue no dia 24 de fevereiro de 2005, sendo o atraso decorrente de falha no sistema da Receita Federal para transmissão da declaração. Cumpre observar, nesse ponto, que a legislação aplicável à espécie não previa nenhuma forma alternativa para entrega da declaração, apenas a internet. Nesse contexto, a própria administração reconheceu os problemas técnicos para envio da declaração e passou a admitir a sua entrega extemporânea, via internet, nos três dias seguintes ao do prazo, como se tempestiva fosse. O Ato Declaratório SRF 24 de 8 de abril de 2005, teve a seguinte redação: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002 , e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005.” Ocorre que, ainda que a administração tributária tenha flexibilizado a entrega da declaração pela internet nos três dias posteriores, isso só se deu quase dois meses após a data para entrega da DCTF (15/02/2005), já que o Ato Declaratório Executivo n° 24, de 08 de abril de 2005 foi publicado no dia 12 de abril de 2005. Assim, no período de 15/02/2005 a 12/04/2005, o contribuinte não teve qualquer orientação oficial sobre o cumprimento da obrigação acessória, razão pela qual verificase, no período, a adoção de diversos meios alternativos para o cumprimeto de tal obrigação. Diante da lacuna da lei verificada no caso em análise, cumpre transcrever o que dispõe o artigo 108 do CTN: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10950.002721/200591 Acórdão n.º 9101001.922 CSRFT1 Fl. 89 5 “Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade.” Nesse passo, merece destaque o princípio da segurança jurídica, o qual baliza o sistema jurídio e é essencial ao Estado Democrático de Direito, pois visa proteger e preservar as expectativas das pessoas e, para tanto, veda a adoção de medidas legislativas, administrativas ou judiciais capazes de frustrarlhes a confiança que depositam no Poder Público. Ora, para garantir a proteção da segurança jurídica, não pode o contribuinte arcar com o ônus decorrente de uma falha no sistema da própria receita federal. Além disso, merece atenção a “equidade”, citada no artigo transcrito. No dicionário aurélio, a palavra é assim definida: “Disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um; justiça”. Vejase que para alcançar a equidade, que é uma forma de se aplicar o direito da maneira mais próxima possível do justo, devemos buscar a melhor interpretação da lei para preenchimento dos vazios nela encontrados, evitando a aplicação que de alguma forma prejudique alguém, no caso, o contribuinte que esteve impedido de enviar sua declaração pela internet. Do exposto, temse que não é possível admititr que o ato declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005 possa retroagir para restringir direitos. Ora, não se pode aceitar que após deixar o contribuinte quase 60 (sessenta) dias sem qualquer orientação acerca do procedimento que deveria adotar, a Receita possa editar norma com capacidade de restringir direitos. Desse modo, tendo em vista que: (i) houve falha na entrega da declaração por culpa exclusiva da Secretaria da Receita Federal do Brasil; (ii) a legislação que regula a entrega da DCTF não previu meio alternativo para a sua entrega em caso de falha no sistema e (iii) no período de 15/02/2005 a 12/04/2005, o contribuinte não poderia prever com a necessária certeza qual seria a solução adotada pela RFB; entendo que, no caso, não é possível concluir que houve atraso da entrega da declaração (24/02/2005), isto porque, não é razoável apenar o contribuinte em decorrência de falha no sistema da própria administração tributária, especialmente quando não é dado a ele uma opção alternativa ou sucessiva, para cumprimento da obrigação em situações excepcionais como a da hipótese em debate. Nesse mesmo sentindo é a jurisprudência deste Conselho: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA ADMINISTRATIVA. EMPREGO DA EQÜIDADE AO CASO. INCABÍVEL A IMPOSIÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS RESPECTIVAS DCTF's. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (processo 10950.002385/200587. Ac. 30335.453). Diante do exposto, nego prvimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 13854.000175/2007-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (24/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (24/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 53 1 52 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000175/200701 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.184 – 1ª Turma Especial Data 24 de janeiro de 2013 Assunto IRPF Recorrente ANTONIO CARLOS IGNACIO MARIANO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (24/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/SP2, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fl(s).03, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas do ano calendário de 2.003, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 64.296,89, sendo: Imposto Suplementar R$ 28.980,84 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 54 .0 00 17 5/ 20 07 -0 1 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13854.000175/200701 Resolução nº 2801000.184 S2TE01 Fl. 54 2 Multa de Oficio Proporcional R$ 21.735,63 Juros de Mora (calculado até 31/05/2007) R$ 13.580,42 2 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à(s) fl(s). 05, o procedimento teve origem na omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 105.439,55. 3 O interessado, cientificado em 08/06/2007 (fl. 17), apresentou, em 10/07/2007, impugnação de fl(s). 01/02, em que, discordando da descrição dos fatos, questionou a base de cálculo lançada, considerandoa absurda. Passo adiante, a decisão de primeira instância entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados pelo contribuinte caracteriza omissão de rendimentos. Omissão Parcialmente mantida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado em 03/11/2009 (Fl. 36), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/12/2009 (Fls. 37/38), no qual solicita o arquivamento do feito, com isenção de todos os impostos, até por questão humanitária, por ser de inteira Justiça. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13854.000175/200701 Resolução nº 2801000.184 S2TE01 Fl. 55 3 ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Fl. 55DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13854.000175/200701 Resolução nº 2801000.184 S2TE01 Fl. 56 4 Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10882.908012/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 80 12 /2 01 1- 11 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908012/201111 Acórdão n.º 3801003.738 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908012/201111 Acórdão n.º 3801003.738 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908012/201111 Acórdão n.º 3801003.738 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908012/201111 Acórdão n.º 3801003.738 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908012/201111 Acórdão n.º 3801003.738 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908012/201111 Acórdão n.º 3801003.738 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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