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Numero do processo: 13896.000498/99-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer sua incompetência para o julgamento do caso, e encaminhar os autos para a 1ª Seção, para a continuidade do julgamento, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer sua incompetência para o julgamento do caso, e encaminhar os autos para a 1ª Seção, para a continuidade do julgamento, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 360 1 359 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000498/9983 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.594 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de março de 2016 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA ELETRÔNICA SANYO DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer sua incompetência para o julgamento do caso, e encaminhar os autos para a 1ª Seção, para a continuidade do julgamento, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 00 49 8/ 99 -8 3 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13896.000498/9983 Resolução nº 2301000.594 S2C3T1 Fl. 361 2 Relatório Trata o presente processo de requerimento para restituição de supostos créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ, cumulado com pedido de compensação. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE JURiDICA IRPJ Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 1997 RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago extinguese após o decurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida ... Quanto ao anocalendário de 1994, verificouse que os informes apresentados totalizaram 31.090,06 UFIRs de IR retido na fonte, equivalente a R$ 25.764,33 em 01/01/1996, que correspondem ao saldo credor do período, uma vez que não foi apurado IRPJ devido. É o Relatório. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13896.000498/9983 Resolução nº 2301000.594 S2C3T1 Fl. 362 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De acordo com o novo Regimento Interno deste CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, as Primeira e Segunda seções são competentes para julgamento de processos relativos ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF): Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; ... Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Contudo, buscouse evitar um eventual conflito de competências quando o tributo objeto da retenção na fonte é o IRPJ. Neste caso, a competência foi reservada expressamente à Primeira Seção do CARF. E no presente processo se examina justamente o direito a restituição/compensação fundamentado em supostos saldos negativos de IRPJ. De forma precisa, o RICARF também cuida da atribuição de competências para processos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso. Como se vê, a competência é determinada pela origem do crédito, no caso o IRPJ não retido na fonte por força de medida liminar: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13896.000498/9983 Resolução nº 2301000.594 S2C3T1 Fl. 363 4 restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Assim, entendo que o presente processo foi distribuído indevidamente a esta Segunda Seção; portanto, na forma do artigo 6º, 7§º do RICARF encaminhoo para Secretaria da Primeira Seção para nova distribuição: Art. 6º (...) §7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a providência acima de redistribuição do processo à Primeira Seção. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660244/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 12/04/2001
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.019
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 12/04/2001 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 12/04/2001 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 44 /2 01 1- 01 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.222, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.660244/201101 Acórdão n.º 3201004.019 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.001076/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.573
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$ 29.607,17 de crédito de Cofins não cumulativo (fls. 02/05) relativo ao 4° trimestre de 2005, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 08861.08127.190406.1.1.116834), apresentado em 19/04/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .0 01 07 6/ 20 07 -2 8 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 169 2 Às fls. 06/13, juntouse cópia do Dacon Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo ao 4° trimestre de 2005. Às fls. 14/83, intimações fiscais (Intimação Saort n° 799/2007; Intimação Saort n° 838/2007; Intimação Saort nº 856/2.007; Intimação Saort n° 948/2007, Intimação Saort n° 1.029/2007, Intimação Saort nº 1.149/2007), comprovantes de entrega, cópia de MPF e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (planilhas, notas fiscais, balancetes, etc). O Termo de Informação Fiscal de fls. 84/91, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o não reconhecimento do direito creditório. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 84/91, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 31/12/2007, o Parecer Saort/DRF/Lon n° 590/2007, que opina pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Acolhido o Parecer, na mesma data foi emitido o despacho decisório de fl. 95. Cientificada (fls. 96/97) em 07/01/2008, a contribuinte, em 06/02/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 98/115, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, discorre sobre a sua atividade, salienta que é tributada pelo lucro real, e informa que a “semente de algodão está tributada pelo PIS e Cofins à alíquota zero.” A seguir, fala sobre o pedido apresentado e pede a reforma do despacho decisório. Acrescenta, na sequência, que dada a nãocumulatividade regida pelas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 'realiza' créditos por entradas e débitos por saídas. Afirma que apurou débitos e créditos autorizados pelas leis mencionadas de acordo com o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004 e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Reclama da glosa relativa a alguns insumos e serviços e diz que “os insumos que supostamente não geram créditos guardam relação direta com a atividade principal da empresa e são imprescindíveis no processo de industrialização dos produtos da Reclamante. Ainda, tais insumos vem onerados pelo PIS e Cofins na cadeia produtiva." Afirma que o julgador incorreu em erro ao interpretar a definição de insumos fixada pela IN SRF n° 247, de 2002, na redação da IN SRF 358, de 2003, já que a norma “não deixa dúvidas que todo e qualquer bem, mercadoria, matériaprima, etc... e serviços, aplicado ou consumido do processo de fabricação é insumo e como tal deve ser considerado na base de créditos.” Nesse contexto, entende incorreta a exclusão, por exemplo, dos serviços de desratização, aquisição de ferragens e correias utilizadas nas máquinas, aquisição de combustíveis, etc. Tanto é assim, afirma, que o legislador preocupouse em esclarecer e definir o que da direito a credito no § 3° do art. 3° das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 170 3 Solicita a reinclusão dos valores glosados e o consequente ajuste da apuração dos saldos de créditos e débitos. Noutro tópico, diz que tem direito ao ressarcimento e que o pedido foi feito na forma da lei. Aduz que as operações com cooperados estão fora da incidência do PIS e da Cofins por determinação constitucional. Esclarece que por operar com cooperado e nãocooperado acumulou créditos em razão da nãoincidência, passíveis de ressarcimento. Questiona a interpretação fiscal de não enquadrar as operações com cooperados em qualquer uma das formas tributárias vigentes e conclui que “se uma receita é excluída da base de cálculo, sem qualquer ressalva quanto a sua tributação, notadamente está no campo da não incidência tributária." Insiste que as operações com cooperados geram direito à manutenção de créditos. A seguir, diz que os ajustes efetuados pelo agente fiscal nas proporções de créditos devem ser anulados, promovendose a reinclusão das notas fiscais excluídas na base de créditos. . Quanto aos débitos que estão sendo exigidos no processo n° 16366.003415/200715, diz que devem ter sua exigibilidade suspensa, posto que as glosas são indevidas. Transcreve o art. 48 da IN SRF nº 600, de 2005 e chama a atenção para o disposto no inc. I do seu § 3º. Ao final, requer a reforma da decisão e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. Pede, também, que se reconheça e determine a condição de receita sujeita a nãoincidência em relação operações realizadas com cooperados, e, ainda, que a manifestação seja vinculada ao auto de infração objeto do processo n° 16366003415/200719, dada a relação existente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0626.217, sessão de 19/04/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O F1NANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. CRÉDITO. DESCONTO DA COFINS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos e os derivados de petróleo, para que possam ser considerados como insumos permitindo desconto do crédito correspondente da Cofins, devem ser consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricado/beneficiamento. SERVIÇOS DIVERSOS. CRÉDITO. DESCONTO DA COFINS. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 171 4 Os serviços prestados por pessoas jurídicas, para que possam ser assim considerados, e permitir o desconto do credito correspondente da Cofins, devem ser aplicados diretamente sobre o produto em fabricação/beneficiamento. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE COOPERADOS. REMESSAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO. MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS DE COFINS NA COOPERATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As aquisições de insumos de cooperados e as remessas para cooperados configuram ato cooperativo, e atos dessa natureza não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não havendo, pois, previsão legal para a manutenção dos respectivos créditos de Cofins pela Cooperativa de produção agropecuária Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento do saldo credor da Contribuição nãocumulativa, de que trata o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e a impossibilidade de manutenção de créditos por cooperativa, vinculados às receitas de vendas tributadas à alíquota zero e à operações com cooperados (atos cooperativos). A recorrente é uma cooperativa central de produção agropecuária (congrega outras cooperativas associadas) que se dedica, nos termos de seu contrato social, à (i) prestação de serviços de beneficiamento de algodão em caroço às cooperativas filiadas, pelo qual cobra taxa de prestação de serviço; e (ii) comercialização de produtos adquiridos de associados e beneficiados. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à cooperativa de produção agropecuária a tomada de créditos nas aquisições de mercadoria para revenda, de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e art. 21 da Lei 10.865/2004. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 172 5 Enfrento primeiramente a matéria das glosas do crédito com bens e serviços não considerados insumos da atividade desenvolvida pela Coceal. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 173 6 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 000546926.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 174 7 apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente –desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de nãocumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 175 8 combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de essencialidade ou relevância com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça as etapas da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (processo produtivo ou prestação de serviços) e quais são os produtos finais elaborados ou o serviço prestado com os insumos, conforme identificados ou descritos nos documentos apresentados. Análise das glosas Na matéria, a fiscalização glosou os créditos apropriados em relação aos bens e serviços listados por entender que não são aplicados ou consumidos diretamente na produção/fabricação dos produtos da Cooperativa, conforme definição do inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/03, nem se enquadram em nenhuma outra hipótese legal geradora de crédito. Às folhas 85/86 estão sintetizados, por empresa fornecedora/prestadora, os bens e serviços glosados: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 176 9 A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço (insumos) participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a identificação desses insumos e sua participação no processo produtivo ou prestação do serviço. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 177 10 Pois bem, a posição adotada pelo Fisco e DRJ não encontram respaldo nas decisões deste Conselho. Não se exige o consumo ou desgaste do insumo quando diretamente em contato com o produto fabricado ou o serviço prestado. Ainda na fase do procedimento de análise do pedido de ressarcimento, em dois momentos a Coceal apontou que suas atividades são voltadas para atender demanda de cooperados e beneficiamento de insumos para vendas à terceiros. Na folha 30 há descrição sucinta da prestação de serviço para as cooperativas filiadas, em que beneficia o caroço de algodão e da venda de derivados do algodão para terceiros, que também passa pelas mesmas etapas quando do serviço prestado a cooperados. Na folha 41, a recorrente discorre acerca do beneficiamento do algodão, a produção de sementes, de caroços e de plumas. Evidenciase que desde o beneficiamento até o produto acabado há menção a etapas de análise laboratorial, testes agronômicos, tratamento químico, germinação, plantio, banho agrotóxico, além do consumo de combustíveis. Nos itens glosados há serviços de controle de praga e limpeza de sacos e bens ( peças para máquinas). No confronto entre determinados serviços tomados cujo créditos são glosados e a descrição das atividades econômicas da Cooperativa constatase certa correlação que pode apontar para a essencialidade ou relevância com o produto final vendido a terceiros não cooperados. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, entendo a melhor solução para lide a conversão do presente julgamento em diligência para que: a) A unidade de origem proceda à intimação da contribuinte para que, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente: a1) Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, ou outro regularmente qualificado, que descreva minuciosamente as etapas de obtenção do produto vendido a terceiros não cooperados, apontando para o bem ou serviço utilizado; a2) No caso de bens (peças e outros), além de comprovar que a máquina a que se destina está relacionada à atividade produtiva/prestação de serviços, devese demonstrar, com documentação hábil e idônea, que não se trata de bem do ativo imobilizado ou de serviço cujo dispêndio fora a este incorporado. b) A unidade de origem manifestese sobre conteúdo do Laudo e documentos apresentados pela Contribuinte, se houver interesse e caso entenda necessário, com a elaboração de relatório, podendo, inclusive, solicitar novos documentos ou realizar diligências. c) Cientifique a recorrente sobre o resultado do relatório da fiscalização, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, improrrogável, manifestação. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16366.001076/200728 Resolução nº 3201001.573 S3C2T1 Fl. 178 11 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.001199/2003-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002
RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002
RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
Numero da decisão: 9303-007.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 11 99 /2 00 3- 32 Fl. 3548DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 3402002.456, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, afastouse parcialmente a decadência e, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002 PIS/COFINS ZONA FRANCA DE MANAUS RECEITA DE VENDAS ISENÇÃO. São isentas apenas receitas específicas, decorrentes de vendas à ZFM, previstas nas respectivas legislações de regência, não prevalecendo equiparação genérica às receitas de exportação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/2002 PIS/COFINS RESTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO PRECEDENTES DO STF E STJ. Fl. 3549DF CARF MF Processo nº 10805.001199/200332 Acórdão n.º 9303007.880 CSRFT3 Fl. 3.548 3 A Jurisprudência Judicial pacificouse no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5").” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração em face do r. acórdão, alegando omissão e requerendo a garantia de igualdade de tratamento das remessas à Zona Franca de Manaus às operações de exportação, para fins de isenção da contribuição para o PIS e Cofins. Em Despacho às fls. 3463 a 3465, foi negado seguimento aos embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, jurisprudência afirmando que são isentas do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de venda de mercadorias para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Em Despacho às fls. 3529 a 3533, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que não há dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à Zona Franca de Manaus, pelo simples fato de que este não foi o objetivo da norma, sob pena de, por extensão, o Conselho criar norma isentiva sem supedâneo legal. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Fl. 3550DF CARF MF 4 Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho às fls. 3529 a 3533. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as matérias trazidas em Recurso Especial do sujeito passivo. Primeiramente, sobre a aplicação da isenção ou não do PIS/Pasep sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços destinados à Zona Franca de Manaus. Vêse que essa matéria não é desconhecida por esse Colegiado, eis que para a aplicação da isenção resta somente a resta somente a discussão acerca da caracterização ou não da receita decorrente de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. A Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de Fl. 3551DF CARF MF Processo nº 10805.001199/200332 Acórdão n.º 9303007.880 CSRFT3 Fl. 3.549 5 que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação como se exportação para o exterior. Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata este artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automaticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Fl. 3552DF CARF MF 6 Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.757/60, trouxe em seu art. 4º: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, gozando essa operação de benefícios/incentivos fiscais, inclusive da constituição de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins. Cabe trazer quem relativamente ao art. 14 da MP 2.03724/00, temse que, por conta das mudanças legislativas, a exclusão da expressão “Zona Franca de Manaus” do art. 14, inciso I, do § 2º, da MP 2.03724/00, não vingou, eis que, com o advento do art. 11, inciso I, da MP 1.95231/00, a Zona Franca de Manaus voltou a ser considerada exportação. Ademais, vêse que, ainda que as Portarias MF 38/97, 64/03 e 93/04 conceituem exportação, para fins de que trata a Lei 9.363/96 somente a operação que destinar bens à exportação para o exterior, entendo que a Zona Franca de Manaus se equipara à exportação para o exterior. Frisese tal entendimento a jurisprudência pacificada nos tribunais, entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. Fl. 3553DF CARF MF Processo nº 10805.001199/200332 Acórdão n.º 9303007.880 CSRFT3 Fl. 3.550 7 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócio regionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). Fl. 3554DF CARF MF 8 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016 (Grifos meus): “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉCONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 000138445.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) Vêse que a jurisprudência, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Franca de Manaus, já pacificou que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. O que entendo que tal discussão já se encontra pacificada. Tanto é assim, que a própria PGFN, por meio do Ato Declaratório PGFN 4/17 DECLAROU que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade. Eis: Fl. 3555DF CARF MF Processo nº 10805.001199/200332 Acórdão n.º 9303007.880 CSRFT3 Fl. 3.551 9 “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER“ Tal Parecer, inclusive, já foi aprovado pelo Ministro da Fazenda. Frisese o decidido por essa turma nos acórdãos de nºs 9303007.437 e 9303 006.415. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 3556DF CARF MF 10 É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000287/2007-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000287/200771 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.984 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente VANIA ALVES DA ROSA MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 02 87 /2 00 7- 71 Fl. 201DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 5.161,28. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos, às fls. 6/7: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento no valor de R$9.330,01. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação argumentando que o valor referese a despesas médicas próprias e de seus dependentes de fato, e que foram pagas em espécie ou descontada da folha. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. No que se refere à despesa com plano de saúde, em que pese a contribuinte alegar que são despesas com seus dependentes, na sua declaração anual de imposto de renda pessoa física no ano em análise não conta nenhuma informação de dependente legal. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando se apresenta recibos completos. E que seria injusto não aceitar as despesas de seus dependentes eis que são na prática seus dependentes, apesar de não terem sido arrolados na sua declaração (alega desconhecimento da obrigação em declarar seus dependentes legais na declaração de imposto de renda). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10640.000287/200771 Acórdão n.º 2001000.984 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos que geraram dúvidas na autoridade fiscal, a qual pediu maiores detalhes da comprovação da despesa, como o pagamento, a qual não foi apresentada pelo Contribuinte. Apenas alegou o Recorrente que essa não era uma exigência legal para a dedução e que havia sido pago em espécie. Repitase, no que se refere aos gatos com supostos dependentes, que a Recorrente alega que são seus dependentes na prática mas não os inseriu na declaração por falta de conhecimento desta obrigação. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] É certo que, na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e o interessado não a faz — porque não pode ou porque não quer —, é licito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Assim, concluise que a utilização, para caracterizar "despesas médicas", de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este titulo e a tributação dos valores correspondentes. Fl. 203DF CARF MF 4 Quanto as despesas médicas pleiteadas com o plano de saúde APESJF, a glosa parcial se deu por ter sido constatado que o valor desconsiderado foi pago em beneficio de pessoas não dependentes da declarante. Aliás, na DIRPF/2005, a fls. 9/11, no quadro correspondente, à fls. 11, nenhum dependente foi relacionado. Muito embora a contribuinte tenha sido a responsável pelos pagamentos dos planos de saúde de Arthur Machado, Ary da Rosa Machado Neto, Victor Ribeiro da Rosa Machado, Ary Alves da Rosa Machado Neto, Victor Ribeiro da Rosa Machado, Ary Alves da Rosa Machado e Rosimary Ribeiro Machado, consoante mostram os documentos de fls. 27/43, a referida DIRPF/2005 mostra que tais pessoas não são dependentes dela para fins de IRPF. Portanto, é indevido o pleito da impugnante nesse sentido, a teor do art. 80, §1 0 II, do RIR/1999. Destarte, há de ser mantido o feito fiscal na forma como efetuado. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com dúvidas. justificadamente, acerca da existência de certas despesas médicas. Merece apenas registrar, no tocante às despesas médicas de supostos dependentes, que a Recorrente alega desconhecimento da obrigação de arrolar eles na sua declaração do imposto. Sabemos, pois, que independente da sua intenção, o fato é que para que fossem seus dependentes legais para fins de dedução de despesas da base de cálculo do imposto de renda, precisaria que fossem declarados como tal. Ademais, ninguém pode alegar sua própria torpeza em sede de direito. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10640.000287/200771 Acórdão n.º 2001000.984 S2C0T1 Fl. 4 5 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação muito vasta do lançamento e da decisão da DRJ no sentido de que os documentos apresentados não formaram a convicção necessária para acatar as despesas e, portanto, por si só não foram suficientes, somada a postura do Contribuinte em não apresentar nenhuma comprovação adicional da existência das despesas alegadas, entendo que deve ser mantida a decisão a quo e negado provimento ao Recurso Voluntário (sendo mantidas as glosas efetuadas). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão a quo mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Fl. 205DF CARF MF 6 Conselheiro Jorge Henrique Backes, redator designado. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para o ordenamento jurídico atual. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão". Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10640.000287/200771 Acórdão n.º 2001000.984 S2C0T1 Fl. 5 7 Observese que poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes, incluídos ou não em sua declaração. A Lei nº 9.250, de 1995, no art. 8, que regula dedução de despesas médicas, não estabelece que os dependentes devam estar devam incluídos na declaração. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, ampliando disposições da lei, pois matérias com conseqüências na base de cálculo do imposto, são matérias de lei. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003495/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS REALIZADAS. ENTRADA FÍSICA. EXIGÊNCIA NÃO APLICÁVEL.
Se as compras registradas na contabilidade estão comprovadas por meio das respectivas notas e demais documentos fiscais e não há questionamento acerca da idoneidade de tal documentação, não cabe a glosa dos custos correspondentes. Também não se aplica a exigência de demonstração de entrada física das mercadorias em tal contexto.
GLOSA DE CUSTOS. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO.
O fato de o fornecedor ter apresentado declaração de rendimentos com receita auferida de valor zero ou inativa não é suficiente para embasar a glosa de custos registrados pelo adquirente. Para que possa questionar os custos a autoridade fiscal deve provar a inidoneidade das compras.
Numero da decisão: 1401-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS REALIZADAS. ENTRADA FÍSICA. EXIGÊNCIA NÃO APLICÁVEL. Se as compras registradas na contabilidade estão comprovadas por meio das respectivas notas e demais documentos fiscais e não há questionamento acerca da idoneidade de tal documentação, não cabe a glosa dos custos correspondentes. Também não se aplica a exigência de demonstração de entrada física das mercadorias em tal contexto. GLOSA DE CUSTOS. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. O fato de o fornecedor ter apresentado declaração de rendimentos com receita auferida de valor zero ou inativa não é suficiente para embasar a glosa de custos registrados pelo adquirente. Para que possa questionar os custos a autoridade fiscal deve provar a inidoneidade das compras.
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COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS REALIZADAS. ENTRADA FÍSICA. EXIGÊNCIA NÃO APLICÁVEL. Se as compras registradas na contabilidade estão comprovadas por meio das respectivas notas e demais documentos fiscais e não há questionamento acerca da idoneidade de tal documentação, não cabe a glosa dos custos correspondentes. Também não se aplica a exigência de demonstração de entrada física das mercadorias em tal contexto. GLOSA DE CUSTOS. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. O fato de o fornecedor ter apresentado declaração de rendimentos com receita auferida de valor zero ou inativa não é suficiente para embasar a glosa de custos registrados pelo adquirente. Para que possa questionar os custos a autoridade fiscal deve provar a inidoneidade das compras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 95 /2 00 5- 70 Fl. 495DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração referentes ao anocalendário de 2001 para a cobrança de IRPJ e CSLL, por glosa de custos com compras não comprovadas. Foi aplicada multa de 75% e juros SELIC. O Relatório da decisão recorrida assim resume as infrações imputadas (fls. 453455): Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe, a fiscalização, conforme relatado no "Termo de Verificação Fiscal" (fls.182 a 188) intimou a contribuinte a demonstrar e comprovar o valor da conta de fornecedores nacionais, que apresentava o saldo de R$ 3.520.538,25 em 31/12/2001. 2. Atendendo à intimação, a contribuinte apresentou uma relação das notas fiscais por fornecedores, que continha as datas das emissões, valores e os vencimentos, sem as datas dos pagamentos. Mesmo depois de intimada e reintimada para apresentar a comprovação do recebimento das mercadorias e os efetivos pagamentos a Impugnante não atendeu ao solicitado. 3. A fiscalização informa que analisando a relação apresentada, constatou a predominância das notas fiscais das empresas: Ramos & Spósito Ltda. e Duben Bac Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. Quanto à primeira empresa mencionada, foi constatado que no anocalendário de 2004, figurava nos controles da Receita Federal, como inapta, omissa e não localizada e, que no anocalendário de 2001 apresentou declaração de rendimentos com receita auferida de valor zero e como inativa. Quanto à segunda empresa, foi apurado que no anocalendário de 2004 estava inativa, mas no anocalendário de 2001 apresentou declaração de rendimentos. 4. Outras duas empresas, que figuram como fornecedoras: "KANAFLE S/A Indústria e Comércio de Plásticos" e "PLASTWAL Indústria de Plástico S/A", foram circularizadas e informaram que não tinham registro de vendas realizadas para a contribuinte. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 19515.003495/200570 Acórdão n.º 1401003.047 S1C4T1 Fl. 496 3 (...) Quanto aos argumentos da impugnação, estes foram assim descritos pelo relatório da decisão recorrida (fls. 455459, grifos do original): 7. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação protocolada em 14/02/2006 (fls.215 a 220), fazendo as seguintes colocações: 7.1. inicialmente cabe destacar que a Impugnante, também, menciona o lançamento do IRRF, que originou desta mesma fiscalização e que foi oficializado no processo de n° 19515.003496/200514. No presente processo não será apreciado este lançamento. 7.2. quanto aos lançamentos do IRPJ e da CSLL, a lmpugnante alega que a tributação realizada representa um verdadeiro confisco, pois, as glosas realizadas representam mais de 43% do valor total das compras do ano e somente o valor de 1RPJ, sem os acréscimos que constam do Auto de Infração, corresponde a mais de 12 vezes o capital da Impugnante; 7.3. que a fiscalização desconsiderou os registros contábeis das compras e dos pagamentos e tributou muito mais do que se tivesse desclassificado a escrita contábil, uma medida extrema que resultaria no arbitramento' do resultado da impugnante. No caso de arbitramento o valor exigido do IRPJ seria de R$ 184.795,16, contra os R$ 635.846,32 do lançado; 7.4. diz que as quantidades de mercadorias compradas foram de fato incorporadas aos estoques e integraram as quantidades de produtos vendidos, conforme apurado em Auditoria de Produção. Destaca que, além disso, os pagamentos realizados aos fornecedores, foram registrados na contabilidade e suportados por notas fiscais e com lançamentos em datas e valores coincidentes com os registros nos extratos bancários; 7.5. informa que a Impugnante, por ser de pequeno porte, não dispõe, como nas grandes empresas, de uma estrutura para formalização dos recebimentos e movimentação das mercadorias, tais como: romaneios de entradas; relatórios de portaria; tíquetes de balanças, controle de processo, requisição de materiais, relatório de embarque e etc. Informa que não tem registro permanente de estoques, não os controla através de inventários periódicos como determina o artigo 296 do RIR/99; 7.6. a Impugnante, como resultado da Auditoria de Produção, apresenta planilhas de cálculos indicando: os estoques iniciais em Kg's e R$; estoques finais de matéria prima e produto acabado e relação da vendas realizadas por cliente, apresentando valores em R$ e quantidades. Alega que o resumo do resultado da Auditoria de Produção demonstra o volume físico dos estoques, das vendas e das compras totais e comprova o efetivo ingresso dos materiais adquiridos dos fornecedores e que outras saídas representam as perdas no processo de industrialização; Fl. 497DF CARF MF 4 7.7. alega que a glosa das compras e a tributação do IRRF dos pagamentos efetivamente realizados aos fornecedores não estão fundamentados em provas diretas ou indiretas, nem tão pouco em presunções legais, baseandose unicamente em supostos indícios que a fiscalização entendeu como irregular; 7.8. diz que, "não houve o aprofundamento da Ação Fiscal, o Auditor não investigou, não fez diligência, não elaborou súmulas, limitouse a exigir documentos de entradas de mercadorias que o contribuinte não dispunha, além da Notas Fiscais apresentadas durante a ação fiscal e agora juntadas ao processo fiscal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e por cópias ao processo fiscal do Imposto de Renda Retido na Fonte"; 7.9. destaca que, a fiscalização tentou descaracterizar a efetividade das compras e dos pagamentos com base em ocorrências posteriores às datas dos fatos ou com base em informações não confirmadas. A Impugnante cita as duas observações feitas pela fiscalização quanto aos fornecedores: Ramos e Espósito Ltda., que teria apresentado declaração no anocalendário de 2001, mas estava como omissa no anocalendário de 2004 e Duben Bac Indústria e Comércio de Plástico Ltda., a mesma informação, mas figurava como inativa no ano calendário de 2004; 8. É o relatório. Passo ao voto. Em 13 de março de 2008 a DRJ em São Paulo SP julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 FORNECEDORES Não tendo sido comprovadas as efetivas entradas das mercadorias e os efetivos pagamentos aos fornecedores, correto as glosas processadas pela fiscalização, dos valores das compras consideradas no custo das mercadorias vendidas no anocalendário. AUTO REFLEXO. CSLL O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Cientificada em 28 de julho de 2008 (fl. 468), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21 de agosto de 2008 (fl. 471), reiterando os argumentos da impugnação, em síntese: (i) a tributação realizada representa um verdadeiro confisco, já que foram glosadas 43% das compras totais e só de principal de IRPJ se cobra mais de 12 vezes o capital social da empresa. (ii) a fiscalização tributou muito mais do que se tivesse desclassificado a escrita contábil, medida extrema e de aplicação obrigatória prevista no Artigo 530, II, do RIR/99. (iii) tributação é improcedente visto que as quantidades compradas, objeto das glosas, foram de fato incorporadas aos estoques da empresa e/ou integraram as quantidades de produtos vendidos conforme documentos acostados à impugnação. Além disso, os pagamentos realizados aos fornecedores, registrados na contabilidade e suportados por notas Fl. 498DF CARF MF Processo nº 19515.003495/200570 Acórdão n.º 1401003.047 S1C4T1 Fl. 497 5 fiscais e com lançamentos em datas e valores coincidentes com registros dos extratos bancários, decorrem dessas compras. Ao contrário do que entendeu a DRJ, a empresa mantém escrituração de acordo com as leis fiscais e comerciais, escritura o livro de registro de inventário, assim como o registro de entradas (compras), além de outros registros. (iv) A prova da entrada das mercadorias está fundamentada nas notas fiscais de compras, nos registros de compras da contabilidade, nos livros de registro de entradas e principalmente na composição dos estoques e dos produtos vendidos. Já a inexistência das mercadorias compradas, como entendeu o fisco, impossibilitaria a fabricação e vendas dos produtos conforme registrados na contabilidade, nas notas de vendas, nos livros de saídas e nos estoques registrados nos livros de inventário, fato devidamente comprovado pelos documentos e relatórios anexos à impugnação. Aduz ter demonstrado com tais documentos e relatórios o fluxo dos materiais e os procedimentos adotados desde o recebimento das matérias primas até a estocagem e o seu despacho para o cliente. (v) Sustenta que na impugnação ao auto de infração foram apresentados todos os documentos que fundamentam a auditoria de produção (docs. 04 a 14), comprovando os Estoques Iniciais, Compras, Vendas e os Estoques Finais; documentos estes obtidos da escrita contábil e fiscal da empresa, das notas de compras e das notas de vendas. Afirma, ademais, que o julgador de primeira instância não se manifestou sobre tal auditoria de produção, nem sobre as provas apresentadas, limitandose a afirmar que a impugnante "não apresenta documentos para suportar tais informações" (sic), contrariando os documentos juntados ao processo e o disposto nos artigos 28, 29 e 31 do Decreto 70.235/72. Não obstante, sustenta que a auditoria de produção encerra a questão, demonstrando o efetivo ingresso dos produtos na empresa e, por conseqüência, justificando plenamente todos os pagamentos realizados aos fornecedores. (iv) afirma que fisco e o julgador de primeira instância acolheram sumariamente e sem quaisquer investigações, as declarações dos fornecedores KANAFLEX e PLASTWAL de que nada lhe venderam, mesmo contrariando os documentos fiscais apresentados; as notas fiscais de compras foram recusadas sem qualquer procedimento fiscal ou administrativo. Recebi o processo em distribuição realizada em 15 de agosto de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, a autoridade autuante glosou as compras da ora Recorrente por duvidar da idoneidade de seus principais fornecedores. Em sua defesa, a ora Recorrente trouxe documentos buscando infirmar as premissas da qual partiu a autoridade fiscal. A tabela a seguir resume o diálogo das acusações e provas constante dos presentes autos: Fl. 499DF CARF MF 6 Fornecedor Acusação Defesa Ramos & Spósito Ltda. No de 2004 figurava nos controles da Receita Federal como inapta, omissa e não localizada e, no ano de 2001, apresentou declaração de rendimentos com receita auferida de valor zero e como inativa A fls. 327 a 369 constam cópias de notas fiscais emitidas por este fornecedor no ano de 2001 indicando a realização de venda de produtos à Recorrente Duben Bac Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. No ano de 2004 estava inativa, mas no ano de 2001 apresentou declaração de rendimentos A fls. 371 a 427 constam cópias de notas fiscais emitidas por este fornecedor no ano de 2001 indicando a realização de venda de produtos à Recorrente KANAFLE S/A Indústria e Comércio de Plásticos Informou que não tinha registro de vendas realizadas para a Recorrente em 2001 A fls. 321, 323 e 325 constam 3 notas fiscais indicando a realização de venda de produtos à Recorrente no valor total de R$307.134,18 (exatamente o valor glosado) PLASTWAL Indústria de Plástico S/A Informou que não tinha registro de vendas realizadas para a Recorrente em 2001 A fls. 315, 317 e 319 constam 3 notas fiscais indicando a realização de venda de produtos à Recorrente em junho de 2001 no valor total de R$223.318,50 (exatamente o valor glosado). A decisão recorrida mantém a autuação por entender que a ora Recorrente não comprovou a entrada física dos estoques nem o pagamento pelas mercadorias. Afirma, ainda, que "a Impugnante nem tomou providências para obter dos fornecedores, que não seria nada anormal, documentos que comprovassem os recebimentos dos materiais, como canhotos das entregas das mercadorias conhecimento de transportes e outros documentos.". A exigência de comprovação de entrada física das mercadorias no caso em questão não merece prosperar. Como visto, a Recorrente trouxe na impugnação documentos suficientemente adequados para infirmar as premissas que basearam a acusação fiscal, comprovando, por meio das respectivas notas fiscais, que realizou as compras registradas em sua contabilidade. Em tal cenário, as notas fiscais apresentadas apenas poderiam ser rejeitadas caso houvesse provas ou ao menos indícios de sua inidoneidade, o que não é o caso. De fato, não há comprovação nos autos de que, no anocalendário de 2001, os fornecedores eram inidôneos ou não existiam de fato. Os simples fatos de o fornecedor não ter apresentado declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário da venda ou de afirmar que não realizou vendas à Recorrente não são suficientes para colocar em dúvida a realização da compra do produto pela Recorrente, esta sim devidamente comprovada pelas correspondentes notas fiscais. É verdade que a Recorrente também não comprovou que realizou os pagamentos de tais notas fiscais. Acontece que tal fato, ainda que em conjunto com os acima citados, não serve de prova de que as compras não ocorreram, mormente quando se consideram as provas trazidas na impugnação, as quais buscam demonstrar que a ora Recorrente utilizou as matériasprimas adquiridas para a fabricação de produtos que acabaram por ser por ela vendidos, nos termos dos relatórios de fls. 259356. Em síntese, o que temos no presente processo é que a DRJ desconsidera os relatórios apresentados pelo sujeito passivo afirmando que eles não estão suportados por Fl. 500DF CARF MF Processo nº 19515.003495/200570 Acórdão n.º 1401003.047 S1C4T1 Fl. 498 7 documentação comprobatória. De fato, tratase de relatórios sintéticos, mas o ônus de provar a inidoneidade das compras é do fisco uma vez que o este não questiona a idoneidade das notas fiscais. Ou, em outras palavras: as notas fiscais são documentos suficientes e fazem prova a favor do contribuinte, então para que o fiscal as desconsidere ele é quem deve provar que, apesar da existência das notas fiscais, as compras efetivamente não ocorreram. Por não ser ônus do contribuinte tal prova, os relatórios sintéticos já são demonstrações suficientes de que o que ele está defendendo é verdade. Aliás, é inclusive contraditório o comportamento da autoridade autuante que, ao mesmo tempo em que coloca em dúvida a realização dos pagamentos, aparentemente lança IRRF por pagamento sem causa, conforme noticia a DRJ (processo 19515.003496/200514). Neste sentido, entendo que não há nos autos provas suficientes que permitam a glosa dos custos da Recorrente, razão pela qual oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso, cancelando a autuação fiscal. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 501DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728133/2017-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF - ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS
São isentas parcelas referentes proventos de aposentadoria, reserva, reforma e pensão (65 anos ou mais), nos limites legais.
Numero da decisão: 2002-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF - ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS São isentas parcelas referentes proventos de aposentadoria, reserva, reforma e pensão (65 anos ou mais), nos limites legais.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 81 33 /2 01 7- 61 Fl. 86DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 20 a 24), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.852,67, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 10 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Cientificada em 11/08/2017, fls 26, a contribuinte apresentou impugnação em 18/08/2017, fls 2/3, na qual alega que nasceu em 1936 e tinha 75 no ano de 2012. Declarou conforme legislação vigente a parcela isenta de proventos de aposentadoria da fonte Secretaria de Educação. A parcela isenta foi informada conforme comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Requer impugnação do lançamento, visto que atende aos requisitos de idade exigidos pela legislação. Solicita prioridade com base no art. 69A, inciso I, da lei nº 9.784/99. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, em 14/11/2017, no acórdão 1293.600, às efls. 38 a 42, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 04/01/2018 às efls. 50 a 53 no qual alega que possui duas aposentadorias referentes a dois cargos de professora no Distrito Federal e que declarou corretamente a parcela isenta de seus rendimentos. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/12/2017, efls. 47, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/01/2018, efls. 48, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo tem por fundamento a autuação do contribuinte pela omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.728133/201761 Acórdão n.º 2002000.622 S2C0T2 Fl. 78 3 A DRJ julgou a impugnação apresentada pela contribuinte parcialmente procedente, pelos seguintes fundamentos: Contudo, devese considerar que no campo relativo à parcela isenta dos rendimentos de aposentadoria do maior de sessenta e cinco anos, no anocalendário 2012, o limite é R$ 21.282,43. A outra parcela, no mesmo valor, deve retornar à tributação. No entanto, considerando que R$ 1.637,11 referemse à parcela isenta relativa ao décimo terceiro salário, o correto é o retorno à tributação das doze parcelas de R$ 1.637,11, no total de R$ 19.645,32. Somandose todas as parcelas oferecidas à tributação pela interessada, no anocalendário 2012, temse o valor de R$ 178.452,09. Ou seja, ela deveria oferecer à tributação os seguintes rendimentos: R$ 93.620,58 + R$ 65.186,19 + R$ 19.645,32 (excedente da parcela isenta), no total de R$ 178.452,09. Em que pese a regra geral do imposto de renda seja a gravação de todas as rendas, a lei pode especificar rendimentos que serão isentos face a importância social das rubricas, como por exemplo a regra isentiva dos proventos e pensões dos maiores de 65 anos, como prevê Regulamento de Imposto de Renda RIR (Decreto nº 3.000/99), nos artigos 39, 79 e 645 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos e Pensões de Maiores de 65 Anos XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); Proventos e Pensões de Maiores de 65 Anos Art. 79. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto poderá ser deduzida a quantia de novecentos reais, correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos Fl. 88DF CARF MF 4 pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade (art. 39, XXXIV) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso VI). Art. 645. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a quantia de novecentos reais, correspondente à parcela isenta (art. 39, XXXIV) dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 anos de idade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso VI). Tal limite, para o ano calendário de 2012, conforme Lei nº 7.713/88 foi majorado para R$ 1.637,11, como se vê: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto, até o valor de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) (...) f) R$ 1.637,11 (mil, seiscentos e trinta e sete reais e onze centavos), por mês, para o anocalendário de 2012; Em que pese as alegações da contribuinte que recebe de duas fontes pagadoras, a decisão da DRJ foi correta ao apontar o item 285 do Perguntas e Respostas para o exercício 2013, novamente transcrito: PENSÃO, APOSENTADORIA DE MAIS DE UMA FONTE 258 – Como deve proceder a pessoa física com 65 anos ou mais que recebe proventos de aposentadoria ou pensão de mais de um órgão público ou previdenciário? Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10166.728133/201761 Acórdão n.º 2002000.622 S2C0T2 Fl. 79 5 Em relação aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte deve observar que: 1 – do valor mensal correspondente à soma dos proventos de aposentadoria ou pensão pagos por todas as fontes pagadoras, somente é considerada isenta a parcela de R$ 1.637,11, por mês, para o anocalendário de 2012: 2 na declaração de ajuste anual, somente deve ser informada como rendimento isento a soma dos valores mensais isentos mencionados no item 1; 3 compõe os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste a diferença positiva entre o total dos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no anocalendário e o valor mencionado no item 2. Atenção: O beneficiário pode efetuar, no curso do anocalendário no qual os rendimentos foram recebidos,até o último dia útil do mês de dezembro, antecipação de imposto, mediante recolhimento complementar , sob o código 0246. Consulte as perguntas 048, 246, 256, 257, 259 e 260 Pelo exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003694/2007-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma.
Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 1003-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, tratase de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 36 94 /2 00 7- 14 Fl. 37DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 1423.282, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 1921, julgando procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao anocalendário 2006, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 . ENTREGA FORA DO PRAZO DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRÊNCIA. Não há denúncia espontânea quando o contribuinte apresenta, com atraso, a DCTF. O art. 138 do CTN não se aplica às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega da DCTF não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 2731, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese, a insubsistência do lançamento por ter ficada caracterizada a ocorrência de denúncia espontânea, vez que , in casu, tal instituto pode ser reconhecido nem a necessidade de pagamento de tributo, porque não haveria valor a recolher em decorrência da infração cometida, conjugando a interpretação dos arts. 138 e 113 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10855.003694/200714 Acórdão n.º 1003000.397 S1C0T3 Fl. 38 3 Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 1423.282 proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO em 13/08/09 (fls. 26) e apresentou o recurso competente em 09/09/2009 (fls. 2731). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, trouxe os mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, buscando socorrerse no disposto nos artigos 138 e 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, o procedimento fiscal foi efetuado nos estritos termos legais, ao qual o agente público está plenamente vinculado, consoante disposição do art. 3° e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 37 da Constituição Federal, logo, a decisão recorrida não merece reforma. Isso porque o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando a causa da penalidade é o descumprimento de uma conduta meramente formal, como nos casos de entrega com atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. E, nos autos, está comprovado que a Recorrente, de fato, descumpriu a obrigação de entregar a DCTF no prazo regulamentar, tanto que ela nem questiona isso. Sendo assim, como não existe na lei dispensa do pagamento de multa por atraso na entrega da referida declaração, restou evidenciado que a sanção foi aplicada de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente e que fundamentou o lançamento. Ademais, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração e que o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, requerido dispositivo não abarca objeto da presente lide, posto que, em sentido diametralmente oposto ao defendido pela Recorrente, é o objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com aplicação vinculante na administração tributária federal, determinada pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 39DF CARF MF 4 Com efeito, a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, se refere à obrigação principal entendida como aquela que decorre da ausência de pagamento do tributo devido, não alcançando, assim, os deveres instrumentais decorrentes de previsão na legislação. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 13555.000040/2001-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1992 a 28/02/1996
PIS. SEMESTRALIDADE. EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A partir da edição da Medida Provisória 622, de 22 de setembro de1994, e suas reedições, convertidas na Lei 9.004/1995, que deu nova redação ao artigo 5º da Lei 7.714/88, é possível excluir a receita de exportação para fins de apuração do PIS instituído pela LC 7/70.
DIREITO A COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE.
A extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 daquele Código. Com o advento da Lei Complementar 118/2005, para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. É possível a escolha do contribuinte pela compensação ou pela repetição de indébito quando do cumprimento da decisão administrativa que lhe concedeu o direito pelo prazo de 10 (dez) anos.
RESTITUIÇÃO. DIREITO DE PLEITEAR. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na análise sobre a incidência do instituto da prescrição deve ser aplicada a previsão do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, insurgindo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por sua vez, a suspensão do prazo prescricional sobre o crédito declarado para compensação/restituição, nos termos previstos pelo artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3402-006.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para ser reconhecida a possibilidade da exclusão da receita de exportação nos meses compreendidos no pedido a partir de março de 1995, aplicando-se a semestralidade a partir de setembro de 1994. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes (relator), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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SEMESTRALIDADE. EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. A partir da edição da Medida Provisória 622, de 22 de setembro de1994, e suas reedições, convertidas na Lei 9.004/1995, que deu nova redação ao artigo 5º da Lei 7.714/88, é possível excluir a receita de exportação para fins de apuração do PIS instituído pela LC 7/70. DIREITO A COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO. FACULDADE DO CONTRIBUINTE. A extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 daquele Código. Com o advento da Lei Complementar 118/2005, para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. É possível a escolha do contribuinte pela compensação ou pela repetição de indébito quando do cumprimento da decisão administrativa que lhe concedeu o direito pelo prazo de 10 (dez) anos. RESTITUIÇÃO. DIREITO DE PLEITEAR. PRAZO PRESCRICIONAL. Na análise sobre a incidência do instituto da prescrição deve ser aplicada a previsão do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, insurgindo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por sua vez, a suspensão do prazo prescricional sobre o crédito declarado para compensação/restituição, nos termos previstos pelo artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 00 40 /2 00 1- 16 Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.485 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para ser reconhecida a possibilidade da exclusão da receita de exportação nos meses compreendidos no pedido a partir de março de 1995, aplicandose a semestralidade a partir de setembro de 1994. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes (relator), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, substituída pelo conselheiro Renato Vieira de Ávila. Relatório Trata o presente processo de Pedido de compensação de PIS formulado pelo contribuinte em 16/07/2001 (fls. 9 a 12), abrangendo os recolhimentos a maior efetuados em relação aos períodos de outubro de 1992 a fevereiro de 1996, no montante correspondente à diferença entre a contribuição recolhida com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e a contribuição devida de acordo com a Lei Complementar nº 07/70 (base de cálculo prevista no art. 6º, § único, correspondente ao faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador). Em 21/12/2005 o pedido foi indeferido pela DRF Salvador, que decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório e a consequente não homologação das compensações efetuadas na escrituração contábil da empresa (compensação sem processo, até setembro de 2002), a partir de 16/02/2001, com débitos do PIS, ou de qualquer outra compensação Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.486 3 vinculada aos créditos alegados pelo contribuinte no presente processo, motivado pela decadência, conforme disposto no PARECER 403/2005— SEORT PJ (fls. 616 a 619) e no Despacho Decisório (fls. 620). Foi apresentada Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório (fls. 621 a 631), que foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ Salvador em 26/08/2009 (Acórdão 1520.442 às fls. 642 a 647). A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 871 a 881), que foi provido em 20/03/2012 pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF, Acórdão 330201.478 (fls. 886 a 892), cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1992 a 28/02/1996 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. A referida decisão determinou o retorno dos autos à DRF de origem para análise do pedido, de forma a verificar a existência dos alegados créditos promovendo sua quantificação, bem como se eram suficientes para a quitação das compensações efetuadas. Em 03/09/2013, o contribuinte protocolou petição (fls.940 a 941) requerendo que fosse providenciada a pronta quantificação dos créditos a que teria direito. Em 17/11/2015, a Recorrente acostou aos autos planilhas e documentos comprobatórios adicionais, bem como requereu o prosseguimento da análise do direito creditório (fls. 978 a 1160). A Recorrente informa que, em função da demora da RFB em iniciar a análise do caso, extrapolando o prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, viuse obrigada a impetrar o Mandado de Segurança n° 100513509.2017.4.01.3300, pleiteando a imediata análise do seu pedido. Em 13/11/2017, a Recorrente foi cientificada do Termo de Intimação SEORT (fls. 1161 a 1162), através da qual foi intimada a apresentar a relação de débitos a serem compensados ou já compensados, com o crédito versado no presente processo, conforme pedido de compensação formulado pela pessoa jurídica na petição inaugural deste. Em 14/11/2017, foi cientificada do Termo de Intimação SEORT (fls. 1167 a 1168), através da qual foi intimada a apresentar o balancete mensal legível referente ao mês de março/1992. Em resposta à intimação, em 14/11/2017 a Recorrente informou que não realizou a compensação do direito creditório de PIS objeto do Pedido de Restituição n° 13555.000040/200116, eis que pretendia receber este valor em espécie, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, não obstante poder valerse da faculdade prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, e do art. 65 da Instrução Normativa RFB n° 1.717/2017, e transmitir a competente declaração de compensação (DCOMP) com débitos vincendos de quaisquer Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.487 4 tributos administrados pela RFB. Em 16/11/2017, a Recorrente apresentou as demais informações solicitadas em 14/11/2017. O Despacho Decisório 608 DRF/SDR (fls. 1297 a 1304), de 30 de novembro de 2017, com base na INFORMAÇÃO FISCAL Nº 134/2017 – SEORT PJ (fls. 1291 a 1293), (i) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor do contribuinte, no valor de R$ 450.806,94, atualizados para 1º/01/1996; (ii) indeferiu o pedido de compensação originalmente formulado pelo contribuinte, pela ausência de indicação de débitos para quitação; e (iii) considerou inexistente o direito à restituição, após 10 anos contados da data de pagamento, bem como o direito à apresentação de futuras Declarações Eletrônicas de Compensação DCOMP. Importante reproduzir excerto da INFORMAÇÃO FISCAL Nº 134/2017 – SEORT PJ (fls. 1291 a 1293), com as constatações da unidade de origem: “[...] (12º) Todavia, ao analisarmos a petição que inaugura o processo, bem como os autos eletrônicos no geral, constatase tratar de processo de compensação, não se identificando protocolo de pedido de restituição; (13º) A partir da MP 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação na data de 01/10/2002 foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, sendo esta, exatamente, a situação do processo em exame; [...]”. Portanto, o fundamento do indeferimento foi a inexistência de pedido de restituição após 10 anos contados da data de pagamento. Tratase de pedido de compensação transformado em declaração de compensação, sem a identificação de débitos a serem compensados. Em 01/12/2017 a Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório n° 608, que considerou procedente em parte o valor do direito creditório pleiteado, porém indeferiu a compensação e a restituição. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 22/12/2017, sustentando a necessidade de exclusão das receitas de exportação da base de cálculo do PIS, bem como a procedência do seu pedido de restituição ou a possibilidade de realizar compensações após a homologação do valor pelo Fisco. A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1476.752 (fls. 1364 a 1395), sessão de 15 de março de 2018, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o disposto no Despacho Decisório exarado pela autoridade administrativa de origem. Segundo o entendimento da DRJ, as receitas de exportação fazem parte da base de cálculo, em função da inexistência de previsão legal para sua exclusão no período de 1992 a 1995. Entenderam, também, pela inexistência de pedido de restituição ou pedidos de compensação ativos, fato impeditivo para o processamento da restituição ou a homologação de compensações não formalizadas nos termos da legislação aplicável. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1992 a 28/02/1996 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. FORMULÁRIO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.488 5 O crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuições pode ser objeto de compensação na forma das instruções vigentes na Secretaria da Receita Federal do Brasil. A falta da entrega dos formulários não produz efeito. DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. O marco inicial para a contagem do prazo decadencial na compensação de valores recolhidos indevidamente ou a maior é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cientificada do teor do Acórdão 1476.752 em 26/03/2018 (fls.1401), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2018 (fls. 1404 a 1427), com as seguintes alegações e requerimentos, em síntese: (i) indevida inclusão das receitas de exportação na base de cálculo do PIS, que teria reduzido indevidamente o valor do Direito creditório da recorrente; (ii) validade do pedido de restituição formulado em 16/07/2001; (iii) inocorrência da prescrição do direito creditório de PIS, visto que estaria suspenso durante o trâmite do processo Administrativo; (iv) alternativamente, requer a vinculação de declarações de compensação ao indébito de PIS após a revisão dos cálculos pelo fisco; e (v) que seja reconhecido o direito à restituição em espécie dos créditos de PIS, nos termos do art. 165 do código tributário nacional; (vi) ou que seja consignado expressamente no acórdão a possibilidade de compensação futura do indébito de PIS pleiteado nos presentes autos, com tributos e contribuições administrados pela RFB. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão devolvida a este colegiado cingese ao reconhecimento de direito creditório da Recorrente relativo aos recolhimentos efetuados a maior de PIS com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88. Especificamente, quanto à inclusão das receitas de exportação na base de cálculo do PIS, que teria reduzido indevidamente o valor do Direito Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.489 6 creditório da recorrente; a validade do pedido formulado em 16/07/2001, se o mesmo se configuraria como pedido de restituição; e a ocorrência de prescrição para restituição/compensação. Da inclusão das receitas de exportação na base de cálculo do PIS semestralidade A Recorrente alega a impossibilidade de inclusão das receitas de exportação na base de cálculo do PIS, que teria reduzido indevidamente o valor de seu Direito creditório. Segundo seu entendimento, a Autoridade Fiscal não realizou uma segregação dos valores registrados em suas contas contábeis, a fim de desconsiderar da base de cálculo as vendas de produtos para o exterior, de forma a computar integralmente os valores de venda registradas nas contas do Nível 311 (Vendas de Produtos), sem desconsiderar o Subnível 31103, que se refere às vendas para o exterior (exportação). Argumenta que a tributação das receitas de exportação pela contribuição ao PIS teria sido afastada pelo art. 5° da Lei n° 7.714/1981: Art 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Entretanto, o julgador a quo não acatou os argumentos da Recorrente, por entender que o disposto na redação original do art. 5° da Lei n° 7.714/1988 aplicavase somente ao PIS devido com base nos inconstitucionais decretosleis, e não teriam qualquer efeito jurídico ou modificação na LC 07/70. Segundo o entendimento da DRJ, “seria impossível de ser aplicar, por falta de integração, a legislação que se seguiu aos decretosleis anulados, uma vez que editadas todas elas com base nas modificações introduzidas pelos citados decretosleis. A inconstitucionalidade é causa de nulidade absoluta, desde a edição da norma, que já nasceu maculada. Esse vício congênito é insanável, inclusive por recepção.” Nesse ponto não assiste razão à recorrente. A isenção criada pelo art. 5° da Lei n° 7.714/1981 era para o PIS/PASEP de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e não para as contribuições instituídas pelas Leis Complementares 7/70 e 8/70. Por isso o dispositivo legal que instituiu a isenção teve que ter sua redação alterada, o que ocorreu com a edição da Medida Provisória no 622, de 22 de setembro de 1994, e suas reedições. Se a isenção já existisse, considerando as contribuições das LCs 7/70 e 8/70, não seria necessário novo dispositivo legal, conforme disposto na Exposição de Motivos da referida MP, que expressamente considerou a necessidade de estabelecer estímulos a expansão das exportações brasileiras, na forma de isenção do PIS/PASEP, para os produtos exportados. Reproduzo a Exposição de Motivos da MP 622, extraída do Diário do Congresso Nacional 19/10/1994, Página 3123: Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.490 7 Não se trata de mera técnica legislativa, mas da instituição de uma nova isenção, visto que a anterior estava vinculada às contribuições PIS/PASEP de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e não para as contribuições instituídas pelas Leis Complementares 7/70 e 8/70. A turma julgadora considerou que a isenção poderia ser aplicada a partir de março de 1995, perfazendo a possibilidade da exclusão nos meses compreendidos no pedido a partir de setembro de 1995, aplicandose, conforme requerido, a semestralidade, pela edição da Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que alterou a redação da Lei 7.714/88. Transcrevo a redação dada pela Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que foi posteriormente revogada pela MP 2.15835/2001: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.491 8 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. (Redação dada pela Lei nº 9.004, de 1995) .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Incluído pela Lei nº 9.004, de 1995) (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Incluído pela Lei nº 9.004, de 1995) (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Incluído pela Lei nº 9.004, de 1995. (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; (Incluído pela Lei nº 9.004, de 1995) (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; (Incluído pela Lei nº 9.004, de 1995) .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Incluído pela Lei nº 9.004, de 1995) (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Entretanto, a DRJ não concedeu o direito creditório para os períodos pela inexistência de valor apurado nos meses de 02/1995, 05/1995, 06/1995, 07/1995, 09/1995, 11/1995, 01/1996, 02/1996, conforme informação do próprio contribuinte em seu demonstrativo, e pela inexistência de comprovação para os meses de outubro e dezembro de 1995. Também fundamenta pela não comprovação do atendimento dos requisitos impostos pelo §2º da referida norma. Quanto a esse ponto, uma ressalva há que ser feita: a Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, é fruto da conversão da Medida Provisória 896, de 15/02/1995, que por sua vez é a reedição das seguintes Medidas Provisórias: Medida Provisória no 836, de 20 de janeiro de 1995; Medida Provisória no 767, de 20 de dezembro de 1994; Medida Provisória no 713, de 18 de novembro de 1994; Medida Provisória no 663, de 21 de outubro de 1994; e Medida Provisória no 622, de 22 de setembro de 1994. Portanto, tais dispositivos já estavam presentes nos atos provisórios que o antecedeu, em vigor desde setembro de 1994. Dessa forma, por expressa previsão legal, deverá ser reconhecida a possibilidade da exclusão da receita de exportação nos meses compreendidos no pedido a partir de março de 1995, aplicandose a semestralidade a partir de setembro de 1994, exceto para as vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; para vendas a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; para vendas a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; e para vendas no mercado interno, às quais sejam Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.492 9 atribuídos incentivos concedidos à exportação, conforme disposto no §2º do artigo 5º da Lei 9.004. Da natureza do pedido formulado em 16/07/2001 Quanto à natureza do pedido formulado em 16/07/2001, identificamos os seguintes atos da Recorrente com a expressa referência a “pedido de compensação”, inclusive seu pedido inicial às fls. 9 a 12: 1. Petição inicial (fls. 9 a 12): “Por estas razões, e inclusive para os fins do artigo 168 CTN, formula o presente requerimento, através do qual se visa garantir que, tendo em vista o preenchimento dos requisitos legais, aceitese a compensação dos valores indevidamente pagos a título de contribuição ao PIS (atualizados conforme a variação da UFIR até dez/95 e com juros Selic a partir de jan/96, conforme Leis ns. 8.383/91 e 9.250/95), com parcelas vincendas a título da mesma contribuição e/ou de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal.” 2. Manifestação de inconformidade (fls 621 a 631): “Tratase, no presente caso, de pedido de compensação de PIS formulado pela ora recorrente, em 16.07.2001 1 , abrangendo os recolhimentos a maior efetuados em relação aos períodos de outubro de 1992 a fevereiro de 1996, em razão da não observância da base de cálculo prevista no art. 6°, § único da LC n° 07/70 (faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador), tendo sido observados, no período descrito, os critérios previstos nos DL's 2.445 e 2.449/88.” 3. Recurso Voluntário (fls. 872 a 881): “Tratase, no presente caso, de pedido de compensação de PIS formulado pela ora recorrente, em 16.07.2001, abrangendo os recolhimentos a maior efetuados em relação aos períodos de outubro de 1992 a fevereiro de 1996, em razão da não observância da base de cálculo prevista no art. 6°, § único da LC n° 07/70 (faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador), tendo sido observados, no período descrito, os critérios previstos nos DL's 2.445 e 2.449/88.” 4. Petição de 03/09/2013 (fls. 940 a 954) Ora, o pedido inicialmente formulado foi de “compensação”, que foi convertido em declaração de compensação, desde o seu protocolo, conforme disposto na MP 66/2002, convertida na Lei 10637/2002. Não se trata de pedido de restituição como alega a recorrente. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.493 10 O pedido foi realizado sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997 (revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002), a qual determinava a utilização de formulários, a ela anexos, para os pedidos de restituição, ressarcimento ou compensação. Também não é possível considerar que a resposta da Recorrente à Intimação da DRF Salvador poderia ser considerada como um novo pedido de restituição, conforme manifestação da própria Autoridade Administrativa: “Em resposta à Intimação em referência, o contribuinte assegura que não realizou compensação com o crédito objeto do "pedido de restituição", contido no processo nº13555.000040/200116. (...) Frisese, de antemão, que a petição em resposta à Intimação jamais poderia ser tomada como pedido de restituição, em decorrência das formalidades exigidas pela lei para tal pleito, como também em razão do prazo para que se formule a mencionada demanda no processo administrativo fiscal. Ao admitir, por hipótese, que a petição do contribuinte em resposta a uma Intimação datada de 2017 seja considerada pedido de restituição, estaríamos diante de uma inovação inadmissível no processo administrativo, fato administrativo sem precedente na Casa.” Constatase que inexiste formulário de Pedido de Restituição, conforme determina a legislação de regência à época, mas sim um pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Ocorre que a Recorrente, em seu pedido original, não informou qualquer débito a ser compensado, impossibilitando a homologação da compensação pleiteada. Regularmente intimada, a Recorrente informou que pretendia receber o valor apurado em espécie, e mais uma vez não informou qualquer débito a ser compensado. Conforme destacado na decisão a quo, o Despacho Decisório tratou exatamente os acontecimentos e as possibilidades colocadas à disposição da Contribuinte dentro do prazo para exercer seu direito, que não o exerceu na forma exigida, nem tampouco procedeu a compensação nos seus livros. Dessa forma, nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida e no Despacho Decisório, neste ponto. Também não procede a alegação de que o CARF, no Acórdão 330201.478 teria reconhecido o seu direito creditório. A referida decisão apenas reconheceu que os pagamentos efetuados no período em análise não estavam prescritos, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do pedido, de forma a verificar a existência dos alegados créditos promovendo sua quantificação, bem como se eram suficientes para a quitação das compensações efetuadas. Da prescrição A Recorrente alega a inocorrência da prescrição do direito creditório de PIS, visto que estaria suspenso durante o trâmite do processo Administrativo, requerendo a vinculação de declarações de compensação ao indébito de PIS após a revisão dos cálculos pelo fisco ou que seja reconhecido o direito à restituição em espécie dos créditos de PIS. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.494 11 Não assiste razão à Recorrente. O Acórdão nº 330201.478– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária que tratou do primeiro Despacho Decisório destes autos, assim decidiu: "Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 16/07/2001, estando assim submetido ao prazo de 10 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Neste contexto os alegados pagamentos a maior relativos aos período de 01/10/1992 a 28/02/1996, não estão prescritos, (...)." A questão é regulada pelo Decreto nº 20.910/32, cujo artigo art. 1º assim dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. A suspensão da prescrição poderia ocorrer no caso de demora no reconhecimento do crédito considerado líquido, conforme disposto no artigo 4º do referido Decreto: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. Não é o caso dos autos, visto que o direito creditório não era líquido, pois dependia de apuração. Acrescentese, ainda, que a inércia não foi causada pela autoridade fiscal. Foi o próprio interessado que não apresentou o pedido na forma exigida pela legislação vigente à época. Não houve aí qualquer participação da Administração Tributária no erro cometido na apresentação do pedido. Conforme acima exposto, a Recorrente, em seu pedido original, não informou qualquer débito a ser compensado, impossibilitando a homologação da compensação pleiteada. Regularmente intimada, a Recorrente informou que pretendia receber o valor apurado em espécie, e mais uma vez não informou qualquer débito a ser compensado. A norma prevê, ainda, que a suspensão da prescrição seria verificada pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor, o que não ocorreu. Também deve ser aplicado o disposto no o art. 5º do mesmo Decreto nº 20.910/32, no sentido de não suspender a prescrição em caso de Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.495 12 qualquer demora imputável ao próprio contribuinte interessado, situação constatada no presente caso. Art. 5º Não tem efeito de suspender a prescrição a demora do titular do direito ou do crédito ou do seu representante em prestar os esclarecimentos que lhe forem reclamados ou o fato de não promover o andamento do feito judicial ou do processo administrativo durante os prazos respectivamente estabelecidos para extinção do seu direito à ação ou reclamação. Portanto, resta configurada a prescrição de qualquer novo pedido de compensação e ressarcimento dos valores, sem a aplicação de qualquer suspensão. No mesmo sentido, decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 9303006.519, de 15 de março de 2018, da lavra do i. Conselheiro Rodrigo Pôssas, cuja ementa abaixo transcrevo: RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originar em. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Quanto à possibilidade de compensação futura do indébito de PIS, com tributos e contribuições administrados pela RFB, tal pedido não pode ser atendido por este colegiado, por ausência de competência, que seria da autoridade administrativa local (DRF Salvador), desde que atendidos os requisitos legais e regulamentares, o que não ocorreu conforme acima exposto. Portanto, ainda que reconheçamos a possibilidade da exclusão da receita de exportação nos meses compreendidos no pedido a partir de março de 1995, aplicando a semestralidade a partir de setembro de 1994, com as exceções dispostas no §2º do artigo 5º da Lei 9.004, como não consta dos autos a existência de pedido de restituição ou pedidos de compensação ativos, o exercício do direito da recorrente restou prejudicado, pela impossibilidade dos órgãos administrativos em proceder a sua restituição ou à homologação de compensações não formalizadas nos termos da legislação aplicável. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.496 13 Voto Vencedor Conselheira Cynthia Elena de Campos, redatora designada. Com o devido respeito ao fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Relator Rodrigo Mineiro Fernandes, discordo da conclusão sobre a data inicial considerada para exclusão da receita de exportação. Como observado em relatório, a questão devolvida a este colegiado versa sobre a redução do valor do Direito creditório da recorrente por considerar a validade do pedido formulado a partir de 16/07/2001, bem como se o mesmo se configuraria como pedido de restituição, e a ocorrência de prescrição para restituição/compensação. Após ser intimada pela Unidade de Origem, a Recorrente informou que não realizou a compensação do direito creditório de PIS objeto do Pedido de Restituição n° 13555.000040/200116, protocolado em data de 16/07/2001, uma vez que pretendia o ressarcimento das contribuições ao PIS indevidamente recolhidas e referentes ao pedido anterior, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Argumenta que a Delegacia de origem encontrase vinculada à decisão do CARF, não havendo que se falar em decadência ou prescrição neste caso. Afirma, ainda, que negar o pedido de compensação, contraria o próprio pedido feito pela Recorrente, já analisado pelo CARF, que decidiu pela apuração do crédito e, o fato de não ter preenchido formulário não pode servir de fundamento para o indeferimento da restituição ou da compensação. Com razão a Recorrente. Inicialmente vale observar que, para contagem do prazo decadencial, é necessário analisar os artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, os quais assim determinam: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.497 14 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Com o advento da Lei Complementar 118/05, a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Já os artigos 150, § 1º e 156 do CTN assim estabelecem: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.498 15 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; Os dispositivos acima invocados não deixam dúvidas de que a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado está condicionado a uma condição resolutória, representada pela homologação do lançamento. Com isso, em razão do artigo 156, VI, combinado com o artigo 150,c§§ 1° e 4° e artigo 168, I, todos do CTN, bem como da Lei Complementar n° 118, de 2005, para os fatos ocorridos anteriores à vigência da adotar a tese dos 5+5, como já reconhecido através do Acórdão 330201.478 Por este motivo, não está correta a conclusão apontada pela ilustre autoridade julgadora a quo. Vejamos o teor do voto vencedor que embasou o Acórdão 330201.478: Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição transmitido em 16/07/2001 e relacionado a supost os pagamentos indevidos de PIS no período de 01/10/1992 a 28/02/1996, alegandose que teriam ocorrido recolhimentos a maior em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445 e 2.449. Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se in icia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. (sem destaque no texto original) Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 13555.000040/200116 Acórdão n.º 3402006.037 S3C4T2 Fl. 1.499 16 Verificase que a decisão deste Tribunal Administrativo é enfática ao reconhecer sobre a possibilidade de que seja requerido o direito creditório de PIS objeto do Pedido de Restituição n° 13555.000040/200116, protocolado em data de 16/07/2001, objetivando ressarcimento das contribuições ao PIS indevidamente recolhidas aos cofres públicos, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Data máxima vênia, não coaduno com a conclusão não exerceu com o pedido na forma exigida. Na análise sobre a incidência do instituto da prescrição deve ser aplicada a previsão do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, insurgindo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por sua vez, a suspensão do prazo prescricional sobre o crédito declarado para compensação/restituição, nos termos previstos pelo artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Ressaltese que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "a opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito1. Da mesma forma, é possível a escolha do contribuinte pela compensação ou pela repetição de indébito quando do cumprimento da decisão administrativa que lhe concedeu o direito pelo prazo de 10 (dez) anos. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para ser reconhecida a possibilidade da exclusão da receita de exportação nos meses compreendidos no pedido a partir de março de 1995, aplicandose a semestralidade a partir de setembro de 1994. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos 1 REsp 1.114.404/MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 1º.3.2010 recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1266096/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 10/04/2013 Fl. 1499DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.003059/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE POR VÍCIO FORMAL DISCUTIDO EM OUTRO PROCESSO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe a apreciação, no âmbito do novo lançamento tributário, da discussão sobre a nulidade por vício formal do lançamento, em outro processo já transitado em julgado administrativamente.
LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL
Declarada a nulidade do lançamento por vício formal, dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa.
Numero da decisão: 2202-004.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a apreciação, no âmbito do novo lançamento tributário, da discussão sobre a nulidade por vício formal do lançamento, em outro processo já transitado em julgado administrativamente. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Declarada a nulidade do lançamento por vício formal, dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 30 59 /2 00 5- 85 Fl. 189DF CARF MF 2 da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0620.022, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) que julgou parcialmente procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata o processo de auto de infração, fls. 107/115, relativo à revisão da declaração de ajuste do ano calendário 1998, onde se detectou omissão de rendimentos tributáveis de trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 152.374,60; exigemse R$ 41.685,40 de IRPF suplementar com multa de ofício do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora; base legal nos arts. 1º e 3º e §§ da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 21 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 2. Os procedimentos estão descritos à fl. 109, no auto de infração, e às fls. 102/104; o reexame do período já fiscalizado, que resultou na presente autuação, foi autorizado pela autoridade competente, fl. 105. Cientificado em 14/12/2005, fl. 117, tempestivamente, em 28/12/2005, o interessado apresentou impugnação, fls. 119/133, por meio de seu representante legal, fl. 8. Relata que depois de ter recebido a Notificação de Lançamento Suplementar referente ao anocalendário 1998, bem como o extrato modificativo do imposto a restituir do anocalendário 1999, contestou ambos, conforme a impugnação que consta às fls. 1/7 do processo, apresentada tempestivamente em 08/04/2002 e na qual requereu esclarecimentos/informação: a) quanto à origem do valor de R$ 172.831,80, acrescido aos rendimentos declarados da DIPF/1999 e que resultou na alteração da restituição pleiteada de R$ 417,90, para a exigência de imposto a pagar de R$ 46.893,23; b) razões para a redução dos rendimentos tributáveis da DIPF/2000 declarados, de R$ 255.187,02 para R$ 141.635,73, e redução do IRRF de R$ 77.274,58 para R$ 71.961,52 e que elevaram a restituição de R$ 15.894,79, para R$ 41.882,59. Reclama que, apesar do pedido para celeridade, a impugnação somente foi analisada em 11/08/2005, não tendo sido apreciados os esclarecimentos/informações relatados, dado que a DRJ/CTA decretou a nulidade do lançamento conforme o Acórdão DRJ/CTA nº 8.972, de 11 de agosto de 2005, no qual, além da Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10935.003059/200585 Acórdão n.º 2202004.884 S2C2T2 Fl. 191 3 proposta para que se verificasse a necessidade de efetuar novo lançamento, restou claro que haveria conseqüências em relação ao exercício 2000, anocalendário 1999. Reclama que o auto de infração que substituiu o anulado omitiu se em relação aos fatos relativos ao anocalendário 1999, relevantes para o deslinde da questão. Afirma ser o novo auto de infração ilegal, ao argumento que inexistiu vício formal no lançamento anulado pela DRJ/CTA, que foi erroneamente denominado auto de infração, quando, na verdade, tratavase de mera notificação suplementar, onde o valor exigido sujeitavase à multa de mora de 0,33% ao dia de atraso, limitada a 20%.. Transcreve o texto do quadro “Mensagens”, fl. 11, onde consta que aquele auto de infração originouse da revisão da declaração de rendimentos do anocalendário 1998 (DIRPF/1999) que foi efetuada com base nos arts. 789, 835 a 839, 841, 844, 845, 871 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), e onde consta terem sido constatadas irregularidades na declaração, ”conforme descrito e capitulado em anexo”; o impugnante destaca a legislação contida nesse texto, para argumentar que o lançamento suplementar anulado pela DRJ/CTA continha, sim, a devida capitulação legal, portanto não poderia ter sido anulado por vício formal. Aduz que em momento algum reclamou de falta de capitulação legal e tampouco é lícito que seja apenado pelo extravio de folhas dos autos ou pelos equivocados registros da fl. 89, conforme denuncia o item 16 da decisão desta DRJ. Afirma que o lançamento anulado foi devidamente fundamentado, podendo até ser o caso de saneamento, mediante a juntada da parte tida como extraviada ou mediante notificação complementar para inovar ou alterar a fundamentação legal, nos termos do art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972; porém nunca anular por vício formal visando conferir legalidade ao novo lançamento, totalmente decadente. Para a hipótese que considera remota, de que prevaleça a nulidade da Notificação de Lançamento Suplementar, declara que o “novo lançamento” não prosperará devido à decadência do direito de lançar e cita jurisprudência administrativa no sentido de que o auto de infração emitido em substituição à Notificação de Lançamento Suplementar deve limitarse a sanear o vício de forma constatado, sob pena de desvincularse do lançamento primitivo e constituirse em novo lançamento; que, quando o lançamento originalmente constituído for anulado por vício formal e o novo lançamento resultar em aprimoramento da exigência inicial, corrigindo vícios existentes no lançamento anulado, tornase inaplicável do art. 173, II do CTN, para a contagem do prazo decadencial, que se desloca para o art. 150, § 4º, do CTN; transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda CCMF. Fl. 191DF CARF MF 4 Afirma que o novo lançamento corrigiu vícios substanciais existentes no lançamento anulado, modificou a base de incidência tributária porque alterou o valor dos honorários advocatícios e das verbas tributadas, isentas e tributadas exclusivamente na fonte, além de incluir multa de ofício de 75%, que não constava do lançamento anulado, no qual se mencionava multa de mora, e descreve que o primitivo lançamento se baseou no Demonstrativo de Cálculo de fl. 73, que transcreve. No mérito, descreve o lançamento e alega que: a. decorre de ação trabalhista que moveu contra o Banestado, 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Cascavel/PR, nº 2.221/94; que, conforme fl. 32, o crédito em 01/06/1997 montou a R$ 308.147,07; b. sendo as guias de retirada: em 19/10/1998 – R$ 210.238,99, fl. 37 (recebidos a título de antecipação, por autorização da Justiça do Trabalho, acrescidos dos rendimentos financeiros); em 25/08/1999 – R$ 54.659,65 (referente ao IRRF), fl. 33; em 25/09/1999 – R$ 40.839,62, fl. 35 e também em 25/09/099 – R$ 2.408,81 (para pagamento do INSS), fl. 40; c. os depósitos nos valores de R$ 603,81 e R$ 6.162,94, foram para fazer face às despesas de honorários contábeis e custas judiciais; d. ocorreu retenção de IRRF de R$ 54.659,65, levantados no montante de R$ 74.831,74, fl. 33, para quitação do Darf de fl. 34; e. não foi possível por ocasião do recebimento do adiantamento de R$ 210.238,99, em 19/10/1998, determinar com precisão o valor tributável e o valor do IRRF, por isso, esses rendimentos foram adicionados aos do anocalendário 1999, quando foi efetivamente recolhido o IRRF e liquidada a ação trabalhista; que não há previsão legal para que o adiantamento recebido seja tributado em 1998, pois se assim fosse, teria sido objeto de incidência de IRRF de forma proporcional, haja vista que o valor total do tributo já era conhecido desde a data da efetivação do depósito, porém por razões óbvias (incerteza quanto aos valores depositados), o imposto continuou em conta de depósito até o trâmite final da ação, quando pago com acréscimos dos rendimentos bancários. Conclui que foi correta a forma de tributação adotada pelo contribuinte, que ofereceu à tributação, no exercício 2000, a totalidade dos valores tributáveis recebidos em 1998 e 1999, quando da liquidação final da sentença, ou seja, no ano calendário do efetivo recolhimento do IRRF e aduz que não se tributa adiantamento por conta de ação trabalhista, por ausência de especificação das verbas adiantadas. À fl. 131, elabora demonstrativo onde apura que a verba tributável em 1999, relativa aos recebimentos em 1998 e 1999, era de R$ 188.723,29, enquanto que o litigante ofereceu à tributação R$ 215.850,59 decorrentes da ação trabalhista. Aponta ser imperioso que qualquer alteração em relação ao ano calendário 1998 gere conseqüências no anocalendário 1999, o Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10935.003059/200585 Acórdão n.º 2202004.884 S2C2T2 Fl. 192 5 que não foi observado pela autoridade fiscal, contrariando o determinado pela DRJ, dado que os valores tributados no ano calendário 1998 devem ser excluídos do anocalendário 1999. Em relação ao anocalendário 1999, afirma que não procede a redução do IRRF informado à fl. 79, de R$ 77.274,58 para R$ 71.961,52, conforme consignado no extrato de revisão da DIRPF/2000 e requer o restabelecimento do seu direito. Esta DRJ/CTA devolveu o processo à DRF de origem a fim de que complementasse o lançamento com os reflexos relativo ao anocalendário 1999, de fl. 145, o que foi cumprido pela DRF em Cascavel/PR às fls. 147/148; e ainda conforme a determinação de fl. 149, a fim de cientificar o interessado, o que foi cumprido à fl. 148, sendo a ciência em 13/08/2008; transcorrido o prazo legal sem manifestação do contribuinte, retornou o processo para julgamento desta DRJ/CTA. O lançamento foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/CTA. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 VÍCIO FORMAL. NULIDADE. Os lançamentos que contiverem vício de forma, incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5º da IN SRF Nº 94, de 1997, devem ser declarados nulos, de ofício, pela autoridade competente. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Declarada a nulidade do lançamento por vício formal, dispõe a Fazenda Nacional do prazo de 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento, contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. INOVAÇÃO FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento formalizado para sanar vício formal de lançamento anterior não pode implicar qualquer inovação acerca de fundamentos fáticos do lançamento anulado, devendo o órgão lançador limitarse a sanar o vício formal apontado na decisão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 AÇÃO TRABALHISTA RENDIMENTOS RECEBIDOS NO DECORRER DO ANOCALENDÁRIO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Fl. 193DF CARF MF 6 O imposto de renda da pessoa física será devido a medida em que os rendimentos forem percebidos, sem prejuízo do ajuste anual, quando o contribuinte deverá apurar o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. IRRF. PROPORCIONALIDADE AOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Deduzse do IRPF devido sobre rendimentos tributáveis, o IRRF correspondente aos mesmos, obtido depois de se descontar, do total retido, o IRRF correspondente aos rendimentos tributados exclusivamente na fonte. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/CTA em 26/11/2008. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 23/12/2008 (efls. 179/186), apresentado as seguintes alegações, em apertada síntese: inexistência do lançamento anulado, uma vez que nada existia para ser anulado ou sanado, haja vista inexistência de Auto de Infração para constituição do crédito tributário em questão, imposto de renda pessoa física, pelo processo tido como "nulo", poderia quando muito, ser visto como NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO, segundo suas próprias características, em consonância com o artigo 11 do Decreto 70.235/72, ou seja: i) assinada pelo DELEGADO, chefe do órgão expedidor; ii) não informa disposição legal infringida e iii) omite informação quanto à penalidade aplicada. o auto de infração de que trata o artigo 10 do Decreto 70.235/72, exige para sua validade: i) que seja lavrado por servidor competente; ii) descrição dos fatos; iii) disposição legal infringida e a penalidade aplicável; iv) determinação da exigência e a intimação, entre outras. o AUTO DE INFRAÇÃO (termo de fls. 09) não foi assinado por servidor competente (auditor fiscal no exercício regular de suas atividades), mas pelo "Delegado da Delegacia da R. Federal de Cascavel, Sr. Mario B. Bartos, impedido de fiscalizar, em razão da função exercida naquela oportunidade. Poderia ele, tão somente assinar notificação de lançamento. dessa forma, inaplicável os preceitos dos arts. 5o e 6o, da IN 094/97, como fundamento para nulidade do referidos termo, eis que não se trata de lançamento por auto de infração, mas de mera notificação de lançamento, indevidamente tratada como auto de infração. que pela NL, tida como AI, não restou formalizada a exigência tributária que se pretende anular (IRPF/99), eis que do quadro demonstrativo do crédito tributário consta apenas e tão somente a exigência de restituição indevida no valor corrigido de R$ 468,80 (quatrocentos e sessenta e oito reais e oitenta centavos), nada mais. que NL, tida como AI, foi feita intimação do contribuinte apenas para devolução de restituição do IRRF recebido a maior e indevidamente, nenhuma menção foi feita ao IRPF, o AI mesmo inexistente, foi anulado por vício formal, tornando inexplicável o ato de ofício da autoridade julgadora bem como o novo lançamento saneador; Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10935.003059/200585 Acórdão n.º 2202004.884 S2C2T2 Fl. 193 7 não havendo o que anular ou à sanar, não existe lançamento novo ou saneador, assim, inaplicável ao caso em comento o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional, utilizado como fundamento para a realização do lançamento após o transcurso de mais de 5 (cinco) anos da data do fato gerador (art. 150), e/ou do primeiro dia do exercício seguinte (...), nos termos do inciso 1, art. 173 do CTN. Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Relator Analisando todos os argumentos apresentado pelo Recorrente, verificase que todos eles estão relacionados ao lançamento anterior (efls. 11/15), o qual foi declarado nulo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Curitiba/PR, Acórdão n. 8.972 (efls. 103/108), de 11 de agosto de 2005, por vício formal, por não constar o dispositivo legal infringido. Vejamos os pontos centrais do recurso: a) inexistência do lançamento anulado, uma vez que nada existia para ser anulado ou sanado, haja vista inexistência de Auto de Infração para constituição do crédito tributário em questão, imposto de renda pessoa física; b) na verdade não se tratava de um auto de infração, poderia ser considerado como uma notificação de lançamento; c) por não se tratar de um auto de infração, inaplicável os preceitos dos artigos. 5o e 6o, da IN 094/97, como fundamento para nulidade do referidos termo, como consta da decisão de nulidade da DRJ de Curitiba PR; d) que o lançamento anulado não formalizou a exigência tributária que se pretende anular, eis que do quadro demonstrativo do crédito tributário consta apenas e tão somente a exigência de restituição indevida no valor corrigido de R$ 468,80; e) o AI mesmo inexistente, foi anulado por vício formal, tornando inexplicável o ato de ofício da autoridade julgadora bem como o novo lançamento saneador f) Não havendo o que anular ou à sanar, não existe lançamento novo ou saneador, assim, inaplicável ao caso em comento o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional. Cabe aqui ressaltar que o auto de infração foi declarado nulo por vício formal em 11 de agosto de 2005, tendo sido o impugnante cientificado dessa decisão em 01 de setembro de 2005 (efls. 110), sendo que o contribuinte teria o prazo de trinta para recorrer, por meio de recurso voluntário total ou parcial, da decisão, conforme preceitua o caput do artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Contudo, o contribuinte ficou inerte, no período que detinha para apresentar seu recurso voluntário total ou parcial, por consequência, o Acórdão n. 8.972, da DRJ de Fl. 195DF CARF MF 8 Curitiba/PR, que considerou nulo o lançamento por vício formal, transitou em julgado administrativamente. O contribuinte tenta de forma obliqua discutir no presente processo, questões que já se consolidaram à tempo. Sendo assim, não compete a este Julgador adentrar na análise dos questionamentos feitos pelo ora Recorrente, por tratase de uma decisão já transitada em julgada administrativamente, a qual declarou a nulidade do lançamento fiscal por vício formal. É inegável, pois, a aplicação do artigo 173, inciso II, do CTN, no presente caso, por se tratar de lançamento anterior declarado nulo por vício formal, logo não há que se falar em decadência do novo crédito tributário lançado em dezembro de 2005, o qual ocorreu no mesmo anocalendário do lançamento anterior declarado nulo. Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Fl. 196DF CARF MF
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