Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,218)
- Segunda Câmara (27,798)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,357)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,838)
- Primeira Turma Ordinária (15,815)
- Primeira Turma Ordinária (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,951)
- Primeira Turma Ordinária (12,270)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,297)
- Quarta Câmara (83,859)
- Terceira Câmara (66,190)
- Segunda Câmara (54,484)
- Primeira Câmara (19,047)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,972)
- Segunda Seção de Julgamen (112,889)
- Primeira Seção de Julgame (75,297)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,908)
- Câmara Superior de Recurs (37,678)
- Terceiro Conselho de Cont (25,959)
- IPI- processos NT - ressa (5,005)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,208)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,889)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,591)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,118)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.007944/2008-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA
Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
Numero da decisão: 9101-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento para afastar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.007944/2008-00
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716140
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.600
nome_arquivo_s : Decisao_19515007944200800.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515007944200800_5716140.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento para afastar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6739626
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948841644032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.007944/200800 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.600 – 1ª Turma Sessão de 15 de março de 2017 Matéria RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEM PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS S/C LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se a indicação do nome da empresa incorporada não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos narrados no auto de infração, se não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora), não há que se falar em nulidade do lançamento. Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento para afastar a nulidade do lançamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 79 44 /2 00 8- 00 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à declaração de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, e também à identificação da natureza desse erro (vício material ou vício formal). A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1101000.681, de 15/03/2012, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por voto de qualidade, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para declarar a nulidade do lançamento. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PELA INCORPORADA. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na condição de responsável tributário. Portanto, é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. Nulidade reconhecida. Conseqüente cancelamento do Auto de Infração. Recurso voluntário provido. Exonerado crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, foi ADMITIDA a apreciação da argüição de nulidade apresentada em sustentação oral e em memoriais, e, por voto de qualidade, foi ANULADO o Fl. 328DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 4 3 lançamento, vencida a Conselheira Relatora Nara Cristina Takeda Taga, acompanhada pelos Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, designandose para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Rogério Pires da Silva (OAB nº 111.399/SP). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto às matérias acima referidas, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento e também à identificação da natureza do vício que ensejou essa declaração de nulidade. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS a Egrégia Turma recorrida, acolhendo preliminar, anulou lançamento tributário sob a justificativa de erro na identificação do sujeito passivo (ilegitimidade passiva do contribuinte), tendo em vista que, quando da formalização da exigência tributária, a pessoa jurídica já havia sido extinta, bem como a sua inscrição no CNPJ da Receita Federal estava cancelada; contudo, o acórdão recorrido não conferiu a melhor interpretação jurídica aos fatos e aos dispositivos legais pertinentes; DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL a decisão recorrida está em evidente divergência com decisões da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes e da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, cujas ementas seguem abaixo transcritas: Acórdão nº 10194.717 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer. Acórdão nº 10514.234 CSLL – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS – LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, a formalização da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal seja atribuída ao sócio, nos termos do inciso VII, do artigo 134, do CTN. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 5 4 a divergência jurisprudencial resta clara pela simples transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas, tendo em vista que a decisão recorrida e os paradigmas indicados adotaram, diante de situações fáticas similares, interpretação jurídica diversa. Com efeito, o acórdão recorrido entendeu ser inviável promover o lançamento contra pessoa jurídica extinta. Diversamente decidiram os paradigmas, os quais se posicionaram no sentido dessa possibilidade; como tese subsidiária a ser enfrentada por esta Colenda Câmara Superior, invocamse ainda como paradigmas os Acórdãos nº 30133.686 e nº 30330.909 que, diversamente da posição adotada pela Egrégia Turma, entenderam que, concluindose pela existência de erro na identificação do sujeito passivo, este é vício de natureza formal que poderia ensejar apenas a nulidade do lançamento, repitase, por vício de forma, mas não a improcedência total da exigência: Acórdão nº 30133.686 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 NULIDADE – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. Recurso de ofício negado. Acórdão nº 30330.909 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE – VÍCIO FORMAL – ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. Recurso de ofício a que se nega provimento. logo, ainda que se entenda que houve erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento, na esteira do posicionamento adotado pelos paradigmas, deveria ser anulado, é certo, mas por vício meramente formal, possibilitandose a efetivação de novo lançamento, e não decretada a improcedência total da exigência, como concluiu o acórdão recorrido; sendo assim, diante das teses firmadas nos acórdãos paradigmas, fica patente a divergência jurisprudencial, encontrandose presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência; MÉRITO o entendimento de que, em casos como os dos autos, o lançamento deveria recair sobre a pessoa jurídica extinta já foi abordado e confirmado anteriormente por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como visto nos paradigmas acima transcritos; destarte, verificase a inexistência de erro de identificação do sujeito passivo, eis que se trata de autuação do contribuinte do tributo, que sofreu a autuação, nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso I, do CTN; Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 6 5 a extinção da sociedade não lhe retira, pois, a condição de contribuinte, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional. Assim, correto o procedimento da fiscalização que efetuou o lançamento em nome da pessoa jurídica extinta, pois esta é quem compunha a relação jurídica tributária a ensejar a exação sob exame. Nada obstante, as pessoas jurídicas sucessoras respondem pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica extinta; conforme leciona Zelmo Denari (Solidariedade e Sucessão Tributária, Saraiva, 1977, pp. 8690), os responsáveis não realizam o pressuposto, o que significa, não são partícipes da relação tributária pressuposta, não se podendo exigir que sejam alcançados pelo lançamento tributário. Contudo, caso não satisfeita a obrigação na via amigável, o responsável tributário (no caso, as empresas recorridas) participará da relação jurídica processual como parte no executivo fiscal. Para tanto, bastará sua citação pessoal no processo de execução como responsável por sucessão, integrando a lide como legitimado passivo; assim, extinta a entidade empresária, não há que se falar na improcedência ou mesmo nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo diante da formalização de exigência em nome da sociedade extinta, consoante corretamente concluíram os acórdãos paradigmas; por fim, mesmo que se entenda pelo erro na identificação do sujeito passivo, ainda assim se impõe a reforma do acórdão para que seja declarada a nulidade do lançamento por vício de natureza meramente formal; o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece nos artigos 10 e 11 os requisitos que devem fazer parte do auto de infração; pela leitura dos dispositivos mencionados, percebese que os requisitos elencados, entre eles, a qualificação do autuado, possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório; um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; a infração tributária resta devidamente evidenciada no Relatório Fiscal da Notificação de Lançamento, este que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados, e sequer foi negado pela autoridade julgadora; a propósito, a jurisprudência deste Conselho Administrativo Fiscal é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma (ementas transcritas); por tudo, concluise que, caso exista nulidade, esta é de natureza meramente formal, visto que relacionada a elemento de exteriorização do ato administrativo, havendo possibilidade, portanto, de novo lançamento; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 7 6 DO PEDIDO ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão atacado e restabelecer o crédito tributário, tendo em vista a inexistência de causa determinante para a nulidade do lançamento. Subsidiariamente, requer a declaração da natureza meramente formal do vício apontado, possibilitando ao Fisco efetuar novo lançamento, corrigindo os vícios apontados. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 02/07/2015, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional questiona a declaração de nulidade do lançamento lavrado em face de pessoa jurídica extinta por incorporação e firma a divergência em face dos Acórdãos nº 10194.717 e 10514.234, assim ementados relativamente ao tema sob análise: [...] Consoante relatado no acórdão recorrido, apesar de o lançamento trazer a indicação da contribuinte já extinta por incorporação àquela época, a sucessora dele teve ciência e assim apresentou impugnação. O Colegiado recorrido, porém, entendeu que a pessoa jurídica extinta não poderia ser parte legítima para compor o pólo passivo do auto de infração lavrado. Já no paradigma nº 10194.717, em circunstâncias semelhantes, afirmouse a validade do lançamento, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Portanto, a recorrente demonstra o dissídio jurisprudencial no tema abordado. Subsidiariamente a recorrente apresenta os Acórdãos nº 30133.686 e 30330.909 para defender que, caso seja confirmada a nulidade apontada no acórdão recorrido, tal vício seria formal. Os paradigmas estão assim ementados: [...] O acórdão recorrido não declara a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, porém a recorrente argumenta que, ainda que se entenda que houve erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento, na esteira do posicionamento adotado pelos paradigmas, deveria ser anulado, é certo, mas por vício meramente formal, possibilitandose a efetivação de novo lançamento, e não decretada a improcedência total da exigência, como concluiu o acórdão recorrido. Por sua vez, em circunstâncias semelhantes, houve a declaração de vício formal no Acórdão nº 30133.686. De fato, em razão de evento de incorporação desconsiderado pela Fiscalização, o lançamento foi formalizado em face de outra pessoa jurídica, e assim restou anulado, porém com a expressa indicação de que o vício seria de natureza formal. Já no paradigma nº 30330.909, sequer há esclarecimento acerca de eventual sucessão entre a pessoa jurídica que constou do lançamento e aquela que Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 8 7 deveria ter constado, mas ainda assim o lançamento foi declarado nulo por vício formal, determinandose, também, a aplicação de ato normativo da Receita Federal que firma a possibilidade de novo lançamento ser promovido no prazo de 5 (cinco) anos contado da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa. Constato, assim, que a recorrente também logra demonstrar divergência relativamente ao tema subsidiário aqui apresentado. Em 21/07/2015, o sujeito passivo foi intimado do Acórdão nº 1101000.681, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 31/07/2015, ele apresentou contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o v. acórdão vergastado não merece reparos, posto que em consonância com a legislação e com o posicionamento pacífico deste E. Conselho Superior; preliminarmente, o recurso especial fazendário não merece conhecimento. É certo que o prequestionamento é um requisito de admissibilidade recursal (pouco isonômico) que se volta apenas ao contribuinte (RICARF, art. 67, §5º). Entretanto, isto não exime o ente fazendário de apontar de forma expressa a legislação tributária que foi interpretada de maneira divergente pelo acórdão recorrido em relação ao aresto paradigma (Dec. 70.235, art. 37, §2º, II), o que não ocorreu no presente caso; a recorrente aduz que inexiste erro na identificação do sujeito passivo pois a sua extinção, ainda que prévia ao lançamento, não lhe retira a condição de contribuinte, nos termos do art. 121 do CTN. Ocorre que o referido dispositivo sequer foi discutido pelo v. acórdão recorrido, sendo inviável afirmar que teria lhe conferido qualquer tipo de interpretação, divergente ou convergente; daí a necessidade de que o tema fosse ao menos ventilado em sede de embargos de declaração pela D. Procuradoria Fazendária para que a Câmara Julgadora fosse instada ao debate do tema sob a ótica daquele normativo, o que também não se verifica no v. Acórdão n° 10194.717, tido como paradigma pela recorrente. De outro bordo, o segundo v. acórdão paradigma apontado (n° 10514.234) demonstra entendimento há muito superado por este E. Conselho, tendo sido prolatado há mais de uma década; ademais, se acaso a recorrente houvesse demonstrado a similitude fática e procedido ao cotejo analítico entre os v. arestos paradigmas e o v. acórdão vergastado, como determina §8º do art. 67 do RICARF, concluiria que aquelas decisões se revelam imprestáveis para a finalidade almejada. Isto porque no presente caso, e diferentemente daqueles, a recorrida reportou que as intimações precedentes ao lançamento deixaram de ser atendidas justamente em razão do equívoco na identificação do sujeito passivo, em prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório (CF, art. 5º, LV), fato que não foi considerado pelos arestos paradigmas; no mérito, o dispositivo legal invocado pela recorrente (CTN, art. 121) não infirma a conclusão a que chegou o v. aresto vergastado. O referido dispositivo prevê duas hipóteses de sujeição passiva: a) aquela decorrente da relação pessoal e direta do contribuinte com a situação que constitua o fato gerador e b) aquela advinda da responsabilidade impingida Fl. 333DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 9 8 por lei à pessoa que, a princípio, não se revista da condição de contribuinte. Ao adotar a segunda hipótese, excluise a primeira. Assim, a sociedade extinta não mais se reveste da condição de contribuinte, transferindose este ônus à pessoa jurídica que lhe suceder, a partir de sua extinção (CTN, art. 132), típica hipótese legal a que se refere o inciso II do art. 121 do CTN; a pessoa jurídica extinta não mais pratica atos no mundo jurídico, sendo impossível conferirlhe o caráter de contribuinte postumamente, por isso a lei atribui ao seu sucessor a condição de responsável tributário (CTN, art. 132); diante destas ponderações, o v. acórdão recorrido não poderia adotar outro entendimento senão o de exonerar o crédito tributário em questão. Este é o atual posicionamento desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); especificamente no que tange à extinção da pessoa jurídica por incorporação (CTN, art. 132), vale conferir os seguintes julgados proferidos no âmbito desta E. Corte: Acórdão n° 1401001.190 e Acórdão nº 140100.359; também não merece melhor sorte a tese subsidiária ventilada pela recorrente, de que se trata de vício de ordem formal, não material. Pretendese garantir aqui o direito de renovar o lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN; preliminarmente, os v. acórdãos apontados como paradigma não se assemelham ao presente contexto; o v. Acórdão n° 30133.686 proferido na Sessão de Julgamento de 28.02.2007 não cuida de lançamento em face de pessoa jurídica extinta, mas de ITR lançado contra exproprietário do imóvel objeto da exação. Por sua vez, o v. aresto de n° 30330.909, proferido na Seção de Julgamento de 10.09.2003, trata de situação em que o auto de infração consignou em seu bojo os dados de imóvel diverso daquele contra o qual de fato recaiu a cobrança do ITR. Assim, também neste tocante o recurso não merece conhecimento, pelo descumprimento do §8º do art. 67 do RICARF; também se equivoca a recorrente no que concerne à natureza jurídica do vício inquinado. O erro na identificação do sujeito passivo recai sobre o critério pessoal da regra matriz de incidência tributária (CTN, art. 142). Tratase, portanto, de erro de direito ou vício material, que não permite a revisão do lançamento (CTN, art. 146 c.c. Súmula 227 do TFR), tampouco a renovação do prazo decadencial (CTN, art. 173, II) após sua anulação; não é outro o entendimento desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que recentemente se debruçou sobre o tema, em caso idêntico ao presente, onde a sociedade autuada havia sido incorporada anteriormente à época do lançamento, concluindo tratarse de vício material (Acórdão CSRF n° 9202002.987); deste modo, concluise que o erro na interpretação da regra matriz de incidência no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária redunda em lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN, desmerecendo quaisquer reparos o v. acórdão recorrido; na remota hipótese de acolhimento do recurso especial, o que se admite apenas por amor aos debates, devem os autos retornar à turma julgadora de origem para que se Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 10 9 pronuncie a respeito das demais matérias suscitadas no recurso voluntário (e outras que tenham sido ventiladas ao longo do processo), que deixaram de ser apreciadas em razão do acolhimento da preliminar de erro na identificação do sujeito passivo; assim, pela ocasião do retorno dos autos, a E. 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deverá se pronunciar sobre: a) cerceamento ao direito de defesa da recorrida (CF, art. 5º, LV e Decreto n° 70.235/72, art. 59, II) e conseqüente nulidade do lançamento, pois além do lançamento ter sido realizado em face de empresa há muito tempo extinta por incorporação (erro na identificação do sujeito passivo), é certo que os termos de intimação precedentes à constituição do crédito tributário foram igualmente remetidos àquele destinatário, o que redundou na ausência de atendimento do quanto solicitado pela D. autoridade fiscal por parte do responsável tributário (sucessor); b) no mérito, a inaplicabilidade do limite anual de 30% para utilização do saldo negativo compensável advindo de prejuízos fiscais acumulados no ano calendário (Lei 8.981/95, art. 42 e Lei 9.065/95, arts. 15 e 16), na hipótese de extinção da sociedade, posto que a norma em questão visa à continuidade do fluxo arrecadatório e da atividade empresarial, o que não reflete a situação ora descrita. Ademais, a impossibilidade de aproveitamento integral do saldo negativo no momento da incorporação da sociedade, conquanto não possa ser utilizada pela sociedade incorporadora (Dec. Lei n° 2.341/87) e na medida em que implique num acerto de contas entre o fisco e o contribuinte, ofende os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco (CF, 145, §1º e 150, IV); c) ainda que prevaleça o entendimento acerca da aplicabilidade do limite de 30% na compensação dos prejuízos fiscais ao caso em tela, devem ser expurgadas as penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo (CTN, artigo 100, II e parágrafo único e Lei n. 4.502/64, art. 76). A compensação integral dos prejuízos fiscais apurados à época da incorporação foi realizada em consonância com o entendimento do fisco, que, digase de passagem, tornou a prevalecer; quanto à inaplicabilidade do limite anual de 30%, ressaltase o voto vencido proferido pela E. Rel. Conselheira Dra. Nara Cristina Takeda Taga no julgamento do recurso voluntário, que acolheu a tese meritória do sujeito passivo (enquanto os demais conselheiros acolheram a tese preliminar de nulidade), asseverando que "(...) a vedação à compensação integral dos prejuízos fiscais está intimamente ligada à continuidade das atividades do contribuinte de modo a permitir a paulatina compensação. No entanto, nos casos de extinção da pessoa jurídica não deve perdurar a "trava"dos 30% (...)"; vale ressaltar que este é o posicionamento mais recente do E. CARF, conforme se observa do v. Acórdão n° 1103001.058 proferido na seção de julgamento de 7 de maio de 2014, pela 3ª Turma Ordinária / 1ª Câmara da 1ª Seção de julgamento; Diante do exposto, requerse aos Ilmos. Julgadores o não conhecimento do recurso especial fazendário, e, acaso admitido, o seu não provimento, nos termos supramencionados. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ sobre fato gerador ocorrido em 31/12/2004. A autuação fiscal foi motivada pelo fato de a contribuinte ter realizado compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores com o lucro real apurado em 31/12/2004, sem observar nessa compensação o limite legal de 30% do referido lucro real. O problema foi constatado em procedimento de revisão interna da DIPJ apresentada pela contribuinte relativamente ao anocalendário de 2004. Além da compensação integral do lucro real sem observância do limite legal, a referida DIPJ também registrava que em 31/12/2004 a sociedade PEM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/C LTDA. foi incorporada pela PEM ENGENHARIA S/A (um de seus sócios). Apesar dessa informação registrada na DIPJ, consta dos autos que a situação cadastral da empresa PEM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/C LTDA, CNPJ n° 65.086.415/000175, continuava como ATIVA no sistema CNPJ até 04/11/2009, não havendo até essa data informação cadastral sobre a incorporação, conforme o Memorando n° 449/2009, de 04/11/2009, e a pesquisa anexa ao mesmo (efls. 10 do vol. 2 do eprocesso). O procedimento de revisão interna da DIPJ e o conseqüente lançamento foram realizados no curso do anocalendário de 2008. Na realização do procedimento de revisão interna da DIPJ, foram enviadas intimações para o endereço cadastral da empresa incorporada, solicitando apresentação de livros, demonstrativos e documentos legais, bem como alguma eventual Decisão Judicial Transitada em Julgado, que lhe garantisse a realização da compensação integral do seu lucro verificado em 31/12/2004, com os saldos dos prejuízos fiscais. Os avisos de recebimento (AR) retornaram assinados, mas as intimações não foram atendidas. A fiscalização, então, glosou a compensação na parte que considerou indevida (parte que ultrapassou o limite legal permitido) e constituiu o crédito tributário a título de IRPJ. A intimação do auto de infração foi inicialmente encaminhada para o mesmo endereço que haviam sido enviadas as intimações. Dessa vez, entretanto, a correspondência foi devolvida ao remetente com a observação "mudouse". Na seqüência, o auto de infração foi encaminhado para João Carlos Alliegro de Lima (que constava como representante da pessoa jurídica que incorreu na infração Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 12 11 tributária) e também para a empresa PEM ENGENHARIA S/A (que era sua sócia e passou a ser sua incorporadora). A empresa PEM Engenharia, na qualidade de sucessora por incorporação de PEM Participações, impugnou a autuação fiscal. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Apesar de a empresa PEM Participações continuar como ATIVA no sistema CNPJ, conforme noticia o referido Memorando n° 449/2009, de 04/11/2009, a decisão de primeira instância administrativa também foi encaminhada à PEM Engenharia, que apresentou recurso voluntário. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido), por sua vez, declarou a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, com o entendimento de que era inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica que já estava regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. O recurso especial da PGFN suscita divergência em relação a dois aspectos, ou seja, à declaração da nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo e também à identificação da natureza do vício que ensejou essa nulidade. Em sede de contrarrazões, o sujeito passivo apresenta preliminares de não conhecimento do recurso. Quanto à primeira divergência, ele alega que a PGFN não apontou de forma expressa a legislação tributária que foi interpretada de maneira divergente pelo acórdão recorrido em relação ao aresto paradigma; que o art. 121 do CTN sequer foi discutido pelo v. acórdão recorrido, sendo inviável afirmar que teria havido algum tipo de interpretação, divergente ou convergente em relação a esse dispositivo; e que as decisões paradigmas se revelam imprestáveis para a caracterização de divergência, porque no caso do acórdão recorrido as intimações precedentes ao lançamento deixaram de ser atendidas justamente em razão do equívoco na identificação do sujeito passivo, em prejuízo ao seu direito de ampla defesa e contraditório, fato que não foi considerado pelos arestos paradigmas. A primeira divergência foi admitida nos seguintes termos: Consoante relatado no acórdão recorrido, apesar de o lançamento trazer a indicação da contribuinte já extinta por incorporação àquela época, a sucessora dele teve ciência e assim apresentou impugnação. O Colegiado recorrido, porém, entendeu que a pessoa jurídica extinta não poderia ser parte legítima para compor o pólo passivo do auto de infração lavrado. Já no paradigma nº 10194.717, em circunstâncias semelhantes, afirmouse a validade do lançamento, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Portanto, a recorrente demonstra o dissídio jurisprudencial no tema abordado. Está bastante evidente que a mencionada divergência abrange questões referentes à identificação do sujeito passivo (CTN, art. 142) e à nulidade do lançamento (Decreto 70.235/1972, arts. 59/60), questões que foram analisadas diante de circunstâncias bem Fl. 337DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 13 12 semelhantes, presentes nos dois casos cotejados (embora constasse do auto de infração a indicação da sociedade incorporada, a ciência do lançamento foi dada à incorporadora). A caracterização dessa divergência não demanda que os acórdãos cotejados mencionem expressamente os mesmos dispositivos legais, e nem que conste do acórdão recorrido uma análise específica sobre o art. 121 do CTN, dispositivo que apenas foi citado no contexto dos argumentos desenvolvidos pela PGFN. Ainda que as decisões não tenham mencionado expressamente os mesmos dispositivos legais, está claro que diante de situações bem semelhantes, uma decisão deu mais ênfase ao aspecto formal (indicar no auto de infração PJ extinta empresa incorporada), enquanto a outra deu mais ênfase ao aspecto material (ausência de cerceamento do direito de defesa da empresa incorporadora, que é sucessora dos débitos tributários). Também é importante destacar que o fundamento do acórdão recorrido para declarar a nulidade do auto de infração não foi o fato de as "intimações precedentes" ao lançamento terem sido enviadas para o endereço da empresa incorporada e não da incorporadora. Com efeito, a nulidade está fundamentada é no fato de o próprio "lançamento" ter sido efetuado contra pessoa jurídica que estava extinta por incorporação. Embora a contribuinte tenha suscitado questão em relação às intimações que precederam o lançamento, esse argumento não serviu de fundamento adicional para o acórdão recorrido, de modo não há a alegada circunstância específica impedindo o cotejo das decisões para fins de caracterização de divergência. Portanto, a primeira divergência jurisprudencial está mesmo comprovada, e as preliminares devem ser rejeitadas. O recurso especial da PGFN deve mesmo ser conhecido quanto a primeira divergência, conforme já havia concluído a decisão monocrática do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que também examinou a admissibilidade do recurso. Quanto ao mérito sobre a nulidade do lançamento, é importante ressaltar que a jurisprudência administrativa no Brasil fez nos últimos tempos um grande aprofundamento nas questões envolvendo a identificação do sujeito passivo já no momento do lançamento fiscal. A responsabilidade tributária, em alguns casos, não é tema fácil, de aplicação automática. Isto porque a sujeição passiva ultrapassa a figura do contribuinte. O sujeito passivo pode estar vinculado à obrigação tributária na condição de contribuinte, mas pode também estar vinculado como responsável por ato ilícito na administração da empresa; como sucessor (pessoa física) na proporção do acervo recebido da pessoa jurídica extinta; como sucessor pessoa jurídica no caso de evento societário de incorporação de empresa; etc. A gravidade do erro na identificação do sujeito passivo e suas conseqüências para o estabelecimento do vínculo obrigacionaltributário variam em cada uma dessas situações jurídicas, e também estão relacionadas aos aspectos fáticos de cada caso. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 14 13 A evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa em relação à questão da responsabilidade tributária revela a complexidade do tema. Antigamente, nem mesmo existia a figura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", e a fiscalização passou a adotar esse tipo de procedimento para que a execução judicial dos créditos lançados tivesse mais êxito. Os órgãos julgadores, por sua vez, relutavam em analisar as questões sobre responsabilidade tributária, entendendo que era assunto para o momento da execução fiscal (assunto próprio da PGFN), mas esse entendimento hoje em dia está totalmente superado. O acompanhamento da jurisprudência administrativa revela ainda um outro aspecto interessante: as situações em que a fiscalização lavra os mencionados "Termos de Sujeição Passiva Solidária" são justamente aquelas em que a matéria da responsabilização exige um maior aprofundamento, exige mais informações, que devem estar presentes já no ato de lançamento. Tudo isso está diretamente relacionado à formação do título executivo fiscal contra alguém, e foram justamente as questões sobre esse tema que motivaram a referida evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa. Especificamente em relação ao caso sob exame, penso que não há como acolher o entendimento de que enquanto não houver a decadência dos créditos tributários, a PJ (mesmo extinta) mantém sua condição de contribuinte. Essa idéia também está atualmente superada. Mesmo diante da ausência do registro cadastral da incorporação/extinção da PEM Participações, não há como manter a personalidade jurídica dessa empresa com o argumento de que ainda não havia ocorrido a decadência dos tributos. O nascimento/ constituição e a morte/dissolução de uma pessoa jurídica não estão disciplinados e nem condicionados pelo Direito Tributário. Realmente houve um erro no auto de infração, quando se fez constar nele a indicação do nome da empresa incorporada e não da incorporadora (que é sucessora daquela). Mas o que deve pautar esse julgamento é a verificação da gravidade desse erro, e em que medida ele pode ensejar a nulidade do lançamento. Isto porque os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa), e é a violação desses direitos que gera nulidade. É a chamada instrumentalidade das formas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo Fl. 339DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 15 14 à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) Cabe aqui destacar novamente que a empresa PEM Participações continuou como ATIVA no sistema CNPJ pelo menos até 04/11/2009, e que a falta do registro cadastral da incorporação também contribuiu para o erro em questão. Pois bem, como já mencionado, o caso sob exame envolve autuação fiscal motivada pelo fato de a empresa PEM Participações e Empreendimentos S/C Ltda. ter realizado compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores com o lucro real apurado em 31/12/2004, sem observar nessa compensação o limite legal de 30% do referido lucro real. Foi dada ciência do auto de infração para a empresa PEM Engenharia S/A, que incorporou a PEM Participações naquela mesma data (31/12/2004). Desde o início da fase contenciosa, o principal argumento da incorporadora (que é sucessora da incorporada) sobre o mérito da autuação é que a PEM Participações não observou o limite legal para a compensação de prejuízos justamente porque foi incorporada na mesma data pela PEM Engenharia. Essa linha de defesa entende que a chamada "trava" de 30% pressupõe a continuidade das atividades do contribuinte de modo a permitir a paulatina compensação, e que havendo a extinção da pessoa jurídica (no caso, pelo evento de incorporação), o referido limite legal ficaria afastado. Vêse que o fato de constar o nome da PEM Participações no auto de infração não acarretou qualquer distorção relevante dos fatos, não suprimiu o exame de nenhum ponto importante para a constituição do crédito tributário, tampouco prejudicou o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório pela empresa sucessora (incorporadora). Diante disso, cabe aplicar aqui a mesma decisão contida no Acórdão paradigma nº 10194.717, quando se entendeu que "a indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer". Embora tenha havido um erro no auto de infração, quando se fez constar nele a indicação do nome da empresa incorporada e não da incorporadora (que é sucessora daquela), esse problema em nada afeta a exigência do crédito tributário em questão. O referido erro não implica na insuficiência ou supressão de qualquer aspecto em torno do crédito tributário, nem mesmo sobre a sujeição passiva. Está bastante esclarecido que a empresa PEM participações foi extinta, após ter sido incorporada pela PEM Engenharia, e esse fato não repercute em nenhuma outra questão além daquela trazida pelo própria PEM Engenharia (sucessora/incorporadora) após ter tomado ciência do auto de infração, que é verificar em que medida a incorporação/extinção de uma empresa afeta a aplicação do limite legal para a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 16 15 Não deixo de perceber que a sucessora também alegou nulidade da autuação fiscal porque as intimações fiscais que precederam o lançamento foram enviadas para o endereço da incorporada e não da incorporadora. Já foi esclarecido que esse argumento não serviu de fundamento adicional para o acórdão recorrido declarar a nulidade do lançamento. Frisamos também que a falta do registro cadastral do evento de incorporação contribuiu para o erro em questão. Mas o que é importante perceber é que esse problema não acarretou nenhum prejuízo ao sujeito passivo. As questões a serem examinadas, caso as intimações tivessem sido enviadas para o endereço da incorporadora, seriam exatamente as mesmas que ora se apresentam. Isto porque não há nenhuma questão envolvendo apuração de fatos, produção de provas, etc. A controvérsia é meramente de ordem jurídica, e, mais uma vez, implica apenas em verificar em que medida a incorporação/extinção de uma empresa afeta a aplicação do limite legal para a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Aliás, esse tipo de lançamento pode ser realizado até mesmo sem prévia intimação do contribuinte, porque, em princípio, não abrange apuração de fatos além daqueles que já constam da própria DIPJ (compensação de prejuízos além do limite permitido). Obviamente, se houverem fatos relevantes que não foram considerados pela fiscalização, isso pode fragilizar/comprometer o lançamento, mas não é esse o caso dos presentes autos. Desse modo, não havendo nenhuma distorção relevante dos fatos, nem supressão de aspecto importante para a constituição do crédito tributário, e nem prejuízo ao exercício do direito de defesa e do contraditório pelo sujeito passivo, não deve subsistir a nulidade do lançamento. Uma vez afastada a própria nulidade do lançamento, o exame da segunda divergência, tanto o conhecimento, quanto o mérito (onde se analisaria a espécie do vício de nulidade), fica prejudicado. Em sede de contrarrazões, o sujeito passivo alega que algumas matérias abordadas no recurso voluntário deixaram de ser apreciadas em razão do acolhimento da preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, quais sejam: nulidade do lançamento pelos termos de intimação fiscal terem sido remetidos à incorporada e não à incorporadora; inaplicabilidade da trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais, no caso de extinção da pessoa jurídica; não incidência de penalidades, de juros de mora e de atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Observase em relação ao julgamento do recurso voluntário, que o voto vencido da relatora era no sentido de dar provimento ao recurso no tocante ao mérito (cancelando o lançamento pelo afastamento da trava de 30%), mas esse exame ficou prejudicado porque os demais conselheiros decidiram o recurso apenas com o julgamento da preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Assim, de fato, realmente o exame das outras matérias referidas acima realmente ficou prejudicado. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 19515.007944/200800 Acórdão n.º 9101002.600 CSRFT1 Fl. 17 16 Portanto, uma vez afastada a nulidade, os autos devem retornar à turma a quo para análise das outras matérias argüidas em sede de recurso voluntário, cujo exame ficou prejudicado em razão do que foi decidido no julgamento daquele recurso. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, relativamente à primeira divergência, para AFASTAR a nulidade do lançamento, DECLARAR prejudicada a segunda divergência e DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para exame das demais matérias. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912275/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.944
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.912275/2012-11
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713178
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-000.944
nome_arquivo_s : Decisao_10830912275201211.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10830912275201211_5713178.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6723231
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948851081216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912275/201211 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.944 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 27 5/ 20 12 -1 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912275/201211 Resolução nº 3402000.944 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912275/201211 Resolução nº 3402000.944 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912275/201211 Resolução nº 3402000.944 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005346/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares e no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Cássio Shappo.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.005346/2008-98
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5701432
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.588
nome_arquivo_s : Decisao_19515005346200898.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 19515005346200898_5701432.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares e no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Cássio Shappo. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6691274
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948904558592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.310 1 1.309 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005346/200898 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.588 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Recorrente VERDERTUR ATIBAIA VIAGENS E TURISMO LTDA (INCORPORADORA DE MONALISA DO BRASIL LTDA) E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE Tendo sido o auto de infração lavrado por agente competente e com observância dos pressupostos legais, incabíveis as arguições de sua nulidade. ÔNUS DA PROVA. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena da manutenção do lançamento fiscal. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL POR SER IMPORTADOR DAS MERCADORIAS QUE POSTERIORMENTE REVENDE. Os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, são equiparados a estabelecimento industrial. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2). Recurso a que se nega provimento. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares e no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 46 /2 00 8- 98 Fl. 1310DF CARF MF 2 Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cássio Shappo. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Cássio Shappo. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração por falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, no montante de R$ 9.802.006,36 (inclusos multa de ofício e juros de mora). O Auditor Fiscal explicitou que o estabelecimento foi equiparado a industrial nos anos de 2004 e 2005 por ser importador das mercadorias que posteriormente revende, conforme Representação Fiscal IRF/SPO. E que, para o cálculo do montante devido, foram aplicadas nas entradas (produtos comprados), para cada classificação fiscal, a alíquota vigente, levantandose o crédito em cada decêndio e, em contrapartida, nas saídas também foram aplicadas as alíquotas vigentes para cada classificação fiscal e, do confronto entre débitos e créditos, foi apurado o valor devido de IPI em cada decêndio. Cientificada da autuação, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em preliminar, a nulidade do auto de infração, por ter sido lavrado sem a observância do procedimento expresso em norma reguladora, em decorrência da qual se dá a extinção do mandado de procedimento fiscal por decurso de prazo, já que o MPF não foi prorrogado após 60 dias. Alegou, ainda, que a infração imputada à impugnante não possui motivação, apenas se limita a dar o enquadramento da conduta, ou seja, a suposta infração a dispositivos do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/2002) e que a cobrança imediata do valor devido afronta o princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.311 3 No mérito, argumentou que: · Considerase produto industrializado aquele que tenha sido modificado para o consumo, conforme disposição do artigo 46, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. A industrialização, por sua vês (sic), consiste em transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou renovação e a empresa não efetuou nenhuma destas operações. · A empresa não era nos anos de 2004 e 2005 contribuinte do IPI, passando a sêlo somente no ano de 2006, pois não se enquadrava na definição de importadora ou industrial, ao contrário do entendimento da fiscalização, certo que não promovia a importação de produtos. · A multa cobrada, além de ser indevida, assume o caráter de abuso do poder fiscal, posto que manifestadamente confiscatória, pois atinge um valor muito elevado, qual seja, de 75% do valor do imposto indevidamente reclamado. Diante das alegações da contribuinte de que somente em 2006 passou a ser equiparada a industrial, o processo foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal demonstrasse novamente os fatos que a levaram a considerar a empresa como importadora e, conseqüentemente, equiparada a industrial nas operações e nos períodos que mencionou. Do resultado da solicitação restou constatado que, em diligência anteriormente efetuada no estabelecimento da contribuinte (ano de 2006), restou verificado que a empresa utilizava de interpostas pessoas para a importação dos produtos que vendia e que, por conseqüência, a real adquirente (impugnante) deveria ser equiparada a industrial, conforme determina o inciso IX do artigo 9º do Decreto nº 4.544, 2002 (RIPI/2002) e apurar e recolher o IPI devido nas saídas das mercadorias que vende. Da conclusão de referida diligência a empresa Monalisa obteve cópia (fls. 1.218 a 1.226) e resultou no processo de Representação Fiscal nº 10314.003477/200661, cujas copias encontramse acostadas aos autos. A Representação Fiscal citada acima deu origem ao procedimento fiscal que culminou no lançamento ora combatido. A empresa foi cientificada das conclusões da diligência proposta por esta turma de julgamento e manifestouse, trazendo aos autos os mesmos argumentos anteriormente levantados em sua impugnação: que não promoveu qualquer tipo de industrialização e somente se equiparou à industrial no ano de 2006. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO 1426.048, de 09/09/2009, proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 1312DF CARF MF 4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos auditores fiscais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a negação geral é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgamento foi no sentido de afastar as preliminares e julgar improcedente a impugnação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Registrese que não houve interposição de recurso voluntário pela responsável solidáriaRosa Maria Cordeiro, conforme observação à fl. 1307. Consta intimação à Rosa Maria para ciência do resultado do julgamento da DRJ, à fl. 1249. Consta à efl. 1274, termo de vista do processo, pela Sra. Rosa Maria Cordeiro. O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso (apenas da Verdertur Atibaia) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de auto de infração decorrente da falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, nos anos de 2004 e 2005 por ser a empresa, importadora das mercadorias que as revende, conforme Representação Fiscal IRF/SPO. Foram aplicadas nas entradas (produtos comprados), para cada classificação fiscal, a alíquota vigente, levantandose o crédito em cada decêndio e, em contrapartida, nas Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.312 5 saídas também foram aplicadas as alíquotas vigentes para cada classificação fiscal e, do confronto entre débitos e créditos, foi apurado o valor devido de IPI em cada decêndio. Inicialmente antes de adentrar ao mérito, tratemos das 1) preliminares arguidas sobre nulidade do processo. 1.1) inobservância do procedimento expresso em norma reguladora, em decorrência da qual se dá a extinção do mandado de procedimento fiscal por decurso de prazo, já que o MPF não foi prorrogado após 60 dias. A recorrente sustenta a nulidade do lançamento, argumentando a extinção do procedimento fiscal, por decurso de prazo, pois passaramse mais de 60 dias sem que fosse exarado outro termo dando continuidade ao procedimento de fiscalização. O MPF constituise um instrumento de controle indispensável à administração tributária e em garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato os AuditoresFiscais que o estejam fiscalizando estão no exercício legal de suas funções. Por outro giro, a própria Receita Federal acompanha o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AuditoresFiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização está sendo realizada de modo adequado ou se os fiscais não estão levando mais tempo do que o necessário para a realização dos trabalhos. Caso, o AuditorFiscal observa que não será capaz, em face das peculiaridades do caso concreto fiscalizado, de concluir os trabalhos em tempo hábil, solicita ao superior hierárquico responsável pela emissão do mandado a sua prorrogação. Logo, não há como possa ser declarado nulo o lançamento regularmente constituído nos termos do art. 142 do CTN, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal e com todos os requisitos de validade previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. Registrese que há várias prorrogações do prazo de validade do MPF original (todas dentro do prazo), não tendo havido a sua extinção antes da data da lavratura do auto de infração, em 14/11/2008. Observase trecho da DRJ: De acordo com documentos acostados aos autos, a fiscalização teve origem com o MPFD (diligência) nº 08.19000.2006.01480, em 05 de junho de 2006, que foi prorrogado mensalmente até 22 de outubro de 2008 (fl. 07) e concluído. Das conclusões desta diligência originou o processo de Representação Fiscal nº 10314.003477/200661, apontando infração à legislação e irregularidades quanto à apuração e pagamento do IPI e a autorização para efetuar a autuação, quando foi emitido novo MPF, em 29 de outubro de 2008, agora de Fiscalização, de nº 08.1.24.002008011137, que teve sua vigência estendida até 26 de fevereiro de 2009 (fl. 01). Os autos foram lavados em 14 de novembro de 2008, com ciência na mesma data, portanto, respeitando todas as regras administrativas. Devese esclarecer, ainda, que o MPF nº 08.1.24.002008 011137, foi emitido como complemento do MPF nº 08.1.90.00 2008026490 que estabelecia o procedimento somente para o Fl. 1314DF CARF MF 6 IRRF dos anos 2002 a 2004 (ressalvese que este teve sua validade prorrogada até novembro de 2008). Durante todo este período a empresa foi notificada da continuidade da fiscalização por meio de termos de intimação, termos de reintimação, termo de retenção de documentos, termo de encerramento de diligência (fls.232), e termo de ciência e intimação (pelo qual a contribuinte teve ciência do encerramento do MPFD nº 08.19000.2006.014800 e de que o procedimento fiscal iria continuar no MPFF nº 08.1.90.002008026490). Consta à efl. 09, as diversas prorrogações das MPF. Só para ilustrar e complementar, quanto a essa preliminar levantada, verifica se que o lançamento está sob o abrigo do MPF, à época. Ressaltese, pois, que o Decreto de n° 8.303/2014 e a Portaria RFB n° 1.687/2014 que regula aquele Decreto extinguiu o MPF Mandado de Procedimento Fiscal. Atualmente, o auditor da Receita Federal não mais recebe uma "autorização" para exercer a competência de seu cargo, nos termos do art. 2° do Decreto de n° 70. 235/1972. Em assim sendo, rejeito essa preliminar de nulidade. 1.2) sobre a infração imputada não possuir motivação, apenas se limita a dar o enquadramento da conduta, ou seja, infração e dispositivo do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/2002) Verificase no Termo de Constatação e Verificação Fiscal (o recorrente teve ciência/cópia), que o lançamento é resultado das averiguações na diligência (iniciada em 2006) e que a empresa estava sendo equiparada a industrial em conformidade com o relatado na Representação Fiscal da IRF/SPO. Observase à fl. 270 do citado Termo: ....... Desta forma, constatamos e verificamos que o contribuinte, caracterizado como importador e equiparado a industrial, (pa forma da representação fiscal da IRF/SPO não escriturou o Livro de Registro de Apuração do IPI, não contabilizou nem recolheu o IPI nos mencionados decêndios. Portanto, infringindo o contribuinte os artigos 9°, inciso VIII e IX, 24, inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 131, inciso I, alínea "b", inciso II, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02), fui incluído no Mandado de Procedimento Fiscal Eletrônico (MPFE) acima mencionado, para a constituição do CRÉDITO TRIBUTÁRIO do IPI em favor da Fazenda Nacional, que será formalizado através de Auto de Infração, no montante de R$9.802.006,36 (nove milhões, oitocentos e dois mil, seis reais e trinta e seis centavos). ....... Da mesma forma, a autoridade julgadora de primeira instância, por conta do alegado em sede de impugnação; solicitou, por meio de diligência, que a fiscalização Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.313 7 esclarecesse novamente o motivo de considerar a autuada como equiparada a industrial e que esta fosse cientificada das conclusões, inclusive com reabertura de prazo para manifestação, para apresentar as alegações que achasse necessárias, no entanto, a mesma, até mesmo no recurso voluntário; não acrescentou nada de novo. Em assim sendo, rejeito, também, essa preliminar de nulidade, 1.3) devido processo legal, a ampla defesa e acesso à integralidade de dados, documentos e informações sobre os autos O auto de infração contém todos os requisitos necessários para produzir os efeitos legais a que se destina. A recorrente teve conhecimento da infração cometida, dos fatos alegados e da capitulação legal, tendo exercido plenamente o direito de defesa. Após a ciência do lançamento, teve o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no Órgão Preparador e apresentar impugnação escrita, e instruíla com os documentos necessários. Houve ciência da notificação, conforme impugnação, quando se teve acesso a todos os elementos constantes da notificação, fundamentada nos dispositivos legais que a regem, tendo oportunidade de apresentar impugnação, conforme preceitua o art. 15 do Decreto nº 70.235/72. da mesma forma quando da apresentação do recurso voluntário, exercendo, portanto, o seu direito de defesa. Enfim, a recorrente teve ciência de todos os fatos, das diligências e suas conclusões, do procedimento fiscal e da infração que lhe é imputada. Portanto, com a instauração do litígio e formalização do processo administrativo, é assegurado ao contribuinte o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa, ou seja, a partir da impugnação/recurso voluntário, o que foi realizado. Inclusive, a empresa teve vista do processo em algumas fases do mesmocom solicitação de cópia de todo o processo. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada. Mérito Passo à análise do mérito, de acordo com o Termo De Constatação e Verificação Fiscal verifica que a recorrente é importadora e equiparada a industrial, (na forma da representação fiscal da IRF/SPO) e que a mesma não escriturou o Livro de Registro de Apuração do IPI, tampouco contabilizou e nem recolheu o IPI nos mencionados decêndios. Ao constituir o Auto de Infração, a fiscalização verificou que a empresa Monalisa do Brasil Com. Imp. Exp. Cosm e Perf Ltda, conforme Ficha Cadastral da última alteração contratual, arquivada na JUCESP sob o no. 268.450/079, sessão de 03/08/2007, foi incorporada pela empresa VERDERTUR ATIBAIA VIAGENS E TURISMO LTDA, portanto, sucessora da Monalisa do Brasil. Em 24/10/08, foi lavrado Termo de Ciência e Intimação Fiscal junto à Monalisa do Brasil, solicitando cópia do Protocolo de Intenção, das alterações dos contratos sociais registradas na JUCESP, cópia das DIPJs de antes e depois do Evento de Incorporação Fl. 1316DF CARF MF 8 da Monalisa, bem como, cópia da Procuração especifica da Verdertur Atibaia, para atendimento junto à RFB, inclusive com poderes para assinatura de auto de infração. O respectivo auto de infração foi lavrado em 14/11/2008. Observase que o objeto social da empresa, em suas diversas alterações, junto a JUCESP, tem como objeto a importação. Através da diligência efetuada à empresa Monalisa, concluiuse que a empresa Monalisa do Brasil é a real importadora das mercadorias que “compra” da empresa Quimetal Distribuidora e da SAB Company, pois a mesma antecipa os recursos e assume todos os custos e riscos da operação com o exterior e que é a real destinatária das mercadorias importadas. Então, a real adquirente é equiparada a industrial, conforme determina o inciso IX do artigo 9º do Decreto nº 4.544, 2002 (RIPI/2002) e deve apurar e recolher o IPI devido nas saídas das mercadorias que importa. Da mesma forma, foi ratificada, através de outra diligência solicitada pela primeira instância para confirmar se a empresa é a real adquirente e logo equiparada a industrial, o que se confirmou. Com essa conclusão originouse o processo de Representação Fiscal para fins penais de nº 10314.003477/200661, e adianto de pronto, que com base na Súmula CARF n° 28, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. Verificase, portanto, nos autos que: ...... A interessada firmava contrato de compra e venda com a empresa Quimetal Distribuidora Ltda, no qual se responsabilizava pelo pagamento de todas as despesas, taxas, multas e gastos necessários à contratação e liquidação de obrigações assumidas junto aos fornecedores no exterior e constantes das faturas comerciais emitidas contra a contratada e também todas as despesas com seguro, frete armazenagem, impostos, taxas e outras decorrentes da importação, que por ela (Monalisa) seriam adiantadas via boleto bancário. Além disso, restou contratado que as variações cambiais, em caso de desvalorização, seriam suportadas pela compradora (Monalisa) e que as operações entre as empresas não seriam de compra e venda, uma vez que a empresa Monalisa estaria assumindo todas as responsabilidades inerentes às importações. Também restou verificado que, nas comunicações internas da empresa Monalisa, os fornecedores estrangeiros a caracterizam como a real encomendante das mercadorias a serem importadas e que estes tratavam diretamente com a empresa a respeito do encaminhamento e entrega das mercadorias. Verificouse, ainda, que algumas importações eram feitas por meio de empresa do mesmo proprietário da Monalisa nos USA (Monalisa Import e Export Corp.), que as remetiam para o Brasil em nome da Quimetal Distribuidora Ltda, mas que na verdade eram destinadas a impugnante. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.314 9 Em levantamento por amostragem, restou constatado que dois processos de importação registrados em nome da Quimetal Distribuidora Ltda tiveram como destinatário final das mercadorias a empresa Monalisa e constatouse que as mercadorias foram repassadas a preço de custo e até mesmo abaixo deste. Mesmo procedimento foi adotado com as relações comercias efetivadas com a empresa SAB Company Comércio Internacionanl S/A . ...... Dessa maneira, a norma em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legal e constitucional, assim dispõe: RIPI/2002, Decreto nº 4.544, de 2002: TÍTULO II DOS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS E EQUIPARADOS A INDUSTRIAL Estabelecimento Industrial Art.8Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimentos Equiparados a Industrial Art.9°Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos(Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); II os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma;) ....... IXos estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79); e (grifei) TÍTULO VII DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Fl. 1318DF CARF MF 10 CAPÍTULO I DO FATO GERADOR Hipóteses de Ocorrência Art.34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): Io desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou IIa saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.(grifei) Ressaltese que desta forma, que apesar da operação não ser de industrialização, já os atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos importados por sua conta e ordem, ela equiparase a industrialização por força do disposto no artigo 9º do Regulamento do IPI/2002, e estas vendas (saídas) devem ser tributadas pelo imposto, conforme dispõe o inciso II, do artigo 34 do mesmo regulamento. O estabelecimento, portanto, para estas operações, é contribuinte do IPI e deve destacar e recolher o imposto conforme determina a lei. Por sua vez, a MP nº 2.15835/2001, em seus arts. 77 a 81, representou uma grande evolução normativa em relação à atribuição de responsabilidade às pessoas envolvidas no comércio exterior, ou seja, atribuiu ao adquirente da mercadoria importada por conta e ordem a condição de sujeito passivo, na qualidade de responsável solidário; (enfoque tributário); estabeleceu que o adquirente responderá, conjunta ou isoladamente, por infração, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (enfoque tributário e sancionatório); bem como equiparou os atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos importados por sua conta e ordem a estabelecimento industrial; (enfoque tributário). Após a edição da MP nº 2.15835/2001, distinguimos as seguintes modalidades de importações e seus respectivos sujeitos passivos: Importações diretas: sujeito passivo é o próprio importador por conta própria; Importações indiretas: sujeito passivo é o importador por conta e ordem (contribuinte) e o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem (responsável solidário). Logo, a fiscalização equiparou a empresa Verdertur Atibaia (incoporadora de Monalisa do Brasil) a estabelecimento industrial com base no artigo 79 da MP n° 2.15835/ 2001, in verbis: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A recorrente defendese, alegando que não fez qualquer operação de industrialização, transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou renovação e que não era contribuinte do IPI, já que na época dos fatos, não se enquadrava na definição de importadora (equiparada a industrial), como desconhecendo totalmente as conclusões levantadas pelo fiscalização. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.315 11 Portanto, a recorrente não enfrenta a matéria em si, apenas alega, que na época dos fatos, não era contribuinte do IPI. Em sendo assim, ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena da manutenção do lançamento fiscal. A recorrente rebate ainda, quanto à alegação que a fiscalização foi realizada por meio de amostragem, o que não se poderia se admitir, ante a ausência de exatidão das informações. Averiguase, contudo, que a fiscalização pode se utilizar da amostragem e não terá qualquer influência no lançamento. O fisco pode perfeitamente verificar se o contribuinte está respeitando a legislação e apurando corretamente o imposto devido por meio de levantamentos por amostragem. No entanto, verificada a infração, o lançamento será efetuado em acordo com o disposto na legislação, verificada a hipótese de incidência da obrigação tributaria, a base de calculo e a alíquota. E, todos os documentos usados para a apuração do imposto constam dos autos, e neste levantamento não houve qualquer presunção. Portanto, diante das provas trazidas ao processo pela fiscalização quanto à simulação das operações de importação e de compra e venda no mercado interno das empresas Monalisa do Brasil, Quimetal Distribuidora e SAB Company, concluise pela interposição de pessoas e que a recorrente é a real importadora das mercadorias e equiparada a industrial e deve recolher o IPI na forma legal, por ser contribuinte deste imposto. Conclusão De todo exposto, com todos os documentos acostados, e explicações dos fatos que levaram a considerar a empresa como importadora e consequentemente, equiparada a industrial nas operações e nos períodos que menciona, logo, o estabelecimento, portanto, para estas operações, é contribuinte do IPI . Cobrança ilegal e abusiva da multa No tocante aos argumentos relativos à multa de ofício, sua aplicação é a de 75% prevista no artigo 44, inc. I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , pela falta de pagamento ou recolhimento, ou seja, o lançamento foi efetuado, por força desse dispositivo legal, e é devida a multa de ofício no percentual de 75,0 % do crédito tributário lançado e exigido, que assim dispõe, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, a avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa de ofício, punitiva, de forma exorbitante e desproporcional, a ponto de caracterizar o confisco, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Ao caso, aplicase a Súmula nº 2, deste Conselho, assim disposta: Fl. 1320DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante do exposto, rejeito as preliminares e nego provimento ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Declaração de Voto Conselheiro CÁSSIO SCHAPPO O crédito tributário constituído, objeto de discussão na presente Turma, está relacionado a falta de lançamento de IPI nas notas fiscais de saída de produtos importados, por estabelecimento equiparado a industrial, com inobservância da correta classificação fiscal ou da alíquota do IPI. Em que pese o entendimento da maioria pela manutenção total do lançamento tributário, sou de entendimento de que, mesmo tratandose de estabelecimento equiparado a industrial, a saída do produto importado sem qualquer alteração de seu estado original não constitui fato gerador do imposto (IPI). O Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) é de competência atribuída à União, administrado pela Receita Federal do Brasil e tem sua incidência sobre todos os produtos industrializados, nacionais ou importados, obedecida as especificações constantes da Tabela Incidência do IPI (TIPI/2011), cuja definição de incidência e fato gerador encontramos dispostos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. (Vide Decreto Lei nº 34, de 1966) Art. 2º Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. § 1º Quando a industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização do produto, fora de estabelecimento produtor, o fato gerador considerarseá ocorrido no momento em que ficar concluída a operação industrial. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.316 13 § 2º O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. Já os artigos 3º e 4º da mesma lei tratam do estabelecimento produtor e da equiparação, (quanto aos produtos importados): Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: Art. 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Em termos conceituais, de acordo com o Regulamento do IPI, caracterizase como sendo industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para o consumo, tal como: a)a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); b)a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); c)a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); d)a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou e)a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Entendese por estabelecimento industrial aquele que executa qualquer das operações consideradas industrialização conforme detalhado acima, das quais resulte produto tributado, ainda que de alíquota “zero”, ou beneficiado com a isenção do IPI. A legislação do IPI não define como fato gerador do tributo a entrada em seu estabelecimento, da matéria prima ou insumo, mas quando da saída de produtos por ele industrializados. Fl. 1322DF CARF MF 14 A fase de incidência de IPI dos produtos importados é o desembaraço aduaneiro. Atribuir nova fase de incidência ao mesmo produto com o título de equiparação, não me parece razoável a luz dos dispositivos acima retratados. O produto importado para o mercado brasileiro nasce, cria forma, quando do desembaraço e é nessa fase que se cobra o IPI, igualandose à produção nacional. Vale destacar ainda, que não incide IPI na revenda de produtos por estabelecimentos industriais, pois a simples revenda (sem que haja nova industrialização) de produtos adquiridos de terceiros por estabelecimento industrial não está sujeita à incidência do IPI, independentemente da sujeição ao imposto nas saídas de produtos por ele industrializados. Cabe aqui mencionar o entendimento firmado pela Primeira Turma do STJ que sabiamente tratou desse tema a luz da legislação antes mencionada, quando do julgamento do EREsp 1.411.749/PR que teve como Relator para o acórdão o Ministro Ari Pargendler, onde decidiu que o fato gerador do IPI ocorre no desembaraço aduaneiro, não sendo viável nova cobrança desse imposto na saída do produto quando de sua comercialização, sob pena de dupla incidência não admitida na legislação de regência. Eis a emenda do referido julgado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. A norma do parágrafo único constitui a essência do fato gerador do imposto sobre produtos industrializados. A teor dela, o tributo não incide sobre o acréscimo embutido em cada um dos estágios da circulação de produtos industrializados. Recai apenas sobre o montante que, na operação tributada, tenha resultado da industrialização, assim considerada qualquer operação que importe na alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, ressalvadas as exceções legais. De outro modo, coincidiriam os fatos geradores do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre circulação de mercadorias. Consequentemente, os incisos I e II do caput são excludentes, salvo se, entre o desembaraço aduaneiro e a saída do estabelecimento do importador, o produto tiver sido objeto de uma das formas de industrialização. Embargos de divergência conhecidos e providos. (EREsp 1411749/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministro ARI PARGENDLER, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/06/2014, DJe 18/12/2014). A Lei nº 4.502/64 definiu em seu art. 3º: “Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeito ao imposto” e o Parágrafo Único diz que: “considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto”. (sublinhei). A mesma Lei nº 4.502/64 tratou em seu art. 4º que os importadores equiparamse, igualamse, a estabelecimento produtor nacional, para todos os efeitos desta Lei, tendo como fato gerador do IPI o desembaraço aduaneiro para os importadores e a saída do estabelecimento para o produtor nacional. Para haver essa equiparação tem que haver industrialização. Uma coisa é equiparar a figura do importador ao produtor nacional, outra coisa é atribuir uma equiparação as margens da Lei do produto importado com aquele de produção nacional. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 19515.005346/200898 Acórdão n.º 3201002.588 S3C2T1 Fl. 1.317 15 Atribuir incidência de IPI na saída de produto importado do estabelecimento importador, sem que ocorra sobre esses produtos algum dos fatos previstos no Parágrafo Único do art. 3º da Lei 4.502/64, é criar novo fato gerador do tributo sem que o mesmo esteja elencado no art. 2º desta Lei. A equiparação do importador ao produtor não tem esse condão de definir uma terceira via para a cobrança de IPI, ou seja, criar uma nova hipótese de incidência. Com essas considerações voto pelo provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Conselheiro Fl. 1324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001916/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15586.001916/2008-86
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700074
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.574
nome_arquivo_s : Decisao_15586001916200886.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 15586001916200886_5700074.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6688333
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948910850048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.001916/200886 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.574 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria Crédito Presumido de IPI Produto NT Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADM DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 16 /2 00 8- 86 Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, antigo Regimento do CARF, contra o Acórdão nº 310100942, de 11/11/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 765DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 5 4 O recurso especial versa somente sobre a parte destacada da ementa acima transcrita e diz respeito à possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI na exportação de produtos classificados na TIPI Tabela do IPI como NT (Não Tributados). A DRF/VitóriaES, por meio do Despacho Decisório, fl. 502, deferiu parcialmente pedido de ressarcimento decorrente de crédito presumido de IPI formulado pelo contribuinte, em relação ao 4º trimestre/2003, com base na Lei nº 9.363/96. Entre os valores glosados encontrase os referentes à exportação de produtos NT (fertilizante código TIPI 3103.10.30 e 3105.20.00), por estarem fora do conceito de industrialiação. Os demais valores glosados não interessam à discussão por não estarem submetidos ao presente julgamento. A DRJ/Juiz de ForaMG decidiu referida matéria confirmando o entendimento da fiscalização quanto à impossibilidade de tal creditamento. Transcrevese parte da ementa quanto ao assunto em pauta: (...) 4. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos nãotributados (NT). (...) Porém, como vimos, o acórdão recorrido afastou este entendimento, admitindo a possibilidade do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, nos casos de exportação de produtos notados como NT na TIPI. Em seu recurso especial, fls. 677/685, a Fazenda Nacional combate os argumentos da decisão recorrida. Afirma em síntese que não há previsão legal para a concessão de crédito presumido para os produtos NT e que a Lei nº 9.363/96 somente permitiu referido crédito aos estabelecimentos industriais no conceito restrito estabelecido pela legislação do IPI. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, por meio do despacho de fls. 687/689. Devidamente cientificado do acórdão recorrido, do recurso especial e despacho de admissibilidade, o contribuinte apresentou embargos de declaração ao acórdão recorrido, fls. 695/706. Porém os embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 3402003.055, de 28/04/2016, fls. 742/747, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2003 A 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO INEXISTÊNCIA. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 6 5 A OMISSÃO DO COLEGIADO SOBRE DETERMINADO ASPECTO DO LITÍGIO DÁ AZO A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PORÉM, QUANDO A OMISSÃO NÃO EXISTE, HÁ DE SER REJEITADO OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Concomitante à apresentação de referidos embargos, o contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 713/731, ao recurso especial da Fazenda Nacional. Defende a manutenção da decisão recorrida nesta matéria e aborda as questões legais pelas quais entende que o crédito presumido do IPI não é restrito aos produtos que constam com alíquota positiva ou zero na TIPI. Afirma que a Lei nº 9.363/96 "vinculou o benefício do crédito presumido do IPI às exportações de mercadorias, e não apenas a produto industrializado, espécie do gênero 'mercadoria'". O contribuinte, após tomar ciência do acórdão que rejeitou os seus embargos de declaração e após o presente processo ter sido distribuído a esse relator para julgamento do recurso especial, apresentou a petição de fls. 754/758, em que afirma que antes do julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, o processo deveria retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme foi determinado pelo acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Os acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional representam bem a divergência de interpretação e, portanto, deve ser conhecido, ressaltando que em suas contrarrazões, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. Inicialmente é necessário destacar que o contribuinte está equivocado em relação ao seu entendimento manifestado na petição de fls. 754/758, na qual defende que, antes do julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, o processo deveria retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nos termos em que foi determinado pelo acórdão recorrido. Cumpre esclarecer que para um acórdão ser cumprido é necessário o seu trânsito em julgado. Com a apresentação do recurso especial pela Fazenda Nacional, inclusive em matéria que prejudica o cumprimento dos seus termos, torna obrigatório a sua apreciação por esse colegiado. Mérito Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos Fl. 768DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 8 7 conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Como é sabido, a lei que trata de concessão de benefícios fiscais deve ter sua aplicação restritiva, com interpretação literal, para atingir somente os casos expressamente permitidos. É o que se extrai, por exemplo, do disposto da leitura do art. 111 do CTN. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 10 da Lei n° 9.363/1996, Fl. 769DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 9 8 instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 770DF CARF MF Processo nº 15586.001916/200886 Acórdão n.º 9303004.574 CSRFT3 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Ressaltese que não há matéria de direito pendente de julgamento no presente processo, fato que não justifica o retorno dos autos à instância julgadora de primeira instância. O presente processo deve retornar à unidade de origem para liquidação dos valores remanescentes favoráveis ao contribuinte no julgamento do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001538/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004
01/12/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando as matérias tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Hipótese em que a situação fática enfrentada pelo acórdão apresentado a título de paradigma difere da situação fática enfrentada pelo acórdão recorrido.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA
A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 9202-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 01/12/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando as matérias tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Hipótese em que a situação fática enfrentada pelo acórdão apresentado a título de paradigma difere da situação fática enfrentada pelo acórdão recorrido. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10240.001538/2009-17
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5711772
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.301
nome_arquivo_s : Decisao_10240001538200917.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10240001538200917_5711772.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6716977
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948965376000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 159 1 158 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10240.001538/200917 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.301 – 2ª Turma Sessão de 29 de março de 2017 Matéria 67.618.9999 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO OUTROS. Recorrente ASC ASSESSORIA SERVICOS E CONSERVACÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 01/12/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando as matérias tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Hipótese em que a situação fática enfrentada pelo acórdão apresentado a título de paradigma difere da situação fática enfrentada pelo acórdão recorrido. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 15 38 /2 00 9- 17 Fl. 159DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração AI, que constituiu o DEBCAD nº 37.212.6243, à efl. 02, relativamente a multa por descumprimento de obrigação acessória. A infração que levou à aplicação da penalidade foi a empresa deixar de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. A autuação ocorreu em 08/09/2009, no valor de R$ 13.291,66, com ciência à contribuinte em 15/09/2009 (efl. 03). A descrição do procedimento encontrase no relatório fiscal do auto de infração, às efls. 08 a 10. O AI foi impugnado, à efl. 42, em 09/10/2009. Já a 4ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão nº 0117.790, prolatado em 31/05/2010, às efls. 79 a 81, por unanimidade, não conheceu da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 16/09/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 85 a 90, argumentando, apenas, preliminar de decadência, em face da aplicação do critério de contagem do prazo pelo § 4º do art. 150 do CTN, para todos os fatos geradores ocorridos anteriormente a 15/09/2004. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 11/07/2012, resultando no acórdão 2402002.930, às efls. 95 a 101, que tem a seguinte ementa: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS. É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Matéria que não foi conhecida na impugnação não pode ser apreciada em grau de recurso, em face da preclusão consumativa, salvo se houver matéria de ordem pública. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10240.001538/200917 Acórdão n.º 9202005.301 CSRFT2 Fl. 160 3 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Voluntário Negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. RE da Contribuinte Intimada (efl. 103) do acórdão, em 15/04/2013 (efl. 104) a contribuinte, em 29/04/2013, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 1052 a 112) ao citado acórdão. Nele argumenta que o aresto recorrido diverge de entendimentos firmados no CARF, pois naquele se entendeu que nos casos de obrigação acessória, lançada por oficio, para efeito de contagem do prazo decadência, há que se aplicar o disposto no artigo 173, inc. I, do CTN, enquanto o paradigma destacou que, nesse tipo de lançamento, ultrapassado o prazo quinquenal sem o lançamento de ofício, operase a decadência, sendo o marco inicial o fato gerador. Traz por paradigma o acórdão nº 10615.614, que entre suas ementas assevera: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre no mês dos créditos, a teor do artigo 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. (Grifos da recorrente) Na sua argumentação, a contribuinte salienta que as Contribuições Sociais são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e seu prazo decadencial deve ser contado com base no disposto no § 4º do art. 50 do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador. Pelas razões expostas requereu a que fosse o recurso e provido . Fl. 161DF CARF MF 4 O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos do art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400652/2013, às efls. 141 e 142, datado de 04/07/2013, entendendo ele por lhe dar seguimento, por ambos, paradigma e recorrido tratarem de lançamentos por homologação. Destacou o Presidente, à efl. 142: A decisão recorrida, também tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação (contribuições sociais previdenciárias), aplicou ao caso o art. 173, I do CTN, por não ter vislumbrado nos autos antecipação de pagamento. Contrarrazões da Fazenda A procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada da admissibilidade do RE em 29/08/2013 (efl. 143), e, em 09/09/2013, apresentou contrarrazões, às efls. 144 a 156, onde, em resumo, traz os argumentos a seguir. Deve ser rejeitado o recurso, pois há diversidade fática entre paradigma e recorrido. O paradigma e outros acórdãos juntados pela contribuinte tratam de lançamentos por descumprimento de obrigação principal, relativos ao imposto de renda da pessoa física, sujeitos a lançamento homologação. O recorrido versa sobre lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, à qual não se pode aplicar prazo de lançamento por homologação, pois não implica recolhimentos a serem homologados; é lançamento de ofício. Caso seja o RE conhecido, a Procuradora entende que não deva ser provido, também porque no presente feito, não havendo pagamento antecipado para tratarse de homologação, há que se tratar como lançamento de ofício não permitindose aplicação do § 4º do art. 150, mas sim do inciso I do art. 173, ambos do CTN . É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Contudo, com a devida vênia, discordo de que preencha todos os requisito para sua admissibilidade. Como salientado pela Procuradora da Fazenda em seu contraarrazoado, o paradigma, bem como todos os demais acórdãos citados pela contribuinte referemse a lançamentos de obrigações principais: pagar o tributo. Essas obrigações podem ser sujeitas a lançamento por homologação ou de ofício; no caso do IRPF, por homologação. O caso em apreciação nos autos é de lançamento da multa por descumprimento do inc. II, do art. 32, da Lei nº 8.212/1991, que obriga a contribuinte a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10240.001538/200917 Acórdão n.º 9202005.301 CSRFT2 Fl. 161 5 empresa e os totais recolhidos. Por isso, cabível a multa do art. 92 da mesma Lei, combinado com o art. 283, inc. II, alínea a), do Decreto nº 3.048/1999. Ora, nesse caso, o fato gerador da multa é a falta de lançamento, mensal, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições. O tributo, que tem fato gerador distinto, seja ele pago ou não, em nada afeta a multa por essa falta. Aliás, esta multa tem o valor mínimo estabelecido nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 24/07/1991 e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea a), atualizada na forma do art. 373 do RPS, pela Portaria Interministerial MPS/MF n.° 48, de 12 de fevereiro de 2009 (DOU de 13/02/2009), fixado em R$ 13.291,66, totalmente independente do valor do tributo. A multa por descumprimento de obrigação acessória é sanção por ato ilícito, o tributo não. Assim, não há similitude fática entre o paradigma e o recorrido, pois este trata de lançamento de multa, no teor do inc. VI do art. 149 do CTN, forçosamente de ofício, aquele, trata de lançamento de IRPF, tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme caput do art. 150 do mesmo códice. Conclusão Diante do exposto, em face da inexistência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, voto por não conhecer do recurso especial da contribuinte, mantendo integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000318/98-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 202-00.534
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200308
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 10640.000318/98-31
conteudo_id_s : 5696204
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 202-00.534
nome_arquivo_s : Decisao_106400003189831.pdf
nome_relator_s : Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
nome_arquivo_pdf_s : 106400003189831_5696204.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2003
id : 6677825
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948970618880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20200534_106400003189831_200309; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-03-17T13:26:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20200534_106400003189831_200309; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20200534_106400003189831_200309; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-03-17T13:26:05Z; created: 2017-03-17T13:26:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-03-17T13:26:05Z; pdf:charsPerPage: 518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-03-17T13:26:05Z | Conteúdo => 1 ,, \ ,'CC", IFI. ti randa~es Relator --_._-- RESOLUÇÃO N° 202-00.534 FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MACHADO SOBRINHO DRJ em Juiz de FOI"a- MG 10640.000318/98-31 112.422 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Sala das Sessões, em 12 de agosto de 2003 cllopr RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MACHADO SOBRINHO. Recorrente Recorrida Processo n° Recurso n° J ~ ~ I por ser entidade educacional sem fins lucrativos, não pode ser sujeita à tributação de Contribuições Sociais, por estar protegida seja pela imunidade referente aos impostos, seja pela consideração da imunidade implícita pelo mínimo existencial; 2 ainda que não pudesse ser equiparada às Entidades de Assistência Social, estaria da mesma forma imune, desta vez amparada pela própria Constituição ao que tange o mínimo existencial, que se dá tanto de forma expressa quanto implícita; as entidades que se encontrem imunes aos impostos, amparadas no art. 150, inciso VI, letra "c", da Constituição Federal, da mesma forma estão imunes quanto às Contribuições Sociais; trata-se de Fundação amparada pelo instituto da imunidade, previsto no art. 195, 9 7°, da Constituição Federal, visto que o mencionado artigo ao atribuir tal garantia às entidades de assistência social, certamente incluiu as Entidades Beneficentes de Finalidade Educacional, lembrando que a interpretação literal da lei não é válida; (iv) (iii) (ii) (i) FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MACHADO SOBRINHO (iii) as instituições de ensino não se confundem com entidades de assistência social, segundo a interpretação da Constituição' Federal (inciso VI, "c", do artigo 150 e 9 7° do art. 195), sendo que as instituições de ensino gozam de imunidade somente em relação aos impostos. (i) a não-incidência definida pela legislação do FINSOCIAL não teve continuidade com a instituição da COFINS; RELATÓRIO (ii) as mensalidades escolares não estão isentas da incidência da COFINS na forma do Parecer (Normativo) CST n° 5, de 22/04/92; e 10640.000318/98-31 112.422 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes A Recorrente, manifestou-se tempestivamente por meio de Impugnação, na qual vem aduzir que: Originou-se o processo pela indignação da Recorrente acerca do lançamento de oficio instrumentalizado por Auto de Infração, lavrado em 24/03/98, no qual foi constituído crédito tributário da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com fundamento legal nos artigos 1° ao 5°, da Lei Complementar nO70, de 30/12/91, acrescido de encargos, fundamentados às fls. 24/25. Aduz a Recorrente que: Processo n° Recnrso nO Recorrente Lançamento Procedente. " "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS , I 3 .. I "c<,~ IFI. Apresentou comprovante de Depósito Recursal, que se encontra à fi. 87 destes (vi) por ser entidade que não busca fins lucrativos, não está impedida de cobrar pelos serviços que presta, visto ser instituição mantenedora, que não exerce atividade especulativa e ainda por não realizar distribuição de receitas entre seus dirigentes. (v) mesmo que não estivesse amparada pela imunidade, não prosperaria o lançamento, visto que o fato gerador da Contribuição Social é o faturamento, o que não existe no seu caso, ressaltando que o sentido de faturamento aplicado no art. 195, inciso 1, da Carta Magna, versa no âmbito comercial, relativo à venda de mercadorias e soma de receita, buscada pelas empresas; e 10640.000318/98-31 112.422 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes autos. Lançados os autos para análise deste Colegiado (Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes), em 18/612002, restou decidido, à unanimidade de votos, pela conversão do apelo voluntário em comento nos seguintes termos: "Ante o exposto e com o objetivo de melhor instruir o processo. e tendo em vista o decidido em primeira instância administrativa confrontado às alegações e documentos carreados aos autos pela recorrente (fls. 48 a 56). Falta de Recolhimento. O lançamento de oficio terá lugar quando o contribuinte não efetuar ou efetuar com insuficiência o pagamento da contribuição devida dentro do prazo legalmente determinado. Intimada da decisão singular, em 23/08/99, a Recorrente interpôs tempestivo Recurso Voluntário, protocolado em 22/09/99, ratificando os fatos exauridos na Peça Impugnatória, manifestando-se irresignada com a decisão proferida em Primeira Instância. Contribuinte. As instituições de educação sem fins lucrativos, que não comprovem enquadrar-se como entidades beneficentes de assistência social. são contribuintes da COFINS. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - MG, autoridade julgadora de primeira instância, entendeu ser procedente o lançamento tributário, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: Por fim, requer o cancelamento da Ação Fiscal, por ser amparada pela imunidade, ou se assim não for, por não ter ocorrido fato gerador e desta forma não ter nascido a obrigação tributária. Anexa certidões e atestado de Filantropia. Processo nO Recurso n° Os autos retomam a esta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes com o resultado das apurações realizadas pela Fiscalização, formalizadas no parecer de fls. 110/118, assim como com manifestação da interessada contrapondo-se ao 'altldido parecer, às fls. 121/164. É o relatório. H I ,'ccw IFI. 10640.000318/98-31 112.422 E assim firmo meu posicionamento com jitndamento em julgados anteriores deste Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nOs201-73.886 e 202- 10.463). " voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, a fim de que a mesma, conclusivamente, apure se a recorrente, atendendo aos artigos 14, do Código Tributário Nacional: e 55, da Lei nO8. 212/91, era detentora do CERTIFICADO emitido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, por intermédio do Conselho Nacional de Assistência Social, certificando sua condição de entidade filantrópica e/ou de assistência social no período compreendido entre os anos de 1991 a 1997, inclusive. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso nO ,, I 1, ~. 4 ,, ~ L:J VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA 10640.000318/98-31 112.422 Ministério da Fazenda SeglUldo Conselho de Contribuintes Ante o exposto e com o objetivo de melhor instruir o processo, e tendo: em vista o decidido em primeira instância administrativa confrontado às alegações e documentos carreados aos autos pela Recorrente, somados esses fatos ao resultado da diligência realizada, voto no sentido de converter novamente o julgamento do recurso em diligência à repartiÇão de origem, a fim de que a mesma, conclusivamente, apure se a ação mandamental impetrada pela recorrente, e ora em grau de apelação cível, possui objeto idêntico ao do processo ora em exame e se o pleito judicial de alguma forma contamina a discussão travada e analisada nestes autos de processo administrativo. Sala das Sessões, em 12 de agosto de 2003 5 Finda a verificação determinada em grau de diligência, seja oferecido oportunidade à Recorrente de se manifestar sobre o resultado da diligência, exclusivamente, antes do retomo dos autos a esta Segunda Câmara. Em contrapartida, a Recorrente junta com sua manifestação, entre outro.s documentos, Certidão de "objeto e pé" exarada em março de 2003 pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região, que, a priori, reportar-se à ação mandamental impetrada pela contriburnte (fi. 163). Tal mandamus, frise-se, teria por objeto a mesma discussão que se enfrentano presente processo admÚlistrativo. Pl1Icesson° Recurso n° Abstenho-me, neste momento, de apreciar o mérito, objeto da presente lide. Explico: a Fiscalização, ao concluir os trabalhos de diligência, determinados por ~ste Colegiado, conclui em seu parecer de fls. 110/118, em apertada srntese, que com relação ao - '"... período fiscalizado a entidade não preenche as condições que a habilitem a usufruir a isenção objeto do presente processo ... " - (fl. 117). 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901970/2009-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10280.901970/2009-25
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716165
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.632
nome_arquivo_s : Decisao_10280901970200925.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10280901970200925_5716165.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6739679
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048949014659072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.901970/200925 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.632 – 1ª Turma Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DO ESTADO DO PARA S A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120200.675, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 19 70 /2 00 9- 25 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 9101002.632 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 9101002.632 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10280.901970/200925 Acórdão n.º 9101002.632 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906762/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO.
Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10920.906762/2012-35
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5719461
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.489
nome_arquivo_s : Decisao_10920906762201235.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10920906762201235_5719461.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6747435
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048949018853376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.906762/201235 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.489 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2017 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVA Recorrente ADLIN PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ENTREGA DOS ARQUIVOS DIGITAIS. CONDIÇÃO. INDEFERIMENTO. CABIMENTO. Segundo a legislação de regência, IN SRF 86/2001, art. 65 da IN RFB 900/2008, art. 11 da Lei nº 8.218/91 e art. 74 da Lei nº 9.430/96, a recepção dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação está condicionada à apresentação dos arquivos digitais relativos ao sistema de escrituração eletrônico da pessoa jurídica, sob pena de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que propunha a conversão em diligência para que a unidade local da RFB analisasse o direito de crédito com base nos arquivos magnéticos disponibilizados após a manifestação de inconformidade. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 67 62 /2 01 2- 35Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito, relativo à Cofins não cumulativa, 2º Trimestre/2008, não foi reconhecido em razão do desatendimento à intimação para apresentação dos arquivos digitais, com lastro nas disposições da IN SRF 86/01, art. 65 da IN RFB 900/2008 e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou que seu direito creditório é legítimo; que a indisponibilidade se deveu à necessidade de adequação dos sistemas às exigências da RFB; que, a teor do art. 149 do CTN e art. 65 da Lei nº 9.784/99, a apresentação extemporânea dos arquivos digitais deveria ser relevada, mormente pela superveniência do ADE Corec nº 03/2012, que estendeu o prazo de 20 (vinte) dias, previsto na IN SRF 86/2001, para 110 (cento e dez) dias. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a reclamação ao argumento de descumprimento de obrigação prevista na legislação. Em recurso voluntário o contribuinte defendeu que a inobservância de obrigação acessória não poderia redundar no indeferimento de seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Consoante IN SRF 86/2001, lastreada no art. 11 da Lei nº 8.218/91, as pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, devendo apresentálos, quando intimadas, no prazo de 20 (vinte) dias. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a transmitir os arquivos digitais em 12/04/2012, porém, só o fez em 03/10/2012, sob alegação de necessidade de ajustes às determinações da RFB. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10920.906762/201235 Acórdão n.º 3401003.489 S3C4T1 Fl. 11 3 O Despacho Decisório de efl. 25, datado de 04/09/2012, vincula a não homologação da compensação à impossibilidade de aferir o crédito indicado na declaração de compensação. Portanto, há uma sutileza na situação sub examine, pois o ponto fulcral da discussão não reside na ausência de crédito, como parece entender o recorrente, mas sim na impossibilidade de sua verificação ante o descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo, temse que o art. 65 da IN SRF 900/2008 impunha essa conseqüência para situações como a dos autos, verbis: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) Fl. 70DF CARF MF 4 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009)” (destacado) A atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de disciplinar o procedimento de restituição, compensação e ressarcimento, por seu turno, vem prevista no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/96. A inobservância da obrigação acessória de apresentar os arquivos digitais, tal como estatuído no dispositivo reproduzido, além das penalidades previstas no art. 12 da Lei nº 8.218/91, também resulta no indeferimento do pedido de ressarcimento ou não homologação da compensação respectiva. Aliás, a previsão de indeferimento/não homologação constou expressa e destacadamente do termo de intimação para transmissão dos arquivos digitais (efl. 38). Como dito, não se discute aqui o direito ao crédito pleiteado, propriamente dito, mas o seu indeferimento decorrente da inadimplência da obrigação acessória, que efetivamente ocorreu, sendo causa suficiente para o desprovimento do pedido. Outrossim, não aproveita ao recorrente a extensão do prazo, de 20 (vinte) dias para 110 (cento e dez) dias, promovida pelo ADE Corec nº 03/2012, porque, mesmo que levada em consideração, a extemporaneidade persistiria, tomadas as datas de intimação (12/04/2012) e a data de entrega (03/10/2012). Mais uma vez, o debate ora travado cingese exclusivamente ao (in)deferimento dos pedidos formulados pela inobservância de obrigações acessórias impostas pela legislação de regência, como condição necessária à finalidade desejada, sendo desimportante, neste momento, a legitimidade do direito creditório. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.008726/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA SANÇÃO.
Tendo em vista que os valores repassados aos dentistas credenciados pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária, pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços, não pode prevalecer a imposição de multa por falta/erro de informação na GFIP.
Numero da decisão: 2202-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e José Alfredo Duarte Filho, que negaram provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA SANÇÃO. Tendo em vista que os valores repassados aos dentistas credenciados pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária, pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços, não pode prevalecer a imposição de multa por falta/erro de informação na GFIP.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18050.008726/2008-26
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700115
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.613
nome_arquivo_s : Decisao_18050008726200826.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 18050008726200826_5700115.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e José Alfredo Duarte Filho, que negaram provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6688374
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048949020950528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 246 1 245 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.008726/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.613 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PLANO DE ASSIST ODONTOLOG UNIDONTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA SANÇÃO. Tendo em vista que os valores repassados aos dentistas credenciados pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária, pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços, não pode prevalecer a imposição de multa por falta/erro de informação na GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto, Cecília Dutra Pillar e José Alfredo Duarte Filho, que negaram provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 87 26 /2 00 8- 26 Fl. 246DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente para constituir crédito referente a Contribuições Previdenciárias. Foi apresentada impugnação e, tendo em vista o julgamento da DRJ que manteve integralmente o crédito fazendário, foi interposto recurso voluntário. Chegando ao CARF, foi determinada diligência, a qual não foi realizada por não ter sido encontrada a Contribuinte. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Foi constituído em 31/10/2008 auto de infração registrado sob o DEBCAD nº 37.204.6126 em desfavor da Contribuinte, ora Recorrente, para constituir débito referente a multa isolada no valor de R$ 138.037,90, por não ter erro/falta de informado na GFIP. Conforme o Relatório Fiscal da Infração (fls. 12/14), a Recorrente deixou de informar, "no período de 01 a 12/2004, fatos geradores de contribuição previdenciária referentes aos contribuintes pessoas físicas que lhe prestaram serviços, bem como aos sócios que fizeram retiradas" (fl. 12). Os autos foram apensados ao processo nº 18050.008717/200835 (fl. 20) Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação (fls. 28/34 e docs. anexos fls. 36/113), que foi julgada improcedente pela DRJ no acórdão nº 1522.778, de 04/03/2010 (fls. 144/152). Essa decisão colegiada restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 GFIP. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de informar mensalmente à Administração Tributária, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições sociais destinadas à Previdência Social e outras informações de interesse deste órgão. Impugnação Improcedente Intimada da decisão de 1º grau em 31/05/2010 (fl. 164), e insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 25/06/2010 (fls. 168/172), argumentando, em síntese: · Que a presente infração tem natureza reflexa em relação aos processos nº 18050.008717/200835 e nº 10850.008718/200880, devendo o seu julgamento ser sobrestado enquanto não ocorrer o trânsito em julgado destes outros autos. Chegando a e.CARF, e considerando que a Recorrente afirma nos autos processos ter sido incluído no lançamento valores pagos a pessoas jurídicas, o julgamento foi Fl. 247DF CARF MF Processo nº 18050.008726/200826 Acórdão n.º 2202003.613 S2C2T2 Fl. 247 3 convertido em diligência pela Resolução nº 2302000.261, de 19/11/2013 (fls. 179/182), para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre os temas. Esses autos foram novamente apensados ao processo nº 18050.008717/2008 35 (fl. 183). Enfim, em 19/02/2015 foi lavrada "Informação Fiscal" (fls. 184/185), na qual se constata que não foi possível contatar a empresa para a realização da diligência, tendo sido publicado edital sem resultado e, inclusive, intimado o condomínio comercial onde ficava localizada anteriormente para que prestasse informações e foi esclarecido que a empresa já não ocupava qualquer imóvel naquele edifício. Ainda, que a empresa passou a declarar GFIPs como "Sem Movimento" desde 11/2014, de sorte que a fiscalização concluiu pela dissolução irregular da empresa, lavrando Representação Fiscal. Enfim, como a relatora original já não compõe os quadros desse e.CARF, os autos foram novamente sorteados, caindo em minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Do processo reflexo O RICARF vigente, introduzido pela Portaria MF nº 343/2015 e suas alterações, estabelece expressamente que: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivo s; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 248DF CARF MF 4 (...) § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. O caso em tela configura, sem sombra de dúvidas, a hipótese de processo reflexo aos processos nº 18050.008717/200835 e nº 10850.008718/200880, vez que formalizado no mesmo procedimento fiscal, na mesma data, com os mesmo elementos de prova, tratandose, apenas, de tributos (in casu, sanção) diferentes. Inclusive, os processos já foram apensados para julgamento conjunto. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário do Contribuinte no sentido de reconhecer a vinculação dos processos. Mais, tendo em vista que foi reconhecida nesses processos anexos a improcedência do lançamento das contribuições sociais em relação aos valores pagos aos profissionais odontólogos credenciados, não pode prevalecer a multa nessa parte do lançamento, vez que não houve descumprimento de obrigação acessória em relação aos valores pagos a essas pessoas. Dispositivo De acordo com tudo quando exposto acima, voto por dar provimento ao recurso voluntário para afastar a multa sobre os valores pagos aos profissionais odontólogos não credenciados. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006411/00-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1996
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 9.583,43, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também excluir da base de cálculo o valor de R$ 18.300,00.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1996 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13807.006411/00-30
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5688857
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.695
nome_arquivo_s : Decisao_138070064110030.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 138070064110030_5688857.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 9.583,43, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também excluir da base de cálculo o valor de R$ 18.300,00. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6665636
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048949056602112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 204 1 203 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.006411/0030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.695 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de fevereiro de 2017 Matéria IRRF pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado Recorrente TÊXTIL BICOLOR IND. COM. CONF. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1996 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 9.583,43, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também excluir da base de cálculo o valor de R$ 18.300,00. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 64 11 /0 0- 30 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 205 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, em 11/01/2008, contra a decisão proferida no Acórdão nº 7.613 (fls. 96/104), pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que negou provimento a sua impugnação e assim relatou os fatos: A empresa retro identificada foi autuada, conforme o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, no IRRF, em 07/07/2000, no valor total de R$ 53.188,10, incluindo imposto alíquota de 35% sobre as bases de cálculo reajustadas, multa de 75% e juros calculados até 30/06/2000, por falta de recolhimento do imposto sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, no anocalendário de 1996, com fundamento legal no art. 61 e §§ da Lei n.° 8.981/95 (fls. 1 a 27). 2 Os fatos, em resumo, são os seguintes: a empresa, optante do lucro presumido mas com escrituração contábil que separava "Caixa" e "Bancos", não escriturava, em 1996, a conta corrente de n.° 12.441, do Banco Itaú, agência 0175, tendo sido intimada e reintimada a (I) comprovar a origem dos depósitos e a (II) "esclarecer e apresentar provas da razão econômica da emissão dos cheques." (fls. 4 a 7, e 13 a 15) nessa conta. 3 A empresa esclareceu que uma parte dos cheques emitidos foi depositada em contas correntes dos sócios (fls. 8 a 12). Tais valores foram considerados comprovados, embora a fiscalização não explicite isso (fls. 6 a 8, 18, e 21 a 23); a outra parte, sem identificação de beneficiários, foi objeto da autuação em tela. 4 A empresa apresentou impugnação, a 08/08/2000 (fls. 30 a 35), por meio de seu sócio (fls. 35 e 42), acostando cópias de documentos (fls. 36 a 77), e alegando, em resumo, que a "conta corrente ... destinavase ... a recebimento 'antecipado' de clientes, e quando da emissão da Nota Fiscal, os valores depositados eram transferidos para uma outra conta corrente, pertencente também a Têxtil Bicolor.". 5 Diz que "localizou a prova de vários pagamentos, sendo que ... parte deles foram ... para sócios a titulo de distribuição de lucros gerados no anocalendário de 1996, e a outra parte transferidos para conta corrente também pertencente h. empresa.". 6 Relaciona detalhadamente tais valores, de forma que "do valor total dos pagamentos ... no montante de R$ 36.944,13, a quantia de R$ 18.300,00 referese a distribuição de lucros ... e o valor de R$ 15.992,60 referese a valores depositados em outras contas correntes da Têxtil Bicolor, devidamente registradas contabilmente. A somatória desses valores totaliza a importância de R$ 34.292,60." (fls. 47 a 50, e 63 a 71). 7 Afirma que somente os comprovantes de dois pagamentos, de R$ 2.250,00 e de R$ 401,53, no valor total de R$ 2.601,53 (entendase: R$ 2.651,53), não foram localizados, mas que a base de cálculo reajustada para R$ 3.408,02 foi utilizada para calcular o imposto e acessórios, tendo sido efetuado o respectivo recolhimento, em 08/08/2000, conforme DARFs em anexo (fls. 72 e 73). 8 Prossegue dizendo que o balancete de verificação do anocalendário de 1996 (fls. 51 a 61) mostra um lucro a distribuir de R$ 382.567,37, do qual foi Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 206 3 efetivamente distribuído no próprio ano de 1996, o valor de R$ 66.530,00, do qual a parte de R$ 48.230,00 foi reconhecida pela AFRF, no curso da ação fiscal. A diferença entre estes valores, que alcança os R$ 18.300,00 já mencionados, referese a lucros distribuídos, ressaltando que a partir do anocalendário de 1996 tal distribuição é isenta de IRRF, nos termos do art. 10 da Lei n.° 9.249/95. 9 A impugnante solicita, a 02/10/2000, a inclusão de cópia de cheque como parte das provas referentes à distribuição de lucros (fls. 82 a 84). A DRJ/SPO considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado, conforme ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1996 Ementa: CONTA CORRENTE BANCÁRIA NÃO ESCRITURADA. PAGAMENTOS. NECESSIDADE DE DUPLA COMPROVAÇÃO: BENEFICIÁRIO E OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. TRANSFERÊNCIA PARA OUTRAS CONTAS DA EMPRESA. Incide o imposto de renda exclusivamente na fonte sobre os rendimentos decorrentes dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, contabilizados ou não, quando o beneficiário foi identificado, mas não houve comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, da operação ou sua causa, pois a prova da entrega de recursos aos sócios não significa que a entrega se deu a titulo de distribuição de lucros, e a prova da transferência de recursos para outras contas da empresa não prova a causa de tal transferência. Lançamento Procedente Cientificado do referido acórdão em 14/12/2007 (AR às fls. 108), o contribuinte interpôs o presente recurso, em 11/01/2008 (fls. 118/133), no qual se mostra inconformado com a decisão da DRJ/SPO e repisa as alegações e pedidos trazidos na impugnação. Embora não tenha havido lançamento de IRPJ, o processo se encontrava na 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1º Seção de CARF, que declinou de sua competência, mediante a Resolução nº 1102000.200, de fls. 196/201, vindo os autos à 2ª Seção e sorteados para esta Turma. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 207 4 Limites do litígio No lançamento de IRRF em questão, foram considerados como pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa os seguintes cheques da conta corrente nº 12.441, do Banco Itaú, agência 0175: Data Nº cheque Valor 12.01.1996 24474 2.250,00 30.01.1996 24475 4.200,00 21.03.1996 24476 450,00 31.05.1996 24479 524,96 31.05.1996 24480 781,90 31.05.1996 24481 1.283,97 31.05.1996 24482 6.409,17 03.06.1996 24483 4.000,00 03.06.1996 24484 4.000,00 12.06.1996 24486 1.451,87 12.06.1996 24487 2.409,27 12.06.1996 24488 1.219,31 03.07.1996 24491 5.650,00 28.08.1996 24493 386,49 30.08.1996 24494 401,53 01.11.1996 24495 1.525,66 Total 36.944,13 Destes, o contribuinte informa que não conseguiu localizar os pagamentos abaixo relacionados e que efetuou o recolhimento do imposto que lhes correspondem, conforme DARF às fls. 162/163, em 08/08/2000, após a ciência da autuação, que ocorreu em 19/05/2000 (fls. 6). Data Nº cheque Valor 12.01.1996 24474 2.250,00 30.08.1996 24494 401,53 Total 2.651,53 Por certo, a confirmação da exatidão dos valores recolhidos (item 18 do recurso, às fls. 122) e a da destinação dos referidos DARF deverá ser efetuada pela unidade de origem, com o intuito de apropriar esses pagamentos ao débito em questão, se for o caso. No entanto, essa atitude do contribuinte já evidencia sua concordância com o lançamento relativo aos fatos geradores consubstanciados nesses cheques, o que não invalida o auto de infração nessa parte, mas apenas suprime o interesse processual e caracteriza a desistência do contencioso administrativo em relação às contribuições e multas e juros incidentes sobre essas bases de cálculo. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 208 5 Logo, as exigências relativas aos cheques nº 24474 e 24494, da conta corrente 12.441, do Banco Itaú, estão fora do litígio administrativo. Mérito Assim como alegou na impugnação, a recorrente ressalta que, dos pagamentos considerados pela fiscalização como realizados a beneficiários não identificados e/ou sem causa, uma parte se refere à distribuição de lucros aos sócios e outra parte à transferências entre contas correntes da própria empresa. Na sequência, analisase essas situações individualmente. Distribuição de lucros aos sócios O Contribuinte alega que localizou cópias de comprovantes de depósitos e de cheque (trazidos às fls. 56/59 e 92/93 e reapresentados às fls. 165/172 ), que diz comprovarem os seguintes pagamentos aos sócios, a título de distribuição de lucros gerados no ano calendário de 1996: Data Nº cheque Valor Detalhamento do pagamentos 30.01.1996 24475 4.200,00 Depósito Bradesco, c/c 67.7809, ag. 1066 Sr. Gregório Barnes 21.03.1996 24476 450,00 Depósito Bradesco, c/c 67.7809, ag. 1066 Sr. Gregório Barnes 03.06.1996 24483 4.000,00 Depósito Banerj, c/c 0461608, ag. 241 Sr. Gregório Barnes 03.06.1996 24484 4.000,00 Depósito Banerj, c/c 481102, ag. 241 Sr. Marcos Antonio Coque 03.07.1996 24491 5.650,00 Depósito Nossa Caixa, c/c 67.7809, ag.1066 Sr. Gregório Barnes Total 18.300,00 A DRJ entendeu que, embora constasse, nos balancetes apresentados pelo contribuinte às fls. 63 e 68 (números após a digitalização do processo), a apuração de lucro no valor R$ 382.567,37 em 1996, não restou comprovado que os pagamentos realizados aos sócios por meio desses cheques se referiam à distribuição de lucros, pelos seguintes motivos: ausência registros contábeis que respaldassem essa afirmação; distribuição desproporcional entre os sócios (que participavam no percentual de 50% das cotas do capital social); a operação poderia representar "caixa dois". A recorrente contesta o entendimento da DRJ, dizendo que o equívoco na contabilização é falha de natureza operacional e não pode impedir que a distribuição seja efetuada; que a distribuição pode ser desproporcional, se assim for estipulado entre os sócios, nos termos do art. 330, do Código Comercial; e que sequer poderia ser ventilada alegação de "caixa dois", pois não faz parte da autuação que deu origem ao processo. Conforme expôs a fiscalização e o contribuinte, a empresa optou pelo tributação do IRPJ com base no lucro presumido, no ano de 1996, mas manteve a escrituração contábil completa. Em seu recurso (item 36, às fls. 126), o próprio sujeito passivo reconhece que não lançou em sua contabilidade a alegada distribuição de lucros aos sócios. Portanto, não há Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 209 6 documentos hábeis e idôneos que respaldem seus argumentos de que os cheques depositados nas contas bancárias dos sócios da empresa corresponderiam a lucros distribuídos. E também não foi trazida nenhuma comprovação de que os sócios teriam estipulado distribuição de lucros de forma desproporcional, o que dispensa a discussão sobre essa possibilidade. Assim, apesar de haver a identificação dos beneficiários dos cheques em questão, não restou comprovada nos autos a operação que provocou esses pagamentos ou a sua causa. Logo, permanece sobre esses valores a incidência do imposto de renda na fonte, na alíquota de 35%, nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a seguir: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Transferências entre contas correntes da própria empresa A recorrente argumenta que os cheques a seguir relacionados correspondem às transferências de valores para outras contas correntes da própria empresa, conforme depósitos que juntou às fls. 72/80 e reapresentou às fls. 186/194: Data Nº cheque Valor 31.05.1996 24479 524,96 31.05.1996 24480 781,90 31.05.1996 24481 1.283,97 31.05.1996 24482 6.409,17 12.06.1996 24486 1.451,87 12.06.1996 24487 2.409,27 12.06.1996 24488 1.219,31 28.08.1996 24493 386,49 01.11.1996 24495 1.525,66 Total 15.992,60 A DRJ verificou que quase todos os depósitos bancários comprovam que os cheques se referem às alegadas transferências para outras contas bancárias da empresa, com exceção apenas dos cheques (acima negritados) de 31/05/1996, no valor de R$ 6.409,17 (nº 024482), e de 01/11/1996, no valor de R$ 1.525,66 (nº 24495), em relação aos quais não houve coincidência de valor comparado com o depósito de fls. 68 (77) e de data e valor comparado com o depósito de fls. 64 (73 no processo digitalizado). Porém, entendeu a primeira instância julgadora que também em relação às transferências comprovadamente efetuadas para outras Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 210 7 contas da empresa não houve prova de sua causa, pois não foram apresentados os respectivos elementos de escrituração. No recurso, a recorrente alega que a razão pela qual não foi identificada a transferência do cheque nº 024482 é que o depósito contempla, além do montante de R$ 6.409,17, ora em análise, um montante de R$ 57,28, correspondente a depósitos não relacionados ao tema, perfazendo a importância de R$ 6.466,45, que é montante total do depósito. Nesse sentido, observase o comprovante de fls. 77 (reapresentado às fls. 189), mostra que houve um depósito na conta da empresa na Nossa Caixa, na data de 31/05/1996, no valor "em cheque" de R$ 6.466,45, conforme abaixo: Embora o cheque nº 024482, do Banco Itaú, tenha sido compensado na mesma data, seu valor (R$ 6.409,17) não é coincidente com o referido depósito. Também não foi trazida uma cópia de cheque ou extrato bancário que demonstrasse que a diferença (R$ 57,28) corresponderia a outro cheque depositado mediante o mesmo comprovante. Portanto, não está descartada, por exemplo, a hipótese de tal depósito ter sido integralmente feito com qualquer outro cheque da empresa ou de terceiros. Dessa forma, cabe manter a decisão da DRJ de que não houve comprovação de transferência quanto ao cheque nº 024482, no valor de R$ 6.409,17. A recorrente alega também que não há divergência na transferência ocorrida por meio do cheque nº 024495, pois, embora o depósito totalize a importância de R$ 3.661,58, nele está especificado o valor de R$ 1.525,66, como "valor em cheques superiores", a quantia de R$ 2.135,92, como "valor em dinheiro". Quanto a esse cheque (nº 024495), notase que o contribuinte havia informado na impugnação, às fls. 37, que se tratava de valor depositado em sua conta no Bradesco. Contudo, naquela ocasião apresentou comprovante de depósito (fls. 73) incompatível com o mencionado cheque em datas e valores, tendo sido refutado pela DRJ. No recurso, às fls. 194, apresenta outro comprovante de depósito, abaixo colacionado: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 211 8 Não se desconhece que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém, a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido, os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Dessa forma, entendese possível apreciar o depósito de fls. 194 nesta instância administrativa. De fato, observase que o mencionado comprovante (fls. 194) aponta o depósito na quantia de R$ 1.525,66, como "valor cheques superiores", na data de 01/11/1996, coincidindo, assim, com a data e valor do cheque nº 024495, objeto da autuação. Portanto, entendese comprovado que esse cheque se refere à transferência de recursos entre contas bancárias do sujeito passivo. Argumenta ainda, a recorrente, que as transferências foram efetuadas apenas para dois bancos: Nossa Caixa (c/c 3449, ag. 03727) e Bradesco (c/c/ 41.9516, ag. 01066), cujas contas estão escrituradas em sua contabilidade, sendo esses recursos utilizados normalmente nas operações da recorrente por intermédio dessas contas, e discorda do posicionamento da DRJ em manter a autuação na parte relativa às transferências entre as contas da empresa. A DRJ entendeu que sem a apresentação dos respectivos elementos de escrituração não houve prova da causa dessas transferências. Ocorre que o parágrafo 1º, do art. 61, da Lei nº 8.981/1995, deixa claro que a falta de comprovação da operação ou a sua causa se refere aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, conforme repetese a seguir: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 212 9 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. (Grifouse) Como se vê, a legislação aplicada na autuação não prevê a incidência do imposto de renda na fonte sobre recursos que são movimentados no âmbito da própria entidade. Dessa forma, se o contribuinte comprova que os cheques apontados na autuação se destinaram a transferir valores de uma conta bancária para outra, todas de titularidade da própria empresa (como também reconheceu a DRJ), não se verifica a hipótese de incidência do referido tributo e tampouco da necessidade de se provar as causas dessas transferências. Portanto, há que se dar provimento ao recurso do contribuinte quanto aos cheques que comprovadamente se referem às transferências entre contas correntes de sua titularidade, que são os seguintes: Data Nº cheque Valor 31.05.1996 24479 524,96 31.05.1996 24480 781,90 31.05.1996 24481 1.283,97 12.06.1996 24486 1.451,87 12.06.1996 24487 2.409,27 12.06.1996 24488 1.219,31 28.08.1996 24493 386,49 01.11.1996 24495 1.525,66 Total 9.583,43 Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da exigência fiscal os cheques do Banco Itaú S/A que comprovadamente se referem às transferências entre contas correntes da empresa (quadro acima), no valor total de R$ 9.583,43. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13807.006411/0030 Acórdão n.º 2202003.695 S2C2T2 Fl. 213 10 Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
