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Numero do processo: 16682.721162/2012-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic
Numero da decisão: 9303-004.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente na matéria juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que o conheceu integralmente e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões no conhecimento os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente na matéria juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que o conheceu integralmente e, no mérito, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões no conhecimento os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 62 /2 01 2- 35 Fl. 15781DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.782 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra ao acórdão nº 3403002.702, proferido pela 4º Câmara / 3ºTurma Ordinária, julgado em 29 de janeiro de 2014, o colegiado deu provimento parcial ao recurso de ofício para cancelar a parcela do lançamento correspondente ao reajustamento da base de cálculo da Contribuição e para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas excuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 15782DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.783 3 Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS foi autuada pela Fiscalização da DEMAC/RJ, fls. 14.599 a 14.604, para cobrança da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE, relativa ao ano calendário de 2008, com multa de ofício e juros de mora, incidente sobre remessas de valores ao exterior. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 14.645 a 14.765 dá conta de que o procedimento fiscal foi provocado por representações fiscais formalizadas pela DRF/Campos de Goytacazes/RJ, em que se apontaram indícios de irregularidades na contratação, pela autuada, de serviços de perfuração, exploração e prospecção em campos de petróleo e/ou gás,em que grande parte da remuneração paga por esses serviços foi atribuída a afretamento de embarcações e destinada ao exterior, sob o benefício de alíquota zero do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, previsto no art. 691 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 – RIR/99, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 20 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 A Fiscalização logrou identificar semelhança entre as contratações examinadas no curso do procedimento fiscal com outras, analisadas em procedimentos fiscais anteriores, referindo expressamente os processos administrativos fiscais 18471.000360/200387, 18471.001620/200336, 15521.000127/200963, 19395.720024/201262 e 15521.000156/200952, o que, nos termos do referido TVF, demonstraria tratarse de um modelo de contratação sistematicamente adotado pela PETROBRÁS. Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo próprio grupo econômico que presta os ditos serviços. A empresa estrangeira – afretadora da unidade e a empresa nacional – prestadora do serviço pertencem ao mesmo grupo econômico e desempenham, de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo ambas um único objetivo a prestação de serviços para a contratante PETROBRÁS. A maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. Ainda, nesse modelo de contratação bipartida, há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços: Fl. 15783DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.784 4 a) ambos os contratos, em geral, são assinados na mesma data; b)os contratos de afretamento e de prestação de serviços têm execução simultânea; c) a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de serviços acarreta a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de afretamento (caso o afretamento tivesse existência autônoma, a rescisão do contrato de serviços não acarretaria, necessariamente, a rescisão do afretamento, pois a PETROBRÁS poderia simplesmente contratar outra prestadora de serviços); d) freqüentemente, a fretadora estrangeira figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços nacional; e) o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições pertinentes ao fornecimento da plataforma (e.g., o contrato de afretamento prevê multa de 20% sobre a taxa diária de operação no caso de não atendimento de determinada cláusula do contrato de prestação de serviços, os cláusulas que atribuem à fretadora a obrigação de fornecimento de mão deobra especializada para a execução do contrato de prestação de serviços), chegando a mesmo a haver vinculação formal entre os dois contratos. A partir dessa estrutura contratual, a Fiscalização concluiu tratarse de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRÁS, e de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. No contexto concreto dessas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não haveria afretamento autônomo. O fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, que acabam por absorver o afretamento, sendo os serviços a atividade fim, para a qual o afretamento é atividade meio. A autuada infringiu a legislação tributária porque: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades fretadas foram todas fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa prestadora de serviços foi contratada operar unidade que o próprio grupo a que pertence forneceu; Fl. 15784DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.785 5 d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. Assim sendo, conforme o TVF, os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, correspondem, de fato, à remuneração pela prestação de serviços, já que a natureza desses pagamentos não é definida apenas pelas cláusulas contratuais de um contrato isolado, mas também, e principalmente, pela realidade fática produzida no desempenho dos contratos vinculados e interdependentes, sujeitandose à incidência do IRF e da CIDE. Com base em todo o exposto, a Fiscalização lançou de ofício a CIDE, incidente sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2008 (o lançamento de ofício de IRRF foi objeto do processo administrativo 16682.721161/201291). O tributo foi calculado sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS, a partir das invoices e boletins/relatórios de medição apresentados pela autuada, referenciando uns e outros no demonstrativo "Demonstrativo Analítico dos Pagamentos a Título de Afretamento para Beneficiários no Exterior", fls. 14.590 a 14.598. O recurso voluntário foi contrarrazoado pela PGFN, fls. 15.146 a 15.181. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarse ão na numeração estabelecida no processo eletrônico". Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, bem como, a incidência de juros de mora e taxa SELIC. Para comprovar a divergência jurisprudencial, foram apresentados os acórdãos paradigmas nºs 3301001.683 e 9101.00.539 Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 15785DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.786 6 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Da Admissibilidade do Recurso Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. A Fazenda Nacional suscitou divergência em relação a duas matérias: i) exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE; e ii) juros de mora sobre multa de ofício. Com objetivo de comprovar o dissenso jurisprudencial foi colacionado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3301001.683 e 910100539 ( quanto a incidência de juros de mora sobre multa de ofício). Quanto à primeira divergência suscitada, vejamos a ementa do Acórdão nº 3301001.683 paradigma, além de fragmentos dos votos em ambos os arestos, para identificar os fatos submetidos a julgamento e os entendimentos adotados pelos colegiados: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Período de apuração: 05/06/2003 a 21/12/2004 CIDE. BASE de CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A base de cálculo da CIDE é o valor do serviço contratado, creditado e/ ou pago ao prestador no exterior. Inexiste amparo legal para a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em nome e por conta a licenciante, da base de cálculo desta contribuição. Recurso Voluntário Negado. O acórdão recorrido buscou fundamentos técnicos quanto ao conceito de embarcação na literatura técnica especializada e no Sistema Harmonizado, na definição legal constante dos incisos V e XIV de seu art. 2° da Lei n° 9.537, de 11 de dezembro de 1997, buscando ainda, elementos na sentença proferida na Ação Anulatória de Lançamento Fiscal n° 2012.51.01.0028870, proposta pela Contribuinte. Com esses conceitos técnicos e definições legais a decisão recorrida concluiu que os naviossonda, as semissubmersíveis, os navios de Fl. 15786DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.787 7 apoio à estimulação de poços e as FPSO não se confundem com embarcações, já que estas destinamse ao transporte de pessoas e/ou carga sobre ou sob a água, ao passo que aquelas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e exploração de recursos petrolíferos. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 3301001.683, referese a remessas remetidas pelo escritório Brigard & Urrutia Abogados e Julieta Otalora de Villegas, correspondentes a pagamento por serviços advocatícios, por esta razão sofrem a incidência da CIDE, por tratar de serviço técnico prestado por profissional especializado. Confrontando os acórdãos Recorrido e indicado como paradigma, entendo impossível deduzir divergência. As circunstâncias e similitudes fáticas dos respectivos julgados são distintas, impossibilitando o estabelecimento de comparações. Observese que a decisão recorrida é complexa, digase de passagem, se debruçou em uma pesquisa na literatura, valorou a questão dos naviossonda, semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e o conceito de embarcação. Por outro lado, o acórdão paradigma trata de uma remessa efetuada por serviços prestados por Advogados. Sem embargo, convém destacar, que a divergência somente se caracteriza pela adoção de soluções diversas, em face de situações idênticas. Não é o caso dos acórdãos ora confrontados, que, como se viu, valoram circunstâncias fáticas distintas. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.31) estabelece que: "Tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim as diferentes situações fáticas retratadas em cada um dos julgados. Nesse contexto, também não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que por sua vez atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, não há que se falar em dissídio jurisprudencial, quando o confronto é estabelecido entre acórdãos exarados à luz de arcabouços normativos diversos, configurados em momentos distintos" Quanto a exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE, como se vê, na situação apontada como paradigma a contribuinte, reteve na fonte o valor do IRF relativo à remessa para o licenciante no exterior, objetivando que fosse excluída da base de cálculo da CIDE o valor do IRF por ela retido, considerando que seu pleito foi indeferido com fundamento de que a lei n° 10.168/00 e o Decreto nº 4.195/02, não previam a possibilidade dessa exclusão. Além disso, o voto vencedor do acórdão paradigma utiliza como fundamento o decreto 4.195, de 11 de abril de 2002, para fundamentar o reajustamento da base da CIDE royalties e assistência técnica. O acórdão paradigma deveria ter mantido o lançamento, no qual, não tendo o sujeito passivo efetuado a retenção de IRF. Considerando que a base de cálculo da CIDE, deveria ser reajustada com fundamento no artigo 725 do RIR/99. Fl. 15787DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.788 8 Cotejando os fundamentos dos respectivos votos, é forçoso concluir que as decisões recorrida e indicada como paradigma não divergem. Paradigma n° 910100539 Quanto à segunda divergência suscitada quanto a juros de mora sobre a multa de ofício, vejamos a ementa do Acórdão paradigma nº 91 0100539, além de fragmentos dos votos em ambos os arestos, para identificar os fatos submetidos a julgamento e os entendimentos adotados pelos colegiados: " Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Confrontando os acórdão Recorrido e indicado como paradigma, entendo que a divergência quanto aos juros de mora sobre multa de ofício foram comprovadas, portanto, conheço do recurso neste ponto. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Com efeito, a obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente De acordo com o 2art. 139 do CTN o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente, conforme leciona o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 15788DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.789 9 "Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro". Portanto, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora. A suspensão da exigibilidade do débito não elide a cobrança dos juros, salvo, nas hipóteses de deposito integral do tributo. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve abaixo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para restabelecer os juros de mora sobre a multa de ofício É como voto é como penso 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 15789DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.790 10 (assinado digitalmente) Demes Brito Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Considerei oportuno registrar as razões por que votei pelo não conhecimento do recurso da Fazenda especialmente por força da ótima sustentação oral proferida pela Procuradora. É que a questão da base de cálculo da CIDE remessas ficou mesmo assentada neste colegiado: é ela a remuneração bruta devida. Remuneração bruta, em qualquer caso, corresponde ao valor que é devido à pessoa no exterior somado ao IRRF devido. Daí que duas situações padrão se têm apresentado: ou a empresa sediada no Brasil assume o ônus do tributo ou não. No primeiro caso, deve ser adicionado ao valor remetido o IRRF que foi assumido. No caso oposto, esse IRRF, que já terá sido deduzido pela empresa no Brasil quando fez a remessa, não pode ser deduzido da base de cálculo. A situação discutida nos autos, porém, apresenta uma singularidade: embora a empresa brasileira não tenha assumido o ônus do imposto, também não o abateu do valor remetido. E a razão é que ela entendia que a alíquota seria zero. Destarte, se o IRRF for mesmo devido, o que ocorreu foi que ela remeteu mais do que deveria. Isso, no entanto, não traz qualquer consequência do ponto de vista da CIDE, pois a remuneração bruta já foi tributada. Por isso, entendi, tal situação não está contemplada no paradigma. Ele trata daquela situação padrão acima indicada: a empresa deduziu o imposto e quis considerar esse valor deduzido como base de cálculo. Ele seria aplicável, a meu sentir, se tivesse entendido como registrado no voto vencido da decisão recorrida que o imposto deve ser adicionado independente de ter havido a assunção do ônus. Fosse essa a tese do paradigma poderíamos aceitar a divergência, pois se poderia considerar que mesmo não tendo havido a assunção do ônus, se, no caso concreto, o IRRF for devido, ele deve ser adicionado. Ocorre que não é isso que registra o paradigma. Ademais, mesmo o voto vencido tendo dito isso, tanto a solução de consulta SRF quanto a posição doutrinária citada em seu favor pelo dr. Alexandr Kern não confirmam aquela sua conclusão. Com efeito, ambas apenas ratificam o entendimento predominante no CARF naquelas duas situações padrão. Fl. 15790DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.791 11 Com essa convicção, votei pelo não conhecimento do recurso da Fazenda no que tange a esse ponto. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à matéria conhecida – qual seja, incidência dos juros de mora – Selic sobre a multa de ofício, independentemente de a matéria principal trazida em recurso não ter sido conhecida, peço vênia para manifestar meu entendimento contrário à manifestação dada pelo ilustre Conselheiro relator Demes Brito. Depreendendose da análise da legislação vigente, expresso que, relativamente à esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (Grifos meus): "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do Fl. 15791DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.792 12 primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)” Nesse ínterim, somente considerando esse dispositivo, vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Nessa senda, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN, in verbis: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Tal dispositivo traz que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades assecuratórias. Ademais, temse ainda que, caso ignorássemos tais dispositivos e forçosamente invocássemos o art. 113 do CTN para entender que há incidência de juros sobre a multa de ofício, in verbis (Grifos meus): "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 15792DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.793 13 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Vêse que, mais uma vez, não há como se interpretar que seria cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício, eis que o art. 113, § 1º, do CTN traz que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador. Ora, e qual débito surge com o fato gerador do tributo? O débito que surge com o fato gerador do tributo é o próprio “valor principal” – valor do tributo apurado nos termos da legislação vigente. Entender que a multa de ofício surge com o fato gerador do tributo seria extrapolar a natureza dessa multa, vez que tal multa somente passa a existir com o lançamento de ofício. A motivação de sua existência não é a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim o lançamento de ofício. Sendo assim, tornase equivocado defender ser aplicável os juros sobre a multa de ofício, invocando o art. 113 e o art. 139 do CTN, sob a alegação de que: · O crédito tributário decorre da obrigação principal, nos termos do art. 139 do CTN; · A obrigação principal abrange o valor principal do tributo e as penalidades pecuniárias, nos termos do art. 113, inciso I, do CTN; · Então, o crédito tributário é composto pelo valor principal e multa de ofício; e · Sendo assim, seria aplicável os juros de mora sobre a multa de ofício, por compor o débito tributário a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. A interpretação equivocada não merece prosperar. Vejamos: 1. Traz o art. 139 do CTN (Grifos meus): “ Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 2. O art. 139, assim, considera que o crédito tributário surge com a obrigação principal; 3. Traz o art. 113, § 1º, do CTN: “ [...] Fl. 15793DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.794 14 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” 4. O art. 113, § 1º c/c o art. 139, do CTN, portanto, diz que o crédito tributário decorre com a obrigação principal que, por sua vez, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo; 5. O que se conclui que o crédito tributário não poderia ser composto pelo valor da multa de ofício, eis que tal multa não surge com o fato gerador do tributo, mas com o lançamento de ofício; 6. Por conseguinte, não há que se falar em aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 e do art. 161 do CTN, vez que tais juros somente incidem sobre o crédito tributário. Em vista de todo o exposto, entendo que não são aplicáveis juros sobre a multa de ofício. Frisese ainda tal entendimento o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível também ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial nº 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.027), da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 (Acórdão nº 220100.126). Entendo que os precedentes construídos ao longo dos anos favoráveis aos contribuintes devem ser considerados, inclusive, em tempos atuais, pois não houve alteração legislativa da data em que foram manifestados até o momento. O novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz o respeito à “eficácia vinculante dos precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): Fl. 15794DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.795 15 “ Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará Fl. 15795DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.796 16 a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando os por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” O que, por conseguinte, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos precentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais administrativos. Nesse caso, o entendimento de que para os serviços gráficos personalizados devese afastar a incidência do IPI. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e os sujeitos passivos. Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que tora a jurisprudência no Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação. Aproveito ainda para trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício, argumentando que houve mudança legislativa. Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Fl. 15796DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.797 17 E o art. 29 referendado no dispositivo (Grifos meus): “ Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos “de qualquer natureza” tratados no art. 30, caput, da Lei, são específicos – ou seja, somente são aqueles decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94, nos termos do art. 29 da Lei 10.522/02. Sendo assim, apenas trago que não há também como se aplicar os juros sobre a multa de ofício, invocando tais dispositivos, em respeito a literalidade da norma. O que resta a essa conselheira entender que não assiste razão à Fazenda Nacional nessa parte, sob pena de afrontarmos o CTN e extrapolarmos os dizeres da legislação vigente. Considerando todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nessa parte conhecida. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 15797DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.798 18 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello A controvérsia posta no recurso especial interposto pela Fazenda Nacional delimitase à possibilidade de inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE e à exigência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. Para comprovação da divergência jurisprudencial, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 3301001.683 e 910100.539. O acórdão nº 3403002.702, ora recorrido, proveu parcialmente o recurso voluntário da Contribuinte, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas excuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 15798DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.799 19 Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme bem destacado pelo Ilustre Relator no julgamento, há de se conhecer parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional, posicionamento acompanhado pelas conclusões expostas no voto do nobre Conselheiro Relator e na presente declaração de voto. Com relação à matéria relativa à inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, ponto sobre o qual se restringirá a presente declaração de voto, o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, pois os acórdãos recorrido e o apontado como paradigma não guardam a necessária similitude fática a ensejar a divergência jurisprudencial. Além disso, da análise das decisões verificase não divergirem entre si, e por isso não pode ser utilizado o paradigma para demonstrar o dissenso interpretativo. Trata o caso dos autos da lavratura de auto de infração para exigência de CIDE referente a valores remetidos ao exterior pela Contribuinte como pagamento pelo arrendamento de embarcações utilizadas na prospecção e exploração de petróleo. Argumentou a Fiscalização que as quantias remetidas prestarseiam a remunerar os serviços de prospecção e exploração prestados à Petrobrás nas embarcações, e naão ao seu afretamento. Conforme esclarecido nos autos, o valor efetivamente remetido ao exterior (valor líquido) pela Recorrida no caso dos autos, em razão de suas obrigações contratuais, foi exatamente ao valor contratado (valor bruto), pois entendeu a Contribuinte que, sendo a alíquota zero prevista para o IRF no art. 1º da Lei nº 9.481/97, nada haveria a ser retido. Portanto, no caso em exame, o valor relativo ao IRF não foi incluído na base de cálculo da CIDE, não em razão da discussão se deve ou não integrála, mas sim porque o valor a pagar do referido imposto era "zero", em razão da aplicação da alíquota "zero". Assim, a Contribuinte não procedeu ao recolhimento nem ao recolhimento do IRF. Ainda, concluiu o acórdão recorrido que "a base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo". No caso do acórdão paradigma, diversamente, a discussão deuse em torno de ser ou não cabível a inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE, adotando como base de decidir premissas diversas daquelas existentes nos presentes autos: (a) o IRF sobre o valor dos pagamentos contratados foi retido e recolhido pelo autuado em nome da licitante, por isso os valores de IRF integraram o valor creditado à mesma; e (b) os valores de IRF retidos e recolhidos não podem ser deduzidos da base de cálculo da CIDE por falta de amparo legal. Restou consignado, portanto, no acórdão paradigma não haver base legal para a exclusão do IRF da base de cálculo da CIDE. Da comparação entre as decisões recorrida e aquela apontada como paradigma, emerge a ausência de similitude fática, requisito indispensável à caracterização da divergência jurisprudencial. Isso porque no caso dos autos sequer houve o recolhimento e/ou a retenção do IRF pela Contribuinte, por entender como aplicável a alíquota zero. Já no caso do acórdão Fl. 15799DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.800 20 paradigma, houve o pagamento e a retenção do IRF pelo autuado, não tendo sido excluído da base de cálculo da CIDE por ausência de previsão legal. Por se tratarem de situações fáticas distintas e que se embasaram em premissas igualmente diversas, não há como empreender a mesma solução jurídica, razão pela qual não preenchido requisito indispensável à comprovação da divergência jurisprudencial para ter prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido, já se manifestou este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa do acórdão nº 9202003.679, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Além disso, verificase dos acórdãos confrontados haver convergência nas soluções jurídicas emprestadas aos casos. Isso porque restou consignado em ambas as decisões não haver base legal para excluir o IRF da base de cálculo da CIDE quando o imposto for retido e recolhido pelo remetente, tendo sido afastada a cobrança no caso dos autos apenas pela inexistência de retenção e/ou recolhimento de IRF pela Recorrida. No acórdão apontado como paradigma, o contribuinte procedeu à retenção na fonte e ao recolhimento do valor do IRF relativo à remessa para o licitante no exterior, buscando a exclusão da base de cálculo da CIDE do valor do IRF por ele retido, tendo sido sua pretensão negada pois, segundo a decisão paradigmática, a Lei nº 10.168/00 e o Decreto nº 4.195/02 não previam a exclusão. De outro lado, no caso dos autos, a Recorrida não pleiteou a exclusão da base de cálculo da CIDE do valor de IRF, pois o mesmo não foi retido nem recolhido, mas sim buscou não ver incluído o valor que lhe fora exigido com base no art. 725 do RIR/99 (no processo administrativo específico do IRF). Portanto, não há soluções jurídicas divergentes, mas sim convergentes, entre os acórdãos recorrido e paradigma, não restando comprovado o dissídio jurisprudencial também por essa razão. Com base nessas considerações, entendeuse pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional quanto à matéria relativa à inclusão do IRF na base de cálculo da CIDE. Fl. 15800DF CARF MF Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 9303004.314 CSRFT3 Fl. 15.801 21 É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 15801DF CARF MF
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Numero do processo: 13646.000429/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PIS E COFINS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO MODIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM FORMALIZAÇÃO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO . POSSIBILIDADE
Correta a metodologia utilizada considerando-se a forma que se realiza a não- cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, apurada na sistemática "base contra base".
COMPENSAÇÃO.DECADÊNCIA
A partir da Medida Provisória n. 66/2002. que deu a redação do § 2o , art. 74, da Lei n° 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
COFINS E PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES PROVENIENTES DE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA.
Por força da decisão proferida pelo STF, no RE 606.107 RS, não há a incidência da Cofins nos valores provenientes de transferência de créditos de ICMS para terceiros. Aplicação do art. 543-B do CPC e art. 62-A do RICARF.
COFINS E PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO IPI.
O crédito presumido do IPI tem natureza de incentivo fiscal as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerando-se a necessidade de desoneração da cadeia de distribuição e comercialização e em vista da natureza cumulativa das contribuições. Por conseguinte, não devem compor a base de cálculo das contribuições.
Numero da decisão: 3201-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos., acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de decadência. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Por unanimidade deu-se provimento ao recurso para a exclusão do crédito de ICMS da base de cálculo e por maioria deu-se provimento ao recurso para excluir o crédito presumido do IPI da base de cálculo. Vencidos os Conselheiros Mércia Trajano Damorim, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira, que mantinham o crédito presumido do IPI na base de calculo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Mércia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: Relator
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PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO MODIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SEM FORMALIZAÇÃO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO . POSSIBILIDADE Correta a metodologia utilizada considerandose a forma que se realiza a não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, apurada na sistemática "base contra base". COMPENSAÇÃO.DECADÊNCIA A partir da Medida Provisória n. 66/2002. que deu a redação do § 2o , art. 74, da Lei n° 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. COFINS E PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES PROVENIENTES DE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Por força da decisão proferida pelo STF, no RE 606.107 RS, não há a incidência da Cofins nos valores provenientes de transferência de créditos de ICMS para terceiros. Aplicação do art. 543B do CPC e art. 62A do RICARF. COFINS E PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. O crédito presumido do IPI tem natureza de incentivo fiscal as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerandose a necessidade de desoneração da cadeia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 04 29 /2 00 3- 12 Fl. 336DF CARF MF 2 de distribuição e comercialização e em vista da natureza cumulativa das contribuições. Por conseguinte, não devem compor a base de cálculo das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos., acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de decadência. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Por unanimidade deuse provimento ao recurso para a exclusão do crédito de ICMS da base de cálculo e por maioria deuse provimento ao recurso para excluir o crédito presumido do IPI da base de cálculo. Vencidos os Conselheiros Mércia Trajano Damorim, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira, que mantinham o crédito presumido do IPI na base de calculo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Mércia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/Pasep relativo ao 4o trimestre de 2003 e de Declaração de Compensação débitos da COFINS do período de apuração 11/2003, com crédito ora solicitado em ressarcimento. Transcrevese, a seguir, o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep relativo ao 4o trimestre de 2003, apresentado em 12/12/2003, no valor de R$309.066,16, e de Declaração de Compensação débitos da COFINS do período de apuração 11/2003 (fls. 01), com crédito ora solicitado em ressarcimento. Em 25/05/2004, apresenta Declaração de Compensação de débito de IPI do período de apuração 15/05/2004 com crédito de PIS/Pasep relativo ao mês de dezembro de 2003, no valor de R$197.533,63, fls 01 e 02 do processo 13646.000150/200410, apenso a este para análise em conjunto. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13646.000429/200312 Acórdão n.º 3201002.449 S3C2T1 Fl. 112 3 Da verificação da legitimidade do crédito resultou o Relatório Fiscal Final, relativo aos créditos de PIS do 4° trimestre de 2003, do qual se extrai: foram considerados os valores referentes aos bens utilizados com insumos constantes da planilha apresentada pela contribuinte (fls. 89, 99 e 107), que divergem dos valores declarados na DACON; o valor do crédito presumido relativo ao estoque de abertura foi reduzido de R$34,34 ao mês, em razão de duplicidade de lançamento a título de óleo combustível OC2B e querosene; com relação à base de cálculo do PIS, a fiscalização adicionou valores relativos à cessão de créditos de ICMS, no montante de R$3.151.031,40, relativamente ao 4o trimestre, e no valor de R$727.084,21, referente à redução indevida de ajuste de que trata o art. 7° da IN 313 de 2003 (MP, PI e ME utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, (fls. 133/142); qual alega que: A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 148/174), na a) a administração somente poderia questionar a contribuição para o PIS sobre os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 2003, uma vez que a contribuição do período de outubro de , 2003 já fora alcançada pela decadência; b) a fiscalização não pode, em pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, modificar a base de cálculo da contribuição para o PIS sem formalizar lançamento de oficio; c) a vedação à compensação dos créditos apurados em relação a insumos vinculados à receita referente a vendas no mercado interno só teve vigência com a edição da Lei 10.833/2003; d) não podem compor a base de cálculo da contribuição os ingressos recebidos em contrapartida à cessão de créditos do ICMS e o crédito presumido de IPI, relativos à MP, PI e ME, utilizados em produtos acabados mas não vendidos. Ao final protesta a requerente por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. É o breve relatório. A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 338DF CARF MF 4 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA/DECADÊNCIA O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP. Os créditos presumidos do IPI compõem a base de cálculo do PIS/Pasep. CRÉDITO PIS/PASEP.COMPENSAÇÃO: Não existe amparo legal para a utilização em compensação, de créditos apurados em relação a insumos vinculados à receita referente a vendas no mercado interno, mesmo para as empresas que exportam parte de seus produtos. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indefere se pedido de juntada de novas provas e de realização de perícia. Solicitação Indeferida Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reprisou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora: O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminarmente, deve ser analisada a metodologia da fiscalização para a apuração dos créditos. De acordo com a narração dos fatos, a fiscalização teria constatado erro na apuração dos créditos, afirmando haver erro em virtude da exclusão de valores da base de cálculo relativos à cessão para terceiros de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI, o que originou valor devido da contribuição. Considerandose que havia sobra de crédito, a diferença foi absorvida, não havendo crédito tributário a lançar. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13646.000429/200312 Acórdão n.º 3201002.449 S3C2T1 Fl. 113 5 A Recorrente, por sua vez, afirma que a fiscalização não poderia em pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, modificar a base de cálculo da contribuição para o PIS sem formalizar lançamento de ofício . Contudo, entendese que está correta a metodologia utilizada pela fiscalização, considerandose a forma peculiar que se realiza a não cumulatividade das contribuições ao PIS e à Cofins, que são apuradas na sistemática "base contra base". Por conseguinte, quando à fiscalização é submetida a análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, inevitavelmente, deverá auditar as bases de cálculo das contribuições sociais, pois a apuração dáse pela soma dos dispêndios incorridos no fornecimento de produtos ou serviços, que serão subtraídos da receita do contribuinte, para se aplicar as alíquotas. É dizer, o crédito é calculado pela aplicação do percentual sobre a base de cálculo, referente a aquisições passíveis de creditamento, sendo o resultado subtraído do saldo a pagar. Assim entendese que a análise dos pedidos de compensação, tem como pressuposto, a reapreciação das bases de cálculo. Observese, ainda, que, caso fosse constatado saldo a pagar, que fosse formalizado por lançamento de ofício, estarseia diante de situação menos favorável a contribuinte, pois arcaria com a multa de ofício. Nessa senda, a Recorrente alega que sendo necessário o lançamento de ofício; em vista do transcurso do prazo inscrito no art.150, §4o do CTN, já teria ocorrido a decadência para a exigência das referidas contribuições. Não obstante, na decisão recorrida afirmouse que as Declarações de Compensação que deram origem aos débitos cobrados foram entregues em 12/12/2003 e 25/05/2004, e, com base no parágrafo 5°, art. 74, da Lei n° 9.430/96, a autoridade administrativa tinha o prazo, no mínimo, até 12 de dezembro de 2008 para homologação. Correta a decisão recorrida, pois a partir da Medida Provisória n. 66/2002. que deu a redação do § 2o , art. 74, da Lei n° 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Quer isso significar que a declaração de compensação passa a ter eficácia constitutiva, não apenas da relação de débito do Fisco, como a de crédito, que se busca extinguir, sob condição resolutória da análise da fiscalização, no prazo de cinco anos de sua emissão. É certo que, anteriormente a essa legislação, era necessário que houvesse o lançamento de ofício, no caso da glosa de créditos, pois não havia norma individual e concreta para constituir a relação de débito do Fisco, o que redundava na sua decadência, nas hipóteses de inércia da autoridade competente. No que tange à exclusão da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, da cessão de crédito de ICMS, o Supremo Tribunal Federal, julgou a matéria sob a sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil , ao apreciar o Recurso Extraordinário n. 606107RS, em decisão cuja ata de Julgamento Publicada, DJE em 03/06/2013, em decisão assim ementada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. Fl. 340DF CARF MF 6 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13646.000429/200312 Acórdão n.º 3201002.449 S3C2T1 Fl. 114 7 de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Em consonância com o Regimento lnterno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões proferidas sob a sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, são de aplicação obrigatória para este Colegiado. Sobre o crédito presumido do IPI, a pretensão da Recorrente baseiase em dois fundamentos distintos e independentes, quais sejam: a)o estorno do crédito presumido do IPI, feito pela recorrente no mês de dezembro de 2003 referese ao custo dos "insumos" utilizados em produtos em fabricação ou acabados, mas que não foram vendidos no curso daquele anocalendário, observandose fielmente as determinações do art. 7° da Instrução Normativa SRF n. 313/03; b) a contribuição ao PIS não incide sobre o crédito presumido do IPI, uma vez que esse incentivo fiscal não possui a natureza jurídica de receita, estando, dessa forma, fora do campo de incidência da contribuição social; Destarte, o crédito presumido do IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS e COFINS, instituído pela Lei nº 9.363/96, que dispôs que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O crédito presumido do IPI, portanto, tem natureza de incentivo fiscal às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS, isto é, considerandose a necessidade de desoneração da cadeia de distribuição e comercialização e em vista da natureza Fl. 342DF CARF MF 8 cumulativa das contribuições, o legislador concebeu a técnica, para a eliminação da cumulatividade residual. "Receita" é conceito qualificado pela sua origem, decorrente de atividade empresarial, não podendo ser considerado qualquer ingresso como tal. Nesse sentido, a afirmação é corroborada pelos fundamentos do Acórdão nº 9303002.618, que ora se transcreve: Receita não é todo e qualquer ingresso que a empresa tem. Assim, por exemplo, não se cogita que a integralização de capital social seja tributada pela COFINS, mesmo sendo um ingresso de valor para a empresa. Receita surge como decorrência direta da atividade fim desenvolvida pela empresa e, ainda, ter vinculação com o resultado desta atividade. Assim, voltase a afirmar, não é qualquer ingresso que constitui uma receita. Nessa linha de raciocínio, a interessada destaca em suas contrarrazões: “ crédito de IPI ressarcido pela União, não é considerado uma receita. Os créditos de PIS e COFINS (requeridos via ressarcimento) não são considerados uma receita (§10°, do art. 3°, da Lei n° 10.833/03). Porquê então, os créditos presumidos de ICMS (subvenções do PROBAHIA e FUNDOPEM) haverão de ser? Será que o beneficio outorgado pela União possui natureza jurídica distinta daqueles que são outorgados pelos Estadosmembros?” E mais, citando o eminente ex Conselheiro José Minatel, que assim se posiciona sobre o conceito de Receita: "...é ingresso qualificado pela sua origem, caracterizando a entrada definitiva de recursos que, ao mesmo tempo, remunera e é proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) Se o objetivo é cotejar o conceito que impingimos para receita,confrontandoo com a natureza dos ingressos recebidos com a chancela de subvenção governamental, essa distinção de tratamento afigurasenos irrelevante: bastanos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado como beneficio governamental e, pronto, estará à margem da regra de incidência das contribuições cuja base de cálculo é a receita auferida, no sentido de proveniente do exercício da atividade empresarial.(...) as subvenções governamentais não se qualificam no conceito isolado de receita, porque não decorrente de esforço ou do exercício da atividade empresarial.(.)"(Minatel, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita. MP Ed. SP. 2005. pág. 101/240). De se observar, a partir desta definição, a receita ainda traz consigo a característica de ser o produto que vem de fora do patrimônio empresarial, mas que é derivado de dentro, por decorrer de atos, operações ou atividades da empresa, ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, e de que resulte algum benefício direto para a pessoa que o remunera por isso Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13646.000429/200312 Acórdão n.º 3201002.449 S3C2T1 Fl. 115 9 E, nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do STJ, que afirma que o crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, "não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS." (EDcl no REsp 1342534 / RS). Portanto, não incide COFINS e PIS tanto sobre o crédito presumido do IPI, até por uma coesão sistêmica, em face da incoerência de se dar um incentivo fiscal para desonerar a cadeia produtiva dessas contribuições, para, depois, excluir esses mesmos créditos na base de cálculo dessas contribuições. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (assinado digitalmente) Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.000731/2004-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2001 a 31/12/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decreto-lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-004.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2017
Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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MARINO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2001 a 31/12/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 23/02/2017 Participaram da sessão de julgamento as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello e os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Pôssas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 07 31 /2 00 4- 30 Fl. 604DF CARF MF 2 Relatório Adoto, com as homenagens devidas, o magistral relato feito pelo ex Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz para a decisão recorrida: Contra a ora recorrente, a auditoria fiscal lavrou auto de infração para lhe exigir diferenças da contribuição ao PIS, relativamente aos fatos geradores consumados entre 31.07.2001 e 31.12.2003. Do capítulo intitulado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, verificase que o ilícito imputado ao sujeito passivo, de acordo com a autoridade lançadora, teria consistido na exclusão, da base de cálculo da contribuição, das receitas auferidas de vendas a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (fls. 9/19). Em impugnação tempestivamente ofertada às fls. 21/47, sustenta a interessada a regularidade da prática, aduzindo, em primeiro lugar, a isenção do fato à luz do artigo 4o, do Decretolei no. 288/67, combinado com o contido no ADCT, artigo 40; e, em segundo lugar, a sua imunidade desde o advento da Emenda Constitucional no. 33/01, por obra da qual a redação original do artigo 149 da Carta Magna foi modificada. Sobreveio, em Primeira Instância, o indeferimento da impugnação em acórdão constante de fls. 77/83. Em síntese, a rejeição veio lastreada em dois fundamentos, ambos extraídos da Solução de Divergência COSIT no. 22/02. De acordo com o primeiro deles, o Decretolei no. 288/67 somente teria equiparado as vendas à Zona Franca de Manaus às exportações, no que respeitasse ao regime tributário em vigor à época em que promulgado referido diploma. Apenas os incentivos fiscais já fruíveis pelas exportações em fevereiro de 1967 seriam, nesta perspectiva, extensíveis às vendas que tivessem a Zona Franca de Manaus por destino. Como a própria instituição da contribuição ao PIS somente se deu em 1970, por força da LC no. 7, o tratamento previsto pelo artigo 4o do mencionado Decretolei no. 288 seria inaplicável à isenção conferida, nesta espécie impositiva, para as receitas de exportação. O segundo argumento vem em consideração às hipóteses isencionais previstas, para o PIS, na MP no. 1.8586/09. Por meio do dispositivo, o Executivo federal outorgou, a partir de 1o de fevereiro de 1999, isenção a uma série de ocorrências ali listadas, entre as quais às receitas de “exportação de mercadorias para o exterior”. E no §2o do mesmo artigo 14, previu expressamente que o tratamento favorecido ali instituído não alcançaria as vendas realizadas “a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio”. A desequiparação – consistente em sujeitar ao tributo as vendas à ZFM quando as exportações são desoneradas – foi objeto de Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10850.000731/200430 Acórdão n.º 9303004.616 CSRFT3 Fl. 3 3 impugnação via ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Governador do Amazonas, constituindo fundamento do pedido o disposto no artigo 40, do ADCT, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus se manteria, até o ano de 2013, como área de livre comércio e de incentivos fiscais (ADI no. 2.348). Tendo o Plenário do Supremo Tribunal Federal deferido a liminar requerida com efeitos prospectivos em 18.12.2000, entendeu a COSIT que, a partir de então, as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus fruiriam da isenção desde que caracterizada uma das hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do próprio artigo 14, da MP no. 1.8586/09, quais sejam: (a) receitas no fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB; (c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciaisexportadoras de que trata o Decretolei no. 1.248/72, destinadas ao fim específico de exportação; e (d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na SECEX. Como as operações objeto do auto de infração são todas posteriores à concessão da liminar da ADI no. 2.348, procurou a DRJ identificar, entre elas, a ocorrência das hipóteses acima, quer dizer, das hipóteses prescritas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14, da MP no. 1.8586/09 e, não as encontrando, deu por acertada a lavratura do auto de infração. O recurso voluntário foi interposto às fls. 95/136 e, ademais dos argumentos já articulados na impugnação, vem acrescido das seguintes considerações: (i) o auto de infração conteria nulidade insanável, consistente na inobservância de duas exigências estabelecidas pela Portaria SRF no. 3007/01, quais sejam, o nome, o número de telefone e o endereço funcional do chefe da AFRF, de um lado, e o código de acesso à internet para consulta do Mandado de Procedimento Fiscal, de outro; ii) não seriam cumuláveis a multa de ofício e os juros moratórios, ambos supostamente vocacionados à mesma função; (iii) fixada em 75% do montante da obrigação principal, a multa de ofício seria extorsiva; e, finalmente, (iv) a imposição da Taxa Fl. 606DF CARF MF 4 SELIC ao tributo omitido padeceria de inconstitucionalidade formal e material. O colegiado acolheu, por unanimidade, o voto do relator, exonerando, na íntegra, o crédito tributário discutido. O recurso especial da Fazenda Nacional postula sua reversão com base na tese que embasou a decisão de primeiro grau mencionada no relatório do dr. Marcos. Sobrevieram contrarrazões, nas quais se aponta que a tese advogada pela Fazenda já se encontra superada tanto administrativa quanto judicialmente, "notadamente o e. Superior Tribunal de Justiça e Tribunais Superiores". É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator. A admissibilidade do recurso é evidente, na medida em que os acórdãos paradigma discutem exatamente a mesma matéria, também para períodos de apuração posteriores a dezembro de 2000, e concluem pela improcedência da exclusão pretendida. A matéria vem sendo debatida no tribunal administrativo desde há muito tempo, podendose encontrar brilhantes votos, como o da decisão recorrida, que acolhem a postulação dos sujeitos passivos, assim como não menos eloquentes votos em sentido contrário, como os paradigma. Minha posição, desde muito, se alinha com esta última. Peço vênia para transcrever, em sequência, um dos já proferidos e em que se discutia a compensação de pagamentos indevidos porquanto efetuados sobre receitas oriundas de tais saídas. Ainda que uma parte dos argumentos ali enfrentados aqui não esteja, os que embasaram o recurso voluntário acolhido lá estão: Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10850.000731/200430 Acórdão n.º 9303004.616 CSRFT3 Fl. 4 5 Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também ouso divergir. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é tãosomente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem Fl. 608DF CARF MF 6 do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). (...) Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10850.000731/200430 Acórdão n.º 9303004.616 CSRFT3 Fl. 5 7 administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. (...) A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Em suma, defendi aí, e ainda penso assim, que o decretolei 288 não alcançava os tributos que viessem a ser criados após sua entrada em vigor (1966). Por isso, não havia norma expressa que concedesse isenção de PIS nas saídas para aquela região. Assim sendo, a legislação que viesse a introduzir incentivos à exportação precisaria mencionar expressamente que eles se estendiam àquelas saídas e não, como defendem a empresa e o dr. Marcos, precisaria excluir do incentivo tais saídas. Nesse sentido, a omissão da exclusão da ZFM nos atos legais posteriores à decisão na Adin em nada afeta o direito a tal exclusão, que não existia. Tenho votado, desse modo, por negar provimento a recursos que postulam tal exclusão. E também o faço aqui. Júlio César Alves Ramos Relator. Fl. 610DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.004938/2009-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 49 38 /2 00 9- 83 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12269.004938/200983 Acórdão n.º 9202004.921 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.722919/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA.
Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizam-se como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza.
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS.
As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento.
Numero da decisão: 1402-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizam-se como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizamse como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 29 19 /2 01 4- 37 Fl. 393DF CARF MF 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10882.722919/201437 Acórdão n.º 1402002.396 S1C4T2 Fl. 393 3 Relatório Tratase de recurso de ofício decorrente de decisão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) de Belém que julgou procedente impugnação do contribuinte ao auto de infração lavrado. Diante do minucioso relato da DRJ transcrevoo parcialmente complementandoo ao final: Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurados com base no Lucro Presumido, referentes aos seguintes trimestres: 1T/2009, 4T/2009, 4T/2010, 4T/2011 e 4T/2012. A Fiscalização constatou que o contribuinte deixou de incluir na apuração do Lucro Presumido os valores referentes aos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” e ao “Deságio na Aquisição de Investimentos”, conforme depreendese do Termo de Verificação Fiscal (fl. 194): 37. O Auto de Infração foi lavrado considerandose como Receitas Omitidas as receitas auferidas com o Resultado Positivo de Equivalência Patrimonial e a receita auferida com o deságio – investimentos, no valor total de R$159.891.669,78, [...] Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 22/09/2014, o contribuinte apresentou impugnação em 21/10/2014, alegando: a) Que existiria previsão legal afastando a tributação dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” no Lucro Presumido; b) Que a tributação dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” seria incompatível com o regime de caixa; c) Que a tributação dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” geraria diversas incongruências jurídicas e fiscais, como a ocorrência de dupla tributação e o indevido afastamento da isenção dos dividendos; d) Que inexistiria “Renda” na apuração dos “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial”, razão pela qual não haveria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL; e) Que mesmo que esta Turma de Julgamento considere que os “Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial” são tributáveis, tal tributação somente seria possível no momento da efetiva realização do investimento; f) Que ainda que se entenda pela manutenção da autuação em apreço, deveriam ser cancelados os valores exigidos a título de juros e de multa de ofício; g) Que seria ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Por fim, requereu que esta Delegacia de Julgamento recebesse, conhecesse e provesse a Impugnação, com a conseqüente desconstituição dos créditos Fl. 395DF CARF MF 4 tributários exigidos e o cancelamento integral dos autos de infração originários do presente processo administrativo. Acolhidos os argumentos da contribuinte a decisão ao final restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/12/2009, 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012 RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizamse como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Na medida em que exonerado o crédito tributário em valor superior ao limite de alçada foi interposto recurso de ofício de modo a submeter a decisão ao reexame necessário perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10882.722919/201437 Acórdão n.º 1402002.396 S1C4T2 Fl. 394 5 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: Considerando que a decisão recorrida exonerou o contribuinte de crédito em valor superior ao limite de alçada o recurso de ofício deve ser conhecido. 2. DO MÉRITO: A questão posta em julgamento respeita à impossibilidade de tributação do "Resultado positivo da equivalência patrimonial" na medida em que presente hipótese de isenção consistente na dispensa legal do pagamento do resultado positivo de equivalência patrimonial. Em sede da decisão proferida ante impugnação da contribuinte a DRJ entendeu que o "resultado positivo da equivalência patrimonial" sujeitase à tributação, porém, presente hipótese de isenção tributária, também, aplicável ao regime do lucro presumido. O que temse é que a autoridade fiscal ao empreender diligência fiscalizatória pautouse, exclusivamente, no previsto no RIR/1999 deixando de analisar o restante da legislação tributária federal que prevê a isenção do resultado positivo da equivalência patrimonial também no regime do lucro presumido. A Lei n.8981/1995 prevê em seu artigo 44 que caso a pessoa jurídica optasse pela apuração do IRPJ pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, os seus fatos geradores seriam mensais, conforme disposto nos arts. 27 a 32. O art.32 da Lei n.8981/1995 prevê em seu §1º que deve ser excluídas da base de cálculo do IRPJ "o resultado positivo decorrente da avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial". Nesta perspectiva, considerando que com a entrada em vigor da Lei n.8981/1995 o fato gerador do lucro presumido passou a ser mensal e sua apuração foi regulamentada pelos dispositivos dos artigos 27 a 32, nos termos do art.44, temse que o art.32, §1º, determina expressamente que o resultado positivo de equivalência patrimonial não integra a base de cálculo do IRPJ apurado sob o regime do Lucro Presumido. As inovações trazidas pela Lei n.9.249/1995 quanto à apuração da base de cálculo do IRPJ mantiveram integralmente o previsto nos arts. 30 a 35 da Lei n.8981/1995 permanecendo, assim, vigente o dispositivo do art.32, §1º, que autorizava a exclusão do resultado positivo da equivalência patrimonial da base tributável do lucro presumido. Posteriormente, quando editada a Lei n.9430/1996 houve a revogação tão somente do art.33 da Lei n.8981/1995 mantendose, assim, vigente a hipótese de isenção prevista no art. 32, §1º, da Lei n.8981/1995. A última reforma da legislação do IRPJ (Lei n.12973/2014) também não suprimiu a isenção prevista de modo que resta, assim, irretocável a decisão proferida pela DRJ. Fl. 397DF CARF MF 6 3. CONCLUSÃO: De todo o exposto voto pela improcedência do recurso de ofício com a manutenção da decisão proferida. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira ConselheiroRelator Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000440/2004-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação,
expirado o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, sem que a
Administração Tributária se tenha pronunciado, considera- se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação
Numero da decisão: 1803-000.508
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes (Relator), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considera- se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes (Relator), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior
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'rigues mendes - Re '-"k3a S1-TE03 Fl. 223 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.000440/2004-18 Recurso n° 160.476 Voluntário Acórdão n° 1803-00.508 - 3" Turma Especial Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS - AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente JB & S CONSULTORIA, REPRESENTAÇÃO, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considera- se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes (Relator), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Benedicto Celso Bernciq Jur4or - Redator Designado EDITADO EM: n id. Processo n° 18471.000440/2004-18 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 224 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Annond. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 187 e 188): Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 99/104, 105/108, 109/112 e 113/118, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro - Defis/RJO, por meio dos quais são exigidos da Interessada, antes identificada, o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 107.086,97; a Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 6.105,11; a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 18.785,04 e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no valor de R$ 13.924,97; mais multa de 75 % e demais encargos moratórios. 2. O lançamento decorre dos fatos descritos mais detalhadamente no Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF (fls. 94/98). Em suma, o lucro foi arbitrado tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Os valores foram especificados no auto de infração como: o Omissão de receitas de prestação de serviços gerais à empresa Refrigor S/A. (item 001 do auto e fls. 97/98 no 'TVCF). Enquadramento legal: arts. 16 e 24, § 1°, da Lei n° 9.279/1995; artigo 27, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 e artigos 219, 530, inciso III, e 537 do Regulamento do Imposto de Renda 1999 - RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR199. o Receita operacional referente à revenda de mercadorias (item 002 do auto e fl. 96 no TVCF). Enquadramento legal: arts. 16 da Lei n° 9.279/1995; artigo 27, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 e artigos 219, 530, inciso III, e 537 do Regulamento do Imposto de Renda 1999 - RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/99. o Receita operacional relativa à prestação de serviços gerais (item 003 do auto e fl. 98 no TVCF). Enquadramento legal: arts. 16 da Lei n° 9.279/1995; artigo 27 inciso I, da Lei n° 9.430/1996 artigos 219, 530, inciso III, e 537 do Regulamento do Imposto de Renda 1999 - RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 lijv março de 1999 - RIR/99. ()2 Processo n° 18471.000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 225 3. Os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS, à Cofins e à CSLL, foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal. 4. A autuada manifesta-se às fls. 131/147, alegando o que segue: 4.1. - que entrega tempestivamente sua impugnação; 4.2. - uma ação fiscal instaurada através de acatamento de denúncia anônima fada-se à improcedência, uma vez que, sendo legal (sic) e inconstitucional sua gênese, por conseqüência terá como corolário a total improcedência; 4.3. - é sabido que a partir da edição da Lei n° 8.383 /1991, o lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica é realizado na modalidade de lançamento por homologação. Assim, a determinação da decadência claramente está definida no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN; 4.4. - a notificação do auto de infração se fez em 26 de abril de 2004 e a matéria tributável se refere ao ano-calendário de 1998. Logo, certo é que já houvera a ocorrência da decadência; 4.5. - é mister destacar que, segundo informações do próprio Auditor, a denúncia apócrifa tinha sido encaminhada à SRF pelo Parquet em 1° de abril de 2003, portanto quando já extinta pelo transcurso de prazo decadencial; 4,6. - a matéria tributável descrita no auto de infração é eivada de erros materiais e na sua concepção prescinde de legalidade; 4.7. - com base em malsinada denúncia anônima, que certamente não atendia às normas legais, com simples cópias de notas fiscais, e sem a realização de qualquer procedimento de auditoria, comodamente, porém ilegalmente e irregularmente, fez a lavratura do auto de infração; 4.8. - da leitura minudente do processo verifica-se que, às fls. 58/59, foi apresentada ao autor do procedimento fiscal processo instruído junto à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, com a comunicação de extravio das notas fiscais de serviço de números 001 a 250, com o esclarecimento [de] que as mesmas não tinham sido utilizadas. Destaca-se que tal situação datava de 16 de setembro de 1998; 4.9. - os valores coletados e apontados pelo autuante às fls. 73/76 estão dentro do universo de notas apontadas em 16 de setembro de 1998 como extraviadas; 4.10. - as cópias de notas fiscais apensas à malsinada denúncia apontam equívocos, erros, incorreções tão grandes que, por si só, já desqualificariam até mesmo uma denúncia formal. Assim são citadas: a) as notas fiscais de serviços anteriormente informadas e cujas cópias encontram-se anexadas aos autos, estão preenchidas como se fossem em moeda estrangeira (U$ - dólares - fls. 73/76), b) as demais notas apensas aos autos, em sua grande maioria, quando discriminam o serviço prestado, 3 Processo n° 18471.000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 226 acrescem (destacam) imposto de renda na taxa de 27,5% (vinte e sete e meio por cento fls. 86/93); 4.11. - é certo, claro e insofismável, que o autuante pretendeu transformar suspeitas em provas e que tal pretensão não encontra amparo legal, tornando, por conseguinte, insubsistente o auto de infraçã o; 4.12. - o autuante pretendeu incluir receita que acreditou ter sido omitida e que teria sido apurada com base em denúncia anônima, no entanto, sem qualquer procedimento de auditoria para certificar- se da sua correção. Como prova do absurdo cometido e total insegurança quanto aos fatos, a autoridade fiscal, em intimação datada de 26 de abril de 2004, conforme se comprova à fl. 55, solicita esclarecimentos ao ora autuado, concedendo prazo de 5 (cinco) dias para atendimento, porém, na mesma data cientifica-o do auto de infração; 4.13. - pelo anteriormente exposto, quanto à decadência; ao não atendimento do artigo 908 do RIR199 e inconstitucionalidade de apuração por denúncia anônima; a falta de prova para apuração do quantum pretendido; a lavratura do auto de infração antes de transcorrido o prazo concedido para prestar esclarecimentos; o arbitramento do lucro por falta de escrituração, embora tenha havido circunstâncias de fbrça maior, enfim por todas as razões elencadas na impugnação, pode-se, sem sombra de dúvida, afirmar ser o mesmo eivado de nulidades. 5. Face aos fatos aqui apresentados, requer a improcedência do auto de infração e, conseqüentemente, o cancelamento do auto de infração. A decisão da instância a qua foi assim ementada (fls. 185 e 186): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível filar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. DENÚNCIA ANÔNIMA. A denúncia anônima não pode fundamentar, isoladamente, a instauração do procedimento fiscal, o que não significa que deva ela ser simplesmente desconsiderada pela autoridade destinatária; ao contrário, recebendo delação anônima, essa autoridade tem o dever, em nome do interesse público, de verificar seu conteúdo e a verossimilhança das informações sobre prática de ato ilícito, mediante a utilização de recursos 4 7.(s.j1 Processo n° 18471.000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 227 ordinários de investigação que não violem as liberdades públicas constitucionalmente instituí das. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, na contagem do prazo decadencial deve-se observar a regra do art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional. Se o pagamento do tributo não for antecipado, na constituição do crédito tributário deverá ser observado o disposto no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. ARBITRAMENTO. Cabe o arbitramento do lucro da pessoa jurídica se ela, obrigada à escrituração com base no lucro real ou presumido, deixa de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1998 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, CSLL, COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA. PIS. COFINS, CSLL. É de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, o prazo para o fisco efetuar o lançamento das contribuições para a seguridade social (art. 45 da Lei n° 8.212/1991 c/c art. 150, § 4°, do CIN). Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 01/06/2007, sexta-feira (doc. de fls. 201), a tempo, em 03/07/2007, apresenta a interessada recurso de fls. 204 a 221, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. 5 Processo n° 18471.000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl, 228 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do recurso. Preliminar de decadência do lançamento Argui a recorrente, preliminarmente, a decadência do lançamento, com fundamento no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966). De início, cabe esclarecer que o interstício de cinco anos a que se refere o § 4° do art. 150 do CTN não é - rigorosamente falando - um prazo decadencial, mas um prazo para que a autoridade administrativa homologue, ou não, a atividade exercida pelo sujeito passivo. Prazo decadencial é, pois, apenas, o previsto no art. 173 do mesmo Código. Assim, melhor seria dizer que a recorrente argui a ocorrência da homologação tácita da atividade por ela exercida, o que, de forma semelhante ao que sucede com o instituto jurídico da decadência, também extinguiria definitivamente o crédito tributário (art. 156, inciso VII, do CTN). Feita essa primeira observação, cumpre, agora, definir precisamente qual seria a "atividade exercida pelo sujeito passivo", na dicção do caput do art. 150 do CTN, para que se possa concluir com acerto, no caso concreto, da necessidade de uma "homologação pela autoridade administrativa". Rios de tinta já foram escritos acerca dessa questão, que, no entanto, ainda permanece polêmica, entendendo uns que a dita "atividade" seria o pagamento, e outros que a referida "atividade" corresponderia à apresentação da Declaração de Informações Econômico- fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ou, até mesmo, à mera escrituração contábil ou fiscal. As origens dessa expressão - "atividade" - remontam ao contido no Anteprojeto do Código Tributário Nacional, de autoria de Rubens Gomes de Souza - que serviu de base aos trabalhos da Comissão Especial nomeada pelo Ministro da Fazenda para elaborar o Projeto de Código Tributário Nacional -, no qual a redação dos atuais arts. 142, 150 e 149, inciso V, do CTN era a seguinte (grifou-se): Art. 168. Lançamento é a atividade destinada a constituir o crédito tributário mediante a verificação da ocorrência e das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, a avaliação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a expedição do título formal de dívida. [...1. Processo n° 18471.000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 229 Art. 175. Quanto aos tributos, cuja legislação não preveja expressamente o prévio exercício, por parte da autoridade administrativa, da atividade referida no art. 168, ou atribua êsse exercício, no todo ou em parte, ao próprio contribuinte ou a terceiro, o crédito tributário considera-se definitivamente constituído, nos têrmos e para os efeitos do art 171, com a notificação regularmente feita ao contribuinte ou seu representante, da concordância da autoridade administrativa competente com a atividade exercida pelo próprio contribuinte ou pelo terceiro legalmente obrigado ao seu exercício. Parágrafo único. Equipara-se às hipóteses previstas nas alíneas II e III do art 174, para o efeito de justificar o lançamento de oficio, a verificação feita pela autoridade administrativa competente, a qualquer tempo salvo prescrição, da omissão ou inexatidão do exercício da atividade a que se refere êste artigo, por parte do contribuinte ou do terceiro legalmente obrigado ao seu exercício. Ressalte-se que, quando da conversão daquele Anteprojeto para o Projeto de Lei n° 4.834, de 1954, publicado no Diário do Congresso de 07/09/1954, a expressão "atividade" foi modificada para "procedimento", no atual art. 142 do CTN, conforme observação contida no Relatório apresentado por Rubens Gomes de Souza e aprovado pela Comissão Especial do Código Tributário Nacional: 97. O art. 105 [do Projeto de Lei, esclareço] define o lançamento e enumera os elementos de que se compõe. Tratando-se de "ato complexo" (sucessão regrada de atos conjugados em vista de um objetivo comum), a Comissão, adotando como sugestão o editorial publicado na secção jurídica do jornal "O Estado de São Paulo" de 15-7-54, corrigiu, mesmo depois da redação final, para "procedimento" a terminologia "atividade" que constava do correspondente art. 168 do Anteprojeto, ao qual se acrescentou referências à identificaçã o do contribuinte, em consonância com o disposto na alínea Ido sç único do art. 52. Constata-se, portanto, numa incursão histórica às origens do CTN, que a expressão "atividade" refere-se ao lançamento, ou melhor, ao autolançamento efetuado pelo sujeito passivo. Assim, não havendo lançamento, não há o que se homologar. O lançamento existe para constituir o crédito tributário; já a homologação existe como condição resolutória para extinguir o crédito tributário constituído pelo lançamento. Se o contribuinte, em suas declarações, não constitui qualquer crédito tributário, não há que se falar em lançamento (nada foi constituído) e, menos ainda, em homologação do lançamento (nada existe para ser extinto). Assim, não basta ter havido declaração do tributo; é necessário, além disso, que tenha sido constituído crédito tributário. De igual modo, não é suficiente a existência de Processo n° 18471.000440/2004-18 S1-TE03 Acórdão it° 1803-00.508 Fl. 230 pagamento; este, por si só, não constitui crédito tributário, correspondendo, isoladamente, a um mero recolhimento sem causa. O que se homologa, pois, é a constituição do crédito tributário procedida pelo sujeito passivo. Essa constituição se dá mediante qualquer procedimento que se caracterize como confissão de dívida (DCTF, DComp, parcelamento, depósito do montante integral para suspensão da exigibilidade, etc.). Importa sublinhar, nesse ponto, a Súmula n° 436 e a ementa do Agravo Regimental nos Embargos ao Recurso Especial n° 1.037.2021PR, ambos da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de seguinte teor, respectivamente (destacou-se): A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. L.1. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento dos ERESP 686.479/RL Rel. Min. Denise Arruda, a Primeira Seção pacificou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, "o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CT1V. Isso porque verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, deposita a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário é constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizando-se, com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Não há, portanto, necessidade de ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa quanto aos valores depositados." Precedentes da Primeira Seção e de ambas as Turmas de Direito Público. 2. Não cabem Embargos de Divergência quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado (Súmula I68/STJ). 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMI1V, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/05/2009, DJe 21/08/2009) No presente caso, apenas houve, por parte da recorrente, a entrega da DIPJ, documento que, como se sabe, tem caráter meramente informativo, não se constituindo em confissão de dívida ou em reconhecimento de débito fiscal. ók("' Processo n° 18471.000440/2004-18 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 231 Ainda outra corrente de pensamento entende que "A rega de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento". Contudo, pelo que determina o art. 150, caput, do CTN, essa condição é necessária, mas não suficiente para definir a sistemática de lançamento de um tributo. Confira-se (grifo da transcrição): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Assim, duas são as condições indissociáveis para que se esteja perante um lançamento por homologação: a) que legislação pertinente atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; e b) que este mesmo sujeito passivo proceda à atividade a ser objeto de homologação, que, como já visto anteriamiente, é a atividade de lançamento (autolançamento). Obviamente, é inimaginável que a homologação opere no vazio. Detalhando a situação no presente processo, transcreve-se o seguinte trecho do acórdão recorrido (fls. 192): No presente caso, o auto de infração de fls. 99/104 foi lavrado em 26/04/2004, com ciência nesta mesma data (fl. 99), e o contribuinte alega a decadência em relação ao ano-calendário de 1998. À fl. 03 tem-se que o interessado apresentou a Declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário de 1998 tendo optado pela forma de tributação pelo Lucro Real e apuração pelo período trimestral. Porém, não foi apurado imposto de renda a pagar em nenhum dos quatro trimestres «is. 23/26) 11.1 Aplicando-se o contido no art. 173, inciso I, do CTN, e considerando-se esses dados, e que, relativamente aos primeiro a terceiro trimestres do ano-calendário de 1998, já poderia o fisco ter efetuado o lançamento no próprio ano-calendário, motivo pelo qual o termo inicial de decadência teria início em 01/01/1999, estão decaídos esses períodos. Remanesce, assim, para julgamento do mérito apenas o quarto trimestre do ano-calendário de 1998. Preliminares de nulidade do lançamento A matéria relativa às preliminares de nulidade do lançamento resta prejudicada, posto que somente concernem aos primeiro a terceiro trimestre do ano-calendário de 1998, considerados decaídos no tópico anterior. 5 Pl5 PP^ Mérito Processo n° 1847L000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 232 A matéria relativa à denúncia anônima resta prejudicada, posto que somente serviu de indício ao lançamento fiscal no que concerne aos primeiro a terceiro trimestre do ano-calendário de 1998, considerados decaídos em tópico precedente. Remanesce, apenas, a parte do lançamento correspondente ao arbitramento do lucro das receitas declaradas no quarto trimestre de 1998 (fls. 16), em face da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Quanto a essa parte da autuação, adoto, como razões de decidir, os fundamentos empregados pelo acórdão recorrido (fls. 193): 34. Analisando o lançamento relativo ao IRPJ, constata-se que os motivos da autuação estão claramente consignados no auto de infração e, conforme exposto, a Fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro tendo em vista que a Interessada deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial. 35. Nesse sentido, dispõe o inciso III do art. 47 da Lei n° 8.981, de 1995, transcrito abaixo e reproduzido no art. 530, III, do RIR/99: Art. 47 - O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: [...1. III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; [...]. 36. Do exame dos autos fica evidenciado que a Interessada não apresentou a documentação nos termos exigidos pela lei comercial e fiscal, afigurando-se, por isso, impossível a apuração precisa de seu resultado. Quanto à alegação da recorrente de existência de circunstâncias de força maior (desmoronamento e enchente no escritório de contabilidade que guardava sua documentação), citam-se os seguintes precedentes em sentido contrário ao entendimento por ela esposado: LUCRO ARBITRADO — LANÇAMENTO DE OFICIO — FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ocorrência de enchente não é suficiente para afastar o arbitramento do lucro. Impõe-se à contribuinte comprovar a perda de todos os seus livros e documentos, adotar tempestivamente as providências determinadas no parágrafo 1° do artigo 210 do RIR/94, e reconstituir a sua escrituração contábil e fiscal. Presentes os pressupostos legais para o arbitramento do lucro, nos termos do inciso Ido art. 47 da Lei n° 8.981/95. to„(i Processo n° 18471.000440/2004-18 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 233 (Acórdão n° 107-08.831, de 06/12/2006, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE ALAGAMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, ,5Ç 1 0, do RIR/99, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter, à disposição do fisco, os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ. (Acórdão n° 103-22.974, de 25/4/2007, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Deve, pois, ser mantida a exigência de R$ 27.720,70 de IRPJ, referente ao quarto trimestre de 1998. Demais exigências Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido fornializados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Assim sendo, devem ser canceladas as exigências de Pis e de Cofins, relativas, exclusivamente, aos primeiro a terceiro trimestres do ano-calendário de 1998, mantida, apenas, a exigência da CSLL, de R$ 3.881,20, correspondente ao quarto trimestre de 1998. Conclusão Em face do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ACOLHER, PARCIALMENTE, a preliminar arguida de decadência do lançamento, no tocante aos primeiro a terceiro trimestres do ano-calendário de 1998, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, MANTENDO as exigências de R$ 27.720,70 de IRPJ e de R$ 3.881,20 de CSLL, relativas ao quarto trimestre do ano-calendário de 1998. É como voto. --c n , O Sérgio' ligues Mendes Processo n° 18471.000440/2004-18 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 234 Voto Vencedor Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Redator Designado Sem prejuízo do notório conhecimento jurídico destilado pelo conselheiro relator, notável em todos os votos por ele proferidos, não posso coadunar do entendimento ora defendido, naquilo que tange à preliminar de decadência aventada pela recorrente. O artigo 150, § 4°, do CTN traz, em seu bojo, rega especial a respeito do prazo decadencial de lançamento dos créditos fiscais. Excetuando o critério universal insculpido pelo artigo 173, inciso I, do Código, o primeiro dos dispositivos supracitados traz regamento tocante exclusivamente aos tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", determinando a contagem do interregno de caducidade a partir do átimo de realização dos fatos imponíveis. Assim vigora estresido artigo 150, § 4°, do CTN: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sÇ 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." A leitura do enunciado normativo enfocado permite perceber, indubitavelmente, que os tributos sujeitos à especial regra decadencial ali esculpida são todos aqueles "cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa". Noutras palavras, considera-se tributo lançado por homologação, para todos os fins fiscais, aquelas espécies tributárias em que há previsão legal da obrigação de apuração e de antecipação, pelo sujeito passivo, do quanto devido, sob condição de ulterior confirmação ou infirmação fazendária. Veja-se que o lançamento por homologação se caracteriza pelo dever legal de adiantamento do recolhimento, e não pela efetiva observância desta obrigação. Simples inadimplementos não desqualificam a natureza do tributo, sendo impossível considerar lídima a tese da transposição da regra decadencial aplicável. No presente caso, portanto, não há como se admitir a cominação do comando estatuído pelo artigo 173, I, do CTN. Os tributos lançados — IRPJ, CSLL, PIS e COFINS — são 12 Benedicto Celso Beyi - Redator Designado Processo n° 18471,000440/2004-18 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 235 típicas espécies de exações lançadas por homologação, dada a existência abstrata do dever de recolhimento antecipado das cifras apuradas pelo contribuinte. O regime do autolançamento, repise-se, caracteriza ditos tributos, ainda que parcela dos pagamentos não se tenha realizado. Tendo-se em conta que a notificação do auto de infração se deu apenas em 26 de abril de 2004, não restam dúvidas de que só poderiam ter sido formalizados, por meio da peça acusatória, montantes respeitantes a fatos geradores ocorridos até 26 de abril de 1999. É impossível, por conseguinte, admitir qualquer lançamento atinente aos quatro trimestres do ano-calendário de 1998 — período identificado, in totum, ao caso ora versado. A fim de ilustração, traga-se à baila algumas ementas de julgamento deste colegiado, que corroboram o entendimento por nós esposado: "Decadência. O prazo decadencial para os tributos sujeitos à lançamento por homologação é o do § 4" do artigo 150 do CTN, uma vez que os tributos em questão estão sujeitos ao lançamento por homologação, sendo regidos pelo § 40 do artigo 150 do CTN, exceto quando reste comprovado pela fiscalização que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, hipótese em que o prazo decadencial passará a ser o previsto no inciso I do artigo 173 do C77V; desqualificação da multa de 150% para 75% a mera falta de recolhimento de tributo quando o contribuinte possui a sua receita escriturada, não configura dolo no intuito de suprimir tributo, impedindo que o fisco torne conhecimento do fato gerador tributável. (CARF — 1° Seção — Ac. 1102- 00.013/09)" "DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considera- se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Ac. 1° CC 105-17.334/08)" Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para determinar o cancelamento do auto de infração, em virtude da constatação da decadência de todos os créditos por ele constituídos. Processo n° 18471.000440/2004-18 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.508 Fl. 236 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 02 á ...c.b.-Lsk,-,y\kw,,, Zake ‘{ a%jk. de Sousa odrigueSecretária da Câmaraj Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [J apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. 14
score : 1.0
Numero do processo: 10768.011886/2002-79
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PROVA DO CONTRIBUINTE.
Cumpre ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da DCTF a fim de afastar o lançamento do crédito tributário. No entanto, uma vez trazendo ao processo as provas do equívoco no preenchimento das DCTFs, em respeito ao princípio da verdade material, não há como deixar de apreciar as provas acostadas aos autos e cancelar o auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PROVA DO CONTRIBUINTE. Cumpre ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da DCTF a fim de afastar o lançamento do crédito tributário. No entanto, uma vez trazendo ao processo as provas do equívoco no preenchimento das DCTFs, em respeito ao princípio da verdade material, não há como deixar de apreciar as provas acostadas aos autos e cancelar o auto de infração.
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MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PROVA DO CONTRIBUINTE. Cumpre ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da DCTF a fim de afastar o lançamento do crédito tributário. No entanto, uma vez trazendo ao processo as provas do equívoco no preenchimento das DCTFs, em respeito ao princípio da verdade material, não há como deixar de apreciar as provas acostadas aos autos e cancelar o auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10768.011886/200279 Acórdão n.º 180301.158 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal decorrente de auditoria interna efetuada pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras nas declarações de contribuições e tributos federais — DCTF, apresentadas pela interessada, correspondentes ao 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997, a partir da qual se constatou atraso no recolhimento do imposto sobre a renda retido na fonte, sem o pagamento dos juros e da multa de mora. Inconformada com a exigência, a recorrente impugnou o lançamento pedindo a improcedência total do auto de infração e o cancelamento do débito, alegando, em síntese, que os dados das DCTF1997, referentes ao terceiro e quarto trimestres, foram informados incorretamente quanto à semana correspondente, porém pagos nas respectivas datas corretas de vencimento. Requereu a retificação das DIRF preenchidas equivocadamente. DO VOTO VENCIDO A autoridade julgadora de primeira instância, que teve o voto vencido, aduz que no tocante aos atrasos, é importante esclarecer que o prazo de recolhimento do imposto de renda retido na fonte se encerra no terceiro dia útil da semana subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores (art. 83, inciso I, alínea "d", da Lei n° 8.981/1995). Prossegue referindo que o artigo 47 da Lei 9.430/96, por sua vez, trata de forma diferenciada os contribuintes que regularmente lançam ou declaram seus tributos e contribuições devidos, concedendolhes o prazo de vinte dias, a partir do início da ação fiscal, para que efetuem o seu pagamento, caso não o tenham efetuado, ou o tenham efetuado a menor, com os acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo. E atenta para o fato de que ao espírito da referida Lei, a Instrução Normativa SRF 077/1998, no seu artigo 2°, parágrafo 2°, inciso I, estabeleceu, quanto aos débitos declarados, que o contribuinte, uma vez cientificado do lançamento constituído para efetuar a cobrança dos mesmos, poderá pagar os tributos declarados mas não pagos, ou pagos a menor, até o vigésimo dia, contado da ciência do lançamento, com o acréscimo de multa moratória, dispensada, nesse caso, a exigência da multa de lançamento de oficio. Nesse contexto, o julgador a quo salienta que a legislação trata de forma diferenciada os contribuintes que efetuam regularmente a declaração de seus tributos. Ratificando este tratamento diferenciado, o parágrafo 3°, do mesmo artigo 2°, dispõe que o pagamento com acréscimo apenas da multa de mora, no prazo de vinte dias do início da ação fiscal, não se aplica aos lançamentos de oficio decorrentes de alterações da base de cálculo das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e do ITR. Assim sendo, a própria legislação não concede o beneficio, por exemplo, no campo do Imposto de Renda de Pessoa Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10768.011886/200279 Acórdão n.º 180301.158 S1TE03 Fl. 113 3 Jurídica, às infrações referentes a omissão de receitas, ou ainda, à glosa de despesas, por falta de comprovação ou desnecessidade e cita a Instrução Normativa 94/97, uma das normas reguladoras do procedimento de revisão interna das declarações e seu artigo 3°. Prossegue o julgador a quo referido que para saber se a multa de mora, os juros de mora e a multa de ofício são de fato devidos, resta saber se a hipótese de incidência efetivamente se materializou, qual seja, se o tributo ora lançado foi pago após o vencimento do prazo previsto. Assim a autoridade lançadora se funda nas informações prestadas na DCTF, vinculando o vencimento à semana e ao mês informado na DCTF. Tendo sido os pagamentos efetuados em atraso, segundo a semana constante na DCTF, configurado estaria o mesmo, pelo que foi apurado. A autoridade observa que as normas que disciplinam o devido preenchimento da DCTF constam no programa gerador da declaração e estão aprovadas pelo Ato Declaratório SRF/COSAR/COTEC n° 49, de 18/08/1997. Vale dizer que as regras não estão contidas no referido ato, mas dentro do programa gerador. Tais regras não constituem ato formalmente válido e publicado, não podendo assim ter força cogente sobre o contribuinte, especialmente para lhe impor penalidades ou gravames. Prossegue aduzindo que o programa não se trata de uma regra clara, especialmente quanto à apuração do IRRF semanal e que suscita dúvidas. Do mesmo modo, entende a o julgador do voto vencido que cumpre à autoridade lançadora a comprovação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e que no caso em concreto, para comprovar o atraso no pagamento do tributo a autoridade lançadora, mediante procedimento eletrônico, sem qualquer intimação inicial ao contribuinte valeuse de informações prestadas pelo contribuinte na DCTF, cujas regras de preenchimento formalmente não integram a legislação tributária. Salienta que de acordo com o artigo 83, da Lei 8.981/95, somente depois do terceiro dia útil, da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, o contribuinte poderia ser lançado. Ainda, refere que o contribuinte deveria ter sido intimado a explicar a discrepância das diferenças havidas entre as DARFs e a DCTF, fato esse que não ocorreu. E que o ônus da prova incumbe a quem alega, ou seja, ao fisco. Quanto à multa de oficio de 75%, muito mais gravosa do que a multa de mora, e ainda para impor outros gravames ao contribuinte, com a multa e os juros de mora, entende que para o seu lançamento a administração deve ter o mesmo rigor adotado no caso do lançamento referente a omissão de receitas, ou seja, deve comprovar a efetiva infração. Em suporte a este raciocínio junta jurisprudência e vota pela improcedência do lançamento VOTO VENCEDOR A autoridade julgadora que fundamentou o voto vencedor dispõe que o Ato Declaratório 49, de 18/08/1997 , apontado pelo relator como aquele que aprovou o programa gerador da DCTF, trata, na verdade, sobre o preenchimento da referida declaração. Ao faze1o, aponta como obrigatória a utilização da versão 5.1 do programa gerador e determina que deverão obrigatoriamente ser observadas as instruções de preenchimento que encontramse disponíveis em qualquer ponto do programa. Já a IN 65 de 13/08/1997, por sua vez, aprova e torna público o modelo do formulário a ser utilizado para preenchimento da DCTF, obtido Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10768.011886/200279 Acórdão n.º 180301.158 S1TE03 Fl. 114 4 através do programa gerador da referida declaração. Entende o julgador a quo que tais instruções, contidas no programa gerador da DCTF, foram devidamente aprovadas por atos administrativos válidos, eficazes e integrantes da legislação tributária. Ademais, ressalta que no caso concreto a definição geral, relativamente ao IRRF, sobre período de apuração e vencimento, foi feita pelo artigo 83, inciso I, letra d da Lei 8981/1995, que estabelece período de apuração semanal e vencimento respectivo. Os atos administrativos posteriores apenas regulamentaram tal dispositivo. Assim, conclui que os sujeitos passivos que entregaram as DCTFs do ano de 1997 estavam obrigados à observância das normas de preenchimento do respectivo programa gerador, devidamente aprovado por atos administrativos integrante da legislação tributária nos termos do art. 97 do CTN. A autoridade relatora do voto vencedor aduz que, no tocante às informações consignadas em DCTF e seu valor probatório, esta é instrumento oficial no qual o sujeito passivo informa espontaneamente ao fisco dados e resultados referentes à sua escrituração e apuração e que os dados informados são tidos como verdadeiros, a principio, cabendo ao fisco, quando pretende descaracterizálos, fazer a prova necessária. Completa o julgador referindo que a DCTF, considerada como confissão de divida (nos termos do Decreto —Lei 2.120/1984, IN SRF 45/98 , IN SRF 77/98 e outros atos que lhes sucederam), como a possibilidade de inscrição em divida ativa dos valores nela consignados, derivando da presunção de veracidade conferida pela legislação tributária relativamente à referida declaração, aplicase, portanto, ao caso concreto, por interpretação analógica aos incisos II e IV do art 334 do CPC que corroboram a tese de que o lançamento tributário pode ser formalizado com base nas informações da DCTF, desde que respeitados os direitos e garantias do administrado. Da mesma forma que é possível à recorrente retificar informação oficial anteriormente prestada à Fazenda. E conclui pelo fato de que a DCTF pode fundamentar a constituição do crédito tributário. Em ato contínuo a autoridade julgadora a quo, responsável pelo voto vencedor, atenta para o fato que a recorrente simplesmente alega erro quanto aos períodos de apuração informados em DCTF, mas não apresenta qualquer documento com o intuito de comprovar os erros supostamente cometidos no preenchimento da DCTF. E, afirma a autoridade que fundamental para a comprovação das referidas datas e, por consequência, dos vencimentos que a recorrente alega como corretos, seriam, além dos lançamentos contábeis apresentados, recibos emitidos pelos beneficiários, créditos em conta de sua titularidade ou quaisquer outros documentos capazes de comprovar o pagamento e a data em que foi realizado. No mesmo caminho, observa a norma insculpida no artigo 16 do Decreto 70.232/72, em que refere que a impugnação deve vir instruída com toda a documentação pertinente, sob pena de verse precluído o direito probatório. Lembra também que o artigo 880 do RIR/94 dispõe que a autoridade administrativa pode autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o lançamento de oficio. Nesse contexto, entendeu a autoridade que a recorrente não encontrava desincumbida de prova o erro cometido, conforme por ele alegado, fato que não ocorreu, conclui pelo prosseguimento da exigência formalizada no que tange à multa isolada. Já no que diz respeito à parcela da exigência não impugnada, juros de mora pagos a menor, o julgador a quo, declarou a definitividade da constituição do respectivo crédito tributário na esfera Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10768.011886/200279 Acórdão n.º 180301.158 S1TE03 Fl. 115 5 administrativa, nos termos do art 21 do Decreto 70235/1972, com a nova redação dada pela lei 8.748/1993. Devidamente cientificada a recorrente apresenta recurso voluntário de forma tempestiva alegando em síntese o que segue. Aduz a recorrente que tomou ciência três anos após o julgamento pela DRJ, o que lhe causou espanto, mas que isso acabou acarretando na perda da documentação necessária para comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF. Salienta que, se na época fossem pedidas as comprovações, certamente as teria apresentado, coisa que hoje já está bastante difícil, já que pelo decurso do tempo muitos documentos estavam deteriorados e outros não mais achado para a comprovação, visto tratarse do ano de 1997. No entanto o que pode achar foi o Livro Diário de n° 09, com registro na Junta Comercial em 30.07.1998. Prossegue a recorrente esclarecendo que, ao detectar o erro e, tentando consertálo, compareceu ao órgão da Receita Federal para fazer a devida retificação, tendo sido atendido por funcionário que se prontificou a retificála, o que tudo demonstra não ter sido feito. A exigência do crédito tributário decorre do recolhimento do Imposto de Renda na Fonte fora do prazo, sem os devidos acréscimos legais e que a retificação pretendida foi manifestada sem a prova dos erros cometidos. Ainda afirma que o lançamento foi decorrente de auditoria interna, na qual foi constatado o recolhimento fora do prazo em desacordo com as DCTF's apresentadas. Ocorre que a recorrente se insurge referindo que tais alegações não prosperam, uma vez que os recolhimentos foram pagos dentro do prazo regulamentar e para comprovar o alegado, junta os DARFs de recolhimento, juntamente com os lançamentos no seu Livro Diário n° 09, registrado na Junta Comercial sob o n° 4.408/98 em 30.07.98, da seguinte forma: 1) As fls. 68 está transcrito a operação Day trade realizada por José Carvelo Junior o qual recebeu o valor líquido de R$ 239.841,10, com o desconto na fonte de R$ 42.324,90 que somaria o valor de R$ 282.166,00, indicado no DARF recolhido no prazo pois a operação foi realizada no dia 4/11/97 — 3ª feira e o recolhimento seria no 3° dia útil da semana seguinte: 4ª feira, dia 12.11.97, portanto cumprido o art° 83, inciso I, alínea "d" da Lei 8.981/1995; 2) As fls. 111 foi recolhido o prólabore dos sócios no valor de R$ 1.780,00, pago em 28.11.97 (6ª feira) sendo o recolhimento no 3° dia (útil da semana seguinte (4ª feira) dentro do prazo, portanto cumprido o art° 83, inciso I, alínea "d" da Lei 8.981/1995; 3) As fls. 155 foi recolhido o prólabore dos sócios pago em 30.12.97 (3ª feira) recolhido no 3° dia (útil da semana seguinte 7.1.98, R$ 1.780,00, portanto cumprido o art° 83, inciso I, alínea "d" da Lei 8.981/1995. 4) R$ 175,62, o Recorrente não identificou o comprovante junto ao Livro Diário pois devido ao tempo decorrido e por serem várias operações de renda fixa. No entanto, por erro foi dado no DARF como vencimento 03/08/97 ao invés de 03/09/97, porém foi recolhido dentro do prazo, portanto cumprido o art° 83, inciso I, alínea "d" da Le' 8.981/1995. 5) As fls. 100, consta os serviços prestados por Barroso Brito Consultoria no valor liquido de R$ 381.946,46, pago em 24/11/97, com a retenção de R$ 5.816,44, recolhido Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10768.011886/200279 Acórdão n.º 180301.158 S1TE03 Fl. 116 6 em 03/11/97, conforme Contrato 0024, pago pelo cheque 000183 do Banco Cruzeiro do Sul, portanto cumprido o art° 83, inciso I, alínea "d" da Lei 8.981/1995. 6) As fls. 157, consta os serviços prestados por Rima Participações, em 30/12/97 no valor líquido de R$ 62.607,29 com a retenção de R$ 953,44 (fls. 158), em 07/01/98. 7) O darf pago no valor de R$ 919,32, referente ao IRRF s/colocação de títulos e por serem virias, o Recorrente também devido ao tempo decorrido não identificou no Livro Diário quais as operações a que se refere o recolhimento, porém foi feito no prazo. Por fim, requer a recorrente o cancelamento do auto de infração com base nas devidas comprovações, trazidas ao presente feito, posto que a mesma teria apresentado a comprovação dos recolhimentos efetuados, o Livro Diário devidamente registrado na Junta Comercia, para que se possa ser considerado os recolhimentos feitos dentro do prazo. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência fiscal, elabora mediante auditoria interna nas DCTFs apresentadas pela recorrente, correspondentes ao 3° e 4° trimestres do ano calendário de 1997, a partir da qual se constatou atraso no recolhimento do imposto sobre a renda retido na fonte, sem o pagamento dos juros e da multa de mora. A autoridade de primeira instância manteve o auto de infração, sob o argumento de que a recorrente não comprovou o equívoco no preenchimento das DARFs, conforme o alegado. Inconformada, a recorrente insurgese referindo que tais alegações não prosperam, uma vez que os recolhimentos foram pagos dentro do prazo regulamentar. Contudo, em seara de recurso voluntário a recorrente junta ao processo administrativo documentação que comprova o alegado, ou seja, junta os DARFs de recolhimento, bem como os lançamentos realizados em seu Livro Diário n° 09, registrado na Junta Comercial sob o n° 4.408/98 em 30.07.98 em que consta as transações e os recolhimentos feitos nas datas aprazadas como corretas. Diante das provas trazidas em seara de recurso voluntário e frente ao princípio da verdade material, não vejo como não apreciar a farta documentação acostada. Ademais, atento para o fato que o procedimento administrativo está pautado no dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos da relação e deve tomar suas decisões com base nos fatos reais, tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pela partes. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10768.011886/200279 Acórdão n.º 180301.158 S1TE03 Fl. 117 7 Desse modo, entendo que a obrigação de comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF é da recorrente e sem preencher esse quesito, com absoluta certeza não haveria como cancelar o presente auto de infração, vez que a norma disposta no artigo 83, inciso I, alínea “d”, da Lei 8.981/1995. Ocorre que no presente feito, a empresa recorrente logrou comprovar que recolheu os valores nas datas corretas, tendo apenas se equivocado nos preenchimentos destas datas na DCTF, tão somente e trouxe tal comprovação, ainda que em seara de recurso voluntário. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao feito. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10845.720016/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
Ementa
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF
Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. RESPONSABILIZAÇÃO DO AGENTE MARÍTIMO. POSSIBILIDADE
É legítima a responsabilização do agente marítimo pela pena de perdimento convertido em multa aduaneira, haja vista o teor do art. 37 do Decreto-Lei n. 37/66, c.c. o disposto nos arts. 673 e 674 do Regulamento Aduaneiro.
Recurso Voluntário negado. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, negar-lhe provimento
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 Ementa CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda. INFRAÇÃO ADUANEIRA. CONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. RESPONSABILIZAÇÃO DO AGENTE MARÍTIMO. POSSIBILIDADE É legítima a responsabilização do agente marítimo pela pena de perdimento convertido em multa aduaneira, haja vista o teor do art. 37 do DecretoLei n. 37/66, c.c. o disposto nos arts. 673 e 674 do Regulamento Aduaneiro. Recurso Voluntário negado. Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, negarlhe provimento Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 00 16 /2 01 1- 15 Fl. 860DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem expor as circunstâncias fáticas que permeiam o presente caso, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pela instância a quo, o que faço nos seguintes termos: O lançamento objeto do presente processo, no valor de R$ 11.001.771,40, teve a finalidade de converter em multa equivalente ao valor aduaneiro na forma do artigo 23, §§ 1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76 e do art. 73 da Lei 10.833/03, a penalidade de perdimento de bens lavrada através do auto de infração e termo de apreensão e guarda fiscal nº 0417800/001682009, protocolizada no processo fiscal nº 11968.001134/200982. A conversão em multa se fez necessária porque as cargas objeto daquele auto de infração foram liberadas por Medida Liminar exarada pela Exma. Juíza Dra. Ivana Mafra Marinho, da 12ª Vara Federal de Pernambuco, nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.83.00.0183766, e posteriormente foram consumidas. A fiscalização registrou que o crédito tributário de que ora se trata deverá permanecer com sua exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional, enquanto não transitar em julgado o referido Mandado de Segurança. O auto de infração foi lavrado em nome da MSC MEDITERRANEAN SHIPPING DO BRASIL LTDA (MSC), representante no Brasil da MSC Internacional. A seguir estão resumidas a descrição dos fatos e as razões que levaram à presente autuação: (...). 2. Em suma, a Recorrente teria atracado uma embarcação no porto de Suape transportando inúmeros contêineres e, dentre o total da carga transportada, existiriam 124 (cento e vinte e quatro) contêineres que não teriam sido apontados no SISCOMEX, o que só foi realizado após o início da fiscalização aduaneira no sobredito porto. É que se depreende de trecho sumarizado do relatório de fiscalização abaixo transcrito: (...). O quadro que segue resume os fatos ocorridos. 1 Navio: MSC NOA; 2 Atracação em Suape: 22102009, às 17:45 horas (horário de verão), 16:45 no horário local; 3 Atracação em Rio Grande, primeiro Porto Nacional: 1410 2009, às 00:45 horas; Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10845.720016/201115 Acórdão n.º 3402002.967 S3C4T2 Fl. 832 3 4 Prazo máximo legal para vincular as cargas dos 124 contêineres às escalas do MSC NOA: 1310209, às 18:44:59 horas; 5 Termo de Início de Fiscalização: 22102009, às 17:56:49 horas (horário de verão), 16:56:49 horas no horário local; 6 Comunicação ao transportador da retenção dos 124 contêineres: 23102009, às 11:50 horas; 7 Data e horários de inclusão/bloqueio no siscomex carga dos conhecimentos eletrônicos relativos às cargas dos 124 contêineres: no geral as inclusões/bloqueios se deram entre 18:00 e 19:00 horas do dia 23102009 (horário de verão). (...). 3. Diante da apreensão dos contêineres e da lavratura, originalmente, de auto de apreensão para perdimento das mercadorias, o Recorrente impetrou mandado de segurança autuado sob o n. 2009.83.00.0183766, com trâmite pela 12ª Vara Federal de Pernambuco, oportunidade em que realizou os seguintes pedidos (fls. 101/102): (...). 57. Diante do exposto requer a impetrante: (a) seja deferida a medida liminar , 'inaudita altera pars', para tornar sem efeito a pena de perdimento da mercadoria acondicionada nos contêineres constantes no ANEXO I da presente por força das normas legais expostas no presente 'Writ"; (b) determinar a imediata liberação contêineres constantes no ANEXO I da presente e autorizar o reembarque das cargas acondicionadas no próximo navio a ser indicado pela Impetrante, para fins de continuidade do transporte até os portos de destino; (c) em caso de não atender pela inaplicabilidade da pena de perdimento por ausência de dano ao erário, requer que este MM juízo determine a conversão da pena de perdimento em multa em desfavor da Impetrante no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), conforme previsto no Regime Aduaneiro, determinado a liberação da mercadoria nos termos do item (b) acima; (d) finalmente, após ultimadas as formalidades legais, prestadas as informações pela Autoridade Coatora e intimados a União Federal e do d. representante do Ministério Público Federal para, querendo, intervir no processo, que seja concedida definitivamente a segurança com a consequente confirmação da decisão liminar que será proferida. (...). (grifos nosso). Fl. 862DF CARF MF 4 4. A liminar pleiteada foi deferida para determinar a liberação das mercadorias apreendidas, o que resultou então na lavratura do presente Auto de Infração para aplicação da conversão da pena de perdimento em multa, o qual, registrese, foi lançado com a exigibilidade suspensa. 5. Seguindo adiante, sobreveio sentença no referido mandamus relevando a pena de perdimento e determinando a aplicação das multas previstas no art. 712 do Regulamento Aduaneiro e no art. 107, alínea "e" do Decretolei n. 37/66. Inconformadas com a sentença, a Impetrante, ora Recorrente, bem como a União, interpuseram respectivos recursos de apelação, os quais foram julgados no seguinte sentido: EMENTA DIREITO ADUANEIRO E TRIBUTÁRIO. MERCADORIAS APREENDIDAS POR AUSÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE MANIFESTO DE CARGAS NO SISCOMEX. MERCADORIAS DE PASSAGEM. AUSÊNCIA DE DANO CONCRETO AO ERÁRIO. RELEVAÇÃO DA PENA. APLICAÇÃO DAS MULTAS PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. DECRETO Nº 6.759/09 (REGULAMENTO ADUANEIRO): ART. 712 (MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA) E ART. 728, IV, "E" (MULTA DE R$ 5.000,00). 1. Foi constatada, pela fiscalização aduaneira, a existência de contêineres contendo cargas estrangeiras não manifestadas no siscomex, a bordo de embarcação internacional. 2. Não há como se aferir, com exatidão, se houve intenção de ocultação dos contêineres para a realização de algum tipo de fraude, como alega a Fazenda, ou se ocorreu apenas "erro formal e sanável", como afirma a Impetrante. 3. O fato é que a ausência da Declaração no SISCOMEX (falta de manifesto) da mercadoria classificada como Carga de PassagemPAS não acarretará dano concreto ao erário uma vez que tais mercadorias não estão sujeitas a tributação no Brasil. 4. A mercadoria encontravase no plano de cargas do navio transportador, com as informações detalhadas dos portos de origem e de destino e do conteúdo (lícito) dos contêineres, e a fiscalização aduaneira teve acesso ao referido plano de cargas. Foi efetuada a retificação das informações no Siscomex. 5. Possibilidade de relevação da pena de perdimento que se mostra desproporcional à infração cometida, assim como fere o Princípio da Razoabilidade, que deve nortear a atividade de fiscalização aduaneira. Previsão contida no Regulamento Aduaneiro (art. 737, do Decreto nº 6.759/09). 6. Correto, portanto, o enquadramento legal proclamado pelo douto juiz "a quo", nos moldes previstos no art. 712, do Decreto nº 6.759/09 (multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria) e no art. 107, letra "e", do DecretoLei nº 37/66 (multa no valor de R$ 5.000,00), vez que impõe penalidade reduzida, na forma pecuniária, e se revela mais adequada à conduta praticada pelo transportador da carga. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10845.720016/201115 Acórdão n.º 3402002.967 S3C4T2 Fl. 833 5 7. Não merece prosperar a arguição da empresa de que a multa de R$ 5.000,00 não seria aplicável ao caso presente. O dispositivo legal foi reproduzido no art. 728, do Regulamento Aduaneiro, atualmente consolidado no Decreto nº 6.759/09, norma que "regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior". Vejase que o art. 728 foi inserido no Capítulo III ("Das multas comuns à Importação e à Exportação"), ínsito no Título III ("Das Multas na Importação"), do Regulamento Aduaneiro, portanto, plenamente aplicável à relação jurídica aqui analisada. 8. A Declaração vergastada consiste em obrigação acessória do transportador de cargas internacionais, destarte, a sua ausência configura infração de natureza formal e autônoma, o que possibilita a aplicação da multa legalmente prevista. 9. A interpretação do texto legal que prevê a multa de R$ 5.000,00 igualmente está a ensejar discussão entre os recorrentes. É que a Fazenda Nacional defende a tese de que a multa deveria incidir sobre cada carga que foi objeto da pena, enquanto o particular entende que a multa deve ser aplicada uma única vez, por cada veículo transportador, ou seja, por cada viagem. 10. O dispositivo sob análise (art. 728, do Regulamento Aduaneiro) efetuou a previsão do valor da multa (R$ 5.000,00), do ato antijurídico ("deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil") e da pessoa a ser penalizada (aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga). 11. Não foi expressamente consignado na norma que a importância deveria ser aplicada a cada carga transportada, e desta forma, não se pode emprestar interpretação extensiva a acarretar agravamento de penalidade pecuniária. 12. Inteligência do artigo 112, do Código Tributário Nacional, que estabeleceu que em caso de dúvida, a norma que comina penalidade deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. E a dúvida neste caso é latente vez que inexistiu previsão expressa acerca da multiplicação do valor pecuniário fixado, pelo número de cargas transportadas. 13. Possibilidade de cumulação de penas prevista no Regulamento Aduaneiro art. 679 do Decreto nº 6.759/09. 14. Apelação de MSCMediterranean Shipping Company S/A provida em parte apenas para aplicar a interpretação restritiva da multa prevista no art. 728, do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro), que resulta na importância de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a ser aplicada uma única vez. Fl. 864DF CARF MF 6 Apelação da Fazenda Nacional e Remessa Necessária improvidas. (g.n.). 6. Contra tal acórdão as partes litigantes interpuseram respectivos Recursos Especiais, os quais encontramse pendentes de julgamento, conforme se observa do extrato processual abaixo transcrito: 7. Concomitantemente com o processamento da instância judicial, a Recorrente impugnou o Auto de Infração lavrado para a aplicação da conversão da pena de perdimento em multa, impugnação essa julgada improcedente pela DRJ de Recife nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 16/09/2010 LEGITIMIDADE PASSIVA DO AGENTE MARÍTIMO. No caso, confirmada a legitimidade passiva do agente marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no país, em face da responsabilidade tributária solidária atribuída expressamente em lei. Antes do DecretoLei 2.472/88, inexistia hipótese legal expressa de responsabilidade tributária do representante do transportador estrangeiro, contexto legislativo que culminou na edição da Súmula 192/TFR. Contudo, a partir da vigência do DecretoLei 2.472/88, com a nova redação dada ao Dl 37/66, art. 32, parágrafo único, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária do "representante, no país, do transportador estrangeiro", a qual não comporta benefício de ordem, à luz do parágrafo único, do artigo 124, do CTN. A referida previsão legal foi mantida com a nova redação dada pela MP 2.15835/2001 ao Dl 37/66, art.32, parágrafo único. APLICABILIDADE DA PENALIDADE DE PERDIMENTO AO CASO. POSSIBILIDADE DE RELEVAÇÃO DA PENA DE Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10845.720016/201115 Acórdão n.º 3402002.967 S3C4T2 Fl. 834 7 PERDIMENTO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Neste processo, há concomitância de objeto com o de ação judicial ainda não transitada em julgado acerca de ser, ou não, pertinente a aplicação da pena de perdimento ao presente caso, bem como quanto à possibilidade, ou não, de relevação da pena de perdimento mediante o pagamento de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro das mercadorias, tudo isso sub judice. Desse mérito pendente de decisão judicial com trânsito em julgado aqui não se toma conhecimento. CONVERSÃO DA PENALIDADE DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. LANÇAMENTO PREVENTIVO DE DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Na legislação aduaneira, há previsão legal para conversão da pena de perdimento de mercadorias em multa de valor equivalente ao seu valor aduaneiro, quando houver impossibilidade de apreensão da mercadoria, quer seja em função da sua não localização, quer seja pelo seu consumo, o que se verifica no caso. O lançamento objeto do presente processo se fez em decorrência da impossibilidade prática de se concretizar o perdimento das mercadorias se afinal assim vier a ser decidido pelo Poder Judiciário no âmbito da ação mandamental. Na pendência de decisão judicial transitada em julgado acerca da aplicabilidade da pena de perdimento na caso em espécie, fezse o lançamento preventivo da decadência da multa equivalente a 100% (cem por cento) do valor aduaneiro das mercadorias que estavam sujeitas ao perdimento, cujo crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa até que haja decisão final judicial quanto à matéria. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 8. Contra tal decisão o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário alegando, em suma: · sobreposição da decisão judicial proferida no mandado de segurança n. 2009.83.00.0183766 em face da autuação fiscal aqui debatida; · nulidade da autuação em razão do descompasso entre o sujeito passivo indicado no Auto de Infração para a pena de perdimento (MSC Mediterranean Shipping Company) e o sujeito passivo indicado no Auto de Infração para a conversão da pena de perdimento em multa (Mediterranean Shipping do Brasil S/A); · ilegitimidade passiva do agente marítimo de transportador estrangeiro e inaplicabilidade do art. 32 do Decretolei n. 2.472/88; Fl. 866DF CARF MF 8 · inexistência de dano ao erário a justificar a conversão da pena de perdimento em multa; e, por fim · possibilidade de relevação da multa aplicada para a incidência de multa equivalente a 1% (um por cento) do valor aduaneiro. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 10. O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais exigências formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Da concomitância de instâncias 11. Conforme se observa do relatório acima desenvolvido e, em especial, do cotejo entre as causas de pedir e pedidos do sobredito mandamus e as causas de pedir e pedidos desenvolvidos no presente Recurso Voluntário, é possível constatar uma parcial concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. 12. Nesse sentido, ao longo do referido mandamus a Recorrente alega que a inexistência da indicação dos 124 (cento e vinte e quatro) contêineres tratouse de mero equívoco procedimental, uma vez que tal carga constava do plano de carga do navio e foram posteriormente indicadas no SISCOMEX. Assim, não haveria que se falar em máfé da Recorrente, muito menos em dano ao erário público, o que implicaria (i) o afastamento da conversão da pena de perdimento em multa ou, de forma subsidiária, (ii) sua relevação para aplicação de multa equivalente a 1% (um por cento) sobre o valor da mercadoria fiscalizada. Tais pedidos são expressamente realizados pela Recorrente no mandado de segurança por ela impetrado (item "c" do tópico "pedidos"). 13. Percebese, portanto, que em relação a tais matérias há concomitância entre a instância judicial e a instância administrativa, razão pela qual deve prevalecer aquela em detrimento desta, exatamente como prevê a Súmula n. 01 deste Tribunal Administrativo1. 14. Nesse diapasão, deixo de conhecer as matérias que estão sendo discutidas judicialmente [(i) inexistência de dano ao erário com consequente cancelamento da multa aplicada e (ii) relevação da multa imposta por sanção equivalente a 1% (um por cento) sobre o valor da mercadoria fiscalizada]. II. Da nulidade da autuação e da ilegitimidade passiva do agente marítimo de transportador estrangeiro 15. Uma das teses desenvolvidas pela Recorrente e que difere daquelas trabalhadas na instância judicial é a discussão a respeito da suposta nulidade da autuação, haja 1 "Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10845.720016/201115 Acórdão n.º 3402002.967 S3C4T2 Fl. 835 9 vista a existência de um descompasso entre o sujeito passivo indicado no Auto de Infração para a pena de perdimento (MSC Mediterranean Shipping Company) e o sujeito passivo indicado no Auto de Infração para a conversão da pena de perdimento em multa (Mediterranean Shipping do Brasil S/A). 16. Em desdobramento a referida tese, a Recorrente aduz que o sujeito passivo para a exigência aduaneira aqui tratada seria a empresa estrangeira, na qualidade de armador, e não a Recorrente, simples agente marítimo a cumprir autêntico mandato mercantil. 17. Com a devida vênia, não me parece que seja caso de nulidade, nem de ilegitimidade passiva. 18. Para se alcançar esta conclusão, convém destacar que, primeiramente, essa distinção entre agente marítimo e armador para fins de responsabilidade fiscaladuaneira fazia sentido até período anterior à vigência do DecretoLei n. 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei n. 37/66), uma vez que até antes deste marco temporal não havia previsão normativa para fins de responsabilização do agente marítimo para a imputação de exigências tributárias decorrentes de operações aduaneiras. Depois desta alteração legislativa, passou a existir expressa previsão normativa de responsabilidade do agente marítimo2, conforme já pacificado pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial n. 1.129.430, julgado sob o rito de recursos repetitivos. 19. Tal discussão, entretanto, não é pertinente ao caso em concreto (embora equivocadamente sustentada pela decisão da DRJ), uma vez que a exigência aqui tratada não apresenta natureza tributária. Não é demais lembrar que o que se julga aqui é uma exigência de multa aplicada em conversão à pena de perdimento, ou seja, uma sanção tipicamente aduaneira. Assim, inaplicável o art. 32 do DecretoLei n. 37/66 que trata de pretensa responsabilidade tributária. 20. Em verdade, o fundamento para a responsabilidade da Recorrente encontra guarida na conjugação de alguns dispositivos legais, a começar pelo disposto no art. 37 do DecretoLei n. 37/66, que assim prevê: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...). 21. Segundo o referido dispositivo é dever do transportador conceito no qual se enquadra os agentes marítimos tais como o Recorrente3 prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações afetas a carga objeto do serviço de transporte. E, dentre tais 2 "Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (...)." 3 Nesse sentido é o teor do art. 2o., inciso V da Instrução Normativa n. 800/07, "in verbis": "Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: (...). V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; (...)." Fl. 868DF CARF MF 10 informações, destacase a necessidade de registrar as mercadorias transportadas no SISCOMEX, nos termos do art. 1o. da Instrução Normativa n. 800/074. O descumprimento desta exigência implica infração aduaneira, nos termos do art. 673 do Regulamente Aduaneiro, bem como do art. 94 do Decretolei n. 37/66, respectivamente transcritos abaixo: Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo. Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. 22. Por sua vez, havendo infração aduaneira, o art. 674 do Regulamento Aduaneiro prevê a consequente responsabilização nos seguintes termos: Art. 674. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; (...). 23. Levando em consideração o arcabouço legal alhures mencionado e novamente voltandose à realidade do caso decidendo, é possível concluir que era dever da Recorrente prestar as informações no SISCOMEX da integralidade da carga por ela transportada (art. 37 do DecretoLei n. 37/66). Ao deixar de fazêlo, a Recorrente incorreu em infração que, em última análise, poderia beneficiar tanto a Recorrente quanto a empresa armadora, o que justifica, portanto, a responsabilização de uma ou de ambas pessoas jurídicas, nos termos do art. 674, inciso I da Regulamento Aduaneiro. 24. Logo, não há que se falar em nulidade da autuação ou mesmo em ausência de responsabilidade da Recorrente, haja vista os fundamentos acima expostos. Dispositivo 4 "Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (...). II no Siscomex Carga." Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10845.720016/201115 Acórdão n.º 3402002.967 S3C4T2 Fl. 836 11 25. Ex positis, deixo de conhecer a parte do Recurso Voluntário interposto que conflita com o mandado de segurança n. 2009.83.00.0183766 e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 26. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 870DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.009322/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 12/09/2002
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO.
Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de oficio eventuais diferenças relativas às contribuições sociais extingue-se no prazo de cinco anos contados do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 13/09/2002 a 01/04/2004
DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO.
Somente o valor da Cide-Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 13/09/2002 a 30/11/2002
DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE- COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO.
Somente o valor da Cide-Combustiveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide-Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 3302-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva (Relator) e José Antonio Francisco. Designado o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente e Relator), José Antônio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Redator designado).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 12/09/2002 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO. Aperfeiçoando o lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública lançar de oficio eventuais diferenças relativas às contribuições sociais extinguese no prazo de cinco anos contados do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 13/09/2002 a 01/04/2004 DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDECOMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da CideCombustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 13/09/2002 a 30/11/2002 DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDE COMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da CideCombustiveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 93 22 /2 00 7- 21 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 293 2 PIS e de Cofins. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de oficio, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva (Relator) e José Antonio Francisco. Designado o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente e Relator), José Antônio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Redator designado). Relatório Tendo sido designado relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator: Contra a empresa recorrente foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e janeiro de 2004, e de PIS, relativo a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e novembro de 2002, tendo em vista que a Fiscalização constatou a declarou a menor em DCTF as exações e que deduziu do valor devido parcelas de CideCombustíveis objeto de compensação com supostos créditos de IPI. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2 Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão n ° 1126.061, de 29/04/2009 fls. 218/228. Ciente desta decisão em 18/05/2009 (AR à fl. 231), a interessada ingressou, no dia 17/06/2009, com o recurso voluntário de fls. 232/246, no qual Fl. 293DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 294 3 repisa os argumentos da impugnação e contesta os fundamentos da decisão recorrida. Em síntese, dia a recorrente que: I preliminarmente, ocorreu a decadência do direito de a fazenda nacional efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos antes de setembro de 2002, tendo em vista que ocorreu o pagamento indireto pela compensação, contandose o prazo de cinco anos da data da ocorrência do fato gerador; 2 a compensação é uma espécie de pagamento, atendendo ao disposto no art. 8° da Lei n° 10.336/01, devendo o valor da Cide Combustíveis extinto por compensação (pagamento indireto) ser deduzido do valor devido do PIS e da Cofins. Cita farta doutrina e jurisprudência sobre a extinção do crédito tributário, o pagamento e a compensação; 3 os erros materiais de preenchimento da DCTF jamais pode gerar penalidade ou lançamento de tributo; 4 não pode ser imputado ao contribuinte a obrigação de pagar um tributo, que teve o seu valor já quitado, por não ter preenchido corretamente um simples documento fiscal; 5 a multa de 75% é escorchante e confiscatória, ferindo de morte o principio constitucional de proibição ao confisco. Na forra regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e dele conheço. Como relatado, contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração em face da glosa do procedimento da recorrente que deduziu, do PIS e da Cofins devidas, o valor da CideCombustíveis objeto de declaração de compensação, quando a Lei n° 10.336/01 autoriza a dedução do valor da Cide Combustíveis paga. A recorrente declarou em DCTF o valor das exações após a exclusão do valor indevidamente deduzido. Não se conformando, a empresa autuada impugnou o lançamento alegando, preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento para os fatos geradores ocorridos até setembro de 2002, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu no dia 13/09/2007 e os débitos estavam extintos por compensação. Quanto ao mérito, alega que a compensação foi realizada e declarada nos exatos termos da legislação de regência e que os débitos lançados estão extintos por compensação, uma espécie de pagamento (pagamento indireto) e que, havendo o pagamento, Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 295 4 como houve, aplicase o art. 8° da Lei n° 10.336/01, que não faz restrição ao tipo de pagamento. Por fim, alega que a multa lançada é confiscatória e que o lançamento da mesma, e também do principal, não poderia ser efetuado em face de simples erro de preenchimento do documento fiscal. Sem razão a recorrente. Antes de adentrar nas razões do recurso voluntário, cabe esclarecer que as compensações declaradas pela recorrente, a que se refere este processo e que são controladas nos processos n° 13407.000040/200209 e 13407.000084/200221, não foram homologadas pela autoridade competente da RFB e a manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ e, no caso no processo n° 13407.000084/200221, o recurso voluntário impetrado pela interessa não foi provido pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão n°20219.121, de 02/07/2008. Ao não homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente, os débitos da CideCombustíveis, que estavam extintos sob condição resolutória, voltaram a condição de inadimplidos. Portanto, os mesmos não estão extintos nem por pagamento e nem por compensação. Dito isto, passemos à análise das razões do recurso voluntário. Quanto a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento, enganase a recorrente quando afirma que os débitos lançados estão extintos por pagamento indireto (compensação). De fato, os referidos valores deduzidos do PIS e da Cofins devidos foram objeto de declaração de compensação, com os efeitos previstos no § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação do art. 49 da Lei n° 10.637/02, e não tendo a autoridade administrativa da RFB homologado as compensações, os débitos não mais estão extintos, voltando a recorrente à condição de devedora dos valores indevidamente compensados. Esclareçase que o fato de a decisão da autoridade da RFB está sendo contestada (administrativa ou judicialmente) não altera a condição de inadimplência da recorrente, em relação aos débitos cuja compensação não foi homologada. Voltando á decadência do direito de efetuar o lançamento, a mesma é tratada nos arts. 150 e 173 do CTN. O primeiro deles assim prescreve: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) Fl. 295DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 296 5 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse pra.ro sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal norma, ao estabelecer o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, reduziu o limite de atuação do Fisco, estabelecido, de forma genérica, também pelo Código Tributário Nacional, no dispositivo abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Verificase que, ao estabelecer um prazo mais curto para a constituição do crédito tributário, o legislador pressupôs pagamento prévio, o qual daria ao Fisco conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte. Assim, a antecipação do pagamento é condição essencial para haver homologação. Esse é o fato positivo que, uma vez conhecido da administração tributária, move a autoridade a iniciar os eventuais procedimentos a fim de aferir a satisfação da obrigação principal. Concluise, portanto, que apenas sujeitamse às normas aplicáveis ao pagamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos definitivamente, ainda que parcialmente, por via do pagamento. Não havendo, como é o caso dos autos, o pagamento a ser homologado pela autoridade, o prazo decadencial passa a ser regido pelas disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional. No caso em comento, o lançamento diz respeito a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2002 e a ciência ocorreu em 13/09/2007, conforme AR de fl. 180. Logo, entendo que a contagem do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento dos períodos de janeiro a setembro de 2002, que a recorrente entende decadente, se iniciou em 1° de janeiro de 2003, porque o lançamento em relação a esses meses poderia ter ocorrido ainda em 2002. E, em se iniciando nessa data, o termo ad quem para tal prazo ocorreu em 1° de janeiro de 2008. Por conseguinte, descabe falar em decadência do direito do Fisco para efetuar o presente lançamento. Quanto ao mérito, também não assiste razão à recorrente. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 297 6 O lançamento decorreu da discordância da autoridade lançadora da dedução, com fulcro no art. 8° da Lei n° 10.336/01, do valor devido de PIS e de Cofins, do valor da CideCombustíveis objeto de compensação, devidamente declarada à RFB. Como já se disse, ratifico o entendimento da autoridade lançadora e da decisão recorrida de que o referido dispositivo legal autoriza a dedução dos valores da Cide pagos e não os valores compensados (homologados ou não). Pagamento e compensação são institutos completamente diferentes, embora sejam meios de extinção do crédito tributário. Quando a Lei n° 10.336/01 fala em valores pagos, obviamente não está se referindo a valores compensados ou a valores transacionados ou a valores remidos ou a valores prescritos ou decadentes, todos eventos extintivos do crédito tributário, previstos no art. 156 do CTN. Hodiernamente, o instituto da compensação está previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com as alterações da Lei n° 10.6437/02 (e legislação posterior), e a apresentação da declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação por parte da autoridade administrativa. Tanto é que, no caso em tela, as compensações declaradas dos débitos de CideCombustíveis não foram homologadas pela autoridade administrativa da RFB e estes débitos não estão extintos desde a ocorrência do fato gerador. A estas constatações acrescentase os argumentos da autoridade lançadora da decisão recorrida, que ratifico, de que o art. 8° da Lei n° 10.336/01 não autoriza a dedução de valores de CideCombustíveis objeto de compensação, homologadas ou não. Valores pagos, a que se refere este dispositivo legal, não são valores compensados sob condição resolutória de ulterior homologação da autoridade tributária. Com relação ao percentual da multa de oficio lançada, não cabe a autoridade administrativa conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório (exorbitante) por absoluta falta de competência, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao principio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de oficio aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Também são improcedentes as alegações da recorrente de que o lançamento decorre de simples erro de preenchimento de documento fiscal. Na verdade, foi a dedução indevida da CideCombustíveis o motivo da lavratura dos autos de infração. Além da dedução indevida a recorrente ainda deixou de declarar o valor total devido das exações lançadas, conforme bem disse a autoridade lançadora no Relatório Fiscal de fis. 18/22. No mais, com fulcro no art. 50, § 1°, da Lei n° 9.784/1999, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 298 7 Walber José da Silva Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Tendo sido designado relator ad hoc nestes autos, em razão do fato de que o Redator designado para o voto vencedor, Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, não mais integra nenhum dos Colegiados do CARF, e considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto no mesmo sentido do voto condutor do acórdão nº 202 125.337, elaborado pelo mesmo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, prolatado em 16 de outubro de 2007 pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Antes, destaco que o presente voto se restringe à decadência, mantendose a decisão contida no voto vencido quanto às demais matérias. A Cofins e a Contribuição para o PIS, que se encontram sujeitas ao lançamento por homologação, de acordo com reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), têm natureza tributária, aplicandose, portanto, quanto à decadência, a regra inscrita no art. 150, § 4°, do CTN, assim redigido: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante disso, uma vez que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do fato gerador e considerando que o contribuinte foi cientificado da autuação em 13/09/2007, temse que encontramse decaídas as parcelas do lançamento relativas ao período compreendido entre 01/01/2002 a 12/09/2002. Dessa forma, votase no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar as parcelas dos autos de infração relativas aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2002 a 12/09/2002, em razão de sua homologação tácita. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19647.009322/200721 Acórdão n.º 3302000.677 S3C3T2 Fl. 299 8 Fl. 299DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.001121/2005-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário: 2000, 2001, 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Tornada definitiva a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), são inócuas a fim de infirmar o lançamento de ofício decorrente, alegações de pagamento dos débitos que ocasionaram a exclusão do sistema de recolhimento simplificado.
Numero da decisão: 1803-000.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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LANÇAMENTO DECORRENTE. Tornada definitiva a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), são inócuas a fim de infirmar o lançamento de ofício decorrente, alegações de pagamento dos débitos que ocasionaram a exclusão do sistema de recolhimento simplificado. Fl. 421DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10725.001121/200570 Acórdão n.º 180300.817 S1TE03 Fl. 407 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 422DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10725.001121/200570 Acórdão n.º 180300.817 S1TE03 Fl. 408 3 Relatório CAMPOS EQUIPAMENTOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 45/98 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal), lavrados pela DRF/Campos de Goitacazes, com ciência em 26/10/2005 (fl. 45), para a exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$3.332,04, de PIS, no valor de R$1.503,90, de CSLL, no valor de R$2.498,99, e de Cofins, no valor de R$6.941,71, acrescidos de multa de 75% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$34.729,74 (fl. 1). A ação fiscal resultou de uma representação (fl. 23) da SACAT, em decorrência de exclusão do SIMPLES, seguida de manifestação intempestiva de inconformidade (proc. 10725.000553/200300). No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização aponta que o interessado, intimado a apresentar os livros Caixa, Diário e Razão, só apresentou recibos de entrega de declaração simplificada, alteração contratual e dados relativos à parcelamento de divida junto à PGFN. Acrescenta que a exclusão não foi modificada posteriormente e que, iniciado o procedimento de fiscalização, o interessado se obriga ao Lucro Real ou Arbitrado. Houve, então, o arbitramento do lucro, "tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não apresenta à fiscalização escrituração na forma das leis comerciais e fiscais". O arbitramento foi efetuado com base na receita declarada. O enquadramento legal se encontra nos Autos de Infração. O interessado, em 24/11/2005, apresentou a impugnação de fls. 105/107. Alega, em síntese, que: o arbitramento não pode se dar com base em declaração apresentada erroneamente; na forma do art. 906 do RIR/1999, pede reexame; os pagamentos realizados sob a sistemática do SIMPLES devem ser considerados. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10725.001121/200570 Acórdão n.º 180300.817 S1TE03 Fl. 409 4 A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 1218.806, de 13 de março de 2008 (fls. 130/137), julgou parcialmente procedente o lançamento , ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO. A ausência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. RECEITAS DECLARADAS. É legítima a adoção da receita declarada como parâmetro para o arbitramento. PAGAMENTOS EFETUADOS. Os pagamentos efetuados sob a sistemática do SIMPLES devem ser considerados na apuração do montante devido pelo Lucro Arbitrado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000, 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da r relação de causa e de efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão em 05/06/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 152), apresentou o recurso voluntário em 01/07/2008 fls. 325, onde apenas comunica o pagamento dos débitos que teriam ocasionado a exclusão do SIMPLES FEDERAL. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10725.001121/200570 Acórdão n.º 180300.817 S1TE03 Fl. 410 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Autos de Infração IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao período de 11/2000 a 12/2002, lavrados em virtude de exclusão da sistemática do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). Como a decisão de primeira instância acolheu a pretensão de compensação dos valores já recolhidos à título de SIMPLES FEDERAL, limitouse a recorrente a informar de que teria pago integralmente os débitos que ocasionaram o ato de exclusão do SIMPLES. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme documentos de fls. 19 a 23 e relatado no termo de verificação da ação fiscal, a contribuinte foi excluída da sistemática do SIMPLES e apresentou manifestação de inconformidade intempestivamente, tornando definitivo o ato de exclusão no âmbito administrativo. Assim a posterior quitação dos débitos não tem o condão de provocar qualquer alteração no lançamento de ofício realizado em virtude da falta de regularização da situação cadastral e tributária, pois deveria a contribuinte ter apresentado novas declarações de imposto de renda, optando por uma das formas de tributação definidas na legislação tributária (lucro presumido ou lucro real). Não o fazendo e dada a ausência de escrituração regular, sujeitouse ao lançamento de ofício adotandose o regime de tributação do lucro arbitrado. Reputo assim, não haver qualquer mácula no lançamento realizado devendo manterse integralmente a decisão de primeira instância. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 425DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10725.001121/200570 Acórdão n.º 180300.817 S1TE03 Fl. 411 6 Fl. 426DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 04/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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