Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13063.000160/2004-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO.
Não é permitida a permanência no regime do Simples de pessoa jurídica que não demonstrar, no prazo de trinta dias, a contar da ciência do ato declaratório de exclusão, a quitação do débito inscrito.
Numero da decisão: 1302-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO. Não é permitida a permanência no regime do Simples de pessoa jurídica que não demonstrar, no prazo de trinta dias, a contar da ciência do ato declaratório de exclusão, a quitação do débito inscrito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13063.000160/2004-06
conteudo_id_s : 5224608
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.862
nome_arquivo_s : Decisao_13063000160200406.pdf
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 13063000160200406_5224608.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4577457
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575633747968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 298 1 297 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13063.000160/200406 Recurso nº 339.324 Voluntário Acórdão nº 130200.862 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA Recorrente JOÃO VANDERLEI DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO. Não é permitida a permanência no regime do Simples de pessoa jurídica que não demonstrar, no prazo de trinta dias, a contar da ciência do ato declaratório de exclusão, a quitação do débito inscrito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Waldir Veiga Rocha, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13063.000160/200406 Acórdão n.º 130200.862 S1C3T2 Fl. 299 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/STM, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, deferir parcialmente a solicitação para reinclusão no Simples, porém, retroagindo os efeitos desta apenas a partir de 1° de janeiro de 2005, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 EXCLUSÃO. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. REGULARIZAÇÃO POSTERIOR. INCLUSÃO RETROATIVA AO ANO SEGUINTE AO DA REGULARIZAÇÃO. A existência de débito inscrito em dívida ativa impede a permanência da empresa no Simples. Não pode subsistir pedido de inclusão retroativa à data da retirada da empresa do sistema quando a respectiva regularização é efetivada após plenamente produzidos os efeitos do correspondente ato declaratório de exclusão. Admitese, no entanto, inclusão retroativa ao Anocalendário seguinte ao da regularização quando comprovada a intenção da empresa em permanecer no Simples, mediante pagamentos realizados através de DARFSIMPLES e com a apresentação das declarações de rendimentos pelo modelo de declaração anual simplificada. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Mediante documento à folha 01 a contribuinte acima qualificada requereu, em 28/06/2004, a reinclusão retroativa a 01/11/2000 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, tendo em vista que a mesma foi excluída do sistema a partir desta data em face de débitos inscritos na PGFN ou com a Previdência Social. A interessada tomou ciência da exclusão do Simples em 17/10/2000, conforme Aviso de Recebimento – AR à folha 41. Para demonstrar a inexistência de débitos, anexa certidões negativas da PGFN, emitidas em 30/06/2004, via internet, referente à firma individual e ao seu titular João Vandereli dos Santos (fls. 37 e 38, respectivamente). Após anexar extratos dos sistemas CNPJ consulta, SINAL10 (consulta pagamento) e SIVEX (fls. 14 a 42), a autoridade competente da DRF/Santo Ângelo, com base no Parecer de fls. 44 a 46, indeferiu o pleito da interessada, pelo fato de Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13063.000160/200406 Acórdão n.º 130200.862 S1C3T2 Fl. 300 3 que a apresentação de declarações no formulário simplificado e o pagamento de tributos pelo SIMPLES, mesmo depois de excluído, não lhe confere o direito de reingressar no SIMPLES com efeito retroativo. Ressaltou que a contribuinte poderia solicitar, se desejasse, nova inclusão no sistema, atendendo, porém, as disposições contidas na Lei nº 9.317/96, com especial atenção ao disposto no art. 8º da referida lei. A DRF/Santo Ângelo providenciou, igualmente, a anexação dos documentos de fls. 40 e 42, referentes à consulta de postagem do Ato Declaratório de Exclusão nº 314.259 (fl. 42) e o seu respectivo Aviso de Recebimento AR, devidamente assinado e datado em 17/10/2000 (fl. 41). Aqui nesta DRJ o processo foi instruído com os extratos de consulta ao CNPJ de folha 89 e 90. Cientificada da Decisão da DRF, em 17/07/2004 (fl. 47), a contribuinte ingressou com a sua manifestação de inconformidade (fls. 48 a 50), instruída com cópias de DARFs Simples (fls. 51 a 68), encontrandose entre estes DARF – PGFN, correspondente ao valor integral da dívida ativa – Cofins (Processo 11070.201759/9996), cujo pagamento ocorreu em 05/09/2003 (fl. 53); cópias de Declaração Anual Simplificada e respectivos recibos de entrega (fls. 69 a 85). Os argumentos da manifestante são, em síntese, os seguintes: Inicia abordando os fatos que determinaram sua exclusão do Simples, que teria ocorrido pelo Ato Declaratório (Comunicação de Exclusão) n° 173.928. Em seguida lembra que no próprio despacho que indeferiu seu pedido de reinclusão foi apontado que a interessada não mais apresenta débitos junto a PGFN, do que faz prova com Certidões Negativas daquele órgão. Como questão preliminar diz argumenta que sua exclusão do Simples fere direito adquirido da empresa em permanecer no Simples. Sustenta que a existência de débito junto à PGFN não seria motivo para sua exclusão do Simples; acrescenta que sua exclusão dessa sistemática representa penalidade dupla. No mérito seus argumentos são sentido de que uma vez encaminhado o débito à PGFN já estava constituído em mora; outra conseqüência seria a perda de linhas de crédito. Argumenta que uma vez instada a regularizar o débito e assim o fazendo, teria garantido o direito de permanecer no Simples; insiste na tese da dupla penalidade pois, além de pagar os encargos do débito, se excluído do Simples, teria todos os encargos decorrentes da regularização fiscal. Requer a insubsistência e improcedência da decisão, para não ter de buscar a via judicial para garantia dos direitos legais e constitucionais. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que sendo possível à Administração identificar o erro cadastral do contribuinte, poderá retificar de ofício a FCPJ, e retroagir o ingresso no Simples desde a data da exclusão, 19/10/2000, porque desde o início de suas atividades ela demonstra inequivocamente sua intenção de permanecer no Simples. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13063.000160/200406 Acórdão n.º 130200.862 S1C3T2 Fl. 301 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Aplicação Retroativa do §5º do art.15 da Lei nº 9.317/96, para alcançar não o momento da exclusão, mas o momento do indeferimento do pedido de inclusão retroativa. A DRJ/STM, mesmo na inexistência de Termo de Opção, o qual deveria ter sido feito por meio de pedido de alteração na FCPJ (Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica), entendeu ser fora de dúvida o desejo da recorrente em reingressar no Simples, vez que vinha cumprindo suas obrigações fiscais como se optante fosse (Recolhimentos em DarfSimples e prestação de declarações simplificadas). Todavia, reconheceu que as certidões negativas apresentadas pela recorrente foram emitidas em 30/06/2004. Assim, deferiu em parte o pedido, para permitir o reingresso a partir de 01/01/2005, com reforma parcial do despacho decisório DRF/SÃO, de 8 de julho de 20004. Como reforço de seus argumentos pesa o fato de que a recorrente, que ora ingressa com pedido de inclusão retroativa, não se defendeu do ato declaratório executivo nº 314.259 que a excluiu do Simples, emitido em 29/09/2000, com efeitos a partir de 01/01/2000. Além disso, à época de sua exclusão possuía débitos com a Fazenda Federal inscritos em dívida ativa cuja exigibilidade não estava suspensa. Naquela oportunidade, o prazo para ingressar com manifestação de inconformidade se estendeu até 31/01/2001 (IN SRF nº 100/2000). A recorrente discorda de tais argumentos, porque entende que desde o início demonstrou intenção de permanecer no Simples. O §5º do art. 15 da Lei nº 9.317/96, cuja aplicação retroativa requer a recorrente, permitia a permanência da pessoa jurídica no Simples mediante a comprovação da quitação do débito inscrito no prazo de até trinta dias contado da data da ciência do ato declaratório de exclusão, verbis: § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Todavia, a situação que disciplina não é a dos autos. Aqui, a recorrente não se defendeu do ato declaratório de exclusão nem demonstrou a quitação do débito inscrito no prazo de 30 dias, e embora possa se alegar que o dispositivo em comento ainda não existia ao Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13063.000160/200406 Acórdão n.º 130200.862 S1C3T2 Fl. 302 5 tempo de sua exclusão e, neste sentido, não seria exigível a quitação naquele momento, não há outro que o possa substituir, como por exemplo o quer, pelo momento do indeferimento de seu pedido de inclusão retroativa, por absoluta falta de amparo legal. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 10 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000672/2001-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 11543.000672/2001-93
conteudo_id_s : 5231687
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.060
nome_arquivo_s : Decisao_11543000672200193.pdf
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 11543000672200193_5231687.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4579677
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575643185152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 143 1 142 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.000672/200193 Recurso nº 328.940 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.060 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2012 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOURDES HYBNER SCARDINI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 03/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 301 33.292, proferido pela 1ª Câmara do 3º CC em 19/10/2006 (fls. 69/78), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 80/98). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Havendo o contribuinte logrado comprovar a existência da área de preservação permanente informada na DITR/97, cabe a sua exclusão da base de cálculo desse tributo. ADA. INTEMPESTIVIDADE. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa, previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A recorrente apresenta paradigma que diverge do aresto atacado, ao exigir a apresentação tempestiva do ato específico do órgão competente para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada (ADA), como é o caso dos autos. Observa que, da análise das alegações e documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar as áreas de preservação permanente, confirmase o não cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Considera equivocado o entendimento no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001. Destaca que o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11543.000672/200193 Acórdão n.º 920202.060 CSRFT2 Fl. 144 3 Frisa que o prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA jamais deixou de existir. Registra que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente. O que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação. Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 1175.128940 (fls. 99/101), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões, consoante o despacho de fl. 142. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O presente recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A controvérsia acerca da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA foi dirimida com a aprovação da súmula CARF nº 41, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003053/2006-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
Numero da decisão: 3403-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10950.003053/2006-09
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5241161
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.939
nome_arquivo_s : Decisao_10950003053200609.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10950003053200609_5241161.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003
id : 4602351
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575694565376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 234 1 233 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003053/200609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.939 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2003 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVA Recorrente PLANT BEM FERTILIZANTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 30 53 /2 00 6- 09 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP (fls. 31 a 6) relativo a crédito de Cofins nãocumulativa referente ao 3o trimestre de 2005, no valor de R$ 155.454,92. Ao analisar a solicitação (fls. 81 a 94), a unidade local reconhece parcialmente o direito creditório (R$ 69.841,80) homologando, na parte reconhecida, as compensações requeridas. As parcelas não reconhecidas referemse a: a) creditamento de aquisições de bens que não podem ser caracterizados como insumos (contas “impressos e material de escritóriocif” e “uniformes e epicif”); e b) aproveitamento de créditos sobre gastos com serviços sem previsão legal (contas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, “fretes s/ comprascif”), vinculados a aquisições de matérias primas com alíquota zero. Cientificada da decisão da unidade local (em 2/6/2011 fl. 97), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 30/6/2011 fls. 100 a 128). Na peça apresentada, sustenta que: a) o princípio constitucional da nãocumulatividade garante à contribuinte o direito de compensar em cada operação o montante de IPI, ICMS, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins relativos às operações anteriores, sendo impossível sua modulação pelo legislador ordinário; b) o conceito de insumo constante das Instruções Normativas da RFB (então SRF) no 247/2002 e 404/2004 é demasiadamente restritivo, uma vez que veda o direito ao aproveitamento de créditos relacionados a insumos essenciais à atividade industrial, e deve ser afastado, assim como a Lei no 10.637/2002, pois tais normas infraconstitucionais não podem estabelecer vedações ao aproveitamento de crédito; c) o CARF tem entendido que o conceito de insumo para efeito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser o do IR, e não o do IPI, o que abarca os materiais de escritório e uniformes e equipamentos de proteção individual epi’s; e d) o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 deve ser analisado à luz do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (que trata da manutenção de créditos em relação a vendas efetuadas com alíquota zero). Em 4/11/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 189 a 198), acorda se que: a) “não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição e dos custos/despesas com desembaraço/desestiva, sendo permitido apenas quando o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003053/200609 Acórdão n.º 3403001.939 S3C4T3 Fl. 235 3 bem adquirido for passível de creditamento, já que tais despesas compõem o custo de aquisição”; b) “no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”; e c) “as instâncias administrativas são incompetentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Cientificada da decisão em 16/1/2012 (fl. 201), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/2/2012 (fls. 202 a 230), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, sobre a impossibilidade de modulação infraconstitucional do princípio da nãocumulatividade, sobre o conceito restritivo de insumos estabelecido nas normas infralegais da RFB (advindo do IPI), em desacordo com o posicionamento do CARF (pautado pelo IR), e sobre o entendimento de que o art. 17 da Lei no 11.033/2004 revogou o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e, portanto, a aquisição de serviços (frete / desestiva) vinculados à compra de bens sujeitos à alíquota zero não inibe o direito ao crédito de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Dos três pontos atacados no Recurso Voluntário, impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF do primeiro, que sustenta ser a não cumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e pelas IN SRF no 247/2002 e 404/2004. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, e a verificação de compatibilidade entre o art. 17 da Lei no 11.033/2004 e o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, sendo uma delas inclusive mencionada no Recurso Voluntário, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação e venda de adubos e fertilizantes. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos adubos e fertilizantes constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às despesas com impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003053/200609 Acórdão n.º 3403001.939 S3C4T3 Fl. 236 5 No recurso voluntário, a empresa argumenta que o termo “insumo” abrange, além das despesas diretas: “[...] todas as depesas indiretas incorridas para a obtenção de receita, como, por exemplo: os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, inclusive com o pessoal das áreas de vendas, marketing, distribuição, administrativo interno de vendas,comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, fretes sobre compras, desembaraço/desestiva, impressos, material de escritório, uniformes, epi’s, etc, além daquelas despesas administrativas propriamente ditas [...]” Não é preciso muito esforço para perceber que tal posicionamento não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação e venda de adubos e fertilizantes), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a tese da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Não se acolhe, destarte, a argumentação de que impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual constituam insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes, pela inexistência de vínculo de tais itens com o processo produtivo/fabril. Do creditamento em relação a serviços relacionados a bens adquiridos com alíquota zero Pleiteia ainda a recorrente o creditamento em relação a três contas, intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif”. Instada a explicitar as referidas contas, indicando as razões pelas quais considerou como geradores de crédito da contribuição os dispêndios nelas registrados, a empresa (fl. 57) assim esclareceu seu conteúdo, classificando as despesas como “serviços utilizados como insumos”, albergados pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003: “Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras estoques Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos. Serviços Utilizados como insumos Desembaraço/desestiva Aquisição de serviços de carga e descarga da compra de insumos. Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras (CIF) Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos.” (grifos no original) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)” Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. A recorrente questiona ainda a vigência do inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, afirmando que tais dispositivos foram revogados pelo art. 17 da Lei no 11.033/2004, que dispõe: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Nesse ponto, como já esclarecido pelo julgador a quo, o art. 17 da Lei no 11.033/2004 não revoga nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002, nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003. Enquanto o comando da Lei no 11.033/2004 permite à empresa que adquire um produto tributado pelas contribuições mantenha o crédito mesmo que a venda se dê de forma não tributada, os dois outros dispositivos (Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003) vedam o creditamento da contribuição para bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição na aquisição. Assim, as Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 impedem o creditamento no caso de a aquisição de bens ou serviços não estar sujeita ao pagamento da contribuição. E a Lei no 11.033/2004 não gera direito a novo crédito (contrapondo a vedação), mas tãosomente permite a manutenção dos créditos (se existentes), no caso de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. Vejase que, no caso em questão, em face da inexistência de vedação no dispositivo legal analisado, era (e continua sendo) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003053/200609 Acórdão n.º 3403001.939 S3C4T3 Fl. 237 7 possível o creditamento em relação a serviços tributados efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Improcedente assim a afirmação de que houve revogação dos dispositivos que estabelecem a vedação de creditamento, o que, contudo, não prejudica, como exposto, o direito ao creditamento. É relevante destacar, por fim, que a segunda motivação alegada pela fiscalização para o não reconhecimento do crédito, de que somente os fretes nas operações de venda é que seriam ensejadores de crédito, merece aparas. Também as despesas com frete nas operações de compra de insumos podem gerar créditos (compondo o custo de aquisição do bem), como decidiu recentemente esta turma, de forma unânime, cabendo reproduzir abaixo excerto do voto condutor: “[...] na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete podem se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o.” 3 (grifo nosso) Destaquese, por fim, que o fato de o serviço compor o custo de aquisição dos bens utilizados como insumos não opera uma transformação da natureza dos serviços tributados em bens não tributados, impossibilitando o creditamento. “Integrar o custo de aquisição do bem adquirido” difere de “integrar o tratamento tributário do bem adquirido”. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação, referidos nas três contas intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif” (que, em que pese a denominação inadequada, foram explicadas pela recorrente como sendo referentes a “aquisição de serviços de transporte das compras de insumos” e “serviços utilizados como insumos desembaraço/desestiva”). Rosaldo Trevisan 3 Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001031/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 07/08/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os
padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. PROCEDÊNCIA.
Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua
caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração no período de apuração, de modo que o reconhecimento da improcedência parcial da obrigação tributária principal correspondente não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.686
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/08/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. PROCEDÊNCIA. Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração no período de apuração, de modo que o reconhecimento da improcedência parcial da obrigação tributária principal correspondente não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 15586.001031/2008-87
conteudo_id_s : 5223064
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.686
nome_arquivo_s : Decisao_15586001031200887.pdf
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 15586001031200887_5223064.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4576701
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575726022656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 130 1 129 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001031/200887 Recurso nº 001.686 Voluntário Acórdão nº 230201.686 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AIOA CFL 30 Recorrente CONCRESUL CONCRETO SUL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/08/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. Tendo sido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 objeto de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, urge serem observadas as disposições inscritas no art. 26A, §6º, II, “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA PRESTADA POR SERVIÇO MÉDICO OU ODONTOLÓGICO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, somente será excluído da base de incidência das contribuições previdenciárias, se e somente se a cobertura abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR ÚNICO E INDIVISÍVEL. PROCEDÊNCIA. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração no período de apuração, de modo que o reconhecimento da improcedência parcial da obrigação tributária principal correspondente não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura do AIOA: 07/08/2008. Data da Ciência do AIOA: 07/08/2008. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de incluir nas suas folhas de pagamento relativas às competências de 01/2004 a 12/2004 as remunerações pagas a segurados empregados a título de assistência médica e alimentação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/18 e anexos. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 131 3 serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), atualizado conforme art. 8º, V da Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 16. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 49/51. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão fls. 110/113, julgando procedente o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 30/12/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 116. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 118/126, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que, não sendo a alimentação fornecida in natura aos empregados hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, não há que se falar em obrigação de constar da folha de pagamento da empresa tais rubricas; Ao fim, requer a declaração de insubsistência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 30/12/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29/01/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA ABRANGÊNCIA DO CONCEITO LEGAL DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Alega o Recorrente que, não sendo a alimentação fornecida in natura aos empregados hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, não há que se falar em obrigação de constar da folha de pagamento da empresa tais rubricas. Cumpre, de plano, destacar que o presente processo referese a Auto de Infração lavrado em desfavor do Recorrente em razão de este não ter incluído nas suas folhas de pagamento relativas às competências de 01/2004 a 12/2004 as remunerações pagas a segurados empregados a título de assistência médica e alimentação, fornecidos em desacordo com a legislação previdenciária, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/18. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 132 5 adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 133 7 Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 134 9 resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Impende destacar que o Direito Legislado na Consolidação das Leis do Trabalho não ostenta concepção diversa das ilações ora produzidas, senão vejamos: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (grifos nossos) Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos adiante, no excerto de interesse: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528/97) (grifos nossos) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) 2.1.1. DO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 135 11 Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos suso selecionados que a adesão ao PAT constituise condição sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) De fato, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Com efeito, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. No caso em exame, a legislação que rege a isenção em foco exige que o fornecimento de cestas básicas, mesmo in natura, para ser alcançado pela hipótese de exclusão tributária sob comento, seja realizado nos estritos limites traçados pela legislação própria, o que de fato, conforme detalhadamente demonstrado, não ocorreu no cotidiano da empresa. Tal digressão revelouse necessária para demonstrar que a Autoridade Lançadora, no exercício do seu dever de ofício, procedeu ao lançamento em palco em atenção à natureza plenamente vinculada das atribuições atávicas ao seu cargo, e nos estritos ditames da lei. Ocorre, todavia, malgrado à expressa disposição legal, que a Corte Superior de Justiça pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida ao trabalhador não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: AgRg no Ag 1392454 Relator: Ministro Arnaldo Esteves Lima DJe 25/11/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no AREsp 5810 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 136 13 Relator Ministro Benedito Gonçalves DJe 10/06/2011 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. Em razão da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, reconhecendo que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da União haviam sido rechaçados pelo STJ, exarou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011,curvandose ao entendimento adotado pelo Tribunal Superior em tela. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Nesse contexto, considerandose que o aludido Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 foi objeto de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, há que se observar o disposto no art. 26A, parágrafo 6º, inciso II, alínea “a” do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não deve persistir, portanto, a obrigação tributária acessória de se registrar nas folhas de pagamento os valores despendidos pela empresa em favor de seus segurados empregados a título de alimentação fornecida in natura. 2.1.2. DA ASSISTÊNCIA MÉDICA Colhemos da norma tributária inscrita na alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que não integra o Salário de contribuição, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Registrese, por fundamental, que a exclusão de tais parcelas da base de incidência das contribuições previdenciárias não é incondicionada. Constituise condição sine qua non para a exclusão da base de incidência em tela que a cobertura do plano de assistência médica abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Dessai do item 3 do Relatório Fiscal a fls. 33/34 que o benefício em tela foi a oferecido a menos de 10% dos empregados da empresa, mais especificamente aos segurados abaixo elencados: • Honor Vieira Froes Junior Encarregado de Britadeira • Lucio Bastos de Assi Gerente Concretagem • Augustinho Gualandi Gerente Financeiro • Carlos Eduardo Colnago Vendedor Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.001031/200887 Acórdão n.º 230201.686 S2C3T2 Fl. 137 15 • Luciani Dutra Assistente Administrativa Diante das diretivas legais ora anunciadas, avulta, por decorrência lógica, que para a exclusão da assistência médica da base de cálculo das contribuições previdenciárias mostrase indispensável que a cobertura do benefício abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Louvouse tal condicionamento no objetivo governamental de fomentar a função social da empresa e garantir a isonomia entre dirigentes e empregados, privilegiando se dessarte aquelas que primarem pela não segregação entre as diversas estratificações na linha vertical de comando. A fruição do benefício em realce por parcela privilegiada dos segurados, em detrimento dos demais empregados da empresa, conduz à exclusão das verbas em estudo da hipótese de não incidência tributária prevista na alínea ‘q’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o que implica a sujeição dos valores pagos sob o rótulo de assistência médica ao conceito legal de salário de contribuição estatuído no inciso I do caput do mesmo dispositivo legal acima citado. Além disso, mostrase de extrema relevância trazer a colação que a obrigação principal correspondente aos fatos geradores abordados neste Auto de Infração foram objeto de lançamentos tributários levados a efeito mediante os Autos de Infração de obrigação Principal – AIOP nº 37.153.0903, 37.153.0911 e 37.153.0920. Compulsando, todavia, os autos dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes, contatamos que a empresa autuada não ofereceu, em nenhum dos casos, nem em sede de impugnação administrativa, tampouco na instância recursal, qualquer contestação em face do lançamento referente aos valores pagos sob o rótulo de assistência médica, circunstância que implica o reconhecimento, por parte do Recorrente, da procedência do lançamento correspondente à rubrica em realce, em atenção às disposições inscritas no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conjuguese, ainda, que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração é único e indivisível, isto é, independente do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a procedência de uma única infração apurada pela fiscalização. Nesse contexto, há que se considerar que o reconhecimento da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas auferidas pelos segurados empregados a título de alimentação in natura não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco, eis que se manteve hígida a obrigação da empresa de registrar em suas folhas de pagamento as importâncias auferidas pelos segurados listados no anexo IV, a fls. 41/43, sob o rótulo de assistência médica. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000203/2006-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2002
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. GLOSA FUNDAMENTADA APENAS NA APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DO ADA, PROTOCOLADO ANTES DE INICIADA A AÇÃO FISCAL.
A glosa das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada não pode se ancorar apenas na apresentação de ADA extemporâneo, notadamente quando este foi protocolado no lBAMA em período pretérito à ação fiscal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. GLOSA FUNDAMENTADA APENAS NA APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DO ADA, PROTOCOLADO ANTES DE INICIADA A AÇÃO FISCAL. A glosa das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada não pode se ancorar apenas na apresentação de ADA extemporâneo, notadamente quando este foi protocolado no lBAMA em período pretérito à ação fiscal. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 15563.000203/2006-00
conteudo_id_s : 5220301
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.271
nome_arquivo_s : Decisao_15563000203200600.pdf
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15563000203200600_5220301.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4573888
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575744897024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1527; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15563.000203/200600 Recurso nº 344.421 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.271 – 2ª Turma Sessão de 08 de agosto de 2012 Matéria Isenção de Áreas de Preservação Permanente e Utilização Limitada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESAS REUNIDAS AGRO INDUSTRIAL MICKAEL SA Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. GLOSA FUNDAMENTADA APENAS NA APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DO ADA, PROTOCOLADO ANTES DE INICIADA A AÇÃO FISCAL. A glosa das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada não pode se ancorar apenas na apresentação de ADA extemporâneo, notadamente quando este foi protocolado no lBAMA em período pretérito à ação fiscal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 17/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 16/04/2010, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara julgou o Recurso Voluntário 344.421, relativo à exigência de ITR do exercício de 2002, da Fazenda Taquari, no Município de Parati/RJ, exarando o Acórdão 210100.563, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA 0 CONTRIBUINTE COMPROVAR A EXISTÊNCIA DAS ÁREAS. GLOSA CALCADA APENAS NA APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) EXTEMPORÂNEO. ADA PROTOCOLIZADO NO IBAMA EM PERÍODO PRETÉRITO AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE DO DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO ISENTIVO. A glosa das áreas de utilização limitada e preservação permanente não pode se ancorar apenas na apresentação de ADA extemporâneo, notadamente quando este foi protocolizado no lbama em período pretérito à ação fiscal. Nessa situação, devese deferir o beneficio isentivo. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls.175 a 186, ao qual foi dado seguimento, conforme Despacho nº 21010368/2010, de fls. 188/189. O Recurso Especial está centrado na necessidade de apresentação tempestiva do ADA – Ato Declaratório Ambiental, ou do protocolo de requerimento deste junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, para o reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de Reserva Legal e Utilização Limitada. O apelo contém, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15563.000203/200600 Acórdão n.º 9202002.271 CSRFT2 Fl. 2 3 no presente caso, a protocolização do requerimento do ADA junto ao IBAMA ocorreu quando há muito transcorrido o prazo legal, conforme se verifica do carimbo de recepção do órgão, aposto no canto inferior direito do referido documento (fls 04); a toda vista, a fundamentação adotada pelo i. colegiado não encontra respaldo na legislação de regência porque não há como dissociar a exigência de protocolização do ADA do seu aspecto temporal, pois o prazo de seis meses para protocolização do referido requerimento, junto ao IBAMA ou órgão conveniado, foi estipulado através do ato normativo que criou a obrigação; desta forma, é preciso observar com maior rigor o disposto no art. 111 do CTN, no que diz respeito interpretação literal da lei tributária que estabelece isenção ou exclusão de tributação; em síntese, a solicitação tempestiva do ADA não se trata de mera formalidade, constituise um ônus para o contribuinte; assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre a referida área, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA ou, não adotada tal atitude, deveria oferecer a área de preservação permanente e de reserva legal tributação; sabese que a Lei nº 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da incidência do ITR no seu art. 10, inciso II; o primeiro ponto que se deve destacar é que o citado dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); assim, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do termino do prazo fixado para a entrega da declaração; a Instrução Normativa SRF nº 60, de 2001, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 73, de 2000, manteve, em seu art. 17, caput e incisos, o mesmo entendimento sobre o assunto ora discutido, conforme abaixo transcrito; logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR; a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2º e 3º, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 por outro lado, é inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001; o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, assim o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo; o "Manual de Perguntas e Respostas do ITR", editado no ano de 2002 — e, portanto, após a edição da Medida Provisória n 2 2.16667/2001 , disponível no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal na Internet, ratifica, em suas perguntas de nºs 66 e 67, o entendimento de que não houve qualquer alteração na legislação, no que tange existência de prazo para requerimento do ADA; o contribuinte poderá pagar a diferença de imposto, com os acréscimos relativos a mora (multa e juros), desde que o faça antes do inicio de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar a infração tributária (pagamento espontâneo); ou a Secretaria da Receita Federal (SRF) apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. assim, o prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA jamais deixou de existir, conforme o Decreto nº 4.382, de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência a data de sua edição em um único instrumento — inclusive a Medida Provisória nº 2.16667/2001; a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna nº 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto; a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 1981, art. 170, § 1 2, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000; de fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa nº 43, de 1997 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vistas a redução da incidência do ITR; nesse passo, convém assinalar alguns aspectos da exigência do ADA: primeiro, a obrigatoriedade da apresentação do ADA, registrese, não representa qualquer violação de direito ou do principio da legalidade; antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o beneficio tributário (art. 10 da Lei n2 9.393, de 1996), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada; com esse desiderato, foi prevista a apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos da IN SRF nº 43, de 1997, com a redação da IN SRF nº 67, de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15563.000203/200600 Acórdão n.º 9202002.271 CSRFT2 Fl. 3 5 1997, que determinam que o contribuinte, para se valer do beneficio, deve protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA"; ora, o exercício do direito do contribuinte está atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente; tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos; de posse da declaração (ADA), o IBAMA deverá, em momento oportuno, certificar a veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel; a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, alem de lhe ser claramente favorável; o que não se pode conceber é que o contribuinte queira se valer da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação. não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente; o direito ao beneficio legal deve estar documentalmente comprovado, e o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim; no caso concreto, o recorrente, desejando fazer jus à isenção do ITR relativo ao exercício de 2002, não comprovou protocolização tempestiva do requerimento de reconhecimento da área de utilização limitada pelo órgão competente, não atendendo, por essa razão, ás exigências da legislação para isenção do ITR, pelo que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização quanto as áreas em questão. Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como do despacho que lhe deu seguimento, em 23/12/2010, o contribuinte ofereceu, em 07/01/2011, tempestivamente, as contrarazões de fls. 194 a 201, aduzindo o seguinte: requer, preliminarmente, a teor do artigo 67, §10, do Regimento Interno do CARF, que o Recurso Especial aviado não seja sequer conhecido, uma vez que a tese aventada pela Fazenda Nacional já se encontra superada pela CSRF deste Egrégio Conselho; no mérito, inexistiu violação a qualquer dispositivo legal, já que o contribuinte apurou e efetuou corretamente o pagamento do imposto devido, sendo inaplicável à espécie qualquer tipo de lançamento de oficio; considerandose que a propriedade em tela possui área total de 10.300 hectares e que a mesma possui como área de preservação permanente a área de 9.145 hectares, bem como 825 hectares de área de utilização limitada, o contribuinte excluiu da base de cálculo do imposto toda essa área não tributável, chegando à real base de cálculo do imposto (330ha) e ao real valor do imposto devido e efetivamente recolhido tempestivamente; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 o contribuinte comprovou a existência da área de preservação permanente, nos termos da lei n° 4.771, de 1965, através da perícia agronômica realizada no imóvel, nos autos da Ação Ordinária n° 0006091490, em trâmite perante a 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (Documentação anexa); requereu ainda fosse realizada nova perícia nos autos do processo administrativo tributário, o que foi indeferido pela autoridade administrativa, o que cerceou o direito de defesa do contribuinte; conforme entendimento já pacificado por esta egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, a prova da existência da área de reserva legal pode ser realizada por quaisquer documentos, sendo plenamente válido o laudo da perícia agronômica acostada aos autos; ainda segundo entendimento da CSRF, a averbação da área de reserva legal a margem da inscrição do imóvel tem finalidade distinta da tributária, servindo apenas para resguardar a segurança ambiental. desta forma, correta a exclusão levada a efeito pelo contribuinte, da área de reserva legal e de preservação permanente, sendo improcedente o auto de infração, consoante muito bem decidiu o acórdão recorrido, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF; notese que, calculandose corretamente o imposto, da forma como foi feita pelo contribuinte, jamais se chegaria ao grau de utilização (relação percentual entre a área efetivamente utilizada da propriedade e a área aproveitável) encontrado pela fiscalização e, conseqüentemente, não teria como aplicável a alíquota de 20% como, equivocadamente, pretende a Fazenda Nacional; ademais, insta ressaltar que a empresa jamais poderia ser considerada como latifúndio por exploração, com a aplicação de alíquotas punitivas de 20% sobre a área de imóvel rural, com enorme agravamento da tributação, posto que teve quase a totalidade de sua área desapropriada pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina, consoante demonstra o Ato Expropriatório anexado aos autos, não incidindo, nesta área, o ITR; por todo o exposto, requer o contribuinte que não seja conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acolhimento da preliminar apontada, e que caso o seja, no mérito sejalhe negado provimento, mantendo irretorquível o entendimento consignado no v. acórdão quo. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15563.000203/200600 Acórdão n.º 9202002.271 CSRFT2 Fl. 4 7 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O contribuinte, em sede de contrarazões, suscita em preliminar o não conhecimento do apelo, entendendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional se refere a tese já superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entretanto, a questão da apresentação tempestiva do ADA, como condição para fruição da isenção das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, no que tange aos exercícios posteriores a 2001, ainda não se pode dizer que esteja pacificada, suscitando ainda muitas discussões, de sorte que seria prematuro vedar o acesso do tema a essa via recursal. Assim, preliminarmente, entende esta Relatora que o Recurso Especial da Fazenda Nacional atendeu aos pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A questão submetida a esse Colegiado, no presente Recurso Especial, diz respeito unicamente à exigibilidade de apresentação tempestiva do ADA – Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, para exclusão das áreas de Preservação Permanente (318 hectares) e de Utilização Limitada (975,4 hectares), da base de cálculo do ITR, no exercício de 2002, relativamente à Fazenda Taquari, no Município de Parati/RJ. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à exclusão, da base de cálculo do ITR, das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, está garantido na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10. Por outro lado, constatase que, até o exercício de 2000, não havia fundamento legal para a exigência do ADA Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico de constituir áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, com vistas à redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, o art. 170, da Lei n° 6.938, de 1981, com a dada pela Lei nº. 9.960, de 2000, estabeleceu que os proprietários rurais, que se beneficiassem com redução do ITR com base em ADA, deveriam recolher ao IBAMA dez por cento do valor dessa redução, a titulo de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria. Assim, por inexistir fundamento legal para considerarse a apresentação do ADA como requisito para a fruição da redução da base de cálculo do ITR, foi aprovada a Súmula CARF nº 41, com a seguinte redação: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos ate' o exercício de 2000." Com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 170, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, portanto somente a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal. Entretanto, dito dispositivo legal não fixou prazo para o Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 cumprimento de tal formalidade, o que veio a ser feito somente com a edição do Decreto n° 4.382, de 2002 (art. 10, §3°, I), e por meio de Instruções Normativas da Receita Federal. Assim, observase que o direito à redução do ITR, no que tange às áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, foi previsto em lei, portanto somente a lei poderia fixar condições para o usufruto desse direito, ou seja, somente a lei poderia estabelecer prazo para apresentação do ADA, como prérequisito para o aproveitamento da redução do ITR. Ademais, o ADA – Ato Declaratório Ambiental, ainda que apresentado tempestivamente, como a própria denominação está a evidenciar, tem efeito apenas declaratório, portanto não tem o condão de constituir o direito, representado pela existência efetiva das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, no imóvel objeto da autuação. Com estas considerações, verificase que o usufruto da redução do ITR pode ser exercido, mediante a demonstração da efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, por diversos meios de prova idôneos, independentemente da apresentação tempestiva do ADA. No presente caso, não houve controvérsia sobre a materialidade das áreas glosadas, já que, como bem observa o Ilustre Relator do acórdão recorrido, a autoridade fiscal sequer intimou o contribuinte a comprovar a sua existência. Assim, em princípio, acatase a argumentação do contribuinte de que as áreas de fato existem. A glosa das citadas áreas foi fundamentada apenas na apresentação intempestiva do ADA. Entretanto, o contribuinte protocolou o ADA no IBAMA em 20/12/2004 (fl. 47), portanto muito antes do início do procedimento fiscal, cujo lançamento somente foi constituído em 07/11/2006 (fls. 16). Esse já é motivo suficiente para que sejam acatadas as áreas declaradas, já que as leis que regem a matéria não estabelecem prazo peremptório para apresentação do ADA. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, NEGO provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004488/2008-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.104
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10950.004488/2008-24
conteudo_id_s : 6418744
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2801-000.104
nome_arquivo_s : 280100104_10950004488200824_201203.pdf
nome_relator_s : WALTER REINALDO FALCAO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10950004488200824_6418744.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4576233
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575773208576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 34 1 33 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004488/200824 Recurso nº 885.991 Resolução nº 2801000.104 – 1ª Turma Especial Data 13 de março de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CARLOS ALBERTO RIGONATO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 02/03, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 15.694,89, decorrente da compensação indevida de IRRF da fonte pagadora Banco do Brasil, conforme descrição dos fatos de fls. 03: “Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria Fl. 37DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10950.004488/200824 Resolução n.º 2801000.104 S2TE01 Fl. 35 2 da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 4.160,91 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Foi apurado o valor de R$ 61.920,55 a título de imposto de renda retido fonte, já excluído o imposto de renda retido exclusivamente na fonte sobre o 13o salário no valor de R$ 4.160,91, conforme cálculos anexos ao dossiê e de acordo com os documentos do processo judicial.” No Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido da respectiva notificação de lançamento consta a seguinte observação: “Foi apurado o valor de R$ 261.745,13 de rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste anual, recebidos em ação trabalhista contra o Banco do Brasil S/A, já descontados os honorários advocatícios proporcionais e excluídos os rendimentos isentos e os tributáveis exclusivamente na fonte, conforme cálculos anexos ao dossiê e de acordo com os documentos do processo judicial.” IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01, juntamente com os documentos de fls. 05/07, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 25), que: “Para comprovar o valor declarado de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF acosta o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte do anocalendário 2003 emitido pelo Banco do Brasil e cópia do DARF de recolhimento do IRRF no valor de R$ 66.081,46.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/CuritibaPR julgou a impugnação improcedente (fls. 25/26) por entender que, do montante de R$ 66.081,46, recolhido a título de IRRF por meio do DARF acostado às fls. 07, R$ 4.160,91 referese ao IRRF relativo ao décimo terceiro salário, de tributação exclusiva e não sujeito ao ajuste em Declaração de Ajuste de Imposto de Renda DIRPF. Concluiu dessa forma, pela análise dos autos, em especial a descrição dos fatos de fls. 03, destacando que o próprio contribuinte não contesta a informação da autoridade lançadora de que existe parcela referente ao décimo terceiro salário no bojo das verbas tributáveis recebidas na ação trabalhista. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado do acórdão de primeira instância em 17/08/10 (fls. 29), o interessado apresentou, em 08/09/10, o Recurso de fls. 30/31, juntamente com o documento de fls. 32, alegando, em suma, que: a) a ação judicial que resultou no recebimento da reclamatória trabalhista contemplava somente a reclamação de duas horas extras diárias, não Fl. 38DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10950.004488/200824 Resolução n.º 2801000.104 S2TE01 Fl. 36 3 cabendo a cobrança de outros direitos, tais como férias, licenças prêmios e horas extras. Por conseguinte os valores recebidos não foram distribuídos proporcionalmente; b) no comprovante de rendimentos fornecido pelo Banco do Brasil todos os rendimentos foram informados como tributáveis, não havendo quantias lançadas como sujeitas à tributação exclusiva, “porque são de fato e de direito rendimento tributável, como entenderam os julgadores da ação”; c) que a reclamatória trabalhista em questão referese aos anos de 1991 a 1995, “com o devido recebimento dos valores reclamados somente acontecendo em 2003, o que configura que a maior parte do valor recebido tratase de juros e não de renda e que já existe jurisprudência de que juros não configuram rendimentos, caso houvesse efetivado esta declaração, teria imposto restituído muito mais do que efetivamente restituiu”. Requer que não lhe seja suprimido o direito de outras faculdades, tais como a cobrança amigável e também a cessação de contagem de tempo para cobrança. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A questão se resume em saber se, do total de IRRF recolhido por meio do DARF de fls. 07, está incluído IRRF incidente sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, especificamente o décimo terceiro salário, como relatado na descrição dos fatos de fls. 03, posto que o imposto incidente sobre tais rendimentos não pode ser compensado na declaração de ajuste anual, por serem tributados separadamente dos demais rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Compulsando os autos, não encontrei quaisquer documentos que comprovem que a quantia considerada como compensação indevida de IRRF pela autoridade lançadora diz respeito a imposto incidente sobre décimo terceiro salário. Todavia, no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de fls. 03 consta a informação de “Foi apurado o valor de R$ 261.745,13 de rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste anual, recebidos em ação trabalhista contra o Banco do Brasil S/A, já descontados os honorários advocatícios proporcionais e excluídos os rendimentos isentos e os tributáveis exclusivamente na fonte, conforme cálculos anexos ao dossiê e de acordo com os documentos do processo judicial”. Por conseguinte pode ser que existam documentos integrantes do dossiê desta ação fiscal que não foram anexados a estes autos e que comprovem o fato que motivou o lançamento em questão. Diante do exposto acima voto por converter o julgamento em diligência para que estes autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR para que seja anexada cópia completa do dossiê relativo a esta ação fiscal. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10950.004488/200824 Resolução n.º 2801000.104 S2TE01 Fl. 37 4 Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 40DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003729/99-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995 PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. DILIGÊNCIA. RECÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Constatando-se que o excesso de pagamentos em determinados períodos se imputado ao débito verificado em período posterior, é suficiente para liquidá- lo, cancela-se o lançamento de ofício. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995 PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. DILIGÊNCIA. RECÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Constatando-se que o excesso de pagamentos em determinados períodos se imputado ao débito verificado em período posterior, é suficiente para liquidá- lo, cancela-se o lançamento de ofício. Recurso voluntário provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10855.003729/99-53
conteudo_id_s : 5221216
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.568
nome_arquivo_s : Decisao_108550037299953.pdf
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 108550037299953_5221216.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4575939
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575804665856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003729/9953 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.568 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria PIS Recorrente DEVELIS MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995 PIS. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no art. 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. DILIGÊNCIA. RECÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Constatandose que o excesso de pagamentos em determinados períodos se imputado ao débito verificado em período posterior, é suficiente para liquidá lo, cancelase o lançamento de ofício. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 02/12/1999 para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição verificada em relação aos fatos geradores de janeiro a maio de 1995, agosto de 1995 e setembro de 1995. A 4ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, por meio do Acórdão nº 3.610, de 17/04/2003, julgou parcialmente procedente o lançamento. A referida decisão afastou as preliminares de nulidade e, no mérito, julgou incabível o lançamento da diferença de alíquota de 0,1% em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, em relação aos períodos em que o contribuinte extinguiu o crédito tributário em obediência à norma inconstitucional. Foram mantidas apenas as exigências em relação aos meses de fevereiro e setembro de 1995, com base na Lei Complementar nº 7/70, sem o critério da semestralidade, em face da ausência de recolhimentos naqueles períodos. Sobre tais débitos foram mantidos os consectários do lançamento de ofício. Regularmente notificado daquele Acórdão em 12/05/2003, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 90/109, em 29/05/2003. Alegou, em síntese o seguinte: 1) que os débitos não podem ser inscritos em dívida ativa antes do final do processo administrativo; 2) que não deve nada a título de PIS, pois efetuou compensações com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91 do indébito decorrente da inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449/88 com parcelas vincendas da própria contribuição, conforme reconheceu a decisão de primeira instância relativamente aos meses de janeiro, março, abril, maio e agosto; 3) a decisão de primeira instância equivocouse ao afirmar que não foi efetuado pagamento no mês de fevereiro, pois a certidão da dívida ativa anexa ao recurso foi extraída no dia 11/02/2005 e não consta nenhuma pendência no mês de fevereiro de 1995; 4) a decisão de primeira instância também não excluiu o fato gerador de setembro em que se alega uma diferença de R$ 1,81. Entretanto esse valor não poderia se transformar na exorbitância de R$ 1.915,29. Sobre a diferença de R$ 1,81 não pode ser cobrada multa, pois o pagamento ocorreu em quase sua totalidade; 5) o auto de infração não poderia ter sido lavrado porque existe um processo de compensação ainda em andamento; 6) o lançamento é inconstitucional por violar o art. 5º , LIV e LV da CF/88 e os princípios da capacidade contributiva, do não confisco, da moralidade pública e enriquecimento ilícito do Estado; 7) impossibilidade de lançamento da multa por ser confiscatória e em razão da denúncia espontânea, em face dos débitos terem sido declarados; 8) impossibilidade da cobrança dos juros de mora a taxas superiores a 1% ao mês; 9) a base de cálculo estabelecida na LC nº 7/70 é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador sem correção monetária; Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10855.003729/9953 Acórdão n.º 3403001.568 S3C4T3 Fl. 2 3 Por meio da Resolução 20200.824 o julgamento foi convertido em diligência para que a apuração das diferenças fosse feita com base na Lei Complementar nº 7/70, observandose o critério da semestralidade da base de cálculo. Os autos retornaram com os novos cálculos de fl. 145 e com a informação fiscal de fl. 146. O contribuinte, após tomar ciência dos novos cálculos, apresentou a manifestação de fls. 161/162, alegando que pela diligência efetuada a Receita Federal reconheceu a compensação do crédito tributário e nesse sentido o auto de infração é nulo de pleno direito porque os valores exigidos estão extintos. Na planilha de fl. 145 existe excesso de recolhimento no valor de R$ 564,62 e insuficiência de recolhimento de R$ 356,53, no entanto não estão presentes os índices utilizados na atualização de valores. O cruzamento de valores da planilha de fl. 145 demonstra que existe crédito a favor da recorrente. Os cálculos foram feitos unilateralmente pelo fisco, já que não houve intimação do contribuinte para apresentar documentos a fim de apurar a base de cálculo correta do PIS. O documento de fl. 143 não apresenta a base de cálculo dos períodos de setembro e outubro de 1995, sendo controversa a base de cálculo apresentada na planilha dos períodos de apuração. Requereu a revisão do cálculo executado com o envio da planilha com todos os índices aplicados, base de cálculo utilizada, a fim de possibilitar a manifestação e a defesa do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos, a decisão de primeira instância julgou que não é cabível a exigência da diferença de alíquota do PIS entre os DL nº 2.445/88 e 2.449/88 e a LC nº 7/70 dos contribuintes que cumpriram regularmente suas obrigações tributárias com base na norma declarada inconstitucional. Tendo em vista que o contribuinte extinguiu regularmente suas obrigações para com o fisco nos meses de janeiro, março, abril, maio e agosto de 1995, a exigência de qualquer diferença de alíquota em relação a esses meses foi cancelada pela decisão de primeira instância e tornouse definitiva, nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, não houve pagamento no mês de fevereiro e no pagamento efetuado em setembro foi constatada a falta de R$ 1,81 em relação ao que seria devido com base nos Decretosleis inconstitucionais. A prova cabal de que não houve pagamento em fevereiro de 1995 pode ser encontrada no DARF anexado pela recorrente junto com o recurso (fl. 119) onde se pode ver que a autenticação bancária ocorreu somente em 11/07/2003, ou seja, após a lavratura do auto de infração. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Assim, foi mantido o lançamento da diferença de alíquota com base na LC nº 7/70, sem a semestralidade, em relação a fevereiro e setembro de 1995 nos montantes de R$ 506,49 e R$ 63,93, respectivamente (fls. 05/06). Com a diligência efetuada foi observado o critério da semestralidade da base de cálculo, agora objeto da Súmula CARF nº 15. O auto de infração foi recalculado levando em conta o faturamento do sexto mês anterior sem correção monetária, chegando a fiscalização aos valores registrados na planilha de fl. 145. A análise dessa planilha revela que existem débitos de R$ 18,21 em janeiro; R$ 50,45 em maio; R$ 75,30 em agosto e R$ 212,57 em setembro. Esses débitos não poderão ser cobrados da recorrente porque a decisão de primeira instância tornouse definitiva na parte em que excluiu a cobrança das diferenças de alíquota nos meses em que o contribuinte adimpliu suas obrigações de acordo com o que dispunha a norma declarada inconstitucional. Portanto, a dívida exigida nestes autos se resume ao débito do mês de setembro de 1995, no valor de R$ 212,57. Ocorre que nos meses de março, abril e maio, apurouse que o contribuinte pagou a mais a quantia de R$ 564,62. Isso sem falar no DARF de fl. 119 onde foram pagos mais R$ 1.204,70, em atraso e sem nenhuma necessidade, relativo ao suposto débito de fevereiro de 1995. Este pagamento de R$ 1.204,70 foi feito sem nenhuma necessidade porque em fevereiro de 1995 a planilha de fl. 145 apurou que o contribuinte já tinha pago a mais R$ 251,42. Somente o excesso de pagamento verificado no mês de março de 1995 (R$ 238,31), já é suficiente para liquidar o débito do mês de setembro de 1995 (R$ 212,57). É evidente que o excesso de pagamentos apurado nos meses de março, abril e maio quando imputado ao débito remanescente de setembro acabará por liquidálo. Embora sejam raras as ocasiões onde a fiscalização, ao elaborar o auto de infração, imputa o excesso de pagamentos de períodos anteriores para abater a falta de pagamentos em períodos subsequentes, considero que no caso concreto não há mais nada que se possa exigir do contribuinte, sob pena de violação de um ou mais princípios previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99. Considerando que a análise da planilha de fl. 145 revela que o contribuinte nada deve ao fisco a título de PIS, com base na LC nº 7/70, concluise que perderam objeto as demais alegações formuladas no recurso e na manifestação sobre a diligência, uma vez que a adoção da semestralidade invocada no recurso, foi mais do que suficiente para determinar o cancelamento do débito remanescente de setembro de 1995. À luz dos fatos apurados em diligência e tendo em vista que a decisão de primeira instância já cancelou o crédito tributário relativo aos meses janeiro, março, abril, maio e agosto de 1995, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência relativa ao mês de setembro de 1995. Antonio Carlos Atulim Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10855.003729/9953 Acórdão n.º 3403001.568 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000992/2006-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 PASSIVO FICTÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelada a exigência se a fiscalização não logrou comprovar a manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou não comprovadas.
Numero da decisão: 1803-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 PASSIVO FICTÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelada a exigência se a fiscalização não logrou comprovar a manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou não comprovadas.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.000992/2006-05
conteudo_id_s : 5227540
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.364
nome_arquivo_s : Decisao_19515000992200605.pdf
nome_relator_s : SELENE FERREIRA DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 19515000992200605_5227540.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4578308
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575828783104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000992/200605 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.364 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de junho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente NEOGAMA BBH PUBLICIDADE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PASSIVO FICTÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelada a exigência se a fiscalização não logrou comprovar a manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou não comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos ao ano calendário de 2001. O procedimento de fiscalização consistiu na análise da documentação relativa à conta Fornecedores, cujo valor registrado no balanço encerrado em 31/12/2001 correspondeu a R$ 7.490.904,22. A fiscalização apontou os seguintes fatos: • Parte da composição da conta foi comprovada apenas por meio de apresentação de "Notas de Crédito", documentos de emissão interna, emitidos em função da não execução dos serviços contratados (Relação de notas às fls. 42/43). • Parte dos valores informados na conta "Fornecedores", em 31/12/2001, já havia sido quitada anteriormente a esta data (Relação de notas às fls. 44). • Não foram apresentados todos documentos relativos à composição da conta (Relação de notas não apresentadas – fls. 45). Em 20/02/2006, foi lavrado Termo de Constatação Fiscal, solicitando a apresentação de documentação hábil a esclarecer os fatos apontados. Por bem descrever os fatos, reproduzo o relato do órgão julgador de primeira instância acerca dos esclarecimentos prestados e da análise da fiscalização: “Em resposta a esse termo, foi apresentado um conjunto de documentos, juntamente com argumentações a seguir resumidas: 1) Parte da composição da conta foi comprovada apenas por meio de apresentação de "Notas de Crédito", documentos de emissão interna, emitidos em função da não execução dos serviços contratados. Valor Total de R$ 352.796,59. O Contribuinte alega que tais valores referemse à contratação de divulgação de material publicitário junto aos veículos de mídia (de acordo com esclarecimentos do contribuinte, o cliente contrata a agência para administrar toda a mídia. A agência é quem contrata o veículo de mídia, mandando uma grade de programação. Quando não são veiculadas todas as inserções requeridas, o veículo de mídia emite notas de crédito). Análise da Fiscalização: As notas de crédito apresentadas são de emissão do próprio contribuinte. Não houve comprovação da contratação da operação. Além do mais, se não houve a realização do serviço, não deveria haver a indicação em 31/12/2001, de valores a pagar de Fornecedores. Em 07/04/2006, foi dada nova oportunidade para que o Contribuinte apresentasse novos documentos ou comprovasse a Fl. 608DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 3 3 tributação desses valores em períodos posteriores. No entanto, não foram apresentados novos elementos. O Contribuinte alegou que efetuou diversos encontros de contas em exercícios posteriores para sanar esta irregularidade, mas, segundo a fiscalização, tais manobras não estão previstas nem nas regras contábeis, nem na legislação tributária. 2) Parte dos valores informados na conta "Fornecedores", em 31/12/2001, já havia sido quitada anteriormente a esta data. Valor Total de R$ 86.932,28. O Contribuinte alega que tais valores referemse a valores pagos adiantadamente aos veículos de mídia, para posteriormente serem cobrados dos clientes. Em alguns casos, os clientes negaramse a efetuar o pagamento, em outros, o serviço não foi realizado. Análise da Fiscalização: uma vez que os valores foram pagos a título de adiantamento, de acordo com as regras contábeis e a legislação tributária, os mesmos não deveriam constar do rol de valores, a pagar a título de Fornecedores em 31/12/200 1. Em 07/04/2006, foi dada nova oportunidade para que o Contribuinte apresentasse novos documentos ou comprovasse a tributação desses valores em períodos posteriores. No entanto, não foram apresentados novos elementos. 3) Não foram apresentados todos documentos relativos à composição da conta. Valor Total de R$ 774.776,72. Em primeiro lugar, o Contribuinte alega que os seis últimos itens da listagem de valores, constante do Termo de Constatação Fiscal, foram relacionados em duplicidade.Verificada a listagem, foi constatado que o Contribuinte tem razão em relação a esta alegação.Tais valores foram excluídos, resultando em um valor total de R$ 620.873,99. Em síntese, o Contribuinte alega que estes valores decorrem de lançamentos contábeis equivocados, que tiveram origem em 30/12/00, não correspondendo a valores a pagar a título de Fornecedores no anocalendário de 2001. Com o intuito de sanar os equívocos, foram feitos encontros de contas em exercícios posteriores. Análise da Fiscalização: os encontros de contas realizados não constam de regras contábeis, nem da legislação tributária. Uma vez que os valores aqui descritos não correspondem a valores a pagar a título de Fornecedores, não deveriam ter sido contabilizados dessa maneira em 31/12/2001. Em 07/04/2006, foi dada nova oportunidade para que o Contribuinte apresentasse novos documentos ou comprovasse a tributação desses valores em períodos posteriores. No entanto, não foram apresentados novos elementos. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 4 4 O Contribuinte alegou que efetuou diversos encontros de contas em exercícios posteriores para sanar esta irregularidade, mas tais manobras não estão previstas nem nas regras contábeis, nem na legislação tributária. A composição dos três itens acima descritos consta de anexo a este termo, totalizando o montante de R$ 1.060.602,86. Uma vez que não foi comprovada a necessidade de inclusão desse valor, na conta "Fornecedores", em 31/12/2001, tal montante será utilizado como base de cálculo de lançamento de oficio. Da Impugnação. Tendo sido dele cientificado, em 17/05/2006, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 16/06/2006, mediante o instrumento de fls. 314/333. Adiante compendiamse suas razões. I. OBJETO DA AUTUAÇÃO E ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA IMPUGNANTE. Inicialmente, a Impugnante ressalta a tempestividade da sua defesa e faz um resumo dos fatos. Antes de mais nada, a Impugnante destaca que é uma agência de publicidade que foi constituída em 1999 e, nos anos seguintes, suas atividades expandiramse de forma exponencial. Foi por isso que os saldos registrados na conta "Fornecedores", em 2000 e 2001, nos valores de R$ 6.461.849,25 e R$ 7.490.904,22, respectivamente, foram muito superiores àquele lançado a crédito na mesma conta ao final do ano de 1999. O saldo elevado lançado na conta "Fornecedores" resultou de uma única razão: o aumento do número de clientes e, por conseguinte, da necessidade de veiculação do material produzido nos meios publicitários mais diversos (jornais, revistas, televisão, etc.). Com efeito, é da essência das agências de publicidade a produção de material de propaganda, seguida de intermediação e auxílio do cliente n sua divulgação, como se depreende do art. 6% do Regulamento anexo ao Decreto n° 57.690, de 1966. Portanto, além das funções de criação, as agências de propaganda têm por atividade a distribuição da propaganda aos veículos de divulgação, i.e., o auxílio ao cliente na difusão do material produzido. Nessa atividade, a agência de propaganda recebe comissão do veículo de divulgação (a qual deve ser escriturada como receita tributável) e, sob a perspectiva do cliente, há mera intermediação da contratação de espaço na mídia. É por isso que esse tipo de operação é refletido na contabilidade da Impugnante como um ativo (perante o cliente) e um passivo (perante o veículo de divulgação). A Impugnante dá um exemplo de lançamento contábil padrão: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 5 5 "Contas a Receber/Clientes": R$ 100,00 a "Provisão Pagto Mídia": R$ 100,00. "Contas a Receber/Clientes": R$ 10,00 a "Receita Comissão Mídia": R$ 10 00 Justamente por atuar como mera intermediária é que a Impugnante registra todo o valor devido POR SEU CLIENTE ao veículo de divulgação conta de "Fornecedores"; a contrapartida de tal lançamento contábil está em conta de ativo, sob a rubrica "Clientes", e não pode ser considerada passivo fictício, na forma do art. 281, III, do RIR/ 1999. Apenas transitam como resultado efetivo da Impugnante os rendimentos de comissão pagos pelos veículos, como demonstrado na segunda etapa do exemplo de lançamento contábil acima. Esse entendimento está consentâneo com as normas em vigor aplicáveis às agências de publicidade (citase o art. 53, da Lei n° 7.450, de 1985, e o art. 13, da Lei n° 10.925, de 2004). Toda a presente autuação fiscal decorre, na verdade, de uma ausência de compreensão pelo Fisco da sistemática de intermediação acima exposta e dos aspectos jurídicos a ela inerentes. Não se reconhece que o lançamento simultâneo em contas de ativos e passivos deve ser a regra nos casos em que a agência de publicidade atua como intermediária e que isso não apresenta qualquer irregularidade. Sempre com fundamento em tal "encontro de contas" irregular, constam do TVF acusações contra Impugnante. Nenhum dos itens (1 a 3), contudo, contempla hipóteses de passivo fictício, tal como prescrito no art. 281, III, do RIR/1999, mas decorrem da incompreensão das atividades das agências de publicidade e das provisões que devem ser lançadas, na conta "Fornecedores, sempre que há alguma obrigação da Impugnante, seja perante os clientes, seja perante os veículos de divulgação da propaganda por ela produzida. II —NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA LAVRADOS. Explica que o dispositivo legal relativo ao passivo fictício foi incluído no ordenamento jurídico brasileiro para um único fim: evitar que obrigações quitadas pelos contribuintes permanecessem em seu passivo. O passivo fictício, desse modo, advém da existência de obrigações liquidadas mas não baixadas na contabilidade por falta de saldo contábil suficiente na conta "Caixa". Isso significar que o dinheiro existiu fisicamente para pagar as contas, mas se os pagamento fossem contabilizados a conta "Caixa" ficaria com saldo credor. No caso específico da Impugnante, não se discute se o saldo credor contábil foi lançado no passivo apenas para encobrir Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 6 6 déficits na conta "Caixa", advindos de receitas tributáveis não declaradas. Não há indícios de omissão de rendimentos. O que se argumenta é que haveria passivos que não correspondem a dívidas efetivas da Impugnante. O que o Fisco não percebeu foi que, se grande parte dos passivos registrados na contabilidade da Impugnante aludiam a obrigações perante veículos de divulgação de mídia contratados em nome dos clientes, esses mesmos valores estavam lançados numa conta do ativo denominada "clientes". Há, assim, ativos e passivos em semelhante e que se compensam. Ademais, a existência de um débito em conta de ativo indica que não foi lançado um débito em despesa. Não há trânsito por conta de resultado, na medida em que a Impugnante somente reflete na contabilidade a sua atividade intermediária junto aos veículos em favor dos seus clientes. Essas atividades de intermediação, que imprescindem de um lançamento em ativo e passivo de idêntico valor, foram analisadas na esfera da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Nos itens 1 e 2 da autuação fiscal, há lançamento simultâneo de valores no ativo e passivo da Impugnante, sendo a autuação totalmente improcedente. No item 3, o saldo lançado no passivo decorreu de equívoco da Impugnante durante o levantamento do Balanço Patrimonial de 31/12/2000 e, portanto, também não corresponde a uma omissão de receitas. II.i. Item 1 da autuação fiscal. O item exige da Impugnante os tributos federais sobre receitas supostamente omitidas da ordem de R$ 352.796,59. As alegações do Fisco demonstram um total desconhecimento sobre as formas de contabilização da mera intermediação de recursos financeiros. Essa constatação pode ser comprovada principalmente pela firmação de que se o serviço não foi realizado, não deveria haver qualquer indicação de passivo na conta "Fornecedores" . Explica que os seus clientes aprovam um Pedido de Inserção, no qual constam as condições para a veiculação da propaganda junto ao veículo de mídia (prazo, dia e valor, v.g.). A partir de tal Pedido de Inserção a Impugnante efetua os lançamentos a crédito da conta "Fornecedores" e a débito na conta "Clientes", tal como já explicitado. Até o quinto dia útil do mês subseqüente à divulgação, o veículo emite uma fatura, em nome do cliente, mas a entrega à Impugnante, que atua como intermediária na contratação e é a responsável pela quitação da fatura e posterior cobrança do mesmo valor de seu cliente. Essa é a sistemática do art. 6% do Regulamento anexo ao Decreto n° 57.690, de 1966. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 7 7 Se a veiculação está de acordo com o Pedido de Inserção, os seus valores serão idênticos e o saldo credor da conta "Fornecedores" será baixado. A cobrança enviada deverá ser quitada pelo cliente e a operação será finalizada com sucesso. Se, por outro lado, a veiculação se dá com falhas, o veículo emitirá uma fatura em valor inferior ao do Pedido de Inserção; como a cobrança do reembolso foi emitida pela Impugnante no mês anterior e enviada ao cliente, esse último passa a deter um crédito, o qual é representado por uma "Nota de Crédito", documento que foi desconsiderado pela Fiscalização. A Nota de Crédito emitida pela Impugnante e entregue ao cliente é o documento por meio do qual ela reconhece que detém uma "dívida" perante o cliente. Tal passivo pode ser compensado com "Contas a Receber", anteriormente lançado no ativo ou, ainda, ser mantido no passivo, de forma a comprovar a necessidade de futura reinserção da publicidade no veículo de mídia. Tratase de um efetivo passivo, com um ativo correspondente e idêntico. É, PORTANTO, EFETUADO UM SEGUNDO LANÇAMENTO, NO ATIVO E NO PASSIVO, REPRESENTATIVO DE UMA DÍVIDA PERANTE O CLIENTE, E NÃO PERANTE O VEÍCULO. O encontro de contas não ocorre simultaneamente, mas num momento subseqüente: daí a razão pela qual no Balanço Patrimonial de 31/12/2001, ainda constavam Notas de Crédito em aberto da ordem de R$ 352.796,59. Tais créditos contábeis foram baixados ao longo do anocalendário de 2002, como se pode depreender de planilha e demais documentos acostados como Anexo 02 à presente. A Nota de Crédito, a despeito de se tratar de documento emitido pela Impugnante, ele não é um documento interno, pois entregue aos clientes, e reflete uma obrigação efetiva da primeira perante esses últimos, na forma da fatura emitida pelo veículo de divulgação. II.ii. Item 2 da autuação fiscal. No item 2 da autuação, questionase um outro procedimento bastante comum no ramo das agências de publicidade: a aquisição, adiantada, de reserva de espaço ou pacotes de veiculações. Isso acontece em situações peculiares (Natal, copas do mundo, intervalos de jogos, etc.). Nesses casos, a Impugnante desembolsa recursos para pagamentos dos veículos de divulgação, lançando esses direitos no seu ativo. Em seguida, negocia esses direitos com os seus clientes e, quando isso, ocorre, lança simultaneamente um ativo e um passivo. É esse segundo passivo, que apenas é baixado contra o ativo "originalmente" lançado após a emissão da fatura pelo veículo (i.e., após à exibição), que é objeto de questionamento e que acarretou a presunção de passivo fictício de R$ 86.932,28. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 8 8 Pelo adiantamento ao veículo de divulgação, a Impugnante faz um lançamento contábil a DÉBITO de "Direitos de Exibição' e CRÉDITO de "Caixa"; e pela transferência desses direitos, lança DÉBITO de "Contas a Receber" e CRÉDITO de "Fornecedores ou Direitos de Exibição a Transferir". Notese que, novamente, a questão se resume à manutenção de um ativo e um passivo simultâneos. Claro que, sob a perspectiva do veículo, a Impugnante tem um ativo. Mas sob a perspectiva do cliente, e do saldo lançado em contas a receber, há um passivo. O importante a partir dos lançamentos contábeis supra é frisar que, apesar de se tratar de hipótese de "adiantamento”, há o registro de um crédito na conta "Fornecedores"; esse registro é legítimo, compatível com um ativo de idêntico valor e não representa, obviamente, um passivo fictício. II.iii. Item 3 da autuação fiscal. Nesse item, acusase a Impugnante de não ter comprovado um passivo da ordem de R$ 620.873,99, lançado na contabilidade desde 31/12/2000. Na verdade, a Impugnante deixou de comprovar a existência do efetivo passivo mas justificou tal lançamento contábil: ele foi decorrência de um equívoco perpetrado no ano anterior e corrigido a partir de 2003. Tratou se, portanto, de um ERRO CONTÁBIL e não de uma fraude para omitir receitas tributáveis com lançamento a crédito de passivo. O que ocorreu na espécie, foi o seguinte: antes do fechamento do Balanço Patrimonial de 31/12/2000, foi feita uma comparação entre os registros da conta "Fornecedores" e o relatório gerencial de fluxos de caixa. Naquela ocasião, percebeuse que o relatório gerencial apresentava uma dívida maior que a refletida na contabilidade e, tendo em vista o princípio contábil do Conservadorismo, foi efetuada uma provisão da diferença no passivo. A contrapartida desse lançamento credor foi um débito em conta de despesas indedutíveis. Posteriormente, percebeuse que o relatório gerencial de fluxos de caixa estava equivocado, porque apresentava inconsistências, i.e., deixava de refletir alguns títulos que já haviam sido quitados e baixados. A provisão efetivada, assim, mostrouse equivocada, razão pela qual foi estornada a partir do anocalendário de 2003, momento em que o erro foi percebido. III — DECADÊNCIA DO DIREITO DE COBRANCA COM RELACÃO AOS PASSIVOS REGISTRADOS ANTERIORMENTE A 17 DE MAIO DE 2001. Fundamentalmente, a Impugnante postula pela decadência, na forma do art. 150, § 4% do CTN, de todos os passivo fictícios lançados antes de 17 de maio de 2001. No presente caso, sustenta que deve ser reconhecida, em especial, a decadência Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 9 9 dos débitos cobrados no item 3, porque tais passivos decorreram de provisão a maior lançada em 21/12/2000. IV — CONCLUSÃO E PEDIDO. A Impugnante esclarece que os documentos comprobatórios das alegações tecidas nas seções II.i. e II.ii., constam dos Anexos 02 e 03, respectivamente. Requer o total acolhimento dos argumentos apresentados, cancelandose os autos de infração.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base em decisão assim ementada: “Decadência. Lançamento por homologação. No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Omissão de Receita. Passivo Fictício. Obrigação Incomprovada O fato de a escrituração indicar a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Essa presunção legal relativa, como todas, tem um efeito próprio: ela inverte o ônus da prova, deixandoo sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. Tributação reflexa. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Equivocado o entendimento manifestado no v. acórdão DRJ/BHE n.° 0219.942, ao sustentar que "no caso da atividade de intermediação exercida pela impugnante, os registros contábeis a débito de CLIENTES e a crédito de FORNECEDORES não Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 10 10 representam, respectivamente, nem ativo nem passivo da empresa ou da agência de publicidade, pois o passivo é do cliente (aquele que terá sua propaganda veiculada) e o ativo é do veículo de mídia (aquele que veicula a mídia elaborada pela agência)". b) Juridicamente, nem o ativo nem o passivo pertencem à Recorrente. A partir do momento em que os recursos para quitação daquela relação jurídica são depositados em suas contascorrente, todavia, há um passivo em favor do veículo [que pode exigilo da agência, cf. NormasPadrão da Atividade Publicitária em vigor]. No momento em que recebe a Nota Fiscal emitida pelo veículo, de outro lado, a agência reconhece um ativo contra o seu cliente. Independentemente da nomenclatura adotada, mister o reconhecimento de que esse tipo de atividade deve ser registrado em contas de `ativo' e de `passivo' simultaneamente, a despeito do quanto alegado nas acusações fiscais contidas nos presentes autos. c) Não é verdadeira, ademais, a afirmação de que as contas `Fornecedores' e `Clientes' seriam utilizadas como `contas de compensação', i.e., contas transitórias para administração e controle de operações nãopatrimoniais. Não se trata de "mero controle que o impugnante (agência de publicidade) faz da sua atividade de intermediação entre o cliente e o veículo de mídia" [cf. p. 515 dos autos]. Tratase, isso sim, de CONTAS PATRIMONIAIS em que a Recorrente registra TODAS as suas operações com `Clientes' e `Fornecedores' [veículos], sejam elas relativas a recursos a serem repassados, sejam elas decorrentes de receitas próprias. Absurda, portanto, a alegação de que os saldos das contas `Fornecedores' e `Clientes' deve ser idêntico: não são contas para registrar unicamente operações de terceiros; essa informação jamais foi prestada, representando `presunção' equivocada perpetrada por intermédio do v. acórdão DRJ/BHE n.° 0219.942. d) Importa salientar que (i) na atividade de intermediação entre anunciantes e veículos, as agências de propaganda e publicidade não têm direitos 'jurídicos' sobre o espaço/tempo adquirido, mas fiscalizam o adequado cumprimento das obrigações assumidas por ambas as partes; (ii.) nesse cenário, cabe à Recorrente receber os recursos de seu cliente [anunciante] para repassálo ao veículo e, ademais, fiscalizar o fiel cumprimento do quanto acordado por esse último. Para o desempenho dessas funções, a agência recebe comissão dos veículos, a qual deve ser tributada; mas (iii.) os recursos recebidos dos anunciantes e repassados aos veículos, que não compõem a comissão, não são tributáveis pela agência, consoante entendimento CONSOLIDADO nas orientações emanadas da Receita Federal do Brasil e na jurisprudência dos E. Conselhos de Contribuintes. e) O que a d. fiscalização federal e o v. acórdão DRJBHE n.° 0219.942 recusaramse a reconhecer é que, se grande parte dos passivos registrados na contabilidade da Recorrente aludiam a obrigações perante veículos de divulgação de mídia contratados em nome dos clientes, esses mesmos valores estavam lançados numa conta do ativo denominada `clientes', na forma dos lançamentos contábeis descritos no parágrafo 10 [Ex. 01], supra. f) Se uma empresa registra um passivo e, no mesmo ato, lança um ativo, obviamente não houve uma `receita nãodeclarada'. Essa é exatamente a hipótese dos presentes autos: os passivos perante `Fornecedores' refletemse num ativo em conta de `Clientes'; todos os registros contábeis relativos a essas operações foram acostados aos autos; os Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 11 11 documentos que comprovam os registros também foram apresentados à d. fiscalização federal. Não obstante isso, insistese em examinar tecnicismos contábeis inaplicáveis para sustentar que haveria presunção de omissão de receitas. g) As `Notas de Crédito', frisese, têm exata correspondência no ativo e não podem ser desconsideradas na presente acusação de passivo fictício, na forma do artigo 281, III, do RIR99. Com efeito, a despeito de se tratar de documento emitido pela Recorrente, ele não é um mero `documento interno', pois foi entregue aos clientes, e reflete uma obrigação efetiva da primeira perante esses últimos, na forma da fatura emitida pelo veículo de divulgação. Na prática, assim, a `Nota de Crédito' é o documento emitido pela Recorrente para demonstrar ao cliente que ele possui um crédito em razão de falhas na veiculação do material publicitário produzido [ou, sob outro ângulo, que a Recorrente reconhece uma dívida perante tal cliente, a qual poderá ser compensada com as cobranças emitidas ou ser mantida em aberto por um periodo adicional, dependendo, sempre, das condições de negociação com tal cliente]. A emissão de `Nota de Crédito' é imprescindível por duas razões: (a.) para demonstrar ao cliente que a Recorrente fiscalizou a exibição da propaganda pelo veículo, constatou as falhas e garantiulhe um crédito no valor exato pago a maior; e (b.) para possibilitar que o cliente analise com mais detalhes a fatura emitida pelo veículo de divulgação em seu nome. h) O v. acórdão DRJ/BHE n.° 0219.942 foi ainda mais criativo: na sua visão, a Recorrente teria se valido de `contas de compensação' para registrar suas operações de intermediação e, como as contas desse controle paralelo e nãopatrimonial [`Clientes' e `Fornecedores'] não tinham saldos exatamente iguais em 31.12.01, não serviriam como prova para elidir a presunção do artigo 281, III, do RIR99. Segundo os I. Julgadores, "mesmo que o encontro de contas não seja feito simultaneamente, mas em momento subseqüente (como esclarece a defesa), é preciso sempre que se mantenha a identidade de valores entre contas de compensação" [p. 515 dos autos]. Mas Ilustres Conselheiros, por que se presumiu que as operações de intermediação eram controladas via `contas de compensação'? Não existe essa informação na Impugnação ou em qualquer outro documento constante dos autos: tratase de assunção absurda, fruto da imaginação dos I. Julgadores de primeira instancia administrativa. i) Não há obrigação de controle de operações por conta de terceiros em `contas de compensação'. `In casu', os recursos dos clientes e os passivos desses contra os veículos eram registrados em contas de `Clientes' e `Fornecedores', juntamente com todos os outros registros relacionados aos clientes e fornecedores da própria Recorrente. Claro que os saldos, relativos a operações de terceiros, tinham ativos e passivos em valor idêntico. Essa análise, contudo, não pode ser feita a partir da DIPJ02, onde estão lançados TODAS as operações envolvendo clientes e fornecedores da Recorrente e de seus clientes. Ora, por óbvio que esses valores nunca seriam idênticos: o v. acórdão DRJBHE n.° 0219.942 alude a `contas de compensação' mas, para comprovar seu raciocínio, examina os saldos de `Clientes' e `Fornecedores' lançados na DIPJ02 da Recorrente 12. Esse procedimento é totalmente equivocado porque, como se sabe, as contas de compensação não são `patrimoniais' e, portanto, são registradas num controle segregado, não na própria contabilidade fiscal do contribuinte. j) Os I. Julgadores NÃO EXAMINARAM OS DOCUMENTOS ACOSTADOS À IMPUGNAÇÃO, os quais demonstram cabalmente que os passivos refletidos em `Notas de Crédito' existiam. Como se sabe, as presunções legais, como aquela do artigo Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 12 12 281, III, do RIR99, podem ser afastadas mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. `In casu', esses documentos estão nos autos, mas totalmente ignorados pela 2' Turma de Julgamento da DRJBHE. Por esse motivo é que se requer que este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais examine os documentos acostados no Anexo 02 a Impugnação antes apresentada, bem assim os lançamentos contábeis típicos desse tipo de operação, com o objetivo de se afastar, definitivamente, qualquer presunção de passivo fictício envolvendo os passivos indicados neste item 1 da autuação. k) No item 2 da autuação fiscal, questionase um outro procedimento bastante comum no ramo das agências de publicidade: o pagamento, adiantado, de reserva de espaço ou pacotes de veiculações. Isso ocorre em situações peculiares como, v.g., programas especiais que serão exibidos no período do Natal, intervalos de jogos de copas do mundo ou outros campeonatos esportivos importantes e de elevada audiência e até capítulos de novelas. Nesses casos, a Recorrente desembolsa recursos para pagamentos dos veículos de divulgação, lançando esses pagamentos no seu ativo. Em seguida, negocia esses direitos com os seus clientes e, quando isso ocorre, lança simultaneamente um ativo e um passivo. l) O acórdão da DRJ/BHE afirmou que a recorrente negociaria direitos de exibição próprios. como explicado a partir do exame das NormasPadrão da Atividade Publicitária, editadas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão [cf seção II.A.], é PROIBIDO às agências serem titulares de direitos de exibição; elas podem ser intermediárias mas, juridicamente, nunca serão `donas' do direito. E, se há vedação regulamentar à `apropriação' daquele direito pela agência, por óbvio sua transferência não representa `receita' de venda de direitos, como pretendem sustentar os I. Julgadores de primeira instância administrativa. m) O último item do Termo de Verificação Fiscal acusa a Recorrente de omissão de receitas tributáveis mesmo após ela ter reconhecido que o passivo ali escriturado representou um erro, advindo de provisão a maior registrada no ano calendário 2000, e que foi corrigido posteriormente. A esse respeito, é importante destacar que a jurisprudência administrativa e judicial já afastou a aplicação do artigo 281, III, do RIR99, nos casos em que se demonstram equívocos contábeis. Não faz sentido, portanto, a manutenção da presunção legal nesse caso específico, porque obviamente não houve omissão de receitas, mas erro [posteriormente corrigido] na escrituração da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 13/03/2009 (AR de fls. 522). O recurso foi protocolado em 08/04/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 13 13 A infração imputada à recorrente é a omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada. A fiscalização efetuou três relações das notas fiscais glosadas, distinguindo as seguintes situações: i) notas cuja comprovação foi feita apenas com documentos internos; ii) notas com pagamento efetuado em data anterior; iii) notas não apresentadas à fiscalização. A recorrente pagou a parcela do tributo relativa às notas fiscais discriminadas às fls. 261, no total de R$ 620.873,99, as quais não foram apresentadas à fiscalização. Nos termos da petição de fls. 606, a recorrente requereu a desistência parcial do recurso em relação ao item 3 do auto de infração. Resta analisarmos as duas outras situações identificadas pela fiscalização. I. Notas cuja comprovação foi feita apenas com documentos internos, no valor de R$ 352.796,59 Aduz a recorrente que o passivo relativo a esta parcela, no montante de R$ 352.796,59, referese à nãoexecução (parcial ou total) de serviços contratados pela recorrente junto a veículos de divulgação. Para ela, a fiscalização demonstrou total desconhecimento sobre a sistemática de contabilização prevista no art. 6º, do regulamento anexo ao Decreto nº 57.690/66. I.1 Da sistemática de lançamentos contábeis Primeiramente cumpre destacar a divergência existente entre os esclarecimentos prestados à fiscalização (fls. 47), e as alegações do recurso voluntário. De acordo com os esclarecimentos de fls. 47, são as seguintes as etapas no processo de faturamento nas agências de publicidade: 1ª etapa: a agência emite as faturas referentes às veiculações em mídia (TV, RADIO, JORNAL, REVISTA) através do Pedido de Inserção (P.I.) aprovado pelo cliente. Na P.I. constam as condições (valor, prazo, dia da veiculação) junto aos veículos de mídia. No ato da emissão da fatura, a agência não tem em seu poder os documentos (Notas Fiscais), dos veículos comprovando a veiculação da campanha conforme expresso nas condições da P.I. Conforme norma do mercado, os veículos possuem até o quinto dia útil do mês subsequente à veiculação, para enviar as Notas Fiscais. Por este motivo a agência emite a fatura através da P. I., respeitando assim o critério da competência referente às suas receitas, assim como na apuração dos impostos. 2ª etapa: chegada das Notas Fiscais dos Veículos. Ao receber as Notas Fiscais dos Veículos de Mídia, a agência lança as mesmas em seus registros, gerando uma reclassificação entre contas do Passivo, conforme exemplo de lançamentos que se segue. Nesta fase ocorre a identificação de FALHAS na veiculação da propaganda. Caso seja identificado , tanto pelo Veículo de Mídia , quanto pela Agência que houve falha na veiculação da propaganda, o Veículo concede um desconto, ou, em caso de falha total, um crédito total. Estes descontos/créditos, são repassados pela Agência aos Clientes, através de Notas de Crédito. Já que a fatura cobrando os repasses, fora emitida pelo valor da P. I. não considerando as falhas que pudessem acontecer. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 14 14 3ª etapa: Pagamentos das Notas Fiscais dos Veículos. O cliente efetua o pagamento da fatura da Agência, cujo vencimento é sempre um dia antes do vencimento da fatura dos Veículos de Mídia, para ter tempo hábil de identificar o recebimento da verba e poder repassála aos Veículos. Já, no recurso voluntário foi dado o seguinte exemplo de contabilização quando há devolução de crédito pelo veículo (fls. 545): A diferença é que no esclarecimento de fls. 47, no momento em que a agência recebe as notas fiscais do veículo, ocorre uma reclassificação entre contas do passivo. Da conta “Provisão para pagamento de veículo de mídia” para a conta “Fornecedores”. No exemplo do recurso, não há a conta “Fornecedores”, mas tão somente a conta de provisão. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 15 15 No recurso, foi afirmado que é no momento em que é feito o Pedido de Inserção que os valores são lançados simultaneamente no ativo (clientes) e passivo (fornecedores). No exemplo de fls. 47, o lançamento efetuado no momento do Pedido de Inserção é na conta passiva “Provisão para pagamento de veículo de mídia” e não na conta “Fornecedores” diretamente. Pela sistemática descrita às fls. 47, apenas é registrado na conta Fornecedores o valor relativo aos serviços efetivamente prestados. Notese que no exemplo, apenas foi transferido para a conta Fornecedores o valor com desconto, que dá origem ao crédito do cliente. O valor do desconto foi creditado na conta “Contas a receber”. Ou seja, o valor correspondente às falhas ou devoluções de crédito não seria contabilizado na conta Fornecedores. E é este claramente o entendimento da fiscalização, que afirma que “se não houve a realização do serviço, não deveria haver a indicação em 31/12/2001, de valores a pagar de Fornecedores.” A decisão recorrida entendeu que as contas de “fornecedores” e “clientes”, do ponto de vista da agência de publicidade, “não são senão meras contas de compensação que nada têm a ver com o sistema de contas patrimoniais”, e que para afastar a presunção de passivo fictício seria necessário haver identidade entre os saldos das duas contas, o que não ocorre no presente caso. Na conta clientes, segundo a recorrente, são registrados os recursos depositados pelos clientes a título de: remuneração por serviços anteriormente prestados; reembolsos diversos relativos a custos de produção de material publicitário; recebimento do preço devido ao veículo e que será repassado oportunamente a esse último; comissões devidas por intermediação entre veículos etc. Em suma, todos os ativos da Recorrente perante seus clientes são controlados em conta contábil de mesma denominação. A conta “clientes” não é uma conta de compensação. Com relação à conta fornecedores, a recorrente afirma que ela registra também o valor dos recursos dos anunciantes em poder da agência, e por isso representa um passivo real, e não fictício. Independentemente do sistema de contabilização adotado, há uma questão de prova a ser apreciada, que envolve análise da documentação apresentada. I.2. Análise documental Passemos a analisar a documentação apresentada em relação a cada item da relação de notas fiscais, e as alegações da recorrente. Itens 1, 2 e 12 do Anexo 2 da impugnação • O saldo foi baixado contra descontos obtidos em 27/02/02 – docs. 1, 2 e 8 Boletim Lançamento Contábil – fls. 354/355 e 366. As notas fiscais da Delta foram emitidas em 11/01/2001 e 09/11/2000, com vencimento em 15/01/2001 e 05/01/2001, respectivamente. A nota fiscal da VL Vaticano Coml Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 16 16 Foto Studio Ltda. foi emitida em 20/11/2000, com vencimento em 30/11/2000. Nenhuma das notas fiscais foi apresentada à fiscalização. A argumentação da recorrente em relação a estes três itens é que os valores foram posteriormente apropriados como receita financeira. Como já anteriormente salientado, não há clareza em relação à sistemática contábil adotada pela recorrente. Se o valor do crédito do cliente é de fato controlado na conta “Fornecedores”, procedimento este bastante incorreto, por que ele se torna receita da agência, e não é devolvido ao cliente? Se a conta “Fornecedores” reflete o valor da fatura emitida pelo veículo, correspondente aos serviços efetivamente prestados, e ela já foi liquidada, não deveria haver valores em aberto na conta fornecedores. Neste caso, o valor do crédito do cliente deveria estar registrado apenas na conta de provisão. Independentemente desta discussão, o fato do saldo ter sido baixado no ano calendário seguinte deveria ter sido levado em consideração pela fiscalização, pois neste caso, não há omissão, mas simples postergação de receita. No entanto, a fiscalização limitouse a afirmar que os encontros de contas em exercícios posteriores para sanar as irregularidades são “manobras não previstas nem nas regras contábeis, nem na legislação tributária”. Por conseguinte, como houve postergação de receita, e não omissão, deve ser excluído da tributação o montante de R$ 4.368,00 (288 + 3600+480). Item 3 No esclarecimento de fls. 46 • Emitida Nota de Crédito 0184 em setembro/2001 referente à n/ fatura 7696 de 15/08/2001. Porém o lançamento contábil efetuado foi registrado na conta 3800026 Veículos a realizar ao invés da conta 3500173 Editora Abril SA. Erro de classificação contábil. Ajuste efetuado em 02/2002, corrigindo os saldos das contas, conforme boletim de lançamento em anexo. Boletim de lançamento de fls. 57 Na impugnação Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 17 17 • Nota de crédito não localizada. Anotação no boletim de lançamento contábil de fls. 57: “NC 184 emitida 03/09/2001. Devido ao cancelamento da veiculação (fat. 7696) do cliente Gradiente. Porém lançamento de estorno foi efetuado na conta de provisão de mídia, ao invés da conta de fornecedor. (Editora Abril), pois a fatura do veículo já havia sido entregue. Este lançto é de reclassificação de contas, não afetando o resultado”. A fiscalização partiu do pressuposto de que na conta Fornecedores estão registrados apenas os valores relativos aos serviços efetivamente prestados, e por isso, entendeu que os valores registrados na conta eram passivos fictícios. Como anteriormente afirmado, com base nos elementos coligidos aos autos, não é possível termos certeza acerca do procedimento contábil utilizado. Se na conta Fornecedores estiverem registrados os valores relativos aos recursos financeiros dos anunciantes, é perfeitamente plausível a afirmação de que o passivo não é fictício, e corresponde a idêntica pendência no ativo. O Código de Processo Civil estabelece em seu art. 333, incisos I e II, a quem incumbe o ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” No presente caso, os elementos de prova coligidos aos autos não são suficientes para demonstrar a ocorrência inequívoca da hipótese de presunção legal de omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou incomprovada. Arruda Alvim, em sua obra “Manual de Direito Processual Civil”, assim se manifesta sobre as conseqüências do descumprimento do ônus da prova: “De um modo geral, podemos dizer que, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda.” (ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, volume 2: processo de conhecimento, 11. ed.rev., ampl. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007). Por conseguinte, deve ser cancelada a exigência em relação a este item. Itens 5, 6, 7 e 8 No esclarecimento de fls. 46 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 18 18 • Títulos baixados através de encontro de contas entre fornecedores, conforme boletins de lançamento 2724 de 01/03/04 e 4259 de 30/04/2004. Negociação entre fornecedores, devido à trabalhos não executados conforme solicitado e custos dispendidos pelos fornecedores. Devido à estes encontros de contas o valor total dos custos com as Benfeitorias em Imóveis de Terceiros foram reduzidos, assim como o valor das despesas com amortizações mensais pelo prazo do contrato de aluguel. Beneficiando desta forma ao Fisco quando do apuração dos impostos. Na impugnação • O passivo permaneceu em aberto e foi negociado um desconto com o fornecedor, o qual deveria ter sido baixado a crédito de receita, não tributável, de exercícios anteriores. Mas ao invés de lançar como Ajuste de Exercício Anterior, o pagamento foi lançado a crédito da conta caixa, como se vê dos lançamentos anexos. Lançamento contábil 4259 (fls. 55) Lançamento contábil 4269 (fls. 56) Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 19 19 Os lançamentos demonstram que os títulos foram baixados a crédito da conta de ativo “Valores a apropriar” e da conta de passivo “Ramalho Comercial Ltda.” A notas fiscais da Veículo Publicidade Ltda. foram emitidas em janeiro de 2001, com vencimento em 15/01/2001. A nota fiscal da Filmei Audio Cine Vídeo foi emitida em 26/12/2001, com vencimento em 20/01/2002. A fiscalização não aprofundou a análise destes lançamentos, limitandose a afirmar que os encontros de contas efetuados em exercícios posteriores não estão previstos nas regras contábeis, nem na legislação tributária. Ocorre porém que, a existência destes lançamentos posteriores colocam em dúvida a afirmação de que tais valores eram realmente passivo fictício. Ainda que em exercícios posteriores, os valores foram baixados, sendo que a fiscalização simplesmente desconsiderou as operações com base em motivação genérica. Logo, tais valores devem ser excluídos da tributação. Itens 10, 11, 14 à 42 • Títulos baixados na totalidade através de notas de crédito, devido à falhas na veiculação da propaganda ou cancelamento à pedido do cliente. A discussão em relação a estes itens se dá em torno da baixa dos títulos registrados na conta “Fornecedores”. Passemos a analisar os documentos relativos às notas fiscais nº 8.210 a 8.214 (itens 20 a 24), do veículo Formato Repr. de Veic. de Mídia S/C, emitidas em agosto de 2001, com vencimento em 15/09/2001, de acordo com a relação de fls. 50. Nota de crédito (fls. 390) Fl. 625DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 20 20 Boletim de lançamento da nota de crédito (fls. 391) Não há nos autos cópia de boletim de lançamento contábil ou razão relativo a 15/09/2001, data de vencimento da fatura emitida pela Formato Repr. de Veic. de Mídia S/C, de acordo com a relação de fls. 50. Perguntase: Houve pagamento da fatura emitida na data do vencimento, ou seja, em 15/09/2001? Em caso afirmativo, em que valor? Houve desconto? Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 21 21 Do mesmo modo que no item anterior, não restou claramente demonstrada a existência da obrigação já paga, ou não comprovada no passivo. Como já afirmado anteriormente persiste a dúvida quanto à sistemática de contabilização adotada, sendo que a fiscalização partiu do pressuposto de que na conta “Fornecedores” apenas deveriam estar registrados os valores correspondentes a serviços efetivamente prestados, sem aprofundar a análise da contabilidade da recorrente. Da mesma forma, a nota de crédito não comprova a exigibilidade da obrigação registrada na conta “Fornecedores”. Qual a natureza das contas discriminadas no boletim acima? A conta 3800026 é uma conta de compensação, tal como afirmado na decisão recorrida? Sem estas informações e análises, não fica claramente demonstrada a ocorrência da presunção legal de passivo fictício. Item 13 No esclarecimento de fls. 46 • Informado erroneamente o Veículo de Mídia quando da emissão da P.I. Foi informado Grupo Três de Comunicação, sendo que o correto seria Três Meios Negócios Publicitários. O veículo emitiu diversas faturas, cobrando de acordo com o mês que as veiculações ocorreram ao longo do ano. Anexo seguem os boletins de lançamentos junto com as cópias das faturas emitidas pelo veículo. Na impugnação • O saldo foi baixado mediante lançamentos devedores realizados ao longo do ano 2002, a cada veiculação (os débitos são de R$1.497,60, R$6.528,00, R$3.494,40, R$1.536,00, R$921,60, R$1.359,68 e R$4.000,00). A fiscalização não se pronunciou sobre o alegado equívoco, não tendo analisado os esclarecimentos prestados pela recorrente. A análise da documentação apresentada revela não é possível termos certeza acerca da existência de passivo fictício, sendo que a fiscalização fundamentou a aplicação da presunção apenas no fato de terem sido apresentados documentos internos, sem ter feito qualquer análise sobre a documentação, e as situações expostas pela contribuinte. Por conseguinte, deve ser integralmente cancelada a exigência em relação a este tópico. II. Notas com pagamento efetuado em data anterior, no valor de R$ 86.932,28 A recorrente alega que tais valores referemse a pagamentos adiantados, de reserva de espaço ou pacotes de veiculações. Afirma que desembolsa recursos para pagamento dos veículos, lançando tais pagamentos em seu ativo. Em seguida, negocia esses direitos com os seus clientes e, quando isso ocorre, lança simultaneamente um ativo e um passivo. É o Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 22 22 segundo passivo, que apenas é baixado contra o ativo originalmente lançado após a emissão da fatura pelo veículo em nome do cliente anunciante. A decisão recorrida manteve o lançamento, por entender que “não se deve reconhecer um passivo se não existe dívida”, e que o correto seria a mera transferência de ativos, isto é, “contas a receber” a “direito de exibição”. Mais uma vez aparece a dúvida quanto à natureza dos lançamentos efetuados na conta “Fornecedores”. A fiscalização e a decisão recorrida entenderam que não é pertinente a contabilização do passivo da agência com o cliente na conta fornecedores. Para ela, “uma vez que os valores foram pagos a título de adiantamento Por sua vez, a recorrente afirma que adota a sistemática de registro simultâneo em conta de ativo e passivo, e que não procede a presunção de passivo fictício quando o passivo é compensado com lançamento no ativo. Mais uma vez a fiscalização partiu do pressuposto de que na conta “Fornecedores” só poderiam estar registrados valores a pagar, sem analisar concretamente o procedimento que a recorrente afirma que adotava, qual seja, o registro na conta “Fornecedores”, compatível com um ativo de idêntico valor, que não representaria passivo fictício. Por outro lado, a documentação apresentada pela recorrente boletins de lançamento contábil – demonstra a baixa de títulos ocorrida no ano de 2002. As presunções legais, assim como as humanas, extraem, de um fato conhecido, fatos ou conseqüências prováveis, que se reputam verdadeiros, dada a probabilidade de que realmente o sejam. Se, presente “A”, “B” geralmente está presente; reputase como existente “B” sempre que se verifique a existência de “A”, o que não descarta a possibilidade, ainda que pequena, de provarse que, na realidade, “B” não existe. Como preleciona o insigne mestre José Luiz Bulhões Pedreira “o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” No entanto, é necessário caracterizar o fato descrito na norma, qual seja, a manutenção de obrigações já liquidadas, ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A desconsideração genérica dos esclarecimentos prestados pela recorrente, não é suficiente para caracterizar o fato presumido, tendo a fiscalização de provar a ocorrência do fato que a lei presume. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.000992/200605 Acórdão n.º 180301.364 S1TE03 Fl. 23 23 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001373/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais, a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA REQUISITOS INDEFERIMENTO.
É prescindível o pedido de diligência desacompanhado de prova do eventual erro nos valores lançados. Considerar-se-á como não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais, a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REQUISITOS INDEFERIMENTO. É prescindível o pedido de diligência desacompanhado de prova do eventual erro nos valores lançados. Considerar-se-á como não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10530.001373/2009-18
conteudo_id_s : 5240063
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.929
nome_arquivo_s : Decisao_10530001373200918.pdf
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 10530001373200918_5240063.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4602079
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575854997504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.001373/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 230201.929 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO À MATERNIDADE E À INFÂNCIA DE MUTUÍPE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais, a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REQUISITOS INDEFERIMENTO. É prescindível o pedido de diligência desacompanhado de prova do eventual erro nos valores lançados. Considerarseá como não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 17/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.001373/200918 Acórdão n.º 230201.929 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 12/06/2009 e cientificado ao sujeito passivo, através de Registro Postal em 30/06/2009, referese às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que prestaram serviço à autuada no período de 01/2005 a 12/2005. Conforme consta do relatório fiscal de fls.21/23, a entidade teve a isenção patronal das contribuições previdenciárias cancelada através do Ato Cancelatório n.º 002/2007, com efeitos retroativos a 01/11/1991. Após a impugnação, Acórdão de fls. 71/72, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso reiterando a argüição contida na peça de defesa, de que o levantamento considerou inúmeros prestadores de serviço pessoas jurídicas, motivo pelo qual o processo deve ser convertido em diligência para que se constate a veracidade da informação. Requer o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e após a conversão em diligência, julgar o auto de infração improcedente. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente insurgese contra a autuação dizendo que o lançamento englobou pagamentos efetuados a prestadores de serviço pessoas jurídicas, mas sem indicar um só exemplo do suposto sucedido. Compulsando os autos, é de se ver que o Relatório de Lançamentos, fls. 13/15, traz os pagamentos efetuados às pessoas físicas, nominandoas e os valores lançados na conta contábil – serviços prestados por pessoas físicas, elucidando, assim, os valores que compuseram o lançamento. Desta forma, restou evidente que os valores lançados referemse, exclusivamente, aos serviços prestados por pessoas físicas, conforme documentos elaborados pela própria recorrente, que não logrou demonstrar quais valores se referiam à pessoa jurídica. Portanto, em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pela própria recorrente, eis que constante de sua escrita contábil, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB Nº 10875, 16 de agosto de 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 7º. (...) Art. 15. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.001373/200918 Acórdão n.º 230201.929 S2C3T2 Fl. 3 5 constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Portanto, indefiro o pedido de diligência, com base nos artigos legais acima citados, já que não se constitui em direito subjetivo do autuado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento de prestação de serviços por pessoas jurídicas. Do Mérito O crédito referese à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado, que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. A recorrente não contestou o mérito da autuação e em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013526/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 DECRETO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao Carf afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, relator. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 DECRETO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao Carf afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10680.013526/2005-14
conteudo_id_s : 5238393
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.563
nome_arquivo_s : Decisao_10680013526200514.pdf
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10680013526200514_5238393.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, relator. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4599421
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041575868628992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 257 1 256 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.013526/200514 Recurso nº 272.942 Voluntário Acórdão nº 330201.563 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria Cofins Auto de Infração Recorrente SOCIEDADE CIVIL CASAS DE EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 DECRETO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao Carf afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, relator. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas RedatoraDesignada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 213 a 255) apresentado em 12 de fevereiro de 2009 contra o Acórdão no 0218.906, de 01 de setembro de 2008, da 1ª Turma da DRJ/BHE (fls. 199 a 209), cientificado em 10 de fevereiro de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, considerou procedente o lançamento efetuado, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 21 de setembro de 2005, de acordo com o termo de fls. 12 a 19. Segundo o relatório citado, “Em 17/05/05, sob a alegação de que até aquela data a Secretaria da Receita Federal não havia se pronunciado a respeito de seu pleito administrativo, ajuizou ação ordinária na justiça federal sob. n 2 2005.38.00.0172322, em que requereu a declaração da inexistência de relação jurídica que obrigue a autora ao recolhimento da COFINS correspondente aos períodosbase de abril a setembro de 1999, em decorrência da imunidade constitucional e, em consequência, a condenação da ré na repetição do indébito dos valores indevidamente recolhidos”. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 258 3 A seguir, esclareceu que a isenção prevista no art. 6º, III, da Lei Complementar n. 70, de 1991, fora revogado pela MP n. 2.15835, de 2001, permanecendo apenas o isenção da MP n. 2.15835, art. 14, X, relativa às receitas oriundas das atividades próprias das entidades do art. 13, o que não abrangeria as receitas decorrentes de contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção, aulas de recuperação, aluguéis, renda de praça de esportes, juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 02/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 3.855.238,75, incluindo multa de ofício e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 03/05. A autuação ocorreu em virtude de falta de recolhimento da Cofins referentes às receitas não próprias, decorrentes de contribuições escolares, de alugueis, além das receitas financeiras e outras, por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 12/16, a associação não declarou em DCTF e tampouco fez recolhimentos da contribuição referente ao período de apuração de janeiro de 2000 a dezembro de 2001. Cientificado em 21/09/2005 (fls. 09), o interessado apresentou, em 19/10/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 150/179, acompanhado dos documentos de fls. 180/197, com as suas razões de defesa assim resumidas: A impugnante é pessoa jurídica de direito privado, e segundo as novas exigências estabelecidas pela legislação citada pela autoridade autuante, passaria a sofrer a incidência da Cofins prevista na Lei Complementar 70/91, sobre as receitas que segundo a IN 247/2002 não são consideradas como “derivadas de atividades próprias”. Conforme se vê pelos atos constitutivos, ora anexados, a impugnante é entidade que presta exclusivamente serviços de assistência social e de educação, sendo beneficiária da imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, “c” e 195, § 7º da CF/88. A impugnante preenche todos os requisitos para a fruição dos benefícios de imunidade tributária insculpidos na CF de 1988, eis que a própria fiscalização constatou tal evidência. Portanto, a impugnante é entidade beneficente dedicandose à atividade prevista na Constituição Federal como beneficiária de imunidade tributária e de contribuições para a seguridade social previstas no art. 150, VI, “c” e 195, § 7º. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 Desde a sua constituição a impugnante vem se beneficiando da imunidade tributária prevista na CF, sendo que os novos e inusitados contornos para o gozo do benefício traçado pela legislação em que se fundamenta o AI objeto da presente impugnação, são conflitantes com o dispositivo constitucional, causando óbices ao benefício imunitório em desacordo com o disposto na Carta Magna. Da mesma forma, a jurisprudência já é unânime no sentido de que as normas insculpidas no art. 195, § 7º, da Constituição Federal referemse à imunidade, e como tal a sua interpretação tem sentido amplo. Por outro lado, também a norma que regula a imunidade foi trazida ao mundo jurídico pela Lei Complementar nº 70/91, não podendo ser alterada por Medida Provisória. A Instrução Normativa nº 247/2002 ainda extrapola todos os limites quando define o que sejam “receitas vinculadas à atividade”. Atualmente a imunidade tributária garantida às entidades de educação e assistência social encontrase inserta no art. 150, VI, “c” da Constituição Federal promulgada em 05/10/1988,, na seção II, que trata “DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR”. Na parte que diz respeito às contribuições sociais, o preceito imunitório encontrase insculpido no art. 195, § 7º da CF. Por outro lado, a Constituição vigente, repetindo a anterior, determina que as entidades favorecidas devem atender “os requisitos da lei”. No passado, essa parte final do preceito constitucional gerou entendimento equivocado, conforme se verá dos fundamentos a seguir, sendo que uma parte da doutrina defendia a possibilidade de serem fixados requisitos exigíveis dos imunes, por lei ordinária dos entes impositores. A prevalecer o duvidoso entendimento, qualquer legislador ordinário, na esteira de sua visão subjetiva, poderia criar e exigir requisitos vários, criando obstáculos ao reconhecimento da imunidade, dificultando e desvirtuando mesmo o benefício outorgado pela Lei Suprema. E, ainda, pretender a extravagância de alterar preceito de Lei Complementar, fato inadmissível face ao princípio da hierarquia das leis. A Cofins foi instituída pela LC 70/91, com a finalidade de financiar a seguridade social. Em seu art. 6º trata da isenção da contribuição para as entidades beneficentes de assistência social. Aqui não é feita qualquer restrição quanto a este tipo de benefício, apenas que se cumpram os requisitos legais. Entretanto, com o advento da MP 215835/01, são isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos. Percebese que o mencionado diploma legal restringe a isenção, excluindo do benefício aquelas receitas que não derivam das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos. A CF/88, não autoriza a manutenção da tese de que a lei ordinária possa cumprir o papel de regular as imunidades , exigindo expressamente que tal regulação se dê por meio de Lei Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 259 5 Complementar, conforme se depreende do preceito insculpido no art. 146, II. É fácil concluir que a Constituição, ao conceder no art. 150, VI, “C”, imunidade aos partidos políticos, entidades sindicais de trabalhadores e entidades de educação e de assistência social, reduziu, mutilou, excepcionou a norma atributiva de poder, proibindo às pessoas políticas da Federação que fizessem incidir imposto sobre a renda, o patrimônio e os serviços daquelas pessoas imunes. No campo das contribuições sociais, o constituinte determinou da mesma forma que no tocante aos impostos, sendo interessante ressaltar que a redação do parágrafo 7º do art. 195 da CF de 1988, é expressa no sentido da isenção, entretanto, seguindo as regras de hermenêutica veremos que tal figura exonerava não é própria da constituição, e sim da legislação ordinária. Portanto, a interpretação que deve ser dada é de que a Carta Magna trata de imunidade também no tocante às contribuições sociais. A Medida Provisória nº 2.15835 acabou por revogar o art. 6º da LC 70/91 que foi veiculado por Lei Complementar, e posteriormente disciplinou a imunidade, impropriamente chamada de isenção, limitandoa às receitas derivadas de suas atividades próprias, colidindo frontalmente com os preceitos constitucionais. O raciocínio lógico nos conduz à interpretação de que também a impugnante se beneficia da imunidade estabelecida no art. 195, I, parágrafo 7º da CF/88, também no campo das contribuições sociais (que segundo o atual conceito constitucional, tem natureza tributária), sendo absolutamente inconstitucionais as alterações elencadas. O art. 146, II, da CF, estabelece que a regulamentação das limitações constitucionais ao poder de tributar é de competência de lei complementar. E a imunidade é uma forma de delimitar o âmbito de legislação tributária. Os requisitos necessários para que seja usufruído o benefício da imunidade pelas entidades sem fins lucrativos são os previstos no art. 14 do CTN. A atividade própria é aquela descrita em seu estatuto, que lhe permite angariar fundos para a manutenção de seu fim social, motivo pelo qual foi constituída. Todavia, a Receita Federal, por meio das INs/SRF 247 e 543/05, apresentou um conceito distinto para o termo receitas derivadas das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos: aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 O conceito de instituição de assistência social foi explicitado, ficando evidenciado que a matéria já foi deslindada pelo poder judiciário em várias ocasiões, destacandose a célebre questão em que a imunidade das entidades fechadas de previdência primada foi discutida. Por força do magnífico voto do então Ministro do TRF, Ilmar Galvão, houve por bem acatar, aquele Colendo Pretório, a tese de que tais entidades fechadas eram instituições de assistência social, alargando a concepção restrita de entidade Filantrópica, para uma concepção mais lata. Não restam dúvidas de que a MP 215835 e demais dispositivos legais e regulamentares em que se fundamentou a fiscalização paga a emissão do Auto de Infração objeto da presente impugnação padecem de flagrantes e incontestáveis inconstitucionalidades formais e materiais na parte em que redefine, restringe e limita a ampla noção das entidades elencadas no art. 150, III, “c” e cria requisitos que restringem o alcance das imunidades asseguradas às entidades beneficentes, estabelecendo a incidência da Cofins sobre parte de suas receitas. É interessante salientar que conforme consta de sua contabilidade, a totalidade de suas receitas é aplicada na atividadefim da entidade. O art. 146, III, diz que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente definição de tributos, suas espécies, bem como em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuinte, obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributária, adequar o tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Então o regime jurídico dessas contribuições é o regime jurídico dos tributos. O art. 150, I, veda que a União, os Estados, os Municípios e o DF exijam ou aumentem tributos sem que a lei os estabeleça. Então, essas contribuições estão plenamente sujeitas ao princípio da legalidade, e também ao princípio da anterioridade, inc. II, a e b ... (ou ao § 6º do art. 195). O tema relativo à natureza jurídica das contribuições sociais também já não comporta maiores discussões, pois tanto a doutrina quanto a jurisprudência brasileiras, mormente depois da CF/1988, são unânimes em reconhecerlhes a natureza tributária. Do pedido: Requer o cancelamento das exigências contidas no auto de Infração, em vista dos fundamentos jurídicos e das provas carreadas aos autos, em especial com fulcro nas conclusões a seguir: a) o art. 195, § 7º, da CF, concede às entidades sem fins lucrativos imunidade às contribuições sociais, dentre elas a Cofins, desde que preenchidos os requisitos em lei. Estes requisitos, indiscutivelmente são aqueles presentes no art. 14 do CTN. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 260 7 b) A MP 2.15835/01 trouxe a isenção da Cofins apenas para as receitas relativas às atividades próprias das entidades, contrariando o dispositivo constitucional, pois restringe o conceito de imunidade previsto no texto magno. c) Ainda que por absurdo não seja reconhecida a inconstitucionalidade da restrição albergada pela MP 2.158 35/01, teríamos a inexigência da Cofins das entidades sem fins lucrativos apenas das receitas derivadas das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos; d) A IN/SRF 247/02 definiu receitas derivadas de atividades próprias como aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e recentemente a IN/SRF 543/05 não só confirmou este conceito como também exigiu a apresentação do Dacon para as entidades sem fins lucrativos. Em virtude do Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, resta evidente que IN/SRF 247/02 não tem a competência para trazer a definição do que seja receita decorrente da atividade das entidades sem fins lucrativos. Qualquer restrição feita por Instruções Normativas sem amparo legal padece de vício formal, devendo ser considerada ilegal, sem que produza efeitos. No recurso, alegou ser entidade imune à Cofins, repetindo as alegações da impugnação. Contestou, ainda, a definição de “receitas de atividade próprias” adotada pela Fiscalização. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No presente processo, é indiscutível a caracterização da Interessada como entidade beneficente de assistência social, uma vez que o Decreto n. 4.524, de 2002, estabelece o seguinte em seu art. 46, parágrafo único, conforme destaques a seguir efetuados: Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Vale dizer, embora o art. 55 da Lei no 8.212, de 1992, regule o art. 195, § 7º, da Constituição, a legislação infralegal trata as entidades de educação que possuam o certificado de entidade beneficente de assistência social (fl. 46 dos autos) como isentas da Cofins somente em relação às suas atividades próprias. No caso, aplicase o art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010, conforme abaixo destacado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, a interpretação do Decreto de que a entidade seria restritamente isenta e não imune não pode ser afastada pelo Carf. O que se pode discutir e o que se discute, portanto, no âmbito do presente recurso é o conceito de atividades próprias, efetuado pela IN SRF no 247, de 2002. Para analisar a questão, valeme inicialmente do voto proferido no âmbito do Recurso no 123.425, muito embora lá se tenha discordado do entendimento do Regulamento do PIS/Pasep e Cofins: Ocorre que há duas situações distintas. Primeiramente, há a isenção prevista na MP n. 2.15835, de 2001, art. 14, X, que diz respeito às entidades relacionadas no art. 13: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: “I templos de qualquer culto; “II partidos políticos; “III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; “IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; “V sindicatos, federações e confederações; “VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; “VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 261 9 “VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; “IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e “X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971.” Outra situação é a da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal: “7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” A disposição, na realidade, caracteriza uma imunidade subjetiva, já que a regra de não incidência está prevista no texto constitucional. Dispõe o no art. 150, VI, c, da Constituição: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: “(...) “VI instituir impostos sobre: “(...) “c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;” A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que as limitações do art. 150, VI, não se aplicam às contribuições sociais, uma vez que especificamente trata de impostos1. Ademais, sendo a Cofins contribuição incidente sobre o faturamento, não está abrangida por essa imunidade, que se refere apenas ao patrimônio, renda e serviços das entidades de assistência social. 1 EMENTA: Imunidade tributaria. Contribuições para o financiamento da seguridade social. Sua natureza jurídica. Sendo as contribuições para o FINSOCIAL modalidade de tributo que não se enquadra na de imposto, segundo o entendimento desta Corte em face do sistema tributário da atual Constituição, não estão elas abrangidas pela imunidade tributaria prevista no artigo 150, VI, "d", dessa Carta Magna, porquanto tal imunidade só diz respeito a impostos. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 141715 / PE. Relator(a): Min. MOREIRA ALVES. Publicação: DJ DATA25081995 PP26031 EMENT VOL0179705 PP00838.) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 Portanto, para que seja imune à incidência da Cofins, a entidade deve ser de assistência social, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição e atender aos requisitos previstos em lei. No tocante à imunidade, a Lei n. 8.212, de 1991, encarregouse de dispor sobre as exigências, para sua fruição. A isenção a que se refere a MP n. 2.15835, de 2001, art. 14, aplicase às instituições de educação e de assistência social (art. 12 da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações (art. 15 da Lei n. 9.532, de 1997). Dispõem os mencionados artigos: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.189 49, de 2001) “(...) “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. “§ 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subsequente.” Portanto, o art. 12 definiu o que seriam as instituições de educação e as entidades de assistência social, para efeito da imunidade do art. 150, VI, c, da CF, enquanto que o art. 15 estabeleceu uma isenção para as entidades filantrópicas sem fins lucrativos. A MP n. 2.15835, de 2001, portanto, estendeu a isenção da Cofins às entidades relacionadas nos arts. 12 (imunes do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro) e 15 (isentas do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro) da Lei n. 9.532, de 1997, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do art. 195, § 7º, da CF. Portanto, as entidades beneficentes de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991) são imunes das contribuições sociais. Já as instituições de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 12 da Lei n. 9.532, de 1997) são isentas da Cofins, somente em relação às receitas próprias da atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 262 11 Há que se observar que o disposto no art. 17 da MP n. 2.15835, de 2001, não prejudicou a conclusão, pois o dispositivo referese à entidades beneficentes de assistência social, e não à instituição de assistência social. “Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991.” [...] Já a entidade beneficente de assistência social, além dessas condições, deve ainda satisfazer os outros requisitos do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991. Antes da Lei n. 9.732, de 1998, deveria ser reconhecida como e utilidade pública federal ou estadual (ou municipal), portar o certificado de filantropia do CNAS, promover a assistência social beneficente, não remunerar os diretores e aplicar o resultado operacional na manutenção de seus objetivos. Com a Lei n. 9.732, de 1998, passou a ser exigida a condição de prestar gratuitamente seus serviços. [...] Em relação às disposições da Lei n. 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, foram apresentadas as ADI n. 2028 e 2036 ao Supremo Tribunal Federal, que se manifestou da seguinte forma, no julgamento da medida cautelar na ADI 20282: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a ‘lei’ para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, 2 Relator: Min. Moreira Alves. Publicação: DJ DATA16062000 PP00031 EMENT VOL0199501 PP00150. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 12 embora o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’ sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, ‘c’, da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II (‘Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar’), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em consequência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar, na ADIN 2028, para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta, ficando prejudicada a requerida na ADIN 2036.” Fl. 11DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 263 13 A decisão do STF foi a seguinte3: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99.” Também reproduzo, para maior esclarecimento, a parte final do voto do Ministro Moreira Alves: “[...] Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade “seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos”), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades – que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam – que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. “De outra parte, no tocante às entidades sem fins lucrativos educacionais e de prestação de serviços de saúde que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, a própria extensão da imunidade foi restringida, pois só gozarão desta ‘na proporção do valor das vagas cedidas 3 Sítio do STF na Internet: <http://www.stf.gov.br/Jurisprudencia/It/imagem1.asp?classe=ADI%2DMC&processo=2028&tipo=221&ORIGE M=IT&cod_classe=555&ministro=0&remonta=1&disco=22&pagina=149&contador=1&ementa=1995&tipo_cole cao=EMENTARIO> Acesso em 25/05/2005. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 14 integral e gratuitamente a carentes, e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial’, o que implica dizer que a imunidade para a qual a Constituição não estabelece limitação em sua extensão o é por lei. “5. Também ocorre, para a concessão da liminar, o requisito do ‘periculum in mora’, tendo em vista a circunstância de que inúmeras entidades deixarão de ser consideradas como entidades beneficentes de prestação de serviços de saúde e de educação, com danos irreparáveis para a coletividade carente que vem sendo atendida por elas. “6. Em face do exposto, e pelas razões expostas, voto no sentido de ser referendado o despacho do eminente Ministro Marco Aurélio que concedeu a liminar requerida, concessão esta que, por aproveitar à requerida na ADIN 2.036, torna prejudicada a pedida nesta.” Foram, portanto, duas as alegações fundamentais trazidas ao exame do STF: 1) inconstitucionalidade formal, por não se tratar de lei complementar, e 2) inconstitucionalidade material, por ter a lei limitado o conceito de assistência social, como definido pela Constituição. A redação atual do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, é a seguinte: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) “I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; “II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) “III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) e (Vide Adin 20285, de 20.11.98) “IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; “V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) “§ 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 13DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 264 15 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. “§ 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. “§ 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 6o (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001)” Os dispositivos em negrito foram suspensos pela medida cautelar, inclusive o § 5º, que exigia, para as entidades que prestassem serviços de saúde, a prestação de no mínimo 60% ao Sistema Único de Saúde – SUS. A redação anterior do inciso III era a seguinte: “III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;” No acórdão 20177.757, votei com a divergência, manifestada em declaração de voto da Eminente Conselheira Adriana Gomes Rêgo Galvão. A divergência assentouse na descaracterização, como assistência social, de prestação de serviços não gratuitos, conforme demonstra a reprodução abaixo da declaração de voto: “É de se observar que, não obstante a recorrente possuir certificado de filantropia, o mesmo não significa dizer que se trata de entidade beneficente de assistência social, pois a assistência social envolve, como a própria Constituição consagra, a universalidade do serviço (‘a quem dela precisar’) e a gratuidade do mesmo (‘independentemente de contribuição à seguridade social’), de forma que se a empresa cobra pelo serviço prestado, não se pode falar em assistência social, e, por conseguinte, tais receitas devem ser tributadas.” Essa questão está explicitada no inciso III e no § 3º do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 1998, dispositivos esses que foram suspensos pela medida cautelar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 16 A questão tem os seguintes contornos: as disposições do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, determinam que somente se caracterizam como de assistência social as entidades que prestem serviços gratuitos; tais disposições foram suspensas pelo STF, em razão de ter entendido que o conceito de assistência social contida na Constituição é mais amplo (conteúdo material); a questão formal, de que somente lei complementar poderia ter instituído as limitações, embora considerada tese relevante, não determinou a concessão da medida cautelar4. Reproduzo parte do voto do Ministrorelator, que evidencia o afirmado (http://www.stf.gov.br/Jurisprudencia/It/frame.asp?classe=ADI MC&processo=2028&origem=IT&cod_classe=555): “Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito.” Nas restrições implementadas pela nova lei está a questão da obrigatoriedade da prestação de serviços gratuito, para que a entidade seja imune à Cofins. Portanto, a decisão do STF eliminou virtualmente as distinções que poderiam ser feitas, relativamente às duas situações analisadas, no que tange à gratuidade dos serviços (instituição de assistência social, isenta da Cofins, relativamente às receitas de atividades próprias; entidade beneficente de assistência social, imune à Cofins), permanecendo apenas os demais requisitos exigidos pela Lei n. 8.212, de 1991, que, no presente caso, são preenchidos pela recorrente, ao menos para parte do período objeto do pedido de restituição. A questão de mérito levantada nos presentes autos, portanto, está em discussão no Supremo Tribunal Federal, a quem caberá a última palavra. Se o Supremo Tribunal Federal decidir que as alterações da Lei n. 9.732, de 1998, são inconstitucionais, não se poderá negar o direito à restituição. Se decidir que são constitucionais, então a incidência da Cofins estaria correta, pois a isenção prevista na MP n. 2.15835, de 2001, não abrangeria as receitas de prestação de serviço. O que se conclui da análise acima é que a gratuidade não é condição para considerar uma entidade como “beneficente de assistência social”, tanto assim que as alterações da Lei no 9.732, de 1998, foram consideradas inconstitucionais. O fato é que, ainda que preste serviços de forma remunerada, a entidade pode ser considerada “beneficente de assistência social”. Portanto, não há como desqualificar a 4 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 265 17 receita de atividade remunerada como “própria” da entidade, pelo fato de ser contraprestacional. Por força do Regimento Interno, não se pode afastar a interpretação de que as entidades de educação não são imunes mas apenas isentas da Cofins em relação às receitas de atividades próprias. Entretanto, sendo plenamente possível a apreciação dessa última matéria e não havendo definição legal do que seja “receita de atividade própria”, há que se afastar a interpretação contida na IN da Receita Federal, diante de tudo o que foi acima exposto. Por fim, devese citar o que já foi decidido pelo antigo 2o Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação à Fundação Universidade do Vale do Itajaí no processo 10909.000846/0043: COFINS IMUNIDADE As entidades beneficentes que prestam assistência social no campo de educação, para gozarem da imunidade constante do parágrafo 7° do art. 195 da Constituição, devem atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei n°8.212/91. Recurso provido. (Ac. 20309.843) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/06/1994 a 31/01/1999 IMUNIDADE DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. REQUISITOS. Anteriormente à Lei n" 9.732, de 1998, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em medida cautelar que suspendeu parte de seus dispositivos, a legislação não exigia a gratuidade de todos os serviços das instituições de educação para terem direito à imunidade subjetiva do art. 195, § 7, da Constituição Federal. O certificado expedido pelo CNAS constitui prova da satisfação dos requisitos legais para a fruição da imunidade, que somente poderia ser elidida por contraprova especifica produzida pelo fisco. Recurso Especial do Procurador Negado (Ac. CSRF 0203.493) Dessa forma, em relação às receitas vinculadas à prestação de serviços de ensino, incide a isenção relativa às atividades próprias. Tais receitas referemse às mencionadas contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção e aulas de recuperação. Quanto às receitas financeiras, juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos, caberia sua exclusão à vista da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins promovida pelo art. 3º da Lei no 9.718, de 1998 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 18 O art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. [...] Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. Quanto aos aluguéis e renda de praça de esportes, no entanto, não se trata de receitas de atividade própria, no sentido de que não se referem às atividade de educação. Tais receitas, ademais, enquadramse no conceito de faturamento, pois representam o produto de vendas não relacionados à educação. Vejase que o STF, no agravo regimental no RE n. 371258/SP (DJ 2710 2006 PP00059, VOL0225304 PP00722), decidiu o seguinte: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Dessa forma, enquadramse no conceito de faturamento e não estão abrangidos pela isenção. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, mantendo o lançamento apenas em relação às receitas de aluguel e de locação de quadras. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 266 19 Voto Vencedor Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Redatora Designada Pedi vista dos autos para aprofundar a análise da questão. É cediço que a legislação referente às entidades sem fins lucrativos é um complexa pela sua quantidade de dispositivos, conceitos e diversidade de interpretações, tendo sido a matéria conceituada de forma particular pela Receita Federal (por meio de instruções normativas e respostas à consultas), pelo Supremo Tribunal Federal (em Ações Diretas de Inconstitucionalidades – ADI – e análise de Recursos Extraordinários) e pelas entidades sem fins lucrativos. Tratase de entidade sem fins lucrativos que exerce a atividade de educação, nos termos de seu estatuto social, a saber: “Conforme consta do Art. 1° de seu Estatuto Social, a Recorrente é "uma ASSOCIAÇÃO, de caráter beneficente, educacional, cultural, de assistência social e promoção humana", e tem por finalidade, nos termos do art. 4° do Estatuto Social: ‘Art. 4° A ASSOCIAÇÃO tem por finalidade, na medida de suas possibilidades: I) dedicarse à educação, ao ensino em todos os níveis e à difusão ilimitada das ciências, letras, artes, filosofia e religião, por todos os meios que oferece a palavra escrita, falada e exemplificada, e a imagem, inclusive os Meios de Comunicação Social, contribuindo para o desenvolvimento integral do ser humano; II) contribuir para a instrução, educação e promoção das pessoas, colaborando ou fundando e mantendo escolas, em todos os níveis, e outras práticas de educação e promoção humana; III) promover a assistência social através da proteção à família, à maternidade, à criança, ao adolescente, à juventude e à velhice, prestandolhes atendimento e amparo; IV) colaborar ou empreender movimentos ou eventos cívicos, sociais, religiosos, culturais, educacionais, artísticos, recreativos, esportivos e congêneres; V) promover a prática da solidariedade humana, moral e material, coordenando, incentivando e colaborando com ações, movimentos e atividades em favor de pessoas ou grupos em todos os níveis de desamparo, da infância à velhice.’” (Transcrição das fls. 218/219 dos autos destaquei.) Consta dos autos que a Recorrente possui todos os certificados e documentos comprobatórios do desempenho de sua atividade e do atendimento das finalidades sociais, posto que inexiste qualquer discussão acerca da regularidade de sua constituição e manutenção Fl. 18DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 20 como entidade sem fins lucrativos. Registro ainda que o próprio Conselheiro Relator registra esta condição “no profits” da entidade em questão, inclusive pontuando pela impossibilidade de raciocínio adverso. Desta forma, admito a premissa da forma como apresentada. A autuação pretende exigir a COFINS – Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social, nos termos da Lei Complementar 70/91 (LC 70/91) e da Lei Ordinária nº 9.718/98, que seria supostamente devida e não recolhida sobre valores recebidos pela Recorrente a título de (a) contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção, aulas de recuperação; (b) alugueis, renda de praça de esportes e (c) receitas financeiras: juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos. Vários são os argumentos a serem analisados: (i) imunidade ou isenção; (ii) gratuidade obrigatória; (iii) conceito de atividade própria. (i) Imunidade ou Isenção A Recorrente apresentou longo arrazoado sobre a condição de imune da Recorrente, e toda a discussão doutrinária e jurisprudencial que alcança o § 7º do artigo 1955. Trouxe à baila as questões relativas à inconstitucionalidade formal e/ou material das leis ordinárias (especificamente da MP 2.15835, art. 14, inc. X) que, ao “regulamentar” o mencionado parágrafo 7º, teriam restringido a imunidade constitucional das entidades sem fins lucrativos. A despeito do posicionamento pessoal desta relatora, concordo com o d. Conselheiro Relator que lembrou que “Por força do Regimento Interno, não se pode afastar a interpretação de que as entidades de educação não são imunes mas apenas isentas da Cofins em relação às receitas de atividades próprias.” A questão atinente à constitucionalidade das Leis que dispõe sobre o assunto, não podem ser analisadas no foro administrativo, por expresso impedimento regimental. Trata se de entendimento sumulado neste Conselho, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nestes termos, por estar impedida de analisar a constitucionalidade de leis que restrinjam o conceito de imunidade, acompanho a decisão do ilustre relator. Todavia, lembro que a tese, impossibilidade de lei ordinária restringir direito garantido constitucionalmente (inconstitucionalidade formal e material), é objeto de diversas Ações Diretas de Inconstitucionalidades – ADI, dentre elas a ADI 1.8023 DF, por meio da qual o Rel. Min. Sepúlveda Pertence suspendeu os §§ 1º e 2º, alínea ‘f’ do art. 12, caput do art. 13 e art. 14 da Lei nº 9.532/976 e a ADI 2.0285 e 2.0366, em que o Ministro Moreira Alves suspendeu os arts. 1º, 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/98. 5 "Art. 195. (...) §7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." 6 "Trecho do voto do Ilmo. Min. Sepúlveda Pertence, que concedeu a medida liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.80203: (...) Inconstitucionalidade formal, porque a norma atinente à delimitação do objeto da imunidade supera a alçada à Lei Ordinária e se reserva segundo o parâmetro do precedente acolhido à Lei Complementar. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 267 21 (ii) Da Gratuidade Obrigatória Outra razão que justificou a autuação foi o entendimento, pelos agentes fiscais, de que a atividade desenvolvida pela Recorrente teria que ser obrigatoriamente gratuita (aplicação da Instrução Normativa – IN/SRF – 247/02). Nos termos da mencionada IN, o fato de parte de seus serviços ser remunerado, de existir uma contraprestação, seria razão para a incidência contribuição à COFINS. Define a Instrução Normativa n° 247/2002 em seu art. 47, verbis: "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." – destaquei. O posicionamento que tenho externado em outros julgados similares7 está de acordo com a conclusão apresentada pelo ilustre Relator. Assim como se verifica do voto do d. Conselheiro, o entendimento apresentado é pela possibilidade de a entidade sem fins lucrativos desenvolver atividades remuneradas, isto é, obter uma contraprestação por parte de seus Mas ao primeiro exame há também a constitucionalidade material: "rendimentos e ganhos de capital em aplicações financeiras" são renda, alcançados, depois, pela imunidade constitucional, quando beneficiada dela a instituição imune e, portanto, não suvtraíveis, sequer por lei complementar, do âmbito da vedação constitucional de tributar. Uma das informações prestadas questiona (sic) é se as aplicações do mercado financeiro são atividades próprias de instituição beneficiente sem finalidade lucrativa. Como antes ficou dito, o que descaracteriza, para o fim da imunidade, a instituição de fins não lucrativos não é que ela possa ter resultados financeiros positivos, mas, sim, que se destine a distribuir esses resultados como lucros a seus associados. Esse o quadro, defiro parcialmente a cautelar para o fim de suspender, até a decisão final da ação direta, a vigência do §1º e da alínea 'f' do §2º, ambos do art. 12, além dos art.13, caput, e 14, da Lei 9.532/97, indeferindoa quanto mais." 7 RE 130.378 Relatora Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas "COFINS – ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS – ATIVIDADE DE ENSINO – CONCEITO DE ATIVIDADE PRÓPRIA As entidades sem fins lucrativos estão isentas do recolhimento da COFINS sobre a sua atividade própria (MP 2.15835, art. 14, inc. X, c/c o art. 13, inc. IV e Decreto 4.524/02, artigo 46, inc. II, parágrafo único). Devese entender como atividade própria todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 9.718/98 IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A Lei nº 9.718/98 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Não é possível considerar devida, pelo contribuinte, contribuição decorrente de lei nula. RECURSO PROVIDO." Fl. 20DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 22 serviços. O ilustre Conselheiro fundamenta seu posicionamento na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI 20285 (Ação Direta de Inconstitucionalidade), que suspendeu a eficácia dos dispositivos legais que descaracterizavam, como fins lucrativos, as entidades que prestavam serviço remunerado, quais sejam: arts. 1º, 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/98. O entendimento da Suprema Corte – como não poderia deixar de ser – é no sentido de que as entidades filantrópicas podem e devem ter outra receita além daquela decorrente de doações, conforme voto proferido pelo Ministro Moreira Alves na mencionada ADI, verbis: “É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade “seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos”), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades – que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam – que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. (...)” – destaquei. Ainda, a interpretação pretendida pela Secretaria da Receita Federal vai de encontro com a própria legislação, que não apenas vislumbra a possibilidade de a entidade obter receitas, como prevê a destinação que estas receitas deverão ter. Neste está raciocínio o Ilmo. Min. Sepúlveda Pertence, ao analisar a ADI nº 1.80203, interposta contra dispositivo de lei que pretendeu tributar as receitas financeiras das entidades sem fins lucrativos, a saber: “A objeção de que as instituições de saúde de fins não lucrativos – objeto das normas discutidas – não integrariam categoria econômica é de recusar: conforme a própria característica de “entidades sem fins lucrativos” constante do art. 3º do art. 12 da lei questionada – “a que não apresente superavit em suas contas, ou caso os apresente em determinado exercício, destine o referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado” – faz claro que não as descaracteriza o exercício da atividade econômica, desde que o saldo positivo não se converta em lucro a ser distribuído aos associados.” – destaques no original, grifos meus. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 268 23 A meu sentir, é mais do que claro que, ao complementar a função do Estado, as entidades sem fins lucrativos, desenvolvem papel importantíssimo para a sociedade, correspondente à uma contribuição muito maior do que o tributo que deixaram de recolher. É uma atividade imprescindível e que, exatamente por isso, é – e tem que ser incentivada, sendo defeso à administração pública restringir direito constitucional e legalmente garantido. Neste sentido, tomo as sempre precisas lições de outro Conselheiro desta casa, Fernando da Gama Lobo D‘Eça8, a saber: “Sob o ponto de vista subjetivo de sua aplicação concreta, verificase que a imunidade tributária é concedida ‘intuitu personae’ às instituições de educação, de saúde e de assistência social sem fins lucrativos e, por consubstanciar uma exceção aos princípios da generalidade, da igualdade, da uniformidade e da universalidade da tributação, somente se justifica sob o primordial ‘interesse público’ existentes nas atividades e serviços por ela desenvolvidos e desinteressadamente prestados à coletividade, nas respectivas áreas sociais de atuação (saúde, educação, assistência social, cultura, habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência, desenvolvimento científico,artístico e tecnológico, desporto e lazer, etc) que, por corresponderem ao atendimento de ‘direitos sociais’ assegurados pela Constituição, o Estado tem o dever de prestar e de estimular (arts. 194,196, 205, 206, 208 e 215 a 218 da CF/88) e, se viesse a prestar com a mesma amplitude e eficiência do setor privado, ou a subvencionar na mesma medida, como deveria, incorreria em custos muito superiores ao valor da tributação inibida.” – destaquei. Ante o exposto, concordo com o Ínclito Conselheiro Relator que reconheceu a suspensão dos dispositivos legais que permitiam à administração pública tributar as receitas advindas da contraprestação de serviços das entidades sem fins lucrativos. (iii) Do Conceito de Atividade Própria Por fim, justifica a autuação a conceituação realizada pela fiscalização de atividade própria das entidades sem fins lucrativos. Para melhor compreensão, passo a apresentar brevemente a evolução histórica da legislação. A não incidência da COFINS em relação às atividades próprias das associações sem fins lucrativos já existia quando da vigência da contribuição ao FINSOCIAL, criada pelo DecretoLei nº 1.940/82. O Regulamento trazido pelo Decreto nº 92.698/86, retirava do campo de incidência do FINSOCIAL as receitas de operações próprias daquelas entidades, posto que as mesmas não se situavam no conceito de empresa a que se refere a citada matriz legal do FINSOCIAL. Com a declaração de inconstitucionalidade da contribuição ao FINSOCIAL e a conseqüente instituição da COFINS pela Lei Complementar nº 70/91, algumas dúvidas 8 in "PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", MP Editora, artigo "Aspectos Constitucionais das Contribuições Sociais Incidentes Sobre a Receita e o Faturamento das Empresas", fls. 185/186. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 24 surgiram a respeito da incidência da COFINS em relação às receitas das associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Para dirimir tais dúvidas foi editado, pela Secretaria da Receita Federal SRF, o Parecer Normativo nº 05/92, que esclareceu que a COFINS (instituída e aplicável de acordo com as disposições contidas na Lei Complementar nº 70/91) não incidia sobre as contribuições, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatutos das entidades sem fins lucrativos. Entretanto, o mesmo Parecer previu em seu item 6 que são incluídas, na base de cálculo da referida contribuição, as receitas decorrentes de prestação de serviço e/ou venda de mercadorias, mesmo que exclusivamente para seus associados. No ano de 1999, foi publicada a Medida Provisória nº 1.856 (29/06/99), posteriormente convertida na Medida Provisória nº 2.15835/01 (24/08/01), a qual em seu artigo 14, inciso X9, tratava especificamente da isenção da COFINS às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos, referidas no artigo 13 daquele mesmo dispositivo legal (dentre elas, as associações civis). O dispositivo, por determinação legal, foi aplicado aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. No âmbito administrativo, na intenção de complementar o entendimento da Secretaria da Receita Federal (PN nº 05/92), editouse a já mencionada Instrução Normativa SRF nº 247/02, a qual estabelece que define receita de atividade própria as receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, e exclui deste conceito as receitas de caráter contraprestacional, a saber: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º 10 desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e 9 A Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, e reedições (redação final MP 2.15835), assim dispôs em seu art. 14: "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13." (Grifouse) O art. 13 citado, aponta essas entidades: “Art. 13. 1 templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei No 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei No 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu §1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971." 10 Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: ...omissis... IV – instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...) Fl. 23DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 269 25 II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” – destquei. Assim, conforme o supra transcrito artigo e de acordo com o entendimento que vem sendo apresentado pelos Agentes Fiscais, este confirmado pela decisão de primeira instância administrativa11, a isenção da COFINS para as entidades sem fins lucrativos abrangeria apenas as receitas descritas nos termos da Instrução Normativa. As demais receitas auferidas pelas entidades sem fins lucrativos, incluindo àquelas de caráter contraprestacional ou financeiro, mesmo que estejam voltadas ao desenvolvimento do objeto social da entidade, sujeitamse ao recolhimento da COFINS. Desta forma, pareceme claro que o citado artigo da IN 247/02 alterou (na medida em que restringiu) o benefício tributário de isenção concedido às entidades sem fins lucrativos pelo artigo 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/01 (i.e. isenção em relação às receitas de atividades próprias). Todavia, tal restrição não pode ser levada a efeito, uma vez que, nos termos do artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN) a legislação tributária que dispõe sobre isenção deve ser interpretada de forma literal. Ademais, retirar o benefício fiscal resulta em criar exação, o que gera a conseqüência de criar tributo por instrução normativa, o que também não é possível. In casu, a Recorrente é entidade educacional, voltada única e exclusivamente à atividade de educação, o que foi comprovado por seu contrato social e pela própria fiscalização, que não fez qualquer ressalva a este respeito. Registrese que a autuação alcançou as receitas decorrentes de (a) contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção, aulas de recuperação; (b) alugueis, renda de praça de esportes e (c) receitas financeiras: juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos. Necessário mencionar que todos os valores autuados foram aplicados no desenvolvimento das atividades da própria entidade. No que se refere às receitas mencionadas no item (a), em vista do objeto social da entidade, não resta dúvida de que são receitas decorrentes do exercício da atividade da Recorrente. 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente Fl. 24DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 26 Em relação ao item (b), receitas de aluguel, em vista do disposto no estatuto social a título de objeto social, não vejo como interpretar os valores como sendo decorrentes de atividade própria. No que se refere ao item (c), receitas financeiras, entendo que, por sua vez, não implicam exercício de atividade diversa daquela própria da associação, constituindo mero mecanismo para a boa gestão dos ativos da entidade de modo a ensejar o cumprimento das suas finalidades12. Melhor explicando, ainda que as receitas da Recorrente sejam provenientes de aplicações financeiras, entendoas vinculadas ao objetivo social da entidade sem fins lucrativos, mesmo porque oriundas dos cursos ou doações recebidas. No meu entender, tratase de acessório do principal, e se o principal é isento, da mesma forma não se deve tributar o acessório. Caso assim não fosse, as entidades seriam obrigadas a ficar com seu capital estagnado, sem aproveitar de simples aplicações financeiras que têm como objetivo único e exclusivo aumentar o capital já existente e que será investido na própria entidade. Neste caso estarseia tratando de irresponsabilidade do gestor administrativo da entidade. Em relação a esta forma de interpretação, cito decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região Fiscal (Porto Alegre – RS): “TRIBUTÁRIO. COFINS. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. Os arts. 13 e 14, inciso X, da MP 2.158/2001 c/c art. 15 da Lei 9.532/97 outorgam isenção da COFINS relativamente às receitas de associações sem fins lucrativos oriundas das atividades próprias das entidades. Serviços atinentes ao cumprimento das finalidades estatutárias se inserem dentre as atividades próprias da entidade. (AMS 2004.71.01.0010553/RS, Acórdão 875854 de 25/10/05)” (grifos nossos) (iv) Da Tributação pela Lei nº 9.718/98 Como se não bastasse, há ainda a questão de que todos os valores restantes nesta autuação se referem ao alargamento da base de cálculo realizado pela Lei 9718/98, já considerada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal. Realmente, é do domínio público, “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal”, redação esta anterior a EC nº 20/98 (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226 PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE 12 Parte da decisão proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 2004.71.01.0010553/RS, Acórdão 875854 de 25/10/05, TRF 4ª Região, Relator: Juiz Federal Leandro Paulsen. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 270 27 nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça cito “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475 L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF”. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteira mente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” No caso concreto verificase que as acusações fiscais do lançamento fiscal excogitado, se fundamentam na disposição legal inconstitucional e versam sobre receitas não operacionais (“receitas financeiras e receita de aluguel”) que se inserem na base de cálculo julgada inconstitucional, o que, nos termos da Jurisprudência citada “torna ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação”. Ainda, na hipótese de entenderse que nenhuma receita autuada referese à atividade da Recorrente, conseqüência inevitável seria entendêlas, também, não operacionais e, portanto, excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins. Em face do exposto, peço vênia para divergir parcialmente do ilustre relator para o fim de dar provimento ao recurso voluntário, para que seja reformada a r. decisão proferida pela DRJ porque (i) não há impedimento de as entidades sem fins lucrativos prestarem serviços remunerados; (ii) as receitas estão abarcadas pelo conceito de atividade própria da Recorrente e (iii) a exação é inconstitucional e já foi desta forma declarada pelo Fl. 26DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 28 STF, sendo inadmissível manterse cobrança fundada em norma nula; devendo ser cancelado o auto de infração lavrado contra a Recorrente. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 27DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
