Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11516.002735/2002-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA EXONERADO POR DECISÃO ANTERIOR. NÃO RESTABELECIMENTO.
A desistência do recurso pelo contribuinte deve colher o crédito tributário na situação em que ele se encontrava no momento da desistência. No caso, tendo a exigência de multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício sido excluída em decisão vigente no momento da desistência do recurso não cabe restabelecê-la sob o argumento de que a desistência a teria acolhido.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator.
EDITADO EM: 06/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1999 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA EXONERADO POR DECISÃO ANTERIOR. NÃO RESTABELECIMENTO. A desistência do recurso pelo contribuinte deve colher o crédito tributário na situação em que ele se encontrava no momento da desistência. No caso, tendo a exigência de multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício sido excluída em decisão vigente no momento da desistência do recurso não cabe restabelecê-la sob o argumento de que a desistência a teria acolhido. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.002735/2002-54
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5226710
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.103
nome_arquivo_s : Decisao_11516002735200254.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 11516002735200254_5226710.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator. EDITADO EM: 06/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4577776
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576700149760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 6 1 5 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.002735/200254 Recurso nº 140.482 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.103 – 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FIGUEIRENSE FUTEBOL CLUBE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA EXONERADO POR DECISÃO ANTERIOR. NÃO RESTABELECIMENTO. A desistência do recurso pelo contribuinte deve colher o crédito tributário na situação em que ele se encontrava no momento da desistência. No caso, tendo a exigência de multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício sido excluída em decisão vigente no momento da desistência do recurso não cabe restabelecêla sob o argumento de que a desistência a teria acolhido. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 35 /2 00 2- 54 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator. EDITADO EM: 06/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Figueirense Futebol Clube foi lavrado o auto de infração de fls. 20/26, objetivando a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de pagamentos efetuados para pessoas físicas decorrentes do trabalho assalariado nos meses de fevereiro a dezembro de 1997, dezembro de 1998 e maio de 1999, bem como multa de ofício isolada. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10615.494, que se encontra às fls. 409/419 e cuja ementa é a seguinte: “IRF RECLAMAÇÃO TRABALHISTA FALTA DE RETENÇÃO Deixando o sujeito passivo de recolher o tributo devido, é passível de exigência de ofício o valor do tributo decorrente de infração constatada pelo fisco, ainda que o fato gerador tenha ocorrido no período abrangido pelo REFIS, se o sujeito passivo não o confessou quando da opção. MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da MP 16, de 27/12/2001, publicada no DOU de 28/12/2001, convertida na Lei n°. 10.426, de 24/04/2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deve oferecer os rendimentos à tributação. JUROS ISOLADOS Ocorrendo a hipótese de não retenção, quando devida, surge para a Fazenda Nacional o direito de exigir os juros compensatórios, nos exatos termos do art. 43 da Lei n°. 9.430, de 1996. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002735/200254 Acórdão n.º 9202002.103 CSRFT2 Fl. 7 3 Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento a multa isolada. Em face dessa decisão, por entender ocorrido lapso manifesto nos termos do art. 28 do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, a d. Relatora apresentou os Embargos de Declaração de fls. 420/422, devidamente acolhidos pela C. Sexta Câmara em acórdão assim ementado: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO Nº 106 15.494 NORMAS PROCESSUAIS — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — PROCEDÊNCIA.— RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO Confirmada a omissão do acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para sanar a omissão. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — FALTA DE RETENÇÃO — ANTECIPAÇÃO DO AJUSTE ANUAL — LANÇAMENTO APÓS ANOCALENDÁRIO SUJEITO PASSIVO — Após o anocalendário devem ser tributados na declaração de ajuste anual do IRPF os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas incluídos no campo de incidência desse imposto, que foram recebidos acumuladamente, não submetidos à respectiva retenção pela fonte pagadora. Nessa circunstância, incabível a constituição do crédito tributário na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos para exigência do imposto não retido na fonte. GRATIFICAÇÃO NATALINA A tributação deve se dar exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário, não se incluindo tais valores no ajuste anual, cabendo a responsabilidade pelo pagamento do imposto à fonte pagadora. MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da MP n° 16, de 27/12/2001, publicada no DOU de 28/12/2001, convertida na Lei n°. 10.426, de 24/04/2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deve oferecer os rendimentos à tributação. JUROS ISOLADOS Ocorrendo a hipótese de não retenção, quando devida, surge para a Fazenda Nacional o direito de exigir os juros compensatórios, nos exatos termos do art. 43 da Lei n°. 9.430, de 1996. Embargos acolhidos.” Assim, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração, e, atribuindolhes efeitos infringentes, estendeu a reforma da decisão de primeira instância para Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 incluir não somente o cancelamento da exigência da multa isolada por falta de retenção na fonte como também para excluir do lançamento a exigência do o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos pagos aos empregados sujeitos a antecipação na declaração de ajuste anual, eis que o lançamento foi efetuado após a data prevista para entrega da declaração de ajuste pelos beneficiários. Posteriormente, quando da execução da referida decisão, a Autoridade Preparadora apresentou os Embargos de Declaração de fls. 450/454, objeto de análise pela I. Conselheira Relatora, com proposta pelo não conhecimento dos Embargos. Ato subseqüente, o Contribuinte apresentou a petição de fls. 461/463 por meio do qual manifestou sua desistência do litígio em decorrência de adesão a programa de parcelamento da Timemania. Quando da execução do julgado a Autoridade Preparadora elaborou as minutas de cálculo de fls. 465/468, porém devolveu os autos ao E. Conselho de Contribuintes para que a Presidência da Câmara aprovasse o despacho que rejeitou os Embargos de Declaração ou informasse os limites da desistência. O colegiado da Sexta Câmara apreciou os Embargos, tendo exarado o acórdão nº 10617.000 (fls. 473/482), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO — DESISTÊNCIA DO PRÓPRIO DIREITO EM QUE SE FUNDOU O RECURSO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MANEJADOS PELA AUTORIDADE PREPARADORA PREJUDICADOS LANÇAMENTO MANTIDO — O contribuinte aderiu ao parcelamento regulamentado pela IN RFB n° 772/2007. Quer se considere que houve a desistência do recurso voluntário, quer se considere que houve a renúncia do próprio direito em que se fundou o recurso, mantémse o lançamento, pois a decisão recorrida de 1° grau julgou o lançamento integralmente procedente. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO LANÇADA SEM BASE LEGAL — MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública. Recurso submetido à Câmara de julgamento, mesmo que não conhecido, deve ter suas ilegalidades flagrantes afastadas. A multa de oficio lançada sem base legal deve ser afastada. Embargos não conhecidos.” O resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, reconheceu de ofício a insubsistência da multa isolada. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002735/200254 Acórdão n.º 9202002.103 CSRFT2 Fl. 8 5 Intimada pessoalmente do acórdão em 04/11/2008 (fls. 484) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 487/494, em que pleiteia, em apertada síntese, a reforma do v. acórdão por contrariedade ao disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como o artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 54 da Lei nº 9.784/1999. Consoante despacho nº 106009/2009 (fls. 495/496) o referido Recurso Especial foi admitido. Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 499/502). É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a reforma do v. acórdão por entender que o Colegiado não poderia, de ofício, determinar a exclusão da multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício, bem como a ilegalidade da exclusão da referida multa tendo em vista o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Embora concorde não ser possível à turma recorrido excluir de ofício a penalidade se o contribuinte não houver se insurgido contra ela, entendo que não merece provimento o recurso da Fazenda Nacional, por outras razões. Examinando os autos verificase que o contribuinte, em 15/10/2007, apresentou o requerimento de fls. 462 por meio do qual desistiu de seu recurso, bem como das suas alegações de direito, por ter incluído o débito em discussão em programa de parcelamento. Ocorre que, naquele momento, o crédito tributário já não continha a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício em virtude de estar vigente, naquele momento, a decisão de fls. 409/419, proferida na sessão de 27/04/2006, que a havia excluído por fundamentos diversos daqueles invocados pela decisão ora atacada. Como exaustivamente discutido nos debates na sessão de julgamento, a desistência apresentada pelo contribuinte deve tornar inconteste o crédito tributário no estado em que se encontrava, e naquele momento (em outubro de 2007) a multa isolada havia sido excluída da autuação. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional pra, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001739/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem.
Numero da decisão: 1302-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Paulo Cortez e Guilherme Pollastri, que davam provimento parcial para exonerar da exigência de juros sobre multa de ofício.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16327.001739/2010-76
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5220925
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.038
nome_arquivo_s : Decisao_16327001739201076.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327001739201076_5220925.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Paulo Cortez e Guilherme Pollastri, que davam provimento parcial para exonerar da exigência de juros sobre multa de ofício. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
id : 4574155
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576721121280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 223 1 222 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001739/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.038 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de março de 2013 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente Itaú Seguros S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os juros de mora são obrigações acessória à obrigação principal, razão pela qual aqueles seguem a sorte deste. Por expressa disposição legal os tributos com exigibilidade suspensa não são dedutíveis da base tributável do IRPJ (art. 41 da Lei nº 8.981/95). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os valores dos tributos com exigibilidade suspensa judicialmente e dos juros de mora sobre eles incidentes só podem ser lançados a resultado a título de despesa com provisão, logo, não são dedutíveis da base tributável da CSLL (art. 13, I, da Lei 9249/95). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Ementa JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n˚ 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 39 /2 01 0- 76 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Paulo Cortez e Guilherme Pollastri, que davam provimento parcial para exonerar da exigência de juros sobre multa de ofício. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 1634.768 da 10a Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151, II a IV, do CTN seguem a norma de dedutibilidade do principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151, II a IV, do CTN seguem a norma de dedutibilidade do principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, calculados pela taxa Selic, a partir de seu vencimento. Na sua peça recursal, a contribuinte apresenta as seguintes razões de defesa: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 224 3 a) que o § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, aplicável ao IRPJ, não se aplica à CSLL nem aos juros de mora, sejam eles decorrentes do IRPJ ou da CSLL; b) que os artigos 7º e 8º da Lei nº 8541/92 foram revogados tacitamente com a entrada em vigor do art. 41 da Lei nº 8.981/95, o qual disciplinou toda a matéria em tela; c) que houve ofensa ao princípio da legalidade; d) que tanto os tributos com exigibilidade suspensa, quanto os juros moratórios a eles relacionados, não são provisões, pois representam uma obrigação certa e líquida, ou seja, um passivo a pagar; e) que durante o curso da ação judicial em que se discute a legalidade ou constitucionalidade da obrigação tributária, ela não se torna incerta e ilíquida; f) que está correto o procedimento da recorrente, pois os tributos e os juros a pagar são obrigações que gozam de certeza, caracterizandose, assim, como despesas incorridas; g) que, quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, tal entendimento não deve prosperar; h) que a Lei nº 9.430/96 prevê que os tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit. §3º), ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora; i) que, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício; j) que, se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do art. citado) aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o § 3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício; l) que, diante do exposto, concluise pela total improcedêrncia dos lançamentos de IRPJ e CSLL, razão pela qual se requer a reforma da decisão proferida, a fim de que seja cancelado o auto de infração, inclusive os juros e multa nele consubstanciados. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Os juros de mora são obrigações acessória à obrigação principal, razão pela qual aqueles seguem a sorte deste. Nesse sentido, não há dúvida que, se existe expressa Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 disposição legal tornando indedutíveis os tributos com exigibilidade suspensa da base tributável do IRPJ (art. 41 da Lei nº 8.981/95), não há como se admitir que os juros de mora incidentes sobre tais tributos sejam dedutíveis. Além disso, a questão da indedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, seja no cálculo da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, encontra amparo nas mesmas razões pelas quais os tributos com exigibilidade suspensa não são dedutíveis da base tributável da CSLL, ou seja, por tais despesas se constituírem despesas com provisões. Nesse sentido, peço vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1a Turma da CSRF (acórdão nº 910101.214), o qual foi acolhido por maioria. A questão posta para exame deste colegiado se resume em saber se os valores dos tributos com exigibilidade suspensa podem ser lançados como despesas dedutíveis da base tributável da CSLL, como também os juros de mora sobre eles incidentes. De plano, há que se concluir que a solução que vier a ser dada para a questão, no tocante à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, deverá ser adotada quanto aos juros de mora sobre eles incidentes, pois não há como, na espécie, o acessório não seguir o principal. Com efeito, o artigo 41 da Lei no 8.981/95 não se aplica à CSLL. Ocorrre que o aludido artigo alberga normas sobre apuração de lucro real, ficando vedada assim sua aplicação na apuração da base ajustada da CSLL por força do disposto no art. 57 do mesmo diploma legal. Ora, o art. 57 da Lei no 8.981/95 preceitua que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por aquela Lei. Logo, regras de dedutibilidade de despesas aplicáveis, por expressa disposição legal, apenas ao lucro real, não são aplicáveis à CSLL. Por outro lado, pelo regime de competência, as despesas são reconhecidas em “função da sua incorrência e da vinculação da despesa à receita”, independentemente do seu reflexo em caixa. Resta, então, perquirir sobre o cerne da questão, qual seja, os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa devem ser reconhecidos como despesas incorridas? Ora, pelo regime de competência, para se ter como incorrida uma despesa, a respectiva exigibilidade há que ser certa e líquida, ainda que não exigível. Ocorre que a relação jurídicotributária, estabelecida entre o Fisco (sujeito ativo) e o contribuinte (sujeito passivo), é uma relação obrigacional, de tal sorte que, se o crédito tributário do Fisco não goza de certeza e líquidez, a obrigação tributária do contribuinte também não gozará. São lados da mesma moeda, a sorte de um será o destino do outro. O que se nota no caso em tela, é que, enquanto discutido judicialmente, o tributo não goza de certeza e liquidez, pois, se é verdade que a Fazenda Pública pode constituir unilateralmente título extrajudicial em seu favor CDA, também é certo que os créditos nele constituídos gozam de presunção relativa de certeza e liquidez, pois admitem prova em contrário, conforme dispõe o art. 204 do CTN. Convalidando o disposto no art. 204, vale a lembrança da teoria dos graus sucessivos da eficácia da obrigação tributária, segundo a qual, com o fato gerador, a obrigação tributária passa a existir; com o lançamento (em caso de lançamento de ofício ou por declaração), passa a ser atendível; com o vencimento, passa a ser exigível; e com a inscrição Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 225 5 em dívida, passa a ser executável. Ou seja, é justamente nesse último momento que a obrigação tributária adquire a presunção de liquidez e certeza. Assim, equivocase a contribuinte quando alega que o crédito tributário já é certo e líquido desde o fato gerador, mesmo porque, no caso em tela, antes mesmo de inscrito em dívida, a certeza e liquidez do crédito tributário passou a ser objeto da ação judicial movida pela contribuinte. Ressaltese que, no Judiciário, a pretensão do Fisco, expressa na CDA, é plenamente embargável e destruível, como ocorre com outros títulos executivos extrajudiciais. Em verdade, os valores dos tributos com exigibilidade suspensa judicialmente e dos juros de mora sobre eles incidentes só poderiam ser lançados a resultado a título de despesa com provisão, pois tais valores representam expectativas de “valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos contábeis já ocorridos; isto é dizem respeito a...prováveis valores a desembolsar originados de fatos já acontecidos (como...probabilidade de ônus futuro em função de problemas fiscais já ocorridos...)”, conforme professavam os ilustres autores do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (editora Atlas, 7ª edição, p. 312/313) ao conceituar provisão. Logo, se tais despesas tem natureza de despesa com provisão, não há outra conclusão possível, à luz do ordenamento jurídico pátrio, senão considerálas indedutíveis da base de cálculo da CSLL, em face do que dispõe expressamente o art. 13, inciso I, da Lei no 9.249/95, se não vejamos: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; .................................................................................................................” Como se vê, o caput do art. 13 deixa claro que a norma ali insculpida se aplica na apuração da base de cálculo da CSLL e o inciso I torna inquestionável a indedutibilidade da provisão com tributos discutidos em juízo e com exigibilidade suspensa. Pelo mesmo fundamento, caso não bastasse o fato de que o acessório segue o principal, os juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa são indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por se constituir despesa com provisão. Em valioso reforço a tudo quanto sustentado, reproduzo trecho, colhido no Termo de Verificação Fiscal nos autos do processo administrativo nº 16327.000171/2006901, acerca da questão que ora se aprecia, in verbis: "(...) Se o contribuinte contesta um tributo lançado, (...) também não reconhece a existência da obrigação, seja por considerar inconstitucional a lei que a 1 O TVF informava que o texto era da autoria do ilustre jurista Ricardo Mariz de Oliveira, mas não indicava a fonte bibliográfica. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 prevê, seja por considerar que o lançamento não está de acordo com lei válida e, portanto, está em desacordo com o art. 142 do CTN, perdendo, destarte, a presunção de legalidade. Por conseguinte, a presunção de validade do ato administrativo de lançamento não é suficiente para justificar a despesa. Em qualquer caso, é impossível ao contribuinte alegar em processo a inexistência da relação jurídica tributária, mas na contabilidade registrar a existência da mesma relação jurídica tributária, e com isso pretender diminuir o seu lucro. (...) Ora, se o contribuinte intenta qualquer ação ou procedimento administrativo, pelo qual declara não reconhecer a existência da relação jurídica tributária, não pode singelamente contabilizar a despesa que pressupõe exatamente o reconhecimento da relação jurídica tributária. (...) A contabilização em despesa, pura e simplesmente, além de incorreta e incoerente, seria insincera, contrária ao princípio da verdade material da contabilidade. Assim, no caso de obrigação tributária, não é suficiente que ocorra o fato gerador, ou que a autoridade fiscal declare em lançamento que houve sua ocorrência. Quando o contribuinte se rebela contra a exigência tributária, não está admitindo que fato gerador válido tenha ocorrido, caso em que falha a incidência da regra de reconhecimento da despesa, porque esta não está na posição de ser definitiva e incondicionalmente devida. Neste caso, tão somente pelo regime de competência, o contribuinte não poderia opor ao fisco a pretensão de deduzir uma despesa que ele próprio sustenta ser uma despesa da qual não é devedor. Tal pretensão seria contraditória e conflitante com o sistema, o qual, repitase, requer a abertura de uma reserva ou de uma provisão na contabilidade, e trata esta conta como fiscalmente indedutível. E nenhuma lógica existe na atitude do contribuinte, de dizer que não deve o tributo quando vierem lhe cobrar, mas dizer na contabilidade que o deve, assim como na declaração de rendimentos para deduzilo fiscalmente. Num primeiro momento ele opõe ao fisco suas razões para não reconhecer o débito, e num momento seguinte, que deveria ser conseqüente, ele, inconseqüentemente, opõe ao fisco o direito de deduzir o tributo, que só existe se este for devido. (...) Assim, se o contribuinte não reconhece o débito não deve registrálo pura e simplesmente como uma despesa a pagar, como o faria em circunstâncias normais. O que ele deve fazer é registrar o risco em reserva ou provisão, que é indedutivel. (...) O essencial, portanto, dentro dos preceitos relativos ao chamado "regime de competência", é que a dúvida lançada sobre o débito redunda em reserva ou provisão indedutível, e não em conta de despesa devida e a pagar, correspondente à despesa fiscalmente dedutível. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 226 7 O períodobase para a dedutibilidade, no caso, passa a ser aquele em que transitar em julgado decisão contrária à pretensão do contribuinte, quando não mais haverá risco de perder a demanda (causa da provisão ou reserva) e haverá a perda definitiva da despesa (dedução da despesa, a débito da provisão ou da reserva). (...) É, portanto, a atitude do contribuinte, de não reconhecer a despesa e de submetêla ao poder jurisdicional, que requer adequado e consistente registro contábil, com o conseqüente trato legal. (..)" Por todas essas razões, nego provimento ao recurso voluntário nesta parte e mantenho o lançamento do IRPJ e da CSLL relativo à glosa da despesa com juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa. No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 227 9 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000854/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1993
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62 A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-001.658
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1993 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62 A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal. Recurso Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10735.000854/2003-14
conteudo_id_s : 5231109
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.658
nome_arquivo_s : Decisao_10735000854200314.pdf
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10735000854200314_5231109.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4579514
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576749432832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.000854/200314 Recurso nº 891.123 Voluntário Acórdão nº 220201.658 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria PDV Recorrente AIRTON MEIRELLES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1993 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10735.000854/200314 Acórdão n.º 220201.658 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, AIRTON MEIRELLES , foi negado pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos que teriam sido recebidos a título de incentivo à aposentadoria, durante o anocalendário de 1992, por meio da Decisão de fls. 20 a 22, a Delegacia de Nova Iguaçu indeferiu o pedido de restituição apresentado pelo interessado. O pedido de restituição foi protocolado em 03/03/2003. Cientificado dessa decisão, o contribuinte alega, em síntese, que "o desconto sofrido pelo recorrente em suas verbas rescisórias, a título de Imposto de Renda é indevido, uma vez que incidiu sobre indenização, o que não se enquadra nas situações contidas no artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. Alega ainda que, os Tribunais Superiores vêm decidindo pela não incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas pela adesão ao Plano de Incentivo à aposentadoria e anexa farta jurisprudência para corroborar suas alegações. Em 20/01/2007, a DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de imposto de renda retido indevidamente na fonte extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Insatisfeito, o interessado interpõe recurso reiterando fundamentalmente as mesmas razões da impugnação. Não traz qualquer elemento para questionar a decadência, salvo seu descontentamento com o mesmo. No mérito reitera o seu direito a restituição. E o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A matéria em litígio prendese à questão do termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de se pleitear a restituição de Imposto incidente sobre verbas recebidas a título de incentivo por adesão a PDV. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001063/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Falta de interesse de agir.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação.
Numero da decisão: 1302-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Falta de interesse de agir. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14041.001063/2008-77
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5220924
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.045
nome_arquivo_s : Decisao_14041001063200877.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 14041001063200877_5220924.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
id : 4574154
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576828076032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 365 1 364 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001063/200877 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.045 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de março de 2013 Matéria Cofins e Contribuição para o PIS Recorrente Juno Veloso Vidal dos Santos Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Falta de interesse de agir. Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 10 63 /2 00 8- 77 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0333.756 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato Gerador: 31/08/2006 a 30/11/2006 Exclusão do Simples. Comunicação do contribuinte. Motivo: opção. Efeitos no anocalendário subsequente. Se a exclusão do Simples decorreu de opção do contribuinte e foi comunicada durante 2006, consoante o disposto no art. 15, I, da Lei n˚ 9.317/96, somente passou a produzir efeitos a partir de janeiro de 2007, ou seja, o contribuinte estava sujeito à apuração no regime simplificado durante todo ano 2006. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato Gerador: 31/08/2006 a 30/11/2006 Fatos e elementos de prova idênticos ao do lançamento de PIS. Aplicase o decidido em relação ao lançamento de PIS, haja vista decorrerem dos mesmos elementos fáticos e de prova. Impugnação Improcedente Crédito tributário exonerado. O contribuinte tomou a inciativa de excluirse do Simples no ano de 2006 e entendeu que não poderia conviver no ano de 2006 com dois regimes de apuração (regime geral e Simples), razão pela qual refez sua escrituração para proceder a apuração do PIS para todo o ano de 2006 pelo regime geral de tributação, como também para a Cofins. A autoridade fiscal, por sua vez, entendeu que poderia conviver os dois regimes de tributação no mesmo ano, de tal sorte que considerou que o contribuinte estava excluído do Simples (e, consequentemente, obrigado ao lucro real trimestral) somente para o período após a comunicação à Receita Federal da sua exclusão espontânea de tal regime, ou seja, junho de 2006. Assim, para as infrações apuradas a partir de junho de 2006, a autoridade fiscal entendeu que se aplicava o regime geral nãocumulativo, e assim lavrou os autos de infração do PIS e da Cofins para os fatos geradores de agosto a novembro de 2006. Para as infrações apuradas nos meses de janeiro a maio, foram lançados o IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária pelo regime do Simples, sendo que tais lançamentos foram objetos de outro PAF (14041001064/200811). Destarte, a decisão da 2ª Turma da DRJ/BSB, embora tenha julgado improcedente a impugnação, cancelou os lançamentos do PIS e da Cofins, pois entendeu que não poderia a autoridade fiscal considerar o contribuinte excluído do Simples a partir do mês em que manifestou a sua opção de ser excluído do sistema (junho de 2006), mas tãosomente a partir do exercício subsequente. Por essa razão, entendeu que os lançamentos do PIS e da Cofins eram nulos, pois deveriam ter observado a sistemática do Simples a que estava obrigada o contribuinte por todo o ano de 2006. O contribuinte, devidamente intimado da decisão, apresentou o recurso voluntário a fls. 175 deste processo, o qual se encontra apensado ao PAF n˚ 14041000128/201081. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14041.001063/200877 Acórdão n.º 1302001.045 S1C3T2 Fl. 366 3 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Não deve ser conhecido o recurso voluntário do contribuinte, pois lhe falta interesse para recorrer, uma vez que os lançamentos do PIS e da Cofins foram cancelados pela decisão a quo, logo, não se verifica qualquer utilidade ou necessidade da providência revisional pleiteada. Ressaltese que a autoridade julgadora a quo não interpôs recurso de ofício, já que o limite de alçada não foi alcançado, dessa forma, sequer poderseia tomar o recurso voluntário do contribuinte como contrarrazões. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 367DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15224.002271/2004-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 07/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 07/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 15224.002271/2004-84
conteudo_id_s : 5224491
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.529
nome_arquivo_s : Decisao_15224002271200484.pdf
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15224002271200484_5224491.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4577402
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576856387584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15224.002271/200484 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 310201.529 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2012 Matéria II Recorrente VARIG S.A. VIAÇÃO AÉREA RIO GRANDENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 07/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Fabia Regina Freitas, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. “O presente processo trata de Auto de Infração relacionado A aplicação de multa por embaraço à ação da fiscalização, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 5.000,00. DO LANÇAMENTO A Fiscalização trouxe na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, resumidamente, que: • As 06h55 do dia 07/09/2004, pousou a aeronave de prefixo PP VQY, n° do voo RG 8963 da empresa em epígrafe, procedente dos Estados Unidos da América e destinada posteriormente a Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, trazendo carga de origem estrangeira e seis tripulantes; • constatado este fato pelo Auditor plantonista, este tentou contato com os funcionários da empresa sem obter sucesso, tampouco recebeu a documentação (General declaration) da aeronave, para que se pudesse iniciar a autorização e liberação desta; • a aeronave decolou As 7h45 do mesmo dia com destino ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas/SP, sem que a respectiva documentação fosse liberada pela Autoridade Aduaneira; • não foi apresentada documentação com a anuência da Policia Federal, da Receita Federal do Brasil, do Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); • apenas às 10h20 do dia 07/09/2004 um funcionário da Empresa compareceu entregando o termo de entrada sob o n° 04/0014916 com os respectivos conhecimentos de carga, sendo que já havia passado quase três horas e meia da chegada da aeronave, quando o limite estabelecido na legislação é de apenas duas horas; • considerase ocorrido, pois, embaraço A fiscalização tendo em vista a falta de prestação de informações por parte do transportador, o que dificultou o controle, a verificação e a fiscalização por parte da Autoridade Aduaneira. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15224.002271/200484 Acórdão n.º 310201.529 S3C1T2 Fl. 2 3 Em 19 de novembro de 2004 o sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, vindo a apresentar Impugnação em 20 de dezembro do mesmo ano (fl. 13/17). DA PRELIMINAR A Impugnante. trouxe, em sede de preliminar, que a Autuação indicou a aeronave de prefixo VRG8963 como sendo de propriedade da companhia aérea VARIG LOG, dai a ilegitimidade passiva da VARIG7. DO MÉRITO Quanto ao mérito, asseverou a Impugnante, em síntese, o que se segue: • fazse necessário consignar que o voo VRG 8963 pousou no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes em virtude de escala técnica, visando apenas o abastecimento da aeronave, visto que o destino era o Aeroporto de Viracopos, em Campinas/SP; • após a aterrissagem, os funcionários responsáveis pelo voo procederam a todas as obrigações legais, cumprindo as exigências das autoridades aeroportuárias, aeronáuticas, sanitárias, da Policia Federal e da Receita Federal do Brasil; • os documentos em anexo comprovam a adoção das providências "... para a regularização da aeronave, seu pouso, a verificação de sua carga, e final decolagem"; • as informações concernentes ao voo, aterrissagem e carga foram declaradas no sistema SISCOMEX MANTRA, no prazo legal, conforme a cópia do registro eletrônico correspondente; • em seguida a documentação foi apresentada ao Agente da Policia Federal, que liberou o voo, dando por cumpridas as formalidades legais; • a ANVISA, após verificação de praxe, liberou o voo, declarando regulares a carga e os documentos que lhe foram apresentados; • ao dirigirse A Seção de Operações Aduaneiras (SAOPE) o funcionário da Empresa constatou que o Auditor plantonista não se encontrava presente naquele momento, assim a documentação só lhe foi apresentada no momento do seu retorno, às 10h20, conforme cópia da Folha de Controle de Entrega de Termos de Entrada; • "A aterrissagem e a decolagem foram devidamente autorizados pela DAC e pelas demais autoridades aeroportuárias"; • não há como se imputar a multa em comento, pois não restou caracterizada qualquer hipótese de embaraço, dificuldade ou impedimento à fiscalização, já que a documentação a que se alude foi apresentada à Autoridade Fiscal no momento em que esta retornou ao seu posto na SAOPE; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 • temse por oportuno que não foi detectada nenhuma irregularidade na documentação apresentada, ademais, o fato de outros entes mencionados pela Fiscalização não haverem se pronunciado sobre o voo se deu pois este foi liberado pelas mesmas sem a constatação de qualquer anormalidade; • a 1mpugnante não deixou de responder à "tentativa de contato" da Autoridade Aduaneira, pois esta não ocorreu. Na verdade, os funcionários da Empresa é que buscaram, em vão, o contato com a dita Autoridade; • deste modo, não houve desobediência a nenhum dos preceitos legais mencionados, posto não se ter configurado nenhuma das hipóteses ali referidas, ao contrário, cumpriu com rigor As exigências contidas na Instrução Normativa (IN) n° 102/94, registrando a chegada da aeronave no sistema, conforme prevê o artigo 10 da citada IN, no que deu pleno cumprimento ao disposto no Regulamento Aduaneiro, conforme prevê o parágrafo único do dispositivo mencionado; • não há que se falar em desobediência ao artigo 298 do Código Brasileiro de Aeronáutica, posto que a Impugnante não se trata de empresa estrangeira; • além disso, o fato de a Empresa haver cumprido suas obrigações junto a todas as autoridades vinculadas ao processo de fiscalização aeroportuária fez com que não ocorresse qualquer prejuízo aos cofres da Fazenda Nacional; • ante ao exposto, requer seja a Varig S.A. excluída da relação processual em virtude de sua ilegitimidade constatada no próprio texto do Auto de Infração. Caso assim não se entenda, julguese improcedente a autuação.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/09/2004 CORRETA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE. NÃO CABIMENTO. Incabível a arguição de ilegitimidade por erro na identificação do sujeito passivo quando este encontrase perfeitamente identificado nos autos, inclusive com seus dados indicados no cabeçalho do Auto de Infração. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/09/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15224.002271/200484 Acórdão n.º 310201.529 S3C1T2 Fl. 3 5 Configurase embaraço à fiscalização quando o sujeito passivo, por meio de ações ou omissões, vier a embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento de um procedimento fiscal por parte da autoridade responsável. Lançamento Procedente” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Preliminarmente há de se verificar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. Conforme consta dos autos, a comprovação da ciência da decisão da DRJ foi realizada por meio do Aviso de Recebimento – AR (fl. 32), com data de recebimento no dia 20/07/2009, uma segundafeira. Cientificada da decisão de primeira instância. O Recurso Voluntário deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo 2°, do artigo 33, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A forma de contagem do prazo estabelecido pelo art. 33 foi previsto no art. 5º do mesmo decreto. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 A fruição do prazo, tendo em vista que a ciência ocorreu em uma segunda feira, teve seu termo de início sobrestado para o próximo dia de expediente normal da repartição que seria dia 21/07/2009 uma terçafeira, extinguindose o prazo para interposição do recurso em 19/08/2009. O Recurso Voluntário (fls. 33 a 52) foi apresentado em 20/08/2009, após a data limite para interposição de recurso, sendo desta forma, intempestivo, não atendendo os pressupostos de admissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por apresentarse intempestivo. Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.012031/2002-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO-DCP Para fins de utilização do crédito presumido de IPI referente a determinado mês, a empresa fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação pertinente.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito de compensar depende de seu exercício, além da comprovação material do crédito a compensar, bem como escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente.
Numero da decisão: 3201-000.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO-DCP Para fins de utilização do crédito presumido de IPI referente a determinado mês, a empresa fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação pertinente. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito de compensar depende de seu exercício, além da comprovação material do crédito a compensar, bem como escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10580.012031/2002-53
conteudo_id_s : 5239525
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.851
nome_arquivo_s : Decisao_10580012031200253.pdf
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10580012031200253_5239525.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4599540
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576862679040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.012031/200253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.851 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente CIA PAULISTA DE FERRO LIGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDODCP Para fins de utilização do crédito presumido de IPI referente a determinado mês, a empresa fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação pertinente. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito de compensar depende de seu exercício, além da comprovação material do crédito a compensar, bem como escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Daniel Mariz Gudiño,Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Pedido de Compensação de Débito de Cofins (código 2172) com Créditos do IPI, formulado pela contribuinte às fls. 01 e 17 nos valores, respectivamente, de R$ 198.264,04 e R$ 242.545,47, totalizando um montante de débitos a compensar de R$ 440.809,51. Para legitimar seu pleito, anexou aos autos a Planilha de fl. 13. Em face do pedido formulado, o Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal em SalvadorBA elaborou o Parecer nº 398/2004SEORTPJ (fls. 22/23) propondo o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação pleiteada. Nesse parecer, a autoridade fiscal indicou como fundamento principal para o indeferimento proposto o fato de a interessada ter formalizado o processo “em desconformidade com o previsto na IN SRF nº 210, de 2002, art. 21, §4º”, tendo destacado que além de não ter apresentado Pedido de Restituição ou de Ressarcimento, não fez a contribuinte qualquer indicação da existência de créditos que porventura já tivessem sido objeto de pedidos desta natureza. Em 30/07/2004, a autoridade competente, com base no referido parecer, declarou a nãohomologação da compensação no valor total pretendido (fl. 23). Inconformada com a decisão proferida pela DRF/SDR, da qual tomou ciência em 17/08/2004 (AR, fl. 24), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 25/33, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, que mediante o Acórdão DRJ/REC Nº 12046, de 29/04/2005 (fls. 60/66), decidiu pela nulidade da decisão proferida pela DRF/SDR (Decisão nº 398/2004), por entender que houve cerceamento do direito de defesa, remetendo o processo à origem, no caso a DRF/SDR, para que fosse procedida a intimação da contribuinte no sentido de apresentar os documentos necessários ao saneamento do processo. Em atendimento ao determinado pela DRJ/Recife/PE a contribuinte foi intimada, através das Intimações de nºs. 482/2005 e 534/2005 (fls. 68/69), a apresentar a seguinte documentação: pedido de ressarcimento em que constasse o período de apuração, bem como preenchimento do campo 4, e ainda identificação do estabelecimento filial detentor do crédito; cópia Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 2 3 devidamente carimbada e assinada do Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento detentor do crédito; cópia do LAIPI em que constasse o estorno do (s) pedido (s) de ressarcimento; cópias das DCPs, respectivas, com a apuração do crédito presumido, ou das DCTF. A contribuinte, apesar de ter sido cientificada das intimações em 16/11/2005 e 12/01/2006 (AR de fl. 67), não atendeu as solicitações feitas pela Delegacia da Receita Federal em Salvador/Ba, a qual, mediante Despacho Decisório DRF/SDR nº 0486, de 11/07/2006, declarou as compensações não homologadas e, com base no art. 40, da Lei nº 9.784, de 1999, propôs o arquivamento do referido processo. Tendo tomado ciência do despacho decisório da DRF/SDR em 04/08/2006 (AR, fl. 79), a contribuinte apresentou, 04/09/2006, Manifestação de Inconformidade de fls. 80/89, instruída com os documentos de fls. 90/92, cujo teor é sintetizado a seguir. diz, inicialmente, que, apesar da autorização da Lei nº 10.637, de 2003, teve seu pedido de Compensação de débitos da Cofins dos períodos de apuração de 10 e 11/2002, com créditos do IPI, no montante de R$ 440.809,51, indeferido pela Receita Federal, sob a legação de ela não teria atendido o disposto nos artigos 14, § 2º, e 19 da IN SRF nº 210, de 2002, no tocante, respectivamente, à identificação do período de apuração e preenchimento correto do Campo nº 4 do Pedido de Ressarcimento; que a fiscalização afirmou, ainda, que sua empresa não teria apresentado a cópia do Livro de Apuração do IPI, modelo 8, impedindo, desse modo, a verificação do crédito escriturado no respectivo trimestrecalendário e do crédito presumido do IPI, bem como a apresentação da DCTF com o respectivo comprovante de entrega; que, no entanto, não assiste razão à SRF, uma vez que a lei vigente à época da compensação pretendida, no caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996 (que transcreve), não impunha quaisquer restrições ao exercício do direito a compensação; que, visando regulamentar o processo da compensação, foram emitidas, frisese, nunca com a possibilidade de restringir direito dos contribuinte, as IN SRF nºs. 22 de 1996, 21 de 1997, alterada pela IN SRF nº 73 de 1997, posteriormente revogada pela IN SRF nº 210 de 2002; em seguida, transcreve a IN SRF nº 210 de 2002 (art. 21, §§ 1º e 2º) e diz que da leitura de tais dispositivos verificase, de forma cristalina, que esta não vincula o pedido de compensação do contribuinte a necessário e anterior pedido de ressarcimento e/ou restituição do crédito pretendido para que a compensação seja autorizada; que, desse modo, cai por terra qualquer pretensão do fisco em querer negarlhe o direito à compensação, pela suposta ausência de pedido de ressarcimento anterior, visto não ser este necessário à configuração do seu direito, conforme ficou demonstrado; que apesar da apuração do crédito se dá anteriormente à sua pretensão, todavia, não há necessidade de requerimento prévio da restituição, mediante formalização de pedido específico, já que existem inúmeras maneiras de Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 comprovação do crédito, afirmando, desse modo, que uma coisa não invalida a outra; na seqüência passa à análise da negativa do seu pedido pela ocorrência de erro material: diz, quanto ao não preenchimento do campo 4 do pedido de ressarcimento, que não houve inobservância do firmado na IN SRF nº 210, de 2002, no que tange ao período do crédito, bem como ao estabelecimento do qual o mesmo derivava; que o preenchimento do campo 4, só se faria necessário acaso ela se adequasse a hipótese ali prevista, sendo que a ausência do seu preenchimento, denota, até pela lógica, de que não possuía qualquer processo administrativo ou judicial que viesse a acarretar a redução do seu crédito vindicado; que a simples ausência de dados no preenchimento de formulários não é suficiente para descaracterizar o direito à compensação, em especial, quando a apuração das obrigações e direitos da companhia é efetivada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, tal como pode ser constatado nos registros da SRF do Brasil; que o fato de não ter sido apontado o CNP da filial, de onde decorreu o crédito, também não a descaracteriza, já que tal informação somente se faria necessária caso cada filial apresentasse suas informações fiscais à receita, o que não acontece, posto serem estas geradas pela matriz; que a comprovação documental dos créditos a serem compensados é que representa formalidade essencial para análise do pedido de ressarcimento, a qual foi devidamente cumprida pela Companhia quando da apresentação de sua escrituração eletrônica; sustenta, ainda, que cabe a DRF, em obediência ao princípio da busca da verdade material, proceder à análise dos elementos de provas trazidos aos autos, solicitando outros tantos que ratifiquem o direito invocado, e não somente, afastar a documentação pela simples alegação de sua inadequação ao quanto pretendido; que, de igual sorte, não merece guarida a alegação da fiscalização de que não foi apresentada cópia da DCTF que comprovasse a sua efetiva entrega com carimbo e número de registro, uma vez que entende ser desnecessária a reapresentação, já que a DCTF é emitida por meio eletrônico, e a RFB é aparelhada e instrumentada para verificar a existência de tal documento através de seus sistemas de controle; que, em assim sendo, mantémse a Administração em posição extremamente cômoda, se negando a verificar a documentação apresentada, quando certamente constaria a existência do crédito invocado; que, em assim agindo, a fiscalização estar a afrontar os princípios basilares da administração fiscal furtandose, desse modo, ao seu dever de busca da verdade material, conforme determina o art. 147, § 2º, do CTN; que, a fiscalização aponta ainda a ausência de cópia do livro de apuração do IPI do trimestrecalendário referente aos créditos pretendidos, como forma de averiguar sua escrituração e apropriação, informando que foi solicitado nas intimações não atendidas (fls. 68/69); que, no entanto, em momento anterior, teria apresentado tal informação à fiscalização (fl. 13), a qual a teria desconsiderado sob o argumento de que se tratava de simples planilha, não prevista em lei ou dispositivo normativo; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 3 5 que não merece acolhida tal argumento, haja vista que referida planilha se apresenta como efetivos demonstradores de sua escrita contábil para efeito de contabilização e apropriação do IPI, com o estorno do valor do débito da Cofins de sua conta contábil; que, ocorrendo dúvida da fiscalização, acerca da validade de tais documentos, deveria esta promover a realização de diligências para esclarecimentos e verificação de outros documentos que bastassem ao seu convencimento; argumenta, ainda, que, em todos esses anos, nunca sofreu constrangimento ou mesmo autuação por descumprimento de obrigação acessória pela sua forma de escrituração e utilização de livros, não sendo, portanto, aceitável o questionamento da RFB, no momento de apropriação de seus créditos; que, eventuais falhas de comunicação entre fisco/contribuinte devem ser sanadas, e nunca entendidas como forma de negativa de um direito que lhe é legalmente garantido, e cuja extirpação vêm a lhe causar conseqüências danosas como a impossibilidade de aproveitamento de um crédito ao qual faz jus, sustentando, desse modo, que tais atitudes só servem para abarrotar os Conselhos de Contribuintes e os Tribunais, devendo, com isso, a fiscalização deixar de lado o seu posicionamento conservado e ver o contribuinte como um parceiro para crescimento do país, e nunca um infrator contumaz; continua discorrendo, ainda, sobre o seu direito líquido e certo aos créditos de IPI e a homologação da sua compensação com os débitos da Cofins; requer, ao final, a reforma da decisão inquinada, para que seja o presente processo baixado em diligência, quando, será constatado o crédito de IPI de sua Companhia, em face da documentação apresentada, fazendose forçosa a homologação da compensação pretendida dos seus créditos de IPI com seus débitos de Cofins, sendo tais valores baixados nos registros dessa RFB. Em face do despacho de fl. 194, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SDR no 1515.006, de 29/01/2008, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 DILIGÊNCIA Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITO PRESUMIDO (DCP) Ao utilizar o crédito presumido de IPI correspondente a determinado mês, a empresa produtora e exportadora fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O direito subjetivo de compensar não pode ser simplesmente argüido, dependendo seu exercício, além da comprovação material dos créditos a compensar, da correspondente escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente. Rest/Ress. IndeferidoComp. Não homologada.” O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado, bem como indeferir o pedido de compensação de crédito presumido de IPI com débitos da Cofins. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Registrese que o envio deste processo à PFN para inscrição em Dívida Ativa foi INDEVIDO, por conta da apresentação tempestiva de RECURSO VOLUNTÁRIO , logo houve CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO. Ressalto que, após o devido cancelamento, o processo seguiu para o CARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de inconformidade contra indeferimento pela não homologação, por parte da DRF/Salvador/BA, das compensações apresentadas, tendo em vista ao não atendimento por parte desta das solicitações nas intimações, para saneamento do processo. A compensação, prevista no inciso II do art. 156 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), como modalidade de extinção do crédito tributário, encontrase condicionada ao cumprimento de requisitos legais que restringem sua aplicação. De tais requisitos, o art. 170 do mesmo CTN, o qual estabelece que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ou seja, a ausência no requerimento de uma indicação a respeito do crédito de IPI passível de ressarcimento deixa em dúvida a existência do crédito favorável a contribuinte, sem o qual tornase impossível o deferimento da compensação. Ademais, sendo esta do exclusivo interesse da contribuinte, que pode impetrar o requerimento no momento e condição que lhe for mais conveniente, seria mais do que razoável esperar que o pedido de compensação quando apresentado estivesse revestido de todas as formalidades e informações exigíveis, o que não se verifica dos formulários apresentados às fls. 01 e 17 que subsidiam o pleito da interessada haja vista que carecem da informação referente aos créditos de IPI que deveriam ser utilizados para compensação com os débitos da Cofins. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 4 7 A empresa não atendeu as solicitações feitas pela DRF/SDR, mediante as intimações, tendo apresentado, tãosomente, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento matriz (CGC nº 57.487.142/000142), sem, contudo, ter acrescentado quaisquer outras informações ou documentos que comprovasse de que é detentora de crédito de IPI, suficientes para extinção das parcelas devidas da Cofins, mediante o instituto da compensação. Em sede de recurso voluntário traz memória de cálculo de crédito presumido do ano calendário de 2002. Todas as exigências solicitadas pela DRF/SDR, nas intimações, com a finalidade de viabilizar o aperfeiçoamento da instrução do seu pleito, encontra respaldo legal na IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, que assim dispõe em seus artigos 14, 15 e 19, in verbis: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 2o Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. (...) § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) (...) Art. 15. No período de apuração em que for encaminhado à SRF o "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 (...) Art. 19. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Não prospera a alegação que a Receita Federal do Brasil dispõe de informações através de seus sistemas de controle, é de se observar que, exceto a DCTF, os demais documentos solicitados nas intimações expedidas são de apresentação obrigatória da contribuinte tais como: Pedido de Ressarcimento, Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento detentor do crédito; cópia do LAIPI em que constasse o estorno do (s) pedido (s) de ressarcimento; cópias das DCPs, respectivas, com a apuração do crédito presumido. O Pedido de Ressarcimento apresentado pela empresa continua, da mesma forma, sem atender aos requisitos previstos na IN SRF nº 210, de 2002, tais como: período de apuração, preenchimento do campo 4, e identificação do estabelecimento filial detentor do crédito. Ressaltese, por oportuno, que tais requisitos constam do Anexo III da referida IN. Não foram apresentada, da mesma forma, cópia dos Demonstrativos de Crédito Presumido (DCP), relativos aos trimestres em que houve a fruição ou utilização do crédito presumido do IPI, previsão esta, constante, também, da citada IN, apenas memória de cálculo em sede de recurso. Dessa feita, não se acatam as considerações referentes à compensação realizada, uma vez que não há provas da existência de direitos creditórios, no caso de créditos presumidos do IPI estando, deste modo, o pedido em desacordo com a IN SRF nº 210, de 2002. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 5 9 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721907/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.056
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§1º e 2º, do RICARF
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10580.721907/2008-41
conteudo_id_s : 6373020
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 03 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2101-000.056
nome_arquivo_s : 210100056_10580721907200841_201203.pdf
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10580721907200841_6373020.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§1º e 2º, do RICARF
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4593843
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576881553408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 242 1 241 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721907/200841 Recurso nº Resolução nº 2101000.056 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2012 Assunto IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Herdival da Costa Tourinho Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva (suplente), Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em desfavor de HERDIVAL DA COSTA TOURINHO foi emitido o Auto de Infração às fls. 2 a 13, no qual é cobrado imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente aos anoscalendários de 2003 a 2006 (exercício 2004 a 2007), no valor total de R$ 186.213,47 (cento e oitenta e seis mil, duzentos e treze reais e quarenta e sete centavos), Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 243 2 acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30 de setembro de 2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 397.566,56 (trezentos e noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e seis reais e cinquenta e seis centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 5 a 8), a Fiscalização apurou: a) Omissão de rendimentos recebidos a título de aposentadoria no ano calendário 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0070074, no qual foi pleiteado o afastamento da incidência do imposto de renda sobre a integralidade dos proventos da aposentadoria dos declarantes com idade superior a 65 anos sem a observância dos limites impostos pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que alterou o art. 6º, XV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. No desfecho do processo judicial não prosperou a tese defendida. No entanto, mesmo após o trânsito em julgado do processo, o sujeito passivo não efetuou o pagamento do imposto incidente sobre tais rendimentos. b) Classificação indevida de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos. A Fiscalização entende que o sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos, decorrentes de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia, teriam natureza salarial, sendo tributadas pelo imposto de renda, segundo o Fisco. A Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, não poderia prescrever que a verba em questão é de natureza indenizatória, já que não podem os Estados Federados versar sobre o que não lhes foi constitucionalmente outorgado. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999). c) Classificação indevida de rendimentos tributáveis como rendimentos isentos. A Fiscalização alega que o sujeito passivo declarou como isentos e não tributáveis a totalidade dos valores recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.00.0070074. O processo transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004, mas o contribuinte não efetuou o pagamento do imposto incidente sobre tais rendimentos. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento (fls. 45 a 109), contestando apenas a infração relativa à diferença de URV. Alegou, em sua defesa, as seguintes razões, assim sintetizadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador: “a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 244 3 aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV.” Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem ajustasse o lançamento ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 2009, medida que não foi tomada tendo em vista a suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 1525.971, de 2 de fevereiro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 245 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 11 de abril de 2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 141 a 227), no qual pleiteia que, da base de cálculo do imposto sobre a renda correspondente aos anos de 2004, 2005 e 2006, sejam excluídas as parcelas recebidas a título de diferenças de URV. Em preliminar: a) alega a ilegitimidade da União para cobrar o valor do imposto de renda na fonte que não foi retido pelo Estado membro. Reafirmando que os valores retidos pelos Estados a título de imposto de renda na fonte pertencem aos Estados e não à União. Citando e transcrevendo dispositivos da Constituição Federal e ementas de julgados de nossos Tribunais, pugna pela nulidade do lançamento e pelo deslocamento do julgamento do litígio para a esfera estadual. b) sustenta que a decisão de primeira instância não enfrentou as questões relativas à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda pertencente ao Estado, limitandose a afirmar, sem fundamentar, que a competência é exclusiva da União, pois tratar seia, em tese, de imposto sobre a renda de pessoa física, e não de imposto de renda na fonte que deixou de ser retido, indevidamente, pelo Estado da Bahia. Tal omissão, a seu ver, caracteriza supressão de instância, o que violaria os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Sendo assim, entende que os autos devem retornar à primeira instância administrativa para que seja proferida nova decisão. No mérito: a) Defende que as verbas recebidas a título de URV não têm natureza salarial, mas indenizatória, e, por isso, não sofrem a incidência de imposto sobre a renda. A fim de fundamentar seu entendimento, transcreve, entre outros, trechos da doutrina, ementas de julgados dos Tribunais e do Conselho de Contribuintes e dispositivos da legislação. Alega que, por força do princípio da isonomia, o Ministério Público da União, ante a simetria verificada pela Lei n.º 10.477, de 2002, também é contemplado com a isenção prevista na Resolução STF n.º 245, de 2002. b) Entende que o imposto foi incorretamente lançado, já que, admitindose a tributação, deve ela recair sobre a verba recebida mensalmente, a teor do prescrito na Instrução Normativa SRF n.º1.127, de 2010, calculandose o imposto sobre o montante mensal dos rendimentos pagos, na hipótese, em 36 parcelas mensais. Requer, desse modo, o recálculo do valor lançado, de acordo com a nova orientação. c) Sustenta que o valor lançado não levou em consideração as deduções cabíveis, às quais o recorrente tinha direito, nos termos do artigo 837 do Regulamento do Imposto sobre a Renda. Além do mais, não ocorreu a alegada omissão de rendimentos, pois que declarou os valores recebidos nos campos próprios da sua declaração de ajuste, de acordo com o que lhe foi informado pela fonte pagadora. Não se lhe aplica, portanto, o disposto no artigo 845 do mencionado regulamento. Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 246 5 d) Requer a exclusão das parcelas correspondentes a 13º salário e férias indenizadas. Alega que, se, em tese, forem tributáveis as diferenças de URV, a tributação não deve incidir nem sobre os valores do 13º salário e férias indenizadas nem sobre a correção desses valores, devendo essas parcelas ser excluídas da base de cálculo do tributo. e) Refuta seu enquadramento como sujeito passivo do imposto de renda de que trata este processo com base no Parecer Normativo SRF n.º 1, de 2002. Sustenta que, como membro do Ministério Público do Estado da Bahia, tanto este quanto o Estado da Bahia são os responsáveis pela emissão e declaração de classificação da verba, não tendo o recorrente qualquer responsabilidade no ocorrido. Com base no artigo 121 do CTN, que cita e transcreve, entende que a fonte pagadora, por determinação do artigo 45 do mesmo Código, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributária. Por esse motivo, com base no Regulamento do Imposto sobre a Renda e em decisões dos Tribunais, cujas ementas transcreve, entende não ser sujeito passivo da obrigação tributária em tela, o que requer seja declarado. f) Ante o princípio da boafé, sustenta ter havido, de sua parte, erro escusável na declaração de ajuste, pois foi induzido a equívoco pela fonte pagadora, não se aplicando, no seu caso, a multa de 75%. A fim de fundamentar seu entendimento, transcreve, entre outros, dispositivos da legislação e ementas de julgados do Conselho de Contribuintes. g) Utiliza o artigo 100 e seu parágrafo único para fundamentar ser necessária a exclusão das penalidades, multas, juros e correção aplicados, já que a Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20, de 2002, serviu de substrato para o recorrente prestar sua declaração à Receita Federal. Com base em doutrina e jurisprudência, conclui que tal exigência caracteriza confisco. Requer, ao final, que o débito lançado seja cancelado e, na hipótese de ser mantida a exigência, sejam considerados todos os argumentos trazidos aos autos. É o Relatório Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. No presente caso, temse que o Auto de Infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2007, cumpriu a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988. Em 2009, o tema dos rendimentos recebidos acumuladamente foi objeto do Parecer PGFN n.º 287, de 2009, posteriormente ratificado pelo Ato Declaratório n.º 1, de 2009. Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 247 6 Diferentemente do que determina a norma do artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, a orientação do referido Parecer PGFN é no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tendo em vista que tal orientação, em última instância, derroga a regra do art. 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, utilizada como fundamento para o cálculo do tributo devido neste processo, tal como se depreende do “Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Devido” (fls. 5 verso), anexo ao Auto de Infração, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10580.721907/200841 Resolução n.º 2101000.056 S2C1T1 Fl. 248 7 a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1120.20005.E5SK. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 22/03/2012 14:41:20. Documento autenticado digitalmente por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 22/03/2012. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 28/03/2012 e CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 22/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/11/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.1120.20005.E5SK Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CFBF46D635927D705476A71BE3403CC12825E2F2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10580.721907/2008-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000557/95-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1994
LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL.
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Reconhece-se a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.758
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhece-se a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Recurso provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10835.000557/95-61
conteudo_id_s : 5219981
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.758
nome_arquivo_s : Decisao_108350005579561.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 108350005579561_5219981.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4573743
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576884699136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.000557/9561 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.758 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria ITR Recorrente AGROPECUÁRIA DOMINGOS FERREIRA DE MEDEIROS S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhecese a nulidade formal do lançamento quando inexiste identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/53) interposto em 15 de dezembro de 1998 contra o acórdão de fls. 40/42, do qual a Recorrente teve ciência em 13 de novembro de 1998 (fl. 50v), proferido pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fl. 03, lavrada em 08 de abril de 1995, em decorrência da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 1994. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: ITR VTN BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE 1994. O valor da terra nua, contestado pelo contribuinte e reconhecido pela administração tributária como inadequado, é passível de revisão, para que se adote reavaliação posterior, através de Laudo Técnico, elaborado por perito habilitado e/ou avaliação de Órgão Público.” (fl. 40). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso de fls. 51/53, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno do valor da terra nua, relativo ao exercício de 1994, que foi fixado em 299,63 UFIR/ha. pela IN/SRF n.º 16/95, reduzido para 170,0 UFIR/ha. pela decisão recorrida, que acolheu o laudo de avaliação de fls. 28/31, apresentado pela Recorrente. Segundo a contribuinte, ao proceder à retificação do lançamento, a fiscalização desconsiderou a área de reserva legal de 2.830,2 ha., de um total de 14.151,0 ha., assim como, na sua visão, o novo lançamento deveria ser efetuado sem a imposição de multa de ofício e juros moratórios. Preliminarmente, duas questões precisam ser esclarecidas. O despacho de fl. 65 negou seguimento ao presente recurso voluntário, haja vista a inexistência do depósito de 30% da exigência fiscal, como requisito de admissibilidade do recurso, à luz do §2º do art. 33 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 3 3 Ocorre, porém, que contra o aludido dispositivo foi ajuizada a ADIn n.º 19767. O Supremo Tribunal Federal, portanto, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, declarou a inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal, por supressão do direito de recorrer e violação ao princípio da proporcionalidade. Tal declaração, portanto, tem eficácia erga omnes e produz efeitos ex tunc, tendo, a posteriori, sido editada a Súmula Vinculante n.º 21, a qual dispõe o seguinte: “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. Ante o exposto, a decisão do Supremo retroage ao início da validade da norma atacada, alcançando, portanto, o recurso interposto pelo contribuinte, que possui os exigidos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Não obstante, não incide, in casu, o óbice da Súmula n.º 01, deste CARF, segundo a qual “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Tal questionamento poderia ser suscitado porque, ainda que tenha sido negado seguimento ao recurso voluntário que ora se examinará, à fl. 65 consta que os lançamentos de ITR/94, relativos aos imóveis localizados no Estado do Mato Grosso do Sul, estavam suspensos em virtude de liminar obtida em sede de ação civil pública, então pendente de julgamento, a qual foi posteriormente cassada, e julgada a ação improcedente em sede de apelação, pela Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Apelação Cível n.º 000292820.1995.4.03.6000/MS), Relatora a Desembargadora Alda Basto. A concomitância se dá, pois, consoante a súmula acima reproduzida, quando o contribuinte renuncia à esfera administrativa, em virtude de propositura de demanda judicial. A sistemática da ação civil pública, contudo, disciplinada pela Lei n.º 7.347/85, estabelece um rol taxativo de legitimados à sua propositura, dentre os quais o Ministério Público, cuja função precípua, ex vi do art. 129 da CF, é a de tutelar os direitos difusos e coletivos. Neste contexto, portanto, não se vislumbra a opção do contribuinte pela via judicial, em detrimento da administrativa, haja vista que a tramitação da referida ação civil pública independe de sua participação, motivo pelo qual o presente recurso, também por este motivo, deverá ser analisado. Superadas essas necessárias considerações preliminares, o próprio exame do mérito fica prejudicado em razão do reconhecimento, ex officio, da existência de vícios formal e material que maculam o lançamento efetuado in casu. A este respeito, cumpre repisar o disposto no artigo 142 do CTN, que trata do lançamento, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 4 4 Como cediço, o ato de lançamento visa à constituição do crédito tributário, haja vista ser condição para a Fazenda exercer seu direito ao tributo. Desse modo, segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, “se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regra matriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 13, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial” (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002. p. 418). Cumpre trazer à baila, ainda, interessante solução apontada por Eurico de Santi, para quem é possível ligar anulação aos vícios de forma, e nulidade aos vícios de matéria no lançamento. Assim, “a anulação decorre do descumprimento dos dispositivos que determinam o atofato de lançamento” (arts. 141, 142, 145, 146 e 149 do CTN), ao passo que “a nulidade decorre de vícios na aplicação da regramatriz de incidência tributária, introjetados na estrutura do atonorma administrativo, seja no antecedente (motivação), seja no consequente (crédito), tais como falta de motivação, defeito na composição ou determinação do sujeito ativo, do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis (...)”, ex vi dos arts. 142, 143 e 144 do CTN (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001. pp. 127129). Na presente hipótese, da notificação de lançamento de fl. 03, verificase, simultaneamente, a existência de vício formal e material que maculam o lançamento em questão: temse o vício formal pela ausência de identificação da autoridade lançadora, ao passo que o vício material decorre da inexistência de descrição da infração. Com efeito, a notificação aludida não expõe os motivos da autuação, comprometendo o direito de defesa da Recorrente. A este respeito, é pacífica a jurisprudência deste CARF, que inclusive já editou a Súmula n.º 21 acerca do vício formal em decorrência da ausência da identificação da autoridade lançadora (“É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”), confirmada pelos seguintes arestos: “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. No entanto, é elemento formal do lançamento a falta de identificação da autoridade fiscal” (CSRF, 2ª Turma, Recurso n.º 143.713, Relator Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, j. em 31/05/2010). “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e consequente nulidade devido a ocorrência de vício material. EMBARGOS ACOLHIDOS.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 240201.058, j. em 16/08/2010). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10835.000557/9561 Acórdão n.º 210101.758 S2C1T1 Fl. 5 5 “VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 240101.358, j. em 19/08/2010). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de declarar de ofício a nulidade formal do lançamento, por falta da identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF n° 21, e a nulidade material do lançamento, por falta de descrição da infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003262/2004-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de Apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004
PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO.
A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO, PELA CONTRIBUINTE, DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando não foi dado ciência à contribuinte do Relatório Fiscal resultante do cumprimento da diligência requerida pela DRJ, quando referido Relatório nada acrescenta aos fatos postos na autuação, tendo demonstrado a contribuinte pleno conhecimento das matérias que lhe foram imputadas. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.525
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou- se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO, PELA CONTRIBUINTE, DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando não foi dado ciência à contribuinte do Relatório Fiscal resultante do cumprimento da diligência requerida pela DRJ, quando referido Relatório nada acrescenta aos fatos postos na autuação, tendo demonstrado a contribuinte pleno conhecimento das matérias que lhe foram imputadas. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 19515.003262/2004-96
conteudo_id_s : 5226140
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.525
nome_arquivo_s : Decisao_19515003262200496.pdf
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 19515003262200496_5226140.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou- se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4577689
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576909864960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1 1 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003262/200496 Recurso nº Acórdão nº 3202000.525 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria PIS/PASEP. Recorrente MSX INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO, PELA CONTRIBUINTE, DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando não foi dado ciência à contribuinte do Relatório Fiscal resultante do cumprimento da diligência requerida pela DRJ, quando referido Relatório nada acrescenta aos fatos postos na autuação, tendo demonstrado a contribuinte pleno conhecimento das matérias que lhe foram imputadas. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Charles Mayer de Castro Souza . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte anteriormente identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os períodos de apuração de março a setembro de 2004 (PA 03/04 a 09/04), no valor (principal) de R$ 206.615,39, com multa de oficio de 75% no valor de R$ 154.961,50, e juros de mora, calculados até 30/11/2004, no valor de R$ 10.056,57, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 371.633,46, em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Defic/SPO), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) acostado à inicial. 2. Na Descrição dos Fatos de fls. 229/230, bem como no Termo de Constatação Fiscal de fls. 223/225, o AFRF autuante informa que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados da contribuição para o PIS, e ainda que: § No ano de 2004, o contribuinte declarou no "DACON" como isenção/exclusão da base de cálculo do PIS nãocumulativo, valores correspondentes a receitas auferidas sujeitas incidência cumulativa (fls. 07/14 e 216/220); § Em 27/09/2004, foi intimado (fl. 15) a demonstrar e esclarecer, juntando documentação comprobatória, os valores declarados na situação de isenção/exclusão acima comentada para os meses de março a junho de 2004, e, em 08/12/2004, foi novamente intimado (fl. 221) a fornecer os mesmos esclarecimentos e documentação, relativamente aos valores declarados na mesma situação para os meses de julho a setembro de 2004; § Em atendimento a ambas as intimações, o contribuinte alegou que os valores em questão se tratam de receitas auferidas sujeitas à incidência cumulativa, sujeitandose a tributação da Lei anterior (alíquota de 0,65%), conforme estabelecido no art. 15, c/c art. 10, inciso XI, alínea "b", ambos da Lei n° 10.833/03 (MP n° 135/03), apresentando demonstrativo de composição dos valores intimados (fls. 16/24 e fl. 222); § A fim de comprovar sua argumentação, apresentou documentação (xerox) correspondente aos contratos firmados em 03/05/2001 e 23/08/2003, com as empresas Siemens Automotive Systems Ltda. (fls. 25/41) e EMBRAER — Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (fls. 42/58), respectivamente, e vários "Pedidos de Compra" efetuados pelos clientes Ford Motor Company Brasil Ltda. (fls. 59/138) e Volkswagen do Brasil Ltda. (fls. 139/214); Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 2 3 § Quis o contribuinte que os contratos fossem substituidos pelos "pedidos de compra", porém, esses não apresentam características determinantes para que se possa apurar o montante (preço predeterminado) da receita de prestação de serviços de cada projeto, e, ainda, quando efetivamente teria sido firmado (assinado) o acordo de prestação desses serviços e o prazo de duração dos mesmos (superior a um ano), para que, eventualmente, se pudesse enquadrá los nos termos dos arts. 15 e 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03; § Portanto, ficam assim constatadas e caracterizadas exclusões indevidas de receitas da base de cálculo do PIS nãocumulativo (para os meses março a setembro de 2004), ocasionando falta de recolhimento da contribuição, e, como os valores da contribuição resultante das citadas exclusões indevidas não foram declarados em DCTF, tornamse os mesmos passíveis de exigência pelo presente processo de Auto de Infração; § Na determinação das bases de cálculo a lançar a título de PIS não cumulativo, que, a princípio, corresponderiam aos valores declarados no DACON na situação de isenção/exclusão da base de cálculo do PIS nãocumulativo, foram deduzidos os valores relativos aos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas EMBRAER e SIEMENS, já que esses valores consideramse como receitas sujeitas à incidência cumulativa, sendo tributados, assim, à alíquota de 3% três por cento), por não terem sido declarados em DCTF e, nem terem os seus recolhimentos comprovados, efetuando se assim, também para tais valores (ref. SIEMENS/EMBRAER), o lançamento de oficio através da lavratura do competente Auto de Infração. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal da contribuição para o PIS (v. fls. 224 e 229/230), cientificado ao contribuinte em 14/12/2004, conforme se observa à fl. 228, consistiu nos arts. 1 0, 2°, 30, 40 e 5°, da Lei n° 10.637/02; art. 10, inciso XI, alínea "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03; arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 23, 51, 59 e 63 do Decreto n° 4.524/02. 4. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fl. 227. 5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado, apresentou, em 13/01/2005, a impugnação juntada as fls. 235/243, e documentos anexos de fls. 244/998, listados pelo próprio impugnante à fl. 243, com as alegações abaixo resumidas: 5.1. em que pese o auditorfiscal ter considerado que "pedido de compra" não é contrato, e que, portanto, não se enquadraria nas exclusões previstas no art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03, cumpre analisarse a definição de contrato, para que, a partir de então, haja um entendimento comum que permitirá a análise, um a um, dos "pedidos de compra" e demais contratos de prestações de serviços celebrados pela empresa, os quais, pela legislação, entendemse isentos/excluídos da base de cálculo do PIS nãocumulativo, aplicandose às receitas referentes a estes contratos "pedidos de compra" as regras da anterior legislação, ou seja, a alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento); Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 5.2. na mais singela das definições, temse que "Contrato" é um acordo entre duas ou mais pessoas que transferem entre si algum direito, ou se sujeitam a alguma obrigação, convenção, ajuste ou acordo; 5.3. o contrato, como negócio jurídico, traz a manifestação de duas vontades que se encontram, e, para isso, é necessário que essa vontade contratual se exteriorize de alguma forma; 5.4. a forma determinada em lei existe para aqueles atos em que a lei, ou a vontade das partes, queira imprimir maior respeito e garantia de validade, todavia, a regra geral é de liberdade de forma para os negócios jurídicos em geral; 5.5. a manifestação da vontade contratual pode, na verdade, darse de forma escrita ou verbal, ou, até mesmo, de forma mímica ou gestual, quando tais figuras são admitidas pela categoria dos contratos e pelos costumes; 5.6. após o advento do Novo Código Civil, as próprias partes podem contratar determinada forma de contrato, e, no presente caso, os contratos com a Ford e Volkswagen são celebrados através de "pedido de compra", tratandose de forma prescrita pelas partes e reconhecida em nosso direito, pois a lei não determina que este tipo de contrato deverá ser solene, não fazendo ainda a lei qualquer distinção quanto a seu rótulo, ou seja: porque vem denominado "pedido de compra", não quer dizer que não possui as características do contrato, e, principalmente estes analisados, que possuem todos os elementos necessários que se enquadram na Lei n° 10.833/03, além do que a lei apenas especifica que seja "firmado", e, portanto, os contratos anexos estão dentro de seus parâmetros legais e assim devem ser reconhecidos; 5.7. consoante declarações que seguem em anexo (fls. 268 e 311), tratase o impugnante de empresa prestadora de serviços de engenharia e parceira da empresa Ford, há mais de cinco anos no Brasil e há mais de oito anos a nível mundial; e da empresa Volkswagen, há mais de seis anos; 5.8. no Brasil, os contratos de prestação de serviços com a Ford e a Volkswagen sempre foram celebrados através de "pedido de compra", e contêm: data de inicio de prestação de serviço (data de emissão); data de término da prestação de serviços (data da validade/entrega); preço predeterminado para a prestação do serviço em valor hora, contendo a quantidade total de horas por projeto; condição de pagamento pelo serviço prestado; local da prestação do serviço; demais cláusulas contratuais, contendo as obrigações e responsabilidades assumidas pelas partes, bem como previsão de sanções em caso de descumprimento destas cláusulas; 5.9. portanto, os "pedidos de compra" celebrados com a Ford e a Volkswagen do Brasil possuem todas as características de contrato, ou seja, neles encontrase estampado o conceito de "acordo entre duas pessoas jurídicas que transferem entre si direitos, e se sujeitam a obrigações em troca de um preço predeterminado, convencionam ainda o prazo desta prestação de serviços, bem como outras tantas cláusulas destinadas a regular e permitir a prestação de serviços"; 5.10. além disso, o "pedido de compra" apresenta condições de se auferir (sic) e conferir o montante da prestação de serviço (preço predeterminado), data de seu inicio e término (celebração e duração), e dai se ter com clareza que tais receitas estão sujeitas tributação cumulativa, incidindo a aliquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), prevista nas normas da legislação do PIS/COFINS, vigentes anteriormente A Lei n° 10.833/03, como determina seu art. 10; 5.11. a Lei acima citada e também a Orientação que segue em anexo (fls. 529/532) somente dizem: contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 3 5 prazo superior a 1 ano; preço predeterminado, e a Instrução Normativa (IN) SRF n° 468, de 08/11/2004, prevê, em seu art. 2°, que preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato; 5.13. pois bem, quanto à data da celebração dos contratos, não há dúvida, todos devem ter sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; quanto a seu prazo necessário ser superior a 1 ano; e quanto ao preço dever ser predeterminado como determina a lei, neste tocante quis o legislador que constasse necessariamente o seu "quantum" no momento da celebração do contrato; 5.14. vejase em tal sentido que a empresa autuada é prestadora de serviços especificamente na Área de engenharia (mãodeobra); na maioria dos contratos firmados, os preços são predeterminados em valores hora fixos, contendo a quantidade de horas total por projeto, somente variando as horas mês, mas nunca extrapolando a quantidade de horas, cujo total se encontra previsto no contrato "no seu período de execução"; portanto, para se auferir (sic), "apurar" a receita de cada projeto contratado, basta somar a quantidade de horas no contrato, cujo niunero e identificação encontramse estampados nas faturas, na medida em que todas fazem menção a qual contrato ou pedido de compra se referem; 5.15. o que ocorre é que existem projetos a serem cumpridos ao longo de três ou quatro ou até mais anos, mas todos eles com o preço predeterminado (fixo em valor hora e também fixo em quantidade de horas), e jamais ultrapassando a quantidade de horas; 5.16. não diz a lei que o preço não poderá ser em hora, e sim que o preço seja predeterminado; não faz também a lei qualquer menção a limite de valores, seja em hora ou outro qualquer, apenas considera preço predeterminado aquele "fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução"; 5.17. portanto, as planilhas anexas, confrontadas com o DACON e demais guias de recolhimento, e com as devidas compensações, dão conta de que os tributos foram recolhidos mês a mês na forma cumulativa, consoante prevê a legislação; 5.18. além disso, conforme comprovam os documentos anexos (Planilha de cálculo analítica COFINS — Lei antiga "cumulativa" e Lei atual "lido cumulativa"), não houve por parte do auditorfiscal nenhuma consideração da compensação de créditos da empresa, no que tange aos valores de impostos retidos pelos correspondentes tomadores, referentes às respectivas contribuições, consoante prevê o art. 36 da Lei n° 10.833/03; 5.19. no Termo de Constatação Fiscal, foram procedidas autuações sobre não recolhimento as alíquotas de 0,65% (PIS) e 3% (COFINS), nos faturamentos dos meses de março a junho das empresas EMBRAER e SIEMENS, cujas receitas foram consideradas pelo fiscal autuante como sujeitas à incidência cumulativa, e também que o PIS/COFINS delas decorrentes não teriam sido declarados em DCTF, além do que supostamente não tiveram seus recolhimentos comprovados, o que, portanto, não é correto; 5.20. na ocasião da fiscalização, esclareceuse que as DCTF/DACON não possuem campo para tal informação "demonstração da compensação dos tributos cumulativos", pois (o DACON) contém apenas campo para informação para o caso de créditos/compensações "tributos nãocumulativos", porém, ainda assim, a autoridade autuante procedeu à autuação ora impugnada, sem nada disto ressaltar; Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 5.21. portanto, não há outra forma para se verificar a transparência e regularidade dos recolhimentos dos tributos, senão o acompanhamento das planilhas analíticas anexas, de forma a confrontálas mês a mês com os contratos e faturas, para que se possa também chegar aos valores corretos de créditos compensados entre si, pois não se dispõe de instrução ou formulário para tanto; 5.22. diante do exposto, requerse seja declarada a total insubsistência/improcedência do Auto de Infração, considerandose ainda legalmente tributado e recolhido o PIS incidente e devido sobre a receita da empresa no período apurado. 6. A fl. 1018, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 10.706, de 14/07/2007, que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo Único, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP01) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ02), o presente processo foi encaminhado a esta DRFRJ02, para julgamento. 7. Posteriormente, foi o presente processo encaminhado à. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (Defis/SPO) em diligência (v. fls. 1019/1020), a fm de que, para cada contrato e pedido de compra vinculados aos serviços que compõem a apuração do PIS/COFINS, fosse discriminado se: a) os serviços correspondentes aos contratos ou pedidos prolongaramse por mais de 1 (um) ano contado da data em que foram firmados, considerado o disposto nos artigos 40 e 6° da IN SRF n° 468, de 08/11/2004; b) os preços estabelecidos nos contratos ou pedidos tenham sido fixados em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução, atendendo as disposições do art. 2°, § 1º, da IN SRF n° 468/2004; c) houve qualquer prorrogação ou alteração (reajuste) de preços após 31/10/2003, em "percentual superior Aquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995", conforme § 3° do art. 3° da IN SRF n° 658, de 04/07/2006, c/c arts. 4° e 7° do mesmo ato normativo, discriminandose, em caso positivo, a data de prorrogação e/ou de alteração do preço. 8. Solicitouse ainda à fiscalização, na diligência proposta as fls. 1019/1020, a elaboração de novos demonstrativos de apuração da COFINS, desta feita levando em consideração as antecipações da contribuição, invocadas pelo contribuinte em sua impugnação, conforme arts. 30 e 36 da Lei n° 10.833/2003, regulamentado pela IN SRF n° 459, de 18/10/2004, art. 7°, § 1°. 9. A fiscalização, em atendimento à diligência solicitada, promoveu a juntada da documentação de fls. 1022/1043, sendo que o contribuinte, após intimado (fls. 1022/1023), apresentou os esclarecimentos de fls. 1034/1040, alegando de forma supletiva que: 9.1. o fornecimento de serviços pela MSX aos seus clientes, Volkswagen do Brasil Ltda. e Ford Motor Company do Brasil Ltda., decorre de prática negocial consagrada no relacionamento de empresas e mercado internacional, sendo que ditos atos negociais são também conhecidos por "engeneering"; 9.2. no Brasil, tal ato negocial não é desconhecido da lei brasileira, pela referência a que lhe faz o Decreto n° 64.345/69 e o Decreto n° 66.717/70, que estabelecem que órgãos públicos só poderão contratar serviços de "engeneering" (a lei fala em consultoria e assistência técnica) com empresas estrangeiras, se não Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 4 7 houver empresa nacional capacitada a prestar esses serviços, sendo que, quando contratada empresa estrangeira, o serviço deverá ser executado em convênio com empresa nacional; uma empresa privada, porém, poderá contratar diretamente com empresa estrangeira; 9.3. entre empresas particulares, como no presente caso, a contratação destes serviços dáse como de costume negocial, através da formulação de pedidos de fornecimento, não existindo lei que o exija de modo formal ou epistolar, e o pedido de compra é efetivamente o contrato entre as partes; 9.4. é curial que os atos negociais de "engeneering" abranjam também os fins administrativos, mercadológicos, controle de qualidade, programação e elaboração de estudos e projetos, instalação, montagem e colocação em funcionamento de máquinas, equipamentos e unidades industriais, e outras atividades empresariais que exijam uma organização cientificamente estabelecida, inclusive fornecimento para testes, de protótipos e maquetes, como se dá no caso concreto em análise; 9.5. muito embora a Convenção de Viena não tenha se referido à venda de serviços, este está incluído nas normas de compra e venda, quando se tratar de ato negocial internacional, deixando de lado as mercadorias de uso pessoal ou familiar, para leilão, com penhora ou qualquer constrição judicial, dentre outras; 9.6. assim sendo, cada pais tem a liberdade de disciplinálo, inclusive internamente, e, no Brasil, a compra e venda é um contrato consensual e não real, bastando o consenso das duas partes, para que o contrato se aperfeiçoe, e esta consensualidade se deduz do antigo Código Comercial, artigo 191, e do antigo Código Civil, artigo 1122; 9.7. como característica da maioria dos contratos consensuais, a compra e venda são não solenes, excetuandose alguns casos especiais previstos na legislação extracódigo, como o de compra e venda de imóveis, que exige escritura pública; 9.8. acresçase ainda que o ato negocial praticado entre empresas, o ato jurídico negocial da compra e venda ou de "engeneering", ou de serviços, é de natureza mercantil, por fazer parte da atividade empresarial de cada uma delas, não se exigindo, portanto, ato solene ou epistolar, dandose entre as partes, por consenso; 9.9. o "consensus" é o acordo entre as partes; desde que o vendedor ofereça uma coisa para a venda em determinadas condições e o comprador aceita a oferta nas mesmas condições, chegaram a um consenso e está celebrado o contrato; 9.10. feitos estes esclarecimentos, reproduzse então a "memória" dos extratos envolvendo os atos negociais questionados pelo Fisco Federal no Auto de Infração, conforme Tabelas ("memória") elaboradas, respectivamente, para a Volkswagen (v. fls. 1037/1038) e para a Ford do Brasil (fls. 1039/1040), esclarecendose que delas podese perfeitamente extrair as receitas tributáveis que compuseram a apuração do PIS e da COFINS; 9.11. por derradeiro, mencionese que o detalhamento dos pedidos nas Tabelas ("memória") acima citadas (v. fls. 1037/1040), e sua relação com a matéria tratada nos autos é total, e o que não se reproduziu por motivos técnicos computacionais é juntado a estes esclarecimentos com a finalidade de atender aos termos da intimação fiscal de diligência, colocandose a inteiro dispor para ulteriores esclarecimentos, se necessários; Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 10. Ao final da diligência solicitada, a fiscalização elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1042/1043, no qual esclareceu, em relação aos questionamentos constantes do despacho de solicitação de diligência (fls. 1019/1020) questionamentos estes também solicitados através do Termo de Diligencia Fiscal (fls. 1022/1023) —, e descritos,respectivamente, nos itens a, b, c, do parágrafo 7 do presente Relatório, que: item a não foi possível confirmar, tendo em vista a não apresentação dos contratos de prestação de serviços; item b não se pode apurar o solicitado, pelo mesmo motivo do item a acima; item c não se pode precisar se ocorreu alguma prorrogação ou alteração, em função dos mesmos motivos expostos nos itens a e b acima; 11. Ainda no mesmo o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1042/1043, a fiscalização informou que, relativamente aos valores do PIS/COFINS passíveis de serem considerados como antecipação, o art. 7°, § 1 0, da IN SRF n° 459/2004 determina que os valores retidos de ambas as contribuições na forma da MP n° 135/03 (arts. 30 e 36 da Lei n° 10.833/2003) poderão ser deduzidos da contribuição devida, e, portanto, se o sujeito passivo não mencionou os valores pertinentes as antecipações no DACON, podese entender que o mesmo não quis exercer a opção a que teria direito, e, portanto, como se trata de uma mera liberalidade do interessado, não cabe A. fiscalização proceder a tal dedução. Além disso, e por outro lado, ponderou ainda a fiscalização que, se os valores referentes às antecipações foram porventura mencionados no DACON como créditos, conseqüentemente já foram então considerados pelo contribuinte na apuração do PIS/COFINS.” A DRJRio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento (fls. 1052/1074), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. A partir de 01/02/2004, permanecem tributadas no regime da cumulatividade das contribuições somente as receitas auferidas relativas a contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, nos quais se possa perfeitamente identificar se firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, e com prazo de validade superior a 1 (um) ano, bem como o atendimento das demais condições previstas em lei. PIS/COFINS. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO DAS ANTECIPAÇÕES. As contribuições retidas na fonte por outra pessoa jurídica podem ser deduzidas, pelo contribuinte, das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção, devendo a dedução ser registrada na contabilidade da empresa e informada em DIPJ. Lançamento Procedente Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 5 9 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 1082/1093), alegando, em síntese: omissão do julgador de primeira instância, aduzindo que este não identificou qual a legislação vigente à época dos fatos sob autuação; que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois não tomou conhecimento do conteúdo do Relatório Fiscal elaborado em decorrência da diligência solicitada pela DRJ. Em razão disso, juntou ao recurso amostragem de cópias das Notas Fiscais que foram emitidas pela contribuinte, referentes aos contratos/pedidos que envolvem o presente feito, aduzindo que as demais Notas Fiscais seriam juntadas oportunamente; que, à época dos fatos sob autuação, estaria vigente a norma ditada pela Lei n.° 10.833, de 29/12/2003, regulamentada pela IN/SRF n.° 468/2004. Afirma que as alterações sofridas pela referida lei foram posteriores às datas em que teriam sido firmados os contratos/pedidos (17/07/2003, 22/01/2002, e 30/04/2002) e que tais alterações não modificaram a redação original do inciso XI do artigo 10 da Lei n.° 10.833/2003; que, de acordo com o artigo 10, inciso XI, alínea "b" da Lei nº. 10833/2003, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, permanecem sujeitos às normas da legislação do PIS vigentes anteriormente à edição da predita lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8.°; e que a IN/SRF n.° 468/2004 somente foi revogada pela IN/SRF n.° 658, de 04/07/2006, a qual, conforme dispõe o seu artigo 7º, inciso I, somente passou a produzir efeitos a partir de 1º/02/2004, alcançando as receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do artigo 2.°. Ao final, requereu a reforma da decisão de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte MSX INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA para constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, relativo a receitas auferidas pela autuada que foram excluídas de sua apuração, conforme informado na Ficha 05 do DACON ("Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep"), sob a rubrica "Receitas Auferidas Sujeitas à Incidência Cumulativa". Alega a recorrente que a exclusão da receita pretendida estaria ao amparo do art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/2003, a saber: Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Art. 10. Permanecem sujeitas as normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. .1 2 a 82: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, apreço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Assim, pretende a contribuinte que tais receitas sejam apuradas pelo regime cumulativo, à alíquota de 0,65%. De outro lado, entendeu a autoridade fiscal que as referidas receitas, quando originadas dos serviços de que tratam os "pedidos de compra" anexados às fls. 59/214, não preencheriam os requisitos necessários da lei, sujeitandose à incidência nãocumulativa, à alíquota de 1,65%. Em sede de recurso, alega a querelante que a autoridade julgadora foi silente quanto à indicação da legislação que se aplicaria ao caso. Entendo que tal alegação não procede. A autoridade julgadora a quo foi clara em seu posicionamento, norteandose pela aplicação da Lei nº. 10.833/2003, conforme pretendido pela contribuinte. A menção que faz à legislação posterior se dá tão somente para clarificar o seu entendimento em relação à intenção do legislador ao estabelecer o benefício da apuração sob a forma cumulativa, previsto no art. 10, XI, “b” da Lei nº. 10.833/2003. A contribuinte anexou aos autos os contratos de prestação de serviços firmados com a Volkswagen do Brasil Ltda (fls. 269/3210), nos quais se verifica que o prazo de validade destes é definido pelo “pedido de compra”, não trazendo, em si mesmo, um prazo de validade final, de tal forma que cada pedido de compra possui termos próprios para sua realização. Por tal razão é que a autoridade julgadora, acertadamente, considerou não restar atendido o requisito legal para o benefício pretendido. Vejase: 26. Em que pese as datas de validade apostas nos respectivos "pedidos de compra", todos eles vinculados a contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, e todos também mencionando um prazo contratual superior a 1 (um) ano, na forma acima resumida, não pode prevalecer a pretensão do autuado de promover a tributação pelo PIS das receitas originadas dos serviços fornecidos pela empresa a seus clientes, segundo a legislação anterior vigência das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de forma cumulativa e à aliquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 6 11 28. A uma, porque o legislador, ao conceder o beneficio previsto no art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03, nunca quis perpetuar tal beneficio no tempo, mas tãosomente disciplinar situações transitórias, de receitas originadas de contratos que já se encontravam firmados anteriormente ao advento do citado diploma legal (mais precisamente, antes do advento da MP n° 135/03, que lhe antecedeu), tributadas segundo o regime cumulativo, e que, de uma hora para outra, passariam a ser tributadas sob nova sistemática, muito embora se referissem a serviços/fornecimento de bens contratados ainda anteriormente à entrada em vigor na nova Lei. Tal beneficio, todavia, na letra fria da lei, somente subsistiria até a primeira alteração de preços verificada após 31/10/2003 (cf. art. 2°, § 2°, da IN SRF n° 468/04), ou ainda, conforme art. 109 da Lei n° 11.196/05, desde que reajuste de preços, se houvesse, se desse em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art.27 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. 29. Ocorre, todavia, que, ao remeter o prazo de validade contratual àquele estabelecido no "pedido de compra", o contribuinte acaba por "ferir de morte" o próprio objetivo intentado pelo legislador com a concessão do beneficio, já que nada impediria, por exemplo, que, a cada novel pedido de compra vinculado a um determinado Contrato (cf. Cláusula 1.2), novo prazo de validade fosse estabelecido, perpetuando no tempo a tributação das receitas originadas de ditos contratos pelo regime cumulativo da contribuição, e, que, assim, nunca passariam a ser tributadas pela sistemática da não cumulatividade, situação essa nunca objetivada pelo legislador ao conceder o beneficio ora em comento. 30. Além disso, a Cláusula 12, que dispõe sobre as formas em que a rescisão do contrato poderá se dar, estabelece que o mesmo poderá ser rescindido a qualquer tempo, sem qualquer tipo de indenização, indicando, portanto, que não se tem, no caso concreto ora examinado, contrato no qual se estabeleça um prazo, previamente estipulado, para a satisfação dos serviços nele previstos, o que levaria, por exemplo, à aplicação de determinada penalidade pelo não cumprimento dos serviços contratados. Os referidos contratos trazem, isso sim, situações nas quais os serviços ou mãodeobra, requisitados pelos clientes do autuado, são solicitados a qualquer tempo, de acordo com a necessidade dos primeiros, a partir de "pedidos de compra", que podem ser emitidos até mesmo em seqüência, Ines a mês, sendo que, a permanência de tributação de tais receitas pela legislação anterior do PIS/COFINS, sem que se saiba ao certo o prazo de validade do contrato firmado, certamente não se trata de situação que o legislador quisesse abonar, com a disposição do art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03. (...) Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 38. Devese também ratificar que tais ponderações a respeito da Cláusula 7.3. de reajuste dos preços contratados, que não se dá na forma exigida para a permanência da tributação das receitas envolvidas pelo regime anterior (cumulativo), fazse aqui tão somente de forma supletiva, já que os contratos e respectivos "pedidos de compra" anexados não se fazem passíveis de gozar do citado beneficio, porquanto neles, muito antes de qualquer outro aspecto, e como já visto, não se pode determinar inequivocamente o seu prazo de duração, porquanto passível de alteração a cada nova versão do pedido de compra emitido,conforme os próprios contratos analisados estabelecem em sua Cláusula 10.1, aqui anteriormente transcrita, situação essa que impede de que seja verificado o atendimento da condição prevista no art. 10, XI, "b", c/c art. 15, ambos da Lei n° 10.833/03. Em relação aos atos negociais praticados entre a contribuinte e a Ford do Brasil Ltda, temse que não há nos autos qualquer contrato firmado entre as partes, mas tão somente os “pedidos de compra”, que não se revestem da formalidade necessária para que a requerente possa usufruir do benefício pretendido. Isso porque, em se tratando de benefício tributário, não basta o consenso entre as partes para que se tenha firmado um contrato, caso contrário, o simples ajuste verbal, na presença de testemunhas, seria capaz de lastrear as pretensões da recorrente. Por tal razão, mais uma vez, acertadamente, posicionouse a autoridade julgadora contrária às pretensões da contribuinte, ao assim se manifestar: 40. Ainda que alguns poucos "pedidos de compra" juntados possuam a descrição de obrigações e direitos entre as partes tal como o pedido n° 741496, fls. 59/63 — deve prevalecer, em tais situações, diante da inexistência de instrumento contratual no qual se pudesse verificar o prazo contratual estabelecido; o preço estipulado; condições, índices e periodicidade de eventuais reajustes, o entendimento da fiscalização expresso no Termo de Constatação Fiscal de fls. 223/225, dando conta de que, nessa situação, os "pedidos de compra" "lido apresentam características determinantes para que se possa apurar o montante (preço predeterminado) da receita de prestação de serviços de cada projeto e, ainda, quando efetivamente teria sido firmado (assinado) o acordo de prestação desses serviços, e o prazo de duração dos mesmos". 41. Em sua impugnação, o autuado alega que a "Data de Emissão" constante dos pedidos corresponderia A data de inicio da prestação de serviço, e que a "Data da Validade/Entrega" corresponderia à data de término da prestação de serviços. Além disso, pondera que o caráter predeterminado do preço para a prestação do serviço também se encontraria presente em cada pedido, seja em valor hora, seja contendo a quantidade total de horas de cada projeto (na dicção do § 1° do art. 3° da IN SRF n° 658/06), valendo ainda dizer ter sido finalmente discriminado, na Tabela ("memória") de fl. 1039, constante do documento apresentado à fiscalização no curso da diligência instaurada, a participação de cada projeto/pedido na composição da base tributável mensal do PIS. Aduz ainda, em linhas gerais, que os "pedidos de compra" anexados guardariam a definição do que seria contrato, que consistiria, basicamente, em "um acordo entre duas ou mais pessoas que transferem entre si algum Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.003262/200496 Acórdão n.º 3202000.525 S3C2T2 Fl. 7 13 direito, ou se sujeitam a alguma obrigação, convenção ajuste ou acordo". 42. Em alguns dos "pedidos de compra" anexados às fls. 59/138 (Ford), verificase que o lapso temporal decorrido entre a "Data de Emissão" e a "Data de Validade" neles apostas contemplam prazo superior a 1 (um) ano. Ocorre, todavia, que a lei (art. 10, XI, "b", da Lei n° 10.833/03) referese a contrato e nunca a "pedido de compra", motivo pelo qual esse último nunca poderia suprir a falta do primeiro. 43. E, em que pese o alegado, não basta que o denominado "pedido de compra" eventualmente possua algumas convenções consensuais, estabelecendo obrigações e direitos entre as partes, se, naqueles "pedidos", não se possa inequivocamente aferir, como acima comentado, a existência de cláusulas que estabeleçam o prazo avençado evidentemente não passível de modificação a cada "pedido" firmado , condições e prazos para o reajuste de preços, etc, indispensáveis para que se possa verificar o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do beneficio. Desta forma, resta clara a improcedência das alegações firmadas pela interessada em sede de recurso. As receitas auferidas as quais pretende ver excluídas da apuração do PIS/PASEP sob a forma nãocumulativa não se enquadram no benefício previsto no art. 10, XI, “b” da Lei nº. 10.833/2003, visto os “pedidos de compras” que as embasam não guardarem os elementos contratuais necessários à fruição do benefício previsto naquele diploma legal, tampouco substituírem o instrumento contratual exigido pela lei. Por último, temse que não houve qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente em razão de não lhe ter sido dado ciência dos termos do Relatório Fiscal elaborado quando do cumprimento da diligência requerida pela DRJ (fls. 1042/1043). O contraditório, no processo administrativo fiscal, tem por escopo dar oportunidade ao sujeito passivo de conhecer os fatos apurados pela autoridade fiscal, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, para que, dentro do prazo legalmente previsto, possa ele rebater, de forma plena, as irregularidades que lhe foram imputadas, apresentando a sua versão dos fatos. No caso, temse que a diligência efetuada em nada acresceu aos fatos até então apurados e de pleno conhecimento da autuada. Isso porque naquele Relatório limitouse a autoridade fiscal a informar a não apresentação dos contratos de prestação de serviços pela interessada, bem como a reproduzir o texto da lei, nada acrescentando aos fatos postos na autuação, dos quais demonstrou a contribuinte ter pleno conhecimento. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10725.002636/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a retenção efetuada pela fonte pagadora, de rigor a aceitação da compensação pela contribuinte, devidamente informada na DIRF. Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.634
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a retenção efetuada pela fonte pagadora, de rigor a aceitação da compensação pela contribuinte, devidamente informada na DIRF. Recurso provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10725.002636/2008-30
conteudo_id_s : 5231365
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-001.634
nome_arquivo_s : Decisao_10725002636200830.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10725002636200830_5231365.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4579617
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041576928739328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 57 1 56 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.002636/200830 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.634 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA TERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a retenção efetuada pela fonte pagadora, de rigor a aceitação da compensação pela contribuinte, devidamente informada na DIRF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10725.002636/200830 Acórdão n.º 210101.634 S2C1T1 Fl. 58 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 23/26) interposto em 03 de janeiro de 2011 contra o acórdão de fls. 18/19, do qual a Recorrente teve ciência em 03 de dezembro de 2010 (fl. 21), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 05/07, lavrada em 24 de novembro de 2006, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 GLOSA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O valor de imposto retido pela fonte pagadora pode ser utilizado na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário em que os rendimentos foram auferidos. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Comprovada a existência de erro de fato havido no preenchimento da declaração, é de se alterar o lançamento para ser restabelecida a situação correta em favor do contribuinte. Impugnação Improcedente. Outros Valores Controlados” (fl. 18). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso de voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia gira em torno da comprovação da compensação, pela Recorrente, de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.658,08, proveniente de rendimentos pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não sendo discutidas quaisquer questões atinentes à outra notificação de lançamento por ela mencionada em seu Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10725.002636/200830 Acórdão n.º 210101.634 S2C1T1 Fl. 59 3 recurso (Notificação n.º 2007/607450712074090), por se tratar de anocalendário distinto do ora fiscalizado, tampouco se cogitando das verbas recebidas em relação ao seu irmão, Amilton de Oliveira Terra. Consoante se infere do acórdão recorrido, analisado em conjunto com as alegações da Recorrente, a comprovação teria se dado por meio do documento de fl. 04 (repetido à fl. 34), o qual foi refutado pela autoridade julgadora a quo por, supostamente, referirse ao anocalendário de 2006, devendo constar da declaração de ajuste anual de 2007, posto que o crédito estaria à disposição da contribuinte entre 17/01/2006 e 28/02/2006. Tal entendimento, com a devida vênia, não merece prosperar. Do aludido documento é possível aferir que a competência é, sim, relativa a 2005, como se denota do campo superior esquerdo “Compet 12/2005”, cujo período foi de 12/12/2004 a 30/11/2005. Entendo que, no caso, o extrato faz referência a valores pagos em 2005, relativamente ao período de 12/12/2004 a 30/11/2005. Corrobora essa conclusão o fato de o informe de 2006 não incluir o valor do imposto de renda na fonte de R$ 3.658,08. Sendo inconteste que os rendimentos auferidos atingiram a soma bruta de R$ 15.098,08, com R$ 3.658,08 retidos na fonte a título de antecipação, tal como informado na declaração de ajuste de fls. 09/11, fazse mister aceitar a compensação efetuada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/05/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
