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Numero do processo: 10805.900731/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.900731/201378 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.107 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 31 /2 01 3- 78 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.900731/201378 Acórdão n.º 3201003.107 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.970, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.900731/201378 Acórdão n.º 3201003.107 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10805.900731/201378 Acórdão n.º 3201003.107 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.003381/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/06/2002
MERCADORIA IMPORTADA. PENA PERDIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DO II. POSSIBILIDADE.
O II não incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 05/06/2002
MERCADORIA IMPORTADA. PENA PERDIMENTO. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. POSSIBILIDADE.
Em relação a mercadoria importada, o fato gerador do IPI é o desembaraço aduaneiro, logo, em razão da inocorrência do fato gerador, a mercadoria objeto da pena de perdimento não está sujeita a cobrança do referido imposto.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/06/2002
NULIDADE DA PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA ALIENADA EM LEILÃO. DECISÃO SEM EFEITO PRÁTICO. MANUTENÇÃO DA COBRANÇA DOS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de cobrança os tributos e consectários legais devidos no âmbito do despacho aduaneiro de importação, se, por falha procedimental da Administração Aduaneira, a decisão de nulidade da pena de perdimento não evitou a destinação e alienação da mercadoria em leilão e, por conseguinte, não teve o efeito prático esperado, que era o desembaraço e a entrega da mercadoria ao importador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 05/06/2002 MERCADORIA IMPORTADA. PENA PERDIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DO II. POSSIBILIDADE. O II não incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 05/06/2002 MERCADORIA IMPORTADA. PENA PERDIMENTO. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. POSSIBILIDADE. Em relação a mercadoria importada, o fato gerador do IPI é o desembaraço aduaneiro, logo, em razão da inocorrência do fato gerador, a mercadoria objeto da pena de perdimento não está sujeita a cobrança do referido imposto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/06/2002 NULIDADE DA PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA ALIENADA EM LEILÃO. DECISÃO SEM EFEITO PRÁTICO. MANUTENÇÃO DA COBRANÇA DOS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de cobrança os tributos e consectários legais devidos no âmbito do despacho aduaneiro de importação, se, por falha procedimental da Administração Aduaneira, a decisão de nulidade da pena de perdimento não evitou a destinação e alienação da mercadoria em leilão e, por conseguinte, não teve o efeito prático esperado, que era o desembaraço e a entrega da mercadoria ao importador. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 143 1 142 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10831.003381/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.749 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria II/IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CARDIN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/06/2002 MERCADORIA IMPORTADA. PENA PERDIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DO II. POSSIBILIDADE. O II não incide sobre mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 05/06/2002 MERCADORIA IMPORTADA. PENA PERDIMENTO. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. POSSIBILIDADE. Em relação a mercadoria importada, o fato gerador do IPI é o desembaraço aduaneiro, logo, em razão da inocorrência do fato gerador, a mercadoria objeto da pena de perdimento não está sujeita a cobrança do referido imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/06/2002 NULIDADE DA PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA ALIENADA EM LEILÃO. DECISÃO SEM EFEITO PRÁTICO. MANUTENÇÃO DA COBRANÇA DOS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de cobrança os tributos e consectários legais devidos no âmbito do despacho aduaneiro de importação, se, por falha procedimental da Administração Aduaneira, a decisão de nulidade da pena de perdimento não evitou a destinação e alienação da mercadoria em leilão e, por conseguinte, não teve o efeito prático esperado, que era o desembaraço e a entrega da mercadoria ao importador. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 33 81 /2 00 7- 34 Fl. 144DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 04/14), em formalizada a cobrança de crédito tributário, no valor total de R$ 9.525,36, correspondente ao somatório do Imposto sobre a Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), dos juros moratórios e da multa regulamentar, por classificação fiscal incorreta. Segundo a descrição dos fatos que integra o auto de infração do II (fl. 06), o motivo das autuações foi a reclassificação das 2 unidades de gravador reprodutor de imagem, descritas na Declaração de Importação (DI) de n° 02/04942904, do código NCM 8521.90.10, que previa alíquota de 0 % (zero por cento) de Imposto de Importação (II) e 0% (zero por cento) de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para o código NCM 8521. 90.90, para o qual era previsto alíquota de 21,50 % (vinte e um e meio por cento) do II e de 15% (quinze por cento) do IPI. Em sede de impugnação, a recorrente alegou que foi vítima de deslealdade do despachante aduaneiro, que se valeu de instrumento de mandato, muito provavelmente vencido, para prática de atos sem poderes para tanto e sem o seu consentimento. Ademais, desconhecia e não havia avalizado a impetração do mandado de segurança nº 2002.61.05.0134496, com pedido de liminar, para que fosse determinada o retorno dos bens ao exterior. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 71/75), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/06/2002 LEGITIMIDADE. São legítimos os atos praticados pelo representante legal da contribuinte, devidamente constituído, e produzem efeitos no mundo jurídico. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10831.003381/200734 Acórdão n.º 3302004.749 S3C3T2 Fl. 144 3 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O importador figura como sujeito passivo da obrigação tributária na importação, e é o responsável pelo recolhimento dos tributos devidos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Mantémse a reclassificação fiscal efetivada pela autoridade aduaneira, devida diferença de tributos, acréscimos legais e multas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi intimada do referido acórdão em 11/7/2011 (fls. 78/79). Inconformada, em 20/7/2011, protocolou o recurso de voluntário de fls. 81/84, em que alegou nulidade das presentes autuações, com base no argumento que não houve a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados e das multas aplicadas, pois as mercadorias importadas foram objeto de pena perdimento previamente ao desembaraço aduaneiro. Na Sessão de 22/3/2012, por meio da Resolução nº 3802000.013 (fls. 91/93), os membros da extinta 2ª Turma Especial desta 3ª Seção converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem informasse “se foi aplicada a pena de perdimento aos produtos objeto das presentes autuações e, se for o caso, juntar o respectivo despacho decisório.” Em resposta, por meio do Despacho de fl. 132, a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem informou que, de acordo com as cópias dos documentos que integram o Processo nº 10831.003708/200697 (fls. 99/131), as mercadorias objeto das presentes autuações foram apreendidas e submetidas à aplicação da pena de perdimento, por meio do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) nº 0817700/0404/06 (fls. 99/101), porém, o citado AITAGF foi declarado nulo, por meio do Despacho Decisório ALF/VCP de fl. 119, baseado nos fundamentos exarados no Parecer Conclusivo Secat nº 54/2007 (fls. 117/118) e na informação prestada no Despacho da EQDEI/ALF/VCP (fl. 115). Entretanto, os autos não foram encaminhados a “EQMAP, para ciência ao autuado e os controles no CTMA, as mercadorias foram destinadas no Leilão para Pessoa Jurídica nº 0817700/000004/2009, realizado por esta Alfândega.” Após o retorno dos autos a este Conselho, por meio do despacho de fl. 138, eles foram enviados à PGFN, para ciência. Em resposta (fls. 139/140), a PGFN requereu a manutenção da decisão de primeiro grau, sob argumento de que diante da anulação do auto e dos subsequentes atos decisórios no processo administrativo de apreensão e guarda fiscal, a mercadoria importada não se encontrava mais alcançada pela pena de perdimento, de modo que não se aplicava o art. 71, III, do RA/2002, incidindo, na espécie, o imposto de importação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomase conhecimento. Fl. 146DF CARF MF 4 Inicialmente, cabe ressaltar que inexiste controvérsia quanto à não incidência do II e do IPI, e consectários legais, no caso de a mercadoria importada ser submetida a pena de perdimento. O teor do art. 71, III, e do caput do art. 238 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), vigente da data do lançamento, não deixa qualquer dúvida a respeito. Entretanto, no caso em tela, existe uma particularidade que precisa ser dirimida. Tratase da confirmação pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem que a mercadoria fora apreendida e proposta a aplicação da pena perdimento, por meio do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) de fls. 99/101, integrante do processo nº 10831.003708/200697, cuja cópia integral foi colacionada aos autos (fls. 99/131). Noticiam os despachos de fls. 106/107, que, em face do transcurso do prazo regulamentar, sem a apresentação de impugnação ao citado auto de infração, foi declara a revelia e aplicada a pena de perdimento às mercadorias. Acontece que, segundo o despacho de fl. 115, duas incorreções foram apontadas e que implicavam nulidade do citado auto de infração, a saber: a) ilegitimidade passiva da autuada, a pessoa jurídica Mercantil Mayra Cine Foto Ltda., uma vez que havia endosso no conhecimento de carga para a recorrente; e b) falta de subsunção do fato à norma veiculada no art. 574, I, do RA/2002, posto que o despacho de importação já havia se iniciado, em 5/6/2002, com o registro da DI n° 02/04942904 (fls. 109/111), portanto, antes de decorrido o prazo de 90 dias, contado da data descarga, e de consumado o abandono da mercadoria no recinto alfandegado. Assim, com respaldo nos fundamentos exarados no Parecer de fls. 117/118, que acatou as razões esposadas no referido despacho, o titular da unidade da Receita Federal de origem, por meio do Despacho Decisório de fl. 119, declarou nulo o AITAGF, bem como as decisões de decretação da revelia e aplicação da pena perdimento das correspondentes mercadorias. Acontece que, embora tenha sido declarado nulos o AITAGF e as citadas decisões, conforme informação prestada no despacho de fl. 132, as mercadorias foram destinadas e alienadas em leilão realizado pela unidade da Receita Federal de origem. Assim, embora tenha produzido efeito no plano formal, por falha procedimental da própria Administração Aduaneira, de fato, a citada decisão, que declarou a nulidade da pena de perdimento das mercadorias, induvidosamente, não surtiu os efeitos que lhe eram próprios, pois, em vez do desembaraço aduaneiro e entrega a recorrente, a mercadoria foi destinada e alienada em leilão. No caso, manter a autuação implicaria imposição de duplo ônus à recorrente, pois, além da perda da mercadoria, ela também arcaria com a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário lançado, o que não seria razoável nem legal, especialmente tendo em conta que, por falha procedimental da Administração Aduaneira, a referida mercadoria não foi desembaraçada nem entregue à recorrente, o que, na prática, tornou sem qualquer efeito a decisão anulatória da pena de perdimento em questão. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para determinar o cancelamento das autuações colacionadas aos autos. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10831.003381/200734 Acórdão n.º 3302004.749 S3C3T2 Fl. 145 5 Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.729694/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Incorre em omissão a decisão que não aprecia os documentos colacionados aos autos pela recorrente, ainda que em momento posterior ao protocoloco do voluntário. Impõe-se a valoração e análise dos documentos juntados com resposta clara e conclusiva relacionada a cada um dos argumentos enfrentados, sananda a omissão verificada, sem quaisquer efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2201-003.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a omissão apontada, examinar os argumentos e documentos acostados, sem a produção de quaisquer efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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OMISSÃO. NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS. Incorre em omissão a decisão que não aprecia os documentos colacionados aos autos pela recorrente, ainda que em momento posterior ao protocoloco do voluntário. Impõese a valoração e análise dos documentos juntados com resposta clara e conclusiva relacionada a cada um dos argumentos enfrentados, sananda a omissão verificada, sem quaisquer efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a omissão apontada, examinar os argumentos e documentos acostados, sem a produção de quaisquer efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 96 94 /2 01 1- 88 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201003.833 S2C2T1 Fl. 624 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte em face do acórdão de n° 2201002.717 desta Turma, proferido em 15/04/2016. As razões recursais estão delineadas no seguinte excerto do despacho de admissibilidade: Em seu instrumento de Embargos alega a suplicante que o aresto proferido incorre em contradição e erro de fato, em síntese, a saber 1. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PELA NÃO DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS APREENDIDOS 2. SALDO EM "DINHEIRO EM ESPÉCIE" EM 31/12/2005 3. INEXISTE PREVISÃO LEGAL DE RENDA CONSUMIDA 4. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS DISPÊNDIOS 5 DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Os embargos foram admitidos em relação aos pontos “3” e “4”, devido à falta de análise dos aditivos ao Recurso Voluntário presentes às fls. 543/551 e 554/564, em que a recorrente alega, em síntese: A tributação não decorreu do comparativo entre sua situação financeira do início e do fim do anocalendário questionado; O valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) utilizado para integralizar o capital social de empresa AUTO POSTO HDL nunca foi pago, haja vista que tal empresa nunca chegou a funcionar; O cheque anexo comprova o pagamento do Sítio Goiabeira em Caruaru/PE; A fiscalização não considerou os saques presentes às fls. 114/117; Também não considerou um empréstimo de seu cônjuge, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais); Durante 5 anos declarou a existência de dinheiro em espécie sob o código 63, não podendo o fisco requerer provas, já que vem declarando esse valor há anos; Não possui comprovantes do empréstimo feito pelo seu marido, porém o recibo emitido pela MONTE SINAI VEÍCULOS comprova que o valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) fora utilizado para pagamento do veículo Zafira. É o relatório. Voto Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201003.833 S2C2T1 Fl. 625 3 Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Os embargos merecem conhecimento, tendo em vista que, da análise dos autos, verificase que a decisão não apreciou dois petitórios posteriores ao protocolo do recurso voluntário, acompanhados de documentos, o que configura indubitável omissão da decisão recorrida. O presente julgamento tratará, pois, da análise dos novos documentos colacionados aos autos após a interposição do recurso voluntário, com o fito de se perquirir acerca de sua validade para a comprovar os dispêndios alegados pela embargante. Com relação ao suposto empréstimo, temse que o simples recibo da compra de um carro não comprova que o valor fora efetivamente emprestado por seu marido, sendo necessária a apresentação de contrato e outros elementos que comprovem o empréstimo e a efetividade do mesmo, com a entrada do valor no patrimônio da contribuinte. Esse é o entendimento do CARF, conforme acórdão 2401004.068, relatado pela Conselheira Maria Cleci Coti Martins: CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos. Consta no recibo, datado de 20/01/2006, que foram pagos R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para a compra do veículo Zafira, sendo que o restante, R$ 15.400,00 (quinze mil e quatrocentos reais) seria pago no fim do dia com a retirada do carro. Note que a data do recibo é 20/01/2006. A contribuinte alegou que o cheque no. 000047, no valor de R$ 8.766,55, fora utilizado como complemento do pagamento do carro supramencionado, porém o cheque é datado do dia 18/01/2006, ou seja, dois dias antes do recibo onde consta que o pagamento seria feito no final do dia 20/01/2006. O aludido cheque, mesmo que fosse para pagamento do veículo, ainda sim, não seria suficiente para quitar o valor total do carro. Em breve síntese, a contribuinte alegou que tomou empréstimo de seu marido, sem qualquer prova da existência do referido empréstimo, já que a própria recorrente reconhece a inexistência de qualquer documento comprobatório, alegou ainda que o mesmo fora utilizado para pagamento do veículo zafira, porém, em nenhum momento comprovou o pagamento integral do referido veículo, nem tão pouco a origem dos recursos para quitálo. Em relação aos valores declarados pela contribuinte como “dinheiro em espécie”, a própria recorrente gerou dúvida em relação a existência de tal quantia, tendo em vista que descreveu os valores como “diversos saldos mantidos c/Hildete Muniz dos Santos, agregado a valores pertencentes e pessoa jurídica – Brasil”. Portanto, plenamente cabível o pedido da autoridade fiscal no sentido de comprovar a real existência de tais valores. Pedido esse que não foi atendido pela contribuinte, tendo em vista que em nenhum momento comprovou a existência do referido valor. É de bom grado ressaltar ainda, que a comprovação Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201003.833 S2C2T1 Fl. 626 4 pedida é de fácil acesso, simples extratos bancários seriam suficientes para provar a existência dos valores alegados pela contribuinte. A alteração contratual, presente às fls. 147/149, comprova o pagamento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a título de integralização do capital social da empresa HDL ADMINISTRADORA DE BENS LTDA. Simples alegativa de que o negócio não se concretizou não é capaz de afastar o disposto no contrato social da empresa. Os cheques colacionados às fls. 547/550, também, não comprovam em nada o alegado pela recorrente, tendo em vista que ela é a própria destinatária dos cheques emitidos. O cheque colacionado à fl. 551 comprova o efetivo pagamento feito pela compra do sítio do Sr. Laércio Vicente da Silva, porém, não comprova a origem do dinheiro utilizado para o pagamento da propriedade rural. Em relação a desconsideração dos depósitos, do mesmo modo, não prospera a argumentação da embargante, haja vista que a autuação foi baseada nos saldos do início e do fim do mês das contas bancárias da contribuinte, ou seja, abarcaram todas as movimentações feitas no mês, inclusive os depósitos contestados. Com essas considerações, temse por analisados e valorados os argumentos e documentos apresentados após a interposição do recurso voluntário. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos, para sanar a omissão verificada, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201003.833 S2C2T1 Fl. 627 5 Fl. 633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725497/2011-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 54 97 /2 01 1- 63 Fl. 123DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 11/05/2016, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201003.166 (fls. 83 a 87), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 25/05/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 88). De acordo com o disposto no art. 79, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre em 30 (trinta) dias da remessa do processo à PGFN. Em 01/06/2016, tempestivamente portanto, foi interposto o Recurso Especial de fls. 89 a 99 (Despacho de Encaminhamento de fls. 100) e visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente com recálculo do imposto de renda, para que seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Na origem, a controvérsia é sobre a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente referentes a prestações previdenciárias. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e, cientificado o contribuinte, este apresenta contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão a quo. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12448.725497/201163 Acórdão n.º 9202005.647 CSRFT2 Fl. 124 3 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor consubstanciado no Acórdão 280200.713, da lavra do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, que adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério Fl. 125DF CARF MF 4 quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examinada. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12448.725497/201163 Acórdão n.º 9202005.647 CSRFT2 Fl. 125 5 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. Fl. 127DF CARF MF 6 (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12448.725497/201163 Acórdão n.º 9202005.647 CSRFT2 Fl. 126 7 IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 129DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 34, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12448.725497/201163 Acórdão n.º 9202005.647 CSRFT2 Fl. 127 9 Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao nãoexame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à incidência de juros sobre o montante devido no período em que esteve com exigibilidade suspensa), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior . Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001384/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Sociedades em Conta de Participação. Sócio Ostensivo. Relação Jurídica com Terceiros.
As sociedades em conta de participação não têm existência jurídica para terceiros, portanto as relações de natureza obrigacional se estabelecem diretamente com o sócio ostensivo, que assume a posição de credor ou devedor.
Sociedade em Conta de Participação. Incorporação do Sócio Participante pelo Sócio Ostensivo. Direito Creditório. Compensação.
O saldo negativo de IRPJ de sociedade em conta de participação passa a ser do sócio ostensivo, quando este, tendo incorporado o sócio participante, o sucede em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se as compensações até o limite do crédito já reconhecido pela unidade de origem.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Sociedades em Conta de Participação. Sócio Ostensivo. Relação Jurídica com Terceiros. As sociedades em conta de participação não têm existência jurídica para terceiros, portanto as relações de natureza obrigacional se estabelecem diretamente com o sócio ostensivo, que assume a posição de credor ou devedor. Sociedade em Conta de Participação. Incorporação do Sócio Participante pelo Sócio Ostensivo. Direito Creditório. Compensação. O saldo negativo de IRPJ de sociedade em conta de participação passa a ser do sócio ostensivo, quando este, tendo incorporado o sócio participante, o sucede em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se as compensações até o limite do crédito já reconhecido pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SÓCIO OSTENSIVO. RELAÇÃO JURÍDICA COM TERCEIROS. As sociedades em conta de participação não têm existência jurídica para terceiros, portanto as relações de natureza obrigacional se estabelecem diretamente com o sócio ostensivo, que assume a posição de credor ou devedor. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INCORPORAÇÃO DO SÓCIO PARTICIPANTE PELO SÓCIO OSTENSIVO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de IRPJ de sociedade em conta de participação passa a ser do sócio ostensivo, quando este, tendo incorporado o sócio participante, o sucede em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensações até o limite do crédito já reconhecido pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 13 84 /2 00 9- 51 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 482 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão n° 0539.940, da 4ª Turma da DRJ Campinas, que manteve a decisão da DRF São Bernardo do Campo contrária ao pleito da recorrente. Os fatos podem ser assim resumidos: A recorrente fazia parte, como sócia ostensiva, da sociedade em conta de participação SCP denominada BUC SÃO JOSÉ DOS PINHAIS (abreviação de Business Unit Curitiba São José dos Pinhais), que tinha como sócia participante (oculta) a Audi do Brasil e Cia, inscrita no CNPJ sob n° 01.913.970/000140. A SCP, no ano base 2008, apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 17.029.833,29. A recorrente, na qualidade de sócia ostensiva, formulou no ano seguinte pedido de restituição dessa quantia. Posteriormente apresentou a declaração de compensação dcomp n° 30915.06285.230909.1.3.022128 utilizandose do mesmo crédito. A DRF SBC, no despacho n° 319/2011 (fls. 193 a 195), reconheceu a existência do crédito e homologou as compensações declaradas, empregando naquela ocasião os seguintes termos: Face ao acima exposto, e em respeito à conclusão vazada na indigitada "Informação Fiscal", reconheço a existência de um crédito no valor de R$ 17.029.833,29 (dezessete milhões, vinte e nove mil, oitocentos e trinta e três reais e vinte e nove centavos), valor decorrente do saldo negativo IRPJ do anobase 2008 apurados pela Sociedade em Conta de Participação denominada "BUC SÃO JOSÉ DOS PINHAIS", da qual o interessado é sócioostensivo. Diante dos cálculo, empreendidos em obediência aos arts. 34, § 7º, 36 e 81, todos da IN RFB n° 900/2008, sou pela HOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação n° 30915.06285.230909.1.3.022128. (fl. 195) Não obstante a proposta de homologação ter sido acolhida pela autoridade administrativa, uma nova decisão foi proferida, em julho de 2012, anulando a anterior na parte Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 483 3 que homologava as compensações. Vale dizer, a decisão reconhecia o direito ao saldo negativo de IRPJ, todavia negava a compensação. O Despacho n° 108/2012 (fls. 198 a 201) baseouse nos seguintes fundamentos: Desta forma, não se deve confundir a figura da SCP com a pessoa jurídica da sócia ostensiva. Esta é a responsável pela informação e tributação dos resultados da SCP, mas não é a titular dos seus créditos, apenas sua representante. Sendo assim, em se apurando créditos na atividade da SCP, a sócia ostensiva pode solicitar a restituição dos créditos provenientes de eventuais saldos negativos de períodos anteriores, em nome da SCP, mas jamais poderá aproveitálos em compensação de seus próprios débitos, ou seja, aqueles gerados em atividades exclusivas do sócio ostensivo, ou realizadas a partir do objeto social do sócioostensivo. (...) Face ao acima exposto, e em respeito à conclusão vazada na indigitada "Informação Fiscal", reconheço a existência de um crédito no valor de R$ 17.029.833,29 (dezessete milhões, vinte e nove mil, oitocentos e trinta e três reais e vinte e nove centavos), valor decorrente do saldo negativo IRPJ do anobase 2008 apurados pela Sociedade em Conta de Participação denominada "BUC SÃO JOSÉ DOS PINHAIS", da qual o interessado é sócioostensivo. Diante das disposições legais mencionadas, considero NÃO HOMOLOGADA a compensação n° 30915.06285.230909.1.3.022128, face ao encontro de débito e crédito apurados, cada qual, em contabilidades distintas, (fl. 200) A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, arguindo a preliminar de nulidade do despacho decisório, por ter realizado uma indevida revisão no despacho anterior, modificando o critério jurídico adotado. Disse que, se houve erro na primeira decisão, foi de direito, e esse tipo de erro não dá margem à revisão do ato administrativo, o que só poderia acontecer na hipótese de erro de fato. No mérito, alegou ter incorporado a SCP, antes da compensação, subrogandose nos direitos vinculados àquela sociedade. A 4ª Turma da DRJ CPS, no Acórdão n° 0539.940 (fls. 436 a 453), negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Verificando a Administração que a compensação foi indevidamente homologada, cabível é a revisão de ofício e a expedição de novo despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECLARANTE. SUJEITO PASSIVO DETENTOR DO CRÉDITO. A compensação de créditos originados na SCP somente pode ser efetuada com débitos da própria SCP. A indicação, na PERDCOMP transmitida, de débitos pertencentes a contribuinte diferente daquele detentor do crédito não comporta a homologação da compensação. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 484 4 A decisão recorrida afastou a alegação de nulidade, invocando o poder de autotutela da Administração. No mérito, confirmou o despacho da DRF SBC, fundada nos seguintes argumentos: Como visto da legislação transcrita, a despeito de não estarem sujeitas às formalidades prescritas para a formação das outras sociedades, as SCP são equiparadas às pessoas jurídicas, para fins fiscais, impondose a elas, portanto, a apuração do resultado e do lucro real, com observância da legislação comercial e fiscal. Resta, assim, inequívoco que as receitas e despesas da sociedade não se confundem com as dos seus sócios, em respeito inclusive ao princípio contábil da Entidade. Contudo, por serem sociedades desprovidas de cadastro no CNPJ, o lucro real da SCP deve ser informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo, responsável pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido da SCP; porém, sem fazer constar da declaração o prejuízo fiscal e o saldo negativo de IRPJ apurado pela SCP, o qual deve ser controlado na escrituração comercial, destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros, como permitido pela legislação tributária. Isto porque, os eventuais créditos apurados pela SCP devem ser por ela aproveitados, sendo, inclusive, expressamente vedada a compensação de prejuízo fiscal e lucros da SCP com outras SCP ou com as sócias. (...) A compensação, portanto, há de envolver créditos e débitos próprios, como bem destaca a DRF São Bernardo do Campo. O que não ocorre no presente caso, conforme se depreende da citada Solução de Consulta SRRF/83 Região Fiscal n° 199, de 2000. (grifos do original) (fls. 450 e 451) Acerca da incorporação da SCP pela recorrente, consta do voto condutor da decisão recorrida: Observese que nada consta dos autos que comprove que os procedimentos adequados foram efetuados. Restringese a contribuinte a afirmar o encerramento da SCP, sem qualquer demonstração da prestação de contas ou de apuração dos débitos e créditos da sociedade em conta participação em aberto. Ora, somente após a devida extinção das obrigações da detentora do crédito junto à RFB podese passar à análise quanto à aludida sucessão quanto aos direitos remanescentes. (fl. 452) Não resignada, a recorrente apresentou recurso, insistindo na tese da nulidade do Despacho n° 108/2012, que procedeu à revisão do despacho anterior. A seu ver, teria ocorrido mudança de critério jurídico, em afronta ao art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Não caberia revisão do ato administrativo por erro de direito, mas apenas por erro de fato. No mérito, afirmou que a SCP fora incorporada pela recorrente antes da compensação. A sócia participante era a Audi do Brasil e Cia que, posteriormente à constituição da SCP, sofreu um processo de alteração societária, pelo qual passou a ser uma Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 485 5 sociedade limitada, recebendo a denominação de VW do Brasil Participações Ltda. Em prosseguimento a VW do Brasil Participações Ltda. foi incorporada pela recorrente, ou seja, a sócia ostensiva incorporou a sócia oculta. Como resultado dessa operação, teria havido em 2008 a incorporação da própria SCP, com o que a recorrente tornarase sucessora da SPC em direitos e obrigações, fazendo jus ao saldo negativo do IRPJ. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Nulidade do despacho decisório A revisão de um ato administrativo pela própria Administração não é vedada pelo ordenamento jurídico, sobretudo quando tal medida tiver por fundamento o princípio da legalidade. Nesse sentido dispõe com clareza a Lei n° 9.784/1999: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. O E. Supremo Tribunal Federal, antes mesmo do advento da Lei n° 9.784, já havia consagrado idêntico entendimento nos enunciados das Súmulas 346 e 473, abaixo reproduzidas: Súmula 346. A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Não procede, ademais, a alegação de ofensa ao art. 146 do CTN, que se refere especificamente a lançamento de crédito tributário. O ato administrativo revisto, entretanto, é de natureza diversa, além do que o fundamento da revisão não foi propriamente a mudança de critério jurídico na aplicação da lei, mas a inobservância de disposições legais. Portanto, rejeitase a alegação de nulidade. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 486 6 Compensação Ultrapassada a preliminar, impõese o exame da validade da compensação declarada pela recorrente. No mérito, o recurso deve ser provido, com base em dois fundamentos distintos e autônomos. A DRF SBC afirmou que, embora certa a existência do crédito informado na dcomp, é vedada a compensação pretendida pela recorrente, pois realizada entre "contabilidades distintas" a do sócio ostensivo e a da sociedade em conta de participação. A DRJ CPS, por seu turno, acusou a falta de identidade entre o titular do crédito, a SCP, e o devedor, a recorrente. Entretanto, os motivos declinados para não homologar as compensações não se coadunam com a natureza e com as características da SCP, que, não tendo personalidade jurídica, não tem patrimônio, nem pode figurar como sujeito (ativo ou passivo) de relação jurídica obrigacional. Esse é o entendimento que prevalece tanto na doutrina, quanto na jurisprudência, como mostra a Professora Maria Helena Diniz: A sociedade em conta de participação é a que, não tendo personalidade jurídica, nem existência perante terceiros, se constitui pelo sócio ostensivo, que por entrar com o capital e o trabalho, pratica, em seu nome individual, atos de gestão, adquire direitos e assume obrigação com terceiros, respondendo pessoal e ilimitadamente pelos débitos sociais e pelos sócios participantes (prestadores de capital), que contribuem, formando patrimônio especial, apenas com o capital, participando dos lucros e das perdas, conforme o combinado no contrato de participação, podendo, por isso exigir prestação de contas. Juridicamente, a "sociedade" inexiste para terceiro, tendo validade interna corporis, ou seja, vale apenas entre as pessoas que a contratarem. Entre os sócios há relação societária. Os sócios participantes poderão, individualmente, e em nome próprio, propor ações judiciais para resolver controvérsia relativa às relações internas (STJ, REsp 85.240/RJ, 3ª T., j. 19111999). Sua característica primordial consiste no fato de ser uma sociedade interna, que se apresenta, externamente, como se o sócio ostensivo (pessoa física ou jurídica), exercesse a atividade como empresário individual, obrigandose pessoalmente, com seu patrimônio, pelos resultados e pela inexecução das obrigações assumidas; logo, apenas ele será citado e demandado nas ações, não ingressando os sócios participantes na lide judicial (STJ, REsp 474.704 3ª T., j. 17 122002) Por tal razão não tem, como as outras sociedades, firma social, sede ou domicílio. Tem substrato econômico, destinado ao exercício de uma atividade constitutiva do objeto social que é exercida, unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Somente o sócio ostensivo obrigase perante terceiro. Os sócios participantes só se obrigam perante o ostensivo, e, se tomar parte nas relações desse com terceiros, responderá solidariamente com este pelas obrigações em que intervier (CC, art. 993, parágrafo único). Logo, as relações sociais permanecem num círculo fechado, isolandose do mundo exterior, ao qual só tem acesso o sócio ostensivo. Essa sociedade pode ser constituída sem qualquer formalidade, podendo ser provada por todos os meios de direito. O contrato social só produz efeito entre os sócios e, se for registrado, tal assento não conferirá personalidade à sociedade. (...) Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 487 7 Em suma, tem por caracteres peculiares: ausência de firma social; inexistência, como pessoa jurídica, perante os sócios e terceiros; logo, não pode assumir nenhuma obrigação em seu nome; falta de titularidade negocial e processual; impessoalidade de sujeição à falência e de efetuar requerimento pedindo falência; realização de liquidação no modo estipulado pelo Código de Processo Civil para prestação de contas; regularidade visto que não é sociedade irregular, nem sociedade de fato. (...) A sociedade em conta de participação (simples ou empresária) não é, como vimos, pessoa jurídica, não tem autonomia patrimonial, nem sede social, nem firma ou razão social, e é formada com duas modalidades de sócio: o ostensivo (empreendedor que entra com o capital e com a atividade laborativa) e os participantes ou ocultos (sócios investidores com participação restrita à entrega de capital, para a consecução do fim social), com direito de obter, ao final, parcela dos resultados do empreendimento. (...) O sócio ostensivo responsabilizarseá como empresário, e não como sócio, visto que, perante terceiro, atua por sua conta e risco. Assim os credores que com ele vierem a efetivar negócios somente poderão acionálo, não podendo ajuizar ação contra os sócios participantes. (Curso de Direito Civil Brasileiro, volume 8: Direito de Empresa. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2009, pp 178 a 183) No mesmo sentido, Rubens Requião, Fran Martins, Fabrício Zamprogna Matiello, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. A SCP só tem existência para os sócios, o ostensivo e o participante (ou sócio oculto). Para terceiros, a SCP não existe. Os negócios são realizados pelo sócio ostensivo, que é a pessoa que se posiciona como sujeito de direitos e obrigações nas relações jurídicas com terceiros. Isso acontece ainda que o terceiro tenha conhecimento da existência da SCP e saiba quem são os sócios participantes. Ensinam os Professores Nelson Nery Jr e Rosa Maria de Andrade Nery que não há desvirtuamento da sociedade pelo só fato de terceiros virem a ter conhecimento da existência da sociedade ou de quem sejam os seus sócios ocultos. O que é relevante para manter a natureza da sociedade em conta de participação é o sócio ostensivo assumir o negócio em seu nome individual, com integral responsabilidade perante terceiros. O sócio oculto, ainda que venha a tornarse conhecido, não tem responsabilidade perante terceiros. (Código Civil Comentado) O sócio ostensivo é o sujeito das obrigações surgidas dos atos jurídicos por ele praticados na condição de sócio ostensivo da SCP, ficando o seu patrimônio, e não o dos sócios ocultos, passível de constrição para garantir o pagamento de eventuais dívidas. Perante terceiros, repitase, o devedor ou o credor é sócio ostensivo, e não a SCP ou os sócios ocultos. No caso em exame, a recorrente é sócia ostensiva na SCP. O Fisco é terceiro. Nessa condição, e na perspectiva do Fisco, o crédito de saldo negativo informado na dcomp pertence à recorrente. O direito não é da SCP, pois, não tendo personalidade jurídica, não poderia ser titular de direito creditório. Não é também do sócio oculto, porquanto não existe Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 488 8 entre ele e o Fisco qualquer relação jurídica. A Fazenda não poderia ser devedora de pessoas a quem não estivesse vinculada por uma relação de direito. Nessa perspectiva, é irrelevante indagar se a recorrente, como sócia ostensiva, tinha o dever de repassar parte ou a totalidade do valor do saldo negativo ao sócio participante. Essa é uma questão interna à SCP. Se o valor pertence integralmente ao sócio oculto; se houve cessão gratuita ou onerosa do direito em favor do sócio ostensivo; se este agiu com excesso de poderes ao utilizar o crédito para compensar débitos próprios, nada disso importa para a Fazenda. Todas essas questões, enfim, como ensina a Professora Maria Helena Diniz, são interna corporis, não cabendo ao Fisco penetrar nesse campo. Tais questões estão restritas ao âmbito da SCP, tendo de ser resolvidas pelos sócios ostensivo e oculto. Essas razões levam à conclusão de que a autoridade administrativa não poderia, com os fundamentos que adotou, se recusar a homologar as compensações. Ressaltese que a certeza e a liquidez do crédito já haviam sido reconhecidas, de onde se infere que, se a recorrente pedisse a devolução em dinheiro do valor do saldo negativo, a quantia lhe seria devolvida. Todavia a compensação (mais benéfica para a própria Fazenda) a autoridade administrativa se recusou a homologar. Essa decisão, do ponto de vista do interesse do próprio Fisco, não se justifica. É que, na hipótese de restituição, antes de fazer o pagamento, a Administração verifica se existem débitos do requerente, a fim de fazer a compensação de ofício, para só então pagar o crédito, se remanescer algum valor. A compensação, como se vê, é o que mais atende ao interesse público. Contrário a esse interesse é devolver dinheiro ao contribuinte que se encontra em débito com a Fazenda. Necessário dizer, por fim, que as restrições à compensação de prejuízos fiscais das SCP não têm qualquer relação com saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. As restrições à compensação de prejuízos algumas vezes alcançam lucros e prejuízos apurados pela mesma pessoa jurídica, como ocorre, por exemplo, com os prejuízos não operacionais, que só podem ser compensados com lucros da mesma natureza. As restrições à compensação de prejuízos, na maioria dos casos, buscam evitar planejamento tributário, não comportando analogia com a compensação de saldo negativo. Essas razões, por si mesmas, já seriam bastantes para respaldar o provimento ao recurso. Mas existe ainda um outro fundamento que, de forma autônoma, pode ser invocado para acolher a pretensão da recorrente. Existe nos autos a notícia de que, em decorrência de uma alteração societária, a recorrente passou a deter a maioria do capital da sócia participante, a Audi do Brasil e Cia, vindo mais tarde a incorporála (cf. documentos de fls. 278 a 298 e 300 a 332). Esses fatos teriam ocorrido antes da apresentação da dcomp. Assim, se o sócio participante (sócio oculto) pudesse reivindicar da recorrente algum direito ao saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, tal direito teria sido extinto quando da incorporação, pois a incorporadora passou reunir as qualidades de credor e devedor, consumando o fato jurídico denominado confusão (arts. 381 a 384 do Código Civil). Portanto, a recorrente, ao tempo da transmissão da dcomp, era a titular do direito creditório. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13819.001384/200951 Acórdão n.º 1301002.593 S1C3T1 Fl. 489 9 Frisese, por fim, que a verificação da ocorrência de alterações societárias pode ser feita mediante simples consulta aos dados do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ, ao qual praticamente todos os servidores da Receita Federal têm acesso. Em suma, também por essa razão se deve reconhecer o direito à compensação pleiteado pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, homologando as compensações até o limite do direito creditório já reconhecido pela DRF SBC. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000094/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Numero do processo: 19647.006032/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE LAUDO TÉCNICO. INEXISTÊNCIA. PRESENÇA DE ELEMENTOS SUFICIENTESSOBRE O PRODUTO.
Se a autoridade fiscal não encontra qualquer complexidade na mercadoria importada (lápis de cor), apta a ensejar a necessidade de elaboração de laudo pericial (trabalho técnico) para dirimir eventual dúvida com relação à sua classificação fiscal (trabalho jurídico), o lançamento pode ter como baseos demais elementos constantes no autos, aptos pela utilização da Primeira Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado à proporcionar tranquila convicção sobre a classificação correta.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE LAUDO TÉCNICO. INEXISTÊNCIA. PRESENÇA DE ELEMENTOS SUFICIENTESSOBRE O PRODUTO. Se a autoridade fiscal não encontra qualquer complexidade na mercadoria importada (lápis de cor), apta a ensejar a necessidade de elaboração de laudo pericial (trabalho técnico) para dirimir eventual dúvida com relação à sua classificação fiscal (trabalho jurídico), o lançamento pode ter como baseos demais elementos constantes no autos, aptos pela utilização da Primeira Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado à proporcionar tranquila convicção sobre a classificação correta. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE LAUDO TÉCNICO. INEXISTÊNCIA. PRESENÇA DE ELEMENTOS SUFICIENTESSOBRE O PRODUTO. Se a autoridade fiscal não encontra qualquer complexidade na mercadoria importada (lápis de cor), apta a ensejar a necessidade de elaboração de laudo pericial (trabalho técnico) para dirimir eventual dúvida com relação à sua classificação fiscal (trabalho jurídico), o lançamento pode ter como baseos demais elementos constantes no autos, aptos pela utilização da Primeira Regra de Interpretação do Sistema Harmonizado à proporcionar tranquila convicção sobre a classificação correta. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 32 /2 00 7- 26 Fl. 212DF CARF MF 2 Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Direito Antidumping, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre divergência na classificação fiscal de mercadorias, que culminaram no lançamento no importe de R$ 551.736,39, acrescido de juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Segundo relato da fiscalização às fls. 110/113, a interessada procedeu a importação de lápis de cor através das DI’s n.ºs 06/03542756/001, 06/11246982/001, 06/12593392/001, 06/14272739/001 e 07/02829719/001, classificando as mercadorias incorretamente no código NCM 9609.90.00, acarretando a falta de recolhimento de direitos antidumping. O código correto seria 9609.10.00, para o qual, de acordo com a Resolução Camex n.º 6 de 07 de fevereiro de 2003, o contribuinte deveria ter recolhido o direito antidumping alíquota de 202,3%. A fiscalização baseou sua conclusão na Solução de Consulta SRRF/9.ª/DIANA n.º 143 de 09 de setembro de 2003, que trata da classificação de lápis de cor: "..2. O texto da posição 96.09 é: "Lápis, minas, pastéis, carvões, gizes para escrever ou desenhar e gizes de alfaiate". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado— NESH, versão luso brasileira, aprovadas pelo Decreto n.º 435/1992 e atualizadas pela IN SRF n.º 157/2002, que têm caráter subsidiário fundamental para interpretação do Sistema Harmonizado, esclarecem que: "Os artigos de que trata esta posição podem apresentarse sob dois aspectos: A) Nus ou recobertos por uma simples tira protetora de papel (como, por exemplo, os gizes, carvões, minas, pastéis e certos lápis) B) Com uma bainha protetora de madeira ou de plástico, ou algumas vezes formados de várias camadas de pape l enrolado em espiral (são os lápis propriamente ditos)." (grifouse) 3. O termo "lápis", no sentido mais restrito e comum, referese a um artigo que apresenta uma mina — a matéria que escreve, que pode ser de grafita, argila, giz, etc. revestida por uma bainha protetora, que, normalmente, é de madeira. "Lápis" pois, um artefato para riscar, escrever, desenhar e, para assim ser considerado, depende tãosomente de apresentarse sob a forma indicada e, não, de ter um uso ou emprego especifico. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 19647.006032/200726 Acórdão n.º 3402004.676 S3C4T2 Fl. 334 3 4. Nos termos das disposições precedentes, o artigo consultado, que é constituído de uma mina de grafita revestida de madeira, independentemente de ser usado por marceneiros e de servir para riscar materiais diferentes do papel, não poderia ter outra denominação que não fosse "lápis" e, dessa forma, estaria classificado na posição 96.09, mais especificamente na subposição 9609.10.00, cujo texto é "Lápis". 5. Cumpre ressaltar que o texto dessa subposição não especifica os tipos de lápis por ela abrangidos, o que a torna apta a classificar todos os lápis classificados na posição 9609, tais como lápis de grafita normalmente usados para escrever, os LÁPIS DE COR e os lápis para carpinteiros e marceneiros etc." Desta forma, com base na referida Solução de Consulta e nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) 1 (texto da posição 96.09) e 6 (texto da subposição 9609.10.00) da Tarifa Externa Comum/TEC, aprovada pelo Decreto n 2 2.376/1997, com a redação dada pelas Resoluções Camex n.º 42/2001 e n.º 35/2002, e em subsídios das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, a fiscalização concluiu que os lápis de cor importados pelo contribuinte devem ser classificados na subposição 9609.10.00, exigindo através do presente auto de infração os direitos antidumping devidos. Cientificada da autuação a interessada apresentou a impugnação de fls. 119/134, alegando o que segue: 1) Incompetência da autoridade autuante: Segundo a Portaria MF no 95, de 30 de abril de 2007 (DOU de 2.5.2007), a unidade da RFB que possui jurisdição para processar o desembaraço aduaneiro, lançando, inclusive, eventuais diferenças de tributos ou direitos antidumping em eventual despacho sob o 'canal vermelho' de conferência aduaneira, é quem possui competência para, ulteriormente, revisar de oficio referidos lançamentos através da lavratura de auto de infração. Na espécie, o auto de infração foi lavrado por AFRF vinculado à Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Recife, cuja competência e jurisdição não alcançam as importações realizadas junto ao Porto de Suape. Ressentindose de jurisdição e competência para proceder ao lançamento do direito antidumping, manifestase impossível juridicamente a manutenção do auto de infração confeccionado por autoridade administrativa incompetente, tornandoo nulo. Fl. 214DF CARF MF 4 2) Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal: Dentre os pressupostos necessários de validade do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, ato inicial imprescindível para o inicio da atividade fiscal, encontra se a indicação especifica e precisa da obrigação a ser fiscalizada, conforme preconiza a Portaria RFB no 4.066/2007. No presente caso, o MPF (fl. 1 dos autos) deixou de apontar, dentre as obrigações a serem fiscalizadas, os direitos antidumping como objeto do procedimento. E a espécie de ato administrativo em apreço constitui ato estritamente vinculado, onde não há qualquer espaço para subjetivismos do aplicador da norma, sendo nulo o auto de infração hostilizado. 3) Da Ausência de Procedimento de Averiguação de Mercadoria Hábil a Permitir a Reclassificação do Produto Importado e a Cobrança do Direito Antidumping. Da Aferição Pretérita: Sem que haja coleta in locu de amostra da mercadoria importada, a confecção de laudo técnico e documentação complementar a instruíla, a revisão do despacho de importação evidentemente não poderá concluir pela reclassificação do produto importado e, com isso, lançar direito antidumping, como ocorreu no caso em lide. No caso especifico, a impugnante importou mercadorias classificadas na subposição 9609.90.00 (PASTEIS CARVÕES, GIZES PARA ESCREVER OU DESENHAR E GIZES DE ALFAIATE), havendo a Autoridade Fiscal, ao seu exclusivo talante, reclassificado as mercadorias na subposição 9609.10.00 (LÁPIS), lançando os direitos antidumping devidos quando da importação de lápis fabricados pela República Popular da China. Questiona qual o critério utilizado pelo Sr. AFRF para reclassificar o produto em questão, de vez que não houve coleta de amostra, produção de laudo técnico ou mesmo embasamento em documentos complementares. Não poderia a autoridade fiscal reclassificar a mercadoria importada pela impugnante com fulcro em meras suposições, sem sequer conhecer materialmente o produto em questão. Como não poderia deixar de ser diferente, de acordo com o art. 489 do Decreto 4.543/2002, presumese a validade, idoneidade e legalidade das declarações prestadas pelo importador quanto aos dados do produto desembaraçado e as conseqüências jurídicas do que tais declarações representam, isto é, até prova válida em contrário, subsistem as declarações postas na DI pelo importador. Mais grave, não observou o Sr. AFRF, diante de suas presunções tangentes à reclassificação do produto importado, que através da Declaração de Importação no 05/12403311, registrada em 16/11/2005, as mesmíssimas mercadorias objeto Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19647.006032/200726 Acórdão n.º 3402004.676 S3C4T2 Fl. 335 5 deste auto de infração foram desembaraçadas sob canal vermelho de conferência aduaneira, não havendo qualquer reclassificação pela autoridade fiscal responsável. As fls. 14 da referida DI (em anexo) percebese que as mesmas mercadorias foram enquadradas na mesma subposição 9609.90.00, não havendo qualquer reparação por parte da autoridade aduaneira ou muito menos a imposição do famigerado direito antidumping. Naquela oportunidade, a impugnante pagou direito antidumping (fls. 01 da DI) tão somente sobre a importação de lápis, este sim classificado na subposição 9609.10.00 (fls. 12 da DI), e não sobre as demais mercadorias encartadas na subposição 9609.90.00, não reclassificadas no canal vermelho de conferência aduaneira. Donde concluise que o auto de infração é fatalmente insubsistente e nulo de pleno direito, por assacar direito antidumping sem a necessária correlação entre as especificações do produto importado e aquele a que se refere a Resolução CAMEX n° 06/2003. 4) Requer a nulidade conforme exposto acima e o cancelamento da exigência do direito antidumping. Sobreveio então o Acórdão 0735.426, da 1ª Turma da DRJ/FNS, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. A formalização da exigência através de auto de infração previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 EFEITOS DAS DECLARAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR. As declarações do importador subsistem para quaisquer efeitos fiscais. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 179/201) a este Conselho, em que repisa unicamente o argumento de mérito apresentado em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 05/09/2014, conforme AR de fls. 177 e apresentou em 01/10/2014 o recurso voluntário de fls. 179/201, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Fl. 216DF CARF MF 6 Pelo relato acima, de pronto constatase que o ponto fulcral da controvérsia cingese à correta classificação fiscal das mercadorias importadas. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante as DIs n. 06/03542756/001, 06/11246982/001, 06/12593392/001, 06/14272739/001 e 07/0282971 9/001, quais sejam "lápis de cor" (conforme "descrição das mercadorias" nas DIs de fls. 52, 66, 78, 90, 101). Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, para fins de recolhimento do direito antidumping, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH pretendida pela Recorrente é a 9609.90.00, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração e ratificada pela DRJ é a 9609.10.00. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 9609.10.00 (entendimento fazendário): Capítulo 96: Obras diversas; Posição 09: Lápis, minas, pastéis, carvões, gizes para escrever ou desenhar e gizes de alfaiate. Subposição 10: lápis. · CLASSIFICAÇÃO 9609.90.00 (entendimento da Contribuinte): Capítulo 96: Obras diversas; Posição 09: Lápis, minas, pastéis, carvões, gizes para escrever ou desenhar e gizes de alfaiate. Subposição 90: outros Pois bem. Sendo as mercadorias importadas "lápis de cor", como fez constar a própria Recorrente em suas DIs, é de todo evidente que estamos diante de espécie de lápis, conforme nota explicativa do Capítulo 96, nos seguintes termos: "os artigos de que trata esta posição podem apresentarse sob dois aspectos: A) Nus ou recobertos por uma Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19647.006032/200726 Acórdão n.º 3402004.676 S3C4T2 Fl. 336 7 simples tira protetora de papel (como, por exemplo, os gizes, carvões, minas, pastéis e certos lápis); B) Com uma bainha protetora de madeira ou de plástico, ou algumas vezes formados de várias camadas de papel enrolado em espiral (são os lápis propriamente ditos). Dessa forma, já com base na primeira das regras de interpretação do Sistema Harmonizado, 1 resolvese a questão, pois os "lápis de cor" enquadramse no texto "lápis" da Posição 9609.10, como constatado pela Fiscalização, o que dá ensejo à obrigatoriedade do pagamento de direito antidumping de 202,3%, por serem mercadorias importadas da China, conforme Resolução n. 06/2003 da Camex. A classificação fiscal de fato não causa dúvidas, tanto que a Recorrente nem mesmo tenta demonstrar tecnicamente ou juridicamente seu reenquadramento para a posição 9609.90.00. Com efeito, a defesa da Recorrente cingese ao argumento de que a Fiscalização não poderia ter utilizado classificação diversa daquela apresentada nas DIs sem a conferência da mercadoria e respaldo em laudo técnico. Entretanto, os dispositivos legais aplicáveis ao caso outorgam à autoridade fiscal a faculdade de requerer uma perícia técnica de terminada mercadoria quando entenderem assim necessário, em razão de suas características e complexidade. Nesse sentido, regulando o artigo 813 do Decreto 9.759/2009, a Receita Federal expediu a Instrução Normativa RFB n. 1.063, de 10 de agosto de 2010, 2 que em seu artigo 2º estabelece que Art. 2º A coleta de amostra será efetuada no decorrer do procedimento fiscal, sempre que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) responsável pelo procedimento fiscal identificar a necessidade de exame laboratorial com emissão de laudo técnico para a perfeita identificação e qualificação da mercadoria. No presente caso, a autoridade fiscal não encontrou qualquer complexidade na mercadoria importada (lápis de cor), apta a ensejar a necessidade de elaboração de laudo pericial (trabalho técnico) para dirimir eventual dúvida com relação à sua classificação fiscal (trabalho jurídico). Sobre a separação entre tais atividades, técnica e jurídica, bem expôs o Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão 3401003.770: É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). 1 REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2 Embora o artigo 1º da Instrução Normativa em questão estabeleça como objeto inicial de disciplina unicamente a mercadoria importada ou a exportar classificada nos Capítulos 25 a 39 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), o seu parágrafo único amplia sua aplicaçõa às mercadorias classificadas nos demais Capítulos da NCM. Fl. 218DF CARF MF 8 O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função, entre outras, de, a partir da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. Ademais, a Solução de Consulta SRRF/9.ª/DIANA n.º 143 de 09 de setembro de 2003, que trata da classificação de lápis de cor é peremptória sobre o assunto: "..2. O texto da posição 96.09 é: "Lápis, minas, pastéis, carvões, gizes para escrever ou desenhar e gizes de alfaiate". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado— NESH, versão luso brasileira, aprovadas pelo Decreto n.º 435/1992 e atualizadas pela IN SRF n.º 157/2002, que têm caráter subsidiário fundamental para interpretação do Sistema Harmonizado, esclarecem que: "Os artigos de que trata esta posição podem apresentarse sob dois aspectos: A) Nus ou recobertos por uma simples tira protetora de papel (como, por exemplo, os gizes, carvões, minas, pastéis e certos lápis) B) Com uma bainha protetora de madeira ou de plástico, ou algumas vezes formados de várias camadas de pape l enrolado em espiral (são os lápis propriamente ditos)." (grifouse) 3. O termo "lápis", no sentido mais restrito e comum, referese a um artigo que apresenta uma mina — a matéria que escreve, que pode ser de grafita, argila, giz, etc. revestida por uma bainha protetora, que, normalmente, é de madeira. "Lápis" pois, um artefato para riscar, escrever, desenhar e, para assim ser considerado, depende tãosomente de apresentarse sob a forma indicada e, não, de ter um uso ou emprego especifico. 4. Nos termos das disposições precedentes, o artigo consultado, que é constituído de uma mina de grafita revestida de madeira, independentemente de ser usado por marceneiros e de servir para riscar materiais diferentes do papel, não poderia ter outra denominação que não fosse "lápis" e, dessa forma, estaria classificado na posição 96.09, mais especificamente na subposição 9609.10.00, cujo texto é "Lápis". 5. Cumpre ressaltar que o texto dessa subposição não especifica os tipos de lápis por ela abrangidos, o que a torna apta a classificar todos os lápis classificados na posição 9609, tais como lápis de grafita normalmente usados para escrever, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19647.006032/200726 Acórdão n.º 3402004.676 S3C4T2 Fl. 337 9 os LÁPIS DE COR e os lápis para carpinteiros e marceneiros etc." Assim, encaminho esse voto no mesmo sentido da jurisprudência desse Conselho, pela desnecessidade de perícia de mercadoria importadas quando a documentação avaliada pela autoridade fiscal é suficiente para dar o respaldo técnico necessário para o trabalho de classificação dos bens. Inclusive saliento que os precedentes apontados pela Recorrente em sua defesa tinham situação fática diametralmente oposta a do presente caso, justamente pelo fato de a complexidade das mercadorias importadas demandar exame de expert, sem o qual se tornava impossível o subsequente juízo acerca da correta posição das mercadorias na NCM/SH. Corroborando o citado entendimento, destaco o conteúdo do Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF, 3 segundo o qual: A classificação fiscal de produtos na Nomenclatura exige profundo conhecimento da mercadoria a ser classificada. (...) Embora a lei não exija a presença de laudos técnicos para validar a classificação fiscal, existem situações em que não há como efetuar a classificação da mercadoria sem a oitiva de um perito (...). Em outros casos, contudo, a classificação pode ser feita com base nas informações trazidas ao processo pelas partes, sem a necessidade de um laudo técnico, como demonstram os julgados a seguir: Acórdão 30236.812: versa sobre a classificação fiscal de vários produtos hidráulicos, classificáveis por meio da RGI1. Elemento decisivo: as informações sobre a constituição e aplicação dos produtos trazidas aos autos pelas partes. Bastou ao colegiado confrontar as características com os textos das posições e das notas de capítulo para classificar os produtos, sem a necessidade de laudos técnicos. (...) No mesmo sentido, os Acórdãos 320200.317 e n. 3401002.921. Finalmente, consigno meu entendimento com relação ao argumento de que em outra DI, submetida ao canal vermelho, teria havido tratamento diferente por parte da fiscalização. Embora seja compreensível a frustração dos Contribuintes que seguem a lógica tomada como válida pela Fiscalização em determinada circunstância (criadora de expectativa legítima por parte do contribuinte), a qual é posteriormente alterada, não há no ordenamento jurídico pátrio norma que dê guarida à pretensão da Recorrente. A letra do artigo 146 do CTN, a ser aplicado por este Conselho dentre da sua competência (Súmula CARF n. 2) não é suficiente para tanto, pois se aplica tão somente em relação a um mesmo lançamento, objeto de revisão contra o sujeito passivo, impedindo que haja uma alteração de critério jurídico e consequente lesão ao direito de contraditório e ampla defesa. Não fosse o bastante, no citado processo em que supostamente houve conferência pelo canal vermelho, as mercadorias constantes nas DIs foram classificadas tanto a NCM pretendida pela Fiscalização quanto a NCM pretendida pela Recorrente, o que torna impossível aferir em que medida a autoridade aduaneira teria concordado ou não com a interpretação da Recorrente. 3 SANTI, Eurico Marcis Diniz, et alii. Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF. São Paulo: Max Limonad e FGV Direito, 2016, p. 876 a 878. Fl. 220DF CARF MF 10 Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.726400/2014-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovai Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovai Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila. Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0834.378, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que assim relatou o feito: Tratase de impugnação a lançamentos tributários da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), com fatos tributários mensais ocorridos no ano de 2010, apuradas no regime cumulativo, totalizando o crédito tributário de R$ 13.963.622,57, já acrescido da multa agravada (112,5%) e dos juros moratórios (fls 4302/4312). 2. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 4314/4340), o contribuinte incorreu na infração de omissão de receitas submetidas à incidência das contribuições, ao deixar de oferecer à tributação no Dacon receitas de prestação de serviços de telecomunicações, seja por declarálas isentas, seja por não declarálas, conforme planilha demonstrativa de fl 4339 (art. 8º, VIII, da Lei nº 10.637, de 2002; art. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 26 40 0/ 20 14 -7 2 Fl. 13691DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Resolução nº 3201000.901 S3C2T1 Fl. 13.692 2 10, VIII, da Lei nº 10.833, de 2003). A infração foi apurada por meio do exame da escrituração contábil, Dacon, DIPJ, memória de cálculo e explicações dadas pelo contribuinte em resposta às intimações fiscais. 3. A multa de ofício foi agravada porque o contribuinte intencionalmente obstruíra os trabalhos do Fisco, na medida em que, por quase um ano, não se desincumbira das intimações fiscais, tendo sido, inclusive, lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização. 4. Cientificado pessoalmente da pretensão fiscal em 1º.10.2014, o contribuinte apresentou impugnatória em 29.10.2014 (fls 1519/1527), instruída com documentos (Dacon e memórias de cálculo), na qual se insurge contra o lançamento tributário, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: (i) Em preliminar de nulidade, o auto de infração não descreve claramente a infração cometida, na medida em que o contribuinte é acusado de não incluir determinadas receitas na base de cálculo das contribuições que foram, ao contrário, reconhecidas no Termo de Verificação Fiscal como tendo sido informadas no Dacon; a fiscalização também não logrou comprovar qualquer imprecisão ou incorreção das informações prestadas no Dacon, tributandose, assim, por presunção; (ii) No mérito, uma parte das receitas computadas pela fiscalização referese à recuperação de créditos baixados como perda (art. 3º, §2º, II, da Lei nº 9.718/98), motivo pelo qual não podem compor a base de cálculo das contribuições, tendo sido, por isso, declaradas isentas; a outra parte das receitas, tidas pela autoridade fiscal como omissas, foi devidamente informada no Dacon, centrandose a discussão apenas no campo da declaração em que prestada; (iii) A aplicação da multa agravada apenas se justifica se o contribuinte deliberadamente se nega a responder às intimações apresentadas pelas autoridades fiscais, o que não ocorreu in casu; o contribuinte sempre apresentou resposta a todas as intimações recebidas; se os esclarecimentos/informações prestados foram julgados insuficientes pelas autoridades fiscais, isso não significa que houve embaraço à fiscalização; (iv) Devem ser excluídos os juros Selic incidentes sobre a multa de ofício, uma vez que esta é penalidade e não tem natureza tributária. 5. É o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito Fl. 13692DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Resolução nº 3201000.901 S3C2T1 Fl. 13.693 3 superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No AgRg no REsp 1.335.688PR, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento das duas turmas que lhe compõem, no sentido de que “é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, referenciando os seguintes precedentes: REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14.09.2009; e REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 02.06.2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÃO. Não integra a base de cálculo da contribuição a receita decorrente da recuperação de créditos anteriormente baixados como perda, que não represente o ingresso de novas receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS. EXCLUSÃO. Não integra a base de cálculo da contribuição a receita decorrente da recuperação de créditos anteriormente baixados como perda, que não represente o ingresso de novas receitas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de defesa apresentados no que refere à parcela do crédito tributário mantida. Os autos foram remetidos à este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Pois bem. Na hipótese dos autos observase que não existe, em sede de Recurso Voluntário, qualquer discussão de direito relativa à natureza das receitas tributadas. Toda a discussão diz respeito à análise da apuração do contribuinte, com base nos dados informados em DACONs e documentos contábeis do contribuinte. Alega a Recorrente que a DRJ não efetuou a análise da robusta documentação apresentada em sede de Impugnação e que comprovariam a correção na apuração da contribuinte. Fl. 13693DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Resolução nº 3201000.901 S3C2T1 Fl. 13.694 4 Em sede de preliminar, a Contribuinte aduz: Nesse sentido, manifestouse a DRJ: 9. De outra parte, a fiscalização verificou que a receita auferida de multas sobre fornecedores no mês de maio de 2010 (conta contábil nº 11953000 MULTAS/OUTROS RECEB. SOBRE CONTAS TELEFO), no valor de R$ 8.174.726,78, que o contribuinte inicialmente supunha haver declarado na linha 4 das Fichas 07B e 17B do Dacon – “Receita de Vendas de Bens e Serviços Alíquota de 0,65%” –, não foi também informada na linha 5 da mesma ficha – “Demais Receitas Alíquota de 0,65%”. 10. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) descreve o passo a passo que levou a autoridade fiscal a tributar a referida quantia: Fl. 13694DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Resolução nº 3201000.901 S3C2T1 Fl. 13.695 5 Com a devida vênia às razões expostas pela Contribuinte, ao examinar as DACONS citadas, de fato, não identifico os valores que, segundo alega, constariam nas DACONS, ainda que em campo equivocado. Lado outro, verifico que os dados lançados informados pela DRJ correspondem àqueles constantes das DACONS. Fl. 13695DF CARF MF Processo nº 10314.726400/201472 Resolução nº 3201000.901 S3C2T1 Fl. 13.696 6 Percebese, em verdade, que a Contribuinte está a se referir às suas memórias de cálculo apresentadas juntamente com sua impugnação e que, segundo afirma, não foram analisadas pela DRJ. Com efeito, pelo exame do acórdão proferido pela DRJ, observo que esta limitouse a validar as conclusões obtidas pela Fiscalização, sem se manifestar acerca dos documentos apresentados pela Impugnação. Entendo que tal fato, por si só, não macula de nulidade o acórdão recorrido. A decisão não está obrigada a se manifestar acerca de todos os argumentos e documentos apresentados, mas apenas sobre aqueles que entenda necessários à formação de seu convencimento. Não obstante aos exposto, é preciso considerar que a análise realizada nos autos engloba grande volume de documentos, documentos contábeis e memórias de cálculo produzidas tanto pela Fiscalização, quanto pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, assevero que não compete à este órgão julgados o reexame minucioso dos documentos apresentados, sendo este de competência exclusiva da autoridade preparadora. Pelo exposto, considerando a prerrogativa legalmente concedida à esta julgadora, para que possa firmar meu convencimento entendo necessária a manifestação expressa da Autoridade Preparadora acerca dos documentos apresentados pela Contribuinte, sendo estes os quesitos a serem respondidos exclusivamente com base ns documentos juntados em sede de Impugnação: 1) No que se refere à receita auferida a tíulo de MULTAS / OUTROS RECEB. SOBRE CONTAS TELEFÔNICAS, no valor de R$8.174.726,78, referente ao PA maio/2010, que informe se estes compõem a conta contábil 419.53.000, como alega nos itens 11, 12, 20 a 24 do Recurso Voluntário (Item IV.1 da Impugnação) 2) No que se refere às Contas Contábeis 411.91.500 e 411.92.200, se as receitas ali contabilizadas compuseram a base de cálculo indicada na Conta Contábil 411.90.000, conforme itens 13, 14 e 26 do Recurso Voluntário (Item IV.1 da Impugnação) É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 13696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.729129/2014-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
IRPJ. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. EXCLUSÃO.
As variações cambiais ativas devidamente controladas na contabilidade do contribuinte podem ser tributadas pelo regime de caixa, nos termos do artigo 30 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. Nesta sistemática de tributação, o contribuinte tem o direito de excluir as variações cambiais ativas antes da respectiva liquidação da obrigação.
IRPJ. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. LIQUIDAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A liquidação de operações que gerem o reconhecimento de receitas de variações cambiais ativas não pode ser presumida, cabendo ao fisco o ônus desta prova. Não havendo comprovação de que as operações foram liquidadas no ano calendário, exonera-se a exigência.
IRPJ. ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS VENCIDOS. EXCLUSÃO.
Uma vez comprovada a contabilização da receita dos encargos financeiros de créditos vencidos, cabível a sua exclusão, conforme artigo 342 do RIR/99.
IRPJ. RECEITAS DE VENDAS. ESTORNOS. GLOSA. COMPROVAÇÃO.
Uma vez comprovado que a cada mês (mês corrente) as receitas escrituradas nos meses anteriores foram estornadas, mas em seguida novamente registrada de forma acumulada com as receitas do mês, afasta-se a glosa.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1201-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 02/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 IRPJ. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. EXCLUSÃO. As variações cambiais ativas devidamente controladas na contabilidade do contribuinte podem ser tributadas pelo regime de caixa, nos termos do artigo 30 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. Nesta sistemática de tributação, o contribuinte tem o direito de excluir as variações cambiais ativas antes da respectiva liquidação da obrigação. IRPJ. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. LIQUIDAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A liquidação de operações que gerem o reconhecimento de receitas de variações cambiais ativas não pode ser presumida, cabendo ao fisco o ônus desta prova. Não havendo comprovação de que as operações foram liquidadas no ano calendário, exonera-se a exigência. IRPJ. ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS VENCIDOS. EXCLUSÃO. Uma vez comprovada a contabilização da receita dos encargos financeiros de créditos vencidos, cabível a sua exclusão, conforme artigo 342 do RIR/99. IRPJ. RECEITAS DE VENDAS. ESTORNOS. GLOSA. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado que a cada mês (mês corrente) as receitas escrituradas nos meses anteriores foram estornadas, mas em seguida novamente registrada de forma acumulada com as receitas do mês, afasta-se a glosa. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 02/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.729129/201433 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201001.814 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OLAM BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 IRPJ. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. EXCLUSÃO. As variações cambiais ativas devidamente controladas na contabilidade do contribuinte podem ser tributadas pelo regime de caixa, nos termos do artigo 30 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Nesta sistemática de tributação, o contribuinte tem o direito de excluir as variações cambiais ativas antes da respectiva liquidação da obrigação. IRPJ. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. LIQUIDAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A liquidação de operações que gerem o reconhecimento de receitas de variações cambiais ativas não pode ser presumida, cabendo ao fisco o ônus desta prova. Não havendo comprovação de que as operações foram liquidadas no ano calendário, exonerase a exigência. IRPJ. ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS VENCIDOS. EXCLUSÃO. Uma vez comprovada a contabilização da receita dos encargos financeiros de créditos vencidos, cabível a sua exclusão, conforme artigo 342 do RIR/99. IRPJ. RECEITAS DE VENDAS. ESTORNOS. GLOSA. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado que a cada mês (mês corrente) as receitas escrituradas nos meses anteriores foram estornadas, mas em seguida novamente registrada de forma acumulada com as receitas do mês, afastase a glosa. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 91 29 /2 01 4- 33 Fl. 1283DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 02/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra a decisão de primeira instância que cancelou as exigências decorrentes de Autos de Infração de IRPJ e CSLL (fls. 2/21), referentes aos anos calendários de 2009 e 2010, lavrados em face da apuração das seguintes infrações: (i) exclusões não autorizadas na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL; e (ii) omissão de receita caracterizada por estornos indevidos de vendas. Conforme Relatório Fiscal de fls. 22/25 e Termo de Constatação de fl. 791, as infrações apuradas foram assim justificadas: INFRAÇÕES 1 e 2 (IRPJ/CSLL) EXCLUSÕES INDEVIDAS Ocorrência 1 Variação Cambial Ativa (anocalendário 2009) 7. No anocalendário 2009, foi efetuada exclusão ao lucro liquido no valor de R$ 29.332.888,97 referente a variação cambial ativa registrada na conta contábil "6.1.3.01.94002.00001 Variação Cambial PPMT a Realizar". 8. Tal variação cambial ativa decorreu de operações de exportação de mercadorias da contribuinte para sua controladora Olam Internacional, segundo a fiscalizada não liquidadas até 31/12/2009, o que teria motivado sua exclusão do lucro líquido em consonância com o que dispõe o artigo 30 da MP n° 2.15835/2001, que prevê a possibilidade de sua Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 3 3 tributação apenas quando da liquidação dos respectivos contratos de câmbio (regime de caixa). 9. Ocorre, entretanto, que tais valores não foram controlados pela fiscalizada na parte B do LALUR para posterior adição ao resultado contábil dos exercícios em que ocorressem as liquidações dos contratos de câmbio a que se referissem. Adição esta que, por sinal, não foi efetuada nos exercícios posteriores, conforme se constata nos LALUR e DIPJ dos anoscalendário 2009 a 2012. 10. Intimado a demonstrar os momentos de liquidação das operações, a fiscalizada deu como resposta: "item não aplicável, uma vez que as operações não foram liquidadas em 31/12/2009". 11. Ora, a resposta foi redundante e evasiva, pois a exclusão foi procedida com base exatamente nesta possibilidade. A pretensão desta auditoria, por óbvio, resumiase a dois pontos: 1) verificação da não liquidação dos contratos em 2009 e 2) determinar o momento em que tais liquidações pudessem ter ocorrido. 12. Não comprovadas nem uma coisa nem outra, somadas ao não controle na parte B do LALUR e, por fim, não adição nos exercícios subseqüentes (embora não se imagine lapso tão grande de tempo para liquidação de operações dessa natureza), não resta alternativa, senão a glosa da exclusão em análise. Ocorrência 2 Encargos Financeiros de Créditos Vencidos (AC 2010) 13. A contribuinte efetuou exclusão no valor de R$ 7.808.931,93 alegando referirse a suposta receita de encargos financeiros vencidos sobre créditos de liquidação duvidosa junto à empresa Usina Sapucaia S/A, em conformidade com o artigo 342 do RIR/99. 14. Examinandose toda sua escrituração contábil do ano calendário 2010, todavia, não se constatam lançamentos da receita alegada, que deveria tratarse de provisão para perdas com créditos de liquidação duvidosa. 15. Não havendo receita escriturada, não há como admitir, por óbvio, que se proceda a exclusão efetuada, o que motiva sua glosa. INFRAÇÕES 3 e 4/4 (IRPJ/Reflexo de CSLL) ESTORNOS INDEVIDOS EM RECEITA DE VENDAS (AC 2010) 16. A conta contábil "3.1.1.01.9002.00001 VENDA OLAM INTERNACIONAL" apresenta durante todo anocalendário 2010 lançamentos de estorno àqueles efetuados no mês imediatamente anterior que totalizaram R$ 218.021.595,50 no ano. 17. Até o mês de outubro os estornos foram integrais, ou seja, os lançamentos de receita efetuados até setembro foram estornados Fl. 1285DF CARF MF 4 por completo, o que "zerava" o saldo da conta ao final de cada mês. A titulo de exemplo, vejase, às fls. 24/25, os lançamentos das vendas de janeiro extraídos do razão da conta acompanhados dos respectivos estornos integrais procedidos individualmente em fevereiro. [...] 18. Em novembro e dezembro, os estornos foram parciais, o que resultou num saldo final da conta no valor de R$ 57.410.657,91. Sem os estornos o saldo em 31/12/2010 seria de R$ 275.432.253,41. 19. Desta forma, devese proceder a autuação de IRPJ e CSLL quanto à receita omitida. Não serão gerados reflexos de PIS e COFINS por tratarse de receita de exportação. Após tomar ciência dos lançamentos, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 800/824), alegando, em resumo: (i) a caracterização de cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que a autoridade fiscal não fez o upload de todos os documentos solicitados e fornecidos em sede de fiscalização, assim como não levou em conta os esclarecimentos prestados pela impugnante. A ausência de informações e documentos no processo eletrônico nitidamente cerceou o direito de defesa da impugnante, que não teve acesso a todas (na verdade nenhuma) as considerações realizadas pela fiscalização. (ii) que adota o regime de caixa para fins de tributação das variações cambiais. Ao contrário do quanto exposto pelo fisco, e como se observa dos documentos acostados e da lógica do sistema contábil explicitada, a impugnante realiza um efetivo controle dos saldos de variação cambial de contratos não liquidados. Durante o ano de 2009, foi apurada uma variação cambial ativa de contratos não liquidados no valor de R$ 29.332.888.97. As variações cambiais não realizadas são controladas na conta contábil n° 6.1.3.01.94002.00001, conforme se observa do SPED Contábil do Livro Razão desta conta em 2009 (doc. 05 fls. 865/883) e 2010 (doc. 06 fls. 884/900). Essas variações são revertidas desta conta no primeiro dia de cada mês. Quando um contrato é liquidado, o sistema contábil automaticamente registra o valor do contrato realizado na conta de variações cambiais realizadas, conta contábil n° 6.1.3.01.93003.00001, conforme SPED Contábil do Razão desta conta em 2009 (doc. 07 fls. 901/915) e 2010 (doc. 08 fls. 916/966), sendo tais valores regularmente tributados (quando apurada variação cambial ativa) ou deduzidos (quando apurada variação cambial passiva). Após liquidado, o contrato não é mais registrado na conta de variações cambiais a realizar (onde somente se encontram os contratos em aberto). Diante desse cenário, todos os contratos de câmbio, quando liquidados, são automaticamente registrados na conta de variações cambiais realizadas, sendo certo que o valor da variação cambial ativa apurada em 2009, no valor de R$ 29.332.888,97, ainda não tinha suas operações correspondentes efetivamente liquidadas, conforme documentos comprobatórios acostados aos autos. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 4 5 (iii) a despeito de o Auditor Fiscal afirmar que analisou toda a escrituração contábil da impugnante, a receita dos juros decorrentes do empréstimo inadimplido encontra se, sim, devidamente reconhecida e escriturada em sua contabilidade. Conforme é possível se verificar em seu SPED Contábil do Livro Razão de 2010, conta contábil n° 6.1.1.01.93001.00001 "Outras Receitas" (doc. 09 fls. 967/970), em maio de 2010 a impugnante, ao contrário do que alega a fiscalização, reconheceu a receita decorrente dos encargos financeiros de créditos vencidos, no valor de R$ 7.808.931,93 (fl. 968). A propósito, a tabela do referido SPED, reproduzida à fl. 813, confirma o reconhecimento dessa receita, tornandose imperativo o cancelamento do Auto de Infração no que se refere a essa cobrança. (iv) a fiscalização não considerou as peculiaridades das contas contábeis de receitas da impugnante, no qual a contribuinte estorna as receitas escrituradas no mês anterior e lança um valor acumulado no mês corrente em cada conta de receita. Destaca que os lançamentos contábeis de fevereiro (parcialmente apresentados pela fiscalização) não se resumem aos estornos das receitas de janeiro. Após os estornos das receitas de janeiro, novos lançamentos de receitas acumuladas (de janeiro e fevereiro) são efetuados em fevereiro. Em outras palavras, a tabela utilizada como parâmetro pela fiscalização está incompleta. À fl. 816, a contribuinte apresenta a tabela completa dos lançamentos de janeiro e fevereiro, a qual contempla todos os números da tabela colacionada pela fiscalização. A única diferença é que a fiscalização não trouxe para o Relatório Fiscal os lançamentos do mês de fevereiro acumulados com o mês de janeiro. Essa lógica prossegue nos demais meses, com os demais produtos, conforme se observa em todos os lançamentos contábeis dessa conta (vide controle doc. 11 fls. 985/1011). Ao desconsiderar os estornos das receitas do período anterior (e devidamente incluídas no lançamento acumulado do mês corrente), a fiscalização está multiplicando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na medida em que as mesmas receitas são reinseridas (com a glosa dos estornos) diversas vezes no decorrer do anocalendário. Em síntese, a fiscalização equivocouse ao analisar os livros contábeis da contribuinte. Restando comprovado documentalmente que os estornos não correspondem a omissões de receitas, mas estornos de receitas que integram o lançamento de receitas acumuladas de janeiro até o mês corrente, requer a impugnante que também esse item da autuação seja integralmente cancelado. (v) Caso os documentos e explicações não tenham sido suficientes para o esclarecimento de seus movimentos contábeis, protesta pela realização de diligência para o fim de se comprovar o quanto alegado na presente defesa, na forma dos artigos 16, inciso IV, 18 e 29, todos do Decreto n° 70.235/72. Fl. 1287DF CARF MF 6 Tramitado o feito, em Sessão de 30 de maio de 2016, a 5ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou procedente a impugnação e, por conseqüência, determinou a exoneração integral do crédito tributário constituído, por meio de julgado que recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME DE CAIXA. EXCLUSÃO. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando da liquidação da correspondente operação (regime de caixa). Não comprovando a fiscalização que as operações foram liquidadas no anocalendário, exonera se a exigência. ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS VENCIDOS. EXCLUSÃO. Comprovada a contabilização como receita dos encargos financeiros, há que se aceitar a sua exclusão, posto que "após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita", nos termos do artigo 342 do RIR/99. Exigência exonerada. RECEITAS DE VENDAS. ESTORNOS. NOVOS LANÇAMENTOS. Comprovando a impugnante que a cada mês (mês corrente) as receitas escrituradas nos meses anteriores são estornadas, mas novamente lançadas, acumuladas com as receitas do mês corrente, exonerase a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como o crédito tributário exonerado ultrapassa o limite de alçada, a DRJ apresentou recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Da exclusão da receita de variação cambial ativa Conforme visto, a fiscalização glosou a exclusão referente à variação cambial ativa, no montante de R$ 29.332.888,97, por dois motivos: (i) falta de registro na parte B do LALUR; e (ii) ausência de comprovação de que a operação de fato não teria sido liquidada. Alega a contribuinte que o referido controle é feito na própria contabilidade e que a não liquidação dos contratos referentes à variação cambial ativa excluída em 2009 teria sido demonstrada. Além disso, esclarece a interessada que a variação cambial foi excluída com base no disposto no artigo 30 da MP n° 2.15835/2001, dispositivo este que permite a tributação com base no regime de caixa. Vejase: Artigo 30 A partir de 1° de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. Ao analisar a questão, a DRJ assim se manifestou: Da falta de controle na parte B do LALUR e do sistema de controle da contribuinte quanto às variações cambiais de contratos não liquidados Primeiramente, cumpre observar que, em que pese o controle das variações cambiais de contratos não liquidados deva ser feito preferencialmente no LALUR (parte B), nada impede que esse controle seja feito por outros métodos, utilizando, como alega a impugnante, contas contábeis (no caso, contas "6.1.3.01.94002.00001 Variação Cambial PPMT a Realizar" e "6.1.3.01.93003.00001 Variação Cambial OIL Realizado"). Às fls. 805/810, a impugnante faz um breve resumo do sistema contábil de controle das variações cambiais de contratos não liquidados (devidamente refletido no LALUR, conforme sintetizado pela contribuinte às fls. 807/809 itens 39 a 46 da impugnação), que pode ser assim sintetizado: Fl. 1289DF CARF MF 8 As variações cambiais são lançadas mensalmente na conta "6.1.3.01.94002.00001 Variação Cambial PPMT a Realizar", conforme o regime de competência. No início do mês subseqüente, os resultados das variações cambiais cujos contratos ainda não foram liquidados são revertidos. Tal reversão ocorre para que se possa lançar ao final deste mesmo mês o valor acumulado da variação desde o início da operação (ou seja, com base na variação da cotação desde o reconhecimento do passivo ou ativo até a data do registro da variação). A contribuinte traz aos autos todo controle e movimentação dos saldos de variações cambiais do anocalendário 2009 (doc. 04, fls. 856/864), no qual se observa o procedimento acima, e o SPED Contábil do Livro Razão de 2009, conta n° "6.1.3.01.94002.00001 Variação CambialPPMT a Realizar" (doc. 05, fls. 865/883), comprovando o montante de R$ 29.332.888,97, referente a operações não liquidadas até 31/12/2009. No supracitado doc. 04, a contribuinte, em síntese (considerando que cada reversão anula a apuração anterior), parte de um saldo credor de R$ 19.898.616,00 e efetua um lançamento a débito de R$ 1.413.462,55 (30/06/2009, fl. 860) e outro a crédito de R$ 10.639.458,00 (31/12/2009, fl. 864), chegando a um saldo credor de variação cambial não realizada de R$ 29.124.611,45 (e não R$ 29.332.888,97), conforme a seguir sintetizado (valores em reais): Saldo anterior (19.898.616,00) Débito 1.413.462,55 Crédito (10.639.458,00) Saldo final (29.124.611,45) No demonstrativo acima, foram omitidos os lançamentos relativos aos montantes de R$17.526.213,00; R$15.645.190,00; R$16.114.899,00; R$9.060.683,00; R$5.862.322,00; R$4.662.171,00; R$8.815.044,00; R$7.683.721,00; R$13.325.376,00; R$13.410.227,00 e R$12.415.356,00, pois para cada adição do valor houve a correspondente exclusão/reversão. Mas, em que pese o doc. 04 apresentar um saldo de R$ 29.124.611,45, o valor de R$ 29.332.888,97 está correto, conforme doc. 05 (SPED), no qual se verificam outros lançamentos, a seguir sintetizados (valores em reais): Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 6 9 [...] Assim, resta comprovada a existência de controle das variações cambiais de contratos não liquidados. Da comprovação de que os contratos em análise foram ou não liquidados em 2009 Diante da falta de comprovação de que os contratos em análise não foram liquidados em 2009, a fiscalização presumiu que foram sim liquidados em 2009 e, desse modo, considerou inaplicável o artigo 30 da MP n° 2.15835/2001 e, conseqüentemente, indevida a exclusão da variação cambial. Argumenta, ainda, que não restou comprovada a adição correspondente em períodos posteriores (o que comprovaria que, em 2009, os contratos ainda não haviam sido liquidados). Ou seja, a fiscalização exigiu da contribuinte · uma prova negativa (que os contratos não foram liquidados em 2009); ou · uma prova positiva (que os contratos foram liquidados em período posterior a 2009). Quanto à primeira exigência, há que se observar que a chamada "prova negativa'' é praticamente impossível de ser apresentada, sendo rechaçada pela doutrina e pela jurisprudência. Neste caso, há a inversão do ônus da prova. Ou seja, para a validade da autuação caberia à fiscalização provar que os contratos foram sim liquidados em 2009 (o que não foi feito), não podendo se valer da mera presunção, sem base legal. O artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, corolário do princípio da motivação do ato administrativo, determina que: Saldo doc. 04 (29.124.611,45) 67,68 4,16 77,04 10,78 2,68 0,40 6,39 Perdas de variação cambial (fls. 866 e 868) 0,38 Ganho de variação cambial (fl. 868) (3,55) (345.800,63) Realização (crédito, fl. 867) (202.116,75) Realização (débito, fl. 867) 339.473,90 Saldo doc. 05 (SPED) (29.332.888,97) Fl. 1291DF CARF MF 10 "Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...)" (grifei). Importante observar que a fiscalização solicitou à contribuinte, entre outros, os seguintes documentos: • por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 751/754): Contratos que geraram as variações monetárias, anos 2009, 2010; Contratos da efetivas exportações e importações dentro dos anos 2009, 2010; • por meio do Termo de Intimação (fl. 781): Notas Fiscais/Faturas das exportações/importações que deram origem às variações cambiais; Contratos de câmbio referentes às operações; e Declarações de Exportação/Importação. Tais documentos foram fornecidos pela contribuinte, conforme respostas de fls.780 e 783/788. Como a fiscalização não faz nenhuma referência a esses documentos, concluise que não se prestaram a comprovar a irregular presunção de que os contratos em análise foram liquidados em 2009. Quanto à segunda exigência, há que se aceitar o argumento da impugnante de que os contratos em tela ainda estão em aberto, diante da impossibilidade de se provar o contrário. Ademais, a comprovação de que os contratos foram liquidados em período posterior a 2009 apenas ratificaria a validade da exclusão efetuada pela contribuinte. Da conclusão Por todo o exposto, há que se excluir da autuação relativa ao anocalendário 2009, o supracitado montante de R$ 29.332.888,97, visto que: · a contribuinte demonstra a apuração do montante de R$ 29.332.888,97 e a existência de controle das variações cambiais dos contratos não liquidados (conta "6.1.3.01.94002.00001 Variação Cambial PPMT a Realizar") e dos liquidados (conta "6.1.3.01.93003.00001 Variação Cambial OIL Realizado"); e · a fiscalização não prova que os contratos em questão foram liquidados em 2009 (inversão do ônus da prova, diante da impossibilidade de a contribuinte produzir prova negativa). Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 7 11 Segundo penso, a decisão de piso está muito bem fundamentada e não merece reparo. Isso porque a contribuinte se valeu de uma sistemática de tributação específica e prevista em lei (tributação de variação cambial pelo regime de caixa), tendo sido comprovada a ocorrência da operação e demonstrado que ela possui controle contábil rigoroso da variação cambial tanto registrada por competência quanto por caixa. A meu ver essa documentação faz prova de que os contratos que geraram as variações cambiais excluídas estavam vigentes em 31/12/2009, razão pela qual a fiscalização não poderia tributálo por mera presunção de liquidação, esquivandose, ainda, de cumprir o ônus de provar o quanto alegado. Da exclusão da receita de encargos financeiros de obrigações vencidas Nesse item da autuação, o fisco glosou a exclusão do valor de R$ 7.808.931,93 (fl. 982), referente a receita de encargos financeiros vencidos sobre créditos de liquidação duvidosa junto à empresa Usina Sapucaia S/A, sob a alegação de que a receita não teria sido escriturada. Já o contribuinte alega que a receita foi sim reconhecida e que a exclusão é legítima, nos termos do artigo 342 do RIR/99, que assim dispõe: Artigo 342 Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo (Lei n° 9.430, de 1996, art. 11). Ao enfrentar a questão, a decisão acatou os argumentos da interessada, nos seguintes termos: Destaquese, inicialmente, que, como bem observa a impugnante, a fiscalização não questiona a possibilidade de exclusão dessa receita com base no artigo 342 do RIR/99. Assim, devese apenas verificar se o montante excluído (R$ 7.808.931,93) havia sido anteriormente contabilizado como receita (único motivo da autuação). Analisandose o SPED Contábil do Livro Razão de 2010, conta contábil n° 6.1.1.01.93001.00001 "Outras Receitas" (doc. 09, fls. 967/970), observase que, em maio de 2010 (fl. 968), a contribuinte reconheceu, sim, a receita decorrente dos encargos financeiros, no valor de R$ 7.808.931,93. Dessa forma, há que se excluir da autuação relativa ao ano calendário 2010, o supracitado montante de R$ 7.808.931,93. Fl. 1293DF CARF MF 12 Como se percebe, a glosa deste item da autuação foi afastada, uma vez que, ao contrário do que alegou a fiscalização, a receita de R$ 7.808.931,93 foi contabilizada, conforme restou comprovado. Correta, portanto, a decisão de primeira instância nesse particular. Dos estornos nas contas de receita de vendas A fiscalização argumenta que a contribuinte teria omitido receitas de vendas em face de estornos contábeis de receitas escrituradas, que correspondem a substancial quantia de R$ 218.021.595,50. Em sua defesa, a interessada alega (e comprova através de planilha e documentos contábeis), uma peculiaridade de seu procedimento contábil: o de que a cada mês (mês corrente) as receitas escrituradas nos meses anteriores são estornadas, mas novamente lançadas de forma acumulada com as receitas do mês corrente. Após analisar a referida documentação e a justificativa apresentada pelo contribuinte, a decisão de piso se assim se pronunciou: Analisandose os documentos juntados aos autos, observase que assiste total razão à impugnante. Os lançamentos contábeis de fevereiro de 2010 apresentados pela fiscalização às fls. 24/25 estão realmente incompletos. Causa estranheza esse fato, pois a fiscalização dispunha do demonstrativo completo (vide fls. 513/525). Apresentamos a seguir uma síntese do doc. 12 (fls. 1012/1071), com os saldos acumulados de receitas, sempre crescentes (valores em reais): Saldo acumulado Janeiro 3.669.246,11 Fevereiro 8.312.116,50 Março 10.646.702,75 Abril 13.305.356,09 Maio 24.981.871,28 Junho 29.171.752,27 Julho 33.459.307,21 Agosto 42.264.497,11 Setembro 53.193.394,23 Outubro 53.970.986,67 Novembro 56.333.687,85 Dezembro 57.410.657,91 Tomemos, agora, como exemplo os lançamentos contábeis de janeiro e fevereiro de 2010 na conta 3.1.1.01.90002.00001 Venda Olam Internacional, a seguir sintetizados (valores em reais): Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 8 13 Janeiro Fevereiro Produto Adicionou Excluiu Adicionou Observação (crédito) (débito) (crédito) KLW1 41.984,99 (41.984,99) 41.984,99 (1) P1 45.003,01 (45.003,01) 171.023,20 (2) AW224 48.121,24 (48.121,24) 48.121,24 (1) 51.714,24 (51.714,24) 51.714,24 AW3 79.081,92 (79.081,92) 295.530,39 (4) 51.253,98 P1M 60.004,02 (60.004,02) 60.004,02 (1) KB1 63.278,78 (63.278,78) 63.278,78 (1) AW132 75.163,93 (75.163,93) 75.163,93 (1) CT313 88.014,86 (88.014,86) 88.014,86 (1) AB1 90.523,80 (90.523,80) 90.523,80 (1) AW232 99.374,80 (99.374,80) 99.374,80 (1) KW124 106.335,44 (106.335,44) 106.335,44 (1) KW132 108.162,73 (108.162,73) 108.162,73 (1) KW232 109.312,27 (109.312,27) 109.312,27 (1) AW124 110.040,76 (110.040,76) 110.040,76 (1) W3 127.947,25 (127.947,25) 246.860,04 (5) KW224 129.167,55 (129.167,55) 129.167,55 (1) ALW1 146.409,22 (146.409,22) 146.409,22 (1) W1320 160.384,09 (160.384,09) 547.864,87 (3) Observações: Janeiro Fevereiro Produto Adicionou Excluiu Adicionou Observação (crédito) (débito) (crédito) AW124 165.987,04 (165.987,04) 165.987,04 (1) KW124 169.723,88 (169.723,88) 169.723,88 (1) CT314 680.980,38 (680.980,38) 680.980,38 (1) SI150 912.529,91 (912.529,91) 3.428.990,83 (6) SGVHP 4.826,20 (7) ASGVP 6.036,84 (7) AF2 9.555,83 (7) AB3 18.096,95 (7) AW224 29.044,47 (7) AW232 46.781,64 (7) KW3 67.114,33 (7) AP2 95.741,88 (7) ALW2 95.764,93 (7) KW232 97.478,93 (7) ASLW2 99.011,21 (7) KB3 99.198,09 (7) ASLW1 108.749,94 (7) KW224 159.206,71 (7) W1240 289.685,31 (7) Total 3.669.246,11 (3.669.246,11) 8.312.116,50 SALDO 3.669.246,11 8.312.116,50 (8) Fl. 1295DF CARF MF 14 (1) Para esses produtos, exatamente o valor excluído foi novamente adicionado. (2) Produto "P1": A contribuinte esclarece, às fls. 817/818, que o crédito de R$ 171.023,20 corresponde à soma da receita de janeiro (R$ 45.003,01), somada à de fevereiro (R$ 126.020,19). (3) Produto "W1320: A contribuinte esclarece, às fls. 818/819, que o crédito de R$ 547.864,87 corresponde à soma da receita de janeiro (R$ 160.384,09), somada à de fevereiro (R$ 387.480,78). (4) Produto "AW3": O montante de R$ 51.714,24, excluído, foi novamente adicionado. Quanto ao montante de R$ 79.081,92, excluído, não se verifica crédito nesse mesmo valor, mas em valores superiores (R$ 295.530,39 + R$ 51.253,98). A contribuinte não esclarece (como fez em relação aos produtos "P1" e "W1320"), mas certamente o valor de R$ 79.081,92 está embutido no crédito de R$ 295.530,39. (5) Produto "W3": O montante de R$ 127.947,25 foi excluído, tendo sido adicionado valor superior (R$ 246.860,04). A contribuinte não esclarece (como fez em relação aos produtos "P1" e "W1320"), mas certamente o valor de R$ 127.947,25 está embutido no crédito de R$ 246.860,04. (6) Produto "SI150": O montante de R$ 912.529,91 foi excluído, tendo sido adicionado valor superior (R$ 3.428.990,83). A contribuinte não esclarece (como fez em relação aos produtos "P1" e "W1320"), mas certamente o valor de R$ 912.529,91 está embutido no crédito de R$ 3.428.990,83. (7) Para esses produtos, não houve venda em janeiro, mas apenas em fevereiro. (8) Conforme doc.12 e acima sintetizado, os saldos (credores) de janeiro e fevereiro (acumulado com janeiro) de 2010 da conta 3.1.1.01.90002.00001 Venda Olam Internacional, são, respectivamente, R$ 3.669.246,11 e R$8.312.116,50. O demonstrado acima ocorre em relação aos meses de janeiro a agosto e outubro, comprovandose que, conforme alega a impugnante, a cada mês (mês corrente) as receitas escrituradas nos meses anteriores são estornadas, mas novamente lançadas, acumuladas com as receitas do mês corrente. Em relação aos meses de setembro, novembro e dezembro há estornos parciais e lançamentos de receitas em valores superiores, demonstrando, com mais razão, inexistir omissão de receitas em relação a esses meses. Como bem observa a contribuinte, " a autoridade fiscal não considerou as peculiaridades das contas contábeis de receitas da Impugnante" e "ao desconsiderar os estornos das receitas do período anterior (e devidamente incluídas no lançamento acumulado do mês corrente), a autoridade fiscal está multiplicando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL da impugnante, na medida em que as mesmas receitas são Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10380.729129/201433 Acórdão n.º 1201001.814 S1C2T1 Fl. 9 15 reinseridas (com a "glosa" dos estornos) diversas vezes no decorrer do ano calendário". Em que pese causar estranheza essa forma de contabilização da contribuinte, não se verifica a omissão de receitas alegada pela fiscalização. Importante destacar que o fundamento da autuação foi, exclusivamente, suposta exclusão indevida de receitas, fundamento este totalmente rechaçado. Dessa forma, há que se excluir da autuação relativa ao ano calendário 2010, o montante de R$ 218.021.595,50. Verificase, contudo, que a interessada comprovou que a cada mês (mês corrente) as receitas de vendas já escrituradas nos meses anteriores de fato são estornadas, mas estas mesmas receitas são novamente escrituradas, de forma acumulada com as receitas do mês corrente. Isso significa dizer que os estornos questionados foram devidamente justificados e comprovados, devendo a glosa ser afastada, na linha do que decidiu a DRJ. Conclusão Em face de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001193/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 93 /2 00 9- 13 Fl. 1786DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n°2301 003.113, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 16/10/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91, e art. 4o, da Lei 10.666/03. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO LEGAL. JUROS E MULTA Inexiste o cerceamento de defesa quando o lançamento de débito for lavrado de forma clara e precisa e em estrita consonância com a legislação previdenciária. A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 15983.001193/200913 Acórdão n.º 9202005.555 CSRFT2 Fl. 1.787 3 provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva." Trata‑ se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontadas de suas remunerações e não recolhidas em época própria. Conforme Relatório Fiscal (fls. 29), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento de remuneração aos segurados, empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à empresa. Relata a autoridade fiscal que, da análise das GFIPs apresentadas pela empresa, constatou‑ se que, em todas as competências, o valor das remunerações dos segurados contratados ficou muito abaixo do constante na folha de pagamentos, pois a empresa suprimiu segurados empregados e contribuintes individuais quando da informação prestada à Previdência Social. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0534.991, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1.686), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Em seguida, foram os autos encaminhados ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário, restando o acórdão supra. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido visando discutir a multa aplicável a auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista na Lei n° 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4° do Decreto n° 3.048/1999 que consiste em a empresa apresentar GFIP — Guia de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O contribuinte notificado, apresentou contrarrazões, onde pugna pela manutenção do recorrido. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 1788DF CARF MF 4 Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Neste caso a controvérsia é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 15983.001193/200913 Acórdão n.º 9202005.555 CSRFT2 Fl. 1.788 5 acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 1790DF CARF MF 6 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 15983.001193/200913 Acórdão n.º 9202005.555 CSRFT2 Fl. 1.789 7 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da Fl. 1792DF CARF MF 8 multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 15983.001193/200913 Acórdão n.º 9202005.555 CSRFT2 Fl. 1.790 9 § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 1794DF CARF MF 10 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1795DF CARF MF
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