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Numero do processo: 19515.008309/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ESCLARECIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430, DE 1996. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PESSOA FÍSICA. LIMITES DA TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 61.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, não é que exista uma isenção até o limite de R$ 80.000,00, para a hipótese legal de tributação, mas apenas se o somatório dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, no ano, não ultrapassar o montante de R$ 80.000,00, tais depósitos não serão considerados.
Numero da decisão: 2202-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-002.304, de 15/05/2013, manter a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Embargante DANIELLE CHIORINO FIGUEIREDO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ESCLARECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430, DE 1996. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PESSOA FÍSICA. LIMITES DA TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, não é que exista uma isenção até o limite de R$ 80.000,00, para a hipótese legal de tributação, mas apenas se o somatório dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, no ano, não ultrapassar o montante de R$ 80.000,00, tais depósitos não serão considerados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 83 09 /2 00 8- 31 Fl. 460DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202002.304, de 15/05/2013, manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, por bem descrever a questão, as considerações efetuadas por ocasião do despacho de admissibilidade dos embargos, datado de 27 de outubro de 2016 (fl. 457): A Contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 2202002.304, de 15/05/2013, em 05/12/2014 (sextafeira), conforme A.R. de fl. 417, e opôs, em 12/12/2014, os Embargos de Declaração de fls. 419/429, tempestivamente, alegando que o aresto proferido incorre em vícios, conforme se extrai do resumo do pedido, verbis: A) VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA MORALIDADE. ESPECIALMENTE NO QUE SE REFERE A EXISTÊNCIA DO DOSSIÊ. CUJO ACESSO FOI NEGADO À EMBARGANTE, COM A MANIFESTAÇÃO EXPRESSA EM RELAÇÃO AO ARTIGO 5", INCISO XXXIV, "A" E LIV DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, PARA FINS DE PRE QUESTIONAMENTO DA MATÉRIA; B) VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA MOTIVAÇÃO, ESPECIALMENTE NO QUE SE REFERE AO ARTIGO 37 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E ARTIGO 20 DA LEI 9.784/99, PARA FINS DE PRE QUESTIONAMENTO DA MATÉRIA; C) AO PARCELAMENTO EFETUADO PELA EMBARGANTE COM RELAÇÃO AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO DE 2004, EXERCÍCIO DE 2005; D) AUSÊNCIA DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL À DESCOBERTO; E E) DESCONSIDERAÇÃO DO LIMITE ANUAL. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.008309/200831 Acórdão n.º 2202004.002 S2C2T2 Fl. 461 3 Pois bem, quanto aos itens "a" e "b", não se verifica a alegada omissão, pois o acórdão embargado deixou bem claro, às fls. 406/407, o seguinte: (...) No que tange ao item “c” também não se verifica qualquer omissão. Embora o acórdão embargado não tenha feito qualquer referência ao parcelamento, cumpre esclarecer que tal fato referese à atribuição inerente à autoridade responsável pela execução do acórdão, portanto em nada afetou o julgado, até porque essa parte do lançamento estava fora do litígio, pois foi transferida para o processo nº 11831.000137/200944, conforme tela de fl. 343. No que toca o item "d", analisando detidamente o Recurso Voluntário, verificase que a Embargante alegou em seu apelo o seguinte (fl. 371): Ainda é de se destacar que a declaração de ajuste anual do IRPF relativa ao anocalendário de 2003 não revela qualquer variação patrimonial a descoberto, descaracterizando, portanto, a presença de riqueza nova apta a permitir a exigência fiscal, ao passo que, como também já ponderado, a afirmação da contribuinte apoiada em inúmeros elementos não poderia ser pura e simplesmente desconsiderada, ainda que por meio de diligências que não infirmaram o alegado. Entretanto, não houve qualquer manifestação no acórdão recorrido sobre esse ponto. Portanto, entendo que restou configurada a omissão. Por fim, relativamente ao item "e", compulsandose o Recurso Voluntário, verificase que a Contribuinte se insurge contra o lançamento alegando à fl. 372 que "... somente será passível de tributação o que exceder o limite anual de R$ 80.000,00"; contudo o acórdão embargado silenciouse sobre essa insurgência. Assim, neste ponto, também se constata a ocorrência de omissão. Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração e, consequentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar os vícios apontados pela Contribuinte nos itens "d" e "e". (sublinhei) Os embargos foram assim admitidos pelo ilustre Presidente desta Turma Ordinária, no uso de sua competência regimental. O Acórdão 2202002.304, de 15 de maio de 2013, encontrase na fl. 401 e ss. É o relatório. Voto Fl. 462DF CARF MF 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso interposto atende às condições legais, conforme analisado no despacho de admissibilidade. A numeração de fls. a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo (arquivo.pdf). Segundo o despacho de admissibilidade dos embargos, devese tratar de dois pontos: 1 AUSÊNCIA DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, NO ANO CALENDÁRIO DE 2003. A cópia da DIRPF/2004, relativa ao ano calendário de 2003, encontrase na fl. 07. Foi apresentada pelo modelo simplificado, com um total de rendimentos tributáveis de R$ 47.350,00, mais rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 64.715,72. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 310 e ss.), narra em resumo a Autoridade responsável, que : A ação fiscal no contribuinte em epígrafe teve como objetivo verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas à Movimentação financeira ocorrida nos anos calendários de 2003 e 2004". ... Com a cópia dos extratos bancários, procedemos A análise dos valores lançados a crédito nas contas corrente acima mencionadas e aqueles representativos de depósitos/créditos bancários, compuseram o Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários (fls.188 a 212 ). ... Da análise dos extratos bancários fornecidos pelo fiscalizado, verificamos que houve no ano calendário de 2003 e 2004, diversos depósitos /créditos bancários nas contas corrente do contribuinte (Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários — fls 188 a 212), e diante da falta de comprovação da origem de parte dessas operações, na forma e prazo estabelecidos, consideramos que tais valores caracterizam omissão de receitas ou rendimentos, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430196, alterado pelo artigo 4°. da Lei 9.481/97 "in verbis". ... Assim sendo, efetuamos o lançamento de oficio, mediante lavratura de Auto de Infração, dos valores considerados como omissão de receitas ou rendimentos, representados pelos depósitos/créditos bancários, sem comprovação de origem, nos meses em que foram efetivamente levados a crédito, nas contas corrente, tendo sido apurados os valores tributáveis mensais consolidados, com base no Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários (fls. 188 a 212), conforme demonstrado resumidamente .... (sublinhei) No Auto de Infração (fl. 318), na "descrição dos fatos", encontrase apenas a infração capitulada como "depósitos bancários de origem não comprovada", nos anos de 2003 e 2004, com enquadramento legal no artigo 849, de RIR/1999, que como se transcreveu, foi complementado no Termo de Verificação Fiscal com a indicação expressa do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.008309/200831 Acórdão n.º 2202004.002 S2C2T2 Fl. 462 5 Portanto, não se verificou variação patrimonial a descoberto, no ano de 2003. Não foi essa a infração apontada pela Autoridade Fiscal tampouco foi assim realizado o enquadramento legal. O lançamento foi lastreado no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. A partir dos extratos bancários, o Auditor Fiscal intimou a contribuinte a justificar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 464DF CARF MF 6 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, fundada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não é necessário, na hipótese legal, efetuar confronto de "depósitos x rendimentos", ou mesmo apontar variação patrimonial a descoberto, com base em aplicação de recursos superior à origem, como alude o recorrente. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. A parte que foi efetivamente comprovada de operações/depósitos já foi excluída pela fiscalização, por ocasião da análise dos documentos apresentados, conforme destacado no Termo de Verificação: Da documentação apresentada foram considerados como justificados os valores referentes aos pagamentos, referente aos acordos trabalhistas, a venda de dois carros, as transferências da contapoupança para contacorrente, as doações de Peterson Souza Brito para a correntista e os lucros distribuídos da empresa Figueiredo & Registro, que totalizaram mensalmente os valores constantes do quadro a seguir sob o titulo "Valores Comprovados". Portanto, a tributação está lastreada em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e a presunção legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda. Dessa feita, não há que se falar em ausência de variação patrimonial a descoberto, com base em DIRPF apresentada pela contribuinte, pois não foram analisados seus dispêndios/aplicações, nem seria necessário fazêlo, na hipótese legal. 2 LIMITES PARA APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL, NO CASO DE PESSOA FÍSICA. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.008309/200831 Acórdão n.º 2202004.002 S2C2T2 Fl. 463 7 O segundo ponto que deve ser tratado, conforme o despacho de admissibilidade, alude ao § 3º, inciso II do artigo 42 da lei 9.430, de 1996: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I ... II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Sobre a interpretação desse dispositivo, temos a Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, não é que exista uma "isenção" até o limite de R$ 80.000,00, para a hipótese legal de tributação, mas se o somatório dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, no ano, não ultrapassar o montante de R$ 80.000,00, tais depósitos não serão considerados. No Termo de Intimação Fiscal que consta das fls. 246 e ss., estão listados os depósitos verificados em conta corrente da contribuinte. Para 2003, havia várias contas/agências: Alvorada S/A, Itaú, Bradesco, .... Observase que, somando os depósitos inferiores a R$ 12.000,00, o total ultrapassa R$ 80.000,00. O mesmo ocorre para 2004, como se observa na listagem de fls. 250 e seguintes. A absoluta maioria dos depósitos considerados pela fiscalização, como se observa em seus termos, era inferior a R$ 12.000,00 e os totais tributados, conforme quadro resumo das folhas 312, foi de R$ 441.064, 67 (2003) e R$ 467.766,16 (2004). Assim, não há nada de errado, nesse aspecto aqui analisado, com a autuação, explicandose aqui o comando legal. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO no sentido de acolher os embargos de declaração para, sanado os vícios apontados no Acórdão 2202002.304, de 15 de maio de 2013, esclarecer as omissões admitidas e manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 466DF CARF MF 8 Fl. 467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730742/2014-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas.
DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido.
A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico.
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO.
Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA.
O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias.
VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale-transporte.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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AUTOPEÇAS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considerase fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmálo alegações de cunho genérico. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 07 42 /2 01 4- 75 Fl. 12822DF CARF MF 2 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílioalimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALETRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 12823DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.823 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao valetransporte. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários (fls. 12.640/12.788) apresentados exclusivamente por sujeitos passivos solidários em face do Acórdão nº 0834.104, da 6ª Turma da DRJ/FOR (fls. 12.452/12.518), que negou provimento às impugnações (fls. 12.154/12.416) realizadas por eles aos seguintes autos de infração: AI Debcad 51.073.2216, relativo à contribuição patronal, que somava à época de sua lavratura R$ 1.142.804,88 (fls. 11.525/11.526); AI Debcad 51.073.2224, relativo às contribuições devidas a terceiros, que somava à época de sua lavratura R$ 299.035,84 (fls. 11.525/11.526). O lançamento foi realizado contra a empresa fiscalizada, A.P.E. Autopeças EIRELI, CNPJ 06.687.857/000123, e foram lavrados termos de sujeição passiva solidária em face das seguintes pessoas: Iris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), Robson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Junior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.559 91). Nesta ocasião, por sua inteireza e precisão, valhome do relatório produzido pela decisão recorrida, de onde transcrevo o seguinte: 1 Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: Fl. 12824DF CARF MF 4 1. A empresa em epígrafe é parte de um empreendimento denominado REDE PRESIDENTE e é constituída em nome de laranjas. 2. O relatório utilizase de elementos coligidos nos processos administrativos fiscais nº 11020.723699/201218 e nº 15586.720329/201195, bem como no Inquérito Policial nº 256/2008DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita da Delegacia da Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontrase distribuído para o Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob o nº 2008.70.0094275/PR. 3. No âmbito do inquérito policial, foram providenciados dois pedidos de quebra de sigilo de dados e/ou telefônico, em cujas decisões o Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos no inquérito fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil – RFB. Foi também determinada a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE, dentre os quais os integrantes da família Tolardo. Em cumprimento às decisões judiciais, a Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados coletados nas investigações do inquérito. 4. As investigações da Polícia Federal em conjunto com a RFB culminaram na deflagração da Operação Laranja Mecânica, realizada em 17/10/2012, com o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. Todo o material foi disponibilizado à RFB. 5. As provas apontam para a existência de um grande empreendimento comercial, no ramo de autopeças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas em várias unidades da federação e que, embora formalmente constituída por diversas empresas, a quase totalidade em nome de laranjas, tratase, na verdade, de um único empreendimento, iniciado por Samuel Tolardo, já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 6. Os mandados de busca e apreensão tiveram por alvo vários endereços, dentre eles endereços da família Tolardo, bunkers onde se encontravam armazenados documentos, endereços de laranjas e endereços das empresas que funcionavam como filiais do empreendimento. 7. Além dos arquivos com os documentos apreendidos, a Polícia Federal disponibilizou à RFB os laudos de perícia criminal relativos à mídia apreendida. DA ORIGEM (IMPORTADORA TOLARDO E REAL IGUAÇU) 8. Na base de dados da RFB foi identificada a empresa Importadora Tolardo Ltda. (CNPJ 79.112.637/000120), que tinha como sócios Samuel Tolardo e seu irmão Hélio Tolardo. Essa empresa tinha como atividade a exploração do comércio de compra, venda e importação de peças e acessórios para autos em geral, bem como representações por conta própria e foi aberta em 1962. 9. Em setembro/1983, a Importadora Tolardo Ltda. foi incorporada pela empresa Real Iguaçu Auto Peças Ltda. (CNPJ 77.597.318/000126), doravante mencionada simplesmente como Real Iguaçu. Essa empresa era da família Tolardo. No Bunker localizado na Rua Rui Barbosa, em Maringá/PR, foi encontrada a quarta alteração contratual da Real Iguaçu, de 10/11/1994, onde consta que até essa data os sócios eram José Dario Tolardo e Maria Silene Tolardo, marido e esposa. 10. Foi encontrado, ainda, no bunker, dentre vários arquivos relacionados à REDE PRESIDENTE, um pendrive com um arquivo intitulado “TCC – Final Corrigido”, que se trata de um trabalho de conclusão de curso, elaborado por uma Fl. 12825DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.824 5 das funcionárias do esquema, Mirian Coutinho de Lima Lepetit, que se constitui em uma avaliação de desempenho como perspectiva de melhoria pessoal e organizacional em uma empresa de autopeças na cidade de Maringá. Resta claro no trabalho que essa empresa era a REDE PRESIDENTE, tendo sido mencionada que a empresa surgiu em 1962, composta por três sócios, filhos de imigrantes italianos, chamados no trabalho de S, D e H, iniciais dos irmãos Tolardo. 11. De acordo com a alteração contratual da Real Iguaçu, constatase que até 1994, a empresa tinha a razão social de Tolardo Auto Peças. 12. Em 11/09/1991, faleceu um dos irmãos, Hélio Tolardo. Também na década de 90, a empresa Real Iguaçu, na época denominada de Tolardo Auto Peças, sofreu diversas autuações fiscais, o que parece ter motivado os novos rumos da empresa. A partir de então, iniciouse a empreitada ilícita do esquema fraudulento denominado REDE PRESIDENTE. 13. Em 1994, a Real Iguaçu altera seu endereço de Maringá/PR para Santo André/SP e, em novembro/1994, interpõe sócios laranjas em seu quadro societário. Em 1995, passa à condição de inativa. 14. A estratégia da empresa de mudança para Santo André/SP e inserção de sócios laranjas parece funcionar, já que, após a inscrição na Dívida Ativa dos débitos tributários, a execução fiscal teve que ser ajuizada em Santo André/SP, onde a empresa não existia de fato. A Real Iguaçu resta inativa desde 1995, abandonada pela família Tolardo em face de suas dívidas fiscais. DO SURGIMENTO DA RPT E REDE PRESIDENTE 15. Na segunda metade da década de 90, com a autuação fiscal e o conseqüente abandono da Real Iguaçu, ocorre a cisão dos irmãos Tolardo. 16. O mencionado trabalho de conclusão do curso de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma a separação dos irmãos Tolardo. 17. Samuel Tolardo (“S”) e José Dario Tolardo (“D”) continuaram trabalhando no mesmo ramo, porém de forma separada. O primeiro ficou com a REDE PRESIDENTE, alvo da presente ação fiscal, e José Dario Tolardo com a rede de distribuição de autopeças denominada Vespor Automotive. 18. Nessa época, Samuel Tolardo adquire uma outra empresa do ramo de autopeças, a FORAMEC, criando a partir dessa “cria” a empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. O nome de fantasia PRESIDENTE passa a ser utilizado pelas lojas de Samuel Tolardo. A sigla RPT remete às iniciais de REDE PRESIDENTE. 19. O trabalho de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma que os filhos de Samuel Tolardo o sucederam na empreitada e que Rogério Márcio Tolardo (chamado de “M”) tem a maior participação no negócio. Consta também o número de lojas da rede e os estados onde estão localizadas. 20. A RPT tinha endereço inicial em Tatuapé, São Paulo/SP. Mudouse, em 06/04/2000, para Guarulhos/SP. Em 21/06/2002, mudouse para o Rio de Janeiro/RJ. Sempre teve filiais espalhadas pelo país, várias delas com nome de fantasia “Distribuidora Presidente”. 21. As provas indicam que foram utilizados laranjas como sócios dessa empresa, além de constar laranja também no quadro societário da Mansfield Finance, por sua vez, sócia da RPT. Fl. 12826DF CARF MF 6 DA REDE PRESIDENTE 22. Apesar de a empresa RPT ser mencionada pela denominação de REDE PRESIDENTE, ela é apenas uma das tantas empresas formalmente constituídas em nome de laranjas, mas que, em verdade, compõem um único empreendimento empresarial/comercial, que se passa a citar por REDE PRESIDENTE. 23. Diversas empresas foram constituídas, inclusive diversas factorings que serviam de elo financeiro para o esquema, centralizando recebimentos e pagamentos. A maioria dessas factorings foram abandonadas nos anos de 2007 e 2008, provavelmente por ter sofrido fiscalização da RFB. Outras empresas passaram a desempenhar essa função financeira, muitas sem ter sequer existência física. Algumas empresas serviam exclusivamente para centralizar as compras e distribui las para as lojas. Várias outras foram constituídas para abrigar as diversas lojas de vendas de autopeças espalhadas pelo país. Entre elas, uma coisa em comum: todas com laranjas em seus quadros societários. 24. Há outras empresas, estas em nome dos verdadeiros mentores do esquema, porém utilizadas com a função de amealhar o patrimônio, principalmente imóveis, obtido de forma fraudulenta. 25. O logotipo da REDE PRESIDENTE identificado no sítio da internet é o mesmo utilizado em vários endereços físicos de lojas da rede espalhadas pelo território nacional. 26. Os colaboradores/funcionários do esquema se referem a ele ora como REDE PRESIDENTE, ora como DISTRIBUIDORA PRESIDENTE, ora simplesmente como PRESIDENTE. As lojas onde estão distribuídos os diversos CNPJ são chamadas de filiais. 27. O esquema REDE PRESIDENTE comprava peças junto aos fornecedores e as reembalava em caixas com a marca Napa Parts. Foi encontrado em computador apreendido, um arquivo contendo o planejamento estratégico de marketing dessa marca. O texto final do documento vincula a marca Napa Parts à REDE PRESIDENTE. O logotipo da Napa Parts aparece em muitas lojas da REDE PRESIDENTE ao lado do logotipo da REDE PRESIDENTE. 28. Dentre os documentos encontrados, destacamse os de controle das filiais, que as identificavam com um número seguido do nome da cidade, relacionando também o CNPJ utilizado pela filial, o endereço, a inscrição estadual, telefone, e mail e o gerente. Foram encontrados nos bunkers do esquema carimbos e relatórios contendo, inclusive, as empresas já inativas, sendo identificadas mais de 80 (oitenta) empresas. 29. Dentre os diversos documentos de controle, no bunker situado na Rua das Camélias, foi encontrada a relação de funcionários, emitida em 08/10/2012, que os lista por filial. No endereço residencial de Vânia Maria Lenarduzzi, foi encontrado documento que discrimina o salário 1 (registrado) dos funcionários e o salário 2 (popular “por fora”). Este último documento tem 727 nomes, distribuídos em 42 filiais, apenas as que têm ou tinham uma existência física. 30. Em outro documento encontrado, há um relatório bem mais enxuto das filiais, com razão social, CNPJ e sócios, constando 84 (oitenta e quatro) empresas do esquema REDE PRESIDENTE. 31. No endereço residencial de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, foi encontrado um parecer emitido em fevereiro/2011 pela empresa Pactum Advocacia Empresarial, onde consta um “mapeamento fiscal” dirigido à REDE PRESIDENTE. Foi registrado que a REDE PRESIDENTE atua principalmente no mercado Fl. 12827DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.825 7 atacadista de autopeças e conta com uma rede de distribuição de amplitude nacional, estruturada a partir de diversas empresas distintas, com regimes tributários distintos. Há outros documentos colhidos que revelam a existência da REDE PRESIDENTE, todos anexados ao processo. LARANJAS UTILIZADOS PELO ESQUEMA 32. Os laranjas utilizados pelo esquema são funcionários, terceiros sem vínculo efetivo com a REDE, que recebiam pela utilização de seu nome, e pessoas que sequer sabiam da utilização dos seus nomes. 33. A par dos elementos apresentados no decorrer do relatório, devem ser salientadas as diligências efetuadas em procedimento fiscal realizado na DRF Caxias do Sul/RS junto à empresa NTE da REDE PRESIDENTE. Foram feitas diligências junto às sócias laranjas, Sra. Silvia Vilhalba e Sra. Petrona Ledesma Aliende, pessoas extremamente humildes, que confirmaram não serem sócias de nenhuma empresa. DOS SERVIÇOS EXECUTADOS POR FÁBIO NOVAES 34. Na residência de Fábio Novaes Moreira, que presta serviços contábeis por meio do escritório de contabilidade Transcontec, foram encontrados documentos que comprovam a utilização dos nomes e dados de pessoas físicas, inclusive paraguaios, para o preenchimento de documentos de identidade falsos, com o fim de utilizálos como laranjas nas empresas do esquema. Fábio Novaes Moreira enviava as Declarações Anuais de Ajuste de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – DIRFP relativas a essas pessoas. 35. No endereço de Fábio Novaes Moreira, foram encontrados documentos pessoais paraguaios e brasileiros. Várias carteiras de identidade tinham provas e características evidentes de falsificação. Havia documentos distintos com a mesma foto, além de incompatibilidade de algumas fotos com as idades registradas nos documentos. A necessidade da falsificação das CI deveuse ao fato de que passou a ser necessária a certificação digital para várias operações junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para cuja emissão há necessidade de comparecimento da pessoa. Tal necessidade gerou, inclusive, o pedido de aumento por parte das pessoas que emprestavam seu nome, pois agora deveriam comparecer no órgão certificador, segundo comprova troca de mensagens entre Robson Marcelo Tolardo e Daniel de Oliveira Junior. 36. Como exemplo das falsificações, destacase a identidade de Juarez Mielke, que já havia falecido da data da expedição do RG. Foram encontradas duas versões para a identidade de Maria Aparecida Ribeiro e duas para Cláudio Afonso Miranda. Além da versão original da CI de Cleonice da Silva Mielke encontrada na residência de Fábio Novaes, foi encontrada outra versão no seu escritório. A foto dessa carteira falsificada é a mesma de outra em nome de Elidia Mendes Santos. DA VINCULAÇÃO DE IPS UTILIZADOS PARA A TRANSMISSÃO DE DIRPF I 37. Foram identificados quatro endereços IP (quatro computadores) de onde foram enviadas as DIRPF do exercício 2010 da família Tolardo, de Milton Assis de Oliveira, procurador da Mansfield Ltda. (sócia da RPT, empresa da REDE PRESIDENTE), de Luiz Tavares da Silva e de Francisco Tomaz Neto, estes dois últimos sócios laranjas da empresa Gama Factoring Ltda. Nas mesmas datas e em horários muito próximos, esses mesmos computadores foram utilizados para Fl. 12828DF CARF MF 8 transmissão das DIRPF do exercício 2010 de vários outros contribuintes, dos quais 103 são laranjas da REDE PRESIDENTE. 38. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi localizado relatório intitulado “Relação das Declarações do IRPF 2010”, com controle das DIRPF 2010 de mais de 200 pessoas físicas, dentre elas as 103 antes referidas. DOS LARANJAS PARA REGISTRO DE VEÍCULOS 39. Inúmeros veículos da REDE PRESIDENTE eram registrados em nome de laranjas. Havia controles dos veículos, que eram distribuídos entre as filiais (empresas do esquema) e as pessoas usadas como proprietárias eram pagas, sendo algumas funcionários das empresas. CARTÓRIO COSTA 40. Havia necessidade de autenticações cartorárias, reconhecendo a autenticidade das assinaturas dos laranjas. Praticamente 100% (cem por cento) das autenticações de reconhecimento de firma nos diversos contratos sociais das empresas e em outros documentos, como procurações, eram feitas no Cartório Costa ou Cartório IguatemiPR, que são o mesmo cartório. 41. Os nomes para feitura de documentos e reconhecimento de firma eram passados ao cartório, alguns verdadeiros e outros não. Há conversas nas quais se constata que o cartão de autógrafos era enviado para preenchimento fora do cartório, o que não é um procedimento normal, já que deveria ser confeccionado no tabelionato. Vários dos laranjas com assinaturas autenticadas viviam em cidades muito longe dali, como Ponta Porã/MS, e sequer tinham conhecimento de que constavam em quadro societário de alguma empresa. 42. Em outra conversa interceptada, constatase que havia autenticações por semelhança e “verdadeiras” e não era necessário o comparecimento dos laranjas para que as autenticações fossem feitas. Mesmo as assinaturas verdadeiras não eram feitas de forma presencial no cartório, em desobediência à lei. Os cartões eram enviados para preenchimento fora do cartório. EMPRESAS DIVERSAS DA REDE PRESIDENTE 43. No Relatório de Filiais tratado no tópico “REDE PRESIDENTE” foram verificadas 56 filiais, carimbos de 80 estabelecimentos e na pasta de empresas (ativas e inativas) foram identificadas 112 empresas. Na busca, junto às empresas, de pessoas físicas que tiveram suas DIRPF transmitidas pela REDE PRESIDENTE, constataramse 60 empresas, a maioria do ramo de autopeças, todas vinculadas à rede. Seguem alguns procedimentos que levaram à identificação dessas empresas. DEINF/SP / 44. Em 2008, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras – DEINF/SP promoveu verificações fiscais na Gama Factoring, quando foram identificados pagamentos efetuados por ela a fabricantes de autopeças. Essas empresas foram intimadas e, de forma uníssona, responderam que os pagamentos tinham origem em vendas efetuadas a empresas da REDE PRESIDENTE. 45. Todos os contratos sociais das empresas citadas pelas compradoras foram encontrados no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, o que comprova a sua vinculação com a REDE PRESIDENTE. DRF EM VITÓRIA/ES / Fl. 12829DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.826 9 46. A empresa Comercial Presidente de Auto Peças Ltda. foi objeto de fiscalização pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF em Vitória/ES, tendo sido lavrado o Auto de Infração que compõe o processo administrativo 15586.720329/201195. Os seus fornecedores foram intimados a apresentar notas fiscais e comprovantes de pagamentos, tendo sido constatado que os pagamentos foram feitos por outras empresas, quase todas de factoring. 47. As empresas que efetuaram os pagamentos no ano se 2007 foram intimadas, via Correios, a justificar e comprovar os motivos que as levaram a efetuar tais pagamentos. As únicas três empresas que receberam a intimação (Dumas Factoring, PSE Com. de Peças e Uberpeças Dist Auto Peças) não a atenderam. Em regra, as factoring não foram localizadas pelos Correios, pois não precisavam existir fisicamente. 48. Todas as empresas que efetuaram os pagamentos estavam constituídas em nome de laranjas. Com exceção da Duma Factoring e da PSE Com de Peças, todas estão na relação daquelas cujos sócios tiveram suas DIRPF/2010 transmitidas pelos mesmos computadores que transmitiram as declarações da família Tolardo e de outras duas pessoas vinculadas à REDE PRESIDENTE. Os sócios laranjas dessas empresas estão relacionados na Relação de Declarações do IRPF 2010 encontrada no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR . 49. Deve ser destacado que, no ano de 2007, a regra era a utilização de factorings para efetuar os pagamentos, porém a partir dos anos de 2008 e 2009, em razão das investigações da DEINF/SP, a REDE PRESIDENTE abandonou suas factorings, passando a utilizar outras empresas. INVESTIGAÇÕES POLICIAIS – NAPA PARTS, AMAZON AUTO PEÇAS E SENSUS PEÇAS P VEÍCULOS , 50. Em 02/04/2008, por solicitação da Procuradoria da República em Curitiba/PR, a Delegacia da Polícia Federal DPF de Maringá/PR instaurou o inquérito de número 256/2008DPF/MGA/PR, tendo sido solicitadas diligências para localizar as seguintes empresas e seus sócios: Amazon Auto Peças Ltda., Fabiro Factoring Ltda. e Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. 51. No endereço cadastral da Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda., havia uma empresa denominada “Presidente Distribuidora”, a qual, segundo informações de um comerciante vizinho, possuía uma marca de peças chamada “Napa”. Suas sócias não foram encontradas nos seus endereços cadastrais. 52. A Amazon Auto Peças, supostamente sediada no Amapá, não foi localizada, tampouco seus sócios. 53. A DPF investigou e obteve o verdadeiro endereço de alguns dos sócios, sendo possível a oitiva de três deles, todos pessoas humildes, desenvolvendo as atividades de diarista (faxineira), auxiliar de serviços gerais e trabalhador de serraria. Todos disseram sequer conhecer as empresas investigadas. Uma outra sócia não foi localizada, mas foi obtida a informação de que teria sido presa em 2006. 54. Todos os documentos juntados ao feito têm firma reconhecida no Cartório Costa, localizado no distrito de Iguatemi, Maringá/PR, mesmo algumas empresas tendo domicílio em estados distantes da Federação, como Rio de Janeiro e Amapá. 55. Em diligência efetuada em Maringá/PR, que resultou na Informação nº 098/2010, foi constatado por entrevistas com funcionários que saíam do local e com Fl. 12830DF CARF MF 10 um funcionário de estabelecimento próximo que a Napa Parts seria do “pessoal da Distribuidora Presidente” e que o seu dono seria uma pessoa de nome Marcelo Tolardo. 56. Em consulta aos bancos de dados disponíveis, a autoridade policial descobriu que Marcelo Tolardo seria o então empresário Robson Marcelo Tolardo, filho de Samuel Tolardo e irmão mais velho de Rogério Márcio Tolardo, que faziam parte do quadro societário da RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. – Distribuidora Presidente. 57. Havia, ainda, uma empresa denominada Napa Distribuidora de Auto Peças Ltda., sediada em Guarulhos/SP, que utilizou essa razão social até julho/2000. Após esse mês, essa empresa passou a utilizar o nome de Presidente Peças Ltda. Em julho/2003, a razão social passa a ser Presidente Peças para Veículos Automotores Ltda. e, finalmente, em junho/2005, passa a ser Sensus Peças para Veículos Automotores Ltda. PROCEDIMENTO CAXIAS DO SUL/RS / 58. A DRF Caxias do Sul/RS realizou procedimento de fiscalização na empresa NTE Auto Peças Ltda., cuja razão social até dezembro/2008 era Alba Auto Peças Ltda. Foram efetuadas diligências junto a dois fornecedores, Cinpal Companhia Industrial de Peças para Automóveis e Tenneco Automotive Brasil Ltda, para que esclarecessem o motivo das transferências efetuadas para elas pela NTE. Ambas apresentaram farta documentação, a qual, em linhas gerais, evidencia que as transferências feitas pela NTE consistiam em pagamento parcial de vendas a outras empresas, inclusive da PRV. DILIGÊNCIAS DA AUTAL FISCALIZAÇÃO 59. A fiscalização verificou que o maior volume de compras da REDE PRESIDENTE era efetuado por meio das empresas PRS e PSE e intimou mais de 40 fornecedores para prestar esclarecimentos. 60. Modine do Brasil Sistemas Térmicos Ltda. informou que o contato da empresa PRS seria o Sr. Bene, que representa também as empresas RPT Distr Auto Peças e PRV Comercio Atac de Peças Aut Ltda. 61. Indústria e Comércio de Auto Peças Rei Ltda. respondeu que o comprador da empresa PRS seria o Sr. Adailton Hilário da Silva, que representava também a Comercial Presidente de Auto Peças Ltda., Distribuidora Pinheirão Peças Automotivas Ltda. e a Retífica Presidente Prudente Peças p/ Veíc Ltda. 62. Jofund S/A informou que o contato em 2008 na PRS era o Sr. Adailton Hilário da Silva, também responsável pela empresa Comercial Presidente de Autopeças Ltda. Com relação ao período de 2009 a 2012, informou que ele era, ainda, o responsável pelas compras das empresas RPT Distribuidora de Auto Peças, Alba Autopeças Ltda., APE Auto Peças Ltda., PSE Comercial de Peças para Veículos Ltda., PRE Comércio e Distribuição de Auto Peças Ltda., PRV Comércio Atacado de Peças Automotivas Ltda. e KRE Comércio de Peças Ltda. 63. Cerâmica e Velas de Ignição NGK do Brasil Ltda. informou que o contato na PRS seria Edenilson Ferreira de Oliveira, encontrado no mesmo endereço do responsável por compras da RPT e da PRTS de Maringá/PR. 64. A empresa Meritor do Brasil informou que o atual contato comercial/financeiro da PRV trata e assunto comercial/financeiro relacionado à PRS, porém desconhece a exata relação jurídica entre essas empresas. Fl. 12831DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.827 11 65. RHO Interruptores Automotivos Ltda. informou que de 2008 até 13/12/2012, o contato era o Sr. Estevão. A partir de 2013, o contato passou a ser Nélio Jonei Gonçalves de Oliveira, Alex Brito e Karen Rocha. Foi apresentada lista de 16 empresas, todas pertencentes à REDE PRESIDENTE. 66. Da mesma forma, as 13 empresas citadas por Susin Francescutti Metalúrgica Ltda. compõem a REDE PRESIDENTE. O contato da empresa RPS seria Francisca Dias ou o Sr. Edenilson. 67. A Max Gear informou que os contatos eram Karen Rocha, Johny Vieira e Edenilson. As empresas listadas, com 40 estabelecimentos de 28 CNPJ raiz, são todas da REDE PRESIDENTE. A Max Gear apresentou planilha referente ao período 2008 a 2010, com os pagamentos recebidos pelas vendas, identificando a empresa de acordo com o extrato bancário, onde se constata que as vendas feitas para a PRS foram pagas mediante transferências bancárias de outras 13 empresas, todas da REDE PRESIDENTE. 68. Affinia Automotiva Ltda. também apresentou planilha com a identificação das vendas efetuadas para a PRS no ano de 2008. A identificação das empresas “pagadoras” foi feita apenas pelo nome, provavelmente o nome que aparece no extrato bancário, todas da REDE PRESIDENTE. 69. Mann Hummel Brasil Ltda. disse que o contato da PRS era Edenilso Ferreira de Oliveira e apresentou rol de empresas relacionadas ao representante, todas da REDE PRESIDENTE. 70. A relação das empresas apresentada pela fornecedora TMD Triction do Brasil S/A intitulada “6. empresas do Grupo Presidente” também contém várias empresas representadas pela mesma pessoa da PRS, todas elas da REDE PRESIDENTE. São 42 estabelecimentos, com 23 CNPJ raiz. 71. Vários outros fornecedores apresentaram respostas praticamente nos mesmos termos, citando os mesmos contados e apresentando as mesmas empresas pertencentes à REDE PRESIDENTE. 72. Destacase que a fiscalização identificou 70 “empresas” do esquema que tiveram algum tipo de atividade no período de 2008 a 2012. RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO 73. Conforme já dito, a REDE PRESIDENTE teve origem na empresa Real Iguaçu (ou Tolardo Auto Peças), dos irmãos Tolardo (Samuel Tolardo e José Dario Tolardo), sediada em Maringá/PR. Na década de 90 essa empresa sofreu diversas autuações fiscais e sua sede foi mudada para o estado de São Paulo, após o que foram interpostos laranjas no seu quadro societário. Em 1995, a Real Iguaçu, com pesadas dívidas fiscais, passou à condição de inativa e foi abandonada pela família Tolardo. Samuel Tolardo adquiriu a Foramec e a partir dela criou a RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., com o nome de fantasia “PRESIDENTE”. Fizeram parte do quadro societário dessa empresa Samuel Tolardo e Rogério Márcio Tolardo, seu filho. Robson Marcelo Tolardo, outro filho de Samuel Tolardo, teve vínculo empregatício de maio/2002 a maio/2010. 74. No final de 1999, a família Tolardo passou a incluir laranjas no quadro societário da RPT. 75. Destacase como prova desse fato, conversa telefônica de 05/05/2012 gravada pela Polícia Federal entre Íris da Silva Tolardo, esposa do falecido Samuel Fl. 12832DF CARF MF 12 Tolardo, e sua amiga Leda (ou Ieda). Íris da Silva Tolardo comenta sobre a atitude de uma funcionária do esquema, Odete Cardoso Berti, que supostamente teria preterido um de seus filhos, Rogério Márcio Tolardo, na administração do esquema, ao dizer que o “patrão” seria apenas Robson Marcelo Tolardo. Ela diz ainda que, ao menosprezar o filho Márcio (Rogério Márcio Tolardo) em favor de Robson Marcelo Tolardo, Odete estaria menosprezando não apenas ele, mas também os demais, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e Samuel Tolardo Júnior. Isso porque todos seriam “sócios” da REDE PRESIDENTE. 76. Forte elemento de comprovação da participação da família Tolardo no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR ALTERADOS.xls”, encontrado no pendrive de Odete e no pendrive de Samuel Tolardo Júnior. Esse arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Foram encontrados no HD apreendido na residência de Samuel Tolardo Júnior os extratos de conta de cartão de crédito AMEX dos meses de abril/2008 e fevereiro/2009 a maio/2009, cujos valores constavam na planilha. Essa conta AMEX está em nome de Robson Marcelo Tolardo, mas contém detalhamento de valores de despesas dos demais irmãos, bem como da mãe Íris da Silva Tolardo. 77. Segundo a mencionada planilha, em todo o período de 30/11/2007 até 31/05/2011 cada irmão tinha direito a um “crédito mensal” de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Durante o período, o irmão Rogério Márcio Tolardo recebeu valores, normalmente em cheques de terceiros, bem superiores, o que gerava uma dívida, ou saldo devedor, como o excerto de 30/11/2010, no valor de R$ 647.887,53 (seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e oitenta e sete reais e cinquenta e três centavos). Essa dívida não era paga e os outros irmãos passavam a ter um crédito adicional no período seguinte, a fim de se equipararem a Rogério. Na prática, no período mencionado, cada um dos 4 irmãos recebeu crédito superior a R$.200.000,00 (duzentos mil reais) mensais. Esses valores foram confirmados no programa CAIXA encontrado em computador apreendido na residência de Lais de Oliveira Wochner e Ronaldo Paixão Wochner e comprovam o vínculo da família com a REDE PRESIDENTE. PROGRAMA CAIXA 78. O Programa Caixa e todo o banco de dados alimentado por ele foram encontrados na residência de Lais de Oliveira Wochner, importante operadora do esquema, e Ronaldo Paixão Wochner, colaborador como programador no Departamento de Informática da filial 23. O programa provavelmente foi desenvolvido por este último. Conforme informado no Relatório Circunstanciado nº 176/2014 da Polícia Federal e Ofício 2348, de 24/09/2014, o programa e o banco de dados foram disponibilizados à fiscalização. 79. O programa consiste em uma espécie de contabilidade e controlava os recursos físicos (não bancários) de todo o esquema da REDE PRESIDENTE, controlando o seu fluxo financeiro, com as remessas de valores das empresas (ou “filiais”) e a destinação dos recursos em espécie. A fiscalização extraiu vários relatórios desse programa, estando todas as extrações validadas pelo Laudo 300/2014 e seu anexo de arquivos juntados ao presente processo. 80. Constavam no banco de dados várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20 DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Fl. 12833DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.828 13 81. Como exemplo, os lançamentos do mês de janeiro/2009 relativos a Robson Marcelo Tolardo (Subconta Celo) totalizaram R$ 51.249,75 (cinquenta e um mil, duzentos e quarenta e nove reais e setenta e cinco centavos), correspondente a despesas pessoais como escola do filho, salário do caseiro, contas de telefone de casa, viagens aéreas, etc. Esse valor coincide com o valor da planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrada nos pendrives de Odete e Samuel Tolardo Júnior. Essa coincidência de valores entre a mencionada base de dados e a planilha ocorre para os outros valores também. Algumas despesas eram rateadas entre os irmãos, como o aluguel de um salão de festas e uma conta de luz. SAMUEL TOLARDO 82. Já foi relatado o surgimento da REDE PRESIDENTE, acrescentandose neste tópico mais informações sobre o mentor e responsável pelo esquema, Samuel Tolardo, falecido em 2007. Samuel Tolardo era bastante conhecido no ramo de autopeças no Paraná, mais especificamente na cidade de Maringá. 83. Nas DIRPF do período 2001 a 2007 o endereço de Samuel Tolardo foi informado como sendo no estado de São Paulo, entretanto dado o seu costume de informar/declarar dados não verdadeiros para dificultar a fiscalização, nada mais profícuo do que a alteração do seu endereço. Rápida pesquisa na internet já demonstra que a cidade onde verdadeiramente residia era Maringá/PR, chegando ele a ser vítima de um sequestro no norte do Paraná. 84. Em notícia do jornal eletrônico “Odiario.com”, de Maringá, vêse o relato de sua morte, tendo ocorrido um acidente quando dirigia a sua Pajero pela Avenida Parigot de Souza. Citase que era empresário do ramo de autopeças, conhecido por ser vítima de sequestro no Vale do Ivaí em 1999. 85. Na fiscalização da NTE Auto Peças Ltda. – EPP, foram obtidas cópias de cheques emitidos em 2006 por essa empresa, que tinha na época a razão social Alba Auto Peças Ltda., com assinaturas falsas de sua sócia laranja, Silvia Vilhalba. Esses cheques tinham que ser confirmados pelo titular da conta, em face das quantias elevadas. No Relatório Fiscal emitido naquele procedimento (Processo 11020.723699/201218) consta que foi encontrado o nome de Samuel Tolardo na parte superior dos cheques e o banco HSBC esquivouse de esclarecer esse fato. A exfuncionária do banco responsável pelas operações disse que era procedimento comum entrar em contato com as pessoas autorizadas pelas empresas, no caso de dúvidas quanto à liberação dos pagamentos. 86. Outro elemento que vincula Samuel Tolardo à REDE PRESIDENTE é o trecho da denúncia feita em 2006 à Polícia Civil (Delegacia de Defraudações) por um ex funcionário da RPT, Ivanilto Mascena dos Anjos. 87. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão foram encontradas várias procurações em benefício de Samuel Tolardo e relacionadas a empresas do esquema REDE PRESIDENTE. ÍRIS DA SILVA TOLARDO 88. Íris da Silva Tolardo é a matriarca da família Tolardo, viúva de Samuel Tolardo. Embora não aparente ter poder decisório no esquema, tem pleno conhecimento das atividades e de seu caráter ilícito, além de ser beneficiada por todo o patrimônio e rendimentos obtidos da atividade. Aparece também como administradora/responsável por uma empresa registrada em nome dos seus filhos, bem como procuradora ou caucionante de aluguel de empresas do esquema. Fl. 12834DF CARF MF 14 89. No Programa Caixa utilizado pela REDE PRESIDENTE, na Subconta Íris foram identificados diversos pagamentos de despesas pessoais como TV a cabo, plano de saúde, água, telefone, consertos, etc., além de vultosos pagamentos com o histórico “RETIRADAS”. As vultosas retiradas denotam a posição de Íris da Silva Tolardo como coproprietária do esquema. ROBSON MARCELO TOLARDO 90. Após o falecimento do pai, Robson Marcelo Tolardo tornouse o principal comandante da REDE PRESIDENTE. 91. Há várias provas do envolvimento e da posição de Robson Marcelo Tolardo no esquema, como a resposta a uma intimação de uma das fornecedoras da RPS, que o menciona como proprietário da empresa, conversas por email, escutas telefônicas, procuração das empresas e laranjas, procuração de seu pai para efetuar a compra de uma das empresas, depoimento de seu tio à Polícia Federal, entrevistas com funcionários e exfuncionários. 92. Um elemento que comprova a participação de Robson Marcelo Tolardo, bem como de seus irmãos, no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrado nos pendrives de Odete e de Samuel Tolardo Júnior. O programa CAIXA confirma os pagamentos verificados nesse arquivo. A REDE PRESIDENTE pagava todo tipo de despesas pessoais de Robson Marcelo Tolardo. As vultosas quantias mensais denotam a posição de coproprietário do esquema, tratandose de verdadeiro prólabore. JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE 93. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, filha mais nova de Samuel Tolardo. As despesas pessoais dela eram custeadas pela REDE PRESIDENTE e ela realizava retiradas vultosas, o que denota sua condição de coproprietário do esquema. 94. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha participação ativa no esquema, sobretudo como administradora do grupo adquirido (Emprepar), conforme demonstram as ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Há, inclusive, ligações entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore sobre os procedimentos do negócio adquirido. 95. Além de administrar a Embrepar, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha diversas procurações de sócios laranjas para gerir os negócios, era proprietária de diversos imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de ser fiadora de contratos de locação de outros também utilizados pelo esquema. ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO 96. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Rogério Márcio Tolardo, da mesma forma que seus irmãos. Ele teve envolvimento ativo na REDE PRESIDENTE desde cedo, constando como sócio da RPT juntamente com seu pai. 97. Foram encontradas várias procurações outorgadas pelos laranjas, para que Rogério Marcelo Tolardo administrasse empresas do esquema. Além disso, ele é proprietário de seis imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE e aparece nas conversas telefônicas como administrador do esquema. SAMUEL TOLARDO JÚNIOR Fl. 12835DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.829 15 98. Da mesma forma que seus irmãos, o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls e o programa CAIXA comprovam a participação de Samuel Tolardo Júnior no esquema, no papel de sócios. 99. No seu apartamento foram encontrados vários documentos do esquema, que comprovam a sua participação desde 1996. É dele a propriedade de vários imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de lhe terem sido outorgadas procurações para administração das empresas. É de se destacar, ainda, as escutas telefônicas nas quais foi mencionado diversas vezes como integrante do esquema. DA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 100. Conforme visto e demonstrado exaustivamente no Relatório Fiscal, o acesso ao Sistema CAIXA pela Polícia Federal possibilitou que se verificasse os pagamentos efetuados pelo esquema, bem como a identificação das filiais. Essa identificação das filiais ou empresas envolvidas também pôde ser apurada nas planilhas de vendas encontradas no computador de Daniel de Oliveira Júnior e pelos diversos controles encontrados no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão. 101. Depois do confronto das verbas verificadas com as folhas de pagamento e GFIP das várias empresas da REDE PRESIDENTE, a Auditoria constatou que tais documentos não traziam a maioria das verbas, ou seja, houve sonegação de contribuições previdenciárias. O grupo estava pagando, por exemplo, salários, vale transporte, valealimentação, aluguéis, comissões, gratificações, etc. sem considerá los para fins de incidência de contribuição previdenciária. 102. Para apurar o total de contribuição previdenciária sonegada, foram excluídas do Extrato da Conta Caixa todas as verbas que não possuíam natureza salarial, tendo sido constatado valores pagos a empregados das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; b. A P E Auto Peças Ltda.; c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME; d. PRV Comércio de Peças Ltda. – ME; e. Daniel de Oliveira Júnior; f. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; g. PRS Peças para Veículos Ltda.; h. Fort Lub Produtos Automotivos Eireli – ME; i. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 103. Os valores pagos a empregados foram comparados com aqueles declarados em GFIP e a diferença foi considerada para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias sonegadas. 104. Foram apurados valores pagos a pessoas físicas por serviços prestados como motoboys das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; Fl. 12836DF CARF MF 16 b. A P E Auto Peças Ltda.; c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME; d. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; e. PRS Peças para Veículos Ltda.; f. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.; 105. Foram apurados valores pagos a diretores membros da família Tolardo por meio da empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 106. Com relação aos valores pagos aos motoboys e aos membros da família Tolardo, não houve deduções, pois não havia declaração de tais valores em GFIP. Apesar de ter sido declarado em GFIP prólabore pagos aos sócios laranjas, não houve nenhuma declaração em GFIP dos valores pagos à família Tolardo e discriminados no “Extrato de Conta Bancária”. DA EMPRESA APE 107. A empresa APE é uma das empresas da REDE PRESIDENTE de autopeças e assim como as outras, encontrase constituída em nome de laranjas. O seu domicílio fiscal seria na cidade de Recife/PE, contudo, conforme relato anterior, a sede administrativa de todo o esquema fica, na verdade, na cidade de Maringá/PR. 108. A razão social da APE era originalmente A Presidente Auto Peças Ltda. Nos controles de transmissão de DIRPF do esquema consta o nome do sócio atual da APE, Genésio Bueno, antigo funcionário da Real Iguaçu. A empresa foi citada pelos fornecedores como ligada à REDE PRESIDNETE. 109. Nos diversos locais objeto dos mandados de busca e apreensão foram encontrados documentos ligados à APE, inclusive carimbo, contrato social e alterações. A empresa aparece nas relações de filiais da REDE PRESIDENTE. DO MODUS OPERANDI 110. A sistemática do GRUPO PRESIDENTE para sonegar as contribuições previdenciárias consistia em pagar em dinheiro ou depositar nas contas correntes de seus empregados verbas de cunho salarial sem considerálas na apuração desses tributos. Determinadas verbas (aluguel, valetransporte, auxílioalimentação, pagamento a motoboys, retiradas de diretores) eram sonegadas completamente. Outras (salário, gratificação, comissão, rescisão, férias, 13º), eram sonegadas em parte. 111. Em uma auditoria ordinária seria quase impossível a identificação desses valores, tendo a apuração sido possibilitada pela execução dos Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Laranja Mecânica, quando a fiscalização pôde acessar o “Caixa 2”. 112. Os Mandados de Busca e Apreensão tiveram como alvo vários endereços, destacandose o bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência de alvenaria, sem identificação alguma. Esse lugar foi identificado nas investigações policiais, principalmente por escutas telefônicas, quando se apurou que lá funcionaria o controle de Recursos Humanos do esquema. Foi em um HD apreendido nesse endereço que se encontrou o programa CAIXA. 113. Além do pagamento de verbas a empregados registrados, foram detectados pagamentos de salário a empregados sem registro. Os salários desses empregados e verbas como férias eram objeto de recibos comuns. Foram Fl. 12837DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.830 17 encontrados também comprovantes de depósitos nas contas dos empregados em valores bem superiores àqueles declarados. DOS PAGAMENTOS A MOTOBOYS 114. No exame do Extrato de Caixa, foram constatados centenas de pagamentos efetuados a pessoas físicas prestadores de serviços de motoboys. A contribuição a cargo das empresas que contratam pessoa física para lhe prestar serviços sem vínculo empregatício é de 20% sobre o valor da remuneração paga, conforme art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991. DO VALETRANSPORTE PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO 115. A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais é unânime em considerar o caráter salarial dos valores de valetransporte pagos em pecúnia, pois consiste em violação ao disposto no art. 5º do Decreto nº 95.247/1987, pelo qual é vedado ao empregados substituílo por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento. Assim, deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 116. Também se defendeu a tese de que o vale transporte pago em dinheiro e de forma contínua passa a integrar a remuneração do empregado, incidindo a contribuição previdenciária com base no art. 201, § 11, da Constituição Federal. DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO 117. O auxílioalimentação tem natureza salarial quando a empresa não está incluída no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, nos termos da Lei nº 6.321/1976, conforme art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 3º da lei nº 6.321/1976. Assim, os valores pagos em dinheiro apurados foram considerados pela fiscalização como base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA MULTA DE OFÍCIO 118. São utilizadas pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a fiscalizada. São usados expedientes escusos, como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Essa conduta visa a modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, o real sujeito passivo, enquadrandose a situação no conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Igualmente, enquadrase no conceito de sonegação dado pelo art. 71, II, da mesma lei, vez que se constitui em ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 119. Os pagamentos “por fora” efetuados aos empregados, descobertos graças aos Mandados de Busca e Apreensão, consistem em omissão de parcela relevante da remuneração, incorrendo o contribuinte nos conceitos de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características) e sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do tributo devido). 120. Ambas as condutas evidenciam claramente o dolo do contribuinte, impondo a aplicação da multa de ofício qualificada em percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44 e seu §1º da Lei nº 9.430/1996. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 12838DF CARF MF 18 121. Em face da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família Tolardo, eles são nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I, e art. 135, III, do Código Tributário Nacional – CTN. 122. Como foi fartamente comprovado que os integrantes da família Tolardo são os verdadeiros proprietários e beneficiários do esquema REDE PRESIDENTE, resta inequívoco que têm interesse comum nos negócios desse esquema, do qual faz parte a empresa alvo do lançamento. Além disso, o art. 135 do CTN impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento. A responsabilidade pessoal decorre de atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família Tolardo, que se utiliza de meios fraudulentos, tais como interposição de laranjas em sua empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, à margem da escrituração ou de declaração. 123. Dessa forma, lavramse os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em desfavor dos reais sócios proprietários do esquema: Sra. Íris da Silva Tolardo, Sr. Robson Marcelo Tolardo, Sr. Rogério Márcio Tolardo, Sr. Samuel Tolardo Júnior e Sra. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 2 Ciência da APE A correspondência enviada para o endereço cadastral da APE foi devolvida com a seguinte informação dos Correios: “mudouse”. Foi emitido, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR edital eletrônico, com data de publicação 15/12/2014 e data da ciência 30/12/2014. Foi emitido também, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE, edital eletrônico com data de publicação e de ciência idênticas.. 3 Da Ciência de Robson Marcelo Tolardo Robson Marcelo Tolardo foi intimado no seu endereço em São Paulo/SP em 11/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos autos. A correspondência enviada para o endereço em Maringá/PR foi devolvida, tendo sido registrado pelos Correios como motivo “Mudouse – casa vazia”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. 4 Impugnação de Rogério Márcio Tolardo Rogério Márcio Tolardo foi intimado em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014 e em seu endereço no Rio de Janeiro/RJ em 12/12/2014, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação, alegando, em resumo que: TEMPESTIVIDADE 1. A impugnação é tempestiva, pois o impugnante tomou conhecimento do Auto de Infração por terceiros, não tendo acontecido a intimação pessoal. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 12839DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.831 19 2. De acordo com o Decreto nº 7.574/2011, art. 33, qualquer procedimento de apuração de créditos tributário impõe a necessidade de cientificação prévia do sujeito passivo, entretanto o impugnante não foi cientificado da existência de processo de fiscalização em andamento contra si, tampouco da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada e da sua responsabilização solidária. 3. A Portaria RFB nº 3.014/2011, art. 4º e art. 7º, II, exige que seja emitido Mandado de Procedimento Fiscal que contenha os dados identificadores do sujeito passivo e que haja a ciência deste. 4. Uma vez que não houve a ciência do impugnante da ação fiscal, houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, não lhe sendo garantido o devido processo legal. 5. Em ofensa ao art. 296 do Código Tributário Nacional, não houve a lavratura do termo de início do procedimento em nome do impugnante, o que impossibilitou a sua defesa. 6. O impugnante sequer faz parte da pessoa jurídica autuada, que tem personalidade jurídica própria e distinta, e só tomou conhecimento do procedimento de fiscalização por meio do recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária encaminhado por via postal quando da lavratura do Auto de Infração. Não havendo a cientificação, a sujeição passiva solidária baseouse em presunções. 7. Assim, deve ser reconhecida a nulidade do processo administrativo fiscal. NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA PELOS CORREIOS 8. Segundo o Decreto nº 70.235/1972, art. 23, a intimação pessoal é a regra e somente sendo ela infrutífera, podem ser procedidas as demais formas. Essa regra é repetida pelo Decreto nº 7.574/2011, art. 10, I. 9. Além disso, segundo os mesmos decretos, a intimação por via postal deve ser endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. No caso, contudo, a correspondência foi enviada a outros endereços diferentes daquele constante na DIRPF do impugnante, o que gera a sua nulidade. 10. Não comprovada a ciência inequívoca do impugnante, deve ser reconhecida a nulidade da intimação por falta de observância da lei, devendo ser determinada a sua realização ou deve ser ela considerada efetivada quando da disponibilização do processo administrativo fiscal ao sujeito passivo. CERCEAMENTO DE DEFESA 11. Houve a desconsideração de personalidade jurídica e a responsabilização do impugnante por meio de um termo de sujeição passiva tributária, sem qualquer fundamentação ou elementos de convicção para tal, além de não ter ele participado do processo administrativo fiscal. Imputações dessa natureza não podem se basear em meras ilações e presunções, portanto deveriam ter sido enviados ao sujeito passivo cópias de todos os documentos utilizados pela Auditoria Fiscal, o que não ocorreu. 12. O impugnante compareceu à Unidade da Receita Federal do Brasil onde possui domicílio fiscal e entregou mídias para gravação, porém não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo. Fl. 12840DF CARF MF 20 13. Dessa forma, diante do cerceamento de defesa do impugnante e conforme art. 12, II, do Decreto nº 70.235/1972, é nulo o processo. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPUGNANTE 14. O processo administrativo foi instaurado com a utilização dos elementos coligidos nos processos administrativos fiscais 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195 e no Inquérito Policial 256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá, entretanto mostrase nulo o direcionamento administrativo contra a impugnante, como se sujeito passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente perante a ausência de qualquer demonstração de vínculo entre a impugnante e a empresa autuada naqueles autos. 15. A afirmação de que o sócio da impugnante seria laranja e faz parte de um grande esquema não é verdadeira e baseiase em meras presunções. A conclusão a que chegaram os Auditores Fiscais decorreu do inquérito policial, que é um procedimento policial administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa, pois a impugnante, na pessoa de seu sócio, sequer foi ouvida pela autoridade policial. Não é admissível a prova emprestada, pois a sua produção ocorreu no âmbito do inquérito policial, sem ser observado o contraditório e a ampla defesa. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL 16. O Auditor Fiscal extrapolou os limites de sua competência funcional prevista na Lei nº 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao impugnante sem indicar concretamente os motivos, notadamente porque o impugnante não é sócio da autuada e não exerce qualquer função dentro dela, não estando relacionado ao fato gerador do tributo lançado. 17. A responsabilidade invocada para o impugnante balizouse no art. 124, I, do CTN, sem ser indicado seu interesse ou relação com a situação que constituiu o fato gerador. E com respeito ao art. 135, III, do mesmo código, não foi provado pelo Auditor Fiscal que o impugnante esteja relacionado à empresa autuada como diretor, gerente ou representante e, nessa condição, tenha praticado qualquer ato com excesso de poder ou infração de lei. 18. A responsabilização efetuada é de competência exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, desde que presentes os requisitos. O Auditor Fiscal é parte manifestamente ilegítima para imputar tal responsabilidade, sendo o ato nulo por falta de competência, conforme estatui o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS 19. As provas utilizadas no processo administrativo, decorrentes de mandados de busca e apreensão são ilícitas, já que determinados por autoridade judicial incompetente para análise da matéria. 20. O inquérito policial teve origem em compartilhamento de dados entre o COAF, Receita Federal e Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. “Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão, no momento em que houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados eram crimes antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito”. 21. Ainda que fossem emanadas de juiz competente, houve extrapolação dos limites da ordem judicial pela autoridade fiscal, que se baseou em elementos de Fl. 12841DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.832 21 provas colhidas em computadores particulares de terceiros, para os quais não foram expedidos mandados de busca e apreensão específicos. Não houve, em relação a esses terceiros, autorização específica de quebra de sigilo de mensagens eletrônicas e arquivos digitais, o que causa a nulidade das provas. 22. Além de ter havido violação ao seu direito de privacidade e ao sigilo das comunicações telefônicas, as conversas desses terceiros não guardam qualquer relação com a autuação e fiscalização. 23. O sigilo bancário só pode ser quebrado mediante autorização judicial nas hipóteses de conduta delituosa configurada, nunca por arbítrio do agente fiscal. 24. Não foram observados os requisitos para a quebra do sigilo dos terceiros, não sendo as provas fundadas em elementos concretos, sérios e idôneos, sendo nula a decisão que não se ampara em fatos e fundamentos de pleno direito, especialmente quando o juiz era incompetente. 25. Não há prova do envolvimento do impugnante. A utilização de um pendrive com um trabalho de conclusão de curso de terceiro como base para a transplantação da responsabilidade para o impugnante é presunção. A utilização de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilos fiscais, de dados de informática e utilização de planilhas unilaterais, que sequer foram fornecidas à parte, constitui uso de provas ilícitas. 26. O acusado deve ter ciência da prova na primeira oportunidade após a sua realização, não se podendo cogitar de prova não sujeita ao contraditório. PREJUDICIAL AO MÉRITO – NECESSIDADE DE SUSPENSÃO 27. O Código de Processo Civil, em seu art. 13, determina que, verificada irregularidade na representação do contribuinte no processo, a autoridade julgadora deve suspender o processo, determinando prazo razoável para ser sanado o defeito. Em face do disposto no art. 265, IV, o julgamento do processo deve ser sobrestado até que o processo principal seja apreciado. O mesmo art. 265, no seu inciso III, determina que se suspende o processo quando a sentença de mérito dependa do julgamento de outra causa ou da declaração de existência da relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente. 28. Há necessidade de o processo administrativo fiscal aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre a quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, realizada pelo Auditor Fiscal sem qualquer justificação ou fundamentação, já que a Lei Complementar nº105 é objeto de 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIN, toda apensadas à ADI 2390, ainda pendente de julgamento. 29. Se o processo prosseguir haverá a nulidade das exigências fiscais, pois realizado com base em leis objeto de ações questionando a sua inconstitucionalidade. 30. A Portaria MF nº 103/2002 já previu que, no caso de julgamento pelo STF, os órgãos administrativos julgadores devem automaticamente adotar o seu entendimento jurisprudencial. Devem ser aguardados os julgamentos, a fim de que as decisões administrativas não sejam proferidas em confronto com o entendimento dessa corte. Fl. 12842DF CARF MF 22 31. Assim, a impugnante requer a suspensão do prosseguimento do processo administrativo fiscal, até a supressão da causa impeditiva à continuidade da exigência fiscal. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO IMPUGNANTE – IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE A TERCEIRO 32. Não foi provado que o impugnante recebia recursos da pessoa jurídica autuada. A Auditoria sequer conseguiu provas de que o impugnante participou da administração da sociedade, como email ou mensagem, ordens, autorizações ou qualquer outro ato. 33. O impugnante tem outras atividades, sendo sócio de uma empresa que comercializa equipamentos eletrônicos, além de prestar serviços na mesma área, tudo devidamente declarado em seu Imposto sobre a Renda. “O simples fato de ser filho de Samuel Tolardo não implica em dizer que todas as auto peças que sofreram autuação fiscal são de responsabilidade de seu falecido pai”. Mesmo que ficasse configurada a responsabilidade de seu genitor, esse fato não é suficiente para a transferência da responsabilidade efetuada. 34. O impugnante nunca teve procuração da empresa ou de seus sócios para administrála. As procurações mencionadas dizem respeito a outros fatos e outras pessoas. Não há comprovação de atos praticados por ele que pudessem gerar débitos. 35. Não há vinculação do impugnante com os fatos geradores, tampouco o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Seria necessária a sua participação efetiva no fato gerador do tributo, conjuntamente com os outros sujeitos passivos. 36. O art. 134 do CTN dispõe que a responsabilidade de terceiros somente ocorre nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte. 37. Tampouco o impugnante se enquadra no art. 135 do CTN. Não é sócio da empresa, não a administra e ela continua ativa e sujeita à exigibilidade da autuação fiscal. Ademais, se não há responsabilidade do sócio gerente pelo simples inadimplemento do tributo, não pode haver a responsabilização objetiva do impugnante. 38. Os atos praticados foram descaracterizados pela Auditoria sem cumprimento do art. 116, parágrafo único, do CTN. Inexiste lei ordinária e, consequentemente, a previsão dos procedimentos para a desconsideração de atos e fatos jurídicos, como fez a fiscalização. Além disso, para a desconsideração da personalidade jurídica, é necessária autorização judicial, não tendo o Auditor Fiscal poderes para tal. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE BENEFÍCIO PELO IMPUGNANTE 39. A responsabilização do impugnante foi pautada em documentos unilaterais elaborados por terceiros, sem qualquer identificação do Impugnante, tendo havido mera presunção. 40. Os fiscais reconhecem que as planilhas se referem a anos anteriores ao período lavrado, não podendo servir de prova, tratandose de mera presunção. 41. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no Relatório Fiscal terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Sr. Samuel Tolardo não é suficiente para a responsabilização de 70 empresas e seus respectivos sócios e de toda a família Tolardo, indicados equivocadamente como sócios de fato. Fl. 12843DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.833 23 42. Não existe previsão legal expressa que albergue a responsabilização efetuada. A lei não estabelece que familiares ou qualquer sócio eventualmente de fato devam ser responsáveis por solidariedade. 43. O legislador não pode estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas físicas e jurídicas, desconsiderando a personalidade jurídica e descaracterizando as sociedades limitadas, implicando em irrazoabilidade e afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal. 44. O enquadramento no art. 124, I, do CTN não pode prosperar, uma vez que as empresas são absolutamente autônomas, com sócios distintos, localizadas em bairros, cidades e estados distintos, sem qualquer identidade em seu quadro social e objeto social, com quadro de funcionários próprio. Não se trata sequer de grupo econômico, pois possuem administração própria e descentralizada e não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário. 45. Ademais, o simples fato de as empresas se apresentarem como um grupo empresarial para o mercado não é suficiente para caracterizar a solidariedade por grupo econômico, devendo haver a comprovação de existência de unidade jurídica de controle ou planificação de atividade de forma que seja interligada a utilização da mão de obra, o que não se verifica no caso. 46. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN se realiza quando todos os devedores tenham realizado conjuntamente o fato gerador, o que não se vislumbra no processo. No caso, os “sócios de fato” não praticaram o fato gerador em conjunto com a empresa. 47. Não foi concebido um único ato, por exemplo, em que o impugnante ou qualquer membro da sua família tenha realizado o fato tributário, sendo temerário, excessivo e ilegal a sua responsabilização. Afirmar que ele sabia de tudo não é suficiente para que lhe seja imputada a responsabilidade solidária, mormente quando ela é absolutamente estranha à empresa. 48. O simples fato de algumas sociedades pertencerem a um grupo econômico não acarreta a responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, do CTN, ficando a Fazenda Pública impedida de imputar ao grupo a corresponsabilidade, já que o interesse em comum era apenas econômico e não jurídico. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 49. O prazo decadencial está previsto no art. 173, I, do CTN. A extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V, do CTN, que estipula ser de cinco anos o prazo para o lançamento do crédito tributário. 50. O lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que não ocorreu. Assim, a Fazenda não constituiu devidamente o crédito tributário em relação à impugnante, já que não foi realizado o lançamento e a respectiva cientificação. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, portanto, decaiu. 51. Não acatada a decadência, requer seja acatada a prescrição dos créditos tributários. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGADOS, AVULSOS, AUTÔNOMOS ETC. 52. O Auditor Fiscal não nominou no seu relatório os empregados a quem a empresa teria efetuado os pagamentos, tampouco a forma e as condições do Fl. 12844DF CARF MF 24 pagamento. Baseouse em documentos apócrifos, unilaterais e inservíveis como prova. Em consequência, a Notificação é improcedente e nula. Foi infringido o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e o direito da impugnante à ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE – IMPOSSIBILIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 53. A redação original do art. 195, I, da Constituição Federal somente se referia à folha de salários, sendo inconstitucional a redação original da Lei nº 8.212/1991 que fazia incidir a contribuição sobre quaisquer rendimentos pagos ao trabalhador. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/1998, o art. 195, I, da Constituição foi alterado para albergar quaisquer rendimentos do trabalho pagos à pessoa física. Assim, é flagrante a inconstitucionalidade da exigência da contribuição sobre a remuneração até 1999. 54. Mesmo após a Emenda Constitucional nº 20/1998, sobre as verbas com caráter indenizatório não incidem as contribuições previdenciárias, uma vez que não constituem retribuição pelo trabalho, mas sim objetivam reparar uma perda, repondo o patrimônio do ofendido. São elas: adicionais de periculosidade, insalubridade, noturno, abono de férias, horas extraordinárias, gorjetas, prêmios, abonos, ajudas de custo, diárias de viagens e outras. Da mesma forma, verbas não habituais não podem ser tributadas. 55. Assim, devem ser excluídas da base de cálculo lançada os valores que não são salário strictu sensu, com novos cálculos dos valores devidos. INEXIGÊNCIA DO SALÁRIOEDUCAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE 56. A contribuição denominada SalárioEducação não é contribuição para a Seguridade Social e não se enquadra no art. 240 da Constituição Federal. Dessa forma, o art. 1º da Medida Provisória nº 1.5651/97 e o art. 15 da Lei nº 9.424/1996 são inconstitucionais por elegerem a folha de salários como base de cálculo dessa contribuição, pois tal verba somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social. INEXIGÊNCIA DO INCRA – EMPRESA DE PREVIDÊNCIA URBANA 57. O INCRA não é exigível, pois a empresa autuada é urbana e não exerce atividade rural. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 58. Mesmo que a empresa fosse contribuinte do INCRA, o STF equiparou tal contribuição àquelas das entidades de promoção profissional, “juridicizada pelo art. 21, §2º, da Carta de 1969”. Essa espécie de contribuição foi prevista na Constituição de 1988, no seu art. 149. Não tem, pois, natureza de contribuição para a Seguridade Social. De acordo com a Constituição de 1988, a folha de salários somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e de formação profissional vinculada ao sistema sindical (art. 240). 59. O art. 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que determinou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, não fez alusão às contribuições, como fez o art. 240 da Constituição Federal. Assim, houve a revogação da lei anterior relativa ao INCRA, por incompatível com a existência do SENAR, não havendo a recepção pela Constituição de 1988. INEXIGÊNCIA DO SAT – NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR 60. Quanto ao SAT, apesar de seu nomen juris indicar que se trata de uma contribuição complementar ou adicional à contribuição prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/1991, é na verdade mais um tributo incidente sobre a mesma base de cálculo. Assim, é totalmente inconstitucional, pois os arts. 195, §4º, e 154, I, da Fl. 12845DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.834 25 Constituição Federal dispõem que a criação desse tributo somente poderia ocorrer por lei complementar. 61. Sob outro aspecto, o SAT é inconstitucional porque sua alíquota é definida por ato exclusivo do Poder Executivo, o qual definiu, por meio dos Decretos números 612/1992 e 2.173/1997 sua base de cálculo e alíquotas. Esse é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do STJ. ILEGALIDADE DA COBRANÇA SOBRE VERBAS 62. Devem ser excluídas, por falta de previsão legal, todas as verbas de caráter indenizatório, tais como: valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado; aviso prévio indenizado e a projeção dele decorrente de um avo de décimo terceiro salário; o adicional de 1/3 (um terço) de férias, o abono de férias, férias indenizadas, saláriomaternidade, vale transporte, valores recebidos a título de ganhos eventuais, os abonos expressamente desvinculados do salário e o auxílioalimentação. 63. Já está pacificado no STJ o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio doença pago pelo empregador nos primeiros 15 (quinze) dias da licença, por constituir verba decorrente de inatividade, que não possui natureza salarial. 64. O art. 28, §9º, “e”, “7”, da Lei nº 8.212/1991 exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores recebidos a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. 65. O Pleno do egrégio STF, ao julgar o Recurso Extraordinário 478.410/SP em 10/03/2010, pacificou entendimento de que, mesmo quando pago em pecúnia, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte. 66. No próprio Relatório Fiscal consta que a empresa forneceu auxílio alimentação in natura a seus empregados. O STJ já se manifestou no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja ou não o empregador inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. 67. A União desistiu das ações que discutem o fornecimento in natura do auxílioalimentação, bem como do valor pago a título de valetransporte e seguro de vida. A AdvocaciaGeral da União – AGU e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN publicaram orientações para que os procuradores não recorram mais nessas situações. Há especificamente o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011 sobre o auxílioalimentação. INEXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO SISTEMA “S” AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO DA ARRECADAÇÃO 68. As contribuições destinadas ao SESC, SENAC, SESI e SENAI são tributos vinculados, devendo haver uma contraprestação ao contribuinte por parte da entidade arrecadadora, o que não ocorre no caso das empresas de prestação de serviços. As entidades beneficiadas com a contribuição são aquelas destinadas aos comerciários, sendo o objetivo a melhoria das suas condições de trabalho e a promoção de cursos de qualificação. MULTA Fl. 12846DF CARF MF 26 69. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício ou de rendimentos. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos também não autoriza a qualificação da multa. Ademais, a impugnante não pode responder pela empresa e sequer tinha conhecimento do mandado de procedimento fiscal, não podendo serlhe infringido ato praticado por outrem, o que ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 70. Assim, a multa deve ser excluída, mesmo porque não se pode aplicar dupla penalidade: uma pelo arbitramento dos lucros e outra pela não entrega dos documentos, pois ambas decorrem do mesmo fato. 71. Não foi comprovado o intuito de fraude. 72. A multa tem caráter confiscatório e fere os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, pois hodiernamente se admite pena em valor não superior a 2%, conforme Lei nº 9.298/1996. A proibição constitucional de confisco se estende às multas, não se restringindo somente aos tributos. A Administração não pode locupletarse em face dessa cobrança excessiva. O Tribunal Pleno do STF já entendeu que são abusivas as multas moratórias que superam os 100%. No caso, aplicouse duplamente a multa de 150%. O Min. Celso de Mello, em decisão monocrática no RE 754.554/GO reconhecer ser confiscatória multa de 25%. 73. Não há prova de que foi concedido prazo razoável à contribuinte para apresentar os documentos, “até porque a Impugnante não foi intimada de nada disso”. 74. Dessa forma, a multa deve ser excluída ou, eventualmente, reduzida para, no máximo, 10% (dez por cento). Caso não sejam acatados esses pedidos, pede que a multa seja reduzida de 150% para 75%. 75. A impugnante não praticou nenhuma fraude ou omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Não houve fraude, nem sonegação, pois a empresa entregou todos os documentos solicitados, informando, inclusive, que os demais estavam em poder da Polícia Federal. Ademais, o CARF decidiu que, havendo o arbitramento, que já é uma penalidade, não cabe o agravamento da multa. 76. Houve bis in idem, já que “utilizouse da infração à legislação previdenciária e da legislação do imposto de renda”. O Auditor Fiscal aplicou a multa prevista na legislação previdenciária e também a multa de 150% prevista na legislação tributária em geral, cumulando várias penalidades para o mesmo fato. TAXA SELIC 77. É ilegal a aplicação da Taxa SELIC não deve ser aplicada para correção de créditos tributários. Essa taxa tem caráter estritamente remuneratório e embute os juros e a correção monetária, sendo elevada e onerosa para o contribuinte. Ademais, não foi estipulada em lei, havendo a sua estipulação pelo Banco Central contraria o art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional, que exige a instituição da taxa de juros por lei ordinária. 78. O Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento de que a aplicação da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional. 79. Não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse sentido já se manifestaram o CARF e o Superior Tribunal de Justiça. Assim, a impugnante pleiteia seu afastamento do Auto de Infração. 80. Além disso, os juros somente poderão incidir depois de decorrido o trâmite procedimental administrativo, a partir da intimação para pagamento depois do julgamento, caso seja mantida a condenação. Fl. 12847DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.835 27 PROVAS E IMPUGNAÇÃO 81. Deve haver igualdade entre o contribuinte e a Receita Federal do Brasil no processo. Enquanto esta última teve mais de dois anos para analisar os documentos, o impugnante teve que se contentar com 30 dias, ainda sem acesso ao conteúdo dos autos, por problemas técnicos da própria Receita Federal. 82. As provas são nulas porque os Auditores Fiscais consideraram provas ilícitas para justificar a caracterização de grupo econômico e arbitrar o faturamento, obtidas em locais que sequer possuem relação com a impugnante. 83. Caso não seja considerada a nulidade de tais provas, o impugnante requer a realização de perícia e colheita de depoimentos, cujos quesitos e rol serão apresentados quando ela tiver acesso ao conteúdo integral do processo. O impugnante está impossibilitado de elaborar quesitos sem conhecimento prévio e amplo da acusação e da documentação em poder do Fisco, sob pena de violação ao devido processo legal. REQUERIMENTOS FINAIS 84. Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de responsabilidade. 85. Requer a produção de provas pericial e oral e a juntada de documentos em ulterior fase, em razão do exíguo prazo que lhe foi concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservandose o direito de complementar a defesa após ter acesso ao conteúdo integral do processo administrativo fiscal. 5 Impugnação de Íris da Silva Tolardo Íris da Silva Tolardo foi intimada em seu endereço de Maringá/PR em 10/12/2014 e em seu endereço em São Paulo/SP na mesma data, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação na qual, em essência, repete as alegações relatadas quando da descrição da impugnação de Rogério Márcio Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. 6 Impugnação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi intimada em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014. A correspondência enviada para o seu endereço em São Caetano do Sul/SP foi devolvida com o motivo “Mudouse”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. 7 Impugnação de Samuel Tolardo Júnior Fl. 12848DF CARF MF 28 Samuel Tolardo Júnior foi intimado pelos Correios, com AR, em 12/12/2014, no mesmo endereço declarado por ele nas suas DIRPF do anocalendário 2013, exercício 2014, e anocalendário 2014, exercício 2015, situado no Rio de Janeiro/RJ. Foi intimado também em Curitiba/PR, pelos Correios com AR, em 10/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. É o relatório. As impugnações apresentadas renderam ensejo à prolação do Acórdão nº 08 34.104, da 6ª Turma da DRJ/FOR, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. DOLO E FRAUDE. Para fins do cômputo do prazo de decadência, tendo ocorrido dolo e frade, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contando se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. Não deve ser deferida a oitiva de testemunhas, quando não foi especificado na impugnação o fato que seria provado, bem como sequer foi apresentado o rol. PRELIMINAR DE NULIDADE. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa se os fatos e a fundamentação legal foram minuciosamente descritos nos relatórios que compõem o Auto de Infração e o contribuinte e os responsáveis solidários foram devidamente intimados, tendolhes sido concedido o prazo legal para defesa e oportunizada a consulta aos autos do processo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. TERMOS EMITIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Mesmo se houver equívocos na formalização do MPF, tendo sido emitidos os termos previstos no art. 196 do Código Tributário Nacional e no art. 8º do Decreto nº 70.235/1972 nos moldes legais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. Fl. 12849DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.836 29 SOLIDARIEDADE. FRAUDE E DOLO. USO DE LARANJAS. EMPREENDIMENTO ÚNICO FORMALMENTE MASCARADO COMO VÁRIAS EMPRESAS PRETENSAMENTE INDEPENDENTES. Comprovado que houve fraude e dolo na ocultação dos verdadeiros sócios administradores de empreendimento único, apenas formalmente constituído por várias empresas, com o uso de laranjas, há infração à lei e ao contrato social, respondendo os verdadeiros sócios como responsáveis solidários pelo crédito tributário previdenciário, por previsão do CTN, art. 135, III. Se essas pessoas participarem dos atos que originaram os fatos geradores, também há enquadramento no art. 124, I, do mesmo código. UTILIZAÇÃO DE PROVAS COLHIDAS EM INQUÉRITO POLICIAL E EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS FISCAIS. A utilização, como base para o lançamento de crédito tributário, de provas colhidas em inquérito policial e processo administrativo fiscal diverso não é proibida, desde que sejam submetidas ao rito processual previsto em lei, com a abertura de prazo para defesa e possibilitação do exercício do direito ao contraditório. Não há ilegalidade na quebra de sigilo fiscal, bancário e de comunicações autorizada pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. EDITAL. A intimação pessoal não tem precedência sobre a intimação por via postal, com aviso de recebimento, efetuada no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Sendo improfícua essa intimação, é válida a intimação por edital. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STF E STJ NOS ACÓRDÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A tese exarada em decisão definitiva do STJ ou do STF, na forma dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos), deve ser reproduzida pelo órgão julgador da primeira instância administrativa apenas na hipótese da comunicação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Fl. 12850DF CARF MF 30 PGFN de que, com base na Lei nº 10.522/2002, não mais contestará ou recorrerá sobre a matéria. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUINTE. A Lei nº 9.424/1996 não excepciona nenhuma empresa da obrigatoriedade do recolhimento do SalárioEducação, motivo pelo qual o art. 2º do Decreto nº 6.003/2006, estabelece que são contribuintes de tal contribuição as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. INCRA. EMPRESAS URBANAS. A contribuição destinada ao INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e é devida pelos empregadores em geral, inclusive por empresas urbanas. GILRAT. ALÍQUOTA CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Para apuração da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 (GILRAT), o enquadramento da empresa no correspondente grau de risco para fins de apuração a alíquota é objetivo, dependendo do tipo de atividade preponderantemente exercida pela empresa, de acordo com as atividades especificadas no anexo ao Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Tendo a Auditoria identificado os montantes que compuseram as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive identificando cada segurado empregado, não basta alegar de forma genérica que há verbas que não sofrem incidência dessas contribuições, devendo ser apresentadas provas. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SESC E SENAC. São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas empresas que exercem atividades comerciais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu da seguinte forma: A.P.E Autopeças Eireli, ciência por edital eletrônico publicado em 18/11/2015 com data de ciência em 03/12/2015 (fl. Fl. 12851DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.837 31 12.792); Iris da Silva Tolardo, ciência por AR recebido em 29 de setembro de 2015 (fl. 12.622); Robson Marcelo Tolardo, ciência por edital eletrônico publicado em 18/11/2015 com data de ciência em 03/12/2015 (fl. 12.792); Rogério Márcio Tolardo, ciência por AR recebido em 01/10/2015 (fl. 12.626); Samuel Tolardo Júnior, ciência por AR recebido em 01/10/2015 (fl. 12.624); Jeane Cristine Tolardo, o AR foi devolvido ao remetente, contudo o edital não foi publicado porque ela compareceu espontaneamente para apresentação de recurso voluntário (fls. 12.716/12.787), data em que foi considerada intimada da decisão recorrida. Foram apresentados tempestivamente os recursos voluntários de: Rogério Márcio Tolardo em 21/10/2015 (fls. 12.641/12.712); Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore em 20/10/2015 (fl. 12.716/12.787). À fl. 12.794 foi lavrado termo de perempção em face de A.P.E Autopeças Eireli, Robson Marcelo Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Iris da Silva Tolardo. Em suas razões de recorrer, Rogério Márcio Tolardo alega, em síntese: Nulidade da intimação, por ter sido realizada em endereço diverso daquele indicado em sua impugnação, bem como porque teria recebido apenas intimação para acompanhamento desacompanhada da decisão proferida; Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, já que não teria obtido cópia dos documentos que justificariam a autuação (com essa alegação identificada como número 2 se confunde a de número 7 cerceamento de defesa); Nulidade da decisão recorrida por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa; Nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente: a decisão foi proferida por auditorfiscal e não por Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a"; Nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, em razão de não ter sido o recorrente cientificado da existência de processo de fiscalização contra si; Nulidade por ausência de intimação pessoal; Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente, pois não haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo dele com a empresa autuada; Nulidade por falta de motivação e fundamentação, já que a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração; Nulidade por ilegitimidade do auditorfiscal, que teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao recorrente sem indicar os motivos para tanto; Nulidade por ilicitude das provas utilizadas; Fl. 12852DF CARF MF 32 Como prejudicial de mérito, a necessidade de aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal STF acerca da possibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente por autoridade administrativa; No mérito, ausência de responsabilidade do recorrente, por ser pessoa estranha ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo; Ausência de responsabilidade do recorrente por inexistência de prova do seu benefício; O crédito tributário já estava extinto pela decadência e pela prescrição; A exigência é improcedente por ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos, o que prejudica o direito de defesa do recorrente; Inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista constitucionalmente, que se limita aos salários e não quaisquer rendimentos pagos à pessoa física como prevê a Lei nº 8.212, de 1991; Inconstitucionalidade do salárioeducação; Inexigência da contribuição ao INCRA por empresa urbana; Inexigência do SAT por necessitar de lei complementar; Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório; Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT; Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação; Exclusão ou redução da multa por aplicação dos enunciados nº 14 e 25 da Súmula de jurisprudência do CARF, por ausência de comprovação do intuito de fraude e pela aplicação do princípio de nãoconfisco; Redução da multa de ofício para 10% pela aplicação da proibição constitucional de confisco por tributos ou multas punitivas; Redução da multa de ofício para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa; Redução da penalidade por "bis in idem"; Inaplicabilidade da taxa Selic; Pede a realização de perícia e a colheita de depoimentos. O recurso voluntário apresentado por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore contém as mesmas razões de recorrer. É o relatório. Fl. 12853DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.838 33 Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Registro novamente que houve apresentação de recurso apenas pelos seguintes responsáveis solidários: Rogério Márcio Tolardo (fls. 12.641/12.712) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (fl. 12.716/12.787). Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Preliminares Nulidade da intimação Os recorrentes alegam nulidade da intimação da decisão recorrida porque esta não respeitou as indicações de endereço feitas nas impugnação, bem como porque ela não teria sido acompanhada de cópia do Acórdão prolatado pela DRJ. O Decreto nº 70.235, de 1972, regulamenta a intimação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal no seguinte dispositivo: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 12854DF CARF MF 34 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem Fl. 12855DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.839 35 entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (grifou se) Conforme se extrai da literalidade do artigo transcrito a intimação por via postal será feita no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e este domicílio é o endereço fornecido por ele para fins cadastrais. Portanto, não há qualquer indicação de que o endereço informado na identificação da impugnação possa servir como domicílio para fins de intimação. Aliás, verificandose as impugnações apresentadas, vêse que sequer existe pedido para que esse endereço seja considerado e os sujeitos passivos alegam expressamente nulidade da intimação do auto de infração por não ter sido observado o endereço constante da DIRPF (item 3.5 da impugnação). Por outro lado, não há nos autos elementos para a comprovação de que as intimações enviadas não continham cópia da decisão recorrida. Na verdade, as intimação nº 1337, de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife (fl. 12.583), dirigida a Rogério Márcio Tolardo menciona expressamente o envio de sua cópia. Deve ser considerado também que o Sr. Rogério Márcio Tolardo teve ciência da decisão de 1ª instância administrativa por AR recebido em 01/10/2015 (fl. 12.626) e protocolou o seu recurso voluntário em 21/10/2015 (fls. 12.641/12.712), logo, com uma sobra de doze dias de prazo. Caso houvesse falha no fornecimento da decisão, esta poderia ter sido suprida a contento neste prazo. Neste caso, o fato de ter protocolado seu recurso em data que antecede em mais de dez dias o prazo de que dispunha evidencia a ausência de prejuízo na alegada falha de intimação. Em outro diapasão, há nota no processo, datada de 18/11/2015, dando conta de que o edital destinado a intimar Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore não chegou a ser publicado porque esta apresentou recurso voluntário antes que se adotassem as providências para tanto. Logo, sua ciência ocorreu na data do protocolo de seu recurso, não fazendo sentido a alegação de que não recebeu cópia da decisão, já que a correspondência que lhe foi enviada com esse documento foi integralmente devolvida ao remetente (fls. 12.636/12.639). Pelas razões expostas, rejeito a preliminar argüida. Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa Os recorrentes alegam que não tiveram conhecimento da ação fiscal até a lavratura do auto de infração e dos termos de sujeição passiva solidária e que, após terem sido surpreendidos pela exigência que recaía sobre eles, solicitaram cópia dos documentos que justificariam a autuação, contudo ela não foi fornecida a tempo e no prazo da impugnação. Esta alegação é bastante séria e conduziria à reabertura do prazo para apresentação de defesa. Ocorre, porém, que não se faz acompanhar de qualquer comprovação. Neste caso, contrapondose à atuação de autoridade pública, que goza de presunção de legitimidade, faltalhe força para infirmar essa presunção legal. Fl. 12856DF CARF MF 36 Além disso, entre às folhas 11.286/11.378 do processo eletrônico, estão juntadas uma série de intimações da ação fiscal que contrariam as afirmações dos recorrentes de que não tiveram conhecimento desta e de que foram surpreendidos pelo termo de sujeição passiva solidária. No mais, adoto como razões de decidir o seguinte excerto da decisão de piso: Ocorre que todos os documentos nos quais se basearam os Auditores Fiscais foram juntados ao processo administrativo fiscal, o qual foi formalizado em processo eletrônico. A Lei nº 11.196, de 2005, introduziu no Decreto nº 70.235, de 1972, a possibilidade da prática de atos processuais por meio eletrônico. Esse tipo de processo pode ser acessado diretamente pelo contribuinte, seus procuradores ou pessoas devidamente autorizadas, conforme instruções facilmente encontradas no sítio da RFB na internet. Mesmo se considerando que os demandantes não pudessem consultar os documentos dos processos por não quererem optar pelo Domicílio Tributário Eletrônico –DTE, é direito do contribuinte ou interessado a extração de cópias do processo, bem como a vista (Decreto nº 7.574/2011, art. 146, §§ 2º e 3º), procedimentos efetuados corriqueiramente na RFB, bastando o preenchimento do formulário adequado, também disponibilizado no sítio da RFB na internet, bem como a apresentação dos documentos necessários. Os impugnantes alegaram que lhes foi negada a vista ou cópia do processo, entretanto não apresentaram prova alguma desse fato. Há pedidos deferidos que comprovam o contrário. Consta nos autos solicitação de cópia do processo em meio digital efetuada em 22/12/2014 por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Não há nenhum indício de que cabe à RFB e não a ela a responsabilidade por ter pego a mídia apenas em 09/02/2015, conforme atesta a sua assinatura, principalmente porque, ao invés do alegado, o seu pedido não foi negado, tendo a RFB se disposto a providenciar a cópia. O documento a que faz referência o excerto transcrito está à fl. 12.445 do processo. Preliminar de nulidade rejeitada. Nulidade da decisão recorrida É alegada também a nulidade da decisão de piso por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa. Quanto a esse aspecto, entendo que, embora a decisão deve ser fundamentada e levar em consideração os argumentos apresentados pelos impugnantes, pois isso consiste em uma das faces do contraditório (poder de influência), não há obrigatoriedade de análise de todos os argumentos de defesa. Com efeito, de acordo com o art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 489. São elementos essenciais da sentença: Fl. 12857DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.840 37 I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...) Isso significa que a omissão que vicia a decisão é aquela relativa a ponto que poderia alterar a decisão tomada. Nesse sentido, destaco o seguinte precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA): “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Fl. 12858DF CARF MF 38 No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.532.206 RJ (2015/01052895) relator o Ministro Marco Aurélio Bellizze: Ademais, não se exige do julgador examinar uma a uma as teses suscitadas pelo recorrente, tampouco a transcrição de fundamentos adotados per relationem à sentença, na esteira de precedentes desta Corte Superior (AgRg no AgRg no AREsp n. 630.003/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 19/5/2015; HC n. 103.158/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 8/6/2015; HC n. 315.106/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 11/3/2015; entre outros). Na hipótese em questão, devese considerar ainda o fato de que a alegação de nulidade da decisão foi efetuada de forma genérica, sem demonstrar a efetiva omissão e o prejuízo sofrido. Em contraponto, analisandose a decisão recorrida, vertida em um Acórdão de 67 páginas com o enfrentamento consciencioso de questões que foram repetidas na fase recursal, não é possível identificar o vício que lhe é impingido. Rejeito também essa preliminar. Nulidade da decisão proferida por autoridade incompetente Os recorrentes alegam também nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente, auditorfiscal e não Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a". Ocorre que o art. 64 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deu nova redação a esse artigo 25, alterando o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pela instituição do julgamento colegiado: Art. 64. O art. 25 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ................................................................ § 5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput." (NR) A regulamentação desse julgamento colegiado em 1ª instância dáse atualmente pela Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, de onde se extrai: Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. Fl. 12859DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.841 39 § 1º As Turmas Ordinárias podem ter até 2 (duas) Turmas Especiais a elas vinculadas, que serão instaladas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil no ato de designação dos respectivos julgadores e terão a mesma competência para julgamento atribuída às Turmas Ordinárias a que se vinculam. § 2º As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. § 3º As Turmas Especiais possuem caráter temporário, são integradas por julgadores pro tempore e dirigidas pelo Presidente da Turma Ordinária a que se vincula. § 4º A nomeação de Presidentes de Turmas e a designação de julgadores, titulares ou pro tempore, são de competência do Secretário da Receita Federal do Brasil. Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. (grifouse) Logo, improcedente a alegação de incompetência da autoridade que prolatou a decisão recorrida. Preliminar rejeitada. Nulidade por ausência de MPF Argumentam os recorrentes que o lançamento seria nulo por não terem sido cientificados da existência de processo de fiscalização contra eles. Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: 3. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. Fl. 12860DF CARF MF 40 5. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Por outro lado, no Termo de Intimação Fiscal nº 01 (fl. 1073) há a identificação do mandado de procedimento fiscal instaurado em face da empresa fiscalizada e do código de acesso para verificação de sua autenticidade. Pelos documentos de fls. 1077, 1080, 1085, 1090 e 1093 os sujeitos passivos solidários foram cientificados do termo de início da ação fiscal em face de algumas empresas e dos Termos de Intimação Fiscal em relação a outras, estando a empresa fiscalizada entre elas. Cabe ressaltar que não há, nas normas que regulamentam esse procedimento, previsão de que seja emitido MPF específico para os sujeitos passivos solidários. Nesse sentido, extraise do Acórdão nº 2202003.852, de relatoria da Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio: NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO. Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito a nulidade argüida. Nulidade por ausência de intimação pessoal Esta questão já se encontra superada em função do enunciado nº 9 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nulidade rejeitada. Nulidade por ilegitimidade passiva dos recorrentes Os recorrentes também alegam a existência de nulidade por ilegitimidade dos sujeitos passivos, pois não haveria prova que demonstre a existência de vínculo entre eles e a empresa autuada. Fl. 12861DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.842 41 Entendo que essa matéria poderia ser tratada como preliminar se houvesse um erro evidente de identificação do sujeito passivo, o que não é o caso. Em razão disso, a análise da legitimidade das pessoas apontadas como responsáveis solidários para integrar o pólo passivo da obrigação tributária deve ser tratada como matéria de mérito, o que será feito adiante. Rejeito a preliminar de nulidade por ilegitimidade passiva dos recorrentes. Nulidade por falta de motivação e fundamentação Segundo os recorrentes, a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração, o que caracterizaria falta de fundamentação para o ato. Ao contrário do que se alega, entretanto, o auto de infração, através de seus vários elementos integrantes, identifica não apenas os dispositivos legais aplicáveis à espécie (Relatório Fundamentos Legais do Débito fls. 11.010/11.011 e 11.038/11.039), como faz uma exaustiva descrição dos fatos que ensejaram a responsabilidade de todos os sujeitos passivos (documentos intitulados Relatório Previdência IME Parte A, Relatório Previdência IME Parte B e Anexo Relatório Previdência IME fls. 11.102/11.640). Portanto, não identifico a alegada ausência de motivação/fundamentação no lançamento. Rejeito. Nulidade por ilegitimidade da atuação do AuditorFiscal e por ilicitude das provas utilizadas Sob esse tópico, alegam os recorrentes que o AuditorFiscal teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes sem indicar os motivos para tanto. Asseveram que: A responsabilização capitulada pelo Auditor Fiscal, entretanto, escapa de sua competência, pois além de não estar prevista expressamente na lei de regência de sua atividade, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, fazêlo e desde que presentes os requisitos. Mais uma vez, não lhes assiste razão. Com efeito, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 12862DF CARF MF 42 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, o lançamento fiscal é o momento adequado para a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e, segundo o mesmo código: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifouse) Por outro lado, a Lei nº 10.593, de 2002, não deixa margem à dúvida sobre quem é a autoridade administrativa de que trata o CTN: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (...) Cumpre registrar, ainda, que o STJ, no âmbito do REsp 1110925/SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, em Acórdão de lavra do Ministro Teori Albino Zavaski, assentou que: Fl. 12863DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.843 43 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL SÓCIOGERENTE CUJO NOME CONSTA DA CDA. PRESUNÇÃO DE RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA ARGUIDA EM EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. PRECEDENTES. 1. A exceção de préexecutividade é cabível quando atendidos simultaneamente dois requisitos, um de ordem material e outro de ordem formal, ou seja: (a) é indispensável que a matéria invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz; e (b) é indispensável que a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. 2. Conforme assentado em precedentes da Seção, inclusive sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 1104900, Min. Denise Arruda, sessão de 25.03.09), não cabe exceção de pré executividade em execução fiscal promovida contra sócio que figura como responsável na Certidão de Dívida Ativa CDA. É que a presunção de legitimidade assegurada à CDA impõe ao executado que figura no título executivo o ônus de demonstrar a inexistência de sua responsabilidade tributária, demonstração essa que, por demandar prova, deve ser promovida no âmbito dos embargos à execução. 3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Essa decisão evidencia que a atribuição de responsabilidade tributária é questão afeta ao procedimento administrativo que dá origem à CDA. Ou seja, precede a instauração da execução fiscal. Embora seja possível o redirecionamento da execução a pessoas que não constem nesse título ou, ainda, que seja realizada a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o novo Código de Processo Civil, esses procedimentos se tornam necessários quando não foi efetuada a atribuição da responsabilidade no processo de sua formação (da CDA). Ou seja, esses procedimentos tem caráter residual e não têm o condão de excluir a competência da autoridade fiscal, lastreada no Código Tributário Nacional, norma com força de Lei Complementar. Em tempo, as provas foram obtidas através de decisões judiciais (fls. 633/645) em relação às quais não se demonstrou qualquer irregularidade. Embora os recorrentes aleguem a incompetência do juízo que determinou a busca e apreensão, a quebra dos sigilos e o compartilhamentos das informações, não demonstra que esse fato tenha sido assentado em decisão judicial, único meio capaz de infirmar a presunção de legitimidade que carrega uma decisão judicial. Portanto, assim como são improcedentes as alegações de incompetência da autoridade fiscal, não há que se falar em provas ilícitas. Rejeito também estas preliminares de nulidade. Prejudicial de mérito necessidade de aguardar decisão do STF Fl. 12864DF CARF MF 44 Em relação a essa matéria, deve ser registrado que não há mais previsão regimental para suspensão dos processos no âmbito do CARF para fins de se aguardar decisão dos tribunais superiores. A despeito disso, a constitucionalidade do comando que autoriza a fiscalização a obter informações bancárias dos contribuintes sem interferência do poder judiciário já foi decidida de forma favorável à Fazenda Nacional. Prejudicial de mérito rejeitada. Mérito Ausência de responsabilidade dos recorrentes No mérito, alegase ausência de responsabilidade dos recorrentes, por serem pessoas estranhas ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo. Quanto a essa alegação, em homenagem ao excelente trabalho realizado pela decisão de piso, transcrevo e adoto como razões de decidir o seguinte trecho do Acórdão em que consubstanciada: 8. Da Responsabilidade dos Envolvidos A solidariedade dos integrantes da família Tolardo não se baseou em presunções, mas em provas irrefutáveis de que eles administravam a sociedade, conforme se verá adiante. A solidariedade foi aplicada não porque eles são sócios de fato do empreendimento, mas porque agiram com infração à lei e ao contrato social das empresas (CTN, art. 135, III), a começar pela utilização de sócios laranjas, com o intuito evidente de escaparem de uma possível cobrança dos tributos devidos e sonegados. Quanto ao art. 124, I, do CTN, está presente, no caso, o interesse jurídico, não por as pessoas físicas serem da mesma família, mas por terem participado ativamente, ainda que de forma oculta, da administração das empresas e, por consequência, dos fatos geradores que originaram os Autos de Infração. A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no já mencionado Parecer PGFN/CRJ/CAT 55/2009, entendeu que a responsabilidade do administrador pode ser declarada quando da lavratura do auto de infração que formalizar o lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também pode ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no momento da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal. A responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos. Não há ilegalidade alguma na imputação da responsabilidade pelos Auditores Fiscais, os quais eram competentes para efetuar tal ato no momento em que apuraram os fatos que o fundamentava. Diante da constatação da existência da REDE PRESIDENTE e de sua administração pela família Tolardo, a ausência da vinculação formal de seus membros à empresa não os exime da responsabilização, diante do seu envolvimento de fato na administração de todo o empreendimento. Fl. 12865DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.844 45 Constavam no banco de dados utilizado pelo Programa Caixa várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Ademais, a planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”, encontrada nos pendrives de Odete, operadora do esquema, e Samuel Tolardo Júnior, corroboram os valores encontrados na base de dados do Programa Caixa, comprovando a distribuição de valores entre os componentes da família Tolardo. 8.1. Íris da Silva Tolardo Constam no relato da Auditoria Fiscal várias provas da participação de Íris da Silva Tolardo no esquema fraudulento. Íris da Silva Tolardo é a administradora/responsável formal pela empresa Agropecuária Valparaíso Ltda., empresa registrada em nome dos irmãos Tolardo. Essa empresa é proprietária do imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Maringá/PR. No local temse o endereço de três empresas do esquema: a Napa Parts, conforme logomarca na fachada do prédio, a PRTS e a Administradora Confiança. No endereço residencial de Daniel de Oliveira Junior foi encontrado instrumento particular, com caráter de escritura pública de cessão onerosa de direitos e obrigações, datado de 09/05/2008, referente a esse imóvel. A cessionária é a Agropecuária Valparaíso, naquele ato representada por Íris da Silva Tolardo. O imóvel localizado no bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência sem qualquer tipo de identificação, foi registrado no nome de Daniel de Oliveira Junior, importante operador do esquema. Ele passou uma procuração para a família Tolardo, inclusive para Íris da Silva Tolardo, em 22/06/2009, concedendo poderes par vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convenciarem. Sendo esse imóvel utilizado pelo esquema, a procuração é um inequívoco elemento que vincula Íris da Silva Tolardo à REDE PRESIDENTE. Íris da Silva Tolardo serve como caucionante (garantidora) do contrato de locação de um imóvel (galpão industrial) locado pela REDE PRESIDENTE em Barueri/SP, endereço de uma das empresas do esquema, SMA Auto Parts Indústria e Comércio de Peças Automotivas Ltda, responsabilizandose por todas as obrigações assumidas, entretanto o contrato foi feito em nome de Rosangela Maria Mantovani, sócia laranja da SMA. A locação do imóvel residencial situado na Av. Perseu, em São José dos Campos, para o período fevereiro/2008 a fevereiro/2011, foi garantida por Íris da Silva Tolardo, que ficou solidariamente responsável por todas as obrigações decorrentes do contrato. A locatária é a empresa PRS, então denominada Retificadora Presidente Prudente Peças para aVeículos Ltda. Íris da Silva Tolardo injetou recursos na REDE PRESIDENTE no final de 2011, depositando R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) em conta da PRTS Fl. 12866DF CARF MF 46 Distribuidora de Peças Ltda. Tratase pretensamente de um empréstimo, porém as condições são extremamente benéficas, com um prazo de cinco anos para pagamento com os juros da poupança, certamente motivadas por ser investimento em negócio próprio, já que, de fato, era uma das proprietárias da REDE PRESIDENTE. O cheque emitido para a efetivação do empréstimo é de uma conta conjunta de Íris da Silva Tolardo com Samuel Tolardo Júnior, outro membro da família e proprietário do esquema. Na residência de Robson Marcelo Tolardo foi encontrado outro depósito feito por Íris da Silva Tolardo em favor da PRTS Distribuidora de Peças Ltda., no valor de R$.990.000,00 (novecentos e noventa mil reais), efetuado em 14/07/2010. Ademais, Íris da Silva Tolardo é usuária de um cartão de crédito AMEX conjuntamente com os demais integrantes/proprietários do esquema e cujas faturas são pagas pela REDE PRESIDENTE. O caseiro de Íris da Silva Tolardo, Antônio Prudente Ferreira, depôs à Polícia Federal em 17/10/2012 e disse que nunca trabalhou para nenhuma empresa, entretanto os acertos relativos ao seu vínculo trabalhista eram feitos pela REDE PRESIDENTE, conforme quatro interceptações telefôncias entre Antônio e Fabiana, do Departamento Pessoal da rede, e “Nego”, outro funcionário do esquema. Ademais, ele consta na “Relação detalhada de valores” da REDE PRESIDENTE (MGA233.9) emitida em 16/02/2011, onde está escrito que ele teria sido admitido em 1º/08/1989 e seria Auxiliar de Serviços Gerais do Departamento Geral da Filial 98 – MTZ MGA. Outra evidência da ligação de Íris da Silva Tolardo com o esquema é a ligação telefônica de 05/05/2012 entre ela e uma amiga (Leda ou Hieda), quando fala com naturalidade sobre o comportamento de Odete Cardoso Berti, uma funcionária do esquema. Nesse telefonema ela disse: “pelo telefone não posso falar muita coisa, também. Entendeu?”. Esse fato demonstra não só a sua participação, mas também que ela tinha conhecimento da ilicitude do esquema. Em conversa telefônica de Íris da Silva Tolardo com sua filha, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, de 22/05/2012, novamente ela demonstra pleno conhecimento das atividades do esquema. A conversa gira em torno das novas atribuições da família com a aquisição do Grupo Emprepar. Nessa conversa ela diz que da forma como está, o filho Robson Marcelo Tolardo tem muito poder em detrimento dos outros filhos e reclama da esposa e filha dele, Paula e Amanda, respectivamente. Acrescenta, ainda, que Paula bajula demais Liderci e que acha que isso se deve ao fato de Liderci saber de “tudo”. Edson Barbosa da Silva, irmão de Íris da Silva Tolardo, em depoimento à Polícia Federal, disse claramente que a REDE PRESIDENTE pertence à sua irmã. 8.2. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Há robustas provas de que Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore participava ativamente do esquema, especialmente como administradora do grupo de empresas adquirido, Embrepar. Foram, inclusive, interceptadas pela Polícia Federal ligações telefônicas entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou a Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore os procedimentos do negócio adquirido. Fl. 12867DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.845 47 Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi sócia da Administradora Confiança. Foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas para ela: outorgada por Geraldo Richter com poderes para vender ou incorporar as quotas da REDE PRESIDENTE (07/11/2002); outorgada pela RPT (representada por Geraldo Richter) para representação perante bancos (07/11/2002); outorgada pela RPT com poderes amplos e gerais (07/11/2002), outorgada pela RPT para representá la em bancos com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela RPT com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela Nobre Participações Ltda. (representada pela sócia laranja Mirian Coutinho de Lima para ela e seu irmão, Samuel Tolardo Júnior, conferindo poderes amplos e gerais (25/08/2004). Para que Daniel de Oliveira Junior, funcionário do esquema, locasse um imóvel em Maringá/PR, foi necessário um fiador, papel exercido por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e seu marido. Outro imóvel cuja locação teve Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore como fiadora foi o do bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR (aluguel do período 10/03/2011 a 09/03/2014) cuja locatária era Ana Maria Gimenez de Souza é importante operadora do esquema. Há, ainda, o contrato de locação de um barracão comercial em Bauru/SP, usado pela REDE PRESIDENTE, Filial 18. O contrato tem como locatária Fernanda Cristina de Lima dos Santos, usada como laranja na RPFL Auto Peças Ltda., e como fiadora Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Além disso, existem imóveis de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore que são usados pela REDE PRESIDENTE: galpão situado em Londrina/PR locado à REDE PRESIDENTE – Filial 14 e imóvel utilizado pelo esquema no Rio de Janeiro/RJ; imóvel comercial em Petrolina/PE, com galpões de estocagem, avaliado por laudos em R$.750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) e R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). O primeiro laudo aponta como solicitante e ocupante do imóvel a empresa Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. Distribuidora de Auto Peças e como proprietária Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Outro imóvel de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore utilizado pela REDE PRESIDENTE localizase em Imperatriz/MA, no endereço cadastral da IME Peças para Veículos Ltda. – ME. Foi encontrado laudo de avaliação datado de 23/03/2011, no qual ela consta como proprietária e Liderci Luriko Nagabe de Oliveira como solicitante. O imóvel foi avaliado em R$ 1.350.000,00 (um milhão, trezentos e cinquenta mil reais). O imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Feira de Santana/BA (Filial 74) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme laudos de avaliações realizadas em novembro/2011. As fotos que constam no laudo mostram que na fachada havia a logomarca da REDE PRESIDENTE. Esse imóvel foi avaliado em R$.1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) por um laudo e em R$ 1.516.000,00 (um milhão, quinhentos e dezesseis reais) por outro. Também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore o imóvel utilizado pelo esquema em Piracicaba/SP (Filial 75), conforme laudos de avaliação feitos em 2011. O imóvel foi avaliado em R$ 1.524.705,05 (um Fl. 12868DF CARF MF 48 milhão, quinhentos e vinte e quatro mil, setecentos e cinco reais e cinco centavos) e R$ 1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil reais). Foi encontrado o registro desse imóvel. Constam também como de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore 3 (três) lotes de terrenos contíguos em Fos do Iguaçu/PR, cujo barracão ali instalado serve de extensão para a PRE Comércio e Distribuição de Peças Ltda. (Filial 44), conforme certidão de escritura pública de compra e venda. A compra desse imóvel foi feita por procuração, justamente por Robson Marcelo Tolardo. O imóvel usado pela REDE PRESIDENTE em Londrina/PR (Filial 14) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme contrato de locação de 02/01/2007. Há, ainda, o imóvel registrado no me da filha de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, a menor Julia Tolardo Dalle Ore, usado em Porto Alegre/RS pela REDE PRESIDENTE (Filial 60). Todos esses imóveis, com exceção dos de Foz do Iguaçu/PR e Imperatriz/MA, foram transferidos à empresa Zenith Administradora de Bens e Participações Ltda., a título de integralização do capital. Essa é uma das empresas criadas para administrar os bens da família Tolardo, tendo como sócia a própria Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e suas filhas, Isabela Tolardo Dalle Ore e Julia Tolardo Dalle Ore. Os imóveis eram controlados pela REDE PRESIDENTE, segundo constatado em planilha encontrada por ocasião do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão. Nessa planilha foi, ainda, identificado um imóvel denominado “C.MOURÃO”, para o qual encontrouse um laudo de avaliação de 28/08/2012 para imóvel situado em Campo Mourão/PR, com valor estimado de R$.440.000,00, de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Quanto ao imóvel identificado na planilha como “SPINHAIS”, foram localizados os registros dos imóveis de matrículas 19.136, 19.139, 19.140, 19.141, 19.142 e 19.143 no Registro de Imóveis de São José dos Pinhais/PR, adquiridos por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore em 25/08/1997. 8.3. Rogério Márcio Tolardo Foram relatadas várias provas da atuação de Rogério Márcio Tolardo, como: a. Procuração de 10/10/1996 da então Foramec Auto Peças Ltda. (atual RPT), representada por ele e por seu irmão Samuel Tolardo Júnior, constituindo um procurador para representar a empresa perante repartições públicas; b. Procuração outorgada a ele por Adanice Gonçalves de Jesus, conferindolhe poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/20000; c. Procuração outorgada a ele pela empresa Rede Presidente Ltda., conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes, datada de 03/04/2000; d. Procuração outorgada a ele em 07/101/2002 por Geral Richter (então laranja da RPT), conferindolhe amplos e gerais poderes para vender ou incorporar as quotas da RPT ou assinar quaisquer contratos de compra e venda, inclusive alterações contratuais; e. Procuração datada de 07/11/2002, por meio da qual a Rede Presidente, representada por Geraldo Richter, concedelhe amplos e gerais poderes para Fl. 12869DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.846 49 representar a empresa perante quaisquer estabelecimentos bancários, públicos ou privados do país; f. Procuração de 07/11/2002, outorgada a ele pela Rede Presidente, representada por Geral Richter, conferindolhe amplos e gerais poderes para constituir advogados, com todos os poderes inerentes. Na época do cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão, Rogério Márcio Tolardo residia em Curitiba/PR, onde é sócio de uma loja de aparelhos eletrônicos para uso doméstico, W2X – Comércio e Serviços de Equipamentos. Apesar de essa empresa aparentemente não ter relação com o esquema REDE PRESIDENTE, no período de abril/2005 a janeiro/2010, era seu sócio Francisnei Paulo Ferrarini, mero funcionário do esquema. Fracisnei também foi usado como laranja da FEMAMAR Repres. Comerciais Ltda., empresa da REDE PRESIDENTE, que fica no mesmo endereço de uma das filiais da RPT. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 17/10/2012, Francisnei afirma que figurou como sócio da W2X a pedido de Rogério Márcio Tolardo, porém jamais exerceu qualquer atividade nessa empresa, gerida exclusivamente por Rogério. Notese que Fransicnei diz que aceitou a proposta porque tinha uma relação de amizade ou seria alguém de confiança de Rogério Márcio Tolardo, o que, por óbvio, decorreu da atuação e posição deste último na REDE PRESIDENTE. A participação de Rogério Márcio Tolardo fica mais clara diante dos imóveis de sua propriedade controlados pela planilha já mencionada, onde se constata ser ele proprietário de 6 (seis) imóveis: a. Um galpão em Guarulhos/SP, pertencente também a Samuel Tolardo Júnior. Foi localizado um contrato de locação de 1º/01/2010, constando ambos os irmãos como locadores e a RPT como locatária. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi encontrada uma avaliação do imóvel de maio/2011, no valor de R$ 25.758.128,00 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e oito mil, cento e vinte e oito reais). Apesar de o valor para locação do imóvel ser R$.257.581,28 (duzentos e cinquenta e sete mil, quinhentos e oitenta e um reais e vinte e oito centavos), os irmãos o locam por R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Em dezembro/2009, esse imóvel foi dado em caução como garantia de um contrato de locação não residencial celebrado pela Fort Lub Produtos Automotivos Ltda.; b. Dois terrenos contíguos onde está construído um barracão usado pela REDE PRESIDENTE em Foz do Iguaçu (empresa PRE, Filial 44); c. Um terreno localizado em Maringá/PR, área muito bem localizada pertencente ao esquema; d. Imóvel localizado em Cabuy, Presidente Prudente/SP, onde funciona a Filial 38. No contrato de locação encontrado, datado de 1º/01/2010, a locatária é a empresa Rolcar Auto Peças, do esquema REDE PRESIDENTE; e. Imóvel localizado em Uberlândia/MG (Filial 64). Foi encontrada cópia da matrícula do imóvel. Fl. 12870DF CARF MF 50 Posteriormente, esses imóveis foram dados como integralização de capital de uma das empresas do esquema, Magno Administradora de Bens e Participações Ltda. O capital, que era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) passou para R$ 1.039.765,00 (um milhão, trinta e nove mil, setecentos e sessenta e cinco reais). Outro indicativo da posição de Rogério Márcio Tolardo é dado em conversa telefônica entre sua mãe e Leda ou Hieda, que o compara a Robson Marcelo Tolardo e comenta que Rogério também é sócio. Em outras duas gravações efetuadas pela Polícia Federal, constatase a existência de repasses ou pagamentos mensais que a família Tolardo fazia ao sócio Rogério Márcio Tolardo. 8.4. Samuel Tolardo Júnior No apartamento de Samuel Tolardo Júnior em Curitiba/PR, foram encontrados vários documentos relativos ao esquema. Ele participa há bastante tempo, como comprova a procuração da RPT, então Foramec Auto Peças Ltda., datada de 10/10/1996. Nessa procuração, ao lado de seu irmão Rogério Márcio Tolardo, ele consta como sócio da empresa que, praticamente, inaugurou a REDE PRESIDENTE. Ademais, Samuel Tolardo Júnior (ou Júnior) foi diversas vezes mencionado na escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, como, por exemplo, em conversa de 22/05/2012 entre sua mãe e sua irmã, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, na qual fica clara a sua participação na empresa recém adquirida do Grupo Embrepar. Em outra interceptação telefônica, do dia 1º/08/2012, entre ele e Ana Maria Gimenez, resta evidente o seu envolvimento na análise de questões operacionais, como transferências dentre filiais e estoque negativo. Um imóvel onde se localizava um dos bunkers da REDE PRESIDENTE estava registrado no me de Daniel de Oliveira Júnior, constando uma procuração desse operador do esquema para a família Tolardo, inclusive para Samuel Tolardo Júnior, datada de 22/06/2009, concedendo poderes para vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar esse imóvel. O endereço de Samuel Tolardo Júnior que consta nessa procuração é, na verdade, o endereço de uma filial da REDE PRESIDENTE, Filial 27, no Rio de Janeiro, apesar de constar nas suas DIRPF desde 2003 como sendo seu endereço residencial. Há outra procuração, outorgada por Genésio Bueno, laranja da A.P.E. Auto Peças Ltda. (dezembro/2004 a setembro/2013), conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes. Idêntica procuração foi também concedida pela própria empresa, na época denominada A Presidente Auto Peças Ltda. Foi encontrado contrato de execução de construção por empreitada global entre Samuel Tolardo Júnior e Antonio Picoli Sobrinho, de 05/05/1992, para construção de barracão comercial em Curitiba/PR, provavelmente o mesmo imóvel da matrícula 51.835. Junto à cópia do registro da matrícula foi achado um recibo, no qual consta que o imóvel foi adquirido por Samuel Tolardo Júnior em 24/05/2005. Tratase de um barracão comercial utilizado pela Filial 23 da REDE PRESIDENTE. Foram encontradas duas avaliações do imóvel, uma delas solicitada por Samuel Tolardo Júnior. Outro imóvel adquirido por Samuel Tolardo Júnior é um barracão comercial em Cascavel/PR. Foram encontrados vários documentos referentes à obra, datados de final de 2011 e ano de 2012. A maioria dos emails tratando de Fl. 12871DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.847 51 assuntos da obra são assinados por Nilson Roberto da Silva, funcionário da REDE PRESIDENTE desde 09/06/2003. Há, ainda o imóvel de Guarulhos/SP, adquirido por Samuel Tolardo Júnior e Rogério Márcio Tolardo, conforme escritura pública de venda e compra de 28/06/2001. Também foi constatado serem de propriedade de Samuel Tolardo Júnior um apartamento em Curitiba/PR; um salão comercial em Londrina locado a Rogério José de Alencar e um terreno em Londrina. Desses imóveis, ao menos três deles (um em Curitiba/PR, o terreno de Londrina/PR e o de Cascavel/PR) foram transferidos em abril/2012 para a empresa Urbanos Administradora de Bens e Participações Ltda. como integralização de capital por parte de Samuel Tolardo Júnior. O capital da empresa passou de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para R$.563.280,00 (quinhentos e sessenta e três mil, duzentos e oitenta reais). O outro sócio fica apenas com R$ 1,00 (um real). Os elementos coligidos pelo Acórdão recorrido são suficientes para demonstrar a posição ocupada pelos membros da família Tolardo como reais proprietários e administradores da Rede Presidente. Além disso, são suficientes para afastar a alegação de ausência de responsabilidade dos recorrentes por inexistência de prova do seu benefício. Com efeito, basta lembrar que há comprovação de pagamentos de despesas pessoais feitos pela Rede Presidente, bem como de que os integrantes da família faziam retiradas de valores próximos a R$ 100.000,00 (cem mil reais) mensais cada, chegando, em alguns períodos, a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) cada documentos de fls. 9751 e 9684 e itens 418 a 433 do Relatório de Atividade Fiscal. Por outro lado, a relação da empresa fiscalizada A.P.E. Autopeças Eireli com a Rede Presidente encontrase adequadamente configurada pelos fatos que são descritos nos itens 160 a 171 do "Anexo Relatório Rede Presidente Previdência" (fls. 11.928/12.130), onde se demonstra que esta empresa: era tratada como filial 63 Recife; sua razão social original era A PRESIDENTE AUTO PEÇAS LTDA.; foram utilizados "laranjas" para a composição de seu quadro societário e que as DIRPF desses laranjas foram transmitidas através de um dos bunkers da rede; a APE foi citada por fornecedores como estabelecimento ligado à Rede Presidente e havia carimbos e contratos sociais dela em outro dos bunkers identificados. Deve ser considerado também, que as provas trazidas aos autos revelam um "modus operandi", ou seja, um padrão de comportamento que se perpetua no tempo, de forma que a alegada ausência de sincronia temporal entre as constatações feitas e os períodos lançados não implicam qualquer nulidade ou mácula ao lançamento efetuado. Neste caso, caberia aos recorrentes a demonstração de que houve mudança na forma de proceder, o que não foi feito. Com base no exposto, afasto as alegações de ausência de prova do vínculo dos responsáveis solidários com os fatos geradores das obrigações tributárias, bem como de ausência de prova do seu benefício. Decadência e prescrição Fl. 12872DF CARF MF 52 Alegam os recorrentes, de forma genérica, que o crédito tributário já estava extinto pela decadência e pela prescrição. As competências lançadas abrangem o período de 04/2009 a 09/2012 e o auto de infração e os termos de sujeição passiva solidária foram lavrados e cientificados em datas diversas do mês de dezembro de 2014. Neste caso, há nos autos robustas provas da ocorrência de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, o que implica a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, I, do CTN, de forma que o início do prazo para os fatos geradores mais antigos se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º de janeiro de 2010. Sendo de cinco anos o prazo, o termo final seria em 31 de dezembro de 2014. Logo, improcedente a alegação de decadência. O prazo prescricional, por outro lado, terá sua contagem iniciada apenas com o encerramento deste PAF, não sendo possível se falar em prescrição durante o seu curso, conforme estabelece o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Nego provimento ao recurso quanto às alegações de decadência e prescrição. Ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos Os recorrentes alegam que a ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos prejudicaria sua defesa e implicaria nulidade do auto de infração. Ocorre que a comprovação da existência dos pagamentos a esse título foi feita a partir de extrato da conta caixa que registrava a atividade de todas as "filiais" do grupo. Cabia às empresas e, por decorrência, aos responsáveis por ela, ter realizado o adequado controle dos beneficiários dos pagamentos e informado esses dados ao poder público. Com efeito, é o que determina o Decreto nº 3.048, de 1999: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Fl. 12873DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.848 53 Afastada qualquer alegação pertinente à ausência de vínculo e de responsabilidade dos recorrentes com os atos realizados pelas empresas integrantes da Rede Presidente, se não houve cumprimento de suas obrigações legais, não podem agora invocar esse fato em seu benefício. Com efeito, essa conclusão é decorrência de aplicação da máxima moralizante do venire contra factum proprio, cuja inteligência perpassa a aplicação de todas as regras do direito. Tanto isso é verdade, que a legislação previdenciária autoriza a fiscalização a utilizar o expediente da aferição indireta quando ficar comprovada a irregularidade no cumprimento de suas obrigações: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Nesse sentido é a jurisprudência deste Colegiado conforme revela o Acórdão nº 2404005.672, cuja ementa é abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. A despeito do que se afirmou acima, cumpre registrar que no documento juntado ao processo a fls. 11.819/11.252 estão identificados os beneficiários dos pagamentos realizados e que deram origem à autuação. Fl. 12874DF CARF MF 54 Nego provimento também quanto a esse tópico do recurso. Inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, do salárioeducação e do SAT Este Colegiado não pode se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, conforme preceitua o seguinte enunciado da Súmula de jurisprudência do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, as alegações de inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, do salárioeducação e do SAT pela necessidade de lei complementar não podem ser conhecidas. Inexigência da contribuição ao INCRA A alegação de inexigência da contribuição ao INCRA também está calcada na inconstitucionalidade das normas de regência, o que implicaria a aplicação do enunciado da Súmula acima transcrito. Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões dos recorrentes, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi: Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. Fl. 12875DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.849 55 III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicando se, assim, os recursos arrecadados na consecução dos Fl. 12876DF CARF MF 56 objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). Fl. 12877DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.850 57 É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. Logo, improcedente as alegações quanto à inexigência das contribuições ao INCRA. Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório Em relação a essa alegação, adoto, sem embargo, o seguinte excerto da decisão de piso: A impugnante faz referência a diversas verbas, dizendo não haver previsão legal para a sua cobrança. Não carreia aos autos, contudo, nenhum elemento probatório ou cálculo quantificando esses valores, o que contraria o art. 15 e o art. 16. III, do Decreto nº 70.235/1972. O abono de férias, as férias indenizadas, os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, §9º, “d”, “e.6”, “e.7”, da Lei nº 8.212/1991. Tratase de verbas que a norma legal excetua, excluindo da base de cálculo dessas contribuições. A impugnante apenas alega, de forma genérica, que essas importâncias não deveriam ter sido lançadas, sem comprovar que a Auditoria as lançou. Deve ser relembrado, ainda, que, sendo a atividade administrativa plenamente vinculada e sendo a tributação regida pelo princípio da legalidade, não pode a autoridade administrativa deixar de lançar contribuição prevista em lei em face de jurisprudência do Poder Judiciário, ainda que proveniente das cortes superiores, a não ser quando ocorrerem as exceções dantes explicitadas. A defendente alega que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxíliodoença nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário, não tendo, pois, natureza salarial. Dessa forma, não incidiria Fl. 12878DF CARF MF 58 contribuição previdenciária sobre esse montante. Não colaciona aos autos, todavia, nenhuma prova de que dentre os valores lançados se encontra tal verba. Na verdade, no caso, seria estranho que houvesse esse tipo de verba, uma vez que os valores lançados não constaram nas folhas de pagamento da empresa. Além disso, mesmo que houvesse prova de que tais valores compõem a base de cálculo lançada, consta expressamente na Lei nº 8.213/1991, art. 43, §2º, que, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, cabe à empresa pagar ao segurado empregado o salário. Da mesma forma, no art. 60, §3º, da mesma lei, consta que nesse período, incumbe à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. Segundo o art. 59 do mesmo diploma legal, o auxíliodoença somente é pago a partir do décimo sexto dia após o afastamento. Depreendese do texto legal que a verba paga ao segurado empregado nos 15 (quinze) primeiros dias consecutivos ao do afastamento da atividade por doença não é auxíliodoença, já que esse benefício somente é devido a contar do décimo sexto dia. Além disso, a lei foi clara ao considerar salário o valor pago nos 15 (quinze) primeiros dias. No que diz respeito ao terço constitucional de férias, a interpretação acatada pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, no seu art. 214, §4º, é a de que essa verba integra o salário de contribuição. Esse entendimento se coaduna com a tese de que a remuneração que compõe o salário de contribuição é, na verdade, um complexo de verbas recebidas não somente em virtude da prestação do serviço em si, mas também daquelas recebidas em virtude do contrato de trabalho. Além de haver disposição regulamentar expressa, a vigente Instrução Normativa RFB nº 971/2009 dispõe: Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: ... § 8º A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, integra a base de cálculo, no mês a que ela se referir, mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista. Quanto à jurisprudência dos nossos tribunais judiciais, apesar de a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ se inclinar pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e a matéria ter sido submetida ao rito previsto no Código de Processo Civil, art. 543C (recursos repetitivos) juntamente com aviso prévio indenizado e valor pago nos primeiros quinze dias antes do auxíliodoença, no julgamento do Recurso Especial 1230957/RS, não houve ainda decisão sobre o assunto, estando os autos conclusos em razão de pedido de vista desde 17/06/2013. Mais importante, a não vinculação da RFB a esse entendimento resta evidente em face da existência da Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, que expressamente determina que os procuradores devem continuar contestando e recorrendo das decisões emanadas do Poder Judiciário. Vale salientar, ainda, que a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias está submetida ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal – STF por meio do RE 593068/SC pelo rito estabelecido no Código de Processo Civil, art. 543B (Repercussão Geral), porém não há ainda decisão definitiva sobre esses temas, tendo sido o processo concluso ao relator em 01/08/2013. Além disso, o acórdão recorrido trata da contribuição para o Plano de Previdência do Servidor Público, e não da contribuição relativa ao Regime Geral de Previdência Social. Fl. 12879DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.851 59 Quanto ao saláriomaternidade, em momento algum a Auditoria citou verba recebida a esse título em seu relatório, mesmo porque, como já se viu, o lançamento trata de verbas não declaradas que não constam nas folhas de pagamento, as quais foram pagas mediante ardil para escondêlas. Sendo o saláriomaternidade um benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, não cabe a alegação da impugnante, não estando entre os pagamentos verificados. Ademais, mesmo que estivesse, o saláriomaternidade é base de cálculo da contribuição previdenciária conforme expressamente determinado pelo art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/1991. Com efeito, compulsandose a planilha de fls. 10.809/11.252, vêse que os pagamentos são identificados por rubricas genéricas como "Comissões nao Lanc. no Re", "Salários/Ordenados", "Ferias e 1/3 Ferias", não sendo possível identificar de modo individualizado o valor de cada verba. Neste caso, caberia aos recorrentes fazer prova do pagamento de parcelas que não compõem o salário de contribuição, para que esses valores pudessem ser excluídos da base de cálculo tributável. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso com relação às supostas parcelas de caráter indenizatório. Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT Na planilha de fls. 10.809/11.252 estão listados os valores considerados pela fiscalização para fins de lançamento no levantamento PF Remunerações Pagas a Empregado, de onde foram excluídas as importâncias já declaradas em GFIP. Para os CNPJ 06.987.857/000123 (filial 63 RFE), 06.987.857/000557 (Filial 077 Cascavel) e 06.987.857/000638 (filial 074 Feira) há efetivamente a identificação de valores pagos a título de "Alimentação Copa e Cozinh" com o nome do empregado que o recebeu. Quanto ao auxílio alimentação, há jurisprudência recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais no seguinte sentido: AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com a edição do parecer PGFN n 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. (Acórdão 9202005.193 de relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos) Da fundamentação desse Acórdão extraise que: Entendo que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 da Fl. 12880DF CARF MF 60 Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida in natura, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Portanto, com a edição do parecer PGFN2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Daí decorre que a exceção à regra geral de tributação está adstrita ao auxílio alimentação pago in natura, o que não corresponde à situação dos autos, onde o pagamento ocorreu em moeda corrente. Ao contrário do que afirmam os recorrentes, o relatório fiscal evidencia, inclusive com cópia de depósitos realizados nas contas dos empregados (itens 690 e 691 do relatório fiscal), aquilo que já era sugerido pela conta caixa: que o auxílioalimentação foi prestado em pecúnia e não in natura. Neste caso, os valores assim despendidos devem ser incluídos na base de cálculo dos contribuições previdenciárias, razão pela qual nego provimento ao recurso no que diz respeito ao auxílioalimentação. Por outro lado, foram realizados também pagamentos a título de vale transporte e o relatório fiscal faz várias menções a eles. Para esta rubrica a solução é diferente, Fl. 12881DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.852 61 pois constitui matéria que já foi sumulada por este Colegiado, conforme evidencia o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. O art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Na planilha de fls. 10.809/11.252 estão identificados para o CNPJ de raiz 06.987.857 pagamentos a título de vale transporte. Também há referência expressa a pagamentos realizados a esse título no relatório da atividade fiscal (tópico 7.3. Do Modus Operandi). Em razão de aplicação do enunciado acima transcrito da Súmula de Jurisprudência deste CARF, fazse necessário dar provimento ao recurso apresentado pelos responsáveis solidários para excluir da base de cálculo tributável os valores relativos a vale transporte. Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação Aqui também os recorrentes buscam negar validade às normas em vigor com argumentos de inconstitucionalidade, análise que esbarra no enunciado nº 2 da Súmula de jurisprudência do CARF. A despeito disso, adoto também como razões de decidir o seguinte excerto da decisão recorrida: As contribuições lançadas foram aquelas destinadas ao SESC e ao SENAC e a empresa é uma loja de revenda de autopeças e se ajusta ao Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 4530701, correspondente a “Comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores”. Esse CNAE foi informado pela própria empresa em suas GFIP e se coaduna com as atividades por ela desenvolvidas. Assim, a alegação da impugnante é totalmente descabida e dissociada dos fatos aqui sob julgamento. Vale ressaltar, ainda, que mesmo que ela fosse uma prestadora de serviços, caberia a cobrança de tais contribuições. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 1255433, efetivado no rito previsto no Código de Processo Civil – CPC, art. 543C (Recursos Repetitivos), são devidas as contribuições para o SESC e SENAC pelas empresas prestadoras de serviços. Segue a ementa dessa decisão: Fl. 12882DF CARF MF 62 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC). CONTRIBUIÇÃO AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio CNC e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao SESC e SENAC. Precedentes: REsp. n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 23.10.2002; e AgRgRD no REsp 846.686/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.9.2010. (GRIFEI) 3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços educacionais, muito embora integrem a Confederação Nacional de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: Pela Primeira Turma: EDcl no REsp. 1.044.459/PR; AgRg no Ag 882.956/MG; REsp. 887.238/PR; REsp. 699.057/SE; Pela Segunda Turma: AgRg no Ag 1.347.220/SP; AgRgRD no REsp. 846.686/RS; REsp. 886.018/PR; AgRg no REsp. 1.041.574 PR; REsp. 1.049.228/PE; AgRg no REsp. 713.653/PR; REsp. 928.818/PE. 4. A lógica em que assentados os precedentes é a de que os empregados das empresas prestadoras de serviços não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (SESC e SENAC) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem. Na falta de entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza e, em se tratando de empresa prestadora de serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à Confederação Nacional do Comércio CNC, ainda que submetida a atividade respectiva a outra Confederação, incidindo as contribuições ao SESC e SENAC que se encarregarão de fornecer os benefícios sociais correspondentes. (GRIFEI) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Argumentos rejeitados. Multa Fl. 12883DF CARF MF Processo nº 10480.730742/201475 Acórdão n.º 2201003.808 S2C2T1 Fl. 12.853 63 Em relação à multa aplicada, os recorrentes iniciam por afirmar que não houve comprovação do intuito de fraude. Em seguida, requerem sua redução a 10% pela aplicação do princípio constitucional do não confisco e, invocando o princípio da eventualidade, requerem sua redução para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa e acabam por alegar a existência de "bis in idem". A multa aplicada tem previsão legal no art. 44, I c/c § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, e a validade dessa norma não foi afastada por qualquer decisão da corte que poderia fazer um juízo de sua inadequação com eficácia erga omnes. Portanto, a lei permanece em vigor e deve ser respeitada pelos julgadores administrativos, conforme foi reiteradamente assentado neste voto. Por outro lado, o processo em análise contém provas indiscutíveis do comportamento artificioso dos recorrentes, com a criação de pessoas jurídicas constituídas por "laranjas", para o que foram falsificados documentos e assinaturas, incluindo Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física. Em razão disso, devese concordar com a autoridade fiscal quando atribui aos sujeitos passivos a prática de condutas condizentes com a sonegação e a fraude, até porque as exigências fiscais evidenciam que as obrigações tributárias não foram cumpridas e seus fatos geradores foram ocultados pelas práticas adotadas. No mais, embora façam menção ao "bis in idem", não demonstram a sua ocorrência, de forma que essa alegação é por demais genérica para ser enfrentada. Nego provimento ao recurso quanto à exclusão ou redução da multa de ofício. Inaplicabilidade da taxa Selic Essa matéria também se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme demonstra o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Alegações rejeitadas. Realização de perícia e a colheita de depoimentos Em relação ao pedido de perícia, a recorrente protesta pela sua realização mas não apresenta nenhum argumento que evidencie a necessidade dela. A perícia é meio de prova a ser manejada quando houver insuficiência de informações no processo de modo a impossibilitar sua perfeita compreensão pelo julgador, mas não se presta a suprir omissões do sujeito passivo em comprovar o direito alegado. Não vejo neste processo nenhuma lacuna ou inconsistência que gere dúvida passível de ser esclarecida através de perícia. Fl. 12884DF CARF MF 64 Nego provimento ao pedido de realização de perícia. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer os recursos voluntários para, rejeitando as preliminares, no mérito, darlhes parcial provimento para determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores pagos a título de valetransporte. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 12885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004659/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em. converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Não votou o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em. converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Não votou o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em. converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Não votou o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão nº 1017.077, de 03/09/2008, da 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre, cujo julgamento havia sido convertido em diligência (Resolução nº 1302000.305, de 10/04/2014, desta 2ª Turma Ordinária) para que se aguardasse a DRF atender ao pedido da recorrente, quanto à retificação da consolidação dos débitos parcelados, com base na Lei nº 11.941/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 04 65 9/ 20 06 -1 1 Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 3 2 Em resposta, a DRF verificou que a recorrente havia incluído na referida consolidação os débitos discutidos nos seguintes processos: Proc. Sistema Situação 18208053711/201187 SiefProc Consolidado 11060004659/200611* SiefProc Consolidado 11080912773/200951 SiefProc Consolidado *Este é o processo em questão. Nos termos do despacho de 22/05/2012, fls. 2.086, referente ao Proc. 11080.722806/201197, para o qual foram transferidos os débitos objeto do parcelamento, não foi possível retificar, isto é, excluir o débito relativo a estes autos, sobre o qual não se estende o pedido de desistência apresentado pela recorrente para atender às exigências para o parcelamento. A DRF registrou que o sistema gerenciador dos débitos consolidados não dispunha de funcionalidade que permitisse atender a tal solicitação. Dessa forma, a DRF concluiu por devolver estes autos ao Carf para julgamento do recurso voluntário, independentemente, da transferência de valores ocorrida por equívoco do pedido de consolidação da recorrente, conforme a seguir transcrito: Recebemos o presente processo, encaminhado pelo grupo Cobrança desse mesmo Serviço, para fins de implementação, quando oportuno, dos procedimentos de revisão da consolidação de débitos parcelados nos moldes da Lei n° 11.941, de 2009 (fls. 2085), Depreende o grupo SECAT/Cobrança, mediante análise dos requerimentos apresentados pelo contribuinte, às fls. 1997/1998 e 2068 do presente processo, e ainda, em observância aos documentos juntados ao processo n° 11080.004659/200611, às fls. 20192021, que o interessado equivocouse quando da negociação da consolidação dos débitos parceláveis pela Lei n° 11.941/2009, na modalidade "RFB Demais Débitos Art.1°". Informa que o parcelamento abrangeu, erroneamente, os débitos não alcançados pela desistência parcial do litígio administrativo, que deveriam, portanto, retornar ao CARF para prosseguimento do Recurso Voluntário no processo n° 11080.004659/200611, restando devedores, por outro lado, os débitos do IRPJ e CSLL transferidos para o presente processo, apartados do principal em virtude da desistência formalizada para fins de inclusão no parcelamento supra. Conclui, opinando pelo atendimento ao pedido de revisão interposto pelo interessado (vide despacho de fls. 2069). Dada a impossibilidade de efetuar os procedimentos de revisão cabíveis, em virtude da inexistência de sistema apropriado até o momento, optamos pela suspensão da cobrança do presente processo até que seja possível sua inclusão/consolidação no parcelamento. Cabe observar que, objetivando dar continuidade à apreciação do recurso voluntário, o grupo Cobrança efetuou o retorno dos autos do processo n° 11080.004659/200611 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Entretanto, sua exclusão da consolidação do parcelamento também fica postergada para momento oportuno. Com tais conclusões, os presentes autos (Proc. 11080.004659/200611) retornaram ao Carf para julgamento do recurso voluntário. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 4 3 Na primeira oportunidade, portanto, não se julgou o recurso voluntário pelo fato de que não havia certeza quanto ao débito sobre o qual, especificamente, se mantinha o litígio administrativo fiscal, à vista do referido pedido de desistência para fins de enquadramento nos benefícios da Lei nº 11.941/2009. Nos termos do despacho acima transcrito, não foi possível identificar, com segurança, os efetivos valores em que permaneceram em discussão nesse processo. Justificou se que, não foi possível, por limitações operacionais, revertêlos para estes autos (Proc. 11080.004659/200611) os débitos transferidos para o referido Proc. Proc. 11080.722806/201197, o qual foi gerado para o controle do parcelamento dos débitos consolidados. Dessa forma, por não haver certeza quanto aos valores objeto do pedido de desistência (consolidados e parcelados) e os valores sobre os quais persiste a recorrente, entendo que não é possível apreciar, com segurança, as razões de recurso de voluntário. Como passo a proceder, a seguir. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), resumidamente, destaca as seguintes conclusões: I a Instrução Normativa SRF n°. 107, de 1988, somente seria aplicável às operações de empresas submetidas à tributação com base no lucro real; II no caso de aquisição de terreno com obrigação de pagamento em área construída, os valores do imóvel adquirido e da área a construir, a ser entregue no futuro, deverão ser escriturados, respectivamente, em conta do Ativo e do Passivo da Pessoa Jurídica adquirente, como se tratasse de uma compra a prazo relativamente ao terreno e de uma venda com recebimento antecipado relativamente às unidades a serem construídas; III o benefício fiscal estabelecido pela IN SRF n°. 107, de 1988, somente se aplicaria nos casos em que a transferência da propriedade dos imóveis se desse por escritura pública, ex vi do disposto no art. 108 do atual código Civil, por ser essa forma exigida para tal espécie de contrato, consistindose, assim, em condição essencial à validade do negócio jurídico, o que não é o caso de operação contratada por meio de instrumento particular, pois, enquanto não celebrada a escritura pública, existiria apenas uma cessão de direitos sobre o imóvel, o que impediria a aplicação das regras da IN SRF n°. 107, de 1988, tendo em vista que esta somente se aplicaria às operações de que trata a legislação civil, como a seu ver dizem o subitem 4.1 da referida IN, o art. 121, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda baixado pelo Decreto n°. 3000, de 1999 (RIR/99) e a IN SRF n°. 84, de 2001, que exigiriam, para a permuta de imóveis a que se referem, a contratação por meio de instrumento público; IV as operações de compra e venda de fração ideal de terreno, com pagamento em área construída no local, ainda que efetuadas por escritura pública, não constituem permuta de imóveis, porque no caso, não ocorre a dupla transferência de propriedade necessária à sua caracterização; V na operação de alienação de unidades imobiliárias, objeto de contrato particular, em que parte do pagamento do preço se dá pelo recebimento de direitos sobre outro imóvel, não se verifica uma permuta de bens imóveis, não se lhe aplicando, por conseguinte, as disposições da IN SRF n° 107, de 1988. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 5 4 Essas conclusões foram acolhidas pela DRF e pela DRJ, no acórdão recorrido, cuja ementa assim registra: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de perícia requerido em sede de impugnação do lançamento sem a identificação do perito e indicação dos quesitos que se deseja ver respondidos. LANÇAMENTO. REQUISITOS. Ainda que o corpo dos autos de infração traga somente descrição sumária da infração, remetendo a relatório fiscal minucioso no qual se descreve a ocorrência dos fatos geradores e as infrações cometidas, e suportados por planilhas de cálculos nos quais se demonstra a matéria tributável e a apuração dos tributos devidos, inexiste afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional. LUCRO PRESUMIDO. RECEITA BRUTA. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. Na atividade imobiliária caracteriza receita bruta os valores efetivamente recebidos, a qualquer título, relativo às vendas de unidades imobiliárias. LUCRO PRESUMIDO. VARIAÇÃO MONETÁRIA COM BASE NO CUSTO UNITÁRIO BÁSICO (CUB). As variações monetárias ativas decorrentes da atualização do preço de comercialização de imóveis recebido, com base no CUB conforme previsão contratual, devem ser acrescidas à base de cálculo do imposto. Apenas a partir de 2006, por força de disposição legal, são somadas à receita bruta para efeito de apuração do lucro presumido. LUCRO PRESUMIDO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Não comprovado que os valores recebida correspondam ao efetivo ressarcimento de custos decorrentes do regime de construção por administração e existente nos autos elementos que demonstram que os montantes recebidos decorrem, de fato, de operações típicas de compra e venda de imóveis, correta sua integração à receita bruta para apuração do lucro presumido. LUCRO REAL. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os custos contabilizados em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não apresente documentação comprobatória da operação. LUCRO REAL. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Ressalvada a opção pelo regime de competência, a atualização do valor dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte em função da taxa de câmbio deverá ser reconhecida, para efeito de cálculo dos imposto e contribuições sobre elas incidentes, na liquidação da operação correspondente. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Apurado com base nos demonstrativos e na DIPJ apresentados pelo próprio contribuinte imposto não recolhido nem declarado em DCTF, correta a sua exigência de ofício. Lançamento procedente, por unanimidade. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 22/10/2008 (fl. 1.948) e interpôs recurso voluntário, em 20/11/2008 (fl. 1.949). O recurso foi subscrito pelo Sr. Milton Melnick, sócio proprietário da recorrente. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 6 5 Em seu recurso, a recorrente expões suas razões e entendimentos sobre a referida Instrução Normativa SRF n°. 107, de 1988, e a legislação correlata, conforme a seguir:0 I A IN SRF n°. 107, de 1988, e o Lucro Presumido: (...) não resta dúvida de que as normas da IN SRF n°. 107, de 1988, são plenamente aplicáveis aos casos de permuta de bens imóveis efetuadas entre pessoas jurídicas em que uma ou todas sejam optantes pela tributação de seus resultados com base no lucro presumido, bem assim entre pessoa jurídica e pessoa física, ainda quando a primeira a adotar a forma de tributação ora mencionada. (...) não há incompatibilidade na aplicação das normas da IN SRF n°. 107, de 1988, às empresas tributadas pelo lucro real, não se pode dizer que haverá quando aplicadas às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, pois, em princípio, a auditagem, em ambos os casos, se faz à vista das mesmas espécies de documentos; (...) não vemos como prosperar (...) o argumento do Fisco (...) quanto à inaplicabilidade das normas da IN SRF n°. 107, de 1988, às empresas que optarem pela tributação de seus resultados com base no lucro presumido. II A IN SRF n°. 107, de 1988, e a Aquisição de Terreno com Pagamento em Área Construída: (...) operação típica daquela prevista na Lei n°. 4.591, de 16 de dezembro de 1964, que regula a atividade de incorporação imobiliária no País, a qual, em seu art. 39, in verbis, assim dispõe: "Art. 39. Nas incorporações em que a aquisição do terreno se der com pagamento total ou parcial em unidades a serem construídas, deverão ser discriminadas em todos os documentos de ajuste: I a parcela que, se houver, será paga em dinheiro; II a quotaparte da área das unidades a serem entregues em pagamento do terreno que corresponderá a cada uma das unidades, a qual deverá ser expressa em metros quadrados Parágrafo Único. "Deverá constar, também, de todos os documentos de ajuste, se o alienante do terreno ficou ou não sujeito a qualquer prestação ou encargo ". (...) a lei não faz distinção quanto ao fato de as unidades imobiliárias a ser entregues, a título de pagamento, ao exproprietário do terreno, virem a ser construídas no próprio terreno objeto da operação ou em outro local, o que torna irrelevante, para efeitos tributários, a localização das referidas unidades. Para efeitos tributários, essas operações foram entendidas como de permuta, ante o que dispõe a IN SRF na. 107, de 1988, em seu subitem 5.3, verbis: 5.3 Os procedimentos indicados no subitem 3.2 e suas divisões são aplicáveis às operações de permuta realizadas com base no disposto no artigo 39 da Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964. A propósito, o mesmo ato normativo assim define permuta: "1.1 Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 7 6 unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, aqui denominada 'torna'". Ao tratar do significado de 'unidade imobiliária' ou 'unidade', a IN SRF n°. 107, de 1988, em seu subitem 1.4, adota a definição constante do item 2 da Instrução Normativa SRF n° 084, de 20 de dezembro de 1979, estendendoa a todo e qualquer imóvel de propriedade da pessoa física ou da pessoa jurídica permutante, ainda que classificado no ativo permanente, na última. Tendo em vista que o ato normativo em comento considera como permuta o negócio jurídico em epígrafe e estabelece, para o caso, a aplicação do disposto em seu subitem 3.2, o qual, por sua vez, determina, para a pessoa jurídica, a observância do disposto nos subitens 2.2.1 e 2.2.2, que tratam, respectivamente, de permuta sem e com pagamento de torna, há que se proceder segundo prevê os subitens 2.1.1, 2.1.2 e 1.5, que a seguir se transcreve, como meio de facilitar o trabalho do intérprete: "2.1.1 No caso de permuta sem pagamento de torna, as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração". "2.1.2 No caso de permuta com pagamento de torna, a permutante que receber a torna procederá pela forma indicada no subitem 1.5. devendo considerar como custo do bem recebido o valor contábil do bem dado em permuta, deduzido do custo atribuído à torna recebida ou a receber. Para a permutante que pagar ou prometer pagar a torna, o custo do bem adquirido será a soma do valor contábil do bem dado em permuta com o valor da torna". "1.5 A permutante que se beneficiar por torna deverá computála como receita, no anobase ou períodobase da operação, podendo deduzir dessa receita a parcela do custo da unidade dada em permuta que corresponder à torna recebida ou a receber. A parcela a deduzir será determinada mediante a aplicação, sobre o custo atualizado ou o valor contábil da unidade, na data da operação, do percentual obtido pela divisão do valor da torna pelo somatório desta com o valor do custo da unidade dada em permuta. A permutante que pagar a torna deverá computála no custo da unidade adquirida". (...) houve equívoco dos auditores ao pretenderem que as operações da espécie ora examinada sejam tratadas como de compra a prazo do terreno e de venda com recebimento antecipado de unidade a construir. (...) o negócio jurídico em questão deve ser tratado, para efeitos da legislação tributária federal, como permuta. (...) não há que se falar em incidência do Imposto de Renda ou da Contribuição Social sobre o Lucro, senão na hipótese em que uma das partes contratantes receba torna em dinheiro. Segundo o entendimento do Fisco, exarado no subitem 5.2 do termo de verificação fiscal, a operação em epígrafe corresponderia a uma venda à vista de unidades imobiliárias por parte da empresa adquirente do Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 8 7 terreno, o que demandaria o registro contábil do valor do terreno em conta do ativo (estoque) em contrapartida a uma conta do passivo, representativa da obrigação de construir. E o valor das unidades a serem construídas, considerado o seu entendimento. Deveria ser registrado a crédito de conta de receita, sem, no entanto, indicar a contrapartida. Não é este o entendimento corrente no Primeiro Conselho de Contribuintes, como se pode ver do acórdão n° 10195.000, de 20 de maio de 2005, Primeira Câmara: IRPJ Aplicamse as regras previstas na IN SRF 107/88. relativas à permuta de imóveis, nas incorporações em que a aquisição do terreno se der com pagamento total ou parcial em unidades a serem construídas. PIS, FINSOCIAL, IRRF, CSLL Cancelada a exigência do IRPJ, as exigências reflexas, formalizadas por repercussão daquela, devem também ser canceladas. (...) a pessoa jurídica permutante que adquirir o terreno deve tratar como custo dessa aquisição os valores correspondentes aos custos relativos à construção das unidades que prometer entregar como pagamento da aquisição do referido imóvel, cujos valores poderão ser escriturados na medida do pagamento ou da contratação, sem qualquer impacto tributário, pois não configuram rendimento nem ganho para a empresa adquirente do terreno, mas simplesmente custo do mesmo, que os ilustres auditores, equivocadamente, pretendem transformar em valor de receita. III A IN SRF n°. 107, de 1988 e a Forma do Contrato: (...) auditores afirmam que as normas da IN SRF n°. 107, de 1988, somente se aplicariam aos casos em que as transferências dos imóveis se dessem por meio de escritura pública, tendo em vista que nos casos de operação de permuta contratada por meio de instrumento particular existiria apenas uma cessão de direitos sobre imóveis, o que impediria a aplicação das regras do referido ato normativo. (...) o referido ato normativo trata de permuta de bens sem e com torna. No primeiro caso, permuta sem torna, é evidente que a operação constitui apenas um fato permutativo, em que não ocorre nenhuma variação no valor do patrimônio das partes contratantes, nem há faturamento, por conseguinte, não ocorre fato gerador para a exigência de Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro, Pis e Cofins. Nos casos de permuta com torna em dinheiro ou a valor de mercado, a IN SRF determina a apuração do resultado e a incidência do IR e da CSLL sobre o ganho, se houver, bem assim das contribuições Pis e Cofins sobre o valor recebido. Ante isso, resta evidente inexistir suporte para tal afirmativa. Quanto à exigência de instrumento público nas operações de permuta de bens imóveis para efeito da aplicação das regras da IN SRF n°. 107, de 1988, mais uma vez se equivocam os ilustres auditores, na verdade, referido ato normativo somente estabeleceu tal obrigação na alínea "a" de seu subitem 4.1, ou seja, exclusivamente para a hipótese de compra e venda com dação de unidade em pagamento, não mencionando tal exigência em nenhuma outra parte de todo o seu texto, o que vem ao encontro de outras normas de natureza tributárias, de mesma ou maior hierarquia, a exemplo: a) do RIR/99: Art. 152, §1°: Para os efeitos deste artigo, caracterizarseá a alienação pela existência de qualquer ajuste preliminar, ainda que de simples recebimento de importância a título de reserva (DecretoLei n°. 1.381. de 1974, art. 6o, § 2o). Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 9 8 Art. 154, §1°: Data de aquisição ou de alienação é aquela em que for celebrado o contrato inicial da operação imobiliária correspondente, ainda que através de instrumento particular (DecretoLei n° 1.381, de 1974, art. 2o, inciso II). § 2°: A data de aquisição ou de alienação constante de instrumento particular, se favorável aos interesses da pessoa física, só será aceita pela autoridade fiscal quando atendida pelo menos uma das condições abaixo especificadas (DecretoLei n°. 1.381, de 1974, art. 2°, § 2o): I o instrumento tiver sido registrado no Registro Imobiliário ou no Registro de Títulos e Documentos no prazo de trinta dias contados da data dele constante; II houver conformidade com cheque nominativo pago dentro doprazo de trinta dias contados da data do instrumento; III houver conformidade com lançamentos contábeis da pessoa jurídica, atendidos os preceitos para escrituração em vigor; IV houver menção expressa da operação nas declarações de bens da parte interessada, apresentadas tempestivamente à repartição competente, juntamente com as declarações de rendimentos. § 3o: O Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais para aceitação da data do instrumento particular a que se refere o parágrafo anterior (DecretoLei n°. 1.381, de 1974, art. 2o, § 3o). b) da Instrução Normativa SRF n°. 84, de 11/10/2001: Art. 29, IV permuta, sem torna, de unidades imobiliárias; § 4o Na hipótese do inciso IV do caput, a exclusão aplicase: II às operações de permuta realizadas por contrato particular, desde que a escritura pública correspondente, quando lavrada, seja de permuta. (...) a observância da formalidade relativa à contratação por meio de instrumento Público, no caso em exame, está restrita à hipótese prevista, expressamente, no subitem 4.1 da IN SRF n°. 107, de 1988, caso para o qual entendeu a autoridade competente para dizer o entendimento do Fisco, o Secretário da Receita Federal, que atenderia melhor aos interesses da Administração Pública exigir, para aplicação da norma, a existência de instrumento público. Para qualquer outra das hipóteses de permuta a que se refere aquele ato normativo não se estabeleceu tal obrigação, donde se concluir, mais uma vez com fulcro no art. 5o, II, da Constituição Federal, como plenamente válidas para seus efeitos as operações, diferentes da prevista no subitem 4.1, formalizadas por meio de contrato particular (...) IV A IN SRF n°. 107, de 1988 e a Dupla Transferência de Propriedade: (...) com relação às operações quitadas, de compra e venda de terreno, ou fração de terreno, seguidas de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir, os Auditores entenderam que, mesmo Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 10 9 quando efetuadas por meio de escritura pública, essas operações não constituem permuta, por faltarlhe a dupla transferência de propriedade, necessária à sua caracterização como tal. Realmente, neste caso, há que se reconhecer que a operação não é, de fato, uma permuta. Nem mesmo o Decreto n°. 3.000, de 1999, com o qual se baixou o Regulamento do Imposto de Renda, ou a IN SRF n°. 107, de 1988, pretendeu tal transformação. Na verdade, o que estes atos legais fazem, no primeiro caso, é equipará las à permuta, e, no segundo, estender a elas o tratamento dado às permutas, senão vejamos: RIR/99 : Art. 121, § 1º: Equiparamse à permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. IN SRF n°. 107, de 1988: 4.1 São aplicáveis às operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir, todos os procedimentos e normas constantes das Seções I e II desta Instrução Normativa, desde que observadas as condições cumulativas a seguir: a)a alienação do terreno e o compromisso de dação em pagamento sejam levados a efeito na mesma data, mediante instrumento público; b)o terreno objeto da operação de compra e venda seja, até o final do períodobase seguinte ao em que esta ocorrer, dado em hipoteca para obtenção de financiamento ou, no caso de loteamento, oferecido em garantia ao poder público, nos termos da Lei n°. 6.766, de 19 de dezembro de 1979. No mesmo sentido já se manifestou a SRF/10a Região Fiscal (Porto Alegre RS) em decisão prolatada em 24 de julho de 2000, publicada no D.O.U. de 24 de agosto de 2000, no Processo de Consulta n°. 58/00, verbis PERMUTA DAÇÃO EM PAGAMENTO Operação quitada de compra e venda de terreno seguida de confissão de dívida e promessa de dação em pagamento, de unidade imobiliária construída ou a construir, efetuada com observância da IN SRF n°. 107, de 1988, equiparase à operação de permuta, não estando sujeita portanto à apuração do ganho de capital, para fins de incidência do imposto sobre a renda. Quando da alienação das unidades imobiliárias recebidas em dação de pagamento, o ganho de capital porventura apurado será ou não tributado, de acordo com a legislação de regência. Dispositivos legais: arts.117, § 4°, 121, II e §1°, 150, III, 151, I e 152, caput, do Decreto n°. 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999); arts. 3o, I, e 24, IV e § 4o, I, da IN SRF n°. 48, de 1998; IN SRF n°. 7, de 1988; item 2 da IN SRF n°. 84, de 1979; Parecer Normativo CST n°. 06. de 1986. (...) embora não se trate de permuta terão o mesmo tratamento dispensado a esta por força do que dispõe a IN SRF n°. 107, de 1988 (...) (...) embora o ato diga que a alienação e o compromisso de dação em pagamento sejam levados a efeito na mesma data, por instrumento público, não está a proibir que as partes possam, em um momento qualquer, fechar o negócio jurídico por meio de instrumento particular do tipo do de promessa de compra e venda de imóveis e, mais adiante, no futuro, dar cumprimento a tal promessa formalizando o ato segundo a regra Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 11 10 estabelecida na mencionada alínea "a". Se assim o fizerem e, no prazo estabelecido, fardado cumprimento à condição da alínea "b", restarão atendidas todas as condições exigidas, nada podendo impedir que à operação se aplique as normas a que se referem à IN SRF n°. 107, de 1988, nas Seções I e II de seu corpo. V A IN SRF n°. 107, de 1988, e a Alienação de Unidade Imobiliária com Recebimento de Parte do Preço em Imóvel ou Direito sobre Imóvel: (...) a operação realizada por meio de instrumento particular em que a empresa aliena unidade imobiliária, recebendo, a título de pagamento do preço, outra unidade e parcela em dinheiro, tratase, claramente, da operação descrita no item 1.1 do ato normativo em epígrafe, assim tipificada: "1.1 Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento complementar em dinheiro, aqui denominada 'torna'". Acerca dessa operação assim se manifestam os ilustres Auditores no subitem 5.5, página 10, do Termo de Verificação Fiscal, literis: "Logo, na alienação de direitos sobre unidades imobiliárias, objeto de contrato particular, em que ocorre o recebimento de direitos sobre outro imóvel como parte do pagamento do preço, não são aplicáveis as disposições da IN/SRF n°. 107/88, uma vez que, neste caso, não há permuta de bens imóveis". (...) a operação descrita pelos Auditores se encaixa no tipo descrito no subitem item 1.1 da IN SRF 107, de 1988, consistindo a típica operação de permuta(...) PERMUTA. 1. Direito Bancário: Câmbio. 2. Direito Civil: Troca, que é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro (Clóvis Beviláqua). O objeto da permuta há de ser dois bens; se um dos contratantes, em vez de dar coisa, prestar um serviço, não se terá troca. São suscetíveis de permuta os bens que puderem ser vendidos, não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou tenham igual valor. TORNA. I. Aquilo que, além do objeto que se troca por outro, se dá para igualar o valor deste; volta. 2. Compensação dada a outro(s) por um co herdeiro mais favorecido na partilha, a fim de igualar os quinhões. 3. Reposição em dinheiro. (...) a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, como se pode ver pela ementa do: I Acórdão n° 10707705, de 07 de julho de 2004, Sétima Câmara: IRPJ PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS Aplicamse as regras da Instrução Normativa SRF n°. 107/88, quando, embora o contrato não esteja assim nominado, as características do negócio revelam um típico contrato de permuta. II Acórdão n°. 10808358, de 15 de junho de 2005, Oitava Câmara: IRPJ PERMUTA DE IMÓVEIS GANHO DE CAPITAL Havendo comprovação de que a operação realizada pelo contribuinte foi de permuta Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 12 11 de imóveis, ou de compra e venda com dação em pagamento, sem o pagamento de torna, descabe a autuação relativa ao IRPJ, porquanto não verificada nesta situação ganho de capital. CSLL PIS COFINS IRRF Os lançamentos reflexos seguem a sorte do lançamento principal, naquilo que lhes for aplicável. (...) o tratamento dado à permuta, pela Administração Tributária teve por finalidade simplesmente reconhecer, perante seus agentes fiscalizadores e contribuintes, que nesse tipo de negócio não ocorre modificação de valor patrimonial seja de incremento ou redução, senão na hipótese de torna em dinheiro. Por conseguinte, não ocorre, também, fato gerador de tributo que tenha por pressuposto a apuração de rendimento ou lucro (IR e CSLL), exceto em relação à torna em dinheiro. (...) se inclui no lançamento tributação relativa ao valor de custo glosado. Diz que no Edifício Frontenac, custos com mãodeobra de terceiros, no quarto trimestre de 2001, antes da conclusão das obras deste empreendimento, houve lançamento de R$190.000,00, com histórico de "valor referente a saldo de serviços prestados". (...) não foram encontrados os comprovantes dos valores lançados, já que tais recibos estavam junto à documentação arrecadada e levada pelo Fisco. A Fiscalização alega que nunca teve em seu poder esses documentos e que teria colocado à disposição do contribuinte para a vista e retirada de cópia. (...) dizse que o material apreendido foi devidamente lacrado por ocasião da busca e apreensão e, posteriormente, teriam sido abertos na presença do sócio da empresa Juliano Melnick. (...) compõe o lançamento... deduções que os Auditores consideraram indevidas, com despesas de variações cambiais passivas. (... ) aponta que a Recorrente foi instada a informar qual teria sido sua opção quanto à tributação das receitas de variações cambiais, se pelo regime de competência ou na liquidação da operação... Recorrente informou que tributou as receitas de variações cambiais na liquidação da operação. (...) a fiscalização constatou nos demonstrativos de resultado do segundo e terceiro trimestres do anocalendário 2001, que a Recorrente apurou despesas de variações cambiais. Mas diz que na apuração do lucro real e na apuração da base da cálculo da CSLL, não houve a adição dos respectivos valores, que seria necessária para compatibilizar a apuração desses tributos com a opção de tributação das variações cambiais quando da liquidação da operação. Por isso, a Fiscalização procedeu à adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. A Recorrente não concorda com a conduta fiscal, pois esta adotou no passado o critério de apropriação das variações monetárias por competência e, em sendo assim, não poderia ter alterado este critério para apropriação dessas variações pelo regime de caixa (...) (...) tributos apurados a partir de receitas financeiras que teriam sido indevidamente tratadas pela Recorrente como receitas de venda de unidades imobiliárias relativas à SCP Ed. Mont Villeneuve. Teria a Recorrente registrado como receita de venda de imóveis o acréscimo de valores de parcelas decorrentes da variação pelo CUB e que tais variações seriam receitas financeiras. (...) esta variação pelo CUB não representa receita financeira... representa recuperação do valor da moeda, ou seja, atualização do preço, não integrando, por isso, a base de Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 13 12 cálculo do tributo para determinação do lucro. Na verdade, foram receitas de venda de unidades imobiliárias e como tal contabilizadas. Não é um ganho financeiro. Por isso, a Lei 11.196/2005 reconheceu esta realidade, permitindo que as empresas que se dedicassem à construção assim procedessem. (...) questionado por indevido o lançamento na parte que aponta falta de recolhimento no período de janeiro/2001 e dezembro/2004. Diz simplesmente que houve valores relativos ao IRPJ declarados e recolhidos a menor e, por isso os lançou através do auto de infração. (...) integra o auto de lançamento valores de tributos que foram apurados a partir de receitas que considera omitidas na venda de unidades imobiliárias relativas às SCP's dos Edifícios Château Ferrand, Piladelphia e Condomínio Knorrville. (...) a Recorrente não reconhece a diferença de receita na alienação desses imóveis, que só podem integrar efetivamente a receita pela venda, quando do efetivo recebimento do numerário. (...) o auto de infração aponta falta ou insuficiência do recolhimento do imposto que seria devido a partir das receitas que a Fiscalização tratou como financeiras, quando na verdade, como se já disse antes, foram simples variações e correções pelo CUB do preço de venda dos imóveis. (...) a Fiscalização autuou a Recorrente por discordância dos cálculos por esta apresentados nas planilhas de apuração dos seus tributos e contribuições, sejam elas próprias ou de SCP's, no período compreendido entre janeiro/2001 a dezembro/2004. (...) a Fiscalização registrou... a soma de cada um dos tributos e contribuições e os comparando com os débitos declarados nas DCTF's entregues, assim como pagamentos, teriam havido recolhimentos a menor de débitos de IRPJ. A Recorrente discorda da autuação, pois entende que os cálculos contidos nas planilhas estão absolutamente corretos e os desafiava sua conferência através de adequada e competente perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator. Na forma relatada, o recurso é tempestivo e a recorrente está regularmente representada. Conheço do recurso voluntário. Na Resolução nº 1302000.305, proferida, em 10 de abril de 2014, resolveram os membros deste colegiado em converter o julgamento em diligência, tendo em vista que verificouse a desistência parcial do recurso voluntário interposto em face da adesão a parcelamento pelo sujeito passivo. Não obstante, o Relator daquela Resolução verificou que o contribuinte, posteriormente, pleiteou a retificação de débitos incluídos no parcelamento, o que não fora apreciado pela autoridade competente (titular da unidade da RFB no domicílio tributário do sujeito passivo). Assim, concluiu o relator: Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 14 13 De se ver que a matéria a ser julgada não está perfeitamente delimitada, sendo questão prejudicial decidirse primeiro acerca do pedido de retificação de débitos solicitado pelo recorrente. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a DRF/POA, após manifestarse sobre o pedido feito pelo recorrente, no que tange à sua competência, acoste cópia da decisão final administrativa exarada quanto a esta matéria e devolva os autos a este colegiado para retomada deste julgamento. Ocorre que, devolvidos os autos à autoridade preparadora, forma prestadas as informações de fls. 2047/2048 dando conta que, verbis: "Pelo que declarou a empresa, houve erro na sua escolha dos débitos a serem parcelados, tendo recaído a marcação que efetivou, via Internet, no processo ao qual se destinava o recurso interposto. Ainda não existem ferramentas operacionais para que seja atendido o pleito do contribuinte. Observase que deixou de recolher as parcelas devidas no parcelamento em 03/2014. Juntamos cópias de decisões exaradas pela Equipe de Parcelamentos Especiais , em atendimento às manifestações do contribuinte, e contidas no processo 11080.722806/2011 97. Na cópia do despacho de 22/05/2012 (juntado às fls. 2049/20521), há apenas a informação no sentido de que " dada a impossibilidade de efetuar os procedimentos de revisão cabíveis, em virtude da inexistência de sistema apropriado, optamos pela suspensão da cobrança do presente processo até que seja possível sua inclusão/consolidação no parcelamento" e que "objetivando dar continuidade à apreciação do recurso voluntário, o grupo e cobrança efetuou o retorno dos autos do processo (...) ao CARF". Ou seja, os autos retornaram a este Conselho sem que fosse prestada a informação objetivamente solicitada no sentido de delimitar quais matérias remanescem em litígio após o pedido de parcelamento, inclusive após a o pedido de retificação do contribuinte, caso tenha sido acatado. Ante ao exposto, voto no sentido de converte o julgamento em diligência, determinando os autos à unidade da RFB do domicílio do sujeito passivo, para que a autoridade preparadora informe especificamente quais as exigências, por tributo e matéria (infração constatada), contidas nos autos de infração (efls. 6/59), permanecem sob litígio após a decisão de primeiro grau (DRJ) e do pedido de desistência em face de adesão ao parcelamento pelo sujeito passivo, inclusive de seu pedido de retificação. A autoridade preparadora deverá elaborar relatório circunstanciado quanto aos débitos remanescentes em litígio nestes autos, dos quais deverá ser dada ciência ao contribuinte, abrindose prazo para sua manifestação na forma regulamentar. Concluídas as diligências solicitadas, os autos devem retornar a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.496 S1C3T2 Fl. 15 14 Rogério Aparecido Gil Fl. 2075DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720338/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/07/2010
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
Configurado que a Importação, em fato, ocorreu por conta e ordem de terceiros, e não por conta própria, resta caracterizada a ocultação do real importador, configurando ilícito aduaneiro, ainda que inexistente dano ao erário.
RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO. PRÁTICA OU BENEFÍCIO PRÓPRIO.
São solidariamente obrigadas as pessoas físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a atribuição de responsabilidade àqueles que concorrem à prática da infração ou dela se beneficie.
Aplicação do art. 124, I do CTN e arts. 94, § 2º e 95, I do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira Ávila, que davam provimento parcial para à exclusão da responsabilidade imputada às pessoas físicas.
Designado para o voto vencedor quanto à responsabilidade solidária das pessoas físicas o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Configurado que a Importação, em fato, ocorreu por conta e ordem de terceiros, e não por conta própria, resta caracterizada a ocultação do real importador, configurando ilícito aduaneiro, ainda que inexistente dano ao erário. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO. PRÁTICA OU BENEFÍCIO PRÓPRIO. São solidariamente obrigadas as pessoas físicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a atribuição de responsabilidade àqueles que concorrem à prática da infração ou dela se beneficie. Aplicação do art. 124, I do CTN e arts. 94, § 2º e 95, I do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira Ávila, que davam provimento parcial para à exclusão da responsabilidade imputada às pessoas físicas. Designado para o voto vencedor quanto à responsabilidade solidária das pessoas físicas o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 38 /2 01 3- 12 Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 645 2 PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 1657.248 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 530 em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/07/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro no valor de R$ 655.434,29 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB, no cumprimento do disposto nos Arts. 194, 195 e 196 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) e arts. 54 e 138 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966 (com nova redação dada pelos arts. 2° e 4o do DecretoLei n° 2.472, de 1° de setembro de 1988), e no atendimento da programação do Setor de Fiscalização Aduaneira da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto – SP (DRF/SJR), sob a égide do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08107002012013652, tendo em vista as determinações contidas na Instrução Normativa IN SRF n° 228/2002, foi realizada ação fiscal na empresa WayTrading Importação e Exportação Ltda, acima identificada, com a finalidade de verificar a ocorrência de ocultação do real adquirente em operação de comércio exterior ou a interposição fraudulenta de terceiros e a regularidade, origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações das mercadorias a que se referem as Declarações de Importação (DI's) n° 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528. As DI's sobreditas amparam a nacionalização de Chapas de Alumíno Positiva PS Matrizes para Ofset (as duas primeiras DI's) e Chapas para Reprodução de Ofset, classificadas, respectivamente, nas posições 3701.30.90 e 3705.10.00 da NCM Nomenclatura Comum do Mercosul. A fiscalização entende que a WayTrading Importação e Exportação Ltda não era o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas, agindo nas citadas importações como interposta pessoa, importando as mercadorias à ordem de outro, o autêntico sujeito passivo que deveria figurar na relação bilateral FiscoImportador. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 646 3 O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A fiscalização constatou que a empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Gráfico Ltda é a real importadora das mercadorias amparadas nas (DI's) n° 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528. Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Também foram autuados: ¹ Globo – Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Sráfico Ltda, caracterizada como real importadora das mercadorias amparadas nas (DI's) n° 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528; ¹ Mauro Aparecido Matiolli, CPF n° 017.400.33825; e ¹ Denio Luiz da Costa, CPF n° 092.241.08873. A empresa WAY TRADING IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA EPP foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 22/07/2013 (fls.292). A empresa GLOBO TRADING IMPORTACAO E EXPORTACAO DE EQUIPAMENTOS E MATERIAIS GRÁFICOS LTDA foi cientificada do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 25/07/2013 (fls.317). A empresa WAY TRADING, a empresa GLOBO TRADING, o Sr. Mauro Aparecido Matiolli e o Sr. Denio Luiz da Costa protocolizaram impugnação, tempestivamente em 19/08/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 325 à 359, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Os impugnantes alegaram que: DAS PRELIMINARES DA NULIDADE DO TERMO DE PRORROGAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Cediço que a autoridade administrativa fiscal, quando do exercício do lançamento, deve pautar sua conduta pelos princípios que dispõe a Lei nº 9.784/99, pois esta regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Transcreve os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784/99. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 647 4 Transcreve o artigo 9º da IN SRF nº 228/02. Os dispositivos legais supracitados convergem ao disposto no art. 93, inciso X, da Constituição Federal, pelo qual a motivação das decisões administrativas é princípio constitucional implícito. Contudo, contrariando mandamento normativo e constitucional, não se observa qualquer fundamentação/motivação constante no Termo de Prorrogação exarado pelo ilustre AuditorFiscal na fl. 181. Até porque não há qualquer motivação plausível para sustentar a prorrogação do procedimento. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Celso Antônio Bandeira de Mello, Alberto Xavier e Aurélio Pitanga Seixas Filho. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (TRF, I a Região, no AC 38485 DF 2008.34.00.0384859 Desembargadora Federal MARIA DO CARMO CARDOSO. Julgamento de 12/08/2011 Oitava Turma). DO EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O termo inicial para contagem do prazo de conclusão do procedimento especial, exposto no art. 9o da IN/SRF 228/2002, é a “ data de atendimento às intimações previstas no art. 4 o”. No caso em testilha, o atendimento das suprarreferidas exigências se deu em 18/12/2012 (fl. 42/43) e o prazo para conclusão do procedimento findaria, portanto, em 17/06/2013. Ocorre que, conforme se demonstra pelo Termo de Encerramento (fl. 183), o procedimento foi encerrado em 20/06/2013, depois de expirado o prazo normativo e legal. A alegação do Sr. Auditor Fiscal de que o prazo somente se iniciou em 27/12/2012, com a oitiva dos representante da empresa, não pode subsistir, posto que desprovida de qualquer fundamentação legal. De fato, o art. 9o da IN/SRF 228/2002, de forma cristalina e inconteste, preconiza que o prazo para conclusão do presente procedimento especial contarseá do atendimento das exigências contidas no art. 4o da IN/SRF 228/2002. A data de 18/12/2012 deve ser a data considerada como inaugural do prazo para conclusão do procedimento. A oitiva dos representantes da empresa é mera extensão do atendimento das exigências do Fisco e opção do Auditor Fiscal, não poderá ser indicada como marco inicial de contagem de prazo. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 648 5 Ainda, o prazo de prorrogação de 90 (noventa) dias deve ser contado do término imediato do prazo normativo regulamentar (art. 9 da IN/SRF 228/2002) e não da intimação da Impugnante, como operado pelo Auditor Fiscal. Embora o art. 66 da Lei n. 9.784/99 disponha que os prazos corram a partir da data da cientificação oficial, esta sistemática não pode prevalecer no caso concreto, pois, tratase de prorrogação de prazo em prol da administração pública e em prejuízo do contribuinte. DO MÉRITO DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Sérgio Ferraz e Adilson Abreu Dallari. A aplicação da verdade material ao processo administrativo decorre da aplicação de outro Princípio, o da Indisponibilidade do Interesse Público, determinado como sendo aquele de interesse da coletividade. Não se trata, pois, de interesse do agente público ou de interesse da administração pública. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Celso Antônio Bandeira de Melo e James Marins. Pelo quanto foi exposto, podese dizer que a marcha da busca pela verdade material no processo administrativo deve abarcar a correta análise e interpretação dos fatos e argumentos trazidos à baila pelo contribuinte, que compõe o conjunto probatório de forma extensiva, até mesmo em atendimento ao Princípio da Equidade existente entre as partes. A objetividade tampouco deve ser aplicada em relação às normas tributárias que imponham penalidades (multa) ao contribuinte, sem que antes se analise o elemento subjetivo do tipo, dada a aplicação do Princípio da Presunção de Inocência. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: (Acórdão n. 10319.789, DOU 29/01/99). DA REGULAR CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA WAY – TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP A sua constituição, pois, está devidamente registrada e autorizada perante todos os órgãos competentes e reguladores da atividade econômica que exerce. A sua sede física está confirmada pelo contrato de locação de folhas 140 a 146 do procedimento, no qual esteve representada por seu sócio administrador Sr Matheus de Oliveira Matiolli. Seu capital social, na importância de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), foi devidamente integralizado, conforme se comprova pelo extrato bancário anexo, escrituração contábil (fl. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 649 6 157) e Declaração de Imposto de Renda dos sócios fls. 203/215 dos autos. DA REGULAR ORIGEM DO CAPITAL SOCIAL Pressupôs o Auditor Fiscal que os recursos que formaram o capital social da empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP teriam a mesma origem. Mais ainda, frisa, na conclusão do relatório de fiscalização que a origem dos recursos empregados para as importações teriam origem na Empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos Gráficos Ltda. EPP. Primeiro, urge destacar que não há impedimento legal para que, na formação inicial de uma empresa, tenhase recursos originados de uma mesma fonte financiadora (mesma origem). Segundo, os empréstimos ajustados entre o Sr. Mauro Aparecido Matiolli e Matheus de Oliveira Matiolli e entre aquele e Magdalena Crulhas, são fatos concretos, reais e foram devidamente efetivados dentro da legalidade, e registrados nas suas Declarações do Imposto de Renda. Ademais, à época da constituição da Empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP, o Sr. Mauro sequer erasócio da empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos Gráficos Ltda. EPP; com efeito, o Sr. Mauro ingressou no quadro societário da Empresa Globo somente em 13/07/2012. No caso apreciado nesta Impugnação, a Administração Pública e, á contrariar suas próprias políticas, uma vez que penaliza o contribuinte que optou em disponibilizar suas economias para a implementação de empresa produtiva geradora de riquezas para o País, ao invés de simplesmente deixar seus recursos repousando em conta de poupança bancária. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de José Afonso da Silva e André Ramos Tavares. Pelo exposto a respeito da interpretação das normas de direito tributário e pelo conjunto probatório formador do procedimento, é de se concluir pela ilegalidade da formação do convencimento do Sr. Auditor Fiscal, devendo ser desconsiderados seus apontamentos relativos ã origem e formação do capital inicial da empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP. DA ADMINISTRAÇÃO E SEDE DA EMPRESA Em seu início, a Empresa WAY tinha, realmente, sede em Marília, mas logo depois se transferiu para a cidade de São José do Rio Preto. O fato de a sede inicial da Empresa Way ser próxima à sede da Empresa Globo em nada corrobora para a tese orquestrada pelo Auditor Fiscal, pois há que se respeitar estrita observância ao Princípio da Livre Iniciativa, já debatido anteriormente. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 650 7 Assim o foi, porque os primeiros momentos da existência da Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP serviram como análise de mercado, a fim de constatarse a melhor região de atuação pa ra inicio de suas atividades, tanto que, quando do efetivo inicio da atividade comercial da Empresa Way, esta já se encontrava estabelecida na Cidade de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo. Notase que a região atendida pela Empresa Way é totalmente diversa daquela atendida pela Empresa Globo e, ainda, não há qualquer correlação entre seus clientes, conforme se demonstra e comprova pelo confronto entre os relatórios contábeis, em anexo (does. 9 e 20). Com efeito, os sócios Dênio e Mauro, da Empresa Globo, são administradores experientes na área, e, embora a Empresa Way seja independente, teve início com auxílio intelectual e de experiência de mercado do genitor de um de seus sócios tudo dentro da estrita legalidade. Não há sequer mera aparência de ilegalidade nos negócios realizados e que foi objeto da autuação fiscal, mas apenas o exercício de um direito legal. As empresas e os respectivos sócios não podem ser punidos pelo exercício regular de negócios jurídicos previstos na legislação nacional. Isso decorre, mais uma vez, do direito fundamental dos contratantes à livre iniciativa e liberdade de contratação (arts. 1º, inciso IV, e 170, P. Único, da Constituição Federal) e todos os negócios jurídicos realizados estão dentro da legalidade. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Rachel Sztajn. Reforçase, conforme já destacado alhures, que à época da constituição da Empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP, o Sr. Mauro sequer era sócio da empresa Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos Gráficos Ltda. EPP. O Sr. Mauro ingressou no quadro societário da Empresa Globo somente em 13/07/2012. Dessa forma, a procuração outorgada pela Empresa Way ao Sr. Mauro, na data de 20/04/2011, deuse antes mesmo de sua entrada no quadro societário da Empresa Globo. DAS PARTICULARIDADES NA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA WAY Embora extremamente lacônico, o “Termo de Declaração” redigido pelo Auditor Fiscal quando tomou o depoimento do sócio administrador da Way, Matheus de Oliveira Matiolli, deixou evidenciado que o Sr. Matheus demonstrou conhecer particularidades da empresa, afastando qualquer presunção de que fosse apenas um “prestanome”. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 651 8 Indicou com precisão o nome completo dos funcionários da Way, além de esclarecer que o funcionário Bruno (que é vendedor) é quem tinha o registro do nome dos concorrentes diretos da Way (doc. 10). É que, por ser de pequeno porte, a Way tem como concorrentes diretos outros também pequenos comerciantes, a maioria trabalhando na informalidade, dos quais se conhece apenas referências ao primeiro nome e à cidade de origem, porque transportam todo seu estoque no veículo com que realizam suas vendas, de porta em porta: Fabiano, de Araçatuba; Wellington de Andradina; e etc. As grandes empresas, tais como IBF, Fuji e Kodak, não chegam a operar na reduzida escala comercial da Way, não podendo ser consideradas suas concorrentes. Confirase, ainda, que é o Sr. Matheus quem comparece representando a Way no contrato de locação apresentado ao Fisco e acostado no processo, correspondente ao imóvel onde está estabelecida a Empresa (fls. 140 a 146). É também o Sr. Matheus quem assina os documentos nas operações de câmbio para as importações, conforme demonstram os documentos de folhas 57 e 62, do procedimento 8 DA LUCRATIVIDADE DA EMPRESA WAY Em comentários a um fragmento do Relatório Fiscal, indaga e comenta: Um faturamento de R$ 976.278,66 seria expressivo? Ora, basta comparálo com o limite de faturamento para o regime do Simples Nacional, que para 2011 foi de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). O faturamento da Empresa Way sequer chegou à metade desse valor! As variáveis “boa gestão, conhecimento do produto e uma boa carteira de cliente”, ainda que inerentes à atividade empresarial, no contexto comentado representam simples conjectura do Sr. auditorFiscal, não podendo justificar a penalização do comerciante. Por acaso, seria esperável que uma empresa fosse aberta para dar prejuízo? 8 DA REGULARIDADE E INDEPENDÊNCIA DA EMPRESA GLOBO TRADING A Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Gráfico Ltda CNPJ 06.037.554/000140, iniciouse e continua em Marília, e foi constituída muitos anos antes da Way (does. 14 e 19). Embora operando com ramo de atividade semelhante, nada tem em comum com a Way, no tocante às operações e administração: opera em região diferente, tem clientela diferente, empregados diferentes (doc. 20). A existência de parentesco entre os sócios de ambas não tem o condão de transformálas em empresas interdependentes, como pretendeu o Fisco. 8 DOS SENHORES MAURO E DÊNIO O Senhor Mauro Aparecido Matiolli é genitor do sócio administrador da Way, Sr. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 652 9 Matheus de Oliveira Matiolli, e o Sr. Dênio Luiz da Costa é filho da outra sócia da Way, Sra. Magdalena Crulhas. Atualmente, ambos são sócios da Globo Trading, embora o primeiro tenha ingressado na sociedade apenas em julho de 2012. Em épocas diferentes, ambos receberam do Sr. Matheus, procuração para auxiliálo na gestão da Way: o Sr. Dênio em maio de 2010, e o Sr. Mauro em abril de 2011. Entretanto, e a despeito dos termos abrangentes das Respectivas preocupações, a documentação acostada aos autos, bem como as apurações fiscais deixaram evidenciado que eles atuaram apenas como auxiliares do sócio administrador da Way, fato comum no meio empresarial e não vedado pela legislação pátria, conforme já asseverado. O administrador e principal gestor da Way Trading sempre foi o Sr. Matheus de Oliveira Matiolli. DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO Não se pode olvidar que o dano ao erário é requisito essencial para a aplicação da pena de perdimento da mercadoria ou seu equivalente em multa pecuniária. Entretanto, faltou esse requisito ao Auto de Infração impugnado, o que o macula irremediavelmente. A conduta da Empresa Impugnante Way Trading Importação e Exportação Ltda. EPP, além de estar balizada pela legalidade, não acarretou qualquer dano ao erário, tanto que o Auditor Fiscal não aponta qualquer dano, nem sequer foi objeto de qualquer explanação sua. Muito embora o art. 136 do Código Tributário Nacional indique que a responsabilidade do agente por infrações à legislação tributária independa de culpa, ou seja, é objetiva, há muito já se assentou ou, na doutrina e jurisprudência, que esse entendimento deve se r sopesado. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Sacha Calmon Navarro Coelho. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: (CARF 4a Câmara 2a Câmara Ordinária, Processo nº 10074.000093/200747, Acórdão 3402001.867, Relator FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’ECA, julgado em 22/08/2012) e (CARF 3a Câmara, Processo 10921.000044/200271, Acórdão 30331.960, Relator SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, julgado em 13 de abril de 2005). Junta textos da Jurisprudência Judicial do STJ a respeito do assunto: (STJ Segunda Turma, AgRg no REsp 982224/PR, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 653 10 06/05/2010, )JE 27/05/2010); (Ac. da 2a Turma do STJ no REsp n° 639252PR, Reg. n° 2004/00050800, em sessão de 21/11/2006, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. In DJU de 06/02/07 p. 286) e ( Ac. da 2a Turma do STJ no REsp 331548 PR; Reg. 2001/00933870, 16/02/2006, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, in DJU de 04.05.2006 p. 154). Com efeito, ausente o efetivo dano ao erário, não há que se falar em pena de perdimento das mercadorias ou multa equivalente. 8 DA COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior possui fundamento no artigo 23, inciso V e parágrafo 2o, do Decreto Lei n° 1.455, de 1976, o qual serviu de base para a redação do artigo 689 do Regulamento riduaneiro vigente (Decreto n° 6.759/09). De acordo com os dispositivos em questão, a interposição fraudulenta pode ser definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior e que tenha por objetivo ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude ou simulação. Ainda, de acordo com os dispositivos em questão, para que se presuma a ocorrência da interposição fraudulenta, é necessário que haja indícios de que a origem, a disponibilidade e atransferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior não sejam passíveis de comprovação. No caso em exame, as operações estão todas regular e devidamente declaradas e escrituradas, com a identificação precisa de quem importou as mercadorias, e os recursos utilizados no pagamento dessas compras foram também regularmente escriturados e comprovada sua origem. É o que consta dos autos e da escrituração da Impugnante. Não há, pois, que se falar em “ocultação do real comprador”, em “prática de fraude ou simulação”, ou na impossibilidade de comprovação” da origem dos recursos utilizados no pagamento, requisitos esses exigidos pela legislação para a caracterização da infração que a autoridade administrativa tentou imputar à Impugnante. DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto e de tudo mais que dos autos consta, requerse o acolhimento da presente Impugnação, para: 1. PRELIMINARMENTE, seja declarado nulo o Mandado de Procedimento Fiscal e sua prorrogação, por falta de motivação do ato e por excesso de prazo para conclusão do trabalho fiscal, conforme apontado e, por conseqüência, seja cancelado o respectivo Auto de Infração; 2. Caso não seja esse o entendimento dessa Autoridade Julgadora, que, no mérito, seja cancelado o auto de infração guerreado,face sua improcedência, à vista da comprovação de Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 654 11 que não ocorreram os fatos infracionais alegados pela Autoridade Administrativa Fiscal; 3. Por conseqüência, seja restituída a caução de R$ 157.614,48 dada em garantia para a liberação de mercadorias, bem como cancelada a suspensão para a realização de operações no comércio exterior. Requerse, também: a) realização de perícia, para a comprovação da regular existência da empresa Way Trading Importação e Exportação Ltda. e do registro dos recursos e das respectivas operações; b) a cientificação da defesa quanto a data, hora e local do julgamento da impugnação, para fins de apresentação de memoriais e de sustentação oral, em observância aos corolários do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. É o relatório. A Turma Julgadora, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/07/2010 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os contribuintes, irresignados, interpuseram Recurso Voluntário (em uma única peça), reiterando os argumentos da Impugnação. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 655 12 Voto Vencido VOTO VENCEDOR QUANTO AO MÉRITO E VENCIDO QUANTO À RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado acima, o presente processo decorre de ação fiscal realizada na empresa WayTrading Importação e Exportação Ltda. com a finalidade de "verificar a ocorrência da ocultação do real adquirente em operação de comércio exterior e/ou a interposição fraudulenta de terceiros e a regularidade, origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações das mercadorias a que se referem as Declarações de Importação (DI's) nº 10/11549710, 11/00087798, 11/17734945, 12/07546617 e 12/21721528". (Relatório Fiscal, fl. 297). As operações em questão tiveram por objeto a importação de "Chapas de Alumínio Positiva PSMatrizes para Ofset (as duas primeiras DI's) e Chapas para Reprodução de Ofset, classificadas, respectivamente, nas posições 3701.30.90 e 3705.10.00 da NCN". (fl. 297). De acordo com a Fiscalização, a empresa Way Trading não seria a verdadeira adquirente das mercadorias importadas, agindo como interposta pessoa, importando as mercadorias à ordem de terceiros, que não figurou nos documentos de importação. O real adquirente das mercadorias foi identificado como sendo a empresa "Globo Trading Imp. e Exp. de Eq. GráficosEPP, em benefício dos sóciosadministradores desta, Srs. Mauro Aparecido Matiolli e Denio Luiz da Costa". (fl. 300) A infração foi assim descrita pelo Relatório Fiscal (fl. 304): Por fim, procedimento fiscal culminou com a Lavratura de Auto de Infração visando exclusivamente à cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria sujeita a perdimento e não localizada, consumida ou revendida (art. 673, 675, incio IV, 689 e Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 656 13 §1º do Decreto 6759/09, arts. 73§§ 1º e 2º, 77 da Lei nº 10.833/03 e art. 23, §§ 1º e 3º do Decretolei 1.455/76). (Auto de Infração às fls. 292/296) O Auto de Infração foi lavrado em face dos seguintes sujeitos passivos (fl. 305): Os 4 (quatro) sujeitos passivos foram signatários da Impugnação e também do Recurso Voluntário. Para mais adequado exame do feito, passo a analisar cada um dos tópicos do Recurso Voluntário apresentado. PRELIMINAR NULIDADE DO TERMO DE PRORROGAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO PRELIMINAR EXCESSO DE PRAZO PARA CONCLUSÃO DO MPF Em sede de Preliminares os Recorrentes alegam a nulidade da autuação fiscal pelo fato de o procedimento de fiscalização não ter ocorrido dentro do prazo inicialmente estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal, afirmando, ainda, que a prorrogação realizada seria nula por falta de motivação. Todavia, reputo inócuas tais alegações, pois a atividade administrativa do lançamento, regulada pelas normas internas da Administração Pública (RFB), não interferem na validade do lançamento tributário, quando este, evidentemente, cumpre os requisitos estabelecidos pelo Código Tributário Nacional e normas regentes do Processo Administrativo Tributário. Assim, por não vislumbrar qualquer violação aos dispositivos normativos que regem a atividade de constituição do crédito tributário, não vejo como acolher as preliminares suscitadas. MÉRITO CARÁTER TRIBUTÁRIO DA SUPOSTA INFRAÇÃO Nesse tópico os Recorrentes se insurgem, em fato, quanto aos fundamentos do acórdão recorrido, que, ao defender a validade do lançamento tributário, valeuse de princípios aplicáveis ao direito penal. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 657 14 Todavia, além da questão trazida não atacar diretamente o lançamento tributário, mas, sim, a fundamentação do acórdão recorrido que sequer faz trânsito em julgado entendo que, no Direito, há, efetivamente, o diálogo entre as suas mais diversas áreas. Não se trata de ciência exata, por vezes se tem uma verdadeira interconexão entre seus ramos de estudo. A própria separação do direito em áreas (público e privado, direito constitucional, administrativo, penal, etc) se dá exclusivamente por caráter didático, mais, jamais, para trazer qualquer diferenciação no seu tratamento, seja no âmbito cientifico, como na esfera da sua aplicação prática. E mais do que isso, é assunto já bastante trabalhado na doutrina, a grande conexão principiológica entre o direito penal e o direito tributário, notadamente pelo fato de as normas vinculadas a tais ramos estarem sujeitas à legalidade estrita e trazerem tanto normas de conduta, como sancionatórias. Desse modo, afasto qualquer alegação de nulidade em face da fundamentação utilizada pelo Acórdão recorrido. MÉRITO APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Com relação ao princípio da verdade material, é cediço meu posicionamento pela necessidade deste ser observado sempre da forma mais ampla no âmbito do lançamento tributário e, consequentemente, do contencioso administrativo tributário. Outrossim, para que tal princípio seja viabilizado nesta seara, se faz imprescindível que o Contribuinte, naquilo que defende, apresente as provas, ou, ao menos, indícios das alegações que pretende sejam acatadas. Na hipótese dos autos, verificase que o tópico de recurso apresentado pelo contribuinte destinouse apenas a trazer o posicionamento doutrinário acerca do princípio da verdade material no âmbito do lançamento tributário, contudo, as provas que efetivamente diz existir, é analisada juntamente com o mérito real da autuação fiscal e, portanto, também serão analisadas de forma individualizada nos tópicos respectivos. MÉRITO REGULAR CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA WAY TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP MÉRITO REGULAR ORIGEM DO CAPITAL SOCIAL MÉRITO ADMINISTRAÇÃO E SEDE DA EMPRESA MÉRITO PARTICULARIDADES NA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA WAY MÉRITO LUCRATIVIDADE DE EMPRESA WAY Tais tópicos, embora tratados de forma individualizada pelos Recorrentes, a meu ver, merecem ser analisados de forma conjunta, uma vez que ambos tem por objetivo afastar a premissa adotada pela fiscalização no sentido de que as importações analisadas ocorreram de modo fraudulento. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 658 15 Pois bem. Na hipótese dos autos, a importação foi considerada fraudulenta por entender a fiscalização que ocorreu tanto a ocultação do real importador, quanto a comprovação de inexistência de recursos financeiros por parte da importadora de direito. O acórdão recorrido apresentou de modo bastante didático os aspectos legais acerca da fiscalização das operações de importação. Pela propriedade da exposição nele realizada, reputo despiciendo trazer maiores argumentos de direito no presente voto, pelo que apenas faço remissão ao que restou lá exposto. Assim, passo ao exame dos fatos e provas que, no entendimento fiscal, seriam aptos a comprovar tanto a ocultação fraudulenta do real importador, quanto a alegada inexistência de recursos. De acordo com a Fiscalização, a empresa Way Trading não demonstra possuir estrutura necessária para a realização das importações, se tratando, em verdade, de empresa criada em benefício dos sócios da empresa Global, confirase: · Os sócios da empresa WayTrading é composta pelos sócios Matheus de Oliveira Matiolli, sócio administrador, e Magdalena Crulhas da Costa, CPF n° 092.800.18817, que, à época da constituição da empresa, contavam respectivamente com 18 e 80 anos. · Além disso, Matheus é filho de Mauro Aparecido Matiolli (sócio da empresa Globo Trading), e, Magdalena, é sogra de Denio Luiz da Costa (sócio da empresa Globo Trading). · A totalidade do capital social na constituição da empresa Way Trading é oriundo de empréstimos fornecidos pelo Sr. Mauro Aparecido Matiolli, devidamente declarados em DIRPFs, sendo que parte desse numerário é oriundo da venda de imóveis de Mauro à Global, inclusive sua própria residência, além do imóvel utilizado como sede da Global. · A Way Trading, embora tenha se mostrado lucrativa, não distribuiu lucro aos sócios no período examinado. Contudo, concedeu empréstimos aos seus próprios sócios, cujos recursos foram utilizados na quitação dos empréstimos concedidos pelo Sr. Mauro para a constituição da empresa. · Apesar do sócio Matheus constar como sócio administrador da Way Trading, a Fiscalização identificou procurações públicas outorgadas aos Srs. Mauro e Dênio para o exercício de atos de administração da sociedade. · O mesmo fornecedor dos produtos importados pela Way Trading possui contrato com a Global, que importava regularmente os mesmos bens. · A pessoa responsável pelas negociações com o fornecedor, tanto pela Global, como pela Way Trading, é a mesma. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 659 16 · O despachante aduaneiro que presta serviços a ambas as empresas é o mesmo. · Existem emails trocados com o Fornecedor das mercadorias importadas fazendo referência ao Sr. Dênio. Pois bem. Tenho que cada um desses elementos, analisados individualmente, não são capazes de caracterizar qualquer fraude. Os documentos constitutivos da empresa, assim como a origem dos recursos na sua constituição, são, por si, revestidos de legalidade. Além disso, as relações familiares entre pequenas empresas são comuns no meio empresarial brasileiro. Contudo, tenho que o conjunto dos elementos demonstra que, de fato, ambas as empresa atendem a um interesse único, podese dizer, formam um grupo. Ainda nesse sentido, entendo que a criação de uma nova empresa para o exercício de uma atividade específica, ainda que originariamente esta atividade tenha sido exercida pela primeira, também não se mostra, por si, ilegítima. Todavia, a legitimidade dos atos em questão, não afasta a conclusão de que a Way Trading jamais teve o objetivo de importar o produto para si, mas, sim, que esta importação ocorreu exclusivamente no interesse da Global, ou seja, deveria ter sido informada como sendo por conta e ordem de terceiros. E é este fato que se mostra punível pela legislação aduaneira, a não informação correta ao Fisco acerca do efetivo interessado na importação. Pelo exposto, não merece qualquer reparo o acórdão proferido pela DRJ quanto à conclusão de que a importação se deu com ocultação do real adquirente. MÉRITO SENHORES MAURO E DÊNIO Foi atribuída responsabilidade solidária aos sócios da empresa Global, Srs. Mauro e Dênio, com fundamento tão somente no art. 124, I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Todavia, entendo que, também nesses aspecto, não logrou a Fiscalização comprovar o interesse comum dos sócios da empresa Global. Na hipótese, o interesse comum na situação restou caracterizado apenas com relação à Global, Pessoa Jurídica ocultada, mas não com os sócios, ainda que administradores, que sequer cometeram ilegalidades na gestão (hipótese, aliás, de aplicação da solidariedade do art. 135 do CTN). A meu ver, não se pode atribuir responsabilidade direta aos sócios com base exclusivamente no interesse comum no fato gerador. Os sócios não agem em interesse próprio, mas no interesse da própria pessoa jurídica, de personalidade jurídicas distintas. Para Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 660 17 comprovar interesse próprio do sócio, entendo que devem restar caracterizadas condutas que extrapolem o seu poder de gerência (art. 135 do CTN), o que não logrou fazer a Fiscalização. Desse modo, diante dos fatos apresentados e, precipuamente, pelo fato de a Fiscalização não ter logrado demonstrar qualquer razão hábil para atrair a aplicação da responsabilidade tributária aos sócios da pessoa jurídica ocultada, afasto a solidariedade exclusivamente dos sócios da pessoa jurídica. MÉRITO AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO No âmbito da fiscalização aduaneira, a ausência de dano ao erário não se mostra relevante, uma vez que o bem jurídico tutelado pelas normas respectivas vai além do recolhimento do tributo em si, alcançado, precipuamente, aspectos regulatórios e de soberania nacional. Assim, a comprovação de ausência de dano ao erário, não alcança a análise acerca da legalidade dos sanções previstas nas normas, não competindo a este órgão julgador analisar quaisquer questões quanto à constitucionalidade das normas em questão. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário dos Contribuintes, apenas para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Dênio Luiz da Costa e Mauro Aparecido Matiolli, mantendo a integralidade do crédito tributário. Tatiana Josefovicz Belisário Relator Voto Vencedor Conselheiro, Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Designado. Divergi do voto da Relatora quanto à responsabilidade tributária atribuída aos senhores, Mauro Aparecido Matiolli e Dênio Luiz da Costa, o que fui acompanhado pela maioria por entender que não só restou comprovado o interesse comum das pessoas físicas responsabilizadas como também concorreram efetivamente para a prática da infração e dela se beneficiaram, à luz do que dispõem os arts. 121, I do CTN, e 94, § 2º e 95, I do DecretoLei nº 37/66. Assim, coubeme a designação para redigir este voto vencedor. Cabe inicialmente apontar o lapso de escrita no tópico "4. ENQUADRAMENTO LEGAL E PENALIDADE APLICADA", do Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, acostados às folhas 297 a 305 dos autos na parte em que a autoridade autuante assevera: (...) nos termos dos art. 124, inciso I, da Lei 5.172/1966 (CTN) e arts 194, § 2º e 195, inciso I, do Decretolei 37/1966. Constatase que a autoridade fiscal indicou incorretamente os arts. 94, § 2º e 95, inciso I do DecretoLei nº 37/66, pois que acrescentou aos números dos artigos o algarismo da centena. Tal fato não macula a autuação uma vez que o DecretoLei não possui os Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 661 18 indigitados artigos 194 e 195 e a leitura de seus textos aponta para a perfeita correspondência entre a acusação e o texto legal, conforme reproduzido: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. (...) § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Ademais, o lapso não foi suscitado nas peças de defesas dos autuados. Fundamentou a Relatora seu voto no argumento de que o interesse comum na situação restou caracterizado apenas com relação à Globo Trading Importação e Exportação de Equipamentos e Material Gráfico Ltda, a pessoa jurídica ocultada nas operações de comércio exterior da WayTrading Importação e Exportação Ltda, da qual (Global) as pessoas físicas ora responsabilizadas eram sócias. Por certo, a responsabilidade foi atribuída às pessoas físicas, srs. Mauro e Dênio, por fatos que extrapolam o interessem comum, vez que suas condutas na efetiva administração da empresa Way, na qual não eram sócios, revelaram a prática da infração de interposição fraudulenta por ocultação da empresa Global e de seus próprios nomes. Assim, desnudado o interesse comum e o benefício alcançado nas operações, quais sejam, manteremse ocultos do fisco na realização de importações, apenas formalmente atribuídas à empresa Way, acertada a responsabilização de Mauro e Dênio pelos créditos tributários apurados. De fato a gestão da empresa Way foram exercidas por Mauro e Dênio, pois o primeiro foi quem supriu os recursos financeiros ao filho, de 18 anos, para iniciar as "lucrativas" operações de comércio exterior pois como revelado contou com a "experiência" do pai. E mais, Mauro e Dênio detinham procuração pública com amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de gerir e administrar todos os bens e negócios da empresa Way, podendo comprar, vender e negociar mercadorias, abrir, movimentar e encerrar contas corrente/poupança, emitir cheques, etc, inclusive substabelecer. Nos autos consta o Cartão de Autógrafos de conta corrente mantida pela Way no banco do Brasil, com as assinaturas dos outorgados, srs. Mauro e Dênio. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16004.720338/201312 Acórdão n.º 3201003.040 S3C2T1 Fl. 662 19 Apontou também a fiscalização que os ora responsabilizados atuavam efetivamente junto aos exportadores da Way. Os fatos narrados pela fiscalização não foram afastados com provas e argumentos convincentes. Arguíram em seus recursos que as procurações públicas tinham a mera finalidade de auxiliar o sócio administrador da Way, o que não seria vedado pela legislação. Conclusão Os atos praticados pelos acusados (sr. Mauro Aparecido Matiolli e sr. Dênio Luiz da Costa) e relatados pela fiscalização, a meu ver foram decorrentes de evidente gestão financeira, comercial e administrativa de empresa em que não eram sócios e culminaram na prática da infração de interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior. Por todos estes fatos entendo acertada a responsabilização das pessoas físicas atribuídas pela autoridade fiscal, nos termos dos artigos 121, I, do CTN, e 94, § 2º e 95, I do DecretoLei nº 37/66. Do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário mantendose responsabilidade tributária das pessoas físicas Mauro Aparecido Matiolli e Dênio Luiz da Costa. Ressalto que acompanhei o voto da relatora que negou provimento nas demais matérias. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900477/2008-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento.
BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA.
O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR.
CONFISSÃO DE DÍVIDA
A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1801-000.427
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CANCELAMENTO. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento. BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. CONFISSÃO DE DÍVIDA A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30/01/2004, fls. 01/02, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$3.637,06 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 30/06/2003, para compensação do débito de IRPJ, código nº 5993, referente ao fato gerador de dezembro de 2003 no valor de R$4.032,77. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 03/04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30/04/2008, fl. 05, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20/05/2008, fls. 06/07, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Trata-se de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. Acrescenta que procedeu a todos os pagamentos dos tributos devidos. Instrui o processo com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano- calendário de 2003, fls. 20/80, bem como com as cópias dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), fls. 81/94. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14-23.849, de 08/05/2009, fls. 96/98:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 173 3 Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Notificada em 30/07/2008, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/08/2009, fl. 102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Instrui o processo com a cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), fls. 125/155, onde estão escriturados os balancetes mensais, bem como cópia do Livro Diário, fls. 104/124, onde está transcrito o balancete de dezembro de 2003. Explica que a) A empresa, no ano base em causa, optou pela tributação pelo Lucro Real, com base em Balanço Geral Anual. Levantou mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à • pagar, tendo recolhido todos os meses que acusaram valor à pagar. b) Esta exigência fiscal decorreu de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolheu por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que não existe. Esse foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim, esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. c) E a DCTF Trimestral foi preenchida incorretamente, para corresponder aos valores impropriamente lançado no PER/DCOMP. d) Desta forma, pode-se concluir, força da realidade dos fatos, que a DCTF e PER/DCOMP relativos a este período são imprestáveis. e) Declara este contribuinte que não é titular dos créditos impropriamente lançados no PER/DCOMIP em questão. f) No acórdão epigrafado, afirma seu relator que a contabilidade regularmente executada, vale como prova à favor ou contra o contribuinte (Artigo 923 do RIR). No caso anexa, as peças mencionadas no item g, para demonstrar a inexistência de outro débito fiscal da empresa, que não os já pagos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 g) Para demonstrar que a empresa nada deve à Receita Federal do Brasil, e que os valores erradamente inscritos nos DCTFs e PER/DCOMPs, não tem origem válida, anexa a esta cópia dos Balancetes Mensais de Verificação, transcritos no Livro Diário n.° 45, autenticado sob n.° 1.200, no Cartório de Registro de Salto, mês a mês, e do Lalur e Demonstrativo de Cálculo correspondente a toda apuração do imposto e contribuições devidos, mês a mês, estes todos pagos, conforme cópias de guia que se anexa. h) Ao final, há de se constatar a inexistência de débito, que se comprova por este recurso. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que a Per/DComp deve ser cancelada por erro no preenchimento, uma vez que o crédito já foi corretamente utilizado e que o débito confessado é inexistente. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Sobre o Pedido de Cancelamento da Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 174 5 do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 145927 Número do Processo 14033.000033/2004-19 Turma 3ª Câmara Contribuinte PHD TRANSPORTES LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Outros Data da Sessão 08/08/2007 Relator(a) Paulo Jacinto do Nascimento Nº Acórdão 103-23143 Tributo / Matéria - Cofins- processo que não versem s/ exigências de credito tributário Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Paulo André Vacari Beloni, inscrição OAB/DF nº 12.671. Ementa COMPENSAÇÃO [...] PEDIDO DE CANCELAMENTO – Não merece ser acolhido o Pedido de Cancelamento de Compensação formulado após a ciência do despacho decisório que a indeferiu. Recurso improvido. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007. [...] Nº Recurso 148271 Número do Processo 10480.001708/2002-56 Turma 3ª Câmara Contribuinte COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 09/08/2007 Relator(a) Antonio Carlos Guidoni Filho Nº Acórdão 103-23167 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe em face das disposições do artigo 15, §1º, inciso II, do RI. A contribuinte foi defendida pelo DR. Ivo de Lima Barboza, OAB/PE nº 13.500D Ementa ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento, o que não ocorreu no presente caso. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157222 Número do Processo 10768.100409/2003-68 Turma 1ª Câmara Contribuinte BANCO FINIVEST SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Valmir Sandri Nº Acórdão 101-96829 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, no sentido de reconhecer o erro de fato no pedido interposto, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação das compensações pretendidas, considerando os créditos existentes relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 229272 Número do Processo 10283.009117/99-51 Turma 5ª Câmara Contribuinte IMPORTADORA BELMIROS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 14/09/2007 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 105-16675 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO - ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO - Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 175 7 homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999, prevê: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). A pessoa jurídica tributada com base no lucro real pode optar pelo recolhimento do tributo mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano-calendário (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Ainda, sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 97, de 24 de dezembro de 1997, prevê: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano- calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano- calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. [...] § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano- calendário; Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: I - a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário; II - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157989 Número do Processo 11522.000275/2005-93 Turma 3ª Turma Especial Contribuinte ETENGE EMP DE ENG ELET LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/10/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00014 Tributo / Matéria IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal) Decisão Por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) para excluir do IRPJ lançado o valor de R$ 1.450,00 e seus consectários, referente ao fato gerador de 31/12/2000, e II) quanto à multa isolada, reduzir o percentual de 75% para o percentual de 50% , em face da retroatividade benigna. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001. [...] SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ MENSAL - ESTIMATIVA - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, por estimativa, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 176 9 O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. Sobre a confissão de dívida, o Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, determina: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Em relação à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, determina: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas a fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: [...] § 1º Os valores relativos a impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício não deverão ser informados na DCTF. [...] Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa e, caso não sejam regularizados, enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. A DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito tributário declarado. No que se refere à DIPJ, foram editados atos normativos evidenciando que se trata de documento informativo (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Analisando os dados constantes na DIPJ do ano-calendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, tem-se que a CSLL devida mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 1.507,35 1.507,35 1.507,35 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 Setembro 6.826,53 6.826,53 6.826,53 0,00 Outubro 10.578,60 10.578,60 10.578,60 0,00 Novembro 11.341,65 11.341,65 11.341,65 11.341,65 Dezembro 4.216,40 4.216,40 4.216,40 4.216,40 Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o valor do débito informado em Per/DComp referente ao débito de CSLL, deve ser cancelado. Não consta nos autos a integralidade da cópia do Livro Diário comprovando a transcrição obrigatória do balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo, bem como não há prova de que todos os valores devidos estão corretamente confessados em DCTF. Pelo contrário, o referido crédito tributário não está regularmente constituído, embora possa existir DARF correspondente. Por esta razão, a PER/DComp não pode ser cancelada, já que é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do presente crédito tributário. Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. Em face do exposto voto: a) para que a DRF que jurisdicione a Recorrente fique alerta para a possível existência de pagamentos; b) no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900477/2008-55 Acórdão n.º 1801-00.427 S1-TE01 Fl. 177 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 11543.003608/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS PELO CONTRIBUINTE COMO ISENTOS. ÔNUS DA PROVA
Contribuinte que classifica os rendimentos recebidos de ação trabalhista como rendimentos isentos, cabe-lhe o ônus da prova em provar a natureza isentiva dos rendimentos recebidos. Após diligência fiscal, não houve a devida comprovação dos valores em decorrência da incineração do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS PELO CONTRIBUINTE COMO ISENTOS. ÔNUS DA PROVA Contribuinte que classifica os rendimentos recebidos de ação trabalhista como rendimentos isentos, cabe-lhe o ônus da prova em provar a natureza isentiva dos rendimentos recebidos. Após diligência fiscal, não houve a devida comprovação dos valores em decorrência da incineração do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RENDIMENTOS CLASSIFICADOS PELO CONTRIBUINTE COMO ISENTOS. ÔNUS DA PROVA Contribuinte que classifica os rendimentos recebidos de ação trabalhista como rendimentos isentos, cabelhe o ônus da prova em provar a natureza isentiva dos rendimentos recebidos. Após diligência fiscal, não houve a devida comprovação dos valores em decorrência da incineração do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 36 08 /2 00 4- 15 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 81 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.36/44) interposto pela contribuinte em face da decisão da DRJ/JFA questionando o auto de infração sobre IRPF ano calendário de 2000 Exercício 2001 no valor total de R$ 5.857,88 de acordo com fls. 07. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 27/32) por sua precisão: “O lançamento formalizado pelo Auto de Infração de fls.05/12, lavrado pela Fiscalização em 01/07/2004, decorre da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2001 Retificadora, apresentada pela contribuinte retro identificada, cópia apensada às fis.23/26, que, conforme Termo de Acerto de Declaração de fis.16, alterou os "rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas" e os "rendimentos isentos e não tributáveis" para R$ 46.898,60 e R$ 34,34, respectivamente, resultando, em conseqüência, a apuração de imposto suplementar, no valor de RS 2.494,63, acrescido de multa de ofício (passível de redução), no valor de RS 1.870,97, e juros de mora calculados até agosto de 2004, no valor de RS 1.492,28. A autoridade revisora, conforme expresso no item "demonstrativo das infrações" a fls.08 — parte integrante do Auto de Infração em pauta — apurou "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vinculo empregatício" visto que "a contribuinte declarou indevidamente como isento e nãotributável o rendimento de R$ 15.669,01, parte do montante tributável de R$ 31.805,89 recebido na ação trabalhista n°579/91". Em sua peça impugnatória de fis. 01, a interessada contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que os rendimentos em questão foram Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 82 3 considerados pela Justiça como "rendimentos isentos e nãotributáveis" e, portanto, não fazem parte da base de cálculo do imposto de renda. Para corroborar seus argumentos, trouxe aos autos, juntamente com sua defesa, os documentos anexados às fls.02/04.” 3 A decisão da DRJ/JFA (fls. 33/35) julgou improcedente a Impugnação da contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Mantémse o valor apurado pelo Fisco quando o contribuinte, na fase impugnatória, não apresentar provas incontestes que invalidem o feito fiscal. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATORIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente 4 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/02/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 38, a contribuinte apresentou, em 24/03/2008 (21/03 feriado Paixão de Cristo), recurso voluntário, fls. 39, onde reitera e reforça os mesmos argumentos da impugnação, juntando aos autos documentos, fls. 40/41. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 83 4 5 Na sessão de 20/06/2013 a extinta 2ª turma da 1ª Câmara desse E. Sodalício através da Resolução nº 2102000.140 às fls. 47/49 sobrestou o caso em decorrência da decisão sobre o Tema 228 do STF em repercussão geral sobre a incidência do IRPF nos rendimentos percebidos acumuladamente. 6 – Em Resolução nº 2102000.190 de 18 de julho de 2014 houve a conversão do julgamento em diligência para: “De acordo com a defesa, do valor total bruto recebido pela Recorrente (R$ 31.805,89) apenas R$ 16.136,88 seriam tributáveis. Sustenta este argumento com base no documento de fls. 41. Do referido documento – transcrito no voto acima – é possível depreender que, de fato, a base de cálculo utilizada pela fonte pagadora para cálculo do IRRF foram os R$ 16.136,88. Com efeito, o fato da fonte pagadora ter utilizado como base de cálculo para cálculo do IRRF apenas uma parte do montante total pago à Recorrente é um forte indício de que o valor total bruto não era tributável em sua totalidade. Entretanto, apesar deste indício, não há provas concretas de que parte dos valores recebidos seria tributável e outra parte não o seria.Diante de tal situação, e considerando o princípio da verdade material, VOTO pela CONVERSÃO deste julgamento em diligência, a fim de que: a) seja a fonte pagadora dos rendimentos em questão (Cesan Cia Esp Santense de Saneamento – CNPJ nº 28.151.363/000147) intimada a esclarecer quais foram as verbas pagas à Recorrente na ação trabalhista nº 579/91, e suas respectivas naturezas (quais eram isentas e quais seriam tributáveis); e Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 84 5 b) seja a Recorrente intimada a esclarecer a composição das verbas recebidas no âmbito da referida ação trabalhista, trazendo aos autos as pertinentes cópias do processo que comprovem a natureza dos R$ 16.136,88, assim como a natureza dos R$ 15.669,01 que foram considerados por ela como isentos.” 7 Às fls. 59 intimação da unidade preparadora para a fonte pagadora com o seguinte questionamento: 8 – Às fls. 65/66 resposta da fonte pagadora informando que apesar de ter acionado seu departamento jurídico para obtenção das informações não houve êxito em decorrência que já havia ocorrido o arquivamento e eliminação dos autos na Justiça do Trabalho. 9 – Cientificada da resposta da diligência às fls. 68 a contribuinte às fls. 69 diligenciou pessoalmente na Justiça do Trabalho para obtenção das cópias e confirma que devido ao tempo houve a incineração do processo trabalhista, mas alega que conseguiu uma cópia de um documento de fls. 71/72 redigido na época pela encarregada de cálculos e que serviu de base para a elaboração de sua DIRPF. 10 – Às fls. 76 relatório da diligência fiscal contendo os mesmos fatos indicados alhures e devolução dos autos a esse E. CARF para julgamento. 11 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 85 6 12 – Conheço do recurso. 13 – Após a conversão do julgamento em diligência conforme narrado alhures houve a tentativa de produção de provas por parte da contribuinte para comprovar a natureza dos valores recebidos na reclamatória trabalhista. 14 – Contudo, infelizmente houve a incineração do processo trabalhista promovido pela contribuinte, conforme informações da fonte pagadora e da própria contribuinte que a fim de contribuir com a resolução do assunto foi até o Judiciário Trabalhista de sua região a fim de obter informações, tendo conseguido apenas uma cópia de uma aprte de um documento em que consta os valores recebidos na época fls. 43/44. 15 – No caso concreto o ônus da prova cabe ao contribuinte conforme art. 373, I do CPC, que classificou seus rendimentos recebidos na reclamatória trabalhista como rendimentos isentos. 16 – Se não há provas por parte da contribuinte da natureza das verbas recebidas a título de verbas indenizatórias como por ex: aviso prévio indenizado, férias vencidas e outras que a legislação do Imposto de Renda indica como isentas, não há como prover o recurso. 17 – Mesmo que fossem todas verbas de natureza salarial, em tese seria possível a análise e aplicação do julgado do STF RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, de ofício, contudo, até mesmo a análise de tal ponto resta prejudicado em vista da falta Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11543.003608/200415 Acórdão n.º 2201003.847 S2C2T1 Fl. 86 7 de provas quanto aos valores recebidos para a unidade preparadora fiscal promover eventual recálculo dos valores. 18 – Diante da falta de prova, não resta outra alternativa a não ser negar provimento ao presente recurso mantendo o lançamento tributário. Conclusão 19 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e no mérito negar provimento conforme fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911030/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.530
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 10 30 /2 01 0- 91 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.421. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.911030/201091 Acórdão n.º 3302004.530 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.001965/2005-02
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS.
Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-000.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem diversa dos recursos objeto de mútuo com pessoa ligada, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, se presume, por força legal, que aquelas importâncias tiveram origem em receita mantida à margem da contabilidade e, portanto, constituem omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Fl. 174DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco , Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em procedimento de fiscalização, inicialmente deflagrada por causa de irregularidades na apuração de saldos credores de COFINS não-cumulativos, constatou-se o ingresso da importância de R$17.500,00 no caixa da empresa, em 09/09/2004, sob a rubrica de empréstimo recebido do sócio-gerente, sr. Carlos Alberto Berghan. Intimada a empresa e o referido sócio a comprovar a efetiva entrega de recursos à empresa, bem como a origem dos recursos, foram apresentados: comprovantes de recebimentos de aposentadoria (INSS) pelo referido sócio; comprovantes de pro-labores, na qualidade de diretor da empresa, no período entre janeiro a agosto de 2004; contrato de mútuo (não registrado) firmado entre ambos e recibo da empresa atestando o recebimento do referido valor naquela data. Com fulcro no artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) foram então lavrados os presentes Autos de Infração de IRPJ e decorrentes, por omissão de receitas legalmente presumida. Os Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins encontram-se às fls. 36 a 53 deste processo. A empresa impugnou o feito fiscal, fls. 55 a 61, alegando que o auditor fiscal entendeu ser o empréstimo a obtenção de uma receita operacional. Entende haver ficado devidamente comprovado a efetiva entrega de numerário à empresa e a sua origem durante a fiscalização. Esclarece, ainda, que o sócio possuía à época plena capacidade financeira para arcar com o empréstimo, somando-se as suas rendas, consoante demonstrado. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS exarou o Acórdão nº 10-18.037/08, fls. 120 a 121, que restou assim ementado: “OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. Os suprimentos de caixa atribuídos a sócio da pessoa jurídica, cuja origem e efetiva entrega não forem devidamente comprovados com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributados como receitas omitidas. A asserção de que o sócio possui disponibilidade econômica, por si só, não tem o condão de afastar a presunção.” A turma julgadora a quo fundamenta seu voto em reiteradas decisões administrativas prolatadas no mesmo sentido da tese esposada na ementa. Cita três julgados e conclui: “Como se vê nas decisões citadas, é imprescindível a comprovação da efetiva entrega dos recursos à pessoa jurídica, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidente em datas e valores com os registros constantes da contabilidade. De regra, essa comprovação não é difícil. Basta a apresentação de elementos comprobatórios da efetividade da transferência do numerário, tais como Fl. 175DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.001965/2005-02 Acórdão n.º 1801-00.441 S1-TE01 Fl. 134 3 comprovantes de depósito, cópia de extratos bancários ou mesmo dos cheques utilizados para creditamento dos recursos. A simples apresentação de recibos ou contratos assinados pela pessoa jurídica creditada e pelos sócios não consiste em elemento de prova hábil perante terceiros, em vista do disposto no art. 219 do novo Código Civil. Caso documentos da espécie — tomados isoladamente — fossem suficientes para acobertar a entrada de recursos na empresa, a presunção legal restaria totalmente inócua, visto que bastaria ao infrator a formalização desses instrumentos sempre que necessário. É bem verdade que nem sempre a entrada de recursos na pessoa jurídica se dá por meio de movimentação bancária. Todavia, no caso concreto, não é razoável admitir as partes tenham simplesmente prescindido da utilização de instituição financeira para operacionalizar o aporte do dinheiro. O valor de R$17.500,00 é bastante significativo, em especial quanto tomado em relação ao patrimônio do sócio (ver documentos de fls. 113 e 117, juntados pela própria impugnante), sendo difícil imaginar que não tenha havido, pelo menos, um saque bancário previamente à transferência do numerário. Repiso que, havendo movimentação bancária, a comprovação do fluxo financeiro não é difícil.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 125 a 131, combatendo o aresto reiterando as mesmas razões expostas na defesa inicial. É o relatório. Passo a analisar as razões meritórias. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. De plano, adoto as fundamentações veiculadas no aresto vergastado e saliento que não foram enfrentadas pontualmente pela recorrente, que limitou-se a centralizar sua defesa, em suma, no fato de existirem: (i) um contrato de mútuo firmado entre si e o então sócio gerente; (ii) um recibo que ao seu entender comprova o ingresso de numerário na empresa; e, ainda, (iii) na suposta capacidade financeira do mutuante, espelhada em um demonstrativo de percebimentos de aposentadoria (INSS) da ordem aproximada de R$1.500,00 a.m. (fls. 12) e outra quantia mensal, aproximada, em R$1.400,00, líquidos, a título de pro- labore em alguns meses (fls. 14 a 20). Na mesma linha de raciocínio traçada pela turma julgadora de primeira instância repouso meu voto no sentido de manter a tributação. O artigo 282 do RIR/99 cuida de presunção legal de omissão de receitas evidenciada pelo ingresso na conta da empresa de numerários cuja origem não resta devidamente comprovada como sendo diversa de “caixa dois” 1 e – não ou – e mister é a prova da efetiva entrada deste numerário na empresa. Assim preceitua o dispositivo legal: 1 Caixa dois. 1. Com. Ind. Controle de recursos desviados da escrituração legal, com o objetivo de sonegá-los à tributação fiscal. [Cf. economia invisível e contabilidade paralela.] Fl. 176DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). (grifos não pertencem ao original) As duas condições, portanto, devem ocorrer de forma concomitante para o fim de afastar a presunção erigida pelo legislador tributário. O intuito da norma é coibir a existência do famigerado “caixa dois”, ou seja, recursos que transitam à margem da contabilidade nas empresas e o sistemático suprimento de caixa para satisfazer os dispêndios desta, evitando que se ‘estoure’ o caixa e este registre saldo credor. Destarte, sem a comprovação efetiva que este suposto empréstimo adveio de origem totalmente externa à empresa, quando trata-se de pessoas ligadas à empresa, ainda que jurídicas, por meio de comprovantes bancários da transferência de valores e não se logrando comprovar que a origem dos recursos é diversa da própria empresa, não se ilide a tributação erguida com fulcro neste remissivo legal – art. 282 do RIR/99, o qual apenas consolida os preceitos legais já explicitados nos Autos de Infração e no acórdão ora guerreado. E faço coro com a turma julgadora de primeira instância ao destacar que a importância de R$17.500,00 para uma pessoa que recebia, na época, em média R$3.000,00 por mês, para sustento seu e de sua família, supõe-se, é uma importância significativa, a qual faz presumir que estaria em alguma instituição financeira e fácil seria comprovar a retirada do recurso, mediante documentação bancária, para realizar o empréstimo à empresa (no caso de não consistir receita da própria empresa, mas mantida em paralelo aos controles contábeis). Acrescento à jurisprudência administrativa citada no acórdão de primeira instância as seguintes ementas, cujos julgados corroboram a tese ora defendida: “IRPJ – SUPRIMENTO DE CAIXA – OMISSÃO DE RECEITA – Legítima a tributação do valor dos suprimentos de caixa efetuados por sócios da pessoa jurídica como sendo proveniente de recursos gerados à margem da escrituração se a origem e a efetiva entrega dos recursos utilizados nas operações não forem comprovadas.” (Ac. 101-93125, de 15 de agosto de 2000)” “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – SUPRIMENTO DE CAIXA – EMPRÉSTIMOS – Se, devidamente intimada, a contribuinte não logra comprovar com documentação hábil, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nas operações de empréstimos, é de se manter a tributação do valor da receita omitida, tendo em vista o disposto no art. 181 do RIR/80” (Ac. 103-19322, de 14 de abril de 1998)” Dicionário Aurélio Fl. 177DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.001965/2005-02 Acórdão n.º 1801-00.441 S1-TE01 Fl. 135 5 “SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS – A prova da origem e efetiva entrega dos recursos, tanto para suprimentos de caixa, como para integralização de capital, deve ser comprovada por documentação hábil, idônea e coincidente, em datas e valores, por administradores, sócios de sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador da companhia. Recurso Negado” (Ac. 105-13204, de 06 de junho de 2000)” A mera apresentação de contrato de mútuo, sequer sem registro, e recibo cuja autoria envolve apenas a empresa e o sócio, sem o respaldo em documentação obtida de terceiros não envolvidos com a possível simulação engendrada, é inócua para os fins tributários impostos pelo já citado artigo 282 do RIR/99, justamente por não serem hábeis para afastar a possível simulação jurídica. Saliento, por derradeiro, que nos casos das presunções legais, o ônus da prova inverte-se para o contribuinte, consoante artigo 924 e § do RIR/99: Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Inversão do Ônus da Prova Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º). Por todo o exposto, reputo válido os lançamentos tributários de IRPJ e tributação reflexa, CSLL, PIS e Cofins, por não ilidida a presunção legal de omissão de receitas. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 178DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000107/2007-56
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. CRÉDITOS BANCÁRIOS.
Constatado nos autos que os indícios que caracterizam a presunção de omissão de receitas estão fartamente provados nos autos, descabe a argumentação de que não há conjunto probatório que respalde a tributação imposta.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NEXO CAUSAL.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA
CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.
(Súmula nº 02 do CARF)
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
(Súmula nº 04 do CARF)
Numero da decisão: 1801-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Constatado nos autos que os indícios que caracterizam a presunção de omissão de receitas estão fartamente provados nos autos, descabe a argumentação de que não há conjunto probatório que respalde a tributação imposta. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NEXO CAUSAL. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 04 do CARF)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 389 1 388 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000107/200756 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.592 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de junho de 2011 Matéria Auto de Infração Simples Recorrente SAX IND. E COM. DE MALHAS E CONFECÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Constatado nos autos que os indícios que caracterizam a presunção de omissão de receitas estão fartamente provados nos autos, descabe a argumentação de que não há conjunto probatório que respalde a tributação imposta. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NEXO CAUSAL. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 04 do CARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em procedimento fiscal verificouse que a contribuinte, optante pelo recolhimento de tributos federais (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL, INSS) pela sistemática diferenciada, favorecida e simplificada – Simples: (i) não escriturou a movimentação financeira relativa ao anocalendário de 2003 no Livro Caixa, ensejando a tributação de receita omitida, apurada de forma presumida, evidenciada pelos créditos bancários cujas origens não foram justificadas pela fiscalizada; (ii) deixou de oferecer à tributação receitas escrituradas no Livro Caixa mas não informadas na DSPJ; (iii) em virtude das omissões, houve insuficiência dos recolhimentos espontâneos (mudança de alíquotas). Os Autos de Infração lavrados para as exigências de tributos, pelo Simples, encontramse às fls. 07 a 48 dos autos e os Termos de Constatação e Intimação Fiscal nºs 05 e 06, partes integrantes dos referidos Autos, às fls. 50 a 56, 111 a 112 e: Anexo 1 (lançamentos no Livro Caixa) fls. 59 a 61; Anexo 2 (ECF), fls. 62 a 64; Anexos 3, 4, 5, 6 (Créditos bancários), fls. 65 a 76; Anexos 7, 8, 9, 10 (Extratos REDECARD e VISANET), fls. 77 a 110; Anexo 11 (Estornos de valores dos créditos), fls. 113 a 115. A fiscalização valeuse dos seguintes livros e documentos, fornecidos pela fiscalizada, para apurar as bases de cálculo, de ofício: Livro Caixa nº 10; fitas emitidas pelo equipamento de emissão de cupom fiscal (ECF); Livro de Registro de Saídas nº 10; extratos emitidos para simples conferência pela REDECARD e VISANET; extratos bancários do BANESPA, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, UNIBANCO e BANCO DO BRASIL; DSPJ 2004. A empresa impugnou o feito fiscal às fls. 192 a 227 salientando que entregou DSPJ/04 retificadora e parcelou os valores informados nesta, pelo que tais valores devem ser subtraídos das exações fiscais lavradas ex officio, entre outras argumentações. Acostou à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 390 3 impugnação cópias dos Livros Diário e Razão, contratos de mútuos, documentos referentes a parcelamentos, cópia da DSPJ retificadora. A Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão nº 0526.751/09 dando procedência em parte para a impugnante, admitindo como espontânea a entrega da declaração retificadora, determinando a exclusão dos valores ali informados das autuações, rejeitando as demais contestações – fls. 312 a 327. Irresignada, a empresa apresentou, tempestivamente, o Recurso de fls. 347 a 383, alegando, em suma: I) ofensa ao princípio do devido processo legal porque a fiscalização não permitiu a prorrogação de prazo para apresentar as justificativas ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 06; II) precipitada autuação sem comprovar o nexo causal entre cada depósito e a efetiva omissão de receitas, o que impõe o cancelamento do Auto de Infração por procedimento vedado pelo art. 9º do Decretolei nº 2.471/88 ; esta matéria foi sumulada pelo então Tribunal Federal de Recursos (nº 182); cita ementas de acórdãos administrativos que entende corroborar a tese explanada; III) a mera remissão de extratos bancários ou depósitos cujos comprovantes não foram acostados aos autos não podem servir de comprovação entre cada depósito e as efetivas omissões, não constituindo material probatório que justifique os Autos de Infração; IV) a omissão supostamente detectada pela fiscalização no valor de R$ 1.426.643,83 foi reduzida pela turma julgadora de primeira instância em R$ 624.939,43, em razão da apresentação da DSPJ retificadora e parcelamento, remanescendo o valor tributável da ordem de R$ 801.704,40; todavia, arbitrariamente, a turma julgadora de primeira instância não acatou as demais origens dos valores comprovados na impugnação, a saber: Depósitos/créditos bancários 1.888.723,61 Comprovações – fls. do Livro Diário, conta Razão e contratos Débitos bancários fls. 315 vº 33.587,61 Cheques a receber – fls. 157 – Anexo I 88.031,65 Vendas parceladas – cartão de crédito – fls. 155 – Anexo I 305.125,33 Mútuo – M. Moreira Sto Ant. do Pinhal ME – fls. 158 – Anexo I) 198.135,87 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Mútuo – Anouk Migotto ME fls. 159 – Anexo I 161.944,03 Mútuo – Luiz Manoel Vscs. Rosa – fls. 160 – Anexo I 55.950,52 Declaração retificadora – fls. 229 a 247 dos autos 1.048.507,30 Total comprovado 1.891.282,31 V) todas as operações foram registradas no livro Diário e conta razão e transitaram pela conta Caixa, que espelhava toda a movimentação financeira da empresa, bem como pagamentos; VI) os documentos citados pela fiscalização que compuseram os Anexos 1 a 10 – fls. 59 a 110 dos autos não constam no processo, devendo ser desconsiderados pelos julgadores; VII) a multa de ofício cominada em 75% é confiscatória; VIII) os juros exigidos à taxa Selic são inconstitucionais. É o suficiente para o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Precípuo iniciar este voto com a capitulação legal da infração tributária contra a qual se insurge a recorrente, no caso, presunção legal de omissão de receitas evidenciada por créditos bancários cujas origens não foram devidamente justificadas – artigo 42 da Lei nº 9.430/96, consoante constou no “Enquadramento Legal” dos Autos em questão (relativamente à infração 001): Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 391 5 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] (grifos não pertencem ao original) A recorrente suscita questão preliminar sobre a autuação imposta concernente à ausência de anexação aos autos dos extratos bancários dos quais teriam sido extraídos os valores que compuseram os Anexos elaborados pela fiscalização na apuração das bases de cálculo, mensais, das omissões de receitas. Alega que falta, por conseguinte, corpo comprobatório que fundamente os Autos de Infração lavrados contra si. Discordo da contestação da recorrente neste concernente em vista da infração tributária estar fartamente comprovada e demonstrada no bojo destes autos. Na verdade, faço coro com o acórdão vergastado: “Prosseguindo, conforme relatado, a interessada foi autuada por omissão de receitas, face constatação de depósitos bancários cuja origem não restou devidamente demonstrada, no total de R$ 1.426.643,83 (conforme quadro constante do item 2 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 006 — fls. 111/112). De fato, a fiscalização deixou de anexar ao processo a cópia dos extratos bancários e dos livros submetidos à verificação. Porém, tomou o cuidado de anexar aos autos os documentos de fls. 135/158, correspondentes aos Extratos da Movimentação Financeira, nos quais constam todos os lançamentos a crédito e a débito nas contas correntes mantidas pela contribuinte nas instituições financeiras citadas; bem como de relacionar, nos Anexos 1 a 10 (fls. 59/110), o resumo dos livros/documentos analisados, tudo devidamente cientificado à contribuinte. Nestes termos, entendese que a infração foi claramente demonstrada com a documentação anexada ao processo. Em sua defesa, a própria autuada reconhece que parte dos depósitos questionados corresponde, de fato, a rendimentos que deixaram de ser oferecidos à tributação em sua Declaração Anual Simplificada original, onde foi consignada a Receita Bruta de R$ 423.567,87, razão pela qual procedeu à retificação do documento para acrescentar a diferença de R$ 624.939,43 (R$ 1.048.507,30 — R$ 423.567,87), que teria sido quitada por meio de parcelamento, tudo, no entender da impugnante, ainda feito de forma espontânea, por ter ocorrido a descontinuidade dos trabalhos fiscais, a teor do disposto no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.” (grifos não pertencem ao original) Com efeito, todos os depósitos/créditos/devoluções de cheques foram transcritos pela autoridade fiscal nos Anexos 3 – Banespa, 4 – Banco do Brasil, 5 – Caixa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Econômica Federal e 6 – Unibanco e Anexo 11. Basta verificar às fls. 65 a 77 e fls. 113 a 115 dos autos. Assim constou, minuciosamente, do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05 – fls. 50 a 56: “[...] 1. Informações prestadas/fornecidas pelo Contribuinte: 1.1. Livro Caixa no. 10, referente ao anocalendário 2003. 1.2. Fitas emitidas pelo equipamento ECF denominadas "Redução Z", referentes ao período de 01/2003 a 1212003. 1.3. Livro Registro de Saídas no. 10, referente ao anocalendário 2003. 1.4. Extratos p/simples conferência emitidos pela REDECARD, referentes ao período de 01/01/2003 a 31/12/2003. 1.5. Extratos p/simples conferência emitidos pela VISANET, referentes ao período de 16/02/2003 a 31/12/2003. 1.6. Cópia dos extratos bancários do período de 01/2003 a 12/2003 das contas e instituições financeiras relacionadas a seguir: 1.6.1. BANESPA, agência 0069, C/C0069130012657 1.6.2. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, agência 0297, C/C586.0 1.6.3. UNIBANCO, agência 0226, C/C1060673 1.6.4. BANCO DO BRASIL, agência 09059, C/C5.7495 2. Outras fontes de informações: 2.1. Declaração Anual Simplificada PJSI 2004 — SIMPLES, com a empresa enquadrada como de Pequeno Porte. 3. As constatações a seguir relatadas foram baseadas nas informações constantes dos itens 1 e 2. 3.1. Receitas escrituradas no livro CAIXA [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 1 3.2. Receitas registradas na fita redução Z [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 2 3.3. Receitas escrituradas no livro Registro de Saídas [tabela – valores consolidados] 3.4. Pagamentos efetuados pela REDECARD [tabela – valores consolidados] Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 392 7 Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram nos Anexos 7, 8 e 9. 3.5. Pagamentos efetuados pela VISANET [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 10. 3.6. Lançamentos de crédito no banco UNIBANCO, agência 0226, C/C 1060673 [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 6. 3.7. Lançamentos de crédito no banco BANESPA, agência 0069, C/C 0069130012657. [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 3. 3.8. Lançamentos de crédito no BANCO DO BRASIL, agência 09059, C/C5.7495 [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 4. 3.9. Lançamentos de crédito na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, agência 0297, C/C586.0 [tabela – valores consolidados] Obs: os detalhes dos lançamentos se encontram no Anexo 5. 3.10. Transferências entre C/C de titularidade do contribuinte [tabela – valores consolidados] [...]” Cientificada a empresa do Termo acima (nº 05), a autoridade fiscal retificou os valores considerados em virtude de resposta enviada pela contribuinte, nos seguintes termos, lavrando o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 06 de fls. 111 e 112 e Anexo 11 – fls. 113 a 115. “1. Informações prestadas/fornecidas pelo Contribuinte: 1.1.as mesmas constantes do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal no. 005 de 02/03/2007; 1.2. correspondência enviada pelo contribuinte em 15/03/2007 e recebida em 16/03/2007. .2. O quadro do item 5 do Termo mencionado no subitem 1.1, fica alterado para o que se apresenta abaixo, tendo em vista que não haviam sido considerados os débitos referentes a estornos de créditos; e também pela existência de erro na totalização da Diferença Créditos a Justificar. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 [tabela – valores consolidados]” (grifos não pertencem ao original) Observo, ainda, que, às fls.186 e seguintes, consta resposta da contribuinte ao retro citado Termo Fiscal, representada pelo mesmo patrono que ora oferece o recurso voluntário em seu nome, na qual não se insurge de qualquer forma contra os valores extraídos dos extratos bancários das contas de titularidade da empresa, mas restringese a dizer que vai buscar todos os documentos bancários correspondentes para verificar a origem das diferenças apontadas em auditoria entre os valores escriturados/informados em DSPJ versus os valores dos créditos bancários (das mesmas quatro contas bancárias): “[...] Para tanto, a fiscalizada solicitou junto aos bancos BANESPA, ag. 0069, C/C 0069 130012657; CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, ag. 0297, C/C 586.0; UNIBANCO, ag. 0226, C/C 1060673; e BANCO DO BRASIL, ag. 09059, C/C 5.7495 cópia dos comprovantes dos depósitos, e dos cheques neles relacionados do período em comento, cujos atendimentos os bancos alegaram que demoram mais de 30 dias, visto tratarse de documentação antiga e de difícil localização nos arquivos dos referidos bancos.” Destarte, ainda que não constasse dos autos os referidos extratos bancários, destaco que estes documentos são da empresa e, por conseguinte, a mesma tem livre acesso aos mesmos e verifico que em nenhum momento a recorrente apresentou qualquer prova de que os valores transcritos, detalhada e fielmente, dos referidos extratos não conferem com os originais. Não há juntada na defesa inicial, nem nesta peça recursal de qualquer indício de prova que coloque em dúvida qualquer dos valores digitados pela autoridade fiscal, o que comprova serem corretos os dados. Para esta autoridade julgadora é suficiente os dados digitados e não contraditados, afastado, portanto, suspeita de qualquer erro. Se houvesse falsidade nos dados, bastaria para comprovar a ilegitimidade dos valores, a recorrente juntar os referidos extratos e a comprovação de que os valores que compuseram os Anexos 3 a 6 não são condizentes com aqueles. Aliás, o que seria impossível, pois verificase que a integralidade dos extratos bancários questionados fazem parte destes autos às fls. 135 a 158, salientandose que a empresa teve acesso amplo aos autos no lapso temporal que lhe é concedido por Eli para a apresentação da defesa administrativa, a qual pode, ainda que passado o prazo, ser aditada. Afasto pois a preliminar suscitada de ausência de materialidade da infração tributária identificada nos autos por nº 001 – omissão de receitas evidenciada por depósitos bancários cuja origem não foi devidamente justificada. Superado este ponto, esclareço à recorrente que não houve qualquer ofensa ao princípio do devido processo legal pelo fato de a autoridade fiscal não haver prorrogado o prazo para que a fiscalizada obtivesse dos bancos documentos que deveria já possuir em seu poder e ter contabilizadoos, ainda que sumariamente no Livro Caixa apresentado à fiscalização. A alegação da recorrente que solicitou às instituições financeiras cópia dos comprovantes de depósitos, e dos cheques neles relacionados do período em comento , ou seja de um ano inteiro, demonstra o quão distante do exigível estava a escrituração do Livro Caixa. O pedido se mostra, ainda, impossível, pois implicaria na fiscalização aguardar meses e meses até que as instituições financeiras pudessem resgatar todos os cheques depositados em favor da recorrente. Ademais, o princípio do devido processo legal aplicase ao processo administrativo fiscal e não aos atos de fiscalização, denominados no mundo jurídico de procedimento (não processo) fiscal. Somente a partir do litígio instaurado, o que ocorre com a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 393 9 apresentação da impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF, é que se deve atentar para a devida observância dos princípios constitucionais vinculados ao processo, no caso administrativo. Afasto, pois, mais esta nulidade argüida pela recorrente sobre o procedimento fiscal. Adentrando ao mérito, abordo o questionamento da recorrente sobre a irregularidade dos lançamentos tributários erguidos sobre a égide do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Todas as contestações da recorrente adstringemse a períodos anteriores à edição deste dispositivo legal. A norma tributária que rege esta matéria, em específico, mudou. As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa – esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Saliento, por oportuno, que a fiscalizada foi regularmente intimada a justificar os créditos, individualmente, relacionados. Todavia, a simples alegação de que valores são pertinentes a vendas parceladas, cheques a receber (creditados no extrato bancário?), sem os elementos correspondentes comprobatórios, documentação idônea e hábil (ou seja compatível com datas e valores) não servem para ilidir a tributação realizada. E, como já amplamente esposado no acórdão vergastado, não há nos autos documentos capazes de justificar as origens dos créditos tributários que compuseram as bases de cálculo dos valores exigidos nos Autos de Infração. Não há que se falar em acréscimo patrimonial real, mas presumese a omissão de receitas, já que o contribuinte não comprova que a origem daqueles valores são diversos da obtenção de receita advinda da atividade empresarial, evadida, pois, da tributação. Novamente, notase a seguinte situação excepcional: uma pessoa, jurídica ou física, ao ser fiscalizada, possui ingressos, em conta bancária, em valores superiores àqueles informados ao fisco, como no presente caso (ou não registrados na contabilidade). Salientese que a própria fiscalizada assumiu a omissão de receitas, parcialmente, e retificou substancialmente a DSPJ (a receita bruta saltou de aproximados R$400.000,00 para R$ 1.048.507,30). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 A norma tributária determina, na verificação desta hipótese, que não sendo demonstrada a origem daquele numerário pressupõese que constitui receita omitida (o fato gerador da obrigação tributária). E a prova, a lei expressamente o declara, caberá ao contribuinte. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários – não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, erguese sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados ⇒ omissão de receitas; saldo credor de caixa ⇒ omissão de receitas; passivo fictício ⇒ omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 42 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecerse qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou outro objeto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 394 11 E com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, repito, entende se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. Reproduzo, por oportuno a Súmula nº 26, pelas reiteradas decisões administrativas proferidas por este órgão julgador: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Passo a analisar as argumentações da recorrente que, ao seu ver, justificam a origem dos depósitos de forma a não submeter certos valores à tributação. Primeiramente, cumpre esclarecer que os Livros apresentados pela empresa em fase de impugnação, não podem ser admitidos em casos em que a fiscalização arbitrou o valor das receitas omitidas, já sendo matéria assente neste colegiado que não existe o arbitramento condicional , ou seja, após o encerramento da fiscalização a empresa apresenta contabilidade completa e solicita que seja apreciada em fase de julgamento. Ademais, o Livro Diário para que produza os devidos efeitos comprobatórios deve ser autenticado na Junta Comercial que jurisdiciona a empresa, o que verificase, não foi realizado. Consta apenas que é o primeiro Livro Diário da empresa (nº 001), datada a abertura em 01/01/2003 e encerrado em 31/12/2003, mas sem qualquer registro comprobatório de que fora efetivamente confeccionado durante aquele anocalendário. Observo, assim como a turma de julgamento já destacou no aresto combatido, que a empresa no curso da fiscalização em momento algum apresentou outros livros, com exceção ao Caixa cujos assentamentos constam do Anexo 1 juntado aos autos, ainda que instado a comprovar a origem dos créditos bancários e pagamentos efetuados pelas operadoras de cartões de créditos. Observo também que milita contra a recorrente o fato de a empresa ter, durante o procedimento fiscal, registrado por escrito que teria que verificar os cheques depositados em suas contas bancárias para saber do que tratavam, assunto já abordado neste voto. Ora, se o Livro Diário, Livro Razão e auxiliares tivessem sido escriturados no curso do anocalendário os documentos bancários que lastreiam a escrituração estariam todos em posse da fiscalizada, visto que sem os correspondentes documentos a escrituração não gera quaisquer efeitos. Repriso também o que já foi esclarecido pela turma de julgamento a quo sobre os assentamentos contábeis efetuados ao final de cada mês com valores que englobam “diversos depósitos ou créditos no mês, conforme extrato bancário” – não podem ser admitidos, pois não espelham as efetivas operações da empresa. O “Diário”, como o nome esclarece deve ter registros das operações diárias da empresa e o Razão, ou outros livros auxiliares, registram simultaneamente, por conta, as operações também de forma diária. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Destarte, improfícua a juntada de tais livros escriturados sem a observância das formalidades extrínsecas e intrínsecas que lhes são exigidas. Cito, por oportuno, os artigos 190, 258, 259 do RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99): Art. 190. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que trata o art. 187 (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º). Parágrafo único. A microempresa e a empresa de pequeno porte estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores. [...] Livro Diário Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 395 13 § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Livro Razão Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo. No que respeita aos valores trazidos pela recorrente como justificáveis para excluir da tributação imposta, ressalto que os estornos/devoluções bancárias já foram excluídos pelo próprio autor do lançamento tributário, conforme comprova o Anexo 11 que integra os Autos de Infração (Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 06) – fls. 111 a 115. Quanto aos “cheques a receber” e “vendas parceladas – cartão de crédito” esclareço à recorrente que somente os valores efetivamente creditados nas contas bancárias compuseram a matéria tributável dos referidos Autos de Infração, observado corretamente o regime de caixa, a que se sujeitam as pessoas jurídicas optantes do Simples e que não mantém contabilidade completa, como é o caso da recorrente. Ressalto, ainda, que os valores escriturados no Livro Caixa e/ou Saídas foram considerados na repartição das infrações tributárias, bem como devidamente descontados das omissões aqueles valores informados na DSPJ originalmente entregue – fls. 111 e 112. A turma de julgamento de primeira instância Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 decidiu que os valores apresentados em retificadora deveriam ser excluídos de igual forma, pelo que ajustou os lançamentos tributários. E com relação aos contratos de mútuo cuja comprovação apresentada pela recorrente limitase aos contratos de fls. 269 a 274 não podem ser admitidos por várias razões. A uma, porque não foram apresentados no curso da fiscalização quando intimada a empresa a justificar as origens dos valores depositados; a duas, porque não foram registradas estas entradas no Livro Caixa originalmente apresentado à fiscalização; a três, porque os contratos por si só não são documentos hábeis a ilidir a tributação sem o devido registro notarial de que foram efetivamente celebrados àquela época (sequer há reconhecimento de firma) e sem documentos bancários que comprovem as transferências de valores do mútuo e dos valores pagos pelo mútuo. Só para robustecer este voto, reparo que os três contratos, firmados com pessoas distintas (uma jurídica e duas físicas), foram pactuados nos mesmos moldes de, podemos dizer, um crédito em aberto para com esta pessoas, com vigência de três anos cada (todos firmados em dezembro de 2002), em dois se estabelecendo a quantia de R$200.000,00 à disposição da recorrente, quando o caixa precisasse, e o terceiro colocando à disposição R$100.000,00, destacandose que em nenhum dos três verificase definição de datas e dos valores que a recorrente alega ingressaram no seu Caixa advindos desta pessoas e por ocasião destes mútuos. Definitivamente a recorrente não logra comprovar os ingressos de numerários, nas datas efetivas dos créditos, com estes instrumentos particulares. Faltam os documentos bancários de transferência de numerários, repito, tanto do recebimento quanto da devolução dos valores alegadamente mutuados. Os últimos assuntos trazidos a este colegiado na peça recursal referemse à alegação da multa de ofício cominada na forma regular – 75% possuir natureza confiscatória e a inconstitucionalidade da exigência dos juros à taxa Selic. Ambas matérias fogem ao escopo da apreciação por esta turma, em razão de serem sumuladas por este órgão administrativo, que deliberou em reunião plenária da seguinte forma: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, verifico que a autoridade fiscal procedeu em estrita conformidade com as normas tributárias vigentes. Voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16045.000107/200756 Acórdão n.º 180100.592 S1TE01 Fl. 396 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.912788/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 88 /2 00 9- 97 Fl. 454DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 08), referente ao PER/DCOMP nº 09183.68597.311005.1.3.044233. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$1.848,32, representado por Darf recolhido em 15/12/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 490 3 assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 456DF CARF MF 4 Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade e, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que prevê a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.449, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 491 5 iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança e as peças do citado processo foram juntadas aos autos b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DIPJ 2005 Exclusões da Base de Cálculo do PIS – novembro de 2004 = R$ 7.723.383,59”, em que demonstrada que havia “única divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete. A diferença se deve ao fato de o contribuinte ter tratado como devedora a variação da conta de Provisões de Risco, que foi credora.”; c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF, por meio do documento juntado aos autos. Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido Fl. 458DF CARF MF 6 em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 492 7 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) a divergência apontada no relatório fiscal decorreu de mero erro contábil, ao tratar como devedora a conta Provisões de Risco, que neste mês específico era credora, mas que esse equívoco não impossibilitava a confirmação, pelo fiscal, dos valores que compuseram as exclusões da base de cálculo do “PIS Faturamento, que não envolvem nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, em especial as sobras”; c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho Fl. 460DF CARF MF 8 médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito a legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingese em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) e se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação a primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 493 9 I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; Fl. 462DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e implica perda do mandato nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravamse nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10680.912788/200997 Acórdão n.º 3302004.610 S3C3T2 Fl. 494 11 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu, in verbis: Verificase que, para este mês, há uma única divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete. A diferença se deve ao fato de o contribuinte ter tratado como devedora a variação da conta de Provisões de Risco, que foi credora. De fato, com base na análise dos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirmase que a referida divergência foi resultado de mero equívoco de natureza contábil/algébrico cometido pela recorrente. Assim, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 464DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 465DF CARF MF
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