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Numero do processo: 13971.904088/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de insumos de empresas optantes do SIMPLES não geram direito ao crédito básico de IPI. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 3º trimestre de 2008. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Apresentou, como fundamento legal para as glosas efetuadas, os seguintes dispositivos legais: art. 11 da Lei n° 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que (i) a fiscalização não considerou o fato de que a redação dada pelo art. 166 do Decreto nº 4.544/2002 pela Lei nº 9.317/96, que vedava o direito ao crédito na hipótese de aquisição de empresas optantes pelo Simples Federal, foi revogada Lei Complementar n° 123 de 2006; (ii) como consequência, a partir de 01/07/07, o referido art. 166 perdeu sua eficácia, permitindo o aproveitamento do crédito, conforme disposto no art. 165 do Decreto 4544/2002. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, exclusivamente, sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. Pois bem. A matéria em questão foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.904088/201085 Acórdão n.º 3301001.548 S3C3T1 Fl. 93 3 § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava igualmente a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, em seu artigo 118: Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal. Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 13731.000246/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
ISENÇÃO DO IRPF. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, PENSÃO, REFORMA E TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADA. NÃO OCORRÊNCIA.
Para fazer jus à isenção do IRPF por ser portador de moléstia especificada em Lei, deve o contribuinte comprovar a moléstia com laudo pericial de serviço médico oficial, incidindo a isenção sobre proventos de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para reserva remunerada (Súmula CARF nº 43). No
caso destes autos, o recorrente somente se aposentou do vínculo de emprego que gerou a omissão de rendimentos no ano posterior àquele a que lhe foi imputada a omissão de rendimentos, objeto do imposto lançado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ISENÇÃO DO IRPF. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, PENSÃO, REFORMA E TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADA. NÃO OCORRÊNCIA. Para fazer jus à isenção do IRPF por ser portador de moléstia especificada em Lei, deve o contribuinte comprovar a moléstia com laudo pericial de serviço médico oficial, incidindo a isenção sobre proventos de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para reserva remunerada (Súmula CARF nº 43). No caso destes autos, o recorrente somente se aposentou do vínculo de emprego que gerou a omissão de rendimentos no ano posterior àquele a que lhe foi imputada a omissão de rendimentos, objeto do imposto lançado. Recurso negado.
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA ESPECIFICADA EM LEI. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, PENSÃO, REFORMA E TRANSFERÊNCIA PARA A RESERVA REMUNERADA. NÃO OCORRÊNCIA. Para fazer jus à isenção do IRPF por ser portador de moléstia especificada em Lei, deve o contribuinte comprovar a moléstia com laudo pericial de serviço médico oficial, incidindo a isenção sobre proventos de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para reserva remunerada (Súmula CARF nº 43). No caso destes autos, o recorrente somente se aposentou do vínculo de emprego que gerou a omissão de rendimentos no ano posterior àquele a que lhe foi imputada a omissão de rendimentos, objeto do imposto lançado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza as razões da autuação e da impugnação (fl. 31v): Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos foi lavrada a notificação de lançamento, de fls. 07/10, relativa ao exercício 2004/anocalendário 2003, em que o crédito tributário apurado foi de R$ 10.309,61 (fl. 07). De acordo com a Descrição dos Fatos, de fl. 08, foi apurada Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vinculo Empregatício. Constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 18.144,81, recebido da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 403,08. As fls. 08 e 10 constam os dispositivos legais considerados adequados pela autoridade fiscal para dar amparo ao lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/04, por intermédio de seu procurador conforme instrumento de mandato, de fl. 06, juntamente com os documentos de fls. 11/21, alegando, em síntese, ter isenção do imposto de renda desde meados de 2003, em virtude de ser portador de moléstia grave (neoplasia maligna), conforme documentos em anexo. Argúi que sua aposentadoria foi publicada no D.O., de 27/07/2004, porém já havia sido diagnosticada a moléstia, conforme laudos acostados, a qual vinha ocorrendo e atormentando o paciente/servidor desde meados de 2003. Por fim, espera o acolhimento de suas razões. A 2ª Turma da DRJ/RJ2, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1326.491, de 25 de setembro de 2009. Considerando que foi imputada uma omissão de rendimentos no ano calendário 2003 proveniente da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro, a decisão recorrida rejeitou a pretensão do impugnante, a uma porque o contribuinte somente se aposentou em 27/07/2004, a duas porque o reconhecimento da moléstia grave somente se aperfeiçoou em 2004, implicando que o impugnante não cumpriu os requisitos simultâneos do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 (proventos recebidos de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada por contribuinte portador de moléstia especificada em lei). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 04/11/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 02/12/2009. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13731.000246/200753 Acórdão n.º 210202.124 S2C1T2 Fl. 2 3 No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que a documentação médica acostada aos autos comprova que era portador de moléstia especificada em Lei desde pelo menos 2003, fazendo jus à isenção do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 04/11/2009, quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 02/12/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 04/12/2009, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia resumese a decidir se o recorrente faz jus à isenção por moléstia grave, no anocalendário 2003, como previsto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Segue a legislação da matéria: Art. 6º da Lei nº 7.713/88. Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.(Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992)(Vide Lei 9.250, de 1995) (...) Art. 30 da Lei nº 9.250/95. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Como acima se vê, para fazer jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia especificada em Lei, deve o contribuinte comprovar a moléstia com laudo pericial de serviço médico oficial, incidindo a isenção sobre proventos de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para reserva remunerada (Súmula CARF nº 43). No caso destes autos, o recorrente somente se aposentou do vínculo de emprego que gerou a omissão de rendimentos (Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro) em 23/07/2004 (fl. 11), ou seja, como a omissão de rendimentos se refere ao anocalendário 2003, forçoso reconhecer que se tratava de estipêndios do serviço ativo, pois o recorrente somente se aposentou no ano subseqüente ao referente à autuação. Assim, claramente se vê que o recorrente não implementou um dos requisitos para fruir a isenção do imposto de renda sobre seus proventos oriundos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro, qual seja, os rendimentos omitidos não eram provenientes de aposentadoria, pensão, reforma ou transferências para a reserva remunerada. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000154/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO.
Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente TURILESSA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL. PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 54 /2 00 9- 74 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para a competência 06/2005. O Relatório Fiscal (fls. 82/87) informa que os valores apurados decorrem de remunerações pagas aos segurados empregados em razão da verba concedida a título de abono especial. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 06/03/2009 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 114/118) – acompanhados de anexos de fls. 119/120 –, alegando, em síntese, que: 1. não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono especial, a teor da disposição contida no item 7 da alínea “e” do § 9o do artigo 28 da Lei 8.212/91; 2. o abono concedido em virtude de convenção ou acordo coletivo somente integrará a remuneração do empregado para os efeitos da legislação previdenciária quando excedente a 20 dias de salário, o que não ocorreu. No presente caso, o abono especial foi instituído pela Convenção Coletiva firmada entre o Sindicato Patronal das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Contagem, conforme cópia que anexa; 3. os abonos concedidos pela negociação coletiva não integram o salário de contribuição visto que foram pagos em parcela única, sem habitualidade e sem caráter de contraprestação pelos serviços prestados, enquadrandose na previsão contida no artigo 214, § 9°,V, letra “j” do Regulamento da Previdência Social. Cita Jurisprudência para corroborar seu entendimento; 4. requer, ao final, o cancelamento do auto de infração e com a apresentação da defesa a suspensão da exigibilidade do crédito, por força da disposição contida no inciso III do artigo 151 do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0226.418 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 122/126) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 130/140), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000154/200974 Acórdão n.º 2402003.418 S2C4T2 Fl. 3 3 e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a verba paga a título de abono especial tem natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Contagem/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 142). É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que: (i) o abono expressamente desvinculado do salário não deve integrar a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social; (ii) o abono está previsto em Convenção Coletiva, o que afasta o seu caráter de habitualidade; e (iii) devido a demora na negociação coletiva, o abono pago tem nítido caráter indenizatório. Quanto a esta matéria, cumpre destacar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) já reconheceu, por meio do Ato Declaratório nº 16/2011, que não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial, nos seguintes termos: “A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária’.” No presente caso, ficou claro no Relatório Fiscal (fls. 82/87) que a empresa pagou abono único especial de acordo com a cláusula 2ª da Convenção Coletiva de Trabalho, que assim estipula: “1 DATA BASE A data base será 1o de fevereiro. 2 SALÁRIOS A partir de 10 de junho de 2005, os salários serão: (...) DEMAIS EMPREGADOS Os salários dos demais empregados serão reajustados, a partir de 10 de junho de 2005, em 6% (seis por cento), sobre os salários praticados em janeiro de 2005, permitida a proporcionalidade para os contratados a partir de fevereiro de 2005. ABONO ESPECIAL Em face do encerramento das negociações em data posterior database, as empresas concederão a todos os empregados um abono especial de 32% (trinta e dais por cento) sobre os salários praticados em janeiro de 2005, ficando esclarecido que, para os admitidos entre 01/02/05 e 31 105/05, o percentual do abono será calculado na proporção dos dias trabalhados no referido período. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10976.000154/200974 Acórdão n.º 2402003.418 S2C4T2 Fl. 4 5 PAGAMENTO DO ABONO ESPECIAL O abono especial será pago de uma só vez até o dia 11 de julho de 2005.” No mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre a verba a título de abono único, sem vinculação ao salário, em razão da sua natureza não ser habitual, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. NÃOINTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. Segundo iterativa jurisprudência construída por esta Corte em torno do art. 28, § 9o, da Lei n° 8.212/91, o abono único previsto em convenção coletiva não integra o saláriodecontribuição. Precedentes. 2. A Primeira Turma deste STJ entendeu que "considerando a disposição contida no art. 28, § 9o, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não habitual – observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba –, e não tem vinculação ao salário. (g.n.). 3. Recurso especial não provido.” (REsp 819.552/BA, Min. Luiz Fux, acórdão Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 02.04.2009) Diante disso, é necessário que se reconheça a improcedência dos valores exigidos a título de abono único, em razão de tal questão já ter sido objeto de desistência processual por parte da PGFN, nos termos do Ato Declaratório nº 16/2011, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que lhe configura uma natureza de eventualidade (nãohabitual). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos da verba paga a título de abono especial – fornecida aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo que não há incidência das contribuições devidas à Seguridade Social sobre as parcelas pagas a título de abono único especial, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10675.720063/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo que negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo que negaram provimento. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo que negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 00 63 /2 00 7- 81 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Granja Planalto Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 01/07, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2004, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Preservação Permanente e de Área de Reserva Legal/Utilização Limitada. A Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 280100.745, que se encontra às fls. 220/223 e cuja ementa é a seguinte: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇAO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10675.720063/200781 Acórdão n.º 9202002.478 CSRFT2 Fl. 9 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário para manter a exigência do ITR. Intimada do acórdão em 13/01/2011 (fls. 227) a contribuinte interpôs recurso especial às fls. 230/249 em que pleiteia a reforma do v. acórdão recorrido alegando divergência jurisprudencial no tocante à exigência de ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, bem como à necessidade de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel (Acórdãos nºs 30334.106 e 920200.365). Ao Recurso Especial da contribuinte foi dado parcial seguimento, tendo sido admitido somente em relação à necessidade de averbação da área de reserva legal antes de ocorrido o fato gerador, nos termos do Despacho nº 210000240/2011, de 20/05/2011 (fls. 283/285), confirmado pelo reexame de admissibilidade de fls 286/287. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial apresentado pela contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma acórdãos tais como os de nºs 303 34.106 e 920200.365, assim ementados: Acórdão nº 30334.106 "ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de utilização limitada para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente da sua prévia averbação no cartório competente, bem como é inadmissível a autuação fiscal baseada tão somente na não comprovação da área de preservação permanente através da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data posterior à ocorrência fato gerador." Acórdão nº 920200.365 "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU UTILIZAÇÃO LIMITADA – EXIGÊNCIA, POR INSTRUÇÃO NORMATIVA, DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 DE CÁLCULO DAS ÁREAS DE DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — INEFICÁCIA. O Poder Executivo, ao baixar provisões regulamentares, de caráter secundário, deve conterse nos limites traçados pela lei, não podendo exorbitar em seus ternos, sob pena de ineficácia. Só a lei pode ditar regras de ação positive (fazer) ou negativa (deixar de fazer ou absterse) em obediência ao princípio da legalidade. Assim, instrução normativa não pode impor obrigação estabelecendo exigência, não prevista em lei, para que o sujeito passive faça jus à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. Recurso especial negado." Com efeito, pelo exame da ementa do paradigma correspondente ao Acórdão n. 30334.106, resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante à desnecessidade de averbação da área de reserva legal em momento anterior ao fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. No mérito, em relação ao exercício de 2004 (objeto do presente lançamento) o ITR era regido pela Lei nº 9.393/1996 (ainda em vigor), que prevê a exclusão das áreas de utilização limitada no artigo 10, parágrafo 1º, II, alínea `a`: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10675.720063/200781 Acórdão n.º 9202002.478 CSRFT2 Fl. 10 5 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal De acordo com tal dispositivo, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10675.720063/200781 Acórdão n.º 9202002.478 CSRFT2 Fl. 11 7 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigêncai do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. No presente caso, tanto a DRJ quanto o acórdão recorrido, ao examinarem a documentação comprobatória das informações declaradas na DITR, constataram a existência da averbação da área de reserva legal no montante de 67,1ha (fls. 186 e 222), mas não consideram como apta a permitir a exclusão da base de cálculo do ITR por ter a averbação ocorrido em data posterior à data de ocorrência do fato gerador. Verifico que a averbação pelo contribuinte se deu em 29/03/2006 (fls. 10/13), anteriormente à intimação fiscal de 09/07/2007 (fls. 06/07), porém posteriormente à ocorrência do fato gerador. Tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. Destaco, no entanto, que muito embora a matrícula do imóvel (fls. 11/14) e o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta (fls. 09/10) indiquem que a área de reserva legal é de 113,8ha, como a contribuinte declarou em sua DITR uma área de reserva legal de 67,1ha, somente esse valor pode ser admitido nesta instância especial. Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a dedução da área de reserva legal de 67,1ha. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 15758.000533/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
RECURSO EX-OFFÍCIO. MULTA AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO.
Deve-se dar provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, quando a decisão recorrida decidiu, de forma equivocada, o não agravamento, em 50%, da multa de ofício aplicada, uma vez que ficou evidenciada a não prestação de esclarecimentos e a não entrega dos livros e documentos pelo sujeito passivo, no prazo marcado, quando regularmente intimado.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitivamente julgada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVROS DIÁRIO, RAZÃO E REGISTRO DE INVENTÁRIO. DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE DOS REGISTROS CONTÁBEIS. NÃO APRESENTAÇÃO.
Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que não apresenta à fiscalização, apesar de regularmente intimada, os livros contábeis/fiscais obrigatórios para apuração do lucro presumido, Diário, Razão e Registro de Inventário ou o livro Caixa, e os documentos de suporte da escrituração comercial e fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Comprovado nos autos a ação dolosa mediante a prática de fraude, com o objetivo de se eximir ou reduzir o montante dos tributos devidos, é de se manter o percentual da multa de ofício aplicada, de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI.
Evidenciado a existência do interesse comum entre terceiras pessoas e a autuada, nos termos do art. 124, I, do CTN, bem como comprovado o exercício de mandato de Diretor Superintendente/Diretor no período fiscalizado, com infringência a dispositivos de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN, é de se manter a sujeição passiva solidária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. IPI.
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer o agravamento da multa aplicada, em 50%. Quanto ao recurso voluntário, que sejam consideradas definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, seja negado provimento ao recurso. Quanto aos recursos voluntários interpostos contra a sujeição passiva solidária, não conhecer do recurso do Sr. Fernando Rosa Alves e negar provimento aos demais recursos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 4.023 1 4.022 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15758.000533/200952 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202000.948 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2013 Matéria IRPJ AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes CSI CENTRO DE SERVIÇOS INTEGRADOS SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO EXOFFÍCIO. MULTA AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. Devese dar provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, quando a decisão recorrida decidiu, de forma equivocada, o não agravamento, em 50%, da multa de ofício aplicada, uma vez que ficou evidenciada a não prestação de esclarecimentos e a não entrega dos livros e documentos pelo sujeito passivo, no prazo marcado, quando regularmente intimado. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitivamente julgada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVROS DIÁRIO, RAZÃO E REGISTRO DE INVENTÁRIO. DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE DOS REGISTROS CONTÁBEIS. NÃO APRESENTAÇÃO. Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que não apresenta à fiscalização, apesar de regularmente intimada, os livros contábeis/fiscais obrigatórios para apuração do lucro presumido, Diário, Razão e Registro de Inventário ou o livro Caixa, e os documentos de suporte da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovado nos autos a ação dolosa mediante a prática de fraude, com o objetivo de se eximir ou reduzir o montante dos tributos devidos, é de se manter o percentual da multa de ofício aplicada, de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 33 /2 00 9- 52 Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.024 2 Evidenciado a existência do interesse comum entre terceiras pessoas e a autuada, nos termos do art. 124, I, do CTN, bem como comprovado o exercício de mandato de Diretor Superintendente/Diretor no período fiscalizado, com infringência a dispositivos de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN, é de se manter a sujeição passiva solidária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. IPI. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer o agravamento da multa aplicada, em 50%. Quanto ao recurso voluntário, que sejam consideradas definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, seja negado provimento ao recurso. Quanto aos recursos voluntários interpostos contra a sujeição passiva solidária, não conhecer do recurso do Sr. Fernando Rosa Alves e negar provimento aos demais recursos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, PIS, Cofins e IPI, relativos aos anos de 2004 a 2007, com aplicação da multa de ofício, no percentual de 225%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic, bem como aplicação da multas isoladas pela omissão na entrega das declarações DCTF e Dacon. De acordo com o relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1846 e seguintes, e Autos de Infração, de fls. 1891 e seguintes, as irregularidades apuradas dizem respeito a: i) omissão de receitas de vendas de mercadorias/serviços nos anos de 2004 e 2005, caracterizada pela diferença entre os valores informados em DIPJ e aqueles apurados pela fiscalização nos livros Razão e Registro de Saídas; ii) omissão de receitas de vendas de Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.025 3 mercadorias/serviços no ano de 2007, apurada mediante circularização nos principais clientes da autuada; iii) omissão de receitas financeiras apuradas pelo confronto entre os valores registrados nas DIRFs das fontes pagadoras e os informados nas DIPJs; e iv) multas isoladas pela falta de entrega das declarações DCTF e Dacon, nos anos de 2004 a 2006; A pessoa jurídica entregou as declarações DIPJs com base no lucro presumido. O lucro da pessoa jurídica foi arbitrado em razão da não apresentação, ou apresentação parcial, dos livros contábeis obrigatórios – livros Diário/Razão ou livro Caixa (só apresentou os livros Razão e Registro de Saídas dos anos de 2004 a 2006), bem como da não apresentação dos documentos que lastreiam os registros contábeis/fiscais. Nos anos de 2004, 2005 e 2007, os valores das receitas utilizados para o arbitramento foram aqueles apurados conforme relatado no parágrafo anterior. Já para o ano de 2006, os valores das receitas para o arbitramento foram obtidos das informações contidas na DIPJ/2007. Além do arbitramento do lucro, o lançamento fiscal também foi efetuado porque o contribuinte deixou de entregar as declarações DCTF e Dacon dos anos de 2004 a 2006 e entregou essas declarações, no ano de 2007, apenas com as informações cadastrais. Além de ser omisso na entrega das declarações, nenhum pagamento de tributos e contribuições federais foi localizado pela fiscalização no período examinado, de 2004 a 2007. A multa foi qualificada para o percentual de 150% em razão da prestação de declarações falsas e foi agravada em mais 50%, passando para 225%, em razão de deixar de apresentar a grande maioria dos livros contábeis obrigatórios e dos respectivos documentos. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização foi provocada em razão de representação feita no âmbito da Justiça do Trabalho, assim descrito, fls. 1854/1855: “A presente fiscalização teve início com base numa representação feita pela 37ª Vara do Trabalho de São Paulo, por meio do Oficio 1109, de 04/06/08; repassado a esta Delegacia pelo MEMO/DEFIS/SP/GAB n° 818, de 05/08/08. Na sentença, enviada junto com a representação, foi reconhecido que a CSI participa de grupo econômico e que sucedeu a empresa DTS São Paulo S/A Industrial de Aço. Pesquisas junto ao site http://www.trt2.gov.br/ revela que a sentença foi mantida em segunda instância e encontrase em fase de execução. Provas testemunhais, acolhidas pela Justiça do Trabalho, dão conta que a CSI é, na prática, uma nova razão social da DTS São Paulo S/A Industrial de Aço. Essas provas testemunhais são ratificadas pelas seguintes provas documentais, fornecidas pela 37ª Vara do Trabalho de São Paulo, por meio do Oficio n° 2173, de 15/09/09; em atenção ao OFICIO/SEFIS/DRF/SAE/N° 450, de 03/09/09: Al) Nota Fiscal n° 146874, emitida pela DTS São Paulo em 03/07/03, a título de mudança de endereço, da Av. Presidente Wilson, 4.382, Ipiranga, São Paulo; para Rua Dianópolis n° 1.278, Mooca, São Paulo, SP. Observese que o novo endereço da DTS São Paulo é exatamente o .mesmo endereço inicial da CSI, conforme se verifica na ata da assembléia de sua constituição em 20/08/2003. Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.026 4 A2) — Carta de demissão do empregado reclamante Marcelo Oliveira da Silva da Paulo, assinada por Sylvio Brazão, coincidentemente diretor e acionista da CSI, conforme também se verifica em sua ata de constituição. Além desse processo, verificase, no site da Justiça do Trabalho, diversas ações ajuizadas em face da CSI em Sao Paulo, Santo André e Guarulhos. Conforme sentença lavrada em um desses processos (00430200643102005), ficou reconhecida a sucessão entre a DTS São Paulo, a CSI e a Detasa São S/A, outra empresa pertencente ao Grupo DTS.” Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, uma vez que teria ficado evidenciado: i) a interposição de terceiras pessoas; ii) a incapacidade dos sócios na integralização de capital; iii) a blindagem patrimonial; e iv) demais irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1854 e seguintes. Ditos fatos caracterizariam o “interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal” (art. 124, I do CTN), e a “responsabilidade por infração à lei” dos sócios e administradores (art., 124, II c/c art. 135 do CTN), nas seguintes pessoas, fls. 1891 a 1893: “1) Sylvio Caldeira Brazão, CPF N ° 236.471.32853, com endereço na R. Domiciliano Ribeiro, 126, Casa Verde, São Paulo, SP, CEP 02565 090; 2) Fernando Rosa Alves, CPF N ° 030.304.32882, com endereço na R Baía Grande, 744, Bloco 5 Apto. 42, Vila Bela, São Paulo, SP, CEP 03202 000; 3) DTS S/A Administração e Participações, CNPJ N ° 01.223.848/000142, com endereço na R Marcelo Muller, 451, Jd. Independência, São Paulo, SP, Cep 03236020; 4) DTS São Paulo S/A Industrial de Aço, Cnpj N ° 01.057.823/000116, com endereço na Av Presidente Wilson, 4382, Ipiranga, são Paulo, SP, Cep 04220 001; 5) Alcebíades Santana, CPF Nº 070.658.76853, com endereço na Rua José Patíicio, 118, Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, SP, CEP 09601010; 6) Joanna Cantareiro Santana, CPF N° 178.568.878 26, com endereço na Rua José Patrício, 119, Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, SP, CEP 09601 010; 7) Denilson Tadeu Santana, CPF N ° 066.433.498 93, com endereço na R Marcelo Muller, 451, Jd Independência, São Paulo, SP, CEP 03223 060; 8) Frumand Corp. S/A, CNPJ N ° 07.913.104/000136, com endereço na Calle Rincon, 610, 4º Andar, Sala 410, Montevidéo, Uruguai; 9) Royalduc Sociedad Anonima, CNPJ N ° 08.456.096/0001 09, com endereço na Calle Rincon, 610, Piso 4, Oficina 410, Montevidéo, Uruguai; 10) DGV S/A Administração e Participações, CNPJ N ° 04.253.124/0001 30, com endereço na R. Domingos de Santa Maria, 499, Vila Guarani, são Paulo, SP, CEP 04311 040; 11) Mapeba S/A, CNPJ Nº 06.248.940/000180, com endereço na R Marcelo Muller, 451, Jd Independência, São Paulo, SP, CEP 03223060; Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.027 5 12) Mavimar S/A, CNPJ N° 07.485.258/000174, com endereço na R. Domingos de Santa Maria, 499, Vila Guarani, são Paulo, SP, CEP 04311 040; 13) Ilhasul S/A, CNPJ N° 08.866.553/000133, com endereço na R. Domingos de Santa Maria, 499, Sala 2, Vila Guarani, são Paulo, SP, CEP 04311 040; 14) Cleonice Fatima Denune Santana, CPF N° 097.116.44878, com endereço na R. Rio Grande do Sul, 770, Apto 181, Centro, são Caetano do Sul, SP, CEP 09510 021; 15) Gustavo Murilo Santana, CPF N ° 368.658.588 08, com endereço na R.Rio Grande do Sul, 770, Apto 181, Centro, São Caetano do Sul, SP, CEP 09510 900; 16) Vitor Tadeu Santana, CPF N ° 368.658.57828, com endereço na R. Rio Grande do Sul, 770, Apto 181, Centro, São Caetano do Sul, SP, CEP 09510900; 17) Perfilam S/A Industria de Perfilados, CNPJ N ° 61.108.031/000155, com endereço na R Oratório, 2440 A, Sala 3, Alto da Mooca, São Paulo, SP, CEP 03195000; e 18) H & P S/A Contruções Metálicas, CNPJ N ° 59.260.547/000179, com endereço na Al Yaya, 1378, Sala 2, Picanço, Guarulhos, SP, CEP 07060000.” Inconformada com a autuação, a empresa autuada, e os responsáveis solidários Sylvio Caldeira Brazão, Perfilam SA Indústria de Perfilados, DTS SA Administração e Participações, H&P S.A. Construções Metálicas, Alcebiades Santana, Joanna Cantareiro Santana e DGV SA Administração e Participações, apresentaram impugnação, alegando, em síntese, o que se encontra relatado no Acórdão nº 1429.300 da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 3557 e seguintes, o qual transcrevo, em parte, e passo a adotar: “CSI Centro de Serviços Integrados S.A. Na peça impugnatória, acostada sob fls. 2113/7 arguiu que a ausência de entrega de DCTF e a falta de recolhimento dos tributos não são motivos suficientes para arbitramento do lucro, que é previsto para os casos de escrituração destituída das formalidades legais; de ausência de elaboração de demonstrações contábeis; de desclassificação da escrita pela autoridade; de opção indevida pelo lucro presumido ou de falta de arquivo de documentos. 0 fato de não terem sido exibidos alguns livros decorreu de anteriormente tê los apresentado a outro órgão público. É improcedente apurarse a base de cálculo para arbitramento a partir das informações obtidas por circularização de clientes da impugnante. Relativamente ao IPI, se fosse intenção da contribuinte omitir o fato de ser contribuinte do imposto, certamente não se daria ao trabalho de escriturar documentos fiscais com destaque do tributo. 0 fato de não ter apontado a situação de contribuinte deuse por equivoco, destituído de qualquer intenção dolosa, o que afasta a imposição da multa qualificada, de 150%. A apontada sonegação, bem assim o conluio capitulado são inexistentes. A uma porque existiu esforço da impugnante em manter escriturados seus livros; a duas, não restou comprovada a existência de qualquer elo com as demais empresas e Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.028 6 pessoas designadas no pólo passivo, notadamente "vinculo por subordinação, administração comum, participação comum, gerência, cisão, entre outros, que pudessem cogitar a possibilidade de ligação desta empresa com as demais". Sylvio Caldeira Brazão Na impugnação de fls. 2296/2299 arguiu que para ser imputada a responsabilidade solidaria com fulcro no art. 135, III, do CTN, é indispensável que fique comprovada prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatuto. No caso vertente não há qualquer espécie de prova, tampouco está demonstrado que o impugnante tenha agido fora dos limites de sua competência, razão por que pleiteou fosse seu nome retirado do pólo passivo. Perfilam S.A. Indústria de Perfilados Ingressou com a peça impugnatória de fls. 2487/9 em que alegou inexistir qualquer vinculo seu ou de seus sócios que possa unila a autuada, suficiente para caracterizar a responsabilidade solidária, pelo que solicitou exclusão do pólo passivo. DTS Administração e Participações Apresentou a impugnação de fls. 2688/90 com a alegação de que não existe vinculo seu ou de seus sócios suficiente para unila a autuada e caracterizar responsabilidade solidária, ao mesmo tempo em que pleiteou sua exclusão. H&P S.A. Construções Metálicas Constam da peça impugnatória de fls. 2885/7 alegações idênticas àquelas que foram apresentadas pela Perfilam S.A. Indústria de Perfilados e DTS Administração e Participações. Alcebiades Santana e Joanna Cantareiro Santana Ingressaram com o arrazoado de fls. 3089/92 com alegação de que inexiste vinculo que os ligue a autuada, em que pese a circunstancia de serem acionistas das sociedades empresárias DTS Administração e Participações, H&P S.A. Construções Metálicas e Perfilam S.A. Indústria de Perfilados. Segundo arguiram, ainda que houvesse o suposto vinculo, "haveria a necessidade de se exaurir todos os meios para pagamento da obrigação por parte da pessoa jurídica solidária e só depois, se constatado que seus sócios, enquanto administradores tivessem agido com dolo ou excesso de poderes, redirecionar a execução". Solicitaram exclusão do pólo passivo. DGV S.A. Administração e Participações Arguiu (fls. 3283/88) que nunca foi sócia da autuada, nunca a teve como sócia, nunca possuiu sócios, gerentes ou administradores em comum, tampouco manteve qualquer espécie de relação negocial suficiente para caracterizar qualquer espécie de interesse comum. Desse modo, não há qualquer espécie de ligação com a autuada apta a deslocála para o pólo passivo como responsável solidária. Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.029 7 Inexiste qualquer prova suficiente para configurar responsabilidade solidária por interesse comum ou por prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, legalmente prescritos.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1429.300 da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 3557 e seguintes, mantendo parcialmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO NA FORMA DAS LEIS COMERCIAIS E FISCAIS. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. IPI. Tratandose de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artificio doloso, materializado na prática de infrações tributárias visando sonegação fiscal. MULTA DE OFICIO MAJORADA. 0 esclarecimento prestado pelo intimado, ainda que descumprido o objeto da intimação, afasta a incidência da majoração da multa de oficio em 50%. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a despeito das reiteradas intimações da autoridade fiscal, a autuada não apresentou os livros fiscais exigidos pelo fisco, tampouco regular escrituração contábil, o que autoriza o arbitramento do lucro, em conformidade com o previsto no art. 530 do RIR/1999. Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.030 8 durante os anoscalendário sob fiscalização, sistematicamente a autuada declarouse não ser contribuinte do IPI, o que exclui a hipótese de erro. a multa qualificada se justifica pela ocorrência do dolo, evidenciado e provado nos autos em face da absoluta ausência de qualquer informação ao Fisco, da reiterada informação de não ser contribuinte do IPI, em desacordo com a efetiva situação, da ausência de qualquer recolhimento de tributo aos cofres públicos, aliada à ausência de declaração dos tributos devidos, em que pese o fato de apresentar atividade econômica. Esses procedimentos que evidenciam consciente intuito de não pagar, ou pagar menos tributos e contribuições, enquadramse perfeitamente às hipóteses previstas na Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964. entretanto, na parte do lançamento que se refere ao agravamento capitulado como nãoatendimento das intimações é de ser afastado, em vista de que foram apresentados alguns esclarecimentos para atender as intimações que lhe foram dirigidas. Desse modo, afasta se a exigência no que diz respeito majoração da multa de ofício de 150% para 225%. em relação às impugnações dos responsáveis solidários, o voto condutor fundamentou sua decisão no fato de que a responsabilidade decorre de expressa disposição legal, independentemente de se tratar de responsabilidade pessoal, solidária ou subsidiária, e se refere a determinada pessoa, que não o contribuinte de direito, mas que encontrase vinculada ao fato gerador da obrigação tributária. entendeuse pelo afastamento da responsabilidade solidária das sociedades empresárias Perfilam S.A. Indústria de Perfilados e H&P S.A. Construções Metálicas e pela manutenção dos demais envolvidos no pólo passivo. os lançamentos relativos à CSLL, Cofins, PIS e IPI constituemse em reflexos da exigência pertinente ao IRPJ. Na sequência, a empresa autuada apresentou seu recurso voluntário, de fls. 3942 a 3945, alegando, em síntese: a recorrente não deixou de cumprir as suas obrigações acessórias, fato relatado pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, ao descrever a entrega dos livros contábeis/fiscais e DCTFs dos anos de 2004 a 2007; a não entrega de parte da documentação não ocorreu com dolo, mas sim pelo fato de têlas entregue a outro órgão público (fls. 05/26); inexistindo dolo, resta inaplicável a multa qualificada de 150%; inexiste omissão de receitas ou falsidade de declarações como quer fazer crer o agente fiscal autuante; o lucro foi arbitrado mesmo estando ausentes as condições para a sua imposição, bastando que fossem requeridas as informações de outro órgão público; aduz que as acusações foram pautadas em meras suposições, repudiando qualquer prática de crime e afasta qualquer vínculo com os responsáveis solidários apontados; Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.031 9 diante de frágeis alegações e ausência de provas, resta eivado de nulidade o lançamento fiscal. Os responsáveis solidários, Sylvio Caldeira Brazão, Fernando Rosa Alves e DTS SA Administração e Participações, apresentaram seus recursos voluntários, de fls. 3974 a 3978, fls. 3980 a 3982 e fls. 3984 a 3987, respectivamente, contestando unicamente o enquadramento na sujeição passiva solidária. O primeiro, alega, em síntese, que a solidariedade não se presume, mas deve estar prevista em lei, inexistindo nos autos provas que possam configuram a solidariedade passiva. O segundo, argumenta que em nenhum momento ficou comprovado excesso de poder ou infração a lei que pudesse enquadrálo na hipótese do art. 135 do CTN. Ressalta, ainda, que o apartamento arrolado prestase a residência da sua família e é o único imóvel que possui, não passível de arrolamento, arresto ou penhora, nos termos do art. 1º da Lei nº 8.009, de 29 de março de 1990. Por fim, o terceiro aduz que a autoridade fiscal não comprovou nenhuma das condições previstas em lei para lhe imputar a responsabilidade solidária. Não ficou comprovado qualquer elo de ligação entre a recorrente e o sujeito passivo principal, sendo infundada a afirmação de que tivesse poder de mando na empresa autuada. Além disso, a recorrente não possui no seu quadro de sócios ou diretores pessoas que façam ou tenham feito parte do quadro societário da autuada principal. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Recurso de Ofício O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 3, de 3 de janeiro de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria. Portanto, dele conheço. O acórdão da DRJ/Ribeirão Preto excluiu da exigência o agravamento de 50% da multa de ofício aplicada. A decisão recorrida fundamentou a decisão de redução do percentual da multa de acordo com seguintes razões, fls. 3.572: “Entretanto, na parte do lançamento que se refere ao agravamento capitulado como nãoatendimento das intimações que foram dirigidas, entendo que deva ser afastada, em vista de que foram apresentados alguns esclarecimentos para atender as intimações que lhe foram dirigidas. Desse modo, voto pelo afastamento da exigência no que diz respeito majoração de 150% para 225%.” Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.032 10 Em que pese os fundamentos utilizados pela DRJ/Ribeirão Preto, entendo que a questão merece uma melhor análise. O agravamento em 50% da multa aplicada, por ter o contribuinte, regularmente intimado, deixado de prestar esclarecimentos ao fisco, no prazo marcado, encontra fundamento no disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c a Lei nº 9.532, de 1997, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, reproduzido no art. 959, do RIR/99, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70,I): I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 265 e 266; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 267. (grifei) Pelo que se depreende dos autos, o contribuinte foi regularmente cientificado do Termo de Início de Ação Fiscal em 18/02/2009, AR de fls. 188v, com intimação para a entrega de livros contábeis e fiscais e documentos relacionados, bem como prestar esclarecimentos sobre sua situação fiscal, dentre eles, a prestação de esclarecimentos a respeito do ajuizamento de ações judiciais relativo à tributos federais, litígios administrativos e se a empresa teria formulado consultas sobre a legislação tributária, fls. 186 a 188. Não atendido ao que foi solicitado, o agente fiscal ainda encaminhou ao contribuinte mais quatro Reintimações, reiterando o pedido para apresentar os documentos/esclarecimentos relacionados no Termo de Início. O primeiro esclarecimento somente foi prestado pela autuada após a ciência, em 19/05/2009, do terceiro Termo de Reintimação, fls. 194. Na oportunidade, o contribuinte enviou um “FAX” ao agente autuante, em 29/05/2009, fls. 197, com os documentos de fls. 198/199, indicando que teria encaminhado, em 13/11/2008, uma correspondência à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, dando conta de que foi cientificado, em 25/09/2008, por esse órgão estadual, de uma RE NOTIFICAÇÃO, reiterando que apresentasse àquela Secretaria da Fazenda os livros fiscais e documentos que lá relaciona. Vale dizer. O contribuinte nada esclareceu ao fisco Federal dos livros, documentos e esclarecimentos a que foi intimado pelo Termo de Início de Ação Fiscal e pelos três Termos de Reintimação que se seguiram. Foi necessária então a emissão de um quarto Termo de Reintimação, com ciência em 08/06/2009, fls. 196. Assim, em 10/06/2009 o contribuinte apresenta os livros Razão e de Registro de Entradas/Saídas sem qualquer esclarecimento adicional, fls. 202. Como se percebe, decorreram quase 120 dias entre o Termo de Início de Fiscalização e a entrega parcial dos documentos solicitados, sem esclarecer a respeito de Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.033 11 possíveis ações judiciais, litígios administrativos ou processos de consulta à legislação tributária, à que a empresa foi intimada. Evidenciase, no caso, a falta do dever de colaboração da autuada para com o fisco e um total desrespeito com os trabalhos sob responsabilidade da autoridade fiscal, atitude que encontra a devida reprimenda na legislação tributária. Dessa forma, caracterizado que o contribuinte não atendeu, no prazo marcado, o solicitado no Termo de Início de Ação Fiscal e nas várias intimações que se sucederam, para prestar esclarecimentos e para a entrega de livros/documentos, concluise que os fatos subsumemse ao disposto na norma legal acima transcrita (art. 959 do RIR/99), que deve ser aplicada integralmente pelas autoridades administrativas, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 e seu parágrafo único do CTN. Assim, é de se dar provimento ao recurso de ofício, para manter o agravamento da multa aplicada, em 50%. Recurso Voluntário O recurso voluntário interposto pela autuada é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado no presente acórdão, a fiscalização identificou que durante os anos de 2004 a 2007, o contribuinte se omitiu na entrega das declarações DCTF e Dacon a que estava obrigada. Deixou, assim, de informar ao fisco os valores dos impostos e contribuições de que era devedor. Não bastasse isso, também deixou de efetuar qualquer recolhimento de tributos federais nos anos mencionados. Regularmente intimada a entregar os livros com os registros contábeis a que estava obrigado pela sistemática do lucro presumido, livros Diário/Razão/Registro de Inventário ou livro Caixa, somente apresentou, de forma parcial, os livros Razão e Registro de Entradas/Saídas, relativo aos anos de 2004 a 2006. Deixou também de apresentar a documentação de suporte desses registros contábeis/fiscais. Assim, entendeu o agente fiscal em arbitrar o lucro da pessoa jurídica com base nas informações de receitas que obteve nos livros Razão e Registro de Saídas (anos 2004 e 2005), na DIPJ/2007 (ano 2006) e na circularização com os principais clientes da autuada (ano 2007). O acórdão recorrido decidiu que, a despeito das reiteradas intimações da autoridade fiscal, a autuada não apresentou os livros fiscais exigidos pelo fisco, tampouco regular escrituração contábil, mantendo o arbitramento do lucro nos termos do art. 530 do RIR/99. Já a recorrente alega em sua defesa, em síntese, que a não entrega de parte da documentação se deveu ao fato de têlas entregue a outro órgão público e o lucro foi arbitrado mesmo estando ausentes as condições para a sua imposição, bastando que fossem requeridas as informações a esse outro órgão. De acordo com a descrição dos fatos efetuados pelo agente fiscal e pelos documentos dos autos, não assiste razão à recorrente. Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.034 12 O Termo de Início de Ação Fiscal, lavrado em 16/02/2009, foi bastante claro ao relacionar os livros contábeis/fiscais e documentos requeridos pela fiscalização (fls. 186/188). A esse primeiro Termo se seguiram mais quatro Termos de Reintimação, fls. 189 a 196, sem que fossem apresentados os livros Diário e Razão ou, o livro Caixa a que estava obrigada a manter a pessoa jurídica que apura o imposto de renda pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 527 do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). (destaques meus) Não apresentados os livros Diário/Razão e Registro de Inventário, ou o livro Caixa, bem como os documentos que serviram de base para a escrituração comercial/fiscal, como exige a legislação tributária, não restou outra alternativa ao agente fiscal senão em arbitrar o lucro da pessoa jurídica. De acordo com a legislação que rege a matéria, não se pode admitir, de forma alguma, a não apresentação à fiscalização dos livros obrigatórios e da documentação de suporte, quando regularmente solicitados. Não tendo ocorrido a entrega dos respectivos documentos e livros obrigatórios, agiu corretamente o agente fiscal em arbitrar o lucro da pessoa jurídica, com base nos elementos que dispunha, nos termos do art. 530, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.035 13 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;(grifei) Já a recorrente alega que os livros obrigatórios teriam sido entregues a outro órgão público, bastando que o fisco federal os consultasse. Entretanto, parece não ser exatamente isso que ocorreu. A defesa não apresenta qualquer prova da entrega a outro órgão público dos livros obrigatórios e dos documentos que serviram de base para a escrituração comercial. O que existe nos autos é uma correspondência da autuada, dirigida à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, datada em 13/11/2008, declarando que “não possui ‘registro de inventário’ relativo aos anos de 2005; 2006 e 2007 em virtude de receber matéria prima de terceiros e prestar o serviço na mesma com posterior devolução.”, fls. 198. Consta também dos autos outro documento, emitido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, denominado RENOTIFICAÇÃO, datado de 25/09/2008, reiterando que fosse entregue os seguintes livros e documentos, fls. 199: “1 Livro Registro de Inventário relativos aos exercícios de 2005, 2006 e 2007. 2 Impressos de documentos fiscais (notas fiscais) cancelados jogo completo das vias, relativos ao período de fevereiro de 2006 a março de 2008. 3 Via arquivo fiscal das Notas Fiscais emitidas, a qualquer titulo, no período de fevereiro de 2006 a março de 2008. 4 lª via das Notas Fiscais de Entrada do período de janeiro de 2007 a março de 2008. 5 Livro Registro de Saídas referente ao exercício de 2005.” Como se percebe, o fisco estadual não solicitou a entrega dos livros Diário/Razão, e nem do livro Caixa, caindo completamente por terra a alegação da defesa de que esses livros estariam na posse de outro órgão público. Dessa forma, verificado que o contribuinte deixou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99, bem como não comprovada a justificativa de que referidos livros e documentos teriam sido entregues a outro órgão público, é de se manter o arbitramento do lucro nos termos do que dispõe o art. 530 do RIR/99. A jurisprudência do CARF é pacífica nesse sentido, como se pode verificar na ementa do Acórdão nº 140100510, sessão de 31/03/2011: ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.036 14 documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, de acordo com o disposto no art. 530, inciso III, e parágrafo único do art. 527 do RIR. O recorrente contesta a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, sob o argumento de não ter sido comprovada a ação dolosa por parte do sujeito passivo. Já o acórdão recorrido manteve a multa qualificada, no percentual de 150%, sob o seguinte fundamento, fls. 3570/3571: “No que toca a majoração da multa de oficio, de 75% para 150%, conforme se observa, o inciso II do artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, tem uma figura jurídica em comum: o dolo. Portanto, para que se possa agravar a multa, necessário que esteja presente a figura dolosa. [...] 0 conceito de dolo, para os fins de tipificação do delito em apreço, encontrase no inciso I do art. 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isto significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Em outras palavras, podemos dizer que os elementos componentes do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: a) vontade de agir ou de se omitir; b) consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; e c) consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). Entendese que esse animus, vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e provado nos autos, em face da absoluta ausência de qualquer informação ao Fisco, da reiterada informação do estado de não contribuinte do IPI, em desacordo com a efetiva situação, da ausência de qualquer recolhimento de tributo aos cofres públicos, aliada à ausência de declaração de tributos devidos, em que pese ao fato de apresentar atividade econômica. Esses procedimentos que evidenciam consciente intuito de não pagar ou pagar menos tributos e contribuições enquadramse perfeitamente As hipóteses previstas na Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, a saber: [...] Acrescentese que tais fatos identificam tipos penais definidos na Lei n. 8.137, de 1990, a saber: [...] Portanto, não há reparos ao procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada de 150% sobre o crédito tributário apurado.” Os fundamentos utilizados pela DRJ/Ribeirão Preto encontram apoio nos fatos e nos documentos dos autos. Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.037 15 As multas constantes do lançamento foram aplicadas com base na legislação que rege a matéria, qual seja, a Lei no 9.430, de 1996, art. 44, inciso II , in verbis: Art. 44 – Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição: (...) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(destaquei) A nova redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 não alterou o percentual da multa para o caso em tela. Já os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. A prova da existência da conduta dolosa do sujeito passivo na prática de fraude ficou evidenciada pelas seguintes condutas: 1) prestação reiterada de informações falsas em suas declarações DIPJs, caracterizada pela omissão dos valores de receitas (anos de 2004, 2005 e 2007); 2) prestação da informação em DIPJ de ser não contribuinte do IPI, fato provado pela fiscalização como sendo falso; 3) omissão integral, nos anos de 2005 e 2006, das receitas financeiras auferidas; Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.038 16 4) no ano de 2007, o agente fiscal relata que a DIPJ foi entregue apenas com os dados cadastrais, com os valores de receitas “zerados”, informação que a fiscalização comprovou serem falsas, ao efetuar a circularização dos principais clientes da autuada As reiteradas condutas acima descritas evidenciam o claro intuito do contribuinte de se eximir ou de reduzir o montante dos impostos/contribuições devidos, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, nos exatos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, caracterizada a ação dolosa na prática de fraude em relação às informações prestadas nas declarações DIPJs, incide a hipótese para a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, devendo ser mantida a referida multa, como corretamente entendeu o acórdão recorrido. Por fim, resta consignar que a recorrente deixa de contestar, expressamente, em seu recurso, os valores tributáveis do lançamento fiscal relativamente ao IRPJ e CSLL, objeto do arbitramento, bem como deixa de contestar, expressamente, os lançamentos fiscais do IPI, do PIS e da Cofins, além das multas por atraso na entrega das declarações DCTF e Dacon, de modo que os valores exigidos devem ser considerados definitivamente constituídos/julgados, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Sujeição Passiva Solidária Em relação aos dezoito Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados, constatase que apenas sete pessoas arroladas impugnaram a referida sujeição passiva. São eles: Sylvio Caldeira Brazão, Perfilam SA Indústria de Perfilados, DTS SA Administração e Participações, H&P S.A. Construções Metálicas, Alcebiades Santana, Joanna Cantareiro Santana e DGV SA Administração e Participações. O acórdão recorrido entendeu pelo afastamento da responsabilidade solidária das sociedades empresárias Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas e pela manutenção dos demais envolvidos no pólo passivo. Já os recursos voluntários contra a sujeição passiva foram apresentados apenas por Sylvio Caldeira Brazão, Fernando Rosa Alves e DTS SA Administração e Participações. Pela descrição acima, verificase que a pessoa física Fernando Rosa Alves deixou de exercer o seu direito de apresentar a sua impugnação e, portanto, tornase incabível o conhecimento do seu recurso nessa fase processual, uma vez que a matéria não foi apreciada pelo órgão julgador de primeira instância, considerandose definitivamente constituída a sujeição passiva solidária nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Quanto às sociedades empresárias Perfilam SA Indústria de Perfilados e H&P SA Construções Metálicas, conforme já mencionado, é de se manter a decisão proferida pelo acórdão recorrido quanto ao afastamento da sujeição passiva solidária. Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.039 17 No que se refere às demais pessoas, que não apresentaram impugnação e nem recurso voluntário, mantémse integralmente a imputação da sujeição passiva solidária nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. São elas: DTS São Paulo S/A Industrial de Aço, CNPJ N ° 01.057.823/000116; Alcebíades Santana, CPF nº 070.658.768 53; Joanna Cantareiro Santana, CPF n° 178.568.878 –26; Denilson Tadeu Santana, CPF n° 066.433.498 93; Frumand Corp. S/A, CNPJ n° 07.913.104/000136; Royalduc Sociedade Anonima, CNPJ n° 08.456.096/000109; DGV S/A Administração e Participações, CNPJ n ° 04.253.124/000130; Mapeba S/A, CNPJ nº 06.248.940/000180; Mavimar S/A, CNPJ n° 07.485.258/000174; Ilhasul S/A, CNPJ n° 08.866.553/000133; Cleonice Fatima Denune Santana, CPF n° 097.116.44878; Gustavo Murilo Santana, CPF n° 368.658.588 – 08; Vitor Tadeu Santana, CPF N ° 368.658.57828; Dessa forma, resta a apreciação dos recursos trazidos por Sylvio Caldeira Brazão e DTS SA Administração e Participações, que foram apresentados tempestivamente. Portanto, deles conheço. O Sr. Sylvio Caldeira Brazão argumenta em seu recurso que jamais praticou ato ilegal em sua gestão e que a sujeição passiva somente se enquadraria no art. 135 do CTN caso ocorresse a comprovação do dolo, o que não se verificou. No entanto, o Termo de Verificação Fiscal demonstra o contrário. No período fiscalizado, de 2004 a 2007, o Sr. Sylvio Caldeira Brazão encontravase na situação de sócio e Diretor Superintendente/Diretor da empresa autuada (fls. 404 e seguintes e fls. 1855). Nesse período, infringiu dispositivos legais em relação às obrigações da empresa, ao ficar caracterizado o flagrante desrespeito à legislação tributária, quais sejam: i) deixou de cumprir a obrigação legal de informar às autoridades tributárias o montante dos tributos devidos, uma vez que não entregou as DCTFs a que estava obrigada a empresa (de 2004 a 2006) ou entregou com os valores zerados (2007) e sequer fez qualquer recolhimento dos impostos e contribuições devidos; ii) prestou declaração falsa nas DIPJ ao informar não ser contribuinte do IPI (fls. 42), quando na verdade emitia notas fiscais com destaque desse imposto. Esses fatos já se bastam para enquadramento nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária, ao ficar caracterizada a conduta de “omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias e deixar de recolher, no prazo legal, tributo ou contribuição social”. Por seu turno, o art. 135, inciso III do CTN, define que os diretores são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários do sujeito passivo quando estes resultarem de atos praticados com infração de lei Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifei) Fl. 4039DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.040 18 Evidenciado que o Sr. Sylvio Caldeira Brazão exercia o mandato de Diretor Superintendente/Diretor no período fiscalizado e que foram infringidos dispositivos de lei nesse período, é de se manter a sujeição passiva solidária. Quanto à sujeição passiva de DTS SA Administração e Participações, a defesa alega em seu recurso que inexistem provas da ligação entre a recorrente e a empresa autuada. Menciona também que o seu quadro de sócios e diretores jamais fizeram parte do quadro societário da autuada, inexistindo prova de qualquer ato de gerência ou de administração na fiscalizada. Equivocase a recorrente. Inicialmente, verificase que existe prova nos autos do reconhecimento judicial decidindo pela existência de “grupo econômico” entre as empresas: 1 Grupo DTS, 2 DTS São Paulo S/A. Industrial de Aço e 3 CSI Centro de Serviços Integrados S/A., denominadas reclamadas, nos termos da sentença proferida pelo Juiz da 37ª Vara da Justiça do Trabalho de São Paulo nos autos do processo nº 01510200403702001, de fls. 172 a 176. Já a recorrente, DTS SA Administração e Participações (Grupo DTS Holding) era a empresa Holding do “grupo econômico” DTS. Nesse sentido, transcrevese decisão (fls. 173) proferida pelo Juiz da 37ª Vara da Justiça do Trabalho de São Paulo no processo acima referido, que foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho/SP (fls.178/184), reconhecendo a existência do “grupo econômico” DTS e a responsabilidade solidária das reclamadas, dentre elas a DTS SA Administração e Participações (Grupo DTS Holding), ora em exame, e a CSI Centro de Serviços Integrados S/A, autuada: “VI DO MÉRITO DO GRUPO ECONÔMICO – SUCESSÃO: As 1ª e 2ª reclamadas admitiram a existência de grupo econômico entre elas. A controvérsia referese à 3ª reclamada. O ônus da prova competia ao reclamante, ante os termos do art 818 da CLT. E dele se desvencilhou. O preposto das 1ª e 2ª reclamadas "desconheceu" se havia relação com a 3ª e o da 3ª, "não soube" dizer se a 3ª adquiriu máquinas e equipamentos da DTS e se Silvio Brazão tinha relação com a DTS, incidindo o disposto no art. 843, 5 1° da CLT, não tendo havido produção de qualquer prova que. elidisse a confissão. Ao revés, a única testemunha ouvida pelo autor comprovou que, de fato, houve apenas alteração do nome da reclamada DTS para CSI; que seu superior sempre foi Silvio Brazão; que mesmo trabalhando na CSI, faturava nota em nome da DTS e que o reclamante também trabalhou no estabelecimento da 3° e recebia ordens do Sr. Silvio Brazão. De acordo com o contrato social da 3ª, a fls.46/49, Silvio Brazão é sócio dela e, de acordo com o depoimento da testemunha, ele sempre foi o superior hierárquico dele. Fl. 4040DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.041 19 O doc.n.13 da inicial, inimpugnado especificamente indica carta de dispensa do reclamante assinado pelo referido Sr. Silvio Brazão, em nome da DTS. O doc.n.10 da inicial, inimpugnado especificamente, indica emissão de nota fiscal em nome da DTS, mas com endereço à Rua Diaonópolis, 1278, da 3ª reclamada. Portanto, restou evidenciado tanto o grupo econômico, quanto à sucessão, nos termos do art 2º, § 2°, 10 e 448, todos da CLT, devendo, pois, as reclamadas, responderam solidariamente, em caso de eventual condenação. Rejeitase a preliminar de ilegitimidade de parte da 3ª reclamada.” (destaquei) Vejase também outros elementos de prova mencionados pela fiscalização, fls. 1857: “D ELEMENTOS DE PROVAS OBTIDOS JUNTO AO PROCESSO DE FALÊNCIA DA DTS S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES: Em atenção ao OFÍCIO/SEFIS/DRF/SAE/N° 750, de 26/11/09, o Juizo da 33a Vara Cível do Fórum Central Cível João Mendes Júnior, em São Paulo, concedeu vistas ao processo de falência n° 583.00.2003.109739 (ordem n° 1775/03), e forneceu cópias dos documentos de interesse desta fiscalização. Em 04/09/03 foi distribuído referido processo, onde Gerdau S/A requereu a falência da DTS S/A Administração e Participações (DTS Holding). A falência foi decretada por sentença de 31/05/04 e encontrase em fase de execução. A falência foi requerida pelo fato da DTS Holding não ter honrado o pagamento de um saldo devedor de R$1.080.068,95 de um Instrumento Particular de Confissão de Divida, em que figurou como garantidora de diversas duplicatas vencidas e não pagas por empresas do Grupo DTS. 0 instrumento de confissão tinha como credora a Açominas, que transferiu seus direitos à Gerdau por instrumento de cessão de crédito. Nesse instrumento de confissão de dividas, foram consolidadas duplicatas vencidas nos meses de março/03 a julho/03. Coincidentemente, a CSI, nova denominação social da DTS Industrial, foi fundada em 20/08/03, conforme sua ata de constituição, num claro indício de manobra para blindar o patrimônio da família Santana. A família Santana é composta por Alcebiades Santana e sua esposa, Joanna Cantareiro Santana, já citados na letra C retro; seu filho Denilson Tadeu Santana, citado na letra E a seguir, e nas letras de B a G do item 5.2 deste termo; sua esposa Cleonice Fátima Denune Santana; e os filhos de Denilson, Gustavo Murilo Santana e Vitor Tadeu Santana.” (...) E) — UM DOS VERDADEIROS ADMINISTRADORES DA DTS HOLDING E DA DTS INDUSTRIAL E, POR CONSEQUÊNCIA, DA CSI: El) Corroborando suspeitas desta fiscalização, decorrentes da análise das atas societárias de algumas empresas do Grupo DTS, obtevese cópia da petição juntada às fls. 654/657 do processo de falência, onde o Consórcio Metal Brasil, um dos credores da massa falida, requereu ao Juízo, a oitiva de Denilson Tadeu Santana, Fl. 4041DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15758.000533/200952 Acórdão n.º 1202000.948 S1C2T2 Fl. 4.042 20 filho de Alcebíades e Joanna Santana, e tido como o verdadeiro administrador com poder de mando nas empresas do Grupo DTS. A propósito, DTS são as iniciais de seu nome. Para fundamentar seu pleito, juntou ao mesmo diversas cópias de procurações públicas (fls 658/703), em que os diretores formais conferem a Denilson Tadeu Santana plenos poderes de administração das empresas do Grupo DTS, entre elas a DTS Holding (fls. 658/660) e a DTS Industrial (fls. 661/663).” Com efeito, o art. 124 do CTN estabelece a responsabilidade solidária às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Pelas provas trazidas aos autos, evidenciase a existência do interesse comum entre a DTS SA Administração e Participações, denominada Holding do “grupo econômico” DTS, e a autuada, em razão do estreito vínculo societário e interesse comum entre essas empresas, devendo ser mantida a sujeição passiva solidária. Aplicamse aos lançamentos da CSLL, do PIS, da Cofins e do IPI os mesmos fundamentos do IRPJ, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso de ofício, para restabelecer o agravamento da multa aplicada, em 50%. Quanto ao recurso voluntário, que sejam consideradas definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, seja negado provimento ao recurso. Quanto aos recursos interpostos contra a sujeição passiva solidária, não conhecer do recurso do Sr. Fernando Rosa Alves e negar provimento aos demais recursos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10976.000632/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2003, 2004, 2005, 2006
CSLL DECISÃO JUDICIAL COISA JULGADA ALCANCE
Declarada a inexistência de relação jurídicotributária
entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afasta-se a possibilidade de sua cobrança com base nesse
diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico tributária. Por isso, está impedido o Fisco de
cobrar a exação relativamente aos anos calendário posteriores, em respeito à coisa julgada material. (STJ, REsp nº 1.118.893 MG,
Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil).
Numero da decisão: 1401-000.649
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CSLL DECISÃO JUDICIAL COISA JULGADA ALCANCE Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos anoscalendário posteriores, em respeito à coisa julgada material. (STJ, REsp nº 1.118.893 MG, Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Sergio Luiz Bezerra Presta. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10976.000632/200865 Acórdão n.º 140100.649 S1C4T1 Fl. 1.011 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 965972): 0 auto de infração a folhas 4 a 20 exige o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 3.986.520,82, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO MULTA ISOLADA CSLL 1.484.777,97 569.783,20 1.113.583,46 818.376,19 DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS 0 autuante atribui à autuada as infrações de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL — Valores apurados conforme descrito no termo de verificação fiscal anexo. Períodos de apuração: anoscalendários de 2003 a 2006. Enquadramento legal: artigo 195 da Constituição Federal de 1988 (CF 1988); artigos 1º a 7º da Lei n° 7.689, de 1988; artigo 2° da Lei n° 8.034, de 1990; artigo 10, artigo 11, parágrafo único, letra "d", artigo 15, inciso I, artigo 22, e artigo 23, inciso II, todos da Lei n" 8.212, 1991; artigos 9º e 11 da Lei Complementar n° 70, de 1991; artigo 44 da Lei nº 8.383, de 1991; artigos 38 e 40 da Lei n° 8.541, de 1992; artigo 57 da Lei n° 8.981, de 1995, com a redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 9.065, de 1995; artigos 1°, 2°, 13 e 19 da Lei n° 9.249, 1995; artigo 72, inciso III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (incluído pela Emenda Constitucional de Revisão n° 1, de 01.03.1994, com a alteração promovida pelo artigo 2º da Emenda Constitucional n° 10, de 04.03.1996); artigo 1° da Lei n° 9.316, de 1996; artigos 28, 30, 43 e 44 da Lei n° 9.430, 1996 (com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007); artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999, e suas reedições; artigos 6° e 30 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001; artigo 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 2. MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA — Multa aplicada pela falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme termo de verificação fiscal e demonstrativos anexos. Períodos de apuração: janeiro, fevereiro e março de 2002; janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto de 2003; janeiro, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2004; janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 julho, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2005; janeiro, abril, junho, julho, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2006. Enquadramento legal: artigo 28 da Lei n" 9.430, de 1996; artigo 43 e artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei n°9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007; artigo 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN). TERMO DE VERIFICACÃO FISCAL No termo de verificação fiscal a folhas 22 a 45 o autuante apresenta a motivação do lançamento. Dele extraemse os argumentos e observações resumidos adiante. • A fiscalizada entende que, protegida por sentença transitada em julgado, está desobrigada definitivamente de pagar a CSLL. A cópia integral do processo e a certidão de objeto e pé indicadas pela empresa foram apensadas a folhas 208 a 366. • 0 mandado de segurança foi impetrado pela Flender a fim de não se sujeitar ao pagamento da contribuição instituída pela Lei n° 7.689, de 1988. • A decisão de 1ª instância indeferiu o mandado impetrado e cassou a liminar anteriormente concedida. Interposta apelação, o Tribunal Regional Federal deulhe provimento (folhas 340). Consta da certidão a folhas 341 que o acórdão transitou em julgado cm 11.02.1992. • 0 Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) José Delgado analisou os efeitos e limites da coisa julgada em voto que é reproduzido no termo de verificação fiscal. • Ainda que se considerasse a Lei n° 7.689, de 1988, totalmente inconstitucional, a cobrança da CSLL, a partir do balanço de 1991, seria plenamente válida, em face da aplicação das disposições da Lei n° 8.212, de 1991, a qual foi concebida para disciplinar toda a matéria concernente as fontes de recursos da previdência social. Se, para instituir um tributo, a lei deve definirlhe o fato gerador, os contribuintes, a alíquota e a base de cálculo, nenhum desses elementos essenciais falta à citada lei. 0 fato gerador encontrase discriminado em seu artigo 11, parágrafo único, letra "d". Os contribuintes no artigo 15. A base de cálculo e a aliquota da CSLL no artigo 23. Além disso, o artigo 30 trata da forma de arrecadação, o artigo 33 dispõe sobre a fiscalização e sobre o lançamento de oficio; o artigo 34 estabelece critério de correção monetária dos débitos em atraso e o artigo 55 institui hipótese de isenção. • Essa lei goza de presunção de legitimidade, considerandose que proveio do órgão competente e que o Poder Judiciário não a julgou inconstitucional. • Portanto, pelo amplo tratamento que lhe conferiu e por não ter sido contestada judicialmente, a Lei n° 8.212, de 1991, legitimaria por si só a exigência da CSLL. • 0 Supremo Tribunal Federal (STF) considera a lei ordinária federal como instrumento válido para instituir e majorar as Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10976.000632/200865 Acórdão n.º 140100.649 S1C4T1 Fl. 1.012 5 contribuições destinadas a custear a seguridade social previstas no inciso I do artigo 195 da CF 1988. Transcrevese o voto do Ministro Relator Carlos Velloso, aprovado por unanimidade em 01.07.1992, quando foi declarada a inconstitucionalidade somente do artigo 8° da Lei n° 7.689, de 1988, por ofensa ao principio da irretroatividade. • Concluise que é perfeitamente válida a cobrança da exação no período fiscalizado em obediência às disposições constitucionais e legais que regem a matéria e aos efeitos e limites da coisa julgada. • Procedeuse ao lançamento de oficio da CSLL devida nos anos calendários de 2003 a 2006, observandose o regime de apuração do lucro no período, conforme indicado nas declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) (fls. 613 a 896) e nos livros de apuração do lucro real (Lalur), cujas cópias achamse anexas (fls. 376/537). • A Flender optou pelo lucro real anual. Os quadros a folhas 46 a 49 demonstram a CSLL apurada em 31.12.2003, 31.12.2004, 31.12.2005 e 31.12.2006. • Efetuouse também o lançamento da multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL por estimativa com base em balanços de suspensão ou redução, nos termos dos artigos 28, 43 e 44 da Lei n°9.430, de 1996. • A ficha 11 das DIPJ e os Lalur indicam que em todos os meses dos anoscalendários de 2002 a 2006 para a determinação da base de cálculo do imposto de renda foi adotado balanço ou balancete de suspensão ou redução. • A ficha 16 das DIPJ, relativa ao cálculo da CSLL devida por estimativa, foi apresentada em branco, e as declarações de débitos e créditos tributários federais (DCTF) não contém débitos de CSLL (estimada). • A partir dos arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo, foram elaborados os demonstrativos da multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL, que discriminam os valores da multa isolada, correspondente a 50% do valor da contribuição. • Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica efetuou as adições e exclusões relativas provisão do IRPJ no período compreendido entre julho de 2003 c dezembro de 2006. Assim, iniciouse a apuração das bases de cálculo da CSLL a partir do resultado contábil, ou seja, o lucro liquido obtido após a constituição da provisão para o IRPJ. Por conseguinte, entre as provisões adicionadas, encontrase a do IRPJ. • Em relação a determinados valores que seriam adicionados ou excluídos na base de cálculo, solicitaramse esclarecimentos. Em resposta, o sujeito passivo informou que, no concernente à reserva de reavaliação, que entre 2002 e 2004 a realização Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 dessa reserva foi lançada contra contas de resultado, anulando o efeito da depreciação da reavaliação, e que em 2004, após a entrega da DIPJ, teve que fazer algumas alterações no balanço, conforme solicitado pela sua auditoria. • No entanto, relativamente ao anocalendário de 2004, foram adicionados pela fiscalização R$ 1.227.906,02 decorrentes da realização da reserva de reavaliação, tendo em visto que esse valor, apesar de ter transitado em conta contábil de resultado, foi debitado em dezembro com contrapartida em conta de patrimônio liquido. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Conforme aviso de recebimento a folhas 928, a autuada foi notificada do lançamento por via postal em 17.12.2008, e em 16.01.2009 apresentou a impugnação juntada a folhas 929 a 945. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. • A impugnante foi surpreendida pela lavratura do auto de infração. Os valores nele lançados não são devidos, seja em virtude da ocorrência de decadência, seja em razão da decisão transitada em julgado favorável à autuada. Ocorrência de decadência • Com respeito à multa isolada relativa a janeiro a março de 2002, e janeiro a agosto de 2003, deve ser cancelada, por exigir crédito tributário extinto em virtude de estarem fulminados pela decadência, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN. • A ciência do auto de infração se deu em 17.12.2008. De fato, o lançamento relativo às multas isoladas pela suposta falta de recolhimento da CSLL sobre base estimada durante os anos calendários de 2002 e 2003 foi efetivado após a fluência do prazo decadencial de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. Por esse motivo o auto de infração deve ser cancelado, nos termos do artigo 156, V. do CTN. [...] O trânsito em julgado do mandado de segurança • Por meio de mandado de segurança, a impugnante obteve declaração judicial transitada em julgado nulificando a CSLL relativamente a todos os resultados e períodos. O mandado de segurança impetrado em 1989 tinha caráter preventivo e buscava eximir a impugnante do recolhimento da CSLL instituída pela Lei n° 7.689, de 1988. Não havia limites nem a pretensão de afastar urn lançamento especifico, mas, sim, a norma criadora da contribuição. Pretendiase a declaração da inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a impugnante ao recolhimento da exação. • O STJ entende que, quando o mandado de segurança, antecipandose ao lançamento fiscal, não ataca ato algum da autoridade fazenddria, prevenindo apenas a sua prática, a sentença que concede a ordem tern natureza exclusivamente Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10976.000632/200865 Acórdão n.º 140100.649 S1C4T1 Fl. 1.013 7 declaratória do direito a respeito do qual se controverte, e induz ao efeito da coisa julgada. [...} A não aplicação da Súmula 239 do STF • Não se aplica ao caso em tela a Súmula 239 do STF, já que esta tem aplicação circunscrita à coisa julgada que declara nulo determinado lançamento, ou seja, que julga ato concreto da administração pública ou alguma obrigação tributária especifica, e não incide nos casos em que se busca apenas a declaração de inexistência dc relação jurídica. Em abono do argumento, citase passagem doutrinária e trecho de decisão judicial. Impossibilidade de cominação de multa de oficio e de multa isolada • Em que pese a decadência do direito de constituir o crédito relativo à multa sobre os supostos fatos geradores ocorridos em 2002 e 2003, subsiste ainda a impossibilidade de exigir, cumulativamente, a multa de oficio e a multa isolada. • A multa de oficio e a isolada não comportam interpretação conciliatória, já que a multa de oficio, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser aplicada juntamente com o tributo apurado pelo lançamento de oficio. Por outro lado, a multa isolada deverá ser aplicada isoladamente, quando a estimativa mensal não for recolhida. [...] O pedido • Pedese que sejam acolhidas as razões da impugnante e que seja julgado improcedente o auto de infração, cancelandose o crédito tributário. A 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão nº 0224.954, assim ementado (v. fls. 964): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a contribuição se torne novamente exigível com base em norma legal superveniente. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso de não haver pagamento parcial, extinguese em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e não do fato gerador, o direito de constituir o crédito tributário. MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS Verificada o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. Intimada desse Acórdão em 24/04/2009 (fls. 987), a contribunte apresentou em 27/05/2009 o Recurso Voluntário de fls. 9881005, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória, em relação aos seguintes temas: a) No que diz respeito à multa isolada relativa aos anosbase de 2002 (jan a mar) o órgão julgador já decidiu, corretamente, pela extinção deste crédito em razão da decadência. Entretanto, com relação ao período de 2003 (jan, fev, abr a ago), os respectivos valores também devem ser cancelados, por também estarem extintos pela decadência, nos termos do art. 150,§ 4º do CTN. Neste sentido, mencionou precedentes do extinto Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 993994; b) no Mandado de Segurança preventivo, impetrado pela Recorrente em 1989, resultou reconhecida a inexistência de relação jurídica que a obrigasse a recolher a CSLL instituída pela Lei n° 7.689/88. Tal declaração de inexistência de relação jurídica transitou em julgado e não foi objeto de qualquer Ação Rescisória por parte da Fazenda Nacional/União Federal. Não houve nova instituição da CSLL pela Lei nº 8.212/91. Assim sendo, permanece em pleno vigor o direito de a Recorrente não efetuar o pagamento da CSLL; c) Não pode prosperar o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de manter a aplicação concomitante da multa isolada e da multa proporcional. Neste sentido, fez referência a diversos precedentes do do extinto Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 10041005. Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao seu recurso voluntário, cancelandose integralmente o auto de infração em apreço. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10976.000632/200865 Acórdão n.º 140100.649 S1C4T1 Fl. 1.014 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de decadência Em relação a este tema, a Recorrente sustenta que os créditos tributários relativos à multa isolada, referentes ao período de 2003 (jan, fev, abr a ago), já teriam sido extintos pela decadência, nos termos do art. 150,§ 4º do CTN. Deixo de analisar a presente preliminar, tendo em vista que a questão de mérito do presente processo será decidido em favor do sujeito passivo. Exigibilidade da CSLL com base na Lei nº 8.212/91 Conforme relatado, a contribuinte considerase protegida por sentença transitada em julgado, que a desobrigaia definitivamente de pagar a CSLL. A cópia integral do processo e a certidão de objeto e pé indicadas pela empresa foram apensadas a folhas 208 a 366. O mandado de segurança foi impetrado pela Flender a fim de não se sujeitar ao pagamento da contribuição instituída pela Lei n° 7.689, de 1988. A decisão de 1ª instância indeferiu o mandado impetrado e cassou a liminar anteriormente concedida. Interposta apelação, o Tribunal Regional Federal deulhe provimento (folhas 340). Consta da certidão a folhas 341 que o acórdão transitou em julgado cm 11.02.1992. Resta analisar se houve ou não nova instituição da CSLL pela Lei nº 8.212/91 e atos legais subsequentes. A referida matéria foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (Resp 1118893 MG 2009/00111359, de 23/03/2011, Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 06/04/2011), em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), que recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10976.000632/200865 Acórdão n.º 140100.649 S1C4T1 Fl. 1.015 11 à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Sobre as decisões definitivas de mérito do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, dispõe o art. 62A do Regimento do CARF (grifado): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, é forçoso reconhecer que a contribuinte não está sujeita à cobrança da CSLL, nos termos do Acórdão do STJ, retrotranscrito. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 14337.000022/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2006
Ementa: APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
Numero da decisão: 2301-002.931
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do (a) Redator (a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do (a) Redator (a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes.
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FATOS GERADORES Recorrente BENEMÉRITA SOCIEDADE PORTUGUESA BENEFICENTE DO PARÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2006 Ementa: APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do (a) Redator (a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Lopes Ausência momentânea: MAURO JOSE SILVA Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/01/2010, por ter a entidade acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório do AI (fls. 15), o auto foi lavrado tendo em vista a constatação de que as remunerações informadas nas GFIPs pelo contribuinte, constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB, diferem daquelas verificadas pela fiscalização na escrita contábil, demonstrando que a empresa deixou de informar integralmente as remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. A autoridade lançadora informa que anexou os Relatórios de Lançamento dos AIOP DEBCAD 37.264.4953 e 37.264.4961, que discriminam as remunerações omitidas, pois foram lavrados em relação às contribuições não declaradas nas guias. Relata que não foram discriminadas as remunerações e os segurados omitidos pelo fato de a fiscalizada não ter apresentado as folhas de pagamentos, sendo que os valores foram constatados na escrita e os relatórios dos AIOP informam em que contas foram verificadas as bases de cálculo. Esclarece que, em observância ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, comparouse o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, concluindo que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, o AIOP cobra a multa de oficio de 24% e é lavrado auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, mas naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica, não se lavrou o AIOA. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0123.636, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 252), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 265), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, faz um relato dos fatos ocorridos desde o início da ação fiscal até a apresentação do recurso, e conclui que não há como concordar com os fundamentos apresentados no Acórdão recorrido, entendendo que permaneceram incólumes as matérias preliminares e de mérito arguidas em sede de impugnação, além da nulidade surgida por ocasião do próprio julgamento da defesa, uma vez que não houve a devida apreciação dos documentos apresentados, anexos à impugnação, configurando violação direta do princípio da ampla defesa. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Em preliminar, alega nulidade do AI por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que não foram analisados os documentos disponibilizados pela recorrente à fiscalização e que inexiste a obrigação de apresentação dos documentos na sede da Receita Federal. Argumenta que falta razão à autoridade julgadora pois, embora ela tenha justificado que a manutenção da multa por descumprimento de obrigação acessória tenha lugar pela redação do art. 32, IV, da Lei 8.212/91, impingida pela Lei 11.941/09, fato é que o motivo para aplicação da penalidade foi a suposta apresentação de documentos com dados diversos aos fatos geradores. Alega que estes supostos fatos geradores decorrem da não consideração, pela fiscalização, dos documentos que foram disponibilizados pela empresa, sendo que a nulidade a ser destacada representa a total nulidade do presente Auto, pois este é uma decorrência lógica daquele AINF 37.264.4961. Destaca que o fato de a recorrente entender que, de fato, não está obrigada a entregar a documentação na referida repartição, não se deve confundir tal situação como se a recorrente tivesse se furtando a entregar os documentos. Defende que a situação não é tão simplória como pretendeu a autoridade julgadora desqualificar tal questionamento, e cita os motivos que tornaram inviável o atendimento de todas as requisições do auditor, quais sejam, o grande volume de documentos solicitados e o pedido de apresentação dos livros contábeis numa plataforma digital que o software não permite sua conversão. Observa que a autoridade julgadora, de um lado, afirma que a documentação juntada na impugnação serve para comprovar que o tempo concedido era suficiente para apresentar os documentos e, por outro lado, ao analisar o mérito, assevera que a documentação juntada não tem nenhuma relação como os autos, o que, no seu entendimento, é uma contradição, pois ou a documentação se presta para comprovar o que foi solicitado ou não, não podendo, simplesmente, servir de mote para afastar uma nulidade e, por outro, não servir para reconhecer a procedência do pedido. Sustenta que a recorrente não é obrigada a converter os dados de um software para outro apenas para satisfazer a autoridade julgadora, não apenas por falta de previsão legal para tanto, mas também pelo fato de que essa impossibilidade de conversão serve para própria segurança da guarda das informações. Reitera que a fiscalização, ao exigir a documentação, ao invés de indicar os documentos e determinar que os mesmos ficassem a sua disposição, exigiu que os mesmos lhe fossem entregues na sede da Receita Federal em Belém, ressaltando que a lista enumera nada menos que cinqüenta itens, entre livros contábeis e qualquer recibo emitido pela recorrente, sendo que, ao invés de serem protocolados na Receita Federal, deveriam ser entregues exclusivamente à pessoa do auditor, em sua sala e, conforme primeira intimação, em um prazo exíguo de dez dias, o que não pode ser cumprido tendo em vista o grande volume de documentos exigidos. Relata que, após os representantes da empresa informarem que isso não seria possível e que a documentação estava à disposição do fiscal na sede da empresa, o auditor requisitou os livros contábeis em meio digital, e afirmou que tão logo necessitasse requisitaria outros documentos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 3 5 Informa que, apesar de a empresa ter se disponibilizado a apresentar os livros em meio magnético, mas no formato do programa que possui, uma vez que não está obrigada a apresentálos no formato solicitado pelo auditor, e de ter apresentado a íntegra dos livros em papel, os lançamentos contábeis que, de alguma forma, estavam amparados em documentos, como os descontos do Salário Família e Maternidade e a não realização de retenção nos pagamentos realizados a autônomos, foram considerados irregulares, tendo sido tributados pela contribuição, e acrescidos de multa e juros. Frisa que a desconsideração da documentação mantida pela recorrente constitui flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade, o que eiva de nulidade o presente lançamento, por desrespeitar o procedimento de fiscalização legalmente previsto, assim como os Princípios Constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. Transcreve o dispositivo legal no qual está embasado o AINF para tentar demonstrar que não há qualquer determinação de que a empresa deve levar sua contabilidade para a Receita Federal, destacando que os normativos vigentes apenas atribuem ao contribuinte a obrigação de manter a documentação contábil necessária, e disponibilizála à fiscalização, garantido à autoridade fiscalizadora amplo acesso às dependências da empresa. Alega nulidade da decisão recorrida, que deixou de valorar a documentação apresentada em momento oportuno, qual seja, na impugnação, negando, dessa forma, vigência ao art. 16, § 4o, do Decreto 70.235/72, e utilizando ainda de argumento como inversão do ônus da prova, mas, em contrapartida, negando validade aos documentos apresentados. Traz julgados do Conselho de Contribuintes e a doutrina para tentar demonstrar que, no presente caso, a busca da verdade real foi vilipendiada, não apenas quando o auditor fiscal lavrou o auto de infração, deixando de perquirir as informações e solicitar os documentos que reconheceriam o direito da recorrente, mas também quando a DRJ deixou de apreciar adequadamente, ainda que de forma parcial, os documentos apresentados. Entende que, a partir do momento que o fundamento para aplicação da multa era o art. 32, § 5o, da Lei 9528/97, então deveria a autoridade julgadora ter apreciado os documentos juntados por ocasião da impugnação, que provam que os documentos contábeis e exibidos para o auditor não eram destoantes dos fatos geradores, já que os profissionais já recolhiam por outra fonte, razão esta que explicava o valor que ele considerou destoante. Assevera que todos os documentos apresentados na impugnação se prestam a corroborar a inexigibilidade das contribuições previdenciárias, quer porque não existia o dever de recolhimento acima do salário de contribuição dos profissionais liberais, quer porque não havia motivo para glosa dos valores referentes a saláriofamília ou maternidade, na medida que referidas exações já haviam sido devidamente recolhidas. Defende que, se houvesse dúvida quanto à conexão dos fatos com os documentos contábeis, deveria a autoridade julgadora ter baixado o feito em diligência, ou ter requisitado informações diretamente à recorrente, já que havia dificuldade em identificar o nexo da documentação apresentada com os fatos apurados. Argumenta que, mesmo que a decisão negasse validade às poucas declarações assinadas em 2010 e que se reportavam a fatos pretéritos, deveria ter acolhido ao menos aquelas que se prestaram a confirmar o período, e não deixar de avaliar um a um, cada documento, para fazer valer os que realmente tinham conexão com os fatos apurados. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 No mérito, esclarece que apesar de o objeto do auto resumirse à aplicação de multa pela suposta de documentos com valores recolhidos divergentes em relação aos Fatos Geradores em GFIP, impõese a apresentação dos fundamentos que demonstram a inexistência de obrigação principal, uma vez que, comprovado que não se deixou de informar qualquer fato gerador ocorrido, comprovase a inexistência da infração que deu origem à aplicação da multa. Insiste em afirmar que alguns dos contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente não sofreram retenção da contribuição previdenciária por já as terem sofrido pelo valor máximo em outras fontes de pagamento e, uma vez comprovado que o segurado já sofreu a retenção pelo teto em outra fonte de receita, não está mais a recorrente obrigada a efetuar qualquer retenção, e muito menos fazer constar tais pagamentos em GFIP. Insurgese contra a inversão do ônus da prova, argumentando que a documentação comprobatória do recolhimento dos prestadores pelo teto foi mantida na sede da empresa e integralmente disponibilizada ao auditor, que recusouse a examinála. Enumera os documentos apresentados na impugnação, ressaltando que a sua apresentação não importa renúncia ao pleito de declaração de nulidade do AI, e sim decorre do princípio da eventualidade, tendo como finalidade a comprovação da boa fé da recorrente, e a veracidade dos fatos por ela narrados. Reconhece que, efetivamente, há valores que não foram retidos e recolhidos, mas que são irrisórios se comparados ao absurdo da autuação, e destaca que o Relatório de Lançamento resumese a copiar os lançamentos constantes da contabilidade, não tendo a autoridade fiscalizadora se preocupado em diferenciar a natureza dos lançamentos, tributando em 20% despesas com pagamento de Táxi, cópias de chaves e aquisição de materiais. Discorre sobre o princípio da Tipicidade Cerrada para concluir que “não há como tributar os fatos mencionados no AINF, pois eles não se adéquam à previsão legal”. Ressalta que a não análise dos documentos provocou sério equívoco em relação aos valores recolhidos, uma vez que, em algumas competências, houve a retificação da GFIP e complementação dos pagamentos, e que a fiscalização considerou recolhido apenas o valor da última retificação, como por exemplo, há meses em que foi paga a importância de mais de R$40.000,00 na GFIP, e posterior complementação de R$100,00, mas que, ao que parece, o auto considerou pagos apenas a importância do complemento, exigindo novamente o valor pago anteriormente. Requer que seja reconhecida a improcedência das glosas ilegais dos valores referentes aos Salários Família e Maternidade e da multa por descumprimento de obrigações acessórias e principais, destacando que, uma vez demonstrado que não houve descumprimento da obrigação principal, concluise pela total improcedência das multas de mora e de ofício. Conclui, pelo exposto, que as multas de Mora e de Ofício, assim como a multa incidente pelo descumprimento de obrigação acessória, são claramente improcedentes, pelo fato de que não houve descumprimento de qualquer obrigação tributária por parte da recorrente, que jamais deixou de informar e recolher as contribuições efetivamente incidentes sobre os valores recebidos pelos profissionais que lhe prestam serviço, com ou sem relação de emprego. Tenta demonstrar que está incorreta a aplicação da alíquota de 75% para o cálculo da multa de ofício, entendendo que ela estaria limitada a 20%, nos termos do art. 32 A, da Lei 8.212/91, caindo por terra a argumentação inverídica de que a legislação anterior seria Fl. 317DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 4 7 mais benéfica ao contribuintes, uma vez que estabelece uma alíquota de 24% somente a título de multa de ofício, além da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Alega que é improcedente a cobrança de multa de mora, como também é ilegal a cobrança de juros SELIC sobre valor já atualizado do débito, e finaliza requerendo que seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, constatase que o AI objeto do presente processo administrativo fiscal foi lavrado por não terem sido declaradas, em GFIP, as contribuições sociais lançadas por intermédio dos AIOPs DEBCAD 37.264.4953 e 37.264.4961, que discriminam as remunerações omitidas, pois foram lavrados em relação às contribuições não declaradas nas guias. Dessa forma, a fiscalização constatou a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, lançando a contribuição devida nos AIs citados. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e a não inclusão, em GFIP, dos valores relativos à diferença de contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, lavrou o competente auto, por infração à legislação previdenciária, consoante determinação expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, com a redação vigente à época, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Contudo, tendo em vista a correlação existente entre os citados instrumentos de constituição de crédito, o presente AI está sendo julgado concomitante com os AIs que lançaram a contribuição cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela. Tendo em vista a concomitância da matéria discutida e pelo fato de os argumentos trazidos pela recorrente serem coincidentes nos três Autos, reproduzo, abaixo, o voto proferido por esta Relatora, no processo que discute o AI correlato, DEBCAD 37.264.4961, objeto de julgamento concomitante neste CARF, que são basicamente os mesmos argumentos utilizados no de DEBCAD 37.264.4953. “Em preliminar, alega nulidade do AI por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que não foram Fl. 319DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 5 9 analisados os documentos disponibilizados pela recorrente à fiscalização e que inexiste a obrigação de apresentação dos documentos na sede da Receita Federal. Contudo, não há como acolher a alegação da recorrente de ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que, após o início do litígio, houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Ressaltese que a fase fiscalizatória, dada sua natureza inquisitorial, não se constitui em requisito essencial que deva preceder o lançamento. Caso a autoridade fiscal disponha de elementos suficientes para realizar o lançamento, nos moldes do art. 142 do CTN, poderá fazêlo sem que qualquer intimação ao contribuinte seja feita. No caso em tela, verificase que a empresa se encontrava sob ação fiscal e, nos termos do art. 32, III, da Lei 8.212/91, ela estava obrigada à prestar ao órgão fiscalizador, seja o INSS, Receita Previdenciária ou Secretaria da Receita Federal do Brasil, dependendo da redação vigente à época das lavraturas dos TIFs, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma estabelecida pela autoridade fiscal que, no caso, estabeleceu o local para que a documentação listada nos TIFs fosse apresentada. Assim, o lançamento, como ato administrativo, é válido, pois precedido de MPF válido, e o fiscal, a quem compete o lançamento, ao constatar o descumprimento da obrigação principal, lavrou o AI, em observância aos ditames legais. Ademais, conforme o art. 14, do Decreto 70.235/72, é a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI por cerceamento de defesa, já que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Não se vislumbra, portanto, motivo para nulidade do lançamento. A recorrente afirma que não se furtou a entregar os documentos e elenca os motivos que tornaram inviável o atendimento de todas as requisições do auditor, quais sejam, o grande volume de documentos solicitados e o pedido de apresentação dos livros contábeis numa plataforma digital que o software não permite sua conversão, ressaltando sempre que não é obrigada a converter os dados de um software para outro apenas para satisfazer a autoridade julgadora, por falta de previsão legal. Contudo, não consta, dos autos, provas de que a fiscalização tenha deixado de analisar os livros contábeis por se encontrarem em plataforma digital diferente do por ela exigido. Pelo contrário, a autoridade lançadora deixou claro, no Relatório do AI, que os valores lançados foram apurados com base na diferença constatada entre os valores constantes da escrita contábil e aqueles declarados na GFIP. Dessa forma, totalmente inócua, para os presentes autos, a afirmação da recorrente de que a empresa autuada não apresentou a contabilidade na plataforma digital solicitada pela fiscalização, pois tal fato não impediu a apuração das diferenças de contribuições devidas e lançadas por meio do AI ora discutido. Ou seja, não é objeto do AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal a não apresentação dos Livros Contábeis em meio digital, e sim a diferença da contribuição devida pelos contribuintes individuais a serviço da recorrente, e que deveria ter sido por ela retida, quando do pagamento de suas remunerações, e recolhida aos cofres da Previdência Social. A recorrente alega que o curto prazo concedido pela fiscalização para entrega da documentação e o grande volume de documentos solicitados tornaram inviável o atendimento da requisição fiscal. Todavia, constatase que a recorrente foi inicialmente intimada a apresentar os documentos por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 23), em 03/04/2009, e posteriormente, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 01 (f.s 27), em 23/11/2009, tendo sido cientificada da lavratura do AI apenas em 29/01/2010. Portanto, não há que se falar em prazo exíguo para apresentação dos documentos e nem em ausência de sua indicação, pois, da análise dos Termos citados acima, verificase que a fiscalização listou todos os documentos que lhe deveriam ser entregues. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 6 11 E, apesar das intimações, segundo relato fiscal, a empresa não apresentou as folhas de pagamentos dos contribuintes individuais e quaisquer comprovações de múltiplos vínculos dos segurados a seu serviço, motivo pelo qual os valores foram calculados a partir dos registros contábeis. Consta, inclusive, o Termo de Intimação Fiscal nº 1201 (fls. 28), por meio do qual a autoridade fiscal informa a existência de divergência GFIP x GPS, juntando telas do sistema de arrecadação, possibilitando ao contribuinte fazer o batimento entre o valor das contribuições informadas em GFIP e as GPS, concedendolhe prazo para a apresentação das guias regularizadas. A recorrente entende que houve contradição no acórdão recorrido, na medida que a autoridade julgadora, de um lado, afirma que a documentação juntada na impugnação serve para comprovar que o tempo concedido era suficiente para apresentar os documentos e, por outro lado, ao analisar o mérito, assevera que a documentação juntada não tem nenhuma relação como os autos. Entretanto, não se verifica a contradição alegada, pois a autoridade julgadora de primeira instância apenas afastou os argumentos de nulidade por prazo exíguo para a entrega de documentos, demonstrando que a empresa teve mais de nove meses para sua apresentação, como também, ao analisar o mérito da questão, verificou que os documentos apresentados na impugnação não foram suficientes para afastar a exigência fiscal. Observase que o Acórdão recorrido demonstra a convicção dos julgadores diante dos fatos e argumentos que lhes foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. A autuada insiste em afirmar que sua documentação foi desconsiderada e que a fiscalização se esqueceu de pedir os documentos com a identificação dos médicos e dos demais elementos integrantes do fato gerador, como forma de fazer valer o princípio da verdade real. Entretanto, não prova o alegado. Não consta que a documentação da recorrente tenha sido desconsiderada, e a fiscalização solicitou, sim, por meio dos TIFs, as folhas de pagamento dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Toda empresa está obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, conforme determinação contida no art. 32, I, da Lei 8.212/91, bem como deveria apresentar tais documentos à fiscalização, consoante disposto no inciso III do mesmo dispositivo legal. Da mesma forma, a recorrente, como contratante de serviços de pessoas físicas, deveria reter a contribuição por elas devida, Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 quando do pagamento de suas remunerações, e recolher o valor retido aos cofres públicos. Essa é sua obrigação, determinada por Lei. E, se o contribuinte individual que lhe prestou serviços teve contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição, em outras empresas, a recorrente, como contratante de seus serviços e responsável pelo recolhimento da contribuição por ele devida, deveria exigir a comprovação do fato, mediante apresentação de comprovante do pagamento de remuneração, com a identificação completa da empresa, inclusive com o número no CNPJ da outra fonte pagadora, o número de inscrição do segurado no RGPS, o valor da remuneração paga, o desconto da contribuição efetuado e o compromisso de que a remuneração paga será informada na GFIP e que a contribuição correspondente será recolhida. Porém, a recorrente se limitou a afirmar que os prestadores de serviço, especialmente os médicos, já recolhiam no teto do salário de contribuição, sem, contudo, comprovar o alegado. Ela apenas juntou, aos autos, declarações de contribuintes individuais, muitas delas produzidas em 02/2010, ou seja, após o lançamento, informando que os descontos previdenciários já foram realizados por outras instituições. Contudo, conforme disposto no art. 81, § 1o, da IN 03/2005, vigente à época da ocorrência do fato gerador, os documentos para comprovar o recolhimento pelo teto por outros tomadores de serviços são aqueles previstos no art. 60, V, do mesmo normativo legal, e já listados acima. No mesmo sentido, não procede o argumento de que somente com a identificação correta do nome dos médicos é que poderia apresentar todas as respectivas declarações. Conforme amplamente exposto acima, era obrigação da empresa ora recorrente reter a contribuição devida pelos prestadores de serviço e, se não o fez pelo motivo alegado, deveria manter em seus arquivos os documentos previstos na legislação como necessários à comprovação do recolhimento pelo teto, apresentandoos à fiscalização para justificar a não retenção. Quanto à afirmação de que não há qualquer identificação dos fatos geradores ou dos pagamentos de honorários médicos, vale observar que, ao contrário do alegado, o Relatório de Lançamentos discrimina, por competência, os valores relativos a serviços prestados por pessoas físicas, informando a conta contábil em que os mesmos foram registrados, e a base de cálculo considerada para apuração da contribuição devida. Assim, todos os dados necessários para a elaboração da defesa pela recorrente se encontra nos relatórios integrantes do AI, não havendo que se falar em ausência de identificação do fato gerador. Relativamente à alegação de que não há separação do que constitui fato gerador e do que não constitui, e que despesas como pagamento de táxi, elaboração de cópia de chave e até compra de materiais para manutenção foram considerados fato Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 7 13 gerador da contribuição, e sobre seus valores foi aplicado o percentual de 20%, cumpre lembrar que é obrigação da empresa lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, nos termos o art. 32, II, da Lei 8.212/91. Assim, Resta claro que cabe à empresa separar, em contas próprias, o que é fato gerador do que não é fato gerador da contribuição previdenciária. À fiscalização cabe apurar a contribuição devida incidente sobre os pagamentos realizados pela empresa a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, devidamente registrados na contabilidade da recorrente, em conta própria para esse fim. A recorrente sustenta que o lançamento regular deve identificar o fato gerador e quem o praticou, e determinar a matéria tributável, o que não ocorreu no presente caso. No entanto, observase, no caso presente, que a autoridade lançadora deixou claro, no Relatório Fiscal do AI, que o fato gerador é o pagamento de remuneração aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, sendo a matéria tributável “as diferenças entre os valores verificados na escrita contábil e aqueles declarados na GFIP, ou seja, as divergências verificadas”(fls. 174). Ou seja, a recorrente remunerou contribuintes individuais, o que constitui fato gerador da contribuição previdenciária, e registrou tal fato em sua contabilidade. No entanto, em que pese os lançamentos contábeis, vem alegar que não ocorreu o fato gerador da contribuição. Ora, entendo que, se não ocorreu o fato gerador, conforme alega, a recorrente deveria ter apresentado, por escrito, os esclarecimentos necessários para esse fim, conforme solicitado pela fiscalização, acompanhados de elementos de prova. Entretanto não o fez, se limitando a alegar, sem apresentar elementos que comprovem suas alegações. Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que não houve o fato gerador. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar, da análise dos registros contábeis da recorrente, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. Dessa forma, entendo que, ao contrário do que afirma a recorrente, o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI, e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. A autuada alega que a decisão recorrida deixou de valorar a documentação apresentada na impugnação, em afronta ao art. 16, § 4o, do Decreto 70.235/72, utilizando ainda de argumento como inversão do ônus da prova e, em contrapartida, negando validade aos documentos apresentados. Todavia, entendo que não houve afronta ao mencionado dispositivo legal. Ocorre que, ao analisar a documentação juntada aos autos pela recorrente, a autoridade julgadora observou que tratamse de documentos que não guardam relação com os fatos geradores objetos do AI em discussão, ou insuficientes para ilidir o lançamento fiscal. De fato, como bem observado pelo relator do acórdão combatido, constatase que os documentos identificados como “Folhas de repasse – Médicos” estão rasurados, e trazem informações escritas à mão, com valores diferentes dos valores impressos. A própria recorrente afirma Verificase que a autuada reconhece que parte da contribuição lançada é de fato devida, conforme ela própria afirma, em seu recurso. A recorrente não aponta, nos documentos juntados aos autos, quais se prestam, no seu entendimento, para retificar os valores lançados. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 8 15 A recorrente poderia ter elaborado uma planilha com a discriminação, por competência, dos pagamentos que constam registrados na contabilidade mas que deixaram de sofrer retenções, tendo em vista a contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição em outras fontes pagadoras, e juntar os documentos comprobatórios desse desconto, previstos na legislação previdenciária. Poderia, até mesmo, por amostragem, escolher uma competência do débito e demonstrar o alegado equívoco do lançamento, apontando um documento, entre os diversos juntados à impugnação, que tenha relação direta com aquele suposto equívoco. Porém, não o fez, se limitando a alegar que as diferenças de contribuição apuradas pela fiscalização não existem, e juntando uma extensa documentação, de forma genérica, sem apontar especificamente quais se prestam para demonstrar que o lançamento estaria incorreto. Entretanto, verificase, da análise da documentação anexada junto à impugnação, que os valores lançados pela autoridade autuante estão corretos. Observase que, ao contrário do que afirma a recorrente, em nenhum momento a autoridade julgadora da DRJ afirmou que os documentos apresentados não foram analisados. Constatase que a DRJ, apreciou, sim, os documentos apresentados, observando, inclusive, as rasuras constantes das Folhas de médicos e as datas em que foram produzidas as declarações dos contribuintes individuais. Dessa forma, entendo que houve, sim, a busca da verdade real pela autoridade julgadora de primeira instância, que apreciou adequadamente a documentação da recorrente e concluiu pela sua insuficiência para desconstituir o crédito lançado. A autuada defende que, se houvesse dúvida quanto à conexão dos fatos com os documentos contábeis, deveria a autoridade julgadora ter baixado o feito em diligência, ou ter requisitado informações diretamente à recorrente, já que havia dificuldade em identificar o nexo da documentação apresentada com os fatos apurados. Contudo, não havia dúvida a ser sanada, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado. A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes do Auto, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada, as alíquotas aplicadas, e indicou, com riqueza de detalhes, as contas contábeis que registraram os fatos geradores. Já a autuada se defende de forma genérica, reconhecendo que de fato deixou de recolher parte da contribuição lançada, mas sem Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 apontar, especificamente, quais os valores entende estarem equivocados, como também foi genérica a acusação de que a fiscalização considerou recolhido apenas o valor da última retificação da GFIP, pois usa expressões como “(...) há meses em que foi paga a importância de...” e “Ao que parece, o auto considerou...”. Contudo, não aponta quais seriam esses meses, fazendo apenas suposições de que foram exigidos novamente importâncias pagas anteriormente. Entretanto, da análise dos relatórios RADA, observase que em todas as competências foram apropriados valores recolhidos acima de R$30.000,00, o que demonstra que a suposição, feita pela recorrente, de que foram considerados, para algumas competências, apenas o valor da complementação de R$100,00, carece de fundamentação. Os argumentos relativos à comprovação dos valores de Salário Maternidade e Salário Família não serão analisados por não serem objeto do AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal, que trata apenas da contribuição de contribuinte individual, além de acréscimos legais. Quanto à alegação de que a aplicação da alíquota de 75% para o cálculo da multa de ofício está incorreta, uma vez que ela estaria limitada a 20%, nos termos do art. 32 A, da Lei 8.212/91, e que é improcedente a cobrança de multa de mora, como também é ilegal a cobrança de juros SELIC sobre valor já atualizado do débito, cumpre observar que nos critérios para aplicação desses acréscimos e cálculo de seus valores foram observadas rigorosamente as disposições legais aplicáveis, indicadas pela autoridade fiscal no auto de infração. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 9 17 principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Quanto às alegações de inconstitucionalidade da taxa aplicada para atualização de débitos tributários, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91, e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigente até 11/2008, e no art. 35A, vigente após 12/2008. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 18 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Cabe destacar ainda que a multa sobre o valor das contribuições previdenciárias ficará sujeita a cálculo de acordo com a nova regra trazida pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/2009, por ocasião do pagamento ou do trânsito em julgado administrativo, se mais benéfico ao sujeito passivo, por força do art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN. “ Em relação ao argumento de que a legislação prevê apenas a aplicação de uma multa, e que deveria ser observado o disposto no art. 32A, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09, adoto o entendimento esposado pela 13a turma da DRJ/SP1, no Acórdão 1634.176, cujo trecho reproduzo a seguir: “(...) Cumpre enfatizar, inicialmente, que a multa prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à citada Lei nº 11.941/91, denominada de moratória, regulava, nos incisos do indigitado artigo, casos diversos que acarretavam tratamentos distintos. 9.3. Assim, analisando somente o quanto relevante para o deslinde da questão, insta apreciar o constante, aquele tempo, nos incisos ‘I’ e ‘II’ de citado artigo que regulavam, respectivamente, a multa aplicável quando do recolhimento espontâneo e àquela atinente aos casos de lançamento de ofício, respectivamente. 9.4. Esclareçase, que a notificação fiscal de lançamento era o veículo utilizado para fins de constituição de crédito, por iniciativa do Fisco, decorrente de obrigação tributária principal inadimplida. Contudo, com o advento da Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, tal veículo passou a ser denominado Auto de Infração, consoante a nova redação dada ao art. 37 da Lei nº 8.212/91. 9.5. Destarte, resta claro que o inciso ‘I’ do art. 35, ao tempo dos fatos geradores incluídos no lançamento em testilha, era aplicável, somente, aos casos de recolhimento extemporâneo albergados pela espontaneidade do Sujeito Passivo, enquanto que o inciso ‘II’ tratava dos casos nos quais, verificada a inércia do Contribuinte, o Fisco agia, providenciando o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário reputado devido. 9.6. Pelo exposto, em síntese, a Impugnante pretende que a multa aplicada ao hostilizado AI, fundamentada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, seja comparada com aquela prevista na atual redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91, que remete expressamente ao art. 61, da Lei nº 9.430/96, para fins de verificação da possibilidade de retroação benéfica prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 10 19 9.7. Contudo, uma análise mais acurada da redação do invocado art. 106, II, ‘c’ do CTN conduz o exegeta a concluir pela impropriedade de tal intenção, vez que a inteligência do referido artigo prevê a aplicação da “penalidade superveniente”, quando mais benéfica, respeitante à mesma infração. 9.8. Ademais, salientese que a infração da Impugnante em face do caso em testilha referese à inexistência dos recolhimentos reputados devidos que, conforme predito, ensejou atitude do Fisco quanto ao lançamento de ofício. 9.9. Assim, analisandose a Lei nº 8.212/91 de forma sistêmica e harmônica, na sua atual redação, é de se concluir, de forma cabal, que a previsão constante do art. 35 referese, tão somente, aos recolhimentos espontâneos, enquanto que a previsão constante do art. 35A cuida, expressamente, dos casos de lançamento de ofício. 9.10. Por conclusão, pretendesse o Contribuinte qualquer comparação quanto à multa aplicada ao caso em testilha entre as legislações, passada e atual, a única possível seria, conforme restará demonstrado adiante neste Voto, entre aquela aplica e a atualmente prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Contudo, sendo vedada a retroação in pejus, deverá ser mantida a multa “moratória” tal como aplicada pela Autoridade Fiscal ao tempo do lançamento sub examine. 9.11. Ademais, a Autoridade Fiscal, ao tempo do objetado AI, já procedeu à análise da possibilidade de retroação benéfica, conforme explicitado nos autos do processo DEBCAD nº 37.271.7217 (nº 16327.001168/201070), as suas fls. 14, com relação à qual não se verifica necessidade de reparo. Da Superveniência de Nova Legislação. Retroação Benéfica. 10. Tendo em vista a superveniência da MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, deve ser analisada a questão da possibilidade de retroação benéfica, consoante prevê o art. 106, II, “c” do CTN. 10.1. Em que pese a autuação em análise ter sido devidamente lançada de acordo com a legislação vigente, época em que coexistiam isoladamente as multas decorrentes de descumprimento de obrigação principal com a multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória, verificase, atualmente, nova sistemática decorrente das alterações promovidas na nº Lei 8.212/91, por meio da Lei nº 11.941/09, em especial nos dispositivos concernentes ao cálculo e aplicação da multa para o fundamento legal da infração objeto desta autuação. 10.2. Pela legislação vigente à época da infração, quando a falta cometida pelo contribuinte era decorrente da não declaração em GFIP concomitante ao não recolhimento das contribuições não declaradas, existiam duas consequências: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 20 – a aplicação de uma multa pela não declaração, consubstanciada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.528/1997 e; – a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com a redação da Lei nº 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. 10.3. Conforme estabelecido pela na Lei nº 11.941/09, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando o quantum não recolhido com a devida multa correspondente) passou a ser abordada através de um único dispositivo, que remete à aplicação da multa de ofício. 10.4. Nestas condições, a multa prevista no art. 44, I, da referida Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Pela nova sistemática legal, as duas infrações, a saber, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a aplicação de apenas uma multa (de ofício). 10.5. Feitas tais considerações iniciais, cumpre ressaltar, neste ponto, que no intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei nº 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da mencionada retroação benéfica desta, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09, que em seu artigo 3º vaticina: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212,de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. 10.6. Assim, no caso em análise, as multas mensais incluídas no Auto de Infração (...), referente a obrigações tributárias acessórias, deverão ser somadas às multas referentes às contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, que foram incluídas no presente Auto de Infração, referente a obrigações tributárias principais – quota patronal e GIILRAT, para o confronto com a multa que seria aplicada em observância ao acima transcrito. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 11 21 10.7. Ocorre que, de acordo com a legislação anterior, a alíquota da multa moratória incidente sobre a contribuição previdenciária não recolhida e incluída em lançamento tributário referente à obrigação principal será definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Nestes casos (especificamente relacionados à obrigação principal), o valor da multa está sujeita à data do cumprimento (recolhimento) da obrigação devida, de acordo com a graduação especificada no art. 35, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91. 10.8. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Durante a atual fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica a ser aplicada, haja vista que o pagamento ainda não foi efetivamente postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/09, que estabelece que as multas de mora são apuradas no momento do pagamento, impedindo que a comparação seja realizada antes desse fato. Em consequência, determina a citada Portaria Conjunta nº 14: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). 10.9. Ademais, ratifiquese, a multa do presente Auto de Infração relativo à obrigação principal deve ser apreciada em conjunto com o crédito previdenciário supracitado (obrigação acessória), sabendose que a comparação das multas aplicadas nesses lançamentos com a legislação atual, potencialmente mais benéfica ao contribuinte nos termos do artigo 106 do CTN, somente poderá ser efetivada de forma definitiva quando da liquidação do crédito, sendo que até então todos os processos deverão ter prosseguimento” Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Fl. 332DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 22 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Redator Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 14337.000022/201062 Acórdão n.º 2301002.931 S2C3T1 Fl. 12 23 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição Fl. 334DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 24 previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10670.721351/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
Se o Município não possui Regime Próprio da Previdência Social, seus servidores são filiados obrigatórios ao Regime Geral da Previdência Social, devendo, por isso, recolher a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, devida ou creditada a esses assegurados.
DA CONTRIBUIÇÕE DESTINADA A TERCEIROS. SEST/SENAT. INCONSTITUCIONALIDADE.
Não cabe a este Conselho de Recursos Fiscais a análise da inconstitucionalidade de lei.
As contribuições destinadas a terceiros possuem natureza tributária, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. O tomador do frete deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido, independentemente da atividade desenvolvida pela empresa tomadora dos serviços.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA UNIÃO.
O vinculo estatutário ou empregatício existe entre o segurado e o Município, sendo este o contribuinte das contribuições previdenciárias. Ainda que as verbas sejam repassadas pela União Federal, esta não possui qualquer relação jurídica com os segurados, o que não a transforma em contribuinte ou responsável.
Numero da decisão: 2301-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar parcial provimento, para - nos autos de infração 37.329.374-7 e 37.329.375-5 - que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, na autuação 37.329.376-3, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Se o Município não possui Regime Próprio da Previdência Social, seus servidores são filiados obrigatórios ao Regime Geral da Previdência Social, devendo, por isso, recolher a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, devida ou creditada a esses assegurados. DA CONTRIBUIÇÕE DESTINADA A TERCEIROS. SEST/SENAT. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho de Recursos Fiscais a análise da inconstitucionalidade de lei. As contribuições destinadas a terceiros possuem natureza tributária, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. O tomador do frete deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido, independentemente da atividade desenvolvida pela empresa tomadora dos serviços. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA UNIÃO. O vinculo estatutário ou empregatício existe entre o segurado e o Município, sendo este o contribuinte das contribuições previdenciárias. Ainda que as verbas sejam repassadas pela União Federal, esta não possui qualquer relação jurídica com os segurados, o que não a transforma em contribuinte ou responsável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar parcial provimento, para - nos autos de infração 37.329.374-7 e 37.329.375-5 - que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, na autuação 37.329.376-3, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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Recorrente ICARAÍ DE MINAS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Se o Município não possui Regime Próprio da Previdência Social, seus servidores são filiados obrigatórios ao Regime Geral da Previdência Social, devendo, por isso, recolher a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, devida ou creditada a esses assegurados. DA CONTRIBUIÇÕE DESTINADA A TERCEIROS. SEST/SENAT. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho de Recursos Fiscais a análise da inconstitucionalidade de lei. As contribuições destinadas a terceiros possuem natureza tributária, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. O tomador do frete deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido, independentemente da atividade desenvolvida pela empresa tomadora dos serviços. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 13 51 /2 01 1- 80 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 3 2 NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA UNIÃO. O vinculo estatutário ou empregatício existe entre o segurado e o Município, sendo este o contribuinte das contribuições previdenciárias. Ainda que as verbas sejam repassadas pela União Federal, esta não possui qualquer relação jurídica com os segurados, o que não a transforma em contribuinte ou responsável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar parcial provimento, para nos autos de infração 37.329.3747 e 37.329.3755 que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, na autuação 37.329.3763, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA Fl. 799DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 4 3 BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados em face de ICARAÍ DE MINAS – PREFEITURA MUNICIPAL, referentes à contribuição patronal devida pela empresa (37.329.3747), à contribuição destinada a terceiros – SEST e SENAT (37.329.3755), bem como por apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32, IV, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (37.329.3763), conforme se infere do Relatório Fiscal. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a Lei Orgânica do Município de Icaraí de Minas (30/09/1995) dispõe que o regimento dos servidores municipais da administração direta e autárquica é o estatuário. Os servidores municipais não possuem vinculo com o Regime Próprio de Previdência Social – RPPS, razão pela qual estariam submetidos ao Regime Geral da Previdência Social – RGPS. Diante disso, foram efetuados os lançamentos nos valores de R$ 1.213.351,65 (um milhão duzentos e treze mil trezentos e cinquenta e um reais e sessenta e cinco centavos), R$ 4.328,36 (quatro mil trezentos e vinte e oito reais e trinta e seis centavos), e de R$ 15.244,30 (quinze mil duzentos e quarenta e quatro reis e trinta centavos) respectivamente. Nos autos de infração nº 37.329.3747 e nº 37.329.3755, para algumas competências foi aplicada a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, com a novel redação dada pela Lei nº 11.941/2009; no auto de infração 35.329.3763 foi aplicada a penalidade do art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991. No tocante ao descumprimento de fornecer à Secretaria da Receita Federal do Brasil a documentação solicitada através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 002 e de prestar esclarecimentos sobre o não atendimento ao citado termo, e da obrigação de apresentar GFIP corretamente, foram lançados os AI nº 51.009.5968 e AI nº 51.009.5976, objeto do processo administrativo nº 10670.721514/201124. O contribuinte tomou ciência da autuação contra ele lavrada em 07/10/2011, apresentando impugnação tempestiva. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 5 4 INTIMAÇÃO. Considerase feita a intimação por via postal na data do recebimento pelo sujeito passivo em seu domicílio tributário. SEGURADOS. São segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social os servidores ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário ou emprego público. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social apenas se amparados por regime próprio de previdência social. RETENÇÃO. SEST/SENAT. O tomador do frete deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA UNIÃO. O fato da União definir as regras gerais sobre a matéria e contribuir para o financiamento dos programas de saúde, por meio de repasse de verbas ao município, não a torna responsável solidária em relação a infrações à legislação que o município tenha cometido. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária, apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A apresentação de impugnação, por si só, suspende a exigibilidade do crédito. RFFP. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PERÍCIA. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outro modo mais simples. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o acórdão supra, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: 1) A nulidade da intimação, entendendo que a mesma deveria ser pessoal ou dirigida ao Município, fundamentandose na Lei 9.874/99, o que não teria ocorrido no processo. Solicita que as intimações sejam caracterizadas válidas a partir das respectivas manifestações e as demais sejam dirigidas ao Prefeito da Cidade e aos advogados, sob pena de nulidade absoluta do processo; 2) Pede a reforma da decisão que indeferiu o pedido de perícia, a fim de que seja motivada a realização desta, objetivando a verificação dos valores Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 6 5 lançados, mediante acompanhamento dos trabalhos por expert indicado pelo Município; 3) O AI 37.329.3747, referente à contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e aos profissionais de saúde, contabilidade, advocacia etc, deve ser reformado, pois não observa questões atinentes à autonomia administrativa do recorrente; 4) Em relação ao AI 37.329.3755, afirma que, segundo o art. 7º, I da lei 8.706/93, os sujeitos passivos das contribuições do SEST e SENAT são as empresas do ramo de transporte, visto que os empregado beneficiários são transportadores. Portanto, tendo em vista que a ora recorrente não atua no ramo de transportes, não pode ser sujeito passivo da obrigação tributária; 5) Quanto ao AI 37.329.3763, o princípio da retroatividade benéfica não foi certamente aplicado, uma vez que o valor da multa sobre a competência 03/2008 é claramente superior ao que seria aplicado nos moldes do CFL 78. Igualmente, o fundamento legal que serve de base para a aplicação da multa (art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991), é genérico e impreciso, não se referindo expressamente ao comportamento do recorrente, nem se enquadrando na hipótese de omissão de fato gerador; 6) A autuação não demonstrou claramente os fatos geradores e os períodos a que se referem, tampouco apontou os vínculos dos segurados com o Município e a Previdência Social; 7) O trabalho fiscal padece de fundamentação no que tange as conjunturas narradas nos Anexos I e II, estes, por sua vez, relacionados aos supostos transportadores autônomos e contribuintes individuais, e não traz, nitidamente, os motivos, dificultando o direito de defesa do autuado, motivo pelo qual impõe sua nulidade. 8) Afirma que a União Federal é responsável solidária pelos débitos oriundos da contratação de pessoal para o Programa de Saúde da Família. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 7 6 Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da validade da intimação O processo administrativo fiscal PAF tem como regimento o Decreto 70.235/72, o qual texto estabelece: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; Como se depreende da legislação que disciplina o processo administrativo fiscal, verificase que são válidas as intimações efetuadas via postal e entregues no endereço postal fornecido pelo contribuinte o que de fato ocorreu no caso analisado. Tendo, então, o sujeito passivo recebido a intimação por via postal em seu domicílio tributário, descabe qualquer discussão acerca da pessoa que recebeu a intimação, já que a via eleita encontrase prevista na legislação própria. Seguindo a mesma linha de raciocínio, não há necessidade para que seja consentida a solicitação de que as demais intimações sejam dirigidas ao Prefeito Municipal e aos advogados. Da Produção de prova pericial Outrossim, não deve ser acolhido o pedido de perícia, já que os valores lançados foram apurados tendo como alicerce os documentos do próprio sujeito passivo, sendo irrelevante a existência de um procedimento pericial, pois o relato da fiscalização, que se baseou em documentos da autuada, são suficientes para a comprovação da existência do débito. Ainda há que se destacar que a prova pericial, conforme inteligência do art. 420 do CPC, deverá ser produzida sempre que o fato controvertido depender de conhecimento técnico específico do qual a fiscalização não detenha, o que não ocorreu no caso dos autos. Assim, pode a autoridade julgadora indeferir as solicitações de prova pericial sempre que considerar desnecessárias para a instrução do processo, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, razão pela qual se afasta a alegação do contribuinte. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 8 7 Da autonomia administrativa Segundo o art. 40 da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional – EC 20, de 15/12/98: Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. O §13 do artigo 40, incluído pela EC 20, de 15/12/98, estabelece: § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. A Constituição Federal, destarte, impõe a vinculação ao RGPS de servidores ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário ou emprego público. Na inexistência de regime próprio, devese seguir o Regime Geral de Previdência Social e seu respectivo regulamento. Neste diapasão, o delineamento do sistema federativo já tem implícito, pela força constitucional, a submissão dos entes federativos municipais ao RGPS quando na tiverem o RPPS, não cabendo qualquer decisão política neste sentido. Portanto, não há que se falar em desrespeito à autonomia administrativa, já que não havia opção ao Município da filiação ao RGPS. Da multa aplicada referente às obrigações principais (AI’s nºs 37.329.3747 e 37.329.3755) A autuação em comento referese ao descumprimento pelo Município de Icaraí de Minas Prefeitura Municipal, contribuinte em questão, da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 9 8 Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 10 9 À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 11 10 da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 12 11 Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Contribuição Destinada a Terceiros Primeiramente, cabe aqui afirmar que, quanto à inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sociais destinadas a Terceiros, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No que diz respeito à contribuição devida a Terceiros (SEST E SENAT), nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, literris: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS SESC E SENAC SESCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA ENQUADRAMENTO SINDICAL ART. 557 DA CLT PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE CONSTITUCIONALIDADE DAS EXAÇÕES EXIGIBILIDADE NÃO REFERIBILIDADE DECRETOSLEIS 9.853/46 E 8.621/46 MP 1.89813/99 APELAÇÃO DESPROVIDA. 4 Neste sentido: "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema (S) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAI, SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela jurisprudência como contribuições sociais de intervenção no domínio econômico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a serem suportadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00.0260118/MG, 7ª Turma do TRF/1ª Região, Rel.: Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 1952008, p. 124). 5 Recurso de apelação ao qual se nega provimento. (TRF1ª R. AC 2003.38.00.039897 0/MG 7ª T. Rel. Itelmar Raydan Evangelista DJe 23.01.2009 p. 202) CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC/SENAC CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE 1 Pacificouse no E. Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a contribuição para o Fl. 808DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 13 12 SESC/SENAC é devida pelas empresas prestadoras de serviço (REsp nº 431.347/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, D.J. de 25.11.2002 e REsp nº 587.415/ SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, D.J. de 03.5.2004). 2 No julgamento do RE nº 396.266/SC, o E. STF concluiu pela constitucionalidade da cobrança da contribuição para o SEBRAE. 3 Apelação improvida. (TRF 1ª R. AC 2005.33.00.0178953/BA 7ª T Rel. Des. Fed. Catão Alves DJe 06.03.2009 p. 140) Precedentes. Agravo regimental não provido. Mencionado pela ora recorrente, de acordo com disposto na Lei 8.706/1993 (art. 7o) e no Decreto 1.007/1993 (art. 2o), está caracterizado como sujeito passivo de supracitadas contribuições o “transportador autônomo”. Desta feita, cabe ao tomador de frete reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido, observando as instruções normativas do INSS/SRP/RFB e o texto descrito no art. 139, §10 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/7/05 (condizente à época dos fatos geradores): Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3° da Lei n° 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. (...) §9º O condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), o auxiliar de condutor autônomo, bem como o cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, estão sujeitos ao pagamento da contribuição para o Serviço Social do Transporte SEST e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, conforme disposto no art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, que será calculada mediante a aplicação da alíquota prevista na tabela constante do Anexo III sobre a base de cálculo definida no §2° do art. 69, ambos desta IN. §10. A contribuição referida no §9° deverá ser: I recolhida pelo próprio contribuinte individual diretamente ao SEST/SENAT, quando se tratar de serviços prestados a pessoas físicas não equiparadas à empresa; II descontada e recolhida pelo contratante de serviços, quando se tratar de empresa ou equiparado à empresa; Então, pertinente ao serviço prestado por condutores autônomos ou auxiliares de condutores autônomos de veículo rodoviário, a contribuição social deve ter como base de cálculo a remuneração paga aos transportadores autônomos. Da multa aplicada referente à obrigação acessória (AI nº 37.329.3763) No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte, Icaraí de Minas Prefeitura Municipal, omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época Fl. 809DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 14 13 da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também Fl. 810DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 15 14 descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 16 15 Dos Segurados e da Responsabilidade Solidária da União Inferese do Relatório Fiscal, fundamentandose no disposto na Lei 8.212/91 e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que os empregados e prestadores de serviços do Município de Icaraí de Minas foram configurados como empregados e contribuintes individuais: Lei 8.212/91 Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; [...] g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; [...] V como contribuinte individual: [...] g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; [...] Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. Decreto 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; [...] i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; [...] Vcomo contribuinte individual: [...] j) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; [...] Fl. 812DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 17 16 §15. Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros: I o condutor autônomo de veículo rodoviário, assim considerado aquele que exerce atividade profissional sem vínculo empregatício, quando proprietário, coproprietário ou promitente comprador de um só veículo; II aquele que exerce atividade de auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974; Se o Município filiado ao RGPS, sendo equiparado à empresa pela legislação previdenciária, contrata pessoas físicas para exercer atividades, independente da sua natureza, que a enquadrem como segurados empregados ou contribuintes individuais, sobre a remuneração paga, devida ou creditada a esses segurados, incide a contribuição ora apurada, nos termos do artigo 25 da Lei 8.212/91. No tocante à responsabilidade solidária da União, segundo a própria recorrente, os valores são repassados ao Município para a contratação de profissionais com o objetivo de realizar funções no programa Saúde da Família. Assim, é tarefa do Município contratar profissionais, remunerálos e, consequentemente, recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração paga. O vinculo estatutário ou empregatício existe entre o segurado e o Município, sendo este o contribuinte das contribuições previdenciárias. Ainda que as verbas sejam repassadas pela União Federal, esta não possui qualquer relação jurídica com os segurados, o que não a transforma em contribuinte ou responsável. Somente se admite atribuir a um terceiro a responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias quando este tiver relação direta com o fato gerador e estiver prevista uma das hipóteses contidas no art. 30 da Lei 8.212/1991, o que não ocorreu no caso dos autos. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada, quanto aos fatos geradores ocorridos até novembro/2008, caso mais benéfica ao contribuinte: (i) a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, nos autos de infração 37.329.3747 e 37.329.3755; e (ii) em relação ao AI 37.329.3763 a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de outubro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 813DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10670.721351/201180 Acórdão n.º 2301003.106 S2C3T1 Fl. 18 17 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724092/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. DECLARAÇÃO.
Quando a fiscalização glosa as despesas médicas unicamente porque os recibos não apresentam todos os requisitos exigidos pela lei, identificação do paciente e endereço do emitente, documentação apresentada pelo contribuinte, na forma de declaração do médico responsável pela emissão dos recibos, na qual se identifica todos os elementos necessários, é suficiente para afastar a glosa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$9.000,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RECIBOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. DECLARAÇÃO. Quando a fiscalização glosa as despesas médicas unicamente porque os recibos não apresentam todos os requisitos exigidos pela lei, identificação do paciente e endereço do emitente, documentação apresentada pelo contribuinte, na forma de declaração do médico responsável pela emissão dos recibos, na qual se identifica todos os elementos necessários, é suficiente para afastar a glosa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$9.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 40 92 /2 01 0- 71 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.724092/201071 Acórdão n.º 2801002.920 S2TE01 Fl. 178 2 Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/POA (Fls. 90), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Através da notificação de Lançamento foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.620,75 relativo ao exercício de 2007 em decorrência da dedução indevida de despesas médicas por falta de comprovação. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. O total do crédito tributário é de R$ 5.495,97. Consta na complementação da Descrição dos Fatos: “Glosa de despesas médicas por falta de identificação do paciente nos recibos apresentados e por não constar o endereço dos profissionais emitentes, requisito legal e necessário a sua admissão. Gilberto Noro, Paulo Horta Barbosa, Fabiana Rita Câmara e Carolina Milnitsky”. Na impugnação a contribuinte solicita o restabelecimento da dedução de R$ 9.530,00 com base nas declarações prestadas pelos profissionais acima citados, complementando os recibos juntados ao processo. Acompanham a impugnação os documentos em fls. 9/31. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Cientificada em 08/08/2011 (Fls. 97), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 30/08/2011 (fls. 99), onde é argumentado: (...) INFRAÇÃO: Dedução Indevida de Despesas Médicas Valo.da Infração: R$ 9.000,00; valor que referese a despesas médicas do próprio contribuinte Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.724092/201071 Acórdão n.º 2801002.920 S2TE01 Fl. 179 3 Declaração da Fisioterapeuta Fabiana Rita Camara Machado , confirmando o atendimento domiciliar de fisioterapia no ano de 2006 e os respectivos recibos em meu nome; Declaração da Dra. Carolina Milnistsky da Clinica PhysioCorpus (endereço descrito no receituário) confirmando as sessões de fisioterapia e os respectivos recibos em meu nome; Anexo exames de ressonância magnética da Coluna Cervical e dos Joelhos desde 2002 até 2006 que comprovam a real necessidade de fisioterapia ; Extratos bancários meus e de meu esposo, que comprovam as retiradas em dinheiro para pagamento individuais de R$50,00 de cada sessão realizada em atendimento domiciliar realizada pela Dra. Fabiana Rita Camara numa freqüência média de três vezes por semana; e pagamentos de pacotes mensais realizados pela Dra. Carolina Milnistsky da Clínica PhysioCorpus. Certidão de casamento para comprovar o casamento em comunhão universal de bens. Cheque que comprova a conta corrente em conjunto. Conforme o acórdão citado acima, do qual foram solicitados os extratos bancários que demonstram a realização de saques efetuados durante o ano de 2006, anexos; e também anexados todos os exames de ressonância magnética realizados desde 2002 até 2006 que comprovam a existência da real necessidade de fisioterapia, bem como recibos e declaração das fisioterapeutas. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cabe esclarecer que DRJ deu parcial provimento a impugnação, permanecendo em litígio apenas as glosas das despesas médicas da profissional Fabiana Rita Câmara, no valor de R$5.000,00, e da profissional Carolina Milnistky, no valor de R$4.000,00. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.724092/201071 Acórdão n.º 2801002.920 S2TE01 Fl. 180 4 Tais despesas médicas foram glosadas pela fiscalização unicamente porque esta entendeu que os recibos apresentados não indicavam o paciente do tratamento, nem continham o endereço do emitente. Do exposto, se verifica que a fiscalização não requisitou, nestes casos específicos, provas à contribuinte da efetividade da prestação dos serviços, ou dos pagamentos. Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise do caso sob o aspecto da efetividade da prestação dos serviços, ou dos pagamentos; mas sim sob a ótica da adequação dos recibos e declarações como meios de prova na forma exigida pela fiscalização. Dentro deste contexto, buscando suprir a única falha apresentada pela fiscalização, a contribuinte tratou de apresentar declarações (folhas 104 e 111 dos autos) das profissionais relacionadas; que, em conjunto com os recibos já apresentados, possibilitam identificar o paciente, o tratamento realizado, as datas dos pagamentos, os pagamentos, quem realizou os pagamentos, o médico emitente, e o endereço do médico emitente. Percebo ainda que a Recorrente juntou ao seu recurso cópias de exames e extratos bancários. Tais documentos foram anexados em virtude do entendimento da DRJ no sentido da necessidade de comprovação das prestações do serviços e dos efetivos pagamentos. Contudo, a DRJ não poderia inovar o lançamento, exigindo a comprovação das prestações do serviços e dos efetivos pagamentos. Bastando, para afastar as glosas realizadas pela fiscalização, a apresentação de documento que identifique o paciente dos serviços e o endereço do profissional emitente dos recibos. Assim, na presente situação, entendo que a documentação apresentada pela recorrente supre a prova requerida pela fiscalização, e é suficiente para reverter as glosas relacionadas a Fabiana Rita Câmara, no valor de R$5.000,00, e a Carolina Milnistky, no valor de R$4.000,00. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no montante de R$9.000,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.724092/201071 Acórdão n.º 2801002.920 S2TE01 Fl. 181 5 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000806/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.243
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11052000806201099 Resolução n.º 2301000.243 S1C1T1 Fl. 412 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela SOCIEDADE UNIVERSITÁRIA GAMA FILHO em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do relatório fiscal, a autuação deuse em razão do cancelamento de isenção de que era beneficiário o recorrente, exigindose, então as contribuições relativas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE), no período de 01/2006 a 13/2007, incidentes sobre a remuneração dos empregados declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) (Relatório Fiscal, ff. 30 a 41). 3. O acórdão vergastado restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADES E FUNDOS PARAESTATAIS (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC e SEBRAE). CANCELAMENTO DE ISENÇÃO EM FASE RECURSAL. I A perda de isenção, declarada em Ato Cancelatório regularmente emitido, enseja a lavratura de Auto de Infração, para exigência das contribuições sociais devidas a partir da data em que a entidade descumpriu os requisitos necessários à manutenção do benefício fiscal. II O recurso tempestivo contra Ato Cancelatório de Isenção suspende a exigibilidade do lançamento tributário superveniente, preventivo da decadência, dando origem a crédito inexigível até a decisão definitiva, nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 206, § 8º , inciso IV. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS PROCESSUAIS. A teor do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”(f. 332). 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) inaplicabilidade da multa de ofício em razão da aplicação da Súmula Carf n. 17; b) adoção dos argumentos aviados na impugnação como razões do recurso voluntário; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11052000806201099 Resolução n.º 2301000.243 S1C1T1 Fl. 413 3 c) aplicação do art. 39 da Medida Provisória n. 446/2008. 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Houve o cancelamento da isenção do contribuinte com fundamento no Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 17.001/002/2005, nos termos do § 8º, do art. 206 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, gerando efeitos a partir de 01/08/97. No entanto, foi interposto recurso da decisão de cancelamento, mas não há nos autos informação sobre o trânsito em julgado da decisão. De tal modo, a decisão sustentou o cancelamento com os seguintes argumentos (f. 335): “11. Assim, a defesa contra a Informação Fiscal, bem como o recurso em combate ao Ato Cancelatório, representam o pleno direito de defesa e de contraditório gozados pelo contribuinte na ocasião dos fatos acima relatados, exatamente nos moldes do Regulamento citado. As etapas do processo administrativo porventura violadas na ocasião da emissão do Ato Cancelatório serão objeto de análise preliminar por parte do Órgão Colegiado competente (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) para julgar o recurso interposto contra o referido Ato em 26/04/2005. 12. Embora o mesmo Ato Cancelatório encontrese pendente de apreciação recursal, é certo que o benefício foi cancelado, o que gerou a constituição do crédito tributário, que, segundo o entendimento desta Turma de Julgamento Colegiado, ficará com sua exigibilidade suspensa até decisão final da questão relacionada à isenção, nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu art. 206, § 8º inc. IV, com o objetivo de impedir que o mesmo seja extinto pela decadência.” 3. Compulsando os autos, verificase que o Relatório Fiscal também informou a existência de recurso pendente da decisão de cancelamento de isenção, como segue (f.21): “11. Em 23/05/05, com base na Informação Fiscal de 28/10/04 e Decisão Notificação n° 17.401.4/001/2005, de 11/03/05 (processo n° 35301.00910/2005 03), a Isenção da Empresa foi cancelada através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 17.001/002/2005, nos termos do § 8 o do art. 206 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, gerando efeitos a partir de 01/08/97. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11052000806201099 Resolução n.º 2301000.243 S1C1T1 Fl. 414 4 12. Da decisão, a Empresa interpôs tempestivamente recurso em 26/04/05, ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, com efeito suspensivo, conforme disposto no inciso IV do art. 206 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99; o qual até a presente data não se pronunciou.” 4. Com isso, me posiciono no sentido de que, para que houvesse a desconsideração da isenção para efeitos tributários, com fundamento no Ato Cancelatório em questão, seria necessária a ocorrência do trânsito em julgado da decisão do cancelamento, situação que, pelo que consta dos autos, não está definida, observandose, apenas a existência de pendência do recurso da decisão. 5. Dessa forma, entendo como necessária a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal traga aos autos informação sobre o resultado do recurso em discussão, demonstrando a ocorrência ou não do trânsito em julgado da decisão. 6. Após esse procedimento, retornem os autos à apreciação deste Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. CONCLUSÃO 7. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal traga informação sobre o trânsito em julgado de decisão relativa ao Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, em consonância com as razões postas acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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