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Numero do processo: 10620.001093/2006-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002, 2003
EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS.
Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF).
RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO.
Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.812
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF). RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO. Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarouse impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 490DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 469.739,32, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas nos anoscalendário 2002 e 2003, relativas a insuficiência de recolhimento de tributos e que ensejaram o arbitramento dos lucros (fls. 04/36). As irregularidades foram assim descritas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 35 e demonstrativos às fls. 36/43: O contribuinte apresentou em 07/04/2006 os Livros Registro de Entradas, Saídas e de Apuração de ICMS e Livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, relativo ao período de 01/2002 a 12/2003 (doc. fls. 47 a 56). Apresentou também os balancetes mensais de apuração de PIS e COFINS em relação ao mesmo período anteriormente mencionado. Não apresentou os livros diário e razão, também solicitados. Em 23/08/06 apresentou documento no qual declara não ter os livros diário e razão, relativamente aos anos de 2002 e 2003 (doc. fl. 61). Além desses fatos, em 29/06/04 apresentou DIPJ's 03/04 zeradas (doc. fls. 62 .a 141). Após o inicio do procedimento fiscal, apresentou em 01/04/06, DIPJ retificadora (doc. fls. 142 a 188) , confirmando a tentativa de lesão aos cofres públicos. Diante dos fatos acima transcritos, procedemos ao arbitramento do lucro, considerando as planilhas apresentadas pelo contribuinte (doc. fls. 49 a 56), os valores constantes dos livros de ICMS e os valores das DIPJ's retificadoras, lançando os tributos devidos com as multas cabíveis, conforme planilhas anexas a este termo (doc. fls. 36 a 43). Cientificada das exigências por via postal, em 21/09/2006, conforme AR à fl. 190, apresentou a contribuinte impugnação em 25/09/2006 (fl. 192/) na qual solicita sejam considerados determinados pagamentos efetuados com DARF, conforme demonstrativos às fls. 193 a 196 e cópias dos DARFs às fls. 197 a 229. A 4a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão 0220.559 e julgou os lançamentos procedentes em parte (fls. 344/348). No julgamento foram exonerados os valores exigidos a título de PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2002 pois a contribuinte os teria declarado como confissão de dívida em DCTF apresentada extemporaneamente, porém antes do início do procedimento fiscal. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10620.001093/200640 Acórdão n.º 180100.812 S1TE01 Fl. 486 3 Foram mantidos integralmente os valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL pois a contribuinte, optante pelo lucro real, não teria apresentado escrituração comercial e fiscal, nos termos da legislação em vigor, tendo sido declarado válido o arbitramento dos lucros. De acordo com aquela autoridade os valores pagos a título de IRPJ e de CSLL deveriam ser pleiteados em rito próprio de restituição/compensação. Notificada da decisão a empresa apresentou, em 19/02/2008 o recurso voluntário de fl. 351, no qual informa que “...no dia 22092006, recebeu desta Agência a CARTA COMUNICAÇÃO ARF / DTA / MG N° 009/2009, a qual encaminha cópia do Acórdão da DRJ BHE n° 0220.559...” e solicita sejam considerados os pagamentos efetuados no prazo conforme planilha e cópias de DARFs que anexa às fls. 353 a 371. Consta dos autos que os débitos teriam sido enviados para a Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 373 a 420), assim como um esclarecimento da pessoa jurídica (421) informando a respeito da indevida inscrição em dívida da União e de sua impossibilidade de formalização de DCOMPs para os pagamentos efetuados a título de IRPJ e de CSLL não considerados pela decisão de 1a. instância em virtude da prescrição. À fl. 477 encontrase quota da Procuradoria da Fazenda Nacional de Sete Lagoas/MG solicitando da Receita Federal manifestação conclusiva sobre a ocorrência ou não dos recolhimentos estampados nas guias DARF apresentadas pela defesa e se tais valores teriam sido alocados aos débitos lançados. À fl. 478 encontrase despacho do SECAT da DRF em Sete Lagoas/MG, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, período de apuração 2002 e 2003 (fls. 04 a 32), lavrado em 18/06/2006 e com ciência do contribuinte em 21/09/2006, conforme Aviso de Recebimento de fl. 190. O contribuinte entrou com impugnação tempestiva em 25/09/2006 (fl. 192) e o processo foi encaminhado à DRJ/BHT/MG, com resultado através do Acórdão n° 0220.559, de 23/12/2008 (fls. 344 a 348). O contribuinte tomou ciência da decisão em 06/02/09 (AR de fl. 372) e em 19/02/2008, manifestouse contra a mesma, apresentando nova peça impugnatória (fl. 351) juntamente com as cópias dos comprovantes dos recolhimentos efetuados, de fls. 351 a 371. Tal fato não foi analisado; foi enviada cartacobrança ao contribuinte, com recebimento em 08/05/2009 (fl. 374), e, em 04/06/2009, o contribuinte efetuou novo pedido de revisão dos débitos (fls. 421 a 464). Em 15/06/2009, o processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional para Inscrição na Divida Ativa (DAU), efetuada na mesma data sob o número 60 2 09 00160702 (Termo e anexos de fls. 384 a 400). Em 15/07/2009, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da DRF/STL/MG, na análise do pedido de revisão dos débitos (naquela época já inscritos na Divida Ativa da União), verificou que os pagamentos efetuados pelo contribuinte estavam alocados aos débitos declarados em DCTF, estando, assim, indisponíveis. Propôs, pois, a manutenção da inscrição e prosseguimento da cobrança (fl. 470). Em 07/10/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em despacho de fl. 477, retornou o presente processo a DRF/STL/MG para manifestação da Receita Federal Fl. 492DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 frente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Na análise dos autos, observouse que o requerimento apresentado pelo contribuinte, em 19/02/2008 (fl. 351), havia sido tempestivo, conforme o art. 33 do Decreto n º 70.235/72, abaixo transcrito: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Concluise que a inscrição em DAU foi indevida e que o processo deve seguir para julgamento em 2a. instancia. Proponho, pois, que o presente processo seja encaminhado à PFN/SETE LAGOAS/MG, para cancelamento da Inscrição em Divida Ativa da União, com posterior devolução à SACAT/DRF/STL/MG para encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As inscrições em Dívida Ativa foram canceladas e o processo remetido para julgamento neste CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Não é possível saber a data em que a empresa contribuinte foi notificada da decisão da DRJ em Belo Horizonte/MG. Não consta dos autos o AR da referida intimação. A empresa alega a tempestividade do Recurso, em que pese afirmar ter sido notificada da decisão em 22/09/2006, e ter apresentado o Recurso Voluntário em 19/02/2008, ou seja, passado mais de um ano da ciência. O despacho do SECAT da DRF em Sete Lagoas/MG, à fl. 478, também é confuso, pois afirma que a contribuinte teria tomado ciência da decisão em 06/02/09 (AR de fl. 372) e teria protocolizado o Recurso Voluntário em 19/02/2008, ou seja, um ano antes de ser cientificada. Assim, para que não haja mais prejuízos à defesa, considero tempestivo o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento. Mérito A recorrente não contesta o mérito da autuação e, nos termos do artigo 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF, “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Entretanto, como visto no relatório que precede o presente voto, a DRJ em Belo Horizonte/MG já havia exonerado a empresa recorrente dos lançamentos atinentes às Fl. 493DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10620.001093/200640 Acórdão n.º 180100.812 S1TE01 Fl. 487 5 contribuições ao PIS e a COFINS, em vista dos pagamentos comprovadamente efetuados e declarados em DCTF, antes do início do procedimento fiscal. Em que pese a exoneração taxativa, a unidade de origem enviou, indevidamente, carta de cobrança ao sujeito passivo e, posteriormente, todos os débitos lançados neste processo para inscrição em Dívida Ativa da União, inclusive os de PIS e COFINS. Os valores exigidos de PIS e COFINS são indevidos, como já havia sido decidido pela DRJ em Belo Horizonte. Portanto, diante da EXONERAÇÃO dos lançamentos de PIS e COFINS, nada mais deverá ser cobrado da contribuinte a esse título. Qualquer cobrança ou inscrição em dívida dos valores de PIS e COFINS constantes do presente processo devem sumariamente ser consideradas indevidas. No que toca ao IRPJ e a CSLL é fato inconteste que a empresa não possui escrituração nas formas das leis comerciais e fiscais. Nesse ponto não houve sequer impugnação por parte da empresa, como consignei anteriormente. Dessa forma, o arbitramento é devido, assim como os valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL. Contudo, também é fato inconteste que a empresa declarou em DCTF valores devidos a título de IRPJ e de CSLL para todos os meses dos anoscalendário 2002 e 2003, assim como providenciou, TEMPESTIVAMENTE, os recolhimentos desses débitos, conforme comprovam os DARFs anexados às fls. 197 a 228, confirmados pelas pesquisas realizadas nos sistemas internos da Receita Federal, cujas telas foram inseridas às fls. 230 a 279 e solicitou que esses pagamentos também fossem abatidos dos montantes exigidos a título de IRPJ e de CSLL. Na decisão da DRJ em Belo Horizonte o relator do voto consignou que não poderiam ser abatidos os valores pleiteados e que a empresa deveria apresentar Declaração de Compensação/Restituição, nos termos do artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, para se aproveitar desses pagamentos em compensação com outros tributos ou para solicitar a restituição desses valores. Ocorre que, como bem lembrou a defesa, há prazo fatal estabelecido na mesma legislação citada pela autoridade da DRJ, para apresentação de pedidos ou declarações de compensação/restituição e quando a empresa recebeu a notificação da decisão da DRJ, esse prazo já havia se esgotado. Observese que a ação fiscal teve início em 22/03/2006, com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização às fls. 44/45 (ciência à fl. 46) quando a contribuinte já havia apresentado as DCTF (2004) e já havia providenciado os recolhimentos (2002). Naquele momento o agente fiscal já dispunha dessas informações. Portanto, a auditoria, sob esse aspecto, foi falha, pois o agente não tomou o cuidado de checar se a pessoa jurídica havia apresentado DCTF ou se havia recolhido algum valor a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002 e 2003. A DRJ em Belo Horizonte/MG percebeu a falha e constatou a entrega pela contribuinte de DCTFs, de forma extemporânea, mas antes do início da ação fiscal. (fls. 329/342). Por essa razão os valores exigidos de PIS e de COFINS foram considerados indevidos. Todavia, as dificuldades operacionais dos sistemas internos da Receita Federal, somadas à inércia da administração não podem prejudicar o direito da contribuinte. Fl. 494DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Na época em que lavrou os autos de infração a auditoria já poderia ter orientado corretamente a empresa a apresentar pedido de restituição ou DCOMP para reaver ou utilizar em compensações os pagamentos efetuados a título de IRPJ e de CSLL, que passaram a ser indevidos em face dos valores exigidos nos moldes do arbitramento dos lucros nos anos calendário 2002 e 2003, pois ainda não haviam se passado os cinco anos a contar do primeiro recolhimento indevido. Portanto, os recolhimentos tempestiva e comprovadamente efetuados a título de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003 e declarados em DCTF deverão ser utilizados em imputação de pagamento e alocados aos débitos de IRPJ e de CSLL exigidos nos respectivos autos de infração, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para determinar a alocação dos pagamentos de IRPJ e de CSLL ao crédito tributário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 495DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18050.008714/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação.
MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA
Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação de juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para excluir a multa de ofício.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação de juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação de juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa de ofício. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18050.008714/200800 Acórdão n.º 210201.700 S2C1T2 Fl. 157 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 16/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 140 a 141 da instância a quo, in verbis: A interessada contesta o imposto lançado sobre rendimentos que havia declarado como isentos por ser portadora de moléstia grave, recebidos em 2003, 2004, 2005 e 2006. Durante a fiscalização a interessada, intimada a comprovar a sua condição de portadora de moléstia que lhe daria direito à isenção, apresentara documentos para comprovar que recebia rendimentos de pensão pelo falecimento de seu cônjuge, o qual gozava de isenção por este motivo. Não apresentara, porém, laudo pericial oficial comprovando que ela própria tivesse direito a este benefício. A impugnante argumenta, em síntese, que o lançamento seria nulo por erro na identificação do sujeito passivo, já que o imposto deveria ser exigido da fonte pagadora, que deixara de efetuara retenção do tributo, obrigada como estava a efetuar a reclassificação dos rendimentos isentos do seu cônjuge para rendimentos tributáveis da pensionista. Afirma que ela própria em sua declaração não agira com máfé, pois apenas transcrevera os dados do seu comprovante de rendimentos. Não caberia, assim, a aplicação de multa e juros de mora sobre o imposto lançado, pois fora induzida a erro. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente de que a fonte pagadora é que seria a responsável pelo recolhimento do IR não tem fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS. IMPOSTO NA FONTE NÃO RETIDO. Sujeitamse à tributação na declaração de ajuste anual os rendimentos tributáveis, ainda que não tenham sofrido retenção de imposto de renda na fonte. RENDIMENTOS OMITIDOS. RESPONSABILIDADE. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18050.008714/200800 Acórdão n.º 210201.700 S2C1T2 Fl. 158 3 A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva e independe da intenção do agente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 145 a 149, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que a fonte pagadora deveria ter reclassificado os rendimentos e ao não fazêlo induziu o contribuinte ao erro que jamais agiu de máfé. Requer que seja cancelado o lançamento ou que, pelo menos sejam cancelados a multa e juros aplicados. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A contribuinte atesta que se equivocou ao incluir rendimentos tributáveis como isentos em suas declarações do IRPF, alegando ter sido induzida por erro da fonte pagadora. Nesse caso, a legislação tributária estabelece que o ônus do pagamento do imposto recai sobre aquele que efetivamente percebeu o rendimento. Desta forma, não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que a fonte deveria ser responsabilizada. Aliás, essa matéria não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações recursais. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Por outro lado, vejo que o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora, que fez constar no informe de rendimentos, como isentos, os valores relativos à pensão recebida. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 18050.008714/200800 Acórdão n.º 210201.700 S2C1T2 Fl. 159 4 A respeito da questão, a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou através do Acórdão CSRF/010.217, produzindo a seguinte ementa: IRPF REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO DE OFÍCIO OU POR DECLARAÇÃO Desde que o contribuinte declarou os rendimentos, embora erroneamente, os considerasse intributáveis, não cabia considerar tais rendimentos como omitidos e inexata a declaração, efetuandose o conseqüente lançamento de ofício. A hipótese ensejava a retificação de erro, em simples revisão interna, procedendose ao lançamento por declaração. Assim, deve ser exigido do contribuinte tão somente o imposto e os encargos da mora aplicados em consequências pelo não recolhimento do tributo tempestivamente, cuja base legal para os juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração, dispensandoo do recolhimento da multa de oficio, considerando não ter ele agido de forma dolosa ou mesmo culposa na presente omissão, mesmo porque informou o rendimento, ainda que de forma equivocada. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, cancelando o lançamento da multa de ofício. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000272/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputase
não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha
sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o
pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito
fiscal omitido e que não configure matéria de ordem pública, restando, pois,
definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em
agravantes, corrigir a falta e requerer a relevação durante o prazo para
impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência
Social.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos
geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração,
violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa
prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A
MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO
INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de
lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a
aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no
mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração
relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo
período, devemos nos basear no art. 35A.
Assim, comparamos a multa de
75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas
dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao
contribuinte é aquela que deve prevalecer.
Numero da decisão: 2301-002.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei
8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para manter a aplicação da multa de ofício mais benéfica quando comparada à
penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo
Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal omitido e que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes, corrigir a falta e requerer a relevação durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal omitido e que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes, corrigir a falta e requerer a relevação durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 694 2 dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para manter a aplicação da multa de ofício mais benéfica quando comparada à penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 695 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2007, em desfavor de TRC – CONSULTORIA & COBRANÇA S/C LTDA, sob o fundamento de que esta apresentou as GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social do período abarcado entre abril/2005 a dezembro/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, infringindo o art. 32, inciso IV e §5° da Lei n° 8.212/91, dispositivos acrescidos pela Lei n° 9.528/97, combinados com o art. 225, inciso IV e §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu art. 284, caput e inciso II, e em seu art. 373. No Relatório Fiscal de fls. 10/11, o AFRFB narra uma sucessão de fatos, dos quais os fatos geradores não declarados referemse ao pagamento de remunerações na forma de prêmios a segurados empregados e a contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada. Os aludidos prêmios foram pagos através dos cartões magnéticos Spirit Card, disponibilizados pela prestadora de serviços Spirit Marketing Promocional Ltda., que puderam ser utilizados para obtenção de produtos e serviços na Rede Conveniada. Ademais, tais valores foram extraídos da escrituração contábil da empresa, conta de resultado Custos dos Serviços Vendidos / Gratificação Spirit, e das notas fiscais ou faturas emitidas contra a empresa. Foram excluídos, outrossim, dos valores totais das notas fiscais de prestação de serviços, para efeitos da constituição da base de cálculo das contribuições previdenciárias, os honorários da contratada, calculados à base de 6% (seis por cento). Foram anexadas ao relatório fiscal, planilhas discriminando os segurados e as remunerações pagas ou creditadas, de acordo com as notas fiscais ou faturas emitidas pela Spirit e não declaradas nas GFIP. Constam nas referidas planilhas, inclusive, as contribuições que deveriam ter sido arrecadadas dos contribuintes individuais, cuja responsabilidade do recolhimento à RFB cabe à empresa, haja vista o disposto na Lei n° 10.666/03. Em seguida, foilhe aplicada multa com base nos dispositivos supramencionados, consoante se depreende do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 12/14), tendo o valor para tal aplicação sido calculado de acordo com o previsto no art. 102, da Lei 8.212/91, e atualizado pela Portaria MPS/GM n° 142, de 11/04/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação de fls. 662/665, tendo o acórdão de fls. 671/675 julgado procedente o lançamento e mantido o crédito tributário exigido, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2007 AI 37.135.9015 GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP com dados não Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 696 4 correspondentes aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. PROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO. Estando estabelecida a materialidade da infração, e por conseqüência a sua procedência, não há que se falar em insubsistência do correspondente auto ou em improcedência da aplicação da penalidade. Lançamento Procedente Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 679/683, alegando, em síntese que, em virtude da Recorrente ter preenchido os requisitos do disposto no art. 291, §1°, do Regulamento da Previdência Social, esta faz jus a relevação da multa, haja vista que segundo a redação do referido dispositivo legal, a multa somente é relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta até a data da decisão da autoridade que julgar o auto de infração. Sem Contrarazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 697 5 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas O Auto de Infração em comento versa sobre a apresentação de GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, no período abarcado entre abril/2005 a dezembro/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, o que teria infringido o art. 32, inciso IV e §5° da Lei n° 8.212/91, dispositivos acrescidos pela Lei n° 9.528/97, combinados com o art. 225, inciso IV e §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu art. 284, caput e inciso II, e em seu art. 373. Nas razões recursais ora em apreço, a empresa sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, tendo em vista que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 698 6 de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do pedido de relevação da multa Primeiramente, cumpre esclarecer que a multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação, em obediência ao disposto no art. 32, §5°, da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei n° 9.528/97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 284, inciso II, com a redação dada pelo Decreto n. 4.729/03 e art. 373. No caso dos autos, verificase que o contribuinte guerreia pela relevação da referida multa. Contudo, a mesma não poderá ser relevada, tendo em vista não estarem presentes os requisitos do artigo 291, §1º do RPS, in verbis: Art. 291 – Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Neste diapasão, embora a Recorrente seja primária, não tenha incorrido em circunstâncias agravantes, a mesma não requereu a relevação da multa dentro do prazo destinado à defesa, bem como não comprovou a efetiva correção da falta cometida (retificações nas guias do FGTS e nas GFIP’s) até a presente data, não sendo cabível, portanto, a relevação da multa. Corroborando com o acima exposto, segue abaixo decisões prolatadas em sede de Recurso Voluntário acerca da questão, literris: Nº Recurso 243869 Número do Processo 12045.000074/200793 Órgão Julgador Quinta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes Contribuinte: ESC 90 TELECOMUNICAÇÕES LTDA Tipo do Recurso: Recurso Voluntário Dado Provimento Parcial Por Unanimidade Data da Sessão: 05/11/2008 Relator: Marco André Ramos Vieira Nº Acórdão: 20501317 Tributo / Matéria Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/06/2006 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 699 7 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de aplicação de penalidade pecuniária sempre se observa o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. PEDIDO NÃO REALIZADO NO PRAZO DE DEFESA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve o pedido de relevação dentro do prazo de defesa. Assim, fica demonstrada a necessidade de ser identificada de maneira correta cada etapa processual, para fins de definição dos direitos que assistem aos contribuintes. Caso não seja exercido no tempo correto há a preclusão do direito. A fase de recurso não se confunde com a de impugnação. Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. *** Nº Recurso: 244947 Número do Processo: 11073.000207/200721 Órgão Julgador Sexta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes Contribuinte: HERMES IENERICH Tipo do Recurso: Recurso Voluntário Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão: 07/10/2008 Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão: 20601373 Tributo / Matéria Decisão Por unanimidade de votos converteuse o julgamento do recurso em diligência. Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 14/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 50 LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de encaminhar mensalmente ao INSS todos os alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, de acordo com critérios estabelecidos por referido Instituto, conforme preceitos contidos no dispositivo legal supra, c/c artigo 226, § 1º, do RPS. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, § 1º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 700 8 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, nos termos do artigo 9º, § 6º, da Portaria nº 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5º, inciso V, do Regimento Interno do CRPS, vigentes à época, c/c artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Deste modo, não pode ser acolhido o pedido da recorrente de relevação da multa. Da Aplicação de Penalidade Mais Benéfica Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 35, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada, legalmente embasada no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 701 9 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 702 10 introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para determinar a aplicação da multa prevista no art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, caso esta seja mais benéfica à contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 703 11 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado: Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009 Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de três situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta. 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 11DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 704 12 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP: o art. 32A e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Para tanto, nossa análise percorre o seguinte caminho: primeiro verificamos a existência de diferença de contribuição constada no mesmo procedimento de ofício, depois determinamos a multa de ofício aplicável e, por último, na ausência de diferença de tributo, verificamos a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Logo, apurada diferença de contribuição, a falta de apresentação da GFIP e a declaração inexata da GFIP, hipótese antes punidas pelos §§4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212/981, são puníveis pela multa de 75% sobre a diferença do tributo, com base no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Por fim, se não foi apurada diferença de contribuição, hipótese antes punida pelo §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a MP 449 previu a aplicação da multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida em na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. 106: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 705 13 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de Fl. 13DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12268.000272/200732 Acórdão n.º 230102.301 S2C3T1 Fl. 706 14 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32 A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. Assim, votamos por dar provimento ao recurso para a aplicação da multa mais benéfica quando comparamos, no mesmo procedimento de ofício, a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 14DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 02/11/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 15563.000175/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MOTIVAÇÃO.
Não sendo declinado com precisão no ato declaratório de exclusão o fundamento da exclusão, nem sendo possível aferi-lo com certeza, deve o ato ser anulado.
SIMPLES. APURAÇÃO. REGIME GERAL.
O auto de infração lavrado contra optante do Simples, com fundamento na legislação de apuração do lucro arbitrado deve ser anulado por vício no fundamento legal da autuação.
Numero da decisão: 1302-000.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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DE PRODUTOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MOTIVAÇÃO. Não sendo declinado com precisão no ato declaratório de exclusão o fundamento da exclusão, nem sendo possível aferilo com certeza, deve o ato ser anulado. SIMPLES. APURAÇÃO. REGIME GERAL. O auto de infração lavrado contra optante do Simples, com fundamento na legislação de apuração do lucro arbitrado deve ser anulado por vício no fundamento legal da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.676 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.677 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 7ª Turma da DRJ/RJO1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade: 1) indeferir a solicitação da interessada, não reconhecendo o seu direito de permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. 2) julgar procedente o lançamento, permanecendo o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.226.542,09, a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 343.563,39, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.585.677,62 e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de 570.843,94, todos acrescidos de multa de 150% e demais acréscimos legais, de acordo com a legislação de regência. O julgado seguiu assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES A prática reiterada de infração à legislação tributária é motivo legal para a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES . Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.678 4 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LEI Nº 105/2001. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Aplicase a multa qualificada de 150% nas infrações em que ficar caracterizado o evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. É pessoalmente responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o sócio ou representante que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: PIS. COFINS. CSLL. Na ausência de argumentos diferenciados, aplicase ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao IRPJ. Mantido o lançamento principal igual sorte assiste aos lançamentos reflexos. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004, 2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 1 º de janeiro de 1995, serão acrescidos de juros de mora, equivalentes, a partir de 1 º de abril de 1995, à taxa referencial do SELIC para títulos federais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.679 5 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade observa os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. Solicitação Indeferida. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 1251/1281, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu/RJ, por meio dos quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.226.542,09 (fls. 1251/1258), a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 343.563,39 (fls. 1259/1266), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.585.677,62 (fls. 1267/1274) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de 570.843,94 (fls. 1275/1281), todos acrescidos de multa de 150% e juros de mora calculados até 29/02/2008. O total do crédito tributário constituído perfaz o valor de R$ 10.661,926,86, conforme demonstrativo de fl. 05. Como parte integrante do auto de infração veio o Termo de Verificação de Infração, fls. 1243/1250, que se resume a seguir: o Fisco verificou do exame de documentos referentes a operações realizadas nos anoscalendário de 2004 e 2005, que o contribuinte promoveu atividades mercantis, que deram origem a fatos geradores de tributos, não calculados, não declarados e não recolhidos; a caracterização da matéria substantiva do lançamento e os demais elementos de prova estão a seguir descritos e apresentados: Breve histórico e cronologia dos fatos: o presente procedimento teve origem em atenção ao Oficio MPF/PRM/SJMG/GAB/APRR n° 133/06, do Ministério Público Federal, que requisitou instauração de ação fiscal para verificação do objeto de denúncia efetuada pela Receita Previdenciária (fls. 1242); quanto ao ano calendário de 2004 o contribuinte apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica PJSI 2005 SIMPLES (fls. 06 a 23), sem ser optante do SIMPLES, declarando Receita Bruta de R$ 24.200,62, porém com movimentação financeira de R$ 13.568,241,66; quanto ao ano calendário de 2005 o contribuinte apresentou DSPJ como INATIVA, (fl. 24) embora tenha tido movimentação financeira cm diversos bancos no valor de R$ 49.842.293,12; ao iniciarse a ação fiscal, constatouse, em diligências, que a empresa não mais se localizava no endereço constante dos cadastros da SRF, fato que acarretou a lavratura, em 22/08/2006, de Termo de Constatação Fiscal (fls. 25); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.680 6 tendo em vista a inexistência da empresa no endereço informado a SRF, os sócios Anderson de Carvalho Cussate e Luís Limeira Leite foram intimados a apresentar os documentos constantes das respectivas intimações, via Correios com AR (fls. 26/29); face ao não atendimento as intimações acima, os sócios foram reintimados em 27/12/2006, via correio com AR, sendo que desta vez a intimação para o sócio Anderson de Carvalho Cussate (fls. 30 e 31) retomou com seguinte informação: "mudouse"; a intimação para o sócio Luís Limeira Leite foi recebida em 03/01/2007 (fls. 32 e 33); em 23/03/2007, o Sr. Wesley Gonçalves da Silva, na condição de sócio da fiscalizada, conforme segunda alteração contratual (fls. 46 a 49), respondeu à intimação datada de 20/09/2006, solicitando mais 30 dias de prazo para poder reunir todos os documentos (fls. 34 a 49); no entanto, decorrido o prazo pedido, não houve a apresentação de qualquer livro ou documento; examinandose o contrato social, fornecido pelo Sr. Wesley Gonçalves da Silva, verificase que a empresa e os sócios informaram os mesmos endereços constantes dos cadastros da SRF; apesar de todas as tentativas acima, no sentido de localizar a empresa e obter, de seus sócios de direito, conforme Contrato Social e suas Alterações, os livros e documentos necessários ao procedimento fiscal, tais documentos não foram fornecidos; com o intuito de se obter informações acerca da fiscalizada, em 10/04/2007, foram emitidas 14 Requisições de Movimentação Financeira RMF para diferentes bancos onde a fiscalizada manteve contas correntes; juntamente com os extratos da movimentação financeiras, documentos da empresa e dos sócios, todos os bancos enviaram cópias de procurações.(fls. 50 a 866); em 06/08/2007, o Sr. Arinaldo Alves Ferraz, CPF 581.419.87704, na condição de procurador da fiscalizada, com base em MPF extensivo (fls. 867), foi intimado através Termo n°. 158703/0850/2007 (fls. 868 a 870), a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais, tendo em vista que nas procurações enviadas pelos bancos Itaú (fls. 195 e 196, 216 e 217), Real (fls. 255 e 255/verso), Rural (fls. 403 a 405) e HSBC (fls. 697 a 700) destacase que o mesmo tem poderes para representar a fiscalizada perante qualquer órgão do Imposto de Renda; em 31/08/2007 foi feita nova solicitação ao Sr. Arinaldo Alves Ferraz, desta vez através do Termo de Reintimação Fiscal n°. 158703/1084/2007 (fls. 871 a 873); em resposta ao Termo acima citado, em 02/10/2007, o Sr. Arinaldo Alves Ferraz informou que os documentos solicitados encontravamse na posse dos sócios Gerson da Silva e Wesley Gonçalves da Silva e também que a empresa fiscalizada havia mudado de endereço (fls. 875 e 876); em 31/08/2007, os sócios Anderson de Carvalho Cussate (fls. 877 e 878) e Luís Limeira Leite (fls. 879 e 880) foram novamente, intimados a apresentar os livros fiscais e comerciais e demais documentação contábil; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.681 7 na mesma data foram, também, intimados os atuais sócios da fiscalizada, Gerson da Silva (fls. 881 e 882) e Wesley Gonçalves da Silva (fls. 883 e 884); dentre os quatro intimados apenas o Sr, Luís Limeira Leite recebeu a intimação, sendo as demais devolvidas pelo correio, pelos seguintes motivos: Anderson de Carvalho Cussate "número não existe" (fls. 877); Gerson da Silva – “mudouse” “desconhecido” (fl. 881) e Wesley Gonçalves da Silva "endereço insuficiente" – “faltou o apartamento” (fl.883); com base nos extratos bancários foram relacionados vários cheques de valores diferentes e solicitado às instituições financeiras cópias dos mesmos, através de ofícios (fls. 885, 920, 961 e 973); em atendimento aos ofícios citados, o HSBC, REAL, ITAÚ e RURAL forneceram cópias de cheques e autorizações para débitos em conta, sendo que todos os cheques (fls. 889 a 919, 925 a 960 e 977 a 982), como também as autorizações para débitos em conta (fls. 965 a 972) foram assinados pelo procurador da empresa, Arinaldo Alves Ferraz; em seguida, os extratos bancários foram planilhados e consolidados, resultando no demonstrativo denominado "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários Analíticos" (fls. 993 a 1211); este demonstrativo relaciona os créditos efetivados nas contascorrente mantida por conta e ordem da empresa, já desconsideradas as transferências interbancárias, os créditos oriundos de resgate de aplicações financeiras e outros que não representariam efetivas receitas; em 08/11/2007 foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal n°s 1587 03/1267/2007, 158703/1268/2007 e 158703/1269/2007, respectivamente para os sócios Gerson da Silva, Wecsley Gonçalves da Silva e para o procurador Sr. Arinaldo Alves Ferraz (fls. 983 a 992), nos quais se exigia comprovar,com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias, discriminados no "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários Analíticos" (fls. 993 a 1211), do qual cada um recebeu cópia correspondente; nos mesmos termos os intimados foram alertados que a não manifestação implicaria no lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que coubessem; posteriormente, foram novamente intimados os sócios Wesley Gonçalves da Silva e Gerson da Silva e o procurador Sr. Arinaldo Alves Ferraz (fls. 1212 a 1221), para comprovarem com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias para o mês de setembro de 2005 (fls. 1222 a 1240), mês este, erroneamente não incluído no "Demonstrativo de Valores Creditados Extratos Bancários Analíticos" (fls. 993 a 1211); em virtude de restarem incomprovadas as origens dos depósitos bancários, permitiuse a presunção de omissão de receitas, nos períodos de apuração de JAN/2004 a DEZ/2005; Outros fatos relevantes. a) Quanto ao Procurador Arinaldo Alves Ferraz. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.682 8 em atendimento às RPMF juntamente com os extratos da movimentação financeira, documentos da empresa e dos sócios, todos os bancos enviaram copias de procurações, constando como outorgado o Sr. Arinaldo Alves Ferraz, com poderes amplos, especiais e ilimitados para gerir e administrar todos os negócios dos outorgantes, inclusive com poderes para representação perante a Receita Federal; desde sua constituição em 01/09/1998 até 01/11/2006, data da segunda alteração contratual, a sociedade teve 6 (seis) diferentes sócios, no entanto, o Sr. Arinaldo Alves Ferraz foi ao longo de todo esse período, seu único procurador com poderes amplos e ilimitados; através do exame da documentação fornecida pelas diversas instituições bancárias, se vê que todas as contas foram abertas e movimentadas pelo procurado, que prestava as informações cadastrais, assinava as fichas de aberturas de contas, assinava contratos de contas especiais, contratos de cobrança, assinava cheques, enfim, praticava todos os atos necessários para abertura, movimentação e encerramento de contas bancárias; como comprovantes de aberturas de contas forma juntados os seguintes documentos fornecidos pelos bancos a seguir relacionados: Itaú (fls. 189 a 217), Real (fls. 246 a 272), Rural (fls. 387 a 405), Bank Boston (fls. 625 a 660), HSBC (fls. 666 a 715), Unibanco (fls. 723 a 736); como comprovantes complementares foram juntadas cópias de cheques dos seguintes bancos: Itaú (fls. 889 a 919), Real (fls. 925 a 960), HSBC (fls. 977 a 982) e autorizações de débitos em conta do Banco Rural (fls. 965 a 972); b) Da Constituição da Sociedade e suas alterações. a sociedade foi constituída em 01/09/1998, sendo sócios Maurício Paulino Leite e Maria Antonia Ferreira de Assis, ambos residentes à Rua Dr. Silvio e Silva n° 48, Bairro 25 de Agosto, Município de Duque de CaxiasRJ, sendo o valor total do capital subscrito de R$180.000,00, sendo R$ 40.000,00 integralizados e R$ 140.000,00 a integralizar (fls. 37/40); em 11/06/1999, através de instrumento público (fls. 72), o Sr. Arinaldo Alves Ferraz, foi nomeado procurador com poderes amplos e ilimitados; em 22/04/2004, retiraramse da sociedade os sócios constituintes e são admitidos Anderson de Carvalho Cussate e Luís Limeira Leite (1ª alteração contratual – fls. 41/45); a sociedade foi transferida com o mesmo capital social, isto é, R$ 40.000,00 integralizados e R$ 140.000,00 a integralizar; importante observar que pela forma de aquisição fica evidente que embora decorridos quase 6 anos, não houve integralização do capital comprometido na constituição da sociedade; logo após a alteração contratual, em 11/05/2004, através de instrumento público (fl. 73), os novos sócios nomeiam o Sr, Arinaldo Alves Ferraz como procurador com poderes amplos e ilimitados; na segunda alteração contratual, em 01/11/2006, Anderson de Carvalho Cussate e Luís Limeira Leite, retiramse da sociedade, transferindo suas cotas, totalmente integralizadas, respectivamente para: Gerson da Silva e Wesley Gonçalves da Silva (fls. 46/49); Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.683 9 entre 22/04/2004 e 01/11/2006, o autuante destaca três fatos: a grande movimentação financeira nos anoscalendário de 2004 e 2005; a integralização total do capital social e a transferências de cotas foram feitas, por ambos os sócios, pelo preço de aquisição em abril de 2004, com o recebimento de uma parcela no ato da assinatura da alteração contratual e o restante em 20 (vinte) prestações fixas, sem acréscimo de qualquer espécie; c) Análise das declarações de IRPF dos sócios: Anderson de Carvalho Cussate. Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2005. analisando a declaração, verificase que o sócio declarou ter recebido durante o anocalendário de 2004, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 15.500,00 (quinze mil e quinhentos reais), não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica; em dezembro de 2003, Anderson não tinha nenhum bem ou direito declarado, e em dezembro de 2004, declarou ter adquirido cotas de capital da empresa fiscalizada no valor de 17.100,00; em maio de 2004, ao adquirir a empresa Riviera do Brasil, pagou R$ 4.000,00 em moeda corrente, na forma de sinal e parcelou o restante em 20 vezes fixas de R$ 1.700,00; mesmo tendo declarado não ter recebido quaisquer rendimentos de pessoa jurídica, a autuada, como já informado anteriormente, teve uma movimentação financeira no ano de 2004, no valor total de R$ 13.568.241,66; não foi declarou nenhum valor a titulo de Dividas e ônus Reais, apesar da obrigação assumida com Maurício Paulino Leite e com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 41); Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006 analisando a declaração verificase que Anderson de Carvalho Cussate, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2005, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 7.500,00, não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica. não houve alteração quanto à declaração de bens e direitos, o que evidencia o não pagamento de qualquer obrigação, seja para Maurício Paulino Leite ou para a autuada, a título de integralização do capital social; no ano de 2005, embora sócio da fiscalizada desde 22/04/2004, o contribuinte não declarou quaisquer rendimentos recebidos de pessoa jurídica, apesar da empresa ter tido uma movimentação financeira no ano de 2005, no valor total de R$ 49.842.293,12; não foi declarado nenhum valor a titulo de Dividas e Ônus Reais, apesar da obrigação assumida com Maurício Paulino Leite e com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 41); Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.684 10 Luís Limeira Leite. Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2005. da analise da declaração verificase que Luís Limeira Leite, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2004, rendimentos de Pessoa Física e Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 14.340,00 ; além de se declarar sócio da empresa Riviera do Brasil, o Sr. LUÍS também declarou ser sócio da empresa MADUPLAST COMERCIO DE PLÁSTICOS LTDA, CNPJ 03.901.8/000181 de quem declarou ter recebido a titulo de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a quantia de R$ 1.040,00; em dezembro de 2003, Luís não tinha nenhum bem ou direito declarado, e em dezembro de 2004, declarou ter adquirido cotas de capital da empresa fiscalizada no valor de 9.000,00e cotas da empresa MADUPLAST, no valor de R$ 800,00; em maio de 2004, ao adquirir a empresa Riviera do Brasil, pagou R$ 2.000,00 em moeda corrente; não foi declarado nenhum valor a titulo de Dividas e Ônus Reais, apesar da obrigação assumida com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 42); Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006. da análise da declaração verificase que Luís Limeira Leite, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2005, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 11.500,00; no ano de 2005, LUÍS adquiriu cotas de mais uma empresa, VN 77 COMERCIO DEAVIAMENTOS LTDA, no valor de R$ 5.000,00; embora sócio de três empresas, o contribuinte não declarou quaisquer rendimentos recebidos de pessoa jurídica; não foi declarado nenhum valor a titulo de Dividas e Ônus Reais, apesar da obrigação assumida com a empresa Riviera, conforme alteração contratual (fls. 42); Arinaldo Alves Ferraz Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2005. da análise da declaração verificase que Arinaldo Alves Ferraz, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2004, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 36.000,00, não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica; em dezembro de 2003, Arinaldo declarou a posse de vários bens imóveis, várias linhas telefônicas e numerários no total de R$ 771.446,87 e em dezembro de 2004, para os mesmos bens, declarou valor total de R$ 790.846,87; o único bem que sofreu alteração foi o de item 15 (numerários do Brasil), que aumentou de R$ 101.900,00 para R$ 121.300,00; embora tenha exercido efetivamente os poderes de procurador da empresa autuada, o contribuinte não declarou qualquer rendimento recebido da pessoa jurídica em lide Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.685 11 Declaração de Ajuste Anual Simplificada 2006. da análise da declaração verificase que Arinaldo Alves Ferraz, declarou ter recebido durante o anocalendário de 2005, rendimentos de Pessoa Física, no valor total de R$ 42.000,00, não sendo declarado qualquer rendimento recebido de pessoa jurídica; em dezembro de 2005, Arinaldo declarou para os mesmos bens declarados em 2004, o total de R$ 814.846,87; como no ano anterior, o único bem que sofreu alteração foi o de item 15 (numerários do Brasil), que aumentou de R$ 121.300,00 para R$ 145.300,00; como no ano de 2004, também em 2005, embora tenha exercido efetivamente os poderes de procurador da empresa autuada, o contribuinte não declarou qualquer rendimento recebido da pessoa jurídica em lide; Da legislação e do enquadramento legal o autuante enquadrou a infração nos artigos 27, inciso I e 42, ambos da Lei 9.430/96 e nos artigos 532 e 537 do RIR/99. Do arbitramento por terem sido frustradas todas as seguidas tentativas de obtenção dos livros obrigatórios ou dos documentos fiscais e comerciais que permitissem a reconstituição das operações mercantis perpetradas pela empresa, restou evidenciada a recusa na entrega ou a possível inexistência dos elementos contábeis e fiscais que amparariam sua opção de tributação, sendo assim necessário o arbitramento do lucro, com base no art. 47, inciso III, da Lei 8.981/9 e no art. 1° da Lei 9.430/96, regulamentada pelo inciso III, do art. 530 do RIR/99. Da metodologia. segundo o autuante foram estritamente obedecidos os pressupostos legais, em especial a desconsideração dos créditos decorrentes de transferências interbancárias, e demais estornos, conforme metodologia abaixo descrita, tudo de acordo com o art. 27, em seu inciso I, e 42 da Lei 9430/96 e, ainda: os extratos bancários apresentados foram planilhados dia a dia; foram excluídas as operações de débito, tais como, cheques emitidos, tarifas, pagamentos diversos, CPMF, compras, e outros; dos créditos resultantes foram desconsiderados os estornos de depósitos e os valores creditados em retomo de aplicações financeiras e outros que não representam receitas; após a desconsideração dos créditos que não constituem receitas foram elaborados os Demonstrativos de Valores Creditados Extratos Bancários Analítico (fls. 993 a 1211 e 1222 a 1240; os créditos relacionados nas planilhas acima, foram objetos de Termos de Intimação, enviados aos sócios Gerson da Silva e Wesley Gonçalves da Silva e o procurador Sr. Arinaldo Alves Ferraz (fls. 983 a 992 e 1212 a 1221); Das Bases de cálculo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.686 12 as bases de cálculo para apuração do lucro arbitrado por trimestre, estão evidenciadas na planilha denominada Demonstrativo Sintético de Valores Creditados Créditos em Conta de Deposito ou de Investimento com Origens não Comprovadas, (fls. 1241); o contribuinte não apresentou as DCTF relativas ao período autuado. Em conseqüência dos fatos apurados restou configurada a prática reiterada de infrações à legislação tributária, sendo o contribuinte excluído do SIMPLES, através do Ato Declaratório nº21, de 30 de junho de 2.008 (fl. 1293). Conforme relatado à fl. 1289, tendo em vista a ciência dos auto de infração de fls. 1251/1281, em 09/06/08, 11/06/2.008 e 06/06/2008 (fls.1283, 1285 e 1287, respectivamente aos sócios e ao procurador) e a exclusão do SIMPLES em 30/06/2008, o prazo para impugnação dos autos de infração foi reaberto, sendo também aberto o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES. Inconformada com a exclusão do SIMPLES e com a autuação, a empresa apresentou, em 04/08/2008: manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES, às fls. 1298/1303, instruída com os documentos de fls. 1304/1332; impugnação ao lançamento de fls. 1351/1372, instruída com os documentos de fls. 1373/1404. O procurador da empresa, Arinaldo Alves Ferraz, também apresentou a impugnação de fls. 1411/1416, instruída com os documentos de fls. 1417/1445. A seguir o seu resumo. Da manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES Resumidamente a empresa alega que: não teve acesso ao processo original prejudicando o contraditório e a ampla defesa, uma vez que requereu cópia do processo, em 18/07/2008, sendo marcado prazo para entrega das mesmas somente em 18/08/2008, ou seja, após o prazo final para apresentação da impugnação – 05/08/2008; por tal razão requer que seja reaberto novo prazo para impugnação, por mais 30 dias, após o dia 18/08/2008, fazendo referência aos artigos 37 e 5º, inciso LV da Constituição Federal de 1.988; no mérito sustenta que a empresa foi excluída do SIMPLES com fundamento nos artigos 14 e 15 da Lei 9317/96, mas que seu direito de defesa foi preterido, posto o artigo 14 possuir sete hipóteses de exclusão sem que fosse especificado em qual delas o contribuinte incorreu, carecendo a exclusão de motivação; além disso entende que a empresa não tem como saber se haverá pagamento de diferença de imposto, uma vez que no artigo 15 existem 06 incisos e 05 parágrafos que disciplinam a forma de pagamento para cada inciso do artigo 13 e 14 de exclusão; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.687 13 o motivo da exclusão deve constar especificamente do ADE, para possibilitar que o contribuinte desenvolva sua defesa sob pena de sua não observância dar causa a violação do princípio do contraditório, da ampla defesa e da legalidade, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto 70235/72; no ADE não restou capitulado taxativamente a atividade vedada ao optante pelo regime de tributação pelo SIMPLES, fato que viola os princípios da legalidade, da ampla defesa e da motivação prévia ao ato administrativo, nos termos de parte do artigo 50, parágrafo primeiro da Lei de Processo Administrativo Tributário 9784/99, que transcreve; por tais razões postula a nulidade “ab initio” do processo por ausência de indicação quanto à atividade vedada motivadora da exclusão no ADE; cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para alegar que somente se vier a ser confirmada a exclusão da empresa do SIMPLES em decisão administrativa definitiva, é que poderia ser autuada quanto aos tributos devidos; no seu pedido final requer: 1 Abertura do prazo tratado como preliminar, para que a impugnante exerça o principio constitucional do contraditório e da ampla defesa; 2 — Anulação “ab initio” do ADE de Exclusão por erro insanável na forma e 3 Suspensão do processo n° 15563.000175/200884, até o julgamento de sua manifestação de inconformidade quanto à exclusão. Da impugnação ao lançamento. Em resumo a empresa alega que: reitera ao seu pedido de reabertura de prazo para impugnação, por mais 30 dias, após o dia 18/08/2008, data prevista para entrega das cópias solicitadas em 18/07/2008 (fl. 1377); para o auditor enviar as 14 RMFs para os bancos onde a fiscalizada manteve contas correntes as RMFs, ele teve acesso a documentação da empresa, portanto não cabe a alegação que não houve exame dos livros fiscais, descabendo a presunção de omissão de receitas, com fundamento no artigo 849 do RIR/1999; é de fácil verificação pelos extratos bancários que a empresa comercializava cheques, duplicatas através de empréstimos, agindo como uma empresa de factoring de fato; resta provado que a empresa não possuiu receitas provenientes de movimentação bancaria, mas sim de fomento mercantil; por ser uma empresa de fomento mercantil impugna a listagem anexada ao auto de infração créditos em conta de depósitos ou de investimento com origem não comprovado (fl. 1241); ressalta ainda, em função de não ter obtido as cópias requeridas cópias do processo em tempo hábil, conforme pedido de fl. 1377, que restou preterida a ampla defesa, pois não foi possível checar o valor lançado no auto de infração com toda a movimentação da empresa nos bancos (REAL, HSBC, ITAU, CÉDULA, RURAL e BANCO DO BRASIL); quanto ao sigilo bancário sustenta que de acordo com o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, que as autoridades e os agentes fiscais tributários, só poderão, examinar livros, documentos e registros de instituições financeiras, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.688 14 inclusive contas de depósitos e aplicações financeiras, se tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, o que não se observa no presente lançamento; se a Lei Complementar n° 105/01, dispõe expressamente que o sigilo bancário somente poderá ser quebrado se tais exames forem considerados indispensáveis, então, para que haja um juízo de valor do que a autoridade administrativa entende como indispensáveis tais argumentos deveriam estar perfeitamente descritos no auto, como motivação para o ato, o que não se observa na presente autuação, restando o auto do vicio de ilicitude e conseqüentemente de nulidade; o discricionarismo da administração não vai a ponto de encobrir arbitrariedade, capricho, máfé ou imoralidade administrativa; a utilização desproporcional do poder constitui forma abusiva do uso do poder estatal, não toleradas no direito e nulificadoras dos atos que as encerram; o representante da administração publica, por não estar cumprindo com legalidade o ato praticado, descumpriu principio constitucional, quando teve acesso a dados bancários sigilosos da empresa, como, procuração e extratos bancários, restando o lançamento inquinado pela nulidade; por tais razões impugna todo o levantamento tributário, e quaisquer conseqüências do mesmo sobre os sócios e funcionários procuradores, pois foi baseado em ato ilícito, portanto nulo; sustenta que o titular da procuração para representação em órgãos públicos e bancos foi considerado coresponsável pelo crédito tributário, mas que o autuante não descreveu a razão de tal imputação, ficando sem condições de apreciar o mérito da questão, restando preterido o seu direito ao contraditório e à ampla defesa; em relação à coresponsabilidade, como não há uma tipificação, não há que se falar em defesa, pois estaria trabalhando com suposições e isso não existe no direito tributário; como o ato administrativo para ser válido tem que estar motivado todo o item 02 da autuação deve ser anulado, pois não há uma conclusão, deixando o impugnante sem condições de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa; de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, compete às Delegacias de Julgamento julgar processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, faltandolhe competência para manifestarse quanto à matéria relativa à responsabilidade solidária, matéria afeta a quem é responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos; por ausência de motivação da coresponsabilidade o ato do lançamento da coresponsabilidade do crédito tributário deve ser anulado, pois quebrou os princípios constitucionais, da reserva legal, da legalidade, da motivação e da publicidade, e, em conseqüência e como norma de justiça, do contraditório e da ampla defesa; a coresponsabilidade está disposta no artigo 135 inciso III do CTN, e para ocorrer a responsabilidade dos terceiros enumerados no artigo e especificamente no inciso, é imprescindível que o ato cometido seja com excesso de poderes ou com infração de Lei, contrato social ou estatutos tratandose, portanto, de Fl. 14DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.689 15 responsabilidade subjetiva, mas o auto de infração não discriminou o que motivou a coresponsabilidade; traz jurisprudência aos autos para postular que “ a responsabilidade do gerente ou diretor de pessoa jurídica de direito privado, pelo não pagamento de tributo no prazo estipulado, decorre da atuação dolosa que deve ser cabalmente provada”; entende que todo e qualquer juízo advindo do artigo 135, III, deve ser interpretado em harmonia com o art. 112; cita jurisprudência para sustentar que “o CTN não alberga a responsabilidade objetiva, impondose seja interpretado em harmonia com o artigo 112 e seus incisos”; no ano de 2004, a empresa foi tributada de fato pelo SIMPLES, pois, mesmo não tendo apresentado pedido de opção de Declaração no SIMPLES, efetuou os pagamentos durante o ano no código 6106SIMPLES; estando sob a égide da legislação do SIMPLES não estava obrigada à escrituração contábil; quanto ao levantamento efetuado que o fiscal não excluiu as seguintes operações: transferências entre contasTED, entradas de cheques devolvidos, entradas de liberação de duplicatas em cobrança, entradas de empréstimos, entradas de cheques prédatados, estornos, entradas SPB (um tipo de empréstimo) e empréstimos consignados; reitera o seu pedido de anulação do Ato Declaratório de Exclusão por falta de motivação e fundamentação legal; com base em jurisprudência do Conselho de Contribuintes requer que a discussão sobre o auto de infração seja adiada até a decisão da manifestação de inconformidade quanto à sua exclusão; cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para requerer autorização de oficio para retificação da Declaração de Inativa referente ao ano de 2005, por erro material; quanto ao arbitramento sustenta que por ser optante pelo SIMPLES estava desobrigada da utilização dos livros diário, razão e balancetes, não podendo prosperar o arbitramento; mais uma vez destaca que não teve acesso os autos, ficando assim sua defesa obstaculizada; sustenta que os artigos 532 e 537 do RIR/1999 não se aplicam às empresas optantes pelo lucro presumido; verificou toda a movimentação da empresa no ano de 2.004, mas não encontrou o valor indicado na planilha anexa ao auto de infração; pela falta de entrega da documentação requerida em 18/07/2008 restou prejudicada a compreensão da base de cálculo utilizada para fins de apuração dos tributos lançados, devendo assim ser anulada a autuação; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.690 16 quanto à multa de 150% sustenta que o dolo não foi comprovado, devendo ser a mesma afastada em definitivo; a multa de 150% foi aplicada incorretamente, sendo devida em lugar desta a multa de 50% (multa isolada), conforme dispõe o artigo 44, II, da Lei 9430/96; ilegalidade e inconstitucionalidade dos juros SELIC; no seu pedido final requer: I Acatamento da Preliminar de suspensão do credito tributário, por ilegalidade, por não contemplar, no todo, as condições da impugnante do contraditório e da ampla defesa.; II Reabertura de prazo para impugnação, para mais 30 dias , após a retirada da copia do processo na Delegacia da Receita Federal de Duque de Caxias; III Anulação do ADE de Exclusão da empresa no SIMPLES e suspensão do processo 15563.000175/200884, até o julgamento da impugnação do ADE de Exclusão; IV Impugnação da forma do lançamento da receita por presunção de omissão, e acatamento da forma de fato da atividade de fomento mercantil, e suspensão do processo até o julgamento do ADE e do levantamento da base de calculo pela impugnante. V Impugnação do enquadramento legal para a presunção de omissão de receitas e da apuração do lucro arbitrado, PIS e COFINS, uma vez que a empresa era tributada na sistemática do SIMPLES; VI Impugnação da metodologia aplicada ao levantamento da receita e da forma de apuração, anulando o credito tributário lançado; VII Acatamento da quebra do sigilo bancário e anulação do ato administrativo do lançamento; VIII Impugnação da caracterização da coresponsabilidade do procurador, por estar eivado de erro insanável o relato do auditor e por não ser de competência das delegacias em processo administrativo e sim em fase de execução fiscal. IX Impugnação / alteração do calculo da multa, por erro, de 150% para 50%, de acordo com a capitulação levada aos autos que foi o artigo 44 inciso II da Lei 9430/96. X Afastamento da presunção de fraude, com multa de 150% por não restar demonstrado nos autos quaisquer pronunciamento nesse sentido, não restando a impugnante o direito ao contraditório e ampla defesa; XI Inconstitucionalidade da utilização da Taxa SELIC para atualização de tributos e pedido impossível, para atualização dos tributos com juros compensatórios pois não há que se falar em lucros cessantes em matéria tributaria. Da impugnação da coresponsabilidade pelo procurador. Em síntese repisa os argumentos já expendidos, quais sejam: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.691 17 o autuante não descreveu a razão de ter considerado o procurador co responsável, ficando assim o mesmo sem condições de apreciar o mérito da questão, restando preterido o seu direito ao contraditório e à ampla defesa; como não houve tipificação legal quanto à coresponsabilidade, não há que se falar em defesa, pois tal se daria no campo das suposições, o que não condiz com o direito tributário; como o ato administrativo para ser válido tem que estar motivado, todo o item 02 da autuação deve ser anulado, pois não há uma conclusão, deixando o impugnante sem condições de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa; de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, compete às Delegacias de Julgamento julgar processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, faltandolhe competência para manifestarse quanto à matéria relativa à responsabilidade solidária, matéria afeta a quem é responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos; por ausência de motivação da coresponsabilidade o ato do lançamento da coresponsabilidade do crédito tributário deve ser anulado, pois quebrou os princípios constitucionais, a reserva legal, da legalidade, da motivação e da publicidade em conseqüência e como norma de justiça, do contraditório e da ampla defesa; a coresponsabilidade está disposta no artigo 135 inciso III do CTN, e para ocorrer a responsabilidade dos terceiros enumerados no artigo e especificamente no inciso, é imprescindível que o ato cometido seja com excesso de poderes ou com infração de Lei, contrato social ou estatutos tratandose, portanto, de responsabilidade subjetiva, mas o auto de infração não discriminou o que motivou a coresponsabilidade; traz jurisprudência aos autos para postular que “ a responsabilidade do gerente ou diretor de pessoa jurídica de direito privado, pelo não pagamento de tributo no prazo estipulado, decorre da atuação dolosa que deve ser cabalmente provada”; entende que todo e qualquer juízo advindo do artigo 135, III, deve ser interpretado em harmonia com o art. 112; cita jurisprudência para sustentar que “o CTN não alberga a responsabilidade objetiva, impondose seja interpretado em harmonia com o artigo 112 e seus incisos”; A recorrente, na peça recursal de fls. 1531/1536, em que se defende da exclusão do Simples, alegou, em síntese, que: o embasamento legal do ADE nº 21, de 30/06/2008, para exclusão foi o art. 14 e por conseqüência penalidade do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Existem sete hipóteses de exclusão no art. 14. Pergunta em qual delas foi enquadrada a empresa. Aduz que se não há como saber qual o inciso que determinou a exclusão, também não é possível saber se haverá diferença de imposto, em virtude da imprecisão na data de exclusão, pois o art. 15 ostenta 6 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.692 18 incisos e 5 parágrafos que disciplinam a forma de pagamento para cada inciso do art. 13 e 14 que versam sobre exclusão. a falta com o dever de definir o motivo da exclusão fere o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, bem como o direito ao contraditório e à ampla defesa. aduz, ainda, que a falta de motivação fere o princípio da legalidade e o princípio da motivação prévia ao ato administrativo (art. 50 da Lei nº 9.784/99), devendo ser anulado; requer a suspensão da discussão relativa ao auto de infração enquanto não for decidida a matéria relativa à exclusão, bem como a reabertura do prazo para defesa, tendo em vista que o mandado de segurança nº 2008.51.10.0047527, interposto para que tivesse acesso aos autos ainda não foi julgado pela 4ª Vara Federal de São João do Meriti. Na peça recursal de fls. 1596/1615, em que se defende do auto de infração, alega, em síntese, que: a fiscalização não excluiu transferências entre contas, cheques devolvidos, liberação de duplicatas em cobrança, empréstimos, cheques prédatados, estornos, entradas SPB e empréstimos consignados; como a autoridade a excluiu do Simples com base na lei nº 9.317/96, não poderia ter utilizado a base legal para omissão de receitas do art. 42 e 27, I, da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.693 19 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os recurso da recorrente e de Arinaldo Alves Ferraz são tempestivos, e portanto, deles conheço. Em alegação preliminar argúi a recorrente que foi excluída do Simples por meio do ADE nº 21, de 30/06/2008, que para excluílo do regime se baseou no art. 14, e por conseqüência, na penalidade do art. 15 da Lei nº 9.317/96. Segundo afirma, existem sete hipóteses de exclusão no art. 14. Pergunta em qual delas foi enquadrada. Aduz que se não há como saber qual o inciso que determinou a exclusão, também não é possível saber se haverá diferença de imposto, em virtude da imprecisão na data de exclusão, pois o art. 15 ostenta 6 incisos e 5 parágrafos que disciplinam a forma de pagamento para cada inciso do art. 13 e 14 que versam sobre exclusão. Analisando o referido ato administrativo, verifico que a alegação procede. De fato, no inciso IV do art. 1º do ADE é dito que fica assim, caracterizado (sic) infração, a (sic) legislação de regência e vigente, artigos 14 e 15 da Lei nº 9.317/96. Vejamos seus art. 1º e 2º, que tratam da matéria controversa: Há razão na assertiva da recorrente quando afirma que o art. 14 possui sete diferentes hipóteses que motivam a exclusão. Assim também quando menciona que o art. 15 leva a mais hipóteses, posto que trata também dos efeitos da exclusão do art. 13 e do art. 9º. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.694 20 Todavia, sendo que a infração que motiva a exclusão produz efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos mencionados, e sendo este mês o primeiro mês fiscalizado, janeiro de 2004, a análise se restringe ao inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. E tal remissão feita pelo dispositivo nos leva aos incisos II a VII do art. 14, abaixo reproduzidos: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); III resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domícilio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; VI comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva. Da análise dos incisos com o procedimento fiscal, verifico serem, em tese, inicialmente aptas ao enquadramento apenas as hipóteses de embaraço à fiscalização, a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Mas a autoridade administrativa sequer lavrou termo de embaraço à fiscalização, de forma a caracterizála. Também, embora tenha responsabilizado o procurador Arinaldo Alves Ferraz, não avançou nas investigações a ponto de concluir pela interposição de pessoa, chegando, tão somente, à coresponsabilidade. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.695 21 Além disso, embora os ilícitos apontados sejam graves, a autoridade em nenhum momento menciona a existência de crimes contra a ordem tributária, nem se tem notícia de decisão definitiva acerca deles. O acórdão recorrido conclui pela prática reiterada de infração à legislação tributária. Vejamolo: Das informações constantes do Ato Declaratório, que no ano de 2004 a empresa teve uma receita bruta em muito excedente ao limite permitido para as empresas optantes pelo SIMPLES. Quanto ao ano de 2.005 a empresa além de exceder os limites de receita bruta previstos na legislação declarouse ainda inativa, claramente omitindo a receita percebida no período. Além de ter excedido os limites de receita bruta anuais, a empresa em 2.004 e 2.005 não fez constar na Declaração Simplificada 2005, ano base 2.004 (fls. 06/23) e na Declaração Simplificada de pessoa Jurídica Inativa 2006, ano base 2005 (fl.24), os rendimentos omitidos referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada, ficando caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme disposto no artigo 14, inciso V da Lei 9.317/1996. Uma vez caracterizada a prática reiterada à legislação tributária, a exclusão surte efeito a partir do mês da ocorrência da situação excludente, em conformidade com o artigo 15, V, da Lei 9.317/1996. Então, o artigo 1º do Ato Declaratório de Exclusão nº 21, de 30/06/2008 (fl. 1293), a seguir, foi corretamente aplicado: “Art. 2° Esta exclusão surtirá efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos mencionados, isto é, 01/01/2004;” Todavia, o fato relevante mencionado no ADE é o divórcio entre os valores de movimentação financeira da recorrente e os valores por ela declarados. E tal situação é meramente indiciária de infração, merecendo apuração para que esta se caracterize e seja formalizada em auto de infração, o que somente vem a ocorrer ao final do procedimento. Mas, no procedimento, o ADE – de forma incorreta, frisese – acaba sendo cronologicamente posterior ao encerramento da ação fiscal (a ciência do termo de encerramento é de 09/06/2008 e 11/06/2008 e a ciência do ADE é de 30/06/2008). Tal fato mereceu a lavratura do Termo de intimação Fiscal de 03/07/2008, para ratificar os autos de infração e notificar o ato declaratório de exclusão do simples, fazendoos contemporâneos. Por outras palavras, caso o ADE tivesse efetuado o confronto das receitas omitidas com as declaradas ao invés de confrontar a movimentação financeira com as receitas declaradas, talvez estivéssemos diante de uma infração à legislação tributária. Mas não foi o que se viu. Assim, caso tivesse sido esta a motivação da autoridade administrativa para a exclusão, estaríamos diante de um problema de incongruência entre o motivo legal e o motivo do ato. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.696 22 Neste sentido, sirvome da lição de Celso Antônio Bandeira de Mello1, para quem Cumpre distinguir motivo do ato de motivo legal. Enquanto este último é a previsão abstrata de uma situação fática, empírica, o motivo do ato é a própria situação material, empírica, que efetivamente serviu de suporte real e objetivo para a prática do ato. É evidente que o ato será viciado toda vez que o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal. Além disso, caso o motivo da exclusão fosse a prática reiterada de infração à legislação tributária os dispositivos da legislação violados deveriam ser declinados, de forma a garantir o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. Mas, vejase que continuamos num juízo de probabilidade, porquanto, mesmo após esta análise não é possível afirmarse com certeza qual o motivo legal que inspirou a autoridade administrativa a lavrar o ADE de exclusão. Desta forma, o ADE nº21/2008 possui vício insanável, seja quanto ao motivo legal, porquanto, não declinado e insusceptível de ser aferido com certeza, seja quanto ao motivo do ato, caso a motivação seja a prática reiterada de infração à legislação tributária, porque não demonstrada cabalmente. Pois bem. Analisando os efeitos de tal decisão, verificase que como decorrência da anulação do ato de exclusão do Simples, devem também ser cancelados os autos de infração, porque foram apurados na sistemática do lucro arbitrado, incompatível com a manutenção da recorrente no regime do Simples. Demais disso, ressalto que a cronologia do procedimento está viciada. Os lançamentos dos anoscalendário de 2004 e 2005 são feitos pelo critério do lucro arbitrado. Todavia, para tanto, deveria o contribuinte – optante do Simples ter sido primeiramente intimado da exclusão, e assim, ser notificado a apresentar contabilidade escrita nos termos do regime geral de apuração, e não mais sob o pálio do regime simplificado. Assim deveriase iniciar a apuração. Isto não ocorreu, tendo, inclusive, a exclusão somente ocorrido após o final do procedimento momento em que o contribuinte já havia sido autuado sob o regime do lucro arbitrado, o que mereceu, como já mencionado, a lavratura de um termo de reratificação (fls. 1289/1291), para tornar o auto de infração contemporâneo ao ato de exclusão. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o ADE nº 21, de 30 de junho de 2008 e os autos de infração lavrados. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator 1 Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, 28ªed., Malheiros, São Paulo, p.398. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15563.000175/200884 Acórdão n.º 130200.744 S1C3T2 Fl. 1.697 23 Fl. 23DF CARF MF Emitido em 09/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10882.002151/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. OMISSÃO DO ACORDÃO EMBARGADO QUANTO À QUESTÃO DA EMPRESA OFFSHORE.
ESCLARECIMENTO PARA EXPUNGIR OMISSÃO.
A mera menção inadvertida ou acidental no resumo do relatório no intróito do voto, antes da fundamentação da multa qualificada, de uma razão não deduzida pela contribuinte, no seu rol de razões, contra a exasperação da multa, configurou mero alto falho de citação, sem consequência alguma, pois tal fato (empresa offshore), por não constar da acusação fiscal, não foi
utilizado como fundamento para manutenção da multa qualificada.
As alegações de violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ademais, são totalmente infundadas, fora de propósito, sem fundamento fático-jurídico, uma vez que, na fundamentação do voto condutor, a manutenção da qualificação da multa decorreu tão somente dos fatos constantes da acusação fiscal.
Numero da decisão: 1802-001.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER
os embargos nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. OMISSÃO DO ACORDÃO EMBARGADO QUANTO À QUESTÃO DA EMPRESA OFFSHORE. ESCLARECIMENTO PARA EXPUNGIR OMISSÃO. A mera menção inadvertida ou acidental no resumo do relatório no intróito do voto, antes da fundamentação da multa qualificada, de uma razão não deduzida pela contribuinte, no seu rol de razões, contra a exasperação da multa, configurou mero alto falho de citação, sem consequência alguma, pois tal fato (empresa offshore), por não constar da acusação fiscal, não foi utilizado como fundamento para manutenção da multa qualificada. As alegações de violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ademais, são totalmente infundadas, fora de propósito, sem fundamento fático-jurídico, uma vez que, na fundamentação do voto condutor, a manutenção da qualificação da multa decorreu tão somente dos fatos constantes da acusação fiscal.
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MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTOS. OMISSÃO DO ACORDÃO EMBARGADO QUANTO À QUESTÃO DA EMPRESA OFFSHORE. ESCLARECIMENTO PARA EXPUNGIR OMISSÃO. A mera menção inadvertida ou acidental no resumo do relatório no intróito do voto, antes da fundamentação da multa qualificada, de uma razão não deduzida pela contribuinte, no seu rol de razões, contra a exasperação da multa, configurou mero alto falho de citação, sem consequência alguma, pois tal fato (empresa offshore), por não constar da acusação fiscal, não foi utilizado como fundamento para manutenção da multa qualificada. As alegações de violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ademais, são totalmente infundadas, fora de propósito, sem fundamento fáticojurídico, uma vez que, na fundamentação do voto condutor, a manutenção da qualificação da multa decorreu tãosomente dos fatos constantes da acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos nos termos do voto do Relator. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório A contribuinte, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 1802000.835, de 29/03/2011, opôs os Embargos de Declaração de fls. 941/946 com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº. 256/2009. O Acórdão embargado tem a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Configura omissão de receita, por presunção legal, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO AOS DADOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DAS CONTAS CORRENTES. TRANSFERÊNCIA DIRETA DE DADOS AO FISCO. DESNECESSIDADE DE ORDEM JUDICIAL. As autoridades fiscais somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo tributário instaurado ou procedimento fiscal em curso contra o contribuinte e os dados de movimentação financeira bancária sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, cujo acesso será mediante Requisição de Movimentação Financeira dirigida ao dirigente da instituição financeira, na forma da legislação de regência. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 2 3 O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovada o dolo de fraude contra o fisco pela falta reiterada de escrituração contábil e fiscal da movimentação financeira bancária, é cábivel a exigência dos tributos e contribuições com aplicação da multa qualificada. JUROS DE MORA.FLUÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 04). São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 05). DILIGÊNCIA FISCAL E PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. DESNECESSIDADE PARA RESOLUÇÃO DA LIDE. PEDIDOS MERAMENTE PROTELATÓRIOS. Indeferese os pedidos de diligência e protesto genérico pela produção de provas quando desnecessários à resolução da lide. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO DIRETO SEM ORDEM JUDICIAL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS, COFINS, IPI E INSS. Os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal (IRPJ), em face da conexão dos fatos e das provas. Recurso Voluntário Negado A embargante tomou ciência do Acórdão recorrido em 18/08/2011 quinta feira (fl. 940). Os embargos foram protocolizados em 23/08/2011 (fls. 941/946), portanto, dentro do prazo de 05 (cinco) dias fixado no § 1º do artigo 65 do RICARF. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A embargante interpôs os embargos, invocando o art. 65 do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), cujo caput do citado dispositivo legal transcrevo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A contribuinte aduziu as seguintes razões contra o acórdão embargado (fls.942/946), in verbis: (...) Às fls. 927 dos autos, ao tratar da multa qualificada, restou assentado que: No que concerne à multa qualificada, a recorrente alegou que a fiscalização imputou tal gravame de 150% sem qualquer justificativa plausível ou fundamentada; que a fiscalização presumiu existir conduta dolosa (fraude); que é defeso à autoridade fazendária presumir a existência de um crime, devendo o fato delituoso estar provado de forma contundente, insofismável e inatacável; que, no caso, não estaria caracterizado o dolo de fraude; que a presunção de omissão de receitas decorrente de movimentação bancária de origem não comprovada não é motivo caracterizador da existência de crime contra a ordem tributária; que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa offshore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não implicou a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional. (grifei) Como se verifica, o voto faz referência à existência de uma empresa "offshore", com sede no Uruguai, para, com isso, justificar a imposição da multa qualificada, estando, portanto, frontalmente contrária as provas dos autos. Ora, mas em momento algum, seja no curso da auditoria fiscal que deu origem ao auto de infração alvo deste feito, seja na impugnação interposta, nem a Autoridade Fiscal autuante, nem a impugnante, ora Embargante, fizeram qualquer referência a existência de um empresa "offshore" com sede no Uruguai e, muito menos consta, em qualquer oportunidade, a presença dos atos constitutivos dessa empresa. (...) 3.Culto Julgador, conforme atestam os seus atos constitutivos, a Embargante nunca teve sócio ou empresa com sede no exterior. Essa manifestação, unilateral e gratuita, extraída não se sabe de onde, e que deu sustentação a decisão de 1ª Instância, partiu exclusivamente da Julgadora Relatora do Acórdão n. 1427.252, Fl. 984DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 3 5 da 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto vide fls. 832. Registrese, por oportuno, que em sua impugnação a Embargante jamais fez qualquer referência a existência do off shore com sede no Uruguai. 4.Em outro quadrante, ainda para justificar a aplicação da multa qualificada em razão de conduta dolosa, sustentou o venerando acórdão a omissão de receita da Embargante. Ora, Nobre Julgador, não há nos autos qualquer prova material da conduta dolosa do Embargante. A mera alegação de que tal conduta tenha ocorrido não pode prevalecer. 5.Em razão do exposto nos itens precedentes, afigurase evidente acontradição, entre os elementos de prova dos autos e a r. decisão sob crítica. (...) 6. Mas isso não é tudo. Como se sabe, mesmo a simples omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada – presunção legal , não autoriza a imputação da multa qualificada. Aliás, neste particular, são inúmeros os acórdãos prolatados por este Egrégio Órgão Colegiado, conforme explicitado na exordial impugnatória e recursal interpostas, todos a reafirmar esse posicionamento. Acresçase, ainda que a própria Súmula CARF 14, estabelece textualmente, que a simples omissão de receitas ou rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Admitirse, genericamente, que a simples omissão de receitas ou rendimentos, caracteriza intuito de fraude do sujeito passivo, implica em aplicarse a multa qualificada em toda e qualquer autuação que tivesse origem em omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, o que não é admissível. Ademais, Súmula CARF n° 25 prescreve: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." 7.Finalmente, Culto Julgador, a autuação fiscal teve por base a caracterização de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada presunção legal. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Ocorre que a Embargante comprovou, tanto na impugnação, quanto no recurso interpostos, a existência de empréstimos havidos entre as empresas AVP e THOR. Ora, parte destes depósitos tiveram origem em empréstimos tomados pela Embargante junto a THOR. O fato de os empréstimos terem e/ou não sido levados a registro contábil, no caso presente é irrelevante, pois o que se está objetivando provar é a origem dos depósitos bancários e não se os mesmos foram ou não contabilizados. 8.Resta claro que neste quadrante o venerando acórdão é omisso. Isto porque, além de ignorar o teor das Súmulas CARF 14 e Súmula CARF n° 25, a respeito dos mesmos nenhuma referência há, de maneira que neste ponto, a r. decisão colegiada, com a devida vênia, comete flagrante injustiça, o que também não se pode admitir. 9. Em razão de todo o exposto, afigurase incontroversa a violação dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, eis que o venerando acórdão contém matéria a respeito da qual não foi dado à Embargante o direito de se manifestar. Outrossim, o venerando acórdão também violou o princípio do duplo grau de jurisdição, porquanto, ao tratar das matérias em destaque apenas em grau de recurso, deixou de cumprir o Decreto n° 70.235/72, prejudicando, com isso, o direito à ampla defesa. 10. A r. decisão, da forma como proferida, não pode prevalecer, principalmente tomandose em conta que os Nobres Conselheiros desta Corte podem ter sido induzidos a erro quando da citação de existência de empresa offshore no Paraguai. (...) É o relatório. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Os Embargos de Declaração foram protocolizados tempestivamente. Portanto, deles conheço. Diversamente do alegado pela embargante, não há contradição no Acordão embargado entre a fundamentação e as provas constantes dos autos quanto à manutenção da multa qualificada. Na verdade, a recorrente pretende rediscutir o mérito da qualificação da multa, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Entretanto, reconheço que há uma omissão no Acórdão embargado, pois, nas razões do recurso voluntário, a recorrente alegou que a decisão de primeira instância de julgamento teria trazido aos autos matéria estranha para justificar a manutenção da multa qualificada, e o acordão embargado, realmente, não enfrentou essa alegação da recorrente. Nessa parte, transcrevo a irresignação da recorrente contra a decisão a quo, constante do recurso voluntário (fls. 886/887), in verbis: (...) 18. Afirmou a digna JulgadoraRelatora às fls. 832 dos autos: A impugnante contestou a multa qualificada aplicada, de 150%, dos tributos devidos, sob a alegação de inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência de conduta típica infracional, afirmando que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa of shore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não refletiria a prática de\qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato Gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Acrescentou que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional." Fl. 987DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Esta manifestação da digna JulgadoraRelatora do Acórdão recorrido, inserindo em seu julgamento matéria totalmente estranha aos autos, a fim de sustentar a manutenção da indevida e inaceitável imputação da multa qualificada, é motivo bastante e suficiente para desconsiderar suas conclusões a respeito da manutenção da referida penalidade. Por conseguinte, esta questão da empresa offshore merece, em sede embargos de declaração, o devido esclarecimento, pois a contribuinte utilizou essa omissão, como pretexto para interposição dos Embargos de Declaração. Multa Qualificada. Fundamentos da Exasperação da Penalidade Primeiro, não consta dos autos de infração e do respectivo Termo de Verificação Fiscal (parte integrante do lançamento), objeto deste processo, qualquer alusão a empresa offshore como fundamento para qualificação da multa de ofício. Ainda, tanto na decisão de primeira instância, quanto no acordão ora embargado, em momento algum esta questão da empresa offshore foi utilizada como fundamento para manutenção da exasperação ou qualificação da multa. No caso, a embargante, data venia, pretende criar celeuma, dar importância ao irrelevante, encontrar um pretexto para justificar os embargos, suscitando uma colocação equivocada, inadvertida, fora de contexto (mero ato falho), constante, inicialmente, da decisão de primeira instância de julgamento, como será demonstrado a seguir. Na decisão a quo, a Relatoria do voto condutor, antes de iniciar a fundamentação do seu voto em relação à qualificação da multa, mencionou, resumidamente, como intróito (breve resumo do relatório), as razões deduzidas pela contribuinte contra a exasperação da multa e citou (arrolou) uma razão não aduzida, não elencada, pela impugnante, ou seja, que a impugnante estaria repelindo a qualificação da multa efetuada com base na existência de empresa offshore, com sede no Uruguai, no seu quadro societário (fls. 831/832), in verbis: (...) No mérito, a impugnante iniciou seus protestos combatendo a multa qualificada aplicada, (...) A impugnante contestou a multa qualificada aplicada de 150% dos tributos devidos, sob alegação de inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional, afirmando que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não refletiria a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Acrescentou que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional. (...) (grifei) Fl. 988DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 5 9 Como demonstrado nessa transcrição acima, a menção de empresa offshore aparece elencada nas razões contra a qualificação da multa. Na seqüência, na fundamentação do voto condutor da decisão a quo, pela manutenção da multa qualificada, essa questão da empresa offshore não aparece, não consta, em momento algum, confirmando o entendimento que se tratou de mera citação equivocada (mero ato falho), daquela Relatoria, ao arrolar – como razão contra a multa qualificada – matéria não ventilada pela impugnante. Logo, expungindo a omissão do acordão embargado, diversamente do alegado pela recorrente no seu recurso voluntário, a decisão a quo não utilizou matéria estranha aos autos para manutenção da multa qualificada. Já, nesta instância recursal de julgamento, a Relatoria do voto condutor do Acórdão ora embargado também, antes de iniciar a fundamentação do seu voto em relação à multa qualificada, repetiu no intróito (aquele resumo do relatório) da decisão a quo contendo as razões deduzidas pela contribuinte contra a exasperação da multa de ofício e, inadvertidamente, reprisou a tal razão não aduzida, não elencada, pela recorrente (empresa offshore, com sede no Uruguai, no seu quadro societário), in verbis: (...) FRAUDE. DOLO. MULTA QUALIFICADA No que concerne à multa qualificada, a recorrente alegou que a fiscalização imputou tal gravame de 150% sem qualquer justificativa plausível ou fundamentada; que a fiscalização presumiu existir conduta dolosa (fraude); que é defeso à autoridade fazendária presumir a existência de um crime, devendo o fato delituoso estar provado de forma contundente, insofismável e inatacável; que, no caso, não estaria caracterizado o dolo de fraude; que a presunção de omissão de receitas decorrente de movimentação bancária de origem não comprovada não é motivo caracterizador da existência de crime contra a ordem tributária; que a motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai em seus atos constitutivos, não implicou a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; que não haveria no ordenamento jurídico pátrio norma que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional. (grifei) Como demonstrado, na fundamentação do voto condutor do acórdão embargado, essa questão da empresa offshore não aparece, não consta, em momento algum, confirmando o entendimento, novamente, que se tratou de citação equivocada (mero ato falho) do Relator ao arrolar razão não declinada, não ventilada pela recorrente no seu recurso voluntário. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Na verdade, em consoância com os fatos descritos no auto de infração e no Termo de Veficação fiscal (parte integrante do lançamento fiscal), na decisão embargada a multa qualificada foi mantida pelo dolo de fraude fiscal (sonegação fiscal), em face de reiteração, durante todos os meses do anocalendário 2004, da conduta de omissão de receitas, depósitos bancários de origem não comprovada e não registrados na escrituração contábil (livro Caixa) e, também, não registrados na escrituração fiscal (a contribuinte na época estava enquadrado no regime do Simples, porém estava obrigado a registrar toda a movimentação financeira e bancária no livro Caixa, porém não o fez). A propósito, no anocalendário 2004, a autuada auferiu receita bruta no montante de R$ 3.330.236,79, porém somente registrou em sua escrituração contábil e fiscal receita bruta de R$ 765.363,00, ou seja, deixou de escriturar na contabilidade e de infromar ao 77% de sua receita bruta (omissão de receitas). Esse modus operandi, confome consta do Termo de Verificação Fiscal (parte integrante do auto de infração), repetiuse em 2005, ou seja, a recorrente auferiu receita bruta no valor de R$ 6.691.419,58, mas registrou contabilmente apenas R$ 1.289.110,95, ou seja, deixou de registrar contabilmente e de informar ao fisco 81,74% da receita bruta (omissão de receitas). Além disso, nesse período objeto dos autos, a empresa teve problemas graves de gestão atribuídos ao sóciogerente (mazelas que foram reveladas no inquérito policial aberto pelo sócio prejudicado, cujas peças constam destes autos), cujos fatos comprovam, reforçam, ainda mais a existência de dolo de fraude fiscal, e não mera omissão de receitas, conforme sobejamente demonstrado no voto condutor do Acórdão recorrido. As Súmulas Administrativas invocadas pela embargante, por conseguinte, não se amoldam à situação dos autos, pois o dolo de fraude fiscal é forte, não se tratando de mera presunção legal de omissão de receitas. Como demonstrado, na fundamentação da multa qualificada, em momento algum, foi mencionado, suscitado a existência de “empresa offshore” no quadro social da autuada. E, ainda que tivesse, que não é caso, não seria motivo para qualificação da multa de ofício. Por conseguinte, a alegação da embargante de que houve violação ao duplo grau de jurisdição, ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, ao tratar de matéria apenas em grau de recurso (empresa offshore), é totalmente fora de propósito, sem fundamento fáticojurídico, pois, como demonstrado, a manutenção da qualificação da multa decorreu dos fatos imputados pela fiscalização e constantes da acusação fiscal (do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal). Empréstimos Supostamente Contraídos da Empresa Thor pela AVP: A embargante alega que, parte dos recursos – depósitos a crédito em suas contas bancários no anocalendário 2004 – especificamente no valor de R$ 505.66654,95 seriam decorrentes de mútuos contraídos junto à empresa Thor Industrial e que teria, então, comprovado a origem. Alega, ainda, que o fato de os empréstimos terem e/ou não sido levados a registro contábil, no caso presente, é irrelevante, pois o que se está objetivando provar é a origem dos depósitos bancários e não se os mesmos foram ou não contabilizados. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.002151/200914 Acórdão n.º 180201.024 S1TE02 Fl. 6 11 A questão já foi enfrentada, no mérito, no voto condutor do Acórdão embargado. Não cabe, aqui, em sede de embargos, rediscutir a mátéria. Apenas para argumentar, conforme consta da fundamentação do voto condutor do Acórdão embargado, a autuada não juntou aos autos os instrumentos dos supostos contratos de mútuo que pudessem justificar a origem desses recursos movimentados à revelia da escrituração contábil e fiscal. Pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da contribuinte. A recorrente quer que se aceite, como elemento de prova das supostas operações de mútuo com a empresa Thor Industrial Ltda, o Termo de Declarações prestadas pelo sóciogerente daquela empresa à Delegacia de Polícia de Cotia, no qual ele afirma que efetivamente teria promovido diversos empréstimos à AVP, no curso dos anoscalendário de 2004 a 2007. Inadmissível aceitar essa declaração como prova de operações de mútuo que sequer foram registradas na contabilidade da embargante e cujas notas promissórias só foram emitidas em 2007, ainda mais quando o próprio responsável pela autuada (Rodrigo Lopes de Almeida) contesta a existência dos referidos empréstimos, em declaração prestada à mesma Delegacia de Polícia (fls. 774/786), chegando a afirmar que "a THOR estava usando a AVP como 'caixa 2' para 'esquentar dinheiro', sob a concordância total do ANDRE". Como demonstrado, além da falta de escrituração contábil e fiscal dos recursos movimentados a crédito em suas contas correntes bancárias no anocalendário 2004, a contribuinte não comprovou a origem desses depósitos a crédito em sua contas correntes bancárias (não juntou aos autos os instrumentos dos contratos de mútuo). Assim, a alegação da embargante de que houve violação ao princípio do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, pela não consideração dos pretensos empréstimos (mútos) pelo Acordão embargado, é totalmente infundada e fora de propósito, pois não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, as operações dos alegados empréstimos contraídos (mútuos). Por tudo que foi exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração (para elucidação da questão relativa à “empresa offshore”) e, no mais, ratificar o que decidido pelo Acordão embargado. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.100034/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2005
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa quando o lançamento de forma clara e objetiva expressa a origem do valor exigido, possibilitando ao contribuinte o pleno exercício do seu direito de sua defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIRF E O CONSTANTE NA DIRPF – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
Todas as receitas devem ser informadas na DIRPF. No caso, onde a fonte pagadora é um ente federativo, e informou na DIRF valor superior ao declarado pelo recorrente, o imposto devido deve ser complementado pelo contribuinte, exigível através de lançamento de ofício, cuja pretensão só poderá ser afastada quando evidenciado equívoco da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2102-001.648
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2005 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa quando o lançamento de forma clara e objetiva expressa a origem do valor exigido, possibilitando ao contribuinte o pleno exercício do seu direito de sua defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIRF E O CONSTANTE NA DIRPF – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Todas as receitas devem ser informadas na DIRPF. No caso, onde a fonte pagadora é um ente federativo, e informou na DIRF valor superior ao declarado pelo recorrente, o imposto devido deve ser complementado pelo contribuinte, exigível através de lançamento de ofício, cuja pretensão só poderá ser afastada quando evidenciado equívoco da fonte pagadora.
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Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa quando o lançamento de forma clara e objetiva expressa a origem do valor exigido, possibilitando ao contribuinte o pleno exercício do seu direito de sua defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIRF E O CONSTANTE NA DIRPF – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Todas as receitas devem ser informadas na DIRPF. No caso, onde a fonte pagadora é um ente federativo, e informou na DIRF valor superior ao declarado pelo recorrente, o imposto devido deve ser complementado pelo contribuinte, exigível através de lançamento de ofício, cuja pretensão só poderá ser afastada quando evidenciado equívoco da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11543.100034/200848 Acórdão n.º 2102001.648 S2C1T2 Fl. 85 2 Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 7a. Turma da DRJ/RJ2, de 25 de fevereiro de 2.010 (fls. 53/58), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação, mantendo assim, a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 3.575,01, a ser acrescido de multa de oficio e juros de mora. De acordo com o Auto de Infração (fls. 11/14), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre das divergências de valores apurados pela fiscalização entre os rendimentos constantes na DIRPF e da DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, conforme discriminado à fl. 12: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.539,89, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Do Ministério Público do Estado do Espírito Santo consta como omitida uma diferença no valor de R$ 539,89, uma vez que ofereceu à tributação na DIRPF o valor de R$ 28.833,00, quando na DIRF apresentada pela fonte pagadora constou R$ 29.372,89 e da Associação Educacional de Vitória, na DIRPF constou R$ 10.608,82 e na DIRF o valor de R$ 23.808,62, portanto, uma diferença de R$ 13.000,00, conforme descrito à fl, 12. Após afastar as preliminares argüidas na impugnação, de cerceamento ao direito de defesa, ao apreciar o mérito, conforme acima assinalado, a decisão recorrida lhe deu provimento parcial, para afastar a exigência sobre o valor de R$ 539,89, atribuída sobre os Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11543.100034/200848 Acórdão n.º 2102001.648 S2C1T2 Fl. 86 3 rendimentos obtidos junto ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo, mantendo porém, a exigência sobre a diferença dos rendimentos obtidos junto à Associação Educacional de Vitória, que acabou sendo corroborada pelo documento juntado pelo próprio Recorrente, à fl. 33. Através de Recurso Voluntário (fls. 61/75), a este colegiado, aduz em preliminar ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o auto de infração não menciona a origem e a natureza do crédito tributário, tal como determina os arts. 10 e 11 do decreto 70.235/72; a multa de oficio é inconsistente, pois o fisco não pode exigir multa por falta de recolhimento do carnê leão em concomitância com multa de ofício por redução indevida, citando precedentes e tecendo extensos argumentos sobre aplicação de multas, inclusive de impostos de outra natureza. No que denomina de mérito, simplesmente alega que os rendimentos percebidos da Associação Educacional de Vitória foram devidamente comprovados, para em seguida, informar que recebeu o informe de rendimentos em data posterior ao da entrega da DIRPF. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Portanto, dele conheço. A decisão recorrida está devidamente fundamentada e não merece qualquer reparo, devendo ser mantida integralmente. As alegações preliminares são descabidas e não merecem guarida, pois não especificam qualquer vício aplicável ao lançamento, citando dispositivos de lei que amparam o trabalho fiscal, como os arts. 10 e 11 do decreto 70.235/72, ao invés de comprometêlo, pois nele constam todos os elementos exigidos pela legislação e possibilitam o exercício da ampla defesa, tanto é que foi regularmente exercida pelo Recorrente. No lançamento, de forma clara e objetiva estão descriminadas as diferenças omitidas com as respectivas fontes pagadoras, que originaram este processo, sendo que de uma delas, a Recorrente conseguiu que fosse afastada a exigência de imposto pela decisão recorrida, que acolheu a sua argumentação. Portanto, não prospera qualquer alegação de cerceamento ao direito de defesa ou vício ao devido processo legal, pois ao Recorrente foram assegurados todos os meios e informações necessárias para o seu exercício. Relativamente às extensas considerações sobre multa, também inaplicáveis ao caso, pois este não trata de carnêleão ou dos impostos nela referidos, e menos ainda, nos Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11543.100034/200848 Acórdão n.º 2102001.648 S2C1T2 Fl. 87 4 percentuais destacados, previstos para situações outras e em diplomas impertinentes ao aplicável ao lançamento objeto deste processo, onde a multa aplicada no percentual de 75% sobre o valor do imposto encontra respaldo no art. 44, I da lei 9.430/96, tal como mencionado à fl. 14. No tocante ao que o Recorrente denominou de mérito, na peça recursal consta apenas um único parágrafo, à fl. 74, que mais ratifica a procedência do trabalho fiscal, ao afirmar que “Os rendimentos recebidos pela Associação Educacional de Vitória foram devidamente comprovados posteriormente neste processo sendo que ratificase aqui que a aludida omissão não ocorreu em razão desta Pessoa jurídica só terlhe encaminhado a declaração de Rendimentos em abril de 2006, ou seja, após o prazo para a entrega da Declaração de imposto de renda.” Destarte, acabou por reconhecer que efetivamente omitiu rendimento da Associação Educacional de Vitória, no valor de R$ 13.000,00, objeto do lançamento, notadamente, quando confrontado com o informe de rendimentos de fl. 33, onde consta como total dos rendimentos R$ 23.808,62 com a DIRPF fl. 16, quando ofereceu à tributação como rendimento o valor de R$ 10.808,62. Nenhum outro argumento ou documento foi apresentado que justificasse o afastamento da pretensão fiscal, razão pela qual, a decisão recorrida deve ser mantida. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.921810/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA
DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à
comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro
de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos
termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3403-001.175
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
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Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente o Conselheiro... . Ausente ocasionalmente o Conselheiro ... . Fl. 62DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que manteve o despacho decisório da DRF de origem o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório nº. 842610282, fls. 5, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 29938.11855.230606.1.3.044646, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Transcrevo a seguir trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 29: (...) A interessada defende a existência do indébito afirmando que estaria errado o valor inicialmente informado em DCTF, causando o indeferimento da compensação e o lançamento de ofício. Anexa DCTF retificadora entregue em data posterior à ciência do Despacho Decisório, a qual corrigiria o equívoco. Então, após solicitar a suspensão da exigibilidade tributária, requer o cancelamento do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação e a validade da compensação, com a extinção da exigência de ofício. A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1027.227, de 2 de setembro de 2010, fls.29/30, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 11/03/2011, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2011, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações alegando que sendo pessoa jurídica de direito privado cujo objeto social consiste no comércio, por atacado e varejo, de peças e acessórios para veículos em geral, suas receitas restaram tributadas pela COFINS até a entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002. Com o advento da entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002, mais precisamente dos efeitos normativos contidos no artigo 3 o e seu §2°, as receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes da venda no atacado e no varejo de peças e acessórios de veículos, restou sujeita à alíquota Fl. 63DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.921810/200911 Acórdão n.º 3403001.175 S3C4T3 Fl. 63 3 zero. Referida redução passou a ocorrer da partir do mês de novembro de 2002. Contudo, por lapso deixou de excluir do cálculo dessa exação as receitas da vendas dessa atividade, o que resultou em pagamento a maior do PIS e de Cofins. Aduz que carecem de juridicidade a decisão recorrida. Assim, impera a reforma julgado de primeira instância posto que desconsiderou a prova através do único documento válido a ser anexado pela recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade,o qual consiste justamente na DCTF retificadora. Ao final pede que: seja recebido esse recurso voluntário; reforma da decisão recorrida, reconhecendo ao fim a compensação procedida; caso entenda essa Colenda Câmara Recursal necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadoras, e a considerar os documentos que a Recorrente protesta pela juntada em trinta dias, que se determine a baixa dos autos à instância originária para fins de diligências, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para aferição dos créditos declarados/compensados nas PER/DCOMP; seja realizados o julgamento do presente recursos voluntário em conjunto outros processos, conforme especificados na peça recursal. Para fortalecer seus argumentos traz decisões do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Ademais, a realização de diligência, conforme prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, não tem por objetivo suprir procedimento que é encargo das partes. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Quanto às decisões administrativas e judiciais trazidas aos autos não podemos negar que os precedentes tem força persuasiva, contudo não tem força vinculantes. No tocante às decisões administrativas, mesmo que o Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, não vinculam os demais julgadores desse Colegiado, estes podem ter entendimento diferente. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. No tocante às decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data vênia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de Cofins. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Como se vê dos autos, às fls. 44/45, a Recorrente, após ciência do decisório do despacho que não homologou a compensação pretendida, alegando erro no valor declarado na DCTF de pronto providencia a sua retificação, entendendo que essa retificação corrigiria o Fl. 65DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.921810/200911 Acórdão n.º 3403001.175 S3C4T3 Fl. 64 5 equívoco e exsurgiria o direito creditório alegado. Entretanto, não instrui sua manifestação de inconformidade com documentos que contábil e/ou fiscal que respaldasse sua alegação. A autoridade julgadora de primeira instância em seu voto condutor assim fundamentou as razões que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não merecendo retoque: Por sua vez, o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/93) Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: " Art. 333 — O ônus da prova incumbe: I—ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar o indébito alegado. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Como se vê do voto condutor, a autoridade julgadora de primeira instância deixou claro o que deveria comprovar o indébito alegado. Entretanto, aqui também, quanto na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não traz aos autos nenhum documento contábil e/ou fiscal para comprovar o valor do pagamento a maior. Solicita, caso essa Colenda Câmara Recursal entenda necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadora, pela juntada de prova no prazo de 30 (trinta) dias. De acordo com os autos, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/03/2011, passado esse período, não consta nos autos, ora examinado, tenha a Recorrente apresentado provas para comprovar o direito alegado, até o presente momento. Contrário ao entendimento da recorrente, a declaração retificadora não era um único documento válido a ser anexado a Manifestação de Inconformidade. Impende esclarecer que a DCTF retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações prestadas pela contribuinte existentes à época do despacho decisório. Assim, para comprovar a certeza e liquidez, deveria a Recorrente além de ter retificado a DCTF, ter instruído também a Manifestação de Inconformidade com documentos contábeis e /ou fiscais que comprovassem o quantum recolhido indevidamente É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ou ainda, junto com o recurso voluntário com base na flexibilidade que o art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999 deu as regras da preclusão administrativa estabelecidas no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. Com essa considerações, não tendo a recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação do valor recolhido indevidamente, não é possível aferir a certeza e da liquidez do indébito, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária exigidos pelo art. 170 do CTN. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.921810/200911 Acórdão n.º 3403001.175 S3C4T3 Fl. 65 7 Ante o exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 68DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000065/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/10/2006
Ementa: RECONHECIMENTO DA INFRAÇÃO. CORREÇÃO DA FALTA.
A própria recorrente reconheceu a falta praticada, tendo inclusive corrigido a mesma, o que ensejou a relevação da multa.
Numero da decisão: 2302-001.522
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente STD INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS LTDA E OUTROS Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/10/2006 Ementa: RECONHECIMENTO DA INFRAÇÃO. CORREÇÃO DA FALTA. A própria recorrente reconheceu a falta praticada, tendo inclusive corrigido a mesma, o que ensejou a relevação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, fls. 21 a 22. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 866 a 894. A Smar Equipamentos Industriais apresentou impugnação, fls. 1.375 a 1.379. A Smar Comercial apresentou defesa na forma das fls. 1.397 a 1.401. Foi comandada diligência fiscal para verificação da correção da falta, fls. 1.411. A fiscalização prestou informações às fls. 1.472, afirmando que houve a correção da falta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão de fls. 1.475 a 1.486, mantendo a autuação com relevação da multa. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 1.497 a 1.522. Alega em síntese que: a) O indeferimento da prova pericial cerceou o direito de defesa do contribuinte; b) É necessária a realização de perícia em virtude da limitação temporal da existência do grupo econômico; c) Deve ser relevada a multa aplicada; d) Não existe grupo econômico; e) É inconstitucional o art. 30, inciso XI da Lei n 8.212 de 1991; f) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000065/200715 Acórdão n.º 230201.522 S2C3T2 Fl. 1.540 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Os recursos foram interpostos tempestivamente, conforme informação à fls. 1.524. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Os argumentos recursais restam prejudicados, pois a própria recorrente reconheceu a existência da infração. Prova disso é que corrigiu as faltas cometidas, tendo a multa sido relevada pela decisão de primeira instância. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000065/200715 Acórdão n.º 230201.522 S2C3T2 Fl. 1.541 5 inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamentava o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia tem que constar na petição inicial, bem como na contestação. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da contabilidade, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em contabilidade não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos documentos elaborados pela recorrente. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não há possibilidade para a autoridade administrativa recursar o cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, na redação conferida pela Lei n 11.941 de 2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De fato existe o grupo econômico, conforme demonstrado por meio do relatório fiscal às fls. 25 a 45, e documentos juntados pela fiscalização. As autuadas estão integradas operacionalmente, possuem o quadro social constituído pelas mesmas pessoas físicas, possuem administração em comum. Ocorreram transações comuns por meio da utilização de recursos materiais, financeiros e humanos; conforme demonstrado no relatório fiscal. Também ocorreu movimentação de empregados entre as empresas. A fiscalização trouxe farta documentação demonstrando a existência do grupo econômico. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000065/200715 Acórdão n.º 230201.522 S2C3T2 Fl. 1.542 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10860.005108/2003-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1994
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC.
TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em
um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 22 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 31 de março de 1993, por superar o prazo decenal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 22 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 31 de março de 1993, por superar o prazo decenal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 121 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 09/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O processo trata de pedido de restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário – PDV, protocolado em 22 de dezembro de 2003 (fl. 1) e versando sobre a retenção indevida do tributo efetuada em 31 de março de 1993 (fls. 18 a 21). Tanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem (fls. 27 a 29), quanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 42 a 46) indeferiram o pedido, por considerarem que já havia terminado o prazo de cinco anos, contado a partir do pagamento, para a repetição do indébito tributário. De modo contrário, o Acórdão no 220200.302, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 29 de outubro de 2009 (fls. 61 a 64v), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, por entender que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo se inicia na publicação do ato administrativo que reconhece ser indevida a exação, no caso a Instrução Normativa SRF n° 165/98. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1994 IRPF PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA TERMO INICIAL. O reconhecimento do direito de haver a restituição do Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 122 3 incidente sobre verbas decorrentes de Programa de Desligamento Voluntário — PDV, foi veiculado, em âmbito administrativo, pela Instrução Normativa SRF n°. 165/98 (DOU de 06/01/99). Não havendo transcorrido entre a data do ato da Administração Tributária, e a do pedido de restituição, lapso temporal superior a cinco anos, é de se considerar a não ocorrência da decadência do direito de pleitear o indébito do crédito decorrente de pagamentos indevidos feitos a título de IRPF sobre rendimentos auferidos a titulo de PDV. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO — Afastada a decadência, anteriormente acolhida pela DRJ, cabe o enfrentamento do mérito em primeira instancia (Decreto n° 70.235/72). Decadência afastada. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 03 de maio de 2010 (fl. 65), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 69 a 80), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 81 a 83 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou os seguintes paradigmas, alegando que o prazo para pleitear a restituição de indébito se inicia na data do pagamento indevido: Acórdão no 30235782 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso Extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Acórdão no 30235844 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resoluções do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão do Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 123 4 crédito tributários definitivamente constituído e extintos pelo pagamento. DECADÊNCIA. O direito de pelitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I do Código Tributário Naciaonal) NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Aduz o recorrente que o fato do tributo ter sido declarado inconstitucional, ou da Administração Tributária ter reconhecido a exação como indevida, não altera os ditames do art. 168, inciso I, do CTN, que define que o direito de pleitear a restituição se extingue após o prazo de 5 anos da data da extinção do crédito tributário, e do art. 156, inciso I, do CTN, que determina que o pagamento extingue o crédito tributário, o que faz com que o direito à repetição do indébito termine após 5 anos do pagamento indevido, sendo esse o entendimento dos arts. 3o e 4o da Lei Complementar no 118/2005. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional (fl. 86), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 88 a 117), onde afirma não ter ocorrido a decadência do seu direito de pleitear a restituição, que se iniciou com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 165/98, em 06/01/1999, e argumenta, alternativamente, que esse ato administrativo interrompeu o prazo prescricional, nos termos do art. 174, inciso I, do CTN, e ainda que o artigo 3° da Lei Complementar 118/2002 se aplica somente a fatos posteriores a sua entrada em vigor. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 124 5 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 125 6 lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 126 7 PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 127 8 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 22 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 22 de dezembro de 1993 Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 128 9 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10860.005108/200373 Acórdão n.º 9202001.887 CSRFT2 Fl. 129 10 Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 31 de março de 1993, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
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Numero do processo: 13005.001106/2005-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
Os insumos, matérias-primas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS e/ou COFINS, se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9303-001.551
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. Os insumos, matériasprimas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS e/ou COFINS, se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Fl. 162DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido, o qual, por sua vez, adotou o relatório da decisão a quo: Tratase de recurso interposto contra acórdão da DRJ Porto Alegre RS que não reconheceu o direito da interessada ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, oriundo da exportação de mercadorias exportadas sob a rubrica NT, assim como afastou a incidência da taxa Selic para a hipótese do ressarcimento em questão. É o Relatório. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1° da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e Cofins em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei de "mercadorias” foi dado o beneficio fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados”, que são espécie do gênero "mercadorias". TAXA SELIC. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Conforme pacífica jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não há de se reclamar a incidência da taxa Selic, nas hipóteses de ressarcimento de IPI, por ausência de expressa previsão legal. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de fls. 159/167, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. A recorrente alegou contrariedade aos arts. 1º e 4º da Lei nº 9.363/96, quanto se reconheceu ao contribuinte o direito ao crédito presumido de IPI em relação à exportação de produtos NT. O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 113. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13005.001106/200545 Acórdão n.º 9303001.551 CSRFT3 Fl. 148 3 O sujeito passivo apresentou contra razões às fls. 116/125, e recurso especial, às fls. 126/139, ao qual o presidente da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls 142/143, lhe negou seguimento por falta de anexação de cópia de acórdão ou de publicação de ementa de outra Câmara, como era, à época, exigido regimentalmente. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith da Amaral Marcondes Armando Aprecio o Recurso Especial da Fazenda Nacional, irresignada com a decisão proferida pela Câmara a quo, que concedeu ao contribuinte o benefício do crédito presumido relativo à exportação de produtos NT. De fato, revi o Recurso e encontreio em boa forma e, portanto, o conheço. A autoridade tributária que indeferiu o pedido de crédito presumido de IPI o fez sob argumento de que, para ter referido crédito, é preciso que o produto exportado preencha a condição de ser produto tributado. Alinha ainda, em suas argumentações, que a empresa não é contribuinte do IPI, mesmo considerando que a empresa trabalha no ramo de beneficiamento de fumo. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT registro que revi meu entendimento, que tinha como base o voto do brilhante Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a quem presto minhas homenagens pelo generoso comportamento de mestre, especialista em imposto sobre produtos industrializados, a despeito de estar, neste momento, adotando posição divergente da sua. A matéria aqui apreciada nunca teve jurisprudência firme deste Colegiado. Entretanto, a interpretação à qual me filiei hoje me parece a menos adequada para enfrentar a realidade legaltributária do crédito presumido de IPI, notadamente porque ele não se destina ao incentivo de exportação de produtos tributados pelo IPI. Assim, vou concluir meu voto adotando a posição de que não importa a notação correlacionada na TIPI quanto à situação tributária da mercadoria. Importa que o produto resultante da utilização de insumos tributados pelas contribuições sociais tenha passado por qualquer das operações chamadas de industriais, tais como, transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento, recondicionamento, enfim qualquer das operações industriais mencionadas nas normas de regência. Observo que não entendo ser obrigatório que de tais operações resulte salto tarifário ou mudança no alcance da tributação pelo IPI. Justificarei minha posição a partir do estudo sistemático da própria lei introdutória do incentivo comercial, secundada pela apreciação da realidade comercial brasileira. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 A Exposição de Motivos que acompanhou a edição da norma inaugural do crédito presumido de IPI deixou clara a intenção do governo no sentido de incentivar o comércio internacional de mercadorias brasileiras, em cuja produção houvessem participado insumos e matériasprimas e materiais de embalagem submetidos à carga tributária das contribuições sociais. Observo que em nenhum momento se encontra no texto justificativo que a mercadoria nacional devesse ser tributada pelo IPI. Ao contrário, está sempre presente a vinculação dos insumos e matérias primas que tenham sofrido incidência de contribuições sociais, e, por construção intelectual, que a mercadoria exportada tenha sido objeto de algum dos processos industriais. O valor internacional que permitiu tal incentivo ao comércio, sem retaliações de parceiros comerciais, é o princípio de que não se exportam tributos. E o pretexto de não exportar tributos como forma de incentivar o comércio internacional, deixando funcionar o mercado, faz parte de discussão conceitual de bases de tributação internacional e alcance das pessoas tributáveis, liberalismo comercial e produção de renda, e não faz parte dessa lide, na medida em que são valores eleitos pelo Estado, a luz de seus interesses conjunturais. Num primeiro momento pareceume desnecessário interpretar o conteúdo do art. 1º da, hoje, Lei nº. 9.363, de 1996. Entretanto, em decorrência das intervenções do Ministério da Fazenda, notadamente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante a edição de Instruções Normativas, e de seus auditores, quando da execução dessas ordens infralegais, construiuse jurisprudência administrativa no sentido de que o crédito presumido de IPI é benefício fiscal, e que se reporta às regras do IPI para sua aplicação. Tal percepção alijou parte dos produtores exportadores de mercadorias nacionais da possibilidade de ter seus mercados ampliados pela via da desoneração tributária internacional. Ocorre que as aspirações de desenvolvimento fortemente centrado em produtos do setor secundário, claramente subjetivas, introduzidas na práxis da aplicação da Lei, aliadas ao natural constrangimento da autoridade administrativa quando se trata de aplicação de seu entendimento de benefício fiscal, fez com que tal jurisprudência não só restringisse o alcance do incentivo comercial proposto pelo legislador, como se apresente hoje como discriminação negativa de parte do comércio brasileiro, justamente aquele sobre o qual se voltam os olhos políticoeconômicos, porque representado pelos mercados que qualificam a cadeia produtiva de valor. É verdade que, paulatinamente, vem se desfazendo, pela via judicial e administrativa, o entendimento estreito, estratificado nas posições dos que defendiam a restituição de parte das contribuições sociais apenas aos produtores industriais contribuintes do IPI. Hoje se reconhece plenamente, a meu ver com bastante acerto, que as aquisições feitas às pessoas físicas e cooperativas devem compor a formatação operacional do crédito presumido (aqui observo que pessoas físicas também não são contribuintes do IPI). Só os exportadores de mercadorias com notação NT na TIPI ainda permanecem pendentes da sorte no julgamento para verem reconhecidos os créditos relacionados às suas exportações, com os benefícios comerciais introduzidos pelas normas de restituição de parte da tributação interna. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13005.001106/200545 Acórdão n.º 9303001.551 CSRFT3 Fl. 149 5 A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: “ É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, já de plano vejo que a Douta PGFN pensou, pelo menos em princípio, que o crédito presumido do IPI não guardaria correlação tão estreita com o IPI, (“sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI”). Foi ao evoluir sua argumentação que introduziu, de forma imprópria, posto que com forte viés minimizador do direito ao crédito, restrições que não se coadunam com a letra da lei, e menos ainda, com o espírito dela. Assim, na segunda parte da apreciação da PGFN, com a qual também não concordo, esbarrou não só no subjetivismo como em conceitos ultrapassados quanto à agregação de valor. Vejamos: No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Repito, não vejo que o legislador tenha feito tal proposição. Em primeiro lugar, não criou um crédito presumido de IPI em todos os seus contornos. Não é crédito de IPI, é crédito de PIS/COFINS, na forma de crédito desse valor na Fl. 166DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 conta de IPI. Aliás, tal creditamento é apenas uma das formas de reaver o valor, que pode ser, também, devolvido em espécie. Ao mencionar exportação de produtos (industrializados) elaborados com maior valor agregado não significa que os produtos naturais não passem por processos de agregação de valor – (não é o objetivo dizer que a PGFN não tenha, de certa forma, abrandado sua afirmação ao mencionar produtos em estado quase natural, um eufemismo que pode significar qualquer coisa). Não seria razoável supor a possibilidade de discriminar negativamente exportadores de mercadorias outras que as anotadas na TIPI como tributadas ou de alíquotas zero, numa proposta de incentivo ao comércio, de abertura de novos, maiores e mais sofisticados mercados. Tal interpretação fere princípios constitucionais sólidos tais como de isonomia e equidade, além de ser um erro grosseiro de política comercial para um país que, como o Brasil, exporta produtos naturais de elevado valor agregado, como frutas e carnes, e faz dessas exportações bandeiras políticas indisfarçáveis. Indubitavelmente, hoje, agregar valor a mercadorias do setor primário agrícola significa manter a qualidade das mesmas pela via dos processos industriais de conservação, tanto com alterações genéticas na criação da mercadoria, como pela via do seu tratamento industrial póscolheita. É exatamente a matéria desta lide, que trata de beneficiamento de fumo com objetivo de aumentar a durabilidade do mesmo, e dos processos de modificação da apresentação para oferta no mercado internacional. É esse tratamento pós colheita que, ao meu sentir, caracteriza uma das espécies de industrialização previstas nas normas de regência do crédito presumido do IPI. Realmente, a mudança na apresentação para consumo é uma das formas de ganhar mercados sofisticados e de elevada capacidade de compra. E é, sem dúvida, como definido nas normas do IPI, uma operação de industrialização. Voltandome agora ao argumento da autoridade que indeferiu o pedido da recorrente, não vejo como preterir, legalmente, à luz do texto normativo em vigor, o comércio de mercadorias que sofreram as operações de industrialização tal como definida, a industrialização –por entender que os produtos devem ser tributados pelo IPI e por ter chegado à conclusão de que se existem outros produtos produzidos pela empresa e vendidos no mercado interno, os mesmos são também da categoria NT. A propósito da TIPI, é de se reconhecer que representa tão só uma tabela de correlação produtoalíquota de IPI, que, aliás, nunca foi mencionada na Lei ou na Exposição de Motivos que cuidou de explicar as razões da lei. Ela aponta a incidência do IPI sobre o produto e não sobre o processo de industrialização. É conjuntural, e não representa a avaliação do Poder Executivo sobre os processos industriais carregados no produto. É importante reconhecer que produtos em natural, quando comercializados internacionalmente, passam por processos de industrialização. A afirmação de que não sendo notado na TIPI como tributado (ou com alíquota zero) me parece apequenar o conceito de industrialização. E mais, se o único argumento da autoridade que indeferiu o pedido fosse válido e de fato devêssemos observar se a mercadoria exportada, no caso fumo estava ou não industrializada, precisaríamos revisitar o conceito de industrialização e suas exclusões, antes de afirmar que produtos NT não são industrializados. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13005.001106/200545 Acórdão n.º 9303001.551 CSRFT3 Fl. 150 7 O art. 3º do Decreto nº 87 de 23 de dezembro de 1982, diz que caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, ou o aperfeiçoe ( o produto) para consumo, tal como,...... a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento). A falácia contida na expressão é NT não é industrializado torna o argumento do administrador tributário logicamente inconsistente e ineficaz para dar suporte a sua interpretação. Assim, entendo que nem seria necessário interpretar a norma do crédito presumido do IPI, que ao meu sentir é bastante clara quanto aos seus objetivos, repito, fomentar o comércio de mercadorias que tenham sofrido a incidência de PIS E COFINS no seu processo de produção, e que sendo exportadas devem ter reconhecidos os créditos dessas contribuições que o Estado não pretende exportar. Ao falar de mercadoria nacional exportada não há outra possibilidade de entendimento de que o legislador referiuse aos produtos comercializados no mercado internacional. Qualquer dicionário de transmissão de conhecimento médio referese a mercadoria como produto comercializado no mercado. Repito que ao editar as primeiras normas que resultaram na Lei nº 9.363/96, foi claramente dito na exposição de motivos que o objetivo da norma era o de desonerar parte da COFINS e do PIS incidentes sobre insumos utilizados na produção de mercadorias exportadas, objetivando aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, ao abrigo do princípio de que não se exportam tributos. A forma com a qual o poder executivo sugeriu devolver os créditos foi a de ressarcimento de IPI. Algo que não cabe aqui ser discutido. Foi uma opção conjuntural. Nada pode e nem deve ser acrescentado na norma que signifique restringir o direito dos comerciantes produtores exportadores de mercadorias nacionais. Na interpretação sistemática que sugeriu o Procurador em seu arrazoado, cheguei a conclusão diametralmente oposta à sua. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º , parágrafo único diz: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Fl. 168DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de produtos nacionais tributados pelo IPI) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Bem, resta claro que o conceito que permitiu a introdução de tanta controvérsia na interpretação da Lei do Crédito presumido do IPI foi o de produção. Ora, produção representa vários conceitos, dentre os quais, o que me parece mais próximo dos objetivos do legislador, está aquele que indica o modo de produzir. Economicamente, produção é a atividade da combinação dos fatores de produção que têm como finalidade obter produtos para satisfazer as necessidades do ser humano. Juridicamente produção não tem conceito mais estrito. Assim sendo, não tenho dúvidas que ao determinar a busca do conceito de produção nas normas do IPI o legislador indicou estar incentivando a exportação de mercadorias que tenham sofrido qualquer das operações de industrialização, e não mercadorias tributadas pelo IPI. E notese bem, repito, de processos industriais nem sempre resultam produtos tributados pelo IPI. Como decorrência, as mercadorias que podem merecer para seus produtores os benefícios da Lei nº. 9.363, são as obtidas da combinação dos fatores produtivos mencionados, (matérias primas, materiais de embalagens e outros insumos), nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Não tenho dúvidas também, que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, se o desejo fosse mesmo proteger mercadorias de maior valor agregado, com mais razão deveríamos prestigiar as mercadorias do setor agroindustrial que, relativamente aos insumos utilizados em sua produção, têm a melhor qualificação da cadeia produtiva de valor. A tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto, isto é, o que tradicionalmente significava agregar valor. (digo Fl. 169DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13005.001106/200545 Acórdão n.º 9303001.551 CSRFT3 Fl. 151 9 tradicionalmente porque hoje, agregase valor na produção de alimentos pela produção ecologicamente correta o que implica, grandemente, em manter o produto o mais natural possível). Mais uma razão para que eu não aceite qualquer notação na TIPI como válida para aplicação das regras de cálculo do crédito presumido de IPI é que hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Assim, pareceme falacioso dizer que produtos NT não são produtos industrializados. E sendo falacioso, desqualifico por falta de consistência lógica o argumento da autoridade que indeferiu o crédito solicitado pela recorrente. Passamos ao conceito de crédito presumido: Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PISPASEP COFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva, relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciarse. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei também não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de mercadoria. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... Fl. 170DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matériasprimas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 não poderia, nem em princípio, ser aquele que produz apenas os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidos no campo de incidência do IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizaram o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto comercial, de modo especial ao grau de ganhos gerais que possa conferir aos segmentos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, (o que definitivamente não corresponde a minha opinião) superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, mais uma vez as exportações referidas só podem ser as de qualquer mercadoria e não só produtos com notação zero ou positiva na TIPI, uma vez que o crédito prêmio foi atacado exatamente por ser incentivo direto e sem justificativa no comércio internacional de produtos industrializados. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13005.001106/200545 Acórdão n.º 9303001.551 CSRFT3 Fl. 152 11 E, pode ser que, em razão dessa última construção que acabo de indicar, e que mais uma vez repito, por certo não reflete minha posição, seja mais adequada a interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora de mercadorias. Vendo sob esse aspecto, é importante verificar o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT na TIPI, circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem para industrializar seus produtos de exportação. Industrializar é realizar qualquer das operações determinadas como industrialização. Industrializar não significa produzir produtos tributados pelo IPI. Vale lembrar que a administração tributária tem entendimento definido em Parecer Normativo do que seja beneficiamento e tal entendimento determina que o produto preexistente tenha aperfeiçoado o seu funcionamento, utilização, acabamento ou aparência. Com esta argumentação, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento, a título de desoneração da carga tributária relativa ao PIS e a COFINS, nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI, ou ser a empresa contribuinte desse mesmo tributo. Nos termos expostos, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 172DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 12 Fl. 173DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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