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Numero do processo: 10880.917191/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO.
O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do SuperiorTribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01.
Numero da decisão: 3402-004.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Thais De Laurentiis declarou-se impedida.
Assinatura Digital
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinatura Digital
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (suplente), Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do SuperiorTribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Thais De Laurentiis declarouse impedida. Assinatura Digital JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 91 /2 01 0- 16 Fl. 214DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (suplente), Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela interessada acima epigrafada, contra a decisão que homologou parcialmente as compensações declaradas que utilizaram o crédito de Ressarcimento de IPI (crédito presumido) relativo ao 1º trimestre de 2004, no montante de R$ 726.002,91 (setecentos e vinte e seis mil e dois reais, noventa e um centavos). No entanto, o crédito reconhecido foi de R$ 497.127,86 (quatrocentos e noventa e sete mil, cento e vinte e sete reais, oitenta e seis centavos), insuficiente à quitação integral dos débitos oferecidos à compensação. De acordo com o Despacho Decisório (efls. 2 e 132), o crédito pleiteado não foi integralmente reconhecido em razão da glosa de crédito presumido considerado indevido em procedimento fiscal. Instruindo a decisão, o relatório fiscal (Termo de Informação Fiscal) elaborado em conclusão ao procedimento (e fls. 142/146) foi disponibilizado à interessada no sítio eletrônico da RFB, conforme se informa no corpo do Despacho. Em suma, a Informação Fiscal relata que: ● A receita de exportação considerada na apuração do crédito presumido foi reduzida em R$ 163.911,03 em razão de devolução de vendas. ● A receita operacional bruta foi ajustada em razão de devoluções não consideradas pela contribuinte em seus cálculos. ● Foram excluídas da base de cálculo do crédito as aquisições de insumos de pessoas físicas e importados. Houve também ajuste decorrente de produtos em elaboração e acabados relativos ao mês. ● O valor dos insumos relativos aos produtos acabados e em elaboração foram obtidos proporcionalmente aos seus custos individuais. ● Em face dos ajustes apontados, a apuração demonstrada no DCP foi recomposta, obtendose novo valor para o crédito presumido (efl. 146). Cientificada da decisão em 18/02/2011, a interessada manifestou a sua inconformidade em 18/03/2011 (efls. 54/66). Em síntese, alega as seguintes razões de defesa: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.917191/201016 Acórdão n.º 3402004.372 S3C4T2 Fl. 215 3 1 Aquisições de pessoas físicas A glosa relativa aos insumos adquiridos de pessoas físicas contraria a lei que instituiu o benefício fiscal e a jurisprudência administrativa e judicial. O fundamento da glosa decorre unicamente de instruções normativas, que extrapolaram a tarefa de regulamentar a lei. De acordo com o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, não há qualquer distinção quanto à origem da aquisição da matériaprima. A Lei nº 10.276, de 2001, segue o mesmo norte definido por aquela Lei, não tendo feito qualquer tipo de distinção. Colacionou jurisprudência administrativa e judicial. 2 Utilização de insumos importados O valor relativo à utilização de insumos importados já havia sido excluído quando da apuração do crédito, sendo que a glosa efetuada pela autoridade fiscal redundou em duplicidade. Juntou o “Demonstrativo de Insumos Utilizados no Mês” (efl. 148). Por fim, a interessada pugna pelo reconhecimento da homologação total das compensações declaradas. Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade dos débitos cujas compensações não foram homologadas. É o relatório do essencial. Em ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO PELA SISTEMÁTICA DA LEI Nº 10.276, DE 2001. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. De acordo com o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.276, de 2001, a base de cálculo do crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS, deve considerar apenas as aquisições de produtos sobre os quais incidiram as referidas contribuições. Tendo em vista que nas aquisições de pessoas físicas não incidem tais contribuições, elas não podem ser incluídas na base de cálculo do benefício fiscal. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXCLUSÃO DAS MATÉRIASPRIMAS IMPORTADAS NA APURAÇÃO. ALEGAÇÃO DE EXCLUSÃO EM DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 216DF CARF MF 4 Ao comparar as apurações demonstradas pela interessada e pela autoridade fiscal, verificase que ambas partiram de um mesmo valor inicial e subtraíram uma única vez o valor das matérias primas importadas. Desta forma, não se sustenta a alegação de uma suposta duplicidade na exclusão do referido valor, na apuração demonstrada pelo Fisco. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. Manifestação de Inconformidade Inprocedente Direito Creditório não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Empresa, em seu Recurso Voluntário, repisou os mesmos argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem como que houve exclusão dos insumos importados em duplicidade pela Autoridade Tributária. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A discussão da lide restringese ao crédito presumido de IPI calculado sobre aquisições de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e COFINS, bem como a glosa de insumos importados em duplicidade efetuada pela Autoridade Tributária na apuração dos créditos a ressarcir. Direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre aquisições de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e COFINS Esta matéria, já há muito debatida nas turmas do CARF, hodiernamente é julgada de modo uniforme por força da aplicação §2 do art.62 do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015. Segundo o referido dispositivo, as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Os fundamentos do entendimento do STJ a respeito do tema se encontram bem delineados na decisão abaixo transcrita, prolatada em sede de julgamento de Recurso Especial (REsp nº 993.164 MG) representativo de controvérsia: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.917191/201016 Acórdão n.º 3402004.372 S3C4T2 Fl. 216 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS∕PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363∕96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23∕97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10∕STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363∕96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23∕97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363∕96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS∕PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador" . 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38∕97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363∕96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12).5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23∕97 (revogada, sem interrupção de sua Fl. 218DF CARF MF 6 força normativa, pela Instrução Normativa 313∕2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419∕2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS∕PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23∕97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363∕96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS∕PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363∕96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS∕PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287∕RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433∕ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034∕PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021∕CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617∕CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.917191/201016 Acórdão n.º 3402004.372 S3C4T2 Fl. 217 7 Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733∕CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392∕RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367∕98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363∕96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392∕RN). 10. A Súmula Vinculante 10∕STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10∕STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188∕SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes Fl. 220DF CARF MF 8 para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (Recurso Especial nº 993.164 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, julgado em 13/12/2010, DJe:17/12/2010)) A matéria também já se encontra sumulada pelo STJ, in verbis: Súmula STJ nª 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O STJ, portanto, afastou as limitações que a IN SRF º23/97 estabeleceu quanto ao cálculo do crédito presumido sobre aquisições de insumos de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS, uma vez que a referida norma extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363∕96. No entanto, a instância a quo negou provimento ao recurso neste ponto sob a justificativa de que a Interessada optou em apurar o crédito presumido pela sistemática alternativa prevista na Lei nº 10.276/01 que apresentaria dispositivo expresso determinando que a base de cálculo do crédito presumido do IPI deve considerar apenas as aquisições de produtos sobre os quais incidiram as contribuições para o PIS e para a COFINS e que, por isso, as determinações do STJ quanto a matéria da Lei nº9.363/96, não se aplicariam ao caso concreto ora analisado. Discordo do entendimento da DRJ, conforme passo a explicar. O paradigma do STJ não faz referência expressa ao regime alternativo de Crédito Presumido de IPI constante na Lei nº10.276/01, mas entendo que os fundamentos da decisão também se aplicam ao referido regime por tratar de matéria semelhante ao Crédito criado pela Lei nº 9.363/96 . Segundo a referida decisão, a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição. Sendo assim, a base de base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, sem condicionantes. O fato de haver a incidência ou não na última fase na cadeia é irrelevante para o cálculo do crédito presumido de IPI pois o produto rural adquirido carrega em parte do seu custo o reflexo das contribuições incidentes em cascata de etapas anteriores. Ademais, tendo o crédito presumido de IPI natureza jurídica de subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, não há necessidade de provar a incidência das contribuições para que uma aquisição de insumo integre o cálculo, sendo a sua sistemática de apuração diferente, portanto, de restituição de contribuições. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.917191/201016 Acórdão n.º 3402004.372 S3C4T2 Fl. 218 9 Partilhando do mesmo entendimento de aplicação do repetitivo do STJ aos pedidos de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI calculados sob o regime alternativo previsto na Lei nº10.276/01, transcrevo a seguir as ementas de alguns julgados do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2004 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. INCUBAÇÃO E CRIAÇÃO DE FRANGOS PARA ABATE. As atividades de incubação de ovos e de criação de frangos para abate são processos biológicos que não se subsumem ao conceito de industrialização. O valor dos custos com insumos empregados nessa fase do processo produtivo devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A do RICARF, o produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº10.276/01. APLICAÇÃO. O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplicase também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. Recurso voluntário provido em parte. (Acórdão 3403002.536, CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, Data da Decisão 22/11/2013) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 Ementa:IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A do RICARF, o Fl. 222DF CARF MF 10 produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplicase também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS IMPORTADOS.IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o disposto nos arts. 1º da Lei nº 9.363/96 e 1º, §1º, I da Lei nº 10.276/01, apenas insumos adquiridos no mercado interno ensejam crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES SOBRE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Fretes sobre vendas não configuram matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, razão pela qual não geram crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário parcialmente provido. (Acórdão nº 3403002.390, CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, Data da Decisão:26/08/2013) Portanto, por todo o exposto, a Recorrente tem direito de calcular o seu crédito presumido sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas. Duplicidade de Glosa de Insumos Importados Quanto a alegada duplicidade de exclusão dos insumos importados, não identifiquei qualquer irregularidade na apuração da Autoridade Tributária constante no seu TVF (Termo de Verificação Fiscal). Para ficarem claras as origens das diferenças, elaborei a tabela abaixo indicada com as apurações de insumos utilizados para o cálculo do crédito presumido da Receita Federal e do Contribuinte. Rubrica Apuração Receita Federal Apuração Contribuinte Diferença Matériaprima 15.277.153,79 15.277.153,79 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.917191/201016 Acórdão n.º 3402004.372 S3C4T2 Fl. 219 11 () Aquisições de pessoas físicas (1.774.775,12) (1.774.775,12) () Consumo matérias primas importadas (3.599.020,51) (3.599.020,51) Subtotal matérias primas 9.903.358,16 11.678.133,28 (1.774.775,12) Insumos Intermediários 96.774,36 96.774,36 Embalagens 305.588,36 173.712,64 131.875,72 ICMS no custo 210.201,71 (210.201,71) Total MP, PI e Embalagens 10.305.720,88 12.158.821,99 1.853.101,11 Comparando as apurações, percebese que ambas partem do mesmo valor (R$ 15.277.153,79) e excluem o valor do Cacau Importado (R$ 3.599.020,51). A única divergência nessa parte inicial das apurações é quanto às aquisições de pessoas físicas no valor de R$1.774.775,12 que a Receita Federal entendeu que caberia a glosa. Os valores finais apurados dos Insumos utilizados para o cálculo do Crédito Presumido da Receita Federal e do Contribuinte foram R$ 10.305.720,88 e R$ 12.158.821,99, respectivamente. A diferença apurada entre as apurações foi, portanto, de R$ 1.853.101,11. Parte dessa diferença, conforme explicitado acima, é decorrente das aquisições de insumos de pessoas físicas, no montante de R$ 1.774.775,12 que também é objeto de discussão deste recurso. Quanto a diferença de R$ 78.325,99 (1.853.101,111.774.775,12), decorreu de outras rubricas (Embalagens e ICMS no custo) que provavelmente foram ajustadas pela Receita Federal, mas que não fazem parte da discussão no presente recurso. Assim, conforme demonstrado, a divergência apurada entre a apuração do Contribuinte e da Receita Federal não decorre da exclusão em duplicidade de insumos importados, mas da exclusão de aquisições de pessoas físicas, discutida neste processo, e outras rubricas (embalagens e ICMS no custo) que não foram prequestionadas na Impugnação, nem no Recurso Voluntário e, portanto, não podem ser julgadas nesta instância administrativa. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para deferir o ressarcimento do crédito presumido de IPI apurado sobre insumos adquiridos de pessoas físicas. Assinatura Digital Fl. 224DF CARF MF 12 Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003061/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do trintídio estabelecido pela legislação de regência.
Numero da decisão: 2201-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do trintídio estabelecido pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 61 /2 00 5- 70 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.003061/200570 Acórdão n.º 2201003.759 S2C2T1 Fl. 240 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 12/12/2.005, o Auto de Infração de fls. 170 a 176, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2.002 e 2.003 (anos calendário 2.001 e 2.002, respectivamente), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 717.813,06, dos quais R$ 323.300,40 correspondem a imposto, R$ 242.475,29, a multa proporcional, e R$ 152.037,37, a juros de mora, calculados até 30/11/2.005. 2. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 155 a 169) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 174 e 175), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: 2.1Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados, durante os anoscalendário 2.001 e 2.002, em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Anocalendário Infrações (total) Multa (%) 2.001 R$ 139.568,26 75,00 2.002 R$ 1.065.847,15 75,00 Enquadramento legal: Art. 849 do RIR199; art. 42 da Lei n° 9.430/1.996; art. 40 da Lei n° 9.481/1.997; art. 10 da Lei n° 9.887/1.999; art. 1° da Medida Provisória n° 22/2.002, convertida na Lei n° 10.451/2.002. sl 3. Cientificado do Auto de Infração em 23/12/2.005 (fl. 177), o contribuinte apresentou, em 24/01/2.006 (fl. 179), por intermédio de seu representante legal (fl. 185), a impugnação de fls. 180 a 184, alegando, em síntese, que: 3.1 está claro e demonstrado, cabalmente no processo' fiscal, que os valores depositados e apontados nas planilhas elaboradas pelo Fisco provinham de títulos e duplicatas anteriormente descontadas pelo autuado junto à empresa Senges Papel e Celulose, não sendo produtos de receitas ou rendimentos omitidos, estando tudo claro e comprovado na documentação em poder da Fiscalização; 3.2 os depósitos à conta da referida empresa correspondiam aos valores dos descontos das duplicatas, que eram feitos conforme os borderôs mencionados pela Fiscalização e os créditos bancários a favor dele, recorrente, se referiam, em sua maioria, aos pagamentos dos referidos títulos pelos devedores sacados, não podendo se concluir, como fez o Fisco, que todos os depósitos provinham de receitas omitidas; 3.3 no presente caso não pode ser aplicada a presunção legal de omissão de rendimentos, na medida em que a Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.003061/200570 Acórdão n.º 2201003.759 S2C2T1 Fl. 241 3 origem dos recursos que originaram os depósitos eram do conhecimento da Fiscalização, independentemente de qualquer informação do contribuinte; 3.4 todas as informações e documentos solicitados pela Fiscalização foram oferecidos, na medida em que o autuado tinha posse ou conhecimento daquilo que lhe era exigido, encontrandose as informações sobre as origens dos depósitos nos documentos de posse do Fisco, como se depreende das informações contidas nas páginas 1 a 3 do Termo de Verificação Fiscal, não ocorrendo, assim, a falta de comprovação de sua movimentação bancária; 3.5 os juros obtidos nessas transações e que seriam objetos de tributação em sua pessoa fisica foram declarados em suas declarações de rendimentos apresentadas; 3.6 requer, por fim, seja o auto de infração julgado improcedente. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 199/205), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001,2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Lançamento Procedente Cientificado do acórdão da DRJ em 14/07/2008, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/08/2008 (fls. 221/229), onde alega em síntese que: A documentação acostada aos autos comprova que os valores tidos como depósitos não identificados, na verdade pertencem a terceiros, não sendo passíveis de tributação, nos termos do artigo 42, §§ 5º e 6º, da Lei 9.430/96. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Conforme Aviso de Recebimento AR que dormita à fl. 217, o sujeito passivo foi cientificado da decisão recorrida em 14/07/2008. Em 15/08/2008 protocolizou o Recurso Voluntário de fls. 218/229, conforme data da petição e data de postagem no SEDEX, fls. 228/229 . Portanto, fora do trintídio legal estabelecido para a sua interposição. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.003061/200570 Acórdão n.º 2201003.759 S2C2T1 Fl. 242 4 Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo se na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Destarte, não paira dúvida acerca da intempestividade do recurso apresentado. É de bom grado salientar ainda, que não houve qualquer argumentação trazida pelo contribuinte capaz de ensejar uma possível exceção de elasticidade do prazo supramencionado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista sua intempestividade. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002172/00-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INCORREÇÃO DOS VALORES DE IRRF INFORMADOS PELA FONTE PAGADORA NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. FORNECIMENTO DE INFORME DE RENDIMENTOS COMPLEMENTAR COM RETIFICAÇÃO DOS VALORES DE IRRF.
O pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ, instruído com cópias de DARFs de IRRF, cujos valores não foram informados em DIRF e não foi apresentado o Informe de Rendimentos, a princípio, enseja o indeferimento do direito creditório pleiteado. Entretanto, comprovado nos autos a incorreção dos valores informados pela fonte pagadora no Comprovante de Rendimentos anteriormente fornecido à contribuinte, a impossibilidade de retificação da DIRF por limitações do sistema, bem assim, o fornecimento de Informe de Rendimentos Complementar com os valores efetivamente retidos e o oferecimento à tributação dessas receitas, deve ser reconhecido o direito creditório da contribuinte.
Numero da decisão: 1301-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 37.472,72 e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Júnior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INCORREÇÃO DOS VALORES DE IRRF INFORMADOS PELA FONTE PAGADORA NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. FORNECIMENTO DE INFORME DE RENDIMENTOS COMPLEMENTAR COM RETIFICAÇÃO DOS VALORES DE IRRF. O pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ, instruído com cópias de DARFs de IRRF, cujos valores não foram informados em DIRF e não foi apresentado o Informe de Rendimentos, a princípio, enseja o indeferimento do direito creditório pleiteado. Entretanto, comprovado nos autos a incorreção dos valores informados pela fonte pagadora no Comprovante de Rendimentos anteriormente fornecido à contribuinte, a impossibilidade de retificação da DIRF por limitações do sistema, bem assim, o fornecimento de Informe de Rendimentos Complementar com os valores efetivamente retidos e o oferecimento à tributação dessas receitas, deve ser reconhecido o direito creditório da contribuinte.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INCORREÇÃO DOS VALORES DE IRRF INFORMADOS PELA FONTE PAGADORA NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. FORNECIMENTO DE INFORME DE RENDIMENTOS COMPLEMENTAR COM RETIFICAÇÃO DOS VALORES DE IRRF. O pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ, instruído com cópias de DARFs de IRRF, cujos valores não foram informados em DIRF e não foi apresentado o Informe de Rendimentos, a princípio, enseja o indeferimento do direito creditório pleiteado. Entretanto, comprovado nos autos a incorreção dos valores informados pela fonte pagadora no Comprovante de Rendimentos anteriormente fornecido à contribuinte, a impossibilidade de retificação da DIRF por limitações do sistema, bem assim, o fornecimento de Informe de Rendimentos Complementar com os valores efetivamente retidos e o oferecimento à tributação dessas receitas, deve ser reconhecido o direito creditório da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 37.472,72 e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 21 72 /0 0- 39 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 526 2 (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Júnior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL S.A (antiga SOLORRICO S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO, manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo — DERAT (fls. 394 a 401), que deferiu parcialmente o pedido de restituição (fls. 01) bem como homologou parcialmente também o Pedido de Compensação do presente processo (fls. 103, retificador) e as Declarações de Compensação DCOMP dos processos apensos, relativos ao saldo credor negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. 2. Ao analisar a DIPJ/2000, ano calendário 1999, o Auditor Fiscal constatou que a empresa declarou prejuízo fiscal no montante de R$ 3.119.650,27 e saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.760.154,80, não efetuando nenhum recolhimento antecipado de IRPJ por estimativa. 3. Ao analisar o IRRF retido, o Auditor Fiscal verificou que a retenção de IRRF pelo banco Santander, referente ao mês de Dezembro de 1998, foi incluído erroneamente na DIPJ e foi desconsiderado. 4. Também não foi aceito o valor declarado como retenção efetuada pelo banco Itaú, uma vez que a empresa não apresentou o comprovante de rendimentos e essa retenção também não consta no sistema DIRF. 5. Como prova da retenção efetuada pelo banco Itaú, a contribuinte apresentou DARF com código de receita 3426 em nome do Banco Itaú e uma carta do referido banco à contribuinte confirmando os recolhimentos em DARF. Entretanto, por não haver qualquer comprovação que a contribuinte fosse a beneficiária do IRRF retido, o valor foi desconsiderado, uma vez que o art. 55 da Lei n° 7.450/1985 exige que a contribuinte possua comprovante de retenção de IRRf emitido em seu nome pela fonte pagadora. 6. Foi apurado também que a contribuinte não ofereceu tributação a totalidade dos rendimentos relativos a operações de SWAP, sendo considerado como IRRF apenas parcela relativa aos rendimentos declarados. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 527 3 7. Também não foi declarada a totalidade dos rendimentos de juros sobre capital próprio, além de ser constatado que parte dos valores de IRRF de JCP referemse à competência do anocalendário de 1998. Assim apenas o IRRF relativo ao rendimento de JCP auferido em 1999 e oferecido à tributação, foi aceita pelo Auditor Fiscal. 8. Desse modo, foi reconhecido como crédito da empresa, o valor total de R$ 1.692.816,21 e homologadas as compensações até o limite do crédito. 9. Cientificada da decisão proferida em 30/10/2007, conforme AR de fls. 408/verso, a contribuinte apresentou, em 23/11/2007, Manifestação de Inconformidade (fls. 410 a 415), apresentando as razoes a seguir, em síntese: 9.1 Alega que a empresa foi penalizada pelo Auditor Fiscal ao desconsiderar as retenções feitas pelo banco Itaú, que deixou de fornecer à empresa o comprovante de retenção de fonte e entende que o banco Itaú que violou a lei ao deixar de fornecer esses documentos. 9.2 Alega que apresentou os DARF de recolhimento ao banco Itaú e a carta do banco reconhecendo o erro e confirmando o recolhimento em DARF, citando ainda jurisprudência administrativa que admitiria outros meios de prova. 9.3 Alega que já solicitou ao Banco Itaú o pertinente comprovante de rendimentos. 9.4 Requer seja reformado o Despacho Decisório para que o valor retido pelo banco Itaú seja considerado passível de restituição e conseqüente homologação das compensações efetuadas. 10. Em 30/11/2007 a contribuinte remeteu correspondência com carta explicando que estava remetendo a carta enviada pelo Itaú e as cópias simples dos DARF de recolhimento. 11. A empresa requereu também a emissão de DARF para o pagamento da parte não contestada do débito, enviando em 08/10/2008 carta (fls. 442) com cópia do DARF recolhido (fls. 447). É o relatório." Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, na sessão realizada em 12/12/2008, a 5ª Turma da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação e não homologou a compensação, além das que já haviam sido homologadas no Despacho Decisório, conforme acórdão nº 16 19.863, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O documento hábil a comprovar a retenção de IRRF é o Comprovante de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido conforme as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na falta desse, podese confirmar a retenção pela DIRF apresentada pelo responsável pela retenção. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 528 4 Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão DRJ/SPOI nº 1619.863 em 25/02/2009, conforme AR às fls. 481, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 27/03/2009, recurso voluntário (fls. 483 a 491) alegando em síntese: Conforme constatado pela Receita Federal do Brasil, o Banco Itaú errou ao omitir os valores retidos da contribuinte a título de IRRF, tanto na DIRF quanto no pertinente Informe de Rendimentos. Tal fato foi admitido na correspondência datada de 28/11/2007, na qual a instituição financeira menciona claramente o período de apuração dos tributos retidos, composição de valores, beneficiário, e número dos arquivos magnéticos utilizados para prestação de contas junto à RFB.; Suscitando dúvidas quanto à idoneidade da documentação apresentada, a DRJ a ignorou sem contudo exigir qualquer esclarecimento da instituição financeira, que havia se prontificado a adotar quaisquer providências necessárias à confirmação da veracidade das informações prestadas; Alega a recorrente que o Fisco tem o dever de observar o princípio da verdade material, motivo pelo qual deveria ter providenciado as diligências que se mostrassem necessárias ao real esclarecimento dos fatos, caso pairasse alguma dúvida sobre a veracidade das informações prestadas pela instituição financeira; Refuta as insinuações de conduta maliciosa efetuadas pelo acórdão recorrido e afirma que, para que não restem dúvidas em razão dos questionamentos levantados no despacho decisório, anexou declaração adicional do Banco Itaú S.A, assinada pelo procurador legal responsável pela área tributária da instituição, na qual é novamente ratificada a informação prestada na declaração anterior evidenciando o erro cometido no preenchimento da DIRF e a impossibilidade de sua correção em razão de obstáculos impostos pelo sistema adotado pela própria Receita Federal; Acrescenta que o Banco Itaú S.A emitiu um Informe de Rendimentos complementar, no qual constam os valores retidos da recorrente que constituem o direito creditório em discussão; Ressalta que a própria Instrução Normativa SRF nº 119/2000, contempla a possibilidade de erro ou omissão da fonte pagadora na emissão do comprovante de retenção, imputando penalidades específicas à fonte pagadora pelo descumprimento da obrigação instrumental. Assim, entende que a penalidade não pode ser estendida ao beneficiário dos rendimentos, pois cabe exclusivamente à fonte pagadora a obrigação de emitir os comprovantes de rendimentos. Aduz que foram trazidas provas contundentes do erro cometido pelo Banco Itáu S.A, inclusive a formal confissão do erro e reconhecimento de que todos os valores foram efetivamente devidos e recolhidos aos cofres públicos; Cita jurisprudência do CARF prestigiando a aceitação de outros meios de prova para comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte, nos casos de erro ou omissão do responsável tributário e requer o reconhecimento do crédito tributário no valor de R$ 37.472.72. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 529 5 Por fim, solicita caso reste alguma dúvida quanto a idoneidade dos documentos acostados aos autos seja feita diligência junto ao Banco Itaú com a finalidade de dirimíla. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O pedido de restituição decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, no valor de R$ 1.760.154,80, foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa tendo sido homologado crédito no valor de R$ 1.692.816,21. Com relação à diferença de R$ 67.338,59, a recorrente reconheceu a improcedência de crédito no valor de R$ 29.865,87 e requereu a emissão de DARF para recolhimento da parte não contestada (fls. 446 a 448). Assim, a parte em litígio limitase ao valor de R$ 37.472,72, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre aplicações financeiras realizadas junto ao Banco Itaú, cujo pedido foi instruído com DARFs com o código de retenção 3426 (fls. 50 a 52) e correspondência emitida pelo Banco Itaú (fls. 228), apresentada pela recorrente em atendimento à diligência realizada durante a análise do pedido. No Despacho Decisório emitido pela EQPIR/DIORT/DERAT SPO em 01/10/2007 (fls. 411 a 418), consta que o interessado não instruiu o processo com os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora, nos termos do disposto no art. 55 da Lei nº 7.450/85, e também em consulta ao sistema SIEF/DIRF não foi verificada a existência de DIRF entregue pelo Banco Itaú declarando os IRRFs nos valores dos DARFs apresentados, motivo pelo qual os documentos apresentados foram desconsiderados na análise do pedido de restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 429 a 434) apresentada em 23/11/2007, a contribuinte afirma que a legislação pertinente à entrega da DIRF contempla a possibilidade de erro ou omissão pelas fontes pagadoras impondo a elas penalidade, entretanto, tal penalidade não pode ser estendida ao contribuinte negandolhe o direito à restituição. Defende que a juntada dos DARFs e a declaração da fonte pagadora reconhecendo o erro na DIRF são suficientes para o reconhecimento do direito ao crédito e transcreve jurisprudência do CARF, admitindo outros meios de prova nos casos de falta do comprovante de rendimentos por erro ou omissão da fonte pagadora. Acrescenta que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, devendo a administração pública efetuar todas diligências necessárias ao real esclarecimento dos fatos e, por fim, afirma ter solicitado formalmente à o fornecimento do comprovante de rendimentos para instrução do processo e protestou pela posterior juntada do documento. Em 30/11/2007 foi juntado aos autos correspondência emitida pelo Banco Itaú, confirmando o recolhimento dos DARFs e discriminando os períodos de apuração, data de vencimentos e valores pagos (fls. 449). O acórdão recorrido indeferiu a solicitação da contribuinte por entender que os DARFs apresentados apenas atestavam a o recolhimento de IRRF sobre títulos de renda fixa e que os mesmos foram recolhidos pelo Banco Itaú, sem qualquer informação que os Fl. 529DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 530 6 vinculasse à empresa. Relativamente à carta apresentada, afirmou que a mesma não serve de prova de que o beneficiário do recolhimento efetuado pelo Banco Itaú é a contribuinte e, para que fossem aceitos como comprovantes de retenção do IRRF, os documentos deveriam obedecer à Instrução Normativa nº 138/99, que determina sua forma de apresentação e as informações que devem nele constar para que sirvam como documento hábil à comprovação das retenções. Acrescentou que os signatários da carta se identificam apenas como gerentes operacionais, sem qualquer outra informação, que a carta sequer identifica a que titulo os valores foram recolhidos, bem assim, que a empresa sequer se preocupou em trazer demonstrativos do banco, contratos de aplicações financeiras ou qualquer outro documento do banco que vinculasse os recolhimentos a ela. Considerando que empresa não logrou apresentar o comprovante de retenção de IRRF, bem assim, que os valores não foram registrados em DIRF ou em qualquer outro documento relativo a aplicação financeira que comprovasse essa retenção, a solicitação da contribuinte foi indeferida. No recurso voluntário apresentado a recorrente alega que, em observância ao princípio da verdade material, o Fisco deveria ter providenciado as diligências que se mostrassem necessárias ao real esclarecimento dos fatos, caso pairasse alguma dúvida sobre a veracidade das informações prestadas pela instituição financeira. Faz tal consideração após afirmar que DRJ ignorou a documentação apresentada sem contudo exigir qualquer esclarecimento da instituição financeira, que havia se prontificado a adotar quaisquer providências necessárias à confirmação da veracidade das informações prestadas. Os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, ao tratarem das diligências no curso do processo administrativo fiscal, assim dispõem: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, as diligências podem ser solicitadas tanto pelo impugnante como pelo julgador e serão deferidas nos casos em que necessárias à solução da lide. Via de regra, as diligências se prestam a esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos, porém, no caso em questão, a recorrente questiona a falta de realização de para obtenção de esclarecimentos sobre documento apresentado com o objetivo de suprir a falta de apresentação do Comprovante de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, obrigatório à comprovação das retenções informadas em sua DIPJ, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/85: Fl. 530DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 531 7 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Com relação ao pedido de diligência formulado para que, caso reste alguma dúvida quanto a idoneidade dos documentos acostados aos autos seja feita diligência junto ao Banco Itaú com a finalidade de dirimila, reputo desnecesssária sua realização para solução da lide, motivo pelo qual indefiro o pedido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Alega a recorrente em sua peça recursal que, apesar da fonte pagadora não haver informado em DIRF os valores retidos nos DARF apresentados e também não ter fornecido o informe de rendimentos financeiros, com as retenções de IRRF, a correspondência emitida pela instituição financeira reconhecendo o erro e informando os períodos de apuração, a composição dos valores, beneficiários e o número dos arquivos magnéticos utilizados para prestação de contas com a RFB seria suficiente para comprovação das retenções efetuadas e, consequentemente, do direito creditório da recorrente. Entretanto, em razão dos questionamentos levantados no Despacho Decisório, anexou ao recurso voluntário nova declaração do Banco Itáu, assinada pelo procurador responsável pela área tributária da instituição, ratificando a informação do erro no preenchimento da DIRF e informando da sua impossibilidade de correção em razão dos obstáculos impostos pelo próprio sistema da RFB (fls. 496 ). Foi também anexado aos autos um Informe de Rendimentos Complementar (fls. 510 a 512) fornecido pelo Banco Itaú, onde constam os valores retidos da recorrente que constituem o direito creditório em discussão nos autos do presente processo. Ao tratar das retenções de IRRF, os arts. 942 e 943 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), assim estabeleceram: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). Fl. 531DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 532 8 § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). O art. 231 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), estabelece a necessidade de inclusão das receitas objeto de retenção na determinação do lucro real, para determinação do saldo de imposto a pagar ou ser compensado: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Dos dispositivos legais acima transcritos, verificase que para a inclusão do IRRF na apuração do saldo negativo do IRPJ a ser restituído, fazse necessário o atendimento de dois requisitos: 1) Comprovação da efetiva retenção em nome do beneficiário; 2) Comprovação de que as receitas objeto de retenção foram oferecidas à tributação. Verificase portanto, que para a solução da lide fazse necessário, primeiramente, decidir se a correspondência apresentada pelo banco pode ser admitida como meio de prova da retenção do IRRF para fins de restituição do imposto. Concordo com a decisão da DRJ quando afirma que para serem aceitos como comprovantes de retenção de Imposto de Renda na Fonte de aplicações financeiras, os documentos devem obedecer as normas emitidas pela Receita Federal sobre o assunto, a saber a IN SRF nº 138/1999, que determinou a forma de apresentação do Comprovante de Retenção de imposto de Renda na Fonte sobre aplicações financeiras para pessoas físicas e jurídicas, bem assim, as informações que devem esta contidas nesse informe. Dessa forma, a carta emitida pelo Banco Itaú e anexada às fls. 449 não é documento hábil como comprovante de retenção a permitir a restituição dos valores. Entretanto, dentre os documentos anexados em sede recursal, verificase a existência de nova correspondência emitida pelo Banco Itaú, em março/1999, firmada por representante da Gerência de Controle Fiscal e Obrigações Acessórias – GCFOA, informando sobre a existência de equívoco na DIRF referente ao anocalendário de 1999 e a impossibilidade de retificação da DIRF devido a limitações do sistema. Em anexo à correspondência foi encaminhado Informe de Rendimentos Financeiros, no formato da IN SRF Fl. 532DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 533 9 nº 138/99, onde consta a retenção dos valores relativos aos DARFs anexados ao pedido de restituição, no valor de R$ 37.472,72. A princípio, referido documento não deveria ser aceito pois foi anexado extemporaneamente à impugnação nos termos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, entretanto, considerando que a própria fonte pagadora somente reconheceu o erro em março/1999, ocasião em que foi emitido novo Informe de Rendimentos com a inclusão dos valores referentes aos DARFs anexados ao pedido de restituição, restou caraterizada a impossibilidade de apresentação oportuna, em virtude da inexistência do documento, devendo a documentação ser admitida como prova das retenções efetuadas nos termos do art. 16, § 4º alínea “a” do Decreto nº 70.235/72: Art. 16 A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Relativamente à segunda condição, ou seja, a comprovação de que as receitas objeto de retenção foram oferecidas à tributação, observo que o valor informado a título de Receitas Financeiras na Linha 24 – Outras Receitas Financeiras da Ficha 07 A , da DIPJ/2000, no montante de R$ 13.541.031,81, é superior à soma total dos rendimentos de aplicações financeiras indicados na planilha elaborada pela fiscalização por ocasião da diligência fiscal, onde consta que a soma dos rendimentos e IRRFs declarados nos informes apresentados e comprovados pelos extratos do SIEF/DIRF e do IRFCONS, são de R$ 10.000.707,57, e R$ 1.719.768,93. Dessa forma, considerando que foram atendidos os requisitos necessários para inclusão do IRRF no valor de R$ 37.472,72, retido pelo Banco Itaú, na apuração do saldo negativo do IRPJ a ser restituído, reconheço o direito creditório sobre este valor, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 37.472,72, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11610.002172/0039 Acórdão n.º 1301002.534 S1C3T1 Fl. 534 10 Fl. 534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005218/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não havendo caracterizada nenhuma circunstância daquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tampouco alguma condição de anulabilidade do art. 10 do mesmo regramento legal, impõe-se o afastamento do pedido de nulidade.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006, 2007
IMPUGNAÇÃO SOBRE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE NORMA QUE IMPEÇA O LANÇAMENTO FISCAL.
Não há imperativo legal que impossibilite o lançamento fiscal em razão de manifestação sobre o ato de exclusão do Simples. Lançamento que se mantém.
IMPUGNAÇÃO SOBRE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE EFEITO SUSPENSIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de manifestação sobre o ato de exclusão do Simples não pode ser alegada, por falta de previsão legal. Assim, cabível a lavratura do auto de infração com aplicação da multa de ofício.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS.
A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação.
COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATIVIDADE DA EMPRESA.
Se os documentos levantados durante o procedimento fiscal indicam que a atividade da empresa é a de industrialização, a alíquota de presunção do IRPJ é de 8%, e, por conseguinte, a alíquota do lucro arbitrado é de 9,6%.
DUPLICATAS DESCONTADAS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Não estando comprovado nos autos que os valores advindos do desconto de duplicatas necessariamente transitaram pelas contas bancárias da recorrente, não se concretiza a alegação de duplicidade de lançamento de tais valores.
FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DEVIDO.
Comprovada a contabilização de receitas que não foram oferecidas à tributação, correto o lançamento fiscal efetuado.
SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE.
O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 2 (dois) anos consecutivos, impõe-se a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O lançamento tributário deve ser feito em nome do contribuinte, que é quem tem relação direta e pessoal com o fato jurídico tributário.
ART. 135 III DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DO SUJEITO PASSIVO "PRINCIPAL".
O signo "pessoalmente" constante na redação do art. 135 do CTN não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o sujeito que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal, não cabendo ter sua responsabilidade afastada, mas tão somente dividida.
SOLIDARIEDADE COM BASE NO ART. 135, III, DO CTN. SÓCIO QUE INGRESSOU NA SOCIEDADE APÓS O PERÍODO DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Não cabe imputar responsabilidade solidária com base no art. 135, III, do CTN, a pessoa que, na época da ocorrência dos fatos geradores, não pertencia ao quadro societário da empresa autuada.
Numero da decisão: 1401-002.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários da empresa e dos responsáveis solidários Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não havendo caracterizada nenhuma circunstância daquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tampouco alguma condição de anulabilidade do art. 10 do mesmo regramento legal, impõe-se o afastamento do pedido de nulidade. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006, 2007 IMPUGNAÇÃO SOBRE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE NORMA QUE IMPEÇA O LANÇAMENTO FISCAL. Não há imperativo legal que impossibilite o lançamento fiscal em razão de manifestação sobre o ato de exclusão do Simples. Lançamento que se mantém. IMPUGNAÇÃO SOBRE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE EFEITO SUSPENSIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de manifestação sobre o ato de exclusão do Simples não pode ser alegada, por falta de previsão legal. Assim, cabível a lavratura do auto de infração com aplicação da multa de ofício. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATIVIDADE DA EMPRESA. Se os documentos levantados durante o procedimento fiscal indicam que a atividade da empresa é a de industrialização, a alíquota de presunção do IRPJ é de 8%, e, por conseguinte, a alíquota do lucro arbitrado é de 9,6%. DUPLICATAS DESCONTADAS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Não estando comprovado nos autos que os valores advindos do desconto de duplicatas necessariamente transitaram pelas contas bancárias da recorrente, não se concretiza a alegação de duplicidade de lançamento de tais valores. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DEVIDO. Comprovada a contabilização de receitas que não foram oferecidas à tributação, correto o lançamento fiscal efetuado. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE. O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 2 (dois) anos consecutivos, impõe-se a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, ao PIS e à COFINS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O lançamento tributário deve ser feito em nome do contribuinte, que é quem tem relação direta e pessoal com o fato jurídico tributário. ART. 135 III DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DO SUJEITO PASSIVO "PRINCIPAL". O signo "pessoalmente" constante na redação do art. 135 do CTN não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o sujeito que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal, não cabendo ter sua responsabilidade afastada, mas tão somente dividida. SOLIDARIEDADE COM BASE NO ART. 135, III, DO CTN. SÓCIO QUE INGRESSOU NA SOCIEDADE APÓS O PERÍODO DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Não cabe imputar responsabilidade solidária com base no art. 135, III, do CTN, a pessoa que, na época da ocorrência dos fatos geradores, não pertencia ao quadro societário da empresa autuada.
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INOCORRÊNCIA. Não havendo caracterizada nenhuma circunstância daquelas previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tampouco alguma condição de anulabilidade do art. 10 do mesmo regramento legal, impõese o afastamento do pedido de nulidade. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006, 2007 IMPUGNAÇÃO SOBRE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE NORMA QUE IMPEÇA O LANÇAMENTO FISCAL. Não há imperativo legal que impossibilite o lançamento fiscal em razão de manifestação sobre o ato de exclusão do Simples. Lançamento que se mantém. IMPUGNAÇÃO SOBRE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. PEDIDO SUBSIDIÁRIO DE EFEITO SUSPENSIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de manifestação sobre o ato de exclusão do Simples não pode ser alegada, por falta de previsão legal. Assim, cabível a lavratura do auto de infração com aplicação da multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 52 18 /2 01 0- 44 Fl. 4840DF CARF MF 2 A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, convertese tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATIVIDADE DA EMPRESA. Se os documentos levantados durante o procedimento fiscal indicam que a atividade da empresa é a de industrialização, a alíquota de presunção do IRPJ é de 8%, e, por conseguinte, a alíquota do lucro arbitrado é de 9,6%. DUPLICATAS DESCONTADAS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Não estando comprovado nos autos que os valores advindos do desconto de duplicatas necessariamente transitaram pelas contas bancárias da recorrente, não se concretiza a alegação de duplicidade de lançamento de tais valores. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO DEVIDO. Comprovada a contabilização de receitas que não foram oferecidas à tributação, correto o lançamento fiscal efetuado. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE. O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 2 (dois) anos consecutivos, impõese a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Pela íntima relação de causa e efeito, o lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, ao PIS e à COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O lançamento tributário deve ser feito em nome do contribuinte, que é quem tem relação direta e pessoal com o fato jurídico tributário. ART. 135 III DO CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DO SUJEITO PASSIVO "PRINCIPAL". Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.840 3 O signo "pessoalmente" constante na redação do art. 135 do CTN não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o sujeito que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal, não cabendo ter sua responsabilidade afastada, mas tão somente dividida. SOLIDARIEDADE COM BASE NO ART. 135, III, DO CTN. SÓCIO QUE INGRESSOU NA SOCIEDADE APÓS O PERÍODO DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Não cabe imputar responsabilidade solidária com base no art. 135, III, do CTN, a pessoa que, na época da ocorrência dos fatos geradores, não pertencia ao quadro societário da empresa autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários da empresa e dos responsáveis solidários Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Livia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1438.034, de 14 de junho de 2012, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela empresa e afastou a responsabilidade tributária imputada a Paulo Henrique Correa Campeão. Fl. 4842DF CARF MF 4 O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) devidos nos anoscalendário 2006 e 2007, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) omissão de receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovadas; b) omissão de receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços apuradas por meio de duplicatas descontadas em instituições financeiras; e c) falta de recolhimento de tributos referentes a receitas contabilizadas. Em decorrência das condutas praticadas, a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%. Outrossim, houve atribuição de responsabilidade solidária aos sócios Nilton César Sinicato, José Ederaldo Campeão, Paulo Henrique Correa Campeão. Em razão dos fatos apurados, o lançamento correspondeu, na época, ao montante de R$ 10.240.948,22, incluídos juros de mora e multa de ofício qualificada. Por bem delineado, reproduzo relatório da Resolução nº 1103000.124 da 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, da sessão de 07 de novembro de 2013, que propôs o sobrestamento do processo nos termos do art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF vigente à época, publicado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, em razão da discussão da constitucionalidade da quebra de sigilo bancário pela autoridade fiscal: (início da transcrição do relatório da resolução do CARF) Tratase de Recurso Voluntário de fls. 849/895 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 4659/4693), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica que incorrer nas hipóteses de prática reiterada de infração à legislação tributária deve ser excluída de ofício do Simples e/ou do Simples Nacional, cujos efeitos começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo deve estar expresso em lei, o que impede à Delegacia da Receita Federal de Julgamento receber a manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples com efeito suspensivo, descabendo recorrer ao art. 151, III do CTN, que cuida tão somente de suspensão da exigibilidade de crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.841 5 contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO. Restando sem comprovação que a contribuinte auferiu receitas de prestação de serviços sujeitas ao coeficiente de 38,4%, alterase o lançamento nessa parte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O lançamento tributário deve ser feito em nome do contribuinte que é quem tem relação direta e pessoal com o fato jurídico tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Fl. 4844DF CARF MF 6 São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Dos Fatos. No decorrer da ação fiscal, constatou a autoridade autuante que a contribuinte, enquadrada na condição de empresa de pequeno porte, omitiu receitas tributáveis no montante de R$15.666.176,50 e R$6.296.221,17 nos anoscalendário 2006 e 2007, respectivamente, incorrendo em duas infrações: 1) da análise da escrituração contábil (Livro Diário), constatouse que foram omitidas receitas de vendas de produtos no valor de R$440.000,00 e R$1.728.200,51 nos anos bases de 2006 e 2007; 2) omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada no montante de R$15.226.176,50 e R$4.568.020,66 nos anos bases de 2006 e 2007, respectivamente, já deduzidos os montantes de receitas de vendas de produtos contabilizados. Nesse contexto, foi a contribuinte excluída do Simples Federal (ano calendário de 2006) e do Simples Nacional (anocalendário de 2007), em razão de prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme Despacho Decisório de fls. 382/387 e Atos Declaratórios Executivos DRF/PCA nº 109 e 110, ambos de 06 de dezembro de 2010 (fls. 388 e 389). Tendo em vista a exclusão da contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional, foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos aos anos calendário de 2006 e 2007 (fls. 511/598). O lucro foi arbitrado com fulcro nos incisos II e III do art. 530 do RIR/99, vez que a contribuinte não manteve a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, não escriturou a efetiva movimentação financeira e deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal obrigatórios. A multa de ofício foi qualificada (150%) com base no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme relato da autoridade autuante no Relatório de Fiscalização de fls. 403/124: O ato consciente e voluntário da fiscalizada de ocultar fraudulentamente o fato gerador da obrigação tributária, com o resultado de supressão e redução de tributos, ficou caracterizado pelas práticas: a) omitir completamente as operações dos numerosos depósitos/créditos bancários na escrituração dos livros contábeis, representativos de receitas auferidas de elevado valor contábil, deixando de fazer as retificações e correções na escrituração dos Livros exigidas pela Receita Federal; b) deixar de fornecer as consideráveis duplicatas e o Livro Registro de Duplicatas, bem como por deixar de escriturar as relevantes operações de emissão e desconto de duplicatas; c) deixar declarar e reduzir ou suprimir os tributos devidos contabilizados nos Livros Diário e Razão, considerados imprestáveis; d) omitir nas declarações e na escrituração as receitas de vendas ou prestação de serviços relativas as duplicatas emitidas e/ou compradas pelos bancos; e) deixar de comprovar, com apresentação de documentação hábil Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.842 7 e idônea, a origem, causa, contabilização e subsunção à tributação dos recursos dos depósitos/créditos bancários. Ainda, a Fiscalização relacionou como responsáveis tributários, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, os sócios José Ederaldo Campeão e Paulo Henrique Correa Campeão, e o exsócio Nilton César Sinicato, por terem exercido a administração ou gerência da sociedade com a prática de atos com infração à lei, na medida em que fraudaram o Fisco, omitiram informações na escrituração e não forneceram documentos obrigatórios, Enfim, foi formulada Representação Fiscal para Fins Penais. Da Fase Contenciosa. Devidamente cientificada a pessoa jurídica e os sócios, foram apresentadas as impugnações de fls. 616/640 (PLÁSTICOS SANTA TEREZINHA LTDA ME), 769/789 (Nilton Cesar Sinicato), 793/809 (Paulo Henrique Campeão) e 814/828 (José Ederaldo Campeão) e manifestações de inconformidade em face da exclusão do Simples de fls. 4496/4506 (em face do ADE DRF/PCA nº 109, de 06/12/2010) e 4508/4520 (em face do ADE DRF/PCA nº 110, de 06/12/2010). Foi encaminhada Resolução de fls. 4472/4488 pela DRJ/Ribeirão Preto, cujo resultado encontrase no Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos de fls. 4522/4523. As manifestações de inconformidade e as impugnações foram apreciadas pela 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, em sessão realizada no dia 14/06/2012. O Acórdão nº 1438.034, de fls. 4659/4693, decidiu: 1) julgar improcedentes as manifestações de inconformidade contra os ADE DRF/PCA nº 109 e 110, que excluíram a pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional; 2) julgar procedente em parte a impugnação contra os autos de infração, no sentido de excluir da autuação os depósitos bancários denominados item 338 (R$21.000,00 03/08/2007), 340 (R$27.000,00 04/08/2007), 347 (R$ 6.000,00 03/05/2006) e 348 (R$ 6.000,00 03/05/2006) da Nossa Caixa, agência 6823, conta nº 3073, e alterar o coeficiente de determinação do lucro arbitrado, de 38,4% para 9,6%, o que resultou na manutenção do IRPJ no valor de R$ 591.413,85, da CSLL no valor de R$ 281.929,53, do PIS no valor de R$ 169.448,68 e da Cofins no valor de R$ 779.109,79; 3) julgar procedente a qualificação da multa; 4) afastar a responsabilidade tributária imputada a Paulo Henrique Correa Campeão. Em razão da exoneração do crédito, a Presidente da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto submeteu a decisão ao recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Os sujeitos passivos tomaram ciência da decisão a quo da seguinte maneira: 1) PLÁSTICOS SANTA TEREZINHA LTDA ME: em 16/08/2012, por meio do “AR” de fl. 4702; 2) José Everaldo Campeão: em 29/08/2012, por meio do “AR” de fl. 4718; Fl. 4846DF CARF MF 8 3) Nilton Sinicato em 20/09/2012, por meio do Edital de fl. 4800. O exsócio Paulo Campeão foi cientificado por meio do Edital de fl. 4799 sobre a sua exclusão do pólo passivo da autuação fiscal. Foram interpostos os recursos voluntários de fls. 4724, em 14/09/2012 (PLÁSTICOS SANTA TEREZINHA LTDA ME), fls. 4758/4781, em 13/09/2012 (Nilton Sinicato) e fls. 4785/4797, em 12/09/2012 (José Everaldo Campeão). O recurso voluntário interposto pela recorrente PLÁSTICOS SANTA TEREZINHA LTDA ME discorre sobre os seguintes pontos: a autoridade fiscal não teve autorização judicial para obter as informações junto às instituições financeiras; a atribuição de responsabilidade pessoal aos sócios exigiria a lavratura de autos de infração específicos para cada pessoa física; os lançamentos fiscais foram efetuados antes de a contribuinte ter sido excluída definitivamente do Simples; não caberia imposição de multa de ofício para os lançamentos efetuados para prevenir a decadência, como ocorreu no caso concreto; ocorrência de erros em operações aritméticas e na determinação do coeficiente do arbitramento, inclusive reconhecido pela DRJ; equívocos na determinação do montante tributável; impossibilidade de qualificar a multa de ofício, em face das Súmulas CARF nº 14 e 25; erro na apuração dos valores autuados, ao se considerar os valores das duplicatas em duplicidade; quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, não foram descontados os valores relativos a transferências entre contas da mesma titularidade e de cheques devolvidos; não foi esclarecida a motivação que resultou na exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional. O recurso voluntário interposto pelo sócio Nilton César Sinicato, por sua vez, discorre sobre os seguintes pontos: não foi aberto prazo para impugnação quando apresentado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, em ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório; a atribuição de sujeição passiva solidária não foi devidamente fundamentada, sendo caso de nulidade da autuação; não foram comprovados o preenchimento dos requisitos previstos no art. 135, inciso III, do CTN, e, além disso, a atribuição de sujeição passiva solidária não poderia ter como base legal tal artigo; há incompatibilidade entre a sujeição passiva solidária e a autuação lavrada com base em presunção legal. O recurso voluntário interposto pelo sócio José Ederaldo Campeão discorre sobre os seguintes pontos: Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.843 9 não foi aberto prazo para impugnação quando apresentado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, em ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório; a atribuição de sujeição passiva solidária não foi devidamente fundamentada, sendo caso de nulidade da autuação; não foram comprovados o preenchimento dos requisitos previstos no art. 135, inciso III, do CTN, e, além disso, a atribuição de sujeição passiva solidária não poderia ter como base legal tal artigo; há incompatibilidade entre a sujeição passiva solidária e a autuação lavrada com base em presunção legal. (término da transcrição do relatório da resolução do CARF) O processo foi sobrestado, por meio da Resolução nº 1103000.124 da 3ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, da sessão de 07 de novembro de 2013. Em seu voto, o Relator enfrentou as questões de nulidade suscitadas pela recorrente e pelos responsáveis solidários pelo débito, afastandoas. Ao adentrar na questão da falta de autorização judicial para solicitação de informações bancárias por parte da fiscalização, o Relator entendeu que suposta autorização, por parte da fiscalizada, mencionada pela fiscalização como constante deste processo, não fora encontrada. Assim, em razão da falta desse documento comprobatório e tendo em vista que, em relação à matéria de fundo referente à constitucionalidade da solicitação de extratos bancários pela autoridade fiscal , o STF havia decretado repercussão geral nos autos do RE 601.314 e com sobrestamento do feito no RE 410.054 AgRg até o julgamento do processo em repercussão geral (RE 601.314), e ante o disposto no artigo 62A, §1º, do antigo Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009), a turma decidiu pelo sobrestamento do feito, inicialmente, até decisão final do STF. Uma vez que o citado dispositivo legal do Regimento Interno do CARF foi revogado pela Portaria MF nº 545/2013, na data de 13/02/2014 foi proferido Despacho de Reinclusão de Processo Sobrestado (fls. 4.821). Como o relator do processo não julga mais processos da câmara baixa deste CARF, o processo foi redistribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Fl. 4848DF CARF MF 10 RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício cingese a verificar o que segue: 1) a procedência em parte da impugnação contra os autos de infração, no sentido de excluir da autuação os depósitos bancários denominados item 338 (R$21.000,00 03/08/2007), 340 (R$27.000,00 04/08/2007), 347 (R$ 6.000,00 03/05/2006) e 348 (R$ 6.000,00 03/05/2006) da Nossa Caixa, agência 6823, conta nº 3073. 2) a procedência da impugnação para alterar o coeficiente de determinação do lucro arbitrado, de 38,4% para 9,6%. A exclusão acima resultou na manutenção do IRPJ no valor de R$ 591.413,85, da CSLL no valor de R$ 281.929,53, do PIS no valor de R$ 169.448,68 e da Cofins no valor de R$ 779.109,79. 3) a procedência da impugnação para afastar a responsabilidade tributária imputada a Paulo Henrique Correa Campeão. Do limite de alçada Conforme Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no Diário Oficial da União de 09/02/2017, o valor de alçada para fins de interposição de recurso de ofício é de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. A verificação do limite de alçada deve ser feita na época do julgamento do recurso de ofício, conforme disposto na Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como a exoneração de parte da autuação decorrente da impugnação da empresa correspondeu a montante superior ao limite de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), cabível a análise do recurso voluntário. Outrossim, uma vez que a responsabilidade solidária tratada no art. 121 do CTN não comporta benefício de ordem, quer dizer, o responsável solidário pode inclusive responder integralmente pelo débito aqui lançado valor de R$ 10.240.948,22, na época da lavratura do auto de infração temse que o valor do recurso de ofício referente à exoneração da responsabilidade solidária ultrapassou o limite de alçada. Esta interpretação foi confirmada pelo § 2º do art. 1º da Portaria MF nº 63: Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.844 11 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Diante disso, o recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, devendo pois ser conhecido. Análise do Recurso de Ofício A DRJ efetuou a análise dos valores constantes na autuação e decidiu por exonerar parte dos valores lançados pela fiscalização, pois sequer estavam contidos nos extratos bancários da empresa. Neste ponto, entendo que a decisão de piso não merece reparos, uma vez que restou comprovado que os valores abaixo não estavam lançados em nenhum extrato bancário da recorrente. Convém reproduzir a referida decisão: Entretanto, quanto aos itens 338 (R$21.000,00 – 03/08/2007) e 340 (R$ 27.000,00 – 04/08/2007) do Anexo IV (Nossa Caixa, agência 6823, conta nº 3073, fl.281) e 347 (R$ 6.000,0003/05/2006) e 348 (R$ 6.000,0003/05/2006) do Anexo III (Nossa Caixa, agência 6823, conta nº 3073, fl.266), assiste razão à contribuinte quando alega que tais valores não constam nos extratos do citado banco, como se pode ver às fls. 1645/1646 e 1734/1735. Dessa forma, tais valores devem ser excluídos dos depósitos bancários tributados dos meses de maio de 2006 e de agosto de 2007, passando a ser de R$ 4.003.194,83 (maio/2006) e de R$ 184.164,31 (agosto/2007) os valores da omissão de receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à alteração da aplicação da alíquota de 38,4% para 9,6%, entendo também correta a decisão da DRJ. A fiscalização utilizou a alíquota de 38,4% por entender que o desconto de duplicatas poderia pressupor um auferimento de receita decorrente de prestação de serviços. Assim, a fiscalização utilizou a alíquota de presunção de 32%, e por decorrência, de 38,4% para o arbitramento. Entretanto, não restou comprovada a efetividade do desenvolvimento de tal atividade de prestação de serviços. Pelo contrário. Em análise do contrato social e das respostas prestadas pela recorrente à fiscalização, demonstrase que a atividade desenvolvida pela empresa é de “plastificação e comercialização de cabos de madeira e lata, transformação de material plástico, reciclagem de plástico e industrialização para terceiros", típicas da industrialização. Desta forma, devese manter a decisão da DRJ para aplicar a alíquota de presunção para o arbitramento do lucro de 9,6%. Quanto à responsabilidade solidária atribuída ao sócio Paulo Henrique Correa Campeão, vêse que somente em agosto/2009 é que tal sócio foi admitido nos quadros societários da empresa. Como a responsabilidade solidária decorre de atos praticados durante a ocorrência do fato gerador, in casu, referente aos anoscalendário 2006 e 2007, deve ser Fl. 4850DF CARF MF 12 mantida a exoneração de sua responsabilidade solidária atribuída nos termos do art. 135, III, do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE Extratos Bancários A recorrente alega que deve ser decretada a nulidade do lançamento visto que a fiscalização se utilizou dos extratos bancários sem autorização judicial para tanto. Observo que, embora a fiscalização tenha afirmado que a empresa autorizara a solicitação dos extratos bancários junto às instituições financeiras com as quais transacionou, não há prova nos autos desta autorização. Entretanto, independentemente de autorização, entendo que este argumento já foi superado em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em sede de repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, que reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes pelas instituições financeiras, para apuração de créditos tributários, confira: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DOS CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Como a fiscalização solicitou os extratos bancários da empresa por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) junto às instituições bancárias elencadas neste processo, entendo correto o procedimento da fiscalização, devendo ser afastado o pedido de nulidade do lançamento fiscal. Exigência de auto de infração específico para cada responsável solidário Alega que a tese defendida pela instância de piso para manter a sujeição passiva da recorrente, não obstante a atribuição de responsabilidade pessoal dos sócios e ex sócios nos termos do at. 135, III, do CTN, reconhece, por via oblíqua, que a lei pode conter palavras inúteis. É que, segundo a recorrente, o art. 135 autoriza a desconsideração da personalidade jurídica para fins de atribuir responsabilidade às pessoas que praticaram atos contrários à lei. Desta forma, pugna pela nulidade do lançamento. Com a devida venia, não entendo que merece acolhida o argumento da recorrente. Fl. 4851DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.845 13 A responsabilidade pelo recolhimento do tributo é sempre da pessoa jurídica, embora saibamos que se trata de uma personalidade fictícia criada pelo direito, uma vez que sempre por detrás da pessoa jurídica há uma pessoa física. O fato de deixar de recolher tributo por meio de conduta fraudulenta, não altera o sujeito passivo da relação obrigacional tributária, pois a exigência tributária será sempre imputada à empresa. Imaginese que uma empresa deixe de recolher os tributos decorrentes do desenvolvimento de sua atividade. Entretanto, a conduta se perpetua por anos, e, em razão da prática reiterada de omissão, a fiscalização aplica a multa qualificada e comprova que os sóciosadministradores participaram da prática dolosa. Assim, a fiscalização atribui a responsabilidade solidária por subsunção do fato à norma descrita no art. 135, III do CTN. Questiono: a empresa deve ser exonerada do pólo passivo da relação tributária, somente pela constatação de conduta dolosa por parte de seus administradores? Entendo que tal argumento não pode subsistir em razão das ponderações acima. Além disso, cumpre transcrever o teor da redação legal do art. 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A meu ver, a referência ao signo "pessoalmente" na redação supra não tem o propósito de representar "exclusividade", mas tão somente de demonstrar que o representante legal que violar norma também será responsabilizado pelo lançamento fiscal, juntamente com o sujeito passivo "principal"; no caso, a recorrente. É este segundo (sujeito passivo) quem sempre responde pelo lançamento fiscal. Eventualmente, pode ter sua responsabilidade dividida, quando, por exemplo, terceiros se aproveitam de cargos de gestão para se beneficiar. Desta forma, afasto o pedido de exclusão da recorrente do pólo passivo da obrigação tributária e, por conseguinte, o pedido de nulidade do lançamento. Lançamento antes da exclusão do simples A recorrente alega que o auto de infração foi lavrado dentro do período em que ainda se discutia a sua permanência ou não no regime do Simples. Apresenta fundamento legal que, em tese, suspende a exigibilidade do ato de exclusão do Simples, e, por fim, solicita a nulidade do lançamento. Não assiste razão à recorrente. Fl. 4852DF CARF MF 14 A manifestação sobre o ato de exclusão do Simples não tem o condão de permitir que a fiscalização deixe de efetuar eventual autuação fiscal. Aliás, tal ato administrativo é de competência privativa da autoridade fiscal e um dever seu, estabelecidos no caput e no parágrafo único do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Também não entendo haver nulidade, com base no artigo supra, a supostos erros de cálculo cometidos pela fiscalização, como se verá adiante, nas questões de mérito. Subsidiriamente, pede a recorrente que seja afastada a multa de ofício, uma vez que o lançamento fiscal de tributos com exigibilidade suspensa serve tão somente para prevenir a decadência. Entendo que se trata de questão de mérito, devendo ser enfrentada mais adiante. MÉRITO Exclusão do Simples A RFB excluiu a empresa do Simples Federal por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA Nº 109 de 06 de dezembro de 2010 (efl. 388), com efeitos a partir de 01/01/2006; e do Simples nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA Nº 110, também de 06 de dezembro de 2010, (efl. 389) com efeitos a partir de 01/07/2007. O Despacho Decisório (efls. 382 a 387) que propõe tal exclusão da empresa nos anoscalendário de 2006 e 2007 tem como fundamento os dispositivos abaixo: O procedimento foi baseado na constatação de que a empresa não declarava à RFB a totalidade da Receita Bruta escriturada (vide Livros Diário ou Razão), bem como na omissão de receitas por força da presunção legal art. 42 da Lei 9430/96, haja vista a falta de comprovação da origem, causa e contabilização de depósitos/créditos bancários, durante os anoscalendário de 2006 e 2007. A Lei nº 9.317/96, regulamentada pela IN/SRF nº 355/2003 e alterações posteriores, dentre elas a IN/RFB N° 608/2006, trata das vedações à permanência no Simples Federal. A IN SRF 608/2006, art. 23, incisos II e V, dispõe: Exclusão de ofício Fl. 4853DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.846 15 Art. 23. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; A prática de infração à legislação tributária encontrase definida no Art. 64 da Lei nº 4.502/64: Art. 64. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em Inobservância, por parte do sujeito passivo de obrigação tributária, positiva ou negativa, estabelecida ou disciplinada por esta lei, por seu regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementálos. Posteriormente, quando trata das penalidades aplicáveis à prática de infração, cita as circunstâncias qualificativas, dentre elas a sonegação, definindoa: Art. 68.(...) § 2o São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (...) Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendáría: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (...) Documentos anexados aos autos demonstram a discrepância entre os valores declarados DSPJ antes do início da ação fiscal, escriturados (Livro Razão) e os depósitos/créditos bancários de origem, causa e contabilização não comprovados, relativamente ao período entre 01/2006 e 12/2007, conforme demonstrado na Representação Fiscal às fls 01 a 04. Resta, portanto, caracterizada a incidência em situação que enseja a exclusão de ofício do Simples Federal, à medida em que o contribuinte não oferecia à tributação a totalidade da Receita Bruta por ele auferida, acarretando recolhimento de tributos em valores inferiores ao efetivamente devido. A exclusão darseá na forma prevista na IN/SRF nº 608/2006, em seus Arts. 23 e 24, mediante a expedição de Ato Declaratório de Exclusão: Fl. 4854DF CARF MF 16 Art. 23. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante Ato Declaratório Executivo (ADE) da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: VII a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do art. 23; (...) Desta forma, a exclusão darseá mediante a emissão de termo de Exclusão, na forma prevista na Resolução CGSN n° 15/2007: Art. 4º A competência para excluir de ofício ME ou EPP do Simples Nacional é da RFB e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratandose de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. (•••) § I Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. (Alterado pela Resolução CGSN n° 46, de 18 de novembro de 2008) Art. 6° A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: VI nas hipóteses previstas nos incisos II a X, XIII e XIV do art. 5o, a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo regime diferenciado e favorecido do Simples Nacional pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes; (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20. de 15 de agosto de 2007) Assim sendo, considerando o disposto acima e os documentos anexados aos autos, proponho a emissão de ADE de exclusão do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/01/2006, bem como a emissão de Termo de Exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/07/2007, com impedimento de nova opção no prazo de 10 anoscalendário seguintes. Como visto acima, foi afastado, na preliminar de nulidade, pedido de reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Subsidiriamente a tal pedido de nulidade e tendo em visa que o lançamento foi feito antes da exclusão da empresa do Simples, pede a recorrente que seja afastada a multa de ofício, uma vez que o lançamento fiscal de tributos com exigibilidade suspensa serve tão somente para prevenir a decadência. Para isso, traz o disposto no Súmula CARF nº 17: Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.847 17 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Pois bem. O precedente trazido aqui não se aplica ao caso concreto. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e sua decorrência em se não aplicar a multa de ofício lançamento para prevenir decadência não se aplica aos atos de exclusão do simples; logo, cabível a lavratura do auto de infração com aplicação da multa de ofício. A DRJ bem trouxe os fundamentos de seu voto quanto a este ponto: Com relação à alegação de nulidade dos lançamentos pelo fato de que a apresentação de defesa contra o ato de exclusão do SIMPLES suspende todos os efeitos que podem advir da exclusão da sistemática simplificada, conforme prescrito no § 3º A, do art. 4º da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007, cabe transcrever o citado parágrafo: Art. 4º. (...) § 3ºA Na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de que trata o § 1º, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto no art. 6º. (Incluído pela Resolução CGSN nº 46, de 18 de novembro de 2008) (grifei) (...) Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: Verificase assim, que citada defesa não possui efeito suspensivo no que tange à possibilidade de a fiscalização lavrar autos de infração de exigência de impostos e contribuições fora do Simples. Todavia, aplicase a suspensão da exigibilidade às exigências fiscais formalizadas nos presentes autos, relativos aos anoscalendário 2006 e 2007, em razão da impugnação apresentada, nos termos do art. 151, III do CTN, in verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) (grifei) Fl. 4856DF CARF MF 18 Evidentemente, a efetividade da exclusão só se dará depois de concluído o contraditório e alcançada decisão definitiva, porém, uma vez confirmada, seus efeitos serão conforme especificado nos ADE. Arbitramento A fiscalização arbitrou o lucro, uma vez que a contribuinte não manteve a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, não escriturou a efetiva movimentação financeira e deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal obrigatórios. Após verificar a movimentação financeira incompatível com a receita declarada, e tendo em vista a exclusão da recorrente do regime do Simples, a fiscalização intimou a empresa a apresentar os livros contábeis e fiscais que demonstrassem a efetiva demonstração financeira e a nova forma de apuração do lucro fiscal (efl. 407): Em 04/11/2010 a fiscalizada foi cientificada da Representação Fiscal para fins de exclusão do Simples, ao tempo em que foi intimada a apresentar diversos documentos, inclusive “declaração de opção pelo regime de apuração do lucro real, para o período de 01/01/2006 a 30/06/2007, ou pelo lucro real ou presumido, para o período a partir de 01/07/2007, sendo cabido o arbitramento dos lucros pela falta de apresentação de opção pelo regime de tributação no prazo especificado. Entretanto, a fiscalizada não logrou apresentar os livros contábeis e fiscais aptos a demonstrar a nova forma de apuração do lucro fiscal. Sendo assim, a fiscalização fundamentou o arbitramento do lucro com base nos incisos II e III do art. 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Desta forma, entendo correto o lançamento com base no lucro arbitrado. Depósitos de origem não comprovada Fl. 4857DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.848 19 Para o lançamento fiscal, a fiscalização serviuse de presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada, conforme teor do art. 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Tal presunção, inverte o ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo comprovar que determinados depósitos (ou sua totalidade) não merecem ser tributados. Não tendo comprovado a tributação dos depósitos, nem tendo afastado sua tributação, correta a utilização de tais valores para se efetuar o lançamento fiscal. Duplicidade na tributação de valores correlacionados. Unicidade da omissão por movimentação bancária. A recorrente pede que os valores decorrentes de duplicatas descontadas sejam abatidos dos valores constantes como depósitos de origem não comprovadas, pois afirma que tais valores transitaram por suas contas bancárias. Não entendo desta forma. Não está comprovado nos autos que os valores de duplicata necessariamente transitaram pelas contas bancárias da recorrente. Os valores os quais a recorrente não faz prova concreta de que transitaram pelos extratos bancários, não devem ser reconhecidos para abater a base de presunção decorrente dos depósitos de origem não comprovada. Como a recorrente não o fez, proponho afastar tal argumento. Demais alegações Quanto às alegações abaixo, já combatidas pela instância a quo, reproduzo e utilizome da referida decisão, como razões de decidir: Quanto à alegação de que o autuante não considerou a comprovação de nenhum dos depósitos bancários constantes nas intimações, ao contrário do alegado, constam nos anexos XV, XVI e XVII os documentos apresentados e o autuante indicou a razão de não têlos aceitado, consignando em alguns que se trata de documento em nome de pessoa estranha ao processo, em outros esclarece que apenas comprovam que a contribuinte efetuou depósitos em suas contas correntes sem, no entanto, comprovar a origem de tais recursos depositados ou transferidos. Fl. 4858DF CARF MF 20 A contribuinte alega que, não obstante, o DEMONSTRATIVO DE OMISSÃO DE RECEITAS” elaborado pela autoridade fiscal (referido Anexo XIV) não tenha apurado omissão de receitas nos três primeiros trimestres de 2006, “ao apontar no Auto de Infração os valores tributáveis a serem considerados na apuração do tributo, a ilustre autoridade autuante considerou como omissão os valores relativos aos três primeiros trimestres de 2006 (doc. 07), contrariando, assim, o demonstrativo que ela mesma preparou”. Só este “equívoco resultou na majoração da base tributável em R$ 1.451.471,50”, como demonstrado no recurso. Ao contrário do que alega a contribuinte, no anexo XIV, consta a apuração de omissão de receitas de vendas ou prestação de serviços relativas a duplicatas descontadas em bancos e omissão de receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, como se pode ver à fl.506. Consta no auto de infração (fls.513/514) na descrição dos fatos, que os valores relativos à infração discriminada no nº 001 foram declarados em DSPJ com tributos calculados indevidamente pelo regime do Simples e que devem compor a base de cálculo da tributação pelo Lucro Arbitrado, conforme apurado no Relatório de Fiscalização que integra o presente Auto de infração. Portanto, correto o procedimento fiscal. Com relação ao item 002 do auto de infração (omissão relativa a duplicatas descontadas), a contribuinte alega que vários desses créditos possuem origem em uma mesma duplicata e que contratou perícia técnica que não pôde ser concluída até o prazo para apresentação de sua defesa. Entretanto, não foram anexados ao processo até a presente data quaisquer documentos que comprovassem a citada alegação, razão pela qual não se pode acatála. Quanto às alegações de que os créditos feitos por meio de Ted e Doc são relativos a transferências entre contas de mesma titularidade, ou que os depósitos em cheques são relativos a cheques emitidos pela própria empresa e que os créditos possuem origem em cheques devolvidos, cabe registrar que tais ocorrências deveriam ter sido comprovadas pela contribuinte, o que não foi feito nem mesmo na fase impugnatória. Da mesma forma, os valores que se alega serem relativos a empréstimos e reapresentação de cheques descontados devem ser comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, o que não ocorreu. Relativamente à alegação de que os títulos colocados para cobrança foram considerados em duplicidade (anexos VIII e IX) e que o valor de R$ 54.668,82 não representa receita, a contribuinte não comprova tais alegações. Desta forma, afasto os pedidos da recorrente. Multa Qualificada A recorrente pede pelo afastamento da multa qualificada, por entender que a mera omissão de receitas não pode ser associada a qualquer conduta que autorize a exasperação da multa. Entretanto, entendo que não merece guarida a sugestão da recorrente. A fiscalização fundamentou a qualificação da multa de ofício no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que ficou demonstrada a conduta do contribuinte e de seus Fl. 4859DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.849 21 sócios na tentativa de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Vejase trecho do TVF (efl. 422): O ato consciente e voluntário da fiscalizada de ocultar fraudulentamente o fato gerador da obrigação tributária, com o resultado de supressão e redução de tributos, ficou caracterizado pelas práticas: a) omitir completamente as operações dos numerosos depósitos/créditos bancários na escrituração dos livros contábeis, representativos de receitas auferidas de elevado valor contábil, deixando de fazer as retificações e correções na escrituração dos Livros exigidas pela Receita Federal; b) deixar de fornecer as consideráveis duplicatas e o Livro Registro de Duplicatas, bem como por deixar de escriturar as relevantes operações de emissão e desconto de duplicatas; c) deixar declarar e reduzir ou suprimir os tributos devidos contabilizados nos Livros Diário e Razão, considerados imprestáveis; d) omitir nas declarações e na escrituração as receitas de vendas ou prestação de serviços relativas as duplicatas emitidas e/ou compradas pelos bancos; e) deixar de comprovar, com apresentação de documentação hábil e idônea, a origem, causa, contabilização e subsunção à tributação dos recursos dos depósitos/créditos bancários. Seguem trechos legais: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 4860DF CARF MF 22 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pois bem. Conforme ensinamentos de De Plácido e Silva: Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano, não como se evidencia no dolo, em que se mostra a manobra fraudulenta para induzir outrem à pratica de ato, de que lhe possa advir prejuízo, mas o engano oculto para furtarse o fraudulento ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato, onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. É, por isso, indicativa de lesão de interesses individuais, ou contravenção de regra jurídica, a que se está obrigado. O dolo é astúcia empregada contra aquele com quem se contrata1. A sonegação fiscal aproxima muito do conceito de fraude, apenas se diferenciando, a deleite do legislador, em razão do impedimento do conhecimento do fato gerador (sonegação) e do impedimento da ocorrência do fato gerador (fraude). Entretanto, ambos conceitos estão dentro do gênero de dolo, ou seja, a ocorrência de ambos pressupõe a intenção, a máfé em lesar terceiros. No caso concreto, a conduta perpetrada pela recorrente e por seus sócios Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão, os quais, na busca da maior lucratividade possível, ludibriaram o fisco ao reduzir consideravelmente sua carga tributária, demonstra o nítido intento doloso de se beneficiar financeiramente, em detrimento de toda a regra tributária vigente. A fiscalização demonstrou que parte da renda do negócio fraudulento era revertida em prol das pessoas elencadas como responsáveis solidárias, comprovando, mais uma vez, que a conduta era dolosa, não cabendo sequer ponderações sobre eventual conduta elisiva. Além disso, mister ressaltar que a recorrente omitiu reiteradamente, durante dois anoscalendário, as informações sobre a correta apuração de seu resultado contábil e fiscal, nos montantes de R$ 15.666.176,50 (2006) e de R$ 6.296.221,17 (2007). Ainda, importante afirmar que não cabe a aplicação das Súmulas CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 1 Silva, De Plácido e, Vocabulário Jurídico, Volume II DI, Editora Forense, 1978, pág. 718. Texto extraído do sítio: http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID=110238&key=2241519 Fl. 4861DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.850 23 A referida norma não tem o condão de sempre afastar a multa qualificada nas situações de autuação por presunção de omissão de receitas. O que se quer dizer é que a fiscalização deve efetuar aprofundamento nas investigações a ponto de caracterizar a conduta dolosa por parte do sujeito passivo. No caso concreto, a recorrente reiteramente omitiu informações dos fatos geradores por ela praticados durante o período de 2 anos, conduta esta que se subsume ao conceito de fraude e sonegação. Como visto, não houve outra intenção, por parte da recorrente e de todas as pessoas envolvidas nas operações aqui descritas, a não ser o límpido intuito de sonegar tributos, sem nenhum temor, devendo ser afastado pedido de redução da multa qualificada. CSLL, PIS e COFINS Por decorrerem dos mesmos fundamentos, aplico aos referidos tributos o quanto disposto no IRPJ, mantendo, portanto, o lançamento fiscal. Responsabilidade Solidária Os responsáveis solidários Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão apresentaram recurso voluntário, basicamente trazendo os mesmos argumentos. Como se pode verificar, a fiscalização responsabilizou os sócios da recorrente com base nos seguintes fundamentos: Assim, pelo fato dos sócios José Ederaldo Campeão e Paulo Henrique Correa Campeão, bem como do exsócio Nilton César Sinicato, exercerem ou terem exercido a administração ou gerência da sociedade com a prática de atos com infração à lei, pondo em execução a fraude e omitindo informações na escrituração e não fornecendo documentos obrigatórios ao fisco, com a supressão e redução dos tributos, estes devem responder pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, inciso III, CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) II mandatário, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Extraise de parte do dispositivo legal que a responsabilidade do art. 135, III, do CTN pressupõe uma conduta contrária à lei. Pois bem. Fl. 4862DF CARF MF 24 Tenho que concordar com a decisão da DRJ. Os sócios da empresa, ao deixarem de informar, declarar e recolher tributos que eram de sua obrigação, em dois anos calendário consecutivos, praticaram conduta dolosa que contraria aos mandamentos da legislação fiscal. Transcrevo as razões da DRJ e sirvome delas para firmar meu entendimento: As pessoas físicas apontadas como responsáveis pelo crédito tributário lançado alegam nas impugnações apresentadas que no Termo Fiscal e também no Relatório Fiscal não existe fundamentação plena que sustente a atribuição de sujeição passiva solidária pretendida pela fiscalização com base no art. 135, III, do CTN”, tendo apenas se limitado a transcrever em parte o referido comando legal. Defendem que não há nos autos “comprovação de que os impugnantes teriam exercido a gerência da sociedade e que, nessa condição, teriam agido com infração à lei ou ao contrato social ou ainda com excesso de poderes”. Acrescentam que é nulo o ato de atribuição de sua responsabilidade, “por absoluto cerceamento do direito de defesa, uma vez que “o direito ao contraditório administrativo não lhe foi oportunizado”. Também é nulo “pois desprovido de motivação”. Finalizam afirmando que “não há como imputar sujeição passiva solidária nos lançamentos ultimados com base em presunção legal.” Inicialmente, quanto ao cerceamento do direito de defesa, verificase que aos responsáveis foi dada oportunidade de apresentação de impugnação acompanhada de documentos e esclarecimentos que julgassem necessários, como se pode ver pelas defesas apresentadas, as quais demonstram que eles compreenderam os motivos da autuação, rebatendo as infrações apontadas, não havendo de se cogitar de prejuízo aos responsáveis solidários. A motivação de tal imputação de responsabilidade encontrase especificada no relatório fiscal, a seguir transcrito: Assim, pelo fato dos sócios José Ederaldo Campeão e Paulo Henrique Correa Campeão, bem como do exsócio Nilton César Sinicato, exercerem ou terem exercido a administração ou gerência da sociedade com a prática de atos com infração à lei, pondo em execução a fraude e omitindo informações na escrituração e não fornecendo documentos obrigatórios ao fisco, com a supressão e redução dos tributos, estes devem responder pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, inciso III, CTN, verbis. O Contrato Social da empresa Plásticos Santa Terezinha Ltda. ME, fls. 96 a 99, discorre sobre os administradores da sociedade: CLÁUSULA NONA: A sociedade será administrada pelos sócios, Sr. NILTON CESAR SINICATO E JOSÉ EDERALDO CAMPEÃO, que assumirão os cargos de administradores, e representarão a sociedade ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente. Portanto, tais sócios exerceram sim a gerência da sociedade e, no julgamento do mérito do lançamento, restou demonstrada a ocorrência de fraude, nos termos da Lei nº 4.502, de 1964, art. 72, portanto a ocorrência do dolo e a infração à lei. Assim, sendo as pessoas acima citadas sócios com poderes de gestão à época e comprovada sua atuação nesses atos de gestão, correta a imputação de sujeição passiva solidária, nos temos do CTN, art. 135, III. Fl. 4863DF CARF MF Processo nº 13888.005218/201044 Acórdão n.º 1401002.049 S1C4T1 Fl. 4.851 25 Pelas circunstâncias acima descritas, reputase irreparável o procedimento da fiscalização no tocante à imputação de responsabilidade solidária aos sócios Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão. Desta forma, proponho a manutenção, no pólo passivo da obrigação tributária, aos solidários Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário da empresa e dos responsáveis solidários Nilton César Sinicato e José Ederaldo Campeão, pelas razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 4864DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.003822/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 11/03/2004, 29/09/2004, 31/07/2007
DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR O FATO GERADOR. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE DA LEI ORDINÁRIA.
Não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. A permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SALDO DE CAIXA.
Incide IRRF sobre o valor do saldo de caixa não comprovado pelo contribuinte, como pagamento sem causa ou por operação não comprovada.
ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO INCOMPLETA DE DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA.
A alegação do contribuinte de devolução incompleta de documentação apreendida deve vir acompanhada de prova de contestação do fato alegado no âmbito do processo judicial no qual se deu a ordem para devolução.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ART. 61, §1° DA LEI N° 8.981/95. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
Para enquadrar uma situação fática no art. 61, §1° da Lei n° 8.981/95, o Fisco deve ter dúvida relevante sobre a causa e/ou o beneficiário de um pagamento que efetivamente existiu. A materialização da hipótese de incidência demanda que a fiscalização demonstre a existência do pagamento e que não seja comprovada a operação ou causa deste pagamento.
IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO.
Para a perfeita caracterização da incidência tributária de que trata o art. 674 do RIR/99, necessário que o beneficiário do pagamento não esteja identificado ou não haja motivo para a operação que motivou o pagamento.
TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA POR ESCRITURA PÚBLICA REGISTRADA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA LIMITAR A FORÇA PROBANTE DOS DOCUMENTOS.
O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o servidor declarar que ocorreram em sua presença. Seja para buscar a declaração de falsidade de documento público, seja para limitar a sua fé, o caminho é a via judicial. Inteligência dos arts. 405, 426 e 427 do CPC. Cabe à fiscalização o ônus de descaracterizar operação imobiliária realizada mediante escritura pública registrada
Numero da decisão: 2201-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o lançamento de IRRF relativo aos pagamentos de R$ 1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra, que davam provimento ao recurso de ofício e negavam provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o lançamento de IRRF relativo aos pagamentos de R$ 1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra, que davam provimento ao recurso de ofício e negavam provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11/03/2004, 29/09/2004, 31/07/2007 DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR O FATO GERADOR. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE DA LEI ORDINÁRIA. Não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. A permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SALDO DE CAIXA. Incide IRRF sobre o valor do saldo de caixa não comprovado pelo contribuinte, como pagamento sem causa ou por operação não comprovada. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO INCOMPLETA DE DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA. A alegação do contribuinte de devolução incompleta de documentação apreendida deve vir acompanhada de prova de contestação do fato alegado no âmbito do processo judicial no qual se deu a ordem para devolução. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ART. 61, §1° DA LEI N° 8.981/95. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Para enquadrar uma situação fática no art. 61, §1° da Lei n° 8.981/95, o Fisco deve ter dúvida relevante sobre a causa e/ou o beneficiário de um pagamento que efetivamente existiu. A materialização da hipótese de incidência demanda que a fiscalização demonstre a existência do pagamento e que não seja comprovada a operação ou causa deste pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 38 22 /2 00 8- 99 Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 891 2 IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO. Para a perfeita caracterização da incidência tributária de que trata o art. 674 do RIR/99, necessário que o beneficiário do pagamento não esteja identificado ou não haja motivo para a operação que motivou o pagamento. TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA POR ESCRITURA PÚBLICA REGISTRADA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA LIMITAR A FORÇA PROBANTE DOS DOCUMENTOS. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o servidor declarar que ocorreram em sua presença. Seja para buscar a declaração de falsidade de documento público, seja para limitar a sua fé, o caminho é a via judicial. Inteligência dos arts. 405, 426 e 427 do CPC. Cabe à fiscalização o ônus de descaracterizar operação imobiliária realizada mediante escritura pública registrada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o lançamento de IRRF relativo aos pagamentos de R$ 1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra, que davam provimento ao recurso de ofício e negavam provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 892 3 Cuidase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário de fls. 656/666, interposto contra a Decisão da DRJ em Belém/PA que julgou procedente em parte o lançamento relativo a crédito tributário de IRRF, decorrentes de pagamento sem causa ou beneficiário não identificado (art. 674, §1º, do RIR/99), cujos fatos geradores ocorreram em 11/03/2004, 29/09/2004 e 31/07/2007, lavrado em 07/08/2008, com ciência da RECORRENTE em 12/08/2008 (fl. 288), tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 4.795.704,92 (fls. 287/291). Juntamente ao lançamento de IRRF, a autoridade fiscal lavrou auto de infração relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 267/286). O valor do crédito de IRRF foi posteriormente majorado para R$ 6.186.215,63, após Despacho Decisório que entendeu pela aplicação da multa qualificada de 150% em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2004 (fls. 336/341), com ciência da RECORRENTE em 25/08/2008 (fl. 339). O Termo de Verificação Fiscal de fls. 292/319, no que diz respeito às infrações relativas ao IRRF, foi muito bem resumido pela RECORRENTE da seguinte forma: "Em primeiro, a autoridade administrativa afirma que, como não ficou comprovada a saída do saldo de caixa, apurado em 31.jul.2007, no valor de R$529.229,22, ele deve ser considerado como pagamento sem causa e, por conseqüência, a recorrente fica obrigada a reter o imposto de renda na fonte, de acordo com o art. 61, § 1.° da Lei n.° 8.981/95. Em segundo, ela afirma que a aquisição de imóveis pela recorrente, em 2004, foi simulada e, deste modo, 2 pagamentos, no valor de R$1.500.000,00, em 1l.mar.2004, e no valor de R$1.922.000,00, em 29.set.2004, devem ser considerados sem causa e o IRRF lançado, na forma do art. 61, § 1.° da Lei n.° 8.981/95. A multa de ofício foi agravada, pela evidência de sonegação, fraude ou conluio. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 292/319, a presente autuação teve origem em agosto/2006 com ao operação denominada EXODUS, realizada de forma conjunta entre Secretaria da Receita Federal do Brasil, Departamento de Policia Federal e Ministério Público Federal, em razão da existência de indícios de um esquema de recepção de recursos do exterior (lavagem de dinheiro) em torno de diversas empresas, as quais estão ou estavam de alguma forma, ligadas ao Sr. Walter Vogel (sócio da empresa RECORRENTE), empresário suíço, naturalizado brasileiro, o qual, segundo a Receita Federal, consta ou constou como sócio ou representante de 98 empresas, sendo ainda procurador no Brasil dos investidores/credores estrangeiros que aportavam recursos originários de paraísos fiscais em tais empresas. Por essa razão, o Fisco batizou esse conjunto de empresas de “empreendimento Walter Vogel”. De acordo com a autoridade lançadora, os gestores do empreendimento adotam a seguinte estratégia para retirar os recursos do controle dos órgãos competentes do sistema financeiro nacional: Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 893 4 Nesse esquema, apontou que “inexiste a comprovação da efetividade das transações entre as empresas do grupo localizadas no Brasil. Os repasses monetários em razão das causas contabilizadas não se comprovam, visto que quase todas as transações efetuadas foram informadas como ocorridas em espécie, existindo somente os registros contábeis que dão suporte aos caixas da empresa, constando como documentação comprobatória apenas recibos e escrituras, documentos nos quais encontramos o Sr. Walter Vogel, ou outra pessoa ligada ao grupo, como representante de ambas as partes” (fl. 295). No que se refere à empresa objeto do presente processo, a fiscalização entendeu que, conforme os resumos dos Balanços Patrimoniais e Demonstração do Resultado do Exercício do período de 2003 a 2005 (fls. 132/133), estaria evidente que a empresa não opera buscando atender a finalidade do seu objeto social, funcionando apenas para dar suporte contábil às transações do Grupo, no que se refere à circulação dos recursos oriundos exterior. Além disso, observou que o imobilizado se manteve constante ao longo dos anos, a despeito de ter havido o incremento de ingresso de recursos advindos do exterior, nas modalidades de investimento e empréstimo e, além disso, a conta circulante manteve sempre elevados valores. Ressalta, no período analisado, os sucessivos prejuízos operacionais apurados. Da análise das demonstrações financeiras da empresa RECORRENTE, a fiscalização constatou alguns fatos relevantes e findou por apurar as seguintes infrações relativas ao IRRF, com base no art. 61, §1º, da Lei nº 8.981/95 (pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios acionistas ou titular, sem comprovação da operação ou da sua causa): · Item V.1.1 do TVF: diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007 Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 894 5 A fiscalizada informou que o saldo em espécie do seu caixa em 31/07/2007 era de R$ 15.330,90, o qual, quando comparado ao valor de R$ 544.560,12 escriturado no último Balanço Patrimonial da empresa (transcrito no Livro Diário do AC 2005 fl. 765) indica saída de caixa neste período, no total de R$ 529.229,22, sendo necessário que o contribuinte apresentasse toda documentação hábil e idônea que comprovasse o beneficiário e a causa do pagamento. A fiscalização atesta que, em resposta à intimação, o contribuinte argumentou que se encontrava impossibilitado de apresentar os elementos requeridos em função dos documentos apreendidos pela Policia Federal no Mandado de Busca e Apreensão da operação Exodus, além do fato de ter arbitrado o lucro em 2006, sem apresentar nenhuma informação concreta sobre o destino de R$ 529,479,80. A autoridade lançadora não considerou os argumentos da contribuinte, pois: (i) a alegação de que fez o uso do seu direito de buscar o arbitramento do lucro em 2006, não é justificativa válida para a não apresentação dos documentos requeridos; e (ii) os documentos, mesmo de forma não integral (como alega o fiscalizado), foram devolvidos pela Policia Federal. Portanto, pelo conjunto dos fatos relatados, a fiscalização entendeu que a saída do caixa no valor de R$ 529.229,22 teve destinação diversa, uma vez que não houve a comprovação da saída destes valores, resultando em pagamento sem causa, ou por operação não comprovada, com apuração de ofício do IRRF em 31/07/2007. Afirmou a autoridade lançadora que a data de 31/07/2007 foi firmada como data do pagamento em razão de que foi com base no saldo do caixa deste dia, informado pelo próprio contribuinte, que se apurou a diferença dos valores como saques do caixa. · Item V.1.2 do TVF: lançamentos de pagamentos em espécie de compras de Imóveis com operações não comprovadas A autoridade fiscal constatou que em 2004 e 2005 foram realizadas duas operações vultosas de saída de recursos da empresa, cujos registros contábeis indicam, em tese, circulação de dinheiro em espécie entre as empresas ligadas ao Sr. Walter Vogel, conforme abaixo discriminado: a) Compra da Fazenda Horizonte, em 11/03/2004, por R$ 1.500.000,00. Adquirida à Esmeralda Empreendimentos Imobiliários Ltda, que tem ou teve por sócios o Sr. DEIBSON LEITE BANDEIRA (sócio administrador, com 0,11% de participação), AMAZONIA IMOVEIS LTDA (com participação de 99,89% e tendo como sócio responsável o mesmo Deibson Leite Bandeira), ZAFIR SILVOPASTORIL LTDA (sócio excluído) e GERALDO JOÃO DA SILVA (sócio excluído); estes 02 foram incluídos 11/10/2002 Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 895 6 e excluídos em 26/11/2007. Importante frisar que, à época da aquisição da Fazenda Horizonte, os Sr. Walter Vogel e Patrick Vogel eram cotistas da ZAFIR, esta com domicílio fiscal na Rua Botão de Ouro n° 190, sala, 06, Pricumã, Boa Vista /RR, ou seja o mesmo imóvel em que se situa a empresa ora fiscalizada. Ponderou que a Esmeralda Empreendimentos Imobiliários Ltda, parte também relacionada às empresas do Grupo Walter Vogel, tinha comprado a Fazenda Horizonte no dia 10/03/2004 junto à empresa Agropecuária São Lourenço Ltda por R$ 370.000,00, e apenas um dia após a vendeu à fiscalizada por R$1.500.000,00. Devidamente intimada a comprovar a operação, a contribuinte se limitou a apresentar a escritura pública, sem qualquer comprovante para a liquidação financeira (escritura não foi efetuada na presença do tabelião), limitandose o vendedor a declarar neste documento “... já haver recebido dele outorgado em moeda corrente do país o valor...”, sem qualquer comprovação bancária do efetivo pagamento pela causa relata. b) Compra dos loteamentos Sumaúma e Macunaíma, da Fazenda Pedra Preta e da Fazenda Pedra Pintada, em 29/09/2005, valor total de R$ 1.922.000,00. b.1) Loteamentos Sumaúma e Macunaíma: Comprados, em 10.09.2004 pela Imobiliária Siripê Ltda, à Imobiliária Santa Cecília no Valor de R$ 672.000,00 e R$ 800.000,00, respectivamente, em valor total de R$ 1.472.000,00, foram revendidos para a fiscalizada em 29/09/2005 pelo mesmo valor total de R$ 1.472.000,00. Nesta negociação, o Sr. Walter Vogel representa ambas. Ressaltase que, tanto a Imobiliária Santa Cecília quanto a Imobiliária Siripê Ltda são empresas do grupo Walter Vogel e possuem o mesmo objeto social, a compra e venda de imóveis, sendo que esta possui domicílio tributário à Rua Botão de Ouro, 190, o mesmo da fiscalizada. b.2) Fazenda Pedra Pintada: Comprada pela fiscalizada à Oba Ouro Branco Agropecuária Ltda pelo valor de R$ 250.000,00 no dia 16/11/2005. Novamente o Sr. Walter Vogel representa ambas, sendo procurador da Oba Ouro Branco e sócio desta empresa a partir de 12/2005. Notase que, embora a negociação tenha, em tese, se firmado em 16/11/2005, já houve os registros contábeis pertinentes em 29/09/2005. b.3) Fazenda Pedra Preta: Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 896 7 Comprada, em 10/11/1995, pela Sra. Zilda Michael à Arosa Agropecuária Roraima por R$ 515.000,00. Em 16/11/2005 a Sra Zilda Michael, ente próxima ao Sr. Walter Vogel e representada por este na negociação, a revende para a fiscalizada no valor total de R$ 200.000,00. Notase que, embora a negociação tenha, em tese, se firmado em 16/11/2005, já houve os registros contábeis pertinentes em 29/09/2005. Sobre as aquisições dos imóveis acima referidos, a autoridade lançadora frisou que, desde a constituição da empresa RECORRENTE em 2003 até 2005, as empresas envolvidas – compradora e vendedora – pertencem ao mesmo grupo empresarial do Sr. Walter Vogel, têm sede no mesmo endereço e têm objetivos sociais comuns, tornando a transação muito suspeita, sendo imprescindível à constatação documental. No entanto, a comprovação apresentada pela contribuinte foi lastreada apenas em meros registros contábeis e nas escrituras lavradas entre essas pessoas vinculadas (onde não constam prova da transferência do dinheiro). Portanto, de acordo com o TVF, pelas formas suspeitas como as operações foram realizadas, com forte indício de simulação, não sendo concebível que empresas que possuem conta bancária, inclusive realizando operações com recebimento de recursos do exterior, efetuem pagamento em espécie, em um montante elevado de cédulas, entre pessoas que possuem interesse comum, com dispensa de testemunha e outras averiguações, sendo portanto imprescindível que houvesse a comprovação do repasse financeiro, não realizado pelo contribuinte conforme respostas às intimações. Desta forma, a autoridade lançadora considerou que os pagamentos de R$ 1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00, escriturados como pagamentos de compra de imóveis, não tiveram as operações e o repasse financeiro devidamente comprovado, restando a apuração do IRRF nos termos do art. 61, §1° da Lei n° 8.981/95 Após o reajustamento determinado pelo art. 61, §3°, da Lei n° 8.981/95, a base de cálculo para o IRRF e os respectivos fatos geradores utilizados pela autoridade lançadora foram os seguintes (fls. 290 e 315): 11/03/2004: R$ 2.307.692,31; 29/09/2004: R$ 2.956.923,08; e 31/07/2007: R$ 814.198,80. A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 355/400 em 24/09/2008. Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 633/648 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento. Na oportunidade, concluiu que "não procede o lançamento de IRRF no valor original de R$ 2.956.923,08, referente ao fato gerador ocorrido em Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 897 8 29/09/2004, pois a autoridade lançadora não observou a data correta de sua ocorrência que foi 29/09/2005, assim como não procede a qualificação da multa, já que esta não foi elaborada por auto de infração complementar e sim por Despacho Decisório, meio inábil para a sua formalização". O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2007 AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. CONDIÇÕES. A constatação de erros no lançamento que afetem os fundamentos que embasam a exação, o enquadramento legal da exigência ou o aumento do crédito tributário lançado de ofício, justifica a lavratura de auto de infração complementar prevista no § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e alterações posteriores. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal, que não autoriza a concessão administrativa de prazo diverso. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU POR OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA É legítimo o lançamento decorrente da constatação de diminuição do saldo de caixa, sem a devida comprovação da operação ou causa dos pagamentos, e o decorrente da não apresentação de documentação consistente relacionada a negócio jurídico considerado inexistente. Lançamento Procedente em Parte" O cancelamento parcial do lançamento foi objeto de Recurso de Ofício. Intimada em 18/05/2009 (fl.652), a RECORRENTE interpôs o Recurso Voluntário de fls. 656/666 em 12/06/2009, alegando resumidamente o seguinte: Nulidade do AI: violação do art. 142 c/c art. 116 do CTN, pois este último dispositivo nunca foi regulamentado por lei ordinária; Improcedência do AI: justificativa do pagamento de 11.mar.2004: o art. 61 da Lei n.° 8.981/95, transcrito pelo art. 674, § 1.° do RIR/99, não desobriga a autoridade administrativa do seu munur de investigar a ocorrência do fato gerador do tributo e de que a operação não teve causa, nos termos do art. 142 do CTN. Alega que a ausência de um procedimento, de uma formalidade, não descaracteriza a efetividade do negócio, pois o relevante é a sua identificação com a vontade das partes. Neste sentido, as escrituras de compra e venda fazem prova cabal da aquisição do imóvel. Assim, o auto de infração não pode subsistir. Colaciona uma série de julgados do CARF; Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 898 9 Improcedência do AI: redução do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007: não foram devolvidos uma série de documentos apreendidos pela Policia Federal, em decorrência da operação Exodus a que se sujeitou o Sr. Walter Vogel; Da multa agravada: o CARF tem, reiteradamente, decidido que a multa agravada só é aplicável, quando provado o dolo. Portanto, requereu o seguinte: "Dos pedidos Ante ao exposto, requer, muirespeitosamente, às Vossas Senhorias que o recurso seja admitido e provido para: a) decretar a nulidade do auto de infração, porque foi lavrado em desrespeito às formalidades legais; ou, b) rejeitada a assertiva preliminar, seja julgado improcedente o auto de infração, porquanto há justificativa dos pagamentos, relacionados no item V do termo de verificação fiscal; e, c) seja julgado improcedente o auto de infração, porque a redução do saldo de caixa se deu por motivo de força maior; e, d) seja rejeitado o agravamento da multa, pois não há prova do dolo especifico do impugnante." Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. I. Da alegação de nulidade do lançamento por violação ao art. 142 c/c art. 116 do CTN. A RECORRENTE argumenta que a autoridade fiscal teria baseado o lançamento em especulações que resultaram na desconsideração dos seus negócios jurídicos, o que só seria possível com fundamento no art. 116, parágrafo único, do CTN, dispositivo ainda pendente de regulamentação por lei ordinária. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 899 10 Contudo, entendo que não deve prosperar tal alegação de nulidade, na medida em que não foram apontados vícios relacionados ao ato de constituição do crédito tributário especificados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nem qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme acima exposto, o lançamento não se encontra eivado de vícios. Tanto que a RECORRENTE, em sua defesa, rebateu os fatos descritos pela autoridade lançadora, demonstrando entender perfeitamente as acusações que lhes foram imputadas. Ademais, não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. É que a permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN, abaixo transcritos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 900 11 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A autoridade fiscal apresentou no TVF diversos argumentos acerca do emaranhado de empresas envolvendo o Walter Vogel com a prática de diversos atos entre elas a fim de confundir e ocultar a verdadeira intenção. Sobretudo porque, de acordo com a fiscalização, tais operações levantaram suspeita pois não houve comprovação financeira, além do que, em vários negócios, apenas o sócio Walter Vogel assinava documentos por todas as partes. Assim, a fiscalização concluiu que tudo seria uma simulação para dar suporte ao esquema de circulação de dinheiro vindo exterior. Portanto, não merece prosperar a alegação de nulidade apresentada pela RECORRENTE, pois perfeitamente possível a realização de lançamento de atos dissimulados, com base no art. 116 c/c o art. 149, VII, do CTN. II. Do lançamento do IRRF sobre os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. II.a. Do lançamento sobre a diminuição do saldo da conta “caixa” em R$ 529.229,22. De acordo com a autoridade lançadora, houve a diminuição do saldo em espécie da conta “Caixa” da RECORRENTE quando comparado o valor declarado no Balanço Patrimonial (R$ 544.560,12) e aquele informado pela RECORRENTE em 31/07/2007 (R$ 15.330,90). Sendo assim, efetuou o lançamento do IRRF na medida que a diferença de R$ 529.229,22 foi considerada um pagamento sem causa, ante a falta de comprovação de seu destino. A RECORRENTE argumenta que não foram devolvidos uma série de documentos apreendidos pela Policia Federal, em decorrência da operação Exodus a que se sujeitou o Sr. Walter Vogel, posto que, grande parte da documentação contábil das referidas empresas envolvidas, apreendidas em pastas, gavetas e sacos abarrotados, voltaram com seus volumes bens inferiores. O auto de apreensão encontrase fls. 188/211, e os Termos de Restituição às fls. 214/258. Ao contrário do que alega o RECORRENTE, há uma certidão (fl. 187) emitida pela Polícia federal nos autos do processo nº 2006.42.00.0012070 (Mandado de Busca e Apreensão – MBA), atestando que “todos os itens apreendidos pelas equipes BV 12, BV 13, BV 14 e BV 15 foram restituídos em observância a Decisão Judicial daquela Vara Federal [1ª Vara Federal de Boa Vista/RR], salvo os itens correspondentes a valores monetários que foram depositados judicialmente em estabelecimento bancário oficial”. No entanto, entendo que tal “devolução incompleta”, caso existisse, deveria ser questionada pela RECORRENTE nos autos do processo judicial relativo ao MBA, de onde Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 901 12 partiu a ordem para apreensão e devolução dos documentos. Ou seja, não houve contestação da RECORRENTE (ao menos apresentada nos presentes autos) em face da Certidão emitida pela Policia Federal de que havia devolvido todos os itens apreendidos (exceto os valores monetários). Ademais, acaso realmente os documentos supostamente não devolvidos fossem demasiadamente importantes para a comprovação das alegações da RECORRENTE, esta poderia ter ao menos diligenciado a fim de obter cópias da documentação, pois entre a data de emissão da certidão pela Policia Federal atestando a devolução dos itens apreendidos (20/08/2007 – fl. 187) até a data em que a RECORRENTE tomou ciência do auto de infração (12/08/2008 – fl. 268), transcorreu tempo suficiente para verificar a documentação faltante e obter ao menos cópias das mesmas, caso fossem necessárias para comprovação dos seus argumentos de defesa. Assim, entendo que não merecem prosperar as alegações da RECORRENTE e, consequentemente, deve ser mantido o lançamento do IRRF sobre o valor da diferença apurada entre o saldo da conta “Caixa” declarado no Balanço Patrimonial (R$ 544.560,12) e aquele informado pela RECORRENTE em 31/07/2007 (R$ 15.330,90), pois tal montante de R$ 529.229,22 deve ser considerado como pagamento sem causa, ante a constatação de que houve uma diminuição da conta contábil sem de comprovação de seu destino, não necessitando haver a contabilização de tal “pagamento”, nos termos do art. 61, §1°, da Lei n° 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Sobre o tema, colaciono jurisprudência deste CARF no sentido de que incide IRRF sobre o valor do saldo de caixa não comprovado pelo contribuinte, como pagamento sem causa ou por operação não comprovada, além de tratar acerca do argumento de devolução incompleta de documentação apreendida, nos termos já expostos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIO PESSOA JURÍDICA. A ausência de comprovação da efetiva entrega de recursos de caixa fornecidos por sócio pessoa jurídica autoriza a sua tributação como omissão de receitas, por presunção legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. PERDÃO DE JUROS INCORRIDOS. No regime do lucro Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 902 13 presumido, os juros incorridos não reduzem a base de cálculo do tributo, como despesa, e, portanto, quando perdoados, os valores a eles relativos (juros) não devem ser computados como receita. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO INCOMPLETA DE DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA. A alegação do contribuinte de devolução incompleta de documentação apreendida deve vir acompanhada de prova de contestação do fato alegado no âmbito do processo judicial no qual se deu a ordem para devolução. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2007 Ementa: FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SALDO DE CAIXA. Incide IRRF sobre o valor do saldo de caixa não comprovado pelo contribuinte, como pagamento sem causa ou por operação não comprovada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO INCOMPLETA DE DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA. A alegação do contribuinte de devolução incompleta de documentação apreendida deve vir acompanhada de prova de contestação do fato alegado no âmbito do processo judicial no qual se deu a ordem para devolução. Assunto: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA POR ESCRITURA PÚBLICA REGISTRADA. Cabe à fiscalização o ônus de descaracterizar operação imobiliária realizada mediante escritura pública registrada. (Acórdão nº 110300.472; Sessão de 26/05/2011; 1ª Seção / 1ª Câmara / 3ª Turma) Portanto, deve ser mantido o lançamento de IRRF referente ao item V.1.1 do TVF, a respeito da diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007. II.b. Do lançamento sobre os pagamentos de R$ 1.500.000,00 e de R$ 1.922.000,00. Conforme passagens do TVF (já mencionadas), a autoridade lançadora em vários momentos questiona a existência do pagamento de R$ 1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00 para a compra de imóveis rurais (escrituras às fls. 72/73, 88/90, 91/92 e 93/94). Chegou a Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 903 14 concluir que tais pagamentos foram simulados com a finalidade de “lavar” quantias aportadas por Deepavali Limited (pessoa jurídica sediada no exterior, sócia da RECORRENTE), na medida em que a RECORRENTE teria vendido tais imóveis rurais para uma terceira empresa (TUIUIÚ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS), a qual assumiu as dívidas da RECORRENTE perante a sua sócia Deepavali Limited decorrentes de contratos de mútuo (fls. 74/87) como forma de pagamento pelos imóveis (escrituras às fls. 95/98 e 99/100). Pois bem, a operação parece bem desenhada e compreendida pela autoridade fiscal. No entanto, s.m.j., entendo que não houve o correto enquadramento legal da questão. É que, conforme exporto, o Fisco questiona a existência da operação de venda dos imóveis rurais e, ao mesmo tempo, questiona a existência dos pagamentos realizados pela RECORRENTE, ao passo que a infração descrita no art. 61, §1° da Lei n° 8.981/95, pressupõe a existência efetiva de pagamento, sem a indicação de uma dessas duas informações: (i) a causa ou operação; e (ii) o beneficiário: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Tanto é que para afastar o lançamento de IRRF com base no mencionado dispositivo legal, o contribuinte deve se ater a comprovar a causa/operação e o beneficiário do pagamento realizado. Sendo assim, para enquadrar uma situação fática no art. 61, §1° da Lei n° 8.981/95, o Fisco deve ter dúvida relevante sobre a causa e/ou o beneficiário de um pagamento que efetivamente existiu. Em outras palavras: ou identifica quem recebeu o valor, mas não se sabe a causa; ou se identifica a causa do pagamento, mas não quem recebeu o valor; ou até não se identifica nem a causa nem o beneficiário. Mas, em qualquer hipótese, há uma efetiva transferência de valores. Sobre o tema, colaciono acórdão proferido pela 2ª Turma desta 2ª Câmara da 2ª Sessão: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. MULTA E JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE PELA FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DEVIDO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. A contagem do prazo decadencial da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente em razão da falta de retenção do imposto de renda retido na fonte a título de antecipação submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, cinco anos do primeiro dia Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 904 15 do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES DE MÚTUO PACTUADOS COM A PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. A falta de comprovação da efetividade das operações de mútuos pactuados entre a empresa e seu sócio, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto exclusivamente na fonte, conforme o disposto no art. 61 da Lei no 8.981, de 1995. Para que a hipótese de incidência se materialize é necessário que a fiscalização demonstre a existência do pagamento e que não seja comprovada a operação ou causa deste pagamento. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. MULTA ISOLADA E JUROS DE MORA ISOLADOS PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Descabe a aplicação da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente quanto os rendimentos que lhe deram origem são tributados exclusivamente na fonte. Nesse caso, cabe exigir da fonte pagadora o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais. (Acórdão nº 2202002.298; Sessão de 14/05/2013; 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma) Ora, se, no presente caso, a autoridade fiscal questiona o próprio pagamento, não poderia realizar o lançamento do IRRF com base no mencionado dispositivo legal, o qual tem por objeto pagamentos efetivamente realizados por contribuinte sem, no entanto, que estejam identificadas a sua causa ou o beneficiário. Ainda assim, caso ultrapassado o argumento acima, entendo que não merece prosperar o lançamento, pois as escrituras públicas apresentadas pela RECORRENTE (fls. 72/73, 88/90, 91/92 e 93/94) identificam a causa (compra de imóveis rurais) e o beneficiário (os antigos proprietários dos bens imóveis) dos pagamentos, conforme abaixo: Escritura de fls. 72/73: R$ 1.500.000,00 pagos à ESMERALDA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIO LTDA pela compra da Fazenda Horizonte; Escritura de fls. 88/90: R$ 1.472.000,00 pagos à IMOBILIÁRIA SIRIPÊ LTDA. pela compra dos Loteamentos Samauma e Macunaíma; Escritura de fls. 91/92: R$ 250.000,00 pagos à OBA OURO BRANCO AGROPECUÁRIA LTDA. pela compra da Fazenda Pedra Pintada; e Escritura de fls. 93/94: R$ 200.000,00 pagos à ZILDA MICHEL pela compra da Fazenda Pedra Preta; Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 905 16 A fiscalização argumentou no TVF que houve a apuração de ofício do crédito tributário do Imposto de Renda na Fonte pagamento sem causa, pois, no caso, “ficou evidenciada a falta de idoneidade do documento apresentado como comprovante” (fl. 308). No entanto, por dotar de fé pública, entendo que tais escrituras são documentos hábeis e idôneos a comprovar a causa e o beneficiário dos pagamentos de R$1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00 (valor representado pela soma das três ultimas escrituras acima descritas). Ademais, a permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados (art. 116 c/c 149, VII do CTN) tem, no meu entendimento, o foco voltado para atos societários, contábeis, situações de relação trabalhista/emprego, etc. Tal permissão não autoriza afastar, monocraticamente, a força probante de documentos dotados de fé pública. Apenas o Poder Judiciário pode declarar falsidade de documento público ou limitar a sua fé. Assim, caso pretendesse desconstituir tais meios de provas, deveria a autoridade fiscal se socorrer do judiciário, e não simplesmente afastar a força probante de escrituras públicas através de ato unilateral. Sobre o tema, o Código de Processo Civil – CPC, ao tratar da Força Probante dos Documentos, dispõe que o documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o servidor declarar que ocorreram em sua presença e que cessa a fé do documento público quando lhe for declarada judicialmente a falsidade, nos termos dos arts. 405 e 427 do CPC: “Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença. (...) Art. 427. Cessa a fé do documento público ou particular sendo lhe declarada judicialmente a falsidade. Parágrafo único. A falsidade consiste em: I formar documento não verdadeiro; II alterar documento verdadeiro.” Sendo assim, seja para buscar a declaração de falsidade de documento público, seja para limitar a sua fé, o caminho é único: a via judicial. E em qualquer caso o ônus da prova incube à parte que arguir a nulidade, nos termos do art. 429, I, do CPC “Art. 429. Incumbe o ônus da prova quando: I se tratar de falsidade de documento ou de preenchimento abusivo, à parte que a arguir;” Neste sentido, a autoridade lançadora não tem competência para limitar a força probante das escrituras públicas de fls. 72/73, 88/90, 91/92 e 93/94. Caso assim pretendesse, deveria levar a situação ao conhecimento do Poder Judiciário, a quem cabe Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 906 17 declarar a falsidade do documento ou reconhecer a sua limitação ante a constatação de inverdades. Assim, não vejo motivos para desqualificar as escrituras públicas. Sobre o tema, transcrevo novamente o teor do acórdão nº 110300.472, já mencionado acima: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIO PESSOA JURÍDICA. A ausência de comprovação da efetiva entrega de recursos de caixa fornecidos por sócio pessoa jurídica autoriza a sua tributação como omissão de receitas, por presunção legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. PERDÃO DE JUROS INCORRIDOS. No regime do lucro presumido, os juros incorridos não reduzem a base de cálculo do tributo, como despesa, e, portanto, quando perdoados, os valores a eles relativos (juros) não devem ser computados como receita. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO INCOMPLETA DE DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA. A alegação do contribuinte de devolução incompleta de documentação apreendida deve vir acompanhada de prova de contestação do fato alegado no âmbito do processo judicial no qual se deu a ordem para devolução. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2007 Ementa: FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SALDO DE CAIXA. Incide IRRF sobre o valor do saldo de caixa não comprovado pelo contribuinte, como pagamento sem causa ou por operação não comprovada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO INCOMPLETA DE DOCUMENTAÇÃO APREENDIDA. A alegação do contribuinte de devolução incompleta de documentação apreendida deve vir acompanhada de prova de contestação do fato alegado no âmbito do processo judicial no qual se deu a ordem para devolução. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 907 18 Assunto: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA POR ESCRITURA PÚBLICA REGISTRADA. Cabe à fiscalização o ônus de descaracterizar operação imobiliária realizada mediante escritura pública registrada. (Acórdão nº 110300.472; Sessão de 26/05/2011; 1ª Seção / 1ª Câmara / 3ª Turma) Portanto, deve ser excluído o lançamento de IRRF referente ao item V.1.2 do TVF, a respeito dos pagamentos de compras de Imóveis no valor de R$ 1.500.000,00 e de R$ 1.922.000,00. III. Do Recurso de Ofício. O Recurso de Ofício tem por objeto dois temas: (i) o afastamento do lançamento de IRRF sobre o valor de R$ 1.922.000,00, por erro na indicação da data do fato gerador; e (ii) o cancelamento da multa qualificada, por não ter sido respeitado a forma de sua constituição; III.a. Do afastamento do lançamento de IRRF sobre o valor de R$ 1.922.000,00. Entendo que tal matéria já foi superada pelo julgamento de mérito acima. No entanto, caso não prevaleçam as razões expostas neste voto, passo a tecer os meus comentários a respeito deste ponto, objeto do Recurso de Ofício. A DRJ de origem afastou o lançamento de IRRF sobre o valor de R$ 1.922.000,00 (cujo valor bruto, para fins de apuração do IRRF nos termos do art. 61, §3° da Lei n° 8.981/95, equivale a R$ 2.956.923,08) por verificar que a autoridade lançadora informou a data errada do fato gerador. É que, de acordo com as demonstrações contábeis da RECORRENTE (fl. 759) bem como a escritura pública acostada aos autos (fl. 88), o pagamento teria ocorrido em 29/09/2005, ao passo que a fiscalização efetuou o lançamento como sendo ocorrido em 29/09/2004. Foram as seguintes as razões da DRJ de origem: “Entretanto, a fiscalização equivocadamente, lançou o fato gerador ocorrido em 29/09/2005, conforme fl. 80 do anexo I, em 29/09/2004, conforme documentos de fls. 270 a 272 e 296. Este equívoco no lançamento implica na errônea determinação da data de ocorrência do fato gerador, com reflexos até mesmo na determinação do montante do tributo devido, haja vista o termo inicial de cálculo dos juros. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 908 19 Desse modo, não procede o lançamento de IRRF no valor original de R$ 2.956.923,08, referente ao fato gerador ocorrido em 29/09/2004, pois a autoridade lançadora não observou a data correta de sua ocorrência que foi 29/09/2005.” Entendo que foi acertada tal decisão, pois o erro na indicação da data do fato gerador macula o lançamento de tal forma que pode ser até considerado empecilho à ampla defesa do contribuinte. A autoridade fiscal está obrigada a indicar, de forma inteligível pelo sujeito passivo, qual a infração cometida. Faz parte da motivação do ato de lançamento a correta indicação das datas dos fatos geradores. Portanto, devese cancelar o lançamento quando for observado erro na sua construção, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN, por violar o direito de defesa do contribuinte. Está, portanto, eivado de vício material o lançamento, razão pela qual deve o mesmo ser cancelado nesta parte. III.b. Do afastamento da multa qualificada. Também não merece reparo a decisão da DRJ que resolveu afastar a multa qualificada de 150% aplicada ao caso concreto. É que, conforme se depreende da leitura do demonstrativo de multa e juros de mora do presente auto de infração, a multa originalmente aplicada foi no percentual de 75% (fls. 291). Ocorre que, após a intimação da RECORRENTE (ocorrida em 12/08/2008), a autoridade fiscal resolveu, de ofício, revisar o lançamento para majorar a multa para o percentual de 150%, reconhecendo expressamente a existência de erro na sua elaboração, pois o caso incorria em hipótese do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96 (fls. 326/329). Posteriormente, foi proferido Despacho Decisório nº 01, de 21/08/2008, concluindo por “rever de ofício o lançamento da multa de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte, alterando o percentual da multa de oficio de 75% para 150%, para os fatos geradores ocorridos em 11/03/2004 e 29/09/2004”. Em razão do exposto, foi reaberto prazo para o contribuinte apresentar defesa (fls. 336/339). Contudo, conforme expõe o art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72, para agravar um lançamento já constituído (ou seja, já ocorrida a ciência do contribuinte), deverá ser efetuado lançamento complementar ao já existente: Art. 18. (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10245.003822/200899 Acórdão n.º 2201003.674 S2C2T1 Fl. 909 20 sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. A majoração da multa teve origem mediante Despacho Decisório, que não é o meio adequando para agravamento da exigência inicial, nos termos do dispositivo acima mencionado. Por tal razão, a DRJ de origem considerou nulo o Despacho Decisório de fls. 336/339, mas manteve seus efeitos em relação à reabertura do prazo de trinta dias para pagamento ou impugnação do crédito tributário referente ao IRRF, tendo em vista a boafé da RECORRENTE. Portanto, não merece reparos esta decisão da DRJ, devendo ser aplicada ao caso concreto a multa de 75% a todos os fatos geradores do IRRF. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir o lançamento de IRRF relativo aos pagamentos de R$ 1.500.000,00 e R$ 1.922.000,00, com fatos geradores em 11/03/2004 e 29/09/2004, respectivamente (item V.1.2 do TVF), e afastar a multa qualificada, devendo ser mantido apenas o lançamento de IRRF relativo ao fato gerador ocorrido em 31/07/2007 (item V.1.1 do TVF). Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 981DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002244/2005-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.328
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 22 44 /2 00 5- 10 Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11065.002244/200510 Acórdão n.º 9303005.328 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.596, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11065.002244/200510 Acórdão n.º 9303005.328 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11065.002244/200510 Acórdão n.º 9303005.328 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11065.002244/200510 Acórdão n.º 9303005.328 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000285/2004-64
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS.
A aplicação da multa preceituada no artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.436/96, decorre do inadimplemento da obrigação do contribuinte em recolher os valores dos tributos estimados, uma vez ser sua a opção por proceder dessa forma e não apurar o IRPJ e tributos reflexos na forma regular, trimestralmente. A penalidade está prevista em norma tributária
vigente, artigo 2º da Lei nº 9.430/96, e independe de haver ou não saldo de tributo devido ao final do período, não cabendo à autoridade administrativa de julgamento retirar a eficácia de norma tributária.
Numero da decisão: 1801-000.402
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros André Ricardo Lemes da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. A aplicação da multa preceituada no artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.436/96, decorre do inadimplemento da obrigação do contribuinte em recolher os valores dos tributos estimados, uma vez ser sua a opção por proceder dessa forma e não apurar o IRPJ e tributos reflexos na forma regular, trimestralmente. A penalidade está prevista em norma tributária vigente, artigo 2º da Lei nº 9.430/96, e independe de haver ou não saldo de tributo devido ao final do período, não cabendo à autoridade administrativa de julgamento retirar a eficácia de norma tributária.
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ESTIMATIVAS. A aplicação da multa preceituada no artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.436/96, decorre do inadimplemento da obrigação do contribuinte em recolher os valores dos tributos estimados, uma vez ser sua a opção por proceder dessa forma e não apurar o IRPJ e tributos reflexos na forma regular, trimestralmente. A penalidade está prevista em norma tributária vigente, artigo 2º da Lei nº 9.430/96, e independe de haver ou não saldo de tributo devido ao final do período, não cabendo à autoridade administrativa de julgamento retirar a eficácia de norma tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros André Ricardo Lemes da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, André Ricardo Lemes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher multa isolada em decorrência de não efetuar os pagamentos das CSLL apuradas sobre as bases estimadas nos meses de janeiro a dezembro dos anos-calendários de 1999, 2000, 2001 e 2002, conforme verifica-se pelo Auto de Infração juntado às fls. 03 a 10, lavrado com fulcro no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, então vigente. Destaco que no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 82, a autoridade lançadora esclareceu que, inicialmente, o foco da auditoria foi a venda de um automóvel a taxista com isenção de IPI, mediante arrendamento mercantil, o que mais tarde verificou-se não ter ocorrido e, portanto, não gerando tributação do IPI. Na continuidade dos trabalhos fiscais, em seara de verificações obrigatórias através das quais cotejam-se os valores declarados, escriturados e pagos pela contribuinte no período dos últimos cinco anos, a fiscalização constatou que a empresa solicitou fosse incluído no PAES débitos relativos às estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas pertinentes ao ano- calendário de 2001 – fls. 82. Nas referidas verificações, constatou-se que não somente houvera o não recolhimento das estimativas do ano de 2001, mas também em relação aos anos de 1999, 2000 e 2002, ensejando a presente autuação fiscal. Impugnado o feito fiscal, fls. 86 e 87, a contribuinte argumentou que inscrevera os débitos ora constituídos de ofício no PAES e, portanto, os denunciou espontaneamente, estando albergada pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional, não podendo ser tributada ex officio. Às fls. 102 encontra-se juntado aos autos o formulário de Pedido de Parcelamento – PAES protocolizado em 29 de julho de 2003, sem discriminação dos débitos incluídos. A autoridade preparadora juntou ao presente cópia da petição protocolizada em 27/11/2003 relativa ao processo administrativo fiscal nº 13413.000263/2003-60 que cuida do parcelamento solicitado pela contribuinte (fls. 110) no que se refere à inclusão no PAES das multas devidas pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL do ano de 2001. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG exarou o Acórdão nº 02-15.535/07, fls. 111 a 121, considerando o lançamento procedente em parte, reduzindo a multa isolada de 75% para 50% em vista de legislação posterior mais benéfica ter sido editada (Lei nº 11.488/07, artigo 14). O acórdão restou assim ementado: PARCELAMENTO ESPECIAL - PAES A adesão do contribuinte ao Paes produz efeitos legais somente em relação aos débitos efetivamente incluídos no parcelamento especial, observado o cumprimento das formalidades e das prazos estabelecidos na legislação de regência. MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA Fl. 155DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.000285/2004-64 Acórdão n.º 1801-00.402 S1-TE01 Fl. 149 3 Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributaria. Inconformada, a empresa apresenta, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 126 a 129, argumentando que : a) A DRJ negou a pretensão da contribuinte em alocar o débito ora lançado no PAES; b) A empresa possui contabilidade, balanços trimestrais e pode levantar os balancetes mensais, se for solicitado, provando que apurou prejuízo fiscal em todos os meses, inclusive nos ajustes anuais; c) A empresa incidiu em erro ao preencher as DCTF com débitos mensais e ao solicitar que os débitos apurados em fiscalização fossem incluídos em parcelamento, mas agora requer que sejam aceitos os balancetes de suspensão para comprovar que, acusando prejuízo, nada tinha a recolher a título de estimativa; d) As estimativas não são devidas se há prejuízo; e) Houve mero erro ao informar ao fisco que a apuração do IRPJ era anual e não trimestral com o levantamento de balanços de suspensão mensais; f) Não existe fato gerador para a multa, conforme preceitua o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 então vigente, se as estimativas não são devidas ao fisco, em vista dos prejuízos incorridos; g) Pagar as estimativas seria depois ter que buscar a restituições dos valores indevidamente recolhidos, em face dos prejuízos fiscais apurados; h) Centenas de decisões do Conselho de Contribuintes reconhecem que quando há erro de fato esses devem ser retificados por força do princípio da verdade material; i) A base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida ou a recolher, não havendo base de cálculo no presente caso. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, e passo a analisá- lo estando o crédito tributário objeto do presente litígio administrativo – multa isolada R$ Fl. 156DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 69.778,26 –, dentro do limite de alçada para apreciação por essa Turma Especial, de acordo com o definido no inciso II do artigo 2º da Portaria MF nº 92/08. O presente litígio centraliza-se na exigência das multas isoladas devidas pelo não recolhimento das estimativas mensais, em vários anos (1999 a 2002), em empresa que, conforme a própria recorrente alega: I. optou pelo regime de apuração anual do Lucro Real; II. não procedeu ao levantamento dos balanços trimestrais, nem balancetes mensais; III. apurou prejuízos nos diversos e seqüenciais anos, no ajuste anual; IV. informou nas DIPJ e DCTF as estimativas devidas. O processo relativo à exigência de CSLL, conexo a este, nº 10435.000284/2004-10, foi julgado por esta Turma Especial em 07 de maio de 2009 (Acórdão nº 1801-00.010), quando a composição de julgadores era diversa, todavia, comigo por relatora. Na ocasião, fui voto vencido e a contribuinte obteve o provimento do recurso voluntário interposto. A matéria de direito em ambos os processos é exatamente a mesma e registro que o meu posicionamento não se alterou desde então, pelo contrário. Matéria de Direito – Multas Isoladas – Penalidades – Posicionamento desta Relatora Dispõe o artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.436/96, vigente e aplicada à época da ocorrência dos fatos: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; (grifos não pertencem ao original) Fl. 157DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.000285/2004-64 Acórdão n.º 1801-00.402 S1-TE01 Fl. 150 5 Posteriormente, a redação desse artigo foi explicitada da seguinte forma, grifando-se o trecho concernente à matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Indiscutível que o legislador reduziu o percentual de 75% para 50%, mas a infração tributária continua sendo penalizada e, data venia, as teses que vêm sendo tecidas sobre o assunto, não se trata de ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, mas medida coercitiva para que a norma tributária preceituada o artigo 2º da mesma lei não se torne inócua: Pagamento por Estimativa Art. 2º - A pessoa juridica sujeita a tributacao com base no lucro real podera optar pelo pagamento do imposto, em cada mes, determinado sobre base de calculo estimada, mediante a aplicacao, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9249, de 1995, observado o disposto nos paragrafos 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995. Paragrafo 1º - O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo sera determinado mediante a aplicacao, sobre a base de calculo, da alíquota de quinze por cento. (grifos não pertencem ao original) E estabelece o artigo 3º, caput: Art. 3º - A adocao da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas juridicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opcao pela forma do art. 2º sera irretratavel para todo o ano-calendario. (grifos não pertencem ao original) Pois se os contribuintes optam pelo regime de apuração de IRPJ e CSLL na forma anual, não recolhem as estimativas mensais apuradas e ao final do período, apuram o real IRPJ e CSLL a pagar, ou mesmo prejuízo, e não há qualquer sanção para as estimativas não recolhidas, porque existir a norma que obriga aos recolhimentos dessas? E, parênteses aqui, denomina-se estimativas porque, de ante-mão, preferem estimar o lucro a levantar balancetes de suspensão ou redução, porque a partir da edição da Lei Fl. 158DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 nº 9.430/96 as pessoas jurídicas deveriam apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL em períodos trimestrais: IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURIDICA Secao I Apuracao da Base de Calculo Periodo de Apuracao Trimestral Art. 1º - A partir do ano-calendario de 1997, o imposto de renda das pessoas juridicas sera determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por periodos de apuracao trimestrais, encerrados nos dias 31 de marco, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendario, observada a legislacao vigente, com as alteracoes desta Lei. A tese desenvolvida in contrario sensu defende que a multa incide apenas sobre a diferença entre o saldo de tributo a pagar e o valor das estimativas, quando o valor do imposto anual for maior do que a soma do valor estimado, mês a mês. Ora, nesse caso, cabe é a multa de ofício regular, que esse órgão colegiado defende majoritariamente não poder ser aplicada concomitantemente com a multa isolada. Então, quando aplicar-se-á a multa preceituada no sentido de coibir os contribuintes a recolherem as estimativas mensais que se propuseram, por livre e espontânea vontade, fazê-lo? A resposta é ‘nunca’ tornando-se o dispositivo legal totalmente inócuo. Para a aplicação da referida multa isolada não há que se falar em ocorrência de fato gerador, visto que não se está a cobrar tributo, que ao final do ano-calendário, pode ou não ser devido, em face ao ajuste anual. O valor do tributo, estimado, repita-se, serve unicamente como base de cálculo e não interessa, ao legislador, se é devido ou não, ao final do período no ajuste anual (aliás, por isso que se denomina ajuste). E a base de cálculo poderia ser outra, mas o legislador para colocar um vínculo entre a obrigatoriedade estabelecida em norma tributária – do contribuinte que opta, excepcionalmente, pelo regime anual de apuração do lucro real e assume recolher as estimativas, rejeitando erguer os balancetes mensais de suspensão ou redução como a norma ordinariamente estabelece – e a penalidade que sanciona o descumprimento dessa norma. A exigência ora discutida é a penalidade por descumprimento de norma legal e, nesse caso, não há que se debater ser razoável ou não, sob pena de as autoridades julgadoras administrativas discutirem a legalidade das normas. Similarmente, recordo da discussão eterna do cabimento do juros à taxa Selic e da multa moratória. Se é razoável a cobrança de ambos encargos nunca se discutiu no âmbito administrativo sendo posicionamento manso e pacífico, retratado em súmula editada pelo então 1º Conselho de Contribuintes e ora recepcionadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, que administrativamente não se adentra em discussões que envolvam a legalidade ou constitucionalidade das leis. E o princípio da razoabilidade, que fundamenta tese em contrário a qual insta em exonerar os contribuintes da cobrança da multa isolada no caso do não recolhimento das estimativas por eles mesmo apuradas e informadas tanto em DCTF quanto em DIPJ, como no Fl. 159DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.000285/2004-64 Acórdão n.º 1801-00.402 S1-TE01 Fl. 151 7 presente caso, é princípio constitucional aplicado às normas legais, que somente o Poder Judiciário, no exercício de suas funções privativas pode aplicar, data venia máxima. A razoabilidade que se poderia aqui aventar, o legislador tributário já entendeu aplicar quando reduziu o percentual de 75% para percentual mais razoável de 50%. Mas, definitivamente, não vejo nada de razoável em se deixar de aplicar penalidade, preceituada em lei, no caso do descumprimento de outra norma tributária. Não seria razoável, por óbvio, como a requerente mesmo reconhece, que se exigisse a penalidade mais o tributo estimado, quando ao final do ano o ajuste demonstra saldo negativo. Analogamente a essas considerações em contrário à aplicação da multa ora debatida, exemplifico com as multas de trânsito. Se os cidadãos, no lugar de contribuintes, passassem o sinal vermelho e fossem autuados, ou dirigissem acima do limite de velocidade previsto, e fossem autuados, pelo mesmo raciocínio, poderiam se eximir da multa aplicada porque não colidiram ou não atropelaram ninguém. Não houve resultado danoso, portanto não há razão (ou não é razoável) ser penalizado. Na analogia, não havendo tributo ao final do ano, não há porque ser penalizado pelo descumprimento da norma que exigia o pagamento mensal. Lembremos que tanto o direito tributário quanto o direito penal têm em comum a tipicidade cerrada e, no presente caso, a norma é clara: a conduta do contribuinte que opta pelos recolhimentos de estimativas, não o fazendo, sujeita-se à penalidade. Conhecendo tese contrária defendida por esse órgão colegiado, adianto-me um pouco mais, afastando, de plano, a que seja invocado o artigo 112 do Código Tributário Nacional – CTN, pois não há qualquer dúvida no texto legal quanto à base para o cálculo para se exigir a penalidade. É o montante que deveria ter sido recolhido e não foi. Simples assim, voltando a destacar que não se está a tratar de exigência de tributo que, ao final do período, o contribuinte demonstra não ser devido, mas sim mera sanção pelo não-ato do contribuinte estipulado em norma, cujo cálculo tem como parâmetro o valor mensal não recolhido. Desta forma, prestigio a norma tributária, que define a sanção pelos não recolhimentos dos valores estimados durante o período, declarados pela contribuinte, mantendo a sua aplicação, por vigente e não declarada ilegal ou inconstitucional, defendendo que não fere qualquer princípio constitucional, sob pena de torná-la, administrativamente, inócua, grifei. Voto em negar provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Relatora Fl. 160DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 161DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.720137/2016-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 37 /2 01 6- 00 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.720137/201600 Acórdão n.º 2202004.073 S2C2T2 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10680.720137/201600, em face do acórdão nº 1280.347, julgado pela 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), na sessão de julgamento de 13 de abril de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: O presente processo tratase de notificação de lançamento, cópia às folhas 62 e seguintes, lavrada em face do contribuinte acima qualificado, relativa ao exercício 2014, ano calendário 2013, que implicou redução do saldo do imposto de renda a restituir declarado (R$ 60.184,80) para o valor ajustado de R$ 618,92. 2. O lançamento decorreu da constatação da infração de omissão de rendimentos, relativos à Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, no valor tributável de R$ 283.352,76, conforme descrição os fatos, às fls. 63, verbis: Conforme ofício encaminhado pela Prefeitura/BHTE, somente a GSPMGer de Saúde do Servidor faz perícia médica, e apenas para servid. do regime previd municipal.Os médicos que prestam serviços em postos de saúde e UPA não são peritos contratados para fazer a perícia médica da PBH. Os laudos por eles emitidos não são laudos periciais e, sim, laudos diagnósticos. 3. Cientificado, em 21/12/2015, às folhas 67, o interessado apresentou impugnação, em 15/0/2016, às folhas 3, aduzindo o que se segue: A 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) entendeu por manter a redução do saldo do imposto de renda a restituir operada pela Notificação de Lançamento de fls. 62 e seguintes. Ademais, não foi admitida a condição de portar de moléstia grave. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 87/93, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.720137/201600 Acórdão n.º 2202004.073 S2C2T2 Fl. 116 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator De inicio, importa analisar a tempestividade do recurso voluntário, de fl. 87/93, o qual foi protocolizado em 14/07/2016. Verificase fl. 78 dos autos existe Termo de Registro de Mensagem na Caixa Postal Comunicado: "O destinatário recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 19/04/2016 16:57:21. Acórdão de Impugnação Comunicação de Resultado de Julgamento A data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada" Por sua vez, à fl. 79 dos autos há a Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo Comunicado: "Foi dada ciência dos documentos relacionados abaixo por decurso de prazo de 15 dias ao destinatário a contar da disponibilização dos documentos através do Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização no Caixa Postal: 19/04/2016 16:57:21 Data da ciência por decurso de prazo: 04/05/2016 Acórdão de Impugnação Comunicação de Resultado de Julgamento" O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 87/93, reiterando as alegações expostas em impugnação, alegando preliminar de tempestividade " DA TEMPESTIVIDADE Inicialmente afirma o Recorrente que o presente recurso deverá ser admitido posto que tempestivo. O Recorrente teve ciência da presente decisão na data de 14/06/2016, terçafeira, o presente recurso é tempestivo posto que protocolado no dia 13/07/2016. Artigo 33 do Decreto n°70.235, de março de 1.972: "Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.720137/201600 Acórdão n.º 2202004.073 S2C2T2 Fl. 117 4 O recurso voluntário foi protocolizado em 14/07/2016, consoante carimbo que consta à fl. 87: Assim, diferentemente do que alega o contribuinte em recurso voluntário, a ciência dele do resultado do julgamento da DRJ não se deu em 14/06/2016, mas em 04/05/2016. De igual modo, o seu recurso não foi protocolizado em 13/07/2016, pois o carimbo indica que o protocolo se realizou em 14/07/2016. Portanto, tendo ciência do resultado do julgamento em 04/05/2016 (ciência eletrônica por decurso de prazo) e tendo interposto o recurso voluntário em 14/07/2016, verificase que foi ultrapassado em muito o prazo de 30 dias para interposição de recurso voluntário, previsto no artigo 33 do Decreto 70.235/72. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.723481/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRATO ADIMPLIDO. GLOSA DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE.
Comprovada a prestação dos serviços contratados, e cumpridas as cláusulas contratuais, não subsiste a glosa das respectivas despesas.
PAGAMENTO DE DÉBITOS VENCIDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DE DESPESAS. CABIMENTO.
Devem ser glosados os valores relativos a despesas vencidas de outros períodos quando não comprovado nos autos a sua efetiva prestação, e que foram de fato cobrados nas Notas Fiscais emitidas.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. CABIMENTO
É válido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos compensados quando comprovadamente excederam ao saldo de prejuízo dos anos anteriores.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. CABIMENTO
É válido o lançamento decorrente de glosa de bases de cálculo negativas de CSLL quando comprovadamente excederam ao saldo apurado dos anos anteriores.
Numero da decisão: 1301-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas no valor de R$ 9.751.572,44 referente ao ano-calendário de 2010 e reduzir a multa para o percentual de 75%. Por voto de qualidade, manter a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felicia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. CONTRATO ADIMPLIDO. GLOSA DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Comprovada a prestação dos serviços contratados, e cumpridas as cláusulas contratuais, não subsiste a glosa das respectivas despesas. PAGAMENTO DE DÉBITOS VENCIDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DE DESPESAS. CABIMENTO. Devem ser glosados os valores relativos a despesas vencidas de outros períodos quando não comprovado nos autos a sua efetiva prestação, e que foram de fato cobrados nas Notas Fiscais emitidas. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. CABIMENTO É válido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos compensados quando comprovadamente excederam ao saldo de prejuízo dos anos anteriores. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 34 81 /2 01 4- 41 Fl. 25100DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.101 2 Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. CABIMENTO É válido o lançamento decorrente de glosa de bases de cálculo negativas de CSLL quando comprovadamente excederam ao saldo apurado dos anos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas no valor de R$ 9.751.572,44 referente ao anocalendário de 2010 e reduzir a multa para o percentual de 75%. Por voto de qualidade, manter a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felicia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 25101DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.102 3 Relatório IRMAOS MUFFATO CIA LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1281.778 da 5ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o processo do auto de infração (fls. 6658/6677), com ciência em 24/09/2014 (AR – fls. 6679), com o lançamento dos seguintes tributos, todos com juros de mora e multa de ofício nos seguintes valores: TRIBUTO FATO GERADOR PRINCIPAL MULTA DE OFÍCIO 4º Trimestre/2010 R$ 3.131.415,52 150% IRPJ 1º Trimestre/2011 R$ 664.138,64 150% 4º Trimestre/2010 R$ 1.129.469,58 150% CSLL 1º Trimestre/2011 R$ 239.089,91 75% De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, fls. 6032/6074, o presente lançamento decorre de: 1) GLOSA DE DESPESAS COM PUBLICIDADE foi constatado um gasto com despesa de publicidade fora da normalidade no 4º trimestre/2010, em função da emissão de 12 (doze) Notas Fiscais (fls. 1745/1756), no valor total de R$ 15.026.616,60, emitidas em 27/12/2010 pela TV TAROBÁ contra a autuada. assim como a autuada, a emissora também é de propriedade da família MUFFATO, tendo como únicos sócios Rosa Reni Muffato e seus filhos Éderson, Everton e José Eduardo Muffato, detentores de 99,25 % do capital da autuada. chamou a atenção o fato de a TV TAROBÁ ter apurado, no ano de 2010, um lucro contábil de R$ 18.410.013,59 e um prejuízo fiscal de R$ 3.376.774,47; sem a emissão destas Notas Fiscais, a emissora teria um lucro contábil de R$ 3.766.438,50 e um prejuízo fiscal de R$ 18.028.349,56 intimada, a autuada esclareceu que os valores cobrados nas Notas Fiscais teriam as seguintes origens: Fl. 25102DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.103 4 também foi apresentado o Termo de Assentada de fls. 535/537, formalizado em 30/12/2010, consignando a dívida de R$ 5.455.044,16 relativa ao período de setembro/2006 a março/2008, e R$ 9.751.572,44 relativa aos anos de 2009 e 2010. com relação aos valores residuais de 2006 a 2008, de R$ 5.544.044,16, a fiscalização concluiu que: a) sobre o valor de R$ 4.054.381,25: a.1) A totalidade deste valor deve ser glosada, uma vez que a origem alegada pelo contribuinte não corresponde à descrição contida nos documentos fiscais e, ainda, pelo fato de a autuada não ter apresentado qualquer comprovação da efetiva veiculação da publicidade que teria ocorrido entre setembro/2006 e março/2008; o único documento apresentado durante a ação fiscal foi uma planilha demonstrando a quantidade de inserções publicitárias. a.2) Ainda que comprovada a despesa, deverá permanecer a glosa de R$ 18.310,04, por diferenças nos demonstrativos apresentados pela autuada. b) sobre o valor de R$ 1.400.662,97: b.1 ) Como não foi demonstrada a origem do valor das supostas veiculações feitas em 2006, 2007 e 2008, também o valor dos juros e correção monetária deve ser glosado. b.2) Ainda que demonstrada a veiculação para estes períodos, o valor calculado utilizou índices de IGPM incorretos, devendo ser mantida a glosa no valor de R$ 332.452,22. com relação às veiculações dos anos de 2009 e 2010, no valor de R$ 9.751.572,44, a fiscalização concluiu que: a) com base no Contrato de Veiculação de Mídias Publicitárias firmado em 30/12/2008, e na cláusula 1ª do Termo de Assentada, assinado em 30/12/2010, três dias após a emissão das Notas Fiscais, este valor corresponde a 17.294 inserções comerciais efetuadas nos anos de 2009 e 2010. b) o contrato firmado estabeleceu, em sua cláusula primeira, que deveria ocorrer o número mínimo indivisível de 17.000 inserções de mídias comerciais, sendo que as cláusulas terceira e quarta previam que inexistiria obrigação de Fl. 25103DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.104 5 pagar por parte da autuada (contratante) no caso de descumprimento da obrigação. c) da análise dos documentos obtidos em ação fiscal na empresa contratada TV TAROBÁ, do total de 18.017 inserções, restaram comprovadas apenas 15.563, conforme tabela a seguir com as glosas discriminadas: 18.017 Total de inserções apresentadas pela TV Tarobá durante ação fiscal () 18 Inserções falhadas ou roteirada. () 58 Inserções de 60 segundos, sendo que o contrato se refere a inserções de 30 segundos. () 213 Inserções de merchandising de 45 segundos, fora do objeto do contrato. () 316 Inserções duplicadas, pois coincidem em data e horário. () 8 Inserções no horário de programa partidário, propaganda eleitoral gratuita, etc. () 79 Inserções que sobrepõe parcialmente outra inserção da própria autuada () 141 Inserções que sobrepõe parcialmente outra inserção de terceiros () 1.621 Inserções que coincidem com horário de exibição de programas transmitidos em rede. 15.563 Total de inserções comprovadas. d) como não houve o efetivo cumprimento do Contrato de Veiculação de Mídias Publicitárias, nenhum pagamento era devido e, portanto, a despesa reconhecida pelo contribuinte caracterizouse como uma mera liberalidade, não dedutível e que deveria ter sido adicionada na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social. e) ainda que se comprove o efetivo cumprimento do contrato, as inserções demonstradas pela TV TAROBÁ teriam que ser cobradas pela tabela de inserções rotativas, perfazendo R$ 4.786.566,38, com a manutenção da glosa de R$ 4.965.006,07. embora o Contrato de Veiculação de Mídias Publicitárias previsse que as Notas Fiscais fossem pagas em 12 parcelas, vencíveis no dia 20 de cada mês, a partir de 20/01/2011, tais notas não foram efetivamente pagas, tendo sido baixadas, nas duas empresas, através de acertos contábeis, envolvendo distribuição de lucro, cessão de crédito, aumento de capital, sem qualquer movimentação financeira, operações possíveis pois as partes possuem os mesmos sócios. a multa de ofício foi qualificada, nos termos do artigo 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96, considerando que houve planejamento tributário, onde documentos foram forjados visando comprovar veiculações que não aconteceram, pelo menos na quantidade alegada, o que proporcionou o aproveitamento de despesas inexistente, com redução dos tributos devidos, caracterizando sonegação e fraude, definidas pelo artigo 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. além disso, na irregularidade participaram as duas empresas dos mesmos proprietários, envolvendo seus quatro sócios e dois contadores, caracterizando assim o conluio definido pelo artigo 73 da Lei nº 4.502/64. 2) GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVO DE CSLL – 1º trimestre/2011 para o lançamento dos tributos devidos do 4º trimestre/2010, houve a compensação do Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL apurados pela autuada. Fl. 25104DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.105 6 esta compensação refletiu na apuração do IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2011, uma vez que a autuada teria compensado, no limite de 30%, com o Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL antes apurada no 4º trimestre/2010. desta forma, também foi lançado IRPJ, com multa de ofício de 150%, e CSLL, com multa de ofício de 75%, relativos ao 1º trimestre/2011, em função da glosa da compensação do Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL dos períodos anteriores. Inconformada, a autada apresentou impugnação em 20/10/2014, fls. 6689/6761, com as seguintes alegações: I PRELIMINAR em preliminar, alega nulidade pois o lançamento possui “motivos sucessivos” para justificálo, demonstrando claramente ausência de argumentos determinantes que lhe dessem validade, o que também enseja o cerceamento ao direito de defesa. a autoridade fiscal pretende, acaso seja derrubado o lançamento pela efetiva comprovação das veiculações de publicidade e propaganda despesadas [sic], que seja a mesma autuada pelos motivos sucessivos por ele elencados, o que afronta a Teoria dos Motivos Determinantes. a pretensão da autoridade fiscal de fazer subsidiar o lançamento, ainda que derrubados os motivos iniciais utilizados para embasálos, se demonstra inválida e contraria o ordenamento jurídico. II MÉRITO II.1 – Glosa do período de setembro/2006 a março/2008 quanto à glosa do período de setembro/2006 a março/2008, inicia com preliminar de nulidade alegando que é ônus da Administração Tributária a comprovação de que as veiculação não teriam ocorrido. o próprio fiscal dispensou o sujeito passivo de apresentar documentos comprobatórios, alegando possuir em face da fiscalização efetuada na empresa TV Tarobá, que prestou os serviços de veiculação das mídias. o fiscal solicitou somente um demonstrativo das veiculações, e não os seus comprovantes. requer que seja cancelado o lançamento pela falta de comprovação, o que também cerceia o direito à defesa. apresenta as Reservas de Programação (RP´s) e os Comprovantes de Exibição de todas as inserções, para comprovar a ocorrência das mesmas, seguindo o mesmo padrão daqueles efetuados no período de 2009 e 2010, para os quais o fiscal não alega inexistir comprovação, o que demonstra a perfeita aptidão de tais documentos para provar as exibições de abril/2006 a março/2008. Fl. 25105DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.106 7 quanto à glosa específica no valor de R$ 18.310,04, em função de erro de cálculo nos demonstrativos das veiculações efetuadas entres setembro/2006 a março/2008, diferente da afirmação da fiscalização, além de comprovada sua efetiva exibição, também restou demonstrado que a referida veiculação estava em aberto, pendente de pagamento, e, portanto, era cabível sua confissão de dívida perante a TV Tarobá. também contesta glosa específica no valor de R$ 332.052,22, que seria decorrente de suposto erro nos índices do IGPM, elaborando planilha de forma a demonstrar a correção dos valores de despesas anteriormente não deduzidas, cujo índice restou capitalizado, o que não é proibido, se expressamente pactuado entre as partes. esclarece que o crédito que a TV Tarobá tinha perante a autuada seria como uma poupança, pela qual o valor original é atualizado mensalmente, incidindo a correção legal sobre o valor já corrigido no mês anterior, e não sobre o valor originário em cada mês. II.2 – Glosa do período de 2009 e 2010 quanto à glosa do período de 2009 e 2010, inicia alegando nulidade em razão da inabilidade técnica do fiscal, já que as glosas decorrem de análise sobre os documentos técnicos obtidos junto ao fornecedor da autuada, com conclusões precipitadas, equivocadas e que não demonstram a interpretação técnica que se pode extrair dos referidos documentos. ante as incorreções das conclusões efetivadas pelo fiscal, sem oportunizar o devido processo legal, cerceando o direito de defesa, deve ser cancelado pela nulidade na forma do artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. também alega a nulidade pela falta de comprovação da inusualidade/anormalidade da despesa, conforme afirma a autoridade fiscal. verificase que a autoridade fiscal considerou que os registros do fornecedor não mereciam crédito, conforme conclusão precipitada e sem conhecimento técnico da área, nada se pontuando sobre os livros e registros fiscais da própria autuada, que fazem prova a seu favor, nos termos do artigo 9º do DecretoLei nº 1.598/77. no caso dos autos, faltou à fiscalização a prova de desconstituição da natureza da despesa como necessária, usual e normal, a despeito desta ter tentado fazer comparações de preço e interpretações dos registros da fornecedora sem qualquer fundamento. quanto ao mérito desta glosa, afirma que houve cumprimento integral do contrato, sendo despesa necessária. passa a analisar cada valor glosado conforme Anexos elaborados pelo auditor fiscal: 1) as 18 inserções “falhadas” ou “roteiradas”, relacionadas no Anexo 02 A, não estavam incluídas no demonstrativo das veiculações consideradas no Contrato celebrado entre as partes. Fl. 25106DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.107 8 2) no Anexo 02 B foram excluídas 58 inserções de 60 segundos, por entender que não estavam no objeto do contrato, que previa inserções de 30 segundos. 2.1) no meio televisivo, inserções de 60 segundos equivalem a duas inserções de 30 segundos, sendo usual no mercado da propaganda o dimensionamento das mídias de múltiplos de 15 segundos, não sendo cabível a glosa das veiculações contidas no Anexo 02 B. 3) no Anexo 02 C foram excluídas 213 inserções que se referem a merchandising de 45 segundos, estando fora do contrato que contemplaria inserções de 30 segundos. 3.1) como dito antes, deveriam ser consideradas como 1,5 inserções, pois o que importa é o tempo de exibição; mas, em benefício da autuada (o segundo ficou mais barato), foi incluído na planilha essas inserções de 45 segundos, sendo usual no mercado. 4) no Anexo 02 D constam 629 inserções com suposta coincidência de data e horário, o que motivou a glosa de 316 inserções. 4.1) ocorre que 100% das inserções foram efetivamente veiculadas, tratandose de dois comerciais independentes, posicionados no mesmo break, ou seja, no mesmo intervalo. 4.2) ocorre que operador anota apenas o início do intervalo comercial onde são veiculadas as duas propagandas, e não a hora exata em que ocorre a sua exibição. 5) o Anexo 05 A contém 8 inserções que estariam contempladas no contrato, mas que teriam sido exibidas durante programas partidários, horário de propaganda eleitoral gratuita ou de pronunciamentos requisitados pelo Tribunal Superior Eleitoral, conforme informações prestadas no Roteiro pela Banderiantes Nacional. 5.1) a fonte de pesquisa é apenas um planejamento repassado para rede nacional, sendo que o que efetivamente vale é a verdade dos fatos, atestados pelos comprovantes de exibição. 6) no Anexo 05 B constam 79 inserções cujo horário se sobrepõe a outra inserção da própria autuada. 6.1) como já explicado anteriormente, o comprovante considera o início do bloco de intervalo comercial, que comporta mais de uma exibição. 7) no Anexo 05 C constam 141 inserções que coincidem com inserções de outros anunciantes, mas que devem ser consideradas pelos mesmos motivos já apresentados anteriormente. 8) no Anexo 05 D constam 1.621 inserções cujo horário teria coincido com a exibição de programas transmitidos em rede, conforme programa da TV Bandeirantes. 8.1) os documentos fornecidos representam um planejamento, mas, por se tratar de programação ao vivo, pode sofrer variações em decorrência de diversos fatores. Fl. 25107DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.108 9 8.2) a TV Tarobá possui uma grade programação local diversificada, destoando do planejamento da TV Bandeirante, trazendo documentação que comprova a existência de break´s nacionais e locais. 8.3) anexa prova de que todas as 1.621 inserções ocorreram concretamente, sendo improcedente sua glosa. pelo que foi exposto, restou comprovado que o contrato foi efetivamente cumprido, devendo ser afastada a glosa no valor de R$ 9.751.572,44. a autuada também contesta várias constatações feitas durante a ação fiscal, que inclui o preço praticado, os descontos concedidos, audiência, e outros, concluindo que o auditor fiscal, muito longe de ser um expert em mídia televisa e especialista na formação de preço do mercado de televisão no Brasil, acabou se equivocando quanto às conclusões que conveniente colocou no termo de constatação fiscal, e, por lhe faltar credibilidade, devem ser rechaçadas. quanto ao fato de o Termo de Assentada ter data posterior às Notas Fiscais, afirma que nada a impede de proceder assim. as proposições foram necessárias justamente pelo recebimento das Notas Fiscais, cujos valores e conteúdo expressivos denotaram uma apuração das condições estabelecidas no contrato, para então ensejar o referido pagamento, nada obstando que esta necessidade tenha surgido justamente depois da emissão das faturas. para que fosse efetivamente conferido se o contrato foi cumprido, e, ainda, para aquilatar se os valores das Notas Fiscais efetivamente estariam corretos, foi feita uma reunião específica, na qual foi formalizado o Termo de Assentada, colocandose a data da ocorrência. a aparente discrepância das datas das Notas Fiscais e do Termo de Assentada devese ao fato de que já havia negociação e liquidação informal das obrigações, permitindo a emissão das Notas Fiscais, enquanto que a reunião ratificou e efetivamente consolidou o débito, dando por cumprido o contrato, que efetivamente ocorreu em 30/12/2010. quanto à forma de pagamento da obrigação, esclarece que as partes são empresas coligadas, mas totalmente independentes em suas atividades, tanto que a autuada anuncia com todos os veículos de comunicação, e não apenas com a TV Tarobá, não havendo nada de concreto que houvesse manipulação dos contratos ou preços. sendo a TV Tarobá titular de créditos perante a autuada, fez ajuste típico de distribuição de lucros em favor de seus sócios, que igualmente são sócios da autuada, lhes entregando em pagamento dos lucros distribuídos, os direitos de créditos respectivos. em seguida, como pretendiam investir recursos na autuada, celebrouse aumento de capital, o qual, por sua vez foi pago (realização de capital), mediante a capitalização dos créditos que eram de titularidade dos sócios. o fiscal não levou “tal forma de pagamento” como motivo determinante da autuação, mas restou claro que não existe conluio, pois todos os atos são tipificados no Direito e regulados pela Lei. Fl. 25108DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.109 10 II.3 – Da Multa Qualificada – impossibilidade por ausência de comprovação de dolo, fraude ou simulação. quanto à multa qualificada, afirma que, mesmo que os motivos fossem procedentes, não teria cabimento a conclusão de que representariam evidente intuito de fraude e omissão dos fatos geradores de obrigações tributárias. pelos esclarecimentos já prestados, houve interpretação errônea por parte do fiscal quanto ao sobreposicionamento ou coincidência dos horários de exibição dos comerciais, como demonstram os documentos anexados, não tendo cabimento as glosas efetuadas. também houve equívoco nos sistemas quanto ao nome do programa no qual houve inserções, assim como erro do operador ao anotar o horário do início do comercial, o que demonstra a fragilidade dos fundamentos para aplicação de penalidade tão gravosa. não houve comprovação da existência da simulação ou mesmo de conluio, motivo pelo qual não merece prosperar a multa qualificada. III – Pedido Sucessivo no caso de superada a preliminar, ou mesmo o mérito, contesta a quantificação dos valores lançados, pois seria necessário considerar a necessidade do pagamento das 15.563 inserções que foram efetivamente veiculadas (e não questionadas pela fiscalização), sob pena de enriquecimento sem causa da autuada. ainda que as partes tenham convencionado algo a respeito da indivisibilidade da prestação do serviço, deve ser entendido como nulo o pacto que contrariasse o artigo 884 do Código Civil. é ilegal deixar de pagar as veiculações, sob pena de cogitar “distribuição disfarçada de lucros”. logo, ainda que não restem comprovadas as 1.849 inserções questionadas, merece ser considerada dedutível a despesa relativa às demais inserções incontroversas, considerando divisível o contrato, sob pena de enriquecimento sem causa de uma das partes. IV – Não incidência de juros sobre a multa. a autuada contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. alega que, enquanto não constituído o crédito tributário, não há como perdurar a pretensão do Fisco, já que a multa de ofício só se configurará como devida após decisão final no âmbito administrativo. a multa de ofício só se converte em principal após decorridos os trinta dias para pagamento do crédito tributário mantido por decisão administrativa definitiva. a incidência de juros sobre a multa de ofício é medida que afronta a ordem jurídica, devendo ser este valor ser exonerado do lançamento constituído. Fl. 25109DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.110 11 V – Requerimentos a autuada requer o acolhimento da preliminar de nulidade; se superada, que julgue improcedente o lançamento, ou provido o pedido sucessivo para rever e reduzir o tributo devido. requer, ainda, a conversão do julgamento em diligência para provar o alegado por todos os meios de prova, em especial a pericial. Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua parcialmente procedente, reduzindo tão somente a multa qualificada, para 75%, em relação à infração decorrente da insuficiência de prejuízos fiscais de períodos anteriores compensados. A Recorrente foi intimada da decisão em 31 de maio de 2016 (fl. 24.910), apresentando em 29 de junhode 2016 recurso voluntário de fls. 24.91224.997, reafirmando, em resumo, os termos de sua de sua impugnação, rebatendo algumas conclusões contidas no acórdão de primeira instância, em especial as conclusões baseadas nos documentos de planejamento da Rede Bandeirantes (rede nacional), em descompasso com a realidade ocorrida, pois a TV Tarobá, corriqueiramente, veicula inserções locais em horários nos quais estariam sendo transmitidos os programas de rede nacional. É o relatório. Fl. 25110DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.111 12 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR DE NULIDADE As arguições de nulidade do lançamento apresentadas são as mesmas aduzidas em sua impugnação. Entendo acertadas as conclusões da decisão recorrida, razão pela qual as adoto como razão de decidir, transcrevendoas a seguir. Em preliminar, a autuada afirma que o lançamento é nulo por conter motivos sucessivos para justificálo, demonstrando ausência de argumentos determinantes e cerceamento ao direito de defesa. Esclareço que um auto de infração será considerado nulo se os procedimentos não estiverem dentro do previsto no artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. Também não restou configurado o alegado cerceamento ao direito de defesa, pois a autuada tinha condições de se defender, tanto que assim o fez. Nas questões de mérito, a autuada contestou a base de cálculo assim como o fundamento legal, demonstrando ter claro entendimento do lançamento. Assim sendo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. 2.1 MÉRITO A exigência diz respeito a glosa de despesas com propaganda, no total de R$ 15.026.616,60, referente a 12 (doze) notas fiscais emitidas por TV Tarobá em 27/12/2010, mesma data em que foi registrada pela recorrente em sua contabilidade. Durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal intimou a recorrente a prestar informações a respeito da prestação dos serviços em questão. Em resposta às intimações, a interessada alegou que o pagamento se referia a dois fatos distintos, todos ligados a inserções comerciais. O primeiro, a cobrança de débitos residuais de 2006, 2007 e 2008 no valor de R$ 5.455.044,16; e o segundo à cobrança de inserções referentes ao período de 2009 e 2010. Fl. 25111DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.112 13 Em relação à primeira parcela da exigência, haja vista que a recorrente não trouxe quaisquer novas razões de defesa já apresentadas em impugnação, e por concordar integralmente com as razões da decisão recorrida, adotoas como fundamentos de meu voto, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, e do § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: A cobrança de débitos residuais de 2006, 2007 e 2008 no valor de R$ 5.455.044,16. A fiscalização entendeu que caberia a glosa de despesas com propaganda, relativo a veiculações ocorridas entre setembro/2006 a março/2008, não cobradas na época, no valor total de R$ 5.455.044,16, que corresponde ao somatório do valor do saldo devedor de R$ 4.054.381,19 e dos juros e correção monetária de R$ 1.400.662,97. Segundo a autoridade fiscal, não restou comprovado de forma inequívoca a prestação dos serviços. Isto porque, durante a ação fiscal, a autuada apresentou os seguintes documentos: (1) as Notas Fiscais que foram emitidas em 27/12/2010 sem qualquer menção acerca dos valores devidos relativos ao período de setembro/2006 a março/2008; (2) planilha demonstrando a quantidade de inserções publicitárias, desacompanhada de qualquer documento que comprovasse a efetiva veiculação e (3) Termo de Assentada, firmado após a emissão das Notas Fiscais, mas que não possui qualquer registro ou reconhecimento de firma que comprove ter sido elaborado antes da solicitação do Fisco. A autoridade fiscal ainda verificou que, caso fosse comprovada a prestação dos serviços deste período, houve erro na cobrança do saldo devedor, sendo que o valor correto seria de R$ 4.036.071,15, o que motivaria a glosa no valor de R$ 18.310,04. Verificouse, também, erro no cálculo dos juros e correção monetária, sendo o valor correto de R$ 1.068.210,75, cabendo a glosa no valor de R$ 332.452,22. A autuada inicia sua defesa alegando a nulidade pela falta de comprovação do lançamento, o que cerceia o direito a defesa. Apresenta as Reservas de Programação e os Comprovantes de Exibição das inserções ocorridas em 2006 a 2008. Afirma que o valor do saldo devedor está correto, e que o índice utilizado foi capitalizado, ou seja, incide a correção legal sobre o valor já corrigido do mês anterior. Passo a julgar. De pronto, afasto a preliminar de nulidade, pois a falta de comprovação leva a improcedência do lançamento. Além disso, como dito anteriormente, não houve cerceamento ao direito de defesa, já que a autuada demonstrou entender perfeitamente o motivo das glosas. Quanto ao mérito, a autoridade fiscal entendeu que faltou a comprovação da efetiva veiculação das inserções no período de setembro/2006 a março/2008 em função de várias constatações. Uma delas seria que não há qualquer menção nas Notas Fiscais dos valores devidos e não cobrados no citado período. De fato, nas 12 (doze) Notas Fiscais emitidas em 27/12/2010, consta a seguinte descrição: Fl. 25112DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.113 14 “VEICULAÇÕES DE MÍDIAS COMERCIAIS NESTA EMISSORA DE 30’ CADA, NO PERÍODO DE JANEIRO/2009 A DEZEMBRO/2010 CONFORME CONTRATO ASSINADO EM 30/12/2008”. Apenas no Termo de Assentada, firmado entre a TV Tarobá e a autuada em 30/12/2010, ou seja, após a emissão das Notas Fiscais, consta a menção de que existiria uma dívida relativa ao período de setembro/2006 a março/2008 no valor de R$ 5.455.044,15, conforme item 6 a seguir: Acerca de obrigações entre partes, cumpre asseverar que o documento eleito pela legislação para fazer prova perante terceiros, que inclui a Fazenda Nacional, é a Nota Fiscal, que deve ser emitida no momento da negociação, como determina o artigo 1º da Lei nº 8.846/94, abaixo transcrito: Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. Neste contexto, o Termo de Assentada, único documento que vincularia as Notas Fiscais aos valores não pagos do período de setembro/2006 a março/2008, não se presta como prova. Como bem asseverou o Auditor Fiscal, o documento sequer foi registrado ou a teve a firma reconhecida, o que dificulta a comprovação de que foi elaborado de fato em 30/12/2010, ou seja, antes da solicitação do Fisco. E o mais importante, ainda que o Termo de Assentada tenha sido firmado de fato em 30/12/2010, a negociação teria ocorrido 3 (três) dias após a emissão das Notas Fiscais. Na descrição das Notas Fiscais não consta qualquer menção a Termo de Assentada, ou coisa que o valha. Há apenas menção ao contrato firmado em 30/12/2008, com vigência em 2009 e 2010. Ora, para esta autoridade julgadora, não é razoável a autuada assumir uma dívida quando sequer o seu valor estaria de fato consolidado, que se daria, segundo sua defesa, com a formalização do Termo de Assentada, que não foi citado nas Notas Fiscais. É totalmente fora do normal o procedimento adotado pela autuada. Quanto aos demais documentos trazidos em sua defesa, a autuada pretende comprovar que houve a veiculação das inserções no período de setembro/2006 a março/2008, de acordo com a planilha elaborada e apresentada Fl. 25113DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.114 15 durante a ação fiscal. Ocorre que a apresentação dos comprovantes de veiculação não é suficiente para formação da convicção desta autoridade julgadora. De fato, ainda que efetivamente veiculada a propaganda, faltou a comprovação de que existiu a inadimplência por parte da autuada, de forma a justificar o seu pagamento por meio das referidas Notas Fiscais emitidas em 27/12/2010, assim como o reconhecimento da dívida no Termo de Assentada. Corrobora para esta situação o fato de que nas Declarações da Pessoa Jurídica da TV Tarobá não há registro de existência de dívida por parte dos credores nestes montantes. Explico melhor. Primeiro, de acordo com a planilha demonstrativa das inserções do período de setembro/2006 a março/2008, apresentada pela autuada, o Saldo a Pagar de R$ 4.054.381,19 se divide nos seguintes valores: 2006 – R$ 807.917,01 2007 – R$ 2.488.131,48 2008 – R$ 758.332,76 Ainda, de acordo com os documentos que constam nos autos, por meio do Termo de Intimação L053/2013, fls. 503/504, a TV Tarobá foi intimada a prestar diversas informações acerca de várias Notas Fiscais faturadas em outros anos contra a autuada. Desta intimação, chamo atenção a 10 (dez) Notas Fiscais emitidas em 31/12/2008, numeração de 44808 a 44817, que totalizam R$ 4.431.868,65. Ainda, segundo o Termo de Intimação, a TV Tarobá foi intimada a justificar o prazo do recebimento das citadas Notas Fiscais, já que foram baixadas apenas em janeiro de 2011, no caso das Notas Fiscais emitidas em 30/12/2008, e em fevereiro/2011, no caso das Notas Fiscais emitidas em 27/12/2010. Do exposto, chego à conclusão que em 31/12/2008 a TV Tarobá seria detentora dos seguintes créditos perante a autuada: a) R$ 4.431.868,65, relativo às Notas Fiscais nº 44808 a 44817, emitidas em 31/12/2008, que efetivamente foram baixadas em janeiro de 2011. b) R$ 4.054.381,19, que se referem a débitos vencidos de 2006, 2007 e 2008, conforme alega a autuada, valor em cobrança nas Notas Fiscais nº 19629 a 19643, baixadas em fevereiro/2011. c) Total de crédito a ser pago pela autuada para TV Tarobá em 31/12/2008: R$ 8.486.249,84 Em que pese ser detentora de um crédito na ordem de R$ 8 milhões em 31/12/2008, a TV Tarobá informou em sua DIPJ/2009 que possuía no Ativo Circulante, na conta Cliente, um crédito no valor de R$ 1.569.992,18. Já no Ativo Realizável a Longo Prazo, a conta Cliente possui saldo credor de R$ 0,00. Ora, se de fato os serviços tivessem sido prestados em 2006, 2007 e 2008, e não pagos, o correto seria que a TV Tarobá tivesse feito os devidos registros contábeis na conta Cliente, e informado corretamente na DIPJ/2009. Se assim não o Fl. 25114DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.115 16 fez, a comprovação dos fatos de que alega se torna frágil, não contribuindo para formação da convicção desta autoridade julgadora. Pelo acima exposto, concluo que não restou comprovado que as Notas Fiscais emitidas em 27/12/2010 incluísse a cobrança dos supostos serviços prestados no período de setembro/2006 a março/2008. Não custa lembrar que nas Notas Fiscais nº 19629 a 19643 não há qualquer menção a débitos vencidos de contrato anterior, fato que ratifica minha convicção. Passo a analisar as demais questões suscitadas, no que concerne ao equívoco do cálculo do suposto valor devido de R$ 5.455.044,16, que corresponde ao somatório do saldo devedor de R$ 4.054.381,19 e dos juros e correção monetária de R$ 1.400.662,97. Segundo o auditor fiscal, no caso de comprovado que as Notas Fiscais de fato incluiriam as despesas com propaganda e publicidade do período de setembro/2006 a março/2008, os valores corretos seriam R$ 4.036.071,15 e R$ 1.068.210,75, respectivamente. Assim, caberia a manutenção da glosa dos seguintes valores: Parcela Autuada Valor correto Fiscal Manutenção da glosa Saldo devedor R$ 4.054.381,19 R$ 4.036.071,15 R$ 18.310,04 Juros cobrados R$ 1.400.662,97 R$ 1.068.210,75 R$ 332.452,22 De acordo com o auditor fiscal, deveria ser mantida a glosa do valor de R$ 18.310,04, relativo ao saldo devedor, em razão de diferenças nos demonstrativos apresentados pela autuada, onde a coluna “valor a pagar” em alguns meses repete o valor da coluna “valor devido”, sem considerar o valor constante da coluna “valor pago”. Em sua defesa, a autuada afirma que estaria comprovada a efetiva exibição das inserções comerciais, e a sua inadimplência. Da análise dos documentos constantes dos autos, e conforme já explanei no voto, não restou comprovado que houve a inadimplência. Com base na própria planilha apresentada, verificase que o saldo a pagar seria de R$ 4.036.071,15. Isto porque a coluna “valor devido” totaliza R$ 4.399.353,69, enquanto que a coluna “valor pago” totaliza R$ 363.282,54. Ora, a diferença seria R$ 4.036.071,15, e não R$ 4.054.381,19. Portanto, correta a conclusão da auditoria fiscal de que, caso comprovadas as alegações da autuada, caberia a manutenção da glosa no valor de R$ 18.310,04. Quanto ao valor dos juros cobrados, o auditor fiscal concluiu que a autuada utilizou índices incorretos do IGPM. Com a aplicação dos índices oficiais divulgados pela Fundação Getúlio Vargas, os juros e correção devidos seriam de R$ 1.068.210,75, e não R$ 1.400.662,97, justificando a glosa de R$ 332.452,22. A autuada afirma que utilizou os índices oficiais do IGPM, mas de forma capitalizada, que não é proibida pela legislação. Alega que o crédito da TV Tarobá seria tratado como uma poupança, pelo qual o valor original é atualizado mensalmente, incidindo a correção legal sobre o valor já corrigido no mês anterior, e não sobre o valor originário em cada mês. Enganase a autuada quando afirma que a capitalização dos juros, ou anatocismo, é permitida na legislação. Este procedimento é expressamente vedado pela Súmula 121 do STF, ainda vigente, que assim dispõe: É vedada a capitalização de Fl. 25115DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.116 17 juros, ainda que expressamente convencionada. Logo, concluo que houve erro no cálculo dos juros e correção devidos, concordando com a glosa no valor de R$ 332.452,22. Por todo acima exposto, e principalmente porque não restou comprovado que as Notas Fiscais emitidas em 27/12/2010 incluíssem as despesas com propaganda do período de setembro/2006 a março/2008, voto pela manutenção da glosa de despesas no valor de R$ 5.455.044,16. Desse modo, nego provimento ao recurso em relação a essa parcela da exigência. Cobrança das inserções do período de 2009 e 2010 Em relação ao tema, o início do voto condutor do aresto recorrido resume muito bem essa parcela do litígio: Houve a glosa com despesas de inserções do período de 2009 a 2010, no valor de R$ 9.751.572,44, uma vez que, segundo a fiscalização, houve descumprimento do Contrato de Veiculação de Mídias Publicitárias firmado em 30/12/2008. De acordo com a autoridade fiscal, o contrato estabeleceu a obrigação de ocorrer um número mínimo de 17.000 inserções, mas, das 18.017 inserções apresentadas pela TV Tarobá, restaram comprovadas apenas 15.563. As inserções glosadas e seus motivos estão discriminados na tabela a seguir: 18.017 Total de inserções apresentadas pela TV Tarobá durante ação fiscal () 18 Inserções falhadas ou roteirada. () 58 Inserções de 60 segundos, sendo que o contrato se refere a inserções de 30 segundos. () 213 Inserções de merchandising de 45 segundos, fora do objeto do contrato. () 316 Inserções duplicadas, pois coincidem em data e horário. () 8 Inserções no horário de programa partidário, propaganda eleitoral gratuita, etc. () 79 Inserções que sobrepõe parcialmente outra inserção da própria autuada () 141 Inserções que sobrepõe parcialmente outra inserção de terceiros () 1.621 Inserções que coincidem com horário de exibição de programas transmitidos em rede. 15.563 Total de inserções comprovadas. Em seu recurso, novamente a interessada argui preliminarmente a nulidade do lançamento em razão de suposta inabilidade técnica do fiscal, com conclusões equivocadas e precipitadas, deixando de observar o devido processo legal, cerceando o direito de defesa. Argumenta ainda que a autoridade fiscal teria deixado de comprovar que a despesa não era necessária, usual e normal. Novamente não lhe assiste razão, pois essa matéria diz respeito ao mérito da exigência, e, se confirmados tais vícios, não seriam o caso de nulidade do lançamento, mas sim de cancelamento da exigência em razão de sua improcedência. Não há que se falar, portanto, em preterição de direito de defesa e de nulidade do lançamento. No que diz respeito ao mérito, do mesmo modo realizado na impugnação, a recorrente contestou todas as inserções glosadas, as quais serão analisadas a seguir, de forma individual: 1) 18 inserções falhadas ou roteiradas. Fl. 25116DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.117 18 Segundo a recorrente estas inserções não estariam incluídas no demonstrativo das veiculações consideradas no Contrato celebrado entre as partes. Conforme consta na decisão recorrida, a própria autuada confirma que essas 18 inserções não teriam sido consideradas nas 17.294 inserções citadas no Termo de Assentada. Portanto, como a autoridade fiscal partiu do total de 18.017 inserções apresentadas pela TV Tarobá durante ação fiscal, glosando as inserções que entendeu incabíveis, não há porque se falar em exclusão duplicada. Assim sendo, a glosa das 18 inserções será mantida. 2) 58 inserções de 60 segundos, sendo que o contrato se refere a inserções de 30 segundos. Para a recorrente, as inserções de 60 segundos deveriam ser consideradas duas inserções de 30 segundos no meio televisivo, não havendo razões para a glosa. A decisão recorrida assim concluiu a respeito: Sua alegação não encontra respaldo nos documentos que constam nos autos. Tendo por base o Anexo 02B, fls. 6334, verifico que 50 inserções de 60 segundos, juntamente com as de 30 segundos, ocorreram no mês de julho/2010, e estão na Reserva de Programação nº 143649, de fls. 940/963. De acordo com este documento, o total de inserções para este RP 143649 seria de 739. Ocorre que este valor corresponde a cada inserção, independente do tempo de duração. Se as inserções de 60 segundos fossem consideradas como duas de 30 segundos, conforme a alega a defesa, para fins de cumprimento do Contrato assinado em 30/12/2008, o total de inserções a ser considerado neste mês deveria ser 789 (739 + 50). O mesmo ocorre com as demais 8 inserções de 60 segundos, que ocorreram no mês de junho/2010, também na RP nº 143649, de fls. 909/931. Segundo este relatório, o total de inserções ocorrido seria de 718, independente do tempo. A prevalecer a tese da autuada, no relatório deveria constar 726 inserções (718 + 8). Portanto, concluo que deve ser mantida a glosa das 58 inserções de 60 segundos, por se tratar de veiculação de propaganda fora do escopo do contrato. Entendo assistir razão à recorrente. Não faz sentido não se computar inserções realizadas em tempo mais amplo do que o contratado, como se o serviço não tivesse sido prestado. Se a prestadora de serviço concordou em realizar as inserções em tempo superior ao constante em contrato e não considerou as inserções de 60 segundos como sendo duas de trinta segundos, isso não retira a efetividade do serviço prestado, até mesmo porque, em relação às inserções de 2009 e 2010 a autoridade fiscal não questiona a sua existência como um todo, mas tão somente se teriam sido cumpridas as 17.000 inserções previstas em contrato. Fl. 25117DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.118 19 Por essas razões, restabeleço as 58 inserções para fins de cômputo para verificação do pactuado contratualmente. 3) 213 inserções de merchandising de 45 segundos. Sobre essa glosa, assim consta na decisão recorrida: A autuada afirma que estas inserções deveriam ser consideradas como 1,5 inserções de 30 segundos, pois o que importa é o tempo de exibição. Não procedem as alegações da autuada. A glosa decorre do fato de serem inserções de 45 segundos na modalidade de merchandising, que difere do objeto do contrato, que seriam inserções de 30 segundos na modalidade de inserção rotativa. Além de diferir no tempo, a modalidade rotativa é totalmente diversa da modalidade de merchandising. A primeira modalidade se refere a inserções em horário indeterminado ou rotativo, dentro dos breaks comerciais, sem vínculo com horários ou programas específicos. Já a modalidade de merchandising ocorre quando o produto é anunciado dentro do programa, sendo muito comum em programas de auditório ou de variedades. Inclusive o preço difere, como podemos observar na tabela apresentada pela TV Tarobá, no documento que consta nos autos às fls. 2683: Concluo, portanto, que as 213 inserções de 45 segundos na modalidade merchandising não fazem parte do objeto do Contrato assinado em 30/12/2008, motivo pelo qual será mantida a glosa. Em seu recurso, a recorrente argumenta tão somente a respeito da divergência de tempo, tal qual no item anterior, não atacando, contudo a conclusão da decisão recorrida de que a glosa decorre do fato de serem inserções de 45 segundos na modalidade de merchandising, que difere do objeto do contrato. Nesse ponto, entendo que deva ser mantida a decisão recorrida, pois não se trata do cumprimento da obrigação contratual realizada em maior em menor extensão do que a pactuada, mas sim de serviço distinto do que foi contratado. Não tendo a recorrente atacado tal conclusão, a glosa deve ser mantida. 4) 316 inserções duplicadas, pois coincidem data e hora de exibição. Novamente peço vênia para transcrever os fundamentos da decisão de primeira instância: A autuada afirma que as inserções foram efetivamente veiculadas, mas ocorrendo equívoco na anotação do horário das veiculações. Esclareceu que o operador anota apenas o início do intervalo comercial (break) onde são Fl. 25118DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.119 20 veiculadas as duas ou mais propagandas, e não a hora exata em que ocorre a sua exibição. Para comprovação, apresentou os documentos de fls. 17555/18525, no qual constam os Roteiros de Comercial. Da análise da documentação apresentada, e comparando com os horários que constam nos Comprovantes de Exibição, entregues pela TV Tarobá, constato que a alegação tem fundamento. É possível verificar que, em que pese um mesmo programa ter mais de um comercial da Muffato em um mesmo break (intervalo para os comerciais), os horários de veiculação são coincidentes. A titulo de exemplo de como o auditor fiscal desconsiderou 316 inserções, consta nos Comprovantes de Exibição que foram veiculados no dia 07/01/2009 dois comerciais no mesmo horário, às 11:41:00 hrs, durante o programa Tarobá Cidade: Fls. 546 – Comprovante de Exibição RP. 138382 fls. 554 – Comprovante de Exibição RP. 139742 Diante destas informações, o auditor fiscal desconsiderou uma veiculação, conforme Anexo 02 D, de fls. 6338/6347: Ocorre que, tendo por base o Roteiro de Comercial, é possível verificar que houve duas veiculações de comerciais da autuada no primeiro break, com início às 11:30 hrs: Assim, em que pese o Roteiro de Comercial não especificar o horário de inicio do Break 1, é razoável supor que o mesmo tenha começado às 11:40 hrs, já que o programa Tarobá Cidade começa às 11:30 hrs. Neste contexto, verifico que a alegação da autuada, de que o operador teria informado nos Comprovantes de Exibição o horário do início do break, e não da efetiva veiculação, tem fundamento.[grifo nosso] Logo, analisei todos os Roteiros de Comercial, e foi possível verificar que: a) 232 comerciais foram desconsiderados indevidamente, pois restou comprovado que houve 2 (dois) comerciais no mesmo break (intervalo comercial); Fl. 25119DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.120 21 b) a desconsideração dos demais 84 comerciais será mantida, pois (1) o Roteiro do Comercial não comprovou a exibição de dois comerciais no mesmo Break ou (2) o horário do Roteiro de Comercial não coincide com o Comprovante de Exibição ou (3) não apresentou qualquer prova. Abaixo, tabela com o resumo de todos os comerciais que foram desconsiderados, ordenados pelo dia e hora, com a inclusão de campo de Observação, onde informo se houve a comprovação da efetiva veiculação, ou qual o motivo que mantive a desconsideração: [...] Pelo exposto, mantenho a glosa de 84 inserções comerciais cuja efetiva veiculação não foi comprovada. Em seu recurso a recorrente alega que de acordo com os “comprovantes de exibição” restaria provado que as inserções foram veiculadas, tratandose de comerciais independentes, efetivamente veiculados. Aduz que a respeito das 84 inserções pendentes de comprovação, a DRJ teria somente averiguado o roteiro de programação, e não os “comprovantes de exibição”. Alega que enquanto no roteiro de programação consta apenas uma inserção, aquele espaço teria sido utilizado para a veiculação de duas inserções em praças e sinais diferentes. Cita como exemplo o roteiro de programação RP 138382 que se referiria a inserção veiculada no sinal de Cascavel, no dia 08/01/2009, às 20:47:00 (fl. 547). Para essa mesma inserção indica a RP 139742, também com inserção no 08/01/2009, no mesmo horário (20:47:00), porém no sinal dividido dirigido a Foz do Iguaçu (fl. 555). Compulsando os elementos de prova indicados pela recorrente, entendo não lhe assistir razão. Em primeiro lugar porque ambas as RP indicam os mesmos produtos, veiculados no mesmo programa e horário (“Uma Escolinha Muito Louca”) tendo como “Praça” a cidade de Cascavel. Além disso, ao contrário do que alegado pela recorrente, a detalhada análise realizada pela decisão recorrida levou em consideração os “comprovantes de exibição”, confrontandoos com os roteiros de exibição, e não tomando como base única e exclusivamente os roteiros de programação. Ademais, a recorrente indicou tão somente um exemplo, e mesmo assim insatisfatório, conforme analisado neste item do voto, deixando de demonstrar onde estariam as comprovações das demais 83 inserções cujas glosas foram mantidas. Como consequência, entendo que devam ser mantidas as glosas. 5) 8 inserções exibidas durante programa partidário, horário de propaganda eleitoral gratuita ou de pronunciamentos requisitados pelo TSE. A respeito do tema, assim consta no aresto recorrido: Quanto à exibição de 8 comerciais durante a programação eleitoral, a autuada alega que a fonte de pesquisa é apenas um planejamento, mas que os comprovantes de exibição atestam os fatos no sentido contrário. Fl. 25120DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.121 22 Se engana a autuada quando afirma que a fonte de pesquisa seria apenas um planejamento. Com os documentos obtidos durante a ação fiscal efetuada na Rádio e Televisão Tarobá, foi possível ao auditor fiscal verificar que 8 inserções de comercias da autuada teriam ocorrido durante programa partidário, horário de propaganda eleitoral gratuita ou de pronunciamento requisitados pelo TSE, conforme tabela abaixo: Para que não haja dúvidas, trago parte dos documentos com a demonstração do horário da programação eleitoral: Dia 21/05/2009 Fls. 1796 – Anexo I do Termo de Constatação Fiscal demonstrando exibição do Programa Partidário do PV no horário de 20:30 hrs às 20:40 hrs. Logo, não é possível a exibição de comercial da autuada nos horário de 20:31:00 e 20:31:30. Dia 26/10/2009 Fls. 4191 – Relatório com os horários efetivos da programação, demonstrando o Pronunciamento do Ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias no intervalo de 20:57:50 às 21:00:45. Logo, não é possível exibição de comercial da autuada no horário de 21:00:00. Dia 22/12/2009 Fls. 4439 – Relatório com os horários efetivos da programação, demonstrando o Pronunciamento no intervalo de 19:50:50 às 19:55:35. Logo, não é possível exibição de comercial da autuada no horário de 19:53:30. Dia 18/08/2010 Fls. 5437 – Relatório com os horários efetivos da programação, demonstrando o Horário Eleitoral no intervalo de 20:30:00 às 21:19:59. Logo, não é possível exibição de comercial da autuada no horário de 20:30:00. Fl. 25121DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.122 23 Dia 30/09/2010 Fls. 5621 Relatório com os horários efetivos da programação, demonstrando o Horário Eleitoral no intervalo de 20:30:00 às 20:50:01. Logo, não é possível exibição de comercial da autuada no horário de 20:31:00. Dia 13/10/2010 Fls. 5672 Relatório com os horários efetivos da programação, demonstrando o Horário Eleitoral no intervalo de 13:00:00 às 13:20:00. Logo, não é possível exibição de comercial da autuada no horário de 13:00:30. Dia 23/12/2010 Fls. 5973 Relatório com os horários efetivos da programação, demonstrando o Pronunciamento no intervalo de 20:00:01 às 20:10:56. Logo, não é possível exibição de comercial da autuada no horário de 20:10:00. Pelo exposto, uma vez que a autuada não apresentou documentação que comprovasse que as 8 inserções ocorreram fora do horário destinado à programa partidário, propaganda eleitoral gratuita ou de pronunciamento requisitados pelo TSE, concluo que deve ser mantida a glosa. Novamente a recorrente, em suas alegações, aduz que a decisão baseiase apenas no planejamento repassado para a rede nacional, mas os comprovantes de exibição demonstrariam que as veiculações realmente teriam ocorrido, e as veiculações citadas pela autoridade fiscal autuante divergiriam dos horários que realmente teriam ocorrido as veiculações da recorrente, tratado no documento como “Super Muffato”. Ocorre que, ao contrário do alegado pela recorrente, a decisão da DRJ foi realizada com base nos “comprovantes de exibição”, detalhando que nos horários em que se afirma ter ocorrido tais veiculações a programação efetiva referiase a propaganda eleitoral gratuita. E mais uma vez as alegações da recorrente vieram desacompanhadas de quaisquer elementos que pudessem infirmar as conclusões do aresto recorrido. Por essas razões, voto por manter também essas glosas. 6) 79 inserções cujo horário se sobrepõe a outra inserção da própria autuada. Fl. 25122DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.123 24 Assim consta na decisão recorrida: Segundo o Termo de Verificação Fiscal, esta glosa difere daquela efetuada no item 5, pois não existe uma coincidência exata de data e hora de exibição, mas sim uma sobreposição parcial do horário. E, em sua defesa, a autuada traz as mesmas alegações do item 5, ou seja, que operador informa o início do bloco de intervalo comercial, que comporta mais de uma exibição. Nestes termos, efetuei a mesma análise nos documentos constantes dos autos, concluindo que assiste parcialmente razão à autuada, conforme tabela a seguir elaborada nos mesmos moldes do item 5, sendo que foi possível verificar que: a) 40 comerciais foram desconsiderados indevidamente, pois restou comprovado que houve 2 (dois) comerciais no mesmo break (intervalo comercial); b) a desconsideração dos demais 39 comerciais será mantida, pois (1) o Roteiro do Comercial não comprovou a exibição de dois comerciais no mesmo Break ou (2) o horário do Roteiro de Comercial não coincide com o Comprovante de Exibição. [...] Em seu recurso a recorrente alega restaria provado que as inserções foram veiculadas, tratandose de comerciais independentes, efetivamente veiculados em duas inserções em praças e sinais diferentes. Cita como exemplo o roteiro de programação RP 143649 que se referiria a inserção veiculada no sinal de Cascavel, no dia 13/04/2010, às 00:29:29h (fl. 18.655). Para essa mesma inserção indica a RP 143650, também com inserção em 13/04/2010, no mesmo horário (00:29:29h), porém no sinal dividido dirigido a Foz do Iguaçu (fl. 18.654). Compulsando os elementos de prova indicados pela recorrente, entendo não lhe assistir razão. Em primeiro lugar porque ambas as RP indicam os mesmos produtos, veiculados no mesmo programa e horário (“Jornal da Noite”) tendo como “Praça” a cidade de Cascavel. Além disso, ao contrário do que alegado pela recorrente, a detalhada análise realizada pela decisão recorrida levou em consideração os “comprovantes de exibição”, confrontandoos com os roteiros de exibição, e não tomando como base única e exclusivamente os roteiros de programação. Ademais, a recorrente indicou tão somente um exemplo, e mesmo assim insatisfatório, conforme analisado neste item do voto, deixando de demonstrar onde estariam as comprovações das demais 38 inserções cujas glosas foram mantidas. Assim sendo, confirmo a decisão recorrida em relação a esse ponto. 7) 141 inserções cujo horário se sobrepõe a outra inserção de terceiros Assim consta no aresto recorrido: Fl. 25123DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.124 25 Segundo o Termo de Verificação Fiscal, foi constatado que houve 141 inserções que coincidiam totalmente ou parcialmente com a inserção de comercial de outra empresa. E, em sua defesa, a autuada traz as mesmas alegações do item 5, ou seja, que operador informa o início do bloco de intervalo comercial, que comporta mais de uma exibição. Nestes termos, efetuei a mesma análise nos documentos constantes dos autos, concluindo que assiste parcialmente razão à autuada, conforme tabela a seguir elaborada nos mesmos moldes do item 5, sendo que foi possível verificar que: 1) 97 comerciais foram desconsiderados indevidamente, pois restou comprovado que houve 2 (dois) comerciais no mesmo break (intervalo comercial); 2) a desconsideração dos demais 44 comerciais será mantida, pois (1) o Roteiro do Comercial não comprovou a exibição de dois comerciais no mesmo Break ou (2) não houve apresentação de contestação. [...] Assim como nos itens anteriores, alega a recorrente que as inserções teriam sido veiculadas em praças distintas. Contudo, do mesmo modo que analisado anteriormente, os comprovantes de exibição a que se refere identificam os mesmos programas veiculados nas mesmas cidades, devendo se confirmada a decisão recorrida. 8) 1621 inserções que coincidem com o horário de exibição de programas transmitidos em rede. Em relação ao tema, assim consta na decisão de primeira instância: A autuada se defende afirmando que os documentos apresentados pela Rede Bandeirante com os horários de exibição dos programas seriam apenas um planejamento da utilização do tempo a ser aplicado, mas, por se tratarem de programação ao vivo, sofrem alterações por diversos fatores. Esclarece, ainda, que desfruta de situação privilegiada, que resulta em uma programação local diversificada e diferente das demais afiliadas, destoando do planejamento fornecido pela Rede Bandeirante ao auditor fiscal. Como comprovação, apresenta os roteiros da Rede Bandeirantes evidenciando que existem break’s nacionais e locais, neste último inserido os programas locais. Não têm cabimento tais alegações. Da análise dos documentos que constam nos autos, verifico que a Rede Bandeirante forneceu, além da grade da programação, o demonstrativo do horário exato da veiculação dos programas que, conforme a própria autuada afirma, são exibidos ao vivo. Abaixo, uma parte deste demonstrativo do dia 01/01/2009, da exibição do Primeiro Jornal, fls. 3156: Fl. 25124DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.125 26 Destaco que o fato de ser uma programação ao vivo me permite concluir ser descabida a alegação de que a autuada, como afiliada da Rede Bandeirantes, tem o privilégio de alterar os horários, com uma programação local. Além disso, os documentos que apresentou juntamente com a impugnação tratamse de Roteiros de Programação, nos quais estão registrados os horários iniciais dos programas e quantos breaks terão. Mas não há qualquer especificidade quanto ao início de fato dos comerciais. O campo “Horário de Início” não foi preenchido. Para facilitar a comparação, destaco o Roteiro de Programação para o dia 01/01/2009, também da exibição do Primeiro Jornal, fls. 9652: Ainda considerando o demonstrativo do dia 01/01/2009, concluo que a exibição de um comercial da autuada no horário de 08:08:00 ocorreu durante a exibição do Primeiro Jornal, motivo pelo qual deve ser desconsiderado para fins de verificar o cumprimento do Contrato assinado em 30/12/2008, conforme acertadamente fez o auditor fiscal: Fl. 25125DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.126 27 Logo, devem ser mantidas a glosa da 1.621 inserções que coincidiram com a exibição dos programas gerados pela Rede Bandeirantes. Ao contrário do ocorrido nos itens anteriores, nesse ponto a recorrente anexou aos autos documentos que comprovam cabalmente que TV Tarobá poderia veicular inserções locais da recorrente em horários nos quais estariam sendo transmitidos os programas de rede nacional. Anexou ainda cópias de roteiros da Rede Bandeirantes onde resta evidenciado que existem, além dos break´s nacionais, também os break´s locais, nos quais são inseridos comerciais locais durante o programa nacional, os quais, de fato, podem até coincidir, mas, em hipótese alguma, se sobrepor ao veiculado em rede nacional. As eventuais diferenças de horários, a meu ver, mostramse explicadas em razão da dinâmica das transmissões ao vivo que, em razão de notícias extraordinárias ou reportagens ao vivo, podem, de fato, ser distintas da programação original. Há ainda nos autos guia de programação, por período, da Band Nacional, com a formatação de break que diverge da grade de programação local da TV Tarobá, demonstrando que, de fato, há programas exibidos localmente em detrimento da programação nacional, o que explica também a coincidência dos horários das inserções objeto de glosa com programas transmitidos nacionalmente pela Rede Bandeirantes. Por essas razões, entendo que essa glosa de 1621 inserções deve ser revertida. CONCLUSÃO QUANTO ÀS GLOSAS Pois bem, após análise do recurso, cumpre verificar se o Contrato de Veiculação de Mídias Publicitárias, firmado em 30/12/2008 efetivamente restou cumprido, com a veiculação obrigatória de, no mínimo, 17.000 inserções. Utilizando o mesmo quadro elaborado pela decisão recorrida, cabe reajustar a tabela com as glosas efetuadas na auditoria fiscal, as revertidas pela DRJ e as revertidas neste voto, considerando as conclusões dos parágrafos anteriores: 18.017 Total de inserções apresentadas pela TV Tarobá durante ação fiscal () 18 Inserções falhadas ou roteirada. X Inserções de 60 segundos, sendo que o contrato se refere a inserções de 30 segundos. () 213 Inserções de merchandising de 45 segundos, fora do objeto do contrato. () 84 Inserções duplicadas, pois coincidem em data e horário. () 8 Inserções no horário de programa partidário, propaganda eleitoral gratuita, etc. () 39 Inserções que sobrepõe parcialmente outra inserção da própria autuada () 44 Inserções que sobrepõe parcialmente outra inserção de terceiros X Inserções que coincidem com horário de exibição de programas transmitidos em rede. 17.611 Total de inserções comprovadas. Conforme se observa, a recorrente logrou comprovar que a cláusula que exigia o mínimo de 17.000 inserções constante do Contrato de Veiculação de Mídias Publicitárias foi cumprida, uma vez que estão comprovadas 17.611 inserções. No que diz respeito às alegações de ausência de pagamento por meio de manobras contábeis, entendo haver uma contradição tanto no lançamento quanto na decisão recorrida: se mesmo a fiscalização já havia considerado haver comprovação da maioria das inserções objeto de contrato, e, conforme a DRJ “é mister esclarecer que a glosa das despesas Fl. 25126DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.127 28 ocorreu em função da falta de comprovação da efetiva veiculação das inserções, e não do preço praticado ou demais constatações feitas durante a auditoria fiscal”, o fato de haver ou não o pagamento, sendo a quitação feita por meio de manobras contábeis para quitar a suposta obrigação, mostrase irrelevante, pois não se demonstrou abuso nos valores pactuados e o serviço efetivamente foi prestado. Desse modo, voto por restabelecer a dedução de despesa do valor de R$ 9.751.571,44 relativo a despesas com publicidade do período de 2009 e 2010. Considerando que a qualificação da penalidade estava ligada às supostas manobras contábeis utilizada pela recorrente, mas, de modo contraditório tanto a autoridade fiscal lançadora quanto a decisão de primeira instância aceitaram diversas confirmações de prestação de serviço com os supostos mesmos vícios na comprovação do pagamento, e o voto foi por cancelar a segunda exigência, entendo que a multa qualificada, de toda forma, não deve prevalecer, devendo ser reduzida, na parcela da exigência mantida, ao percentual de 75%, uma vez que, nesse cenário, restou ausente qualquer comprovação de sonegação, fraude ou conluio (arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1.964, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996) no que diz respeito à glosa decorrente de supostos débitos residuais referentes aos serviços prestados nos anoscalendário de 2006 a 2008. INFRAÇÃO GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL Conforme se observa às fls. 6.662 e 6.672, no 4º trimestre de 2010 o contribuinte havia apurado, respectivamente, prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no montante de R$ 2.656.554,55. Com a lavratura do auto de infração reverteuse no 4º trimestre/2010 o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL apurados pelo contribuinte, zerandose o saldo de prejuízos fiscais e bases negativas passíveis de compensação nos períodos posteriores. Como o contribuinte havia apurado lucro real e base de cálculo positiva de CSLL no 1º trimestre do anocalendário de 2011, houvera aproveitado os saldos de prejuízos de R$ 2.656.554,55 apurados originalmente no 4º trimestre do anocalendário de 2010. Como tais prejuízos já haviam sido utilizados de ofício na lavratura dos autos de infração relativos ao anocalendário de 2010 (por ser mais benéfico ao contribuinte em relação aos juros moratórios cobrados), houve a lavratura de auto de infração também para o 1º trimestre/2011 em razão de glosa da compensação do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Como resultado, foi apurado crédito tributário de IRPJ no valor de R$ 664.138,64, com multa de ofício qualificada de 150%. Já o crédito tributário de CSLL é de R$ 239.089,91, com multa de ofício de 75%. Como a decisão recorrida havia mantido o lançamento para o 4º trimestre/2010, manteve também o auto de infração lavrado para o 1º trimestre/2011, reduzindo, contudo, a multa aplicada para o percentual de 75%. Considerando que o presente voto restabeleceu parcialmente a glosa de despesa referente ao 4º trimestre de 2010, há de se observar se a infração por glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL (1º trimestre de 2011), ainda persiste. Fl. 25127DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.128 29 Pois bem, do total de glosa de R$ 15.206.216,60, que havia revertido o prejuízo fiscal e base negativa de CSLL para um resultado positivo de R$ 12.549.662,05 (fls. 6.662 e 6.672), no presente voto decidiuse por restabelecer a dedução de R$ 9.751.571,44, implicando a apuração, de ofício, de lucro real e de base de cálculo de CSLL no valor de R$ 2.798.090,61 para o 4º trimestre de 2010, já compensados os saldos de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL originalmente apurados no valor de R$ 2.656.554,55. Desse modo, mesmo com o provimento parcial do recurso voluntário em relação à glosa levada a efeito pela fiscalização no período de apuração do 4º trimestre de 2010, mantevese o consumo integral do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL naquele mesmo período, não restando saldos a serem compensados no 1º trimestre de 2011. Portanto, voto por manter a infração relativa à glosa de compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, negandose provimento ao recurso voluntário nesse ponto. DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou a recorrente que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação Fl. 25128DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.129 30 sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. Fl. 25129DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.130 31 A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser Fl. 25130DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.131 32 acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação Fl. 25131DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.132 33 no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Fl. 25132DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.133 34 Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Assim sendo, voto por manter tal exigência. Fl. 25133DF CARF MF Processo nº 10935.723481/201441 Acórdão n.º 1301002.530 S1C3T1 Fl. 25.134 35 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas no valor de R$ 9.751.572,44 referente ao anocalendário de 2010 e reduzir a multa para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 25134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912786/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2005
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 86 /2 00 9- 06 Fl. 489DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 05), referente ao PER/DCOMP nº 36611.54617.311005.1.3.046138. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$2.082,56, representado por Darf recolhido em 31/01/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10680.912786/200906 Acórdão n.º 3302004.608 S3C3T2 Fl. 490 3 para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade e, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: Fl. 491DF CARF MF 4 a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que prevê a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.447, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10680.912786/200906 Acórdão n.º 3302004.608 S3C3T2 Fl. 491 5 a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança (fls. 208/210) e as peças do citado processo encontravamse às fls. 211/411. b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DACON Exclusões da Base de Cálculo do PIS – fevereiro de 2005 = R$ 7.563.852,48”, em que demonstrada “única divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete, em valor irrisório. Dessa forma, s.m.j., concluo que as únicas exclusões efetuadas na base de cálculo do Pis foram as informadas pelo contribuinte.”; c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF, por meio do documento juntado aos autos. Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido Fl. 493DF CARF MF 6 em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10680.912786/200906 Acórdão n.º 3302004.608 S3C3T2 Fl. 492 7 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) as duas divergências apontadas no relatório fiscal de valor pouco significativo decorreram de mero erro contábil, mas que não impossibilitava a confirmação, pelo fiscal, dos valores que compuseram as exclusões da base de cálculo do “PIS Faturamento, que não envolvem nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, em especial as sobras”; c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho Fl. 495DF CARF MF 8 médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito a legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingese em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) e se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação a primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10680.912786/200906 Acórdão n.º 3302004.608 S3C3T2 Fl. 493 9 I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; Fl. 497DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e implica perda do mandato nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravamse nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10680.912786/200906 Acórdão n.º 3302004.608 S3C3T2 Fl. 494 11 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu, in verbis: Verificase que, para este mês, há uma única divergência entre a memória de cálculo e os valores no balancete, em valor irrisório. Dessa forma, s.m.j., concluo que as únicas exclusões efetuadas na base de cálculo do Pis foram as informadas pelo contribuinte. De fato, com base nos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirmase que a referida divergência foi resultado de mero equívoco de natureza contábil/algébrico cometido pela recorrente. Assim, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 499DF CARF MF 12 José Fernandes do Nascimento Fl. 500DF CARF MF
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