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Numero do processo: 10950.003440/2002-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 1998 NULIDADE DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Tendo sido constatada omissão na apreciação fica caracterizada a inobservância ao principio da verdade material inserto no PAF (Decreto n° 70.235/72) pela ausência de análise de fatos imprescindíveis ao deslinde do processo. Configurada a nulidade de parte da decisão de 1ª Instancia. Recurso Provido.
Numero da decisão: 1803-001.207
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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Tendo sido constatada omissão na apreciação fica caracterizada a inobservância ao principio da verdade material inserto no PAF (Decreto n° 70.235/72) pela ausência de análise de fatos imprescindíveis ao deslinde do processo. Configurada a nulidade de parte da decisão de 1ª Instancia. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10950.003440/200211 Acórdão n.º 1803001.207 S1TE03 Fl. 169 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0624.380 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 106 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o processo de auto de infração n° 1059 de 08/05/2002, fls. 18/19, acompanhado dos anexos de fls. 20/22, originado em auditoria interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF entregues, onde se verificou falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, relativamente a débito declarado nas DCTF 3° e 4° trimestre/1998 (originais), datas de entrega em 04/11/1998 e 03/02/1999, respectivamente. 2. Exigemse R$ 33.739,94 de 2362 IRPJ OB L REALDEMAIS EST MENSAL, relativos aos períodos de apuração 08, 10 e 12/1998, que a empresa declarou haver compensado, porém os créditos vinculados que declarou, referentes a Ressarcimento de IPI, processos n° 10980.015533/9713 e 10980.013337/9895, não foram confirmados; a exigência teve a base legal discriminada à fl. 19, e sobre o imposto incidem multa de oficio e juros de mora. Impugnação. 3. Cientificada em 14/06/2002, fl. 30, a interessada apresentou tempestivamente, em 15/07/2002, a impugnação de fls.1/3, com os documentos de fls. 4/15, alegando que os débitos exigidos foram quitados com créditos de terceiros, Overtril Óleos Vegetais Treze Tílias Ltda., CNPJ 84.591.064/000102, constantes dos processos de Pedido de Restituição ou de Ressarcimento de IPI n° 10980.015533/9713 e 10980.013337/9895. 4. Esta DRJ/CTA, requereu a diligência de fl. 70, a fim de que fosse informado se houve deferimento dos pedidos de ressarcimento de IPI nos citados processos, bem como se foi homologada a compensação dos débitos de IRPJ (que são os mesmos objeto da presente autuação) indicados no Pedido de Compensação de Créditos com Débito de Terceiros, fls. 4/5. 5. As fls. 73/105, os documentos e despachos relativos à diligência solicitada”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 12/11/2009, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0624.380 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/1998, 31/10/1998, 31/12/1998 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DIREITO CREDITORIO INEXISTENTE. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO DOS DÉBITOS. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10950.003440/200211 Acórdão n.º 1803001.207 S1TE03 Fl. 170 3 Mantémse a exigência tributária relativa a débitos cuja compensação não foi homologada devido à inexistência do alegado direito creditório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 30/11/2009, (AR constante das fls. 110) a INGA VEICULOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0624.380, recorre em 29/12/2009 (111 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão dos autos trata de auto de infração em decorrência de pedido de compensação com credito de terceiros, contudo o Recurso Voluntário tão somente questiona a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR em relação ao “lançamento das competências 10 e 12/1998 (IRPJ),”, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10950.003440/200211 Acórdão n.º 1803001.207 S1TE03 Fl. 171 4 Desta forma entendo que a Recorrente acatou a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR ao período de apuração 08/199. Isso porque, observando o pleito da Recorrente, reproduzido acima, contatase o inconformismo tão somente contra parta decisão, a seguir transcrita: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10950.003440/200211 Acórdão n.º 1803001.207 S1TE03 Fl. 172 5 “b. O indeferimento da compensação dos débitos de R$ 10.272,51 de IRPJ do período de apuração 10/1998 e de R$ 12.020,09 do período de 12/1998, com alegado crédito da Overtril no processo de ressarcimento de IPI n° 10980.013337/9895 deve ser mantido, dado que, conforme fl. 67, os pedidos de compensação de débitos de terceiros (como a Ingá Veículos Ltda) com créditos vinculados ao processo 10980.013337/9895, encontramse controlados no processo n° 10950.002448/200929, cuja situação em 09/06/2009 já era de "em cobrança final", e cujo extrato de fls. 47/66 evidencia à fl. 58, os débitos de IRPJ em discussão, que se encontram, portanto, em cobrança final; à fl. 103, a DRF São Paulo, encaminha o processo "para prosseguimento, haja vista que o crédito foi indeferido”. Realmente contato que nas informações enviadas faltam àquelas referentes ao processo administrativo nº. 10980.013337/9895, tendo em vista que conforme explica a Recorrente: “às fls. 71 e seguintes, anexa os pedidos de compensação declarados APENAS no processo 10980.015533/9713”. Encontramos nas às fls. 05 e 06 dos autos tão somente os pedidos vinculados ao processo administrativo n°. 10980.013337/9895, não tratando da homologação pela RFB dos créditos, conforme visto abaixo: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10950.003440/200211 Acórdão n.º 1803001.207 S1TE03 Fl. 173 6 Na verdade a Recorrente somente junta aos autos em 29/12/2009, fls. 115 e seguintes, a decisão da Delegacia de Administração Tributaria da Receita Federal do Brasil – SPO, com o seguinte despacho decisório: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10950.003440/200211 Acórdão n.º 1803001.207 S1TE03 Fl. 174 7 Diante desse fato e observando tudo que consta nos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para anular a decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba em relação ao lançamento das competências 10 e 12/1998 (IRPJ), para que seja observada a decisão da Delegacia de Administração Tributaria da Receita Federal do Brasil – SPO – PR nos autos do processo administrativo n°. 10980.013337/9895. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 3/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 13150.720045/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO
Ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância.
DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. COMPANHEIRA. UNIÃO ESTÁVEL. ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA. DECLARAÇÕES TESTEMUNHAIS. DOCUMENTOS INSUFICIENTES. INDEDUTIBILIDADE.
É admitida a dedução da companheira, como dependente, quando comprovada a vida em comum por mais de cinco anos ou por período menor se da união resultou filho.
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias judiciais pagas aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência.
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS.
Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao tratamento de dependentes, desde que devidamente comprovada, com documentação hábil, a relação de dependência.
Numero da decisão: 2201-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da pensão alimentícia no valor de R$ 5.161,60. Vencidos os Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que davam provimento.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO Ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. COMPANHEIRA. UNIÃO ESTÁVEL. ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA. DECLARAÇÕES TESTEMUNHAIS. DOCUMENTOS INSUFICIENTES. INDEDUTIBILIDADE. É admitida a dedução da companheira, como dependente, quando comprovada a vida em comum por mais de cinco anos ou por período menor se da união resultou filho. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias judiciais pagas aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao tratamento de dependentes, desde que devidamente comprovada, com documentação hábil, a relação de dependência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da pensão alimentícia no valor de R$ 5.161,60. Vencidos os Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que davam provimento. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 07/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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PRIORIDADE NO JULGAMENTO Ao contribuinte com idade a partir de 60 anos é concedido o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que lhe confere prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. COMPANHEIRA. UNIÃO ESTÁVEL. ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA. DECLARAÇÕES TESTEMUNHAIS. DOCUMENTOS INSUFICIENTES. INDEDUTIBILIDADE. É admitida a dedução da companheira, como dependente, quando comprovada a vida em comum por mais de cinco anos ou por período menor se da união resultou filho. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. São dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias judiciais pagas aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao tratamento de dependentes, desde que devidamente comprovada, com documentação hábil, a relação de dependência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 0. 72 00 45 /2 01 4- 36 Fl. 111DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a glosa da pensão alimentícia no valor de R$ 5.161,60. Vencidos os Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que davam provimento. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Auto de Infração nº 2013/002354886704652 (fls. 29/36) pelo meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (R$ 2.215,37), multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) – (R$ 1.661,52); e juros de mora (R$ 166,59), no total de R$ 4.043,48. O lançamento é decorrente das seguintes condutas: Dedução indevida com dependente, no valor tributável de R$ 1.974,72 (fls. 31). Dedução indevida de pensão alimentícia judicial por deixar de apresentar documentos que comprovassem a legalidade da dedução, no valor tributável de R$ 24.267,81, sendo R$ 19.106,21 relativos à excônjuge e R$ 5.161,60 ao filho (fls. 32). Dedução indevida de despesas médicas de dependente, no valor tributável de R$ 3.075,00 (fls. 33/34). O contribuinte apresentou Impugnação (fls. 37/38), requerendo o restabelecimento das glosas das deduções acima mencionadas, bem como a tramitação prioritária com fundamento no Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2013); a qual foi julgada procedente em parte para desconstituir a glosa relativa à pensão alimentícia paga à excônjuge, no valor tributável de R$ 19.106,21, com fundamento em comprovação documental, o que resultou em restituição de imposto ao contribuinte na importância de R$ 3.038,83, conforme assim ementado pela DRJPOA: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2013 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13150.720045/201436 Acórdão n.º 2201003.463 S2C2T1 Fl. 95 3 Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso) que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. DEPENDENTE. COMPANHEIRA. É admitida a dedução como dependente da companheira quando comprovada a vida em comum por mais de cinco anos ou por período menor se da união resultou filho. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias judiciais pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/08/2014 (fls. 90), o contribuinte interpôs, em 20/08/2014, Recurso Voluntário (fls. 66/70), acompanhado de documentos (fls. 71/86). Na peça recursal aduz, em síntese, que: Dedução com Dependente Foi injusta a decisão de primeira instância administrativa no ponto que desconsiderou a validade, eficácia e fé pública inerentes à Escritura Pública de União Estável que legalmente tornou pública em 15/05/2013 sua relação havida desde 1998 com a dependente indicada em sua DIRPF, a Sra. Anizete Aparecida de Almeida (CPF nº 896.699.67104), para fins da dedução “com dependente”. Isso, independente da data em que foi confeccionada a escritura. Juntou declarações testemunhais de união estável, bem como, novamente, a mencionada escritura pública. Dedução de Pensão Alimentícia Judicial ao Filho Da mesma forma como foi expressa acima, entende injusta a manutenção da glosa da pensão judicial paga ao filho, considerando ser este mentalmente incapaz para o exercício de sua própria subsistência, além de ser considerado como interditado provisoriamente para os atos da vida civil, com pensão de alimentos determinada judicialmente, fundada em laudo médico. Juntou documentos em sede recursal (fls. 77/86). Dedução de Despesas Médicas de Dependente As despesas médicas glosadas, relativas à sua dependente, devem ser restabelecidas, haja vista o reconhecimento da convivência em união estável entre ambos, comprovada pela escritura pública apresentada e declarações testemunhais de união estável. Fl. 113DF CARF MF 4 Ao final, requer o cancelamento das glosas indicadas na Notificação de Lançamento, com o restabelecimento do valor original de sua restituição do imposto. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Estatuto do Idoso. Prioridade no Julgamento Pelos documentos acostados aos autos, o contribuinte comprovou possuir mais de 60 anos de idade, lhe sendo assegurado o direito conferido no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), qual seja, a prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências em que figure como parte, em qualquer instância. Assim, concedese a ele o direito mencionado. Dedução com Dependente O contribuinte recorre para pleitear o reconhecimento da dedução com dependente companheira que afirma possuir relação de união estável desde 1998. O artigo 77 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) considera a companheira como dependente, para fins de dedução de imposto de renda, desde que haja a comprovação da vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor, se da união resultou filho, conforme adiante: Art. 77 (...) §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; (...) Para comprovar a condição de união estável com a companheira que indicou como dependente, para fins de dedução de imposto de renda, o contribuinte juntou Escritura Pública Declaratória de União Estável (fls. 26/27) firmada em 15/05/2013, entre ele e Anizete Aparecida de Almeida, declarando que convivem maritalmente em União Estável, morando sob o mesmo teto, como se casados fossem, há aproximadamente 15 (quinze) anos, ou seja, desde 10/12/1998. Com a mesma finalidade, o contribuinte juntou duas declarações testemunhais de união estável assinadas por duas pessoas do seu convívio social. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13150.720045/201436 Acórdão n.º 2201003.463 S2C2T1 Fl. 96 5 Os mencionados documentos, desacompanhados de documentos outros mais robustos a comprovarem a relação de união estável – como conta bancária conjunta, contrato de união estável, plano de saúde, de previdência ou apólice de seguro que conste a companheira como beneficiária ou segurada, dentre outros –, são insuficientes para a legislação do imposto de renda como prova inequívoca da vida em comum por mais de cinco anos. Portanto, nesse ponto, mantida a decisão de primeira instância que julgou correta a glosa da dedução no valor de R$ 1.974,72. Dedução de Pensão Alimentícia Judicial ao Filho A Notificação de Lançamento aponta dedução indevida de pensão alimentícia judicial para o filho do contribuinte no valor tributável de R$ 5.161,60. O Direito de Família estabelece duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do poder familiar, sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade (CC, Art. 1.566, IV). A segunda, proveniente da relação de parentesco, referese aos parentes que não possuem condições de prover a sua própria subsistência (CC, Arts. 1.694, 1.695 e 1.701). Embora ambas as modalidades mencionadas sejam previstas pelas regras do Direito de Família, não se pode interpretar literalmente o artigo 4º, II, da Lei 9.250/1995, no sentido de considerar que toda espécie de pensão alimentícia deva ser deduzida perpetuamente da base de cálculo do imposto de renda. Conforme os princípios informadores do Direito Tributário, em situações desse tipo, uma solução plausível pode ser verificada pela interpretação sistemática das normas do Direito Civil c/c os artigos 4º, II e 35, III e § 1º, ambos da Lei 9.250/1995, abaixo descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (...) Fl. 115DF CARF MF 6 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Dessa forma, da interpretação conjunta dos dispositivos transcritos com as normas do Direito de Família, temse que a legislação admite que as deduções de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda se restringem aos valores pagos a esse título no dever de sustento dos descendentes até os 21 anos, bem como àqueles pagos aos filhos maiores inválidos (incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência) e aos filhos maiores até 24 anos que estejam cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Ainda, conforme a conclusão acima, tais alimentos devem observar os requisitos de dependência, para que sejam utilizados como dedução para fins de imposto de renda. Isso, pois a invalidez não propicia a exoneração do encargo alimentar pela aquisição da maioridade, porque a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste caso, da faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. De outra sorte, a dedução de pensão alimentícia paga a filhos estudantes de até 24 anos de idade justificase pelo dever de educação dos descendentes, imanente ao poder familiar, sem o condão de transformar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua. No caso dos autos, o contribuinte Recorrente juntou aos autos, posteriormente à decisão de primeira instância, documentos (fls. 76/86) que comprovam, no exercício em análise, a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia judicial ao seu filho (fls. 78), hoje com mais de 40 anos de idade e diagnosticado com esquizofrenia paranoide, tendo sido considerado total e definitivamente incapaz para os atos da vida civil, conforme se verifica da análise dos autos do processo nº 005415819.2011.8.26.0002, em trâmite perante a 1ª Vara da Família e Sucessões do Foro Regional II Santo Amaro, São Paulo, Capital. Notese que, dentre estes documentos, o laudo ora juntado (fls. 81/86), emitido pelo IMESC, que é parte do mencionado processo judicial , diagnosticou o filho do Recorrente como acometido por esquizofrenia paranoide, doença que o classifica como mentalmente incapaz para o exercício de sua própria subsistência e de praticar atos da vida civil. Dessa forma, restando comprovada a obrigatoriedade do Recorrente em pagar pensão alimentícia ao seu filho, no exercício em análise, mediante decisão judicial (via desconto nos seus proventos de aposentadoria – fls. 76), concluise que os valores retidos a Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13150.720045/201436 Acórdão n.º 2201003.463 S2C2T1 Fl. 97 7 esse título são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda e, assim, nessa parte, deve ser reformada a decisão de primeira instância para julgar improcedente a glosa da dedução do valor de R$ 5.161,60, que deverá ser restabelecida. Dedução de Despesas Médicas de Dependente Conforme dispõe o artigo 8º da Lei nº 9.250/95, as despesas médicas efetuadas pelos contribuintes e seus dependentes são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, a saber: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea "a" do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Na esteira do quanto fundamentado na análise da “dedução com dependente”, não foi comprovada a relação de dependência da dependente indicada na DIRPF com o contribuinte. Assim, como as despesas médicas glosadas a este título (R$ 3.075,00) foram realizadas com a dependente Anizete Aparecida de Almeida , não devem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda do Recorrente. Portanto, deve ser mantida a decisão de primeira instância nesse ponto, julgando improcedente o recurso nessa parte. Conclusão Fl. 117DF CARF MF 8 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar parcial provimento, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial paga ao filho do Recorrente, no valor de R$ 5.161,60. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.100281/2005-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2001
SUJEIÇÃO PASSIVA. CISÃO.
A versão parcial de parte do patrimônio da contribuinte, nele incluídas as obrigações tributárias, não possui o condão de alterar a sujeição passiva de obrigação tributária decorrente de fatos geradores praticados por essa contribuinte.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA.
Devem ser excluídos do pólo passivo da relação jurídico-tributária os sócios e os procuradores da pessoa jurídica se não ficar comprovado que a obrigação tributária é decorrente de atuação dolosa destes com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 3.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
MULTA QUALIFICADA. DOLO NÃO CONFIGURADO. INCABÍVEL.
A declaração dos débitos, em DCTF, em valores inferiores aos efetivamente devidos não configura o dolo necessário à qualificação da multa de oficio se a contribuinte declarou em DIPJ e registrou os valores corretos na contabilidade com base na qual foi realizado o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Giovani Vieira e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301003.059 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BM COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2001 SUJEIÇÃO PASSIVA. CISÃO. A versão parcial de parte do patrimônio da contribuinte, nele incluídas as obrigações tributárias, não possui o condão de alterar a sujeição passiva de obrigação tributária decorrente de fatos geradores praticados por essa contribuinte. SÓCIOS E ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA. Devem ser excluídos do pólo passivo da relação jurídicotributária os sócios e os procuradores da pessoa jurídica se não ficar comprovado que a obrigação tributária é decorrente de atuação dolosa destes com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DOLO NÃO CONFIGURADO. INCABÍVEL. A declaração dos débitos, em DCTF, em valores inferiores aos efetivamente devidos não configura o dolo necessário à qualificação da multa de oficio se a contribuinte declarou em DIPJ e registrou os valores corretos na contabilidade com base na qual foi realizado o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 10 02 81 /2 00 5- 64 Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.190 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Giovani Vieira e Valcir Gassen. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.191 3 Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada nestes autos foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de crédito tributário relativo à contribuição para o PIS decorrente dos fatos geradores ocorridos no período de junho de 2000 a dezembro de 2001, com os juros moratórios e a multa de oficio agravada. O lançamento foi efetuado em virtude de a fiscalização ter constatado diferenças entre os valores apurados à vista da escrituração contábil e os declarados em DCTF. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal constante das fls. 14 a 19, os valores apurados pela fiscalização foram declarados nas DIPJ entregues ao Fisco, contudo, nas DCTF foram declarados valores muito inferiores, caracterizando conduta dolosa, com vista, única e exclusivamente, a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, inclusive da sua natureza e circunstâncias materiais, tipificando, em tese, a prática infracionária de que tratam os arts. 71, inc. I, e 73, da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. A fiscalização apontou a responsabilidade pessoal e solidária dos sócios da pessoa jurídica, Sr. Márcio Vilefort Martins e Sra. Márcia Vilefort Martins, e dos procuradores, Sr. Antônio Vilefort Marins e Sra. Marilia Vilefort Martins, em conformidade com os arts. 124, inc. I, e 135, inc. II e III, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 do CTN. Também à pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações Ltda., doravante denominada MVM, sócia majoritária da BM Comercial Ltda., doravante denominada BM, foi imputada responsabilidade solidária, com fundamento no art. 124, inc. I, do CTN. Os sujeitos passivos autuados foram cientificados do lançamento, conforme Avisos de Recebimento (AR) as fls. 246 a 251, e apresentaram impugnação à peça fiscal. Tais impugnações foram apreciadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG (DRJ/BHE), que julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão constante das fls. 360 a 381, ensejando a interposição do recurso voluntário conjunto das fls. 387 a 437, para alegar, em preliminar, a nulidade do auto de infração, por ilegitimidade passiva da BM e da MVM, com extensa argumentação, da qual destacase: a) em virtude da cisão da MVM, seus bens, direitos e obrigações, inclusive as tributárias, correspondente ao patrimônio da BM, foram vertidos para a VAL Empreendimentos e Participações Ltda. e, no mesmo ato, esse patrimônio foi transmitido para a Valmig Ltda.; b) a cisão que, ao cabo, resultou na transferência de patrimônio da BM para a Valmig Ltda. não foi questionada pelo Fisco e, com ela, a Valmig Ltda. assumiu expressamente a responsabilidade pelos débitos da autuada perante a Secretaria da Receita Federal; c) não existe regramento geral para a responsabilidade tributária na hipótese de cisão, carecendo o ordenamento jurídico de lei complementar, por força do art. 146, inc. III, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.192 4 "b", da Constituição Federal, sendo, pois ilegal e inconstitucional a inclusão da BM no pólo passivo do auto de infração; d) não havendo disposição expressa em lei complementar, não pode o art. 207 do RIR/99 ser aplicado para atribuir responsabilidade à BM e à MVM; e) desde a cisão, a Valmig Ltda. é responsável pelos créditos tributários da BM, visto que aplicase ao caso a Lei das Sociedades Anônimas, especialmente os arts. 229, § 1°, e 233, parágrafo único; e f) o art. 124 do CTN não se presta à eleição de nova forma de sujeição passiva indireta, servindo apenas para reafirmar o vinculo solidário na hipótese de haver mais de um devedor perante o Fisco. Aduziuse também, em preliminar, a ilegitimidade passiva dos sócios da BM e dos procuradores Antônio Vilefort Martins e Marilia Vilefort Martins, com as razões recursais que a seguir sintetizase: a) os sócios da pessoa jurídica somente poderiam ser responsabilizados por tributos decorrentes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, devidamente comprovados, e, nesse caso, excluirseia a responsabilidade da pessoa jurídica; todavia o Fisco não fez a comprovação necessária; b) o mero inadimplemento da obrigação tributária não possui o condão de determinar a responsabilidade pessoal dos sócios por suposta infração à lei; c) é inaplicável ao caso o art. 124 do CTN que, com efeito, prestase à hipótese de pluralidade de pessoas no pólo passivo da obrigação tributaria; d) os sócios da BM não são partes legitimas para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, tendo em vista a impossibilidade de aplicação dos arts. 124, 134, inc. VII, e 135, inc. III, do CTN; e) não ficou comprovado sequer a prática de atos pelos procuradores da BM, muito menos a prática com excesso de poderes ou infração de lei; f) o mero fato de existirem procurações da BM para o Sr. Antônio Vilefort Martins e para a Sra. Marilia Vilefort Martins, que nunca pertenceram ao quadro social da pessoa jurídica, não dá suporte à inclusão dessas pessoas no pólo passivo do auto de infração; e g) a fiscalização não apontou nenhuma evidência de que esses procuradores concorreram para a prática de atos com infração à lei ou com excesso de poderes. No mérito aduziuse: i) a decadência do direito à constituição do crédito tributário, tendo em vista que aplicase ao PIS o art. 150, § 4°, do CTN; ii) a inclusão indevida, por força da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo declarada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), de receitas não operacionais na base de cálculo do tributo; Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.193 5 iii) a adequação da base de cálculo para alcançar apenas as receitas de vendas de mercadorias, de serviços e de bens e serviços de qualquer natureza não decorre, aqui, de apreciação de inconstitucionalidade de lei ou de aplicação pura e simples da jurisprudência do STF, mas, sim, de observância do art. 110 do CTN; iv) que deve ser anulado o auto de infração, por eleição indevida da base de cálculo do PIS, tendo em vista a possibilidade de aplicação da pacifica jurisprudência do STF; v) é indevida a qualificação da multa de oficio, visto que não se trata aqui de reincidência ou de máfé dos autuados, tampouco ficou comprovada prática dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador; vi) as premissas que suportam o lançamento foram calcadas nos registros contábeis e fiscais da recorrente abertamente apresentados A fiscalização, sem criar qualquer óbice ao procedimento fiscal; vii) também não ficou caracterizado o conluio, pois não há provas nos autos de acordos entre os recorrentes e terceiros tendentes A prática das infrações apontadas pela fiscalização; viii) a mera presunção de sonegação não autoriza a qualificação da multa; ix) a multa aplicada é confiscatória e afronta o principio da capacidade contributiva, e a vinculação legal da administração pública não a exime de observar princípios constitucionais, conforme dicção do art. 2° da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de1999; e x) a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia infringe o disposto no art. 161, § 1°, do CTN, e o principio da legalidade, visto que foi criada por Circular do Banco Central do Brasil, com natureza remuneratória, não servindo para fins tributários. Ao final, as recorrentes solicitaram o provimento do recurso para cancelar a exigência tributária pelo acolhimento da ilegitimidade passiva das autuadas, pela decadência ou pelas razões de mérito ou, alternativamente, para que seja exonerada ou reduzida a multa de oficio e também a exclusão dos valores dos juros calculados com base na taxa Selic, aplicando se apenas o percentual previsto no CTN. Na sessão de 8 de novembro de 2006, estes autos vieram a julgamento nesta Quarta Câmara, que, à unanimidade, resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que fossem juntadas ao processo as DCTF referentes ao período autuado. O processo retornou a este Segundo Conselho de Contribuintes com as DCTF anexadas As fls. 456 a 590. O 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho de Contribuintes decidiu com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2001 Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.194 6 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS. DECADÊNCIA. É de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para proceder ao lançamento de crédito tributário relativo ao PIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. SUJEIÇÃO PASSIVA. CISÃO. A versão parcial de parte do patrimônio da contribuinte, nele incluídas as obrigações tributárias, não possui o condão de alterar a sujeição passiva de obrigação tributária decorrente de fatos geradores praticados por essa contribuinte. SÓCIOS E ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE PESSOAL E SOLIDÁRIA. Devem ser excluídos do pólo passivo da relação jurídica tributária os sócios e os procuradores da pessoa jurídica se não ficar comprovado que a obrigação tributária é decorrente de atuação dolosa destes com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA QUALIFICADA. DOLO NÃO CONFIGURADO. INCABÍVEL. A declaração dos débitos, em DCTF, em valores inferiores aos efetivamente devidos não configura o dolo necessário à qualificação da multa de oficio se a contribuinte declarou em DIPJ e registrou os valores corretos na contabilidade com base na qual foi realizado o lançamento. Ao final do voto condutor do acórdão, trouxe a seguinte decisão: Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para: I — cancelar a exigência tributária relativa aos fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000, inclusive, por estar o crédito tributário extinto, pela decadência; II — afastar do pólo passivo da obrigação tributária constituída nestes autos os sócios da BM, Sra. Márcia Vilefort Martins, Sr. Márcio Vilefort Martins e a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações Ltda., e os procuradores, Sr. Antônio Vilefort Martins e Sra. Marilia Vilefort Martins; III — reduzir para 75% (setenta e cinco por cento) o percentual da multa aplicada; e Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.195 7 IV — excluir da base de cálculo do PIS as receitas relativas a juros recebidos e a descontos obtidos. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial onde alegou: (...) que como não houve antecipação de pagamento pelo contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN. Assim, asseverou que, verbis, constituição definitiva do crédito tributário ocorreu em 22 de dezembro de 2005, por meio da ciência da Recorrida acerca do lançamento de oficio relativo aos fatos geradores ocorridos no interregno de 01/06/2000 e 31/12/2001. Assim, por força do disposto no CTN, art. 173, inciso I, temos que mesmo os fatos geradores mais pretéritos de 01/06/2000 – não decaíram. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 915. O contribuinte não apresentou contrarrazões (fls. 637). A 3ª Turma da CSRF decidiu com a seguinte ementa: PIS/PASEP. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Procurador Provido No voto condutor do acórdão trouxe: Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.196 8 (...) No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 22 de dezembro de 2005 (fls.378 ) diz respeito a créditos tributários referentes a PIS, competências de junho de 2000 a dezembro de 2001. Pelo que consta dos autos, não só do auto de infração, especificamente dos demonstrativos anexos (fls.14 e 15), mas também da decisão de primeira instância (fls.513 a 534) e da r. decisão proferida pela Câmara a quo (fls. 881/893), verificase que não houve pagamento antecipado. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à instância a quo para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário. A contribuinte interpôs embargos de declaração que não foram admitidos, com o seguinte trecho de interesse da decisão: (...) O arrazoado de fls. 936 a 938, após síntese dos fatos relacionados com a lide, alega manifesto equívoco no julgamento perpetrado pela CSRF, ao desconsiderar a existência de pagamentos antecipados, que levaria a contagem do prazo decadencial pela regra do § 4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Intimada da decisão embargada em 25/02/2014 (A.R. fl. 935), o recurso, apresentado em 04/03/2014 (cfe. carimbo de protocolo à fl. 936), é francamente tempestivo. Nada obstante, a recorrente não aventou qualquer das hipóteses ensejadoras da abertura dessa via recursal, arguindo, na verdade, error in judicando. Do exposto, diante da insatisfação dos requisitos de admissibilidade, declaro improcedentes as alegações suscitadas e, em caráter definitivo, rejeito os embargos. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.197 9 O processo foi a mim sorteado para que fossem apreciadas as demais matérias trazidas no recurso, no período que, anteriormente havia sido considerado decadente. É o relatório. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.198 10 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Foi determinado pela CSRF o retorno dos autos à instância a quo para exame das demais questões trazidas no recurso voluntário. Isso se deveu ao fato de que a 2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho de Contribuintes havia decidido cancelar a exigência tributária relativa aos fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000, inclusive, por estar o crédito tributário extinto, pela decadência. Portanto, serão analisadas as questões não apreciadas anteriormente, para o período de apuração de 01 de junho de 2000 a 21 de dezembro de 2000. A contribuinte trouxe em seu recurso voluntário extensa argumentação que engloba todo o período autuado. Ao final, as recorrentes solicitaram o provimento do recurso para cancelar a exigência tributária pelo acolhimento da ilegitimidade passiva das autuadas, pela decadência ou pelas razões de mérito ou, alternativamente, para que seja exonerada ou reduzida a multa de oficio e também a exclusão dos valores dos juros calculados com base na taxa Selic, aplicando se apenas o percentual previsto no CTN. O acórdão de Nº 220200.038 exarado pela 2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho de Contribuintes, analisou os argumentos da contribuinte para o período por ele considerado não decadente, isto é, de 22 de dezembro de 2000, até 31 de dezembro de 2001. Considerando que me restou analisar as mesmas questões apresentadas pela contribuinte, no período que havia sido considerado decadente para lançamento, eu concordo integralmente com a análise feita pelo acórdão de Nº 220200.038 exarado pela 2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho de Contribuintes: Portanto, faço as razões do acórdão citado, as minhas razões de decidir: (...) Sobre a ilegitimidade passiva da pessoa jurídica autuada, aduziu a recorrente que ocorreu um processo de cisão em que houve versão de bens direitos e obrigações, inclusive as tributárias, da BM para a empresa VAL Empreendimentos e Participações Ltda., que, no mesmo ato, os transmitiu A Valmig Ltda. e esta última assumiu expressamente os débitos da autuada para com a Secretaria da Receita Federal (SRF), e que o CTN, em seu art. 132, referese apenas às hipóteses de extinção, incorporação e fusão e, portanto, em observância ao principio da estrita Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.199 11 legalidade, não se pode atribuir a responsabilidade a uma pessoa jurídica por débitos tributários de outra, sem que haja lei para tanto. Não obstante o extenso arrazoado da peça recursal, é totalmente falaciosa a argumentação da recorrente BM, pois não se está, nestes autos, exigindo o cumprimento de obrigação tributária principal de responsável tributário, mas, sim, do próprio contribuinte. Vale dizer, a sujeição passiva da pessoa jurídica BM não é por responsabilidade, mas por débitos que lhe são próprios desde o seu nascimento. Portanto, à vista das aduções recursais, a situação configurase como tentativa da BM de transferir obrigação tributária nascida de fato gerador diretamente relacionado As atividades da recorrente a terceiro que, somente por convenção particular, assumira a responsabilidade por essa obrigação, ou seja, não se caracteriza aqui a situação inversa, como quer fazer crer a recorrente, de estar a Fazenda Nacional atribuindo responsabilidade por débitos de terceiros à recorrente. Assim sendo, por ser a situação fática diversa da alegada pela recorrente para tecer suas considerações sobre a ilegitimidade passiva da autuada, não há razão para enfrentamento de todos os argumentos expendidos sobre esse ponto, que se relacionam precipuamente com a ocorrência de cisão, com versão de direitos e obrigações, inclusive as tributárias, para outra pessoa jurídica. Destarte, uma vez que a reorganização societária aludida pela recorrente não se subsume aos preceitos do art. 132 do CTN e não se caracterizando a situação hipótese de transferência integral da responsabilidade tributária prevista nas normas gerais de direito tributário, não há suporte legal para afastar a contribuinte BM, que, com efeito, realizou a operação tributável, do pólo passivo da obrigação tributária e o dispositivo legal que se aplica ao caso é o art. 123 do CTN, que prescreve, ipsis litteris: Art. 123. Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. A alegação de inaplicabilidade do precitado art. 123 é de que o "Protocolo e Justificativa de Cisão" não pretende modificar a definição legal do sujeito passivo, porque não há dispositivo legal que determine expressamente quem será sujeito passivo no caso de cisão, labora contra a recorrente, pois, inexistindo expressa disposição legal em contrário, o sujeito passivo 6, nos termos do art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN, o contribuinte, que possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador das contribuições objeto dos autos de infração de que cuida este processo e a oposição do dito "Protocolo e Justificativa de Cisão" para suscitar a transferência da responsabilidade pelo pagamento dos tributos, se aceita, caracterizaria, sim, modificação na definição legal do sujeito passivo, pois, não se está diante de situação de eleição legal de responsável tributário, conforme definido no art. 121, parágrafo único, inc. II, do CTN, mas de instrumento particular de assunção de obrigações tributárias da contribuinte por um terceiro. Cabe aqui transcrever comentários da Professora Misabel Abreu Machado Derzi, na atualização da obra Direito Tributário Brasileiro, do Mestre Aliomar Baleeiro, 1P edição, Editora Forense, pág. 736: Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.200 12 Graças à necessidade de lei expressa e exclusiva , são inoponíveis à Fazenda Pública quaisquer acordos ou convenções entre particulares (arts. 121 e 123 do CTN); Quanto aos sócios e aos procuradores da autuada, atribuiu a fiscalização responsabilidade solidária, com fulcro nos arts. 124, inc. I, e 135, inc. III, do CTN. Esse primeiro dispositivo legal está inserto nas disposições gerais relativas ao sujeito passivo e estabelece, ipsis litteris: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II — as pessoas expressamente designadas por lei. Sobre esse dispositivo legal, leciona o Mestre Aliomar Baleeiro, na obra supracitada, pág. 728: A fórmula do art. 124 é ampla: são solidários para o Fisco os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os que forem expressamente designados em lei. O CTN não diz em que consiste ou que casos se manifesta o "interesse comum". A lei tributária o dirá. Em principio, os participantes do fato gerador. (.) E, mais adiante, os comentários da Professora Misabel Abreu Machado Derzi: A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade, indireta como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao capitulo V, referente responsabilidade. E que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), (..)A solidariedade não 6, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária,(..) Com esses ensinamentos, entendo que o art. 124 do C'TN, apenas quer obrigar à integralidade do crédito tributário, sem beneficio de ordem todos os sujeitos passivos, o que constitui o efeito da solidariedade, além dos efeitos relacionados no art. 125 do CTN, na hipótese em que, pela natureza jurídica do fato gerador da obrigação principal, que, de alguma forma, pode contemplar a realização do fato tributável por mais de um sujeito passivo, ou por designação expressa de lei, houver uma pluralidade na sujeição passiva. Assim, lembrando que a pessoa jurídica não se confunde com a pessoa dos seus sócios, o dispositivo legal em tela não se presta, por si só, à "inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária". Por outro lado, é inegável que os sócios possuem interesse nas atividades de suas sociedades. Contudo, a base legal para possível responsabilização dos sócios Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.201 13 deve ser buscada no art. 135, inc. III, do CTN e assim o fez a fiscalização , que trata de responsabilidade pessoal com a seguinte dicção: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infra cão de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (grifouse) Ocorre que o supratranscrito art. 135, inc. III, referese a atuação dos dirigentes, gerentes ou representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes ou infração de lei, de contrato social ou de estatuto e o suporte fático da autuação, ao cabo, é o mero inadimplemento de tributo, o que, com efeito, constitui descumprimento de dever jurídico e, portanto, ilicitude. Todavia, tratandose de responsabilidade pessoal e, por conseguinte, subjetiva, cabe ao Fisco produzir a prova do dolo. Sobre a comprovação da conduta dolosa, o mestre Paulo de Barros Carvalho, na obra Curso de Direito Tributário, Editora Saraiva, ensina, na pág. 506: (...) no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, corn toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, corno nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma se produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente. Ora, a confissão em DCTF de valores inferiores aos apurados pela fiscalização até poderia caracterizar conduta dolosa, não fosse o fato de a contribuinte ter efetuado os devidos registros em sua contabilidade e ter declarado os reais valores em DIPJ. Ademais, considerando o fato de que a DCTF constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a cobrança do débito confessado, é escusável que o sujeito passivo da obrigação tributária não queira fazer essa confissão, com vista a não renunciar à discussão administrativa do crédito tributário. Destarte, não restou comprovada a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos pelos sócios e procuradores da BM para que se lhes possa atribuir responsabilidade pessoal pelo crédito tributário lançado, nos exatos termos do art. 135, inc. III, do CTN. Relativamente à multa de oficio, entendo que sua qualificação subordinase à comprovação da existência de dolo na conduta da contribuinte. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.202 14 Ora, a conduta descrita para caracterizar ocorrência dolosa é a declaração reiterada em DCTF do PIS em valores inferiores aos valores efetivamente devidos. Ocorre que a recorrente declarou corretamente os valores devidos nas DIPJ e fez os registros contábeis necessários, tanto que estes prestaramse ao trabalho fiscal para apurar o montante devido do tributo. Portanto, não se verifica, neste caso, omissão ou utilização de artificios para impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos tributos, sua natureza ou circunstâncias. Ao contrário, a contribuinte, ademais de prestar informações na DIPJ, não se negou a apresentar seus livros e documentos contábeis e fiscais, colaborando, portanto, com o procedimento fiscal. Dessa forma, não vislumbro possibilidade de caracterizar a conduta da recorrente como sonegação com vista a enquadrála no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, tampouco, uma vez afastada a sujeição passiva dos sócios e procuradores da BM, pelas razões expostas alhures, há que se falar em conluio, conforme definido no art. 73 dessa mesma lei. Tal conduta encontra abrigo, sim, no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007; contudo, não se verificando as hipóteses dos referidos arts. 71 ou 73, afastase a possibilidade de duplicação do seu percentual autorizada pelo § 1° desse mesmo art. 44. Portanto, considerando o principio da tipicidade cerrada que deve reger a imposição de penalidades, entendo que o percentual da multa aplicada deve ser reduzido para 75% e as argumentações de que tal percentual teria natureza confiscatória não podem ser apreciadas em sede administrativa, visto que tratase de percentual previsto em lei legitimamente inserta no ordenamento jurídico e é defeso a este colegiado afastála, conforme Súmula n° 2, aprovada na sessão plenária de 18 de setembro de 2007, de aplicação obrigatória por este Segundo Conselho, por observância ao disposto no art. 53 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Referida Súmula possui o seguinte teor: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Atualmente, a matéria também é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em continuação às razões de decidir apresentadas no pelo acórdão de Nº 220200.038 exarado pela 2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho de Contribuintes, transcrevo: Sobre a apuração da base de cálculo do PIS, registrese que a inclusão de matéria porventura nãotributável nessa base de cálculo não implica a nulidade do lançamento, pois qualquer que seja o fundamento fiscal para incluir determinada receita na base imponível do tributo estáse diante de procedimento, equivocado ou não, que traz implicações apenas no aspecto quantitativo da exigência tributária que, no âmbito do processo de determinação e exigência do crédito tributário, pode ser corrigido, com cancelamento total ou parcial da exigência indevida, em decorrência das impugnações e recursos regularmente interpostos pelo sujeito passivo, conforme art. 145, inc. I, da Lei n° 5.172, do CTN. Nesse aspecto, cabe lembrar que o processo administrativo fiscal prestase exatamente a imprimir certeza e liquidez ao crédito tributário lançado. Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.203 15 Cumpre entretanto, examinar a questão da aplicabilidade da decisão do Pleno do STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo do PIS, de 1998, e sobre isso, cabe lembrar que essa Suprema Corte, nos autos do Recurso Extraordinário n° 390.840MG, declarou a inconstitucionalidade do § 10 do art. 3°, da Lei n° 9.718, tendo o Acórdão correspondente transitado em julgado em 5 de setembro de 2006. (...) Em face disso, entendo, hoje, estarse diante de hipótese prevista no art. 62, § 1º, inc. I, do RICARF, o qual transcrevo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Ainda em continuação às razões de decidir apresentadas no pelo acórdão de Nº 220200.038 exarado pela 2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho de Contribuintes, transcrevo: (...) Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10680.100281/200564 Acórdão n.º 3301003.059 S3C3T1 Fl. 1.204 16 Assim sendo, uma vez que os demonstrativos de apuração da base de cálculo evidenciam a inclusão de receitas de juros e de descontos obtidos, não sendo tais receitas decorrentes da atividade empresarial típica da recorrente, sua tributação pelo PIS possui fundamento legal no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, que foi declarado inconstitucional em decisão plenária definitiva do STF, estando, portanto, configurada a hipótese do art. 49, inc. I, do já citado Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que, combinado com o disposto no art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346, de 1997, impõe o cancelamento da exigência tributária sobre essas receitas. Quanto a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios, a matéria também é sumulada pelo CARF: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para, em relação ao período de apuração de 01 de junho de 2000 a 21 de dezembro de 2000: 1) Afastar do pólo passivo da obrigação tributária constituída nestes autos os sócios da BM, Sra. Márcia Vilefort Martins, Sr. Márcio Vilefort Martins e a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações Ltda., e os procuradores, Sr. Antônio Vilefort Martins e Sra. Marilia Vilefort Martins; 2) Reduzir para 75% (setenta e cinco por cento) o percentual da multa aplicada; 3) Excluir da base de cálculo do PIS as receitas relativas a juros recebidos e a descontos obtidos. 4) Manter a correção dos débitos pela taxa Selic. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1248DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000402/2003-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS INOMINADOS. GLOSA DE DESPESA INDEDUTÍVEL. REVERSÃO DA DESPESA EM PERÍODO DE APURAÇÃO POSTERIOR. PAGAMENTO ESPONTÂNEO DO TRIBUTO. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS DE POSTERGAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO MANTIDA.
A decisão embargada realmente incorreu em erro de fato que precisa ser sanado, porque tomou a data de vencimento do DARF (31/01/2003) como a data da ocorrência do pagamento, ao passo que este somente ocorreu em 28/02/2003, quando já estava em curso a ação fiscal iniciada em 12/02/2003. O recolhimento de CSLL efetuado em 28/02/2003 é espontâneo porque esse tributo somente foi incluído no escopo da fiscalização em 22/08/2003, por meio de MPF-Complementar. A espontaneidade no pagamento, embora reconhecida por outras razões, confirma o resultado das decisões já proferidas nestes autos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pela 1ª Turma da CSRF, no sentido de que o lançamento deveria mesmo ter sido realizado de acordo com as regras previstas para os casos de postergação de tributo.
Numero da decisão: 9101-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer dos embargos inominados opostos pela DEINF/SPO, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhes provimento parcial a fim de que seja sanado o erro apontado no acórdão embargado, mantendo o que foi decidido anteriormente pelo colegiado da 1ª Turma da CSRF, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhes negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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A. ARRENDAMENTO MERCANTIL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 EMBARGOS INOMINADOS. GLOSA DE DESPESA INDEDUTÍVEL. REVERSÃO DA DESPESA EM PERÍODO DE APURAÇÃO POSTERIOR. PAGAMENTO ESPONTÂNEO DO TRIBUTO. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS DE POSTERGAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO MANTIDA. A decisão embargada realmente incorreu em erro de fato que precisa ser sanado, porque tomou a data de vencimento do DARF (31/01/2003) como a data da ocorrência do pagamento, ao passo que este somente ocorreu em 28/02/2003, quando já estava em curso a ação fiscal iniciada em 12/02/2003. O recolhimento de CSLL efetuado em 28/02/2003 é espontâneo porque esse tributo somente foi incluído no escopo da fiscalização em 22/08/2003, por meio de MPFComplementar. A espontaneidade no pagamento, embora reconhecida por outras razões, confirma o resultado das decisões já proferidas nestes autos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pela 1ª Turma da CSRF, no sentido de que o lançamento deveria mesmo ter sido realizado de acordo com as regras previstas para os casos de postergação de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer dos embargos inominados opostos pela DEINF/SPO, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em darlhes provimento parcial a fim de que seja sanado o erro apontado no acórdão embargado, mantendo o que foi decidido anteriormente pelo colegiado da 1ª Turma da CSRF, vencidos os conselheiros Adriana Gomes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 02 /2 00 3- 20 Fl. 919DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 3 2 Rego, André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhes negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Adriana Gomes Rego. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo tem por objeto lançamento a título de CSLL no ano- calendário de 1999, em razão de glosa de despesa que teria sido deduzida indevidamente naquele período. Esse despesa era referente a débitos de CPMF que a contribuinte discutia judicialmente. O que estava em questão, na seara administrativa, era se tributo com exigibilidade suspensa em processo judicial poderia ou não configurar despesa dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, em que momento essa dedução poderia ocorrer, etc. Desde a fase de impugnação, a contribuinte, entre as várias questões que suscitou, alega que teria havido mera postergação no pagamento da CSLL (porque ela teria realizado a reversão da provisão relativa à CPMF em julho de 2002), e que os valores até então não tributados o foram no momento em que ocorreu a reversão da provisão. O lançamento fundamentado na glosa da despesa foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa, nos seguintes termos: O interessado alega que, por se tratar de postergação, uma vez que houve a reversão em julho de 2002 (doc.3), somente poderia haver a exigência de multa. Foi juntada cópia do Livro Razão (fls. 272/276). A provisão em tela pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera judicial. Do exame do Livro Razão apresentado, verifica-se que o saldo da conta Provisão para Riscos foi zerado em julho 2002. O interessado, no entanto, não comprova que os valores tenham se tornado despesas incorridas em julho de 2002 ou que, não ocorrendo a despesa (já deduzida), tenham sido os valores oferecidos à tributação. Cabe ao interessado o ônus da prova da alegada postergação. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 4 3 Na fase de recurso voluntário, entre as várias questões que suscitou, a contribuinte novamente alega que teria havido mera postergação no pagamento da CSLL. Ela esclarece que deduziu da base de cálculo da CSLL (em 1999), a CPMF cuja exigibilidade estava suspensa no ano-calendário de 1999, por força de sentença procedente prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0014882-7; que, após proferido acórdão julgando procedente a Apelação interposta pela União (no processo judicial), ela efetuou o recolhimento espontâneo da contribuição (CPMF) dos períodos devidos, revertendo a provisão (contra o resultado) no ano-calendário de 2002; e que com a reversão da provisão relativa à CPMF, o montante não adicionado na base de cálculo da CSLL no ano-base de 1999, foi adicionado posteriormente no ano-calendário 2002, caracterizando o recolhimento postergado. A decisão de segunda instância administrativa (Acórdão nº 1402-00.279, de 08/11/2010), por sua vez, cancelou o lançamento, entendendo que, independentemente da questão de a contribuinte poder ou não antecipar a despesa (registrar a despesa por regime de competência e não por regime de caixa como ocorre com o IRPJ - debate que ficou prejudicado), o fiscal deveria ter aplicado a regra da postergação: Verifico, de plano, que o contribuinte apresentou o Livro Razão de julho de 2002, fls. 272 e seguintes, para fazer prova de que recolheu a CPMF devida em 1999, que estava sendo discutida judicial, por isso foi provisionada, mas deduzida na apuração da CSLL, cuja diferença não recolhida foi objeto da presente autuação. Consta a contabilização do pagamento à fl. 275-verso. Logo, ainda que o contribuinte não pudesse deduzir o encargo em 1999, conforme entendimento da fiscalização, poderia fazer em 2002. Uma vez que o auto de infração foi lavrado em 2003, caberia, o lançamento na forma de postergação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (grifos acrescidos) A PGFN apresentou recurso especial contra essa decisão, argumentando que a contribuinte não comprovou o pagamento do tributo postergado (CSLL), que ela apenas demonstrou a contabilização da reversão da provisão (relativa à CPMF) que antes havia sido indevidamente deduzida do lucro líquido. Ao julgar o recurso especial, esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais concordou com a tese da PGFN de que a contribuinte tinha que comprovar o pagamento do tributo postergado (no caso, da CSLL), e não apenas registrar a reversão da provisão na contabilidade. Entretanto, observou que a contribuinte estava apresentando naquele momento "o DARF nº 38026736581 para comprovar o pagamento, com período de apuração de 31/12/2002 e data de vencimento de 31/01/2003; emitido, portanto, em tempo anterior à ação fiscal." Fl. 921DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 5 4 Nesse passo, foi exarado o Acórdão nº 9101-001.961, de 19/08/2014, negando provimento ao recurso especial da PGFN, com o argumento de que houve realização de pagamento de CSLL (e não apenas a reversão contábil da provisão da CPMF), e também de que esse pagamento tinha sido realizado antes do início da ação fiscal (pagamento espontâneo). Esses fatos levaram à confirmação da situação de mera postergação de tributo (que exige um lançamento feito de forma diferente), bem como da nulidade do lançamento declarada pela decisão de segunda instância administrativa. A Delegacia Especial da RFB de Instituições Financeiras em São Paulo - DEINF/SPO, apresenta agora embargos inominados, alertando que a ação fiscal começou em 12/02/2003, e que o pagamento não ocorreu em 31/01/2003, mas sim em 28/02/2003, portanto, em data posterior ao início da ação fiscal. Segundo a embargante, é inexistente o vício capaz de anular o lançamento, uma vez que não está configurada a situação de mera postergação de tributo. Trata-se de requerimento apresentado pela DELEGACIA ESPECIAL DA RFB DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM SÃO PAULO - DEINF/SPO para correção de inexatidão material presente no Acórdão nº 9101-001.961, exarado em 19/08/2014 por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. O Acórdão nº 9101-001.961, que conteria a alegada inexatidão material, foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. A postergação de pagamento de tributo pressupõe a prova do seu efetivo pagamento e não apenas a contabilização. O Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), pago antes do início da ação fiscal, relativo e vinculado à postergação, é prova efetiva do pagamento. A DEINF/SPO apresenta os seguintes argumentos: - a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, ao julgar o recurso especial da Fazenda Nacional às fls. 489 a 497, objeto do Acórdão nº. 9101-001.961 – 1ª Turma, de 19.08.2014, às fls. 579 a 588, incorreu em erro na interpretação dos fatos, devido a lapso manifesto, uma vez que o pagamento levado em consideração pelo colegiado para fundamentar a postergação não foi espontâneo, ou seja, foi efetuado em momento posterior ao início do procedimento fiscal; - a postergação ocorre quando presentes, de forma cumulativa, duas condições: a) o efetivo pagamento; e b) a espontaneidade; - essa questão foi enfrentada pelo Acórdão nº. 9101-001.961 – 1ª Turma, de 19.08.2014, às fls. 579 a 588 (recurso especial), que, aliás, acatou os argumentos da Fazenda Fl. 922DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 6 5 Nacional no sentido da necessidade da demonstração do efetivo pagamento, bem como da espontaneidade; - o Parecer Normativo COSIT nº. 2/1996 vai no mesmo sentido; - aliás, o contribuinte, em seu recurso voluntário às fls. 338 a 358, ampara-se no mesmo parecer na defesa da ocorrência da postergação; - a própria CSRF, no julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional, consolidou o entendimento de que ocorre a postergação quando presentes, de forma cumulativa, o efetivo e espontâneo recolhimento do tributo, e não a mera contabilização do mesmo; - ocorre que o pagamento apontado pelo contribuinte às fls. 577 como suficiente para corroborar a tese da postergação (vide o memorial de julgamento às fls. 571 a 576), o qual fora igualmente considerado pela CSRF em seu julgamento, não ocorreu de forma espontânea; - a contribuinte tomou ciência do MPF em 12/02/2003 (fls. 15), e o pagamento foi efetuado em 28/02/2003, após o início da ação fiscal; - o CARF, por meio do Acórdão nº. 157.966 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 08.11.2010, às fls. 481 a 484 (recurso voluntário), por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar o auto de infração com base na ocorrência de vício formal, uma vez que, segundo a decisão, restara comprovada a ocorrência da postergação; - contudo, uma vez corrigida a inexatidão material em comento, tem-se que a postergação não fora demonstrada e, portanto, inexistente o vício formal capaz de anular o auto de infração. Num primeiro momento, o requerimento da DEINF/SPO não foi admitido, porque se entendeu que ele tinha sido assinado "pela Chefe da DICAT/DEINF/SPO; portanto, autoridade diversa do titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, que é o Delegado Especial de Instituições Financeiras da Receita Federal do Brasil em São Paulo/SP." Houve um pedido de reconsideração apresentado pelo mesmo órgão requerente, e se constatou que o requerimento para a correção de inexatidão material, que estava ao final assinado pela Chefe da DICAT/DEINF/SPO, tinha sido aprovado integralmente pelo Delegado-adjunto da unidade. Nesse contexto, e com base no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela MF nº 343/2015, o referido requerimento foi admitido como embargos inominados, e encaminhado ao colegiado, para exame de seu mérito, conforme Despacho exarado em 10/05/2016 pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF. Na sessão de julgamento do mês de novembro/2016, o representante da contribuinte apresentou alguns argumentos relevantes para o julgamento dos presentes embargos, e o processo foi retirado de pauta. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 7 6 A contribuinte, por sua vez, apresentou petição questionando tanto o conhecimento dos embargos da DEINF/SPO, quanto o seu provimento. Esses argumentos constam de uma petição da contribuinte, que foi juntada aos autos em 23/11/2016, e podem ser assim resumidos: - não se pode conhecer do Pedido de Correção de Inexatidão Material, tampouco do Pedido de Reconsideração da DEINF/SP, dado que contrariam os pressupostos de admissibilidade previstos no RI/CARF, e, no mérito, devem ser desprovidos, a fim de manter incólume o v. Acórdão n° 9101-001.961; - o Pedido de Correção de Inexatidão Material não pode ser conhecido, pois aviado após o prazo de 5 (cinco) dias previsto no art. 65, §1°, do RI/CARF; - também não pode ser conhecido o Pedido de Correção de Inexatidão Material por ter sido assinado por autoridades sem competência para o ato; - o art. 11 da Portaria DEINF/SP n° 105/2014, alegado no Pedido de Reconsideração, não convalida o Pedido de Correção de Inexatidão Material, dado que não prevê delegação de poderes para oposição de Embargos de Declaração ou Embargos Inominados ao Delegado-adjunto da DEINF/SP; - o Delegado-adjunto da DEINF/SP poderia atuar, concorrentemente, com o Delegado da DEINF/SP, somente nas atribuições listadas no art. 302 da Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, dentre as quais não consta a oposição de Embargos de Declaração ou Embargos Inominados; - há, ainda, outro óbice ao acolhimento do Pedido de Correção de Inexatidão Material apresentado pela DEINF/SP: não há a inexatidão material alegada; - a uma, porque o fato de o recolhimento da CSLL apurada no ano-calendário de 2002 ter sido, supostamente, efetuado após o início da ação fiscal que originou este feito não caracterizaria inexatidão material do v. Acórdão n° 9101-001.961, pois não denota qualquer erro contido em tal decisum; - é inconteste que a alegação da DEINF/SP não configuraria uma "inexatidão material" do v. Acórdão n° 9101-001.961, tampouco teria o condão de alterá-lo; - a duas, porque além de não se enquadrar no conceito, não há a "inexatidão material" alegada pela DEINF/SP, pois o recolhimento da CSLL do ajuste de 2002 em 28/02/2003 foi, sim, espontâneo e caracterizou a postergação reconhecida por esta C. Turma, pelos seguintes fatos: - FATO 1: o recolhimento da CSLL apurada no ano-calendário de 2002, em 28/02/2003, incluindo a postergação de parcela da CSLL relativa ao AC 1999, foi efetuado muito antes do inicio da ação fiscal relativa à CSLL no bojo deste PA, dado que este tributo somente foi incluído no escopo da fiscalização em 22/08/2003, por meio de MPF Complementar. Ou seja, em 28/02/2003, inexistia fiscalização em curso relativa à CSLL do ano-calendário de 1999, mas apenas do IRPJ; Fl. 924DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 8 7 - FATO 2: Antes mesmo do recolhimento da CSLL apurada no ajuste do AC 2002, em 28/02/2003, a Requerente efetuou recolhimentos de estimativas mensais da CSLL no curso de 2002, isto é, muito antes de iniciada a ação fiscal que originou este PA, em 22/08/2003, por meio do MPF Complementar; - a parcela postergada da CSLL relativa ao AC 1999 foi apurada e recolhida na estimativa mensal de CSLL de 07/2002, em 30/08/2002 (Doc. 09), dado que naquele mês foi realizada a reversão da provisão objeto de glosa nestes autos, conforme já evidenciado por meio dos documentos contábeis correlatos; - FATO 3: O recolhimento da CSLL apurada no ajuste do AC 2002, em 28/02/2003, sob o Código de Receita n° 6758 - "CSLL - Entidades Financeiras - Declaração de Ajuste" -, foi realizado dentro do prazo de recolhimento da contribuição, o que corrobora a improcedência da alegação fiscal de "falta de espontaneidade"; - conforme consta do sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil ("RFB"), a CSLL apurada no ajuste anual deve ser recolhida até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente; - é fato inconteste que o recolhimento da CSLL apurada no ajuste do AC 2002, em 28/02/2003, ocorreu dentro do prazo de vencimento - 31/03/2003 -, o que corrobora a sua espontaneidade, inclusive para fins da caracterização da postergação reconhecida por esta C. Turma no v. Acórdão n° 9101-001.961, de 19/08/2014; - diante do acima exposto, resta corroborada a caracterização da postergação, in casu, na forma reconhecida por esta C. Turma no v. Acórdão n° 9101-001.961, de 19/08/2014, mediante o recolhimento espontâneo da parcela postergada da CSLL do ajuste do AC 1999, e muito antes do início da ação fiscal geradora desta lide administrativa. É o relatório. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Diante da admissibilidade dos embargos inominados da DEINF/SPO, a contribuinte apresentou petição questionando tanto o conhecimento desse recurso, quanto o seu provimento. Cabe registrar primeiramente que o prazo de 5 dias mencionado pela contribuinte diz respeito aos embargos de declaração, não alcançando os embargos inominados, que não estão limitados por prazo de interposição. Outro aspecto é que o Delegado-adjunto da DEINF/SPO, na condição de autoridade que está respondendo pela unidade, tem competência para apresentar os embargos (de declaração e inominados) previstos no Regimento Interno do CARF, porque foram delegadas a ele todas as competências previstas no Regimento Interno da Receita Federal para o próprio Delegado. O fato de não constar a apresentação de embargos no dispositivo que regula as competências do Delegado no Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203/2012, art. 302), não suprime a competência do Delegado-adjunto. Fosse assim, nem mesmo o próprio Delegado teria essa competência. A contribuinte também alega que o fato de o recolhimento da CSLL apurada no ano-calendário de 2002 ter sido, supostamente, efetuado após o início da ação fiscal não se enquadraria no conceito de inexatidão material dado pela doutrina. Inexatidão material é um conceito de difícil precisão, em geral ligado a erros de pequena monta e fácil identificação, como penso ser o caso; assim, no intuito de elucidar melhor todas essas questões que surgiram em torno da postergação no pagamento da CSLL, afasto também essa terceira preliminar de não conhecimento dos embargos inominados. Os embargos inominados estão dotados dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Antes de adentrar no exame dos embargos, é preciso fazer alguns esclarecimentos. Vê-se que o litígio foi se desenvolvendo principalmente em torno da questão sobre a postergação, de modo que o exame das outras matérias suscitadas pela contribuinte nas peças de defesa (impugnação e recurso voluntário) acabou ficando prejudicado, ao menos a partir da decisão de segunda instância administrativa. Outro aspecto importante é registrar que o debate em pauta é sobre a ocorrência de postergação no pagamento da CSLL. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 10 9 O pagamento dos débitos de CPMF (que a contribuinte questionava judicialmente) também tem sua relevância, porque foi em torno desses débitos que surgiu o debate sobre a ocorrência da despesa e o momento em que ela poderia ser deduzida. Mas o debate sobre a postergação deve levar em conta especificamente o pagamento da CSLL. A decisão de primeira instância administrativa é esclarecedora quando pontua que a provisão da CPMF poderia resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera judicial; e que, relativamente à postergação da CSLL, a contribuinte deveria comprovar que os valores dos débitos de CPMF tinham se tornado despesas incorridas em julho de 2002, ou que, não ocorrendo a despesa (já deduzida), os valores tinham sido oferecidos à tributação da CSLL (pela reversão da provisão). O fato é que se os débitos de CPMF foram confirmados pela justiça e se tornaram mesmo uma despesa (e a contribuinte se aproveitou dessa despesa no momento em que pagou os débitos, ao mesmo tempo em que reverteu a provisão antes constituída), ou se a contribuinte simplesmente reverteu a provisão (porque não havia débitos e nem despesa), o que importa é o efeito disso na apuração da base de cálculo da CSLL. Assim, independentemente do que tenha ocorrido com os débitos de CPMF, as questões que se apresentam sobre a postergação são as seguintes: aquilo que a contribuinte não podia ter deduzido da base de cálculo da CSLL em 1999, ela ofereceu à tributação em 2002? E o oferecimento desse valor à tributação resultou em efetivo pagamento da CSLL em 2002? O que já se tem esclarecido pelas decisões anteriores é que a contribuinte reverteu em julho/2002 a provisão de CPMF que ela havia constituído anteriormente em 1999, e que ela pagou um DARF de CSLL em 28/02/2003, no montante de R$ 31.400.572,65. Esse pagamento, portanto, diz respeito à base de cálculo apurada no ano- calendário de 2002, e também à provisão que havia sido constituída em período anterior, ou seja, em 1999, e indevidamente deduzida naquele período. Com esses esclarecimentos, pode-se perceber que a decisão embargada realmente incorreu em erro de fato, porque tomou a data de vencimento do DARF (31/01/2003) como a data da ocorrência do pagamento, ao passo que este somente ocorreu em 28/02/2003, quando já estava em curso a ação fiscal iniciada em 12/02/2003. A demonstração do erro acima mencionado serviu para a admissibilidade dos embargos inominados, e também corrobora, em princípio, as alegações da Fazenda Nacional, porque a falta de espontaneidade no pagamento descaracteriza a situação sob exame como um mero caso de postergação de tributo, e afasta o fundamento utilizado para declarar a nulidade do lançamento. Conforme já mencionado, a decisão embargada, ao tomar a data de vencimento do DARF (31/01/2003) como a data da ocorrência do pagamento, realmente incorreu em um evidente erro de fato que precisa ser sanado. O DARF que fundamentou a decisão embargada foi mesmo recolhido em 28/02/2003, quando já estava em curso a ação fiscal iniciada em 12/02/2003. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 11 10 Não está comprovada a alegação da contribuinte, de que a parcela postergada da CSLL relativa ao AC 1999 foi apurada e recolhida na estimativa mensal de CSLL de 07/2002, em 30/08/2002, muito antes do recolhimento da CSLL de ajuste anual em 28/02/2003, e também muito antes de ser iniciada a ação fiscal. De acordo com as decisões anteriores, realmente houve em julho/2002 a reversão da provisão que gerou a despesa indevidamente deduzida em 1999. E a contribuinte apresenta comprovante do pagamento da estimativa da CSLL de julho/2002. O problema é que o pagamento dessa estimativa foi feito com base na receita bruta e acréscimos, e a indicação é de que a reversão da provisão acabou não afetando o pagamento da estimativa. Há nos autos demonstrativos de apuração das estimativas com base em balancetes cumulativos (que incluiria a reversão da provisão), mas o recolhimento das estimativas não foi feito com base nesses demonstrativos, conforme indicam os próprios documentos juntados pela contribuinte. Também não socorre a contribuinte a alegação de que o recolhimento da CSLL referente ao ajuste anual de 2002, realizado em 28/02/2003, foi realizado dentro do prazo de vencimento, o que afastaria a alegação fiscal de "falta de espontaneidade". Não há duvida de que o recolhimento da CSLL referente ao ajuste anual de 2002 foi realizado dentro de seu prazo de vencimento. Mas o que está em questão aqui é um débito de CSLL referente ao ano- calendário de 1999 (que apenas foi agrupado com o débito do ajuste anual de 2002). Essa parte da CSLL referente a 1999 estava há muito tempo vencida. Isso, aliás, está implícito na própria discussão sobre a "postergação" no pagamento do tributo. Estamos tratando de uma parte da CSLL referente a 1999 que teria sido recolhida em 28/02/2003, portanto, bem depois do vencimento do tributo em questão. Finalmente, é procedente a alegação da contribuinte de que o recolhimento de CSLL efetuado em 28/02/2003 é espontâneo porque esse tributo somente foi incluído no escopo da fiscalização em 22/08/2003, por meio de MPF-Complementar. Assim, em 28/02/2003, inexistia fiscalização em curso relativa à CSLL do ano-calendário de 1999. Vê-se que o MPF recebido pela contribuinte em 12/02/2003, de fato, é específico para o IRPJ, e que o MPF-Complementar para a inclusão da CSLL só foi cientificado à contribuinte em 22/08/2003. Não deixo de perceber que o Termo de Intimação entregue em 12/02/2003, juntamente com o MPF original, faz menção a "Fichas de Verificação da Regularidade dos Tributos e Contribuições Declarados" para vários tributos, inclusive para a CSLL. Tais fichas, entretanto, fazem parte do procedimento fiscal de "Verificações Obrigatórias", que abrange o simples cotejamento entre os valores declarados e os valores pagos, não incluindo-se aí a auditoria sobre dedução indevida de despesas. Em razão dos debates ocorridos na sessão de julgamento, faço registro do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de maio de 2002, que assim dispôs sobre a questão da exclusão da espontaneidade: Fl. 928DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 12 11 Art. 1º O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos, e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. É necessário observar que, nos termos do referido ADI SRF nº 5/2002, a exclusão da espontaneidade não se opera em relação ao tributo de forma abrangente, mas sim em relação ao tributo e à matéria objeto de fiscalização. O Código Tributário Nacional também apresenta um bom parâmetro para que se delimite adequadamente os contornos da exclusão de espontaneidade: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse passo, ainda registro que o mesmo Termo de Intimação solicitou, no seu item 7, uma "Demonstração do valor declarado como 'outras exclusões', na linha 20 da ficha 10B da DJPJ referente ao ano de 1999, bem como o informado na linha 19 da ficha 30 da mesma DJPJ". A ficha 30 da DIPJ é referente à CSLL, e isso deu margem a entendimento de que já estaria havendo procedimento de fiscalização relacionado à infração (ou matéria) no âmbito da CSLL, que acabou sendo objeto do lançamento contido nestes autos. Mas é preciso observar que a ficha referente ao IRPJ (ficha 10B) indicava como "outras exclusões" o valor de R$ 117.303.627,58, enquanto a ficha da CSLL (ficha 30) indicava para a mesma rubrica um valor de R$ 3.929.387,82. Assim, o que se investigava no início da fiscalização era justamente esse excesso de exclusões na apuração do IRPJ, quando confrontado com as exclusões da CSLL (que apenas serviu de parâmetro de comparação). O Termo de Verificação Fiscal não deixa nenhuma dúvida disso, ou seja, de que o objeto inicial dos trabalhos de auditoria era apurar infração no âmbito do IRPJ: 3. Da ação fiscal A ação fiscal de que trata o presente relatório foi motivada por trabalho de seleção interna de contribuintes, através do qual foi identificado um valor elevado declarado como "outras exclusões", na apuração do lucro real, na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica referente ao período de apuração de 1999 - DIPJ/2000 (linha genérica de "outras exclusões" da Ficha 10B, referente à Demonstração do Lucro Real). Foi verificado ainda que esse valor não guarda relação com o declarado como "outras exclusões" na ficha 30, referente ao cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 13 12 Nesse contexto, o recolhimento de CSLL realizado em 28/02/2003 deve ser considerado espontâneo para a quitação da parte da CSLL referente ao ano-calendário de 1999 (tributo postergado), que decorreu da reversão da provisão constituída naquele ano. A espontaneidade no pagamento, embora reconhecida por outras razões, confirma o resultado das decisões já proferidas nestes autos pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF e pela 1ª Turma da CSRF, no sentido de que o lançamento deveria mesmo ter sido realizado de acordo com as regras previstas para os casos de postergação de tributo. Não observando tais regras, o lançamento incorreu em nulidade. Desse modo, dou parcial provimento aos embargos inominados para sanar o erro apontado no acórdão embargado, mantendo, contudo, o que restou decidido anteriormente por este colegiado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 14 13 Declaração de Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Ouso divergir do ilustre relator no tocante apenas ao aspecto de que o contribuinte estava espontâneo ao tempo em que efetuou o pagamento. Para bem ilustrar minha divergência, transcrevo inicialmente a parte do voto do relator que trata dessa espontaneidade: Mas o que está em questão aqui é um débito de CSLL referente ao ano-calendário de 1999 (que apenas foi agrupado com o débito do ajuste anual de 2002). Essa parte da CSLL referente a 1999 estava há muito tempo vencida. Isso, aliás, está implícito na própria discussão sobre a "postergação" no pagamento do tributo. Estamos tratando de uma parte da CSLL referente a 1999 que teria sido recolhida em 28/02/2003, portanto, bem depois do vencimento do tributo em questão. Finalmente, é procedente a alegação da contribuinte de que o recolhimento de CSLL efetuado em 28/02/2003 é espontâneo porque esse tributo somente foi incluído no escopo da fiscalização em 22/08/2003, por meio de MPF-Complementar. Assim, em 28/02/2003, inexistia fiscalização em curso relativa à CSLL do ano-calendário de 1999. Vê-se que o MPF recebido pela contribuinte em 12/02/2003, de fato, é específico para o IRPJ, e que o MPF-Complementar para a inclusão da CSLL só foi cientificado à contribuinte em 22/08/2003. Não deixo de perceber que o Termo de Intimação entregue em 12/02/2003, juntamente com o MPF original, faz menção a "Fichas de Verificação da Regularidade dos Tributos e Contribuições Declarados" para vários tributos, inclusive para a CSLL. Tais fichas, entretanto, fazem parte do procedimento fiscal de "Verificações Obrigatórias", que abrange o simples cotejamento entre os valores declarados e os valores pagos, não incluindo-se aí a auditoria sobre dedução indevida de despesas. Ou seja, para o relator, como o sujeito passivo tomou ciência de um Termo de Verificação Fiscal em 12/2/2003, fl. 9, em que a Fiscalização o intima a apresentar, dentre outros documentos, as Fichas de Verificação da Regularidade dos Tributos e Contribuições Declarados relativos à CSLL de 1998 a 2002, e tudo isso foi feito sob o amparo de MPF-F aberto para se fiscalizar IRPJ e as Verificações Obrigatórias, ele teria espontaneidade para recolher, em 2003, débitos de CSLL relativos a 1999, porque esses foram apurados no curso de um procedimento de auditoria. Com as devidas vênias, é preciso se observar o que dispõe o art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 15 14 I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Interpretando tal dispositivo, a Receita Federal exarou o ADI nº 5, de 17 de maio de 2002, que dispõe: Art. 1º O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos, e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Nessa mesma linha, regulamentando o art. 7º do Decreto-Lei, temos o art. 33 do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 33. O procedimento fiscal tem início com (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º): I - o primeiro ato de ofício, por escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias; III - a apreensão de documentos ou de livros; ou IV - o começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º O ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos. Ou seja, o ato que determinar o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos, períodos e matérias expressamente inseridos. Analisando o ato de início, constata-se que a intimação recaiu sobre CSLL, do 1998 a 2002, tal como previa as verificações obrigatórias. Ocorre que, se o contribuinte declarou aquém ao que era devido, certamente ao tomar conhecimento de um procedimento fiscal em que se busca cotejar informações relativas ao que foi declarado, ele passa a ter a percepção do risco de ser fiscalizado em relação a outras infrações cometidas no período, relativas ao mesmo tributo. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19740.000402/2003-20 Acórdão n.º 9101-002.554 CSRF-T1 Fl. 16 15 Essa percepção é reforçada quando, no mesmo Termo de Intimação a Fiscalização pede as cópias do livro Razão e uma demonstração do valor declarado como "outras exclusões", na linha 20 da ficha 10B da DIPJ referente ao ano 1999, bem como o informado na linha 19 da ficha 30 da mesma DIPJ. Ou seja, no primeiro ato de ofício a Fiscalização pediu informações da Ficha 30 da DIPJ, que dizia respeito ao cálculo da CSLL. E foi a partir dessa intimação que a contribuinte teve que esclarecer que a linha 19 da ficha 30 (cálculo da CSLL) da mesma DIPJ, referia-se, em parte à provisão para riscos fiscais, que, conforme fl. 123 dos autos, o que, por sua vez, foi objeto da autuação: falta de adição, na apuração da base de cálculo da CSLL, de valor deduzido como despesa na apuração do lucro líquido, classificado como provisão para riscos fiscais. Ou seja, em 12/2/2003, o contribuinte é intimado a esclarecer essa informação, no dia 27/2/2003, pede prorrogação de prazo (fl. 35), no dia 28/2/2003, paga a CSLL de 1999, e após várias prorrogações, no dia 14/5/2003, fl. 44, apresenta documentos e esclarecimentos. Como não associar esse pagamento ao procedimento fiscal? É justamente essa a mens legis que se pode extrair do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, busca retirar da concepção de recolhimento espontâneo aquele que foi promovido após um início de ação fiscal. Observe-se que o legislador inclusive o fez em relação a terceiros, de onde se pode concluir que a sua intenção vai muito mais além do que consta inicialmente na descrição do que vem a ser Verificações Obrigatórias, de um Mandado de Procedimento Fiscal. Convém registrar que a situação dos autos é bastante diferente de uma Fiscalização, por exemplo, aberta para auditar IPI, ou CPMF, ou IOF, em que se estivesse lançando CSLL. Porque, aí sim, poder-se-ia dizer que somente foi excluída a espontaneidade do IPI, ou da CMPF, ou do IOF, conforme o caso. Mas no caso dos autos, a Fiscalização incluía a verificação da retidão das declarações de todos os tributos administrados pela Receita Federal. E, além disso, oportuno se faz reforçar que não é só o MPF que exclui a espontaneidade. Isso porque a lei fala em primeiro ato de ofício. No caso em apreço, o MPF foi cientificado juntamente com um Termo de Intimação que pedia informações, como já se disse, da CSLL, e não eram só informações de Declaração x Pagamentos, eram informações de auditoria, auditoria essa que ensejou a presente autuação. Por conseguinte, como o pagamento não era espontâneo, descabe falar em efeito postergatório apto a anular o lançamento. O lançamento, portanto, não deveria ter sido anulado, o que evidencia que o erro quanto à data do pagamento, possuía, sim, no caso concreto, o condão de conferir efeitos infringentes aos embargos, ainda que inominados. É como voto. Adriana Gomes Rêgo (assinado digitalmente) Fl. 933DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721117/2010-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTO. IRPJ. LUCRO REAL. AJUSTE DE VALORES. LUCRO ARBITRADO.
No caso de contribuinte optante do Simples, se a Fiscalização promove a exclusão de ofício desta modalidade de apuração de tributos, e não dispõe de livros para apurar pelo Lucro Real, deve ser feito o arbitramento de lucros.
ALTERAÇÃO NA FORMA DE APURAÇÃO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO.
Se a Fiscalização apurou o crédito tributário pelo Lucro Real, não é possível manter a autuação, transformando essa forma de apuração em Lucro Arbitrado.
Numero da decisão: 9101-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Julgamento iniciado na sessão de 12/12/2016 e concluído em 13/03/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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IRPJ. LUCRO REAL. AJUSTE DE VALORES. LUCRO ARBITRADO. No caso de contribuinte optante do Simples, se a Fiscalização promove a exclusão de ofício desta modalidade de apuração de tributos, e não dispõe de livros para apurar pelo Lucro Real, deve ser feito o arbitramento de lucros. ALTERAÇÃO NA FORMA DE APURAÇÃO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO. Se a Fiscalização apurou o crédito tributário pelo Lucro Real, não é possível manter a autuação, transformando essa forma de apuração em Lucro Arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Julgamento iniciado na sessão de 12/12/2016 e concluído em 13/03/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 17 /2 01 0- 37 Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 9101002.569 CSRFT1 Fl. 1.921 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1.864/1.873), contra o Acórdão de nº 1302001.601 (efls. 1.846/1.862) que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo interessado, exonerando o crédito tributário constituído em relação ao anocalendário 2005. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é de caráter relativa, ou seja, o contribuinte pode e deve realizar prova em contrário. No entanto, caso o contribuinte não realize comprovação em contrário, a presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96 consolidase para o caso em discussão. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento tributário realizado pelo regime de apuração do lucro real quando o contribuinte não possui qualquer escrituração contábil e fiscal, pois aplicável tão somente o arbitramento do lucro para determinação das bases tributáveis, conforme critérios legais. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária em sede de procedimento administrativo (súmula n. 2 do CARF). A recorrente aponta que a decisão recorrida diverge da jurisprudência do CARF, pois essa considerou que houve equívoco na sistemática de tributação da omissão de Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 9101002.569 CSRFT1 Fl. 1.922 3 receitas para o anocalendário 2005, adotada pela auditoria fiscal, no caso o lucro real, ao entender que deveria ter sido adotado o arbitramento diante da ausência de escrituração contábil e fiscal. Traz paradigma em que a Fiscalização também efetuou apuração pelo lucro real; a decisão de segunda instância, por sua vez, entendeu que o correto seria o arbitramento; contudo, ao invés de anular o lançamento, deu parcial provimento ao recurso para que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL fossem reduzidos ao montante correspondente a 9,6% do total da receita caracterizada pela soma dos depósitos bancários. Assim, de acordo com suas as alegações, considera que a omissão de rendimentos efetivamente existiu, e que seria apenas necessário recalcular o montante do tributo devido, aplicandose o percentual do arbitramento sobre a receita identificada do contribuinte, não havendo razão plausível para declarar a nulidade do lançamento, se este pode ser ajustado. Ao final, pede pelo provimento do recurso para que seja restabelecida a parte exonerada da exigência fiscal. Pelo despacho de efls. 1.875/1.879, o Recurso Especial da PFN foi admitido. Houve tentativa de cientificar a interessada do REsp da PFN e do despacho que o admitiu, mas as correspondências encaminhadas ao seu domícilio tributário retornaram (efl. 1.882 e 1.886), o que levou à intimação via Edital de efl. 1.887. Mas a interessada não apresentou contrarrazões, conforme informação da repartição de origem à efl. 1.914. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo, e por atender aos demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No presente caso temse que contra a empresa interessada foram lavrados autos de infração para exigir tributos IRPJ e reflexos sobre receitas omitidas apuradas com base na presunção legal estabelecida pelo art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996 existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Para o anocalendário 2004, ocasião em que a interessada era optante do Simples Federal, regulado pela Lei nº 9.317/96, como empresa de pequeno porte, o lançamento foi efetuado da forma como dispunha o art. 23, II, alíneas “b”, “e”, “h” e “i”, da Lei nº 9.317/96, o que foi validado pelo colegiado a quo. Para o anocalendário 2005 o lançamento deuse com base no lucro real, entendendo o colegiado a quo pela sua insubsistência porque a empresa não possuía escrituração contábil fiscal, situação que determinaria o arbitramento dos lucros. Em outras Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 9101002.569 CSRFT1 Fl. 1.923 4 palavras, o colegiado a quo declarou nulo o lançamento relativo ao anocalendário 2005, do IRPJ e demais tributos reflexos. A PFN, em suas razões recursais, não contestou a aplicabilidade, ao caso, do lucro arbitrado. Defendeu, apenas, que o auto de infração poderia ser, assim, "convalidado", promovendose os ajustes necessários ao crédito tributário, qual sejam, reduzindose as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio da aplicação do coeficiente do arbitramento. Com efeito, para que não pairem dúvidas a respeito do equívoco cometido pela autoridade fiscal, trago à colação os seguintes trechos do "Termo de Constatação Fiscal", de efls. 1.050/1.061: 27. Foram solicitados, através de intimações, seus atos constitutivos, Livros Diário e Razão, Livros Caixa e de Registro de Inventário, Livros dos Registros de Apuração do ICMS, das Entradas, das Saídas de Mercadorias e do Inventário das Mercadorias, arquivos magnéticos com os registros contábeis, extratos das contas bancárias (vide Intimações – anexo 1). 28. Também foi intimada a apresentar documentos que comprovem a origem dos valores depositados em suas contas correntes de número 16398 da agência 13791 do Banco Bradesco e 9000 da agência 2925 do Banco do Brasil dos anos 2004 e 2005, conforme informações prestadas pelos bancos (vide intimações, editais e informações bancárias anexas). 29. A empresa não se encontra mais no endereço registrado em seus cadastros e, por isso, foi intimada por edital (vide anexos 3 e 4). Como a empresa não foi localizada, além da publicação de edital, algumas intimações foram enviadas para o endereço dos sócios, que é o mesmo do Sr. RAIMUNDO RABELO FREIRE, que tem procuração com poderes ilimitados para agir em nome da empresa e praticar quaisquer tipos de negócios (vide procurações anexas). Posteriormente, a empresa indicou esse endereço como sendo o seu endereço para correspondências. Nada da empresa foi apresentado. [...] 38. Através de seu advogado, solicita mais prazo para atender às solicitações e apresentar documentos e explicações, o que foi prontamente concedido (vide anexo 15). Esse prazo não foi cumprido, nada sendo apresentado. 39. O mesmo advogado, após intimado, indica o endereço dos sócios e do Sr. RAIMUNDO RABELO FREIRE como sendo o endereço para correspondências da empresa (vide declaração – anexo 16). 40. Como também nenhuma explicação ou documentos foram apresentados, sua movimentação financeira foi considerada omissão de receita, conforme o Art 42 da Lei 9.430/96 e o Art 287 do Dec. 3.000/99. [...] Em face dos fatos descritos pela autoridade fiscal não há como contestar que a interessada omitiu receitas de vultosas quantias, de forma reiterada, nos anoscalendário 2004 Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 9101002.569 CSRFT1 Fl. 1.924 5 e 2005, apuradas pela constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em que pesem reiteradas intimações para fazêlo. E tudo agravado pelo fato de terem sido utilizadas interpostas pessoas com o fim, único, de dificultar a atividade da Fazenda Nacional de ter conhecimento do fato gerador de cada uma das obrigações tributárias. Desnecessário colacionar os conceitos que envolvem a presunção de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. No mais, tenho que o depósito bancário feito em contacorrente ou de investimento do contribuinte, dentro da correlação natural dos fatos, pressupõe a existência de receita e, se assim o é, se está diante da presunção legal. Nessas condições caberia, ao interessado, fazer a prova em contrário, o que no presente caso, não ocorreu. Não se desincumbiu, o interessado, de trazer provas aos autos de que os valores apurados eram oriundos de receita já tributada ou de outras fontes que não o exercício da atividade comercial da empresa. Portanto, a omissão de receitas restou fartamente comprovada. Contudo, consta do mesmo relatório fiscal, narrado à fartura de fatos, que a autuada não apresentou um único livro, elemento ou documento que pudesse ser considerado como uma escrituração contábil mínima a permitir a apuração do lucro real, no anocalendário 2005, quando se iniciaram os efeitos da exclusão do Simples. Ora, se o contribuinte não apresentou os seus livros, não apresentou sua contabilidade e, principalmente, não tinha realizado sua opção pelo Lucro Real, o correto seria mesmo a Fiscalização ter realizado o arbitramento das receitas. Com a devida vênia, discordo da tese da PFN. No caso em apreço, não há como "convalidar" o lançamento para o anocalendário 2005. Entendo que transformar uma apuração realizada pelo lucro real em uma realizada pelo lucro arbitrado é alterar o critério jurídico do lançamento, o que nos é defeso nos termos do art. 146 do CTN. É fato que o Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o PAF, dispõe, no art. 59, que somente são nulos: (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mas, evidentemente, há de se contestar a idéia de que as hipóteses de nulidade, dentro do Processo Administrativo Fiscal, se limitam às discriminadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Há, de certo, outras formas de nulidade, como as que dizem respeito ao ato do lançamento. Com certeza, o equívoco cometido pela auditoria fiscal não pode ser qualificado como mero erro na forma de produção do ato. O vício relacionado ao lançamento sob análise é de aplicação errônea da legislação tributária ao caso concreto. Nesse contexto, vícios relacionados a aplicação da norma tributária, em que se demanda o exame da adequação do preceito legal ao caso subjudice, em que os defeitos do ato surgem em razão da errônea aplicação da regramatriz de incidência, como nos aspectos material, temporal, espacial, pessoal ou quantitativo, referemse a vícios materiais que ensejam a nulidade do ato. Em um ato de lançamento, o resultado pretendido é a constituição do crédito tributário, pois é condição para que a Fazenda possa exercer seu direito ao tributo. Assim, se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regramatriz de incidência (direito material), dizse que o vício é material. Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 10380.721117/201037 Acórdão n.º 9101002.569 CSRFT1 Fl. 1.925 6 É o que se dá no presente caso. O erro cometido pela auditoria fiscal, na constituição do crédito tributário para o anocalendário 2005, não se limitou a um equívoco no enquadramento legal, ou a uma imprecisa descrição dos fatos, situações que poderiam ensejar a "convalidação" do lançamento, desde que efetuados os devidos ajustes. O erro da auditoria se deu na própria construção da regramatriz. A legislação aplicada ao caso não correspondia aos fatos. A base imponível para cálculo dos tributos também não se adequou à situação e, dessa forma, o montante dos tributos devidos não é o mesmo, se calculado com base nas regras do lucro arbitrado. Ou seja, não há como "convalidar" ou sanar as irregularidades cometidas porque elas fulminam a essência de todo o lançamento. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PFN e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1926DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900025/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/12/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.566
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/12/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.900025/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.566 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/12/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 25 /2 01 2- 14 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.792. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900025/201214 Acórdão n.º 3302003.566 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.729669/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NOS SALDOS DOS DÉBITOS DE PIS E A COFINS. DESCABIMENTO.
Constatado nos autos a inclusão indevida de valores a título de atualização monetária nos saldos dos montantes principais das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procede a retificação do quantum lançado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NOS SALDOS DOS DÉBITOS DE PIS E A COFINS. DESCABIMENTO.
Constatado nos autos a inclusão indevida de valores a título de atualização monetária nos saldos dos montantes principais das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procede a retificação do quantum lançado.
Numero da decisão: 3302-003.623
Decisão: Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado.
Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NOS SALDOS DOS DÉBITOS DE PIS E A COFINS. DESCABIMENTO. Constatado nos autos a inclusão indevida de valores a título de atualização monetária nos saldos dos montantes principais das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procede a retificação do quantum lançado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NOS SALDOS DOS DÉBITOS DE PIS E A COFINS. DESCABIMENTO. Constatado nos autos a inclusão indevida de valores a título de atualização monetária nos saldos dos montantes principais das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procede a retificação do quantum lançado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 923 1 922 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.729669/201316 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302003.623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria AI.PIS/COFINS Recorrente USINA CRUANGI S/A EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NOS SALDOS DOS DÉBITOS DE PIS E A COFINS. DESCABIMENTO. Constatado nos autos a inclusão indevida de valores a título de atualização monetária nos saldos dos montantes principais das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procede a retificação do quantum lançado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA NOS SALDOS DOS DÉBITOS DE PIS E A COFINS. DESCABIMENTO. Constatado nos autos a inclusão indevida de valores a título de atualização monetária nos saldos dos montantes principais das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procede a retificação do quantum lançado. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 96 69 /2 01 3- 16 Fl. 924DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: O contribuinte teve contra si lavrados Autos de Infração de PIS (com multa e juros o valor do crédito apurado foi de R$ 5.083.189,57 – fls. 15 a 28) e de Cofins (com multa e juros o valor do crédito apurado foi de R$ 25.136.707,80 – fls. 2 a 14). Os períodos de apuração lançados correspondem a 01/2009 até 12/2011. (grifei). Essa fiscalização teve origem em pedido de restituição da empresa e nas respectivas compensações relativas a um suposto crédito referente à Empréstimo Compulsório cobrado como um adicional do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas pela União Federal para formar o fundo do Reaparelhamento Econômico, de acordo com o previsto na Lei nº 1.474/51 (ver fls. 134 a 141). (grifei). Esses alegados créditos foram objetos de Despachos Decisórios da DRF/Recife relativamente às declarações de compensações encaminhadas pelo contribuinte, sendo consideradas não declaradas na parte relativa aos créditos que não se refeririam a tributos administrados pela Receita Federal (títulos públicos). Tais tipos de créditos deveriam ser remetidos à Secretaria do Tesouro Nacional (ver fls. 142 a 146 e 593 a 596). (grifei). A fiscalização teve início em 27/12/2012 com a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal através do MPF nº 04.1.01.00 2012015009. Foram solicitados os seguintes documentos e esclarecimentos durante o procedimento fiscalizatório: Livro de Registro de Apuração do IPI; arquivos digitais da contabilidade; Lalur; planos de contas; documentação comprobatória dos lançamentos; contratos sociais e alterações; relação dos bens e dos direitos de natureza permanente; cópias de ações judiciais; procurações; contratos de empréstimos a associados; Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10480.729669/201316 Acórdão n.º 3302003.623 S3C3T2 Fl. 924 3 comprovantes de recolhimento de IOF; justificativas para as diferenças das receitas brutas levantadas na GIAM, DIPJ, DACON e contabilidade; justificar saídas sujeitas ou não a débito de IPI; explicações sobre pagamentos efetuados; notas fiscais; entre outros. Encontramse juntados aos autos: relações dos créditos declarados em DCTFs (fls. 148 a 159); Livro Razão (fls. 162 a 442); dados do GIAM (fls. 443 a 444); DIPJs (fls. 445 a 581); declarações de compensação (fls. 582 a 592); entre outros. Conforme o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal das fls. 29 a 69, foram detectadas infrações à legislação tributária. Entre estas temos multa isolada por compensação considerada não declarada (fl. 33), omissão de receitas de vendas e de serviços (fls. 34 a 36) e despesas não comprovadas (fl. 37). Especificamente para à Cofins e para o PIS ver às fls. 40 a 45 dos autos. Foi também agravada a multa de 75% para 112,50% devido ao fato de o sujeito passivo não ter apresentado nenhum dos documentos solicitados pela fiscalização, nem ter atendido quaisquer das intimações recebidas. Compõem esse Termo e o Auto de Infração planilhas e demonstrativos com compensação de prejuízos e bases de cálculo negativa, apuração de estimativas e demonstrativo de controle de prejuízos fiscais (fls. 55 a 69). Relativamente ao PIS e à Cofins ver a tabela da fl. 68. Consta a ciência dos Autos de Infração em 28/08/2013, conforme a fl. 597 e confirmação dessa ciência pela DRF à fl. 600 dos autos. No entanto, na sequência temos o Edital nº 155/2013, datado de 12/12/2013, dando conta de que teria sido improfícua a ciência pessoal ou por intermédio dos correios ao contribuinte (fls. 601 a 602). Porém, observase que o interessado apresentou impugnação em 27/09/2013 (fls. 605 a 624). Em tal contestação a empresa em síntese faz as seguintes alegações: QUE sobre a insuficiência de recolhimento da Cofins e do PIS verificou que em diversos meses existiriam valores relativos a incrementos a crédito da conta passiva referentes a atualizações monetárias de valores em aberto que não deveriam compor os saldos do principal das contribuições devidas. QUE foram apresentados PER/DCOMPs compensando débitos próprios não declarados em DCTFs com créditos decorrentes de títulos públicos. Entende que quaisquer créditos decorrentes de contratos com os poderes públicos ou provenientes de precatórios, títulos da dívida pública ou de desapropriação, podem ser opostos aos débitos tributários favoráveis as Fazenda Públicas. Cita a Medida Provisória nº 1.763/67, de 1999, e a Lei nº 9.430/1996. QUE o agravamento da multa para 112,50 % foi excessivo, visto que o direito subjetivo de taxar deve ser compatível com a Fl. 926DF CARF MF 4 liberdade de trabalho, de comércio e de indústria, sendo vedado o abuso, o excesso e o desvio. Diz ter passado por um longo período de instabilidade econômica, tendo dado início a um processo de recuperação judicial, agindo em patente boafé. Tal situação seria suficiente por si só para não se agravar a multa aplicada. Cita doutrina a respeito de multas confiscatórias e do princípio da capacidade econômica. Fala também do princípio da proporcionalidade, da proibição do excesso, do princípio da razoabilidade e do Código de Proteção ao Consumidor. QUE no seu entender ocorre a impossibilidade de utilização da Taxa Selic, a qual teria natureza remuneratória. Argumenta que o Fisco não pode exigir o pagamento de juros de mora sobre tributos vencidos, sob ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios (menciona o art. 161, do CTN, o 192, da Constituição Federal e jurisprudência). QUE entende pela necessidade de realização de perícia devido ao disposto no inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, a fim de alcançar eventuais débitos existentes a serem recolhidos aos cofres públicos. Aponta perito e apresenta quesitos às fls. 622 e 623. POR FIM, requer que seja recebida sua impugnação juntamente com os documentos que a instruem, determinando o seu regular processamento e de plano o deferimento de seu pedido de perícia diante das inconsistências apontadas. No mérito da impugnação, requer a sua procedência para declara totalmente nulo os Autos de Infração pelos seguintes motivos: a) insubsistência dos termos postos quanto à insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins; b) possibilidade de compensação dos títulos públicos; c) redução da multa aplicada; d) impossibilidade de utilização da Taxa Selic. Tendo sido encaminhado o processo para julgamento, entendeu a 2ª Turma da DRJ/POA enviar o processo em diligência para verificação da alegação feita pelo impugnante no tocante a terem sido incluídos nas bases de cálculo das contribuições incrementos da conta passiva relativos a atualizações monetárias de valores abertos. Tais valores estariam registrados no Livro Razão nas contas nº 2130100070 e 213010014 com o seguinte histórico – “Atualiz.Impostos em atraso N/Mês”. Na contestação constaria esses registros em destaque entre às fls. 796 a 827 (fls. 837 a 839). Em caso da diligência por parte da DRF constatar razão do alegado pelo contribuinte na incorreção da inclusão desses valores específicos, solicitouse a apresentação de uma nova planilha com os montantes cancelados e as importâncias que deveriam restar lançadas, com relatório conclusivo. A diligência foi realizada e resultou na Informação Fiscal das fls. 840 a 845. Vale se destacar dessa diligência o seguinte trecho: “... face à inclusão indevida dos valores concernentes a título de atualização dos tributos dentro das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procedese à confecção de novas Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10480.729669/201316 Acórdão n.º 3302003.623 S3C3T2 Fl. 925 5 planilhas, referentes à COFINS a lançar e ao PIS a lançar, abatendose dos valores lançados de COFINS e de PIS os valores referentes à atualização monetária, originandose as Planilhas de Apuração da COFINS e do PIS, respectivamente, planilhas 01 e 02, referentes aos anos calendários 2009 e 2010”. (fl. 841 (gn)) As citadas planilhas encontramse às fls. 844 a 845 indicando as contribuições devidas antes da diligência, a parte das contribuições que foram excluídas relativamente às mencionadas atualizações e as contribuições a serem lançadas. Dada nova ciência e o prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, o mesmo apresentou o complemento de sua impugnação em 22/04/2015, às fls. 848 a 874 dos autos. No entanto, da análise da mesma observase que quase na sua integralidade repete os mesmos termos apresentados na primeira impugnação. Tanto é que requer os mesmos pontos já mencionados anteriormente como se observa a seguir: “Ante o exposto, requer a Vossa Senhoria que receba a presente impugnação, determinando o seu regular processamento, e de plano defira o requerimento de perícia formulado pela ora Impugnante em razão das inconsistências apontadas. No mérito, requer se digne Vossa Senhoria em julgar procedente a presente impugnação para o fim de declarar a nulidade total do auto de infração pelos motivos a seguir elencados de forma sucessiva e/ou cumulativa (fls. 859 e 860): a) Insubsistência dos termos postos quanto à insuficiência do recolhimento do PIS e da COFINS; b) A possibilidade da compensação de títulos públicos com débitos fiscais; c) A redução do valor da multa aplicada em face do valore excessivo da cominação; d) A impossibilidade da utilização da Taxa Selic como juros de mora perante os tributos em atraso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 TÍTULOS PÚBLICOS. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. De acordo com o disposto na Lei nº 9.430/96 somente são passíveis de restituição e de compensação os créditos oriundos de tributos e de contribuições administrados pela Fl. 928DF CARF MF 6 Receita Federal. Compensações com créditos oriundos de títulos públicos serão consideradas não declaradas. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O percentual da multa de ofício é de 75%, porque é aplicável quando o lançamento decorre da falta de recolhimento da contribuição exigida, assim como da não declaração da mesma. Percentual previsto legalmente. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa SELIC por expressa previsão legal, sendo que os órgãos administrativos não podem se furtar de sua aplicação. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. Não é competência da autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação de dispositivos legais por alegação do contribuinte de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, salvo os casos previstos em lei. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte, a qual já foi objeto de diligência que esclareceu as dúvidas pendentes. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 TÍTULOS PÚBLICOS. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. De acordo com o disposto na Lei nº 9.430/96 somente são passíveis de restituição e de compensação os créditos oriundos de tributos e de contribuições administrados pela Receita Federal. Compensações com créditos oriundos de títulos públicos serão consideradas não declaradas. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O percentual da multa de ofício é de 75%, porque é aplicável quando o lançamento decorre da falta de recolhimento da contribuição exigida, assim como da não declaração da mesma. Percentual previsto legalmente. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa SELIC por expressa previsão legal, sendo que os órgãos administrativos não podem se furtar de sua aplicação. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10480.729669/201316 Acórdão n.º 3302003.623 S3C3T2 Fl. 926 7 Não é competência da autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação de dispositivos legais por alegação do contribuinte de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, salvo os casos previstos em lei. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte, a qual já foi objeto de diligência que esclareceu as dúvidas pendentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte teve ciência da decisão de primeira instância em 14/07/2015, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 919, porém conforme atesta o despacho de fl.921, esgotado o prazo recursal sem apresentação de recurso quanto ao crédito tributário mantido, o processo foi remetido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado, os lançamentos do presente processo se referem a exigências de PIS e de Cofins, não declarados em DCTF, decorrentes do indeferimento do pedido de restituição da empresa e de compensações consideradas não declaradas visto que relativas a um suposto crédito referente à Empréstimo Compulsório cobrado como um adicional do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas pela União Federal para formar o fundo do Reaparelhamento Econômico, de acordo com o previsto na Lei nº 1.474, de 1951. O impugnante em suas razões de defesa alegou, entre outros argumentos, terem sido incluídos nas bases de cálculo das contribuições incrementos da conta passiva relativos a atualizações monetárias de valores abertos. Tais valores estariam registrados no Livro Razão nas contas nº 2130100070 e 213010014 com o seguinte histórico – “Atualiz.Impostos em atraso N/Mês”. Tais questionamentos foram objeto de diligência pelo órgão de julgamento de primeira instância, os quais foram confirmados pela Informação Fiscal de fls.840/843, através das planilhas de fls.844/845, com o recálculo das contribuições sem as atualizações monetárias. Destaca a citada Informação Fiscal: Fl. 930DF CARF MF 8 Como se verifica do auto de infração lavrado, o levantamento efetuado a título de PIS a recolher e COFINS a recolher tiveram por base as contas 213010014 e 213010070, respectivamente, nas quais já se consideram todos os débitos dos tributos, bem como os créditos oriundos da nãocumulatividade, conforme apurado nas planilhas em anexo ao auto de infração. (grifei). No entanto, de fato, em análise a estas contas constantes no livro razão do sujeito passivo, consta os valores a título de atualização monetária dos tributos, a qual, comumente, encontrase em conta apartada e não na própria conta de apuração. (grifei). Dessa forma, face à inclusão indevida dos valores concernentes a título de atualização dos tributos dentro das contribuições para o PIS e a COFINS devidos no mês, procedese à confecção de novas planilhas, referentes à COFINS a lançar e ao PIS a lançar, abatendose dos valores lançados de COFINS e de PIS os valores referentes à atualização monetária, originandose as Planilhas de Apuração da COFINS e do PIS, respectivamente, planilhas 01 e 02, referentes aos anos calendários 2009 e 2010. (grifei). Pelas planilhas, verificase que foram excluídos dos lançamentos de COFINS a lançar (Planilha 01) e Pis a lançar (Planilha 02) os valores concernentes a "Atualiz. Impostos em Atraso N/Mês", inserida nas planilhas nas colunas denominadas "B", tendo sido apurados a COFINS e o PIS com a exclusão desses valores, nas colunas denominadas "G". Abaixo, segue planilha resumo com os valores que devem ser mantidos a título de PIS e COFINS no auto de infração lavrado: (...) II CONCLUSÃO Pelo exposto, a diligência procedida no sujeito passivo, demonstrandose a impropriedade na inclusão dos valores a título de "ATUALIZ.IMPOSTOS EM ATRASO N/MÊS" na presente Informação Fiscal e apresentandose, conforme despacho da DRJ novas planilhas constantes em anexo PLANILHA 01 e PLANILHA 02 com os valores que devem restar lançados.(grifei). Reproduzse a seguir excertos da decisão de piso na análise da matéria: O contribuinte solicitou realização de perícia à fl. 621 para “alcançar eventuais débitos existentes a serem recolhidos aos cofres públicos”. Na sequência aponta perito e os quesitos das fls. 622 e 623. Sobre esses quesitos solicita verificação sobre os lançamentos das contas nº 2130100070 e 213010014. Diz que sobre a insuficiência de recolhimento da Cofins e do PIS verificou que em diversos meses existiriam valores relativos a incrementos a crédito da conta passiva referentes a atualizações monetárias de valores em aberto que não deveriam compor os saldos do principal das contribuições devidas. Na Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10480.729669/201316 Acórdão n.º 3302003.623 S3C3T2 Fl. 927 9 complementação de sua impugnação, após a realização de diligência, repetiu os mesmos argumentos e quesitos. Ao repetir o mesmo que havia discorrido na impugnação inicial, o contribuinte não teceu comentários sobre a diligência realizada nas contas nº 2130100070 e 213010014. (grifei). Frisese que tal diligência analisou exatamente a questão da contas nº 2130100070 e 213010014: “Os valores questionados pelo contribuinte como indevidamente incluídos nas bases de cálculo das contribuições estão registrados no Livro Razão na Conta nº 2130100070 (Cofins a Recolher) e 213010014 (PIS s/faturamento a recolher) com o seguinte Histórico – “ATUALIZ.IMPOSTOS EM ATRASO N/MÊS”. (fl. 838) Além desse aspecto, não havia nenhum outro motivo para a realização de perícia ou de diligência, como se depura dos autos. E os elementos trazidos pela Informação Fiscal das fls. 848 a 874 foram esclarecedores e suficientes para o entendimento dos montantes lançados e para a correção dos mesmos. (grifos do original). Vejase que a conclusão da diligência concordou com o questionamento da USINA CRUANGI relativamente a indevida inclusão das atualizações monetárias de valores em aberto, as quais não deveriam compor os saldos dos montantes principais das contribuições devidas. (grifos do original). Tanto é que essas bases de cálculo e as importâncias devidas foram recalculadas de acordo com as planilhas das fls. 844 (Cofins) e 845 (PIS). Foram abatidas das bases de cálculo e consequentemente das contribuições devidas os valores correspondentes “as atualizações monetárias”. (grifei). Portanto, não se mantém a repetição do pedido de perícia por parte do contribuinte em sua impugnação complementar, ou seja, após a diligência realizada. À vista dos fatos, entendese que o processo está corretamente instruído, e o julgamento prescinde de outras verificações. Do acima exposto, constatase que a incorreção na base de cálculo das contribuições foi retificada pela unidade de origem, cujo crédito recalculado conforme as planilhas, fls.844/845, já mencionadas, foi acatado pela decisão de piso, não merecendo reparos a exoneração dos valores indevidamente incluídos nas bases de cálculo das contribuições, conforme registrados no Livro Razão na Conta nº 2130100070 (Cofins a Recolher) e 213010014 (PIS s/faturamento a recolher), portanto negase provimento ao recurso de ofício. Da eficácia da decisão de primeira instância Acrescentese que inexistindo nos autos peça recursal, quanto à parte do crédito tributário mantida no órgão de primeira instância, conforme despacho de fl.921, torna se definitiva a decisão nos termos do artigo 42, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 932DF CARF MF 10 Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 933DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.728592/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 92 /2 01 2- 15 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10711.728592/201215 Acórdão n.º 3201002.563 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.166. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10711.728592/201215 Acórdão n.º 3201002.563 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10711.728592/201215 Acórdão n.º 3201002.563 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.000903/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 17/01/2008, 28/01/2008, 30/01/2008, 12/02/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COANA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. ART. 146, CTN.
À luz do princípio da proteção da confiança consagrado pelo art. 146, CTN, considerando que a Recorrente se respaldou em ato legítimo e presumidamente válido da Administração Pública concernente à classificação das mercadorias por ela importadas (soluções de consulta COANA), necessário afastar a exigência tributária do lançamento quanto às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.32.
A alteração do critério jurídico realizado pela fiscalização no lançamento (alteração do código NCM a ser adotado) somente poderia ser exigido para os fatos geradores futuros.
MOTIVOS DETERMINANTES. IMPROCEDÊNCIA. EXONERAÇÃO.
O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que deram provimento em menor extensão. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Sustentou pela recorrente a Dra. Iris Sansoni, OAB/SP 225.549.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/01/2008, 28/01/2008, 30/01/2008, 12/02/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COANA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. ART. 146, CTN. À luz do princípio da proteção da confiança consagrado pelo art. 146, CTN, considerando que a Recorrente se respaldou em ato legítimo e presumidamente válido da Administração Pública concernente à classificação das mercadorias por ela importadas (soluções de consulta COANA), necessário afastar a exigência tributária do lançamento quanto às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.32. A alteração do critério jurídico realizado pela fiscalização no lançamento (alteração do código NCM a ser adotado) somente poderia ser exigido para os fatos geradores futuros. MOTIVOS DETERMINANTES. IMPROCEDÊNCIA. EXONERAÇÃO. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que deram provimento em menor extensão. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Sustentou pela recorrente a Dra. Iris Sansoni, OAB/SP 225.549. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 09 03 /2 00 8- 36 Fl. 462DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, mantendo parte do crédito tributário exigido, no valor de R$ 351.543,39 e exonerando o valor de R$ 79.778,04, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/01/1900 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Impressoras de transferência térmica de cera sólida, próprias para serem conectadas a máquina automática para processamento de dados, destinadas basicamente à impressão de rótulos, tíquetes e etiquetas, em especial códigos de barras classificamse na posição NCM 8443.32.99. SOLUÇÃO DE CONSULTA: Com edição da Instrução Normativa RFB nº 1464/2014, a Solução de Consulta, a partir da data de sua publicação, tem efeito vinculante no âmbito da RFB e respalda qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Cabível multa por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no artigo inciso I do artigo 84 da MP 2.158, de 24/08/2001, pela ocorrência da infração tipificada neste dispositivo legal. Impugnação Procedente em Parte Contra a empresa foram lavrados autos de infração para a exigência de Imposto sobre a Importação, IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, multa de ofício, multa de 1% sobre o valor aduaneiro por erro de classificação fiscal e juros de mora. A fiscalização, após análise dos produtos descritos como impressoras de transferência térmica de cera sólida, classificados pelo importador nas Declarações de Importação (DI's) nas posições 8443.32.32 e 8443.32.40, entendeu que o código adequado seria 8443.32.99, exigindo a diferença de tributos e multas decorrentes, nesses termos: Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 463 3 (...) 4 — DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL CORRETA E DAS IMPLICAÇÕES DA RECLASSIFICAÇÃO PARA AS IMPRESSORAS Basicamente os equipamentos importados consistem de "impressoras de transferência térmica de cera sólida" que, em síntese, são aparelhos cuja função principal é imprimir em bobinas de papel imagens ou textos, tendo como característica a capacidade de ser conectada a uma máquina de processamento de dados ou a uma rede. São equipamentos para uso exclusivo em conexão a computadores, uma vez que não possuem programas de processamento e armazenamento local de dados autônomos, dependendo de uma máquina de processamento de dados para seu funcionamento operacional; tratase de um equipamento periférico. (...) A posição 8443 descreve em seu texto que esta posição engloba: Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 8442; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. E há claro englobamento da mercadoria neste capítulo e posição (inclusive pelo importador). (...) A subposição simples seguinte 8443.3 trata das OUTRAS IMPRESSORAS, MÁQUINAS COPIADORAS E TELECOPIADORES (FAX), MESMO COMBINADOS ENTRE SI, não havendo outra subposição para impressoras, pois a próxima já corresponde a PARTES E ACESSÓRIOS. (...) A próxima subposição composta (8443.32) trata de OUTROS, CAPAZES DE SER CONECTADOS A UMA MAQUINA DE PROCESSAMENTO DE DADOS OU A UMA REDE, e, as máquinas em questão estão nesta condição e por exclusão s6 podem ser classificadas nesta subposição composta, visto não haver outra subposição de segundo nível. (...) Elaboramos nosso entendimento visando sustentar o Auto de Infração emitido com base neste relatório, refutando inclusive o entendimento das soluções de consulta. Passamos, então a mostrar o entendimento da fiscalização, que julgamos correto, com base nos seguintes Dispositivos Legais: • Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI; • Regra Geral Complementar para a Interpretação do Sistema Harmonizado 1 RGC, aprovada pela Resolução CAMEX no 43, de 22 de dezembro de 2006, republicada em 9 de janeiro de 2007, com alteraçaes posteriores; • Notas 5 "D", 1° e "E" do Capitulo 84; • Notas Explicativas de subposições da subposição 8443.32 Fl. 464DF CARF MF 4 O passo seguinte para a classificação é a definição do item, que determina características ou funções especificas dessas máquinas da posição 8443.32, listaremos toda a classificação, para posteriormente demonstrarmos o efetivo enquadramento da mercadoria na Nomenclatura Brasileira de Mercadoria — NCM, temos então, a seguinte classificação ao nível item. 8443.32.1 — TELECOPIADORES (FAX); 8443.32.2 — IMPRESSORAS DE IMPACTO; 8443.32.3 — OUTRAS IMPRESSORAS COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO INFERIOR A 30 PÁGINAS POR MINUTO; 8443.32.4 — OUTRAS IMPRESSORAS COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO SUPERIOR A 30 PÁGINAS POR MINUTO; 8443.32.5 — TRAÇADORES GRÁFICOS (PLOTTERS); 8443.32.6 — OUTRAS; (...) Após análise detida sobre as impressoras objetos dessa análise passamos à conclusão: Em primeiro lugar todas as impressoras não são de IMPACTO, razão pela qual excluiremos este grupo das análises, bem como os TELECOPIADORES e os TRAÇADORES GRÁFICOS (PLOTTERS), restando apenas as três classificações possíveis abaixo: 8443.32.3 — OUTRAS IMPRESSORAS COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO INFERIOR A 30 PAGINAS POR MINUTO; 8443.32.4 — OUTRAS IMPRESSORAS COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO SUPERIOR A 30 PAGINAS POR MINUTO; 8443.32.6 — OUTRAS; Neste ponto há que se discorrer sobre qual o sentido de haver a distinção entre velocidade de impressão e a última classificação de subitem, pois logicamente se existe um limite de 30 paginas por minuto em item anterior toda e qualquer impressora obrigatoriamente será enquadrada em uma das duas classificações (de velocidade) se basearmos em "estimativas" de página por minuto. As impressoras que são conectáveis a máquinas automáticas de processamento de dados ou a redes somente imprimem em papel apresentados em bobinas ou folhas soltas, se tomarmos por base velocidade de impressão "estimada" em páginas por minuto das impressoras que imprimem em bobinas, toda e qualquer impressora seria classificada em um dos dois critérios citados e não haveria necessidade de existir outro subitem (outras). Senão vejamos, uma impressora que imprima "por estimativa" menos de 30 páginas por minuto somente não seria classificada na posição 8443.32.3 se a mesma for de IMPACTO, pois senão ela certamente será a jato de tinta liquida, transferência térmica de cera sólida, a "laser", a "laser" com largura de impressão superior a 420 mm ou então será "outras", que não as citadas anteriormente, pois o critério determinante é, única e exclusivamente, a velocidade de impressão em páginas por minuto. Se dada impressora tiver velocidade "estimada" de 30 páginas por minuto ou mais, independente de seu tipo (exceção das impressoras de impacto, que tem classificação) somente poderá ser classificada na posição 8443.32.40, visto não haver nenhum subitem nesta classificação. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 464 5 Então, em um processo lógico simples, não há como supor que exista alguma impressora que não tenha alguma velocidade de página por minuto "por estimativa" que não se enquadre em até 30 páginas por minuto ou em 30 ou mais páginas por minuto, somente as que não imprimem estariam classificadas nesse subitem, pois toda e qualquer outra velocidade se enquadraria nos citados. O legislador ao montar a tabela de classificação, ainda incluiu mais um subitem, que seria incluído em "outras", mas definiu uma classificação dupla em "outras": 8443.32.91 Impressoras de código de barras postais, tipo 3 em 5, a jato de tinta fluorescente, com velocidade de até 4,5m/s e passo de 1,4mm e 8443.32.99 Outras (que não aquelas anteriores) (grifo nosso). Fica claro a partir da classificação determinada que o legislador tem conhecimento de velocidade de impressora de código de barras postais em metros por segundo (m/s) e que certamente são impressoras de bobina, pois como se nota nos sítios da WEB dos fabricantes e revendedores das máquinas em questão só apresentam velocidade de impressão em metros por segundo (m/s) ou em polegadas por segundo ("Is) e certo é que nem o fabricante acredita que suas máquinas imprimem "páginas por minuto", pois senão certamente constaria nas especificações das mesmas essa indicação, informação importante para avaliação de compras das mesmas e somente com um exercício de ficção é possível classificar as máquinas em questão nas classificações alegadas pelo importador e também nas soluções de consulta emanadas pela COANA/RFB. Em segundo lugar as impressoras só imprimem em rolos, são especificas para impressão de etiquetas, de código de barras ou emissão de tíquetes e em todas as informações coletas sobre os produtos inexiste informação do fabricante ou de seus revendedores de velocidade de impressão de páginas por período de tempo, qualquer que seja ele; elas imprimem em bobinas e todas as especificações são em milímetros por segundo ou pontos por polegada por segundo. Frisamos, também, que a classificação fiscal determinada pela fiscalização apresenta alíquota de Imposto de Importação de 16% (dezesseis por cento) e a pretendida pela fiscalizada é de 0% (zero por cento) e as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados é igual para ambas em 15% (quinze por cento) e apresentamos abaixo trecho da Solução de Consulta n° 1 — COANA,de 29 de agosto de 2007. (...) Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) registrou nove DI's para importar impressoras por processo de transferência sólida, classificando os equipamentos nas posições 8443.32.32 e 8443.32.40 Fl. 466DF CARF MF 6 informa que existem soluções de Consulta para modelos idênticos ou semelhantes, todos indicando a posição correta como 8443.32.32. rebate o argumento da fiscalização, dizendo que o fato de haver uma posição residual não justifica a desclassificação fiscal. afirma que a consulta se refere à mercadoria e não ao consulente, não tendo sentido dizer que se o importador não é filiado à ABIGRAF não pode utilizar o critério adotado na consulta. unidade de medida de velocidade constante da nomenclatura não precisa ser igual à do fabricante. (...) Os argumentos da impugnante foram acatados parcialmente pela Delegacia de Julgamento, com base nos fundamentos a seguir sintetizados: A questão é basicamente se as impressoras em questão podem ser enquadradas na posição que estabelece o parâmetro de impressão "páginas/min" ou não. Em sua defesa a interessada apresenta diversas soluções de Consulta relativas a impressoras idênticas ou similares às importadas. As impressoras foram objeto de consulta protocolizada pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica ABIGRAF, à qual a contribuinte não comprovou ser filiada ou associada, que resultou na Solução de Consulta nº 14 da Coana, de 27/09/2007, classificandoas no código 8443.32.32 da NCM. A partir de 1º de janeiro de 2009, posteriormente aos fatos geradores em análise, a Resolução Camex 76/2008 alterou o texto da posição 8443.32.3, para: "8443.32.3 – Outras impressoras alimentadas por folhas, com velocidade de impressão medida no formato A4 (210 mm x 297 mm) inferior ou igual a 45 páginas por minuto". Inferese que esta modificação foi introduzida para dirimir dúvidas de que esta posição alberga exclusivamente impressoras com alimentação por folhas, o que não é o caso. Desta forma, nos termos da Regra 1 para interpretação do Sistema Harmonizado, as impressoras não podem ser classificadas na posição 8443.32.3. Na falta de uma posição mais específica, correta a reclassificação na posição 8443.32.99, como efetivada pela fiscalização. Corroborando este entendimento, foi publicada posteriormente a Solução de Consulta nº 56/2010, em nome da interessada AIDC, com a seguinte ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Código TEC Mercadoria 8443.32.99 Impressora de transferência térmica, cuja função é a impressão de etiquetas com códigos de barra, textos ou figuras, através de processo de transferência térmica utilizando ribbon de cera sólida, modelos 110Xi, 110XiIIIPlus e 110Xi4, própria para ser conectada à máquina automática para processamento de dados, fabricante Zebra Technologies Corporation (...)". No entanto, em face do disposto no artigo 15 da IN 1.464/2014, o efeito vinculante da Solução de Consulta foi ampliado para qualquer sujeito passivo, independente do mesmo ser o consulente, desde que para mercadoria idêntica. Assim, para as impressoras nessa situação, em que pese o entendimento divergente atual da RFB quanto à classificação na posição 8443.32.99, uma vez que foram objeto de Solução de Consulta para marca/modelo idêntico, válida à época dos fatos, deve ser adotada a posição 8443.32.32, indicada pela interessada, com exoneração dos créditos lançados. De outra parte, deve ser mantida a reclassificação efetuada pela fiscalização para as impressoras que não estão albergadas por Consulta. Já para o terceiro grupo de impressoras, embora beneficiadas pelo instituto da Consulta, estas mercadorias foram classificadas pela impugnante na posição 8443.32.40, diferente da posição indicada na Solução de Consulta, ou seja, na posição 8443.32.32, de forma que não cabe a reclassificação fiscal proposta no auto de infração, mas é devida a multa por classificação incorreta. A interessada teve ciência dessa decisão, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, em 08/01/2016, data Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 465 7 em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Em 19/01/2016 a contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante o qual alega, em síntese: 34. A Delegacia de Julgamento de São Paulo acatou apenas a classificação fiscal para as impressoras que, além de terem todas as características da Nomenclatura (visto que não havia dúvida quanto á identificação dos produtos), também tivessem o mesmo fabricante e o mesmo modelo. Se o modelo fosse diferente ou o fabricante, manteve a desclassificação fiscal. (...) 35. Este é o primeiro ponto de discordância em relação à decisão da DRJ, que será desenvolvido adiante. A mercadoria, além de ter as mesmas características da mercadoria objeto de consulta, não tem de ser do mesmo fabricante e do mesmo modelo. A identidade se refere ás características da mercadoria apenas. (...) 37. No entendimento da DRJ como visto, a modificação da Nomenclatura ocorrida em 2009, restringindo essa posição para mercadorias alimentadas por folhas, teria sido feita para dirimir dúvidas de que esta posição (8443.32.32) alberga exclusivamente impressoras com alimentação por folhas, o que não seria o caso das impressoras deste processo. Com a devida vênia, uma modificação da Nomenclatura cria regras novas para o futuro, após sua publicação, e não é feita para dirimir dúvidas nem retroage para modificar o que a antiga redação dispunha (conforme entendeu o Acórdão). 38. Este é o segundo ponto de discordância em relação ao Acórdão da DRJ. A modificação na redação da NCM não pode retroagir , desconsiderandose a redação anterior, nem se utiliza modificação de redação da NCM para interpretar texto anterior ou para dirimir dúvidas. A interpretação se faz via Notas Explicativas e as dúvidas são dirimidas pelo Instituto da Consulta Fiscal. Novo texto significa nova regra, que não retroage. (...) 46. Este é o terceiro ponto de discordância relativamente à decisão de primeira instância: O contribuinte classificou determinadas mercadorias na posição 8443.32.40, mas o Auto de Infração é improcedente porque a classificação fiscal que a fiscalização entendeu correta (8443.32.99) não pode se sustentar segundo a DRJ. Nesse caso não é possível manter uma das penalidades da autuação (erro de classificação fiscal) com base em outra premissa não levantada pelo autuante. Como o que está em julgamento é o Auto de infração, se a classificação adotada pelo Fisco não é cabível, não é possível a manutenção de penalidade em razão do órgão julgador entender que a correta é uma terceira classificação fiscal (8443.32.32 veiculada em consulta), que não foi a classificação adotada pela Fiscalização para autuar. (...) É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. No caso sob estudo, a fiscalização e a recorrente concordam que a subposição (correspondente aos 6 primeiros dígitos) correta para as mercadorias seria 8443.32, divergindo apenas no que concerne no item e subitem do código NCM/SH (7º e 8º dígitos), eis que a Fl. 468DF CARF MF 8 fiscalização entende que o código NCM/SH adequado seria 8443.32.99 e a recorrente adotou os códigos 8443.32.32 e 8443.32.40 nas Declarações de Importação. A Delegacia de Julgamento entendeu que a classificação fiscal adotada pela fiscalização era a correta, inclusive confirmada por atos normativos posteriores, quais sejam, a Resolução Camex 76/2008 e Solução de Consulta nº 56/2010, em nome da interessada AIDC. Não obstante isso, aplicando retroativamente o art. 15 da Instrução Normativa RFB nº 1.464/2014, abaixo transcrito, que ampliou o efeito vinculante da Solução de Consulta para qualquer sujeito passivo, mesmo que não seja o consulente, desde que se trate para mercadoria idêntica, a DRJ aceitou a classificação no código NCM/SH 8443.32.32 no caso de impressoras idênticas àquelas objeto de Solução de Consulta nº 14 da Coana, de 27/09/2007, formulada por outro consulente, mas em sentido favorável ao entendimento da então impugnante: Art. 15. A Solução de Consulta, a partir da data de sua publicação, tem efeito vinculante no âmbito da RFB e respalda qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. Ocorre que, conforme expressamente previsto no art. 32 dessa Instrução Normativa, tal disposição aplicase somente às Soluções de Consulta e às Soluções de Divergência publicadas a partir da entrada em vigor dessa Instrução Normativa (60 dias após a publicação, a qual se deu 09.05.2014). Na verdade, tal inovação na sistemática das Soluções de Consulta e de Divergência foi introduzida pela Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013, nos termos do seu art. 9º abaixo transcrito1: Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida. (Redação original) Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1434, de 30 de dezembro de 2013) No entanto, o art. 32 da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013 (e também da IN RFB nº 1.464/2014, atualmente vigente), dispõe que tal inovação aplicase somente às Soluções de Consulta e às Soluções de Divergência publicadas a partir da entrada em vigor dessa Instrução Normativa, a qual se deu em 17/09/2013. Dessa forma, conforme determinações expressas das Instruções Normativas RFB nºs 1.396/2013 e 1.464/2014, somente as Soluções de Consulta e as Soluções de 1 Tal disposição continua vigente atualmente no art. 15 da IN RFB nº 1.464/2014. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 466 9 Divergência publicadas a partir de 17/09/2013 têm efeito vinculante no âmbito da RFB e respaldam qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente. Também não seria o caso de aplicação retroativa da norma veiculada pelo art. 15 da IN RFB nº 1.464/2014, como efetuado pela Delegacia de Julgamento, com base no art. 105 ou 106 do CTN2, eis que, além de os fatos geradores sob análise terem ocorrido em datas específicas de 2008, a nova disposição traz regramento novo (extensão dos efeitos das soluções de consulta e de divergência a todos os contribuintes), que não se trata de norma expressamente interpretativa ou da norma a que se refere o inciso II do art. 106 do CTN. Assim, segundo entendo, a Solução de Consulta nº 14 da Coana, de 27/09/2007, não produz efeitos para a contribuinte, que não era a consulente, nem tampouco existe qualquer vinculação da Receita Federal ao entendimento nela exarado. Não obstante isso, como a exoneração dessa parte da autuação efetuada em sede de primeira instância não está submetida a recurso de ofício, pois inferior ao limite de alçada, ela deve ser mantida, nos termos do art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72. Mas aqui se rechaça o argumento da recorrente de que ela poderia de ser estendida às demais impressoras classificadas no código NCM/SH 8443.32.32 de marcas/modelos/fabricantes diferentes daquelas sob consulta, pois no entendimento deste Voto, o disposto no art. 15 da IN RFB nº 1.464/2014 não se aplica à Solução de Consulta nº 14 da Coana, de 27/09/2007, publicada antes de tal inovação normativa. Anteriormente à entrada em vigor do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013, as Soluções de Consulta formuladas por outros consulentes pertenciam, assim como a jurisprudência dos tribunais sem efeito vinculante, ao mundo das decisões administrativas em relação à matéria, as quais poderiam ser livremente utilizadas, ou não, pelo AuditorFiscal nas suas decisões devidamente motivadas. No caso sob análise, o AuditorFiscal discordou do entendimento exarado nas Soluções de Consultas proferidas em face de outros contribuintes e proferiu sua decisão motivadamente, não tendo havido qualquer lesão à segurança jurídica ou ao direito de defesa da recorrente. A subposição 8443.3 trata das "Outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si"; na sequência, a subposição 8443.32 abriga "Outros, capazes de ser conectados a uma máquina de processamento de dados ou a uma rede" (que não sejam aqueles da subposição 8443.31, que executem duas das funções desses equipamentos). 2 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I. em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II. tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Fl. 470DF CARF MF 10 Entendeu a fiscalização que, em se excluindo as impressoras de impacto, os telecopiadores e os traçadores gráficos da subposição 8443.32, que claramente não corresponderiam aos produtos sob análise, somente sobrariam as três classificações possíveis abaixo: 8443.32.3 — OUTRAS IMPRESSORAS COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO INFERIOR A 30 PAGINAS POR MINUTO; 8443.32.4 — OUTRAS IMPRESSORAS COM VELOCIDADE DE IMPRESSÃO SUPERIOR A 30 PAGINAS POR MINUTO; 8443.32.9 — OUTRAS; Assim, segundo o raciocínio da fiscalização, por hipótese, se adotado o entendimento da contribuinte, de que as impressoras poderiam ser classificadas pela "velocidade estimada" em páginas por minuto, não teria sentido a existência da última classificação (8443.32.9 — OUTRAS), a qual foi desdobrada pelo legislador conforme abaixo, englobando impressoras com velocidade não especificada em páginas por minuto: 8443.32.91 Impressoras de código de barras postais, tipo 3 em 5, a jato de tinta fluorescente, com velocidade de até 4,5 m/s e passo de 1,4 mm 8443.32.99 Outras No que andou bem a fiscalização, pois, do contrário, haveria uma clara incoerência do sistema de classificação fiscal, que teria enquadrado num subitem residual (8443.32.91) uma impressora que poderia ser classificada nos itens precedentes 8443.32.3 ou 8443.32.4, conforme a "velocidade estimada" em páginas/minuto e o entendimento da contribuinte. Após a ocorrência dos fatos geradores, a partir de janeiro de 2009, entrou em vigor a Resolução Camex 76/2008, que alterou o texto da posição 8443.32.3, deixando mais evidente a interpretação da fiscalização, de que o item 8443.32.3 seria reservado a impressoras alimentadas por folhas, nesses termos: 8443.32.3 – Outras impressoras alimentadas por folhas, com velocidade de impressão medida no formato A4 (210 mm x 297 mm) inferior ou igual a 45 páginas por minuto (...)8443.32.32 – De transferência térmica de cera sólida (por exemplo, “solid ink” e “dye sublimation”) (...) Tem razão a recorrente na alegação de que a referida Resolução Camex, bem como a Solução de Consulta nº 56/2010, proferida em face da própria contribuinte, não se aplicam aos fatos geradores do presente processo, ocorridos anteriormente, em 2008. No entanto, não deixa de ser um argumento do julgador de primeira instância o fato de que tais atos normativos vieram melhor elucidar a questão. De todo modo, como exposto acima, a interpretação que melhor se ajusta ao sistema de classificação fiscal, antes desses atos normativos, é aquela da fiscalização de que as impressoras importadas pela recorrente devem se classificar no código NCM/SH 8443.32.99, ao invés dos códigos adotados de 8443.32.32 ou 8443.32.40, vez que elas imprimem em rolos e todas as suas especificações do fabricante são em milímetros por segundo ou pontos por polegada por segundo. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 467 11 Por fim, o terceiro ponto de discordância da recorrente reside no entendimento constante na decisão recorrida de que embora beneficiadas pelo instituto da Consulta, as impressoras que foram classificadas pela impugnante no código 8443.32.40, diferente daquele indicado na Solução de Consulta (8443.32.32), de forma que não caberia a reclassificação fiscal proposta no auto de infração, mas seria devida a multa por classificação incorreta, veiculada pelo art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001, nas impressoras abaixo relacionadas: Assiste razão à recorrente quando diz que "Para punir o contribuinte por ter usado a posição 8443.32.40 ao invés da 8443.32.32, considerada a correta em razão de consulta fiscal, é preciso novo lançamento. Se a DRJ reclassifica a mercadoria em posição diferente da adotada no Auto de Infração, a consequência é o cancelamento do lançamento, não podendo prevalecer a penalidade primitiva". É certo que, em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e com o art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo não pode subsistir na parte em foi considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância. Conforme bem esclarece Meirelles3, a teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Dessa forma, no caso concreto, não pode remanescer essa parte da autuação pois há desconformidade entre a realidade ("reclassificação" da DRJ para 8443.32.32 conforme as Soluções de Consulta) e os motivos determinantes da exigência da multa por erro de classificação fiscal (reclassificação do AuditorFiscal para 8443.32.99 no auto de infração). Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a multa por erro de classificação fiscal em relação às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.40 objeto da Adição 002 da Declaração de Importação nº 08/01451714. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 3 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, p. 197. Fl. 472DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora Designada Na sessão de julgamento, ousei em divergir da Ilustre Relatora especificamente quanto à produção de efeitos para a Recorrente das Soluções de Consulta emitidas pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira COANA vigentes à época dos fatos geradores autuados, nas quais o sujeito passivo se respaldou para enquadrar as impressoras por ela comercializadas no código NCM 8443.32.32. Com efeito, como relatado e como se depreende do próprio Relatório Fiscal da autuação, para proceder com a classificação fiscal das mercadorias, a Recorrente utilizou aquela indicada pelo referido órgão em soluções de consulta emitidas para a mesma mercadoria por ela importada ou com características técnicas semelhantes (impressoras). Estes posicionamentos externados pela COANA foram enfrentados frontalmente pela fiscalização no Auto de Infração lavrado, para quem estaria incorreto aquele posicionamento administrativo externado anteriormente pelo órgão competente da Secretaria da Receita Federal para outros contribuintes que comercializavam a mesma mercadoria. De fato, pela simples leitura do Relatório Fiscal vislumbrase que em todo momento o I. Fiscal buscou refutar os fundamentos das soluções de consulta da COANA que expressavam que a classificação fiscal correta é aquela adotada pelo sujeito passivo (NCM 8443.3232). Vejamos as menções às soluções de consulta no Relatório Fiscal: "A análise da classificação das impressoras, objeto deste relatório, resta patente e indiscutível por parte da fiscalização com relação ao entendimento da fiscalizada até este nível. A diferença de entendimento PASSA AGORA a prevalecer, inclusive sobre pareceres exarados em processos de consulta elaborados pela COANA — CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (solicitado pela Associação Brasileira da Indústria Grilica ABIGRAF, sendo que a fiscalizada não filiada a entidade consulente) e apresentados pelo contribuinte em sua defesa. Elaboramos nosso entendimento visando sustentar o Auto de Infração emitido com base neste relatório, refutando inclusive o entendimento das soluções de consulta." (efl. 23 grifei) "Fica claro a partir da classificação determinada que o legislador tem conhecimento de velocidade de impressora de código de barras postais em metros por segundo (m/s) e que certamente são impressoras de bobina, pois como se nota nos sítios da WEB dos fabricantes e revendedores das máquinas em questão só apresentam velocidade de impressão em metros por segundo (m/s) ou em polegadas por segundo ("Is) e certo é que nem o fabricante acredita que suas máquinas imprimem "páginas por minuto", pois senão certamente constaria nas especificações das mesmas essa indicação, informação importante para avaliação de compras das mesmas e somente com um exercício de ficção é possível classificar as máquinas em questão nas classificações alegadas pelo importador E TAMBÉM NAS SOLUÇÕES DE CONSULTA EMANADAS PELA COANA/RFB." (efl. 28 grifei) Observase, portanto, que a fiscalização alterou, no Auto de Infração, o critério jurídico expressamente trazido pelas soluções de consulta COANA, na qual se Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 468 13 respaldou o sujeito passivo para suas importações realizadas em janeiro e fevereiro/2008 em legitima confiança nos atos da Administração Pública. Cumpre frisar que o fato das mercadorias da Recorrente se enquadrarem no entendimento exarado nas soluções de consulta não foi em nenhum momento refutado pela fiscalização. De fato, a única questão enfrentada pelo fiscal que procedeu com a lavratura do Auto é que, no seu entender, o fundamento jurídico adotado pelas soluções consulta estaria equivocado. Somente para melhor visualização da especificidade das mercadorias importadas pela Recorrente e abrangidas nas soluções de consulta nas quais se baseou (impressoras), vejamos o teor de algumas delas a título ilustrativo (vez que, repitase, a fiscalização não refutou a sua aplicação às mercadorias importadas pela Recorrente, objeto da autuação): "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Impressora de transferência térmica de cera sólida, com velocidade de impressão inferior a 30 paginas por minuto, própria para ser conectada a máquina automática para processamento de dados, utilizada na impressão de textos, gráficos, códigos de barra e caracteres alfanuméricos, comercialmente denominada "Impressora de Código de Barra", marca registrada "Zebra", modelo "Xi", tipos "140 / 170 e 220", fabricada por "Zebra Technologies Corporation", apresentada isoladamente, classificase no código 84433232 da NCM'" (Solução de Consulta n.º 8 de 29 de Agosto de 2007 grifei) "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Impressora de transferência térmica de cera sólida, com velocidade de impressão inferior a 30 páginas por minuto, própria para ser conectada a máquina automática para processamento de dados, utilizada na impressão de textos, gráficos, códigos de barra e caracteres alfanuméricos, comercialmente denominada “Impressora de Código de Barra”, marca registrada “Zebra”, modelo “Xi”, tipo “110”, fabricada por “Zebra Technologies Corporation”, apresentada isoladamente, classificase no código 8443.32.32 da NCM" (Solução de Consulta n.º 14 de 27 de Setembro de 2007 grifei) Ora, ainda que as referidas soluções de consulta não tenham sido formuladas pela própria Recorrente, elas abrangem mercadorias idênticas ou com a mesma especificação técnica daquelas por ela comercializadas, fato este não refutado pela fiscalização em qualquer momento. A maior preocupação da fiscalização foi trazer elementos jurídicos para afastar os fundamentos destas soluções de consulta. As soluções de consulta são atos administrativos dotados de repercussão pública vez devem ser proferidos em conformidade com o procedimento legal ditado pelos artigos 48 a 50 da Lei n.º 9.430/96 e nos artigos 46 a 53 do Decreto n.º 70.235/72 e suas conclusões devem ser publicadas na imprensa oficial (art. 48, §4º, Lei n.º 9.430/96). Especificamente para as soluções de consulta formuladas quanto à classificação de mercadorias, o art. 50 da mencionada Lei n.º 9.430/96 exige que sejam formuladas por órgão central da Secretaria da Receita Federal, sendo inclusive suscetíveis de serem enviadas aos órgãos do MERCOSUL: Fl. 474DF CARF MF 14 "Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. § 1º O órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2º Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. § 3º Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1º deste artigo, aplicamse as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. § 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48." (grifei) Dessa forma, evidente a presença de uma base de confiança na qual o sujeito passivo se respaldou para orientar as suas ações, procedendo com o enquadramento da NCM em conformidade com o determinado para as mercadorias idênticas às por ele importadas, na forma das soluções de consulta exaradas pelo órgão central da Secretaria da Receita Federal (COANA). Ainda que à época em que foram proferidas essas soluções de consulta não eram consideradas como vinculantes para outros contribuintes e para a própria Administração Pública, como passou a ser realizado após a edição das Instruções Normativas n.º 1.396/2013 e 1464/2014, elas eram dotadas de presunção de validade, vez que expedidas pela autoridade legalmente competente para dirimir controvérsias quanto à classificação fiscal das mercadorias e publicadas no Diário Oficial. Nesse contexto, considerando o exercício da confiança pelo Administrado realizado com fulcro em ato administrativo dotado de presunção de validade vez que publicado e emitido pela Administração Pública em conformidade com os ditames legais aplicáveis, necessária a observância do princípio da proteção da confiança no presente caso. É o que leciona Humberto Ávila: "(...) se o contribuinte dispôs, de maneira significativa, dos seus direitos de liberdade e de propriedade e há um nexo de causalidade entre os atos de disposição e a eficácia tributária decorrente da consulta, no sentido de que a resposta à consulta foi decisiva para a atuação do contribuinte, deve haver proteção da confiança nela depositada. novamente, se a confiança depositada na consulta não é garantida, a sua própria eficácia fica comprometida: o contribuinte só se utiliza da consulta para reduzir o seu risco estratégico. Se ela não vincular a Administração, a sua função instrumental, relativamente à segurança jurídica, fica comprometida. Portanto, a eficácia da consulta, no que concerne à proteção da confiança, não decorre de sua qualidade normativa aliás, secundária , mas da sua função relativamente à segurança jurídica: ainda que ela não tenha força normativa por si, ela exerce uma função instrumental relativamente à realização dos ideais de cognoscibilidade e de calculabilidade do Direito"4 (grifei) Nesse sentido que é aplicável à hipótese o art. 146, do CTN, que expressa: 4 ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica. 4ª ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 476477 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10660.000903/200836 Acórdão n.º 3402003.970 S3C4T2 Fl. 469 15 "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." Com efeito, tendo entendido a fiscalização que deveria ser alterado o critério jurídico adotado pela própria Administração Pública nas soluções de consulta emitidas pelo órgão competente para dirimir dúvidas quanto à classificação fiscal de mercadorias idênticas ou semelhantes às importadas pela Recorrente, essa mudança de orientação somente poderia ser aplicada para o futuro, nunca para o passado à luz do art. 146, do CTN acima transcrito. Nesse sentido são igualmente as lições de Ricardo Lodi Ribeiro: "Se a Administração identifica como correta determinada interpretação da norma e depois verifica que esta não é a mais adequada ao Direito, tem o poderdever de, em nome de sua vinculação com a juridicidade e com a legalidade, promover a alteração do seu posicionamento. Porém, em nome da proteção da confiança legitima, deve resguardar o direito do contribuinte em relação aos lançamentos já efetuados"5 Nesse sentido, à luz do princípio da proteção da confiança consagrado pelo art. 146, CTN, considerando que a Recorrente se respaldou em ato legítimo e presumidamente válido da Administração Pública concernente à classificação das mercadorias por ela importadas (soluções de consulta COANA), necessário afastar a exigência tributária do lançamento quanto às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.32. Como visto, a alteração do critério jurídico realizado pela fiscalização no lançamento (alteração do código NCM a ser adotado) somente poderia ser exigido para os fatos geradores futuros. Especificamente quanto ao erro de classificação fiscal em relação às impressoras classificadas sob código NCM/SH 8443.32.40 objeto da Adição 002 da Declaração de Importação nº 08/01451714, concordo com o entendimento da Relatora, razão pela qual voto por dar integral provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora Designada 5 RIBEIRO, Ricardo Lodi. A preteção da Confiança Legítica do Contribuinte. RDDT n.º 145, outubro/2007, p. 99. Fl. 476DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720986/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS.
O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN.
REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS
A nulidade do decisões que alteram o critério jurídico do lançamento está amparada na premissa da segurança jurídica e do primado da ampla defesa. Tais premissas, no entanto, devem ser aferidas em concreto e não em abstrato. No presente feito, os referidos postulados foram concretamente maculados, pois, se a autoridade fiscal tivesse realizado o lançamento com a fundamentação jurídica da decisão da DRJ (ativação de gastos), estaríamos diante de uma potencial situação de postergação de imposto, capaz de levar o contribuinte a trazer elementos factuais novos para, ao menos, mitigar a autuação. Não se trata, assim, do novo enquadramento legal de um fato único, mas sim de uma nova qualificação jurídica que enseja uma transmutação do fato originariamente positivado pela autoridade fiscal (despesas não necessárias) para outro que guarda maior complexidade (ativação de gastos), inclusive temporal.
Numero da decisão: 1401-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR preliminar de reexame e, no mérito, DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS A nulidade do decisões que alteram o critério jurídico do lançamento está amparada na premissa da segurança jurídica e do primado da ampla defesa. Tais premissas, no entanto, devem ser aferidas em concreto e não em abstrato. No presente feito, os referidos postulados foram concretamente maculados, pois, se a autoridade fiscal tivesse realizado o lançamento com a fundamentação jurídica da decisão da DRJ (ativação de gastos), estaríamos diante de uma potencial situação de postergação de imposto, capaz de levar o contribuinte a trazer elementos factuais novos para, ao menos, mitigar a autuação. Não se trata, assim, do novo enquadramento legal de um fato único, mas sim de uma nova qualificação jurídica que enseja uma transmutação do fato originariamente positivado pela autoridade fiscal (despesas não necessárias) para outro que guarda maior complexidade (ativação de gastos), inclusive temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 86 /2 01 2- 98 Fl. 2053DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR preliminar de reexame e, no mérito, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA. Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o processo dos autos de infração lavrados pela Demac (RJ), referentes ao anocalendário de 2008, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 78.750.000,00 (fls. 1120/1126 e termo de verificação às fls. 1103/1119), e a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, no valor de R$ 28.350.000,00 (fls. 1127/1132), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 O interessado adquiriu os controles acionários das empresas Brasil Telecom S/A (CNPJ 76.535.764/000143 BRT) e Brasil Telecom Participações S/A (CNPJ 02.570.688/000170 – BRTP). Para concretização do negócio, o interessado obrigouse a um pagamento de R$ 315 milhões para encerramento dos litígios entre os controladores da BRT/BRTP e as partes Opportunity/Banco Opportunity. Tal pagamento foi contabilizado em despesas operacionais, sem ter sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 2.1 O montante pago foi contabilizado em 30/4/2008, conforme a seguir: (...) 2.2 Segundo a fiscalização, revelase como pressuposto fundamental para a dedutibilidade das despesas a existência da documentação hábil e idônea que evidencie a necessidade e Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16682.720986/201298 Acórdão n.º 1401001.768 S1C4T1 Fl. 2.054 3 usualidade da operação praticada, bem como que esta não caracterize como mera liberalidade. Ao caso constatouse a ausência dos elementos necessários à caracterização da mencionada dedutibilidade, por se tratar de negócio extraordinário. A aquisição de outra empresa não se configura atividade usual. 2.3 No entender dos autuantes, ao assumir o ônus pelos respectivos pagamentos, o interessado incorreu em mera liberalidade, visto que os litígios eram entre terceiros não relacionados originalmente com interessado. Assim, as despesas não eram usuais e necessárias à atividade da empresa. 2.4 Nestas circunstâncias, a despesa foi considerada não necessária por desatender ao art. 229 do RIR1999. 3 Cientificado das exigências em 17/10/2012, o interessado apresentou a impugnação em 16/11/2012 (fls. 1193/1217), na qual alegou, em síntese, que: os pagamentos correspondentes às despesas tiveram a finalidade de encerrar, dar quitação e renunciar aos direitos relativos aos litígios existentes ou que pudessem vir a existir, envolvendo as empresas que seriam adquiridas naquela ocasião, de modo que tais litígios não viessem a obstar o processo de aquisição do controle acionário das empresas; a apuração dos tributos exigidos já foi objeto de exame fiscalizatório anterior, que resultou na lavratura de termo de encerramento, sem qualquer exigência fiscal; o novo procedimento foi precedido de autorização para o reexame nos termos do art. 906 do RIR/1999. Entretanto, o art. 145 do código Tributário Nacional – CTN preceitua que o lançamento regularmente notificado somente poderá ser alterado pela autoridade administrativa nas hipóteses enumeradas no art. 149; os lançamentos ora combatidos não podem subsistir por falta de comprovação da ocorrência das hipóteses constantes no art. 149 do CTN; admitir que a despesa foi uma mera liberalidade seria o mesmo que aceitar que os administradores da empresa praticaram atos proibidos pela lei societária. Os acionistas da empresa, que referendaram o ato, seriam em tese prejudicados por ele. O at. 154, §2º, letra “a”, da Lei 6.404/1976 veda expressamente ao administrador a prática de ato de liberalidade à custa da companhia; o conceito de liberalidade que se contrapõe ao conceito legal de necessidade, corresponde a ato de favor, estranho aos objetivos sociais, além dos poderes conferidos à administração da empresa; Fl. 2055DF CARF MF 4 não é estranho aos objetivos sociais da companhia adquirir controle acionário de outra companhia. Também é de interesse que a aquisição esteja livre de quaisquer demandas judiciais; a liberalidade caracterizase por ser ato espontâneo, de mera bondade ou magnanimidade, em virtude do qual a pessoa é favorecida ou beneficiada economicamente; o fato de um negócio ser extraordinário não é suficiente para caracterizálo como não sendo uma atividade usual da empresa. O conceito de despesas normais e usuais deve ser interpretado como sendo àquelas pertinentes à atividade que constitua o objeto social da empresa; a aquisição de controle acionário está disposto no art. 2º, parágrafo único, inciso I, do estatuto social; não há norma legal que condicione uma despesa a consecução do objetivo, no caso, a aquisição do controle da BRT; na apuração dos valores devidos não foram deduzidos os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados na declaração do ano e nem as deduções admitidas, tais como as do programa de alimentação do trabalhador (PAT), de caráter cultural e artístico (Lei Rouanet), da atividade audiovisual, do fundo da criança e do adolescente, da lei dos esportes; a glosa da despesa considerada desnecessária na base de cálculo da CSLL carece de fundamento legal, posto que não existe qualquer norma que trate da questão; não incidem juros sobre a multa punitiva. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1315 a 1324) negou provimento à defesa pelas razões que se seguem. A defesa alega reexame fiscal com base em documento que se refere a diligência. Nada obstante, a diligência tem finalidade diversa do procedimento destinado a promover o lançamento. Ademais, o único auto de infração lavrado contra o interessado, relativamente ao anocalendário de 2008, referese ao exame de despesas com inovação tecnológica, que foi objeto do processo administrativo fiscal nº 16682.721105/201175. No mérito, a manutenção da glosa de despesa teve os seus fundamentos assim veiculados: 19 Ao caso sob exame, a operação de aquisição das ações das empresas Brasil Telecom pelo interessado encontra amparo em seu estatuto social e está dentro de seu objetivo social, que é a exploração do mercado de telefonia. Quanto ao valor pago de R$ 315 milhões, por visar ao desembaraço das ações, evitando pendências que viessem a dificultar a aquisição das empresas, e por estar ligado intimamente ao investimento, deveria ter sido contabilizado ao custo do investimento e não em despesa. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16682.720986/201298 Acórdão n.º 1401001.768 S1C4T1 Fl. 2.055 5 20 O citado valor é parte do investimento realizado e dele não se pode desassociar. Conforme citado no §17, o custo do investimento é o valor efetivamente despendido na transação pela compra das ações. Como é custo, não poderia ter sido contabilizado diretamente em despesas. (...) 22 Assim, tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, o valor de R$ 315 milhões não pode influenciar as respectivas bases de cálculos, pois não atendem o conceito de despesa. Tal valor é custo do investimento realizado. Quanto à compensação com saldos negativos de anos anteriores, a DRJ aduziu que já teriam sido empregados em PERDCOMP. No tocante às deduções alegadas, a autoridade fiscal asseverou que a defesa não apresentou qualquer prova acerca desses valores. Por fim, argumentou que os juros também incidem sobre a multa de ofício, uma vez que alcançam a totalidade do crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 1333 a 1408, mediante o qual teceu as razões que se seguem. Preliminarmente, reitera as razões quanto à impossibilidade de reexame fiscal do período de apuração e contraargumenta as razões postas na decisão recorrida. Nesse caso, aduz que é possível novo exame, mas desde que atendidos os pressupostos do art. 149 do CTN; que, apesar de não ter havido lançamento de ofício no primeiro procedimento (a diligência fiscal), houve lançamento por homologação, que foi homologado pelo terno de encerramento, tanto que foi necessária a autorização para novo exame; que o art. 149 do CTN não faz distinção entre um exame específico e um exame genérico. No mérito, aduz ser incontroversa a ocorrência dos valores pagos, o que se discute é a sua natureza e dedutibilidade do IRPJ e da CSLL. O termo de verificação reconhece a natureza jurídica de despesa dos valores pagos, questionando apenas a sua necessidade. Nesse, passo reitera as razões já apresentadas na impugnação para defender a necessidade das intituladas despesas. A DRJ reconheceu que os valores pagos fazem parte das atividades da empresa. Todavia, ao revés de dar provimento à impugnação, manteve o lançamento por fundamento diverso. A fiscalização não questionou a natureza de despesa dos valores pagos. A lide posta pela autoridade lançadora se restringiu à necessidade dessas despesas. Defende a natureza de despesa dos valores pagos com base em pronunciamentos de autoridades contábeis, sob o fundamento de que o fato gerador do investimento é a sua aquisição, fato este ainda não ocorrido por ocasião dos dispêndios. Fl. 2057DF CARF MF 6 Aduz ainda que a DRJ incorretamente inovou o lançamento, competência que não dispõe. O critério jurídico adotado na decisão recorrida totalmente distinto daquele adotado no lançamento. Enquanto no lançamento, o valor foi irremediavelmente glosado; na decisão, haveria o fenômeno da postergação. Assim, a decisão da DRJ repercute na apuração de períodos posteriores, enquanto o lançamento não produz o mesmo efeito. Assim, a DRJ violou a ampla defesa, o contraditório e o disposto no art. 146 do CTN. Quanto a dedução de saldos credores de IRPJ e CSLL, a defesa reitera os argumentos já oferecidos na impugnação e contesta a posição da DRJ sob o fundamento de que o fato de ter utilizado tais montantes para compensação não deveria obstruir o seu pleito, uma vez que as compensações ainda não teriam sido homologadas, nem os créditos teriam sido restituídos. No tocante às deduções incentivadas, questiona a razão da decisão recorrida de que não apresentou provas da sua realização com as afirmativas de que: (i) tais valores constam da sua DIPJ e são parte integrante da própria apuração do IRPJ, (ii) é dever da autoridade fiscal considerálas, (iii) a documentação não foi solicitada à recorrente e (iv) a SRF dispunha de informações sobre esses valores em "diversas" obrigações acessórias (DIPJ e SPED). Assevera ainda ausência de base legal para a glosa de despesa não necessária da base de cálculo da CSLL. Por fim, reitera as razões relativamente aos juros sobre a multa de ofício. DAS CONTRARAZÕES A D. Procuradoria apresentou contrarazões recursais às fls. 18721900, mediante as quais teceu as seguintes considerações. Cabe revisão do lançamento com base no art. 149 do CTN, uma vez que, conforme o inciso V, houve inexatidão no lançamento por homologação pelo contribuinte e, toda vez que isso ocorre, deve a autoridade corrigilo por meio de procedimento de ofício. As despesas registradas não preenchem os requisitos do art. 299 do RIR. Nas suas palavras: Nesse ponto, vale a pena elucidar o significado de cada um dos requisitos elencados pela legislação tributária para que a despesa possa ser considerada operacional e, consequentemente, dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Inicialmente, temse por necessária a despesa essencial às operações relacionadas com a exploração da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, e que esteja vinculada com a fonte produtora de rendimentos. Por sua vez, despesa normal é aquela compatível com realização do negócio, vale dizer, que não destoa das atividades empresariais desenvolvidas pela pessoa jurídica. Por fim, a usualidade deve ser interpretada no sentido de prática geralmente observada em determinada espécie do negócio – tendo relação estreita com a normalidade. Tratase, portanto, de um conjunto de conceitos imprescindíveis para que seja possível a dedução. Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 16682.720986/201298 Acórdão n.º 1401001.768 S1C4T1 Fl. 2.056 7 No entanto, essas características não podem ser atribuídas aos gastos realizado pela contribuinte. De fato, basta examinar as circunstâncias que envolveram o negócio jurídico relatado pela autoridade fiscal para constatar, claramente, que os valores pagos pela TELEMAR NORTE LESTE – em decorrência do acordo de transação firmado entre as partes BRASIL TELECOM e as partes OPPORTUNITY – não se enquadram na concepção de despesas operacionais trazida pelo art. 299 do RIR/99. Ademais, traçou dois cenários: Primeiro: a recorrente pagou os valores que se refletiram no preço final do negócio. Nesse caso, inviabilizase o conceito de despesa e foi essa a linha adotada pela decisão recorrida. Segundo: os valores foram pagos, mas sem nenhuma contrapartida financeira. Nesse caso, reforçaria o aspecto de que tais valores foram pagos por mera liberalidade. No tocante, à suposta ilegalidade da autuação relativamente à CSLL em razão de o art. 299 do RIR não ser aplicável a esta contribuição, o art. 57 da Lei 8.981/95 determina a aplicação à CSLL das mesmas normas de apuração do IRPJ. Por fim, no tocante à incidência de juros sobre a multa, tece acalentadas considerações sobre a interpretação e o alcance do que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Preliminares Revisão do lançamento O procedimento de diligência é residual em relação ao de fiscalização. Visa realizar averiguações que não irão acarretar, naquele procedimento, lançamento tributário. É por meio desse procedimento, por exemplo, que as autoridades fiscais coletam informações para subsidiar o julgador administrativo, por exemplo. Também pode ser empregado pelo setor de programação para coletar informações acerca de fatos praticados pelos contribuintes para só daí a autoridade local decidir se irá aprofundar a investigação, desta vez com intenção de realizar o lançamento tributário. Aliás, é justamente para isso que existe a distinção entre o procedimento de diligência e o de fiscalização. O encerramento da diligência, assim, não implica a homologação da apuração empreendida pelo contribuinte, porque seu encerramento, pela sua própria natureza, nunca redunda em lançamento tributário. Fl. 2059DF CARF MF 8 A autorização para novo exame foi empreendida em razão do lançamento realizado no processo administrativo nº 16682.721105/201175. Tratase de matéria diversa, apesar de haver identificação do mesmo período de apuração. Nesse caso, não há que se falar em revisão do lançamento. Os procedimentos fiscais não tem por objetivo analisar por completo a apuração empreendida pelo sujeito passivo. Dada a complexidade de apuração desse tributo, seu objeto é específico. A revisão, nos termos do art. 149, para o IRPJ, deve ser empreendida apenas em relação à matéria efetivamente examinada, não em relação a todos os itens que compõe a apuração do IRPJ. Tal questão já foi enfrentada pelo CARF, conforme retrata a ementa abaixo reproduzida: REEXAME E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. (AC 1301001.971, de 05/04/2016) Por outro lado, a legislação do imposto de renda exige autorização para o reexame (que não se confunde com a revisão, repito) do período de apuração. Essa autorização foi reconhecida pela própria defesa. Isso posto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela defesa. Mérito Considero irrepreensível a análise feita pela Delegacia de Julgamento quanto à natureza dos valores pagos. A defesa aduz que a aquisição só se concretizou após a realização das referidas despesas e que, portanto, não poderiam ser ativadas. Ora, nada mais falacioso. O reconhecimento de despesas se dá pelo confronto com receitas. Assim indagaríamos: tais despesas foram realizadas com o fito de obter que receitas? A resposta seria nenhuma com a premissa adotada. Ocorre que tais dispêndios tiveram por objetivo adquirir um ativo e, como tais, deveriam ser ativadas quando incorridas para então, após a aquisição, serem revertidas para o custo do investimento. Esse procedimento é similar aos gastos de transporte para a aquisição de mercadorias. Tais valores não podem ser registrados em contrapartida de despesa do período do transporte. Devem ser ativados contra custo da mercadoria adquirida. A própria Fazenda Pública, ao conjecturar dois cenários para o pagamento do preço, corrobora o entendimento de que o valor refletiu no preço final e, portanto, deveria compor o seu custo. Vejamos a seguinte passagem: Realmente, há que se admitir que é no mínimo estranho que administradores de uma pessoa jurídica do porte da TELEMAR corroborem uma operação nesses moldes. Por essa razão, mostrase muito mais coerente a afirmação da DRJ/RJ1, no sentido de que os R$ 315 milhões, na verdade, estavam Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 16682.720986/201298 Acórdão n.º 1401001.768 S1C4T1 Fl. 2.057 9 relacionados à compra da BRASIL TELECOM. Mais especificamente, a TELEMAR concordou em quitar as dívidas, mas como parte do valor que comporia o preço de aquisição da BRASIL TELECOM. Isso posto, devemos enfrentar a questão posta pela defesa em seu recurso de inovação do critério jurídico do lançamento. Com efeito, essa alegação encontra ressonância na jurisprudência do CARF. Abaixo, reproduzo decisões recentes que encampam esse entendimento: JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL DA AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. A norma do art. 146 do CTN complementa a irrevisibilidade do lançamento por erro de direito e proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos. A infração não pode subsistir quando se verifica o equivocado enquadramento e descrição, que ensejam questionamentos e ferem o direito à ampla defesa, que deve estar amparado por uma autuação coerente, bem fundamentada e enquadrada corretamente. (AC 2202003.513, de 17/08/2016). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO VERSUS DILIGÊNCIA. É vedada qualquer alteração no critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, quer pela autoridade responsável pela diligência, quer pela própria autoridade julgadora. (AC 1301001.958, de 03/03/2016) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. GLOSA. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO. Estando a acusação fiscal da glosa da amortização de ágio baseada no desconhecimento dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, em juízos de valor e em digressões, impõese o cancelamento do lançamento. O art. 146 do CTN impede a inovação do lançamento da glosa do ágio por ser relativo à terceira sociedade e por ser ágio de quotas de sociedade limitada. (AC 9101002.185, de 19/01/2016). Esses posicionamentos, contudo, estão calcados, no meu sentir, num formalismo exacerbado. A nulidade do decisões que alteram o critério jurídico do lançamento está amparada na premissa da segurança jurídica e do primado da ampla defesa. Tais premissas, porém, não podem ser estabelecidas em abstrato. Nem todo reenquadramento legal ou requalificação jurídica afeta tais esteios. Se o sujeito passivo teve capacidade de compreender perfeitamente os fatos a ele imputados a lhe possibilitar o exercício amplo da defesa, não é razoável estabelecer que o fiscal é a autoridade máxima e exclusiva para a qualificação jurídica dos fatos de modo a que, na hipótese de discordância da sua interpretação legal, a única solução seja a de invalidar integralmente o ato constitutivo tributário. Tal entendimento elevaria uma autoridade administrativa ao cume da hierarquia normativa, acima até do plenário do Supremo Tribunal Federal. Fl. 2061DF CARF MF 10 Apesar de a atividade de lançar ser exclusiva, por lei, da autoridade fiscal, a qualificação jurídica dos fatos que ensejaram o lançamento não podem ser privativa dessa autoridade, pois não se harmoniza com as demais atividades de aplicação do direito, nem sequer com a imputação penal, a qual tutela direitos de maior envergadura que o patrimonial afetado pelo lançamento tributário. De fato, o direito tributário possui fronteiras mais rígidas na atuação do Estado em face dos particulares, mas tais limites não podem ser os mais severos encontrados na ordem pátria. Desse modo, com o fito de harmonizar a aplicação do direito tributário com as demais estruturas normativas nacionais, uma nova qualificação jurídica só merece repúdio se concretamente violar direitos individuais, como a ampla defesa e o contraditório, algo que deve ser aferido em cada situação particular e não considerado irrefletidamente em abstrato. No presente caso, entendo que a nova qualificação ensejou, de fato, um prejuízo concreto para o particular. Afinal, se a autoridade fiscal tivesse realizado o lançamento com a fundamentação jurídica da decisão da DRJ, estaríamos diante de uma potencial situação de postergação de imposto, capaz de levar o contribuinte a trazer elementos factuais novos para, ao menos, mitigar a autuação. Não se trata, pois, de um novo enquadramento legal de um fato único, mas sim de uma nova qualificação jurídica que enseja uma transmutação do fato originariamente positivado pela autoridade fiscal para outro que guarda maior complexidade, inclusive temporal. Dessarte, entendo irrepreensível a decisão recorrida quanto à qualificação jurídica para o valor objeto do lançamento. Nada obstante, no presente caso, esse novo enquadramento não pode ser empreendido pela autoridade julgadora por ferir concretamente o postulado da segurança jurídica. Conclusão Por essas razões, voto para rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 2062DF CARF MF
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