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Numero do processo: 10830.912116/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.830
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 16 /2 01 2- 16 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.857, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912116/201216 Acórdão n.º 3301003.830 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679902/2009-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/11/2005
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COMPENSAÇÃO Recorrente TIM CELULAR S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/11/2005 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 02 /2 00 9- 13 Fl. 241DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.423, de 20/08/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/11/2005 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação, não havendo ofensa a princípios constitucionais, ainda mais que somente a DCTF retificadora, após o despacho decisório que não tem vício de nulidade, não comprova o direito creditório, de forma que o pedido de diligência por erro formal não configurado não deve ser aceito. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 330201.406. O exame de admissibilidade do recurso especial encontrase às fls. 231/232. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 235/238). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.679902/200913 Acórdão n.º 9303005.518 CSRFT3 Fl. 242 3 Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, não tem o condão de alterar a decisão proferida, competindo ao contribuinte o ônus de provar o erro de preenchimento da declaração, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais. Já no acórdão paradigma, em situação semelhante, concluiuse que a DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida a retificação, substitui a original em relação aos débitos e as vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, mesmo após proferida a decisão, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar a liquidez e certeza do crédito apontado (os autos foram baixados em diligência, a fim de que se apurasse o indébito). Atentese para o seguinte fato: no acórdão paradigma, o Colegiado, não obstante tenha firmado o entendimento de que a DCTF retificadora substituíra a original, curiosamente determinou o retorno dos autos para que se apurasse o crédito, de modo que não deu, pura e simplesmente, integral provimento ao recurso voluntário. A respeito, confiramse os seguintes parágrafos do paradigma: Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. (g.n.) A nosso sentir, a divergência é manifesta. Percebase que, no acórdão paradigma, o Colegiado resolveu inverter o ônus da prova, com a só apresentação de retificadora – mesmo após proferido o Despacho Decisório, enquanto que, no recorrido, outro Colegiado o atribuiu à contribuinte. No mérito, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Fl. 243DF CARF MF 4 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso em exame, a contribuinte não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrituração contábil e fiscal). Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos, não logrou realizar. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.679902/200913 Acórdão n.º 9303005.518 CSRFT3 Fl. 243 5 Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720257/2006-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2004
SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
A base de cálculo para a apuração do lucro na sistemática diferenciada, simplificada e favorecida - Simples - é a receita bruta auferida, comportando se apenas as deduções pelas vendas canceladas e/ou descontos incondicionais concedidos, nos termos da norma tributária.
SIMPLES. OPÇÃO. PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO
TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO DE ICMS.
Ao optar pela sistemática do Simples, na apuração do lucro, o contribuinte renuncia aos benefícios da comercialização de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária, deduções possíveis no regime de apuração pelo Lucro Real.
SIMPLES. VENDAS REGISTRADAS NO LIVROS FISCAIS.
É legítima a utilização dos valores de vendas registrados nos livros fiscais dos contribuintes para fixar a receita bruta auferida, sobretudo quando o Livro Caixa da empresa não registra todas as movimentações financeiras.
Numero da decisão: 1801-000.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Rogério Garcia Peres
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A base de cálculo para a apuração do lucro na sistemática diferenciada, simplificada e favorecida - Simples - é a receita bruta auferida, comportando se apenas as deduções pelas vendas canceladas e/ou descontos incondicionais concedidos, nos termos da norma tributária. SIMPLES. OPÇÃO. PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO DE ICMS. Ao optar pela sistemática do Simples, na apuração do lucro, o contribuinte renuncia aos benefícios da comercialização de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária, deduções possíveis no regime de apuração pelo Lucro Real. SIMPLES. VENDAS REGISTRADAS NO LIVROS FISCAIS. É legítima a utilização dos valores de vendas registrados nos livros fiscais dos contribuintes para fixar a receita bruta auferida, sobretudo quando o Livro Caixa da empresa não registra todas as movimentações financeiras.
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BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A base de cálculo para a apuração do lucro na sistemática diferenciada, simplificada e favorecida - Simples - é a receita bruta auferida, comportando- se apenas as deduções pelas vendas canceladas e/ou descontos incondicionais concedidos, nos termos da norma tributária. SIMPLES. OPÇÃO. PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO DE ICMS. Ao optar pela sistemática do Simples, na apuração do lucro, o contribuinte renuncia aos benefícios da comercialização de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária, deduções possíveis no regime de apuração pelo Lucro Real. SIMPLES. VENDAS REGISTRADAS NO LIVROS FISCAIS. É legítima a utilização dos valores de vendas registrados nos livros fiscais dos contribuintes para fixar a receita bruta auferida, sobretudo quando o Livro Caixa da empresa não registra todas as movimentações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Rogério Garcia Peres. (assinado digitalmente) Fl. 247DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/12/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher os tributos federais apurados pela sistemática do Simples, relativos ao ano-calendário de 2003, pelas seguintes razões, consoante texto explicativo dos Autos de Infrações lavrados às fls. 03 a 61, e relatório do acórdão ora combatido, que aproveito: “A descrição dos fatos, a base legal e o modo da apuração fiscal se encontram nos autos de infração, às fls. 03/61, e no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 58/60. Consta do TVF que a autuação foi possibilitada pelo cruzamento de informações entre a Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia (SEFAZ/BA) e a Receita Federal do Brasil (RFB), amparado no Convênio de Cooperação Técnica entre os fiscos federal e estadual, vigente desde 12/02/1998 - IN SRF n° 20, de 1998. Foi constatada diferença de base de cálculo, bem como insuficiência de recolhimento, uma vez que a autuada, no ano-calendário de 2003, declarou à Receita Federal do Brasil (RFB), através da DSPJ - Simples, receita bruta no valor de R$ 496.327,92, enquanto nas DMA declarou valor total de saídas correspondente a R$ 3.442.161,48. Na planilha à fl. 61 consta que a Fiscalização apurou uma diferença de base de cálculo no montante de R$ 2.279.558,86, que motivou a lavratura dos autos de infração acima referidos. A autuante informou ainda que lavrou Representação Fiscal para Exclusão do Simples, a partir de 12/01/2004.” A empresa impugnou os lançamentos tributários às fls. 176 a 181 argumentando que os valores apurados de ofício pela fiscalização foram imprecisos, pois informou valores à SEFAZ/BA sem fazer as exclusões de mercadorias isentas ou sujeitas à substituição tributária, desconsiderando-se, ainda, que opera com a comercialização de bebidas, cigarros, frutas, verduras etc (supermercado) e anexando, para provar as alegações, uma planilha separando as mercadorias que foram ou não tributadas no período. Acrescenta que a tributação federal não pode se erguer em declaração equivocada enviada ao fisco estadual, por ausência de fato gerador de tributo. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA exarou o Acórdão nº 15-16.966/08, fls. 227 a 231, mantendo os lançamentos tributários, o qual restou assim ementado: “DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta escriturada no Livro de Apuração do ICMS e a declarada na DSPJ-Simples. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.720257/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.405 S1-TE01 Fl. 248 3 BASE DE CÁLCULO. DEFINIÇÃO. EXCLUSÕES A base de cálculo do Simples é a receita bruta auferida pela empresa inscrita no sistema, proveniente da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo vedada a exclusão de valores de venda de produtos isentos do ICMS ou sujeitos à substituição tributária.” Por oportuno, transcrevo trecho da fundamentação do voto-condutor: “Não é demais lembrar que a autuação, pela forma do Simples, foi por diferença de base de cálculo e insuficiência de recolhimento, devido a constatação de divergência entre a receita bruta escriturada/declarada à SEFAZ/BA, por meio das DMA e Livro de Apuração do ICMS (fls. 91/140), e a declarada à RFB, por meio da DSPJ-Simples (fls. 63/80). A impugnante alegou que forneceu à SEFAZ/BA valores para efeito de tributação pelo ICMS sem fazer exclusões de mercadorias isentas ou enquadradas na substituição tributária, com isso aumentando sobremaneira a base de cálculo do referido tributo, pretendendo que tais exclusões fossem consideradas no presente caso, em se tratando de empresa inscrita no Simples. Pois bem, o Demonstrativo de Vendas 2003 (fl. 189), trazido pela impugnante, registra receita de vendas no montante de R$ 3.519.530,41, sendo o valor de R$ 1.227.380,24 referente a vendas de produto tributado e o valor de R$ 2.292.150,17 referente a vendas de produto isento. Mas isso não é relevante para fins de tributação pela sistemática do Simples, a qual se faz pela a incidência de percentuais sobre a receita bruta mensal auferida, excluindo-se apenas as vendas devolvidas e os descontos incondicionais concedidos. Nada mais é permitido abater da base de cálculo do Simples, a título de isenção, redução de base cálculo, substituição tributária, ou qualquer outro incentivo inerente às demais empresas sujeitas ao regime normal de tributação. A autuante registrou no Demonstrativo de Receita Bruta e Diferenças Apuradas do ano-calendário de 2003, à fl. 61, que a autuada auferiu receita bruta no montante de R$ 2.775.886,78, com base na escrita do Livro de Apuração do ICMS, e que declarou na DSPJ-Simples o valor de R$ 496.327,92, ensejando uma diferença de base de cálculo da ordem de R$ 2.279.558,86, que foi submetida à tributação, de acordo com o Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta, à fl. 04 dos autos. As exclusões requeridas pela impugnante, pertinentes à venda de produtos isentos do ICMS e/ou enquadrados no regime de substituição tributária, são incabíveis para a empresa inscrita no Simples, tendo em vista os conceitos de receita bruta, base de cálculo e determinação do valor devido, estabelecidos nos artigos 186 e 188 do RIR/99, in verbis: [...]” (grifos não pertencem ao original) Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 238 a 242 argumentando que: Fl. 249DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 1) a fiscalização procedeu à autuação sem fazer qualquer intimação anterior para que a empresa autuada pudesse prestar esclarecimentos ou apresentar documentos capazes de ilidir a tributação conforme fora realizada; 2) seria necessário uma perícia para excluir as vendas de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária da base de cálculo dos tributos apurados pelo Simples; 3) a empresa errou ao preencher as DMA, pelo que os valores nela informados não podem servir de fundamento à autuação; 4) a planilha apresentada pela empresa na impugnação espelha os valores das vendas de acordo com os produtos tributados; 5) os valores apurados pela fiscalização não constituem fato gerador de obrigação tributária, nos termos do artigo 113, §1º, do CTN – Código Tributário Nacional; Por fim requer a nulidade dos lançamentos tributários em vista da precipitação da fiscalização. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. O cerne do litígio está em duas argumentações da recorrente: entende ter direito à exclusão das vendas operadas com produtos isentos de ICMS e sujeitos à substituição tributária, ainda que optante pelo Simples, e critica a fiscalização por ter utilizado valores que não condizem com a realidade das vendas efetuadas, expressos em DAM, para efetuar os lançamentos tributários. Da análise dos documentos que dos autos consta: a) a despeito da recorrente alegar que a fiscalização não a intimou, verifico às fls. 81/82, no Termo de Início de Fiscalização, e às fls. 83 a 87 a contribuinte ser intimada a apresentar à fiscalização livros contábeis e fiscais, extratos bancários, entre outros elementos; b) do Termo de Verificações que explicita as exigências fiscais, reproduzo os seguintes esclarecimentos: “Da análise de sua escrituração, verificou-se que a receita bruta total lançada no Livro Caixa foi de R$ 504.644,75, conforme demonstrado na planilha n. • 01 anexa, denominada "Demonstrativo de Receita Bruta e Diferenças Apuradas" e cópias anexas do referido livro. Outrossim, os valores de receita bruta mensal registrados nos Livros de Apuração do ICMS, da matriz e da filial de C.N.P.J. n. • 01.197.782/0002-44, totalizaram R$ 2.775.886,78, conforme demonstrado na planilha n. 01 acima referida e cópias anexas dos referidos livros. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.720257/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.405 S1-TE01 Fl. 249 5 [...] 1 . DAS INFRAÇÕES: 1.1. Diferenças de Base de Cálculo - receita não declarada: Do confronto entre os valores de receita bruta apurados pela fiscalização nos livros fiscais de ICMS e os valores constantes da Declaração Anual Simplificada, constatei diferenças de base de cálculo não consideradas nos valores declarados/recolhidos de Simples a pagar, conforme se vê na planilha n. • 01, em anexo, razão pela qual referidas diferenças estão sendo lançadas no presente auto de infração (Infração n. • 01).” (grifos não pertencem ao original) A fiscalização analisou o Livro Caixa da empresa e constatou a flagrante omissão de receitas de vendas em face dos registros escriturados no Livro de Apuração do ICMS da matriz e da filial. De igual forma, constatou relevante diferença entre os valores registrados nos livros fiscais e naqueles informados na DSPJ/04. Cópias dos referidos Livros foram devidamente juntadas aos autos. Conclui-se, por conseguinte, que são inverossímeis as alegações da recorrente de que os valores utilizados pela fiscalização foram extraídos das Declarações Mensais de ICMS - DAM, preenchidas com informações inexatas e, por isso, inábeis para constituir as bases de cálculo das exações fiscais. c) do “Demonstrativo de Receita Bruta e Diferenças Apuradas”, planilha 01, anexo ao referido Termo de Verificações, constato que os valores escriturados no LAICMS, mês a mês, são significativamente superiores àqueles declarados pela contribuinte, na DSPJ/04 – menos de 1/5, bem como no Livro Caixa, no qual deveria, por força legal, estar escriturada toda a movimentação financeira da empresa: Lei nº 9.317/96 – art. 7º, § 1º, alínea ‘a’ Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano- calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; [...] Fl. 251DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Neste ponto, ressalto que as alegações da recorrente sobre a venda de produtos isentos de ICMS ou sujeitos à substituição tributária, são improfícuas, pois não justifica a ausência dos registros das vendas, no Livro Caixa, dos referidos produtos pelos valores efetivamente auferidos, vendas estas registradas no LAICMS.` Ora, o fato de produtos vendidos pela empresa serem isentos de ICMS ou já sujeitos à tributação de PIS e Cofins pelo fornecedor (no caso das substituições tributárias) não legitima a exclusão das receitas obtidas pelas suas vendas, do faturamento mensal da empresa. No máximo a recorrente poderia pleitear, dos valores a recolher a título de Simples, a exclusão do ICMS (nos produtos isentos) e dos valores correspondentes aos percentuais dos tributos federais já recolhidos antecipadamente pelos fornecedores (PIS e Cofins), mas nunca o valor total das vendas dos produtos; nem mesmo tentar justificar a não escrituração das vendas efetuadas no Livro Caixa. Todavia, ao optar pela sistemática diferenciada, favorecida e simplificada de apurar o lucro por este regime – Simples –, a contribuinte também optou por renunciar a estas exclusões, passíveis somente se tivesse escolhido o regime do Lucro Real. E a opção por outro regime de apuração de lucro é irretratável após iniciado o procedimento fiscal. O artigo 2º da Lei do Simples, nº 9.713/96, em seu § 2º, define o que é receita bruta para os efeitos dos cálculos dos tributos federais por este regime: Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se: [...] § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. [...] Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) [...] Destarte, nem o ICMS dos produtos isentos, nem as parcelas recolhidas pelos fornecedores de PIS e Cofins no regime de substituição tributária podem ser excluídos do conceito de receita bruta para fins do cálculo do Simples, exceto as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, por força legal. Daí estar correto o procedimento da fiscalização em valer-se dos valores registrados no LAICMS para apurar os verdadeiros valores faturados pela empresa durante o ano-calendário de 2003. E obtida as receitas brutas mensais, computou os valores informados na DSPJ/04 e lançou as diferenças encontradas, dando azo à tributação ora discutida. Nada a ser reparado na tributação realizada ex officio. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.720257/2006-55 Acórdão n.º 1801-00.405 S1-TE01 Fl. 250 7 Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 253DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002825/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA
ORIGEM.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ - IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA
REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO CUMULATIVADE VERSUS
CUMULATIVIDADE.
Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao ano calendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de não cumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as
contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de
cumulatividade.
Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz - IRPJ - foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA
ORIGEM.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ - IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA
REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO CUMULATIVADE VERSUS
CUMULATIVIDADE.
Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao ano calendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de não cumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as
contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de
cumulatividade.
Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz - IRPJ - foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2005
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14).
Numero da decisão: 1801-000.355
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao PIS e a COFINS, relativas ao ano-calendário 2004 e para manter os lançamentos tributários de PIS e COFINS relativos ao ano-calendário 2005; (ii) por maioria de votos, reduzir a multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes e Carmen Ferreira Saraiva que votaram pela manutenção da multa qualificada
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ - IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO CUMULATIVADE VERSUS CUMULATIVIDADE. Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao ano calendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de não cumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de cumulatividade. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz - IRPJ - foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ - IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO CUMULATIVADE VERSUS CUMULATIVIDADE. Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao ano calendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de não cumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de cumulatividade. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz - IRPJ - foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-17T14:13:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2013593_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-17T14:13:47Z; Last-Modified: 2010-11-17T14:13:47Z; dcterms:modified: 2010-11-17T14:13:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2013593_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:1ddc7cb0-fa29-49e9-95d1-c6076a0cc6d6; Last-Save-Date: 2010-11-17T14:13:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-17T14:13:47Z; meta:save-date: 2010-11-17T14:13:47Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2013593_0.doc; modified: 2010-11-17T14:13:47Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-17T14:13:47Z; created: 2010-11-17T14:13:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-11-17T14:13:47Z; pdf:charsPerPage: 2258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-17T14:13:47Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 413 1 412 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002825/2007-21 Recurso nº 165.158 Voluntário Acórdão nº 1801-00.355 – 1ª Turma Especial Sessão de 8 de novembro de 2010 Matéria AI - IRPJ - Omissão de Receitas. Depósitos Bancários Recorrente ADMINISTRADORA DE JOGOS SCHNEIDER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ - IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO-CUMULATIVADE VERSUS CUMULATIVIDADE. Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao ano-calendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de não-cumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de cumulatividade. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano- calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz - IRPJ - foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA MATRIZ - IRPJ LUCRO REAL. EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÕES. REGIME DE NÃO-CUMULATIVADE VERSUS CUMULATIVIDADE. Tendo sido exonerada, pela autoridade julgadora “a quo”, a exigência de IRPJ relativo ao ano-calendário 2004 calculado de acordo com as regras do lucro real, sob o fundamento de que, diante da inexistência de escrituração o lucro deveria ter sido arbitrado, devem igualmente ser exoneradas as exigências reflexas de PIS e de COFINS do mesmo período formalizadas no regime de não-cumulatividade pois, pelas regras do lucro arbitrado, as contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas pelo regime de cumulatividade. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal em relação ao ano- calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS, no período em que a exigência matriz - IRPJ - foi formalizada com base nas regras do lucro presumido. Isto porque, além de a omissão de receitas restar plenamente caracterizada, as contribuições, nas sistemáticas do lucro presumido ou do lucro arbitrado, são calculadas no regime de cumulatividade, exatamente como exigido nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao PIS e a COFINS, relativas ao ano-calendário 2004 e para manter os lançamentos tributários de PIS e COFINS relativos ao ano-calendário 2005; (ii) por maioria de votos, reduzir a multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes e Carmen Ferreira Saraiva que votaram pela manutenção da multa qualificada. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 11020.002825/2007-21 Acórdão n.º 1801-00.355 S1-TE01 Fl. 414 3 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 8/11/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que exigem da contribuinte acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 325.452,30, aí incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 03 a 43), tendo em conta a constatação da existência, nos anos-calendário 2004 e 2005, de depósitos bancários não contabilizados e/ou de origem não comprovada, o que levou a apuração de insuficiência de recolhimento dos tributos. De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal de fls. 44 a 61, mesmo depois de declarar haver encerrado suas atividades financeiras relacionadas à exploração de jogos de bingo, a contribuinte movimentou soma considerável de valores em sua conta-corrente bancária mantida junto ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Do referido Relatório Fiscal são extraídos os seguintes trechos: Trata-se de pessoa jurídica dedicada à atividade de sorteio de jogos de bingo permanente, em execução de contrato de prestação de serviços firmado com o Esporte Clube Serrano — CNPJ 90.614.637/0001-60 (doc. fl. 162 / 166), o qual, conforme informação da entidade desportiva, foi encerrado verbalmente em junho de 2004 (doc. fl. 298). Conforme documentação analisada verifica-se que a empresa fiscalizada obteve receitas de duas origens: uma da atividade decorrente da exploração do jogo de bingo vinculada a entidade desportiva Esporte Clube Serrano (objeto de auto de infração especifico) e outra da exploração do bingo em nome próprio. Relativamente as receitas decorrentes da exploração do citado contrato de prestação de serviço, cabe ao administrador dos jogos de bingo o percentual de 28% sobre os valores de arrecadação bruta, consoante o disposto no artigo 105 do Decreto no. 2.574/98 e no artigo 14 do Decreto n.° 3.659/00. Quanto aos valores obtidos fora da vigência do referido contrato, os mesmos são de inteira responsabilidade da administradora de jogos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 ... Pela análise dos registros efetuados nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ (doc. fl. 318 1 340) constata-se que a empresa, a partir de março de 2004, não ofereceu à tributação os valores que transitaram pela conta corrente bancária mantida pela mesma. ... Como resultado da análise dos extratos bancários, foram encontrados diversos créditos efetuados em conta corrente sob os mais variados títulos. Os referidos valores foram relacionados em intimação fiscal (doc. fl. 304 311) na qual foi solicitado a comprovação, através de documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados na conta de depósito mantida pela empresa. Em atendimento ao solicitado, a empresa informa que: "Em razão da ausência de escrituração, a partir do encerramento de nossa atividade na exploração de bingo, não dispomos dos elementos necessários à comprovação dos valores intimados." (doc. fl. 312). No intuito de propiciar mais uma oportunidade para a empresa esclarecer a origem dos recursos creditados na conta corrente sob análise, assim como de se verificar os valores constantes de sua escrita contábil, elaborou-se novo termo de intimação solicitando os livros contábeis e o tipo de atividade desenvolvida no período de 2004 e 2005 (doc. fl. 313/315). Para o atendimento do solicitado, alegando que as informações solicitadas se referiam a períodos passados, requereu prorrogação do prazo de atendimento em dez dias (doc. fl. xx / xx). Ao final do período apresentou correspondência nos seguintes termos: "A atividade da empresa sempre foi a administração de jogos de bingo, não possuindo escrituração a partir do encerramento de nossa atividade." (doc. fl. 317). ... Considerando-se que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos creditados nas contas de depósitos mantidas junto ao Banrisul, esta fiscalização, conforme determina o artigo 42 da Lei n.° 9.430, de 26/12/1996, tomou, como base de cálculo dos tributos devidos, os valores efetivamente creditados em conta corrente bancária conforme extratos bancários apresentados. Está sendo aplicada a multa de 150% prevista no inciso II, do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 3.000/99 (Lei n° 9.430/96, art. 44 e alterações), tendo em vista que houve evidente intuito de fraude, à medida que a empresa Administradora de Jogos Schneider Ltda., de forma deliberada e ou dolosa, omitiu receitas operacionais consoante informações fiscais anteriormente transcritas. O Relatório faz-se acompanhar dos demonstrativos às fls. 52 a 61. Cientificada das exigências em 29/08/2007, como comprova o A.R à fl. 344, a contribuinte apresentou impugnação, em 26/09/2007, contestando, em preliminares, a forma de tributação adotada pela auditoria - com base nas regras do lucro real em 2004 e pelo lucro presumido, em 2005 - pois, diante da constatada ausência de escrituração contábil e fiscal e livro caixa, as exigências deveriam, obrigatoriamente, ter sido formalizadas de acordo com as regras do lucro arbitrado. No mérito argúi inexistir embasamento legal a autorizar a presunção de omissão de receitas; afirma que considerar a totalidade dos depósitos como receita omitida Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 11020.002825/2007-21 Acórdão n.º 1801-00.355 S1-TE01 Fl. 415 5 configuraria confisco e aponta erro na indicação do percentual de presunção do lucro. Por fim, protesta contra a aplicação da multa qualificada. Apreciando o litígio a 5 a . Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou os lançamentos parcialmente procedentes acatando as alegações da defesa no que se refere à necessidade de ter sido adotado o arbitramento dos lucros diante da ausência de escrituração contábil e fiscal e do livro caixa. Foram, assim, exoneradas as exigências relativas ao IRPJ e à CSLL, e mantidas aquelas relativas ao PIS e a COFINS com a penalidade agravada. Intimada da decisão, em 18/12/2007, como comprova o A.R. à fl. 384, a contribuinte protocolizou, em 16/01/2008, Recurso Voluntário em face deste Colegiado. Em preliminares alega que, uma vez julgado improcedente o tributo principal, in casu, o IRPJ, improcedentes, também, seriam todas as demais exigências, em especial aquelas relativas às contribuições ao PIS e à COFINS, pois estas decorreriam das mesmas condições fáticas e jurídicas que levaram ao cancelamento da exigência matriz. No mérito argúi, em suas palavras, que “independentemente de qualquer outro considerando, repisa-se ser indevida a apuração do PIS e da COFINS de 2004 pelo sistema da não-cumulatividade uma vez que, conforme reconheceu o Acórdão Recorrido, a tributação do IRPJ deveria se dar pelo Lucro Arbitrado, caso em que as contribuições em questão deveriam ser apuradas pelo regime da cumulatividade (item 3.1 do Recurso Voluntário)”. Afirma inexistir embasamento legal que autorize a presunção de omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários e, consequentemente, previsão para considerá-los como base de cálculo para incidência de PIS e de COFINS e que a mudança de sistemática sugerida no acórdão recorrido, de lucro real para lucro arbitrado implicaria, também, na mudança de regime de apuração das contribuições de não-cumulativo, adotado exclusivamente para pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, para cumulativo. Assevera que os depósitos bancários não podem ser considerados como receita bruta e, em assim sendo, não haveria receita bruta conhecida para fins de incidência das contribuições, observando, ainda, que o STF teria declarado a inconstitucionalidade do comando normativo que havia ampliado o conceito de receita bruta para fins de incidência de contribuição social - parágrafo 1 o . do art. 3 o . da Lei no. 9.718, de 1998 – tal entendimento seria aplicado, também, à presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, ou seja, montantes assim presumidos não poderiam se enquadrar no conceito de receita bruta. Defende que não haveria amparo legal para aplicação da multa de ofício qualificada no lançamento de tributos derivados de pretensa omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários não contabilizados ou não justificados. Entende que para a qualificação da multa é necessário restar comprovado o intuito de fraude como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502, de 1964. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cumpre consignar, inicialmente que, no presente caso, a omissão de receitas restou plenamente caracterizada. Por meio de ação de fiscalização direta, iniciada em 30/03/2007, intentava a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB verificar a regularidade fiscal da empresa, com movimentação financeira incompatível com as declarações prestadas ao Fisco, todas elas sem movimento financeiro nos mesmos períodos em que verificada a movimentação financeira. A empresa foi regularmente e reiteradamente intimada a comprovar a origem de recursos depositados no Banco do Estado do Rio Grande do Sul e em todas as oportunidades limitou-se a informar que “em razão da ausência de escrituração, a partir do encerramento de nossa atividade na exploração de bingo, não dispomos de elementos necessários à comprovação dos valores intimados”. Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o t i tular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos uti l izados nessas operações [destaques acrescidos]. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea . Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio justamente dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta ao Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, torna-se juridicamente válida a imputação de omissão de receitas. O depósito bancário não se constitui em fato gerador de tributo. Todavia, a partir da edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se a contribuinte não fizer prova da origem dos recursos depositados em suas contas correntes e de investimentos, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 11020.002825/2007-21 Acórdão n.º 1801-00.355 S1-TE01 Fl. 416 7 pode a autoridade fiscal presumir a omissão de receitas, fato integrante da base de cálculo dos tributos em discussão. No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelos titulares das contas correntes e de investimentos, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma Há, portanto, disposição legal expressa no sentido de considerar omissão de receitas, depósitos bancários que não tiverem sua origem comprovada pelo titular da conta. Logicamente, quando o contribuinte observa as obrigações tributárias principais e acessórias, todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados, e têm a sua origem identificada na contabilidade, regularmente amparada em documentação de suporte. O que não é o caso em apreço, em que se limita a defesa a meras argüições, estas sim absolutamente desprovidas de amparo legal, no sentido de que os depósitos bancários não podem ser considerados como receitas omitidas, ainda que não tenham sido comprovados pelo seu titular. A omissão de receitas restou, enfim, claramente configurada e este aspecto da autuação foi confirmado pela autoridade julgadora de primeira instância. Entretanto, a forma de tributação da omissão de receitas adotada pela auditoria fiscal, nas exigências relativas ao IRPJ e à CSLL, é que foi considerada inválida pela DRJ em Porto Alegre/RS. A autoridade julgadora “a quo” entendeu que, in casu, encontravam-se plenamente caracterizadas circunstâncias que deveriam culminar, necessariamente, com arbitramento dos lucros da empresa recorrente. Ausência de escrituração contábil e fiscal no ano em que a pessoa jurídica apurou seus resultados pelo lucro real, e a inexistência, também, do livro caixa, elemento de escrituração obrigatória minimamente necessário para o período em que a recorrente optou pela tributação com base nas regras do lucro presumido. Com a decisão da DRJ em Porto Alegre/RS as exigências de IRPJ e de CSLL relativas aos anos-calendário 2004 e 2005 foram canceladas e as exigências de PIS e COFINS relativas aos mesmos períodos foram mantidas. Ocorre, entretanto, que as exigências de PIS e de COFINS, relativas ao ano- calendário 2004, também não devem prosperar. Isto porque, como bem observou a defesa, no ano-calendário 2004 a empresa apurou seus resultados de acordo com as regras do lucro real. Por essa sistemática de apuração as contribuições ao PIS e à COFINS são calculadas de acordo com o sistema de não-cumulatividade e as alíquotas dos tributos diferem daquelas incidentes sobre receitas auferidas em regime de cumulatividade, como no caso do lucro arbitrado. Assim, se a autoridade julgadora “a quo” entendeu que, em relação ao ano- calendário 2004, o lucro da pessoa jurídica deveria ser arbitrado e, por essa razão, exonerou os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e a CSLL exigidos pelo lucro real, as contribuições ao PIS e a COFINS, como exigências reflexas da exigência matriz – IRPJ – adotada a forma correta para exigência do tributo principal – IRPJ calculado com base arbitramento - também devem ser exoneradas, pois, na sistemática do lucro arbitrado, as contribuições ao PIS e a COFINS são calculadas no regime de cumulatividade, diferente, pois, daquele formalizado nos autos de infração de PIS e COFINS do ano-calendário 2004. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 Exemplificando. O enquadramento legal utilizado pela auditoria fiscal no auto de infração para exigência de PIS, relativa ao ano-calendário 2004 (fl. 15) - quando o contribuinte optou pelo lucro real, opção essa respeitada pela auditoria na lavratura de auto de infração do IRPJ e da CSLL – foi o seguinte: Arts. 1 o ., 3 o , e 4 o . da Lei no. 10.637/02. Tal dispositivos legal assim dispõe: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... Art. 4º O contribuinte da contribuição para o PIS/Pasep é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º. [Observo que os incisos do artigo 3 o . relacionam todos os bens, insumos e serviços que dão direito ao crédito referido]. De outro giro, o enquadramento legal utilizado pela auditoria fiscal no auto de infração para exigência de PIS, relativa ao ano-calendário 2005 (fl. 14/15) - quando o contribuinte optou pelo lucro presumido, opção essa respeitada pela auditoria na lavratura de auto de infração do IRPJ e da CSLL – foi o seguinte: Arts. 1 o e 3 o da Lei Complementar no. 7/70 ; , Art. 24 parágrafo 2 o . da Lei no. 9.249/95; Arts. 2 o ., inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3 o ., 10, 22, 51 e 91 do Decreto no. 4.524/02. Limito-me a transcrever o artigo 51 Decreto no. 4.524/02, ao que importa ao caso, já que os demais comandos normativos mencionados no auto referem-se genericamente às contribuições: Art. 51. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis sobre o faturamento são de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, e as diferenciadas previstas nos arts. 52 a 59 (Lei nº 9.715, de 1998, art. 8º, Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 1º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 8º). Dessa forma, as exigências relativas às contribuições ao PIS e a COFINS, em relação à apuração com base no regime de cumulatividade (lucro presumido e lucro arbitrado) diferem totalmente daquelas devidas com base no regime de não-cumulatividade (lucro real), seja na forma de cálculo da base tributável e alíquota devida, seja na legislação aplicável . Por tais razões as exigências de PIS e de COFINS relativas ao ano-calendário 2004 devem ser exoneradas. Contudo, o equívoco cometido pela auditoria fiscal na forma de apuração do IRPJ e da CSLL em relação ao ano-calendário 2005 não invalida as exigências relativas ao PIS e a COFINS do mesmo período. Isto porque, repita-se, a infração – omissão de receitas – restou plenamente caracterizada. Assim, havendo receita tributável, deve haver a incidência das contribuições. Além disso, a forma de apuração das contribuições ao PIS e a COFINS são as Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 11020.002825/2007-21 Acórdão n.º 1801-00.355 S1-TE01 Fl. 417 9 mesmas, tanto nas regras de apuração do lucro presumido quanto nas regras de apuração do lucro arbitrado pois, nessas sistemáticas, as contribuições são calculadas no regime de cumulatividade. Exatamente como exigido nos autos de infração das contribuições – PIS e COFINS – do ano-calendário 2005. Procedentes, pois, tais exigências. Deve ser afastada, contudo, a qualificação da multa. É que, considerando que na autuação, a auditoria fiscal se utilizou de presunção legal para configurar a omissão de rendimentos, não é possível presumir-se também a fraude. Ora, vê-se que o dispositivo autoriza a presunção de que os depósitos bancários de origem não comprovada são receitas omitidas, como no caso dos autos, mas não autoriza a presunção de que este só fato constitua fraude, e, assim, deva receber penalização qualificada. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. A aplicação da multa qualificada exige a fortiori, a intenção dolosa, que vai além da simples presunção de omissão de rendimentos. Ora, no caso dos autos não houve veiculação da fraude ou da simulação pois, sequer a escrituração contábil e fiscal da empresa foi apresentada. Não há livros fiscais, livros contábeis, notas fiscais, contratos ou qualquer outro elemento físico a comprová-las, dado que a hipótese que lastreia a autuação é de omissão de receitas calcada em presunção. Omissão de receita prevista em lei, mas de forma presumida. E este entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF no. 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fica reduzida, então, a penalidade sobre as exigências de PIS e de COFINS do ano-calendário 2005, à multa por lançamento de ofício de 75%. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 8 de novembro de 2010. MARIA DE LOURDES RAMIREZ Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 12448.906186/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário interposto contra acórdão que julgou parcialmente procedente manifestação de inconformidade em contestação a Despacho Decisório, que homologou em parte a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 06472.71490.100512.1.7.027718, e não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 06847.03795.211112.1.3.023181, 23510.41415.141011.1.7.024075, 11967.16394.091208.1.3.024078 e 01776.54794.221208.1.3.025137, com vistas à efetivação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 06 18 6/ 20 13 -6 5 Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.381 2 de encontros de contas entre débitos tributários e crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre do anocalendário de 2008, no valor de R$ 394.147,24. Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o total do IRPJ retido na fonte, no valor de R$ 394.147,24, tendo em conta que o IRPJ calculada na DIPJ é igual a zero, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 22, que a autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 74.406,30 , a título de IRPJ retido na fonte. Assim, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre de 2008 igual a R$ 74.406,30, o que não bastou para compensar integralmente o débito de IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado no País/ Ausente no Exterior a Serviço do País (código 05617), de R$ 196.670,35, conforme PER/DCOMP nº 06472.71490.100512.1.7.027718. Nesses termos, não restou saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre de 2008 disponível para as compensações intentadas mediante os PER/DCOMP nº 06847.03795.211112.1.3.023181, 23510.41415.141011.1.7.024075, 11967.16394.091208.1.3.024078 e 01776.54794.221208.1.3.025137. Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 309.900,82, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 235.494,20, uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose o IRPJ devido no período (zero), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de IRPJ, para o primeiro trimestre de 2008, no valor de R$ 309.900,82 (R$ 309.900,82 – zero). Decisão de primeira instância assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de IRPJ, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos." Ciência da decisão de primeira instância no dia 18/09/2015, à fl. 824. Recurso voluntário às fls. 828/850, com entrada na repartição de origem no dia 20/10/2015, à fl. 828. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no primeiro trimestre de 2008, saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 394.147,24, oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 394.147,24, de acordo com o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 06472.71490.100512.1.7.027718, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.382 3 negativo disponível de IRPJ do primeiro trimestre de 2008 ao valor de R$ 74.406,30, sob a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 235.494,20, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre o IRPJ retido na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas próprias fontes pagadoras das receitas que recebera; 5) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 6) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 7) malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 235.494,20, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois deixou de explicar o modo pelo qual apurou o valor do antedito adicional, já que se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos; 8) a respeito do subitem anterior, chama a atenção o fato de ter declarado crédito proveniente de retenções de IRPJ, efetuadas pela fonte inscrita no CNPJ nº 33.781.055/000135 e 33.781.055/001539, no valor total de R$ 231.190,86, enquanto o julgador a quo só reconheceu o montante de R$ 151.144,27, sem justificar o critério e a metodologia de apuração do valor encontrado; 9) pelas DIRF juntadas aos autos pelo julgador a quo, verificase que os valores por elas indicados se referem ao total das retenções de tributos durante todo o anocalendário de 2008, sem evidenciar a parcela relativa ao período de apuração em exame (1º trimestre de 2008); 10) percebese, por conseguinte, a falta de transparência no critério utilizado pelo acórdão recorrido, o que impossibilitou a discussão das razões determinantes ao provimento parcial do crédito de R$ 231.190,86, declarado em PER/DCOMP; 11) assim, a glosa de crédito com o pretenso suporte na não confirmação do imposto de renda retido na fonte é um descompasso com a realidade, pois o imposto de renda lhe foi retida como forma de antecipação do IRPJ devido ao final do trimestre; 12) desse modo, resta efetivamente comprovado que detém crédito no montante de R$ 84.246, 73 além daqueles já reconhecidos, de R$ 74.406,30 e R$ 235.494,20 , relativos ao imposto de retido na fonte no primeiro trimestre de 2008. Tais valores integram Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.383 4 incontestavelmente a composição do crédito do saldo negativo do IRPJ do primeiro trimestre de 2008, sendo que as provas ora apresentadas se sobrepõem a quaisquer discussões, às conclusões da DRJ e aos erros de preenchimento das DIRF, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública; 13) em casos análogos, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, reconhecendose o crédito e homologada a compensação declarada; 14) mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, este órgão julgador determina o retorno dos autos à DRF de origem, para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento; 15) o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados; 16) uma vez atribuída à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento do tributo já retido pela fonte pagadora, podendo deduzir o valor do imposto de renda retido em sua declaração de rendimentos, consoante o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, a qual dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”; 17) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar o tributo em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 18) caso o Colegiado entenda pela impossibilidade de apreciar o mérito, a recorrente deve ser chamada a demonstrar a legitimidade do crédito, porquanto a autoridade fiscal deixou de intimála para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 19) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 20) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.384 5 comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 21) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 22) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 23) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, motivos que impelem a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a provar a legitimidade da parcela do crédito vindicado não reconhecida pelo acórdão recorrido; 24) por todo o exposto, a recorrente requer: (a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ do primeiro trimestre de 2008, mormente aqueles dos processo de cobranças nº 12448.906472/201321, 12448.906870/201347, 12448.906871/201391, 12448.906872/201336 e 12448.906873/201381; (b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de que se reconheça o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 06472.71490.100512.1.7.027718, cancelandose os valores apontados como devidos nos processos de cobrança nº 12448.906472/201321, 12448.906870/201347, 12448.906871/201391, 12448.906872/201336 e 12448.906873/201381 ; e (c) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para o efetivo exame dos documentos juntados aos presentes autos, relativamente à parcela do crédito não reconhecido pelo acórdão recorrido e, em cumprimento à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC Nº 6/ 2007, seja convertido em diligência o presente julgamento, de Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.385 6 forma que haja intimação da recorrente para demonstrar a legitimidade dos créditos, declarandose parcialmente nulo o acórdão recorrido na parcela que não reconhece o direito do crédito da recorrente. É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, estão presentes os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.386 7 “Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regula mento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não surge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.387 8 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa. Na questão subsequente, a recorrente salienta que, malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 235.494,20, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos. A tal respeito, examinando a decisão recorrida, à fl. 801, vislumbrase o seguinte trecho do voto onde o relator da instância a quo conecta os fatos apurados à decisão tomada em relação a cada uma das fontes pagadoras, registrando, no quadro anexo, o resultado da análise por ele efetuada: “Tendose (sic) em vista as “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” constantes do detalhamento da análise de crédito referido no parágrafo anterior e em face da manifestação, fezse a comparação dos valores nela indicados e que não foram confirmadas ou o foram parcialmente no despacho decisório, com as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras informadas (fls. 787 a 798). O valor efetivamente comprovado, já deduzido do reconhecido parcialmente no despacho decisório (considerado o valor zero para o caso de valor reconhecido nesse despacho ser maior do que o confirmado em Dirf), consta na última coluna de quadro ao final deste voto (fl. 802 e 803). Conforme destacado no referido quadro, foram aceitos os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Com o trecho acima reproduzido, o relator da instância a quo expôs os critérios e a metodologia empregados na elaboração do quadro anexo ao acórdão recorrido, que apresenta a configuração abaixo: Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.388 9 Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.389 10 Está claro que o acórdão recorrido admitiu todos os valores declarados em DIRF, independentemente (i) do código de retenção e (ii) da distinção entre CNPJ da matriz e CNPJ de filial. Também não há dúvida de que, confirmandose a retenção em DIRF, o acórdão recorrido limitouse ao valor que fora aposto no PER/DCOMP, quando este era inferior ao valor confirmado em DIRF, o que está correto, pois o julgador não pode alterar o planejamento do contribuinte, aumentando, ex officio, o montante do crédito a ser compensado, cujo aproveitamento se submete a prazo prescricional. Percebase, nesses termos, a aglutinação de todas as retenções, independentemente de código, no que toca ao CNPJ com raiz nº 33.781.055, a traduzir um bloco de um mesmo CNPJ. Assim, o acórdão recorrido autorizou o crédito de R$ 229.343,35 (R$ 151.144,27 + R$ 78.199, 08) em relação a este CNPJ com raiz nº 33.781.055, porque tal valor foi confirmado em DIRF, sendo menor que a importância declarada em PER/DCOMP, no total de R$ 309.389,95 (R$ 231.190,86 + R$ 78.199,08). Em face do exposto, está patente que não há o alegado vício de transparência. Agora, a questão de mérito. Segundo a recorrente, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 235.494,20, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre o imposto de renda retido na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.390 11 próprias fontes pagadoras das receitas que recebera. Nesse contexto, menciona que, além dos documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado. Assim, à luz do extrato da conta corrente, também em anexo, seria possível verificar que o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, motivo por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário. Ocorre que as cópias de notas fiscais inseridas nos autos, às fls. 48/781 e 912/1365, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação do IRPJ na DIPJ. A recorrente ainda adverte que as consequências das omissões das fontes pagadoras de rendimentos, quanto à entrega de DIRF, devem ser a estas imputadas, jamais aos beneficiários dos pagamentos, porquanto, uma vez atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda a terceiro, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento do tributo já retido pela fonte pagadora. Em tal circunstância, defende que o contribuinte pode deduzir o valor do imposto retido em sua declaração de rendimentos, consoante o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, a qual dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”. De acordo com tal óptica, a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar o imposto de renda em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora). Seja como for, a recorrente acrescenta que o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados. O imposto de renda retido na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui a imposto de renda retido na fonte), em relação ao IRPJ devido, apurado na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, do imposto de renda retido na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação do IRPJ na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento do imposto de renda retido na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte ao IRPJ apurado na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a restituição/compensação de imposto de renda incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição/compensação de qualquer valor a título de IRPJ excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 12448.906186/201365 Resolução nº 1301000.436 S1C3T1 Fl. 1.391 12 "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Entretanto, tal pressuposto não constituiu fundamento do acórdão recorrido ou do despacho decisório. Nesses termos, para evitar a prolação de decisão com fundamentação surpreendente sobre matéria fática, de modo a excluir a impressão de que o Estado Administração, na dicção do direito a reger o caso concreto, atua como um prestidigitador que esconde uma carta nas mangas para iludir o administrado e, com isso, negarlhe direitos, proponho, com os olhos voltados para a construção democrática de uma decisão administrativa apta a repercutir na esfera jurídica da recorrente, a descida dos autos à delegacia de origem para que a autoridade fiscal verifique: a) se as receitas constantes das notas fiscais às fls. 48/781 e 912/1365 estão contabilizadas e oferecidas à tributação do IRPJ, na DIPJ do anocalendário de 2008; b) qual é o montante das receitas do item anterior; c) se o imposto de renda retido na fonte que incidiu sobre as receitas constantes das notas fiscais às fls. 48/781 e 912/1365 está registrado na contabilidade; d) qual é o montante do imposto de renda retido na fonte da questão anterior; e) se a totalidade do imposto de renda retido na fonte da questão anterior consta no balanço de 31/03/2004; Rogase à autoridade fiscal a elaboração de relatório circunstanciado, acrescentando considerações que julgar necessárias, dandose ciência à recorrente do relatório e dos demais dados que forem coligidos na diligência, abrindolhe o prazo de 30 dias para se manifestar. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.900285/2008-07
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2005
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A CSLL retida na fonte é considerada antecipação do valor devido, podendo ser deduzida no final do respectivo período de apuração, ou compor eventual saldo negativo do próprio período de apuração quando seu montante for superior ao devido, o qual poderá ser restituído ou compensado com qualquer débito de tributo ou contribuição administrado pela RFB, a partir do períodode apuração seguinte.
Numero da decisão: 1802-000.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A CSLL retida na fonte é considerada antecipação do valor devido, podendo ser deduzida no final do respectivo período de apuração, ou compor eventual saldo negativo do próprio período de apuração quando seu montante for superior ao devido, o qual poderá ser restituído ou compensado com qualquer débito de tributo ou contribuição administrado pela RFB, a partir do períodode apuração seguinte.
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DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A CSLL retida na fonte é considerada antecipação do valor devido, podendo ser deduzida no final do respectivo período de apuração, ou compor eventual saldo negativo do próprio período de apuração quando seu montante for superior ao devido, o qual poderá ser restituído ou compensado com qualquer débito de tributo ou contribuição administrado pela RFB, a partir do período de apuração seguinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 568DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Nereida de Miranda Finamore Horta em substituição ao Conselheiro Alfredo Henrique Rebello Brandão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 717/720 interposto pela contribuinte em face da decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (fls. 707/712) que julgou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade, reconhecendo direito creditório no valor de R$ 14.102,95 (quatorze mil, cento e dois reais e noventa e cinco centavos). Quantos aos fatos, por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório contante do voto condutor da decisão recorrida (fls. 708/709): (...) A empresa anteriormente identificada apresentou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição — Declaração de Compensação — PER/DCOMP n° 27268.58216.311006.1.3.035169 em 31/10/2006, fls. 01/10. Pretendia compensar débitos do PIS dos períodos de apuração de fevereiro e maio de 2005 e COFINS de fevereiro, maio, junho, julho e dezembro de 2005, com saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL do anocalendário de 2005. Conforme Termo de Intimação de fls. 11, foi constatada irregularidade no preenchimento da Declaração de Compensação: Não foi apurado saldo negativo na DIPJ (...) Apuração: Exercício de 2005 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 0,00 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$ 33.421,96 Em conseqüência, foi emitido o Despacho Decisório de fls. 15, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP citado, revelando o seguinte saldo devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2008: Principal Multa Juros 25.278,48 5.055,68 8.606,99 Fl. 569DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.900285/200807 Acórdão n.º 180200.818 S1TE02 Fl. 2 3 Irresignada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 23/27, acompanhada dos documentos de fls.28/616, alegando: No anocalendário de 2005, sofreu diversas retenções na fonte de IRPJ e CSLL que se configuraram, ao final do período de apuração, como excesso de retenção. Como os valores retidos na fonte de IRPJ e CSLL são considerados como antecipação dos valores devidos, na impossibilidade de sua dedução integral passaram a compor saldo negativo do período de apuração (2005), podendo ser objeto de restituição a partir do período imediatamente subseqüente, ou, a critério do contribuinte, de compensação com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela SRF, conforme dispõe a IN 600/2005. Assim, agindo como determina a legislação tributária, a Impugnante apresentou, em 31/10/2006 (posteriormente ao período de apuração dos créditos), a PER/DCOMP glosada. O motivo da glosa, como dito, foi a suposta inexistência de lastro dos créditos na DIPJ, referente ao anocalendário 2005. Ocorre que o lastro existe e pode ser demonstrado pelas informações contidas na própria DIPJ. Com efeito, por certo a Impugnante não lançou nas fichas especificas da DIPJ em comento, quais sejam, 12A (IRPJ) e 17 (CSLL), os valores atinentes ao saldo negativo dos tributos, decorrentes das retenções na fonte. Por essa razão, no momento do confronto entre a DCOMP e a DIPJ, não se verificou o lastro dos créditos compensados. Todavia, isso pode ser facilmente auferido pela análise da ficha 50 da DIPJ2006, onde constam as retenções na fonte a título de CSLL e IRPJ, pelas Pessoas Jurídicas tomadoras dos serviços da Impugnante. (...) A DRJ/Belo Horizonte, apreciando a lide, deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado, cuja ementa do Acórdão recorrido foi lavrada nos seguintes termos (fl. 707): (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB passível de restituição pode utilizálo na Fl. 570DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados também pela RFB. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. (...) Ainda, consta do voto condutor da decisão recorrida (fl.709/711), in verbis: (...) Em sua PER/DCOMP, fls. 02, a empresa informou saldo negativo da CSLL de R$ 33.421,96, no período encerrado em 31/12/2005. Às fls. 03/08 discrimina as fontes pagadoras e os valores das contribuições retidas. Inicialmente, na DIPJ original, na Ficha 17, fls 71, a empresa não apresentava saldo negativo da CSLL. Conforme mencionado antes, apesar disso, preencheu a Ficha 50 discriminando os valores retidos da CSLL pelas fontes pagadoras ( fls. 77/86 – DIPJ original). Posteriormente, após ter sido cientificada do Despacho Decisório, a empresa retificou sua DIPJ, apresentando o valor de R$ 33.421,96 a título de CSLL retida por pessoa jurídica de direito privado (Lei n° 10.833/2003), fls. 695. A Ficha 50 constou os mesmos elementos da DIPJ retificada, fls.696/705. (...) Assim, se de fato houve retenções de CSLL não deduzidas da base de cálculo por ser ela negativa, a legislação permite o aproveitamento do respectivo crédito. Entretanto, de acordo com a Ficha 50 de ambas DIPJ e as Notas Fiscais apresentadas, a empresa não consegue comprovar este total, conforme se demonstra: (...) A empresa, no período encerrado em 31/12/2005, só comprovou R$ 14.102,95 de CSLL retida por pessoas jurídicas de direito privado Lei n° 10.833/2003. Este seria o valor que deveria constar da linha 51 da Ficha 50, pelos elementos apresentados pela própria interessada e não o valor de R$ 33.421,96 que informou na DIPJ retificadora, para coincidir com o valor utilizado em PER/DCOMP, fls. 02. (...) Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/02/2010 – quintafeira (fl. 716), a interessada apresentou Recurso Voluntário em 29/03/2010 (segunda feira) de fls.717/720, juntando ainda os documentos de fls. 721/1182, cujas razões, as principais, transcrevo, ipsis litteris: (...) Fl. 571DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.900285/200807 Acórdão n.º 180200.818 S1TE02 Fl. 3 5 DA INTEGRALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO DA RECORRENTE — DO SALDO NEGATIVO DE CSLL CALENDÁRIO 2004. O r. acórdão vergastado reconheceu o direito creditório da Recorrente no importe de R$ 14.102,95 (quatorze mil cento e dois reais e noventa e cinco centavos), relativa às retenções do ano calendário 2005. De fato, com relação a este ano calendário, o direito créditório é equivalente ao reconhecido pelo r. acórdão. Ocorre que, por erro material no preenchimento da DIPJ, a Recorrente não informou o valor do crédito acumulado no ano calendário 2004, no importe de 19.319,01 (dezenove mil trezentos e dezenove reais e um centavo). Em que pese não apontado na DIPJ, o valor do crédito está devidamente registrado nos livros competentes e também pode ser constatado pelas notas fiscais do ano calendário 2004, anexas ao presente recurso. Percebese que o valor do crédito reconhecido pelo r. acórdão é exatamente a diferença entre o montante pleiteado no PER/DCOMP e o valor do saldo acumulado de crédito relativo ao ano calendário 2004. Impende ressaltar que o fato de o crédito não estar devidamente apontado na DIPJ não impende o devido aproveitamento a que faz jus a Recorrente. Isto, porque o processo administrativo é regido pelo Princípio da Verdade Material ou Real. (...) Destarte, em observância ao Princípio da Verdade Material, impõe.se o reconhecimento do direito creditório integral da Recorrente. Para demonstrar a existência do crédito, a Recorrente apresenta cópia de parte dos Livros Diário e Razão, cópia, das notas fiscais do ano calendário 2004, planilha informando as retenções sofridas pela Recorrente, que lhe ensejaram o direito ao aproveitamento do crédito. Pela análise dos Livros e das Notas Fiscais, resta evidenciado o direito creditório da Recorrente, que, por erro formal, deixou de apontar na DIPJ. Portanto, a retificação realizada na DIPJ, pela Recorrente não teve como intuito coincidir os valores da PER/DCOMP com os valores da DIPJ, conforme afirma a Autoridade Administrativa. A retificação foi realizada para fazer constar o valor real de crédito existente, representado pela soma do saldo acumulado dos anos calendários 2004 e 2005. Entretanto, ainda permaneceu um erro na DIPJ ao não apontar o saldo do ano calendário 2004, fazendo com que a Autoridade Administrativa não visualizasse o montante total dos créditos. Fl. 572DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Diante disso, demonstrada a existência de créditos no montante de R$ 33.421,96 (trinta e três mil quatrocentos e vinte e um reais e noventa e seis centavos) soma do saldo acumulado de 2004 e 2005—merece reforma o acórdão recorrido, para julgar totalmente procedente o recurso ora interposto e declarados extintos os débitos, pela compensação. (...) É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.900285/200807 Acórdão n.º 180200.818 S1TE02 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e preenche as demais condicões de admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, tratase de compensação tributária, transmitida eletronicamente em 31/10/2006, de débitos do PIS dos períodos de apuração de fevereiro e maio de 2005 e Cofins de fevereiro, maio, junho, julho e dezembro de 2005, com saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL do anocalendário 2005. Na declaração de compensação (fl. 02), a empresa informou saldo negativo da CSLL de R$ 33.421,96, atinente ao período encerrado em 31/12/2005. No despacho decisório, a unidade de origem da RFB não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois na DIPJ/2006 original, Ficha 17A(fl. 71), a empresa não apurou saldo negativo da CSLL. Não obstante, a contribuinte preencheu a Ficha 50, discriminando os valores retidos da CSLL pelas fontes pagadoras (fls. 77/86 – DIPJ original). Posteriormente, após ciência do despacho decisório, a empresa retificou sua DIPJ/2006, informando saldo negativo de CSLL de R$ 33.421,96, cuja origem seria CSLL retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado (Lei n° 10.833/2003) fls. 695. Na Ficha 50 constou os mesmos elementos da DIPJ retificada (fls. 696/705); juntou, ainda, cópia das notas fiscais de retenção da CSLL do anocalendário 2005. Por sua vez, a decisão recorrida, que enfrentou o mérito da lide com base nesses elementos probatórios, deferiu parcialmente o crédito pleiteado. Vale dizer, no período encerrado em 31/12/2005, embora tendo juntado todas as notas fiscais de retenção do ano 2005 arroladas na Ficha 50, a empresa só comprovou R$ 14.102,95 de CSLL retida na fonte por pessoas jurídicas de direito privado Lei n° 10.833/2003. Logo, o valor que deveria constar da linha 51 da Ficha 50, pelos elementos de prova apresentados pela própria interessada, seria de R$ 14.102,95, e não o valor de R$ 33.421,96. Nas razões do recurso, nesta instância de julgamento, a recorrente reconheceu que, realmente, a CSLL retida no anocalendário 2005 perfaz, apenas, o valor de R$ 14.102,95. Entretanto, a recorrente aduziu fato novo; que no preenchimento da DIPJ/2006 original e da respectiva DIPJ retificadora, por erro material, não informou o valor do crédito de retenção de CSLL do ano calendário 2004, no montante de R$ 19.319,01 (dezenove mil trezentos e dezenove reais e um centavo); que, não obstante, o valor desse crédito está, devidamente, registrado nos livros competentes e, também, pode ser constatado pelas notas fiscais do anocalendário 2004, anexas ao recurso (fls. (fls.760/1182); que, para demonstrar a existência do crédito, apresentou, também, cópia de parte dos Livros Diário, Razão e planilha informando as retenções sofridas do anocalendário 2004. Por fim, a recorrente ressaltou que o fato de o crédito não estar devidamente apontado na DIPJ/2006 não Fl. 574DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 deve ser obstáculo para o seu devido aproveitamento, pois o processo administrativo é regido pelo Princípio da Verdade Material ou Real. A pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Quanto ao direito de compensação, estatui o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) A recorrente informa que a origem do crédito pleiteado da CSLL decorre da retenção sofrida na fonte no anocalendário 2004, em face do disposto nos arts. 30 e 31 da Lei nº 10.833/03, ipsis litteris: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (Vide Medida Provisória nº 232/2004). (...) Art. 31. O valor da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, de que trata o art. 30, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. (...) Entretanto, a CSLL retida na fonte, na forma do arts. 30 e 31 da Lei nº 10.833/03, tem natureza de antecipação do valor devido, podendo somente: a) ser deduzida da CSLL apurada no final do respectivo período de apuração, devendo constar em campo próprio da DIPJ (declaração de ajuste anual); ou, b) compor eventual saldo negativo a pagar na própria DIPJ, hipótese em que (o tal saldo negativo) poderá ser restituído ou compensado com qualquer tributo ou contribuição administrado pela RFB devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, de acordo com o art. 5º da IN SRF n° 600/2005, in verbis: Fl. 575DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.900285/200807 Acórdão n.º 180200.818 S1TE02 Fl. 5 9 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 600. DE 28 DE DEZEMBRO DE 2005 Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: 1— na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II — na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. (...) Como visto à luz da legislação de regência, a retenção na fonte de CSLL constitui antecipação do valor devido no encerramento do respectivo período de apuração, cuja importância pode ser deduzida do valor apurado no período, ou compor o saldo negativo desse próprio período, quando seu montante for superior ao devido. De modo que é garantido o direito à restituição do saldo negativo a pagar, ou seja, do valor retido na fonte que suplantou o valor apurado da exação fiscal no respectivo período de apuração (ajuste anual), desde que demonstrado na declaração de ajuste – DIPJ – do próprio período de apuração o saldo negativo a pagar (a ser restituído). Porém, é vedada pura e simplesmente a restituição de exação fiscal retida na fonte, pois constitui mera antecipação do valor devido no respectivo período de apuração. No caso, em relação às retenções de CSLL do anocalendário 2004, a recorrente pretende, simplesmente, inserir respectivo montante no período de apuração do ano calendário 2005, no sentido de gerar ou aumentar o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2005. Tal procedimento é vedado, pois as retenções da CSLL na fonte têm caráter de antecipação, e devem ser consideradas ou levadas na declaração de ajuste do respectivo ano calendário. Nos presentes autos não se tem certeza se houve retenção a maior de CSLL do anocalendário 2004, em relação aos débitos apurados de CSLL do anocalendário 2004, pois a recorrente sequer juntou cópia da DIPJ 2005 (anocalendário 2004). Inclusive, no seu recurso, silenciou acerca disso. Ora, os valores retidos da CSLL do anocalendário 2004, presumese, não passaram pela declaração de ajuste do respectivo anocalendário 2004. A recorrente, antes de pleitear o pretenso direito creditório do anocalendário 2004, deveria ter efetuado a retificação da DIPJ 2005 (anocalendário 2004), para inserir, computar tais créditos, no sentido de demonstrar eventual existência de saldo negativo desse período de apuração. Logo, como os valores de CSLL retidos na fonte atinentes ao anocalendário 2004 – antecipação – não foram submetidos a esse ajuste no final do respectivo período de Fl. 576DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 apuração (não foram levados para a DIPJ 2005 – anocalendário 2004) não houve apuração de saldo negativo de CSLL a pagar desse ano. Então, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior no anocalendário 2004, pois não houve apuração do respectivo saldo negativo a pagar (a ser restituído). O crédito pleiteado, por não ter sido apurado no respectivo período de apuração e na forma da legislação de regência, não preenche as condições de liquidez e certeza. Vale dizer: o valor do crédito reclamado, por não se referir ao anocalendário 2005, não tem caráter de certeza e liquidez. Neste momento, qualquer tentativa de fazer a retificação da DIPJ 2005, ano calendário 2004, é infrutífera (perdeu seu objeto), pois já transcorreu o período decadencial para restituição de eventual saldo negativo desse ano, convertendose a retenção da CSLL do anocalendário 2004 em tributação definitiva. Por conseguinte, não restou comprovado o saldo negativo de CSLL do ano calendário 2004. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 577DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10930.722571/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009
VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há vício de motivação em auto de infração do qual constam não só as disposições legais infringidas, como também a individualização das ações do sujeito passivo com a respectivas indicação do conteúdo probatório de tais condutas.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. CABIMENTO.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu, com os efeitos dos recursos repetitivos, que a Lei nº 8.212/91 não extinguiu a contribuição ao SENAR . Tal decisão tem, nos termos do RICARF, caráter vinculante no âmbito deste Colegiado.
SALÁRIOEDUCAÇÃO.
O salário educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos seguradosempregados,deacordocomaLein.°9.424,de1996.Tema julgado pelo STJ com efeitos dos recursos repetitivos (REsp 1162307 RJ, Min LUIZ FUX, em 24/11/10). Decisão de caráter vinculante nos termos do RICARF.
Numero da decisão: 2201-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há vício de motivação em auto de infração do qual constam não só as disposições legais infringidas, como também a individualização das ações do sujeito passivo com a respectivas indicação do conteúdo probatório de tais condutas. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. CABIMENTO. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, com os efeitos dos recursos repetitivos, que a Lei nº 8.212/91 não extinguiu a contribuição ao SENAR . Tal decisão tem, nos termos do RICARF, caráter vinculante no âmbito deste Colegiado. SALÁRIOEDUCAÇÃO. O salário educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos seguradosempregados,deacordocomaLein.°9.424,de1996.Tema julgado pelo STJ com efeitos dos recursos repetitivos (REsp 1162307 RJ, Min LUIZ FUX, em 24/11/10). Decisão de caráter vinculante nos termos do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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AUSÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há vício de motivação em auto de infração do qual constam não só as disposições legais infringidas, como também a individualização das ações do sujeito passivo com a respectivas indicação do conteúdo probatório de tais condutas. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. CABIMENTO. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, com os efeitos dos recursos repetitivos, que a Lei nº 8.212/91 não extinguiu a contribuição ao SENAR . Tal decisão tem, nos termos do RICARF, caráter vinculante no âmbito deste Colegiado. SALÁRIOEDUCAÇÃO. O salário educação previsto no art. 212, §5°, da Constituição Federal, é devido pelas empresas, calculado sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos seguradosempregados,deacordocomaLein.°9.424,de1996.Tema julgado pelo STJ com efeitos dos recursos repetitivos (REsp 1162307 RJ, Min LUIZ FUX, em 24/11/10). Decisão de caráter vinculante nos termos do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 25 71 /2 01 4- 65 Fl. 191DF CARF MF 2 CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Curitiba/PR que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (FNDE e INCRA) não recolhidas pela empresa. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 6 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 395.388,92, em valores consolidados em setembro de 2010. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições a outra entidades e fundos devidas pela Recorrente no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2009, ocorreu em 16 de setembro de 2010, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 102. Em 18 de outubro de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls. 105). Em 20 de maio de 2011, a 5ª Turma da DRJ de Curitiba, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0631.865 (fls. 137), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 138): O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, no montante de R$ R$ 395.388,92 (atualizados até a data do lançamento), foi lavrado em 13/09/2010 contra o sujeito passivo acima identificado, para constituição do crédito relativo a contribuições destinadas às entidades e fundos denominados "terceiros" (Salárioeducação e INCRA), previstas na legislação que instituiu cada uma dessas entidades e incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados que prestaram serviços à empresa no período de apuração acima descrito. O relatório fiscal explicativo do lançamento (fls. 47/54) oferece as seguintes informações acerca da constituição do crédito: /. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração — AI, n° 37.082.6469, lavrada contra o contribuinte acima identificado, com base nas contribuições destinadas a "OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS" (FNDE e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas, em folhas de Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 192 3 pagamento, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. No prazo regulamentar, o sujeito passivo impugna o lançamento para requerer a declaração de nulidade da exigência fiscal ou a inexigibilidade do crédito apontado. Preliminar Para fundamentar seus pleitos, o impugnante aponta, em preliminar, hipótese de nulidade da autuação por ausência de motivação do ato. Nesse passo, diz que A ação fiscal alinhavou de forma superficial uma extensa gama de leis e decretos, sem, contudo, colocar de forma clara e precisa os motivos de fato, vale dizer, a conduta irregular que culminaria com as penalidades e obrigações impostas. A alusão genérica aos registros existentes na contabilidade não permitiria ao contribuinte saber quais os elementos que foram examinados (GFIP, GPS, folhas de pagamento e documentos contábeis), restando clara a dificuldade de compreensão dos elementos de que se valeu a ação fiscal para irrogar a conduta irregular da impugnante. Ainda em preliminar o impugnante alega hipótese de cerceamento do direito de defesa e afronta ao princípio do devido processo legal, mediante suposição de que antes da lavratura da NFLD a fiscalização deveria ter previamente notificado o contribuinte, com abertura de prazo para eliminar a irregularidade apontada, caso efetivamente existisse. A falta dessa providência acarretaria a nulidade do lançamento. Mérito No mérito, o devedor imagina que a contribuição destinada ao INCRA teria sido extinta pela Lei 8.212, de 1991. Para fundamentar seu entendimento, cita jurisprudência já superada do Tribunal Regional Federal da 4 o Região. No tocante ao salárioeducação, aponta suposta inexigibilidade da contribuição ao produtor rural que contribui sobre a produção rural. Aponta suposto "bis in idem" nessa exigência. Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 17 de junho de 2011 (AR fls. 156), o sujeito passivo apresentou tempestivamente, recurso voluntário (fls.157), no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. Às folhas 2 do processo digital, consta despacho da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT da Delegacia da Receita Federal em Londrina, que informa que: "O presente processo foi formalizado para dar seguimento à parcela do crédito tributário não abrangida no parcelamento da Lei 11.941/2009, conforme descrito no despacho de fls. 151 (numeração manual) do processo 11 634.0013 12/201081: Fl. 193DF CARF MF 4 Processo: 11634.001312/201081 Contribuinte: USINA CENTRAL DO PARANÁ S/A Debcad n° 37.082.6469 (com competências parceladas peia Lei 11.941/2009) Debcad n° 43.995.2018 (com competências não abrangidas pelo parcelamento)" Depreendese, portanto, que parte dos créditos constituídos pelo Debcad constante do lançamento originalmente realizado foi objeto de confissão e parcelamento, restando em litígio, pelo noticiado, as competências posteriores a outubro de 2008, ou seja de novembro de 2008 a dezembro de 2009. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso voluntário e passo a analisálo na ordem de suas alegações. PRELIMINARES DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Segundo o Recorrente há vício de motivação no lançamento. Entende que o relatório fiscal não relata com precisão a hipótese de incidência da exação pretendida, muito menos os elementos que embasaram o lançamento e a subsunção do fato à norma legal. Argui que, em razão do vício apontado, não há na imputação fiscal qual a conduta irregular que culminaria nas penalidades e obrigações impostas. O que há, na visão do recorrente é uma menção genérica às GFIP's, folhas de pagamento e documentos contábeis, sem a identificação de quais guias, folhas e documentos foram analisados e considerados inadequados. Tal identificação, tal particularização é obrigação imposta pelo artigo 142 do CTN ao Fisco. Cita doutrina e jurisprudência no sentido de suas alegações. Não verifico o vício apontado. Explico. O relatório fiscal explicita, às folhas 39 e 40, a conduta irregular praticada e o faz de forma sucinta, direta, concisa e precisa, mencionando o ilícito cometido pelo Contribuinte de forma pormenorizada: "Este relatório é parte integrante do Auto de Infração AI, n.° 37.082.6469, lavrada contra o contribuinte acima identificado, com base nas contribuições destinadas a "OUTRAS Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 193 5 ENTIDADES E FUNDOS" (FNDE e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas, em folhas de pagamento, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. (...) 5. Nas competências 13°/2007, 13°/2008 e 13°/2009, a empresa deixou de apresentar GFIP e nas competências 06/2009 a 12/2009 a empresa apresentou GFIP parcial da folha de pagamento (vide relação de diferenças anexa) . 6 . Os valores relativos às rescisões de contrato e aos recibos de férias foram incluídos pelo contribuinte nas folhas de pagamentos das respectivas competências." E mais, individualizou a base de cálculo, procedimento decorrente de planilhas auxiliares de cálculo, anexadas ao relatório fiscal (item 5 acima reproduzido e negritado). As relações de diferenças mencionadas constam das folhas 43/88, cujo pequeno excerto, reproduzo: Claríssima a imputação fiscal. Não há a menor falha na motivação do auto de infração. Observo não só a fundamentação legal, como também a descrição da conduta ilícita e a menção às provas acostadas. Preliminar de nulidade rejeitada. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Argui a Recorrente cerceamento de seu direito de defesa em face da não abertura de prazo antes da lavratura da NFLD para que o contribuinte pudesse regularizar o suposto crédito tributário existente. Tal conduta, na visão do Recorrente, inverteu os atos do procedimento administrativo, ofendendo o direito de defesa previsto na Carta da República. São seus argumentos (fls 166): A autoridade fiscal não pode promover a notificação de lançamento antes da lavratura do auto de infração. A necessidade de elaboração de auto de infração se constitui em precedente de forma essencial ao início do processo Fl. 195DF CARF MF 6 administrativo fiscal, devendo ser anterior até mesmo à própria notificação do débito, posto que daria à recorrente a possibilidade de saber da existência de imputação de irregularidade contra si para poder corrigila, garantindo, assim, o contraditório e a ampla defesa. Esse procedimento, aliás, decorre da lei que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, mais especificamente no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Referido decreto estabelece como etapas intransponíveis para a formação de um juízo de regularidade em torno do processo administrativo o auto de infração, seguido da notificação de lançamento. A propósito, transcrevemse os arts. 10 e 11, do Decreto n' 70.235, de 06 de março de 1972: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (destaques constam do recurso) A criativa interpretação da norma esposada pelo Contribuinte não merece prosperar. É cediço na doutrina e na jurisprudência que o procedimento de fiscalização é inquisitório, ou seja, não permite a dialética típica do processo, não há contraditório. É a instauração do litígio, por meio da impugnação ao crédito, que inaugura o processo administrativo tributário. Nesse sentido a lição de Cleide Previtalli Cais (O Processo Tributário, 7ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, pag. 214), que ao asseverar que a expressão processo tributário engloba tanto a fase administrativa quanto a judicial, afirma: "O Decreto Federal 70.235/72, confirma esse entendimento nos arts 7º e 14 quando versa sobre o procedimento fiscal¸ou seja atos que darão início ao processo que será instaurado mediante a impugnação da exigência tributária perante a instância administrativa, conforme regula os artigos 14 e seguintes." Não poderia ser outra a posição doutrinária em razão da disposição legal. Recordemos os artigos mencionados do Decreto 70.235, pela douta processualista: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 194 7 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (destaques não constam do texto da lei) Ora, não há que se falar em direito ao contraditório, base da ampla defesa, em procedimento inquisitório, procedimento de fiscalização, pelo qual a autoridade busca verificar o cumprimento das obrigações legais impostas ao fiscalizado. Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, 20ªed. Malheiros Ed. pag. 393), leciona no mesmo sentido: "O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente lançamento tributário, dividese em duas fases: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa" Tal distinção é fundamental e aqui o maior equívoco teórico do Recorrente ´posto que além da inexistência de contraditório recordemos que a fase é unilateral ou não contenciosa com o início do procedimento de fiscalização operase a exclusão da espontaneidade do contribuinte, segundo expressa determinação do artigo 138 do CTN, ou seja, não pode mais o sujeito passivo corrigir seu erro senão suportando a sanção cabível. Justamente por isso, a interpretação do Recorrente de que o Decreto 70.235/72 determina a intimação para cumprimento da exigência para que o sujeito passivo possa 'corrigir' sua falta é totalmente equivocada. Ao reverso, a intimação é do crédito constituído, tributo devido mais consectários legais, para pagamento ( cumprimento da exigência), ou apresentação da devida impugnação (pressuposto de discordância), com a consequente instauração do devido processo legal. Por todo o exposto, forçoso rejeitar a preliminar também nessa parte. Passemos ao mérito. Fl. 197DF CARF MF 8 Após tecer considerações sobre a possibilidade da autoridade administrativa deixar de aplicar lei inconstitucional, em face da existência da Súmula nº 473, do STF, que assevera que a Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, passa o Recorrente a arguir a inexigibilidade de contribuição ao INCRA. São seus argumentos (fls. 172): "Na impugnação preliminar, o recorrente propugnou pela insubsistência da contribuição destinada ao Incra por revogação tácita da Lei Complementar n° 11 de 25 de maio de 1.975 (art. 15, II) pela Lei n° 8.212, de 1991. Em outra linha, a decisão ora impugnada considerou que a contribuição ao INCRA não foi revogada pela Lei n° 8.212/91. Na tentativa de ilustrar sua tese, colacionou precedente do Superior Tribunal de Justiça. Ocorre que, a hipótese abordada pelo acórdão trazido a lume na decisão recorrida não tem similitude fática, ou mesmo jurídica, com a hipótese destes autos. Logo, não se subsume ao conflito aqui instalado. Ora, o precedente do Superior Tribunal de Justiça invocado •pela decisão recorrida discute, tãosomente, a questão da natureza da contribuição ao INCRA. Não enfrenta nenhuma discussão sobre a perda de eficácia desta pelo advento da Lei n° 8.212, de 1991. (...) Dai porque há de prevalecer a fundamentação exposta na impugnação preliminar, no sentido de que é insubsistente a contribuição destinada ao Incra, por revogação tácita da lei que a instituiu, tese, aliás, que também encontra respaldo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como adiante se verá. Com efeito, referida contribuição, nascida para o mundo jurídico com a Lei 2.613 de 23 de setembro de 1.955 e os DecretosLei n° 582 de 15 de maio de 1.969 e 1.110 de 9 de julho de 1.970, foi mantida e recepcionada pela Lei Complementar n° 11 de 25 de maio de 1.971, ocasião em que ficou vinculada diretamente à contribuição destinada ao Funrural, inclusive tendo o mesmo fato gerador (pagamento de salários pelo empregador rural) e forma de pagamento. A mencionada Lei Complementar estatuía no seu art. 15, inciso II, que as contribuições para o Funrural e para o Incra seriam devidas pela empresa sobre a folha de salários nos termos do DecretoLei n° 1.146 de 31 de dezembro de 1.970 , e cuja a alíquota ficava, a partir de então, elevada para 2,6% (dois por cento e seis décimos), sendo 2,4% (dois por cento e quatro décimos) revertidos ao Funrural e 0,2% (dois décimos) ao Incra. Seriam, também, recolhidas da mesma forma e na mesma oportunidade. A Lei 8.212 de 1991 veio dar novo tratamento à contribuição destinada ao custeio do sistema previdenciário do trabalhador rural (antigo Funrural), incorporandoo ao do trabalhador Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 195 9 urbano e estabelecendo como hipótese de incidência o pagamento de remuneração a qualquer titulo pela empresa. Todavia, a nova regulamentação do mecanismo previdenciário rural silenciou sobre a contribuição destinada ao Incra, quer sobre o fato gerador, quer sobre a forma de recolhimento ou o seu percentual. E assim procedendo, o legislador, nos termos do § Io do art. 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, revogou tacitamente o tributo em tela, eis que a lei nova (Lei 8.212/91) regulou inteiramente a matéria (previdência do trabalhador rural) de que tratava a lei anterior (LC 11/71), sem nenhuma alusão à contribuição destinada ao Incra." Sobre o tema, posto que os argumentos acima esposados constavam da impugnação, assim se manifestou a decisão recorrida (fls. 144): "Ademais disto, cumpre dizer que não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição, nem declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência está atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal. A este respeito, a mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração" Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão competente, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente (Congresso Nacional), ela passa a pertencer ao sistema legal, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja ela expurgada do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle de constitucionalidade, o que não ocorreu com a legislação que fundamentou o caso concreto, não sendo lícito à autoridade administrativa, portanto, absterse de cumprila e nem declarar sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada. Assim, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal de aplicá la, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. Nesse passo, a contribuição ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212, de 1991, assim como a contribuição ao Salário Educação é devida por todas as empresas sem distinção, e assim devem ser exigidas no âmbito administrativo do órgão tributário. Não fosse só por isto, o próprio Poder Judiciário, mais precisamente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, Fl. 199DF CARF MF 10 também vem reiteradamente decidindo pela legalidade de ambas as exações. Acerca do INCRA, são reiteradas as decisões do STJ contrárias ao entendimento já superado do TRF da 4 a Região, reproduzido na impugnação. Neste aspecto, no Agravo Regimental posto no Agravo de Instrumento 1178683/RS (DJe 28/09/2010), muito recentemente a Corte Superior assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AO SEBRAE E AO SALÁRIO EDUCAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SAT LEGALIDADE DA REGULAMENTAÇÃO DOS GRAUS DE RISCO ATRAVÉS DE DECRETO. PRECEDENTES. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. Contribuições relativas ao SEBRAE e ao SalárioEducação fundamentadas em argumentações constitucionais. Impossibilidade de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte, em 22.10.2008, apreciando o REsp 977.058/RS em razão do art. 543C do CPC, introduzido pela Lei n. 11.672/08 Lei dos Recursos Repetitivos, à unanimidade, ratificou o entendimento já adotado por. esta Corte no sentido de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei n° 7.787/89, nem pela Lei n° 8.212/91. Isso porque a referida contribuição possui natureza de CIDE contribuição de intervenção no domínio econômico destinando se ao custeio dos projetos de reforma agrária e suas atividades complementares, razão pela qual a legislação referente às contribuições para a Seguridade Social não alteraram a parcela destinada ao INCRA." Ora, patente a decisão de piso posto que fundada em decisão do STJ, tomada com os efeitos dos recursos repetitivos, sendo de observância obrigatória segundo o artigo 927, III, do novo CPC. Claríssima de decisão judicial vinculante: a Lei nº 8.212/91 não extinguiu, como quer fazer crer a Recorrente, a contribuição ao SENAR. Assim, pelo exposto e por força do artigo 62, § 1º, III, do RICARF, nego provimento ao voluntário nessa parte. DA INEXIGIBILIDADE DO SALÁRIOEDUCAÇÃO (FNDE) Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 196 11 Alega a Recorrente que a contribuição da empresa ao salárioeducação foi substituída pela contribuição da empresa sobre a comercialização de sua produção, nos termos do artigo 22A da Lei nº 8.212/91. Menciona jurisprudência. São seus argumentos (fls. 178): "Com efeito, o art. 25 da Lei n° 8.212/91 introduziu drástica alteração na contribuição à Seguridade Social devida pelo empregador rural, antes calculada sobre a folha de salários. Substituia (a contribuição sobre a folha de salários) por uma contribuição de "dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção". É o que se infere do texto legal acima citado: Lei 8.870/94: Art. 25. "A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 09.07.2001, DOU 10.07.2001) I dois e meio por cento da receitabrutaprovenienteda comercialização de sua produção;" O que se deu, na espécie, foi uma substituição de contribuições à Seguridade Social. Para o segmento de contribuintes em que se enquadravam os empregadores rurais deixou de existir a contribuição sobre a folha de salários, passando, a este título, ser devida a contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. Dessa forma, deixou de incidir sobre os produtores rurais (notadamente os empregadores rurais) a contribuição sobre o pagamento de remuneração aos seus empregados, a qualquer título. Por outro lado, no período que antecedeu a Constituição Federal de 1.988, o salárioeducação, instituído que foi pela Lei 4.440/64, era classificado como contribuição suí generis, quando então não se revestia de caráter tributário. Nessa época, o salárioeducação incidia sobre a folha de saláriosdecontribuição, tal como disciplinava o DecretoLei n° 1.422/75. Com o advento da atual ordem constitucional (CF/88), a disciplina jurídica do salárioeducação, antes adstrita tãoçó à legislação infraconstitucional, passou a ter assentamento na Carta Magna, mais especificamente no § 5o do seu art. 212 abaixo transcrito: "Art. 212. ... omissis ... § 5°. O ensino fundamental público terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas, na forma da lei." (Redação dada ao parágrafo pela Emenda Constitucional n° 14/96) Fl. 201DF CARF MF 12 Sob essa nova ótica conferida pela CF/88, ganhou o salário educação roupagem de contribuição social, eis que, além de adquirir compulsoriedade, fora instituída com a finalidade de angariar recursos para complementar o financiamento do ensino público fundamental. Induz, portanto, a contribuição, a idéia de vinculação da receita arrecadada com um serviço essencial e básico a ser prestado pelo Estado, enquadrandose assim na definição legal de contribuição social insculpida pelo art. 149 do Constituição Federal. 0 rótulo de contribuição social atribuído ao salárioeducação trouxelhe, como inevitável conseqüência, o tratamento jurídico de tributo, aplicandoselhe, inclusive, as normas gerais de Direito Tributário e, bem assim, o principio da legalidade, como aliás adverte o dispositivo constitucional supracitado (art. 149 da CF). Assim, na qualidade de contribuição social que passou a ser, e também em razão da necessária submissão ao principio da legalidade, o salárioeducação não pôde mais ser exigido do empregador rural tendo como hipótese imponivel a folha de saláriosdecontribuição, pois, como antes dito, foram abolidas as contribuições devidas pelos empregadores rurais sobre a remuneração paga aos segurados empregados em razão do art. 25, inciso I, da Lei n° 8.870/94, as quais a partir de então passaram a serem devidas sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. (...) Assim, se o contribuinte, como no caso do recorrente, já contribui para a Seguridade Social sobre o valor da comercialização da produção rural, não podem as contribuições para terceiros, a exemplo do SalárioEducaçâo, incidirem sobre o saláriodecontribuição apurado com base nas remunerações pagas aos segurados empregados, verificada nas folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de férias e fichas de registro de empregado. Isso porque, em razão da fundamentação acima, as contribuições sociais devidas pelo empregador deixaram de ter como hipótese de incidência o pagamento de remuneração para recair sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização rural, em face do que dispõe o art. 25 da Lei 8.870/94." (destaques originais) Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso (fls. 145): Igualmente, com relação ao salárioeducação, o STJ tem entendimento de que a contribuição é devida sobre a folha de salários dos segurados empregados por todas as empresas inscritas no CNPJ, sem distinção, sejam elas de natureza comercial, industrial, agropecuária ou de serviços. Segundo aquelas decisões, excluemse da exigência apenas os produtores rurais pessoas físicas. Vejamse as suas ementas: a) REsp 1162307/RJ RECURSO ESPECIAL 2009/02075526 (DJe 03/12/2010): Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 197 13 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PARA O SALÁRIOEDUCAÇÃO. RECEPÇÃO, PELA CARTA DE 1988, DA LEGISLAÇÃO REGULADORA DA MATÉRIA (DECRETO 1.422/75). SUJEITO PASSIVO. CONCEITO AMPLO DE EMPRESA. 1. A contribuição para o salárioeducação tem como sujeito passivo as empresas, assim entendidas as firmas individuais ou sociedades que assumam o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, em consonância com o art. 15 da Lei 9.424/96, regulamentado pelo Decreto 3.142/99, sucedido pelo Decreto 6.003/2006. (Precedentes: REsp 272.671/ES, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2008, DJe 04/03/2009; REsp 842.781/RS, Rei. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007; REsp 711.166/PR, Rei. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2006, DJ 16/05/2006) 6. Destarte, a Lei 9.424/96, que regulamentou o art. 212, § 5°, da Carta Magna, ao aludir às empresas como sujeito passivo da referida contribuição social, o fez de forma ampla, encartando, nesse conceito, a instituição, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço, bem como qualquer entidade, pública ou privada, vinculada à previdência social, com ou sem fins lucrativos, ressalvadas as exceções previstas na legislação específica e excluídos os órgãos da administração direta (art. Io, § 5o, do DecretoLei 1.422/75 c/c art. 2oda CLT). 7. O Decreto 6.003/2006 (que revogou o Decreto 3.142/99), regulamentando o art. 15, da Lei 9.424/96, definiu o contribuinte do salárioeducação com foco no fim social desse instituto jurídico, para alcançar toda pessoa jurídica que, desenvolvendo atividade econômica, e, por conseguinte, tendo folha de salários ou remuneração, a qualquer título, seja vinculada ao Regime Geral de Previdência Social: "Art. 2° São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, §2°, da Constituição." 8. "A legislação do salárioeducação inclui em sua sujeição passiva todas as entidades (privadas ou públicas, ainda que sem fins lucrativos ou beneficentes) que admitam trabalhadores como empregados ou que simplesmente sejam vinculadas à Previdência Social, ainda que não se classifiquem como empresas em sentido estrito Fl. 203DF CARF MF 14 (comerciai, industrial, agropecuária ou de serviços). A exação é calculada sobre a folha do salário de contribuição (art. Io, caput e § 5", do DL 1.422/75)." (REsp 272.671/ES, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2008, DJe 04/03/2009, REPDJe 25/08/2009) b) REsp 842781/RS RECURSO ESPECIAL 2006/00881632 (DJ 10/12/2007 p. 301): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SALÁRIOEDUCAÇÃO. PRODUTOR RURAL EMPREGADOR. PESSOA FÍSICA. INEXIGIBILIDADE. 1. De acordo com o art. 15 da Lei 9.424/96, regulamentado pelo Decreto 3.142/99, posteriormente sucedido pelo Decreto 6.003/2006, a contribuição para o salárioeducação somente é devida pelas empresas, assim entendidas as firmas individuais ou sociedades que assumam o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. 2. "O produtorempregador rural pessoa física, desde que não esteja constituído como pessoa jurídica, com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, não se enquadra no conceito de empresa, para fins de incidência do salário educação" (REsp 711.166/PR, 2" Turma, Rei. Min. Eliana Calmon, DJ de 16.5.2006). c) REsp 711166/PR RECURSO ESPECIAL 2004/01788299 (DJ 16/05/2006 p. 205) TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. 1. A contribuição do salárioeducação tem destinação específica e não está incluída nas atribuições da Previdência. 2. Em verdade, é o INSS mero arrecadador e repassador do salárioeducação ao FNDE. 3. Embora tenham natureza jurídica idêntica, visto que ambas são contribuições, a contribuição previdenciária destinase à manutenção da Previdência e a do salárioeducação destinase ao desenvolvimento do ensino fundamental. 4. A Lei 9.494/96 atribui como sujeito passivo do salário educação as empresas, assim definidas pelo respectivo regulamento como qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. 5. O produtorempregador rural pessoa física, desde que não esteja constituído como pessoa jurídica, com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, não se enquadra no conceito de empresa, para fins de incidência do salário educação. 6. Recurso especial improvido." Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10930.722571/201465 Acórdão n.º 2201003.806 S2C2T1 Fl. 198 15 Não cabem reparos à decisão de piso. O salárioeducação é devido por força da Lei 9424/96, que em seu artigo 15 preceitua: Art 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, daLei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Ora, como bem dito pela Recorrente, "0 rótulo de contribuição social atribuído ao salárioeducação trouxelhe, como inevitável conseqüência, o tratamento jurídico de tributo, aplicandoselhe, inclusive, as normas gerais de Direito Tributário e, bem assim, o principio da legalidade, como aliás adverte o dispositivo constitucional supracitado (art. 149 da CF)." (destaquei) Cumprido o império da legalidade. Lei determinando a exação a todas as empresas, independentemente do seu ramo de atuação. Nesse sentido, sedimentouse a jurisprudência do STJ. Com efeitos dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça assentou no REsp 1162307 RJ (Min Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 24/11/2010): 1. A contribuição para o salárioeducação tem como sujeito passivo as empresas, assim entendidas as firmas individuais ou sociedades que assumam o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, em consonância com o art. 15 da Lei 9.424/96, regulamentado pelo Decreto 3.142/99, sucedido pelo Decreto 6.003/2006. [...] 6. Destarte, a Lei 9.424/96, que regulamentou o art. 212, § 5º, da Carta Magna, ao aludir às empresas como sujeito passivo da referida contribuição social, o fez de forma ampla, encartando, nesse conceito, a instituição, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço, bem como qualquer entidade, pública ou privada, vinculada à previdência social, com ou sem fins lucrativos, ressalvadas as exceções previstas na legislação específica e excluídos os órgãos da administração direta (art. 1º, § 5º, do DecretoLei 1.422/75 c/c art. 2º da CLT). (...) Assim, tomando os argumentos da decisão de piso como meus, e considerando as disposições da Lei nº 9424/96, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Fl. 205DF CARF MF 16 Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso voluntário para, rejeitando as preliminares de nulidade, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.100312/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Exercício: 2007
RESTITUIÇÃO. MEDIDAS ANTIDUMPING PROVISÓRIAS. ALTO-FALANTES. RESOLUÇÕES CAMEX 25 E 66/2007.
Em conformidade com o disposto nos arts. 50 e 52 do Decreto nº 1.602/95, vigente à época dos fatos, não devem ser mantidas as medidas antidumping provisórias que não tenham sido confirmadas pela decisão definitiva acerca da investigação antidumping.
No caso, devem ser restituídos integralmente os valores provisórios recolhidos, em face da Resolução CAMEX nº 25/2007, nas importações de alto-falantes destinados à industrialização de aparelhos de áudio e vídeo que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres; os quais foram excluídos da investigação, nos termos do art. 2º da Resolução CAMEX nº 66/2007.
Recurso provido
Numero da decisão: 3402-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Relator, e Waldir Navarro. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
assinado digitalmente
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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MEDIDAS ANTIDUMPING PROVISÓRIAS. ALTO FALANTES. RESOLUÇÕES CAMEX 25 E 66/2007. Em conformidade com o disposto nos arts. 50 e 52 do Decreto nº 1.602/95, vigente à época dos fatos, não devem ser mantidas as medidas antidumping provisórias que não tenham sido confirmadas pela decisão definitiva acerca da investigação antidumping. No caso, devem ser restituídos integralmente os valores provisórios recolhidos, em face da Resolução CAMEX nº 25/2007, nas importações de altofalantes destinados à industrialização de aparelhos de áudio e vídeo que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres; os quais foram excluídos da investigação, nos termos do art. 2º da Resolução CAMEX nº 66/2007. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Relator, e Waldir Navarro. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 10 03 12 /2 00 8- 11 Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 950 2 Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A epigrafada postulou (fls. 3/7 669/673) repetição de indébito de valores recolhidos por determinação da Resolução nº 25, de 27/06/2007, do Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior, a qual em seu art. 1º determinou que fosse recolhido "sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,75/kg" sobre "às importações brasileiras de alto falantes, montados ou desmontados, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.00 da Nomenclatura comum do MERCOSUL NCM, originárias da República Popular da China RPC", referente a direito antidumping Alega que a Resolução nº 66, de 11/12/2007, teria excluído a aplicação do direito antidumping em relação àquelas mercadorias descritas na Resolução nº 25, de 07/06/2007. A unidade local (Alfândega do Porto de Manaus) reconheceu o direito creditório (fls. 746/756) apenas sobre a diferença entre a alíquota inicial e a definida no final da investigação antidumping, conforme planilha à fl. 755. Contra tal Despacho Decisório a empresa manifestou sua inconformidade ( fls. 762/766), alegando, em suma, que encerrado o processo de investigação de dumping, o Conselho de Ministros da Câmara de Comércio resolveu, por meio da Resolução 66, suso referida, "encerrar a investigação do direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, excluindo, contudo, os alto falantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis...". Conclui que a exclusão prevista "não quer dizer que estes produtos continuaram sujeitos ao dumping provisório, mas sim que não estão sujeitos a tarifa alguma". A DRJ/SP1, em 28/03/2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 858/867). Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário (fls. 880/897), no qual a empresa alarga suas alegações em relação ao esposado na manifestação de inconformidade, acrescendo que a expressão contida na Resolução CAMEX nº 66, que determina manutenção dos efeitos durante a vigência da Resolução CAMEX nº 25, "diz respeito apenas aos seus efeitos em relação aos demais produtos objeto da investigação classificados sob o mesmo código NCM, mas que efetivamente estiveram sujeitos ao direito provisório naquele período", pois entende que desde do início do processo investigatório "os altofalantes para telefonia celular não estavam abrangidos no escopo da investigação, por se constituir um produto específico, não fabricado no Brasil". Assevera que os mesmos "jamais poderiam ser classificados como objeto da medida, por se tratarem de produtos com destinação distinta", concluindo que apesar da Resolução CAMEX "ter supostamente alegado eventual efeito ex nunc da mesma, certo é que a competência da CAMEX para instituir direitos antidumping provisórios não pode ser interpretada como meio de extrapolar os limites dos compromissos comerciais assumidos pelo Brasil no âmbito internacional", pois entende que a Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 951 3 Resolução CAMEX "diz respeito apenas aos seus efeitos em relação aos demais produtos objeto da investigação classificados sob o mesmo código NCM, mas que efetivamente estiveram sujeitos ao direito provisório naquele período". Igualmente inova ao tratar sobre o princípio da hierarquia das normas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Os artigos 2º, 3º e 6º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, dispõe sobre a aplicação dos direitos previstos no Acordo Antidumping e no Acordo de Subsídios e Direitos Compensatórios. Vejase: Art. 2º Poderão ser aplicados direitos provisórios durante a investigação, quando da análise preliminar verificarse a existência de indícios da prática de dumping ou de concessão de subsídios, e que tais práticas causam dano, ou ameaça de dano, à indústria doméstica, e se julgue necessário impedilas no curso da investigação. Art. 3º A exigibilidade dos direitos provisórios poderá ficar suspensa, até decisão final do processo, a critério da CAMEX, desde que o importador ofereça garantia equivalente ao valor integral da obrigação e dos demais encargos legais, que consistirá em: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) I depósito em dinheiro; ou II fiança bancária. (...) § 3º O desembaraço aduaneiro dos bens objeto da aplicação dos direitos provisórios dependerá da prestação da garantia a que se refere este artigo. Art. 6º Compete à CAMEX fixar os direitos provisórios ou definitivos, bem como decidir sobre a suspensão da exigibilidade dos direitos provisórios, a que se refere o art. 3º desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. O ato de imposição de direitos antidumping ou Compensatórios, provisórios ou definitivos, deverá indicar o prazo de vigência, o produto atingido, o valor da obrigação, o país de origem ou de exportação, as razões pelas quais a decisão foi tomada, e, quando couber, o nome dos exportadores.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) Nesse passo já assentada a competência legal da CAMEX para instituir direitos antidumping, mesmo provisórios, como medida acauteladora de forma a resguardar a Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 952 4 economia nacional. Na hipótese de haver diferença entre o valor cobrado provisoriamente ( no caso, pela Resolução CAMEX nº 25/2007) e aquele estabelecido pela decisão final, dispõe o Decreto 1.602/1995: “Art. 52. Caso a determinação final seja pela existência de dumping e de dano dele decorrente, observarseá: I quando o valor do direito aplicado pela decisão final for inferior ao valor de direito provisoriamente recolhido ou garantido por depósito, o excedente será restituído ou devolvido, respectivamente”. E o artigo 50 do mesmo Decreto determina a restituição do valor recolhido provisoriamente caso a determinação final seja pela inexistência de dumping ou dano dele decorrente. Contudo, como bem colocado nas r. decisões, a própria CAMEX, que detem a competência para instituir direito antidumping, igualmente pode aplicar regras de direito intertemporal quanto às suas Resoluções. E foi o que ela fez, explicitamente, nos termos do disposto do art. 4º da Resolução nº 66, de 11/12/2007: Art. 4º Revogar a Resolução nº 25, de 07 de junho de 2007, publicada no Diário Oficial da União D.O.U., em 29 de junho, mantidos os efeitos durante sua vigência. Quanto às alegações da recorrente que inovam em relação à manifestação de inconformidade, não as conheço por preclusas, mormente aquela em que a recorrente quer fazer crer que seus produtos embora classificados na NCM referida na Resolução CAMEX 25, não estariam sujeitos a medida "por se constituir", segundo alega, em "um produto específico, não fabricado no país". Diante do exposto, nego provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 953 5 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões. À época dos fatos, no que interessa ao presente processo, as medidas antidumping provisórias e os direitos antidumping estavam regulados pelo Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995, nos seguintes termos: Art. 34. Medidas antidumping provisórias somente poderão ser aplicadas se: I uma investigação tiver sido aberta de acordo com o disposto na Seção II do Capítulo V, o ato que contenha a determinação de abertura tiver sido publicado e às partes interessadas tiver sido oferecida oportunidade adequada de se manifestarem; II uma determinação preliminar positiva da existência de dumping e conseqüente dano à indústria doméstica tiver sido alcançada; (...) § 1º O valor da medida antidumping provisória não poderá exceder a margem de dumping . § 2º Medidas antidumping provisórias serão aplicadas na forma de direito provisório ou de garantia, cujo valor será equivalente ao provisoriamente determinado do direito antidumping. § 3º No caso de direito provisório, este será recolhido e no caso de garantia, esta será prestada mediante depósito em dinheiro ou fiança bancária, juntamente com termo de responsabilidade. (...) § 7º O desembaraço aduaneiro dos bens objeto de medidas antidumping provisórias dependerá do pagamento do direito ou da prestação da garantia. (...) Art. 42. A investigação será encerrada com aplicação de direitos, quando a SECEX chegar a uma determinação final da existência de dumping, de dano e de nexo causal entre eles. Parágrafo único. O valor do direito antidumping não poderá exceder a margem de dumping. (...) Art. 45. Para os efeitos deste Decreto, a expressão "direito antidumping" significa um montante em dinheiro igual ou inferior à margem de dumping apurada, calculado e aplicado, em conformidade com este artigo, com o fim exclusivo de neutralizar os efeitos danosos das importações objeto de dumping. §1º O direito antidumping será calculado mediante a aplicação de alíquotas ad valorem ou específicas, fixas ou variáveis, ou pela conjugação de ambas. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 954 6 (...) Art. 49. Exceto nos casos previstos nesta Seção, somente poderão ser aplicadas medidas antidumping provisórias e direitos antidumping a produtos importados que tenham sido despachados para consumo após a data de publicação do ato que contenha as decisões previstas nos arts. 34 e 42. Art. 50. Caso a determinação final seja pela não existência de dumping ou de dano dele decorrente, o valor das medidas antidumping provisórias, se recolhido será restituído, se garantido por depósito será devolvido ou, no caso de fiança bancária, está será extinta. Art. 51. Caso a determinação final seja pela existência de ameaça de dano material ou de retardamento sensível no estabelecimento de uma indústria, sem que tenha ocorrido dano material, o valor das medidas antidumping provisórias, se recolhido será restituído, se garantido por depósito será devolvido ou no caso de fiança bancária, esta será extinta, salvo se for verificado que as importações objeto de dumping, na ausência de medidas antidumping provisórias, teriam levado à determinação de dano material, quando então se aplica o disposto nos artigos seguintes. Art. 52. Caso a determinação final seja pela existência de dumping e de dano dele decorrente, observarseá: I quando o valor do direito aplicado pela decisão final for inferior ao valor de direito provisoriamente recolhido ou garantido por depósito, o excedente será restituído ou devolvido, respectivamente; II quando do valor direito aplicado pela decisão final for superior ao valor do direito provisoriamente recolhido ou garantido por depósito, a diferença não será exigida; III quando o valor do direito aplicado pela decisão final for igual ao valor do direito provisoriamente recolhido ou garantido por depósito, estas importâncias serão automaticamente convertidas em direito definitivo. (...) [negritei] No caso específico dos autos, mediante a Resolução Camex nº 25/2007 decidiuse pela aplicação de direito antidumping provisório para os altofalantes nela especificados, nos seguintes termos: RESOLUÇÃO Nº 25, DE 27 DE JUNHO DE 2007. Dispõe sobre a aplicação de direito antidumping provisório, por um prazo de 6 meses, nas importações de altofalantes, classificados nos itens 8518.21.00. 8518.22.00 e 8518.29.00 da NCM, originárias da República Popular da China. RESOLUÇÃO Nº 25, DE 27 DE JUNHO DE 2007.(Publicada no D.O.U. de 29/06/2007) O PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o §3º do art. 5º do Decreto nº 4.732, de 10 de junho de 2003, com fundamento no que dispõe o inciso Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 955 7 XV do art. 2º do mesmo diploma legal, e tendo em vista o que consta nos autos do Processo MDIC/SECEXRJ 52500.016460/200616, RESOLVE,ad referendum do Conselho: Art. 1º Aplicar direito antidumping provisório, por um prazo de 6 meses, às importações brasileiras de altofalantes, montados ou desmontados, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM, excetuados os não piezelétricos, próprios para aparelhos telefônicos, originárias da República Popular da China RPC, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,75/kg (dois dólares estadunidenses e setenta e cinco centavos por quilograma). Art. 2º Tornar públicos os fatos que justificaram esta decisão, conforme o Anexo a esta Resolução. Art. 3º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. MIGUEL JORGE Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 26/06/2007 e RETIFICADO no D.O.U. de 29/06/2007 Posteriormente, com o encerramento da investigação, decidiuse pela fixação de direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, excluindose, entretanto, os produtos especificados no art. 2º da Resolução Camex nº 66/2007, que assim dispôs: RESOLUÇÃO Nº 66, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2007 (Publicado no D.O.U. de 13/12/2007) O CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, conforme o deliberado na reunião realizada no dia 11 de dezembro de 2007, com fundamento no inciso XV do art. 2ºdo Decreto nº4.732, de 10 de junho de 2003, e tendo em vista o que consta nos autos do processo MDIC/SECEXRJ 52500.016460/200616, RESOLVE: Art. 1º Encerrar a investigação com a fixação de direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por quilograma). Art. 2º Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Art. 3º Tornar públicos os fatos que justificaram esta decisão, conforme o Anexo a esta Resolução. Art. 4º Revogar a RESOLUÇÃO CAMEX Nº 25, DE 27 DE JUNHO DE 2007, publicada no Diário Oficial da União – D.O.U., em 29 de junho de 2007, mantidos os efeitos durante sua vigência. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 956 8 Art. 5ºEsta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União – D.O.U. e terá vigência de até cinco anos, nos termos do disposto no art. 57 do Decreto nº1.602, de 23 de agosto de 1995. MIGUEL JORGE Presidente do Conselho [negritei] Trata o presente processo de pedido de restituição de medidas antidumping provisórias recolhidas nas importações de altofalantes destinados à industrialização de aparelhos de áudio e vídeo, o qual foi deferido apenas parcialmente pela autoridade administrativa proporcionalmente à diferença entre as alíquotas específicas fixas das medidas antidumping provisórias e do direito antidumping definitivo (US$ 2,75/Kg US$2,35/kg), nos seguintes termos: (...) No caso em exame, ocorreu a redução da alíquota específica fixa de U$2,75/kg (direito antidumping provisório Resolução CAMEX n° 25/2007) para U$2.35/kg (direito antidumping definitivo Resolução CAMEX n° 66/2007), e se constatou ao contrário do alegado pelo Interessado à fl. 05 a existência da prática de dumping e de dano dele decorrente (vide "conclusão" do anexo da Resolução CAMEX n° 66/2007 abaixo), aplicando se neste caso, quanto aos valores a restituir da diferença entre o Direito Antidumping provisório e o definitivo, conforme o que dispõe o art. 52, inc. I, do Dec. 1.602/1995, c/c art. 7o, § 7o, da Lei n° 9.019/1995, verbis: (...) A revogação da Resolução CAMEX n° 25/2007, com a manutenção dos efeitos durante sua vigência, através do art. 4o da Resolução CAMEX n° 66/2007, produz efeitos ex nunc quanto à obrigatoriedade dos valores pagos a título de direito antidumping provisório, com base na alíquota de U$ 2,35/kg, ainda que as mercadorias importadas da República Popular da China (altofalantes para aplicação em aparelhos de áudio e vídeo), sob NCM 8518.29.90, tenham sido excluídas da incidência no encerramento da investigação de dumping (arts. Io e 2o da Resolução CAMEX n° 66/2007), mantémse a sua obrigatoriedade a título de direito antidumping provisório no período dos fatos praticados pelo Interessado (04/07/2007 a 12/12/2007), deixando de sêlo somente a partir de 13/12/2007, data de publicação no D.O.U. da Resolução CAMEX n° 66/2007. (...) Pelo que se observa no Despacho Decisório acima, entendeuse que não caberia a aplicação retroativa do art. 2º da Resolução Camex nº 66/2007, que excluiu os produtos importados pela requerente da exigência de direitos antidumping definitivos, sob o fundamento de que o art. 4º da Resolução Camex nº 66/2007 manteve os efeitos da Resolução revogada (Resolução Camex nº 25/2007) durante sua vigência. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 957 9 De outra parte, de forma totalmente incoerente, nos termos do art. 52, I do Decreto nº 1.602/95, decidiu a autoridade administrativa pela retroatividade do art. 1º da Resolução Camex nº 66/2007, que fixou o direito antidumping definitivo sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,35/kg, e pior, quando, na verdade, os produtos sob análise se enquadravam na exceção disposta no art. 2º da referida Resolução, para os quais não seria cabível a exigência de direitos antidumping definitivos, não sendo, portanto, aplicável, a nova alíquota específica. O julgador de primeira instância, para evitar a contradição de retroagir apenas parte da Resolução Camex nº 66/2007, ressalvou logo no início do voto condutor que: " (...) é de se frisar que a matéria submetida a julgamento em virtude da referida manifestação do contribuinte, ora recorrente, tange unicamente ao que restou indeferido no pedido de restituição, não à totalidade deste pedido". Isso porque, analisando somente a matéria devolvida para julgamento da manifestação de inconformidade, entendeu pela sua improcedência, em face da manutenção dos efeitos da Resolução Camex nº 25/2007 durante sua vigência, nos seguintes termos: (...) De fato, o dispositivo acima [art. 52, I, do Decreto 1.602/1995] é no sentido de que o valor recolhido a título de direito antidumping provisório deva ser restituído, se a decisão final fixar um valor inferior ao provisoriamente estabelecido. Maior pertinência com o caso destes autos ainda é o que prescreve o art. 50 do mesmo Decreto 1.602/1995, que vigia à época dos fatos. Vejase: Art. 50. Caso a determinação final seja pela não existência de dumping ou de dano dele decorrente, o valor das medidas antidumping provisórias, se recolhido será restituído, se garantido por depósito será devolvido ou, no caso de fiança bancária, está será extinta. Ao que se observa, o caso dos autos tange ao previsto no trasladado art. 50. E, em face do que nele é determinado, subsistiria realmente direito de restituição ao ora recorrente. Todavia, é de se frisar que tal comando infralegal é destinado às normas atinentes ao direito antidumping que, como visto, são de competência legalmente outorgada à CAMEX. (...) No entanto, as normas sobre Direito Intertemporal aplicadas ao direito antidumping são, também, de competência da CAMEX. E esta, quando da edição da Resolução nº 66, publicada em 11 de dezembro de 2007, estabeleceu, de modo explícito: Art. 4º Revogar a Resolução nº 25, de 07 de junho de 2007, publicada no Diário Oficial da União D.O.U., em 29 de junho, mantidos os efeitos durante sua vigência (grifos ora acrescidos). Por certo – e este é o meu entendimento – que a expressão “mantidos os efeitos durante a sua vigência” significa que os efeitos da resolução revogada, a qual obrigava ao pagamento do direito antidumping provisório, devem se manter, isto é, no lapso de tempo em que vigorou, a sobredita Resolução nº 25 operou Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 958 10 plenamente seus efeitos. Ou ainda, noutros termos, a norma revogadora foi expressa ao revogar com efeitos ex nunc. Afinal, não fosse assim, não haveria sentido algum na expressão “mantidos os efeitos durante a sua vigência”. (...) Poderseia imaginar que uma Resolução não poderia contrariar um Decreto, neste caso em especial o art. 4º, in fine, da Resolução nº 66/2007 em face do art. 50 do Decreto nº 1.602/1995. No entanto, é clara aqui a pertinência e a preponderância da aplicação da regra de hermenêutica pela qual a norma especial tem precedência sobre a geral. Isso porque a Resolução nº 66/2007 é especifica para o caso em exame. E, pelo disposto no art. 4º da citada resolução, resta estabelecido o não cabimento de restituição dos valores pagos durante a vigência da norma por ela revogada, nem se cuidando de mercadoria em que a alíquota foi reduzida nem se cuidando de mercadoria em que a alíquota foi extinta. (...) A meu ver, entretanto, não se trata de tema atinente a conflito entre norma especial e norma geral que se sucedem no tempo, como entendeu o julgador da DRJ, mas de interpretação de uma resolução em conformidade com o disposto no decreto, do qual ela extrai sua força vinculativa, eis que uma norma infralegal de nível inferior (resolução) não pode comprometer a aplicabilidade norma regulamentar de nível superior (decreto). Nessa esteira, na leitura dos arts. 50 e 52 do Decreto nº 1.602/95, temse que, com o encerramento das investigações de direitos antidumping, podem ocorrer as seguintes situações: a) constatação da não existência de dumping ou do dano dele decorrente, cabendo a integral restituição dos valores pagos a título de medidas antidumping provisórias (art. 50); e b) apuração da existência de dumping e de dano dele decorrente, sendo cabível a restituição dos valores de medidas antidumping provisórias eventualmente pagas a maior em relação aos direitos antidumping definitivos fixados, mas, no caso destes últimos serem maiores, não se exige do importador a diferença, e, no caso de serem iguais, os valores pagos provisoriamente convertemse em direitos antidumping definitivos (art. 52). Com efeito, o art. 4º da Resolução Camex nº 66/2007, que revogou a Resolução Camex nº 25/2007, mas manteve os seus efeitos durante a sua vigência, deve ser entendido sob o âmbito das situações a) e b) especificadas acima, qual seja, de manutenção das medidas antidumping provisórias somente quando sejam compatíveis com a decisão definitiva. Salientese que é justamente a manutenção dos efeitos da Resolução revogada durante a sua vigência que permite que o recolhimento provisório já efetuado tornese definitivo quando seja depois confirmado pela decisão final da investigação. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 959 11 Com relação especificamente à hipótese retratada nestes autos, os produtos importados pela requerente foram expressamente excluídos da investigação (art. 2º da Resolução Camex nº 66/2007 e Anexo1), de forma que a interpretação que mais se coaduna 1 ANEXO (...) 2.1. Do produto objeto da investigação, sua classificação e tratamento tarifário O produto objeto da investigação foi definido como altofalantes, montados ou desmontados, importados da RPC, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM. O altofalante é um transdutor, dispositivo que transforma um tipo de energia em outro. Neste caso, a energia elétrica em energia mecânica, que posteriormente é transformada em energia sonora. As principais aplicações dos altofalantes estão relacionadas ao uso profissional, som automotivo, som ambiente, residencial ou entretenimento doméstico e de segurança. Embora sejam classificados nos mesmos itens da NCM de altofalantes, os altofalantes para telefonia não estão incluídos na investigação, pois constituem um produto específico, não fabricado no Brasil, conforme informado desde a petição inicial. Foram, também, excluídos da definição do produto objeto da investigação os altofalantes para câmeras fotográficas e de vídeo, para notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres. (...) Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10283.100312/200811 Acórdão n.º 3402004.368 S3C4T2 Fl. 960 12 com o disposto nos arts. 50 e 52 do Decreto nº 1.602/95 é a de que NÃO devem ser mantidas as medidas antidumping provisórias que NÃO tenham sido confirmadas pela decisão definitiva acerca da investigação antidumping, devendo os valores correspondentes, recolhidos nas importações de altofalantes destinados à industrialização de aparelhos de áudio e vídeo, serem restituídos integralmente à ora recorrente. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Conselheira Fl. 960DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000170/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Numero da decisão: 2402-005.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 70 /2 00 8- 81 Fl. 1795DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – (RJ) (DRJ/RJ1) (1761/1778), relativo a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (196/276) em face do Auto de Infração de fls. 2 e seguintes. Por bem retratar os fundamentos trazidos no auto de infração e as considerações veiculadas na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do relatório do Acórdão nº 1236.762 – 13ª Turma da DRJ/RJ1, ora recorrido: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização (DEBCAD n° 37.205.9228), pertinente às contribuições devidas a Terceiros. O valor do presente lançamento é de R$ 1.014.738,40, consolidado em 22 de dezembro de 2008. 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 87/100, as contribuições devidas incidem sobre os valores relativos a Bolsas de Estudos concedidas a seus funcionários. 3. O Auditor Fiscal autuante desconsidera a isenção alegada pela empresa em relação às contribuições patronais, eis que, no seu entender, a mesma não satisfaz os requisitos do Decreto 2.536/98 para ser considerada entidade beneficente de fins filantrópicos, conforme demonstrado em Relatório Fiscal. Além da exposição acerca do escopo da ação fiscal realizada, o autuante especifica (itens 25 a 27 do relatório) que a constituição do crédito fiscal constante do presente documento referese às contribuições originalmente a cargo dos segurados empregados que incidem sobre suas remunerações percebidas na empresa, no caso em tela, sobre as parcelas referentes aos valores das bolsas de estudos concedidas. 4. O AuditorFiscal exibe a coresponsabilidade da empresa ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES S/A, como integrante de um grupo econômico de fato, adjacente à empresa supracitada, bem como arrola a coresponsabilidade dos sóciosgerentes da empresa no período do lançamento. 5. Apresenta tabela comparativa para demonstrar a não gratuidade dos serviços prestados nos percentuais exigidos pela legislação de regência; 6. Relaciona os imóveis de propriedade da empresa, destacando os que foram alienados após a transformação da entidade em empresa com fins lucrativos, o que, a seu ver, caracteriza incompatibilidade com os objetivos traçados pela Lei 8.742/93, em seu artigo 2o incisos I a IV e pela Constituição Federal, em seu artigo 203, incisos I a IV. DA IMPUGNAÇÃO 7. Dentro do prazo regulamentar, a Autuada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 196/274, anexando os documentos de fls. 277/295, que comprovam a capacidade postulatória do advogado que assina a impugnação, e alinhando os argumentos a seguir sintetizados em breves tópicos: 7.1. Nulidade da autuação por falta de observância do devido processo legal. 7.2. Os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social referentes ao período autuado continuam em pleno vigor. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 12898.000170/200881 Acórdão n.º 2402005.949 S2C4T2 Fl. 3 3 7.3. O cancelamento somente opera efeitos para o futuro. 7.4. Os fundamentos adotados carecem de embasamento objetivo, pelo menos quanto aqueles relacionados com a questão da gratuidade. 7.5. A autuação ocorreu antes do decurso de prazo para apresentação dos documentos referentes aos valores lançados nas contas "Aluguéis" e "Condomínios", cujos beneficiários são o presidente e um empregado da pessoa jurídica. 7.6. Questiona a decadência dos valores lançados nas competências 01 a 11/2003, em face da edição da Súmula Vinculante n. 08/2008. 7.7. As três razões que determinariam a perda da isenção (inobservância do requisito da gratuidade, transformação do patrimônio da sociedade e a suposta remuneração a sócio) não merecem sorte. 7.8. Quanto à presunção de que os valores pagos ao sócio da impugnante Sr. João Uchoa Cavalcanti Netto corresponderiam à remuneração paga ao mesmo, junta contratos de locação e respectivos aluguéis, demonstrando que a impugnante é locatária dos imóveis; 7.9. Há direito adquirido à isenção em relação à impugnante. A hipótese é de imunidade. 7.10. Os efeitos da adesão ao PROUNI foram ignorados pelo autuante. 7.11. Não existe óbice legal à aquisição de imóveis por parte das entidades beneficentes, bem como à sua alienação. No caso em tela, os imóveis adquiridos o foram para a consecução dos objetivos institucionais, e as vendas posteriores observaram critérios operacionais; 7.12. Ainda em relação à qualidade de entidade beneficente com direito à isenção no período da autuação, traça uma linha do tempo, afirmando que tinha direito adquirido desde a concessão original, em 1970, assegurado pela Lei 3.577/59. Afirma que a hipótese é de imunidade. 7.13. A concessão de bolsa de estudo não constitui remuneração sujeita à contribuição previdenciária, pois a verba se refere a investimento na qualificação dos empregados, não sendo retributivo do trabalho. Referese ao artigo 458 da CLT e ao artigo 28, § 9º , "t" da Lei 8.212/91 e acosta jurisprudência. 7.14. Investe contra o arrolamento de bens efetuado pela fiscalização, que inquina de inconstitucional, e contra a corresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que a Fiscalização não comprovou a hipótese da aplicação do artigo 30, IX da Lei 8.212/91 à Estácio Participações; alega ainda ser tal dispositivo inconstitucional; 7.15. Afirma faltar a fundamentação legal da qualificação dos corresponsáveis, ofendendo a lei 9.784/99, e requer a nulidade em função da ausência de fundamentação. Afirma que a responsabilidade dos sócios por débitos de pessoas jurídicas foi revogada com o artigo 13 da Lei 8.620/93, sendo que as hipóteses de responsabilização de pessoas físicas atribuída pelo CTN é extremamente restrita; 7.16. Requer a nulidade do auto de infração por ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, ou, alternativamente, que sejam excluídas as Fl. 1797DF CARF MF 4 pessoas físicas e jurídicas indicadas como corresponsáveis tributários, dando provimento à impugnação, em relação ao mérito, e cancelando o lançamento; 7.17. Acosta documentos que afirma comprovarem suas alegações às fls.297/1.184. 8. Às fls. 1.206/1.208 a 13ª. Turma da DRJ/RJ 01 encaminha os autos à Fiscalização, solicitando realização de Relatório Fiscal Complementar para relacionar o lançamento aos procedimentos descritos na Medida Provisória n° 446, vigente á época da lavratura. 9. Em resposta de fls. 1.209/1.213, a autoridade lançadora responde que: 9.1 A Autuada é pessoa jurídica com fins lucrativos desde a data de 09/02/2007, portanto, os dispositivos da Medida Provisória 446 de 07 de novembro de 2008 sobre a regulamentação dos procedimentos de isenção não se aplicam a ela por já ser à época da MP empresa de responsabilidade limitada com fins lucrativos; 9.2. O Relatório Fiscal é rico em detalhes quanto ao não enquadramento da Autuada como entidade de fins filantrópicos nos moldes da legislação vigente à época do fato. Ainda assim, arrola os dispositivos do artigo 28 da MP não atendidos pela Autuada; 9.3. Afirma que não foi constatada nenhuma remuneração direta paga à diretoria, mas houve a lavratura dos Autos de Infração 37.205.9236 e 37.205.9244 arrolando contribuição sobre o prólabore; 9.4. No que diz respeito ao item III do artigo 28 da citada norma, assevera que os índices de aplicação em gratuidade apresentados pela Autuada, em função dos relatórios elaborados a partir dos Relatórios Anuais de bolsistas são irreais e desprovidos de embasamento legal pertinente ao tema em questão. 9.5. Relativamente ao inciso IV do mesmo artigo, alega que a entidade, usufruindo de benesses da imunidade tributária fiscal, acumulou capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com aquisição de diversos imóveis, e, ao término de suas atividades, vertendo este patrimônio para compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações em Bolsa de Valores, não atendendo, assim, aos pressupostos dos incisos IX e X do Artigo 3o. do Decreto 2.536/98, bem como contrariando o artigo 26 de seu estatuto, tudo conforme esclarecido no Relatório Fiscal Inicial. Da segunda Impugnação 10. Às fls. 1.216 foi juntada a comprovação da intimação da Autuada. Às fls. 1.218/1.322 a autuada apresenta nova impugnação, aduzindo, em síntese, os seguintes itens: 10.1. Defende a nulidade e improcedência da autuação por ausência de fundamentação legal, uma vez que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução, a autoridade lançadora em momento algum indicou o art. 31 da MPn° 446/08. 10.2. Ressalta a importância do disposto no art. 31 da MP n° 446/08 para as pretensões da Fiscalização, pois é esse o artigo que trata, justamente, Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 12898.000170/200881 Acórdão n.º 2402005.949 S2C4T2 Fl. 4 5 das conseqüências advindas pelo não cumprimento dos requisitos constantes no art. 28 da referida Medida Provisória. 10.3. Exclama que a diligência proposta representa uma alteração da fundamentação legal do auto, revelando, assim, um novo lançamento, realizado pela 13o Turma, autoridade incompetente para constituir crédito tributário. 10.4. Entende que a MP n° 446/08 não poderia ser aplicada ao lançamento sob pena de ofender os artigos 106,144 e 146 do Código Tributário. 10.5. Alega que as competências compreendidas entre 01/2003 e 08/2004 foram alcançadas pela decadência, eis que a autoridade lançadora elaborou o "Relatório Fiscal Complementar", do qual a Defendente teve ciência 05/10/2009, constituindose em um novo lançamento. Assim, a contagem do prazo decadencial deve ser contada a partir desta data do novo lançamento, nos termos do artigo 150, § 4 o e 173 do CTN. 10.6. Registra que o § I o do art. 144 do CTN não é aplicável ao presente caso, pois ele se refere apenas ao procedimento e às prerrogativas instrumentais e não à ocorrência ou não do fato gerador em si, como no caso em tela, quando se trata de requisitos necessários para usufruir isenção, ou seja, fenômeno intrinsecamente relacionado com o aspecto substancial desta última. Cita conceituada doutrina. 10.7. Alega ter cumprido todos os requisitos do artigo 28 da MP 446/2008, em que pese discordar da aplicação da referida MP ao seu caso. 10.8. Afirma que cumpriu o inciso I do citado dispositivo pois não há nenhum óbice à que a entidade de assistência social exerça atividade educacional; 10.9. Cumpriu o inciso II pois alega que a autoridade lançadora não constatou nenhuma remuneração direta paga à diretoria, tendo apenas presumido o pagamento de remuneração ao sócio João Uchoa Cavalcanti Netto pela suposta falta de apresentação de documentos. A juntada de documentos relativos aos contratos de aluguel é o suficiente para infirmar a presunção da Fiscalização, acrescentando, em relação aos pagamentos efetuados a título de pro labore, que os acórdãos proferidos pela DRJ/RJ1 em 27/05/2009 decidiram que não se enquadrava como salário de contribuição a verba paga como aluguel; 10.10. Afirma que o requisito de aplicar integralmente suas rendas e recursos na manutenção de atividade institucionais (inciso III do artigo 28 da MP) também foi plenamente cumprido; 10.11. Defende que o inciso IV do mesmo artigo também foi cumprido. Admite que adquiriu muitos imóveis ao longo de seus anos de atividade, mas todos foram usados na consecução de seus objetivos, não existindo na legislação nada que vede a aquisição destes bens pelas entidades assistenciais, em especial porque os imóveis foram usados como campi ou unidades administrativas da autuada; também não se pode emprestar qualquer cunho especulativo à alienações destes imóveis; Fl. 1799DF CARF MF 6 10.12. Afirma que não integra o pólo passivo da Ação Popular 2007.71.07.0066400, e que o Eresp 572.603 apenas reafirma que o prazo decadencial deve ser computado com base no artigo 150, § 4º do CTN. 10.13. Contesta a responsabilização dos sócios João Clemente Baena Soares e João Uchoa Cavalcanti Netto, por não terem sido observados os requisitos dó artigo 135, II do Código Tributário Nacional, bem como a coresponsabilização da Estácio Participações S.A., pois esta não possui interesse comum na situação que constitui o fato gerador das contribuições previdenciárias em análise. Não há que se falar em tal interesse comum, haja vista que a citada empresa nem mesmo existia à época dos fatos geradores. 10.14. Reafirma todos os demais pontos da peça defensiva inicial, reproduzindoos Da ciência e manifestação da Estácio Participações S/A 11. Tendo em vista que o autuante produziu considerações indicando a empresa Estácio Participações S/A como solidária, decorrente da formação de grupo econômico, os autos foram remetidos à Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (fls. 1.378) para cientificar a nova empresa da Resolução de n° 106, bem como do resultado da diligência, renovandose à interessada o prazo de defesa. 11.1. Após cientificada (fls. 1.381) a empresa Estácio Participações S/A apresentou a peça impugnatória de fls. 1.409/1.599, aduzindo o que segue, em breve síntese: 11.2. Propõe sua ilegitimidade passiva eis que não existia a Estácio de Sá Participações S/A quando da ocorrência dos fatos geradores. Não é sucessora da entidade que portava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 11.3. Admite que quotas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá LTDA SESES foram usadas para integralizar o aumento de capital da Estácio de Sá Participações S/A, com o que a primeira passou a ser controlada pela segunda. Contudo, defende que esta situação não é o bastante para que possa ser considerada corresponsável. O CTN possui previsão específica sobre a responsabilidade tributária dos sucessores, no art. 132. 11.4. Aponta os atos societários atualmente válidos e os vigentes à época dos fatos geradores, que demonstram que os sócios João Clemente Baena Soares e João Uchoa Cavalcanti Netto não exerceram seus cargos concomitantemente nas duas pessoas jurídicas e que a Estácio de Sá Participações S/A somente passou a ser sócia da autuada em 2007. 11.5. Insurgese contra a coresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que o CTN limita a corresponsabilização de pessoas físicas a hipóteses que no seu entender não guardam semelhança com as dos autos. 11.6. Repete os argumentos expendidos pela primeira impugnante. A DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 12898.000170/200881 Acórdão n.º 2402005.949 S2C4T2 Fl. 5 7 LANÇAMENTO DE DÉBITO. MOTIVAÇÃO JURÍDICA NULIDADE. VÍCIO FORMAL E nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação e ferindo o direito à ampla defesa do contribuinte. Caracterizase o vício formal quando o preposto do Fisco adota comportamento previsto em lei, sem seguir todos os seus requisitos e sem explicitar o motivo jurídico para tal. BOLSAS DE ESTUDOS. LANÇAMENTO GLOBALIZADO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE PRODUZIR PROVAS. NULIDADE. Não há demonstração dos efetivos fatos geradores incluídos no lançamento, estando incluídas no lançamento hipóteses de exclusão da incidência de contribuição previdenciária. É dever da Administração promover a correta capitulação do fato gerador, bem como carrear aos autos provas do fato jurídico tributável, conferindo certeza e liquidez ao crédito. A ausência de discriminação clara e precisa do fato gerador, e a insuficiência de provas da ocorrência do mesmo inquinam o lançamento de nulidade. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FÁTICOS E LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Não é válido o lançamento feito com técnica da aferição indireta sem haver fundamentação fática ou legal para a mesma. Só é admissível a inversão do ônus da prova no caso de se configurarem as hipóteses autorizadoras da realização da aferição nos moldes do artigo 33, § 3o da Lei 8.212/91 e 148 do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Fl. 1801DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Por ocasião da decisão de primeira instância administrativa, o ato que regulamentava o dispositivo legal acima referido era a Portaria MF nº 3/2008. Ocorre que, atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Analisandose o Auto de Infração (fl. 2), constatase que o valor do tributo somado ao encargo de multa equivale a R$ 693.019,56. Confirase: Vejase que o valor exonerado pela decisão da DRJ/RJ1 é inferior àquele estabelecido na Portaria MF nº 63/2017, o qual deve ser observado por ocasião do julgamento por este Conselho. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 12898.000170/200881 Acórdão n.º 2402005.949 S2C4T2 Fl. 6 9 Conclusão Assim, tendo em vista que o valor exonerado é inferior ao previsto na portaria ministerial, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1803DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.721246/2008-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a arguição de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou a relatora pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou a relatora pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Redator Designado (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 46 /2 00 8- 17 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.434 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos Especiais da Fazenda e do Contribuinte interpostos em face do Acórdão nº 1202001.026, em que se discutia a temática de preços de transferência, especificamente a ilegalidade da IN SRF 243/2002. A 2ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primera Seção de Julgamento deu provimento ao recurso do contribuinte, assim ementando os termos da decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243/2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo.” Do voto condutor, quanto à matéria IN SRF 243/2002 x Lei, foi dito, em síntese, que: (i) Em relação às duas fórmulas da IN 243/2002 e da Lei, verificase que existem diferenças entre o que consta na Lei e na Instrução Normativa: (i) a inclusão, na Instrução Normativa, de variável relativa ao percentual de participação do bem importado no produto final para fins de apuração desta participação com relação ao preço de venda do produto final e (ii) a não inclusão, na Instrução Normativa, da variável relativa à redução do valor agregado; (ii) Ademais, a margem de lucro de 60% que nos termos da Lei nº 9.430/96 incide sobre “o preco̧ de revenda, após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção, passou, com a Instrução Normativa nº 243/02, a incidir sobre a “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, sem dedução do valor agregado no País; Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.435 3 (iii) A norma regulamentar trouxe inovação, uma vez que a redação contida no art. 18, II, da Lei n. 9.430, de 1996 (com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000), dispondo a respeito da apuração do preço parâmetro, segundo o método PRL60, difere daquela contida no artigo 12 da IN SRF nº 243, de 2002. O Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, em face do recurso especal interposto pelo contribuinte, fez o exame de admissibilidade às fls. 581/586 do eprocesso, exarando, em síntese, a seguinte decisão: (i) O contribuinte apresentou recurso especial em face da decisão do Conselheiro Relator quanto ao tema da possibilidade da utilização por parte do Fisco do método PRL no cálculo do preço parâmetro nas vendas exclusivas a pessoas jurídicas vinculadas no Brasil. Importante mencionar que o voto do Relator foi vencido apenas na matéria da IN 243/2002 x Lei; (ii) O contribuinte, a rigor, carece de interesse de agir tendo em vista que a decisão exarada no acórdão, recorrido em seu resultado final, foi, no mérito, por maioria, integralmente favorável ao contribuinte; (iii) Independentemente disso foi feita a análise do resp. do contribuinte, concluindose pela sua inadmissibilidade “a uma, porque a recorrente carece de interesse de agir, ao interpor recurso especial de acórdão cuja decisão lhe foi integralmente favorável”, “a duas, porque deixou de demonstrar analiticamente a divergência arguida, “com indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”, conforme exigência do § 8º do art. 67 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015”. Portanto, terminou por negar seguimento ao recurso especial do contribuinte. E, em face do Recurso Especial interposto pela Fazenda, o Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF fez o exame de admissibilidade às fls. 379/381 do eprocesso, exarando, em síntese, a seguinte decisão: (i) Frente ao acórdão recorrido, que decidiu ilegais as disposições da IN 243/02 acerca do cálculo do método PRL60, a Fazenda apresentou a seguinte divergência jurisprudencial: Acórdão nº 110200.610 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.436 4 método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. (ii) Verificase que a divergência de entendimentos entre acórdãos recorrido e paradigma está suficientemente demonstrada por meio das respectivas ementas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora O recurso da Fazenda é tempestivo e, em conformidade com o despacho de juízo de admissibilidade de fls. 379/381 merecer ser conhecido, valendo destacar que a única matéria em causa diz respeito à alegação, pela Fazenda, da legalidade da IN 243/2002, quanto ao método de cálculo do PRL 60. A ementa do acórdão recorrido bem demonstra as razões pelas quais o Relator deu provimento ao recurso do contribuinte, declarando a ilegalidade da IN 243/2002: CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243/2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. Vêse, do voto vencedor do acórdão recorrido, que, na compreensão do Redator Designado, a norma regulamentar efetivamente inovara, ao trazer variável não contida no texto legal e variável que se encontra no texto legal, mas que não guarda correspondente na instrução normativa, quais sejam, respectivamente: a variável relativa ao “percentual de participação do custo do bem importado no custo do produto final, e a variável relativa a dedução do valor agregado”. E, nessa linha de raciocínio, destacouse no voto vencedor o artigo 150, I, da CF e o artigo 97, do CTN, que predicam o respeito ao princípio de reserva da lei na instituição ou majoração de tributos, concluindo, pois, que a IN foi além do que se permite no âmbito dos atos regulamentares, não podendo prevalecer. Por fim, no voto vencedor também se destacou que somente com o advento da Lei 12.715, de 2012, o critério de proporcionalização constante da IN foi validamente introduzido no ordenamento jurídico. Pois bem, tratandose, pois, de discussão a propósito da ilegalidade da IN SRF 243/2002 no que tange à aplicação do método PRL60, tomo a liberdade de reproduzir Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.437 5 excertos do voto por mim exarado no processo 16561.720037/201101, onde, em sede de Recurso Especial do contribuinte, a mesma matéria foi por mim examinada. “Em primeiro lugar, não obstante a questão envolva uma fórmula matemática, é sim matéria de ordem eminentemente jurídica, eis que a fórmula em questão está reduzida em um texto de lei, cuja interpretação, obviamente, deve ser feita segundo as boas regras de hermenêutica vigentes em nosso ordenamento e ordenadas pelo direito. E, tendo em conta tratarse de matéria tributária, a Constituição e o CTN predicam, necessariamente, a lei como objeto de interpretação, não admitindo, na construção do objeto de tributação, o emprego da analogia (CTN, Art. 107. “A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste capítulo”; § 1º “O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”). Ora, a leitura do artigo 18 da Lei 9.430/1996, em sua redação original, de modo algum, pode conduzir à formula matemática na IN 243/2002 na aplicação do método PRL60, senão à fórmula da IN SRF 32/2001. Ainda que se possa alegar que a interpretação literal feita pelas IN SRF 113/2000 e IN SRF 32/2001, em determinadas situações, possa levar a um pequeno ajuste ou a ajuste nenhum, isso não significa que, via IN, o Poder Executivo, ao largo da Lei, venha a corrigir o defeito nela contido, sob pena de violação ao princípio da legalidade. E, mesmo sob a perspectiva puramente matemática, vejase o estudo do Professor Vladimir Belitsky, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, anexado aos autos do processo, em que examina a matéria, comparando as três formulas existentes para cálculo do PRL60 com a fórmula verbalizada na Lei 9.430/1996, quais sejam: (i) A fórmula da Lei 9.430/96, segundo interpretada pela IN 113/2000 e pela IN 32/2001, ambas já revogadas; (ii) A fórmula introduzida pela IN 243/2002; (iii) A fórmula hipotética apresentada pela PGFN em suas defesas, apurada a partir de uma suposta interpretação gramatical da Lei 9.430/1996. Dessa análise, o Professor extrai a seguinte conclusão: (i) Todas as fórmulas são diferentes entre si; e (ii) A fórmula da IN 243/02 difere das outras duas não exclusivamente pela sua estrutura, mas também pelo conjunto dos parâmetros envolvidos. Especificamente, a fórmula da IN 243/02 envolve o VDBI (isto é, valor declarado do bem importado), enquanto que nem a fórmula da Lei 9.430/96, tampouco a fórmula hipotética, envolvem o VDBI em suas estruturas. A propósito, vale destacar as seguintes passagens do estudo do Professor Vladimir Belitsky: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96: é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.438 6 diferente da Lei 9.430/96, de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado de outro”. “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430?. É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático”. Ou seja, mesmo sob a óptica puramente matemática, prova o eminente Professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP, Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, que a IN SRF 243/2002, no cálculo do método PRL60 era flagrantemente ilegal, bem como que a Lei 9.430/1996, em sua redação original, não comportava variadas interpretações de fórmulas matemáticas. A doutrina, citando por todos Luís Eduardo Schoueri1, também aponta, sob perspectiva unicamente do direito, o desacerto na malfadada IN SRF 243/2002: 7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. ‘Cálculo do preço parâmetro’: a expressão ‘preço parâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preço parâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador. 1 Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética, 2006, p. 169. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.439 7 Em segundo lugar, também não tem nenhum cabimento a afirmação de que a MP 478/2009 (posteriormente substituída pela MP 563/2012, convertida na Lei 12.715/2012) fora editada apenas para “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”, como se lei interpretativa fosse, bastando que se leia a Exposição de Motivos preparada pelo ministério da Fazenda e subscrita por Luis Inácio Adams, então Advogado Geral da União: 20. No tocante às regras de preços de transferência a atual legislação, em grande parte baseada em Instrução Normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vem sofrendo crescentes questionamentos na esfera administrativa, razão pela qual se faz necessária a adoção de medidas voltadas a propiciar maior eficácia ao controle de preços de transferência, tendo em vista a importância da matéria para a proteção da base tributária brasileira. 20.1. Visando instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa, propõese a alteração da redação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com intuito de reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado, garantindo maior eficácia aos controles de preços de transferência. (...) 20.3. Nesse sentido, o art. 9º altera o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, de forma a instituir, em dispositivo com força de lei, a metodologia de cálculo que permitirá às pessoas jurídicas sujeitas aos controles de preços de transferência e ao Fisco reconstituírem, com maior precisão, o valor pelo qual o bem, direito ou serviço importado de pessoas vinculadas, aplicados ou não à produção, teriam sido comercializados em condições de livre concorrência, tanto no caso de revenda quanto para as situações em que haja agregação de valor. (Grifamos) Alberto Xavier2, em sua obra sobre direito tributário internacional, confirma a finalidade da MP 478/2009: Muitas das disposições introduzidas pela Medida Provisória nº 478/09 já constavam da Instrução Normativa n. 243/02, mas foram convertidas em disposições legais com o evidente intuito de afastar discussões acerca da sua legalidade. O objetivo do Poder Executivo, como bem revela a exposição de motivos da MP 478/2009, a toda evidência, foi predicar na Lei, quanto à metodologia do PRL60, o que estava apenas previsto na malfadada ilegal IN 243/2002, e é justamente nesse contexto que se deve ter em mente o pretendido “intuito de reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. 2Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, 2010, p. 321. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.440 8 Aliás, fosse a questão mera interpretação de texto, o Poder Executivo poderia ter se valido de Lei interpretativa, tantas vezes usadas para eliminar litígios variados em matéria tributária. Certamente se a matéria foi veiculada por Lei sem o caráter de lei interpretativa é porque o legislador legislador racional que é, na linguagem de Tércio Sampaio Ferraz , sabia que as medidas que iria implementar implicariam modificação no ordenamento legal então vigente. E vejase que o legislador, no cumprimento desse mister, fez muito mais do levar à Lei a fórmula da ilegal IN SRF 243/2002. Isto é, ao trazer para a lei tais regras, consciente do total absurdo da manutenção da margem de 60% na formula que estava dando foros de juridicidade, o legislador atribuiu margens variadas de lucro por setores mais adequadas às variáveis que na lei implementou para a busca do preço parâmetro para cálculo do ajuste de preços de preferência”. Por tudo isso, nego provimento ao recurso especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.441 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Redator Designado Analisando os fatos constantes dos autos, e as razões pelas quais a I. Conselheira Relatora decidiu por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, ouso discordar dos seus fundamentos e das conclusões, pelas razões que seguem adiante. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à legalidade ou não das disposições contidas na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que se refere, mais especificamente, ao denominado método PRL 60. Na realidade, o cálculo proposto pela IN SRF nº 243/2002, veio corrigir uma imprecisão metodológica no cálculo anteriormente previsto na Instrução Normativa que a antecedeu (IN SRF nº 32/2001, que teve curta vigência), que, porém, não a invalidava do ponto de vista legal. Vejase, para comprovação do afirmado, a tabela abaixo: INS. ESTRANG. INS. NACIONAL VALOR TOTAL PREÇO DE REVENDA (1) 100 Desc. incond. concedidos (2) 5 Imp. e contr. s/ vendas (2) 30 Com. e corretagens (2) 0 PREÇO LÍQ. REVENDA [(1) – (2)] = (3) 65 Valor dos insumos (4) 60 30 90 (Pr. líq. revenda – ins. nac.) [(3) – (4)] = (5) 35 Margem de lucro [60% x (5)] = (6) 21 PREÇO PARÂMETRO [(3) (6)] = (7) 44 Nesse primeiro cálculo, o preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o insumo nacional , é deduzido do valor de custo do insumo nacional (R$ 30,00), resultando em R$ 35,00, sobre o qual se calcula a margem de lucro de 60%, encontrandose R$ 21,00. Após isso, o preço parâmetro do insumo estrangeiro é apurado pela dedução dessa margem de lucro, de R$ 21,00, do preço líquido de revenda de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional , resultando em R$ 44,00. Ou seja, incluiuse, indevidamente, o preço líquido de revenda do insumo nacional, tanto para efeito de se calcular a margem de lucro de 60% (esta, tomandose como base o preço líquido de revenda de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional com a dedução do valor de custo do insumo nacional, de R$ 30,00), quanto, posteriormente, para se calcular o preço parâmetro do insumo estrangeiro (este, tomandose como base aquele mesmo preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional com a dedução da margem de lucro, de R$ 21,00). Vejase, agora, esta outra tabela, também construída a partir dos mesmos dados: Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.442 10 INS. ESTRANG. INS. NACIONAL VALOR TOTAL PREÇO DE REVENDA (1) 66,66666667 33,33333333 100 Desc. incond. concedidos (2) 3,333333333 1,666666667 5 Imp. e contr. s/ vendas (2) 20 10 30 Com. e corretagens (2) 0 0 0 PREÇO LÍQ. REVENDA [(1) – (2)] = (3) 43,33333333 21,66666667 65 Valor dos insumos (4) 60 30 90 Percentuais dos insumos (5)% 66,66666667 33,33333333 100 Margem de lucro [60% x (3)] = (6) 26 PREÇO PARÂMETRO [(3) – (6)] = (7) 17,33333333 Com a proporcionalização devidamente procedida pela IN SRF nº 243, de 2002, temse que, tanto a margem de lucro de 60%, quando o preço parâmetro que se referem, ambos, ao insumo estrangeiro , estão calculados sobre o valor de R$ 43,33, que é o preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional , devidamente escoimado do preço líquido de revenda do insumo nacional, de R$ 21,67, em tamanho destacado na tabela. Outro não foi o objetivo da Lei, ao dispor que a margem de lucro de 60% é “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção” (grifei). Ora, o “valor agregado no País” corresponde, iniludivelmente, em última análise, à participação do insumo nacional na formação do preço de revenda. Afinal de contas, o que interessa, na realidade, é o valor efetivo do bem importado, obtido por meio do expurgo de todos os acréscimos a ele imputados no País. Vejase que a metodologia do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), universalmente utilizada, indica que se deve ter como base o preço de revenda do bem importado, para se calcular o preço parâmetro, pois é a margem de lucro (de operações entre partes não relacionadas) que é tida como parâmetro para servir de comparação, mas se houver outros custos ou riscos (que corresponde ao valor agregado), isto deve ser considerado devidamente e segregado. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor, transformandose num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado, conforme estipula a metodologia da IN 243/2002 que, porém, usa margens fixas ao invés de usar margens de lucro comparadas, como é caso do Manual da OCDE. Esta metodologia é corroborada no Manual de Preços de Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU que, inclusive, traz especificamente a metodologia brasileira, com as margens fixas para o PRL.3 De lembrar que, embora o Brasil não seja membro da OCDE, é membro da ONU. Vejase que, se os outros custos não forem devidamente isolados no cálculo do preço parâmetro, podese chegar a números absurdos (e esta segregação é feita por meio da proporcionalização do custo). Ora, como vimos acima, valor agregado é aquilo que, mensurado economicamente, é adicionado a um bem existente (custo adicionado). O método de Preço de 3 A metodologia brasileira de margens fixas para o método PLR está às paginas 359 a 366 (Cap. 10.1), do Manual de Preços de Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU, disponível em http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.443 11 Revenda menos Lucro (PRL) deve ter como base o preço de revenda do bem importado pois é a margem de lucro que é tida como parâmetro para servir de comparação. Se o bem importado teve valor agregado no país transformandoo num outro produto, tal valor deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto, para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, o que é feito pela proporcionalização de sua participação no custo do bem, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. Pelo exposto até aqui, todos os argumentos da recorrida para inquinar de ilegalidade a IN SRF 243/2002 não se sustentaram sob uma análise interpretativa. Mas há mais argumentos. Pela lógica dos Preços de Transferência, o Método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve ter por base o preço de revenda do bem importado, o qual sofreu agregação de valor no país, para então, sobre este preço de revenda expurgado do valor agregado no país, aplicarse a margem de preço de revenda legal de 60% para se encontrar o preço parâmetro do custo do bem importado. Corrigindo a distorção inicialmente implementada com a edição da IN 32/2001, a metodologia veiculada no § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/2002 não mais determinou a incidência da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do produto acabado, mas sobre a parcela desse valor que corresponde ao bem importado, i.e., a chamada “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, o que viabiliza a apuração do preçoparâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância com o objetivo do método PRL 60 e a finalidade do controle dos preços de transferência. Ou seja, o método de Preço de Revenda menos Lucro deve ter como base o preço de revenda do bem importado, pois é a margem de lucro que é tida como parâmetro para servir de comparação. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor, transformandoo num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. Insta observar, ainda, que as interpretações sistemática, lógica e finalística, aqui empregadas, prevalecem sobre eventuais interpretações gramatical e histórica que se pretenda empreender, com o fito de inquinar de ilegal a IN SRF nº 243/2002. Por fim, cumpre mencionar que o Tribunal Regional Federal da Terceira Região possui o mesmo entendimento, desde 2011, conforme Apelação Cível nº 0028594 62.2005.4.03.6100/SP, de 2 de outubro de 2014, que menciona diversos outros precedentes no mesmo sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. LEIS 9.430/1996 E 9.959/2000. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/2002. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60. PREÇO PARÂMETRO. VALOR AGREGADO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO E IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LEGALIDADE. AGRAVO RETIDO. FALTA DE REITERAÇÃO. 1. Não se conhece do agravo retido, não reiterado na forma do artigo 523, CPC. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.444 12 2. A IN 243/2002 foi editada na vigência da Lei 9.959/2000, que alterou a redação da Lei 9.430/1996, para distinguir a hipótese de revenda do próprio direito ou bem, tratada no item 2, da hipótese de revenda de direito ou bem com valor agregado em razão de processo produtivo realizado no país, tratada no item 1, ambos da alínea d do inciso II do artigo 18 da lei. 3. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, no caso de direitos, bens ou serviços, oriundos do exterior e adquiridos de pessoa jurídica vinculada, passou, na vigência da Lei 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, "d", 1). 4. A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, em cumprimento às obrigações assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF 32/2001. 5. Com efeito, o cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz, no atingimento da finalidade legal e convencional, quando se trate de importação de bens, direitos ou serviços finais para revenda interna, não, porém, no caso de importação de matériasprimas, insumos, bens, serviços ou direitos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. 6. Assim, a IN 243/2002, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro , para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país, não inovou nem violou o artigo 18, II, d, item 1, da Lei 9.430/1996 com a redação dada pela Lei 9.959/2000. 7. Contrariamente ao postulado na inicial, o que se verificou foi a necessária e adequada explicitação, pela instrução normativa impugnada, do conteúdo legal para permitir a sua aplicação, considerando que o conceito legal de valor agregado, conducente ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do produto. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.445 13 8. O artigo 18, II, da Lei 9.430/1996, alterada pela Lei 9.959/2000, prevê que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL 60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. 9. O preço de transferência, assim apurado e não de outra forma como pretendido neste feito, é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado concorrencial, ou seja os praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. 10. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei 9.430/1996 alterada pela Lei 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. 11. Precedentes. Ainda, em recentíssima decisão, aquele mesmo Tribunal Regional Federal da Terceira Região expendeu o seguinte entendimento (Agravo Legal em Apelação Cível nº 002983651.2008.4.03.6100/SP, de 18 de março de 2016, publicado em 31 de março de 2016): 1. O Preço de Transferência, em suma, é o valor definido para registrar as operações de venda ou transferência de bens, serviços ou propriedade intangível entre partes vinculadas, cujo controle é obtido mediante a comparação com preços praticados pelo mercado, por partes individuadas, em negócios semelhantes. Esse processo, do qual o Brasil adotou as regras, deriva das disposições da Convenção Modelo Fiscal da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pretende, dentre outros aspectos, consolidar a tributação igualitária das operações entre as empresas vinculadas, impedindo a manipulação de transações a fim de diminuir os encargos fiscais e, por consequência, preservando as Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.446 14 operações similares praticadas pelas empresas independentes e a concorrência, inibindo a perda de receitas pelo Fisco. Encontrase abrigado na Lei nº 9.430/1996 e denominase Arm's length principle (Princípio da Neutralidade ou do Preço sem Interferência ou, ainda, Princípio dos Preços Independentes Comparados). No caso de empresas vinculadas, objetiva coibir tanto a dupla tributação como a ocorrência de evasão fiscal, determinandose uma margem de lucro sobre o valor do preço líquido de revenda da mercadoria ou insumo importado. 2. A sistemática prevista pela Lei nº 9.430/96, posteriormente modificada pela Lei nº 9.959/2000, e as INs/SRF nºs. 32/2001 e 243/2002, busca, em última análise, corrigir distorção em relação à margem de lucro, a qual, segundo o ordenamento jurídico modificado, resultaria da aplicação do percentual de 60% sobre os preços de venda do bem produzido. Com a modificação introduzida, passouse a considerar, para a apuração do preço parâmetro, a participação dos bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção, tanto no preço de venda do produto, quanto no custo total do bem acabado, já com valor agregado no país, o qual, juntamente com a margem de lucro de 60%, são eliminados na apuração do preço parâmetro, segundo a metodologia prevista no art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, da mencionada IN/SRF nº 243/2002, a qual regulamentou a Lei nº 9.430/1996, com a redação veiculada pela Lei nº 9.959/2000. 3. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL passou, na vigência da Lei nº 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, "d", 1). A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, em cumprimento às obrigações internacionais assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei nº 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF nº 32/2001. 4. Com efeito, o cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz no sentido de atingir a finalidade legal nos casos de importação para revenda interna, não, porém, no caso de importação de insumos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. 5. Assim, nesse aspecto, a IN nº 243/2002 não violou o artigo 18, II, "d", item 1, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro, para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10283.721246/200817 Acórdão n.º 9101002.936 CSRFT1 Fl. 3.447 15 valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país. O conceito legal de valor agregado, que conduz ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do bem. O art. 18, II, da supracitada legislação prevê que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL 60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. O preço de transferência assim apurado é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado, praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. 6. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei nº 9.430/1996 alterada pela Lei nº 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF nº 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. Pelo exposto, discordo da I. Conselheira Relatora, e voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 649DF CARF MF
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