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Numero do processo: 14041.000215/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 15 /2 00 9- 03 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.917 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] No ver do r. acórdão, a autoridade fiscal não comprovou o marco inicial do prazo decadencial para o lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores. Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Data venia, a Embargante discorda do entendimento do r. acórdão, haja vista ser fato incontroverso que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. (...) Em verdade, o Embargado nada tem a se opor aquele fato, que resta incontroverso, pois, sua defesa se funda na tese de que a decadência, na forma do disposto no CTN, art. 173, inciso II, deveria ser contada a partir da prolação dos r. acórdãos em 31/10/2003. Portanto, a teor do disposto no Código de Processo Civil, art. 334, inciso III, não dependem de prova os fatos admitidos, no processo, como incontroversos. Outrossim, os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade, cabendo nessa toada e por força do CPC, art. 334, inciso IV, ser admitidos como válidos. (...) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000215/200903 Acórdão n.º 2402004.131 S2C4T2 Fl. 3 3 Consignese, por fim, que a teor do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, art. 10, inciso II, § 2º, inciso I, c/c art. 11, considerase feita a intimação se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Desse modo, ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000215/200903 Acórdão n.º 2402004.131 S2C4T2 Fl. 4 5 Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000215/200903 Acórdão n.º 2402004.131 S2C4T2 Fl. 5 7 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003457/2003-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 1998
MULTA ISOLADA. EXTINÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se retroativamente aos atos não definitivamente julgados a norma benigna que extinguiu a multa de ofício isolada de 75%, nos casos de pagamento ou recolhimento em atraso, sem o acréscimo da multa moratória, em conformidade com reiterada jurisprudência deste colendo CARF (Súmula CARF nº 31)
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Monica Elisa de Lima e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EXTINÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase retroativamente aos atos não definitivamente julgados a norma benigna que extinguiu a multa de ofício isolada de 75%, nos casos de pagamento ou recolhimento em atraso, sem o acréscimo da multa moratória, em conformidade com reiterada jurisprudência deste colendo CARF (Súmula CARF nº 31) Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Monica Elisa de Lima e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 34 57 /2 00 3- 59 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10410.003457/200359 Acórdão n.º 3301002.199 S3C3T1 Fl. 62 2 Relatório Cuidase de recurso de ofício em face da decisão que julgou improcedente o lançamento destinado a cobrança da multa isolada por falta de pagamento da multa de mora aplicada em virtude do recolhimento extemporâneo do tributo, conforme sintetiza a ementa do Acórdão recorrido: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA DE MORA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA Em face do principio da ,retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, exonerase a multa isolada lançada por falta de pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos, porquanto revogado o dispositivo legal que amparava a exigência. Lançamento Improcedente É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, inclusive em razão ao valor de alçada tendo em vista que a multa exonerada ultrapassa a importância de R$1.000.000,00, devendo por isso ser conhecido. O motivo da exclusão desta parcela do lançamento foi a mudança na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, introduzida pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, a qual foi aplicada retroativamente, em benefício do contribuinte, em conformidade com o art. 106 do CTN. De fato, na época do lançamento, os arts. 43 e 44 da Lei nº 9.430/96 previam o lançamento da multa isolada de 75%, por “pagamento ou recolhimento após o vencimento, sem o acréscimo de multa de mora”. No entanto, após o lançamento e antes do julgamento de 1ª instância, foi publicada a Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10410.003457/200359 Acórdão n.º 3301002.199 S3C3T1 Fl. 63 3 I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa fisica, b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Desta forma, deve ser considerada correta a aplicação retroativa da mencionada lei ao caso concreto, à luz do disposto no art. 106, II, "c" do CTN, que versa sobre a retroatividade benigna (“aplicação da lei a ato ou fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática”). A decisão recorrida merece ser improvida por seus próprios fundamentos, estando a mesma em conformidade com a reiterada jurisprudência deste Egrégio CARF, in verbis: MULTA ISOLADA. EXTINÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase retroativamente aos atos não definitivamente julgados a norma benigna que extinguiu a multa de ofício isolada de 75%, nos casos de pagamento ou recolhimento em atraso, sem o acréscimo da multa moratória. (Ac. 1401000.260, rel. Conselheiro Luiz Gomes de Matos). De fato o assunto encontrase inclusive Sumulado (Súmula CARF nº 31), conforme bem salientou a i. Relatora Conselheira Andrea Medrado Darzé, no Acórdão nº 3301001.553, cuja ementa é a seguir reproduzida: MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos da Súmula CARF nº 31, descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerias de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não é cabível a exigência de multa nas hipóteses em que o contribuinte realiza o pagamento integral do tributo devido antes da entrega da DCTF e do início de qualquer procedimento de fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Recurso Voluntário Provido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10410.003457/200359 Acórdão n.º 3301002.199 S3C3T1 Fl. 64 4 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004945/98-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/1995 a 30/09/1995
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI No 9.363/96.
De acordo com o art. 3o da Lei 9.363/96, o alcance dos termos matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. A regulamentação do IPI rege que somente dão direito a crédito os insumos que integrem o produto final ou que, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido de votar. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.[Tabela de Resultados]
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
JOEL MIYAZAKI - Relator.
EDITADO EM: 06/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto);
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/1995 a 30/09/1995 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI No 9.363/96. De acordo com o art. 3o da Lei 9.363/96, o alcance dos termos matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. A regulamentação do IPI rege que somente dão direito a crédito os insumos que integrem o produto final ou que, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal. Recurso especial do contribuinte negado.
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LEI No 9.363/96. De acordo com o art. 3o da Lei 9.363/96, o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. A regulamentação do IPI rege que somente dão direito a crédito os insumos que integrem o produto final ou que, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarouse impedido de votar. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.[Tabela de Resultados] LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. JOEL MIYAZAKI Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 49 45 /9 8- 30 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 06/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto); Relatório Tratase de recurso especial da contribuinte em que se pleiteia o afastamento da glosa efetuada pela autoridade fazendária de crédito presumido de IPI oriundo de insumos utilizados em sua produção independentemente da integração deles ao produto final exportado. Alega em síntese a contribuinte que bastaria comprovar o desgaste sofrido pelo insumo durante o processo produtivo. Contestando também a necessidade de contato direto dos referidos insumos com o produto final. A decisão recorrida da Primeira Câmara do então Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consubstanciada no acórdão de número 20176.926 de 13 de maio de 2003 cuja ementa abaixo transcrevo: CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Na 9.363/96. De acordo com o art. 3o da Lei 9.363/96, o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. E a normatização do IPI nos dá conta que somente dará margem ao creditamento de insumos, quando estes integrem o produto final ou, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal. Recurso negado. Adoto o relatório da decisão recorrida conforme abaixo transcrito, com as devidas adições. Versam os autos sobre lançamento de IPI tendo em vista o entendimento da fiscalização de que a empresa epigrafada cometeu erros no cálculo do crédito presumido do IPI (Lei no 9.63/96), tendo, em conseqüência, se creditado indevidamente de valor a maior, tudo conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 07/08. Em síntese, as infrações detectadas foram: que houve antecipação a maior que o permitido na legislação de regência do benefício (fl. 11), gerando um valor de crédito apropriado indevido de R$194.389,25 durante o exercício de 1995, o qual foi glosado a partir da mais antiga das parcelas creditadas conforme coluna H da planilha à fl. 11; a inclusão indevida de Fl. 390DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.004945/9830 Acórdão n.º 9303002.913 CSRFT3 Fl. 351 3 alguns insumos (monoetilenoglicol MEG , dietilenoglicol DEG e calcita britada) e do frete; e ajuste no código 00183 (saco papel 2 fl. sp). A decisão a quo manteve parcialmente o lançamento, considerando indevida a glosa dos fretes constantes da aquisição do produto EDD, matériaprima do produto que a recorrente industrializa, vez que em seu entender o custo do frete deve ser apropriado ao cômputo das aquisições integrandose à base de cálculo do benefício fiscal. Irresignada com a r. decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde, em resumo, alega que os insumos di etilenoglicol (DEG), monoetilenoglicol (MEG) e calcita britada devem entrar no cálculo do benefício, vez que em seu entender é assegurado o direito ao crédito presumido relativo aos insumos consumidos em decorrência do processo de industrialização, assim considerando seu desgaste, dano ou perda das qualidades essenciais em decorrência do processo produtivo. Como, assevera, tais produtos constituemse em elementos imprescindíveis ao seu processo produtivo e sofrem perda das qualidades físicas e químicas decorrentes do mesmo, devem ser considerados no cálculo do benefício sob análise, sendo, portanto, indevida a glosa. Com o fito de provar o desgaste de tais insumos no decorrer do processo produtivo, a empresa afirma, em relação ao MEG e DEG, que os mesmos são álcoois adquiridos no mercado interno utilizados "para controle da temperatura do sistema de refrigeração de máquinas e equipamentos aplicados em seu processo produtivo", contestando a fundamentação da r. decisão de que tais álcoois seriam utilizados como fonte de energia, e concluindo que os mesmos são produtos intermediários. Quanto à calcita britada, aduz que é um produto alcalino de origem mineral "cujo papel na industrialização consiste em anular os efeitos do ácido clorídrico derivado do processo produtivo". Demais disso, a defendente aponta erro nos cálculos efetuados pela decisão recorrida (fl. 137) que considerou o valor de R$79.198.791,02 (coluna 1 da tabela 1) como sendo o total dos insumos declarados pelo contribuinte. Alega que ela tem duas inconsistências. A primeira é que ela parte do valor confeccionado pelo fiscal autuante agregando os insumos que ele entendeu deveriam ser considerados, mas antes de efetuar o ajuste a que se refere à autuação em relação ao saco de papel 2 fl. sp (cód. 000183), ou seja, antes de subtrair o valor de R$6,00 e adicionar o valor de R$156.542,05. O segundo equívoco apontado é que o valor correto a ser considerado deveria levar em conta que a decisão recorrida manteve a glosa, tãosomente, das parcelas relativas aos insumos DEG, MEG e calcita, pelo que, conclui, os demais insumos excluídos pela fiscalização devem compor a base de cálculo do crédito presumido. Com base em tais assertivas refaz os cálculos apontando o valor que entende correto, pedindo diligência saneadora para o fim de Fl. 391DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 atestar o real montante das aquisições de insumos no ano de 1995. Por fim, insurgese contra o não reconhecimento do pagamento efetuado em 31/10/97, aduzindo que, com base na MP 1.48427, a empresa com mais de um estabelecimento produtor pode apurar o crédito presumido na matriz. Como constatou em 1997 que na base de cálculo do crédito presumido do IPI haviam sido incluídos produtos cujo crédito não era aceito pelo Fisco, recalculou o benefício fiscal, e, constatando apropriação a maior que o da legislação, recolheu naquela data R$301.982,36, o que, pugna, deve ser abatido do valor exigido se mantido o lançamento. Voto Conselheiro Joel Miyazaki O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria trazida ao debate diz respeito à possibilidade (ou não) de inclusão de insumos que não integram e que tampouco são consumidos em contato direto com o produto final na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Esta matéria já foi bastante discutida neste colegiado, por isso serei sucinto. O crédito presumido do IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 1995, convertida na Lei nº 9.363, de 1996, com o objetivo de promover a desoneração fiscal das contribuições do PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem no mercado interno, para utilização no processo produtivo do produtorexportador. O parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, prescreve que: Art. 3º. (...) Parágrafo único Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifo nosso) Pela leitura do parágrafo acima, verificamos que o legislador foi bastante explícito na determinação de que se fossem utilizados os institutos e conceitos da legislação do IPI na aplicação do benefício fiscal criado pela referida Lei. Neste ponto, peço vênia para reproduzir excerto do voto vencedor com a qual alinhome e utilizo como razão de decidir: ... Tenho para mim que só podem dar margem a ressarcimento de PIS e COFINS, a título de crédito presumido de IPI, aquelas Fl. 392DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.004945/9830 Acórdão n.º 9303002.913 CSRFT3 Fl. 352 5 mercadorias que, consoante o entendimento previsto na legislação do IPI, possam enquadrarse no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. E, de acordo com a legislação do IPI, tais insumos são aqueles que dão margem ao que veio a chamarse de créditos básicos, ou seja aqueles que geram o direito subjetivo do contribuinte de creditarse de forma a moldarse nos preceitos constitucionais da nãocumulatividade do IPI. Nesse passo, concluo que o benefício só existirá em relação às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram direito ao crédito, pois é isto que dispõe a norma a ser aplicada subsidiariamente. Estatui o art. 25 da Lei 4.502/64, reproduzido no art. 82, inciso I do R1PI/82, que: "Art. 82 — Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." (grifei). E assente na jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes que para dar margem ao creditamento é necessário que os insumos sejam consumidos no processo de industrialização ou sofram desgaste em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Nesse sentido, a ementa1 a seguir transcrita: "CRÉDITO DO IMPOSTO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM — Para aproveitamento do crédito, os bens devem ser consumidos no processo de insdustrialização ou sofrer desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa e, ainda, não estarem compreendidos entre os bens do ativo permanente...." Desta forma, para que determinado insumo possa servir de base ao cálculo do litigado benefício fiscal, deve ficar provado à exaustão, e este ônus é de quem pede, que efetivamente o insumo foi utilizado no processo produtivo em ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, desde que nesse processo sofra perda ou modificação de suas propriedades físicas e/ou químicas. Por seu turno, o Parecer Normativo CST 65/79, aclarando o alcance da norma insculpida no art. 25 da Lei 4.502/64, aduziu que os produtos intermediários e as matériasprima que não Fl. 393DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 integrem o produto final mas que sofram, em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como desgaste, o dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, também dará margem ao creditamento. A contrário senso, de acordo com a legislação de regência do IPI, a qual devemos buscar elementos subsidiários para definir o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, consoante a norma de regência do benefício pleiteado nestes autos, qualquer insumo utilizado no processo produtivo que não atenda tais requisitos não darão margem ao creditamento do IPI, e, por conseguinte, não poderão ser utilizados no cômputo do benefício da Lei na 9.363/96. O resultado da diligência consignou (fato também admitido pela recorrente) que o monoetileno glicol (MEG) e o dietileno glicol (DEG) são álcoois utilizados para o controle da temperatura no sistema de refrigeração do processo produtivo. A calcita britada, por sua vez, sequer participa do processo produtivo, sendo sua utilização necessária a fim de anular os efeitos do ácido clorídrico derivado do referido processo. Dessa forma, verificamos que nenhum dos três produtos se integra e tampouco se desgasta em contato direto com o produto final. Dessa forma, tendo em vista que nenhum dos três produtos se enquadra no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, nego provimento ao recurso especial. Joel Miyazaki Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007538/00-43
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA AMPLIAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE USO PREVISTAS PARA AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL.
As áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas por ato do órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal, poderão ser excluídas da área tributável para fins de apuração do ITR.
Para que se reconheça a isenção de área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação das restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 16/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Carlos André Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA AMPLIAÇÃO DAS RESTRIÇÕES DE USO PREVISTAS PARA AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. As áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas por ato do órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal, poderão ser excluídas da área tributável para fins de apuração do ITR. Para que se reconheça a isenção de área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação das restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 75 38 /0 0- 43 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 16/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Carlos André Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Versam os autos sobre Auto de Infração de ITR Imposto Territorial Rural dos exercícios de 1995 e de 1996, efetuadas mediante notificações de lançamento nos valores de R$ 55.814,62 e de R$ 33.050,25 (fls. 7 e 19), referentes ao imóvel denominado "Unido", localizado em Porto Velho/RO, com área de 27.000 ha e registrado na SRF sob n 0556994.0. O presente lançamento contêm as exigência das Contribuições ao CONTAG, CNA e SENAR. O recorrente impugnou o lançamento alegando que os valores do ITR estão elevados, motivado pelo cálculo com base em injustificável aumento do Valor da Terra Nua VTN arbitrado pela Secretaria da Receita Federal (de R$ 59,60/ha e R$ 35,09/ha, respectivamente) e por ter sido tributada área de reserva florestal. Alega que o imóvel está localizado na Zona 4 do zoneamento Sócioeconômicoecológico a que se refere a Lei Complementar n. 52/1991, do Estado de Rondônia, que amplia para 100% a zona de preservação ecológica. Pela Resolução n. 3011.666, de 13/7/2006, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, o julgamento foi convertido em diligência, tendo em vista que a declaração de fl. 183 do INCRA, de que o imóvel está situado na Zona 4 de restrição ambiental, do zoneamento SócioEconômicoEcológico do Estado de Rondônia, não oferecia a devida convicção para a solução da lide. Decidiuse pela diligência para que o Incra informasse: a) se a tão só localização do imóvel na mencionada Zona 4, implicaria caracterizar tal imóvel como área de utilização limitada; b) como está classificado o imóvel nesse órgão; e c) na hipótese de estar classificado como área de reserva legal, se sua localização na Zona 4 excluiria a obrigação de averbação na sua matricula. O INCRA respondeu nos termos do Oficio n. 1.819/SR (17)/G/INCRA, de 4/8/2007, da Superintendência Regional de Rondônia (fl. 238), no qual informou: que em conformidade com a Lei Complementar n. 52/91 do Governo de Rondônia, as Áreas da Zona tiveram uso restrito, sugerindo consulta junto à SEDAM/RO em vista da nova aproximação; com relação à classificação do imóvel, o que pode informar é a classificação por dimensão e produtividade, como segue: Grande Propriedade Improdutiva; quanto à classificação por zona e a exclusão da averbação da reserva legal, sugere consulta junto à SEDAM. Por sua vez, solicitada a prestar informações, a Sedam respondeu pelo Oficio n 1.104/GAB/SEDAM (fl. 241), encaminhando os documentos de fls. 242/268 e informando que em vista de sua inclusão na ação civil pública objeto do Processo n. 2 2004.41.00.001887 3, com liminar concedida em 2/8/2004 pela 1ª Vara Federal de Rondônia, os imóveis que discrimina estão vetados de terem averbada a reserva legal. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10283.007538/0043 Acórdão n.º 2802002.703 S2TE02 Fl. 297 3 Em retorno, o julgamento foi novamente convertido em Diligência com destino à SRF, desta vez, a fim de que fosse solicitada a manifestação do Ibama: a) sobre a quantidade de áreas do imóvel "Unido", com área total de 27.000 ha e registrado na SRF sob n. 0556994.0, que estava registrada ou aceita por essa autarquia, nos anos de 1994 e de 1995, como de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (art. 11 da Lei n. 8.847/94); e b) sobre se a localização desse imóvel na Zona 4 do zoneamento Sócioeconômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar n 52/1991 (art. 2, IV, abaixo transcrito), implica ou é suficiente para reconhecê lo como área de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (este pedido deverá ser acompanhado das declarações de fls. 182, 183 e 242). Em cumprimento ao determinado em Diligência, o IBAMA forneceu as seguintes informações: a) Antes da edição da Medida Provisória n°216667/2001, de 24 de agosto de 2001, mais especificamente nos anos 1994,1995,1998 de interesse da consulta formulada, a averbação de 50% do imóvel como Área de reserva legal constituía procedimento feito diretamente pelo interessado junto A margem da inscrição da matricula do imóvel constante no registro de imóveis competente. A participação do IBAMA mantinhase restrita à conferência dos dados do mapa e memorial descritivo apresentados pelo proprietário e chancelamento no respectivo termo de averbação da reserva legal a ser levado ao cartório. 3. Geralmente o proprietário rural só tomava essa iniciativa de fazer a averbação quando da necessidade de apresentar um projeto de natureza florestal aprovação do IBAMA, vez que o dever de averbar a reserva legal, embora previsto em lei, não acarretava sanção o seu não cumprimento. Logo, a maioria de proprietários rurais declinava da obrigação, mesmo porque esta impunha limitações ao uso do solo pelo desmatamento. 4. Nesse contexto, a informação objetiva sobre a situação da reserva legal do imóvel em comento, seja de qual período for, só pode ser obtida com segurança junto a sua matriícula no cartório de registro de imóvel competente. 5. Quanto à Área de preservação permanente, esta não constava do termo de averbação da reserva legal, apenas de um termo de compromisso especifico, sem carecimento de averbação no cartório de imóvel, que normalmente acompanhava o mapa de projeto florestal trazido eventualmente à apreciação do IBAMA. Não há registro de projeto dessa natureza tendo como objeto o imóvel em questão. 6. No tocante a Área de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas, assim declarada por ato deste órgão federal, não consta registro sobre a incidência de tais áreas no imóvel sob consulta. b) sobre se esse imóvel está localizado na zona 4 do zoneamento sócio econômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar n° 52/91 (art. 2°, IV, abaixo transcrito), e, em caso positivo, se essa localização implica ou é suficiente para reconhecêlo como área de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas. Resposta válida para todos os lotes: 7. Quanto a localização do imóvel na zona 4 do zoneamento sócio econômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 n° 52/91, nada pode o IBAMA afirmar, tendo em vista ter sido esse instrumento legal — o zoneamento — construído e administrado pelo Estado de Rondônia por meio de seus órgãos competentes. 8. Entretanto, importa afirmar que o fato da existência do zoneamento sócio econômicoecológico disciplinando uso do solo no Estado de Rondônia, inclusive impondo restrições em determinadas áreas, não tem qualquer relação com o instituto da reserva legal, que é obrigatório independentemente do grau de aptidão de uso dessas áreas ditado pelo zoneamento, na forma do Art. 16, parágrafo 8° da Lei n° 4.771/65. Ou seja, não se confundem, em hipótese nenhuma, limitações de uso do solo impostas pela reserva legal com restrições impostas pelo zoneamento ecológicoeconômico, pois as restrições do zoneamento não substituem a necessidade da averbação da reserva legal. Este mesmo raciocínio é válido igualmente para área de preservação permanente ou de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas. Processo redistribuído a esta 2ª Seção de Julgamento. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Recurso tempestivo e sem preliminares. Dele conheço e passo a decidir. Alega o recorrente que com o advento da Lei Complementar n° 52, editada pelo Estado de Rondônia em 20/12/91, o percentual da reserva florestal do imóvel "UNIÃO", foi elevado de 50% (cinqüenta por cento) para 100% (cem por cento), em consonância com o inciso II, art. 11 da lei n° 8.847/94, que faculta à legislação estadual restringir ou ampliar as áreas de preservação ambiental. Com isto, seu imóvel foi enquadrado na Zona 4 (posteriormente reenquadrado para Zona 4 e 6), onde o desmatamento fica restrito a autosustentação da comunidade extrativista, limitado a 05 (cinco) ha. por unidade produtiva. Segundo a legislação citada, estão isentas do pagamento do ITR, as áreas que, a despeito de fazerem parte do imóvel rural, são de preservação permanente e de reserva legal, previstas na lei n. 4.771/65, bem como as de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Anexa em defesa do alegado, Parecer Técnico n° 006 da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e a Declaração do INCRA para provar que seu imóvel situase na Zona 4, de restrição ambiental, em virtude do Zoneamento Sócio EconômicoEcológico do Estado de Rondônia, implementado pela Lei Complementar n° 52/91. Com isto, à luz da referida Lei Complementar, o imóvel "UNIÃO" de propriedade do ora recorrente, estaria localizado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas Zona 4, (art. 20, IV, da LC n. 52/91), situação que o faz beneficiário da isenção do ITR, por ser área de uso restrito ou de permanente interesse ecológico. Para a isenção das áreas de interesse ecológico, o art. 11 da Lei n° 8.847/94 assim estabelece: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10283.007538/0043 Acórdão n.º 2802002.703 S2TE02 Fl. 298 5 Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989; II de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente federal ou estadual – e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior; III reflorestadas com essências nativas." Apesar do alegado em sede de Voluntário, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Explico e fundamento. Não há nos autos comprovação que em decorrência da decretação do interesse ecológico para preservação do ecossistema dada pela lei, tenham sido ampliadas as restrições de uso impostas para APP e reserva legal. A mera inclusão da Zona 4 (e 6), conforme art. 20, IV, da LC n. 52/91, não tem o efeito imediato de isentar do ITR. É necessário comprovar, nos termos do inciso II, do art. 11 da Lei n. 8.847/ 94, que o órgão ambiental (federal ou estadual) atestou que a área da propriedade é de interesse ecológico para preservação do ecossistema, bem como que tenham sido ampliadas as restrições de uso impostas para as APPs e para a Reserva Legal. Entretanto, conforme resposta da SEDAM, a área não sofreu restrições de uso além daquelas previstas para áreas de reserva legal e de preservação permanente. A mera declaração de que a área é de interesse ecológico não implica necessariamente em sua exclusão do cálculo do ITR na medida em que podem ser praticadas/exploradas atividades econômicas (como, inclusive, é o caso da área do contribuinte). A base de cálculo do ITR é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determinada alíquota prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pelo contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). No tocante às áreas imprestáveis para exploração ou de interesse ecológico, o artigo 10º, § 1º, inciso II, “b” e “c”, da Lei nº 9.363/96 (letras “b” e “c” do parágrafo anterior), expressamente determinam que sua exclusão da área tributável requer a existência de ato prolatado por órgão federal ou estadual competente, que amplie as restrições de uso previstas nas áreas de reserva legal e de preservação permanente ou que ateste a condição de imprestabilidade da área. As Áreas de Preservação Permanente, de acordo com o próprio nome dado, são áreas reconhecidas como de utilidade pública, de interesse comum a todos e localizadas, em regra, dentro do imóvel rural onde a lei restringe qualquer tipo de atividade, no sentido de supressão total ou parcial da vegetação existente, com vistas à preservação da vegetação nativa. A reserva legal, por seu turno, é a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, sendo necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. No presente caso, a resposta da SEDAM atesta que o imóvel se encontra situados na zona 4, de restrição ambiental, do zoneamento Sócio Econômico — ecológico do Estado de Rondônia, determinado pela Lei n.° 52, de 20 de dezembro de 1991 e até a data de 6 de junho de 2000 na Zona 4 da primeira aproximação, a qual destinavase à recuperação, ordenamento e desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo autosustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permitia a pesca e agricultura de subsistência, sem alteração significativa do meio fisico." Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10283.007538/0043 Acórdão n.º 2802002.703 S2TE02 Fl. 299 7 O Parecer Técnico emitido pela SEDAM em conjunto com a Declaração do INCRA (fls. 214 e 215) demonstram que a área do imóvel, à época dos fatos, se encontrava em área de restrição ambiental e de uso econômico restrito Zona 4, assim definida: IV Zona 4 Caracterizada pela ocorrência predominantemente de médias e grandes propriedades rurais, porém com baixa incidência de domínios privados, contrapondo ao alto índice de terras públicas, refletindo baixa intensidade ocupacional e rarefeita ação antrópica; ambientes de floresta aberta e densa, com domínio fito fisionômico de espécies do extrativismo vegetal com ecossistemas frágeis; solos de baixa fertilidade natural (distróficos) em relevos planos a ondulados. As terras desta zona destinamse à recuperação, ordenamento e desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo autosustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permeia a pesca e agricultura de subsistência, sem alteração significativa do meio físico, garantida a autosustentação da unidade produtiva. Nesta zona o desmatamento fica restrito a autosustentação da comunidade extrativista, limitando a 5 ha por unidade produtiva, cujo excedente dependerá de aprovação baseada em estudos prévios, conforme legislação em vigor." Entretanto, é de se concluir que o imóvel em questão não está gravado com restrições superiores àquelas previstas para a APP e reserva legal. De igual modo, não logrou o recorrente comprovar a ampliação das restrições. Vale dizer, não foram cumpridos os requisitos para que a área fosse excluída da área tributável do imóvel. Nesse exato sentido, decisão da 1ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara da 2ª Seção, da relatoria do i. Conselheiro Gustavo Lian Haddad, AC n. 2201002.079: ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Mantenho a exigência da Contribuição CONTAG, referente aos exercícios de 1995 e 1996, diante da declaração de fl. 134. No quadro 07 Informações sobre mãodeobra, item 45, da DITR/1994, de fl. 134, foi declarado que há 1 (um) trabalhador temporário ou eventual no imóvel rural. Mantenho a exigência da contribuição ao SENAR, exigida com fundamento nos DL n° 1.146/70, art. 5° e DL n° 1.989/82, art. 1° e §§. De acordo com o Decretolei n° 1.989, de 28/12/1982, § 1°, essa contribuição é devida por aqueles que exercem atividades rurais em imóvel sujeito ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Dado o reconhecimento da exigência do ITR, por se tratar de imóvel localizado em área tributável, mantida fica a exigência da respectiva contribuição. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 Mantenho a cobrança da Contribuição Sindical CNA Confederação Nacional da Agricultura, determinada no Decretolei n° 1.166, de 15/04/1971, art. 1°, por exigível por existir, no imóvel rural, trabalhador declarado no quadro 07, item 45, da DITR/1994; logo, devida a contribuição por ser o contribuinte empregador rural. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recuso voluntário, para manter a exigência do ITR, SENAR e as referentes às contribuições de terceiros CONTAG e CNA. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 11040.721569/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica e nas DCTF, constitui omissão de receita passível de tributação.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ.
A exclusão da parcela de ICMS, cobrada do vendedor na condição de contribuinte, não está elencada entre as exclusões das bases de cálculo do PIS e da Cofins permitidas pelas normas que regem tais contribuições.
RECEITA TRIBUTADA A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO DA MULTA AGRAVADA PARA 150%. A conduta do Contribuinte de oferecer à tributação receitas inferiores as realmente auferidas, reiteradamente, apurando e recolhendo imposto de renda e contribuições a menor, denota o elemento subjetivo da prática dolosa, justificando o agravamento da multa para 150%.
Recurso voluntário improvido.
Numero da decisão: 1402-001.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a argüição de incompetência para apreciar a matéria referente à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento parcial para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor nessa matéria.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existentes entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e nas DCTF, constitui omissão de receita passível de tributação. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. A exclusão da parcela de ICMS, cobrada do vendedor na condição de contribuinte, não está elencada entre as exclusões das bases de cálculo do PIS e da Cofins permitidas pelas normas que regem tais contribuições. RECEITA TRIBUTADA A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO DA MULTA AGRAVADA PARA 150%. A conduta do Contribuinte de oferecer à tributação receitas inferiores as realmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 15 69 /2 01 1- 13 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 495 2 auferidas, reiteradamente, apurando e recolhendo imposto de renda e contribuições a menor, denota o elemento subjetivo da prática dolosa, justificando o agravamento da multa para 150%. Recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a argüição de incompetência para apreciar a matéria referente à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento parcial para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor nessa matéria. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 496 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJSimples, CSLL Simples, PISSimples, COFINSSimples, INSSSimples (fls. 2/56) e de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, calculados pela sistemática do Lucro Arbitrado (fls. 208/248), lavrados em razão da suposta omissão de receita, apurada pelas autoridades fiscais a partir do confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informadas na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica – SIMPLES, período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e na DIPJ – Lucro presumido ou DCTF e DACON (para o PIS e Cofins), períodos de apuração 01/07/2007 a 31/12/2008. A Contribuinte atua no transporte rodoviário de cargas, tendo apresentado no primeiro semestre de 2007 declaração simplificada pelo SIMPLES. Nos 2º e 3º trimestres de 2007 e 1º a 4º trimestres de 2008 apresentou a DIPJ com base no lucro presumido. Além da omissão de receita apurada no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, na sistemática do SIMPLES, foram apuradas insuficiências nos recolhimentos de tributos nos mesmos períodos, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. Nos 3º e 4º trimestres de 2007 e nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2008 , em razão da falta de escrituração no Livro Caixa da movimentação financeira, inclusive da bancária, e também, não tendo apresentado a escrituração comercial e fiscal, a Fiscalização, arbitrou o lucro, tomando por base a receita bruta. Em virtude da omissão de receita apurada, foi aplicada multa qualificada de 150%, conforme art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 e realizada a Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº. 11040.721572/201137). No caso da insuficiência de recolhimento, foi aplicada multa de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A Contribuinte apresentou impugnação (fls. 298/337) e documentos (fls. 338/402), trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: (i) Alega que nos anos de 2007 e 2008 não possuía frota própria de caminhões, sendo necessária a contratação de veículos de terceiros. Desse modo, repassava 80% do valor cobrado pelos fretes. Portanto, somente podem ser considerados como base de cálculo, 20% dos valores recebidos pelos serviços de frete, ou seja, somente 20% de fato representa o faturamento. No caso, é inconcebível considerar os valores repassados a terceiros, que apenas transitaram pela contabilidade (mera entrada de numerário), como integrantes das bases de cálculo para os tributos; (ii) A impossibilidade de o ICMS ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; (iii) A inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS determinada pela Lei nº 9.718/98; (iv) A multa no percentual de 150% não pode exigida, eis que em momento algum houve a intenção de omitir, muito menos de forma dolosa, a sua documentação fiscal. Além disso, a multa de 150% possui caráter confiscatório, sendo desproporcional e ilegal; e (v) Requer a produção de prova técnica contábil para que seja demonstrado que as bases de cálculo dos tributos apurados pela Fiscalização não levaram em com conta o real faturamento. Indica o perito. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 497 4 A 1ª Turma da DRJ/POA julgou o lançamento procedente (fls. 413/428), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007 , 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços de transportes são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços de transporte são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas cálculo do lucro arbitrado, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e nas DCTF, constitui omissão de receita passível de tributação. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 498 5 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. INSS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS. As contribuições para o PIS e para a COFINS devem ser calculadas com base na receita bruta, assim entendida a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. RECEITA TRIBUTADA A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO DA MULTA AGRAVADA PARA 150%. A conduta do Contribuinte de oferecer à tributação receitas inferiores as realmente auferidas, reiteradamente, apurando e recolhendo imposto de renda e contribuições a menor, denota o elemento subjetivo da prática dolosa, justificando o agravamento da multa para 150%. Irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 438/477), sustentando, preliminarmente, o cerceamento do seu direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia e, no mérito, repisa os argumentos de sua peça impugnatória. Tento em vista que dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo está a inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; e, considerando que essa matéria está submetida a julgamento no STF pelo rito do art. 543B, o julgamento do processo foi sobrestado até ulterior decisão definitiva nos autos do RE 574706, nos termos do que determinam os § 1º e 2º artigo 62A do RICARF. Contudo, em razão, da revogação dos § 1º e 2º do art. 62A do RICARF pela Portaria MF nº. 545/13, o processo foi novamente encaminhado para julgamento. É o Relatório. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 499 6 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Na primeira oportunidade que tive de analisar o caso dos autos, a maior parte das controvérsias restaram decididas, restando para apreciação, tão somente, o debate sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por essa razão, reafirmo e transcrevo as razões de decidir já expostas naquela oportunidade, deixando para o final a análise da legitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. De plano, cumpre destacar que o recurso voluntário, assim como a impugnação interposta pela contribuinte é parcial, haja vista não apresentar qualquer contestação expressa às infrações que lhe foram imputadas pela fiscalização dando origem aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS calculados de acordo com a sistemática do Simples Nacional ou do Lucro arbitrado. A Recorrente contesta, tão somente, a aplicação da multa qualificada de 150% e as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização, atacando o conceito de receita bruta adotado para apuração do imposto de renda e das contribuições. Assim, a omissão de um item no recurso voluntário e na impugnação da contribuinte, por si só caracteriza a concordância do sujeito passivo relativamente à parte não contestada, ensejando a aplicação do art. 17 do Decreto nº. 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Dito isso, passo a analisar a preliminar argüida pela Recorrente. Inicialmente, no que tange à preliminar de cerceamento de direito de defesa alegada pelo contribuinte, entendo descabida. Do exame dos autos, especialmente da decisão a quo, é possível verificar que as instâncias anteriores consideraram os documentos e alegações apresentadas pelo contribuinte, muito embora tenha entendido pela desnecessidade de perícia. Nesse contexto, não é demais frisar que a autoridade julgadora pode apreciar livremente as provas apresentadas conforme sua convicção e juízo, determinando a realização de diligência ou Fl. 499DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 500 7 perícia quando entender imprescindíveis ao deslinde da controvérsia, o que não acontece no caso concreto. Passo à análise do mérito. Não merece reparo a decisão recorrida. O Contribuinte sustenta que somente 20% dos valores recebidos a título de fretes representa faturamento, pois repassa o restante para terceiros que prestam o serviço de transporte de cargas em seus veículos. Assim, os valores repassados a terceiros, não poderiam integrar a base de cálculo dos tributos lançados. Ora, não há previsão legal que permita, nas sistemáticas do Simples, do Lucro Arbitrado ou do Lucro Presumido, que os valores repassados a terceiros a título de fretes possa ser deduzido da receita bruta. Tanto no Simples, como no Lucro arbitrado e no Lucro presumido, a apuração do Imposto de Renda é baseada na receita bruta auferida, como pontuado pela decisão recorrida. Com efeito, uma vez que o Contribuinte optou pelo Simples no período de 01/01/2007 a 30/06/2007 e teve o seu lucro arbitrado no período de 01/07/2007 a 31/12/2008, está correto o procedimento da Fiscalização que considerou como base de cálculo os valores totais dos fretes, sem excluir, por falta de previsão legal, os valores supostamente transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados. Tais valores, se comprovados, somente poderiam ser deduzidos como custos ou despesas, caso fosse adotada a forma de tributação pelo lucro real, que não é o caso do Contribuinte. Além disso, a Contribuinte alega erro no apuração dos créditos tributários lançados em razão (i) da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS determinada pela Lei nº 9.718/98; e (ii) da impossibilidade de o ICMS ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. De fato, a inclusão de receitas não operacionais na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme previstos no § 1º do art. 3° da Lei nº. 9.718/98, foi devidamente declara inconstitucional pelo Plenário do STF. Em 09/11/2005, o Tribunal Pleno do STF completou o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 346.0846, 358.273, 357.950 e 390.8405, declarando inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS introduzida pela Lei nº 9.718/98. Ao fazelo, o STF impediu a incidência destas contribuições sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº. 70/91. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 501 8 Nos termos da decisão do STF, o PIS e a COFINS só poderiam incidir sobre o “faturamento”, assim entendido, a somatória das receitas provenientes da venda de mercadoria e/ou serviços, afastada sua incidência sobre qualquer outra receita. No entanto, vale notar que as receitas decorrentes da prestação de serviço de fretes é receita operacional para a Recorrente. Não se trata, pois, de receita financeira, que poderia ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos da decisão do STF. Finalmente, aduz a Contribuinte sobre a impossibilidade de o ICMS ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. (....). Multa qualificada O motivo invocado pela autoridade fiscal autuante para qualificar a multa de ofício foi o seguinte: “Considerando a expressiva divergência de valores e a falta de fundamento nos esclarecimentos prestados pela empresa, não se pode afirmar que esse fato tenha sido decorrente de um simples erro da fiscalizada, restando configurada a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, do fato gerador do tributo.” Compulsandose dos autos é possível verificar que durante o procedimento fiscal foram conferidas duas oportunidades para que a Recorrente apresentasse os Livros Contábeis (Diário e Razão), ou o Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira inclusive bancária. No entanto, a empresa apresentou tão somente o Livro Caixa, que, contudo, não apontava a movimentação bancária. Além disso, conforme dados informados em DCPMF (Declaração da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para o anocalendário de 2007 e em DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira) para o ano calendário de 2008, a empresa realizou movimentação financeira nos dois anoscalendário. Assim, tornouse evidente o intuito da Recorrente em evadirse da fiscalização, obstruindo a conferência dos valores efetivamente apurados. Corroborando esse entendimento, temos, ainda, que a Recorrente não contestou os créditos tributários lançados ou o arbitramento realizado pela fiscalização, demonstrando concordar com os valores cobrados. No que tocam às demais alegações de infração aos princípios constitucionais, tais como o princípio da proporcionalidade, da Fl. 501DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 502 9 razoabilidade e do nãoconfisco, como já afirmado, descabe tal análise pelo julgador administrativo. Citese o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Adicionalmente, digase que a Recorrente tentou justificar a divergência nos valores da receita bruta – aproximadamente 14 milhões alegando que o valor informado nas declarações prestadas a Receita Federal é o valor real de seu faturamento (Receita Líquida da empresa), sendo descontado o valor pago aos motoristas (que representa 88% do valor total da receita). Com efeito, verificase que a Recorrente reiteradamente ignorou a definição de receita bruta, disposta no art. 224 do RIR/99 e, intimada pela fiscalização, deixou de apresentar os Livros Contábeis (Diário e Razão), apresentando tão somente o Livro Caixa que, entretanto, não aponta a movimentação bancária e o Livro de Registro e Apuração do ICMS. Assim, considero demonstrado o dolo da Contribuinte em deliberadamente alterar as bases de cálculos dos tributos devidos, deixando de informar à Receita Federal os valores reais de sua receita. A título adicional, registro, ainda, no que toca à inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS determinada pela Lei nº. 9.718/98 e declarada inconstitucional pelo STF, que a recém publicada MP nº. 627/13 trouxe profundas mudanças na legislação tributária federal, dentre as quais está a alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS. A MP nº. 627/13 alterou o conceito de receita bruta, previsto no DecretoLei nº 1.598/77 como sendo “o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados” e determinou que este passará a compreender também o resultado auferido nas operações de conta alheia e as demais receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. No mesmo sentido, a referida MP alterou também o art. 3º da Lei nº 9.718/98, para estabelecer que o faturamento (base de cálculo das contribuições) compreende a receita bruta prevista no mencionado DecretoLei nº. 1.598/77. Com isso, caso a MP nº. 627/13 seja convertida em lei, a partir de 01/01/2015 a receita bruta para fins de incidência do PIS e da COFINS não será apenas aquela decorrente da venda de bens e serviços do contribuinte, conforme restou pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários nº 346.084, nº 390.840, nº 358.273 e nº 357.950, mas compreenderá também toda a receita decorrente do objeto social das empresas. Diante disso, é possível concluir que, com a edição da referida MP, a própria União Federal indica que o conceito de faturamento do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não abrangia, até então, as receitas decorrentes do objeto social da empresa que não decorressem da venda de bens e da prestação e serviços. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 503 10 No que toca à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, merece razão a Recorrente. A Recorrente está sujeita ao recolhimento do PIS e da COFINS sob o regime cumulativo, ambas as contribuições calculadas sobre o seu faturamento, nos moldes do que determina o art. 2º da Lei nº. 9.718/98. Conforme aduzido, no julgamento dos Recursos Extraordinários ns.º 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, o Pleno do STF definiu o termo faturamento como a receita bruta proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Ocorre que, a Recorrente vem pagando o PIS e a COFINS calculados sobre o valor das mercadorias vendidas aos seus clientes, incluindo na base de cálculo dessas contribuições a parcela do ICMS que é devida aos respectivos Estados. Contudo, há de se convir que, apesar de ser este o entendimento do Fisco, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS não é legítima, uma vez que o referido tributo não integra qualquer elemento descrito na regramatriz das contribuições. Precisamente, o ICMS não se insere no conceito de receitas auferidas pela pessoa jurídica. Vejamos. Como se sabe, o ICMS é um imposto de competência dos Estados (art. 155, II), que tem como hipótese de incidência a circulação de mercadorias e as prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação, nada tendo haver com as receitas auferidas pela Recorrente no desenvolvimento de seu objeto social. A Recorrente inclui no preço das mercadorias vendidas aos seus clientes os valores referentes ao ICMS, e posteriormente recolhe o tributo ao Estado competente. Todavia, o fato de a Recorrente “embutir” o ICMS no preço da mercadoria vendida não significa que tal valor integrará a sua receita: ao contrário, pois estes valores serão imediata e integralmente repassados ao Estado competente. A propósito, essa é uma situação bastante similar ao que previu o Constituinte no artigo 212, §1º da Constituição, ao considerar que a parcela de impostos transferidos pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios não é considerada receita da União. E com bastante razão, pois não se pode considerar receita própria o que apenas foi recebido com o propósito de imediato repasse a terceiros. Conforme ensinamentos de Geraldo Ataliba, receita é qualquer ingresso que integre o patrimônio de quem a recebe, literis: O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que ingressou nos cofres de determinada entidade. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que recebe. (in ISS e Base Imponível – Estudos e Pareceres de Direito Tributário, São Paulo, RT, 1978, v.1, pág. 81/85) Ricardo Mariz de Oliveira também ensina que receita deve causar necessariamente um aumento no patrimônio da pessoa jurídica: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 504 11 Por outro lado, a receita é considerada, sem qualquer mínima oposição seja de quem for, como um fator de aumento do patrimônio. Este dado, efetivamente, está presente em todas as manifestações contrárias a propósito do tema. Assim, como pode ser extraído dos princípios contábeis e das leis que aludem à receita, se não expressamente, no mínimo implicitamente. (Conceito de receita como hipótese de incidência para as contribuições para a Seguridade Social. Repertório IOB de Jurisprudência – 1ª Quinzena de Janeiro de 2001 – nº 01/2001 – Caderno 1 – pág. 43). Partilhando desse mesmo entendimento, Aliomar Baleeiro ressaltou a distinção entre meros ingressos e receitas, concluindo que, se não houver incremento patrimonial, os valores não poderão ser caracterizados como receita, verbis: 3. ENTRADAS OU INGRESSOS As quantias recebidas pelos cofres públicos são genericamente designadas como ‘entradas’ ou ‘ingressos’. Nem todos esses, porém, constituem receitas públicas, pois alguns deles não passam de ‘movimentos de fundo’, sem qualquer incremento do patrimônio governamental, desde que estão condicionados à restituição posterior ou representam mera recuperação de valores emprestados ou cedidos pelo governo. (Conceito de receita como hipótese de incidência para as contribuições para a Seguridade Social. Repertório IOB de Jurisprudência – 1ª Quinzena de Janeiro de 2001 – nº 01/2001, Caderno 1, pág. 43.) Noutro giro, ainda que se busque o conceito meramente contábil de receita, a conclusão alcançada será a mesma: os valores arrecadados pela Recorrente referentes ao ICMS não são receitas. A esse respeito, citese o Pronunciamento XIV do IBRACON (Instituto de Auditores Independentes do Brasil) – “Receitas e Despesas = Resultados”: 2. RECEITA correspondente a acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividade e que possam alterar o patrimônio líquido. 3. Acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receita, são relativos a eventos que alteram bens, direitos e obrigações. Receita, no entanto, não inclui todos os acréscimos no ativo ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerários por venda implica em alteração do patrimônio líquido. Por outro lado, o recebimento por empréstimo tomado ou o valor de um ativo comprado a dinheiro, não são receita, porque não alteram o patrimônio líquido (grifos não presentes nos originais)”. Segundo o próprio IBRACON, acréscimo nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receitas, são relativos a eventos que possam alterar a equação final entre bens, direitos e obrigações. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 505 12 O ICMS, no caso, não se constitui efetivamente um ingresso de nova receita para a Recorrente, mas sim receita dos Estados, que meramente transita pelas contas da pessoa jurídica. Nesse sentido, destaquese também a Norma Internacional de Contabilidade IAS 18, que assim dispõe sobre o tema: A receita é definida, na Estrutura Conceitual para a Preparação e Apresentação das Demonstrações Contábeis, como aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma de entrada ou incremento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam no aumento do patrimônio líquido, exceto aqueles aumentos decorrentes de contribuição de capital, por parte dos acionistas/cotistas... (Continuação) 8. A receita inclui somente a entrada bruta dos benefícios econômicos recebidos e a receber pela entidade, decorrentes de suas próprias transações. Importâncias cobradas por conta e em favor de terceiros, tais como impostos sobre as vendas, mercadorias e serviços, e impostos sobre o valor agregado não são benefícios econômicos que fluem para a entidade e não resultam em aumentos do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita de vendas (receita de vendas deve ser registrada pelo valor líquido de impostos). (Tradução livre do IBRACON). Percebese, com isso, que o ICMS não se agrega ao patrimônio da Recorrente e por tal razão não pode ser confundido com receita da empresa. E isso tudo por uma razão muito simples que vale a pena repetir: a parcela relativa ao ICMS não remunera a venda de mercadorias, tratandose de receita exclusivamente dos Estados. Assim, incluir nas bases de cálculo do PIS e da COFINS o valor correspondente ao ICMS pago pela Recorrente é desrespeitar o conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, o artigo 195, I, “b” da CF e o artigo 110 do CTN, uma vez que está se permitindo que a União se locuplete com exações híbridas, que não se ajustam aos moldes de nenhum dos tributos que a Constituição, expressa ou implicitamente, outorgoulhe. Importa notar também, que o art. 3º, § 2º, I da Lei nº. 9.718/98, quando afirma que se exclui da receita bruta o ICMSsubstituição, tem caráter meramente declaratório, isto é, explicita o que estava implícito no nosso ordenamento. Não é o caso aqui, ao contrário do que possa parecer, ao primeiro súbito de vista, da criação de nenhuma isenção tributária. Pelo contrário, é o reconhecimento expresso de mais uma situação de nãoincidência. Ainda sobre o tema, é preciso dizer, que admitir a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições ofende o princípio da capacidade contributiva (art. 145, §1º da CF/88), pois a parcela arrecadada pela Recorrente referente ao ICMS não revela uma capacidade tributária no sentido de fato econômico que exprima riqueza ao contribuinte (auferir receita). Fl. 505DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 506 13 Como demonstrado acima, a Lei nº. 9.718/98 e a Constituição Federal contemplam de forma expressa a necessidade do contribuinte auferir receita como pressuposto para a cobrança do PIS e COFINS pela União. Frisese, novamente, o ICMS apenas transita pelas contas da Recorrente, não constituindo sua receita própria definitiva, de forma que não pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. Notese que esse mesmo entendimento também tem sido reforçado pelo E.STF no julgamento (em curso) do RE nº 240785/2, o leading case da discussão acerca da inclusão do ICMS na base do PIS e da COFINS. Em conclusão: receita passível de tributação pelo PIS e pela COFINS é todo o ingresso que cause algum acréscimo definitivo ao patrimônio do contribuinte, não podendo ser, como no caso do ICMS, valores que somente transitam pelas contas do contribuinte e que se destinam unicamente aos cofres dos Estados. Resta evidente, portanto, que a inclusão do ICMS nas bases de cálculo do PIS e da COFINS fere os conceitos de receita e faturamento expressos na Lei nº. 9.718/98, bem como a hipótese de incidência constitucional dessas contribuições, merecendo reforma o lançamento nesse ponto. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar o lançamento fiscal excluindo o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 506DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 507 14 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado. Com a devida vênia, discordo do entendimento do I. Relator quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. O tema não guarda novidades e, há muito tempo, pacificouse o entendimento de que a parcela de ICMS contida no valor das vendas compõe o faturamento. Nesse sentido, citase as inúmeras súmulas sobre o tema: Súmula TFR nº 258: “Incluise na base de calculo do PIS a parcela relativa ao ICM.”; STJ – Súmula 68: “A parcela do ICM incluise na base de cálculo do PIS”. STJ – Súmula 94: “A parcela do ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial”. Por oportuno, destaco entendimento de fundamental relevância na edição da Súmula 68 do STJ contido no voto condutor do aresto no REsp 16841/DF, de lavra do Ministro Garcia Vieira: Estabelece o art. 3º da Lei Complementar 07/70 constituir o Fundo de Participação de duas parcelas, a primeira mediante dedução do imposto de renda e a segunda com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento. O ICM incide sobre valor da mercadoria, compõe o seu preço e integra o faturamento da empresa. Deste faz parte também as despesas com impostos e outras despesas, pagas pelo comprador. Assim, a contribuição social da empresa, calculada com base no seu faturamento, nos termos da citada Lei Complementar nº 07/70, é calculada sobre o total das vendas, de sua receita bruta, composta também do ICM. Se este está incluído no preço da mercadoria, não se pode excluir da base de cálculo do PIS. [grifo nosso] As recentes decisões do STJ sobre a matéria, como não poderiam deixar de ser, traduzem a sedimentação sobre o melhor entendimento da controvérsia: 1ª Turma AgRg no Ag 1069974 PR DECISÃO:17/02/2009 (unânime) Relator Minisrto FRANCISCO FALCÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. ICMS. INCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS.SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. LEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 83/STJ. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 508 15 I O acórdão recorrido encontrase em perfeita consonância com a jurisprudência desta Corte, que firmou o entendimento de que se inclui na base de cálculo da COFINS e do PIS a parcela relativa ao ICMS, consoante se depreende das Súmulas 68 e 94 do STJ. II Incidência do óbice sumular 83/STJ ao trânsito do recurso especial. III Agravo regimental improvido. (AgRg no Ag 1069974/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, 17/02/2009, DJe 02/03/2009) No mesmo sentido podese citar também os acórdãos AgRg no Ag 1005267 RS (1ª Turma), REsp 881370 RJ (2ª Turma), AgRg no Ag 1018355 RS (2ª Turma), todos decididos, de forma unânime, a partir de 2008. No âmbito do STJ, não há sequer uma decisão, nas últimas duas décadas, em sentido diverso. Cumpre ainda esclarecer que os dispositivos legais que regem a matéria (Leis números 9.718/1998, 10.637/2002 e 10.833/2003) trazem artigos específicos que tratam das exclusões permitidas para fins de determinação da receita bruta/faturamento, base de cálculo de tais contribuições. No art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, consta que: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º [revogado] § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [grifo nosso] II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III – [revogado] IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 509 16 Conforme se observa, o dispositivo legal em comento prevê que a única parcela de ICMS que poderá ser excluída da receita bruta é a que se refere à substituição tributária. Ora, entender que o ICMS cobrado na condição de contribuinte possa ser também excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins por não corresponder ao conceito de receita bruta, implica, a uma só vez, utilizarse de exclusões não previstas em lei, bem como que interpretar que o legislador empregou “expressões supérfluas” ao permitir a exclusão do ICMS cobrado na condição de substituto tributário, uma vez que, se o ICMS cobrado do vendedor na condição de contribuinte embutido no preço da mercadoria – não compusesse o conceito de receita bruta, mais razão ainda assistiria a não inclusão do ICMS cobrado em razão da “substituição tributária” na base de cálculo de tais contribuições. Contudo, se o legislador previu expressamente a exclusão do ICMS “substituição tributária” da receita bruta tornase imperioso entender que tal parcela estaria compreendida em seu conceito, sob pena de considerar tal norma inócua. É princípio basilar de hermenêutica jurídica que a lei não contém palavras inúteis. Ou seja, as palavras devem ser compreendidas como tendo alguma eficácia, pois, conforme leciona Caros Maximiliano, não se presumem, na lei, palavras inúteis (Hermenêutica e Aplicação do Direito, 8. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). De modo semelhante, não há nas Leis nº 10637/2002 e nº 10.833/2003 dispositivos prevendo a exclusão do ICMS cobrado do vendedor, na condição de contribuinte, das bases de cálculo do PIS e Cofins não cumulativos (faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). A respeito das questões constitucionais envolvendo a matéria, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que, em regra, não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, voto por negar provimento à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11040.721569/201113 Acórdão n.º 1402001.564 S1C4T2 Fl. 510 17 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13884.900356/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 56 /2 00 9- 35 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração outubro de 2000, no valor original de R$ 4.629,89, com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900356/200935 Acórdão n.º 3803005.704 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900356/200935 Acórdão n.º 3803005.704 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900356/200935 Acórdão n.º 3803005.704 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000830/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/05/2007
Supressão de Instância há de ser reconhecida, quando há oposição de embargos de declaração, cujos quais não são analisados pela competente instância, como ocorreu no caso em tela, já que o CARF, anteriormente havia anulado decisão singular, mas, antes de vencer o prazo para interposição de embargos, estes foram opostos, sem, contudo, que fossem analisados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão proferida, com retorno, ciência e reabertura de prazo para o sujeito passivo, a fim de que sejam analisados pelo CARF os embargos declaratórios apresentados, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão proferida, com retorno, ciência e reabertura de prazo para o sujeito passivo, a fim de que sejam analisados pelo CARF os embargos declaratórios apresentados, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 08 30 /2 01 0- 03 Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11020.000830/201003 Acórdão n.º 2301003.976 S2C3T1 Fl. 7 3 Relatório Tratase de autuação lavrada em 18/03/2010, por infringência ao disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997 e redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, em razão da empresa acima identificada ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs com informações incorretas no campo “compensação”. As GFIPs objeto da autuação se referem às competências 01/2005 a 08/2006 e 10/2006 a 05/2007, inclusive as de 13º salários de 2005 e 2006. Diz a Fiscalização que o Recorrente efetuou compensação de contribuições previdenciárias com créditos de terceiros originários de precatórios judiciais, contrariando o que dispõem o art. 89 da Lei nº 8.212/1991, o art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e o art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Há de se ver que o Recorrente não possuía crédito previdenciário a seu favor uma vez que os supostos créditos de contribuições previdenciárias, originários de precatórios em ações judiciais impetradas por outras empresas (cuja execução de sentença culminou em precatório), foram adquiridos mediante cessões de créditos realizadas por escritura pública. Para a Fiscalização, da impossibilidade legal de pagar débito previdenciário com crédito de terceiros, foi aplicada ao Recorrente a multa de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), calculada conforme demonstrado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 68/71, nos termos do art. 32A, caput, inciso II e §3º, II da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Medida provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No Relatório, há informação da apuração das multas pelos critérios vigentes na época dos fatos geradores e pelos critérios da Lei 11.941/2009, sendo adotado o mais benéfico, em obediência ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Noticiada em 08.ABR.2013 o Recorrente em 06.MAI.2013 anatematiza a decisão de piso através do presente Recurso Voluntário, alegando que: i) nulidade da decisão por supressão de instância e violação aos princípios constitucionais e ao regimento interno do CARF; ii) autuação por violação ao direito a intimidade e princípios que embasam o processo administrativo fiscal; iii) inexistência de omissão de informações em GFIP enviada pelo contribuinte; Eis em síntese apertada o relado do necessário para o julgamento. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente remédio recursivo acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, passando análise das razões recursivas que pretende modificar a decisão de piso. i) NULIDADE DA DECISÃO POR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA E VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E AO REGIMENTO INTERNO DO CARF Alega o Recorrente que ao ser intimado da decisão desta Turma, Câmara e Seção, que havia anulado a decisão da DRJ/POA por ausência de respeito a princípios pétreo, aviou embargos de declaração, cujos quais não foram analisado pelo CARF. Diz que a DRJ/POA ignorou o RICARF, recebendo os seus embargos como se impugnação fosse. Compulsando os autos vêse que de fato foram opostos embargos de declaração, tempestivamente, cuja competência era desta Corte e não da DRJ. Portanto, tenho que por erro processual, mais uma vez deve ser anulado a decisão de piso, para passar análise dos embargos declaratórios. Com razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto como recurso aviado preenche seus pressupostos de admissibilidade, dele conheço para anular a 2ª decisão da DRJ/POA, após darse ciência as partes desta decisão e, não havendo recurso, retorne os autos para o Relator para analisar os embargos de declaração opostos, referente a última decisão desta Corte. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11020.000830/201003 Acórdão n.º 2301003.976 S2C3T1 Fl. 8 5 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10283.901005/2009-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMPs) originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMPs) originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
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ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP’s) originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 05 /2 00 9- 22 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901005/200922 Acórdão n.º 1803001.984 S1TE03 Fl. 194 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0120.494 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 76 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/11/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 283.836,30 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 30/10/2004, no valor originário de R$ 283.836,30. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/16): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901005/200922 Acórdão n.º 1803001.984 S1TE03 Fl. 195 3 Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 25/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0120.494 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901005/200922 Acórdão n.º 1803001.984 S1TE03 Fl. 196 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (quartafeira) (AR constante das fls. 81), a SHOWA DO BRASIL LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0120.494, recorre em 24/03/2011 (fls. 82 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “ISTO POSTO, amparada nos argumentos de fato e de direito aduzidos neste RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pede aos Senhores Conselheiros que: a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0120.4943ª Turma da DRJ/BEL, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2004, conforme DARF recolhido em 30/10/2004. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância e ratificada pelo Acórdão nº 0120.494 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas nºs 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901005/200922 Acórdão n.º 1803001.984 S1TE03 Fl. 197 5 compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, ao qual rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10283.900182/200991 da mesma Recorrente, na sessão de dezembro de 2012, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.600, que teve a seguinte ementa “verbis”: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.”. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901005/200922 Acórdão n.º 1803001.984 S1TE03 Fl. 198 6 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000135/2007-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. DILIGÊNCIA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS
Cabe reconhecer a apuração do lucro presumido com base no regime de caixa quando a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, em diligência fiscal, procedeu à revisão dos créditos tributários originalmente constituídos, reduzindo, consequentemente, as exigências.
Numero da decisão: 1103-001.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial por unanimidade para determinar a exoneração dos créditos tributários nos valores originais de R$ 112.009,91, de IRPJ; R$ 52.026,15, de CSLL; R$ 31.531,98, de PIS e R$ 145.532,35, de Cofins, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. DILIGÊNCIA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS Cabe reconhecer a apuração do lucro presumido com base no regime de caixa quando a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, em diligência fiscal, procedeu à revisão dos créditos tributários originalmente constituídos, reduzindo, consequentemente, as exigências.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial por unanimidade para determinar a exoneração dos créditos tributários nos valores originais de R$ 112.009,91, de IRPJ; R$ 52.026,15, de CSLL; R$ 31.531,98, de PIS e R$ 145.532,35, de Cofins, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Omissão de receitas Recorrente METRAL COMERCIAL AGRÍCOLA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. DILIGÊNCIA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS Cabe reconhecer a apuração do lucro presumido com base no regime de caixa quando a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, em diligência fiscal, procedeu à revisão dos créditos tributários originalmente constituídos, reduzindo, consequentemente, as exigências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial por unanimidade para determinar a exoneração dos créditos tributários nos valores originais de R$ 112.009,91, de IRPJ; R$ 52.026,15, de CSLL; R$ 31.531,98, de PIS e R$ 145.532,35, de Cofins, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 35 /2 00 7- 06 Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000135/200706 Acórdão n.º 1103001.051 S1C1T3 Fl. 3.045 2 Relatório O processo trata de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls.481/507), relativos ao 1º e 4º trimestres de 2003 (IRPJ e CSLL) e aos meses de janeiro a março, junho, novembro e dezembro de 2003 (PIS e Cofins), no valor total original de R$415.621,07 (quatrocentos e quinze mil, seiscentos e vinte e um reais e sete centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O contribuinte foi cientificado em 2/7/07 (fl.519) No Relatório Fiscal (fls.512/513), a fiscalização descreveu as infrações nos seguintes termos, em resumo: a opção de tributação pelo lucro presumido foi manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração do anocalendário 2003; os créditos tributários de IRPJ e CSLL decorreram da apuração de diferenças entre os valores das receitas de prestação de serviços, de vendas de mercadorias e demais receitas, escrituradas no livro Razão, e os recolhidos e/ou declarados; as receitas de prestação de serviços equivalem ao valor constante da Demonstração de Resultado do Exercício Consolidado (DRE) como Venda Bruta de Prestação de Serviços (R$ 682.496,23); as demais receitas, apuradas a partir das contas escrituradas no livro Razão (Bonificações Recebidas, Descontos Obtidos, Juros Recebidos e Indenizações Recebidas), coincidem com o valor constante da DRE, registrado no Diário na conta Receitas Financeiras – R$ 175.804,20; “O valor do Lucro Presumido calculado sobre as Receitas de Prestação de Serviços à alíquota de 32% foi somado ao Lucro Presumido calculado sobre as Receitas de Vendas de Mercadorias, calculado à alíquota de 8%. Esses dois resultados foram somados às Demais Receitas”; também os recolhimentos de PIS e Cofins e/ou declarados foram subtraídos dos valores apurados. Os lançamentos foram considerados procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Campo Grande (MS), conforme acórdão de fls.879/884, que recebeu a seguinte ementa: DILIGÊNCIA E PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a diligência e a perícia só são determinadas no caso de questões que demandem essas providências. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. Os optantes pelo lucro presumido que mantiverem escrita contábil podem, para fins de tributação, reconhecer as receitas pelo regime de caixa, desde que o façam para todos os tributos e escriturem conta específica na qual, em cada lançamento, seja indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000135/200706 Acórdão n.º 1103001.051 S1C1T3 Fl. 3.046 3 AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Devidamente cientificado em 16/7/09 (fl.888), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 10/8/09 (fls.892/899), em que sustenta, em síntese: a autoridade autuante adotara o regime de competência a partir das contas contábeis escrituradas no livro Razão, tomando por base indevidamente a escrituração comercial, não a fiscal; reconhecera suas receitas pelo regime de caixa (pelo recebimento), amparado na legislação de regência, em especial nas IN SRF nº 104/98, 390/04 e 247/02; documentos juntados à impugnação demonstrariam suas alegações; controlaria os recebimentos em contas específicas, com indicação da nota fiscal correspondente a cada registro; “...os lançamentos das vendas na escrituração contábil foram realizados de acordo com o regime de competência, debitandose a conta específica de cada cliente e creditando a receita auferida no período. 25. Após o reconhecimento das receitas, foram realizadas as provisões dos tributos e contribuições a pagar em conta de passivo, e de acordo com os recebimentos mensais, foi efetivamente baixado o valor a receber na conta contábil de cada cliente. 26. A parcela do saldo da provisão acumulada correspondente aos valores não recebidos, quando de seus recebimentos foram transferidos de acordo com os recebimentos no mês para as contas dos tributos e contribuições a pagar no passivo circulante, conforme demonstra as contas do Livro Razão”; são juntados ao recurso partes do livro Razão, nas quais constam: conta cliente, especificação por cliente, recebimentos com indicação da respectiva nota fiscal e balancetes analíticos mensais com as contas de cada cliente e movimentação no mês. Em 4/8/11, a Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos (fls.1.608/1.610): “Compulsando os autos, constato que a controvérsia instaurada diz respeito exclusivamente à alegada adoção do regime de caixa pela Recorrente e, considerando a ausência de observância pela autoridade autuante quanto à opção realizada, e, ainda, as alegações de existência de controle dos recebimentos de suas receitas em conta específica, proponho a conversão do feito em diligência para que seja verificada a observância do regime adotado pela Recorrente.” Regularmente intimado do Relatório de Diligência (fls.3.030/3.034) em 22/7/13 (fl.3.039), o Recorrente não apresentou contrarrazões, tendo o processo sido devolvido ao CARF após o transcurso do prazo de trinta dias. É o relatório. Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000135/200706 Acórdão n.º 1103001.051 S1C1T3 Fl. 3.047 4 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Inicialmente, vale esclarecer que em razão de a Relatora original, Cons. Silvana Rescigno Guerra Barreto, não mais exercer mandato no CARF, o processo foi objeto de nova distribuição, tendo sido para mim sorteado em 13/3/14 (despacho de fl.3.043) com fundamento na seguinte previsão regimental (Anexo II): “Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. §7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. ..... §9° Na hipótese de não recondução, perda ou renúncia a mandato, os processos deverão ser devolvidos no prazo de até 10 (dez) dias, e serão sorteados na reunião que se seguir à devolução.” (destaquei) Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Como relatado, o Recorrente pleiteia a revisão do auto de infração, essencialmente em razão de no anocalendário 2003 ter adotado o regime de caixa. No Relatório de Diligência, a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) inicialmente confirmou que o contribuinte realmente mantinha escrituração dos livros Diário e Razão, bem como controle dos recebimentos de suas receitas em contas específicas, com a indicação das respectivas notas fiscais, tendo confirmado a adoção do regime de caixa. In verbis: “[...] De posse dos documentos, efetuamos a diligência, e constatamos, conforme os Livros Fiscais, DIPJs e DCTFs, valores não denunciados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais, de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A apuração levou em conta o regime de caixa adotado pelo contribuinte para reconhecimento das receitas no ano calendário 2003, uma vez que o contribuinte mantém a escrituração do Livro Diário e Razão, além de observar as demais exigências impostas pela IN 104, de 1998, ou seja, o controle dos recebimentos de suas receitas em contas específicas, nas quais, em cada lançamento, está indicada a nota fiscal a que corresponde o recebimento, conforme se observa nas Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000135/200706 Acórdão n.º 1103001.051 S1C1T3 Fl. 3.048 5 contas Clientes, com as movimentações dos recebimentos e indicação das respectivas notas fiscais, e, também nos balancetes analíticos mensais, com a movimentação de cada cliente de forma individualizada e específica. Num primeiro momento, em 13/03/2013, lavramos TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL, no qual anexamos um Demonstrativo das receitas escrituradas na conta 1110222 – 1110010000 CAIXA, bem como os cálculos dos tributos e contribuições devidos com base no regime de caixa, e os comparamos com os valores apurados no Auto de Infração lavrado 28/06/2007. Concedemos ao contribuinte prazo para prestar os esclarecimentos acerca dos cálculos dos referidos Tributos e Contribuições Sociais extraídos dos Livros Fiscais, DCTFs e DIPJs, que embasaram a diligência, no sentido de poder apresentar eventuais dados novos que pudessem alterar os valores apurados”. Após análise dos documentos e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, que requereu a exclusão das bases de cálculo de determinadas receitas, a autoridade fazendária responsável pela diligência afirmou: “Verificadas as Notas Fiscais acima, a conta 421120 4210020100 (DEVOL. VENDA DE DEFENSIVOS) e a Conta 660023 6160020000 (PERDA DE CAPITAL), concluímos pela pertinência do pedido de exclusões das bases de cálculo apuradas nas planilhas do TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL” Ao final, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil concluiu que os valores devidos (principal), apurados em conformidade com o regime de caixa, seriam os seguintes: IRPJ (R$) 3/2003 829,87 12/2003 26.085,25 Total 26.915,12 CSLL (R$) 3/2003 821,59 12/2003 13.378,59 Total 14.200,18 PIS (R$) 31/1/2003 279,66 31/8/2003 10,07 30/11/2003 4.351,31 31/12/2003 1.317,94 Total 5.958,98 COFINS (R$) 31/1/2003 1.290,70 31/8/2003 19,44 30/11/2003 20.082,98 31/12/2003 6.082,79 Total 27.475,91 Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000135/200706 Acórdão n.º 1103001.051 S1C1T3 Fl. 3.049 6 Assim, em sede de diligência requerida pelo CARF, a mesma Seção de Fiscalização da DRF – Campo Grande (MS), responsável pela lavratura dos autos de infração, procedeu à revisão dos lançamentos, que pode ser assim resumida: IRPJ PA Crédito Tributário Constituído (R$) Crédito Tributário Mantido (R$) Crédito Tributário Exonerado (R$) 3/2003 31.548,64 829,87 30.718,77 12/2003 107.376,39 26.085,25 81.291,14 Total 138.925,03 26.915,12 112.009,91 CSLL PA Crédito Tributário Constituído (R$) Crédito Tributário Mantido (R$) Crédito Tributário Exonerado (R$) 3/2003 23.102,46 821,59 22.280,87 12/2003 43.123,87 13.378,59 29.745,28 Total 66.226,33 14.200,18 52.026,15 PIS PA Crédito Tributário Constituído (R$) Crédito Tributário Mantido (R$) Crédito Tributário Exonerar (R$) 31/1/2003 6.034,12 279,66 5.754,46 28/2/2003 4.264,59 0,00 4.264,59 31/3/03 752,49 0,00 752,49 30/6/03 228,53 0,00 228,53 31/8/2003 0,00 10,07 0,00 30/11/2003 15.158,88 4.351,31 10.807,57 31/12/2003 11.042,28 1.317,94 9.724,34 Total 37.480,89 5.958,98 31.531,98 COFINS PA Crédito Tributário Constituído (R$) Crédito Tributário Mantido (R$) Crédito Tributário Exonerar (R$) 31/1/2003 27.849,79 1.290,70 26.559,09 28/2/2003 19.682,73 0,00 19.682,73 31/3/2003 3.473,04 0,00 3.473,04 30/6/2003 1.054,77 0,00 1.054,77 31/8/2003 0,00 19,44 0,00 30/11/2003 69.964,09 20.082,98 49.881,11 31/12/2003 50.964,40 6.082,79 44.881,61 Total 172.988,82 27.475,91 145.532,35 Observese que os créditos tributários de PIS e Cofins referentes ao mês de agosto/2003, nos valores de R$ 10,07 e R$ 19,44, apurados quando da diligência fiscal, não podem ser exigidos, haja vista ser vedada a inovação dos lançamentos originários pela autoridade julgadora. Considerando que, em essência, a defesa sustentou a apuração com base no regime de caixa, o que foi acatado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como a ausência de contrarrazões ao resultado da diligência fiscal, concluise que o próprio Recorrente conformouse com a manutenção dos créditos tributários nos moldes acima. Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14120.000135/200706 Acórdão n.º 1103001.051 S1C1T3 Fl. 3.050 7 Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para exonerar os seguintes créditos tributários (valores originais): R$ 112.009,91 (IRPJ), R$ 52.026,15 (CSLL), R$ 31.531,98 (PIS) e R$ 145.532,35 (Cofins). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.918327/2012-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 27 /2 01 2- 55 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918327/201255 Acórdão n.º 3801003.474 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918327/201255 Acórdão n.º 3801003.474 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918327/201255 Acórdão n.º 3801003.474 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918327/201255 Acórdão n.º 3801003.474 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918327/201255 Acórdão n.º 3801003.474 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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