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Numero do processo: 12181.001356/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUFERIDOS PELO DECLARANTE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE.
A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos
tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária.
Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do de imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.579
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUFERIDOS PELO DECLARANTE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE. A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária. Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do de imposto de renda. Recurso Voluntário Negado.
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AUFERIDOS PELO DECLARANTE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE. A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária. Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do de imposto de renda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Jose Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0934.232, proferido pela 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 49), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação à notificação de lançamento às fls. 13/16. O lançamento originouse da revisão da DIRPF/2006 (fls. 22/25), quando foram apuradas as seguintes omissões de rendimentos: R$ 25.600,00 (IRRF de R$ 695,44) pagos ao contribuinte pela Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas; e R$ 10.315,82 (IRRF de R$ 51,70) pagos à dependente Maria Paula Braga Murad pela Editora Alto Astral Ltda. Em razão do lançamento, o interessado apresentou SRL (fls. 29/32 e anexos de fls. 33/37), que fora indeferida, de acordo com o resultado de fl. 19. Juntamente com a impugnação de fl. 01, para amparo de suas alegações, o contribuinte reapresentou a documentação inerente à SRL ( fls. 03/11), com as seguintes alegações: Infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica/CNPJ: 21.420.856/000196 Valor da Infração: RS 25.600,00 Tratase de indenização trabalhista recebida na justiça sendo que todo o imposto de renda devido foi retido pela empresa empregadora quando do pagamento do que era devido. 0 valor liquido, já retido o imposto pelo empregador, foi parcelado em 24 meses. Infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica/CNPJ: 46.157.905/000170 Valor da Infração: RS 10.315,82 Lancei, erradamente, uma filha como dependente depois que ela foi demitida. Reconhecido o erro, o correto é deixar de excluir o valor deduzido incorretamente e não, como foi feito pela Receita, incluir a renda de minha filha como se minha fosse. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS POR DEPENDENTE. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 12181.001356/200913 Acórdão n.º 2101001.579 S2C1T1 Fl. 2 3 Ê opção do contribuinte o registro de dependente, para efeito de dedução, na declaração de ajuste anual; contudo tornase definitiva essa escolha se presente até o inicio de algum procedimento fiscal. Em assim sendo, os rendimentos porventura percebidos pelo dependente agregamse ao do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMENSIONAMENTO DE VALORES. AUSÊNCIA DE PROVA. Os documentos oferecidos pelo contribuinte não sustentam a alegação da inexistência da omissão de rendimentos apontada no lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, estando o direito do impugnante precluso se não exercido no momento processual fixado, salvas as exceções previstas e devidamente fundamentadas, as quais não foram demonstradas no caso em concreto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o contribuinte discute os fundamentos da decisão recorrida e reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. No acordo realizado entre o autuado e a FEPESMIG — Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas, nos autos da Reclamação Trabalhista nº 01846/0100 (fls. 76/78), homologado pela justiça, consta o seguinte: 1 As partes de comum acordo, fixam em R$ 76.800,00 (Setenta e seis mil e oitocentos reais) o montante do débito, oriundo da sentença de fls. , correspondente ao principal e demais encargos moratórios apurado até maio de 2004, o qual fica reconhecido e confessado pela executada em prol do Exeqüente e que se obrigam a resgatar a divida reconhecida e confessada da seguinte forma: 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 consecutivas no importe, liquido e livre de quaisquer impostos e encargos, de R$ 3.200,00 (três mil e duzentos reais) cada uma, vencendose a primeira no dia 10/05/04 e as demais nos mesmos dias e meses subseqüentes. 1.1 Para pagamento dos honorários advocatícios devidos aos advogados do Reclamante, a Fundação/executada compromete se a pagar o importe, liquido e livre de quaisquer impostos e encargos, de R$ 21.400,00 (vinte e um mil e quatrocentos reais) da seguinte forma: a primeira parcela de R$ 6.400,00 (seis mil e quatrocentos reais), vencendose dia 10/05/04; e o restante em 4 (quatro) parcelas mensais e consecutivas no importe de R$ 3.750,00 (três mil, setecentos e cinqüenta reais) cada uma, vencendose a primeira no dia 10/06/04 e as demais nos mesmos dias e meses subseqüentes. Resta cristalino a omissão apontada pela fiscalização, tendo em vista que o acordo homologado entre as parte não previa a incidência do imposto de renda. Esse acordo, homologado pelo juízo trabalhista, substituiu integralmente as parcelas indicadas na sentença anterior. Todos sabem que se aplica à tributação do imposto de renda das pessoas físicas o regime de caixa, e a retenção na fonte ocorre em cada parcela que efetivamente é recebida pelo beneficiário do pagamento. No caso em exame, os extratos bancários às fls. 80/108 comprovam o depósito em cada mês do ano de 2005, no valor de R$3.200,00, em conta corrente mantida pelo autuado no Banco do Brasil, ou seja, as parcelas foram pagas sem retenção de IR. Os extratos bancários comprovam, ainda, que a omissão foi de R$38.400,00, maior que a omissão lançada (R$25.600,00), com base em DIRF apresentada pela fonte pagadora. Contudo, nenhuma alteração deve ser implementada no lançamento em desfavor do recorrente, tendo em vista o princípio aplicável ao processo administrativo fiscal, que veda o reformacio in pejus. Ademais, somente a fiscalização poderia revisar o lançamento para agravar a exigência, se ainda não decaído o direito da Fazenda Pública, nos termos do artigo 149 do CTN. Como os valores apurados pela fiscalização não foram informados pelo beneficiário do rendimento em sua DIRPF/2006, em dissonância com o disposto na Súmula CARF nº 12, cabe a sua inclusão mediante lançamento de ofício: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Da mesma forma, é evidente a omissão dos rendimentos auferidos pela dependente Maria Paula Braga Murad. O recorrente afirma que a registrou em sua D1RPF/2006, equivocadamente. Entende que o procedimento correto seria excluir a dependente da declaração, em vez de somar os rendimentos por ela recebidos ao do declarante titular, sendo esta a solução mais justa e menos onerosa. Não procede tal argumento. A declaração em conjunto com o dependente que aufere rendimentos tributáveis é opção colocada à disposição dos pais pela legislação tributária. O contribuinte deve avaliar se compensa incluir os rendimentos e deduzir as despesas com dependentes, instrução, despesas médicas, previdência privada etc. Se esta foi a opção exercida pelo autuado e a fiscalização constatou rendimentos auferido pela dependente, correta a inclusão destes na base de cálculo do imposto de renda. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 12181.001356/200913 Acórdão n.º 2101001.579 S2C1T1 Fl. 3 5 No caso em exame, o recorrente solicitou a exclusão da filha da relação de dependente da DIRPF/2006, mas em nenhum momento expressou o mesmo intuito acerca de outras deduções relacionadas a esta dependente, como as despesas com instrução e despesas médicas. De qualquer forma, feita a opção pela declaração em conjunto, qualquer omissão detectada pela fiscalização, em momento posterior, deve ser adicionada à base de cálculo do IRPF. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000830/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/05/2007
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. O Relatório Fiscal deve informar, com clareza e precisão, os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrar, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia da futura execução fiscal A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do auto.
Auto de Infração nulo.
Numero da decisão: 2301-002.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou por anular a autuação pro vício formal. Redator designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/05/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. O Relatório Fiscal deve informar, com clareza e precisão, os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrar, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia da futura execução fiscal A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do auto. Auto de Infração nulo.
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FATOS GERADORES Recorrente CURTUME FRIDOLINO RITTER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/05/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. O Relatório Fiscal deve informar, com clareza e precisão, os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrar, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada, sob pena de se retirar do crédito o atributo de certeza e liquidez, necessário à garantia da futura execução fiscal A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do auto. Auto de Infração nulo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou por anular a autuação pro vício formal. Redator designado: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro Jose Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.000830/201003 Acórdão n.º 230102.623 S2C3T1 Fl. 1.656 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/03/2010, por ter a empresa acima identificada apresentado a declaração a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 15), as GFIPs apresentadas pela empresa, no período de 01/2005 a 05/2007, incluindo décimos terceiros de 2005 e 2006, tiveram reduzidos os valores das contribuições sociais previdenciárias, em montante correspondente aos valores indevidamente compensados, originários de créditos adquiridos de terceiros, em desacordo com o que dispõe o art. 89 da Lei n° 8.212/91, o que configura infração ao o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, inciso IV e § 4 o , do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A autoridade lançadora expõe, a seguir, os motivos pelos quais entendeu que as compensações efetuadas pela empresa não possuem amparo legal, discorrendo sobre a legislação que trata da matéria, e concluindo que as contribuições objeto da presente autuação foram tidas por não declaradas em GFIP. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 66), foi aplicada a penalidade prevista no art. 32A, caput, inciso I, e § 3º, inciso II, da Lei n° 8.212/91, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.941/2009, pois, segundo o entendimento fiscal, a autuada deixou de declarar em GFIP parte das contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições por ela devidas, incidentes sobre o valor da remuneração a eles paga, devida ou creditada, mediante preenchimento do campo "Compensação" com valores indevidamente compensados. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1028.907, da 6a Turma da DRJ/POA (fls. 658), julgou a impugnação procedente, anulando o auto de infração por vício formal. Entenderam então os julgadores de primeira instância que a penalidade aplicada da multa isolada prevista na legislação atual não é compatível com a existência do lançamento das obrigações principais, como ocorreu no presente caso, em que houve o lançamento do AI DEBCAD n° 37.255.0010 processo n° 11020.000829/201071. Segundo os membros da 6a Turma da DRJ/POA, ou a empresa, pela infração caracterizada, vem ser apenada de forma conjunta com a falta de pagamento (multa de ofício no lançamento das contribuições), se mais benéfica, ou de forma separada sob os fundamentos da legislação anterior (AIOP + AIOA 68). A empresa foi devidamente cientificada do Acórdão de 1028.907, em 01/02/2011 e o processo foi encaminhado ao SEFIS/DRF/CXL, para análise do Acórdão proferido pela 6â Turma da DRJ de Porto Alegre e tomada de providências cabíveis. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Às fls. 665 a 1.217, a fiscalização juntou aos autos 09 anexos como elementos de prova, e entre eles consta o Demonstrativo da Comparação do Cálculo do Valor da Multa Aplicada (Anexo IX, fls. 1.212 a 1.217). Por meio do Despacho de fls. 1.218, o Serviço de Fiscalização de Caxias do Sul esclareceu que a comparação que foi efetuada para a apuração da multa aplicada ao presente caso foi a das penalidades previstas na legislação anterior à MP 449 (art. 35, II e a do §5° do art. 32, ambos da Lei n° 8.212/91), com as penalidades previstas no art. 89, §9° e no art. 32A, I, da Lei n° 8.212/91 (redação da Lei n° 11.941/09), tendo sido aplicadas essas últimas por serem mais benéficas ao contribuinte. Conclui propondo o retorno do processo à DRJ/POA, conforme previsto no art. 32 do Decreto n° 70.235/72, no art. 27 da Portaria MF n° 58/2006 e art. 53 da Lei n° 9.784/99, para que seja revisto o Acórdão 1028.907, da 6a Turma da DRJ/POA. Por meio do Acórdão 1030.607, a 6a a Turma da DRJ/POA, acatando o parecer da fiscalização, e com amparo nos arts. 53 e 54, da Lei 9.784/99 e art 32 do Decreto n° 70.235/72, revisou o Acórdão anterior e manteve o Crédito Tributário, julgando, por maioria de votos, a Impugnação Improcedente (fls. 1.220). Inconformada com a nova decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.634), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por violação ao direito à intimidade, uma vez que a agente fiscal transcreveu cláusulas de contratos firmados de forma particular, salvaguardados pelo sigilo profissional, bem como se utilizou de correspondência interna e particular da empresa, violando, dessa forma, o princípio constitucional do sigilo da correspondência. Reitera que não há, nos autos, qualquer autorização judicial ou mesmo dos particulares para a divulgação de seus contratos ou de sua correspondência eletrônica pela fiscalização, de forma que se trata de prova ilícita, conduzindo à nulidade do lançamento. Requer a reunião da presente autuação com o auto de infração que lançou a contribuição referente à glosa dos valores objeto de compensação, e a suspensão da cobrança da multa até o julgamento definitivo daquele processo, já que aquela decisão poderá refletir no julgamento do presente. No mérito, sustenta que é incorreta a multa aplicada, uma vez que inexistiu omissão dos valores das contribuições devidas pela autuada, mas tão somente foram informadas, na mesma GFIP, as compensaões de valores com determinados créditos devidos pelo INSS, de modo que os valores informados permanecem na GFIP, e não desaparecem pela não aceitação da compensação. Reafirma que os créditos adquiridos foram corretamente contabilizados, assim como as compensações, tendo a recorrente agido às claras perante o Fisco Federal, não incidindo em qualquer conduta antijurídica dolosa. Reitera que a multa aplicada não encontra respaldo na legislação, pois a recorrente não deixou de prestar a declaração em GFIP, nem apresentouas com incorreção ou omissão, já que todas as contribuições foram informadas. É o relatório. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.000830/201003 Acórdão n.º 230102.623 S2C3T1 Fl. 1.657 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do processo, algumas inconsistências foram observadas. Verificase que a fiscalização lavrou o presente auto por descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela MP 449/2008, fundamentando a aplicação da multa no art. 32A, "caput", inciso I e parágrafos 2º e 3º, incluídos pela referida MP, convertida na Lei n. 11.941/09 Contudo, em que pese o extenso e bem elaborado Relatório Fiscal da Infração, constatase que a autoridade autuante não demonstrou, nos relatórios integrantes do AI, de forma discriminada, o cálculo para apuração da multa aplicada. Embora conste, na folha de rosto do AI, que foi observado o disposto no art. 106, inciso II, alínea " c " , do CTN, a fiscalização não afirmou ou comprovou, por meio de demonstrativo de cálculos, que a multa aplicada, prevista na Lei 11.941/09, era mais benéfica ao contribuinte, vindo a fazêlo somente no pedido de revisão do Acórdão de primeira instância, e do qual, é oportuno frisar, a recorrente não teve ciência. Agindo dessa forma, a fiscalização retirou uma instância administrativa da recorrente, em ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Cumpre observar que foi a partir dos novos esclarecimentos prestados pelo Serviço de Fiscalização, às fls. 1.218, e dos novos documentos juntados aos autos, é que a 6a Turma da DRJ/POA formou sua convicção para reformar a decisão anterior e julgar o lançamento procedente. Todavia, mesmo considerando o vício acima apontado, a nulidade do Acórdão recorrido não será decretada para que seja dada ciência, à recorrente, da manifestação fiscal, uma vez que entendo que há vícios que ensejam a nulidade do Auto, conforme razões expostas a seguir. A fiscalização constatou que a empresa realizou compensações indevidas, sem amparo legal, e efetuou a glosa dos valores compensados, lançando a contribuição devida por meio do AI 37.255.0010, objeto do processo n° 11020.000829/201071, e lavrou o presente AI ao fundamento de que houve omissão de fatos geradores na GFIP. Conforme Demonstrativo da Comparação do Cálculo do Valor da Multa Aplicada (Anexo IX, fls. 1.212 a 1.217), a fiscalização comparou a multa prevista na legislação anterior à MP 449 (art. 35, II e a do §5° do art. 32, ambos da Lei n° 8.212/91), com as Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 penalidades previstas no art. 89, §9° e no art. 32A, I, da Lei n° 8.212/91 (redação da Lei n° 11.941/09), tendo sido aplicadas essas últimas por serem mais benéficas ao contribuinte. Porém, entendo que, para efeito de comparação, a recorrente deveria ter utilizado a multa prevista no § 6º, do art. 32, da Lei 8.212/91, em sua redação anterior à MP 449, e não a do § 5º, como foi feito. Isso porque verificase que a empresa declarou, em GFIP, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. Observase, da leitura das telas dos sistemas informatizados GFIP WEB da RFB, juntadas aos autos (fls. 1.114), que o valor devido à Previdência Social foi declarado, bem como as contribuições dos segurados devidas, e demais fatos geradores. Ocorre que a empresa não recolheu toda o valor da contribuição devida, declarada em GFIP, por ter declarado compensações realizadas, glosadas pela fiscalização. Dessa forma, entendo que assiste razão à recorrente quando afirma que todas as contribuições devidas foram declaradas em GFIP, não podendo, dessa forma, a fiscalização alegar que houve omissão de fato gerador e aplicar, para efeitos de comparação da multa mais benéfica, o disposto no § 5o, do art. 32, da Lei 8.212/91. Assim, entendo que deva ser declarada a nulidade do auto de infração, por vício formal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e ANULAR o Auto de Infração, por vício formal. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.000830/201003 Acórdão n.º 230102.623 S2C3T1 Fl. 1.658 7 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. A ilustre Relatora apontou que a fiscalização apresentou pedido de revisão do primeiro Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Porto Alegre em fls. 1218/1219 com fundamento no art. 32 do Decreto 70.235/72. Desse pedido a então impugnante não foi cientificada, tendo ocorrido a emissão de novo Acórdão pelo mencionado órgão julgador, com o acatamento do argumento de que a situação se enquadrava no permissivo do referido artigo da lei do processo administrativo. Emerge de tais fatos uma flagrante violação do direito ao contraditório e à ampla defesa, pois a então impugnante não teve a oportunidade de contraditar o que foi alegado pela fiscalização de modo a, por exemplo, demonstrar que ao caso não se aplicava o art. 32 do Decreto 70.235/72. Como de fato se apresenta polêmica a aplicação do art. 32 do Decreto 70.235/72 ao caso, enxergamos nisso uma falha processual que causa prejuízo ao interesse da defendente. Se a interessada tivesse convencido os julgadores a quo da inaplicabilidade do art. 32 do Decreto 70.235/72, a revisão seria negada e prevaleceria a exoneração do crédito tributário, uma vez que o caso não enseja Recurso de Ofício. Porém, novo Acórdão foi emitido contrariando os interesses da defendente, o que motivou a apresentação de Recurso Voluntário. Assim, se não houvesse o cerceamento de defesa seria possível que este Colegiado não se manifestasse. Portanto, ao votarmos pela nulidade do lançamento, como quer a Relatora, estaríamos prejudicando a recorrente. Ademais, não concordamos com a proposta da relatora de anular o lançamento por vício formal, pois, se vício houve, este for material, por falha nos pressupostos jurídicos do ato administrativo do lançamento. Porém, nossa proposta é mais abrangente e pretende assegurar o respeito à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa. Assim, com fulcro no art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72, votamos por anular o Acórdão 1030.607 por ter ocorrido preterição do direito de defesa. Para regular seguimento do presente, a interessada deve ser cientificada do pedido de revisão com reabertura do prazo para impugnação e, posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Porto Alegre poderá analisar o pedido de revisão apresentado pela fiscalização. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 31/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005595/2004-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS DE IRPJ PERC
PRAZO PARA REVISÃO. PRECLUSÃO.
A ciência pelo sujeito passivo do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal, demarca o início do prazo processual para a manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção, por meio do Pedido de Revisão de Ordem De Emissão de Certificado de Investimento PERC, observado o disposto no art. 15 do Decreto nº
70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-000.946
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez, que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS DE IRPJ PERC PRAZO PARA REVISÃO. PRECLUSÃO. A ciência pelo sujeito passivo do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal, demarca o início do prazo processual para a manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção, por meio do Pedido de Revisão de Ordem De Emissão de Certificado de Investimento PERC, observado o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972.
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PRECLUSÃO. A ciência pelo sujeito passivo do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal, demarca o início do prazo processual para a manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção, por meio do Pedido de Revisão de Ordem De Emissão de Certificado de Investimento PERC, observado o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez, que dava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Cristiane Silva Costa. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.005595/200484 Acórdão n.º 130200.946 S1C3T2 Fl. 106 2 Relatório PASTORIL AGROPECUÁRIA COUTO MAGALHÃES S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS., que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá/MT.. Trata a lide de Pedido de Revisão de Ordem De Emissão de Certificado de Investimento PERC, relativo a opção feita na DIPJ do exercício 2002 – AnoCalendário 2001, protocolizado em 16/12/2004. A unidade administrativa que primeiro analisou o pedido formulado pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Cuiabá/MT.) o indeferiu, após concluir que a apresentação do PERC seria intempestiva, por entender que a emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, pelos órgãos da Receita Federal do Brasil, com a opção cancelada ou divergente daquela consignada na DIPJ, deve ser contestada pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. (fls. 66/73), trazendo, em resumo, os seguintes argumentos sintetizados na decisão recorrida: a) que é inaplicável a analogia para situações diversas em sua natureza em desconformidade com a lei; b) na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão do extrato de aplicação em incentivos fiscais, deveria ser reconhecida a tempestividade do pedido dentro do prazo qüinqüenal de decadência e consoante vários acórdãos do Conselho de Contribuinte cujas ementas transcreveu; c) que o cerne dessa obrigação de dar ou restituir do Fisco perante o contribuinte investidor em fundo de investimento com destinação específica (FUNRES, FINOR ou FINAM) gera crédito tributário que, desatendido na emissão das cotas, perfaz um indébito tributário; d) por fim, pediu o provimento do pedido, considerando a sua tempestividade. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0413.131, de 16/05/2008 (fls. 88/91), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Ordem de Emissão de Certificado de Investimento. PERC. Intempestividade. A falta de emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, pelos órgãos da Receita Federal do Brasil, ou a emissão do extrato com a opção cancelada ou, ainda, divergente daquela Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.005595/200484 Acórdão n.º 130200.946 S1C3T2 Fl. 107 3 consignada na DIRPJ, deve ser contestada pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. Solicitação Indeferida. Ciente da decisão de primeira instância em 27/06/2008, conforme documento de fl. 93, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 18/07/2008 (registro de recepção à fl. 94, razões de recurso às fls. 94/99), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) Que padece de legalidade o julgado, vez que foi utilizado como fundamento para indeferimento da manifestação de inconformidade legislação não aplicável ao objeto deste processo; b) Que o artigo 15, § 5º do DecretoLei 1.752, de 31 de Dezembro de 1979, utilizado para fundamentar o acórdão recorrido, tem como escopo regular o prazo estipulado para que as pessoas jurídicas optantes procurem as ordens de emissão dos certificados de investimento; c) Que o que deve ser colocado sob análise específica não é o prazo para a procura dos valores das ordens de emissão, mas sim a tempestividade da apresentação do PERC pela recorrente; d) Que a jurisprudência administrativa é no sentido de observar o prazo qüinqüenal de decadência aplicável ao direito à restituição ou compensação de indébitos; e, e) Que no caso em tela não se observa o decurso do prazo qüinqüenal entre a data de entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Exercício 2002 Ano Calendário 2001 e a data de apresentação do PERC, devendo ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado. É o Relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.005595/200484 Acórdão n.º 130200.946 S1C3T2 Fl. 108 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso apresentado é tempestivo e, portanto, dele conheço. A questão discutida referese à tempestividade do Pedido de Revisão de Ordem De Emissão de Certificado de Investimento.PERC, relativo a opção feita na DIPJ do exercício 2002 – AnoCalendário 2001, protocolizado em 16/12/2004. A decisão recorrida manteve o entendimento dado no Despacho Decisório da autoridade administrativa que analisou o pleito, no sentido de que não havendo previsão expressa na lei quanto ao prazo para a apresentação do pedido de revisão deve ser aplicada, por analogia o § 5º do artigo 15 do DecretoLei 1.752, de 31 de Dezembro de 1979 que estabelece o prazo para que as pessoas jurídicas optantes procurem as ordens de emissão dos certificados de investimento. A jurisprudência administrativa vinha adotando o entendimento no sentido de que, na ausência de expressa previsão legal devia ser observado, por analogia, o art. 168 do Código Tributário Nacional, que estabelece o prazo de cinco anos para que o sujeito passivo pleiteie a restituição de indébitos tributários (Vide: Acórdão nº 10322.904, de 01/03/2007 – Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Acórdão nº 19800.081, de 09/12/2008 – 8ª Turma Especial da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; e Acórdão nº 19800.081, de 09/12/2008 – 8ª Turma Especial da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Todavia, em julgados mais recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF assentou entendimento no sentido de que o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Desta forma, nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre depois de transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. É este o entendimento proferido no Acórdão nº 910100.155, de 03/08/2011, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, in verbis: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.005595/200484 Acórdão n.º 130200.946 S1C3T2 Fl. 109 5 O relator do voto condutor do acórdão, acima citado, transcreve, como fundamento de seu voto, trechos do acórdão nº 0105754 da mesma CSRF, que abaixo reproduzo: "Ressaltese, por oportuno, que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos a partir do momento da concordância da SRF da opção formalizada. Enquanto a homologação expressa da Receita Federal não ocorrer, os valores informados na declaração de rendimentos do contribuinte para serem aplicados em incentivos fiscais continuam sendo receitas públicas da União. Na verdade, se a pessoa jurídica tem sua apuração com base no Lucro Real, pode optar investimento no Fundo de Investimentos da Amazônia FINAM, destinando parcela de seu imposto de renda, cuja rentabilidade e valorização serão retorno dos investimentos. O investimento no FINAM proporciona a implantação de projetos aprovados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM. Por isso, muitos classificam o incentivo de investimento no FINAM dentro do gênero restituição, numa espécie próxima ao ressarcimento de tributos, pois o imposto que seria pago retoma, por força da norma incentivadora, ao patrimônio do contribuinte na forma de um ativo. Com efeito, o procedimento administrativo previsto para gozo do mencionado incentivo iniciase com a opção pela aplicação em incentivos fiscais na declaração de rendimentos. O passo seguinte é a homologação expressa da Receita Federal que emite os Extratos das Aplicações em Incentivos Fiscais e envia aos Fundos de Investimento, conforme estabelecido no artigo 1º do Decretolei n° 1.752/79. Art 1º O artigo 15 do Decretolei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e a EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou alteração dos dados relativos a opção pelos incentivos fiscais e, nesta hipótese (alteração), a sua respectiva motivação. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.005595/200484 Acórdão n.º 130200.946 S1C3T2 Fl. 110 6 Os Extratos ficam em poder do Fundo de Investimento, como se depreende da regra decadencial prevista no parágrafo 5° do artigo 1° do Decretolei n° 1.752/79, a saber: "§ 5° Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção." O Extrato propicia ao contribuinte as condições para exercício do seu direito de defesa e conseqüente manifestação da sua inconformidade ao órgão local da Secretaria da Receita Federal quanto aos itens eventualmente alterados em conseqüência da revisão realizada. O instrumento adequado para a manifestação é o PERC, em que o interessado recorre do indeferimento a sua opção formalizada. Para definição do prazo de interposição do PERC, a autoridade de primeiro grau entende aplicável a espécie a regra decadencial do parágrafo 5º acima transcrito. Vê, contudo, que a hipótese fática específica dos autos não se subsume a previsão normativa, pois esse diploma legal trata dos casos em que as ordens de emissão de certificados foram homologadas e não resgatadas pelos beneficiados no FINAM até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção. No caso presente, não houve o reconhecimento do direito, por parte da SRF, pela opção em incentivos fiscais formalizada pela contribuinte. Foram, inclusive, emitidos Extratos das Aplicações com divergência de valor. Ressaltese que, alterando minha posição esposada no julgado que serviu de paradigma para o recurso especial, não vislumbro também a possibilidade de se empregar o prazo do art. 168 do CTN para a apresentação do PERC. Mesmo que se pretendesse equiparar o procedimento administrativo de aplicação do imposto de renda em investimentos do FINAM ao procedimento de restituição/ressarcimento de tributo, seria o ato de opção da contribuinte pela aplicação no FINAM efetuada na DIPJ aquele ato que se equipararia ao pedido de ressarcimento do tributo. A apresentação do PERC, por outro lado, tem natureza processual e equiparase a manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da Administração. O PERC investe contra a alteração da opção pela aplicação prevista no incentivo, contida no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. Assim, entendo inaplicável a regra geral de restituição de tributos previsto do artigo 168 do Código Tributário Nacional para interposição do PERC. Acompanho a decisão recorrida, no entendimento de que o prazo aplicável é de 30 dias como previsto na regra processual o art. 15 do Decreto n° 70.235/72.” Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10183.005595/200484 Acórdão n.º 130200.946 S1C3T2 Fl. 111 7 Com efeito, o art. 3º do DecretoLei nº 1.752/1979 estabelece que a Secretaria da Receita Federal deverá expedir, em cada exercício, o extrato contendo os valores considerados como imposto e como aplicação nos fundos, in verbis: Art 3º A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada exercício, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento e na EMBRAER. Assim, nos termos da jurisprudência da CSRF, entendo que a ciência pelo sujeito passivo do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Receita Federal, demarca o início do prazo processual para a manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção por meio do Pedido de Revisão de Ordem De Emissão de Certificado de Investimento PERC, observado o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/19721. No caso dos autos, o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 05) foi cientificado à recorrente em 31/05/2004 (AR – fls. 51) e o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Certificado de Investimento PERC (fls. 01) foi protocolizado em 16/12/2004, portanto, fora do trintídio legal. Ante ao exposto, tendo ocorrido a preclusão na apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de Julho de 2012.05 de julho de 2012 Luiz Tadeu Matosinho Machado 1 Decreto nº 70.235/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10805.001700/2003-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE.
O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária.
Numero da decisão: 9303-001.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN que deu provimento, por unanimidade, ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: Relator: Maurício Taveira e Silva Acórdão: 20181718 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo sido comprovada a existência e regularidade de medida judicial e processo administrativo, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando de sua competência, de modo a alargar sua motivação para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência. PIS. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Correto o cancelamento da multa de oficio de débitos declarados pelo contribuinte, em decorrência do principio da retroatividade benigna, com supedâneo no art. 18 da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nºs 11.051/2004 e 11.196/2005, bem como em razão de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de liminar, consoante o art. 63 da Lei nº 9.430/96. Recursos de oficio negado e voluntário provido. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo à Cofins fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, apoiando o pleito em acórdãos dos Conselhos de Contribuintes. A PGFN argumenta que não houve alteração na motivação do lançamento e, mesmo que houvesse, qualquer novo fundamento suscitado pelo contribuinte não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, pois o lançamento é uma imposição legal. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10805.001700/200361 Acórdão n.º 930301.940 CSRFT3 Fl. 683 3 Em resumo, nas contrarazões, a empresa repisa seus argumentos do recurso Voluntário, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais previstos no art. 10º do Decreto n° 70.235/72, quer pela compensação realizada com base em decisão judicial. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão n 2 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe acrescentar colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. 0 deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10805.001700/200361 Acórdão n.º 930301.940 CSRFT3 Fl. 684 5 qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão n° 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa:Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infra cão que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720074/2007-75
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Auto de Infração, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, formalizando a exigência de crédito tributário no montante de R$ 172.596,39. O lançamento é decorrente da apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 74 /2 00 7- 75 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.720074/200775 Acórdão n.º 2801002.972 S2TE01 Fl. 154 2 Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: “Da leitura da fundamentação que acompanha o auto de infração, verificase que a autuação foi realizada com base em suposto ganho de capital na alienação de um edifício comercial e terreno situado na Av. Cosme Ferreira, nº 5.235, bairro do Coroado, nesta cidade de Manaus, Estado do Amazonas. Contudo, não houve ganho de capital a ser apurado, e, conseqüentemente, não houve omissão de supostos ganhos de capital a serem apresentados na Declaração de Imposto de Renda, conforme se demonstrará agora. 4. Esse imóvel foi adquirido em maio de 2003 junto a empresa Triton Imp. E Exportação Ltda, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 04646.311/000183, por R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), conforme faz prova a Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 31 e 32. Nesta mesma data, foi adquirido junto ao Banco Bradesco S/A (Instrumento Particular de Cessão de Crédito, fls. 25/26 pelo qual o Impugnante pagou a quantia de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Este crédito é objeto de ações judiciais de execução hipotecaria relativamente ao imóvel em epigrafe, tendo como devedor a empresa Triton. 5. Após as operações acima descritas, o IMPUGNANTE passou a realizar reformas necessárias a recuperação e manutenção do referido imóvel, pelas quais pagou um montante total de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), conforme atestam os recibos anexos a presente impugnação. Em carta de 24 de julho o IMPUGNANTE esclareceu que não possuía em mãos comprovantes das benfeitorias realizadas, porém, os comprovantes foram posteriormente localizados e são anexados a esta. 6. Por oportuno, o IMPUGNANTE esclarece que não houve equivoco no preenchimento de sua declaração, conforme havia informado na correspondência de 24 de julho de 2006_ Foram feitos vários pagamentos que montam R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) em cada ano, que correspondem, na verdade, a uma parcela da compra de benfeitorias em 2003, e outra de igual valor em 2004, conforme atestam o contrato de compra e venda e respectivos recibos, anexos a esta. 7. Desta forma, o custo de aquisição do imóvel — prédio comercial, objeto da autuação, compõese de: a) Valor pago a Triton pela aquisição do prédio R$ 400.000,00 b) Valor pago ao Bradesco pelo prédio RS 300.000,00 c) Valor das benfeitorias do prédio em 2003 R$ 400.000,00 d) Valor das benfeitorias do prédio em 2004 R$ 400.000,00 Total do custo do prédio R$ 1.500.000,00 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.720074/200775 Acórdão n.º 2801002.972 S2TE01 Fl. 155 3 8. Em abril de 2004, o IMPUGNANTE alienou o imóvel a empresa Distribuidora Bringel Ltda, CNPJ/MF n° 00.525.5801000130, pelo valor de R$ 1.500.000,00 (hum milhão e quinhentos mil reais), conforme faz prova a Escritura Pública Compra e Venda de fls. 33 a 36. 0 IMPUGNANTE recebeu nesta ocasião um sinal de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), sendo o restante parcelado em 3 (três) prestações: R$ 300.000,00 (trezentos mil), com vencimento em 27/09/2004; RS 250000,00 (duzentos e cinqüenta mil), com vencimento em 27/03/2005; e RS 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil), com vencimento em 27/09/2005. As autuações constantes do presente processo referemse aos valores acima que foram recebidos no anocalendário 2004. 9. Conforme previsto no Regulamento do Imposto de Renda de 1999, o custo de reforma do imóvel integra o custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital:” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 100/104, que restou assim ementado: GANHO DE CAPITAL Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos. Regularmente cientificado daquele acórdão em 17/05/2011 (fl. 109), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 112/118, em 17/06/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10283.720074/200775 Acórdão n.º 2801002.972 S2TE01 Fl. 156 4 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Compulsandose os autos, verificase o Aviso de Recebimento – AR da decisão da DRJ/BEL/PA, por meio do qual o Recorrente foi intimado do acórdão recorrido, foi recebido em 17/05/2011, terçafeira (fl. 109). Assim, o contribuinte poderia apresentar o recurso até 16/06/2011, quinta feira, entretanto só o fez em 17/06/2011, consoante carimbo aposto pela repartição de recepção do documento de fls. 112/118. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001161/2002-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997
IRPF - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PAGAMENTO ANTECIPADO - DECADÊNCIA - ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
No caso, relativamente ao ano-calendário 1996, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Ademais, inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação.
Lançamento atingido pela decadência quanto ao ano-calendário 1996.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao anocalendário 1996, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Ademais, inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência quanto ao anocalendário 1996. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.508 2 Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Antonio Carlos de Sousa foi lavrado o auto de infração de fls. 1.2621.312 (Volume VI), para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 1997, 1998, 1999 e 2000, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto, da dedução indevida de despesas médicas e da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa de ofício de 75%, cuja ciência ocorreu em 05/03/2002 (fls. 1.313, Volume VI). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente em parte, excluindo da base de cálculo do lançamentos os valores de R$ 71.423,49, de R$ 17.239,95, de R$ 31.997,00 e de R$ 299.630,74, respectivamente, para os anoscalendário 1996, 1997, 1998 e 1999 (fls. 1.3791.394, Volume VI). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10247.109, que se encontra às fls. 1.4261.433 (Volume VII), cuja ementa é a seguinte: DECADÊNCIA — O direito de a Fazenda constituir o crédito tributário decai decorrido o prazo de 5 anos contados da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.509 3 ocorrência do fato gerador, em 31 de dezembro, no caso de rendimento sujeito ao ajuste anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — Tributamse como rendimentos omitidos os acréscimos patrimoniais a descoberto verificados por excesso de aplicações de recursos, evidenciando renda auferida e não declarada. APROVEITAMENTO DE SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o seguinte. Ausência de previsão legal para serem consideradas consumidas. Eventual sobra constatada, na ação fiscal, ao final de dezembro do anocalendário, não pode ser considerada no cálculo de janeiro do ano seguinte, caso não conste da declaração de ajuste relativa ao ano calendário findo. Preliminar acolhida. Recurso negado. A decisão recorrida, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência relativa ao anocalendário 1996, vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Oleskovicz, que a rejeitaram. Além disso, por unanimidade de votos, rejeitou o pedido de perícia e negou provimento ao recurso. Na seqüência, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 1.435 1.437, os quais foram acolhidos pelo acórdão n° 10248.757 (fls. 1.4401.445, Volume VII), sem alteração do resultado do julgamento. Intimada da decisão em 12/06/2008 (fls. 1.451), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 1.4541.461 (Volume VII), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência do IRPF, referente ao anocalendário de 1996; b) A e. Camara a quo aduziu que, por ser o IRPF tributo sujeito a recolhimento mediante o sistema de lançamento por homologação, o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo estipulado no art. 150, §4° do CTN, de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração (05 de março de 2002), havia perimido o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, relativo ao fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 1996; c) Entretanto, o r. acórdão diverge da legislação que rege a matéria, bem como da jurisprudência mantida por este e. Conselho de Contribuintes e pelo e. Superior Tribunal de Justiça, sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do imposto, devendo, portanto, ser reformado; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.510 4 d) Na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, conforme majoritário entendimento jurisprudencial e doutrinário sobre o tema; e) O entendimento jurisprudencial em que fundamenta o presente recurso, e que foi recentemente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo credito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal; f) Consoante esta linha de interpretação, o art. 150, §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; g) Com efeito, em casos como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; h) Não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. E, o prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; i) Ora, a simples Declaração de Imposto de Renda não pode ser considerada como atividade do contribuinte passível de homologação, como bem pretendeu a Câmara a quo. Isto porque, somente seria possível detectar os tributos não revelados pela declaração de rendimentos, através de ação fiscal direta, onde se analisam todos os elementos de prova capazes de ratificar o que foi declarado pelo contribuinte. Nesse raciocínio, se o autuado emite declaração inexata, deixando de recolher tributo devido, não há que se falar em homologação, e o prazo qüinqüenal deverá ser contado conforme prescreve o art. 173 , inciso I, do CTN; j) Observese que, no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar; k) Concluise, dessa forma, na esteira da jurisprudência firmada pelo e. Superior Tribunal de Justiça, que o entendimento firmado no acórdão recorrido contraria o disposto em lei, não havendo falar em decurso do Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.511 5 prazo decadencial para a administração pública proceder ao lançamento, in casu; l) Ademais, é preciso mencionar que o Contribuinte teria até 30 de abril de 1997 (data limite para entrega da DAA referente ao anocalendário de 1996) para oferecer à tributação seus rendimentos. Não o fazendo, só então nasce para o fisco o direito de efetuar o lançamento; m) Portanto, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é, no presente caso, 1° de janeiro de 1998, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2002 para efetuar o lançamento referente ao imposto de renda do ano calendário 1996/exercício 1997. Tendo sido o contribuinte notificado em 05 de março de 2002, não há se falar em decadência; n) Requer a União (Fazenda Nacional) seja o presente recurso conhecido e provido, para que, neste ponto, seja reformado o v. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, no sentido de afastar a preliminar de decadência reconhecida no caso em exame, uma vez que o lançamento foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Admitido o recurso através do despacho n° 446 (fls. 1.4621.463), o contribuinte foi intimado e opôs embargos de declaração às fls. 1.4701.475, os quais foram rejeitados pelo despacho de fls. 1.478. Na seqüência, interpôs recurso especial às fls. 1.4831.494, que não foi admitido em razão da intempestividade, nos termos do despacho de fls. 1.5051.506, além de apresentar contrarrazões às fls. 1.4971.501 (Volume VII), onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.512 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a decadência do lançamento relativamente ao anocalendário 1996 e, por unanimidade de votos, rejeitou o pedido de perícia e negou provimento ao recurso. Segundo a recorrente, diante da ausência de pagamento antecipado, aplicase ao caso a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que não está extinto pela decadência o crédito tributário do anocalendário 1996, pois a ciência do lançamento se deu em 05/03/2002. Eis a matéria em litígio. Pois bem, como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, contandose, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários. Tal raciocínio aplicase ao caso em comento, onde os rendimentos omitidos estão sujeitos à tributação apenas na declaração de ajuste anual. Inteligência dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo. Os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, aí sim se apurando o total de imposto devido no anocalendário. Assim, para a hipótese em análise, relativamente ao anocalendário 1996, o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1996. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.513 7 Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, para o anocalendário 1996, ocorreu em 31/12/1996 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 05/03/2002 (fls. 1.313, Volume VI), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento, com relação a este período de apuração. Na visão deste julgador, como não houve a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.514 8 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10120.001161/200288 Acórdão n.º 920202.027 CSRFT2 Fl. 1.515 9 Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, imposto de renda pessoa física, relativamente ao anocalendário 1996. A existência de pagamento antecipado para tal período é inquestionável, devendose ressaltar que no próprio auto de infração a autoridade lançadora considerou como pago a título de imposto o valor de R$ 446,83 (fls. 1.307, Volume VI). Portanto, com relação aos fatos ocorridos no anocalendário 1996 o prazo decadencial de cinco anos expirou em 31/12/2001, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 11557.000603/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 30/10/2003, 01/03/2004 a 30/06/2004, 01/12/2004 a 20/12/2004, 01/02/2005 a 31/03/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 30/10/2003, 01/03/2004 a 30/06/2004, 01/12/2004 a 20/12/2004, 01/02/2005 a 31/03/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 30/10/2003, 01/03/2004 a 30/06/2004, 01/12/2004 a 20/12/2004, 01/02/2005 a 31/03/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Adriana Sato. Ausência momentânea : Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 398DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000603/200805 Acórdão n.º 230201.900 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período descontínuo de 01/1999 a 03/2005. A notificação foi lavrada em 27/05/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 30/05/2005. O relatório fiscal diz que o levantamento referese às divergências entre as contribuições declaradas pela recorrente em GFIP e aquelas recolhidas à seguridade social. Após impugnação, DecisãoNotificação de fls.285/292, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso, alegando em síntese: a) que é indevido o salárioeducação, por ser ilegal e inconstitucional; b) que impugna os acréscimos legais TRD de 02/1994 a 12/1991 e UFIR , de 01/1992 a 12/1992, a multa e a SELIC; c) a decadência e requer a nulidade do lançamento. d) É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade,comprovada através do documento de fls.297, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A Notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 30/05/2005 e compreende o período de 01/1999 a 03/2005. A recorrente argúi a decadência do crédito lançado e , com efeito, deve ser observado que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000603/200805 Acórdão n.º 230201.900 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 a 44, RDA – Relatório de Documentos Apresentados, fls.95 a 102, e RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 103 a 136 que houveram recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 04/2000, inclusive: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Do Mérito O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos examinadas foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de Fl. 402DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000603/200805 Acórdão n.º 230201.900 S2C3T2 Fl. 4 7 regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. O relatório de fundamentos legais do débito traz todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado a Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, esclareço à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As argüições acerca dos acréscimos legais vigentes até 1992, não serão apreciadas, porquanto o crédito lançado nesta notificação compreendeu o período de 01999 a 03/2005, sendo os juros aplicados com base na Taxa SELIC. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000603/200805 Acórdão n.º 230201.900 S2C3T2 Fl. 5 9 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as competências até 04/2000, inclusive, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 406DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11557.000603/200805 Acórdão n.º 230201.900 S2C3T2 Fl. 6 11 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10735.720065/2007-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre (Relator) que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Designada Redatora do Voto Vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Redatora Designada
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre (Relator) que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Designada Redatora do Voto Vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 65 /2 00 7- 19 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 595 2 Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Redatora Designada Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/REC (Fls. 345), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/07, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. Exercício 2003, relativo ao imóvel denominado "Shangrila Sitio Três Irmão", localizado no município de Mage RJ, com área total de 58,0 ha, cadastrado na RFB sob o n° 1.542.1554, no valor de R$ 11.313,40 (onze mil trezentos e treze reais e quarenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados ate 30/11/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 26.784,47 (vinte e seis mil setecentos e oitenta e quatro reais e quarenta e sete centavos). 2. O Contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 07103/00055/2007 para apresentar, entre outros documentos, " Copia do Ato Declaratório Ambiental — ADA" e "Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da 4110 Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT com.fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica — ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados",fls. 01/02. 3. O Termo retro esclarece ao intimado que " a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra — SIPT da RFB", fl. 01. 4. Em atendimento ao TIF a contribuinte apresentou explicações e os documentos de fls. 10/83. 5. Conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 06, no procedimento de análise e verificação das informações e dos documentos coletados no curso da ação fiscal Fl. 670DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 596 3 foi alterado o Valor da Terra Nua e glosado o valor declarado como área de preservação permanente. 6. Na Descrição dos Fatos consta que "após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado": e também não comprovou a isenção da área declarada como de preservação permanente, fl. 05. 7. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 21/12/2007. conforme AR de fl. 09. 8. Não concordando com a exigência. o contribuinte apresentou impugnação em 03/01/2008. fls. 87/204. alegando , em síntese: I que o Clube e mais um grupo de 55 associados adquiriram o imóvel em questão em 1976 conforme escritura definitiva. Posteriormente foi realizado uma assembléia e feita a Escritura de Doação no Cartório. Desde então vem mantendo rigorosamente os impostos em dia; II O valor estipulado de R$ 26784,47 . foi calculado tomando se por base o valor da terra nua de RS 576.170.48. Todavia o valor apurado conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT é de R$ 85.470.00 e/á entregue à SRF; III que, o requerente, também caracterizado Sociedade Desportiva pela Prefeitura do Rio de Janeiro. é considerado de Utilidade Pública. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/REC entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: VALOR DA TERRA NUA. O Valor da Terra Nua VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 1 9de janeiro do ano a que se referir a DITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do UR. Está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Cientificado em 15/10/2009 (Fls. 361 verso), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12/11/2009 (fls. 363 a 368), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e acrescentando ainda que: (...) 4) E ainda, o Clube foi objeto de ação fiscal em 2000, tendo um contador em Magé resolvido a pendência., Fls.: 34, 35 e 36. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 597 4 Informa a V.sas. que peticionou em equivoco: Na SRF de Nova Iguaçu no Rio de Janeiro, fls.: 23 à 26. No IBAMA, fls.: 27 à 33 No Instituto de Florestas do Rio de Janeiro.: fls.: 71 à 72. Na SRF de Recife Pernambuco, Vide caderno em separado anexo de fls.: la à fls.177. Bem como, sempre declarou o ITR, também em equivoco, utilizando a área total do imóvel de 58 ha quando o real seria de apenas 28,01 ha. Esclarece a V.Sas. que desde a compra deste imóvel em 1979, as declarações de ITR ficaram a cargo de um "contador" no município de Magé que fazia as declarações incorretamente e que, Eu, para atender exigências da SRF de Nova Iguaçu, mantive no mesmo erro, pois no IBAMA preenchi os ADAS de 2003,2004,2005,2006 e 2007 no mesmo dia, vide fls.: 29 à 33, e estou certo que essas informações errôneas dificultaram a justa análise por parte dos julgadores na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), apesar de estar inserida no meu recurso (caderno em separado anexo de fls.: 1a à 177), a escritura de compra de 1979, Fls.: 07 a 11, e a escritura de doação de 1991, fls.: 12 22, prova irrefutável de que o Clube não é o proprietário de 58 ha, mas sim de 28,01ha. Apresentamos a V.Sas. o Ato Declaratório Ambiental do ano de 2009 devidamente retificado, bem como o ITR de 2009 também retificado, Fls.: 65 70, e ainda, o Memorial Descritivo e Planta com as dimensões das áreas avaliadas também retificadas. Fls.: 73 e 74. (...) A Lei n° 9.393/96 estabeleceu que as áreas de preservação permanente, reserva legal e de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas e as comprovadamente imprestáveis, não integram a base de calculo do ITR, de sorte que, tais áreas devem ser destacadas da declaração respectiva. A entrega do Ato Declaratório Ambiental "ADA" , exigência imposta por ato administrativo da SRF, para fins de isenção do ITR, fere o direito liquido e certo dos proprietários rurais,constituindo patente ilegalidade por parte da SRF. (...) Informa ainda a V.Sas. que desde a compra do imóvel, objeto deste recurso, denominado "SHANGRILA, SITIO TRÊS IRMÃOS", O Clube, não teve nenhum centavo de receita, apenas despesas, e que, até a presente data mantém um caseiro no imóvel para evitar a degradação da área, e também evitar invasões, e ainda, tem tido dificuldades para desfazer do imóvel pois não aparece nenhum interessado... Fl. 672DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 598 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o caso de arbitramento do VTN e glosa de APP. A contribuinte, em seu recurso, alega a improcedência do lançamento. Inicialmente, quanto ao VTN, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 599 6 b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 674DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 600 7 Ante à legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso em apreço, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fls. 08. Tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto o lançamento, na parte do arbitramento do VTN, é improcedente. Cuida ainda a contribuinte de afirmar, em seu recurso, que a propriedade tem uma área 50,00 ha de APP. Por sua vez, a decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de que não foi apresentado ADA tempestivo das área objeto de glosa e que não há anotação na matrícula do imóvel. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). Fl. 675DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 601 8 A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais destacamse as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir Fl. 676DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 602 9 majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 603 10 Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. Por oportuno, destaco ainda que o Superior Tribunal de Justiça tem firmado o entendimento de que é prescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, ou da averbação dessa condição à margem do registro do imóvel, para efeito de isenção do ITR; in verbis: RECURSO ESPECIAL Nº 1.359.228 PR (2012/02679346) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : ALFREDO SALA ADVOGADOS : IRIVALDO JOAQUIM DE SOUZA E OUTRO(S) PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO. AVERBAÇÃO. INEXIGIBILIDADE. ISENÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. 1. A simples menção aos dispositivos legais supostamente omitidos pelo aresto recorrido, despida de qualquer justificativa acerca da necessidade de a matéria ser enfrentada para a correta solução da lide é insuficiente para se conhecer da Fl. 678DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 604 11 suscitada violação do art. 535, II, do CPC. Incidência do óbice contido na Súmula 284/STF. 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, ou da averbação dessa condição à margem do registro do imóvel, para efeito de isenção do ITR. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 3. Recurso especial não provido. Brasília, 27 de fevereiro de 2013. Ministro Castro Meira Relator No caso em concreto apesar da Recorrente não ter apresentado o ADA tempestivo, ela demonstrou o direito da exclusão através de laudo de avaliação, o que no meu entender permite a dedução de tal área da base de cálculo do ITR. Contudo, observo que o laudo técnico apresentado informa a existência de apenas 10 ha de área de Preservação Permanente. Razão pela qual, deve ser considerada apenas esta área de 10 ha como sendo de Preservação Permanente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado e para acatar a área de 10 ha de preservação permanente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 679DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 605 12 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, permitome divergir de seu voto apenas quanto à comprovação da área de preservação permanente. No caso, o contribuinte pretende seja acatada a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Diante disso, vale fazer uma breve recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4º, art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1º de setembro de 1997: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...) II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...)” (Grifos acrescidos). O Ibama, por sua vez, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) Fl. 680DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 606 13 Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1º, art. 17O, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) Observese que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama nº 162, de 1997, até o advento da IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; e II a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996; (...) Art 7º O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: I pela apresentação por meio eletrônico ADAWeb; II pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 607 14 Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras.” (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA , deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (...) Art. 9º. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber.” (Grifos acrescidos) Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, registrese que sua redação apenas Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 608 15 determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: “§ 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, que inclusive avança no tempo além do exercício em exame, verificase que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Permanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Inferese que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 609 16 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, art. 9º, § 3º, incs. I e II, sendo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR. Não obstante as considerações acima, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de preservação permanente pleiteada e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Na espécie, observase que o sujeito não comprovou a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da existência da área de APP pleiteada, seja mediante apresentação do ADA tempestivo ou outro elemento de prova hábil a suprir a falta do ADA. É importante esclarecer que, para fins do benefício pretendido, se faz necessário que todos os requisitos legais estejam preenchidos, sob pena de se perder o direito à não tributação, como no caso. Assim, não cumprida a obrigação de comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, a comprovação da área de preservação permanente apenas por meio de apresentação de laudo técnico, desacompanhado do reconhecimento pelo órgão de fiscalização ambiental acerca das demarcações ali expostas, é insuficiente para o propósito pretendido. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10735.720065/200719 Acórdão n.º 2801002.950 S2TE01 Fl. 610 17 Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 13502.000564/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 56 4/ 20 06 -3 7 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 319 2 Relatório BRASKEM S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, que indeferiu os pedidos veiculados por meio de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Camaçari. Trata a lide de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cumulado com pedidos de compensação, relativo ao anocalendário de 2002, apurado pela empresa sucedida OPP Química S/A. Transcrevo, abaixo, relato feito pela autoridade de primeira instância acerca das razões que levaram a Delegacia da Receita Federal em Camaçari a indeferir os pedidos formulados pela contribuinte. A decisão atacada fundamentouse nos fatos assim relatados: Conforme se infere da DIPJ/2003, Ficha 12A, parcialmente transcrita abaixo, o saldo negativo de IRPJ, originado das deduções constantes das linhas 05, 10, 13 e 16, teria totalizado o valor de R$ 17.694.619,80 (dezessete milhões, seiscentos e noventa e quatro mil, seiscentos e dezenove reais e oitenta centavos). FICHA 12A CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL (valores em reais) 01. À ALÍQUOTA DE 15% 41.662.331,20 03. ADICIONAL 27.750.887,47 05. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 634.046,05 10. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 4.857.768,32 13. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 17.694.619,80 16. IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 63.921.404,30 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 17.694.619,80 Assim, a análise da procedência do pleito implica, entre outros procedimentos, verificar se houve a correta apuração (em conformidade com a legislação) de saldo negativo de imposto de renda, na referida DIPJ, e que este já não tenha sido objeto de compensação pelo próprio contribuinte. DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA Pretendeu a sucedida valerse do valor declarado como pago a título de estimativa mensal de IRPJ, na forma exposta na Ficha 12A – Cálculo de Imposto de Renda sobre o Lucro Real, quantificado em R$ 63.921.404,30 (sessenta e três milhões, novecentos e vinte um mil, quatrocentos quatro reais e trinta centavos) para calcular o saldo de IRPJ a pagar do ano calendário de 2002. Conforme as informações apresentadas na DIPJ/2003, a parcela de IRPJ paga por estimativa, referese apenas ao período de apuração (PA) dezembro de 2002, composta, a teor da respectiva DCTF, por: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 320 3 a) R$ 3.366.289,30 (três milhões, trezentos e sessenta e seis mil, duzentos e oitenta e nove reais e trinta centavos), quitado com IRRF do próprio exercício; e b) R$ 60.555.115,00 (sessenta milhões, quinhentos e cinqüenta e cinco mil e cento e quinze reais), quitado por meio da compensação constante do processo nº 13007.000077/200312. O resumo das DIRF e as cópias dos informes de rendimentos, em anexo, comprovam a existência de IRRF suficientes para a quitação da parcela referida na alínea “a”, acima. Em relação à alínea “b”, inferese que a respectiva compensação não foi homologada, a teor do DESPACHO DECISÓRIO DRF/POA n.º 1.267, de 2006, expedido no PAF n.º 13007.000077/200312, cópia anexa. No que se refere aos efeitos da entrega da referida DCOMP, à época de sua entrega, datada de 21/03/2003, não estavam vigentes as alterações promovidas pela MP nº 135, de 31/10/2003 e, portanto, ainda não lhe era conferido caráter de confissão de dívida. Por essa razão, a cobrança do débito em apreço na alínea “b”, acima, objeto de compensação não homologada, não poderá ser realizada por meio do processo 13007.000077/200312, cabendo, na apuração do Saldo Negativo, a glosa da respectiva parcela. DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O interessado informou na DIPJ/2003 o valor de R$ 17.694.619,80 (dezessete milhões, seiscentos e noventa e quatro mil, seiscentos e dezenove reais e oitenta centavos) a título de IRRF, linha 13, ficha 12A, que somado ao valor utilizado para reduzir o saldo a pagar do IRPJ, estimativa mensal, PA 12/2002, perfaz o total de R$ 21.060.909,10 (vinte e um milhões, sessenta mil, novecentos e nove reais e dez centavos). Da análise da Ficha 43 da DIPJ/2003, inferese que o interessado indicou a origem das receitas brutas e de todo IRRF utilizado na apuração do Saldo Negativo de IRPJ/2003, conforme tabela a seguir (valores em reais): Fonte Pagadora Código receita IRRF Rend. Bruto Total IRRF por cod. de receita Total de receita bruta por cód. de receita 03.391.520/000160 3426 346.250,53 1.731.252,64 07.450.604/000189 3426 33.540,74 167.703,74 445.937,13 58.257.619/000166 3426 66.145,86 330.729,31 2.229.685,69 31.516.198/000194 5273 3.598.484,45 17.992.422,26 33.066.408/000115 5273 2.551.900,57 12.759.502,88 33.172.537/000198 5273 2.611.635,55 13.058.177,83 20.448.865,76 34.111.187/000112 5273 4.763.992,53 23.819.962,64 60.746.948/000112 5273 4.613.088,25 23.065.441,33 62.073.200/000121 5273 2.309.764,41 11.548.822,09 102.244.329,03 03.196.982/000127 5706 109.439,04 547.195,20 166.106,21 03.825.417/000181 5706 56.667,17 283.335,85 830.531,05 Total 21.060.909,10 105.304.545,77 21.060.909,10 105.304.545,77 Conforme fl. 14, foi indicado na Ficha 06A, linha 24, o valor de R$ 146.832.897,15 (cento e quarenta e seis milhões, oitocentos e trinta e dois mil, oitocentos e noventa e sete reais e quinze centavos). Intimado a apresentar a Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 321 4 composição deste valor, o interessado informou, às fls. 60 e 61, que das receitas indicadas na Ficha 43, foram informados na linha 24, da Ficha 06A, os seguintes valores: Conta Razão discriminação da receita valor (em reais) 350201001003 Receita sobre aplicação em CDB 122.774,16 350304001003 Receita sobre aplicação em CDB 264.022,02 350203001004 Juros ativos sobre capital próprio L. 9.249/95 1.107.374,73 350203001009 Ganhos c/ativos Financ (mesa de operações) 86.392.784,11 Dessa forma, concluise que não poderia o interessado se utilizar integralmente dos valores declarados na ficha 43, devendose observar os limites das receitas brutas acima indicadas, efetivamente levadas à tributação. Procedeuse, portanto, ao ajuste dos valores de IRRF, informados na Ficha 43, confirmados pelo resumo das Dirf, fls. 30 a 37, e informes de rendimentos, fls. 57 a 59, passíveis de utilização na apuração do IRPJ/2003 a pagar, ou Saldo Negativo, segregandoos de acordo com o tipo de receita e limitandose o IRRF levado ao ajuste ao valor proporcional à receita levada à tributação, conforme o anteriormente exposto e demonstrado na tabela a seguir: Cód. de receita IRRF (confirmado em Dirf ou informes de rendimento) Rend. Bruto (confirmado em Dirf ou informes de rendimento) Rend. Total declarado na Ficha 6A, linha 24, fls. 60/61 IRRF considerado para apuração de IRPJ/2003 5706 166.106,21 830.531,05 1.107.374,73 166.106,21 3426 445.937,13 2.229.685,69 386.796,18 77.359,23* 5273 20.448.865,76 108.244.329,03 86.392.784,11 16.320.803,69* Total 21.060.909,10 111.304.545,77 87.886.955,02 16.564.269,14 * Valor proporcional ao IRRF utilizado pelo interessado, levando em consideração o limite da linha 24, Ficha 06A. Levandose em consideração o valor de R$ 3.366.289,30 (três milhões, trezentos e sessenta e seis mil, duzentos e oitenta e nove reais e trinta centavos), já utilizados a título de IRRF para a redução do saldo a pagar relativo à estimativa de IRPJ/2003, PA dez/02, o valor a ser utilizado na linha 13, Ficha 12A é de R$ 13.197.979,84 (treze milhões, cento e noventa e sete mil, novecentos e setenta e nove reais e oitenta e quatro centavos). Nesses termos, foi refeito o demonstrativo de apuração do imposto de renda sobre o lucro real, a partir das informações prestadas pelo contribuinte na respectiva DIPJ, observados, ainda, os valores acima demonstrados, que foram objeto de confirmação: FICHA 12A CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL (valores em reais) 01. À ALÍQUOTA DE 15% 41.662.331,20 03. ADICIONAL 27.750.887,47 05. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 634.046,05 10. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 4.857.768,32 13. IMPOSTO DE RENDA RETIDA NA FONTE 13.197.979,84 16. IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 3.366.289,30 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 47.357.135,16 Da consulta aos sistemas DCTF GER, COMPROT e SIEF – PERDCOMP, não foram localizadas outras compensações, processos administrativos ou Declarações de Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 322 5 Compensação referentes à parcela creditória em análise, além das já carreadas para os autos. ... Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que a glosa da parcela de R$ 60.555.115,00, correspondente à estimativa de Imposto de Renda, alusiva ao mês de dezembro de 2002, quitada por meio de compensação, formalizada no processo nº 13007.000077/200312, não poderia ser realizada pois ainda não há decisão final, nos autos do aludido processo, que denegue definitivamente o direito ao crédito que se pretende compensar; que haveria de se ter em mente que somente o desfecho do processo nº 13007.000077/200312 poderia determinar se a empresa incorporada por ela, a OPP Química S/A, apurou, de fato, saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002; que, sendo assim, a única conduta admissível em circunstâncias como esta, a rigor, seria o sobrestamento do presente processo, até que se encerre o correlato processo de compensação, posicionamento este que seria corolário do princípio da razoabilidade que deve reger os atos da Administração Fazendária; que haveria de se frisar que a decisão combatida, caso mantida, poderia ensejar não apenas o indeferimento das compensações postuladas e a cobrança dos supostos débitos, mas trará ainda outro resultado nefasto, que consistiria na perda, em definitivo, do crédito pleiteado; que, procedendose de forma diversa da defendida, poderseia deparar com a paradoxal situação de vir a ser enfim deferida a compensação realizada no PAF 13007.000077/200312, admitindose o adimplemento da estimativa mensal de Imposto de Renda, apurada em dezembro de 2002, a qual comporia efetivo saldo negativo de IRPJ no ano de 2002, porém, tal crédito não poderia mais ser utilizado por ela em nenhum outro pleito compensatório, senão neste, ante o decurso da decadência que o afetaria e o extinguiria, a partir de 31 de dezembro de 2007; que, por mais esta razão, e, diante da possibilidade de ela vir a perder, injustificadamente, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, a que faria jus caso seja reconhecida a compensação efetuada naquele outro processo, imporseia sustar o andamento do presente feito; que, desta forma, o Despacho Decisório combatido mereceria ser anulado, sendo imediatamente sustado o presente processo, até o julgamento definitivo da Declaração de Compensação de nº 13007.000077/200312; que a conclusão da autoridade fazendária pela impossibilidade de dedução integral do IRRF incidente sobre as receitas financeiras auferidas pela empresa incorporada OPP Química S/A, no anocalendário de 2002, no valor total de R$ 21.060.909,10, partiu de premissa equivocada de que ela somente teria oferecido à tributação, a título de receitas financeiras, na Declaração de Ajuste apresentada, o valor de R$ 87.886.955,02, que não representa a totalidade das receitas financeiras que ensejaram a retenção, pelas respectivas Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 323 6 fontes pagadoras, do Imposto de Renda naquele ano, as quais totalizaram o montante de R$ 105.304.545,55; que, por conta disso, a autoridade fazendária sustentou que ela faria jus, na apuração do IRPJ devido no anocalendário de 2002, à dedução do IRRF na exata proporção das receitas tidas como tributadas, o que totalizou o valor de R$16.564.269,14; que, no entanto, conforme restaria demonstrado, os rendimentos declarados na Ficha 43 da DIPJ/2003 incluem receitas financeiras oferecidas à tributação em montante suficiente a possibilitar a dedução da integralidade do Imposto de Renda retido pelas fontes pagadoras sobre as citadas receitas financeiras, no cálculo do saldo do IRPJ devido no período em voga; que a composição dos valores informados na Linha 24 da Ficha 6A da DIPJ/2003, entregue por ela à Receita Federal, não retrataria a totalidade das receitas financeiras que foram efetivamente oferecidas à tributação no anocalendário de 2002, conforme ela passaria a demonstrar: RECEITAS AUFERIDAS EM OPERAÇÕES DE RENDA FIXA quando intimada a demonstrar a composição do valor das receitas financeiras oferecidas à tributação no período em comento, apresentou sua escrituração contábil, a qual apontava que havia auferido, no anocalendário de 2002, os valores de R$ 122.744,16 e R$ 264.022,02, a título de receitas financeiras em operações de renda fixa, o que poderia ser constatado da análise do Razão Contábil das Contas 350201001003 – Receita sobre Aplicação em CDB e 350304001003 – Receita sobre Aplicação em CDB (doc. 05); por conta disso, o preposto fazendário responsável pela análise do presente feito admitiu que tais valores haviam sido oferecidos à tributação, concluindo que a Requerente possui o direito à dedução do IRRF incidente sobre tais receitas; no entanto, não foram somente estas receitas decorrentes de aplicações de renda fixa que foram oferecidas à tributação, tendo em vista que ainda foi computado no lucro real do aludido anocalendário o rendimento declarado no Item 02 da Ficha 43 da DIPJ/2003, que teve como fonte pagadora a empresa CHEMICAL TRUST S/A (CNPJ nº 03.391.520/000160), no valor total de R$ 1.731.252,64, conforme se constataria do exame do Informe de Rendimentos fornecido pela referida pessoa jurídica (doc. 06); ocorre que tal receita financeira foi equivocadamente contabilizada no Razão Contábil em contas diversas daquelas em que registra os ganhos com aplicações de renda fixa, qual seja, a conta “Ganhos c/ Ativos Financeiros”, em que, a rigor, são registradas as receitas decorrentes de aplicações de renda variável; conforme se constata da análise do Razão Contábil da conta 360113001001, em que foram registrados os ganhos com operação de renda variável no mês de janeiro de 2002, houve o lançamento credor de R$ 720.296,36, com a descrição “Crédito Bancário Participação DPLS Chemical Trust – R$ 45,281723X15.907 DPLS Conf Doc Teso 278829” (doc. 07); já no Razão Contábil da Conta 350203001009, em que foram contabilizados os ganhos com operação de renda variável, nos meses de fevereiro a dezembro de 2002, verificase que foi registrado o lançamento credor de R$ 1.010.956,28, com o histórico “Crédito Bancário Recebimento Bruto Participação nos Lucros Chemical Trust Teso 300145” (doc. 08); confrontando tais lançamentos contábeis, que somados alcançam a exata importância de R$ 1.731.252,64, com o Informe de Rendimento acima acostado (doc. 06), não restam dúvidas de que estes se referem às receitas financeiras auferidas em aplicações de renda fixa; desse modo, a despeito destas receitas terem sido erroneamente contabilizadas em contas utilizadas por ela para efetuar lançamentos de rendimentos decorrentes de aplicações de renda variável, constata Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 324 7 se que tais rendimentos afetaram o resultado oferecido à tributação, pelo que ela possui o direito de deduzir o IRRF incidente sobre eles. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM APLICAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL – (SWAP): com relação às receitas financeiras oriundas de operações de SWAP, seria equivocada a informação que ela prestou quando intimada a apresentar a composição das receitas financeiras indicadas na linha 24 da Ficha 06 A (R$146.832.897,15), o que teria levado o preposto fiscal a concluir que apenas teria sido oferecida à tributação a importância de R$ 86.392.784,11 e, portanto, ela não faria jus à dedução de todo o IRRF incidente sobre os rendimentos, no valor de R$ 102.244.329,63, declarado na Ficha 43 da DIPJ/2003; naquela oportunidade, ela informou que as receitas financeiras registradas na conta 3502003001009 – Ganhos c/Ativos Financ (Mesa de Operações) (doc. 09) alcançavam a quantia de R$ 86.392.784,11, entretanto, o referido valor representaria, na verdade, o saldo líquido da citada conta contábil, deduzido de algumas perdas equivocadamente registradas na referida conta contábil no anocalendário de 2002, e não o valor auferido a título de ganhos com operações de renda variável; analisando a Ficha 43 da DIPJ/2003, verificarseia que ela declarou que auferiu, no anocalendário de 2002, receitas financeiras decorrentes de operações de SWAP, no montante de R$ 102.244.329, e IRRF no valor de R$ 20.448.865 e que tais receitas foram todas registradas no Razão Contábil, na Conta 3502003001009 – Ganhos c/Ativos Finac (Mesa de Operações) (doc. 09), que apontaria o resultado efetivamente auferido por ela em tais operações, totalizando o valor bruto de R$102.244.329,03; nestas circunstâncias, o valor bruto de tais rendimentos teria afetado o resultado dela, compondo, portanto, o valor que teria sido oferecido à tributação na DIPJ, constante da Linha 24 da Ficha 6 A; deste modo, observarseia que a totalidade das receitas financeiras de operações de SWAP declarada na Ficha 43 da DIPJ/2003 teria sido devida e regularmente oferecida à tributação, não restando dúvida sobre o direito à dedução do montante integral do IRRF incidente sobre as aludidas receitas financeiras, na apuração do saldo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002. Ao final, a contribuinte requereu: a) que permanecesse sobrestado o andamento do presente feito até o resultado do processo administrativo nº 13007.000077/200312, em que ainda se discute o adimplemento da estimativa mensal de IR relativa a dezembro de 2002; b) que fosse reconhecido o direito à dedução da integralidade do Imposto de Renda retido pelas fontes pagadoras das receitas financeiras auferidas em 2002, tendo em vista que tais rendimentos foram integralmente oferecidos à tributação. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº 1514.043 , de 22 de outubro de 2007, pela improcedência do pedido. O referido julgado restou assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 325 8 Mantémse o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação declarada, em face da inexistência do saldo negativo referente ao ano calendário 2002, que corresponderia ao indébito cujo reconhecimento do direito creditório e utilização para compensação de débitos são pleiteados neste processo. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 180/223, por meio do qual, descrevendo os argumentos expendidos na peça impugnatória, sustentou: que se afigurava manifestamente despropositado o argumento consistente na inexistência de dispositivo legal que autorize a suspensão de um feito administrativo em decorrência do andamento de outro feito a este correlato; que não se poderia ignorar que o Código de Processo Civil se mostra amplamente aplicável ao processo administrativo fiscal, naqueles casos em que o regramento processual atinente aos feitos administrativos silenciar sobre uma determinada e relevante questão, hipótese em que o Digesto Processual Civil deve ser utilizado subsidiariamente; que, ao examinarse o aludido diploma legal, poderseia constatar que este determina o sobrestamento de um determinado processo quando o julgamento do seu mérito depender do julgamento de outra causa, como se infere do art. 265, inciso IV, alínea “a”; que ficaria evidente que o princípio da oficialidade não pode ser aplicado de forma absoluta e exclusivista no presente caso, sem que seja sopesado frente aos demais princípios norteadores do processo administrativo fiscal, quais sejam, o da razoabilidade e o da verdade material, verdadeiros imperativos de conduta que não podem ser aqui ignorados e os quais impõe a imediata suspensão do presente feito; que até a data do protocolo do recurso não tinha sido cientificada do teor do acórdão que, segundo a autoridade de primeira instância, teria restaurado a eficácia do despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, relativamente ao processo administrativo nº 13007.000077/200312; que, diante da possibilidade de o então Conselho de Contribuintes entender pelo prosseguimento do curso deste feito, não restaria alternativa à ela senão demonstrar a lisura do procedimento de compensação da parcela da estimativa de imposto de renda com os créditos de IPI decorrentes das aquisições de insumos isentos e tributados à alíquota zero. A partir desse ponto, a contribuinte teceu considerações acerca do alegado direito de promover compensações de crédito de IPI com outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, renovando, ao final, argumentos expendidos na peça impugnatória acerca da tributação das receitas decorrentes de aplicações de renda fixa, que teve como fonte pagadora a empresa CHEMICAL TRUST S/A (R$ 1.731.252,64). Apreciando o recurso interposto, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu sobrestar o julgamento da lide até que fosse prolatada decisão administrativa final no processo administrativo nº 13707.000077/200312 (Resolução nº 105 1.342, sessão de 13 de novembro de 2008, fls. 258/266). Às fls. 314/316 identificase pronunciamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari, Bahia, do qual releva destacar as seguintes informações: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 326 9 i) a BRASKEM S/A optou, no prazo legalmente estabelecido, pelo parcelamento de débitos tributários de que tratou o art. 3º da Medida Provisória nº 470, de 2009, motivo pelo qual apresentou requerimento à Receita Federal solicitando a utilização de créditos no montante de R$ 1.225.087.353,20, referentes a prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, para fins de extinção de débitos; ii) a referida empresa apresentou ainda requerimento de desistência total da impugnação ou recurso impetrado no processo administrativo nº 13007.000077/200312 (no despacho da Delegacia da Receita Federal foi assinalado, equivocadamente, o nº 1300.000077/200312); iii) os débitos objeto de parcelamento foram consolidados no processo administrativo nº 13502.001253/200938, sendo nele incluída a estimativa mensal de imposto de renda relativa ao período de apuração de dezembro de 2002, no montante de R$ 60.555.115,00, que se encontrava controlada por meio do processo administrativo nº 13007.000077/200312; iv) apesar de o “Grupo de Trabalho (GT) instituído na RFB, para fins de análise dos parcelamentos solicitados nos termos da MP nº 470, de 2009, não ter, ainda, implementado os procedimentos de verificação interna tendentes a promover a baixa dos débitos liquidados no âmbito do referido parcelamento, a Braskem S/A, no seu entender, já teria cumprido todos os procedimentos necessários ao adimplimento (sic) total de suas obrigações relacionadas ao parcelamento em questão”; v) existe indícios de que a BRASKEM S/A cumpriu com os obrigações decorrentes do parcelamento instituído pela MP nº 470; vi) relativamente ao débito de estimativa mensal de imposto de renda do período de dezembro de 2002, “poderseia conjecturar que seriam necessários créditos (base: 30/11/2009) no montante de R$ 518.190.962,84 (...) para resguardar a quitação do débito aqui tratado”; vii) inexiste dúvidas quanto à efetividade do pagamento de parcelas que, tomando por base a data de 30 de novembro de 2009, montam R$ 362.217.630,60, o que leva à conclusão de que “bastaria confirmar a regularidade da utilização de Prejuízos Fiscais (PF) e Base de Cálculo Negativa (BCN) de CSLL no montante de R$ 155.973.332,24 (...) para restar demonstrada a efetiva quitação do débito em comento”. Entendendo haver elementos capazes de possibilitar o prosseguimento da apreciação da lide, a Delegacia da Receita Federal em Camaçari restituiu os autos a este Colegiado. É o Relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 327 10 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Penso, em razão dos motivos adiante expostos, que, não obstante a realização da diligência requerida pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, o processo ainda não se encontra em condições de ser julgado. Como se depreende de tudo o que foi relatado, as questões nucleares a serem enfrentadas no presente processo dizem respeito a duas parcelas que compuseram o crédito indicado para compensação tributária, quais sejam: i) estimativa mensal relativa ao período de apuração de DEZEMBRO de 2002, no montante de R$ 60.555.115,00; e ii) imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 21.060.909,10. No que diz respeito à ESTIMATIVA do mês de DEZEMBRO de 2002, a conversão do julgamento em diligência pela Quinta Câmara foi fundada no entendimento de que, se a extinção da referida parcela estava sendo efetuada por meio de compensação tratada no processo administrativo nº 13007.000077/200312, a apreciação do direito creditório pleiteado via o presente processo só poderia ser feita após a decisão final naquele processo. Contudo, de acordo com a informação prestada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (fls. 314/316), a contribuinte, tendo optado pelo parcelamento de débitos trazido pela Medida Provisória nº 470, de 2009, apresentou requerimento de desistência total do recurso interposto no processo nº 13007.000077/200312. O pronunciamento da referida unidade administrativa (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari), entretanto, não obstante destacar que “a Braskem S/A, no seu entender, já teria cumprido todos os procedimentos necessários ao adimplimento (sic) total de suas obrigações relacionadas ao parcelamento em questão” e de que “há indícios do adimplimento (sic)”, não é conclusivo acerca da efetiva extinção, via parcelamento, do débito de R$ 60.555.115,00, relativo à estimativa mensal de IRPJ do período de apuração de dezembro de 2002. Com o devido respeito ao argumento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari no sentido de “haver elementos que permitem ao r. Órgão de Julgamento dar prosseguimento a análise do presente processo”, penso diferente. Com efeito, em obediência às disposições do art. 170 do Código Tributário Nacional, na compensação tributária, o crédito indicado deve ser líquido e certo. Nessa linha, não se pode admitir que o direito creditório apontado para o encontro de contas seja reconhecido na circunstância em que, na sua formação, existe parcela cuja extinção se baseia em indícios ou conjecturas. Por outro lado, não seria razoável, também, simplesmente indeferir o reconhecimento do direito creditório sob alegação da ausência de liquidez e certeza, quando a própria unidade administrativa responsável pela sua aferição admite que não foram Fl. 327DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13502.000564/200637 Resolução nº 1301000.106 S1C3T1 Fl. 328 11 implementados os procedimentos de verificação interna tendentes a promover a baixa dos débitos liquidados no âmbito do parcelamento requerido pela contribuinte. Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem preste informação conclusiva e definitiva acerca da extinção, por meio do parcelamento autorizado pela Medida Provisória nº 470, de 2009, da estimativa mensal de IRPJ do período de apuração de dezembro de 2002, no montante de R$ 60.555.115,00. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 13884.003573/98-15
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação, será o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação, será o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação, será o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 35 73 /9 8- 15 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13884.003573/9815 Acórdão n.º 9900000.506 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0265 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0258, que decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 11/12/98. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0294, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13884.003573/9815 Acórdão n.º 9900000.506 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos contados da data da publicação da MP 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13884.003573/9815 Acórdão n.º 9900000.506 CSRFPL Fl. 5 7 Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 11/12/1998, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 11/12/1988 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 11/12/1988 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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