Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13851.001513/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS ODONTOLÓGICAS E MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. DEDUTIBILIDADE.
A legislação tributária autoriza a dedução de despesas odontológicas e médicas da base de cálculo do imposto de renda, desde que serviços prestados sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF do beneficiário e do prestador, além da identificação deste último no conselho profissional de classe. Recibos portadores dos requisitos legais exigidos para a dedução das despesas declaradas na DIRPF devem ser considerados pela autoridade fiscal como justificadores da dedução pleiteada. Deduções restabelecidas.
Numero da decisão: 2201-005.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução de despesas médicas nos valor de R$ 11.013,00.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS ODONTOLÓGICAS E MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. DEDUTIBILIDADE. A legislação tributária autoriza a dedução de despesas odontológicas e médicas da base de cálculo do imposto de renda, desde que serviços prestados sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF do beneficiário e do prestador, além da identificação deste último no conselho profissional de classe. Recibos portadores dos requisitos legais exigidos para a dedução das despesas declaradas na DIRPF devem ser considerados pela autoridade fiscal como justificadores da dedução pleiteada. Deduções restabelecidas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.001513/2005-81
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6055634
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.390
nome_arquivo_s : Decisao_13851001513200581.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 13851001513200581_6055634.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução de despesas médicas nos valor de R$ 11.013,00. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7876378
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300727025664
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-26T17:48:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-08-26T17:48:08Z; Last-Modified: 2019-08-26T17:48:08Z; dcterms:modified: 2019-08-26T17:48:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-26T17:48:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-26T17:48:08Z; meta:save-date: 2019-08-26T17:48:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-26T17:48:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-08-26T17:48:08Z; created: 2019-08-26T17:48:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2019-08-26T17:48:08Z; pdf:charsPerPage: 1897; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-26T17:48:08Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13851.001513/2005-81 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.390 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2019 Recorrente FARID JACOB ABI RACHED Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS ODONTOLÓGICAS E MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. DEDUTIBILIDADE. A legislação tributária autoriza a dedução de despesas odontológicas e médicas da base de cálculo do imposto de renda, desde que serviços prestados sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF do beneficiário e do prestador, além da identificação deste último no conselho profissional de classe. Recibos portadores dos requisitos legais exigidos para a dedução das despesas declaradas na DIRPF devem ser considerados pela autoridade fiscal como justificadores da dedução pleiteada. Deduções restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução de despesas médicas nos valor de R$ 11.013,00. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 15 13 /2 00 5- 81 Fl. 150DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 113/121) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2002, ano-calendário de 2001, pela DRF — Araraquara/SP, que reduziu o imposto a restituir apurado pelo contribuinte para R$ 847,33. Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2002, quando foram apuradas as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício corn a Sta. Casa de Mis. Araraquara (CNPJ 43.964.931/0001-12), no valor de R$ 3.088,70, conforme DIRF; b) deduções indevidas a titulo de despesas com instrução no valor de R$ 524,40, em virtude da falta de observância do limite individual para despesas com instrução de dependente; c) deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 14.013,00, por falta de comprovação da efetividade do pagamento; O imposto de renda retido na fonte foi alterado para R$ 3.379,95, alteração essa efetuada sem verificação de incidência de infração à legislação. Os enquadramentos legais encontram-se as fls. 35 dos autos. A ciência do lançamento ocorreu em 09/10/2005 (fls.102) e, em 31/10/2005, o contribuinte apresentou impugnação, em petição de fls. 01/22, acompanhada dos documentos de fls. 24/2840, com as alegações abaixo transcritas. Deduções com Despesas Médicas Afirma que tem direito à dedução das despesas declaradas e comprovadas, sendo indevida a glosa existente, uma vez que apresentou os comprovantes que demonstraram, claramente, as despesas médicas e odontológicas efetuadas, conforme requisitos estabelecidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu artigo 80. Entende que somente caberia a exigência de cheque para comprovação das despesas, no caso de não ser possível a prova por documento que preencha os requisitos estabelecidos no RIR. Alega que o Auto de Infração encontra fundamento tão somente em mera presunção de inidoneidade dos recibos médicos apresentados, sem qualquer prova em contrário. Continua alegando que milita em favor do impugnante o princípio da boa fé. Cita doutrina sobre a adoção arbitrária de presunção pelo Fisco e o princípio da boa fé. Afirma que não foram demonstrados os elementos que compõe o fato jurídico tributário e que esse ônus é do poder público já que a esse compete, de modo privativo e obrigatório, a constituição do crédito tributário. Ressalta que houve desrespeito ao princípio da publicidade, pela impossibilidade do impugnante tomar ciência à época do tratamento médico e odontológico de que os recibos emitidos seriam inidôneos. Fl. 151DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 Da Omissão de Rendimentos Alega que o auto de infração não especifica quais foram os rendimentos omitidos, deixando de propiciar ao impugnante a oportunidade de apresentação de defesa sobre os fatos, bem como deixando de atender ao disposto no art. 926 do RIR, o qual aduz que o auto deve ser lavrando em observância ao Decreto 70.235/72. Conceito de Renda - Dedução Indevida de Instrução Afirma que não está à disposição do legislador infraconstitucional a modificação do conceito de renda, não podendo esse conceito sofrer restrições e limitações a ponto de desnaturá-lo. Aduz que, pela análise do texto constitucional, o conceito de renda deva ser entendido como acréscimo patrimonial, ou seja, o resultado positivo do confronto entre entradas e saídas, levando-se em consideração determinado lapso de tempo. Entende que o fato de não considerar como dedutíveis os pagamentos efetuados por parte do impugnante resulta em infringência ao conceito constitucional de renda. Ressalta que o art. 77 do RIR possibilita a dedução por dependente, tendo o impugnante o direito de deduzir os valores dos dependentes, independente do limite individual. Dos Juros Selic Alega que a incidência da taxa SELIC sobre o suposto débito apontado no auto não encontra respaldo jurídico. Discorre sobre três categorias de juros, afirmando que os juros moratórios constantes do auto possuem caráter de indenização, tendo por pressuposto a mora, agindo como complemento indenizatório da obrigação principal. Entende que, em matéria tributária, os juros moratórios visam recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir a obrigação. Afirma que foi a Lei 9.065/95 que primeiro determinou a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora devidos, com regulamentação da sua forma de cálculo pelas Circulares BACEN 1.594/90. 2.311/93 e 2.671/96. Alega que o caráter estritamente remuneratório da taxa SELIC não permite sua utilização para qualquer outra finalidade que não seja remunerar o capital alheio, não se prestando para a indenização objetiva nos juros morat6rios. Acrescenta que a adoção da taxa SELIC como suposto juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional. Discorda que a cobrança da taxa SELIC esteja autorizada pela Lei 9.065/95, com fulcro no artigo 161, parágrafo primeiro do CTN, pois entende que a citada lei está desrespeitando o artigo 110 do CTN, uma vez que desnatura a cobrança dos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, transmutando-lhe o caráter de moratório para remuneratório. Afirma que, tendo em vista a inexistência de lei ordinária disciplinado o cálculo dos juros de mora, só podem ser adotados os juros previstos no artigo 161, parágrafo primeiro do CTN, A taxa de 1% ao mês, tendo esse percentual como limite máximo para as taxas de juros moratórios e nunca como limite mínimo. Conclui reconhecendo que a lei pode fixar percentual superior a 1%, não concordando, no entanto, que a lei que regulamente a matéria possa delegar a quantificação dos juros a órgão da administração federal, portanto, integrante do Executivo, que é parte interessada na cobrança do tributo. Da Multa Confiscatória Fl. 152DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 Insurge-se contra a multa aplicada, alegando que sua aplicação ofende aos princípios da razoabilidade (art. 5, inciso LIV) ou proporcionalidade e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. Discorda do valor da multa de até 150%, em virtude de, em momento algum, ter o impugnante sonegado as informações solicitadas. Solicita, no caso de não ser cancelada a multa aplicada, a redução ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, parágrafo segundo, da Lei 9.430/96. Ante o exposto, requer a acolhida da impugnação e a improcedência do lançamento. O contribuinte requer a juntada posterior do instrumento procuratório e, que nessa oportunidade, também sejam anexados documentos, no entanto, anexa apenas procuração e substabelecimento As fls. 26/27, respectivamente. O julgamento do presente processo pela DRJ/Brasilia-DF se da em face da transferência de competência instituída pela Portaria RFB n° 204, de 11 de fevereiro de 2008, publicada no DOU em 12/02/2008. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com os termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 REQUISITOS DA LAVRATURA. CONFIGURAÇÃO. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no artigo 10 Decreto n° 70.235/1.972, não lida que se cogitar em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas medicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto a regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DEDUÇÃO DE INSTRUÇÃO. REQUISITOS. É permitida a dedução de despesas com instrução, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea, respeitando-se o limite individual anual estabelecido pela norma de regência. Lançamento Procedente 03 - Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às fls. 124/147 refutando os termos da decisão de piso. Fl. 153DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 - Passo a analisar o presente recurso na ordem de suas alegações independentemente de versarem sobre o mérito ou como preliminar, posto que assim foi organizada a peça recursal. A presunção adotada no auto de infração (a dedução com despesas médicas/odontológicas) 06 – O contribuinte questiona apenas as deduções de despesas médicas e odontológicas no presente recurso, não questionando as deduções de despesas educacionais. 07 – Quanto às despesas médicas e odontológicas a decisão de piso restou assim fundamentada: É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. E o que ocorre no caso das deduções. Verifica-se, pelos artigos citados acima, que só serão deduzidas as despesas devidamente comprovadas, sendo do contribuinte o ônus dessa comprovação. O art. 11, § 3° do Decreto-Lei no 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. As deduções são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do Decreto-Lei n 9 5.844, de 1943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, mormente quando restar dúvidas quanto a idoneidade do documento. Também é equivocado entender-se que o inciso III do art. 8° da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação refere-se aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato Fl. 154DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8° da Lei 9.250, de 1995. Documentos, de natureza particular, por si só, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento. No presente caso, é de ressaltar que em relação aos recibos emitidos pelas fisioterapeutas Cleide Mazzeo Grande (Fls. 77/80) e Cilmara Cordano Nogueira (81/86), e pela odontóloga, Claudia R. B. de Freitas (fls. 87/89), não restaram comprovados o desembolso dos valores e a efetiva prestação dos serviços por parte desses profissionais, razão pela qual não serão aceitas tais deduções. Dessa forma, só foram consideradas as deduções com despesas médico-odonto- hospitalares, no valor de R$ 2.104,56, registrada no comprovante de rendimentos As fls. 54 e as despesas realizadas com a Unimed Araraquara, no valor de R$ 6.192,64, comprovadas as fls. 76. Assim, mantém-se a glosa das despesas médicas, no valor de R$ 14.013,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento e prestação dos serviços. 08 – No caso em questão o lançamento da glosa de tais despesas estão assim fundamentadas no lançamento, sem grifos no original: DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS NO VALOR DE R$ 14.01,00,EM VIRTUDE DO CONTRIBUINTE NÃO TER COMPROVADO A EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS, ATRAVÉS DE CHEQUES NOMINATIVOS OU COINCIDENTES EM DATA E VALOR AOS RECIBOS APRESENTADOS OU PROVA DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA VINCULADA AOS PAGAMENTOS" NA DATA DA REALIZAÇÃO DOS MESMOS", NÃO PERMITINDO A VERIFICAÇÃO INEQUÍVOCA DO NEXO CAUSAL ENTRE OS RECIBOS APRESENTADOS E OS PAGAMENTOS EFETUADOS. RAZÃO PELA QUAL NO INTERESSE DA FAZENDA NACIONAL GLOSO AS REFERIDAS DESPESAS (EXIGÊNCIA EM CONFORMIDADE COM 0 ARTIGO 73 DO RIR). ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 8, INCISO II, ALÍNEA A E PARÁGRAFOS 2 E 3DA LEI 9.250/95; ARTS. 43 A 48 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 15/2001. 09 – Em relação a esse ponto entendo que merece algumas considerações a respeito entre o que constou no lançamento e o que a Turma de piso julgou. Entendo que o único intento do lançamento para efetivar a glosa foi que faltou ao contribuinte demonstrar o efetivo pagamento de tais despesas, inclusive demonstra que deveria até mesmo demonstrar disponibilidade financeira para tanto. 10 – Contudo, entendo que a decisão da DRJ além dessa única condição, mudou o critério jurídico do lançamento ao indicar também como fundamento da glosa ao afirmar “não restaram comprovados o desembolso dos valores e a efetiva prestação dos serviços por parte desses profissionais, razão pela qual não serão aceitas tais deduções.” 11 – Não há por parte da autoridade lançadora a indicação de dúvidas quanto a efetiva prestação de serviços, tanto que sequer pediu comprovação desses elementos ao contribuinte, mas apenas a comprovação do efetivo pagamento. Fl. 155DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 12 – Portanto, cabe destaque esse ponto da decisão de piso na qual reformo sendo que esse Relator irá apenas analisar os recibos e confrontar com os valores e disponibilidade financeira do contribuinte. 13 – Em relação aos recibos das fisioterapeutas Cleide Mazzeo Grande no valor total de R$ 2.068,00 (fls. 83 a 86) contendo valores médios entre R$ 175,00 (mensais) e Cilmara Cordano Nogueira no total de R$ 1.845,00(fls. 87 a 92) constam recibos em média de R$ 135,00 a R$ 180,00 ao mês e recibos à dentista Claudia Regina B. Freitas no total de R$ 7.100,00 (fls. 93 a 95) em média de R$ 900,00 ao mês. 14 – Nesse caso, entendo pela análise da DIRPF do contribuinte às fls. 46/48 e o acerto da declaração de fls. 43, existe comprovação de disponibilidade financeira suficiente para fazer frente a tais despesas, levando em consideração que esse é o único motivo da glosa. Verifica-se que entre rendimentos tributáveis no valor de R$ 46.009,71 (considerando o lançamento) e os rendimentos isentos e não tributáveis R$ 112.786,55 (considerando o acerto da declaração), temos um total de R$ 158.796,26 de rendimento anual para fazer frente a um pouco mais de R$ 1.200,00 de despesas mensais com essas três profissionais. 15 - Ademais, os recibos dos profissionais acima indicados explicitam valores para tratamento dentário e de fisioterapia razoáveis e costumeiros para esse tipo de serviço, quais sejam, de pagamento periódicos, totalizadores da quantia de R$ 1.200,00, plenamente condizente com a condição econômica do Recorrente, conforme se abstrai da análise da sua DIRPF (fls. 46/48 e 43), e em nada reveladores de transferências de numerários que justificariam a consideração de movimentação financeira extraordinária. 16 - Outrossim, entendo que a exigência da comprovação do efetivo pagamento ou da transferência do numerário ao prestador do serviço perfaz instrumento que deve ser utilizado tendo por base o Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bom senso aplicada ao Direito. Esse bom senso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais decorrentes do Princípio da Legalidade tendem a primar o “texto” das normas ante o seu espírito. 17 - Portanto, compreendo legal a adoção desse instrumento quando diante de valores que, por sua monta, possam tornar a comprovação do efetivo desembolso difícil ou mesmo impossível, exclusivamente por corresponder a numerários de pequena monta. 18 - Imbuído deste primado, de igual forma é razoável considerar como comprobatórios da ocorrência da prestação de serviços odontológicos e médicos com os recibos emitidos em nome do Recorrente. 19 - Corrobora com este entendimento a Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013, que dirimiu situação para orientar as autoridades fiscais a considerarem o próprio contribuinte como beneficiário de serviços médicos prestados nas situações em que os recibos apresentados forem emitidos em seu nome, porém sem indicação do beneficiário, senão vejamos: “Solução de Consulta Interna nº 23 – COSIT Data: 30 de agosto de 2013 Origem: COORDENAÇÃOGERAL DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E Fl. 156DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 JUDICIAL COCAJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode- se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III.” (...) 9. Nos casos em que o comprovante de despesa médica contenha os requisitos formais estabelecidos no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, mas não a identificação do beneficiário dos serviços, e o contribuinte informe que a despesa médica se refere a tratamento próprio, pode-se presumir que os serviços foram prestados ao próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.” (grifei) 20 - Pelo exposto, neste ponto, voto por reformar a decisão de primeira instância para restabelecer a dedução das despesas odontológicas e médicas no total de R$ 14.013,00, devendo ser considerados pela unidade fiscal na execução do julgado para avaliar eventual valor a ser restituído ao contribuinte. Dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas –omissão de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas 21 - Em relação a esse tópico, por ser matéria eminentemente de prova documental, verificamos que às fls. 55 encontra-se extrato da DIRF da fonte pagadora CNPJ 43.964.931/0001-12 na qual encontra-se comprovado o valor de R$ 3.088,70 de rendimento omitido, não sendo cabível a alegação genérica recursal de que não houve a possibilidade de se efetuar a defesa, posto que o auto de infração é claro no sentido de identificar a fonte pagadora inclusive com documentos contendo informações que própria fonte enviou à Receita Federal, conforme descrito abaixo: Fl. 157DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 OMISSÃO E CORREÇÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO, RELATIVA A FONTE PAGADORA INDICADA A SEGUIR: 1)STA CASA DE MIS. ARARAQUARA - CNPJ: 43.964.931/0001-12 RENDIMENTO OMITIDO: R$ 3.088,70 (IRRF 13,71) PORTANT0,0 MONTANTE TRIBUTÁVEL TOTAL=R$ 41.149,71 (TODAS AS FONTES).OBS: TRATA-SE DE IN- FRAÇÃO CLARAMENTE DEMONSTRADA E APURADA, ATRAVÉS DA DECLARAÇÃO DA FONTE PAGADORA (DIRF),CONFORME PREVISTO NA ALÍNEA "A" DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART.3 DA IN SRF 094/97 (DOU 29/12/97). DO ART.3 DA IN SRF 094/97 (DOU 29 ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 1 A 3 DA LEI 7.713/88; ARTS. 1 A 3 DA LEI 8.134/90; ARTS. 1, 3, 6, 11 E 32 DA LEI 9.250/95; ART. 21 DA LEI 9.532/97; LEI 9.887/99; ART. 45 DO DECRETO 3.000/99 - RIR/1999. 22 - Portanto, nego provimento ao recurso nesse tópico. Dos juros 23 – No presente tópico trata-se de matéria sumulada e aplico ao caso os termos da Súmula Carf nº 04: Súmula CARF nº 4 - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da multa confiscatória aplicada 24 – Nesse tópico argumenta o contribuinte em síntese trata sobre o caráter confiscatório da multa de ofício de 75% desrespeitando o princípio constitucional do não confisco, devendo ser reduzida e a falta de amparo legal da multa. 25 – Afasto tais argumentos com a aplicação da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, importante mencionar que a multa de 75% é derivada de Lei e sua relevação não contem previsão legal. A respeito do assunto adoto como razões de decidir o quanto exposto no voto do I. Conselheiro Thiago Duca Amoni no Ac. 2002-001.117 j. 22/05/2019, verbis: Multa de ofício incidência e juros À luz do Direito Tributário, sem adentrar correntes doutrinárias específicas, o lançamento tributário é didaticamente dividido em três modalidades: lançamento de ofício, lançamento por homologação e lançamento por declaração. Fl. 158DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 Conforme dispositivos do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 159DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.390 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13851.001513/2005-81 No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipando-se a autoridade administrativa. Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social o lucro líquido, no anoDF calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não interessa ao presente processo, contudo, como fora mencionado acima, o lançamento por declaração é aquele em que a autoridade administrativa, frente a uma informação prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, exige o pagamento do tributo (por exemplo, o IPTU). Logo, como o contribuinte não cumpriu o dever de lançar corretamente o tributo devido, é correta a aplicação da multa de ofício. Conclusão 26 - Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar a glosa do valor de R$ 2.068,00 com as despesas médicas pagas a profissional Cleide Mazzeo Grande, R$ 1.845,00 com as despesas médicas pagas a Cilmara Cordano Nogueira e R$ 7.100,00 com as despesas odontólogas pagas a Claudia Regina B. Freitas na forma da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904478/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO.
A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na homologação da compensação até o limite do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1302-003.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13603.903850/2009-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na homologação da compensação até o limite do crédito pleiteado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.904478/2009-18
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6064161
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.901
nome_arquivo_s : Decisao_13603904478200918.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13603904478200918_6064161.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13603.903850/2009-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7909355
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300738560000
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-17T11:17:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-17T11:17:05Z; Last-Modified: 2019-09-17T11:17:05Z; dcterms:modified: 2019-09-17T11:17:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-17T11:17:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-17T11:17:05Z; meta:save-date: 2019-09-17T11:17:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-17T11:17:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-17T11:17:05Z; created: 2019-09-17T11:17:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-09-17T11:17:05Z; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-17T11:17:05Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13603.904478/2009-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.901 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2019 Recorrente IBIRITERMO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta na homologação da compensação até o limite do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13603.903850/2009-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 44 78 /2 00 9- 18 Fl. 79DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.901 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.904478/2009-18 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento a maior de IRRF, código 1708. De acordo com a FICHA DARF, o pagamento foi recolhido em 17/11/2005, no valor de R$ 1.706,82. A declaração não foi homologada pela DRF/Contagem/MG, pois o pagamento se encontra integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Foi apresentada manifestação de inconformidade com as seguintes alegações: Foi recolhido DARF no valor de R$ 1.706,82, conforme declarado na DCTF original, mas o valor correto seria de R$ 938,04. A diferença de R$ 770,78, objeto do crédito em comento, foi considerado em duplicidade na DCTF, já que se refere ao código 0473, informado na mesma DCTF e devidamente recolhido em outro DARF. Providenciou-se a retificação da DCTF, para o período de novembro/2005. A 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, cujo Acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador: 17/11/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. O recurso voluntário foi apresentado com as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, acrescentando que: Cita o artigo 32 do Decreto nº 70.235/72, alegando que, no seu entendimento, os documentos apresentados seriam suficientes para se comprovar o lapso manifesto e providenciou de imediato a retificação da DCTF. Para melhor elucidar o mérito, apresenta cópia do Livro Razão e do Diário, as arrecadações efetuadas, cópias das Notas Fiscais, e além de memória de cálculo para demonstrar o crédito a que faz jus. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.901 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.904478/2009-18 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1302-003.899, de 15 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13603.903850/2009-61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302-003.899): O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Conforme relatado, o direito creditório não foi reconhecido uma vez que o pagamento foi totalmente alocado ao débito de IRRF declarado na DCTF, código 1708, no mesmo valor do recolhimento de R$ 1.706,82. Por sua vez, a recorrente alega que incorreu em erro no preenchimento da DCTF original, e que o valor correto do débito de IRRF com código 1708, com vencimento em 17/11/2005, seria de R$ 938,04, e não de R$ 1.706,82. Teria se equivocado ao incluir o valor de R$ 770,78, que seria relativo ao IRRF com código 0473, cujo recolhimento ocorreu em 09/11/2005. Passo a julgar. A recorrente apresentou documentação que comprovam o erro no preenchimento da DCTF original. De acordo com o Razão da conta 2.1.3.01.02 – Imposto Retido, constam dois lançamentos no dia 07/11/2005, relativos a retenções do imposto de renda na fonte das Notas Fiscais nº 007853 (Deloitte Touche), no valor de R$ 282,76, e nº 123455 (Machado Meyer), no valor de R$ 653,28. As Notas Fiscais acostadas aos autos demonstram que são relativas a prestação de serviços de auditoria nas demonstrações financeiras e de honorários de advocacia, respectivamente. De acordo com o MAFON (Manual do Imposto na Fonte) de 2005, o código a ser utilizado é o 1708, sendo que o vencimento ocorre no terceiro dia útil da semana seguinte em que ocorrer a retenção. Como o lançamento contábil (fato gerador) ocorreu em 07/11/2005, o vencimento se deu em 17/11/2005, e o valor devido a título de IRRF, código 1708, é de R$ 938,04. A recorrente também apresentou documento emitido pela Sadi Customs Services, denominado Fechamento de Câmbio novembro/2005, no qual o pagamento de invoice em 09/11/2005, relativo a Winston & Strawn, fatura nº 892189, no valor de R$ 4.305,67, com IRRF de R$ 770,78. Ratificando as informações constantes deste relatório, no Razão da conta 2.1.3.01.02 – Imposto Retido, também consta o registro da retenção na fonte no valor de R$ 770,78, relativo ao Invoice nº 1892189, da Winston & Strawn LLP. De acordo com o Mafon/2005, os rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior são tributados com retenção do imposto, pela fonte pagadora, com código 0473, com alíquota de 15%, sendo que o vencimento ocorre na data do fato gerador (artigo 865, inciso I do RIR/99). Ou seja, no presente caso, a data do vencimento se deu em 09/11/2005. Fl. 81DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.901 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13603.904478/2009-18 Por fim, no Diário apresentado também registra os lançamentos contábeis em comento, confirmando as alegações da defesa. O reconhecimento do direito creditório depende da comprovação da certeza e liquidez do crédito, requisitos que estão presentes conforme documentos que foram apresentados juntamente com o recurso voluntário. De fato, restou comprovado o erro no preenchimento da DCTF original, comprovando que o valor do débito de IRRF, código 1708, com vencimento em 17/11/2005, é de R$ 938,04. Com a arrecadação no valor de R$ 1.706,82, restou comprovado o crédito de R$ 770,78. Cumpre registrar o reconhecimento do direito ao indébito deste processo está limitado ao valor informado campo Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP. CONCLUSÃO Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 440,85, e homologando as compensações até o limite do crédito ora reconhecido. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 115,33, e homologando as compensações até o limite do crédito ora reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915053/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.137
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard que rejeitou a proposta de diligência.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.915053/2012-50
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6045716
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-002.137
nome_arquivo_s : Decisao_10830915053201250.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10830915053201250_6045716.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard que rejeitou a proposta de diligência. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7852947
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300747997184
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-07T11:03:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-07T11:03:57Z; Last-Modified: 2019-08-07T11:03:57Z; dcterms:modified: 2019-08-07T11:03:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-07T11:03:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-07T11:03:57Z; meta:save-date: 2019-08-07T11:03:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-07T11:03:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-07T11:03:57Z; created: 2019-08-07T11:03:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-08-07T11:03:57Z; pdf:charsPerPage: 2280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-07T11:03:57Z | Conteúdo => 00 SS33--CC 22TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10830.915053/2012-50 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 3201-002.137 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 19 de junho de 2019 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA RReeccoorrrreennttee COOPERATIVA DE USUARIOS DO SISTEMA DE SAUDE DE CAMPINAS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard que rejeitou a proposta de diligência. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins que restou não homologado pela DRF de origem, consoante despacho decisório carreado aos autos. Cientificado do despacho, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, para alegar que não seria contribuinte da Cofins, pois seria cooperativa e somente praticaria atos cooperados. Defendeu que se enquadraria no conceito de cooperativa, conforme o art. 3º da Lei nº 5.764/71, e que teria as características previstas no art. 4º da mesma lei. Argumentou que sua atividade seria a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos seriam cooperativos, estando isentos da Cofins. Concluiu, para requerer o provimento de sua manifestação de inconformidade, a ineficácia do despacho decisório, o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade e apresenta a seguinte ementa, na parte de interesse: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 15 05 3/ 20 12 -5 0 Fl. 202DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.137 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.915053/2012-50 (...) COOPERATIVAS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.858-6 de 1999. A base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; (ii) que o acórdão que julgou a Manifestação de inconformidade improcedente é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado pela recorrente não se limitando unicamente na alegação de que há ausência de crédito; (iii) prova de que o mero argumento de vinculação a obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório, é que somente com a decisão que fundamentos de direto foram aduzidos, em arrepio ao contraditório e ampla defesa uma vez que o acórdão combatido extrapola os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; (iv) a recorrente é uma cooperativa e que no acórdão proferido pela DRJ não foi consignada nenhuma objeção em relação a tal fato; (ii) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas; (iii) menciona o art. 3° da Lei n° 5764/71 que traz a definição de sociedade cooperativa; (iv) o art. 5° da Lei n° 5764/71 permite que as sociedades cooperativas tenham por objeto qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; (v) o art. 4° da Lei n° 5764/71 elenca as características das sociedades cooperativas; (vi) não há incidência da COFINS sobre os atos cooperativos; (vii) a discussão travada nos autos não diz respeito a isenção da COFINS, mas a não incidência da aludida contribuição sobre os atos cooperativos; (viii) o 79 da Lei n° 5764/71 preceitua o que são atos cooperativos; (ix) no caso em apreço a recorrente exerce a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados; (x) todos os valores ingressados na cooperativa decorrem das contribuições dos cooperados; Fl. 203DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.137 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.915053/2012-50 (xi) os valores ingressados na recorrente para a contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, estão diretamente ligados à sua atividade; (xii) os referidos ingressos servem para custear os atos praticados entre os cooperados e a cooperativa; (xiii) que o direito ao crédito decorre de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS; (xiv) os atos praticados pela recorrente, o são no propósito de assegurar a contratação de serviços médicos, odontológicos, laboratoriais e hospitalares, em preço inferior e com melhores condições, possuindo nítido caráter cooperativo; e (xv) a matéria está submetida a Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Pede, ao final, o provimento do Recurso Voluntário ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência em respeito ao princípio da verdade material. O julgamento do processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 3201-001.257, a seguir transcrita: "Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Em cumprimento a diligência, a Recorrente foi instada a apresentar a documentação pertinente para o cumprimento da diligência não tendo apresentado manifestação tempestiva. Face a inércia do contribuinte, a unidade de origem elaborou despacho de retorno dos autos ao CARF. Devidamente intimada do referido despacho, a Recorrente apresentou manifestação e documentos em que requer a apreciação da documentação acostada para o fim de que a decisão proferida pela DRJ seja integralmente reformada, com o consequente reconhecimento do direito creditório proveniente do recolhimento indevido de COFINS e homologada a compensação declarada. Em complemento de despacho de diligência, a autoridade fiscal consignou que "Após receber o Comunicado de fl. (...) que abria prazo de 30 dias para complemento de Informações sobre o Despacho de Diligência de fl.(...) o Contribuinte juntou as Informações de fls. (...).", sem contudo proceder a análise dos documentos. Fl. 204DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.137 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.915053/2012-50 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.129, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.914988/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.129): “Depreende-se do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Entendo que os atos cooperativos são aqueles identificados no art. 79 da Lei n.º 5.764/1971, recepcionada pelo art. 146, III, 'c' da Constituição Federal com o status de lei complementar, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." O Estatuto Social da recorrente estabelece que: "Art. 2° A COOPERATIVA tem por objetivo, exercer, nos termos da Lei n° 9.656/98 e suas Resoluções, ou legislação que venha a substituir, a função exclusiva de Operadora de Planos de Assistência à Saúde através da modalidade de Medicina de Grupo. Art. 3° A COOPERATIVA condicionará a prestação de serviços aos Cooperados, à capacidade física e financeira de sua infra-estrutura." Denota-se, então, por seu Estatuto Social que a recorrente presta serviços única e exclusivamente aos seus cooperados, não prevendo a prestação de serviços a terceiros não-cooperados. Importante frisar que em nenhum momento a fiscalização trata que os valores tratados nos autos se referem à prestação de serviços para terceiros, aduzindo que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.858-6 de 1999 e que a base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. A matéria em apreço foi objeto de julgamento em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão que deve ser obrigatoriamente aplicado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, conforme estabelecido no art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF. No Recurso Especial nº 1.164.716, que tratou dos denominados atos cooperativos típicos como aqueles envolvidos nos presentes autos, entre a cooperativa e seus associados (cooperados), cujo acórdão transitou em julgado em 22/06/2016, a Corte Superior firmou o seguinte entendimento: Fl. 205DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.137 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.915053/2012-50 "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas." (REsp 1164716/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Mesmo a recorrente não tendo tempestivamente cumprido com a diligência determinada por este Colegiado, em razão de ter apresentado documentos, entendo como razoável as alegações produzidas em sua peça recursal, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em comprovar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa-fé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica novamente a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento.” Fl. 206DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.137 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.915053/2012-50 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903915/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2012
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.561
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2012 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.903915/2015-41
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050960
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.561
nome_arquivo_s : Decisao_11020903915201541.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11020903915201541_6050960.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7866908
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300766871552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.903915/201541 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.561 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente DUROLINE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2012 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 39 15 /2 01 5- 41 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11020.903915/201541 Acórdão n.º 3401006.561 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.902962/2009-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 29/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13819.902962/2009-79
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6056538
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.858
nome_arquivo_s : Decisao_13819902962200979.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 13819902962200979_6056538.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7879188
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300774211584
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-22T17:31:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-22T17:31:54Z; Last-Modified: 2019-08-22T17:31:54Z; dcterms:modified: 2019-08-22T17:31:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-22T17:31:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-22T17:31:54Z; meta:save-date: 2019-08-22T17:31:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-22T17:31:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-22T17:31:54Z; created: 2019-08-22T17:31:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-08-22T17:31:54Z; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-22T17:31:54Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13819.902962/2009-79 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-000.858 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 06 de agosto de 2019 Recorrente ALUMEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 09-58.216, proferido pela 1ª Turma da DRJ/ JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 29 62 /2 00 9- 79 Fl. 125DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.858 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.902962/2009-79 Por bem resumir os fatos ocorridos até o momento, transcrevo a seguir o relatório que apoiou o acórdão de piso, que será complementado adiante: Trata o presente processo de PER/DCOMP 16381.12674.300806.1.3.04- 4329, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 4.594,32, recolhido em 29/07/2005 Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a seguir reproduzida: A Requerente recebeu o Despacho Decisório N° de Rastreamento 825090030 em 01/04/2009 (doc. 01), em virtude de suposto débito de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, originado no mês de julho do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 5.305,06, pela compensação com crédito alegadamente inexistente do mesmo tributo no valor original total de R$ 4.594,32 do mês de junho de 2005, recolhido em 27/07/2005. A esse respeito, a Requerente informa que, nos períodos de apuração mencionados acima, encontrava- se sujeita à sistemática de tributação com base no lucro real anual, prevista no artigo 2° da Lei Federal n° 9.430/96, a qual previa a possibilidade de suspensão ou redução das antecipações de IRPJ e CSLL pagas mensalmente, nos termos do artigo 35 da Lei 8.981/95. Foi exatamente esse o procedimento adotado pela Requerente no mês de junho de 2005, o que pode ser evidenciado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa àquele ano-calendário, uma cópia da qual é trazida aos autos deste processo (doc. 03) Conforme se denota da cópia da DIPJ ora apresentada, a Requerente suspendeu o recolhimento no mês de junho de 2005, em virtude das antecipações efetuadas com base na Receita Bruta nos meses de janeiro a março de 2005 já terem ultrapassado, naquela ocasião, o montante da CSLL devida, conforme demonstrado abaixo: ... Equivocadamente, porém, a Requerente informou na DCTF no mês de junho de 2005 o débito inexistente de R$ 4.594,32, cujo valor foi recolhido indevidamente em 29/07/2005 e compensado através do PER/DCOMP n° 16381.12674.300806.1304.4329 (doc 02) com o débito apurado em julho de 2006, no valor de R$ 5.305,06. Sendo assim, resta claro que a Requerente cometeu, na realidade, mero erro formal ao informar um débito de CSLL inexistente na DCTF que deveria ter sido retificada, tornando legitima a compensação do valor pago indevidamente com débito de CSLL apurado em julho de 2006. Por sua vez, 1ª Turma da DRJ/ JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade em questão, considerando que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos que, incontestavelmente ,comprovassem o crédito pleiteado. Referida decisão restou assim ementada: Fl. 126DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.858 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.902962/2009-79 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/07/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos veiculados em sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, em sede de preliminar, que deve ser atribuído efeito suspensivo ao presente recurso e que, em caso de dúvida, deve-se decidir a favor do contribuinte e cita o art. 112 do CTN. No tocante ao mérito, pinça-se alguns trechos do recurso voluntário apresentado de forma a expor a ideia central da tese defendida, de acordo qual a Recorrente a decisão recorrida merece ser reformada: (...) (...) Fl. 127DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.858 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.902962/2009-79 A Recorrente defende, ainda, a regularidade da compensação efetuada, que a morosidade da análise do PER/DCOMP, pelo Fisco, impossibilitou a retificação da DCTF e que o julgamento deve se dar de maneira imparcial. Por fim, requereu a homologação da compensação do valor pago indevidamente com débito de CSLL apurado em julho de 2006, conforme explicado nos autos, a consequente reforma do Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado e que as intimações fossem realizadas no endereço e na pessoa de seus advogados. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional. Inicialmente, destaca-se que a Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. A previsão legal é de que o sujeito passivo seja intimado validamente no domicílio tributário por ele eleito (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 127 do Código Tributário Nacional e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nesse sentido determina a Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo", que é de aplicação obrigatória (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Logo, a pretensão aduzida pela Recorrente não está contemplada nas formalidades legais. Preliminarmente, a Recorrente elenca argumentos que que se confundem com o próprio mérito, por isso, rejeita-se as preliminares e passa-se a sua análise. Antes, porém, acerca do pedido de atribuição de efeito suspensivo ao presente recurso, tem-se que essa suspensão já encontra-se prevista no art. 151, III do CTN, não havendo necessidade de tal requerimento. No mérito, conforme já relatado, o cerne da demanda reside na discussão acerca do PER/DCOMP 16381.12674.300806.1.3.04-4329, no qual foi informada a compensação de débito com crédito proveniente de suposto pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$4.594,32, recolhido em 29/07/2005. Ocorre que tal compensação não foi homologada ante a constatação de inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, vez já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos. Fl. 128DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.858 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.902962/2009-79 Assim sendo, no presente recurso, a Recorrente busca a reforma da decisão recorrida para que a compensação declarada seja homologada, todavia, por ocasião da apresentação da peça recursal não houve a produção conjunto probatório robusto que demonstrasse a liquidez, certeza e disponibilidade do direito creditório pleiteado. No mínimo, a Recorrente deveria ter exibido documentos contábil-fiscais da empresa suficientes para comprovar o crédito informado no PER/DCOMP e o alegado erro de fato, como bem decidiu a DRF. Ora, sem essas informações é impossível verificar a exatidão das informações declaradas pela Recorrente acerca do erro de fato. Neste sentido, segue trecho do voto condutor do acórdão de piso que adoto como parte de minhas razões para decidir: “No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF do contribuinte, não há pagamento a maior ou indevido que respalde o crédito utilizado na compensação. Portanto, caberia ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, e dos documentos que a respaldem. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplica-se ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, elucido ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos. (...) Assim, considerando que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos que incontestavelmente comprovassem o crédito pleiteado, conclui-se que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise”. Dialogando com o exposto, importante se faz lembrar, também, que as situações de erro material (ou erro de fato) podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento, após prolação de despacho decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, desde que comprovadas. Aludido Parecer assim determina: Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto Fl. 129DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.858 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.902962/2009-79 no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Contudo, a Recorrente não carreou aos autos documentos de sua contabilidade que dessem suporte ao reconhecimento do crédito pleiteado. Destaque-se que essa Julgadora entende que a juntada de documentos deve ser admitida, ainda que produzidos em sede de interposição do Recurso voluntário. Essa possibilidade jurídica encontra-se expressamente normatizada pela interpretação sistemática do art. 16 e do art. 29 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em casos específicos como o ora analisado. Afinal, a autoridade julgadora deve se orientar pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito Fl. 130DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.858 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.902962/2009-79 admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defender-se plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. O contrário - homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas PER/DCOMPJ e DCTF - não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma imprudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Desta forma, não vejo razão para a reforma do acórdão de piso, já que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a provar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e dos argumentos contidos no recurso voluntário objetivando a demonstração do suposto erro de fato alegado. Destaque-se que todos os documentos apresentados foram examinados. Assim, tem-se que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Isto posto, voto por rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001696/2007-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes que atendam os requisitos legais.
A falta da indicação do beneficiário dos serviços e do endereço dos profissionais nos recibos apresentados, bem como a comprovação dos dispêndios, quando exigidos, para comprovar despesas médicas, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99).
PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL.
Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material.
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 2003-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução das despesas médicas e odontológicas efetivamente comprovadas, no valor de R$ 3.377,51, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2002, exercício 2003.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes que atendam os requisitos legais. A falta da indicação do beneficiário dos serviços e do endereço dos profissionais nos recibos apresentados, bem como a comprovação dos dispêndios, quando exigidos, para comprovar despesas médicas, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13884.001696/2007-10
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6061517
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.198
nome_arquivo_s : Decisao_13884001696200710.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WILDERSON BOTTO
nome_arquivo_pdf_s : 13884001696200710_6061517.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução das despesas médicas e odontológicas efetivamente comprovadas, no valor de R$ 3.377,51, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2002, exercício 2003. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7899104
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300792037376
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-10T20:08:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-09-10T20:08:32Z; Last-Modified: 2019-09-10T20:08:32Z; dcterms:modified: 2019-09-10T20:08:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-10T20:08:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-10T20:08:32Z; meta:save-date: 2019-09-10T20:08:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-10T20:08:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-09-10T20:08:32Z; created: 2019-09-10T20:08:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-09-10T20:08:32Z; pdf:charsPerPage: 2295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-10T20:08:32Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13884.001696/2007-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-000.198 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 21 de agosto de 2019 Recorrente CARLOS FERNANDO ANDREATTA GOBBI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação dos comprovantes que atendam os requisitos legais. A falta da indicação do beneficiário dos serviços e do endereço dos profissionais nos recibos apresentados, bem como a comprovação dos dispêndios, quando exigidos, para comprovar despesas médicas, autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). PAF. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 16 96 /2 00 7- 10 Fl. 118DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.198 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.001696/2007-10 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução das despesas médicas e odontológicas efetivamente comprovadas, no valor de R$ 3.377,51, da base de cálculo do imposto de renda, ano- calendário 2002, exercício 2003. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2002, exercício de 2003, no valor de R$ 9.023,15, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.866,12, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 3.766,87 (fls. 32/33). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 17-35.098, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II - DRJ/SP2 (fls. 87/90), transcrito a seguir: Em procedimento de revisão interna da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física — DIRPF do contribuinte supracitado, referente ao Exercício de 2003, Ano Calendário 2002, a Auditoria Fiscal efetuou o presente lançamento de ofício, nos termos do Decreto 3.000/99 — Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de Deduções Indevidas a Título de Despesas Médicas. O enquadramento legal, descrição, demonstrativo do fato gerador e valor tributável foram registrados no Auto de Infração, de fls. 33/32. O contribuinte apresenta impugnação às fls.01/02, alegando em síntese que apresentou todos os documentos solicitados pela fiscalização, efetuou pagamentos em espécie e não entende as alterações em sua declaração de ajuste anual e apresenta novamente toda a documentação em detalhes requerendo o cancelamento do débito fiscal reclamado. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação parcial apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Fl. 119DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.198 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.001696/2007-10 Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 09/10/2009 (fls. 98), o contribuinte, por procuradora habilitada, interpôs, em 06/11/2009, recurso voluntário (fls. 99/101), trazendo os argumentos a seguir sintetizados: DO MÉRITO: Baseado no informativo e parte integrante do processo sobre o que se foi considerado/desconsiderado Despesa Médica, justificamos o que se desconsiderou: . J & J Indl. Ltda - 1.304,00: Laudo fiscal: não apresentou comprovante. Discordância: Estes valores são descontados direto na fonte pagadora, inexistindo recibos. Anexo 2º via emitida pela fonte pagadora. . J & J Com. E Distr. Ltda - 1.672,00: Laudo fiscal: não apresentou comprovante. Discordância: Estes valores São descontados direto na fonte pagadora, inexistindo recibos. Anexo 2º via emitida pela fonte pagadora. . José Ricardo Neder - 8.000,00: Laudo fiscal: não comprovou o efetivo dispêndio. Discordância: Não há base legal para esta argumentação que os invalide. O efetivo dispêndio á comprovado através dos próprios recibos que foram apresentados e NÃO OMITIDOS e ainda de próprio punho do profissional. E estão em plena conformidade com o Art. 46 da IN SRF 15/2001. . Acácio Floriano Teixeira - 400,00: Laudo fiscal: recibo sem data. Discordância: Não há base legal para esta argumentação que o invalide. No entanto, em contato com o profissional que o emitiu, o mesmo se prontificou a regularizar o mesmo. Segue anexo a correção. . Ceres Daniela Oliveira - 200,00: Laudo fiscal: não apresentou comprovante. Discordância: O recibo foi apresentado, apenas foi declarado em valor menor. Neste caso o próprio contribuinte se prejudicou declarando valor inferior. Valor real 220,00 e valor declarado 200,00, houve apenas erro de digitação e não omissão. . Marinalda R. R. Nascimento – 4.150,00: Laudo fiscal: não comprovou o efetivo dispêndio. Discordância: Não há base legal para esta argumentação que os invalide. O efetivo dispêndio á comprovado através dos próprios recibos que foram apresentados e NÃO OMITIDOS Pelo contrário, estão em conformidade com o Art. 46 da IN SRF 15/2001. . Evelin Castanho Brunheira - 50,00: Laudo fiscal: recibo sem nome. Discordância: O recibo foi apresentado e existe. O fato da secretária não o ter preenchido corretamente, não o invalida. Não há base legal para esta argumentação que o invalide. Base legal: art. 46 da IN SRF 15/2001. . Mônica Jácomo Mourão - 50,00: Laudo fiscal: não houve Discordância: Este recibo, a auditora fiscal simplesmente o desconsiderou logo na apresentação, alegando o discorrido anteriormente (falta de carimbo e recibo de papelaria). Mas o mesmo existe e sequer foi cogitada também em conformidade com o art. 46 da IN SRF 15/2001. Requer, ao final, o cancelamento da exigência fiscal, diante da insubsistência e improcedência total do lançamento. Instrui a peça recursal os documentos comprobatórios de suas alegações recursais (fls. 102/111). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.198 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.001696/2007-10 Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa das despesas médicas declaradas: O Recorrente deduziu, na declaração de rendimentos (fls. 39/42), os valores de despesas médicas e odontológicas realizadas no valor integral de R$ 20.183,50. A fiscalização não acatou integralmente a razões trazidas e os documentos comprobatórios apresentados – por falta de apresentação dos respectivos comprovantes; por ausência de comprovação dos dispêndios realizados; por não conter alguns recibos a data, o nome ou a indicação do beneficiário dos serviços prestados – qualificando-os como não hábeis a comprovar o pagamento das despesas realizadas, não possuindo, por esse fato, efeitos probantes perante o Fisco, promovendo a glosa do valor de R$ 15.866,12, e reconhecendo apenas o valor declarado de R$ 4.727,38 (fls. 79). Por seu turno, a DRJ/SP2 assim entendeu (fls. 88/90): Dos documentos apresentados tanto para a fiscalização quanto nesta impugnação, o contribuinte não logrou comprovar o dispêndio com as despesas médicas e comprovação da efetiva prestação de serviços pelos profissionais prestadores de serviços e relacionados em sua DIRPF/2003. O recibo de fls. 17, emitido por Ceres Daniela Oliveira, no valor de R$ 220,00, não identifica o beneficiário do tratamento e não houve comprovação do efetivo pagamento e da prestação de serviços, não podendo ser acolhido para efeito de dedução. (...) Os pagamentos efetuados devem ser especificados e comprovados e os recibos devem conter a informação precisa dos serviços prestados e identificação do beneficiário dos mesmos. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só, como já dito acima, não tem esta capacidade. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento das despesas médicas e outras não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também o Fisco - caso haja intenção Fl. 121DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.198 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.001696/2007-10 de se beneficiar desta dedução na declaração de rendimentos. E, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. O pagamento em dinheiro serve muito bem para quitar um débito, mas comprová-lo, ainda mais junto a terceiros, pode se tornar tarefa árdua. Visando suprir o ônus que lhe competia, o Recorrente instruiu os autos com novos documentos (fls. 102/103, 105/106 e 111) e outros já constantes dos autos (fls. 104, 107/111), visando atestar a efetividade dos pagamentos glosados pela DRJ/SP2. Não houve questionamentos acerca da idoneidade dos documentos anteriormente apresentados, apenas sua imprestabilidade para os fins que se destinavam. De início, vale salientar que no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo questionado pela decisão recorrida, caso em que é cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Nesse ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF), cujo objetivo é efetuar o controle de legalidade do lançamento fiscal, harmonizando- o com os dispositivos legais, de cunho material e processual, aplicáveis ao caso, calhando aqui, nessa ótica, por pertinente e indispensável, a análise dos documentos trazidos à colação pela Recorrente. Assim, passo ao cotejo da documentação ora apresentados em relação aos fundamentos motivadores da glosa subsistente traçada na decisão de piso (fls. 79): a) JOHNSON&JOHNSON INDUSTRIAL, no valor de R$ 1.304,00 e JOHNSON&JOHNSON COM E DISTR, no valor de R$ 1.672,00: Os comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras informam a realização de despesas médico-odonto-hospitalares realizadas no ano-calendário de 2002, suprindo assim a falha apontada no sentido da ausência da apresentação dos respectivos comprovantes das despesas realizadas. Com efeito, ante a comprovação dos pagamentos, regularmente atestados pelas fontes pagadoras (fls. 102/103), restabeleço a dedução das despesas médicas declaradas, nos valores de R$ 1.304,76 e R$ 1.672,75. b) ACÁCIO FLORIANO TEIXEIRA, cirurgião dentista CRO 6.534, no valor de R$ 400,00: Declaração e recibo (fls. 105/107): diante da declaração prestada pelo profissional e do novo recibo retificador apresentado, atestando o recebimento do valor glosado de R$ 400,00, em 29/12/2002, restou suprida a irregularidade quanto a ausência de data no recebido anterior apresentado, razão pela qual afasto a glosa no particular. c) JOSÉ RICARDO NEDER, no valor de R$ 8.000,00, e MARINALDA R.R. NASCIMENTO, no valor de R$ 4.150,00: Recibos (fls. 104 e 108/110): Observo que em relação a tais despesas odontológicas e fonoaudiólogas, restou desatendida a comprovação dos dispêndios realizados pelo Recorrente com os aludidos tratamentos. Vale salientar, por oportuno, que a lei estabelece a quem cabe a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 73, caput e § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida Fl. 122DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.198 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13884.001696/2007-10 justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, na relação processual tributária, não remanesce dúvida que compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade suscitada pela fiscalização. Conclui-se, portanto, que a comprovação da efetiva prestação dos serviços declarados, quando exigidos e não apresentados, além de vulnerar o art. 80, § 1º, II, do RIR/99, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a consequente tributação dos valores correspondentes. Logo, não restando demonstrado por documentos hábeis e idôneos, a origem dos pagamentos efetuados aos aludidos profissionais, devem ser mantidas as glosas operadas. d) CERES DANIELA TEIXEIRA, cirurgiã-dentista CRO 63.959, no valor de R$ 220,00; EVELYN CASTANHO BRUNHEIRA, cirurgiã-dentista CRO 62.503, no valor de R$ 50,00 e MÔNICA JÁCOMO MOURÃO, nutricionista, no valor de R$ 50,00: Recibos (fls. 107 e 111): Observo que em relação a tais despesas médicas e odontológicas, além da falta de comprovação dos dispêndios (Dra. Ceres Daniela), não se vislumbrou nos recibos apresentados a indicação dos beneficiários dos serviços prestados e a indicação do endereço profissional da Dra. Mônica Mourão, cujos dados (beneficiários e endereço) são exigidos nos incisos II e III do § 1º do art. 80 da Lei nº 9.250/95, sendo tais requisitos essenciais para validar os documentos comprobatórios apresentados. Malgrado possa parecer de somenos importância a informação do beneficiário e do endereço profissional, este último, por exemplo, proporciona, em casos de necessidade, o aprofundamento de investigações, via diligências ao local do suposto atendimento profissional. Neste ponto, os recibos trazidos pela Recorrente na peça recursal não se mostram suficientes para suprir as falhas apontadas ao teor da legislação de regência. Assim, não restando suprida as falhas, mediante apresentação de documentação hábil a demonstrar os beneficiários dos serviços prestados, o efetivo dispêndio em relação à Dra. Ceres Daniela, e o endereço profissional da nutricionista Mônica Mourão, urge aqui também a manutenção das glosas operadas. Conclusão Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, somente para restabelecer a dedução das despesas médicas e odontológicas efetivamente comprovadas, no valor de R$ 3.377,51, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2002, exercício 2003. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964831/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
Numero da decisão: 1201-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Efigênio de Freitas Junior, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Ausente o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.964831/2009-87
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6056559
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-003.021
nome_arquivo_s : Decisao_15374964831200987.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 15374964831200987_6056559.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Efigênio de Freitas Junior, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7879250
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300796231680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.964831/200987 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201003.021 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2019 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente GAN RIO APOIO NUTRICIONAL GANUTRE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica pela Unidade Local Competente. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para determinar que a DRF analise o direito creditório, à luz dos documentos acostados no recurso voluntário, e prolate um novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que negava provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Efigênio de Freitas Junior, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 48 31 /2 00 9- 87 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 3 2 Ausente o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Despacho Decisório nº 848609659, de 07.10.2009, às fls. 61, emitido pela DRFRio de JaneiroI, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 17042.69978.060208.1.3.040665, fls. 52 a 58, crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior”. Transcrevo o relatório anexado ao acórdão nº 1253.609, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ1, complementandoo ao final com o necessário. Tratase de Declaração de Compensação nº 17042.69978.060208.1.3.040665, constante de fls. 52 a 58, apresentada em 06/02/2008, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ (cód. 2362), relativo ao período de apuração de ago/2007, no valor total de R$ 30.701,45, com débitos de IRPJ (cód 2362, no valor de R$ 1.543,81, de CSLL (cód. 2484), no valor de R$ 7.818,06, de PIS/PASEP (cód. 6912), no valor de R$ 9.349,72, e de COFINS (cód. 5856), no valor de R$ 11.268,18, relativos ao período de apuração de jan/2008, e de IPRJ (cód 2362) no valor de R$ 720,63, relativo ao período de apuração de dez/2007, perfazendo o total de débitos de R$ 30.701,40. Conforme Despacho Decisório de fl. 61 foi indeferido o pedido, em virtude da inexistência do crédito informado, uma vez que o pagamento discriminado no PER/DCOMP, cujo valor original total era de R$ 29.631,74 foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 19/10/2009, conforme AR de fl. 60, a contribuinte interpôs em 30/10/2009 manifestação de inconformidade de fls. 2 e 3, acompanhada de documentos de fls. 4 a 51. Alega, em apertada síntese, que equivocadamente recolheu a maior os valores de IRPJ e CSLL, apurados nos períodos de 31/07/2007, 31/08/2007 e 30/11/2007, no valor total de R$ 133.410,95, sendo que deveria ter recolhido tão somente R$ 32.031,92, o que se comprova da ficha 11, folhas nº 07 e 08 e ficha 16, folhas nº 12 e 13 de sua DIPJ 2008/2007, enviada no dia 24/06/2008, perfazendo direitos creditórios no valor de R$ 101.379,03, aos quais parte deles foram compensados na PER/DCOMP de que trata este processo. Por fim, requer a reconsideração do despacho decisório atacado, bem como a homologação da compensação pleiteada na Declaração de Compensação nº 17042.69978.060208.1.3.040665. Junto com a manifestação de inconformidade foram apresentadas cópias dos seguintes documentos: • Despacho decisório, nº de rastreamento 848609659; • Declaração de Compensação nº 20151.15910.110108.1.3.048190, e respectivo recibo de entrega, efetuada em 06/02/2008; • Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), com respectiva autenticação bancária do pagamento no valor total de R$ 29.631,74; Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 4 3 • Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano calendário 2007, e respectivo recibo de entrega, efetuada em 24/06/2008; • 7ª alteração do contrato social da interessada; • Procuração, firmada pela interessada através de instrumento público; e • Identidade da procuradora da interessada, signatária da manifestação de inconformidade. Efetuei a juntada da ficha demonstrativo do saldo a pagar do débito IRPJ 236201 agosto/2007, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais retificadora, relativa ao 2º semestre de 2007, apresentada pela interessada em 16/09/2008, em que consta o débito apurado no valor de R$ 29.631,74. A r. DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, resulta o impedimento do reconhecimento da existência de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 87100 em que aduz que o crédito compensado se origina de recolhimento a maior de IRPJ e CSL realizado nos períodos de julho, agosto e novembro de 2007. Isto porque teria apurado prejuízo até o mês de maio, somente passando a ter lucros a partir do mês de junho daquele ano, conforme tabela abaixo: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 5 4 Afirma que por equívoco teria recolhido valores a maior que teriam gerado um crédito no valor de R$86.592,35. Aduz ainda que teria deixado de retificar a DCTFs relativas ao período e que a mera ausência dessa retificação não autoriza a autoridade fiscal não homologar as compensações pleiteadas em atenção ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A Delegacia de origem não homologou a compensação, entendendo que o DARF utilizado como crédito estava alocado a débito de estimativa de IRPJ/CSLL. Desde a manifestação de inconformidade, a ora Recorrente vem alegando que tanto a confissão do débito em DCTF, quanto o seu pagamento, foram indevidos, de modo que requer a “autorização para retificar a DCTF”. A retificação de DCTF era regida à época pela Instrução Normativa RFB n. 1.110/10, que assim dispunha: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 6 5 Ocorre que à época discutiase a possibilidade ou não de retificação da DCTF após a entrega da PER/Dcomp ou até após o despacho decisório, de modo que não havia garantia de que a DCTF poderia ser retificada pela Recorrente. Nesse sentido, somente após a edição do o Parecer Normativo Cosit n. 2/15, é que surge um cenário de maior segurança, uma vez que este estabelece que é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do Per/Dcomp e da ciência do despacho decisório, conforme pode ser observado na ementa abaixo: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 7 6 processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Ainda que a retificação da DCTF para comprovação do pagamento indevido ou a maior não tenha sido feita, tal qual estipula o referido Parecer Normativo, vale ressaltar que a conclusão do Parecer traz a seguinte disposição: 22. Por todo o exposto, concluise: (...) e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 8 7 Assim, verificase que no caso concreto a Recorrente estava impedida de fazer a retificação da DCTF, o que não impede que o crédito seja comprovado por outros meios. É importante destacar também que no presente caso se está discutindo o crédito da PER/Dcomp e não o débito da PER/Dcomp. Por mais que o crédito da PER/Dcomp seja decorrente de um débito erroneamente informado na DCTF, entendemos que não se trata de caso idêntico ao julgado no Acórdão nº 9101004.191 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP, pelo sujeito passivo, somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, que são instrumentos previstos para que os contribuintes questionem a nãohomologação de uma compensação (no sentido de revertêla), não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. (Processo nº 10680.915918/200943. Data da Sessão: 09/05/2019. Relator: Cons. Rafael Vidal de Araújo. Acórdão nº 9101004.191). Tratase de caso de aplicação do artigo 74, §11, da Lei n. 9.430/96, que prevê a aplicação do rito processual do Decreto n. 70.235/72 aos processos de compensação tributária, uma vez que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (art. 74, §9º, da mesma lei), pretendendo revertêla no âmbito do CARF. Como decorrência, não se trata de caso de incompetência do CARF, visto que no caso analisado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, se estava analisando o débito da PER/Dcomp, que também havia sido informado na DCTF. Em outras palavras, não houve em Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15374.964831/200987 Acórdão n.º 1201003.021 S1C2T1 Fl. 9 8 nenhum momento discussão do crédito da PER/Dcomp, de forma que o entendimento manifestado no referido acórdão não deve ser aplicado ao presente caso. No que tange à documentação acostada aos autos por conta da interposição do Recurso Voluntário, cumpre destacar que os argumentos de direito trazidos no referido recurso não são diferentes daqueles apresentados na Manifestação de Inconformidade. Nessa linha, entendo que os documentos trazidos aos autos não se referem a novos argumentos que não tenham sido citados anteriormente, de modo que eles deverão ser aceitos e analisados com fundamento na verdade material para verificação da adequação ou não do direito creditório da Recorrente, independentemente da retificação da DCTF, que embora solicitada desde o início, era impossível no caso concreto. “In casu”, há indícios da existência do crédito, visto que a Recorrente apresentou o Lalur de 2007, DIPJ 2008, DARF de recolhimento, além de balanço patrimonial e DRE do período, no entanto, não houve a retificação da DCTF, de modo que a DCTF possui erro de fato. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório pleiteado à luz dos documentos acostados ao Recurso Voluntário, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722372/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PEDIDO DE PARCELAMENTO. INDEFERIMENTO. CONFISSÃO.
Pedido de parcelamento créditos fiscais apresentado pelo contribuinte, independente de sua rejeição ou não, caracteriza confissão de dívida.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA
Valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente devem ser exigidos pelo fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei a° 8.212/1991.
DIVERGÊNCIAS. BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA.
A contabilização de remuneração a maior que a registrada nos demais documentos informativos da empresa evidencia sonegação previdenciária, ensejando lançamento por aferição indireta, cabendo à fiscalizada o ônus de justificar adequadamente as divergências.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é aplicável aos casos de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificando-se nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
É prescindível a realização de perícia em relação a fatos geradores verificados em folha de pagamento do sujeito passivo, cujos documentos lhe pertencem e não foram apresentados na peça de impugnação.
Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de perícia, indeferindo-o se entender desnecessário, protelatório ou impraticável o procedimento, ou ainda, quando o requerimento não preenche os requisitos legais.
Numero da decisão: 2402-007.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo das alegações referentes aos autos de infração 51.056.495-0, 51.056.496-8 e 51.056.497-6, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE PARCELAMENTO. INDEFERIMENTO. CONFISSÃO. Pedido de parcelamento créditos fiscais apresentado pelo contribuinte, independente de sua rejeição ou não, caracteriza confissão de dívida. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA Valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente devem ser exigidos pelo fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei a° 8.212/1991. DIVERGÊNCIAS. BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. A contabilização de remuneração a maior que a registrada nos demais documentos informativos da empresa evidencia sonegação previdenciária, ensejando lançamento por aferição indireta, cabendo à fiscalizada o ônus de justificar adequadamente as divergências. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é aplicável aos casos de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificando-se nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É prescindível a realização de perícia em relação a fatos geradores verificados em folha de pagamento do sujeito passivo, cujos documentos lhe pertencem e não foram apresentados na peça de impugnação. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de perícia, indeferindo-o se entender desnecessário, protelatório ou impraticável o procedimento, ou ainda, quando o requerimento não preenche os requisitos legais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.722372/2014-61
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6053328
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.495
nome_arquivo_s : Decisao_10980722372201461.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO SERGIO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10980722372201461_6053328.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo das alegações referentes aos autos de infração 51.056.495-0, 51.056.496-8 e 51.056.497-6, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7873513
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300831883264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 600 1 599 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.722372/201461 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.495 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de agosto de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JAURU CONSTRUCAO CIVIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE PARCELAMENTO. INDEFERIMENTO. CONFISSÃO. Pedido de parcelamento créditos fiscais apresentado pelo contribuinte, independente de sua rejeição ou não, caracteriza confissão de dívida. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA Valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente devem ser exigidos pelo fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei a° 8.212/1991. DIVERGÊNCIAS. BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. A contabilização de remuneração a maior que a registrada nos demais documentos informativos da empresa evidencia sonegação previdenciária, ensejando lançamento por aferição indireta, cabendo à fiscalizada o ônus de justificar adequadamente as divergências. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é aplicável aos casos de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificandose nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 23 72 /2 01 4- 61 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 601 2 É prescindível a realização de perícia em relação a fatos geradores verificados em folha de pagamento do sujeito passivo, cujos documentos lhe pertencem e não foram apresentados na peça de impugnação. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de perícia, indeferindoo se entender desnecessário, protelatório ou impraticável o procedimento, ou ainda, quando o requerimento não preenche os requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não se conhecendo das alegações referentes aos autos de infração 51.056.4950, 51.056.4968 e 51.056.4976, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 493) pelo qual a recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade julgadora de primeiro grau considerou improcedente impugnação apresentada contra lançamento referente ao período de 01/12/2008 a 31/12/2008, compreendendo contribuições previdenciárias da empresa, contribuição previdenciária do segurado e contribuições de terceiros, não declaradas em GFIP, além de multa isolada e multas por descumprimento de obrigações acessórias, conforme consta do relatório fiscal, às folhas fls 79. Compõem o lançamento os autos de infração abaixo discriminados: Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 602 3 Consta da decisão recorrida (fls 449) o seguinte resumo do fatos verificados até aquele momento processual: Consoante o Relatório Fiscal (fls. 7993), seus anexos e demais elementos constantes dos autos, depreendese que: 1. Tratase de procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte em epígrafe objetivando verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras Entidades e Fundos. 2. Da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa JAURU, no período de 01/2010 a 12/2012, constatouse que foram prestados serviços para diversas empresas (conforme Demonstrativo do Anexo 1, que contém as notas fiscais emitidas, as datas, os valores e os tomadores dos serviços), todavia, a empresa deixou de elaborar folhas de pagamento distintas por obra de construção civil e por tomador de serviços, alocando indistintamente, em folhas de pagamentos mensais únicas, todos os segurados a seu serviço. Pelo descumprimento desta obrigação acessória foi lavrado o Auto de Infração 51.056.5018 (CFL 86). 3. Foi verificada a contabilização dos custos incorridos com a mãodeobra aplicada na execução dos serviços contratados em contas únicas: 2101020001 salários a pagar; 2101020004 rescisões a pagar; 2101020006 13° salário a pagar; 2101020008 férias a pagar; 2101030001 INSS a recolher. A Autoridade lançadora explicita que por determinação legal caberia a empresa fiscalizada, na condição de prestadora de serviços, lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Os registros deveriam ser feitos em contas individualizadas e por tomador de serviços, o que não ocorreu. Esta ensejou a lavratura do Auto de Infração 51.056.5000 (CFL 34). 4. Considerando que a empresa apresentou mais de uma GFIP em cada competência, a GFEP processada e indicada nos sistemas da RFB na condição de "exportada" foi considerada válida para todos os fins, cujos dados foram utilizados pela auditoria fiscal (item 3.4.1.1 do REFISC). 5. Além do expressivo número de GFIP's retificadoras, a empresa também apresentou, para as mesmas competências, GFIP's nos códigos FPAS 507 e 515, todavia, a atividade preponderante da empresa (CNAE 42.12.0.00 construção de obras de arte especiais), está enquadrada no código FPAS 507. Em que pese a utilização de códigos FPAS diferentes, as alíquota: aplicadas sobre as bases de cálculo (total das remunerações dos segurados empregados), são as mesmas para ambos os códigos FPAS (5,8%), ou seja, os valores declarados como devidos aos terceiros não se alteram. Diante disso, para fins comparativos entre os valores devidos e os declarados e, apenas para este fim, foram consideradas todas as GFIP's válidas em ambos os códigos FPAS. em cada competência. 6. O Demonstrativo constante do Anexo 2 do REFISC contém os valores declarados nas GFIP(s) nos códigos FPAS 507 e 515, totalizados mês a mês (remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições descontadas destes mesmos segurados e pagamentos feitos pela empresa a título de salário maternidade e saláriofamília). Os valores declarados nas GFIP (s), em cada FPAS, constam do Demonstrativo do Anexo 3 do REFISC. 7. Com base nos valores declarados na GFIP, a fiscalização elaborou um demonstrativo contendo todos os valores compensados em GFIP e os recolhimentos Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 603 4 efetuados no CNPJ da empresa Jauru (GPS código 2100 e 2119), dados e valores constantes do anexo 4 e em resumo no anexo 5, reproduzido no item 3.4.3 do REFISC. 8. Conciliados os valores devidos, declarados nas GFIP válidas, e os valores efetivamente recolhidos e compensados em GFIP (GPS código 2100 e 2119), a fiscalização apurou sobras de recolhimento/compensação em algumas competências, conforme demonstrativo do Anexo 6, reproduzido, também, no item 3.4.3.1 do REFISC. Eventuais valores declarados na GFIP e não recolhidos pela empresa não foram objeto da auditoria fiscal, uma vez que se sujeitam a cobrança automática pelos sistemas informatizados da RFB, através da emissão de intimações para pagamento (IP) e/ou débito confessado em GFIP (DCG) encaminhadas diretamente ao contribuinte. 9. Conciliados os valores extraídos das folhas de pagamento mensais apresentadas pela empresa em arquivos devidamente autenticados, com a somatória dos valores declarados nas GFIP(s) código FPAS 507 e 515, apurouse os valores não declarados na GFIP's válidas, que constam no Demonstrativo Anexo 8, e reproduzido no item 3.4.4.1 do REFISC. Os valores nao declarados pela empresa constam do lev»«faw"»««o DF — DEF VALORES FOPAG X GFIP, e os créditos tributários devidos foram constituidos nos AI DEBCAD n°(s) 51.056.4950 E 51.056.4976 9.1 As sobras de recolhimento/compensação, foram considerados como créditos da empresa e utilizados como dedução dos valores apurados. 10. No AI DEBCAD n° 51.056.4984, foram constituidos os valores compensados/abatidos a maior levantamento GL. verificados na conciliação entre os valores efetivamente destacados nas NFS a titulo de retenção de 11% (Lei n° 9.711/98) e os valores compensados/abatidos em GFIP (s). 12. Conforme detalhado nos itens 3.5.2 do REFISC, restou verificada a simulação de valores declarados nas GFIP's a titulo de compensação das retenções e que a Autuada atribuiu ás compensações o valor exato e suficiente para inibir o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal de apurar créditos contra a mesma, restando demonstrada a falsidade de declaração relativamente à compensação, em GFIP das competências 03/2010, 05/2010, 02/2011, 05/2011, 01 a 12/2012, e ensejando a aplicação da multa isolada de oficio de 150%, incidente sobre os valores compensados a maior, conforme previsão contida no art. 89, parágrafo 10°, da Lein°8.212, de 1991, constituida através do Auto de Infração 51.056.4992 (código de levantamento FA compensação com falsidade). 13. No decorrer da auditoria fiscal foram examinados, entre outros, os seguintes documentos: GFIP's, contratos de prestação de serviços, notas fiscais de prestação de serviços e os livros "Razão" e "Diário", relativos aos exercícios de 2010 a 2012. Os livros "Diário" foram apresentados em meio digital no formato MANAD. Os códigos de identificação dos arquivos constam dos "Recibos de Entrega de Arquivos Digitais" anexados aos respectivos processos de débito. 14. Os fatos acima relatados configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, crime de sonegação de contribuição prevídenciária e de apropriação indébita, em face do que, foi encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, para eventual propositura de ação penal. 15. A fim de demonstrar os fatos geradores, a fiscalização anexou aos autos os seguintes anexos: Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 604 5 V Anexo 01 Demonstrativo das notas fiscais de prestação de serviços V Anexo 2 — Demonstrativo dos valores declarados em GFIP Resumo V Anexo 3 — Demonstrativo dos valores devidos declarados em GFIP V Anexo 4 — Demonstrativo dos valores recolhidos por tipo de GPS V Anexo 5 — Resumo do total recolhido por competência e por código GPS V Anexo 6 — Demonstrativo dos valores recolhidos, dos valores devidos declarados em GFIP e das sobras de recolhimento V Anexo 7 — Demonstrativo dos valores declarados em GFIP Código FPAS 507 e 515 V Anexo 8 — Demonstrativo dos valores não declarados em GFIP e lançados nos Autos de Infração V Anexo 9 — Demonstrativo dos valores compensados/abatidos em GFIP Cientificado pessoalmente das autuações em 06/08/2014, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 330361, com juntada de documentos (fls. 62430). Nas considerações preliminares, apresenta um breve relato sobre as autuações em epigrafe. Na seqüência, apresenta suas razões de impugnação. Preliminares 1. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO FACE À EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL POR DECURSO DO PRAZO CADUCIDADE CONDIÇÃO RESOLUTIVA EXTINTIVA Com fundamento no art. 11 da Portaria n° 3.014, de 29.06.2011, aduz que a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) contém vicios insanáveis que o tomam nulo. Relata que o Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 09.1.01.002014 001610. datado de 25 de fevereiro de 2013, deveria ser executado até o dia 25 de junho de 2014, e que a prorrogação, na data de 18 de julho de 2014, ocorreu quando o MPF já se encontrava extinto, consoante o art. 14, incisos I e IL da Portaria antes citada. Defende que a autoridade responsável poderia ter emitido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, consoante estabelecido pelo art. 15 da Portaria n° 3.014/2011, todavia, não se valeu dessa prerrogativa legal, verificandose a caducidade do MPF, condição resolutiva extintiva, que deve ser reconhecida independentemente da arguição do interessado, em observância aos princípios insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Argumenta, também, que em nenhum momento restaram constatadas condições que autorizariam a prorrogação do MPF, ou seja, a motivação do ato administrativo, consoante requer o art. 50, da Lei n° 9.784/99. III SÍNTESE DA AUTUAÇÃO NULIDADE DAS AUTUAÇÕES IMPROCEDÊNCIA DAS INFRAÇÕES PAGAMENTO DUPLA INCIDÊNCIA DE COBRANÇA E DE PENALIDADES PARA OS MESMOS FATOS GERADORES INFRAÇÃO ÚNICA ABSORÇÃO DA PENA DE MAIOR GRAVIDADE PELA DE MENOR GRAVIDADE REVISÃO DOS VALORES E SANÇÕES Relata que a autoridade lançadora lavrou sete (07) autos de infração, todavia, as autuações se mostram equivocadas em grande parte, conforme analise individual das infrações. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 605 6 IV AI S1.0S6.49S0 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGAMENTO EXCESSO DE COBRANÇA Argumenta que aderiu ao parcelamento dos débitos recolhidos a menor, quanto ao montante das obrigações previdenciárias definidas nos arts. 22, incisos I, II e EU, da Lei n" 8.212, de 1991, e alterações posteriores (contribuições patronais e para o SAT/RAT), objetos da referida autuação, conforme se comprova pelo "Extrato de Situação Fiscal", Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei n° 12.996, de 18 de junho de 2014, todos emitidos pela Receita Federal do Brasil e o DARF no valor de RS 1.972.246,06. Diante, disso, o crédito encontrase com a exigibilidade suspensa (art. 151, VI do CTN). V AI 51.056.4968 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGAMENTO Informa que também como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, "Recibo de Parcelamento da Lei n° 12.996. de 18 de junho de 2014", e o DARF no valor de R$ 2.046.549,38, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei n° 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica. Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e, ainda, que não houve qualquer máfé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que, logo que intimada, procedeu ao pagamento, tal como comprova a documentação que apresenta. VI AI 51.056.4976 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGAMENTO Informa que como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, "Recibo de Parcelamento da Lei n° 12.996, de 18 de junho de 2014", e o DARF no valor de R$ 1.652.735,46, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei n° 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica. Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e que não houve máfé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que logo intimada para o seu pagamento assim procedeu, tal como comprova a documentação que apresenta. VIII AI 51.056.4984 GLOSA DE COMPENSAÇÕES AUSÊNCIA DE MÁ FÉ IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA BIS IN IDEM Alega que mostrase equivocada a conclusão da autoridade lançadora, de que a impugnante teria agido com simulação em suas declarações prestadas nas GFIP(s), quando apontou os valores declinados a título de compensação de retenções efetuadas pelos tomadores de serviços. Justifica que não houve simulação nos lançamentos efetuados, mas sim mero erro dos responsáveis administrativos quanto ao uso e lançamento dessas informações. Explica que é praxe na sua atividade que os valores devidos por seus tomadores de serviços sejam aferidos por medições, ou seja, periodicamente é acompanhada a evolução da obra e;ou dos serviços contratados, e quando é atingido um objetivo, descrito nessas medições, o tomador efetua o pagamento dos valores à impugnante. Antes da emissão da nota fiscal, são encaminhadas medições tanto para o contratante quanto para a contratada, e havendo aprovação destas, há emissão da nota fiscal e o pagamento pelos serviços prestados. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 606 7 Ocorre que em alguns períodos, dentre estes os relacionados no quadro apresentado pela Autoridade Fiscal, as medições, acompanhadas do relatório gerencial, foram encaminhadas tanto ao departamento de recursos humanos como ao departamento financeiro, sendo que o primeiro nao recebeu as notas fiscais, a fim de fazer o comparativo entre os valores efetivamente retidos e aqueles constantes nos relatónos gerenciais, equivocadamente adotados pelo RH. Assim, não houve dolo o máfé ao prestar informações equivocadas. Diz, ainda, que não é somente a Nota Fiscal que é admitida como prova da retenção para fins de compensação, contemplando outros mecanismos como o recibo ou mesmo a fatura, e que não se pode impingir sanção gravosa sem um mínimo de prova de que a conduta do agentes se fez livre e conscientemente com um propósito ilícito. No caso, a empresa disponibilizou toda a documentação exigida pela autoridade fiscal, prova de que não tinha nada a esconder. Acrescenta, quanto aos valores apontados no AI DEBCAD n° 51.056.4984, que há duplicidade de cobrança em relação ao AI DEBCAD n° 51.056.4950, porquanto: Mu valores apurados no AI 51.056.4950, quanto ã contribuição social e para o amparo dos segurados, a Autoridade Fiscal efetuou toda a apuração embasada na folha de pagamento efetiva da Impugnante, desconsiderando os abatimentos equivocados e decorrentes das retenções glosadas, que supostamente não teriam sido realizadas pelos tomadores dos serviços. Assim, não poderia posteriormente a Autoridade Fiscal realizar novo cálculo, apenas para aferir os valores indicados como retidos e utilizados para a compensação, pois isto caracteriza nova incidência de contribuição, sobre os valores já apurados anteriormente. As planilhas indicadas como anexos aos autos de infração, pela Autoridade Fiscal, retratam exatamente isto, sendo vedado no ordenamento jurídico brasileiro a cobrança dúplice de contribuições, impostos, e tributos em geral. A fim de demonstrar esses fatos, elaborou os anexos Hl a V, em face do que aponta os seguintes valores: Assevera que "como facilmente se observa está havendo a exigência dúplice pela Autoridade Fiscal, notadamente pelo fato de inicialmente se apurar as contribuições baseado na folha de pagamento, abatendo os valores retidos nas notas fiscais de forma física e, posteriormente, fazer incidir a glosa sobre os valores lançados em GFIP como retidos, esta pretende também constituir o crédito tributário em valores dispostos a maior, o que não pode ser admitido." Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 607 8 VIII AI 51.056.4992 MULTA ISOLADA AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO Afirma que a multa isolada aplicada de forma qualificada é absolutamente inexigível, pois não houve dolo ou máfé na ação da Impugnante quanto ás informações prestadas em GFIP. Diz que consoante posicionamento do CARP. não há que se falar em imposição de multa de ofício com multa isolada, sendo nulo o presente AI. Além disso, como já defendido, o que ocorreu foi uma falha na prestação das informações, mas não dolo objetivando lesar os cofres públicos. Menciona que o anexo VII à impugnação traz alguns exemplos desses equívocos, onde são reproduzidos alguns relatórios gerenciais lançados pelo departamento financeiro e destinados ao departamento de recursos humanos que não se concretizaram imediatamente ou se concretizaram com alguma alteração. Com base nesses relatórios, o departamento de recursos humanos, de modo equivocado, fundamentou as informações prestadas em GFIP, e até por conta disso ocorreram inúmeras retificações na GFIP. Anota que tanto o art. 74 da Lei n° 4.502/64 quanto o art. 18 e § 2o da Lei n° 10.833/2003, art. 89, §10. da Lei n.° 8.212/1996, e 44, §1°. da Lei n.° 9.430/1996, exigem expressamente a presença de dolo e comprovação de falsidade da declaração, ou seja, "que aflore com tal clareza que não se possam suscitar dúvidas acerca da má fé nos atos praticados, com o inequívoco propósito de violar a lei". Inexistindo fraude, conforme definido no art. 72 da Lei n" 4.502, de 64, è incabível a aplicação da multa qualificada pelo parágrafo 10 do art, 82 da Lei n°8.212, de 1991. Para reforçar seu entendimento, cita doutrina e jurisprudência administrativa do CARF. IX AI 51.056.5000 MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CUMULAÇÃO DE MULTAS CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO Alega que se impõe a nulidade do AL porque o Fisco previdencíário, ao aplicar a multa de R$ 18.128,43 em face da suposta ausência de lançamentos adequados nos títulos da contabilidade da impugnante, relativos ás contribuições previdenciárias, não observou que a infração cometida é única, de natureza continuada, o que resulta na aplicação de uma única multa, fixada de acordo com a gravidade da transgressão. Outrossim, em atenção ao princípio da eventualidade, requer a redução da multa aplicada ao mínimo legal (RS 6.361,73), porque não houve esclarecimentos e justificação para a aplicação da multa em critério diverso. A simples indicação genérica de dispositivos legais complexos não atente ao primado da motivação, exigindose a demonstração clara de como se chegou ao montante da multa expresso no AI. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. X AI 51.056.5018 MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CUMULAÇÃO DE MULTAS CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 608 9 Argui que os mesmos vícios apontados em relação ao AI DEBCAD n° 51.056.5000 estão contemplados no AI n° 51.056.5018, relativo a suposta infração ao artigo 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 e 283, caput e parágrafo 3o. do art. 373 do RPS. XI REQUERIMENTOS Requer, ao final, sejam acolhidas as alegações supra, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos e a realização de perícia, indicando, desde logo, assistente técnico e quesitos. Ao analisar o caso, em 13.05.2012, a autoridade julgadora decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito laçando, nos termos das seguintes ementas: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA Os valores referentes a contribuições sociais previdenciárias compensadas indevidamente serão exigidos pelo Fisco com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, cqput, da Lei a° 8.212/1991. DIVERGÊNCIAS. BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. A contabilização de remuneração a maior que a registrada nos demais documentos informativos da empresa evidencia a sonegação de contribuições previdenciárias. ou seja, de pagamento de remuneração não constante da folha de pagamento e da GFIP. ensejando o lançamento por aferição indireta, e, nesse caso, é ônus da empresa justificar adequadamente essas divergências, afastandoas da tributação. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei n2 8.212/1991. de 1991, incluído pela Lei n° 11.941. de 2009 é aplicável aos casos de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificandose nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Temse por prescindível de perícia o lançamento baseado em fatos geradores verificados em folha de pagamento do sujeito passivo, cujos documentos lhe pertencem e não foram apresentados na peça de impugnação. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindoo se a entender desnecessária, protelatória ou impraticável, ou ainda, não conhecêlo quando o requerimento não preencher os requisitos legais. Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls 493) reafirmado as alegações da impugnação (em especial a confissão e parcelamento dos créditos lançados pelos AI1s Ded Cad 51.056.4950, 51.056.4968 e 51.056.4976) para pedir a nulidade do lançamento e, caso não seja esse o entendimento vencedor, requer subsidiariamente a nulidade Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 609 10 da decisão recorrida, para que seja proferida nova decisão após a realização de perícia. Se assim não o for, pede que seja julgado improcedente o lançamento ou que ao menos sejam reduzidas as multas aplicadas. Ao analisar o recurso voluntário, entendeu a Turma julgadora que caberia a execução de diligência, a fim de verificar a efetividade da confissão e parcelamento do débito lançado alegados pelo contribuinte (fls 527 e 570). Após analisar o caso, a unidade de origem informou que os parcelamentos requeridos pela recorrente haviam sido rejeitados. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e não apresenta qualquer contestação quanto aos valores lançados pelos AI's Deb Cad 51.056.4950, 51.056.4968 e 51.056.4976, comparecendo a contribuinte simplesmente para afirmar que parcelou, nos termos da Lei 12.996/2014, os créditos constituídos por tais autos de infração. Realizada diligência junto à unidade de origem (fls 592 despacho abaixo), verificouse que de fato a contribuinte apresentou pedido de parcelamento dos valores relacionados à tais lançamentos, tendo sido, no entanto, rejeitados tais requerimentos, em razão de a empresa não haver prestado as informações necessárias à formalização do processo. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 610 11 Não obstante a negativa da Administração tributária quanto aos requerimentos da contribuinte, o mero encaminhamento de pedido de parcelamento de crédito lançado caracteriza confissão e desistência do direito de recorrer, em relação aos créditos envolvidos. Diante disso, entendese que houve confissão dos créditos lançados nos AI's AI 51.056.4950, AI 51.056.4968, AI 51.056.4976, não devendo ser conhecida as alegações contidas no recurso voluntário relacionadas a tais matérias. Das demais alegações do contribuinte Quanto às demais alegações apresentadas pela recorrente, relacionadas aos demais autos de infração relacionados ao processo (AI 51.056.4984, 51.056.4992, 51.056.5002 e 51.056.5018), analisada a defesa, verificase que tratamse de meras reiterações procrastinatórias das razões contidas na impugnação, cuja autoridade de piso analisou e superou. Assim, por considerar correto o entendimento exposto no acórdão recorrido, com fulcro no art. 57, §3 do RICARF, colacionase excerto daquela decisão, tratando da matéria: (...) 2. PRELIMINAR 2.1 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO A DESTEMPO E AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 611 12 Argui o impugnante a existência de vícios no procedimento fiscal relacionados ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF) n° 09.1.01.00201400161 0, datado de 25/02/2014. Primeiramente, defende que foi irregular a prorrogação do prazo inicial para conclusão do MPF, que era 25/06/2014 e passou para 23/10/2014, porquanto o ato de prorrogação somente ocorreu em 18/07/2014, com inobservância dos prazos do arts. 11 e 14, incisos I e EI, da Portaria n° 3.014, de 29.06.2011: CAPÍTULO III DOS PRAZOS Ari. 11 .Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: 1120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; eu sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, os prazos fixados nos incisos I e Udo art. 11, conforme o caso. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do inicio e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5*do Decreto 70.236, de 6 de março de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do inicio do procedimento fiscal. CAPÍTULO IV DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. lie 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15.A hipótese de que trata o inciso U do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Como segunda irregularidade, aponta a ausência de motivação para a prorrogação do MPF, incidindo na nulidade prevista no art. 50, inciso VII, da Lei n° 9.784, de 1999: DA MOTIVAÇÃO Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 612 13 §la A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. §2a Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. §3a A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. As alegações não procedem. Cabe esclarecer, inicialmente, que o MPF se trata de ordem especifica dirigida ao AuditorFiscal para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais relativos às contribuições administrados pela RFB. Muito embora o número do MPF seja informado ao contribuinte, a ciência de ao mesmo de que se encontra sob ação fiscal é efetivada por meio do Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF), encontrado nos autos às fls. 6768. Portanto, é a ciência do TIAF que dá inicio ao procedimento fiscal, implicando a perda da espontaneidade do sujeito passivo. Já o MPF, regulado pela Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011, é um instrumento administrativo de planejamento, controle e acompanhamento da ação fiscal. O MPF possui natureza jurídica administrativogerencial, destinado à operacionalização da atividade fiscal, e qualquer irregularidade em relação a esse documento não repercute no lançamento de oficio resultante da ação fiscal. Destaquese, ainda, que o controle administrativo da execução da atividade fiscal, executado por meio do MPF, não trouxe, em momento algum, embaraço à impugnante, nem prejuízo para a defesa. Não bastasse tais observações, verificase que não condiz com a realidade dos autos a afirmativa de que somente em 18*07/2014 houve a prorrogação do MPF. Nesta data, ocorreu a alteração do MPF, com a inclusão de novos tributos/contribuições no objeto do procedimento fiscal, tal como se observa da cópia extraída do sítio internet da Secretaria da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br): Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 613 14 No que tange à alegada ausência de motivação, temse que a previsão de prorrogação do referido ato decorre de previsão legal, art. 12 da Portaria n° 3.014, de 29.06.2011. As prorrogações do MPF. consoante artigo 11 da Portaria RFB n* 3.014, de 2011, darseão por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, tantas vezes quanto necessárias, ficando as informações disponíveis na Internet. Ressaltese que o código de acesso ao MPF na internet, que dá ciência ao contribuinte dos dados relativos ao MPF e suas prorrogações, permanece o mesmo até o final de todo o procedimento de ofício: Portaria 3.014/2011: Art. 9. As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4". Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 614 15 Assim, a prorrogação do MPF ocorre quando há a necessidade de prosseguimento dos trabalhos de fiscalização, não concluídos no prazo inicialmente estabelecido para tanto, a critério da autoridade outorgante, residindo nessa necessidade sua motivação. No que pertine à Lei n° 9.784/99, temse que no âmbito do processo tributário administrativo tem apenas caráter subsidiário, ou seja, aplicável na ausência de legislação a respeito, que não é o caso, conforme se vê: Lei n° 9.784/99 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Por todo o exposto, a preliminar em análise não merece acolhida, vez que, com relação aos aspectos formais do procedimento fiscal, não se vislumbra nenhuma irregularidade. 3. MÉRITO 3.1 AI 51.056.4984 e AI DEBCAD N° 51.056.4992 GLOSA DE COMPENSAÇÕES AUSÊNCIA DE MÁ FÉ IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA BIS IN IDEM No AI DEBCAD n° 51.056.4984, foram constituídos os valores compensados/abatidos a maior (levantamento GL), verificados na conciliação entre os valores efetivamente destacados nas NFS a título de retenção de 11% (Lei n° 9.711/98) e os valores compensados abatidos em GFIP (s). Conforme detalhado nos itens 3.5.2 do REFISC. a fiscalização constatou a simulação na declaração de valores nas GFTP*s a título de compensação das retenções. Demonstrou, ainda, que a Autuada atribuiu às compensações o valor exato e suficiente para inibir o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal de apurar créditos automaticamente contra a empresa, restando demonstrada a falsidade de declaração relativamente à compensação em GFIP(s) nas competências 03/2010, 05/2010, 02/2011, 05/2011,01 a 12/2012. Tais fatos também ensejaram a aplicação da multa isolada de ofício de 150%, incidente sobre os valores compensados a maior, conforme previsão contida no art. 89, parágrafo 10°, da Lei n°8.212, de 1991, constituída através do Auto de Infração 51.056.4992 (código de levantamento FA compensação com falsidade). O contribuinte contesta que tenha agido com simulação, atribuindo as compensações irregulares a título de retenções a erros administrativos. Consoante relatado, explicou que é praxe na sua atividade que os valores devidos por seus tomadores de serviços sejam aferidos por medições, e quando é atingido um objetivo, descrito nessas medições, o tomador efetua o pagamento dos valores a impugnante. Que antes da emissão da nota fiscal, são encaminhadas medições tanto para o contratante quanto para a contratada, e, havendo aprovação destas, há emissão da nota fiscal e o pagamento pelos serviços prestados. Disse ainda, que em alguns períodos, dentre estes os relacionados no quadro apresentado pela Autoridade Fiscal, as medições, acompanhadas do relatório gerencial, foram encaminhadas tanto ao departamento de recursos humanos como ao departamento financeiro, sendo que o primeiro não recebeu as notas fiscais, a fim de fazer o comparativo entre os valores efetivamente retidos e aqueles constantes nos relatórios gerenciais, equivocadamente adotados pelo RH. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 615 16 Em que pese o alegado, as provas apresentadas pelo contribuinte (fls. 386 403 relatórios gerenciais), não são hábeis a demonstrar que as compensações irregulares, ocorridas em 17 competências informadas na GFIP (03/2010,05/2010,02/2011, 05/2011,01 a 12/2012) podem ser atribuídas a meros erros administrativos. Não bastasse o fato de essa conduta ter se verificado em muitas competências, chama a atenção a circunstância de que os valores informados a título de retenções, sem que a contribuinte fosse titular desses créditos.em algumas competências, correspondem ao valor exato que a Autuada deveria recolher à Previdência Social, após as deduções legais de seus créditos efetivamente existentes, como demonstrou a planilha elaborada pela fiscalização: No caso dos autos, resta evidente a conduta dolosa da contribuinte, ao compensar créditos de que não era detentora, não elidindo tal conduta o fato de ter apresentado a documentação exigida pela autoridade fiscal. Além disso, a apresentação de documentos ao Fisco se trata de uma de suas obrigações acessórias, legalmente prevista. Portanto, foi aplicada corretamente a multa isolada, no percentual de 150%, tendo por base de cálculo o débito indevidamente compensado mediante declaração em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações â Previdência Social (GFIP), uma vez verificado que houve falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo. Outro ponto de destaque da impugnação, diz respeito a alegação de duplicidade de cobrança de valores consolidados no AI DEBCAD n* 51.056.4984 em relação ao AI DEBCAD n° 51.056.4950. Todavia, não condiz com a realidade a alegação do contribuinte, de que ao proceder a apuração dos valores consolidados no AI DEBCAD n° 51.056.4950 (parte da empresa e SAT/RAT). a Autoridade Fiscal efetuou toda a apuração embasada na folha de pagamento efetiva da Impugnante, desconsiderando os abatimentos equivocados e decorrentes das retenções glosadas, que supostamente não teriam sido realizadas pelos tomadores dos serviços. Tal se extrai das seguintes passagens do REFISC: 3.4.4) Foram apurados, por competência, iodos os valores declarados nas GFIP S DOS códigos FPAS 507 e 515 lotais de remunerações de contribuintes individuais e segurados empregados, contribuições dos segurados, saláriomaternidade e salário família: 3.4.4.1) As folhas de pagamento mensais foram apresentadas pela empresa em arquivos digirais, no formato PDF. e devidamente autenticados (arquivos juntados no processo administrativo fiscal). Feita a conciliação, mês a mês, entre os valores extraídos destas folhas de pagamento com a somatória dos valores declarados nas GFIP s nos códigos FPAS 507 e 515, apurouse os valores não declarados nas Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 616 17 GFIPs válidas e constantes nos sistemas informatizados da RFB no inicio da ação fiscal (remunerações dos segurados empregados, contribuição descontada dos segurados, pio labore, saláriomatemidade e saláriofamília). Os valores não declarados são os que constam no Demonstrativo do Anexo 8 deste Relatório e. abaixo reproduzidos: 3.4.5) Os valores devidos pela empresa, apurados nesta auditoria fiscal, consistem nos valores não declarados em GFIP. conforme demonstrado acima, e constam do levantamento "DF*. As sobras de recolhimento/compensação (conforme item 3.4.3.1) foram consideradas como créditos da empresa e utilizados como dedução dos valores apurados: 3.4.6) Em resumo foram feitas as seguintes operações: 3.4.6.1) Apuração dos VALORES DEVIDOS, constantes nas GFIPs válidas no inicio da ação fiscal: 3.4.6.2) Apuração dos VALORES RECOLHIDOS E COMPENSADOS em todo o período auditado: 3.4.6.3) Apuração de SOBRAS DE RECOLHIMENTO (valores recolhidos compensados a maior quando comparados com os valores devidos, declarados em GFIP); 3.4.6.4) Apuração de VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP através do confronto entre valores extraídos das folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP; 3.4.6.5) Apuração das CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS, cujos créditos foram constituídos através do AI 51.0S6.4950 (empresa—RAT); do AI 51.056.4968 (contribuição segurados), do AI 51.056.4976 (terceiros) e do 51.056.4984 (glos3 compensações). Os valo:es lançados, mês a mês, foram calculados a partir das bases de cálculo e de valores não declarados em GFIP e Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 617 18 deduzidos das sobras de recolhimento/compensação no próprio mês (sobras tratadas como créditos do contribuinte); Portanto, não é verídica a alegação de que houve exigência dúplice pela Autoridade Fiscal. O AI DEBCAD nº 51.056.4950, diz respeito tão somente as contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações não declaradas na GFIP pelo sujeito passivo, conforme apurado através do comparativo entre as folhas de pagamento e as declarações na GFIP. No Anexo 2 DEMONSTRATIVO DOS VALORES DECLARADOS EM GFIP RESUMO CÓDIGOS FPAS 502 E 515, As. 102, a autoridade lançadora relacionou a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (pro labore), o desconto do segurado e as deduções de salário maternidade e salário família declarados nas GFTJ? entregues pelo contribuinte nas competências 01/2010 a 13/2012 (considerando os dados da última GFTP válida entregue para a competência). Já o Anexo 8 DEMONSTRATIVO DOS VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP E LANÇADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO CÓD LEV: DF (VALOR FOLHA PAGTO menos VLR DECLARADO EM GFiP, contém informações mais detalhadas sobre o procedimento adotado pela autoridade lançadora para fins de apuração da base de cálculo do Levantamento DF. Destarte, verificase no anexo DD discriminativo do Débito (fl. 510), que a base de cálculo das contribuições lançadas no AI DEBCAD n° 51.056.4950, correspondem as bases de cálculo apuradas na planilha do anexo S, acima parcialmente reproduzida evidenciando, ainda, que das contribuições devidas foram deduzidos os valores do salário maternidade e salário família, que também não haviam sido compensados pelo contribuinte na GFIP, evidenciando que foi escorreito o procedimento da autoridade lançadora: Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 618 19 Já no AI DEBCAD n° 51.056.4984, foram lançados os valores glosados a título de retenções informadas irregularmente na GFIP. O anexo 9 DEMONSTRATIVO DOS VALORES COMPENSADOS. MANTIDOS EM GFTP, demonstra os valores efetivamente retidos e os valores informados a titulo de compensação da retenção de 11% na GFTP. Os valores informados como retenções não comprovados pela empresa foram glosados e lançados no AI DEB CAD n° 51.056.4984. O REFISC motiva adequadamente este lançamento: 3.5) Da análise das notas fiscais de prestação de serviços (NFS) emitidas pela empresa JAURU, no período de 01/2010 a 12/2012, constatouse que foram prestados serviços para diversas empresas, conforme Demonstrativo do Anexo 1 deste Relatório. Feita a conciliação entre os valores destacados nas NFS a titulo de retenção de 11% (Lei 9.711.'98) e os valores compensados/abatidos nas GFIPs, constatouse a compensação, em parcela das competências analisadas, de totais superiores aos valores efetivamente destacados nas NFS, conforme se demonstra abaixo (o detalhamento destes valores consta no Demonstrativo do Anexo 9 deste Relatório): Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 619 20 3.5.1) Os valores compensados/abatidos a maior foram integralmente glosados nesta auditoria fiscal (levantamento L'GL "). Os créditos correspondentes foram consta ruídos através do Auto de Infração 51.056.4984; 3.5.2) A apropriação indevida dessas diferenças fez com que o sistema informatizado da RFB, ao efetuar o batimento automático entre valores devidos recolhidos, não apurasse diferenças (ou apenas apurasse pequenas diferenças) entre o devido e o recolhido. Isso inibiu a emissão das respectivas intimações de pagamento (IP) e/ou DCG s (débito confessado em GFIP) nas épocas oportunas, eximindose a empresa, desta forma, de recolher, ou ser intimada a recolher, o que era efetivamente devido,segundo os valores que declarou nas GFIP s que encaminhou a RFB, relativamente aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não há que se falar, portanto, que houve glosa de retenções no AI DEBDAD 51.056.4984, e que este procedimento também ocorreu no AI DEBCAD AI DEBCAD 51.056.4950, ressaltando que neste último foram lançadas tão somente as contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações não declaradas na GFIP pelo sujeito passivo, conforme apurado através do comparativo entre as folhas de pagamento e as declarações na GFIP. Já da análise das planilhas elaboradas pelo contribuinte, concluise que não demonstram a alegada cobrança em duplicidade. No resumo dos débitos, verificase que o contribuinte incorre em equívoco, ao somar o total de débitos dos anos de 2010 a 2011 e comparálos com o total dos débitos apurados para o mesmo período pela fiscalização, senão vejamos: A apuração dos fatos geradores e dos lançamentos ocorre mensalmente no caso das contribuições previdenciárias, motivo pelo qual não é válido o comparativo acima. Há que se ressaltar, ainda, que eventuais créditos do contribuinte, oriundos de retenções não declaradas na GFIP mas efetivamente ocorridas, também foi considerado pela fiscalização na apuração dos créditos, conforme se observa do RADA Relatório de Documentos Apresentados e esclarece o seguinte trecho do REFISC: 3.4.3.1) Resultante da conciliação entre os valores devidos, declarados nas GFIPS válidas, e os valores efetivamente recolhidos e compensados em GFIP (GPS código 2100 e 2119) apurouse sobras de recolhimento/compensação em algumas competências, conforme Demonstrativo do Anexo 6 deste Relatório, e abaixo reproduzido: Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 620 21 (...) 3.4.5) Os valores devidos pela empresa, apurados nesta auditoria fiscal, consistem nos valores não declarados em GFLP, conforme demonstrado acima, e constam do levantamento "DF". As sobras de recolhimento/compensação (conforme item 3.4.3.1) foram consideradas como créditos da empresa e utilizados como dedução dos valores apurados; 3.2 AI 51.056.4992 MULTA ISOLADA AUSÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO De acordo com o contribuinte, a multa isolada aplicada de forma qualificada é absolutamente inexigível, pois não houve dolo ou má fé na ação da Impugnante quanto às informações prestadas em GFIP. No que tange a exigência da multa isolada de 150%,consolidada no AI DEBCAD n° 51.056.4992, já se discorreu no item acima, quanto a conduta do contribuinte, de inserir informação falsa na GFIP. Destarte, a exigência da multa isolada de 150%, contraditada pelo impugnante, é conseqüência da falsidade nas informações prestadas em GFIP, dada a inserção de compensações indevidas. Tal conduta se amolda perfeitamente ao comando legal previsto no art. 89, §§ 9o e 10 da Lei n° 8.212/91, que determina a aplicação da multa de 150%, in verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c, do parágrafo único, do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso Ido caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 621 22 débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (grifamos) 0 aludido dispositivo da Lei n* 9.430, de 1996, dispõe que, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) Portanto, correta a aplicação da multa pela autoridade lançadora, eis que o Impugnante não fez prova dos valores por ele declarados, ao contrário, atribuí as informações inveridicas inseridas na GFIP a erros administrativos, que, diante do exposto no item anterior, não se coadunam com a realidade. Argumenta, também, que consoante posicionamento do CARF, é não há que se falar em imposição de multa de ofício com multa isolada, sendo nulo o presente AI. No caso dos autos, o quadro abaixo representa como foram aplicadas as multas nos AI por descumprimento de obrigação tributária principal resultantes da ação fiscal: Os dispositivos legais que fundamentam as exigências são os seguintes: Lei n°8.212, de 1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuiçôes sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do an. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a titulo de substituição e das contribuições devidas a Terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do an. 61 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 'Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no an. 35 desta Lei, aplicase o disposto no an. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996(Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009). Art.. 89. As contribuições sociais previstas nas alineas, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil/Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (...) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 622 23 §9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n" 11.941. de 2009). §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso Ido caput do an. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado./Incluído pela Lei ne 11.941, de 2009). Lei n°9.430/1996 Art.. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas:(T'ide Lei n° 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei n" 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). Argui o contribuinte que tanto o art. 74 da Lei 4.502/64 quanto o art. 18 e § 2o da Lei 10.833/2003, 89, §10, da Lei n.° 8.212/1996, e 44, § f, da Lei n.° 9.430/1996, exigem expressamente a presença de dolo e comprovação de falsidade da declaração. No que tange ao art. 74 da Lei n° 4.502, de 1964 (Art. 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo), tal artigo não fundamenta as exigências em análise. Já a Lei n° 10.833/2003, especificamente no art. 18 e parágrafo segundo, embora tocantes ao tema "compensação", se reportam à Medida Provisória n° 2.15835, de 4 de agosto de 2001, que altera a legislação das contribuições para a Seguridade Social COFINS, paia os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda, e dá outras providência, senão vejamos: Lei 10.833/2003 Art. 18.0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória n°472, de 15 de dezembro de 2009) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6" a 11 do art. 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2" A multa isolada a que se roforoo caput é a prevista nos incisos I e U ou no§ 3°do art 44 da Lei n°9.430, do 27 do dezembro do 1996, conformo o caso. § 2° A multa isolada a que so refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso U do caput ou no f 2'do art. AA da Lei n° 9.130, do 37 do dezembro de 1996, conforme o caso, o terá como base de cálculo o valor total do Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 623 24 débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 3004) (Vido Medida Provisória nc351, do 3007) §2' A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória n9472, de 15 de dezembro de 2009) Medida Provisória Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federai Ocorre que em se tratando de contribuições previdenciárias, há dispositivo legal especifico regulando a matéria, quais sejam, os parágrafo 9° e 10° do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, e, como visto, restou configurada a circunstância autorizativa da aplicação tanto da multa no percentual de 20%, exigível sobre os valores compensados indevidamente, quanto da multa de 150%, em face da declaração inexata. Anotese que todas as jurisprudências administrativas colacionadas pelo contribuinte se referem a autuações de fatos geradores de outra natureza daqueles em discussão nos presentes autos. Destarte, o lançamento está em conformidade com a legislação tributaria vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não cabendo á autoridade lançadora afastarse do seu cumprimento. Isso porque a autoridade administrativa não está autorizada a avaliar, sob qualquer principio, a aplicação da lei. Consoante o art. 37 da Constituição Federal de 1988, a legalidade está inserta como princípio geral da Administração Pública. No âmbito tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional dispõe que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente do Fisco, cumprindo á autoridade administrativa aplicar as determinações contidas na legislação de regência. Ainda, consignese que, atualmente, encontrase em vigor o artigo 26A do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §6° O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 624 25 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na formados arts. 18 e 19 da Lei ne 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar ne 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar ne 73, de 10 de fevereiro de 1993. Logo, as multas exigidas nas Autuações fundamentamse leis válidas inseridas no sistema tributário nacional, não podendo ser afastadas por vontade do servidor 3.3 DEBCAD n°s AI 51.056.5000 e AI 51.056.5018. MULTA POR DESCUMPR1MENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMULAÇÃO DE MULTAS. Alega o contribuinte que impõese a nulidade do AL porque o Fisco previdenciário fez a autuação para cobrar o valor de R$ 18.128,43 aplicada no AI 51.056.5000, lavrado em face da suposta ausência de lançamentos adequados nos titulos da contabilidade da impugnante, relativos às contribuições previdenciárias, como se fossem várias as infrações cometidas, mas que no caso presente a infração é única, de natureza continuada, resultando na aplicação de uma única multa, fixada de acordo com a gravidade da transgressão. Outrossim, em atenção ao princípio da eventualidade, requer a redução da multa aplicada ao mínimo legal (RS 6.361,73), porque não houve esclarecimentos e justificação para a aplicação da multa em critério diverso. Acrescenta, ainda, que a simples indicação genérica de dispositivos legais complexos não atente aos primados da motivação, exigindose a demonstração clara de como se chegou ao montante da multa expresso no AI. No tocante ao AI DEBCAD n° 51.056.5018, o contribuinte apresenta alegações de mesma natureza. Em que pese o arguido, os Autos de Infração por descumpiimento de obrigação acessória foram aplicados de forma correta pela autoridade lançadora. Não bastasse a indicação dos dispositivos legais que fundamentam as exigências na folha de rosto dos AI DEBCAD n° 51.056.5000 e 51.056.5018, o REFISC no seu item 4, relata os fatos que caracterizaram as infrações, bem como transcreve os dispositivos legais que fundamentam cada exigência, como passo a discorrer. 3.3.1 AI DEBCAD n° 51.056.5000 O AI DEBCAD n° 51.056.5000 foi lavrado em face da empresa ter deixado de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto no art. 32, n, da Lei n° 8.212, de 1991. A infração foi devidamente caracterizada no REFISC: 4.2) AUTO DE INFRAÇÃO 02: Da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa JAURU, no período de 0l/2010 a 12/2012 (ver anexo 1), constatouse que foram prestados serviços para diversas empresas. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 625 26 Constatouse, também, que a contabilização dos custos incorridos com a mãode obra aplicada na execução dos serviços contratados foi efetuada em contas únicas: 2101020001 salários a pagar; 2101020004 rescisões a pagar; 2101020006 13'salário a pagar; 2101020008 férias a pagar; 2101030001 INSS a recolher; 4.2.1) Por determinação legal caberia a empresa JAURU, na condição de prestadora de serviços, lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas,as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Os registros deveriam ser feitos em contas individualizadas e por tomador de serviços, o que não ocorreu. Esta conduta se configura como infração prevista na Legislação Previdenciária, tendo sido lavrado o Auto de Infração 51.056.5000 (CFL 34); 4.2.2) O procedimento contábil assim adotado não atende ao previsto no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e no artigo 225, inciso e parágrafo 13 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, abaixo transcritos: (...) O valor da multa aplicada, de RS 18.128,43, está de acordo com os arts. 92 da Lei n° 8.212. de 1991 e art. 283, 11, alínea "a" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048. de 1999: Lei 8.212, de 1991 Art.. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Decreto n° 3.048, de 1999: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo dasLeis rí"8.212e8.213, ambas de 1991, elO.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a RS 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores .(Redação dada pelo Decreto n°4.862, de 2003) II a partir de RS 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; A multa aplicada, como já assinalado pelo contribuinte, possui um valor único, independentemente do número de infrações de mesma natureza que a empresa tenha cometido no período objeto da fiscalização, o que foi plenamente observado pela autoridade lançadora. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 626 27 Outrossim, o valor da penalidade originalmente estabelecido na legislação transcrita é atualizado anualmente, e, para as penalidades em análise, foi atualizado pela Portaria interministerial MPS/MF n° 19, publicada no DOU em 10/01/2014, publicada no DOU de 09/01/2012, conforme expressamente prevê o art. 102 da Lei n° 8.212, de 1991, in verbis: An. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir do abril do 1991. à exceção do disposto nos ans. 20, 31, 28, f 5' o 39, nas mesmas épocas o com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios do prestação continuada da Previdência Social, neste período. Art.102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). Parágrafo—único.O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do salário mínimo será descontado quando da aplicação dos índices a que se refere ocapiiulncluído pela Medida Provisória n" 2.187 13. do 3001). $4? O disposto neste artigo não se aplica às penalidades pre\'istas no an. 33 A. (Incluído pela Medida Ptvrisória n° 449. do 3008) ■4&0 reajuste dos valores dos salários de contribuição em decorrência da alteração do salário mínimo será descontado quando da aplicação dos índices a que se refere ocaput.IRonumorado do parágrafo imico pela Medida Provisória n" 449. do 2008) § Ia O disposto neste artigo não se aplica ás penalidades previstas no art. 32A desta Lei.(Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2^ O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriominimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei ne 11.941, de 2009). Portanto, a multa exigida no AI DEBCAD n° 51.056.5000 está de acordo com a previsão legaL não cabendo qualquer correção de valores. 3.3.2 AI DEBCAD n° 51.056.5018. A autoridade lançadora constatou, da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela fiscalizada no período de 01/2010 a 12/2012. que foram prestados serviços para diversas empresas (conforme Demonstrativo do Anexo 1). todavia, a impugnante deixou de elaborar folhas de pagamento distintas por obra de construção civil e por tomador de serviços, alocando indistintamente, em folhas de pagamentos mensais únicas, todos os segurados a seu serviço. Tal conduta infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, artigo 31. §5°. combinado com o §5° do artigo 219 do Decreto n° 3.048. de 06.05.1999 e artigo 47. inciso HL da IN RFB n° 971. de 13/11/2009. A multa aplicada, de RS 1.812,87 (um mil, oitocentos e doze reais e oitenta e sete centavos), está de acordo com os artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, artigo 283. "caput" e §3° e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048. de 06/05/1999. O valor da multa também foi Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 627 28 atualizado pela Portaria mtenninisterial MPS/MF n° 19. publicada no DOU em 10/01/2014. Portanto, não é cabível a pretendida retificação da multa aplicada. 4. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS O contribuinte requereu a realização de perícia, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, indicando assistente técnico e apresentando os seguintes quesitos: 1) Queira a Sra. Perita calcular as contribuições sociais devidas pela empresa, incluindo o acrescido devido para finada a concessão de beneficios, no período compreendido entre os anos de 2010 e 2012. 2) Queira a Sra. Perita calcular as contribuições sociais devidas pelos empregados e contribuintes autônomos vinculados á empresa, cuja obrigação pelo recolhimento cabe a ela. 3) Queira a Sra. Perita calcular os valores devidos á terceiros, incidentes sobre a remuneração de funcionários e contribuintes individuais vinculados á empresa. 4) Queira a Sra. Perita amortizar destes valores devidos, os montantes já recolhidos pela empresa, assim como aqueles retidos por seus tomadores de serviços e constantes nas notas fiscais emitidas. 5) Efetue, ainda, a atualização destes valores, com a imposição das penalidades previstas na legislação. 6) Efetuando um comparativo entre os valores encontrados nos cálculos anteriores, é possível afirmar que a glosa objeto do Auto de Infração 51.056.4984 esta sendo exigida em caráter dúplice, comparativamente com os Autos de Infração n.8s 51.056.4950, 51.056.4968, 51.056.4976? 7) Quais são as multas aplicadas nos Autos de Infração na 51.056.4950, 51.056.4968. 51.056.4976 e 51.056.4984? Qual a natureza destas? 8) A multa isolada, aplicada no Auto de Infração 51.056.4992, esta sendo exigida cumulativamente à multa de oficio, atenda nos demais autos de infração? 9) Queira a Sra. Perita prestar os esclarecimentos entendidos como necessários. Inicialmente, esclareçase que prescinde de perícia as situações em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos pelo interessado sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica. Destarte, em decorrência do voto aqui proposto, verificase que os esclarecimentos objetivados pelo contribuinte não ensejariam a revisão do lançamento. No tocante aos quesitos indicados nos item 1 a 3, tenho por desnecessários, uma vez que as contribuições sociais devidas foram devidamente apuradas pela autoridade lançadora e o contribuinte não apresentou, concretamente, qualquer divergência nas bases de cálculo apuradas pela fiscalização, as quais, como se observou do presente voto, sequer contestou. Ademais, as bases de cálculo foram apuradas em documentos apresentados pela empresa no procedimento fiscal. E, verificandose divergências, o contribuinte facilmente disporia dessa prova. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Acórdão n.º 2402007.495 S2C4T2 Fl. 628 29 O quesito 4 objetiva verificar se foram abatidos compensados dos créditos lançados os valores recolhidos pela empresa (GPS) e os montantes retidos por seus tomadores. A fiscalização elaborou inúmeros anexos (anexo 1, fl. 94101 e anexo 2. As. 104 107), contemplando os valores dos recolhimentos e das retenções, e a contribuinte, por sua vez, não apresentou qualquer indício probatório da existência de recolhimentos não considerados pela fiscalização, pelo que, entendo desnecessária a realização de perícia, também nesse ponto. Por conseqüência, também deve ser afastada a perícia acerca do quesito 5. No que tange aos quesitos 6 e 7, já se discorreu no presente voto quanto à sistemática de lançamento adotada pela autoridade lançadora e a inexistência de cobrança em duplicidade nos AI por descumprimento de obrigação acessória. Destarte, o artigo 18, do Decreto n° 70.235/1972, ao tratar do requerimento de perícia formulado em processo administrativo fiscal federal, preceitua que: Art.. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) (...) Portanto, deve ser indeferido o pedido de realização de perícia se a elucidação dos quesitos propostos não exige conhecimentos especializados que não se enquadrem dentre aqueles que são normalmente utilizados na ação fiscal. Isso posto, julgo desnecessária a perícia e não acolho o pedido, consoante dispõe o art. 18, in fine, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário apresentado, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito discutido. Vale destacar a ocorrência de confissão das obrigações tributárias contidas nos AI's Deb Cad 51.056.4950, 51.056.4968 e 51.056.4976. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907792/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.160
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do Refis ou não.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.907792/2012-69
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6062797
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-002.160
nome_arquivo_s : Decisao_10920907792201269.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10920907792201269_6062797.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do Refis ou não. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7902987
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300849709056
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-12T13:51:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-12T13:51:13Z; Last-Modified: 2019-09-12T13:51:13Z; dcterms:modified: 2019-09-12T13:51:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-12T13:51:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-12T13:51:13Z; meta:save-date: 2019-09-12T13:51:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-12T13:51:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-12T13:51:13Z; created: 2019-09-12T13:51:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-09-12T13:51:13Z; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-12T13:51:13Z | Conteúdo => 00 SS33--CC 22TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10920.907792/2012-69 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 3201-002.160 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 23 de julho de 2019 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA RReeccoorrrreennttee DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do Refis ou não. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 07 79 2/ 20 12 -6 9 Fl. 162DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.160 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.907792/2012-69 Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de contribuição não-cumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa integralmente a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito da empresa, não restando saldo creditório suficiente. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve recolhimento a maior do tributo e que estes valores podem ser comprovados pelo DACON e DCTF. O colegiado a quo julgou parcialmente procedente o pedido, nos termos do Acórdão nº 02-061.010. Contra esta decisão o recorrente apresentou seu Recurso Voluntário, ora em apreço. Voto. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.145, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.907771/2012-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.145): “Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. A primeira análise do crédito foi apresentada no Despacho Decisório Eletrônico de fls. 83, que reconheceu parcialmente os créditos em razão da insuficiência de crédito para a homologação integral da compensação. Em manifestação de inconformidade de fls. 49 o contribuinte explica a origem de seu crédito e sua argumentação foi parcialmente acatada em decisão de primeira instância, contudo, tal conclusão ocorreu de forma tangente aos fatos, de modo que os juros e multas que não deveriam ter sido recolhidos não foram considerados no cálculo dos créditos. Logo, não há preclusão, pois a verdade material dos autos foi construída ao longo da presente lide administrativa fiscal, como acontece costumeiramente nos casos que possuem origem em despacho decisório eletrônico. Fl. 163DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.160 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.907792/2012-69 Em seu recurso de fls. 106 o contribuinte apresentou sua análise e após a decisão de primeira instância e solicitou que o crédito seja apreciado da seguinte forma: Em face do exposto, com fundamento na regra administrativa fiscal da busca da verdade material, vota-se para que os autos sejam convertido em diligência para que: - os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do refis ou não. Após, abram vistas para que a recorrente se pronuncie. Concluída a diligência, retornem os autos ao CARF para julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que - os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do refis ou não. Após, abram vistas para que a recorrente se pronuncie. Concluída a diligência, retornem os autos ao CARF para julgamento (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002395/2004-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF AUXÍLIO
COMBUSTÍVEL DOS PROCURADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA.
A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível”, aos Procuradores de Santa Catarina, tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização ou inspeção, com natureza, portanto, indenizatória, não se incorpora à remuneração do servidor e está, portanto, fora do campo de incidência do imposto de renda.
Numero da decisão: 2102-001.145
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, para julgar improcedente o auto de infração, reconhecendo a natureza indenizatória da verba de auxílio combustível recebida pela recorrente.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 IRPF AUXÍLIO COMBUSTÍVEL DOS PROCURADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA. A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível”, aos Procuradores de Santa Catarina, tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização ou inspeção, com natureza, portanto, indenizatória, não se incorpora à remuneração do servidor e está, portanto, fora do campo de incidência do imposto de renda.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11516.002395/2004-23
conteudo_id_s : 6050012
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.145
nome_arquivo_s : 210201145_11516002395200423_201103.pdf
nome_relator_s : Carlos André Rodrigues Pereira Lima
nome_arquivo_pdf_s : 11516002395200423_6050012.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, para julgar improcedente o auto de infração, reconhecendo a natureza indenizatória da verba de auxílio combustível recebida pela recorrente.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
id : 7862626
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300851806208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 86 1 85 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002395/200423 Recurso nº 177.031 Voluntário Acórdão nº 2102001.145 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria IRPF AUXÍLIO COMBUSTÍVEL Recorrente ELUSA MARA DE MEIRELLES WOLFF CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 IRPF AUXÍLIO COMBUSTÍVEL DOS PROCURADORES DO ESTADO DE SANTA CATARINA. A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível”, aos Procuradores de Santa Catarina, tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização ou inspeção, com natureza, portanto, indenizatória, não se incorpora à remuneração do servidor e está, portanto, fora do campo de incidência do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário, para julgar improcedente o auto de infração, reconhecendo a natureza indenizatória da verba de auxílio combustível recebida pela recorrente. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 87 2 EDITADO EM 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 59 a 74, interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 52 a 55, que julgou, por maioria de votos, procedente o lançamento de imposto de renda de fls. 22 a 25 dos autos, lavrado em 19/08/2004, relativo ao anocalendário 2002, com ciência do contribuinte em 23/08/2004, conforme AR de fl. 46. De acordo com a Notificação de Lançamento de fls. 22 a 25, a autoridade fiscal alterou o valor dos rendimentos tributáveis indicados na declaração de ajuste da RECORRENTE, por entender que não havia previsão legal da isenção de auxílio combustível concedido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, conforme pleiteado na declaração de ajuste. Além disso, efetuou a glosa da dedução de despesas com instrução uma vez que despesas com cursos de língua estrangeira não são dedutíveis. Em decorrência do lançamento, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da RECORRENTE: a) Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas de R$ 63.119,82 para R$ 70.894,72; b) Despesas com instrução de R$ 1.098,30 para R$ 0,00; e c) Rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 12.682,99 para R$ 245,47. Assim, o saldo do imposto a restituir, que antes havia sido apurado em R$ 3.023,51, passou a ser de R$ 583,38 após a presente revisão (fl. 22). Ocorre que a RECORRENTE já havia recebido a restituição no valor de R$ 3.023,51. Assim, o objeto do presente lançamento é a devolução da restituição recebida pelo RECORRENTE, na importância de R$ 2.440,13, que deve ainda ser acrescida dos juros de mora devidos (fls. 22 e 23). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 88 3 Em 16/09/2004, a RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 01 a 19. Em suas razões, alegou ser ocupante de cargo público de provimento efetivo de Procuradora do Estado de Santa Catarina, e recebe mensalmente, além de seus vencimentos, valores a título de indenização pelo uso de veículo próprio para o exercício de suas atividades funcionais. Afirmou, em suma, que, nos termos da Lei Complementar Estadual nº 100/1993 (art. 3º, § 3º, inciso VI) e do Decreto Estadual nº 4.131/1993 (art. 1º), o legislador estadual afirmou que “a indenização pelo uso de veículo próprio, como o próprio nome diz, constitui verba de caráter indenizatório, e como tal não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadorias, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária”. A RECORRENTE defendeu o caráter indenizatório do auxílio combustível, pois para ela: “(...) A destinação da verba é claríssima: busca recompor o Procurador do Estado do desgaste/depreciação causado a veículo de sua propriedade no exercício de suas funções institucionais (realização de audiências nos Juízos em que for parte da demanda judicial o Estado de Santa Catarina). Possui caráter, portanto, de indenização, de ressarcimento de danos patrimoniais. O caráter indenizatório fica ainda mais evidente ao se verificar que a verba não se incorpora aos vencimentos/proventos para nenhum efeito (não é percebida nas férias, licenças e outros afastamentos legais), não é considerada para o cálculo dos proventos de aposentadoria e pensões e não incide sobre décimoterceiros salários e adicionais por tempo de serviço e não dá ensejo a contribuição previdenciária. A propósito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Pedido de Suspensão n° 11391SC, do qual foi relator o eminente Ministro Sepúlveda Pertence, reconheceu o caráter nitidamente indenizatório da indenização por uso de veículo próprio paga aos Procuradores do Estado de Santa Catarina, razão pela qual cassou liminar do Tribunal de Justiça do Estado que determinava a sua percepção por servidores públicos estaduais inativos (fls. 29 a 32). (...)” Concluiu que a indenização pelo uso de veículo próprio trata de mera recomposição patrimonial – não constituindo renda – afastandose da hipótese de incidência do imposto, nos termos do estabelecido no art. 114 do CTN. Por tal razão, a RECORRENTE afirmou que procedeu à retificação das declarações de ajuste dos últimos cinco anos e defendeua como correta. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 89 4 Ademais, a RECORRENTE entendeu que a presente Notificação de Lançamento ocorreu após deferimento, por parte da Secretaria da Receita Federal, do pedido de retificação da declaração de ajuste formulado pela RECORRENTE, conforme documento de fl. 26. Assim, alegou que a decisão de deferimento da restituição dos valores pleiteados configuraria ato administrativo perfeito, válido e eficaz. Portanto, não poderia haver a modificação do mesmo. Por fim, sobre a glosa da despesa com instrução, afirmou que recolheu em 16/09/2004 o valor de R$ 370,58, referente ao imposto e juros incidentes sobre tal valor (fl. 21). Sendo, portanto, incontroversa essa específica matéria. Portanto, requereu a improcedência do lançamento. Anexou aos autos certidão do Diretor de Administração da Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina informando que a indenização paga pelo uso de veículo próprio, sob a rubrica 1151 (auxílio combustível), não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadorias, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária (fl. 20). Juntou também cópia de sua ficha financeira, emitida pela Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina, em que consta o valor pago a titulo de auxílio combustível, no total de R$ 12.437,52 (fl. 27). Foram também acostados aos autos a declaração de ajuste original da RECORRENTE (fls. 38 a 40), a declaração retificadora (fls. 41 a 43) e o acerto de declaração efetuado pela fiscalização (fl. 44). DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 52 a 55 dos autos, julgou procedente o lançamento. Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora delimitou a matéria em litígio, visto que a RECORRENTE não contestou a glosa da dedução de despesas com instrução, e entendeu por definitiva a exigência no que se refere a esta parte do lançamento. Sobre as verbas recebidas pela RECORRENTE a título de auxílio combustível, a autoridade julgadora transcreveu voto proferido por julgador da 4ª Turma de Julgamento daquela DRJ, quando apreciação de caso similar, e concluiu que: “(...)Apesar de a legislação estadual atribuir a esta verba a denominação de 'indenização', o fato de ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. Ressaltase, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 90 5 por outro lado, seu cunho remuneratório, uma vez que é paga a todos os Procuradores com competência para representar o Estado em Juízo, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. Portanto, ao contrário da indenização de transporte paga pela União, em relação à qual a verba paga pelo Estado de Santa Catarina apresenta profundas disparidades, a verba intitulada 'indenização por uso de veículo próprio' configurase renda do beneficiário e, por isso, está sujeita à incidência do imposto de renda. Revelada, assim, a natureza jurídica da verba em discussão, voto no sentido de considerar procedente o lançamento.” Por todo exposto, a DRJ julgou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 16/03/2009, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 58, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 59 a 74, em 02/04/2009. No mérito, a RECORRENTE reitera o alegado em sua impugnação. Em suas razões de apelo, a RECORRENTE aponta diversos precedentes judiciais sobre a matéria em litígio. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A presente demanda diz respeito à natureza indenizatória, ou não, das verbas recebidas pelos Procuradores do Estado de Santa Catarina (cargo ocupado pela Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 91 6 RECORRENTE) a título de “auxílio combustível” e, consequentemente, acerca da incidência, ou não, do imposto de renda sobre tais verbas. O pagamento em questão é respaldado no art. 3º da Lei Complementar do Estado de Santa Catarina nº 100/1993, dispositivo este regulamentado pelo Decreto do Chefe do Poder Executivo catarinense nº 4.131/1993, dos quais vale destacar o seguinte: Lei Complementar do Estado de Santa Catarina nº 100/1993 “Art. 3º O limite máximo de remuneração a que se refere o art. 23 inciso II da Constituição do Estado, é fixado, para os servidores ativos e inativos pertencentes aos Quadros de Pessoal dos órgãos da Administração Direta, Autarquias e Fundações, do Poder Executivo, em 100% (cem por cento) do valor da remuneração do cargo de Secretário de Estado. (...) § 3º Ficam excluídas do limite previsto neste artigo, as importâncias percebidas a título de: (...) VI indenização pelo uso de veículo próprio, para o desempenho de funções de fiscalização ou inspeção de tributos, pagas aos integrantes do Grupo de Ocupações de Fiscalização e Arrecadação OFA e aos Procuradores lotados na Procuradoria Geral do Estado, na forma prevista tios respectivos regulamentos.” Decreto Estadual nº 4.131/1993 “Art. 1º O valor da indenização de que trata o artigo 3º, § 3º, inciso VI, da Lei Complementar nº 100, de 30 de novembro de 1993, será calculado mediante a aplicação da fórmula estabelecida no artigo 3º, do Decreto nº 4.606, de 6 de fevereiro de 1990, com a redação que lhe atribuiu o artigo 1º, do Decreto nº 663, de 19 de setembro de 1991 e será paga aos Procuradores com competência para representar o Estado em Juízo. Parágrafo único A vantagem de que trata este artigo: I não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadorias, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária; II indenizará as despesas pelo uso de veículo próprio em serviço, nos deslocamentos para os órgãos do Poder Judiciário, situados nas Comarcas da sede de lotação do Procurador e nas contíguas e circunvizinhas. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de novembro de 1993, conforme Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 92 7 artigo 15 da Lei Complementar nº 100, de 30 de novembro de 1993.” A verba em debate, portanto, não é paga a todos os servidores indistintamente. O denominado “auxilio combustível” é pago àqueles servidores (procuradores do estado de Santa Catarina, no caso) que efetivamente realizam serviço externo com uso de veículo próprio. Isso é o que se extrai do inciso VI do §3° do art. 3º da Lei Complementar do Estado de Santa Catarina nº 100/1993, antes transcrito. Tal fato pode ser observado da análise da ficha financeira da RECORRENTE, fornecida pela Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina (fl. 27), tendo em vista que o valor destacado sob a rubrica “1151 Aux. Combustível50%” nunca é igual, havendo, inclusive, período em que o mesmo não é devido (no caso, a RECORRENTE não recebeu a verba no mês de novembro). Sobre o tema, há vários julgamentos do antigo Conselho de Contribuintes, a exemplo do representado na ementa abaixo: “AUXÍLIO COMBUSTÍVEL DOS FISCAIS DO ESTADO DE SANTA CATARINA A verba paga sob a rubrica 'auxilio combustível' aos fiscais de Santa Catarina, tem por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora a remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do imposto de renda.. (Processo nº 11516.002486/200469; julgado em 08/11/2006; 2ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes)” Adoto trecho do voto proferido pelo relator do julgado acima, quando esclareceu que: “(...) O fato gerador do imposto em comento é a disponibilidade econômica e jurídica sobre a renda e proventos de qualquer natureza. As verbas de caráter indenizatório, ou reparação pecuniária, não se inserem nesse conceito. O valor pago em pecúnia, a título auxílio combustível, tem natureza jurídica indenizatória, e, por conseguinte, não está incluída no conceito de renda ou proventos de qualquer natureza. Este pagamento pecuniário não constitui acréscimo patrimonial, mas recomposição patrimonial. (...)” Com tais considerações, entendo que as verbas pagas para compensar/repor/reembolsar gastos e depreciações com veículos de procuradores integrantes da Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina, na realização de seus serviços, têm natureza indenizatória e, portanto, estão fora do campo da incidência do imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para julgar improcedente o auto de infração, reconhecendo a natureza indenizatória da verba de auxílio combustível recebida pela RECORRENTE. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.002395/200423 Acórdão n.º 2102001.145 S2‐C1T2 Fl. 93 8 Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
