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Numero do processo: 10410.002889/2006-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Decadência. CSLL. Lançamento por Homologação.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALGODOEIRA SERTANEJA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 28 89 /2 00 6- 95 Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10410.002889/200695 Acórdão n.º 9101003.102 CSRFT1 Fl. 691 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 647 a 652, contra o Acórdão nº 130200.395 (efls. 511 a 521), que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo decadência em relação à CSLL do primeiro trimestre de 2001. Transcrevese a ementa e a decisão do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 CESSÃO DE CRÉDITOS. DESÁGIOS. CONTRATOS. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INEXISTÊNCIA. Ausente cláusula indicando a existência de evento futuro e incerto capaz de sustar a eficácia do ato, há que se considerar ocorrido o fato gerador no momento em que o objeto do negócio jurídico foi concretizado. INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO INFLACIONÁRIO. DEMONSTRATIVO DOS VALORES APONTADOS NO SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO. DESNECESSIDADE. Comprovado nos autos que os valores indicados no extrato do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI) foram extraídos das próprias declarações apresentadas pelo contribuinte à Administração Tributária, inexistindo, pois, alteração de qualquer natureza, resta evidente a desnecessidade de elaboração de demonstrativo acerca da origem desses mesmos valores. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. Se a autoridade fiscal, ao imputar à contribuinte falta de recolhimento ou recolhimento insuficiente de tributo ou contribuição, reúne ao processo provas inquestionáveis da citada infração, há que se manter o lançamento tributário. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº. 8 DOU de 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10410.002889/200695 Acórdão n.º 9101003.102 CSRFT1 Fl. 692 3 vencido o Conselheiro Daniel Salgueiro da Silva que dava provimento em maior extensão. A Recorrente alega que a decisão deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao fato de o recolhimento antecipado de tributos constituir fator relevante para a definição do termo inicial da contagem do prazo decadencial. Assim, na ausência de recolhimentos antecipados, o prazo decadencial deveria regerse pelas regras previstas no art. 173, I, do CTN, e não do parágrafo 4o. do art. 150, do CTN. Com relação à divergência suscitada, transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma: Acórdão nº 910100.460: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inicialmente, apresenta a Recorrente entendimento do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual "não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, §4º, do mesmo diploma legal". Na sequência, defende que como o contribuinte não antecipou o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", devese observar o disposto no art. 173, I, do CTN. Assim, afirma que "para o fato gerador que ocorreu no primeiro trimestre do anocalendário 2001 (CSLL), o prazo decadencial começou a correr em 01/01/2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), expirando em 31/12/2006". Destaca que "se o lançamento data de 30/06/2006, não há falar em decadência no anocalendário 2001". Ao final, pede que o recurso especial seja conhecido e provido para que "seja reformado o acórdão proferido, e afastada a decadência do crédito tributário em relação ao anocalendário 2001". O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 522 a 524. Cientificada (efls. 678), a Contribuinte não apresentou recurso especial, nem contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10410.002889/200695 Acórdão n.º 9101003.102 CSRFT1 Fl. 693 4 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O Recurso é tempestivo e, por preencher as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente aduz que o acórdão recorrido teria dado interpretação divergente daquela dada por outras decisões proferidas por este órgão, relativamente às regras de contagem do prazo decadencial para lançamento do IRPJ, afirmando que, in casu, deveria ter sido aplicada a regra prevista no art. 173, I, do CTN, em face da ausência de pagamento prévio. Com efeito, o acórdão recorrido declarou a decadência do lançamento do CSLL para o fato gerador ocorrido em 31/03/2001, fiandose na regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, como se verifica à fl. 11 da referida decisão: [...] Não obstante, observo que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 30 de junho de 2006 (fls. 53), momento em que não mais existia o direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em 31 de março de 2001, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e, em particular, do estabelecido pela súmula vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Assim, a diferença de contribuição referente ao primeiro trimestre de 2001 (R$ 6.299,82) deve ser excluída. [...] Nesse sentido, convém assinalar, de início, que o prazo decadencial para lançamento de tributos federais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei no. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4º a respeito de prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10410.002889/200695 Acórdão n.º 9101003.102 CSRFT1 Fl. 694 5 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para que referida regra seja aplicada é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento antecipado de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, ainda que esse pagamento tenha sido feito de forma parcial, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura tributo devido e nos casos em que apesar de apurar, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário, configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Esse entendimento, além de pacificado nas esferas administrativas de julgamento, encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, deduzida em julgamentos de recursos representativos de controvérsia como, por exemplo, o Acórdão proferido no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10410.002889/200695 Acórdão n.º 9101003.102 CSRFT1 Fl. 695 6 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso, o sujeito passivo apurou a CSLL mas declarou e recolheu apenas parcialmente os valores devidos. Observase uma vez mais que, para que incida a regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, basta que o recolhimento antecipado tenha sido efetuado de forma parcial, como ocorre no presente caso. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal, fl. 61, a autoridade fiscal reconheceu que o sujeito passivo apurou os valores de CSLL devidos, mas declarou e recolheu esses valores apenas em parte, conforme ora se colaciona: Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10410.002889/200695 Acórdão n.º 9101003.102 CSRFT1 Fl. 696 7 Nesse contexto deve incidir a regra de contagem de prazo decadencial preconizada no art. 150, §4º do CTN, que é de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador. No anocalendário 2001 o sujeito passivo optou por fazer apuração trimestral do IRPJ e da CSLL e, nessas condições, o fato gerador do primeiro trimestre de 2001 ocorreu em 31/03/2001. Assim a Fazenda Nacional deveria ter efetuado o lançamento das diferenças até 31/03/2006. Como as exigência foram formalizadas somente em 30/06/2006, operouse a decadência para esse trimestre, em relação à CSLL. Cumpre esclarecer que, em relação ao IRPJ, não houve lançamento relativo ao primeiro trimestre de 2001. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PFN e, no mérito, negolhe provimento devendo ser mantida a decisão a quo que declarou a decadência da CSLL para o fato gerador 31/03/2001. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002377/2005-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS PARA AS CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (CSLL E COFINS). PRAZOS DECADENCIAIS DO CTN. TERMO INICIAL.
1- O art. 45 da Lei nº 8.212/1991 foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive, com edição de Súmula Vinculante sobre a matéria. Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A referida Súmula Vinculante do STF veda a aplicação do prazo decadencial de 10 anos.
2- Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Em relação às exigências de CSLL e COFINS nos períodos em que não houve pagamento/confissão de débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no art. 173, I, do CTN. Do contrário, nos períodos em que houve pagamento/confissão, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN.
RECURSO ESPECIAL DA PGFN. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (IRPJ E PIS). PRAZOS DECADENCIAIS DO CTN. TERMO INICIAL
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Em relação às exigências de IRPJ e PIS nos períodos em que não houve pagamento/confissão de débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no art. 173, I, do CTN. Do contrário, nos períodos em que houve pagamento/confissão, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. No mérito, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, e, com base no art. 150, §4º, do CTN, reconhecer a decadência da COFINS referente aos meses de janeiro a novembro de 2000, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento integral. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial para, com base no art. 173, I, do CTN, restabelecer a exigência de IRPJ em relação aos três primeiros trimestres de 2000, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS PARA AS CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (CSLL E COFINS). PRAZOS DECADENCIAIS DO CTN. TERMO INICIAL. 1- O art. 45 da Lei nº 8.212/1991 foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive, com edição de Súmula Vinculante sobre a matéria. Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A referida Súmula Vinculante do STF veda a aplicação do prazo decadencial de 10 anos. 2- Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Em relação às exigências de CSLL e COFINS nos períodos em que não houve pagamento/confissão de débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no art. 173, I, do CTN. Do contrário, nos períodos em que houve pagamento/confissão, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN. RECURSO ESPECIAL DA PGFN. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (IRPJ E PIS). PRAZOS DECADENCIAIS DO CTN. TERMO INICIAL Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Em relação às exigências de IRPJ e PIS nos períodos em que não houve pagamento/confissão de débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no art. 173, I, do CTN. Do contrário, nos períodos em que houve pagamento/confissão, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN.
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COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS PARA AS CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (CSLL E COFINS). PRAZOS DECADENCIAIS DO CTN. TERMO INICIAL. 1 O art. 45 da Lei nº 8.212/1991 foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive, com edição de Súmula Vinculante sobre a matéria. Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A referida Súmula Vinculante do STF veda a aplicação do prazo decadencial de 10 anos. 2 Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Em relação às exigências de CSLL e COFINS nos períodos em que não houve pagamento/confissão de débitos, a contagem do prazo decadencial deve AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 23 77 /2 00 5- 08 Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 3 2 observar a regra contida no art. 173, I, do CTN. Do contrário, nos períodos em que houve pagamento/confissão, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN. RECURSO ESPECIAL DA PGFN. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (IRPJ E PIS). PRAZOS DECADENCIAIS DO CTN. TERMO INICIAL Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Em relação às exigências de IRPJ e PIS nos períodos em que não houve pagamento/confissão de débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no art. 173, I, do CTN. Do contrário, nos períodos em que houve pagamento/confissão, deve ser aplicada a regra do §4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. No mérito, quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, e, com base no art. 150, §4º, do CTN, reconhecer a decadência da COFINS referente aos meses de janeiro a novembro de 2000, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento integral. Quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento parcial para, com base no art. 173, I, do CTN, restabelecer a exigência de IRPJ em relação aos três primeiros trimestres de 2000, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 4 3 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela contribuinte acima identificada. Esses recursos buscam reverter o que foi decidido no Acórdão nº 10809.559, de 06/03/2008, por meio do qual a Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, entre outras questões, acolher a decadência de parte do crédito tributário que está sendo exigido nestes autos. O referido acórdão foi objeto de embargos de declaração apresentados pela contribuinte, mas os embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 120200.254, de 09/03/2010, exarado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que confirmou o que havia sido decidido pelo acórdão anterior. O Acórdão nº 10809.559 contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INDEFERIMENTO DE PERÍCIA O pedido de realização de perícia está sujeito ao que determina o inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Além disso, ela também se submete a julgamento, não implicando deferimento automático, mormente quando a negativa é fundamentada na inexistência de início de prova que a justificasse. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a alegação de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ PIS DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração acontecido em 12 de dezembro de 2005, cabível a Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 5 4 decadência suscitada para os fatos geradores do IRPJ ocorridos até o terceiro trimestre do ano de 2000 e para o PIS até 30 de novembro de 2000. CSL COFINS DECADÊNCIA O lapso temporal para a contagem do prazo de decadência da CSL e COFINS é de dez anos, conforme previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/92, tendo como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Não decadente a exigência da CSL e da COFINS para fatos geradores acontecidos no anocalendário de 2000, quando a ciência dos lançamentos pelo interessado ocorreu em 12 de dezembro de 2005. IRPJ ERRO NA DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL APROVEITAMENTO DE CUSTOS E DESPESAS NÃO CONTABILIZADAS Incabível a dedução de custos e despesas do valor da omissão de receitas apurada pela fiscalização, quando a autuada não demonstra a vinculação desses gastos com a receita omitida, nem tampouco que eles já não teriam sido aproveitados na apuração do resultado do exercício. IRPJ ERRO NA DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme determina o artigo 24 da Lei n° 9.249/95, deve o Fisco tributar a omissão de receita apurada respeitando a opção fiscal adotada pelo contribuinte na sua declaração de rendimentos, no caso o Lucro Real. Apenas quando a omissão for vultosa, ultrapassando inúmeras vezes a receita tributária declarada e assim inviabilizando a opção pelo lucro real, é que se admite o arbitramento do lucro tributável. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula n° 02 do 1° Conselho de Contribuintes. TAXA SELIC JUROS DE MORA PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes. PIS COFINS E CSL LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a intima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência parcialmente acolhida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PLÁSTICOS N.T.Z. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR o pedido de perícia, Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 6 5 por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para os fatos geradores até 3° trimestres de 2000, ao IRPJ e PIS para fato gerador até novembro de 2000. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Mário Sérgio Fernandes Barroso que não acolhiam a decadência, por maioria de votos, quanto a CSLL e COFINS, REJEITAR a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. RECURSO ESPECIAL DA PGFN A PGFN apresentou recurso especial por entender que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos quanto ao reconhecimento da decadência para IRPJ e PIS. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL a decisão da e. Câmara a quo diverge da decisão proferida pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão no 10321025 (Acórdão Paradigma), cuja ementa, anexa ao presente recurso nos termos do §3º do Art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, passamos a transcrever: Ementa:CSLL LUCRO PRESUMIDO AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DECADÊNCIA Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CNT), todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. DAS RAZÕES DO RECURSO na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; o entendimento jurisprudencial em que se fundamenta o presente recurso, e que foi recentemente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. É o que se depreende do Informativo nº 250 do STJ: [...]; consoante esta linha de interpretação, o art. 150, §4º do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4º; Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 7 6 nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. E, o prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; a simples DIPJ não pode ser considerada como atividade do contribuinte passível de homologação, como bem pretendeu a Câmara a quo. Isto porque, somente seria possível detectar os tributos não revelados pela declaração de rendimentos, através de ação fiscal direta, onde se analisam todos os elementos de prova capazes de ratificar o que foi declarado pelo contribuinte. Nesse raciocínio, se o autuado emite declaração inexata, deixando de recolher tributo devido, não há que se falar em homologação, e o prazo qüinqüenal deverá ser contado conforme prescreve o art. 173, inciso I, do CTN; observese que, no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar; confirase, nesse sentido, o seguinte aresto da 2ª Turma do STJ, publicado no DJ de 05/06/2006, p. 252: [...]; a observância do art. 173 do CTN, nos casos análogos ao que aqui se reporta, é firme no âmbito judicial. Convém aqui transcrever alguns acórdãos nesse sentido: [...]; também esta e. Câmara Superior deste Conselho já esboçou posicionamento no sentido de que o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, ainda que para estes tributos a legislação atribua ao contribuinte o dever de antecipar do pagamento, conforme o art. 150 do CTN, é aquele disposto no art. 173, I do CTN, que cuida do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Litteris: [...]; concluise, dessa forma, na esteira da jurisprudência firmada pelo e. Superior Tribunal de Justiça, que o entendimento firmado no acórdão recorrido contraria o disposto em lei, não havendo falar em decurso do prazo decadencial para a administração pública proceder ao lançamento, in casu; o termo inicial da contagem do prazo decadencial é, no presente caso, 1º de janeiro de 2002, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2006 para efetuar o lançamento referente ao imposto de renda do ano calendário 2000/exercício 2001. Tendo a Contribuinte Recorrida sido notificada do lançamento em 12 de dezembro de 2005, não há se falar em decadência; acolhida a tese acima, o mesmo desenrolar se aplica ao PIS. Não há necessidade de enveredarmos pela tese do prazo decadencial decenal do mesmo, que, digase de passagem, já teve sua inconstitucionalidade declarada pelo STF e constitui objeto da Súmula Vinculante nº 8; Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 8 7 nesse sentido, não houve decadência quer para o IRPJ, quer para as contribuições reflexas. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes admitiu o recurso, nos seguintes termos: A FAZENDA NACIONAL, em face da decisão consubstanciada no acórdão n° 10809.559, fl.3.585/3.604, interpõe, tempestivamente, RECURSO ESPECIAL. A PFN apresenta como paradigma o acórdão n° 10321025, que diferente da decisão atacada entende que a decadência se dá pelo art. 173 do CTN. Restando clara a divergência, admito o recurso especial. CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE Em 31/03/2009, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 03/04/2009, tempestivamente, ela apresentou contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: todos os tributos lançados neste auto estão sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, que ocorre quando o sujeito passivo, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove parte daquela atividade típica da autoridade administrativa de lançamento (art.142 do CTN); havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, restará às autoridades administrativas, por um prazo de 5 anos, a homologação expressa da atividade assim exercida pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art.150, §4°, do CTN), a chamada homologação tácita; contrariamente ao entendimento exposto pelo Sr. Procurador da Fazenda Nacional, a autuada exerceu a atividade prevista no artigo 150 do CTN, eis que verificou a ocorrência do fato gerador, determinou a matéria tributável, identificou o sujeito passivo, calculou o tributo devido, aplicou a penalidade moratória cabível nos períodos recolhidos em atraso. Com estes procedimentos, o contribuinte calculou o seu "quantum" a pagar, e após, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, recolheu o débito assim calculado sem prévio exame das autoridades administrativas; para confirmar estes procedimentos, juntamos exemplificativamente diversos DARFs de recolhimento dos tributos lançados, dos respectivos fatos geradores, PIS (Código 8109), COFINS (Código 2172), IRPJ (Código 3373) e CSLL (Código 2372), comprovando a impossibilidade de deslocar o prazo decadencial para o artigo 173 do CTN. Tais DARFs foram emitidos/impressos pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que além de confirmar o seu ingresso aos cofres públicos, comprova que o prazo decadencial deve ser aquele previsto no art. 150, §4º, do CTN e não o do art. 173, como requer o Sr. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 9 8 Procurador. Comprova ainda que nos 5 anos após o fato gerador dos meses de Janeiro a Novembro/2000 a autoridade administrativa permaneceu inerte, e os créditos tributários destes períodos foram homologados tacitamente, e definitivamente extintos; este raciocínio formulado pela Procuradoria para deslocar o prazo decadencial do artigo 150 para o artigo 173 traz como premissa o não recolhimento dos tributos à época própria, o que não ocorreu no presente caso, que foram normalmente pagos ou parcelados em datas anteriores à ação fiscal. Portanto, mesmo as jurisprudências citadas pelo Procurador só se aplicam aos casos em que não ocorreu(ram) o(s) pagamento(s) antecipado(s). Como no caso presente, a empresa exerceu a atividade descrita no art. 150 do CTN, inclusive com o recolhimento ou parcelamento dos tributos que entendia devidos, é de se aplicar o prazo decadencial previsto no artigo 150 do CTN, qual seja, 5 anos dos respectivos fatos geradores; de maneira diametralmente oposta aos paradigmas trazidos pela Douta Procuradoria, existem inúmeros casos decididos pela CSRF e pelos CCs no mesmo sentido que foi decidido pela E. 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, citandose como exemplo o Acórdão 20181499, Recurso 150176, Sessão 10/10/2008, Recorrente Jorge Motter & Filhos Ltda, Processo 11516.002938/9911: [...]; de acordo com o art. 156, inciso VII do Código Tributário Nacional, "o pagamento antecipado e a homologação do lançamento" é que extingue o crédito tributário. Ora, se o Código Tributário Nacional estipula duas condições para a extinção: a) o pagamento antecipado e b) a homologação do lançamento; com a ocorrência de ambas ocorre a extinção do crédito. Esta nos parece a literalidade do conectivo "e" deste inciso; no presente caso em discussão, ambas as condições acima ocorreram, o que implica na extinção de todos os créditos tributários lançados a mais de 5 anos, contagem esta dos respectivos fatos geradores, ou seja, todos os ocorridos até Novembro/2000; frisamos ainda que após a sessão de julgamento que resultou no Acórdão 10809.559, o Colendo Supremo Tribunal Federal em sessão de 12/06/2008 editou a Súmula Vinculante nr. 8, na qual prevalece o entendimento de que prescrição e decadência de crédito tributário não foram reguladas pelos artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, e nem artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977, o que implica em reconhecer que a decadência deve ser contada dos fatos geradores de cada tributo. Sendo a Sumula 8 de efeito vinculante, pode/deve ser aplicada a todos os casos pendentes, conforme já decidiu o 2° CC, Acórdão 20181461, Sessão 08/10/2008, Processo 10675.002373/200397: [...]; desta maneira, requerse que seja declarado improvido o Recurso Especial oposto pela Fazenda Nacional. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Em seu recurso especial, a contribuinte também afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, mas, nesse caso, ela questiona a parte da decisão que não reconheceu a decadência para as contribuições CSLL e COFINS, com os seguintes argumentos: a matéria divergente é o prazo decadencial aplicado às contribuições sociais, especialmente quanto ao atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, que deve ser de 5 anos, quando o Acórdão recorrido entendeu ser de 10 anos; Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 10 9 entre os Acórdãos paradigmas podemos citar o Acórdão 10196768, Acórdão 20313441, Acórdão 20313559 e o Acórdão 20313579, os quais foram colados do site do Conselho de Contribuintes: [...]; tendo o Supremo Tribunal Federal declarado inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91, conforme demonstrado e já reconhecido no âmbito do Conselho de Contribuintes pelos Acórdãos transcritos, deve ser aplicado também para as contribuições sociais o prazo decadencial do Código Tributário Nacional, art. 150, e deve ser reconhecida a decadência dos mesmos períodos para a COFINS e a CSLL; assim, demonstrada a divergência do Acórdão prolatado neste processo com outros Acórdãos do Conselho de Contribuintes, é de ser admitido este Recurso Especial, do qual requerse provimento. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 120000.204/2010, de 01/10/2010, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. O voto do relator do acórdão recorrido conclui pelo prazo de decadência de 10 anos para as contribuições sociais. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, qual seja, que o prazo de decadência das contribuições deve seguir o prescrito no CTN. Ante ao exposto, os acórdãos apresentados pela PLÁSTICOS N.T.Z. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, ao meu ver, cumprem a exigência de demonstrar, fundamentadamente, a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 02/12/2010, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 06/12/2010, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: à época do julgamento do recurso voluntário pelo 1° Conselho de Contribuintes, ou seja, em 06/03/2008, o STF ainda não havia se pronunciado acerca da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n. 8.212/91, de modo que, não existindo por parte dessa instância máxima do Poder Judiciário qualquer manifestação a esse respeito, não competia ao órgão julgador reconhecer a inconstitucionalidade desse dispositivo da lei, haja vista a Súmula n. 02 segundo a qual o Conselho de Contribuintes não é competente para declarar a inconstitucionalidade da legislação tributária. Com efeito, o 1° Conselho de Contribuintes somente seria obrigado a observar o teor da S.V. n. 08/STF, por força do art. 103A da Constituição Federal, caso esta tivesse sido publicada anteriormente ao julgamento do recurso voluntário, o que efetivamente não ocorreu; Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 11 10 caso, porém, essa e. CSRF reconheça a imediata aplicabilidade da Súmula Vinculante n. 08 do STF aos presentes autos, independentemente do estágio processual, requer a União que, mesmo assim, não seja reconhecida a decadência dos valores lançados; com efeito, ao contrário do que sustenta a recorrente, as autuações relativas aos períodos de 03/2000 a 12/2003 (CSLL) e de 01/2000 a 06/2003 (COFINS) não foram atingidas pela decadência. Isso porque não incide na espécie o termo inicial do prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 do CTN (fato gerador), mas sim aquele previsto no art. 173, I, do mesmo Diploma (primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador), haja vista a inexistência de pagamento parcial antecipado; de fato, no presente caso, não se operou lançamento por homologação quanto às contribuições previdenciárias autuadas, afinal, de acordo com a prova dos autos, a contribuinte não antecipou qualquer pagamento no período indicado na NFLD. É por conta disso que o lançamento de oficio da exação deve ser regido pelo art. 173, I, do CTN, o qual assevera que: [...]; tal entendimento já se encontra pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o qual, por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos, assentou a matéria (REsp 973733 / SC. Rel. Min. LUIZ FUX. DJe 18/09/2009); portanto, no caso em apreço, considerando que não houve pagamento antecipado das contribuições previdenciárias, e, ainda, que a ciência dos lançamentos ocorrera em 12/12/2005, o auto de infração alcançou, de forma tempestiva, todos os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2000; pelo exposto, espera a União (Fazenda Nacional) seja negado provimento ao recurso especial, com a conseqüente manutenção do entendimento adotado pelo v. acórdão recorrido; ou, então, que seja aplicado o termo inicial do prazo decadencial qüinqüenal previsto no art. 173, 1, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), haja vista a inexistência de pagamento parcial. É o relatório. Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço dos recursos especiais, porque eles preenchem os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 a 2003. A apuração do IRPJ e da CSLL se deu por períodos trimestrais (lucro real), e a das contribuições PIS/COFINS, por períodos mensais. A autuação fiscal do IRPJ está baseada nas seguintes infrações: 1 omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários não contabilizados; 2 glosa de prejuízos compensados indevidamente; e 3 resultados operacionais não declarados. A exigência da CSLL abrangeu as infrações "1" e "3", e a das contribuições PIS e COFINS, apenas a infração "1" (apurada desde janeiro/2000 até dezembro/2003). Sobre o valor dos tributos exigidos, foi aplicada a multa de ofício normal, no percentual de 75%. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 12 de dezembro de 2005. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, decidiu, entre outras questões, acolher a decadência do IRPJ até o 3º trimestre de 2000, e do PIS até novembro de 2000. Para o reconhecimento da decadência, o acórdão recorrido aplicou o prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, afirmando o entendimento de que a existência de pagamento não é condição necessária para a aplicação desse dispositivo. Não houve acolhimento da decadência para a CSLL e para a COFINS, porque, em relação a essas contribuições, foi aplicado o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. O recurso especial da PGFN objetiva afastar a decadência em relação ao IRPJ e ao PIS (declarada com base no art. 150, §4º, do CTN), defendendo a aplicação do art. 173, I, do CTN. Já o recurso especial da contribuinte pretende que a decadência também seja reconhecida para CSLL e COFINS, defendendo o afastamento do art. 45 da Lei 8.212/1991, e a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 13 12 Os dois recursos especiais tratam da mesma matéria, ou seja, da decadência, um pretendendo afastála (PGFN), outro pretendendo ampliála (contribuinte). Primeiramente, cabe registrar que o art. 45 da Lei 8.212/1991 realmente foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive, com edição de Súmula Vinculante sobre a matéria: Súmula Vinculante 8. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o recurso especial da contribuinte, na parte em que contesta a aplicação do prazo decadencial de 10 anos para CSLL e COFINS, deve ser provido. Mas uma vez afastado o prazo decadencial de 10 anos que era previsto na Lei 8.212/1991, cabe verificar qual dos prazos do CTN deve ser aplicado, se o do art. 150, §4º, ou o do art. 173, I. A mesma questão está posta pelo recurso especial da PGFN, relativamente ao IRPJ e ao PIS. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a esses prazos previsto no CTN: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 14 13 De acordo com o STJ, mesmo não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, há ainda duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. Compulsando os demonstrativos elaborados pela Fiscalização, percebese que foram deduzidos da autuação as receitas/resultados contabilizados pela contribuinte. Em relação ao PIS e à COFINS, o Termo de Verificação de Infração Fiscal esclarece que apenas nos períodos de 07/2003 a 12/2003 é que não houve nenhum recolhimento ou declaração destas contribuições sobre os valores contabilizados (vol. 1, efls. 108), de modo que para esse período não houve a dedução acima mencionada: PIS e COFINS — não tendo sido nem declarada nem recolhida a contribuição do período de 07/03 a 12/03, os valores de omissão de receita apurados através da movimentação bancária foram considerados integralmente como base de cálculo do presente lançamento de oficio. A declaração DIPJ referente ao anocalendário de 2000 indica que a contribuinte apurou "PIS A PAGAR" e "COFINS A PAGAR" em todos os meses desse ano de 2000 (vol. 2, efls. 169/174), e, conforme mencionado acima, a base de cálculo referente a tais valores foi excluída da autuação fiscal. Além disso, em sede de contrarrazões, a contribuinte anexou cópias de DARF de PIS e COFINS referente aos meses de janeiro a novembro/2000 (vol. 19, efls. 13/37). Desse modo, com base no art. 150, §4º, do CTN, cabe mesmo reconhecer a decadência das contribuições PIS e COFINS cujos fatos geradores ocorreram nos meses de janeiro a novembro de 2000. Em relação ao IRPJ e à CSLL, a mesma DIPJ referente ao anocalendário de 2000 (vol. 2, efls. 166/168) indica que a contribuinte apurou resultados negativos nos três primeiros trimestres desse ano. Somente no 4º trimestre de 2000, é que a contribuinte apurou resultados positivos, com IRPJ e CSLL a pagar. Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 10865.002377/200508 Acórdão n.º 9101003.046 CSRFT1 Fl. 15 14 Os DARF apresentados também não comprovam a realização de pagamento de IRPJ e CSLL para os períodos em questão, ou seja, para os três primeiros trimestres do ano calendário 2000 (vol. 19, efls. 38/40). Assim, não havendo pagamento ou confissão de débito para IRPJ e CSLL nos três primeiros trimestres de 2000, o prazo a ser aplicado é o do art. 173, I, do CTN. O termo inicial para a contagem da decadência é o dia 01/01/2001, e como o lançamento ocorreu em 12/12/2005, não há decadência para estes dois tributos. Diante disso, voto no sentido de: DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da contribuinte para fins de afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, e, com base no art. 150, §4º, do CTN, reconhecer a decadência da COFINS referente aos meses de janeiro a novembro de 2000; DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da PGFN para fins de, com base no art. 173, I, do CTN, restabelecer a exigência de IRPJ em relação aos três primeiros trimestres de 2000. Resumindo, no conjunto das decisões proferidas, incluindose a presente, fica reconhecida a decadência para os seguintes tributos e períodos: PIS Janeiro a Novembro/2000; e COFINS Janeiro a Novembro/2000. É como voto (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3886DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.001116/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/03/2005, 04/04/2005, 07/04/2005, 08/04/2005, 13/04/2005, 19/04/2005, 13/09/2005, 14/09/2005
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.201
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 13819.000644/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Sociedades em Conta de Participação. Sócio Ostensivo. Relação Jurídica com Terceiros.
As sociedades em conta de participação não têm existência jurídica para terceiros, portanto as relações de natureza obrigacional se estabelecem diretamente com o sócio ostensivo, que assume a posição de credor ou devedor, conforme o caso.
Sociedade em Conta de Participação. Incorporação do Sócio Participante pelo Sócio Ostensivo. Direito Creditório. Compensação.
O saldo negativo de CSLL de sociedade em conta de participação passa a ser do sócio ostensivo, quando este, tendo incorporado o sócio participante, o sucede em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se as compensações até o limite do crédito já reconhecido pela unidade de origem.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 Sociedades em Conta de Participação. Sócio Ostensivo. Relação Jurídica com Terceiros. As sociedades em conta de participação não têm existência jurídica para terceiros, portanto as relações de natureza obrigacional se estabelecem diretamente com o sócio ostensivo, que assume a posição de credor ou devedor, conforme o caso. Sociedade em Conta de Participação. Incorporação do Sócio Participante pelo Sócio Ostensivo. Direito Creditório. Compensação. O saldo negativo de CSLL de sociedade em conta de participação passa a ser do sócio ostensivo, quando este, tendo incorporado o sócio participante, o sucede em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se as compensações até o limite do crédito já reconhecido pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SÓCIO OSTENSIVO. RELAÇÃO JURÍDICA COM TERCEIROS. As sociedades em conta de participação não têm existência jurídica para terceiros, portanto as relações de natureza obrigacional se estabelecem diretamente com o sócio ostensivo, que assume a posição de credor ou devedor, conforme o caso. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INCORPORAÇÃO DO SÓCIO PARTICIPANTE PELO SÓCIO OSTENSIVO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de CSLL de sociedade em conta de participação passa a ser do sócio ostensivo, quando este, tendo incorporado o sócio participante, o sucede em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensações até o limite do crédito já reconhecido pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 06 44 /2 00 9- 71 Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.105 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão n° 1652.480, da 4ª Turma da DRJ São Paulo I, que manteve a decisão da DRF São Bernardo do Campo contrária ao pleito da recorrente. Os fatos podem ser assim resumidos: A recorrente fazia parte, como sócia ostensiva, da sociedade em conta de participação SCP denominada BUC SÃO JOSÉ DOS PINHAIS (abreviação de Business Unit Curitiba São José dos Pinhais), que tinha como sócia participante (oculta) a Audi do Brasil e Cia, inscrita no CNPJ sob n° 01.913.970/000140. A SCP, no ano base 2008, apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 18.121.286,53. A recorrente, na qualidade de sócia ostensiva, formalizou compensações utilizando esse mesmo crédito nas declarações dcomps nº 39599.95216.2404909.1.3.038002 e 27342.91039.230909.1.3.036360. A DRF SBC, no despacho n° 094/2013 (fls. 170 a 173), reconheceu a existência do direito creditório, mas não homologou as compensações declaradas. A decisão teve por base os seguintes fundamentos: Desta forma, não se deve confundir a figura da SCP com a pessoa jurídica da sócia ostensiva. Esta é a responsável pela informação e tributação dos resultados da SCP, mas não é a titular dos seus créditos, apenas sua representante. Sendo assim, em se apurando créditos na atividade da SCP, a sócia ostensiva pode solicitar a restituição dos créditos provenientes de eventuais saldos negativos de períodos anteriores, em nome da SCP, mas jamais poderá aproveitálos em compensação de seus próprios débitos, ou seja, aqueles gerados em atividades exclusivas do sócio ostensivo, ou realizadas a partir do objeto social do sócioostensivo. Neste diapasão, os seguintes atos administrativos: Decisão SRRF08/DISIT n° 250/1998 no processo 13805.003626/9704; e SCI DISIT 6a RF n° 217/2005. E, como fundamento legal, os artigos 991 a 994 do Código Civil (lei n° 10.406/2002); a Instrução Normativa SRF n° 179/1987; e o Decretolei n° 2.303, de 21/11/86. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.106 3 Face ao acima exposto, e em respeito à conclusão vazada na indigitada "Informação Fiscal". DEFIRO o Pedido de Restituição, reconhecendo o crédito no valor de R$ 18.121.286,53 (dezoito milhões, cento e vinte e um mil, duzentos e oitenta e seis reais e cinquenta e três centavos), em 31/12/2008, valor decorrente do saldo negativo CSLL do anobase 2008 apurado pela Sociedade em Conta de Participação denominada "BUC SÃO JOSÉ DOS PINHAIS", da qual o interessado é sócioostensivo. (g.n.) Pela inobservância de formalidade legal intrínseca ao procedimento, decido pela NÃOHOMOLOGAÇÃO das compensações atreladas ao crédito ora reconhecido (DCOMP n° 39599.95216.240409.1.3.038002 e 27342.91039.230909.1.3.03 6360). (fl. 172) A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, afirmando que a SCP fora extinta em 31 de dezembro de 2008, sendo sucedida em direitos e obrigações pela própria recorrente. Portanto, o crédito informado nas dcomps não seria de terceiros. A recorrente era sócia ostensiva da SCP; a Audi do Brasil e Cia, a sócia participante (oculta). Em 1º de dezembro de 2008, os sócios da Audi do Brasil e Cia resolveram transferir suas cotas. Hermann Hennign Schulte transferiu sua participação (no valor de R$ 1,00) para Eduardo de Azevedo Barros. Audi AIG transferiu a sua (no valor de R$ 210.848.100,00) para a recorrente. No mesmo ato, a Audi do Brasil Cia teve a denominação social alterada para VW Participações Ltda. Mas permaneceu como sócia participante da SCP. Porém, em 31 de dezembro de 2008, a recorrente incorporou a VW Participações Ltda. Com isso, a SCP deixou de existir. Foi então levantado o balanço de encerramento, a fim de apurar os bens e direitos a serem restituídos aos sócios. Dentre tais direitos, figurava o saldo negativo de CSLL do ano de 2008, no valor de R$ 18.121.286,53. Por conseguinte, tal valor não era crédito de terceiros, era crédito próprio. A 4ª Turma da DRJ SP1, no Acórdão n° 1652.480 (fls. 259 a 277), negou provimento à manifestação de inconformidade, em decisão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito próprio, líquido e certo, contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. O contribuinte, a quem cabia o ônus de provar, não logrou demonstrar a extinção da sociedade em conta de participação, sendo que as consultas efetuadas indicam que esta continua atuando. Assim, não há possibilidade de compensação de débitos próprios com crédito de terceiro, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. A DRJ admitiu que a controvérsia girava em torno da definição da pessoa titular do direito creditório: a recorrente ou terceira pessoa. A legislação em vigor impede a Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.107 4 compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Em consulta ao sistema CNPJ, constatouse que o estabelecimento nº 59.104.422/010384 continuava "ativo". Assim, para o órgão julgador, os indícios conduziam à conclusão de que a SCP continuava a existir. Não resignada, a recorrente interpôs recurso. Afirmou que a SCP fora incorporada pela recorrente antes da compensação. A sócia participante era a Audi do Brasil e Cia que, posteriormente à constituição da SCP, sofreu um processo de alteração societária, pelo qual passou a ser uma sociedade limitada, recebendo a denominação de VW do Brasil Participações Ltda. Em prosseguimento, a VW do Brasil Participações Ltda. veio a ser incorporada pela recorrente. A sócia ostensiva incorporou a sócia oculta. Como resultado dessa operação, teria havido em 2008 a incorporação da própria SCP, com o que a recorrente tornara se sucessora da SPC em direitos e obrigações, fazendo jus ao saldo negativo de CSLL. A recorrente ainda questionou, de forma específica, alguns pontos suscitados na decisão da DRJ. Quanto a afirmação de que o estabelecimento permanecia ativo, afirmou que isso se explica pelo fato de que, depois de extinta a SCP, no estabelecimento continuou a produzir veículos Volkswagen. Sobre a informação de resultados positivos de SCP nas declarações dos anos 2007 a 2012, disse a recorrente que tais resultados se referem a outras sociedades em conta de participação. E, finalmente, quanto à ausência de documentos comprovando a liquidação da SCP, afirmou que nem a lei civil, nem a comercial exigem documento formal de constituição e dissolução de SCP. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Compensação O recurso deve ser provido, com base em dois fundamentos distintos e autônomos. A DRF SBC afirmou que, embora certa a existência do crédito informado na dcomp, seria vedada a compensação pretendida pela recorrente, dado não existir identidade entre a pessoa do devedor e a do titular do direito creditório. A DRJ SP1, por seu turno, acusou a falta de prova de que a SCP já estaria extinta ao tempo da entrega da dcomp. Entretanto, os motivos declinados para não homologar as compensações não se coadunam com a natureza e com as características da SCP, que, não tendo personalidade Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.108 5 jurídica, não tem patrimônio, nem pode figurar como sujeito (ativo ou passivo) de relação jurídica obrigacional. Esse é o entendimento que prevalece tanto na doutrina, quanto na jurisprudência, como mostra a Professora Maria Helena Diniz: A sociedade em conta de participação é a que, não tendo personalidade jurídica, nem existência perante terceiros, se constitui pelo sócio ostensivo, que por entrar com o capital e o trabalho, pratica, em seu nome individual, atos de gestão, adquire direitos e assume obrigação com terceiros, respondendo pessoal e ilimitadamente pelos débitos sociais e pelos sócios participantes (prestadores de capital), que contribuem, formando patrimônio especial, apenas com o capital, participando dos lucros e das perdas, conforme o combinado no contrato de participação, podendo, por isso exigir prestação de contas. Juridicamente, a "sociedade" inexiste para terceiro, tendo validade interna corporis, ou seja, vale apenas entre as pessoas que a contratarem. Entre os sócios há relação societária. Os sócios participantes poderão, individualmente, e em nome próprio, propor ações judiciais para resolver controvérsia relativa às relações internas (STJ, REsp 85.240/RJ, 3ª T., j. 19111999). Sua característica primordial consiste no fato de ser uma sociedade interna, que se apresenta, externamente, como se o sócio ostensivo (pessoa física ou jurídica), exercesse a atividade como empresário individual, obrigandose pessoalmente, com seu patrimônio, pelos resultados e pela inexecução das obrigações assumidas; logo, apenas ele será citado e demandado nas ações, não ingressando os sócios participantes na lide judicial (STJ, REsp 474.704 3ª T., j. 17 122002) Por tal razão não tem, como as outras sociedades, firma social, sede ou domicílio. Tem substrato econômico, destinado ao exercício de uma atividade constitutiva do objeto social que é exercida, unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Somente o sócio ostensivo obrigase perante terceiro. Os sócios participantes só se obrigam perante o ostensivo, e, se tomar parte nas relações desse com terceiros, responderá solidariamente com este pelas obrigações em que intervier (CC, art. 993, parágrafo único). Logo, as relações sociais permanecem num círculo fechado, isolandose do mundo exterior, ao qual só tem acesso o sócio ostensivo. Essa sociedade pode ser constituída sem qualquer formalidade, podendo ser provada por todos os meios de direito. O contrato social só produz efeito entre os sócios e, se for registrado, tal assento não conferirá personalidade à sociedade. (...) Em suma, tem por caracteres peculiares: ausência de firma social; inexistência, como pessoa jurídica, perante os sócios e terceiros; logo, não pode assumir nenhuma obrigação em seu nome; falta de titularidade negocial e processual; impessoalidade de sujeição à falência e de efetuar requerimento pedindo falência; realização de liquidação no modo estipulado pelo Código de Processo Civil para prestação de contas; regularidade visto que não é sociedade irregular, nem sociedade de fato. (...) A sociedade em conta de participação (simples ou empresária) não é, como vimos, pessoa jurídica, não tem autonomia patrimonial, nem sede social, nem firma ou razão social, e é formada com duas modalidades de sócio: o ostensivo (empreendedor que entra com o capital e com a atividade laborativa) e os participantes ou ocultos (sócios investidores com participação restrita à entrega de Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.109 6 capital, para a consecução do fim social), com direito de obter, ao final, parcela dos resultados do empreendimento. (...) O sócio ostensivo responsabilizarseá como empresário, e não como sócio, visto que, perante terceiro, atua por sua conta e risco. Assim os credores que com ele vierem a efetivar negócios somente poderão acionálo, não podendo ajuizar ação contra os sócios participantes. (Curso de Direito Civil Brasileiro, volume 8: Direito de Empresa. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2009, pp 178 a 183) No mesmo sentido, Rubens Requião, Fran Martins, Fabrício Zamprogna Matiello, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. A SCP só tem existência para os sócios, o ostensivo e o participante (ou sócio oculto). Para terceiros, a SCP não existe. Os negócios são realizados pelo sócio ostensivo, que é a pessoa que se posiciona como sujeito de direitos e obrigações nas relações jurídicas com terceiros. Isso acontece ainda que o terceiro tenha conhecimento da existência da SCP e saiba quem são os sócios participantes. Ensinam os Professores Nelson Nery Jr e Rosa Maria de Andrade Nery que não há desvirtuamento da sociedade pelo só fato de terceiros virem a ter conhecimento da existência da sociedade ou de quem sejam os seus sócios ocultos. O que é relevante para manter a natureza da sociedade em conta de participação é o sócio ostensivo assumir o negócio em seu nome individual, com integral responsabilidade perante terceiros. O sócio oculto, ainda que venha a tornarse conhecido, não tem responsabilidade perante terceiros. (Código Civil Comentado) O sócio ostensivo é o sujeito das obrigações surgidas dos atos jurídicos por ele praticados na condição de sócio ostensivo da SCP, ficando o seu patrimônio, e não o dos sócios ocultos, passível de constrição para garantir o pagamento de eventuais dívidas. Perante terceiros, repitase, o devedor ou o credor é sócio ostensivo, e não a SCP ou os sócios ocultos. No caso em exame, a recorrente é sócia ostensiva na SCP. O Fisco é terceiro. Nessa condição, e na perspectiva do Fisco, o crédito de saldo negativo informado na dcomp pertence à recorrente. O direito não é da SCP, pois, não tendo personalidade jurídica, não poderia ser titular de direito creditório. Não é também do sócio oculto, porquanto não existe entre ele e o Fisco qualquer relação jurídica. A Fazenda não poderia ser devedora de pessoas a quem não estivesse vinculada por uma relação de direito. Nessa perspectiva, é irrelevante indagar se a recorrente, como sócia ostensiva, tinha o dever de repassar parte ou a totalidade do valor do saldo negativo ao sócio participante. Essa é uma questão interna à SCP. Se o valor pertence integralmente ao sócio oculto; se houve cessão gratuita ou onerosa do direito em favor do sócio ostensivo; se este agiu com excesso de poderes ao utilizar o crédito para compensar débitos próprios, nada disso importa para a Fazenda. Todas essas questões, enfim, como ensina a Professora Maria Helena Diniz, são interna corporis, não cabendo ao Fisco penetrar nesse campo. Tais questões estão restritas ao âmbito da SCP, tendo de ser resolvidas pelos sócios ostensivo e oculto. Essas razões levam à conclusão de que a autoridade administrativa não poderia, com os fundamentos que adotou, se recusar a homologar as compensações. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.110 7 Ressaltese que a certeza e a liquidez do crédito já haviam sido reconhecidas, de onde se infere que, se a recorrente pedisse a devolução em dinheiro do valor do saldo negativo, a quantia lhe seria devolvida. Todavia a compensação (mais benéfica para a própria Fazenda) a autoridade administrativa se recusou a homologar. Essa decisão, do ponto de vista do interesse do próprio Fisco, não se justifica. É que, na hipótese de restituição, antes de fazer o pagamento, a Administração verifica se existem débitos do requerente, a fim de fazer a compensação de ofício, para só então pagar o crédito, se remanescer algum valor. A compensação, como se vê, é o que mais atende ao interesse público. Contrário a esse interesse é devolver dinheiro ao contribuinte que se encontra em débito com a Fazenda. Necessário dizer, por fim, que as restrições à compensação de prejuízos fiscais das SCP não têm qualquer relação com saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. As restrições à compensação de prejuízos algumas vezes alcançam lucros e prejuízos apurados pela mesma pessoa jurídica, como ocorre, por exemplo, com os prejuízos não operacionais, que só podem ser compensados com lucros da mesma natureza. As restrições à compensação de prejuízos, na maioria dos casos, buscam evitar planejamento tributário, não comportando analogia com a compensação de saldo negativo. Essas razões, por si sós, já seriam bastantes para respaldar o provimento ao recurso. Mas existe ainda um outro fundamento que, de forma autônoma, pode ser invocado para acolher a pretensão da recorrente. Existe nos autos a notícia de que, em decorrência de uma alteração societária, a recorrente passou a deter a maioria do capital da sócia participante, a Audi do Brasil e Cia, vindo mais tarde a incorporála (cf. documentos de fls. 235 a 245 e 246 a 256). Esses fatos teriam ocorrido antes da apresentação da dcomp. Assim, se o sócio participante (sócio oculto) pudesse reivindicar da recorrente algum direito ao saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, tal direito teria sido extinto quando da incorporação, pois a incorporadora passou reunir as qualidades de credor e devedor, consumando o fato jurídico denominado confusão (arts. 381 a 384 do Código Civil). Portanto, a recorrente, ao tempo da transmissão da dcomp, era a titular do direito creditório. Frisese que a verificação da ocorrência de alterações societárias pode ser feita mediante simples consulta aos dados do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ, ao qual praticamente todos os servidores da Receita Federal têm acesso. Por último, cabe dizer que não é óbice à compensação o fato de o estabelecimento utilizado para as atividades da SCP continuar ativo. O estabelecimento, a julgar pelo CNPJ (59.104.422/010384), pertencia ao sócio ostensivo, não havendo razão para desativar ou fechar tal estabelecimento pelo simples fato de ter sido extinta a SCP. Em suma, também por essas razões se deve reconhecer o direito à compensação pleiteado pela recorrente. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13819.000644/200971 Acórdão n.º 1301002.594 S1C3T1 Fl. 1.111 8 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, homologando as compensações até o limite do direito creditório já reconhecido pela DRF SBC. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1111DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721338/2013-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Ementa:
EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL.
A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1302-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Luis Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cézar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Ementa: EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplica-se o mesmo julgado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Luis Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cézar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues.
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REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Luis Tadeu Matosinho Machado Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 13 38 /2 01 3- 36 Fl. 677DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cézar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto parte do relatório da decisão recorrida (efls.617/631) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls 228/240, (ciência em 08/07/2013 fls 241), por meio dos quais foi constituído o crédito tributário nos valores de R$ 6.354.001,87 e R$ 2.287.440,67 referentes, respectivamente, ao Imposto sobre a Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. 1.Da autuação Em síntese, a infração imputada à interessada foi a de exclusão indevida, na apuração do lucro real e da CSLL, do valor de R$ 25.416.007,49, realizada a título de “reversão de provisões não dedutíveis”. 2. Dos fundamentos da autuação Os fundamentos, fatos e conclusões que respaldaram a autuação, relatados às fls 222/227, foram sintetizados a seguir. • A interessada apurou lucro real anual, no ano de 2009. Tem como principal atividade “fornecimento de infraestrutura de apoio e assistência a pacientes em domicílio”. Em relação ao ano calendário 2009, entregou declaração retificadora em 15/09/2010 e transmitiu a “Escrituração Contábil Digital” (ECD); • No ano calendário 2009, consignou como receita referente a “reversão de saldos de provisões” o valor de R$ 5.882.520,45 (DIPJ, ficha 6A, linha 30) e realizou exclusão, a título de “reversão do saldo de provisões não dedutíveis” (DIPJ, ficha 9A, linha 40),no valor de R$ 31.298.527,94. Das informações acima resultaria, a princípio, que de forma equivocada, não foram incluídas no resultado do exercício receitas no total de R$ 25.416.007,49 (R$ 31.298.527,94 – R$ 5.882.520,45); • Intimada em 11/03/2013 a justificar a divergência acima assinalada, entre o total das receitas a título de reversão de provisão e a exclusão ao lucro líquido, para fins de apuração ao lucro real, a interessada esclareceu, em resposta datada de 20/03/2013, que as divergências teriam como motivação a criação de novas contas referentes à empresa por ela incorporada. Afirmou, ainda, que as contrapartidas credoras quando da reversão das provisões indedutíveis foram Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13896.721338/201336 Acórdão n.º 1302002.320 S1C3T2 Fl. 3 3 contabilizadas nas contas “2716Provisão contingência fiscal – tributária” e “78831 – Honorários enfermagem”; • Em análise às contas indicadas, a autoridade autuante fez os registros que abaixo : 1) “conta 2716/44102012 Provisão contingência fiscal – tributária – tratase de conta de resultado de natureza devedora classificada pelo contribuinte como “outras despesas não dedutíveis”, cujo saldo inicial no ano 2009 era zero. Durante o ano calendário 2009 houve vários lançamentos a crédito tendo como contrapartida a débito a conta patrimonial de passivo 22201007 – Provisão Contingência Fiscal /trab, cujo saldo credor inicial no ano de 2009 era de R$ 14.006.144,47. Em 31/12/2009 a conta transitória de resultado 2716/44102012 foi encerrada, sendo transferido para o resultado do exercício apenas R$ 5.882.520,45, valor este informado na linha 30 da ficha 6A da DIPJ como receita referente a reversão do saldo de provisões. Na mesma data, a conta de passivo 2715/22201007 encerrou o exercício com saldo credor de R$ 5.533.736,93. 2) Conta 78831/51997002 – honorário de enfermagem – tratase de conta transitória de resultado de natureza devedora classificada pelo contribuinte como “custos alocados para assistência home care” cujo saldo inicial no ano de 2009 era zero.Durante o ano de 2009 houve vários lançamentos a crédito como reversão ou estorno de provisão, e vários lançamentos a débito como provisão. Em análise aos lançamentos, notase que tratase de fatos contábeis permutativos, ou seja, que influenciaram o resultado do exercício. Em outras palavras, a reversão das provisões creditadas na conta “honorários de enfermagem” não transitaram a crédito de conta de resultado.” . Em manifestações posteriores a interessada voltou a fazer menção às mesmas contas já apontadas. Afirmou que as exclusões realizadas em 2009, no valor de R$ 31.298.527,94 , se referem à soma das provisões adicionadas no ano calendário 2008 e estornadas em 2009 e, ainda, que não dispunha da apuração do período 2008 e nem tinha como identificar a composição da linha 27 da ficha 9A da DIPJ; . Na inexistência da contabilidade referente ao ano de 2008, relata a autoridade autuante que não foi possível analisar se de fato a quantia de R$ 31.298.527,94 estaria contida na rubrica “outras adições” e, por fim, conclui que apesar de intimada e reintimada, a interessada não comprovou a legitimidade da exclusão no valor de R$ 25.416.007,49 , feita na apuração do lucro real do ano de 2009 a título de “reversão de provisões não dedutíveis”. 3. Da impugnação Fl. 679DF CARF MF 4 Em 06/08/2013 a interessada interpôs a impugnação de fls 245/258, na qual alega a seu favor que: Da exclusão glosada • No decorrer do ano de 2009 realizou diversas movimentações nos registros contábeis relativos a provisões não dedutíveis. A contrapartida foi efetivada em diversas contas de resultado do exercício; • Como a constituição da provisão corresponde a uma despesa não dedutível e a reversão da provisão corresponde a uma receita não tributável, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, era realizada a adição dos valores relativos à constituição da provisão e a exclusão correspondente à exclusão; • Contudo, as adições e exclusões eram realizadas pelo saldo das contas contábeis patrimoniais relativas a provisões; • Portanto, a interessada: a) adicionava ao lucro líquido do período do ano calendário corrente a integralidade do saldo das contas contábeis relativas a provisões não dedutíveis; e b) excluía do lucro líquido desse mesmo ano calendário a parcela do saldo destas contas contábeis relativa ao registro de provisões contabilizadas em anos anteriores; • O que a fiscalização deveria ter buscado verificar não era se a integralidade do valor excluído na apuração do lucro real do ano 2009 teria transitado por resultado, mas sim se o valor excluído do ano calendário 2009 teria sido adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro real no ano calendário 2008 e se a diferença entre a adição e a exclusão realizadas no ano 2009 transitou pelo resultado desse período de apuração; • Em 2008 a interessada adicionou ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor de R$ 31.298.527,94. Este valor integrou a quantia de R$ 40.371.624,15 (linha 40 da ficha 9A da DIPJ 2010) Tal fato não foi questionado pela auditoria; • O saldo da movimentação das contas de provisões não dedutíveis ocorridas no ano de 2009 totalizou R$ 12.891.878,05, conforme demonstra a tabela (fls 254) abaixo: Cta Patrimonial 31/12/2008 Movimentação 31/12/2009 Provisão para perdas (Mediar) 1.405.310,27 18.830.356,75 20.235.667,02 Provisão Para Contingência Fiscal (Mediar) 14.006.144,47 (8.472.407,54) 5.533.736,93 Provisão p/ pgtos diversos (Mediar) 3.931.721,33 (654.737,58) 3.276.983,75 Provisão p/ contingência (Mediar) 1.178.000,00 1.178.000,00) Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13896.721338/201336 Acórdão n.º 1302002.320 S1C3T2 Fl. 4 5 Staff Buiders LP (Mediar) 990.000,00 (990.000) Provisão p/ continência civil (Mediar) 1.595.850,19 1.595.850,19 Provisão para contingência trabalhista (Mediar) 2.959.612,19 2.959.612,19 Obrigação legal (Medlar) 9.809.016,77 9.809.016,77 PDD (Staff) 243.240,59 536.298,55 779.539,14 Provisão p/pgtos diversos (Staff) 23.068,64 (23.068,64) Provisão p/ contingência fiscal (Staff) 9.521.042,64 (9.521.042,64) TOTAL 31.298.527,94 12.891.878,05 44.190.405,99 • Em relação a 2009, a interessada adicionou ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor de R$ 44.190.405,99 (R$ 31.298.527,94 + R$ 12.891.878,05) e excluiu a quantia de R$ 31.298.527,94, resultando em uma adição líquida de R$ 12.898.878,05; • A totalidade do controle da interessada não foi percebido, uma vez que a auditoria se restringiu às exclusões realizadas em 2009, sem atentar para as adições; • O saldo das movimentações relativas às provisões não dedutíveis transitou pelo resultado do exercício; • Conforme linhas 22 e 25 da ficha 5A da DIPJ 2010, é possível verificar que a impugnante informou despesas relativas a provisões não dedutíveis, respectivamente, nos valores de R$ 18.830.356,75 e R$ 1.135.458,99. Por outro lado, informou, na linha 30 da ficha 7A da DIPJ 2010, receitas relativas à reversão dos saldos das provisões no montante de R$ 5.882.520,45, Restou portanto, comprovado que as despesas relativas à constituição de provisões não dedutíveis, bem como suas respectivas reversões (receitas) foram computados no resultado do exercício; • A fim de comprovar as alegações, foram juntadas aos autos cópias do razão com os lançamentos contábeis das provisões não dedutíveis realizadas em 2009 e suas respectivas contrapartidas; • O lançamento decorreu, portanto, de premissa equivocada no sentido de que os valores excluídos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do ano calendário 2009 não haviam sido adicionados nas apurações de 2008 e que apenas a receita Fl. 681DF CARF MF 6 de reversão no montante de R$ 5.882.520,45 teria transitado pelo resultado como receita; • Ante todo o exposto, o que se verifica é que a fiscalização deixou de efetuar a devida análise da apuração do lucro real e da base da CSLL dos anos calendários envolvidos (2008 e 2009), cujas correspondentes informações foram prestadas ao longo da ação fiscal; ... A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro I/RJ) negou provimento à impugnação em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 1269.568, de 23 de outubro de 2014, assim ementado (fl. 617): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2009 EXCLUSÃO AO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. A exclusão ao lucro real feita a título de reversão de provisão não dedutível tem como contrapartida receita devidamente incorporada no resultado do exercício. Se, apesar de intimada, a interessada deixa de comprovar a neutralidade tributária do conjunto, cabível a glosa da exclusão. MULTA ISOLADA OU PROPORCIONAL. SELIC. INCIDÊNCIA. A taxa selic incide sobre débitos de quaisquer natureza para com a Fazenda Nacional, entre eles os relativos às multas proporcionais e isoladas. CSLL. LANÇAMENTOS CONEXOS. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. A empresa tomou ciência da referida decisão, por decurso de prazo, conforme o Despacho, efl.659, em 19/12/2014 e, interpôs Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em 22/12/2014, efls.641/653. Em sua peça recursal, a Recorrente reproduz, no essencial, as mesmas razões aduzidas em sua impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Por fim, a Recorrente requer que, caso seja não seja reformada a decisão recorrida, quando da cobrança do crédito tributário constituído, não sejam exigidos juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela I a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723, realizado na sessão do dia 09.11.2010. É o relatório. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13896.721338/201336 Acórdão n.º 1302002.320 S1C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Tratase de auto de infração visando a cobrança de créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em razão de suposta exclusão indevida realizada pela Recorrente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano calendário 2009. De acordo com a fiscalização, do valor de R$ 31.298.537,94, excluído na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a título de “reversão de provisões não dedutíveis"; o montante de R$ 25.416.007,49 não teria transitado pelo resultado do ano calendário de 2009, haja vista que, no mesmo ano, a autuada só teria reconhecido contabilmente, no cálculo do lucro líquido, receitas referentes à reversão de provisão no montante de R$ 5.882.520,45. É sabido que, em respeitos aos princípios contábeis da Prudência e da Competência, as provisões referemse a despesas com perdas de ativos (contas retificadoras do ativo) ou representativas de obrigações (passivo circulante), cujo valores são estimados, reconhecidos no lucro líquido. De outra banda, quando tais expectativas não se confirmam, a perda que havia sido levada à resultado é revertida contabilmente mediante crédito correspondente (receita). O Recorrente diz que não cabe no presente caso uma análise isolada do valor das exclusões realizadas na apuração do seu lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano calendário de 2009. Isto porque, em relação à constituição e reversão de provisões indedutíveis, a Recorrente efetuava adições e exclusões pelo saldo das contas patrimoniais correspondentes, de modo que a diferença entre o saldo dessas contas patrimoniais no ano calendário de 2009 e no ano calendário de 2008 constitui o valor correto que deve afetar a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Sobre o procedimento contábil e os ajustes na escrituração fiscal, referente à constituição das provisões e a reversão dos saldos no período de apuração, procedimento em comento, a Receita Federal no Livro "Perguntas e Respostas" Capítulo VIII Lucro Operacional Pergunta 97 a 101, orienta que: Provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do princípio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro. Fl. 683DF CARF MF 8 Para fins da legislação tributária federal, as referências a provisões alcançam as perdas estimadas no valor de ativos, inclusive as decorrentes de redução ao valor recuperável. Quando a provisão constituída não chegar a ser utilizada ou for utilizada só parcialmente, o seu saldo, por ocasião da apuração dos resultados do período de apuração seguinte, deverá ser revertido a crédito de resultado desse período de apuração e, se for o caso, constituída nova provisão para vigorar durante o período de apuração subseqüente. Na determinação do lucro real, somente poderão ser deduzidas as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária. A legislação do imposto de renda somente admite a constituição, como custo ou despesa operacional, das seguintes provisões: a) provisões constituídas para o pagamento de férias de empregados; b) provisões para o pagamento de décimo terceiro salário;c) provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, das entidades de previdência privada, e das operadoras de planos de assistência à saúde, cuja constituição é exigida em lei especial a elas aplicável; e d) provisões para perdas de estoques, de que tratam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.753, de 2003, com a redação do art. 85 da Lei nº 10.833, de 2003. Além daquelas expressamente previstas na legislação do imposto de renda, a pessoa jurídica poderá continuar a constituir contabilmente as provisões que entenda serem necessárias à sua atividade ou aos seus interesses sociais. Todavia, na hipótese de a provisão constituída na contabilidade ser considerada indedutível para fins da legislação do imposto de renda, a pessoa jurídica deverá efetuar no Lalur, Parte A, a adição do respectivo valor ao lucro líquido do período, para apuração do lucro real. No período em que a provisão for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. Assim, a pessoa jurídica que tenha constituído contabilmente provisão não dedutível, deverá, no período de constituição da provisão, adicionar o valor da referida provisão ao lucro líquido do período, para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esse valor deve ser controlado na parte "B" do LALUR, e poderá ser excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no período em que houver a sua reversão a crédito do resultado do exercício, mediante baixa do valor controlado na parte "B" e sua correspondente exclusão na parte "A" do LALUR. O Recorrente alega que, ao discordar do lançamento efetuado, apresentou impugnação, na qual demonstrou, em síntese, que o montante por ela excluído no LALUR no anocalendário de 2009 havia sido integralmente adicionado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2008, de modo que não há que se falar em qualquer exclusão indevida. O entendimento do Recorrente não se justifica, tendo em vista que para fins de neutralidade tributária, as despesas com provisões indedutíveis que transitaram pela conta de resultado, reduzindo o lucro líquido, devem mesmo ser objeto de adição no LALUR. A adição no LALUR diz respeito à contabilização das despesas que influenciaram a redução do Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13896.721338/201336 Acórdão n.º 1302002.320 S1C3T2 Fl. 6 9 lucro líquido. Já a exclusão no LALUR referese às provisões realizadas, que exatamente por terem sido adicionadas no LALUR, no período em que a provisão for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diz o Recorrente que, também esclareceu o procedimento contábil por ela adotado no período, que consistia na adição na apuração do lucro real do saldo das contas contábeis relativas a provisões não dedutíveis apurado no anocalendário de 2009, no valor de R$ 44.190.405,99, e na exclusão do saldo das contas contábeis de provisões não dedutíveis apurado no anocalendário de 2008, no montante de R$ 31.298.527,94, de modo a comprovar que o saldo final líquido das provisões constituídas no anocalendário de 2009 (no valor de R$12.891.878,05) foi efetivamente oferecido à tributação. Para fazer tal comprovação, a Recorrente apresentou a planilha abaixo, na qual constam as movimentações ocorridas nas contas contábeis de provisões não dedutíveis nesse período, que totalizam R$ 12.891.878,05. contas patrimoniais 31.12.2008 Movimentação 31.12.2009 24 Provisão para Perdas PDD 1.405.310,27 18.830.356,75 20.235.667,02 2715 Provisão para Contingência Fiscal 14.006.144,47 (8.472.407,54) 5.533.736,93 133324/ 2442 Provisão para Pagamentos Diversos Reorganização 3.931.721,33 (654.737,58) 3.276.983,75 133224 Provisão para Contingência Reorganização 1.178.000,00 (1.178.000,00) 79075 Staff Builders LP 990.000,00 (990.000,00) ‐ 134740 Provisão para Contingência Cível ‐ 1.595.850,19 1.595.850,19 134741 Provisão para Contingência Trabalhista 2.959.612,19 2.959.612,19 134742 Obrigação Legal 9.809.016,77 9.809.016,77 Total Medlar 21.511.176,07 21.899.690,78 43.410.866,85 133326 Provisão para Devedores Duvidosos Staff 243.240,59 536.298,55 779.539,14 133325 Provisão para Pagamentos Diversos Staff 23.068,64 (23.068,64) 132984 Provisão para Contingência Fiscal / Trabalhista Staff 9.521.042,64 (9.521.042,64) Total Staff 9.787.351,87 9.007.812,73 779.539,14 Medlar + Staff 31.298.527,94 12.891.878,05 44.190.405,99 Conforme relatado, o Recorrente intimado, às fls 151/162, a esclarecer e comprovar a legitimidade da exclusão no valor de R$ 31.298.527,94, realizada na apuração do lucro real do ano de 2009, especificamente no que diz respeito às contrapartidas credoras, a interessada indicou duas contas (fls 163). Ocorre que, segundo a análise do autuante, a primeira delas (honorários de enfermagem – cta 78831/51997002) revelou que seu funcionamento não alterou o resultado do exercício, e, em relação à segunda (Provisão contingências fiscais/trab – cta 2716/44102012), relata a autoridade autuante que de fato tratavase de conta de resultado que iniciou o ano com saldo zero e terminou com saldo R$ 5.882.520,45, considerado na apuração do lucro contábil. E, ainda, às fls 179, a interessada afirma ao autuante, que a exclusão no valor de R$ 31.298.527,94, realizada ao lucro real de 2009, seria referente à soma das provisões adicionadas em 2008, mas que não dispunha da contabilidade referente a este ano. Fl. 685DF CARF MF 10 Com efeito, caberia à autuada, comprovar que constituiu as Provisões indedutíveis em 2008, procedeu sua adição na base do IRPJ e da CSLL, e, se houve reversão dessas Provisões em 2009 para sua exclusão na base do IRPJ e da CSLL de 2009. A Recorrente alega que o montante das movimentações no valor de R$ 12.891.878,05, nas contas patrimoniais conforme tabela no item 14 do Recurso Voluntário, acrescido ao saldo das contas contábeis de provisões não dedutíveis do anocalendário anterior, o qual era de R$ 31.298.527,94, corresponde ao valor de R$ 44.190.405,99, que foi adicionado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2009, conforme DIPJ/2010. No entendimento da empresa autuada, sobre a tabela que elaborou a fim de demonstrar seus métodos de controle, que ao invés de adicionar, na apuração do lucro real, o saldo líquido de R$12.891.878,05, optou por adicionar R$ 44.190.405,99 e excluir R$ 31.298.527,94 , o que , matematicamente, seria equivalente. Com base em tal raciocínio, conclui, então, que estaria justificada a exclusão questionada pela autoridade autuante (R$ 31.298.527,94). Indubitavelmente, no ano calendário de 2009, o Recorrente declarou na Ficha 09A “Apuração do Lucro Real” (fls 41) a exclusão no valor de R$ 31.298.527,94, a título de “Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais" não dedutíveis, só havendo oferecido à tributação receitas correspondentes à reversão dos referidos saldos, o valor de R$ 5.882.520,45 (Ficha 06ADemonstração do Resultado, linha 30, fls 28). Ora, diante da manifestação da interessada (quando intimada) que não dispunha da apuração do período 2008, o que impossibilita a verificação da composição da conta sintética "outras adições", na linha 27 da ficha 9A da DIPJ do ano calendário 2008, e nem tinha como identificar a composição da linha 40 da ficha 9A da DIPJ/2010, Ano calendário 2009, inexiste a comprovação de que o valor de R$ 31.298.537,94, do referido valor teria sido adicionado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário anterior (2008), como alegado pelo contribuinte. Não basta o contribuinte apresentar tabela mencionando contas variadas, sustentando que adicionou R$ 44.190.405,99 para justificar a exclusão de R$ 31.298.537,94. Deveria de fato comprovar que realizou reversões (receitas) no valor de R$ 31.298.537,94 para a consequente exclusão de igual valor, o que desse modo justificaria a neutralidade tributária. Quanto ao valor das adições R$ 44.190.405,99, apenas servem para justificar que foram provisionadas despesas indedutiveis em 2009 ou computadas no lucro líquido em 2008 e postergada sua adição para 2009. Como bem evidenciado nos autos, a Recorrente não apresentou qualquer demonstrativo sobre a origem da quantia excluída, ou de como foram apuradas e a que se referem as parcelas acima mencionadas. A simples demonstração do lucro real na Ficha 09A da DIPJ/2010, sem se fazer acompanhar de qualquer informação objetiva ou comprovação da natureza dos ajustes, não é prova bastante para justificar a exclusão pretendida. Com efeito, apesar de intimada a comprovar a legitimidade da exclusão que realizou, no valor de R$ 31.298.527,94, a interessada não se desincumbiu do seu mister. A comprovação limitase ao reconhecimento das receitas (reversão dos saldos) na ordem de apenas R$ 5.882.520,45, razão pela qual deve ser mantida a glosa da exclusão no valor de R$ 25.416.007,49 (31.298.527,94 5.882.520,45. Juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13896.721338/201336 Acórdão n.º 1302002.320 S1C3T2 Fl. 7 11 A Recorrente requer que, caso seja não seja reformada a decisão recorrida, quando da cobrança do crédito tributário constituído, não sejam exigidos juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela I a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723, realizado na sessão do dia 09/11/2010. Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc., Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Fl. 687DF CARF MF 12 Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13896.721338/201336 Acórdão n.º 1302002.320 S1C3T2 Fl. 8 13 tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 231288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.000031 1/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não Fl. 689DF CARF MF 14 pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. LANÇAMENTO REFLEXO – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 690DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.004421/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/08/2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
Numero da decisão: 3301-003.995
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/08/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 223 1 222 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.004421/200936 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.995 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTARAUTO DE INFRACAO ADUANEIRO OUTROS IMPOSTOS Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/08/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 44 21 /2 00 9- 36 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3301003.995 S3C3T1 Fl. 224 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 77/87): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3301003.995 S3C3T1 Fl. 225 3 necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, que impõe ao transportador a obrigação de prestar informações sobre a carga transportada, e também a do art. 107 desse mesmo Diploma Legal, definindo o descumprimento dessa obrigação como infração autônoma, sujeita à multa, nos termos do inciso IV, alínea “e”, desse artigo. 8) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 9) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 10) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 5/3/2009 e apresentou impugnação (fls. 5760) em 3/8/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) O atraso na prestação da informação se deu por razões alheias à vontade da impugnante, pois os dados que deveriam ter sido disponibilizados pelos exportadores no porto de origem não foram apresentados a tempo. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3301003.995 S3C3T1 Fl. 226 4 b) A conduta da impugnante (atraso no pedido de retificação) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação nem causou embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que essa conduta pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.780 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 77/87), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/08/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/08/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre carga transportada na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 93/102), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.281– 1ª Turma Especial (fls.134/142), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/08/2008 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3301003.995 S3C3T1 Fl. 227 5 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 144/150 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100427 – 1ª Câmara (fls 152/153), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 158/166). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.625– 3ª Turma (fls. 207/215) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/08/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 215): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3301003.995 S3C3T1 Fl. 228 6 Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 93/102) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação de conhecimento de embarque fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.004421/200936 Acórdão n.º 3301003.995 S3C3T1 Fl. 229 7 As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007718/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.231
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.001676/2004-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/01/1999 a 31/12/1999
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/01/1999 a 31/12/1999 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 10580.006910/2002-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997
ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO
As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não o IRPJ mensal estimado, acrescido da multa de ofício padrão e dos juros de mora.
Numero da decisão: 1802-000.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não o IRPJ mensal estimado, acrescido da multa de ofício padrão e dos juros de mora.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não o IRPJ mensal estimado, acrescido da multa de ofício padrão e dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 134 2 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 135 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, conforme auto de infração de fls. 21 a 29, no valor de R$ 276.135,72, os quais foram ainda acrescidos com a multa de ofício de 75% e os juros moratórios, perfazendo o montante de R$ 735.079,55. Para descrever os fatos que antecederam o recurso voluntário, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1522.111, às fls. 101/102: Tratase do auto de infração eletrônico nº 0001631 (fls. 21 a 29), lavrado em 07/05/2002, que pretende a cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no montante de R$276.135,72 (duzentos e setenta e seis mil, cento e trinta e cinco reais e setenta e dois centavos), relativo aos terceiro e quarto trimestres de 1997, além dos acréscimos legais devidos. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento originouse da realização de Auditoria Interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), tendo sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados na DCTF, conforme indicado nos Relatórios de Auditoria Interna de Pagamentos Informados nas DCTF (Anexos Ib, fls. 23 a 28), resultando em Falta de Recolhimento ou Pagamento do IRPJ, conforme indicado no Anexo III (fl. 29). O contribuinte tomou ciência do lançamento, via correio, em 11/06/2002 (fl. 86), e, em 09/07/2002, apresentou a impugnação de fls. 01 a 10, alegando, em síntese: • o auto de infração está escorado, unicamente, nas DCTF originais, não tendo sido levado em conta a declaração retificadora apresentada tempestivamente em 27/07/1998, nem as DCTF complementares apresentadas espontaneamente com a finalidade retificadora, recepcionadas via processo em 30/06/2000, conforme doc. nº 5, em anexo; • o lançamento de ofício é ilegal, por pautarse em informações já declaradas em DCTF e, portanto, sujeitas à direta inscrição em dívida ativa, e não a lançamento de ofício. Um novo lançamento com base em créditos de DCTF, de “per se” um título executivo extrajudicial, consubstanciaria tentativa de constituição de duplo crédito; • os valores indicados, por equívoco, no auto de infração, nem sequer são devidos, exceto o valor histórico de R$10.864,31, referente ao mês de julho de 1997, e, mesmo em se considerando este débito residual, a multa de ofício não deve e não pode estar contemplada. Outros débitos existem, mas estão inscritos no Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 136 4 REFIS – Programa de Recuperação Fiscal, visto que foram, a seu tempo, declarados e constituídos; • o lançamento ora impugnado é fruto das Instruções Normativas SRF nº 45 e 77, de 1998, que indicaram o tratamento dado pela Receita Federal às DCTF, que não foi seguido à risca pelo Fisco, pois o art. 10 da IN SRF 45/98 determinou que primeiro fosse consultado o contribuinte, que espontaneamente disponibilizou as informações para o Fisco e, segundo, não esclarecidas as divergências em tempo hábil, lavrarseia o respectivo auto de infração; Cita decisões do Conselho de Contribuintes, que segundo ele fundamentam o seu entendimento de que a falta de pagamento nos prazos fixados pela legislação, de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado por meio da DCTF, está sujeita a procedimento de cobrança, com multa e juros de mora, descabendo na hipótese lançamento de ofício. Pede, ao final, que seja declarada a improcedência do auto de infração, por apresentar multa de ofício e valores indevidos, e em face de que o débito residual de R$10.864,31 (valor histórico) está com a exigibilidade suspensa, a inteiro teor da Lei do REFIS nº 9.964/2000, combinado com o art. 151, VI, do Código Tributário Nacional, conforme acrescentado pela Lei Complementar nº 104/2000. Em 12/08/2009, o Chefe do SEORT/DRF/SDR emitiu o despacho de fl. 97 rebatendo a impugnação apresentada pelo contribuinte, informando que: a) consoante informação prestada pela interessada por meio do processo nº 10580.000882/200172 (fls. 95/96), foram apresentadas DCTF retificadoras para os 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1997, mas, entretanto, até a presente data, permanece nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB a informação de que as referidas declarações são Original/Ativa, conforme relação de declarações de fl. 94. b) os débitos constituídos por meio do auto de infração em causa não poderão integrar a consolidação do parcelamento de que trata o art. 1º da Lei nº 9.964/2000, em razão de sua constituição ter ocorrido após a data prevista no Decreto nº 3.712, de 27/12/2000. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. Comprovado que os débitos declarados em DCTF, relativos ao anocalendário de 1997, não foram pagos em sua totalidade, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 137 5 cabe o lançamento de ofício da parcela não paga, além da correspondente multa de ofício e juros de mora. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A Delegacia de Julgamento fundamentou sua decisão nas informações prestadas pelo Chefe do SEORT/DRF/SDR Despacho de fl. 97, cujo conteúdo está transcrito nos parágrafos anteriores. Inconformada com a decisão de primeira instância, da qual tomou ciência em 10/02/2010, a Contribuinte apresentou em 12/03/2010 o recurso voluntário de fls. 108 a 113, com os seguintes argumentos: o Julgador a quo manteve integralmente o lançamento sob o singelo argumento de que o Recorrente não comprovou que as alegadas DCTFs retificadoras foram entregues tempestivamente à SRF na forma prevista na legislação que trata a matéria; bem como porque uma consulta realizada nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil em 28/07/2009, “demonstrou que até aquela data permanecia nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB a informação de que as DCTF apresentadas pelo contribuinte referentes aos 2°, 3° e 4° trimestres são Original/Ativa (relação de declarações de fl. 94), nas quais a autoridade fiscal se baseou para efetuar o presente lançamento de ofício”; equivocouse o Julgador a quo em afirmar que o Recorrente não teria comprovado a entrega das DCTFs retificadoras tempestivamente, uma vez que as cópias das mesmas constaram em anexo à impugnação administrativa, devidamente protocoladas em 30/06/2000 na Receita Federal, na ausência de qualquer procedimento fiscal, portanto entregues espontaneamente; outrossim, a entrega das DCTFs retificadoras mediante processo administrativo é modalidade aquiescida pelo ordenamento jurídico vigente à época, qual seja, pelo art. 8°, III, da Instrução Normativa SRF n° 126/98; o fato do sistema da Receita Federal não ter reconhecido até data recente a retificação das DCTFs só atesta que de fato houve lastimável erro de processamento por parte do protocolo da SRF, que embora tenha recebido as DCTFs complementares, retificadoras, (como comprovam os protocolos dispostos na inicial dos requerimentos processos 10.580.005.587/0023 e 10.580.005.586/0061) não efetivou os pedidos de retificação, tampouco registrou no sistema a entrega das mesmas, não podendo de forma alguma ser prejudicada a empresa por pura incúria da própria SRF; além do mais, em decorrência do princípio da verdade material, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material, verificando exaustivamente se de fato o que alega o Contribuinte é o que condiz com a realidade, independente da versão tanto dele como dos órgãos da própria SRF, princípio este que não foi posto em prática pelo Julgador, pois se trata de simples prova documental nos autos, tendo em vista que consta nos autos DCTFs retificadoras entregues via processo em 30/06/2000, corroboradas por DIRPJs retificadoras entregues em 27/07/1998, também nos autos em cópias, anexas à impugnação; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 138 6 resta patente que o lançamento é de todo improcedente, pois resulta de despropositado ato da própria SRF, que não processou o recebimento das DCTFs retificadoras entregues via processo administrativo em 30/06/2000, como provado nos autos. Este é o Relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 139 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, em decorrência de procedimento de auditoria interna de DCTF, foi exigido da Contribuinte o IRPJ de alguns períodos transcorridos no anocalendário de 1997, por falta de localização de pagamento nos sistemas da Receita Federal. O principal aspecto da controvérsia envolve a retificação da DIPJ referente àquele anocalendário e também das DCTF trimestrais, antes do início do procedimento fiscal. Segundo a Recorrente, estas declarações retificadoras não foram consideradas pela Receita Federal, embora corretamente entregues, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 126/98. Essa questão, contudo, é antecedida por outro problema, que deve ser analisado. Embora conste no relatório da decisão de primeira instância que o lançamento abrange débitos de IRPJ do terceiro e quarto trimestres de 1997, está bastante claro, desde o auto de infração, que os débitos exigidos se referem na verdade a estimativas mensais de IRPJ, no código 5993, referentes aos meses de julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997. O sítio da Receita Federal na internet apresenta a seguinte descrição para esse código: 5993 IRPJ OPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL (grifo acrescido) As cópias da DIPJ e demais relatórios constantes dos autos também não deixam nenhuma dúvida de que o IRPJ no anocalendário de 1997 foi calculada pelo regime de apuração anual, e que os valores lançados são referentes às estimativas de alguns meses deste ano. Em vista disso, cabe registrar que as estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Não há, portanto, no regime de apuração anual, IRPJ de janeiro, de fevereiro, de março, etc., mas apenas o IRPJ apurado em 31 de dezembro. Assim, se for para constituir tributo, o lançamento deve levar em conta o fato gerador ocorrido em 31 de dezembro. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 140 8 Tanto o é, que a Lei nº 9.430/96, desde seu texto original, prevê o lançamento de “multa isolada” para os casos de falta de recolhimento de estimativas, conforme o disposto em seu art. 44: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (grifos acrescidos) Atualmente, em função das alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, essa mesma regra se encontra disposta no art. 44, II, “b” da Lei 9.430/96, com mudança no percentual da multa. Multa exigida isoladamente quer dizer multa exigida sem tributo. A própria Receita Federal, por meio da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de Dezembro de 1997, determinou que após o término do anocalendário não se exigisse as estimativas não recolhidas: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.006910/200246 Acórdão n.º 180200.969 S1TE02 Fl. 141 9 Mas a Fiscalização considerou que as estimativas mensais representavam verdadeiros fatos geradores de tributos, e lançou o principal (por falta de recolhimento), acrescido da multa de ofício padrão e dos juros de mora, procedimento que não está em consonância com as normas legais pertinentes ao caso. Entendo também que não se trata aqui de mero erro de capitulação legal, mas sim de um fundamento jurídico inapropriado para a autuação. Com efeito, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais não se confunde com o tributo devido, que deve ser apurado somente no final do período anual, pelo regime do lucro real. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11065.101290/2006-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime não-cumulativo sobre os mesmos.
Numero da decisão: 9303-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Contribuinte não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 12 90 /2 00 6- 73 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 483 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por VIA UNO S/A CALÇADOS E ACESSÓRIOS (fls. 365 a 404, reproduzido às fls. 405 a 444) com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3202000.453 (fls. 343 a 357) proferido pela 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 20 de março de 2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, tendo restado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP. A subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais, tais como o chamado “crédito presumido de ICMS”, devem ser considerados como receita e, como tal, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não se subsumindo a decisão da DRJ aos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1976, não há que falar em nulidade da decisão administrativa de primeira instância. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do § 6º do art. 74 da Lei nº. 9.430/1996, a Declaração de Compensação equivale a confissão de dívida e constituise em instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Recurso Voluntário Negado A fim de se contextualizar a questão posta nos autos, adotase em parte o relatório do voto proferido no recurso voluntário, com os devidos acréscimos, que bem descreve os fatos ocorridos nos seguintes termos: [...] Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 484 3 O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação do PIS – Não Cumulativa (fls. 1/ss), referente ao 2º trimestre de 2006, em decorrência de Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Exportação (§1 ° do art. 5° da Lei n° 10.637/2002). A DRF – Novo Hamburgo (RS), por meio do Despacho Decisório (fls. 215) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 153.788,34, restando indeferido um saldo no valor de R$ 16.059,37 (fls. 212). A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 230/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : A contribuinte supracitada solicitou ressarcimento de PIS não cumulativo dos meses de abril a junho de 2006 para fins de ressarcimento/compensação, conforme consta nos autos. A DRF de origem analisou o pleito da contribuinte, tendo deferido parcialmente o ressarcimento, conforme Relatório Fiscal e Despacho Decisório, de fls.201 a 215. A glosa parcial do ressarcimento ocorre porque a contribuinte não ofereceu à tributação as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICMS . Irresignada, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.230 a 242.. Nesta, alega que os benefícios fiscais estaduais recebidos (valores de ICMS a serem utilizados na compensação com débitos do mesmo imposto), sob a forma de subvenção para investimento, não são receita bruta, pois estas são somente as receitas operacionais. As subvenções são classificadas como reserva de capital e não passam pela apuração do resultado do exercício, nos termos da Lei 6.404/1976, não sendo passível a tributação de contas do Patrimônio Liquido pela contribuição. Traz jurisprudência favorável a sua tese de defesa. Para fins de argumentação, alega que os créditos de ICMS presumidos, decorrentes da aplicação de um percentual sobre as vendas efetuadas, são abarcados pelo principio da nãocumulatividade (art.155,§2°, inciso I, da Constituição), devendo ter o mesmo tratamento, haja vista que não se constituem em receita, mas em diminuição do custo dos produtos fabricados. Caso ainda seja aceita a tributação sobre as subvenções recebidas do Poder Público Estadual sob a forma de crédito presumido de ICM, requer que os valores que lhe dariam crédito de ICMS na entrada dos produtos, mas não lhe deram, pois pela sistemática do beneficio fiscal fica impedido o creditamento na entrada, somente permitindo na saída, através de um percentual sobre o ICMS devido. Isto porque estes valores serviriam de crédito da contribuição e não foram considerados pela DRF de origem na apuração dos valores do ressarcimento. Ainda requer que a correção monetária do crédito já reconhecido e o requerido na manifestação de inconformidade do período existente entre a requisição do crédito e o efetivo ressarcimento/compensação, através da taxa SELIC (art.39 da Lei 9.250/1995),conforme jurisprudência. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 485 4 Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos que estão vinculados ao créditos complementar não deferido e requerido na manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §11°, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.833/2003. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 1027.404 (fls. 256/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SUBVENÇÕES INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo do PIS e da COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 25/11/2010 (fl. 261/262). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 14/12/2010 (fls. 263/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, além de suscitar a nulidade da decisão da DRJPorto Alegre em razão de alegada exigência de crédito tributário sem o competente procedimento de lançamento. [...] Da análise do recurso voluntário pelo Colegiado a quo, resultou o acórdão ora recorrido (fls. 343 a 357) negando provimento ao recurso interposto pela Contribuinte por entender: (a) serem as receitas de subvenções integrantes da base de cálculo do PIS/Pasep com incidência não cumulativa; e (b) equivaler à confissão de dívida a apresentação de Declaração de Compensação, nos termos do art. 74, §6º da Lei nº 9.430/96, constituindose em instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados, sendo dispensado, nesse caso, a realização de lançamento de ofício. Não resignada com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 365 a 404) apontando divergência quanto a dois pontos: (a) à impossibilidade de exigência do PIS na sistemática nãocumulativa, decorrente dos débitos indevidamente compensados, sem a realização do lançamento de ofício; e (b) à tributação pelo PIS nãocumulativo das subvenções representadas pelo incentivo estadual de crédito presumido de ICMS. Indicou como paradigmas os acórdãos nºs 204 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 486 5 03.363 e 20313.634, respectivamente. A Recorrente postula seja provido o recurso argumentando, em síntese, que: (i) é nulo o despacho decisório proferido pela DRF/Novo Hamburgo, tendo em vista a glosa do crédito afrontar o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, o qual prevê o lançamento como forma de constituição do crédito tributário; (ii) a Contribuinte declarou em obrigações acessórias, como DACON e DCOMP, os débitos da empresa, não estando incluídos dentre os mesmos o PIS/COFINS sobre as verbas relativas a ingressos provenientes do incentivo fiscal do PROBAHIA. Não há de se falar em confissão de débito; (iii) o deferimento parcial do pedido de compensação ocasionou a devolução a menor do crédito de COFINS nãocumulativo, acarretando verdadeira exigência do crédito tributário sem a realização do devido lançamento, razão pela qual há nulidade do despacho decisório; (iv) com relação à natureza jurídica das subvenções estaduais, aduz ser irrelevante a forma de contabilizar a verba recebida a título de PROBAHIA, porque não se trata de receita para fins de incidência de PIS/COFINS não cumulativos, nos termos do art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; (v) consoante disposição contida no art. 195, inciso I, da CF/88, receita é o ingresso de recursos decorrente tão somente da atividade fim desenvolvida pela empresa, sendo exigível, ainda, que tenha vinculação com o resultado dessa atividade. Não se pode afirmar ser receita quaisquer valores que ingressarem na Recorrente; (vi) assim como o crédito de IPI ressarcido pela União e os créditos de PIS e COFINS (via ressarcimento) não são considerados como receita da pessoa jurídica, não o podem ser os créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos estaduais; (vii) o PROBAHIA é operacionalizado através de créditos presumidos de ICMS, que tem por objetivo permitir que a Contribuinte recolha o ICMS de forma nãocumulativa e com benefícios, desde que atendidas as condições do programa; (viii) na hipótese de serem os valores do crédito presumido de ICMS considerados como receita, requer a adequação da base de cálculo do PIS/COFINS lançado, pois a Contribuinte deixou de se creditar do ICMS sobre as entradas de produtos, montante a ser excluído da incidência das contribuições. O recurso foi admitido em sua íntegra, conforme Despacho de Admissibilidade nº 3200196 (fls. 448 a 453), de 20 de dezembro de 2012, proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 455 a 472. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 487 6 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello O recurso especial da Contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, cingese a controvérsia: à impossibilidade de cobrança do PIS/Pasep sem o devido lançamento de ofício; e à inclusão ou não das receitas de subvenção (benefícios fiscais de créditos presumidos de ICMS) na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pela sistemática da nãocumulatividade. Em razão do entendimento de que não devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep na sistemática nãocumulativa os valores relativos aos créditos presumidos de ICMS, auferidos em razão do programa de incentivo fiscal PROBAHIA, iniciar se a análise do recurso especial por este tema, passandose à necessidade de lançamento de ofício na hipótese de restar vencido na votação pelo Colegiado. Natureza jurídica do incentivo fiscal (crédito presumido de ICMS) e não incidência do PIS nãocumulativo Ponto crucial na análise do presente tema é perquirirse se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. Deixou claro o legislador que a essência assume maior relevância que a forma, indicando que a tributação não dependerá de o valor estar registrado como receita, mas sim que o mesmo seja efetivamente uma receita. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 488 7 Visando à melhor compreensão da natureza dos valores objeto do litígio, importa tecer algumas considerações sobre as características singulares dos benefícios fiscais concedidos pelos Governos Estaduais na forma de subvenções de ICMS. Conforme consignado no acórdão recorrido, o incentivo fiscal em análise foi concedido pelo Estado da Bahia, com fulcro na Lei Estadual nº 7.025/1997, alterada pela Lei Estadual nº 7.138/1997 e regulamentado pelo Decreto Estadual nº 6.734/1997, cujo artigo 1º dispõe sobre a concessão do benefício, e as condições para a obtenção e fruição do mesmo: Art. 1º Fica concedido crédito presumido nas operações de saídas dos seguintes produtos montados ou fabricados neste Estado e nos percentuais a saber: I veículos automotores, bicicletas e triciclos, inclusive seus componentes, partes, peças, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados pneumáticos e acessórios: a) 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente, nos 5 (cinco) primeiros anos de produção; b) 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento) do imposto incidente, do sexto ao décimo ano de produção; II calçados e seus componentes, bolsas, cintos e artigos de malharia: até 99% (noventa e nove por cento) do imposto incidente durante o período de até 20 (vinte) anos de produção; III móveis: 75% (setenta e cinco por cento) do imposto incidente durante o período de até 15 (quinze) anos de produção. § 1° Somente estabelecimentos industriais, dos segmentos descritos neste artigo, inscritos no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado da Bahia (CAD/ICMS) a partir da vigência da Lei 7.025/97, poderão utilizar o tratamento tributário previsto nesta Seção. § 2° O crédito presumido de que trata este Decreto só se aplica às operações próprias do estabelecimento não alcançando às operações relativas à substituição tributária. § 3° A utilização do tratamento tributário previsto neste artigo constitui opção do estabelecimento em substituição a utilização de quaisquer créditos decorrentes de aquisição de mercadorias ou utilização de serviços nas etapas anteriores. Para a Recorrente, deuse a concessão do crédito presumido no percentual de 90% (noventa por cento), conforme Resolução nº 50/99 do Conselho Deliberativo do PROBAHIA (fls. 193 e 194), sendolhe deferido o benefício inicialmente pelo prazo de 15 Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 489 8 (quinze) anos, contados a partir da emissão da primeira nota fiscal, posteriormente alterado para 20 (vinte) anos por meio da Resolução nº 45/2006 (fl. 195). Na leitura dos dispositivos do Decreto Estadual, inferese que os créditos de ICMS, para serem concedidos, exigem uma contraprestação por parte da Contribuinte, que deve cumprir as determinações contidas na legislação estadual para a obtenção e fruição do benefício. Ainda, não se tratam de simples obrigações acessórias, mas sim implicam verdadeiros desembolsos realizados pelo Sujeito Passivo, na medida em que deixa de se creditar do ICMS da aquisição de mercadorias ou da prestação de serviços em etapas anteriores à saída da mercadoria do seu estabelecimento. Além disso, para que ocorra a implantação do empreendimento da Contribuinte em território do Ente subvencionador, necessariamente haverá investimento de recursos próprios da empresa para a construção e início das atividades econômicas. Só posteriormente é que serão geradas as receitas, fruto do investimento, e por conseguinte transferidos para a pessoa jurídica como subvenção. Assim, os benefícios de ICMS concedidos podem ser conceituados como ingressos condicionados, restando inequivocamente afastados da definição de receita. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um "ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Em razão do entendimento externado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, esvaziase a discussão sobre a correta classificação contábil do referido crédito de ICMS (subvenção para custeio, para investimento, recuperação de custo ou de despesa). Ao trazer o conceito constitucional de receita bruta, definiu a Suprema Corte como cerne verificar se a existência de condicionantes ou contraprestação para o ingresso patrimonial da pessoa que o recebe. Importa a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 490 9 atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) No caso em análise, portanto, os créditos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais não constituem receita bruta em virtude de não serem concedidos sem reservas ou condições e por não se constituírem em elemento novo e positivo. Assim, inequivocamente Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 491 10 afastada hipótese de incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos presumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifou se) Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 492 11 Ainda que se entenda importar ao deslinde do feito adentrarse na classificação contábil dos créditos presumidos de ICMS, é possível atribuir aos mesmos natureza jurídica de subvenção financeira ou de investimento, uma vez que se trata de auxílio ou doação que só pode ser concretizada se atendidos os requisitos estabelecidos na respectiva legislação de regência. Nesse sentido, pronunciouse o Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis ao proferir Voto Vencedor no acórdão nº 3401001976, de 26/09/2012, que também consignou entender de menor relevância a classificação contábil, em face da predominância natureza jurídica do incentivo. Além disso, de acordo com o art. 182, §1º, alínea "d" da Lei nº. 6.404/76, vigente à época do período lançado, as subvenções para investimento eram classificadas como reservas de capital, não interferindo na apuração do lucro líquido da Empresa, de que a receita faz parte, e se destinando a incrementar o Ativo Permanente. Também por esse prisma, não há de se entender subvenção como receita. Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, pronunciouse a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em acórdão assim ementado, cujos fundamentos passam a integrar a presente fundamentação: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) (grifouse) Corrobora o entendimento deste voto, as recentes decisões proferidas por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que as subvenções de investimento recebidas dos Estados da Federação não se constituem em receita e, portanto, Fl. 492DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 493 12 estão fora da incidência das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas. Para elucidar a assertiva, são transcritas ementas de votos prolatados por este Colegiado, in verbis: Acórdão nº 9303004.312 Voto vencedor do Ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Sessão de 15/09/2016 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Especial do Contribuinte provido. Acórdão nº 9303004.674 Voto vencedor da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama Sessão de 16/02/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se Fl. 493DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 494 13 enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo da COFINS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pela COFINS, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, Decreto Lei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11065.101290/200673 Acórdão n.º 9303005.399 CSRFT3 Fl. 495 14 Necessário registrarse que a decretação de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 PR, não aproveita ao presente caso, tendo em vista que lá se tratou da base de cálculo do PIS e COFINS do regime da cumulatividade e aqui analisase a tributação das referidas contribuições já na sistemática da nãocumulatividade instituída pelas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. Esclareçase, ainda, que não se está diante de hipótese de aplicação do art. 62A do RICARF, pois, embora aplicáveis a este caso os fundamentos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral no que tange ao conceito de insumos, a matéria tratada no RE nº 606.107RS não é idêntica ao caso em exame. Portanto, reconhecese que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais ao Sujeito Passivo não se constituem em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime nãocumulativo sobre os mesmos. Em razão da procedência das alegações da Contribuinte em relação à não incidência do PIS sobre os créditos presumidos de ICMS, a discussão acerca da impossibilidade de exigência do crédito sem o respectivo lançamento restou prejudicada, uma vez extinto o crédito tributário em exigência em sua totalidade. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 495DF CARF MF
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