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Numero do processo: 16048.000008/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o advogado Fábio Alexandre Lunardini OAB/SP nº 109.971. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 48 .0 00 00 8/ 20 08 -2 5 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Em 31/03/2004, a contribuinte transmitiu o PER/DCOMP 27687.30547.310304.1.3.048165, para fins de extinção de débito de IRPJ, código 23621, referente ao período de apuração fevereiro de 2004, no valor de R$ 242.533,24, indicando como crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ que teria sido arrecadado em 31/03/2004, no valor original de R$ 1.266.197,85, e valor atualizado na data da transmissão de R$ 1.308.615,48 (valor original a ser utilizado na compensação: R$ 242.533,24). Como o DARF com os dados informados não foi localizado nos Sistemas da Receita Federal, a contribuinte cientificado desse fato, e alertando que se houver qualquer divergência, deveria ser transmitido o PER/DCOMP retificador e, caso contrário, deveria a contribuinte comparecer à Receita com o DARF original. A ciência dessa intimação ocorreu em 04 de setembro de 2006. Em 23 de janeiro de 2008 foi emitido Despacho Decisório não homologando a compensação, por falta de comprovação do crédito, nos termos da seguinte ementa: Ementa: Pagamento indevido Não comprovado o indébito fiscal, não se homologa a compensação, nos exatos termos do art. 165 do CTN e da IN SRF n° 600/2005. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade, alegando ter se equivocado no preenchimento da DCOMP, ao indicar que o crédito era decorrente de pagamento a maior ou indevido, uma vez que, de fato, era representado por saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, apurado no valor de R$ 1.538.214,06. Informou que esse valor, devidamente atualizado pela SELIC foi utilizado para compensação a partir de janeiro de 2004, conforme planilha abaixo: Mês comp. Histórico Nºprocesso Receita Federal Crédito Original R$ Crédito original utilizado Juros selic Débito compensado Saldo crédito original 2003 Saldo negativo DIPJ 2004/2003 1.538.214,46 1.538.214,46 Jan/04 PerDecomp 16283.28959.310304.1.7.04.9803 16048.000009/2008 70 1.538.214,46 576.243,88 13.080,74 589.324,62 961.970,58 Fev/04 PerDecomp 27687.30547.310304.1.3.04.1653 16048.000009/2008 25 961.970,58 234.671,74 7.861,50 242.533,24 727.298,84 Mar/04 PerDecomp 13843.26979.300404.1.3.04.8328 101648.000009/2008 02 727,298,84 193.381,83 9.146,96 202.528,79 533.917,01 Mai/04 PerDecomp 40162.14498.300604.1.3.04.3931 101648.000007/2008 81 533.917,01 533.917,01 38.121,67 577.964,90 (5.926,21) Saldo original do crédito (5.926,21) (5.926,21) Ponderou que, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, não há razão para dar continuidade à cobrança.. Menciona decisões da e DRJs nesse sentido. Ressaltou que, no caso em tela, o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente, é facilmente identificado, bastando para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 4 3 A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Assentou o voto condutor que a empresa, mesmo após ser intimada para corrigir a DECOMP, não providenciou a retificação, como determina o art. 55 da IN 460/2004. Registrou que a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação, que inexiste previsão legal quanto a procedimentos para retificação de pedidos de restituição, ressarcimento e compensação ou declarações de compensação, no âmbito da DRJ. Enfatizou que a apresentação de PER/DCOMP não é mero pedido, mas sim veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002) e consequente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Ademais, destacou que não há como confirmar a alegação de erro, trazida pela contribuinte, pois o exame da DCOMP deixa entrever que o equívoco cometido não foi apenas na forma, mas também no conteúdo, porque o valor do crédito indicado não existe. Esclarece o voto condutor: Ora, como se verifica das informações por ela apresentadas à RFB, o valor apontado como crédito original em sede de DCOMP (R$ 1.266.197,85) não coincide com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2003 (R$ 1.538.214,46). Além disso, o período de apuração informado na ficha crédito da DCOMP em litígio (29/02/2004) não guarda relação com o saldo negativo do ano calendário 2003 (31/12/2003). Não há, portanto, qualquer indício que permita supor a ocorrência do equívoco apontado pela Manifestante. Ciente da decisão em 20 de agosto de 2012, a interessada ingressou com recurso em 27 do mesmo mês, no qual reitera as razões articuladas na manifestação de inconformidade. Contesta a decisão, alegando que, diferentemente do indicado na decisão recorrida, há sim, como identificar a alegação de erro no preenchimento, diante da existência de saldo negativo do IRPJ, e que, em qualquer caso, não houve prejuízo ao erário. Cita jurisprudência, invoca o princípio da verdade material, e destaca que os casos de erros de fato cometidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados de ofício pela autoridade a quem competir o seu exame, a teor do art. 147, § 2º, do CTN. Conclui dizendo que, segundo a decisão recorrida, não existe o direito creditório decorrente do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003, em que pese ter a ora recorrente demonstrado nos autos a existência desse direito, e requer perícia para confirmálo. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo, dele conheço. Inicialmente, registro ser impertinente a menção feita pela Recorrente ao art. 147, § 2º, do Código Tributário Nacional. Referido artigo trata das normas referentes a lançamento na modalidade “por declaração” (hoje inexistente no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Em tal modalidade de lançamento, o sujeito passivo prestava informações acerca dos fatos que relacionados à matéria tributável e, com base na declaração prestada, a autoridade administrativa efetuava o lançamento. Nesse caso, o CTN previa as possibilidades de retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante (§ 1º do art. 147) e as retificações de ofício a serem procedidas pela autoridade administrativa (§ 2º). Além de a DCOMP não representar instrumento preparatório ao lançamento por declaração, era impossível, à autoridade administrativa que o examinou, proceder à sua retificação de ofício, sem que o sujeito passivo prestasse esclarecimentos. De fato, é obvia a ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, pois é realmente muito estranho que em 31/03/2004 a contribuinte transmitisse DCOMP informando como crédito pagamento a maior ou indevido de IRPJ no valor original de R$ 1.266.197,85 arrecadado nessa mesma data (31/03/2004), e cujo valor original já seria passível de atualização de 3,35%, para compensar débito vencido nessa mesma data. Ainda que se aventasse a praticamente inexistente a possibilidade de a contribuinte ter recolhido mediante DARF em 31/03/2004, o IRPJ referente a fevereiro de 2004 no valor de R$ 1.266.197,85, e na mesma data, tendo constatado que o valor devido era de R$ 242.533,24, tivesse transmitido a DCOMP para regularizar o suposto pagamento indevido, jamais poderia ser objeto de atualização, eis que efetuado naquela mesma data. Contudo, a autoridade administrativa não tinha como, apenas à vista da declaração, retificála de ofício. Por isso, transmitiu intimação de fls. 08 comunicando ao sujeito passivo que o DARF que ele indicou como crédito não existia nos sistemas da Receita Federal e intimandoo a sanar a irregularidade no prazo de 20 dias. Esclarece o termo de intimação que, se houvesse qualquer divergência (ou seja, qualquer equívoco quanto ao crédito indicado), solicitavase que fosse transmitido o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, isso é, se realmente o sujeito passivo confirmasse a existência daquele pagamento indevido, que ele apresentasse o DARF original. A intimação advertia que a não regularização implicaria na não homologação da compensação. A intimação foi lavrada em 31/08/2006 e a ciência ocorreu em 04 de setembro seguinte. Não tendo a contribuinte tomada nenhuma das providências indicadas, em 23 de janeiro de 2008 (portanto mais de um ano depois), foi lavrado o despacho decisório não homologando a compensação por não comprovação do alegado pagamento indevido ou a maior indicado na PER; DCOMP. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 6 5 Na manifestação de inconformidade a contribuinte alegou erro de fato no preenchimento da DCOMP, e que o crédito a ser utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. Porém, como bem apontou o julgador a quo, não se trata de simples inexatidão material na indicação do crédito, eis que o valor indicado não coincide com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003. A manifestação de inconformidade representa, de fato, um pedido de retificação do PER/DCOMP. Constatando que o crédito indicado não existia, mas que ele possuía, na data da transmissão da DCOMP, direito creditório suficiente para a compensação, requereu a substituição. O órgão julgador da Receita Federal (4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas) declarouse incompetente para apreciar pedido de retificação Assentou o voto condutor que “(...) não se pode admitir a retificação da declaração de compensação em sede de manifestação de inconformidade, na medida que todos os pedidos devem ser apreciados, em primeira vez, pela autoridade competente da DRF jurisdicionante da contribuinte. A análise primária acerca da existência ou não do crédito pleiteado deve se dar pelo órgão competente, ou seja, a DRF Taubaté.” É induvidoso que a contribuinte não cumpriu com o seu dever de formalizar a retificação do PER/DCOMP, de maneira a substituir um crédito erroneamente indicado (inexistente) por outro efetivamente existente à data da transmissão da DCOMP. Contudo, não me parece razoável negar um direito a contribuinte por descumprimento de formalidade. Reportome, aqui, às lúcidas considerações do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no voto condutor do Acórdão 1301001.495, sessão de 13/02/2014: “Em que pese as considerações da autoridade julgadora de primeiro grau acerca da impossibilidade, em sede de contraditório, de retificação de débitos apontados para compensação, penso que a solução das controvérsias instauradas nos processos acima referenciados deve ser encontrada a partir da desconsideração do erro cometido pela Recorrente. Isto porque não se pode, com fundamento em mero erro no preenchimento de instrumento declaratório, negar ao contribuinte o direito de reaver aquilo que ele pagou indevidamente ou em montante maior que o devido. Tratase, no caso, de se comparar as grandezas dos direitos envolvidos na lide: de um lado, o da Fazenda Nacional de não devolver o que lhe foi pago acima do devido, em virtude de erro de forma no pedido apresentado pelo contribuinte; do outro, o legítimo direito do contribuinte de utilizar o montante pago a maior (ou indevidamente) para fins de compensação tributária. A meu ver, em tais circunstâncias, devese relevar o erro formal cometido e, em homenagem ao princípio da verdade material, promover a utilização do direito creditório efetivamente reconhecido na extinção (ainda que parcial), por compensação, dos débitos de titularidade do requerente.” No entanto, diferentemente da situação que foi objeto do acórdão relatado pelo Conselheiro Wilson, na qual o erro do contribuinte se deu quanto ao valor dos débitos indicados na DCOMPs, no presente caso o erro está na origem do crédito. Como a legitimidade do crédito não foi objeto de análise pela autoridade administrativa, não pode este Colegiado Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 16048.000008/200825 Resolução nº 1301000.250 S1C3T1 Fl. 7 6 decidir a respeito, sem o prévio exame da autoridade jurisdicionante (Delegacia da Receita Federal de Taubaté). Ressalto que as normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que tratam da retificação de DCOMP não vedam a retificação para alteração do crédito, sendo que a vedação específica existe apenas para inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, vejamos. IN SRF 1.300, de 2012900/2008 Art. 90 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. (mesma redação das instruções normativas anteriores, inclusive do art. 58 da 460/2004, vigente quando da transmissão da DCOMP objeto deste processo) Por todas essas considerações, voto no sentido de baixar o processo em diligência, para que a autoridade competente (DRF Taubaté), recepcionando o pedido do contribuinte como saldo negativo, verifique a certeza e liquidez do direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 03 de fevereiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.911271/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.869
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Compensação em decorrência de suposto pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 27 1/ 20 09 -4 3 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 12 2 maior de COFINS, o qual não foi homologado sob fundamento de o crédito ser ilegítimo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 95.822,29 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que em 2005, à época dos fatos geradores os mesmos foram informados em DCTF e DACON, entretanto a Impugnante procedeu a revisão dos valores de modo que concluiu que os valores recolhidos eram efetivamente maiores do que os devidos, assim procedeu a retificação da DCTF sem contudo retificar a DACON, o que ocasionou a inconsistência e a não homologação da compensação. Demonstrada a legitimidade do crédito utilizado requer a procedência da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. Junta aos autos a DCTF e DACON original e retificadora, DARF e Per/Dcomp. Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente e manteve a decisão pela não homologação da compensação efetivada, sob o argumento de que não houve comprovação com elementos hábeis para desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF. A ementa do acórdão foi assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 13 3 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, não concordando com a decisão exarada, apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos anteriormente apresentados, alega que (i) tributou em duplicidade determinadas receitas; (ii) deixou de tomar créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado; (iii) desconsiderou no cálculo da referida contribuição a pagar retenções realizadas diretamente na fonte; e (iv) retificou a DCTF e a DACON e que, por tais razões, não pode lhe ser retirado o direito creditório, uma vez que pelos documentos contábeis anexados aos autos, é possível identificar o pagamento indevido e o crédito levado à compensação. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, a matéria devolvida a este Conselho referese, tãosomente, à desconsideração, pela fiscalização, de supostos créditos tributários decorrentes de pagamento a maior de COFINS, na competência de julho de 2005. Tais créditos são oriundos, segundo a ora Recorrente, de tributação em duplicidade de determinadas receitas, não utilização de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e desconsideração, no cálculo da referida contribuição a pagar, de retenções realizadas diretamente na fonte. Na decisão recorrida, a douta Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da Recorrente, sob a argumentação de que “no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o art. § 10 do art. 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007”. E, ainda, que “quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito liquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN)”. A conclusão dos Julgadores foi no sentido de negar a existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o interessado não apresentou elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, não existindo razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 15 5 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão. Atua, assim, como norte para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devese lembrar de que, nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita; não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 16 6 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo: 10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, todos os documentos apresentados pela Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de origem, é que se poderá ter certeza de que houve a retenção e se os valores retidos são os mesmos que deixaram de ser declarados pela Recorrente, de que foram tributadas receitas em duplicidade e de que não foram utilizados créditos da referida contribuição relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado. Desta forma, na diligência que será realizada, a DRF de origem deve, com base na documentação apresentada pela Recorrente referente ao período de apuração supra mencionado: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 17 7 (i) verificar se houve tributação em duplicidade nas receitas mencionadas pela Recorrente, recompondo, dessa forma, a base de cálculo da contribuição para o COFINS na competência de julho/2005; (ii) verificar a existência de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e se estes foram utilizados; (iii) verificar se os valores não declarados são, de fato, aqueles retidos na fonte; (iv) apurar se os valores dos créditos acima mencionados são os mesmos que o contribuinte deixou de declarar. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.000795/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 406 1 405 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000795/200840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.909 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente NEWTON JOSE DE OLIVEIRA NEVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. TAXA SELIC SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 95 /2 00 8- 40 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 407 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre as informações apresentadas pelo recorrente em sua DIRPF no anocalendário 2002 e os dados de sua movimentação financeira no mesmo período, a Fazenda Nacional iniciou procedimento de verificação em relação ao IRPF do recorrente nesse anocalendário, com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários, considerando que existiam evidências de omissão de rendimentos (fl. 0204 do eprocesso). O recorrente, em 27/07/07, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 10 do eprocesso), no qual foi intimado a apresentar os extratos de suas contas correntes, bem como a esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários. Em 06/07/07, manifestouse alegando que não poderia apresentar, de forma imediata, os documentos solicitados, pois, foram objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, no âmbito do processo nº 2005.51.01.5039300. Salientou que não poderia juntar aos autos os mandados de busca e apreensão, pois o processo judicial corria sob a égide do segredo de justiça, devendo ser requisitados por ofício (fls. 1112 do eprocesso). Na data de 14/08/07, a Fiscalização reintimou o recorrente para o atendimento da solicitação, destacando que a não apresentação dos documentos solicitados, no prazo determinado, caracterizaria Embaraço a Fiscalização nos termos do art. 33, I, da Lei nº 9.430/96 (fl. 13 do eprocesso). Em resposta, o contribuinte reafirmou a impossibilidade de atendimento da solicitação e salientou que enveredou todos os seus esforços para cumprir as intimações recebidas, requisitando acesso aos documentos no Juízo da 5ª Vara Criminal Federal, conforme os documentos juntados (fls. 1522 do eprocesso). Em 11/09/07, a Autoridade Administrativa lavrou Termo de Constatação e de Embaraço à Fiscalização pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira quando intimado, nos termos art. 33, I, da Lei nº 9.430/96, frisando que os motivos alegados pelo contribuinte não o impossibilitariam de apresentar os extratos bancários objeto da intimação, bastando, para tanto, solicitálos junto aos bancos (fl. 30 do eprocesso). Em virtude do não atendimento da intimação, a Fazenda Nacional expediu Requisição de Movimentação Financeira RMF para as instituições financeiras Banco Itaú (fls. 3243 do eprocesso), Banco Sudameris (fls. 4498 do eprocesso), Banco BCN/Bradesco (fls. 99163), Unibanco (fls. 164193 do eprocesso), Banco Safra (fls. 194216), as quais foram devidamente atendidas. Após, a Fiscalização intimou o contribuinte para comprovar de forma individualizada com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem e dos recursos creditados, em 2002, nas contas bancárias: BCN C/C nº 1.913.687.6, C/C nº 765.193, Itaú C/C nº 165943, Itaú C/C nº 166305, Sudameris nº 009544200, Sudameris C/C nº Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 009549301, Sudameris C/C nº 009549302, Sudameris C/C n. ° 009549328, Unibanco C/C nº 1113499 e Safra C/C nº 0174380, cujos valores constavam do "Anexo ao Termo de Intimação" contendo 03 (três) folhas (fls. 217220 do eprocesso). O recorrente apresentou manifestação, em 07/01/08, afirmando que os valores correspondem à distribuição de lucros da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, CNPJ nº 68.314.624/000117. Reiterou, contudo, que a documentação comprobatória havia sido objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, situação que impossibilitava a juntada (fls. 222223 do eprocesso). Em 28/01/08, a Fiscalização lavrou Termo de Verificação Fiscal, encerrando o procedimento de fiscalização, pois não comprovada a origem dos depósitos (fls. 224227 do eprocesso). 2 Notificação de lançamento Em 28/01/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 230231eprocesso), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados – depósitos bancários – em conta corrente, os quais, o recorrente, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, mediante documentação hábil e idônea. O total do crédito tributário constituído foi em R$ 499.583,82, incluídos o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 28/01/08. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 252291 do eprocesso) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade do auto de infração, em razão do Fisco não ter utilizado meios lícitos para a quebra do sigilo bancário; b) os valores autuados correspondem a distribuição dos lucros da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, sendo todos os valores escriturados no Livro Diário da empresa; c) o lançamento fiscal não pode ser embasado em depósitos bancários, pois eles não caracterizam disponibilidade econômica de renda, conforme Súmula 182 do TFR; d) a inconstitucionalidade do §2º, do art. 11 da Lei nº 9.311/96, devendo ser considerada nula as informações das movimentações financeiras do recorrente que se encontram em posse do Fisco; e) a aplicação de multa em patamares não razoáveis pode levar o contribuinte à subsistência, devendo a mesma ser reduzida para patamares justos e dentro da legalidade; f) a impossibilidade da legislação ordinária estabelecer taxa de juros superiores a 1% ao mês, contrariando o disposto no art. 161, §1º do CTN; g) a inconstitucionalidade da Taxa Selic; Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 408 5 h) natureza remuneratória de títulos, não podendo ser exigida no inadimplemento de tributos, sendo o correto a incidência de juros moratórios; i) a cobrança da multa de ofício, em valor exorbitante, possui caráter confiscatório, infringindo o art. 150, IV, da Constituição; j) a ilegalidade na expedição da RMF, pois o simples fato de efetuar depósitos em um banco não é, por si só, comprobatório do aferimento de rendimentos tributários, sendo necessário o nexo da evidência do recebimento dos rendimentos. Na oportunidade, juntou cópia da DIRPF 2003 (fls. 297300). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/SP, por unanimidade, mantido o crédito tributário pelas seguintes razões: a) sendo concedida, na fase impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por utilização da RMF; b) a LC nº 105/01 garante a legitimidade da prestação de informações solicitadas pela RFB às instituições financeiras, não constituindo quebra de sigilo bancário; c) com a entrada em vigor da Lei nº 9.430/96, consideramse rendimentos omitidos, os depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não logre êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; d) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece a presunção de omissão de rendimentos no lançamento com base em depósitos ou créditos bancários, tratandose de presunção legal. Tal presunção autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; e) a alegação de recebimento de valores a título de distribuição de lucros não é suficiente para justificar a origem dos depósitos bancários, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a efetiva transferência do valor, por meio de provas inequívocas; f) não se encontra abrangida pela competência da autoridade administrativa a apreciação de inconstitucionalidade de lei; g) inexistência de ilegalidade da Taxa Selic; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 O recorrente tomou ciência em 16/07/09. 5 Recurso Voluntário Em 27/05/11, o recorrente opôs recurso voluntário (fls. 339380) repisando os argumentos de sua impugnação. Juntou cópia do Contrato Social Oliveira Neves Advogados Associados S/C (fls. 381402 do eprocesso). 6 Sobrestamento Em 18/11/13, este processo foi sobrestado, tendo em vista que, para alcançar o seu desiderato, a fiscalização utilizou RMF, e a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF (fls. 243245 do eprocesso). 7 Despacho de Diligência Através do Despacho, em 14/08/14, os presentes autos foram convertidos em diligência, para que fossem encaminhados à Secretaria da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento da 2ª Turma Ordinária deste Conselho, para verificação: a) verificar se houve a intimação do contribuinte quanto à lavratura do Auto de Infração; b) em havendo a intimação, verificar se foi interposto Recurso Voluntário; c) em havendo interposição, digitalizar todos os documentos que não estavam nos autos. Em atendimento à diligência, a Fiscalização constatou a ciência do Auto de Infração por via postal, com aviso de recebimento nos autos (fl. 234 do eprocesso), e que os autos físicos não haviam sido integralmente anexados ao eprocesso durante o processo de digitalização, constando apenas o volume 01. O processo foi devolvido depois de tomadas às providências cabíveis (fls. 249 do eprocesso). É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 409 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 3243 do eprocesso), Banco Sudameris (fls. 4498 do e processo), Banco BCN/Bradesco (fls. 99163), Unibanco (fls. 164193 do eprocesso), Banco Safra (fls. 194216), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 410 9 tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 411 11 Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário (referente à conta corrente mantida junto ao Banco Alvorada), tendo como base o art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração no que se refere ao crédito tributário apurado, por existência de vício. 2. MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais créditos tributários, apurados regularmente, e argumentos suscitados pelo recorrente. 1 Da Omissão de Rendimentos O recorrente aduz que todos os depósitos bancários decorrem da distribuição dos lucros líquidos da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados S/C, da qual era sócio (empresa posteriormente sucedida por Inter Rise Assessoria Empresarial LTDA). Ressaltou que a documentação comprobatória foi objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, situação que impossibilitava a juntada (fls. 222223 do eprocesso). Para comprovar suas alegações trouxe aos autos a) Petição à 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro requerendo a disponibilização dos documentos para cópia, em 27/08/07 (fls. 2122 do eprocesso) b) DIRPF anocalendário 2002 (fl. 297299 do eprocesso); c) 65ª Alteração de Contrato Social Oliveira Neves Advogados Associados S/C: Transformação de Sociedade de Advogados em Sociedade Mercantil (fls. 381402); Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 12 Não merece prosperar a irresignação do recorrente. Com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430/96, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pág. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressaltese que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualmente as origens desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 412 13 O contribuinte alega que todos os valores seriam de titularidade da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, resumindose a apontar todos os valores como de titularidade da empresa, não especificando individualizadamente quais valores seriam de titularidade da pessoa jurídica. Quanto à forma de comprovação individualizada, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui este dever, na redação do §3º de seu art. 42: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Nesse sentido é o entendimento desse Conselho: “(...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. (...) ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202002.726. Rel. Conselheiro Rafael Pandolfo. Julg. 12/08/14). É necessário, portanto, que o contribuinte comprove individualizadamente a origem de todos os depósitos glosados pelo Fisco, identificandoos como decorrentes de renda Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 14 já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, e, o mesmo ocorre quanto aos valores imputados como de titularidade da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, o que não ocorreu nos autos. Conquanto possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a medida, a verdade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. Dessa forma, entendo que as declarações prestadas pelo contribuinte não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos feitos na conta corrente do recorrente, devendo ser mantido o crédito tributário em sua totalidade. 2.2 Aplicação da Taxa SELIC e Multa de Ofício O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional, e que a aplicação da multa consiste em medida confiscatória. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumular, abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 413 15 Sendo assim, o caráter confiscatório da multa e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 16 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 414 17 IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 18 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10680.901223/2009-84
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 12 23 /2 00 9- 84 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 27838.96483.310105.1.3.048125, a ora Recorrente pretende compensar débitos de estimativa de CSLL de sua responsabilidade referente ao período de dezembro/2004 com crédito de CSLL referente a estimativa de novembro/2004. O crédito pleiteado seria supostamente resultante de um DARF de R$ 598.764,01, que fora pago em 30/12/2004, direcionado ao pagamento de débito de estimativa de IRPJ. Em 18/02/2009, por intermédio do despacho decisório de efl. 29, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte, sob o seguinte fundamento: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedencia do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução, do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Isto posto, passo a adotar parte do relatório da DRJ: “Cientificado do Despacho Decisório em 04/03/2009, conforme documento de fl. 511, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/07, em 04/04/2009, tendo alegado, em síntese, o seguinte: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 38 3 a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão de norma legal editada apenas em 2008, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que: (i) de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei; (ii) a mesma IN/SRF 600 data de 2005, enquanto que a compensação em discussão ocorreu em data anterior. Portanto, ainda que o art. 10 da IN/SRF 600/05 fosse imponível, o que não é, também neste caso aplicarseia a vedação à aplicação retroativa de norma tributária; embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade, desde que as diferenças se apurassem em balancetes regularmente levantados e lançados no Livro Diário; mais uma vez reiterando não ter havido qualquer reparo à forma como se deu a compensação, mas apenas à sua periodicidade, junta a requerente os balancetes mensais levantados no curso do ano em questão, comprovandose o seu devido lançamento no Livro Diário na conclusão, assim destacou a requerente: • a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado não é aplicável à hipótese sob exame, eis que posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; • não há, no despacho recorrido, reservas de qualquer ordem à correção da compensação, excetuado no que se refere à sua periodicidade, o que dispensa manifestações da requerente quanto à sua correção; • ainda assim, anexase à presente petição cópias autenticadas de todos os balancetes realizados no curso do ano em questão, originários de compensações mensais, comprovandose o seu devido lançamento no Livro Diário, tudo conforme orientação aceita e constante de jurisprudência do Conselho de Contribuintes; Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 39 4 • em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. No despacho de encaminhamento para julgamento do processo, a DRF de origem reconheceu a tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 14/12/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/01/2012 o qual reitera os argumentos de direito e de fato apresentados na menifestaão de inconformidade, colacionando vários julgados. Este é o Relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 27838.96483.310105.1.3.048125, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de estimativa de CSLL, de novembro de 2005, com o mesmo tributo de dezembro do mesmo ano. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da DRF de Belo Horizonte (MG), consta que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 325.987,60. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 41 6 Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 0232.780 2ª Turma da DRJ/BHE, de 14 de junho de 2011, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do CSLL apurado no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do anocalendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Fl. 557DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 42 7 para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). A motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da DRF / Belo Horizonte quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9.430/96. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 43 8 Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem para nova análise do PER/DCOMP em comento e conseqüentemente proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação, se for o caso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 559DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13855.721018/2013-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA.
Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos/verbos está vinculado o objetivo buscado com o conluio.
RECAP. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Comprovado o descumprimento de requisitos do RECAP, deve ser efetuado o correspondente lançamento de ofício, com dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005.
Numero da decisão: 3403-003.582
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, deixando-a no patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. Rogério Pinto Lima Zanetta, OAB/SP no 253.977.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA. Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos/verbos está vinculado o objetivo buscado com o conluio. RECAP. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o descumprimento de requisitos do RECAP, deve ser efetuado o correspondente lançamento de ofício, com dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008 MULTA. VALOR ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO INSTRUTIVO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. A aplicação da multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003, por não ter a empresa entregue à fiscalização, quando solicitados, documentos instrutivos de declarações de importação, independe de ter a ausência de apresentação prejudicado o procedimento fiscal. Ademais, na ausência de tais documentos é precipitado concluir que eles não prejudicaram ou prejudicariam o procedimento fiscal. RECAP. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o descumprimento de requisitos do RECAP, deve ser efetuado o correspondente lançamento de ofício, com dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA. Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos/verbos está vinculado o objetivo buscado com o conluio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, deixandoa no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 10 18 /2 01 3- 62 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. Rogério Pinto Lima Zanetta, OAB/SP no 253.977. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 08/04/2013 (fls. 3 a 7, 8 a 21, e 22 a 35, com ciência em 11/04/2013, cf. fls. 3, 9 e 23)1 para exigência de: (a) multa proporcional ao valor aduaneiro, por não apresentar, após intimação e reintimação, os documentos instrutivos de importações solicitados (no valor de R$ 795.163,50), com base no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003; (b) COFINSimportação, por falta de recolhimento em importações ao amparo de RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras), de agosto a novembro de 2008 (em valor total de R$ 4.534.562,37, já com juros e multa qualificada de 150%), tendo em vista que importou efetivamente para outra empresa que não era beneficiária do regime; e (c) Contribuição para o PIS/PASEP importação, pelos mesmos motivos e nos mesmos períodos (em valor total de R$ 984.477,31, já com juros e multa qualificada de 150%). No Relatório Final de Fiscalização (RFF) de fls. 38 a 88, narrase que: (a) a fiscalização verificou que a empresa MINERVA S.A. importou, com suspensão da exigência da COFINSimportação e da Contribuição para o PIS/PASEPimportação ao amparo do RECAP bens de capital (máquinas e equipamentos) não para si própria (pois sabia que não pertenciam a seu processo produtivo), mas para revenda, que foi efetuada à empresa MINERVA DAWN FARMS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROTEÍNAS S.A. (MDF), controlada do grupo MINERVA; (b) o RECAP foi instituído pela Lei no 11.196/2005 (arts. 12 a 16), regulamentado pelo Decreto no 5.649/2005, e disciplinado pela Instrução Normativa SRF no 605/2006, sendo condições para fruição do regime a habilitação prévia da empresa e a incorporação dos bens importados ao ativo imobilizado da empresa habilitada; (c) a fiscalização foi iniciada com intimação para que a empresa (MINERVA S.A.) apresentasse 24 Notas Fiscais de entrada, com a documentação referente às importações correspondentes, e 20 Notas Fiscais de saída (em 10/04/2012), e verificação do processo produtivo da empresa (na qual se presenciou abate de bovinos, sangria, retirada de couro, obtenção de carcaças, desossa das carcaças e embalagem a vácuo dos “cortes de açougue obtidos”); (d) na mesma data, foi efetuada diligência nas dependências da empresa MDF, sendo tiradas fotografias das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo (que compreende processamento de proteína 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 892DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 892 3 animal, para produto final cozido e congelado), a maioria delas retratando os bens de capital adquiridos pela MINERVA S.A. ao amparo do RECAP; (e) as empresas estão localizadas em áreas contíguas, próximas uma da outra, com fácil acesso entre elas; (f) em resposta à intimação, foram entregues parte dos documentos solicitados (relacionados às fls. 44 a 48), sendo a empresa reintimada em 28/05/2012 a apresentar os documentos restantes; (g) após esgotado o prazo para apresentação dos documentos demandados na reintimação, são entregues documentos adicionais, ainda restando alguns sem apresentação; (h) ao analisar detalhadamente as 18 declarações de importação (fls. 49 a 76), a fiscalização apura as irregularidades constantes da tabela a seguir, concluindo que vários bens forma revendidos antes da conversão em alíquota zero, descumprindo as condições do RECAP; (i) a multa qualificada se deve ao fato de a empresa saber antecipadamente que os produtos importados não se prestavam ao seu ativo, ou ao seu processo produtivo, mas ao da MDF (que também era habilitada ao RECAP, mas, por estar em início de atividades, não teria, como efetivamente não manteve, receita bruta de exportação em ao menos 70% da receita bruta total de venda), configurando conclui entre as empresas para prejudicar o fisco federal; e (j) tendo em vista a não apresentação dos documentos instrutivos das importações demandados, foi ainda aplicada a multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003. Declaração de Importação (fls.) Verificações/Irregularidades DI no 08/10789161 (fls. 49/50) Situação 1: DI anterior à habilitação ao RECAP, desembaraçada em canal verde, com recolhimento integral. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Não foram apresentadas fatura comercial e romaneio (packing list). No campo “consignatário” do Conhecimento de Carga que “não deixa de ser um contrato de compra e venda de mercadorias” (sic) constava como parte a ser notificada (“NOTIFY”) a empresa MDF. DI no 08/11361840 (fls. 50/51) Idem à situação 1. DI no 08/13043152 (fls. 51/52) Situação 2: DI ao amparo do RECAP, com suspensão das contribuições, desembaraçada em canal verde. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Não foram apresentadas fatura comercial e romaneio (packing list). No campo “consignatário” do Conhecimento de Carga constava como parte a ser notificada (“NOTIFY”) a empresa MDF. DI no 08/13051627 (fls. 52/54) Situação 3: DI ao amparo do RECAP, com suspensão das contribuições, desembaraçada em canal verde. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Não foi apresentado romaneio (packing list). DI no 08/13771360 (fls. 54/55) Idem à situação 2. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/13795154 (fls. 55/56) Idem à situação 3, com a diferença de que foi apresentado o romaneio, mas não a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/14084669 (fls. 57/58) Idem à situação 3, com a diferença de que não foi apresentado o romaneio nem a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/14365820 (fls. 58/59) Idem à situação 3, com a diferença de que foi apresentado o romaneio, mas não a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 DI no 08/14368934 (fls. 59/61) Situação 4: DI ao amparo do RECAP, com suspensão das contribuições, desembaraçada em canal amarelo. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Na fatura comercial que instruiu o despacho de importação consta como comprador e destinatário a MDF. Não foi apresentado o romaneio. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/15062090 (fls. 61/63) Idem à situação 3, com a diferença de que não foi apresentado o romaneio nem a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF, e fatura proforma indicando a MDF como adquirente. DI no 08/15570001 (fls. 63/65) Idem à situação 4, com a diferença de que não foi apresentada fatura nem romaneio, e não se menciona nenhum indício em conhecimento de transporte. DI no 08/15865532 (fls. 65/67) Idem à situação 3. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/16665022 (fls. 67/69) Idem à situação 3. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/16692577 (fls. 69/70) Idem à situação 3, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento. DI no 08/16909070 (fls. 70/72) Idem à situação 3, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento. Há ainda uma ordem de serviço de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/17110148 (fls. 72/73) Idem à situação 3, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento. DI no 08/17121050 (fls. 73/74) Idem à situação 4, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento, e não se menciona nenhum indício em conhecimento de transporte. DI no 08/17934264 (fls. 74/76) Idem à situação 3. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. A empresa apresenta impugnação em 10/05/2013 (fls. 714 a 723), alegando, em síntese, que: (a) quando da venda à empresa MDF, todos os tributos suspensos na importação foram recolhidos; (b) é incontroverso que a MDF é empresa que pertence ao mesmo grupo empresarial, e não possuía condições de realizar as operações de importação, por não possuir habilitação no SISCOMEX à época; (c) não houve qualquer simulação para diminuição de tributos no âmbito do RECAP (como demonstra o fisco, antes mesmo do RECAP já haviam sido realizadas operações de importação para posterior venda à MDF, com recolhimento integral); (d) é incabível a qualificação da multa, pois a operação foi realizada de forma transparente, e restou ausente a comprovação de fraude; e (e) é improcedente a multa aplicada pela falta de guarda de documentos e não apresentação à fiscalização, pois a fiscalização, com os documentos apresentados, teve plena condição de auferir a verdade material do caso. Em 20/08/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 852 a 861), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) a empresa não contesta o fato de que os bens foram revendidos antes da conversão em alíquota zero; (b) no período em que ocorreram as vendas a empresa não efetuou qualquer recolhimento a título das contribuições, não foram pagas as contribuições devidas, que não se confundem com as contribuições incidentes na venda, conforme DACON juntado ao processo; (c) a qualificação deve ser mantida, pois os bens eram exclusivos ao processo produtivo da MDF, os Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 893 5 documentos de importação demonstravam a efetiva destinação, e a MDF não possuía habilitação/limites que lhe permitissem as importações, e a própria empresa reforça tais alegações, tipificandose as hipóteses de “fraude, sonegação e conluio”, previstas na Lei no 4.502/1964; e (d) a multa por não apresentação de documentos é devida independente de a ausência de tais documentos ter prejudicado ou não a ação fiscal. Cientificada da decisão da DRJ em 02/09/2014 (fl. 865), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 01/10/2014 (fls. 868 a 882), basicamente reiterando as considerações externadas em sua impugnação, mas passando a afirmar que nas vendas à MDF os tributos foram recolhidos “mediante compensação” (ao invés de simplesmente recolhidos, como alegava na impugnação), partindo de informação do julgamento de piso, retirando o item 13 da impugnação, que afirmava ter havido “recolhimento integral dos tributos incidentes”. Acrescenta ainda discussão sobre a conduta de conluio imputada, prevista no art. 73 da Lei no 4.502/1964. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São basicamente três os tópicos controversos: (a) a multa aplicada com base no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003; (b) o (des)cumprimento do RECAP; e (c) a qualificação da multa de ofício aplicada. Da multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003 A fiscalização aplica a multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003, por não ter a empresa entregue à fiscalização, quando solicitados, documentos instrutivos de declarações de importação. A recorrente, por seu turno, reconhece a não apresentação, mas afirma não ter havido prejuízo à fiscalização, que foi realizada a contento mesmo sem os documentos. Vejase o que dispõe o comando legal referente à multa: “Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (...) II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: (...) b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. (...) § 6o A aplicação do disposto neste artigo não prejudica a aplicação das multas previstas no art. 107 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 desta Lei, nem a aplicação de outras penalidades cabíveis.” (grifo nosso) A simples leitura do dispositivo legal basta para que se compreenda a irrelevância de terem ou não os documentos guardados/apresentados prejudicado o procedimento fiscal. Ademais, na ausência de tais documentos é precipitado concluir que eles não prejudicaram ou prejudicariam o procedimento fiscal. A penalidade poderia, inclusive, ser aplicada se a fiscalização obtivesse outra via do documento junto a outro interveniente (por exemplo, o despachante aduaneiro). E poderia inclusive ser aplicada a mais de um interveniente, pela não apresentação de um mesmo documento (caso ambos tivessem a obrigação de guardar diferentes vias do referido documento). A infração e a pena previstas na legislação são claras, e perfeitamente adequadas à situação concreta narrada nos autos, pelo que deve ser mantido o lançamento neste tópico. Do descumprimento do RECAP O RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras), foi instituído pelo art. 12 da Lei no 11.196/2005, sendo disciplinado nos arts. 13 (exigência de que o beneficiário seja empresa preponderantemente exportadora), 14 (suspensão da exigência das contribuições), 15 (exigência de regularidade fiscal) e 16 (indicação de que os bens beneficiados seriam relacionados em regulamento). O Decreto no 5.649/2005 regulamentou o regime, tratando ainda da disciplina procedimental a Instrução Normativa SRF no 605/2006. Analisando o art. 13 da Lei no 11.196/2005, percebese que a recorrente não só cumpria os requisitos de empresa preponderantemente exportadora, como era habilitada ao RECAP, ao passo que a empresa MDF não cumpria (por estar ainda em fase embrionária). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 894 7 No que se refere à suspensão, dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005: “Art. 14. No caso de venda ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, fica suspensa a exigência: (...) II da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação, quando os referidos bens forem importados diretamente por pessoa jurídica beneficiária do Recap para incorporação ao seu ativo imobilizado. (...) § 4o A pessoa jurídica que não incorporar o bem ao ativo imobilizado, revender o bem antes da conversão da alíquota a 0 (zero), na forma do § 8o deste artigo, ou não atender às demais condições de que trata o art. 13 desta Lei fica obrigada a recolher juros e multa de mora, na forma da lei, contados a partir da data da aquisição ou do registro da Declaração de Importação DI, referentes às contribuições não pagas em decorrência da suspensão de que trata este artigo, na condição: I de contribuinte, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep Importação e à CofinsImportação; (...) § 5o Na hipótese de não ser efetuado o recolhimento na forma do § 4o deste artigo, caberá lançamento de ofício, com aplicação de juros e da multa de que trata o caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 6o Os juros e multa, de mora ou de ofício, de que trata este artigo serão exigidos: (...) II juntamente com as contribuições não pagas, nas hipóteses em que a pessoa jurídica não incorporar o bem ao ativo imobilizado, revender o bem antes da conversão da alíquota a 0 (zero), na forma do § 8o deste artigo, ou desatender as demais condições do art. 13 desta Lei. (...) § 8o A suspensão de que trata este artigo convertese em alíquota 0 (zero) após: I cumpridas as condições de que trata o caput do art. 13, observado o prazo a que se refere o inciso I do § 2o deste artigo; II cumpridas as condições de que trata o § 2o do art. 13 desta Lei, observado o prazo a que se refere o inciso II do § 2o deste artigo; Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 III transcorrido o prazo de 18 (dezoito) meses, contado da data da aquisição, no caso do beneficiário de que trata o inciso II do § 3o do art. 13 desta Lei. (...)” (grifo nosso) Relacionamos, ao início do voto, tópicos controversos. Mas há tópicos incontroversos que são igualmente relevantes para o deslinde do feito. Tanto a empresa como o fisco reconhecem que os bens objeto da autuação foram vendidos à empresa MDF, do mesmo grupo, que estava em fase de construção de seu parque industrial. Também não é objeto de contestação pela recorrente a afirmação do fisco de que os produtos importados não eram para o seu ativo imobilizado (por serem incompatíveis com seu processo produtivo). Pelo contrário, a prévia destinação é atestada por diversos documentos acostados aos autos, como conhecimentos de carga e conhecimentos rodoviários de transporte. Assim, a questão é basicamente pouco controversa no mundo dos fatos: a recorrente realizou 18 importações (16 delas ao amparo do RECAP) de produtos que na verdade se destinavam a terceira empresa, do mesmo grupo: a MDF. E a linha seguida pelo fisco foi de identificar as 16 importações (as outras duas, nas quais houve recolhimento integral, não são objeto da autuação neste tópico), carreando aos autos elementos que revelassem que os bens importados, na verdade, destinavamse à empresa MDF. E nem precisou o fisco deterse muito no tema, porque a própria diferenciação de processo produtivo denota que há flagrante descumprimento dos requisitos para a suspensão de que trata o inciso II do art. 14 da Lei no 11.196/2005: a recorrente, de fato, não importou diretamente mercadorias para incorporação a seu ativo imobilizado. Isso se verifica não só pelos documentos descritos no relatório (na tabela individualizada de declarações de importação), como pela ausência de refutação da defesa em relação ao assunto. Aliás, a empresa destaca em sua defesa (fl. 719): Vejase que não se está a tratar nestes autos de uma empresa beneficiária de RECAP que adquiriu produtos com suspensão para seu ativo imobilizado e, depois de algum tempo, por alguma razão decidiu revendêlos a terceiro. No presente processo claramente se demonstra que no momento das importações já se sabia que os produtos se destinavam a terceiro, e que sequer são compatíveis com o processo industrial da beneficiária do RECAP. E, ainda, que, de fato, a revenda ocorreu antes da conversão em alíquota zero a que se refere o § 8o do art. 14 da Lei no 11.196/2005. E é essa a imputação objetivamente efetuada pelo fisco (irregularidade 6.1 descrita no RFF fls. 76/77). E a recorrente confirma a revenda antes do prazo, mas afirma inicialmente que recolheu todos os tributos devidos. Após a DRJ confirmar que não havia recolhimentos no período, mas verificar descontos de crédito em relação às contribuições, a recorrente passa a alegar que efetuou recolhimentos na modalidade de compensação. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 895 9 Retornese ao texto da lei (§ 4o do art. 14 da Lei no 11.196/2005): a empresa, no caso de descumprimento dos requisitos do RECAP, fica obrigada a recolher, na qualidade de contribuinte, a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação, com acréscimos de juros e multa de mora, na forma da lei, contados a partir do registro da Declaração de Importação DI. E, caso não recolha, está sujeita a lançamento de ofício, como o efetuado no presente processo. Não vejo nos autos nenhuma prova de que efetivamente tenham sido recolhidos a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação, tributos diversos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre vendas (como se percebe facilmente pelo próprio desmembramento em incisos do art. 14 da Lei no 11.196/2005). As alegações de desconto de créditos, digase, sequer efetuadas na impugnação, foram suscitadas somente pela DRJ, de forma inconclusiva, no julgamento de piso. E, no recurso voluntário, a empresa apegouse a tal informação da DRJ para afirmar que houve “compensação”, sem carrear aos autos qualquer documentação que efetivamente ampare sua tese. Não há como acolher, assim, a alegação de que tenha havido recolhimento ou mesmo “compensação”, diante da ausência de prova do alegado. Cabível, pelo exposto, a manutenção do lançamento também neste tópico. Da qualificação da multa de ofício aplicada A fiscalização trata da qualificação da multa no item 6.2 do RFF (fls. 78 a 82), sustentando ter havido “conluio”, retomando o fato de que a recorrente e a empresa MDF possuem processos produtivos distintos, e os bens importados pela recorrente somente se prestavam ao processo produtivo da empresa MDF. Teria, assim, havido importações pela recorrente de produtos que já se sabia que seriam destinados à MDF, que se situa em área geograficamente contígua. A fiscalização endossa suas conclusões com os conhecimentos de carga e de transporte rodoviário, e ainda com a afirmação de que a recorrente sequer tinha espaço para armazenar os produtos importados em suas instalações. E como é incontroverso que a MDF não possuía habilitação no SISCOMEX e não conseguiria cumprir os requisitos de RECAP, à época, cristalina se encontra a questão da existência de uma simulação para que a MDF, ainda que não pudesse importar nem obter os benefícios do RECAP, lograsse ter em seu parque produtos importados com os benefícios do RECAP. Não há aparas, assim, a fazer à afirmação do fisco (fl. 81) de que: Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Verificada, assim, a existência de conluio, na acepção em que é utilizada no Direito Penal. No entanto, como a multa aplicada toma por base os arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964, cabe verificar se a conduta se amolda à definição ali estabelecida de conluio (art. 73), atrelada ao ajuste doloso visando à sonegação ou à fraude, tal qual definidas nos art.s 71 e 72 da mesma lei: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (grifo nosso) Acordamos ter havido ajuste doloso entre a recorrente e a empresa MDF, mas há que se verificar se visou o ajuste a algum efeito descrito nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” (grifo nosso) E, neste ponto, deficiente é o trabalho da fiscalização. Sequer se indica em qual verbo ou qual dispositivo (inciso/artigo) incidiu a recorrente. A remissão é genérica a todos, sem detalhamento de qual o impedimento/retardo, restando ausente a subsunção que possibilita a verificação da adequação da norma infracional ao caso concreto. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 896 11 A DRJ parece ter aderido à imputação genérica e múltipla a todos os artigos/incisos, afirmando (fl. 859) que: “Diante desse contexto, entendemos que razão assiste ao fisco ao qualificar a multa, uma vez que toda a operação foi conduzida intencionalmente por ambas as empresas de forma a evitar o pagamento de tributos incidentes nas operações, o que tipifica as hipóteses de fraude, sonegação e conluio, tal como previstas pela Lei nº 4.502/64, in verbis:” (grifo nosso) Acrescentese ainda que tanto a argumentação da fiscalização (no RFF) quanto a da DRJ ancoram o dolo no fato de a recorrente saber antecipadamente que os bens importados se destinavam à MDF. Disso não se discorda, mas a conduta imputada sobre a qual se está a exigir a multa é a do item 6.1 do RFF: “revenda antes da conversão em alíquota zero”, e não a própria descaracterização do RECAP, pelo fato de o bem ser diretamente destinado à MDF. Em síntese, parece o fisco desejar qualificar a multa por revenda antes da conversão em alíquota zero com outra conduta igualmente presente no § 4o do art. 14 da Lei no 11.196/2005 (a inexistência de incorporação a seu ativo imobilizado). Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos está vinculado o objetivo buscado com o conluio. Assim já decidiu unanimemente esta Terceira Turma: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.” (Acórdão no 3403001.822, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.out.2012) MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. A qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 requer a precisa configuração de uma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. (Acórdão no 3403003.112, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jul.2014) Restaram comprovados o conluio e o dolo (na acepção do Direito Penal), mas faltou ao fisco laborar no sentido de apontar qual a ação (ou omissão) específica tendente a impedir (ou retardar) o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte, ou ainda a ocorrência do fato gerador (ou excluir ou modificar suas características essenciais). Em outras palavras, faltou à fiscalização dar maior atenção ao tipo infracional imputado, narrando como as irregularidades detectadas a eles se amoldam. Assim, afastase a qualificação não por inexistência de dolo ou por ser a operação transparente, como deseja a recorrente, mas pelo simples fato de não ter o fisco vinculado especificamente as irregularidades detectadas a qualquer dos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964, limitandose a afirmar que houve conluio. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, deixandoa no patamar de 75%. Rosaldo Trevisan Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001984/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1803-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Sérgio Rodrigues Mendes.
(Assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Arthur José André Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES , FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPOSSIBILIDADE. O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 19 84 /2 00 9- 14 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES , FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TNL PCS SA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Rio de Janeiro I (RJ) que considerou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte improcedente em parte. 2. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 85/86) o auto de infração referese a cobrança de multa de ofício isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL no anocalendário 2005 (fev/05). 3. A empresa que estava submetida à sistemática de tributação pelo lucro real anual e com base em balanço ou balancete de suspensão, a fiscalização apurou débitos relativos aos Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos a estimativas. 4. Consta que o contribuinte foi intimado a esclarecer os seguintes fatos apurados durante a revisão interna de suas declarações (DIPJ e DCTF) referentes ao ano calendário 2005: 1) os valores nela informados referentes ao Imposto de Renda a Pagar, bem como os relativos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurados segundo regime de tributação por estimativa, constam como não pagos/recolhidos; 2) os valores referentes ao Imposto de Renda a Pagar, assim como os relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL nela informados, apurados na forma de lucro real anual, não constam como recolhidos integralmente; 3) relativamente à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, também não foram o referido imposto e contribuição nela declarados integralmente – DIVEGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCTF 5. Após a análise da documentação entregue foram ratificados os valores apurados como não declarados em DCTF e não recolhidos durante a referida revisão interna no que concerne ao pagamento mensal por estimativa. 6. Após ter sido cientificada do lançamento em 26/11/2009, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 138/154. 7. No entanto, a DRJ do Rio de Janeiro julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte, para reduzir as multas isoladas tendo em vista que o Fl. 362DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12898.001984/200914 Acórdão n.º 1803002.509 S1TE03 Fl. 3 3 voto vencedor considerou que devem ser aproveitados os valores recolhidos espontaneamente pela interessada. No entanto manteve o restante do lançamento. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: IRPJ. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real anual, sujeita ao recolhimento mensal do imposto de renda por estimativa, quando tal obrigação tenha sido inadimplida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real anual, sujeita ao recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido por estimativa, quando tal obrigação tenha sido inadimplida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS ANTERIORMENTE AO PROCEDIMENTO FISCAL. Verificada a existência de pagamentos efetuados anteriormente ao início da ação fiscal, cumpre aproveitálos no lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (fls. 277/287) 8. Cientificado da decisão em 24/08/2012, conforme AR de fl. 465, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls.298/313), o qual em síntese tem como argumentos o que segue: a) sustenta que a apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício de 2005, não há que se falar em insuficiência de valores recolhidos a título de IRPJ e CSLL calculado por mera estimativa, no que se refere ao período de fevereiro daquele ano, tampouco existe qualquer obrigação de multa por infração formal; b) argui que pelo regime de estimativa, apurouse imposto ou contribuição a pagar apenas nos meses de janeiro, fevereiro e agosto, sendo que em todos os demais meses constatouse a base negativa. Assim, podese concluir pela Fl. 363DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 inexistência de recolhimento a ser efetuado ao final do período, tanto no que diz respeito ao IRPJ quanto à CSLL; c) para a contribuinte, não há que se falar em infração tendo em vista que houve recolhimento dos tributos por estimativa e verificouse ao final a absoluta ausência de fato gerador, sendo, inclusive, de se compensar os valores recolhidos indevidamente em março de 2005 (relativo ao mês de fevereiro de 2005); d) quanto a aplicação da multa, sustenta que o Fisco não pode imputar pagamento referente a valores já recolhidos pelo contribuinte e relativos a débitos inexistentes, pois se ao final do exercício de 2005 apurouse prejuízo fiscal, nada de estimativa era devido naquele ano e, assim, o recolhimento exclusivamente da multa objeto do lançamento deve ser apropriado a 100% para o devido fim; 9. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, bem como preenche todos os requisitos de admissibilidade. Sendo assim, conheço do recurso e passo à análise do mérito. DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA Tratase de Auto de Infração para exação de Multa Isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL relativos ao mês de fevereiro de 2005. Pretendese, portanto, examinar o cabimento da cobrança da aludida Multa Isolada quando findo o exercício a que se refere. Neste sentido, três teses contrárias à exação têm sido exaustivamente discutidas nesse E. CARF: (i) que a Multa Isolada não poderia ser cobrada de forma concomitante à Multa de Ofício pelo não recolhimento de IR/CSLL, apurado ao final do exercício; (ii) que a Multa Isolada não poderia ser cobrada quando do encerramento do exercício se verificasse recolhimento de estimativas superior ao próprio imposto devido no ano (saldo negativo de IRPJ e/ou base negativa da CSLL); Fl. 364DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12898.001984/200914 Acórdão n.º 1803002.509 S1TE03 Fl. 4 5 (iii) que a Multa Isolada não poderia ser cobrada em hipótese alguma após o encerramento do exercício a que se refere a estimativa não recolhida. A aceitação à primeira tese no CARF tem sido tão relevante que, recentemente, o preceito foi transformado em Súmula Vinculante. As demais ainda estão sob discussão nesse Conselho, sendo possível verificarse decisões contra ou a favor de uma ou de outra. No presente feito, não há cobrança concomitante de Multa Isolada e Multa de Ofício, tendo o auto sido lavrado tãosomente para cobrança da primeira. Desta forma, a primeira tese, objeto de súmula não poderia ser aplicada. Entretanto, verificase que o contribuinte apresentou saldo negativo de IRPJ e base negativa da CSLL, sendo possível enfrentar a exação sob a ótica das duas outras teses – ambas foram suscitadas no Recurso Voluntário a que se enfrenta. Neste sentido, entendo que a existência de saldo negativo de IRPJ e base negativa de CSLL tem o condão de fulminar a pretensão punitiva do Fisco – o que seria a “tese (ii)” acima. Ora, não consigo ver como plausível a cobrança de uma multa sobre meros “adiantamentos” de um tributo que, findo o exercício, não restou devido O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas. A jurisprudência da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é vasta nesse sentido: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se Fl. 365DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) Essa Turma já enfrentou a questão sob o prisma das teses (ii) e (iii), tendo decidido da seguinte forma: MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. DESCABIMENTO. Entendendose o recolhimento de estimativas mensais, no caso das empresas tributadas com base no lucro real como simples antecipação do montante devido ao final do exercício, a ausência do seu recolhimento somente importa em atuação sancionável quando verificada ainda dentro do exercício correspondente. Encerrado este, deve então ser apurada a existência de lucro e/ou prejuízo, nascendo aí a obrigação nova que substitui, por completo, aquela anteriormente existente. Sendo assim, após encerramento do exercício descabe falarem lançamento pelo não recolhimento do principal ou mesmo da aponta da multa de ofício, sobretudo ante a verificação de que, naquele exercício, a contribuinte sequer apurou lucro. (Processo nº 10410.004941/200991, Relator Victor Humberto da Silva Maizman). Há ainda a linha de raciocínio que a Multa Isolada somente poderia ser cobrada no exercício a que se refere a estimativa não recolhida. Trago aos autos também um trecho do Voto da C. Conselheira Meigan Sack Rodrigues, no processo nº 11030.720425/201240, que, com propriedade, enfrenta a questão: Contudo, no mérito da demanda, qual seja a autuação por multa isolada, mesmo não sendo a empresa recorrente considerada como cooperativa, não pode prevalecer a imputação. Isso porque a autuação da multa isolada, pela falta de recolhimento das estimativas, se deu após o encerramento do ano calendário em apreço e por se tratar de uma multa coercitiva pela falta da prática de um ato, ela somente pode prevalecer no ano calendário que deveria ter sido praticada. Assim a discussão cingese em saber se a multa pode ser cobrada mesmo após o encerramento do ano calendário. Atentemos para o fato de que o mérito da demanda cingese tão somente à multa isolada, pela falta de recolhimento dos valores a título de estimativa nos anos em comento. E, nesse caminho, a aplicação da multa isolada é descabida, posto que a presente multa tem o condão de disciplinar o contribuinte a recolher as estimativas, durante o ano em que as mesmas devam ser cobras; uma vez ultrapassado, ou seja, uma vez encerrado o ano calendário, entendo que a multa isolada já não pode mais ser cobrada, perdendo por completo a sua aplicação. Ademais, a multa isolada diz respeito aos anos calendários de 2008 e 2009, mas foi lançada em 2012. Ainda, restou esclarecido que tributo algum é devido pela empresa recorrente nos anos calendários em questão, haja vista que apenas a multa isolada foi Fl. 366DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12898.001984/200914 Acórdão n.º 1803002.509 S1TE03 Fl. 5 7 devidamente computada e nenhum tributo foi lançado, razão pela qual restou incontroversa a questão. Nesse caminho, incontroversa também restou a questão de que a empresa, somente foi fiscalizada nos anos calendários subsequentes aos apurados pelos presentes autos de infração e segundo o meu entendimento a sanção em apreço serve para dar efetividade aos recolhimentos das estimativas durante o ano calendário calculadas sobre o faturamento escriturado. Assim, após o ano calendário, se a fiscalização averiguar omissão de receita, somente poderá exigir a multa proporcional de 75% ou de 150%, e não mais a multa isolada, vez que essa sanção tem a serventia de dar efetividade aos recolhimentos das estimativas no transcurso do ano calendário, calculadas sobre o faturamento escriturado. No presente feito, a fiscalização lançou a multa isolada após o encerramento dos respectivos anos calendários. Certo que no curso do ano calendário a multa é calculada por estimativa com base na receita bruta, que é a sua base de cálculo; porém, encerrado o período base, levantado o balanço e apurado o lucro líquido do período, feita a provisão do imposto, surge o conceito de tributo referido no artigo 44 da Lei 9.430/96. Nesse caminho, temse que é esse o conceito de tributo disciplinado no artigo em referência e que deve prevalecer como limite para a base de cálculo da multa isolada e que não poderá exceder esse valor, mas se aplicada no tramite do ano calendário em que está sendo apreciada e não mais depois do período finalizado. Desse modo, encerrado o ano calendário sem que o fisco tenha lançado a multa isolada e se o balanço do exercício demonstrar prejuízo ou resultado nulo, descabe lançamento da multa isolada com base em estimativa. Também se pode entender pelas razões contrárias, ainda que não seja o exemplo presente deste processo, posto que havendo tributo a ser pago, a multa isolada estará limitada ao valor da provisão do tributo, vez que o lançamento terá de ser feito com base e limite no tributo apurado em balanço e não mais por estimativa. Isso porque não podemos olvidar que a estimativa existe para substituir o imposto durante o ano calendário, quando ainda não se pode conhecer o seu valor. Assim, por entender que a empresa já havia encerrado todos os anos calendários em comento, sem que o fisco tivesse lançado a multa isolada no curso de qualquer ano em discussão é que entendo ser descabida a multa e que portanto o presente auto não pode prosperar. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Diante disso, afasto a aplicação da multa isolada no presente caso. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos supramencionados. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 É como voto. (assinatura digital) Arthur José André Neto Fl. 368DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10384.901087/2011-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 10 87 /2 01 1- 91 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 2/20) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 30) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao terceiro trimestre de 2004, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 0107/ 2005, no valor de R$ 1.594,23. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901087/201191 Acórdão n.º 1802002.521 S1TE02 Fl. 3 3 proferida no Acórdão nº 0826.090 , de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 26094.56184.051007.1.3.040555, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 1.594,23, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2004; Data de Arrecadação: 27/12/2004, no valor de R$ 1.653,90. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 1.653,90, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901087/201191 Acórdão n.º 1802002.521 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2004, apresentada em 22/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº . 26094.56184.051007.1.3.040555, sem retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 e procedeu a retificação da DIPJ/2005 somente em 22/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2005 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 1.653,90, relativo ao 3º trimestre de 2004 mediante o DARF em 27/12/2004, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 1.594,23 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2004, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2004 ....R$ 11.110,62”; e, c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 11.110,62, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/20005 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2004 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2004 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2004 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2005, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2004. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2004 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2005 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901087/201191 Acórdão n.º 1802002.521 S1TE02 Fl. 5 7 Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10865.001102/2003-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA SOBRE MATÉRIA VENCIDA NO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Tendo sido julgado improcedente o lançamento quanto ao mérito, com a rejeição da preliminar de decadência, pela decisão de primeiro grau, carece a interessada de interesse recursal perante a segunda instância administrativa no que concerne à questão da decadência.
AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO.
Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, refere-se a outro CNPJ, quando essa circunstância não se verificou concretamente.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso de ofício, sendo que votaram pelas conclusões Alexandre kern, Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D'Eça.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA SOBRE MATÉRIA VENCIDA NO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Tendo sido julgado improcedente o lançamento quanto ao mérito, com a rejeição da preliminar de decadência, pela decisão de primeiro grau, carece a interessada de interesse recursal perante a segunda instância administrativa no que concerne à questão da decadência. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, referese a outro CNPJ, quando essa circunstância não se verificou concretamente. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso de ofício, sendo que votaram pelas conclusões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 11 02 /2 00 3- 87 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 Alexandre kern, Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D'Eça. Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento/Ribeirão Preto que julgou procedente a impugnação, exonerando integralmente o crédito tributário de IPI objeto do auto de infração. Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da impugnação, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: Tratase de impugnação de lançamento (efls. 2 a 12) apresentada em 26 de agosto de 2003 contra auto de infração de IPI (efls. 16 a 25), lavrado em 07 de agosto de 2003, relativamente aos períodos de abril a dezembro de 1998. O processo foi trazido a julgamento após a aprovação da Resolução n° 2.792, cujos relatório e voto são a seguir reproduzidos: RELATÓRIO Tratase de impugnação de lançamento (efls. 4 a 13) apresentada em 23 de agosto de 2003 contra auto de infração de revisão de DCTF de IPI (efls. 16 a 21) relativo a períodos dos segundo ao quarto trimestres de 1998. Segundo o auto de infração, cientificado em 08 de agosto de 2003, o processo judicial (9700069710) indicado pelo contribuinte como razão da suspensão da exigibilidade dos créditos não teria a empresa como autora (“Proc jud de outro CNPJ”). Na efl. 3, foi informado o seguinte: “Trata o processo acima de auto de infração do IPI, contestado pelo contribuinte, por intermédio de impugnação que acompanha esta representação, bem como cópia do auto de infração. “Assim, represento V.Sa. no sentido de formalizar novo procedimento administrativo com a finalidade de apartar os débitos que estejam contemplados pela alegação de decadência.” Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 354 3 Na efl. 24, foi informado que o presente processo resultou de “apartação de débitos do auto de infração eletrônico do IPI, contestado no procedimento n° 10865.001102/200387, por intermédio de impugnação cuja cópia se vê de fls. 02 a 11.” O mencionado processo foi encaminhado em abril de 2012 à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional de Piracicaba/SP. Em sua impugnação, a Interessada alegou inicialmente que os valores relativos a débitos cujos fatos geradores ocorreram até 07 de agosto de 1998 estariam decaídos e, “quanto ao período restante, há medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, de modo que, quando muito, poderseia admitir a lavratura do Auto sem a imposição de acréscimos punitivos e/ou moratórios.” A seguir, alegou que o auto de infração seria nulo, pois teria sido lavrado de forma arbitrária, sem a realização de diligência. Tratarseia “de procedimento prematuro e ilegal, que deixou de obedecer ao disposto no art. 142 do CTN (não buscando a verdade material, tampouco apurando corretamente os fatos envolvidos), o que autoriza a decretação, de plano, da nulidade da peça fiscal.” A seguir, passou a tratar da decadência, alegando aplicarse ao caso o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Alegou, ainda, que todo o período abrangido pelo auto de infração estaria amparado por medida suspensiva, razão pela qual deveriam ser excluídos “os acréscimos punitivos e moratórios”. Acrescentou o seguinte: “Com efeito, em que pese a "ocorrência" que supostamente justifica a lavratura do Auto "PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ" a simples leitura das petições iniciais de todos os Mandados de Segurança citados no Anexo I (cópias anexas) demonstra que os writs foram impetrados em nome de vários estabelecimentos da impugnante que operam no Estado de São Paulo, inclusive aquele autuado. “Sendo assim, uma vez suspensa a exigibilidade do tributo, conforme comprovam os documentos anexos observandose que o próprio Auto não elide (como se possível fosse) a plena vigência das medidas suspensivas a lavratura de Auto de Infração com imposição de penalidades e acréscimos moratórios configura frontal desobediência à ordem judicial e ao CTN (art. 151, IV). “Realmente, ainda que se admita a possibilidade de lavratura de Auto de Infração nesta hipótese, para prevenir os efeitos da decadência, jamais poderia se imputar à impugnante multa de 75% e juros de mora.” Citou decisões judiciais e do antigo 2º Conselho de Contribuintes sobre a incidência dos acréscimos. Por fim, alegou ser ilegítima a taxa Selic. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 VOTO A impugnação de lançamento é tempestiva e merece apreciação. Há duas questões preliminares que impedem o julgamento do processo. Conforme esclarecido no relatório, o auto de infração referiuse aos períodos do segundo ao quarto trimestres de 1998. Entendeu a Delegacia de origem que a Interessada teria impugnado apenas os períodos anteriores a 07 de agosto de 1998, em razão da decadência. Entretanto, segundo a impugnação apresentada, a Interessada apresentou ao menos três outras alegações que se referem, indistintamente, aos períodos anteriores e posteriores à data citada: nulidade da autuação, existência da ação judicial e impossibilidade de incidência de multa de ofício ou de mora e de juros de mora. Portanto, segundo o que consta dos autos, houve impugnação de todo o lançamento e não apenas dos períodos alegadamente decaídos. Ademais, a Interessada mencionou em sua impugnação haver apresentado documentos que comprovariam suas alegações quanto à ação judicial. Entretanto, somente cópia da impugnação foi juntada aos presentes autos, não podendo ser apreciada sem os documentos mencionados, sob pena de cerceamento do direito de defesa. À vista do exposto, voto por converter o julgamento da impugnação em diligência, para que 1) a Secat/DRF Limeira informe se há outra informação que comprove que a Interessada desistiu da impugnação em relação aos períodos a partir de 07 de agosto de 1998; 2) caso contrário, tome as providências para reunir novamente os processos para que se possa julgar todo o auto de infração; 3) no caso de ter havido, efetivamente, apenas impugnação parcial, sejam juntados aos presentes autos os documentos apresentados pela Interessada na impugnação. Inicialmente, segundo informação de efls. 126 e 127, haviamse apartado alguns débitos à vista da apresentação da ação judicial. Nas efls. 181 e 182, decidiuse, em revisão de ofício, excluir a multa de ofício do lançamento, à vista da suspensão da exigibilidade vigente à época do lançamento: Em 05/10/2010, foi homologada a renúncia parcial ao direito sobre o qual se funda a ação, relativamente à safra 1999 (fls. 118 e 119). Não há, nos presentes autos, nenhuma hipótese de suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN. Entretanto, como o auto de infração foi lavrado no período em [que] vigia a medida liminar, deve ser excluída a multa de Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 355 5 ofício, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, e do artigo 149, inciso VIII, do CTN. Portanto, considerando tudo mais que destes autos consta; determino o prosseguimento da cobrança do saldo remanescente. Frisese que o presente despacho decisório vale também como cartacobrança. TERMINATIVO NA ESFERA ADMINISTRATIVA, O PRESENTE DESPACHO NÃO COMPORTA A INSURGÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO, QUER PERANTE A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETOSP, QUER PERANTE O SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EM BRASÍLIADF. Em caso de insatisfação relativa ao presente despacho decisório, caberá o somente a busca de tutela jurisdicional, através da ação judicial adequada. À vista da resolução mencionada, a DRF emitiu o despacho decisório de fls. 287 a 290, submetendo a proposta de cancelamento da inscrição da dívida ativa à PSFN: Por meio do despacho de fl. 209,foi prestado relatório sobre menciona da ação mandamental, propondose a continuidade da cobrança. Assim, foi enviada a carta cobrança de fl. 210. Foi enviada nova carta cobrança (fls. 218 e 219), recebida no endereço da pessoa jurídica em 08/02/2012 (fl. 219verso). Em 17/02/2012, o advogado da empresa tomou vistas dos autos (fl. 220frente e verso). Com o silêncio da contribuinte, o presente processo foi enviado para inscrição em Dívida Ativa da União perante a PSFN/Piracicaba (fls. 225 e 226). A dívida foi inscrita em 18/04/2012 (fl. 228). A execução fiscal foi ajuizada em 19/07/2012 (fl. 257). [...]De fato, a impugnação tem alegações que não se confundem com o mérito, posto que há questionamentos relativos à decadência, à multa de ofício, aos juros moratórios e de nulidade do auto de infração. Não há qualquer documento expresso que comprove a desistência parcial da impugnação. Entretanto, a contribuinte nada questionou relativamente aos procedimentos adotados por esta SECAT, no que se refere ao desmembramento do processo. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 [...]Em função dos fatos e das razões acima expostas e da Resolução n. 2.792 – 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, proferida às fls. 49 a 51 do Processo Administrativo Fiscal n. 10865.000485/201186, resolvo restituir o presente processo à Douta PSFN/Piracicaba, para que, caso haja concordância com a determinação contida na resolução acima mencionada, de reunir novamente todos dos débitos em um mesmo processo, proceda ao cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União representada por estes autos. Na efl. 291, a PSFN decidiu o seguinte: Vistos, Recebo a conclusão. Acolho o proposta de cancelamento da R. inscrição da DAU 80 3 12 000443 23 pelos seus próprios fundamentos fls. 26 8 a27 1 portanto: determino o cancelamento da inscrição da Dívida Ativa, remetase ao Setor Administrativo responsável para tanto. Após, diante da falta de informações quanto à respectiva execução fiscal, o expediente deve ser remetido ao d. PFN responsável pelo feito judicial para providências, especialmente pedido de extinção, se o caso. Remeto o d. PFN à declaração de inexistência de discussão judicial e/ou desistência de defesa, retro, para uso na execução fiscal, especialmente no que diz respeito a pleito de honorários advocatícios, se o caso. É o relatório. Mediante o Acórdão nº 1452.456, de 29 de julho de 2014, a 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IPI. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Ausentes os pagamentos antecipados, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. ABRANGÊNCIA. Não estão abrangidas pela renúncia às instâncias administrativas as alegações, apresentadas somente na impugnação de lançamento, relativas à validade do auto de infração. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 356 7 MULTA DE OFÍCIO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. LITÍGIO. LIMITES. Os valores da multa de ofício lançados que tenham sido cancelados pela Delegacia de origem em revisão de lançamento não integram o litígio a partir da revisão, pois passam a ser incontroversamente indevidos. AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF. AÇÃO FISCAL DE OUTRO CNPJ. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Ainda que equivocada, a constatação de que o contribuinte não se incluía na ação fiscal vinculada à suspensão de exigibilidade do crédito tributário, é motivação idônea para validar o lançamento sob o ponto de vista formal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, referese a outro CNPJ, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 19/09/2014. Em 20/10/2014, foi apresentado recurso voluntário, em nome da Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar, mediante o qual se alega, em síntese, que: O v. acórdão recorrido, embora tenha julgado improcedente o Auto em razão de deficiência na sua motivação (entendeu que não haveria medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário quando, pelo contrário, havia decisão judicial vigente, à época, a favor da Recorrente), rejeitou o argumento da decadência parcial, por entender que, não tendo havido o pagamento antecipado do imposto, aplicarseia a contagem do prazo na forma do art. 173, I do CTN, em detrimento do art. 150, §4°. Considerando que o v. acórdão foi submetido a recurso de ofício e, ainda, o trecho final da r. decisão que afirma ser possível a cobrança dos valores com base na DCTF, tem a Recorrente legítimo interesse em recorrer relativamente à decadência, para fins de reconhecimento definitivo de que nenhum valor pode ser cobrado relativamente ao período de abril a agosto (07/08) de 1998. Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como ocorre com o IPI, o prazo para o Fisco lançar é de 5 anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4° do CTN, independentemente de ter havido o pagamento da exação. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 A expressão "se o caso" indica que, na atividade prevista no art. 150, §4° do CTN, não necessariamente haverá o recolhimento do tributo, tal como se deu no caso presente, em que o pagamento não ocorreu por força da existência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, conforme reconhecido pela própria decisão recorrida. Tal constatação implica a impossibilidade do deslocamento do prazo do art. 150, §4° (contagem a partir do fato gerador) para o art. 173, I do mesmo Código (primeiro dia do exercício seguinte). Cumpre observar que, nada obstante tenha havido, no passado, divergência jurisprudencial acerca do tema, a E. CSRF, no acórdão CSRF/0103.888, já decidiu a matéria em questão no sentido de que, independentemente do pagamento prévio, o prazo decadencial aplicável é do art. 150, §4° do CTN. De qualquer modo, não seria aplicável ao caso o entendimento de que a ausência de pagamento deslocaria o prazo para o art. 173, I, do CTN. Esse entendimento, quando muito (e admitindose apenas para argumentar sua aplicação), teria cabimento nos casos de efetiva falta omissão do contribuinte. Apenas quando o contribuinte é totalmente omisso (sequer declara o débito), justificarseia a concessão de um prazo mais longo à Administração. No caso, a Recorrente declarou normalmente o tributo, conforme indicado no próprio Auto de Infração (e mesmo no v. acórdão recorrido fl. 305, parágrafo final), além de o Fisco ter sido cientificado das medidas judiciais ajuizadas, por ocasião da intimação para a autoridade indicada como impetrada prestar as informações no Mandado de Segurança. Logo, o Fisco poderia perfeitamente ter se insurgido a partir do vencimento da obrigação, não se justificando a concessão do prazo mais amplo previsto no art. 173, I do CTN, aplicável aos tributos lançados de ofício ou, quando muito, também aos sujeitos ao autolançamento, mas apenas nos casos de efetiva omissão do contribuinte quanto ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido o acórdão CSRF 9101001.353 (PA nº 13819.005008/200260, Cons. Suzy Gomes Hoffmann, j. 15/05/2012) destaca que: Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado nem declaração prévia do débito, o respectivo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (destaque da recorrente) Do voto proferido, destacase o seguinte trecho, bem aplicável ao caso em exame: Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, ao CTN. (destaque da recorrente) Finalmente, quanto ao fato de ter havido declaração prévia, em nada afasta o dever de o Fisco lavrar o Auto de Infração (como, de fato, lavrou). O próprio Auto aponta que a justificativa da lavratura constava da IN SRF nº 77/1998, no sentido de que competia à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração quando verificada divergência de dados na DCTF. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 357 9 Conclui a recorrente que, por qualquer ângulo que se examine a questão, a conclusão é de ter havido a decadência parcial do direito à constituição do crédito tributário. Pelo que requer o provimento do recurso para o fim de reconhecer a decadência parcial apontada. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Analisemos primeiramente os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. O recurso voluntário foi interposto, tempestivamente, por pessoa jurídica diversa da autuada, Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar, embora o signatário da petição seja legítimo representante da própria ARREPAR PARTICIPAÇÕES S.A. Não consta nos autos qualquer informação ou comprovação no sentido de que a recorrente seria substituto processual da autuada. A irregularidade processual acima poderia, eventualmente, ser saneada com a confirmação de que houve erro na identificação da recorrente como pessoa jurídica distinta da autuada, ou, se fosse o caso, com a comprovação de que a recorrente seria o substituto processual da autuada. No entanto, entendo desnecessária tal providência, vez que, de todo o modo, o recurso voluntário não pode mesmo ser conhecido por ausência de interesse recursal. Como é consabido, o interesse recursal constituise em pressuposto do recurso, que deve ser analisado à luz da presença de dois requisitos: a necessidade (utilidade) e a adequação. Conforme bem esclareceu Daniel Amorim Assumpção1, para a verificação da utilidade, devese observar, no caso concreto, se o recurso reúne condições de gerar uma melhora na situação fática do recorrente; e da adequação, se há, na prática, a aptidão de reverter a sucumbência suportada pela recorrente. O fato de o acórdão recorrido ter rejeitado o argumento da decadência parcial, afirmando ser possível a cobrança dos valores com base na DCTF, bem como ter sido submetido a recurso de ofício, não socorre a contribuinte no que concerne ao interesse recursal. O recurso de ofício em nada afeta a ausência de sucumbência da contribuinte neste momento processual, embora pudesse, se fosse provido, ensejar o surgimento do seu interesse recursal na fase processual seguinte. Ademais, a eventual melhoria de situação da contribuinte, no que concerne à declaração de decadência parcial dos débitos, não poderia ter aproveitamento nos créditos tributários já declarados pelo contribuinte na DCTF, que é matéria externa à presente lide, que trata do crédito tributário constituído em auto de infração. 1 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Método, 3ª edição, p. 620. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 Não é demais lembrar que a DCTF é um documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência do crédito tributário, constituindo, portanto, confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84. De forma que, obviamente, não há que se falar em decadência de parte dos créditos já constituídos em DCTF à época da autuação. Desta forma, o recurso voluntário, caso acolhido, não seria útil, nem tampouco adequado à pretensão da contribuinte. Esse mesmo entendimento foi aplicado pela 1ª Seção de Julgamento (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) deste Carf, no Acórdão nº 130200.917, cuja ementa abaixo se transcreve, em situação semelhante ao presente caso, em que outra recorrente se insurgiu contra o não reconhecimento da decadência do lançamento, sendo que a decisão de primeira instância tinha rejeitado tal preliminar, mas, no mérito, tinha reconhecido a improcedência do lançamento: ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA SOBRE MATÉRIA VENCIDA NO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. Tendo sido julgado improcedente, pela decisão de primeiro grau, o lançamento das reduções de prejuízos fiscais do 1º e 2º trimestre, vinculadas à realização mínima do saldo do lucro inflacionário acumulado de cuja decadência insiste a recorrente em reclamar, não subsiste matéria litigiosa a ser apreciada, carecendo a interessada de interesse processual nesta matéria perante esta instância recursal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSÁVEIS NÃO INDICADOS. Não há somo prosperar pedido de compensação se a recorrente sequer indica os créditos que julga compensáveis no âmbito do processo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ESTRANHOS AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CABIMENTO. A compensação de tributos federais deve ser feita mediante a apresentação de declaração própria perante a unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a interessada, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Assim, tendo em vista a ausência de interesse recursal da contribuinte, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário. Passemos à análise do recurso de ofício. O acórdão de primeira instância, ao concluir pelo cancelamento integral do lançamento, exonerou crédito tributário valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 358 11 O lançamento decorreu de Auditoria Interna nas DCTF's, realizada com fundamento legal no art. 90 da Medida Provisória nº 2.158/20012, mediante a qual se constatou que estavam cadastradas em CNPJ de outro contribuinte ("Proc jud de outro CNPJ") as ações judiciais informadas, de números 97.00069710 e 98.00173960, para os débitos declarados como suspensos por medida judicial. Consta na fl. 119, cópia da liminar, concedida em 07/05/1998 pelo Excelentíssimo Juiz da 12ª Vara Federal em São Paulo, no mandado de segurança nº 98.00173960, cuja cópia da petição inicial consta nas fls. 97/118, impetrado pela contribuinte e pela Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar, para que "as entidades coatoras [dentre elas a autoridade da DRF Limeira/SP] se abstenham de promover a lavratura do auto de infração ou quaisquer medidas tendentes à exigibilidade dos impostos" relativamente à safra de 98/99, que foi objeto do pedido. Consta também nos autos (fls. 192/201) a cópia da sentença nesse mesmo mandado de segurança, proferida em 16/04/2004, que julgou procedente o pedido, somente em relação à contribuinte, para que não se sujeite à incidência do IPI sobre a produção de açúcar relativa à safra de 1998/99. Com relação ao mandado de segurança nº 97.00069710, impetrado pela contribuinte e pela Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar (cópia da petição inicial nas fls. 47/61), consta (fls. 63/91) que foi concedida a segurança para, em relação a Copersucar Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool, obstar a exigibilidade do tributo pelo seu valor total e quanto a Cia. União dos Refinadores de Açúcar e Café, ora autuada, pelo saldo apurado, relativamente à safra de 97/98. Em 17.7.2000, foi interposta Medida Cautelar n° 2000.03.00.0386532, objetivando a atribuição de efeito suspensivo ao recurso de apelação interposto contra a sentença proferida em mandado de segurança, sendo julgada procedente em 9.5.2001, conforme Acórdão das fls. 91/96, atribuindose o efeito suspensivo à apelação no referido mandado de segurança. Desta forma, em 16/06/2003, quando foi lavrado o auto de infração, a contribuinte estava, efetivamente, beneficiada com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em virtude dos mandados de segurança nºs 97.00069710 e 98.00173960 e da Medida Cautelar n° 2000.03.00.0386532. Desta forma, independentemente da situação atual das referidas ações judiciais ou da eventual existência de outra medida judicial que favoreça a contribuinte, deve restar fixado que, na data da lavratura do auto de infração, havia, sim, medida judicial para a suspensão do crédito tributário objeto do presente processo. Razão pela qual nada há a reparar na decisão de primeira instância que decidiu pela improcedência do lançamento, o qual fora lavrado exclusivamente sob a acusação de que o estabelecimento autuado não faria parte da ação judicial. Conforme, já mencionado, ao contrário do que constou na autuação, a contribuinte integrava as lides judiciais juntamente com outra pessoa jurídica e estava favorecida com a medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário à época da autuação. 2 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 Também, acertadamente, o Acórdão recorrido decidiu nas questões relativas aos juros de mora, multa de mora ou de ofício, eis que a matéria restou superada pela improcedência do auto de infração. Desta forma, diante da improcedência do lançamento decorrente da revisão das DCTF´s, as quais estavam corretas no que concerne às informações sobre as medidas judiciais, entendo que os autos devem retornar à DRFLimeira, para ciência da presente decisão e prosseguimento, caso não haja nenhum óbice judicial, nas providências atinentes à cobrança dos créditos tributários declarados em DCTF. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de não conhecer o recurso voluntário. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Destaco inicialmente, que, conforme relatado, o lançamento de ofício de que se trata ocorreu, pura e simplesmente, porque os computadores do SERPRO consideraram que “PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ”. Infiro que essa lacônica afirmação queira significar que a o computador do SERPRO entendeu que a autuada não figurava no pólo ativo do processo judicial informado na DCTF. Ora, está fartamente comprovado e reconhecido nos autos que o processo judicial indicado existe e que o ora recorrente figura entre as partes proponentes, fato que lança por terra o fundamento da autuação – PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ. O recorrente logrou comprovar, desde a impugnação, a existência do processo judicial referenciado na DCTF e de que dele foi parte ativa. O auto de infração foi lavrado sobre o motivo, “declaração inexata”, prestada na DCTF consubstanciada na ocorrência “PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ”, configurando falso o motivo que ensejou o auto de infração, ferindo o que dispõe o art. 50, II, da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e cujos preceitos devem ser utilizados subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF. No caso o que se constata é que a decisão recorrida, ao manter o lançamento, pretextando que o mesmo se destinava à prevenção contra os efeitos da decadência, claramente promoveu alteração na motivação do lançamento, circunstância que macula de nulidade por completo a decisão proferida pelo julgador de primeira instância. Isso porque, a autoridade administrativa não pode alterar o motivo inicial apresentado pela decisão que não homologou a compensação efetuada, haja vista que a Administração fica vinculada ao motivo anteriormente dado, ficando vedada motivação superveniente. Nesse sentido, já se pronunciou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento da Apelação Cível nº 2007.71.11.0018976/RS, cujo voto condutor, por sua maestria merece transcrição: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 359 13 "(...) a mudança de motivo para o indeferimento é causa de nulidade do ato administrativo, haja vista que a Administração fica vinculada ao motivo anteriormente dado, ficando vedada motivação superveniente. O motivo determinante para o indeferimento, portanto, não pode ser alterado ao arbítrio do administrador. A teoria dos motivos determinantes é assim definida pela doutrina: De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorreram o e o justificavam. (DE MELLO, Celso Antônio Bandeira, Curso de Direito Administrativo, 19 ed., Malheiros, p. 376) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. [...] Havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato é inválido. (MEIRELLES, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 31 ed., Malheiros, p. 197) No mesmo sentido: DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella, Direito Administrativo, 15 ed., Atlas, p. 204. Nesse sentido, precedente de minha relatoria quando integrei a 3a Turma desta Corte: ADMINISTRATIVO. MILITAR. PUNIÇÃO DISCIPLINAR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. INVALIDEZ DO ATO ADMINISTRATIVO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. Agravo retido não conhecido, tendo em vista a ausência de requerimento expresso quando da apresentação das razões de apelo, a teor do art. 523, caput e § 1.°, do Código de Processo Civil. Aplicase a teoria dos motivos determinantes, os quais limitam o espectro da litigância apenas aos fundamentos administrativos. Qualquer descompasso entre os motivos determinantes (decisão administrativa) e a realidade fática importa na invalidade do ato administrativo. In casu, o ato administrativo fundouse na circunstância de ter sido o autor encontrado dormindo dentro de seu automóvel. Ora, em verdade, não é esta a realidade do apelado que, embora realmente tenha abandonado seu posto sem autorização, não estava dormindo no interior de seu veículo, situação que, na prática, equivaleria à Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 prática de crime, previsto no art. 203 do Código Penal Militar (DecretoLei n.° 1.001/69). É de verse, portanto, que a punição está fundamentada em motivo inexistente, resultando na invalidez do ato administrativo ora impugnado. (TRF4, AC 2004.70.00.0012630, Terceira Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, D.E. 23/05/2007)". Disso exsurge que, sendo o motivo um requisito tão necessário à prática de um ato administrativo, a ele permanecendo intimamente ligado de maneira que se integra à sua validade, uma vez demonstrada a sua falsidade ou inexistência, deve o ato ser anulado, sendo desnecessário, para tanto, adentrar o mérito das tutelas judiciais eventualmente deferidos nos processos judiciais, como feito pela ínclita relatora, Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, motivo pelo qual acompanhei seu voto por sua conclusão. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722769/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2301-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 27 69 /2 01 3- 11 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1452.732, cujo dispositivo tratou de julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 275/285): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. SIMPLES NACIONAL. SERVIÇO DE VIGILÂNCIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA NÃO INCLUÍDA NO REGIME SIMPLIFICADO. O contribuinte optante pelo Simples Nacional que tenha por objeto a prestação de serviço de vigilância não está dispensado do recolhimento da contribuição patronal previdenciária, pois tal contribuição não é incluída no regime simplificado no caso dessa atividade. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. APRESENTAÇÃO CONCISA. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. A apresentação dos fundamentos legais do lançamento reunidos em relatório próprio e conciso não representa cerceamento de defesa ou elemento que caracterize a nulidade do ato administrativo. CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. É devida a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em relação à atividade preponderante da empresa, conforme o risco da referida atividade. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.722769/201311 Acórdão n.º 2301004.338 S2C3T1 Fl. 324 3 CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT. PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA EM FUNÇÃO DO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho deve ser ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP a partir de 01/01/2010. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada no percentual determinado expressamente em lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. 2. Conforme se extrai do relatório fiscal, às fls. 211/240, o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), relativos a obrigação principal, nesses termos: a) AI nº 51.046.3770, referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, previstas nos arts. 20 e 21 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nas competências março, abril, junho e julho de 2009 e fevereiro, maio e agosto de 2010; e a) AI nº 51.046.3789, relativo às contribuições previdenciárias patronais, constantes do art. 22, incisos I a III, da Lei nº 8.212, de 1991, compreendendo as competências de jan/2009 a dez/2012. 2.1. Em síntese, o Fisco aponta, em relação ao AI nº 51.046.3770, que o sujeito passivo deixou de recolher valores descontados dos segurados, apurados em folhas e recibos de pagamento. 2.2 Por sua vez, no que tange ao AI nº 51.046.3789, a acusação fiscal registra que o autuado, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e tendo por atividade econômica a prestação de serviços de vigilância, deixou de recolher as contribuições previdenciárias patronais, consoante previsto no art. 13, inciso VI, c/c art. 18, § 5º C, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 23/9/2013, às fls. 181 e 187, o contribuinte impugnou a exigência fiscal somente quanto ao AI nº 51.046.3789 (fls. 245/266). 3.1 No que diz respeito ao teor da impugnação, reproduzo as palavras do relator "a quo", pois bem sintetizam os argumentos deduzidos na petição (fls. 277/278): (...) A impugnação apresentou as considerações a seguir consolidadas. 1. De início, esclarece que a empresa optou por parcelar os valores relativos à contribuição previdenciária dos segurados e que a impugnação apresentada referese somente à contribuição previdenciária da empresa, que entende inconstitucional quando exigida de empresa optante pelo Simples Nacional. 2. Sustenta a nulidade do auto de infração por erro na identificação do fato gerador e na determinação da matéria tributável, o qual não seria passível de revisão. Fundamenta tal posição no argumento de que a empresa seria optante pelo Simples Nacional e se enquadraria no Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006, estando dispensada do pagamento da contribuição previdenciária patronal prevista no art. 13, inciso VI, daquela lei. Traz doutrina, julgados administrativos e jurisprudência. 3. Alega a nulidade do auto de infração por imprecisão da fundamentação legal e indeterminação da matéria tributável, com cerceamento do direito de defesa, articulando que a fiscalização terseia limitado a tãosomente anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação, sob o título de FLD – Fundamentos Legais do Débito, não correlacionando dispositivos e matéria objeto da autuação. Traz julgados administrativos. 4. No mérito, sustenta não ser devedora da contribuição lançada, por ser empresa optante pelo Simples Nacional. Traz julgados administrativos. 5. Contesta o lançamento do SAT – Seguro Acidente de Trabalho nos percentuais aplicados, pois entende que a lei utilizou conceitos indeterminados, ou “tipos abertos”, ao se referir a atividade preponderante e a risco de acidente de trabalho leve, médio e grave, os quais dependeriam de lei para determinar sua abrangência. Refuta antecipadamente o possível argumento de que o Decreto regulamentador da lei teria resolvido a questão, pois não seria possível o Poder Executivo suprir lacuna legal. Sustenta ainda que o pagamento do seguro deve considerar a probabilidade do acidente no efetivo local onde o sinistro possa acontecer, portanto estimado em cada local de trabalho da empresa. Em face do exposto, clama pelo cancelamento da imposição ou, alternativamente, pelo seu recálculo no percentual de 1%, correspondente ao risco leve. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.722769/201311 Acórdão n.º 2301004.338 S2C3T1 Fl. 325 5 6. Defende a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas por serviços prestados sem vínculo de emprego, por incidir sobre fato gerador e sobre base de cálculo próprios de impostos. Daí a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 84/1996 que criou tal contribuição. Traz doutrina. 7. Reclama do efeito confiscatório da multa cominada, admitindo apenas a multa de mora de 20% como aquela que mais se coaduna com a situação de fato. Aduz que não é concebível a imposição de multa se o contribuinte atuou com a convicção de que o sistema simplificado o dispensava do pagamento da contribuição previdenciária. Traz jurisprudência. 8. Posicionase pela inconstitucionalidade e pela inaplicabilidade da taxa SELIC como índice de cobrança dos juros de mora, por se tratar de instrumento típico de política monetária, sendo inadequado para reparação da mora por incluir na sua apuração elementos que lhe são estranhos. Requer o contribuinte, ao final, o reconhecimento da nulidade do lançamento, o cancelamento integral dos lançamentos relativos à contribuição patronal, ao SAT e sobre prólabore, e, caso não seja cancelada integralmente a exigência, pede o cancelamento da multa lançada ou a sua redução para o percentual de 20%, bem como o cancelamento dos juros SELIC. 4. Intimada em 2/9/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 290/291, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 6/10/2014, em que repete os mesmos argumentos expendidos em sua impugnação e requer a reforma do Acórdão nº 1452.732 (fls. 293/314). 5. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator TEMPESTIVIDADE 6. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7. Constatase que recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 2/9/2014, terçafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse no dia 3/9, quartafeira, e finalizou no dia 2/10, quintafeira. 8. Todavia, a recorrente protocolou seu recurso em 6/10/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 9. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 293/314 e dele não tomo conhecimento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13312.000841/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 12 .0 00 84 1/ 20 07 -2 0 Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.217 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1806 a 1810, integrado pelos demonstrativos de fls. 1811 a 1814, pelo qual se exige a importância de R$613.846,30, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, anocalendário 2004; 2. Omissão de rendimentos da atividade rural, anoscalendário 2002, 2003 e 2004; 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, anoscalendário 2002, 2003 e 2004. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1844 a 1859, instruída com os documentos de fls. 1860 a 1940, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 1944 a 1948): Examinando o Auto de Infração, a Impugnante chegou a conclusão que ele é totalmente incabível, portanto, apresenta pelas razões que expõe, respaldado na documentação que já faz parte do processo ora impugnado e as que neste ato faz anexação, para ficar fazendo parte integrante e inseparável do mesmo, no final requerer Impugnação Total, tempestivamente, de conformidade com a INTIMAÇÃO, devidamente cientificada na data de 30.10.2007 e, portanto, rigorosamente dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares. O que se depreende dos fatos, é que o Auto de Infração foi lavrado em conseqüência e com base unicamente em meras deduções falaciosas, e contra as provas que foram por essa mesma Autoridade solicitadas e encaminhadas pelo autuado, em função de que os argumentos utilizados são totalmente inadequados e irreais para se chegar às absurdas deduções emanadas pelo Douto Fiscal Autuante, desprezando, surpreendentemente, tanto as provas reais carreadas aos autos, como também, os argumentos apresentados do realmente acontecido, fazendo simplórias conclusões com o fito único de multar, multar a qualquer custo, portanto, exclusivamente calcado em pressupostos irreais. Desta maneira, em tendo sido lavrado esse malfadado Auto de Infração, advindo de um TERMO DE VERIFICAÇÃO, que não expressa de maneira alguma os reais acontecimentos, resulta numa excrescência fiscal, que por este ato se insurge a autuada, conforme a seguir comprova devidamente: De plano, é imprescindível se afirmar, que não poderá de maneira alguma resultar em qualquer dúvida, o fato concreto de ser a autuada, até certo ponto uma pessoa humilde, que sempre residiu no interior do Estado do Ceará, em zona rural, desenvolvendo desde longas datas as atividades de pequena produtora rural nos estritos termos do Regulamento do Imposto de Renda RIR, atuando particularmente no ramo Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.218 3 de pescados (lagosta e camarão), e desde 2001, com 5 (cinco) embarcações, sendo (1 própria e 4 arrendadas), em anexo DOC II, encaminhamos fotocópias da documentação oficial e comprobatória da embarcação de sua propriedade particular (Título de Inscrição da Embarcação na Marinha do Brasil e Autorização Provisória para praticar a pesca e captura de Lagostas), bem como, fotocópia do competente CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE EMBARCAÇÃO PESQUEIRA, firmado em 16/04/2001, das outras 4 (quatro) embarcações pesqueiras com suas respectivas documentações, sem no entanto, nunca dispor de uma assessoria e/ou consultoria técnica abalizada, possuindo igualmente, participação e cargo de dirigente em empresas familiares de pequeno e médio porte, principalmente na denominada M M MONTEIRO PESCA E EXPORTAÇÃO LTDA., sendo portanto, imaginável, que se possa assacar contra essa pessoa um Auto de Infração de valores estratosféricos e irreais, que para ela não se amolda, tratandose de um mero absurdo. Vejam V.Sas., Doutos Julgadores, que o Dr. Fiscal autuante, desenvolveu fiscalização na pessoa física da ora impugnante desde o início do ano de 2007, solicitando em seus inúmeros "Termos de Intimação" lavrados ininterruptamente, uma infinidade de informações e documentações, que a deixaram completamente desnorteada e apavorada, mesmo na medida do possível foram todas elas atendidas, por envidar esforços sobre humanos, esclarecendo em grande parte, mesmo que em algumas vezes atordoadamente e atabalhoadamente os questionamentos requeridos, inclusive, anexando grande parte da documentação comprobatória que se fazia necessário, conforme documentação original que já se encontra anexada ao processo ora vergastado. De plano, o Dr. Fiscal autuante inicia as tidas "oníricas" infrações que pretendeu imputar a autuada, multando indevidamente e acodadamente, sem qualquer critério, conforme se segue: "001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA" (conforme está escrito) Inusitadamente e por absurdo, para esse fim, atribui um "salário" à autuada, simplesmente por "achar" que deveria ter recebido de uma empresa em que era sócia, pelo mero fato de não admitir que sendo sócia e administradora não recebesse salários (rendimento do trabalho assalariado), afirmando que litters: "e como sócia administradora afirmou que não recebeu salário no anocalendário de 2004, fato este confirmado pelas duas empresas. Mas isso foge do senso comum, pois a MM Monteiro Pesca e Exportação Ltda. é uma das grandes contribuintes da circunscrição da DRF de Sobral e sua sócia administradora nada receberia?" (Apenas o grifo é nosso). Ora pois, o que tem a ver uma coisa (ser empresa grande contribuinte de impostos), com outra (não remunerar com salário um seu dirigente), especificamente em se tratando de rendimento salarial, ou mesmo prólabores, quando a legislação permite a opção em receber distribuição de lucros, ou dividendos, etc. Nesse caso, mais se parece com fiscalização do INSS e não da SRF, não se pode imputar renda quando inexiste qualquer recebimento (normas do RIR), diferentemente da Previdência Social que para fins de pagamento da contribuição previdenciária (quando obrigatória não para o caso de produtores rurais) seja definido um valor para incidir essa contribuição, que pode ser o equivalente a um salário mínimo. Afirma ademais, que isto posta, apenas por informação (ou seria por ouvir dizer) constante de um simplório "cadastro bancário" efetivado quando da abertura de uma conta corrente no banco BRADESCO (tentativa de obter um financiamento agrícola) e informara essa pretensa renda mensal, que se obtido o financiamento, posteriormente, Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.219 4 poderia até mesmo solicitar da empresa uma "retirada fixa mensal", não como rendimento assalariado, e sim "por conta de lucros", entretanto, isso não se concretizou de modo algum. Dessa forma, como restou comprovado, inexiste qualquer prova, ou mesmo indício, por mais singelo que seja, para se afirmar que a autuada recebeu qualquer valor a título de "rendimento do trabalho" de pessoas jurídicas, pelo contrário, restou comprovado inquestionavelmente que não recebeu esse e qualquer outro valor à esse título. Agora o mais estranho e inconcebível, é o que se contém no item imediatamente posterior, confirase: "002 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL" Nesse item, a ação fiscal, mesmo tendo admitido irremediavelmente ser a autuada uma pequena PRODUTORA RURAL (enquadrandoo devidamente nos termos das leis e normas do RIR em vigor), como realmente e indiscutivelmente é a pura realidade, surpreendentemente, "glosa" a maioria absoluta desses rendimentos comprovadamente percebidos pelo impugnante na sua atividade rural, alegando como sendo "Depósitos Bancários Não Comprovados", simplesmente por que, não coincidem com os valores dos "depósitos bancários", recebidos oficialmente através de TED, Transferência Bancária, ou outro método usual qualquer, utilizado pela rede bancária do país e práticas comerciais normais de movimentação, nem poderiam coincidir. Permitanos Senhores Eméritos Julgadores, que se faça uma rápida digressão ao derredor do tema de como se desenvolve esse tipo de atividade de PRODUTOR RURAL em toda a orla marítima do Estado do Ceará (em diversos outros estados da federação que desenvolvem essa atividade econômica também assim se processa), referente a todos os tipos de "PESCADOS", e desta maneira, no caso específico da ora impugnante. Assim é que, as grandes firmas produtoras e exportadoras de pecados (lagosta, camarão, peixes, etc), através de pessoas sérias e conhecidas que atuam no ramo, como pequenos produtores rurais (que possuem embarcações próprias ou arrendadas de terceiros e/ou compradores de outros pequenos produtores pescadores sindicalizados), recebem importâncias em espécie através de qualquer meio legal possível (geralmente por intermédio da rede bancária), para aquisição desses pescados, no caso específico da autuada, lagostas (caudas) e camarões (com casca, e com ou sem cabeça), entregando em uma empresa mais próxima para beneficiamento ou semibeneficiamento (frigorificação), para em seguida serem remetidas para a localidade daquelas pessoas que remeterem os recursos (antecipadamente). É de se registrar, que jamais esses valores poderão ser casados, isto é, o valor remetido para esse fim (ordens de transferências e/ou depósitos bancários) com as remessas ou fornecimento (notas fiscais de "ENTRADA"). Pelo simples fato de que, o valor recebido como "adiantamento", para essas pessoas físicas com o fim de aquisição dos pescados, não pode (a não ser por, mera coincidência) coincidirem com os valores das remessas dos produtos, que variam de tamanho (valor), quantidade, peso, etc, e por conseguinte, no quantum de cada remessa, diferentemente do valor recebido, que tanto pode ser a menor, como a maior, e assim sucessivamente, para somente ir sendo feito um controle particular de débito e crédito. Como prova irrefutável do afirmado, nesse caso particular da autuada, fazemos anexar nessa ocasião, em DOC III, 31 (trinta e uma) fotocópias de "COMPROVANTE DE TRANSFERÊNCIA" emitidas somente no período de 2003 e 2004, pelo BANCO DO BRASIL S/A, provenientes de remessas de uma única empresa. NETUNO Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.220 5 ALIMENTOS S/A (uma das maiores empresas do ramo de pescados do país Conta Corrente 23.3331 Agência 34347), para a Conta Corrente da autuada 16.1519. igualmente naquele estabelecimento bancário, agência 38814. totalizando em 2003 R$ 490.000,00 e em 2004 R$ 255.000,00, para o fim exclusivo de aquisição de pescados, conforme Quadro 1, a seguir: [...] Em Anexo DOC IV, fazemos anexar 22 (vinte e duas) fotocópias das NOTAS FISCAIS DE ENTRADA na empresa MM MONTEIRO PESCA E EXPORTAÇÃO LTDA. / NOTAS FISCAIS AVULSA, todas igualmente referentes ao período de 2002, 2003 e 2004, de mercadorias (lagosta e camarão) comprovando a entrega no período dos produtos adquiridos, conforme relação a seguir descriminada no Quadro 2: [...] Todos esses valores, se encontram devidamente contabilizados oficialmente nos apontamentos contábeis e fiscais dessas empresas envolvidas, portanto, não pode pairar qualquer dúvida quanto a expressão da verdade. E não se venha alegar que somente agora, por ocasião da impugnação e que foram dados conhecimento a SRF de toda essa documentação, pelo contrário, a fiscalização não somente esteve de posse dos mesmos, como comprovou a sua legalidade (escrituração nos livros contábeis e fiscais das empresas), por afirmação taxativa no próprio abominável documento denominado de TERMO DE VERIFICAÇÃO, não os acatando, por simplesmente concluir que os valores neles constantes não coincidiam entre si, isto é, que os valores depositados em sua conta corrente para aquisição de pescados, não coincidiam com os valores dos produtos que foram entregues pela autuada (pescados), impossível de se acreditar que fosse possível alguém chegar a essa conclusão absurda. O que pudemos afirmar e declarar sem embargos, é que se esses valores coincidissem, aí sim, seria motivo de desconfiança, e até mesmo de glosa. E ainda, por oportuno, deve ser esclarecido a V.Sas., que nos arredores das praias, somente se transaciona com os pequenos e médios pescadores, através de dinheiro vivo, por lá não se aceitam cheques, que eles denominam comumente de "papel velho", já que a sua maioria absoluta é analfabeta e não possuem conta bancária. Agora a maior digressão fiscal que se pode ter conhecimento, foi perpetrado pela ação fiscal, no item imediatamente posterior, confirase litters: "003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA" A partir de então, o Douto Fiscal autuante, passa como um "trator", arrolando uma a uma toda a sua movimentação bancária, constante no período fiscalizado na conta corrente do Banco do Brasil S/A, de titularidade da ora impugnante, NÃO EXCLUINDO sequer os valores por ele mesmo arrolados e tributados no item anterior "002 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL", praticando sem sombra de dúvidas o vedado pela legislação vigente denominado BIS IN IDEM, e para complementar esse seu desiderato de nada excluir, inclui ainda, alguns lançamentos de estornos, desbloqueios, transferências, depósitos de distribuição de lucro recebidos, e ainda, pasmem os Senhores, inclui em seu delírio de multar, pequenos valores repetidamente inúmeras vezes nos diversos meses auditados, de R$ 50,00; R$ 58,00; R$ 100,00; R$ 200,00; R$ 245,98; R$ 280,00; R$ 300,00; R$ Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.221 6 305,33; R$ 350,00; R$ 450,00; R$ 500,00; R$ 550,00 e daí por diante, como se não fossem esses valores provenientes da movimentação normal e legal, inerente a sobrevivência de qualquer pessoa humana, mesmo porque, são pequenos valores do dia a dia, que já foram devidamente declarados, fazendo parte dos rendimentos constantes em suas DIRPF nos períodos sob exame. Esse absurdo perpetrado pelo Dr. Fiscal num verdadeiro "delírio", tributando a autuada pelos "depósitos bancários" de sua conta corrente, em sua totalidade tidos como "por falta de comprovação de suas origens", entretanto, encontrou "origem de recursos de atividade rural", tributando esses valores, para logo em seguida, inimaginavelmente, desconsiderar esses mesmos recursos já tributados, tributandoos indevidamente e em duplicidade sob esta rubrica de "depósitos bancários de origem não comprovada". Agora, como entender tamanho disparate Senhores Julgadores, com certeza trata se de um lamentável engano da fiscalização, por ser inadmissível que em condições normais de plena razão, alguém possa QUALIFICAR A MULTA (AGRAVANDO PARA 150%), imputando "conduta de intenção dolosa" da autuada quando da fiscalização, por em primeiro lugar, afirmar que "o contribuinte não informou em suas DIRPF's 2003, 2004 e 2005" algumas informações, como: um simples veículo Volkswagen financiado (financiamento obtido no próprio Banco do Brasil no valor de R$ 47.000,00, fotocópia do documento em anexo DOC V) e outras informações, que a própria autuada não mais se recordava de sua existência, a não ser a fiscalização com a "quebra de seu sigilo bancário e fiscal" poderia descobrir, assim, meras inconsistências e omissões nas DIRPF de qualquer contribuinte, jamais poderá ensejar a pecha de "crime contra a ordem tributária" por qualquer incursão que se possa imputar. Bem como, por ter afirmado que os recursos que transitaram em sua conta corrente "não lhe pertenciam", ora é clara e nítida expressão da verdade, que a maioria absoluta desses recursos não pertencia a autuada, e sim de seus clientes (como restou neste ato devidamente comprovado, a luz da documentação idônea anexada, toda ela revestida das formalidades legais implícitas e explícitas), repetimos, para a aquisição de pescados (lagostas e camarões). Ademais, a afirmação da fiscalização de que alguns cheques foram emitidos "em seu favor e de seus familiares" citando o nome de alguns deles, ora pois, como já explicitado anteriormente, e poderão ser comprovados perfeitamente por V.Sas., os valores transferidos para sua conta corrente no Banco do Brasil S/A (depositados), eram logo em seguida sacados, e como as normas bancárias emanadas pelo Banco Central do Brasil, órgão competente regulador dessa matéria, não permite cheques ao "portador", eram os mesmos (quando não sacados pela própria autuada), nomeados para pessoas de sua inteira confiança, a fim de sacarem pessoalmente em moeda corrente, uma vez que o numerário em espécie (mesmo com o risco de assaltos) se torna imprescindível para a compra de pescados na praia (lagosta e camarão), como também, para pagamento a vista e em espécie, de toda a tripulação das embarcações (comandante mestre, contra mestre, pescadores, etc) referente a adiantamentos pagos antes de iniciar as viagens e quando das atracações, ocasião em que são efetivadas às suas participações na produção, e ainda, pagamentos exclusivamente "a vista", de valores bastante elevados para aquisição de óleo diesel (combustível das embarcações), aquisição a terceiros (pessoas físicas) de apetrechos de pesca (manzuás ou covos), redes, etc, manutenção constante das embarcações, sem se falar, na aquisição de mantimentos para a tributação, e inúmeros outros dispêndios. Outrossim, nunca é demais, reiterar a assertiva de que nesse ramo de atividade da autuada (compra e venda de produtos do mar pescados), mesmo envolvendo volumes de dinheiro em elevados montantes, sempre são efetivados "em espécie", comumente Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.222 7 denominado de "dinheiro vivo", não se aceitando "cheques", uma vez que as pessoas envolvidas, em sua maioria, são de nível popular (analfabetas e semianalfabetas), não possuem contas bancárias, como já foi anteriormente declinado nesse mesmo arrazoado impugnatório. Em segundo lugar, dizer a fiscalização que houve litters "declaração falsa sobre a origem dos depósitos/créditos bancários" nas contas correntes da autuada, isto tanto não é verdade, em função de todas as provas que neste ato foram carreadas ao processo e as que já se encontram fazendo parte integrante do mesmo, comprovando irremediavelmente e inquestionavelmente que é a única verdade o fato da impugnante desenvolver as atividades de pequena PRODUTORA RURAL, e que os valores depositados em sua conta corrente possuíam identificação clara dos depositantes e ao fim a que se destinavam, ou seja, aquisição da produção da impugnante e a compra de pescados de terceiros. O que se verifica, ademais, é que existiu açodamento e precipitação perigosa da fiscalização, por afirmar, sem qualquer prova que houve litters "ajuste doloso (conluio) entre a fiscalizada e as pessoas de seu vínculo (MM Monteiro Pesca e Exportação Ltda. e Elizeu Charles Monteiro)." Como assim, com certeza isso é um onirismo sem igual, um delírio de loucura, os documentos que compõem o processo neste ato guerreado, são todos reais e inquestionáveis, sem qualquer inidoneidade, comprovam exatamente o contrário do afirmado pela fiscalização. Por outro lado, será que o Doutor Fiscal autuante, não tem a certeza absoluta, que quando expede uma "intimação" fiscal oficial a quem quer que seja, principalmente ininterruptamente, insistentemente, e em grande profusão para pessoas sem qualquer experiência no ramo tributário/fiscal, deixa o destinatário bastante nervoso e em certas ocasiões chega até mesmo a perder um pouco a razão, isto posta, quando não possui também, uma assessoria normal nessa área tributária/fiscal, não por maldade ou má fé, mas por simples desconhecimento, levandoas inclusive a prestar informações muitas das vezes conflitantes ou desencontradas, até mesmo com incorreções, que podem e devem, perfeitamente, serem sanadas, entretanto, jamais poderão ser qualificadas de "criminosas", como é o caso ora vergastado da autuada. Desta maneira, Senhores Julgadores, restou comprovado, que a autuada pessoa física, simplesmente, deixou de prestar algumas informações ao Fisco Federal, pelo simples fato de não possuir escrita fiscal e por não ter escriturado o "livro caixa", decorrendo daí, muitas das vezes, pelo lapso de tempo decorrido, olvidar alguns fatos, agora, lhe imputar crime de sonegação fiscal isto é de uma tremenda e deliberada arrogância e injustiça, pois a autuada simplesmente tentou apenas exercer sua atividade econômica de produtora rural, portanto, jamais cometeu qualquer irregularidade criminal (falsificações, dolo, má fé, conluio, etc.) contra a ordem tributária, a não ser na imaginação fértil e desvirtuada da Ação Fiscal. De outro, é de se afirmar, por fim, que a autuada sempre possuiu um único veículo, e que se o DETRAN em seu cadastro apontava outros veículos que não o de sua propriedade, isto posta, se apresentou por conta de que os seus novos proprietários não ultimavam as providencias junto aquele órgão para oficializar as devidas transferências que se faziam necessárias. Assim, resta comprovado, que o comando fiscal ao enquadrar, totalmente equivocado, nas normas legais que caracterizam "crime de sonegação fiscal", imputando ilegalmente e irresponsavelmente a Impugnante, tamanho disparate, somente demonstra um perfeito ato de arbitrariedade e desvirtuamento proposital das normas legais. Ainda bem, que esse Auditor Fiscal não têm poder de Magistrado, pois se assim Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.223 8 fosse, estaria disseminando ainda mais o desmando, a ilegalidade e a injustiça fiscal no país, aí seria o caos. Finalmente, i. Julgadores, a fiscalização, nesse caso específico da impugnante, quando da lavratura desse indigitado Auto de Infração, sequer efetivou, como é obrigação imposta pelo RIR e de toda a legislação incidente em vigor, de recompor as novas posições constantes das DIRPF da autuada (pelo menos pretendidas pela fiscalização), tendo em vista que foram declarados rendimentos nessas declarações do período fiscalizado, incorrendo a fiscalização em um erro crasso, que deverá ser irremediavelmente sanado, segundo o Processo Administrativo Fiscal PAF. CONCLUSÃO / REQUERIMENTO Por todo o exposto, espera convicto o Autuado ter demonstrado, nesta peça, a improcedência total do Auto de Infração, portanto, requer mui respeitosamente a V.Sas, após o julgamento de praxe, determinar a extinção do débito tributário e o conseqüente trâmite que lhe ordena o P. A. F., por ser de Justiça. Nestes Termos, Pede Deferimento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0820.726 (fls. 1942 a 1956), de 29/04/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002,2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento lhe pertencem, sendo incabível a aplicação dessa regra quando ausente no processo qualquer indício de que o titular de fato da conta bancária não seja o Contribuinte. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Há que se distinguir o titular de conta corrente/pessoa física e a pessoa jurídica da qual o Contribuinte é sócio, dado o Princípio da Entidade Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.224 9 que professa que a pessoa jurídica não se confunde com a pessoa física de seus sócios. ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DAS RECEITAS. A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. Para que sejam submetidos à tributação mais favorecida, prevista para os rendimentos da atividade rural, o contribuinte precisa comprovar que os rendimentos tiveram origem nessa atividade. DEPÓSITOS. DATAS E VALORES. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. Para efeito de determinação da receita omitida, os depósitos serão analisados individualizadamente, na forma do artigo 42, § 3º, da Lei n° 9.430/1996. Logo, na hipótese de contribuinte atuando como intermediário na compra e venda de pescado, para que ele seja tributado somente em relação à comissão percebida por tais operações, deve apresentar não só documentação comprobatória desse negócio jurídico, mas correlacionála com os depósitos efetuados, de modo que possa ser tributado apenas na quantia relativa à comissão fruto da aludida intermediação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos. MULTA QUALIFICADA. Se as provas carreadas aos autos pelo fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, por três anos consecutivos de forma reiterada, cabe a aplicação da multa qualificada, ainda que o dispositivo legal utilizado para fundamentar o lançamento seja uma presunção legal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 07/06/2011 (vide AR de fl. 2244), o contribuinte interpôs, em 06/07/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 2160 a 2210, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 2211), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.225 10 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 12/03/2012, veio digitalizado até à fl. 22151. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 1957 (fl. 2159 da digitalização). Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.226 11 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tratase de lançamento no qual foram apuradas as seguintes infrações: (a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, anocalendário 2004; (b) omissão de rendimentos da atividade rural, anoscalendário 2002, 2003 e 2004; e (c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Numa análise preliminar dos autos, observase que parte das infrações apuradas originaramse do exame de extratos bancários que foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1815 a 1840, do qual se extrai o seguinte excerto (fls. 1815 e 1816): Por meio do Termo de Início de Fiscalização, de 13/11/2007, este o marco inicial desta fiscalização, o sujeito passivo foi intimado a apresentar: 1 Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.227 12 junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período acima especificado. 2 Relação do(s) nome(s) dos bancos, n° de agência e n° de conta corrente, de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta, no(s) período(s) acima especificado(s). Diante da omissão da fiscalizada, ligouse para a empresa Monteiro Indústria e Pescados Ltda (vide Termo de Constatação Fiscal de 10/01/2007), local de trabalho da contribuinte, mas a funcionária informou que ela estava ausente. Ligouse ainda para o telefone 36671184 que consta na base CPF como sendo da Sra. Rosa Virginia Monteiro, mas este número, segundo quem atendeu a chamada, é de um telefone público.Conseqüentemente, em 11/01/2007, foram elaboradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), de forma a possibilitar a coleta de elementos probatórios indispensáveis à mensuração de eventual material tributável a ser lançada contra a fiscalizada, nos termos dos arts. 2º e 4º do Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, Foi enviado à fiscalizada o Termo de Solicitação de Esclarecimento lavrado em 23/01/2007, para que esta entrasse em contato com a DRF Sobral, o que foi feito por telefone, quando se prestaram esclarecimentos sobre o procedimento fiscal que estava em andamento. De posse de todos os extratos bancários procedeuse à análise das informações, excluindose os depósitos/créditos: decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. Concluída tal conciliação bancária, foi encaminhada ao sujeito passivo a planilha anexa ao Termo de Intimação de 08/03/2007, para que este comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações (depósitos/créditos), informandoo que a comprovação dos recursos deveria ser feita com documentação hábil e idônea e que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de rendimentos com fundamento legal no art. 849 do RIR/99. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontramse sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil. Concluise, assim, que parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.228 13 Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 tratase de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo acessado em 13/08/2012 Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.229 14 b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Ressaltese que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citandose como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Concluise, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.230 15 (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.231 16 origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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